1
2
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL RÁDIO, TV E INTERNET- 7°B/ 8ºD – NOTURNO
DOCUMENTÁRIO AUDIOVISUAL TCC - D’SEGUNDA PRODUÇÕES
São Paulo 2021
3
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL RÁDIO, TV E INTERNET- 7°B/ 8ºD – NOTURNO PRODUTORA D’SEGUNDA
Érick Luiz da Silva Serrador
RGM: 1954242-9
Fernando Rigonato
RGM: 2695955-1
Gabriel Souza Basilio
RGM: 1916840-3
Kamila Barboza Pinto
RGM: 2005976-1
Larissa Braga Silva
RGM: 1943415-4
Lizandra Tardin de Sousa
RGM: 2010477-4
NÓS AINDA ESTAMOS AQUI DOCUMENTÁRIO
Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Rádio, TV e Internet, como requisito parcial à obtenção do certificado de conclusão. Orientadores: Professora Ma. Krishna Tavares e o Professor Dr. M.e. Bruno Tavares
SÃO PAULO 2021
4
PROFESSORES ORIENTADORES DO PROJETO INTERDISCIPLINAR
Coordenador do Curso de Rádio, TV e Internet Prof. Dr. Bruno Tavares
DOCUMENTÁRIO Profa. Ma. Krishna Tavares 1º Semestre - Projeto Experimental: Planejamento e Pesquisa 2º Semestre - Orientação de Projetos em Rádio, TV e Internet
5
FOLHA DE APROVAÇÃO
Projeto Aprovado em ___/___/____ para obtenção do título de bacharel em Rádio, Tv e Internet
Banca Examinadora do Projeto
___________________________ ___________________________ ___________________________
6
"Todo morador de rua merece ser acolhido pela sociedade e ter uma chance de vida digna".
Mohammed Haziz
7
AGRADECIMENTOS
Dedicamos esse projeto aos nossos pais, familiares e amigos que sempre nos deram força e incentivo para continuar nessa jornada. Lições valiosas podem ser aprendidas com momentos difíceis. Esse trabalho é dedicado a todos que vivem nas ruas e precisam ter suas identidades resgatadas e respeitadas por todos os seus semelhantes.
8
RESUMO
SERRADOR, E. L. S.; RIGONATO, F.; BASILIO, G. S.; BARBOZA, K. P.; SILVA, L. B.; SOUSA, L. T. NÓS AINDA ESTAMOS AQUI. Projeto experimental (Bacharel em Rádio, TV e Internet) - Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2021.
A população em situação de rua aumenta seu número e agravamento com a escalada da pandemia do coronavírus no mundo, no Brasil e em São Paulo. Representar esse grupo social exige respeito e sensibilidade, pois o objetivo dessa produção é mostrar o aspecto humano, identidade de uma pessoa, sob condições extremas. O projeto de documentário audiovisual “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” busca conversar com pessoas que já passaram, ou ainda vivem, na situação de rua para assim transparecer ao mundo o que há além dos pré-julgamentos: identidades, sonhos, medos, vidas.
Palavras-chave: Documentário. Pessoa em situação de rua. Desumanização. Dignidade.
ABSTRACT
SERRADOR, E. L. S.; RIGONATO, F.; BASILIO, G. S.; BARBOZA, K. P.; SILVA, L. B.; SOUSA, L. T. HERE WE STAND. Universidade Cruzeiro do Sul, SP, 2021.
The homeless population in São Paulo, Brazil, increases in number with the escalation of the coronavirus pandemic in the world. Representing this social group requires respect and sensitivity, as the main goal of this production is to present the human aspect, the identity of a person, under extreme conditions. The documentary “HERE WE STAND” seeks to talk to people who have been, or are still living, on the streets in order to show what is beyond pre-judgments: identities, dreams, fears, lives.
Keywords: Documentary. Homeless people. Social passivity. Social vulnerability.
9
SUMÁRIO INTRODUÇÃO..................................................................................................................... 14 1.
A PRODUTORA ........................................................................................................... 15 1.1 A PRODUTORA D’SEGUNDA PRODUÇÕES............................................................ 16 1.2 MARCA DA PRODUTORA ......................................................................................... 16 1.3 SIGNIFICADO DA LOGO ........................................................................................... 17 1.4 MISSÃO ..................................................................................................................... 18 1.5 VISÃO ........................................................................................................................ 18 1.6 VALORES .................................................................................................................. 18 1.7 ORGANOGRAMA ...................................................................................................... 19 1.8 MINICURRÍCULO ...................................................................................................... 20 1.8.1 ÉRICK LUIZ ......................................................................................................... 20 1.8.2 FERNANDO RIGONATO ..................................................................................... 20 1.8.3 GABRIEL BASILIO .............................................................................................. 22 1.8.4 KAMILA BARBOZA .............................................................................................. 23 1.8.5 LARISSA BRAGA ................................................................................................ 24 1.8.6 LIZANDRA TARDIN ............................................................................................. 25 1.9 PORTFOLIO .............................................................................................................. 26
2 . FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................................... 28 2.1 DEFINIÇÃO DE DOCUMENTÁRIO ............................................................................ 29 2.2 RELAÇÃO ENTRE VOZ E AUTORIA ......................................................................... 30 2.3 MODO POÉTICO ....................................................................................................... 30 2.4 MODO EXPOSITIVO.................................................................................................. 30 2.5 MODO OBSERVATIVO .............................................................................................. 31 2.6 MODO PARTICIPATIVO ............................................................................................ 31 2.7 MODO REFLEXIVO ................................................................................................... 31 2.8 MODO PERFORMÁTICO........................................................................................... 32 2.9 COMPROMISSO ÉTICO DO DOCUMENTÁRIO ........................................................ 32 2.10 OS REPRESENTADOS ........................................................................................... 33 2.11 CONDIÇÕES E VISIBILIDADES .............................................................................. 33 2.12 REALIDADE NAS RUAS .......................................................................................... 34 2.13 REALIDADE NA PANDEMIA .................................................................................... 35 2.14 A INVISIBILIDADE EM MEIO À PRECARIEDADE ................................................... 36 2.15 ABORDAGEM INTIMISTA........................................................................................ 38 3. BÍBLIA DE PRODUÇÃO .................................................................................................. 39
10
3.1 EXPLICAÇÃO DO TÍTULO......................................................................................... 40 3.2 SINOPSE ................................................................................................................... 42 3.3 CONTANDO HISTÓRIA ............................................................................................. 42 3.4 OBJETIVO ................................................................................................................. 42 3.5 CLASSIFICAÇÃO DO PROJETO ............................................................................... 42 3.5.1 CATEGORIA ........................................................................................................ 42 3.5.2 GÊNERO ............................................................................................................. 43 3.5.3 FORMATO ........................................................................................................... 43 3.5.4 POÉTICO............................................................................................................. 43 3.5.5 REFLEXIVO ......................................................................................................... 44 3.6 REFERÊNCIAS ESTÉTICAS ..................................................................................... 44 3.6.1 INVISÍVEIS: MORADORES DE RUA (2017) ........................................................ 44 3.6.2 EU EXISTO (2012) .............................................................................................. 45 3.6.3 ELENA (2012) ...................................................................................................... 46 3.7 PÚBLICO-ALVO ......................................................................................................... 46 3.8 CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA .................................................................................. 48 3.9 VEICULAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO ............................................................................... 49 3.10 JUSTIFICATIVA ....................................................................................................... 50 3.11ARGUMENTO ........................................................................................................... 62 3.11.1 VISÃO ORIGINAL .............................................................................................. 62 3.12 PROPOSTA DE DOCUMENTÁRIO ......................................................................... 63 3.13 ELEIÇÃO E DESCRIÇÃO DO(S) OBJETO(S) .......................................................... 64 3.14 ELEIÇÃO E JUSTIFICATIVA PARA AS ESTRATÉGIAS DE ABORDAGEM ............ 67 3.15 SUGESTÃO DE ESTRUTURA ................................................................................. 68 3.15.1 ABERTURA ....................................................................................................... 69 3.15.2 SITUAÇÃO 1...................................................................................................... 69 3.15.3 SITUAÇÃO 2...................................................................................................... 69 3.15.4 SITUAÇÃO 3...................................................................................................... 69 3.16 DESENHO DE PRODUÇÃO .................................................................................... 70 3.17 ETAPA DE PREPARAÇÃO ...................................................................................... 70 3.17.1 PESQUISA ........................................................................................................ 70 3.17.2 PRÉ - PRODUÇÃO ............................................................................................ 70 3.18 ETAPA DE FILMAGEM ............................................................................................ 71 3.18.2 DETALHES DA ABORDAGEM .......................................................................... 71 3.18.3 PROVIDÊNCIAS E INFRAESTRUTURA ........................................................... 72 3.18.4 EQUIPE DE PRODUÇÃO .................................................................................. 72
11
3.18.5 EQUIPAMENTO DE VÍDEO............................................................................... 72 3.18.6 EQUIPAMENTO DE ÁUDIO .............................................................................. 73 3.18.7 DIA DE GRAVAÇÃO .......................................................................................... 73 3.18.8 TEMPO DE GRAVAÇÃO ................................................................................... 73 3.19 ETAPA DE EDIÇÃO ................................................................................................. 74 3.19.1 INFRAESTRUTURA PARA EDIÇÃO ................................................................. 74 3.19.2 MONTAGEM ...................................................................................................... 74 3.19.3 EQUIPE ............................................................................................................. 74 3.20 ETAPA DE FINALIZAÇÃO ....................................................................................... 74 3.20.1 PÓS PRODUÇÃO .............................................................................................. 74 3.20.2 LOGO ................................................................................................................ 75 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 76 4.1 ÉRICK LUIZ DA SILVA SERRADOR .......................................................................... 77 4.2 FERNANDO RIGONATO ........................................................................................... 79 4.3 GABRIEL SOUZA BASILIO ........................................................................................ 81 4.4 KAMILA BARBOZA PINTO ........................................................................................ 83 4.5 LARISSA BRAGA SILVA ............................................................................................ 85 4.6 LIZANDRA TARDIN DE SOUSA ................................................................................ 86 4.7 RELATÓRIO DE GRUPO ........................................................................................... 88 5. REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 91 6. APÊNDICES .................................................................................................................... 95
12
LISTA DE IMAGENS Figura 1: Logo da produtora D’Segunda __________________________ 06 Figura 2: Logo antigo da produtora D’Segunda ____________________ 07 Figura 3: Logo atual da produtora D’Segunda ______________________ 08 Figura 4: Organograma ________________________________________ 09 Figura 5: Logo da revista eletrônica “NÃO TÁ NA MÍDIA” _____________ 16 Figura 6: Logo do game show “DNA Brasil” ________________________ 16 Figura 7: Logo da revista eletrônica “OCUPA SP” ___________________ 16 Figura 8: Logo da websérie “Ligações Ocultas"_____________________ 16 Figura 9: Poster da websérie “Encalço” ___________________________ 17 Figura 10: Poster do documentário “Confinados” ___________________ 17 Figura 11: Poster do documentário “Vozes da Quarentena” ____________ 17 Figura 12: Poster da websérie “Entre Lados” ________________________ 17 Figura 13: Logo do Tema “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” _____________ 32 Figura 14: Poster “Invisíveis: Moradores de Rua” ____________________ 37 Figura 15: Poster “Eu Existo"_____________________________________ 38 Figura 16: Poster "Elena"________________________________________ 39 Figura 17: Logo da Classificação Indicativa _________________________ 42 Figura 18: Logo da Veiculação __________________________________ 44 Figura 19: Foto da entrevistada Eliana ____________________________ 62 Figura 20: Foto do entrevistado Alex _____________________________ 63 Figura 21: Foto da entrevista Regiane _____________________________ 64 Figura 22: Logo do tema “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” _____________ 76 Figura 22: Foto da Produtora com a Eliana __________________________ 91 Figura 23: Selfie da Produtora ___________________________________ 91
13
LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Plano de Produção ____________________ 47 Quadro 2 - Cronograma de Pré Produção ____________ 48 Quadro 3 - Cronograma de Produção _______________ 49 Quadro 4 - Cronograma de Gravação _______________ 49 Quadro 5 - Cronograma de Pós Gravação ___________ 52 Quadro 6 - Roteiro de Edição ______________________ 52 Quadro 7 - Orçamento Real _______________________ 53 Quadro 8 - Equipamento de Vídeo __________________ 73 Quadro 9 - Equipamento de Áudio __________________ 74 Quadro 10 - Espelho do Roteiro ____________________ 98
14
INTRODUÇÃO Estamos passando por um momento histórico majoritário — a pandemia do COVID-19. Além da crise sanitária que é mundial, o Brasil também enfrenta uma crise, ambiental e social, e, por consequência, os brasileiros são afetados direta ou indiretamente pelos efeitos de tantos eventos catastróficos em sequência e consecutivos. O documentário “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI”, desenvolvido pela produtora D’Segunda Produções, propõe contar a história de vida de pessoas que já saíram ou ainda estão em situação de rua. Nossa abordagem tem o intuito de destacar o que há por trás dos números, estatísticas e preconceitos contra a população de rua, ou seja, vidas, identidades, famílias, personalidades, gostos, memórias. “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. O Artigo 5º da Constituição Federal defende uma verdade que, assim como muitas, não se faz presente e é inegável: nem todos têm acesso, oportunidade ou instrução para manter um padrão de vida básico extremamente básico, como casa, alimentação, unidade básica de saúde, entre outros. Esse debate se estende muito além da pandemia e está agarrado intrinsecamente nas instituições da civilização moderna. Como podemos ser todos iguais com uma realidade tão desigual? Em um grupo social que já se encontra numa situação de vulnerabilidade, muitas vezes suas características individuais são deixadas de lado — tratados como números, estatísticas e ignorados — o que causa uma desumanização em massa. Traçamos os seguintes pontos para decorrer neste documentário poético e reflexivo: analisar a personalidade e identidade dos entrevistados, em seguida, como vivem, sua rotina, suas posses, e finalizando com discussões sobre memórias e o momento da vida que se encontram. E quando você é forçado a deixar para trás qualquer característica sua para sobreviver em uma sociedade ignorante, o que resta? A produtora D’Segunda saiu às ruas à procura de pessoas dispostas a compartilhar sua história e trazer uma reflexão de como sobrevivem na rua.
15
1. A PRODUTORA
16
1.1 A PRODUTORA D’SEGUNDA PRODUÇÕES Uma produtora, inicialmente composta por 10 estudantes de Rádio, TV e Internet, formada no dia 02 de abril de 2018, em uma segunda-feira, originando assim o nome, já que os mesmos se referiam ao grupo como: "grupo de segunda”. No fim de 2019, a produtora fez um hiato de um ano sem atividades, quando seus membros decidiram expandir suas experiências em equipes novas. No início de 2021, um dos membros originais decidiu recuperar a marca da produtora, recrutando alguns antigos membros e outros novos. Atualmente, a D’Segunda é uma produtora com o objetivo de enaltecer e inovar o cenário audiovisual e de conteúdo brasileiro, composta por 6 estudantes. 1.2 MARCA DA PRODUTORA
17
1.3 SIGNIFICADO DA LOGO
O nome D’Segunda, escolhido como nome da produtora, se deu em 2018 logo na primeira formação dos alunos que compunham a sua primeira formação. Sua escolha, em primeira instância, deu-se pelo fato de os alunos terem formado a produtora em uma segunda-feira, vindo assim a ideia de “D’Segunda”. O logo da D’Segunda sofreu alteração ao longo dos anos letivos, iniciando-se apenas com um D’2ª e o ano em questão que foi 2018, após isso, a direção de arte da D’Segunda resolveu inovar sua logo, permanecendo assim amarelo, porém colocando a simbologia de uma claquete em cima do seu nome, simbolizando o audiovisual por se tratar de uma produtora de conteúdos audiovisuais. Em 2021, a produtora voltou a se reunir com alguns integrantes da primeira formação e novos integrantes e com isso personalizaram a logo da produtora, com um novo design, colocando assim uma claquete e a referência “audiovisual” deixando a logo com um novo conceito e cada vez mais moderna.
18
1.4 MISSÃO Conquistar novos mercados para servir aos clientes provendo soluções inovadoras que contribuam para a melhoria de sua eficiência, proporcionando o desenvolvimento profissional e pessoal de nossos colaboradores e investindo sempre em novas tecnologias para fornecer maior qualidade. 1.5 VISÃO Buscar sempre a estabilidade no mercado, a fim de inovar, ousar e atingir os objetivos com um enorme compromisso social e respeito ao meio ambiente. Gerar um vínculo honesto, prazeroso, onde se possa transmitir segurança, credibilidade e fidelidade entre todos que a cercam. 1.6 VALORES Trabalhar com honestidade, competência, preservando a transparência das relações. Ter respeito pelo indivíduo, respeito por toda vida, agir com integridade e ética. Conhecimento para crescer, trabalhando em equipe e em sinergia. Cliente satisfeito, através do comprometimento de toda a equipe, utilizando o fator humano. Produzir, elevar e promover cultura, buscando por inovação e soluções tecnológicas confiáveis com alto padrão de qualidade.
19
1.7 ORGANOGRAMA
20
1.8 MINICURRÍCULO 1.8.1 ÉRICK LUIZ 1.8.2 FERNANDO RIGONATO
21
22
1.8.3 GABRIEL BASILIO
23
1.8.4 KAMILA BARBOZA
24
1.8.5 LARISSA BRAGA
25
1.8.6 LIZANDRA TARDIN
26
1.9 PORTFOLIO A revista eletrônica "Não Tá na Mídia" passa por diferentes espaços culturais da cidade de SP, descobrindo diversas personalidades e artistas independentes de forma descontraída.
“DNA Brasil” é um game show com provas e pegadinhas de comidas típicas, música e dança brasileira, pondo à prova habilidades de influencers, cantores e universitários.
A revista eletrônica “OCUPA SP” traz a grande variedade de eventos artísticos da cultura independente, em moradias e propriedades públicas.
Ligações Ocultas é uma websérie de suspense que retrata uma seita que persegue a personagem Julia.
27
Um ex-funcionário descobre que a Fundação onde trabalhou tem na verdade um propósito maligno e reúne um grupo de jovens essenciais para deter os malignos planos da empresa durante uma pandemia mortal.
Neste documentário, artistas de idades distintas, relatam como estão lidando com as mudanças de estar a todo momento dentro de suas casas, a batalha contra a ansiedade e a procrastinação durante a pandemia.
“Vozes da Quarentena” é um documentário que apresenta relatos de pessoas que em meio a pandemia necessitam continuar expostas nas ruas devido ao trabalho e não podem trabalhar em casa.
“Entre Lados” conta a história de Laura Lupo, uma jovem que sofreu amnésia pós-traumática e tenta recuperar mais memórias fragmentadas do seu pai.
28
2 . FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
29
2.1 DEFINIÇÃO DE DOCUMENTÁRIO O documentário é um gênero cinematográfico não-ficcional, característico pelo seu engajamento ao mundo real e sua maneira singular de retratá-lo. O sentido do documentário está em seu poder de engajamento com seu mundo — oferecer um retrato ou uma representação da sua visão, significar ou representar interesses como quiser. Como define Bill Nichols, professor e crítico estadunidense de cinema conhecido como fundador do estudo contemporâneo do documentário:
Representa uma determinada visão do mundo, uma visão com a qual talvez nunca tenhamos deparado antes, mesmo que os aspectos do mundo nela representados sejam familiares. (NICHOLS, Bill. 2001)
Já Fernão Pessoa Ramos, professor do Departamento de Multimeios, Mídia e Comunicação do Instituto de Artes da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), presidente fundador da SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema) e indicado ao Prêmio Jabuti de Artes, define o documentário como asserções, não a verdade absoluta dos acontecimentos, mas como uma forma de olhar sobre tais acontecimentos com uma narrativa própria. O gênero documental também ocupa uma posição ambígua na sua definição. Se, por um lado, se desenvolve com procedimentos próprios do cinema, como roteiro, enquadramento, iluminação, montagem, pré-produção, produção, pós-produção, etc, por outro, procura manter uma relação com a realidade, respeitando a valorização do “improviso”, ou seja, não direção de atores, uso de cenários naturais, captação total de imagens, etc. Essa ambiguidade permite maior liberdade e facilidade para explorar e misturar estruturas cinematográficas a fim de atingir o objetivo desejado. E essa natureza maleável do conceito ainda traz uma série de perguntas que fomentam a produção do mesmo: O que é a verdade? Qual a verdade estou retratando? Qual verdade não vejo? Para quem é minha fidelidade com a verdade? Compreendendo a definição deste gênero, podemos abranger o escopo e entender outros pontos relevantes: O que diferencia cada documentário? O modo em que são tratados.
30
Segundo a definição de Nichols, há dois tipos de documentários e os classifica como sendo documentários de satisfação de desejos e documentários de representação social. Por sua vez, esses tipos se intrincam nas modalidades de documentário, nos levando ao tópico a seguir.
2.2 RELAÇÃO ENTRE VOZ E AUTORIA Em suma, a voz representa a autoria e identidade do autor dentro da sua obra. Cada voz é como uma marca de ver o mundo e orienta a estrutura do documentário. “O documentário, portanto, se caracteriza como narrativa que possui vozes diversas que falam do mundo, ou de si”. (RAMOS, 2008, p. 24). A voz se faz presente em toda opção que a direção escolhe seguir a fim de montar sua mensagem, e isso inclui todas as etapas da produção audiovisual, especialmente na montagem e edição final. Nichols enfatiza seis tipos de vozes do gênero audiovisual documentário, sendo eles: poético, expositivo, observativo, participativo, reflexivo e performático. 2.3 MODO POÉTICO Se apoia na lógica mais poética de construção com uma narrativa e seus elementos mais subjetivos na montagem da mensagem. Nesse tipo de produção a locução não é somente uma apresentação de dados a respeito do que o público está vendo, mas ela é pensada para ser um complemento à imagem e é trabalhada junto com o filme. The Song of Ceylon (1934) é uma produção britânica que mostra o avanço da era industrial sobre a comunidade de Ceylon, no Sri Lanka, e como esse avanço alterou o estilo, costumes e cultura através de não apenas a locução expositiva, mas pensada como um complemento à imagem trabalhada junto com o filme. 2.4 MODO EXPOSITIVO Enfatiza o comentário verbal e uma linguagem argumentativa e um dos mais comumente encontrados no mercado audiovisual. Trata-se de qualquer documentário que retrata algum acontecimento, enfatizando fatos e argumentos para aquilo que o filme está narrando. A pesquisa é uma marca muito forte desse tipo de documentário,
31
já que a argumentação é o ponto forte do filme — uma pesquisa que, aliás, abrange todos os lados que a história apresenta. O documentário Triunfo da Verdade (1935), apesar de atuar como propaganda do regime e ideal nazista, é o exemplo ideal de documentário que expõe suas ideias e que toma o lado do cineasta, no caso, Leni Riefenstahl, cineasta alemã representante dos ideais da estética nazista. 2.5 MODO OBSERVATIVO Enfatiza o engajamento direto no cotidiano das coisas ou pessoas que representam o tema do cineasta, conforme são observadas por uma câmera discreta. Esse tipo de obra é mais comum nos temas relacionados à história natural e vida selvagem, onde os documentaristas tentam passar despercebidos para captar cenas incríveis da natureza. Um bom exemplo desse tipo de projeto é o documentário vencedor do Oscar, A Marcha dos Pinguins e o recente ganhador do Oscar, Professor Polvo. 2.6 MODO PARTICIPATIVO Interação do cineasta e o tema. A filmagem acontece em entrevistas ou outra forma de envolvimento mais direto. Frequentemente, une-se às imagens de arquivo para examinar questões históricas. O cineasta assume uma postura mais presente na construção da narrativa do documentário, seja realizando as entrevistas e conversando com o seu “tema” ou mesmo sendo filmado e fazendo a locução do filme. Democracia em Vertigem (2019), em que a cineasta Petra Costa participa da condução da história do documentário, mesclando trechos de sua vida pessoal com a vida política brasileira, mostrando como ambas foram afetadas. 2.7 MODO REFLEXIVO Que chama atenção para as hipóteses e convenções que regem o documentário. Aguça a consciência da construção da realidade feita pelo filme. Por mais que a definição pareça complicada, o modo reflexivo é o tipo de documentário que apresenta mais um conceito a ser pensado do que um fato ou um argumento — ainda que ele também possa apresentar essa estrutura. Eram os deuses astronautas? (1969) é um dos melhores exemplos desse tipo de documentário, ao apresentar seus fatos e argumentos para levantar o
32
questionamento sobre a relação da mitologia antiga de povos à presença de astronautas em um tempo passado do planeta Terra. 2.8 MODO PERFORMÁTICO Enfatiza o aspecto subjetivo ou expressivo do engajamento do próprio cineasta com seu tema, e a receptividade do público a esse engajamento. Rejeita a ideia de objetividade em favor de evocações e afetos. Tendo essas modalidades sendo apresentadas, podemos concluir que o documentário é um exemplo de formato que explora a exposição de uma realidade como um todo, e essa é uma mensagem poderosa na construção de um filme com capacidade de comunicação tão única. Ilha das Flores (1989) é um exemplo de documentário performático por apresentar esses elementos de “quase” ficção na construção da sua narrativa, ainda que tenha muito dos outros modos somados na montagem do curta. 2.9 COMPROMISSO ÉTICO DO DOCUMENTÁRIO Por serem de natureza que atende a realidade, os documentários oferecem uma representação do mundo ou dos interesses dos outros — e isso traz um compromisso ético em relação aos temas e os representados. Como aponta Nichols “os documentários podem representar o mundo da mesma forma que um advogado representa os interesses de um cliente”, ou seja, mais do que representar pessoas e situações, o documentário é capaz de atuar ativamente – e intencionalmente – na formação de opinião sobre determinado assunto. E é a partir desse conceito de representação que surgem tais questões éticas. Nos documentários os “atores sociais” – seu valor está em sua própria vida. Agora, se voltarmos ao nosso tema, trataremos de um assunto delicado que exige uma enorme sensibilidade, respeito e compromisso: pessoas em situação de rua da cidade de São Paulo/SP. Nossos representados já se encontram em uma situação de vulnerabilidade social, econômica e social, portanto, devemos tratá-los com igualdade e empatia, mostrando nosso cuidado desde a primeira abordagem, até a forma que a ideia do projeto é realizada. Além disso, por nosso documentário tratar de temas como identidade,
33
dignidade, personalidade, memórias e vidas, entramos em temas íntimos, e até privados, de uma pessoa que foi obrigada a deixar de lado pela sobrevivência nas ruas. 2.10 OS REPRESENTADOS A produtora D’Segunda abordará a vida, realidade e detalhes íntimos de duas pessoas que já passaram pela situação de rua e uma que ainda se encontra nessa situação. Nosso objetivo é mostrar além de apenas viverem na rua, mas seus objetivos, medos, memórias e opiniões. Iremos trabalhar o documentário de forma híbrida e serão abordados os modos poético e reflexivo. 2.11 CONDIÇÕES E VISIBILIDADES O encontro de realidade é composto por diversos fatores, entre eles: vidas, situações e condições sociais. Diante de inúmeras possibilidades e fatores que o seu destino pode proporcionar a você, ter uma moradia é algo essencial para grande parte da população de todo o mundo, mas não é algo que todos possuem. No Brasil hoje, cerca de 222 mil pessoas (IPEA. 2020, p.13) se encontram em situação de rua, sem nenhum tipo de moradia fixa, segundo uma pesquisa realizada anualmente. A expressão situação de rua traduz bem as condições de 'fragilidade', 'incerteza', ‘provisoriedade’ e ‘precariedade’ nas quais vivem indivíduos e grupos sem-lugar que, regra geral, não utilizam “moradia convencional regular”. (NONATO, D. do N.; RAIOL, R. W. G. 2016)
Em meio destas definições, surge a questão de ser a pessoa em situação de rua que está ligado a ter ou pelo menos residir em um determinado local, mas morar e residir não significa estar em segurança e acolhido por um conjunto de blocos e concretos que formam uma casa. Atualmente o número de brasileiros em situação de rua cresce cada vez mais, e então o termo “morador” se perde diante de uma rotina, sem destino, sem pretensões de ter um lugar que seria chamado de lar, as ruas imensas e sujas são a única opção destes que são carentes de oportunidades e reabilitação. Mesmo com o número crescente de pessoas em situação de rua no país, ainda não há políticas públicas suficientes que consigam suprir cuidados básicos e necessários a estas pessoas, sendo assim, mesmo expostos a olho nu pela
34
sociedade diariamente, suas pautas ficam em último plano para serem resolvidas, cada vez mais invisibilizadas. 2.12 REALIDADE NAS RUAS A existência em uma moradia de rua, bane cidadãos de muitos confortos e acessos, como, por exemplo: saneamento básico, que nas ruas é algo raro de se encontrar. A fome e a sede são as únicas companhias que possuem, além de seus parceiros também em situação de rua. Muitas vezes, refém de alguém caridoso, ou que possa ajudar, as pessoas em situação de rua agem estrategicamente, ficando em frente de bares e restaurantes, na esperança de um alimento ou até mesmo um copo d'água, que geralmente é negado. Em um artigo do Governo Federal, publicado em 2008, é citado que: A população em situação de rua é composta, majoritariamente, por trabalhadores pobres. Não se tratam de pessoas desqualificadas, de acordo com as informações por eles fornecidas, mas de pessoas que passaram por processo de desqualificação social, ou seja, são percebidas como desqualificadas e são socialmente discriminadas
(BRASIL, 2008b, p.53)
Diante de muitos questionamentos, os únicos que são feitos para a população de rua são: o porquê estão ali? Porque não procuram um emprego? Porque não pedem ajuda da família? São diversos os exemplos de pessoas que fugiram do seu âmbito familiar pelo fato de não terem uma relação estruturada, e, se não possuem família, são taxados como vagabundos, andarilhos, como se tivessem optado por uma vida de pária. Como é o exemplo encontrado na reportagem: “É Horrível Dormir com Sede'', onde pessoas em situação de rua da cidade de São Paulo sofrem pelos logradouros sem bebedouros. O entrevistado (não foi identificado o nome) relata que as pessoas se negam lhe dar um copo de água e quando estão menos apresentáveis não são permitidos nem de entrarem em alguns estabelecimentos, ele questiona: “O que nós temos que eles conseguem negar tanto a água pra gente, por que eles negam tanto uma água?”. Percebemos a falta de empatia e solidariedade para com o próximo, pois a
35
água é fonte de vida e o meio de sobrevivência e se negar a fornecer o mínimo para um ser humano que já vem sendo debilitado e marginalizado pela vida se torna mais invisível numa sociedade que só enxerga o que lhe convém. Ainda nesse documentário, outra pessoa relata: “Eu me sinto um lixo porque eu não tenho uma gota d'água para beber''. Ao analisarmos essa frase podemos afirmar que a falta de recursos é muito além do morar na rua, parte de um problema social e também do bem comum em sociedade. Na prática não é isso o que eles vivenciam, mas na Constituição Federal, o artigo 6° assegura que: são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados, ou seja, são direitos fundamentais que devem ser materializados pelo Estado a todos os cidadãos, dada a sua obrigação dentro da relação vertical entre sociedade e Governo. (CONSTITUIÇÃO DA R. F. D. B.. ART. 6º. 1988)
Diante dessa realidade, a pessoa em situação de rua se torna mais vulnerável do que já é, lidando e vivendo uma realidade cada vez mais escassa e sem recursos, a abordagem do mesmo por falta dos recursos básicos para sobreviver se torna cada vez mais inacessível, visto que a população os encara como alguém que irá abordar para furtar algo. 2.13 REALIDADE NA PANDEMIA Na pandemia, a situação teve tudo para piorar para as pessoas em situação de rua, não só pelo vírus da COVID-19 em si, mas pela falta de apoio — que já era escassa — em sua constante decrescente. Se somos iguais perante a lei, por que a realidade desse grupo é tão precária e o atendimento a eles é tão diferente dos demais? O poder público não os olha como seres humanos dignos de um atendimento, pois a sua realidade é encarada como um problema deixado ao lado e não como um caso que necessita de soluções eficazes e imediatas. O Coordenador Nacional do MNPR (Movimento Nacional de População de Rua) José Vanilson, destaca em um artigo sua indignação com o tratamento relacionado às pessoas em situação de rua dizendo que:
36
Estar nas ruas é difícil e agora com a pandemia ficou muito mais complicado, pois habitação, saúde e educação, dentre outras, é direito do povo brasileiro e é dever do Estado. Nos oferecem abrigos na modalidade de isolamento, mas quando essa pandemia passar teremos que voltar para as ruas? Pro tormento? (SILVA, J. V. T.)
No documentário “Eu Existo”, um entrevistado relata sobre o dia em que estava muito debilitado, não conseguia se locomover e foi deixado ao lado de uma Unidade de Pronto Atendimento. Esperando por atendimento, ele foi hostilizado por um segurança e uma enfermeira, ambos o trataram com indiferença e o deixaram lá caído. Esse relato mostra a forma como essas pessoas são tratadas como invisíveis não só pela sociedade, como pelo poder público. Todo cidadão tem direito de ser cuidado, mas na realidade da pessoa em situação de rua, as coisas mudam completamente, eles são largados em meio ao descaso. 2.14 A INVISIBILIDADE EM MEIO À PRECARIEDADE Ser invisível ou estar invisível é um estado de muitas pessoas atualmente, sua condição de abandono os deixa em uma posição de vulnerabilidade e também de falta de opções sobre onde ir ou a quem recorrer. A sociedade, diante de sua rotina, muitas vezes nega o olhar ou até uma ajuda a aqueles que estão em situação de rua, a falta de empatia e também solidariedade acontece por não estarem na mesma posição, e então por meio disto, invisibilizam aquela luta e também aquelas pessoas. A população em situação de rua é vista pela sociedade como um grupo que oferece risco, e não como um segmento que se encontra em risco. Principalmente quando confrontada com os interesses econômicos, essas pessoas são vistas como um problema, enquanto, na verdade, o problema é a situação de rua. (NONATO, D. do N.; RAIOL, R. W.
G. 2016)
Essas rupturas na sociedade fazem com que os cidadãos comuns, que se deparam com pessoas em situação de rua quase que diariamente, desviem seus olhares, não só quando estão em seus carros e caminhos, tanto quando eles estão em evidência através de matérias e ONGs, que vivem em uma constante busca de
37
ajuda para estas pessoas. Mesmo em meio a tantas rupturas, ainda há um grande desconhecimento sobre esta população, as pessoas não são capazes de compreender ou enxergar os sentidos que levam esse grupo a estar vivendo em meio a precariedade. No Documentário “Invisíveis: Moradores de Rua” (2017), o entrevistado Alessandro relata sobre como o seu olhar as demais pessoas é distorcido, pois na visão de quem está passando pela rua, ele é visto como bandido, quando na verdade seu olhar é por ficar imaginando e refletindo que ele queria ter as mesmas oportunidades das pessoas que trabalham, estudam e sempre possuem algo a fazer todos os dias. Nonato e Raiol explicam como as relações da sociedade impactam na visão do que são as pessoas em situação de rua, dizendo: A pessoa que está nessa situação torna-se um “excluído”, um “invisível”, impossibilitado de partilhar de uma vida pessoal e profissional formal, resultando, certamente, em sérios prejuízos à sociedade. O fato de existirem indivíduos nessa situação faz com que exista uma desigualdade relevante na sociedade. (NONATO, D. do
N.; RAIOL, R. W. G. p 88. 2016)
Um ser humano se torna invisível aos olhos da sociedade não só pela falta de recursos, mas sim pelas preocupações desnecessárias que antecedem e tornam os olhares alheios, levando as pessoas em situação de rua, assim como grandes causas, a seguirem sem ter voz suficiente nas suas lutas diárias. Elas se dão por condições básicas que não são oferecidas mesmo em meio a uma constituição que não as diferem das demais como sociedade. Em um artigo publicado para a Revista Virtual Textos e Contextos (2005, p.10), a repórter Ana Paula Motta Costa relata que: Entre as ocupações mais corriqueiras do povo de rua estão a catação de papel, latas e outros resíduos, a guarda de carros, o serviço doméstico e a construção civil (com suas várias especialidades). Essas profissões, como não são exercidas com regularidade, não garantem o sustento. Assim, a alternativa de sobrevivência, muitas vezes, é obtida
38
através de benefícios sociais. (EVANGELISTA. p 5. 2017)
O cotidiano de quem está em situação de rua se resume a buscar o seu meio de sobrevivência de cada dia, a busca e luta nunca acaba, e as únicas alternativas, não necessariamente garantem um sustento. Latas, plástico, papelão, entre outros, são os materiais que dão esperança para muitos em situação de rua, de ter uma fonte de renda, mesmo que escassa. O trabalho é árduo e mal recompensado, pois os resultados monetários não são suficientes para manter uma alimentação digna. Mesmo com programas como o 'Bom Prato' no Estado de São Paulo, ou o 'Fome Zero' que atua em território nacional, a fome ainda não é totalmente saciada às pessoas em situação de rua. 2.15 ABORDAGEM INTIMISTA O diferencial do nosso documentário parte do ponto que é constante o desrespeito, a insensibilidade e a desumanização da cidade para com a população de rua. Você pode até se perguntar, como se tira a humanidade de uma pessoa? Você a força a apenas sobreviver, tendo sua identidade, desejos, necessidades básicas e dignidade deixadas em segundo plano. Nosso documentário visa retratar exatamente esse ponto. Além das estatísticas, dos números, violência policial, constante exclusão e descaso social, há uma pessoa, assim como eu, assim como você, cheia de opiniões, memórias, valores.
39
3. BÍBLIA DE PRODUÇÃO
40
3.1 EXPLICAÇÃO DO TÍTULO
41
42
3.2 SINOPSE Através de entrevistas de pessoas que já viveram e ainda vivem nas ruas de São Paulo, o documentário poético e reflexivo “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” da produtora
D'Segunda
retrata
questões
como
identidade,
validação
social,
características individuais além dos preconceitos da sobrevivência na rua. 3.3 CONTANDO HISTÓRIA Das ruas ao seu lar, pessoas em situação de total vulnerabilidade contam suas histórias de vida, sobre como foram parar nas ruas e como fazem para lidar com as dificuldades e necessidades diárias, são pessoas com diferentes realidades, que vivem expostas as circunstâncias da vida e excluídas da sociedade, completamente rodeadas de incertezas, elas contam aos poucos como enfrentam essa situação e como fazem para sobreviver em meio a uma pandemia, como é viver sobre desprezo e rejeição, sujeitos a muitos perigos e violência e onde encontram refúgio, consolo e força. 3.4 OBJETIVO Nosso documentário tem como objetivo expor de forma reflexiva (dados, fontes, pesquisa) e poética (relatos, narração, poesia, música, imersão audiovisual, história) a identidade e vida de pessoas que tem seus caminhos ligados à vivência nas ruas, de maneira a quebrar o preconceito de que são todos iguais e conscientizar a população da tamanha desumanização enfrentada por eles. 3.5 CLASSIFICAÇÃO DO PROJETO 3.5.1 CATEGORIA O projeto documental “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” busca mostrar o cotidiano da população em situação de rua, e levar o espectador à reflexão sobre a situação das pessoas pelas ruas da cidade de São Paulo e também como enfrentam a pandemia de COVID-19. Contextualizamos o tema abordado e o projeto se encaixa na categoria informativa de um produto audiovisual. Segundo Harris Watts, no livro On camera - O curso de produção e vídeo da BBC, os programas têm a função de informar “exceto naquela dirigida inteiramente para o entretenimento. Informar significa
43
possibilitar que a pessoa, no final da exibição, saiba um pouco mais do que sabia no começo do programa a respeito de determinado assunto” (WATTS, 1990, P.20). 3.5.2 GÊNERO O assunto abordado pelo qual nos interessamos e a relevância que tem nas causas sociais e o impacto que possui na sociedade, a produtora em conjunto e baseando nas pesquisas realizadas sobre o assunto definiu que o projeto audiovisual seria o documentário a atingir um público alvo definido. 3.5.3 FORMATO Seguindo as fundamentações teóricas sobre o gênero documentário e o que diz Bill Nichols (2010) sobre as vozes e modos do gênero audiovisual documentário, a produtora seguirá os modos poéticos e reflexivos. Utilizando conceitos de Eduardo Coutinho (2003), sobre as produções de baixo custo, onde recorrem a fotografia e a estética para cenários atuais e utilizam depoimentos, narrativas visuais e experimentações e também exemplos de Jorge Furtado no documentário Fraternidade (2007), onde buscamos uma reflexão sobre a realidade abordada, e levanta questões de mudanças, conhecimento, identidade e originalidade. O projeto terá duração de 24 minutos que é o tempo que a produtora viabiliza para apresentar todas as questões levantadas no tema, podendo ser alterado se assim houver necessidade. 3.5.4 POÉTICO A construção narrativa do documentário se baseia em elementos mais subjetivos na montagem da mensagem. No início, ofertamos uma experiência sensorial, imagens e sons relacionados, para fazer o público se questionar de o que estão assistindo e qual seria o real motivo dessa sequência de imagens. Pensando em trabalhar o som com a imagem, propomos uma série de cortes de cidade, carros, avenidas, calçadas e pessoas passando com vozes ao fundo: “ajuda aí”, “você pode me ajudar”, “me dá um dinheiro, por favor”. O efeito escolhido foi o de fade-in e fade-out no áudio das vozes, dando uma ideia de passagem, apatia, “falando com a parede”. Nosso objetivo é enfatizar ao máximo nossa dimensão plástica, visual, de maneira que as imagens consigam provocar mais sensações, afetos e impressões e complementar a transmissão do argumento. Ao longo da produção, temos imagens da cidade sem pessoas em situação de
44
rua, e depois uma transição para o mesmo lugar, só que com elas. O efeito aqui é fazer o uso visual, e não verbal, do fato da sociedade ter normalizado a população em situação de rua como “parte da paisagem” urbana. Também, a narração do poema “O Bicho” no encerramento do documentário, junto da imagem dos entrevistados e cortes da cidade que vimos no início, induz a reflexão da situação dos nossos representados. 3.5.5 REFLEXIVO Considerando que objetivo maior do modo reflexivo é acabar com a crença cega do espectador na verdade da imagem, nosso documentário está preocupado com o próprio processo de representação. Nossa produção usa artifícios de construção, como o uso do próprio título para guiar a montagem do documentário. Separamos a produção em três partes: “NÓS”, sobre identidade, “AINDA ESTAMOS”, sobre tempo e memórias, e “AQUI”, sobre espaço e como vive. 3.6 REFERÊNCIAS ESTÉTICAS Para o desenvolvimento da fotografia e narrativa do projeto, os integrantes assistiram a diversos documentários nacionais e internacionais a fim de definir uma harmonia, traçar uma estética que contemplasse, alcançando os objetivos definidos para o nosso tema. Dentre todos os documentários que assistimos, os que mais se destacaram por proximidade a nossa proposta foram: 3.6.1 INVISÍVEIS: MORADORES DE RUA (2017) (Ana Carolina Herdy, Joana Barros, Júlia Lellis, Leonardo Varricchio, Lucas Moyano e Tainara Passos) “Invisíveis: Moradores de Rua” é o primeiro episódio de um projeto chamado “Invisíveis: o olhar delxs”, onde é mostrada a perspectiva dos moradores de rua. No episódio eles falam da vida na rua, contam um pouco de suas histórias, pensamentos sobre o futuro e dividem opiniões sobre o mundo. Esse episódio em específico foi escolhido pela forma que a narrativa se constrói ao longo da arte, como as histórias se entrelaçam em algum momento e como os sentimentos são expostos de forma espontânea sem parecer uma entrevista.
45
Poster - Invisíveis: O Olhar Deles
3.6.2 EU EXISTO (2012) (Ana Carolina Capozzi, Júlia Cruz e Olivia Almgren) O Documentário "Eu Existo", produzido pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, propõe tirar os moradores de rua da invisibilidade a qual estão condenados, colocando-os como agentes políticos capazes de expor os próprios problemas e de sugerir mudanças. Por meio de reveladores depoimentos e um toque de arte, "Eu Existo" traz denúncias de gravíssimas violações de direitos humanos, estimulando um novo olhar da sociedade em relação à situação de rua e quebrando mitos e tabus. Para o desenvolvimento do nosso roteiro, utilizamos a forma como as histórias são contadas baseadas neste documentário, entonando sempre uma força e determinação mesmo em meio a tanta vulnerabilidade.
Imagem retirada do documentário “Eu Existo”
46
3.6.3 ELENA (2012) (Petra Costa) “Elena” é um documentário que através de um olhar muito delicado e poético fala sobre o suicídio da irmã de Petra, Diretora e Roteirista do mesmo. Esse documentário nos ajudou a encontrar um norte em relação a como queríamos desenvolver a poética do nosso projeto por conta dessa delicadeza poética que acompanha todo o projeto de Petra Costa.
Poster do filme “Elena”
3.7 PÚBLICO-ALVO Diante dos princípios e missão da produtora D’Segunda, o documentário “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” que retrata a vida e cotidiano da população em situação de rua, tem como objetivo levar informação e conscientização sobre esse grupo que hoje se encontra marginalizado.
O público destinado a receber esse conteúdo são adultos da faixa etária de 40 a 55 anos, que representam famílias adultas, como pais e mães. Como aponta uma matéria da CNN publicada em 25 de 05 de 2000, adultos são um dos líderes no consumo de serviços de streaming, como Netflix, Amazon Prime Video e o Youtube Premium, este último sendo a plataforma selecionada para vinculação do projeto. Segundo a mesma matéria, 87% da população brasileira consome serviços de streaming diariamente, e é exatamente essa facilidade para chegar em conteúdos
47
bem produzidos que queremos explorar.
Analisando a acessibilidade da internet no Brasil, classes sociais que são líderes em acesso a rede de banda larga são as “A”, “B” e “C”, mesmo que quase 61% da população brasileira hoje já tenha acesso à internet em sua residência, não devemos consideramos esses como um todo, pois ainda existem lugares onde o acesso mesmo que existente. O acesso à internet ainda em muitos lugares é remoto e de baixa qualidade, como aponta uma matéria publicada pelo site Telesintese em 2017, que possui as regiões Sudeste e Nordeste como as mais conectadas do país, seguidas pela região Centro-Oeste, Sul e em último Norte. E claro, em muitas situações a falta de acesso a internet é uma consequência da falta de infraestrutura e também pela escassez de renda, pois muitas famílias não possuem fonte estável para mantimentos básicos, quanto mais para realizar pagamento de mensalidades de internet, que em média tem o preço de 89 reais no Brasil. Por meio destes dados, apontamos então às classes A e B, que possuem como remuneração em média de 4 a 8 salários mínimos mensalmente por pessoa, como as principais consumidoras de conteúdos audiovisuais que produzimos.
48
3.8 CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA
49
3.9 VEICULAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO
50
3.10 JUSTIFICATIVA Este projeto foi idealizado através de uma reunião, onde o grupo enxergou a oportunidade de falar sobre pessoas em situação de vulnerabilidade, mediante ao atual cenário em que vivemos de pandemia e isolamento social, observa-se constantes matérias e reportagens que abordam o tema sobre a dificuldade de viver em meio a tanto caos (econômico, político e na saúde pública/privada). Tendo em vista essa dificuldade que se agravou no período de pandemia, o grupo resolveu olhar para um lado, que talvez esteja sendo esquecido pela mídia: pessoas em situação de rua. A partir disso, surgem dúvidas sobre como essas pessoas estão sobrevivendo, indivíduos abandonados e desprezados, em meio à uma fase tão difícil que é o atual cenário do nosso país. Segundo a opinião de Mônica Dias Martins, professora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia PPGS-UECE, coordenadora do grupo de pesquisa observatório das nacionalidades e membro do Conselho Diretor do CLACSO aborda em uma matéria escrita para a CLACSO, que as pessoas em situação de rua fazem parte do grupo de principais vítimas da pandemia, justamente por estarem expostos e alocados em locais que na maioria das vezes proporciona péssimas condições de vida, apresentando alguns dados sobre as taxas de mortalidade decorrentes dessa extrema desigualdade social agravada no período de pandemia: "relativamente baixa nos casos do Meirelles (5%) e Fátima (11,9%) e bastante elevada na Barra do Ceará (28,57%) e Jangurussu (21,42%)". (MARTINS, p. 01, 2020). Concluímos então através dessa citação, adentrar a importância do tema pois, conforme abordado por Mônica, às pessoas em situação de rua continuam sendo grandes vítimas da pandemia, muitas vezes, sendo vítimas fatais, alguns ainda vivem de doações de pessoas que passam pelas ruas, porém além de estarem em constante luta pela sobrevivência, a luta e as dificuldades se tornam ainda maiores com grande parte da população em isolamento social, à vista disso, nota-se a relevância em abordar tal assunto e mostrar de fato a realidade atual dessas pessoas que não tem onde morar, nem o que comer, esse é o intuito do projeto, dar voz à essas pessoas e mostrar sua atual vivência, enfatizar uma realidade que não é mostrada pela mídia, dessa forma o grupo decidiu entender o outro lado da história, uma outra realidade que até hoje se faz muito “invisível” atual e cruel.
51
Inspirados nas palavras de Alex ___, um de nossos representados, é importante levar ajuda de comida, água, roupas e cobertores, mas ir tirar um documento, ajudar a conseguir um trabalho, imprimir um currículo, apadrinhar um alcoólatra em recuperação ou destacar a identidade de uma pessoa por trás de tanto preconceito também faz toda a diferença no rumo da vida da pessoa em situação de rua.
52
1. PLANO DE PRODUÇÃO
Projeto: NÓS AINDA ESTAMOS AQUI
Etapa
Produtor responsável: Kamila Barboza Período: Fev/21 á Dez/21
Atividade desenvolvida
Realização/Data
Reunião de pré-produção
12/03/2021
Briefing
14/03/2021
Pesquisas
Pré-Produção
Etapa
Produção
Etapa
Visita técnica
29/04/2021 a 03/05/2021
Roteiro
11/05/2021 a 21/05/2021
Equipamentos
27/05/2021
Documentos - imagem e voz
28/05/2021
Orçamento
28/05/2021
Atividade desenvolvida
Realização/Data
Revisão/Montagem da Bíblia
21/04/2021
Design final da Bíblia
31/05/2021
Entrevistas
01/06/2021 a 23/06/2021
Gravações
01/08/2021 a 05/09/2021
Atividade desenvolvida Encerramento das gravações
Pós-Produção
05/04/2021 a 19/04/2021
Edição
Realização/Data 05/09/2021 07/09/2021 a 30/09/2021
Revisão final
08/10/2021
Entrega do projeto
08/11/2021
53
2. CRONOGRAMA DE PRÉ - PRODUÇÃO Data
Descrição
12/03/2021
Reunião para definir o possível tema/formato para o TCC
14/03/2021
Reunião - Ideias de desenvolvimento para o tema escolhido do TCC
16/03/2021
Reunião - estruturação da abordagem do tema
07/04/2021
Adição de novos integrantes a produtora
08/04/2021
Reunião de alinhamento com os novos integrantes
05/04/2021
Reunião - início de pesquisas sobre o tema
10/04/2021
Reunião - debate sobre as pesquisas realizadas e opiniões
11/04/2021
Definição nome do projeto
12/04/2021
Reunião - definição de pesquisas: Formato X Tema - divisão em grupo
19/04/2021
Envio das pesquisas: Formato X Tema
29/04/2021
Visita técnica aos locais previstos de gravação
30/04/2021
Reunião para definir possíveis locais de gravação
11/05/2021
Desenvolvimento da sinopse provisória do projeto
11/05/2021
Início do desenvolvimento do roteiro do projeto
27/05/2021
Definição de equipamentos
28/05/2021
Orçamento previsto - base
3.CRONOGRAMA DE PRODUÇÃO Data
Descrição
21/04/2021
Revisão/Montagem da Bíblia do TCC - 1ª etapa
31/05/2021
Reunião - Proposta para o design da Bíblia
54
01/06/2021
Reunião - Definição final do design da bíblia
02 á 23/06/2021
Início das entrevistas
14/08 a 05/09/2021 Gravações do projeto
4. CRONOGRAMA DE GRAVAÇÕES Integrante
Kamila Barboza
Função a desenvolver Diretora de Produção
Fernando
Fotógrafo e
Rigonato
Áudio
Larissa Braga
Making Off
Érick Luiz
Cam.2 Inserts
Data Descrição Local previsto prevista 05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
Praça da Sé Praça da Sé
Diretor Geral
Takes do lugar Gravação: Takes do lugar
Praça da Sé
Gravação: Takes do lugar
Praça da Sé
Gravação: Takes do lugar
Praça da Sé Lizandra Tardin
Gravação:
Gravação: Pessoas em
05/09/2021
situação de rua Praça da Sé
Gabriel Basilio
Câmera Principal
Gravação: Pessoas em
05/09/2021
situação de rua
Kamila Barboza
Diretora de Produção
05/09/2021
Praça da República
Depoimento da Eliana
55
Fernando
Fotógrafo e
Rigonato
Áudio
Larissa Braga
Making Off
Érick Luiz
Lizandra Tardin
Gabriel Basilio
Kamila Barboza
Cam.2 Inserts Diretor Geral Câmera Principal Diretora de Produção
Fernando
Fotógrafo e
Rigonato
Áudio
Larissa Braga
Making Off
Érick Luiz
Lizandra Tardin
Gabriel Basilio
Kamila Barboza
Cam.2 Inserts Diretor Geral Câmera Principal Diretora de Produção
Fernando
Fotógrafo e
Rigonato
Áudio
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
Praça da República
Depoimento da Eliana
Praça da República
Depoimento da Eliana
Praça da República
Depoimento da Eliana
Praça da República
Depoimento da Eliana
Praça da República Depoimento
05/09/2021
da Eliana 05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
Tablado São Bento
Depoimento Regiane
Tablado São Bento
Depoimento Regiane
Tablado São Bento
Depoimento Regiane
Tablado São Bento
Depoimento Regiane
Tablado São Bento
Depoimento Regiane
Tablado São Bento
Depoimento Regiane
Tablado Vale do
Depoimento -
Paissandu
Alex
Tablado Vale do
Depoimento -
Paissandu
Alex
56
Larissa Braga
Érick Luiz
Lizandra Tardin
Gabriel Basilio
Ass. de direção Direção Geral Diretor Geral Câmera Principal
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
05/09/2021
Tablado Vale do
Depoimento -
Paissandu
Alex
Tablado Vale do
Depoimento -
Paissandu
Alex
Tablado Vale do
Depoimento -
Paissandu
Alex
Tablado Vale do
Depoimento -
Paissandu
Alex
5. CRONOGRAMA DE PÓS - PRODUÇÃO
Data prevista
Descrição
13/09/2021
Decupagem - Cenas das Ruas
15/09/2021
Decupagem - Entrevistas
17/09/2021
Montagem do projeto
19/09/2021
Transição do projeto
19/09/2021
Tratamento de imagem
10/10/2021
Finalização do processo de edição
08/10/2021
Finalização da bíblia de produção
57
6. ROTEIRO DE EDIÇÃO
7. ORÇAMENTO REAL
1. ETAPA DE PREPARAÇÃO Equipe
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Direção Geral
Mensal
1
R$ 6.256,00
R$ 6.256,00
Roteirista
Mensal
1
R$ 2.119,00
R$ 2.119,00
Ass. de Direção
Mensal
1
R$ 3.015,00
R$ 3.015,00
Direção de Arte
Mensal
1
R$ 3.272,00
R$ 3.272,00
Direção de Fotografia
Mensal
1
R$ 2.578,00
R$ 2.578,00
Ass. de Fotografia
Mensal
1
R$ 1.212,00
R$ 1.212,00
Direção de Produção
Mensal
1
R$ 3.940,00 R$ 3.940,00
Editor
Mensal
1
R$ 5.934,00
R$ 5.934,00
58
Ass. de Edição
Mensal
1
R$ 2.034,00
R$ 2.034,00
Produtor
Mensal
1
R$ 2.764,00
R$ 2.764,00
Produtor Executivo
Mensal
1
R$ 3.698,00
R$ 3.698,00
Pesquisador
Mensal
1
R$ 3.266,00
R$ 3.266,00
Total Geral
Mês
12
R$ 40.088,00 R$ 40.088,00
Equipamento
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Câmera Digital
Uni. Compra
1
R$ 3.400,28
R$ 3.400,28
Microfone de Lapela Boya - BYM1
Uni. Compra
2
R$ 80,00
R$160,00
Serviços
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
HD interno
Uni. Compra
1
R$ 289,90
R$ 289,90
Cartão de memória
Uni. Compra
1
R$ 158,43
R$ 158,43
Produção
Período
Origem
Valor Unit.
Valor Total
Transporte
Diário
12
R$ 17,60
R$ 211,20
Alimentação
Diário
12
R$ 20,00
R$ 240,00
Extras de Produção
Diário
1
R$ 200,00
R$ 200,00
Total Geral
Mês
28
R$ 4.086,21
R$ 4.499,81
Equipe
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Direção Geral
Mensal
1
R$ 6.256,00
R$ 6.256,00
Roteirista
Mensal
1
R$ 2.119,00
R$ 2.119,00
2. ETAPA DE FILMAGEM
59
Ass. de Direção
Mensal
1
R$ 3.015,00
R$ 3.015,00
Direção de Arte
Mensal
1
R$ 3.272,00
R$ 3.272,00
Direção de Fotografia
Mensal
1
R$ 2.578,00
R$ 2.578,00
Direção de Produção
Mensal
1
R$ 3.940,00
R$ 3.940,00
Produtor
Mensal
1
R$ 2.764,00
R$ 2.764,00
Câmera
Mensal
1
R$ 3.698,00
R$ 3.698,00
Técnico de Som
Mensal
1
R$ 3.266,00
R$ 3.266,00
Total Geral
Mês
9
R$ 30.908,00 R$ 30.908,00
Equipamento
Período Uni. Compra
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
2
R$ 3.400,28
R$ 6.800,56
2
R$ 80,00
R$160,00
1
R$ 849,90
R$ 849,90
1
R$ 167,90
R$ 167,90
1
R$ 359,90
R$ 359,90
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
1
R$ 289,90
R$ 289,90
Cartão de memória
Período Uni. Compra Uni. Compra
1
R$ 158,43
R$ 158,43
Produção
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Transporte
Diário
9
R$ 17,60
R$ 158,40
Alimentação
Diário
9
R$ 20,00
R$ 180,00
Extras de Produção
Diário
1
R$ 200,00
R$ 200,00
Câmera Microfone de Lapela Boya - BYM1 Lentes Tripé Iluminação Material Sensível HD interno
Uni. Compra Uni. Compra Uni. Compra Uni. Compra
60
Total Geral
Mês
4
R$ 5.463,91
R$ 5.764,71
Equipe
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Direção Geral
Mensal
1
R$ 6.256,00
R$ 6.256,00
Direção de Produção
Mensal
1
R$ 3.015,00
R$ 3.015,00
Ass. de Direção
Mensal
1
R$ 3.272,00
R$ 3.272,00
Editor
Mensal
1
R$ 2.578,00
R$ 2.578,00
Editor de Som
Mensal
1
R$ 3.146,30
R$ 3.146,30
Ass. de Edição
Mensal
1
R$ 3.940,00 R$ 3.940,00
Locutor
Mensal
1
R$ 2.764,00
R$ 2.764,00
Artista Gráfico
Mensal
1
R$ 3.698,00
R$ 3.698,00
Produtor
Mensal
1
R$ 3.266,00
R$ 3.266,00
Total Geral
Mês
9
R$ 31.935,30 R$ 31.935,30
Equipamento e Serviços
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Computação gráfica
Uni. Compra
1
R$ 200,00
R$ 200,00
Programa (Premiere)
Uni. Compra
1
R$ 49,90
R$ 49,90
Total Geral
Mês
1
R$ 249,90
R$ 249,90
Material Sensível
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
HD interno
Uni. Compra
1
R$ 289,90
R$ 289,90
3. ETAPA DE EDIÇÃO
61
Produção
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Transporte
Diário
9
R$ 17,60
R$ 158,40
Alimentação
Diário
9
R$ 20,00
R$ 180,00
Extras de Produção
Diário
1
R$ 200,00
R$ 200,00
Total Geral
Mês
23
R$ 777,40
R$ 1.078,20
Equipe
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Direção Geral
Mensal
1
R$ 6.256,00
R$ 6.256,00
ass. de Direção
Mensal
1
R$ 3.272,00
R$ 3.272,00
Diretor de Produção
Mensal
1
R$ 3.698,00
R$ 3.698,00
Produtor
Mensal
1
R$ 3.266,00
R$ 3.266,00
Equipamento e Serviços
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Veiculação (Youtube)
Período Uni. Compra
1
R$ 0,00
R$ 0,00
Total Geral
Mês
1
R$ 0,00
R$ 0,00
Material Sensível
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
HD interno
Uni. Compra
1
R$ 289,90
R$ 289,90
Produção
Período
Unidade
Valor Unit.
Valor Total
Transporte
Diário
4
R$ 17,60
R$ 70,40
Alimentação
Diário
4
R$ 20,00
R$ 80,00
Extras de Produção
Diário
1
R$ 200,00
R$ 200,00
4. ETAPA DE FINALIZAÇÃO
62
Total Geral
Mês
12
R$ 527,50
Orçamento Total
-
Valor Unit.
Valor total
Total Geral
Mês
R$ 117.346,60
R$ 118.634,60
R$ 640,30
3.11ARGUMENTO 3.11.1 VISÃO ORIGINAL Ao desenvolver pesquisas acerca da fundamentação teórica do projeto ao qual vamos apresentar, NÓS AINDA ESTAMOS AQUI, notamos que ao abordar o assunto da população em situação de rua existem muitos projetos, pesquisas, documentários, reportagens que focam em como as pessoas chegaram a essa realidade, como foi o contexto do qual foram inseridos. A visão original do projeto acadêmico “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” é abordar de um modo geral e mais abrangente os principais aspectos em que as pessoas em situação de rua chegam a essa realidade, problemas e aspectos, o quanto sofrem, o preconceito, a discriminação, o medo, suas memórias, o futuro, a falta de higiene básica e a ajuda que vem do governo e da solidariedade das pessoas. Notamos que falta a maior inserção da forma como as pessoas lidam com o que são submetidos, se possuem alguma esperança de sair dessa realidade, de como são acolhidos e a esperança de um futuro melhor bem como estão sobrevivendo à pandemia de COVID-19 que vem avançando e mesmo com a vacinação da população tem maior dificuldade de acesso, devido às suas condições de vida. Ao construir a narrativa do documentário se intercala os depoimentos com o contexto social vivido pelos personagens e a narrativa visual, exemplificando a realidade da população em situação de rua, juntamente de suas experiências sociais.
63
3.12 PROPOSTA DE DOCUMENTÁRIO A produtora D’Segunda, por meio do documentário “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” levanta uma realidade que muitas vezes não é discutida e centralizada até um ponto de reflexão sobre a mesma: a identidade e desumanização de pessoas em situação de rua. Como é possível viver ou sobreviver, sem as principais e mais simples condições que qualquer ser humano deveria ter, como um lar, acesso a saneamento básico e uma formação de ensino médio. O grande ponto de discussão levantado, não é o porquê estão ainda ali, e sim, como a sobrevivência nas ruas influenciou na modelagem da personalidade e identidade. De fato, o principal objetivo não é culpar a falta de políticas públicas e nem apontar esses como pessoas sem objetivos, e sim, estar perto e entender aquela realidade, saber o sentimento de todo dia ser acordado com pessoas passando ao seu redor, motivadas pela rotina de todos os dias, é saber que amanhã terá que lutar novamente pelo seu alimento, através de trabalhos muitas vezes escassos e expandir e mostrar aquela realidade invisibilizada diante da sociedade.
64
3.13 ELEIÇÃO E DESCRIÇÃO DO(S) OBJETO(S)
65
66
67
3.14 ELEIÇÃO E JUSTIFICATIVA PARA AS ESTRATÉGIAS DE ABORDAGEM O documentário foi desenvolvido com o intuito de ser um documentário experimental utilizando-se de referências do modo poético de construção narrativa, e reflexiva como seu objetivo, de maneira que possa buscar a proximidade com o público e contribuir para reflexão do espectador. A produtora registrará através das filmagens na rua cenas que possibilitem a criação de uma narrativa visual dos representados, junto de imagens intimistas e de closes, validando a emoção do contexto social diário em que os representados estão inseridos. Pretende-se que os personagens compartilhem com os espectadores suas experiências e relatos do presente momento em suas vidas. Como forma de representar o tema, foi idealizada uma introdução com uma experiência imersiva e sensorial, onde as falas, em voz over, soam com imagens da cidade e das ruas, sendo uma metáfora da realidade invisível e silenciada que presenciamos diariamente. Voz Over: A voz over será utilizada como um elemento representando a voz dessas pessoas. Através das cenas da cidade e sons de carro, essa voz vem, pede ajuda, e se perde novamente no mar de outras vozes. Poema de abertura: Na abertura do documentário, optamos por uma narração na voz de Eliana do poema “O Bicho”, de autoria de Manuel Bandeira:
Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
68
Escolhemos este poema por ele tratar diretamente do cerne de nosso documentário: a desumanização de pessoas em situação de rua. Uma pessoa que é forçada por diversos fatores a deixar de lado qualquer traço de personalidade e identidade para sobreviver de alguma maneira é vista socialmente como um “bicho”. Escolhemos a Eliana para fazer a narração pois, nas palavras dela, já se sentiu desta maneira, e o objetivo aqui é dar voz a essas identidades que foram reprimidas por diversos fatores.
Lugares/Paisagens: As paisagens escolhidas para representar parte da linguagem do documentário foram ambientes cotidianos da cidade enquanto passa pela pandemia em seu movimento diário. A proposta é explorar a cidade como um organismo sem piedade, que não desacelera para cuidar de seus habitantes mais vulneráveis. Algumas cenas tem como início planos gerais mais abertos, para ambientar o espectador e apresentar onde vive o entrevistado, sua situação. Os relatos dos entrevistados também contam com vários closes-up e takes de detalhes dos mesmos com intuito de gerar proximidade com o espectador. 3.15 SUGESTÃO DE ESTRUTURA O documentário audiovisual “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” tem como propósito retratar a invisibilidade social de pessoas em situação de rua, exibindo entrevistas de 3 pessoas, entre elas, a pedagoga Eliana Toscano (49) atualmente empreendedora social que luta a favor de ajuda para pessoas em situação de rua. Alex, de 35 anos, saiu das ruas a pouco mais de um ano e que luta para se manter visível no sistema e poder criar seus 4 filhos, Regiane (29), ainda em situação de rua, que conta sua trajetória nas ruas desde muito cedo, e que entre idas e vindas, a rua se torna sua casa e junto aos seus animais e seu esposo busca sobreviver numa cidade que te engole, como é São Paulo. Iremos guiá-los por perguntas sobre como lidam com a pobreza, fome, violência, memórias, perdas, perspectivas de futuro, e realidade ao qual estão inseridos, o que fazem para sobreviver e como chegaram a esse caminho, iremos reunir dados como imagens, a maioria das cenas serão gravadas em plano sequência e para captarmos as sensações, movimentos e reações dessas pessoas, usaremos o super close em olhos, mãos, pernas e braços.
69
Nossa montagem visa, além da introdução e conclusão, três blocos de conteúdo, seguindo uma separação do título “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI”. 3.15.1 ABERTURA Com cores preto e branco, a abertura após a logo da universidade Cruzeiro do Sul começa com o inserts e imagens de pessoas em situação de vulnerabilidade se sobrepondo umas com as outras, ao som do poema “O BICHO” narrado pela Eliana Toscano que também é uma das entrevistadas. O objetivo é introduzir o espectador no universo que vamos apresentar. 3.15.2 SITUAÇÃO 1 O primeiro bloco inicia com o título “NÓS”, que se refere a questões intimistas de identidade e descobrir quem é a pessoa. Curamos as respostas dos entrevistados e mesclamos as três para cada bloco, expondo suas falas de maneira que façam sentido com onde estão inseridos. Sendo um tema mais intimista, closes e cortes fechados em detalhes dos olhos e face. Logo após temos a transição do bloco um para o bloco 2 com um insert da cidade, bg ao fundo e uma citação da primeira estrofe do Poema “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” destacando apenas o “NÓS” com narração de Érick Luiz. 3.15.3 SITUAÇÃO 2 O segundo bloco inicia com “AINDA ESTAMOS”. Nele, trazemos reflexões de tempo, memórias e expectativas para o futuro com as respostas mescladas e as falas dos entrevistados descrevendo vivências ao longo desse tempo em que estão vivendo em situação de rua. Na transição do segundo bloco para o terceiro temos o insert da cidade com o bg de fundo e a citação da segunda estrofe do poema “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” destacando apenas a parte do ‘AINDA ESTAMOS” com narração de Larissa Braga. 3.15.4 SITUAÇÃO 3 No terceiro bloco, o tema “AQUI”: Como leva a vida, como sobrevive, opiniões sobre o meio que vive. Novamente, as três entrevistas mescladas. A cenografia é mais aberta, permitindo ver o ambiente que se encontra, posição do corpo e maneirismos. Uma das citações do entrevistado Alex expõe o intuito do documentário: “Não é só
70
trazer comida e roupa, mas dar atenção e querer ouvir a história da pessoa que está por trás da aparência de morador de rua.” 3.15.5 SITUAÇÃO 4 Na finalização começa com imagens da Praça da Sé, onde os moradores se alocam, com a narração de Érick Luiz do poema de própria autoria “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI”, com a citação da última estrofe com o foco no ‘’AQUI’’, terminamos o documentário ao som de uma badalada de um sino de igreja revelando a imagem de um homem que está mexendo no lixo e após isso se inicia os créditos finais. 3.16 DESENHO DE PRODUÇÃO 3.17 ETAPA DE PREPARAÇÃO 3.17.1 PESQUISA Realizamos uma reunião para colocar em pauta as ideias de todos os integrantes da produtora e assim eleger o tema e o formato do que seria o projeto de TCC. Depois de todas as opções apresentadas foi eleito o gênero de documentário com o tema voltado para pessoas em situação de vulnerabilidade. A partir disso a produtora iniciou os estudos baseado no tema escolhido para aprofundar e filtrar o que seria abordado, e principalmente como iriamos mostrar isso visualmente no documentário. Após definirmos como seria a abordagem, dividimos a produtora em duas equipes para que uma fosse responsável pelo aprofundamento do estudo em relação ao tema e a outra responsável pelo estudo do gênero. Depois da realização de várias leituras, entre livros, pdf, artigos, tínhamos um esboço da fundamentação teórica das dos dois grupos, logo após foi realizada uma reunião para que todos os integrantes lessem as pesquisas e finalizassem o documento. 3.17.2 PRÉ - PRODUÇÃO Iniciando com a fundamentação teórica como base, partimos para outro trabalho de pesquisa para encontrar quem seriam os entrevistados. Com um pré perfil definido tínhamos em mente que as pessoas em situação de vulnerabilidade seriam abordadas conforme a disponibilidade e vontade de participar, pois de acordo com as
71
pesquisas feitas anteriormente, não teríamos como marcar um local específico ou horário para realizar a entrevista. Logo depois foi feito o contato com o segundo entrevistado que seria o Padre Júlio Lancellotti, que devido a demanda de trabalhos infelizmente não estaria disponível para a gravação da entrevista, o que levou novamente os integrantes as pesquisas e por fim foi encontrada o perfil da Eliana Toscano aceitou participar do projeto e assim foi realizada uma reunião para melhor apresentação no trabalho e história de vida dela assim como a abordagem do nosso TCC. 3.18 ETAPA DE FILMAGEM 3.18.1 OBJETOS DE ABORDAGEM Um documentário, que aborda três pessoas diferentes com histórias distintas, porém na mesma situação. NÓS AINDA ESTAMOS AQUI fala sobre pessoas em situação de vulnerabilidade e outras que já estão novamente em inserção social. Buscamos mostrar de forma poética e reflexiva a vida de uma pessoa que está em situação de vulnerabilidade e a vida de pessoas que já passaram por isso e hoje em dia vivem uma vida diferente. E assim aproximar o telespectador de uma realidade que é vivida, porém ignorada por grande parte da sociedade. 3.18.2 DETALHES DA ABORDAGEM As gravações foram realizadas externamente em 3 pontos diferentes da cidade de São Paulo, a primeira entrevista foi com a Regiane, no tablado da São Bento onde a mesma costuma morar. Utilizamos duas câmeras: uma para a entrevista, outra para closes e fotos e um celular no estabilizador para ângulos específicos. Na segunda entrevista realizada na Praça da República utilizamos do mesmo plano com a exceção dos closes que ficou focado apenas nas fotografias, na terceira e última entrevista gravada no deque do Largo do Paissandu, voltamos para o plano inicial com as três câmeras em três ângulos diferentes. Com o auxílio de outro celular fizemos o making of e os inserts da cidade que estavam de acordo com a proposta do documentário.
72
3.18.3 PROVIDÊNCIAS E INFRAESTRUTURA O material foi gravado com o auxílio do equipamento próprio de alguns integrantes da produtora, entre eles duas câmeras semi profissionais, um estabilizador, dois telefones celulares para efeitos e making of e um terceiro com o fone de ouvido para a captação do áudio. Foi realizada uma reunião antecedendo a data de gravação para planejamento das filmagens, ajuste de roteiro e conferência de equipamentos e preparo para os protocolos de segurança contra a covid-19. Em relação às autorizações de uso de imagem, elas foram recolhidas através do áudio antes de cada entrevista concedida. 3.18.4 EQUIPE DE PRODUÇÃO Todas as gravações foram realizadas presencialmente e externamente, respeitando os protocolos de segurança. A equipe estava devidamente paramentada com máscaras faciais e mantendo a distância sempre que possível. A produtora estava completa e presente no dia, para desenvolver de seus respectivos cargos e competências, chegamos no local e hora marcada, e durante as filmagens tentamos manter o máximo de proximidade com o planejamento da reunião anterior. 3.18.5 EQUIPAMENTO DE VÍDEO Para as filmagens das entrevistas utilizamos uma câmera semi profissional Canon PowerShot SX520 HS fixa em um tripé Velbon CX 686 para manter a estabilidade, e para os closes e fotos fizemos o uso de outra câmera semi profissional Nikon coolpix l340 e para os ângulos específicos foi usado um estabilizador Estabilizador DJI Osmo 4 com o auxílio de um Iphone X.
8. Equipamento de vídeo
EQUIPAMENTOS Câmera Nikon coolpix l340
QUANTIDADES 1
73
Estabilizador DJI Osmo 4
1
Câmera Velbon CX 686
1
Iphone 11
1
Tripé Velbon CX 686
1
3.18.6 EQUIPAMENTO DE ÁUDIO Para a captação do áudio utilizamos um celular Iphone e um fone de ouvido para fazer a função de um microfone lapela. 9. Equipamento de Áudio
EQUIPAMENTOS
QUANTIDADES
Iphone X
1
Fone de Ouvido
1
3.18.7 DIA DE GRAVAÇÃO As gravações das entrevistas foram realizadas em apenas um único dia (05/09/2021) no qual também conseguimos algumas fotos dos entrevistados e inserts da cidade que seriam utilizados na etapa de edição. Tivemos mais três dias de gravações para capturar alguns inserts extras. 3.18.8 TEMPO DE GRAVAÇÃO O único planejamento era que utilizássemos apenas um dia de gravação para as entrevistas, sem tempo de fala determinado de cada entrevistado. Como conclusão tivemos três entrevistas: uma com 15 min, outra com 8 min e a última com 25 min sem interrupções e respeitando o tempo de fala de cada representado. As gravações tiveram início às 13h e término às 17h30.
74
3.19 ETAPA DE EDIÇÃO 3.19.1 INFRAESTRUTURA PARA EDIÇÃO Para a montagem do projeto a produtora optou por utilizar o Premiere CC do pacote da Adobe 2020, utilizando dos recursos disponibilizados pela universidade o projeto foi montado na ilha de edição da própria faculdade. 3.19.2 MONTAGEM A montagem será feita com influência da estrutura pré definida do projeto apresentado, fazendo utilização do título como principal base para a separação dos blocos, e assuntos abordados sendo: NÓS = Identidade AINDA ESTAMOS = Tempo AQUI = Sobrevivência Com isso pretende - se utilizar fotos e inserts para mostrar de uma forma poética o significado do tema. 3.19.3 EQUIPE A equipe de edição é composta por Érick Luiz e Kamila Barboza, que juntos irão realizar um trabalho de forma presencial na ilha de edição da própria universidade durante 6 dias nos horários das 13h às 17h. 3.20 ETAPA DE FINALIZAÇÃO 3.20.1 PÓS PRODUÇÃO Para finalização será realizada uma reunião com todos da produtora para que a parte escrita seja revisada para que não haja nenhuma surpresa ou contratempo em questão do conteúdo escrito. Quanto a parte visual irá ser apresentada em outra reunião para que todos possam opinar e reavaliar se o conteúdo gravado está de acordo com a proposta inicial, dando opiniões para os editores. A equipe de edição realizará reuniões periódicas para organizar todo o material que será utilizado na edição, para evitar riscos de faltar material que impeça de chegarmos no produto final.
75
3.20.2 LOGO A logo foi pensada para dar destaque ao título do projeto, já que utilizamos ele como base para a narrativa. O rosto com a boca aberta expressa o grito de alguém que está necessitando de ajuda, as palavras fazem menção a uma sociedade que já deixou de reparar ao seu redor fazendo com que as pessoas de vulnerabilidade fiquem esquecidas ao longo do tempo, e o tamanho da fonte simboliza um grito cansaço de uma pessoa que está cansada de pedir ajuda e ser ignorada.
76
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
77
4.1 ÉRICK LUIZ DA SILVA SERRADOR Chega a ser irônico como em meio ao caos realizamos sonhos, esse TCC é um deles, estar realizando-o em meio a uma pandemia e com um psicológico visivelmente abalado é só mais uma prova que eu nasci pro audiovisual. Confesso que está sendo estranho pela primeira vez escrever tudo o que for possível sobre algo e ainda não gravar, não foi assim que os projetos anteriores foram executados, porém, conforme cada detalhe se ajusta ao outro é possível finalmente ver que tem sim como dar certo. O resultado ainda tá meio longe e eu espero estar melhor para dar tudo de si quando for o momento. É um perrengue que sempre vale a pena no fim. Aqui estou eu, meses após as últimas linhas escritas, pensando e pensando, sobre a avalanche de sentimentos envolvendo esse trabalho, mexeu muito confio abordar esse tema, foi um desafio enorme. Quando eu achei que não podia piorar lá estava a edição, foram dias e dias editando e decifrando esse quebra cabeça, as mensagens estavam lá, nós sabíamos o que queríamos mas precisávamos ser ágeis, dessa vez, infelizmente sem um dos nossos maiores companheiros e rei da agilidade, Alexandre Lessa, cito esse nome pois essa saída brusca dele marcou demais e eu jamais havia imaginado esse cenário sem ele, aqui eu deixo todo meu respeito e dedicação por um dos maiores que eu já trabalhei ao longo da universidade.
Eu termino esse TCC e esse curso, com um sinal de dever cumprido, mas um vazio que me preenche por amigos que tiveram que trancar, ou sair bruscamente, mas também sinto um anseio e fome de fazer tudo de novo, pra fazer melhor, nessas horas eu tenho certeza que não foi em vão nada do que aprendi ao longo dos anos.
78
Tudo começou como uma aventura, termina agora como uma aventura e em meio a um corpo docente que eu vou sentir falta também. Eu sou muito apegado e estar como editor e câmera nesse documentário me preencheu demais. Meus últimos agradecimentos são a todas as pessoas que já passaram pelo D'Segunda e também a todos que sobreviveram esse semestre, Kamila, Lizandra, Gabriel, Fenando e Larissa, titãs do audiovisual. Termino esse relatório pensando o que seria de mim sem todos eles ao longo do curso...
79
4.2 FERNANDO RIGONATO Inicialmente, no primeiro semestre de 2021, retornei ao curso, com um único objetivo, que era concluir o curso, fui grandemente acolhido pela produtora D’segunda, que tenho um imenso carinho, todo o processo de criação e realização foi sem muito atrito e com muito respeito aos demais integrantes da produtora, uma das mais equilibradas e bem estruturadas que já passei. Em meio essa loucura da pandemia abordar um tema, que apesar de escancarado, eu nunca tinha me aprofundado na realidade retratada, onde me fez refletir demais em como vivo comigo mesmo e sobre as pressões que imponho sobre a minha vida e onde estou, enquanto posso atualmente e infelizmente por um comportamento e desejo do ser humano, sempre querer mais, ao invés de ser grato pelo que já tem. As gravações se concluem, de forma arrebatadora, com uma grande mensagem em minha mente “é isso que é não ter nada” e não, no sentido material e sim em questões de oportunidades, igualdade e ser visto como ser humano, ter uma vida, sonhos, identidade, é com grande responsabilidade que tratamos tudo isso no doc “nós ainda estamos aqui”
Somente ao pensar em escrever um relatório onde expresso tudo que vivi mesmo nesse semestre na produção do tcc final ou ao lembrar de todo processo de crescimento e vivência que tive nesses 5 anos de curso, é um imenso misto de sentimentos, e lembranças. Confesso que entrei, por impulso em RDTV, por conta da presença, de umas das minhas melhores amigas, Letycia que estaria na mesma classe que eu, e foi quando eu descobri o meu amor e vontade de criar mensagens e se comunicar, independente, de qual formato e meio de comunicação usar, atualmente, ainda trilhando meus passos para descobrir profissionalmente e artisticamente, tenho grande valor e aprendizado a todos desafio lançados e cumpridos por mim, seja individualmente ou em grupo.
Foram várias produtoras, grupos, amizades, professores, e se parar para agradecer a cada um deles, daria uma lista imensa, a gratidão ela está em cada vez que uso aquilo que aprendi, ou que reproduzo algo que obtive através do curso, foram oportunidades, contatos e networks criados, visão ainda pequena, mas atualmente a maior que já tive, e saio ainda sem experiência profissional na área, mas bem claro em minha mente, como e onde quero chegar.
80
Agradeço a Letycia Sena, minha amiga, que sempre me animou e me incentivou a ter coragem, as produtoras Origens e D’segunda, que foram as mais marcantes no meu processo de crescimento no curso.
Gratidão
81
4.3 GABRIEL SOUZA BASILIO Produzir um documentário na pandemia, foi, sem dúvida, um dos maiores desafios que já enfrentei até então. Além de já ter as dificuldades técnicas na produção, a situação da pandemia agrava muito mais todo o desenvolvimento. Finalmente pude assumir uma função de câmera, o que realizei no dia de gravação, assim como atuei no roteiro, fundamentação teórica e a primeira versão da bíblia de produção. A escolha do nosso tema, resgatar a identidade de pessoas em situação de rua, exige sair nas ruas, conhecer pessoas novas, ficar próximos (devido o tema ser intimista) e isso claramente aumenta as chances de uma possível contaminação por COVID. De qualquer maneira, foi um tema muito delicado e tratamos ele com muito respeito, pois não é apenas um tema de TCC — são vidas, pessoas, famílias, e que ainda estão em extrema situação de vulnerabilidade sanitária, social e educacional. Nosso dever como estudantes, e humanos, é ser fiel com a verdade de todos os nossos representados, além de gratidão para quem se dispôs a participar e abrir suas intimidades. Sendo meu último semestre, passei por diversas equipes ao longo do meu período acadêmico e trabalhei com inúmeras pessoas. Deixo aqui meu agradecimento pela produtora D’Segunda ter me acolhido no início do ano. É um time integrado, prático e de uma força incrível. Fico feliz de ter realizado meu TCC ao lado deles. Preciso destacar aqui meus parabéns à Kamila Barboza. Trabalhamos juntos desde o início, e tenho certeza que sem ela, vários dos trabalhos não seriam o que foram no quesito qualidade. Ela sempre se destacou em liderar produtoras, gerenciar tempo, tarefas, estipular metas e prazos e neste projeto ela se superou. Kamila, foi uma honra enorme realizar esse TCC com você, obrigado por todo aprendizado e performance! Queria antes de encerrar, destacar que muitas vezes, me decepcionei com as posições da UNICSUL no quesito de cuidado com seus alunos. Falando do ponto de vista de um aluno no último semestre e que nunca teve irregularidades, o atendimento, contato e irregularidades financeiras por parte da instituição foram um dos meus
82
maiores problemas no último ano. Além disso, é decepcionante saber que a UNICSUL vê inúmeros alunos em diversos polos não poderem pagar a faculdade e precisarem trancar os estudos, mesmo com vontade de estudar, especialmente em um momento grave que vivemos, fazendo “descontos” que pouco auxiliam aqueles que realmente precisam.
83
4.4 KAMILA BARBOZA PINTO Esse semestre começou uma bagunça, a única coisa que eu tinha certeza era que estava em uma produtora, mas infelizmente não deu certo o trabalho em equipe e acabamos optando por cada um seguir seu caminho. Quando entrei na D’Segunda eles já tinham decidido o tema, e o formato do projeto de tcc, concordei com tudo porque se tratava de uma ideia muito boa, então nos organizamos e passamos a colocar no papel o projeto que seria um documentário. O que diferenciou muito esse semestre dos outros, além da correria pra fazer as coisas em pouquíssimo tempo é que em todo esse tempo de faculdade eu nunca trabalhei em uma produtora em que todos os integrantes estivessem igualmente dispostos a realizar o trabalho, todo mundo participa, todo mundo opina e todos executam, independente das dificuldades que estamos passando e a insatisfação com relação alguns adendos da faculdade, decidimos que não vamos desanimar e o projeto vai sair, inclusive o trabalho em equipe do D’Segunda é o ponto forte da produtora esse semestre e graças a ele vamos conseguir entregar um documentário executado da melhor maneira possível no próximo semestre. A reta final deste semestre tem sido um grande desafio pessoal para mim, infelizmente não comecei o semestre com boas notícias, tivemos o desligamento do nosso amigo Alexandre não só da produtora, mas como da faculdade, foi algo que desestruturou um pouco a produtora de início e com isso tivemos um pouco de dificuldade para nos organizarmos novamente.
Enfim o que eu aprendi esse semestre foi que apesar de não ter escolhido a função de diretora sei que agora sou capaz de exercer o cargo, aprendi que a dificuldade faz a pessoa, e que apesar de ter deixado a desejar o trabalho em equipe em alguns momentos sei que deram o que podiam de si, não quero desmerecer o trabalho de ninguém mas não posso deixar de dar os créditos principalmente ao Gabriel e ao Erick que foram extremamente importante nessa reta final e me ajudaram em tudo o que eu necessitei desde horas em reuniões até dar vida às minhas ideias, se hoje temos uma bíblia bem escrita é devido ao Gabriel que tem um talento excepcional para escrever textos técnicos que so ele nao reconhece. Quanto ao Erick
84
que deu literalmente vida a todas as minhas ideias para o design e ainda me ajudou a dirigir a edição do documentário, foram de um companheirismo extremo. Agradeço a todos o esforço e trabalho que tiveram, ao Fernando pelos áudios e fotos que irão salvar o nosso projeto, a Larissa pelo making off e pelos conselhos e subgerências e a Lizandra por ter feito o contato direto com todo mundo que eu dava sugestão para participar do projeto, fora as outras atividades que todos desenvolveram ao longo de 1 ano planejando e executando o documentário.
Infelizmente esse é meu último semestre com a maioria deles e apesar de tentar eu nunca vou conseguir explicar em um relatório a alegria, a loucura, o desafio, o prazer, a dificuldade e principalmente a saudade que eu vou sentir de desenvolver um projeto e trabalhar com essas pessoas, durante esses anos de faculdade a D’segunda foi uma produtora que acolheu vários desgarrados e um deles foi eu, então para finalizar eu expresso todo meu amor por essa produtora em forma de trabalho finalizando seu último projeto acadêmico da melhor maneira possível. O meu imenso obrigado por tudo e a todos os meus amigos da equipe D’Segunda.
85
4.5 LARISSA BRAGA SILVA É com muito amor que escrevo este relato, estou muito feliz de ter chegado até o último semestre, chegar até aqui tem sido muito emocionante e ao mesmo tempo triste, triste porque infelizmente durante o período da pandemia, ficamos muito tempo isolados da faculdade, dos nossos amigos, longe das nossas atividades presenciais e da rotina habitual, tem muitas coisas que eu senti falta e gostaria muito de ter tido a oportunidade de voltar a rotina presencial antes que o curso acaba-se, mas mesmo assim, finalizo essa etapa com muita gratidão, apesar de todo esse episódio difícil serei eternamente grata por todas as experiências, amizades e aprendizados que alcancei até aqui. Participar deste último projeto foi uma experiência incrível, porque esse tema vem tocado meu coração a algum tempo, mesmo com outros temas em mente, esse foi o que mais cresceu o desejo de realizar e com isso surgiu a curiosidade sobre como essas pessoas em situação de vulnerabilidade estão sobrevivendo, realidade que já era muito difícil de ser enfrentada sem Pandemia, fico muito feliz de ver que essa ideia foi abraçada por todos do grupo, tenho muita consideração, carinho e respeito por todos que se empenharam para que esse projeto fosse possível, claro que tivemos muitos desafios, mas tudo foi pensado com muito carinho e conseguimos executar todas as etapas com muito empenho e dedicação, durante todos esses 4 anos de faculdade eu absorvi muitas experiências boas, que contribuíram muito com meu aprendizado até aqui, principalmente com a oportunidade de trabalhar em uma emissora de televisão o SBT a qual tenho muito orgulho de fazer parte, gostaria de agradecer a todos por esse tempo de convivência, ao apoio dos professores, pelos ensinamentos e aprendizados que me fizeram crescer e evoluir profissionalmente, desde o início sempre busquei me desempenhar e chegar até a etapa de final tem sido uma grande realização pra mim.
86
4.6 LIZANDRA TARDIN DE SOUSA Eu pensei em inúmeras coisas ao fazer esse relato, do trabalho exaustivo me consumindo, das noites sem conseguir dormir pensando nas entregas, e no que eu desejo como projeto audiovisual, mas nada se compara a realidade que me cerca. É certo que o TCC é um sonho realizado, é um esforço em conjunto para um bem maior, mas é um desafio individual e isso é o que mais assusta, a gente pensa em como dar formas a um desejo, como desenvolver algo coerente e dentro do contexto solicitado, mas ao mesmo tempo estamos a mais de um ano lidando com uma pandemia que se faz presente das piores formas no Brasil e segue avançando, mas esperamos dias melhores e vacina. Chegamos ao final do TCC e quantos desafios? Quando iniciamos essa jornada, não imaginava o caminho longo a ser percorrido e um projeto que traz orgulho e união, todo mundo diz que é desesperador, cheio de desunião e inúmeros contratempos desenvolver o trabalho que fecha o seu ciclo universitário, não sei se isso se estende a minoria, mas não tivemos isso no D’segunda. É certo que algumas coisas, às vezes não estão totalmente alinhados, mas sempre estivemos na mesma frequência e querendo desenvolver da melhor forma possível, o tema escolhido por si só já diz muito sobre a empatia e o olhar ao próximo. Desenvolver esse projeto me deu um olhar mais próximo, mais realista da população em situação de rua, de como são as coisas, de como são vistos e todo o contexto que estão inseridos. Esse projeto me trouxe muitas coisas, mas a principal foi o trabalho em equipe, me fez recordar que em meio a uma pandemia de uma doença que fez perder familiares, nos juntamos e desenvolvemos um trabalho sobre pessoas que estão mais vulneráveis do que pensávamos, que olhar para o lado é refletir como sociedade. Houveram muitos desafios, muitas mudanças, muitas questões, mas o resultado final é satisfatório. Agradeço ao meu grupo, por todo o apoio e união ao desenvolver esse trabalho. A gente somos incríveis. E agradeço a mim, por vencer e passar por essa de uma forma que não pensei que conseguiria, por levantar a cabeça mesmo nos piores momentos e seguir, por muitas vezes ter duvidado do que eu queria e me sentir diminuída em muitas questões, mas continuar. Aqui estamos em uma batalha contra nós e vamos vencer, passe o
87
que passe. E como diz uma pessoa que eu admiro muito: “El mundo es de las que se atreven.” Então, seguimos
88
4.7 RELATÓRIO DE GRUPO Ninguém jamais se imaginou passando por uma pandemia, onde um vírus devastou famílias e levou embora tanta gente. Produzir um projeto que já se trata de um tema delicado em meio a pandemia foi ainda mais desafiador, pois estamos lidando com a vulnerabilidade das pessoas, com o medo, com o invisível, com a falta de apoio, com a forma de lidar com cada situação. A pandemia nos trouxe um olhar mais profundo sobre questões que desconhecíamos até então, mas também trouxe a insegurança. O quanto era seguro sair para gravar? O quanto poderíamos ser suscetíveis ao vírus? O que esperar lá fora sendo que dentro de casa temos pessoas também vulneráveis? NÓS AINDA ESTAMOS AQUI retrata o olhar da sociedade em meio a invisibilidade — que é visível, mas escolhemos não ver. O “tema” veio de inúmeras reuniões e análise da sociedade que vivemos, e, em seguida, compreender que não é apenas nosso tema de TCC, mas sim a vida, emoções, identidades e sentimentos de pessoas iguais a nós. Nosso dever como estudantes, e humanos, é ser fiel com a verdade de todos os nossos representados, além de gratidão para quem se dispôs a participar e abrir suas intimidades mesmo estando em uma situação de sobrevivência e vulnerabilidade social. A união faz a força. O trabalho em conjunto foi o grande acontecimento do semestre, nos juntamos para desenvolver um tema que a princípio estava relacionado a pandemia, mas que ao decorrer do ano e com orientação e reuniões foi se afunilando até chegarmos a reta final “NÓS AINDA ESTAMOS AQUI” — relatos crus, verdadeiros e expressivos de quem já viveu e vive em situação de rua. O trabalho em si contou com a união de nós como equipe, com o apoio de um e de outro, de um poder e outro não poder, para contatos com pessoas, pesquisas, buscas, noites sem dormir e atingir o nível de qualidade que almejávamos. Uma certeza é que podemos contar uns com os outros, pois tivemos confusões quanto a datas, e uma orientação que muitas vezes deixou a desejar no que diz respeito a mostrar uma direção ao desenvolvimento do nosso projeto.
89
É importante também reconhecer os desafios individuais e habilidades de cada um da produtora. Trabalhar remotamente, organizar reuniões, mediar problemas em casa e ainda sim estar presente no trabalho é uma tarefa difícil. Por isso, deixamos aqui um reconhecimento coletivo do esforço de cada um à sua medida. Além dos desafios da pandemia, tivemos que nos adaptar ao aparato técnico de gravações. Não tivemos suporte por parte da universidade quanto a equipamentos e nós ajudamos no que cada um conseguiu, da câmera de um ao celular de outro, ao empréstimo de alguma coisa. Mesmo com esses percalços, acreditamos na verdade do nosso trabalho e fizemos nosso melhor para retratar essas vozes que ainda são abafadas. Encerramos este TCC com a sensação de trabalho realizado com qualidade e respeito para com os nossos representados.
90
91
5
. REFERÊNCIAS
92
ALESSANDRO, Rafael. Questões Éticas no Documentário. AV Makers, 29 de abril de 2020. Disponível em: <https://www.avmakers.com.br/blog/questoes-eticas-nodocumentario/>. Acesso em: 16 abr. 2021. Consultório na Rua - A rua não é um mundo fora do nosso mundo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=>. Acesso em: 16 abr. 2021.
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA. Guia prático, Brasília, 2018. Disponível em: https://www.justica.gov.br/seus-direitos/classificacao/guia-pratico/classind-guiapratico-de-audiovisual-3o-ed.pdf. Acesso em: 28.04.2021.
COSTA, Ana Paula Motta. População em situação de rua: contextualização e caracterização.
Disponível
em:
https://core.ac.uk/download/pdf/27033248.pdf.
Acesso em: 18 abr. 2021. A abordagem da população em situação de rua no sistema único de saúde: uma realidade que precisa ser mudada. Disponível em: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/28152. Acesso em: 18 abr. 2021.
DOCUMENTÁRIO E SUAS ESPECIFICIDADES. Universidade Estadual de Goiás UEG,
outubro
de
2016.
Disponível
em:
<https://www.anais.ueg.br/index.php/cepe/article/view/8176/5613>. Acesso em: 16 abr. 2021. DE RUA. Disponível em: revistaDireitoUrbanistico/article/view/1321. Acesso em: 17 abr. 2021.
ESCREVENDO O FUTURO. Documentário reflexivo, 2000. Disponível em: Etapa 4 – Documentário reflexivo – Escrevendo o futuro. Acesso em: 01.05.2021. FURTADO,
Jorge.
Fraternidade,
2004.
Disponível
em:
https://www.youtube.com/watch?v=q3kw0Z_rJbw&ab_channel=D30comBR. Acesso em: 01.05.2021. JUSTIÇA
E
SEGURANÇA
PÚBLICA.
Classificação
indicativa.
Disponível
em: https://www.justica.gov.br/seus-direitos/classificacao. Acesso em: 28.04.2021.
93
MELO, Cristina. T. V. de. O documentário como gênero audiovisual. Comunicação & Informação,
Pernambuco,
13
de
maio
de
2013.
Disponível
em:
<https://revistas.ufg.br/ci/article/view/24168>. Acesso em: 16 abr. 2021.
NATALINO, Marco. ESTIMATIVA DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NO BRASIL
(SETEMBRO
DE
2012
A
MARÇO
DE
2020).
Disponível
em:
http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/10074/. Acesso em: 17 abr. 2021.
NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário, tradução Monica Saddy MartinsCampinas, SP: Papirus, 2005. - (Coleção Campo Imagético) Disponível em: <https://drive.google.com/file/d/1HV>. Acesso em: 16 abr. 2021.
NIELSEN e TOLUNA, a TV a cabo é favorita entre entrevistados com mais de 56 anos, enquanto a TV aberta é mais vista por quem tem de 46 a 55. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/streaming-87-dos-brasileiros-veem-videos-efilmes-em-plataformas-semanalmente/. Acesso em : 28 jul. 2021
NONATO E RAIOL, Domingos do Nascimento e Raimundo Wilson. INVISÍVEIS SOCIAIS: A NEGAÇÃO DO DIREITO À CIDADE À POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO PINTO PASSOS, M. C.; HOUZEL, J.-C. Narrativas de ressignificação: o processo dialógico na produção audiovisual com moradores de rua no centro do Rio de Janeiro. REMEA - Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, [S. l.], v. 37, n. 2, p.
411–429,
2020.
DOI:
10.14295/remea.v0i0.11403.
Disponível
em:
https://periodicos.furg.br/remea/article/view/11403. Acesso em: 19 abr. 2021.
O ANUNCIADOR. Pastoral da criança fará parte de comissão para cuidar da classificação
indicativa
da
TV.
2012.
Disponível
https://oanunciador.com/2012/07/12/pastoral-da-crianca-fara-parte-de-comissaopara-cuidar-da-classificacao-indicativa-da-tv/. Acesso em: 28.04.2021
em:
94
OLIVEIRA E MARQUES, Michelle Gusmão e Edmilson Ferreira. O LEITE, João. Quais São Os Tipos De Documentário?. AV Makers, 4 de outubro de 2019. Disponível em: <https://www.avmakers.com.br/blog/quais-sao-os-tipos-de-documentario/>.
Acesso
em: 16 abr. 2021.
RAMOS, Fernão Pessoa. Mas afinal... O que é mesmo documentário? São Paulo, SENAC, 2008. Acesso em: 16 abr. 2021.
SAKAMOTO, Leonardo. Coronavírus: Brasil mostra que é projetado para matar pobre em pandemia. UOL. Disponível em: mostra-que-e-projetado-para-matar-pobre-empandemia.htm. Acesso em: 18 abr. 2021.
SANTOS e GUIMARÃES, Antonio Matheus e Sandra Suely. Pessoas em situação de rua e o fator pandemia:uma realidade marcada pela exceção e pela inimizade. Disponível
em:
https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/32792/26210. Acesso em: 18 abr. 2021. Como estão as pessoas em situação de rua em plena pandemia? Observatório 3º Setor.
Disponível
em:
https://observatorio3setor.org.br/noticias/como-estao-as-
pessoas-em-situacao-de-rua -durante-a-pandemia/. Acesso em: 18 abr. 2021
SEIXAS, Lia. Teorias de jornalismo para gêneros jornalísticos, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/gal/v13n25/v13n25a14.pdf. Acesso em: 01.05.2021. NIELSEN e TOLUNA, a TV a cabo é favorita entre entrevistados com mais de 56 anos, enquanto a TV aberta é mais vista por quem tem de 46 a 55. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/streaming-87-dos-brasileiros-veem-videos-efilmes-em-plataformas-semanalmente/. Acesso em : 28 jul. 2021
95
6. APÊNDICES
96
10. ESPELHO DO ROTEIRO
1 2 3 4 5 6 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
NÓS AINDA ESTAMOS AQUI DOCUMENTÁRIO ABERTURA 00:01/00:29 IMAGENS COM NARRAÇÃO INICIAL 00:30/01:10 APRESENTAÇÃO DE TODOS ENTREVISTADOS 01:11/01:40 BLOCO 1: POR QUE A RUA? 01:41/01:45 ENTREVISTA MISTA COM RESPOSTAS 01:46/03:00 BLOCO 2: COMO É ESTAR NA? 03:01/03:05 ENTREVISTA MISTA COM RESPOSTAS 03:06/06:18 BLOCO 3: PADRE DANDO SEU DEPOIMENTO 06:19/07:30 INSERTS COM IMAGENS DE TRABALHO E NARRAÇÃO 07:31/09:00 BLOCO 4: A VIDA SOCIAL E RELACIONAMENTOS 09:01/09:06 ENTREVISTA MISTA COM RESPOSTAS 09:07/13:00 BLOCO 5: AS DIFICULDADES DA RUA 13:01/13:06 ENTREVISTA MISTA COM RESPOSTAS 13:07/16:20 ENTREVISTA COM ONG 16:21/18:30 BLOCO 6: QUAIS OS SONHOS ATUAIS 18:31/18:36 ENTREVISTA MISTA COM RESPOSTAS 18:37/22:30 IMAGENS COM NARRAÇÃO FINAL 22:31/23:10 FICHA TÉCNICA 23:11/23:30 ENCERAMENTO 23:31
97
ROTEIRO
98
99
100
101
102
103
104
105
106
107
108