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RELATÓRIO METODOLÓGICO - BIANCA MIRANDA

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO

BIANCA MIRANDA SILVA

AS CONTRADIÇÕES ENTRE DISCURSO E AÇÃO DA SOCIEDADE A RESPEITO DO ECOLOGICAMENTE CORRETO: UM ESTUDO SOBRE A CUSTOMIZAÇÃO DO DISCURSO AMBIENTALISTA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

SÃO PAULO 2019


BIANCA MIRANDA SILVA

AS CONTRADIÇÕES ENTRE DISCURSO E AÇÃO DA SOCIEDADE A RESPEITO DO ECOLOGICAMENTE CORRETO: UM ESTUDO SOBRE A CUSTOMIZAÇÃO DO DISCURSO AMBIENTALISTA

Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo. Orientador: Prof. Dr. Nivaldo Ferraz.

SÃO PAULO 2019


DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais Gisele e Alecsandro, que me acompanharam e apoiaram durante esta trajetória, ao meu irmão Miguel Otávio, por me incentivar em muitos momentos e, por fim, ao meu namorado e grande amigo, Vinicius Rocha, que esteve ao meu lado nos melhores e piores momentos durante a produção deste projeto.


AGRADECIMENTOS

Agradeço a todos os que estiveram ao meu lado durante os últimos quatro anos, que me apoiaram e acreditaram que eu chegaria até aqui. À Profa. Dra. Regina Tavares de Menezes, por todo apoio e compreensão durante a escolha e estruturação do tema deste projeto. Ao Prof. Dr. Nivaldo Ferraz, que me orientou a escolher as melhores estratégias para desenvolver e concluir este projeto. Às minhas terapeutas, Jéssica e Amanda, pelos conselhos que me ajudaram a manter paciência em momentos difíceis. Aos melhores amigos que alguém pode ter: Darlan Helder, Rafaelly Alves e Isabela Valério Lins, por estarem ao meu lado, por acreditarem e me apoiarem durante cada etapa deste projeto. À turma de jornalismo de 2016/2019 da Universidade Cruzeiro do Sul, por me proporcionar bons momentos e aprendizados. A todos os mestres que tive a honra de conhecer e com eles aprender. Especialmente aos queridos, Miriam Meliani, Fábio Ciquini, Grego Henrique e Antônio Assiz. Ao meu supervisor de estágio, Alessandro Souza Simões, por me dar todo o suporte e apoio necessários para a conclusão deste projeto.


FICHA TÉCNICA

Bianca Miranda Silva: Graduanda em Comunicação Social – Jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul, Campus São Miguel Paulista. Atualmente cursando o 8º (oitavo) ciclo da graduação. Funções desenvolvidas: pauteira, repórter, redatora, produtora, fotógrafa e editora de texto, fotos e site.

Nivaldo Ferraz: Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação, formado pelo Programa Meios e Processos Audiovisuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (2001 e 2016). Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (1987). Atualmente, entre outras funções, atua como professor universitário na Universidade Cruzeiro do Sul. Função desenvolvida: orientador do Trabalho de Conclusão de Curso.

Marcelo Domingos: Radialista formado pelo Centro Universitário FIAM-FAAM (2017). Atualmente, atua como auxiliar de imagem e som no Polo de Comunicação da Universidade Cruzeiro do Sul, Campus São Miguel Paulista. Função desenvolvida: editor de vídeo.

Isabela Valério Lins: Estudante de Secretariado na Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Itaquaquecetuba. Função desenvolvida: modelo fotográfica.


RESUMO

A reportagem para portal digital, intitulada “Sustentabilidade para inglês ver: o discurso pró meio ambiente é um produto lucrativo”, apresenta o conceito de sustentabilidade e sua adaptação ao longo dos anos, tendo como objetivo identificar e apontar as principais causas do comportamento contraditório da sociedade ao que se refere ao termo ecologicamente correto. Além disso, foram apontadas algumas consequências do comportamento humano no meio ambiente a fim de causar incomodo e, deste modo, conscientizar o leitor a adotar práticas sustentáveis. Como base para a construção da reportagem, utilizamos pesquisas referentes à customização do discurso ambientalista e o comportamento humano pela ótica da psicologia cognitiva comportamental e dos estudos sobre consumo. Palavras-chave: 1.Sustentabilidade 2.Cultura do consumo 3.Comportamento humano 4.Discuso ambiental 5.Customização.


SUMÁRIO

A.

INTRODUÇÃO ................................................................................................ 13

B.

DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS ..................................................................... 15

C.

PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES............................................................ 15

D.

JUSTIFICATIVA .............................................................................................. 16

E.

PLANO ESTRATÉGICO ................................................................................. 18

F.

REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................. 21

F.1.

A importância da mobilização global a respeito da sustentabilidade ambiental21

F.2.

O consumo de imagens através da mídia e o impacto no comportamento da sociedade ....................................................................................................... 22

F.3.

O comportamento do indivíduo influenciado pelos grupos nos quais está inserido ........................................................................................................... 23

F.4.

A internet como formadora de opiniões e o Efeito Bolha ................................ 25

F.5.

Consumo sustentável e a customização do discurso ambientalista ............... 28

F.6.

As contradições de uma cidadania midiática vistas pela óptica da Teoria do Agendamento e Hipodérmica ......................................................................... 32

G.

REFERÊNCIAS .............................................................................................. 33

H.

CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO .................................................................. 37

I.

ORÇAMENTO ................................................................................................ 37

J.

APÊNDICES ................................................................................................... 38

K.

DIÁRIO DE CAMPO ..................................................................................... 101

L.

ANEXOS ....................................................................................................... 103


LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 – LOGOTIPO TAB .................................................................................. 19 FIGURA 2 – HOMEPAGE UOL TAB ........................................................................ 19 FIGURA 3 – SIMULAÇÃO DA REPORTAGEM PUBLICADA NO UOL TAB ............ 20 FIGURA 4 – INTRODUÇÃO DO FORMULÁRIO ...................................................... 60 FIGURA 5 – PERGUNTA 1 ...................................................................................... 60 FIGURA 6 – PERGUNTA 2 ...................................................................................... 61 FIGURA 7 – PERGUNTA 3 ...................................................................................... 61 FIGURA 8 – PERGUNTA 4 ....................................................................................... 62 FIGURA 9 – PERGUNTA 5 ...................................................................................... 62 FIGURA 10 – PERGUNTA 6 ..................................................................................... 63 FIGURA 11 – RESPOSTAS PARA PERGUNTA 1 ................................................... 63 FIGURA 12 – RESPOSTAS PARA PERGUNTA 2 ................................................... 63 FIGURA 13 – RESPOSTAS PARA PERGUNTA 3 ................................................... 64 FIGURA 14 – RESPOSTAS PARA PERGUNTA 4 ................................................... 64 FIGURA 15 – RESPOSTAS PARA PERGUNTA 5 ................................................... 64 FIGURA 16 – RESPOSTAS PARA PERGUNTA 6 ................................................... 65 FIGURA 17 – CAPA DA REPORTAGEM .................................................................. 80 FIGURA 18 – LIXO DESCARTADO IRREGULARMENTE ....................................... 81 FIGURA 19 – COLETA SELETIVA ........................................................................... 81


LISTA DE TABELAS

TABELA 1 – CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DO PRODUTO............................... 37 TABELA 2 – INVESTIMENTO DO PROJETO .......................................................... 37


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

HC

HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE SÃO PAULO

MIT

INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE MASSACHUSETTS

PDE

PLANO DIRETOR DE ESGOTO

SABESP

COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

TJSP

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

UNICAMP

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS


LISTA DE APÊNDICES

APÊNDICE I – PAUTA CRISTINA BONFIGLIOLI ..................................................... 38 APÊNDICE II – PAUTA SULEIMA JOLY RODROGUES .......................................... 39 APÊNDICE III – PAUTA FABIANA RORATO............................................................ 40 APÊNDICE IV – DECUPAGEM DE AUDIO E VIDEO ENTREVISTA COM A ENGENHEIRA FABIANA RORATO .......................................................................... 41 APÊNDICE V – TRANSCRIÇÃO DAS ENTREVISTAS ............................................ 44 APÊNDICE VI – FORMULÁRIO DO GOOGLE ......................................................... 60 APÊNDICE VII – PRIMEIRA VERSÃO DA REPORTAGEM ESCRITA ..................... 66 APÊNDICE VIII – FOTOS ......................................................................................... 80 APÊNDICE IX – PORTAL ......................................................................................... 82


LISTA DE ANEXOS

ANEXO I – AUTORIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM ISABELA LINS ....................... 103 ANEXO II – AUTORIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM FABIANA ROTATO ............... 104


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A. INTRODUÇÃO O crescimento dos movimentos em prol da sustentabilidade ambiental foi notável nos últimos anos. Em decorrência disso, a mídia passou a abordar cada vez mais o assunto, trazendo novidades e mostrando a importância de atitudes sustentáveis. As propagandas em torno do ecologicamente correto passaram a ter maior espaço e, com isso, surgiu uma cultura modista ao redor do tema em questão. Segundo o autor WOLF (2006), “a massa é constituída por um conjunto homogéneo de indivíduos que, enquanto seus membros, são essencialmente iguais, indiferenciáveis, mesmo que provenham de ambientes diferentes, heterogéneos, e de todos os grupos sociais.” A reportagem “Sustentabilidade para inglês ver: o discurso pró meio ambiente é um produto lucrativo” busca apontar, a fim de conscientizar para a importância de se adotar hábitos sustentáveis objetivando melhorias para o meio ambiente, como a sociedade atual se mostra contraditória quanto ao seu discurso em relação às suas atitudes, bem como os aspectos que contribuem para esse comportamento. Neste contexto, a reportagem se apresenta como contribuição na busca pela conscientização social a respeito da importância da sustentabilidade ambiental, considerando os hábitos de consumo e os aspectos que induzem o comportamento dos grupos sociais. São apresentados neste Relatório de Fundamentação Teórica os principais agentes influenciadores de indivíduos em sociedade, que os induzem ao consumo e a necessidade de pertencer a grupos com ideologias pré-determinadas. A mídia é um poderoso instrumento de manipulação. A ideia de que o frágil cidadão comum é onipotente frente aos gigantescos e poderosos conglomerados da comunicação é bastante atrativa intelectualmente. Influentes nomes, como Adorno e Horkheimer, os primeiros pensadores a realizar análises mais sistemáticas sobre o tema, concluíram que os meios de comunicação em larga escala moldavam e direcionavam as opiniões de seus receptores. (LADEIRA, 2015).

O principal objetivo desta reportagem é expor as contradições entre discurso e ação existentes entre os consumidores do conceito de “ecologicamente correto” no Brasil, tendo como objetivos específicos: conscientizar a população a respeito da importância

de

contribuir

para

a

sustentabilidade

ambiental

levando

em


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consideração aspectos sociais e ambientais em contramão do consumo midiático, destacar aspectos culturais de uma sociedade movida pela aparência, tomando como base os estudos da psicologia cognitiva comportamental e alertar sobre a necessidade e importância do consumo consciente. Deste modo, reunimos pesquisas sobre: a importância da mobilização global a respeito da sustentabilidade ambiental, o consumo de imagens através da mídia e o impacto no comportamento da sociedade, o comportamento do indivíduo influenciado pelos grupos nos quais está inserido, a internet como formadora de opiniões e o Efeito Bolha, consumo sustentável e a customização do discurso ambientalista, as contradições de uma cidadania midiática vistas pela óptica da Teoria do Agendamento e Hipodérmica. As principais correntes teóricas que guiam esta pesquisa são: a Teoria Hipodérmica que, segundo o modelo de Harold Lasswell (1927), estuda como a sociedade é influenciada a consumir a partir dos mass media e a Teoria do Agendamento que, pela pesquisa de Maxwell MacCombs e Donald Shaw (1970), acredita que a mídia define o tema sobre o qual a sociedade deve pensar e, consequentemente, consumir. Esperamos contribuir positivamente para a sociedade, academia e imprensa, de maneira a causar discussões sobre os hábitos de consumo, sobre a prédisposição do ser humano em ser influenciado por ambientes e grupos e, sobre a relevância que se dá a sustentabilidade ambiental como forma de mobilização social. Mais do que isso, expectamos uma mudança em relação à visão das pessoas sobre o que é contribuir para um futuro ecologicamente sustentável. “Ser consciente ecologicamente não é vestir roupas com mensagens, mas reconhecer a parcela de responsabilidade nos problemas ambientais e possuir o desejo de encontrar as devidas soluções (BERTOLIN; POSSAMAI, 2005, p. 19).”


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B. DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS OBJETIVO GERAL 

Expor

e

explicar

o

comportamento

da

sociedade

em

relação

à

sustentabilidade ambiental, tendo como base aspectos psíquicos, culturais e socioeconômicos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Os objetivos específicos deste projeto são: 

Conscientizar a população, por meio de uma reportagem especial para portal digital, acerca da importância de contribuir para a sustentabilidade ambiental levando em consideração aspectos sociais e ambientais em contramão do consumo midiático;

Destacar aspectos culturais de uma sociedade movida pela aparência, tomando como base os estudos da psicologia cognitiva comportamental;

Alertar sobre a necessidade e importância do consumo consciente.

C. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES PROBLEMA Um dos fatos vistos como problemática é a inversão de valores a respeito da conscientização ambiental. Muito se fala sobre sustentabilidade e, com isso, dá-se abertura para um modismo em torno de assuntos ecológicos, provocado, principalmente, pela adaptação do discurso ambientalista a fim de transformá-lo em produto lucrativo à indústria. Com isso, surgiu o questionamento “quais fatores influenciam a sociedade civil atual a consumir produtos ecologicamente sustentáveis?” e, a partir desta questão, surge outra que busca entender as contradições entre discurso e ação da sociedade a respeito do ecologicamente correto.


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HIPÓTESES As principais hipóteses deste projeto são: 

A indústria midiática atua como influenciadora na decisão de compra e nos hábitos da sociedade atual;

O ser humano é naturalmente condicionado a pertencer a determinados grupos e por isso existe a necessidade de aprovação;

As redes sociais exigem a construção e cultivação de imagens que não representam, necessariamente, a realidade de cada indivíduo e, por isso, são criadas e seguidas tendências que prometem falsa popularidade.

D. JUSIFICATIVA Em tempos em que toda a informação se encontra na palma das nossas mãos, as relações sociais acabam sendo banalizadas. Há um universo a ser descoberto na internet, porém o que realmente ganha a atenção das pessoas são as formas como cada indivíduo se apresenta e se expõe em perfis de inúmeras redes sociais. Como consequência dessa banalização, movimentos importantes como os ambientalistas, passam a ser utilizados como meio de alavancar o status social, criando todo um modismo em torno de uma causa que deveria ser tratada com maior seriedade. A apropriação do termo sustentabilidade ocorre ainda no século XX, quando as grandes instituições passaram a usar o discurso ambiental como mecanismo de valorização e venda de sua marca e produtos. Como aponta a pesquisadora BONFIGLIOLI (2012): Apesar de sua origem técnica, a adequação ou normalização do uso dos termos Sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, e sua conseqüente disseminação pelo mundo ocidental moderno, são decorrentes de processos políticos multilaterais, que atingem o auge de sua caracterização durante a segunda metade do século XX [...] (BONFIGLIOLI, 2012, p. 98).

A customização do discurso pró meio ambiente foi base para a construção do tema proposto para este projeto: “As contradições entre discurso e ação da sociedade a respeito do ecologicamente correto: um estudo sobre a customização


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do discurso ambientalista”, que enxerga as consequências da transformação de causas ambientais em estratégias de mercado. Por ser naturalmente desconfortável ao debate, o tema apresentado neste projeto se enquadra ao perfil do portal UOL TAB, que é conhecido por abordar assuntos atuais e provocativos. A utilização de uma plataforma digital para a veiculação da reportagem acerca da importância da sustentabilidade ambiental é ideal para a mensagem que se pretende transmitir com este projeto, pois nada mais sustentável do que veículos eletrônicos, que permitem economia no consumo de papel. Este tema se faz relevante para a sociedade em geral já que discorre sobre dois aspectos de grande importância para a população: a ecologia e a sustentabilidade ambiental, ao passo que devemos encará-la com seriedade e não como mero modismo. Além disso, é fundamental a abordagem deste assunto para que se possa provocar a sociedade acerca de seus hábitos de consumo e conscientizá-la sobre a necessidade de contribuir para a preservação do meio ambiente. A academia também se beneficiará deste projeto, uma vez que há poucos estudos relacionados à problemática de discurso contra atitude presente na rotina de pessoas que se entendem como ecologicamente corretas, porém não contribuem, de fato, com causas ambientais. Seguindo essa lógica, o projeto poderá ser usado como material de apoio a novas pesquisas sobre o tema, que busca entender cultura e psicologicamente a atual sociedade. Por fim, a imprensa também se vê amparada por este estudo, pois poderá ter referências de como desenvolver pesquisas jornalísticas a respeito, com maior propriedade. Além disso, o estudo servirá como importante discussão acerca do rumo para o qual a sociedade está sendo conduzida, levando em consideração as influências às quais está exposta e os grupos nos quais os indivíduos estão inseridos.


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E. PLANO ESTRATÉGICO DESCRIÇÃO DO PRODUTO Este relatório refere-se a uma reportagem para o portal digital UOL TAB. A reportagem foi escrita seguindo a linha editorial das edições especiais publicadas semanalmente (às segundas-feiras) no site. TAB pertence ao UOL (Grupo Folha), que é atualmente a maior empresa brasileira de conteúdo, produtos e serviços de internet, recebendo em sua homepage cerca de 50 milhões de visitantes por mês. Inaugurado em outubro de 2014, o TAB é uma criação que mescla jornalismo profundo e multimídia para abordar um tema principal, o futuro. Todo o seu conteúdo busca apresentar excelência em apuração para falar de maneira didática aos seus leitores, de modo a alcançar um maior número de pessoas. Um de seus principais objetivos é ser um veículo diferente dos outros encontrados na internet. Para isso, sua equipe empenha um grande trabalho em torno de design, edição e jornalismo, trazendo conteúdos interativos com discussões que refletem a sociedade e provando que no universo digital cabe tudo. O UOL TAB possui reportagens, fotos e vídeos sobre tendências, comportamento, política e cultura em formatos inovadores. Em “Edições” encontrase um compilado de reportagens especiais com abordagem criativa, acompanhadas de ilustrações chamativas, infográficos e vídeos sobre temas provocativos, que são apresentados de maneira sedutora ao leitor. O principal requisito para uma reportagem divulgada nas edições do TAB é a criatividade. Todos os seus temas possuem layouts únicos, com cores, imagens, artes e vídeos que condizem plenamente com o assunto proposto. A linguagem é simples para “conversar” com o leitor.


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FIGURA 1 – Logotipo TAB

Fonte: UOL TAB.

FIGURA 2 – Homepage UOL TAB

Fonte: UOL TAB.

ESTRATÉGIAS As estratégias adotadas para a construção deste projeto foram a pesquisa aprofundada sobre as características editoriais do portal digital UOL TAB, bem como as pesquisas explicativas e bibliográficas sobre o tema proposto. O principal recurso de edição utilizado para a criação do portal foi o conjunto de aplicativos de criação de mídia e design online Adobe Spark. Para edição de vídeo utilizamos o programa Movavi e para o tratamento das imagens autorais, foi utilizado o programa de edições Microsoft Office 2010.


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A definição de layout e público-alvo segue as diretrizes da linha editorial do UOL TAB, que busca apresentar um conteúdo dinâmico e provocativo, com tema que impulsiona à discussão entre todos os públicos. Cada edição publicada no TAB possui um tema único, com características marcantes que se adequam ao assunto tratado. As principais referências visuais e de edição para a construção deste projeto foram as reportagens: “A cabeça do pop” e “A bruxa está solta”, que mesclam cores sólidas com imagens chamativas no decorrer da leitura. O título escolhido faz jus ao estilo empregado nos demais títulos propostos para as edições publicadas no TAB, que apelam para uma linguagem mais “pop”, ou seja, busca apresentar referências culturais. “Sustentabilidade para inglês ver” remete à expressão popular “para inglês ver”, que surgiu em 1830 quando o Governo do Brasil, sob pressão da Inglaterra, promulgou a lei que proibia o tráfico negreiro, mas não foi devidamente cumprida. Isso popularizou a expressão “para inglês ver”, referindo-se à lei que foi criada apenas para passar uma imagem aos ingleses. Foram realizadas entrevistas semiabertas, formulários e conversas informais para o desenvolvimento da reportagem apresentada neste projeto. FIGURA 3 – Simulação da reportagem publicada no UOL TAB

Fonte: Elaborado pela autora.


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F. REFERENCIAL TEÓRICO O psicanalista húngaro BALINT (1965), em suas ideias, caracteriza duas modalidades de vínculo defensivas, as quais ele chamou de ocnofilia e filobatismo, ambas relacionadas aos tipos de atitude nas relações primárias do ser humano. O ocnófilo é definido como aquele que teme o vazio e por isso se apega a algo ou alguém que o acompanhe ou o preencha neste estado, que tem – como consequência deste apego – relações primitivas e necessidades de proximidade com o outro e com os objetos. Por outro lado, o filobata é caracterizado como aquele que ama o risco, que se sente confortável com probabilidades, com o vazio da distância e com a possibilidade da morte. Assim é a nossa sociedade, alguns podem se identificar com o ocnófilo, outros com o filobata, mas a certeza que há é de que essas duas modalidades comportamentais podem estar presentes em uma só pessoa. Há muitos traços de ocnofilia na sociedade atual, que se vê induzida a ser, consumir e pensar de determinada maneira para ser aceito em grupos que surgem ao decorrer do tempo. F.1. A importância da mobilização global a respeito da sustentabilidade ambiental Para amparar teoricamente o tema desta pesquisa, “As contradições entre discurso e ação da sociedade a respeito do ecologicamente correto: um estudo sobre a customização do discurso ambientalista”, no que diz respeito à importância da mobilidade social sobre aspectos ambientais, escolhemos a dissertação da autora SILVA (2012) intitulada “Evolução do conceito de sustentabilidade” e a repercussão na mídia impressa do país, que investiga o surgimento de sustentabilidade ambiental e como esse tema vem sendo tratado pela mídia brasileira ao longo dos anos. A obra aponta aspectos históricos relevantes para o tema e relaciona o jornalismo e a publicidade na produção de conteúdos que abordam a sustentabilidade. Para falar sobre a importância da mobilidade global ao que se refere à sustentabilidade ambiental, SILVA (2012, apud BROWN 2009) define três possibilidades de mudança social que poderão promover a mobilidade global. O primeiro modelo, nomeado Pearl Harbor, afirma que a mudança ocorre através de


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um acontecimento dramático, causando alterações no modo como pensamos e agimos. Já o segundo modelo, foi chamado de Muro de Berlin, que ocorre quando a sociedade alcança um ponto decisivo, que se dá após um longo período de mudança de paradigmas historicamente enraizados. Por fim, o terceiro modelo é possível quando há um forte movimento de base com tema apoiado por uma liderança política. Nesse caso, estando a questão ambiental fortemente associada ao desenvolvimento econômico, não há como ocorrer a mudança social sem o apoio dos países de economia forte. Por mais que os cidadãos estejam engajados, é fundamental que os países estabeleçam os acordos em prol do desenvolvimento sustentável. (SILVA, 2012, p. 18).

SILVA (2012) acredita que a mobilização pelas causas ambientais ainda não atingiu a abrangência desejada. Para a autora, isso ocorre porque há muito mais divulgação relacionada a consequências catastróficas do que àquelas com maior proximidade à realidade da sociedade. SILVA (2012) afirma que “falar e tratar de problemas ambientais mais concretos, associados ao dia a dia da população, traria maior relevância ao tema e consequentemente maior engajamento, através do sentimento de urgência”. Podemos concluir que há urgência em falar e agir sobre a sustentabilidade ambiental e para que isso ocorra e gere impactos relevantes, é necessária a abordagem correta, de modo que comova a população e a mobilize. Além disso, é de extrema importância que haja a contribuição de líderes políticos. F.2. O consumo de imagens através da mídia e o impacto no comportamento da sociedade A obra de BAITELLO JUNIOR (2014), intitulada “A era da iconofagia” 1– Reflexões sobre imagem, comunicação, mídia e cultura, aborda questões como o consumo de imagens internalizado culturalmente na sociedade. O autor discorre sobre questões importantes acerca da influência que as imagens têm sobre o ser humano. Segundo ele, “símbolos são grandes síntese sociais, resultantes da elaboração de grandes complexos de imagens e vivência de todos os tipos. Por isso, as imagens evocam os símbolos e ao evoca-los, os ritualizam e os atualizam”. 1

Iconofagia significa o consumo das imagens. Segundo Baitello Junior (2014), são as imagens

que devoramos e/ou nos devoram.


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As imagens que nos são exibidas em diversas formas através de inúmeros meios comunicacionais criam uma necessidade mútua de consumo, ou seja, desejamos ser e ter aquilo que é massivamente vendido pela indústria midiática. As estratégias da imagem caminham lado a lado com as estratégias da produção e da economia predatórias. Devoram-nos tanto os preceitos econômicos da era da orientação como suas imagens, no afã de apropriação, expansão, crescimento e progresso. As promessas pressupõem imortalidade, vida ilimitada, gozos e prazeres. Assim, são hoje as imagens que nos devoram: um mundo de paraísos pré-adâmicos [...] em prol de uma existência apenas em imagem. (BAITELLO JUNIOR, 2014, p. 320).

BAITELLO JUNIOR (2014), afirma que “não importa ser, importa parecer”, o que diz muito sobre a sociedade civil atual, onde, pautados pela grande mídia e pelas redes sociais, criam uma imagem sobre si que não condiz com suas reais atitudes. O autor explica que o processo de ser devorado por imagens se dá desde a infância, tendo impacto crucial na formação da criança e do adolescente como consumidor, induzindo-o a realizar determinadas escolhas sobre aspectos importantes de sua própria vida: o que vestir, o que comer, com o que brincar. Decisões estas que deixam de pertencer aos pais e adultos do convívio dessa criança ou adolescente, mas que passam a serem escolhas pré-fabricadas, oferecidas pela mídia. A criança e o adolescente são irrestrita e irrefletidamente vistos como "consumidores" e submetidos a um arsenal de imagens educacionais, informacionais, comportamentais, publicitárias e comerciais sem precedentes na história. Os mais recentes meios eletrônicos franquearam a adolescentes e crianças as portas de acesso a mundos de inimaginável complexidade e incalculável risco, a conteúdos de sedução inconsequente [...]. (BAITELLO JUNIOR, 2014, p. 430).

Para a indústria midiática e de consumo, a criança já é considerada um importante consumidor e, a partir deste preceito, são criados meios e produtos capazes de atraí-los e assim induzi-los em suas escolhas. F.3. O comportamento do indivíduo influenciado pelos grupos nos quais está inserido O autor GIGLIO (2005), em sua obra “O Comportamento do Consumidor”, usa a expressão “diga-me com quem andas e te direi o que consomes” para abordar a


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questão de como a sociedade é influenciada de acordo com o grupo social ao qual pertence. Ele aponta o “conceito da identidade grupal, que explica as necessidades de consumo das pessoas conforme papéis que devem ser mantidos no grupo”. A identidade grupal, por sua vez, é o conjunto de adjetivos e regras de comportamento de cada pessoa dentro do grupo, isto é, especificamente nas suas relações com os grupos aos quais pertence. Quando se diz que alguém é "dark" ou "patricinha" se refere a um grupo ao qual essa pessoa pertence e a um conjunto de comportamentos. (GIGLIO, 2005, p. 101).

Viver em grupo é uma necessidade natural do ser humano para garantir sua sobrevivência e exige a criação e obediência de determinadas regras para convivência, definidas de acordo com o grupo ao qual se está inserido, que podem ser diversos, tais como: família, amigos, grupo social e acadêmico. Exemplo disso são as relações familiares em que, a depender da idade ou quaisquer outros fatores, cada indivíduo possui um papel que deve ser cumprido de acordo com as regras pré-determinadas pela família, como: o que comem, como se vestem, as atividades de lazer, horários e as formas de interação. O ser humano viu-se impelido a viver em grupo e a criar regras que lhe possibilitem sobreviver melhor e por mais tempo. [...] Assim, o surgimento do que chamamos sociedade está ligado ao nascimento de regras [...]. As escolhas das regras a seguir determinam as ações de consumo. (GIGLIO, 2005, p. 98).

A psicoterapeuta RIQUE (2010), em seu artigo “A influência dos grupos sociais em nosso consumo”, explica que os papéis que temos na sociedade, os grupos nos quais vivemos e as classes sociais e culturais em que estamos inseridos, influenciam diretamente naquilo que consumimos. De acordo ela, “podemos nos sentir influenciados pelo grupo que participamos, pelo critério de pertinência, ou seja, queremos nos sentir pertencendo a…, desejamos nos sentir aceitos, reconhecidos e por vezes, sermos o centro das atenções” RIQUE (2010). Isso acontece porque na medida em que passamos a fazer parte de determinados grupos, adotamos os hábitos de consumo daqueles que também pertencem ao grupo. Para o psicanalista DUNKER (2018), a percepção que temos sobre o conceito de felicidade é muito rasa, que está associada a valores materiais. Além disso, pode-


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se considerar fatores como a baixa autoestima do indivíduo, que somente se basta mediante a aceitação do outro. A busca pela aceitação é um dos maiores agravantes para as decisões e hábitos do ser humano. A partir do momento em que há a necessidade de sentir-se pertencente a um grupo, é iniciada a busca pelo status social, onde parecer é mais importante do que ser. “O status, a busca dele, o não querer sair do patamar social em que se encontra, é um dos grandes fatores hoje trabalhado pela mídia no que diz respeito a você consumir cada vez mais e mais”, afirma RIQUE (2010). Há um consenso nas teorias de Psicologia e Sociologia de que cada pessoa busca criar uma imagem de si mesmo, respondendo à questão "Quem sou eu?". [...] ao participar de vários grupos com diferentes regras, as quais cruzam as habilidades da pessoa com o papel assumido, cada um vai criando uma imagem mental sobre quem é socialmente e o que pode realizar em um grupo. [...] A identidade, portanto, é uma construção mental, uma teoria do sujeito sobre si próprio. (GIGLIO, 2005, p. 100).

Sobre este aspecto, podemos concluir que a imagem construída pelo indivíduo advém de suas experiências individuais, atreladas ao conhecimento sobre si, que envolve emoções, ideias, conceitos, limites e capacidades, bem como suas experiências em sociedade. F.4. A internet como formadora de opiniões e o Efeito Bolha A nova geração é conhecida pelo fácil acesso à tecnologia, onde, em alguns casos, desde os dois anos de idade, já existe o contato com algum dispositivo de acesso à internet. Observa-se uma dependência por esses aparelhos, que acabam definindo estilos de vida e influenciando em decisões. O Dr. Cristiano Nabuco, Psicólogo e Coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do HC, Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma em entrevista à jornalista LISAUSKAS (2016) para o Estadão que “estamos criando uma geração de alienados”. Segundo ele, “alguns estudos já mostram que o celular, da forma que vem sendo utilizado hoje, vem criando o que chamamos de dependência tecnológica”. Nosso cérebro sofre um processo de amadurecimento que só é finalizado após a maioridade, aos 21 anos. A região do córtex pré-frontal é a última área a ser finalizada, e o córtex é responsável pelo nosso raciocínio lógico e também pelo controle dos impulsos, é nosso freio comportamental. [...] No caso dos jovens, embora eles tenham acesso ao conhecimento, não


26

conseguem diminuir o apelo do comportamento. Por isso essas questões ligadas ao impulso são muito importantes, as pessoas têm de ficar atentas para que a vulnerabilidade cognitiva do cérebro não crie problemas de adicção2. (LISAUSKAS, 2016).

De acordo com o Dr. Cristiano Nabuco, o hábito de consultar o celular regularmente com o intuito de checar informações cria “um padrão onde progressivamente o cérebro vai perdendo a capacidade de se aprofundar”. A mais recente série da plataforma de streaming3 Netflix, “Como vender drogas online (Rápido)”, discorre sobre como as interações entre jovens estão cada vez mais superficiais. Além disso, a série traz uma importante reflexão sobre como quase todas as informações podem ser acessadas pela internet e o fato de que as pessoas recorrem a ela como principal fonte de informação. Atualmente as inúmeras redes sociais possuem técnicas que definem o conteúdo que o usuário tem acesso de acordo com o nível de relevância, a serem julgados pela empresa. A reportagem do autor CHATFIELD (2016) para a BBC Future, afirma que “isso é importante porque mudanças sutis nas informações às quais somos expostos podem transformar nosso comportamento”. Isso ficou conhecido mundialmente como o “empurrãozinho”, nome adotado por governos e outras autoridades de diversos países. Isso consiste em usar táticas discretas para nos incentivar a adotar um certo comportamento. Um exemplo conhecido é fazer da doação de órgãos algo obrigatório, a não ser que o indivíduo se manifeste contrariamente. O resultado é que mais pessoas acabam doando. Críticos dessa abordagem argumentam que esse "empurrãozinho" está acabando com a decisão informada4. (CHATFIELD, 2016).

É válido ressaltar que quanto mais informações esses sistemas têm sobre o indivíduo, maiores serão os riscos de as decisões tomadas por ele serem apenas influências do que é imposto de maneira subliminar. Isso porque os hábitos que cada pessoa tem na internet são fatores determinantes para que os chamados algoritmos direcionem os assuntos aos quais o usuário terá acesso frequente. 2

Adicção está associada ao vício e pode, também, significar a dependência psicológica ou

algum grau de compulsão. 3

Streaming é uma plataforma de transmissão contínua que possui um catálogo ilimitado de

músicas, vídeos, livros entre outros. 4

Decisão informada - dever de manter o usuário plenamente informado quanto aos seus

direitos e ao contexto fático no qual está inserido. (BRASIL; TJSP, 2013).


27

Segundo a matéria do The Economist Explains (2017), “os algoritmos podem até afetar a maneira como um país vota”. Em 2012 já se falava em personalização do conteúdo acessado pelos usuários na internet. PARISER (2012, apud BHAT 2012) afirma, em seu livro O filtro invisível, que “o futuro da internet é a personalização – a rede agora gira em torno do ‘eu’. A ideia é entrelaçar a rede de uma forma inteligente e personalizada para o usuário”. O autor GUEDES (2017), explica, em seu artigo, “Os impactos do efeito bolha causado pelos algoritmos do Facebook para o direito de resposta”, que “a seleção do conteúdo é automática e não depende de vontade do usuário, mas de uma classificação algorítmica feita a partir do comportamento deste usuário na rede e das notícias a serem publicadas”. Um algoritmo é, essencialmente, um modo sem cérebro de fazer coisas inteligentes. É um conjunto de passos precisos que não precisam de grande esforço mental para seguir, mas que, se forem obedecidos exata e mecanicamente, levarão a algum resultado desejável. (THE ECONOMIST, 2017).

Devido aos algoritmos, também, é possível o surgimento de bolhas sociais. O efeito bolha é definido pela seleção de informações, relacionamentos e diversos fatores que interferem no dia-a-dia de uma pessoa. Exemplo disso são os algoritmos criados pela rede social Facebook, onde cada usuário possui um feed de notícias personalizado de acordo com suas conexões, atividades e interações, o que contribui para que as pessoas visualizem conteúdos de seu interesse e, como consequência, dificulta o acesso às demais informações. De acordo com o estudo guiado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), as redes sociais reforçam a ação de seus usuários buscarem informações que sejam condizentes com as suas ideologias. Essas interações fortalecem o sentimento de ser pertencente a grupos com identidades pré-definidas. Segundo pesquisas, a ampla maioria das pessoas imagina que os mecanismos de busca sejam imparciais. Mas essa percepção talvez se deva ao fato de que esses mecanismos são cada vez mais parciais, adequando-se à visão de mundo de cada um. (PARISER, 2012, p. 56).

ZUCKERMAN (2017), afirma que “é importante considerar que as pessoas buscam mídia ideologicamente compatível com elas não só por preguiça intelectual, mas por senso de eficácia”. Isso significa que as bolhas sociais surgem a partir da


28

definição de conteúdos aos quais as pessoas são expostas, mas também pelo fato de que esses indivíduos recorrem a meios que são convenientes aos seus gostos e ideias, pois não são passíveis de contrariedade. Em razão disso, são criados “mundos” conservados por pessoas que relutam a olhar para outras realidades, o que ZUCKERMAN (2017) define como identidade cívica, que, segundo ele, é formada pela “prática de criar e disseminar formas de mídia projetadas para reforçar os elos dentro de um grupo e para torná-lo distinto de outros”. A estrutura das plataformas de mídia da internet contribui para o ensimesmamento5 ideológico. [...] Com a ascensão dos sites de busca, a navegação baseada em interesses passou a nos conduzir à segregação ideológica, seja por causa dos tópicos que selecionamos, seja pela linguagem que usamos. (ZUCKERMAN, 2017).

A sociedade atual está cada vez mais inserida em um universo tecnológico capaz

de

conduzi-las

em

suas

escolhas

e,

principalmente,

induzem

subconscientemente a falsas aspirações. ZUCKERMAN (2017) conclui que, “o que a mídia social oferece de diferente não é a possibilidade de escolhermos os pontos de vista com os quais entraremos em contato, mas sim o fato de que muitas vezes não estamos cientes das escolhas”. F.5. Consumo sustentável e a customização do discurso ambientalista O ato de consumir é tido há muitos anos como algo terapêutico que ajuda a combater o estresse diário. Outro motivo que leva as pessoas ao consumo é a necessidade subconscientemente enraizada de fazer parte de determinados grupos. De acordo com a autora PORTILHO (2005) “o cidadão é reduzido à esfera do consumo, sendo cobrado por uma espécie de “obrigação moral e cívica de consumir””. Devido ao consumo ostensivo e socialmente desigual imposto midiaticamente, o meio ambiente passou a ser cada vez mais insustentável. Pensando nessa problemática, o movimento ambientalista ganhou espaço, crescendo na sociedade e, principalmente, na mídia. 5

Ensimesmamento é o ato de ensimesmar, ser ensimesmado, ou seja, compenetra-se em si

mesmo.


29

A partir do crescimento do movimento ambientalista, surgem novos argumentos contra os hábitos ostensivos, perdulários e consumistas, deixando evidente que o padrão de consumo das sociedades ocidentais modernas, além de ser socialmente injusto, é ambientalmente insustentável. O ambiente natural está sofrendo uma exploração excessiva que ameaça a estabilidade de seus sistemas de sustentação, como a exaustão de recursos naturais renováveis e não renováveis, em que são observadas a degradação do solo, a poluição da água e do ar, a perda de biodiversidade e de importantes áreas florestais, as mudanças climáticas entre outros. (CORTEZ, 2007, p. 3).

A matéria da repórter TEIXEIRA (2019) para o portal G1, publicada em maio deste ano, mostra um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que afirma que consumidores possuem falta de conhecimento sobre sustentabilidade. A pesquisa “concluiu que muitas pessoas confundem conceitos, de acordo com seu nível de informação e escolaridade, e não priorizam comportamentos que podem beneficiar o meio ambiente” TEIXEIRA (2019). A pesquisadora entrevistou pessoalmente 150 pessoas, com ensinos superior e médio, na primeira etapa do estudo, usando técnicas que permitem "respostas livres" dos consumidores, de acordo com o entendimento de cada um. Ao expor quatro questões, eles foram desafiados a escrever o que viesse às mentes deles. (TEIXEIRA, 2019).

O conceito de sustentabilidade existe há muitos anos e, ainda no século XX, passou a ser apropriado por empresas a fim de causar a valorização de seus produtos e serviços. O ato de se apropriar do discurso ambientalista e customizá-lo aos interesses de mercado é uma estratégia usada até os dias atuais. Com isso, a indústria vende uma imagem atrativa de falsa mobilização ambiental, confundindo o consumidor comum, que adota o uso de determinados produtos para seguir tendências. A Sustentabilidade pode ser meta civilizatória, motivação para organizações da sociedade civil, desafio tecnológico para a indústria, disputa política em órgãos da ONU, alvo de marketing para o consumo e para a imagem de praticamente todas as corporações contemporâneas, sejam elas governamentais ou privadas. É essa polivalência do termo que nos atordoa e nos instiga. (BONFIGLIOLI, 2012, p. 100).

Mais uma vez entramos em discussão sobre o consumo desenfreado e guiado pela indústria midiática, onde o modo como cada pessoa consome define seu status social. A aquisição de coisas, muitas vezes supérfluas, acarreta no descarte de toneladas de embalagens e restos alimentares. CORTEZ (2007, apud LEFÈBVRE 1991) define a “sociedade moderna incentivada pela mídia e pelo próprio modo de vida urbano [...] como “sociedade burocrática de consumo dirigido”” onde “o status


30

da pessoa é medido pelo que ela consome e não pelo que possa ser útil em sua vida”. Há muitos anos, grupos engajados em movimentos sustentáveis vêm questionando de maneira radical os valores que movem a sociedade. O consumo responsável já é hábito em muitas empresas, como por exemplo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que possui normas internas de preservação ambiental e redução de perdas, além de projetos voltados à despoluição ambiental, como o Projeto Tietê6 e o Sistema de Beneficiamento de Biogás. Além das grandes empresas, existem pessoas que adotam o empreendimento autônomo como recurso rentável para contribuir com a causa da sustentabilidade ambiental. Exemplo disso são os brechós, que servem de alternativa para pessoas que procuram meios mais econômicos de fazer compras, sendo também uma opção para aqueles que simpatizam com causas ambientais. “Depois da onda dos brechós dos últimos anos, uma das tendências para 2019 é a moda sustentável. E não faltam ideias para um consumo de moda mais ecológico e humano”, REIF (2019). A produtora de moda Juliana Alberto é idealizadora da iniciativa sustentável Lojinha do Bem7. Em entrevista para a Universa em janeiro deste ano, Juliana afirma que, “uma roupa nova precisa de muitos recursos para ser produzida. A indústria têxtil é uma das maiores geradoras de poluentes, e a maneira como sua cadeia de produção funciona raramente é transparente", REIF (2019). De acordo com relatório de 2017 da Fundação Ellen MacArthur, a produção de roupas quase dobrou nos últimos 15 anos e a demanda continua crescendo. Menos de 1% de todo o material é reciclado e dá origem a novas peças, o que contribui para o aumento da poluição. De acordo com a fundação, são gastos 93 bilhões de metros cúbicos de água por ano na produção de têxteis e a indústria da moda gera 1,2 bilhão de toneladas de emissões de gases que causam efeito estufa anualmente. (REIF, 2019).

6

O Programa de Despoluição do Rio Tietê caracteriza-se por ser o maior programa de

saneamento ambiental do país. Desde o início da década de 1990, com base no Plano Diretor de Esgoto (PDE) (SABESP, 2018). 7

Rede de bazares promovidos por Juliana Alberto e Marcelly Alberto, em São Paulo. As

roupas vêm de doações e são vendidas online.


31

A redução do consumo ainda não é uma preocupação para muitas pessoas. Isso porque, esse ato provoca mudanças de comportamento, o que, como já discutimos aqui, é fator de grande relutância, pois cada indivíduo segue um padrão de vida e consumo condizente com seus ideais e pertinentes à construção de um status social. Renunciar a um padrão de vida é, sem dúvidas, muito complexo, pois exige alterações significativas e reavaliação de prioridades, o que consideramos que a sociedade civil atual não está disposta a fazer, uma vez que o egocentrismo e o consumismo são fatores estruturantes para seu comportamento. Nos dias atuais, dá-se espaço para diversos produtos de natureza biodegradável8, que contribuem positivamente para o consumo sustentável, pois ajudam na redução de lixo e poluição do solo e da água. Por essa razão, os produtos biodegradáveis são vistos como alternativa para a redução do consumo. Quando se fala em sustentabilidade, consumo consciente e preservação do meio ambiente, é comum surgir o assunto dos produtos biodegradáveis. Isso porque eles são bem menos prejudiciais para a natureza, já que se decompõem com mais facilidade e, portanto, são vistos como alternativa sustentável. (G1, 2018).

Apesar da propaganda ao redor deste tema estar em alta e as pessoas adotarem o uso de produtos eco-friendly9 não há como saber se essas atitudes prevalecerão a longo prazo. Segundo SILVEIRA (2017), é impossível garantir que a sustentabilidade se mantenha na prática, ou seja, fora dos discursos, isso porque “muitos fatores são desconhecidos e imprevisíveis, sobretudo considerando também a persistência de um modelo econômico muito focado na produção e no consumo, ainda sem considerar limites”.

8

Produtos biodegradáveis são compostos por itens orgânicos que facilitam seu processo de

decomposição. Dessa maneira, reduzem a produção de lixo urbano e poluição do solo. 9

Em tradução, eco-friendly significa ecologicamente amigável. O termo é utilizado para definir

produtos, pessoa e empresas que contribuem para a sustentabilidade ambiental, sendo assim, ‘amigos da natureza’.


32

F.6. As contradições de uma cidadania midiática vistas pela óptica da Teoria do Agendamento e Hipodérmica Compreendemos este tema sob a perspectiva teórica da teoria do jornalismo denominada Teoria do Agendamento, surgida em 1970, pela pesquisa de Maxwell MacCombs e Donald Shaw, nos Estados Unidos. Essa teoria acredita que a mídia define o tema sobre o qual a sociedade deve pensar e, consequentemente, consumir. Nessa perspectiva, acreditamos que o tema se relaciona com o fato de que a população consome aquilo que a mídia subconscientemente

impõe,

como

no

caso

dos

produtos

ecologicamente

sustentáveis, que são vendidos com falsos ideais em uma cidadania midiatizada. O fluxo contínuo de informação: verifica-se que o processo de informação e de comunicação não é, como parecem pressupor as antigas teorias, um processo fechado. Na verdade, as teorias clássicas como que fazem um recorte, fragmentando a realidade, talvez com intuitos didáticos, quanto aos processos comunicacionais. Da manhã à noite, contudo, sofremos verdadeira avalanche informacional [...]. (HOHLFELDT, 1997, p. 44).

Além da Teoria do Agendamento, podemos compreender este tema sob a perspectiva da Teoria Hipodérmica, uma das primeiras teorias da comunicação, desenvolvida em 1930, nos Estados Unidos. Seu principal teórico é Harold Lasswell, que contribuiu com importantes estudos sobre a compreensão da mensagem midiática, investigando o emissor, a mensagem, o canal e o receptor (quem? diz o quê? através de que canal? com que efeito?). A Teoria Hipodérmica é usada até os dias atuais para explicar os fenômenos da comunicação de massa e acredita que as propagandas são capazes de influenciar a população. Para os líderes da corrente, a massa era um conjunto de indivíduos isolados de suas referências sociais, agindo em nome de sua própria satisfação. Uma vez perdido na massa, as únicas referências que um indivíduo possuía da realidade eram as propagandas (no sentido amplo) dos meios de comunicação. (OLIVEIRA, 2017).


33

G. REFERÊNCIAS BAITELLO JUNIOR, Norval. A era da iconofagia: Reflexões sobre imagem, comunicação, mídia e cultura. São Paulo: Paulus Editora, 2014. 160 p. BALINT, Michael. Primary love and psycho-analytic technique. London: Tavistock Publications, 1965. BERTOLIN,

Geysler

Rogis

Flor;

POSSAMAI,

Osmar.

Proposta

de

Instrumento de Mensuração do Grau de Consciência Ambiental, do Consumo Ecológico e dos Critérios de Compra dos Consumidores. Revista de Ciência & Tecnologia, São Paulo, v. 13, n. 25/26, p.17-25, jan. 2005. BONFIGLIOLI, Cristina Pontes. Sustentabilidade: uma palavra, várias significações. In: Di FELICE, Massimo; TORRES, Julliana Cutolo e YANAZE, Leandro hey Higuchi. Redes digitais e sustentabilidade: as interações com o meio ambiente na era da informação. Annablume, São Paulo, 2012. p. 95-128. BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Resolução nº 125. Diário da Justiça Eletrônico - Caderno Administrativo. São Paulo, 06 jun. 2013. n. 1429. Disponível

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<http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/cao_urbanismo_e_meio_ambiente/legisla cao/leg_estadual/leg_est_provimentos/CGJ-TJSP-Provimento-CG-n-17-2013_DJ-06jun-13.pdf>. Acesso em: 01 jun. 2019. CHATFIELD, Tom. Como a internet influencia secretamente nossas escolhas. 2016. Da BBC Future para BBC News Brasil. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-36410030>. Acesso em: 31 maio 2019. CORTEZ, Ana Tereza Caceres; ORTIGOZA, Sílvia Aparecida Guarnieri. Consumo Sustentável: Conflitos entre necessidade e desperdício. São Paulo: Unesp, 2007. 156 p. DUNKER, Christian. Reinvenção da intimidade: Políticas do sofrimento cotidiano. São Paulo: Ubu Editora, 2018. 282 p.


34

G1 (São Paulo). Como um produto biodegradável ajuda o meio ambiente? 2018.

Especial

Publicitário:

TROQUE

TODOS

POR

UM.

Disponível

em:

<https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/especial-publicitario/um/troque-todospor-um/noticia/2018/10/11/como-um-produto-biodegradavel-ajuda-o-meioambiente.ghtml>. Acesso em: 02 jun. 2019. GALILEU, Redação. Mais de 50% das cidades brasileiros descartam o lixo de modo incorreto: De acordo com pesquisa, o índice de reciclagem no Brasil é de apenas 3,7%. 2018. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/MeioAmbiente/noticia/2018/08/mais-de-50-das-cidades-brasileiros-descartam-o-lixo-demodo-incorreto.html>. Acesso em: 02 maio 2019. GIGLIO, Ernesto Michelangelo. O Comportamento do Consumidor. 3. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2005. 245 p. GRUPO

ABRIL.

Missão

e

Valores.

Disponível

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<https://grupoabril.com.br/missao-e-valores/>. Acesso em: 16 maio 2019. GUEDES, Marcelo Santiago. Os impactos do efeito bolha causado pelos algoritmos do Facebook para o direito de resposta. Boletim Científico Esmpu, Brasília,

v.

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2017.

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<file:///C:/Users/User/Downloads/Impactos%20do%20efeito%20bolha%20causado% 20pelos%20algoritmos%20do%20Facebook.pdf>. Acesso em: 01 jun. 2019. HOHLFELDT, Antonio. Os estudos sobre a hipótese de agendamento. Revista Famecos, Porto Alegre, v. 4, n. 7, p.42-51, nov. 1997. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/2983/22 65>. Acesso em: 03 jun. 2019. LADEIRA, Francisco Fernandes. A mídia realmente tem o poder de manipular

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Edição

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<http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/a-midia-realmentetem-o-poder-de-manipular-as-pessoas/>. Acesso em: 31 maio 2019. LISAUSKAS, Rita. ‘Estamos criando uma geração de alienados’, afirma psicólogo

do

HC.

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Crianças.

Disponível

em:


35

<https://emais.estadao.com.br/blogs/ser-mae/estamos-criando-uma-geracao-dealienados-afirma-psicologo-do-hc/>. Acesso em: 30 maio 2019. OLIVEIRA, Gevan. Teorias da Comunicação: Resumo com ilustrações. 2017. Disponível em: <http://pautar.com.br/teorias-da-comunicacao-resumo-comilustracoes/>. Acesso em: 03 jun. 2019. PARISER, Eli. O filtro invisível: O que a internet está escondendo de você. Brasil: Zahar, 2012. 252 p. PORTILHO, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania. São Paulo: Cortez, 2005. PUBLI ABRIL. Marcas e Plataformas: Superinteressante. Disponível em: <http://publiabril.abril.com.br/marcas/superinteressante/>. Acesso em: 03 abr. 2019. REIF, Laura. Moda sustentável: brechós conscientes são nova aposta na hora

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2019.

Colaboração

para

Universa.

Disponível

em:

<https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2019/01/11/moda-sustentavel-brechosconscientes-sao-nova-aposta-na-hora-das-compras.htm>. Acesso em: 02 jun. 2019. RIQUE, Ana. A influência dos grupos sociais em nosso consumo. 2010. Disponível em: <https://consumidoremfoco.wordpress.com/2010/01/23/a-influenciados-grupos-sociais-em-nosso-consumo/>. Acesso em: 29 abr. 2019. SABESP, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Programa De Despoluição Do Rio Tietê Iv. Avaliação Ambiental E Social (Aas) E Plano De Gestão Ambiental E Social (Pgas) Da Amostra Do Programa De Despoluição Do Rio Tiete – Etapa Iv (Tiete Iv). São Paulo, SP, 2018. SILVA,

Valéria

Rossi

Rodrigues

da.

A

evolução

do

conceito

sustentabilidade e a repercussão na mídia impressa do país. 2012. 86 f. Dissertação

(Mestrado)

-

Curso

de

Comunicação

e

Universidade Católica de São Paulo Puc-sp, São Paulo, 2012.

Semiótica,

Pontifícia


36

TEIXEIRA, Patrícia. Estudo da Unicamp aponta falta de conhecimento dos consumidores sobre sustentabilidade: Pesquisa da Faculdade de Engenharia de Alimentos analisou a percepção livre das pessoas e constatou diferenças a partir do nível

de

escolaridade

sobre

o

tema.

2019.

Disponível

em:

<https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2019/05/04/estudo-da-unicampaponta-falta-de-conhecimento-dos-consumidores-sobre-sustentabilidade.ghtml>. Acesso em: 02 jun. 2019. WHAT ARE ALGORITHMS? - Though capable of great feats, they are simply lists of instructions. The Economist explains, Aug 30th 2017. Disponível em: https://www.economist.com/the-economist-explains/2017/08/29/what-are-algorithms. Acesso em: 01 de jun. de 2019. WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. 8. ed. Lisboa: Editorial Presença, 2006. 271 p. Tradução Maria Jorge Vilar de Figueiredo. ZUCKERMAN, Ethan. Redes sociais criam bolhas ideológicas inacessíveis a quem pensa diferente. 2017. Tradução Paulo Migliacci. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/09/1920816-cada-macaco-no-seugalho---zuckerman.shtml>. Acesso em: 02 jun. 2019.


37

H. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO TABELA 1 – Cronograma de execução do produto

Atividade

Julho

Agosto

X

X

Definição das estratégias de execução do produto Pesquisa de campo e contato com fontes

X

Setembro Outubro Novembro

X

Estruturação da reportagem

X

X

Construção do portal digital

X

X

Finalização do produto

X

Finalização e entrega do Relatório de Fundamentação Teórica

X

Fonte: Elaborada pela autora.

I. ORÇAMENTO TABELA 2 – Investimento do projeto

Item

Quantidade

Valor

Software de criação e edição de conteúdo digital Adobe Spark

1 mês

R$ 43,00

Software de edição de vídeo Movavi

1 mês

R$ 51,96

Impressão e encadernação espiral

3 unidades

R$ 138,30

Impressão e encadernação capa dura

1 unidade

R$ 103,50

TOTAL Fonte: Elaborada pela autora.

R$ 336,76


38

J. APÊNDICES APÊNDICE I – PAUTA CRISTINA BONFIGLIOLI

PRÉ-PAUTA

NOME DO VEÍCULO: Portal digital UOL TAB

REPÓRTER

TEMA/ DELIMITAÇÃO

EDIÇÃO

Bianca Miranda

A apropriação do conceito de sustentabilidade e a customização do discurso ambientalista.

Reportagem especial para “Edições”.

SINOPSE A entrevista pretende abordar assuntos como o surgimento da consciência sobre sustentabilidade e sua apropriação para interesses de mercado ao longo dos anos. FONTE 

Cristina Bonfiglioli, pesquisadora bacharel em Ciências Biológicas e doutora em Ciências da Comunicação. Contato: cristina.bonfiglioli@gmail.com | (11) 99657-6069 Assunto: Discurso ambientalista e sua customização.

PERGUNTAS 

Em que nível o discurso ambientalista atinge o cidadão comum?

Toda a luta em prol da sustentabilidade tem gerado resultados relevantes quanto à conscientização da sociedade?

Você acredita que grandes produtores agrícolas e o cidadão comum estão no mesmo nível de conscientização quanto à sua responsabilidade ambiental?

Você acha necessário remodelar a luta pela preservação do meio ambiente para atingir a parcela da sociedade que ainda se encontra resistente? Como isso seria feito?


39

APÊNDICE II – PAUTA SULEIMA JOLY RODRIGUES

PRÉ-PAUTA

NOME DO VEÍCULO: Portal digital UOL TAB

REPÓRTER

TEMA/ DELIMITAÇÃO

EDIÇÃO

Bianca Miranda

As influências para o comportamento humano.

Reportagem especial para “Edições”.

SINOPSE A entrevista pretende compreender o comportamento humano e seus principais agentes influenciadores pela ótica da psicologia cognitivista comportamental. FONTE 

Suleima Joly Rodrigues, psicoterapeuta clínica, professora universitária na Universidade de Mogi das Cruzes – UMC. Contato: suleimajoly@yahoo.com.br | (11) 97350-8235 Assunto: Comportamento humano.

PERGUNTAS 

Como os discursos ambientalistas vindos de grandes empresas e propaganda atingem as pessoas em suas decisões de consumo, hábitos e estilo de vida?

Podemos dizer que a sociedade do século XXI é movida pela necessidade de ter e manter um status social? Por que isso acontece?

Como as redes sociais influenciam na construção da personalidade? Quais outros fatores contribuem para essa construção?

Você acredita que há uma ligação entre o discurso ambientalista, de proteção ao meio ambiente e aos direitos humanos, e o discurso de reparação e culpa pelos acontecimentos passados (como a questão da igualdade racial e de gênero, por exemplo)?


40

APÊNDICE III – PAUTA FABIANA RORATO

PRÉ-PAUTA

NOME DO VEÍCULO: Portal digital UOL TAB

REPÓRTER

TEMA/ DELIMITAÇÃO

EDIÇÃO

Bianca Miranda

Projetos de economia circular em empresas de saneamento no Brasil

Reportagem especial para “Edições”.

SINOPSE A entrevista, realizada em vídeo, pretende abordar a importância da sociedade apoiar projetos tecnológicos que visem otimizar os processos de tratamento de esgoto sanitário no Brasil, bem como entender o valor econômico e ambiental que há no tratamento de resíduos sólidos. FONTE 

Fabiana Rorato, engenheira sanitarista de Prospecção Tecnológica e Propriedade Intelectual da SABESP. Contato: frorato@sabesp.com.br | (11) 3388-8035 Assunto: Economia circular e tratamento de resíduos sólidos.

PERGUNTAS 

Qual a importância ambiental do tratamento de resíduos sólidos?

Como a Sabesp pretende realizar este projeto?

Quais os benefícios em adotar processos de economia circular em grandes empresas como a Sabesp?

Como a sociedade e o meio ambiente serão beneficiados?

Quais atitudes devem ser adotadas pelas pessoas para que projetos como este sejam propagados pelo país?


41

APÊNDICE IV – DECUPAGEM DE ÁUDIO E VÍDEO DA ENTREVISTA COM A ENGENHEIRA FABIANA RORATO

VÍDEO

MINUTAGEM

TRANSCRIÇÃO

ÁUDIO “Um dos principais objetivos desse projeto é fazer com que a população entenda que o VIDEO DSC_4555

00:22 – 01:51

resíduo sólido não é aquilo que [...] a coleta, o transporte e o tratamento dos resíduos sólidos.”

AUDIO Fabi 2

00:19 – 01:48

VIDEO DSC_4555

06:32 – 06:36

“Qual que é o nosso objetivo final? Produzir mais do que consumir.”

AUDIO Fabi 2

06:29 – 06:33

VIDEO DSC_4555

10:26 – 11:05

“O carro que as pessoas andam pode alimentado por um biometano, que é um biogás purificado [...] exigir que as companhias de saneamento façam projetos como esse.”

AUDIO Fabi 2

10:23 – 11:02

VIDEO DSC_4554

01:15 – 01:37

“Resíduos sólidos tá muito ligado a questão de água e esgoto. Se você ver, os rios hoje que são mais poluídos geralmente têm uma carga de resíduos sólidos dentro do rio [...] e também porque é um novo negócio.”

AUDIO Fabi 1

02:06 – 02:27

VIDEO DSC_4554

02:21 – 02:59

“A gente vê que no futuro próximo no Brasil [...] trazer tecnologias pra gente começar a tratar os resíduos sólidos de uma forma eficiente, de uma forma efetiva.”

AUDIO Fabi 1

03:12 – 03:49

VIDEO DSC_4554

04:43 – 05:03

“Nós vamos achar as melhores tecnologias que atendam as características do município [...] tenha viabilidade técnica e econômico financeira.”

AUDIO Fabi 1

05:34 – 05:54


42

VIDEO DSC_4554

05:06 – 05:07

AUDIO Fabi 1

05:57 – 05:59

VIDEO DSC_4554

05:10 – 05:26

“Agregando valor significa que eu quero.” “Utilizar da melhor forma possível a matéria orgânica que tem no lixo, nos resíduos sólidos [...] utilizar o máximo possível dos materiais que podem ser reutilizados.”

AUDIO Fabi 1

06:01 – 06:16

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05:49- 05:57

“Então significa que eu vou ter uma tecnologia que vai trazer benefícios pra sociedade.”

AUDIO Fabi 1

06:40 – 06:48

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01:58 – 02:11

“Nós estamos começando o conceito de economia circular nas nossas plantas tanto nos processos de tratamento de esgoto, quanto nos processos de tratamento de água. Como que a gente olha a economia circular no saneamento?”

AUDIO Fabi 2

01:54 – 02:08

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03:30 – 03:41

“Então a gente pensa o seguinte: vamos olhar a planta de uma forma sistêmica [...] vamos transformar os resíduos em produtos.”

AUDIO Fabi 2

03:27 – 03:38

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03:44 – 03:54

“A gente precisa otimizar a planta em função dessa visão sistêmica [...] todos os processos existentes pensando na economia circular.”

AUDIO Fabi 2

03:42 – 03:51

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04:33 – 05:12

“O que que a gente vai fazer também? Aproveitar os recursos naturais da planta [...] se tiver sol também a gente vai gerar energia fotovoltaica.”

AUDIO Fabi 2

04:30 – 05:08

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14:14 – 14:55

“E esses resíduos agora a gente não olha mais como um resíduo, a gente olha como um produto [...] eu vou usar o biometano que é muito menos poluente.”

AUDIO Fabi 2

14:11 – 14:52

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15:20 – 15:32

“A quantidade de CO2 que ele emite para o meio


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ambiente é 20% do que o diesel emite. Sem contar que o diesel emite materiais particulados, NOX, o que é muito mais tóxico.” AUDIO Fabi 2

15:18 – 15:29

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12:07 – 12:42

“A gente tá fazendo em partes, né. Franca, a gente tá fazendo implantação gradual [...] fazer projetos de economia circular em grandes estações como aqui de São Paulo.”

AUDIO Fabi 2

12:05 – 12:39

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15:48 – 15:51

“Eu to agregando valor agregando valor a um produto, né”

AUDIO Fabi 2

15:45 – 15:48

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06:32 – 06:36

“Qual que é o nosso objetivo final? Produzir mais do que consumir.”

AUDIO Fabi 2

06:29 – 06:33

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11:32 – 11:37

“É um círculo virtuoso em relação ao meio ambiente.”

AUDIO Fabi 2

11:30 – 11:34


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APÊNDICE V – TRANSCRIÇÃO DAS ENTREVISTAS Entrevista 1 – Cristina Bonfiglioli Data da entrevista: 04/09/2019 Local: Rua Eugênio de Medeiros, 676 - Pinheiros, São Paulo - SP, 05425-001

Transcrição da entrevista realizada com a pesquisadora bacharel em Ciências Biológicas e doutora em Ciências da Comunicação, Cristina Bonfiglioli.

A entrevista foi executada de maneira aberta e deu maior espaço para a entrevistada se expressar sobre o tema apontado: o surgimento da consciência sobre a sustentabilidade e sua apropriação, bem como a customização do discurso ambientalista e seus interesses. Por este motivo, optamos por separar a fala da entrevistada em tópicos por assuntos abordados, de modo a garantir melhor desenvolvimento de leitura.

Contexto histórico: O discurso ambiental nasce em dois momentos: Na Europa e nos EUA. Na Europa, com a criação do partido verde nos anos 60, onde teve todo um movimento do pós-guerra de reconstrução da Europa, de valorização de uma série de coisas que eles haviam perdido com duas guerras seguidas. Tem um contexto diferente das Américas. Nos EUA se tem o movimento hippie, a guerra do Vietnã. Tem todo um movimento contracultura que se organiza pela paz e pelo meio ambiente, pela saúde. Por isso o nome “Greenpeace”, que é a “paz verde”, junta essas duas vertentes: a preocupação com a paz mundial e a preocupação com a qualidade de vida ambiental. Naquele momento a grande preocupação com o meio ambiente era a poluição radioativa, porque era vivida a Guerra Fria, ou seja, um momento muito específico totalmente diferente do que a gente vive hoje. Naquela época as grandes empresas


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farmacêuticas e químicas ainda não haviam internalizado a preocupação com meio ambiente, já hoje toda grande empresa tem um departamento para isso e qualidade. O discurso ambiental se estruturou a partir da preocupação com os direitos humanos, ambientais e com a qualidade de vida. Ao longo dos anos foi-se adaptando ao cenário vivido, onde o problema ambiental era visto por determinado viés. Com as mudanças de temas ambientais (ex: década de 60 = guerras, década de 80 = caça as baleias), as grandes empresas passam a internalizar esses discursos. Ou seja, o discurso que começa revolucionário começa a ser introjetado nas empresas, que começam a ter essa preocupação e aí hoje temos prédios sendo construídos com diversos materiais sustentáveis e ambientalmente corretos. A origem da palavra sustentabilidade: A palavra sustentabilidade nasceu entre o século XVI e XVII, com uma origem misturada entre França, Inglaterra e Alemanha, ainda no período dos monarcas. Como era época de navegações, era importante ter madeira para construir as embarcações, pois o poder bélico era dado pelo tamanho da frota. Neste caso, se toda a madeira fosse usada e posteriormente não houvesse mais material para repor e manter os navios, não haveria força para enfrentar outras frotas. A madeira era usada como fonte energética, indústria, transporte, construção civil, ou seja, a economia daquele século girava em torno da madeira. As primeiras idealizações em torno da importância da reposição florestal e da sustentabilidade nasceu nos séculos XVI e XVII, e a partir das necessidades da sociedade daquela época surgiram as primeiras escolas de engenharia florestal. A palavra “sustentável” já tem uns trezentos anos pelo menos, mas não só a palavra como também a ideia por trás dela, que é a necessidade de se poupar recursos, repensar o consumo e pensar nas gerações futuras. Hoje vivemos em uma sociedade de muito incentivo ao consumo, em que as pessoas compram coisas que não precisam. Qual é o limite das coisas que você precisa? Eu por exemplo passei três meses no navio do Greenpeace no oceano Antártico com três mudas de roupas. Quando eu voltei, eu passei a olhar para o meu guarda-roupa e me perguntar “por que eu preciso de tudo isso?”. Como existe uma demanda de status e vida social, acabamos acumulando roupas para se adequar em ocasiões e evitar julgamentos.


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A customização do discurso ecológico e a preocupação com o status social: O discurso ecológico é um discurso que é pressionado por outros discursos, com outros valores simbólicos. Hoje existe uma diversidade de temas em torno da questão ambiental, então o discurso ambientalista vai sendo customizado, ele vai se ajustando ao mercado, ele vira um produto. O discurso ambiental deixa de ser uma reivindicação social, ao meu ver, e passa a ser um produto. A preocupação das empresas com o meio ambiente passa a ser um diferencial do serviço e produtos que elas fornecem. Nesse nível, o cidadão comum fica totalmente perdido em como agir e o que consumir. “Ex: Todo mundo quer ter um celular, está internalizado na sociedade do consumo, mas ninguém se preocupa em saber para onde vai a bateria. Você tem um celular que funciona bem, mas se for lançado um modelo novo, você compra.” A economia mundial gira em torno do consumo e cria-se o status em que “não importa onde eu moro, importa o que eu mostro, o que eu tenho, o que eu visto.” As redes sociais exigem de você ter uma aparência pública, você precisa preservar uma imagem porque as pessoas te julgam e avaliam o tempo inteiro. O mundo está preocupado em parecer, ninguém mais está preocupado em ser. As pessoas só mostram o sucesso delas, o quanto estão felizes, o que exerce uma pressão absurda sobre os jovens que acompanham as redes sociais onde só se vê pessoas

maravilhosas

com

vidas

maravilhosas,

há

sempre

uma

comparação/competição. Isso sempre existiu, mas o fato de você poder expor/divulgar a sua vida de uma maneira falsa, de faz de conta, induz a uma felicidade falsa. O engajamento ecológico e político baseado no comodismo e o discurso de mercado: As pessoas vão se engajar em um discurso ecológico customizado, aquilo que elas acham que é mais fácil de fazer, o que é mais conveniente. As preocupações ambientais dependem de: faixa etária, questões sócio econômicas, engajamento político.


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Eu acho que o discurso ecológico hoje está fora de moda e totalmente absorvido pelo sistema de mercado, tanto que hoje existem cadernos em jornais e revistas sobre meio ambiente. Ex: tem uma revista que diz assim “use materiais sustentáveis para a decoração do quarto do seu filho que vem chegando”. O discurso foi apropriado pelo mercado e o ajustou a seus interesses e demandas. A importância da existência de ONGs e o poder das fake news: Tem que lembrar que quando aconteceu a RIO 92, a gente não tinha um ministério para o meio ambiente, já hoje no mundo todo, todos os governos têm ministérios e legislações ambientais. Um aluno do 8º ano me perguntou se eu achava que a gente ainda precisa do Greenpeace e eu respondi: boa pergunta! Quando o Greenpeace surgiu não existia nada disso e ele junto com outras grandes ONGs contribuíram para a construção da legislação, que antes não existia. Mas mesmo com leis e avaliações, pode chegar alguém e decidir mudar tudo, como no infeliz caso da liberação de pesticidas nas plantações. Então eu digo que a lei não é garantia de que as coisas vão funcionar. A Amazônia pegando fogo e o nosso presidente dizendo que é falso e fazendo seu governo de fake news. Os jornalistas passam a perder mais tempo em investigações tendo que provar que o que o presidente fala é mentira, ao invés de denunciar uma verdade. Há uma inversão de valores, uma inversão inclusive do papel do jornalista. Temos um discurso de negação, discurso que começou com o Putim (2014-2015), um governante que diz a verdade que ele quer, que mente descaradamente. Esse modo de governar, usando a mentira como potência discursiva que confunde a população, está introjetado agora. Exemplos são Trump, Erdorgan na Turquia e o Bolsonaro aqui no Brasil. A população fica dividida entre o que é verdade e o que é mentira. Pra traduzir toda essa situação para o cidadão médio que está preocupado em pagar as contas no fim do mês, é um trabalho complicado. Como é que a gente faz para mobilizar essas pessoas de novo em torno da temática ambiental em meio a tanta confusão de informações falsas? É um grande desafio porque antes de mobilizar em torno da questão ambiental, a gente que mobilizar essas pessoas em


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torno da verdade, criar o hábito de chegar informação, o que é um problema porque agora a gente tem o direito de duvidar inclusive do nosso presidente. O discurso ecológico perdeu muito poder político e está muito impotente porque, assim como outros discursos (igualdade social, questões trabalhistas), perdeu força para esse novo discurso que é muito baseado em negação de verdades científicas [falando sobre o atual governo]. Então a partir desse momento, temos que provar pros nossos leitores que o nosso presidente está mentindo. Isso é muito forte. Como é que um governante mente? Tudo o que estava sendo construído e lutado para desfazer a desigualdade, racismo e intolerâncias, está sendo perdido porque os atuais governantes só querem votos e encontram apoio nos radicais. A sociedade movida pela praticidade e a desvalorização do discurso ambiental: O que está acontecendo agora no final do século XXI é o valor da mentira. A mentira virou um valor político. Cientistas, médicos, jornalistas não conseguem desconstruir esse discurso porque as pessoas estão muito cansadas... Eu acho que o povo brasileiro é um povo muito sofrido e não tem mais paciência. É aquilo que eu falei: as pessoas só querem chegar no fim do mês e conseguir pagar as contas, ter prazeres simples, poder levar a criança no shopping, ir pra praia, poder descansar um pouco nas férias. Então eu acho que todo discurso pela liberdade são discursos da época da Revolução Francesa mais ou menos, estão muito desvalorizados neste momento em que temos o discurso da praticidade, da resolução prática, onde ninguém quer ter que pensar porque pensar cansa, pensar dói, pensar dá trabalho. As pessoas querem respostas e soluções rápidas e simples para a vida delas. Acho que nesse momento o exercício que tem que ser feito é de descontruir o que é falso, porque as fake news trazem histórias muito atraentes com um “quê” de fofoca. E entra novamente na questão no status, porque as pessoas querem mostrar para seus seguidores como elas são “engajadas” em assuntos ambientais etc e não fazem um filtro do que compartilham para saber se é verdade ou não.


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Então o discurso ambientalista, como todos os outros discursos, está perdendo espaço pra esse momento em que a gente tem que ficar tentando desconstruir as mentiras. Atualmente, eu acho que ele já não tem apelo nenhum, a não quando é o caso de uma situação séria/grave como o desmatamento da Amazônia. E ainda assim, quando alguém que possui influência mundial, como o presidente da França, fala sobre o assunto é atacado. Onde impacta o discurso ecológico: Por que o discurso ecológico é tão ineficiente? Ele pode ser ineficiente na micropolítica, não muda o comportamento das pessoas na micropolítica que continuam jogando papel no chão, por exemplo, mas ele é eficiente na macro política. Macro politicamente ONGs, todos os tratados internacionais de onde o discurso emana, onde se determina o que tem que ser feito (Acordo de Paris, essas coisas todas), fazem uma pressão, os países que pensam parecido pressionam os outros para a preservação do meio ambiente. Cada condição de vida e de sobrevivência vai dificultar ou facilitar alguma preocupação com o meio ambiente. Ex: o cidadão ribeirinho que mora em casa de palha e tem sua cozinha repleta de utensílios de plástico porque é mais barato, não vai ter condições de se preocupar com o consumo sustentável e o descarte de plástico. O discurso ambientalista é urbano, ocidental e branco. É um discurso que não nasceu da floresta, é um discurso que vem da cidade, porque é a cidade que quer receber alimentos orgânicos, que se preocupa com a sua qualidade de vida, mas não se interessa em saber como é que esse alimento está sendo produzido, quais são as condições de trabalho de quem produz esses hortifrútis ou mesmo a origem dos alimentos industrializados. Quanto custou para sua geladeira estar recheada? Ou seja, o discurso ecológico nasceu na cidade como uma demanda urbana. A complexidade das questões ambientais: Há uma confusão quando pensamos em problemas ambientais mais complexos como, por exemplo, o tempo de vida de um produto. O que é melhor: comprar um


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produto de madeira ou de metal? Usar folha de papel, que vem da árvore, ou um secador que consome energia elétrica, para secar as mãos? Um produto orgânico é sem dúvidas muito melhor que os industrializados, mas é muito mais caro. Quem tem condições de comprar esses produtos? Quem que adere ao uso de transporte público? Quem tem menos dinheiro, de um modo geral. Quem opta pela bicicleta? Quem mora perto do emprego e que tem um percurso com ciclovias. Não basta remodelar o discurso ambientalista. Para você ser e ter uma vida ecologicamente correta você precisa renunciar. Renunciar ao seu status, renunciar ao consumo, ao conforto, a seu estilo de vida. E ninguém quer renunciar. Seu comportamento tem que estar muito vinculado ao que você entende por conforto e à preocupação com as gerações futuras. Existe uma dificuldade em se pensar no futuro, porque estamos muito adeptos ao valor prático, imediatista e individualista, ou seja, o que eu faço agora que irá gerar resultados imediatos. Já no caso do meio ambiente, o que você faz agora só irá impactar lá na frente. Nós queremos melhorar a qualidade de vida pra quem? Para a espécie humana. Quando eu estava na campanhas das baleias com o Greenpeace eu questionava: se a gente não consegue proteger os maiores mamíferos da Terra, como é que a gente vai garantir a preservação da nossa própria espécie? Os bichos estão sendo extintos por causa de problemas ambientais e, de modo geral, por causa de uma caça desnecessária (que não visa à alimentação), que desperdiça vida para um mercado sem propósito. Esse é um tipo de renúncia. Tentar ser ambientalmente correto é muito complicado. Você consegue manter algumas ações com as coisas que são mais fáceis. Recentemente a União Europeia aprovou legislação que proíbe o uso de produtos plásticos descartáveis: Quando países desenvolvidos como os europeus aprovam legislações que buscam banir o plástico, o que as empresas produtoras de embalagens fazem? Elas se realocam no hemisfério sul, em países da África, do Oriente Médio, América Latina. Ou seja, “dois pesos, duas medidas”. Se lá existem legislações que proíbem o


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plástico porque é um material mais complexo e tem mais custo para reciclar, essa empresa vai para outro país que não tem legislação ambiental sobre aquilo. Ou mesmo no Brasil, em que empresas partem de São Paulo para estados da região norte e nordeste porque a legislação ambiental é fraca, que para a empresa significa custos de produção mais baixos. As pessoas agem da mesma forma. Nós, do ponto de vista da cognição, temos um cérebro que é impulsionado a querer o que é mais fácil, que não exige muito esforço de pensamento. Por isso, todos os processos de pensamento, de conhecimento e de descobrimento de coisas novas são difíceis, porque é novo. Depois que se aprende, depois do esforço para aprender, torna-se algo mais leve, mais fácil e automático. Todo mundo tem uma história engraçada e/ou dolorida para contar de quando estava aprendendo a andar de bicicleta, porque é um processo de descoberta de uma nova potencialidade em que é inevitável o sofrimento. Para você mudar um comportamento e aderir um processo novo, o seu cérebro passa por um processo de negação, porque a tendência do nosso cérebro é encontrar a zona de conforto e permanecer nela. O discurso ambientalista como está hoje, totalmente customizado, prega a renúncia e a saída zona de conforto. As pessoas não estão emocionalmente preparadas para assumir isso, não é apenas uma questão de má vontade. É como decidir casar, fazer uma faculdade, mudar de cidade, é uma mudança e toda mudança pressupõe de compromisso e as pessoas não têm compromisso hoje em dia, as pessoas te ligam cinco minutos antes dizendo que elas não vão. As pessoas se permitem mudar de ideia o tempo inteiro. Pensando que se cada um se preocupar com uma parte e determinados grupos cuidarem de um assunto, pode-se influenciar em alguma mudança positiva, mas a grande diferença quem faz são os governos, criando leis e fiscalizando para garantir que as leis ambientais sejam cumpridas à risca. Não dá para mudar o mundo sozinho. Eu tenho certeza que Mandela, Churchill, Gandhi, Rachel Carson e outras personalidades fortes tiveram apoio para conseguir fazer suas ideias ganharem força e se propagarem pelo mundo.


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Entrevista 2 – Suleima Joly Rodrigues Data da entrevista: 20/09/2019 Local: Clínica de Psicologia da Universidade de Mogi das Cruzes Endereço: Av. Dr. Cândido Xavier de Almeida Souza, 200 - Centro Cívico, Mogi das Cruzes - SP, 08780-911

Transcrição da entrevista realizada com a psicoterapeuta clínica e professora universitária, Suleima Joly Rodrigues

Bianca: Quais são os principais influenciadores para o comportamento humano no que diz respeito à sustentabilidade ambiental? Suleima: Existem muitas possibilidades para as pessoas terem esse tipo de comportamento, de se preocupar com a sustentabilidade ambiental, como questões socioeconômicas, por exemplo. Nós temos a necessidade do reconhecimento, de sermos notados, alguns tem mais do que outros e isso está diretamente envolvido com o contexto de vida. Todo comportamento humano é baseado no contexto em que a pessoa está inserida, é uma questão até cultural. Por exemplo, se falarmos de outros países, como o Canadá, as pessoas tem muito mais condições para se adaptar ao novo sistema, que é o da sustentabilidade. Falar de sustentabilidade é importante. A psicologia se preocupa com isso e existe a psicologia ambiental, em que a proposta é trabalharmos com o grupo, verificarmos como o ambiente influencia esse grupo e com base nisso fazer uma psico educação. Uma pessoa que tem autoestima baixa possui uma necessidade maior do reconhecimento do outro. Então ela vai procurar seguir tudo o que é politicamente correto para ser aceito. É nessa hora que vemos nas redes sociais as hashtags ‘partiu academia’, o controle de curtidas e seguidores. Então o envolvimento [com ações ambientalistas] varia muito com o grupo em que se está inserido.


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Quando nós nascemos, nós temos em nossa mente uma base de dados. Algumas informações são características da nossa personalidade, o resto nós aprendemos com as pessoas que cuidam da gente e com o ambiente em que estamos inseridos. Então o nosso desenvolvimento psíquico é consequência daquilo que aprendemos, ou seja, se você vê seu pai jogando lixo para fora do carro, consequentemente você vai fazer igual. Quando a pessoa trabalha em uma empresa, por exemplo, e existem treinamentos dentro dessa empresa, a pessoa vai perceber que aquele comportamento dela não é adequado. Então ela vai parar de jogar lixo pela janela e vai começar a chamar a atenção do pai. Mas também existe outra questão. Hoje eu vejo aqui na clínica [Clínica de Psicologia da UMC, onde os alunos dos 8º e 9º anos do curso de psicologia realizam atendimentos] que as pessoas sofrem demais, elas estão sendo muito punidas, ou seja, eu sou punido quando eu vou para o meu serviço, tendo que pegar um trem sufocante, chegando ao serviço, tem um chefe que é autoritário e tirano, eu não ganho bem, ai eu vou ao supermercado e não consigo fazer uma boa compra, são punições. A única resposta que damos quando somos punidos é a raiva. Por isso que hoje a psicologia, por exemplo, não aceita bater em criança, porque a punição física vai fazer com que essa criança iniba esse comportamento na frente do agressor e depois desconte em outros ambientes, como na escola com os coleguinhas. Então se a pessoas tem essa rotina de punição e não tem uma condição de vida boa, dificilmente ela vai querer se mobilizar pela sustentabilidade ambiental. Além disso, existe a raiva dessas pessoas por outras que possuem uma qualidade de vida melhor. Por exemplo, se a pessoa está dentro de um ônibus vê um carrão ao lado, ela vai ter vontade de jogar uma latinha nesse carro e na pessoa que está dentro. Hoje muitos dos nossos movimentos são consequências da nossa raiva. Bianca: Por que temos necessidade em pertencer a grupos? Suleima: Existem muitos comportamentos que são realizados por questões de aceitação do grupo. Por exemplo, quando vemos casos de brigas em baladas em que um grupo bate em um rapaz, existem cinco ou seis envolvidos, mas foi um que


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começou e os outros, como estão ali naquele mesmo ambiente e para serem aceitos, imitam a ação. A nossa mente funciona mais ou menos dessa forma e isso contribui para a existência de tantos preconceitos, porque as pessoas têm a tendência de quererem sempre ser reconhecidas e aceitas. Bianca: Você acha possível que remodelando o discurso ambientalista é possível mobilizar uma maior quantidade de pessoas? Suleima: Antes de falar de sustentabilidade, temos que pegar o grupo e mexer na raiz. Um exemplo: quando atendemos dependentes químicos, não adianta falar que a droga não faz bem e que ele deve largar o vício. Primeiro eu tenho que avaliar a estrutura de vida dessa pessoa e entender os motivos que levaram a pessoa a estar nessa condição e estruturar essa pessoa. Então quando a gente fala de mobilizar as pessoas em prol da sustentabilidade, a gente tem que, primeiro, entender o contexto da pessoa e do grupo, conhecer o ambiente em que estão inseridos e trabalhar primeiro com a base estrutural para depois politizar e conscientizar. Dentro da área da saúde, com uma equipe composta por uma assistente social, uma psicóloga, uma nutricionista e um engenheiro ambiental, nós olhamos a pessoa de forma biopsicossocial, avaliando questões biológicas, socioculturais e psicológicas. Quando fazemos trabalhos em grupos de pessoas que moram em comunidades, nós identificamos as necessidades e atuamos sugerindo algumas modificações no ambiente para que essa comunidade possa crescer. É um trabalho com contexto. Eu não posso, por exemplo, ir a uma comunidade como a Divinéia, aqui em Mogi das Cruzes, e falar para as pessoas que elas têm que economizar água. Eu penso que se você for fazer um orçamento para a instalação de um equipamento de energia solar e avaliar o custo benefício, provavelmente em longo prazo será ótimo, mas poucas pessoas têm condições financeiras de ter esse tipo de equipamento. Então assim, antes de falarmos de sustentabilidade, devemos avaliar uma série de coisas. O que nós [profissionais da psicologia] fazemos são reparos, nós consertamos alguma coisa que não está certa e a proposta é que a pessoa tenha um crescimento pessoal.


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Eu acho que a mídia pode ser uma grande aliada divulgando, com mais frequência, as ações de trabalho voluntário para que mais profissionais da saúde ajudem. O que acontece é que a mobilização só acontece em momentos de tragédia, com em Mariana e Brumadinho porque é o que é mais divulgado. Não dá pra eu chegar na casa de uma pessoa que dorme em chão batido de barro e falar sobre sustentabilidade. A gente pensa que essa é uma realidade muito distante da nossa, que só se vê gente vivendo assim no nordeste, por exemplo, mas existe aqui perto da gente, em todo lugar. Eu tenho que pegar essa família e, primeiro, estruturar, ajudar com a saúde física, eu tenho que dar remédio, cesta básica, colocar as crianças na creche, arrumar um emprego para esse pai e essa mãe... Depois disso, eu sento com eles e falo sobre sustentabilidade. Bianca: Você acredita que há uma ligação entre o discurso ambientalista, de proteção ao meio ambiente e aos direitos humanos, e o discurso de reparação e culpa pelos acontecimentos passados? Como a questão da desigualdade racial e de gênero, por exemplo. Suleima: Os atuais movimentos lutam para resgatar algo que a sociedade não permite e por isso são importantes e devem continuar existindo. O que eu vejo é que existem alguns discursos de ódio, em que as pessoas aproveitam da existência de movimentos para colocar toda a raiva para fora.


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Entrevista 3 – Fabiana Rorato Data da entrevista: 31/10/2019 Local: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP Endereço: R. Sumidouro, 448 - Pinheiros, São Paulo - SP, 05428-010

Transcrição da entrevista realizada com a engenheira sanitarista de Prospecção Tecnológica e Propriedade Intelectual, Fabiana Rorato

Fabiana: Então eu vou falar um pouco sobre a Sabesp. A Sabesp é uma companhia de saneamento básico. O saneamento pode atuar com o tratamento e abastecimento público de água, com a coleta e tratamento de esgoto, com a drenagem urbana e o tratamento de resíduos sólidos. Atualmente a Sabesp só trabalha sobre a ótica do tratamento de água e esgoto, porém estamos estudando algumas alternativas para começar a tratar os resíduos sólidos. Bianca: Por que é importante para a Sabesp tratar resíduos sólidos? Fabiana: Primeiro porque o tratamento de resíduos sólidos está muito ligado à questão de tratamento de água e esgoto. Se você ver hoje os rios que são mais poluidos possuem uma carga maior de resíduos sólidos. Então tratar resíduos sólidos significa tratar água e esgoto e isso é muito importante. E também porque é um novo negócio para a Sabesp. Bianca: Nós sabemos que os resíduos sólidos são responsáveis por grande parte da poluição de rios e mares. Pensando nisso, como a Sabesp pretende contribuir para a melhoria deste cenário? Fabiana: Esse novo negócio da Sabesp muda um pouco como tratar os resíduos sólidos. A gente vê que num futuro próximo no Brasil haverá a necessidade de se implantar novas tecnologias para o tratamento desses resíduos. Isso significa que a gente nã vai poder, a médio e longo prazo, usar mais os aterros sanitários. Então a gente tá estudando e fazendo prospecções tecnológicas no mundo inteiro, tudo o que já se viu, tudo o que já se implantou, tudo o que já tá aplicado e trazer tecnologias pra gente começar a tratar os resíduos sólido de uma forma eficiente, de uma forma efetiva. A gente estudou diversas tecnologias do mundo, tecnologias


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suécas, alemãs… Então o que que a gente quer? A gente quer pegar o resíduo sólido e aproveitar o máximo possível dele. Na avaliação da tecnologia, nós vamos achar tecnologias eficientes que atendam as características de cada município e que nós consigamos agregar valor a elas para que a gente consiga fechar o ciclo e tenha viabilidade técnica e econômico finaceira. O que significa isso? Agregando valor significa que eu quero utilizar da melhor forma possível a matéria orgânica que tem no lixo, nos resíduos sólidos, eu quero fazer a reciclagem, utilizar o máximo possível os materiais que podem ser reutilizados e essa matéria orgânica e aquilo que a gente consiga gerar energia a gente vai achar a melhor forma de gerar energia. Na hora de fazer uma avaliação no âmbito global, o custo tem que fechar de forma positiva, ter um saldo positivo. Então significa que eu vou ter uma tecnologia que vai trazer benefícios para a sociedade. Eu acho assim, que um dos principais objetivos desse projeto é fazer com que a população entenda que o resíduo sólido não é que ela olha que tá no saco de lixo que ela ver aquele saco longe o máximo posível. Ela tem que entender que aquilo vai gerar energia, que aquele produto vai servir para algum uso final. Então isso vai fazer com que a população não jogue mais lixo na rua, que ela entenda que o lixo que ela tá gerando é um produto que vai usar depois no final. Isso que é importante, porque se a gente conseguir, não só nos resíduos sólidos, mas também nos processos de coleta e tratamento de esgoto, que a populção entenda o processo e abrace o trabalho que as companhias de saneamento estão fazendo, ai ela começa a fazer o trabalho dela próprio, ou seja não jogar o lixo na rua por exemplo, e ela começa a exigir das companhias de saneamento que façam o melhor possível daquele processo, daquele trabalho. Então eu acho que esse é um objetivo muito nobre. E aí a gente consegue alavancar a coleta, o transporte e tratamento dos resíduos sólidos. Bianca: Como funciona o processo de economia circular na Sabesp? Fabiana: Nós estamos começando a utilizar o conceito de economia circular nas nossas plantas, tanto nos processos de tratamento de esgoto como nos processos


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de tratamento de água. Como que a gente olha a economia circular no saneamento? A gente começa a ver a planta, por exemplo uma planta de tratamento de esgoto, como uma planta recuperadora de recursos, não uma planta geradora de resíduos. Então a gente pensa o seguinte: vamos olhar a planta de uma forma sistêmica e tentar aproveitar o máximo possível desses resíduos, vamos transformar os resíduos em produtos. A gente precisa otimizar a planta em função dessa visão sistêmica. Então olhar todos os processos existentes pensando na economia circular. O que que a gente vai fazer também? A gente vai aproveitar os recursos naturais da planta. Com o Sol, a gente vai colocar o lodo em estufas e secar com o calor do sol. Vamos aproveitar tamém esse sol pra gerar energia com células fotovoltaicas. Vamos aproveitar o vento com sistemas eólicos pra gerar energia eólica. Mas tudo depende da característica de cada planta, então onde tiver vento, se tiver vento e der viabilidade a gente vai gerar energia eólica, se tiver sol também e der viabilidade, a gente vai gerar energia fotovoltaica. Para nós a economia circular, como exemplo em uma estação de tratamento de esgoto, é a gente transformar a planta numa recuperadora de recursos, otimizar todo o processo e aproveitar o máximo possível dos recursos naturais existentes. Qual que é o nosso objetivo final? Produzir mais do que consumir. Mas a questão é produzir produto com alto valor agregado, não produzir resíduos como antigamente. Bianca: Qual a importância da economia circular para o saneamento, meio ambiente e população? Fabiana: Para o saneamento é muito importante porque as pessoas vão entender que o esgotamento sanitário é muito útil, não é aquilo que a gente pensa “eu quero o esgoto fora da minha casa e se cair no rio não tem problema”, não! Se todo esgoto sanitário gerar numa estação de tratamento e conseguir gerar energia, conseguir gerar fertilizante… Por exemplo, nosso lodo tem muita matéria orgânica, tem Fósforo, tem Nitrogêneo… E ele pode, vindo de esgoto doméstico, ele pode ser mandado para a agricultura se for pasteorizado, se a gente conseguir eliminar os patógenos. Então se ele perceber que o esgoto que tá saindo da casa dele, ele pode gerar um produto que vá para a agricultura e o aimento que ele tá comendo é


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fertilizado por esse esgoto… O carro que as pessoas andam pode ser alimentado por um biometano que é um biogás purificado, que isso já acontece na estação de tratamento de Franca… Então a população vai começar a dar valor ao esgotamento sanitário e exigir esgotamento sanitário no Brasil inteiro. Então eu digo que projetos como esse fazem com que a gente consiga alavancar o saneamento no Brasil e as pessoas começam a exigir, fazer o próprio dever, mas também exigir que se faça, que as companhias de saneamento façam projetos como esse. Bianca: Qual é a expectativa de propagação desse projeto para outros lugares além das estações de tratamento da Sabesp? Fabiana: A gente tá fazendo em partes. Em Franca a gente tá fazendo a implantação gradual e alguns dos processos que a gente já implantou a gente tá estudando pra replicar em outras plantas. Já foram feitos vários estudos para poder fazer projetos como esse, não iguais, mas que atendam as características das plantas da região metropolitana que tem esgoto doméstico e industrial, trazer pra cá. Então fazer projetos de economia circular em grandes estações como aqui de São Paulo.


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APÊNDICE VI – FORMULÁRIO DO GOOGLE

O formulário foi produzido como uma das técnicas de pesquisa para a elaboração da reportagem. O objetivo era entender qual a concepção da população sobre sustentabilidade ambiental e quais hábitos essa pessoas praticam em sua rotina. Ao todo, a pesquisa rendeu 52 respostas, a maioria delas vindas de estudantes moradores da zona leste de São Paulo. O que se pôde concluir é que essas pessoas sabem o que são hábitos sustentáveis e têm consciência sobre sua importância, mas não os praticam porque requer atos de renúncia. Ou seja, para que uma pessoa possa adotar um estilo de vida mais sustentável, é necessário que se abandone certos hábitos, como por exemplo: o consumo frequente de carne, o uso diário de automóveis, o consumo irresponsável de produtos com composição à base de plástico, entre outros. É, de fato, uma decisão difícil com a qual a sociedade, em sua maioria, não está acostumada e sair da zona de conforto não é algo tão convidativo.

FIGURA 4 – Introdução do formulário

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.

FIGURA 5 – Pergunta 1

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.


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FIGURA 6 – Pergunta 2

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.

FIGURA 7 – Pergunta 3

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.


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FIGURA 8 – Pergunta 4

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.

FIGURA 9 – Pergunta 5

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.


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FIGURA 10 – Pergunta 6

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.

FIGURA 11 – Respostas para a pergunta 1

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.

FIGURA 12 – Respostas para a pergunta 2

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.


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FIGURA 13 – Respostas para a pergunta 3

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.

FIGURA 14 – Respostas para a pergunta 4

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.

FIGURA 15 – Respostas para a pergunta 5

Fonte: Formulário do Google elaborado pela autora.


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FIGURA 16 â&#x20AC;&#x201C; Respostas para a pergunta 6

Fonte: FormulĂĄrio do Google elaborado pela autora.


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APÊNDICE VII – PRIMEIRA VERSÃO DA REPORTAGEM ESCRITA

SUSTENTABILIDADE PARA INGLÊS VER “O discurso ambientalista é urbano, ocidental e branco” – Cristina Bonfiglioli. O conceito de sustentabilidade existe há séculos, mas atualmente a customização do discurso ambientalista tornou a palavra cada vez mais presente na rotina da sociedade da era da tecnologia. Em meio a uma explosão de informações e recursos que nos avaliam e julgam o tempo todo, como entender os próprios atos? A origem Na Alemanha, França e Inglaterra, ainda no tempo dos reis e seus impérios, o conceito de sustentabilidade já era utilizado. Naquela época, entre os séculos XVI e XVII, o poder bélico de um rei era medido pela quantidade de embarcações que sua frota possuía. Por isso, o uso da madeira começou a ser pensado com mais cautela, principalmente porque a madeira era usada como fonte energética, como transporte e para construções civis, ou seja, toda a economia daquele período era concentrada na madeira. Mais adiante, já na década de 1960, surgem os movimentos de contracultura que atinge diversos países do globo, em destaque a Europa e os Estados Unidos. O movimento hippie ganha força e as pessoas passam a se mobilizar pela paz, saúde, meio ambiente e direitos humanos. Já nos anos 1980, a caça às baleias foi o maior impacto ambiental, época em que mais de 2 milhões de animais foram abatidos, o que causou o risco de extinção de várias espécies. Por consequência da matança desenfreada, a Comissão Baleeira Internacional (CBI) declarou, em 1986, a moratória internacional para a caça comercial de baleias. Infelizmente, a Noruega e a Islândia são países que não integram a comissão e, em dezembro de 2018, o Japão declarou que não permanecerá como membro, voltando, oficialmente, suas atividades de caça após 30 anos. Em julho deste ano, o país retomou a captura comercial com o objetivo de


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caçar 227 baleias de espécies diferentes até o final de 2019, justificando o ato como parte de sua cultura e alegando que a maioria das espécies não está em ameaça de extinção. Mesmo fazendo parte da CBI, o Japão nunca abandou totalmente a caça de baleias, pois se valia da condição de caça para fins científicos. No período atual, a preocupação ambiental está concentrada no aquecimento global, ocasionado principalmente pelo consumo irresponsável de recursos naturais, pela poluição atmosférica, pela poluição de rios e mares, entre diversos outros problemas. Segundo levantamento realizado em 2017 pela Associação Internacional de Resíduos Sólidos – ISWA, representada nacionalmente pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE, 25 milhões de toneladas de lixo vão para os oceanos, sendo o Brasil responsável por 2 milhões. 90% desse lixo são bitucas de cigarro e plástico. As principais ONGs mundiais buscam, entre tantos movimentos ambientais, a conscientização para a redução, reutilização e reciclagem do lixo, os famosos 3Rs da sustentabilidade. Ou seja, a preocupação com a sustentabilidade se origina a partir das necessidades existentes no momento em que se vive e, da mesma maneira, o discurso ambientalista é moldado e customizado com base não apenas nas necessidades, mas também nos interesses sociais e de mercado. “O discurso ambiental se estruturou a partir da preocupação com os direitos humanos, ambientais e com a qualidade de vida. Ao longo dos anos foi-se adaptando ao cenário vivido, onde o problema ambiental era visto por determinado viés. Com as mudanças de temas ambientais (ex: década de 60 = guerras, década de 80 = caça as baleias), as grandes empresas passam a internalizar esses discursos. Ou seja, o discurso que começa revolucionário é introjetado nas empresas, que passam a ter essa preocupação e aí hoje temos prédios sendo construídos com diversos materiais sustentáveis e ambientalmente corretos.” – Cristina Bonfiglioli, Pesquisadora com formação multidisciplinar, Bacharel em Ciências Biológicas e Doutora em Ciências da Comunicação.


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A customização A diversidade de temas em torno da sustentabilidade ambiental é uma realidade incontestável nos dias atuais, o que impulsiona à customização desses temas, ou seja, passam a ser criados grupos de interesses em torno da questão ambientalista, em que prevalece o interesse de mercado, tornando o discurso ambiental algo vendável. Mas o que exatamente é a customização do discurso ambientalista? Customizar significa reformar ou transformar algo seguindo as necessidades do usuário. No caso do discurso ambientalista, a customização se dá, principalmente, por parte das grandes empresas, que internalizam esse discurso em suas atividades institucionais e o adaptam para que possa ser vendido como uma imagem positiva para a instituição. Quando o discurso em prol da sustentabilidade ambiental passa a ser visto como mercadoria, seus valores começam a ser modificados para que mais pessoas “comprem” a ideia. É fato que temos grandes preocupações a respeito da preservação do meio ambiente, como o aquecimento global, por exemplo, mas no mundo das grandes indústrias e propagandas, o que vence é o interesse econômico, mesmo que disfarçado de boas ações. Por isso, o conceito de sustentabilidade ambiental passou a ser absorvido pelo sistema de mercado e ajustado aos seus interesses e demandas. “O discurso ambiental deixa de ser uma reivindicação social e passa a ser um produto. A preocupação das empresas com o meio ambiente passa a ser um diferencial do serviço e produtos que elas fornecem. Nesse nível, o cidadão comum fica totalmente perdido em como agir e o que consumir.” – Cristina Bonfiglioli. Para a sociedade, o discurso ecológico customizado torna-se algo cômodo, pois permite o engajamento naquilo que é mais fácil e conveniente. Como consequência, a preocupação com aspectos ambientais varia de acordo com o contexto socioeconômico, cultural, político e etário de cada indivíduo.


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Não importa ser, importa parecer O consumo é o que move a economia mundial e, por isso, está enraizado em nossa cultura, criando no indivíduo a necessidade de ter e manter um status social. Na era digital, as inúmeras redes sociais facilitam a propagação da imagem que queremos passar aos outros. Compartilhamos assuntos que julgamos serem adequados para manter um status. Surgem os “ativistas de telão”, pessoas falsamente engajadas que compartilham desvairadamente conteúdos militantes para mostrar quão politicamente corretas são. A construção da autoimagem está diretamente relacionada à autoestima, que nasce na infância e nos acompanha até os últimos dias de vida. Isso significa que tomamos consciência de quem somos a partir do outro, que tem a função de nos espelhar. O “eu” nasce a partir da percepção de outra(s) pessoa(s), assim como servimos de correspondentes para a construção da imagem do outro. Ou seja, a visão que temos de nós mesmos vem de ambientes externos, nos enxergamos de fora para dentro, seja pela opinião do outro ou por uma foto e, com o passar do tempo, passamos a associar nossa imagem com padrões de qualidade (feio, bonito, gordo, magro etc). O mesmo acontece com características da nossa personalidade, que são projetadas por pessoas do nosso convívio e comparadas com outras personalidades. “Uma pessoa que tem autoestima baixa possui uma necessidade maior do reconhecimento do outro. Então ela vai procurar seguir tudo o que é politicamente correto para ser aceito. É nessa hora que vemos nas redes sociais as hashtags ‘partiu academia’, o controle de curtidas e seguidores. Então o envolvimento [com ações ambientalistas] varia muito com o grupo em que se está inserido.” – Suleima Joly Rodrigues, Psicoterapeuta Cognitiva Comportamental, Professora Mestre em Psicogerontologia na Universidade de Mogi das Cruzes. A pressão social existente na busca pela perfeição internaliza na sociedade a dependência e a falta de identidade. Isso porque abraçamos qualquer ideia que prometa aceitação social e, por consequência disso, os diversos movimentos que lutam por melhorias sociais e ambientais tornam-se cada vez mais enfraquecidos. A contradição entre discurso e ação está explicitamente visível.


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Há também aqueles que preferem se destacar pelo discurso de ódio, aspirando ao caminho em contramão das massas. Há aqueles que criticam os movimentos ambientalistas e criam inúmeras teorias conspiratórias, mas até essas pessoas têm esses impulsos para se tornarem visíveis. Isso acontece porque o ser humano vive involuntariamente “na defensiva” e tem o impulso de julgar, agredir e tentar controlar tudo o que lhe parece ameaçador ou desconhecido. O psicanalista Christian Dunker explica, em seu livro “A reinvenção da intimidade”, que o que atualmente entendemos como felicidade é muito raso, pois se baseia em como o outro nos enxerga e, por isso, temos a necessidade de nos expor para que o outro nos aprove. A felicidade para a sociedade atual está muito associada com valores materiais, com o consumo e a posse. Além disso, a forma como a solidão é sentida nos dias de hoje também está transformada. Dunker afirma que essa transformação do sofrimento é influenciada, principalmente, pelas mudanças estruturais da sociedade contemporânea, como as mudanças no modelo familiar e de gênero, por exemplo. Além de selfies, hashtags e curtidas, induzidas pela busca por uma falsa felicidade, o século XXI é movido pela praticidade e retorno imediato, em que a maioria das pessoas se preocupa com resultados em curto prazo e resoluções rápidas. Isso pode ser explicado por diversos fatores, mas seguindo pela vertente mais básica, pode-se dizer que nosso cérebro está condicionado a nos manter na zona de conforto, garantindo a segurança de forma que, quando somos confrontados a fazer algo que nos deixa desconfortáveis, inconscientemente recuamos. As condições psíquicas do ser humano estão alinhadas a outros fatores que explicam a mobilização a respeito da sustentabilidade ambiental. Quando há uma contextualização da vida de uma pessoa, é necessário considerar suas condições, principalmente, financeiras. Outra perspectiva Até que ponto uma pessoa, por exemplo, de classe média baixa, com uma família numerosa consegue se preocupar com a sustentabilidade ambiental? Ela até se preocupa, mas existem outras prioridades em sua rotina, como a necessidade de


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alimentar a sua família, por exemplo, mesmo que para isso ela precise comprar produtos com embalagens plásticas porque são mais baratos. “Hoje eu vejo aqui na clínica [Clínica de Psicologia da UMC, onde os alunos dos 8º e 9º anos do curso de psicologia realizam atendimentos] que as pessoas sofrem demais, elas estão sendo muito punidas, por exemplo: eu sou punido quando eu vou para o meu serviço, tendo que pegar um trem sufocante, chegando ao serviço, tem um chefe que é autoritário e tirano, eu não ganho bem, ai eu vou ao supermercado e não consigo fazer uma boa compra, são punições. A única resposta que damos quando somos punidos é a raiva. Hoje muitos dos nossos movimentos são consequências da nossa raiva.” – Suleima Joly Rodrigues. O aspecto socioeconômico de uma pessoa, geralmente, é o principal determinante para a sua mobilização ambiental, mas além dele existem os fatores culturais, aqueles que envolvem a educação familiar do indivíduo, que influenciam na construção da personalidade e, consequentemente, nas atitudes. A psicologia baseada na terapia cognitivo comportamental explica que os principais agravantes para a formação da personalidade de cada pessoa são os grupos nos quais ela está inserida. Desde o nascimento, somos condicionados a viver em grupos e com esses grupos aprendemos coisas que moldam a maneira como pensamos e agimos. Geralmente, o primeiro contato que temos é com o ambiente familiar, que nos permite construir a base da nossa personalidade. Conforme evoluímos em idade e maturidade, passamos a nos identificar com outros grupos, como a empresa em que trabalhamos, por exemplo, e temos acesso a diferentes pontos de vista, regras e condutas, que são introduzidos em nossa personalidade. “Algumas informações são características da nossa personalidade, o resto nós aprendemos com as pessoas que cuidam da gente e com o ambiente em que estamos inseridos. Então o nosso desenvolvimento psíquico é consequência daquilo que aprendemos, ou seja, se você vê seu pai jogando lixo para fora do carro, consequentemente você vai fazer igual.” – Suleima Joly Rodrigues. Então quando falamos de engajamento ecológico, falamos muito sobre aspectos socioeconômicos, mas não somente isso. Considera-se também a pré-disposição do


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ser humano em ser influenciado pelos ambientes externos aos quais pertence, pois estes simbolizam alguma independência na construção de personalidade. “O discurso ambientalista é urbano, ocidental e branco. É um discurso que não nasceu da floresta, é um discurso que vem da cidade, porque é a cidade que quer receber alimentos orgânicos, que se preocupa com a sua qualidade de vida, mas não se interessa em saber como é que esse alimento está sendo produzido, quais são as condições de trabalho de quem produz esses hortifrútis ou mesmo a origem dos alimentos industrializados [...] Cada condição de vida e de sobrevivência vai dificultar ou facilitar alguma preocupação com o meio ambiente.” – Cristina Bonfiglioli. O psicólogo norte-americano e um dos principais teóricos da psicologia organizacional, Abraham Harold Maslow, criou o conceito chamado de Pirâmide de Maslow que explica a existência de necessidades no ciclo de vida do ser humano. Com isso, Maslow classifica os fatores necessários para que cada pessoa alcance a satisfação pessoal e profissional, dividindo a pirâmide em cinco níveis hierárquicos da base ao topo, sendo eles: necessidades básicas de sobrevivência ou fisiológicas, necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidades de status ou estima e, por fim, necessidades de auto realização. Na base da pirâmide estão as necessidades básicas, que envolvem abrigo, alimentação e saúde, o que de fato é essencial para a sobrevivência de qualquer indivíduo. Já no topo são colocadas as realizações pessoais de desenvolvimento pessoal. Pensando nisso, é importante considerar que para alcançar algum nível de realização e desenvolvimento, é necessário que a base da pirâmide, lê-se vida, esteja bem estruturada. A psicoterapeuta Suleima Joly Rodrigues, explica que o trabalho de conscientização ambiental é muito complexo porque demanda das condições em que cada pessoa está inserida. “Eu tenho que pegar essa família e, primeiro, estruturar, ajudar com a saúde física, eu tenho que dar remédio, cesta básica, colocar as crianças na creche, arrumar um emprego para esse pai e essa mãe... Depois disso, eu sento com eles e falo sobre sustentabilidade”, afirma.


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A estruturação de uma sociedade demanda muito de fatores governamentais. É necessária a existência de líderes que trabalhem pelo desenvolvimento em diversos âmbitos e assim, permitam a construção de valores sociais que priorizem questões como a sustentabilidade ambiental, por exemplo. Em um universo perfeito, esse modelo de civilização poderia ser facilmente visualizado, mas como nada é maravilhoso igual aos sonhos, precisamos caminhar com um passo por vez, a começar pela própria reeducação. Apesar das condições naturais e estruturais que cada indivíduo possui, é possível que haja a reeducação a respeito de hábitos em diversas esferas, como a politização a respeito de questões ambientais, por exemplo. O psicólogo Luiz Alberto Hanns, em entrevista para o canal Casa do Saber no Youtube, explica que a reeducação dos nossos hábitos pode acontecer desde a infância com o auxílio dos pais ou pessoas responsáveis por sua criação, mas também pode ocorrer na fase adulta mediante alguns esforços. Para onde vai nosso lixo? Como já sabemos (ou deveríamos) tudo o que consumimos gera um impacto no meio ambiente. O sistema capitalista no qual vivemos destrói aos poucos os recursos naturais que o planeta nos oferece, isso porque a produção em larga escala e a “atualização” do mercado de vendas os consome, de maneira irresponsável. Você já ouviu falar do Overshoot Day ou Dia da Sobrecarga da Terra? Esse é o dia que marca que já consumimos mais recursos de terra e mar do que o planeta pode recuperar em um ano. O Overshoot Day é calculado anualmente pela organização científica Global Footprint Network (GFN), uma parceira do WWF (World Wild Fund for Nature). Este ano, no dia 29 de julho, já esgotamos todo o orçamento da natureza e passamos a consumir recursos de gerações futuras.


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Em quase tudo o que consumimos há uma parcela de plástico, desde a alimentação mais básica até compras maiores. Além de contribuirmos para exploração irresponsável dos recursos naturais, estamos sufocando o meio ambiente, contribuindo para o desmatamento, para a seca, para a perda da biodiversidade e para a degradação do solo e ambiente marinho. “ATENÇÃO: Os plásticos estão poluindo a natureza, colocando em risco a vida selvagem e prejudicando sistemas naturais. Está entrando na comida que comemos e no ar que respiramos.” – WWF para o relatório Solucionar a poluição plástica: transparência e responsabilização. O relatório “Solucionar a poluição plástica: transparência e responsabilização”, elaborado pelo WWF e divulgado em março deste ano, aponta que o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, gerando 11 milhões toneladas por ano. Cerca de 2 milhões de toneladas de lixo vão para os oceanos, quantidade equivalente a 7 mil campos de futebol. 90% desses resíduos vêm das cidades, sendo 52,5% de plástico e 40,4% de bitucas de cigarro. Muita coisa, não né? A Organização das Nações Unidas – ONU calcula que até 2050 haverá mais plástico do que peixe no mar, isso porque 8 milhões de toneladas de resíduos sólidos entram nos oceanos todos os anos. O problema é bem maior do que podemos ver e imaginar. Todo esse lixo que está consumindo o ambiente marinho em escala mundial é um desafio global tão grande quanto as mudanças climáticas, pois desequilibra a fauna e flora marinhas, afetando diretamente a sobrevivência da humanidade. A ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas Limpeza Pública e Resíduos Especiais, representante nacional da ISWA – Associação Internacional de Resíduos Sólidos, realizou um diagnóstico verificado pelo projeto de prevenção e combate à poluição marinha e apoiado pela Agência de Proteção Ambiental da Suécia, que aponta que os principais canais para o escoamento de lixo para o mar são as ocupações irregulares, as orlas das praias e os sistemas de drenagem.


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A pior parte é que isso não é culpa somente de quem joga lixo rua. Uma quantidade esmagadora de resíduos sólidos urbanos não é devidamente separada e reciclada, ou seja, quase todo o nosso lixo é transportado para os aterros sanitários, o que é um problemão porque contribui para a degradação do solo, contaminação de águas subterrâneas e poluição atmosférica pela emissão do nocivo gás carbônico, um dos responsáveis pelo efeito estufa. A ABRELPE avalia que aproximadamente 30 milhões de toneladas de lixo são destinados inadequadamente, sendo transportados para os lixões e aterros ao redor do país. Tudo isso tem relação direta com as mudanças climáticas, o temido aquecimento global. A taxa de reciclagem no Brasil é muito baixa devido a pouca valorização e carência de estrutura para trabalho e informação para a população. Os dados apresentados no Cempre Review 2019, pesquisa elaborada pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), apontam que 68% de toda a coleta seletiva do país são representados pelo vidro, plástico, papel e metal, por serem os materiais que mais geram lucro. Os produtos pouco valorizados, por serem mais caros e difíceis de reciclar, viram rejeitos e são transportados aos lixões e aterros. “A existência dos lixões viola princípios básicos de direitos humanos, contribui para a poluição dos recursos hídricos e desperdiça mais de R$ 5,5 bilhões por ano de recursos públicos destinados à recuperação do meio ambiente e ao tratamento de problemas de saúde. Com menos da metade desses recursos, o país poderia fechar todos os seus lixões e modernizar significativamente o sistema atual de gestão de resíduos”. – Carlos Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe e Vice Presidente da ISWA. De todo o lixo gerado pela população brasileira, somente 5,4% é tratado e reciclado segundo o Diagnóstico de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos de 2017, da Secretaria de Saneamento do Ministério do Desenvolvimento Regional. Para o CEMPRE, a informação de qualidade e a mobilização de grandes companhias para com a sustentabilidade, podem contribuir para um avanço considerável no cenário de reciclagem do Brasil. Segundo o Cempre Review 2019, desde a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em 2010, as


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ações empresariais tornaram-se mais efetivas. Entre 2012 e 2017, a recuperação de resíduos sólidos através da logística reversa representou um aumento de 28,6%. Para manter o aumento de recuperação de resíduos após o consumo, é necessário investir em campanhas de conscientização da população sobre hábitos de consumo consciente e separação de embalagens, assim é possível aumentar a quantidade de resíduos sólidos coletados. Ainda segundo dados do Cempre Review 2019, 79% da população conhece a reciclagem, porém 47% afirmam não ter tempo para praticá-la e 33% justificam que a dificuldade está na falta desse serviço na região onde mora. Elaboramos um questionário para entender melhor o pensamento da população a respeito de hábitos sustentáveis. Dos participantes, cerca de 80% são moradores da zona leste de São Paulo, com idade entre 18 e 30 anos e renda igual ou superior a dois salários mínimos. De acordo com a pesquisa, 100% dos entrevistados reconhecem que a adoção de práticas sustentáveis é importante para a saúde individual e coletiva, além de contribuir para a qualidade de vida do meio ambiente, porém afirmam que alguns desses hábitos são mais difíceis de adotar. Entre as justificativas estão a falta de acesso a determinados produtos (incluindo aspectos financeiros), a inexistência de serviços de coleta seletiva na região e a dificuldade na mudança de hábitos, como diminuir o consumo de carne vermelha, substituir sacolas plásticas por reutilizáveis, substituir o uso do carro por bicicleta por pelo menos um dia na semana ou ainda, substituir o copo descartável por canecas ou garrafas reutilizáveis. A pesquisa aponta ainda, que somente 40% dos entrevistados costumam separar o lixo reciclável de casa. Mas espera ai! Por que a carne vermelha é prejudicial para o meio ambiente? As consequências da criação e abate de animais terrestres para comercialização são diversas. A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) publicou o relatório “Comendo o Planeta: Impactos Ambientais da Criação e Consumo de Animais”, em que fala detalhadamente sobre os impactos ambientais causados por este hábito. Entre eles estão: a escassez hídrica pelo uso excessivo e poluição; o desmatamento pelo uso de terras para criação de animais; a poluição do ar pela emissão de gases de efeito


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estufa (CO2, Metano e Óxido Nitroso); riscos à saúde pública pela contaminação de água, ar e solo e a extinção em massa de espécies. “Somos 7 bilhões de humanos, mas criamos e abatemos mais de 70 bilhões de animais terrestres no planeta todos os anos para nosso consumo.” – Sociedade Vegetariana Brasileira para o relatório Comendo o Planeta: Impactos Ambientais da Criação e Consumo de Animais. Atualmente, consumos cerca de 40% de toda a superfície da Terra para a prática da agricultura. A partir da Revolução Industrial, passamos a modificar tudo ao nosso redor, adaptamos florestas, solos, rios, oceanos e a atmosfera do planeta. Qual o impacto de tudo isso? Bom, no caso dos oceanos, estamos contribuindo para a destruição da vida marinha. Com a exploração, ultrapassamos os limites do que o planeta pode suportar e estamos transformando os oceanos em ambientes cada vez mais ácidos. Já no caso da comercialização de carnes de animais terrestres, cada animal abatido demanda determinada quantidade de terra, água, energia e alimento. Além disso, esses animais produzem em excesso dejetos que emitem poluentes que contaminam o solo, a água e o ar. O maior custo do consumo de carne não é aquele que você paga nos supermercados, mas sim o custo ambiental. Outro fator preocupante é a realidade da coleta e tratamento de esgoto no Brasil. De acordo com o Atlas Esgotos, elaborado pela ANA – Agência Nacional de Águas e a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, 9,1 toneladas de esgotos são geradas por dia e somente 55% da população possui coleta e tratamento adequados. A parcela restante da população não tem acesso a serviços de saneamento básico, com isso 2,4 mil toneladas de esgotos são despejadas a céu aberto, geralmente em rios. Esse problema afeta a qualidade da água e, consequentemente, prejudica a saúde da população. E agora, José? A problemática está muito além do nosso alcance, mas calma! Apesar de vivermos em uma sociedade culturalmente consumista com um sistema econômico que nos


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encaminha para o caos ecológico, ainda podemos repensar nosso consumo e cobrar nossos governantes. As ONGs, os movimentos ambientalistas lutam todos os dias para melhorar a qualidade do planeta em que vivemos, por isso seria bem bacana se déssemos o devido reconhecimento e apoio para esses verdadeiros heróis. O capitalismo vende produtos biodegradáveis e ideias sustentáveis como algo mágico e descolado. O canudo de metal e o copo de silicone, por exemplo, são vendidos em embalagens de plástico, ou seja, todo o movimento pela redução de resíduos sólidos se perde em publicidade e modismo. Então aqui vai uma listinha de soluções para fugir do plástico. Para mudar é preciso renunciar Hoje, o mundo se mobiliza pela sobrevivência do meio ambiente. Os partidos verdes políticos ganham força diante do cenário ambiental catastrófico. Já existe a preocupação em torno do tema e as consequências dos atos degradantes da humanidade em relação ao planeta são fatos comprovados. O que falta é apoio, principalmente político, mas para que exista o devido respaldo governamental na luta pela sustentabilidade ambiental, é importante que a população esteja disposta a agir em parceria com os movimentos ambientalistas e, principalmente, com as ONGs, para pressionar nossos governantes a se moverem e não só apoiarem, mas também apresentarem soluções para a salvação do planeta. “Pensando que se cada um se preocupar com uma parte e determinados grupos cuidarem de um assunto, pode-se influenciar em alguma mudança positiva, mas a grande diferença quem faz são os governos, criando leis e fiscalizando para garantir que as leis ambientais sejam cumpridas à risca. Não dá para mudar o mundo sozinho. Eu tenho certeza que Mandela, Churchill, Gandhi, Rachel Carson e outras personalidades fortes tiveram apoio para conseguir fazer suas ideias ganharem força e se propagarem pelo mundo”. – Cristina Bonfiglioli. Pequenas ações fazem a diferença sim! Se cada um deixar de se importar com o avanço de interações nas redes sociais e olhar para o problema real, aos poucos


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conseguimos mudar a realidade ambiental que, infelizmente, construímos (ou destruímos). Como um ato de renúncia, devemos abandonar alguns costumes pensando em um bem maior, que é a sobrevivência do planeta em que vivemos. Só o ato de reduzir o consumo de plástico e fazer o descarte correto de lixo, gera grande diferença. É como decidir mudar de cidade, se casar ou fazer uma faculdade. Todo tipo de mudança requer compromisso, o que infelizmente está longe de ser uma realidade da nossa sociedade, em que as pessoas passaram a fugir de coisas que exigem muito esforço e comprometimento. Precisamos sair da zona de conforto e renunciar a determinados padrões de vida, como o consumismo, por exemplo. Mais do que isso, precisamos olhar para nós mesmos e nos enxergarmos como parte de um ecossistema gigantesco e um dia, se não tomarmos uma atitude, irá acabar.


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APÊNDICE VIII – FOTOS FIGURA 17 – Capa da reportagem

Fonte: Elaborada pela autora.


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FIGURA 18 â&#x20AC;&#x201C; Lixo descartado irregularmente

Fonte: Elaborada pela autora.

FIGURA 19 â&#x20AC;&#x201C; Coleta seletiva

Fonte: Elaborada pela autora.


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APÊNDICE IX – PORTAL

Link para acesso ao portal: https://spark.adobe.com/page/dj4Mm5gr5gU57/


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K. DIÁRIO DE CAMPO

O surgimento e propagação de diversas opções de produtos biodegradáveis ou ecologicamente corretos na mídia foram fatores que contribuíram para a construção do projeto de TCC, hoje intitulado “As contradições entre discurso e ação da população a respeito do ecologicamente correto: um estudo sobre a customização do discurso ambientalista”. Em abril de 2019, com o apoio da então coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, Profa. Dra. Regina Tavares, foi criada a delimitação do tema, que no primeiro momento foi intitulado “Ecologicamente correto: as contradições de uma cidadania midiática”. A partir da segunda quinzena de abril as pesquisas começaram a ser realizadas, tomando como base o comportamento humano sob a ótica das teorias da comunicação: Teoria do Agendamento e Teoria Hipodérmica, que explicam como a sociedade é influenciada em suas ações. Os principais autores que infundiram essa pesquisa foram BAITELLO JUNIOR (2014), que aborda o consumo de imagens e como essas imagens nos “devoram”, SILVA (2012), que apresenta uma pesquisa sobre a importância e necessidade de mobilização ambiental, GIGLIO (2005), que aborda em seu livro a existência dos grupos sociais e como estes grupos influenciam nas decisões de compra, hábitos e personalidade do ser humano, RIQUE (2010), que pela ótica dos estudos em psicologia explica a esses grupos estão diretamente associados à busca pela aceitação, DUNKER (2018), que, com base na psicanálise, explica como a percepção que o ser humano tem sobre o conceito de felicidade impacta em seu comportamento e autoestima e, por fim, BONFIGLIOLI (2012), que apresenta um estudo aprofundado sobre a origem da percepção sobre a sustentabilidade e a customização do discurso ambientalista como estratégia de marketing. Em junho concluímos a produção do Projeto de Pesquisa, que foi apresentado para avaliação.


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Durante os meses de julho e agosto realizamos pesquisas e definimos estratégias a fim de amparar a construção do produto experimental, que se iniciou no final do mesmo mês. Escolhemos a produção de uma reportagem extensa para veículo digital expectando agir de acordo com a mensagem transmitida neste projeto, a consciência ambiental. O portal digital UOL TAB foi escolhido como referência para a construção deste projeto por possuir uma plataforma interativa e ousada, que aborda assuntos importantes e provocativos a fim de causar interesse em todos os públicos. Em setembro foi realizada a primeira entrevista para a reportagem. A entrevistada Cristina Bonfiglioli é uma pesquisadora multidisciplinar com formação em Ciências Biológicas e doutorado em Ciências da Comunicação, que contribuiu para a atualização do tema central, em que passamos a abordar a questão da customização do discurso ambientalista. No mesmo mês foi realizada a entrevista com a psicoterapeuta Suleima Joly Rodrigues, que possui especialização na Terapia Cognitiva Comportamental. A entrevista contribuiu para a comprovação de algumas hipóteses inseridas do projeto de pesquisa inicial. Suleima falou, entre outros assuntos, sobre a pré-disposição do ser humano em ser influenciado pelo ambiente e grupos aos quais pertencem. O mês de outubro foi dedicado à produção da reportagem escrita e estruturação do portal digital. Também neste mês, entrevistamos a engenheira sanitarista Fabiana Rorato, que foi gravada em vídeo. Por fim, o mês de novembro foi destinado à conclusão da reportagem e portal digital, à edição de vídeo e finalização deste Relatório de Fundamentação Teórica. Em 11 de novembro, foram entregues à avaliação: este relatório em 3 (três) vias, bem como o link de acesso ao portal digital.


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L. ANEXOS

ANEXO I – TERMO DE AUTIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM ISABELA LINS


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ANEXO II – TERMO DE AUTIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM FABIANA RORATO


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