Skip to main content

RELATÓRIO METODOLÓGICO - ELIONEIDE BESERRA DA SILVA

Page 1

UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL

ELIONEIDE BESERRA DA SILVA

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO

São Paulo 2019


ELIONEIDE BESERRA DA SILVA

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO

Projeto

de

pesquisa

apresentado

à

Universidade Cruzeiro do Sul como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de bacharel em Jornalismo, sob orientação do Profº Me. Luiz Lazaro.

São Paulo 2019


Dedico este projeto primeiramento a Deus, porque como meu pai sempre diz “Sem Deus não somos nada”. Dedico também ao meu pai por toda educação, inspiração, conselhos e esforços para que eu tivesse a melhor educação possível. Dedico à minha mãe por todos os cafés feitos às 4h50 da manhã para que eu conseguisse prestar atenção na aula, obrigado por me encorajar todas às vezes que chorei, obrigado por todas às vezes que você pediu que eu tivesse fé e só acreditasse, porque eu iria conseguir. Mãe, a realização deste projeto tem muito de você e é para você, que foi privada de ter conhecimento quando pequena. Devo minha vida à vocês.


Nesses quatro anos de faculdade conheci muitas pessoas que me moldaram, moldaram à pessoas que eu sou hoje. Nesses quatro anos sorri, surtei, chorei, chorei mais um pouco e em todos os momentos tive a mão de algumas pessoas para segurar. Rauena, obrigado por ser minha companheira de surto e por ter se tornado minha melhor amiga. Queila, obrigado por todos os conselhos, me sinto tão bem quanto converso contigo porque vejo muito de Deus em você. Joana, obrigado por todos os “você quer um abraço”, obrigado por ter sido minha primeira quando o mundo universitário era muito mais assustar pra mim. Dona Bia Dória, obrigado por ser minha supervisora, amiga, revisora e terapeuta nas horas vagas. Obrigado por todas as vezes que você disse “Calma, não precisa surtar agora”. Agradeço aos meus professoras, pelo esforço à formação de novos jornalistas, todos vocês me inspiraram à nunca desistir da minha vida acadêmica e principalmente à nunca mais sair dela.


Formato: Livro Reportagem Título: O Silêncio Delas Número de páginas: 77 Número de capítulos: 8 capítulos Autora: Elioneide Silva Diagramação: Elioneide Silva e Acza Tertuliano Revisão: Camila Crepaldi e Juliana Gaspar Foto da capa: Elioneide Silva Idioma: Português Edição: 1º Ano: 2019 Dimensões 14 x 21


RESUMO O livro “O Silêncio Delas” é um projeto experimental produzido como Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Cruzeiro do Sul. O Silêncio delas é uma obra literária contendo relatos de mulheres que vivem ou viveram em algum momento de suas vidas em situação de violência seja ela física, sexual, moral e ou psicológica. Ao narrar a história dessas mulheres, o livro-reportagem torna-se um divisor de águas na vida de outras vítimas, mostrando que ainda há esperanças. A narrativa é construida a partir do olhar da autora sobre as vítimas, relatando e às tornando protagonistas de sua própria história.

Palavras-chave:

Violência.

Protagonismo. Esperança.

Mulheres.

Feminicídio.

Superação.


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...................................................................... 8 2. OBJETIVOS .......................................................................... 11 3. PROBLEMA E HIPÓTESE ................................................... 12 4. JUSTIFICATIVA ...................................................................... 13 5. PLANO ESTRÁTEGICO...........................................................14 

Descrição do produto..............................................................14

Estrátegias para definião de layout.........................................14

Plúblico a ser atingido............................................................ 15

6. REFERENCIAL TÉORICO ...................................................... 16 7. REFERÊNCIAS ........................................................................19 8. CRONOGRAMA ...................................................................... 21 9. ORÇAMENTO ..........................................................................22 10. APÊNDECES ..........................................................................23 11. DIÁRIO DE CAMPO ................................................................32 12. ANEXOS ..................................................................................34


1. Introdução

Este relaótio refere-se a produção jornalística, investigativa e literária, que deu origem ao livro reportagem “O Silêncio Delas”. O livro é composto pelo relato de 9 mulheres que vivem ou viveram em algum momento de suas vidas em situação de violência seja ela física, sexual, moral e ou psicológica. Ao mesmo tempo que enfoca a condição de gênero como categoria de análise central para a comprrensão da dinâmica deste fenômeno, particuparlmente adotado um posicionamento politíco feminista, sobre a questão. Abordado neste projeto como questão central do cotidiano da mulher, a violência se materializa de diversas formas sendo elas: agressão física, verbal, sexual, desvalorização, psicólogico, moral, patrimonial e também podem ser qualificadas como violência o chamado mansplaining, termo criado da junção das palavras em inglês man e explain, que nada mais é quando um homem tenta explicar algo para uma mulher, o que muitas vezes se refere à assuntos óbvios e ou que a mulher tenha total domínio. O termo foi inspirado pelo ensaio da escritora Rebecca Solnit, chamado “Os homens Explicam Tudo Pra Mim”, de 2018. Apesar de as mulheres serem 51% da população brasileira, de acordo com dados do último censo ralizado pelo IBGE (2010) 1, quando se fala sobre os direitos é comum sempre associarmos mulheres a minoria. Neste caso não é apenas uma numérica e sim com a posição estrutural que ocupam na sociedade, sendo sempre o Outro. Essas questões estão longe de ser novas; já lhes foram dadas numerosas respostas, mas o simples fato de ser a mulher o Outro contesta todas as justificações que os homens lhe puderam dar: eram-lhes evidentemente ditadas pelo interesse. (BEAUVOIR, 2016, p 18)

Os números mostram que não há separação entre os espaços públicos e privados, a morte anda à espreita, dentro e fora de casa, no transporte 1

Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/populacao-que-se-declara-preta-cresce-149-no-brasil-em-4anos-aponta-ibge.ghtml


público e até mesmo no trabalho. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, entre janeiro e julho de 2018, o ligue 180, canal de atendimento às mulheres em situação de violência, registrou 665 tentativas de assassinatos. Ainda no ano de 2018, segundo o levantamento feito pelo Data Folha encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 16 milhões de brasileiras acima de 16 anos sofreram algum tipo de violência sendo 3% no brar ou na balada, 8% no ambiente de trabalho, 8% na internet por meio de rede socais ou aplicativos, 29% na rua e 42% em casa. O número de mulheres agredidas alcança quase 5 milhões uma média de 536 mulheres agredidas por hora e 177 espancadas. A pesquisa ainda aponta que 76,4% das mulheres conheciam seus agressores. Mas, o número pode ser maior, já que nem toda mulher realiza a denúncia, ainda segundo a pequisa do Data Folha realizada em 2019, quando perguntado o que as mulheres faziam após a agressão 25% responderam “nada”, ou seja não denunciaram a agressão a ninguém, e sequer chamaram a polícia. Homens andam livremente pelas ruas e não são submetidos aos mesmos contragimentos que as mulheres. Porque exemplo, homens não precisam pensar na roupa que sairão de casa, se o trajeto que eles irão percorrer é perigoso ou não. Homens tem mais direitos assegurados, começando pelo básico da segurança e do livre arbítrio. Homens são mortos, mas sempre é caracterizado como violência urbana, enquanto mulheres são vitimas de feminicídio2 ou seja mulheres são mortas, apenas por serem mulheres. Criada depois de Adão, é evidentemente um ser secundário, dizem uns; ao contrário, dizem outros, Adão era apenas um esboço e Deus alcançou a perfeição do ser humano quando criou Eva; seu cérebro é o menor, mas é relativamente o maior; e se Cristo se fez homem foi possivelmente por humildade. Cada argumento sugere imediatamente seu contrário e não raro ambos são falhos.... Se quisermos ver com clareza devemos sair desses trilhos; precisamos recusar as noções vagas de superioridade, inferioridade, igualdade que desvirtuam todas as discussões e reiniciar do começo. (BEAUVOIR, 2016, p. 22)

2

Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/feminicidio.htm#targetText=Feminic%C3%ADdio%20%C 3%A9%20o%20homic%C3%ADdio%20cometido,dom%C3%A9stica%20ou%20discrimina%C3%A 7%C3%A3o%20de%20g%C3%AAnero.


Em 2019 um levantamento realizado pela Defensoria Pública mostra que em apenas 30 municípios paulistas existe o acolhimento sigiloso para mulheres ou seja apenas 4,6% do total de municípios oferece o serviço. Serviço esse que se faz necessário e obrigatório em situações emergenciais conforme a Lei Maria da Penha

3

(Lei nº 11.340/2006). Uma pequisa

realizada pelo Data Popular e Intituto Patrícia Galvão relevou que 98% dos brasileiros conhecem mesmo de ouvir falar, a Lei Maria da Penha, e 86% acham que as mulherem passaram a denunciar mais os casos de violência após a criação da Lei. Quando o recorte geográfico foi realizado, foi notado que a situação é mais agravante, pois o único Centro de Referência à Mulher (CRM) da Zona leste, localizado no bairro de São Miguel Paulista, extremo leste da Cidade fehcou às portas em fevereiro de 2017, devido a um impasse entre a Secretária de Direitos Humanos e Cidadania e a AMZOL (Associação de Mulheres da Zona Leste), órgão responsável pela manutenção do local.

3

Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm


2. Ojetivos Eis aqui alguns objetivos do processo de escrita do livro reportagem. Contar os relatos de mulheres reais e não apenas com base em dados disponibilizados pelos orgãos públicos ou privados para a imprensa mediante a notas ou relatórios anuais. Obter da forma menos dolorosa possível para as entrevistadas suas histórias. Para obter com exito este item foi construída uma relação com base na empatia, confiança e respeito com as fontes. Levar relatos para mulheres e meninas sobre a violência de gênero e romper mesmo que minimamente essa questão na sociedade, julgo a dizer que talvez esse seja um dos maiores objetivos deste livro reportagem.


3. Problematização e Hipóteses O problema de pesquisa identificado para a construção do livro reportagem diz respeito as mulheres agredidas e como elas se relacionam com seus agressores. A grande questão durante a construção foi: O que está por trás das histórias dessas mulheres nos mais diversos ambientes? Para responder essa questão, considero quatro hipóteses: I.Em alguns casos as mulheres não trabalham e dependem

financeiramente

de

seus

parceiros

agressores, portanto, não conseguem sair do ciclo da violência. II.Algumas mulheres são minadas por seus agressores de tal forma a perder sua própria essência e vontade, afastando assim de amigos e familiares e ao final acabam sozinhas com seus agressores. III.Os agressores fazem ameaças a elas, seus filhos e até mesmo seus familiares por exemplo pai ou mãe e por medo

que

algo

aconteça

eles,

elas

acabam

permanecendo na relação. IV.No caso da violência dentro do transporte público, alguns mulheres permacem em silêncio por medo de gritar. Enquanto seus abusadores se sentem seguros para cometer o ato mesmo com o transporte público lotado, pois de alguma forma eles sabem que não serão pegos, pois elas permancerão em silêncio por medo.


4. Justificativa Segundo a Juíza do Fórum de São Miguel Paulista, Drª Vanessa Carolina Fernandes Ferrari, apresentar o dado de 75 mil mulheres vítimas de violência na Zona Lesre de São Paulo, em uma reunião. A partir de então havia sido definido o recorte geográfico do livro reportagem. Durante o processo de pesquisa de campo, uma diculdade foi identificada, haviam muitas fontes, mas poucas queriam falar sobre isso, pois algumas mulheres ainda viviam com seus agressores e outras simplesmente não conseguirem falar sobre as violências sofridas. A escolha do formato livro reportagem se deu pela “facilidade” em abordar as fontes, argumentando que elas não precisariam se identificar em momento algum.

Nada mais tedioso do que os livros que traçam a vida de mulheres ilustres: são pálidas figuras ao lado das dos grandes homens; em sua maioria banham-se na sombra de algum herói masculino. (BEAUVOIR, 2019, p 20).

O gênero escolhido para o livro reportagem foi o jornalismo litérrario, para que assim fosse possível ir até o passado das mulheres contando seus relatos e voltando para o futuro. Desta forma foi possível contar a história da percebeção da autora (narradora) e ao mesmo tempo dar voz as mulheres, as transformando em personagens principais.


5. Plano estrátegico 

Descrição do Prdouto O livro reportagem refere-se a violência de gênero que nove mulheres

viveram ao longo de suas vidas, seja no espaço privado ou público. Durante a leitura do livro o autor se depara com passado e presente contadas de forma literária, na voz da narradora e das próprias mulheres. 

Estrátegias para definição de layout A escolha do nome O Silêncio Delas, remete ao fato de que muitas

mulheres por muitos anos de suas vidas se mantiveram em silêncio, sem contar para qualquer pessoa sobre a violência sofrida. Além de fazer alusão ao livro A Espiral do Silêncio – Opinião pública: nosso tecido social, da renomada autora alemã Elisabeth Noelle-Neumann, téoria usada para justificar o silêncio dessas mulheres. A capa do livro trabalha com layout que remete a colagens de revistas, usando frases soltas tiradas de matérias sobre o tema da violência de gênero. As frases em caixa alta em tom de vermelho remetem ao agressor e as palavras ditas por eles, a cor em vermelho foi usado para remeter ao sangue da violência. A foto da capa foi produzida em estúdio na própria universidade, uma maquiagem foi feita na modelo para ao primeiro contato com o tema o leitor já entendesse que o livro se trata de violência contra a mulher. A analogia para começar se deu a partir do primeiro capítulo, onde defino ali o incomodo de falar sobre o assunto da violência, mais adiante já nos capitulos dois e três, é dito ao leitor que o livro não será feito em base de dados e sim a partir do relato de mulheres reais. O nome dado ao três capítulo “os primeiros relatos”, começa exatamente com as sensações ao ler o primeiro relato. O capítulo quatro fala conta a história de duas fontes, onde o relacioamento de ambas começa da mesma maneira, sendo perfeito, mas cada um tem seu próprio final. Já no capítulo cinco “desembarque pelo lado esquerdo do trem” o relato de uma vítima sobre o dia em que foi assediada sexualmente dentro


do trem. O capítulo seis é divido em duas partes, pois nesta parte é apresentada duas novas personagens que são primas, mas novamente ao final do capítulo cada uma tem sua própria história, mas ao mesmo tempo elas acabam se cruzando. Os capítulos sete se remete ao processo legal que a mulher vítima deve seguir a partir do momento que comparece a uma delegacia, já o capítulo oito conversa com o leitor sobre as impressões ao final do livro e sobre as diferentes histórias ditas nele. Para preservar as fontes do livro muito se pensou como isso seria feito sem confundir o leitor, uma vez que oito mulheres foram entrevistadas. Após muito se pensar sobre como isso seria feito foi decidido que o nome das fontes seria presevardo, utilizando o nome de mulheres e meninas mortas em decorrencia do feminicídio, desse modo a fonte foi preservada e o nome de mulheres que morreram não serão esquecidos. O tamanho estabelecido para o livro foram as medidas de 14 x 21 com impressão em papel pólen, em formato de encardenação brochura com orelhas, com fonte garamond doze. A número das páginas estara localizada no canto inferior. Ao todo serão 80 páginas 

Público a ser atingido O livro livro reportagem tem como público alvo mulheres e meninas.


6. Referencial Téorico

Para desenvolver este livro reportagem foi utlizado um formulário na plataforma Google para chegar até as possiveis fontes que morassem na região do recorte geográfico. O livro Jornalsimo Literário, do autor Felipe Pena, foi utilizado durante todo o processo de escrita do livro para sanar duvidas, bem como os livros O Segundo Sexo da renomada autora Simone de Beauvoir. Durante todo o processo de escrita do livro foi utilizado o Minimanual de Jornalismo Humanizado 4– Violência Contra a mulher, para realiazar as entrevistas da melhor forma possível. Segundo o Código Penal Brasileiro5, feminicídio6 é definido como crime hediondo, tipificado nos seguintes termos: VI - Contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: § 2º - A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: I - Violência doméstica e familiar; II - Menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Entretanto, essa reprodução da ideologia dominante também pode ser explicada pela própria relação entre a mídia e a opinião pública, como inscrito na teoria da espiral do silêncio. (PENA, 2005, pag 155).

Segundo o Dossiê Feminicídio da Agenda Patrícia Galvão7 , ele explica que o conceito surgiu na década de 1970 a fim de reconhecer e viabilizar à discriminação sofrida por mulheres, que muitas vezes termina em sua morte. Eleonora Menicucci, socióloga e professora titular de saúde coletiva da

4

Disponível em: https://think-olga.s3.amazonaws.com/pdf/violencia_contra_mulher.pdf Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm . ACESSO REALIZADO EM 16/05/2019 6 Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 . ACESSO REALIZADO EM 16/05/2019 7 Disponível https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/feminicidio/capitulos/o-que-e-feminicidio/ ACESSO REALIZADO EM 29/05/2019 5


Universidade Federal de Sõa Paulo, foi ministra da Secretária de Políticas para as Mulheres entre 2012 e 2015, ela diz que “Essa forma de assassinato não constitui um evento isolado e nem repentino ou inesperado; ao contrário, faz parte de um processo contínuo de violências, cujas raízes misóginas caracterizam o uso de violência extrema. Inclui uma vasta gama de abusos, desde verbais, físicos e sexuais, como o estupro, e diversas formas de mutilação e de barbárie.” Segundo Noelle-Neumann (1982), “As pessoas tendem a esconder opiniões contrarias à ideologia majoritária, o que dificulta a mudança de hábitos.” Isso se aplica às mulheres, uma vez que elas acabam optando pelo silêncio após a agressão, essa atitude é causada pelo medo da solidão social e do julgamento, entrando assim em uma espiral do silêncio. No Hebdo-Latin um estudante declarava há dias: “Toda estudante que consegue uma posição de médico ou de advogado rouba-nos um lugar.” Esse rapaz não duvidava, um só instante de seus próprios direitos sobre o mundo. (BEAUVOIR, 2016, p 21).

Seja pelo pai, marido, pela religião ou pelo patriarcado, mulheres por vezes são proibidas de irem à escola e ter o direito básico de estudar, as proibições não acontecem apenas pelo desejo de proibir o direito a educação, mas sim por persistir na violência de gênero. A história de Malala Yousafzai comoveu o mundo quando no dia 09 de outubro de 2019, na época com 15 anos, foi baleada no rosto, Malala 2013 “Uma das balas entrou perto meu olho esquerdo e saiu abaixo do meu ombro direto”, narra a garota sobre o dia em que quase morreu. Malala na época morava no Vale Swat na província de Khyber Paktunkhwa, nordeste do Paquistão, onde os talibãs locais impedem até hoje as jovens de frequentar a escola. Insisti neste exemplo porque nele a ingenuidade masculina é desarmante. Há muitas outras maneiras mais sutis mediante as quais os homens tiram proveito da alteridade da mulher. Para todos os que sofrem de complexo de inferioridade, há nisso um linimento milagroso: ninguém é mais arrogante em relação às mulheres, mais agressivo ou desdenhoso do que o homem que duvida de sua virilidade. (BEAUVOIR, 2016, p 22)

Seja no Vale Swat ou em uma cidade pequena do nordeste brasileiro chamado Ibirajuba, mulheres são proibidas de estudar, Quitéria Beserra, 61, hoje analfabeta, se lembra bem das vezes que tentou ir à escola e foi proibida por seu pai, que chegou a dar chicotadas de carro de boa em suas costas, para proibir que a filha fosse a escola. Essas são outras duas formas de violência que iremos abordar


durante este projeto e durante o processo de criação do projeto experimental.


7.

Referências

BRASÍLIA. Governo Federal. Secretaria Especial de Políticas Para As Mulheres (Org.). Programa de Prevenção, Assistência e Combate à Violência Contra a Mulher: Plano Nacional: Diálogos sobre a violência doméstica e de gênero: construindo Políticas para as Mulheres. Brasília, 2003. 68 p.

BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo: Volume 1 Fatos e Mitos. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. 339 p. Tradução de Sérgio Milliet.

BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo: Volume 2 a experiência vivida. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. 557 p. Tradução de Sérgio Milliet. MILLER, T. Christian; ARMSTRONG, Ken. Falsa acusação uma história verdadeira. Rio de Janeiro: Leya, 2018. 336 p. Tradução de Daniela Belmiro.

ELUF, Luiza Naib. A Paixão no Banco dos Réus: Casos passionais cêlebres: de Pontes Visgueiro a Pimenta Neves. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. 267 p.

PENA, Felipe. Jornalismo literário. 1. São Paulo (SP): Contexto, 2006. 144 p.

PENA, Felipe. Teoria do Jornalismo. 3. ed. São Paulo: Editora Contexto, 2017. 235 p. ARMAND; MATTELART, Michèle. História das teorias da comunicação. 16. ed. São Paulo: Editora Loyola, 2014. 227 p. Tradução Luiz Paulo Rouanet. YOUSAFZAI, Malala; LAMB, Christina (Comp.). Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. 342 p. Vários tradutores.


SOLNIT, Rebecca. Os Homens Explicam Tudo Para Mim. 4. ed. São Paulo: Cultrix, 2017. 204 p. Tradução: Isa Mara Lando.


8.

Cronograma


9.

Orçamento Para este projeto foram deixados em caixa o valor de R$ 700,00

para a impressão do livro, compra de livros para leitura e impressão de dissertações e artigos para obter conteúdos.


10.

Apêndeces

Transcrições

Fonte 1 - Você vai ser a primeira pessoa a saber disso além de Deus, nunca tive coragem de falar sobre isso com ninguém e algo que aconteceu a muitos anos mais toda vez que o assunto aparece parece que a presença dele me acompanha como se a gente tivesse alguma ligação além do ódio que sinto por ele. Eu tinha 10 anos quando aconteceu pela primeira vez, meus pais não tinham um relacionamento saudável meu pai agredia minha mãe sempre já não aguentava presenciar aquelas brigas e agressões decidi ir morar com um tio meu que hoje já é falecido. Era meu primeiro natal longe de casa, longe da minha mãe e irmão. Fomos convidados para passar a ceia na casa desse homem que por sinal era casado e tinha duas filhas já casadas e com filhos. Ele tinha na época entre 52/54 anos um demônio em forma de homem ele se aproximou de mim no sofá colocou a mão na minha perna e começou a falar coisas. Desculpe mais não consigo repetir ás palavras. Na hora senti que meu corpo estava congelado não conseguia chorar nem gritar, nem expressar reação nenhuma eu acho que ele percebeu meu pânico foi aí que colocou a mão dentro da minha blusa começou a beliscar meu seio com muita força e se tocar ao mesmo tempo. Aquilo doía tanto que tinha que só pedia a Deus para ter minha mãe por perto para que de alguma forma de longe ela escutasse meus pensamentos e me ajudasse. Começou o fluxo de pessoas pela casa foi quando ele parou abraçou meu ombro com uma mão e disse: “Você não vai contar para ninguém, vai? ”. Eu não conseguia responder estava em estado de pânico. Graças a Deus aquela noite teve fim mais só estava começando. As nossas visitas a casa eram constantes, a cada visita a coisa piorava ele sempre encontrava uma maneira de me colocar naquela situação novamente ele chegou a colocar o dedo em mim. Desculpe não consigo descrever detalhadamente cada momento. Quando cansei eu contei para o meu tio, contei para esposa dele junto ás filhas esperando que de alguma forma ele sofresse às consequências pelo que tinha feito foi quando tive a surpresa já havia acontecido antes. Ela já sabia. Me pediram mesmo sabendo de tudo o que ele tinha me feito pediram silêncio me


pediram para esquecer o assunto eu te juro não consigo acreditar até hoje que isso aconteceu mais diante do meu Senhor Jesus aconteceu o pior de tudo e que ele já partiu dessa vida e não pude ter o prazer de vê-lo pagar pode sofrimento e dor que ele me causou e causa até hoje Não sei se estou preparada para abrir essa história para pessoas, nunca consegui falar com ninguém desse assunto após contar para a esposa e para às filhas e elas me pedirem silêncio. Parece que ele morreu mais deixou minha boca costurada. Espero ter coragem de falar um dia espero poder te contar olhando no olho vou pedir forças a Deus para que esse dia chegue hoje sou mãe de uma menina e tenho medo por ela por conta dessa experiência que a vida me trouxe as pessoas são más e não podemos diferenciar o bem do mal esse homem era marido pai e avo mais também era um estuprador de crianças. O nome dele era Jair, bom pai, marido, avó e nas horas vagas abusava de mim. Peço a Deus que aonde ele estiver que ele não tenha paz pois eu não tenho.

Fonte 2 - Casou cedo com o marido alcoólatra que a deixava sozinha em casa, mas nunca a agrediu. “Mesmo assim eu não aguentava mais a situação e resolvi voltar para a casa dos meus pais”. Sammy conta que lá baixou o facebook e começou a conversar com um homem que morava em Santa Catarina, por ser jovem acabou se apaixonando pelo homem de bom papo, aparência e carinhoso. “Ele me chamou para morar com ele e eu aceitei”.

Ela arrumou todas as coisas e foi embora para Santa Catarina, o primeiro mês foi um mar de rosas ela relata, mas ele morria de ciúmes da família com quem ela falava de vez em quando pelo telefone “Ele começou a dizer que a minha família agora era ele e que eu tinha que esquecer São Paulo”. Ele a forçava a ter relações sexuais sem preservativo e ela acabou assim contraindo DST, alguns meses depois descobriu que estava grávida (sua filha acabou contraindo a doença) Ele a agredia enquanto ela estava grávida e dizia que o filho não era dele e sim de seu ex marido Arrumou um emprego, mas nunca pegou no dinheiro pois o *marido* e a *sogra* pegavam todo o dinheiro dela, ou seja, nunca conseguiu ter autonomia financeira


enquanto esteve lá “Nunca consegui pegar em um real do meu dinheiro, eles tomavam tudo” “Eu me sentia com medo de denunciar as agressões, eu não conseguia ninguém naquele lugar, foi então que eu resolvi contar no trabalho, como minha sogra trabalhava no mesmo lugar que eu, ela começou a desmentir tudo o que eu contava e foi então que ela começou a me agredir também, com ela eu até tentava ir para cima, mas mesmo assim acabava apanhando” “Procurei a assistência social de lá e contei a situação, eles entraram em contato com a minha irmã que me ajudou com 200 reais e a polícia me levou até a rodoviária, fui embora sem olhar para trás e deixei tudo o que era meu para trás. ”

Quando chegou em São Paulo o primeiro ex-marido soube que ela estava grávida e foi trás dela. “Ele não era mais alcoólatra, então acabei voltando com ele, hoje às coisas são diferentes, ele cria minha filha e cuida dela como se fosse filha de sangue ele”

Meu ex-marido de Santa Catarina continuou me mandando mensagens por um tempo, mas pedindo que eu voltasse, óbvio que ignorei todas elas. Hoje em dia não tenho mais contanto com ele de maneira alguma e vivo minha vida bem com meu marido. Fonte 3 - Conheceu o Luan quando se separou do ex-marido, até que resolveu quatro meses de relacionamento morar com ele. Ele a agredia enquanto ela estava grávida e as agressões não pararam mesmo a gravidez sendo de risco. A mãe do agressor presenciava todos os atos do filho, mas sempre se omitia da situação. O filho de da vítima de quatro anos na época das agressões presenciava sempre todos os atos do padrasto contra a mãe. Cansada de tanto apanhar ela fugiu deixando os filhos para trás, o agressor sempre liga dizendo que ela deveria voltar pois os filhos sentem falta da mãe, mas por medo de que ele se vingue e ela perca sua vida, ela acaba vivendo distante dos filhos.


Fonte 4 - “Ando de transporte público todos os dias, há quatro ou cinco anos. E eu gosto é rápido, é pratico e me ajuda a ir a lugares que eu nunca imaginei ir, porem dentro desse tempo eu já fui assediada algumas vezes. Sofri a violência, através do olhar e através do toque também. Teve um situação que aconteceu no ano passado, em que um homem, um senhor de idade já, aproveitou do trem cheio pra poder me tocar, nas minhas regiões intimas e como o trem estava cheio eu não consegui sair de perto dele, então assim eu sofri calada aquilo tudo e fui pra faculdade prantos, porque aquilo nunca tinha acontecido comigo” E eu lembro dessa situação assim, como se fosse recente porque o trem era velho. Era o trem da linha 11 coral, um trem velho, antigo, era um dia de calor, os trens estavam com problema. Tinha muita gente, muita mesmo e eu lembro que eu estava de frente pra esse homem e eu não olhava pra ele, ele estava com uma camisa verde com alguns botões abertos e um cheiro muito forte assim de cigarro e da estação poa até a estação Guaianazes era onde eu fazia a mudança de trem a baldeação, era cerca de 15 minutos. E ele aproveitou desse quinze minutos, então ele passou as mãos nas minhas coxas, na minha cintura, tentou abrir o botão da minha calça. E eu tentava desviar, porém eu ficava com medo de apertar a pessoa que estava atrás de mim e eu ficava bufando. E eu lembro que neste dia eu estava rezando o meu terço, então eu estava com as mãos baixas rezando e a única coisa que eu sabia era pedir a Nossa Senhora, eu falava assim: mãezinha por favor, toca no coração deste homem para que ele não enconste mais em mim e em nenhuma outra mulher. E eu fui fazendo essa oração, essa suplica e desci na estação de Guaianazes. Eu estava em choque, eu não tive uma reação, sabe? Eu sei que eu só fui cair a ficha quando eu sai do trem e eu estava na estação luz e eu estava caminho do metro e eu vi uma publicidade bem grande escrito assim: assédio sexual é crime. E quando eu vi aquilo eu comecei a chorar, porque aí caiu a ficha “cara eu acabei de ser assedia sexualmente” e fui chorando pra faculdade sabe? Fui chorando pra faculdade eu tinha um trabalho pra fazer e eu não consegui fazer, e eu não fiz porque eu não tinha o mínimo de forças e quando eu encontrei minhas amigas que eu consegui me restaurar um pouco. Eu nem tive coragem de falar isso pros meus pais daquele dia, mas é isso fica marcado na minha memória sempre” “É só que assim o assedio ele também acontece de outras maneiras, o olhar, o olhar que a pessoa mede, enfim é um incomodo para nos mulheres né. E assim eu


tento hoje, depois desse fato, hoje eu tento me defender eu não fico perto de homens, quando o trem esta muito cheio, eu evito ficar perto de homens, é eu impuro. Agora eu falo “eu por favor da um espaço”, hoje eu estava vindo para casa e sentou um senhor do meu lado e assim, e não queria, mas automaticamente eu já me lembrei dessas situação que aconteceu e assim ele não fez nada de errado, ele só sentou do meu lado. Mas, eu já me senti incomodada, sabe? Eu ja dei umas cotoveladas nele e eu fiquei bufando para ele perceber que eu estava incomodada, ele não teve culpa, porque não fez absolutamente nada de errado, mas aquilo ficou marcado na minha cabeça” “e assim eu lembro de uma situação que aconteceu comigo também que fz rempo, mas eu lembro. Aconteceu em 2013 e eu fui pra jornada mundial da juventude lpa no rj e eu estava voltando, dos encontros que teve e eu estava no PREM lá do RJ. E tinha um cara que estva me assediando também, ele veio por de tras e ficava encostando em mim, encostando o órgão dele em mim. Eu saia de perto e ele vinha para mais perto, e eu era muito novinha, eu tinha 16, 17 anos. Eu estava voltando de um retiro da igreja o cara também era da igreja e no metro só tinha esses jovens que fizeram o retiro, e ele veio encostando, enconstando. O mais engraçado é que nesse mesmo trem a namorada dele estava lá, eu lembro que eu estava no meio do vagão e eu fui indo e fiquei de frente para a porta e ele atrás de mim. Isso ninguém percebeu, então eu sofri calada e a viagem era longa, era 1 hora de viagem e eu fiquei aquele tempo todo lá com aquele cara fazendo coisas que não são legais” “bom hoje eu aprendi a me defender, e eu aprendi também a realmente pedir a intervenção de Deus, sabe? Pedir que Deus, possa tocar no coração dessas pessoas, pedir a Deus que as mulheres pudessem criar um pouco mais de voz em relação a isso. Porque nao é legal, nos não damos liberdade, então hoje a única ajuda que eu posso contar é com a de Deus, porque o foverno não vai ajudar, o estado não vai ajudar. Eu como pobre estudante de jornalismo chegar aqui é chegar no governador do estado e falar “olha eu fui assediada”, ele vai colocar meu nome em uma lista com milhares de mulheres que foram assediadas, então maior do que o governo so Deus mesmo” Hoje eu estou muito mais tranquila pra falar em relação a isso, é pesado, chato, eu lembro e tenho vontade de chorar também, mas eu não posso ficar queita e nem


calada. É eu sou uma pessoa como qualquer outra e eu acredito no poder e na misericórdia de Deus que pode salvar esse rapazes.” Katia Braz, psicologa - Você me pergunta, porque algumas mulheres que até identificam a situação conseguem separar de seus maridos e aí quando retornam a outra relação, retornam uma outra situação de violência também. Existe um grupo que chama MADA – Mulheres que amam demais, o que acontece é um desenvolvimento da própria pessoa. Uma característica da própria pessoa que acaba escolhendo e se envolvendo com pessoas que tenham aquele perfil de tratamento, porque é o que elas conhecem. Eu estou falando muito superficialmente. É porque é o que elas conhecem. Por exemplo uma criança nasceu e vive com um casal que é onde tem muitas brigas, então, o pai fala que ama a mãe, a mãe fala que ama o pai, mas esse pai é um homem muito violento que acaba batendo nela, batendo até mesmo na filha, um homem muito violento. Ela acaba associando que relacionamento e isso, e que o bater está ligado diretamente a uma relação de amor. Ela acaba confundindo é o padrão que ela tem e a crença que ela estabeleceu sobre relacionamentos e sobre amor, porque foi isso que ela viveu, foi o exemplo que ela teve desde sempre. Existem as questões bem particulares da própria personalidade, mas a grosso modo existe essa prática. Se formos pensar pelo princípio do MADA, o que acontece essa mulher até identifica, obvio, porque a agressão e a violência é muito dolorido ne, mas é o que ela sabe. Se alguém trtar ela cordialmente ela estranha, porque ela não esta abtuada né, o que ela conhece é uma outra história. Então se ela não tem um acompanhamento, nçai tem ajuda de um profissional ou de pessoas que vão mostrando para ela que esse não é o caminho, ela vai se mantendo cada vez mais nisso. Então ela termina com esse marido que é violento, que é abusivo, e ela acaba se envolvendo com outro exatamente igual. Porque uma pessoa escolhe determina pessoa e não outra, porque a pessoa sempre escolhe aquele que pode ser seu abusador, então existe algum sentido na vida deste pessoa que faz com que ela entenda que aquele relacionamento é real e efetivo. É o que vale a pena ser vivido e que ela não consegue fazer diferente. A outra questão que você coloca aqui que algumas mulheres vivem com seus


agressores, denunciam se arrependem e continuam com seus agressores mesmo após a denuncia, enfim. Essa é uma questão bem complexa também, existem vários fatores, um deles é o que eu acabo de dizer para você qu tem um questão muito pessoal ai no desenvolvimento estabelecido em uma crença, de repente a pessoa foi tão violentada tão abusada na infância que ela acaba estabelecendo esse tipo de relacionamento, ela tem esse padrão. Aquelas que denunciam e se arrependem, você acba se sentnendo, como esse texto que eu mandei para você, pode explicar um pouquinho. A pessoa ela vai sendo minada, na sua alma, ela vai perdendo o sentido de humanidade. Ela acaba não se reconhecendo, ela acaba acreditando que de fato a única pessoa que a ama e se preocupa com ela, a única pessoa que ela merece ter é aquela, é o agressor. Ela está com a alto-estima tao rebaixada que ela fica pensando “é verdade quando ele diz que quando eu largar dele, eu não vou encontrar ninguém, olha como eu estou, destruída acabada.” Normalmente as pessoas fisicamente destruídas por conta do sofrimento e como existe uma preocupação em estar só e ai são problemas e questões emocionais psicicas, existe essa dependência de estar com alguém, então se ela largar dele e correr o risco de não encontrar mais ninguém, então ai é melhor ficar com ele” É melhor então como ela esta tao desacredita de si mesma, ela acaba permanecendo e voltando, então assim ela quer amor, carinho, atenção. Ela quer ser desejada e o homem normalmente ele faz as juras, existe um clico da agressão. Comea assim os xingamentos, destratos, humilhações, ai vem a agressão física e depois vem a lua de mel, onde ele chora pormete que nunca mais vai fazer, que ele ama, que ele perdeu a cabeça e daqui a pouco ele começa de novo: claro que eu perdi a cabeça você não presta, claro que eu perdi a cabeça uma mulher tão burra desse jeito. Então começa tudo de novo aquela questão da humilhação e ai a agressão e a lua de mel, então se torna um ciclo e a mulher vai ficando presa dentro desse ciclo. É difícil sair disso, posso comparar mais ou menos com um usuário de drogas, o dependete químico, ele até entende que a droga não faz bem, ele sabe que aquilo ta destruindo ele fisicamente, mas existe um ligação tão grande, que ele entende que talvez sem a droga ele não sobreviva. Então ele acaba sucumbindo e voltando sempre, é complico nesse sentido.


E existe outras questões dependendo da mulher, da sitação dela, por exemplo, as vezes o cara diz que se ela não retirar a queixa ele vai matar, ele ameaça ela, os filhos, a família. Eu atendo muitas mulheres vítimas de violência e muitas delas dizem assim “eu quero largar, mas, ele falo que vai pôr fogo na minha casa com os meus filhos dentro” “olha eu quero me separar mas eu sou dependente financeiramente deste homem, eu não tenho ninguém” “se eu me separar minha família não aceita e como eu vou sustentar meus filho ou onde eu vou morar? ”. Muitas vezes ela até consegue, mas o homem persegue, tem mulheres por exemplo que esse parceiro agressor abusivo, ele vai na porta do serviço faz ela perder o emprego, ameaça os amigos, então são situações que para quem esta de fora isso ela não conta, ela não fala assim “ai amiga eu quero me separar do joao, mas eu não posso porque ele disse que se eu me separ ele vai me matar” e você como amiga vai dizer “Não poxa, vamos resolver isso”, ne então ela não conta porque ela tem medo, porque ela tem vergonha, porque ela se sentindo tão humilhada, que as vzes, ela perdeu o sentido da vida. Então ela acaba ficando nisso, bom o que fazer quando a gente ve no caso a sua amiga, num caso de vivencia próxima é oferecer ajuda é contar para ela que existe relacionamento saudável é sugerir que ela procure ajuda profissional é dizer para ela que ela não se sinta culpada, é incentivar que ela procure um trabalho, claro sempre prestando atenção se você não vai piorar a situação familiar dela, mas incentivar ela a buscar ajuda, ouvi-lá e ai você vai colobrar muito para que essa mulher entenda que existe luz no final do túnel. Existe até um programa que existe que é o “tem saída”, porque quando a gente vai orientando essa mulher, ajudando ela a se empoderar, a resgatar o porque que já é dela que existe dentro dela, é ela vai percever que tem saída, que ela pode se desvencilhar disso e é aos poucos, não da pra gente falar “não amiga largar esse cara, ele não vale nada”, não da, proque tem muita coisa envolvida nesse ciclo, que faz com que a mulher se mantenha nessa posição.

Mapa do acolhimento, voluntaria, o projeto é desvolvido para ajudar mulheres vitimas da violência que funciona da seguinte forma: você mulher vitima então nesse site e coloca lá que você quer ser ajudada e então esse site vai cruzar suas informações com uma profissional, todas mulheres, ou piscologa ou avogada ou as duas dependendo da sua necessidade e você vai ter acesso a essa oreintacai e o


atendimento psicolĂłgico totalmente grauitos e com a questĂŁo do sigilo e tudo mais.


11.

Dário de Campo 09 de julho à 04 de outubro – Foi realizado as leituras de livros, artigos e dissertações sobre o tema, para ajudar durante o processo de escrita do livro-reportagem. 17 de agosto à 30 de setembro – Foram realizadas as entrevistas, por via e-mail, ligações e ou mensagens no celular. 29 de agosto à 01 de setembro – Primeiro, segundo e terceiro capitulos dos livros, foram escritos, juntamente com a ficha catalógrafica e o resumo deste projeto. 02 de setembro – Foi realizada a orientação com o orientador Luiz Vicente onde durante a orientação foi lido os primeiros capítulos do livro e definido a quantidade de capítulos possiveis para o livro. Neste dia também foi marcado o estúdio de fografia da faculdade para a produção das fotos da capa do livro. 03 à 09 de setembro – Processo de desevolvimento da capa do livro, por meio de colagens feitas com fotos e palavras recortadas de revistas. 13 de sembro – Produção das fotos em estúdio para a capa do livro, logo após usei o site “Canva” e a coragem feita a mão para ter uma base de como ficaria a diagramação da capa do livro. 15 de outubro – Orientação via mensagem com o inicio do capítulo “Primeiros Relatos” 28 de outubro – Diagramação da capa do livro e via e-mail revisão do professor orientador 14 de setembro à 03 de novembro – Processo de escrita e revisão


do livro-reportagem. 04 de novembro à 11 de novembro – Diagramação do livro e confecção final da capa e término do relátorio. 05 de novembro à 8 de novembro – Impressão para a gráfica. 08 de novembro – Entrega da gráfica. 11 de novembro – Entrega do projeto no núcleo de comunicação da Universidade Cruzeiro do Sul.


12.

Anexos

Protótipo da capa a partir de colagens


ï‚·

Capa final


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
RELATÓRIO METODOLÓGICO - ELIONEIDE BESERRA DA SILVA by Rede Código - Issuu