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QUEM SABE FAZ AO VIVO - MONOGRAFIA

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL RÁDIO, TV E INTERNET

Bruno Aparecido Bueno Barbosa

QUEM SABE PRODUZ O AO VIVO

SÃO PAULO 2020


Bruno Aparecido Bueno Barbosa – RGM: 17744091

QUEM SABE PRODUZ O AO VIVO

Projeto Experimental apresentado ao curso de Rádio, TV e Internet como requisito parcial à obtenção do certificado de conclusão.

Orientador: Prof. Me. Alexandre Henrique Coorientador: Prof. Dr. Bruno Rogério Tavares

SÃO PAULO 2020


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Dedico este trabalho a meu pai e minha mãe que, mesmo sem entender anos de discursos acalorados sobre cada aula assistida, me deram apoio e se orgulharam de cada passo no caminho da graduação.


AGRADECIMENTOS

Agradeço, acima de tudo, a Deus, que me formou e me criou como um apaixonado pela comunicação social, e concedeu pela intercessão da Virgem Maria, o dom da inteligência e as forças necessárias para trilhar cada sonho nos últimos anos, e a providência de chegar até aqui. Agradeço meus pais, família e amigos que aturaram cada crise, devaneio e me acolheram nos momentos de dúvida e ansiedade, motivando para que eu não desistisse. Agradeço ao meu orientador Prof. Me. Alexandre Henrique, pela sabedoria carisma e inspirações. Uma surpresa a experiência enquanto orientando deste mestre. E também aos queridos professores que passaram pela minha história nos últimos anos, que me inspiraram, motivaram e se esforçaram na missão de me moldar enquanto profissional e, também, como cidadão. Aos meus colegas de sala, de maneira especial, cada um que produziu comigo em todos os semestres através do grupo “Rootopia Produções”, me possibilitando a experiência e a segurança para pesquisar, sozinho, um assunto que tanto me interessa, a fim de finalizar o curso com tranquilidade e auto realização. A Comunidade Católica Instrumento de Deus, espaço onde depositei muito do meu conhecimento. Enfim, a todos os que por algum motivo contribuíram para a realização desta pesquisa.


“Pois

havia

essa

diferença

fundamental entre a tevê daquela época e a de hoje. Uma diferença que alterava tudo, do tipo de talento exigido dos profissionais à dinâmica do trabalho. A diferença era que a televisão, naquele tempo, era ao vivo.” Daniel Filho


RESUMO

Uma apresentação do mercado audiovisual como é entendido hoje na teoria e na prática quando falamos de “transmissão ao vivo”. Através da pesquisa bibliográfica em teorias da comunicação; teorias e manuais de produção audiovisual; entrevista com profissionais do setor audiovisual; estudos de caso e análises de conteúdo e de leis que fomentam o audiovisual no Brasil, deve-se apresentar uma proposta que relata a atividade do Produtor audiovisual, especificamente do Produtor Executivo, para a transmissão em tempo real de conteúdo na televisão ou na internet. Com a apresentação adequada de quais as responsabilidades do Produtor Executivo no planejamento de uma transmissão ao vivo para rádio ou para televisão.

Palavras-chave: Ao Vivo, Audiovisual, Produção, Executiva, Transmissão.


ABSTRACT

A presentation of the audiovisual market as it is understood today in theory and practice when we talk about "live transmission". Through bibliographic research in communication theories; theories and manuals of audiovisual production; interviews with professionals in the audiovisual sector; case studies and analysis of content and laws that promote audiovisual in Brazil, a proposal must be presented that reports the activity of the audiovisual Producer, specifically the Executive Producer, for the transmission in real time of content on television or the Internet. With the appropriate presentation of what the responsibilities of the Executive Producer are in planning a live broadcast for radio or television.

Keywords: Live, Audiovisual, Production, Executive, Broadcast.


SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO............................................................................................... 11

2

AUDIOVISUAL: UMA RELAÇÃO DE MERCADO........................................ 15

2.1

Broadcast e Streaming: Avanços geram tendências...................................... 19

2.2

Público e Consumo......................................................................................... 21

3

CADEIA PRODUTIVA.................................................................................... 25

3.1

Regulamentações........................................................................................... 31

3.2

O Radialista.................................................................................................... 34

4

O PRODUTOR................................................................................................38

4.1

Produtor e Produtor Executivo no Cinema..................................................... 38

4.2

Produtor e Produtor Executivo na Televisão.................................................. 42

4.3

Produtor e Produtor Executivo em Eventos....................................................44

4.4

Produtor e Produtor Executivo no Internet......................................................45

5

AO VIVO......................................................................................................... 48

6

MAPAS DAS COMPETÊNCIAS.................................................................... 55

CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................... 59 REFERÊNCIAS......................................................................................................... 62


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Consumo de Televisão e Serviços On Demand.......................................22 Figura 2 – Organograma de Produção de Cinema....................................................26 Figura 3 – Organograma – Produção de Baixo Orçamento.......................................26 Figura 4 – Setores do Audiovisual..............................................................................28 Figura 5 – Cadeia Produtiva – Montagem x Ao Vivo..................................................29 Figura 6 – Quadro de Comparação de Funções........................................................36 Figura 7 – Frames: Transmissão Ao Vivo “Dia Estúdio” 2019...................................51 Figura 8 – Frames: Transmissão Ao Vivo “Dia Estúdio” 2020...................................53 Figura 9 – As 4 esferas do desenvolvimento profissional do Produtor......................55 Figura 10 – Funções do Produtor de Transmissão Direta - Planjamento..................56 Figura 11 – Funções do Produtor de Transmissão Direta – Pré Produção................57 Figura 12 – Funções do Produtor de Transmissão – Produção.................................58


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANATEL

Agência Nacional De Telecomunicações

ANCINE

Agência Nacional Do Cinema

CONDECINE

Contribuição Para O Desenvolvimento Da Indústria Cinematográfica Nacional

COVID-19

Corona Virus Disease – 2019

DRT

Documento De Registro Técnico

IAB

Interactive Advertising Bureau

IBGE

Instituto Brasileiro De Geografia E Estatística

IPTV

Internet Protocol Television

M2M

Machine To Machine

OCA

Observatório Brasileiro Do De Cinema e Do Audiovisual

PC

Personal Computer

SEBRAE

Serviço Brasileiro De Apoio Às Micro e Pequenas Empresas

SVOD

Subscription Video On Demand

TIC

Tecnologia Da Informação E Comunicação

TV

Televisão

UFF

Universidade Federal Fluminense

WIFI

Wireless Fidelity


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1. INTRODUÇÃO

A produção do audiovisual se concretiza com diferentes pensamentos, objetivos e profissionais. Sobre isso, Zettl (2015) vai nos dizer que a produção de televisão é consideravelmente complexa, por carecer de diferentes profissionais e também por se estender em diferentes fases. Na obra em que descreve essas fases da produção de televisão, Herbert Zettl considera a existência de equipes técnicas e não técnicas, destacando os profissionais que compõem essas equipes para entendermos as diferentes responsabilidades na produção de TV. Fazendo um recorte deste destaque de profissionais para a finalidade deste trabalho, encontramos na categoria da equipe não técnica, os profissionais “Produtor Executivo” e “Produtor” como duas funções diferentes, tendo suas respectivas atividades (em suma) como: administrar orçamentos e realizar o trabalho de coordenação com clientes, direção de estações, agências, patrocinadores, artistas e etc.; e de outro lado, se atentar à produções individuais coordenando os profissionais técnicos e não técnicos. (ZETTL, 2015) Na tentativa de compreender a formação profissional do Produtor Executivo no audiovisual brasileiro, ao analisar o curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense, UFF, Elena Macêdo (2019) identifica a atuação do produtor executivo como uma profissão “complexa e cheia de peculiaridades” que ainda tem seu conceito em processo de definição, mas ao mesmo tempo, detecta no profissional uma peça chave para alavancar a produção dos bens artísticos-culturais. “O audiovisual é uma manifestação cultural de suma importância para nossa sociedade (...) as atividades ligadas ao setor devem ser protegidas e estimuladas (...) A cultura é reconhecida como ativo econômico e vetor de desenvolvimento social, que movimenta uma economia que transcende suas atividades específicas.” (MACEDO. 2019, p. 55)

E esta perspectiva cultural do audiovisual transcendente de atividades específicas, é apontada também como um “cenário dinâmico e cambiante” por Nunez e Moraes (2015) ao estruturarem o “Guia Audiovisual”, a fim de direcionar estudantes, profissionais e empreendedores da produção audiovisual. No guia, a função do produtor executivo corresponde às características das funções do “controlador de produção” somada à do “produtor de rádio e TV” simultaneamente, e acrescida apenas da responsabilidade de administrar “parte das


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intermediações com patrocinadores e órgãos reguladores” (NUNES; MORAES. 2015, p. 45). Ao término desta pesquisa, vamos descobrir e afirmar, um conceito atribuído ao profissional em produção executiva na televisão e em todo o mercado audiovisual, pelo exercício capaz de determinar processo e estratégias, conduzindo um projeto - independentemente de seu tamanho - ao alcance de resultados. A questão que induz esta pesquisa não se destina apenas às atividades do produtor executivo, uma vez que a mesma pode ser generalizada e vista como um cumprimento de “tarefas padrão” se observarmos apenas as definições apontadas nos quadros de funções. Este projeto tende a observar a atuação do encargo aqui particularizado, quando o produto audiovisual se trata da transmissão de pequenos, médios e grandes eventos. Ou seja, o vídeo ao vivo. Uma vez que “não existem duas externas exatamente iguais, e sempre há circunstâncias únicas que requerem ajustes e concessões” (ZETTL. 2015, p. 243), isso significa, que as demandas de produzir um programa de televisão de entretenimento se diferem das de produção de um jornal ao vivo, ou da transmissão de um jogo de futebol, que também se destaca da transmissão de um festival de música. Para tratar da transmissão ao vivo em televisão ou em internet, vamos discutir temas como, por exemplo, o consumo de televisão no Brasil. Que aumentou cerca de 12% no período de 2009 a 2019 e o avanço da internet é apontado como evento colaborativo para o crescimento da audiência televisiva, devido a experiência de múltiplas telas que favorece ambos os conteúdos, de tevê e de internet. Tal evento é apontado em um levantamento mais recente da Kantar Ibope Media, publicado em 2019, denominado “Inside TV”. O qual nos mostra que 99% das pessoas assistem algum tipo de formato em vídeo e que “todas as telas levam ao vídeo”. Mais detalhadamente, mostra que 92% de consumo de vídeo é pela televisão e uma média de 39% a 77% deste consumo, é pelas redes sociais de relacionamento e plataformas de streaming. O “Inside TV” considera que existe uma força regional e cultural que altera estes dados, mas ainda assim, há prevalência e correspondência de uma tela de vídeo levando o espectador à outra tela de vídeo. Sempre transitando pelo universo do entretenimento audiovisual. Um primeiro caso que podemos citar, alcançou mais de 11,6 milhões de telespectadores, e mais de 13 milhões de engajamento após 115 mil visualizações


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na cobertura realizada através do Youtube. Estes foram os resultados de audiência do canal por assinatura Multishow, que manteve a liderança durante todo o final de semana em que transmitia o Rock in rio na edição de 2019, de acordo com o artigo publicado por Lucas Naian (2019). Observando a mesma ocorrência, a Kantar Ibope Media (2019), através de seus analistas, publicou um levantamento dizendo que a transmissão do evento, e a resposta da audiência permitiu uma melhora na opinião do público não somente sobre o canal que produziu a transmissão, mas também sobre os artistas que se apresentaram. A transmissão de eventos pela internet - no Brasil popularmente chamada de live, mas para profissionais da área, denominada live streaming para diferenciar do termo (tecnológico) streaming que envolve as plataformas de distribuição de conteúdo digital - tem seu crescimento enraizado nas estratégias de marketing de conteúdo. O site Vimeo de compartilhamento de vídeos, lançou um material chamado The Ultimate Guide to Live Streaming Events (O Melhor Guia para Transmitir Eventos), contextualizando esse mercado digital com a opinião de empresas que transmitem eventos corporativos de lançamentos de novos produtos e conferências de especialistas abertas ao público através da plataforma, afirmando o superdesenvolvimento do live streaming como estratégia comercial visada por todo tipo de empresa. (VIMEO RESEARCH, 2020, TRADUÇÃO NOSSA) A partir destas elucidações sobre produção, profissão, mercado e conteúdo, vamos trilhar um caminho através de uma pesquisa exploratória, para entender o agir da produção executiva na transmissão de eventos não só na televisão,

como

também

na

internet,

tecnologia

que

têm

democratizado

transmissões de áudio e vídeo. Será possível, ao final desta obra, compreender a atuação do profissional em produção executiva e o exercício de suas funções para a realização da transmissão de evento ao vivo, seja na televisão ou na internet, diante do atual mercado audiovisual. A partir da exploração de obras publicadas e estudos realizados sobre transmissões de vídeo ao vivo, devemos identificar as áreas de conhecimentos exercidas pelo Produtor Executivo no desempenho de sua função. Buscaremos apontamentos da legislação, das entidades privadas e governamentais, e outros aspectos que corroborem para a boa execução do audiovisual. Foi possível, com este estudo, descobrir as diferenças entre o direcionamento deste tipo de conteúdo, na tv e nas redes sociais e, discutir, também o desenvolvimento


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tecnológico para este setor, e o porquê de ser tão importante a participação destes avanços na economia criativa. Para o desenvolvimento desta pesquisa, fora utilizado a metodologia de pesquisa qualitativa, exploratória, e análise de bibliografias cientificas, acadêmicas e intelectuais. Coletamos informações a respeito da organização de produção de eventos na televisão e na internet fornecidas por colaboradores de produtoras audiovisuais e grupos de comunicação por entrevista e em seus canais oficiais de informação aberta ao público. Todos os aspectos éticos no que diz respeito ao critério das fontes de informações coletada em obras intelectuais, profissionais entrevistas, produções analisadas, para a realização deste estudo foram respeitados, dando os devidos créditos aos colaboradores. Foram realizadas entrevistas com os profissionais Fernando De Nadai, produtor de conteúdo; Paulo Altafim, designer de som em Teatro Musical; Meryelen Diamante, diretora de produção da Nissi Filmes e diretora técnica do Teatro Nissi; e Matheus Colen, produtor, roteirista e autor do livro “Guia do Produtor Executivo”. Analisamos e-books, livros e duas transmissões ao vivo realizadas no YouTube nos anos de 2019 e 2020 pela produtora “Dia Estúdio”.


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2. AUDIOVISUAL: UMA RELAÇÃO DE MERCADO A República Federativa do Brasil, através da Lei de número 12.485/2011, define o conteúdo audiovisual como o “resultado da atividade de produção que consiste na fixação de imagens, acompanhadas ou não de som” independentemente de seu processo de produção, de sua finalidade, e de sua veiculação. Uma vez que o audiovisual é primeiramente um resultado da atividade de produção, falamos de trabalho (da profissionalização) que está automaticamente presente numa realidade de mercado. É possível abordar o tema partindo de dois aspectos:

conteúdo e

mercado. Mas ainda assim, não há dissociação do mesmo. Conteúdo e Mercado audiovisual são como dentes de uma engrenagem, operando-se em pares. Entendemos como conteúdo, aquilo que deverá ser consumido pelo público ou espectador, com a finalidade de entreter, informar, educar, etc. É o material reproduzido nos diversos players e meios de comunicação (cinema, televisão, rádio, internet). Há uma relação indissociável entre conteúdo e público. De tal forma, por mercado nos referimos à negociação de conteúdo, o que envolve diferentes empresas e diferentes setores econômicos. Inclui também seus criadores, produtores e agentes transmissores no campo da oferta, e, no campo da procura, os consumidores que pagam direta ou indiretamente pelo conteúdo audiovisual, que influenciam a demanda do que é elaborado ou não na cadeia de produção do setor, e também clientes que não são do setor audiovisual, mas buscam um serviço desenvolvido exclusivamente pelo próprio. O panorama mercado-conteúdo demanda a atuação, como introduzimos, de um trabalho profissionalizado e dedicado às esferas da criação. Propõe-se aqui, seguir, a partir disto, para uma reflexão do desenvolvimento do audiovisual possibilitado pelas ações de tais profissionais, e também, pelos avanços tecnológicos e pela digitalização das mídias disponíveis para o setor. Podemos iniciar com uma reflexão sobre conteúdo, apontado, por exemplo, pelo empresário e diretor de televisão José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni), em entrevista ao programa “Roda Viva” da TV Cultura em 2011. Onde previa para o futuro da televisão a concentração de suas atividades no jornalismo e nos programas ao vivo. Complementando essa discussão acerca daquilo que se produz no setor audiovisual, Boni, em 2020 – em entrevista ao mesmo programa - faz uma


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crítica às lives, realizadas na internet durante o período da pandemia do COVID-19, ao dizer que são mal produzidas devido ao ponto de vista de que audiovisual “se pode fazer de uma forma muito despojada”, uma linguagem advinda da internet, outrora entendida como uma tecnologia capaz de “alterar o modelo de produção e ter efeito nos formatos. (...) A mídia digital, tal como aconteceu com o vídeo analógico, possibilita a democratização da produção audiovisual. O barateamento dos custos da tecnologia de captação e finalização, bem como a possibilidade de criar o próprio canal de exibição na web, popularizou essa prática inserindo novos realizadores e novas perspectivas.” (CANNITO, 2010, p. 181)

A acessibilidade ampliou-se em caráter de consumo e criação de conteúdo audiovisual com a chegada da internet. Os dados da pesquisa sobre o uso da Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC de 2018, divulgados pelo portal “Educa IBGE”, apontam que oito em cada dez domicílios tem acesso à internet no Brasil, o que equivale à 134 milhões de brasileiros. 99,2% dos domicílios com acesso à internet utilizam o sistema pelo aparelho celular. Com ou sem internet, 96,4% dos domicílios têm pelo menos um aparelho de televisão no Brasil. Esse crescimento do acesso à tecnologia e à informação é capaz de propiciar nova atividade no setor da economia criativa, gestando produtores independentes e consumidores mais assíduos. Evento perceptível com o surgimento de profissões, hoje, populares e – digamos – empíricas, tais como o filmaker e o videomaker (a diferença entre entes, respectivamente, é que um desenvolve projetos fílmicos como curta e longa metragem e outro trabalha com vídeos pontuais e mais curtos. O videomaker costuma fazer toda a produção sozinho) como frutos – em grande parte – da democratização da produção audiovisual. “Uma vez que há necessidade de um produtor para qualquer tipo de produção, esta é uma função que não pode ser eliminada” (STASHEFF e col. 1978.) é compreensível, portanto, a propagação dos chamados produtores de conteúdo digital. A produção de conteúdo na linguagem da internet tem se distanciado do amadorismo (ou do caseiro) devido a valoração que o material recebe com a otimização de vídeos em sites como o YouTube, por exemplo. Mas, o distanciamento

do amadorismo tornou-se

possível com novas tecnologias

disponíveis para a produção e não necessariamente, pelo uso de técnicas de


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linguagem audiovisual. É na linguagem audiovisual que o conteúdo voltado para o público demonstra seu verdadeiro teor profissional. Quando Boni faz uma crítica ao despojamento da internet - que na opinião dele não deve ser replicado na televisão, mas refinado - tenta alertar para uma realidade que começamos a tratar nesta monografia. O audiovisual não é, apenas, um feito de imagens em movimento com ou sem som. Mas um setor econômico potente que recebeu, segundo o Observatório Nacional de Cinema e Audiovisual (OCA), um total de 176.433.168 expectadores em sala de exibição de cinemas em todo o país no ano de 2019 e que obteve uma renda total de R$328.160.966,00 apenas com filmes nacionais, no mesmo ano. Há uma responsabilidade em produzir audiovisual, e de forma particular, deve haver empenho para fazer transmissões ao vivo. A motivação para a melhoria da qualidade em produção de transmissões ao vivo, pode partir de uma noção adequada do audiovisual enquanto mercado e de seus resultados de consumo. Portanto, partiremos para alguns levantamentos que aprimorem a noção de mercado. O audiovisual, é um setor econômico cuja cadeia de produção é “excessivamente pulverizada, composta por uma grande quantidade de empresas de pequeno porte” (SEBRAE, 2015) mas também por empresários individuais, empresas de grande e médio porte, e grandes grupos comunicacionais. O desenvolvimento e a ação das empresas deste setor, movimentam a economia e também “geram inúmeros problemas sociais e políticos, os quais periodicamente forçam debates públicos” (STRAUBHAR e LAROSE, 2004). Debates esses que movimentam a economia criativa. A internet e a tecnologia têm personalizado o consumo e a cabeça do consumidor, que são fatores importantes para a produção do audiovisual. Trataremos destes pontos mais adiante. Essa cadeia de produção pulverizada, ou seja, repleta de possibilidades, extensões e ações, é também “uma cadeia de valor que perpassa vários segmentos” (Sebrae, 2016), podemos entender estes seguimentos pela ótica da finalidade do conteúdo, separando-os assim, de forma genérica, entre conteúdo publicitário e conteúdo não publicitário. Fazemos esta separação pois os componentes da categoria publicitária não utilizam de um canal de distribuição formal, logo, as


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atividades necessárias para viabilizar o audiovisual no que tange à publicidade, carecem de uma cadeia de produção diferente, mas não inferior. A categoria de conteúdo não-publicitário engloba produções com finalidade educacional, informativa, etc. Aqui, trataremos da produção

de

entretenimento como conteúdo não-publicitários. As plataformas de consumo do entretenimento audiovisual são janelas responsáveis pela entrega do conteúdo ao consumidor. Cada seguimento, gênero, ou então linguagem do entretenimento audiovisual pode ser encontrado em plataformas de consumo diferentes. Algumas janelas que findam a distribuição de entretenimento audiovisual são: o Emissoras de TV Aberta o Video On Demand o Cinema o TV por Assinatura o Redes Sociais e Plataformas de Compartilhamento de Vídeo

Há duas formas de distribuição: Uma que é construída e finalizada em processo posterior ao registro que é o de pós produção, a montagem. E outro, direto da cobertura e transmissão da ação, o ao vivo. O conteúdo ao vivo pode ser distribuído atualmente através da TV Aberta e TV por assinatura com programas de auditório, reality shows, game shows e eventos esportivos ou sociais. E também, no formato de lives pelas redes sociais como o Twiter, Facebook e Instagram; ou em plataformas de compartilhamento de vídeo como o YouTube, Vimeo, Twitch, Vevo, entre outras. Conteúdos para Cinema, Video On Demand, ficção e dramaturgia não trabalham com conteúdo ao vivo, mas sim com a montagem. Todos esses processos que findam a distribuição de entretenimento audiovisual, seja este gravado ou ao vivo, são hoje, concebíveis pelos efeitos do acesso à comunicação, do desenvolvimento tecnológico e seus respectivos rendimentos.


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2.1.

Broadcast e Streaming: Avanços Geram Tendências Assim como, o conteúdo está para o mercado, ou seja, conforme o

mercado se desenvolve a tendência é de que o conteúdo seja melhor produzido, o mercado está para a tecnologia. Quanto mais a tecnologia avança, mais abrangente e mais potente pode se tornar o mercado. Para tal entendimento, é possível a leitura dos fenômenos broadcast e streaming. A palavra Broadcast (do inglês) significa, em tradução livre, envio em larga escala. O manual da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) define o termo como a “transmissão por meio de ondas eletromagnéticas”. É comum o uso do termo broadcast para fazer referência ao processo de transmissão de informações para muitos receptores ao mesmo tempo. O que pode acontecer pelo rádio, pela televisão e até mesmo pela internet. O avanço tecnológico num dado momento popularizou a utilização do termo broadcast e em seguida proporcionou o surgimento do streaming como uma maneira de melhorar o consumo e o acesso ao conteúdo. Um dos eventos de convergência responsável pela popularização do termo broadcast, foi o surgimento do YouTube em 2005, quando, em seu logotipo, carregava o lema “Broadcast Yourself” (transmita você mesmo, em tradução livre). Embora o YouTube utilize de uma caraterística muito forte da tecnologia em streaming - que é o fluxo contínuo da mídia - propagar a ideia de independência na transmissão de conteúdo para muitos receptores, foi um fator relevante para uma outra característica do serviço streaming como o conhecemos: A autenticidade no setor audiovisual sem estar atrelado à um grande monopólio comunicacional, podendo assim, ter uma atuação mais social, abrindo espaço para pequenas empresas e produtoras. A diferença entre broadcast e streaming está especificamente em suas disposições tecnológicas. Com a chegada da internet, para assistir à um vídeo ou escutar música era necessário aguardar o download do conteúdo para poder consumi-lo. O surgimento da tecnologia streaming fez com que essa espera do download de um arquivo não fosse mais necessária para a sua apreciação. Pois o streaming, é este fluxo contínuo do material, quase como se o download acontecesse durante a sua reprodução, dando a sensação de tempo real.


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“A caracterização de mídia de fluxo contínuo, ao vivo, distribuída através da internet, além de ser um tópico bastante interessante, é provavelmente de extrema importância dada a crescente utilização da internet como canal para a distribuição e transferência de conteúdo ao vivo em complemento à outros canais de difusão como o rádio e a televisão.” (VELOSO, 2002, p. 9)

É notável então que, o avanço tecnológico refletiu em novas formas de atuação e também de consumo do audiovisual. Uma vez que o usuário com acesso à internet tem uma tecnologia como o streaming que otimiza o tempo de consumo, dando a ele o conteúdo desejado no exato momento, cada vez mais conteúdos podem ser consumidos. E ao mesmo tempo que as plataformas possibilitam a atuação independente na divulgação de produções autorais, mais necessidades de inovação surgem e mais insumos, e também projetos audiovisuais, são criados e disponibilizados, pois, o mercado está para a tecnologia e vice versa. Em seu relatório anual sobre Internet para o período de 2018 a 2023, a empresa de tecnologia Cisco fez projeções salutares para os setores de comunicação e audiovisual no Brasil e no mundo. Só de uso de internet, 66% da população global deve ter acesso até 2023, número que em 2018 era de 51% de usuários em todo o globo. Nesta mesma escala (global) os dispositivos (banda larga, WFi, 3G, 4G, 5G, IPTV, Smat TV, Tablet, PCs, etc) apresentam um crescimento maior do que a própria população e os usuários de internet. A tendência é acelerar o crescimento médio de dispositivos e conexões por residência e por indivíduo. Conforme os dispositivos são introduzidos no mercado, espera-se que as pessoas e setores descubram a necessidade de utilizá-los e comecem a se adequar aos mesmos. Foi o que aconteceu com a chegada da tecnologia streaming na internet. A previsão é de que o primeiro crescimento mais rápido seja o uso da tecnologia M2M (Machine to Machine), um sistema de comunicação entre máquinas para a coleta e geração de dados sobre o usuário. O segundo crescimento previsto é o da utilização de Televisão, de maneira particular, da televisão conectada à internet. É previsto que o uso da televisão conectada à internet continue crescendo em escala global, e com isso, acompanhemos uma pequena decadência no uso de computadores e tablets, colocando em evidência na mão dos usuários, os aparelhos televisores e smartphones. Com isso, percebemos que a ideia de que o surgimento de uma nova tecnologia aniquila ou interrompe o funcionamento de outra, não é vero. Como diria


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Newton Cannito: “as diferentes mídias se retroalimentam” (2010) ao permanecerem no cenário mercadológico, interagindo e complementando umas às outras. Assim como o streaming, que “é a tecnologia capaz de abarcar outras mídias: o áudio, o vídeo e o texto.” (KANTAR, 2020) A internet, hoje, complementa os difusores tradicionais de informação, permitindo que “objetos de streaming media ao vivo sejam disponibilizados por indivíduos comuns por não necessitar da infraestrutura e das técnicas de editoração indispensáveis em outros meios de difusão” (VELOSO, 2020). Contemplamos a eficácia deste sistema em redes, pelos resultados de consumo coletados pelas pesquisas de mercado. 2.2.

Público e Consumo O processo histórico de desenvolvimento tecnológico, permitiu o

surgimento da mídia digital, que segundo Lev Manovich (apud CANNITO, 2010, p. 74), pode ser definida como a fusão da tecnologia audiovisual e a tecnologia do computador. O conceito de controle da comunidade e as possibilidades de produção independente contribuíram para o sucesso da “TV na Internet”, uma vez que, embora houvesse repetição dos conteúdos já existentes na televisão (pois no surgimento da internet os canais de televisão apenas publicavam em seus site e canal do YouTube o que já havia ido ao ar na TV), era possível encontrar também conteúdos originais, seguindo a ideia de corresponder à uma demanda de distribuição sendo fonte de informação e lazer. “Ao dar ao usuário a possibilidade de assistir à vídeos pelo celular, o Youtube efetiva o princípio número um da convergência: ‘Qualquer coisa, a qualquer hora e em qualquer lugar.” (CANNITO, N. G. 2010, p. 98) A discussão acerca do mercado digital sempre propagou a ideia de que o consumidor teria mais autonomia na escolha do conteúdo que lhe interessasse (o conceito de controle da comunidade, em Cannito), e isso renderia mais sucesso ao conteúdo da internet em relação aos conteúdos televisivo, radiofônico ou cinematográfico. Já destacamos que a discussão do mercado digital é convergente. E os dados da pesquisa Data Stories da Kantar Ibope Media de 2020 sobre a tecnologia e o indivíduo On Demand confirmam esta hipótese.


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Na introdução do estudo, Adriana Favaro, diretora da Kantar Ibope Media, alerta que “mais do que nunca, o indivíduo está no controle e escolhe como e onde consumir conteúdo. O streaming contribui ampliando e complementando a experiência de vídeo e de áudio para outros lugares e outros momentos”. A autonomia do consumidor é mais forte, porém o mesmo ainda depende de produções que o interesse. Da margem populacional coletada para a pesquisa, 95% costuma consumir televisão e serviços SVoD durante a semana. Podemos ver na figura 1, que apenas 5% dos entrevistados consomem de maneira exclusiva os SVoD, a Televisão linear (os canais com programação como conhecemos tradicionalmente) ainda são a maior fonte de entretenimento para o público. Figura 1 – Consumo de Televisão e Serviços On Deman

Fonte: Kantar Ibope Media (2020)

Temas como, a produção e o consumo de conteúdo ao vivo, alcançaram certa notoriedade devido a pandemia de Coronavírus (COVID-19) no Brasil e no mundo no ano de 2020. O isolamento social levou a população a utilizar mais artifícios tecnológicos para situações como trabalho e estudo, e consequentemente,


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para o entretenimento individual e familiar. Shows musicais que foram cancelados aconteceram através de transmissões ao vivo na internet, o sucesso desta prática, motivou canais de televisão como o Multishow; o Prime Box Brazil; e até a Claro, concessionária de TV por assinatura, a abrirem espaço para transmissão ao vivo de concertos de artistas que estavam programados para acontecer exclusivamente na internet, de maneira que o público migrasse para a televisão. Eventos executivos, feiras e exposições, lançamentos de produtos, também aconteceram através de transmissões ao vivo, denominadas como lives corporativas. As lives “ganharam escala e inundaram redes, aliviando o estresse do confinamento e abrindo oportunidades para artistas, marcas e meios de comunicação.” (KANTAR, 2020) 75% dos usuários de internet, que não tinham o costume, passaram a assistir transmissões ao vivo na rede, destes, 41% afirma que pagaria para assistir uma live, segundo a pesquisa da Kantar Ibope Media. No estudo denominado “on device research” pela associação de publicidade, Interactive Advertising Bureau – IAB, 21 países foram pesquisados a fim de criar uma perspectiva global do consumo de conteúdo live streaming. Chegou-se à conclusão de que a transmissão em tempo real é uma atividade diária capaz de provocar interação social. O consumo de vídeo ao vivo se eleva ao longo do dia tendo seu pico no período da noite, este foi um padrão detectado mundialmente. Esse tipo de informação, nos coloca numa posição de planejamento de grade, podendo colocar transmissões em horários adequados com o pico de consumo do público. Encerra-se aqui a contextualização de mercado audiovisual, traçando os pontos de relação entre conteúdo e mercado, conteúdo e público, conteúdo e tecnologia, tecnologia e mercado, tecnologia e público. Buscando um olhar para uma forma de distribuição que se objetiva em expressar uma experiência presencial à distância. Alguns pontos como a produção, a profissionalização, entre outros, serão abordados nos capítulos seguintes. Cabe-nos atentar para a visão de um mercado completo que se manifesta através de seu conteúdo, em favor de seu público pelas disposições de produtores conscientes da potencialidade de seu setor de atuação, e também pela condição tecnológica disponível para atuação e produção.


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Se o futuro da televisão é a concentração em programação ao vivo, encontramos hoje uma adesão facilitadora a este gênero de programação. O acesso à tecnologia nos permite produzir mais e consumir mais, devemos unir as potencialidades para começar a alcançar resultados. No audiovisual.

próximo

capítulo,

vamos

aprofundar

aspectos

de

produção


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3. CADEIA PRODUTIVA Como abordamos anteriormente, o mercado audiovisual acontece através da cadeia produtiva que se trata de um conjunto de ações articuladas progressivamente, constituídas em seguimentos com o intuito de moldar o produto final. Entendemos que o conteúdo audiovisual pode ser produzido para que seu consumo pelo espectador se dê de duas formas: depois do evento ocorrido com os recursos da montagem (o programa gravado), ou então, enquanto o evento acontece, com o recurso de transmissão em tempo real (ao vivo). O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) elenca seis elementos da cadeia produtiva do audiovisual: o planejamento, a préprodução, a produção, a pós-produção, a distribuição e a exibição. No livro “Fundamentos da Atividade Cinematográfica e Audiovisual”, Vinícius Alves Martins (2012) elenca três atores principais da cadeia audiovisual, sendo eles os produtores (sujeitos envolvidos com a produção de alguma forma), os exibidores (sendo as salas de exibição, ou seja, o meio por onde o produto chega até o espectador), e os distribuidores (que fazem um elo entre produtor e exibidor, cuidando do lançamento comercial, marketing e etc.). Para STASHEFF e col. (1978), a produção audiovisual se inicia com a concepção da ideia, e o tamanho do projeto ou de sua equipe pode impactar na complexidade da produção, ou seja, a extensão da ideia audiovisual ou até mesmo do orçamento disponível, nos guia para duas estruturas de produção. Uma onde se encontram muitos profissionais especializados, cada um com sua função, e outra, com poucos profissionais especializados realizando mais de uma função. Veja na figura 2 abaixo um exemplo de organograma para a produção de um filme.


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Figura 2 – Organograma Produção de Cinema

Fonte: Autoria Própria (2020)

Pela dimensão de profissionais necessários, é notável que se trata de uma produção de custo mais alto, talvez mais complexa, onde muitos profissionais se conversam através de seus diretores, produtores ou supervisores. Este, é um caso onde cada profissional se dedica à uma atividade. Já em um projeto de baixo orçamento, ou então menos complexo, um único profissional pode assumir mais de uma atividade. Como vemos na figura 3: Figura 3 – Organograma – Produção de Baixo Orçamento

Fonte: Autoria Própria (2020)

As figuras apresentadas não são esquemas de cadeia de produção, mas é possível notar - pelos profissionais elencados – as fases de pré-produção, produção e pós produção. Há uma semelhança no topo dos dois exemplos de


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organograma analisados: vemos o produtor (ou produtores) liderando grupos do projeto. Podemos dizer, então, que o planejamento do projeto inicia com o produtor e, tanto as atividades quanto os profissionais designados para a continuidade do mesmo devem ser notadas, também, pelo produtor a partir da ideia audiovisual. Ter a concepção da ideia como o início do processo produtivo é parte da etapa de planejamento, que inclusive pode ser item da Pré-produção, a qual Herbert Zettl (2015) separa em dois estágios. O primeiro estágio a transformação da ideia básica em conceito ou roteiro; e o segundo: realizar uma abordagem dos detalhes da produção. Para o autor, ao enxergar a produção em três fases (sendo elas, préprodução, produção e pós-produção), o ato de produzir não se limita à atividade exercida entre as fases pré e pós-produção, pois a produção audiovisual “inclui todas as atividades necessárias à gravação em vídeo ou transmissão de um evento” (ZETTL, 2015), como ensaios e montagens de espaço ou cenário. Sobre as três fazes de produção, é importante ressaltar um olhar de diferente interpretação para o processo de produção aqui comentado - no uso das nomenclaturas: pré-produção; produção; e pós-produção – do que apontamos anteriormente como elementos da cadeia produtiva pelo SEBRAE (que faz uso das mesmas nomenclaturas) uma vez que, na interpretação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, cada elemento da cadeia produtiva pode ser entendido como setor ou serviço, não apenas como fase de produção. Entendemos por fases de produção, a noção citada em Zettl, que apresenta um levantamento crítico da complexidade de produção realizada por uma mesma equipe ou produtora audiovisual. Para exemplificar melhor este cenário e explicar as nuances entre cadeia produtiva pelo SEBRAE e em Zettl, vamos analisar a figura 4, que contém uma seleção de atividades convenientes a cada elemento:


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Figura 4 – Setores do Audiovisual

Fonte: SEBRAE

Cada coluna da figura acima pode ser desenvolvida por uma ou mais empresas (compondo um ciclo mercadológico).

Há casos em que uma mesma

produtora ou canal de televisão executa todas as atividades, situação que, quando impossibilitada por baixo orçamento ou capital humano indisponível, convém contratar uma empresa especializada na execução de tal tarefa. Um canal de televisão aberta, muitas vezes não precisa de uma empresa que faça fornecimento de equipamentos, por já possuir tal recurso, mas outro seguimento comunicacional pode precisar. Com isso ressaltamos que é importante apresentar os seis elementos para a cadeia audiovisual como complemento da noção de mercado, mas também, para entender que, há determinações onde uma ou mais empresas podem trabalhar na geração de conteúdo, da mesma forma que, como vimos nas figuras 2 e 3, poucos ou muitos profissionais podem estar envolvidos no desenvolvimento de um projeto audiovisual. As disposições para produzir são muitas, e vai demandar, como já falamos, do tipo ou tamanho de projeto idealizado. O cinema, mercado audiovisual mais complexo e universal pressupõe uma cadeia de produção (e um organograma) mais extensos, contando – para que o produto chegue ao consumidor – com empresas distribuidoras e exibidoras. Os programas televisivos, pela estrutura comum de uma emissora/canal de televisão (de sinal aberto ou por assinatura) conseguem refrear a larga escala produtiva uma vez que a distribuição e a transmissão não necessitam de um serviço externo, mas se concentram dentro da própria emissora. A escala produtiva de ambos é voltada


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para o conteúdo gravado, o conteúdo ao vivo não se distancia da realidade da televisão, por não carecer de uma distribuidora nem mesmo exibidora, para que o público tenha acesso ao conteúdo. Entretanto, no que se dispõe à processo de produção criativo – dentro de uma mesma empresa – diminui ainda mais suas fases de execução. A cadeia de produção, ou, fases de produção (no ao vivo) não se estende a todos estes elementos apresentados. Desenvolvendo-se nas etapas de Pré-Produção e Produção. Desenrola-se desta maneira, porque as atividades de Pós-Produção como edição, sonorização, inserts gráficos, montagem e acabamento, assim como as outras atividades de cadeia como distribuição e exibição, acontecem durante a transmissão do evento. O que pode tornar o projeto mais econômico, uma vez que diminui as fases executadas para que o produto chegue ao público, e também a quantidade de profissionais envolvidos (dependendo da dimensão ou tipo de projeto ou evento a ser transmitido ao vivo). Montamos uma tabela que possibilite a visualização das etapas executadas para produzir conteúdo ao vivo, em comparação com etapas para produção de conteúdo gravado. Figura 5 – Cadeia Produtiva – Montagem x Ao Vivo

Fonte: Autoria Própria (2020)

No projeto de vídeo ao vivo, após o planejamento e a pré-produção, é realizada a transmissão do programa ou evento criado, dando vida ao trabalho desenvolvido nas duas primeiras e únicas fases.


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Diante destas considerações é justo indagar: se há apenas duas etapas para alcançar a transmissão em tempo real de um evento, isso significa que é mais fácil produzir um espetáculo ao vivo e que tal exibição não carece de muito esforço? Claramente não. Daniel Filho (2001) ao comparar a televisão atual com a de sua época quando chegou ao Brasil (na década de 50), nos alerta que a grande diferença estava no “tipo de talento exigido dos profissionais à dinâmica do trabalho” uma vez que “a televisão, naquele tempo, era ao vivo”. Analisando o mercado televisivo no Brasil, Bolaño (1986) considera que “o que marca a produção e a programação da TV é o seu caráter local”. Esta é uma análise feita em cima do desenvolvimento dos primeiros anos da televisão no Brasil. Porém, diante de uma sociedade midiatizada, que consome conteúdos nacionais e internacionais, onde o referencial que aguça a busca por conteúdo é mais diversificado ou nem tão convencional, cabe-nos sempre questionar: qual, ou melhor, quais características marcam a produção do audiovisual? Nas primeiras duas décadas da televisão no Brasil, quando as emissoras e os profissionais estão aprendendo a fazer TV, enquanto fazem TV, era necessário, o uso da criatividade para superar umas às outras na luta pela audiência, uma vez que recursos tecnológicos eram igualmente limitados. Com limitações tecnológicas e técnicas, tendo muito referencial, foi possível que os primeiros produtores do Brasil dessem vida à televisão. Por esta razão, podemos argumentar que produzir é também “encontrar meios de transformar boas ideias em bons programas” (ZETTL, 2015), uma vez que não há receita pronta. E dizer também que, a criatividade e a técnica marcam a produção de uma transmissão ao vivo. Podemos afirmar que há dois fatores que contribuem com o avanço e o funcionamento da cadeia audiovisual - além dos que citamos aqui, tais como possibilidade da atuação de diversos setores e o uso da criatividade - que são: a regulamentação e a profissionalização. Ambos permitem que a adesão por tecnologia se expanda, que empresas e setores atuem ativamente no mercado audiovisual, e que produções de qualidade cheguem até o espectador.


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3.1.

Regulamentações Para cada critério do audiovisual, há leis que possibilitam e regulam a

atividade no setor, de forma que se garanta a existência de mercado a partir dos aspectos profissionais e econômicos, seja no setor público ou privado. As leis variam desde autorizações e responsabilidades nas atividades comunicacionais até obrigatoriedades para determinados tipos de serviço, normas de fiscalização, reconhecimento profissional da área, entre outros aspectos. Encontramos na Constituição Federal (1988) a definição de Radiodifusão de som e imagem1 enquanto empresas privadas atuando diante do regime de concessão2. A lei aborda de forma generalizada a radiodifusão e os atores da comunicação social no Brasil orientando que se destinem, de preferência, à produção educativa, informativa, artística e de entretenimento3 garantindo a livre expressão dos veículos de comunicação. Quanto às diretrizes no que tange ao envolvimento do setor na economia, é de responsabilidade dos órgãos reguladores que são criados pela União4. A regulamentação do audiovisual não apenas normativa as possibilidades de produção, como também propõe aos atores do setor, que visem nutrir uma sociedade a partir de conteúdos gestados com responsabilidade, uma vez que “o consumo e a produção de produtos audiovisuais constituem certamente as atividades culturais mais importantes do mundo contemporâneo. Da perspectiva estritamente cultural, isso é comprovado pela importância do consumo audiovisual enquanto fonte de informação e lazer.” (MARTINS, V.A. 2012, p. 1)

É importante ressaltar que, se é possível notar os efeitos e a potencialidade da produção audiovisual pela ótica da atividade cultural e pelo consumo das produções em busca de informação e lazer, é devido, também, ao cumprimento da lei por parte dos produtores. Pois, se voltarmos nosso olhar mais uma vez para a Constituição Federal, podemos extrair do artigo 221 (particularmente em seus incisos II e III) os princípios de promoção cultural, regionalização da produção e a preferência pelo conteúdo informativo. Tal análise, nos faz entender que os eventos históricos pedem por uma legislação adequada, ou seja, a cada acontecimento na sociedade a cada 1

Cf. Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963 Cf:. Lei n° 4.117/1962; lei n° 10.610/2002; e artigo 21 da Constituição Federal de 1988. 3 Cf. Artigo 220, CF/1988 4 Cf. Lei n° 9.472/1997 2


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surgimento tecnológico, é necessário criar uma bula que oriente seu funcionamento e entendimento. E a legislação, por sua vez, estimula uma atuação propícia para as necessidades da sociedade e do setor, garantindo mais uma vez que os produtores voltem seu olhar para os aspectos regulatórios básicos de entretenimento e de responsabilidade comunicacional, e que o mercado se solidifique. No cinema, na televisão ou na internet, o conteúdo não se origina apenas dos interesses puramente artístico e revolucionário de seus produtores e diretores. Com o crescimento do mercado audiovisual entende-se que “a produção existe para atender à demanda criada pelos mecanismos de distribuição” (MARTINS, 2012) e deve, em muitos casos corresponder às exigências das agências de regulamento do setor audiovisual com suas instruções normativas, como, por exemplo, a comprovação da habilitação da obra pela ANCINE através do CRT - Certificado de Registro de Título. É necessário também o pagamento do Condecine e a apresentação da classificação indicativa5 realizada pela Secretaria Nacional de Justiça. São formas de o Estado garantir uma classificação do produto como participante do mercado. Não há uma regulamentação exclusiva para a transmissão ao vivo na televisão ou na internet, mas há leis próprias para conduzir o audiovisual (tanto em mercado quanto em conteúdo) que devem ser levadas em consideração num evento transmitido em tempo real, a depender, também, do projeto audiovisual desenvolvido. Plataformas digitais de conteúdo de vídeo tendem a seguir a regulamentação de cada país, numa ação colaborativa com a responsabilidade que se espera dos criadores e produtores. O YouTube, por exemplo, proíbe a retransmissão de um conteúdo que esteja ao vivo em outro canal, por questão de direitos autorais. E na transmissão ao vivo, é proibida também a participação de menores de 13 anos de idade sem a companhia de um adulto ou responsável. Na plataforma, são proibidos conteúdos explícitos, (sexuais e de violência) salvo em caso de finalidade informativa, como um jornal ou então documentário. Mas é importante que o conteúdo seja bem contextualizado em sua narrativa, textos e todo sinal possível que enquadre o objetivo informativo de material explícito na obra.

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Cf. Lei n° 8.069/1990; lei n° 10.359/2001 e Portaria n° 264/2007.


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Há semelhança entre as diretrizes de conteúdo audiovisual com muitas orientações dadas aos canais de comunicação da televisão. Respectivamente: direito autoral e intelectual (e um pouco da noção de concessão de sinais e responsabilidade das emissoras e repetidoras de televisão). O cumprimento das leis referente à uso de imagem de menor de idade com consentimento de pai ou responsável, e classificação de gênero de conteúdo e informativo caso contenha violência. É notável a responsabilidade esperada do criador de conteúdo no exemplo do YouTube, quando em suas “Diretrizes da Comunidade” declaram a atuação do criador como aquele que, através de suas produções, torna-se “parte de uma grande comunidade de influência digital.” Muito semelhante ao que encontramos no código de Ética dos Radialistas, que motiva o “compromisso indeclinável com a comunidade.” A normas apresentadas até aqui tratam das responsabilidades e do conteúdo, que vão direcionar a atuação no audiovisual, mas não necessariamente autorizar ou reconhece-la. Para esta finalidade, além da lei de número 4.117 de 1962 (e o artigo 21 da CF) – que autoriza os serviços de radiodifusão de som e imagem exercidos por empresas privadas (como as emissoras de televisão, por exemplo: SBT, Bandeirantes, Globo) pelo regime de concessão, o que discrimina o seguimento de radiodifusão de sons e imagens (a TV Aberta), há uma regulação própria para outros modos de atuação no mercado de comunicação. Uma delas, editada em 2011 (pelo número 12.485) e identificada como o marco regulatório do cinema e do audiovisual. Sujeita, à ANCINE, a regulação de outras formas de comunicação audiovisual, tais como o seguimento de acesso condicionado (TV por Assinatura). Martins (2012) considera a lei supracitada, um grande avanço dentro da legislação brasileira, a partir dos conceitos de “regulação por camadas ou fusões” pelos teóricos Lawrence Lessig e Gustavo Gindre, que seria o fato de a regulação poder ser um instrumento que contenha em si muitas (senão todas) as possibilidades, tendo em vista o crescimento presente e previsto para o futuro da tecnologia e seu envolvimento com o audiovisual. A mesma define o que é produção (XVII) sobre o aspecto de criação de conteúdo audiovisual, e também o que é uma produtora, que, além da atividade de produção de conteúdo audiovisual, é reconhecida pelo atendimento dos critérios de nacionalidade, como: ter titularidade (de pessoa física ou jurídica) nacional, e capital


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social de no mínimo 70%, pertencente a brasileiros ou naturalizados (a no mínimo 10 anos), e como responsável pela gestão de conteúdo, também, alguém natural do brasil (XVIII). Estes e critérios e princípio de nacionalidade, para reconhecimento de uma produtora, é encontrado também quando tratamos da concessão para empresas de TV Aberta e empresas privadas de TV por assinatura. Produtoras denominadas independente também são contempladas pela lei sobre a comunicação audiovisual de acesso condicionado6, que só reconhece como “produtora independente” aquela que não tiver coligação com empresas concessionárias ou radio difusoras. Outra esfera do audiovisual que é contemplada com a atuação legislativa, é a da infraestrutura. Sob a fiscalização e regulação pela ANATEL, há leis que regulam o uso, os critérios e também a atuação das empresas de infraestrutura. Como por exemplo, o cabeamento (no caso de transmissões via cabo) e também a transmissão via satélite. Portanto, é válido que a construção do projeto audiovisual respeite os requisitos que enquadrem a cadeia de produção, tal como, suas fases e empresas, como vimos até o momento, e também suas diretrizes e bases legais, seja na televisão, no cinema ou na internet. Há, portanto, outra perspectiva de regulamentação (porém menos burocrática) em disposição do mercado, que é o reconhecimento legal dos profissionais capazes de atuar no audiovisual. 3.2.

O Radialista Um destes profissionais é o radialista, com atuação regulamentada pelo

decreto de n° 9.329/2018, posteriormente atualizado pelo decreto n° 84.143 de 1979. Separado em setores, o quadro de funções em que se desdobra a profissão do radialista dentro da legislação, apresentava em seu primeiro decreto (84.143/1979) a função administrativa de “Rádio-TV Fiscal”, cuja responsabilidade era de fiscalizar transmissões e elaborar relatórios sobre as mesmas. No decreto atual, a profissão de “Rádio-TV Fiscal” tem seu nome alterado por “Controlador de Operações”, com a responsabilidade de desenvolver e planejar os recursos técnicos, humanos e financeiros a fim de alcançar metas estabelecidas.

6

Cf. Lei n° 12.485/2011


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Uma simples alteração ocorreu com a função anteriormente denominada “Produtor Executivo” - designado a produzir e organizar os programas de televisão e supervisionar a utilização de seus recursos - nomeada então, como “Produtor de rádio e TV”, a descrição, mantém-se a mesma do decreto anterior. Atualmente, a atividade no setor é regulada pelo decreto de número 9.329 de 4 de abril de 2018, que contempla três atividades no quadro de capacitações do radialista, sendo elas: a administrativa, a produção e a técnica. Entre as atividades de produção, são considerados os: Autores (roteiristas), diretores (artístico, de produção, de programa, de programação e de imagens), Produtor de Rádio e TV (como apresentamos a atualização do antigo produtor

executivo), continuísta,

analista

musical,

coordenador

de

elenco,

comunicador, operador de dublagem, figurinista e cenógrafo. Todos estes, reconhecidos pela lei como produtores - com exceção do continuísta e do operador de dublagem (que são atividades realizadas nas produções de montagem) – são profissionais necessários para a transmissão ao vivo. A figura 6, ilustra as profissões contempladas na DRT de radialista, e as apresentadas por Herbert Zettl (2001) em seu manual de produção. A legenda apresenta as profissões “Correspondentes”, sendo aquelas cujo nome e responsabilidades não mudam na atualização da DRT pelo reconhecimento de atuação do profissional; “Semelhante”, onde o nome é o mesmo e tem responsabilidade diferente, ou vice versa; e “Atualizado”, onde há grande semelhança entre o nome e/ou a responsabilidade, mas foi acrescida por ter somado com mais alguma função. As profissões com a cor roxa não estão presentes nos quadros profissões para registro técnico de radialista, mas suas definições são semelhantes a atividades ainda realizadas no setor audiovisual.


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Figura 6 – Quadro de comparativo de funções – DRT x ZETTL

Fonte: Autoria Própria (2020)

O radialista é formado em grau que lhe capacite atuar em todas as funções supracitadas, tendo, também, a oportunidade de se especializar e dedicarse a apenas uma das profissões. Os profissionais apontados no parágrafo anterior são produtores, cada qual produz uma peça chave da obra audiovisual, mas ainda assim, todos são produtores. Seria errôneo dizer que o produtor é a pessoa responsável por produzir, uma vez que a produção audiovisual pode demandar poucos ou muitos profissionais, e destes nem todos são necessariamente denominados produtores (profissionalmente), e tampouco deixam de estar produzindo. “A profissionalização das funções aconteceu ao longo dos anos e custou um bocado de esforço (...) isso fez de cada função uma especialidade: não é mais possível saber tudo de tudo. (...) As funções estão muito interligadas e os profissionais acabam transitando entre uma função e outra”. (FILHO, D. 2001. p, 12)

No mundo cinematográfico, o produtor vai ser responsável pela obra completa. É comum notar o exercício do diretor-produtor neste setor. Para Daniel filho (2001), o produtor seria a pessoa de conhecimento amplo pois deve ser o primeiro a ter a história em mãos, deve saber a qual público uma obra se destina, e precisa prever custos financeiros. Mas como vimos, através das classificações de atividade, no mercado de rádio e televisão, são muitos os profissionais considerados produtores. Neste capítulo, abordamos a cadeia de produtiva e as fases de execução da produção audiovisual, o quanto isto está relacionado ao mercado e as bases


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legais que regulam a atuação no setor para fins de conteúdo e de reconhecimento profissional. Mais adiante, vamos abordar aspectos do produtor audiovisual, que se estendem para além da difusão das atividades pela legislação, com base nos autores, nos relatos de experiência pesquisado com profissionais e em obras literárias.


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4. O PRODUTOR Para abranger nosso entendimento acerca do produtor audiovisual, escolhemos analisar diferentes ramos do setor, de forma que se torne possível criar um comparativo, identificar movimentos híbridos e também colher novas perspectivas para a desenvolvimento desta pesquisa. Devemos transitar entre os conhecimentos e atividades de produção no cinema, na televisão, em eventos e entender como é a discussão atual de produção para a internet. 4.1.

Produtor e Produtor Executivo no Cinema A primeira manifestação do audiovisual no mundo: o cinema, é, segundo

Bernardet (1986), uma “reprodução da realidade (...), da própria visão do homem” acerca do mundo. O autor afirma que “a necessidade de chegar a um produto vendável gerou um sistema de trabalho, que, por sua vez, reforçou as características do produto”, um ponto semelhante ao que abordamos na discussão em cima da cadeia de produção e da economia criativa, onde a demanda e o público são capazes de condicionar a forma de pensar o audiovisual. É o departamento de produção - não apenas na pessoa do produtor, mas dos produtores - que, segundo Rodrigues (2007, p. 68, apud COLUSSO, 2009, p. 6), executa o filme. E aponta que, função principal do produtor é dar suporte ao diretor, acompanhando cada fase de produção para que se cumpram as diretrizes, prazos e orçamentos. O autor identifica que, muitas vezes, o roteiro é elaborado do próprio produtor (que mais à frente vamos chamar por idealizador ou produtor-autor). Larissa Colusso (2009) desenvolveu uma pesquisa para entender mais sobre o produtor de Cinema no Brasil. Identificou alguns relevos interessantes, como por exemplo, o leque de profissionais denominados produtores, onde cada um deve ser responsável pela sua atividade na engrenagem da cadeia de produção (aspecto equivalente ao abordado na pesquisa de cadeia produtiva do capítulo anterior). Durante o processo de gravação, o produtor deve avaliar se o roteiro está sendo seguido corretamente e como está o desempenho da equipe de filmagem. É próprio do produtor ter uma visão detalhista sobre o projeto em andamento, sempre ciente do que precisa ser feito (dentro do planejado) mas com olhar aberto para possíveis necessidades e mudanças de última hora que não haviam sido previstas ou planejadas, a fim que o filme alcance o melhor resultado.


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Em suma, o produtor de cinema deve acompanhar o processo, afinal de contas, “o bom produtor é aquele que se organiza durante todo o processo de produção” (2009), sendo incumbido de sempre criar possibilidades para o desenvolvimento do filme, viabilizando o projeto como um todo. Compete a este, também, criar e utilizar estratégias. Para Rabiger (2007, p. 246-248, apud COLUSSO, 2009, p.12) os papeis tem uma atuação um pouco diferente do até então proposto. A viabilização do filme, em todos os aspectos acima, é responsabilidade do produtor de cinema ou produtor da obra. Para este autor, o denominado produtor executivo é apenas representante do produtor-autor em algumas fases de produção. Rabiger cita ainda que a produção executiva pode ser função acumulada na produção cinematográfica. Em contra partida, é possível detalhar a atividade do produtor executivo para além daquele que representa o produtor-autor ou produtor-diretor de cinema. Na condição de “contratado pela empresa produtora do filme o produtor executivo, cuida da parte financeira, é ele quem capta recursos para filme, administra o dinheiro e organiza o orçamento do projeto. Sendo definido como “o gerente do filme” é também, a pessoa que fecha parcerias com elenco, equipe técnica, iniciativa privada e órgãos público.” (SEVERO, 2020?) Com isso podemos entender que há duas possibilidades distintas de ser produtor executivo (P.E). A primeira, quando o processo de produção, desde a idealização parte do P.E. A segunda, quando o P.E. é contratado por uma empresa para atender uma solicitação de cliente. Esta realidade é presente no cinema. Por mais que os produtores executivos trabalhem na mesma indústria de entretenimento,

em

seus

determinados

tipos

de

produção,

não

irão,

necessariamente, compartilhar das mesmas responsabilidades e práticas. As atividades variam tanto, que a explicação do termo parece ambígua na maioria das vezes. A atriz e produtora de cinema Jodie Foster (2020) sana algumas dúvidas sobre a atuação do produtor e do produtor executivo na indústria cinematográfica. Determina o produtor executivo como fornecedor e protetor do capital financeiro da produção fílmica. Tal responsabilidade financeira pode ser através de companhias independentes (patrocinadores), estúdio (quando este é contratado de um estúdio) ou até mesmo do próprio bolso como investimento pessoal. Segundo Foster “a maior prioridade do produtor executivo é ter certeza de que há dinheiro o suficiente para


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finalizar o projeto”, e o mesmo está, na visão de Jodie, no topo da hierarquia produtiva. A diferença que a atriz aponta na atuação do produtor executivo de cinema em comparação com o de televisão está em: o O Produtor Executivo de Televisão não financia as produções (do próprio bolso); o É

mais

comum

criador/idealizador

do

o

Produtor projeto

Executivo (denominado,

de no

televisão exterior

ser

o

como

showrunner); o O P.E. de televisão participa do dia a dia das gravações, enquanto o P.E. de cinema participa da pré-produção, faz visitas durante a produção (gravação) mas não se envolve nas decisões de produtor e diretor, e durante a pós-produção só dá feedbacks e cuida do lançamento. Quanto ao comentário do item “c” (acima), convém detalhar as responsabilidades-chave que são apontadas pela atriz e produtora de cinema em cada fase da produção de um filme, quando falamos da atividade do Produtor Executivo. São elas: PRÉ-PRODUÇÃO: Garantir fundos, aderir/contratar talentos; Contratar produtores (quando o P.E. não é contratado pelo produtor-idealizador da obra); aprovar orçamento quando o produtor de linha (aquele que atua no dia a dia da gravação) prevê um novo orçamento ao destrinchar o roteiro. PRODUÇÃO: Informa que esta atividade depende do profissional, não há um padrão capaz de citar como via de regra para a identificação no mercado. Há produtores executivos que não se envolvem na gravação, e há outros que acompanham para analisar os resultados. PÓS-PRODUÇÃO: Tem um papel limitado, normalmente acompanha o primeiro corte e dá feedbacks. Jordie Foster é estadunidense, país que comanda como o maior mercado, mas a atividade cinematográfica se estende pelo globo, e contribui com definições e experiência dos os mercados emergentes. Um exemplo, é a atuação do Produtor Executivo em Madri, Espanha, (13° no ranking de mercado segundo a MPAA, 2017). Prevista pela Lei de Propriedade Intelectual, o produtor executivo é definido como um empresário privado que tem a iniciativa de assumir a responsabilidade econômica da “fabricação” do filme, e é titular dos direitos autorais


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de projeção ou exibição pública da obra. Uma extensão ainda mais abrangente das perspectivas de produção cinematográfica. Paulo Altafim (2020) nos diz que “dentro de uma produção, podemos ter vários cargos de produção, cada um com sua especificidade. A produção executiva costuma estar acima dos outros produtores, lidando com orçamento e tomando decisões, junto ao departamento criativo”. Como apontado anteriormente, são tantas as definições encontradas, que dificulta a criação da via-de-regra da atuação deste profissional em diversos setores. Mas no cinema, encontramos também uma projeção de habilidades esperados dos produtores e produtores executivos, sendo elas: o Capacidade de Detectar boas oportunidades. o Gestão/Administração o Networking; o Noção de Marketing; o Noções de Cálculo Financeiro; o Planejamento; o Relações Públicas; o Rigor; 4.2.

Produtor e Produtor Executivo na Televisão Como já começamos a apontar algumas diferenças entre o produtor de

cinema e de televisão, pela perspectiva de uma cineasta, vamos abrir a discussão para análise do Produtor e Produtor Executivo do mercado televisivo. Num estudo bibliográfico de autores que se dedicaram a compartilhar suas experiências e conhecimentos acerca da televisão, elencamos algumas características importantes acerca do empenho esperado de um bom produtor, pois como diria STASHEFF e col. (1978): “O produtor profissional de televisão não pode esperar pela eventual inspiração divina, mas *deve) criar boas ideias de acordo com a necessidade”. (p. 23) Portanto, pela leitura dos teóricos de comunicação e televisão, reconhecendo aspectos de inter e intra pessoalidade, diligência, e métodos de atuação, elencamos as seguintes ações: Contratação: Todo produtor pode estar submetido a realizar contratações embora não exerça função de liderança no projeto. Produzir casting por exemplo, é uma forma de intervir em contratações. É necessário, ter um olhar abrangente, saber onde buscar profissionais, como avaliar e testar potenciais.


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Ética: A condição ética se inicia com o ato de separar trabalho e vida pessoal, lidar com divergências, saber falar sobre e ao outro, entender o que compete à sua atividade no projeto em questão ou não. Coordenação de Atividades: Assim como a contratação não depende de uma posição superior na hierarquia da produção audiovisual, todo produtor, em qualquer espectro possível, deve estar apto a exercer coordenação e atividades. Sejam elas as suas próprias ou de terceiros. A complexidade de um projeto audiovisual pode demandar que alguns produtores atuem – além de suas atividades ordinárias – como supervisores da subequipe que participa. Quando não se espera praticidade em coordenar outras pessoas, que coordene com excelência o próprio trabalho. Muitos produtores se encontram acumulados de funções em um único projeto, saber conduzir os próprios passos é um princípio básico. Cumprir prazos: Todo produto começa a ser produzido pensando no resultado final. Seja com data limite ou horário limite, cabe ao produtor respeitar e se manter (através da coordenação de atividades) dentro do prazo estipulado. Respeitar Orçamento: O cumprimento de prazos colabora com a prevalência do orçamento estipulado, mas há outras ações que sustentam o financiamento feito pelo projeto, esteja o produtor numa posição de administrar ou fazer compras ou não. Voltando ao exemplo do casting, a quantidade de atores convidados, os reembolsos prometidos, etc, devem cumprir com o valor adequado. O zelo pelo material de produção, a exatidão na confecção de peças, a atenção com cada detalhe, são formas de se respeitar o orçamento que financia tudo referente ao produto audiovisual. Curiosidade: ou Interesse, deve partir diretamente do profissional. Procurar saber dos assuntos, atuais ou históricos, relacionados ao produto audiovisual ou não. A curiosidade gera referência, matéria prima importante na produção audiovisual. Proatividade: é um comportamento de se antecipar e se responsabilizar pelas próprias escolhas e também pelas necessidades do projeto desenvolvido. Cabe ao produtor então, avaliar o momento de agir e assumir posturas para colaborar com o sucesso do projeto. Criatividade: é esperada de todas as pessoas envolvidas com a produção audiovisual mesmo que não sejam desenvolvedoras da ideia inicial. Uma


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situação de improviso, uma necessidade de inovação ou de praticidade, podem contar com a inventividade, ou inteligência criativa por parte do produtor. Conceito: é aquilo que a mente entende ou uma faculdade intelectiva. Espera-se do produtor que entenda do assunto abordado, entenda o suficiente do conceito produzido e não apenas entenda, mas também se mantenha enraizado no conceito do projeto para não perder o foco ao longo do processo. Pesquisa: impulsionado pela capacidade da curiosidade, o produtor deve desenvolver formas e fontes de pesquisas para aperfeiçoar seu trabalho. Tomada de Decisão: é um processo cognitivo que cobra do produtor a capacidade analítica, a ponto de entender previamente quais impactos suas decisões podem acarretar antes mesmo de tomá-las. Planejamento: essa ferramenta administrativa quando bem executava e desenvolvida pelo produtor audiovisual, resulta no melhor andamento do processo de produção e das atividades que o envolvem garantindo a finalização adequada do projeto. Recurso Financeiro: Não é todo produtor que se responsabiliza pela administração das finanças da produção audiovisual. Mas desenvolver a capacidade de planejar orçamento, saber buscar recursos; apoiadores e patrocinadores, conhecer as leis de incentivo, etc, são aptidões positivas para a figura do produtor audiovisual. Pitching: é o argumento para a venda de uma ideia. O produtor que desenvolve um bom argumento de oferta de uma ideia sai na frente na corrida do mercado audiovisual. O produtor de conteúdo Fernando de Nadai (entrevistado via Skype para colaborar com esta pesquisa) acredita que “produtor bom é aquele que produz o que você dá na mão dele” e que embora o produtor audiovisual entenda da técnica, este, não necessariamente irá opera-la. De Nadai, aponta, também, que, é mais comum a atuação da “produção base” (termo popular), que organiza a gravação. Alerta que, para fins de conteúdo, o produtor deve procurar no tema ou assunto proposto, uma história para contar. Já, Matheus Colen, que é roteirista, produtor e autor do livro “Guia do Produtor Executivo” (entrevistado via whatsapp para colaborar com est pesquisa), acredita que um bom produtor deve no mínimo ter uma visão do todo e a capacidade de aprender com cada projeto que realiza. O autor também acredita que a principal


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responsabilidade do Produtor Executivo é entregar o produto final, e para alcançar este objetivo, algumas outras deverão ser exercidas. Elenca três conhecimentos base para este profissional: orçamento, organograma e desenho de produção. A produção para televisão deve nos preparar para entender um pouco mais da produção de transmissões ao vivo. Assunto que abordaremos no capítulo seguinte. 4.3.

Produtor e Produtor Executivo em Eventos Para complementar esta discussão, vamos analisar pontos da produção

de evento. Muitas transmissões “ao vivo”, seja na televisão ou na internet, são transmissões de eventos, e não apenas programas de entretenimento ou jornalístico. Um questionamento salutar neste item, é se há diferença entre produzir um evento social (para público, apenas) e produzir um evento transmitido (ao vivo). Não vamos aprofundar detalhes da produção de eventos, mas há pontos de convergência relevantes para serem ressaltados por serem de responsabilidade do produtor executivo. A produção de evento também se divide em etapas tais como: planejamento, pré-produção, produção e pós produção. O “Guia Rápido para Produção de Shows e Eventos Musicais” da Sympla (sturtup brasileira de tecnologia em venta de tickets e gestão de eventos) define que, independentemente do tamanho do evento a ser realizado, o planejamento é o que vai garantir o sucesso do mesmo. Vemos aqui, o primeiro ponto de encontro os profissionais de produção, seja de evento, seja do audiovisual. Para produzir, seja lá o que for, o planejamento é capaz de definir resultados futuros, pois, projeta-se, com base nos resultados que deseja alcançar. No quesito de planejamento de evento, deve-se considerar: público-alvo, atrações, locação bases legais (leis de incentivo, alvará de funcionamento, contratações e concessões de serviços), montagem de cronograma. O que não difere dos tópicos abordados nos capítulos anteriores quando à cadeia de produção e regulamentação. O planejamento de um evento deve levar em consideração a as possibilidades em vista de mercado, lei, infraestrutura e pessoal. Na pré-produção de um evento, após o planejamento e a execução de um orçamento detalhado, é feita a contratação de pessoal e de serviços com empresas terceiras, e a organização da infraestrutura.


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O que um produtor audiovisual deve conhecer de regulamentação, e o que deve ter em suas capacidades para atuação do mercado, um produtor de evento também necessita. Há leis de incentivo fiscal para eventos culturais, sociais e esportivos como por exemplo as leis de incentivo à cultura (n° 8.313/1991 – esta é em âmbito Federal mas muitos municípios e estados tem as próprias leis de incentivo, uma vez que a economia criativa e a cultura incentivam práticas de regionalização com finalidade de aumentar o acesso à informação e a cultura). O evento em si conta com supervisão e monitoramento das atividades. Para a execução deve-se criar um fluxograma (como os apresentados na cadeia de produção de cinema), de forma que se garanta uma hierarquia na escalação do time que vai atuar no evento. Compete ao produtor, a montagem de orçamento e cronograma, este, deve também, “cuidar do público, da divulgação, das vendas, dos funcionários, das atrações, e etc.” (SYMPLA, 2020?) Assim como vimos em relação ao produtor executivo de televisão, produtor de evento não precisa ser especialista nem executar cada uma das atividades do evento, mas deve pelo menos, conhece-las e entender o todo do projeto. Quanto à nossa dúvida sobre a diferença em produzir um evento para público e um evento para transmissão ao vivo: é possível concluir que na divisão de tarefas, nas habilidades (gestão, orçamentária, legislação, networking, etc) e na proporcionalidade de tamanho de projeto a ser produzido a depender da ideia planejada,, não há muita diferença entre um produtor de evento e um produtor audiovisual. Há diferença no aspecto conteudista, mas não estruturalista. 4.4.

Produtor e Produtor Executivo na Internet Há um último, mas não menos importante, aspecto de produção que

gostaríamos de analisar. Podendo dizer, de antemão, que pode ser que não haja diferença do que vimos até aqui sobre a atividade de produção em cinema, televisão e evento com o que se exercita na produção de internet. Não por desvalorização da atividade, mas por um conhecimento já abordado neste trabalho, de que os conhecimentos e as técnicas de produção perpassam de um meio a outro. A televisão que adotou conhecimentos e práticas do teatro, do cinema e do rádio, e a internet que adota meios de todos estes e muitos outros.


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Podemos arriscar em dizer que não há a atividade de Produtor e Produtor Executivo na internet, não de forma popular, pelo menos. O produtor de conteúdo ou criador de conteúdo hoje atua com vídeos, mas também é conteúdo outros formatos de mídia como textos para blog, publicações em redes sociais (que incluem textos, imagens e vídeos). Não há uma profissionalização para o gênero, mas há mercados e especializações que se atualizam e abraçam este novo espaço para atuação. Profissionais de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e principalmente de Marketing, não somente atuam, como preparam produtores e criadores de conteúdo, para redes sociais e também para plataformas de vídeo. A plataforma Hotmart (de tecnologia e serviços) considera produtor digital “qualquer pessoa que é especialista em um determinado assunto que interessa outras pessoas”. Quanto a este aspecto, a radialista e diretora de produção Meryelen Diamante (2020) nos recorda que “o audiovisual é uma arte feita no coletivo e cada profissional de uma produção tem uma função muito especifica. Dentro do núcleo produção temos duas funções principais, o diretor de produção que vai gerenciar as necessidades práticas do filme e o produtor executivo que, como disse na resposta acima, gerencia a verba. Lembrando que dentro dessas duas funções existe outros produtores que vão auxiliar em diferentes tarefas que o núcleo é responsável”.

No setor audiovisual, a formação de profissionais de outras camadas do setor (como o cinema e a televisão), se adequa às novidades e aos seguimentos de mercado na internet. O radialista, que comentamos no capítulo anterior, é formado em uma vertente do curso de comunicação social com uma grade que era voltada para a atuação em rádio e televisão. Nos últimos anos, passou a atualizar sua grade para contemplar a atuação destes profissionais na Internet. Seja, na capacitação de produção exclusiva para as redes, quanto na motivação à convergência entre os meios de comunicação. Com vasta experiência na internet, a produtora de vídeos de comédia “Porta dos Fundos” divulgou um e-book sobre produção de conteúdo audiovisual. Define que o produto audiovisual é uma “jornada que leva o espectador de um ponto A para um ponto B”, e que o roteiro é o princípio e a base de todo o projeto. A produtora e CEO do Porta dos Fundos, Tereza Gonzales (2020) identifica o produtor como quem “junta as pontas necessárias para que aquele produto audiovisual aconteça, consegue recursos, harmoniza a produção e a


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execução desse projeto”. Elenca que a prática é a melhor escola para se fazer audiovisual. Mais do que funções de produção, a produtora aparenta valorizar, para o sucesso de seus projetos, o cumprimento, das fases de produção – internamente destacadas como: roteirização, análise técnica, plano de filmagem, gravação e pósprodução. Segundo Ian Fernandes (2020), roteirista e diretor do porta dos fundos, “o mais importante para quem quer criar conteúdo audiovisual com foco no YouTube e internet é fazer algo que você realmente acredita”, produzindo como espectadores e não criadores, um caminho proposto para criar uma identidade das suas produções audiovisuais na internet. A produtora afirma traços já abordados das produções detalhadas anteriormente, como: definição de público-alvo, bom planejamento, edição e roteirização complementares, e o trabalho em equipe. A atuação do projeto acontece na internet, mas carrega linguagens e experiências da televisão e do cinema. Portanto, é correto afirmar aqui que, a produção e a produção executiva, carregam em si experiências que convergem entre si. Todo produtor precisa entender do seu trabalho dos outros, de forma que um projeto possa ser bem desenvolvido para alcançar seu objetivo. Para Paulo Altafim, um dos criadores da produtora Audio S.A e com experiencia em Teatro, resume que o produtor executivo “cuida do dinheiro, das contratações, planejamento, e toma as decisões executivas do projeto, geralmente junto à direção artística”, e que, em complemento a todos os pontos levantado ate aqui, acredita que para atuar como produtor executivo “é de extrema importância estar familiarizado com as áreas envolvidas para saber onde começa e onde acaba a responsabilidade de cada profissional e cada setor.”

Complementando esta discussão, Meryelen, nos afirma que “A função da produção nada mais é do que prevenir e resolver problemas para que todos consigam trabalhar da melhor maneira, então estar disponível para ajudar, ouvir e conseguir ter resoluções práticas e eficazes é a melhor qualidade de um produtor. É comum em produções menores (que aumentou por conta do surgimento da internet popularizando a produção de conteúdo audiovisual) o acumulo de função, logo conhecer todas as ramificações da sua área para conseguir suprir uma necessidade é extremamente importante também.”

Vimos neste capítulo que a produção em cinema, televisão, eventos e internet se assemelham, e se complementam.


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5. AO VIVO O autor Arlindo Machado (2003, p. 125, apud ANDRADE, 2014, p. 102) define a transmissão ao vivo como o registro de espetáculo cuja visualização e audição acontecem simultaneamente enquanto se enuncia. Denominando-a, então, por transmissão direta. Onde acontece a “recepção por parte de espectadores situados em lugares muito distantes, de eventos que estão acontecendo” durante a reprodução do vídeo. Com experiência garantida pelo jornalismo, na cobertura de fatos e acontecimentos urgentes, a transmissão ao vivo de evento requer considerações capazes de somar à experiência do produtor. Fernando De Nadai (2020) aponta que o caminho de produção de uma transmissão ao vivo vai depender do tipo de transmissão escolhida. Por tipo de transmissão, elenca os métodos: via link, SMG, Stream ou Fibra Óptica. O mesmo que Zetll (2015) vai chamar de transporte de sinal, entendido como “sistemas disponíveis ao transmitir os sinais de vídeo e áudio de sua origem para o dispositivo de gravação ou transmissor, e do ponto de origem para vários pontos de recepção”. Quando um produtor toma a decisão ou recebe a orientação de produzir ao vivo (e conhece as tecnologias disponíveis), este, consegue, a partir do tipo de transmissão, ou tipo de transporte de sinal escolhido, iniciar seu planejamento de conteúdo. Fernand De Nadai, durante a entrevista realizada via Skype, contou algumas de suas experiências profissionais na produção das Olimpíadas de 2016 que aconteceram no Rio de Janeiro. Relatou que, embora não sendo especializado em tecnologia, precisava entender como funcionava este serviço, pra poder produzir a transmissão de jogos. Explicou que, por ser um evento de grande porte, o sistema que a emissora de televisão que atuava na época (para coberturas jornalísticas) não seria o suficiente para os jogos olímpicos. Então foi necessário alugar um satélite. Para esta finalidade, o produtor deve conhecer empresas que possuam satélite em órbita, conhecer valores e meios de contratação, e também se organizar dentro do que foi não contratado para extrapolar os custos. Um exemplo: se você alugar um satélite para transmitir um jogo de futebol de 90 minutos, é necessário se organizar para que toda a programação ocorra dentro do tempo de satélite alugado. Suponhamos que o jogo de futebol vá para os acréscimos, se o produtor não pensou nesta possibilidade


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antes de alugar o sinal para a transmissão e o tempo de aluguel acabar durante o evento, o sinal é cortado pelo satélite e a transmissão acaba, o que pode causar perda de audiência e um constrangimento para a equipe de produção. A internet facilita o serviço de muitas emissoras na transmissão ao vivo. No jornalismo, é notável cada vez mais o uso da tecnologia, por exemplo, para facilitar as transmissões ao vivo em externa. O que antes era conhecido como carro de link (aquele veículo que comportava uma antena na parte superior, com a finalidade de enviar o sinal das ruas para a emissora de televisão), hoje pode ser desenvolvido pelo link de internet mesmo. A CNN Brasil, que estreou em março de 2020 no país, tem, além de repórteres nas ruas com o famoso carro de link, a atividade do “videorrepórter”. Este, não precisa de cinegrafista nem de produtor para acompanha-lo. Utilizando um celular, o vídeo reportes participa ao vivo dos programas, tendo apenas uma conexão à internet. Se você pensar em desenvolver uma transmissão ao vivo na internet, vai entender que, ainda assim, precisa entender como funcionam os recursos de transmissão nas plataformas digitais para produzir um bom conteúdo. As redes sociais mais utilizada para transmissão ao vivo são: o Instagram, o Facebook, a Twitch e o Youtube. O recurso mais simples para transmissão, é o do instagram, por ter seu próprio sistema de captação e transmissão de fluxo contínuo dentro da plataforma. Acontece como uma chamada de vídeo no Skype, podendo ser assistida pelos seguidores do perfil e possibilitando a interação. Só é possível a participação de dois perfis (de forma simultânea) na mesma transmissão, o que limita um pouco a criatividade e o desenvolvimento de uma linguagem audiovisual na live. O facebook, o YouTube e a Twitch possibilitam uma transmissão ao vivo mais sofisticada. Para isso, necessitam do uso, não apenas da plataforma em si (como é o caso do Instagram), mas de softwares de live streaming. O produtor que decidir trabalhar com estas ferramentas, deve conhece-las para poder planejar a transmissão. Deve-se levar em consideração os seguintes tópicos: a) Qual plataforma online realizar a transmissão (cada uma dispõe de um público diferente); b) Conhecer

os

diferentes

funcionalidades, nível de dificuldade);

softwares

de

streaming

(preços,


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c) Ter um computador com capacidade mínima para rodar o software escolhido; d) Ter conhecimento técnico e operacional de vídeo e áudio. É possível utilizar a webcam (câmera) e microfones internos acoplados ao computador (no caso de notebooks) ou então câmeras e microfones externos; e) Ter noção de corte de câmera e direção de TV/vídeo. Estes softwares de streaming são criados seguindo o mesmo layout e mecânica de um switcher de televisão, com mesa de corte, controle de áudio e etc. Esta, é uma possibilidade de transmissão ao vivo na internet em nível intermediário, através de software. O produtor audiovisual deve conhecer os tipos de transmissão disponíveis para realizar seu planejamento de forma adequada. Conhecer as tecnologias e possibilidades de transmissão ao vivo, é um dos princípios. Outro requisito, segundo Hebert Zettl (2015), é conhecer e compreender o evento que será transmitido. Seja esporte, apresentação musical, evento religioso, etc. Conhecer o espaço, ter noção do que vai acontecer no evento, é de extrema importância para que o público possa acompanhar a transmissão como se estivesse no evento – que é um dos motivos pelo qual a transmissão ao vivo é um marco da história da televisão. Esse tipo de programação coloca o espectador diante do acontecimento em tempo real. A diferença entre produzir um evento para ser transmitido, e transmitir um evento que já acontece não está apenas na ordem dos fatores, mas na sua relação com a estratégia tomada pelo produtor para definir um caminho para a transmissão ao vivo. Uma vez que o evento já acontece, o produtor deve estuda-lo e conhece-lo. Mas, caso o evento seja criado especificamente para a sua transmissão (como uma premiação musical por exemplo), o produtor precisa trabalhar junto com produtores de evento, e isso facilitaria o planejamento sem que evento social e equipe de produção invadam o espaço um do outro. Para o desempenho desta pesquisa, foi feito uma análise de dois tipos de transmissões ao vivo, referente à um mesmo evento. A “Parada do Orgulho LGBT” de São Paulo é organizada pela PARADASP (Associação da Parada do Orgulho LGBT), e acontece, tradicionalmente na Avenida Paulista (localizada no Centro da capital do Estado de São Paulo) uma vez ao ano. Em sua última edição presencial (em 2019), reuniu 3 milhões de pessoas que foram à Avenida Paulista para


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acompanhar shows de artistas que apoiam a causa LGBT e também, para manifestar e acompanhar manifestações de apoio à esta luta social. Para a edição de 2019, a produtora audiovisual “Dia Estúdio, preparou a transmissão oficial da Parada LGBT, simultaneamente em oito canais do YouTube. O evento e a transmissão foram realizados no dia 23 de junho de 2019, com tempo de material bruto no YouTube da produtora equivalente a 10 horas, 15 minutos e 24 segundos. Na estrutura de elenco, contou com 6 apresentadores (dentro do estúdio), e 2 repórteres (nas ruas) para fazer entrevista com público participante do evento e também artistas e personalidades públicas. Na estrutura audiovisual, é notável: o Um estúdio cenográfico montado para a transmissão; o Um espaço de transmissão fixo, externo ao estúdio por onde artistas e convidados poderiam passar para conceder entrevistas; o Câmeras externas para inserts em tempo real do evento na rua; Figura 7 – Frames: Transmissão Ao Vivo “Dia Estúdio” 2019

Fonte: Reprodução/YouTube

A transmissão é iniciada com a participação de influenciadores e cantores, numa dinâmica de “esquenta” para o início do evento que cantaram e fizeram maquiagem por cerca de 01:36:10 do tempo de transmissão. Este foi um


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movimento interessante na produção da transmissão, pois abriu espaço para profissionais que estão começando no meio do entretenimento. Este período da transmissão manteve a linguagem despojada da internet com os quatro participantes falando ao mesmo tempo entre si, sem interação com câmera, sem identificação gráfica do nome dos participantes. Finalizado o momento de “esquenta” para o evento, corta para o estúdio, onde será feita a transmissão e apresentação da Parada LGBT por seis influenciadores digitais conhecidos do meio LGBT. A partir disto, os apresentadores interagem com a câmera, conversam com o público, fazem leitura de comentários sobre o evento nas redes sociais. A transmissão abriu espalho para debates da causa LGBT e entrevistas com artistas e outros influenciadores que estavam presentes no evento. A linguagem e a proposta desta transmissão, é semelhante à realizada no mesmo ano, no canal do YouTube da TV por assinatura Multishow, que convidou influenciadores digitais para uma cobertura do Rock in Rio. No caso do Rock in Rio, pelo Multishow, o público tinha a opção de assistir também, na televisão ou em outros links, as apresentações musicais que aconteciam no evento, e a cobertura realizada com influenciadores, era uma proposta à parte da cobertura do evento. No caso do projeto da produtora Dia Estúdio que anuncia a primeira transmissão da Parada LGBT, e a realiza, semelhante à interação dos influencers no Rock In Rio do mesmo ano), fica a desejar, uma cobertura e transmissão específica dos que aconteceram no evento. A Parada LGBT é um evento anual da cidade de São Paulo, e o público se reúne principalmente para assistir os shows que acontecem ali no local. A experiência dos shows não foi passada para o público que assistia através da transmissão no YouTube. Durante as discussões e entrevistas no estúdio, eram realizados inserts e também comentários de imagens que captavam os movimentos na avenida paulista, mas em nenhum momento da transmissão, foi possível apreciar uma parte dos shows musicais que aconteceram no evento, impossibilitando portanto, a experiência virtual do espectador que esperaria assistir a parada, como se estivesse presente no local. Já em 2020, momento em que, devido à pandemia por Covid-19 e as orientações de isolamento social, os eventos presenciais foram interrompidos e – em alguns casos, como já abordamos anteriormente – substituído por eventos de


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transmissões online. A produtora Dia Estúdio decidiu realizar a primeira Parada LGBT virtual. Logo, a promessa não é a transmissão de um evento físico, mas uma transmissão que é o próprio evento. Isso muda o escopo da produção audiovisual que passou da projeção de cobertura de um evento, para a projeção de criação de um evento dentro de um formato audiovisual. Figura 8 - Frames: Transmissão Ao Vivo “Dia Estúdio” 2020

Fonte: Reprodução/YouTube

Esta transmissão contou com: o Um número maior de inserts gravados previamente; o Dois apresentadores fixos no estúdio principal para toda a transmissão; o Interatividade nas redes sociais; o Apresentação musical de artistas durante a transmissão ao vivo; o Comentaristas por participação remota.

Podemos elencar um ponto de evolução da primeira transmissão (realizada em 2019), com a segunda (realizada em 2020) de um mesmo evento, mas em condições sociais diferentes: A criação de um formato que capaz de integrar todos os aspectos da experiência do evento presencial, criando uma dinâmica capaz de atrair o expectador. Enquanto a primeira transmissão fazia cobertura e propunha


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ao público, assistir pessoas conversando sobre um evento, a segunda transmissão proporcionou o consumo, a interação e o entretenimento ao espectador, a partir da linguagem audiovisual. O uso de inserts gravados previamente a transmissão analisada acima, é algo comum nos programas ao vivo, como aponta Matheus Colen (2020), produtor e roteirista: “tudo o que acontece no programa ao vivo foi produzido antes da transmissão. Como criação de pautas, roteiros e gravação de externas (entrevistas) caso necessário”. O autor explica que todo material que dê suporte para a pauta do programa, deve ser produzido antes da transmissão. Questionado sobre a diferença entre programa gravado e ao vivo, opina que “Num programa gravado temos muito mais controle de como as coisas estão acontecendo no palco e podemos editar, no ao vivo, não temos controle, se houver imprevisto o apresentador precisa segurar a transmissão até o produtor encontrar uma solução”.

Para Colen, “o planejamento do programa ao vivo é fundamental para poder antecipar situações e ter conteúdo pronto para colocar no ar mesmo que não se faça uso de tudo”. As fases mais importantes são de planejamento e de préprodução, e é necessária muita estratégia. O Produtor Executivo precisa, não somente conhecer todas as áreas, para geri-las, mas também, entender de cronograma, orçamento e desenho de produção. Um produtor precisa entender como funciona a planilha de orçamento, como se relacionar com fornecedor, como acessar valores de itens necessários, ter uma boa carteira de fornecedores e conhece-los. Com cronograma, é necessário fundamentar e distribuir as tarefas, e acompanhar se estão sendo executadas de acordo com o que foi planejado. Um programa ao vivo tem alguns processos acontecendo ao mesmo tempo durante a transmissão. Quanto mais processos houverem durante uma transmissão, maior o risco. O cronograma ajuda na distribuição de tarefas para minimizar o que acontece no dia da transmissão, a dica é antecipar o maior número de atividades possíveis.


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6. MAPAS DAS COMPETÊNCIAS A partir desta pesquisa, foram desenvolvidos alguns mapas visuais e infográficos, que abordam aspectos importantes da figura do produtor e da produção audiovisual. Na figura 9, algumas habilidades que todo produtor audiovisual, de maneira especial o produtor executivo, devem procurar desenvolver. Os termos foram extraídos como palavras-chave de dissertações e livros sobre a atividade no setor audiovisual (referenciados neste projeto), outros foram escolhidos para representar habilidades descritas a partir da interpretação do autor desta pesquisa. As habilidades da figura nove estão descritas no subcapítulo 4.2. Figura 9 – As 4 esferas do desenvolvimento profissional do Produtor

Fonte: Autoria própria (2020).

As quatro esferas do desenvolvimento profissional do produtor são: Inter pessoalidade, Diligência, Intrapessoal e Metódico. Por esfera, entende-se, um corpo sólido em toda a sua extensão, onde todos os pontos são alinhados. Cada esfera, dispõe de habilidades que devem se manter alinhadas na experiência prática e intelectual do produtor para que este consiga desenvolver bem cada projeto. Sobre as quatro esferas, definiremos da seguinte maneira: Inter pessoalidade: A categoria da Inter pessoalidade trata da relação do produtor audiovisual consigo mesmo e com terceiros.


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Diligência: O campo da diligência trata das duas cautelas mais importantes que devem ser tomadas pelos produtores. São pontos de atenção, requisitos mínimos para todos os participantes do processo de produção. Intrapessoal: As habilidades esperadas na categoria Intrapessoal dizem respeito à esforços internos, de interesses particulares e motivados pelo próprio produtor. Metódico: Espera-se, de forma espontânea e como habilidade praticável do produtor audiovisual, a precedência metódica, criação de procedimentos principalmente no que diz respeito às atividades que competem este quadro. Desenvolvemos, complementar a discussão sobre a produção ao vivo, um mapa/infográfico, que permite a visualização das responsabilidades do produtor executivo no desenvolvimento de uma transmissão ao vivo. Uma apresentação das etapas de planejamento (figura 10), pré-produção (figura 11) e produção (figura 12), com responsabilidades exclusivas do produtor executivo, com base nas pesquisas discutidas ao longo deste trabalho. Figura 10 – Funções do Produtor de Transmissão Direta – Planejamento

Fonte: Autoria Própria (2020).

No

planejamento,

as

cinco

perguntas

devem

colaborar com

o

desenvolvimento da ideia e criação de conceito da transmissão a se produzir. Nesta fase, o Produtor Executivo carece de Networking, pesquisa e conhecimento de causa. É possivelmente um processo mais árduo, menos prático e mais reflexivo e intelectual, é importante buscar referências e desde este momento, pensar se a ideias e decisões tomadas te levam para o objetivo desejado, em cada resposta,


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podem surgir questões a serem trabalhadas na fase de pré-produção, mas o Produtor Executivo não deve esperar iniciar a pré-produção para solucionar, é durante o planejamento, que o mesmo deve projetar/prever as possibilidades, erros, acertos e aproveitar a primeira parte de sua pré-produção, a contratação e profissionais, para contar com o apoio dos mesmos e a consultoria de cada um para ter um projeto cada vez melhor. Serão trabalhadas as habilidades das esferas Interpessoal e Metódica (figura 9).

Figura 11 – Funções do Produtor de Transmissão Direta – Pré -produção

Fonte: Autoria Própria (2020).

A segunda fase, denominada Pré-Produção (figura 11), cobra do Produtor Executivo, colocar em prática, as esferas da Inter pessoalidade e da Diligência. Pode ser que, neste período, precise voltar alguns passos para trás e rever o planejamento.


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Figura 12 – Funções do Produtor de Transmissão Direta - Produção

Fonte: Autoria Própria (2020).

É importante ressaltar que o grosso da atuação do produtor acontece até antes da transmissão. Durante a transmissão (figura 12), este se mantém à distância, deixando que cada profissional faça o show acontecer – diante de sua supervisão.


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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS A ideia para o tema deste projeto surgiu, não apenas de uma curiosidade, mas de uma paixão somada à uma parcela de experiência que a universidade possibilitou. Depois de tanto acompanhar transmissões jornalísticas em tempo real, premiações de música, eventos culturais e públicos através da televisão, o curso de rádio e televisão proporcionou a criação de um projeto de transmissão ao vivo. A semana de rádio e televisão do curso nos desafiou com a proposta de, além de preparar um evento para o público em ambiente presencial, preparar também uma transmissão e cobertura ao vivo do mesmo evento. Através de leituras, entrevistas, análises e reflexões, entendi que tudo aquilo que aprendíamos ao longo do curso de comunicação, nos capacitava para planejar um evento que seria transmitido ao vivo. É possível dizer, que, há um fator essencial na transmissão ao vivo, que denota sua maestria e seu sucesso com o público, que é a regionalização e a experiência cultural, do real, que o espectador acessa através da transmissão que assiste. E para que a experiência seja completa, é necessário desenvolver a melhor estrutura possível para não perder de vista o objetivo da transmissão, é necessário desenvolver uma linguagem audiovisual própria para o ao vivo. A criação de linguagem audiovisual é possível pela junção de muitos fatores levantados ao longo da pesquisa. Há um mercado no mundo atual, que possibilita a execução de projetos audiovisuais nos aspectos tecnológicos, e, entender para quais possibilidades a tecnologia nos leva, facilita o trabalho de quem pretende criar, porque para toda criação, é necessário recurso. Todo este trabalho, engloba um panorama atual do mercado, não é possível fazer previsões de onde chegaremos a respeito da transmissão ao vivo, tampouco com os profissionais que a executam, pudemos ver que até aqui, com a ajuda das inovações tecnológicas, muitos produtores conseguem realizar produções ao vivo com recursos mínimos através de plataformas de vídeo. A nosso favor, além da tecnologia, está uma disposição mercadológica na existência de empresas e setores que fortalecem um projeto audiovisual seja para uma empresa de grande porte, seja para um produtor autônomo com uma ideia na cabeça. O reconhecimento da profissão e a formação técnica garantida ao radialista, enquanto produtor, é fator constitutivo de que, para produzir no audiovisual, de


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maneira especial, para produzir uma transmissão ao vivo - que não pode ser editada, não pode chegar a outro resultado que não seja o correto no dia da transmissão - é necessário saber mais do que ligar uma câmera. Vivemos no ano de 2020, devido à pandemia por Coronavírus, experiências ainda maiores com a tecnologia proporcionando transmissões ao vivo, e este espectro social, teve seus efeitos na execução deste trabalho. Uma das propostas, era fazer uma pesquisa próximo às produtoras que realizam transmissões ao vivo, e conhecer no dia a dia a realidade destes profissionais e identificar pontos de seu trabalho. Diante das ordens de isolamento social, não houve possibilidade de tal estudo, portanto, foi substituído por análises de transmissões realizadas no YouTube. Foi possível com esta pesquisa, identificar, quais são as fases mais importantes para a produção de uma transmissão ao vivo e o que contribui para um resultado eficiente. Traçamos um perfil do produtor que atua na transmissão, comparamos a produção e a produção executiva em diferentes seguimentos. Foi possível com isso entender que a figura do produtor executivo tem poucas diferenças entre um seguimento audiovisual e outro, pois compete a este profissional a gestão do que quer que esteja sendo produzido. Não há, atualmente, um registro técnico de função do radialista com o nome de produtor executivo, deve-se utilizar então, o profissional que quiser tirar DRT para tal atividade, o nome de Controlador de Operações, como disponibiliza o Ministério do Trabalho e Emprego. É difícil encontrar pessoas que estudem com o objetivo de se tornarem produtores executivos, tampouco, especializados em transmissão ao vivo, por este motivo, foi uma dificuldade do processo de pesquisa explorar obras teóricas, e textos acadêmicos sobre produção executiva e transmissão ao vivo na televisão e na internet. Espera-se, portanto, que este trabalho sirva de ajuda para aqueles que tenham curiosidade e tenham interesse em ler mais sobre o assunto da produção de transmissão ao vivo. Através das pesquisas, vimos que não há leis de incentivo nem de regulamentação específicos para a transmissão ao vivo, mas o audiovisual é abraçado como um todo e muitas das leis existentes devem ser levadas em consideração ao criar um projeto para transmissão em tempo real. Foi possível entender que, a diferença entre transmitir na televisão e na internet está em: público alcançado e investimento necessário, pois o meio escolhido pede por estruturas


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diferentes, mas não há impossibilidade, pois como abordamos, um projeto pode ser desenvolvido com a colaboração de diversas empresas e profissionais. O ao vivo na televisão não deve morrer, e na internet, a projeção é que cresça mais, espera-se, portanto, que um meio seja capaz de ensinar e agregar ao outro. Criamos com efeito, um mapa que colabora na visualização da participação do produtor executivo dentro da produção de uma transmissão ao vivo. Concluímos, portanto, que, para transmitir ao vivo, é necessário entender as tendências de tecnologia, de estrutura, de mercado, e traçar um bom planejamento, pois boa parte da transmissão é consequência da projeção, por este motivo, o produtor executivo tem um papel essencial na execução de uma transmissão em tempo real, pois deste, espera-se uma visão ampla quanto às possibilidades de produção e a capacidade de gerenciar um projeto de sucesso, pois quem faz ao vivo, improvisa, e o ao vivo não se faz (simplesmente), mas se produz.


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