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Qualquer coisa me liga! O audiodrama

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL RÁDIO, TV E INTERNET

Illusion Filmes

Qualquer coisa me liga! O audiodrama

SÃO PAULO 2021


Airton Araujo Fagundes - RGM: 19443706 Gabrielly Seravalli dos Santos - RGM: 20011318 Isabela Soares da Fonseca - RGM: 18799701

Qualquer coisa me liga! O audiodrama

Trabalho de conclusão de curso apresentado à banca examinadora da Universidade Cruzeiro do Sul como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em Rádio, TV e Internet.

Orientadores: Prof. Dra. Maria Aparecida Ruiz Prof. Me. Alexandre Henrique

SÃO PAULO 2021


FOLHA DE APROVAÇÃO

Aprovado em:

___________________________________________________

__________

(Prof. Me. Alexandre Henrique)

(Data)

___________________________________________________

__________

(Nome)

(Data)

___________________________________________________

__________

(Nome)

(Data)


DEDICATÓRIA Os membros da Illusion Filmes dedicam esse projeto a todas as pessoas que ajudaram no processo de desenvolvimento desse trabalho. Gostaríamos de agradecer primeiramente a Deus por ter nos capacitado ao longo desse trabalho. Somos extremamente gratos aos nossos familiares e amigos que nos apoiaram e ajudaram com esse trabalho, sem eles nada disso poderia ser realizado. Somos muito agradecidos aos orientadores, os professores Alexandre Henrique e Maria Aparecida, por nos guiarem ao longo dessa jornada. Agradecemos também a instituição “Mete a Colher” por apoiarem o audiodrama. Por último e não menos importante, somos gratos aos membros da Illusion Filmes, pela companhia, sintonia e confiança durante o desafio de produzir esse trabalho de conclusão de curso. Em especial gostaríamos de agradecer a revisora deste trabalho, Larissa Soares.


EPÍGRAFE

“Sempre que estou prestes a fazer algo, eu penso: ‘Um idiota faria isso?’ e, se fizesse, eu não faço isso.” – Dwight Schrute.


FAGUNDES, A.A; SANTOS, G.S.; FONSECA, I.S. Qualquer Coisa Me Liga. Projeto Experimental (Bacharel em Rádio, TV e Internet) - Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2021.

RESUMO A ideia da produtora Illusion Filmes para o projeto experimental é de um seriado ficcional de audiodrama original chamada “Qualquer coisa me liga!”. Essa é a primeira temporada do projeto que tem como eixo central de conexão entre os episódios o abuso psicológico, com o objetivo de apresentar a gravidade desse tema. O audiodrama contará a vida de Alice e como ela vê seus amigos em situações de abusos psicológicos e tenta ajudá-los a entenderem e superarem os abusos que enfrentam. O seriado aborda três abusos psicológicos diferentes como o abuso em um relacionamento, no trabalho e familiar. Ao decorrer dos três episódios com duração de cerca de 25 á 30 minutos, a trama apresenta como uma pessoa de fora enxerga o abuso psicológico diariamente e quais são os principais aspectos e marcas deixadas na vítima.

PALAVRAS-CHAVE: Abuso psicológico; Audiodrama; Relacionamento; Familiar; Trabalho.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 11 1. A PRODUTORA ................................................................................................. 12 1.1.

ILLUSION ..................................................................................................... 13

1.2.

MISSÃO ....................................................................................................... 14

1.3.

VISÃO .......................................................................................................... 14

1.4.

VALORES .................................................................................................... 14

1.5.

INTEGRANTES ............................................................................................ 15

1.6.

ORGANOGRAMA ........................................................................................ 17

1.7.

PORTFÓLIO ................................................................................................ 18

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ......................................................................... 21 2.1.

DRAMATURGIA ........................................................................................... 22

2.2.

AUDIODRAMA ............................................................................................. 24

2.3.

DRAMATURGIA SONORA .......................................................................... 25

2.3.1. 2.4.

As Radionovelas Na Era Digital ............................................................. 28

A ORIGEM DO PODCAST ........................................................................... 29

2.4.1.

Formato Entrevista ................................................................................ 31

2.4.2.

Formato Discussão/Bate-Papo .............................................................. 31

2.4.3.

Formato Programa................................................................................. 31

2.4.4.

Formato Informativo/Jornalístico............................................................ 32

2.4.5.

Formato Meditação/Bem Estar .............................................................. 32

2.4.6.

Formato Educacional ............................................................................. 32

2.4.7.

Formato História/Audiodrama ................................................................ 33

2.5.

PODCAST E A FICÇÃO............................................................................... 33

2.6.

ABUSO PSICOLÓGICO ............................................................................... 36

2.6.1.

Assédio Moral Familiar .......................................................................... 39

2.6.2.

Assédio Moral No Trabalho Ou Mobbing ............................................... 41

2.6.3.

Assédio Moral No Relacionamento........................................................ 42

2.7. UM OLHAR PARA TELEDRAMATURGIA BRASILEIRA SOBRE O ABUSO PSICOLÓGICO ...................................................................................................... 43 3. O PROJETO “QUALQUER COISA ME LIGA!” ................................................ 49 3.1.

EXPLICAÇÃO DO TÍTULO .......................................................................... 50 8


3.2.

SINOPSE ..................................................................................................... 50

3.3.

OBJETIVOS ................................................................................................. 51

3.4.

CLASSIFICAÇÃO DO PROJETO ................................................................ 51

3.4.1.

Classificação Indicativa ......................................................................... 51

3.5.

SINOPSE DOS EPISÓDIOS ........................................................................ 53

3.6.

ARGUMENTO DO PROJETO ...................................................................... 54

3.7.

MECÂNICA DO FORMATO ......................................................................... 61

3.8.

PLANEJAMENTO SONORO ....................................................................... 62

3.9.

PERFIL DOS PERSONAGENS ................................................................... 65

3.9.1.

Personagens Principais ......................................................................... 65

3.9.2.

Personagens Secundários ..................................................................... 69

3.10.

CASTING .................................................................................................. 71

3.11.

REFERÊNCIAS ESTÉTICAS E SONORAS ............................................. 73

3.12.

PÚBLICO ALVO........................................................................................ 75

3.13.

VEICULAÇÃO ........................................................................................... 77

3.13.1. Anchor ................................................................................................... 77 3.13.2. Spotify e o Brasil .................................................................................... 79 3.14.

ESTUDO DE MERCADO .......................................................................... 80

3.15.

DIVULGAÇÃO .......................................................................................... 85

3.15.1. Apoio Na Divulgação Do “App Mete A Colher” ...................................... 86 3.16.

EDIÇÃO .................................................................................................... 88

3.17.

CONCEITO ARTÍSTICO ........................................................................... 89

3.18.

JUSTIFICATIVA ........................................................................................ 90

3.19.

PLANO DE PRODUÇÃO .......................................................................... 93

3.20.

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES REALIZADAS .................................... 94

3.21.

ORÇAMENTO PREVISTO........................................................................ 95

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 98 Airton Araujo Fagundes ................................................................................ 98 Gabrielly Seravalli dos Santos ................................................................... 101 Isabela Soares ............................................................................................. 103 APÊNDICES ........................................................................................................... 113 ROTEIRO DO AUDIODRAMA ............................................................................. 114 ORDEM DO DIA .................................................................................................. 148 9


ANEXOS ................................................................................................................. 149 AUTORIZAÇÃO DE USO DA VOZ ...................................................................... 150

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INTRODUÇÃO

O trabalho de conclusão de curso tem como um de seus objetivos colocarmos em prática todo o conhecimento e experiência que foram adquiridos ao decorrer do curso. Deste modo criamos um audiodrama serializado original chamado: Qualquer coisa me liga! O tema principal do “Qualquer coisa me liga!” é o abuso psicológico e a cada episódio é apresentado um tipo de abuso diferente, sendo eles o abuso no trabalho, na família e no relacionamento. O tema central do seriado foi conversado ao decorrer do curso, onde tínhamos muita vontade de fazer um projeto voltado à abusos psicológicos e com isso decidimos deixar para o projeto principal do nosso portfólio acadêmico o assunto que tanto tínhamos interesse em explorar. Decidimos trabalhar com o formato de mídia sonora para explorar a magia da sensorialidade e suas principais características como sonoplastia, ambientação e roteiro. Os membros do grupo sempre quiseram explorar mais deste formato radiofônico por terem uma certa familiaridade e curiosidade de produzir um seriado dramático por meios sonoros . Baseamos o presente projeto em pesquisas, estatísticos e notícias midiáticas para dar corpo e referências aos nossos diálogos e personagens, e como o abuso psicológico é mostrado nas relações amorosas, familiares e trabalhistas. Salientamos que o trabalho foi desenvolvido para trazer mais consciência aos ouvintes sobre como identificar pequenos abusos, como essa ação pode prejudicar a vítima e também algumas formas de sair dessas relações abusivas. Separamos a Bíblia de produção em capítulos. Os primeiros capítulos são sobre a produtora Illusion Filmes e todo o desenvolvimento acadêmico da produtora ao longo do curso, os capítulos seguintes consistem na fundamentação teórica do tema e formato escolhido e os últimos capítulos descrevem o projeto do audiodrama serializado e detalhes sobre a gravação e produção do episódio piloto da primeira temporada. Colocamos na execução do projeto todo nosso conhecimento adquirido ao longo do curso e nossa total dedicação e comprometimento para trazer um ótimo conteúdo dentro do audiovisual brasileiro, queremos que nosso projeto sirva como fonte de aprendizado e informação ao público. 11


1. A PRODUTORA

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1. A PRODUTORA 1.1.

ILLUSION

A Illusion Filmes é uma produtora que teve seu nome inspirado nas mentes por trás do que conhecemos como cinema atualmente: Os irmãos Lumière, que eram conhecidos como os ilusionistas. Criada em 2018, a produtora foi formada a partir da junção de nove estudantes com o mesmo propósito: criar das mais diversas produções, com a melhor qualidade possível e buscando o aprendizado em cada experiência no audiovisual. Com o passar dos semestres a produtora diminuiu e com isso, em 2019, nasceu a nova formação ao nos juntarmos com a Seven Produções e montamos a produtora conjunta intitulada “7 Ilusões”. A produtora é formada atualmente por três integrantes, Airton Araujo, Gabrielly Seravalli e Isabela Soares. Os atuais membros são o coração e a alma da produtora, sempre dando o melhor de si nos projetos que produzimos. Procuramos exercer diferentes funções e ampliar nosso conhecimento nos diversos aspectos do audiovisual. A nova logo da produtora foi inspirada pelo interesse dos integrantes por revistas de moda e editoriais. A logo possui dois esquemas de cores diferentes que representam os dois lados da produtora, um esquema colorido e divertido utilizado em nossos projetos mais descontraídos, e um esquema escuro utilizado em nossos projetos mais sérios.

(fig. 1 – Logo Versão Escura)

(fig. 3 – Logo Versão Preto e Branco)

(fig. 2 – Logo Versão Clara)

(fig. 4 – Logo Versão Negativa)

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Nossas produções audiovisuais buscam aplicar todos os conhecimentos adquiridos no curso com o maior nível de qualidade possível e maior diversidade em gêneros e assuntos para trazer uma futura reflexão ao espectador. illusionfimes illusiofilmes1@gmail.com S

http://illusionfilmes1.wixsite.com/illusionfilmes

@illusionfilmes

1.2. MISSÃO Com qualidade e técnicas capacitadas, a Illusion filmes tem como objetivo criar e produzir projetos visando solucionar a proposta desejada garantindo a qualidade e superando as expectativas do público.

1.3. VISÃO Se destacar com um portfólio criativo e inovador, ganhando reconhecimento pelos projetos prestados e se sobressair na área de audiovisual.

1.4. VALORES Buscamos respeitar e valorizar todos os envolvidos da produtora, agindo com honestidade e responsabilidade na criação de projetos. Também visamos às motivações individuais de cada ser humano, levando sempre em consideração dos valores éticos.

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1.5.

INTEGRANTES

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16


1.6.

ORGANOGRAMA

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1.7.

PORTFÓLIO

A seguir, é apresentado o portfólio de trabalhos produzidos ao longo da graduação da produtora Illusion Filmes em ordem cronológica. O Poder do Ódio (2018) - Radionovela Quando Vitória realiza uma festa para comemorar a ONG Reviver Capão depois que o Ex-

presidente a fechou por ter roubado todos os seus recursos e doações, ela não imaginaria que seria acusada pelo envenenamento do próprio em sua festa, com todas as provas acusando-a, ela é levada a julgamento. Mas será que ela é inocente ou culpada? Duração: 10 minutos. (fig. 5 – Capa de O Poder do ódio)

Disponível em: https://soundcloud.com/illusionfilmes/sets/o-poder-

do-odio Claquete (2019) – Revista Eletrônica Claquete é uma revista eletrônica de cinema apresentada por Gabrielly Seravalli e Paloma Luiza, na edição apresentada o programa irá abordar trilhas sonoras do cinema. A edição consiste de matérias que vão desde o Oscar até o

projeto Cinematographo do MIS, o Museu da Imagem e do Som, além de uma agenda dos filmes em cartaz na semana e um ranking de filmes por críticos. Duração: 15 minutos. (fig. 6 – Capa do Claquete)

Disponível em: https://youtu.be/0gEZyIhZ0WQ

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Flashback Show (2019) – Game show O Flashback Show é um programa do gênero game show, onde há competições musicais, sendo pensado para aqueles que amam se divertir com uma temática nostálgica. A cada temporada, o programa muda seu o tema, como se fosse uma viagem no tempo. A primeira

temporada é inspirada nos anos 80. A proposta (fig. 7 – Capa de Flashback Show)

é despertar em nosso público aquela nostalgia de uma época que não volta mais. Duração: 25 minutos. Disponível em: https://youtu.be/z4z8UbZqSxU

Meu Corpo é Um Tabu (2019) – Podcast

Gabrielly, Isabela e Paloma se reúnem na série especial do IllusionCast, o Meu Corpo É Um Tabu para uma conversa sobre a objetificação do corpo feminino, empoderamento e violência contra a mulher. Duração: 20 minutos. Disponível em: (fig. 8 – Capa do Meu Corpo é um Tabu)

https://open.spotify.com/episode/3TjD5utK9PgiN p1GDRACdr?si=0d7b2129fe9142ce

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Trabalhador-19 (2020) - Documentário Trabalhador-19 atravessa a vida de quatro personagens e sua relação com o trabalho após a

quarentena,

em

uma

série

de

questionamentos mergulhamos na realidade dessas pessoas assim apresentando como diferentes

profissões

foram

afetadas

pelo

mesmo problema que é o COVID-19. Em meio a relatos dos personagens,

mostraremos os

principais aspectos que mudaram em suas (fig. 9 – Capa de Trabalhador-19)

jornadas de trabalho e o quanto isso está os,

afetando sempre tentando trazer uma reflexão ao espectador sobre como a pandemia está influenciando em novas formas de trabalho e rotinas para suas profissões. Duração: 17 minutos. Disponível em: https://youtu.be/9l7fCWfCSDo

Première (2020) - Websérie Guilherme, um jovem tímido e gamer, está em casa na véspera do feriado. Com 21 anos recémcompletados, seus pais viajaram e ele decide ficar em casa. Ao chamar seus amigos e ligar o computador, se depara com o aplicativo de relacionamento chamado Première, que promete a primeira experiência de sua vida pacata. Entre

conversas monossilábicas e envios de nudes não solicitados, ele descobre Bruna, uma jovem bonita, interessante, e com gostos em comum. (fig. 10 – Capa de Première)

Guilherme conversa com Bruna durante uma semana e começa a se sentir melhor, algo que ajuda sua altivez, e faz com que ele dê um tempo dos videogames. Mal sabia ele o que o destino reservara, e que seus amigos Thiago e Kiara, estariam envolvidos nisso. Duração: 17 minutos. Disponível em: https://youtu.be/bDWTQsiDP-s 20


2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A seguir, é introduzida a fundamentação teórica do formato podcast, apresentando sua origem e características presentes no formato e gênero escolhido. Em seguida, os tópicos introduzem a fundamentação teórica do tema de abuso psicológico que é abordado no projeto de audiodrama da produtora.

2.1.

DRAMATURGIA

O gênero dramático provem da Grécia Antiga. A palavra drama significa “ação”, uma forma de louvor ao deus Dionísio (Baco), deus do vinho e das libertinagens, que deu origem à palavra “bacanal”. No âmbito da arte, o drama pode ter vários significados, sendo o mais forte deles um conjunto de textos literários. O gênero dramático é dividido entre tragédia e comédia, que, de certa forma, podem parecer distintos, mas caminham lado a lado. É comum ver atores renomados saindo da comédia para o drama e vice-versa. Sófocles (496-406 a.C.), Eurípedes (480-406 a.C.) e Ésquilo (524-456 a.C.) são os principais difusores do gênero dramático. O trio afirma que a encenação de tais textos tinha como objetivo gerar emoções no espectador, um evento conhecido como catarse. O gênero dramático ou teatral está dentro dos três gêneros literários, junto com os gêneros lírico e épico. Diferente dos outros gêneros o dramático como o nome já acusa, são textos literários produzidos com o intuito de serem encenados e dramatizados. No entanto, conforme salienta Anatol Rosenfeld em “O Teatro Épico” (Rosenfeld,1965, p.29), essa tipificação é bastante relativa diante da realidade literária multiforme e a pureza dos gêneros não existe em sentido absoluto. De qualquer modo, é possível identificar alguns traços estilísticos relativos a cada gênero, muito embora essas especificidades possam estar presentes em qualquer um deles. De forma geral, é marca do dramático a manifestação da personagem por sua própria fala, diferentemente do gênero narrativo, em que é o narrador quem apresenta a personagem envolvida em suas situações. No dramático, o espectador não ouve a narração de uma ação ou conta com alguém que apresenta os acontecimentos, mas presencia a ação no agora e a fala direta como expressão do sujeito personagem. 22


Mesmo o referido trabalho ser considerado do gênero dramático, não podemos esquecer que as novelas estão enquadradas dentro do gênero épico por terem seus enredos interligados e da trama ser mais breves que o romance, mesmo sendo um gênero que precisa de um narrador para contar a sua história, nas novelas vemos que a narrativa dos personagens são contados por eles mesmos ao decorrer dos episódios, com tudo isto exposto, podemos ver que o gênero dramático e épico, muitas vezes tem uma ligação mesmo que indireta neste trabalho. O gênero dramático possui algumas particularidades, como ressalta Ismael Scheffer (2018, p.26) em “Teoria da cena: Teatro e Visualidades”, as principais sendo: 

Palavra: em forma de diálogos, que são textos prontos antecipadamente entregues aos atores, por meio de palavras articuladas ao público, que a apresentam oralmente. Entretanto, há espetáculos que dispensam a palavra falada.

Personagens: São pessoas/atores que expõem falas e ações em cena, assumindo em seus corpos as características de seus personagens por meio de movimentos, gestos, expressões, figurino próprio e aparência, muitas vezes adaptada ao personagem como tom de cabelo, barba, penteados, etc.

Ambiente: Consiste em um local com estrutura espacial (altura, largura e profundidade) com complementos cênicos, sendo estes objetos como móveis, enfeites e também iluminação adaptável.

Sonoridades: músicas e ruídos (produzidos em cena ou incidentais) e sonoridades humanas não verbais (como gemidos, risadas, respirações, etc.). Contemporaneamente chamamos de drama, em oposição à comédia, à peça

teatral construída com base em tensões sociais ou individuais, que recebem um tratamento sério e até solene. Dois designativos são ainda, de alguma forma, ligados ao drama: a tragicomédia (peça que mesclava o cômico e o trágico, do século XVI ao XVIII, quando se defendia a pureza dos gêneros) e o melodrama (peça que, explorando um sentimentalismo exagerado, não raro desemboca no patético, em mistérios,

cenas

de

medo,

comicidade

e

enganos,

que

se

desfazem

milagrosamente). O gênero dramático é mesmo caracterizado pela ação; e esta depende de um conflito: alguém quer algo, alguém ou algo não permite que aquela

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pessoa consiga o que deseja. O entrechoque de vontades, as posições contrárias são o que movem uma história. A tensão surge das forças opostas e a peça mostra como esse conflito é vivido e eventualmente resolvido. (SCHEFFLER, 2018, p. 34).

O gênero dramático foi escolhido, pois era o que melhor se encaixa na narrativa do nosso tema, como iremos tratar um tema muito deliciado, iremos incorporar nas falas dos personagens uma linguagem mais dramática e incisiva para demostrar aos ouvintes que um bom drama não é só algo que conseguimos ver pela linguagem corporal e sim algo que podemos sentir apenas ouvindo. O drama está em nossas vidas todos os dias, não é algo que somente vemos e ouvimos em palcos, áudios e vídeos, é algo que já foi incorporado em nosso cotidiano.

2.2.

AUDIODRAMA

Como diz Guarinos (2009), o termo audiodrama vem sendo adotado no sentido em que atualmente muitos formatos de ficção são emitidos pela internet, não apenas pelo rádio. Audiodrama também é conhecido como drama radiofônico ou radiodramaturgia, visto que o formato se originou por este meio. A radiodramaturgia nasce já nos primeiros anos que o rádio se estabelece como um meio de comunicação de grande importância, pois é nele que temos umas das principais características fundamentais do rádio, a sensibilidade, uma vez que transmitimos histórias que podem aumentar a imaginação dos ouvintes (ANTÓN, 2011) e, consequentemente, é onde temos a capacidade de captar o rádio mais expressivo. Assim como Balsebre define a linguagem radiofônico como: O conjunto de formas sonoras e não sonoras representadas pelos sistemas expressivos da palavra, da música, dos efeitos sonoros e do silêncio, cuja assinatura vem fornecida pelo conjunto dos recursos técnicos / expressivos da reprodução sonora e o conjunto de fatores que caracterizam o projeto de percepção sonora e imaginativo-visual do ouvinte (BALSEBRE, 2005, p.329).

O drama radiofônico propagou-se como sendo um radioteatro que "pode ser definido como uma série de cenas e sequências, com diálogos, descrições e elementos radiofônicos que contam uma história" (UDO, 2013, p.2), e tem em linguagem radiofônica a predominância de redundâncias, ruídos, efeitos, silêncio, trilhas sonoras, com uma locução bem estruturada e equilibrada (UDO, 2013). Ambos os meios portanto, tem a ação como mote de sua realização. Resta encontrar uma especificidade de cada um. Podemos começar a definir a ação sonora como aquela que resulta em um acontecimento sonoro.

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Realizada pelo autor com sua fala, ou pela sonoplastia, ela deve acontecer e repercutir no tempo. Com isso quero dizer que nem toda ação executada resulta necessariamente em som, ou no som desejado (SPRITZER, 2005, p. 94).

Guarinos (2009), também fala sobre o audiodrama, que segundo ela, os componentes que se fazem presentes nesta história são: uma narrativa dramática, atores, presença de efeitos sonoros, se inclui nessa categoria também o uso de música e do silêncio, e histórias distinta das informações de atualidades.

Em

questão da narrativa dramática, Guarinos aponta que esta forma de narração se baseia em uma estrutura dramática que segue este trio de elementos: a exposição, que serve como uma apresentação da história onde é dado ao ouvinte informações e podem-se conhecer os personagens, o espaço e o tempo de onde se passa a narrativa; o segundo elemento é nó, que é a parte em que as ações iniciais de manifestar conflitos a chegada do clímax e seguida pela resolução e geração de plots twists (são os pontos de virada que surgem e mudam o caminho da história); e por último temos o desfecho, onde são resolvidos os últimos conflitos da história (GUARINOS, 2009).

2.3.

DRAMATURGIA SONORA

Antes de introduzirmos o trabalho ás rádios novelas, não podemos nos esquecer de onde elas eram transmitidas, na rádio. Iremos brevemente contar o surgimento da rádio e sua ascensão. Em 1890, Marconi começou a estudar sobre oscilações elétricas encontradas pelo físico alemão Heinrich Rudolph Hertz, a fim de descobrir um processo de telegrafia sem fio, ou melhor, a partir de emitir ondas de um aparelho e tornando a recepção perceptível (PRADO, 2012). Já no Brasil, o padre Roberto Landell de Moura fazia suas experimentações nos anos de 1892 e 1893, realizando sua primeira transmissão da voz humana por meio de ondas eletromagnéticas. É interessante destacar, como afirma Ferraretto (2001), que se surgiu a tecnologia fundamental para transmitir sons a partir de ondas eletromagnéticas, não significa o surgimento do rádio, mas a criação da radiotelefonia. Em 1916, o conceito de rádio começou a tomar forma com o plano desenvolvido pelo empresário David Sarnoff que pretendia "converter o rádio em um meio de entretenimento doméstico como o piano ou o fonógrafo, a ideia era levar música aos lares por meio da 25


transmissão sem fio" (FERRARETTO, 2001, p. 88). Mas, foi só durante os anos 20 que o rádio viria a tomar a forma que já conhecemos. Em 02 de novembro de 1920, na cidade de Pittsburgh, nos EUA, nascia a KDKA, primeira emissora comercial de rádio no mundo. A radionovela é um formato dentro da rádio onde o gênero rádio drama é focado na ficção e romance. As principais razões de prender a atenção dos ouvintes eram as histórias, os personagens e os efeitos sonoros. A grande maioria das histórias vinha de Cuba e do México e eram traduzidas e interpretadas por atores brasileiros. O rádio possui tudo que é preciso para falar na solidão. Não necessita de rosto. O ouvinte encontra-se diante de um aparelho. Está numa solidão que ainda não foi constituída. O rádio vem constituí-la, ao redor de uma imagem que não é apenas para ele, que é para todos, imagem que é humana, que está em todos os psiquismos humanos. Nada de pitoresco, nenhum passatempo. Ela chega por trás dos sons, sons bem feitos” (BACHELARD, 2005, p. 132-133).

No Brasil o formato de radionovelas foi ficando cada vez mais populares nos anos de 40 e 50. “O Direito de Nascer” foi a radionovela brasileira de maior audiência. Ela começou no início em 1951 e com 314 capítulos, teve duração de mais ou menos três anos, contrariando boa parte de críticos que falaram que a radionovela seria um fracasso devido a longa duração. Outras radionovelas de grande repercussão foram: “Fatalidade” e “Mulheres de Bronze”, originais de Cuba e França, respectivamente. Porém no começo dos anos 60 com a chegada da televisão, a audiência veio ficando cada dia menor e com isto tendo sua extinção nos anos 70. Apesar das radionovelas não serem mais populares e produzidas, os aspectos como a sonoplastia elaborada, as atuações e as histórias cativantes, são estudados e deixaram sua marca até os dias atuais. A produção de rádio novelas envolve uma série de profissionais. Dentro dessa grande engrenagem, há a figura de autor de textos ficcionais radiofônicos. Escrever para o rádio é fazer um teatro cego, no qual os ruídos, a música e os recursos de voz são muito mais importantes do que em outros meios. Dentro do conjunto dos escritores, aqueles que se dedicavam ao rádio eram vistos como produtores de subliteratura, mesmo nos tempos áureos de novelas radiofônicas” (CALABRE, 2007, p. 27)

A radionovela foi o primeiro contato de algumas pessoas com o drama apenas contado e não visto, onde por meio das histórias dos personagens levou o 26


público a compreender que não necessariamente precisamos ver algo para entender como e onde se passa a história. Essa é grande magia da radionovela, além dos diálogos muito bem dramatizados e cheios de emoções falados pelos personagens, ainda temos os efeitos sonoros que trazem ao público a dimensão de espaço em cena. Ao explorar as principais características das radionovelas, percebemos que diferente da teledramaturgia que já entrega ao seu telespectador o espaço em cena, no drama radiofônico o ouvinte precisa ter uma ambientação sonora além de diálogos para compreender onde a história se passa. É onde entra a sonoplastia, que tem como seu objetivo trazer elementos que possam fazer seu ouvinte imaginar o ambiente sem vê-lo. Quando falamos de audiodrama, não podemos esquecer da sua origem que foi nas radionovelas, pois o audiodrama é a volta para histórias narradas e interpretadas. Atualmente ele pode funcionar com roteiros únicos ou seriados, como será o caso do audiodrama ‘‘Qualquer coisa me liga!’’. Dentro do presente trabalho iremos explorar tudo que as radionovelas nos proporcionariam por anos, como um roteiro segmentado, ambientação sonora e sonoplastia. Vale ressaltar as características e diferenças entre uma série, temporada e episódio dos audiodramas: Temporada: A temporada é o conjunto de todos os episódios de uma série ou seriado, onde a mesma é ligada ao tempo de duração da obra. Seriado: Um seriado é categorizado como uma narrativa que possa ser concluída em apenas um episódio. As histórias contadas em seriados são tramas que tem solução rápida, porém, isso não há impede de ter uma trama principal que leve uma temporada inteira para ter solução, mas isso não é o foco principal do seriado. Série: A característica indispensável de uma série é o gancho que ela deixa para o próximo episódio a ser exibido, ou seja, a continuidade faz com que série se diferencie do seriado. É essencial que a narrativa de uma série seja contada de uma forma que ela se estenda entre todos os episódios e tenha seu fim revelado em um episódio final de temporada ou na temporada final.

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Episódio: liga à ação principal de uma narrativa ou de uma obra literária ou artística parte de uma história de rádio ou televisão que é transmitida separadamente assim formando uma série.[1] As radionovelas vieram como fonte de inspiração para o audiodrama Qualquer Coisa Me Liga, porém, não é utilizado como formato principal devido a algumas limitações, como horário fixo para transmissão, a necessidade te ser um drama continuo, duração igual de todos os episódios e meio de veiculação original que é a rádio. Já dizia Prado, “o rádio é o veículo do tempo por excelência" (2010, p. 26). Assim que a mensagem chega ao destino, logo se perde em meio às novas informações que irão chegar a frente do ouvinte. Diferente do impresso, ou do vídeo, no rádio a informação não fica disponível para acessar ou a ler mais tarde, ela é momentânea, em tempo real, sendo essa sua principal característica. Mas, desde a expansão da internet esse veículo tem passado por mudanças e gerado vertentes que permitem mais opções aos seus ouvintes.

2.3.1. As Radionovelas Na Era Digital O teórico da comunicação, Armand Balsebre, defende que o desaparecimento de espaço das radionovelas é decorrente da mudança da programação radiofônica, já que, devido a segmentação do público, causada pela industrialização, as emissoras voltaram-se a formatos de consumo imediato e transformaram-se em veículos de compra e venda de informação, de anúncios, de músicas e de produtos. Isso, segundo Balsebre, afastou o potencial artístico do rádio e contribuiu para o desaparecimento do gênero que mais o ajudou a estruturar seu código de expressão, a radiodramaturgia (BAUMWORCEL, 2005). Abordar a linguagem radiofônica somente como veículo de informação e serviço é tirar toda a competência expressiva que o rádio pode proporcionar. Conforme aponta Rudolf Arnheim (1980), em Estética Radiofónica: O rádio não deve ser considerado um simples dispositivo de transmissão, mas sim um meio de criar, de acordo com suas próprias leis, um mundo [2] acústico de realidade. (ARNHEIM, 1980, p. 88). 1

a part of a television or radio story that is broadcast separately and forms one of a series. Citação original: (La radio no ha de considerarce como un simple aparato transmisor, sino como un medio para crear según sus propias leyes un mundo acústico de la realidad (ARNHEIM, 1980, p. 88)). 2

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Hoje, o drama sonoro, já muito esquecido pelo rádio, volta a ter seu potencial explorado. Isso se dá através dos novos dispositivos midiáticos surgidos a partir dos anos 2000, com a revolução tecnológica e a emergência da internet. Um desses dispositivos é o podcast, que resgata as antigas linguagens radiofônicas, como o audiodrama, e as adapta suas características, transformando-as em uma manifestação artística do seu tempo. O mesmo não acontece com o rádio, pois um programa de podcast pode ser acessado quando o ouvinte desejar e é atemporal, enquanto estiver online. Ademais, o podcast permite a independência de seus agentes realizadores, uma vez que é livre de mediação. Assim, qualquer pessoa com acesso à internet pode acessar e disponibilizar conteúdo. Se nas rádios não há a presença do audiodrama, no podcast é onde encontramos este formato desaparecido dos meios radiofônicos. Através da transmissão pelo podcasting, o audiodrama ganhou uma nova cara, com uma adaptação do que era produzido nos tempos de rádio para o ambiente online (SCHLOTFELDT; RODIGHERO, 2017, p. 13).

O ponto de partida de produzir um audiodrama no formato de podcast e vinculá-lo a uma plataforma de streaming se veio por não termos maiores disponibilidades em grades de transmissão em rádios, devido à grande expansão da teledramaturgia e a quase inexistência de audiodramas ou até mesmo radionovelas nas rádios pelas mudanças nas programações, no cenário atual do século XXI. Disponibilizando o audiodrama seriado em plataformas de streaming conseguimos ter maior abrangência de público, devido a sua maior flexibilidade de horários e hospedagem. O audiodrama Qualquer coisa me liga! será vinculado como um podcast com foco na plataforma do Spotify, onde o ouvinte terá livre acesso para ouvir os episódios a qualquer horário e em dispositivos como celular e computador em qualquer lugar do mundo.

2.4.

A ORIGEM DO PODCAST

Após a escolha de produzir um audiodrama, era necessário definir o meio de veiculação do projeto. Depois de algumas discussões, decidimos continuar nossa experiência com a dramaturgia em áudio iniciada no segundo semestre, com a radionovela “O Poder do Ódio”, no âmbito da internet, chegando assim no podcast. Mas o que é um podcast?

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Segundo Monica Paz (2007, p.6), um podcast “pode ser compreendido como todo o processo de produção de material digital (áudio) com publicação e distribuição na Internet, e possibilidade de download para os subscritos”. O termo “podcast” surgiu em 2004, e vem da combinação das palavras “iPod”, reprodutor de áudio da Apple, e “broadcast”, palavra do inglês para “transmissão”. Os créditos para a criação do termo são atribuídos ao ex-VJ da MTV Adam Curry e ao desenvolvedor de softwares Dave Winner. Em 2004, eles criaram o primeiro agregador de podcasts, chamado "iPodder", que permitia os usuários baixarem automaticamente transmissões da Internet para seus iPods. Marcelo Pereira, um dos realizadores do Granma Podcast, menciona em entrevista para o site Brasil de Fato MG, que o podcast também vem da junção da tecnologia MP3 com o “Feed / RSS”, formato que distribui informações em tempo real pela internet, que em 2004 passou a funcionar também com arquivos de áudio. Ao decorrer dos anos múltiplas plataformas que agregam e distribuem podcasts foram aparecendo dentro da podosfera (toda a esfera relacionada aos podcasts), como o Apple Podcasts, Google Podcasts e muitos outros, fazendo com que o acesso ao público e de futuros produtores a esse mundo ficasse ainda maior do que já era. Atualmente a nova tendência dentro da podosfera são podcasts com o apelo visual e transmitidos ao vivo, por plataformas como o YouTube e a Twitch, esse estilo de podcast permite uma maior interação com o público, sendo esse um dos seus maiores atrativos. Com o auxílio de um artigo escrito por Fábio Mazzeu (2020), para o site Feedgurus, conseguimos identificar sete tipos, que trataremos como sub-formatos, de

podcasts,

sendo

eles:

Entrevista,

Discussão/Bate-Papo,

Programa,

Informativo/Jornalístico, Meditação, Educacional e Histórias/Audiodramas. Cada tipo de podcast traz uma proposta diferente, assim fazendo com que a produção e a estratégia de marketing para cada um também seja diferente. A seguir, explicaremos de forma breve as propostas de cada sub-formato.

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2.4.1. Formato Entrevista O formato entrevista é um dos clássicos da podosfera, trazendo todos os aspectos de programas de entrevista, como o Lady Night, o Programa do Jô, o Conversa com Bial, e muitos outros. Nesse tipo de formato, os apresentadores fazem o papel de entrevistador e trazem semanalmente, ou mensalmente dependendo do podcast, um convidado para falar sobre sua vida, um projeto recente ou algum assunto que tenha conhecimento. Alguns exemplos de podcasts desse formato são o Venus Podcast, Podpah e Roda Viva.

2.4.2. Formato Discussão/Bate-Papo O formato discussão/bate-papo é muito provavelmente o mais consumido e mais famoso da podosfera, trazendo as clássicas conversas cotidianas, leves e sem restrições de tempo e roteiro, seguindo apenas uma simples pauta, um tema, etc. Nesse tipo de formato, os apresentadores conversam semanalmente sobre um tema específico, indo desde cultura pop até política. Esse tipo de podcast é muito conhecido por seus episódios de comentários em cima de notícias da música, novos lançamentos da TV e do cinema e o que está acontecendo no mundo. Alguns exemplos de podcasts desse formato são: Mamilos, Filhos da Grávida de Taubaté, Um Milkshake Chamado Wanda, The Bald and the Beautifu e Balela.

2.4.3. Formato Programa O formato programa é baseado no rádio, tendo uma estrutura clara, quadros específicos, e alguns reproduzem até músicas, seguindo também a estética sonora clássica de programas de rádio. Juntando o melhor dos dois mundos, o formato se aproveita das novas possibilidades que as plataformas de podcasts têm a oferecer. Mazzeu (2020), diz que esse formato “provavelmente é onde existe a maior oportunidade de inovação, já que muitos podcasters tentam fugir ao máximo da comparação com programas de rádio”. Alguns exemplos de podcasts desse formato são: Rádio Clock FM, Rádio Batuta e o RádioM. 31


2.4.4. Formato Informativo/Jornalístico O formato informativo/jornalístico, como o nome sugere, traz notícias e informações sobre o dia a dia, normalmente sendo enviados durante a manhã focando em atualizar pessoas a caminho de seus trabalhos. Geralmente trazendo o estilo mais jornalístico, alguns podcasts do formato também estão usando a característica do bate-papo em dupla ou em grupo trazendo assim um sentimento de intimidade. Alguns exemplos de podcasts desse formato são: Café da Manhã, Xadrez Verbal, O Assunto e o Uol Investiga.

2.4.5. Formato Meditação/Bem Estar O formato de meditação/bem estar foca em trazer para o ouvinte um momento de relaxamento, onde ele descobrirá mais sobre si mesmo por meio de meditações guiadas, dicas de como integrar a meditação no dia a dia, e como tirar o melhor resultado possível dessas meditações. A parte de bem estar traz dicas sobre alimentação, exercício físico, beleza, cosméticos, e muito mais. Os podcasts do formato são normalmente liderados por profissionais da área, ou pessoas que possuem uma paixão por algum dos assuntos abordados. Alguns exemplos de podcasts desse formato são: Meditação Guiada, Horóscopo Hoje, Nós, e o SUPERVULGAR Podcast.

2.4.6. Formato Educacional O formato educacional foca em ensinar algo para ouvinte, de forma didática como na escola, ou em um curso. Tecnologia, programação, idiomas, história, política, e muito mais. Na podosfera existe um podcast para basicamente todo assunto imaginável. Esse formato é muito comum no ramo da tecnologia e da programação, porém está se expandindo cada vez mais, transformando-se em uma ótima opção para a criação de conteúdo educativo na internet para instituições de ensino tradicionais. Alguns exemplos de podcasts desse formato são: Histórias em Inglês com Duolingo, História em Meia Hora, Hipsters Ponto Tech e o Ciência Sem Fim. 32


2.4.7. Formato História/Audiodrama O formato história/audiodrama, como o nome sugere, se refere a podcasts que apresentam desde reconstituições de crimes, até a leitura de livros, como um tipo de audiobook porém com comentários do narrador, e é claro obras ficcionais. Sendo o formato escolhido para o nosso audiodrama, esse formato foi visto como a forma perfeita para a revitalização das radionovelas, desta vez como audiodramas, com direito até a premiações focadas em projetos ficcionais de áudio, e atualmente tendo um grande investimento de plataformas como o Spotify que recentemente está lançando séries originais e adaptações regularmente. Alguns exemplos de podcasts desse formato são: Sophia, Paciente 63, LifeAfter, Projeto Humanos, Contos e o Modus Operandi.

2.5.

PODCAST E A FICÇÃO

Mesmo ainda sendo mais popular nos Estados Unidos, podcasts vem crescendo cada vez mais no Brasil ao longo do anos, chegando ao segundo lugar no ranking de países que mais consomem podcasts no mundo segundo pesquisa do Podcast Stats Soundbites feita pelo Spotify. Com a ascensão do formato que surgiu no início do século XXI, muitas emissoras de rádio viram ali uma possibilidade de aumentar sua audiência, logo então começaram a enviar gravações de seus programas já existentes para plataformas digitais. Essa estratégia acabou sendo pouco eficaz, assim trazendo a necessidade de criação de conteúdo extra que seriam exclusivos digitalmente junto das reprises. Balsebre (1994) diz que a industrialização pós segunda guerra fez com que o rádio se tornasse mais segmentado, transformando-o em meio de difusão de comunicação e expressão, isso junto do crescimento da popularidade da televisão, foi fazendo o gênero radionovela perder popularidade pelo mundo. Segundo Balsebre (1994 p.11) “isto valorizou o rádio voltado para a informação e o serviço, deixando em segundo plano o rádio–arte”. No Brasil a produção de radionovelas viu seu fim na década de 1970, em grande parte pela falta de recursos financeiros, apesar de algumas tentativas isoladas de revitalizar o gênero, porém com o advento do podcast surgiu-se uma nova chance.

33


Inicialmente mais conhecido por trazer conversas cotidianas, leves e sem restrições de tempo e roteiro, seguindo apenas uma simples pauta, o formato também se tornou a escolha perfeita para a revitalização da produção de audiodramas, vindo com uma estética acústica que relembra os anos dourados do rádio, que serviu de opção não só para estúdios e produtoras independentes, mas também para grandes nomes do audiovisual brasileiro como a Rede Globo. No caso de “Escolinha do Professor Raimundo”, por exemplo, durante a pandemia do COVID-19, a gravação de novos episódios da série de televisão foi impossibilitada, logo a mesma voltou a suas raízes radiofônicas em forma de podcast com episódios inéditos entre julho e setembro de 2020. Originalmente a obra foi uma produção radiofônica criada em 1952 para a Rádio Mayrink Veiga, chegou à televisão em 1957 como um quadro da TV Rio, e depois conseguiu uma casa fixa na Rede Globo em 1990 ficando no ar até 2001, posteriormente ganhando uma segunda versão em 2015 que foi exibida até janeiro de 2021. “Herança do Ódio”, adaptação do texto da radionovela original de Oduvaldo Vianna (1951-1952), virou uma produção transmidiática que serviu como conteúdo extra para a novela “Êta Mundo Bom!” de 2016, sendo enviada em vídeo para o portal do GSHOW, e transmitida em áudio pela Rádio Globo, a obra também era mencionada durante episódios da própria novela. Em 2020, acompanhando a segunda exibição da novela pelo “Vale A Pena Ver De Novo”, a produção virou uma das primeiras tentativas da Rede Globo em trazer a ficção para as plataformas de podcasts, ganhando uma remasterização e sendo enviada periodicamente entre os meses de abril e dezembro. Se nas rádios não há a presença do audiodrama, no podcast é onde encontramos este formato desaparecido dos meios radiofônicos. Através da transmissão pelo podcasting, o audiodrama ganhou uma nova cara, com uma adaptação do que era produzido nos tempos de rádio para o ambiente online (SCHLOTFELDT E RODIGHERO 2017, p. 13).

Durante a PodPesquisa 2019-2020 (abPod)[3], quando perguntados em relação a seus ‘Interesses e Preferências’, 4867 dos entrevistados apontaram Ficção. O assunto ficou em 13º (décimo terceiro) lugar no ranking geral, mostrando assim um certo interesse em produções ficcionais em forma de podcast.

3

Podpesquisa 2019-2020. P.21. <https://drive.google.com/file/d/14fyrRYmz1QSOCI5DeEhssLQL376EbEUu/view>

34


Comumente encontrados de forma unitária ou seriada, a produção de audiodramas para as plataformas digitais crescem simultaneamente ao interesse do público. Seja no formato tradicional de radionovelas, ou como RPGs (Role-Play Game). Kaplún (2017, p. 140), em relação à radionovela tradicional diz: “É necessário escutá-la na íntegra ou quase na íntegra: caso se perca algum capítulo, é difícil tornar a seguir o argumento; se vários capítulos seguidos são perdidos, torna-se quase impossível”. A produção de audiodramas em formato de podcast trás todas as vantagens do formato digital ‘on demand’ (em demanda), não dependendo da transmissão ao vivo do rádio, possibilitando a pausa durante os episódios, a possibilidade de voltar quando necessário, e a ausência do medo de perder um episódio importante para a trama. Como exemplo de narrativa ficcional produzida para as plataformas digitais, podemos mencionar “Sophia” (2020), produção própria do Spotify que apresenta o interesse da empresa em trazer mais ficções para a plataforma, onde Helena é contratada por uma empresa de tecnologia para ser uma das pessoas por trás de Sofia, inteligência artificial de perguntas e respostas semelhante à SIRI. Também podemos mencionar o “RPG Call of Cthulhu” (2017-2020), feito pelo NerdCast onde, em 1936, um grupo de amigos veteranos da Primeira Guerra Mundial se reúnem, mas a confraternização toma rumos inesperados e misteriosos, ao longo de 4 episódios, lançados anualmente, o ouvinte tenta desvendar a trama junto dos personagens. O mercado de podcasts no Brasil ainda está em expansão, porém com uma simples pesquisa em sua plataforma de podcasts favorita é possível perceber o nível de dedicação e criatividade dos projetos independentes, e também o aumento no volume de podcasts, segundo a PodPesquisa Produtor 2020-2021 (abPod), 70,3% dos produtores iniciaram seus podcasts de 2018 pra frente, em decorrência ao aumento da quantidade de interesse em podcasts em português. Esses, junto com o aumento no interesse da indústria, são fatores extremamente necessários para que em breve, o Brasil não seja apenas uma das potências quando falamos de ouvintes, mas também quando falamos de produção, não só como hobby, mas também como profissão. De acordo com a PodPesquisa Produtor 2020-2021 (abPod), 24,7% dos produtores têm alguma receita na produção 35


de seus podcasts, e 14,6% dos podcasts incluídos na pesquisa já conseguem remunerar suas equipes de produção.

2.6.

ABUSO PSICOLÓGICO

Os projetos no audiovisual são compostos por um tema central que faz com que a proposta seja única. O tema central que trás conexão nesse audiodrama gira em torno do abuso psicológico. Em diferentes projetos já foram apresentadas situações de abuso psicológico, sendo em podcasts, filmes, séries ou novelas, sempre foi algo que esteve presente nos meios de entretenimento das pessoas. Mas o que exatamente classifica um abuso psicológico? O abuso psicológico no Brasil é definido pela lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006, Art.7º) como “é considerado qualquer conduta que: cause dano emocional

e

diminuição

da

autoestima;

prejudique

e

perturbe

o

pleno

desenvolvimento da mulher; ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões”. Em 2021, foi inserido o artigo 147-B na Lei 14.188 que coloca o abuso psicológico como sendo considerado crime passivo a pena de reclusão de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos com pagamento de multa. Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação: Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave."

A violência psicológica (ou gaslighting) é caracterizada pelo constante ato de depreciação, desrespeito, ameaça e aterrorização da vítima com a intenção de traumatizar e causar danos à autoestima do indivíduo, assim como obter poder e controle sobre essa pessoa, com o agressor se sentindo no direito de tirar a voz do outro por se sentir superior. De acordo com o estudo feito em 1992 pelos pesquisadores Staus e Sweet, abuso psicológico foi apresentado como “um padrão de comunicação, quer verbal ou não verbal, com a intenção de causar sofrimento psicológico na outra pessoa, ou que é percebido como tendo essa intenção” (Straus & Sweet, 1992). 36


O termo “Gaslighting” surgiu em 1944, proveniente do filme “Gaslight”, “Á Meia Luz” em português, no longa o marido tenta convencer sua esposa que ela está enlouquecendo, e fazendo com que ela questione sua realidade. O gaslighting desorienta a vítima e distorce informações para fazer com que a vítima duvide de si mesma e de sua própria sanidade. Portanto, gaslighting é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador. Ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção, identidade, autoestima e até mesmo, sanidade. (OSWALDO, 2019).

A violência psicológica é um dos tipos de violência mais comuns por ocorrer em qualquer ambiente em que exista interação entre pessoas, e também é a mais difícil de ser identificada por ocorrer silenciosamente. O abuso ocorre por um período prolongado e intensifica com o passar dos estágios ao longo do tempo. Essa violência também não escolhe gênero, portanto, pode acontecer com qualquer pessoa, e o agressor não precisa necessariamente apresentar transtornos comportamentais. Ele é o mais difícil de ser identificado por ser mais sutil. No entanto, existem pesquisas mostrando que ele é preditor do abuso físico, de sofrimento mental, e produz um estado de sofrimento que confunde a vítima. (TEODORO, 2020).

De acordo com o artigo da psicóloga Profa. Dra. Yeda Oswaldo para o Instituto ISI[4], existem sete estágios do abuso psicológico que acontecem progressivamente, sendo eles:  Mentiras e Exageros O abusador inventa histórias negativas sobre a vítima com base em acusações falsas (Ex: “Seu trabalho não é importante”; “Você não é bom no seu trabalho”).  Repetição Mentiras ditas repetidamente para manter a vítima desorientada e para que ela duvide de si mesma.

4

Sinais De Abuso Psicológico “Gaslighting”. ISI Infinity. 2021.

37


 Aumento de Ataques Nesse estágio fica aparente para a vítima que as ações do abusador não são saudáveis. E quando confronta o abusador sobre suas atitudes, ele responde com hostilidade e aumenta a intensidade dos seus ataques, acusando que tudo é apenas coisa da cabeça da vítima, na tentativa de desorientá-la e confundi-la.  Enfraquecimento da Vítima Após os ataques constantemente do abusador, a vítima está desgastada emocionalmente,

pessimista,

com

autoestima

comprometida

e

questionando sua própria percepção e realidade.  Criação de Dependência Eventualmente a vítima cria uma dependência emocional, psicológica e, às vezes, até mesmo financeira. Nesse estágio toda a insegurança causada á vítima faz com que ela não questione as ações do abusador, na verdade ela aceita e respeita as investidas. A dependência é baseada em medo e desamparo causado ao longo do tempo.  Dar Falsas Esperanças de Melhora O agressor ocasionalmente manipula a vítima para que ela acredite em sua mudança, através de afeto e carinho, dando falsas esperanças de arrependimento e melhora no futuro. Isso faz com que a vítima considere dar outras chances para o abusador, mas as agressões psicológicas retornam em pouco tempo.  Domínio e Controle No último estágio, o mais extremo, o agressor tem como objetivo controlar e tirar proveito da vítima que, após tanto tempo sofrendo abusos, não irá questioná-lo. Uma pessoa submetida ao Gaslighting sofre diversos danos colaterais, tanto psicologicamente quanto fisicamente. Ela pode sofrer de sintomas semelhantes ao da depressão (ansiedade, paranoia, incapacidade de se divertir ou sentir prazer e baixa autoestima), e fisicamente a pessoa pode passar por problemas alimentares, consumo excessivo de álcool ou substâncias, problemas dermatológicos e gastrointestinais. A vítima tende a repetir a fala depreciativa que constantemente

38


escuta do gaslighter, rebaixando a si mesma, seu corpo, seu trabalho, sua personalidade e suas ações. Há um empobrecimento das vivências que correspondem a suas habilidades e capacidades, diminuindo o seu potencial vital. Sentimentos ou pensamentos de desvalia e de desamor, sem empatia, sem ressonância amorosa. (CUSCHNIR, 2020).

A pessoa que consegue sair de um ambiente com abuso psicológico precisa de acompanhamento psicológico e psiquiátrico, e em alguns casos pode ser necessário um assistente social ou advogado para ajuda-la a compreender a situação em que estava e se curar dos danos que o abusador causou a ela. Os especialistas ajudam a vítima a perceber o abuso com mais nitidez. E essa consciência é fundamental para a cura, pois só é possível tratar as consequências da violência psicológica quando ela cessa. (TEODORO, 2020).

Para este trabalho, decidimos ressaltar alguns tipos de abuso específicos para serem apresentados no audiodrama. Os seguintes tipos de assédio são: assédio moral no trabalho, assédio moral na família e assédio moral no relacionamento.

2.6.1. Assédio Moral Familiar O primórdio dos nossos conhecimentos de interação entre pessoas acontece na família, mas nem sempre o relacionamento familiar se dá de forma saudável, isso caracterizando o abuso psicológico na família. Esse tipo de violência moral pode ocorrer no âmbito familiar ou num grupo de pessoas que residem na mesma casa. O caso entre a vítima e o agressor pode acontecer entre qualquer pessoa na família ou no vínculo afetivo. A vítima não é necessariamente uma pessoa submissa, assim como o agressor pode não ser caracterizado como um sociopata. Entretanto, o agressor tem a constante necessidade de rebaixar, humilhar e menosprezar a vítima, sendo que o agressor costuma aderir atitudes melodramáticas no intuito de chamar a atenção dos demais, principalmente da vítima, na intenção de drená-la emocionante. Marie-France Hirigoyen, psiquiatra especialista em assédio moral, afirma que: Não podendo ter plena satisfação com o próprio corpo, tentam impedir o prazer que os outros têm com o seu, inclusive em seus próprios filhos. Sendo incapazes de amar, eles tentam destruir, por cinismo, a simplicidade de uma relação natural. Para aceitar-se, os perversos narcisistas têm que

39


vencer e destruir outrem, sentindo-se assim superiores. Sentem-se felizes com o sofrimento alheio. Para afirmar-se, têm que destruir. [...]

Um exemplo desse tipo de abuso psicológico pode ser observado no documentário “Allen V. Farrow”, em que são relatados constantes tentativas de isolamento da vítima pelo cineasta, lavagem cerebral no intuito de confundir e desorientar a criança, descreditando e humilhando a vítima publicamente. Desde

quando

pesquisas

sobre

violência

familiar

foram

iniciadas,

principalmente sobre violência infantil, no início dos anos 70, o abuso psicológico sempre foi colocado em segundo plano, mesmo sendo um dos tipos de violência mais recorrente nos lares familiares, e também o mais difícil de identificar por ser sutil e silencioso, sem a presença de brigas fisicamente violentas, e também pelo agressor isolar a vítima de amigos e familiares. Diferente das outras naturezas de violência, com definição e conceitos mais claros possibilitando assim melhor detecção e consequente intervenção, a violência psicológica é pouco diagnosticada apesar de ser mais prevalente do que as outras formas de abuso segundo pesquisadores da área. (ABRANCHES; ASSIS, 2011, p.843).

Nem sempre o abuso familiar é relacionado a ameaças, ele também está muito presente na expectativa que os responsáveis depositam numa criança, pressionando ela ao extremo e não proporcionando o suporte necessário para ter um desenvolvimento pleno. É preciso, sim, haver um respeito à posição deles de mentores e responsáveis pelos filhos, mas essa autoridade deve ser encontrada por meio do equilíbrio. Afinal, tanto o excesso de rigidez, quanto o de permissividade podem ser classificados como formas de agressão psicológica... (BAUER, 2021).

A psiquiatra Angelika H.Claussen, especialista em abuso e negligência infantil, afirma em seu livro “Child Abuse & Neglect” que a violência psicológica pode causar mais danos no desenvolvimento infantil do que a violência física. As consequências de abuso psicológico na infância são inúmeras, desde dificuldade em confiar e se relacionar com outras pessoas, até desenvolvimento de ansiedade e depressão. Outra consequência que uma criança pode acabar desenvolvendo em longo prazo é a dificuldade nos relacionamentos interpessoais, fazendo com que ela possa praticar violência moral ou até física em outras pessoas. Pensa-se que as experiências vividas nos primeiros tempos de vida são relevantes para a construção do self e na estruturação do mesmo e que os “modelos internos dinâmicos” então construídos vêm a manifestar-se na

40


complexidade das situações relacionais, inclusive nas relações interpessoais íntimas estabelecidas na idade adulta (BOWLBY, 1988).

Quando uma pessoa tem em seu lar a presença de abuso psicológico, a chance de a criança ser um abusador no futuro é significativamente possível.

2.6.2. Assédio Moral No Trabalho Ou Mobbing Como parte da sobrevivência e dignidade dos seres humanos, precisamos de dinheiro e, para isso, precisamos trabalhar, sendo o trabalho mais uma forma de interação com outros indivíduos que nem sempre pode ser boa, caracterizando então o abuso psicológico no trabalho. Assédio moral no ambiente de trabalho pode ser definido como uma ou mais pessoas aplicando violência psicológica severa por um longo período de tempo sobre a vítima no intuito de isolá-la, arruinar sua imagem para os demais colegas de trabalho e importunar suas atividades laborais até que a vítima, por fim, peça demissão. ...fenômeno no qual uma pessoa ou grupo de pessoas exerce violência psicológica extrema, de foram sistemática e recorrente e durante um tempo prolongado – por mais de seis meses e que os ataques se repitam numa freqüência média de duas vezes na semana – sobre outra pessoa no local de trabalho, com a finalidade de destruir as redes de comunicação da vítima ou vítimas, destruir sua reputação, perturbar a execução de seu trabalho e conseguir finalmente que essa pessoa ou pessoas acabe abandonando o local de trabalho (LEYMANN, 1990, p. 121).

O assédio moral no trabalho é um dos mais conhecidos, sendo até reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo Piñuel y Zabala e Cantero (2003), o mobbing no trabalho representa a mais grave ameaça à saúde dos trabalhadores a ser enfrentada neste século. A conversa sobre o mobbing ganhou mais força nos últimos anos com o surgimento de denúncias feitas por artistas internacionais acusando executivos de grandes produtoras, fazendo com que muitas pessoas abrissem os olhos para o problema laboral que muitos enfrentam diariamente. Um dos casos mais comuns de mobbing é quando pessoas em altos níveis hierárquicos se sentem no direito de tirar proveito dos outros funcionários que consideram estar abaixo deles, sendo verbalmente abusivos e exibindo uma postura ameaçadora, os pressionando psicologicamente até que decidam pedir demissão. 41


Situação mais habitual. Trata-se de um comportamento no qual a pessoa que detém o poder, através de depreciação, falsas acusações, insultos e ofensas, mina a esfera psicológica do trabalhador assediado para se destacar frente a seus subordinados, para manter sua posição hierárquica. Pode também tratar-se simplesmente de uma estratégia empresarial cujo objetivo e forcar o abandono “voluntario” de uma determinada pessoa sem recorrer a sua demissão legal, já que não haveria justificativa objetiva para tal, o que acarretaria custos econômicos para a empresa. (GUIMARÃES, RIMOLI, 2006, p.187).

No drama biográfico “O Escândalo” (2019), é possível ver um exemplo de assédio moral praticado por chefes da empresa para tirar vantagem das funcionárias por estarem em menores níveis hierárquicos. No drama, são retratados casos de abuso que ocorreram na emissora Fox e a manipulação dos superiores para que os funcionários não sujassem a imagem da empresa. Situações assim são extremamente frequentes no mercado de trabalho, e isso pode ser visto na pesquisa feita pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (NUBE), onde, entre 4.909 entrevistados com as idades entre 15 e 26 anos, 49,52% deles já passaram por hostilidades no ambiente de trabalho, sendo que 9,7% afirmam que o mobbing ocorre principalmente entre os colegas mais próximos. O mobbing é algo que sempre esteve muito presente no ambiente de trabalho, mas que só está recebendo a devida atenção sobre sua gravidade nos últimos anos, principalmente com a ascensão do movimento Times Up/ Me Too, que trouxe conscientização para o assunto que infesta diversos ambientes laborais.

2.6.3. Assédio Moral No Relacionamento Como parte do ciclo da vida das pessoas, temos a necessidade sentimental de afeto e nisso precisamos nos relacionar romanticamente com outra pessoa, mas ás vezes, o relacionamento com outro individuo pode ser tóxico, assim caracterizando o abuso psicológico no relacionamento. O abuso moral no relacionamento é o tipo de assédio que ocorre de forma sutil, por não se apresentar por meio de atitudes muito explícitas. O abusador possui a tendência de empurrar a culpa de suas ações para a vítima e fazer com que ela se sinta inferior e insignificante se não estiver com ele no relacionamento. Ele costuma transferir a responsabilidade de suas ações para a parceira, além de aumentar a gravidade dos erros que ela possa cometer, e nunca sentir remorso pelo que faz. ...Assim, as mulheres tendem a estar menos satisfeitas junto de companheiros com padrão de vinculação “evitante”, porque estes denegam

42


a importância da relação, ao passo que os homens tendem a estar menos satisfeitos junto de companheiras com padrão de vinculação “ansioso/ambivalente”, porque se sentem ameaçados pela exigência e natureza possessiva das mesmas. (FIGUEIREDO; PAIVA, 2003, p.172)

O abusador tende a descreditar os sentimentos e a fala do parceiro, negando a importância da vítima no relacionamento, pois, para o gaslighter, somente a opinião dele e o poder que ele exerce sobre o outro são relevantes, fazendo com que ele controle as decisões no relacionamento e diminua cada vez mais o espaço de escolha da parceira. "Muitas vezes, a resposta é 'você não tem motivos para sentir dessa forma', 'não é isso', 'você não deveria se sentir assim'. Quando, na verdade, quem está falando sobre a sua intimidade está falando sobre alguma coisa que, para se transformar, primeiro precisa ser reconhecida e acolhida". (BAUER, 2021).

Estudos feitos pelos profissionais da psiquiatria apontam que pode haver inúmeros motivos para que uma pessoa cometa violência psicológica em um relacionamento, mas um dos principais apresentados por pesquisadores é o abuso e negligência na infância pelos "modelos internos dinâmicos", ou seja, os modelos responsáveis pela construção da personalidade nos primeiros anos da vida de uma pessoa. O efeito das experiências de abuso na infância nas dificuldades interpessoais presentes nas relações íntimas com o companheiro durante a idade adulta é mediado pelo padrão de vinculação “inseguro” construído a partir das relações iniciais com os pais (MCCARTHY; TAYLOR, 1999).

O filme Malcolm & Marie, lançado em 2021, é a perfeita representação de um relacionamento tóxico e abusivo, mostrando o menosprezo que um sente em relação ao outro, quando ambos utilizam várias táticas para se atacar e, assim, apresentando algumas das características mais comuns em relacionamentos abusivos.

2.7.

UM OLHAR PARA TELEDRAMATURGIA BRASILEIRA SOBRE O ABUSO PSICOLÓGICO

Ao observar o cenário nacional e como o abuso psicológico é retratado na teledramaturgia brasileira, podemos perceber que as novelas conseguem trazer o assunto de uma forma que o contexto de diversos abusos diferentes se passa no cotidiano dos personagens, onde o público é introduzido aos poucos a enxergar 43


pequenas a grandes situações de abuso e as sequelas que são deixadas nas vítimas. Explicitamos os casos de abuso psicológico retratos em duas novelas diferentes A Favorita (2008) e Avenida Brasil (2012). Foi apresentado ao público em “A Favorita” exibida em 2008 o personagem Orlandinho (Iran Malfitano) jovem playboy e rico, filho de pais fazendeiros de Minas Gerais, que mora sozinho em um apartamento luxuoso em São Paulo, no começo o personagem aparece em restaurantes cercado de mulheres. Ao conhecer Halley (Cauã Reymond), Orlandinho declara seu amor e mostra interesse em se assumir homossexual para viver seu romance. A construção do personagem vai se modificando de forma que o exagero dos trejeitos remete às antes recorrentes caricaturas, e sua “afeição” não passa despercebida pelo pai que percebendo seu interesse em seu novo “amigo”, propõe interná-lo em uma clínica para “se curar dessa doença” que para ele não é aceito de forma alguma. Com medo, Orlandinho foge, mas, ao perceber que não teria mais sua vida de luxo e seus cartões de crédito que foram cortados pelo pai, ele concorda com a internação. “...aqueles e aquelas que transgridam as fronteiras de gênero ou de sexualidade, que as atravessam ou que, de algum modo, embaralham e confundem os sinais considerados 'próprios' de cada um desses territórios são marcados como sujeitos diferentes e desviantes. [...] Esses sujeitos são tratados como infratores e devem sofrer penalidades. Acabam por ser punidos, de alguma forma, ou, na melhor das hipóteses, tornam-se alvo de correção. (LOURO, 2004, p. 87)”

Orlandinho volta da reabilitação e com isso seu pai (Luiz Bacceli) resolve testar seu filho e ver se o mesmo está curado da homossexualidade, com isto contrata uma garota de programa Maria do Céu (Debora Secco) para ficar com o filho, Orlandinho não consegue ficar com Maria do Céu e pede para ela mentir para seus pais e falar que ele é “terrível na cama”, a garota sem entender muito bem o que está ocorrendo questiona o comportamento de Orlandinho, o mesmo começa a chorar e o mesmo diz: “ Não, é que eu estava sentindo umas coisas... Eu acabo de voltar de uma clínica e eles me proibiam de dizer o que eu estava sentindo e eles me botavam no quarto azul e mandavam eu ficar repetindo que é isso que eu gosto, que é isso que eu gosto, mas eu não gosto disso, eu não gosto disso...”. O olhar de sofrimento do personagem ao relar o abuso sofrido em clínica por sua opção sexual só retrata o que muitos jovens passam no seu dia a dia. 44


“A orientação sexual e a identidade de gênero são questões inerentes ao indivíduo e se estruturam nos primeiros anos de vida. O profissional de saúde não deve interferir nisso. Seu papel é respeitar o paciente e auxiliá-lo nesse processo, que traz um estresse emocional e psicológico.” (NIEL, 2021).

Com pena de Orlandinho e sentindo um alívio por não precisar ter relações sexuais com o mesmo, Maria do Céu mente para família de Orlandinho, os dois ficam amigos e com o passar do tempo fingem estar em um relacionamento onde Maria do Céu cole os frutos de ter uma relação com um playboy rico e Orlandinho pode mantém sua homossexualidade no armário, em paralelo Maria do Céu mantém uma amizade colorida com Harley que é o alvo de Orlandinho, ao longo da novela Maria do Céu descobre que está gravida de Harley e com isto Orlandinho oferece se casar com a moça e assumir o filho para fins de transformar o seu relacionamento em um relacionamento há três ( Orlandinho, Maria do Céu e Harley). Porém sua família não aceita facilmente seu filho se casar com uma prostituta, mas na mente deles é mais aceitável seu filho casar-se com uma garota de programa do que ser homossexual e acabam aceitando a união dos dois. A cumplicidade entre Céu e Orlandinho vai se transformando em uma forte amizade e na “noite de núpcias”, que seria uma encenação, eles, de fato, consumam o ato sexual. A cena é cortada para a manhã seguinte e, entre beijos e abraços, seguidos de um abrupto afastamento, o casal questiona: “Mas como pode ser, você é gay” fala Maria do Céu. “É, eu sou gay, não posso gostar de estar com uma mulher” diz Orlandinho. Os personagens atribuem a “reconversão” à forte amizade entre eles, enfatizada como algo central nas relações amorosas. No último capítulo, Céu dá a luz a um bebê ao pé de uma árvore no quintal de Cilene, onde Halley (pai biológico) e Orlandinho (pai adotivo) ajudam a fazer o parto. Antes da situação inusitada, Orlandinho externa sua ansiedade e recupera as afetações dos primeiros momentos da trama, mas se diz apaixonado por Céu e feliz em ser pai. A novela A favorita reforçou para o público um clássico caso de reconversão da homossexualidade, onde o autor João Emanuel Carneiro expõe que o personagem nunca teve uma relação homoafetiva e que suas expectativas são baseadas na imaginação, após se relacionar com uma mulher ele descobre estar apaixonado e vive sua vida com a mulher amada, porém comunidade gay não aceitou muito bem o desenrolar do personagem Orlandinho, pois a novela 45


romantizou a cura gay e o abuso sofrido pelo personagem com sua família que não aceitava sua orientação sexual. Na novela Avenida Brasil exibida em 2012 tivemos o caso de abuso psicológico passado no relacionamento da Ivana (Letícia Isnard) e Max (Marcello Novaes) onde os personagens eram casados, no início da trama Ivana foi apresentada ao publico como uma mulher solteirona e que não obtinha muita sorte no amor, já Max era o amante de Carminha (Adriana Esteves) um homem oportunista que fazia de tudo para se dar bem na vida, O relacionamento teve início quando Carminha começou a se relacionar com Tufão (Mauricio Benício) e apresentou Max para Ivana como uma forma de ficar perto do seu amante e conseguir ter mais vínculos na família de Tufão, Ivana que já estava desiludida na vida amorosa sede as investidas de Max e em pouco tempo juntos os dois se casam. Depois do casamento Max vem tratando Ivana cada dia pior, no início do relacionamento inventava cansaço ou colocava remédio no copo de água da mulher para não ter relações sexuais com ela, começou a fazer críticas a sua aparência e ao seu modo de falar e agir em público, Ivana por sua vez sempre dá desculpas para os abusos e ofensas feitos pelo seu marido e sempre o perdoa. "São mulheres com baixa autoestima, inseguras, dotadas de pouco autoconhecimento e que tendem a se desqualificar. Elas depositam no parceiro todos os seus desejos e anseios de aceitação" (SAMARITANO, 2012).

Ivana com o tempo vai perdendo sua autoestima e se prendendo ainda mais aos comentários que seu marido Max faz sobre ela e acha que se ele terminar com ela algum dia ela nunca conseguirá encontrar alguém que ame da forma que ela é, em uma cena Max inconformado por ter visto Carminha ganhar um cordão milionário de Tufão, Max procura agir de alguma forma para conseguir dinheiro e vai conferir o manual do cofre da mansão, traçando seu plano de roubo. No entanto, sua mulher Ivana que não desconfia das falcatruas do marido, aparece de surpresa na biblioteca e pede para que ele a ajude em seus novos negócios, o que aparenta não o deixar muito satisfeito. Sem disfarçar sua irritação com a entrada da esposa no local, ele acaba sendo grosso com ela e diz que não tem motivo algum para que ajudá-la. Surpresa, Ivana ainda o chama de estúpido e causa mais irritação em Max, que dispara ofensas como: “Além de ter que olhar todo dia para essa tua cara feia murcha, você fica ainda mais ‘mocreia’ chorando! Parece uma porca berrando no 46


matadouro. Sua ridícula!”. Arrasada com a reação do marido, a loira tenta dar um basta na situação. “Chega!”, pede. Furioso, ele ainda parte para cima dela e por muito pouco não acaba a agredindo. Ivana inconformada com a atitude do esposo sai chorando e vai atrás de Carminha para desabafar sofre o ataque de fúria do esposo. Com o passar do tempo à família de Ivana vai a alertando que a relação que a mesma vive com Max não é saudável e ela merece alguém que a trate bem, porém o medo de ficar sozinha é maior e ela sempre o perdoa e coloca tudo debaixo dos panos. As discussões entre os dois vão aumentando e Ivana se vê cada dia mais infeliz na relação, mesmo fazendo de tudo para agradar Max, dando dinheiro e o sustentando em seus luxos o mesmo não para de atacar a esposa com ofensas e a desprezando cada dia mais. O desfecho do casamento vem quando Max dá uma caixa para Ivana de presente e pede que ela abra com a família toda presente, a caixa contém fotos dele com Carminha que foi sua amante a vida toda, nesta mesma cena Max saí da mansão e joga a chave fora anunciando para o publico que está indo embora daquele lugar e do seu casamento que tanto odeia, quando Ivana abre a caixa ela fica horrorizada e começa a gritar chamando sua família para ver as fotos que comprovam a traição de Max e Carminha, após o ocorrido Ivana procura Max na intensão de matar o marido, porém ao encontra-lo ela fica muito abalada e Max acabada humilhando ela novamente e até a ameaçando com a faca que Ivana trouxe para mata-lo em seu pescoço, mas ele a solta, Ivana se irrita muito e bate na cara dele, mandando ele calar a boca. “Pode falar o que quiser de mim, Max. Mas, pelo menos, eu sou uma pessoa decente. Pode tirar sarro, Max. Pode se divertir, porque, agora, eu vou voltar para a minha mansão, para minha casa, para pessoas que me amam, para a minha família. Enquanto você, seu merda, você vai ficar aqui nesse monte de lixo, que é o teu lugar, sem ninguém, sozinho, apodrecendo nesse fim de mundo, nesse fedor”. Ivana sai do lixão e vai embora. Partir não quer dizer que as mulheres estejam decididas a se divorciarem. Elas mantêm durante muito tempo a esperança de que seu companheiro venha a mudar. Esperam que a ruptura tenha sobre ele uma função de eletrochoque, que ele venha a se corrigir, e, mesmo depois de afastadas, têm vontade de ajudá-lo e continuam a ter pena dele ou a desculpá-lo. (HIRIGOYEN, 2006, p. 103).

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Disposta a dar a volta por cima, ela contará com a ajuda da amiga e sócia Monalisa (Heloísa Périssé), que irá fazer uma transformação e renovar a autoestima da amiga que á anos é chamada de feia pelo ex-esposo Max, no fim da trama Ivana acaba ficando com Silas um homem que se apaixona por sua determinação e independência, já Max acaba sendo assassinado por Carminha. A novela Avenida Brasil conseguiu retratar muito bem como o abuso psicológico em relacionamentos funcionam, quais os efeitos na vítima e como ás vezes as palavras do agressor são mascaradas como críticas construtivas no inicio da relação.

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3. O PROJETO “QUALQUER COISA ME LIGA!”

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3. O PROJETO “QUALQUER COISA ME LIGA!” No capítulo a seguir, apresentamos os detalhes do projeto “Qualquer Coisa Me Liga!”, introduzindo especificações da produção do nosso público alvo e veiculação. E em seguida, detalhes da história e mecânica do seriado, que tem seu episódio piloto produzido no semestre.

3.1.

EXPLICAÇÃO DO TÍTULO

O título "Qualquer coisa me liga!" surgiu por querer ser representada a famosa frase dita no Brasil para alguém que nos importamos, para representar a disponibilidade de que, se a pessoa precisar conversar, o amigo estará presente apoiando a pessoa. Outro objetivo do título é representar o quanto a frase "Qualquer Coisa Me Liga" já faz com que o público pense em um projeto sonoro, como um audiodrama, pelo fato da frase “me liga” lembrar o formato sonoro, igual o áudio do telefone.

3.2.

SINOPSE

O audiodrama “Qualquer coisa me liga!” é um seriado original que tem como temática central o abuso psicológico, com o objetivo de apresentar como essas ações prejudicam uma pessoa. Em cada episódio é explorado um tipo de violência psicológica diferente pela qual os personagens estão passando, sendo estes: o abuso psicológico em relacionamento, na família e no trabalho. O projeto é inspirado por relatos de vítimas juntamente com pesquisas aprofundadas sobre o tema. Buscamos expor o quanto o abuso psicológico é prejudicial ao indivíduo e as consequências que podem causar á vítima.

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3.3.

OBJETIVOS

Objetivo Geral Produzir um audiodrama com a finalidade de apresentar diferentes tipos de abuso psicológico, destacando as consequências que isso pode trazer para a vítima e aos indivíduos que convivem com a vítima.

Objetivos Específicos 

Apresentar diferentes tipos de abuso psicológico;

Demonstrar ações de abuso psicológico;

Usar uma mídia sonora para criar uma história;

Trabalhar na criação e concepção de ambientes sonoros;

Desenvolver uma série de audiodrama para hospedar em plataformas de streaming.

3.4. CLASSIFICAÇÃO DO PROJETO 3.4.1. Classificação Indicativa Pensando nos temas abordados no audiodrama, a linguagem utilizada, e as possíveis insinuações que podem aparecer ao longo da história, a produtora considera o projeto como “Não recomendado para menores de 14 anos”. Segundo a 3ª Edição do Guia Prático de Classificação Indicativa (2018), a classificação é dividida entre os seguintes critérios: Violência, Sexo/Nudez e Drogas. O audiodrama possui características das classificações “Livre”, “10 anos” e “12 anos”, porém a decisão final da classificação indicativa se deu em razão da presença de gordofobia e homofobia na trama. De acordo com o segundo item do critério “Violência”, chamado “Estigma / Preconceito”, são admitidos para esta faixa etária conteúdos que apresentem: 

Diálogos, imagens ou contextos que estereotipam as chamadas minorias ou grupos vulneráveis, fazendo chacota ou depreciando um indivíduo ou grupo por conta de suas particularidades, reiterando sua histórica condição marginal, ridicularizando características ou crenças pessoais (a identidade 51


social), atendo-se a uma característica pessoal para diminuir o indivíduo ou grupo, atribuindo-lhe condição defeituosa. 

Considera-se estigma quando uma característica depreciativa é atribuída a uma pessoa ou a um grupo de pessoas. O preconceito, por sua vez, quando existe ofensa direta ou limitação ao acesso aos direitos garantidos a todos.

Exemplo 1: índios são apresentados como preguiçosos ou indolentes.

Exemplo 2: moradores de rua são retratados como bandidos.

Exemplo 3: uma pessoa é alvo de adjetivos pejorativos, devido a sua orientação sexual.

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3.5.

SINOPSE DOS EPISÓDIOS

Episódio 1- Lívia 

Sinopse: Alice estava super animada e feliz por sua amiga Lívia estar embarcando em um relacionamento, porém essa animação vai diminuindo com o passar do tempo. Comentários, brigas, ligações preocupantes, tudo isso leva Alice a questionar o namoro de sua amiga, será que Lívia realmente caiu num relacionamento abusivo?

Tema: Abuso Psicológico no Relacionamento.

Duração: aproximadamente 30 minutos.

Episódio 2- Carla 

Sinopse: Mais um dia comum de trabalho, porém burburinhos e o comportamento estranho de Carla fazem Alice perceber que esse estava longe de ser um dia comum. Com os colegas do setor ficando contra sua amiga e as ações de sua supervisora ficando cada vez mais incisivas, Alice se vê sem outra opção além de tentar parar isso.

Tema: Abuso Psicológico no Trabalho.

Duração: aproximadamente 25 minutos.

Episódio 3- Felipe 

Sinopse: Todos já ouviram barulhos estranhos vindo de casa vizinhas, mas quando isso se repete várias vezes e os barulhos evoluem para gritos altos e brigas, Alice começa a se questionar e sua preocupação aumenta quando encontra um dos moradores magoado na frente da casa dele. O ditado diz que a grama do vizinho é sempre mais verde, mas será que é mesmo? E quais os efeitos que todas as situações até agora tiveram em Alice, descubra nessa grand finale.

Tema: Abuso Psicológico na Família.

Duração: aproximadamente 25 minutos.

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3.6.

ARGUMENTO DO PROJETO

Qualquer coisa me liga! é um audiodrama composto de três episódios com a duração de 25 á 30 minutos. Em cada episódio é abordado um tipo de abuso psicológico diferente, com o primeiro episódio retratando abuso psicológico no relacionamento, o segundo episódio apresentando o abuso psicológico no trabalho e o último aborda o abuso psicológico na família. No audiodrama, nossa única personagem fixa em todos os episódios é Alice, a personagem principal de “Qualquer Coisa Me Liga”, e outros personagens podem aparecer em mais de um episódio do seriado como forma de conectar um episódio ao outro, por exemplo, a vítima de abuso no trabalho aparecerá no episódio de abuso no relacionamento, para criar uma familiaridade com a personagem chave do próximo episódio. Isso nos traz ao ponto em que o audiodrama não necessariamente precisa ser escutado em ordem cronológica, pois cada episódio traz uma narrativa isolada, porém é recomendado que o ouvinte escute o seriado desta forma, ou ao menos por completo, para ter mais contexto e um melhor entendimento da trama, principalmente quando falamos sobre o desenvolvimento da personagem principal. No primeiro episódio, os personagens que serão o foco principal são: Alice e Lívia (melhor amiga de Alice e colega de trabalho em setores diferentes). Além de outros personagens que iram aparecer, são eles: Enzo (o namorado de Lívia), Marília (Mãe de Alice) e Carla (Amiga de Alice e colega de trabalho). 

Episódio 1- Lívia Nesse episódio, é retratado o abuso psicológico no relacionamento e nele

Alice verá sua amiga, Lívia, em um relacionamento recente com Enzo, que inicialmente é tudo o que Lívia sonhou mas, com o passar do tempo, Enzo começa a mudar da sua personalidade amável para alguém controlador. Entre conversas de Alice com Lívia, a protagonista percebe aspectos no relacionamento que não são saudáveis e se preocupa com sua amiga. Alice acha estranho a situação que Lívia lhe conta, mas prefere não interferir e volta ao trabalho. Ao voltar para sua casa, ela recebe uma ligação de Lívia, que conta sobre uma briga entre ela e Enzo, e relata novamente sobre coisas que ele disse para ela que a ofenderam, mas dessa vez ela questiona se não estava reagindo de forma exagerada em relação à briga. Alice, 54


dessa vez, alerta Lívia sobre não estar em um relacionamento saudável. Lívia, então, recebe uma ligação de Enzo e, quando retorna para falar com Alice após alguns minutos, ela só deixa a briga de lado e diz que reagiu de forma exagerada, e Alice volta a falar que talvez o Enzo não seja a pessoa que ela pensa que ele é. Lívia decide deixar o assunto no passado e desliga. No dia seguinte, ao chegar ao trabalho, Lívia convida Alice para almoçar com ela e Enzo para que eles possam se conhecer, e ela aceita. Quando se encontram no almoço, Alice questiona Enzo sobre algumas atitudes dele para com sua amiga e ele diz que não viu problema em nada do que disse e que, de qualquer jeito, já estava no passado. No calor do momento, eles se desentendem e discutem. Lívia se decepciona com a atitude da amiga e Alice se retira do restaurante. Ao voltar ao trabalho, Alice expressa sua preocupação novamente para Lívia, que diz que ela está exagerando e que ela não entende o relacionamento deles. Alice se frustra e vai trabalhar. Ao voltar para sua casa, Alice recebe uma ligação de Lívia, que pergunta se elas podem se encontrar para conversar e Alice concorda. Quando Lívia chega na casa de Alice, ela diz que Enzo e ela tiveram uma discussão, mas que dessa vez ele surtou, e ela decidiu terminar o namoro e agradece Alice por ter estado ao lado dela a todo momento. O episódio tem como foco a relação entre a Alice e Lívia, e como ela vê sua amiga

em

um

relacionamento

que

está

progressivamente

a

drenando

emocionalmente, e como ela acompanha desde o início a mudança que isso representou para Lívia. 

Episódio 2- Carla

O segundo episódio tem como foco principal Alice e Carla, e é centrado no abuso psicológico no trabalho. Nele é retratada a pressão e importunação da supervisora Patrícia para com Carla, assim como de seus colegas de trabalho. Carla está se preparando para sair para o almoço até que Patrícia chega à sua mesa e avisa que vai almoçar mais cedo e que Carla teria que ficar e sair para o almoço mais tarde. Carla retruca que não é justo, ainda mais pelo fato de Patrícia ter chegado uma hora e meia atrasada. Patrícia simplesmente ignora e sai para almoçar mesmo assim. Carla fica inconformada, mas espera chegar sua hora de sair. Quando Patrícia volta ela diz para Carla que ela já pode ir almoçar, mas para não demorar porque precisam bater a meta de vendas. Quando Carla está saindo, 55


encontra com Alice, que está voltando de um almoço com Lívia e Enzo. Elas conversam brevemente e Carla vai almoçar. Carla vai almoçar e depois de cerca de 30 minutos recebe uma mensagem de Patrícia furiosa perguntando onde ela tá e porque tá demorando tanto, e que era pra voltar naquele instante. Quando Carla volta para o escritório uma das colegas de trabalho fala pra ela "eita vida boa, fazendo quase duas horas de almoço... Por isso que não sobe nessa empresa". Carla questiona Patrícia, porque ela sabia que tinha saído mais tarde, Patrícia se faz de desentendida e diz que ela tinha avisado para Carla voltar logo e que ela deveria usar esse tempo extra para bater a meta do mês, se ela um dia quisesse crescer na empresa. Carla fica irritada, mas volta a trabalhar mesmo assim. Quando Carla está indo embora no fim do expediente, ela vê Alice e Lídia conversando, e Lídia está com pressa. Mas antes de conseguir alcançá-las, Patrícia se aproxima de Carla e diz que ela vai ter que chegar mais cedo no dia seguinte porque ela vai ter que se atrasar. Carla, já irritada retruca se não pode ser outra pessoa já que o setor não é composto só dela. Patrícia olha direto nos olhos dela e diz que as outras estão cansadas porque trabalham muito. Carla, desacreditada responde que elas só ficam o dia inteiro batendo papo enquanto tomando café. Patrícia só responde "não testa minha paciência e agradece minha compaixão". Patrícia só sai andando e em seguida, Carla vai embora. Carla volta para casa, quando chega cumprimenta seu namorado e ele pergunta se o dia foi difícil, ela concorda, ele pergunta se ela quer a almofada, ela concorda, ele entrega a almofada e ela grita que é abafado pela almofada. Alice chega no trabalho e quando passa pelo setor de vendas, vê que Carla já estava lá e vai conversar com ela, perguntando o porque ela chegou mais cedo dois dias seguidos, Carla responde que a Patrícia anda pegando no pé dela, mais do que o normal. Quando Alice está saindo para o setor dela, ela escuta Patrícia conversando com uma das meninas do setor de vendas, falando que a Carla só ficava conversando com o povo da empresa o dia inteiro e trabalhava com muita má vontade. Alice se aproxima e diz que na verdade ela que tinha ido lá cumprimentar a Carla e que levou menos de 2 minutos, e que ela na verdade era bem esforçada. Patrícia diz que ela só sabe de metade da história e não deveria dar a opinião dela

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sobre o que ela não sabe. Alice fica meio chocada com a situação e volta para seu setor para trabalhar. Mais tarde, quando vai almoçar, ela encontra Lívia e Carla. Enquanto elas estão almoçando, Alice diz pra ela o que ouviu de manhã, então Carla diz pra elas que não é a primeira vez, e conta sobre diversas coisas que aconteceram no setor e como a Patrícia está quase fazendo ela enlouquecer. Quando elas voltam do almoço, encontram no caminho Patrícia e outras garotas do setor e escutam parte de uma conversa que falava de Carla e então ela perde a paciência e começam a discutir. Por fim, Patrícia diz que o coordenador vai ficar sabendo daquilo. Todas voltam para seu setor, mas Alice decide ir falar com o coordenador sobre Patrícia. No meio da conversa ela diz que não acha que a Patrícia é apta para ser supervisora. Ele é breve e responde “e eu acho que você tinha que tá trabalhando agora”. Ela então volta para seu setor e trabalha. Quando Alice está indo embora após o fim do expediente, ela vê Patrícia chamar Carla e falar para ela que ela teria que trabalhar no dia seguinte porque a outra garota não poderia ir. Carla diz que já tinha avisado ela á várias semanas atrás que ela precisava daquele sábado, pois iria comemorar o aniversário de seu namorado. Patrícia diz que a outra garota tem motivos melhores do que só preguiça, além de ser o que ela merecia por ser tão tóxica no ambiente de trabalho. Carla fica irritada e responde “então você vai ter que encontrar outra pessoa pra ficar no meu lugar, e não só amanhã, já que eu não volto mais pra esse telemarketing”. Alice e Lívia ficam em choque com a situação e levam a Carla para um bar próximo do trabalho para conversarem sobre o que tinha acabado de acontecer. Carla diz que está mais leve e essa foi definitivamente a melhor opção, porque eles nunca iriam resolver o problema daquele setor, e esse trabalho só sugaria mais e mais dela, então ela teve que fazer isso antes que fosse tarde demais para o psicológico dela. Após um tempo conversando, Alice volta para casa. Quando Alice chega em casa ela escuta uma briga na casa vizinha e o portão da casa batendo enquanto Felipe saia para ficar um tempo sentado na calçada. Ela pergunta se ele está bem e se gostaria de entra na casa dela para conversarem. Ele diz que não, que só quer ficar pensando um pouco. Ela diz “beleza, mas se precisar, Qualquer Coisa Me Liga”. Alice começa a entrar na casa dela e ele diz “na verdade, seria legal conversar”. 57


Episódio 3 - Felipe

O terceiro episódio apresentará o abuso psicológico na família e tem como foco principal a protagonista Alice e seu vizinho e colega, Felipe. Serão apresentadas as adversidades que ele enfrenta nas desavenças que tem com sua família e como isso faz com que ele também esconda sua sexualidade deles. Felipe está chegando em casa e cumprimenta sua mãe que só responde um rápido “oi, Felipe” enquanto ela cozinha, ele pergunta o que Karen está fazendo para janta e ela responde “arroz, feijão e bife”. Felipe então pergunta se seu pai já tinha chega do trabalho, e Karen diz que Maurício está no quarto assistindo o futebol, e Felipe murmura para si falando “é típico dele”. Após alguns minutos ele pergunta receoso “você sabe se o bairro da Aclimação é bom? Nunca fui muito pra lá então não conheço a região”, Karen responde com certa ignorância “Pra que você quer saber?”, Felipe com receio diz que tinha visto um anúncio para alugar uma casa na Aclimação em conjunto com outra pessoa para rachar o aluguel. Karen, com raiva responde “E você acha que vai ter dinheiro trabalhando naquele trabalhinho de programador? Jesus Cristo, hein Felipe. Para com essa palhaçada!”. Felipe indignado diz “Meu Deus, Karen! Você de novo com essa frescura sobre o meu trabalho? Ah, por favor, né! Já passou pela sua cabeça que o motivo de me mudar pode ser que eu não aguento mais ouvir tanta merda por nada?”. Então Felipe e Karen começam a discutir até que por fim ela diz “Vai embora dessa casa então! Só vai me trazer alivio por não ter pela casa essa sua cara que só me traz desgosto”. Felipe então sai de dentro da casa e bate o portão atrás dele, e senta um tempo na calçada para esfriar a cabeça. Quando ele senta, Felipe vê que Alice está chegando na casa dela. Ela pergunta se ele está bem e se gostaria de entra na casa dela para conversarem. Ele diz que não, que só quer ficar pensando um pouco. Alice responde “beleza, mas se precisar de Qualquer Coisa Me Liga”. Felipe vê que Alice começa a entrar na casa dela e ele diz “na verdade, seria legal conversar”. Alice só diz “vamos lá então”. Os dois entram na casa da Alice. Ambos estão sentados na cozinha da Alice e ela pergunta se Felipe quer uma cerveja e ele diz que sim. Após alguns goles Alice diz que está achando ele muito quieto e pergunta se está tudo bem, Felipe só responde “você e sua mãe são próximas?”. Alice responde que sim, que elas tem um relacionamento muito bom. Felipe pergunta em seguida se a mãe dela é legal, e Alice responde que sim, que 58


ela é muito gente boa. Felipe toma um gole da cerveja e levemente triste diz “Por que a minha família é daquele jeito? A mãe é a pessoa que deveria te amar incondicionalmente né? Por que quando falo com a Karen eu sempre sinto que tô andando em ovos já que a qualquer coisinha faz ela gritar comigo do nada?”. Alice pergunta porque eles estavam discutindo, Felipe responde que estava planejando alugar uma casa e que sua mãe estava menosprezando ele porque ela não gosta do trabalho dele. Alice fica surpresa e incrédula e diz “toda essa discussão só porque você disse que queria alugar uma casa?”, Felipe responde que ela é extremamente religiosa e gostaria que ele fosse padre invés de programador, e que a Karen começou a brigar com ele com mais frequência depois que no mês anterior a mãe dele tinha visto ele com o namorado de mãos dadas no shopping. Alice diz que não sabia que ele tinha um namorado e Felipe responde que eles terminaram á duas semanas porque ele achou que o Felipe tinha vergonha dele. Alice e Felipe conversam por mais uns minutos enquanto terminam suas cervejas e Felipe diz que é melhor ele voltar para casa e Alice pergunta se ele não gostaria de dormir na casa dela, e Felipe responde que não já que a Karen deve estar mais calma. Alice diz que no dia seguinte sua amiga Carla vai dar uma festa e pergunta se ele gostaria de ir para dar uma relaxada na cabeça, Felipe aceita a proposta e volta para sua casa. No dia seguinte Alice vai até a casa vizinha e encontra Felipe para irem juntos pegar o Uber para festa na chácara que Carla alugou para comemorar o aniversário do seu namorado. Quando chegam á festa Alice vê Lívia e Carla, e cumprimenta elas, em seguida apresenta Felipe para suas amigas. Com o passar do tempo, todos tomam umas cervejas e conversam, até que Alice percebe que Felipe vai até o um lugar perto da piscina e começa a conversar com um homem. Alice então fica conversando com Lívia e diz que estava preocupada com Felipe e que precisava tirar ele daquele ambiente tóxico pelo menos por um tempinho. O tempo passa e a noite Alice e Felipe pegam o Uber de volta para casa. No carro Alice e Felipe conversam sobre o homem que ele estava conversando e ele diz que gostou daquele cara e que trocaram números de telefone. Após alguns minutos Alice diz que ele deveria alugar a casa na Aclimação, que isso seria a escolha mais saudável para ele, e se Felipe quisesse ele poderia passar um tempo na casa dela enquanto está se preparando para se mudar para lá. Felipe 59


agradece e diz que vai considerar a ideia. Alguns minutos depois, eles chegam em frente da casa da Alice. Quando descem do carro a Karen está furiosa no portão de sua casa. Quando Felipe se aproxima ela começa a berrar perguntando se ele não se cansa de fazer família passar vergonha. Alice se aproxima e diz para Karen se acalmar. Karen fica mais irritada e grita “me acalmar? Se um homem que diz ser ex-namorado do seu filho aparece na sua casa procurando o Felipe você ficaria calma com essa aberração?”, Felipe responde “então você tá fazendo cena por causa do Lucas ter aparecido aqui? Para de drama né, mulher!”, Karen diz “eu não sei o nome dele e nem quero saber, mas você não envolva sua família nesses seus assuntos, porque eu não aguento mais você me trazer desgosto em tudo que você faz desde que nasceu” Alice interfere e diz para Karen parar com isso e que ela não deveria tratar o próprio filho dessa forma. Karen ignora e continua a gritar “quando você era acólito o padre sempre disse que você poderia ser um padre no futuro também, mas você preferiu esse trabalhinho de programação. Você poderia ser um homem santo naquela igreja, mas preferiu me decepcionar mais uma vez!”, Felipe só grita de volta que seria melhor ele sair da vida dela então. Alice por fim grita “chega Karen! O Felipe vai morar na minha casa então pra ele não ter que conviver com você naquele ambiente tóxico!”. Alice sai andando para sua casa com Felipe atrás dela. Quando estão chegando dentro da casa da Alice, Felipe pergunta se ela está bem, mas Alice só começa a respirar rapidamente enquanto os ouvidos dela começam a zunir. Felipe se aproxima dela e diz “Meu Deus, Alice! Você tá tendo um...”. O som de campainha de cronometro é ouvido e Alice diz “pânico. Foi assim que eu tive um ataque de pânico”. A psicóloga diz que o horário delas já tinha acabado, mas que ela tinha mais uma pergunta, ela diz “Então foi tudo isso que aconteceu semana passada que foi o gatilho para você vir nessa sessão?”. Alice responde “Sim, foi tanto estresse semana passada e depois do ataque de pânico eu precisava passar com uma psicóloga”. A psicóloga diz que deu o horário da consulta e que se viam semana passada. Alice se despede dela e vai pegar seu ônibus. Quando Alice está no ônibus ela liga para sua mãe e diz que acabou de sair da primeira sessão com a psicóloga. Elas conversam por mais alguns minutos e por fim Marília diz que ela tem que se cuidar e se preocupar com sigo da mesma forma 60


que ela se preocupa com seus amigos. Alice diz que vai pegar mais leve com si mesma e começa a se despedir. Marília por fim diz “te amo filha. E qualquer coisa me liga”.

3.7.

MECÂNICA DO FORMATO

“Qualquer Coisa Me Liga!” é um seriado de audiodrama sobre abusos psicológicos dividida em três episódios com duração entre vinte e cinco e trinta minutos. Cada episódio mostra um abuso diferente, com isto apresentamos o abuso psicológico familiar, no trabalho, no relacionamento, e o impacto na saúde mental da vítima e das pessoas ao seu redor. O seriado ficcional é disponibilizado em formato de podcast nas oito plataformas suportadas pelo Anchor, plataforma de distribuição e hospedagem escolhida pelo grupo, de forma semanal, seguindo a tendência identificada no estudo de mercado. A estrutura definida para o primeiro episódio do seriado é: 1. Aviso de conteúdo sensível 2. Vinheta de Abertura 3. História 4. Vinheta de Encerramento e Créditos

Já a estrutura definida para o segundo e terceiro episódio do seriado é: 1. Aviso de conteúdo sensível 2. Prólogo (cena introdutória da vítima abordada no episódio anterior, a mesma acontece ao mesmo tempo que os eventos do episódio passado) 3. Vinheta de Abertura 4. História 5. Vinheta de Encerramento e Créditos

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3.8.

PLANEJAMENTO SONORO

O audiodrama faz uso de vários arquivos de áudio em sua produção, para assim criar a ambientação e a verossimilhança desejada pela produtora, obtemos esses sons por meio da Internet. Na Internet, a principal plataforma em mente para a obtenção desses arquivos é o Youtube, incluindo tanto o conteúdo encontrado por meio de pesquisa na plataforma quanto o conteúdo do Youtube Audio Library. No Youtube Audio Library, todos os arquivos estão disponíveis para o uso livre em projetos, incluindo os que geram receita, porém os direitos autorais de cada arquivo estão sob diferentes licenças da “Creative Commons”, logo para usarmos alguns arquivos é necessária a atribuição de crédito ao artista original.

As possíveis licenças são: CC0 1.0 Universal (CC0 1.0): permite o compartilhamento e adaptação do material para qualquer fim, mesmo que comercial, sem a necessidade da atribuição de crédito ao artista. Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0): permite o compartilhamento e adaptação do material para qualquer fim, mesmo que comercial, desde que seja dado o crédito apropriado ao artista original. Para o Youtube Audio Library, os termos de uso da plataforma são: Não disponibilize, distribua ou reproduza esses arquivos de música pela biblioteca separadamente de vídeos e conteúdos em que você tenha esses arquivos incorporados (por exemplo, a distribuição individual desses arquivos não é permitida). Não usará os arquivos de música desta biblioteca de forma ilegal ou em conjunto com qualquer conteúdo ilegal. Também existe a possibilidade da criação manual de certos efeitos caso não sejam encontrados na Internet, técnica conhecida como Foley, nomeada em homenagem ao artista Jack Donovan Foley que foi um dos pioneiros na arte de criar ou recriar sons.

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Episódio 1- Lívia Abaixo estaremos listando todos os arquivos sonoros que serão usados na produção do episódio piloto do audiodrama. Os efeitos sonoros foram separados por cores diferentes para facilitar a futura organização desses arquivos no processo de edição. Vinhetas Vinheta de Abertura Vinheta de Encerramento + Créditos BGs Pessoas Conversando Elevador Em Funcionamento Escritório/Trabalho Ar Livre Trânsito Ônibus em Movimento Vizinhança Praça de Alimentação/Restaurante Efeitos Sonoros Aplicativo de Mensagens #1 - Gravação de Áudio Iniciada #2 - Mensagem Recebida #3 - Áudio Sendo Reproduzido Alexa/GPS #1 - Alexa Sendo Ativada #2 - Alexa Pesquisando Celular #1 - Telefone Tocando #2 - Ligação Encerrada #3 - Ligação Encerrada Abruptamente #4 - Celular (Alice) Tocando #5 - Alarme Tocando Casa/Vizinhança #1 - Chaves #2 - Portão Abrindo #3 - Porta de Casa Abrindo #4 - Porta de Casa Fechando #5 - Miado de Gato #6 - Pote de Ração #7 - Ração Sendo Colocada na Tigela #8 - Geladeira Abrindo #9 - Teclado do Micro-ondas #10 - Micro-ondas Ligado 63


#11 - Pratos Sendo Recolhidos #12 - Torneira Abrindo #13 - Água Corrente (Pia) #14 - Pratos Sendo Lavados #15 - Porta do Quarto Fechando #16 - Cama Rangendo #17 - Água Corrente (Chuveiro) #18 - Campainha #19 - Televisão Ligando Elevador #1 - Indicação de Andar 1 #2 - Porta Abrindo #3 - Elevador Chegando no Andar #4 - Botão do Elevador Ao Ser Pressionado Ônibus #1 - Ônibus Chegando #2 - Porta Abrindo #4 - Dando o Sinal #5 - Ônibus Parando Passos #1 - Alice #2 - Lívia #3 - Carla #4 - Alice e Lívia Juntas Telemarketing #1 - Sistema Saindo da Pausa #2 - Batendo Ponto Extra #1 - Batida Na Mesa #2 - Cadeira Se Movendo #3 - Cadeiras do Restaurante Sendo Arrastadas #4 - Pratos e Talheres #5 - Cadeira do Restaurante Arrastadas Abruptamente Músicas Músicas Lo-Fi para dentro de casa

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3.9.

PERFIL DOS PERSONAGENS

3.9.1. Personagens Principais Alice Coelho (25 anos) Alice é uma garota que nasceu em São Paulo, filha única e que sempre foi próxima de sua mãe. Durante sua adolescência, ela era muito fã do One Direction, até a “pausa” da banda. Até hoje ela espera o retorno da banda. Com 22 anos ela se mudou para uma casa alugada na Penha e adotou um gato preto de dois anos chamado Salem. Aos 24 anos, ela começou a trabalhar no setor de SAC no telemarketing, com o objetivo de economizar para sua graduação em relações públicas. No trabalho ela conheceu Lívia e Carla, mas logo no início se aproximou muito de Lívia. Alice conheceu Felipe quando se mudou. Eles costumam conversar e tomar uma cerveja de vez em quando. O hobbie favorito de Alice é assistir Keeping Up With The Kardashians com Lívia e tomar um shot de tequila quando ficam revoltadas com o reality. Alice é bem protetora com Lívia e tem ela como sua irmã mais nova.

Características físicas: • Cabelo castanho cacheado; • Pele morena; • Pouca maquiagem; • Usa roupas larguinhas; • Tatuagem no pescoço de um ramo de visco.

Personalidade: • Amorosa; • Protetora; • Gentil; • Atenciosa; • Hesitante

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Lívia Carvalho (24 anos) Lívia nasceu em São Paulo e desde pequena mora na mesma casa na Vila Carrão. Ela tem dois irmãos mais velhos, André e Marcus, ambos casados e que moram em suas respectivas casas. Desde sua adolescência ela tem raiva por alegar ter sofrido um golpe da Kylie Jenner, comprando os batons da marca dela achando que os lábios ficariam iguais aos da Kylie. Tempos depois ela descobriu que era preenchimento labial. Lívia começou a trabalha no telemarketing no setor de vendas com 21 anos para pagar seu curso de maquiagem, mas como não conseguiu um emprego fixo e que pagasse bem nessa área ela decidiu continuar no Web Brasil até ter dinheiro para pagar outro curso. No setor de vendas ela conheceu Carla, que já estava na empresa á um ano e meio, elas conversavam às vezes, mas nunca chegaram a ser muito próximas. Com seu desempenho nas vendas, Lívia foi promovida para Backoffice aos 23 anos. No primeiro dia no novo setor ela conheceu Alice, que tinha começado na empresa no mesmo dia. Lívia teve outros dois relacionamentos, mas nenhum dos dois durou mais que sete meses. No primeiro namoro ela tinha 16 anos, eles terminaram porque ele ia se mudar para outro estado. No segundo relacionamento ela tinha 19 anos, ela terminou com ele depois que ele pediu ela em casamento depois de duas semanas juntos, alegando que sua avó disse que era “o propósito de Deus para eles”. A avó dele tinha morrido três anos atrás. Características físicas: • Cabelo castanho na altura dos ombros com as pontas rosa; • Pele caucasiana; • Sempre está com maquiagem; • Estatura mediana (1,65m) pesando 70kg; • Bom senso de moda.

Personalidade: • Influenciável; • Animada; • Engraçada; • Decidida; • Extrovertida. 66


Carla Andrade (27 anos) Carla nasceu em São Paulo e tem uma meia-irmã mais nova por parte de pai, mas elas nunca foram próximas. Na adolescência Carla era obcecada por Harry Potter, assistia aos filmes na estreia e lia todos os livros diversas vezes. Ela sempre se considerou de Sonserina, e odiava quando alguém falava que ela combinava totalmente com Grifinória. Com 22 anos Carla começou a trabalhar na Web Brasil, com o plano de ser temporário enquanto procurava um emprego na sua área de graduação, que é Cinema. Carla sempre estranhou em ver que algumas pessoas no setor de Vendas eram promovidas em pouco mais de dois ou três anos, mas ela continuava no mesmo lugar. Carla namora com Arthur, um designer gráfico, á um ano e meio e eles moram juntos numa casa alugada no bairro de Dom Bosco. Eles se conheceram em um bar, mas ela não se lembra muito do dia por ter ficado bêbada, Carla diz que acordou e viu uma mensagem de em contato chamado “gatinho do bar”. Carla conheceu Lívia quando ela entrou para a empresa, no início Carla achou que ela seria mais um peso morto, igual o resto da equipe, mas ao conhecer ela ao longo das semanas ela começou a gostar da Lívia, mas não tinham muito contato. Já com Alice ela sempre gostou dela mesmo a achando meio irritante as vezes. Características físicas: • Cabelo preto curto; • Usa óculos; • Pele caucasiana; • Usa pouca maquiagem (sempre usa delineador); • Piercing no septo.

Personalidade: • Decidida • Pouco paciente • Receptiva • Irritável • Determinada 67


Felipe Almeida (27 anos) Felipe nasceu em São Paulo e sempre morou na mesma casa na Penha. Ele é o mais novo de quatro filhos, mas Felipe nunca foi muito próximo de sua família, porém enquanto ele não tem dinheiro para se mudar por trabalhar com programação, ele continua morando com eles. Na adolescência Felipe era muito fã de Rebelde e adotou uma gata chamada Roberta. Felipe também era apaixonado pelo Diego, essa foi a primeira vez que ele gostou de um homem. E não foi a última. Na adolescência também foi a primeira vez que ele beijo um homem, quando sua família ficou sabendo tiveram uma conversa muito desagradável, e ele lembra claramente de sua mãe olhando em seus olhos e falando “por que você não pode ser normal como seus irmãos?”. Essa é a pior memória que ele tem. A segunda pior memória foi em 2017, quando ele estava a três dias na fila do Rock In Rio ansioso pelo show da Lady Gaga, até que ela anunciou que não poderia fazer o show. Ele tinha economizado por meses para o show. Felipe conheceu Lívia três anos atrás, quando ela se mudou para casa vizinha. Ele gostou muito da animação dela desde a primeira vez que conversaram, e Felipe achou que alguém com a personalidade dela era o sopro de ar fresco que ele precisava.

Características físicas: • Cabelo cacheado na altura do ombro • Pele negra • Magro • Estatura alta (1,80m) • Tatuagem no braço direito escrito “Born This Way”.

Personalidade: • Introvertido • Reservado • Inseguro • Amável • Calmo 68


3.9.2. Personagens Secundários  Enzo da Silva Enzo é um jovem caucasiano de 26 anos, filho único nascido em São Paulo na região da Mooca. Sua mãe era farmacêutica e seu pai é economista. Ambos trabalhavam até tarde então nos primeiros anos da vida de Enzo, ele era criado pela avó paterna, que era muito severa. Aos 7 anos, a mãe de Enzo perdeu o emprego e decidiu ficar em casa com seu filho, daí para frente eles se aproximaram bastante, enquanto seu pai estava cada vez mais ausente e rígido como a avó de Enzo. Com 19 anos, Enzo começou a trabalhar como técnico de T.I. na empresa do amigo do pai dele. No mesmo ano, seu pai decidiu que já era hora do Enzo morar sozinho, mesmo que sua mãe fosse totalmente contra essa decisão. Quando se mudou para o apartamento no Anália Franco, primeiro Enzo se sentiu indiferente, mas depois ele se sentiu abandonado e eventualmente, com raiva. Personalidade: • Irritável • Confiante • Arrogante  Marília Coelho (Mãe de Alice) Marília tem 45 anos, negra, cabelo crespo e nasceu no interior de São Paulo. Ela se mudou de Jundiapeba para a casa de parentes em São Paulo quando tinha 18 anos, com a intenção de começar seu curso de enfermagem. Com 19 anos Marília conheceu um estudante de direito chamado Cristiano, que após alguns meses de relacionamento ela engravidou. Quando Marília estava com 7 meses, Cristiano disse para ela que não se sentia preparado para ser pai, mas que ajudaria ela no que ela precisasse. Ela então decide arranjar em emprego na lojinha da sua tia e sair da faculdade para conseguir criar sua filha. Quando Alice nasceu, Marília jurou que sempre estaria lá pela sua filha. Quando Marília estava com 30 anos, ela voltou para o curso de enfermagem, no qual ela se formou e começou a trabalhar no berçário do hospital local, onde ela ainda trabalha atualmente. Personalidade: • Amorosa • Amigável • Calma 69


 Patrícia Pinheiro (Supervisora) Patrícia tem 33 anos, caucasiana, cabelo ruivo e nasceu em São Paulo. Na sua infância ela morava na região de Guarulhos e quando tinha 6 anos sua mãe decidiu matriculá-la no teatro pois Patrícia era tímida no jardim de infância. Patrícia se apaixonou pelo teatro. Ela se sentia como a Cinderela Baiana. Na sua adolescência, Patrícia não teve dúvida de qual curso escolheria na faculdade, tinha certeza que seria artes cênicas, era o que ela sempre fez e sempre amou toda sua vida. Alguns meses após se formar na faculdade com 20 anos, ela teve seu primeiro teste para um papel na peça de um diretor renomado em São Paulo. Ela lembra perfeitamente do diretor de casting olhar para seus olhos e dizer “você realmente estudou todos esses anos ou só comprou sua licença? Essa atuação foi tão mecânica que nem com teste de sofá eles te dariam o papel”. Ela não passou nesse teste, nem no segundo, nem no décimo, e após um ano e meio ainda não tinha conseguido um papel. Isso foi um choque para Patrícia, porque sempre falaram para ela o quão boa ela era e que ela tinha futuro nessa carreira. Mas Patrícia precisava de dinheiro. Quando tinha quase 22 anos ela começou a trabalhar no setor do backoffice na Web Brasil, após ter sido indicada pela sua tia. Em poucos anos ela foi promovida para Supervisão. Ela odiava cada minuto naquele trabalho. Personalidade: • Egocêntrica • Enérgica • Exigente  Karen Almeida (Mãe do Felipe) Karen tem 50 anos, negra, cabelo cacheado e nasceu em Minas Gerais, mas sua família se mudou para a casa de parentes em São Paulo quando ela tinha apenas 2 anos, só alguns anos depois que ela descobriu que sua mãe se mudou para São Paulo com seus irmãos para fugir do marido bêbado. A família de sua mãe condenou-a por ter abandonado o marido e desprezaram a atitude dela. Karen foi criada numa família católica tradicional e devota desde sempre. Com 16 anos, Karen se casou com seu primo Maurício, que morava na mesma casa que ela em São Paulo, e se mudaram para uma casa na Penha. 70


Quando tinha 17 anos ela deu a luz ao seu primeiro filho, aos 19 anos ela deu a luz a gêmeos. Karen e Maurício decidiram que não teriam mais filhos porque não conseguiriam bancar mais um membro da família, já que o trabalho dele não pagava tão bem. Mas aos 23 anos ela deu a luz á Felipe. Ela começou a tratar ele com desdém, porque de acordo com Karen, ela já estava cansada de criar criança então ela não mostrava interesse no seu filho mais novo. Maurício era totalmente indiferente às ações de Karen para com Felipe, na verdade, ele nunca foi próximo de nenhum dos filhos. Personalidade: • Irritável • Antipática • Amarga

3.10. CASTING O núcleo do elenco do episódio piloto do “Qualquer Coisa Me Liga!” foi escolhido com base no ciclo de amigos dos integrantes da produtora. A partir da construção do roteiro, fomos determinando as características da personalidade dos personagens e com isso selecionando amigos que estavam dentro destas características. Ao decorrer da seleção de casting, nos deparamos com inúmeros desafios. O primeiro foi achar amigos e conhecidos que se enquadravam dentro das características pré-determinadas dos personagens, houve algumas recusas por estamos no meio de uma pandemia e as pessoas ainda não estarem 100% imunizadas. A seleção deste elenco se fez por meio de chamada de vídeo ao longo do mês de agosto e setembro, onde enviamos algumas falas para os atores e eles gravavam e nos enviaram junto com apontamentos sobre possíveis melhoras nas falas para deixar os diálogos mais dinâmicos e naturais, assim selecionamos o elenco. Com isso, o casting principal do episódio piloto foi definido como Gabrielly Seravalli no papel de Alice, Giovanna Pimentel no papel de Lívia e Jorge Martins no papel de Enzo. 71


Enzo – Jorge Martins Como ator formado e ex-integrante da produtora Illusion, convidamos Jorge Martins para fazer um teste para o elenco do audiodrama: Qualquer coisa me liga!, ele se mostrou muito interessado em participar do projeto e teve muita facilidade em incorporar o personagem, devido a sua experiência no teatro e foi escolhido para o papel do Enzo.

Alice – Gabrielly Seravalli Como uma forma de otimizar o casting decidimos que os integrantes da produtora também iram atuar no audiodrama, com isso veio a escolha da Gabrielly ser a personagem Alice, pois ela já tinha atuado na radionovela “O Poder do Ódio” e se identificou muito com a personagem.

Lívia – Giovanna Pimentel Para personagem Lívia mandamos as falas para algumas amigas dos integrantes da produtora e selecionamos as duas pessoas que bateram mais com a personalidade e tom de voz da personagem que estavam procurando, a escolha da Giovanna se veio por ela ser uma amiga da Gabrielly que interpreta Alice, pois a interatividade e intimidade das duas é o

que

precisamos

para trazer mais

naturalidade à série.

72


3.11. REFERÊNCIAS ESTÉTICAS E SONORAS

Herança de Ódio (2020), por GSHOW: Herança de Ódio conta a história de uma família respeitada que está prestes a perder sua fortuna e honra na pequena cidade de Trindade. Livre adaptação da radionovela do autor Oduvaldo Vianna (Spotify). Referência

para

storytelling

e

concepção

de

personagens. No quesito storytelling é referência pela incrível adaptação do texto original de Oduvaldo Vianna conseguindo manter a essência da história e atualizar a narrativa de forma efetiva, o mesmo pode ser dito no quesito de concepção de personagens, pois conseguem manter a essência dos personagens enquanto os adaptam de forma que os mesmos pareçam fazer parte do universo da novela “Êta Mundo Bom!” (2016). LifeAfter (2016-2017), por GE Podcast Theater and Panoply: Em LifeAfter, Ross, um funcionário de baixo nível do FBI, passa seus dias conversando com sua esposa Charlie que morreu oito meses atrás - pela internet. Mas a tecnologia por trás dessa ressurreição digital leva Ross a um caminho que ameaça seu emprego, sua própria vida, e talvez o mundo (Spotify). Referência para storytelling, edição e sonorização. Com sua história eletrizante e cativante, conseguimos perceber que a edição e a sonorização foram essenciais para a criação dessa premiada obra, trazendo uma experiência completa, que é o que a produtora pretende fazer com nosso audiodrama, “Qualquer Coisa Me Liga!”.

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RPG Call of Cthulhu (2017-2020), por NerdCast: Estamos em 1936 e uma confraria de amigos, veteranos da Primeira Guerra Mundial, se reúne mais uma vez, só que dessa vez a confraternização tomou rumos inesperados e muito sinistros. Atreva-se a ouvir esse programa para descobrir o que aconteceu com eles! (Spotify). Referência para storytelling, sonorização e concepção de personagens. O fator da improvisação é muitas vezes visto como algo ruim, mas no mundo de RPGs isso é essencial, o nível de criatividade e comando do “mestre” da mesa nesse tipo storytelling imprevisível é impressionante, além de, é claro, o empenho que cada jogador apresenta enquanto cria seu personagem, nos inspirando a ser criativos durante o processo de produção. Outro ponto que serve de inspiração para o grupo é a impecável sonorização, fazendo com que você se sinta dentro do mundo de Call of Cthulhu, um dos pontos mais fortes da produção.

Sofia (2020), por Spotify Studios: Helena sempre sonhou em sair de sua cidade natal, então quando finalmente consegue um emprego na empresa responsável por SOFIA, o programa de inteligência artificial favorito do momento, ela sente que essa é sua chance (Spotify). Referência para storytelling, edição e casting. A produção do Spotify tem o casting como um de seus pontos positivos, todas as vozes escolhidas para o projeto combinavam perfeitamente com os personagens, a produtora tem essa obra em mente durante o processo de casting, focando em vozes que soam orgânicas em relação aos personagens da história. Por se tratar de um drama, o storytelling da obra e a edição são outros fatores que também chamaram nossa atenção automaticamente. 74


3.12. PÚBLICO ALVO Como o projeto tem como tema o abuso psicológico e algumas de suas variantes, existe a possibilidade da obra trazer certos gatilhos, juntando isso com dados providenciados pelo Anchor, e por pesquisas do IBOPE e da Associação Brasileira de Podcasters (abPod), além de um paralelo com produções de temas similares para outras mídias, como a Televisão e a Internet, o público alvo para o audiodrama foi definido como homens e mulheres, entre 18 e 24 anos, pertencentes a classe C. Procuramos saber mais sobre o mercado de podcasts, e com a ajuda da PodPesquisa 2019-2020[5] (abPod), e de uma pesquisa do IBOPE encomendada pela Globo sobre podcasts durante a pandemia apresentada no webinar “Globo AudioDay 2021”[6], encontrando os seguintes dados: 

‘20-24 anos’ é atualmente a segunda maior faixa etária ouvinte de podcast, ficando atrás apenas do público entre 25 e 29 anos, com uma diferença mínima de aproximadamente 1%.

61% dos ouvintes de podcast no Brasil possuem Ensino Superior, pessoas com Ensino Superior Completo constituem 31%, enquanto pessoas com Ensino Superior Incompleto constituem 30%;

51% dos ouvintes estão na classe C, enquanto juntas as classes A e B totalizam apenas 36%;

46% dos ouvintes se encontram na região Sudeste, enquanto 26% se concentram no Nordeste, 15% no Norte e Centro-oeste, e 13% no Sul.

Outro fator levado em consideração para a escolha da classe C como público alvo, além dos dados apresentados por pesquisas especificamente voltadas ao mercado de podcasts, foi o interesse da produtora em trazer para a classe C, por meio do entretenimento, o conhecimento sobre abuso psicológico que podem estar sofrendo e não tendo ciência.

5

Podpesquisa 2019-2020. <https://drive.google.com/file/d/14fyrRYmz1QSOCI5DeEhssLQL376EbEUu/view> 6

Globo AudioDay 2021. <https://blogs.oglobo.globo.com/capital/post/audiencia-de-podcast-cresce33-em-ano-de-pandemia.html>

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Analisando dados do Anchor, é possível perceber que os ouvintes de nossos projetos de áudio anteriores, como o IllusionCast, em sua maioria têm entre 18 e 22 anos, constituindo 67% do público. Também foi apontado que 55% do público que consome o conteúdo da Illusion é feminino, enquanto 45% é masculino. De acordo com o Mídia Kit do NerdCast, o podcast mais escutado no Brasil, segundo a PodPesquisa 2019-2020 (abPod) com 1.5 milhões de reproduções por episódio, o público alvo do mesmo se encontra entre 18 e 25 anos, o que confirma os dados coletados. Um ponto interessante é que 38% dos nossos ouvintes se encontram no Brasil, enquanto 45% se encontram nos Estados Unidos, trazendo novas possibilidades no quesito de promoção e compartilhamento, e também a questão da acessibilidade, criando a necessidade de legendas.

(fig. 11 - Anchor, dados de gênero e idade providos pelo Spotify.)

Considerando todos os dados encontrados em relação a ouvintes de podcast no Brasil, o perfil dos consumidores de conteúdo da Illusion Filmes, as idades e perfis dos personagens da história, a trama, e a linguagem que pretendemos usar ao longo do roteiro, chegamos então à nossa decisão final.

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3.13. VEICULAÇÃO 3.13.1. Anchor O projeto é veiculado como um podcast e é hospedado e distribuído pelo Anchor, e estará disponível em todas suas plataformas afiliadas como o Google Podcasts, o Apple Podcasts e o Spotify. Quando analisadas as oito (8) plataformas disponíveis, foi decidido que o foco promocional do audiodrama seria no Spotify. O uso do Anchor como plataforma de distribuição e hospedagem é muito útil, pois com sua interface simples e de fácil uso, temos total controle sobre o projeto de forma intuitiva. A plataforma atualmente dirigida pelo Spotify, também traz informações demográficas importantes em relação ao nosso público, como o gênero e a idade média dos ouvintes, além dos dados nativos do Anchor que apontam os países com mais ouvintes e quais plataformas são mais usadas. De acordo com a PodPesquisa Produtor 2020-2021 (abPod), 44,60% dos produtores de podcast do Brasil tem o Anchor como sua plataforma de hospedagem preferencial, o que é ainda mais significativo quando considerado o fato de que, na mesma pesquisa, também foi apontado que a maioria dos produtores tem 1 ou 2 podcasts. As imagens a seguir ilustram a interface do aplicativo, e os dados estatísticos presentes são tirados do “IllusionCast”, um podcast feito pela produtora como um experimento durante o terceiro semestre do curso, em 2019.

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(fig. 12 - Anchor, dados de localização geográfica e plataformas mais utilizadas).

(fig. 13 - Anchor, dados de gênero e idade providos pelo Spotify).

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3.13.2.

Spotify e o Brasil

Na época de ascensão dos podcasts, a escolha da plataforma que teria o foco promocional veio após uma série de pesquisas e análises de dados. Reunindo pesquisas do IBOPE e da Associação Brasileira de Podcasters (abPod), e dados coletados pelo Anchor, conseguimos uma visão ampla de onde o consumidor dos conteúdos da Illusion Filmes se encontra e nos mostra como conseguir que o projeto atinja o maior número de pessoas possível. Na PodPesquisa 2019-2020 (abPod), quando questionados em como ouvem podcasts, o Spotify foi a plataforma mais mencionada, chegando a mais de 40% do total. [7] De acordo com o Anchor, 33% dos ouvintes descobriram e escutam nossos projetos de áudio anteriores, como o IllusionCast, pelo Spotify, esses dados são compatíveis com os resultados apontados anteriormente.

(fig. 14 - Anchor, plataformas mais utilizadas).

7

Podpesquisa 2019-2020. P.20. <https://drive.google.com/file/d/14fyrRYmz1QSOCI5DeEhssLQL376EbEUu/view>

79


Segundo dados coletados pelo Spotify apresentados no Spotify for Podcasts Summit 2019, o mercado no Brasil cresceu em média 21% em 2018, e de acordo uma pesquisa do Podcast Stats Soundbites, o Brasil é também o segundo país que mais consome podcasts no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Popularmente conhecido como “o país do podcast”, o Brasil tem motivos para receber esse nome, já que de acordo com uma pesquisa do IBOPE em 2019, cerca de 40% dos usuários de internet do Brasil, que na época resultava em 50 milhões de brasileiros, já ouviu podcasts. Na pesquisa também foi percebido que durante o período de coleta de amostras, um terço da população não sabia do que se tratava o termo “podcast”, porém quando analisamos dados recentes sobre podcasts durante a pandemia podemos concluir que a situação não é mais a mesma. Em uma pesquisa do IBOPE encomendada pela Rede Globo, que atualmente tem apostado no mercado de forma significativa, foi apontado que durante a pandemia, o número de ouvintes regulares de podcast aumentou em 33%, totalizando cerca de 28 milhões de brasileiros com mais de 16 anos, enquanto em 2019, eram 21 milhões de ouvintes, demonstrando assim uma grande evolução e confirmando o interesse da população em relação à podcasts.

3.14. ESTUDO DE MERCADO Levando todos os dados coletados em consideração, a produtora decidiu por meio de reuniões que os episódios são enviados semanalmente nas segundas-feiras às 18 horas, abaixo apresentamos os resultados das pesquisas e análises feitas que auxiliaram no processo de decisão.

Horário Observando alguns podcasts que ouvimos, percebemos que comumente novos episódios de podcasts brasileiros são lançados no fim da tarde ou no começo da noite, enquanto os estadunidenses são lançados durante o início da tarde, provavelmente levando em conta os horários onde a população de cada país costuma estar precisando de algum tipo de trilha sonora durante atividades do cotidiano ou de apenas uma simples distração.

80


Essa suposição foi confirmada pela PodPesquisa 2018 (abPod) pois quando perguntados em quais ocasiões escutavam podcasts, 79% dos entrevistados escolheram a opção “trajeto/locomoção” como resposta, enquanto 68% escolheram a opção “tarefas domésticas”, e 46% mencionaram escutar podcasts durante “atividades físicas". Em relação ao horário nossa suposição também foi confirmada com a mesma pesquisa, pois quando perguntados em relação ao horário que costumavam ouvir podcasts, o período mais mencionado foi “18h-19h” contabilizando um total de 43,7%, sendo seguido por “19h-20h” (38,9%), e 17h-18h (36,8%). “O prime time se apresenta entre às 17h e às 20h, com uma média de 39,8% dos ouvintes” (abPod, 2018, p.24).

(fig. 15 - PodPesquisa 2018 (abPod), "Horário que costumam ouvir”)

[8]

No entanto por estarmos lidando com podcasts, um tipo de mídia “on demand”, horário fixo para o lançamento de novos episódios ou capítulos não é algo tão importante quanto em outros tipos de mídia, já que uma vez postado, o conteúdo estará sempre disponível para consumo em vez de perdido para sempre até uma possível reprise, sendo esse um dos grandes fatores que levam pessoas a ouvirem podcasts. 8

PodPesquisa 2018. P.24. <https://www.slideshare.net/greicematos/podpesquisa-2018-podcast-nobrasil>

81


(...) Já a liberdade para ouvir quando, como e onde quiser é indicado por 74,6%, reforçando que o modelo on demand é um fator de relevância para esse público, sendo essa talvez a principal diferença entre o podcast e o rádio (abPod, 2018, p. 31).

Atualmente a produtora está conduzindo uma pesquisa própria, porém é percebível que os resultados parciais da pesquisa são compatíveis com os dados coletados pela abPod na PodPesquisa 2018 usados neste estudo de horário.

Frequência Analisando os podcasts que os integrantes do grupo acompanham, percebemos que em relação a frequência de novos episódios ou capítulos, a tendência é de envios semanais, porém isso depende da proposta de cada podcast nos quesitos pesquisa, roteirização e edição, então não é incomum também encontrarmos podcasts com dois envios mensais, um envio mensal ou até mesmo um envio por ano. Frequência foi um dos tópicos presentes na PodPesquisa 2018 (abPod), e quando perguntados sobre a frequência ideal de publicação, 80,5% dos entrevistados disseram que preferem episódios semanais, enquanto 9,5% se mostraram indiferentes sobre frequência, 5,7% preferem uma frequência quinzenal, 4,8% preferem uma frequência diária, e apenas 0,3% apontaram a frequência mensal como sua preferida. Neste segmento também é apresentado à duração ideal de um episódio segundo os entrevistados, segmento esse que é levado em consideração pelo grupo durante a produção do audiodrama “Qualquer Coisa Me Liga”.

82


(fig. 16 - PodPesquisa 2018 (abPod), "Duração e frequência ideal”)

[9]

Porém, quando estamos lidando com ficção, levando em conta a natureza desse tipo de produção, é possível que o produto já possa estar 100% pronto e editado, ou sendo produzido no período entre o lançamento de cada capítulo, trazendo diversas frequências diferentes, indo desde o tradicional envio semanal até o envio anual como muitos RPGs. O último tópico considerado no quesito frequência foi o dia da semana (ou dias) escolhido para o envio de novos episódios, analisando podcasts dentro do top 10 mais escutados e alguns favoritos pessoais dos integrantes, conseguimos os resultados apresentados abaixo. Em podcasts com envio semanal único, segunda, terça, quinta, sexta e sábado foram os dias mais escolhidos, tendo terça-feira como o dia mais recorrente para envio, porém quando se trata de podcasts com dois envios semanais, segunda e sexta, e segunda e quarta foram as duplas mais utilizadas. Vale-se lembrar que alguns podcasts tem quadros distintos postados em diferentes dias da semana. Produções originais do Spotify, como Sofia e Paciente 63, tendem a ser enviadas por completo em um único dia, seguindo o modelo recorrente em plataformas de streaming de filmes e séries. Esse modelo de envio é atualmente

9

PodPesquisa 2018. P.36. <https://www.slideshare.net/greicematos/podpesquisa-2018-podcast-nobrasil>

83


considerado como uma segunda opção, já que inicialmente a produtora pretende seguir o modelo de envio semanal.

Concorrência Segundo a PodPesquisa 2019-2020 (abPod), os 10 podcasts mais escutados no Brasil foram: 1. NerdCast 2. GugaCast 3. Mamilos 4. Xadrez Verbal 5. AntiCast 6. Projeto Humanos 7. Não Ouvo 8. Braincast 9. Matando Robôs Gigantes 10. Poucas Levando isso em consideração, podemos ver que nossa maior concorrência dentre os 10 podcasts mais escutados no Brasil, é o NerdCast, atualmente em primeiro lugar no ranking geral, já que é o único podcast da lista que traz conteúdo ficcional com o envio de seus RPGs, sendo assim uma concorrência direta, segundo Mídia Kit do podcast, atualmente o NerdCast recebe 1.5 milhões de reproduções por episódio.

Local de Veiculação Como mencionado previamente no capítulo de veiculação, o audiodrama “Qualquer Coisa Me Liga!” é hospedado e distribuído pelo Anchor, e está disponível em todas suas plataformas afiliadas como o Google Podcasts, o Apple Podcasts e o Spotify. Quando analisadas as oito (8) plataformas disponíveis, foi decidido que o foco promocional do audiodrama é o Spotify. O uso do Anchor como plataforma de hospedagem foi definido pela sua grande gama de distribuição, interface simples e fácil, e um ótimo sistema de analytics que nos traz dados, estatísticas e informações demográficas de extrema

84


importância, indo desde a localização geográfica dos nossos ouvintes, até a faixa etária dos mesmos. Todas essas funcionalidades ajudaram na popularização do Anchor no mercado, sendo utilizados e sugeridos por muitos produtores de podcast. Segundo a PodPesquisa Produtor 2020-2021 (abPod), 44,60% dos produtores de podcast do Brasil tem o Anchor como sua plataforma de hospedagem preferencial, o que é ainda mais significativo considerando que segundo a mesma pesquisa, a maioria dos produtores tem 1 ou 2 podcasts. Já a escolha do Spotify como a plataforma de foco promocional do audiodrama,

veio

com

base

nas

pesquisas

feitas

pelo

grupo

e

pelos

dados disponibilizados pelo Anchor de um podcast anterior feito pela produtora. Além de ser a plataforma onde a maioria de nosso público consome nossos conteúdos de áudio, na PodPesquisa 2019-2020 (abPod), quando perguntados em como ouvem podcasts, o Spotify foi a plataforma mais mencionada, chegando a mais de 40% do total. A presença do Spotify como tendência, também pode ser apontada de acordo com as pesquisas do mercado com produtores de podcast, segundo a PodPesquisa Produtor 2020-2021 (abPod), 87,2% dos entrevistados escolheram o Spotify como a plataforma de foco promocional. Consolidando assim a escolha final da produtora em relação à plataforma.

3.15. DIVULGAÇÃO Após uma série de discussões, a produtora decidiu que a divulgação do audiodrama é focada no Instagram e no Twitter, usando a experiência prévia que o grupo obteve durante a produção da radionovela “O Poder do Ódio” no segundo semestre do curso e com a produção do “IllusionCast” no terceiro semestre. O uso dessas plataformas como meios de divulgação foram os mais efetivos para os projetos citados anteriormente logo foi selecionada novamente. A produtora utiliza o perfil oficial da Illusion Filmes e os perfis pessoais dos integrantes, com um foco na ferramenta ‘stories’ do Instagram e ‘tags’ no Twitter.

85


A divulgação é iniciada com o envio da agenda que apresenta

o

material

promocional e as datas que cada um será lançado, além da data do lançamento oficial do episódio piloto

do

esquema para

audiodrama. promocional

aumentar

e

Esse serve

manter

o

interesse do público, além de funcionar contagem

como

um

regressiva

tipo até

de o

lançamento oficial. (fig. 17 - Modelo de agenda de divulgação da produtora)

O material promocional é constituído por teasers de áudio individuais de Alice, Lívia e Enzo, os personagens centrais do episódio piloto, onde por meio dos mesmos, os ouvintes poderão conhecer as vozes dos personagens. Após os teasers, também são reveladas playlists individuais no Spotify para Alice, Lívia, Carla e Felipe, os quatro personagens principais do audiodrama, assim apresentando um pouco mais da personalidade deles, e também trazendo o público para a plataforma de áudio escolhida para o foco promocional.

3.15.1.

Apoio Na Divulgação Do “App Mete A Colher”

O Mete a Colher é uma startup que utiliza a tecnologia como aliada para combater a violência contra as mulheres. O projeto surgiu em 2016, com a criação de uma página no Facebook, onde o “Mete a Colher” se disponibilizou a escutar as vítimas de abuso. Em pouco tempo as mensagens das seguidoras se mostraram de muita importância e, com isso, surgiu a ideia de criar a startup que conta com uma ampla rede de mulheres que lutam e passam por situações de abuso e violência. E mulheres especializadas são voluntárias para ajudá-las, por meio de dois aplicativos, o “Mete a Colher” e o “Tina ajuda-me”. 86


App “Mete a Colher”: O aplicativo “Mete a Colher” foi lançado em julho de 2017 e já conectou aproximadamente 14 mil usuárias, e ajudou cerca de 4

mil

mulheres

Atualmente,

por

até

hoje.

conta

de

instabilidades na aplicação, o App

“Mete

a

Colher”

está

indisponível para download. Tina ajuda-me: Em 2019 o “Mete a Colher” lançou um novo produto no mercado, voltado para o mundo corporativo, chamado “Tina Ajuda-me”. A plataforma atua como um canal de acolhimento e tem o objetivo de atender, orientar e acompanhar funcionárias de empresas, que sofrem qualquer tipo de violência: doméstica, sexual e moral no ambiente de trabalho. “Mete a Colher” no Telegram: Contudo, buscando manter o propósito de fortalecer uma rede de apoio entre mulheres, o “Mete a Colher” conta com um grupo do Telegram, que tem o objetivo de reunir mulheres que precisam de ajuda para sair de uma situação de violência, com outras mulheres voluntárias que desejam ajudar. Por lá, as mulheres podem relatar suas histórias, contar o que as afligem e recebem apoio de voluntárias especializadas 24h por dia. Decidimos procurar a startup “Mete a Colher” para apoiar o projeto depois de uma ampla pesquisa entre algumas ONGs, pois a mesma atende mulheres que passam por situações dos três abusos psicológicos que trabalhamos no projeto. Com isto vimos uma oportunidade de conseguir levar um conteúdo diferente para o seu público. O “Mete a Colher” conta com mais de 14 mil seguidores no Instagram e posta conteúdos de conscientização feminina e políticas públicas para mulheres. Postando conteúdo regularmente, a startup concordou em divulgar o projeto “Qualquer Coisa me liga!” em seus stories por meio de banner de divulgação e disponibilizar o link do Spotify no próprio stories, para convidar o seu público a ouvir o audiodrama. Explicamos o objetivo e o tema da série de uma forma simples e objetiva, levando o público a compreender que o entretenimento em forma de ficção também pode ser 87


uma forma de comunicar e conscientizar sobre assuntos poucos falados e explorados pelas grandes mídias.

3.16. EDIÇÃO A captação do material bruto do audiodrama ocorreu durante um período de quatro dias, no estúdio de rádio da universidade Cruzeiro do Sul, e após as gravações foi iniciado o processo de decupagem e montagem do projeto na timeline do Adobe Audition, o editor de áudio escolhido pela produtora.

(fig. 18 – Timeline da Edição do Adobe Audition)

Ao longo da decupagem também foi feita a seleção e a coleta de efeitos sonoros, trilhas e BGs que poderiam ser utilizadas na concepção do projeto, já que algumas ambientações precisavam ser criadas do zero por não termos encontrado exatamente o que queríamos na internet seguindo as licenças “Creative Commons”. Como o nome do projeto sugere, um dos pontos que mais nos focamos ao longo da edição do audiodrama “Qualquer Coisa Me Liga!” foram as ligações que ocorrem ao longo da história, já que queríamos trazer a imersão de uma ligação de telefone para o ouvinte. Para fazer isso acontecer colocamos vários efeitos sonoros diferentes e também transformamos as falas em ligações de estéreo para mono. 88


Outro fator muito importante foi a ambientação do trabalho de Alice, Lívia e Carla. Numa central de telemarketing existem diferentes setores e cada um precisava ter algo distinto em sua ambientação. Com a ajuda e experiência da integrante Gabrielly, que trabalha em telemarketing, esse desafio foi mais fácil de ser resolvido. O setor da Carla, que trabalha com vendas, tem como característica diferencial a presença de estalar de dedos, que sinalizam aos superiores do setor que alguém conseguiu fechar uma venda. Para a vinheta e para o tema sonoro principal do audiodrama resolvemos fazer uso da dissonância para trazer uma sensação de que algo não está certo ao ouvinte, criando assim o clima desejado pela produtora. Na vinheta também foi importante a inclusão de efeitos relacionados a telefonemas, assim conectando a vinheta ao conceito da história.

3.17. CONCEITO ARTÍSTICO O conceito de arte da bíblia do projeto “Qualquer Coisa me Liga!” foi inspirando nos anos 2000, em específico nas colagens que foram uma das principais tendências estéticas da época, muito vistas em filmes, propagandas e revistas tens, que remete muito a adesivos que os adolescentes aderiam em seus cadernos, diários, quartos entre outros. Usamos de referência principal para a capa do projeto o “Livro do Arraso” do filme “As Meninas Malvadas”, que foi um ícone dos anos 2000, e um marco entre os jovens da época, onde o “Livro do Arraso” continha colagem de fotos de alunas do colégio com comentários escritos pelas protagonistas. A inspiração e relação com a estética de colagem veio pelos personagens da série terem nascido por volta dos anos de 1990, e terem sua infância e adolescência vividas nos de 2000. Com isso, nasceu o conceito geral de bullet jornal, já que no último episódio da série, Alice está passando em uma consulta com sua psicóloga e a mesma a recomenda a começar um diário, onde ela poderia expressar seus sentimentos e vivências através de colagens em seu diário.

89


3.18. JUSTIFICATIVA O projeto desenvolvido é um audiodrama ficcional serializado, tendo como temática principal o assédio psicológico, que é apresentada no desenrolar da trama. O objetivo principal da obra é comunicar as “adversidades” que relações abusivas podem originar em um indivíduo. Esse tipo de abuso consiste em constantemente causar trauma na vítima através de ações, palavras e atitudes, com o intuito de exercer poder e controle sobre o indivíduo, tirando dele sua dignidade e o fragilizando. E isso tem se tornado algo cada vez mais frequente em relacionamentos sociais na atualidade, a ponto de quase se tornar comum. Em 2019, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) publicou que “Cerca de 29,1 milhões de pessoas de 18 anos ou mais sofreram violência psicológica, física ou sexual, no Brasil”, essa quantidade de pessoas corresponde á 18,3% dos residentes do Brasil. E em 2021 a Casa da Mulher Brasileira registrou que o maior índice de violência que registram é a psicológica, totalizando 3.379 atendimentos. Mas, ao fazermos pesquisas sobre abuso psicológico em plataformas de podcast não havia muito conteúdo sobre esse assunto no formato de audiodrama, então vimos uma brecha no mercado para introduzir esse assunto que está sendo cada vez mais importante e recorrente na sociedade. Nisso, chegamos à conclusão de explorar o formato de podcast por ser algo que interessa os integrantes da produtora e também por conta do roteiro poder conter teor gráfico, então foi decidido que o melhor para preservar a saúde mental dos integrantes seria seguir pelo caminho de menor exposição, que foi o uso da ficção, transformando nossa pesquisa em uma trama e criando personagens únicos. O audiodrama também traz um desafio interessante para o grupo em relação à ambientação e efeitos sonoros, colocando nossos conhecimentos e nossas habilidades à prova. O tema abuso psicológico vem se tornando mais conhecido nos últimos anos, mas ao longo das pesquisas sobre abusos psicológicos no contexto de relacionamentos íntimos, pode-se perceber que ainda é um assunto que não recebe atenção como sendo algo significativo comparado aos demais tipos de abuso. Mas, com os eventos que aconteceram recentemente na edição de 2021 do Big Brother

90


Brasil entre a rapper Karol Conká e o ator Lucas Penteado [10], se tornou visível os danos que o abuso psicológico pode trazer para uma pessoa. De acordo com a entrevista para o Jornal Opção, do grupo R7, com a psicóloga Aurélia Caetano, ela relata que “é possível afirmar que o participante esteja sofrendo com a violência emocional, ao ser rejeitado pelos demais participantes, o que se caracterizaria como violência psicológica”. O grupo escolheu o tema abuso psicológico por ser um assunto de grande relevância pelos acontecimentos do Big Brother Brasil de 2021, mas principalmente por não termos explorado em nenhum trabalho anteriormente sobre algum assunto desse gênero. Logo, escolhemos três tipos de abuso psicológico, sendo eles: Abuso psicológico no relacionamento, abuso psicológico no trabalho e abuso psicológico na família. Foram escolhidas estas três modalidades diferentes de abuso por serem as mais divulgadas e repercutidas em notícias pelas mídias e as mais comentadas por pessoas em nossos círculos sociais. Então, decidimos explorar sobre o tema a partir de pesquisas e conhecimentos que temos sobre o assunto. Por conta disso, foi decidido que o grupo gostaria de explorar como esse tipo de abuso pode afetar uma pessoa e também apresentar sua relevância, e como isso ainda é tratado como tabu pela sociedade. A decisão de fazer um audiodrama ocorreu também por termos percebido que a grande maioria não sente vergonha em relatar que sofreu algum abuso psicológico, porém, quando perguntamos se eles poderiam contar suas histórias em uma entrevista gravada, quase todos se opõem a mostrar sua imagem e falarem seu nome. Desta forma, conseguimos perceber que contar a história não é um problema, mas sim, mostrar sua identidade. Por este motivo, escolhemos realizar um audiodrama ficcional, onde podemos falar sobre os abusos sem muitas restrições e expor da melhor maneira ao público como identificar situações de abuso psicológico em seu cotidiano. Ao analisar o mercado de podcast no cenário de 2021, o Brasil é o segundo país que mais escuta podcast de acordo com dados publicados no Podcast Stats Soundbites, feita pelo Spotify em 2020. Segundo o IBOPE foi apontado que durante 10

'BBB21': Entenda briga entre Karol Conká e Lucas Penteado que dominou primeira semana. G1.

2021.

91


a pandemia, o número de ouvintes regulares de podcast aumentou em 33%, totalizando cerca de 28 milhões de brasileiros com mais de 16 anos, enquanto em 2019, eram 21 milhões de ouvintes, demonstrando assim uma grande evolução e confirmando o interesse da população em relação à podcasts. Abrindo uma grande oportunidade para explorar o audiodrama nessa plataforma. Queremos levar os nossos ouvintes a refletirem de forma mais aprofundada sobre o que leva à situações de abuso psicológico e como elas podem nos afetar a curto e longo prazo.

92


3.19. PLANO DE PRODUÇÃO

PLANO DE PRODUÇÃO

ATIVIDADE

JUL AGO SET OUT NOV

Férias da Produtora

X

Primeira Versão da Bíblia Preliminar

X

Finalização do Roteiro

X

Casting

X

Ensaios com o Elenco Orientações

X X

X

X

Finalização da Bíblia Preliminar

X

Entrega para a Banca da Versão Preliminar

X

Banca da Versão Preliminar

X

Gravação

X

Início da Edição

X

Finalização da Edição

DEZ

X

X

X

Entrega para a Banca Final

X

Bancas Públicas

X

X

93


3.20. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES REALIZADAS

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES REALIZADAS ATIVIDADE

FEV

Escolha do Tema e Formato

X

Escolha dos tipos de abuso psicológicos

X

MAR

ABR

MAI

Entrega da Ficha de Inscrição

X

Entrega de Material e Orientações

X

X

X

Fundamentação Teórica

X

X

X

Estruturação da Bíblia de Produção

X

X

Finalização da Primeira Versão do Roteiro

X

X

Entrega para a Banca de Qualificação

JUN

X

Bancas de Qualificação

X

Definição do Professor Orientador

X

Primeira Reunião com o Orientador

X

94


3.21. ORÇAMENTO PREVISTO O orçamento a seguir foi montado com base na média salarial do ano de 2021, apresentado por pesquisas feitas através do site “Salário”. O orçamento demonstra o custo previsto para a primeira temporada do podcast, contabilizando os gastos por profissionais do mercado, aluguel de equipamentos necessários, taxas e impostos obrigatórios por lei.

Desenvolvimento Roteirista Assistente de Roteiro

N° de Pagamento Duração Valor Unit. Funcionários 2 Por Projeto 1 R$ 4.396,77 1

Semana

2

R$ 2.088,87

Valor Total R$ 8.793,55 R$ 4.177,74

Subtotal: R$12.971,29

Pré-produção Diretor do Programa Produtor Executivo

Produção Produtor Produtor de Elenco

Elenco

Alice Lívia Carla Felipe Enzo Patrícia Karen Marília

N° de Pagamento Duração Funcionários

Valor Unit.

Valor Total R$ 2.717,81

1

Por Projeto

1

R$ 2.717,81

1

Mensal

2

R$ 2.642,49 R$ 5.284,97 Subtotal: R$ 8.002,78

N° de Pagamento Duração Valor Unit. Funcionários 1 Mensal 2 R$ 2.025,66 1 Mensal 1 R$ 2.314,26 Subtotal:

N° de Pagamento Duração Funcionários 1 1 1 1 1 1 1 1

Personagens Principais Diária 3 Diária 2 Diária 3 Diária 3 Diária 1 Diária 2 Diária 3 Diária 2

Valor Total R$ 4.051,31 R$ 2.314,26 R$ 6.365,57

Valor Unit.

Valor Total

R$ 108,49 R$ 108,49 R$ 108,49 R$ 108,49 R$ 108,49 R$ 108,49 R$ 108,49 R$ 108,49

R$ 325,46 R$ 216,97 R$ 325,46 R$ 325,46 R$ 108,49 R$ 216,97 R$ 325,46 R$ 216,97 95


Maria Claudio Locutor 1 Locutor 2

Alimentação Alice Lívia Carla Felipe Enzo Patrícia Karen Marília Maria Claudio Locutor 1 Locutor 2

Técnico Operador de Áudio

Estúdio Estúdio de gravação

1 1 1 1

Personagens Secundários Diária 1 Diária 1 Diária 1 Diária 1

N° de Pagamento Duração Funcionários 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

Diária Diária Diária Diária Diária Diária Diária Diária Diária Diária Diária Diária

3 2 3 3 1 2 3 2 1 1 1 1

N° de Pagamento Duração Funcionários 1

Diária

3

N° de Pagamento Duração Funcionários -

Por 2 horas

3

R$ 43,50 R$ 43,50 R$ 43,50 R$ 43,50 R$ 43,50 R$ 43,50 R$ 43,50 R$ 43,50 Subtotal: R$2.235,24 Valor Unit.

Valor Total

R$ 20,00 R$ 60,00 R$ 20,00 R$ 40,00 R$ 20,00 R$ 60,00 R$ 20,00 R$ 60,00 R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 40,00 R$ 20,00 R$ 60,00 R$ 20,00 R$ 40,00 R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 20,00 R$ 20,00 Subtotal: R$ 460,00 Valor Unit.

Valor Total

R$ 249,56 R$ 748,67 Subtotal: R$ 748,67

Valor Unit.

Valor Total

R$ 450,00

R$1.350,00

Subtotal: R$1.350,00 Pós-Produção Editor Montador Sonoplasta Finalizador

N° de Pagamento Duração Funcionários 1 2 2 1

Semana Semana Semana Semana

2 1 1 1

Valor Unit.

Valor Total

R$ 931,10 R$ 582,30 R$ 856,36 R$ 582,30 Subtotal:

R$1.862,21 R$1.164,60 R$1.712,73 R$ 582,30 R$5.321,84 96


Arte Design da Arte da Produção

N° de Pagamento Duração Funcionários 1

Semana

1

Valor Unit.

Valor Total

R$ 570,65

R$ 570,65

Subtotal:

Aluguel de Equipamento Computador Microfone direcional Shure 5.1 Mesa de som Caixa de som (retorno) Fone de ouvido Cadeira Mesa

R$570,65

Quantidade

Pagamento

Duração

Valor Unit.

Valor Total

1

Diária

3

R$1.600,00

R$4.800,00

4

Diária

3

R$65,00

R$ 780,00

1

Diária

3

R$285,00

R$ 855,00

1

Diária

3

R$95,00

R$ 285,00

4 4 1

Diária Diária Diária

3 3 3

R$22,00 R$150,00 R$230,00 Subtotal:

Resumo de Orçamento Etapa de Desenvolvimento Etapa de Pré-Produção Etapa de Produção Elenco e Alimentação Etapa Técnica Estúdio Etapa de Pós-Produção Etapa de Arte Equipamento Taxa da Produtora Taxa de Imposto (11% de INSS + 2% de ISS)

R$ 264,00 R$1.800,00 R$ 690,00 R$9.474,00

R$ 12.971,29 R$ 8.002,78 R$ 6.365,57 R$ 2.695,24 R$ 748,67 R$ 1.350,00 R$ 5.321,84 R$ 570,65 R$ 9.474,00 R$ 8.350,47 R$ 5.427,87

Total: R$ 61.278,38

97


CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Airton Araujo Fagundes (Produtor, Roteirista, Operador de Áudio, Editor, Sonoplasta e Finalizador). Finalmente chegamos no nosso último projeto acadêmico como Illusion

Filmes, nosso TCC, e para um projeto dessa magnitude a produtora precisou trabalhar em perfeita sintonia, o que de fato aconteceu. Conseguimos seguir todas nossas datas de entrega, muitas vezes finalizando dias antes das datas estipuladas, o que surpreendeu o grupo quando nos lembramos dos semestres anteriores, essa sintonia e o fato de nós três termos conseguido fazer tudo isso me deixa extremamente orgulhoso, mais orgulhoso do que qualquer outro projeto me deixou. As primeiras funções apontadas a mim foram a de segundo roteirista juntamente com a Isabela, e de produtor, enquanto todos nós fazíamos nossas pesquisas para a Fundamentação Teórica. Meus tópicos de pesquisa foram mais voltados para a história e o mercado de podcast, além de plataformas de áudio, já que nosso audiodrama será vinculado em plataformas deste formato. A porção de pesquisa foi provavelmente a mais desafiadora de todo o projeto, pois, como a expansão do mercado de podcasts no Brasil é recente, não existiam muitas fontes para conseguirmos as informações necessárias e/ou atualizadas, no caso de alguns tópicos específicos. Porém, tudo isso mudou quando encontrei a abPod, Associação Brasileira de Podcasters, que anualmente faz pesquisas direcionadas especificamente sobre o mercado de podcasts, assim nos entregando dados extremamente necessários para a formulação da Fundamentação Teórica. Com toda certeza o tópico mais difícil de ser pesquisado e que deu mais trabalho para o grupo chegar em uma decisão final foi o público alvo do projeto. A maior causa dessa dificuldade sendo as múltiplas respostas apresentadas para a questão ‘quem consome podcasts no brasil?’, mas após muitas discussões decidimos

seguir

os

dados

mais

atualizados

de

pesquisas

direcionadas

especificamente para podcasts. Como isso foi um grande questionamento durante toda a produção do trabalho, continuei pesquisando e esperando atualizações sobre isso até o último momento possível, principalmente os resultados da “PodPesquisa 2021-2022” que trariam os dados mais atualizados do ano sobre o mercado, porém à divulgação dos

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resultados, que inicialmente aconteceria no dia 21 de outubro, sofreu um atraso, então não foi possível a inclusão das atualizações. Foi muito interessante por meio deste trabalho poder descobrir mais sobre o mundo de podcasts, que já era familiar para mim, porém não num nível muito alto. Meu capítulo favorito de escrever foi o ‘Podcast e a Ficção’, pois nele aprendi bastante sobre como o formato de podcast foi visto como a escolha perfeita para a revitalização da produção de audiodramas, as justificativas por trás dessa visão do mercado, e como o mesmo está tentando fazer essa visão se tornar realidade. Como mencionei anteriormente, já tinha uma familiaridade com a podosfera como criador de conteúdo para internet, porém parte dessa familiaridade vem das experiências que tive em semestres passados onde produzimos projetos de áudio, o que facilitou bastante nossas decisões em relação a divulgação, possíveis plataformas para hospedar e disponibilizar o projeto, e muito mais. A descoberta do Anchor no terceiro semestre foi essencial. Durante o processo de escrita uma das dificuldades iniciais foi como trazer à tona as personalidades dos personagens para que virassem de fato seres singulares no universo do audiodrama, até que então em uma conversa com a Isabela, nos lembramos de uma técnica de criação de personagens apresentadas n o livro “Manual do Roteiro” de Syd Field, assim desenvolvemos pequenas histórias sobre a história desses personagens, seus gostos, interesses, e assim por diante, invés de apenas definir meros adjetivos a cada personagem. Essa decisão foi essencial para que os personagens tivessem profundidade e objetivo, obviamente isso trouxe grandes mudanças ao roteiro, porém também deixou o trabalho mais fácil de certa forma. Chegamos então no tão aguardado momento da gravação, onde eu fui o operador de áudio, durante os primeiros dias no estúdio encontramos dificuldades em relação a qualidade dos áudios devido à um ruído, porém este problema foi resolvido já que em decorrência à isso foi nos permitido mais dias no estúdio. Durante as gravações também foi necessária a troca de pessoas do elenco devido a problemas pessoais e de agenda e tons de vozes no produto final, porém esse impasse foi resolvido facilmente e assim chegamos no elenco final, visando uma melhor diferenciação entre as vozes, a Gabrielly se tornou Alice, e a Giovana, que inicialmente era a Alice, se tornou Lívia. 99


Depois das gravações pude focar na finalização do design da arte presente na bíblia, utilizando como referência umas das maiores tendências estéticas dos anos 2000, as colagens, muito presentes em filmes, revistas teens, propagandas, e etc; fazendo uma relação com o último episódio do audiodrama e dando o toque final que a produtora queria. Quando finalmente chegamos no momento de montagem e edição, coloquei todos meus conhecimentos prévios sobre edição na mesa, esse era o momento final. Sempre tive uma grande admiração por editores de áudio, pois ao longo do curso, sempre tive uma certa dificuldade em edição de áudio. Para superar essa dificuldade assisti inúmeros tutoriais na internet desde o começo do ano, e definitivamente valeu a pena. A criação de certas ambientações chegavam a levar um dia inteiro incluindo a seleção final de efeitos, a edição, e a equalização, muitas vezes o aplicativo parava de responder devido a quantidade de arquivos na timeline, porém cada avanço na história era extremamente gratificante e me enchia de orgulho e animação, assim como acontecia com minhas parceiras de grupo, me dando a energia e motivação necessárias para continuar. Depois de várias versões e com os apontamentos tanto das outras integrantes quanto do nosso professor orientador, consegui chegar na versão final que iria para o processo de finalização. Entrei no processo de finalização do projeto decido em usar todo o tempo restante para que nosso TCC ficasse exatamente do jeito que queríamos, sem pressa ou correria, ao longo desse projeto estávamos muito preocupados e ansiosos a cada passo novo que se era dado, então queria finalizar nossa jornada da forma mais calma e prazerosa possível para a produtora, por mais que ainda continuarmos preocupados. Esse projeto e ano como um todo definitivamente foi o mais desafiador de todos, o que já era de se esperar, considerando que esse é nosso último projeto acadêmico, porém ao mesmo tempo esse também foi o mais gratificante, posso claramente ver que crescemos mais do que nunca como futuros radialistas. Ao longo do caminho muitos sentimentos de insegurança e insuficiência surgiram na minha cabeça, criando assim momentos onde eu batia de cara com uma parede, um bloqueio, onde eu não conseguia fazer nada, ou pelo menos nada 100


que eu visse como significante, e agora no final dessa jornada eu me sinto extremamente orgulhoso por ter superado esses momentos. Muito obrigado à professora Maria Aparecida, Cida, pelo incrível auxílio na concepção do projeto, e ao professor Alexandre Henrique, ou como nós o chamamos, Grego, por nos guiar durante esse semestre, e pelos puxões de orelha quando estávamos colocando muita pressão em nós mesmos. E por fim eu gostaria de agradecer minhas parceiras de produtora, Gabrielly e Isabela, as melhores pessoas possíveis para enfrentar esse desafio comigo, muito obrigado pelo apoio e pelo trabalho duro, eu estou muito orgulhoso de tudo que vocês fizeram nesse trabalho, e espero que vocês estejam orgulhosas do que fizeram também.

Gabrielly Seravalli dos Santos (Diretora, Produtora de Elenco, Assistente de Roteiro, Montadora e Locutora). Me questionei diversas vezes ao longo destes quatros anos se chegaria a

escrever as considerações finais do tão sonhado TCC e aqui estou eu. O processo de fazer um projeto de conclusão de curso exige muita dedicação e esforço, e a princípio, gostaria de agradecer muito aos meus dois amigos e membros da minha produtora Illusion Filmes, Airton e Isabela, por toda a parceria, compreensão, dedicação e esforço ao longo desta trajetória que trilhamos juntos. Sem vocês, nada disso seria possível. Agradeço também à minha família, que sempre me apoiou e me incentivou muito nesses anos. Gostaria também de agradecer aos professores da universidade por todos os inúmeros aprendizados, em especial aos professores Bruno Rogerio, Maria Ruiz e Alexandre Henrique. Sem vocês, o curso de Rádio, TV e Internet não seria o mesmo. O desenvolver do TCC começou entre o 6º/7º semestre, onde eu, Airton e Isabela tínhamos decidido que iríamos fazer o projeto somente nós três, e com certeza essa foi a melhor decisão que tomamos em todo o curso, pois sempre confiamos muito no trabalho e dedicação uns dos outros e isso é crucial para a etapa final da graduação. Nós sempre gostamos de temas sociais e que são voltados para algo que estivesse sendo falado entre as mídias, então a ideia inicial era realizar um documentário sobre assédio sexual contra mulheres. Porém, como 101


estávamos em meio a uma pandemia global e nossa produtora é de apenas três integrantes, nós não teríamos membros suficientes para poder executar o projeto. Com isso, veio a ideia de realizar um projeto sonoro pois sempre tivemos muita afinidade e vontade de explorar mais os processos de sonoplastia e ambientação. Queríamos fazer um documentário em áudio, mas pensamos em nos desafiar e, com isso, veio a ideia de fazer o projeto de ficção. No começo do ano de 2021, houve um caso muito repercutido na mídia sobre abuso psicológico no Big Brother Brasil e, assim, vimos um tema social sendo discutido no Brasil todo e pensamos “por que não levar isso para a ficção como um entretenimento consciente?”, e, então, nasceu a série de audiodrama “Qualquer Coisa me Liga!”. Depois que decidimos o gênero, formato e tema do trabalho, nós separamos as funções do projeto, onde eu fui a Diretora, a produtora de elenco, realizei a montagem do trabalho, fui assistente de roteiro e, por fim, mas não menos importante, fui a personagem principal, a Alice. Nossa, não tenho palavras que consigam descrever o quanto foi desafiador e, ao mesmo tempo, gratificante viver essas experiências. A responsabilidade de ser Diretora do meu último trabalho e, ainda mais, o trabalho que decide a conclusão do bacharel é imensa, mas eu sou movida a desafios e eu tenho orgulho de falar que esse eu venci. O desenvolver do projeto foi bem tranquilo. Nos primeiros meses, focamos muito nas pesquisas e desenvolvimentos dos textos e as orientações com a Profª Cida foram de extrema ajuda para a parte escrita do nosso trabalho. Dividimos as pesquisas entre nós três para ficar mais fácil de organizar e eu fiquei com a parte de fundamentação teórica do gênero e formato, entre outras coisas. Isso me ajudou bastante pois, ao ler vários autores, pude entender melhor como seria dirigir o projeto e para poder executá-lo como todos queríamos. Além disso, pude auxiliar no roteiro, o que foi ótimo, pois pude contribuir com a minha vivência na construção dos personagens. A parte que mais me desafiou foi dirigir o projeto e ser uma personagem ao mesmo tempo pois, como as gravações ocorreram em estúdio com os outros atores, eu gravava as minhas falas e dirigia os atores ao mesmo tempo. Porém, a escolha de casting foi muita assertiva pelo fato de eu ter muita afinidade com os atores por já conhecê-los e isso transpareceu no projeto final, pois não resultou em algo robótico,

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o que era o meu maior medo, ou seja, o medo de não conseguir levar nos diálogos os sentimentos e a compreensão que o tema do trabalho precisava. Depois de gravarmos todo o projeto, iniciamos a fase final, que é a edição. Realizei a montagem junto com a Isabela, o que foi um pouco complicado por estar sendo feito online por chamada de vídeo, mas conseguimos realizar e acompanhar o Airton, que fez toda a ambientação e sonoplastia. As orientações com o professor Alexandre Henrique nos ajudaram muito na execução do áudio. Todas as dicas, sugestões e confiança que ele nos deu foram imprescindíveis para tudo correr bem. Por fim, concluo que o “Qualquer Coisa me Liga!” foi o projeto mais desafiador que realizei na minha graduação, porém foi o mais gratificante e o que me trouxe mais ensinamentos.

Isabela Soares (Roteiro, Produtora Executiva, Montadora e Sonoplasta). Chega a reta final da graduação, o último e mais desafiador momento desses

quatro anos. Ao longo desses anos, houve diversos altos e baixos, e, no processo da execução do TCC, me vi acompanhada pelo Airton e a Gabrielly, as melhores pessoas que eu poderia ter escolhido para produzir esse audiodrama. Sou extremamente grata por ter eles na produtora porque, sem eles, o “Qualquer Coisa Me Liga” não seria o mesmo. Uma das primeiras funções pelas quais fui responsável foi a de roteirista. Já que foi decidido que eu elaboraria o roteiro, durante a concepção da fundamentação teórica, fiquei encarregada com a pesquisa do tema de abuso psicológico para que pudesse entender melhor e me aprofundar no assunto. Com isso, pesquisei diversos artigos de psiquiatras especialistas no assunto, além de procurar projetos do audiovisual que retratassem o abuso psicológico para entender como era representado o tema em filmes e podcasts. No processo de escrita, quis criar o ponto de vista da Alice desconfiando do relacionamento de sua amiga, Lívia, com o Enzo por não considerá-lo saudável, com Lívia não percebendo isso por conta de estar apaixonada. Com essa ideia em mente, comecei a criar situações de abuso psicológico que começavam mais sutis e escalavam de intensidade gradualmente. Mas eu ainda tinha dificuldade de escrever os personagens e suas personalidades, 103


então, em uma conversa com o Airton, veio a ideia de escrever uma pequena história sobre o passado dos personagens ao invés de só alguns adjetivos sobre suas personalidades. Isso ajudou a dar uma profundidade sobre como eles eram e como era a amizade da Alice e da Lívia, além de fazer com que o roteiro inicial sofresse uma mudança muito grande. Outro fator que tive dificuldades foi o de escrever sobre o ambiente de telemarketing, mas como a Gabrielly trabalha nessa área, ela me auxiliou em como escrever diversos aspectos do telemarketing. E sempre após orientações e ensaios com o elenco, houve mudanças para adaptar melhor as falas para que fossem mais naturais, e também para deixar o texto com menos adjetivos que remetessem a aspectos visuais. Com isso, finalmente cheguei a uma versão que estivesse satisfatória para que fosse gravado. Sendo responsável pela produção executiva, preparei a ordem do dia junto com o Airton e a Gabrielly para decidirmos quantos e quais dias precisaríamos para a gravação. Depois que os dias foram definidos, dividi como organizaríamos o tempo que teríamos no estúdio. Mas no dia das duas primeiras gravações, tivemos muitos problemas com o áudio, fazendo com que nossa ordem do dia sofresse alterações, e, eventualmente, precisasse de regravações. E também passamos por uma mudança no casting devido a problemas pessoais da convidada e também em busca de uma naturalidade maior entre as personagens Lívia e Alice. No estúdio, além de acompanhar o cronograma da ordem do dia, eu acompanhava a qualidade do áudio e repassava o que precisava refazer para a Gabrielly, que estava dentro do estúdio gravando. Além disso, também participei da gravação, fazendo a locução da personagem Carla. No início do semestre, fomos orientados pelo professor Alexandre Henrique a não deixarmos a montagem pra última hora, para sempre tentarmos realizar a montagem após cada gravação. Então, depois de cada gravação, eu já montava no Audition o material que tinha sido gravado no dia para agilizar nosso cronograma e o enviava para os outros membros da produtora para que víssemos o que estava bom e o que precisávamos melhorar. Durante a montagem das duas primeiras gravações, foi o momento em que tive mais dificuldade porque não tinha muita afinidade com o software Audition, já que havia usado ele poucas vezes, mas também porque eu, o Airton e a Gabrielly tentamos diversas formas de tirar o ruído excessivo das gravações, porém os áudios sempre ficavam baixos demais, 104


prejudicando a qualidade do audiodrama. Por isso, decidimos que a regravação era nossa única opção. Por fim, ao longo do processo de edição, ajudei o Airton na sonoplastia, procurando e fazendo alguns efeitos sonoros para auxiliar na ambientação e as músicas que tocam ao fundo de algumas cenas.

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APÊNDICES

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ROTEIRO DO AUDIODRAMA

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ORDEM DO DIA Sequência #1 #2 #3 #4 #5 #6 #7 #8 #1 #2 #3 #4 #5 #6 #1 #2 #3 #4 #5 #6 #7 #8 #1 #2 #3 #4 #5 #6

Atividade Dia 28/09 - Terça feira Chegada da equipe no estúdio Ajeitar os equipamentos do estúdio Gravação das cenas - 08, 13 e 14 com Jorge e Gabrielly Gravação das cenas - 02, 10, 11 e 15 com Isabela e Gabrielly Gravação das cenas - 08 e 09 com Airton e Gabrielly Fim das gravações Passar os arquivos para o pen drive Saída do estúdio Dia 01/10 - Sexta feira Chegada da equipe no estúdio Ajeitar os equipamentos do estúdio Gravação das cenas - 01, 04, 05, 06, 08, 09, 10, 12, 13, 14, 15, 17 e 19 com Vitória e Gabrielly Fim das gravações Passar os arquivos para o pen drive Saída do estúdio Dia 06/10 - Quarta feira Chegada da equipe no estúdio Ajeitar os equipamentos do estúdio Gravação das cenas - 01, 03, 07, 08, 09, 16, 18 e 19 com Gabrielly Regravação das cenas - 08 e 09 com Airton e Gabrielly Regravação das cenas - 02, 10, 11 e 15 com Isabela e Gabrielly Fim das gravações Passar os arquivos para o pen drive Saída do estúdio Dia 15/10 - Sexta feira Chegada da equipe no estúdio Ajeitar os equipamentos do estúdio Regravação das cenas - 01, 04, 05, 06, 08, 09, 10, 12, 13, 14, 15, 17 e 19 com Giovanna e Gabrielly Fim das gravações Passar os arquivos para o pen drive Saída do estúdio

Horário 15:00 15:05 ~ 15:40 15:40 ~ 16:20 16:33 ~ 16:53 16:55 ~ 17:00 17:00 17:00 17:05 18:50 18:50 ~ 19:20 19:20 ~ 20:20 20:20 20:20 20:25 15:10 15:10 15:20 ~ 16:25 16:32 ~ 16:35 16:35 ~ 17:00 17:00 17:00 17:05 18:50 18:50 19:00 ~ 20:05 20:05 20:05 20:10

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ANEXOS

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AUTORIZAÇÃO DE USO DA VOZ

Airton Araujo

Francisca Oliveira

Gabrielly Seravalli

Giovanna Pimentel

Isabel Aparecida

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Isabela Soares

Jorge Martins

Larissa Soares

Naiara Vieira

Thiago Berto

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