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Tigresa

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Universidade Cruzeiro do Sul Rádio, Tv e Internet

Bianca Pascucci dos Anjos Flavio Pereira Martins Gabriel Gonçalves Lucena Campos Gabriella Pereira da Silva Guilherme Pacheco de Sá Lais Caroline da Silva Nascimento Matheus Lira Calisto Santos Mateus Mendes de Souza Natalha Nascimento Santos Leoncio Pamela Rodrigues dos Santos Rafaela Reis Santos Yuri Vieira dos Santos

São Paulo 2021

RGM: 20860218 RGM: 27584356 RGM: 21282111 RGM: 28280890 RGM: 21035148 RGM: 20721528 RGM: 22561587 RGM: 21240345 RGM: 20616040 RGM: 23025948 RGM: 21929149 RGM: 23263229


Projeto Interdisciplinar: Tigresa

Este projeto interdisciplinar foi realizado com o intuito de criar um projeto web série. O mesmo foi desenvolvido pela Produtora Olimpo, formada no curso de Rádio, TV e Internet, na Universidade Cruzeiro do Sul, na cidade de São Paulo, no ano de 2021. Orientador (a): Prof.ª Me. Krishna Tavares (Direção Audiovisual). Orientador (a): Prof.ª Maria Aparecida Ruiz (Roteiro de Ficção). Orientador (a): Prof.º Bruno Tavares (Audiência, Pesquisa e Opinião).

Professores Orientadores: Prof. Dr. Bruno Tavares Profa. Dra. Maria Aparecida Ruiz Profa. Ma. Krishna Tavares

São Paulo 2021 Produtora Olimpo


Sumário 1- Produtora 1.1- Identidade Organizacional 1.2- Organograma 1.3- Carômetro

2- Proposta

2.1 Storyline 2.2 Sinopse da Série 2.3 Universo da Série 2.4 Perfil dos Personagens 2.5 Sinopse dos Episódios 2.6 Argumento Episódio Piloto 2.7 Locações 2.8 Apresentação do Casting 2.9 Direção 2.9.1 Direção Artística 2.9.2 Direção de Arte 2.9.3 Direção Fotográfica 2.9.4 Direção Sonora 2.10 Público Alvo 2.12 Veiculação/Distribuição 2.12 Classificação Indicativa 2.11 Apresentação do Casting 2.12 Sinopse dos Episódios 2.13 Justificativa

3 Considerações 3.1 Grupo de discussões 3.2 Considerações Produtora Olimpo 3.3 Considerações Individual

4 Referências 5 Apêndice 5.1 Roteiro Episódio Piloto 5.2 Ordem do Dia 5.3 Roteiro de Edição 5.4 Sincronização Musical 5.5 Ficha Técnica

6 Anexos 6.1 Termo de Autorização do Uso de Imagem e voz 6.2 Argumento da Série

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30 32 32 39

43 60 61 66 67

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1.PRODUTORA

1.1 - IDENTIDADE ORGANIZACIONAL MISSÃO

Entreter e informar as pessoas de um modo claro e fácil. Produzir, de forma dinâmica e diversificada, conteúdos audiovisuais. Conscientizar e enfatizar o respeito mútuo entre colaboradores. Prezar pela distribuição de produtos que possam efetivamente contribuir com a diminuição dos preconceitos.

VISÃO

Ser uma empresa inovadora e criativa no desenvolvimento de projetos, com o compromisso de promover a diversidade sob todos os aspectos sociais.

VALORES

Qualidade e inovação atendendo às expectativas e as necessidades do público. Valorização da diversidade.

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2.Proposta

2.1 Storyline: A história se passa em 1976 e o Brasil continuava numa ditadura sem precedentes. Todos os estabelecimentos como o Dancin’ Days haviam sido fechados devido à censura, e os que continuavam abertos funcionavam na clandestinidade. O conflito se dá pelo fato de Vilma ter cometido suicídio após ter sua orientação sexual exposta. Vilma era namorada de Sônia, ambas tinham um sonho de serem atrizes e após a morte de Vilma a única coisa que Sônia busca é vingança dos culpados se disfarçando como ‘’Tigresa” em boates clandestinas.

2.2 Sinopse da Série:

Amar e vingar, as únicas coisas que movem Sônia pelas aventuras noturnas perigosas de São Paulo. Em busca de vingança não haverá limites que a impeçam de cumprir sua missão.

2.3 Universo da Série: Arco da Série: Arco: O arco da personagem Sônia, a protagonista, acontece antes do início propriamente dito da série, quando ela vê sua melhor amiga e amante Vilma cometer suicídio por ter sua sexualidade exposta à mídia durante o período da ditadura militar, onde os membros da comunidade LGBTQA+ eram perseguidos por supostos crimes de perversidade. O trauma de ver uma pessoa querida sucumbir dessa forma, faz com que Sônia adquira uma sede de vingança e parte em busca dessa nova etapa de sua vida, fazendo com que ela abandone o jeito tímido, sua profissão no teatro e até mesmo seu cabelo natural, para se transformar na persona Tigresa, uma dançarina sensual, ruiva, que tem como objetivo acabar com a vida de todos os homens que objetificam mulheres. A história prévia de Sônia, junto com suas motivações reais, só será exposta no quarto episódio, quando temos um episódio em flashback, com ela contando o que lhe aconteceu para o personagem Leão.

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2.4 Perfil dos Personagens: Personagens principais: Sônia/ Tigresa Atualmente com 22 anos. Tinha 17 na época do suicídio de Vilma. Vive em função da vingança que ela trama contra os responsáveis pela morte de Vilma. Bissexual. Pouca vaidade, costuma usar roupas despojadas, com exceção dos shows de Tigresa, quando ela usa roupas sensuais e uma peruca curta com corte Chanel. Ríspida, mal-humorada, desconfiada e possui um semblante triste, solitário por ser sozinha na vida. Não confia em ninguém. Vive com pouco luxo. Mora num apartamento simples e passa os dias arquitetando os próximos passos de sua vingança.

Vilma Cometeu suicídio aos 19 anos. Melhor amiga de infância e interesse amoroso de Sônia na adolescência. Sempre teve o sonho de se tornar atriz e se matou por ter perdido a chance de se tornar uma. Extrovertida, sonhadora, animada, querida por todas, popular, amorosa. Descobriu a sexualidade ao lado de Sônia.

Leão

Jovem jornalista, com ar curioso. Aproxima-se de Sônia por curiosidade, mas logo cria um afeto por ela e logo desenvolve um interesse amoroso por ela. Possui um humor sarcástico para rebater o mal humor da parceira. Cativante, bem-humorado e prestativo. Um pouco insistente e possui grande autoconfiança. No primeiro episódio aparece como um suspeito de estar perseguindo Sônia.

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Personagens secundários: Cliente 1 Homem, meia idade. Safado, bêbado, tenta encostar em Tigresa durante o show.

Cliente 2 Homem, jovem adulto. Assiste o show atentamente, mas retraído. Claramente alguém que não se esperaria estar naquele lugar. Roupas mais sociais, leva o jornal à mesa e uma maleta social.

Cliente 3 Mulher, jovem adulta. Tenta passar despercebida no lugar, mas está com claro tesão na moça do palco. Tenta se esconder dos demais.

Policial 1 Alto, jovem militar, pinta de “importante” e famoso. Já apareceu no jornal por fechar os clubes. Arrogante.

Policial 2 Mais calado, retraído, está ali apenas fazendo seu trabalho.

Policial 3 Jovem militar, mais forte, humor sarcástico, transmite uma energia violenta, como se quisesse acabar com todos ali.

Radialista Transmite a notícia com orgulho das forças militares. Garçonete Usa roupas sensuais para combinar com o estabelecimento, mas aparenta estar ali por pura obrigação, como se estivesse de saco cheio daqueles homens.

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2.5 Sinopse dos Episódios Episódio 1: Sônia é uma mulher jovem, mas que já passou por muitos traumas em sua vida, como a perda dos pais na infância, dos sonhos de se tornar atriz e do grande amor de sua vida. Hoje, ela trabalha nas noites paulistas como a sexy dançarina Tigresa, mas seu trabalho vai muito além disso. Como Tigresa, ela atrai o público masculino para seus shows em boates clandestinas e os expõe para toda uma sociedade careta e censuradora, em plena ditadura militar, que assola o país. Sônia segue em sua rotineira tentativa de vingança contra todos os homens, até que, no dia do aniversário de morte de Vilma, sua companheira desde a infância, ela percebe que está sendo seguida por um desconhecido. Quem será esse homem? O que ele sabe sobre sua vida? Será que ele conhece os planos de Sônia? A vida de Tigresa, pode estar em risco.

Episódio 2: Sônia há dias tenta esquecer a sensação de estar sendo seguida, e para isso, planeja o fechamento de mais uma boate clandestina na cidade de São Paulo. Ao chegar no novo local de trabalho, ela conhece um novo amigo e aliado, mas também mais um acréscimo para sua lista de traumas e motivos para odiar o sexo masculino. Agora, mais do que nunca, ela deseja acabar com todos que se colocarem em seu caminho.

Episódio 3: Sônia consegue fechar mais uma das boates que apenas usam as mulheres como entretenimento sexual, mas foi flagrada ao tentar fugir pelo mesmo homem que a segue há semanas. Quem será essa pessoa? Mais um homem que vai ser adicionado à sua lista de vingança, ou um novo aliado?

Episódio 4: Em meados de 1960, conhecemos a adolescência de Sônia, ao lado de sua companheira Vilma. Duas jovens que sonham com a vida de atriz e o estrelato dos palcos. Mas um segredo revelado acaba com a carreira das meninas e com a vida de Vilma, que comete suicídio ao ver seu nome nas manchetes por todos os motivos errados. Essa é a primeira vez que Sônia fala sobre isso com alguém, e finalmente Leão parece ser alguém em quem ela pode confiar.

Episódio 5: Faz semanas que Sônia contara sua história para Leão, e ele sumiu sem deixar notícias. Ela começa a se arrepender do que fizera, pois talvez ele não seja tão confiável quanto ela pensara ser. Tentando espairecer, ela se reúne com Emílio para pedir conselhos de como prosseguir, pois, no momento, ele é a única pessoa em que ela confia de verdade. Até que Leão reaparece, com uma notícia que mudará a vida e os planos de Sônia para sempre.

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Episódio 6: Com o nome e dados sobre os homens responsáveis pelo suicídio de Vilma, Sônia começa a arquitetar, finalmente, seu plano direcionado de vingança, começando pelo mais fácil deles. Um suposto homem de família que frequentava as boates clandestinas que ela já estava acostumada a abater. Com a ajuda de Emílio, ela consegue plantar uma quantidade de drogas considerável nas roupas do homem, acabando com sua imagem de sujeito familiar.

Episódio 7: Sônia está cada vez mais obcecada com seu plano de vingança, o que começa a deixar Leão extremamente preocupado com a saúde mental da parceira. Enquanto Sônia arquiteta a vingança do segundo homem da lista - o famoso pastor de uma igreja conservadora, que de noite se monta e se apresenta como Drag Queen, escondido, em boates LGBT - Leão e Emílio se reúnem para tentar fazê-la desistir dos planos e tentar seguir sua vida sem tanto ódio e rancor.

Episódio 8: Com apenas mais um nome na lista de responsáveis pelo suicídio de Vilma, Sônia parte para a última parte de seu plano: se infiltrar na vida de Ricardo, um militar de alto escalão, com fama de rude e autoritário, para fazê-lo pagar com o mesmo fim de Vilma. Mas a última performance de Tigresa, tem um final inesperado.

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2.6 Argumento Episódio Piloto Sônia dançava sensualmente sobre o palco, enquanto o jazz tocava nos alto-falantes.. O nome do show era “Dancin’ Days” e ela o fazia duas vezes por semana, em clubes diferentes, mais por prazer do que por dinheiro. Ela adorava sentir-se querida, desejada. Era um personagem que ela adquiria ao se arrumar para o show, claro, na realidade as coisas eram diferentes. Mas ali no palco, ela não era Sônia, era Tigresa. E Tigresa era tudo isso, e muito mais. Era o sonho de todos os homens que passavam por aquele pequeno clube, e também o de algumas mulheres. Mas, o que ela mais adorava era desprezar todos aqueles homens que a desejavam, sabendo que eles nunca poderiam tê-la. Ela os provocava, os atiçava, os levava quase à loucura, e quanto mais eles gostavam, mais ela os odiava. Sentia nojo quando algum deles encostava em seu corpo, por isso se limitava apenas aos palcos. Ali ela seria apenas vista, jamais tocada. O ano era 1974, e o Brasil continuava numa ditadura sem precedentes. Todos os estabelecimentos como o Dancin’ Days haviam sido fechados devido à censura, e os que continuavam abertos funcionavam na clandestinidade. E essa era a parte mais excitante para ela. O volume da música era tão alto que quem estava mais perto do palco não percebeu a batida policial que entrava no clube, arrastando todos com extrema violência. Era isso que ela queria, e já esperava. A emoção e adrenalina já estava fervendo em suas veias quando ela saltou para a parte traseira do palco, e saía correndo, com a (pouca) roupa que vestia. Fazia semanas que não se sentia tão viva, e, enquanto ouvia os tiros atrás de si, ela sorria, imaginando todos aqueles homens algemados e se perguntando se suas ereções ainda estavam em pé. Ao chegar em seu apartamento, ela entra no banho satisfeita por mais uma parte de plano que deu certo. Logo, ela cozinha uma pequena refeição e se serve de uma taça de vinho, enquanto ouve no rádio sobre o que presenciara naquela noite. Mais uma parte do seu plano concluída, e essa noite ela dormiria como um anjo. No dia seguinte, logo pela manhã, ela começa seu ritual corriqueiro desde aquele dia em 1969. Com uma foto nas mãos, ela entra na igreja e acende uma vela no altar, rezando pela alma de sua melhor amiga e companheira de toda a vida. Ao terminar sua oração ela percebe que não estava sozinha. Um homem a observava sentado em um dos bancos no corredor. Ela logo fica alarmada e começa a sair da igreja em um passo acelerado, tentando não chamar atenção, mas seu instinto a diz que aquele homem não estava ali por acaso. Ao seguir pelas ruas, ela olha constantemente para trás, para checar se estava sendo seguida. Durante algum tempo ela continua assim, entrando em ruas paralelas, passando por cruzamentos cheios. Se ela estivesse sendo seguida, tinha certeza de que tinha despistado a pessoa.

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2.7 Locações: Casa da Sônia

Na busca de uma casa sem muito luxo e com poucos móveis, concordamos que a casa da Vilma tinha que ter uma aparência de casas da classe C. A Ana, que faz parte do nosso elenco, cedeu a casa para a gravação, usamos alguns cômodos como: banheiro, sala de estar, cozinha e quarto dos pais da Ana.

Planta baixa (Casa da Sônia)

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Casa da Mãe da Vilma Pensando em uma casa de família tradicional, umas das integrantes da produtora cedeu a casa para gravação. Essa locação foi usada para gravar flashbacks das famílias da Vilma e da Sônia. A casa foi escolhida por ter uma estética mais antiga porém bem cuidada.

Planta baixa (Casa da Vilma)

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O Boteco do Xexéu O Boteco do Xexéu é um bar restaurante que se localiza próximo a Rua da Augusta. Um ambiente com a estética de um bar clandestino, antigo e pouca iluminação. O palco onde a Tigresa se apresentou, foi montado com materiais do próprio estabelecimento, apenas o letreiro foi montado pela produtora. Os objetos de cena como: copos, cinzeiros e bebidas também foram fornecidos pelo estabelecimento.

Planta baixa (Boate Dancin Days )

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Igreja A igreja escolhida se localiza em Mauá, foi escolhida por ser bem iluminada e um dos principais motivos, foi possuir um velário no qual era importante para a cena. O espaço foi cedido pela Igreja Imaculada Conceição de Mauá, mais conhecida na região como Matriz Imaculada.

Planta baixa (Igreja)

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2.9 Direção 2.9.1 Direção Artística A construção visual do projeto, foi estudada pensando em chegar o mais próximo possível dos anos 70 com um orçamento baixo, para isso, contamos com a ajuda de toda a produtora e seus familiares, que emprestaram roupas e objetos que acreditamos serem relevantes para a época. Tomamos muito cuidados com os figurinos dos personagens femininos, pois como nos anos 70 os homens eram muito machistas, as roupas das mulheres tinham que passar a impressão certa para cada momento, para mulheres quer queríamos que fosse respeitadas pelos homens daquela época, usamos roupas mais comportadas sem decote, já para Sônia por exemplo, por ser uma mulher vulgar depois de adulta, usamos roupas mais provocante, onde os homens se sentiam no direito de querer tomar posse do seu corpo, mesmo que isso pra ela fosse algo abominável. Já a ambientação na casa da Sônia, pensamos em algo que fosse mais simples, pois a Sônia era uma mulher que passava por dificuldades financeiras, não tinha muito para viver . A casa dela teria que ser simples sem muitos móveis, a vestimenta dela no caso dentro de casa também foi pensado em algo confortável e sensual, pois a Sônia se tornou uma mulher sensual ao longos dos anos. Na boate a produção do cenário foi mais trabalhoso, pois gravamos a luz do dia e por ser uma boate clandestina teríamos que deixar o ambiente escuro, mesmo o local sendo escuro por si próprio ainda vazava a luz do dia pelas as janelas do bar, por isso tampamos as janelas com jornais e cartolinas preta, os jornais ajudaram a dar uma estética do ambiente estar infringindo a lei parecendo ser um lugar abandonado. Nas cenas de flashbacks usamos duas locações, a igreja no velório do Pai da Sônia e a casa da mãe da Vilma, a igreja que usamos foi é a mesma igreja que a Sônia sempre vai conversar com Vilma, pois é um lugar onde a Sônia se sente próxima da Vilma mesmo não frequentando a missas. A cena das famílias, foi escolhida a casa da integrante da produtora Rafaela Reis, a casa puxa bastante a ideia de ser uma casa antiga mas bem cuidada.

2.9.2 Direção de Arte A paleta de cores usada em roupas e em alguns cenário foi escolhidas de acordo com o tempo em que a série ocorria e com o sentimentos da tigresa em casa cena, em flash backs, Sônia e Vilma usam cores claras, pois ambas estão felizes, já no tempo real da trama Sonia usa roupas mais escuras ao sair de casa, pois se tornou uma mulher triste, solitária e com medo. O objetivo da produtora era trabalhar em cima de cores neutras e fria no tempos real e cores mais vivas e claras nos flash backs, tanto nos figurinos e cenários , como nos filtros usados nas edições. As cores neutras e escuras significa a dor, a perda e a solidão de Sônia (Tigresa), já as cores claras e o filtro quente, significa o amor, felicidade por ter Vilma por perto.

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A cor preta de acordo com o contexto pode representar tristeza e luto.

O vermelho ativa e estimula, significa elegância, paixão, conquista, requinte e liderança.

2.9.3 Direção Fotográfica A fotografia da série se concentra em planos mais próximos e câmera sem estabilidade, os planos próximos causam uma identificação maior com a protagonista que com uma personalidade tão rígida poderia atrapalhar a identificação do público, durante diversas cenas em que Sônia interage com algum homem a câmera captura sua imagem em contra-plongée para simbolizar esse distanciamento, esse sentimento de que ela é superior a eles, ela os vê como "idiotas" como ela mesmo diz em diversas cenas. Os Flashbacks por outro lado possuem mais planos conjuntos, e mais abertos, ela está feliz e confortável, ela não está sozinha e não se sente sozinha, esses sentimento também são referenciados nas paletas de cores dos filtros escolhidos na pós-produção, os tons frios da atual realidade de Sônia contrastam com os tons quentes de um passado mais feliz. Algumas referências para as escolhas de enquadramento e filtros foram as produções: Crepúsculo, Superman & Lois e Requiem para um sonho.

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2.9.4 Direção Sonara Para a montagem da trilha e efeitos do piloto de Tigresa, usei o programa Audition da Adobe que me possibilitou manipular de forma livre os mesmos. Para a trilha música foi usando os efeitos de Fade In e Fade out, não apenas no começo e final da música, mas também no meio para dar ênfase em algumas partes. Já nos efeitos sonoros além desses dois elementos, também utilizei Reverbe de acordo com o ambiente que se passava a cena, assim a propagação do som seria mais natural, o efeito de eco também foi utilizado em algumas partes. Em cenas específicas como o acidente de carro, mesclei trilha musical com os efeitos sonoros para dar impacto e sentimento, o que trouxe um bom resultado final. A montagem do narrador também utilizei da mesclagem de música com efeitos de instabilidade para aumentar o tamanho do áudio. Para as falas foi usado um microfone Boom e gravador para sua captura. Na edição limpei um pouco do ambiente usando o redutor de ruído e aumentando o nível do som, para que as vozes ficassem bem claras e fiz os cortes necessários para cada cena. Para finalizar arrumei o volume das faixas e fiz a mixagem final. Esse processo de edição e mixagem de cada trilha e efeitos sonoros durou 5 dias para ser completamente finalizado.

2.10 Público Alvo Mulheres de 20-26 Tigresa é uma websérie que fala sobre amor e vingança, Sônia é uma mulher de 22 anos, que sente medo, mas ao mesmo tempo luta pelo que acredita, é uma mulher solitária com o coração partido e com sede de vingança. A escolha do público alvo foi de acordo com a idade da Sônia e o rumo que a história leva. Nos últimos anos uma leva de séries com temas mais sombrios envoltos em drama foram produzidas, séries como Riverdale, O Mundo Sombrio de Sabrina, Stranger Things e a trílogia de filmes da Rua do Medo, todos esses fizeram muito sucesso com o público mais jovem que gosta ao mesmo tempo de um bom drama, mas também de um suspense para se manter preso a história.

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2.11 Veiculação/Distribuição

Buscando acessibilidade e baixo custo para o telespectador, o youtube sendo a maior fonte de vídeos do mundo sem precisar pagar taxa adicional para ver e rever qualquer produto audiovisual disponível na plataforma, foi a principal veiculação para a distribuição do projeto audiovisual produzido pela produtora. A plataforma foi fundada em 2005, por Jawed Karim,Steve Chen e Chad Hurley. A plataforma é a maior fonte de vídeos que não tem um público alvo definido, então qualquer idade, gênero e estilo podem encontrar qualquer produto que o agrade. O youtube é o segundo site mais visitado em todo mundo virtual, perdendo apenas para o seu dono, Google, isso acontece pois além de ser um site que você não precisa pagar nenhum tipo de taxa para assistir os vídeos, qualquer pessoa hoje consegue criar seu próprio produto audiovisual e compartilhar no website, e os telespectadores podem escolher qualquer conteúdo. Sendo para lazer, ou para fins profissionais e educativos. O youtube tem conteúdo para qualquer tipo de público.

2.12 Classificação Indicativa

A websérie Tigresa, é um conteúdo que possui cenas de nudez não explícitas e palavras de baixo calão. Considerando que a série não possui violência explícita ou não, fraturas e hematomas expostos, a Direção conclui que a classificação indicativa se categoriza na faixa de 16 anos. O conteúdo produzido pela Produtora Olimpo, não deve ser consumido por menos de 16 anos sem a presença de responsáveis legais, visto que o mesmo contém nudez não explícita e palavras de baixo calão. Sendo assim, a Tigresa é um conteúdo recomendado para pessoas acima de 16 anos.

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2.13 Justificativa A luta de uma mulher em época liderada pelo preconceito e pela repreensão. Projeto inspirado na música de Tigresa de Caetano Veloso, canta uma clara a perspectiva feminista da letra. A personagem principal da canção é otimista em relação ao futuro, onde mesmo que as perspectivas sejam sombrias, a mudança acontecerá de qualquer maneira, mesmo que seja de maneira forçada. Quando pensamos na ditadura, lembramos de todos os direitos perdidos e todo o medo de viver a própria maneira. O projeto “Tigresa” veio para mostrar a vida de uma mulher forte, que mesmo em meio a um cenário caótico, cheio de dor, vingança, machismo e censura, luta para conseguir viver em um mundo melhor e superar o luto. A justificativa da criação de “Tigresa”, será para representar as milhares de mulheres que não pararam de lutar pelos seus objetivos, mesmo vivendo em um regime completamente excludente. Acima de tudo, se faz necessário mostrar a força de alguém que perde seu verdadeiro amor, mas não perde sua sede de vingança.

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Considerações


3.2 Considerações Produtora Olimpo Nossa produção da websérie teve alguns altos e baixos, queríamos trabalhar em cima de um drama que na época de 70, o que acaba criando alguns obstáculos quando o orçamento não comporta o objetivo estético da série, além desse, passamos por outros obstáculos também, como mudanças de locação, desistência de ator principal, dias antes da gravação, enfim foi uma série de obstáculos que fez a produtora se unir para conseguir contornar o problema. Assim que a equipe recebeu o roteiro, fizemos algumas reuniões para discutirmos todos os elementos da série, analisar a proposta de elenco, cenários e locações que apresentava no roteiro, e também entender o drama ainda mais a fundo, conhecer cada personagem e entender todos os pontos e movimentos políticos que passava naquela época, pois a série se passa em 1974. O roteiro passou por aproximadamente 7 versões, para que todas as cenas ficassem dentro de um orçamento possível para a produtora e para que todos os elementos e imprevistos que aconteceram durante o semestre fossem enfim resolvidos. É claro que a finalização do nosso projeto não teria sido possível sem a contribuição da Universidade e dos Professores que nos orientaram com toda paciência e dedicação, nossa amiga Ana de outro semestre que nos cedeu a sua casa para gravar e ainda aceitou fazer parte nosso casting, a todos os atores que aceitaram o desafio e entram de cabeça no projeto, a igreja e o Bar do Xexéu que nos disponibilizaram seu espaço para gravarmos as cenas necessárias.

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Considerações Individuais Bianca dos Anjos

Esse semestre exerci uma função da qual nunca me vi realizando, Direção de Arte, eu sempre me interessei por assuntos desta área, mas nunca me passou pela cabeça exercer essa função. Várias vezes tive que me lembrar do cargo que exercia que por mais que as opiniões dos outros integrantes tinham que ser ouvidas, pois somos um grupo, ao mesmo tempo tinha que me colocar no lugar de diretor de arte e decidir o que era melhor para a série, levando em conta as característica que o roteiro solicitava e o orçamento curto que tínhamos para aquela produção. Tive muitas dificuldades, por ser uma série de época, a ambientação cenográfica dessas série tem um custo muito alto e é muito difícil conseguir elementos que deixasse o ambiente o mais parecido com as épocas de 60 e 70 com o orçamento que tínhamos, sei que pequei em algumas cenas, mas em outras cenas especialmente a da boate, fiquei muito feliz, pois consegui reproduzir o que eu imaginava desde a primeira leitura do roteiro, claro com a ajuda de todos as pessoas que nos ajudaram de alguma forma. Mesmo com todos os obstáculos eu fiquei feliz com o resultado da série, depois dessa experiência espero ter oportunidade para exercer essa função novamente com um outro olhar, pois depois de ter o trabalho pronto percebi muitas coisas que não fiz e poderia ter feito ou feito de outras maneiras, acredito que a direção de arte você está em um constante aprendizado, sempre haverá coisas que você poderia ter feito ou feito melhor, mas acho que esse projeto conseguiu abrir mais minha visão artística de um projeto audiovisual e me fez questionar qual carreira seguir no futuro.

Flávio Pentis

Dentre minhas funções, fiquei responsável por parte do casting e produção. Desenvolvi o trabalho com o elenco envolvido, de arcar com o transporte e alimentação. Fiquei responsável pelo caixa, entrada e saída de verba. Na minha atividade, foquei bastante no bem estar dos atores, para que junto com a equipe técnica desenvolvessem um bom trabalho, com dignidade e respeito, comunicação e compreensão. Pensando na alimentação, na primeira diária, ofereci um kit com bolo de cenoura, suco, barra de cereais, um lanche de peito de peru e queijo, um chocolate e uma maçã. No segundo, seguimos com o mesmo kit, tirando o lanche e sendo substituído por salgadinho. Já na diária da boate, fizemos uma bela mesa de café da manhã. O objetivo disso, sem dúvidas, era agradecer a disponibilidade e disposição do elenco e oferecer o máximo de cuidado para que se sentissem valorizados e inspirados em dar o melhor, por tratar de um projeto que não tinha budget, o mínimo que podíamos fazer, era realmente oferecer essa alimentação de qualidade.

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Já em questão de transporte, transferia o que era necessário para os atores, para chegar na locação e não precisarem desembolsar do próprio bolso. Também fiz o transporte de equipamentos, sendo na primeira diária, eu que fiquei responsável de retirar, porém na entrega do mesmo, tive suspeita de COVID e o médico recomendou que eu saísse do posto e fosse direto para casa, correndo risco de eu sair e responder judicialmente. Já no final de semana da Boate, quem ficou buscou foi a Bianca e quem levou fui eu. Acredito que as maiores dificuldades que enfrentei, foram as questões horários , seja na primeira diária, que um deles precisou chegar mais tarde e eu que no mesmo dia tive um evento, ou no dia da boate, em que 2 dos personagens que tinha uma grande relevância no projeto, tiveram que ir embora por motivo de trabalho. Em um contexto geral, sou bem grato a produtora Olimpo, que me acolheu, me ajudou quando necessário e esteve comigo para o que foi preciso. Além de também permitir com que eu abrisse as portas para outros 2 outros estudantes que também estavam na procura de um novo espaço e que tiveram grande importância na realização do embrião chamado Tigresa. Após as diárias, descarreguei os arquivos no computador e subi para nuvem. Minhas considerações finais é que embora todas as discussões e desentendimentos, todos os envolvidos, se dedicaram, doaram tempo e habilidade para somar neste projeto que teve muito amor, carinho e dedicação.

Gabriel Lucena Bom, mais um semestre durante a pandemia, e por mais que tenhamos alguns privilégios se comparado com os anteriores - diria que esse foi o mais desafiador em quesito pessoal. Desde o começo, trabalhar com ficção foi um dos motivos para eu iniciar a graduação em Rádio e TV. Sempre gostei de escrever histórias, e sempre o fiz. Então quando meus colegas de produtora escolheram uma história minha - que eu já havia escrito muito tempo antes mesmo de sabermos do projeto de webserie - eu fiquei muito feliz e orgulhoso. Ver algo que eu escrevi, e que é muito pessoal para mim em vários níveis, foi muito emocionante, ainda mais por saber que estava sendo dirigido por uma das pessoas que mais tenho confiança, o diretor Miguel. Por mais problemas e dificuldades de produção que tenhamos, eu sempre me sinto orgulhoso do quanto nossa produtora têm crescido durante essa graduação, e não poderia estar mais feliz de entregar um pedaço de mim nas mãos dos meus amigos mais talentosos. Espero que essa história possa conversar com alguém algum dia.

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Gabriella Pereira Fazer parte da série “tigresa” foi uma experiência completamente incrivel e intensa. Tive o prazer de atuar como a personagem Sonia, uma mulher forte e que não para até conquistar um objetivo… Existem muitas Sonias assim no mundo e foi um maravilhoso ser mais uma!

Guilherme Pacheco Primeiramente agradecendo todos da produtora (Olimpo) por ter me acolhido, ter me recebido muito bem no grupo, vim transferido da manhã. Ao longo desse projeto interdisciplinar foi um imenso prazer fazer parte de uma gravação de uma web série de ficção, obtive todo aprendizado, conhecimento em como é gravar um série, foi um enorme prazer ser o câmera, captar as cenas e ter aquela sensação de ansiedade, alegria, por exemplo, um dia você está na sala da sua casa assistindo séries aleatórias, e outro dia você está no meio de uma produtora fazendo parte de uma série que é um processo de aprendizado, ensaios para que lá no futuro lutar pra mostrar a sua própria competência que foi estudada na universidade, de diversas funções em produção. Fiquei muito feliz com tudo que foi produzido, teve correria, teve estresse, ansiedade, mas essa no final tudo dá certo e meus colegas da produtora são muito inteligentes, responsáveis e somos uma equipe, a gente ajuda um ao outro no que é capaz, nunca podemos desistir de nada, sempre acreditar no seu potencial, fazer as coisas com calma e tranquilidade que terá sucesso, e com certeza vamos trabalhar pra melhorar cada vez mais nos próximos semestres.

Miguel (Lais) Durante todos os semestres eu sempre ficava com funções "pequenas" ou as que sobravam, nesse me permitir algo que eu pudesse tomar a frente e testar meu psicológico trabalhando sob pressão. Foi um semestre bastante estressante, me arrependi no ato, mas sempre tentei ver um lado positivo depois, tentando aparentar bem pra não piorar a situação no profissional, em muitos momentos me sentia perdido, chorei, surtei mas sempre tinha alguém pra me acudir. Eu agradeço muito a paciência dos meus colegas de produtora, pessoas muito talentosas que confiaram a função a mim mesmo com muitas inseguranças, agradeço imensamente ao Gabriel Lucena por ter confiado uma história muito importante para ele em nossas mãos e nos permitir dar vida a ela. Quando começou o processo de edição a cada detalhe me dava vontade de chorar, é muito gostoso ver o resultado de tudo no final, nos momentos da gravação sempre temos aquela sensação de que não vai ficar bom, mas a mágica vem depois e orgulho de ter feito parte de todo o processo começa a crescer dentro da gente. Muito obrigado também a minha irmã que foi uma das pessoas que mais suportou meus momentos de surtos.

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Matheus Calisto Nesse semestre fiquei encarregado da mesma função dos dois ultimos, edição. Por mais que pela pratica se torne facil, foi muito estressante por uma serie de complicações ou falhas na gravação. Mas eu acredito que tudo sempre da pra melhorar ainda mais tratando da edição, voce consegue descobrir novas formas de editar, construir cenas, corrigir erros ou ate mesmo salvar cenas com alguns retoques. Toda essa magia da edição me deixou ainda mais encantado com o audiovisual apesar de todo estresse. Por outro lado, com tantas cenas desperdiçadas ou que tiveram que passar por uma serie de recortes e efeitos excessivos trouxe em mim um desejo antigo, o da direção. A coragem venho atraves dessas pequenas frustrações. Não desmerecendo ou menosprezando o trabalho de ninguém porque todo mundo na equipe se esforçou muito e entregou bastante. Mas no meio de todo estresse, correria e pressão alguns caprichos acabaram ficando de lado. Então pra mim, dois pontos muitos fortes foram levantados pra mim nesse semestre. A coragem de falar o que pensamentos e oferecer apesar de tudo o nosso melhor pela arte, pela historia e pelo o que queremos alcançar com isso. E o prazer com a magica que é os disfarces e “mentiras” do audiovisual que consegue tornar qualquer coisa real ou palpável, seja pelo esforço ou cuidado.

Mateus Mendes Desde que me matriculei na faculdade o piloto de série era meu interdisciplinar mais aguardado, quando final cheguei ao sexto semestre e foi hora de tirar as ideias do papel e me arriscar em uma função tão importante quanto direção de fotografia eu não imaginava o quão intenso o projeto poderia ser, houveram conflitos, crises e diversos desentendimentos durante todo o processo desde a pré produção até a pós produção, mais uma vez acredito que a comunicação a distância foi uma dificuldade para a interpretação, no final de tudo ainda fiquei satisfeito com o que fizemos.

Natalha Nascimento Esse semestre, fiquei responsável pela câmera junto ao Guilherme, na qual eu agradeço pelo auxílio nas gravações e um pouco de produção junto a Bianca. Sem duvidas, foi o projeto mais estressante que já executamos. Não pelo trabalho, mas pela convivência com outros integrantes da produtora. Diferente dos outros semestres, esse não veio a gratidão. O trabalho foi entregue com bastante sufoco, mas o que mais definiu foi exaustão. No mais, agradeço a Bianca que fez com que segurássemos as pontas durante o projeto e me ajudou bastante.

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Effy Milho

Esse semestre nós desafiamos a construir um piloto do zero. Foi uma ótima experiência principalmente por notar que evoluímos bastante não apenas nas questões técnicas como também de organização. Conseguimos cumprir todos os prazos, podendo extrair o melhor de cada área da produção de Tigresa.

Rafaela Reis Participar deste projeto foi uma coisa incrível, e levando em conta do grupo em que eu estava trabalhando, eu não esperava menos de forma nenhuma, tivemos alguns momentos de stress, mas acredito que uma boa produção com toda certeza te faz ter uma dor de cabeça. Tive a oportunidade de ser a segunda assistente de direção e também fazer a captação de áudio, na direção do projeto trabalhamos, eu, Miguel (Lais), Theo, Bianca e Effy, a pessoa com quem mais tive contato durante todo o projeto foi o Miguel, e agradeço muito a ele por todo aprendizado durante o todo o percurso, agradeço também a minha família que tiveram muita paciência comigo durante todas as minhas crises, e ao Alex que foi uma pessoa muito importante para eu conseguir terminar o projeto, e por fim agradeço a toda a produtora por esse projeto incrível.

Yuri Santos Este projeto/trabalho foi inusitado, pois não imaginei que poderia ser feito uma série com os recursos que utilizamos, acreditava ser necessário muito mais recursos. Isso fez com que eu entendesse que o desdobramento das partes de produção audiovisual é constante, tanto a necessidade de manter o equilíbrio mental, quanto a recorrente lucidez na hora de tomada de decisões. A parte de liderança e hierarquia é algo que tem uma percepção de realce na minha visão, o comprometimento com a palavra do outro acaba sendo imprescindível para a devida continuidade de todas as partes, a partir do momento que todos são estudantes, logo todos no "mesmo nível" acaba atrapalhando o processo se não houver uma intervenção mais firme nas questões a este respeito. Outra consideração que devo ter como aprendizado, assim como as já citadas é a necessidade de organização e planejamento de minha parte, eu como continuísta, meu papel seria fundamental para o processo de edição e pós-produção, pois as costuras estariam alinhadas com o documento que mantive atualizado, porém percebi que deveria ter pensado e priorizado ter plena ciência de todas as partes que o documento compunha, isso facilitaria meu papel e a minha performance e auxiliaria muito mais do que eu fiz no quesito de edição, contudo ainda vejo como aprendizado e como uma oportunidade de não repetir os mesmos erros e manter os acertos.

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Referências Mundo Educação.Significado das Cores. Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/artes/significado-das-cores.html Acessado em: 05/10/2021. Lopes, Patrícia L.Significado das Cores. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/artes/significado-das-cores.htm Acessado em: 10/10/2021 Dino. Estudos de mercado apontam crescimento do YouTube em 2021.Terra, 2021. Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/dino/estudos-de-mercado-apontam-crescimento-doyoutube-em-2021,cda9cab6d12b434176392e93b76c62c1xx9zn1yf.html. Acesso em: 01/11/2021. Bomfim, Murilo B. YouTube é a rede social que mais cresceu no último ano. Exame, 2021. Disponível em: https://exame.com/marketing/youtube-e-a-rede-social-que-mais-cresceu-noultimo-ano/. Acessado em 01/11/2021. O Perfume da Memória, Oswaldo Montenegro. Rio de Janeiro: Film Award, 2016. 1 DVD (72 min). Lúcio Flávio: O passageiro da agonia, Héctor Babenco. Brasil:Europa Filmes, 1977. 1 DVD (125 min.) Dona Flor e seus dois Maridos, Pedro Vasconcelos. Brasil: Paris Filmes, 2017. 1 DVD (108min). Os Doces Bárbaros, Jom Tob Azulay. Brasil: A & B produções,1976. 1 DVD (104 min) Quando o Carnaval Chegar, Carlos Diegues: Mapa Produções Cinematográficas,1972. 1 DVD (103 min) Pra Frente, Brasil. Faria Roberto. Rio de Janeiro: Embrafilm, 1982. 1 DVD (110 min) Marighella, Wagner Moura. Brasil: Globo Filmes,2019. 1 DVD (155 min) Tudo Bem, Arnaldo Jabor. Rio de Janeiro: Sagitario Produções Cinematográficas , 1978. 1 Dvd (110 min). Meu Pé De Laranja Lima, Teixeira, Aurélio. Rio de Janeiro: Produções Cinematográficas Herbert Richers, 1970. 1 DVD (95 min) A Moreninha, Laurelli, Glauco Mirko.São Paulo:Lauper Films Ltda,1970. 1 DVD (96 min). A Dama da Lotação, Almeida, Neville D'.Rio de Janeiro:Regina Filmes, 1978. 1 DVD (105 min) Bete Balanço, Rodrigues, Lael.Rio de Janeiro:CPC - Centro de Produção e Comunicação,1984. 1 DVD (71 min).

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Gabriela, cravo e canela, Barreto, Bruno. Parati: United International Pictures, 1983. 1 DVD (102 min). Requiem Para um Sonho, DARREN ARONOFSKY. Estados Unidos: Europa Films, 2000. 1 DVD (102 min). Crepúsculo, Catherine Hardwicke.Estados Unidos: Paris Filmes, 2008. 1 DVD (122 min). Ananda Torres. Autumn Brezees. Guarapari. Gravadora: independente, 2021. (01:19). Disponível em https://www.marshmelody.com/en/music/e8df56db-28b3-4022-a23592a2e1d89020/detail. Acessado em 25 de out.2021. Leandro Caldeira. Book and cook. Gravadora: independente, 2021. (03:33). Disponível em: https://www.marshmelody.com/en/music/42b539f0-75e0-4eb6-a466-8247544e0e25/detail. Acessado em: 25 de out. 2021. Ananda Torres. Breathe in. Guarapari. Gravadora: independente, 2021. (00:44) Disponível em: https://www.marshmelody.com/en/music/7bb09c08-a98c-4c13-89bd-97f1452393f7/detail. Acessado em: 26 de out.2021. Diego Nava. Don’t Go, Brasil, 2020. Disponível em: https://mixkit.co/free-stock-music/jazz/. Acessado em: 26 de out.2021. Gal Costa. Divino Maravilhoso. Rio De Janeiro. Universal Music LTDA, 1969. (4:20). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=w7sbZkhdsFc. Acessado em: 27 de out.2021. Noel Rosa. Fita Amarela. Brasil. 1932 (2:31). Disponível em: https://www.youtube.com/watch? v=utUzUVEs90s. Acessado em 27 de out 2021. Sound Effects: Todos efeitos sonoros retirados do site: https://freesound.org/ Door, Front, Opening – InspectorJ https://freesound.org/people/InspectorJ/sounds/431117/ Door Bell – Kwahmah_02 https://freesound.org/people/kwahmah_02/sounds/275070/ Pouring Water – AdamJordaan140087 https://freesound.org/people/AdamJordaan140087/sounds/401672/ Pouring a drink in a cup – ccj25 https://freesound.org/people/Ccj125/sounds/378076/

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Pub Ambience – Benboncan https://freesound.org/people/Benboncan/sounds/67771/ Footsteps, light mud – InspectoJ https://freesound.org/people/InspectorJ/sounds/329605/ Town streets ambience from a 4th floor morning – Shredder10 https://freesound.org/people/shredder10/sounds/410418/ Shower – Inspector J https://freesound.org/people/InspectorJ/sounds/353195/ Wall Clock Ticking -Straget https://freesound.org/people/straget/sounds/405423/ Car Alarm Horn, Walking past – Inspector J https://freesound.org/people/InspectorJ/sounds/402958/

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Apêndices


"TIGRESA"

EPISÓDIO 1: ESFREGANDO A PELE DE OURO MARROM

Por

GABRIEL LUCENA

Copyright 199X by Gabriel Gonçalves Lucena Campos Rua Padre Thomaz J. Shea, 15 CEP: 03812-040 Todos os direitos reservados (11) 966880184

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Abertura da cena: A PRIMEIRA DANÇA FADE IN: INT. BOATE “DANCIN’ DAYS” – NOITE SÔNIA, uma mulher de 22 anos, com poucas roupas sensuais dança sobre um palco. O ambiente estava escuro e esfumaçado. Algumas poucas mesas e cadeiras são vistas abaixo do palco, ocupadas por homens que assistiam à apresentação da mulher. Música de JAZZ toca ao fundo da boate. Alguns dos homens passam as mãos entre as pernas, em seus membros. Sobre as mesas cinzeiros cheios, copos com bebidas alcóolicas. Em uma das mesas há um jornal dobrado, onde pode-se ler a manchete “O FIM DA PROMISCUIDADE! MAIS UM CLUBE NOTURNO FECHADO NA NOITE PAULISTANA. JÁ É O QUARTO NO SEGUNDO SEMESTRE DE 74.” Uma garçonete deixa um copo de whisky sobre o jornal, e o molha, mas o dono nem percebe, hipnotizado pelo espetáculo. SOBRE O PALCO está um letreiro com a palavra TIGRESA, nome de palco de Sônia, pela qual ela era famosa nas noites paulistanas. A mulher dança para os homens. Em uma das mesas há uma mulher sentada, no escuro, para esconder-se e não chamar a atenção por estar em um lugar de público majoritariamente masculino, mas ela também se toca e sorri ao assistir o show. Um dos homens se aproxima de Sônia, mas ela se afasta imediatamente, ao sentir o toque dele em sua pele. Ela afasta a mão do homem e torce o nariz, mas logo disfarça. Enquanto ela se afastava do homem, outros quatros aparecem pela entrada no andar de cima. Ninguém, além de garçonete, percebe a presença deles. Ela se aproxima e faz uma troca de olhares com Sônia, que, em cima do palco, percebe o sinal da moça e olha para cima, na direção dos homens. Ela assente em direção à garçonete, que se aproxima carregando uma bandeja cheia de drinks, que deliberadamente derruba sobre um dos clientes do show, que imediatamente se levanta.

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CLIENTE 1

Mas que porra! Você é cega? Olha o que você fez! Mulher não serve nem “pra” servir.

GARÇONETE

Me desculpe! (LIMPA LENTAMENTE A ROUPA DO HOMEM, QUE ESTAVA TODA MOLHADA). Todos os clientes param por um instante para observar a cena que se desenrolou ali e não percebem que Sônia saia pela lateral do palco, enquanto os militares se aproximam. Quando a mulher desaparece completamente, um dos espectadores levanta-se para reclamar, e só então percebe o policial, que já estava ao seu lado. O segundo policial está ao lado do dono do jornal, e bebe o whisky que estava ali intacto. Ele coloca sua arma sobre o jornal que estampava a notícia sobre os clubes recém-fechados, agora marcado pelo suor escorrido do copo com a bebida gelada. POLICIAL 1 Bom… Acho que chegamos ao quinto, não é mesmo? Um dos espectadores tenta se levantar e fugir rapidamente, mas é surpreendido pelo segundo policial, que estava logo atrás dele.

POLICIAL 2 Já está indo? Mas a melhor parte do show ia começar agora. Todos os clientes estão assustados e os militares se dão risada com a cena. EXT. RUA – MADRUGADA

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Sônia BATE a porta da boate atrás de si. Ela dá risada e VESTE um agasalho sobre a pouca roupa que usa e da bolsa de lado que estava pendurada em seu ombro. De dentro da boate BARULHOS DE TIROS E GRITOS abafados. Ela ANDA pela rua, e ACENDE um cigarro. SÔNIA

Idiotas. Sônia SENTA-SE na calçada de uma rua paralela à da boate e abre a bolsa. De dentro, ela tira um caderno pequeno e uma caneta. Na página aberta, vários nomes de boates, alguns riscados. Ela risca o nome “DANCIN’ DAYS” marcando a tarefa como concluída. SÔNIA

Um chiqueiro a menos. (RINDO. LOGO ELA SE ARREPIA)

INSERT. FLASHBACK DO CLIENTE ENCOSTANDO EM SÔNIA.

SÔNIA Aquele nojento… (COSPE NO CHÃO, GUARDA O CADERNO NA BOLSA E SE LEVANTA. JOGA O CIGARRO NO CHÃO E PISA PARA APAGÁ-LO).

EXT. RUA - TARDE FLASHBACK - 1960

O pai de Sônia, GILBERTO, JOGA uma bituca de cigarro no chão e o APAGA com o pé. Sônia, com 12 anos, está com cara de choro.

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GILBERTO

Filha, você vai ficar brincando com a sua amiguinha Vilma, enquanto papai e mamãe vão buscar seu presente de aniversário, tá bem? Fica boazinha.

SÔNIA CRIANÇA

Papai, me deixa ir, por favor! Eu juro que vou me comportar. A gente pode levar a Vilma, assim ela não fica sozinha do mesmo jeito.

Sônia e Gilberto CHEGAM na casa da vizinha. Gilberto toca a campainha. FÁTIMA abre o portão.

GILBERTO

Não vamos demorar quase nada. Prometo trazer uma boneca pra nossa Vilminha também! Obrigado mais uma vez.

FÁTIMA

Imagina! Muito obrigada.

GILBERTO [SE AFASTANDO]

Filha, se comporta, viu? Se não, vai ficar se m a boneca!

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INT. CASA DE FÁTIMA E VILMA - TARDE 1960. VILMA CRIANÇA

Seu pai é muito legal, mas ele acha que eu ainda sou uma criança. O que eu ia fazer com uma boneca?

FÁTIMA

Vilma! Não seja mal agradecida. O sr. Gil sempre trata você do mesmo jeito que ele trata a filha. Se ela vai ganhar uma boneca, você também vai e vai ficar bem feliz por isso.

SÔNIA CRIANÇA

Não, tia, é verdade! O papai acha que ainda somos criancinhas. Não é, Vilma?

VILMA CRIANÇA

Sônia, mas você ainda é uma criança! Você ainda vai fazer doze anos, eu que já tenho treze. Meu pai diz que já sou uma moça. Falando no meu pai, olha que legal o que ele comprou aqui pra casa.

Vilma mostra um toca-discos que acabara de ganhar. As meninas começam a mexer no objeto. FADE IN - ESTRADAS; SEMÁFORO VERMELHO; BARULHO DE BATIDA DE CARRO. FADE OUT - ESCURIDÃO. UMA CRIANÇA CHORANDO E GRITANDO.

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FADE IN - O GRITO TORNA-SE UMA PORTA BATENDO. INT. APARTAMENTO DE SÔNIA – MADRUGADA - 1974 Sônia JOGA a bolsa e o agasalho em qualquer lugar, vai até a cozinha, coloca alguns ovos em uma panela para cozinhar e parte para o banho, sorrindo. INT. BANHEIRO - MADRUGADA LONGA CENA de Sônia tomando banho. Banheiro embaçado com fumaça de vapor. Mãos de Sônia descem por seu corpo, em direção ao seu órgão genital. Sônia sorri. INSERT - Cronômetro alertando o fim do cozimento do ovo. INT. COZINHA - MADRUGADA Sônia ENTRA, ferve um macarrão instantâneo e serve-se de uma taça de vinho, ela SENTA-SE para comer enquanto liga o rádio no noticiário.

REPÓRTER DO NOTICIÁRIO (V.O.)

Nessa noite, mais um clube clandestino de promiscuidades foi fechado pelos nossos bravos militares. A patrulha conseguiu prender quatro homens, já identificados, além do gerente do estabelecimento, que trabalhava como barman naquela noite. Segundo informações, os homens assistiam um show de alguma mulher da vida que se despia como forma de gerar entretenimento. Todos sabemos que isso é um ataque direto contra os bons costumes, mas a meretriz em questão não foi encontrada. Esse já é o quinto local clandestino fechado nos últimos meses. Os militares agradecem o comprometimento dos cidadãos que continuam denunciando essa prática, e

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dizem que se sentem orgulhosos de continuar servindo o país dessa forma, para que nosso Brasil continue sendo uma pátria que dê exemplo para nossas futuras gerações.

SÔNIA

Uma bela bosta de exemplo. (DESLIGA O RÁDIO) Caretas. Cafonas. (BEBE O VINHO QUE ESTAVA NA TAÇA) Patéticos. (VIRA O COPO)

SEGUNDO BLOCO Abertura da cena: Ritual Sagrado FADE IN: INT. COZINHA NA CASA DE SÔNIA - MANHÃ Sônia ENTRA. No ambiente, uma mesa pequena com uma garrafa de café vazia e alguns potes de bolacha por cima, um calendário pendurado na parede, um fogão onde Sônia coloca água para ferver e fazer seu café. Enquanto a água ferve, Sônia olha o calendário, que marca com um círculo aquele dia, 8 de outubro, e tem escrito o nome VILMA. Sônia SENTA-SE à mesa e toma seu café com uma foto de uma mulher em mãos.

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SÔNIA Me disseram que com o tempo ficava mais fácil, sabe? (PAUSA) Mas hoje completa cinco anos, e ainda dói como se tivesse sido ontem (PAUSA. COM RAIVA) Aqueles filhos da puta! (AMASSA A FOTO NO ÍMPETO DE RAIVA, MAS LOGO A DESAMASSA, SENTINDO-SE CULPADA) Me desculpe! Eu simplesmente não consigo! (PAUSA) Deveria ter sido eu. Você teria seguido a sua vida muito melhor. Ficado famosa, rica. Mas eu? O que eu sou agora? (PAUSA) Não pude nem mesmo fazer justiça por você. (PAUSA LONGA). O que você pensaria de mim, se soubesse o que me tornei? Se soubesse as coisas que fiz… e faço? Será que ainda me amaria?

INT - QUARTO DE VILMA - TARDE - FLASHBACK 1968 Sônia pega uma máquina fotográfica ao lado da cama. Vilma lê um livro aos pés da cama. Sônia começa a fotografá-la sem que ela perceba. Vilma nota as fotos e sorri, tímida. VILMA

Você e essa sua câmera…

SÔNIA

Vai, Vilma, faz uma pose.

VILMA

Eu estou lendo!

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SÔNIA É só parar de ler! (TIRA OS LIVROS DA MÃO DE VILMA) Isso, vai. Linda! Vilma sorri para Sônia, que tira as fotos. VILMA

Você é muito boba.

SÔNIA

Deixa eu tirar outra, vai!

VILMA TENTA TIRAR A MÁQUINA FOTOGRÁFICA DAS MÃOS DE SÔNIA. AS DUAS BRIGAM POR UM SEGUNDO PELA CÂMERA, MAS VILMA TOMA E A COLOCA DE LADO.

SÔNIA

Me deixa pegar! Eu quero outra.

VILMA

Pra quê?

SÔNIA

Por que eu quero.

Vilma começa a beijar Sônia, para silenciá-la. Sônia deixa-se envolver pelo beijo.

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INT. APARTAMENTO DE SÔNIA - MANHÃ - 1974 Sônia está com a fotografia que tirara de Vilma nas mãos.

SÔNIA (CONT.)

Não, claro que não. Você jamais se rebaixaria tanto. Me desculpe. Eu sei que você nunca aprovaria isso, mas eu faço por você. Aliás, tudo que sempre fiz, e que sempre farei. (BEIJA A FOTO) Por você. CORTA PARA: IGREJA INT. IGREJA - MANHÃ Sônia ANDA pela igreja, em direção ao velário e ACENDE uma vela, FAZ O SINAL DA CRUZ e afasta-se. INT. IGREJA - MANHÃ - FLASHBACK - 1960 Velório dos pais de Sônia. A menina está sentada na primeira fileira de cadeiras.

PADRE (CONT.) …Um acidente que com certeza chocou a todos. Mas os caminhos de Deus não devem ser questionados, pois Ele sempre tem um plano superior a todos nós! Nossa pequena Sônia, fruto do amor desse casal exemplar, com certeza será rodeada de amor e carinhos de todos que tiveram o prazer de conhecer seus pais em vida, e a acompanharam em sua jornada. Minha filha, saiba que Deus estará sempre ao seu lado para confortá-la.

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SÔNIA CRIANÇA Deus? Vai ficar ao meu lado? Por que ele não deixou meus pais ao meu lado? Era isso que eu queria! Deus levou meus pais embora. Ele me deixou sozinha! Eu quero meus pais de volta!

VILMA CRIANÇA

Sônia!

FÁTIMA Sônia, meu amor, não fale assim. Deus nunca te deixaria sozinha. Você tem a nós. Fique tranquila, você ficará conosco. Você vai ganhar uma nova família, e uma irmã que você já adora e que adora você! Vai ficar tudo bem, eu prometo. Nós vamos cuidar de você.

INT. IGREJA - MANHÃ - 1974 Sônia PARTE em direção ao altar da igreja e AJOELHA-SE para rezar, com a foto de Vilma em mãos. SÔNIA Você sabe que eu nunca fui de rezar. Antes de você, a última vez que eu tinha colocado meus pés numa igreja foi quando meus pais se foram. Na verdade, eu acho que nem sei muito bem como fazer isso, apesar de vir nesse mesmo lugar em todos esses anos. Eu nunca tinha vindo aqui

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por eles. Eu realmente acho que não tem nada aqui, ou lá para cima que me ouça. Se houvesse, não teria levado meus pais, e não teria me tirado você. (COM RAIVA) Ele me deixou sozinha duas vezes! Sônia limpa uma lágrima que escapa pelos olhos.

SÔNIA (CONT.) Mas eu acho que você gostaria disso. Talvez seja uma forma de eu me redimir pelo desgosto que devo te dar. O que me conforta é saber que você, com certeza, deve estar num lugar melhor do que esse que você deixou pra trás. Pelo menos você não precisou ver o que aqueles gorilas fizeram com esse país que você tanto amava. O que fizeram com a arte que te fazia viver… (PAUSA) Você me dizia que tempos difíceis viriam, mas acho que não tinha ideia da dimensão que isso tomou.

Um homem sentado nos bancos, no meio da igreja, derruba alguma coisa. O barulho da queda assusta Sônia que, inicialmente, ignora a situação. SÔNIA (CONT.) Esses escrotos… Perdão pela palavra (PAUSA). Fecharam mais um teatro semana passada. Não é à toa que essas boates estão cada vez mais populares. Você sabe… eu não faço o que faço por necessidade, eu faço por prazer… e ódio, eu acho. Mas em cada clube e boate que eu entro, eu reencontro várias meninas da companhia, que agora estão nesse ramo

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agora pra se sustentar, porque ser artista nesse covil… é mais do que um crime… (PAUSA)Se você não morre de fome, é torturada ou morta pelos “homens de bem”. (PAUSA) Não que eu precise te dizer bulhufas sobre isso… Sônia olha para trás, em direção ao homem, que parecia estar observando-a. SÔNIA (CONT.) Mas enfim… Não vim aqui só te trazer as más notícias. Vim também te fazer a mesma promessa que eu te faço há cinco anos… (PAUSA) Eles vão pagar, Vilma. Eu ainda não sei como, mas eles vão. E se eu não conseguir encontrar aqueles nojentos, eu vou acabar com cada escroto que eu conseguir colocar as mãos, nem que eles me prendam, me torturem e me matem. Eu serei só mais uma na lista deles. Mas eles vão junto comigo. E esse Deus, que você tanto adorava… Eu espero que seja uma mulher, porque se for um homem (PAUSA) eu acabo até com ele se for preciso. Sônia olha novamente para trás e nota que o homem ainda a observa. Ela SAI rápido, mas tenta não chamar atenção. EXT. RUA - DIA Sônia ANDA rápido e olha constantemente para trás. Anda por vários caminhos paralelos até chegar em casa.

INT. SALA DO APARTAMENTO DE SÔNIA. Sônia BATE A PORTA e ANDA de lá para cá, inquieta.

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SÔNIA Não é possível que eu esteja ficando louca… Ele “tava” sim me observando… Quem era aquele cara, bicho? Eu nunca nem vi ele antes… Ou será que já?... Espero que eu esteja ficando louca mesmo, porque se ele tiver me seguindo…

O gato de estimação dela começa a miar e circular entre suas pernas.

SÔNIA O que você quer? Me deixa em paz! Eu já coloquei sua comida hoje, gato.

Sônia SENTA-SE no sofá e ABRE o jornal que estava na mesa ao lado, na página de anúncios de emprego.

SÔNIA

Deixa de grilo, Sônia…

O gato senta-se no sofá ao seu lado, como se estivesse a observando.

SÔNIA Eu devia ter deixado você no lixo que te encontrei, seu ingrato.

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Sônia procura algo que chame a sua atenção durante algum tempo, até ver um anúncio “PRECISA-SE DE MOÇAS JOVENS PARA AUDIÇÃO. PEÇA FECHADA.” com um endereço logo abaixo. Sônia CIRCULA o anúncio, com um sorriso no rosto.

SÔNIA

Hora da Tigresa! Hahaha!

FIM

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Ferramenta: Filmora

Tempo Estimado: 15 min Editor: Matheus Lira (Calisto)

Cena 02

03

Mixagem de Som: Pamela Rodrigues

Descrição

Edição Logo da Universidade e Logo da Produtora

Abertura

Sonia dança na boate, o ambiente é escuro e esfumaçado.

Texto na Tela: “O Mal é bom e o bem é cruel”. Efeitos E Filtros: escuros, cores densas. Trilha Sonora: Leve e simples.

03

Ext. Madrugada. Sonia sai da boate.

Efeitos E Filtros: escuros, cores densas. Trilha Sonora: Apenas som ambiente da cidade e Falas da personagem.

04

Transição para o Flashback

61

Transição: Tela escura com a frase “Muito prazer e Muita dor”.


Ferramenta: Filmora

Tempo Estimado: 15 min Editor: Matheus Lira (Calisto)

Cena

05

Mixagem de Som: Pamela Rodrigues

Descrição

Edição

Cena de Flashback. Pai e filha descem a rua e tocam a campainha.

Texto na Tela: “O Mal é bom e o bem é cruel”. Efeitos E Filtros: Cores alegres, calorosas e que dão a sensação de conforto. Tons amarelados para também remeter ao passado/lembrança Trilha sonora: Apenas sons ambientes e falas.

06

Transição para o presente. A música do Disco se torna um acidente de carro. Que se junta com Sonia abrindo a porta no presente.

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Música do disco “Fita Amarela de Noel Rosa”. Trilha de acidente de carro. Elementos e objetos de batida de carro.


Ferramenta: Filmora

Tempo Estimado: 15 min Editor: Matheus Lira (Calisto)

Cena 07

08

09

Mixagem de Som: Pamela Rodrigues

Descrição

Edição

Transição para casa de Sônia, chegando da Boate. Cena do Banho. Aqui Sonia após colocar comida no forno ela vai para o banheiro e durante o banho se toca.

Manhã. Sonia prepara seu café da manhã. Passa a olhar um calendário na geladeira, onde marca uma data e ao lado uma foto de sua amiga Vilma. Ela pega a foto e senta-se em uma mesa e reflete com ódio.

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Transição: Texto na tela: “Os Pelos dessa deusa”.

Para a cena do banheiro, entram cores e luz branca forte, efeitos esfumaçados. Trilha sonora: Elementos e objetos da cozinha. No banho som do chuveiro e resmungos de prazer vindo de Sonia. Efeitos e filtros: Cores escuras e frias sempre que estiver na realidade, manter a mesmo padrão aqui. Trilha sonora: Piano simples.


Ferramenta: Filmora

Tempo Estimado: 15 min Editor: Matheus Lira (Calisto)

Cena 10

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12

Mixagem de Som: Pamela Rodrigues

Descrição

Edição

Transição para rua

Transição: Texto na tela: “Tudo vai mudar”.

Cena da Igreja, ao andar pela igreja, Sonia acende uma vela e depois se senta e inicia o seu monologo.

Efeitos E Filtros: Cores quentes. Efeito Slow durante seu andar ate sentar.

Leão a observa, durante o monólogo dela.

Trilha sonora: Ao entrar trecho de "Cálice de Chico Buarque” e depois apenas o Monologo. Efeitos e filtros: Nesse instante trazendo a realidade do mundo consigo, as cores frias e escuras voltam nesse enquadramento. Trilha sonora: Mantem o monologo, mas um pouco distante.

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Ferramenta: Filmora

Tempo Estimado: 15 min Editor: Matheus Lira (Calisto)

Cena

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16

Mixagem de Som: Pamela Rodrigues

Descrição

Edição

Sonia termina seu monólogo e percebe Leão a olhando, incomodada ela sai da igreja.

Efeitos e Filtros: Cores frias Trilha sonora: Apenas fala.

Logo da websérie. Tigresa

Trilha sonora: Trecho de Sangue Latino de Ney Matogrosso

Créditos Finais

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Sincronização Musical Para a montagem da trilha e efeitos do piloto de Tigresa, usei o programa Audition da Adobe que me possibilitou manipular de forma livre os mesmos. Para a trilha musical foi usado os efeitos de Fade In e Fade out, não apenas no começo e final da música, mas também no meio para dar ênfase em algumas partes. Já nos efeitos sonoros além desses dois elementos, também utilizei Reverbe de acordo com o ambiente que se passava a cena, assim a propagação do som seria mais natural, o efeito de eco também foi utilizado em algumas partes. Em cenas específicas como o acidente de carro, mesclei trilha musical com os efeitos sonoros para dar impacto e sentimento, o que trouxe um bom resultado final. A montagem do narrador também utilizei da mesclagem de música com efeitos de instabilidade para aumentar o tamanho do áudio. Para as falas foi usado um microfone Boom e gravador para sua captura. Na edição limpei um pouco do ambiente usando o redutor de ruído e aumentando o nível do som, para que as vozes ficassem bem claras e fiz os cortes necessários para cada cena. Para finalizar, arrumei o volume das faixas e fiz a mixagem final. Esse processo de edição e mixagem de cada trilha e efeitos sonoros durou 5 dias para ser completamente finalizado.

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Ficha Técnica Tigresa Outras remitências de título: Tigresa Categorias Web-série/ Sonoro / Drama Material original COR, 15min Data e local de produção Ano: 2021 País: BR Cidade: São Paulo Estado: SP Data e local de lançamento Data: 18/11/2021 Local: São Paulo; Sala(s): Virtual/ Cruzeiro do Sul Sinopse Amar e vingar, as únicas coisas que movem Sônia pelas aventuras noturnas perigosas de São Paulo. Em busca de vingança não haverá limites que a impeçam de cumprir sua missão. Gênero Drama Termos descritores Vingança; Paixão; ditadura militar; Promiscuidade Produção Companhia(s) produtora(s): Produtora Olimpo Produção: Pereira, Flávio Produção executiva: Pereira, Flávio Assistência de produção: Pereira, Gabriela

Argumento/roteiro Argumento: Lucena, Gabriel Roteiro: Lucena, Gabriel Diálogos: Lucena, Gabriel

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Direção Direção: Miguel. Assistência de direção: Mendes, Matheus; Reis, Rafaela; Continuidade: Yuri Santos. Fotografia Direção de fotografia: Mendes, Matheus Câmera: Nascimento, Natália; Pacheco, Guilherme; Som Som direto: Rodrigues, Pamela; Mixagem: Rodrigues, Pamela Dados adicionais de som Captação de som: Reis, Rafaela Montagem Montagem: Calisto, Mateus. Direção de arte Direção de arte: Anjos, Bianca; Figurinos: Anjos, Bianca; Cenografia: Anjos,Bianca;

Identidades/elenco: Ana Fiel Allan Cavalcante Danielle Soares Elisabete da Silva Flávio Petins Felipe Abner Gabriella Pereira Marcio Francisco Maria Eduarda Nicole Elis Octavio Amado Raquel Melissa Vinicius da Silva Yuri Santos Xexéu Aguiar

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Anexos


Argumento da Série Sônia dançava sensualmente sobre o palco, enquanto o jazz tocava nos alto-falantes... O nome do show era “Dancin’ Days” e ela o fazia duas vezes por semana, em clubes diferentes, mais por prazer do que por dinheiro. Ela adorava sentir-se querida, desejada. Era um personagem que ela adquiria ao se arrumar para o show, claro, na realidade as coisas eram diferentes. Mas ali no palco, ela não era Sônia, era Tigresa. E Tigresa era tudo isso, e muito mais. Era o sonho de todos os homens que passavam por aquele pequeno clube, e também o de algumas mulheres. Mas, o que ela mais adorava era desprezar todos aqueles homens que a desejavam, sabendo que eles nunca poderiam tê-la. Ela os provocava, os atiçava, os levava quase à loucura, e quanto mais eles gostavam, mais ela os odiava. Sentia nojo quando algum deles encostava em seu corpo, por isso se limitava apenas aos palcos. Ali ela seria apenas vista, jamais tocada. O ano era 1974, e o Brasil continuava numa ditadura sem precedentes. Todos os estabelecimentos como o Dancin’ Days haviam sido fechados devido à censura, e os que continuavam abertos funcionavam na clandestinidade. E essa era a parte mais excitante para ela. O volume da música era tão alto que quem estava mais perto do palco não percebeu a batida policial que entrava no clube, arrastando todos com extrema violência. Era isso que ela queria, e já esperava. A emoção e adrenalina já estava fervendo em suas veias quando ela saltou para a parte traseira do palco, e saia correndo, com a (pouca) roupa que vestia. Fazia semanas que não se sentia tão viva, e, enquanto ouvia os tiros atrás de si, ela sorria, imaginando todos aqueles homens algemados e se perguntando se suas ereções ainda estavam em pé. Ao chegar em seu apartamento, ela entra no banho satisfeita por mais uma parte de plano que deu certo. Logo, ela cozinha uma pequena refeição e se serve de uma taça de vinho, enquanto ouve no rádio sobre o que presenciara naquela noite. Mais uma parte do seu plano concluída, e essa noite ela dormiria como um anjo. No dia seguinte, logo pela manhã, ela começa seu ritual corriqueiro desde aquele dia em 1969. Com uma foto nas mãos, ela entra na igreja e acende uma vela no altar, rezando pela alma de sua melhor amiga e companheira de toda a vida. Ao terminar sua oração ela percebe que não estava sozinha. Um homem a observava sentado em um dos bancos no corredor. Ela logo fica alarmada e começa a sair da igreja em um passo acelerado, tentando não chamar atenção, mas seu instinto a diz que aquele homem não estava ali por acaso. Ao seguir pelas ruas, ela olha constantemente para trás, para checar se estava sendo seguida. Durante algum tempo ela continua assim, entrando em ruas paralelas, passando por cruzamentos cheios. Se ela estivesse sendo seguida, tinha certeza de que tinha despistado a pessoa. Ela chega ao apartamento ainda nervosa, e fica andando de lá para cá no meio da sala, se perguntando quem seria aquela pessoa e se ele sabia quem ela era. Mas, sem chegar à nenhuma conclusão, ela resolve se concentrar no próximo plano e procura nos anunciados alguma coisa que lhe chamasse atenção. Ela precisava de um novo clube para seu show, e sabia exatamente o tipo de anúncio que eles costumavam publicar no jornal, atrás de novas atrações. Não demorou muito para ela achar o que procurava. “Precisa-se de moças jovens para audição. Peça teatral fechada.” Abaixo um endereço, não muito longe do antigo lugar que ela fechara. Ela circula o anúncio e se levanta para se arrumar. Logo mais um chiqueiro daqueles seria fechado por ela.

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Algumas semanas depois, chega o grande dia, ela já prepara tudo para conhecer o local. Lá ela conhece Emílio, um funcionário da boate que a leva até o dono. Carlos Alberto aceita a presença de Sônia, mas a assedia descaradamente, o que a choca e deixa enojada. Ela sai dali correndo e, ao chegar em casa, vomita tudo que tinha no estômago. No dia do show, ela se arruma no camarim enquanto Emílio vem consolá-la sobre o acontecido. Ela percebe que ele, apesar de espalhafatoso, realmente se importa com ela. Quando ele sobe ao palco, ela termina de se arrumar. Agora só precisava ligar para os militares de um telefone anônimo e fazer a denúncia pouco antes de subir ao palco. O dono do clube passa no seu camarim para lhe desejar boa sorte e ela dá um sorriso falso para ele, agradecendo mais uma vez pela oportunidade. Quando ele vira as costas, ela revela sua expressão de nojo, se segurando para não vomitar ali mesmo. Logo ela se recompõe e faz a ligação. Chegou a hora do show. Tudo se passa como sempre foi, ela já fazia aquilo há anos, sendo responsável pela interdição de quase todos os clubes de São Paulo. Ela se perguntava como os donos desses lugares ainda não tinham sacado que tinha alguém por trás disso, mas a resposta era clara: os homens são idiotas. E claro que nenhum nunca suspeitaria que uma mulher poderia ser superior a eles. No meio da sua apresentação eles chegam, arrebentando as portas e derrubando todos que estavam na frente, o pandemônio começou e chega a hora de ela sair correndo. Mas, ao sair pelos fundos, ela é puxada pelo braço, e tomada de susto, arrastada por um beco adjacente onde os funcionários do bar jogavam o lixo. Sua reação é querer gritar, mas o homem que a puxou tampa sua boca e ela percebe que é o mesmo que vira na igreja, semanas atrás. Imediatamente ela fica apavorada e sem saber o que fazer, enquanto ele faz sinal para que ela fique em silêncio. Os dois aguardam enquanto os militares levam todos detidos. O homem arrasta Sônia dali, que se deixa levar, em completo estado de choque e silêncio. Ela está completamente atordoada, confusa. Eles param em um boteco qualquer e ele compra um shot de whisky para os dois, que tomam de uma vez. Ele não parece agressivo, mas ela não baixa a guarda um momento sequer e pergunta o que ele quer com ela. Ele responde que já estava observando-a há tempos. Ele era um jornalista que escrevia sobre as noites paulistanas e havia notado como vários clubes haviam sido fechados nos últimos tempos. Seu faro aguçado para histórias e investigações fazia com que achasse curioso o fato de ela estar sempre se apresentando nas noites em que os clubes fechavam. Então, desde a última vez ele a seguira até sua cara para descobrir quem era aquela mulher tão misteriosa, e ficara surpreso ao vê-la na igreja naquela manhã. Essa noite ele tinha ido àquele lugar só para ver se suas teorias estavam certas, as quais foram confirmadas quando os militares chegaram ali. E la ouvia tudo aquilo com uma expressão de completa perplexidade. Como fora seguida durante todos aqueles dias e não percebera? Como fora tão burra? Ela não sabia se estava com mais ódio daquele estranho ou de si mesma. Ele, então, disse para ela não se preocupar, pois ele não iria denunciá-la, e perguntou seu nome, ao que respondeu de imediato ser “Tigresa”. Ele ri e pede para ela dizer-lhe seu verdadeiro nome, o que ela responde com o silêncio. Conformado, mas ainda achando graça, ele então à diz que seu nome é “Leão”, acompanhado de um “Muito prazer, Tigresa”. Ela fica confusa com a atitude daquele homem. Ele soa despreocupado, risonho, e muito falante, enquanto ela continua em silêncio a maior parte do tempo, com uma expressão séria e desconfiada. Quando ela se levanta para ir embora, ele a deixa ir, apenas observando-a se distanciar, o que deixa a mulher ainda mais confusa.

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No dia seguinte, ela acorda assustada com uma batida na porta, pois nunca recebera visita nenhuma. Fazia anos que ela não recebia ninguém em casa. Não tinha amigos, nem conhecidos que sabiam onde morava. Ela grita do corredor perguntando quem era, e ao abrir a porta se depara com Leão, segurando algumas sacolas e dizendo que passara na padaria para buscar seu café-da-manhã. Sônia fica extremamente confusa e sem reação, o que ele usa como deixa para entrar na sala de estar e virar direto para a cozinha. Ela o segue, deixando a porta aberta de tão desnorteada e pergunta o que ele quer, ao que ele responde apenas querer alimentá-la. Ele a faz sentar na mesa e começa a mexer nos armários para fazer o café, enquanto ela continua sem reação. Alguns minutos se passam e ele serve os dois, com um sorriso no rosto, perguntando se tinha planos para aquele dia. A mulher apenas fica em silêncio, o encarando, o que ele leva como uma resposta negativa e diz que a levará para sair, mandando-a se arrumar, pois, ele voltaria em algumas horas para buscá-la, saindo logo após, e fechando a porta que ela deixara aberta. Por algum motivo, que nem Sônia soube explicar, logo ela se viu aprontando-se para aguardar aquele homem estranho. Algo nele chamava muito sua atenção, e ela pretendia descobrir o que era. Quando chega o horário marcado, ouve-se uma batida na porta e a mulher abre prontamente. Ele está muito bem vestido, o que não passa despercebido por ela, que há uma década não se interessava por homem algum, mas que via naquele estranho uma atração indescritível. Ele elogia o visual da mulher, e a puxa para fora de casa, que ela tranca atrás de si. Os dois andam pelo centro da cidade, ele sempre muito falante e simpático, ela ainda um tanto desconfiada, mas cada vez mais se abrindo para o homem. Ao cair da noite, o casal já está confortável um com o outro, e, sentados numa calçada da Avenida Paulista, ele se aproxima dela, tentando beijá-la. Ela reage no mesmo instante, levantando-se e dizendo que iria embora. Ele pede desculpas e pergunta o que haveria de errado naquilo, se eles estavam se dando tão bem. E ela, pela primeira vez em dez anos, resolve falar sobre o que aconteceu naquela noite de 1969. Sônia e Vilma eram melhores amigas desde a infância. Haviam crescido juntas na mesma rua, e quando os pais de Sônia faleceram durante sua adolescência, ela foi adotada como irmã da família da amiga. Elas desenvolveram um relacionamento que não havia como rotular, era como se as duas fossem uma só. E faziam tudo juntas. Foi assim que, quando Vilma entrou para a companhia de teatro, pouco depois de Sônia mudar-se para sua casa, a outra resolveu seguir seus passos na arte dramática. Logo as duas ficaram conhecidas entre o mundo artístico como “As Irmãs Siamesas”, por estarem sempre juntas, em todos os lugares. Em 1964 as duas foram contratadas pela Companhia de Teatro Bela Vista, ao mesmo tempo que o país entrava em um regime político dominado pelos militares, o que poderia acabar com o sonho das amigas de continuarem a carreira nos palcos. Foi então, quando, junto dos colegas de companhia, resolveram trabalhar para acusar e expor os horrores cometidos pelos ditadores, que tentavam silenciar toda a expressão artística da cidade. Participaram de inúmeros espetáculos que iam sendo censurados pelo governo, em encenações de peças estrangeiras de questionamento e que despertavam o senso crítico, de autores como Sartre e Brecht, e de obras brasileiras que acusavam diretamente o governo autoritário, de autores como Chico Buarque e Plínio de Arruda, além de peças autorais. As atrizes se uniram com muita coragem contra a pesada censura, e assim batalharam, até a chegada do grande espetáculo Hair, que há poucos anos havia estrelado na Broadway e já chegara ao Brasil.

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Chegando ao país em meio ao turbilhão da ditadura, o espetáculo trouxe consigo toda uma euforia no centro artístico da cidade. Todos queriam participar da obra, mesmo que como figurante, e com as duas não era diferente. Fizeram o teste para o elenco e com muito êxito conseguiram seus papéis, Vilma com o papel da revolucionária Sheila, e Sônia fazendo o icônico solo de “Aquarius”, na abertura da peça. Chegado o dia da estreia, em outubro de 1969, no Teatro Bela Vista, todos estavam com os nervos à flor-da-pele. Os ingressos já estavam esgotados há semanas e a cidade toda parecia ter comparecido àquela noite. No camarim, o clima era de extrema excitação, e as duas amigas nunca estiveram mais felizes. Leão revela que se lembra daquela época, pois noticiava-se o espetáculo em todos os jornais, e que, depois de algumas semanas, foi, inclusive, até o teatro comprar ingressos para assistir, mas este já não estava mais em cartaz. Ele diz que achou estranho uma peça tão esperada ter ficado tão pouco tempo no ar, e que ficou triste por ter perdido a chance de assistir, mas logo esqueceuse do ocorrido. Sônia, então, lhe conta que logo depois da estreia houve um coquetel com o elenco e alguns convidados especiais. Todos bebiam muito, comemorando o sucesso de crítica e público. Sônia percebia que Vilma estava bebendo além da conta, mas como também já estava se sentindo um pouco alta e não queria estragar a alegria da amiga, continuou a festa sem dizer nada, e não percebeu quando ela sumiu do círculo onde estavam. Ao notar seu sumiço, foi perguntando para os amigos se eles haviam visto ela saindo, mas ninguém percebeu nada, todos estavam muito distraídos e bêbados para notar qualquer coisa. Ela, então, começando a ficar preocupada, saiu à procura da amiga. Logo, notou alguns barulhos estranhos no andar de cima de onde estavam, e subiu para checar se Vilma não estaria por lá. Chegando no final da escada ela conheceu os barulhos como sendo de gritos e risadas, o que a deixou ainda mais nervosa, e acelerou os passos, até chegar na porta de um quarto, onde em cima da cama estava sua amiga, seminua, com três homens rindo e abusando de sua embriaguez. Sônia começou a gritar, horrorizada com o que via, mas um dos homens rapidamente a puxou e tampou sua boca, silenciando-a. Ele dizia que eles só estavam se divertindo, e que Vilma estava gostando também. Ela olhava a amiga, semi desacordada, em cima da cama e seus olhos encheram-se de lágrimas. Os outros homens apenas se vestiram e saíram do quarto, deixando-a completamente sem reação. Ao dar-se por si, ela estava ao lado da moça na cama, que ela via estar com a maquiagem borrada nos olhos e na boca. Vilma balbuciava palavras incompreensíveis, em meio aos prantos, enquanto Sônia tentava limpar seu rosto e vesti-la novamente. A situação era desesperadora e nenhuma das duas sabia o que estava fazendo, confusas pelo trauma e pelo álcool. Sônia deitou-se ao lado da amiga, querendo confortá-la, mas sentia-se tão abusada e horrorizada quanto a outra. Pareceram horas se passando, entre momentos de lucidez e de inconsciência, até Sônia acordar e notar a música no andar de baixo. A festa ainda acontecia e ninguém parecia ter notado a ausência das duas. Ela viu Vilma, ainda deitada ao seu lado, levantou-se e foi ver o que estava acontecendo. Os rapazes que, antes estavam no quarto com Vilma, gritavam em alto e bom som, que haviam descoberto que Vilma era lésbica, pois não queria deitar com eles, mas que eles haviam feito ela “ver o que era bom de verdade”. Chocada, Sônia volta correndo pelas escadas e estanca no batente da porta do quarto ao ver Vilma debruçada sobre a janela aberta. Um desespero gigante abateu-se sobre ela quando Vilma olhou para trás, em seus olhos, e sussurrou um pedido de desculpas, jogando-se no espaço aberto do segundo andar. O barulho de seu corpo atingindo o chão ainda ressoava nos sonhos de Sônia e embrulhava seu estômago até os dias atuais.

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Todos saíram pela porta da frente para ver o que teria acontecido e ficaram horrorizados ao encontrar o corpo da moça estirado no chão, e Sônia olhava a cena de cima, pela janela que a amiga se jogara. Entorpecida, ela desceu as escadas, com todos encarando-a, esperando por uma reação que não ainda não vinha. E assim, acabou-se a festa que comemorava a grande estreia das Irmãs Siamesas. O espetáculo foi cancelado logo na manhã seguinte. E por respeito às irmãs, nenhum dos integrantes queria continuar sabendo do que acontecera. Logo a companhia se desfez, pois o fantasma daquela noite nunca deixara o show continuar. Sônia passou dias trancada dentro de casa, sendo devorada pelo luto e pelas lembranças do que presenciara naquela noite. As imagens do estupro e do suicídio de Vilma não saia de sua cabeça, e a dor que sentia dilacerava-a cada vez mais, até ser substituída por um ódio sem limites, e a vontade de se vingar de cada um dos responsáveis por aquilo. O problema é que ela não sabia a identidade de nenhum daqueles homens, e por isso, com a certeza de que todos os homens eram iguais, e poderia ser qualquer um no lugar deles, ela resolveu que todos deveriam pagar. Desde então, ela vivia em busca de conseguir se vingar de cada porco que ela encontrasse pela frente. Quando terminou de contar sua história, Sônia sentia-se tomada pelo ódio que as lembranças lhe trouxera, mas Leão permanecia sem expressão, o que a deixou ainda mais irritada e a fez ir embora, sozinha. Alguns dias se passaram, e o homem não mais aparecera, o que deixava Sônia satisfeita, mas um pouco triste. Satisfeita, pois era um homem a menos que ela teria que lidar em sua vida. Mas triste, pois, de alguma forma, tomara apego por aquele estranho sujeito, que a fizera desabafar seus piores traumas. E essa era a pior parte, pois ela confiara nele o suficiente para contar toda sua história, e mesmo assim ele lhe dera as costas. Mas, ela pensava, que era isso que se ganhava ao confiar em alguém do sexo oposto. Foi em um desses devaneios que ela se surpreendeu com o som de batidas na porta, e a presença de Leão em seu batente. Ele entra sem esperar o convite e começa a falar apressadamente, sem tempo de a mulher entender o que estava acontecendo. Ele diz que passou todos esses dias pensando na história que ela lhe contara e que conhecia algumas pessoas influentes na sociedade paulistana envolvida com o universo teatral e, assim, chegou aos nomes dos convidados daquela festa. Ele tira um envelope de seu bolso e o entrega para Sônia, que o encara atônita. Sem acreditar no que estava acontecendo ela abre e se depara com nomes e fotos dos homens que acabaram com a sua vida, e, logo, lágrimas começam a rolar pelo seu rosto. Ela sente um misto de choque e agradecimento, que a engole, fazendo-a agir sem pensar e partir para um beijo intenso com o homem à sua frente. Ele a retribui imediatamente, e os dois ficam assim durante algum tempo, parando apenas para os agradecimentos que ela faz. E a promessa, de que agora a vingança dela iria se completar. Com os nomes dos culpados em mãos, e os contatos de Leão, não fora difícil para Sônia encontrar os homens. Ela adotou a rotina de seguir os passos deles, um por um, para entender e decorar suas rotinas, conhecer seus pontos fracos e escolher a forma correta de se vingar. O primeiro fora fácil. Ele costumava frequentar o tipo de clube que Sônia se apresentava como Tigresa, então bastou agir como o costume. Na noite escolhida, ela telefonou anonimamente para denunciar o clube, mas antes da batida militar aparecer, plantou um pequeno pacote dentro de seus bolsos, enquanto ela dançava no colo do homem. Assim, na revista, ele é flagrado com posse de drogas ilícitas e detido imediatamente.

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O segundo homem parecia ter tomado um rumo diferente na vida. Sônia o reconheceu como sendo o rapaz que apenas a segurara, enquanto os colegas faziam o ato grotesco que ela presenciara. Durante o dia, ele era um advogado muito conhecido entre os militares, com uma família estilo comercial de margarida, mas durante a noite era conhecido como Marcia Panterona e se apresentava em um show de cabaré para homossexuais, transvestido com roupas femininas mais ousadas do que as que Tigresa usava em seus próprios shows. Algumas fotos enviadas para sua esposa e conhecidos políticos bastaram para que, logo, a famosa Drag Queen sumisse das noites paulistas para acabar dando depoimentos no DOPS, acusado de ferir os bons costumes familiares e de promiscuidade. O último homem era um militar, conhecido por sua baixa índole e agressividade nas ruas, que estava noivo, prestes a casar, com uma atriz, também conhecida pelas personalidades paulistanas. O casamento dos dois era esperado por pessoas de todas as classes sociais, que mal esperavam para presenciar, ou comentar, o que seria um evento gigantesco. Sônia reconhecia a mulher, que fazia figuração no Hair, ainda sendo uma atriz iniciante, quando Vilma e ela se apresentaram, e se perguntava se ela saberia do que seu noivo havia feito, e se saberia que ele acabara com a sua vida. Dessa vez, Sônia não aceitou a ajuda de Leão para executar o seu plano, fazendo tudo sozinha e com extremo sigilo. Esse era o homem responsável por tudo, e o seu pagamento não poderia ser menor do que o dos outros. Ele iria pagar com a sua própria vida. Tudo foi planejado detalhadamente. Durante as semanas que antecederam o casamento, Sônia garantiu que os amigos do noivo ouvissem falar da famosa Tigresa, e contratassem seu show para a despedida de solteiro, no dia anterior à cerimônia. Enquanto isso, ela mesma adquiriu um revólver calibre .38 de cinco tiros, mas se tudo ocorresse de acordo com o plano, ela só precisaria de um. No dia do evento, Tigresa se preparou como nunca. Vestiu seu melhor visual, aplicou sua melhor maquiagem, seu melhor perfume e colocou uma máscara felina. O nervosismo estava quase dominando seu corpo, mas ela conseguia controlá-lo. Nervosa demais para dirigir, ela aceita que Leão a leve até o local da festa, desde que ele prometesse que não iria interferir e nem perguntar sobre o que ela faria. Chegando lá, ela foi ovacionada pelos homens, que já estavam quase todos bêbados. Ela olhou ao redor, procurando o noivo, que não parecia estar em lugar algum. Alguns dos homens passavam os braços ao seu redor, ao que ela se desvencilhava com maestria, afinal, já tinha muita experiência com esse tipo de investida, e com o nojo habitual que ela sentia ao toque de qualquer um deles. Ela, então, tomando as rédeas da situação, formou um círculo entre os homens, ficando no meio, ao lado de uma cadeira, e perguntou onde estava o noivo. Como que atendendo um chamado, ele apareceu, abrindo espaço entre os amigos. Ela o reconheceu imediatamente e lutou para manter a expressão, enquanto engolia a bile que subia por sua garganta. Engolindo a ânsia de vômito, ela o puxou para a cadeira ao lado e começou sua performance, enquanto os outros homens gritavam e faziam sarro. O homem sentado a olhava com uma expressão nítida de desejo, que claramente se controlava para não a agarrar. Aproveitando a deixa, ela anuncia que vai levar o noivo para seus aposentos, a fim de ficar a sós para entregar o presente de casamento. Os outros gritam e prestigiam o homem, enquanto ele e Tigresa sobem para o quarto, no andar superior.

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Fechando a porta do quarto, ela o manda deitar-se na cama e tirar a camisa, enquanto abre a maleta que havia trazido consigo. De dentro, ela tira um par de algemas, uma venda, um chicote e uma mordaça, o que tira um sorriso dos olhos do homem. Ela faz tudo conforme manda o papel. Passando o chicote pelo corpo dele, deixando-o excitado, ela sobe até seu pescoço e lhe dá um beijo, fazendo ele se arrepiar. Quando ele tenta beijá-la, ela o amordaça, o que o faz sorrir. Ela nota seu membro ficar duro e logo, puxa suas mãos, passando a algema e prendendo-o à cama. Por último, ela venda seus olhos e o chicoteia, o deixando cada vez mais excitado. Rapidamente ela volta à sua maleta e pega o último item, o revólver. Então, ela monta sobre ele e retira sua venda. Ele não vê a arma imediatamente, que ela colocou ao lado da cama, apenas aquela mulher exuberante sobre seu corpo, o que o deixa fora de si. Ela pergunta para ele se a reconhece, e por um momento, uma expressão confusa passa por seu rosto. É então que ela retira a máscara, e compreensão e choque transparecem na face do homem. Ele tenta empurrá-la, mas ela está firme sobre ele, que começa a perguntar-lhe o que ela pretendia fazer. Ela pega o revólver e aponta para o meio dos olhos do homem, que fica desesperado, implorando pela vida. Sônia, então, começa a rir. Um riso incontrolável que a surpreende tanto quanto ao homem. Logo ele, um militar, tão temido, tão poderoso, que fizera tantas atrocidades, e agora pedindo e implorando misericórdia de uma mulher, pela sua própria vida. Ela sai de cima dele e começa a andar pelo quarto, acometida pelas gargalhadas e é nesse momento de distração que ele consegue soltar-se das algemas e a agarra por trás, sem que ela percebesse. Ele empurra Sônia para a bancada do quarto, que se encontra aberta, e tenta empurrá-la para baixo. Ela o olha nos olhos e diz o quão era intrigante aquela situação, pois ele tentava matá-la da mesma forma que acabou matando sua amiga, jogada de uma janela. E com todo o ódio que ela sentia e usando de sua última força, ela aperta o gatilho de sua arma contra o peito do homem, que a empurra no vazio abaixo. Assustados com o barulho do tiro e da queda, Leão sai do carro e os demais convidados da festa saem pela porta de entrada, para ver o que acontecera. Todos correm até o local da queda e encontram Sônia, ainda viva, mas por um triz. O homem ainda se encontrava na bancada, mas já jazia morto numa poça de sangue. Todos estavam desesperados, mas Leão apenas correu até Sônia, pegando sua cabeça e pousando em seu próprio colo. “Minha poderosa e corajosa Tigresa”, ele dizia, enquanto lhe beijava no rosto. Ela abriu os olhos com esforço, e com seu último suspiro, disse-lhe que seu nome verdadeiro era Sônia. Semanas se passaram e os jornais noticiavam a morte do noivo, o casamento cancelado, e a morte da famosa Tigresa. Poucos saberiam de sua verdadeira identidade e história durante muito tempo. Anos se passaram e Leão continuou sua carreira nos jornais, e inspirado em Sônia, seguira denunciando lugares clandestinos como os que ela trabalhara, que objetificavam mulheres em prol dos prazeres masculinos. Com o fim da ditadura militar, ele escreve um livro contando, finalmente, a verdadeira história de Sônia, a Tigresa, aquela mulher curiosa e corajosa, que dera sua própria vida para honrar sua amiga, que fora negligenciada até na morte. Agora, em 1986, dez anos haviam se passado, e com o fim da ditadura no Brasil e a promessa de uma nova era, ele está assinando exemplares de seu livro em uma grande livraria no centro de São Paulo, com filas de pessoas que se inspiraram na vida de Sônia, para lutar a favor dos direitos das mulheres e para acabar com a sombra do autoritarismo deixado pelo regime militar. Grato por finalmente dar voz à única mulher que amara em sua vida, Danton assina seu nome na obra que marcará todos aquelas que lerem a história de Tigresa.

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Tigresa by Rede Código - Issuu