UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO
Janaina de Melo Araújo
O AUMENTO DA PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE E A CONTRIBUIÇÃO NA VALORIZAÇÃO DA ATUAL LITERATURA BRASILEIRA NA CIDADE DE SÃO PAULO
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
São Paulo 2020
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO
Janaina de Melo Araújo
O AUMENTO DA PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE E A CONTRIBUIÇÃO NA VALORIZAÇÃO DA ATUAL LITERATURA BRASILEIRA NA CIDADE DE SÃO PAULO
Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentada ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo. Orientador (a): Prof. Antônio Assiz
São Paulo 2020
Ficha técnica
Araújo, Janaina de Melo, 1996. O aumento da publicação independente e a contribuição na valorização da atual literatura brasileira na cidade de São Paulo/ Janaina de Melo Araújo – 2020. 139 p. 141 f. Orientador: Professor Antônio Lúcio Rodrigues de Assiz Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
(graduação)
–
Universidade Cruzeiro do Sul, Curso de Jornalismo, 2020. 1. Autopublicação. 2. Livro digital. 3. Livro físico. 4. Literatura periférica
RESUMO:
Esta pesquisa analisou como o aumento dos escritores independentes contribui para que a atual literatura nacional seja mais valorizada, especificamente na cidade de São Paulo, tendo em vista que, grande parte da população leitora brasileira prefere livros estrangeiros e as editoras tradicionais sempre deram maior preferência para a publicação de bestsellers. No entanto, o surgimento de plataformas digitais possibilitou que os novos autores pudessem publicar seus livros de forma rápida e fácil, podendo, assim, ampliar o alcance do público, através dos e-books. Porém, investigamos também, como funciona a publicação de escritores que preferem livros impressos e publicam por conta própria. Sendo assim, este projeto abordou a diversidade de autores independentes na capital paulista e os efeitos causados por suas obras, pois, enquanto uns encontram apoio na internet, outros preferem outros recursos para se autopublicar e divulgar seus livros. Palavras-chave: Autopublicação; e-books; Plataformas digitais; literatura periférica; livro impresso.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................5 2. OBJETIVOS.....................................................................................................6 2.1. Objetivo geral..............................................................................................6 2.2. Objetivo específico.....................................................................................6 3. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES............................................................7 3.1. Resultado da análise:..................................................................................8 4. JUSTIFICATIVA..............................................................................................11 5. PLANO ESTRATÉGICO.................................................................................13 5.1. DESCRIÇÃO DO PRODUTO......................................................................13 5.2. PÚBLICO A SER ATINGIDO.......................................................................15 6. REFERENCIAL TEÓRICO.............................................................................17 6.1. Aspectos metodológicos..........................................................................21 7. REFERÊNCIAS:............................................................................................22 8. CRONOGRAMA.............................................................................................24 9. INVESTIMENTO.............................................................................................26 APÊNDICES………………………………………………………………………….27 1. TRANSCRIÇÕES DAS ENTREVISTAS........................................................28 1.1. Entrevista com Adriano Batista, especialista em Mídias Digitais........28 1.2. Entrevista com o escritor Ailton Sena.....................................................29 1.3. Entrevista com o escritor Andreas Chamorro........................................52 1.4. Entrevista com a escritora, Elizandra Souza..........................................64 1.5. Entrevista com o artista Paulo César Marciano.....................................72 1.6. Entrevista com Rubenildo Limeira..........................................................89 1.7. Entrevista com Thiago Lee.......................................................................96 1.8. Entrevista com Sandro G. Moura...........................................................100 2. PAUTA..........................................................................................................108 3. FORMULÁRIO GOOGLE.............................................................................111 4. DIÁRIO DE CAMPO.....................................................................................117 ANEXOS…………………………………………………………………………….135 ANEXO – A.......................................................................................................136 ANEXO – B.......................................................................................................137 ANEXO – C.......................................................................................................138
ANEXO – D.......................................................................................................139
5 1. INTRODUÇÃO
Na era da revolução digital, a maioria dos escritores está migrando cada vez mais para a internet, aderindo a novas formas de publicação, como e-books. No entanto, isso não significa que o livro impresso esteja morrendo. Ainda existem autores que investem em suas obras nesse formato e sem o auxílio de uma editora ou distribuidora. Mas o fato é: estão publicando. Sendo assim, este relatório aborda as formas como o aumento dos autores independentes influencia na contribuição da valorização da literatura brasileira, porém, voltamos nossos estudos, especificamente, para a cidade de São Paulo, pelo fato de ser uma região populosa, rica em tecnologia e diversidade. Para dar embasamento teórico a esta pesquisa, utilizamos o conceito de Cultura da Convergência, de Henry Jenkins, a fim de explicar os fenômenos causados na sociedade e como as interações e proximidade entre produtor e receptor de conteúdo podem afetar o modo de produção dos livros. Também destacamos pontos importantes existentes na relação entre a cultura nacional e a globalização, definindo a nossa identidade, abordando os conceitos do teórico Stuart Hall. Nos aspectos metodológicos, utilizamos uma abordagem de pesquisa tanto aprofundada na hora de realizar entrevistas, quanto em quantidade, na coleta dos dados necessários para obter um resultado mais concreto e, assim, atribuir credibilidade a este estudo. Também realizamos pesquisas em sites, livros e artigos de estudantes e profissionais da área de comunicação social e de áreas que abordem temas relacionados com o assunto abordado neste relatório. Esta pesquisa teve a finalidade de compreender como os autores independentes conseguem publicar suas obras e o que fazem para atingir um determinado público.
6 2. OBJETIVOS
2.1. Objetivo geral
Compreender e analisar como o aumento de autores independentes tem contribuído para que a atual literatura nacional seja mais valorizada e o que tem sido feito para incentivar a população a ler mais, considerando os avanços tecnológicos, a acessibilidade e os impactos que podem ser causados na sociedade como um todo.
2.2. Objetivo específico
Produzimos um livro-reportagem abordando as dificuldades dos novos autores paulistanos ao tentarem publicar seus livros através de editoras, as facilidades encontradas na internet para a publicação de suas obras e, em contrapartida, abordamos o caso de escritores que não utilizam os recursos tecnológicos, mas conseguem produzir seus livros de forma impressa e vendê-los, muitas vezes, sem o intermédio de uma distribuidora.
7 3. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES
O Brasil sempre foi considerado um país fraco quando se trata de leitura. Parte disso, deve-se à forma como os brasileiros foram introduzidos no universo da literatura e a maioria das escolas possuem grande responsabilidade nisso. Sendo assim, muitos cresceram acreditando não gostar de ler, porém, deve-se levar em conta, também, os índices de analfabetismo no país. Uma pesquisa levantada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, revelou que 6,8% dos brasileiros com mais de 15 anos não sabiam ler ou escrever, sendo que, havia uma meta para ser atingida em 2015, na qual o índice deveria ser de 6,5%. No entanto, mesmo que a meta não tenha sido atingida, os índices ainda registram que houve um aumento de leitores no país, se comparado a 2017 e 2016. 1 Em contrapartida, o número de escritores independentes cresce numa velocidade maior. Porém, boa parte das pessoas que gostam de ler, preferem literatura estrangeira. Diante disto, levantamos o questionamento: Como os novos autores podem contribuir para que os leitores se interessem mais por literatura nacional? E de que forma contribuem na formação de novos leitores? Sabemos que para o número de pessoas que leem livros crescer, algo tem sido feito, porém, investigamos a eficiência daquilo que vêm sendo feito, se esses números crescem apenas de forma quantitativa ou qualitativa e se as pessoas são capazes de entender e interpretar tudo o que leem e como isso tem contribuído para melhorar a visão de mundo que essas pessoas possuem, além de melhorias na forma de falar e escrever, capacidade de se expressar e entender o ambiente no qual estão inseridas. Para tentar responder a esse questionamento, formulamos as seguintes hipóteses: 1. Considerando que boa parte dos escritores paulistanos utilizam a internet como principal veículo de publicação de suas obras, as plataformas digitais possibilitam que os autores independentes tenham maior facilidade de entrar
1
Confira o mapa e o gráfico nos anexos A e B.
8 em contato com pessoas que, talvez, não gostem de livro impresso, mas, por estarem mais acostumadas com a tecnologia, serem adeptas a e-books. 2. Com o surgimento das pequenas editoras que financiam as obras dos autores independentes e cuidam de toda a parte de diagramação, design e edição dos livros, também há uma equipe, ainda que pequena, de marketing responsável pela parte da divulgação das obras, tanto por meios tecnológicos quanto presencialmente, oferecendo também um valor acessível, de modo que, qualquer pessoa possa comprar. 3. Os novos autores realizam ou participam de feiras do livro, bienais e projetos que possibilitam a divulgação e o reconhecimento de suas obras.
3.1. Resultado da análise:
Para confirmar se a hipótese 1 era verdadeira, entrevistamos os seguintes escritores: Ailton Sena, de 23 anos, morador do bairro Jardim Mirian, e Andreas Chamorro, de 26, morador do bairro Grajaú. Ambos publicam suas obras somente por meios digitais e, em entrevista, afirmaram que, através de plataformas digitais, como a Amazon, puderam publicar seus livros facilmente e que costumam usar o Instagram para divulgá-las. No que diz respeito ao alcance do público, pelo fato dos escritores serem pouco conhecidos, as pessoas que mais leem suas obras são amigos. Porém, eles disseram que costumam fazer parcerias no Instagram para que um youtuber ou blogueiro façam resenhas de seus livros, como forma de divulgação. Um fato notório é que, por causa do isolamento social, como forma de proteção contra o novo coronavírus, as pessoas passaram a consumir mais e-books e a comprar mais livros por lojas virtuais. Por isso, os autores que já vinham publicando livro virtualmente, conseguiram aumentar suas vendas. Porém, Ailton Sena disse em entrevista que ele e vários autores disponibilizaram livros gratuitamente na Amazon para incentivar as pessoas a lerem e ajudar aquelas que não tinham condições de comprar livro. O autor contou que houve cerca de três mil downloads de livros na plataforma.
9 Com relação à hipótese 2, observamos dois casos distintos: o de uma editora comunitária que visa acolher e incentivar novos escritores, localizada no bairro de Heliópolis, uma das maiores favelas da cidade de São Paulo e o caso de editoras, sendo a maioria voltada para o ambiente virtual, que costumam cobrar valores altos para que os escritores publiquem e, geralmente, realizam antologias no intuito de adquirir lucro. Obtivemos essa conclusão devido à entrevista com o empreendedor Paulo César Marciano, de 42 anos, que fundou a Editora e Gráfica de Heliópolis e ajudou muitos escritores que moravam na região, como o Rubê Limeira, e à entrevista com Ailton Sena, que relatou suas experiências ao tentar publicar pelas editoras PenDragon e Buriti, pois elas chegaram a cobrar mais de mil reais para a publicação de seu livro “O Alquimista Prodígio e a Espada de Cobre”. O escritor também afirmou ter um amigo que é editor-chefe de uma editora digital e que ele mesmo confirmou que as antologias organizadas por editoras são unicamente para obter lucro e não, necessariamente, ajudar alguém a ser reconhecido. A partir disso, observamos que a hipótese 2 está incorreta, pois, existem os grupos de editoras comunitárias, que realmente visam ajudar os escritores e os grupos de editoras virtuais, as quais grande parte visa apenas a lucratividade. Com relação ao marketing, são os próprios autores que divulgam suas obras através de redes sociais ou batendo de porta em porta, conversando com as pessoas, como Rubenildo Limeira costumava fazer. Por último, a hipótese 3 é verdadeira. Entrevistamos Elizandra Souza, uma escritora que participa de movimentos literários como o Sarau das Pretas, que visa disseminar literatura negra feminina e o coletivo Mjiba, criado por ela mesma para dar visibilidade à autoras negras. Ao entrevistar o escritor Andreas Chamorro, descobrimos que ele participa de uma página chamada “EntreContos” que busca interagir com leitores e autores, além de gerar aproximação de ambos. Também descobrimos a participação da Prefeitura de São Paulo no que diz respeito ao fomento da leitura na cidade. No ano de 2019, a Secretaria da Cultura realizou um evento chamado “Festival Mário de Andrade”, pelas ruas da cidade, com várias tendas de editoras e escritores. Algumas ruas foram fechadas para que as pessoas pudessem passar. Os livros eram ofertados gratuitamente e havia recitais de poesia ao ar livre. O festival durou apenas em um final de semana, do dia 4 ao dia 6 de
10 outubro. Além da existência desses eventos, descobrimos que existem diversos saraus e slams que promovem a literatura atual brasileira, mas devido à pandemia do novo coronavírus, esses eventos estão paralisados, pois envolvia grande aglomeração de pessoas. No entanto, muitos deles têm ocorrido em lives, de forma virtual, bem como a divulgação. Sendo assim, concluímos que as plataformas digitais facilitam as publicações, os autores divulgam suas obras através das redes sociais, geralmente, tendo que fazer as próprias campanhas de marketing e todo o processo editorial de seus livros e, por não serem tão conhecidos, o público acaba sendo pessoas próximas ou amigos de amigos. A existência de editoras comunitárias possibilita que novos autores publiquem livro impresso, enquanto editoras digitais cobram para publicarem livros, se responsabilizam pelo processo editorial e muitos autores participam de eventos literários, como saraus, slams, bienais, etc.
11 4. JUSTIFICATIVA
Diante de um cenário em que a maioria dos leitores brasileiros prefere livros de literatura estrangeira, muito se ouve falar de uma desvalorização da literatura nacional e isso não vem de hoje. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Pró Livro (IPL), em 2015, revelou que o número de leitores no país era de 56%, enquanto os 44% era de pessoas que não liam livro, porém, no ano de 2019, o número de leitores caiu para 52%, de acordo com a 5ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura”. Apesar desses dados, ainda podemos dizer que a maioria dos brasileiros gosta de ler, principalmente na cidade de São Paulo, considerando que grande parte dos leitores está concentrada na capital paulista, com 60% de pessoas que gostam de ler, número equivalente a 6,8 milhões. Os dados também mostram que 28% dos paulistanos leem porque gostam e outros 35% escolhem seus livros de acordo com algum tema ou assunto de suas preferências.2 A escola, por sua vez, deveria ser o canal que despertaria em seus alunos o interesse pela leitura de literatura nacional, mas, muitas vezes, isso não acontece, devido à forma como esses conteúdos são apresentados a eles. As escolas deixam a desejar nesse quesito quando impõem aos alunos leituras obrigatórias, não condizentes com a realidade do estudante e dão maior importância para as técnicas literárias do que para o contexto socioeconômico, cultural e político no qual determinada obra está inserida. Moreira, Ordakowski e Paula (2014, p. 09) afirmam: Sendo assim, os estudantes aprendem, por exemplo, sobre o que foram os movimentos literários, mas não sobre como cada obra foi fundamental e inovadora para a época em que foi publicada. Além disso, essa valorização exclusiva dos autores clássicos faz com que os autores contemporâneos sejam muitas vezes desconsiderados em sala de aula e, consequentemente, pelo jovem.
Ou seja, muitas vezes, as escolas valorizam tanto obras de autores clássicos que não percebem que a literatura clássica brasileira não consegue dialogar muito bem com o jovem contemporâneo. Sendo assim, os alunos saem da escola acreditando que a literatura nacional possui uma linguagem extremamente 2
Confira nos anexos C e D.
12 complexa, longe de sua compreensão. Por isso, muitas vezes é mais fácil recorrer a livros estrangeiros, a uma cultura diferente da sua. Por outro lado, o que também favorece a desvalorização da literatura nacional é o fato de as editoras tradicionais sempre darem maior preferência para a publicação de obras internacionais, enquanto os novos autores brasileiros sempre tiveram pouca visibilidade no mercado editorial. No entanto, com os avanços tecnológicos, começaram a surgir plataformas de autopublicação que buscam investir no trabalho de novos autores. Ou seja, a internet abriu portas para que muitos escritores pudessem publicar seus livros de forma rápida e com baixo custo. Paralelamente às facilidades de expressão e publicação permitidas pela internet, muitos “leitores/escritores” marginalizados pelo mercado tradicional poderiam encontrar seu espaço, arcando, eles mesmos, com os custos de seus próprios livros. (MULLER, 2017,p. 24)
Sendo assim, as obras dos novos escritores conseguem dialogar com os jovens da atualidade, pois, em grande parte, seus livros utilizam de expressões e linguagens comuns, tratam de questões condizentes com o tempo no qual vivem e, muitas vezes, utilizam formatos que podem atrair novos leitores, como os e-book.s. Todavia, a internet não foi a única saída para os novos autores, levando em consideração que a tecnologia não alcança todas as regiões do país e existem escritores mais apegados ao livro impresso. O jornalista Torres (2019) diz que em alguns bairros periféricos da cidade de São Paulo, os autores independentes, muitas vezes, publicam seus livros de forma impressa e saem pelas ruas para vendê-los, sem o intermédio de uma distribuidora. Porém, pouco se ouve falar dos trabalhos literários realizados nas periferias, tornando-os invisibilizados. Considerando que, a literatura tem o propósito de retratar a realidade de uma sociedade e conscientizar ou incentivar as pessoas a produzirem mudanças em suas vidas, acreditamos que é de extrema importância para o país consumir mais livros nacionais, a fim de entender e cultivar a própria cultura.
13 5. PLANO ESTRATÉGICO
5.1. DESCRIÇÃO DO PRODUTO
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Título Autopublicação: Histórias não contadas dos contadores de histórias
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Formato Livro impresso em tamanho A5 (14x21) Número de páginas: 70 Número de capítulos: 03 Sinopse: Seja no impresso ou no digital, sempre existe uma história por trás dos livros.
Uma que não se encontra nas páginas, nem nas entrelinhas de cada frase. Uma que envolve suor e trabalho duro, mas, principalmente, amor. Ser escritor em um país que não valoriza muito a leitura é um desafio, ainda mais se for de forma independente. Porém, é na força das palavras que eles vencem suas batalhas internas e dificuldades diante de um mercado editorial que só publica livros de quem já é famoso. Conheça a história de autores que lutaram para publicar seus livros sem o auxílio de uma editora e buscam contribuir para que a cultura do livro seja disseminada no Brasil. Texto sobre o livro na orelha direita:
14 Seja no amor ou na dor, eles fizeram uma escolha: jamais abandonar os livros. Porém, havia divergências no formato de publicação. Enquanto uns preferiam publicar livro impresso, outros investiam em e-book. Enquanto Paulo César Marciano abriu uma editora para escritores iniciantes, Elizandra Souza fundou um movimento literário para mulherres negras e Rubê Limeira batia de porta em porta para vender seus livros, Ailton Sena e Andreas Chamorro investiam no ambiente digital. Não importavam os meios, o importante era fazer com que o conteúdo chegasse a determinado público. No entanto, todos eles têm suas estruturas abaladas quando um grande mal chega ao mundo e afetam o universo literário no qual eles estavam tão envolvidos. E de repente, Paulo César para de publicar os livros de autores iniciantes e dá um tempo na editora, Elizandra e Rubê precisam aprender a lidar com as tecnologias digitais, enquanto Ailton lida com a frustração de ter um evento literário cancelado, no qual ele se lançaria como autor e Andreas Chamorro transforma o caos da cidade de São Paulo em literatura. •
Texto sobre a autora na orelha esquerda: Janaina Melo é graduanda em Jornalismo, pela Universidade Cruzeiro do
Sul, mora na cidade de São Paulo e nas horas vagas, além de escrever, gosta de desenhar, ler, assistir a filmes, séries e brincar com sua gata de estimação.
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RECURSOS GRÁFICOS
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Capa, contracapa, lombada e orelhas Utilizamos o aplicativo Canvas para fazer a capa, escolhemos a fonte “Sweet
Dreams” para o título e resolvemos deixar as palavras “não contadas” em vermelho, enquanto o restante ficou em preto. Escolhemos a fonte “Book Antiqua Regular”, tamanho 14, para colocar o nome da autora e a mesma fonte para escrever a palavra “autopublicação”.
15 A escolha do título se trata justamente da narrativa de histórias de escritores as quais eles não contaram em seus próprios livros, pois costumam fazer literatura e não autobiografia. As palavras “não contadas” estão em vermelho como um destaque para chamar a atenção do leitor. A escolha das fontes e tamanho foi pensada para que os leitores tenham a facilidade de ler e enxergar o título. Optamos por um fundo bege, com aspecto de papel amarelado, pois lembra a maioria dos livros impressos e colocamos a figura de alguém mexendo no notebook com papéis e lápis ao lado também para lembrar um escritor escrevendo sua história. A escolha das cores utilizadas também foi calculada, pensando do ponto de vista estético, pois, não poderíamos colocar um fundo em uma cor forte, por exemplo, e o título na mesma intensidade. Por isso, foi necessário escolher um fundo limpo e com uma cor neutra, para que os únicos destaques pudessem ser o título e a figura. Buscamos também estabelecer um contraste entre a cor preta e vermelha, ambas presentes no título, no intuito de chamar atenção dos leitores. Na contracapa, decidimos colocar uma sinopse, na fonte “garamond”, tamanho 12, entrelinha 16, texto justificado com a última linha alinhada à esquerda, para não deixar espaços muito longos entre as palavras. Também colocamos figuras de livros no rodapé da contracapa, fazendo menção ao livro impresso, assunto que também foi abordado no livro-reportagem. Optamos por uma lombada simples, na cor preta, de largura 0,5 cm, para condizer com o número de páginas do livro e não colocamos o título nela, pois, devido à limitação de espaço, não coube. Colocamos duas orelhas, com 6 cm de largura, uma para a capa e a outra para a contrapa, como uma forma de proteger o livro e servir de marcador de página, caso o leitor queira. As orelhas também possuem tom amarelado e, na da capa, colocamos uma sinopse mais detalhada do livro, utilizando a mesma fonte e tamanho da sinopse colocada na contracapa. Já na outra orelha, colocamos uma foto da autora e uma minibiografia. •
Miolo
16 Na folha de rosto, colocamos quase as mesmas informações da capa, mudando apenas a figura e o fundo. Colocamos ficha catalográfica atrás da folha de rosto, na fonte “garamond”. Em seguida, uma dedicatória em itálico, com a mesma fonte e um traço decorativo embaixo. Resolvemos colocar recursos pré-textuais como “agradecimentos” e “apresentação” e, por fim, o sumário. Não entramos direto em capítulos, resolvemos fazer uma introdução para situar o leitor do ambiente em que os personagens se encontram na atualidade, como uma forma de contextualizar, pois, as histórias dos capítulos um, dois e três relatam fatos que ocorreram em outras épocas. Optamos por colocar título tanto na introdução quanto nos capítulos. Os nomes dos títulos estão em tamanho 15, na fonte “book antiqua bold”, grifados por uma linha vermelha, como se fosse um marcador de texto e com sangria no lado esquerdo e alinhados à direita. Todo início de capítulo é assim, com exceção dos intertítulos inseridos a cada vez que o texto sofresse uma mudança ou que o foco da narrativa mudasse para outro escritor. Com relação ao corpo dos textos, todos foram escritos em “garamond”, tamanho 11, entrelinha 14, justificado. Os intertítulos possuem a distância de dois espaços do texto anterior e um espaço do texto posterior e estão em negrito, tamanho 12, fonte “garamond”. A paginação começa na introdução e foi colocada em tamanho 9, no canto das páginas, no rodapé, também na fonte “garamond”. No cabeçalho das páginas esquerdas, colocamos o título do livro, enquanto nas páginas direitas estão os títulos dos capítulos. A margem superior é de 2 cm, a inferior é de 1,6 cm, a interna é de 2,3 cm e a externa, de 1,6 cm. Embora a capa tenha sido feita no Canvas, o restante do livro foi elaborado e concluído no programa InDesign, a fim de dar uma qualidade profissionalizada para o livro.
5.2. PÚBLICO A SER ATINGIDO
17 •
Plano de estratégia para definição do público-alvo O público-alvo que buscamos alcançar com o produto é mais voltado para literatura, sendo eles leitores, escritores, educadores, editores e demais profissionais da área. Por isso, os elementos que compõem a capa e contracapa estão lá para fazer o público lembrar do próprio livro impresso com a página amarelada e, ao mesmo tempo, mostrar algo tecnológico, com a figura de um notebook. Muitos livros, quando vão abordar sobre escrita, colocam na capa a imagem de uma máquina de escrever. Também pensamos nisso, mas lembramos que o nosso produto aborda questões mais atuais e não seria adequado colocar imagens de máquina de escrever, até mesmo porque, atualmente, ninguém a utiliza mais. Sendo assim, a figura de um notebook é mais condizente com a realidade atual do escritor.
18 6. REFERENCIAL TEÓRICO
Para dar embasamento teórico à pesquisa, resolvemos citar o livro Cultura da Convergência, de Henry Jenkins, e A Identidade Cultural na Pós Modernidade, de Stuart Hall, para explicar como o conceito de globalização afeta a cultura de um determinado país. Optamos por não abordar o surgimento do livro no Brasil, devido aos inúmeros artigos e livros que encontramos sobre esse assunto e, pela sua extensão, não caberia nesta pesquisa e fugiria do foco, que é voltado para os autores independentes da atualidade. Ao longo dos anos, as mídias tradicionais de comunicação tiveram que se reinventar a fim de atingir novos públicos. Logo, pode-se dizer que os telejornais migraram para a internet e podem ser vistos pelo celular, computador ou notebook a qualquer momento. Os jornais de rádio não se limitam mais apenas ao rádio, mas a sites nos quais produzem podcasts. Tanto as revistas quanto os jornais impressos também migraram para a internet. O mesmo aconteceu com os livros, que deixaram de existir apenas no formato impresso, mas surgiram como e-books. Sendo assim, Jenkins (2009) afirma que novos e antigos meios de comunicação podem se encontrar em um único espaço, interagindo entre si e, consequentemente, fazendo com que o público decida o que deseja ler, ver ou ouvir. Enquanto a Teoria Hipodérmica, sugere que os indivíduos recebem a mensagem e reagem de forma passiva3, a cultura participativa mostra que, com a ajuda da tecnologia, as interações entre a grande mídia e o público podem ser diversas. Não existe mais uma separação entre produtor e receptor, uma vez que, nas mídias digitais, qualquer pessoa pode produzir conteúdo ou pegar algo já produzido e readaptá-lo. Um exemplo disso é o filme 50 tons de cinza, que é uma adaptação de um livro, sendo o livro, anteriormente, uma fanfiction feita por uma fã da trilogia Crepúsculo, produzida por Stephenie Meyer. Diante disso, Jenkins (2009, p. 196) afirma:
3
Mais informações disponíveis em: <https://www.google.com/amp/s/www.infoescola.com/comunicacao/teoria-hipodermica/amp/>
19 Os fãs sempre foram os primeiros a se adaptar às novas tecnologias de mídia; a fascinação pelos universos ficcionais muitas vezes inspira novas formas de produção cultural, de figurinos a fanzines e, hoje, de cinema digital. Os fãs são o segmento mais ativo do público das mídias, aquele que se recusa a simplesmente aceitar o que recebe, insistindo no direito de se tornar um participante pleno.
Porém, Jenkins (2009) diz que a adaptação que os fãs fazem das obras não é novidade, apenas ganhou visibilidade por causa da internet. Por isso, de acordo com o autor, existem várias plataformas que servem para os fãs de filmes, séries ou livros se expressarem, produzindo fanfictions sobre as histórias que mais gostam, mas sendo proibidos de usarem seus produtos para fins comerciais, a fim de que não haja plágio, por leis de direitos autorais. Dessa forma, podemos observar as proporções que um livro pode tomar na sociedade, ao ser adaptado para formato digital. Quanto mais formatos a obra abranger, maiores as chances de alcançar mais pessoas e de diversos segmentos. Sendo que, muitas vezes, as obras podem ter sido originárias de uma fanfiction. Jenkins (2009) diz que: “Para esses jovens escritores, o próximo passo foi a descoberta da fanfiction na Internet, que forneceu modelos alternativos do que significava ser autor.” (p. 258). Conforme foram surgindo as comunidades de fãs, surgiram as de autores, como Wattpad, Social Spirit, Clube de Autores, etc. Todas surgiram como locais destinados a pessoas que queriam expressar o quanto determinadas obras eram valorizadas por elas. Sendo assim, era um espaço que reuniu diversas pessoas e de vários lugares diferentes e que, muitas vezes, interagiam entre si. Geralmente, os sites para autores oferecem oportunidades para que eles possam publicar seus livros com fins lucrativos, contanto que sejam originais. De acordo com Jenkins (2009), os próprios autores passam a receber um feedback das pessoas que leram suas obras, podendo assim, evoluir na escrita e forma de pensar. A inteligência coletiva, descrita pelo autor, baseia-se exatamente nisso, na interação e proximidade entre pessoas diferentes, que possuem conhecimentos diversos para ser compartilhado, de forma que, um único indivíduo não possui todas as informações que necessita, logo, precisa da ajuda de outras pessoas. Quando se trata da interação de pessoas de diferentes lugares, estamos falando de uma diferença, muitas vezes, continental. Por exemplo, um produtor de
20 conteúdo brasileiro pode ter contato com obras internacionais e resolver readaptálas, introduzindo nelas seus costumes e cultura nacionais. Jenkins (2009) chama esse fenômeno de “hibridismo”. O hibridismo ocorre quando o espaço cultural – nesse caso, uma indústria midiática nacional – absorve e transforma elementos de outro; uma obra híbrida, portanto, existe entre duas tradições culturais, oferecendo um caminho que pode ser explorado a partir das duas direções. (JENKINS; 2009, p. 181)
Quando se trata de hibridismo, estamos falando da mistura entre diferentes culturas e tradições, mas vai muito além disso. O indivíduo começa a se identificar não apenas com a cultura nacional, mas também com a de outros países. Hall (2006) acredita que o conceito de identidade está relacionado à identificação e representatividade que temos com algo ou alguém. Assim, a identidade é realmente algo formado, ao longo do tempo., através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no momento do nascimento. Existe sempre algo ''imaginário" ou fantasiado sobre sua unidade. Ela permanece sempre incompleta, está sempre "em processo", sempre "sendo formada". As partes "femininas" do eu masculino, por exemplo, que são negadas, permanecem com ele e encontram expressão inconsciente em muitas formas não reconhecidas, na vida adulta. Assim, em vez de falar de identidade como uma coisa acabada, deveríamos falar de identificação, e vê-la como um processo em andamento. (HALL; 2006, p. 38)
Ao longo dos anos, o hibridismo foi intensificado pelo que chamamos de globalização. Muito se ouve falar desse conceito, mas de uma forma muito abrangente. Para Hall (2006) a globalização, do ponto de vista cultural, é definida pela tentativa de homogenizar as culturas de todos os países, transformando-as numa só. Dessa forma, as culturas próprias de cada país perdem sua subjetividade e seu valor. Por isso a importância da literatura, tendo em vista que, os autores nacionais podem contar histórias sobre seus países e sobre a realidade na qual vivem, de forma que, assim, se possa preservar e valorizar a nacionalidade. Hall (2006, p. 51) argumenta que:
21 As culturas nacionais, ao produzir sentidos sobre "a nação", sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos estão contidos nas estórias que são contadas sobre a nação, memórias que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela são construídas.
Quando se trata de literatura nacional, podemos analisar a história do Brasil. O que poderia ser definido como literatura brasileira? Pois, na época em que os portugueses chegaram ao Brasil, os índios tiveram sua própria cultura aniquilada pelos costumes europeus. A cultura portuguesa nos foi imposta. Durante muitos anos, mesmo depois da invenção da prensa gráfica, por Johannes Gutemberg, o livro impresso foi algo, expressamente, proibido de ser produzido no Brasil. Diferentemente do governo espanhol, que autorizava a abertura de estabelecimentos gráficos em suas colônias na América, a metrópole portuguesa, até a vinda da família real, em 1808, proibiu expressamente qualquer tipo de reprodução impressa em todo o território nacional, por temer uma possível propagação de idéias políticas progressistas e revolucionárias. (FAR; 2006, p. 06)
Sendo assim, os brasileiros só consumiam livros trazidos de Portugal. Por isso, existe muita influência portuguesa em livros nacionais tradicionais, tornando-os complexos para qualquer pessoa leiga da contemporaneidade ler. Todavia, os novos autores contemporâneos têm conseguido alcançar um público que a maioria das escolas não consegue. Uma pesquisa realizada pelo jornalista Old (2019) mostra que: A edição da Bienal do Livro de 2017 reuniu mais de 300 autores nacionais (cerca de 100 autores a mais que a edição de 2015). Este expresso número revela que os autores brasileiros têm ganhado maior notoriedade entre o público doméstico.
Isso apenas confirma o que foi dito ao longo do projeto: Os novos autores que têm surgido podem transformar a realidade desta geração, fazendo-os adquirir o hábito da leitura nacional e contribuir com seu aprendizado.
6.1. Aspectos metodológicos
22 Para a realização deste projeto, fizemos um levantamento bibliográfico, em sites, artigos, livros, matérias de jornais, revistas, etc. Também conseguimos realizar uma pesquisa quantitativa, através do Google Forms, com 65 escritores de diferentes lugares do Brasil, para saber quantos haviam entrado em contato com editoras tradicionais para terem os originais publicados, se a maioria deles preferia publicar livro impresso ou digital e se havia como viver da escrita no país. Através do formulário, conseguimos levantar dados nos quais a maioria dos escritores afirmaram não conseguirem fazer com que uma grande editora os publicassem. Também disseram que são poucos os casos de escritores que vivem da escrita no Brasil. Uma prova disso foram as entrevistas aprofundadas coletadas com autores independentes para o livro-reportagem. Todos eles afirmaram terem outra profissão, porque se fossem depender das vendas dos livros, não havia como se sustentarem. Por isso, Elizandra Souza, além de escritora, é jornalista e ativista cultural; Rubenildo Limeira é radialista; Andreas Chamorro é professor de Inglês; Ailton Sena trabalha com serviços de entrega em um restaurante fitness e Sandro Moura é analista de negócios. A partir da análise dos dados coletados tanto no formulário do Google Forms quanto em pesquisa aprofundada e bibliográfica, podemos concluir que os escritores independentes paulistanos se dividem entre o livro impresso e o digital. Na maioria dos casos, os autores de e-books gostariam de publicar livro impresso, mas optaram pelo digital devido às facilidades que esse meio oferece e são autores mais jovens, na faixa dos 20 anos de idade. Quanto àqueles que publicam livro físico, são mais velhos, acima de 30 anos de idade e que, na maioria dos casos, não são acostumados com as novas tecnologias e não possuem condições de fazer um ebook.
23 7. REFERÊNCIAS:
A 5ª edição da Retratos da Leitura no Brasil. Instituto Pró-Livro, 5 ed. [s.l.], [s.d.]. Disponível em: < https://www.prolivro.org.br/5a-edicao-de-retratos-da-leiturano-brasil-2/a-pesquisa-5a-edicao/>. Acesso em: 6 out. 2020. BRASIL, Taxa de analfabetismo no. Gazeta do Povo, [s.l]. 24 de jul. de 2019. Infográficos, Educação. Disponível em: <https://infograficos.gazetadopovo.com.br/educacao/taxa-de-analfabetismo-nobrasil/>. Acesso em 29 de mai. de 2020. FAR, Alessandra el. O livro e a leitura no Brasil. 1 ed. [s.l]: Zahar, 2006. GUIMARÃES, Pablo. Uma tecnologia na mão e uma ideia na cabeça: pequenas editoras, autores independentes e novas possibilidades de publicação de livros, 2013. 139 f. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagens). Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens. Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Belo Horizonte, BH, 2013. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 11 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. JENKINS, Henry. Cultura da Convergência.2 ed. São Paulo: Aleph, 2009. MELLO, Daniel. Leitura é hábito de 56% da população, indica pesquisa. AgênciaBrasil, São Paulo. 18 de mai. de 2016. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-05/leitura-e-habito-de-56-dapopulacao-indica-pesquisa>. Acesso em 03 de jun. de 2020. LIMA, Leandro Muller. Autoedição assistida: estudo de casos de práticas editoriais orientadas à publicação autoral própria ou terceirizada no Brasil, 2017. 97 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social). Programa de PósGraduação em Comunicação. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, 2017. OLD, Dino. Mercado editorial brasileiro: ainda vale a pena publicar livros no Brasil?. Revista Exame,[s.l]. 02 de ago. De 2019. Publicidade corporativa. Disponível em <https//exame.com/negocios/dino_old/mercado-editorial-brasileiroainda-vale-a-pena-publicar-livros-no-brasil/> Acesso em 11 de jun. de 2020. PAULA, Bárbara M. de; ORDAKOWSKI, Matheus; MOREIRA, Benedito Diélcio. A Literatura Brasileira Contemporânea para Jovens: Os autores, os
24 leitores e o mercado. XXXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. ed. Mato Grosso: Intercom, 2014. PERISSÈ, Gabriel. Ler, pensar e escrever. 5 ed. São Paulo: Saraiva, 201
TORRES, Bolivar. Como escritores fazem dinheiro à margem dos grandes mercados editoriais: Rodando circuitos alternativos e periféricos, autores vendem milhares de exemplares. Revista Época, São Paulo. 02 de mai. de 2019. Disponível em: <https://epoca.globo.com/como-escritores-fazem-dinheiro-margemdos-grandes-mercados-editoriais-23635856>. Acesso em 18 de mai. de 2020.
25 8. CRONOGRAMA
CRONOGRAMA Atividade Escolha do tema
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ X
Delimitação temática+Ob jetivos
X
Pesquisa bibliográfica + Justificativa
X
Aspectos Metodológic os+Resumo +Agradecim entos+Form atação ABNT
X
X
X
X
Introdução+ Aspectos Teóricos+Re ferências+A pêndices
X
Entrega da primeira parte do TCC
X
Entrevistas+ pesquisas
X
X
Transcrições +Escrever os capítulos livro
X
X
Revisar/ Editar
X
X
26 conteúdo Diagramação
X
Entrega final do produto+rela tório
X
Banca
X
27 9. INVESTIMENTO
INVESTIMENTO
Item
Quantidade
Notebook Samsung
01
Valor Unitário (em média)
Valor total
Já possuo
R$ 0
Revisão de conteúdo 03
R$ 0
R$ 0
Diagramação/Edição
01
R$ 0
R$ 0
Capa
01
R$ 0
R$ 0
Impressão
25
R$ 15
R$ 375
Total:
R$ 375
28
APÊNDICES
29 1. TRANSCRIÇÕES DAS ENTREVISTAS
1.1. Entrevista com Adriano Batista, especialista em Mídias Digitais
1. Adriano Batista Rodrigues, 48 anos, professor e publicitário. 2. Então, eu acho que… não. Não tá morrendo, o livro impresso não tá morrendo e eu acho que não vai morrer, tá? Ele só vai se adaptar, ele tá no digital e tudo né, mas ele não morre não. Ele num vai morrer não, sempre vai ter … é igual, falaram que a TV ia morrer e não morreu, falaram que a rádio ia morrer e não morreu, ele continua. Ele vai se adaptar, mas ele vai continuar ainda por bastante tempo. Não sei se ele vai deixar de existir, é… eu acho que não vai. Eu acho que continua existindo, entendeu? Mas o livro, eu acho que não. Agora as revistas, os outros tipos de publicação sim, tá migrando bastante, tá… vai sempre existir um mercado premium disso, entendeu? Ou seja, quantidade menor, e um… assim, só pra quem quer pagar ou pode pagar, to falando de revista, essas coisas né, mas não agora. Bem mais pra frente. Mas livro não, livro eu acho que vai durar bastante ainda. 3. Então, já tem coisa sendo desenvolvida, por exemplo, no kindle, que é aqueles livro digital da amazon né, aquele aparelho lá, ele já tem uma tela preparada para não incomodar a visão, né, isso já tá pronto. Outra coisa que tem bastante é assim: tem um negócio chamado UECS, que é User Experience, que é experiência do usuário. Tem gente que faz revista digital ou livro digital e coloca em PDF, e pede pras pessoas lerem no celular, e fica muito prejudicado, entendeu? Fica muito prejudicado ler assim, então tem um negócio chamado design responsivo, que o conteúdo se adapta ao formato da tela, então isso é uma outra forma de fazer com que as pessoas não cansem. Então assim, tem coisa sendo feita, mas tem muita gente que não sabe o que fazer ainda, entendeu? Tem muita gente que não sabe o que tem que fazer, esse é o grande problema. Tem gente que não sabe fazer, na verdade né. Então por exemplo, tem gente que coloca PDF pra ler no celular, tem
30 gente que coloca coisa com letra pequena, então tem que trabalhar com dispositivos melhores, o kindle é melhor, os aparelhos com tela de retina também é bom, e também pensar na questão do consumo desse conteúdo né, tem que tá adequado com o tipo de tela né, isso também é outra coisa.
1.2. Entrevista com o escritor Ailton Sena
1. Bom, meu nome é Ailton Sena, mas eu assino meus livros como Leblon Carter, eu tenho 23 anos e moro na zona sul de São Paulo, em Jardim Miriam. 2. Bom, meu primeiro livro eu comecei escrever aos 17, mas já planejava a história desde os 14. Realmente, eu nunca tive muita ligação com a literatura né, eu nunca fui um prodígio que começou a escrever histórias aos 6, 7 anos e começou a ler livros, essas coisas… eu nunca fui muito ligado a literatura de fato né, aí quando eu comecei a ter uma ideia de um livro de fantasia, eu não sabia como me expressar, eu não sabia desenhar, eu não sabia fazer design, eu não sabia fazer animação. Então a única forma que eu encontrei de me expressar foi através da escrita, porque a escrita era de graça né, tipo.. podia abrir um arquivo no Word e começar a escrever, e assim eu consegui soltar minha imaginação, mas antes dos meus 17 anos, eu nunca tive ligação nenhuma com literatura, eu não lia livros, eu acho que até os 17, eu tinha lido 2 livros em toda a minha vida e eu nunca me interessei por escritores, essas coisas… mas a influência de Harry Potter também me ajudou bastante porque, como eu escrevo fantasia né, que é o meu carro-chefe, Harry Potter foi a grande base pra mim, e eu peguei meio que essa vibe de ser escritor e me expressar através das palavras, mas antes disso, eu nunca tive um motivo real pra querer ser escritor. 3. Ah não, hoje em dia minha vida é basicamente dedicada a literatura, eu leio bem mais, eu escrevo bem mais, eu já conheço mais autores, principalmente autores nacionais né, que eu gosto de pesquisar, e minha vida gira em torno da literatura, meu foco principal é ser um escritor sempre melhor, e hoje em dia ela tá presente o tempo inteiro, não consigo me imaginar sem escrever ou sem ler alguma coisa.
31 4. Bom, livros, eu tenho um, que é o Alquimista Prodígio e a Espada de Cobre, que é de fantasia, a continuação dele eu vou lançar em novembro né, eu tô em processo de revisão, e eu tenho 4 contos lançados, sendo 3 LGBTQs e um de terror, e eu também faço parte de uma antologia que foi organizada por uma escritora amiga minha, que era basicamente a gente escrever cartas como se fosse a gente mandar pro nosso ex né, ex amor, ex amigo, essas coisas. E eu também organizei em julho, uma antologia, eu e mais 2 escritores colegas meus, de poesias, poemas e prosas né, e a gente fez tudo de graça pros escritores porque hoje em dia as editoras, qualquer antologia que eles vão lançar, eles querem cobrar de autor iniciante, e é uma coisa que eu não concordo porque isso é basicamente pras editoras terem lucro. Eu tenho um amigo meu que é editor-chefe de uma editora e ele lança muita antologia e ele realmente fala que antologias servem pra editora conseguir lucro né, e isso é uma coisa que eu não concordo, e aí eu tive essa ideia de fazer uma antologia de poemas de forma digital e a gente não cobrou nada dos autores, a gente fez todo o processo de revisão, de capa, diagramação, e a gente fez tudo de forma voluntária, sabe, cobrando anda, pressionando nada. A única coisa que a gente pedia pro pessoal é pra eles divulgarem também, mas de resto, os autores não pagavam nada porque eu acho que é importante você que tá começando ter um currículo né, e currículo pra escritor são obras publicadas e trabalhos feitos, eu acho que isso é muito importante. 5. Bom, o meu livro é uma fantasia juvenil, e o tema básico dele é “alquimia”. É no estilo Harry Potter, só que em vez de ser magia, é alquimia. A personagem principal é Alla, ela tem 14 anos e ela quer muito estudar na Foulst, que é uma escola pra alquimistas na cidade dela. Então, quando ela consegue ingressar na Foulst né, depois de muita insistência dos pais dela, ela faz amizade com 2 personagens, que é o Ernest e o Caleb, junto com outra amiga dela, Keilissa, que estudou na escola preparatória junto com ela antes de ir pra Foulst. E aí esses 4 passam por várias aventuras durante o período da escola, e eu abordo muito as questões da amizade, do amor e da evolução também dos personagens, porque se você tá na escola, você tem q enfrentar desafios e provas pra crescer e eu tento colocar muita ação e aventura porque é uma coisa que eu gosto bastante, porque eu acho muito chato e monótono só aqueles capítulos q tem só conversas e assuntos paralelos ou
32 personagem fazendo isso, personagem fazendo aquilo, então sempre q eu faço um capítulo desse, no próximo eu já tento colocar um pouquinho mais de ação né, porque eu adoro escrever cenas de ação e pra fazer o livro fluir mais rápido, então ele é basicamente um livro de fantasy juvenil na pegada de HP, que é a minha grande base né. 6. Olha, não foi fácil. Pra escrever ele, eu não levei muito tempo. Eu comecei a escreve ele no dia 19 de março de 2015 e terminei, se eu não me engano, dia 17 de dezembro de 2015. Foi um livro que eu escrevi lá em 8/9 meses né, só que… antes de começar a escrever ele, eu fiz muita pesquisa. Eu comecei a pensar na história em 2012, antes de começar a escrever, então de 2012 a 2015 foi só anotações q eu fazia sobre o livro. É… nome de personagens, nome de cidades, poderes que eles teriam, o que aconteceria na história, tudo organizado pra q quando eu começasse a história, nada me parasse e o que foi que aconteceu? Quando eu comecei a escrever o livro, eu não conseguia parar, eu não tinha bloqueio criativo, nunca tive bloqueio criativo, pra falar a verdade, eu só tive preguiça mesmo. Mas fluiu muito rápido, e foi um livro q eu não tive muita dificuldade pra escrever. Veio as dificuldades depois né, revisão, essas coisas, mas ele foi super simples, mas também, tinha aquela coisa que… eu só fazia faculdade na época né, então eu estudava de noite, e final de semana era livre, as minhas tardes eram livres, porque eu não trabalhava então era tudo mais fácil. Claro que não ficou uma obra prima quando eu escrevi a primeira vez, porque até então eu nunca tinha lido nenhum livro do gênero, nem HP eu tinha lido, mas Harry Potter eu nunca li e não vou ler, porque eu não quero pegar referências, base de HP, eu não quero pegar o estilo de escrita da JK Rolling, eu não quero pegar referências dela, eu não quero que, tipo “ai, a J.K. Rolling escreve um cenário assim”, aí eu leio a descrição dela e eu meio que pesco isso pra mim e aí sempre quando eu vou descrever um cenário, eu descrevo no formato dela, não. Eu gosto de ter o meu estilo próprio. A base de Harry Potter que eu tiro é dos filmes porque é a fonte da história né, ambientação e tals, não é palavras descrevendo, é a minha visão, então a visão q eu tenho não é a mesmo visão que outra pessoa vai ter. Mas quando você tá lendo, a perspectiva que você tem como leitor e que outra pessoa gosta de ter como leitor é muito parecida, mas isso no audiovisual, principalmente porque eu estudei cinema né, ela é muito
33 diferente porque ela atinge as pessoas de maneiras diferentes né, no caso. E aí eu não li livros de fantasia, antes de começar a escrever. O único livro que eu tinha lido foi “As vantagens de ser invisível”, que era um livro bem clichêzinho, então eu não tinha referência nenhuma de livro pra começar a escrever OAPEC, que é “O Alquimista Prodígio” né, eu tinha referência muito de série e filme. 7. Bom, o primeiro e o segundo são parte de uma antologia que eu tô criando, é uma antologia própria minha, né, e o primeiro, o nome dele é “Mago do Videogame”, e o segundo é “Água Fria”. O primeiro fala sobre o Felipe, se eu não me engano, não… é sobre o Emerson. Ai, é que faz um tempinho que eu escrevi né, mas é um desses 2. Ele se passa nos anos 90, e o Emerson é muito fissurado em videogame, essas coisas. E como ele reprovou na escola, não conseguiu atingir nota máxima nas matérias, os pais dele não dão pra ele o videogame q ele tanto queria, pra passar o verão, então nisso, quando os pais dele vão trabalhar outro dia, ele foge de casa né, meio que pula o portão, que era o que eu fazia quando eu era pequeno, e vai pra um fliperama né, e aí nesse fliperama que ele já frequentava há bastante tempo, ele descobre que um menino roubou o record dele como o melhor jogador do fliperama né, no jogo que ele era fera assim, é que eu escrevi o nome do jogo, só que eu não lembro muito bem, acho que é tipo um pacman, só que eu não usei o nome do pacman por causa dos direitos autorais né, e aí ele descobre que aquele menino ficou com a fama de mago dos videogames né, que ele se tornou o melhor do fliperama, e aí nisso eles vão criando meio que uma rivalidade que depois vira amizade e depois vira uma coisinha a mais né. Mas é um conto bem curtinho, eu acho que tem 15 páginas, se eu não me engano. Eu escrevi ele depois de “O alquimista prodígio”, só que ele foi o primeiro que eu realmente finalizei, foi a primeira obra que eu realmente publiquei né, mas… depois veio o “Agua Fria” que eu publiquei esse ano. E o “Água Fria” fala mais sobre transsexualidade, só que de uma forma mais sutil porque eu só revelo isso no final. Aí esse se passa nos anos 2000, em um contexto totalmente diferente né, tem o Jonas que é o personagem principal, ele é hétero cis, e ele faz parte da equipe de natação da escola, e entra uma menina nova na equipe de natação, a única menina e ela é muito boa, ela começa a competir junto com ele pra ganhar uma bolsa de faculdade né, e aí no final, ele meio que descobre que ela é transsexual, e fica naquilo de ‘ai, será que ele
34 vai denunciar?’ Porque tipo assim, ela é uma mulher trans no time masculino e tem essas coisas, e aí algumas pessoas não entenderam o que eu quis passar com a mensagem, que a história se passa nos anos 2000, que era outra visão e bla bla bla. Mas eu já cansei de explicar isso no instagram, então quem não entendeu o conceito, entenda depois né, e o próximo conto que eu pretendo escrever é o carrossel né, terceiro conto, que pretendo fazer uma ligação mais ampla desses dois, porque muita gente também me xingou porque eu meio que deixei o final aberto do “Água Fria”. O terceiro conto é o “Regras da Zona Sul”, que também é LGBTQ e esse fiz especial pro meu aniversário, né, meu aniversario foi dia sete de setembro, então eu passei o mês todo de agosto só escrevendo esse conto, que ele é meio que baseado num casal LGBTQ né, de uma série americana q eu assisti, que eu tava assistindo desde o começo do ano, que eu finalizei, q é o Chanless, e aí eu gosto tanto desse casal, só que ele aparece pouco na série, e ai eu meio que peguei a referência deles e tals e coloquei num conto. E foi um conto que eu realmente escrevi pra mim. Eu tava a fim de fazer alguma coisa por causa do meu aniversário e eu passei que não ia fazer durante a quarentena, eu resolvi escrever esse conto porque eu queria, e aí umas criticas, o pessoal, os meus parceiros do insta que já me conhecem, já leram OAPEC, já leram outros contos, falaram que minha escrita evoluiu bastante, que eu tava mais maduro e essas coisas, mas também é obvio né, esse conto eu escrevi com 22, OAPEC eu escrevi com 17, e Mago do Videogame eu escrevi com 19, por exemplo, então tem um grande salto evolutivo aí. 8. OAPEC é basicamente o que eu uso pra expressar toda a minha criatividade, tudo o que eu tenho dentro da minha cabeça, de imaginação, de tipo, aí dragões, castelo, essas coisas, né, não que tenha no livro né. Quer dizer, tem mais ou menos, mas é a forma que eu encontro de realmente expressar tudo o que eu tenho dentro de mim, sabe? E os meus contos, o meu livro LGBTQ, porque eu tenho um livro LGBTQ também né, que tá pronto, só que ai vai ter todo um projeto em cima dele né, pra eu lançar ano que vem. E as histórias LGBTQ pra mim elas são muito representativas porque eu não vivo romance assim na minha vida normal né, não me relaciono, nem nada e eu consegui me expressar dentro das histórias né, criando narrativas que eu gostaria de viver, ou talvez nem que eu quisesse viver,
35 mas que eu gostaria de ver assim, outros escritores escrevendo é surreal né, eu tenho basicamente o poder de criar mundos, criar pessoas, que no caso é personagens, e decidir o que acontece com cada uma delas, é uma sensação incrível. 9. Então, OAPEC, eu já tava com uma ideia de publicar ele independente né, eu terminei ele no final de 2015, e aí eu não trabalhava nem nada, e aí eu só fui trabalhar nele 2 anos depois, pra poder juntar dinheiro, pra poder fazer capa, porque eu queria A CAPA profissional, pra fazer revisão profissional, e durante esse meio tempo eu publiquei no Clube dos Autores, só que eu acho que eu deixei lá por uma semana no máximo e tirei, e eu sempre tive essa ideia de publicar independente. Porque assim, eu comecei a mandar pras editoras que eu conhecia, eu vou citar nome, não me importo. PenDragon, Hope, Constelação, Coerência, todas as editoras, e todas elas me cobravam um valor absurdo, tipo… a PenDragon me cobrou 3 mil reais, e aí eles falam assim “A gente vai imprimir 500 livros, 250 é nosso e 250 é seu pra você vender e cobrar o seu valor” É basicamente tipo, ‘ó, toma esses livros aí e você que se vire pra vender” E eu nunca concordei com essa ideia de editoras, sabe? Eu pagar pra publicar? Peraí, eu já levei um tempo do cacete pra escrever, eu tive que escrever, tive que criar, tive que pensar numa história revolucionária, super diferente, perdi meu tempo, horas de sono, horas sentados na frente do computador, estragando as minhas vistas, estragando a minha coluna, pra você falar que eu tenho que pagar pra você fazer tudo isso? Ah não, negativo! E aí, eu já até assinei contrato com uma editora muito safada, que é a editora Buriti, que eles me cobraram 600 reais pra fazer todo o processo, só que aí não deu certo, o cara me passou a perna, eu perdi esses 600 reais né, já tinha assinado o contrato e tudo. E resolvi nem me estressar, só falei ‘me dá a quebra de contrato, seu desgraçado! Não tô com paciência pra aguentar você’ Aí o cara me deu a quebra de contrato, e eu falei ‘gente, sinceramente, editora não vai fazer nada que eu mesmo não possa fazer. ‘ai a editora vai te dar uma capa bonitinha’, ah eu mesmo vou lá e contrato um capista, ‘a editora vai fazer a revisão do seu livro’, fui lá e contratei uma revisora à parte. E aí nisso, eu tinha ouvido falar da Amazon, mas eu não sabia nada da plataforma, absolutamente nada. E ai nisso eu já fiquei ‘ah não, eu vou publicar independente pela Amazon, em formato ebook né, e vamo ver no
36 que dá’. Aí eu publiquei a PAC, em 19 de fevereiro de 2019, foi no começo do ano passado, e aí eu até tentei o negócio lá da capa comum né, fazer a capa comum pela Amazon, fazer o livro físico pela Amazon, só que não dá certo, porque o livro vem lá de Nova Jersey, se eu não me engano, Nova Jersey, Massachusetts, Nova York, sei lá que diabo que é. E fica muito caro o dólar pra fazer o câmbio, então tipo assim, livro que eu custaria aqui a 25 reais pra fazer, só vindo de lá já é 60, então fazer o físico pela Amazon não compensava, então eu deixei só o digital até o final desse ano, e aí eu assinei contrato com outra editora, pra eles fazerem o livro físico, que o editor eu conheci num evento literário que eu fui, só que eu falei assim ‘olha, eu não vou pagar capa nova, não vou pagar revisão nova, não vou pagar ISBN, que eu já tenho também, se você quiser, você pega os direitos autorais do livro só pra fazer o físico’ aí ele falou ‘beleza’, aceitou, e aí ele é responsável só pelos livros físicos, aí como eu vou lançar a continuação e não quero ficar nessa editora, aí eu vou quebrar o contrato com essa editora também, pra poder lançar a continuação junto com o relançamento desse na próxima editora junto, mas eu comecei na Amazon, e simplesmente, ela… sem a Amazon eu não seria nada q eu sou hoje, não q eu seja alguma coisa, mas a Amazon é o que me sustenta basicamente, não tipo assim, de sustenta de dinheiro, mas é o que me sustenta como editor, como autor, sabe? Ela me deixa independente, q é uma coisa q eu amo. Eu gosto de falar assim ‘ai, a capa vai ser essa’ então a capa vai ser essa, eu não quero que a editora fale assim ‘hum, essa capa aqui não vende’ Tudo bem, eles entendem e tal, mas eu gosto de ter liberdade, eu não gosto que as pessoas tentem me controlar, eu não tenho paciência pra isso, então como eu me lasquei, quebrei a cara com uma editora e as outras me cobravam, 3, 4 5 mil reais, a Coerência, se não me engano, ela cobrou 10 mil reais, eu achei muito mais lucrativo publicar pela Amazon, porque eu já tava com capa, já tava com revisão, então era só jogar o arquivo lá. Foi basicamente isso. 10. Ah então, quanto eu publiquei no Clube dos Autores, ele não tava pronto, eu terminei ele no final de 2015, o livro, eu fiquei no clube dos autores lá pra maio, julho, sei lá, não lembro. Só que ai não tinha capa profissional, não tinha revisão profissional, era só o meu texto cru. Então a qualidade tava um lixo e o clube dos
37 autores cobrava 50 reais o livro impresso, uma palhaçada e eu falei ‘ah não, vou tirar daqui, vou preparar o meu livrinho melhor, e depois eu busco outra plataforma’. 11. A Amazon sem dúvida né, todos os meus livros são da Amazon e aí vai pra Amazon e o físico vai ficar com uma nova editora, porque eu gosto de ter esse controle, digital é eu, Leblon Carter, físico quem pode administrar isso é a editora né, enquanto eu tô nas editoras pequenas por enquanto, mas sempre Amazon, eu assino o Kindle, o Kindle Direct Publish né, que no caso no KDP, que aí fica exclusivo da Amazon, não posso vender em nenhum outro lugar o ebook, mas aí eu tenho aquele hard de leitura né, é como se fosse o spotify, só le meu livro com assinatura e eu ganho, q é basicamente como os autores independentes lucram né, é bem mais pela leitura do KDP do que vender e-book. 12. Ah então. Vou ser sincero com você, a Amazon, como que a Amazon funciona: a Amazon não é todo mundo que conhece, eu mesmo sendo autor não conhecia a Amazon, demorei pra conhecer, e aí a amazon é bem mais forte nos Estados Unidos né, o principal marketplace deles e lá o pessoal lê bem mais né, autores realmente lá é uma profissão e aqui tem isso, autores não são valorizados, a Amazon é desconhecida, e tipo assim, a amazon ela vende muito hot, muito livro hot, porque é o que eu sempre explico, primeiro que as pessoas gostam de putaria né, isso aí óbvio, num precisa nem se esforçar pra entender, o povo gosta de putaria e safadeza, segundo: quem tem poder de compra é gente mais velha, o meu publico querendo ou não é um publico mais jovem adulto, que nem a OAPEC, é um infantojuvenil no estilo de Harry Potter, claro que pessoas mais velhas podem curtir né, tipo 21 e 22, mas eu também não tenho como alcançar esse público. Não tenho um grande engajamento pra pegar esse público, e ai pessoas que leriam né, e esse povo que estuda, trabalha e nem sempre todo mundo tem tempo de ler um e-book, e físico é caríssimo, e quem tem tempo de ler, esses adolescentes que ainda tão na escola, tipo uns 15 e 16 anos, que aí qualquer coisa já vira fã, vira fã do livro, vira fã do autor, segue nas redes sociais, dá engajamento, eles não tem poder de compra, porque pra Amazon você tem que comprar com cartão de credito, ou com boleto, mas boleto é muito chato, mas principalmente cartão de crédito. Cartão de crédito eu só fui ter depois que eu comecei a trabalhar lá pra 20 anos, então é muito mais difícil, então quem lê hot é geralmente gente mais velha né, lá depois dos 20 anos,
38 que já tem um emprego fixo, que gosta de ler coisinha leve, geralmente hot é um romance bestinha né, não que seja ruim, é um romance bestinha que seja assim clichê, tipo ‘ ai, a secretária que se apaixona pelo chefe’, uma coisa fácil de escrever, agora assim, uma fantasia que precisa pensar, que o leitor pra ler precisa pensar também é muito mais difícil, então a Amazon não me dá muito lucro, não me dá lucro quase nenhum, eu tiro lá acho uns 40 reais por mês, só o mês passado que foi bom né, digamos assim, que eu tirei 180, mas porque eu divulguei igual uma cadela né, pelo amor de Deus, nossa mês passado eu ralei. Mas pra começar eu acho que dá bom né, eu gosto do que eu faço, eu tenho muito amor, porque se não eu teria desistido há muito tempo, e é aquilo né, quando você se propõe a fazer uma coisa, você tem que entender o que você tá fazendo, mas eu sei que eu não to tendo lucro, mas eu sei que eu melhoro cada dia mais, meus trabalhos vão ficando cada vez mais profissionais, e futuramente eu posso ter um lucro bem maior e compensar todos esses anos que eu tenho tipo zero, então é basicamente isso. Mas pra mim, a Amazon é direitinha, ela paga sempre 2 meses pra frente, então se eu vendo um livro hoje, eu vou receber por esse livro em novembro, final de novembro, então é sempre 2 meses pra frente, as editoras geralmente te pagam duas vezes por ano, tipo, a cada 6 meses, não sei como funciona nas tradicionais, provavelmente deve ser contrato, contrato que eu falo assim ‘ai você autor assina contrato e recebe 2 mil reais e recebe direitos autorais e seu livro é meu”. Mas tipo, das editoras pequenas, o seu livro é a cada 6 meses pra você receber 50 reais, por exemplo, e na Amazon eu consigo acompanhar minhas vendas, eu tenho o controle total, tipo eu mesmo tenho vários parceiros no instagram, q é onde eu sou mais forte, eu mesmo mando o meu livro de forma digital pros meus parceiros, falo ‘ó pra vocês lerem, pra divulgar, resenhar’ eu tenho esse poder né, já tirei livro físico pra mandar pros meus parceiros, e às vezes eles leem até pelo KDP, que me ajuda um pouquinho, e é isso, gata… basicamente isso, mas a Amazon pra mim, se não fosse a Amazon eu não seria autor não, porque eu que não pago 3, 4 mil reais pra publicar um livro jamais. E sem a Amazon eu também não ia nem me propor a correr atrás de revisão, capa, pra fazer livro fisíco, eu nem gosto muito de livro físico. 13. Assim, eu divulgo basicamente pelo instagram né, eu procuro gêneros literários, mando mensagens perguntando se a pessoa faz parcerias, resenha, aí geralmente
39 eles aceitam, aí mando meu livro né, em e-book pra eles, eles leem, em questão de um ou dois meses, fazem a resenha no IG deles, aí o pessoal comenta, perguntando sobre o livro, aí a pessoa fala onde tem o livro, me marca pra conhecer o autor, e é basicamente assim que a gente divulga livro digital né, eu faço tipo story, essas coisas pra sempre divulgar minhas obras e é assim, é basicamente pelo instagram, facebook ou twitter eu não uso muito. 14. Aí assim livro físico a primeira vez que eu peguei um livro físico foi uma sensação maravilhosa né você abre assim você le e você vê que você escreveu Aquilo é coisa de outro mundo né você fala mano olha o que que eu fiz mas se você parar um pouquinho para pensar não precisa nem pensar muito né. Você vai ver que livro físico é um artigo de luxo Por que vejamos assim, o meu livro digital tá lá na internet por 5 e 99 na Amazon né quem quiser ler história é 5, 99. Um livro físico já é um pouco mais complicado, só para eu imprimir ele é 25 reais aí tem a taxa do Marketplace que é mais 5, tem frete para casa da pessoa que é mais 10, aí se for uma editora tradicional Tem a parte da editora que é mais tipo uns quatro ou cinco reais, e isso fora, dependendo né, porque se for editora tradicional eles tem gráfica própria então o lucro para eles é maior, mas você pensa assim “mano, eu sou um autor iniciante, independente, quem vai querer pagar 40 reais em um livro físico meu?” Ninguém! A pessoa vai querer um livro físico meu se eu já tenho um nome no mercado, se eu já sou conhecido, se eu já tenho outras publicações famosas, sabe? Então tipo assim eu nunca vi muita serventia em livro físico para mim em começo de carreira. Talvez autor grande tipo Vitor Martins que escreve LGBTQ e é bombado, Raphael Montes, para eles é bom ter livro físico, mas de fato eu acho um artigo de luxo que o pessoal quer pegar para tirar foto, para falar “ai meu Deus, olha como eu sou leitor, né”, postar uma foto bonitinha no Instagram, isso e aquilo, mas tipo assim é caro para o autor, porque tipo assim, se a pessoa compra físico meu eu tiro 3 reais daquilo e a pessoa vai estar gastando 40 reais, sabe? E aí no caso do e-book que a pessoa compra por 5,99 eu tenho o lucro de 4 reais, eu já tenho mais lucro, entendeu? Então, o livro físico para mim é um artigo de luxo, porque tá cada vez mais caro, as livrarias então, estão fechando, né, Saraiva, Cultura. Antes, você tá numa editora pagando o tradicional e colocasse um livro seu na prateleira da Saraiva ou da Cultura, Nossa você zerou a sua vida, mas se você pensar um pouco,
40 você vai entrar naquela livraria e Vai ter outras centenas de milhares de livros, a pessoa só vai até lá e comprar o seu livrinho se ela já sabe quem você é, se ela não sabe quem você é, acho que é 0,1 % de chance de ela fazer isso, então eu foco muito mais em crescer o meu nome no meio digital e para ficar mais conhecido com isso, e futuramente meus livros físicos serem procurados, e não eu ter que fazer livro físico para tentar vender para uma pessoa avulsa, entendeu? O próximo livro eu vou lançar em novembro, ia lançar ele só em formato digital por enquanto, né? Porque em formato físico eu não vendo livro em formato físico, o pessoal não procura livro físico comigo, mas eu fiz uma parceria com uma editora nova, vai sair o físico junto com o e-book, e eu mesmo vou imprimir os livros físicos para fazer o pacote de divulgação que é o evento que eu tô planejando, mas o meu foco sempre é em divulgação em e-book, nunca em livro físico, a pessoa quer comprar o livro físico, ótimo! Mas o meu foco sempre é o digital, porque é onde eu realmente tira o lucro, porque não adianta nada a gente tá bonitinho lá na prateleira e o bolso tá vazio, né? 15. Ai, só para complementar rapidinho, eu levo a minha carreira como escritor como cantor, eu me inspiro muito em cantor, tipo Anitta, essas coisas, cantor internacional, então tipo assim, antigamente todo mundo comprava CD físico, ai era lindo ter pilhas e pilhas de CD físico, hoje em dia é streaming ou é os áudios no YouTube com videoclipe ou é o áudio no Spotify, no Deezer, quem hoje em dia compra CD físico? Só quem é realmente fã, e os artistas nem se esforçam de fazer CD físico, essas coisas, porque não dá, porque eu vou ficar me matando de fazer livro físico sendo que o pessoal não vai procurar? Então isso de e-book, eu tenho um e-book que tá lá, centenas de pessoas compraram, dinheiro no meu bolso, agora livro físico sempre é mais gasto para fazer os livros vírgulas tem que estar gastando para fazer, essas coisas, então é basicamente como eu me inspiro. 16. Olha, eu confesso que não senti diferença nenhuma, eu comprei o livro de um amigo, né? Que escreve fantasia também, eu comprei o livro físico, li o livro físico e para mim foi normal igual do Vitor Martins, ou do Vitor Martins eu li livro digital né e para mim não tem diferença, eu gosto mais do digital porque tipo assim, tá no meu celular e eu estou com celular o tempo inteiro e em qualquer lugar, então eu consigo, tipo assim eu tô no trabalho sem fazer nada, abro o aplicativo e começa a dar uma lidinha aí aparece alguma coisa para fazer depois eu volto. Livro físico já é mais
41 complicado para isso né. E também tem a praticidade de eu não ficar carregando livro físico na bolsa para lá e para cá e o celular não né, no caso digital, o digital tá sempre comigo, então até eu como leitor digital, mas eu não tenho muita distinção eu acho livro físico bonito, ele é legal de você pegar e você ver a capa no papel, ver a contracapa, Abrir e ver a diagramação bonitinha, mas o conteúdo é o mesmo, a história é a mesma, então querendo ou não é uma coisa de Beleza você vai mais muitas vezes pela beleza do livro do que pelo conteúdo em si. 17. Para publicar? Nenhuma, nossa, a Amazon facilita a minha vida, o que eu quiser colocar no meu livro eu coloco sem empecilhos, e a Amazon É tipo assim: você manda o arquivo e ela publica assim, em questão de horas. se for um livro grande, até ela ver os arquivos certinho e revisar é até um dia, mas assim fora isso é muito fácil, você coloca o título que você quiser, a capa que você quiser, e não tem intensílios, não tem Contrato nem nada, Só se você assinar o KDP, o que é contrato de 90 dias, mas dificuldade para publicar nenhuma, é ruim para divulgar, nem todo mundo se adequou ao e-book ainda muita gente, igual eu tenho uma amiga minha, Ela é Amiga agora, mas ela começou como parceira, que ela lê pelo celular, e para ler e-book ela fala que é muito ruim porque ela tem problema de visão, ela usa óculos, então para ler livro digital é ruim, mas aí ela já comprou o Kindle que é da própria Amazon,e aí fica muito mais fácil para ela também porque ela também não vai ficar comprando livro físico de todos os autores que ela quer, mas para publicar não, a Amazon facilitou a minha vida de um jeito que eu não imaginei que fosse possível. 18. Então, eu tenho muita vergonha de falar isso, não, nessa questão eu sou uma vergonha, eu escrevo quando eu tô afim, depende né, igual, o segundo livro de fantasia é para publicar em novembro, então eu estou revisando ele todos os dias, nem todo dia né, revisei antes de ontem, não, revisei ontem, aí hoje eu descanso, aí reviso amanhã e depois eu descanso, Porque é trabalhoso também né, porque eu tenho que prestar atenção em muitas coisas, mas se organizar para escrever não, eu escrevo quando eu tô com vontade, quando eu não tô com vontade eu não escrevo, às vezes eu me forço e escrever né, porque tem que cumprir prazo né, essas coisas, mas de resto não.
42 19. Séries, filmes e desenhos é de onde eu tiro a minha, então o que me inspira é né, tipo assim, de criar histórias, essas coisas, são séries, filmes, desenhos, essas coisas. final agora, o que me anima para escrever é ler, quando eu começo a ler me dá vontade de escrever, então quando eu não tô muito a fim de escrever eu leio um pouco antes porque isso me anima, mas inspiração é sempre coisas visuais eu não gosto de me inspirar em outros livros, em outras leituras, porque eu absorvo muito o estilo da pessoa, a narrativa, e para mim não fica legal, eu prefiro absorver do audiovisual mesmo. 20. Olha, eu digo com pesar no coração que era a desgraçada da J.K Rowling, porque querendo ou não eu cresci com mulher né, eu cresci acompanhando Harry Potter, se não fosse Harry Potter não teria AOPEC, se não fosse J.K Rowling, Eu nunca ia querer ser escritor na minha vida, só que a desgraçada é transfóbica né, e não tem como eu como LGBTQ compactuar com uma coisa dessas mesmo que Harry Potter seja a minha inspiração e a J.K Rowling fosse tipo assim a minha meta na carreira, eu tenho bom senso né, não sei a sua opinião a respeito disso, mas as pessoas que falam ‘ai, eu separo o autor do livro’, gente vocês separam porque não é na pele de vocês, sabe? Por quê se fosse ela falando isso com próprio G do LGBTQ né, com os gays, aí sim seria a minha classe no caso né, e aí doeria bem mais viu, eu sentiria na minha pele, mas mesmo sendo sobre transexuais, que faz parte da minha comunidade, eu tenho que apoiar a minha comunidade porque ela que tá lá comigo o tempo inteiro ponto final e ela é uma pessoa vivida, é uma pessoa bem de vida, socialmente estável, e não tem porque ela fazer umas declarações ridículas dela, e ainda mais tendo o público que ela tem, tendo os jovens, e hoje está até um pouquinho mais velho, jovens adultos, mas mesmo assim os novos leitores que estão se formando, a desgraçada não sai dos mais vendidos da Amazon de fantasia, nossa dá raiva daquela mulher, todo santo dia ela tá em primeiro, e foi uma grande decepção para mim, para mim ela morreu, e aí não existe isso de você separar o autor do livro. Gente, a pessoa q escreveu a obra é a mesma q tá falando aquele tipo de coisa, o pensamento hoje dela é provavelmente o mesmo pensamento preconceituoso q ela tinha antes, não é tipo ‘ ai, a pessoa era preconceituosa e ela se desconstruiu’, não! se ela já é preconceituosa hoje ela já era preconceituosa antes, então desde que ela escrevi a Harry Potter ela já era
43 transfóbica, personagem LGBT que tem em Harry Potter por exemplo? ‘ai, o Dumbledore’, ai ta bom, a mulher postou um twit falando q o Dumbledore era gay, e os gays iam tudo falando ‘ai mds, rainha militante’ falando, então não é jogando na cara, tem q ter bom senso! Hoje em dia, quem eu admiro é o Rafael Montes né, eu não sei se você conhece, ele é o mais bombado de terror, o livro dele tá sendo adaptado pra série na Netflix, fiquei passado quando eu descobri que ele era gay né, meu amigo me contou, mas ele é abertamente gay né, mas ele tem foto com o namorado e tals, mas eu não fico fuçando muito, o Vitor Martins também q é LGBTQ, q escreve romance gay né. eles e, acho que por enquanto só, tem outros que eu conheço, mas não seja que eu admiro tipo, FML Pepper, a Nana Palvoli, mas elas escrevem mais romance hétero, voltado pro hot, q não é a minha praia, mas são pessoas q eu admiro pq são escritoras nacionais, que ralaram pra cacete pra chegar onde tão, e é a minha meta, querendo ou não né, mas é isso. 21. Então, valorizando não tão não né, o brasileiro tem essa séndrome de vira-lata, de que acha q tudo o que é de fora é melhor, por isso eu até adotei um pseudônimo meio americanizado, né, Leblon Carter, porque eu não queria q as pessoas pegassem o meu livro numa prateleira, numa vitrine e lessem ‘ai, Ailton Sena’, é um autor brasileiro, não vou comprar’’, agora, se a pessoa le ‘Leblon Carter’, ela já pensa ‘acho que é americano e tals’, deve ser bom. Então já tem mais essa vertente, eu já adotei uma postura de marketing né, da minha imagem, e não que valorizem mais nacionais né, eu vejo muita gente falando principalmente no instagram, exatamente assim ‘ai gnt, eu to tão fracassada nas minhas leituras, preciso ler mais autores nacionais,’ como se isso fosse tipo uma obrigação da pessoa né, ‘ai vou ler autor nacional por obrigação, porque se não eu leria só o estrangeiro’, então a maioria do pessoal lê autor nacional porque a gente pede pra ler, a gente pede revisão, pede parceria, mas de fato, o pessoal prefere muito mais livro estrangeiro, não entendo o porque né, eu acho q tipo assim, quando o livro é acompanhado de uma série, um filme e tem toda aquela comoção e tals, até entendo, mas quando é um livro avulso, de um autor q ninguém nem conhece, ninguém nunca viu, pelo amor de Deus né, pra que ficar dando ibope pra essa pessoa? Que nem, uma amiga postou um story ontem falando super bem de um livro, o “Meninas Selvagens” né, e ai eu me interessei né, a capa é belíssima, o livro vem com um poster, fui pesquisar
44 na Amazon, todas as avaliações horríveis, péssimas, pelo menos da versão brasileira né, e aí já me desinteressei total e eu não entendi porque o pessoal tava gostando tanto, porque os comentários eram de que era muito repetitivo, sem nada a acrescentar, mas é aquilo né, é um negócio q vem de fora, com um nome gringo, então o pessoal gosta mais. 22. Aí é uma vergonha o que fazem né, até coloca um para ler autor nacional, mas é aqueles livros lá tipo anos 70, não que os livros não sejam importantes, óbvio que eles são né, eles são datados, todo mundo conhece, são histórias e importantes para cultura nacional. Mas o que o governo precisa entender é que é necessário uma atualização, não tenta colocar para um estudante de 12 e 13 anos para ele ler um Machado de Assis por exemplo, ele provavelmente não vai entender ou ele não vai querer passar da segunda página, Eu não passaria, principalmente porque antes dos 17, que foi quando eu comecei a escrever, eu não tinha interesse por literatura, então nunca eu ia pegar um livro desse para ler. eu ia preferir ficar no YouTube vendo videoclipe Ou vendo filme ou fazendo
qualquer outra besteira de
adolescente, mas nunca que eu pegar um livro para ler, agora se você colocar uma coisa mais nichada, pega um público maior por exemplo, um romance de uma autora infanto juvenil nacional e coloca para um pessoal ler e fazer uma dissertação, além de você estar valorizando uma autora contemporânea, porque é bom a gente lembrar que a gente tem que valorizar o que foi marcado na história, mas a gente tem que valorizar o que está começando agora também. Não adianta a gente esperar o escritor Morrer para falar ‘ai gente, olha as frases bonitinhas que ele falava, vou colocar nas legendas das minhas fotos’ pelo amor de Deus né gente, toma vergonha na cara, o tanto de autor Nacional aí independente ou não se esforçando para criar uma carreira, porque você vai apoiar ele? Você prefere e lá no Google e ficar pesquisando frase bonita da Clarice Lispector que morreu há não sei quanto tempo né, Acho que uns 20 anos que ela morreu. Por que você não pega de um autor contemporâneo, que tá aí, que tá ralando, trabalhando, se lascando, todo santo dia e coloca na sua foto? Pro pessoal ver e ir lá pesquisar o autor, conhecer um pouco mais dele. Então é assim se você quer criar o hábito de leitura no jovem, você tem que colocar coisa que jovem quer ler, e o jovem não quer ler sobre Capitu, Bentinho, sei lá quem traiu quem, diabo a quatro, o pessoal gosta de ver isso né
45 traição, mas coloque no contexto atual, não no contexto passado, porque hoje em dia se você for fazer triângulo amoroso, a 10 anos atrás era o que ponto de interrogação era triângulo amoroso de vampiro com humana e o Lobisomem, hoje em dia tem um negócio mais fantástico também, mas o pessoal gosta dessa pegada mas tem que ser na linguagem dele, não tenta colocar essas coisas velhas para jovem, desculpa o preconceito, mas se quisessem me apresentar o Monteiro Lobato, Como já tentaram na escola, eu não ia dar a mínima, eu nem sabia quem era Monteiro Lobato, Machado de Assis, eu fazia por obrigação não por gosto, sabe? Então você começa a focar mais nisso, mas eu acho difícil né com essa anta na presidência e esse governo vagabundo com esse estrume do Ministro da Educação, piorou né? 23. Ah eu sou uma pessoa que gosta muito de me comunicar, sabe? Os meus parceiros divulgam a resenha do IGTV deles, eu vou lá, comento, compartilho, agradeço, sempre pedindo aquela avaliação na Amazon, que é importante, e o Scoob, o pessoal que comenta na resenha deles eu vou lá e comento por cima também, pra gerar mais engajamento no post da pessoa né, e é isso assim, eu não tenho público assim de leitores não, Nossa mas eu tenho um público que lê as minhas obras, tem um pouco de diferença nisso, mas a minha relação bem próxima, eu gosto de me comunicar com quem que lê as minhas coisas, porque ela tá pegando um pouco da minha vivência né. 24.Então passar o contexto rapidinho né, só para depois eu explicar melhor se você quiser colocar isso no livro né, mas há um mês e meio atrás dois meses né, dois meses né abriram uma campanha de financiamento pra apoiar pequenas editoras, escritores independentes né, essas coisas. E eu me inscrevi com o projeto meu, o projeto de um livro e eu fui selecionado né, eu mandei a documentação toda dia 10 de setembro e eu recebi a mensagem hoje que eu fui aprovado e o dinheiro já tá lá no Catarse para eu transferir para minha conta. Eles ainda não fecharam todos os autores e tal né, mas eu fui um dos selecionados para fazer um projeto, e o projeto é um documentário, baseado no meu livro, não sei se eu já cheguei a falar desse livro pra você, ele é um romance LGBTQ que se passa no cinema né, Ele é basicamente uma autobiografia minha, só que ficcional né, eu trabalhei no cinema também e aí como maioria dos personagens são os meus próprios amigos eu tivesse ideia de
46 fazer um documentário contando sobre os bastidores do cinema, falando com os meus amigos, falando como era isso de tipo assim, eles serem um personagem na história, o que ele achava, tals e essas coisas. 25. Aí foi péssimo péssimo péssimo péssimo! Porque o primeiro evento literário que eu fui como autor foi esse ano, foi em janeiro, não me recordo, acho q foi dia 27 de janeiro, um pouco antes foi o sábado literário, foi a primeira vez q eu fui como escritor, Amei, gostei tal e aí nisso já marquei o segundo evento, né, com o pessoal q organiza. E aí foi um evento de carnaval de emoções, que esse já foi lá para o meio de Fevereiro final de Fevereiro e tal, E aí foi o segundo evento que eu participava e nisso eu já tava com mais dois eventos marcados, um seria em uma faculdade se eu não me engano e o outro seria numa escola, aí eu já tava com planejamento para Bienal desse ano, eu ia fazer minha estreia como autor na Bienal, porque eu ia lançar esse livro que vou lançar agora em novembro, que estava programado para eu lançar na Bienal né, já estava tudo planejado e tal que a terá continuação , aí quando veio a pandemia todos os eventos foram cancelados, e nesses dois primeiros eventos que eu fui eu conheci muita gente, muita gente mesmo, muitos escritores iniciantes como eu, editoras, e a gente começa a criar uma conexão, uma networking né, porque agora, estou planejando fazer um e-book, um curso de quarentena para escritores iniciantes, e eu vou falar sobre isso, sobre networking né, porque é bom você ter contatos na sua área, você ter colegas que passam pelas mesmas coisas que você, mesma situações, que estão enfrentando os mesmos dilemas, e eu fiz muitos amigos, e quando a pandemia veio acabaram os eventos, então esse pessoal eu não vejo a muito tempo, a última vez que eu vi eles foi lá para fevereiro, Março, E aí com isso da Bienal também tive que mudar meus planos, porque avisaram que não ia ter a Bienal lá para Maio, se eu não me engano, a gente já tava sabendo que não ia ter né, Mas avisaram oficialmente que não ia ter em maio, então eu tive que me reestruturar, pensar como eu ia lançar, E aí não dá para fazer nenhum lançamento físico, então o ataque que é o alquimista prodígio dois vai ser totalmente online, venda por sites, só que aí esse do projeto que eu tô falando com você, não tem como eu fazer ele online porque é documentário, eu tenho que sair para gravar com pessoal, o evento eu quero que seja muito grande, com esse financiamento tem que ser uma coisa babadeira, eu quero que o
47 documentário passa no telão gigante na Avenida Paulista (risos), não, é brincadeira. mas eu quero que passe tipo, documentário na hora e tals, E aí tem que ser um evento presencial, então a pandemia já tem que ter dado uma cessada, E aí eu pretendo fazer isso lá para abril, Mas no geral foi isso que me afetou, mas a pandemia também me trouxe coisas boas, como eu sou mais focado no digital, teve um aumento muito maior, e tipo assim quando a gente coloca um livro gratuito na Amazon, agora tem muito mais download, agora deu uma caída né, mas no começo teve muito download, e os Escritores se programavam e falavam ‘aí vamos fazer um final de semana pandemia literária’ que ele chamaram né, e aí eu e os meus colegas deixamos uns e-book gratuitos, E aí deu tipo 3000 download dos nossos livros no final de semana isso ajuda, porque se a pessoa ler livro pelo KDP, é lucro para gente, tem avaliação e tal e foi bom, para o meio digital foi ótimo, para o meio físico foi péssimo, mas como eu nunca fui muito focado no físico não me afetou muito né. 26. Então foi complicado, eu não levava a sério, eu nunca levei a sério no começo e tal. Tipo assim, eu não levava a sério de ser uma coisa fosse ser mundial. Mas eu acompanhava todos os dias, tipo ‘ Ai, na China deu tanto isso de casos’, aí chegou nos Estados Unidos, aí chegou no Brasil , em São Paulo principalmente né, ‘ ai, essa semana teve 15 casos’, aí tipo na próxima semana teve 200 casos, eu sempre acompanhava, acompanhava todo dia. Mas quando ela começou de verdade e o prefeito, foi o prefeito né? Nem lembro quem foi, acho que foi o desgraçado do Dória, que aplicou quarentena na cidade durante 15 dias, eu trabalho em um restaurante de comida fitness, que é basicamente delivery a gente atende em loja, mas lá não dá movimento, o único movimento que dá na loja é da faculdade Anhembi que fica na frente, e como ela fechou na quarentena, não dava movimento de loja, dava só o movimento de delivery, e eles não liberaram a gente, então eu falei que eu ia me afastar 15 dias para respeitar a quarentena e tal, E se eles pudessem eles poderiam tirar das férias e aí eles fizeram isso ponto final aí eu achei que durante esses 15 dias ia estar tudo melhor né, só que aí eu tive que voltar e continuou tudo na mesma, aí eu fazia curso de artes gráficas na rua de baixo, e o meu curso eles mandaram para EAD, tentei segurar por 5 meses, tentei não, segurei por 5 meses, pagava todo mês r$ 400 para ter aula online só que não tinha como
48 por que o meu computador não rodava os aplicativos, tipo Photoshop, InDesign, Illustrator, o meu notebook é muito ruim, e aí eu não tava conseguindo acompanhar, E aí eu resolvi sair do curso, Por que o curso era o meu plano B, tipo mexer com design essas coisas, ainda é né, Por que eu sou formado em cinema, mas era uma especialização que eu tava procurando a mais e aí eu tive que largar, aí eu não parei desde então, desde que começou a quarentena Eu trabalho todos os dias, folgo uma vez só por semana e para mim é como se não tivesse quarentena, nem pandemia e nem nada, porque eu tenho que ir trabalhar normal, a única coisa que eu não faço é sair com meus colegas para beber, então Acho que desde o começo da pandemia eu saí só uma vez porque fui para casa do meu amigo né, mas eu não saio, é só casa e trabalho casa e trabalho, ficar revisando livro, escrevendo Então para mim a pandemia me deixou um pouco mais reservado, mas me afetar mesmo ela só afetou na parte do curso, mas como eu saí do curso já é uns r$ 400 que eu não preciso tirar do meu salário todo mês, sabe? Mas foi basicamente isso. 27. Não, aqui é favela né, quer dizer favela não, aqui é comunidade, não o pessoal não respeita não, talvez respeitassem no primeiro mês que parecia que a coisa estava mais grave, porque a doença tava surgindo, mais uma semana depois o pessoal tava fazendo churrasco na rua, nossa, eu Já Quis denunciar várias vezes, o vizinho aqui fazendo festa, mó algazarra, todo mundo sem máscara, Mas pensei melhor e não né porque, é que eu gosto de arrumar confusão né, eu sou muito barraqueiro, mas eu decidi não me meter né, mas não, o pessoal aqui, só tipo assim para entrar no mercadinho tem que tá com máscara, para entrar no bazar tem que tá com máscara né, essas coisas, mas na rua o pessoal não respeita não, é uma palhaçada. 28. Ah sabe, mas não faz diferença nenhuma né, aqui em casa é todo mundo separado, eu moro numa casa sozinho, minha mãe mora em uma casa sozinha, minha irmã mora com o filho dela em uma casa, e o meu pai mora em outra, eu não converso com meu pai, minha mãe sabe que eu sou escritor mas, é a mesma coisa que nada, porque ela fala que eu não faço nada né, eu falo que eu tô cansado, eu falo ‘ ai mãe eu tô cansado’, e ela ‘ do que? Você não faz nada’, só que aí né, até eu falar dos livros, dos escritores, explicar de novo o que eu sempre falo que eu sou escritor, mas é a mesma coisa de falar com uma parede, e minha irmã também não
49 dá a mínima, então não, não tenho apoio nenhum, nada, se eu falar "gente, vou lançar um livro mês que vem", vão falar "aí tá bom", só isso. Então, elas saberem e não saberem é a mesma coisa que nada. 29. Ah não, de amigos eu tenho bastante, porque eu tenho os amigos da literatura né vírgulas quê eu fiz bastante amigos no meio literário, autores, IGs literários, parceiros, que acabam se tornando amigos, meus próprios amigos também que eu trabalhei no cinema, me apoiam muito, inclusive vão fazer parte do projeto, e eu tenho muito mais apoio nessa área minha de amigos, pessoas conhecidas no meio literário, do que na família. 30. Sucesso Mundial, não, é brincadeira, não é brincadeira não, é verdade, mas quando eu comecei a escrever eu só queria me expressar através das palavras, colocar para fora da minha cabeça tudo que eu tinha e tals, hoje eu me vejo mais profissionalmente, quero entrar em uma editora tradicional, quero que os meus livros sejam traduzidos para milhares de línguas, até a língua dos anjos Se for possível traduzir, Eu não me imagino ganhando prêmios, prêmios eu acho muito difícil tipo jabuti, essas coisas, eu acho que eu não sou muito de prêmio, acho que eu sou um escritor mais blogueirinho, sabe? Gosta de aparecer em rede social, essas coisas, mas eu pretendo alcançar um patamar alto como escritor né, porque a gente não tem muita referência de escritor nacional principalmente contemporâneo né que a gente veja como exemplo né, eu quero ser um exemplo para os escritores que estão começando né, para eles verem que é possível mesmo com todas as dificuldades E com os meus livros, as mensagens que eu tento passar com uma peque, ele é um livro de fantasia né, fantasia infanto juvenil, então eu tento passar essas coisas de, tipo imaginação, de amizade, blá blá blá, essas coisinhas clichês, com o “Luzes” eu vou aprofundar ele um pouco mais com o decorrer do tempo, primeiro livro é um romancezinho besta q acontece no cinema né, só q aí, com o decorrer dele, eu pretendo abordar outras coisas né, pretendo abordar problemas psicológicos, vingança, porque eu vou largar um pouco isso de ser um romance no cinema, pra transformar em uma coisa mais de escritores, sabe? Competição entre escritores, como q funciona literatura nacional, porque eu também nunca vi um livro sobre escritores, principalmente no segmento que eu quero passar, né, mas vamos ver como vai ser.
50 31.O primeiro trabalho que eu arrumei foi no cinema né, Quando eu tinha 19 anos, e quando eu entrei no cinema eu não tinha ingressado na literatura eu tinha terminado OAPEC, isso foi lá para 2017, mas foi aquele negócio que eu te falei, precisava de dinheiro para revisão, capa e tals eu não tinha nada pronto, e no cinema eu não tinha tempo, quer dizer eu tinha tempo só que eu não tinha ânimo, não sabia nem por onde começar, e no cinema eu trabalhava de domingo a domingo, folgava só na segunda, entrava às 5 horas e sair às 11 horas e no final de semana era das 2 horas às 11 horas, só que o cinema, eu moro na zona sul, o cinema que eu trabalhava era na Zona Norte, da minha casa até lá era 2 horas, então era meio que um rolêzinho né, quando eu sair do cinema acho que eu fiquei uma semana só desempregado, e comecei a trabalhar no Pizza Hut, o que é tipo do lado, só que o Pizza Hut, lá era pauleira era sebo na canela, lá eu trabalhava do meio-dia às 11 horas todos os dias, de domingo a domingo, porque parecia que sempre faltava funcionário lá né, então lá eu não tinha tempo de respirar, não tinha, e eu escrevo um diário desde 2015, todo mês eu escrevo no meu diário as coisas que aconteceram comigo, porque é uma forma de eu me Recordar, sabe? Porque muitas coisas, mesmo que seja besteira, a gente não lembra dentro de 1 ou 2 meses, e quando agente lê no nosso diário agente se recorda e ver a diferença que faz né, e quando eu trabalhei no Pizza Hut, eu não tinha tempo nem de escrever no meu diário, era muito puxado, e aí quando eu recebi a capa de uma PEC que foi no comecinho de fevereiro foi quando eu decidi pedir as contas eu já tinha pago a revisão, a capa já tava pronta, só o formato digital né, eu falei "Ah vou me lançar como autor né" e até então eu não tinha nada, eu publicava o livro do cinema no Wattpad mas também não era nada extraordinário, aí eu me lancei né, sair do Pizza Hut e fiquei focando nisso né, não deu muito resultado E aí eu fiquei 5 meses desempregado, aí eu comecei a trabalhar onde eu estou agora, que é bem mais tranquilo é perto da minha casa, eu levo uns 40 minutinhos, e lá apesar de ser um restaurante, eu fico a maior parte do tempo sentado tranquilo mexendo no celular e tals, porque sai um pedido pelo aplicativo , eu vou pego um prato que é tipo aquelas marmitas prontas, Esquenta no microondas, coloco na embalagem e dou para o motoboy. eu tô lá há um ano já, e dá muita diferença porque eu posso ficar com celular e nos outros empregos eu não podia, eu posso ficar no celular me comunicando com os meus parceiros no
51 Instagram, mandando livro para o pessoal revisar, comentando post, postando Stories, vendo a Amazon Como estão as minhas vendas. Então lá é um emprego, não é lá essas coisas, mas tipo eu ganho um salário mínimo mas eu consigo tá conectado o tempo todo que era uma coisa que eu não conseguia nos outros empregos, tanto que eu penso "Se eu sair de lá agora eu num posso arrumar outro emprego como aquele, como os meus anteriores né, porque eu preciso estar conectado o tempo todo, vendo isso ou vendo aquilo" então, esse emprego que eu estou agora me ajudou muito, porque esse tempo que eu tenho, fora o salário né, que é como eu banco os meus projetos deu muita diferença porque eu não teria conseguido fazer nem 10% do que eu fiz até hoje na minha carreira se eu ainda estivesse trabalhando no telemarketing ou no Pizza Hut. 32.Ficou faltando falar coisa né, desculpa. Então o negócio da escrita eu trabalho de tarde, eu trabalho das 2 horas até 10:30, eu escrevo sempre de madrugada, é quando eu gosto de escrever, eu gosto desse clima, tipo silêncio, tranquilidade, de brisa e eu sempre coloco barulho de chuva na TV né, porque eu gosto de som ambiente, então para escrever, mesmo se eu tiver de folga, o mesmo se eu estiver trabalhando de noite tipo de tarde essas coisas, eu não gosto de escrever de manhã e nem de tarde, não consigo me inspirar, é sempre de noite ou de madrugada, por isso eu gosto de trabalhar de tarde, e assim é complicado, porque eu folgo só de quinta-feira, que ainda era quando eu fazia o curso, eu fazia o curso de quinta e terça Então já era bem pauleira né, e agora que eu não tô fazendo nada só de quinta eu uso para descansar, mas é aquilo né, eu chego já cansado do trabalho, aí tenho que jantar, eu tô tentando não jantar mais né porque eu quero emagrecer, aí eu vou e escrevo um pouco, vou rezar um pouco, e quando eu vou ver já é 4 horas da manhã tenho que dormir correndo para acordar 10:30, porque eu Malho todo dia né, aí Eu malho das 11:30 até meio-dia e meia então eu tenho que acordar e eu acordo 10:30 muito cansado, aí eu tenho que tirar mais um cochilo, acorda 11:30 vou malhar até meio-dia e meia, vou tomar banho e vou trabalhar e não como nada, e eu fico tipo das 11:30 até às 4 horas sem comer nada, aí eu chego 2 horas do trabalho e tem que fazer umas coisas, E aí 4 horas eu tô saindo para almoçar, e essa a rotina todos os dias. Então eu tenho muita inveja de escritor que tá em casa que pode escrever todo dia, que pode ficar na rede social Todo Dia. eu já postei acho que
52 várias vezes no meu Instagram falando assim "a gente, desculpa porque eu não sou aquele tipo de autor que tá aqui todo dia postando Stories, postando coisa para interagir com vocês e tals isso aquilo," porque eu tenho que correr atrás das coisas, eu penso assim "Ah eu vou largar o meu emprego, vou ficar em casa só escrevendo só isso e aquilo" mas aí da onde vem o meu dinheiro para fazer os meus investimentos? Eu não quero fazer qualquer coisa, eu sou muito nojento com os meus projetos, eu quero sempre o melhor. que nem o projeto do OAPEC que eu vou lançar o segundo, eu quero fazer um negócio tipo bem da hora, eu quero fazer um evento de lançamento, evento online né, E aí nisso aí é uma grana tipo um 700,800 reais quero fazer uma versão exclusiva do meu livro de capa dura, tipo fazer sorteio, e cada livro de capa dura é 80 reais ou 90 reais , aí eu penso "a se eu estiver em casa, eu consigo revisar os meus livros mais rápido, consigo escrever mais rápido" Mas da onde eu vou tirar dinheiro para investir? Porque eu não quero pegar uma imagem qualquer e fazer a capa do livro, uma revisão simples né porque eu não vou ter dinheiro para pagar revisor, e jogar na Amazon, eu quero ter essa aparência profissional, eu quero que as pessoas olhem para mim e mesmo que eu não tenho o selo da Record ou da companhia das Letras, eu apresento um bom trabalho, porque eu corro atrás disso. Então muitos autores que eu conheço, acho que 90 80% deles são tudo desempregado, eles não trabalham E aí eu não quero criticar, pelo amor de Deus, longe de mim criticar eles mas eles ficam na mesmice, é sempre a mesma coisa: lançou um livro, coloca na Amazon, faz alguns exemplares simples e acabou, não tem nada demais. Eu sempre busco Inovar, então eu vou fazer esse evento online, com os parceiros, “Luzes”, que eu já vou vir com um documentário, que na minha proposta para conseguir financiamento eu falei "Ninguém nunca fez isso, usar o áudio visual desse jeito para promover a literatura eu quero fazer o gênero LGBT rodar no país, essas coisas" porque o pessoal fica só na mesmice e eu não suporto isso, eu penso "gente, vocês tem que evoluir, não tem como". E aí tem tipo um projeto de outro livro que eu pretendo lançar daqui uns 3 anos que é o "como ser um destruidor de corações", que eu quero fazer um álbum de música e eu quero cantar tipo, quero que tenha um videoclipe, nada profissional né, não sou cantor né, pelo amor de Deus! cantora para mim é a Gretchen, mas eu quero tipo assim ter um videoclipe de música no livro porque é um grande diferencial. E aí outro projeto meu
53 lá bem para frente eu quero que seja tipo um curta-metragem gravado numa casa da praia porque vai ser um thriller psicológico e essas coisas, eu não consigo pensar em mim lançando uma coisinha simples e não tendo todo um babado por trás, eu quero sempre que tenha um projeto Grande, que envolva Milhões de Dólares (risos) e é isso, então mesmo se eu não tivesse conseguido esse financiamento, para o projeto de luzes, eu ia fazer ele na marra eu comprei minha câmera faz dois meses, meu tripé chegou semana passada porque eu já tinha convocado uns amigos que fizeram cinema comigo né, eu já tava falando com eles "vou fazer isso e tals, vocês me ajuda", então tipo assim eu eu faço com ou sem apoio, mas eu faço, e odeio depender de pessoas para qualquer coisa porque tipo, Se tem uma coisa que eu aprendi na minha vida é que a gente não pode depender de ninguém, então se eu quero isso eu vou atrás disso, não vou ficar esperando a pessoa ter Boa Vontade, não vou ficar esperando cair do céu porque eu sei que não vai acontecer, e isso de conseguir um financiamento é uma coisa em um milhão,, não tem como não é todo mundo que vai conseguir ponto final então o meu diferencial digamos assim, é que eu sempre procuro Inovar, o que eu não vejo os Escritores fazendo, eles estão sempre fazendo a mesma coisa, que nem o Vitor Martins né, ele tem o livro lá né "um milhão de finais felizes" e "15 dias", os livros dele estão bombando, mas o menino não faz nada de diferente, o que ele faz tipo um mini curta, porque os livros dele vendem pra cacete, e ele é de boa família né, pelo amor de Deus, e o que ele faz de diferencial? Eu sei que ele vai lançar a versão Americana lá no Reino Unido, mas enquanto tá nesse processo do americano vai investindo também no nacional, faz um curta né isso aquilo, uns teasers, uns trailers faz isso faz aquilo para chamar atenção, porque o áudio visual puxa muito mais do que a literatura, não tem como, a pessoa prefere pegar um vídeo de 20 a 30 minutos do que pegar um livro de 700 páginas ou 500 páginas, seja o diabo que for, então eu procuro juntar muito desses dois.
1.3. Entrevista com o escritor Andreas Chamorro
54 1. Essa questão da escrita comigo, é um caso muito curioso, aos seis anos de idade, quando eu tinha 6 anos de idade, eu ganhei da minha madrasta meu primeiro livro. Eu ganhei um Harry Potter e a Câmara Secreta, eu acredito que nossa geração de autores, principalmente quem nasceu nos anos 90 para cá, teve esse Impacto, falando de literatura com Harry Potter, só que o curioso é que aos seis anos, quando eu li aquele livro pela primeira vez eu não me apaixonei pela leitura, não foi a leitura que me fez gol mas sim o fato de saber que nós poderíamos criar histórias, eu costumo dizer que eu me apaixonei primeiro pelo criar. então desde esse primeiro impacto com a literatura, onde eu percebi que a literatura existia e que a criação existia eu fui me tornando um leitor muito assíduo, Então eu fui crescendo ainda a biblioteca da escola e consumindo livros atrás de livros. aos 14 anos de idade eu escrevi um pequeno romance bem fantasioso, porém eu acabei perdendo arquivo, aí eu peguei um pouquinho de trauma, fiquei um pouco triste. quatro anos depois, com 18 anos eu tive uma outra epifania e decidi escrever um outro romance um pouco mas sério porque eu estava um pouco mais maduro e acabou que eu também perdi esse manuscrito, eu escrevi a mão e eu acabei brigando com uma amiga e o namorado dela estava em posse do meu manuscrito do meu caderno e ela por birra ou não sei porque, colocou fogo no meu caderno e eu perdi esse manuscrito. Então esse episódio aos 18 anos, 18 ou 19, porque eu demorei mais um ano para escrever este livro me marcou demais, esse Realmente foi um trauma muito profundo. mais velho, Entrei em contato com livro do Hemingway, é um livro de Memórias "minha Paris é uma festa", agora que eu lembrei o título, onde ele conta um caso que também ele perdeu vários manuscritos dele e querendo ou não ele passa a mensagem que né, "se você sempre escreveu Por que você não não conseguiria escrever agora?". então, depois desse episódio eu fiquei 7 anos afastado da leitura e da literatura, da escrita total, então foi, vamos dizer assim, dos 19. Ah mais ou menos uns 23 24 anos que eu fiquei neste hiato, e no final de 2018, eu casei em 2017, no final de 2017 e no final de 2018, a tia do meu marido é bibliotecária, Há muitas décadas e de vez em quando eu comentava sobre esses livros que eu escrevi e o quanto eu gostava de ler e ela me incentivou a voltar a escrever, fiquei com isso na cabeça e realmente voltei a escrever, eu abri eu abri meu drive, achei o arquivo daquele livro, alguns excertos daquele livro que eu escrevi aos 18, agradeci
55 que ele foi posto fogo. Porque era horrível e comecei a procurar minha voz, e agora em 2020 vamos dizer assim, dois anos que eu voltei ao ofício da escrita, eu percebo que é muito natural para mim, eu costumo dizer aos meus colegas escritores que muitas vezes elogiam algum texto meu que eu Fico lisonjeado, porque às vezes são textos que eu escrevi sem pretensão alguma de uma forma muito natural mesmo, eu digo que escrever para mim é o mesmo esforço de tomar um copo d'água, para mim é uma coisa que faz parte realmente da minha natureza. 2. Então, eu juntei alguns poemas que eu tinha, são poemas produzidos entre 2019 e este ano, tem algum de 2020, e coloquei lá na Amazon primeiro na intenção de mostrar um pouco dos meus escritos para os meus colegas escritores, principalmente os que eu fiz amizade este ano, porém eu estou para atualizar este livro, eu vou dar uma incrementada nele, porque ano passado eu disponibilizei também alguns poemas, então estou pensando em juntá-los para ficar uma coisa só. Bem, este livro se chama "cabeça azulada" e é um título de um dos poemas, e basicamente eles são divididos nas seguintes categorias: temos poemas sobre a arte da escrita, são poemas onde eu refletir a angústia do escritor, porque quando a gente pensa nessa identidade de escritor nós temos várias coisas que começam a pesar, alguns fardos né, então se a gente pensar pelo viés do mundo contemporâneo, pós-moderno, a leitura principalmente no nosso país é um ramo muito complicado de se obter relevância, às vezes tem um peso justamente, você quer se sustentar financeiramente, início você quer sobreviver, o seu nome, ficar depois que você morrer e várias outras angústias deste tipo eu costumo refletir muito, então esses poemas sobre a arte da escrita falam justamente disso, dessas questões que somente um olhar de um outro escritor talvez sentisse certa empatia, temos alguns outros poemas autobiográficos, que falam bastante da minha vida principalmente sobre meu relacionamento com meu pai, eu sou órfão de mãe então tem alguns que questionam essa questão da Maternidade vazia na minha vida durante esse hiato, foi o tempo que eu tive um relacionamento abusivo violento que durou 8 anos então nesses poemas com cunho pessoal temos também umas algumas reflexões sobre esse período, e uma outra categoria são poemas do período que eu estive depressivo, então ano passado mais ou menos eu diria 70%
56 de 2019 foram dias difíceis, eu tive minha primeira crise de ansiedade no ano passado, nunca imaginei que eu passaria por isso, então tem um poema que eu falo sobre este dia e todo o cosmo que se monta, que se cria em cima de você quando estamos depressivos, então é na poesia que eu decidi, tentei na verdade, refletir e chegar a alguma conclusão sobre esses assuntos específicos dessas categorias, Porque para mim a poesia é diferente da prosa, a prosa para mim eu consigo escrever sem a inspiração, poesia para mim não, o poema ele vem como uma intuição e vai embora, então eu aproveito antes que ele vai embora e ponho no papel. 3. Bem, acho que eu conseguiria definir essa sensação melhor quando eu estou escrevendo prosa, porque aquilo que eu disse, a poesia é efêmera para mim, então ela vem e vai embora, já a prosa não, a prosa é diferente, porque eu penso muito até chegar Aquele momento que eu chamo de "imaginação febril", que é quando tá reverberando demais na mente e a gente sente a necessidade de pôr aquilo no papel, enfim…. então com a prosa eu conseguiria descrever melhor essa sensação da escrita, é místico, por quê obviamente é uma terapia, todo escritor ao escrever está conversando consigo mesmo, porque independente se o escritor está escrevendo ficção ou não, pode ser até uma biografia, mas o escritor ali está se apropriando da psique de outro, então acho que neste, justamente neste momento em que eu estou sendo um personagem, eu gosto muito de escrever usando a técnica do fluxo de consciência, então naquele momento que eu estou mergulhado na psique de um personagem nas vicissitudes que eu crio para aquele personagem, nas tristezas ou nas alegrias, eu acabo conversando comigo mesmo, entende? Acaba sendo um reflexo para mim mesmo, É como se eu fosse um espelho e o personagem é o reflexo, ou seja, ele está dentro de mim, e o prisma seria a reflexão depois que passou pela minha vivência, então obviamente todos os personagens de um escritor, seja esses personagens de má ou boa índole, Mas sendo humanos, eles tem uma pequena ou uma grande parcela daquele escritor, daquele autor, enfim, então eu acredito que a sensação se eu fosse descrever em poucas palavras é aquilo que o Fernando Pessoa disse "você se apropriar, você viver o sonho de outro", eu acho isso muito bonito, eu não consigo destoar muito a literatura de um sonho, porque o sonho você sonha durante uma noite inteira mas quando você vai
57 contar para uma pessoa no dia seguinte você molda esse sonho à sua maneira, então nós temos coisas que sobressaem, coisas que não ficam, então a gente procura achar um significado para esse sonho, então para mim a literatura isso, quando
eu
tô
escrevendo
independente
da
história,
independente
dos
acontecimentos do enredo, enfim, eu vejo aquilo como uma busca por significado também. 4. Ah claro, Janaína, sim. Eu pretendo estrear Assim de verdade ano que vem, eu estou com alguns projetos não somente literários, pretendo, não sei se vai dar certo mas eu pretendo inaugurar uma revista literária, estou aqui conversando com os meus amigos, vou ver o que faço mas em relação a livro mesmo pretende estrear ano que vem, e fazer o seguinte, eu vou tentar primeiro o seguinte: eu vou colocar na Amazon, disponibilizar na Amazon por conta da democratização da Leitura que a Amazon proporcionam, então eu sei que muita gente consome livro No Kindle Unlimited, e querendo ou não fica mais democrático mesmo, entretanto eu quero imprimir poucos exemplares físicos deste livro, serão livros de contos, porque eu acredito que é muito caro uma publicação Independente com gráfica, enfim e eu quero correr atrás realmente de uma editora e eu pretendo fazer publicidade com youtuber uma youtuber que eu admiro muito e o valor que ela cobra para fazer uma resenha não é tão caro, na esperança que o tipo de literatura que eu produzo, que eu vou produzir, vou publicar, chame atenção de alguma editora, porque eu tenho convicção que o tipo de literatura que eu gosto de escrever não é comercial, não vende. então eu vou tentar realmente contar com destino, divulgando da forma que eu conseguir e disponibilizando dessas duas maneiras, tanto na Amazon para democratizar o acesso ao livro quanto empresto para quem quiser realmente comprar, de mim ou quiser um autografado, para amigos famílias, mas no número menor, algumas dezenas, não sei se chegaria a centena (risos) e se caso uma alma boa um dia ter contato com a minha Literatura e quiser investir Aí sim com certeza obviamente eu vou querer eles físicos, com certeza. 5. Sim, quando eu decidi procurar ir atrás da informação sobre publicação nos dias de hoje, ano retrasado eu diria, eu fiquei sabendo da Amazon, não sabia tem então e quando eu descobri Fiquei até feliz, porque realmente facilitou muito a vida de muitos escritores.
58 6. Bom, eu usei o que eu tinha ao meu alcance, publiquei no Instagram né, coloquei algumas informações no Instagram, no Stories do Instagram no Facebook, nos grupos de escritores que eu participo, mas assim somente a divulgação gratuita né, realmente o que está ao meu alcance, foi o que eu consegui fazer, e os meus amigos me ajudando também, compartilhando, indo lá no link do livro e deixando um comentário, uma nota, isso também ajuda bastante. 7. Por enquanto praticamente nulo, realmente o que veio alguns amigos, e algumas leituras No Kindle Unlimited, que esse serviço conforme as páginas são lidas Amazon te paga um valor, então praticamente foi nulo, mas eu associo isso primeiro porque eu não sou conhecido, eu sou um anônimo ainda e também porque é poesia, eu acredito que se a prosa já tem certas dificuldades, de fazer um sucesso, imagine a poesia, 8. Nesse livros de poesia especificamente eu fiz sozinho, porque querendo ou não eu entendo um pouquinho de capa, a questão também de diagramação, então eu fiz sozinho mesmo, no livro que eu pretendo publicar ano que vem provavelmente vou pedir ajuda de amigos eu conheço uma escritora que é capista, outra pessoa que faz diagramação né, na verdade não pedir ajuda, mas contratar mesmo porque eu acho importante não só o escritor, pensar não somente no escritor que precisa de um apoio financeiro mas também quem trabalha no ramo da literatura, então revisor, diagramador, capista também, enfim… também são pessoas importantes no ofício, Porém para este livro realmente fiz tudo sozinho. 9. Bem, esse é um pouco complicado comigo, viu? Eu já tentei fazer uma rotina, já me forcei, coloquei ali no papel os dias, horários, tantas palavras por dia, teve um tempo que eu consegui, ano passado eu escrevi um romance para tentar concorrer ao prêmio Kindle, o 4º prêmio Kindle, não deu certo e eu acabei retirando esse romance da minha obra, mas durante a redação desse romance, eu cheguei a escrever 2 mil ou um pouco de palavras por dia, assim, bonitinho, mas eu acredito que aquela fase funcionou pq eu tinha um prazo de entrega, mas hoje em dia já percebi
que isso não funciona comigo, porque é aquilo que comentei sobre a
imaginação febril né, porque hoje em dia eu sou professor de inglês particular, então eu tenho os horários das aulas, porém, o período da tarde fica livre pra mim, então é um período que eu uso pra me dedicar a literatura então, quando eu falo a literatura,
59 eu incluo a leitura e a escrita, são os momentos que eu vou ler e escrever, então acaba que não é todo dia que eu escrevo, também não é todo dia que eu leio, eu já percebi que comigo, se eu não escrevo sem a vontade, não sai coisas de qualidade, pelo menos pra mim, então, eu já percebi que rotina não funciona comigo, só que eu também tenho a noçõa que um dia isso vai ter que acontecer, acho que quanto mais a gente galga passos, degraus, nessa subida da carreira literária, temos que manter uma rotina de produção, veremos agora, como eu quero publicar esse livro de contos, eu ainda falta alguns textos nessa coletânea, e realmente estou pensando em dar um tempo, na internet, neste fim de ano, nestes últimos 3 meses do ano pra me dedicar, aí talvez acho q eu consigo colocar uma rotina de novo, não uma rotina fechada né, com um número de palavras por dia, nada disso, mas de escrever todos os dias. 10. Totalmente próxima. Eu ainda não tive a experiência de uma de uma pessoa realmente vamos dizer assim genuinamente encontrar minha obra, entrar em contato comigo, todos os leitores que eu tenho hoje em dia vamos dizer assim me conhecem de alguma maneira, então é bem estreita minha relação com eles, então eu acabo tendo feedbacks interessantes né, porque são realmente dos ciclos de amizade q eu tenho, alguns leitores né, não são tão próximos. Então são amigos de amigos né, Eu acho que esse foi o limite que eu encontrei assim de uma pessoa muito. Longe da minha vivência, do meu ciclo de convivência, tendo contato com a minha literatura. Mas não sei, Talvez um dia isso aumentar nesse número de eleitores principalmente de terceiras pessoas né, pessoas que eu não realmente não conheço, e virem entrar em contato comigo por algum motivo, Com certeza eu quero sempre estreitar a conexão com essas pessoas, principalmente por conta do feedback, porque eu acho que também é importante pro escritor não só tem a sua visão sobre seus escritos, também não só a visão em ponto de vista dos seus conhecidos, mas o ponto de vista e a leitura de alguém que não te conhece, eu acho isso incrível, acho que isso deve ser uma experiência muito curiosa. 11. Eu faço parte da do site “entrecontos”, foi criado alguns anos pelo escritor Gustavo Araújo, ele é um escritor paranaense, e nesta plataforma, de 30 em 30 dias nós temos desafios de contos, então nós temos um tema sugerido e os Escritores produzem contos sobre esse tema para poder cada um se avaliar, então nós nos
60 avaliamos né, e querendo ou não, o “entrecontos” tem muitos escritores bons, e acaba que nós conseguimos agregar a outras pessoas que não tem o costume de ler ou que são leitores mas não escrevem, pra também avaliar esses contos, também ter a leitura ali, Porque uma coisa aqui que é uma condição que tem é quando vamos avaliar esses contos para o desafio, temos que fazer comentários embasados, fazer comentários com relevância, ou seja, que prove que a gente leu, que a gente absorveu, que a gente entendeu ou não, então isso eu acho incrível, fora isso, eu tenho amizade com algumas pessoas que trabalham em bibliotecas né, é que por conta da pandemia, alguns projetos algumas ideias que tínhamos ficaram stand-by né, mas desde o ano passado eu planejava com um amigo meu que trabalha numa biblioteca, de fazer algumas palestras sobre leitura com os jovens porque a biblioteca que ele trabalha tem muita visita de criança, de adolescente né, e a gente tinha isso em mente, agora vamos ver né vamos esperar acabar essa pandemia, para poder pôr em prática, de vez. 12. Ah então, Janaína acho que eu vou dar um spoiler para você então hein, do que está por vir, já que você tocou nesse assunto. Bem, quando pandemia chegou, eu já tinha na minha cabeça que eu precisava falar sobre, porque se a gente puxa lá atrás, eu gosto muito de puxar lá para o passado né, eu gosto de ver a história de um modo panorâmico, então se a gente pensar lá em Embocátio, antes de Dante, em Florência, enfim… Ele escreveu “decamiron” né, a grande obra de Embocátio, e fala sobre a peste negra, se a gente ver um pouquinho mais para frente, se a gente parar para pensar, na 1ª guerra mundial, nós temos várias obras, falando sobre a Primeira Guerra Mundial, aí apos a primeira guerra mundial a gente já tem também alguns resquícios disso na literatura produzida após, no período de 1920 né, então se a gente pega por exemplo Misses Dolaway, da Vitine Ruflo, termos um personagem que é veterano de guerra, aí pegamos o nazismo, a gente vai um pouquinho mais pra frente né, então segunda guerra o nazismo a gente vai ter a peste do canil, Doutor Fausto Thomas mann também é um livro que fala sobre o nazismo,
esses
grandes
acontecimentos
históricos,
principalmente
os
acontecimentos que são em escala mundial, os braços desse acontecimento, pega o ocidente e o Oriente, eu acho que a literatura não consegue não falar disso, mesmo que seja implicitamente vai vai ser falado, então isso, o que eu vou falar agora
61 pode parecer um pouco ruim, mas mas não é mas acontecimento histórico que são horríveis, são terríveis né, como peste, como epidemia, pandemia, guerra, os autores principalmente se for um autor iniciante ou um autor que tá um pouco mais no ostracismo, é uma oportunidade de a voz daquele autor, daquele escritor ser relevante,
então juntou essas duas informações na minha cabeça né,
uma
acontecimento histórico e a oportunidade de eu poder dar a minha visão, literariamente falando, eu percebi que eu tinha que escrever sobre isso, então eu estava trabalhando no outro projeto meu, que eu estava trabalhando desde Outubro, porque eu sou meio assim, eu sou meio Leonardo da Vinci, começo uma coisa e paro, começo outra e paro e aí eu decidi falar sobre a pandemia, eu tive realmente insight sobre o que eu falaria sobre a pandemia em abril maio, então eu comecei a escrever romance que virá depois desse livro de contos, um romance que fala sobre a pandemia, na verdade não é o plot né, o mote desse romance não é pandemia, não é a peste. Mas a pandemia eu diria que é o meu Canvas, é a minha tela, então sobre a pandemia, eu pintei
o que eu poderia dizer sobre ela, então sobre a
pandemia do coronavírus vamos ter duas obras no futuro, entre o ano que vem e 2022, Eu pretendo lançar esse romance em 2022 porque ele também tem um peso político muito grande mas eu decidi falar sobre a visão humana, o ponto de vista humano e o ponto de vista da natureza.
Então esse primeiro romance que eu
comentei, eu faço uma distopia Ou seja, eu conto 40 anos de história, se passa na cidade de São Paulo, eu não dou mais dá para reconhecer que a cidade de São Paulo, e nesses quarenta anos eu imagino a seguinte situação: e se o coronavirus fosse um pouquinho pior e sofresse uma mutação de uma maneira mais rápida Como por exemplo o vírus do HIV? Então vamos dizer que o RNA desse vírus mutação muito rapidamente, agravando os sintomas da doença, então fiquei com isso na cabeça, então eu criei essa história uma sob um viés pessimista, pq a minha intenção com este romance é acordar um pouco as pessoas, para elas olharem e ler essa história e pensar "Nossa isso poderia ter acontecido", e a gente tá aqui normalizando a morte, normalizando a doença, então numa situação caótica como essa, eu imagino todas as variantes que poderíamos ter filosoficamente, sociologicamente, politicamente, essa situação então este romance é um ensaio, um exercício intelectual meu, imaginando o que poderia vir uma doença se pior o
62 coronavirus fosse pior, então por isso que eu falo que este romance tem um peso político muito grande, então eu quero imaginar um chefe de estado no Brasil que fosse extremamente inteligente, utilizando da Eugenia que uma pandemia causa ao seu favor, então esse meu romance, a mutação ocorre mas ocorre na periferia, porque no meu romance esse vírus ele vira entre aspas né ele vira a dengue. a pessoa começa a esquecer porque ele acaba se fixando na periferia, a partir do momento que está na periferia e não está mais lá no centro enfim, é esquecido muito facilmente, e essa mutação ocorre, a doença se agrava e a cidade entra em caos, então nesse caos, esse político, esse líder tem uma ascensão, desenvolvo todas as consequências, e o outro livro
eu não
e aí eu
consideraria um
romance, talvez seja só que é uma história mais curta, que eu disse que seria sobre o ponto de vista da natureza, então, o outro livro que virá em sequência, isso se eu não publicar os dois juntos, seria uma dialética, então são capítulos, são poucos capítulos, então nós temos a tese, antítese e a síntese, os personagens desse livro são animais, então temos um pangolim, um morcego, uma cobra, só que eu meio que me apropriei de psiques, de ideologias para colocar na voz desses animais, discutindo o vírus, a pandemia e toda a questão desse vírus ter vindo do tráfico de animais enfim dos mercados lá de Urran, e discutir o confinamento discutir realmente, humano e a natureza, então a natureza humanos avaliando nós humanos, então sobre a pandemia foi isso que eu preparei. 13. Medo, vou te falar viu, Janaína, medo, porque não sei né a gente esse mistério né que ele nós podemos morrer amanhã hoje amanhã, Enfim então este medo né primeiro Impacto medo,
principalmente quando chegou aqui no Brasil,
principalmente porque nós sabemos a situação do Brasil, por mais que moramos em uma capital, aqui no Grajaú por exemplo estou na periferia, moro na periferia, eu vejo a situação das pessoas aqui, então o Brasil não estava preparado para uma situação dessas,
nós vimos no início do ano principalmente as notícias que
chegavam da Itália, da Espanha esses países mais desenvolvidos tendo problemas para lidar com a pandemia Eu ficava imaginando o Brasil, quando chegou aqui e pegou de vez, vamos dizer assim Março e abril, eu já não estava com medo porque porque eu já estava de quarentena,
quando chegou no Brasil eu estava
trabalhando, estava dando aula numa escola, mas eu pedi demissão e fiquei em
63 casa trabalhando de casa mesmo então o medo passou porque estou de quarentena com a minha família até agora, mas esse medo se transformou numa apreensão, por conta que este ano ou é o momento que a gente vai viver nossa liberdade, nossa vivência individual né, sem pensar nas pessoas, o que eu acho uma coisa muito difícil de fazer,
ou realmente percebi que nesse momento que estamos
conversando aqui tem alguém sofrendo muito com essa doença, eu fico pensando será que era para essa pessoa sofrer? agora será que era para essa pessoa falecer agora? porém o que me deu um estalo que eu falei “tá feio” foi por conta do meu pai, meu pai meu pai foi diagnosticado com câncer no início do ano, ele fez quimio tudo bonitinho, e melhorou porém ele teve uma recaída em abril e ele acabou parando no Hospital das Clínicas por uns dias, quando ele ficou bem e voltou para casa ele me mandou um áudio contando o que ele viu e assim, foi horrível não só o número de mortes que era bem maior do que o que vimos na das notícias, mas toda a situação de estresse, situação pesada mesmo, então é uma coisa que eu penso sobre essa pandemia é que ela afetou todos. ela afetou todos em diversos níveis não só financeiramente, não só mentalmente mas ela afetou internamente, porque ela porque ela derrubou muitas cortinas, então a desigualdade social que já era uma coisa que era vista, estava ali mas a gente finge que não, por exemplo você andando no centro da cidade e se depara com mendigo, mas você continua o seu caminho,
então
mendigo representa
essa desigualdade, então agora com a
pandemia, não tem mais como esconder. então eu acredito que por mais que seja uma coisa horrível, eu tenho a esperança eu tenho a esperança é uma mínima esperança que a população brasileira e mundial use toda essa experiência com essa pandemia né, que há mais de um século não passávamos por uma situação dessa, use para melhorar o imaginário,
para melhorar o pensamento contemporâneo,
então o valor da ciência a valorização da ciência, valorização dos médicos, da medicina, né. Porque eu sei que com certeza quem perdeu um parente perdeu um ente querido sofreu, Mas na minha no meu ponto de vista, eu acho que tem mais sofreram na pele com essa pandemia foram as pessoas que trabalham na área médica, eu me ponho muito no lugar de uma enfermeira, me ponho muito lugar no lugar de um médico, sabe?
64 14. Nossa, essa questão é muito triste! Olha que coincidência, três dias atrás eu acredito, que eu escrevi um poema sobre isso depois que eu dei uma volta na rua, fui comprar alguma coisa no mercado né, que é bem perto de casa e voltei e eu gosto muito. quando eu tô na rua, eu observo muito as pessoas, isso é mal de escritor, escritor é meio stalker, a gente gosta de ficar observando as coisas. E é muito triste porque nós vemos pessoas de máscara, obviamente, mas fazendo mau uso né, então Neste mesmo dia aí que eu escrevi esse poema, eu vi uma enfermeira com a máscara no queixo, no bar então, assim isso é muito complicado, mas eu atrelo isso a falta de informação, porque hoje em dia não é que nós temos um número pequeno número baixo de informação, ao contrário totalmente oposto, nós temos um número maçante absurdo de informação que a gente recebe todo dia e que temos disponibilizado para podermos ir atrás né com a internet, então é muito difícil, eu me ponho, é aquilo de você se colocar no lugar do outro, me ponho muito no lugar dessas pessoas e que confiam enfim que recebem ali uma notícia no WhatsApp né enfim, ou vê alguma algo no Facebook e a gente já sabe que pandemias a situação de epidemia sempre tem as lendas urbanas né, se a gente parar para pensar na gripe espanhola, cento e poucos anos atrás, foi criada a caipirinha por conta da gripe espanhola. Então tinhamos um boato né, que a cachaça com limão curava gripe espanhola e disso surgiu a caipirinha. Então, hoje em dia é toda essa questão com os medicamentos, a cloroquina, eu vi eu vi algumas mensagens replicados de WhatsApp dizendo pra tomar chás, mas enfim Então essa falta de informação de uma informação concreta e confiável acaba permitindo a essas pessoas de fazer um mau uso dessas recomendações né então usar máscara de um modo errado, não respeitar o distanciamento, só que o que me deixa mais triste aqui eu sei separar quem precisa sair de casa ou por conta que trabalha né obrigações da vida cotidiana, da vida cosmopolita também, entretanto por outro lado temos pessoas que saem de casa por motivos totalmente fúteis, por motivos que a gente sabe que dá para dar Uma segurada agora. é isso me entristece porque quando você está se falando de epidemia principalmente de um vírus que é transmitido por vias aéreas, você está prejudicando o coletivo, então é a mesma coisa se você decidir usar um cinto de segurança ou não. não pode fazer isso você não pode andar em alta velocidade, porque que você está colocando os outros em
65 risco né, você tá colocando coletivo em risco, então é a mesma coisa, mesma metáfora e esse mesmo exemplo do cinto de segurança eu aplico pra uma máscara, distanciamento social né. E então isso é uma outra coisa que está escancarando com a pandemia, o fato que o brasileiro tem um problema para seguir regras.
1.4. Entrevista com a escritora, Elizandra Souza
1. Então, Janaina, eu não utilizo o termo “poetisa” né, a gente, enquanto escritora, se define como “poeta” mesmo. Então, se você puder colocar poeta, eu agradeço. É… eu sou poeta, sou escritora, sou jornalista de formação, tenho 3 livros publicados, que é o “Punga”, junto como poeta Akins Kintê, da edições toró, que foi publicado em 2007. Tenho o “águas de cabaça”, que é meu livro autoral, né, sem, somente poesias minhas, que foi publicado em 2012, pelo coletivo Mjiba. Tenho também o mais recente, que é o “filha do fogo”, 12 contos de amor e cura, publicado agora em 2020, né, o primeiro lançamento foi em fevereiro, o segundo a gente fez no Texas, lá nos Estados Unidos, e depois fizemos um evento grande na ação educativa em março, e aí 2 semanas depois veio a pandemia e paralisação total né, então é um livro que eu tenho divulgado bastante pela internet. Sou editora também de livros né, então eu sou a idealizadora do coletivo Mjiba. Daqui a pouco eu mando uma minibiografia escrita né, pra você, que eu acho que ajuda, por conta dos nomes e tal. E eu sou editora né, e idealizadora do coletivo Mjiba. Mjiba é uma palavra xona, de Zimbábue, que significa “jovem”, “mulher revolucionária”. E eu conheci essa palavra num livro de literatura né, no livro “zezelê”, uma carta pra minha filha, da escritora J. Nozipo Maraire, e nesse livro de literatura, falava que as Mjibas eram mulheres guerrilheiras né, mulheres que lutaram pela liberdade de Zimbábue, enfim, aí é uma palavra que eu me identifiquei muito né, pelo seu significado, e essa luta que a gente vem travando, pra divulgar né, difundir a literatura negra feminina, né, então eu tenho um trabalho aí com poesia, com literatura há 18 anos né. A primeira vez que eu publiquei foi no meu fanzine em 2001, né, eu fazia um informativo xerocado, e aí eu comecei a ensaiar as primeiras poesias, isso no ano de 2001, né,
66 então já tô quase completando 19 anos né, de ativismo cultural, mas ainda falo que é 18 né (risos). 2. Então, a gente tem né, no coletivo Mjiba, a gente vem com a autopublicação, né, publicando autoras negras, eu nunca procurei editoras ditas tradicionais ou do grande mercado, né, do mercado editorial convencional, né, eu vou publicar agora, participar de uma antologia da Companhia das Letras, né, eu vou participar de uma outra antologia da editora Marlê, que também é uma editora independente, né, uma editora negra, mas já tá um pouco mais inserida dentro do mercado editorial, tem participado de premiações, enfim, mas a gente nunca procurou não, a gente escreveu o nosso projeto né, pra um edital chamado VAI, que é o Programa de Iniciativas Culturais, e aí a gente fez nos nossos moldes, do jeito que a gente idealizava ser um livro né, lembrando que os livros do coletivo Mjiba, a gente faz os livros com o amor de quem é leitor né, então a gente pensa todas as etapas do livro né, desde a ilustração, projeto gráfico, toda a construção da identidade visual, a revisão dos textos, todas essas etapas né, até a parte mais formal e burocrática de registrar o livro na Câmara Brasileira de Livros, então , o ISBN, que agora é gerida pela Câmara Brasileira de Livros. A gente nunca procurou né, mas a gente, conheço escritoras que publicaram, que publicaram não, que procurou e sempre… a gente vê pelos catálogos né, eu recentemente com o trabalho da página Literatura Negra Feminina, eu tenho me debruçado a olhar os catálogos né, quantos são as escritoras negras presente nos catálogos, né, e a gente vê que é bem reduzido, que as poucas escritoras negras que aparecem né, são muito acima da média assim, digamos… né, são, por exemplo Toni Warryson, que foi nobel de literatura né, então, Jamila Ribeiro, que é um a das escritoras hoje que mais vende no Brasil, então geralmente as editoras tradicionais né, elas vão publicar mulheres que já são celebridades né, pessoas com reconhecimento de toda a sociedade né, que ela já são incríveis antes de publicarem por essas editoras e aí publicam e acabam ficando também mais conhecidas né, tem todo um suporte midiático. E eu sou muito feliz quando isso acontece, né, mas a gente percebe pelos catálogos que é exceção né, então a gente trabalha com autopublicação, não porque a gente queira né, os convites também nunca vieram, né então, e como a gente quer publicar, a gente acredita na leitura, a gente que vem do movimento né, dos saraus, né, de literatura
67 periférica, a gente acredita né, que a nossa literatura é potente, né, que a nossa literatura é necessária, a gente tá ai na disputa de narrativa, pensando que a literatura brasileira ela, na maioria das vezes, trata os personagens negros, as personagens negras né, de forma muito estereotipada, infelizmente, e isso vem mudando né, isso vem mudando muito a partir de movimentos literários, né, de autores negros, e autoras negras engajadas né, nessa luta por positivar a imagem da população negra né, disputar o imaginário né, porque o imaginário que a gente tem, infelizmente é do homem negro malandro, né, aquele homem vagabundo, que não tem trabalho né, que muitas vezes apresenta como uma pessoa que não tá nem ai pra família, geralmente essas pessoas também não tem família né, dentro das narrativas, é uma pessoa que não tem raiz né, não tem história, não tem passado, não tem futuro, né, geralmente tá ali fazendo a figuração em alguma cena, né, e as mulheres negras são retratadas ainda hoje de uma forma estereotipada, como a mulata sensual, ou quando ela não está na servidão, nessa coisa de ser empregada doméstica, em trabalhos que são, né, que tem essa coisa da servidão mesmo aí. E isso é muito característico de uma sociedade que tem uma herança muito escravocrata ainda né, o racismo, ele permeia todas as relações e não seria diferente com a literatura né. 3. Ah, eu sou inspirada por muita gente né, esse nosso movimento de saraus periféricos tem pessoas muito inspiradoras né, e uma delas é o poeta Sérgio Vaz né, que tá sempre nos inspirando, eu também sou muito inspirada né, esse trabalho que eu faço com literatura negra feminina pelas escritoras negras, desde Conceição Evaristo, Mirian Alves, Esmeralda Ribeiro, até as minhas contemporâneas, como a Jennifer Nascimento, a Raquel Almeida, a Priscila Obassi, né, então tem várias mulheres negras que me inspiram, Ariane Melão, Djamila Ribeiro né, são pessoas que … né também sou muito influenciada pelas escritoras negras da Diáspora, americanas, como Alice Walker, Tony Morrison, Zora Hushton, gosto também muito da literatura negra africana, porque aqui no Brasil a gente tem um racismo tão grande que a maioria dos escritores africanos que são publicados aqui no Brasil são de homens brancos né, é muito louco isso né, então eu gosto muito da Paola Itiziane, da J. Nozipo Maraire, né, que é a escritora que eu citei, falando aí da palavra Mjiba. Recentemente conheci o trabalho da Upila Tzala né, que é do Malaue,
68 e é isso, eu sou muito influenciada por essas mulheres, negras que escrevem, mas também os escritores periféricos né, como Sacolinha, o Alan da Rosa, o Akins Kintê, né, o Michel Iakini, são pessoas que são meus contemporâneos né, que a gente faz um trabalho juntos né, de tá potencializando a nossa literatura, o nosso fazer artístico, né, e essa luta mesmo de fazer com que as pessoas da periferia tenham acesso ao livro, e tenham acesso aos escritores vivos né, que somos nós que estamos aí nessa luta, então sou muito inspirada por esse movimento literário, né. Às vezes a gente parece que tá numa bolha, né, achando que tá todo mundo lendo, que tá todo mundo escrevendo, e isso não é verdade né, a gente é um grupo de sonhadores que tá aí difundido, a literatura periférica, a literatura negra, a literatura negra feminina, e pensando aí numa inspiração que todos nós enquanto escritores negros temos, e o cadernos negros né, que tá ai 42 anos fazendo literatura, um ano publica contos, outro ano, poesia, né, eles começaram ai em 1978, organizado aí pelo Quilomboje, eles são a nossa grande inspiração. Se a gente tem uma tradição literária, essa tradição é cadernos negros né. 4. Olha, primeiramente né, as minhas obras, eu escrevo pra mim e isso acaba reverberando no outro né, no leitor, não escrevo pensando no leitor. Mas a minha escrita, ela vem permeado por essa mulher negra que eu sou, né de, e tenho intenção politica né, acabo colocando na minha escrita, uma intenção politica, de valorização e de construção de narrativas negras que tragam uma imagem positiva né, dos nossos personagens,e mesmo que não seja considerado positiva, traz as nossas subjetividades né, como eu mencionei anteriormente, a literatura brasileira, ela nos tira essa subjetividade, essa humanidade, ou então coloca a gente em caixinhas, que nos rotulam, nos enquadram em lugares que a gente nem sempre é, a gente é mais complexo que isso. E aí quando se pensa na literatura, na nossa literatura periférica também, na nossa literatura negra, muitas vezes as pessoas vão pensando em encontrar também, dentro da nossa literatura, falando apenas da periferia ou falando apenas da experiência de ser negro, nunca nos entendem e nos enxergam como pessoas um pouco mais complexas né, então, a transformação social que eu acredito que tem nas minhas obras elas vem por meio dessa disputa mesmo do imaginário né, porque é uma puta disputa né, disputar o imaginário brasileiro, um imaginário que é racista e que vê pessoas negras como corpos que
69 podem ser facilmente descartados né, porque a gente pensa que o racismo, ele é um dos nossos piores canceres né, o racismo, ele nos impossibilita de ter oportunidades de sermos quem a gente veio destinado a ser. Então, o racismo, ele nos atravessa e nossa grande luta é que o racismo não seja o principal protagonista das nossas histórias né, então, a transformação social é esse combate incansável, contra o machismo, contra o racismo, contra as homofobias, essas preconceitos sociais que nós da periferia, que infelizmente a gente é visto com toda essa carga né, com todo esse peso né, então as minhas obras tem essa luta, de certa forma, dentro dos meus textos, essa luta incansável contra o racismo e o machismo. 5. Então, o cadernos negros, ele foi criado em 1978, por escritores aí como o Kuti, Paulo Colina né, vários escritores mais velhos, então eles estão desde 1978 fazendo essa série que é chamada de cadernos negros, inclusive o nome “cadernos” foi inspirado nos cadernos de Carolina Maria de Jesus, e eles estão aí né, há 42 anos. Hoje, o cadernos negros é organizado pelo casal Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa, eles que estão a frente aí de organizar o cadernos negros né. E o Quilomboje é um selo literário, né, que eles fazem essa literatura, e com esse viés que eu mencionei né, de construção de personagens mais positivos, devolvendo a humanidade de personagens negros, enfim. Então é um livro que tá há 42 anos e isso num é pouca coisa né. Eu tenho 37 anos, então quando eu nasci, cadernos negros já existia né, então. E eu quando escritora, olha que felicidade a minha né, poder partilhar e ser contemporânea das pessoas que fundaram o cadernos negros né, então eu to sempre reverenciando essas pessoas, que abriram esses caminhos né, a própria Conceição Evaristo, ela sempre faz questão de dizer que ela é fruto desse movimento literário, que começou aí com cadernos negros né, mas que já tinham outras iniciativas que tinham vindo antes né, mas aí a gente fala cadernos negros, tem uma experiência longa né, 42 anos né, eles tem de experiência mais do que eu tenho de vida né, então cadernos negros é uma inspiração assim, supernecessária, então acho que vale a pena você conhecer essa experiência. 6. Olha, quem é mulher negra e… a gente passa por situações de machismo e racismo o tempo inteiro. E as vezes num dá pra elencar se a gente tá sofrendo machismo ou racismo né, porque é sempre as duas coisas juntas, né, e ao mesmo tempo. Eu sempre passo por situações, as vezes coisas mais sutis, como ser
70 seguida no supermercado, já teve situações né, uma vez na Cacau show, que eu fiquei sendo seguida, toda hora sendo perguntada o que eu queria comprar, ofertando várias coisas, né, a atendente não me deixava nem respirar. Em relação ao machismo, a gente enfrenta né, infelizmente até pelos nossos pares né, porque, o machismo ele é muito gritante né, eu fiz uma poesia chamada “em legítima defesa”, que foi uma poesia super incompreendida né. No caso, eu falo sobre o feminicídio, então, os meus próprios pares não entendiam muito bem essa poesia, então o machismo e o racismo, ele tá o tempo todo né, quem é mulher negra, infelizmente o racismo e o machismo não nos dá descanso. Então, eu poderia ficar falando aqui de N situações né, mas a gente tá em luta sempre né, e dá mais luz as coisas boas que a gente vem construindo, pra desconstruir esse machismo, esse racismo. Porque senão o tempo todo a gente o protagonista das nossas histórias é o machismo, é o racismo, e não né, a gente, somos pessoas complexas, completas, e precisamos falar mais das nossas histórias, das nossas experiências positivas né, porque senão a gente fica o tempo todo dando esse protagonismo né, pro racismo e o machismo, e eles não merecem né, então eu prefiro falar mais do que eu venho construindo do que ficar elencando essas situações, porque muitas vezes, e na maioria delas a gente sempre fica muito paralisada, né, quando ela acontece, então no texto eu consigo me vingar desse racismo e desse machismo, que muitas vezes na realidade eu não consegui combater né, porque o racismo, ele é tao filha da puta né, mas o racismo, ele é tão sofisticado e tão revolucionário, que ele acompanha os nossos tempos né, então o machismo e o racismo, ele tá na internet né, então ele é ultramente tecnológico né, então tá em todos os lugares né, então a nossa luta é que a gente possa falar da gente enquanto seres humanos complexos e completos né, e que essas situações um dia seja coisa do passado né. Mas é isso né, todas as situações me marcaram né porque o racismo, principalmente o racismo né, mas enquanto mulher negra, eu não consigo separar os dois. O machismo e o racismo, ele entra num lugar, dentro da gente que nos coloca nessa posição de inferioridade, de que somos menos, de que merecemos menos, de que não merecemos oportunidade, de que não merecemos viver né, então é muito… é dolorido né, é dolorido, e muitas vezes pra provar situações de racismo é muito difícil né, porque ele manda pra gente como se fosse algo que foi impressão minha. “não, imagina
71 que você sofreu racismo”. Quantas vezes eu entrei em lojas, principalmente loja de shopping e eu era a última a ser atendida, quando era atendida ou quando “ah, será que ela vai comprar?” né, essa dúvida da minha capacidade, eu sou formada em jornalismo. “Ah, você é jornalista? Mas eu nunca te vi na TV” né, “você é escritora? Publicou livros?” né, então essa dúvida de que eu não sou o que eu sou, sabe? É muito complicado. Então o racismo, ele é cruel, fica o tempo todo querendo tirar a nossa potencialidade, fica o tempo todo nos oferecendo morte né, a morte dos nossos feitos, a morte da gente ser o que a gente é, a morte física né, a polícia mata, e mata pessoas negras, né, o índice de feminícidio tá la em cima. As mulheres morrem por serem mulheres, e as mulheres negras morrem por serem mulheres negras, então a gente pega nas estatísticas, quem mais morre são mulheres negras. A gente vai ter um filho, a gente recebe menos anestesia né, então, é muito louco né. E assim, eu posso falar várias situações que eu, Elizandra, passei, mas a dor de uma outra mulher negra que sofre machismo e racismo que, eu nunca, eu num sou mãe ainda, mas eu tenho várias situações né, de amigas minhas que foram pra ter neném e que receberam menos anestesia porque eram mulheres negras né, então essas dores, essas situações que acontecem com outras mulheres negras é como se tivesse acontecido comigo né, então me dói toda situação de machismo e racismo que eu vejo acontecer com os meus iguais sabe. 7. Vish, a pandemia afetou tudo né, eu trabalho com cultura né, eu trabalho com aglomeração de pessoas, então a cultura foi o primeiro setor a parar e vai ser o último a voltar né. Então, por uns 2 meses assim, eu fiquei muito anestesiada, tipo “e agora? Que que eu vou fazer da minha vida? Como que eu vou pagar minhas contas né?” Então nos 2 primeiros meses eu fiquei muito assim, sem saber como fazer um segundo plano, um plano B, num tinha um plano B. E tenho aprendido muita coisa né, a gente que é trabalhador, a gente entende que a maioria é trabalhador, a pessoa que tem um salário um pouquinho maior já acha que é de classe média alta né, mas é tudo trabalhador, perdeu o trabalho, perdeu tudo né. Então a gente voltou, né, a maioria das pessoas que são trabalhadores né, desse país, a precisar de cestas básicas né, pra sobreviver, a maioria das pessoas estão sem trabalho né. Agora, nos últimos 2 meses, que tem surgido trabalhos pra mim, pra fazer via virtual, to me adaptando, então afetou que eu sou da geração da
72 transição, né, do analógico pro digital, então algumas coisas em relação às redes sociais, eu resistia muito, resistia muito pra fazer né, então agora tem que repensar, e trabalhar né, no virtual. Eu tenho uma página da literatura negra feminina, logo no começo da pandemia a gente abriu um chamado pras seguidoras, né, pra enviarem poesias de sobrevivência e autocuidado, recebemos 44 textos, então apresentamos mais 44 escritoras né, espalhadas aí pelo Brasil a fora, tem até escritoras de outros países que também nos enviaram, e é isso né, afetou tudo. A gente não pode ignorar aí, que já vai mais de 300 mil pessoas contaminadas e 100 mil pessoas mortas né, morreu muita gente, e a gente tá tentando sobreviver né. Eu trabalho com cultura, to fazendo isolamento social, tenho uma mãe que é situação de risco, então to tentando, na medida do possível, conseguir pagar as contas em dia, não dá pra planejar muito o futuro, e trabalhando com a redução de danos, né. A redução de danos que é tentar manter a saúde mental boa, tentar trabalhar, tentar pagar as contas né, tentar fazer algum texto literário né, que as vezes é bem difícil ter inspiração né, num momento tão desolador né, que a gente tá vivenciando. E ao meu redor, parece que só a minha casa a gente não tem vacina né, porque as pessoas tão na rua, vejo muitas pessoas sem máscara né, quando olho em cima da laje, e eu fico… festa, churrasco né, funk rolando solto, aqui na quebrada né, a maioria das pessoas usam máscara porque pra entrar em estabelecimentos precisa tá com a máscara né, então, é muito louco isso né, se não fosse obrigado a entrar nos estabelecimentos com máscara, talvez as pessoas nem usassem, então parece que só a minha família não descobriu a cura do covid-19, e o resto do bairro tá todo mundo imune. 8. Então, sobre o meu processo de escrita, ele… é bem diferenciado né, assim, eu não costumo ter uma rotina de escrita, tô tentando criar né, com esse lance da pandemia, dos desafios que eu estou me colocando né, ter uma rotina de escrita, porque eu não tenho uma rotina de escrita, então com isso eu acabo tendo sim, muitos bloqueios criativos né, porque a escrita ela é mais transpiração do que inspiração né, porque eu as vezes fico nessa esperança né, esperando inspiração divina e acabo não produzindo tanto quanto eu deveria. Então, o bloqueio criativo é algo que eu tenho me dedicado a extingui-lo, a exterminá-lo, e criando ainda né, um
73 processo de rotina de escrita né, que eu não tenho atualmente, mas que estou a caminho de ter.
1.5. Entrevista com o artista Paulo César Marciano
1. A Editora e Gráfica Heliópolis, ela nasce no desejo de fomentar os escritores locais né, então assim, é… como eu havia falado na primeira vez, ela não nasce assim, de uma vez, sabe, “nossa, tive uma ideia”. Ela não nasce de um estralo né, de um insight, ela nasce de uma militância artística que eu venho desenvolvendo desde 2009, então eu atuo na área desde criança, desde que eu me entendo por gente. Mas em 2009, em 2008 mais ou menos pra 2009, eu decido sair das atividades profissionais que eu exercia, num sistema de CLT né, empresa privada, e… eu parto pra luta de trabalhar com arte. E ai eu tomo aquele choque, tomo um choque de realidade, como a entender na pele, junto com meus companheiros de luta, começo a entender o preconceito que tem o artista periférico, a dificuldade de um artista periférico, de se sustentar profissionalmente. Então, dentro desse contexto todo, eu fui… eu fui entendendo né, como que se faz, então, o artista, principalmente periférico, ele tem que aprender a se prover, então não basta ele só ter o talento na área que ele atua, que ele se propôs a fazer, né. Se ele é desenhista, não basta ele saber desenhar, num basta, né, ele tem que saber mexer, se autopromover com redes sociais, com internet, ele tem que saber articular parcerias, ele vai ter que saber fazer amizades, procurar pessoas que fazem as mesmas coisas que ele. Ele vai ter que articular grupos, descobrir o que tá se fazendo, os coletivos, ele vai ter que entender lei de fomento, ele vai ter que aprender a escrever lei de fomento e depois prestar conta, então ele vai ter que virar um projetista, ele vai ter que virar um contador, ele vai ter que virar um pesquisador, enfim, ele tem que fazer várias coisas né, e ao mesmo tempo crescer na arte dele né e estudar o que ele desenvolve né, não pode ficar pra trás, porque o padrão que se cobra de quem é periférico é muito alto, é muito alto né. Não é querendo fazer comparações, mas se você vem de uma formação e você vem de acessos, acessos
74 privilegiados, é… pra você colocar um quadro seu numa exposição num vai ser o mesmo esforço, não tô falando que é fácil, mas não vai ser o mesmo esforço que um cara que não teve a oportunidade de estudar numa Belas Artes, não pôde estudar numa universidade vai ter né. Então, pra gente, é sempre vezes 10 né, você tem que fazer sempre mais esforço que o comum e isso serve pra tudo, pra entrar numa universidade pública então, talvez é vezes 20 né, então é… não é se vitimando né, mas é tudo muito mais difícil assim, quando você vem da periferia, quando você vem da favela, população negra, LGBT né, tudo muito mais, mulher, mulher complicadíssimo, então tudo muito mais complicado, tudo muito mais difícil, sabe? Eu costumo falar que quem vem da periferia, quem vem da favela e entende esse sistema aí fica cascudo né, não é qualquer vento que derruba, porque? Porque você já é treinado, você é treinado desde pequeno a tá sobrevivendo, a lutar pela sua sobrevivência, então você fica cascudo, né. Então voltando um pouco a pergunta, em 2008 né, eu saio e aí eu começo a conviver, começo a fazer mais coisas, começo a andar nos grupos, né, eu já fazia teatro, eu já tinha um pouco de espertise em teatro, eu já fui pro teatro, eu fui fazer teatro de rua, fui fazer circo, fui fazer stand up, fui fazer um monte de coisa pra sobreviver, pra pagar as contas, e ai eu fui conhecendo as pessoas que já estavam nessa luta há muito tempo e tal, fui aprendendo um pouco com elas, pude trazer um pouco a experiência de fora também, né, do sistema privado, e fazer essa mistura, enfim, é… e aí é mais ou menos isso assim né, a história, agora, voltando um pouco mais pra editora, eu… A Heliópolis, né, Heliópolis é um lugar que as pessoas aprenderam isso né, elas aprenderam e faz tempo né, de uma proteger a outra assim, defender, e aí, na cultura não foi diferente, então os artistas daqui foram aprendendo a fazer coisas, sabe, então tinha um movimento artístico muito grande. Os bares com música ao vivo, bares não né, na época era boteco, na verdade era o meio da rua, né, quermesse, caminhão, né, eu tive uma passagem na música também, quando eu era adolescente, tocava em cima de caminhão, então assim, na década de 90, e aí a gente tinha essa luta né, então o pessoal aqui de Heliópolis, sempre foi fazendo isso, e os grupos foram se fortalecendo, principalmente a galerinha do hip hop, uma galerinha muito resistente assim. Então, eles, eles faziam um esquema de fazer um estúdio com caixa de ovo dentro da própria casa, usava o guarda-roupa tal, e eu fui
75 vendo isso né, então aí eu comecei a fazer cinema também, consegui fazer uns cursos fora, bolsa, e persistencia também, enfim, aí eu comecei a trazer, já tinha um coletivo de cinema, que, ai eu comecei a trazer algumas coisas que eu tinha buscado, lá fora, ai eu criei meio que um projeto que eu chamava de B.O (Baixo Orçamento) e era produzir qualquer coisa que todo mundo produzia, mas sem dinheiro, sem orçamento, por isso que Baixo Orçamento ou nenhum orçamento. Então a gente fazia tripé, equipamento de PVC, com cano de PVC né, então, tripe, e usando cameras fotográficas e fazendo stop motion, enfim fazendo um monte de coisa. E aí, eu vi que dava pra driblar a falta de dinheiro né, usando reciclagem, usando a criatividade, usando, substituindo o recurso financeiro pela criatividade, e aí dentro disso, com o passar do tempo, eu vi que a literatura tava ficando aquém, né, a literatura tava ficando aquém de todas as outras artes, então a gente já tinha estúdio de música, já tinha movimento de teatro, companhia de teatro aqui dentro, já tinha coletivo de cinema, já tinha tudo o que você imaginava. E escritores, era uma frustração danada das pessoas, publicar um livro, então eu fiz um mapeamento, né, daí eu acho que a ideia da editora começa a amadurecer com o mapeamento que a gente faz pra descobrir se tinha escritores aqui dentro, e aí, se essas pessoas já tinham publicado seus livros, e aí começou o sofrimento, ´porque eu comecei a achar essas pessoas e era cada história muito triste, né, eu vou repetir um exemplo que eu tinha dado aqui, que a pessoa vendeu o carro, pra fazer o livro, com o tempo foi um fracasso, a mulher separou do cara, o cara teve que ir pra mãe, de mil livros, se não me engano, ele tinha vendido acho que 100, 150, alguma coisa assim. Sei que na casa dele, ele tinha por volta de quase 800 livros, vocês não fazem ideia do que é 800 livros numa casa pequena, casa de favela, que você tem que dividir o cômodo com um monte de gente, enfim, ele começou a praticamente panfletar o livro dele. E ele teve problemas serissimos, psicológicos. Então, resumindo a história dele, um sonho vira totalmente um pesadelo, vira uma frustração terrível, né, então ele, foi isso que aconteceu , e ai dentro disso, eu comecei a entender que dava pra fazer um movimento muito grande literário, né, então, ai surge a ideia da Editora e Gráfica Heliópolis, porque se não for nós por nós mesmos, não vai cair do céu, ninguém vai vir aqui e falar assim “nossa, tem muito talento brotando aqui, eu vou fazer o seguinte: vou pegar 50 pessoas aqui e eu vou montar uma editora pra
76 vocês”. Não, isso jamais iria acontecer e eu entendia isso, né, eu sempre tive esse entendimento que nada ia cair do céu, não ia ter um bom samaritano nada, então a gente resolve aí, fazer a Editora Gráfica Heliópolis por conta disso. 2. A ideia era criar um movimento literário, por isso só foram as pessoas daqui, numa primeira fase. A editora e gráfica Heliópolis, ela vai ter várias fases né, então, dentro dessa primeira fase, a ideia era criar mesmo um movimento aqui pra fomentar a escrita e, consequentemente, a leitura, e ter um movimento, sabe, as pessoas saber que tem. Então a gente atingiu uma questão muito interessante aqui. O primeiro objetivo que a gente atingiu com a editora, foi uma questão emocional muito forte, né, o empoderamento das pessoas, porque eu ia atrás das pessoas, não só eu, uma equipe, nós somos em 6. A gente ia atrás das pessoas, a gente já sabia pessoas que recitava em sarau, enfim, e ai a gente um monte de gente mapeada né, e aí quando a gente ia atrás dessas pessoas, elas “ai, não sou escritora”, mas assim cê num é escritora? “porque eu nunca publiquei nada”, ah mas se você pensar assim, cê nunca vai publicar, porque tem que ter uma primeira vez, e aí eu já era um pouquinho mais objetivo e falava assim “não, escritor é quem escreve, gente, vocês tem um monte de texto e uma pasta cheia de coisa, quem disse que cê não é escritor?” Então a gente começou a trabalhar muito isso, e as pessoas começaram a se sentir. A gente teve um caso aqui muito interessante do Edmundo, eu não vou lembrar direito a idade dele, mas ele já é um senhor, ele já deve ter uns 62 anos, mas é um cara que eu conheço há muito tempo, ele trabalha com educação, ele dá aula pros meninos aqui de caratê, e ele é psicólogo e é formado em mais alguma coisa de educação, e aí ele sempre fez trabalho voluntário aqui e é um cara super querido. E um um dia eu encontrei com ele na favela, e ele falou assim pra mim “E aí PC? E aquela editora lá é pra todo mundo?” eu falei “É, pra todo mundo”, aí ele falou assim “Até pra quem num escreve?”. Eu falei “Então, é pra publicar, a pessoa, mesmo que ela não escreve, ela vai ter que sentar uma hora e escrever, e aí a gente publica” e ele falou “não, sabe o que que é, meu querido, eu tenho umas ideias aqui, eu tenho um material bom pra escrever, mas como? Eu sei que é difícil publicar, é caro, eu nunca concentrei isso, em sentar pra escrever, mas eu tenho um monte de material e tenho algumas ideias aqui, boas. Eu falei “ meu, então toca pau.” E isso foi em maio. Quando foi em julho, ele me procurou já com o material pronto. E em
77 agosto a gente publicou ele, né. Então, isso aconteceu não só com ele, mas aconteceu assim “poxa, eu tem uma editora aqui e é pra mim, não vou poder passar por uma seleção, eu num vou precisar passar por uma burocracia, eu num vou precisar gastar o que eu não tenho, então eu vou colocar o meu projeto em andamento. Então, o que teve de gente que tava comigo pela metade e voltou a escrever, já tinha parado o projeto e voltou a escrever, começou a escrever o seu livro depois ficou sabendo que era pra elas, foram várias. De 36 pessoas que publicou com a gente, eu não vou saber falar, mas acho que pelo menos uns 60% tava dentro desse aspecto que eu falei, né, de pessoas que tinha parado de escrever ou pessoas que não começaram a escrever, por conta de saber que não ia ter possibilidade, quer dizer, a pessoa já era vencida antes de tentar, né, então, a editora e gráfica Heliópolis, ela trouxe esse cunho assim, na quebrada, ela trouxe, ela, sei lá, ela criou essa fenda, né, desse apartaide, ela criou uma fenda, rompendo essa barreira. Isso é um ponto interessante, que eu acredito que não tinha falado antes, lembrei agora e achei melhor falar. 3. Legal, voltei, tive que resolver um probleminha aqui. Agora, é… a resposta sobre onde entra o Itaú Cultural, né. Beleza, chegamos à conclusão que a gente tinha que produzir nossas próprias obras, né, e aí entra um problema seríssimo, como produzir isso né, porque tem custo, então a ideia era ter o mínimo né, a ideia era ter o mínimo, então, assim, a gente teria que montar uma gráfica, ter equipamentos, fazer editoração, ter um pouquinho de espertize, então precisei procurar pessoas do ramo, e aí quando já tava tudo mais ou menos encaminhado, e no sentido assim, meio que de montar uma equipe, e aí vem a dúvida né, como arrumar o dinheiro? E aí a gente começou a pensar, comecei a ver editais, eu conheço a maioria dos editais né, então editais, como eu tinha explicado anteriormente, o edital ele… basicamente, são em 4 instâncias né. A gente tem o municipal, que cada cidade tem o seu, tem cidades, que dependendo do tamanho da cidade, não tem. Então assim, como eu tô aqui em São Paulo, na capital paulista, então eu vou falar os se que destaca aqui em SP. O que se destaca aqui em SP é o VAI e o Fomenta Periferia, aí a gente vai ter o de estado, que é o PROAC. Federal, ROUANET. Tem alguns outros assim, mas eu to falando os mais populares, e tem os privados, os privados aí… varia muito né. Então, o Itaú Cultural, ele tem alguns editais, não é só o RUMOS, mas tem alguns editais em
78 várias áreas, né, e dentro do Itau Cultural tem o RUMOS e a gente foi contemplado. Não vou me lembrar agora, eu posso buscar isso depois, mas foram 109 projetos contemplados, pra um número muito grande de inscrição, não me lembro mesmo agora, mas passa a casa de… ah, não vou lembrar agora. Mas qualquer coisa eu posso, eu posso...trazer essa informação pra você. E aí a gente escreveu, porque a gente precisava de dinheiro né, com a gente vai montar uma editora, uma gráfica sem dinheiro? A gente tinha até pensado em fazer alguns equipamentos de forma artesanal, com madeira, tudo, que nem a gente fazia os equipamentos de cinema, mas a gente falou “vamo tentar o plano A primeiro né”. O plano A era conseguir dinheiro, e aí a gente escreveu edital, e a gente foi contemplado, e aí veio uma grana, só que a gente teve que fazer o seguinte: a gente teve que pensar em equipamentos
baratos,
equipamentos
que
desse
pra
comprar,
porque
o
equipamento gráfico é muito caro. Se você montar uma gráfica normal né, padrão, seria muito caro e a gente teria que fazer várias atividades culturais, a gente teria que fazer várias coisas né, com uma grana. Então, a gente foi contemplado em 99 mil reais e, não me lembro agora, 800 e pouquinho, quase na casa de 100 mil. E a gente trabalhou durante um ano com esse dinheiro né, montando uma gráfica, uma editora, tendo equipamento, enxumo, né, matéria-prima, e fazendo várias atividades, que no decorrer de um ano, a gente fez roda de conversa, a gente fazia slam, sarau, né, então foi mais ou menos isso, a gente foi contemplado na edição RUMOS 2018 – 2019, se eu não me engano, é o nome da lei, tá bom? Acho que é isso. 4. Tá, é… vamo lá. Que que acontece, pra poder rolar o projeto, a gente teve que mudar né, então a gente tinha um mapeamento que a gente fazia, esse mapeamento que foi feito com os escritores, rolava como se fosse uma entrevista assim, rolava um bate papo, sempre batendo nas mesmas questões. Então, a gente listou uma sequência de problemas que trazia pro escritor, e quando a gente monta o projeto da editora gráfica Heliópolis, a gente monta ele… é, cada apontamento negativo a gente tenta criar uma solução, então uma coisa que a gente teve que tirar no projeto é a distribuição, a distribuição de um livro é um problema muito sério. Encarece muito todo o sistema, né, e você colocar livro, sei lá, nas editoras aí, na saraiva, sem falar que tem muita coisa assim nesse sistema mercadológico, que pro empreendedor ele é muito cruel, então você vai receber depois de 90 dias que a loja
79 vendeu o livro, porque ele fica numa consignação, você vai receber o dinheiro 90 dias depois, você vai receber de 4 a 10% da capa, né, seu livro vai tá num preço alto né, num é um preço popular, né, então, são coisas que o sistema complica muito. Então qual que foi a ideia, a gente criar um modelo de negócio que favorecesse o escritor. Então, dentro desse modelo de negócio, a gente tirou a distribuição, e a gente cobra o valor de custo do livro da pessoa. Então vou dar uma ideia aqui. Um livro de média, sei lá, 120 – 110 páginas, ele sairia mais ou menos pro escritor 8 reais, 8 e 20, o preço, e ele vendia de 20 a 25 reais. Ou seja, ele ultrapassava a margem de 100% né, batia um pouco mais de 100%. E a gente criava eventos e parcerias pra que ele pudesse vender o livro dele, né. Existia um estudo também do perfil dessa pessoa e do mercado dela, e aí se criava, é… enfim, possibilidades pra aproximar o público dessa pessoa à obra, né. Então, por exemplo, era estudado, vai, um livro atinge tal tal tal, onde tá tendo feira disso, onde tá tendo feira daquilo, ah, ele não gosta desse tipo de literatura, também gosta de cosplay, então cadê a galera do cosplay? Cade as turmas, é, grupos, enfim… né, e fazia todo um trabalho, tinha todo um estudo nesse sentido, individualizado, pra poder achar o público dessas pessoas, né, então a gente teve, a gente teve pessoas que conseguiu assimilar bem isso. E foi um sucesso tremendo, enfim, hoje, é… tá vivendo disso, então foi mais ou menos um pouco isso que aconteceu assim, dentro desse plano de negócio, tá bom? 5. É, sobre o livro “Melissa”, vamo lá. Melissa, ele… ele nasce também a muito tempo atrás, na ideia de escrever um livro sempre foi um desejo meu, mas de certa forma, eu vinha tardando um pouco, porque eu acreditava que tinha que ter uma experiência. Eram desculpas que meu cérebro encontrava né, então eu achava que escritor tinha que ser velho né, quando eu era mais jovem. Mas aí com o tempo, eu fui vendo várias pessoas jovens fazendo belíssimos textos, livros. E aí eu resolvi adiantar o processo, só que eu trabalhava num sistema privado e não tinha muito tempo né, então eu não conseguia nunca começar a escrever o livro assim e tal. E aí o que eu tinha na cabeça é que eu queria escrever um livro e queria trabalhar com alguma desconstrução de algo, de alguma coisa, de algum rótulo, de algum preconceito, coisa que existia, e aí eu… só que eu nadava, nadava e morria na praia, eu nunca chegava nessa conclusão né, do que seria o assunto. Em 2006, eu
80 fiz uma viagem de caminhão, que eu trabalhava com isso né, eu era responsável em evitar acidentes na estrada, eu era gerente em gerenciamentos de riscos, especializado em caminhão e cargas. Então o meu objetivo era… a minha missão era evitar acidentes na estrada, perdas de mercadorias, roubo de carga, essas coisas. E ai, o melhor jeito pra saber o que o motorista passa era viver com o motorista né, eu pulava dentro dos caminhões e já andava pelo Brasil a fora e ia estudando as estradas, com outros, enfim, um monte de coisa. E aí um dia o motorista tava com muito sono, e eu obriguei ele a parar num posto de combustível, pra ele poder dormir um pouco né, se não ,ele ia dormir e ia matar ele, eu e todo mundo na estrada. Aì, eles tomam né, uma droga, uns comprimidos, que eles chama de “rebit”, que eles tomam pra poder tirar o sono e não perder o prêmio, eles fazem isso porque senão eles perdem o prêmio do frete. E quando eles tavam comigo, eles eram autorizados a pagar né, então a empresa pagava o frete, independente de onde morassem, apesar de que comigo era mais lenta mesmo, porque me dava os 5 minutos, eu pedia pra eles pararem, tinha que estudar a região, e ai eles eram liberados, né, desse prêmio, que eles recebiam quando eu tava no caminhão. Então, eu não deixava eles tomar o rebit né, e aí ele parou pra dormir, e aí eu saí do caminhão porque eu tinha que escrever relatório, o cara roncava muito alto, aí eu saí do caminhão, e eu fiquei sentado numa parte alta do posto, minhas pernas ficavam balançando, só que eu no chão, eu estava no chão. E aí veio uma moça, e ficou muito próxima assim de mim. 6. Então vamo lá, a moça ficou assim perto de mim, ai eu senti cheiro de perfume, perfume forte. E aí ela ficou do meu lado, ai eu só conseguia ver, tipo, da canela pra baixo, no ponto de vista que eu tava. E aí, só pela visão que eu tive, pelo sapato e tal, eu vi que não era roupa pra aquilo, sabe, devia ser umas 3h da tarde, norte de Minas, o sol estralando, muito quente, dezembro, se não me falha a memória. Não era um sapato praquele horário, praquele piso, ou local, num piso bem assim, rústico, cheio de pedrinha, então, não era nem seguro tá com sapato daquele, pra falar a verdade. Tava tipo de gala assim, e aí falava uma coisa solta, mas num era um diálogo assim, eu num dava, eu num dei muita corda assim, num dei ibope. Aí teve uma hora que ela usou uma frase que me chamou atenção, que ela falou assim “Oi moço, hoje eu tomei uma decisão na minha vida. Hoje eu num vou dar pra
81 ninguém.” E aquilo me chamou atenção e eu olhei pra cima, aí eu olhei pro rosto dela, olhei pra cima assim, aí eu peguei e falei “nossa, que coincidência! Porque eu também não quero comer ninguém” e ela riu. E aí eu falei “cê quer conversar?” e ela falou “eu quero”. Aí eu levantei, aí tinha um banco um pouco pra trás, uns 20 metros pra trás, e eu falei “vamo sentar lá”. E eu tinha comprado né, logo na hora que cheguei no posto, eu tinha comprado uma garrafinha de água, um gatorade, tinha comprado uns salgadinhos e umas balas. E enquanto eu escrevia, eu ia beliscando alguma coisa. Aí eu ofereci pra ela, não me recordo o que ela pegou, mas ela pegou alguma coisa, e a gente ficou conversando um pouco. E aí chegou uma segunda moça, uma terceira, uma quarta. A última vez que eu contei, tinha 8. E todas elas trabalhavam ali no posto como prostitutas, ali os clientes geralmente eram os caminhoneiros. Ai elas começaram a falar sobre diversos e aleatorios assuntos, ai eu fiquei na função só de dar corda né, de isqueirinho. Então, um falava do cachorro, que o cachorro morreu. Aí a outra “ai, ce num sabe o que aconteceu com meu gato”, ai eu virava pra outra “nossa, que que aconteceu com seu gato?”. E aí eu ficava assim, pilhando elas né, e aí, quando elas saíram, me deu um vazio muito grande, aí foram saindo aos poucos, todas, enfim, todas foram embora. E aí me deu um vazio, eu me senti muito mal, me senti um lixo assim, representando a classe masculina, e ali eu pensei “meu, elas só queriam conversar com pessoas do sexo oposto que não tratasse elas como um animal, como objeto, de forma pejorativa, né, queriam ser tratadas como elas são, humanas né, pessoas, dignas, e independente da profissão, independente do que faz, elas são dignas, e aí eu me senti mó mal, isso foi em 2006, ai eu, a hora que fui voltar pro caminhão e tudo ali, eu já voltei decidido, já falei “já sei o que eu vou escrever. Vou escrever sobre isso”. Então, “Melissa” eu falo sobre uma mulher que passa né, pela prostituição nem tem problemas diversos, então é um livro que fala sobre vício de drogas, fala sobre saúde, fala sobre questão social, enfim, ele é muito rico nesses detalhes, né, nessa diversidade, nessa pluralidade de coisas né, de pessoas, de encontros né, encontros de pessoas, que ajudam, pessoas que prejudicam, enfim, acho que é um retrato da vida né, então é um romance realista. Ele não foi inspirado na história das meninas. Eu usei as meninas ali só como inspiração mesmo, e decidi né, decidi o rótulo que eu queria falar, o assunto que eu queria falar, foi muito importante esse encontro com essas
82 meninas, mas eu acabei não usando nada ali especificamente da vida delas mesmo né. Então foi um pouquinho isso. 7. Então, com a pandemia agora, a gente tá parado, a gente já vinha sofrendo um problema estrutural da editora do fim do ano pro começo do ano. Os equipamentos que a gente comprou eles num davam, tecnicamente falando, eles num dariam conta da demanda que deu, só que isso no fim do projeto, custou em manutenção, então a gente não tinha, como a editora não visava lucro, a gente não tinha um fluxo de caixa, assim uma reserva, quando chegou janeiro mais ou menos, com as máquinas apresentando problema, que que aconteceu, num tinha como fazer a manutenção deles, a gente tava dependendo de outros editais que a gente tava concorrendo. Só que com a pandemia, esses editais foram congelados, por conta de aglomeração e tal, porque os editais, eles tão sendo adaptado na área da cultura, porque a cultura, ela provoca aglomeração. Então, a gente, então deu isso né, as máquinas quebradas, é… a questão dos editais congelados, então a gente tá esperando resposta de alguns editais, e já era pra ter tido resposta, mas foram prorrogadas por conta da pandemia, e por outro lado a gente também fica dentro do CEU né, a gente fica alocado dentro de um CEU da prefeitura né, e todos os equipamentos da prefeitura foram fechados, né. Então, eu tenho autorização pra ir lá, ver como que tá os equipamentos. De vez em quando tem que ligar um ou outro, mas assim, a editora em si não tá funcionando, e a gente funcionava com slam, funcionava com sarau, rodas de conversa, tudo atividades que provoca encontro de pessoas né. Então, por conta da pandemia, a gente, hoje, a gente tá parado e sem uma projeção, sem projeto de, sem uma agenda de lançar novos escritores né, então hoje, nesse momento, a gente tá parado. 8. Uma coisa que eu num falei, que eu acredito que talvez você venha a perguntar, que assim, é… a gente não cobrava dos escritores por conta de um trabalho de editoração, a gente cobrava só o preço de custo da unidade, que eu falei em alguns áudios anteriores ai, e ao final, depois que a pessoa concordasse, a gente explicava os pontos positivos e negativos, depois que a pessoa concordasse em publicar com a gente, queria publicar com a gente, a gente cobrava uma contrapartida né. Então, essa contrapartida era qualquer coisa que a pessoa quisesse, menos dinheiro, que a pessoa quisesse fazer em prol da favela, em prol das pessoas. E aí nasciam
83 contrapartidas maravilhosas né, então, nasceu curso, nasceu workshop, nasceu oficina, nasceu slam, nasceu sarau, nasceu rodas de conversa, enfim, nasceu, por exemplo, uma pessoa, ela sabia fazer capa, design, aí ela ia lá e fazia pro coleguinha que não tinha recurso pra fazer, por exemplo. Então, nasceu bastante coisa, revisão. Pessoal pra fazer revisão pra quem não tem revisão, enfim, isso foi uma parte muito legal do projeto, que era ideia de fazer intercambio entre os artistas né. Projeto bom, eu aprendi com uns amigos que me ensinaram bastante coisa, com os veteranos, na área da cultura, que projeto bom é um projeto vivo, projeto que modifica conforma vai acontecendo, então… porque as pessoas estão em constante mudança e o mundo também. Então se você tem um projeto que não acompanha essas mudanças, ele é um projeto engessado. Então ele fica comprometido por não acompanhar as mudanças. Nosso projeto, nesse sentido, de intercambio dos artistas, ele era muito vivo assim, intenso né. Então, a gente teve um ano muito difícil no sentido de tempo, de atividades. Teve um momento que a gente num tinha mais agenda, teve que bloquear as coisas, porque a gente não dava conta, num tinha dia num mês suficiente pra dar conta das atividades né, enfim, os lançamentos das escolas também, foi feito individual com cada escola com todo o mérito que a criança ou aluno né, que escreveu aquele livro podia ter né, então teve lançamento, tarde de autógrafos, teve umas que fizeram até passarela pra eles desfilarem rumo onde tava mesa lá do livro, fizemos lançamento de formatura no nono ano, então assim, foi muito intenso e muito legal assim. 9. Bom dia! Vamo lá começar o nosso trabalho. Qual a reação da sua família quando você decidiu viver de arte? Não foi das melhores não, porque o primeiro aspecto é que você, da minha geração né, eu tenho 42 anos, então assim, os meus pais, familiares, assim, mais velhos, imagina como que eles foram criados né, então assim, difícil encarar a arte, como profissão, principalmente quando você entende em camadas menores né, as camadas assim, classe social mais baixa né, porque na cabeça deles, artistas que são profissionais são cantores né conhecidos, são atores de novela, então, difícil entender que dá pra fazer essas atividades em palcos menores e lugares menores. Primeiro (bom dia! Bom dia, tudo bom?) Então primeiro foi difícil entender, difícil entender como profissão, e segundo que assim, eu resolvo trocar de profissão aos 30 anos de idade, eu tinha uma carreira já estabilizada, era
84 gerente de uma empresa grande. Então assim, difícil você trocar, é difícil a aceitação né, da família, aí da parte da minha esposa também era difícil, pela questão da estabilidade financeira também, enfim, mas hoje minha esposa trabalha comigo, né, meu filho também, minha família apoia, né. Eu perdi meu pai em fevereiro, mas já um bom tempo, acho que desde 2013 mais ou menos ele, 2014 mais ou menos, ele me acompanhou em tudo o que eu fazia, não perdia uma peça de teatro, ele ia até pro ensaio. E ele falava com o maior orgulho pros amigos dele“ Ó, meu filho é artista!” né, a editora, na inauguração da editora, ele chorava copiosamente, ele vivia na editora. Tava montando livro, ele ia lá, né. E com muito orgulho, né, ele sempre tava comigo, sempre ia. Enfim, então assim, foi uma, foi algo que a gente conseguiu superar, com trabalho e dedicação, começaram a entender o que era realmente a arte, porque a arte podia transformar a vida das pessoas e essa questão de tempo mesmo né, mas deu tudo certo, como tá dando tudo certo, e é isso, tá bom? 10. Vamo lá, sobre a dislexia. Então, eu tive vários problemas assim né, logo na primeira infância né, com o tempo foram provados, diagnosticados, que eram problemas neurológicos, então eu, até os 5 anos de idade mais ou menos, eu num falava, eu cheguei a ser diagnosticado como mudo né, e, por alguns médicos, mas minha mãe nunca quis aceitar esse diagnóstico, e aí, ela num parava de ir pra médico né. Aí uma vez chegou um médico, e o médico me deu um susto né, ele deixou eu distraído brincando com umas coisas e ele pegou um sino, uma coisa barulhenta e me deu um susto, chegou próximo do meu ouvido e acionou o instrumento e eu me assustei, fiquei bravo, eu num vou lembrar disso né (risos), são relatos né, minha mãe conta que eu quis até bater no médico, eu era meio violento assim (risos), e aí o médico falou “seu filho não é mudo. Porque não existe criança muda, existe pessoa surda, e aí a pessoa é surda e ela acaba não aprendendo a falar né, então ele não é mudo, ele tem algum problema e a gente vai ter que descobrir o que que é”. Nunca fui diagnosticado, assim do que que foi, até porque naquela época também era mais dificil que agora. Mas assim, nunca fui diagnosticado o que seria exatamente assim, né, porque que eu demorei pra falar né, não tinha. Mas a partir de então, eu comecei a fazer fono né, comecei a fazer um monte de coisa, e uma das indicações, eu era muito introspectivo, muito fechado, eu era muito violento, então uma das indicações era que eu pudesse fazer arte. Então
85 eu, o meu pai fez um sacrifício danado, eu devia ter de 5 pra 6 anos, ele comprou um violão, né, um pra mim e um pro meu irmão, meu irmão era maior do que eu, mais velho, já sabia ler e escrever, então, ele foi pra escolinha né, conseguiu né, ir pra uma escolinha, já eu num podia, porque eu não tinha idade, não tinha nem tamanho também, mal conseguia segurar o violão, e aí meu irmão aprendia e me ensinava né. Hoje, ele não toca nada né, eu toco uns 4 – 5 instrumento, faz parte né. E aí eu fui desenvolvendo né. Aí na escola pública, aos 7 anos de idade, lá, os professores, diretores, já começaram a me colocar pra fazer um monte de coisa, porque né, na época, não sei como que é hoje, mas na época, a fono, ela tinha contato com a escola né. Eu lembro que tinha, minha mãe que conta mais assim, eu não lembro de muita coisa, mas eu lembro que tinha uma questão de laudo, assim, eles trabalhavam meio que juntos, e aí eles me colocava tudo pra fazer na escola, tudo, tudo. Era festa junina, me colocavam pra dançar e pra ser uma coisa, enfim… sempre eu participava de tudo, e ai eu comecei a participar de, tinha um professor, o professor Orestes, ele fazia peças de teatro, e eu comecei a fazer teatro, ai tinha o professor João, ele tocava teclado, ele tinha um coro lá, um coral, e aí eu tocava violão com ele, pro coral cantar. Que mais que eu fiz? Ah eu fiz um monte de coisa gente. Ai tinha uma fanfarra também do professor João, eu também participava dessa fanfarra, enfim, o que cê imaginar ai eu fiz. E aí, eu acho que eu… o bichinho da arte me picou ali, sabe. Depois eu comecei a desenhar também, a mão livre, enfim, comecei a fazer pintura, artesanato, um monte de coisa, mas sempre assim, com… aprendendo em ONGs, com escola pública, nunca tive grana pra pagar curso assim, né. Em muita coisa eu sou autodidata, enfim… Eu tinha dificuldade, voltando um pouquinho pra dislexia. Então na verdade, acho que num foi a dislexia que causou tudo isso, eu devia ter mais problemas, mas voltando um pouco pra dislexia, eu tinha muita dificuldade com aprendizado, muita dificuldade, até hoje também, assim… na escola eu sofria muito bullying por causa disso, então as vezes me dava branco na hora da prova, eu tirava zero, e aí a minha prova era exposta na frente de todo mundo. Eu lembro que uma vez, eu tinha dificuldade de copiar na lousa, eu lembro que uma vez, a professora foi tomar, foi ver a lição da lousa no meu caderno, se todo mundo tinha copiado bonitinho, e quando chegou na minha vez, na minha cabeça, eu tinha copiado a lousa inteira, mas não, eu tinha pulado vários trechos, e
86 isso eu faço até hoje. Eu tinha pulado vários trechos, e aí, a professora me colocou colocou na frente de todo mundo, falando que eu era cara de pau, ali de peroba, que eu era mentiroso, porque eu jurava que eu tinha copiado a lousa toda, mas é porque o que acontece, isso eu já tinha uns 10 anos mais ou menos, foi na quarta série, porque que que acontece, eu não consigo ler em linha reta, então, eu começo a ler na frase 1, por exemplo, aí eu to lendo a frase 1 e quando eu termino a frase 1, na verdade eu já to na 4. O olho ele vai caindo assim, e eu não percebo. E as vezes acabo não entendendo nada do que eu li. Logico, não tem como entender né, cê pega um pedaço de cada coisa, então, a dislexia, ela me afetou muito nisso, mas aos 10 anos de idade, eu não tive maturidade, nem sabedoria pra saber lidar com isso, na verdade, eu não sabia nem detectar, eu nem detectava que eu fazia isso, pra mim era tão natural, e… que era meu aquilo né, era meu, fazia parte de mim, eu era daquele jeito, porque eu não sabia se aquele jeito era adequado eu não. Então, eu tinha muita dificuldade, né, então assim, e eu era chacotado mesmo né, eu era motivo de chacota, e só, como eu tinha aquele perfil violento, porque eu não sabia me comunicar, assim muitas vezes, aos 10 anos eu ainda não falava bem, eu falava super errado e as pessoas ainda tiravam sarro, então começavam a me encher o saco dentro da sala de aula, eu descia o cacete, era assim, vivia na diretoria. Só que na diretoria, eu não era tido como um aluno problema, eu não era tido um… ainda bem né, é tanto, que eu nunca tomei uma advertência na escola mesmo batendo nos outros, eu não era tido como uma criança violenta, eu era tido como um, o pessoal sabia que eu tinha várias dificuldades, e que eu era chacota, e que eu não aguentava e explodia. Então, quando eu ia pra diretoria, eles me davam água, me dava suco, me dava café, eu era bem tratado pela diretoria, pelos professores nem tanto, apesar que eu tive alguns maravilhosos, na verdade era só dois ou três que me enchiam o saco, mas aí, voltando, então era mais ou menos isso né, então, eu tinha muita dificuldade de aprendizado. Hoje, como que reflete a dislexia em mim né, ela reflete… eu não consigo aprender língua estrangeira, por mais que eu tente, estive em escola, eu estudei inglês por mais de 11 anos, eu não aprendo, não adianta. Ingles eu até entendo um pouco, mas eu não consigo falar, eu não consigo escrever. Escrita é uma coisa que pegou bastante, eu escrevo por insistência, né, hoje eu escrevo, produzo texto bastante, mas assim, foi uma insistência da minha
87 parte, porque a dificuldade era muito grande, ler. Como que eu leio né? Eu leio com uma régua escura, aí eu coloco ela abaixo da linha que eu vou ler, porque se não minha vista pula, e a régua, ela tem que ser, régua ou pedaço de papelão, mas ela tem que ser lisa assim, ela num pode ter nenhuma escrita, porque se não meu olho puxa, ou eu vou ler a marca da régua, sabe, então é isso. 11. Então assim, eu sempre fui muito chamado de burro né, e que se eu passasse da 8ª série tava bom e, então, assim, eu fui aprendendo a conviver com isso, né, com os meus demônios, eu mesmo fui criando jeito pra poder, porque conforme eu fui ficando adulto, eu fui entendendo que aquilo era mais eu que sofria aquilo, eu fui aprendendo a diagnosticar as coisas, então, que eu pulava linha, eu consegui, entender, perai… (obrigado mãe, valeu, eu já vou la). Então assim, desculpa, então eu fui aprendendo sozinho a lidar com as coisas, e aí, dentro disso, eu fui criando alternativas pra eu aprender as coisas, né. Então, mas eu era tido como burro né, então até pensava mesmo né “ah burro, mas eu sou um burro legal” pensava assim né, aí eu fui desenvolvendo várias coisas, então assim, por exemplo, eu tenho dificuldade em decorar, eu escrevo, hoje nem tanto, hoje eu faço pouco, mas eu sempre escrevi muita música né, e eu num tinha uma música decorada, se você me perguntar, às vezes eu lembro o refrão, só sei músicas populares, chiclete, que toca aí, e eu não decoro música nenhuma, talvez, o parabéns pra você eu sei, mas assim, eu não consigo decorar canção. E imagina isso no trabalho de ator né, eu ganho minha vida como ator né, então assim, imagina como ator né, então o que que eu fiz, eu fui… eu me esforço pra caramba pra decorar texto. Então, um texto pequeno que um ator lê 3 vezes pra decorar, eu tenho que ler 40. Então, eu comecei a criar várias técnicas pra decorar, criar e aprender com os outros também, que desse certo pra mim, e eu estudei improvisação, me especializei em improvisação, e como eu tenho facilidade hoje pra criar texto e escrever, eu bato um papo antes com o diretor. Geralmente, os diretores que me chamam pra trabalhar já sabem que eu sou dislexo né, então isso ajuda pra cacete, hoje eu sou muito respeitado assim, aí o que que eu faço, eu estudo o texto, antes de decorar eu estudo o texto, eu tento entender a intenção do roteirista, a intenção do autor e do diretor, (pausa – desculpa, eu tava tomando água). É… e aí, eu improviso em cima, então eu sei mais ou menos quanto tempo eu tenho que falar, depois eu vou ter uma troca, eu vou ter
88 uma cena com a pessoa, então eu sei que… eu entendo mais ou menos que eu tenho que falar uma frase, a hora que eu tenho que falar 5 frases, eu entendo e eu pego aquele contexto, e eu aplico ali em cima né, então foram coisas que eu fui desenvolvendo, aprendendo, teimando, estudando, e pra poder superar essa questão da dislexia, então… mas assim, a minha dislexia ela, aí eu fui, aí na minha cabeça eu era burro né, eu fui diagnosticado com dislexia, não vou lembrar agora mais ou menos quando, eu devia ter meus 28 – 29 anos, mais ou menos, e ali foi um alívio, porque eu achei a palavra “dislexo” mais bonitinha do que “burro”. Então é tão legal né, cê ser dislexo do que burro (risos), então foi tipo uma promoção que eu tive. Mas eu já tinha dominado alguns demônios ja nessa época, né, que eu já tava mais velho, 20 e poucos anos já né, então assim, eu já tava dominando alguns demônios, mas é isso, fui diagnosticado sem querer, foi uma coisa assim tão… Era tão natural isso em mim que eu nunca procurei a um médico pra saber o que que era, entendeu? Era muito natural. Mas um dia, eu achei um celular no metrô, um celular muito caro pra época, que eu num dava pra ter acesso a esse celular na época, eu nem me lembro o nome, essas coisas, e aí, pra devolver, era uma mulher de Bauru, só que a filial da empresa dela ficava na Santa Cruz, atrás do shopping, e aí pra devolver eu fui pra lá né, eu fui lá, o chefe dela queria saber quem achou, que não sei o que, porque ele achou isso super louco, alguém querer devolver o celular, e aí, enquanto eu esperava ele me atender, era um prédio comercial, tinha uma revista, tinha várias revistas, e aí tinha revista sobre medicina, plano de saúde, e eu vi lá, eu li lá, dislexia, eu falei “nossa, que nome estranho né”. Aí eu peguei a revista pra entender o que que era aquele termo, e aí logo de cara tinha uma folha, uma enquete, dizendo assim “vamos fazer 10 perguntas, se 6 perguntas for sim, você é um dislexo e entre em contato com a gente” (risos). Das 10 era 10 sim, eu respondi 10 sim. E aí eu falei “pô, vou ligar pra esses caras aqui”. Aí eu liguei tudo, e aí, passei por um monte de coisa e aí, eu fiz laudo e tal, e aí eu fui diagnosticado com dislexia. E a minha dislexia, ela é leve, ela existe em 3 níveis né, eu chamo de 1, 2 e 3. A minha é mais ou menos 1,6. Ela tá entre a 1 e a 2. A 3 é complicadíssima, é severa, muito severa, o pessoal nem se alfabetiza, muitas vezes. A gente tem um caso super conhecido, que a dislexia severa tá entre 2,8 parece, 2,9, alguma coisa assim, é quase nível 3, que é o ator Tom Cruise, e Tom Cruise, pode reparar que
89 todos os filmes dele, você não consegue ver a orelha dele assim, difícil você vê a orelha dele, né assim, limpa, porque ele sempre tá com ponto no ouvido, ele não consegue decorar texto nenhum, nem “oi, boa noite, tchau”. Ele não consegue, então o tempo todo alguém fica falando pra ele o texto dele no ouvido dele e ele vai reproduzindo o texto. Essa técnica hoje ela é usada no SBT pros atores mirins, porque foi proibido, veio uma lei do ECA, veio uma lei proibindo que atores mirins decorasse texto, porque atrapalhava na escola, então o SBT colocou isso. Pode ver que hoje a criança sempre tá com uma faixa na cabeça, alguma coisa que também dá uma disfarçada na orelha por causa do ponto, ponto eletrônico, igual os jornalistas costumam usar, apresentador de televisão né. Então, dislexia ela é, ela é complicada, ela é complicada, mas assim, num é bicho de 7 cabeças não. Dá pra superar aí né, então pra mim pegou muito nisso assim, decorar, atrapalha a leitura, e idioma estrangeiro é muito difícil, não consigo compreender. Até mais ou menos isso, assim, acho que eu disse tudo. 12. A dica que eu dou pra quem quer ser escritor é assim, primeiro leia bastante, tem que ler, não tem como você querer escrever sem ler, é um processo que antecipa né, é um processo que começa a criar, que é… eu consegui fazer aula com um cara, um cara que eu admiro muito né, um escritor contemporâneo, muito conhecido, ele é roteirista de cinema também, chama Marsuaquem, ele conseguiu, eu estudei 8 meses com ele e pude aprender bastante com ele, e ele falava uma coisa muito interessante né, falava assim “quando um marcineiro, ele vai consertar alguma coisa, ele tem a caixa de ferramenta dele, né, então, o que que o marceneiro precisa? Serrote, martelo, prego, enfim…Quando um mecanico vai consertar um carro, também tem a caixa de ferramenta dele lá, os alicates, enfim, extratores, chave de fenda, chave de boca. E quando o médico vai atender alguém, também precisa da caixa de ferramenta dele lá, não sei falar os nomes, mas, termômetro, enfim, medidor de pressão, ele precisa das ferramentas” aí eu falava assim “E a ferramenta de escritor, qual que é?” Ferramenta de escritor é a palavra, é a palavra. Então assim, sem palavra, o escritor não consegue desenvolver o texto dele. Então, ele não pode ter receio de falar qualquer coisa, então o palavrão, alguma coisa obscena, se precisar falar tem que usar as palavras que deixa isso né, que transmita isso. Tem que ler pra aumentar a caixa de ferramenta né, quando você lê o seu
90 vocabulário aumenta, então é importantíssimo pra gente executar um bom trabalho, a gente precisa ter todas as ferramentas que a gente precisa, então um jeito de encher essa caixa de ferramenta é a leitura. Então assim, o primeiro conselho que eu dou, é ler. O segundo é observar, tem que observar, tem que ver como que funciona o cotidiano, tem que entender as coisas, perceber, é você pega textos maravilhosos, assim, em termos de descrição que é cafca, por exemplo, descrevia com uma perfeição. Como você vai descrever algo se você não reparou? Num dá, então precisa, precisa exercitar isso, esse olhar, sabe, quando você olha um pneu de um carro, não é só um pneu do carro. Esse pneu tá gasto? Num tá gasto? Ou ele tá gasto mais a parte de dentro ou a parte de fora? Tem pelinho ainda? Será que esse pneu, ele veio de uma sota ou ele veio do barro? Pela observação você consegue perceber essas sutilezas. Então você tem que começar a virar um observador assim de carteirinha, sabe. Pegar detalhes, então é um ponto que eu digo assim, então eu não acredito muito na inspiração. Tem dias que cê tá legal pra escrever do que outro assim, isso é normal. Tem dia que ce tá melhor pra comer, tem dia que ce num tá. Isso é normal do ser humano, é inerente ao ser humano. Agora, a observação e a persistência, que é o terceiro ponto. Essa questão de você não tá muito bem hoje, ou de você achar que cê não tá inspirado, porque se você observou você tem material, se você persiste em colocar isso em papel, você faz, cê escreve. Então, é isso, é ser um leitor ávido, ser observador, e ser persistente. Sem isso não dá. Tá bom? Então, esse é meu conselho, vamo escrever que é bom demais né?
1.6. Entrevista com Rubenildo Limeira
1. R: Bom, eu sou o Rubenildo Limeira, o pessoal me chama de “Rubê” Limeira, que é o nome até que eu usei na publicação do meu livro de poemas aqui. Além de coordenar o MOVA, que é um Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos, também tenho um programa na rádio Heliópolis de 12h às 14h. E também sou coordenador da Editora e Gráfica Heliópolis, e também faço humor e stand up
91 quando eu consigo fazer né, que é o que eu também sei fazer e estou estudando pra fazer. 2. R: A Editora e Gráfica Heliópolis, ela surgiu exatamente pra essa ideia. O PC, que foi o idealizador da editora me chamou e mais algumas pessoas pra escrever edital, encaminhar pro Itaú Cultural e exatamente pra fugir das editoras tradicionais a gente conseguiu, junto com essa comunidade publicar 56 títulos de alunos, de poetas, de idosos, de todas as pessoas que a gente encontrou que queriam fazer a publicação de seus livros e não tinham como fazer isso da forma tradicional, por isso também oriento que a gente tenha uma conversa com o PC (Paulo César), que ele é o idealizador da editora e eu sou o coordenador, e que no momento tá parado né, mas a gente tá escrevendo outros editais. Seria importante também na entrevista não ficar apenas eu como escritor, mas sim como essa ideia da Editora e Gráfica Heliópolis mudou as vidas das pessoas, tirou os livros das gavetas, dos papeis e muitos ainda na cabeça de escritores e poetas. Seia importantíssimo que a gente também fizesse uma entrevista com ele. O que cê acha? 3. R: Porque é o seguinte, na realidade, o que eu sou mesmo é humorista, poeta e faço trabalhos artísticos, tudo voltado à comunicação, não é a toa que eu tô na rádio, mas eu tive que fazer outros trabalhos, por conta de não conseguir ter abertura necessária pra fazer o que realmente amo e viver disso. A gente tá no Brasil né, a gente sabe. No entanto, tudo o que eu faço na minha existência, ao acordar, dormir e sonhar e realizar, é em busca de viver do que eu amo, mesmo que eu esteja em qualquer outro tipo de função ou trabalho, tudo é voltado à minha arte, porque eu preciso dela pra ser alguém, pra me sentir alguém e não apenas uma parte na engrenagem, e é aí que eu faço a diferença, por isso eu tenho essa ânsia de lutar pelo que eu amo de verdade, pelo que eu quero fazer da minha vida, estou aos poucos conseguindo, não é tão fácil, quando você escolhe o caminho da luta e da perseverança, não é fácil, porque existem várias coisas, vários obstáculos. Eu sou da Paraíba, lá de Cajazeiras, do alto sertão, cidadezinha já divisa com Ceará, em um dos bairros mais simples da cidade, que eu nasci, mais humilde da cidade, que é o bairro Vila Nova, nasci próximo né, fui morar na Vila Nova era criancinha ainda, mas sempre tive essa necessidade de buscar a questão da cultura e da arte, mas como fui pra outros caminhos né, fiz curso de Filosofia, fiquei em sala de aula,
92 assumi direção, coordenação, mas agora, apesar de ter 38 anos, mas já fiz muita coisa, já realizei muita coisa. 4. R: Lembro sim, lembro que eu tinha em torno de 5 ou 6 anos quando o meu paiavô (porque eu fui criado pelos avós), quando o meu avô chegou com uma televisão lá em casa, daquelas… que eu creio que você não lembra (risos), que era sem cor né, era preto e branco, como diz, e quando ele ligou, com aquele tubo de imagem, demorou um pouco pra ela ligar, aquela televisão enorme, com um baú de madeira atrás, entende? E eu vi aquelas pessoas dentro daquela caixa e eu disse “eu vou trabalhar aqui dentro”. E eu ficava olhando. Eu me lembro que eu dei uma volta, olhando pra trás da televisão, olhando pr’aqueles botões e disse que ia trabalhar lá, só não sabia como, aí comecei a tentar, buscar, e não saiu mais da minha cabeça essa ideia, essa ideia não, esse ideal de vida. 5. R: Bom, sobre o livro, os livros né, eu publiquei, na Paraíba, um livro de poemas e crônicas. Esse primeiro livro, eu consegui através de algumas ações né, eu escrevi muita coisa, tava tudo no caderno e quis publicar. Pra publicar esse livro na Paraíba, essa primeira edição, eu demorei um tempo, porque eu tive que buscar os recursos, aí, como sempre escrevi, desde muito cedo, guardando os textos, inclusive, fui a gostar de escrever, foi descoberto na escola, na 5ª série, quando eu escrevi o primeiro texto em 1998, quando uma professora me pediu pra escrever sobre o planeta, aí foi o primeiro texto que eu fiz. Inclusive, eu trago sempre, quando eu vou apresentar, eu mostro esse texto pro pessoal, pras pessoas né. E a partir desse primeiro texto, eu vi que eu precisava publicar, então eu fui escrevendo, escrevendo, quando apareceu a chance de publicar foi em 2009. Então, eu me inscrevi em um projeto de incentivo à cultura, da Secretaria de Cultura lá dá minha cidade, e nessa época eu consegui um incentivo de 1500 reais. No entanto, pra publicar o livro, eu necessitava de 7 mil reais, e naquela época, pra mim era muito dinheiro, mas eu fui correr atrás do restante. Que foi que eu fiz? Eu peguei os 1500 reais e comecei a imaginar formas de duplicar, triplicar aquele valor. Então, eu pegava uma rifa, eu fazia uma rifa, por exemplo, eu comprava uma TV e um som, mandava fazer uns mil bilhetes, fazia a rifa, vendia e guardava o dinheiro, depois fazia a mesma coisa. E depois, desses 1500, eu fiz os 7 mil e 800, quase 8 mil reais e deu pra publicar o livro, depois com mil exemplares do livro, eu fui vender de porta em porta e vendi os
93 mil exemplares na minha cidade, nas cidades vizinhas, pagando o curso de Filosofia que eu fazia na faculdade. E consegui né, distribuir, muita gente comprou, na região enfim. Passei numa entrevista que fizeram lá naquela época, enfim, foi um momento muito bacana, o que aconteceu. E depois de passar muita coisa, eu vim pra São Paulo. 6. R: Aqui em São Paulo, fui convidado pra fazer parte da Editora e Gráfica Heliópolis, como coordenador através do PC, Paulo César Marciano. E, ele escreveu o projeto, planejou, elaborou. Aí eu vi o projeto, achei bacana e aceitei fazer parte disso. Ele encaminhou pro Itaú cultural, que aprovou, aí no final de 2008, aí eu publiquei o “Imagine como é”. Eu usei o mesmo título, mas agora só poemas, sem as crônicas, aí publiquei também “desses, desses”, já vendi em torno de 500 exemplares, já foram distribuídos, e junto com o restante de pessoas, a gente publicou os livros da turma também, ou seja, no primeiro, lutei com um sonho que se sonhava sozinho, demorei muito mais, no segundo, eu embarquei num sonho coletivo, onde, honrosamente, parte de um projeto social, cultural, de um projeto em que transformou as vidas das pessoas, projeto literário incrível, em que tanto eu quanto várias pessoas publicaram de uma forma grandiosa. E isso me fez muito mais feliz, de saber que eram vários sonhos sendo concretizados, não apenas um. 7. R: A pandemia afetou tudo. A pandemia ela… Mas afetou também pra você buscar outras coisas, outros meios né, como se diz, a gente tem que olhar o copo todo cheio, não apenas a parte que transbordou, mas tem que ver o todo. E essa questão dos trabalhos que eu vinha fazendo, adquiri até maquininha, tudo pra poder vender livro de casa em casa, mas não foi possível nesse ano, por conta da pandemia que chegou. Quando eu estava pra mandar publicar mais, né, que já foram 500, e queria organizar mais de cem em cem, duzentos em duzentos e sair conversando com as pessoas da mesma forma, vendendo e tudo, mas a editora não pôde funcionar, aqui no CEU Heliópolis, por conta da questão da pandemia , o CEU Heliopolis também teve as atividades reduzidas, parou tudo. E eu tive que adiar a impressão a venda deles, de novo. Aí o que eu comecei a fazer: eu tô começando a organizar um e-book do livro pra poder, através desas plataformas de venda, de atividades, apresentar o livro, e também já com novos trabalhos, possibilitando a organização de podcasts, que trazem né, o pensamento artístico, o pensamento
94 poético, o pensamento que são base para criação dos textos. E tô aguardando retorno, porque é o seguinte: é, aprendemos, aprendemos a lidar mais com a questão tecnológica, com a elaboração de e-books, que chegam mais rápido às pessoas. Não tá pronto ainda, mas eu tô organizando pra desenvolver e lançá-lo nas plataformas digitais também. Mas eu gosto do contato com as pessoas, de sair conversando, de mostrar o texto, de falar pras pessoas a história daquele livro, de quais textos tem nele, e as pessoas adquirirem, nessa questão da conversa, do porta-a-porta. 8. R: Bom, é… tem o Slam, que ele é mais de incentivo à criação da literatura falada, o Slam do Elido, que também é um projeto organizado pela editora e gráfica, que foi suspenso também por conta da pandemia, né, publicamos o livro do MOVA, que é o movimento de alfabetização de jovens e adultos, também, um projeto de incentivo à contação de histórias, a gente adaptou aqui, na rádio Heliópolis, através da APOESP e da professora Bebeu, que também atualmente está como deputada e tá fazendo essa ação junto aos educadores da rede estadual em que elas fazem a contação de histórias e a gente apresenta no quadro “baú de histórias’, do programa bairro educador, às terças-feiras. O programa Bairro Educador, ele é segunda a sexta. Às terças-feiras tem essa apresentação desse incentivo à leitura, à literatura né, de forma falada e ouvida. 9. R: Bom, inspiração não falta. Inspiração quando as coisas estão bem, inspiração quando as coisas não vão muito bem, inspiração de esperança por uma vida melhor, um futuro melhor, uma sociedade mais justa, igualitária, quando acontece injustiças, infelizmente é uma inspiração, que a gente tem. Quando vários fatos da nossa vida, fatos pessoais, questões pessoais. Acontecem, a gente tenta transmitir o que sente, o que pensa, e como estão as coisas conosco, enfim, são junções né, são, as inspirações são muitas, e disso, a gente vai criando texto, falando para o mundo que a gente gostaria de que as pessoas entendessem, ouvissem e seguissem algumas questões. E é daí onde aparece, do ser humano, da natureza, das várias crenças existentes, quais as suas razões, enfim, de tudo. 10. R: Na realidade, eu pretendo, quando eu escrevo, acontecem de 2 formas: a inspiração, que vem, e você escreve o texto em uma rapidez tremenda, que às vezes eu fico admirado em como eu escrevo algo tão rápido, como se fosse uma
95 cópia ou e-mail. Eu às vezes eu, realmente, presto atenção no mundo, na vida, nas coisas, e começo a escrever. Quando isso acontece, que é um texto proposital, eu tento alcançar o maior número de pessoas, com uma linguagem que alcance tanto as pessoas que não tem muito acesso a uma leitura mais aprofundada, a um conhecimento maior, quanto as pessoas que tem graduações, que tem um contato maior com a literatura, com a leitura, de uma forma simples, mas eficaz, em que todos possam compreender, e do humor também, quando eu faço humor, tento trazer as coisas do cotidiano, e até alguns problemas que se tem, mas trazer para o humor, e pra que a gente possa não rir da situação, mas tornar a situação mais entendível, mais leve. Isso é, as pessoas que eu tento alcançar são, todas as pessoas, em suas diferentes formas de captar a minha mensagem, mas que ela seja entendível. 11. R: Bom, inspirações são muitas, começando com o meu pai-avô, minha mãeavó, que, a gente tem que ter essa base, principalmente, o meu avô, que não está mais entre nós né, e que me inspirou bastante a conseguir alcançar os objetivos, que sempre me deu forças, sempre contei muito com ele, no planejamento que tínhamos de fazer muita coisa, inclusive de pagar a faculdade. No último dia de inscrição, ele faleceu lá onde ele trabalhava, e eu que o encontrei lá, morto. A inspiração que tinha era tão grande, que no dia que eu me deparei com o acontecido, era o último dia de inscrição na faculdade, eu quase que não ia fazer, mas quando eu lembrei de tudo o que ele fez por mim e todo o incentivo, aí eu fui me inscrever. Aí tem minha avó, minha mãe-avó, que me criou, que também, sempre incentivou o caminho certo, e aqui, em SP, minha mãe, que vim morar aqui, depois de muito tempo longe, minha filha lá na Paraíba, que me incentiva a correr atrás de muita coisa e que eu sempre lutei por isso e que ela é uma das maiores inspirações que é o motivo pra eu continuar, porque ela só tem 10 anos e depende dessa minha trajetória vencedora, pra ela também vencer. E as pessoas, quando eu cheguei aqui em Heliópolis, né. Eu não moro mais em Heliópolis, mas já morei, inclusive eu estou nesse momento aqui em Heliópolis. Quando eu vejo esse povo lutador, quando eu vejo o pessoal da rádio, correndo atrás de fazer um Jornalismo e programas de qualidade, mesmo com as dificuldades, essa gente guerreira, que luta pelos sonhos todos os dias, pessoas que saem do anonimato e conseguem demonstrar pro
96 mundo que são capazes de fazer através da cultura, da arte, da educação. Essas pessoas, esses herois verdadeiros, que são as pessoas que eu admiro, pais e mães de família, pessoas, de uma certa forma também, meu pai biológico me inspirou a sempre ser responsável pela minha própria história, a não depender das pessoas totalmente, buscar sempre tá um passo a frente das dificuldades, que as pessoas te ensinam de várias maneiras, com a presença, mas também te ensinam com a ausência. Querendo ou não são inspirações que você tem, que está prestes a apoiar todas as pessoas quando elas precisarem. E todas as pessoas que de uma forma ou de outra fizeram parte da existência, da minha existência. 12. R: Na realidade, eu ainda não tive acesso ao conteúdo total dessa leitura né, até por conta de muita coisa que eu fiz aqui e não tive. Eu posso ver isso né, depois de ler e passar pra você o meu entendimento a respeito. Mas desde já, a gente vê politicas públicas e acesso, democratização da leitura, da cultura, da arte, que fazem as pessoas pensarem mais, que faz as pessoas terem mais discernimento não é exatamente o que o governo atual defende. Na verdade, ele… o governo Bolsonaro não me surpreende nenhum pouco em fazer esse tipo de ação. Quanto mais você dificulta as pessoas a terem acesso ao que vai libertá-las em pensamento, em entendimento, mais difícil a alienação. Por isso que existem as máquinas alienantes em vários locais, independentemente, sem questão religiosa ou não, não é atirando pedras, mas muitas pessoas se aproveitam da desestrutura, da falta de visão, de entendimento, ou até do desespero alheio, pra conseguirem o que querem, principalmente se tratando de questões políticas e até de questões religiosas, e a gente precisa ter esse cuidado de saber discernir as coisas e entender as coisas. Por isso é que essa questão do livro, já era bem dificil né, eles com um preço até mais acessível. Ainda, como eu ressaltei no início, não tive acesso ao conteúdo total, apenas de leituras e algumas poucas conversas. Mas ao conteúdo completo, irei analisar pra poder até trazer um entendimento maior. A opinião que passei foi de outros entendimentos, de outros fatos que já conhecia e que me fazem entender que as intenções realmente são essas, essa questão de dificultar ainda mais o acesso de quem precisa conhecer, pra crescer, pra se desenvolver e pra não ser mais uma ou um enganado ou enganada.
97 13. R: Primeira dica é que se você não tiver muito recurso, prepare-se pra correr atrás, porque investimento nessa área é muito escasso. Quanto tiver um projeto legal, como a Editora e Grafica Heliópolis, e quando ela retornar, fica de olho nas páginas da editora e gráfica heliópolis, porque ela abriu as portas pra mais de 50 escritores e escritoras da região, da comunidade, de escolas, oportunizou as pessoas a publicarem e pode oportunizar vocês também, fica de olho, que logo logo podemos ter editais novos de publicação. E procure se inspirar nas pessoas que te fazem bem, nas pessoas que trazem pra você conselhos, nas pessoas que acreditam junto com você nos seus sonhos. E prepare-se para os nãos, prepare-se para as negações, prepare-se para as decepções, mas principalmente, prepare-se para superar tudo isso. Persista, e não pense que tem um final feliz. A felicidade, ela vai sendo construida, ela vai sendo sentida ao longo do tempo. Não existe um chegar lá pra ser feliz. Vai sendo feliz, e quando você chegar aonde você acha que você queria chegar, com certeza você vai ter mais para conquistar. Portanto, viva o momento, busque os sonhos, mesmo que você desvie um pouco os caminhos, por necessidades ou não, mas sempre volte do ponto onde você parou.
1.7. Entrevista com Thiago Lee
1. Bom, na verdade, eu não era muito ligado em editais, Antes desse edital que eu participei, mas o próprio Sandro tinha me chamado a um tempo para participar do proac, para montar um projeto E participar do proac, e não deu certo na época, não foi para frente, mas eu acabei pensando ‘a, se tem um edital’, porque o proac Não é só para livros, é para projetos culturais, se tem um edital tem dois né, principalmente em São Paulo uma cidade tão grande e tão diversa culturalmente, E aí eu entrei no site da Prefeitura de São Paulo, e fui atrás de outros editais, saí vasculhando um pouco o site da prefeitura, E aí eu achei a área que tinha editais abertos e aí eu saí procurando, também muita informação e não é um site muito amigável, eu acabei quase que desistindo, mas por sorte eu acabei pegando bem na época que abriu esses editais e caiu como uma luva né, eu tinha um projeto já de
98 livro que já estava metade escrito, então eu aproveitei e peguei esse edital e escrevi a proposta né, o próprio Sandro de uma revisada, Enviei e fui contemplado. e de lá para cá eu não procurei outros, porque eu tô em outros projetos e ficaria muito apertado para mim, mas é isso, foi indicação de amigo e vasculhando o site da prefeitura. 2. Esse meu livro "o homem vazio" é uma fantasia urbana que se passa em São Paulo, conta a história de um jovem que começa a descobrir um mundo fantástico, um mundo paralelo, em que existem outra versão das pessoas, então ele encontra uma pessoa que é exatamente igual à dele que vem desse outro mundo, e ele começa a descobrir que as pessoas da nossa realidade estão desaparecendo desse outro mundo né, então ele precisa evitar que as pessoas comecem a desaparecer e que ele comece a desaparecer também aos poucos né, então é uma fantasia misturado com um pouco de thriller, tem uma pegada um pouco nesse sentido né, e tudo se passa em São Paulo, em vários pontos turísticos, então eu acho que casou bem legal com o edital da Prefeitura. O processo de escrita dele foi bem interessante, bem longo né, eu comecei a escrever uma outra história, de uma personagem que acabou se tornando a irmã dele no livro né, era uma história de investigação, só que não estava dando muito certo, não tava com muita consistência ainda, tava muito sem foco, E aí eu parei e voltei para estaca zero né, comecei escrever a história dele, que até então não tinha nada a ver com a história dela né, E aí conforme eu escrevi eu fui vendo que tinha muita similaridade aí eu juntei as duas coisas no livro Só, tanto é que metade do livro é narrado por ele e a outra metade é narrado pela irmã né, são duas histórias que se entrelaçam, e eu demorei uns dois anos para escrever esse livro né, quando eu me inscrevi no edital o livro Tava um pouco menos da metade, e assim que eu passei eu vi que eu tinha uns sete meses para correr com a escrita do livro, então eu fui atrás de escrever tudo né, o rascunho, e foi bem na época que eu eu fiz uma viagem de férias, então eu terminei o rascunho, mandei para algumas pessoas de confiança para dar uma lida no livro, e assim que eu voltei de viagem das férias as pessoas tinham terminado e eu peguei o livro de volta e comecei a lapidar ele, a deixar mais interessante, a melhorar um pouco a escrita, e foi isso, e depois com dinheiro do edital paguei o revisor, e todo o processo editorial.
99 3. Olha quando eu quando eu fui selecionado, obviamente fiquei muito feliz porque, como eu falei, o meu primeiro livro, eu banquei a impressão dele né, foram poucas cópias, mas ainda é um custo né, então você acaba tendo que nivelar por baixo né, algumas coisas né que não dá para para gastar com papel melhor para impressão Ou talvez não dá para gastar tanto com uma coisa ou outra, no edital foi bem interessante, pois o valor estipulado foi de 15 mil reais né, então foi bem legal. Teve alguns percalços no caminho né, eu acho que algumas coisas que mais me dificultaram foram algumas exigências do edital que não faziam muito sentido, eu suspeito que quem talvez bateu o martelo em algumas regras talvez estivesse um pouco fora da realidade de publicação de livros, pq por exemplo, era obrigatória a impressão de no mínimo mil exemplares, sendo que o escritor independente como eu e como a grande maioria dos outros que foram contemplados, vender mil livros físicos é algo surreal,algo q mtas editoras grande hj em dia nao imprimem mil ou dois mil livros pra publicar, um livro de um autor já consagrado q já tem certeza q vai dar sucesso, entao alguns contemplados conseguiram uma editora por tras do livro deles, conseguiram fazer uma parceria com alguma editora, nao foi o meu caso, eu fui independente msm, então até hj eu ainda tenho livro em caixa aqui em casa, sabe. Tudo bem q desses mil, 150 foram pra bibliotecas públicas, mas ainda sim sobra 850 livros, e eu acho que já devo ter conseguido vender mais da metade, mais de 500 livros, mas ainda tenho algumas caixas aqui em casa, sabe? E agora que já tem dois anos de publicação, é muito difícil eu conseguir vender esses livros, acabar com essa tiragem, sabe? Quando podia ter eventos literários, era mais fácil né. que eu montava uma banquinha e conseguia vender bastante, só q esse ano, sem nenhuma possibilidade de ter evento, simplesmente os livros estão todos parados aqui né, inclusive eu consegui vender alguns pela internet, online, mas ainda assim não é o suficiente né, acho que esse foi o primeiro problema com as regras do edital né, e algumas questões burocráticas. Dos 15 mil, eles pagavam os 12 mil primeiro e os últimos 3 mil só depois q o edital finalizasse, só que o problema é meu orçamento todo era baseado em 15 mil, então eu precisei pagar todos os fornecedores, pagar gráfica pra imprimir, pagar revisor, capista, tudo. Pagar os fornecedores do dia do lançamento, e esses 3 mil reais q a prefeitura só me deu depois, eu tive q pegar um empréstimo pra poder pagar a gráfica, porque eu duvido muito q a gráfica ia aceitar
100 falar “ah, eu te pago depois que a prefeitura me pagar, daqui a 3 meses,’ sabe, isso não rola, eu tive q pegar um empréstimo de 3 mil reais pra poder pagar a gráfica, e depois a prefeitura me ressarcir, sabe? Então foi uma dificuldade que ao meu ver, não tem sentido, tudo bem q esses 3 mil é um resguardo deles, porque pode ser q a pessoa faça alguma coisa fora do comum, mas assim, eles se proponhem a dar o dinheiro e eu não consigo pagar os fornecedores porque o dinheiro não tá disponível, entendeu? Tudo bem q tem a venda dos livro né, mas esse dinheiro de juro de empréstimo, eu tive que arcar, entendeu? Eu acho q esses foram os 2 principais problemas do edital, mas fora isso foi bem interessante, eu tive liberdade pra usar o dinheiro como eu queria, apesar de td a burocracia q a gnt sabe de tirar nota fiscal, contratar as pessoas q entregassem no dia e tirar nota fiscal, tds os minimos detalhes, até os centavos, tem q ser declarado exatamente qnto q foi cobrado, enfim, tem toda essa questao burocratica e isso aí até foi fácil de lidar né, eu acho que esse processo aí foi duro, mas foi interessante. 4. Então, esse edital, nas regras dele, era obrigatório a publicação impressa, e obrigatório o mínimo de mil cópias, por isso teve esse problema q eu falei. Eu e os outros contemplados se juntou e ate tentou argumentar pra diminuir esse número pra 500 cópias, q era um número mais factível, mas não foi possível, porque já tava publicado no Diário Oficial da União, as regras e não mudaria mais, eu fiz uma versão digital e até coloquei no orçamento, mas não era obrigatório pelas regras do edital ter uma versão digital, eu fiz porque eu sabia que ia ser interessante pra mim né, ia trazer benefícios, mas era só versão impressa mesmo q era obrigatória. 5. Felizmente agora, eu sou agenciado né, faço parte da agência literária Pág 7, e lancei um livro em formato digital chamado A maldição do carneiro de ouro, q é um infantojuvenil, e com agenciamento fica mais fácil publicar por uma editora, então a minha agente tá sondando editoras interessadas em publicar o livro, e to esperançoso q isso aconteça em breve, então se possível, publicar por editora seria interessante, mas eu gosto muito do espírito do independente q é não só se preocupar em escrever e pronto, mas ir e fazer as coisas e entender como as coisas são feitas pra poder auxiliar nesse processo, entender de publicação, o que é um processo de edição de livro, todo esse processo do início ao fim, quem me ensinou foi a publicação independente né, então acho q me ensinou muito e eu pretendo
101 continuar lançando ainda coisas independentes, mas visando também publicar por editoras porque tem mais visibilidade, mais distribuição, mais facilidade.
1.8. Entrevista com Sandro G. Moura
1. Bom, vamos lá, Janaina. É.. eu nasci em uma família circeiense, é… trabalhei com meu pai muitos anos, ele tinha escola de circo aqui na cidade de São Paulo, ele ainda tem, na verdade né, escola de circo. E eu cresci trabalhando com ele, cresci no meio cultural, mas por mais que eu trabalhasse junto com o circo, o circo não era uma linguagem que eu me sentia confortável, sabe? Eu sempre gostei de explorar mais as ideias, eu sempre consumi muito quadrinhos, muitos livros, filmes, então eu queria explorar um pouco mais minha criatividade do que as artes cênicas poderia, aí eu pensei primeiro em focar numa carreira de audiovisual, fiz faculdade, sou graduado em Comunicação Social, Radio e TV, e roteiro também, e roteiro era minha paixão, mas eu nunca consegui realmente trabalhar na área, então aquela vontade de explorar todo esse potencial, toda essa vontade de contar histórias que eu tinha, aos poucos eu fui indo para a literatura, eu falei ‘ah, por que não experimentar a literatura? Já que é uma linguagem em que eu não preciso depender de ninguém, eu posso fazer tudo por conta própria, então foi aí que, em 2013 e 2014, eu comecei a me dedicar à literatura. 2. Eu já publiquei em, deixa eu ver… seis coletâneas de contos, já publiquei em uma revista digital, publiquei três e-books, aí foi publicação independente, e agora eu tô no processo pra publicar o primeiro livro físico, que eu acbei de fazer a campanha no financiamento coletivo pra arrecadar fundos, e agora eu tô fazendo minh primeira publicação em livro físico. 3. O primeiro e-book se chama “Dádiva de sangue”, é um conto de fantasia, sobre uma jovem feiticeira que precisa enfrentar um dragão, o segundo conto, o segundo e-book é o “caminhos infinitos”, eu cheguei a fazer ele pra um concurso da Amazon de contos, então eu fiz esse conto especificamente pra esse concurso, é um conto
102 de ficção cientifica sobre universos paralelos, e agora o e-book mesmo, que é a coletânea de vários contos meus, é o “luzes do amanhã” e outros contos, ele já tá na Amazon, só que eu estou reeditando ele, né, colocando mais pontos nele, pra fazer livro físico. E também foi reeditar o arquivo que está lá na Amazon, 4. Isso, fiz todas essas publicações na Amazon, e agora eu tô… porque é a plataforma mais simples e mais prática pra fazer publicação independente. 5. É, a Amazon eu conheci como leitor, e aí eu comecei, quando eu decidi começar a trabalhar com literatura, eu comecei a tentar conversar com outros autores, entender como é que eles trabalhavam, então eu vi que muitos, é, um grande volume de contos, na plataforma de autopublicação da Amazon, então eu pesquisei um pouco mais a respeito, sei lá, em 2012, 2013, e… só que eu ainda não tinha escrito nada pra ser publicado, então eu comecei a trabalhar alguns contos, que eu ainda não estava satisfeito e tudo mais, ainda não gostava muito do resultado final, e eu fui conversando com as pessoas, interagindo com os autores, vendo, tentando entender como funcionava a plataforma, então foi aí que eu, depois que eu fiz a primeira publicação, em livro físico, que foi uma coletânea de contos, então eu transformei o primeiro conto que foi “dádiva de sangue”, em e-book na Amazon. 6. Foi, foi bem emocionante, Eu me senti valorizado, por ter meu texto selecionado, por tá ali participando da coletânea de contos. Hoje, eu provavelmente faria outras escolhas, mas eu também não tenho a experiência que eu tenho hoje, o conhecimento que eu tenho hoje. Mas assim, é… o autor iniciante, ele… ele quer se sentir reconhecido, ele quer ser visto, então naquele momento, aquilo foi muito importante pra mim. Não gerou um resultado grande, como eu sonhava, como eu gostaria, mas começou ali um pequeno passo, me aproximou de outras pessoas, me aproximou de outros escritores, então isso abriu muitas portas pra mim, e me proporcionou fazer amigos maravilhosos, dentro daquea mesma publicação. 7. Não, por enquanto, eu não tentei e esse não é o caminho que eu quero seguir por enquanto, No meu ponto de vista, o mercado é muito mais focado em contatos do que mérito, então não é porque você tem um grande livro, um bom livro, que você vai apresentar pra editora e a editora vai te descobrir. Não, o meio de você chegar numa grande editora, uma editora convencional, é você construir contatos, construir
103 e ir avançando, subindo degraus, até você chegar nesse caminho. Eu optei a ser um escritor independente pra começar essa trilha, geralmente, muitos outros autores, eles optam pelo caminho das pequenas editoras, e eu optei seguir um caminho diferente, optei por seguir o caminho da publicação independente, e começar a trilhar, esse, a buscar né, meu lugar ao sol, buscar fazer um trabalho bem feito, que as pessoas me conheçam e quem sabe algum dia sim, ter esse convite. E se não tiver, eu vou prosseguir caminhando como escritor independente. 8. Eu decidi dar uma qualidade profissional no meu livro, então eu tinha duas opções. Ou eu me capacitava, ou eu pagava alguém com a devida competência. Então eu comecei a ver quais eram minhas habilidades nesses pontos, porque toda uma trajetória siercense, toda uma produção cultural, então a produção é algo que eu sou apto a fazer, mas eu não tinha muitos detalhes sobre como trabalhar um livro, os detalhes mesmo da linguagem livro, tipo os detalhes da produção igual a siercense, na produção, mas são os detalhes que são produtos culturais diferentes. Então eu fiz um curso de produção editorial pra entender todo o processo de produção do livro, primeiro fiz agora, durante a pandemia, ali por volta de abril maio e junho, foi um curos de curta duração, e depois desse curso que eu lancei o projeto do livro físico. Revisão ortográfica e capa, eu contrato pessoas pra fazer esse processo e diagramação eu fiz curso, pra aprender a mexer no programa de diagramação que é o InDesign, eu assisti bastante tutorial online e tudo, mas eu fui pegar as informações que eu precisava, pra ter o conhecimento técnico pra conseguir operar, então a produção eu faço, a diagramação eu faço, e capa e revisão eu terceirizo. 8. Sim, com certeza. Eu sou analista de negócios, faço trabalho terceirizado pra Prefeitura de São Paulo, dando orientação aos microempreendedores,individuais, 9. É, infelizmente, a escrita, ela fica em segundo plano, então, é… eu uso os finais de semana, são, às vezes, o período noturno, então, a produção literária, ela fica bem comprometida, porque eu preciso ficar, na maior parte do meu dia, no meu emprego formal, então, e conciliar toda a questão familiar, toda a vida normal que a gente segue, mas aquele tempo que eu tento dedicar pra literatura, então lógico,
104 assim, eu produzo de uma forma muito lenta, eu produzo muito pouco em que eu poderia estar produzindo, se eu me dedicasse apenas à literatura. 10. Depende muito da da obra. Uma das principais obras que já escrevi e já escrevi umas três contos sobre universo, é universo futurista com clones humanos em que eu quero debater justamente os direitos humanos. Então os direitos essenciais que todo mundo possui. Então nesse universo os clones são explorados, é uma São Paulo por volta do ano, por volta assim do final do século 21, ano 2080 e 2090 e os clones eles são criados por um laboratório para serem ratos mesmo de laboratório, objetos de estudo, teste de medicamentos, ou até outras formas horrendas de exploração, então geralmente assim eu sempre busco buscar temas assim mais focados em liberdade, liberdade de expressão liberdade religiosa e direitos humanos, são temas assim que me tocam mais. 11. Depende muito do momento e da da obra que eu tô eu tô abordando, mas a minha principal motivação mesmo, é transmitir as minhas ideias. Tem um vídeo do José Saramago, escritor português, eu vou te passar aqui, ele é bem interessante, que o Saramago, ele diz que ficou desempregado e teve que, e tava perto da época de se aposentar e ele não sabia o que fazer da vida dele. Então ele começou a se dedicar à literatura e tem uma frase nesse vídeo que assim, que para mim, é bem marcante, é... “passei a perguntar a mim mesmo se havia algo para, que valesse a pena ser dito para sentar e escrever”. Então, para mim, a literatura é uma expressão, é onde eu vou colocar as minhas ideias, aonde eu vou transmitir a minha mensagem. 12. Eu utilizo as redes sociais, principalmente, e parcerias com Instagram literários. Agora, principalmente o Instagram, cheguei a pagar anúncio, mas eu não vi nenhum resultado significativo para mim, foi muito mais interessante fazer parcerias com Instagram, com colegas assim, que ajuda, amigos... Então isso para mim, já estou sentindo um resultado mais significativo do que pagar anúncio em outros outros portais. 13. Como são pouquíssimos leitores, geralmente são pessoas que já fazem parte da minha rede, são pessoas que são mais próximas a mim, então tem uma tem uma interatividade maior, tem uma troca maior entre leitores. Quem sabe algum dia sim
105 eu não tenha tempo para lidar com todo mundo, mas no momento são poucos leitores, a maioria são pessoas que realmente são um pouco mais próximas a mim. 14. Agora com o financiamento coletivo, eu cheguei a arrecadar r$ 1.230,00. Porém isso não cobre todos os custos da produção, dentro assim, se você fosse contar só exemplar vendido seria seria suficiente para ter um rendimento ali em cima de cada exemplar, só que o financiamento coletivo o valor que nós arrecadamos ele tem que cobrir os gastos do valor do exemplar e cobrir os gastos e produção do livro, revisor pagar o capista, e para impressão pagar o correio, então tudo isso, eu tive, por exemplo, então, a revisão e a capa, eu tive que pagar o restante, eu vou conseguir produzir uma quantidade de livros e que vai manter ali um pequeno estoque que eu não vou conseguir vender, posteriormente, vou entregar os livros de todos os apoiadores, mas por enquanto o lucro a gente não vê. 15. Funciona como uma pré-venda do livro, então por exemplo eu montei um orçamento que o meu livro precisava de r$ 4000 pra cobrir todos os custos, isso se eu tivesse arrecadado r$ 4000 eu teria tido um lucro, pagar as despesas do cabista pagar todas as despesas, imprimir uma quantidade de exemplares para entregar para as pessoas que apoiaram o livro e para sobrar uma quantidade de livros que eu pudesse vender então eu montei todo o projeto e coloquei a campanha, então a minha campanha tinha 60 dias para arrecadar esses r$ 4000, infelizmente eu não consegui alcançar os r$ 4000, mesmo assim a campanha foi finalizada, eu vou entregar os livros de todo mundo que apoiou o projeto e me sobrou nas mãos alguns que eu possa vender depois, o pagamento ele é direto pela plataforma do financiamento coletivo e quem apoiar pode selecionar recompensas, então por exemplo, se a pessoa selecionar um livro de r$ 35, ela ia doar r$ 35 para financiamento coletivo, ela ia receber um exemplar do livro já com frete incluso, se ela fizesse, por exemplo r$ 50, ela ia receber um livro meu, livro mas livro de um amigo, então vai de acordo com as recompensas que as pessoas escolhem. 16. Na verdade esse processo está acontecendo nesse momento, ainda não publiquei. Eu tô na etapa de revisão, finalizando etapa de revisão, na verdade finalizei hoje, recebi o texto do 2º revisor e agora fiz todas as alterações, eu já tenho o texto pré diagramado e agora já vou aplicar todas as revisões, vou finalizar a
106 revisão e diagramação, encaminhar o livro, fazer o boneco do livro, que é um exemplar único, uma impressão, para verificar como ficou o processo do livro, como isso ficou físico, para ver se precisa fazer mais alguma alteração e fazendo isso eu vou mandar rodar, então 50 exemplares, desses 50 eu tenho que entregar 31 para as pessoas que apoiaram o projeto. Então vão sobrar 19 exemplares na mão, que eu poder vender posteriormente ele, até dezembro eu vou finalizar esse processo e enviar por correio, todos os livros para todos os apoiadores. 17. Eu acho que uma das principais coisas assim da pandemia que me afetaram foi o estresse, por causa do isolamento social, ficar sem sair de casa, tudo isso, ficar confinado com a família. Na parte pessoal, assim, a família ficou muito mais unida nesse processo, mas eu fiquei muito sobrecarregado com atividades domésticas, minha filha pequena tem 3 anos de idade e minha esposa está grávida do segundo filho, então eu não ter um tempo para me dedicar à literatura, para dedicar à escrita, foi uma coisa que me afetou bastante, mas nesse meio tempo acabei me dedicando à campanha do financiamento coletivo que foi bom, por mais que não tenha produzido o texto, eu acabei me dedicando na questão da campanha da produção do livro, então por enquanto a escrita é uma parte que eu deixei temporariamente de lado, faz um alguns meses que eu não escrevo nada novo, também estou fazendo a questão, toda a questão da revisão, finalizando agora a diagramação, infelizmente isso acaba consumindo tempo, tem algumas ideias que eu quero colocar, assim, refiz um alguns esboços nesse período que aí eu vou começar a verificar a viabilidade, vou começar a fazer parte da pesquisa, então minha pandemia foi mais ou menos assim, 18. De modo geral, eu acho que a quarentena não foi tão respeitada, pelo menos aqui no condomínio onde eu moro sim teve bastante adesão da pandemia, muitos moradores acabaram em isolamento social, entrando no regime de home office, mas essa não é a realidade de todo mundo aqui do bairro. Então é um bairro assim que tem uma classe média bem mista, então. Em algumas ocasiões eu acabava saindo de carro para ir até o mercado e vi as pessoas soltando pipa, os meninos soltando pipa na rua, andando de bicicleta, como se nada tivesse acontecendo, pequenas reuniões familiares, então, assim uma coisa que acaba preocupando se as pessoas realmente, não sei muito bem a pandemia, mas tem que ver também toda toda a
107 questão da estrutura que essas pessoas possuem, então é meio complicado assim fazer um julgamento de simples e diretos né? 19. Não, no meu caso não teve nenhum parente contaminado e nem um óbito, mas eu tive uma colega de trabalho que infelizmente veio a óbito por causa da covid-19 e parentes, acho que teve três pessoas assim no meu trabalho também, perderam um pai ou mãe durante a pandemia então não foi muito próximo a mim, mas assim a gente sentia a dor dos colegas ali.
108
2. PAUTA
PAUTA Janaina de Melo Araújo EDITORIA
TEMA/ASSUNTO Escrita independente; livro digital
Literatura
EDIÇÃO 29/09/2020
HISTÓRICO Perguntas para fazer a autores de livro digital: – Perguntas essenciais: nome completo, idade, cidade e bairro onde mora. – Por que você decidiu ser escritor? – Quantos livros já publicou e quais? Sobre o que eles são? – Como funciona sua rotina de escrita? – Por se tratar de autopublicação, você faz tudo sozinho, desde escrever, revisar, diagramar e até a capa? – Além de escrever, possui alguma outra profissão? Se sim, qual? Como conciliar? – Quais as maiores dificuldades você encontrou nos meios digitais para publicar seus livros? Quais as vantagens e desvantagens? – Quais as motivações te fizeram recorrer ao meio digital para pulicar livros? – Costuma sofrer bloqueios criativos? Como sair deles? – Quais métodos de divulgação você utiliza? – Você acredita que o livro impresso esteja morrendo e será substituído pelo digital? Por quê? – Quais suas principais motivações para escrever? – Quais transformações sociais deseja alcançar com seus livros? – Quem são as pessoas que estão do seu lado e te apoiam como escritor? – Quem você mais admira no mundo da escrita? – Já participou de concursos literários? Se sim, como foi? Já ganhou algum? E como foi? – De que forma a pandemia te afetou como escritor? – Como leitor, você prefere ler livro impresso ou digitais? Por quê?
109 – Como é a sua relação com os leitores? – Participa de algum projeto de incentivo à leitura? Se sim, qual? – Quais os projetos pro futuro? – Como faz para se inspirar? – Quais suas maiores frustrações como escritor? Perguntas para autores do livro físico: – Perguntas essenciais: nome completo, idade, cidade e bairro onde mora. – Por que decidiu ser escritor? – Quantos livros têm publicados e quais? Sobre o que eles são? – Além de escritor, possui alguma outra profissão? Se sim, qual? Como faz para conciliar? – Já publicou por alguma editora tradicional? Se sim, qual? Como foi? Se não, por quê? – Como funciona sua rotina de escrita? – Sofre bloqueios criativos? – Você acredita que o livro impresso está morrendo? – De que forma a pandemia afetou o seu trabalho como escritor? – Quais suas maiores frustrações como escritor? – Quais as maiores dificuldades? – Como leitor, prefere ler livro impresso ou digital? – Quais transformações sociais deseja alcançar com suas obras? – Como é a sua relação com o público leitor? – Quais suas fontes de inspiração? – Quem você mais admira no mundo da escrita? – Como faz para divulgar seus livros? – Participa de algum projeto de incentivo à leitura? Se sim, qual? – Por quais meios você mais publica? – Como funciona a parte dos gastos? – Participa de algum projeto que fomente à leitura? Já participou de algum edital da prefeitura de SP? – Você frequenta bibliotecas comunitárias? Como elas funcionam? FONTES - Adriano Batista, especialista em Mídias Digitais
110 - Ailton Sena, escritor - Andreas Chamorro - Elizanda Souza, escritora - Paulo César Marciano, artista e empreendedor - Rubenildo Limeira, escritor - Sandro G. Moura - Thiago Lee
ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO
OBSERVAÇÃO: REDAÇÃO DE JORNALISMO:
COMPONENTES DO GRUPO COM RGM
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3. FORMULÁRIO GOOGLE
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4. DIÁRIO DE CAMPO
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Fevereiro, 2020 Eu sempre gostei muito de ler e escrever e já pensava que o tema do meu
TCC deveria estar relacionado com literatura. Eu sempre fiz parte de grupos de escrita e conhecia plataformas como o Social Spirit e Wattpad. Por sempre ler nos grupos discussões relacionadas à literatura, comecei a pensar sobre produzir algo sobre escritores. Quando pensei em falar sobre escritores, eu tive dúvida, porque também queria falar sobre leitores e tinha certeza que os autores influenciavam, de certa forma, na leitura das pessoas. Então pensei “o tema será ‘como os autores independentes influenciam para que as pessoas leiam mais’”. E eu já havia pensando em algo independente porque sabia que muitos escritores publicavam usando plataformas digitais. Depois, eu passei a pesquisar e ler muitos artigos, livros e matérias jornalísticas que tinham a ver com leitores e escritores independentes, usando os recursos que aprendi na faculdade, como o Google Acadêmico, que foi ótimo e eu encontrei artigos maravilhosos que abriram minha mente, porém, não havia nada que pudesse relacionar os escritores com os leitores e isso foi frustrante. Foi então que pensei em mudar o tema ou reformulá-lo melhor, afinal, ainda havia tempo para isso. No entanto, tudo o que eu sabia é que devia falar sobre os escritores independentes, só não sabia como. Com o passar das aulas, fui aprendendo mais sobre como deveria ser a estrutura do Projeto de Pesquisa e, depois de tanto pesquisar sobre os escritores, encontrei muitas informações sobre tudo o que diz respeito ao mercado editorial. Então, eu já quis falar sobre a crise no mercado, por causa das dívidas das livrarias Saraiva e Cultura. Também pensei em voltar o foco para editoras comunitárias. O grande problema foi que na hora de formular os problemas e hipóteses relacionados a esses temas, eu travava, não ia pra frente. As hipóteses pareciam já ter sido confirmadas ou os problemas não pareciam problemas.
118 Tudo mudou quando eu li um artigo científico que relacionava a literatura brasileira com autopublicação. De algum jeito, eu precisava falar sobre literatura brasileira, ainda mais observando como o país não costuma valorizar tanto. Como eu precisava delimitar o meu tema, fiz uma delimitação geográfica, focando em falar de escritores apenas da cidade de São Paulo, por ser o lugar onde eu moro e, consequentemente, ter mais propriedade para falar sobre ele. •
Março, 2020 Eu já tinha mais ou menos o tema definido, sabia que gostaria de falar sobre
literatura independente na cidade de São Paulo e estava começando a pensar na problematização, hipóteses e justificativa. Ainda durante o processo das minhas dúvidas, conversei com a professora Rosângela e ela me ajudou a definir melhor o meu tema. Inicialmente, eu ia colocar algo que envolvesse o mercado editorial em crise, mas não conseguia conciliar o assunto com os escritores independentes, que era o que eu gostaria mais de abordar. Depois, eu finalmente encontrei meu tema. Tivemos uma aula na qual a professora Rosângela nos fez apresentar o nosso tema no laboratório e falar um pouco a respeito.
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Abril, 2020 Era a época de apresentarmos o “Seminário de Delimitação Temática”, que foi
individual. Na apresentação, precisava conter: o tema de uma maneira geral e depois a delimitação, o objeto de estudo, a justificativa e três artigos de jornais ou revistas, acadêmicos e livros que abordassem assuntos relacionados com o nosso tema. Também precisávamos elaborar um mapa mental. Nessa fase, eu já sabia muito bem a delimitação, os artigos e livros que me serviriam de base para o meu estudo. Com relação à justificativa, ainda estava meio indefinida. Mas eu sabia que era um assunto que precisava de atenção, porque eu só observava em grupos e sites o quanto o Brasil é repleto de escritores que fazem
119 tudo por conta própria e eu queria entender porque quase ninguém falava sobre isso, porque era difícil ver esse assunto como pauta de um jornal televisivo ou revista eletrônica. Com relação ao objeto de estudo, eu quis falar sobre a Casa das Rosas, por ser um museu de literatura nacional e por oferecer cursos e oportunidades para inserir novos autores no mercado editorial. E eu mantive essa ideia mesmo durante a pandemia, mesmo sabendo que o museu estava fechado. Pois, a orientação que eu estava recebendo das professoras foi que eu devia manter algumas coisas como estavam porque ninguém sabia como seriam as coisas no próximo semestre, a esperança era que a quarentena e pandemia já tivessem passado e que todos pudéssemos voltar com nossas vidas ao normal. Quando estava perto do seminário acontecer, as professoras queriam que todos fizéssemos “ao vivo”, pelo Blackboard, porém, nem todos tinham condições. Eu fui uma dessas pessoas, porque o microfone do meu notebook não funciona e nem a Webcan, eu conseguia acessar o site pelo celular, mas não dava para ouvir os professores direito. Eu só conseguia participar da aula escrevendo no chat. Pensei “não tem como eu apresentar assim”. Foi então que as professoras nos ofereceram outra opção, mas essa era para aqueles alunos que não conseguiam apresentar ao vivo. A solução foi apresentar um seminário gravado. Foi o que eu fiz. Eu elaborei minha apresentação no PowerPoint, baixei um gravador de tela no meu celular e no dia de entrega do seminário, que precisava ser colocado numa pasta no drive da sala que criamos e numa pasta no Blackboard, eu passei minha apresentação para o celular, liguei o gravador de tela e, enquanto gravava, eu fui passando os slides e explicando cada um. Ao todo, deu uns 27 minutos, mas ficou boa, tanto nas imagens quando a minha voz. Depois, enviei o seminário para o drive e para o Blackboard. Passado alguns dias, fiquei muito feliz quando veio o feedback do meu seminário, no qual a professora Mirian comentou que estava ótimo e a argumentação era coerente, acabei conseguindo a nota estipulada para aquela atividade. •
Maio, 2020
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Somente durante o mês de maio eu comecei a produzir o Projeto de Pesquisa. Para facilitar, fiz vários documentos no Libreoffice e cada um continha uma parte do projeto, todos dentro da mesma pasta. Também era necessário fazer um fichamento para que nós pudéssemos nos organizar, mas acabei não fazendo. Depois de fazer os documentos, eu acrescentei em alguns deles alguns textos que eu já tinha elaborado na apresentação do seminário. E agora, precisávamos nos preparar para um seminário por afinidade de tema. De início, não entendi direito como funcionava, mas basicamente, a gente tinha que encontrar alguma coisa em comum nos temas com outros colegas e fazer uma apresentação em grupo. Eu fiz por afinidade de autores mesmo. Logo, eu, a Acsa Freire, Fernanda Iana, Renan Lavrador, Vanessa Linhares e outros que não lembro bem agora, fizemos um grupo no Whatsapp para nos organizarmos a respeito dessa apresentação. Os autores que tínhamos em comum eram Henry Jenkins e Stuart Hall, teóricos que usaríamos no nosso referencial teórico do Projeto de Pesquisa. No dia da apresentação, novamente eu não pude fazer pelo BlackBoard, mas meus colegas entenderam e foi apresentado mesmo assim, pelo menos eu ajudei na construção dos slides. Ainda no mesmo mês, eu tive que pensar se a minha pesquisa seria qualitativa ou quantitativa. Acabei escolhendo os dois, porque a intenção era investigar quantos escritores independentes viviam na cidade de São Paulo e realizar uma entrevista aprofundada com alguns deles. Então, eu elaborei um formulário, no Google Forms, e comecei a mandá-lo em grupos de novos escritores. Infelizmente, não obtive um grande alcance, pois apenas 65 pessoas responderam. O problema foi que depois de obter as respostas, eu percebi que a pesquisa deveria ter sido mais segmentada, pois, nas respostas havia escritores de muitos outros estados do Brasil e eu queria algo mais específico, só da cidade de São Paulo. E foi algo que eu precisei realizar porque pesquisei tanto se havia dados sobre isso e não encontrei nada em nenhum dos sites de pesquisa avançada sugeridos pelas professoras. Por isso vi a necessidade de fazer o formulário. No entanto, eu entrei num dilema porque não sabia como eu encontraria esses autores paulistanos para
121 transformar em um dado quantitativo. Por isso a pesquisa acabou sendo diferente do que eu esperava. Além do mais, eu quis realizar essa pesquisa quantitativa para comprovar que realmente houve um aumento de escritores independentes, porque é pauta de muitas matérias de sites, de acordo com o que pesquisei. O problema foi eu não encontrar nenhum dado anterior que informasse, pelo menos em porcentagem, a quantidade de escritores residentes na capital paulista. Então, como eu comprovaria o aumento sem dados passados para comparar? Por isso, resolvi deixar a pesquisa como estava, com uma comparação entre estados e não especificamente na cidade de São Paulo. Ainda em maio, quando os prazos começaram a apertar, porque a entrega do projeto final seria dia 1 de junho, comecei a escrever bastante. A introdução foi uma parte que resolvi deixar por último, porque sempre sentia certo bloqueio. Fazer o referencial teórico foi a pior parte, porque precisava conter muitas citações e falas de teóricos e foi cansativo. Quando eu li o livro de Stuart Hall, “Identidade Cultural na pós modernidade”, eu não entendi nada. Foi complicado saber do que ele estava falando, porque eram assuntos muito complexos, então, muitas vezes, eu acabava pausando a leitura e ia no Youtube procurar algum vídeo falando do mesmo assunto, mas de um jeito simplificado para que eu pudesse compreender e, assim, consegui desenvolver essa parte do trabalho. Com relação ao restante, as professoras haviam disponibilizado no Blackboard alguns PDFs bem específicos ensinando passo a passo como deveria ser realizada cada etapa do projeto e isso facilitou muito. Eu baixei todos os PDFs e os coloquei numa pasta no meu pen drive. Enquanto produzia o trabalho, eu já deixava o PDF aberto para ficar consultando durante o processo, principalmente quando se tratava das normas ABNT. Algumas questões sobre o uso dessas regras não ficaram tão claras nos PDFs, por isso, eu ia no Google e pesquisava. Eu nunca usei somente esses arquivos como base na construção do meu trabalho, mas fiz pesquisas por outros meios também. Foi através de um vídeo no Youtube que eu aprendi como formatar o arquivo no Libreoffice para que já ficasse dentro das normas ABNT e eu conseguisse fazer um sumário automático. Nessa questão, o que me deu mais dor de cabeça foi a paginação. É muito complicado colocar número de páginas em um documento em
122 que a numeração deve começar apenas a partir da introdução. Eu tive que ver vários vídeos até encontrar um que funcionasse e, mesmo assim, eu não consegui tirar a página em branco que aparecia depois do sumário, toda vez que eu tentava, a numeração das outras páginas sumia. Como os prazos estavam apertando, resolvi deixar com a página extra mesmo. Na última semana de maio, comecei a dedicar muito mais tempo do que antes na produção do projeto.
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Junho, 2020 Quando mandei o projeto no Blackboard, fiquei um pouco mais aliviada,
agora, minha ansiedade era para saber a nota. E dias depois, ela veio. Havia uma nota e um comentário pelo meu projeto de pesquisa. Um contraponto foram as referências, nas quais a professora disse que havia alguns problemas com a ABNT. Um deles eu creio que foi porque deixei o link em azul, mas os outros erros eu não sei. Mas como mesmo assim eu tirei nota máximo, acho que foi pouca coisa. De qualquer forma, com o resultado do projeto e a nota final, eu fechei o semestre com 10 em todas as disciplinas que envolviam o TCC e pude entrar de férias. •
Agosto, 2020 Nesse ponto, eu só sabia que eu ainda queria produzir um livro-reportagem,
mas não sabia como seria a capa, nem o título, nem nada. Eu tinha em mente como eu queria a ordem da história. Pensei em fazer uns 15 capítulos. Nos primeiros, eu queria abordar o passado dos escritores e a vida pessoal deles. Depois, a ideia era falar sobre as obras e o que produziam atualmente e, por último falar sobre o impacto que a pandemia gerou neles. Quando apresentei essa ideia para o professor nas primeiras orientações, ele disse que havia muitos capítulos e que era necessário ser menos e que o começo não estava interessante o bastante, que seria melhor começar falando sobre a pandemia.
123 Logo no início das orientações, o professor havia dito que o mês de setembro seria para fazer pesquisar, agendar entrevistas e entrevistar as pessoas. Outubro seria para escrever e novembro também, assim como a parte de editoração. •
Setembro, 2020 Quando entramos no mês de setembro, eu “fui a campo”, digamos assim,
porque ainda estávamos em pandemia, tendo que ficar obrigatoriamente em casa e, eu não pude entrevistar ninguém presencialmente. Logo, as aulas ainda estavam acontecendo em EAD. Comecei minhas pesquisas por autores independentes que eu pudesse entrevistar, ao mesmo tempo em que tentava pensar em como organizar meu livro. Nas orientações, eu sempre apresentava formas diferentes de como eu gostaria de fazer o livro, mas nenhuma ideia era boa o bastante e eu sempre tinha que reformular. O professor me indicou umas fontes que eu poderia entrevistar e que dariam ótimos personagens do meu livro, como o poeta Lucas Afonso. Eu procurei sobre ele, li muitas coisas, formulei perguntas, encontrei o número do Whatsapp dele e mandei mensagem. Não houve retorno durante dias, então eu mandei um e-mail, mandei mensagem no chat do Instagram também, do Facebook e nada. O professor também me indicou o Rubenildo Limeira e até me passou o contato. Ele foi mais acessível e, assim, realizei minha primeira entrevista, mas por mensagem, no Whatsapp. Antes de tudo, agendei um dia e horário que fosse melhor para ele e consegui a entrevista. Lembro-me também de ter marcado uma entrevista com a escritora Elizandra Souza no mesmo dia, mas em horários diferentes. Porém, o Rubê acabou se atrasando um pouco para a entrevista, que era às 16h e só pude realizá-la às 17h. Enquanto estava entrevistando o Rubê por áudios no Whatsapp, deu o horário de conversar com a Elizandra e eu sabia que também era o único horário que ela tinha. Então, eu abri uma página do Whatsapp no notebook e ficou com a outra aberta no celular. Passei a entrevistar os dois ao mesmo tempo. Foi muito corrido e os áudios eram longos, mas eu não podia perder aquela oportunidade.
124 Teve um momento em que a Elizandra parou de responder e ficou várias horas sem dizer nada. Quando ela voltou, acabou encerrando a entrevista e não quis dar continuidade, não sei porquê. Talvez ela tivesse achado que acabou, ou coisa parecida. Mas, mesmo assim, não se opôs a ter a entrevista no livro-reportagem, pelo contrário, ela disse que gostaria de ler quando estivesse pronto. Quando contei ao professor que entrevistei o Rubê e a Elizandra, ele pediu detalhes de como foram as entrevistas e depois disse que eu deveria tentar uma chamada de vídeo, para tornar o livro mais vivo e me perguntou se eu havia conseguido falar com o Lucas. A resposta foi não, porque realmente ele nunca me retornou. Então, meu orientador pediu que eu continuasse insistindo e que eu voltasse a falar com o Rubê para pedir mais detalhes sobre o livro dele “Imagine como eu”. Depois, quando voltei a falar com o Rubê, ele não sabia me passar as informações que eu precisava sobre o livro e me recomendou que eu conversasse com Paulo César Marciano, até me passou o contato dele, mas eu ainda demorei a entrar em contato com ele. Eu também tentei falar com pessoas que tivessem uma editora própria e consegui conversar com o Henrique Moraes, criador da Corvus. Porém, ele não aceitou me dar a entrevista por chamada de vídeo e nem por áudio, apenas por mensagem. Eu optei por não utilizar a entrevista com ele, porque não tem história, não teve nada demais e a editora dele não chegou a publicar nenhum livro, somente alguns contos de fantasia na internet. Lembro-me de encontrar nas minhas pesquisas a Mel Duarte, uma escritora negra da periferia de São Paulo que participava de movimentos literários e mandei um e-mail para ela. Pelas coisas que pesquisei, parecia uma ótima fonte e que ela teria ótimas histórias para contar. No entanto, um dia depois, recebi uma resposta mandada pela assessora dela querendo que eu comprasse os livros da autora em troca da entrevista. Acabei nem aceitando e desisti da entrevista. Depois desse episódio, eu lembrei do Paulo César Marciano, a fonte que Rubê Limeira me indicou e entrei em contato com ele. Consegui agendar uma entrevista para um sábado, pela manhã, porque era o único período disponível dele. Dessa vez, eu resolvi tentar uma chamada de vídeo.
125 No sábado, às 9h, entrei em contato com ele pelo Whatsapp e resolvi que faria a chamada de vídeo pelo aplicativo. Sendo assim, eu preparei o gravador de tela que havia baixado e liguei para o Paulo César. Quando ele atendeu, fizemos uns testes para ver se o vídeo estava bom e se daria certo realizarmos a entrevista dessa forma e estava ótimo. Durante a entrevista, ele falou tanto sobre a editora que fundou, sobre a vida dele, sobre os projetos, sobre o Itaú Cultural. E eu fiquei muito empolgada com aquela entrevista porque era a melhor que eu já havia tido até aquele momento e também era algo inovador para o entrevistado porque ele afirmou depois que aquela era a primeira vez que realizava uma chamada de vídeo. A entrevista durou cerca de 1h30min e, quando acabou, resolvi olhar a gravação e tomei um susto tremendo quando cliquei nela. O áudio não funcionava, estava tudo mudo, sem som. Depois acabei descobrindo que o gravador só gravou a tela e não o som, porque o modo de gravar sons internos não estava ativada e eu não havia percebido. Depois, eu o ativei e gravei algo no Youtube só de teste, mas mesmo assim, o som não saiu. Particularmente, foi estranho, porque quando eu usei o gravador no semestre anterior para gravar o seminário de delimitação temática, ele estava ótimo e funcionava bem. No entanto, naquele dia ele falhou e eu entrei em desespero, comecei a chorar, fiquei com dor de cabeça e resolvi tirar um cochilo para me acalmar mais e pensar no que fazer. Quando acordei, não havia jeito. Eu queria muito aquela entrevista. Se tivesse sido algo ruim, eu nem insistiria, mas foi muito boa. Por isso, mandei mensagem para o Paulo César no mesmo dia pedindo desculpas e explicando o que aconteceu, mesmo com medo de ele não aceitar me dar uma nova entrevista. Para minha surpresa, ele foi muito compreensivo e marcamos um novo horário, para segundafeira, pela manhã. Ele até me sugeriu alguns aplicativos de chamada em vídeo que eu poderia utilizar, como o Zoom. Sendo assim, eu instalei esse aplicativo no meu celular e descobri que só gravava as videochamadas se eu tivesse a versão premium, que era paga. Então, eu fui pro notebook e instalei o aplicativo lá e também não deu certo, porque os vídeos saíam todos sem som. Depois eu descobri que o problema era o microfone do meu notebook, que não funcionava. Após esse episódio, eu tentei utilizar outros aplicativos de videochamadas, mas nenhum dava
126 certo, acabei frustrada e desisti dessa ideia. O único jeito que encontrei para nunca mais perder nenhuma entrevista foi em conversas normais pelo Whatsapp, com os entrevistados somente gravando áudio. Na segunda-feira, realizamos a entrevista novamente, mas por áudio e ele me deu basicamente as mesmas respostas da entrevista anterior. E, logo em seguida, eu já fui transcrever. Aproveitei também para fazer isso com as entrevistas da Elizandra e do Rubê. Quando fui para a próxima orientação, eu estava empolgada por finalmente conseguir uma fonte forte o bastante para o livro-reportagem. Contei ao professor sobre o Paulo César Marciano e, de alguma forma, ele continuou acreditando que não havia uma história forte o bastante e também me cobrou um sumário do livro, porque era algo que ainda não estava muito bem definida. O professor tornou a me perguntar sobre o Lucas Afonso e eu ainda não havia conseguido entrevistá-lo. Ele até me disse para marcarmos um horário, mas quando eu respondi tentando combinar algo, ele não respondia mais. O resultado foi que eu nunca consegui entrevistá-lo, acabei desistindo dele. Por fim, a estrutura do meu livro acabou definido em três capítulos: um sobre autores de livro impresso; outro sobre os de e-books e um sobre políticas públicas, porque o professor disse que precisava ter. O professor também me alertou para o fato de que precisava ter algo no livro sobre financiamento coletivo, porque a banca me questionaria se não tivesse. Um outro fato para o qual o professor me chamou atenção é que ainda não havia nenhum escritor que publicasse livro digital no meu livro e eu precisava desse personagem, porque, querendo ou não, o e-book é um dos assuntos mais fortes do meu tema. Mas depois, fiquei pensando “Como eu vou encontrar escritores independentes que morem na cidade de São Paulo e ainda publiquem somente ebook?” Parecia uma tarefa extremamente difícil. Foi aí que eu lembrei que eu participo de um grupo no facebook chamado “Sociedade dos Escritores Vivos” e entrei lá para tentar encontrar fontes nos membros. Acabei encontrando um item que se chama “mais perto de você”, que é o local onde estavam membros do grupo que moravam próximos a mim e havia muita gente. Eu entrei no facebook de todos eles
127 para verificar se moravam mesmo na minha cidade e mandava mensagem no chat. No mesmo dia, eu entrei em contato com cerca de 15 escritores. Conforme os autores foram respondendo, eu agendava entrevistas. Agendei umas oito. Teve algumas pessoas que disseram não serem escritoras e que só estavam no grupo por estar mesmo, por isso acabei nem agendando nada. Mas de qualquer forma, eu fiquei feliz e esperançosa porque finalmente meu livro ia decolar, tanto é que na orientação, contei ao professor sobre as entrevistas que havia marcado. Porém, ele disse que o prazo estava apertado e meu livro nem havia começado a ser escrito ainda e até perguntou se não era melhor eu fazer uma reportagem extensa para site, porque era menor e não havia problema em mudar de formato, essas coisas aconteciam, mas eu insisti que a ideia do livro-reportagem ia dar certo, porque depositei as esperanças nas entrevistas que faria nos próximos dias. Sendo assim, o professor disse que se na próxima orientação eu ainda não tivesse nenhum capítulo escrito, ia ter que mudar o formato do meu trabalho para reportagem extensa de site. Mais tarde, naquele mesmo dia, eu entrevistei o escritor Ailton Sena. Devido ao fato de ele trabalhar muito, ele disse que só tinha horário disponível quando chegasse em casa, por volta de 23h. Sendo assim, eu comecei a entrevistá-lo e acabou sendo uma das melhores entrevistas que já tive e nele eu vi o personagem perfeito, ideal para meu livro. Essa entrevista se estendeu por muito tempo. Era 1h da manhã e ainda estávamos conversando, eu estava caindo de sono e resolvemos continuar no dia seguinte, porque precisávamos dormir. Na sexta-feira, eu havia marcado entrevista com Andreas Chamorro, às 14h e assim foi. Também gostei demais de conversar com ele e pude perceber o quando o escritor ama literatura, até senti que havia esperança de o Brasil se tornar um país de pessoas que amam ler e que valorizassem mais a literatura brasileira. A entrevista com ele acabou quase 17h. No mesmo dia, às 23h, eu retomei a entrevista com o Ailton Sena e finalizamos quase 1h da manhã. Tivemos uma boa interação e ele se mostrou muito amigável.
128 Era uma segunda-feira quando entrevistei Sandro G. Moura e não foi uma entrevista muito interessante, por isso, no livro, eu só coloquei as partes que ele fala sobre financiamento coletivo, porque era algo necessário no meu livro. Na quarta-feira, entrevistei o Adriano Batista, um especialista em Mídias Digitais que também foi indicação do professor. Ele me deu respostas um tanto reservadas, mas que deu para colocar no livro. Durante a semana, enquanto realizava essas entrevistas, eu também foquei em escrever o capítulo que falava sobre o livro impresso e, para minha surpresa e felicidade, deu muitas páginas. •
Outubro, 2020. Depois de terminar o capítulo sobre escritores do livro impresso, eu o enviei
para o professor e logo obtive a resposta. Eu imaginei que ele não iria gostar, mas fiquei surpresa. Ele me parabenizou e fez uns apontamentos no documento. Na próxima orientação que tivemos, contei sobre as entrevistas que realizei e já estava escrevendo o capítulo sobre escritores do livro digital, depois de um longo período transcrevendo as entrevistas que, inclusive, passei a utilizar uma ferramenta de digitação pro voz no Google Drive, porém, nem sempre era útil. Muitas vezes, eu tinha que ficar repetindo o que a fonte disse nos áudios porque o captador de voz não conseguia transformar em um texto coerente. Além do mais, nessa fase do trabalho, eu já havia pegado o notebook emprestado do meu namorado, porque o dele é melhor, tanto a entrada quanto a saída de som são boas. Antes disso, nem as orientações eu conseguia participar direito. Meu professor me ligou no celular umas três vezes porque eu não conseguia utilizar o microfone do meu notebook, por isso, realizávamos as orientações dessa forma. Eu nunca gostei, porque detesto falar no celular e ainda mais em chamadas pelo Whatsapp, porque nem sempre dá para ouvir direito o que a outra pessoa está falando. Além do mais, eu não conseguia gravar as chamadas, então tinha apenas que anotar coisas. Quando peguei o notebook emprestado, pude realizar as orientações normalmente e gravei todas elas com o gravador de voz do meu celular, para poder consultar o que o professor dizia e não me perder ou esquecer.
129 Nesse mesmo mês, eu precisei me ausentar de duas orientações, por causa de falhas na internet e, quando eu consegui participar, era praticamente no final do mês e o professor já estava querendo o livro com todos os capítulos. Eu ainda precisava escrever um sobre políticas públicas para escritores iniciantes e uma introdução para contextualizar o ambiente pandêmico no qual estávamos vivendo e situar o leitor. Eu perguntava a todos os entrevistados sobre como a pandemia afetou suas vidas e, na hora de encaixar as entrevistas nos capítulos, eu fazia anotações nas transcrições para separar os trechos que iriam em cada capítulo e, assim, fui me organizando. Quando terminei o capítulo sobre o livro digital, aproveitei e escrevi logo a introdução, para mandar tudo junto para meu orientador. Depois de enviar, comecei a pesquisar sobre como faria o capítulo sobre políticas públicas. Era numa quinta-feira, quando tive outra orientação e meu professor perguntou sobre os capítulos. Eu afirmei que havia mandado tanto do livro digital quanto a introdução, que ele abriu durante a orientação e se deu conta de que não havia lido nenhum dos dois. Ele argumentou que havia recebido bastante conteúdo dos alunos nos últimos dias e, por isso, acabou não percebendo que eu mandei bastante conteúdo. Nos próximos dias, eu entrei no site da Prefeitura de São Paulo, em busca de informações do porque de eles não estarem mais realizando os editais para novos escritores que começou em 2017 e foi até o ano de 2018. Tentei entrar em contato com a Secretaria da cidade e não consegui de jeito nenhum, nem por telefone, nem por e-mail, foi completamente inacessível. Tudo o que encontrei a respeito foi uma matéria realizada pela Folha de S. Paulo afirmando que a Prefeitura parou com os editais para investir em novas ações, como o Festival Mário de Andrade. Por não ter conseguido falar com nenhuma fonte da Prefeitura, eu lembrei que o Sandro G. Moura, além de escritor, havia me dito que era analista de negócios e trabalhava de forma terceirizada para a Prefeitura. Pensei “ele deve saber de alguma coisa”. Então, entrei em contato novamente com o escritor e perguntei sobre os editais. Ele afirmou não saber a resposta, mas disse que conhecia alguém que havia participado e ganhado um dos editais. Sandro me passou o contato e eu pude
130 entrevistar a pessoa que ele me disse. Para mim, foi uma grande surpresa e alívio, porque eu sabia que deveria entrevistar alguém que participou do edital, mas eu não sabia como encontrar uma fonte assim, pois, no próprio site da Prefeitura não tinha muitas informações e eu não encontrei nenhuma lista de selecionados. Após a entrevista com o escritor Thiago Lee, eu fui em busca de saber como funcionava o Festival Mário de Andrade, encontrei diversas matérias sobre o assunto, inclusive, no site da Prefeitura de São Paulo, havia um texto detalhando tudo sobre o evento, ocorrido entre os dias 4 e 6 de outubro de 2019. Eu acredito que esse ano não teve por causa da pandemia, festivais assim sempre reúnem uma aglomeração, por isso foi inviável. Mas pareceu algo interessante e, levando em consideração o que Thiago afirmou na entrevista, a ideia de realizar o festival me pareceu mais abrangente e inclusiva do que os editais haviam sido, embora ambos tivessem os mesmos objetivos de fomento à leitura. A partir dos dados colhidos com o escritor Thiago Lee e os dados colhidos nas matérias e site da Prefeitura sobre o Festival Mário de Andrade, comecei a escrever o capítulo sobre políticas públicas. Também falei um pouco sobre o Programa VAI, pois a escritora Elizandra Souza conseguiu fundar o coletivo Mjiba graças ao programa. Também falei um pouco sobre o RUMOS, do Itaú Cultural, mesmo que não seja algo específico da cidade de São Paulo, achei importante abordar esse programa também, pois foi a forma como Paulo César Marciano conseguiu fundar a Editora e Gráfica do bairro de Heliópolis. Além do mais, essas formas de políticas públicas não valem somente para o ramo da literatura, mas para produções culturais de modo geral. •
Novembro, 2020 Na primeira semana de novembro, eu já havia escrito o capítulo sobre
políticas públicas e mandei ao professor por e-mail. A essa altura, eu reuni todos os capítulos do livro, incluindo a introdução em um só documento para ver quantos caracteres tinha dado. O mínimo que precisava ter era 80 mil. Meu livro já estava com 120 mil e fiquei muito feliz. Na orientação, o professor começou a falar sobre os processos gráficos e colocou um dos capítulos do meu livro no Indesign e foi me
131 mostrando e me perguntando como eu queria definir algumas partes, como margem, fontes, fio data, etc. Depois, ele me enviou o arquivo junto com a correção dos capítulos que eu havia lhe enviado. Fiz uns ajustes nos capítulos, baixei o Indesign no notebook, porque até então, eu não tinha e por isso não conseguia nem abrir o arquivo que o professor me enviou. Depois de instalá-lo, pude abrir o arquivo que o professor me mandou e aproveitei para colocar o livro todo lá, com exceção da capa, que eu nem havia feito ainda. Eu poderia ter simplesmente enviado o livro para algum diagramador e revisor para que fizessem esse trabalho por mim, pois não afetaria minha nota. No entanto, eu decidi me responsabilizar por cada etapa da construção do meu livro, porque não tinha tempo e nem dinheiro para ficar procurando um bom profissional na área. E também tive medo de entregar meu livro a alguém e o resultado final não me agradasse. Sendo assim, eu mesma comecei o processo de diagramação e edição do meu livro. Confesso que não teve nenhum planejamento de como eu faria cada parte do design, o que eu fiz foi testar várias opções até achar uma que me agradasse. Além do mais, tive que quebrar a cabeça um pouco com o Indesign e, quando eu não sabia como realizar alguma função, ia no Youtube e encontrava alguns tutoriais que me ajudavam bastante. Conforme eu fui diagramando, começou a ficar mais fácil utilizar o programa. Inclusive, para colocar página no documento, foi muito mais simples do que no Libreoffice ou no Word. Era só dar dois cliques na Página Mestre, adicionar um “A” nos cantos das páginas direita e esquerda, selecionar, clicar com o lado direito do mouse, ir na função “inserir caracter especial”, depois “marcadores” e, por último, “primeira página”. Já no Libreoffice, era tanta burocracia envolvendo quebra de página e cabeçalho. Aproveitei também para escrever uma apresentação no meu livro, uma dedicatória, agradecimentos e sumário. Depois, eu precisava definir a capa. Na minha concepção, ia dar muito trabalho fazer pelo Photoshop, porque eu não tinha o programa e não sabia usá-lo muito bem. Aliás, nem ideias para a capa eu tinha direito, muito menos o título. No meu projeto de pesquisa, eu sugeri que o título do livro fosse “A história não contada
132 dos contadores de história”, mas naquela época, eu não tinha a definição de como seria o meu livro. Porque quando se está no planejamento, é uma coisa, mas quando colocamos as coisas em práticas, os resultados podem ser diferentes do planejado. No entanto, eu parei para pensar e decidi deixar o mesmo título, porque embora fosse um pouco abrangente, era exatamente disso que o livro-reportagem se tratava. O enredo era sobre histórias de escritores que eles mesmos não escreveram, pois o que amavam fazer era literatura e não haviam escrito autobiografias. Além do mais, o “não contadas”, dá um sentido de que foram histórias não divulgadas em lugar algum. No livro, embora alguns escritores tenham dado entrevistas a outros veículos e contado coisas que estão lá, tem muita história que não aparece em mais nenhum outro lugar. O diferencial é que eu coloquei o “autopublicação” antes, para dar uma ideia ao leitor desde o começo de que o livroreportagem era sobre isso. Para fazer a capa, eu entrei no aplicativo Canvas, pelo notebook, porque muita gente falava bem dele e parecia ideal. Eu já tinha uma ideia como eu gostaria que fosse a capa, mas ao entrar no Canvas, comecei a testar vários fundos e figuras. Inicialmente,eu pensei em um fundo bege, que lembrasse as páginas de um livro impresso, no meio eu colocaria um quadro branco e, dentro dele, estaria o título. Porém, não tinha como colocar um texto dentro do quadro e eu comecei a testar outras coisas. Tive a ideia de colocar uma imagem de alguém digitando em um notebook na parte inferior da capa e testei, ficou muito legal. Acabei fazendo várias capas até encontrar uma que gostasse mais, com a figura de mãos no notebook e alguns papeis e lápis ao lado. Com relação à fonte utilizada no título, eu fiz um teste com várias e queria muito colocar uma que fosse em “script”, em letra de mão, mas lembrei que o título, para ser atraente, precisa ser claro e de fácil leitura. Por isso, optei pela “Sweet Dreams”. Coloquei os nomes “não contadas” em vermelho para dar um destaque, estabelecendo um contraste com com o fundo e com a parte preta do nome do livro. Porque se tem uma coisa que eu aprendi com as aulas de design gráfico na faculdade foi que enquanto o fundo de uma capa for clara e limpa, as informações deveriam vir na frente e deveria ter essa relação de contraste. Não é legal um livro com fundo cheio de desenhos, por exemplo, e um título forte na frente com cores
133 semelhantes aos desenhos, porque uma coisa anula a outra e acontece o que chamamos de “poluição visual”. Por isso, me pareceu conveniente e necessário que o título fizesse contraste com o fundo e com ele mesmo, ao colocar algumas partes em vermelho enquanto outras estavam em preto. Eu também pensei “o leitor vai se atrair por causa do título que está em evidência, depois vai olhar o desenho com folhas e notebook e, ao olhar para o fundo meio amarelado, vai lembrar do livro impresso, com certeza, ele vai querer ler”. Depois de vários testes de capa, comecei a mandá-las para alguns amigos meus que são leitores, para fazer uma votação de qual havia ficado melhor. Todos eles gostaram mais daquelas que eu havia colocado um notebook. Por isso, resolvi deixar. Para montar toda a estrutura da capa no Indesign, precisei ver um vídeo no Youtube me mostrando como fazer isso e não achei tão difícil. Foi assim que eu decidi colocar duas orelhas, contracapa e uma lombada preta pequena, pois, andei pesquisando e, de acordo com as pesquisas, existia uma largura certa dependendo da quantidade de páginas do livro. Optei por colocar uma largura de 0,5 cm, pois o livro não ficou tão grande quanto eu esperava. Eu também não coloquei o título nela, porque não há espaço. Criei uma sinopse e coloquei na contracapa. Na orelha ao lado, coloquei uma foto minha e uma minibiografia e, na outra, coloquei uma sinopse mais estendida. Aprendi isso vendo meus próprios livros que tenho em casa. Várias funções eu realizei observando os livros que tenho. Depois de finalizado o livro, tive uma última orientação na qual, o professor me pediu que eu enviasse o arquivo completo para que ele desse uma olhada e, no mesmo dia, eu enviei. No dia seguinte, o professor me deu um retorno e me apontou algumas coisas que eu precisava consertar na diagramação do livro. Por causa da pandemia, o livro seria enviado ao professor somente por via digital, por isso, algumas coisas eu precisei adaptar para o ambiente virtual, em PDF. De qualquer forma, a diagramação para imprimir o livro também está completa. E essa foi a minha trajetória no decorrer de todos esses meses, cheia de altos e baixos, lutas e aprendizado. Eu dei o melhor de mim na confecção do livro-
134 reportagem e acredito que tudo pelo que passei valeu a pena e são experiências que jamais esquecerei.
135
ANEXOS
136 ANEXO – A
Fonte: IBGE - PNAD Contínua 2018 - Educação.
137 ANEXO – B
Fonte: IBGE - PNAD Contínua 2018 - Educação.
138 ANEXO – C
Fonte: Instituto Pró-Livro
139 ANEXO – D
Fonte: Instituto Pró-Livro