Universidade Cruzeiro do Sul Graduação em Jornalismo
ARIADNY BRITO DA SILVA
A CULTURA DO ESPORTE NAS COMUNIDADES
SÃO PAULO - SP 2019
Universidade Cruzeiro do Sul Comunicação Social - Jornalismo
Ariadny Brito da Silva
A CULTURA DO ESPORTE NAS COMUNIDADES
Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentada ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo sob a orientação do Profº. Me. Luiz Vicente.
SÃO PAULO - SP 2019
Ficha Técnica/Catalográfica Brito, Ariadny A Cultura do Esporte nas Comunidades / Ariadny, Brito. – São Paulo, 2019; Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Universidade Cruzeiro do Sul, Curso de Jornalismo, São Paulo, 2019. Orientador: Profº.Me. Luiz Vicente
Resumo A Revista, “Esporte na Quebrada” pretende mostrar a descoberta do esporte por crianças e adolescentes de 14 a 17 anos nas comunidades de São Paulo. O conteúdo tem algumas das seguintes finalidades sociais: mostrar a responsabilidade comercial sobre as experiências esportivas no Brasil e incentivar a prática da persistência em sonhar. Está destacado a fábrica inesgotável de talentos que o nosso país tem, mas ao mesmo tempo a dificuldade que é se tornar um jogador(a) de futebol por conta da divisão de classe social, faixa etária e até mesmo pelo gênero sexual. O campeonato da Taça das Favelas – São Paulo 2019 foi uma oportunidade de promover a integração das comunidades, a ressignificação do território e o fortalecimento da autoestima da juventude das favelas. A intenção primordial é mostrar o esporte unindo, o que a sociedade separa.
Palavras Chaves: 1. Jornalismo Esportivo. 2. Esporte. 3. Adolescentes e Jovens. 4. Cultura Educacional 5. Comunidade
DEDICATÓRIA Primeiramente a Deus por ter me sustentado até o fim. Aos meus familiares, especialmente meu pai e minha mãe pela dedicação, empenho, educação e investimento nos meus sonhos; a minha irmã pela companhia e alegria; ao meu noivo pelo apoio incondicional; aos meus amigos, pela paciência, incentivo e inspiração; as todas modalidades de esporte, destacando o futebol; e aos meus professores, pelo esforço dedicado à formação de novos jornalistas.
AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Alexandre e Akeimy pela dedicação em me educar, me incentivando a lutar pelo o que eu sempre quis. por me mostrarem o certo e errado, porém permitindo que eu descobrisse a melhor direção a prosseguir. À minha irmã, Ariely que justo na reta da final do meu curso partiu para alguns quilômetros de distância rumo ao sonho dela, me dando mais motivos para se alegrar e me inspirar na conclusão do meu. Ao meu noivo, Wallace pelos quase 6 anos de apoio em todas as áreas da minha vida, sempre me ajudando a suprir todas dificuldades, desde a escolha do curso, até a duração, e finalização dele. Às minhas melhores amigas, que não se faz necessário citar nomes, pois cada uma delas sabem o quanto foram importantes nessa minha trajetória, com lágrimas na vitória, e glórias na derrota. viveram comigo todo esse tempo com muita ousadia e alegria, e toda essa energia sempre me deu forças para concluir o que eu comecei. Em especial, a Thalyta Silva minha amiga e irmã, e a Dona Rosa Alice, minha querida avó que ambos não se fazem mais presentes aqui na terra, porém certamente estariam felizes com os passos que estou dando em direção ao meu sonho. Ao meus Avôs, Alexandre e Maria, Francisco e Helena, por sempre me mostrar que independente das condições financeiras, o que é feito com amor, sempre vence. Aos meus melhores amigos da faculdade: Aline, Dominique e Leonardo, pela união e dedicação em sempre fazermos o melhor em todas as pautas. Aos professores de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul pela didática nesses 4 anos a cada um de seus formandos. E por último, e não menos importante, toda área que abrange a Comunicação Social, por ampliarem meu conhecimento. E ao Esporte, por permitir que pudesse unir duas paixões em um só contexto.
SUMÁRIO
DESENVOLVIMENTO DO PROJETO DE PESQUISA ........................................ 1 Introdução ....................................................................................................... 8 2 Objetivos ......................................................................................................... 9 3 Problematização e Hipóteses ....................................................................... 10 4 Justificativa .................................................................................................... 11 5 Plano Estratégico .......................................................................................... 12 5.1 Descrição do Produto ..................................................................... 12 5.2 Estratégia Para Definição do Layout ............................................. 12 5.3 Público a ser atingido ..................................................................... 14 5.4 Referencial Teórico ......................................................................... 15 5.5 Referências ...................................................................................... 17 5.6 Cronograma ..................................................................................... 18 5.7 Investimento .................................................................................... 19 6 Apêndices ...................................................................................................... 20 6.1 Pautas .................................................................................................... 20 6.2 Fotos ...................................................................................................... 23 7. Diário de Campo ........................................................................................... 29 8. Anexos .......................................................................................................... 31 8.1 Fotos Jonathan Paixão. ....................................................................... 31 8.2 Fotos Arquivo Pessoal – Cauã Aguiar ................................................ 37 8.3 Fotos Perfil Taça das Favelas .............................................................. 38
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1 INTRODUÇÃO Este projeto tem a intenção de ver o esporte não só como um benefício financeiro, mas sim cultural e educacional. A Revista intitulada como “Esporte na Quebrada” com o tema base sobre Cultura do Esporte nas Comunidades” pretende mostrar a descoberta do esporte por crianças e adolescentes de 14 a 17 anos nas comunidades. Organizada pela Central Única das Favelas – CUFA, a Taça das Favelas é o maior torneio de futebol de campo entre favelas do mundo! Ao todo, mais de 100 mil jovens participam da competição, que se inicia nas peneiras internas nas comunidades até a grande final, que em São Paulo, foi realizada no Estádio do Pacaembu no dia Primeiro de Junho. A competição visa contribuir para a promoção da inclusão social através do esporte, influenciando positivamente a realidade de crianças e jovens brasileiros. Uma oportunidade de promover a integração das comunidades, a ressignificação do território e o fortalecimento da autoestima da juventude das favelas. Como foco principal deste trabalho, me aprofundei na história da equipe do Jd. Peri, bairro da zona norte de São Paulo, pertence ao distrito de Cachoeirinha, foi fundado no dia 7 de maio de 1951, do desmembramento de terras de Peri Ronchetti. A partir de entrevistas e visitas à localidade, levantei dados capazes de demonstrar por onde essas crianças descobrem o esporte, como começam nele, e para onde vão com ele? Levando em consideração que esse sonho começa não apenas com meninos, mas também com meninas que passam até por um processo maior de descoberta e aceitação. Essa situação de preconceito com a prática de esporte pelas mulheres aparentemente tem tido uma nova visão de aceitação social.
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2 OBJETIVOS •
GERAL:
O objetivo desse trabalho é desenvolver um projeto gráfico-editorial de caráter jornalístico
em
formato
de
reportagem
extensa
em
revista.
Propondo uma investigação no que se diz a respeito da adesão do esporte nas comunidades por crianças, jovens, adolescentes, meninos e meninas, destacando a fábrica inesgotável de talentos que existe em nosso país, e ao mesmo tempo a dificuldade que é se tornar um jogador(a) de futebol por conta de existentes divisões de classe social, faixa etária e até mesmo pelo sexo. •
ESPECÍFICO
Conhecer a história de jovens e adolescentes que fossem atletas e fãs de práticas esportivas e no início de carreira vivessem através do incentivo de projetos educacionais que os ajudam na realização do sonho em se tornar jogador e jogadora de futebol.
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3 PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES
A problematização da pesquisa envolve crianças e jovens que aceitem participar desta reportagem e sejam residentes de comunidades, sendo uma delas o Jardim Peri, em São Paulo. Identificando antes de existir o talento deles no futebol a hipótese de por onde as crianças descobrem o esporte, como começam nele, e para onde vão com ele? Os resultados da problematização foram diversos. Contamos a história do Cauã Aguiar, que cresceu em barraco, com pais usuários de droga e hoje consolidou sua carreira no futebol e através disso mudou o rumo de vida da sua família. Também conhecemos o caso da Mineira, que saiu de Catuti em Minas Gerais, para vir a São Paulo e tentar uma vida profissional, até que os planos mudaram e acabou se profissionalizando na sua paixão, no futebol. Conhecemos até a Angélica, que é mãe, e achou no futebol um socorro para criação do seu filho, e esse mesmo socorro salvou sua alma da depressão. Ou seja, descobrimos no futebol um outro lado de jogo.
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4 JUSTIFICATIVA “Como o futebol deixou de ser um simples jogo e elemento de distinção das elites e se tornou o esporte mais famoso do mundo?” (Freixo, de Adriano – Futebol o Outro Lado do Jogo) Esta pesquisa tem como justificativa mostrar à proporção que o esporte tomou a partir do crescimento da participação de meninos de comunidades que puderam mostrar em seus talentos e habilidades. O Esporte para esses meninos e meninas vai além de um hobby, é cultura, é educação. O então conhecido campeonato de várzea não une apenas crianças, e sim famílias, necessidades, caridade, sonhos em busca de gerar realidade. Com isso, a Taça das Favelas se tornou mais uma oportunidade de estimular as comunidades a produzir este sonho. De acordo com a divulgação feita, na edição de São Paulo o campeonato recebeu 2 mil inscrições de favelas, em torno de 40 mil jovens, sendo que 96 foram selecionadas por meio de um sorteio, com 64 equipes masculinas e 32 femininas. Após a seleção das favelas participantes, cada uma delas se organizaram para montar as peneiras de convocação dos jovens que formariam seus respectivos times. Então nessa ocasião que o projeto se aprofunda no acompanhamento da Favela do Complexo do Jd. Peri. Na coordenação pelo técnico João Parreira, que tem uma ong com o Projeto Social: “Futebol para todos” fundada em agosto de 2014. A fundação é um projeto sem fins lucrativos, voltados para crianças de 07 anos de idade até jovens de 20 anos. Hoje o projeto conta com 122 integrantes. A intenção principal é mostrar o esporte unindo, o que a sociedade separa.
5 PLANO ESTRATÉGICO
Destacar a fábrica inesgotável de talentos que o nosso país tem, mas ao mesmo tempo a dificuldade que é se tornar um jogador(a) de futebol por conta de uma divisão de classe social, faixa etária e até mesmo pelo sexo.
5.1 DESCRIÇÃO DO PRODUTO: Desenvolvimento de projeto gráfico editorial de caráter jornalístico no formato revista impressa. Esporte na Quebrada foi o nome intitulado para a revista com o intuito de promover a compreensão que a cultura esportiva desafia a sociedade residente nas comunidades de São
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Paulo. Na oportunidade o veículo é um meio de divulgar relatos de experiências e práticas desenvolvidas por adolescentes e jovens que sonham em ter uma vida bem-sucedida através do esporte. Dentre muitas estratégias retóricas de reportagens atuais, uma delas se destaca no Jornalismo de revista, o emprego das Figuras de Linguagem como formas de encantamento e persuasão. Ao mesmo tempo prático e poético, a reportagem pretende orientar, dar a conhecer, pensar, sentir e decidir. Há um trabalho estético, de criação de uma ambiência emocional, para que a argumentação e as proposições levantadas conquistem a aceitação e admiração do leitor. A intenção para nossa linha editorial é que parta do pressuposto de que todos e todas devem compreender o conteúdo a ser transmitido. Os fatos narrados devem ser de interesse geral, evitando assuntos que sejam de pouca relevância para a sociedade. E que acima de tudo, tenha a simplicidade, com termos aceitos no registro formal da língua. A mensagem deve ser transmitida de maneira clara, a fim de que sejam evitadas diferentes interpretações e possíveis dificuldades do leitor em compreender aquilo que está sendo dito ou lido
5.2 ESTRATÉGIA PARA DEFINIÇÃO DE LAYOUT: A ideia de criação de uma revista de segmento próprio foi com a intenção de contar histórias com uma linguagem informal e interpretativa emocional, com imagens foto jornalísticas relacionadas a cada uma das matérias. Primeiramente com uma abertura introdutória de fala do editor resumindo a ideia do projeto. Logo após vem as matérias que foram pautadas e classificadas na apresentação da CUFA organização brasileira que funciona como uma Central Única de Favelas que contém diversos projetos sociais, esportivos e educativos. Em seguida é contado o caso de uma das muitas favelas aqui de São Paulo que foi beneficiada através da adesão de um dos projetos da Cufa, sendo ela a favela do Jardim Peri no projeto esportivo nomeado de “Taça das Favelas”. Como o tema tem o intuito de explorar a luta de classe e divisão social, também mostramos a luta de diferença de gênero e a crescente que vem tendo, sendo essa a luta do empoderamento feminino citando três exemplos de mulheres que desafiam a representatividade feminina dentro do esporte. Como resultado, também é mostrado o que uma ocasião como a Taça das Favelas proporcionou de visibilidade e oportunidade a juventude das periferias da cidade de São Paulo. Por último, e não menos importante a apuração de uma pesquisa que
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foi realizada em online em busca de dados e opiniões de um possível público que seja alvo de interesse do tema proposto. Todos esses conteúdos apesar de serem editoriais separados se complementam como um todo. Segmentada na área de Esporte, o produto disponibiliza 24 páginas com reportagens, notícias, entrevistas, fotografias e infográficos. A identidade visual da revista é de aplicação acessível a realidade contada. Uma única imagem centralizada em papel couchê A4 na capa. Como capa temos uma foto de registro de minha própria autoria, em que enfoque se encontra uma bola de futebol, e sobre o fundo em desfoque meninos e meninas sentados em um campinho de várzea dentro de uma favela, exclusivamente a do Jardim Peri. As cores usadas no layout são verde, branca e preta. O verde é destaque retratando em especial os campos de futebol, principalmente no logo do nome da revista, onde foi utilizada a fonte Lora, uma fonte mais arredonda. Além da ligação com a letra Q e O como demonstração de uma bola de futebol. A fonte usada para os títulos foi a Impact, justamente pela questão de impacto que transmite. Já para os textos foi a Tinos, por também ter essa tipologia arredonda.
5.3 PÚBLICO A SER ATINGIDO: O público alvo são pessoas que vivem, ou viveram histórias semelhantes as contadas, sendo elas ex ou residentes de comunidades, favelas e periferias de São Paulo, e ao mesmo tempo querendo atingir o público de uma classe maior, para se conscientizarem de vidas que vivem ao redor delas, porém só não tiveram a mesma oportunidade de provar suas respectivas capacidades de serem melhores, e poderem viver melhor. As revistas serão oferecidas ao mercado brasileiro com valores acessíveis e linguagem coloquial para identificação com o conteúdo.
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5.4 REFERÊNCIAL TEÓRICO: Para que o presente objeto de pesquisa tenha amparo teórico, faz-se necessário conhecer a história do futebol e das comunidades; o público e a sociedade que se vive; e o impacto da comunicação nesse meio. Falando sobre o conceito ampliado do esporte e seu processo de globalização tratamos com a leitura do livro ‘Esporte e Sociedade’, obra de Aldo Antônio de Azevedo, Alfredo Neres Neto, Luis Otávio Teles Assumpção e Paulo Roberto Corbucci. É abordado o modelo de espelho que o esporte tem sido há algum tempo sobre as relações sociais, compreendendo que o esporte deve trazer uma reflexão da sociedade que possibilita o entendimento dele ser um fenômeno social, não apenas como veiculador ideologias, mas também sendo um campo para que haja questionamentos e transformações sobre essas relações sociais. Desse modo, às práticas esportivas são incorporadas pelos trabalhadores, de um lado, em atendimento às reivindicações de classe e, de outro, em virtude dos interesses burgueses, que identificaram o esporte como veículo de transmissão de valores – respeitabilidade, responsabilidade -, tão necessários à harmonia entre as classes e ao consequente desenvolvimento capitalista. (COLEMAN, p. 30)
Como pode ser destacado, o Esporte sempre passou por uma luta contra o preconceito de classes, e na obra de Jorge Balán, org ‘Centro e Periferia no Desenvolvimento Brasileiro’ foi abordado que no início de toda essa divisão já estava bem claro não seria uma boa representação para a nação. Em outras palavras, a distribuição dos indivíduos em classes sociais terá forçosamente consequências quanto à possibilidade de adotarem com êxito a conduta “maximizadora” que caracteriza a concepção de homo politicus, anteriormente exposta, condicionando-lhes e limitando-lhes, em graus e formas diversas correspondentes às diferentes classes que participem, tanto os objetivos quanto os meios disponíveis para alcançá-los. (BALÁN, p. 210)
Ainda no livro ‘Esporte e Sociedade’ falam sobre o surgimento do esporte moderno, propondo um modelo teórico chamado de: ‘processo de civilização’. Trata-se de uma direção específica imposta no século XVI pelas classes sociais altas, na qual ditam condutas drásticas na prática esportiva. Devemos estar atentos para a tese do processo civilizador. Não se pode dizer, ensina Elias, que tal grupo é mais civilizado e que aquele outro é menos. O que se pode afirmar é que os padrões de conduta e de sentimentos da sociedade A são mais “civilizados”, e os da sociedade B menos “civilizados”, desde que se tenha elaborado uma medida de desenvolvimento clara e precisa. (ASSUMPÇÃO, L.O.T, p.44)
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O que teria então do Outro Lado do Jogo? O mesmo ser humano que assistiu pela primeira vez na televisão um jogo pode se tornar praticante. Assim como um praticante uma hora ou outra torna-se telespectador. Alguns conseguem estar dentro do jogo, lá no estádio, próximo de tudo, porém não transbordam essa fantástica sensação. Já outros se descolam através da influência da tecnologia a uma outra dimensão, mesmo que não estando presentes fisicamente. Adriano de Freixo na obra ‘Futebol – O Outro Lado do Jogo’ decide mostrar como o futebol deixou de ser um simples jogo e elemento de distinção das elites e se tornou o esporte mais popular do mundo. Mas e a Comunicação, como alcançou todas essas classes para que se tornassem telespectadores desse mundo esportivo, e lutassem para serem parte dele? Pierre Bourdieu conta Sobre a Televisão em sua obra seguido de ‘A influência do jornalismo e os jogos olímpicos’. Ao se insurgir contra o pouco espaço que a televisão concede ao pensamento crítico, Bourdieu luta para que esse extraordinário instrumento democrático não se converta em instrumento de opressão simbólica. O livro conta os bastidores de um estúdio, e a manipulação que existente, tanto política, como econômica. A econômica é maior ainda por tudo envolver anunciantes que pagam a publicidade e transmite uma manipulação ao público. O campo jornalístico impõe sobre os diferentes campos de produção cultural um conjunto de efeitos que estão ligados, em sua forma e sua eficácia, à sua estrutura própria, isto é, à distribuição dos diferentes jornais e jornalistas segundo sua autonomia com relação às forças externas, as do mercado dos leitores e as do mercado dos anunciantes. O grau de autonomia de um órgão de difusão se mede sem dúvida pela parcela de suas receitas que provém da publicidade e da ajuda do Estado (sob a forma de publicidade ou de subvenção) e pelo grau de concentração dos anunciantes. (BOURDIEU, p.102;103)
A influência do campo jornalístico tende a reforçar em qualquer outro campo os agentes e as instituições situados na proximidade do pólo. Podemos ver isso muito claro no mundo futebolístico dos dias de hoje. O empresário, o patrocinador, o dinheiro, tem sempre falado mais alto do que o talento. Mas, e a base raiz, como ela vem sobrevivendo? No livro ‘Cidadãos não vão ao paraíso’ de Alba Zaluar vai falar dos resultados sem qualidade na educação no que se refere a década de 80. Avaliam uma crítica a dupla redução por detrás de projetos que falta proposta pedagógica clara, de formação mais geral, por reduzirem a carência ou a desigualdade ao plano material e por reduzirem os direitos de cidadania aos direitos sociais. E através dessa crítica o livro vai falar justamente sobre a criação de um projeto esportivo, que mostrou a cultura do esporte como lazer, o esporte como pedagogia, e o esporte como saída profissional. O PRIESP foi um programa de iniciação esportiva da fundação Roberto Marinho desenvolvido a partir do final dos anos 70 em algumas cidades
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brasileiras, especialmente o Rio de Janeiro. Tinha por objetivo preparar futuros atletas e desenvolver o gosto pelo esporte nas camadas mais pobres da população. Porém a união da que eles chamavam “classe trabalhadora” com a convivência entre bandidos e “trabalhadores pobres” passou a gerar um preconceito e desconforto para essa classe mais alta que criticavam a segurança de seus filhos pela presença de “maus elementos”. Em alguns núcleos, como o do Estácio, havia indicações de que alguns pais viam o PRIESP como um centro que “só vão pivetes” ou “um lugar de mistura da ralé”, onde seus filhos podiam vir a conviver e a sofrer violência das más companhias. (ZALUAR, p.50)
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5.5 REFERÊNCIAS AZEVEDO, A. A.; FERES NETO, A.; ASSUMPCAO, L. O. T.; CORBUCCI, P. R. Esporte & Sociedade (Co-autoria). 1. ed. Montes Claros - MG: Unimontes, 2002. v. 1. 105p. BALÁN, org. JORGE. Centro e Periferia no Desenvolvimento Brasileiro. Difusão Europeia do Livro (DIFEL), Coleção Corpo e Alma do Brasil, 1974, 251 pp.
FREIXO, ADRIANO. FUTEBOL – O outro lado do jogo. 1. ed. Desatino, 2014. BOURDIEU, PIERRE. SOBRE A TELEVISÃO, seguido de a Influência do Jornalismo e os Jogos Olímpicos. (tradução de Maria Lúcia Machado). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1997, 143 pp. ZALUAR, ALBA. Cidadãos Não Vão Ao Paraíso. 1 ed. UNICAMP, 1994, 208pp. ADELMAN, Miriam. 2006. Mulheres no Esporte: Corporalidades e Subjetividades in Movimento, Porto Alegre, v.12, n. 01, p. 11- 29, janeiro/abril de 2006. STOLCKE, Verena. 1991. Sexo está para gênero assim como raça para etnicidade? Estudos Afro-Asiáticos, (20): 101-119, junho. BRAH, Avtar. 2006. Diferença, diversidade, diferenciação* In Cadernos Pagu (26), janeiro-junho: pp.329-376. COELHO, PAULO VINICIUS. Jornalismo Esportivo. 1 ed. 2003 SEQUEIRA DE MONTEIRO, CLEOFE. Jornalismo Investigativo. 1 ed. 2005 SCALZO, MARÍLIA. Jornalismo de Revista. 1 ed. 2003 PENA, FELIPE. Teoria do Jornalismo. 3 ed. 2015
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5.6 CRONOGRAMA
Atividades
Mar
Abr
Mai
Jun
Pesquisa do tema
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Definição do tema
x
Pesquisa bibliográfica
x
x
x
Coleta de Dados
x
x
x
Set
Out
Apresentação e discussão dos dados
x
x
Elaboração do projeto
x
x
Entrega do projeto
Jul
Ago
Nov
x
x x
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5.7 INVESTIMENTO
ITEM
QUANTIDADE
VALOR UNITÁRIO R$
TOTAL R$
Gravador de Áudio
1
ZERO
ZERO
Ingressos Para Taça das Favelas
1
CORTESIA
ZERO
Transporte
50
5,10
255
Alimentação
25
10
250
Revisão Profissional
1
300
300
Diagramação
1
110
110
Impressão da Revista
25
26
652
TOTAL
R$1.561
20
6 APÊNDICES 6.1 PAUTAS ASSUNTO: A cultura, o esporte, as comunidades, a CUFA. OBJETIVO: Conhecer a organização brasileira, suas ideias, projetos e benefícios que levam as periferias. FONTE: Celso Athayde - CEO da Cufa Brasil, produtor de eventos, sendo um desses a Taça das Favelas, e ativista social brasileiro, especializado em favelas e periferias. ENTREVISTA: 1 – O que é a Taça das Favelas? R: A Taça das Favelas é a comunhão de todos os jovens de favelas e periferias de todo país, estamos na décima cidade agora aqui em São Paulo. E o que a gente quer é isso, é integrar as pessoas com artes integradas, criando uma plataforma, e sobretudo uma agenda positiva para as favelas. 2 – Qual intuito da criação desse projeto? R: Quando se fala desse território geralmente se fala sobre tragédias, problemas, violências etc. O que a gente quer é que a pauta que fale na mídia sobre essas pessoas e territórios sejam coisas positivas. Não só sobre futebol, o futebol está sendo um fio condutor para um processo muito maior que envolva todos os tipos de cultura. Quer dizer que a revolução acaba de começar.
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Assunto: O Jardim Peri é futebol para todos OBJETIVO: Adentrar a favela do Jardim Peri em busca de conhecer a história de jovens e adolescentes que fossem atletas ou fãs de práticas esportivas, além de ser sonhadores, com incentivo de projetos educacionais que os ajudam na realização desse sonho. FONTE: João Parreira – Técnico e Fundador da ONG Futebol Para Todos na Favela do Jardim Peri. Cauã Aguiar – Adolescente de 18 anos e um dos primeiros a fazer parte da ONG Futebol Para Todos na Favela do Jardim Peri. ENTREVISTA CAUÃ AGUIAR: 1 – Desde quando você gosta de praticar esporte? R: Desde os meus 5 anos 2 – Jogador de futebol foi a profissão que você sempre sonhou em seguir? R: Sim 3 – Um craque nasce craque, ou ele pode ser moldado com a prática? R: Depende, alguns nasce com dom e outro vai através do trabalho e esforço! 4 – Como você entrou na ONG Futebol Para Todos? R: Através de um homem chamado João que trabalhava em uma loja que fui conhecer, e hoje considero como pai, e ele é para mim sim! Ele acreditou em mim e no meu potencial, através do futebol. 5 – Você viu alguma mudança no seu desempenho futebolístico desde quando passou a treinar na ONG? R: Claro, porque a ONG demostrou algo muito importante pra comunidade, é algo que faz diferença na vida de muitos jovens, crianças e até mesmo para pessoas adultas, e eu fui um deles, aprendi além da aquilo que eu sei que é o futebol, contudo ajudar o próximo em busca do seu sonho por meio do esporte e a educação. 6 – Sabemos que no Brasil muitas “crias de favelas” não recebem um olhar de aceitação e exemplo a ser seguido. Você já passou por algum desse tipo de preconceito? R: Sim, fui desprezado e desacreditado por muitos por ser morador de favela. 10 – “Só vira bandido quem quer, a escola está aí pra ensinar...” você acredita que esse seja o verdadeiro motivo de jovens e adolescentes que moram em comunidades irem para o mundo do crime? Ou dentro a coisa é mais estreita? R: Não, porque não só depende da escola, mas sim da mente de cada um, ou até mesmo da circunstância que passa um jovem dentro da sua própria família, precisa de coragem e determinação para querer uma vida melhor do que a sua própria realidade. 11 – Hoje você já tem um histórico de ter jogado na categoria de base de alguns clubes, quais seriam esses clubes? R: Red bull (06 meses), Corinthians (4 anos) e Votuporanguense atual. (06 meses).
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Assunto: A mulher e o empoderamento feminino no mundo futebolístico OBJETIVO: Visibilizar a história de lutas de meninas e mulheres que amam o futebol, com talentos e habilidades para a prática, porém sofrem o dobro de dificuldade em encontrar uma oportunidade em decorrência a atos de machismo e preconceito de gênero. FONTE: Débora – Atleta do ONG Futebol Para Todos no Jardim Peri Ana Karolyne – Artilheira da Taça das Favelas pelo Time do Complexo Casa Verde Angélica Santiago- Mãe e Atleta do Time Palmeirinhas de Paraisópolis
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6.2 FOTOS
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7 DIÁRIO DE CAMPO De início a única certeza era que meu tema seria relacionado a área de esporte. Foi quando na virada do ano de 2018 para a 2019 descobri até então na época sobre a futura realização do campeonato da Taça das Favelas em São Paulo e fui em busca da idealização e origem da competição. Por acompanhar a modalidade futebolística sei da pouca visibilidade que crianças de periferias tem, justamente por conta de seu local de residência ser local de preconceito na sociedade. E mesmo sendo um ambiente desvalorizado nas histórias de atletas profissionais brasileiros em sua maioria são de jogadores que passaram pela mesma trajetória e hoje são conhecidos pelo mundo a fora. Pegando essas histórias como exemplos fui procurar alguma favela de São Paulo que fosse relacionada a algum dos jogadores conhecidos, e então encontrei o Jardim Peri inscrito no campeonato da Taça das Favelas, Peri terra natal do então atual atleta brasileiro pelo Manchester City, Gabriel Jesus. Quem não conhece a história do menino que em 2014 pintava a rua com enfeites para a copa do mundo e em 2018 entrava em campo representando sua nação, pois bem, o que teria então de mais especial no Jardim Peri? Nessa minha inspeção encontrei o Projeto Social Futebol Para Todos, projeto na qual tem o idealizador, líder e técnico João Parreira a frente que formou a peneira para selecionar garotos que fossem representar a comunidade do Peri. Essa peneira foi quando tive o primeiro contato com a favela, contato que me trouxe mais inspiração e empolgação. Vi de perto a alegria de adolescentes, jovens, famílias e toda uma comunidade, e o quanto fazem valer aquele ditado que a união faz a força. Isso já era mês de março, prestes a entrar em abril quando iniciaria o campeonato da Taça das Favelas. Então em um desses treinos esteve presente para acompanhar o processo de integração do Time do Peri, o então fundador de todo esse projeto através da Cufa, seria ele Celso Athayde. Em um cumprimento de apresentação tivemos uma conversa e ele me deu abertura de ficar por dentro de tudo que fosse rolar na Taça das Favelas me chamando para ser parte da equipe de comunicação deles. Sem pensar duas vezes topei, pois seria a oportunidade de eu saber mais e mais de tudo que fosse ser realizado, e ainda agregar uma experiência curricular. De abril ao mês de junho estive presente em todos os fins de semana, acompanhando a desenvoltura do Jardim Peri na competição e às 9 rodadas da competição. Infelizmente o Jardim Peri só pode participar de 3, na terceira e última foi derrotado e desclassificado, mas isso não foi empecilho para os meninos do time, tiveram muitas oportunidades de mostrar suas habilidades durante o tempo que ficaram, e com isso surgiram olheiros interessados em alguns deles, e um dos exemplos foi o contado em entrevista na revista, o do Cauã Aguiar. Durante os treinos mesmo lhe surgiram oportunidades, foi quando nem pode participar por inteiro da competição. Prosseguindo no campeonato, por poder estar na equipe de comunicação tive o privilégio de conhecer outras histórias mais, foi quando surgiu a ideia da matéria feminina. As meninas citadas se destacaram em muito dos jogos, trazendo-me a curiosidade mais a fundo de suas vidas E um dos melhores momentos que pude viver foi a da grande final realizada no Pacaembu, onde o sonho daqueles meninos e meninas, famílias e diversos complexos
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de favelas puderam realizar, só de estarem lá assistindo e possivelmente pisando pela primeira vez em um estádio de futebol. Finalizada a cobertura jornalística em junho, prossegui para o alinhamento de como queria apresentar o projeto e continuei atrás de algumas pesquisas. Uma delas é a da matéria na revista intitulada de “Fala aí Nação”. Já que a Taça das Favelas trouxe muita repercussão na mídia aproveitei a ocasião para saber a opinião que o público que acompanhou tem com o assunto sobre o futebol de várzea, e aproveitar já para ter noção do alcance que esse tema traria. Um outro desafio foi tentar algum tipo de contato com o jogador Gabriel Jesus para aprimorar o projeto com uma história conhecida por todo mundo, e acrescentar informações históricas sobre ele relacionando a Favela do Jardim Peri. Apesar de muitas tentativas e até mesmo com alguns retornos não foi possível concluir essa pauta. O mês de setembro e começo de outubro foi um dos mais difíceis por questões financeiras, chegando até a pensar em desistir, não estava sendo possível nem o comparecimento as aulas, porém nos bastidores meu coração não me deixava parar e continue montando o conteúdo. No final de outubro, para início de novembro sendo reta final de diagramação me desafiei na criação de uma revista de segmento próprio. Tentei adequar a uma revista já existente, mas não me senti segura e feliz, então me desafiei mais uma vez a criar algo do zero, de layout, linguagem, e toda produção. Enfim me encontrei no Esporte na Quebrada. Este projeto foi construído com base em algumas aprendizagens, interesses e paixões pessoais. Entre elas, sobre o jornalismo esportivo, o seu mercado editorial e os leitores brasileiros. No âmbito jornalístico, houve também a aprendizagem sobre a construção de uma revista com reportagem extensa, aprimoramento na prática de entrevistas individuais e em metodologias de pesquisa coletivas, pretendendo que o produto experimental tenha do mesmo modo, uma das seguintes finalidades sociais: mostrar a responsabilidade comercial sobre as experiências esportivas no Brasil; e incentivar a prática. Por fim, espero que este trabalho atinja algum nível de reconhecimento público leitor no geral, com possível difusão em editoras brasileiras, inclusive através de publicação.
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8 ANEXOS 8.1 FOTOS JHONATAN PAIXÃO
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8.2 FOTOS ARQUIVO PESSOAL - CAUÃ AGUIAR
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8.3 FOTOS PERFIL TAÇA DAS FAVELAS