UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL RÁDIO, TV E INTERNET
Bruno Doretto da Silva David Bezerra Lopes dos Santos Denise Matias de Souza Douglas dos Santos Silva Everton Brandão de Santana Johnatan Wesley de Souza Ferreira Lennart Lindh Leydiane da Silva Luciano Costa dos Santos Marian Fernandes de Carvalho Victor Hugo de Oliveira Brito Cunha
ATÉ AQUI, ESTÁ TUDO BEM? DOCUMENTÁRIO
SÃO PAULO 2021
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL RÁDIO, TV E INTERNET 8ºD
BRUNO DORETTO DA SILVA
1941532-0
DAVID BEZERRA LOPES DOS SANTOS
1993275-8
DENISE MATIAS DE SOUZA
2027137-9
DOUGLAS DOS SANTOS SILVA
1927740-7
EVERTON BRANDÃO DE SANTANA
2028293-1
JOHNATAN WESLEY DE SOUSA FERREIRA
1903553-5
LENNART LINDH
1877584-5
LEYDIANE DA SILVA
1929447-6
LUCIANO COSTA DOS SANTOS
1880165-0
MARIAN CARVALHO
1874543-1
VICTOR HUGO DE OLIVEIRA BRITO CUNHA
1877571-3
ATÉ AQUI, ESTÁ TUDO BEM? DOCUMENTÁRIO
SÃO PAULO 2021
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Rádio, TV e Internet, da Universidade Cruzeiro do Sul no Campus Liberdade, como requisito para obtenção
do
certificado
de
bacharelado. Orientadora: Prof.ª Ma. Krishna Gomes Tavares.
SÃO PAULO 2021
FOLHA DE APROVAÇÃO
Projeto aprovado ___/___/___ para obtenção de título de Bacharel em Rádio, TV e Internet.
Banca examinadora do projeto:
______________________________
______________________________
______________________________
AGRADECIMENTOS
Com imensa satisfação e carinho, a Recover Produtora, gostaria de agradecer a todos os professores por todo incentivo, apoio e dedicação conosco durante estes anos de graduação. Foram muitos desafios e dificuldades que enfrentamos e o principal deles foi a pandemia e o ensino a distância, mas juntos conseguimos superar. Estamos certos que fomos bem encaminhados para o futuro da profissão e o mercado de trabalho que nos espera, porém sem os ensinamentos de vocês, nossos queridos professores, não seríamos capazes. Gratidão por tudo.
“É uma história de uma sociedade que cai, e que repete, durante a queda, para se reconfortar: Até aqui, está tudo bem. Até aqui, está tudo bem. Até aqui, está tudo bem. O importante não é a queda, é a aterrissagem." La Haine, 1995.
SILVA. B. D.; SANTOS. D. B. L; SOUZA. D. M; SILVA. D. S.; SANTANA. E. B.; FERREIRA. J. W. S.; LINDH. L; SILVA. L.; SANTOS. L.C.; CARVALHO. M. F; CUNHA. V. H. O. B; ATÉ AQUI, ESTÁ TUDO BEM. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Rádio, TV e Internet) Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2021.
RESUMO
ABSTRACT
A pandemia acentuou problemas no Brasil, entre eles, a desigualdade social. Deixando visível uma grande carência de políticas públicas. Essa disparidade cresce na periferia, um local que, até então, é considerado como potência na economia. Mas, a realidade dos moradores é diferente. O projeto, visa levantar questões que precisam ser debatidas de forma clara e objetiva e, acender um alerta para esse problema crônico que persegue milhões de brasileiros. O impacto econômico é visível em grupos vulneráveis: a fortuna dos mais ricos crescem a cada dia e, a fome e o desemprego adentram nos lares mais vulneráveis.
The pandemic has accentuated problems in Brazil, including social inequality. Leaving visible a great lack of public policies. This disparity grows in the periphery, a place that, until then, is considered a powerhouse in the economy. But the reality of residents is different. The project aims to raise issues that need to be debated in a clear and objective way and to raise an alert for this chronic problem that plagues millions of Brazilians. The economic impact is visible in vulnerable groups: the wealth of the richest grows every day, and hunger and unemployment enter the most vulnerable homes.
Palavras-chave: Pandemia; Desigualdade; Periferia.
Keywords: Pandemic; Inequality; Periphery.
SUMÁRIO INTRODUÇÃO...........................................................................................................13 CAPÍTULO 1 - PRODUTORA ................................................................................... 16 1.1 A Produtora ............................................................................................. 16 1.2 A Marca da Produtora ............................................................................ 16 1.3 Identidade Organizacional ..................................................................... 17 1.4 Membros .................................................................................................. 18 1.5 Organograma .......................................................................................... 21 1.6 Portfolio ................................................................................................... 22 1.6.1 PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS .................................................. 22 1.6.2 PRODUÇÕES RADIOFÔNICAS ................................................ 26 CAPÍTULO 2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ....................................................... 28 2.1 O Documentário ...................................................................................... 28 2.2 A Ascenção do Documentário ............................................................... 30 2.3 Tipos de Documentário .......................................................................... 32 2.4 Princípio da Desigualdade: O Capitalismo ........................................... 39 2.5 Disparidade Social das Metrópoles ..................................................... 40 2.6 Pandemia: Agravamento de um Problema Crônico no Brasil ............ 46 CAPÍTULO 3 – BÍBLIA DE PRODUÇÃO ................................................................. 53 3.1 Explicação do Título ............................................................................... 53 3.2 Sinopse ................................................................................................... 53 3.3 Objetivos Gerais ..................................................................................... 53 3.3.1. Específicos .............................................................................. 54 3.4 Classificação do Projeto ....................................................................... 54 3.4.1 Gênero ...................................................................................... 54 3.4.2 Categoria ................................................................................... 54 3.4.3 Formato ..................................................................................... 54
3.4.4 Classificação Indicativa ................................................................ 55 3.5 Argumento .............................................................................................. 55 3.5.1 Visão Original ............................................................................ 55 3.5.2 Proposta do Documentário ...................................................... 56 3.5.3 Eleição e Descrição dos objetos ............................................ 58 3.5.4 Eleição e Justificativa para a(s) Estratégias de abordagem . 63 3.5.5 Sugestão de estrutura .............................................................. 65 3.5.6 Desenho de Produção .............................................................. 67 3.6 Referências Estéticas............................................................................. 72 3.6.1 Limpam com Fogo .................................................................... 72 3.6.2 Auto de Resistência ................................................................. 74 3.7 Público-Alvo ............................................................................................ 76 3.8 Veiculação/Distribuição ......................................................................... 76 3.9 Justificativa ............................................................................................ 77 3.10 Cronograma de Produção ................................................................... 78 3.11 Orçamento Previsto.............................................................................. 86 3.12 Orçamento Real .................................................................................... 88 4 Relatório Individual .............................................................................................. 90 5 Referências Bibliográficas ................................................................................ 101 6 Anexos ................................................................................................................ 108
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Logomarca da produtora ........................................................................ 16 Figura 2: Símbolo Missão ....................................................................................... 17 Figura 3: Símbolo Visão.......................................................................................... 17 Figura 4: Símbolo Valores ..................................................................................... 17 Figura 5: Organograma .......................................................................................... 21 Figura 6: Capa Beija Eu ......................................................................................... 22 Figura 7: Capa Por Trás das Redes ...................................................................... 22 Figura 8: Capa [RE]INÍCIO ..................................................................................... 23 Figura 9: Capa Doca Sp Na Estrada ..................................................................... 23 Figura 10: Capa Jeitinho Brasileiro ...................................................................... 24 Figura 11: Capa REC .............................................................................................. 24 Figura 12: Capa Caminhos .................................................................................... 24 Figura 13: Capa O Ateliê ........................................................................................ 25 Figura 14: Capa Percalço ....................................................................................... 25 Figura 15: Capa O Corpo que Habita .................................................................... 26 Figura 16: Capa Piratas do Bairro ......................................................................... 26 Figura 17: Capa Renascer da Vida ........................................................................ 26 Figura 18: Modelo de Roteiro de Ficção ............................................................... 29 Figura 19: Capa Edífico Master ............................................................................. 34 Figura 20: Capa Salesman ..................................................................................... 35 Figura 21: Capa Primárias. ..................................................................................... 35 Figura 22: Capa Ilha das Flores ............................................................................ 36 Figura 23: Capa Janela da Alma ........................................................................... 36
Figura 24: Capa Eram os Deuses Astronautas? .................................................. 37 Figura 25: Capa Diário de uma busca .................................................................. 37 Figura 26: Classificação indicativa, Guia prático (SNJ) ...................................... 55 Figura 27: Limpam com Fogo ............................................................................... 72 Figura 28: Limpam com Fogo ................................................................................ 73 Figura 29: Limpam com Fogo ............................................................................... 73 Figura 30: Auto de Resistência ............................................................................. 74 Figura 31: Auto de Resistência ............................................................................. 75 Figura 32: Auto de Resistência ............................................................................. 75 Figura 33: Logo Globo Play ................................................................................... 77
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Distribuição percentual da população, por cor ou raça, segundo as classes de percentual de pessoas em ordem crescente de rendimento domiciliar per capita - Brasil - 2019. ........................................................................................ 44 Quadro 2 - Proporção de pessoas abaixo da linha da extrema pobreza por rendimento domiciliar per capita (menos de US$ 1,90 diários per capita PPC), segundo sexo e cor/raça - Brasil (2012/2018). ..................................................... 45 Quadro 3 - População brasileira, de acordo com as divisões do mercado de trabalho, 4º trimestre 2020. .................................................................................... 48 Quadro 4 - Perda/ Ganho de Renda (Formais e informais). ................................ 49 Quadro 5 - Equipamentos de vídeo ...................................................................... 69 Quadro 6: Equipamentos de áudio ....................................................................... 70 Quadro 7 – Cronograma Pré-Produção: Fevereiro – Junho ................................ 78 Quadro 8 – Cronograma Pré-Produção: Fevereiro - Julho .................................. 80 Quadro 9 – Cronograma Pré-Produção: Agosto - Novembro .............................. 81 Quadro 10 – Cronograma de Agosto......................................................................82 Quadro 11 – Cronograma Setembro.......................................................................83 Quadro 12 – Cronograma Outubro.........................................................................84 Quadro 13 – Cronograma Novembro.....................................................................85 Quadro 14: Orçamento Previsto do Projeto .......................................................... 86 Quadro 15: Orçamento do Projeto ........................................................................... 8
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INTRODUÇÃO O documentário audiovisual “Até aqui, está tudo bem? ” retrata o atual cenário e escancara a desigualdade social em São Paulo. Expõe um problema que existe há anos e ficou ainda mais grave com o aparecimento do coronavírus. A pandemia reforça que, a desigualdade é um problema crônico e, frente a esse cenário de evidente e profunda deterioração, ocorre uma elevação brutal das enfermidades e mortes, das taxas de desemprego, do aumento da fome e pobreza, deixando visível (instantaneamente) a sociedade mais vulnerável, principalmente sua parcela mais pobre. A narrativa causa reflexões, mostrando uma realidade pouco falada e muito omitida. Em virtude da pandemia, o documentário demonstra como a sociedade está sobrevivendo a condições precárias na pandemia, como os direitos básicos de consumo dessa classe mais pobre, acesso à moradia, oportunidade no mercado de trabalho e o fundamental, alimento; ou seja, o que já era difícil ficou pior. A falta de um sistema de saúde pública para o enfrentamento de crises, consequentemente ocasionadas pela falta de medidas governamentais já no início da pandemia, contribuiu para o impacto dessa vulnerabilidade e da disparidade socioeconômica no país. A pandemia torna-se um problema maior para moradores de regiões periféricas e locais densamente povoados. Com um olhar mais aprofundado e uma explicação do porquê essa desigualdade se agravou, a produção irá contar com a participação ativa de especialistas nas áreas econômicas e sociais, levantando em evidência o porquê as classes sociais são afetadas de formas diferentes. No mesmo período em que bilionários aumentam suas rendas, o pobre luta para sobreviver no período caótico. Dentro do capítulo 1, é apresentada as características da Produtora Recover, bem como, sua logomarca, representantes, organograma e portfólio de trabalhos acadêmicos.
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No capítulo 2, são desenvolvidas as fundamentações a respeito do tema abordado no projeto e sobre o conceito do documentário, utilizando definições de diferentes autores de livros e artigos que baseamos para a pesquisa e que estabelecem a escolha para o gênero e tema na pré-produção do projeto. Já no capítulo 3, é desenvolvido toda a estruturação técnica e teórica estabelecida para a construção do projeto documentário, é elaborado a justificativa e visão original juntamente com os métodos que serão utilizados tanto para a gravação quanto a pós-produção.
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CAPÍTULO 1 – PRODUTORA Neste capítulo, será apresentado o histórico da criação e as características da produtora responsável pelo projeto. 1.1 A Produtora A Produtora Recover, é uma produtora audiovisual universitária formada no quarto semestre de 2019 por alunos do curso de Rádio, TV e Internet da Universidade Cruzeiro do Sul. A Produtora foi formada por alunos da APA, alguns integrantes da REC e Coruja Produções, que também eram produtoras audiovisuais universitárias, por conta de um projeto interdisciplinar demandar uma quantidade maior de alunos na construção do mesmo. 1.2 Marca da produtora Na logomarca, a equipe buscou demonstrar a paixão pelo audiovisual, utilizando as duas mãos e manejando-as em um formato que faz alusão a um fotógrafo ensaiando seu enquadramento para um "clique". Paixão essa, que fica evidente quando se utiliza a cor vermelha como fonte das letras, registrado na marca da produtora. O vermelho é uma cor intensa e possui alta visibilidade e está associada, muitas vezes, ao sentimento de amor e paixão.
Figura 1: Logomarca da produtora
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1.3 Identidade Organizacional
Figura 2: Símbolo Missão
A missão é produzir conteúdos audiovisuais para o mercado nacional, mantendo um alto padrão de qualidade e produtividade dos projetos, e manter o público-alvo satisfeito com o trabalho realizado.
Figura 2: Símbolo Missão
Visão em tornar-se uma produtora com eficiência no trabalho exercido, buscando um resultado satisfatório sempre.
Figura 4: Símbolo Valores
Os valores estão no respeito da diversificação da equipe, sempre tendo em vista às inovações de ideias e a liberdade de expressão.
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1.4 Membros
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1.5 Organograma
Figura 5: Organograma
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1.6. Portfólio
Apresentação de todo material produzido por cada integrante da produtora. Alguns dos projetos foram realizados em parceria com integrantes que, atualmente, estão em outros grupos.
1.6.1 PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS 1. Beija Eu Um programa de namoro, apresentado pelo Bruno Bennoti e Nayara Ariodante, onde três participantes disputam entre si, o beijo de um (a) convidado (a) especial. A disputa é realizada por meio de 4 jogos e, conta com eliminações, até chegar no participante desejado. (Produtora Recover, 2019)
Figura 06: Capa Beija Eu
2. Por Trás das Redes Retrata os bastidores das transmissões online. Por conta da pandemia de Covid-19, a sociedade precisou se isolar, e muitas atividades foram adaptadas de uma maneira que fosse possível de realizar da própria casa. Muitas instituições Figura 07: Capa Por Trás das Redes
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religiosas adotaram as famosas “lives" como método de transmissão de suas reuniões. Os encontros com os fiéis são por intermédio da internet, e os líderes relatam como é a experiência. (Produtora Recover, 2020) 3. [RE]INÍCIO Eventos catastróficos vêm acontecendo no Brasil, Arthur, junto com o seu tio, precisam aprender a sobreviver na nova realidade para encontrar os pais de Arthur. (Produtora Recover, 2020)
Figura 08: Capa [RE]INÍCIO
4. Doca SP Na Estrada Nome da música: Doca SP Na Estrada Cantor: Doca Produção: Recover, 2021.
Figura 09: Capa Doca SP Na Estrada
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5. Jeitinho Brasileiro A revista se baseia em pessoas que, a partir de sua criatividade e realidade social, criaram uma maneira de gerar renda. Entrevistas com pessoas de baixa renda do estado de São Paulo exemplificam essa realidade. (Vinci Audiovisual,2019) Figura 10: Capa Jeitinho Brasileiro
6. REC Apresentado por Douglas, a revista utiliza de uma linguagem moderna, jovem e extrovertida para passear no setor audiovisual, levando informação e entretenimento. Trata de assuntos técnicos, entrevistando profissionais da área, até curiosidades do mundo do cinema e da televisão. (Produtora Recover, 2019) Figura 11: Capa REC
7. Caminhos
Um programa apresentado por Caio Diniz, com a intenção de instigar o telespectador a visitar pontos turísticos de São Paulo. Repleto de cultura, costumes e muita história. (Estúdio Coruja, 2019)
Figura 12: Capa Caminhos
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8. O Ateliê A cada episódio, três novos talentos das artes visuais passam por desafios que colocam suas técnicas em jogo. Após serem avaliados por jurados especialistas no assunto, sai um vencedor dessa de cada disputa. Os vencedores dos três episódios da temporada retornam para a “grande final” em que apenas um ganhará o título de “Mestre do Ateliê”. (Vinci Audiovisual, 2019) Figura 13: Capa O Ateliê
9. Percalço
Com a nova realidade do mundo em meio a uma Pandemia, o isolamento social passou a ser uma medida de contenção para o novo coronavírus. Universidades precisaram se adaptar ao ensino à distância, levando um novo cenário para a vida de professores e alunos. (Produtora Escalera, 2020) Figura 14: Capa Percalço
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1.6.2 PRODUÇÕES RADIOFÔNICA
1. Corpo que Habita Relata a história de Isadora, uma garota que possui Transtorno Dissociativo. Ela e o seu amigo Marcel, buscam desvendar o mistério por trás deste transtorno, enquanto a Isadora é investigada por uma série de mortes
que
aconteceram na região. (Produtora Atena, 2018) Figura 15: Capa O corpo que Habita
2. Piratas do Bairro Se a cultura e o esporte estão ameaçados no bairro de Itaquera, eles são os heróis perfeitos,
ou
melhor,
os
piratas
perfeitos.
Expandindo a potência de suas vozes na rádio comunitária, mostram sua força para conflitos
de
interesses
a
resolver favor
da
comunidade. (Banana Produções, 2018) Figura 16: Capa Piratas do Bairro
3. Renascer da Vida Julia, tem 16 anos, a garota foi estuprada pelo amigo e sócio de seu pai. Após ir morar com um amigo, e se refazer do trauma, a jovem usará sua história para ajudar outras garotas, vítimas da mesma violência. Por conta de um trágico acidente, Julia se torna um símbolo na luta contra violência sexual. Sua história ganha força na internet. (Art9 Produções, 2018) Figura 17: Capa Renascer da Vida
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CAPÍTULO 2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo, são desenvolvidas as fundamentações teóricas estudadas para a elaboração do tema do projeto e os conceitos de uma produção de documentário segundo autores de diferentes livros e artigos. 2.1 O Documentário Documentário é um gênero de produção audiovisual que oferece a impressão, a partir do argumento de algum diretor, ou documentarista, de documentar e retratar uma representação fiel de uma determinada realidade. O documentário, ou cinema de não ficção, lidará com um recorte, representação ou reprodução de alguma situação, dessa forma ele é sempre mediado por um documentarista que conduzirá o que está acontecendo na frente da câmera e o que o telespectador vai assistir. Para o autor Silvio Da-Rin (2004), é essencial que o documentário produza uma justificativa do mundo em que vivemos, “trata-se de construir e acompanhar um argumento sobre o mundo histórico, mais do que construir e acompanhar uma história imaginária” (DaRin, 2004, p. 140). Por muito tempo existiu uma dificuldade em distinguir uma obra audiovisual de ficção para um documentário, visto que as duas, se tratando de equipamentos e técnicas de realização são muito semelhantes, ambas utilizam, planos de enquadramento, câmeras, equipamentos de iluminação, edição e roteiro. Analisando o paradigma abaixo da estrutura do roteiro de uma obra audiovisual de ficção demonstrada no livro Manual do Roteiro (Field, 2001), concluímos que uma ficção é dividida em três partes, apresentação, confrontação e resolução, onde na primeira ocorre a introdução da ação dramática, na segunda o desenvolvimento e a terceira a conclusão da história fictícia que está sendo contada no filme.
29 Figura 18: Modelo de Roteiro de Ficção
Fonte: Field (2001, p. 102)
No artigo “O que é documentário” o autor Fernão Pessoa Ramos (2001) explica que o documentário também é visto como um campo tradicional que possui algumas regras a serem seguidas, dessa forma, o documentarista necessita de uma conduta para valorizar esses princípios estabelecidos. Muitas vezes encontramos normas de como estruturar um documentário em literaturas como o livro Introdução ao documentário, onde o autor Bill Nichols (2010) propõe um modelo típico de como organizar o filme que está representando o mundo em que vivemos que é a de solucionar problemas. O autor do livro realiza uma analogia com o documentário e uma história de detetive, onde o filme começa apresentando um tópico, em seguida o desenvolvimento compreendendo esse tópico através do entendimento histórico dele e prosseguindo examinando a dificuldade do assunto chegando em uma conclusão que o espectador possa acreditar que seja real. O autor do livro oferece ainda outros meios de distinguir essas duas formas de filmes, visto que, para ele, um filme precisa de características comuns às outras obras já classificadas neste gênero. Há normas e convenções que entram em ação, no caso dos documentários, para ajudar a distingui-los: o uso de comentário com voz de Deus, as entrevistas, a gravação de som direto, a gravação de som direto, os cortes para introduzir imagens que ilustrem ou compliquem a situação mostrada numa cena e o uso de atores sociais, ou de pessoas em suas atividades e papéis cotidianos, como personagens principais do filme. (NICHOLS, 2010, p.54)
A partir desse conceito de representação fiel de uma realidade no documentário surgem também as questões éticas de como tratar as pessoas que participam do documentário. Pela analogia entre o filme ficcional e o documentário, Bill Nichols (2010) ressalta que na ficção os atores são dirigidos ao que fazer e falar no filme pois
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são pagos para essa finalidade e nos documentários as pessoas são atores sociais e seu valor para o filme está em sua própria vida. O autor defende a necessidade de existir um consentimento entre o documentarista e o ator social, as pessoas devem estar cientes das possíveis consequências de sua participação no documentário, “Seu valor para o cineasta consiste não no que promete uma relação contratual, mas no que a própria vida dessas pessoas incorpora” (NICHOLS, 2010, p. 31). Eduardo Coutinho (2003) revela em uma entrevista concedida a revista Galáxia que por ele ser uma pessoa de fora da realidade das pessoas que está entrevistando, essas se sentem escutadas por esse alguém que não vive a mesma veracidade e por esse motivo revelam o que vem de dentro da sua autenticidade. Para ele o que prevalece sempre é a conversa, ainda explica que muitas das pessoas que entrevista não sabe o que é um documentário e as pessoas conversam e agem de um modo mais livre e não ficam preocupadas se a conversa pode aparecer em um programa de televisão, a filmagem do documentário caracteriza-se por um encontro entre o mundo do documentarista, da sua equipe, mediado pela câmera que registrará o mundo da pessoa que está sendo filmada. 2.2 A Ascensão do Documentário Lins e Mesquita (2008) indicam que o gênero documentário conquistou um interesse crescente entre profissionais do cinema e uma parcela pequena, porém considerável de telespectadores no Brasil. Para reforçar essa ideia, os autores explicam que o público possui uma atração cada vez maior por imagens e situações reais nas formas de expressão midiáticas e artísticas, mostrando mais interesse por cenas com câmeras amadoras, tremidas e imagens de baixa de qualidade que transmitem um efeito de realidade no que está sendo documentado, do mesmo modo que a documentarista Petra Costa apresentou no seu documentário Democracia em Vertigem (2019) com imagens e documentos reais, a queda e ascensão de um partido político nos momentos mais agitados da história política do país ganhando uma indicação ao prêmio do Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem. Em contrapartida, Eduardo Coutinho (2003) defende que o documentário precisa
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questionar essa objetividade de poder dar conta de relatar o real, para ele o documentário é uma produção que é feito para durar, “O grande documentário não apenas é baseado nesse pressuposto, como também tematiza essa própria impossibilidade de dar conta do que quer que se chame real” (Coutinho, 2003, p.215). Ainda no assunto do interesse ao gênero documentário, Lins e Mesquita (2008) revelam que com o crescimento da tecnologia digital a prática e realização de projetos documentais ganha um grande impulso, pois a utilização de câmeras digitais apresenta vantagens técnicas, estéticas e de barateamento de produção sobre o método analógico de gravação. Nessa mesma entrevista Eduardo Coutinho (2003) relatou que deixou de usar a tecnologia analógica e durante cinco anos trabalhou usando somente a câmera digital e que isso não afetou o modo de fazer o documentário. As pessoas pensam que é por causa do preço, mas não é só por isso. O problema maior é que a película possui um tempo de filmagem mais limitado e exige mais cortes, mais interrupções no diálogo. Imagine eu ter que interromper um personagem num momento narrativo e emocional muito intenso porque o filme acabou.... Não haveria mais como recomeçar do mesmo jeito. (COUTINHO, 2003, p.227)
Enquanto a maioria dos setores estão passando por momentos difíceis no meio audiovisual, há um segmento que está em crescimento constante a produção de documentários. Uma pesquisa feita há pouco tempo pela empresa americana Omdia, isso sem dependência de plataforma de streaming, a qual foi responsável por 30% de melhoria no ano de 2019. A compra de novas produções nas plataformas de streaming era feita de uma forma econômica, não era o conteúdo mais desejado pelos assinantes e nem pelos produtores de elaborarem essas obras. Mas com esse atual momento de pandemia, todas as produções em geral sofreram uma queda no mercado. Com isso as plataformas e produtores ficaram em uma situação difícil e precisaram se inovar e começar a pensar no tema documentário como uma nova
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oportunidade. Os produtores tiveram uma boa surpresa, pois são procurados para elaborar documentários com diversas histórias e nada de pouco dinheiro e cenários de últimas horas e sim com uma boa ajuda de custo nas suas produções. Com orçamento mais flexível e cenários elaborados. Estou trabalhando em um documentário de três episódios sobre um famoso caso criminal - algo que fiz inteiramente por videoconferência. Enfatizar imagens de arquivo tem sido um grande trunfo nessa fase", diz a diretora de "Perícia Viciada", minissérie lançada pela Netflix no ano passado. (DINO, 2020, Online)
Se depender do crescimento dos serviços de streaming, o mercado de documentários pode atingir uma audiência nunca registrada. Nos EUA, a Parks Associates divulgou que, no final de 2020, 61% das residências com banda larga no país contavam com dois ou mais serviços de streaming, em comparação a um índice de 48% Existe um grande interesse do público em conhecer a história de empresas de sucesso através de um olhar mais real, sensível e humano. 2.3 Tipos de Documentários Podemos apresentar documentário por três maneiras: I.
Construir um documentário contando um retrato do mundo
II.
Contar histórias de outras pessoas
III.
Por último uma representação de terceiros por meios de uma obra audiovisual. É importante estabelecer semelhanças e diferenças entre o cinema ficcional e
o não ficcional. Nichols parte da dedução que todo filme é um documentário (2001), até mesmo os ficcionais. Cada um conta sua história, mas são de tipos diferentes. Esses seis modos determinam uma estrutura de afiliação frouxa, na qual os indivíduos trabalham: estabelecem as convenções que um determinado filme pode adotar e propiciam expectativas especificas que os espectadores esperam ver satisfeitas. Cada modo compreende exemplos que podemos identificar como protótipos ou modelos: eles parecem expressar de maneira
33 exemplar as características mais peculiares de cada modo. (NICHOLS, 2010, p.135).
O documentário pode se dividir em duas importantes categorias: os documentários de satisfação de desejos (ficção) e os documentários de representação social (não-ficção). Os documentários de satisfação de desejos são denominados de ficção. O filme expressa de forma real dos sonhos e desejos, pesadelos e medos. Faz com que a nossa imaginação flua com toques visíveis e audíveis da obra, pois expressam tudo o que desejamos ou até mesmo tememos na nossa realidade. Os documentários de representação social são denominados de não-ficção, ele representa de forma sensível aspectos do mundo que vivemos. A forma como é expressado que é feita a realidade, como foi, como é, o que poderá vir a ser. Eles transmitem verdade, afirmações, argumentos ao mundo como conhecemos. Nos proporcionam visões novas para que observarmos e a partir disso elaborar uma compreensão e compreendermos. Para quem irá fazer um documentário deve sempre extrair o melhor da pessoa que está sendo filmada, atento aos sinais físicos e emocionais. Mesmo assim isso não significa que deve esquecer a ética e o respeito com seu convidado. A voz no Documentário é algo muito importante, isso mostra para quem assiste o ponto de vista que está sendo transmitido, contando com ajuda de imagens e vídeos bem compreendidos.
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Quais são os tipos de documentários existentes: Modo Participativo: Esse modo prevê a intervenção onde se pode escutar a voz do cineasta, capta a interação das pessoas para que nesse modo não interfira na realidade dos fatos e contribuição na obra audiovisual com a pessoa filmada e documentarista. Exemplo: Edifício Master (2002) O filme registra o cotidiano dos moradores do Edifício Master, em Copacabana, e apresenta um rico painel de histórias. Com 276 apartamentos e 12 andares, o local serve de moradia aos entrevistados, que revelam dramas, solidões, desejos e vaidades.
Figura 19: Capa Edífico Master
Enfatiza a interação do cineasta e o tema. A filmagem acontece em entrevistas ou outra forma de envolvimento mais direto. Frequentemente, une-se as imagens de arquivo para examinar questões históricas. (NICHOLS, 2010, p.62)
Modo Observativo: Os atores ignoram o cineasta, interagem entre eles, quem está sendo filmado, um modo que esquecem a câmera no momento. Transmite a ideia de como é a realidade, não há narradores, nem entrevistados.
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Exemplos: Salesman (1969)
Quatro vendedores de Bíblias, de porta em porta, trabalham entre a propaganda enganosa e o desespero. A missão é simples: convencer as pessoas a comprar o que chamam, ainda, o livro mais vendido no mundo. Figura 20: Capa Salesman
Primárias (1960) As primárias fazem parte das eleições presidenciais de 1960, nos Estados Unidos. Concorrem Hubert Humphrey e John Kennedy. Cada um deles viaja pelo país em campanhas semelhantes: eles abraçam as pessoas, sorriem, dão autógrafos, apertam as mãos dos eleitores e fazem discursos. Mas Kennedy parece estar à frente na corrida presidencial. Figura 21: Capa Primárias
Enfatiza o engajamento direto no cotidiano das coisas ou pessoas que representam o tema do cineasta, conforme são observadas por uma câmera discreta. (NICHOLS, 2010, p.62)
Modo expositivo: Agrupa o que resta de uma obra antiga em uma estrutura retorica ou argumentativa. O cineasta pensa em um determinado assunto, uma ideia fechada, um assunto que quer mostrar para os outros, então ele monta um roteiro e elabora a filmagem, diretamente com legendas e vozes que propõe uma visão argumentativa. Exemplo: Ilha das Flores (1989)
36
Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. O filme segue-o até seu verdadeiro final, tudo para deixar clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.
Figura 22: Capa Ilha das Flores
Enfatiza
o
comentário
verbal
e
uma
linguagem
argumentativa.
Esse tipo de documentário é um dos mais comumente encontrados no mercado audiovisual. Trata-se de qualquer documentário que retrate algum acontecimento, enfatizando fatos e argumentos para aquilo que o filme está narrando. (NICHOLS, 2012, p.62).
Modo poético: Compartilha um terreno comum com a vanguarda modernista, não investia em montagem de continuidade. Nesse modo o mais importante não é a fala e sim a imagem, emoção, sem entrevista ou assuntos elaborados e pensados. Exemplo: Janela da alma (2001) Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se veem, como veem os outros e como percebem o mundo. O escritor José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o cineasta Wim Wenders, entre outros, faz revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão.
Figura 23: Capa Janela da Alma
Enfatiza associações visuais, qualidades tonais ou rítmicas, passagens descritivas e organização formal. (NICHOLS, 2010, p.62).
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Modo Reflexível: Esse tipo de documentário abre uma aba para participação de quem está assistindo de acordo com o tema e refletir sobre o assunto que atua e intervêm na realidade. Exemplo: Eram os deuses astronautas? (1969) Em 1968, o autor Erich von Däniken publicou o livro homônimo, onde defendia a tese de que as divindades das civilizações antigas eram, na realidade, seres de outros planetas.
Figura 24: Capa Eram os Deuses Astronautas?
Chama atenção para as hipóteses e convenções que regem o cinema documentário. Aguça a nossa consciência da construção da representação da realidade feita pelo filme. (NICHOLS, 2010, p.63)
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Modo Performático: Autobiográfico, cineasta conta algo de acordo com suas experiências no decorrer de sua vida. Exemplo: Diário de uma busca (2011) Uma vida marcada pela história da luta armada, exílio e ausência. Sua repentina morte deixou seus familiares com um vazio e um mistério, que a filha Flavia tenta desvendar.
Figura 25: Capa Diário de uma busca
Enfatiza o aspecto subjetivo ou expressivo do engajamento do próprio cineasta com seu tema, e a receptividade do público a esse engajamento. Rejeita a ideia de objetividade em favor de evocações e afetos. Todos os filmes desse modo compartilham características com filmes experimentais, pessoais e de vanguarda, parecido com o Poético, mas com uma ênfase vigorosa no impacto emocional e social para o público. (NICHOLS, 2010, p.63)
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2.4 Princípio da Desigualdade: O capitalismo.
A diferença entre classes está sob influência do modo de produção capitalista que visa o lucro através do acúmulo de bens e dinheiro, e exploração do trabalho; possibilitando um processo de desigualdade intenso. Karl Marx (1867) ativamente argumentava em seu livro “O Capital” que a classe trabalhadora deveria realizar uma ação revolucionária organizada para derrubar o capitalismo e provocar mudanças socioeconômicas. Essas determinações econômicas seguiam sobre as perspectivas da ideologia política e econômica marxiana, que segundo o autor era um tipo de sistema baseado na exploração da classe operária pela burguesia.
Abordado em apreciações dispersas e em toda uma seção especial, é o das formas que precedem a separação entre o agente do processo de trabalho e a propriedade dos meios de produção. Isso porque somente tal separação permite que o agente do processo de trabalho, como pura força de trabalho subjetiva, desprovida de posses objetivas, se disponha ao assalariamento regular, enquanto, para os proprietários dos meios de produção e de subsistência, a exploração da força de trabalho assalariada é a condição básica da acumulação do capital mediante relações de produção já de natureza capitalista. (MARX, 1867, p.39)
Ele defendia a socialização dos meios de produção, fazendo com que o proletariado assumisse controle dos mesmos, e instituindo o socialismo, sendo esta a forma de retomada do poder da classe trabalhadora, libertando-se do sistema explorador através da ditadura do proletariado.
A Revolução Industrial altera parcialmente a sua forma. Agora, os pobres têm um pouco de visualização no mundo acadêmico e político e uma nova variável, os donos do poder não são mais apenas os donos da terra, mas também os que possuem os meios industriais para fabricação dos produtos. A população interiorana sai das pequenas cidades para as grandes em busca de trabalho nas novas indústrias. Com
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a aceleração na fabricação dos produtos, temos um aumento nos lucros para os investidores ao mesmo tempo que o sucateamento das condições de trabalho. Os funcionários nas fábricas atuavam em longas jornadas de trabalho sendo mal remunerados e em condições insalubres.
O fato é que o capital prosperou e os lucros industriais cresceram em comparação com a estagnação da renda do trabalho entre os anos 1840 e 1850. Isso era óbvio para todos, mesmo numa época em que as contas nacionais e as estatísticas agregadas para os diferentes países não existiam. (PIKETTY, 2013, p.18)
2.5 Disparidade social nas metrópoles
A emergência da mão-de-obra, em 1888, contribuiu para definir o início de um processo no qual urbanização e industrialização caminham juntas sob a mesma ideologia positivista da ordem e do progresso. O rumo ocupado parecia representar um caminho certo para a independência de séculos de dominação das pequenas elites, ligadas à exportação de produtos primários.
Não foi só o governo. A sociedade brasileira em peso embriagou-se, desde os tempos da abolição e da república velha, com as idealizações sobre progresso e modernização. A salvação parecia estar nas cidades, onde o futuro já havia chegado. Então era só vir para elas e desfrutar de fantasias como emprego pleno, assistência social providenciada pelo Estado, lazer, novas oportunidades para os filhos.... Não aconteceu nada disso, é claro, e, aos poucos, os sonhos viraram pesadelos. (SANTOS, 1986, p. 60)
As mudanças obtidas pelas políticas na década de 1930, regulamentando o trabalho urbano, mobilizando a industrialização com a construção da infraestrutura industrial, forçaram o movimento migratório de campos para as cidades.
41 Antes, a dinâmica da economia periférica estava conectada com os centros de decisões que se encontravam no mercado internacional. Logo, o papel que os países periféricos exerciam dentro da lógica de valorização do capital foi abastecer as economias centrais com produtos primários e servir como mercado para os produtos industrializados, as economias centrais passavam por uma internalização mais forte do setor industrial. Fato esse que aconteceu no Brasil, depois dos anos 1930, no bojo do modelo de substituição de importações. (PIRES, Murilo. Uma sistematização da discussão sobre heterogeneidade industrial. Um olhar para além das regiões brasileiras: O caso centro-oeste brasileiro. IPEA, Brasília, 2257, p.19)
As favelas tornaram-se a forma de moradia de muitos trabalhadores, tanto do setor secundário quanto até mesmo das indústrias, sendo considerados como “produtivo excluído", resultado da industrialização com baixos salários. A grande parcela de moradias tem sido nas metrópoles, feita por meio de mecanismos de subsistência havendo que não é uma mercadoria produzida por processos de trabalhos marcados por relações capitalistas ou o que o autor chama de "pobreza política". Segundo Pedro Demo, "ser pobre não é apenas não ter, mas sobretudo ser impedido de ter, o que aponta muito mais para uma questão de ser do que de ter" (DEMO, 1993, p. 2). A legitimidade nas propriedades da terra tem sido um dos principais agentes do afastamento ambiental, no campo ou na cidade. Miguel Baldez lembra que até 1850, a ocupação de terra no Brasil era forma legítima de conseguir sua posse. A emergência do trabalhador livre é acompanhada da emergência de legislação sobre a terra que irá garantir a continuidade do domínio dos latifundiários sobre a produção (BALDEZ; SILVA, 1986,1996). Os Códigos Municipais de Posturas, legislação criada no final do século XIX, com o intuito de modernizar, contou com um papel de subordinar certas áreas da cidade ao capital imobiliário causando a expulsão da classe trabalhadora pobre do centro da cidade. É nas áreas ignoradas pelo mercado imobiliário privado e nas áreas
42
públicas, situadas em regiões sem interesse, que a população trabalhadora pobre vai se instalar: encostas dos morros, à beira de córregos, terrenos sujeitos a enchentes, e regiões poluídas. Segundo Tascherner (2001) e Bógus (2001), o fator que mais pesou para a paralisação da população paulistana foi o deslocamento de moradores antigos da cidade para o entorno da capital. Não é por acaso que a região do estado que mais cresceu foi o cinturão de municípios da Grande São Paulo. Moradores mais pobres são impelidos para regiões cada vez mais longes, tanto para o entorno da capital, como para as cidades limítrofes. Além disso, o processo de desconcentração industrial, para regiões com mão-de-obra mais barata e com menos impostos, continua. Aliam-se a esses fatores, motivos como a migração de retorno e a fuga das classes médias para os condomínios fechados nas cidades vizinhas. Santos (1993) discute que a ocupação ilegal de terrenos periféricos de pouco importa, as favelas são largamente toleradas quando não interferem nos circuitos centrais da realização do lucro imobiliário privado. Esse caminho combina a ausência de investimentos em programas habitacionais, contribui índices de ensino abaixo da população elitizada, e na decadência em âmbitos de saúde pública. Grande parte das áreas urbanas de proteção ambiental estão ameaçadas por essas ocupações desorganizadas e subsequência com a falta de ações públicas. As consequências de tal processo de ocupação com uso habitacional pobre por absoluta falta de alternativas atingem toda a cidade, como aponta Maricato (1999). São Paulo repete o padrão locacional de muitas cidades grandes, onde o preço da terra e da moradia faz com que casais em fase de expansão morem nas franjas urbanas. Mesmo na cidade mais rica da América Latina a diferença social vai na contramão de sua grande capacidade econômica. Num país patrilinear, que foi constituído com o homem mantendo o poder primário na relação, atribuindo-lhe a condição de chefe e líder de família, relata que a presença de mulheres chefes de família declina nitidamente do centro para a periferia. A maior presença de mulheres entre os mais pobres é um fator que chama bastante atenção. No município de São
43
Paulo a proporção de chefes mulheres declina da periferia para o centro, onde residem as famílias de renda mais elevada. É possível observar que casamento e filhos têm pesos diferentes entre homens e mulheres. A proporção de homens com renda de até um quarto do salário mínimo é semelhante para homens em arranjos: casal com filho, casal sem filho e pessoa só. Mulheres quando vivem sozinhas possuem rendimento mais próximo ao dos homens. A situação delas piora quando se casam e têm filhos, enquanto para os homens quase não muda, assim elevando a desigualdade entre os gêneros. Mulheres sem cônjuge e com filhos vivem na pobreza em proporção bem maior que o restante da população. Se ela for negra ou parda há ainda mais chance de estar nessa condição , conforme dados do IBGE (2018), na Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio 2012/2018.
Questões raciais e a desigualdade social estão extremamente relacionadas. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 56% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos, enquanto 42% da população se considera branca. Apesar de serem maioria, os negros são os que mais sofrem com a desigualdade no país, estando em desvantagem social nas esferas política, econômica e acadêmica. A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2019 mostra que 77% da população negra ou parda estão entre os 10% com menores rendimentos. Enquanto 70% da população branca está entre os 10% com maiores rendimentos daquele ano.
44 Quadro 1 - Distribuição percentual da população, por cor ou raça, segundo as classes de percentual de pessoas em ordem crescente de rendimento domiciliar per capita - Brasil - 2019.
Fonte: IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2019.
A proporção de homens e mulheres abaixo da linha da pobreza mais baixa, segundo estipulado pelo Banco Mundial, se manteve bem próximo ao longo dos anos. Houve uma queda na extrema pobreza até 2014, seguida de um aumento a partir de 2015. Esses são os piores resultados para todos em 2018 quando comparados a 2012, primeiro ano da série. Vemos que os efeitos da crise econômica e política que aflige o Brasil desde 2015 são sentidos de forma diferente por cada categoria da população.
45 Quadro 2 - Proporção de pessoas abaixo da linha da extrema pobreza por rendimento domiciliar per capita (menos de US$ 1,90 diários per capita PPC), segundo sexo e cor/raça - Brasil (2012/2018).
Fonte: IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2012/2018.
Ainda segundo o mesmo Instituto, em outubro de 2019, a média de rendimento mensal de trabalho de 1% da população mais rica correspondia a 33,8 vezes o rendimento de 50% da população com menores rendimentos. Esses aumentos consideráveis da concentração de renda nas mãos de poucos têm reforçado a extrema desigualdade no país. Com a participação dos excluídos na política é possível implantar leis que protegem os trabalhadores, para que a população consiga desenvolver-se, garantindo os direitos básicos de qualquer ser humano. Quanto mais ampla e inclusiva for a participação dos cidadãos nos processos políticos e eleitorais, maior a pressão para que as políticas públicas funcionem como um contraponto às tendências concentradoras de renda, riqueza
e
oportunidades
DESIGUALDADES, 2020).
do
mercado.
(OBSERVATÓRIO
DAS
46
2.6 Pandemia: Agravamento de um problema crônico no Brasil
Em 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara o surto de coronavírus (Sars-Cov-2) como uma pandemia, desde então uma série de medidas foram recomendadas pelas autoridades sanitárias. Tornou-se obrigatório o distanciamento social, evitando aglomerações, uso de máscaras, e outras medidas sanitárias mais cuidadosas. O distanciamento social tem um papel importante para barrar a circulação do vírus em um país com poucas testagens, como o Brasil, já que realiza cerca de 105 testes a cada 10 mil habitantes, pouco mais de 22 milhões de exames (UOL, 2021), sendo que a testagem em massa se mostra muito importante no mapeamento e controle da doença como aponta (CIÊNCIA & SAÚDE COLETIVA, 2020). O rastreio da localização do vírus ajuda na aplicação de restrições mais inteligentes. Em Singapura, a detecção precoce em aproximadamente 53% dos casos ajudou a manter o país com boas taxas logo no início da pandemia. O mesmo foi observado em Hong Kong e outras partes da China. Um problema que a princípio, seria sanitário, expõe uma crise socioeconômica de forma que acentua a desigualdade social. A pandemia agravou um problema crônico do país, que existe há anos e frente a esse cenário de evidente e profunda deterioração, ocorre uma elevação brutal das enfermidades e mortes, das taxas de desemprego, do aumento da fome e da pobreza, deixando visível (instantaneamente) a sociedade mais vulnerável, principalmente sua parcela mais pobre. Além da violação dos direitos básicos dessa população, como acesso a água, saneamento básico e moradia digna, a pandemia torna-se um problema maior para moradores de regiões periféricas e locais densamente povoados. Precisam lidar com a aglomeração dentro de suas próprias casas, o que torna complexo o distanciamento porque mesmo em suas residências as pessoas estão dividindo um único espaço, muitas vezes com seis, nove, até mesmo mais de dez pessoas; esses são fatores que prejudicam o isolamento adequado conforme as orientações das autoridades de saúde.
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A insegurança existe também pela necessidade do uso de transporte público muitas vezes superlotado; obrigando os usuários a estarem em constante contato com os demais. Essa é outra forte marca da desigualdade urbana, visto que os mais ricos não dependem de transporte público para se locomover, já que podem manter meios próprios e em sua grande maioria habitam em regiões centrais onde se acumulam a maior parte das oportunidades de trabalho.
COVID-19 foi comparado a um raio-X que revelou fraturas no frágil esqueleto das sociedades que construímos e que em todos os lugares está expondo falácias e falsidades: a mentira de que os mercados livres podem fornecer saúde para todos; a ficção de que o trabalho de cuidado não remunerado não é trabalho; a ilusão de que vivemos em mundo pós-racista; o mito de que estamos todos no mesmo barco. Pois embora todos nós flutuamos no mesmo mar, é claro que alguns navegam em super iates, enquanto outros se agarram a escombros flutuantes. ” (INFORMAÇÃO VERBAL, 2020) ³
Somado a tudo isso ainda há a forte recessão provocada pelo vírus, com a taxa média de desemprego em 13,5% no ano de 2020. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no terceiro trimestre a taxa ficou em 14,6% e no último 13,9%, sendo a menor taxa desde a sequência histórica de 2012.⁴
48 Quadro 3 — População brasileira, de acordo com as divisões do mercado de trabalho, 4º trimestre 2020.
Fonte: IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Segundo o Observatório das Desigualdades, iniciativa da FJP (Fundação João Pinheiro), ainda em julho de 2020 cerca de 80% dos moradores de favelas perderam pelo menos metade de sua renda, 35% destes, tendo perdido totalmente; e ainda assim, 60% dos moradores de favela não conseguiram a liberação do auxílio emergencial de R$600,00 reais que ocorreu de julho de 2020 até dezembro do mesmo ano. Esses dados se tornam ainda mais preocupantes, considerando que o auxílio emergencial não só manteve a renda de parte da população, mas também a fez crescer, diminuindo a desigualdade de renda. Entre os trabalhadores informais a renda média cairia em 19% sem o auxílio e teve um aumento de 50% entre seus beneficiários, já entre os trabalhadores formais a renda média cairia 8% e teve alta de 31%, isso de acordo com Gonzalez e Barreira (2020, pg.7) ⁵ utilizando dados do IBGE, o que reafirma a importância de medidas governamentais para diminuir o impacto da crise e da disparidade socioeconômica no país.
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Quadro 4 — Perda/ Ganho de Renda (Formais e informais).
Fonte: FGV - Fundação Getúlio Vargas.
Esses dados ajudam a esclarecer como os trabalhadores informais, em média, têm uma renda menor do que os formais e estão mais vulneráveis. Um dos resultados do desemprego é justamente levar mais pessoas a buscar a informalidade, que por sua vez vai permitir menos garantias ao trabalhador: Seguro-desemprego, perda de direitos e benefícios, inclusive, plano de saúde; o que reverterá em mais pessoas necessitando do Sistema único de Saúde (SUS), já sobrecarregado por conta da pandemia de Covid-19. A alta do desemprego e a necessidade em diminuir a circulação de pessoas, faz crescer a busca aos serviços de entrega por aplicativo, o delivery, acelerando ainda mais o processo de popularização deste serviço que já estava crescendo. Ribeiro (2021) aponta que segundo a empresa de gestão de finanças Mobius, em 2020 se gastou 187% a mais com os três principais aplicativos do mercado de entregas de comida. No entanto, os profissionais não têm vínculo empregatício, sendo assim, sem direitos trabalhistas garantidos pela Constituição Federal, em conjunto com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), conforme o Art.2 da introdução do DecretoLei n°5.4.52/43.
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Art. 2° - Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (BRASIL, 1943)
Por um lado, a falta de vínculo permite uma variação maior na forma de prestar o serviço permitindo que o entregador faça seu próprio horário ou trabalhe com diversas empresas, podendo inclusive encarar a função como uma forma de complementar sua renda, mas não como a principal, por outro a falta de vínculo empregatício e de responsabilidade dos aplicativos para com os entregadores acaba precarizando o trabalho. Em meio a pandemia as empresas não fornecem qualquer tipo de EPI (Equipamentos de Proteção Individual) relacionado a proteção contra o vírus, além de não existir qualquer tipo de protocolo de como realizar as entregas de forma segura para ambas as partes, como aponta a pesquisa de Mendes et al. (2017). Além desse fato, são mal remunerados, o que cria nos entregadores a necessidade de fazer um alto número de entregas, já que recebem por cada uma delas, despendendo de mais horas trabalhadas para obter uma renda razoável e estando em contato maior com outras pessoas, correndo o risco de se contaminar com o coronavírus, inclusive podendo ajudar em sua disseminação. Na metade de 2020 duas greves maiores foram promovidas pela classe para buscar mais garantias como prestadores de serviço e também materiais básicos de proteção durante a pandemia, ao final deste movimento as empresas de entrega fizeram algumas concessões, no entanto os entregadores ainda permanecem sem um vínculo. Como informa o texto do IHU - Instituto Humanas Unisinos (2020), apesar da crise gerada pela pandemia, as 25 pessoas mais ricas do mundo se tornaram ainda mais ricas neste período, cerca de US$255 bilhões. A maior parte deles e os que mais faturaram, foram os ligados aos setores de tecnologia e a plataformas digitais que cresceram muito por conta da necessidade de se ter alternativas à pandemia. Uma das empresas que se sobressaiu no período é a Amazon, a mesma é o maior marketplace do mundo e cresceu somente no último trimestre de 2020 cerca de
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44%, levando seu CEO e fundador, Jeff Bezos, a aumentar seu patrimônio em US$64 bilhões no ano. Segundo o site (UOL, 2021), isso em meio a diversas denúncias de condições precárias de trabalho com baixos salários e jornadas de trabalho exaustivas, e por não garantir a segurança de seus funcionários em relação ao coronavírus como informam Chong (2018) e o site V/C SA (2021). Estas duas situações ajudam a esclarecer o abismo social existente no Brasil e no mundo, demonstrando como a sociedade moderna está sobrevivendo à pandemia: Explorando os menos afortunados que têm que recorrer a formas de trabalho exaustivas, com remunerações baixas e com poucas garantias trabalhistas para poder se manter. Se por um lado, o distanciamento social seria muito mais difícil e traumático tanto para a economia quanto para a população em geral, sem os meios e mercados digitais, por outros estes são sustentados e beneficiados diretamente pela desigualdade e a discrepância socioeconômica entre as classes.
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53
CAPÍTULO 3 – BIBLÍA DE PRODUÇÃO No capítulo, são abordados aspectos teóricos e técnicos em relação ao projeto desenvolvido. 3.1 Explicação do título “Até aqui, está tudo bem? ”, faz o telespectador refletir sobre um problema grave do país. A pandemia de Covid-19 reforça e expõe uma desigualdade social que afeta milhões de pessoas. O termo empregado no título cria uma alusão de como a sociedade e os seus governantes lidam com situações adversas ao normal que vivemos. Antes da pandemia a desigualdade social no Brasil já existia, porém não lidávamos como uma situação séria, até o momento em que uma das piores crises que já vimos afetou a nossa sociedade e agravou a desigualdade e a forma que vivemos, levando a cada pessoa perguntar a si mesmo se até agora, está tudo bem. 3.2 Sinopse O Documentário “Até aqui, está tudo bem? ”, exibe a desigualdade social no contexto pandemia. Retrata a história de famílias que foram afetadas por conta do período caótico. Muitos brasileiros perderam seus empregos, influenciando diretamente a renda e causando um desequilíbrio emocional e financeiro. Dentro das periferias, a situação é alarmante. Sem políticas públicas, muitos perecem em busca de uma ajuda. 3.3 Objetivos Gerais Produção de um documentário para retratar a desigualdade social no momento da pandemia de Covid-19, com foco na cidade de São Paulo, especificamente na comunidade de Paraisópolis.
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3.3.1 Específicos ●
Mostrar a realidade de personagens que vivem o pior momento de desigualdade em São Paulo.
●
Relatar casos que mostram que a pandemia por coronavírus foi um dos fatores agravantes para o aumento dessa desigualdade.
●
Trazer a voz de um Líder da comunidade.
●
Levantar questões sociais referente a desigualdade.
3.4. Classificação do Projeto Neste tópico, são exibidas as classificações organizadas com base no projeto que está sendo realizado pela produtora. 3.4.1. Gênero O produto tem como características mostrar o agravamento da desigualdade social no contexto da pandemia, causado em São Paulo. Com base nesse motivo, a produtora definiu como melhor estratégia realizar o projeto no gênero documentário. 3.4.2. Categoria A pandemia do Coronavírus escancarou a desigualdade social. O projeto causa reflexões e coloca em discussão esse problema crônico no Brasil. Por este motivo, é atribuído dentro do documentário audiovisual “Até aqui, está tudo bem? ”, a categoria informativa, através de uma linguagem que visa esclarecer de uma forma objetiva. 3.4.3. Formato A partir do estudo realizado com base na fundamentação teórica do documentário, a produtora optou por seguir de acordo com o que o autor Bill Nichols (2012) define como modo expositivo. Utilizando deste formato, a narrativa consiste em depoimentos e entrevistas, para exibir o mais próximo da realidade do grupo maior afetado no período pandêmico.
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3.4.4. Classificação Indicativa
Segundo o Manual de Classificação Indicativa da SECRETARIA NACIONAL DE JUSTIÇA, 2018, o documentário se classifica em “Não recomendado para menores de 14 anos”. O tema levanta questões sociais ligadas à desigualdade, podendo haver cenas de
preconceito,
discriminação,
agressão
verbal e situações de extrema pobreza.
Figura 26: Classificação indicativa, Guia prático (SNJ)
3.5 Argumento
3.5.1 Visão Original Ao começar os debates e discussões acerca do desenvolvimento desse projeto, percebe-se que o documentário vai abordar uma questão crônica que permeia o Brasil, mas que fica em evidência com a chegada da pandemia. Após concluirmos a fundamentação teórica, nota-se a questão da desigualdade na capital paulista, o pobre sempre é a classe mais afetada em períodos de crises e o atual governo brasileiro não contribui com ajuda efetiva para esse grupo e, com isso, ocasiona na explosão da disparidade social no Brasil. Analisando a história do país, observa-se o desauxilio sobre o retrato da desigualdade e, em contrapartida, no mesmo período em que bilionários aumentam suas rendas, o pobre luta para sobreviver no período caótico.
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“Até aqui, está tudo bem? ”, irá expor uma realidade vivida por muitos brasileiros na pandemia, dará voz a uma família de modo que outras sintam-se representadas; a mídia tem levantado muitos problemas sociais decorrentes das restrições, causando aumento no desemprego, instabilidade financeira e fome. A construção da narrativa do documentário alterna-se entre a realidade e relatos dos personagens em paralelo com uma fotografia, que mostra a real situação do cenário, onde grande parcela da sociedade está inserida, a periferia. Entender que essas diferenças têm endereço é fundamental, famílias vulneráveis estão ficando sem saída e é uma forma de conceder voz a essas pessoas que, por muitas vezes, não são ouvidas devido à posição socioeconômica. 3.5.2 Proposta do Documentário “Até aqui, está tudo bem”, propõe uma discussão aprofundada e reflexiva sobre a disparidade socioeconômica no contexto da pandemia e como a população das periferias saem drasticamente afetadas. De fato, é uma crise que atinge diversas camadas da sociedade, no entanto, os moradores da região de Paraisópolis que estão mais afastadas do centro-urbano são os que mais necessitam de políticas públicas. O impacto da pandemia entre as pessoas que habita essa região é estremecido, e o projeto levanta essas questões; durante as gravações o depoimento de famílias de classe baixa, residentes de Paraisópolis, mostrando as dificuldades e a realidade da comunidade. Além da crise financeira, essa parcela da sociedade precisa lidar inclusive com as emoções, já que a saúde mental tem sido abalada e não é possível encontrar uma perspectiva de melhora dentro do cenário particular deles. Com as restrições impostas pela pandemia, a demanda dos entregadores de aplicativos subiu, paralelo a isso, o número de entregadores aumentou, refletindo em menos renda e mais riscos à saúde desses profissionais. Através da narrativa, o documentário propõe e abre espaço para essas vozes. O abismo socioeconômico segue dividindo a sociedade. Neste sentido, prevêse que através das histórias relatadas no documentário, os telespectadores possam
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criar um olhar solidário para com o outro. A captação visual tem um papel fundamental no projeto e com a ajuda dela, iremos mostrar que a pandemia da Covid-19 não afeta todos da mesma maneira. Cada pessoa tem uma realidade diferente.
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Moradora de Paraisópolis há 24 anos, mãe de quatro filhos que precisam intercalar os dias para ir a creche e a escola, com isso, para poder alimentar os filhos dentro de casa durante a pandemia, teve que receber cestas básicas distribuídas no pavilhão do G10 Favelas, vale merenda da escola e a pensão. Mora na comunidade desde que nasceu, passou por muitas dificuldades e com a chegada da pandemia ficou ainda mais complicado, ficou desempregada e precisou do auxílio emergencial.
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Residente do bairro Vila Sônia em Paraisópolis, mora com a mãe, sua prima e irmã. Trabalha no setor de entrega de aplicativos desde os 18 anos de idade, começou nesse setor para ganhar uma renda extra para poder pagar a faculdade. No início da pandemia, foi quando ele sentiu um impacto muito forte no seu trabalho, a clientela começou a comparar os seus fretes com os do aplicativo que eram menores, perdendo cerca de 80% de seus clientes, dessa forma, buscou mais demandas no setor de delivery.
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56 anos, morava em Paraisópolis e durante a pandemia se mudou para Piracicaba com o intuito de ter um melhor custo de vida, porém não conseguiu emprego e teve que voltar para a comunidade. Aposentado, não possui condições no mercado de trabalho e faz pequenos serviços vendendo sorvete na rua. Casado com a Lia, possui filhos e consegue cesta básica e marmitas com o G10 Favelas.
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Casada com Domingos há 8 anos, tem um filho. Nunca trabalhou registrada, antes da pandemia realizada faxinas domésticas fora da comunidade e dessa forma ganhava dinheiro para ajudar na alimentação do filho. Durante a pandemia passou por muitas complicações, além de não haver mais chamados para fazer faxinas, passou a ter problemas emocionais, como depressão e síndrome
do
pânico.
Por
conta
do
distanciamento social esses problemas só aumentaram por ela não ter mais contato com outras
pessoas
e
sua
família.
Sofreu
preconceito quando entregou currículo em um shopping center, pois não aceitam pessoas que moram em Paraisópolis por achar que os moradores dessa região são expresidiários ou traficantes.
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O agente da região para explicar sobre essa disparidade, já que tem vasta experiência no assunto. Discutir questões de políticas sociais de uma forma natural e humana, causando reflexões e discussões construtivas. O portavoz precisa
ser experiente
no
tema e
qualificado. A ideia é criar um contraste entre visões técnicas e práticas.
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Voz-off Poema: Logo no início do documentário será narrado um poema autoral trazendo uma reflexão sobre a desigualdade social antes mesmo da pandemia. Cronologia da Pandemia no Brasil: Mostraremos utilizando banco de imagens de redes de televisão todo o período da pandemia do coronavírus no Brasil. Periferia: O local, servirá como estúdio para as gravações. A ideia é causar emoções no telespectador com as imagens do local. O local para capturar os inserts será a Paraisópolis. Esta região é uma grande referência no quesito desigualdade e abandono. Os personagens serão moradores dessa comunidade. 3.5.3 Eleição e Justificativa para a (s) Estratégias de abordagem Procedimento geral: A proposta do documentário é abordar a realidade de pessoas de origem humilde que tiveram suas vidas afetadas pela pandemia, entrevistando-as e relatando suas vivências e suas materialidades. Além delas, o líder da comunidade de Paraisópolis debatendo sobre economia e questões sociais que agreguem com o debate do porquê de a desigualdade ter se elevado. As entrevistas com os atores sociais serão em suas próprias casas e a comunidade que habita, apresentando o ambiente onde elas vivem e parte de seu cotidiano, registrando o que for pertinente ao tema da desigualdade social e de seu aumento repentino entrando em temas como: De que maneira a família tem sobrevivido ao período; como reagiu às perdas e dificuldades; se conseguiram alguma forma de renda, como foi este processo e outras observações que eles possam ter feito sobre o período. Os encontros serão realizados levando em conta o deslocamento da equipe a proteção das personagens em relação ao Covid-19 para que não se exponham e nem sejam expostas sem necessidade.
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Entrevista com atores sociais: Os atores sociais são as personagens entrevistadas com o objetivo de relatar suas experiências e realidades em relação a pandemia e como as mesmas foram afetadas por ela, principalmente em relação a sua renda. Os personagens serão moradores de Paraisópolis que tiveram sua renda prejudicada durante o período da pandemia do coronavírus, mas que já eram de origem pobre, sendo sua rotina e suas experiências como principal fio condutor do documentário, ilustrando a discussão sobre o porquê de a desigualdade ter crescido tanto no período e como isso afeta as pessoas na prática. As entrevistas ocorreram em seu lar e por sua comunidade, relatando seu cotidiano em casa e no trabalho e a família, irá representar o sonho de se obter uma vida melhor, com mais oportunidades e emprego na cidade de São Paulo e como o coronavírus se torna mais um fator complicador para alcançar esse objetivo. Outro entrevistado será um entregador de aplicativos, que irá representar a reação da sociedade à pandemia. Tendo os aplicativos de entrega crescido tanto durante o período e assumido um papel tão relevante, as entregas se tornaram alternativa para muitas pessoas poderem fugir do desemprego e manter sua renda. Ao mesmo tempo, ele trará o debate de como a sociedade usa sua profissão como muleta para resolver a questão da locomoção durante o isolamento, enquanto eles seguem expostos e mal remunerados. A personagem trará a força de reação humana ao mesmo que este também está vulnerável à aos efeitos da pandemia, sendo uma profissão incerta e perigosa, não só pela natureza do trânsito e da segurança pública, mas também da exposição ao vírus.
Locação: Os lugares escolhidos para a gravação das externas tratam de paisagens que representam esteticamente a história que será contada no documentário. Com o intuito de mostrar a desigualdade entre bairros da mesma metrópole será gravado cenas das ruas e as casas tanto de bairros da parte mais pobre quanto da mais rica da cidade sendo o resultado a disparidade entre eles.
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As entrevistas terão estratégias diferentes em relação ao personagem que retrataremos na cena. Quando a entrevista for com um especialista, este será gravado em um local que demonstre o seu profissionalismo em um escritório ou sala de trabalho para detalhar o aspecto mais técnico que ele está relatando. Para a entrevista com os atores sociais gravaremos em lugares que demonstrem a característica que esses personagens apresentam como bairros com baixa renda e casas simples.
Fotografia: A abordagem fotográfica priorizava a presença da luz natural dos cenários de gravação e em ambientes internos priorizamos a utilização de luzes mais quentes para trazer a sensação de calor e realçar a estrutura da locação que serão as favelas. Pensando na utilização de GC para apresentação dos personagens, posicionaremos uma câmera no tripé em plano médio para manter o enquadramento do material gráfico. Os enquadramentos durante os relatos dos personagens frente ao documentarista serão estáticos em tripé, variando em plano geral, close, plano médio, contra plano e detalhe. Terá imagens de cobertura que será feita com câmera na mão, locais do bairro serão gravados em plano aberto, com inserts e movimentação das pessoas no próprio bairro. Familiarizando os telespectadores ao ambiente. A captação visual será feita através de câmeras DSLR Canon, para manter a configuração padrão a todos os vídeos.
3.5.4 Sugestão de estrutura Abertura: Cenas da cidade de São Paulo, edifícios, trânsito, pessoas caminhando pelas ruas do centro e, de um outro ângulo, imagens da periferia com som ambiente, captações espontâneas dos moradores, ruas sem asfalto, vielas, esgoto a céu aberto. Esses cenários bem distintos entre si, expõem as diferentes realidades que existem em São Paulo. A abertura, através da uma narração de uma poesia autoral e todo o conjunto de imagens, trará uma realidade que muitos sequer conhecem.
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Situação 1: Moradores de Paraisópolis relatam o quanto tempo e como chegaram até a região e a sensação de abandono durante o período de pandemia contando algumas das dificuldades encontradas por elas. Situação 2: Gilson, do pavilhão do G10 Favelas, faz uma análise social do dia a dia da periferia informando que para melhorar o Brasil é preciso investir mais em políticas públicas para primeiro salvar a população, principalmente em momentos de crise. Oferecendo ritmo a narrativa os moradores de Paraisópolis contam os problemas deles por falta de políticas públicas Situação 3: Seguimos agora com os moradores contando mais sobre as dificuldades de conseguir um emprego tanto pelo preconceito de morarem em uma periferia quanto pelo agravamento do desemprego durante a pandemia. Danilo, trabalha com delivery de aplicativos, relata os impactos causados pela pandemia fazendo uma análise dessa transição de ter trabalhado antes e durante a crise, explicando as dificuldades em relação a segurança de trabalho e a quantidade de serviço de entrega que passou a fazer para conseguir manter a mesma renda. Situação 4: Aqui será um tom de conclusão, serão apresentadas uma série de relatos com notícias, vídeos e reportagens evidenciando a atuação abominável que o governo brasileiro teve ao tratar a pandemia do Covid-19. Ao final Gilson dará o seu depoimento respondendo à pergunta do documentário, até aqui, está tudo bem?
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3.5.6 Desenho de Produção 1. Pesquisa Através da divulgação das normas relacionadas ao TCC (trabalho de conclusão de curso), a equipe definiu um prazo para cada integrante da produtora apresentar uma sugestão de um possível projeto. Após esse levantamento, realizou-se uma reunião presencial, ao ar livre e com menor número de integrantes, seguindo todas às recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) para discutir todas as propostas. Diante dos materiais, a produtora optou por seguir com um documentário que retrata a disparidade social no contexto pandemia. Por tratar-se de um tema complexo e profundo, ficou acordado que, seriam duas equipes trabalhando no projeto. Um grupo responsável pela fundamentação teórica do tema e, os demais integrantes na fundamentação do documentário. Os grupos tinham como tarefa realizar pesquisas baseadas em materiais de extrema relevância ao assunto, elaborar relatórios e apresentar em discussões semanais. Através de subgrupos, cada dupla entregou informações pertinentes para a construção do texto. Uma equipe ficou responsável por estruturar e redigir o material. A estrutura audiovisual e construção narrativa do projeto vêm sendo discutida através de reuniões por chamada de vídeo. A equipe apresenta ideias e, o diretor e roteirista, constroem o projeto no papel. 2. Pré-produção Através da ideia principal do projeto; internamente, pesquisas foram realizadas para a procura dos personagens definidos. Os locais já discutidos, mas por se tratar de regiões desconhecidas da equipe, é necessária uma busca por associações que prestam serviço social, para não criar nenhum tipo de conflito com os moradores; os personagens são dessas regiões mais afastadas. O assunto envolve pesquisa e dados, a procura por especialistas para falar de assuntos técnicos é fundamental para esclarecer essas questões. Sempre reforçando uma questão técnica e humanitária sobre.
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ETAPA DE FILMAGEM 1. Objeto (s) de abordagem A ideia é extrair através dos depoimentos e palavras dos personagens da periferia, seus sentimentos, mediante toda essa disparidade socioeconômica. Partindo com diálogos profundos e sensíveis, o personagem como elemento principal, carrega a autonomia de mostrar a verdadeira realidade de quem mora em subúrbios. Os depoimentos de famílias, mostram que os impactos da desigualdade e pandemia, afetam um público específico e reforçam um problema que existe há anos.
2. Detalhes da abordagem As gravações irão ocorrer nos mais variáveis ambientes, tanto externo quanto interno. Por conta da pandemia, é necessário um cuidado maior e algumas restrições, mas, a ideia é gravar imagens tanto da periferia quanto da cidade de São Paulo, para a construção da abertura do documentário. Serão duas locações internas, pois os moradores de Paraisópolis gravarão dentro de sua residência quanto fora também nas ruas da periferia e o Gilson gravará em sua sala dentro do pavilhão da G10 ’Favelas e o material de apoio será capturado nos respectivos locais. Todas as cenas serão gravadas durante o dia, para aproveitar luz natural.
3. Providência e infraestrutura de produção Cada gravação carrega sua particularidade, nas gravações com às famílias, dois integrantes da produtora, irão se locomover seguindo todos os protocolos de segurança, de acordo com a fase de restrição instalada na região e autorização dos personagens, e na presença da associação que fez o intermédio à família de baixa renda. O operador de câmera e o diretor, irão até os respectivos locais capturar os depoimentos, dirigir todo o depoimento e, após, irão produzir material para usar como
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inserts, todos deverão assinar o termo em que autoriza o uso de imagem e voz, após o final da entrevista. O motoboy concederá o depoimento em um ambiente externo, dois integrantes irão até o local marcado para a realização das gravações. Todo material gravado, inclusive, o material de apoio, precisam de autorizações do uso de imagens. 4. Equipe de gravação Todas as filmagens seguirão os protocolos de segurança e distanciamento, de acordo com cada fase do Plano São Paulo. Por conta da pandemia, a produtora vai se dividir em subgrupos e realizar as funções remotamente, em muitos os casos. Nas filmagens presenciais, uma dupla irá às gravações realiza-las, e todo o restante do grupo estará auxiliando remoto. Reuniões para definir logística e algumas estratégia de gravações serão realizadas, para todos ficarem ciente do que acontece. 5. Equipamentos de vídeo Durante as filmagens internas, para gravação, será disponibilizado uma câmera Canon EOS 7D, sob um tripé MTG-3016. Para pegar de um outro ângulo, ficará posicionada uma câmera EOS Rebel 750D, para capturar demais expressões. As cenas em movimento exigirão o uso de um estabilizador gimbal Crane 2. O restante do material será feito remoto, a plataforma Zoom será utilizada para as chamadas em vídeo. Equipamento
Quantidade
Canon EOS 7D
1
EOS Rebel 750D
1
Tripé MTG-3016
1
Estabilizador gimbal Crane 2 1 Micro SD SanDisk - 32GB
3
Plataforma Zoom
1
Quadro 5 - Equipamentos de vídeo.
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6. Equipamentos de áudio Para a captação do áudio, os personagens usarão microfone de lapela durante as entrevistas e, por precaução, será disponibilizado um gravador para deixar um canal de stand-by. Equipamento
Quantidade
Microfone Lapela Boya BY-M1 2 Gravador Zoom H1n1
1
Quadro 6: Equipamentos de áudio.
7. Dias de gravação As gravações com as famílias irão ocorrer durante a semana. Serão necessários dois dias para gravar as entrevistas, sendo terça-feira para gravar com a família I e quarta-feira para a família II. Os inserts serão gravados no mesmo dia para otimizar o tempo. O material para apoio (imagens da periferia, das construções, etc.) e abertura do documentário precisam ser capturados em um dia à parte, pois serão trechos elaborados, mostrando o cotidiano desses moradores. A gravação com o entregador delivery demanda uma outra diária, visto que, três integrantes da produtora precisarão locomover-se até um determinado ponto da periferia. 8. Horas de gravação por dia Os horários das gravações presenciais ocorrerão de forma espaçada e diferenciada, visto que a proposta é mostrar a realidade em que esses moradores vivem. Esses personagens têm histórias, uma vez que estão lidando na pele com o problema diariamente, aos residentes destes extremos, será elaborado um cronograma de 6 horas de gravação no dia. A outra família será um tempo menor, em torno de 2 horas de entrevista e gravação de inserts. O entregador delivery será filmado em um período de 2 horas, contabilizando gravação e material de apoio.
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ETAPA DE EDIÇÃO 1. Montagem A montagem do documentário será feita após toda a gravação das cenas sejam realizadas, o diretor do documentário realizará esse procedimento junto com o roteirista e farão a estrutura baseado na sugestão do roteiro desenvolvida selecionando as melhores imagens que encaixem na proposta da história que contaremos no projeto e enviará a proposta para e equipe de edição. 2. Edição Para a finalização do projeto, a equipe de edição que se dividirá em um editor e dois assistentes de edição, irá analisar e conferir todo o material que foi montado com o objetivo de construir as melhores sequências de imagens que consigam transmitir a história do documentário. Após o processo inicial de edição, serão realizadas reuniões entre a equipe de edição, diretor e roteirista a fim de conferir se a decupagem realizada está de acordo com o que foi projetado anteriormente. Quando todas as partes estiverem de acordo com o material editado, passaremos a tratar da parte final dessa etapa, onde será analisado a inserção das trilhas e efeitos sonoros que terão a função de causar emoções e criar uma sensação emotiva com a história apresentada no documentário.
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3.6 Referências estéticas
3.6.1 Limpam com Fogo (2016) Sinopse: Documentário sobre a epidemia de incêndios em favelas na cidade de São Paulo e a relação com a especulação imobiliária. O filme investiga os reais motivos por trás da seletividade do fogo, e explora a relação entre empresas do setor imobiliário e os vereadores que participaram da CPI dos Incêndios em Favelas na Câmara dos Vereadores de São Paulo. Seu tom inquietante, dinâmico e questionador é uma das principais referências para o nosso documentário. A diversidade de relatos colhidos entre moradores, acadêmicos e poder público tornam o filme rico em perspectivas sobre o assunto, que é um dos pontos que queremos trazer. A trilha sonora trazendo nomes como Racionais MC e Sabotage também são inspiração para o nosso trabalho. Por suas letras carregadas de críticas sociais, e por se referirem às periferias, optamos por escolher o rap como principal gênero musical em nosso documentário .
Figura 27: Limpam com Fogo
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Figura 28: Limpam com Fogo
Figura 29: Limpam com Fogo
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3.6.2 Auto de Resistência (2018)
Sinopse: Um acompanhamento preciso dos casos de homicídios cometidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro classificados como "autos de resistência", isto é, legítima defesa. Durante a tramitação dessas ocorrências na justiça, fica evidente o padrão de imprudência da corporação em relação a elas: investigações esdrúxulas e perícias defeituosas, nas quais 98% dos inquéritos são arquivados. A principal inspiração que Auto de resistência nos forneceu é a forma como a narrativa é contada, deixando que os relatos das personagens seja o fio condutor para o documentário e os intercalando com depoimentos e evidências sobre os casos relatados, além de apresentar uma grande quantidade de situações e relatos. Isso de forma poética e sensível, mas também dura e realista, qualidades essas que também buscamos.
Figura 30: Auto de Resistência
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Figura 31: Auto de Resistência
Figura 32: Auto de Resistência
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3.7 Público-alvo A missão da produtora em realizar conteúdo audiovisual para o mercado nacional mantendo um alto padrão de qualidade e produtividade, respeitando isso, nosso documentário é indicado para as classes sociais A e B. Segundo as pesquisas da mídia kit da rede globo (2019) optamos por direcionar para o público-alvo 35 a 44 anos, assim nossa classe social conseguem ter uma visão mais ampla da desigualdade que acontece em de São Paulo. 3.8 Veiculação/Distribuição Segundo a análise para o público alvo foi designado um veículo de distribuição. Lançada em 3 de novembro de 2015, a Globoplay é uma plataforma digital de streaming de vídeos desenvolvida pela Rede Globo. Seguindo nossa classificação social A e B, optamos por veicular nosso documentário na Globoplay pela quantidade de usuários da classe citada acima e a faixa etária que possuem o streaming, podemos ver também a facilidade de assistirem por meio de smartphones, computadores e televisão, onde queremos mostrar a desigualdade que ocorre entre as classes em meio a pandemia. Ano de 2020 foi marcado por muitas coisas, uma delas foi o crescimento das plataformas streaming, com a grande necessidade forçada de ficarmos em casa uma distração foi acompanhar filmes, séries, entre outros. Com isso a procura junto com assinaturas nesses tipos de serviço foi cada vez mais procurada, consequentemente muitas ganharam mais assinantes, foi o caso da Globoplay. No mesmo ano a gigante terminou na liderança nacional com mais de 20 milhões de assinaturas, nos tempos atuais ter um aplicativo de streaming não é uma grande dificuldade, pois com planos que contêm grandes pacotes de dados isso fica cada vez mais acessível. Algumas empresas de tv oferecem até pacotes com streaming incluído, já que algumas pessoas veem a necessidade de ter várias opções,
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com
isso
aumenta
a
procura
de
conteúdos que estão espalhados em várias plataformas, e o consumo de tv acabou
caindo,
já
que
nessas
plataformas há muitos conteúdos que na tv aberta não acabam passando. Figura 33: Logo Globoplay
3.9 Justificativa Resgatar o estudo da desigualdade social desperta-nos a refletir sobre como somos diferentes por motivo da desigualdade social no Brasil, e com a pandemia da Covid-19 isso tem se agravado cada vez mais. A disciplina promove o desenvolvimento do pensamento crítico em relação à cidadania. Conduz assim o telespectador a refletir a sua capacidade de mudar o mundo à sua volta de forma consistente. Expondo que ainda em 2021, a desigualdade continua forte e exposta. São Paulo possui inúmeras amostras de visualidades urbanas que evidenciam o ponto de vista dos seus moradores em relação a mesma. Eles partem de uma necessidade de adaptação ao local em que habitam, tais como, autoafirmação, envolvimento com o cenário local, reivindicação e sentimentos compartilhados pelos residentes locais como um todo. Por esse motivo, é relevante que se estude a presença de intervenções urbanas para que se entenda como elas partem das margens da sociedade. A principal motivação para sustentar o presente projeto de pesquisa, reside na importância que o tema possui para a sociedade atual. Sendo considerado um tema atual e de extrema importância. Podemos afirmar que estudar a influência mútua entre o indivíduo e a sociedade aprofunda a compreensão das novas estruturas sociais mais recentes. Com o objetivo de atrair atenção para o tema, o trabalho aponta as falhas e incoerências.
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3.10 Cronograma de produção Quadro 7 – Cronograma Pré-Produção: Fevereiro – Junho Documentário: Até aqui, está tudo bem ATIVIDADES Reunião: Discutir possíveis ideias de gêneros e formatos para o TCC Reunião: Definição do Tema e Formato para o projeto TCC Reunião: Início das Pesquisas para desenvolvimento do Tema
FEV
Recover Produtora MAR
MESES ABR
28/02/21 05/03/21 08/03/21
Reunião: Coleta de informações das pesquisas do Tema
14/03/21
Desenvolvimento da Sinopse do projeto e escolha do nome do projeto
16/03/21
Entrega da Ficha de Inscrição do TCC 2021
17/03/21
Orientação online para a aprovação do projeto TCC - Professora Krishna Tavares
25/03/21
Reunião: Divisão dos autores para a escrita da Fundamentação Teórica
25/03/21
Orientação online para a aprovação da escrita inicial da Fundamentação Teórica do Documentário
07/04/21
Reunião: Definição da estratégia para a escrita e entrega da Fundamentação Teórica do Tema e Documentário
07/04/21
Entrega da Fundamentação Teórica completa
19/04/21
Reunião: Divisão para a escrita dos tópicos restantes da Bíblia de Produção
23/04/21
MAI
JUN
79 Orientação online para a aprovação da escrita da Fundamentação Teórica do Tema e Documentário - Professora Krishna Tavares
28/04/21
Reunião: Separação de novas tarefas e desenvolvimento de novos tópicos da Bíblia de Produção
30/04/21
Entrega do Capítulo 1 da Bíblia de Produção Reunião: Desenvolvimento da Capítulo 3 (Argumento) da Bíblia de Produção e coleta de ideias para a visão original do Documentário
03/05/21
04/05/21
Entrega do Capítulo 3 da Bíblia de Produção
10/05/21
Orientação online para tirar dúvidas a respeito da tabela de orçamento e funções designadas para o projeto de Documentário - Professor Bruno Tavares
11/05/21
Orientação online para a aprovação da escrita do Capítulo 3 (Argumento) da Bíblia de Produção - Professora Krishna Tavares
12/05/21
Reunião: Edição e Finalização da Bíblia de Produção com todos os capítulos mais relatório individual
17/05/21
Reunião: Definição do nome do Documentário: Até aqui, está tudo bem.
26/05/21
Entrega da Bíblia de Produção para avaliação da Banca de Qualificação
28/05/21
Banca de Qualificação online dos Trabalhos de Conclusão de Curso de Rádio, TV e Internet 2021
08/06/21
Reunião: Discussão dos pontos levantados pelos professores na Banca de Qualificação e definição das tarefas a serem realizadas no próximo semestre
14/06/21
80 Quadro 8 – Cronograma Pré-Produção: Fevereiro - Julho
Documentário: Até aqui, está tudo bem ATIVIDADES
Recover Produtora Mês Julho
Reunião: Melhorias da estética e escrita da Bíblia de Produção
01/07/21
Visita ao pavilhão do G10 Favelas
14/07/21
Definição da locação das gravações do Documentário
25/07/21
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Quadro 9 – Cronograma Pré-Produção: Agosto - Novembro Documentário: Até aqui, está tudo bem ATIVIDADES Reunião: Revisão dos materiais criados na Bíblia de Produção Finalização do Roteiro e Perguntas realizadas para a condução do documentário
AGO
Recover Produtora SET
MESES OUT
04/08/21 09/08/21
Contato com G10 Favelas para agendamento da entrevista
16/08/21
Reunião: Preparação de equipamentos e produção para a gravação
23/08/21
Gravação com Gilson Rodrigues e Ana Carolina
31/08/21
Decupagem das entrevistas e tratamento dos áudios
01/09/21
Reunião: Definição do Layout da Bíblia de Produção
10/09/21
Gravação com Lia e Domingos em Paraisópolis
29/09/21
Gravação da Manifestação na Avenida Paulista
02/10/21
Gravação da narração da poesia no estúdio de fotografia da Universidade Cruzeiro do Sul
05/10/21
Gravação com o Danilo
09/10/21
Entrega do TCC
NOV
08/11/21
DEZ
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Quadro 10: Cronograma Agosto
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Quadro 11: Cronograma Setembro
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Quadro 12: Cronograma Outubro
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Quadro 13: Cronograma Novembro
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3.11 Orçamento Previsto Segundo os valores do mercado (Sindcine), nesse tópico mostraremos o orçamento previsto para execução do documentário.
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Quadro 14: Orçamento Previsto do Projeto
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3.12 ORÇAMENTO REAL Orçamento real gasto para produzir o Documentário “Até aqui, está tudo bem?”.
Quadro 15: Orçamento do Projeto
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BRUNO DORETTO Neste semestre estamos iniciando nosso TCC (trabalho de conclusão de curso), onde em forma de documentário vamos abordar o tema: O efeito da Pandemia nas classes sociais. Neste primeiro momento focamos na fundamentação teórica, argumento, justifica e toda parte de escrita afim de estruturar o trabalho e no próximo passo (semestre) realizarmos as gravações do documentário. Minha função foi ajudar na fundamentação teórica levantando dados e informações para desenvolver esta parte na bíblia de produção. Na segunda parte do trabalho onde iniciamos as gravações fiquei responsável pelas gravações de externas e insertes em Paraisópolis com Gilson e Ana, e também como assistente de fotografia. Como nossa produtora tem muitos integrantes, nos dividimos em subgrupos para que cada elaborasse uma parte do projeto. Pude exercitar bastante a leitura e também de forma mais correta e coerente com o trabalho proposto e mesmo que isso seja complexo de se realizar, tenho certeza que vai agregar muito para minha carreira futura. Aprendi também que não basta apenas ler uma ou duas vezes para compreender e assim elaborar uma boa escrita, tive que ler e reler várias vezes para que assim pudesse elaborar uma boa escrita e assim colaborar para o andamento da produção da Bíblia. Estamos na reta final de nossa graduação e com isso já consigo olhar para trás e por tudo que passamos como produtora e eu em particular, e também perceber o quanto cresci no âmbito pessoal e profissional. Sempre gostei de trabalhar e fazer tudo em equipe e nossa produtora sempre prezou isso, o que torna os trabalhos e ambiente entre nós leve, amigo e compreensível. Tive sim muitas dificuldades ao longo do curso e principalmente no começo dessa reta final (TCC), mas tenho certeza de que tudo é um aprendizado para um bem maior futuro. Nosso tema ´Pandemia`, me fez compreender e refletir que precisamos muito mais uns dos outros e que a empatia nunca foi tão necessária para com o próximo. O efeito de fazer online foi e está sendo de certa forma muito desafiadora para mim e creio que para todos da
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produtora, mas nosso espírito de união e empatia por todos nos ajudou e ajudará a vencer obstáculos presentes e futuros. Enfim agradeço primeiramente a Deus por esta oportunidade de estar na reta final dessa graduação, e também a minha família que sempre me incentivou e apoiou em todos os momentos para que eu chegasse até aqui.
DAVID BEZERRA LOPES DOS SANTOS Construir um trabalho de conclusão de curso é um grande desafio e, diante do cenário em que nos encontrávamos, esse desafio só cresceu. Foi um momento difícil, de instabilidade emocional e bastante incerteza. No projeto, optamos por seguir com um produto que pudesse deixar registrado esta fase. Usamos a situação do Brasil para produzir um documentário. Duas coisas caminharam juntas no início do processo: o medo e a dúvida. Estávamos aflitos com toda a situação e ansiosos: será que vamos conseguir produzir? Vamos retroceder em algum momento? Além disso, diversas outras questões. O medo em si, era de não conseguir entregar o projeto. Mas nada era impossível para jovens que, decidiram se entregar ao projeto. (Até parece mensagem de filme - risos). Dificuldades surgiram, na fundamentação teórica do assunto até a construção da narrativa e ainda mais na produção. Diversos imprevistos, mas sempre buscando uma solução, e usando como referência todos os problemas encontrados durante a graduação. Todos os anos serviram como lição para esse final. Nada seria possível sem o trabalho em equipe. Além de todo o intuito do projeto, aprender na direção, produção e execução, levo algumas lições para a vida. Acompanhar essas histórias, conhecer um pouco da vida deles, traz grandes lições. E cabe a cada um, interpretar. Foi uma troca de experiências, entre equipe e personagens. Acredito que, cada um sairá melhor deste projeto, com uma visão ampla do próximo e capacitados, pois foi uma escola: de resiliência, empatia e, no meu ponto de vista, falando do meu processo, foi um “start” para usar a profissão, os meus conhecimentos, para dar voz
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às pessoas que são excluídas pela sociedade. Foi um desafio “dirigir” essa realidade. Levo comigo os personagens e suas histórias, levo os erros e acertos, levo toda a loucura que foi produzir isso. Mas deixo o meu agradecimento a cada um que embarcou nesse barco e abraçou a ideia - quando sugeri, naquela reunião amistosa. Obrigado aos que se entregaram. O “Até aqui, está tudo bem? ”, carrega um pouco de cada. DENISE MATIAS DE SOUZA A ideia para este projeto foi escolhida depois de muito debate na produtora. No começo foi difícil o caminho que iríamos pegar, com cada um tendo um direcionamento pessoal sobre o tema. Com tudo a equipe com várias reuniões chegou a um esboço do propósito do documentário, a partir daí estamos lapidando nosso objetivo. Individualmente, tive um pouco de receio em como a abordagem iria ocorrer, já que a Desigualdade Social para mim é um tema muito importante e tinha uma visão teimosa do que seria ou não importante colocar no trabalho, entretanto com os debates em reuniões chegamos em um consenso. No decorrer das gravações tivemos dificuldade para conseguir gravar com alguns personagens e para fazer filmagem na comunidade. Participar deste documentário foi um choque e uma surpresa, mesmo sabendo que existem leis autônomas para os moradores e visitantes em algumas comunidades é outra coisa quando temos contato direto com isto. Os projetos que são desenvolvidos para melhorar a vida das pessoas nas favelas são importantes, mas com poucas mudanças no cotidiano das favelas, a falta de oportunidade e as dificuldades que os residentes passam diariamente deixam tudo desigual. Produzir Até Aqui, Está Tudo Bem? Reforçou a minha visão política de que precisamos de um estado forte para produzir as mudanças na vida de toda a população periférica do país.
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DOUGLAS DOS SANTOS SILVA Trabalhar na fundamentação teórica sobre o tema do documentário, me fez enxergar ainda mais a desigualdade como problema crônico que afeta nosso País, ao mesmo tempo em que reescrevia o que era como prioridade para a fundamentação, pude enxergar os horizontes que o documentário irá tomar, foi trabalhoso, muitas pesquisas e reuniões para chegar à conclusão final, mas que por fim fez valer a pena todo o esforço. Me encontro agora na fase de produção, e é muito satisfatório ver que o projeto está saindo do papel e tomando forma, tivemos alguns imprevistos nesse processo, mas que no decorrer soubemos administrar e encontrar uma solução; continuamos com as reuniões para acertar as datas para cada entrevista, as reservas dos equipamentos com antecedência para que se algo saísse fora do previsto, tivéssemos tempo de correr atrás. Optamos por deixar a mesma equipe na parte de edição e montagem pelo resultado satisfatório que atingimos com o documentário "Por trás das redes". O projeto está atingindo na fase final de pós-produção e o resultado está como o esperado, e particularmente superando minhas próprias expectativas o relato dos moradores de Paraisópolis contrasta o atual momento que nosso País vive. O ato da manifestação do último dia 02 de outubro, que tinha como base reivindicar os direitos básicos que a população mais pobre deveria ser assegurada, principalmente em momentos de crise ficará marcado na minha vida, foi um mix de emoções tanto pessoal como profissional fazer parte e servir de meio para transmitir essas vozes, os gritos e as expressões do povo nas ruas. Por fim não posso deixar de citar a produtora da qual me proporcionou tantos momentos e principalmente os aprendizados, não poderia ter escolhido uma melhor produtora como a Recover para realizar os projetos ao longo desses 4 anos. Agradeço a cada um que fez parte e que de alguma forma tenha contribuído para o meu crescimento.
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EVERTON SANTANA Nesta primeira etapa de elaboração da proposta do TCC e da bíblia de produção o maior desafio esteve justamente na fundamentação teórica do trabalho, onde me encarreguei de me aprofundar com meus colegas em como a pandemia do coronavírus aprofundava os males da desigualdade social no Brasil, onde conclui o tema e revisei as passagens anteriores. Sendo a própria abordagem e compreensão do tema grandes desafios por serem problemas tão presentes no dia a dia, mas tão complexos, exigindo um certo esforço para manter a organização da pesquisa e a metodologia da mesma seguindo as orientações necessárias para a bíblia.
Já com a ideia do documentário bem fundamentada fomos realizar a fundamentação teórica do que seria apresentado ali, comigo tendo a tarefa de abordar como o fator da Covid-19 influenciou no cenário da desigualdade já abordado anteriormente e depois revisando a fundamentação como um todo para manter a mesma coesa. Durante as gravações minha participação foi mais voltada como assistente de produção acompanhando as mesmas e auxiliando os operadores de câmeras e a direção durante as entrevistas e os relatos, também atuando como câmera em uma das mesmas, onde minha principal preocupação foi manter o foco poético do trecho que seria uns inserts realizando imagens interessantes, mas que também apresentassem informações do que ocorria no momento. O projeto como um todo foi um grande desafio, isso individualmente, mas também como grupo, onde além das dificuldades que o próprio TCC carrega, além dessas existiam as impostas pela pandemia, que é nosso tema, mas além de estudar a mesma também somos vitimados por ela, sendo algo que afeta a todos, seja como estudantes, pelas dificuldades na produção do documentário, principalmente pelo distanciamento social e nas turbulências que ele gera em aspectos de produção e tecnicamente; Como pessoas pelo que se reflete em nossas vidas pessoais,
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financeiramente, psicologicamente e etc...; E como produtora, onde temos de manter o trabalho em equipe e a unidade na visão do que é o projeto. Por fim acredito que realizamos um excelente trabalho ao abordar a temática e como a desenvolvemos chegando onde queríamos chegar com o documentário. JOHNATAN WESLEY DE SOUSA FERREIRA Iniciamos neste semestre o nosso TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Um dos grandes feitos da vida acadêmica, o tema escolhido foi: O efeito da Pandemia nas classes sociais. É um tema que tem uma grande relevância por ser um assunto que marca um momento muito importante na história, e decidimos utilizar esse tema já visualizando muito mais à frente de nosso tempo. Nesta primeira etapa focamos em desenvolver a fundamentação teórica, justificativa e argumento. Fiquei responsável em ajudar junto com meus colegas no argumento e nas pesquisas para produção da bíblia. Neste tempo aprimorei minha leitura e minha elaboração de texto. Estou com grandes expectativas para a segunda parte deste TCC. O Trabalho na fundamentação teórica abriu meus olhos para enxergar como a desigualdade afeta nosso país, o trabalho em conjunto para escrever e rescrever esse trabalho foi muito gratificante, vê a opinião que cada participante tinha para agregar juntamente com as minhas. Estou animado e confiante de que o documentário vai trazer um olhar amplo de como a desigualdade afeta a todos, principalmente os menos favorecidos. Na parte da produção fiquei responsável pelas captações de imagens, tentamos o máximo possível usar nossos próprios equipamentos, foi uma experiência incrível. Tive a oportunidade de i na casa das pessoas entrevistadas e vê a situação de vidas delas e fiz novas amizades também. Nesta última etapa de edição e finalização, estou contribuindo com correção de cor e animação. Queria agradecer também a produtora que estive dês do primeiro semestre. Já se passaram 4 anos de conquistas e aprendizados juntos. Na produtora fiz muitos
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amigos produzi muitos projetos tudo sempre em parceria e organização. Tenho muito orgulho de te feito parte da família Recover.
LENNART LINDH Durante o primeiro semestre tivemos que trabalhar duro para a entrega da Bíblia de Produção e realização da Pré-Produção do nosso projeto de Documentário, tive que trabalhar e estudar muito mais nesse curto período do que nos outros semestres do curso, visto que para o TCC é necessário um comprometimento e foco muito maior. Muitas reuniões foram necessárias para alinharmos todos os mínimos detalhes da escrita para não ficar conflitante as ideias. Para a escrita da Fundamentação Teórica do Documentário tive que revisitar autores e fundamentações das aulas de Documentário e foi muito bom relembrar e ler até alguns livros que não tive a oportunidade de ler. Depois da banca de qualificação, fiquei responsável pela roteirização da narrativa do documentário e auxiliar a Marian na finalização da Bíblia de Produção, além de ter ajudado em algumas outras funções de edição dos áudios das entrevistas, decupagem das gravações e a própria gravação com os personagens. Durante as gravações refleti bastante sobre o quanto o tema do projeto é importante para os dias atuais, particularmente por morar no interior, não enfrentei tantas dificuldades que os moradores de Paraisópolis tiveram, foi importantíssimo conhece-los e ter a oportunidade de passar para as pessoas que assistirem ao Documentário essa outra realidade. Por fim, gostaria de utilizar esse espaço para agradecer a produtora com quem realizei o TCC e outros projetos interdisciplinares, confesso que no 3º semestre me vi em uma situação de querer trancar a faculdade por não estar contente realizando os projetos, porém nessa produtora, o ânimo nas reuniões, o apoio moral (não só na faculdade, mas na vida também) e a sensação de sempre poder contar com todos me fez continuar e finalizar o tão aguardado TCC.
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LEYDIANE DA SILVA A primeira etapa iniciou-se um pouco complicada, devido ao curto período para fazermos cada capítulo, mas após os primeiros momentos e organizações, decidimos ir adiante e desenvolver o TCC a respeito da “desigualdade”. Um tema extremamente importante no momento de desenvolver este documentário, dada as circunstancias da pandemia de COVID-19. O grupo como um todo foi coeso e dedicado, mais um semestre que tivemos que trabalhar em grupo de forma virtual, para manter o distanciamento obrigatório, nos encontrando apenas em alguns momentos de gravações com equipe totalmente reduzida. Nas primeiras etapas ajudei o projeto com pesquisas, e depois a parte prática de produção, com ideias desenvolvidas veio a parte de procurar nossos “personagens” eu fiquei responsável por procurar um líder comunitário e foi quando encontrei o Gilson, que desde o primeiro contato foi super atencioso junto com sua equipe do G10 favelas, que até nos ajudou com outros personagens, estive em Paraisópolis auxiliando em uma das gravações e foi uma oportunidade de ver a comunidade com um olhar diferente do que a sociedade vê nas mídias. Eu agradeço a cada integrante da produtora por dar sempre o melhor em cada trabalho, especialmente nesse TCC. Mesmo com imprevistos, desistências da parte de alguns personagens, nós não desistimos e vimos mais uma vez o quanto é importante o trabalho em equipe. LUCIANO COSTA Participar as gravações em Paraisópolis me fez abrir os olhos em relação a vários assuntos, como mesmo vivendo a vida toda na periferia não paramos para olhar os nossos semelhantes. Não percebemos como a periferia é abandonada e que somos totalmente invisíveis aos olhos do Estado. Como nos semestres passados não tem o que reclamar do trabalho em equipe, o grupo todo se disponibilizou na medida do possível para ir nas gravações e quem não pode participar das externas auxiliou de outras formas. Tenho muito orgulho de
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ter participado desse projeto, o considero um documento histórico, um registro que ajudará as gerações futuras a entenderem os tempos difíceis que estamos vivemos.
MARIAN CARVALHO Finalmente chegamos na etapa final do curso, nunca imaginei que fosse chegar até aqui, quantas vezes quis desistir por achar que não era boa o suficiente, mas ao longo da minha jornada conheci pessoas maravilhosas que me ensinaram, me acolheram e me mostraram o meu valor. Apesar de todas as crises de ansiedade causadas, todos os dias de luta ao longo desses 4 anos, finalmente os dias de glória chegaram. Falando agora sobre o projeto, a pré-produção do TCC foi desafiadora demais devido ao curto período para escrevermos os determinados tópicos para orientação, mas foi leve e organizado. Nosso tema é muito importante para a situação atual, estamos fazendo tudo de forma clara e objetiva para a compreensão de todos. Meu papel nesse importantíssimo trabalho foi assumir o cargo de produtora executiva no qual já sou “familiarizada” e a produtora confia nas pesquisas, nas tabelas de orçamento, na paciência que precisa ter, e fazer cálculos (kkkk sofro). Já elaboração da bíblia de produção fui responsável por diferenciar cada modo de documentário e seus exemplos, pesquisa de classificação indicativa, público-alvo e veiculação, auxiliando também todos os tópicos e diagramação da bíblia, não esquecendo que nas horas vagas era a psicóloga da galera e tentava acalmar o grupo nas situações de estresse pré-banca. Já nas gravações, auxiliei nas filmagens que fizemos na manifestação que teve na Avenida Paulista e a voz off do poema que abre nosso documentário. Inclusive gostaria de agradecer a Gabi que aceitou gravar com a gente. Foi um projeto que por mais que o grupo tenha surtado com vários personagens desistindo, o tempo curto da edição e entre outros mil probleminhas rsrs conseguimos nos manter unidos e sem brigas.
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Por fim, gostaria de deixar meu agradecimento ao pessoal do Núcleo de comunicação, em especial a Juliana Bastos por ter nos ajudado da melhor forma possível, sem ela não conseguiríamos muitas coisas. Obrigada Bro. VICTOR HUGO Nesse penúltimo semestre nos deparamos com o TCC, resolvemos fazer um documentário sobre "desigualdade". Minha parte inicialmente foi com veiculação, e argumentos sobre qual plataforma vamos usar, bastante interessante pois é notável o tanto que vem sendo o crescimento de streaming e conseguimos passar isso nos textos elaborados. Grupo reagiu muito bem com todos os temas da Bíblia, saiu conforme esperado de pessoas bem esforçadas e dedicadas, espero aprender ainda mais com todos. Iniciamos a segunda etapa da bíblia com a certeza que seria algo trabalhoso e desafiador, tivemos um contratempo com um dos nossos convidados a participar do documentário, ele não se enquadrou aos requisitos e isso foi um problema resolvido com muito esforço e dedicação da equipe. Tive o prazer de acompanhar a filmagem na Av Paulista em uma manifestação, onde fizemos bastante material para acrescentar no trabalho final, algo bem cansativo, mas confortante, sei que tudo valera a pena.
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