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MONOGRAFIA - LETICIA APARECIDA LANZIERI SCUDEIRO

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO

LETICIA APARECIDA LANZIERI SCUDEIRO

Como o jornalismo é representado no mangá One Piece e de que maneira a ficção contribui para a construção do imaginário da profissão

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

São Paulo 2019


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LETICIA APARECIDA LANZIERI SCUDEIRO

Como o jornalismo é representado no mangá One Piece e de que maneira a ficção contribui para a construção do imaginário da profissão

Monografia

apresentada

ao

Curso

de

Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul como requisito para obtenção do título de Bacharel em Jornalismo.

Orientador (a): Profª Dra. Mirian Meliani Nunes

São Paulo 2019


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DEDICATÓRIA

Aos meus pais, aos meus professores, em especial minha orientadora Profª Dra Miriam Meliani Nunes, pelo apoio, paciência e ensinamentos durante esses quatro anos do curso. E minhas amigas, em especial a Simone Nunes de Sousa, pela ajuda e apoio que me deu durante todo o processo deste trabalho.


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Resumo

Esta monografia tem o objetivo de mostrar a forma como o jornalista é representado dentro do mangá One Piece, de Eiichiro Oda, cuja publicação começou em 1997 e permanece até hoje. Busca, ainda, relacionar aspectos da cultura pop japonesa aos mangás, destacando sua influência junto aos leitores. A abordagem destaca, principalmente, a forma como estes entendem a importância e a postura do jornalista na história em questão e sua relação com o imaginário construído em torno da profissão.

Palavras-chave: Mangás; Imaginário; Jornalistas nas HQs; Jornalista nos mangás; Cultura pop.


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Lista de Figuras Figura 1 - Yellow Kid ....................................................................................... 11 Figura 2 - Sequência de Leitura...................................................................... 18 Figura 3 - Modelo de revista ........................................................................... 20 Figura 4 - Formato tankōbon .......................................................................... 21 Figura 5 - Jornalista Super-herói - Superman ................................................. 26 Figura 6 - Lois Lane jornalista investigativa .................................................... 27 Figura 7 - Ben Urich ........................................................................................ 28 Figura 8 - Eddie Brock Jornalista Anti-herói.................................................... 29 Figura 9 - Spider Jerusalem............................................................................ 30 Figura 10 - Mapa de One Piece ...................................................................... 33 Figura 11 - News Coo ..................................................................................... 33 Figura 12 - Disseminação da Notícia .............................................................. 36 Figura 13 - Aparição do Jornalista .................................................................. 37 Figura 14 - Acessórios do Jornalista ............................................................... 37 Figura 15 - Imediatismo da Informação .......................................................... 38 Figura 16 - Notícia Pós-guerra........................................................................ 39 Figura 17 - Informação Escondida .................................................................. 40 Figura 18 - Primeira aparição de “Big News” Morgans ................................... 41 Figura 19 - Imagem do Jornalista .................................................................. 42 Figura 20 - Ambição de Morgans.................................................................... 43 Figura 21 - Riscos na Profissão ...................................................................... 44 Figura 22 - Entrevistas de Fontes ................................................................... 45 Figura 23 - Nova Recompensa ....................................................................... 46 Figura 24 - Redação do JME .......................................................................... 48 Figura 25 - Base da Redação ......................................................................... 49 Figura 26 - A verdade não pode ser escondida .............................................. 50 Figura 27 - Eu sou um Jornalista .................................................................... 51


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Lista de Tabelas Tabela 1 - Tripulação Mugiwara ................................................................... 32 Tabela 2 – Divisão de Poderes .................................................................... 35


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SUMÁRIO INTRODUÇÃO .............................................................................................. 8 1. PRIMEIRO CAPÍTULO............................................................................ 10 1.1. Origem das HQs ............................................................................... 10 1.2. Origem dos Mangás ......................................................................... 14 1.2.1. Características dos mangás ................................................................. 17 1.3. Mangás no Brasil ..................................................................................... 21 2. SEGUNDO CAPÍTULO ........................................................................... 25 2.1. O jornalista nas HQs ......................................................................... 25 2.2. O jornalista no mangá One Piece ..................................................... 31 2.3. Percepção dos fãs ............................................................................ 52 3. TERCEIRO CAPÍTULO ........................................................................... 58 3.1. Conceito do imaginário ..................................................................... 58 3.2. O Imaginário do Jornalista dentro do Mangá One Piece .................. 61 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 65 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 68 APÊNDICE A .................................................................................................. 70 APÊNDICE B .............................................................................................. 71 APÊNDICE C .............................................................................................. 73 APÊNDICE D .............................................................................................. 75 APÊNDICE E .............................................................................................. 78 APÊNDICE F............................................................................................... 80 APÊNDICE G.................................................................................................. 82 APÊNDICE H .............................................................................................. 85 APÊNDICE I ................................................................................................ 87 APÊNDICE J ............................................................................................... 90


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INTRODUÇÃO

A representação do jornalista na cultura pop já é estudada por vários teóricos ao longo do tempo. É fácil lembrar dos papéis heróicos representados por Clark Kent e Lois Lane, da história em quadrinhos do Superman, mas é difícil achar estudos dessa representação dentro dos mangás, quadrinhos japoneses. Os mangás carregam uma história rica em detalhes e através deles é possível conhecer um pouco mais da cultura japonesa e como ela influencia o mundo das histórias em quadrinhos. Ao contrário da maioria das HQs, ou histórias em quadrinhos, elas têm um final definitivo, não são histórias recorrentes, como o Batman, por exemplo, que não possui um fim, e sim várias versões diferentes. Os mangás estão enraizados na cultura ocidental e são cada vez mais visualizados por outras partes do mundo, além do Japão. O jornalista nesse tipo de ficção não é representado como um super-herói ou vilão. Tudo depende do contexto em que se encontra, com o personagem muitas vezes atuando “nas sombras” da narrativa, só transmitindo a notícia, nem sempre de uma forma ética e verídica. Então, uma de nossas perguntas centrais é: os mangás influenciam a forma como enxergamos os jornalistas? Para responder a essa pergunta, a pesquisa tem como objeto de estudo o mangá One Piece, de Eiichiro Oda, cuja publicação começou em 1997 e permanece até hoje. Esse mangá se encaixa na categoria Shounen, nome dado ao tipo de público alvo, nesse caso masculino, com faixa etária de 12 a 18 anos. Para melhor compreensão, esta monografia está dividida em três partes. A primeira parte apresenta os conceitos e o surgimento das HQs, ou seja, dos quadrinhos em geral; as origens dos Mangás, quadrinhos japoneses; além de um início de revisão de literatura. Nossas principais referências são os autores Juremir Machado da Silva e Sonia Bibe Luyten, além de artigos e dissertações. Na segunda, a abordagem passa pela representação do jornalista nas HQs e no mangá de estudo,


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a influência que esse gênero e essa história têm em seus leitores e como eles veem a atuação e a importância do jornalista no desenvolvimento da história. A terceira tem como direcionamento retratar o conceito do imaginário, relacionando esse tipo de teoria ao modo como o jornalismo é apresentado no mangá estudado, influenciando a maneira como a profissão é vista entre os jovens fãs de mangá.


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1. PRIMEIRO CAPÍTULO

1.1. Origem das HQs Além de serem consideradas a primeira forma de registro da comunicação, as pinturas rupestres também são apontadas como a primeira forma de Histórias em Quadrinhos (HQs) que existiu. Hoje, há diversas nomenclaturas para diferentes gêneros de HQs, como charges, gibis, cartoons, webtoons, e diversas outras formas de arte, que usam a imagem para transmitir/contar uma narrativa. Sua linguagem é formada a partir de dois elementos básicos: o desenho e o texto, cuja combinação resulta em uma sequência de quadros, conhecidos também por quadrinhos, que contam uma história, fictícia ou não. (CARLOS,2009, p. 4).

Para a pesquisadora Giovana Santana Carlos (2009, p. 5), o desenho e o texto devem formar uma sequência de vários quadros ou cenas, exigindo uma leitura de codificação e decodificação da mensagem, resultando da relação criador-público.

Quando pensamos em quadrinhos, a primeira imagem que aparece em nossas mentes são os super-heróis, personagens como os Vingadores, Homem de Ferro e Capitão América, porém, antes deles, existiram diversos personagens e histórias que nos inspiraram e são marcos para a evolução dessa arte, que nos influencia e é considerada uma arma poderosa da comunicação.

Os quadrinhos, do jeito que conhecemos hoje, começaram com as empresas jornalísticas estadunidenses, sendo o primeiro o Yellow Kid (Moleque Amarelo), criada por Richard F. Outcault e publicada em 1895 no jornal New York World. Nesse período, segundo a jornalista e pesquisadora de quadrinhos, Sonia Bibe Luyten (1987 p.10), a característica principal foi a comunicação de massa, e pelo enorme público, uma das exigências foi ter uma ótima impressão gráfica e a cor amarela foi justamente para mostrar a primeira impressão de jornais na mesma tonalidade.


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Esse quadrinho foi o primeiro a introduzir os famosos balões de falas, sendo a marca registrada dessa arte, apesar de alguns casos em que as falas eram estampadas na roupa do personagem. Também foi o primeiro que teve sua história impressa no jornal em cores. Figura 1 - Yellow Kid

Primeiro personagem a introduzir os balões de fala ( FONTE: Site Blog Lucas Quadrinhos)1

Nesse período, os quadrinhos tinham um lado mais humorístico, cômico, o que em inglês se caracterizou em comics. Outros exemplos que merecem ser nomeados e que seguiram essa linha de humor foram “Little Nemo” (de Winsor McCay), “Mutt & Jeff” (de Bud Fisher), “Popeye” (de E.C. Segar), e “Krazy Kat” (de Georges Herriman). As HQs, a partir desses trabalhos, começaram a ser “serializadas” no jornal, contendo tramas de mistérios que passam a atrair a atenção do leitor que aguarda a continuação da história. Sua difusão se deu pelos syndicates2 ou agendas

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Disponível em<http://lucasquadrinhosa.blogspot.com/2014/04/qual-primeira-hq-do-mundo.html> Acesso em: 07 de outubro 2019. 2 Os syndicates funcionam com desenhistas contratados para produzir séries de histórias, previamente aprovadas, que devem ser enviadas com grande antecedência para correções e padronizações.


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distribuidoras, que foram responsáveis por difundir centenas de histórias para veículos em todo o mundo.

Marcando a abertura do gênero de “Aventura”, surgem os personagens “Tarzã” (aventura na selva), “Flash Gordon” (aventura de ficção científica) e do “Príncipe Valente” (aventura no passado medieval). Essas histórias e personagens foram os responsáveis pela consolidação dos quadrinhos. Em 1933 as revistinhas de Walt Disney, exclusivamente com histórias em quadrinhos, começam a ser publicadas. No início dos anos 30, na América, aparece um desenho animado que passou depois para revistas de quadrinhos, e ficaram famosíssimos tanto o criador como a criação. Estou falando do Mickey Mouse, o ratinho que deu origem ao império Disney e a inúmeros outros personagens como o Pato Donald, Tio Patinhas, Margarida, Zé Carioca, Minie, João Bafodeonça e assim por diante. (LUYTEN, 1987, p.28).

A história das HQs costuma ser dividida em três períodos3: Era de Ouro, Prata e Bronze. A era de ouro aconteceu entre 1938 e os anos 50 do século XX, definida pela origem do gênero super-heróis, sendo o primeiro personagem desse gênero o Superman, que incentivou a criação de outros como: Batman, Wonder Woman, Capitão Marvel e Capitão América.

Nessa época, devido à Segunda Guerra Mundial, personagens como o Capitão América eram usados como forma de idealização. Foi nesse contexto que surgiu o Comics Code4, código de ética que passou ser adotado pelas editoras das revistas em quadrinhos da época. Essa medida se deve a uma grande pressão que vinham sofrendo da mídia sensacionalista da época junto às igrejas e uma comissão do Senado, que acusavam as HQs de serem as responsáveis pelo surgimento da delinquência juvenil. Esse código fez com que várias editoras acabassem fechando as portas e/ou mudando de ramo, fazendo com que as maiores e mais poderosas editoras eliminassem de vez a concorrência. (SANTONI, 2017, p.18-19).

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Disponível em: <http://hqnautas.blogspot.com/2012/05/origem-e-evolucao-dos-quadrinhos.html> Acesso em: de setembro de 2019. 4 Elaborado pela Comics Magazine Association of America (CMAA) - um órgão criado pelas maiores editoras de quadrinhos dos Estados Unidos.


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Isso não fez as HQs perderem força, e entre 1956 e 1970 surgiu a Era de Prata, período de avanços artísticos e sucesso comercial para as histórias em quadrinhos produzidas nos Estados Unidos, ainda no gênero de super-heróis. Tendo início com a publicação, pela DC Comics, de Showcase volume quatro (ou Showcase #4), que introduziu uma versão modernizada do personagem Flash, que surgiu pela primeira vez em 1940, com o Showcase #1 (Volume um).

Outro ponto importante dessa época foi o nascimento dos quadrinhos underground, uma forma de protesto contra o syndicates , trazendo em suas histórias ironias, sátiras e também pornografias. Os quadrinhos no meio de toda constatação, ficaram livres dos modelos impostos pelos syndicates. O palavrão é dito mesmo, não há censura para as orgias e o desenho é mais livre. Além disso, não há regras para publicações. A reprodução passou a ser permitida sem problemas de direitos autorais. O sistema de vendas e distribuição era feito “de mão em mão” nas portas dos teatros, nos jardins, nos bares, enfim, tudo ao contrário do sistema “certinho”. (LUYTEN, 1987, p.5253).

Esse movimento, apesar de ter começado como protesto, inspirou a criação de vários personagens de super-heróis, como foi o caso do Homem Aranha e Doctor Strange, de Stan Lee.

A era de Bronze aconteceu entre 1969 a 1985, introduzindo as reformulações de grupos de super-heróis, o surgimento de super-heróis das minorias e os anti-heróis, trazendo alusão a temas então banidos, tais como o uso de drogas e a morte de personagens importantes. A Era Moderna é uma nomenclatura informal usada pelos fãs, que caracteriza o período da publicação de quadrinhos norte-americanos da metade da década de 80, até o presente. Durante este período, a caracterização das histórias e personagens, tanto da Marvel quanto da DC, acabou se tornando algo mais sombrio e opressivo, priorizando mais pelo realismo e por cores escuras.

Essa época também foi importante, pois em 1974 surgiu a revista Métal Hurlant, pela editora Os Humanoides Associados, dando um passo para o mercado de


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quadrinhos abrindo espaço para um novo público. Muitos artistas publicaram suas histórias nessa revista. A produção dos anos 80 na América do Norte está voltada para as minisséries, representando uma nova fase das HQ. O formato é de gibi, porém, as histórias são mais bem elaboradas. A capa e o papel interno são de melhor qualidade e existe toda uma reformulação da narrativa com a introdução de novos personagens. (LUYTEN, 1987, p.58).

Esses personagens foram muito importantes para a criação do que conhecemos como quadrinhos hoje em dia, a maioria deles são clássicos, seres que não envelhecem e suas histórias são eternizadas e ganham novas adaptações com o passar do tempo. [...] as HQs ocupam um espaço relevante na cultura de massas ocidental, que refletido por meio das grandes produções hollywoodianas, bem como em jogos, séries televisivas, bonecos para colecionar, enfeites e quase tudo o que for possível comercializar. (SANTONI, 2017, p. 21).

As HQs são uma arte e um meio de comunicação muito importantes, e ainda assim não conseguimos estudar tudo que elas têm para oferecer. Suas histórias carregam críticas e influenciam seus leitores de diversas formas.

Os mangás, nomenclatura usada para definir as HQs com origem japonesa, como veremos a seguir, não seguem o padrão das HQs, pois suas histórias possuem começo, meio e fim, além de enredos muito mais complexos. O personagem “herói”, ao contrário das HQs, não é totalmente bom, ele tem uma ambição maior e, muitas vezes, toma decisões que o colocam como vilão, dependendo de suas atitudes, o que lhes aproxima mais do mundo real.

1.2. Origem dos Mangás Os mangás, diferentemente das HQs, são ricos em detalhes e com personagens com características mais humanas. São vistos por muitos como um meio de fuga para o dia a dia corriqueiro e como uma forma de entretenimento.


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A primeira forma de “quadrinhos” do Japão teve grande influência do povo chinês na arte, além de outros aspectos, como religião e economia. Na época em que o Japão se consolidou como nação, foi o “impulso” para o surgimento dos Ê-kimono5, sendo o conjunto mais famoso chamado Chojugiga, feito por Kakuyu Toba. Chojugiga é um clássico famoso da arte cômica japonesa e tem seu reconhecimento na história mundial da arte em função do humor satírico aliado a técnica apurada de captação de formas. Nele, sapos, macacos, coelhos e raposas são humoristicamente antropomorfizados, satirizando as condições da época. (LUYTEN, 2000, p.92).

Esse estilo, trazido da arte chinesa de contar histórias com narrativa de imagens, possibilitou o surgimento de vários contos com representações de animais. Outro ponto da história da origem dos mangás, termo que nessa época foi o ukiyo-ê, arte originada no período Edo (1660-1867), época que o Japão desenvolveu uma cultura única comparada aos países ocidentais. Ao tratar dessa fase histórica, interessou-nos o fato de vigorar no Japão uma política de isolamento cultural e comercial, que fez com que o país desenvolvesse uma cultura muito particular e com características bem diferentes em relação aos países ocidentais (BORGES, 2016, p. 16).

Os ukiyo-ê foram gravuras feitas em madeira que segundo Luyten (2000, p. 98), pesquisadora da cultura oriental e mangás, retratavam o cotidiano, eram cheios de vida, divertidas, muito próximas das histórias em quadrinhos. Patrícia Maria Borges, também pesquisadora da cultura japonesa, acrescenta que foi uma das artes incorporadas nos mangás que conhecemos hoje. Com os ukiyo-ê entendemos que os orientais não concebem a configuração do espaço na pintura a partir da imitação da realidade, e dentro de um campo pictórico o que lhes interessa é a capacidade de criar relações espaciais, ou seja, a habilidade de construir relações espaciais de forma criativa. Capacidade criativa está que anos mais tarde foi incorporada pela linguagem dos mangás e resultou num extenso mercado de publicações de histórias em quadrinhos, dos mais variados gêneros e temáticas. (BORGES,2016, p.16).

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Desenhos pintados sobre um grande rolo que contavam uma história cujos temas iam aparecendo gradativamente à medida que ia sendo desenrolado.


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A partir do ano de 1853, o Japão começou a deixar o seu isolamento abrindo as portas para novas descobertas, como as inovações vindas do estrangeiro, tanto para aspectos econômicos, administrativos, quanto para as formas de arte. A próxima grande influência que os japoneses tiveram que impulsionou os quadrinhos, foram os cartuns em molde europeu introduzidos por Charles Wirgman (1835-1891), inglês, e George Bigot (1860-1927), francês, com a revista de humor Japan Punch que teve versão traduzida para o japonês. Esse foi um momento importante na evolução histórica dos mangás, quando houve a fusão de uma longa tradição com a inovação, desaguando no nascimento das histórias em quadrinhos como veículo de comunicação. (LUYTEN,2000, p.102)

O “artista” Rakuten Kizawa (1876-1955), influenciado pela revista Japan Punch, em 1902, criou a primeira história em quadrinhos serializada com personagens regulares, sendo o primeiro a utilizar o termo mangá na junção de dois kanjis6: Man (humor) e gá (imagem ou desenho) para designar as histórias em quadrinhos de origem japonesa.

A partir dessas revistas, os quadrinhos, um pouco antes da Segunda Guerra, estavam sendo direcionados para os adultos e as crianças, com um cunho mais jornalístico. Foi a partir desse ponto que muitos heróis dos quadrinhos nasceram, e os japoneses começaram a desenvolver seu próprio estilo de contar histórias, fazendo os quadrinhos com estilos americanos e europeus serem vistos como ultrapassados pelos leitores (LUYTEN, 2000, p. 112).

Nesse momento, surgiram os prelúdios do que seria um quadrinho de ficção científica, porém foi após a Segunda Guerra Mundial, que os mangás sofreram uma reviravolta para se aproximar do que conhecemos hoje, através do artista Fukujiro Yokoi 7 . Foi um de seus personagens que inspirou Tezuka Osamu (1928 - 1989), considerado por muitos como o “Deus dos quadrinhos”.

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Sistema de alfabeto japonês inspirado nos caracteres chineses. Artista que lançou bases para o quadrinho de longa duração, e gêneros de romance e ficção científica.


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Tezuka é um dos mais famosos mangakas8, o pai do quadrinho moderno. Foi o responsável pela criação de personagens como “Astro Boy”, criado com inspiração em desenhos da Disney, e a série “A princesa e o Cavaleiro”, considerado o pioneiro em quadrinhos o primeiro de gênero específico, o Shoujo mangá (quadrinhos para as meninas).

Ele foi responsável também pela dinâmica de contar histórias, seu “trabalho é fundamental para se perceber a evolução da dinâmica da montagem dos quadros através do emprego dos recursos cinematográficos” (BORGES, 2016, p.29). Com esse novo método, o leitor faz ligações entre as imagens, como se estivesse projetando o movimento e tirando suas próprias conclusões seguindo um caminho de raciocínio.

“Foi a partir de 1950, que histórias em quadrinhos, depois do sucesso de Tezuka, passaram a ser consideradas um meio acessível para os artistas” (LUYTEN, 2000, p.133), e novos artistas começaram a surgir. Com essa nova demanda, a estrutura editorial passou por uma mudança: ao invés de serem lançadas mensalmente, como eram inicialmente, foram passando a ser quinzenais ou semanais (LUYTEN, 2000, p.136). 1.2.1. Características dos mangás Como vimos acima, os mangás carregam uma bagagem histórica que vai desde desenhos de caricaturas e as ilustrações, até o que conhecemos hoje, uma história contada por sequências de imagens. Eles seguem o costume oriental de leitura, da direita para a esquerda.

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Palavra que utilizada para um cartunista e quadrinista no Japão.


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Figura 2 - Sequência de Leitura

Os mangás seguem o modo de leitura oriental, da direita para a esquerda. (FONTE: site JBC Mangás)9

Ao contrário da maioria das HQs, os mangás têm um final definitivo, não são histórias recorrentes, como o Batman, por exemplo, que não possui um fim, e sim várias versões diferentes. O que mais atrai os leitores são o tipo físico das personagens, a ação, o direcionamento do enredo para as faixas etárias e sexo do leitor/espectador, o caráter humano de seus heróis ocidentais que são eternos, as histórias têm começo, meio e fim. (LUYTEN, 2008. p. 9).

Os mangás são divididos por gêneros de acordo com o público leitor 10 . O Shounen ou Shonen é o gênero com foco no público masculino infanto-juvenil com idade entre 10 e 17 anos, suas histórias sempre enfatizam os valores de amizade, companheirismo e superação de desafios, marcado pelas lutas entre os personagens.

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Disponível em:<https://mangasjbc.com.br/como-ler/>Acesso em: 17 de setembro 2019. Disponível em:<https://www.blahzinga.com/do-manga-ao-anime-os-principais-generos-de-mangas /> Acesso em: 11 de setembro 2019. 10


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Seguindo para um público mais adulto, temos o Seinen, para o público masculino a partir dos 18 anos. Ao contrário do Shounen, suas tramas são mais orquestradas e sombrias, com traços às vezes realistas, possuindo cenas fortes como decapitação, muito sangue, palavras de baixo calão e cenas de sexo.

Para o público feminino o Shoujo ou Shojo é voltado para meninas entre 10 a 17 anos, com tramas, em sua maioria, de romance, focadas nos sentimentos adolescentes. E para o público maior de 18, temos o Josei, romances mais complexos com cenas sensuais.

O Kodomo, voltado para o público infantil educacional, tem suas tramas bem simples abordando questões éticas. Esses são os principais gêneros de mangás existentes, porém ainda há outros que não foram nomeados aqui. Vale ressaltar que apesar dessa divisão, nada impede que o público masculino adulto leia Shoujo ou Kodomo, e os gêneros podem estar entrelaçados na história. Um mangá de terror, por exemplo, pode ter elementos de romance.

Os mangás são vendidos em revistas periódicas voltadas para o público ou temas específicos, os mangás Shounen, por exemplo, é formato revista masculina, então além de quadrinhos nesse tema, você verá produtos voltados para esse público, como action figures11 etc.

Segundo o site Jbox12, cada revista tem sua periodicidade (mensal, semanal, semestral, etc.), estilo, preço e encadernação, mas normalmente são do tamanho de uma lista telefônica com muitas páginas. O papel usado é mais barato, do tipo jornal, a impressão é pobre e fraca, muitas possuem o conteúdo separado por cores (o capítulo vem todo de um tom azul, vermelho, verde, etc.) – embora existam algumas

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Um action-figure (figura de ação) é uma figura plástica de um personagem que pode mudar de posição, ou seja, pode mudar sua posição de ação. 12 Disponível em <https://www.jbox.com.br/2011/02/06/manga-guia-de-formatos/> Acesso em: 25 de outubro 2019.


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revistas mais sofisticadas e com melhor material, é algo raro. Essas publicações trazem capítulos de diversas séries, especiais, entrevistas, etc. Figura 3 - Modelo de revista

Revista Weekly Shounen Jump (FONTE: site Fandom)13

Se a obra fizer sucesso e tiver vários capítulos, elas são impressas e encadernadas em preto e branco, no formato de um livro: com capa (colorida), contracapa, orelhas, etc., em alguns casos, são impressas páginas especiais (com quadros da história colorida).

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Disponível em <https://yugioh.fandom.com/wiki/Shonen_Jump> Acesso em: 07 de outubro 2019.


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Figura 4 - Formato tankōbon

Primeiro volume de One Piece (Fonte site imgur)14

Elas também são divididas por volumes (cada volume possui uma quantidade variada de capítulos). A quantidade de páginas varia de acordo com a história. A nomenclatura para esse formato é tankōbon. Na figura 4, vemos exemplo desse formato adotado para One Piece.

1.3. Mangás no Brasil Os mangás estão cada vez mais populares no Brasil. Apesar de não haver dados consolidados específicos, através de uma pesquisa realizada pelo blog Biblioteca Brasileira de Mangás, em 2016, com o objetivo de mostrar o mercado de quadrinhos no ocidente, observamos que o Brasil fica em sexto lugar com 33 volumes publicados por mês. A França aparece em primeiro, com 160 volumes/mês, Itália em segundo com 107 volumes/mês e os EUA com 75 volumes/mês15.

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Disponível em < https://imgur.com/r/onepiece/lb7ml> Acesso em: 14 de outubro 2019. Disponível em:<https://blogbbm.com/2017/03/20/curiosidades-quais-os-maiores-e-menoresmercados-de-m angas/>. Acesso em: 18 outubro 2019 15


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Carlos (2009 p. 08) mostrou, em seu artigo, o consumo dos mangás no Japão através de uma pesquisa feita em 2002, pelo instituto de Pesquisa de Publicações do Japão, mostrando que 38,1% do que foi publicado no país correspondia a mangás. No caso das revistas, foram 281 títulos diferentes no mercado. Destas, 37,7% eram revistas masculinas; 38,4% eram de revistas para meninos; 8,8%, para meninas e 6,7%, para as mulheres, sendo que um sexto da receita industrial de revistas japonesas, 250 bilhões de ienes (cerca de três bilhões de dólares) vêm das revistas e mangás. Com essa pesquisa podemos observar que o consumo de mangás no Japão é muito importante para a economia do país, e isso não acontece apenas lá. A cultura de ler quadrinhos no estilo japonês já se expandiu para outros lugares, como é o caso do Brasil. Em setembro de 2007 foi possível encontrar 105 títulos de Mangás à venda nos sites das editoras: Conrad, JBC, Panini e NewPOP. Em março de 2009 esse número pulou para 135, ou seja, em 19 meses 30 novos títulos surgiram no mercado. Do total, 53 estão em andamento em edições mensais, quinzenais, bimestrais e quadrimestrais. Dos 82 títulos restantes, 20 correspondem a volumes únicos e, os outros, a séries que já chegaram ao fim, mas continuam venda. A média de prêmio das revistas varia de R$ 5,90 a R$ 12,90, no caso dos livros, o mais caro é de R$ 35,00 (CARLOS, 2009, p. 10).

Os mangás chegaram no Brasil nos anos 80 e 90, com suas próprias características. Essa cultura se popularizou com a chegada dos animes16 Pokêmon e Dragon Ball Z, que viraram mania na TV aberta. As principais editoras brasileiras são JBC (Japan Brazil Communication), Panini, Conrad e NewPOP, todas localizadas na cidade de São Paulo.

No Japão o termo otaku é designado para representar as pessoas que são obcecadas por algum assunto ou produto como carro, trem, mangás, entre outras coisas, sendo uma representação negativa, pessoas que se isolam da sociedade para dar continuidade aos seus hobbies ou vícios, porém no Brasil esse termo passou a ser reconhecido apenas como uma forma de designar o fã, a pessoa que consome e

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Desenho animado de origem japonesa, normalmente baseado nos mangás.


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coleciona animes, mangás, action figures e outros produtos da cultura japonesa. Há ainda algumas, que possuem um conhecimento da denominação original e seguem o costume japonês e costumam se isolar com o seu hobby, porém esse tipo é mais raro no Brasil. No Brasil, esses fãs, em sua maioria, gostam de conversar com seus pares sobre animês e ou mangás, jogarem jogos eletrônicos referentes a essa temática, ouvir músicas japonesas e comprar objetos e ou roupas com tal temática. Alguns ainda se dedicam a aprender pelo menos um pouco de japonês. (SANTONI, 2017 p. 42).

No Brasil existem eventos destinados a esse público, como por exemplo, o Anime Friends, que ocorre anualmente desde 2003 na cidade de São Paulo, e que conta com um público de aproximadamente 120 mil pessoas de toda a América Latina.

Nesses eventos acontecem palestras e apresentações de dubladores nacionais e internacionais, além de atrações como salas especiais e bancas de venda para colecionadores de mangás, animes, action figures e outros produtos voltados para essa cultura, como roupas e acessórios para os fãs que fazem cosplay, por hobby ou por profissão, já que são promovidos concursos. Eles ainda contam com apresentações de música japonesa ou de aberturas de animês. Os encontros dão liberdade para os otakus se sentirem acolhidos, afinal é um ambiente em que você vê pessoas que consomem e gostam da mesma narrativa, é um ambiente para estabelecer novas amizades, se divertir e ter novas experiências.

Santoni (2017) apresentou em seu trabalho uma entrevista realizada em uma escola do Ensino Médio a respeito do consumo dos jovens sobre os mangás. Com base em suas entrevistas, percebe-se que muitas vezes o jovem se interessa por mangás por influência do animê, que passa na televisão, como Dragon Ball e Naruto por exemplo. [...] percebi que os animês e mangás atuam como elementos das identidades desses jovens, pois influem em seus modos de pensar, de agir, de produção e de interação social, sendo essas mídias importantes em suas vidas, de diferentes formas, especialmente no que se refere aos aspectos afetivos, como as amizades.[...] (SANTONI, 2017, p. 111).


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Os mangás não influenciam apenas os jovens. No Brasil, os mangás foram trazidos pelos imigrantes japoneses, como uma forma de manter contato com a pátria (CARLOS, 2011, p. 81). Eles são consumidos pelo público de diversas idades, influenciando no modo de agir, pensar e enxergar o mundo, e apesar dos mangás serem vendidos em bancas, como vimos anteriormente por volumes, muitos são consumidos pela internet, através da prática de Scanlation, que segundo Carlos (2011, p.90) é a digitalização de um material impresso estrangeiro, geralmente quadrinhos, uma prática feita de fã para fã.

Com uma vasta gama de oferta em diferentes gêneros e temas, devido a sua alta segmentação, a indústria de mangá no Japão dá muitas opções para o mercado exterior. A partir de um leque tão abrangente de opções, dificilmente outras editoras irão igualar-se em quantidade de títulos. Nesse sentido, o scanlator pode ser quem traz para seu país o título não contemplado pelas editoras de forma oficial. (CARLOS, 2011, p..91)

O scanlation acaba tendo uma maior variedade de mangás do que as editoras providenciam. Existem várias polêmicas nessa prática, mas essa não é a questão, e sim sua importância para que essa cultura de ler mangás seja mais presente no público leitor brasileiro. Os personagens nipônicos apresentam situações cotidianas, seus problemas e obstáculos a superar são muitas vezes próximos da realidade do leitor. Em algumas histórias o cenário é extremamente parecido com o real, isto é, a trama acontece em espaços como a cidade, no trabalho, no colégio ou faculdade. Mesmo em mundos irreais é possível relacioná-los com a realidade. (CARLOS, 2011, p.76)

As histórias dos mangás trazem temas de reflexão, com características da realidade, como preconceito, hierarquia, injustiça, direitos humanos, e a própria postura do jornalista como veremos à frente.


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2. SEGUNDO CAPÍTULO

2.1. O jornalista nas HQs Para entender a representação do jornalista nos mangás, primeiro é necessário ver como ele é representado nas HQs. Segundo o pesquisador Alexandro Carlos de Borges Souza (2013 p.36), “as HQs cultivaram uma tradição de representar os jornalistas em suas páginas, ajudando a fixar a mitologia que envolve a profissão”. A representação do jornalista nas histórias em quadrinhos está intimamente ligada à figura do super-herói, sendo emblemático o fato de o principal personagem e fundador do gênero, o Superman, ser um repórter em sua vida ‘mundana’. Ainda que essa escolha tenha surgido por uma questão meramente de conveniência para seus criadores – afinal, como repórter, o herói poderia estar sempre informado sobre acontecimentos graves que necessitassem de sua intervenção -, sua pertinência não pode ser subestimada. (SOUZA, 2013, p.38).

Segundo o blog Diário de Pernambuco17, “o jornalista tem um pouco de superherói”. A era de ouro das HQs foi o auge para super-heróis, e essa personalidade do jornalista caçador de notícias e ao mesmo tempo um mascarado capaz de propagar a justiça foi o modelo mais adotado pelos criadores de histórias em quadrinhos.

Quando pensamos no jornalista nos quadrinhos, nossa primeira imagem é o Superman. Criado pela dupla Jerry Siegel e Joe Schuster, sua primeira aparição foi na revista Action Comics volume um (#1) em 1938. De fato, esse foi o primeiro personagem que trouxe uma ideia da profissão mostrando o interior de uma redação, o Planeta Diário, e outras figuras de repórteres como Lois Lane, Jimmy Olsen, e Perry White.

Clark Kent é formado em jornalismo e trabalha como repórter para o Planeta Diário, ele vê seu trabalho como uma extensão de suas responsabilidades de Superman, trazendo a verdade dos fatos à tona e lutando pela população. Ele é a melhor definição do Jornalista Herói.

17

Disponível em <http://blogs.diariodepernambuco.com.br/diretodaredacao/2016/05/20/os-nossosherois-em-quadrinhos/> Acesso em 20 de outubro 2019


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Figura 5 - Jornalista Super-herói - Superman

Fonte: site Central HQs18 O Superman encarna praticamente todos os mitos relacionados à profissão jornalística, como a defesa da democracia, o combate à opressão, a busca pela verdade e a disposição para enfrentar os maiores sacrifícios no cumprimento de seu dever. E, a partir dele, vários personagens seguiram a mesma fórmula. (SOUZA, 2013 p.39)

Vale destacar que Lois Lane é a jornalista investigativa mais famosa dos quadrinhos, filha do general das Forças Armadas dos EUA Sam Lane. Ela já foi vencedora do prêmio Pulitzer. Uma personagem forte, que vai atrás de suas matérias, mesmo que coloque sua vida em jogo.

18

Disponível em <https://centralhqs.com/index.php/2016/10/27/a-verdadeira-mascara-do-heroiidentidade-revela da/> Acesso em 20 de outubro 2019


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Figura 6 - Lois Lane jornalista investigativa

Fonte: site O Vício19

Há diversos personagens nos quadrinhos que representam o jornalista herói, passando a imagem de o jornalista ser invencível, alguém que persegue a notícia arriscando a sua vida, vivendo aventuras emocionantes e vencendo o crime e os vilões. Outro exemplo é o personagem Ben Urich, do quadrinho Demolidor, de Stan Lee, publicado pela Marvel Comics em 1964. A partir dos anos 80, nas histórias criadas por Frank Miller para o Demolidor, a presença de Ben Urich problematizou a representação do jornalista nos quadrinhos, ao envolvê-lo em problemas de ordem ética e legal no exercício da profissão que até então eram apenas implícitos ou secundários. (SOUZA, 2013 p. 39).

Ben Urich é um dos jornalistas mais famosos do Universo Marvel. Ele foi capaz de descobrir a identidade do Demolidor, e fazer um artigo a respeito, mas a pedido do mesmo não o fez, decidindo manter segredo. Seu principal objetivo como jornalista é desmascarar os vilões e mostrar a corrupção que existe na cidade.

19

Disponível em <https://ovicio.com.br/top-5-jornalistas-das-historias-em-quadrinhos/> Acesso em 20 de outubro 2019


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Figura 7 - Ben Urich

Fonte: site O Vício 20

Ben Urich também possui uma grande ligação com o Homem-Aranha e Peter Parker, trabalhando com eles em alguns casos. Peter Parker é um fotojornalista, que cobre as ações heroicas de sua vida como Homem Aranha. Mas em sua história vale destacar o personagem Eddie Brock, que também exerce a profissão de jornalista, porém não de uma forma ética.

Eddie Brock foi um jornalista antiético. Em sua história, ele fez uma matéria para o jornal expondo um assassino em série, para ter fama e reconhecimento, porém essa matéria acabou se revelando como falsa, quando o verdadeiro criminoso foi preso pelo Homem Aranha. Ao ser desmascarado, tentou cometer suicídio e acabou encontrando o simbionte alienígena tornando- se o vilão/anti-herói Venon.

20

Disponível em <https://ovicio.com.br/top-5-jornalistas-das-historias-em-quadrinhos/> Acesso em 20 de outubro 2019


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Figura 8 - Eddie Brock Jornalista Anti-herói

Primeira Transformação em Venon. Fonte: Blog Planeta Herói 21

Como vimos, nem todos os jornalistas nos quadrinhos são considerados heróis. Outro exemplo de jornalista anti-herói é o Spider Jerusalem, do quadrinho Transmetropolitan, escrita por Warren Ellis, com a arte de Darick Robertson e publicada pela DC Comics em sessenta edições, entre 1997 e 2002. O diferencial de Transmetropolitan está no fato de o jornalismo não ser apenas um disfarce para seu protagonista. Spider Jerusalem é um jornalista full time sem superpoderes e as histórias da série giravam em torno de suas andanças pela cidade em busca de material para suas reportagens. (SOUZA, 2013 p. 40)

Spider Jerusalem, protagonista da série, é um repórter com má reputação, cínico, movido pelo ódio, tendo como objetivo investigar e mostrar o lado sombrio da cidade, como corrupção na política, presidentes, assassinatos, etc. Suas investigações e materiais revelam o pior da humanidade.

21

Disponível em <http://planetaherois.blogspot.com/2014/12/anti-venom-eddie-brock.html> Acesso em 20 de outubro 2019


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Figura 9 - Spider Jerusalem

Fonte: site O Vício 22

Com isso, podemos concluir que o jornalista nas HQs é representado por extremos, ora como um herói, um personagem extremamente forte que vive aventuras para combater o mal, ora como vilão, um profissional que usa a notícia de forma antiética para os próprios interesses. Muito próximo do que os estudiosos de narrativas classificam como “estereótipos” na criação de personagens. A sétima arte continua precisando de heróis para contar suas histórias e atrair o público e o jornalista ocupou com intensidade este papel. Esta construção do herói está muito ligada à relação do jornalista com a profissão. Herói é também aquele que esquece de si, das suas necessidades pessoais, de seus problemas particulares em função de uma causa maior, nobre. (TRAVANCAS, 2001, p. 11).

Apesar do cinema ter colocando o jornalista para tomar decisões importantes que o fazem refletir sobre sua própria postura, assim como apontou Isabel Travancas, pesquisadora do jornalista no cinema, a imagem de herói do jornalista ainda é a mais utilizada.

22

Disponível em <https://ovicio.com.br/top-5-jornalistas-das-historias-em-quadrinhos/> Acesso em 20 de outubro 2019


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A partir dessa constatação, esta monografia passa, agora, à tarefa de tentar identificar a representatividade do jornalista especificamente nos mangás. Para isso, foi escolhido o mangá One Piece, como veremos a seguir.

2.2. O jornalista no mangá One Piece Criado por Eiichiro Oda em junho de 1997, o mangá One Piece, gênero Shounen, de acordo com os sites Suki Desu e Varievo23, está em primeiro lugar no ranking de mangás mais vendidos da editora Shounen Jump. Ele é publicado no Brasil pela editora Panini. A história já se aproxima de 1000 capítulos publicados.

A narrativa começa com uma declaração do personagem Gold D. Roger, conhecido como Rei dos Piratas, em sua execução, incentivando pessoas do mundo inteiro a embarcar nos mares para conquistar seus maiores tesouros, que ficaram conhecidos como One Piece. Esta foi a abertura para a Era dos Piratas. A história se passa 22 anos após esse ocorrido, acompanhando a aventura de Monkey D. Luffy em busca do tesouro com seus companheiros de navio. Juntos, eles são conhecidos como “os piratas do mugiwara” (Piratas do Chapéu de Palha). Em busca de seus objetivos, esses personagens enfrentam vários perigos, dilemas e situações diversas. Na tabela abaixo, vemos a relação dos personagens principais.

Disponível em <http://varievo.com/curiosidades/os-20-mangas-mais-vendidos-na-historiada-shonen-jump>. Acesso em: 17 abril 2019. 23


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Tabela 1 - Tripulação Mugiwara MEMBROS

FUNÇÃO

OBJETIVO

OBSERVAÇÕES

Monkey D.Luffy

Capitão

Ser o Rei dos Piratas.

Desejo mais cobiçado da maioria dos que passam pela História.

Roronoa Zoro

Espadachi m

Nami

Navegadora

Ser o Melhor espadachim do Mundo. Desenhar o Mapa Mundi.

Usopp

Atirador

Ser um aventureiro

Quer contar suas aventuras para sua amiga na cidade Natal

Frank

Carpinteiro

Deseja que seu navio navegue pelo mundo.

É muito difícil um navio ser resistente o suficiente para encarar o mar do Novo Mundo

Nico Robin

Arqueóloga

Encontrar o Rio Ponegriph.

Rio Ponegriph é o lugar que conta todas as Histórias e a origem do Mundo

Tony Tony Chopper

Médico

Aprender mais sobre medicina e a cura de pessoas.

Ambição de Curar todas as Doenças

Músico

Viajar com o pessoal e reencontrar a baleia Laboon

Laboon é uma baleia que o acompanhou em seus primórdios de aventuras cuja última vez que a viu foi a 50 anos atrás quando seus companheiros morreram.

Cozinheiro

Encontrar o All Blue

O All Blue é uma lenda, um lugar no mar onde Todos os tipos de Peixes e seres marítimos se encontrar, um paraíso para cozinheiros.

Brock

Sanji

Objetivo que teve desde Criança

Ninguém nunca conseguiu ainda

Relação das funções e objetivos dos personagens na história. Fonte: autoria própria.

O mapa do mundo de One Piece, se explicado de forma simples, se divide em duas partes: a primeira em North, West, East e South Blue; a segunda é o Novo Mundo; e entre essas duas está a Grand Line.


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Figura 10 - Mapa de One Piece

Na narrativa, não existe um mapa mundi do mundo de One Piece, este é o que mais se aproxima. Fonte: Pinterest24

Nesses oceanos, existem diversas ilhas e o único veículo de comunicação é o jornal que é entregue pelos News Coo - gaivotas que, com um chapéu de identificação, carregam sacos sobre seus ombros, assim como um papelão e uma pequena bolsa que penduram no pescoço para coletar dinheiro de qualquer pessoa que compre o jornal. Figura 11 - News Coo

Fonte rede social ワンピース NEWS COO Twitter25

24

Disponível em<https://www.pinterest.co.uk/pin/744219907148471848/> Acesso em 18 de outubro 2019. 25 Disponível em<https://twitter.com/onepiece_nc> Acesso em 08 de outubro 2019.


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Eles são responsáveis por entregar o Jornal Econômico Mundial (JEM), juntamente com os cartazes de recompensa. Seu dono é o “Big News” Morgans, intitulado imperador do submundo. Seus repórteres, apesar de não serem mostrados na história, são bastante habilidosos, capazes de coletar informações sobre indivíduos notórios e localizar aqueles que estão conectados a eles para entrevistas dentro de um prazo relativamente curto.

O jornalista, apesar de não ser um personagem fixo e recorrente na história com exceção do dono do Jornal, Morgans, que ganhou um destaque maior, é fundamental para o desenvolvimento de várias situações da narrativa. Para entender melhor, foram escolhidos três momentos da história para avaliação. O primeiro, mostrando a importância desse veículo, o segundo, a imagem do jornalista e o terceiro, a conduta e suas atitudes.

2.1.1. Primeira situação A série é dividida por sagas, sendo que cada uma se divide em arcos. A primeira situação que iremos apresentar sobre o jornalista na história mostra a importância desse veículo de comunicação para a construção da narrativa e da vida dos personagens. A saga apresentada é a “Guerra de Marineford”, contando com os arcos: Arquipélago de Sabaody; Amazon Lily; Impel Down; Marineford; e Pós Marineford. Situados do volume 50 a 61, capítulo 490 a 597.


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Tabela 2 – Divisão de Poderes

PODERES

MEMBROS

IMPORTÂNCIA OBSERVAÇÕES

Hierarquia: Almirante de Frota, Almirante, ViceAlmirante.

Esses poderes são controlados pelos Gorosei, e têm como objetivo a justiça absoluta. O Governo Mundial é um dos 3 poderes que governam o mundo.

Shichibukais

Eram sete poderosos e notórios piratas que se aliaram ao Governo Mundial.

O nome significa literalmente "Sete Lordes do Mar da Realeza", atualmente esse poder deixou de existir. Um dos 3 poderes que governam o mundo.

Yonkou

São os quatro capitães piratas mais notórios e mais poderosos do mundo.

Após os eventos do Arco Ilha Whole Cake, o Jornal Econômico Mundial se referiu a Monkey D. Luffy como "o Quinto Imperador". Um dos 3 poderes que governam o mundo.

São os descendentes diretos de dezenove dos Vinte Reinos que estabeleceram o que é agora conhecido como o Governo Mundial.

Eles são considerados divindades, e têm influência e controle sobre o governo mundial. Não se pode ir contra eles.

Quartel General da Marinha (Governo Mundial)

Tenryūbito ou Dragões Celestiais

Tabela autoral, mostrando os poderes que governam o mundo de One Piece.

O enredo desta saga se refere a uma guerra que aconteceu entre as duas das três forças que governam o mundo, a Marinha e os Yonkous, representados na tabela acima. Essa guerra se deu devido à apreensão do pirata Portgas D. Ace, subordinados do Yonkou Barba Branca, pela marinha e sua sentença de execução pública. Na imagem abaixo, podemos observar que o jornal foi a principal fonte de informação usada para disseminar a notícia.


36

Figura 12 - Disseminação da Notícia

Capítulo 501, página 19 (Fonte: Site One Piece Ex) 26

O jornal foi a forma utilizada para fazer com que todos soubessem dos acontecimentos que desencadearam o começo da guerra. Nessas notícias, além da informação da execução, foram noticiados o horário, lugar e dia da execução para que todos pudessem acompanhar esse acontecimento. Em uma das ilhas perto do Quartel General da Marinha, lugar onde aconteceria a execução pública, foram instalados os Den Den Mushi Visuais 27 , para que as pessoas pudessem assistir, incluindo os jornalistas (Figura 13).

26

Disponível em<https://onepieceex.net/mangas/leitor/501/#19> Acesso em 16 de outubro 2019. Den Den Mushi é uma espécie de caramujo que se comunica telepaticamente por meio de ondas de rádio, utilizados como telefone, máquina fotográfica ou nesse caso como uma Câmera. Disponível em <https://onepiece.fandom.com/pt/wiki/Den_Den_Mushi> Acesso em 16 de outubro de 2019. 27


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Figura 13 - Aparição do Jornalista

Representado no quadro a esquerda. Capítulo 550, página 5 (Fonte: Site One Piece Ex) 28

Com este acontecimento vemos a posicionamento do jornalista, como alguém sempre a postos para a notícia. Na imagem, podemos observar que ele tem uma característica única de aparência, está sempre utilizando um chapéu e terno, com identificação de sua profissão (figura 13, painel esquerdo), um uniforme. E também que ele segue o costume do que se espera de um repórter, “ter sempre um papel e uma caneta na mão” (Figura 14). Figura 14 - Acessórios do Jornalista

Capítulo 551, página 03 (Fonte: Site One Piece Ex)29

28 29

Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/550/#5> Acesso 16 de outubro 2019. Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/550/#5> Acesso 16 de outubro 2019.


38

Outro detalhe importante que podemos observar com essa saga é o imediatismo da notícia. Conforme os acontecimentos foram sendo presenciados, a informação já foi passada para a redação e espalhada pelo mundo (Figura 15).

Figura 15 - Imediatismo da Informação

Capítulos 551 e 557, página 03 (Fonte: Site One Piece Ex) 30

Um dos personagens principais, Monkey D. Luffy, durante a notícia da iminente guerra entre a marinha e os piratas do Barba Branca, acabou se separando de sua equipe, devido a outro acontecimento. Luffy, quando notou a matéria no jornal que o pirata Ace, seu irmão, seria executado publicamente, adiou sua reunião com seu bando para tentar resgatá-lo. A guerra aconteceu, Barba Branca e Ace morrem

30

Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/551/#3> <https://onepieceex.net/mangas/leitor/577/# 3> Acessados em 16 de outubro de 2019.

e


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durante o processo, e com isso Luffy ficou devastado por perceber que era fraco para continuar sua aventura.

Ele, então, se dirigiu até Quartel General da Marinha, onde tudo tinha acontecido, e tocou dezesseis badaladas do “Sino de Ox”

31

fazendo uma pausa de

silêncio. Os jornalistas que estavam no local fotografaram esse momento e deduziram que seria um ritual de despedida, marcando o fim e o começo de uma nova “Era” (Figura 16).

Figura 16 - Notícia Pós-guerra

No quadro de baixo se encontra a foto tirada pelos jornalistas, e sua matéria no jornal. Capítulo 594, página 10 (Fonte: site One Piece Ex) 32

31

O sino se Ox é tocado todo ano pela marinha, 8 vezes para agradecer o antigo ano e mais 8 vezes para orar pelo novo ano, é uma tradição. 32 Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/594/#10> Acesso em 16 de outubro de 2019.


40

Porém, ele utilizou o jornal para passar uma mensagem secreta para seus companheiros sobre seu reencontro (figura 17).

Figura 17 - Informação Escondida

Nesta imagem podemos observar seus companheiros interpretando a mensagem, cada um em um lugar diferente. Capítulo 594, página 16 (Fonte: site One Piece Ex) 33

Com isso, podemos perceber que o Jornal Econômico Mundial pode ser considerado um recurso de extrema importância para a narrativa da história. Por ser o único veículo de informação presente, tudo o que é noticiado é considerado como

33

Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/594/#16> Acesso em 16 de outubro 2019.


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verdade. Como não há nenhuma forma de contraposição, os leitores chegam a duvidar da atitude e dos posicionamentos do jornalista nesse meio. Isso prova que a presença do jornalista é de extrema importância para a narrativa da história.

2.1.2. Segunda situação Para avaliar melhor a imagem do jornalista, a segunda situação se passa na saga “Younkou”, arco Ilha de Whole Cake. Situado do volume 82 a 90, capítulos 825 a 902.

O jornalista raramente aparece na história fisicamente, normalmente é uma figura onipresente. Porém, neste arco, foi apresentado o personagem Morgans, dono do Jornal Económico Mundial, e a partir dele podemos ter uma ideia melhor da forma como o jornalista é representado. Figura 18 - Primeira aparição de “Big News” Morgans

No quadrinho, observamos uma narrativa não linear, com Morgans posicionado no centro e sua apresentação no canto esquerdo superior. Capítulo 860, página 08 (Fonte: site One Piece Ex) 34

Ele possui a aparência de uma gaivota, lembrando um pouco os News Coos que entregam seu jornal, fazendo uma espécie de brincadeira com a imagem e o

34

Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/860/#8>Acesso em 16 de outubro 2019.


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imaginário. Morgans foi representado como um jornalista fissurado, que está sempre atrás de uma manchete, um furo de reportagem, uma matéria incrível para o seu jornal (Figura 19).

Figura 19 - Imagem do Jornalista

Reparar nas falas no primeiro quadro à esquerda na parte de superior e no primeiro à direita na inferior. Capítulo 863, página 07 e 10 (Fonte: site One Piece Ex) 35

Ele é representado como alguém ambicioso e ganancioso, que faria tudo para obter uma notícia que choque o mundo. Mesmo que para isso tenha que manipulá-la para conseguir o que deseja, como podemos observar na figura 20, em que está tentando roubar um baú de tesouro raro e, ao não conseguir, aceita suborno para ao menos tirar uma foto para seu jornal.

35

Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/863/?c=863#7> e

<https://onepieceex.net/mangas/leitor/863/?c=863#10> Acesso em 16 de outubro 2019.


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Figura 20 - Ambição de Morgans

Reparar na fala do primeiro quadro à direita na parte superior, e no primeiro e segundo quadro da esquerda para a direita na parte inferior. Capítulo 863, página 8 e 872 página 11(Fonte: site One Piece Ex)36

Apesar disso, como jornalista, ele não perde a oportunidade de presenciar ou gravar os acontecimentos mesmo que isso o coloque em risco de vida (figura 21).

36

Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/861/#1> e

<https://onepieceex.net/mangas/leitor/871/#7> Acesso em 16 de outubro de 2019


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Figura 21 - Riscos na Profissão

Morgans tirando uma foto do acontecimento, primeiro quadro canto direito. Capítulo 872, página 11 (Fonte: site One Piece Ex)37

Outra coisa que podemos observar neste arco é a manipulação da notícia. A história se passa na festa de casamento elaborada por uma dos yonkous, a pirata Charlotte Linlin, mais conhecida como Big Mom, entre sua filha e o Sanji (tabela 1), companheiro do Luffy. Para resgatar seu companheiro que estava sendo obrigado a se casar, Luffy se reuniu com o pirata Capone Bege e seu plano de assassinar a Yonkou durante a festa.

Combates aconteceram e uma guerra entre os Chapéus de Palha e os piratas da Big Mom terminou com um empate, porém Luffy resgatou seu companheiro. Morgans que estava presente na festa, como jornalista, viu nessa confusão seu furo de reportagem e sua manchete, mas ao invés de contar a verdade ele manipulou a notícia para seu próprio benefício: ser o homem que descobriu o quinto Yonkou. Sua reportagem foi:

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https://onepieceex.net/mangas/leitor/872/#11> Acesso em 16 de outubro de 2019


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De acordo com certas fontes Luffy do chapéu de palha tem 7 fortes bandos piratas agindo sobre sua bandeira, com um deles sendo um capitão que comanda uma frota de mais de 5 mil subordinados. Com o legado de seu irmão Ace em seus ombros. O fato dele ser um irmão por juramento do número dois do exército revolucionário também se tornou um grande tópico ao redor do mundo. Com esse extraordinário carisma e liderança, ele foi capaz de convencer o maligno exército do Germa, os piratas do Sol, e os piratas Fire Tank, a seguirem seu comando sem hesitação. Com inteligência, ele planejou friamente está operação e, no processo, foi capaz de destruir o castelo da rainha. Sua força permitiu a eles derrotar dois generais, valendo 800 milhões e mais de 1 bilhão, respectivamente. Sendo assim, esse incidente é claramente uma Vitória do chapéu de palha! O quinto imperador do mar apareceu! (ONE PIECE, capítulo 903, p.09-10).

Com essa fala, o leitor percebe que ele mentiu sobre quem orquestrou o plano para fazer dessa uma notícia mais interessante que impactasse o mundo. Outro fator, que podemos observar, é o jornalista fazendo entrevistas com fontes, remetendo à profissão na vida real (figura 22).

Figura 22 - Entrevistas de Fontes

Nos dois quadros dos cantos vemos dois repórteres entrevistando suas fontes. Capítulo 903, página 09. (Fonte: site One Piece Ex)38

Por sua matéria ter impactado e influenciado o mundo, a marinha ao receber a notícia, sabendo que essa informação já estava circulando e influenciando o mundo, sem confirmar se tudo era verdade ou não, aumentou drasticamente a recompensa Luffy, de quinhentos milhões para um bilhão e quinhentos mil (figura 23).

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Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/903/#9> Acesso em 18 outubro 2019


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Figura 23 - Nova Recompensa

Como podemos observar no primeiro quadro lado esquerdo, essa recompensa chocou a todos. Capítulo 903, página 18 (Fonte: site One Piece Ex) 39

Com isso, podemos ver que o jornalista nem sempre vai ser ético com a notícia na narrativa. Muitas vezes, o jornalista aceita suborno da marinha e de piratas e outras fontes como observamos acima. Outro bom exemplo de sua posição quanto a isso será apresentado a seguir.

2.1.3. Terceira situação

Para avaliar a conduta do jornalista e sua ética, a terceira situação se passa na saga “Younkou”, arco País de Wano. Situado no volume 90, capítulos 909 a atualmente.

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https://onepieceex.net/mangas/leitor/903/#9> Acesso em 18 de outubro 2019.


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Neste arco ocorreu o Levely ou Riviere, uma reunião que acontece a cada quatro anos, a respeito dos acontecimentos do mundo e medidas que devem ser feitas para melhorá-lo. Esta conferência reúne os 50 líderes mundiais das mais de 170 nações filiadas ao Governo Mundial, em Mary Geoise, terra sagrada onde vivem os Tenryuubitos (tabela 2). Por ser uma reunião em que os resultados podem mudar o mundo, Morgans também esteve presente.

Sendo uma reunião de vários líderes, normalmente pode haver conflitos. Para impedir tal, uma das regras existentes é que todos, sejam eles realeza ou seus acompanhantes, devem ficar desarmados durante toda a conferência.

Apesar dessa reunião ser exclusiva com uma alta segurança, um grupo de revolucionários (tabela 2) conseguiu invadir a reunião, e segundo a história, um deles foi possivelmente morto, e algo muito grave aconteceu a uma princesa que estava na reunião, Princesa Vivi, porém não temos confirmações exatas.

Nesta saga, temos a primeira aparição da redação do Jornal Económico Mundial, onde podemos ver aquela magia da profissão de escolher a manchete, capa e qual matéria dar prioridade (figura 24).


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Figura 24 - Redação do JME

Capítulo 956, página 05 (Fonte: site One Piece Ex) 40

Nesta parte, podemos observar que a redação foi apresentada de uma forma bem criativa, mostrando a ideia de “emoção da profissão”, com a correria ao receber novas informações, e ao se produzir a matéria escolhendo a manchete da capa. Além de mostrar a forma como o jornal é produzido, com o uso das máquinas de escrever. Uma imagem que estimula a construção do imaginário tradicional da redação de jornal.

A redação também tem um ar bem mágico, ainda alimentando o imaginário, sendo uma base flutuante (Figura 25). Não ter uma base fixa é um mecanismo de defesa para evitar acontecimentos como o citado a seguir. Nessa imagem, podemos observar que muitas vezes os jornalistas recebem a informação das fontes por carta ou pelos Den Den Mushi Regular, que operam como telefone.

40

Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/956/#5> Acesso em 18 de outubro 2019.


49

Figura 25 - Base da Redação

Primeiro quadro à direita. Capítulo 964, página 07 (Fonte: site One Piece Ex)41

Essa euforia de passar a notícia se deu ao fim da reunião, e como seus acontecimentos resultaram em grande impacto para o mundo, a marinha tentou comprar o silêncio de Morgans, que após ter recusado sofreu uma ameaça de morte para ficar em silêncio sobre os acontecimentos (Figura 26).

41

Disponível em <https://onepieceex.net/mangas/leitor/956/#7> Acesso em 19 outubro 2019


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Figura 26 - A verdade não pode ser escondida

Capítulo 956, página 06 (Fonte: site One Piece Ex) 42

Como podemos observar, um oficial da marinha estava disfarçado para impedir que essa notícia fosse publicada, porém Morgans não se deixou intimidar. Mesmo aceitando suborno e manipulando a notícia às vezes, sua responsabilidade como jornalista de passar a notícia acima de tudo falou mais alto nesta situação. (Figura 27).

42

https://onepieceex.net/mangas/leitor/956/#6> Acesso em 18 de outubro 2019


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Figura 27 - Eu sou um Jornalista

Capítulo 956, página 07 (Fonte: site One Piece Ex) 43

Com isso podemos ver que o jornalista nos mangás, ao contrário das HQs, não é somente herói como o Superman, que faz justiça ainda em suas matérias, ou vilão, como Venon do Homem Aranha, que sempre manipula e escreve mentiras para conseguir o que quer.

Os personagens dos mangás possuem características mais complexas, portanto Morgans não é considerado um herói nem vilão. Ele pode, muitas vezes, manipular a notícia, porém seu papel como jornalista, de “passar a informação e a verdade”, mesmo que seja do ponto de vista dele, é o que move o seu personagem. O que o define, a cada momento, são suas ações.

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https://onepieceex.net/mangas/leitor/956/#6> Acesso em 18 de outubro 2019


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2.3. Percepção dos fãs

Borges (2016, p.72) analisou a história do mangá Ashita no Joe (ou Tomorrow's Joe). Ela conta como os fãs se mobilizaram e se reuniram na frente da editora para homenagear e se despedir de um personagem que havia morrido na série. Nesse contexto, podemos observar o quanto as histórias dos mangás nos influenciam e a forma como vemos o jornalista nessa narrativa pode desencadear uma postura positiva ou negativa da profissão, principalmente entre os jovens, principais consumidores dos mangás.

A partir dessa percepção de influência exercida pelas narrativas de mangás nos grupos de fãs, estabelecemos uma nova etapa de nosso estudo de caso, agora entrevistando nove pessoas, na faixa etária de 19 a 30 anos, seis homens e três mulheres, de várias regiões do Brasil.

As entrevistas foram feitas individualmente, por mensagem através das redes sociais Facebook e Whatsapp, com o objetivo de entender a forma como esses leitores entendem a postura do jornalista na história e de que maneira esse mangá os influencia, além de servir como argumento para os fatos apresentados no tópico anterior. Foram feitas as mesmas perguntas para todos os entrevistados. Na primeira, indagamos qual a maior diferença que o fã percebe entre HQs e Mangás (Apêndice A). As respostas comprovam a análise do primeiro capítulo, de que os personagens dos mangás carregam mais história individual e traços humanos, ao contrário das HQs. Weverton Nunes, 23 anos, morador do Acre, respondeu sobre essa diferença, de que as HQs têm como foco os super-heróis, diferentemente dos mangás, que humanizam os personagens.


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As HQs, para mim, têm como função mostrar um herói perfeito que salva as pessoas que tem problemas, mas não tantos. Já o mangá me atrai, porque obras como One Piece tratam muito do real. Alguém que é forte, mas também perde, que também comete erros, que também se engana e que busca mostrar coisas que estão acontecendo principalmente pelo viés do preconceito. É uma obra que amo, não pela luta, mas sim pela humanização dos personagens. (NUNES, 2019, entrevista verbal, Apêndice J).

Victor Descreci, 28 anos, morador de Curitiba-PR, também apontou essas características, porém destacando os traços orientais, que são muito presentes nas histórias: “O principal eu acho que são os traços orientais e a forma de leitura” (2019, entrevista verbal, Apêndice I). Os mangás por terem origem no Japão carregam em suas histórias traços muitas vezes exagerados e específicos dessa região e cultura.

Vale acrescentar a linha de narrativa que os mangás possuem. Por serem obras com começo, meio e fim, tendem a evoluir o personagem ao longo do percurso da história. Gustavo de Oliveira, 25 anos, morador de Santo André - SP, respondeu sobre isso: O mangá geralmente apresenta uma única linha de raciocínio, como se fosse algo do dia a dia na história, uma rotina que se desenrola mesmo. Já nas HQs, parece apenas uma história que começa e termina, sempre "diferente", mas sempre com um final previsível. (OLIVEIRA, 2019, entrevista verbal, Apêndice E).

Gustavo Bento, 23 anos, morador da região Leste-SP, respondeu sobre a diferença do personagem nos mangás não ser um “super-herói” como nas HQs. “Os mangás têm personagens com superpoderes, porém, é quase nula a expressão super-herói” (2019, entrevista verbal, Apêndice D).

Apesar de não ressaltar a presença do herói nas histórias, a narrativa heroica ainda está presente. Por exemplo, no mangá One Piece analisado, muitas vezes o personagem Luffy salvou a vida de pessoas, porém não pensando em ser herói ou ser adorado como tal, mas devido aos seus princípios e pelas necessidades do momento. Mesmo assim, essas nuances não apareceram nas respostas dos entrevistados, que demonstram uma percepção mais genérica.


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Jennifer Marinho, 19 anos, moradora de Goiânia-GO, respondeu sobre as emoções que os mangás despertam no leitor. “Então, a diferença para mim é o modo como os mangás/animes mexem com você. HQs sempre vão ter o mesmo contexto” (2019, entrevista verbal, Apêndice F). Pelas HQs terem várias versões dos personagens, e eles normalmente serem voltados ao gênero super-herói, muitas vezes os leitores perdem a sensação de novo. O bem sempre vai vencer o mal. Apesar do cinema estar quebrando um pouco esse estereótipo, os mangás ainda oferecem uma gama maior de conteúdo por seus personagens serem mais desenvolvidos e mais humanizados, provocando várias sensações nos leitores, como Marinho respondeu.

A segunda pergunta (Apêndice A) teve por objetivo abordar a forma como os mangás afetam o leitor e de que maneira os mesmos se influenciam por elas, em especial, One Piece. Decresci respondeu sobre a maneira como os mangás “ensinam” a lidar com a vida e a forma como One Piece o motivou em seu dia a dia: Os mangás impactam principalmente em conhecimentos da vida, como conflitos pessoais, lidar com outras pessoas, situações, aquela parte psicológica da coisa. Segundo, muito conhecimento de outras culturas, eventos históricos e novos autores de obras incríveis. Terceiro, mas não menos importante, o próprio entretenimento. One Piece me influencia a nunca desistir dos meus objetivos, por mais que o caminho seja doloroso, você perca oportunidades ou pessoas no caminho. A lição de One Piece é aquela alegoria do Rocky Balboa: “Quem vence uma luta não é quem dá mais porrada, mas sim, de quem aguenta mais porrada”, e isso eu levo muito na minha vida. Por pior que as coisas estejam, e por mais rasteiras e socos na cara que você leve, você vai levantar mais forte, mais convicto, e mais confiante, logo, mais resistente, e não vai cair mais para as coisas que te derrubaram no passado. Além do mais, passa toda a lição de amizade e o conceito de família, que pode ser ou não de sangue, que é muito bonito em One Piece. Tem também a questão da intolerância e como as pessoas têm de aprender a respeitar suas diferenças.

(DECRESCI, 2019, entrevista verbal, Apêndice I). Como podemos observar, One Piece é capaz de influenciar os leitores e Decresci não foi o único a responder dessa maneira. Nunes falou sobre as questões


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de amizade, honra e respeito que os personagens demonstram e são o motivo dele se interessar pela obra. One piece sempre mostra positivamente a questão da honra, de respeito que o protagonista tem com todos, nunca tratando ninguém diferente, e sobre o quanto uma amizade verdadeira pode ser preciosa. O que faz One Piece ser meu mangá favorito é porque ele trabalha em várias vertentes, não só luta, não só questão de honra, mas humanizar mesmo. Fazer você entender que não existe um lado 100% certo, qualquer lado que você ficar, vão ter coisa boas e coisas ruins. Eu acho que é um dos principais pontos da obra tenta passar é que depende muito da ética de cada personagem. (NUNES, 2019,

entrevista verbal, Apêndice J). As histórias nos mangás, além de serem complexas e servirem como forma de pesquisa, são divertidas servindo como forma de entretenimento. Anna Karolynna G. Moreira, 24 anos, moradora de Florianópolis-SC Moreira, comentou sobre como elas são uma fuga de sua rotina. Os mangás e animes são meus hobbies até hoje e eles me afetam de uma forma muito positiva, conheci muita gente legal nesse meio. Os livros, mangás, animes são uma forma interessante de fugir um pouco da rotina que a semana pede. Crescer lendo One Piece me fez não ver mudanças como algo ruim e buscar conhecer coisas novas, não ter medo de ser você mesma e que todos os sonhos têm seu valor. Entre outras tantas mensagens que o mangá passa e que acaba nos atingindo de alguma maneira (MOREIRA, 2019, entrevista verbal,

Apêndice C). Vale destacar também a resposta de Ana Paula Pauleski Ragugnetti, 26 anos, moradora de Cascavel - PR, que respondeu sobre a forma como a obra de One Piece a inspirou. One Piece em especial marcou minha vida pelo motivo de ter uma história envolvente, valores muito consideráveis, que fazem pensar sobre a minha própria vida. Trago também a força de vontade do Luffy comigo todo dia. Acho uma história sensacional, personagens muito bem construídos, você entende e aceita a motivação de cada um e até onde cada personagem quer chegar, até os traços do Oda já me inspiraram em muitas coisas que fiz. (RAGUGNETTI, 2019, entrevista verbal, Apêndice B)

Os mangás carregam uma bagagem de conteúdo de história e de reflexão, tendo bastante impacto e influência na vida de seus leitores.


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Com o objetivo de comprovar e analisar a importância do Jornal Económico Mundial, para a história de One Piece, apresentado na primeira situação do tópico anterior deste capítulo, a terceira pergunta (Apêndice A) trouxe como resposta as afirmações abordadas anteriormente. O jornal é único veículo de comunicação e necessário para a história. Bento respondeu sobre como sua presença é importante, e como sem ele sua narrativa seria desconstruída e difícil de manter: Tratando-se de One Piece, o jornal é de extrema importância, ele representa um meio de comunicação dos mais importantes da história. Lembrando que One Piece de certa forma retrata a era das navegações, porém usando um tipo de Isekai. Nesse caso nas eras mais antigas, o jornal era o meio de comunicação mais importante e confiável. Tudo que Oda fez, foi manter esse elemento. Sem o jornal, Oda conseguiria sim manter a História, porém teríamos uma quebra de storyboard. O jornal a cada fim de arco faz um giro no mundo, e mostra como está a evolução de cada personagem, fazer isso sem um bom pretexto acabaria com o ritmo da história. O jornal informar as atividades e atualizar a recompensa de cada personagem após cada arco mantém o giro no universo conveniente. Então conseguimos nos atualizar sobre cada personagem ligado a trama de One Piece, ao mesmo tempo em que para a história, os personagens se atualizam sobre o mundo, e sobre seus possíveis alvos. Por exemplo, a aliança Luffy e Traw, definiu a estratégia de Eustass Kid em formar uma aliança também. (BENTO, 2019, entrevista verbal, Apêndice D).

Como foi apresentado anteriormente, o jornal é a única forma de informação e às vezes ele manipula a informação. Vagner Rocha, 25 anos, morador de Mauá-SP, respondeu a respeito dessa questão, relacionando com a nossa mídia, na vida real: “O jornal tem a mesma função da nossa mídia e como a mesma é manipulada às vezes” (2019, entrevista verbal, Apêndice H).

Pensando nessa questão, da forma como os fãs veem a importância do jornal para a história e sua ética, a quarta pergunta (Apêndice A) teve por objetivo avaliar a integridade e a maneira como os fãs entendem a posição do jornalista. O exemplo utilizado na pergunta foi citado na segunda situação, do tópico anterior deste capítulo. Bento em sua resposta faz o resgate do jornalista de época, que busca sempre um furo de reportagem:


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Nesse caso, ele retrata também o porte jornalístico da época, e mescla com o que One Piece traz de melhor, que são os interesses. O interesse do jornal é uma manchete incrível, ou um furo. Nesse caso, a mentira contada que iria chocar o mundo inteiro seria o melhor furo. "Um supernova, da pior geração, derrotou Linlin" para as pessoas seria o maior choque do mundo, pois os supernovas são odiados e desprezados. (BENTO, 2019, entrevista verbal, Apêndice D).

Decresci, em sua resposta, também coloca o jornalista como alguém que busca uma manchete, mesmo que seja Fake News, porém para ele isso favorece a narrativa da história. A postura dele, trazendo para o nosso mundo, obviamente está errada, porque foi fake news, mas para a narrativa de One Piece, agradou todos, porque fez a recompensa subir absurdamente, e todos torcem para o Luffy. (DECRESCI, 2019, entrevista verbal, Apêndice I).

O jornalista na história, como foi apresentado anteriormente, é alguém geralmente ambicioso e antiético, que escreve as matérias para interesse próprio e isso acaba de certa forma influenciando de forma negativa a maneira como o leitor vê a profissão, como podemos avaliar pela resposta de Moreira: Bom, eu acho que de certa forma o jornal do Novo Mundo trabalha meio que conforme a forma real do que conhecemos do jornalismo aqui, mesmo que de senso comum. Não dá para saber se tais notícias estão sendo jogadas no momento conforme o interesse de algum setor, credo, partido, etc. O interesse do jornalista por trás daquilo. (MOREIRA, 2019, entrevista verbal, Apêndice C).

Luiz Gustavo Correia, 23 anos, morador de Mauá-SP foi outro que deu como resposta essa associação do jornalista na história com a profissão na realidade, ressaltando que apesar de o jornalismo ser tendencioso, a notícia é importante: Eu acho que o jornal tem aspecto tendencioso, de manipulação de notícias para ganho próprio, de aumentar a "qualidade" de uma notícia. Tipo dizer que o Luffy bateu na Big Mom quando ele só fez foi fugir. E ainda assim, se faz muito importante na obra, independente da forma com a qual a notícia é utilizada. Eu acredito que jornalismo em si é tendencioso, isso tanto na obra quanto na vida real. Mas isso não necessariamente é a culpa do jornalista em si. Em algumas situações é, no sentido de "o que eu posso ganhar com essa notícia dependendo da forma que eu apresentar ela". Mas as notícias também movem o mundo, então é muito importante mesmo que seja só meia verdade. (CORREIA, 2019, entrevista verbal, Apêndice G).


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Mas, apesar dessa interpretação da representação do jornalista na história, nenhum deles, na quinta pergunta (Apêndice A), o considerou como vilão, somente alguém ambicioso que faria tudo por uma notícia. Com isso podemos supor previamente que, nos mangás, o jornalista não é visto como um super-herói e que são suas ações que definem a maneira como ele é visto.

Sua aparência também não teve tanta influência nessa percepção, de acordo com os entrevistados, como podemos observar pela resposta de Oliveira: “A aparência de pássaro não influencia, apenas passa uma sensação de sátira ´um passarinho me contou´" (2019, entrevista verbal, Apêndice E).

Com sua resposta, podemos observar que sua “imagem”, mexe um pouco com o imaginário sendo atraente visualmente, ajudando na interpretação do personagem. Como foi o caso da resposta de Correia, que sentiu por sua aparência um ar de receio: “ele é colocado de forma meio obscura, que deixa o leitor com um pé atrás” (2019, entrevista verbal, Apêndice G).

O próximo capítulo vai desenvolver essas relações, para avaliarmos e entendermos melhor como o jornalista na história de One Piece constrói um imaginário em torno da atividade e de que forma isso está relacionado à percepção da profissão entre os leitores.

3. TERCEIRO CAPÍTULO

3.1. Conceito do imaginário O campo do imaginário é uma área bastante complexa para ser estudado, pois pode ser relacionado à ciência, à semiótica e, no nosso caso, à imaginação e à criação ficcional, reverberando no real. Juremir Machado da Silva explica: “Todo imaginário é real. Todo real é imaginário. O homem só existe na realidade imaginal” (2012, p.7), ou


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seja, nós moldamos o imaginário a partir do real, e ao mesmo tempo o imaginário molda o que é real. O imaginário é um excesso, algo que se acrescenta ao real. Não há garantia de que vá funcionar e não se pode planejar a operação em todas as suas etapas, mas se pode produzir situações com alto potencial de geração de excessos capazes de formar imaginários. (SILVA, 2017, p. 24-25)

Segundo Silva (2017, p. 32) “todo imaginário é comunicação”, e, portanto, está intimamente relacionado com a atuação do jornalista. Está presente no texto, fala ou postura, ou até mesmo no silêncio, às vezes não precisamos de nada para criarmos um imaginário. Na comunicação, o imaginário é o lugar entre saberes (BARROS, 2010, v.33, p.127) ele é a ligação entre várias disciplinas, podendo ser trabalhado de várias formas em vários campos e fenômenos. A pesquisadora Ana Taís Martins Portanova Barros confirma a presença do imaginário na comunicação: O imaginário aparece de modo crescente na pesquisa brasileira, em todas as áreas do conhecimento, inclusive na Comunicação. Um levantamento realizado em 2003 constatou que havia 114 grupos cadastrados no CNPq apresentando a palavra imaginário no seu nome, na sua linha de pesquisa ou entre as palavras-chave de sua linha de pesquisa (Teixeira, 2005, p.115). Hoje, seis anos depois, refizemos esse procedimento e verificamos que esse número mais do que dobrou: chega a 253, dos quais 18 se inscrevem na área da Comunicação. (BARROS, 2010, v.33, p. 127).

Quando pensamos nos quadrinhos, nós já formamos uma imagem juntamente com uma interpretação do que se trata, associando a palavra ao sentido do que visualizamos mentalmente. Assim como Silva descreve que o imaginário está ligado ao real e o real ao imaginário, podemos compreender que a maneira como nós interpretamos um assunto cotidiano está muito ligada à forma como perpetuamos esse assunto em nossas mentes no real, construindo o real através do imaginário.

Silva (2017, p. 38) dá o exemplo do jogo do Brasil contra a Alemanha na Copa do Mundo de 2014, o famoso 7x1. Independentemente de seus resultados em outros jogos, a imagem que temos time do Brasil não pode ser apagada. A mesma lógica se aplica à leitura dos mangás. As figuras e narrativas que aparecem nas histórias


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constroem o imaginário, em torno de diversos temas e a percepção que temos do real é simultaneamente reconstruída.

“O imaginário aparece como trama, rede, bifurcação, encontro e fantasia” (SILVA, 2017, p.12). No mangá One Piece, a maneira como a história foi construída desperta o interesse dos leitores, que, como observamos no capítulo sobre a percepção dos fãs, trazem para a vida real elementos imaginários da obra, e até mesmo características de alguns personagens, como foi o caso de Ragugnetti (2019, entrevista verbal, Apêndice B), que respondeu que traz para a sua vida “a força de vontade do Luffy”. O ser humano é uma ilha que se funde com os continentes lançando pontes que, quando menos se espera, desaparecem provisoriamente engolidas pelas águas do tempo, da imaginação e das imposições históricas e estruturais. O imaginário é sempre paradoxal: põe limites ao real sem, no entanto, eliminá-lo. Só há imaginário na medida em que o real é possível e passível de distorção. (SILVA, 2017, p.39).

Com isso, podemos perceber as múltiplas formas em que o imaginário influencia a maneira como vemos o real. Nas HQs, pela imagem do jornalista de superherói, nosso imaginário traduz, em linhas gerais, que o jornalista é um ser invencível capaz de fazer qualquer coisa por um bem maior. “O herói é alguém que deu a própria vida por algo maior que ele mesmo” (CAMPBELL, 1990, p. 137). É por meio de um processo claramente ideológico que o jornalismo busca se afirmar como a melhor ferramenta não apenas para conhecimento do mundo, mas como uma atividade fundamental para a sociedade contemporânea, como elemento fiscalizador do Estado e denunciador de injustiças e desigualdades. E faz isso, imprimindo no inconsciente social uma série de imagens e símbolos que glorificam a figura do jornalista. Estas imagens se fixariam no imaginário popular por meio de representações sociais. (SOUZA, 2013, p.18)

Como Souza explica, a imagem da profissão do jornalista está muito relacionada à maneira como ele é representado e como construímos um imaginário a seu respeito. Essa postura apresentada nas HQs dele ser imbatível, importante para o mundo, influencia muito a maneira como os jovens veem a profissão e que, segundo


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Travancas, é um dos motivos para se interessar em cursar essa profissão, ser uma espécie de herói: Os jovens universitários confirmam, com suas escolhas, que o jornalismo é para eles a maneira possível de estar no mundo, fugindo do anonimato e do individualismo da modernidade. O cinema ao glamourizar esta ocupação reforça a idéia do jornalista no coração da notícia e com capacidade de interferir na realidade e, em muitos casos, modificá-la. Ainda que muitas vezes por acidente. Heróí por acidente. (TRAVANCAS, p. 12).

Campbell também confirma isso. O ser herói é atraente ao leitor, a construção do mito. Ao ser abordado por Bill Moyers sobre a necessidade de ser herói, ele afirma que essa é uma das coisas sobre as quais realmente vale a pena escrever. (CAMPBELL, 1990, p. 137). Silva descreve isso como uma alusão criada pelo nosso imaginário, que tenta trazer essas características para o real. Então, a maneira como a imagem do jornalista é retratada no mangá One Piece pode também ser interpretada e incorporada ao modo como atuamos no mundo real, como veremos a frente.

3.2. O Imaginário do Jornalista dentro do Mangá One Piece “O imaginário não é um objeto de estudo em si e sim um ponto de vista sob o qual o pesquisador se coloca, uma perspectiva que ele assume, uma dimensão que ele explora” (PORTANOVA, 2010, p. 127). No nosso caso, o associamos à imagem do jornalista que é construída dentro do mangá One Piece e de que forma vai dialogar com o mundo exterior. Os jornalistas, como comunidade interpretativa, ou tribo, se definem por meio de traços sociais e pelo domínio de saberes práticos que permitem a reivindicação de um campo profissional específico. Esta cultura jornalística também é rica em mitos e representações sociais que buscam legitimar o papel desempenhado pelo jornalista na sociedade, mitos estes que muitas vezes mascaram a realidade profissional. (SOUZA, 2013, p.08).


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Antes de apresentarmos a perspectiva do imaginário em relação ao jornalista, vale acrescentar que a narrativa do mangá segue, às vezes, uma linguagem nãolinear (Figura 18). O leitor, para interpretar a imagem, normalmente tem que estar acostumado com esse tipo de leitura. O autor usa esse tipo de narrativa para despertar o interesse do fã e o incentivar a observar todo o contexto e imaginar o ambiente em que está acontecendo a ação. “O imaginário não se contenta em ser imaginação em ato. Funciona como combustível de processo de imaginar. O imaginário é começo, meio e fim: o que produz sombra” (SILVA, 2017, p. 44).

O imaginário também está ligado à forma como o jornalista é retratado nos quadrinhos, despertando nossa curiosidade a respeito da profissão, como Alexandro Carlos de Borges Souza apresenta: Enquanto o cinema ajudou a consolidar um imaginário do jornalismo rico em traços ideológicos junto ao grande público, os quadrinhos teriam sido responsáveis por cristalizar essa visão glamourizada da profissão junto ao público infanto-juvenil muitas vezes ‘fazendo a cabeça’ dos futuros profissionais da área. (SOUZA, 2013, p.13).

Porém, a representação do jornalista nas HQs é diferente nos mangás. Nas HQs, nós imaginamos e idealizamos a profissão como um super-herói. O leitor, quando pensa no jornalista nesse contexto, tem a perspectiva de que o trabalho do jornalista tem um lado heróico. O super-herói sempre será bom e altruísta, mesmo que, inadvertidamente, mantenha relações antiéticas entre sua persona heróica e seu alter-ego repórter, ou por mais que corrobore a manutenção do status quo no seu exercício profissional. A visão ideológica do super-herói (que contamina a do jornalista) se mantém inalterada. (SOUZA, 2013, p.99)

Já nos mangás, essa idealização se dá a respeito de suas ações, como podemos observar no jornalista do mundo de One Piece que traz aquela imagem de resgate do ambiente de tempos heróicos, como a correria de escolher uma manchete, e o repórter que anda sempre com o “caderno e caneta sempre a postos”.


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O desempenho profissional do jornalista é avaliado de acordo com sua capacidade de reagir com rapidez ao surgimento do fato, bem como de mobilizar seus conhecimentos de maneira prática, de forma a conseguir publicá-lo de maneira satisfatória, de acordo com os preceitos que regem a atividade. Logo, o cerne da profissão está na ênfase na ação. (SOUZA, 2013, p. 23)

Como podemos observar no capítulo anterior, em relação à interpretação dos fãs, a imagem consciente do jornalista na narrativa se dá devido a suas atitudes e ações. Isso mexe com o imaginário da profissão. A maneira como ele foi representado influencia a forma como os fãs veem a atuação do jornalista na vida real. Só há imaginário na medida em que existe real. O imaginário funciona como acréscimo ao real, não podendo,portanto, prescindir dele. O que é real? O existente sem significação atribuída pelo imaginário. Por mais que alguns duvidem da existência do real e da verdade, este texto tem a sua realidade. É isso que permite lhe atribuir sentido e, quem sabe, transfigura-lo. (SILVA, 2017, p. 25)

No capítulo 2, observamos pela resposta de Rocha: “O jornal tem a mesma função da nossa mídia e, como a mesma, é manipulada às vezes” (2019, entrevista verbal, Apêndice H). Em Correia: “de certa forma o jornal do Novo Mundo trabalha meio que conforme a forma real do que conhecemos do jornalismo aqui, mesmo que de senso comum” (CORREIA, 2019, entrevista verbal, Apêndice G). Em Moreira: “Eu acredito que jornalismo em si é tendencioso, isso tanto na obra quanto na vida real. Mas isso não necessariamente é a culpa do jornalista em si” (MOREIRA, 2019, entrevista verbal, Apêndice C). Nas respostas, percebemos que a criação do imaginário relaciona o jornalista da narrativa com a profissão na realidade. Com isso, podemos entender que eles estão recriando um imaginário dessa profissão, fazendo visualizar e projetar a postura do jornalista da obra na vida real e vice-versa.

Os personagens em One Piece nem sempre são retratados como humanos. Nesse universo, temos sereias, tritões e outros tipos de etnias, muitas vezes semelhantes a animais, como foi o caso do Morgans, dono do Jornal Económico Mundial, representado como um pássaro.


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Sua aparência, como observamos pela resposta de Oliveira (2019, entrevista verbal, Apêndice E), “A aparência de pássaro não influencia, apenas passa uma sensação de sátira ‘um passarinho me contou’”, ainda que não seja o motivo objetivo de percepção em relação à ética da profissão, ainda assim, cria uma imagem ilusória que desperta o interesse do leitor, nesse caso o fazendo lembrar e visualizar e relacionar a expressão “um passarinho me contou”.

“Se a história é irreal, a adesão a ela pode ser mais verdadeira do que a verdade da narrativa” (SILVA, 2017, p.18), ou seja, a forma como vemos o irreal pode acabar se transformando em uma interpretação da realidade, sendo assim, também sendo tida como real. Pensando dessa forma vale analisar a resposta de Correia que respondeu que Morgans “é colocado de forma meio obscura, o que deixa o leitor com um pé atrás” (2019, entrevista verbal, Apêndice G). Com isso, podemos perceber que a criação de um imaginário provocou sensações de desconfiança em torno do personagem, despertando sua curiosidade e imaginação a respeito de seus objetivos.

No caso de Morgans, sua aparência e atitudes na narrativa da história ajudam a criar uma nova interpretação do jornalista nos quadrinhos, sendo visto não como herói ou vilão, mas semelhante a um profissional no mundo real, que tem ambições e que às vezes escreve matérias com o intuito de manipular e influenciar o leitor. Sua imagem, aparentemente, faz com que os fãs tenham essa percepção de que o jornalista é alguém, que muitas vezes, possui segundas intenções, sendo uma profissão não confiável.

Portanto, o imaginário do jornalista dentro do mundo de One Piece, contribui para fixar na mente dos leitores a personificação da profissão na realidade. Um jornalista que busca a notícia e tenta transparecer a verdade, sendo fundamental para o desenvolvimento dos acontecimentos futuros, mas que também pode ser alguém não confiável que manipula essa notícia para interesses próprios.


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CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta monografia começou mostrando a origem das HQs e a maneira como elas estão inseridas na cultura pop. Como vimos, as pinturas rupestres são vistas, por muitos, como as primeiras formas de quadrinhos que existiram. Depois delas vale lembrar que a evolução das HQs se deu em três períodos: Era de Ouro, Prata e Bronze: A era de ouro, nos anos 50, foi definida pelo gênero super-herói, o mais conhecido atualmente; a era de prata, anos 60 e 70, pelos avanços na arte e nos quadrinhos underground; e a era de bronze pela introdução dos anti-heróis e temas mais obscuros e geralmente banidos como drogas e crimes.

Esta apresentação foi importante para entendermos o universo dos quadrinhos e mais para frente perceber a sua diferença em relação aos mangás. Os mangás começaram com os E-kimonos, influência do povo chinês, seus quadrinhos eram mais artísticos mostrando paisagens do Japão. Ao longo do tempo, foi se transformando, passando por ukiyo, as caricaturas, até o período Pós Segunda Guerra Mundial com Tezuka Osamu, considerado pai do mangá moderno.

Dentre suas características, as mais importantes de se lembrar são o modo de leitura, que segue o costume oriental, da direita para a esquerda, e a divisão de gêneros que é feita de acordo com a faixa etária, sendo distribuídos em revistas e posteriormente em volumes únicos. Apesar dessas diferenças, no Brasil eles são impressos e traduzidos no costume de origem, e isso não foi um empecilho para sua popularização.

Os mangás já conquistaram um espaço entre os leitores, que se organizam e frequentam eventos focados em reunir os fãs dessa cultura oriental, eles são reconhecidos pelo termo japonês otakus. Observamos também que a renda desse comércio é alta em ambos os países, sendo comercializado não só os quadrinhos, mas produtos dessa cultura, como figures dos personagens, roupas, comidas, dentre outras coisas.


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Vale ressaltar também, como as maiores diferenças entre esses dois estilos de quadrinhos, que as narrativas seriadas dos mangás possuem começo, meio e fim, seus personagens possuem características mais humanas e que possuem um enredo mais elaborado, não focando no estilo super-herói. Isso se percebe também pela imagem do jornalista presente em ambos, sendo um dos motivos de ser escolhido para estudo.

Para avaliar essa representação da profissão, mostramos no segundo capítulo, primeiramente, personagens das HQs que marcaram a imagem de que o jornalista é um super-herói, citando Superman, Lois Lane, e alguns anti-heróis/vilões que mostram o lado ruim da profissão. One Piece, por sua vez, foi o mangá escolhido para avaliar essa imagem da profissão e mostrar as diferenças nesses dois estilos de quadrinhos.

Como observamos, por suas características, o jornalista nos mangás não é representado nem como herói ou como vilão, o que determina seu caráter são suas ações. Para comprovar se essa análise é percebida entre os leitores, foi apresentado, ainda neste capítulo, o resultado de nove entrevistas realizadas com o público deste mangá no Brasil. Essa pesquisa resultou em mostrar que a maneira como o jornalista é representado dentro da história, de certa forma, influencia os fãs na maneira como eles veem a profissão na vida real.

Com base nisso, o terceiro capítulo trouxe como reflexão o conceito do imaginário e a sua ligação com essa representação. O jornalista foi representado como uma idealização do que é a profissão, sendo alguém que busca a manchetes e vive a vida pensando nas notícias e suas repercussões no mundo, aquela emoção de se publicar a informação logo. Foram apresentados também dois pontos de observação: a ação do jornalista em publicar a notícia sem ter medo das consequências e a de se omitir ou manipular acontecimentos para se tornar algo mais interessante.


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O imaginário está ligado com o real, ambos são interdependentes. Pensando nisso, uma de nossas conclusões é a de que a maneira como os fãs veem a figura e a postura do jornalista no mangá One Piece, influencia a maneira como eles veem a profissão no mundo real. “As pistas do imaginário são rastros da imaginação que se disseminam na teia do cotidiano” (SILVA, 2017, p.12)

Essa reflexão é importante para percebermos que a forma como o jornalista é representado interfere com a imaginação do leitor e, no caso do mangá One Piece, o influencia na construção de uma imagem com algum grau de negatividade, muitas vezes associando sua postura no mundo real com alguém não confiável.

Em linhas gerais, porém, avaliamos que tais resultados são indicativos iniciais e que necessitam de estudos adicionais, talvez ampliando o número de entrevistas e também o escopo do estudo de caso, comparando com outras histórias apresentadas em mangás de sucesso.

Acreditamos que é relevante perceber como a profissão pode ser interpretada por toda uma nova geração fortemente influenciada pela cultura representada por mangás e animes.


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARROS, Ana Taís Martins Portanova. Comunicação e imaginário – Uma proposta mitodológica. Intercom – Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, São Paulo, v. 33, ed. 2, p. 125-143, julho/dez. 2010. BLOG BIBLIOTECA BRASILEIRA DE MANGÁS. Quais os maiores e menores mercados de mangás do ocidente?. Disponível em: <https://blogbbm.com/2017/03/20/curiosidades-quais-os-maiores-e-menores-m ercados-de-mangas/ >. Acesso em: 18 de outubro 2019. BLOG PERNAMBUCO. O jornalismo nas histórias em quadrinhos. Disponível em: <http://blogs.diariodepernambuco.com.br/diretodaredacao/2016/05/20/os-nossosherois-em-quadrinhos/>. Acesso em: 20 de outubro 2019. BLOG VARIEVO. Os 20 mangás mais vendidos na história da shounen jump. Disponível em: <http://varievo.com/curiosidades/os-20-mangas-mais-vendidos-na-historia-dashonen-jump >. Acesso em: 20 de outubro 2019. BORGES, Patrícia Maria. Mangás: Estética bidimensional e deslocamentos culturais. São Paulo: Intermeios, 2016. 126 p. CAMPBELL, Joseph. O poder do mito: com Bill Moyers org. por Betty Sue Flowers. São Paulo: Palas Athenas, 1990. 250 p. CARLOS, Giovana Santana. Mangá: o Fenômeno comunicacional no brasil. Intercom - X Congresso de Ciências da Comunicação, Universidade do Tuiuti do Paraná, 31 maio 2009. CARLOS, Giovana Santana. O(S) Fã(S) da Cultura Pop Japonesa e a Prática de Scanlation no Brasil. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Linguagens) Universidade Tuiuti do Paraná, 2011. LUYTEN, Sonia Bibe. Mangá: o Poder dos Quadrinhos Japoneses. 2. ed. São Paulo: Hedra, 2000. 250 p. LUYTEN, Sonia Bibe. O que é História em Quadrinhos. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. 88 p. LUYTEN, Sonia Bibe. Prefácio. In: BORGES, Patrícia Maria. Traços ideogramáticos na linguagem dos animês. São Paulo: Via Lattera, 2008. p. 9-10. SANTONI, Pablo Rodrigo. Animês e Mangás: A Identidade dos Adolescentes. Dissertação (PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTES) - Universidade de Brasília Instituto de Artes, 2017.


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SANTOS, Nilson. Mangás mais vendidos de todos os tempos. Disponível em: < https://skdesu.com/mangas-mais-vendidos-tempos/>. Acesso em: 17 abril 2019. SILVA, Juremir Machado da. Descobrimento: O Que é o Imaginário? A Hipótese do Excedente de Significação. São Paulo: Sulina, 2017. 175 p. SILVA, Juremir Machado da. Tecnologias do imaginário: esboços para um conceito. 3. ed. São Paulo: Sulina, 2012. 111 p. SOUZA, Alexandro Carlos de Borges. A representação do jornalista nas histórias em quadrinhos: Cyberpunk e Novo Jornalismo numa leitura crítica de Transmetropolitan. Dissertação (Pós-Graduação em Comunicação) - Universidade Federal da Paraíba, 2013. TRAVANCAS, Isabel. Jornalista como personagem do cinema. Núcleo de Jornalismo – Intercom 2001. Disponível em:< http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2001/papers/NP2TRAVANCAS.pdf>. Acesso em 1 de novembro 2019.


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APÊNDICE A PERGUNTAS DIRECIONADAS PARA O PÚBLICO LEITOR DO MANGÁ ONE PIECE

1.

Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)?

2.

De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia?

3.

Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody).

4.

Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho).

5.

Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido a forma como ele foi representado, sua aparência?


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APÊNDICE B ENTREVISTA COM PAULA PAULESKI RAGUGNETTI

● Ana Paula Pauleski Ragugnetti, 26 anos, mora em Cascavel - PR. Estudante de Design Gráfico e trabalha em uma Gráfica. Começou a ler mangás em 2014 e One Piece em dezembro do mesmo ano. 1.

Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)? ● O principal, acho que são os traços orientais que são bem característicos do ocidente, além da forma de leitura, a intensidade e dramaticidade, que eu acho muito mais forte nos mangás do que no restante.

2.

De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia? ● Tanto outros mangás e o One Piece me inspiram, ajudam no meu processo criativo. Como estou numa área de criação eu me inspiro demais neles, mas One Piece em especial marcou minha vida, pelo motivo de ter uma história envolvente e valores muito consideráveis que me faz pensar sobre a minha própria vida. Trago também a força de vontade do Luffy comigo todo dia. Acho uma história sensacional, personagens muito bem construídos. Você entende e aceita a motivação de cada um e até onde cada personagem quer chegar. Até os traços do Oda já me inspiraram em muitas coisas que fiz. Acho que basicamente seria isso.

3.

Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody).


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● Nunca, o Luffy não conseguiria saber nem do Ace, nem a sua fama seria tão mundial assim. O mundo de One Piece fica muito em torno do Jornal, pelo formato de recompensas e notícias. Por não ter nada "moderno" de comunicação, o jornal se torna o principal veículo. É como se dá o rumo da história.

4.

Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho). ● A postura é antiética. Acho que acima de tudo você tem que transmitir a verdade, mas em muitos casos a própria marinha passou a história distorcida, então tem muita coisa envolvida por trás de uma história que não poderia ter.

5.

Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido a forma como ele foi representado, sua aparência? ● Não acredito que seja totalmente um vilão, mas ele faz o que acha que vai beneficiar o jornal dele, pensando primeiramente em seus interesses. Acho que é devido as suas atitudes.


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APÊNDICE C ENTREVISTA COM ANNA KAROLYNNA G. MOREIRA

● Anna Karolynna G. Moreira, 24 anos, mora em Florianópolis-SC. Estudante de Geografia (Bacharelado) na Universidade do Estado de Santa Catarina, trabalha em uma distribuidora de doces. Começou a ler mangás aos 9 ou 10 anos de idade. One Piece foi o segundo que leu.

1.

Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)? ● Eu acho que os traços nos mangás geralmente são mais valorizados que nas HQs. Acho que é a maior diferença.

2.

De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia? ● Os mangás e animes são meus hobbies até hoje, eles me afetam de uma forma muito positiva, conheci muita gente legal nesse meio. Os livros, mangás e animes são uma forma interessante de fugir um pouco da rotina que a semana pede. Crescer lendo One Piece me fez ver as mudanças não como algo ruim, e me fez buscar conhecer coisas novas, não ter medo de ser você mesma e que todos os sonhos têm seu valor. Entre outras tantas mensagens que o mangá passa e que acaba nos atingindo de alguma maneira.

3.

Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody). ●

Olha, acho que teria como existir sim sem esse meio de

comunicação, mas teria que fazer um desdobramento muito maior, e do


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jeito que é, ela encaixa perfeitamente com a história. Então, mesmo dando para existir, os outros meios não funcionariam tão bem na história. E a importância é enorme, porque assim os personagens acabam sabendo dos acontecimentos entre si e sobre o meio. É preciso saber o que anda acontecendo na Marinha, com os Yonkous, se tem algum novato fazendo nome, etc. O jornal funciona bem. 4.

Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho). ● Bom, eu acho que de certa forma o jornal do Novo Mundo trabalha meio que conforme a forma real do que conhecemos do jornalismo aqui, mesmo que do senso comum, não dá para saber se tais notícias estão sendo jogadas no momento conforme o interesse de algum setor, credo, partido, etc. O interesse do jornalista por trás daquilo. Nesse sentido a história condiz e também deixa mais interessante.

5.

Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido a forma como ele foi representado, sua aparência? ● Não necessariamente, ele não parece ter lá muito caráter e relações com o submundo, mas vários personagens de One Piece não são necessariamente só vilões. Ele parece gostar de ver o circo pegar fogo.


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APÊNDICE D ENTREVISTA COM GUSTAVO BENTO ● Gustavo Bento, 23 anos, mora na região Leste - SP. Trabalha e estuda Engenharia de Produção na Universidade Cruzeiro do Sul. Começou a ler mangás em 2011, e One Piece em 2013.

1.

Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)? ● Acho que o mais gritante é a diferença gráfica, ou seja, os estilos de desenhos. Dentro do mercado, temos as Comic´s que ficaram bem conhecidas por Marvel e DC, tem os Cartoon´s que são um gênero mais cômico, como Turma da Mônica e Scott Pilgrim Contra o Mundo e os Mangás. Uma boa diferença mesmo que eu vejo são os temas abordados e como eles são abordados. Por exemplo, mangás tem personagens com superpoderes, porém, quase nulo a expressão superherói. Já a Marvel e DC, ou as comics em geral, focam muito nos quadrinhos de Heróis. Mangás também abordam costumes naturais do Japão e Oriente, ou seja, algumas coisas que rolam lá nas histórias são coisas da cultura japonesa. Já nas Comic´s, eles abordam temas que estamos mais acostumados a ver aqui no Ocidente, como foi o caso recente da HQ na Bienal do Rio.

2.

De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia? ● De maneira positiva, como divertimento e entretenimento, além de referência para as histórias que crio. One Piece me influencia apenas como referência criativa e entretenimento.

3.

Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um


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exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody). ● Tratando-se de One Piece o jornal é de extrema importância, ele representa um meio de comunicação dos mais importantes da história. Lembrando que One Piece de certa forma retrata a era das navegações, porém usando um tipo de Isekai. Nesse caso nas eras mais antigas, o jornal era o meio de comunicação mais importante e confiável. Tudo que Oda fez, foi manter esse elemento. Sem o jornal, Oda conseguiria sim manter a história, porém teríamos uma quebra de storyboard. O jornal a cada fim de arco faz um giro no mundo, e mostra como está a evolução de cada personagem, fazer isso sem um bom pretexto acabaria com o ritmo da história. O jornal informa as atividades e atualiza a recompensa de cada personagem após cada arco, mantém o giro no universo conveniente,

então

conseguimos

nos

atualizar

sobre

a

cada

personagem ligado a trama de One Piece, ao mesmo tempo em que para a história. Os personagens se atualizam sobre o mundo, e sobre seus possíveis alvos, por exemplo a aliança Luffy e Traw, definiu a estratégia de Eustass Kid em formar uma aliança também. 4.

Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho). 

Nesse caso, ele retrata também o porte jornalístico da época, e mescla com o que One Piece traz de melhor, que é os interesses. O interesse do Jornal é uma manchete incrível ou um Furo. Nesse caso, a mentira contada que iria chocar o mundo inteiro seria o melhor furo: "Um Supernova, da pior geração, derrotou Linlin", para as pessoas seria o


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maior choque do mundo, pois os supernovas são odiados e desprezados. 5.

Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido a forma como ele foi representado, sua aparência? ● Não um vilão. No meu ponto de vista One Piece não tem vilões, mas sim uma gama de conflitos de interesses. Morgans não é um vilão, mas ele pode de certa maneira influenciar o rumo da história com algumas notícias falsas. E não, estou acostumado com as aparências diversificadas de One piece.


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APÊNDICE E ENTREVISTA COM GUSTAVO DE OLIVEIRA ● Gustavo de Oliveira, 25 anos, mora em Santo André - SP. Formado em Eletrônica Automotiva, trabalha como Assistente de Manutenção. Começou a ler mangás no fundamental (9 ou 10 anos) e One Piece em 2011.

1.

Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)? ● Vamos lá: primeiro o conteúdo, eu acho as HQs muito limitadas em termos de história, personagens meio que até bobas; segundo, as HQs geralmente não fogem muito do seu gênero, por exemplo herói, superpoder, salvar o dia, etc., já o mangá é uma mistura de vários gêneros, que pode acontecer de tudo; e o mais importante a censura, acho as HQs muito fraca nisso, não mostra nada de muito explícito. O mangá geralmente parece uma única linha de raciocínio, como se fosse algo do dia-a-dia na história, uma rotina mesmo, já a HQ parece apenas uma história que começa e termina, sempre "diferente" mais sempre com um final previsível.

2.

De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia? ● Eu diria que ler os mangás aumenta o meu conhecimento, traz muitas curiosidades e é um ótimo passatempo. No contexto de One Piece aborda essa ideia de amizade, união, juntos somos mais fortes, desistir jamais. Me dá mais determinação e me motiva mais no trabalho.

3.

Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody).


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● A importância é extrema. Exemplo, após a guerra dos melhores foi noticiado a existência do One Piece pelo Barba Branca e isso reacendeu a grande era dos piratas para o universo de One Piece. Isso seria impossível sem um veículo de comunicação, já que a informação só se espalha através de um "veículo" que alcança qualquer ilha, inclusive qualquer navio. 4.

Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho). ● Não necessariamente, por mais que o jornal contribua para espalhar a informação, a recompensa é definida através da marinha, então por mais que tenha de fato exagerado na notícia, o fato dele ter derrubado dois generais do doce influência mais do que a destruição do castelo por exemplo. Sem falar que mesmo que o jornalista dissesse toda a verdade, acabaria sendo censurado pela marinha ou pelo governo mundial.

5.

Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido a forma como ele foi representado, sua aparência? ● Não, não diria, e ele não manipula para seu próprio interesse, e sim para o que vai dar mais emoção para ele. E não, a aparência de pássaro não influencia, apenas passa uma sensação de sátira "um passarinho me contou".


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APÊNDICE F ENTREVISTA COM JENNIFER MARINHO ● Jennifer Marinho, 19 anos, mora em Goiânia-GO. Estudante de Administração, trabalha como auxiliar administrativo em uma loja de fechaduras. Começou a ler mangás somente a um ano.

1. Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)? ● Não existe muita diferença. Nas HQs tem sempre um mocinho e um vilão, nos animes a maioria são assim, mas alguns são diferente, por exemplo, em One Piece, os vilões são os piratas e os mocinhos a marinha, mas você torce para os vilões e sempre tem aquele ar: “Será que os piratas que são mesmo os vilões?”, porque a marinha esconderia tanta coisa e acobertaria outras?. Então a diferença para mim é essa, o modo que os mangás/animes mexe com você. As HQs sempre vão ter o mesmo contexto. 2. De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia? ● Os mangás em geral sempre tem algum aprendizado a oferecer, mas One Piece mostra como valorizar a amizade, a família e como viver sem arrependimentos.

3. Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody). ● Então, acho que o jornal é importante para saber as notícias do mundo, por exemplo, o que acontece entre as "3 potências" marinha, piratas e


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os revolucionários. A importância do jornal é estar neutro, igual ao último capítulo que a marinha tenta comprar a notícia e ele não aceita. Acho que é importante sim para o novo mundo, afinal, é uma área afastada e perigosa onde as notícias só podem correr pelos jornais. E sem notícias sem trama. 4. Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho). ● Bom, como eu disse, acho importante os jornalistas serem honestos, e acho que a notícia desse último arco seja verdade, e que o jornalista mostrou a verdade. Se a marinha fez algo ruim e tentou esconder, nada mais justo que a notícia mostrar o que realmente aconteceu.

5. Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido a forma como ele foi representado, sua aparência? ● Acho que ele quer só saber do dinheiro, o que for compensar ele, ele faz. Ele não é um vilão e nem um mocinho, e eu nunca tinha parado para olhar essas coisas em anime/mangá algum.


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APÊNDICE G ENTREVISTA COM LUIZ GUSTAVO CORREIA ● Luiz Gustavo Correia, 23 anos, mora em Mauá-SP. Formado em Psicologia, trabalha como professor de matemática numa escola de apoio. Começou a ler mangás no primeiro ano do ensino médio, juntamente com o mangás One Piece. Se interessou pela obra através do anime.

1. Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)? ● Bom, sendo bem sincero não tenho tanto contatos com as HQs, mas na minha visão, além do traço é a intensidade dos personagens. Acho que nos mangás, a apresentação e a criação do personagem são mais completas, mais humana em alguns sentidos, mas o que eu quero dizer é que você se aproxima mais do personagem, quase como se fosse um parente próximo que conhecesse à eras. Um bom exemplo disso é o Deku, do Boku no Hero, você passa o sofrimento todo com ele de saber se vai ser ou não vai ser um herói, e fica feliz com cada conquista, sabendo todo o amadurecimento, tanto físico quanto psicológico. Ou o próprio Luffy, que no começo era só um "zueiro" e nessa saga de Wano já é possível reconhecer os traços de maturidade, de forma mais íntegra, que foi uma colheita da obra inteira. 2. De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia? ● Os mangás, me dão uma nova perspectiva sobre situações, acredito que são recortes que mostram uma nova possibilidade. Apesar de alguns clichês, acho que se pode ser extraído muitos conhecimentos. Um dos meus mangás favoritos é o Haikyuu, e gosto da forma que ele traz a utilização de um ponto fraco como ponto forte, e como ele cria um apego


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emocional com todos os personagens, mesmo os adversários se tornam muito próximos quando você conhece a história individual de cada um. Acredito que o ponto principal da arte em si, é apresentar emoções e sentimentos que às vezes nunca sentimos, ou que não sabíamos nomear e isso não se diferencia nos outros mangás. O One Piece sempre me mostrou isso de forma clara, a ideia de que se continuar vivendo sempre as coisas podem ser resolvidas, o importante é viver. Isso aparece com a Nami, e posteriormente com a Robin. O Luffy tem esse "poder" de cativar as pessoas, e acredito que em boa parte é por empatia, ele sabe perceber o sofrimento do outro, e se tiver no alcance dele ele faria de tudo para ajudar o outro. 3. Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody). ● Acredito que o jornal é sim muito importante para os objetivos do Luffy, e se as pessoas não sabem sobre as coisas que acontecem pelo mundo, ele seria só um carinha que seria conhecido apenas pelos lugares que ele passou. Então o jornal tem a sua importância de mídia informativa, de levar a notícia ao leitor e tal. Por outro lado, também tem o aspecto tendencioso, de manipulação de notícias para ganho próprio, de aumentar a "qualidade" de uma notícia, tipo dizer que o Luffy bateu na Big Mom quando ele só fez foi fugir. E ainda assim, se faz muito importante na obra, independente da forma com a qual a notícia é utilizada. 4. Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal


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ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho). ● Eu acredito que jornalismo é tendencioso, isso tanto na obra quanto na vida real, mas isso não necessariamente é culpa do jornalista em si. Em algumas situações é no sentido de "o que eu posso ganhar com essa notícia dependendo da forma que eu apresentar ela", mas as notícias também movem o mundo, então é muito importante mesmo que seja só meia verdade. 5. Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido a forma como ele foi representado, sua aparência? ● Então, acho que ele é sim colocado como vilão, mas ali ele está defendendo o trabalho dele, seja da forma certa ou não. Eu sou mente aberta quanto a isso, acho que ele só defende o trabalho dele, as vezes pelo meio errado. Ele é colocado de forma meio obscura, que deixa o leitor com um pé atrás.


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APÊNDICE H ENTREVISTA COM VAGNER ROCHA ● Vagner Rocha, 25 anos, mora em Mauá-SP. Trabalha como tatuador. Começou a ler mangás quando estava na sexta série sendo o primeiro One Piece. Se interessou pela obra através do anime. 1.

Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)? ● Enredo.

Mangás

costumam

ter

um

enredo

melhor,

mais

desenvolvimento e histórias mais elaboradas. Claro que não é regra, mas na maioria eu vejo isso. 2.

De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia? ● Afeta minha vida de uma maneira positiva eu acho, virou um hobbie, algo que me distraia e me deixava feliz, algo que eu fazia com meus irmãos. Eu gostei tanto de One Piece que eu fiz cosplay do personagem principal. Eu era uma pessoa bem tímida, e a personalidade do Luffy, feliz, quando eu ia fazendo o cosplay dele, isso foi aos poucos se instalando em mim, eu virei uma pessoa mais sorridente e conheci amigos. Então acredito que teve uma influência boa na minha vida, tanto que hoje eu tenho uma tatuagem em homenagem.

3.

Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody). ● Tem a mesma função da nossa mídia e como a mesma é manipulada às vezes.


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4.

Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho). ● O mesmo manipula várias vezes os fatos, sendo que se é visto como sério e absoluto para maioria das pessoas, tendo um peso bem grande na história e até dificultando para os personagens principais.

5.

Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido a forma como ele foi representado, sua aparência? ● Não respondeu a essa pergunta.


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APÊNDICE I ENTREVISTA COM VICTOR DECRESCI ● Victor Decresci, 28 anos, mora em Curitiba-PR. Estudante de Administração. Trabalha em uma empresa de consultoria e na gestão de uma academia. Começou a ler mangás em 2012 sendo o primeiro One Piece. Se interessou pela obra através do anime.

1.

Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)? ● HQs no geral tem mais o objetivo de entreter ou causar impactos visuais, sem ter histórias muito complexas. São mais visuais do que narrativos, apesar de ter muitas obras incríveis e complexas, como Sandman. Eu percebo que os Mangakas se focam mais em contar uma história decente, com personagens marcantes e em passar mensagens importantes sobre vários temas da sociedade, etc.

2.

De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia? ● Para mim impactam principalmente em conhecimentos da vida, como conflitos pessoais, lidar com outras pessoas, situações, aquela parte psicológica da coisa. Segundo, muito conhecimento de outras culturas, eventos históricos e novos autores de obras incríveis. Terceiro, mas não menos importante, o próprio entretenimento. One Piece em si me influencia a nunca desistir dos meus objetivos, por mais que o caminho seja doloroso, você perca oportunidades ou pessoas no caminho (assim como o Luffy e outros personagens), a lição de One Piece é aquela alegoria do Rocky Balboa: “Quem vence uma luta não é quem dá mais porrada, mas sim, de quem aguenta mais porrada”, e isso eu levo muito na minha vida. Por pior que as coisas estejam e por mais rasteiras e


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socos na cara que você leve, você vai levantar mais forte, mais convicto e mais confiante, logo, mais resistente e não vai cair mais para as coisas que te derrubaram no passado. Além do mais, passa toda a lição de amizade e o conceito de família, que pode ser ou não de sangue, que é muito bonito em One Piece. Tem também a questão da intolerância e como as pessoas têm de aprender a respeitar suas diferenças.

3.

Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody). ● Acho que o Oda quis simplificar as coisas e deixar bem poucos veículos de comunicação. Para não deixar tudo tão complexo e só deixar para todos: “É isso aí que tem, um jornal mundial, todo mundo está sabendo do que saiu na mídia e acabou. Vamos voltar à história". O Oda usou mais como artifício de narrativa, do que focar nessa parte jornalística da coisa, ele passou a dar mais ênfase com a apresentação do Big News, tipo, os jornais de One Piece ficam no background, mas são bem importantes

sim

e

impactam

decisões

da

Marinha,

piratas,

revolucionários, etc. O Oda só usa eles para dar ''Big News" mesmo, como recompensas cabulosas ou notícias de prisões de grandes nomes, mortes ou invasões. 4.

Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho). ● Ele manipulou e usou a força do seu jornal e do seu prestígio para influenciar o governo, a polícia (Marinha) e todas as outras pessoas do


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mundo a verem o Luffy como um infame muito perigoso, sendo considerado até 5º Imperador. A postura dele, trazendo para o nosso mundo, obviamente está errada, porque foi fake news, mas para narrativa de One Piece agradou todos, porque fez a recompensa subir absurdamente, e todos torcem para o Luffy. 5.

Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido a forma como ele foi representado, sua aparência? ● Não respondeu a essa pergunta.


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APÊNDICE J ENTREVISTA COM WEVERTON NUNES ● Weverton Nunes, 23 anos, mora no Acre. Estudante de História, está fazendo bacharelado, último período Universidade Federal do Acre. Começou a ler mangás em 2010, sendo o primeiro One Piece. Se interessou pela obra através do anime.

1.

Qual a maior diferença que você percebe entre HQs (quadrinhos no geral) e Mangás (quadrinhos japoneses)? ● As Hqs para mim têm como função mostrar um herói perfeito que salva as pessoas que tem problemas, mas não tantos. Já o mangá me atrai porque obras como One piece trata muito do real. Alguém que é forte, mas também perde, que também comete erros, que também se engana e que busca mostrar coisas que está acontecendo, principalmente pelo viés do preconceito. É uma obra que amo não pela luta, mas sim pela humanização dos personagens.

2.

De que forma os mangás no geral afetam a sua vida, e de que forma One Piece te influencia? ● O mangá One Piece me afeta sempre positivamente, a questão da honra, do respeito que o protagonista tem com todos, nunca tratando ninguém diferente e sobre o quanto uma amizade verdadeira pode ser preciosa. O que faz One Piece ser meu mangá favorito é porque ele trabalha em várias vertentes, não só luta, não só questão de honra, mas humanizar mesmo. Faz você entender que não existe um lado 100% certo, qualquer lado que você ficar vão ter coisa boas e coisas ruins. Eu acho que é um dos principais pontos da obra tenta passar é que depende muito da ética de cada personagem.


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3.

Qual a importância do Jornal Económico Mundial (JEM) para a História? Você acha que ela conseguiria existir sem ter esse veículo de comunicação? (Um exemplo importante é quando “Luffy” manda uma mensagem secreta através do jornal para seus companheiros a respeito do encontro deles em Sabaody). ● O jornalista e a história dentro de One Piece. Como a gente sabe a história, o mundo de One Piece, não tem a tecnologia daqui do mundo real: smartphone, celular, internet. A principal forma de comunicação no mundo de One Piece é o jornal, ele sempre é a principal forma de comunicação e o protagonista, o Luffy, a gente vê muitas das vezes esses exemplos dentro da obra. Uma que você citou, que foi quando ele usou para mandar uma mensagem para os amigos deles que não estavam com ele naquele momento, aquela mensagem foi muito importante, mostrando o quanto o jornal, dentro do mundo de One Piece é a principal fonte de informação.

4.

Ao final de todo arco, o JEM é entregue a vários personagens em diversas ilhas, porém a notícia transmitida dentro dele nem sempre é fiel ao que realmente aconteceu. Nesse caso, como você definiria a postura do jornalista dentro da história? (Exemplo: na saga de Whole Cake onde o dono do jornal ao invés de contar o que aconteceu de verdade, colocou toda a culpa no Luffy, como se ele tivesse orquestrado tudo sozinho). ● Ao mesmo tempo que ela é a principal fonte de informação boa, ela também pode ser usada para algo ruim. No final de umas das sagas, Whole Cake, o diretor geral do jornal o usa para distorcer um pouco as informações dos acontecimentos que tiveram e dar crédito de tudo que aconteceu ao principal, fazendo com que o patamar dele subisse ainda mais do que subiria. Ele usa a informação, ele como fonte, para distorcer os acontecimentos e fatos, e fazer com que o protagonista seja maior do que ele realmente foi. Ele usa esses meios para provocar mais o caos naquela época, um pirata se destacando ainda mais, batendo de frente


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com um dos líderes principais do novo mundo. Então o Luffy, de acordo com que o jornal falou, ele foi a peça chave primordial, ele arquitetou tudo e por isso que ele ganhou tanta repercussão. Então os jornais no mundo de One Piece, por ser a principal fonte, ela é passada como uma fonte que você não pode de jeito nenhum e de nenhuma maneira tentar justificar, tentar dizer “ó está errado”, é a fonte primordial, tudo que está dizendo dentro dela é dito como verdade absoluta e imutável, então tudo que é escrito no jornal é verdade absoluta. Os jornalistas e suas fontes são simplesmente absolutas naquele mundo, não tem nada que você possa fazer que possa mudar. Então eu digo que o jornalista dentro de One Piece tem uma força que talvez alguns outros leitores não perceberam, que as 4 forças que eu denomino, que existe 4 forças dentro da obra são: os piratas, os Shichibukais, que são piratas também só que com algum tipo de influência, têm os Yonkous, tem o governo e uma quinta força nas sombras que também tem grande influência no mundo de One Piece que são os jornalistas, os jornais e a informação. 5.

Você acredita que o personagem Morgans, dono do jornal, desempenha um papel de vilão na história pela forma como ele age? E essa percepção que você tem dele, é devido à forma como ele foi representado, sua aparência. ● Não respondeu essa pergunta.


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