UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO
WILLIAM SILVERIO DA SILVA
DEPRESSÃO NO FUTEBOL: E SUAS CAUSAS
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
SÃO PAULO - SP 2020
WILLIAM SILVERIO DA SILVA
DEPRESSÃO NO FUTEBOL: E SUAS CAUSAS
Monografia (ou Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica) apresentada ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo. Orientador (a): Prof. Mirian Meliani Nunes
SÃO PAULO - SP 2020
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a minha mãe Edna e ao meu pai Ronildo, pelo exemplo de coragem e simplicidade em suas metas, e com muito amor e carinho me ensinou o caminho certo. Dedico também a meu irmão Kevin, que sugeriu e me encorajou fazer cursa jornalismo na faculdade e é a pessoa mais inteligente que eu conheço. Dedico aos meus amigos Samuel Fragoso, Pedro Paz e Michael Dias, que contribuíram imensamente para o meu crescimento e aprendizagem. Dedico a todos os professores do curso, que foram extremamente importantes na minha vida acadêmica e no desenvolvimento deste projeto. Por último, e mais importante, dedico a Deus, que sempre iluminou os meus caminhos, seja antes, durante e possivelmente depois deste projeto.
AGRADECIMENTOS
Agradeço sempre primeiramente a Deus, que me fortaleceu energicamente durante todo este processo, para que eu possa concluir este trabalho. Agradeço aos meus amigos de classe, em especial os mais íntimos Samuel Fragoso, Pedro Paz e Michael Dias, que sempre me apoiaram durante todo o trajeto do curso. Agradeço a minha família que sempre me apoiou diretamente e indiretamente em todos os aspectos possíveis. Enfim, agradeço a todas as pessoas que fizeram parte dessa etapa decisiva em minha vida.
“O único modo de escapar da corrupção causada pelo sucesso é continuar trabalhando.” Albert Einstein
RESUMO O trabalho presente tem como objetivo analisar a depressão nos jogadores de futebol, que pode acontecer por diversos motivos já que se trata de um ambiente onde há muita pressão de todos os lados. Com a evolução do esporte nas últimas décadas também houve a evolução do atleta. atualmente os jogadores precisam estar bem preparados de todas as formas: Fisicamente precisam estar mais rápidos e fortes, ter inteligência para entender e cumprir funções táticas no jogo perfeitamente durante 90 minutos de muita intensidade. Pesquisas devem ser feitas para saber qual faixa etária podem ocorrer a depressão no jogador. Atletas novos podem não estar preparados mentalmente para o ambiente de pressão constante do futebol. Atletas mais velhos podem ficam mal por verem seus dias de glorias indo embora e suas qualidades técnicas começarem a decair, ou simplesmente perderam a motivação. O Objetivo da pesquisa é descobrir se há um grupo de jogadores com características especificas mais propensos a desenvolver a depressão. Dentro deste projeto estudos teóricos como Teoria dos Olimpianos de Edgar Morin se aplicam no tema escolhido. O aspecto metodológico usado no nesse caso é quantitativa e para mostrar os danos e efeitos que deixam em jogadores de futebol na sua vida pessoal. Palavras-Chave: Depressão; Jogadores de futebol; Corpo e mente.
ABSTRACT The present work aims to analyze the depression in football players, which can happen for several reasons since it is an environment where there is a lot of pressure from all sides. With the evolution of the sport in recent decades there has also been the evolution of the athlete. nowadays players need to be well prepared in all ways: Physically they need to be faster and stronger, have the intelligence to understand and perform tactical functions in the game perfectly for 90 minutes of intense intensity. Research should be done to find out what age group depression can occur in the player. New athletes may not be mentally prepared for the constant pressure of football. Older athletes may feel badly about seeing their glory days go away and their technical qualities start to wane, or they simply lose motivation. The objective of the research is to find out if there is a group of players with specific characteristics more likely to develop depression. Within this project, theoretical studies such as Theory of Olympians by Edgar Morin are applied to the chosen theme. The methodological aspect used in this case is quantitative and to show the damage and effects it leaves on football players in their personal life. Keywords: Depression; Football players; Body and mind.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Depressão no mundo. ............................................................................... 16 Figura 2: Depressão no futebol. ............................................................................... 21 Figura 3: Depressão no futebol. ............................................................................... 23 Figura 4: Objetivo da psicologia do esporte. ............................................................ 46 Figura 5: Psicologia do esporte e do exercício. ........................................................ 54
LISTA DE SIGLAS
CDC - Centros para Controle e Prevenção de Doenças ECT - Eletroconvulsoterapia FIFPro - Federação de Internacional dos jogadores Profissionais de futebol SCIELO - Scientific Electronic Library Online TMC - Transtornos Mentais Comuns
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 11 2. DEPRESSÃO ..................................................................................................... 16 3. DEPRESSÃO NO FUTEBOL ............................................................................. 21 3.1. APOSENTADORIA NO FUTEBOL .................................................................... 32 3.2. PERSONALIDADES DO FUTEBOL QUE SUPERARAM A DEPRESSÃO ....... 38 3.3. FUTEBOL X DEPRESSÃO X PANDEMIA DO COVID-19 ................................. 43 4. PSICOLOGIA DO ESPORTE NA ADOLESCÊNCIA. ........................................ 46 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 55 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 57
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1.
INTRODUÇÃO
A depressão no Brasil atinge em média 11, 5 milhões de pessoas por anos segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No mundo são mais de 300 milhões casos que atingem todas as classes sociais e cresceu 18% o número de casos de depressão nos últimos 10 anos (AFP, 2020). Um dos casos mais conhecidos de depressão no futebol foi o de Ronaldo fenômeno, que em 2000 após romper o tendão patelar do joelho direito ficou quase 2 anos sem jogar. O craque brasileiro teve uma lesão muito rara, tão pouco vista no futebol mundial. Os médicos chegaram a dizer que seria um milagre ele voltar a jogar. Devido a isso desencadeou uma série de incertezas na sua cabeça e fez com que ele tenha desenvolvido uma depressão (BAETHOLOMEU, et al, 2014). A depressão atinge até mesmo os jogadores que estão em alta na carreira. Como Cicinho em 2005, que jogando pelo São Paulo venceu a Libertadores e Mundial. Ainda naquele ano consagrou-se campeão da Copa Das Confederações jogando de titular pela Seleção brasileira (BRAYAN, 2020). Depois dessa grande temporada despertou o interesse do Real Madrid e garantindo sua vaga na Copa do Mundo de 2006. Segundo De Rose (2015) como naquele atura da sua carreira já era considerado um galáctico do Real Madrid e um grande jogador da Seleção brasileira ele começou a perder o foco e não sentia mais tanta necessidade de buscar mais conquistas, pois achava que já tinha conquistado muito. Perdeu o foco na carreira e só queria saber de balada e bebida, fez com que ele se tornasse um alcoólatra depressivo. O ex-jogador chegou a dizer que mentiu para uma psicóloga e encontrou na bebida uma forma de esquecer. Há diversos casos de doenças mentais no futebol. Esse projeto vai buscar entender esses casos. Os jogadores de futebol precisam estar com o corpo e a mente bem alinhados para desempenhar bem suas funções dentro de campo. Quando isso não acontece vem a má fase e sucessivamente as críticas e questionamentos de torcedores, jornalistas, comissão técnica e dirigentes do clube (FRANK; NIXDORF; BECKAMNN, 2013). Devido aos altos salários que os atletas recebem a pressão se torna maior, como em qualquer trabalho, mas no futebol bem comum um jogador de 16 anos de
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um grande clube brasileiro ganhar mais 10 mil por mês (Muito mais que a maioria da população brasileira). No Brasil existem mais de 300 mil jogadores profissionais, porém menos de 0,85% recebem salários acima dos 50 mil reais. Por isso a sociedade não permite que eles tenham problemas, pois como a maioria diz: “Suas vidas já estão ganhas”. O ambiente do futebol também é extremamente machista, que não permite ao homem que possa demonstrar seus sentimentos, por isso jogadores com problemas psicológicos nunca procuram ajuda para não serem reprimidos entre os colegas time e torcedores (IG ESPORTE, 2019). No futebol muito debate sobre o preparado físico, tático e técnico dos jogadores, até as fofocas extracampo, mas na mídia esportiva dificilmente há uma discussão a respeito de saúde mental. Devido a alguns desses e outros fatores é bem difícil que atletas procurem profissionais para buscar tratamento adequado. Como eles lidam com esses problemas calados? O objetivo é mostrar ao público que apesar de todo o sucesso que o futebol trás na vida dos jogadores também há seus sacrifícios em busca desse sonho. Em sua maioria são jovens atrás de um sonho, que em sua maioria não tem o preparo psicológico ideal para encarar as dificuldades que o futebol trás com a fama e dinheiro. Os objetivos específicos são humanizar os atletas e mostrar que a depressão atinge todas as classes, independente do saldo bancário; mostrar o lado inverso também, que pessoas comuns com depressão vendo essas figuras públicas sofrendo com mesmo problema sinta-se à vontade para procurar ajuda; a importância da psicologia do esporte na adolescência. O quanto pode influenciar um garoto sem maturidade no futebol profissional; e mostrar ex-atletas que superam a depressão e como vive nos dias de hoje. Os Jogadores veteranos também podem desenvolver problemas psicológicos, pois não tem mais a mesma vitalidade do início de suas carreiras, a qualidade técnica cai, a velocidade diminui, e a maioria deles não sabem o que fazer quando parar de jogar. O que é frustrante e gera uma série de pensamentos negativos. Como um as competições e pressão diária por resultados influenciaram em campo naquele momento da vida? Uma pesquisa mostrou que 61% dos atletas tem sintomas de ansiedade e 39% de depressão. Segundo Hammond, et al (2013) os pensamentos automáticos
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disfuncionais relatados pelos atletas concentram-se nas concepções sobre o erro, perfeccionismo e na estrutura do trabalho. Os clubes de futebol pelo brasil e o mundo gastam milhões de reais com jogadores e técnicos sempre para buscar o mais alto nível de competitividade e os títulos, que os levem a glória eterna. Porém quando o assunto é a saúde mental de seus atletas parece que é uma conversa e a maioria ter planos para lidar com isso. Jogadores de futebol em sua maioria tem um grupo que gerencia suas carreiras. Será que os staffs desses atletas trabalham para que seus clientes sejam fortes mentalmente, ou só pressionam mais seus agenciados. Os treinadores lidam diretamente com todos os jogadores, e quem lida com grupo grande de pessoas sabe que são personalidades diferentes e precisam tratar dessa forma, mas nem todos são assim. Será exigem demais dos atletas, a forma que cobra um talvez não funcione com o outro, devido a isso é muito importante saber como gerenciar o elenco (IG ESPORTE, 2017). Segundo Machado (2017) dependendo da gravidade da lesão o atleta pode ficar de fora por meses e perde jogos importante. Se for um jogador titular do time que se machuque e não tenha um reserva a altura, esse titular pode ser pressionado internamente para que sua recuperação seja mais rápida, pois a vitória é mais importante que qualquer coisa.
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2.
METODOLOGIA
Tratou-se de revisão da literatura, baseando-se na busca de artigos publicados entres 2013 a 2020. As bases de dados utilizadas serão: SCIELO (Scientific Electronic Library Online); Google Forbs. Os descritores utilizados para a busca foram: Depressão; Jogadores de futebol; Corpo e mente. Os critérios de inclusão utilizados serão: artigos que respondessem à questão de metodologia de projeto, e os critérios de exclusão foram: editoriais, artigos de revisão da literatura e artigos que não respondessem à questão de outras metodologias proposto por este estudo. Assim como o estudioso Andrade (2013) mostra que a pesquisa é o conjunto de procedimentos sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos. Segundo Ferrão (2013) quanto aos objetivos, à pesquisa divide-se em exploratória, descritiva e explicativa. Analisando os objetivos da pesquisa serão utilizadas as pesquisas exploratórias e descritivas. Quanto à abordagem do estudo, tendo em consideração os objetivos definidos, considerou-se mais adequada a adoção de uma metodologia qualitativa. Conforme Richardson (2019), mostra que vários estudos os quais empregam assim uma metodologia qualitativa “[...] podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais.” A pesquisa pode ser classificada sob três aspectos: quanto aos objetivos, quanto à abordagem do problema e quanto aos procedimentos. No tocante aos seus objetivos, a pesquisa que gerou este texto caracterizou-se como sendo de natureza exploratória e descritiva. As pesquisas exploratórias têm por fim “[...] mostrar mais contexto com o problema, tornando o assim mais explícito ou construindo hipóteses, sendo assim estas pesquisas têm como o grande objetivo aprimorar as ideias.” (GIL, 2018 p. 45). O tipo do estudo é uma revisão bibliográfica, pesquisas do tipo tem o objetivo primordial à exposição dos atributos de determinado fenômeno ou afirmação entre suas variáveis (GIL, 2018). Assim, recomenda-se que apresente características do tipo: analisar a atmosfera como fonte direta dos dados e o pesquisador como um instrumento interruptor; não agenciar o uso de artifícios e métodos estatísticos, tendo
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como apreensão maior a interpretação de fenômenos e a imputação de resultados, o método deve ser o foco principal para a abordagem e não o resultado ou o fruto, a apreciação dos dados deve ser atingida de forma intuitiva e indutivamente através do pesquisador (GIL, 2018).
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3. DEPRESSÃO
A depressão é classificada como um transtorno do humor. Pode ser descrito como sentimento de tristeza, perda ou raiva que interferem nas atividades diárias de uma pessoa. Também é bastante comum, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estima que 8,1% dos adultos com 20 anos ou mais tiveram depressão em qualquer período de 2 semanas de 2013 a 2016 (NETTO, 2019), como mostra a figura abaixo.
Figura 1: Depressão no mundo.
Fonte: (NETTO, 2019).
As pessoas experimentam depressão de maneiras diferentes, isso pode interferir no seu trabalho diário, resultando em perda de tempo e menor produtividade, também pode influenciar os relacionamentos e algumas condições crônicas de saúde. É importante perceber que às vezes se sentir para baixo é uma parte normal da vida. Eventos tristes e perturbadores acontecem a todos. Mas, se você está se sentindo para baixo ou sem esperança regularmente, pode estar lidando com depressão. Segundo Pessoa (2019) a depressão é considerada uma condição médica
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séria que pode piorar sem tratamento adequado. Aqueles que procuram tratamento geralmente observam melhorias nos sintomas em apenas algumas semanas. A depressão pode ser mais do que um estado constante de tristeza ou sensação de "tristeza". A depressão grave pode causar vários sintomas. Alguns afetam seu humor e outros afetam seu corpo. Segundo Tinga (2020) os sintomas também podem ser contínuos ou ir e vir. Os sintomas da depressão podem ser experimentados de maneiras diferentes entre homens, mulheres e crianças. Os homens podem apresentar sintomas relacionados a:
Humor, como raiva, agressividade, irritabilidade, ansiedade, inquietação;
Bem-estar emocional, como sentir-se vazio, triste, sem esperança;
Comportamento, como perda de interesse, não encontrar mais prazer
nas atividades favoritas, sentir-se facilmente cansado, pensamentos suicidas, beber excessivamente, usar drogas, participar de atividades de alto risco;
Interesse sexual, como redução do desejo sexual, falta de desempenho
sexual;
Habilidades cognitivas, como incapacidade de concentração, dificuldade
em completar tarefas, respostas atrasadas durante conversas;
Padrões de sono, como insônia, sono agitado, sonolência excessiva,
não dormir a noite toda;
Bem-estar físico, como fadiga, dores, dor de cabeça, problemas
digestivos. A depressão pode acontecer em qualquer idade, mas geralmente começa na idade adulta. A depressão é agora reconhecida como ocorrendo em crianças e adolescentes, embora às vezes se apresente com irritabilidade mais proeminente do que o mau humor. Muitos transtornos crônicos de humor e ansiedade em adultos começam como altos níveis de ansiedade em crianças (TORCEDORES.COM, 2019). A depressão, especialmente na meia-idade ou adultos mais velhos, pode ocorrer com outras doenças médicas graves, como diabetes, câncer, doenças cardíacas e doença de Parkinson. Segundo Bartholomeu, et al (2014) essas condições costumam ser piores quando a depressão está presente. Às vezes, os medicamentos tomados para essas doenças físicas podem causar efeitos colaterais que contribuem para a depressão. Um médico com experiência no tratamento dessas doenças complicadas pode ajudar a definir a melhor estratégia de tratamento.
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Existem várias causas possíveis para a depressão. As causas comuns incluem: História de família, um risco maior de desenvolver depressão se tiver um histórico familiar de depressão ou outro transtorno de humor. Trauma da primeira infância, afetam a maneira como seu corpo reage ao medo e a situações estressantes (BRAYAN, 2020). O risco de depressão é maior se o lobo frontal do cérebro estiver menos ativo. No entanto, os cientistas não sabem se isso acontece antes ou depois do início dos sintomas depressivos. Certas condições podem colocar você em maior risco, como doença crônica , insônia, dor crônica ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) (DE ROSE, 2015). Uso de drogas. Um histórico de uso indevido de drogas ou álcool pode afetar seu risco. Segundo Frank; Nixdorf; Beckmann (2013) cerca de 21% das pessoas que têm problemas com o uso de substâncias também sofrem de depressão. Além dessas causas, outros fatores de risco para depressão incluem: baixa autoestima ou autocrítica; história pessoal de doença mental; certos medicamentos; eventos estressantes, como perda de um ente querido, problemas econômicos ou divórcio. Muitos fatores podem influenciar os sentimentos de depressão, bem como quem desenvolve a doença e quem não desenvolve. As causas da depressão geralmente estão ligadas a outros elementos de sua saúde. No entanto, em muitos casos, os profissionais de saúde não conseguem determinar o que está causando a depressão (HAMMOND, et al, 2013). A depressão pode ser dividida em categorias, dependendo da gravidade dos sintomas. Algumas pessoas experimentam episódios leves e temporários, enquanto outras experimentam episódios depressivos graves e contínuos. Segundo Ig esporte (2019) a depressão pode ser temporária ou pode ser um desafio de longo prazo. O tratamento nem sempre faz com que sua depressão desapareça completamente. No entanto, o tratamento geralmente torna os sintomas mais controláveis. Gerenciar os sintomas da depressão envolve encontrar a combinação certa de medicamentos e terapias. A depressão, mesmo nos casos mais graves, pode ser tratada. Quanto mais cedo o tratamento começar, mais eficaz ele será. A depressão geralmente é tratada com medicamentos , psicoterapia ou
uma
combinação
dos
dois. Se
esses
tratamentos não reduzirem os sintomas, a eletroconvulsoterapia (ECT) e outras
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terapias de estimulação cerebral podem ser opções a serem exploradas (IG ESPORTE, 2017). Segundo Machado (2017) os medicamentos usados para tratar a depressão atuam melhorando a capacidade do cérebro de usar “neurotransmissores” que ocorrem naturalmente no cérebro. Eles não são “pílulas da felicidade” ou tranquilizantes. Eles não elevam o humor mudando sua personalidade ou fazendo com que você perca o contato com a realidade, e não criam hábitos. Eles o ajudam a se sentir você mesmo novamente e a se sentir mais capaz de lidar com tudo o que a vida lhe traz. Embora possam ter efeitos colaterais iniciais, esses efeitos colaterais geralmente desaparecem em questão de dias ou semanas. O aconselhamento / psicoterapia ajuda as pessoas a aprender a lidar com a situação e a compreender os fatores que podem estar contribuindo para a depressão. Segundo Moreira (2017) as terapias cognitivo-comportamentais se concentram em ajudar os homens a identificar e mudar atitudes, formas de pensar e comportamentos que contribuem para sua depressão. Um bom terapeuta é como um “treinador” para o seu cérebro. O objetivo do “treinador” é ajudá-lo a obter a melhor saúde mental possível. Mudanças no estilo de vida, como fazer exercícios aeróbicos regulares, melhorar os hábitos de sono ou tratar um distúrbio do sono, reduzir o uso de álcool ou forçar-se a voltar ao hábito de passar tempo com os amigos ou se envolver em atividades prazerosas, podem fazer uma grande diferença no seu humor (NETTO, 2019). Segundo Pessoa (2019) razões psicológicas para a depressão são todas aquelas que abrangem a mentalidade e o estado mental da pessoa. Isso significa que uma pessoa que pode ter a predisposição biológica para sofrer de depressão, pode passar toda a sua vida sem nenhum episódio depressivo devido a um estado de espírito positivo e por estar mais consciente de seu estado mental e tomando medidas para se manter mentalmente saudável. Isso pode ser feito com uma forte rede de apoio social que são muito eficazes quando o jogador está passando por episódios negativos ou vida trauma.
A depressão e seus diversos níveis raramente é tratada com a devida importância na mídia, apesar de atingir 10% da população brasileira. Normalmente, o
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assunto só entra na pauta quando uma celebridade, vítima da doença, tenta o suicídio. Caso do ator Robin williams, morto este mês. Especialistas avaliam que em 90% dos casos de suicídio, a pessoa já tinha algum tipo de doença psiquiátrica. (DINES, 2014)
O artigo de Valesca Consolaro e Jacir Zanatta faz uma análise e relação de como a depressão, uma das doenças mais incapacitantes do século XXI, está sendo abordada nos textos do acervo digital da revista Veja. Para isso analisaram as 53 revistas publicadas no ano de 2016, 1384 anúncios e 1003 matérias jornalísticas. O foco principal dessa análise documental foram reportagens, entrevistas e notícias. (CONSOLARO e ZANATTA, 2016, p. 1)
Com base nas leituras feitas pode-se perceber que a depressão não recebe muita atenção nos textos jornalísticos da revista Veja. Dos 1003 textos, apenas 21 textos citam a depressão. Destes só dois abordam a doenças de forma direta, os demais textos a depressão aparece de forma indireta. Com esse levantamento podemos perceber que as matérias jornalísticas encontradas nas 53 edições do acervo digital da revista Veja, são produzidas sob um modelo biomédico que aborda questões de causa e efeito. Os textos não apresentam uma preocupação com a prevenção e os textos são produzidos a partir de uma concepção medicamentosa da depressão. Os dados obtidos mostram que o assunto ainda é pouco tratado entre os profissionais da mídia. A análise de conteúdo dos textos nos permite concluir que os profissionais apenas citam a depressão dentro de outros temas. Não conseguimos perceber por parte dos jornalistas uma preocupação em abordar os temas levando em consideração a prevenção e buscando romper com o modelo biomédico de causa e efeito. Desta forma, concluímos que a mídia está mais preocupada com a publicação de notícias factuais, ou seja, apenas o que está acontecendo no momento. Percebese que a saúde encontra-se vinculada às questões do ambiente concreto no qual o sujeito está inserido, ressaltando que as condições do contexto têm influência na vida psíquica do indivíduo. Ou seja, percebe-se aqui que a mídia impressa não só contribui para divulgar um conceito, mas trabalha para sua manutenção. Sendo assim, entendemos que a saúde de uma população é, portanto, produto da morbidade ressentida socialmente e da morbidade diagnosticada pelos serviços de saúde. Pelo exposto é possível concluir que além de acarretar incapacidade, a depressão causa
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sofrimento, sobretudo ao afetado, mas em alguma medida, aos que o cercam. Pelo exposto é possível concluir que a questão da saúde depende mais dos interesses e da ideologia dos grupos políticos e economicamente poderosos que controlam a mídia, do que de sua validade médica ou científica. (CONSOLARO e ZANATTA, 2016, p. 11). Para a Organização Mundial de Saúde, a imprensa pode ter um papel importante na prevenção do suicídio. Segundo o Guia para Profissionais da Mídia da OMS, a forma como o jornalista apresenta os casos, pode influenciar outras mortes.E dá dicas de como noticiar o suicídio em geral e como evitar detalhes dos casos. A Associação Brasileira de Psiquiatria também aborda o assunto em tratado dirigido à impresa com o objetivo de prevenir o suicídio. (DINES, 2014)
4. DEPRESSÃO NO FUTEBOL
O futebol é um dos esportes mais famosos do mundo. Até 260 milhões de pessoas em todo o mundo estão cadastradas em clubes de futebol, com diversos níveis que vão do futebol profissional ao amador. Segundo Pessoa (2019) embora o futebol seja muito popular, ele também é acompanhado por um alto risco de lesões. A prevalência de pelo menos uma lesão em uma temporada nas ligas de futebol assalariadas alemãs semiprofissionais foi de 79%. Dentre as maiores causa de depressão no mundo está relacionado a algum tipo de estresse. No futebol é da mesma maneira. Um ambiente de forte estresse emocional, e as causas que podem agravar o problema são: Distanciamento da família, treinamentos, pressão por resultados, exposição na mídia, competitividade entre outros. Segundo IG esporte (2020) um estudo realizado pelo Federação de Internacional dos jogadores Profissionais de futebol (FIFPro) revelou que 38% dos atletas profissionais sofrem com algum sintoma de depressão ou ansiedade. O estudou ouviu 826 jogadores profissionais, como mostra na figura abaixo.
Figura 2: Depressão no futebol.
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Fonte: IG esporte (2020)
Além do tema risco de lesões e prevenção de lesões no futebol, a possível relevância dos problemas de saúde mental, quer sejam emocionais ou psicológicos, ganha cada vez mais destaque pelo trágico suicídio de jogadores de futebol famosos e pelas declarações de jogadores nacionais que a alta pressão no futebol profissional leva a sintomas de ansiedade e depressão (TINGA, 2020). Segundo Torcedores. Com (2019) o esporte profissional é uma das poucas indústrias em que alguém pode ser considerado um veterano aos 27 anos de idade. Aos 35, os jogadores de futebol são chamados de velhos e provavelmente passaram alguns anos enfrentando a questão de saber se é hora de encerrar. Embora os jogadores de futebol sejam expostos a altos níveis de treinamento, eles ainda são suscetíveis aos decréscimos físicos que vêm com o envelhecimento. Embora até aos 35 eles estejam muito mais em forma do que outras pessoas da sua idade, ainda são obrigados a competir com jogadores de futebol mais jovens e, portanto, o impacto do envelhecimento pode levá-los a ser mais lentos, demorando mais para se recuperar após o treinamento e jogos, maior suscetibilidade a lesão, quando comparados com eles mesmos alguns anos antes (BARTHOLOMEU, et al, 2014).
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Esta declinação física pode ameaçar a carreira de um jogador, pois os clubes podem procurar contratar jogadores mais jovens ou fazer com que um jogador não jogue tanto quanto antes. Isso pode diminuir a autoconfiança dos jogadores e resultar em dúvidas, níveis mais elevados de ansiedade e pode levar à depressão (BRAYAN, 2020). A depressão tem sido historicamente caracterizada como exógena (reativa) ou endógena. A depressão endógena depende do papel da genética na depressão. Os componentes biológicos desempenham um grande papel na pesquisa endógena. A depressão exógena é a depressão causada por fatores externos e o estresse da vida desempenha um papel mais importante do que os fatores hereditários (DE ROSE, 2015). Em 2013, a FIFpro conduziu um estudo piloto com base em jogadores profissionais em 5 países. O objetivo do estudo foi observar as ocorrências e o impacto dos problemas de saúde mental nos jogadores de futebol. O estudo piloto foi seguido por um estudo completo baseado em jogadores de futebol ativos e aposentados em 11 países de 3 continentes (FRANK; NIXDORF; BECKMANN, 2013). Segundo Hammond, et al., (2013) os estudos encontraram a prevalência de problemas de saúde mental em jogadores de futebol ativos e aposentados. 38% dos 826 jogadores atuais e 35% dos 219 ex-jogadores da amostra relataram sofrer de sintomas de depressão e / ou ansiedade. Isso foi tão alto quanto 43% na Noruega. Esses resultados mostram que a depressão é mais prevalente em jogadores de futebol profissional do que na população em geral. O estudo FIFpro constatou que distúrbios do sono (23% e 28% respectivamente), sofrimento (15% e 18%) e uso adverso de álcool (9% e 25%) também foram considerados prevalentes, como mostra a figura abaixo.
Figura 3: Depressão no futebol.
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Fonte: Hammond, et al., (2013).
Ao longo de suas carreiras, os jogadores de futebol estão expostos a demandas mentais intensas e isso pode aumentar sua suscetibilidade a certos problemas de saúde mental. Essas pressões incluem estresse normal relacionado ao trabalho relacionado ao desempenho no trabalho, ser um membro contribuinte de uma equipe, esforçar-se para atender às metas individuais e organizacionais etc. (IG ESPORTE, 2019). No entanto, também existem pressões adicionais relacionadas ao escrutínio público e da mídia que não se limitam a ações e comportamento que se relacionam diretamente
com
o
trabalho,
mas
também
podem
incluir
um
escrutínio
pessoal. Segundo Ig esporte (2017) com os avanços da tecnologia e o uso das mídias sociais como plataforma para fãs e membros do público interagirem diretamente com os jogadores e / ou pessoas próximas a eles, as pressões sobre os jogadores aumentaram, mesmo quando em público, eles podem ser fotografados e assediado online. Em um esporte coletivo, os jogadores de futebol são expostos a estresses relevantes para fazer parte de uma equipe. Isso inclui estresse relacionado à seleção da equipe e competição para formar os times do dia de jogo e a escalação inicial,
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erros de companheiros de equipe, erros do indivíduo e culpa por decepcionar companheiros de equipe e alinhar objetivos pessoais e reconhecimento com objetivos e reconhecimento da equipe (MACHADO, 2017). O futebol é um esporte global que muitas vezes significa que os jogadores precisam deixar suas cidades e se mudar para diferentes cidades, países ou continentes para exercer seu comércio. Segundo Netto (2019) muitos jogadores costumam fazer mais de um movimento em suas carreiras. Isso significa que os jogadores passam muito tempo em novas cidades e ambientes, longe de suas famílias e amigos. Mesmo quando suas famílias se mudam com eles, os jogadores ainda passam muito tempo fora de casa para jogos e torneios. Isso pode impactar o suporte social dos jogadores e pode levar à depressão. Viajar também tem impacto sobre a pessoa. As viagens internacionais podem envolver voos longos e adaptação a novos idiomas e maneiras de fazer as coisas. A depressão aguda pode ocorrer após uma viagem. Segundo Pessoa (2019) até o momento, todos os estudos relevantes sobre os possíveis sintomas psicológicos no futebol foram realizados na área do futebol de elite. Assim, a questão da saúde mental ou psicológica tem duas faces: de um lado, o esporte pode prevenir transtornos mentais, de outro, a pressão alta no futebol profissional pode contribuir para um possível desenvolvimento de depressão ou ansiedade. Existem várias investigações com atletas, em sua maioria profissionais, examinando o tópico da depressão nos esportes, especialmente no futebol. Em um estudo com jogadores de futebol profissional, o aparecimento de depressão e ansiedade em jogadores de todas as primeiras ligas e de quatro times de futebol sub21 na Suíça. Seus resultados mostraram que a prevalência de depressão foi semelhante à da população em geral (7,6% apresentaram depressão leve a moderada e 3% depressão maior) e a prevalência de ansiedade foi significativamente menor (16,7%) (TINGA, 2020). No entanto, os Torcedores (2019) mostraram que os jogadores profissionais sub-21 do sexo masculino tiveram uma prevalência maior de depressão. Neste estudo, foi escolhida uma amostra altamente selecionada, o que significa um grupo altamente homogêneo e representativo de atletas masculinos e femininos de alto nível. Em contraste com este estudo, demonstrou que uma alta prevalência de transtornos mentais comuns (TMC) como depressão e ansiedade e comportamentos
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adversos à saúde como consumo adverso de álcool, tabagismo e comportamento nutricional não saudável podem ser detectados entre jogadores de futebol profissional ativos, que deveriam ser filiados ao sindicato de jogadores nacionais. Ainda que o número de lesões musculoesqueléticas graves durante a carreira de futebol foi positivamente correlacionado com sofrimento, ansiedade e distúrbios do sono. Além disso, o número de cirurgias foi correlacionado com o comportamento adverso do álcool. A ansiedade e depressão apresentam a maior prevalência de todos os aspectos relevantes dos TMC em jogadores de futebol profissional ativos ou aposentados (18% e 19%) (BARTHOLOMEU, et al, 2014). Por um lado, não há relação entre os sintomas de DMC e o início de lesões musculoesqueléticas graves atemporais, mas, por outro lado, jogadores de futebol que sofrem de lesões musculoesqueléticas graves têm probabilidade de desenvolver sintomas subsequentes de CMD. Segundo Brayan (2020) isso está de acordo com o fato de que ex-jogadores com sintomas depressivos citaram mais as lesões como motivo para se aposentar. Até o momento, é rara a existência de estudos prospectivos sobre o tema saúde mental no futebol e, ainda, não há estudo que investigue esse tema em jogadores de futebol não elitistas. Os problemas de saúde mental são comuns: afetam cerca de uma em cada quatro pessoas. Entre os atletas profissionais, a taxa pode ser ainda maior com alguns sintomas. Os problemas de saúde mental descrevem um estado mental e emocional que afeta o pensamento, sentimento, comportamento ou humor de uma pessoa. Eles cobrem uma ampla gama de problemas, como sentimentos de angústia, ansiedade, depressão, distúrbios do sono ou abuso de substâncias. Alguém tem problemas de saúde mental quando esses sentimentos desagradáveis ou anormais e / ou comportamento não ajustado ou anormal podem levar a uma limitação de funcionamento na vida diária, no trabalho ou nos esportes (DE ROSE, 2015). Os problemas de saúde mental têm várias causas. Alguns podem até estar interligados. Em geral, há muitas causas que pressionam a saúde mental das pessoas, como traumas psicológicos ou circunstâncias de vida insatisfatórias, como isolamento social ou pobreza. Pessoas com histórico familiar de problemas de saúde mental têm maior probabilidade de encontrar problemas. Relacionamento com treinadores e companheiros de equipe, os jogadores de futebol profissional que experimentam um relacionamento
deteriorado /
ruim com treinadores ou
27
companheiros de equipe têm maior probabilidade de relatar problemas de saúde mental (HAMMOND, et al, 2013). Insatisfação com a carreira, os jogadores de futebol profissionais insatisfeitos com sua carreira têm maior probabilidade de relatar problemas de saúde mental. Segundo Ig esporte (2019) os jogadores de futebol profissionais aposentados que estão desempregados têm maior probabilidade de relatar problemas de saúde mental. E até queixas físicas pós-carreira, os jogadores de futebol profissionais aposentados que sofrem de dores físicas têm maior probabilidade de relatar problemas de saúde mental. O futebol afeta bilhões de pessoas no mundo, ou seja, desde os profissionais mundialmente famosos e muito bem pagos até os jogadores amadores não remunerados em um campo úmido e enlameado em uma fria manhã de dezembro. Às vezes, tem um impacto muito significativo na vida de fãs e espectadores que assistem avidamente ao assistir a jogos ou pela TV. Freqüentemente, é uma característica definidora da identidade própria de uma pessoa (IG ESPORTE, 2017). A incrível paixão, lealdade e fanatismo que apoiar uma equipe pode gerar em alguns indivíduos levou ao interesse em como o processo ativo de apoiar um clube pode impactar na saúde física e mental de torcedores e participantes. Alguns estudos segundo Machado (2017) sugerem que o futebol pode induzir um sentimento de solidariedade e união entre jogadores e torcedores ou pode criar um sentimento de pertencimento e uma catarse de estresse e tensões entre os espectadores. No entanto, nem todos os jogos são ganhos e sugerem que o futebol pode induzir tanto comportamentos positivos, ou seja, harmoniosos, quanto negativos, ou seja, comportamentos obsessivos. Para os jogadores, pode haver o sucesso, as recompensas da promoção e as recompensas de uma renda mais alta se os jogos forem vencidos com frequência por sua equipe. Por outro lado, perdas de jogos podem causar angústia e decepção e, portanto, podem afetar negativamente o bem-estar do lado perdedor. Suicídios de alto nível em jogadores e dirigentes aumentaram recentemente a consciência da necessidade de olhar para as questões de saúde mental nas pessoas envolvidas no jogo profissional (NETTO, 2019). Os efeitos negativos do futebol aparecem mais pronunciados quando os problemas de saúde física de lesões relacionadas ao futebol afetam o bem-estar e o
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desempenho dos jogadores, um exemplo notável é a pesquisa atual sobre cabecear a bola e o desenvolvimento de demência. Assim, a saúde física e mental dos jogadores precisa ser focada pelos dirigentes, times e associações de futebol (PESSOA, 2019). Acidentes e lesões no futebol podem afetar todo o corpo, mas mais frequentemente envolvem as pernas, joelhos, braços e cabeça, com um efeito de longo prazo do futebol e outros esportes parecendo ser um risco aumentado de osteoartrite. Segundo Tinga (2020) a concussão severa e repetitiva em esportes pode levar à encefalopatia traumática crônica. Em alguns casos, a demência pode ser a consequência tardia de lesão cerebral grave. No entanto, tais danos podem não ser necessariamente permanentes, com a recuperação da concussão não sendo incomum. Quando um jogador sofre uma lesão, ele pode experimentar uma sensação de perda que leva a respostas comuns à tristeza, incluindo raiva e depressão. A percepção da gravidade da lesão provavelmente determinará a profundidade da depressão e da ansiedade. A depressão após a lesão pode ser resultado de distúrbios metabólicos e neuroquímicos transitórios (TORCEDORES, 2019). Lesões musculoesqueléticas muitas vezes podem resultar em choque, raiva, frustração, ansiedade, tédio, auto-estima reduzida, medo de novas lesões e incerteza quanto ao futuro, que podem levar a maiores sentimentos de depressão. O estudo da FIFpro segundo (Bartholomeu, et al (2014) também descobriu que os atuais jogadores de futebol profissionais que sofreram três ou mais lesões graves durante sua carreira tinham duas a quase quatro vezes mais probabilidade de relatar problemas de saúde mental do que os jogadores de futebol profissionais que não sofreram lesões graves. A ligação entre depressão e lesão não está relacionada aos níveis de dor, mostrando que as outras consequências da lesão desempenham um papel na depressão. Altos níveis de depressão durante uma lesão também são acompanhados por altos níveis de ansiedade somática e cognitiva. A probabilidade de depressão em esportes de elite é maior em esportes individuais do que em esportes coletivos. Isso se deve ao apoio social e à coesão que ajuda os jogadores nos esportes coletivos e faz com que se sintam menos sozinhos. No entanto, quando os jogadores se lesionam, muitas vezes são separados do resto da equipa, podem deixar o clube para tratamento e, mesmo quando estão no
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clube, têm horários diferentes dos do grupo. Isso pode criar uma sensação de isolamento e de não fazer parte da equipe (BRAYAN, 2020). Lesão cerebral traumática é um fator de risco para depressão crônica. É também um fator de risco potencial para distúrbios demenciais neurodegenerativos, como comprometimento cognitivo leve, Alzheimer e Parkinson. As concussões cerebrais podem resultar em depressão, fadiga, irritabilidade, confusão e distúrbios gerais do humor (DE ROSE, 2015). Os jogadores de futebol correm o risco de sofrer lesões cerebrais traumáticas caso sofram ferimentos na cabeça ou concussões. Isso pode ser o resultado de dois jogadores nocauteando a cabeça, um jogador batendo com a cabeça com força ao atingir o solo, colidindo com as traves ou outro jogador chutando a cabeça de um jogador. Segundo Hammond, et al (2013) os jogadores jovens correm o risco de ferimentos na cabeça por cabecear a bola, portanto, deve-se tomar cuidado com a idade em que os jogadores começam a incorporar o cabeceamento em seus treinos ou, inicialmente, o uso de bolas leves e macias para obter a técnica. Existem diferenças nos resultados de ressonância magnética de desportistas que sofreram uma concussão com e sem depressão. Atletas com sintomas de depressão apresentaram ativação reduzida no córtex pré-frontal dorsolateral e estriado. Eles também mostraram uma desativação enfraquecida nas regiões frontal medial e temporal na fMRI ao completar tarefas associadas à memória de trabalho. Isso foi acompanhado pela diminuição da densidade da matéria cinzenta nas partes do cérebro associadas à memória de trabalho (IG ESPORTE, 2019). A depressão também pode ser uma causa de lesões. A depressão reduz a capacidade e funcionamento cognitivos, somáticos e psicomotores. Isso significa que jogadores deprimidos podem ter uma reação mais lenta, podem ter falta de concentração e, portanto, podem executar habilidades em um nível inferior e provavelmente sofrerão lesões por contato e sem contato (IG ESPORTE, 2017). Prejuízos neuropsicológicos no futebol também podem ser consequência de pequenas concussões repetitivas durante os jogos e principalmente ao cabecear a bola. No entanto, os efeitos do cabeceamento no resultado de longo prazo são menos do que claros. Os estudos que poderiam formar a base para tais conclusões, incluindo os efeitos do cabeçalho, são principalmente de padrões metodológicos limitados ou
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de tamanho de amostra reduzido e precisam de metodologia de pesquisa aprimorada (MACHADO, 2017). Isso sugere que, embora o dano cerebral possa afetar a saúde mental subjetiva e o bem-estar, além de ser uma causa para depressão ou demência, ainda há evidências inequívocas limitadas de que o dano neuropsicológico ao cérebro causa aumentos significativos nos transtornos mentais em grupos de ou jogadores profissionais ou amadores aposentados. No entanto, não está claro quais transtornos de saúde mental podem ser causados ou afetados (MOREIRA, 2017). Para quem está jogando, grande parte da literatura enfoca o desempenho e os sintomas psicológicos ou de saúde mental de jogadores profissionais. Segundo Netto (2019) descobriram que a ansiedade pode influenciar as expectativas de desempenho tanto
positiva
quanto
negativamente,
dependendo
da
resposta
do
participante. Diferentes grupos de jogadores de futebol variam em seus níveis de ansiedade e no modo como a administram. A ansiedade competitiva elevada pode aumentar o risco de lesões. Não apenas a ansiedade de desempenho, mas também a ansiedade ligada ao estresse negativo da vida e ao aborrecimento diário foram preditores de lesões entre jogadores de futebol profissional. Segundo Pessoa (2019) não foi apenas a presença de ansiedade, mas os mecanismos de enfrentamento ineficazes para lidar com a ansiedade cotidiana que foram encontrados por preditores de lesões em jogadores jovens enquanto os atletas que perceberam sua ansiedade como debilitadora apresentaram níveis mais elevados de burnout os primeiros sinais desse processo podem ser encontrados monitorando a fadiga relacionada ao estresse e sono insatisfatório em jogadores profissionais de futebol. Longe do jogo profissional, muitas das pesquisas sobre jogar e assistir futebol se concentraram nos benefícios para a saúde mental que são gerados principalmente por fazer parte de um grupo de apoio que gera um sentimento de calor, propósito e inclusão social. Segundo Tinga (2020) essas questões muito subjetivas são muito difíceis de identificar, medir e comparar entre as amostras ou ao longo do tempo. Consequentemente, para esta revisão sistemática, enfocamos os principais transtornos de saúde mental, se possível, e suas diferenças entre os grupos ou mudanças ao longo do tempo.
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Fatores sociais, incluindo mudanças de estressores no ambiente e fatores relacionados também causam depressão. Os eventos da vida que ocorrem desde a infância até os dias atuais podem afetar a saúde mental de um jogador, podendo incluir diferentes situações, como maus-tratos na infância, problemas nos relacionamentos adultos, abuso emocional de treinadores, tornar-se vítima de um crime, morte ou doença de um ente querido, etc., esses estresses sociais desmascaram a vulnerabilidade genética e a suscetibilidade à depressão (TORCEDORES, 2019). Às vezes, os jogadores podem ter dúvidas persistentes sobre as decisões que podem ter feito anteriormente em suas carreiras. Isso pode incluir decidir para qual equipe ou agente assinar um contrato, escolher não jogar quando estiver lesionado etc. Segundo Bartholomeu, et al (2014) essas decisões permanecem como pensamentos ativos e dúvidas mesmo muito depois do evento. O medo do fracasso ou dos momentos após um desempenho que um jogador de futebol considera um fracasso pode aumentar a depressão e a ansiedade. Indivíduos com uma ou duas cópias do alelo curto do polimorfismo do promotor 5-HTT são propensos a exibir mais sintomas depressivos quando confrontados com o estresse da vida. Os jogadores tendem a ser mais positivos e enérgicos no início da temporada, mas conforme a temporada avança, eles tendem a ter sentimentos mais negativos. As demandas físicas impostas aos jogadores de futebol ao longo de suas carreiras são altas, com temporadas nos clubes geralmente durando de nove a dez meses. Para os melhores jogadores, até mesmo o tempo longe de seus clubes é gasto no cumprimento de obrigações do futebol internacional (BRAYAN, 2020). Na população em geral, a prática de exercícios e esportes tem tido impacto positivo na saúde mental, reduzindo a depressão e melhorando o humor. Segundo De Rose (2015), porém, na população do futebol, o intenso nível de atividade pode levar a comprometimentos na saúde mental. Quando os jogadores estão superexpostos a altos níveis de treinamento e partidas e não conseguem obter recuperação suficiente (tanto física quanto mental), isso pode levar a overtraining e esgotamento. Burnout é uma síndrome de exaustão física e emocional que resulta em uma sensação reduzida de realização atlética e desvalorização do esporte. Isso aumentaria
a
probabilidade
de
apresentar
sintomas
relacionados
à
depressão. Equilibrar o estresse físico e emocional com técnicas de recuperação
32
adequadas é importante para prevenir o esgotamento e a depressão no jogador (HAMMOND, et al, 2013). Atualmente o futebol é disputado o ano todo, com competições e torneios de clubes alternados com torneios e partidas internacionais que fazem parte das estratégias de marketing. Isso torna mais importante que os jogadores reservem algum tempo em seus dias e semanas para desligar e se desconectar completamente do jogo. Este desapego não deve ser apenas físico, mas também mental e emocional. Quando isso não ocorre, pode levar à síndrome de overtraining e, se não houver recuperação, ao esgotamento total (IG ESPORTE, 2019). O overtraining e o burnout também têm consequências fisiológicas. Segundo Machado (2017) a freqüência cardíaca em repouso e a freqüência cardíaca máxima diminuem, enquanto a freqüência cardíaca submáxima e o VO2 aumentam. O VO2max diminui. A função imunológica diminui e a suscetibilidade a doenças aumenta. Aumentos da taxa metabólica basal. A excitabilidade nervosa aumenta, assim como a resposta nervosa simpática. Os níveis de eletrólitos séricos diminuíram, a concentração de lactato plasmático tanto no exercício submáximo quanto no máximo diminuiu, os níveis de amônia aumentaram. Os distúrbios do sono podem ser resultado da depressão, mas em alguns casos os distúrbios do sono realmente causam depressão. O sono ruim resulta em aumento da fadiga. A privação parcial de sono aguda pode resultar em estados de humor negativos, incluindo depressão, tensão, confusão e raiva e diminuições nos níveis de energia (NETTO, 2019).
4.1.
APOSENTADORIA NO FUTEBOL
O término da carreira pode ter um impacto comportamental e emocional na vida de atletas de elite aposentados, consequentemente prejudicando o futuro funcionamento ocupacional e social desses indivíduos. A aposentadoria atlética é definida como o processo de transição da participação em esportes competitivos para outra atividade ou conjunto de atividades (AFP, 2020). A aposentadoria dos esportes de elite é um evento revelador, acompanhado por um processo de transições físicas, sociais e ocupacionais. Segundo Bartholomeu, et al (2014) completar a carreira e começar de novo transforma os papéis previamente
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estabelecidos
de
um
indivíduo
em
novos
papéis
que
são
menos
familiares. Consequentemente, a transformação dos atletas durante o processo de aposentadoria do esporte pode afetar negativamente a forma como eles se percebem, seus atributos e sua qualidade de vida. Os objetivos atléticos são definidos ao longo da carreira de um atleta e a realização desses objetivos influencia a forma como ele se vê. No final de suas carreiras, os objetivos baseados em esportes não são mais necessários, e a transição se torna difícil porque as realizações esportivas, em muitos casos, contribuíram para seus sentimentos de bem-estar subjetivo durante a maior parte de sua vida (BRAYAN, 2020). As experiências dos atletas aposentados durante a transição de esportes competitivos variam. Segundo Bohme (2018) os tipos de transição de aposentadoria foram previamente agrupados em dois grupos, normativos e não normativos. As transições normativas descrevem a aposentadoria antecipada, que pode ser influenciada por fatores como graduação, idade avançada e declínio gradual no desempenho. No entanto, as transições não normativas são frequentemente o resultado de aposentadoria inesperada ou forçada. No atletismo de elite, isso frequentemente resulta de eventos como uma lesão que acabou com a carreira. Esses fatores não normativos foram associados a piores resultados pós-carreira para atletas de elite aposentados. Cohen; Abdala (2013) propuseram o Modelo Conceitual de Adaptação à Transição de Carreira, que fornece uma estrutura teórica para o processo de transição de atletas de elite. Observaram que as razões para a aposentadoria, fatores relacionados à qualidade da transição, qualidade dos recursos disponíveis para os atletas em transição e as intervenções usadas para ajudar os atletas durante o período de transição estão todos associados ao bem-estar subjetivo do atleta após a aposentadoria. Brandão (2013) revisou esse modelo conceitual em uma amostra de jogadores aposentados da National Football League (NFL) e observou que muitos desses atletas experimentaram um bem-estar subjetivo negativo durante a transição para a aposentadoria. Uma revisão sistemática por De Rose (2015) descobriram que 16% dos atletas em transição experimentaram dificuldades de adaptação após o término
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da carreira, incluindo emoções negativas como tristeza e angústia, bem como perda de identidade. A fase aguda pós-aposentadoria pode ser estressante para muitos atletas, mas estudos relataram relações positivas significativas entre o tempo após a aposentadoria e a qualidade do bem-estar subjetivo em ex-atletas. Cinco estudos utilizando desenhos longitudinais mostraram que atletas aposentados tendem a relatar maior satisfação com a vida ao longo do tempo (FRANK; NIXDORF; BECKMANN, 2013). Os ex-atletas relataram significativamente menos estresse de vida três meses após a aposentadoria em comparação com dez dias após a aposentadoria. Segundo Hammond; et al (2013) a melhora do bem-estar subjetivo também foi relatada dezoito meses após a aposentadoria, indicando que os efeitos negativos da aposentadoria podem não persistir indefinidamente em todos os aposentados. Da mesma forma, em um estudo que examinou o sofrimento da aposentadoria de 36 atletas olímpicos, Ig Esporte (2019) relatou que os atletas começam a desenvolver novos papéis e identidades aproximadamente um ano após o término dos esportes. Nesse processo, quatro períodos distintos de bem-estar subjetivo durante a transição foram identificados: 1) uma diminuição inicial imediatamente após a aposentadoria, 2) um aumento cinco meses após a aposentadoria, 3) estabilização após oito meses, e 4) um aumento final no subjetivo bem-estar um ano após a aposentado. No
entanto,
investigações
mais
recentes
identificaram
preditores
e
modificadores influentes do funcionamento psicológico entre atletas de elite aposentados. Especificamente, os fatores relacionados a uma carreira em esportes competitivos podem influenciar a função psicológica na idade adulta posterior. Assim, o sofrimento psíquico pode se manifestar posteriormente na aposentadoria e não necessariamente seguir os caminhos de transição linear descritos, conforme evidenciado pelos estudos mencionados (IG ESPORTE, 2017). A aposentadoria do esporte de elite apresenta riscos significativos para o bemestar psicológico de uma pessoa, tornando-a mais vulnerável a experimentar depressão, ansiedade, crise de identidade, abuso de álcool / substâncias e diminuição da autoconfiança (PESSOA, 2019).
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Uma das partes principais de ser um jogador profissional é estar em boa forma física, comer corretamente e cuidar do corpo. Segundo Tinga (2020) frequentemente, isso é feito sob a supervisão de equipes de ciências médicas e esportivas, que podem microgerenciar e individualizar tudo, desde programas de treinamento a todos os planos de refeições. Uma grande parte de ficar em forma é também treinar a equipe e jogar futebol de alto nível. Depois que um jogador se aposenta, ele pode sucumbir às mudanças na aparência de seu corpo e na forma como se sente. Mesmo os jogadores que tentam manter um alto nível de atividade, muitas vezes têm que lidar com diminuições de desempenho relacionadas à idade (quando um jogador se aposentou devido à idade) ou se adaptando a uma lesão que resultou no jogador não ser capaz de acompanhar tais intensidades de atividade. O jogador também tem mais liberdade em relação ao que come; ingestão de álcool etc. (TORCEDORES, 2019). O aspecto social do futebol profissional, a camaradagem que frequentemente se estende a manter as coisas leves e desfrutar de momentos fora do campo, é uma grande parte da coesão do time. Segundo Bartholomeu, et al (2014) quando um jogador se aposenta, ele pode sentir que não se encaixa em lugar nenhum, mesmo que visite o clube, ele ainda é um forasteiro, sem entender piadas e histórias internas. O apoio social fora da equipe também muda. Enquanto um jogador ainda está jogando, as pessoas podem prestar mais atenção em seus pensamentos, a mídia também quer saber o que está acontecendo em sua vida dentro e fora do campo, mas quando um jogador se aposenta, os fãs e a mídia têm mais probabilidade de se mover em fazer um jogador se sentir negligenciado ou como se ele não tivesse valor. Mesmo amizades, tanto no futebol quanto fora dele, podem sofrer uma mudança na dinâmica (BRAYAN, 2020). As informações que os jogadores têm a respeito de quando se aposentam também podem afetar o quão bem eles se ajustam à vida depois de jogar. Segundo De Rose (2015) os jogadores que se aposentam devido a coisas como não ter uma equipe ou lesão são mais propensos a sentir reações adversas, como depressão, enquanto os jogadores que escolheram o momento de sua aposentadoria se sentirão mais positivos em relação à experiência. Quando alguém se aposenta, é confrontado com o desafio do que fazer a seguir. Essa transição pode ser mais fácil para jogadores de futebol que não têm suas
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identidades inteiras vinculadas à sua identidade de jogador de futebol. Aqueles que têm interesses diversos ou conseguiram separar a pessoa que são em privado da personalidade do futebol público têm mais probabilidade de lidar com isso com consequências negativas mínimas (FRANK; NIXDORF; BECKMANN, 2013) Os jogadores de futebol profissionais geralmente têm tarefas básicas feitas por eles e suas vidas são totalmente organizadas em torno de suas necessidades de trabalho. Segundo Hammond, et al (2013) quando eles viajam, outra pessoa cuida de tudo, desde as reservas de acomodação, reserva de passagens, organização de traslados de ida e volta para o aeroporto, obtenção de vistos etc. Uma vez que um jogador se aposenta, ele ou sua família muitas vezes são obrigados a cuidar dessas tarefas e podem não estar familiarizado com os sistemas e maneiras de fazer as coisas. Isso pode aumentar a ansiedade de um jogador. O estudo da FIFpro descobriu que jogadores aposentados experimentaram sintomas relacionados à depressão. Eles descobriram que em 219 jogadores de futebol profissionais aposentados 11% participavam de comportamentos adversos de fumo,
24,6%
exibiam
comportamento
adverso
ao
álcool,
28,2%
experimentavam distúrbios do sono , 18% experimentavam sofrimento, 35% experimentavam ansiedade/ depressão e 65% apresentavam comportamento nutricional adverso. Os jogadores que experimentaram qualquer mudança de vida ou trauma apresentado estavam nas faixas mais altas (IG ESPORTE, 2019). Vários correlatos de sofrimento psicológico foram identificados a partir desta revisão. Concussões, dor, lesão, osteoartrite, sedentarismo e fatores psicossociais foram associados a sofrimento psicológico entre atletas de elite aposentados. Embora os estudos que compõem esta revisão tenham demonstrado sofrimento psicológico comparável à população em geral, ex-atletas com esses fatores de risco exibiram taxas mais altas de sofrimento psicológico (JUNIOR, 2015). Entre os jogadores de futebol de elite, há evidências que mostram uma associação
significativa
entre
concussões
sustentadas
e
sintomatologia
depressiva. Segundo Justus (2015) esta revisão encontrou evidências para esse padrão e identificou uma infinidade de outros fatores associados ao sofrimento psicológico. Uma série de artigos em nossa revisão encontraram relações nulas e atenuadas entre concussões e sofrimento psicológico, com vários estudos adicionais demonstrando nenhuma diferença significativa na prevalência de sofrimento
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psicológico entre aposentados de esportes de colisão / contato em comparação com não atletas. A relação entre dor e sofrimento psicológico foi robusta em ex-atletas de muitos esportes. Aqueles com condições médicas dolorosas, como osteoartrite, estavam em maior risco de relatar sintomas de depressão e ansiedade, bem como uso indevido de substâncias após a aposentadoria. Segundo Machado (2015) a relação entre concussões, dor e depressão é complexa, e nenhum estudo nesta revisão analisou os efeitos de interação. Em um estudo que controlou a dor e tentou delinear os efeitos da dor versus concussões, a dor e os anos de aposentadoria foram fatores de confusão significativos na relação entre concussões e depressão, enquanto vários outros estudos não incluíram a dor em modelos multivariados. Nascimento, et al (2015) observaram que os atletas que sofreram uma lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) relataram sintomas depressivos mais significativos por um período mais longo após a lesão, em comparação com os atletas que sofreram uma concussão. O sofrimento emocional após uma lesão ortopédica grave pode variar desde uma concussão e, portanto, pode contribuir para um sofrimento
psicológico
variável
no
futuro,
dependendo
da
lesão
experimentada. Lesões ortopédicas graves inesperadas também frequentemente reduzem a longevidade da carreira ou levam à aposentadoria prematura e não planejada. Dada a natureza inconclusiva da relação entre dor, concussões, riscos psicossociais e depressão, examinar os efeitos desses fatores juntos em estudos futuros pode ajudar a identificar sua influência relativa no funcionamento psicológico. Embora os atletas vivenciem uma variedade de estressores psicossociais que podem afetar seu funcionamento psicológico, um estressor psicossocial proeminente entre os atletas aposentados e identificado por esta revisão foi a instabilidade financeira. Em relação aos jogadores da NFL, muitos ex-atletas declararam falência nos primeiros doze anos de sua aposentadoria (MARQUES, 2013). Estima-se que aproximadamente 78,0% dos jogadores da NFL declaram falência ou estão sob estresse financeiro assim que dois anos após sua carreira, enquanto 60,0% dos jogadores da National Basketball Association (NBA) declaram falência nos primeiros cinco anos de aposentadoria. Endividamento tem uma miríade de consequências bem documentadas para a saúde física e psicológica. Eventos adversos imprevisíveis na vida podem se agregar, agravando ainda mais o possível
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sofrimento psicológico experimentado como resultado das consequências físicas de uma carreira no atletismo de elite (MOREIRA, 2017). A maioria dos estudos revisados investigou fatores associados ao sofrimento psicológico na velhice, enquanto poucos examinaram os potenciais fatores de proteção contra o sofrimento. A atividade física contínua após a carreira esportiva foi identificada como um fator de proteção contra ansiedade e depressão. O exercício demonstrou ter efeitos terapêuticos cognitivamente e emocionais, dos quais exjogadores com altos níveis de dor podem não ser capazes de alcançar devido à sua dificuldade de mobilidade (NETTO, 2019).
4.2.
PERSONALIDADES DO FUTEBOL QUE SUPERARAM A DEPRESSÃO
Depois que o técnico do País de Gales Gary Speed se suicidou em 2011, o FIFPro, sindicato mundial dos jogadores de futebol, criou uma pesquisa que concluiu que 38% dos 607 jogadores atuais estudados exibiram sinais de ansiedade e / ou depressão, ao lado de 35% de 219 ex-jogadores. jogadores. Segundo Pessoa (2019) essa tendência mostra que pelo menos 4 em cada 10 jogadores de futebol de elite do país tiveram ansiedade ou depressão em algum momento , o que é muito mais comum do que a população em geral. Há uma correlação ainda mais forte entre jogadores que sofrem lesões e cirurgias e seu bem-estar mental, com jogadores que sofreram três ou mais lesões graves tendo duas a quatro vezes mais probabilidade de relatar doenças mentais. Com a maioria dos jogadores sendo escolhidos com idades entre dezesseis ou dezessete anos, o ex-atacante do Lys Thorstein Andersen Aase disse Pessoa (2019, p. 5): Se você for selecionado por seus talentos técnicos e táticos, então automaticamente terá os talentos mentais, e isso não é necessariamente verdade. ” Aase abandonou o futebol depois de ter lidado com extrema ansiedade em relação ao seu desempenho e de ter perdido a paixão pelo esporte profissional: “Foi uma época em que as falhas na minha motivação evoluíram para sintomas que poderiam representar depressão e angústia, mas assim que eu pararam de jogar eram.
Steven Caulker, que jogou na seleção da Inglaterra como zagueiro central, explicou que Pessoa (2019, p. 5): “o futebol foi minha fuga quando criança, mas isso mudou quando fui jogado no primeiro time quando adolescente e de repente o futebol veio com pressão”.
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O ex-jogador e atual técnico da seleção do País de Gales, Ryan Giggs, também discutiu como ele não gostava mais dos jogos em que disputava porque a expectativa de vitória vinha com muita ansiedade. Muitos jogadores discutiram como a pressão é tão intensa que eles só podem se concentrar nos momentos em que erraram, em vez de brilhar, como o zagueiro aposentado do Liverpool Jamie Carragher dizendo Pessoa (2019, p. 5): “Mesmo agora, na aposentadoria, as pessoas falam comigo sobre Istambul, as aventuras da Champions League e os grandes dias em Cardiff, mas não consigo limpar minha cabeça dos maus momentos.”
As estrelas do futebol estão sob os holofotes intensos desde muito jovens. A pressão sobre eles pode parecer insuportável e isso pode levar a um risco elevado de doença mental segundo Pessoa (2019, p. 5): O atacante Billy Kee do Accrington Stanley foi um dos primeiros atletas profissionais no mundo do futebol a se abrir sobre sua ansiedade, descrevendo-a como “o rato na minha cabeça que não para”. Tendo lidado com pensamentos suicidas, ele estava nervoso para contar ao seu gerente ou sua equipe, dizendo que "por que alguém que tem o melhor emprego do mundo iria se matar?" Ao finalmente admitir suas lutas, sua equipe e seu empresário John Coleman chocaram o mundo permitindo que ele ficasse quase um mês de folga, dando-lhe o tempo de que precisava para descobrir como, em suas palavras, pegar o rato e “simplesmente deixá-lo no armário e não tire essa caixa . ”
Embora Billy Kee tenha considerado seus colegas e gerentes o apoio, um estudo de acompanhamento da pesquisa da FIFPro em outubro de 2016 descobriu que 84 por cento declararam que não havia suporte suficiente para tais problemas durante seu tempo como jogadores, quando o ala Aaron do Burnley Lennon tirou uma folga para receber tratamento para uma doença relacionada ao estresse, o exzagueiro da Premier League e ex-técnico da Associação de Futebolistas Profissionais Clark Carlisle disse que Pessoa (2019, p. 6): “Quando ouvi pela primeira vez a notícia sobre Aaron, tive um sentimento de tristeza porque eu não quero que ninguém experimente o que passei. Mas também foi uma sensação de alívio. ” Clark então descreveu como ele e seus colegas não são mais imunes às doenças mentais do que à gripe ou diarreia.
Steven Caulker, tendo lutado contra o jogo e o álcool, expressou sua opinião Pessoa (2019, p. 6): “As pessoas dizem que fiz tudo isso porque ganhei muito dinheiro, mas conheço adolescentes sem um centavo que têm as mesmas características viciantes que eu.” A seguir, disse: “O futebol não lida bem com as doenças mentais. Talvez esteja mudando, mas os mecanismos de suporte muitas vezes não estão lá. ”
Ao descrever o que deve ser mudado na comunidade do futebol, Clarke Carlisle explicou Pessoa (2019, p. 6):
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“O que precisamos parar de fazer é sensacionalizar a jornada. Há uma crença geral de que você está bem ou suicida. Há um grande espectro entre eles e quanto mais conseguirmos fazer as pessoas falarem sobre suas experiências, mais podemos ajudar a recuperar apenas com um bate-papo e um abraço. ”
Steven Caulker deu o seguinte conselho a seus ex-companheiros de equipe Pessoa (2019, p. 6): “Eu recomendaria aos rapazes que falassem com a PFA, falassem com seu gerente e não tenham medo de serem dispensados se eles se sentirem como eu”.
O mundo do futebol está ouvindo e os tempos estão mudando. A Associação de Futebolistas Profissionais atendeu mais pacientes em maio de 2017 do que em todo o ano de 2016. O chefe da organização representativa dos jogadores da Noruega, Joachin Waltin, reitera a crença de muitos ao dizer que Pessoa (2019, p. 7): “poderíamos ajudar a transformar muitos deles se poderíamos conversar com eles sobre isso, e eles poderiam obter ajuda em um estágio inicial. ”
Nos campos de treinamento do Arsenal é onde Jason Brown se sente em paz. Treinando jogadores da academia, o goleiro aposentado sente-se aliviado da angústia mental. Pessoa (2019) mostrou que em vez disso, Brown espera combater qualquer estigma ainda ligado àqueles com problemas de saúde mental no futebol, falando sobre a depressão que o atingiu quando sua carreira de jogador terminou em 2015. Como muitos atletas profissionais, Brown se deleitou com a adulação dos fãs em estádios lotados e com o status elevado que ocupava na comunidade local. Ele também ansiava pela estrutura de sua vida: treinar, descansar, partidas segundo Pessoa (2019, p. 8): “Por mais bobo e ingênuo que possa parecer, você nunca pensa que vai acabar”, lembra Brown, de 34 anos. “Você nunca pensa quando se aposentar como vai ser.”
Em seguida, os holofotes desapareceram. Não havia mais uma rotina a seguir. E os problemas psicológicos aumentaram para um jogador que disse nunca ter encontrado sintomas durante sua carreira profissional Pessoa (2019, p. 8). “Eu sofro de depressão e não há nada para se envergonhar”, Brown declara francamente. "Eu nunca vou ser curado." Agora, trata-se de tentar enfrentar. Há alguns meses, Brown sentiu que não poderia fazê-lo enquanto estivesse em seu carro em uma rodovia perto de Londres. “Isso provavelmente foi o pior que eu estava, a primeira vez que fiz uma tentativa real, na verdade, quando considerei apenas me matar”, disse Brown. “Eu estava tão deprimido. Eu estava dirigindo na M1 e bati o pé e não tirei o pé. E então eu percebi que não sou só eu que vou machucar, mas possivelmente outras pessoas. Aquele foi um dia muito ruim, minha vida. ”
Também fazia parte da aceitação de que precisava de ajuda profissional. Então, sentado com seu conselheiro em outubro, veio um momento profundo e importante
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em sua vida pós-jogo. Pelé, amplamente considerado um dos maiores jogadores de futebol da história e que fará 80 anos em outubro, tem problemas de quadril há anos e agora precisa de estrutura para andar. Muitas de suas recentes aparições públicas foram em uma cadeira de rodas. Muitas de suas recentes aparições públicas foram em uma cadeira de rodas segundo Pessoa (2019, p. 9): “Ele está muito frágil. Ele fez uma prótese de quadril e não teve uma reabilitação adequada ou ideal”, disse Edinho à TV Globo. “Então ele tem esse problema de mobilidade e isso gerou uma espécie de depressão. Imagine, ele é o rei, sempre foi uma figura imponente e hoje não consegue andar direito. “Ele está constrangido, não quer sair, ser visto ou fazer praticamente qualquer coisa que implique sair de casa”, acrescentou o filho. "Ele é muito tímido, recluso." Edinho disse que discutiu com o pai por não ter feito a fisioterapia indicada após uma operação no quadril.
Pelé, o único jogador a vencer três Copas do Mundo, passou a maior parte de sua carreira no Santos, antes de se mudar para o New York Cosmos nos anos 1970. Este verão marcará o 50º aniversário do terceiro título do atacante na Copa do Mundo, conquistado no México em 1970 com o que muitos acreditam ser o maior time de todos os tempos (PESSOA, 2019). Outro jogador que passou pela doença foi Adriano, que sofreu de bebedeira, depressão e problemas de peso em 2012, chegou ao Corinthians em março do mesmo ano com o compromisso de reconquistar a vaga no Brasil para a Copa do Mundo de 2014 em casa. Sofreu uma grave lesão no tendão de Aquiles poucos dias depois de retomar os treinos, porém, e fez apenas sete jogos pelo clube paulista, marcando dois gols (PESSOA, 2019). Era um jogador de futebol com a mesma combinação inspiradora de ritmo alucinante, força surpreendente, trabalho de pés ágil e chutes estrondosos aprovados pelo Pro Evo como o Ronaldo original, e ele estava deixando muitas pessoas muito animadas. Sua forma com o Parma nos primeiros estágios da temporada 2003/04 oito gols em nove partidas da Série A - foi o suficiente para lhe render uma grande transferência para o Inter, onde parecia destinado a se tornar uma das maiores estrelas do futebol. Era tudo menos inevitável (PESSOA, 2019). Marcou um deles ao sair do banco de reservas contra o Atlético Mineiro para dar ao Corinthians uma vitória que praticamente selou o campeonato brasileiro de 2011, mas o clube está cada vez mais impaciente com a falta de preparo físico do jogador. Com relatos de que seu peso disparou para 15 quilos naquele ano, o Corinthians deu-lhe várias chances de voltar à ação, até mesmo confinando-o a uma academia para tentar ajudá-lo a perder peso. A gota d'água para o técnico Tite foi
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quando faltou ao treino e se recusou a deixar que o médico do clube o pesasse segundo Pessoa (2019. p. 10). “Eu, muitos outros analistas e todo o apoio do Corinthians queríamos muito vê-lo ir bem”, disse Neto, ex-jogador do Corinthians e agora comentarista. "Mas a realidade é que esse homem não é profissional. Ele nunca fez o menor esforço para trabalhar duro e garantir seu futuro. Somente um louco o contrataria agora."
Sua saída encerrou prematuramente uma carreira inconstante que começou na adolescência no Flamengo, em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, e o levou para a Itália, onde ganhou o apelido de "O Imperador" por suas atuações violentas e muitos gols na Série UMA. Adriano somou quase 50 internacionalizações pelo Brasil, onde foi o artilheiro da Copa América de 2004 e da Copa das Confederações de 2005, mas decepcionou na Copa do Mundo de 2006 e foi usado com moderação nos anos seguintes, enquanto lutava contra problemas pessoais (PESSOA, 2019). Depois de anos levando um estilo de vida talvez não adequado a um esportista de elite, ele agora passa a maior parte do tempo em casa, na Barra da Tijuca, região de classe alta a oeste do Rio de Janeiro. Às vezes, ele visita amigos na Vila Cruzeiro, a favela do norte do Rio onde ele cresceu. É quando ele parece mais feliz, andando de scooters com seus amigos e distribuindo Big Macs de graça para as crianças locais (PESSOA, 2019). Adriano está com 36 anos, mas ainda se parece com uma criança - embora um pouco mais bem-comportada do que antes segundo Tinga (2020, p. 5). “Tem festa de vez em quando, mas é bem mais tranquila do que antes”, diz o engenheiro Carlos Almeida, um de seus vizinhos. “Eles ficavam loucos, com dezenas de pessoas entrando e saindo constantemente e vizinhos reclamando com o gerente do prédio. Ele diminuiu o tom. Ele é um bom menino agora.”
Segundo Tinga (2020) manter-se no caminho certo e estreito a longo prazo será complicado para o atacante cujo estado mental, de acordo com amigos próximos, está muito longe daquele dos dias em que ele impiedosamente passava por defensores aterrorizados e detonava os adversários de longo alcance. . A confiança e o poder que ele demonstrou tão prontamente durante seus anos de pico como jogador foram substituídos por insegurança e letargia. A presença de Adriano em uma partida do Corinthians em agosto gerou rumores de uma volta, mas o presidente do clube, Andres Sanchez - que havia contratado o L'Imperatore alguns anos antes - apagou rapidamente o fogo: “Ele estava apenas sendo cortês e visitante; ele é sempre bem-vindo aqui, segundo Tinga (2020, p. 5):
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Apesar das chances rejeitadas e dos 'erros de julgamento', ainda há muito amor por Adriano no Brasil e uma vontade real de ele sair na nota certa. Ele não poderia alegar ter sido um profissional modelo o tempo todo, mas as circunstâncias também trabalharam contra ele. “Eu nunca machuquei ninguém”, disse ele em 2017. “A única pessoa que machuquei sou eu mesmo”.
Muitos argumentam que Adriano merece sair com força. E como ele tem o pé como um motor de tração, sempre há uma chance, segundo Tinga (2020) a depressão no esporte está se tornando um grande problema. Várias organizações, incluindo as associações de jogadores, estão começando a reconhecer isso e está se espalhando por todo o jogo. A depressão afeta jogadores de todos os níveis e o fato de alguém ser um jogador de futebol muito bem pago não faz diferença alguma; além dos torcedores que esperam que eles continuem como se estivesse tudo bem.
5.
FUTEBOL X DEPRESSÃO X PANDEMIA DO COVID-19
A doença por coronavírus 2020 (COVID-19) é agora uma pandemia respiratória fatal e altamente contagiosa que está tendo um grande impacto negativo em muitos aspectos diferentes da sociedade, um em particular, nos esportes. Atendendo às recomendações das autoridades de saúde, vários eventos esportivos nacionais e internacionais, incluindo as Olimpíadas de 2020, foram adiados ou cancelados na tentativa de limitar a propagação do vírus ao comparecer a multidões. Esses cancelamentos e mandatos generalizados de distanciamento social estão afetando negativamente os atletas que são incapazes de continuar o treinamento regular (AFP, 2020). Numerosos testes COVID-19 positivos em atletas competitivos em nível global e em ligas premier demonstraram que ninguém está seguro. Os regulamentos de quarentena aplicados e o subsequente isolamento afetaram a capacidade de prática de muitos atletas de elite. Vídeos de muitos atletas conhecidos mostram que foi possível superar os desafios, continuar com o treinamento alternativo e a adaptação
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durante a pandemia. No entanto, uma série de questões potenciais ainda precisam ser abordadas para atletas de elite, uma das quais sendo uma preocupação generalizada sobre questões de saúde mental (AFP, 2020). Enquanto alguns atletas serão capazes de aproveitar os recursos de enfrentamento existentes, outros atletas podem experimentar uma resposta negativa por um período de semanas a meses. Embora um certo nível de ansiedade em relação ao coronavírus seja completamente normal, altos níveis de ansiedade ou estresse podem ter um efeito devastador na vida diária (TINGA, 2020). A esse respeito, psicólogos do esporte relatam uma maior demanda por aconselhamento psicológico online e diagnóstico de distúrbios psicológicos entre esses atletas durante a pandemia, incluindo medo de serem infectados, ansiedade de recuperação física se infectados, falta de acesso a academias, sono perturbado, alimentação transtornos, transtorno obsessivo-compulsivo e conflitos familiares. A incapacidade de controlar o estresse e a falta de enfrentamento adequado podem levar alguns a experimentar depressão de curto ou longo prazo (AFP, 2020). Recentemente, descobriu-se que a infecção por COVID-19 suprime seriamente o sistema imunológico neuroendócrino, que está intimamente envolvido no estresse e na resiliência ao estresse, bem como nas estratégias de enfrentamento. A influência patológica de COVID-19 nessas interações e respostas sugere vulnerabilidade ao estresse que pode ser detectada por biomarcadores imunológicos e de estresse (AFP, 2020). Períodos de inatividade, isolamento de equipes esportivas, distância da comunidade atlética, interações menos qualificadas com treinadores esportivos e falta de apoio social (por exemplo, fãs, organizações esportivas, mídia etc.) também podem causar sofrimento emocional e psicológico distúrbios em atletas (TINGA, 2020) Devido ao impacto multidimensional das consequências relacionadas à pandemia para atletas de elite, como uma população única, estudos analíticos para identificar biomarcadores circulantes, curso do efeito e impacto negativo e resposta a estratégias de enfrentamento ou intervenções de tratamento (por exemplo, psicológico Intervenção de primeiros socorros) pode ser útil e em linha com a abordagem biopsicossocial (AFP, 2020). O número de jogadores de futebol relatando sintomas de depressão dobrou desde que o esporte foi encerrado por causa da Covid-19, descobriu uma pesquisa
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do sindicato dos jogadores globais, Fifpro. Os sintomas de ansiedade também aumentaram em meio a preocupações significativas sobre o impacto de longo prazo que o coronavírus pode ter na comunidade do futebol (TINGA, 2020). O estudo da Fifpro com 1.602 jogadores profissionais, conduzido entre 22 de março e 14 de abril, descobriu que 22% de 468 jogadoras e 13% de 1.134 jogadores homens relataram sintomas consistentes com um diagnóstico de depressão. Ele também descobriu que 18% das mulheres e 16% dos homens relataram marcadores de ansiedade generalizada. Inglaterra, Escócia e República da Irlanda estão entre os 16 países - todos os quais implementaram medidas drásticas para conter a Covid-19, como o confinamento em casa - cujos jogadores de futebol foram entrevistados (BRAYAN, 2020). É um aumento preocupante quando definido junto com outro estudo Fifpro, conduzido em dezembro e janeiro, enquanto as temporadas de futebol ainda estavam ativas na maioria das localidades do mundo, envolvendo um conjunto menor de 307 jogadores. Naquela época, 11% das mulheres e 6% dos homens relataram sintomas característicos de depressão. A pesquisa científica geralmente mostra que as mulheres relatam depressão e ansiedade em maior número do que os homens (TINGA, 2020). Fifpro disse que os jogadores que se sentem preocupados com seu futuro no futebol têm uma probabilidade significativamente maior de relatar sintomas de depressão ou ansiedade. Embora os jogadores de futebol de alto nível possam se sentir financeiramente seguros, a duração média dos contratos em todo o mundo é de menos de dois anos e a maioria passa pelas mesmas considerações financeiras que as de outras esferas da vida (TINGA, 2020). “No futebol, de repente os jovens atletas estão tendo que lidar com o isolamento social, a suspensão de suas vidas profissionais e dúvidas sobre seu futuro”, disse o diretor médico da Fifpro, Dr. Vincent Gouttebarge. “Alguns podem não estar bem equipados para enfrentar essas mudanças e nós os incentivamos a buscar a ajuda de uma pessoa em quem confiem ou de um profissional de saúde mental.” Mais de 75% dos entrevistados disseram ter acesso a recursos e apoio suficientes para ajudar em sua saúde mental. Fifpro está desenvolvendo um kit de ferramentas de saúde mental para fornecer cuidados básicos de saúde para jogadores de futebol (BRAYAN, 2020, p. 3).
A incerteza econômica pode explicar em parte o aumento dos sintomas de depressão, mas acredita-se que outros fatores estejam envolvidos. A média de idade dos entrevistados era de 26 anos, entre os jogadores masculinos, e 23 entre as jogadoras. Muitos jogadores de futebol são jovens adultos que vivem, em muitos
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casos sozinhos, em países estrangeiros sem famílias por perto. Uma época tão incerta parece estar afetando a saúde mental (TINGA, 2020). Durante o período de paralisação do futebol e isolamentos impostos pelo governo, 58% dos jogadores relataram sintomas de ansiedade, com 45 demonstrando sintomas de depressão. Em horários regulares, os sintomas de ansiedade moderada a grave atingem um pico de cerca de 8% nos jogadores de futebol, em comparação com 5% na comunidade em geral (BRAYAN, 2020).
6.
PSICOLOGIA DO ESPORTE NA ADOLESCÊNCIA
A psicologia do esporte é uma proficiência que usa habilidades e conhecimentos psicológicos para abordar o desempenho ideal e o bem-estar dos atletas, aspectos sociais e de desenvolvimento da participação esportiva e questões sistêmicas associadas a ambientes e organizações esportivas. Segundo Voser (2018) a APA reconhece a psicologia do esporte como uma proficiência adquirida após um doutorado em uma das principais áreas da psicologia e licenciatura como psicólogo. Essa proficiência não inclui aqueles que obtiveram um diploma de doutor em psicologia do esporte, mas não são psicólogos licenciados, como mostra a figura abaixo. Figura 4: Objetivo da psicologia do esporte.
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Fonte: Voser (2018).
A psicologia do esporte é uma disciplina relativamente nova na psicologia. Em 1920, Carl Diem fundou o primeiro laboratório de psicologia do esporte do mundo na Deutsche Sporthochschule em Berlim, Alemanha. Em 1925, mais dois laboratórios de psicologia do esporte foram estabelecidos - um por AZ Puni no Instituto de Cultura Física de Leningrado e outro por Coleman Griffith na Universidade de Illinois (SAMULSKI, 2014). Griffith começou a oferecer o primeiro curso de psicologia do esporte em 1923 e mais tarde publicou o primeiro livro sobre o assunto intitulado The Psychology of Coaching (1926). Infelizmente, o laboratório de Griffith foi fechado em 1932 por falta de fundos. Depois que o laboratório foi fechado, havia muito pouca pesquisa sobre psicologia do esporte até que o assunto experimentou um renascimento de interesse durante os anos 1960 (VOSER, 2018).
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Ferruccio Antonelli fundou a Sociedade Internacional de Psicologia do Esporte (ISSP) em 1965 e, na década de 1970, a psicologia do esporte foi introduzida em cursos universitários na América do Norte. O primeiro periódico acadêmico, o International Journal of Sport Psychology, foi lançado em 1970, seguido pelo estabelecimento do Journal of Sport Psychology em 1979 (SAMULSKI, 2014). Na década de 1980, a psicologia do esporte tornou-se objeto de um enfoque científico mais rigoroso à medida que os pesquisadores começaram a explorar como a psicologia poderia ser usada para melhorar o desempenho atlético, bem como como o exercício poderia ser utilizado para melhorar o bem-estar mental e diminuir os níveis de estresse (VOSER, 2018). Os esportes são um microcosmo da sociedade, como diz a velha máxima - e isso nunca foi tão aparente. Quando atletas de elite, como o nadador Michael Phelps e o jogador de basquete Kevin Love falam sobre seus problemas de saúde mental, isso reflete uma consciência crescente da saúde mental na sociedade em geral. Quando jogadores de futebol como Colin Kaepernick se ajoelham durante o hino nacional, isso gera uma conversa nacional sobre justiça social (SAMULSKI, 2014). Quando os campeões olímpicos falam sobre o abuso sexual que sofreram do médico da seleção nacional de ginástica dos EUA, Larry Nassar, isso adiciona o peso da medalha de ouro ao movimento #MeToo. À medida que os atletas navegam por esses tópicos difíceis, os psicólogos do esporte desempenham um papel cada vez mais importante (VOSER, 2018). Os psicólogos do esporte são mais conhecidos por ajudar os atletas a superar obstáculos mentais e melhorar seu desempenho: por exemplo, ajudando um jogador de beisebol a se recuperar de uma queda ou apoiar um corredor enquanto ele recupera a confiança após a lesão. Embora a ênfase no desempenho continue sendo a pedra angular da psicologia do esporte, é apenas uma parte do que os psicólogos do esporte estão fazendo agora para apoiar os atletas. Seus papéis em expansão incluem ajudar os atletas a lidar com questões interpessoais e abordar problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e distúrbios alimentares (SAMULSKI, 2014). A prática da psicologia do esporte também está encontrando fãs além do atletismo. As habilidades dos psicólogos do esporte são cada vez mais procuradas
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por profissionais em empregos de alto estresse, como cirurgiões, bombeiros e artistas performáticos. Na verdade, o Exército dos EUA é hoje o maior empregador de profissionais de psicologia do esporte no país, que ajudam os soldados a aprender a se concentrar no combate e a lidar com situações estressantes (VOSER, 2018). A psicologia do esporte se tornou mais amplamente reconhecida como sendo benéfica para atender a uma variedade de necessidades”, diz Sari Fine Shepphird, PhD, psicóloga do esporte e desempenho da área de Los Angeles. E a demanda está crescendo, acrescenta ela, mesmo entre jovens atletas e amadores sérios. “Há uma maior demanda por psicólogos do esporte para tratar do desempenho esportivo, bem como de questões de saúde mental (WEINBERG, 2018, p 5).
Os psicólogos esportivos profissionais freqüentemente ajudam os atletas a lidar com a pressão intensa que vem da competição e a superar os problemas com foco e motivação. Eles também trabalham com os atletas para melhorar o desempenho e se recuperar de lesões. Mas os psicólogos do esporte não trabalham apenas com atletas de elite e profissionais. Eles também ajudam pessoas comuns a aprender como praticar esportes e a seguir um programa de exercícios (SAMULSKI, 2014). O estigma uma vez impediu os atletas de buscarem ajuda para problemas de saúde mental. Como os atletas são expostos a psicólogos do esporte para melhorar o desempenho, isso ajuda a eliminar esse estigma, tornando mais fácil para eles procurar ajuda para problemas de saúde mental (VOSER, 2018). Atletas proeminentes como Phelps, Love e outros que revelam seus próprios desafios de saúde mental também estão chamando a atenção para a questão da saúde mental nos esportes. “Ao discutir suas preocupações com a saúde mental, eles abriram a porta para que atletas de todas as idades e formações procurassem ajuda para os seus”, diz Shepphird (WEINBERG, 2018, p 5).
Até mesmo atletas superestrelas são suscetíveis aos mesmos problemas de saúde mental que os não-atletas. E às vezes os atletas enfrentam dificuldades únicas, incluindo a pressão psicológica para um desempenho de nível de elite, ou lidar com uma cultura em que os transtornos alimentares são comuns (SAMULSKI, 2014). Felizmente, as organizações atléticas estão recebendo a mensagem de que a saúde mental e a mentalidade são tão importantes quanto a condição física do atleta. Em maio, a Associação Nacional de Jogadores de Basquete lançou um novo Programa de Saúde Mental e Bem-Estar, liderado por um psicólogo, para ajudar os jogadores com problemas de saúde mental. E a National Collegiate Athletic Association (NCAA) fez da saúde mental dos atletas universitários uma prioridade estratégica, observa Albinson. Em 2016, a NCAA publicou seu documento de Melhores Práticas de Saúde Mental , delineando as medidas que as faculdades e
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universidades devem tomar para melhor promover e apoiar a saúde mental dos estudantes atletas (SAMULSKI, 2014). Os psicólogos do esporte também estão preparados para ajudar com outras pressões e desafios familiares aos atletas, incluindo questões de violência e raiva, diz Mitch Abrams, PsyD, psicólogo do esporte de Nova Jersey especializado em controle da raiva, violência e trauma em atletas. Embora seja um mito que os atletas sejam mais propensos à violência do que os não atletas, ele diz, existem fatores que aumentam o risco de comportamento violento e má conduta sexual entre os atletas do sexo masculino (VOSER, 2018). Entre eles: adoção de conceitos tradicionais de papéis masculinos, pensamento de grupo em equipes e a proverbial conversa de vestiário que ensina aos jovens que as mulheres são objetos de conquista. Mas esses problemas podem ser superados, diz Abrams. “A maioria dos agressores pode ser reabilitada, mas precisamos de mais prevenção, avaliação de risco e tratamento (WEINBERG, 2018, p 5).
Do outro lado da equação, psicólogos do esporte podem servir como recursos importantes para as vítimas de agressão e violência, como os membros da USA Gymnastics e USA Swimming que falaram recentemente sobre abuso sexual e má conduta em seus esportes (SAMULSKI, 2014). Os psicólogos também podem ajudar os atletas a controlar as emoções e as decisões envolvidas em se manifestar ou se tornar ativistas, diz Abrams. Atletas ativistas como Kaepernick atraem elogios e críticas por expressar questões de importância social. Ao aliar-se a uma causa polêmica, os ativistas atletas podem sofrer reação pública, repercussões profissionais e todos os tipos de transtorno emocional (VOSER, 2018). “Estamos em um momento em que os atletas têm uma plataforma para ter uma voz real em relação à justiça social. Os psicólogos do esporte precisam estar lado a lado com os atletas nisso ”, diz Abrams (WEINBERG, 2018, p 5).
As intervenções da Psicologia do Esporte são projetadas para ajudar os atletas e outros participantes do esporte (por exemplo, técnicos, administradores, pais) em uma ampla gama de configurações, níveis de competição e idades, variando de jovens participantes recreativos a atletas profissionais e olímpicos a artistas de nível master (VOSER, 2018). Segundo Weinberg (2018) essa proficiência ajuda a proteger o público, garantindo que aqueles que procuram serviços os recebam de pessoas qualificadas. A proficiência fornece um conjunto reconhecido de padrões para orientar
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o treinamento apropriado de psicólogos que desejam praticar a psicologia do esporte. O conhecimento especializado inclui:
Teoria e pesquisa nos fundamentos sociais, históricos, culturais e de
desenvolvimento da psicologia do esporte;
Questões e técnicas de avaliação psicológica específica do esporte e
treinamento de habilidades mentais para aumento de desempenho e satisfação na participação;
Problemas clínicos e de aconselhamento com atletas;
Aspectos organizacionais e sistêmicos da consultoria esportiva;
Questões de desenvolvimento e sociais relacionadas à participação
esportiva.
Bases biocomportamentais do esporte e do exercício (por exemplo,
fisiologia do exercício, aprendizagem motora, medicina esportiva);
Conhecimento específico da ciência do treinamento e requisitos técnicos
do esporte e da competição, regras do Comitê Olímpico Internacional (COI), da National Collegiate Athletic Association (NCAA), etc. Atletas adolescentes enfrentam oportunidades crescentes de competição em níveis mais elevados, bem como demandas crescentes de seu tempo, pressão de pais e treinadores e conflitos com colegas de equipe e adversários, tudo durante um momento em que os adolescentes estão explorando diferentes aspectos de sua identidade e senso de identidade. O esporte é um contexto para o desenvolvimento do adolescente e, apesar da ampla gama de benefícios positivos que foram associados à participação no esporte durante a adolescência e na vida adulta, também é reconhecido que a participação no esporte não confere automaticamente benefícios aos atletas adolescentes, e pode levar a experiências potencialmente negativas e maus resultados psicossociais (SAMULSKI, 2014). As principais preocupações para pesquisadores e profissionais que trabalham com atletas adolescentes incluem o gerenciamento de vários fatores de estresse e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento adaptativas, o risco de sofrer esgotamento esportivo, bullying e o potencial de desistência ou abandono do esporte (VOSER, 2018). Apesar dessas preocupações, uma grande quantidade de pesquisas entre atletas adolescentes fornece evidências de que o desempenho dos atletas e o
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desenvolvimento psicossocial positivo podem ser aprimorados entre os atletas adolescentes ao estruturar intencionalmente o ambiente esportivo para promover resultados positivos; em particular, treinadores, pais e colegas desempenham um papel importante na formação das experiências esportivas de atletas adolescentes (SAMULSKI, 2014). Além disso, as características psicossociais e as competências associadas à participação esportiva podem não ser transferidas automaticamente para outras áreas da vida dos adolescentes, a menos que eles sejam intencional e sistematicamente estruturados para isso. É importante que treinadores, pais e administradores esportivos que estão envolvidos no desenvolvimento e entrega de programas para atletas adolescentes estejam cientes de algumas das preocupações psicossociais que são relevantes para esta população e considerem a estruturação intencional de programas esportivos para promover altos níveis de realizações, bem como desenvolvimento psicológico e social saudável entre jovens atletas (VOSER, 2018). Qualquer treinador que trabalhe com atletas adolescentes sabe que terá que lidar com muitas estranhezas. Biológica e psicologicamente, as crianças atingem a puberdade mais cedo e a idade adulta mais tarde. Isso deixa muito espaço no meio para um longo período de constrangimento, que muitas vezes deixa pais e treinadores coçando a cabeça em descrença (SAMULSKI, 2014). Um excelente artigo no Wall Street Journal resume uma série de novas descobertas de pesquisa, que podem ser úteis para o treinador e os pais. A principal novidade é que existem dois sistemas diferentes no cérebro e no corpo que ajudam a transformar crianças em adultos. O primeiro desses sistemas tem a ver com a psicologia da emoção e da motivação. E o segundo sistema cerebral lida com o controle (SAMULSKI, 2014). No que diz respeito à emoção e à motivação, verifica-se que os adolescentes não subestimam o risco, mas superestimam as recompensas. Essencialmente, conforme observado no artigo do WSJ, os adolescentes acham as recompensas mais recompensadoras do que os adultos. Em um estudo interessante, Laurence Steinberg, da Temple University, fez um estudo de ressonância magnética de adolescentes realizando simulações de manobras de direção arriscadas e observou que os adolescentes corriam mais riscos quando estavam sendo observados por outro
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adolescente. Os adolescentes queriam recompensa social e o respeito de seus colegas (SAMULSKI, 2014). O segundo sistema, que trata do controle, se traduz aproximadamente em planejamento de longo prazo. Como as crianças aprendem a fazer coisas que precisam fazer quando adultos. No passado, as habilidades eram frequentemente aprendidas com a prática, cometendo erros e, então, encontrando maneiras de corrigilos. Hoje em dia, espera-se que as crianças estejam "certas" e tenham menos chances de falhar. E no passado relativamente longo, havia até aprendizagens para ensinar tarefas técnicas e ofícios (VOSER, 2018). Os treinadores podem incorporar com eficácia técnicas de psicologia do esporte em seu treinamento. Um artigo intitulado ' Desenvolvendo jovens atletas: uma abordagem baseada na psicologia do esporte para treinar esportes juvenis ' oferece algumas dicas: Enfatize a recompensa. Permita papéis de liderança, permitindo que os jogadores conduzam os exercícios; Enfatize o respeito pelos pares (VOSER, 2018). Considere permitir que os jogadores selecionem um exercício ou tática durante uma parte de uma sessão de prática. O técnico pode oferecer dois ou três exercícios para
um
jogador
designado
selecionar;
Considere
as
oportunidades
de
orientação. Em um clube, pode ser possível para jogadores mais velhos trabalharem ocasionalmente com jogadores mais jovens. Em uma equipe de segundo grau, os veteranos podem trabalhar com os inferiores. Permita que o jovem atleta dê feedback, em vez de sempre dizer o que ele fez de certo ou errado (SAMULSKI, 2014). Existem vários tópicos diferentes que são de interesse especial para psicólogos do esporte. Alguns profissionais se concentram em uma área específica, enquanto outros estudam uma ampla gama de técnicas.
Foco de atenção : envolve a capacidade de desligar distrações, como
uma multidão de fãs gritando, e focar a atenção na tarefa em questão.
Imagens: envolve a visualização da execução de uma tarefa, como
participar de um evento atlético ou realizar com sucesso uma habilidade específica.
Motivação : Um assunto importante na psicologia do esporte, o estudo
da motivação analisa os motivadores extrínsecos e intrínsecos . Os motivadores extrínsecos são recompensas externas, como troféus, dinheiro, medalhas ou reconhecimento social. Os motivadores intrínsecos surgem de
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dentro, como um desejo pessoal de vencer ou o sentimento de orgulho que vem de realizar uma habilidade (VOSER, 2018). Figura 5: Psicologia do esporte e do exercício.
Fonte: (SAMULSKI, 2014).
A psicologia do esporte contemporânea é um campo diversificado. Embora encontrar maneiras de ajudar os atletas seja certamente uma parte importante da psicologia do esporte, a aplicação de exercícios e atividades físicas para melhorar a vida de não atletas também é um foco importante como mostra a figura acima (SAMULSKI, 2014).
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7.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os jogadores de futebol tendem a ser impulsivos. Isso os ajuda a tomar decisões mais rápidas em campo e pode dar-lhes uma vantagem na hora de jogar. O impulso também foi associado a comportamento de risco e tomada de decisão. Às vezes, a impulsividade se estende para fora do campo e os jogadores podem assumir mais riscos ou se envolver em comportamentos arriscados. Isso pode estar relacionado ao futebol em momentos como quando os jogadores optam por jogar lesionados, arriscando seus corpos pelo jogo, mas também pode não estar relacionado ao futebol e estar relacionado a coisas como consumo excessivo de álcool, não seguir suas dietas, desvios sexuais comportamentos , má condução, etc. Os comportamentos de alto risco tem sido associados a aumentos na depressão. Dadas as descobertas de que o sofrimento psicológico durante a carreira de jogador está associado ao sofrimento na aposentadoria, é fundamental que os
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jogadores em sofrimento psíquico durante sua carreira sejam identificados e encaminhados para tratamento psicológico / psiquiátrico apropriado. Treinadores esportivos, psicólogos e médicos da equipe devem continuar a apoiar, educar e tratar os sintomas de sofrimento psicológico entre os jogadores que apresentam tais sintomas durante sua carreira. Além disso, a equipe médica da equipe deve dar atenção especial aos atletas que podem estar sofrendo de lesões crônicas ou condições médicas, além de atletas com histórico significativo de concussão. Dado que as relações positivas entre os atletas e seus treinadores facilitam a busca de ajuda, os treinadores estão em uma posição única para aumentar a conscientização sobre as manifestações clínicas dos sintomas e normalizar o sofrimento psicológico como uma condição de ocorrência comum, que pode promover mudanças positivas de comportamento e diminuir o estigma associado a procura de serviços de saúde mental. O tratamento durante a carreira de jogador pode ter um impacto positivo significativo tanto no desempenho no esporte quanto na saúde psicológica de longa data dos jogadores aposentados. Trabalhar com os jogadores para identificar suas intervenções terapêuticas preferidas (ou seja, condicionamento físico / exercício, nutrição, controle da dor, relaxamento, psicoterapia e intervenção psiquiátrica) pode ajudar a identificar meios de superar as barreiras à procura de tratamento que podem ser desproporcionalmente prevalentes nas populações de atletas. No futebol, existem vários exemplos de jogadores que sucumbiram à depressão. Isso por si só destaca a importância de estruturas de apoio adequadas e pessoas no local para ajudar os jogadores a lidar com os sintomas físicos e mentais relacionados à depressão. O apoio social e o fato de os jogadores sentirem que aqueles ao seu redor se preocupam ajudam o jogador quando eles estão lidando com coisas como lesões, perda de forma, resultados ruins etc.
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