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A Comida Fala - Rootopia Produções

Page 1

UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL RÁDIO, TV E INTERNET

Flávia Cristina Florêncio Barros Felipe Ribeiro Freitas Ingrid Vieira dos Santos Mayara Duarte dos Santos Maycon Douglas Ferreira Dias Pedro Henrique Gregório Dutra Raphael Orciolli Tanise Paula Baldissera Washington Dantas Oliveira

A COMIDA FALA DOCUMENTÁRIO

São Paulo; 2020


FLÁVIA CRISTINA FLORÊNCIO BARROS| 17438551 FELIPE RIBEIRO FREITAS | 17421829 INGRID VIEIRA DOS SANTOS | 17246172 MAYARA DUARTE DOS SANTOS | 17991099 MAYCON DOUGLAS FERREIRA DIAS | 17843626 PEDRO HENRIQUE GREGÓRIO DUTRA | 17684587 RAPHAEL ORCIOLLI | 17583438 TANISE PAULA BALDISSERA | 24759554 WASHINGTON DANTAS OLIVEIRA | 17816025

A COMIDA FALA DOCUMENTÁRIO

Projeto Experimental da produtora Rootopia Produções, apresentado ao curso de Rádio, TV e Internet como requisito parcial à obtenção do certificado de conclusão. Orientador: Prof. Dr. Bruno Rogério Tavares

São Paulo; 2020


FOLHA DE APROVAÇÃO

BANCA EXAMINADORA

_________________________________ Prof.º

_________________________________ Prof.º

_________________________________ Prof. º


Dedicamos este trabalho a nossos pais, amigos e familiares que nos incentivaram em todos os momentos deste trajeto.


AGRADECIMENTOS Todos nós da Rootopia Produções agradecemos, em primeiro lugar, aos professores que nos acompanharam ao longo dessa trajetória e que tanto colaboraram com nosso crescimento pessoal e, principalmente, profissional. A nossa querida orientadora e professora Ms. Krishina Tavares, que desde o início da segunda etapa nos ajudou muito, dando ênfase e passando pra gente toda sua experiência e aprendizado sobre documentários, fazendo com que chegássemos até essa etapa. Ao professor Dr. Bruno Rogério Tavares, nosso coorientador nessa etapa e que sempre esteve presente e disposto a nos amparar ante qualquer adversidade no decurso desse ciclo tão importante de nossas vidas, nossos mais sinceros votos de felicidade e vitórias. O senhor é muito especial. Agradecemos toda a equipe do núcleo de comunicação da universidade, que sempre nos auxiliou quando precisamos. Reconhecemos de coração o apoio e incentivo dos nossos familiares e amigos, e a luz advinda de Deus, que nos fortaleceu diante dos percalços encontrados no caminho. Por fim, queremos expressar nossa gratidão a cada um que fez parte da história da produtora ao longo desses quatro anos e a todos nossos demais colegas que, direta ou indiretamente, enriqueceram nosso repertório. Obrigado por compartilharem esses anos conosco.


‘’A gastronomia é temperada com cultura e aromatizada de sabedoria.’’

Chefe Di Manno.


FLORENCIO, F. C., FREITAS, F. R., SANTOS, I. V., SANTOS, M. D., DIAS, M. D., GREGÓRIO, P.H., ORCIOLLI, R., OLIVEIRA, W. D. A COMIDA FALA. Projeto Experimental (Bacharel em Rádio, TV e Internet) – Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2020.

RESUMO São Paulo teve um grande movimento imigratório nos últimos 30 anos e com ele muita história, bagagem cultural e diversidade de culinária. O objetivo do projeto é mostrar como esses imigrantes usam a culinária para tentar se estabelecer na grande metrópole e como usar a comida para além de conquistar a ascensão financeira também se reconectarem com seu país nativo e serem a forma de seus compatriotas que já moravam em São Paulo matar um pouco da saudade que sentem de seu país.

Palavras-chave: Comida. Imigração. Documentário. Restaurante. Metrópole.


FLORÊNCIO, F. C., FREITAS, F. R., SANTOS, I. V., SANTOS, M. D., DIAS, M. D., GREGÓRIO, P.H., ORCIOLLI, R., OLIVEIRA, W. D. THE FOOD TALKS. Experimental Project (Bachelor in Radio, TV and Internet) – Cruzeiro do Sul University, São Paulo, 2020.

ABSTRACT São Paulo had a great immigrant movement in the last 30 years and with it a lot of history, cultural background and diversity of cuisine. The objective of the project is to show how these immigrants use cuisine to try to establish themselves in the great metropolis and how to use food in addition to achieving financial ascension, also reconnecting with their native country and being the form of their compatriots who already lived in São Paulo kill a little homesickness they feel for their country.

Key-words: Food. Immigration. Documentary. Restaurant. Metropolis.


SUMÁRIO 1

Introdução ................................................................................................ 12

2

Rootopia Produções ................................................................................ 13 2.1

A produtora ....................................................................................... 14

2.1.1 Missão ......................................................................................... 16 2.1.2 Visão ........................................................................................... 16 2.1.3 Valores ........................................................................................ 16 2.2

Portfólio ............................................................................................. 17

2.3

Equipe ............................................................................................... 21

2.3.1 Carômetro ................................................................................... 21 2.3.2 Minicurrículo ................................................................................ 22 2.3.2.1 Felipe Freitas ........................................................................ 22 2.3.2.2 Flávia Florêncio ..................................................................... 23 2.3.2.3 Ingrid Vieira ........................................................................... 24 2.3.2.4 Mayara Duarte ...................................................................... 25 2.3.2.5 Maycon Douglas .................................................................... 26 2.3.2.6 Pedro Gregório ...................................................................... 27 2.3.2.7 Raphael Orciolli ..................................................................... 28 2.3.2.8 Tanise Baldissera ................................................................. 29 2.3.2.9 Washington Dantas ................................................................ 30 2.3.3 Organograma .............................................................................. 31 3

Ingredientes: Fundamentação Teórica ..................................................... 32 3.1

Imigração Árabe no Brasil ................................................................. 33

3.2

Cultura............................................................................................... 36

3.3

Culinária ............................................................................................ 38

3.4

Shawarma e Cardapio Árabe ............................................................ 39


3.5 4

Documentário .................................................................................... 40

Utensílios: Produção ................................................................................ 44 4.1

Criação .............................................................................................. 45

4.2

Sinopse ............................................................................................. 45

4.3

A Comida Fala................................................................................... 45

4.4

Objetivo geral .................................................................................... 46

4.5

Proposta do documentário ................................................................ 46

4.5.1 Eleições e descrição dos objetos................................................. 47 4.5.1.1 Shadi .................................................................................... 47 4.5.1.2 Saaid .................................................................................... 48 4.5.1.3 Abdul .................................................................................... 49 4.5.2 Eleição e justificativa para estratégias de abordagem ................. 50 4.6

Sugestão de estrutura ....................................................................... 51

4.6.1 Proposta de direção geral............................................................ 51 4.6.2 Direção de fotografia ................................................................... 51 4.6.3 Proposta de direção de arte ........................................................ 52 4.6.4 Vídeografismo e pós-produção .................................................... 52 4.6.5 Trilha sonora ............................................................................... 54 4.6.6 Referências estéticas .................................................................. 54 4.7

Classificação indicativa ..................................................................... 57

4.8

Público-alvo ....................................................................................... 58

4.9

Veiculação/distribuição ...................................................................... 59

4.9.1 Plataforma Digital ........................................................................ 60 4.9.2 Canal Televisivo .......................................................................... 60 4.10

Justificativa .................................................................................... 61

4.11

Desenho de produção .................................................................... 62

4.11.1 Preparação ................................................................................ 62


4.11.1.1 Pesquisa e coleta de material: ............................................ 62 4.11.1.2 Pré-produção ...................................................................... 63 4.11.2 Gravação. .................................................................................. 63 4.11.2.1 Equipe................................................................................. 63 4.11.2.2 Equipamentos de vídeo e áudio .......................................... 63 4.11.2.2.1 Estabelecimentos ............................................................................................. 65

4.11.2.3 Tempo de gravação ............................................................ 65 4.11.3 Pós-produção ............................................................................ 65 4.11.3.1 Montagem/finalização ......................................................... 65 4.11.3.2 Trilha Sonora ...................................................................... 65 4.12

Cronograma de produção .............................................................. 66

4.13

Orçamento ..................................................................................... 70

4.13.1 Pré-produção............................................................................. 70 4.13.2 Produção ................................................................................... 72 4.13.3 Pós-produção ............................................................................ 74 4.13.4 Total .......................................................................................... 74 4.14 5

Prestação de contas ...................................................................... 75

Apêndice .................................................................................................. 76 5.1

COVID-19.......................................................................................... 77

5.1.1 Contexto da pandemia e medidas de segurança no estado de São Paulo

77 5.1.1.1 Disponibilidade de informações ............................................ 78 5.1.1.2 O isolamento Social .............................................................. 79 5.1.1.3 Medidas Sanitárias ............................................................... 80

5.1.1.3.1 Plano de Contingência: ....................................................................................... 80

5.1.2 Interferência no projeto ................................................................ 85 5.2

Roteiro............................................................................................... 87

5.3

Estabelecimentos .............................................................................. 90


5.3.1 Restaurante Al Janiah ................................................................. 90 5.3.2 Restaurante Syria ........................................................................ 91 5.3.3 Restaurante Aboud...................................................................... 92 5.3.4 Feira Kantuta ............................................................................... 92 5.3.5 Riconcito Peruano ....................................................................... 93 5.4

Autorização de uso ............................................................................ 95

5.4.1 Saaid Zaikir ................................................................................ 95 5.4.2 Abdul Rabman Alsaied ................................................................ 96 5.4.3 Shadi Kebeisso ........................................................................... 97 5.4.4 Musica “Vespa” ........................................................................... 98 5.4.5 Raphael Orciolli ........................................................................... 99 5.5 6

Making Off ......................................................................................... 99

Considerações Finais ............................................................................ 104 6.1

Flávia Cristina.................................................................................. 105

6.2

Felipe Freitas................................................................................... 105

6.3

Ingrid Vieira ..................................................................................... 106

6.4

Mayara Duarte................................................................................. 106

6.5

Maycon Douglas .............................................................................. 107

6.6

Pedro Gregório ................................................................................ 107

6.7

Raphael Orciolli ............................................................................... 108

6.8

Tanise Baldissera ............................................................................ 109

6.9

Washington Dantas ......................................................................... 110

Referências bibliograficas ............................................................................ 111


ÍNDICE DE IMAGEM Figura 1 – Rootopia Logo Desenho ............................................................... 14 Figura 2 – Lente de câmera digital................................................................. 15 Figura 3 - Rootopia Fonte .............................................................................. 15 Figura 4 – Rootopia Logo .............................................................................. 15 Figura 5 - Programa Cruzeirão 2000. ............................................................ 18 Figura 6 - Revista eletrônica “Foco Independente” ........................................ 18 Figura 7 - Programa de auditório – Game show “Aquela conversa” ............... 19 Figura 8 – Web série “Vermelho” ................................................................... 19 Figura 9 - Vídeo clipe “Não sei dizer” ............................................................. 20 Figura 10 – Carômetro Rootopia.................................................................... 21 Figura 11 – Organograma de equipe ............................................................. 31 Figura 12 - Shadi Kebeisso............................................................................ 48 Figura 13 - Saaid Zaikir ................................................................................. 49 Figura 14 - Abdul Rabman Alsaied ................................................................ 50 Figura 15 – Paleta de Cores 1 ....................................................................... 52 Figura 16 - Interface de edição A comida fala ................................................ 53 Figura 17 - Timeline A comida fala ................................................................ 53 Figura 18 – Paleta de Cores 2 ....................................................................... 54 Figura 19 - Pesquisa Chef’s Table na Netflix ................................................. 55 Figura 20 - Todo Sobre el Asado ................................................................... 56 Figura 21 - Caffè Sospeso ............................................................................. 56 Figura 22 - E il Cibo Va .................................................................................. 57 Figura 23 – Classificação Indicativa ............................................................... 58 Figura 24 - Livre para todos os públicos ........................................................ 58 Figura 25 – Pesquisa de Público-alvo ............................................................ 59 Figura 26 - Netflix .......................................................................................... 60 Figura 27 - TV Cultura ................................................................................... 60 Figura 28 - Perfil Netflix no twitter .................................................................. 78 Figura 29 - Anuncio de refrigerador com conexão a internet.......................... 78 Figura 30 - Site Prefeitura de São Paulo – Coronavírus ................................ 79


ÍNDICE DE TABELA

Tabela 1 - Sírios e libaneses por estado segundo os censos populacionais de 1920 e 1940 ............................................................................................................. 34 Tabela 2 - Relação de equipamentos de captação de vídeo ......................... 64 Tabela 3 - Relação de equipamentos de captação de áudio ......................... 64 Tabela 5 - Cronograma de produção ............................................................. 66 Tabela 6 - Logística de gravação interna Cozinha (Estúdio - Notashamo) ..... 67 Tabela 7 - Logística de gravação externa - Restaurante Aboud Síria ............ 68 Tabela 8 - Logística Gravação Externa: Restaurantes Abudi Halal e Ghadir . 69 Tabela 9 – Equipe 1....................................................................................... 70 Tabela 10 – Equipamento ............................................................................. 71 Tabela 11 – Equipe 2 ..................................................................................... 72 Tabela 12 - Despesas .................................................................................... 73 Tabela 13 – Equipe 3 ..................................................................................... 74 Tabela 14 - Valor Final .................................................................................. 74 Tabela 15 - Prestação de contas ................................................................... 75


1 INTRODUÇÃO

O documentário A Comida Fala propõe apontar a comida como o elo entre diferentes culturas e revela-la como uma ferramenta capaz de nos aproximar das histórias de luta e resistência relatadas por imigrantes que vivem hoje no Brasil. A seção de fundamentação teórica estabelecerá a escolha do gênero e assunto. Também incluirá menções aos autores, dados e estudos que nos elucidaram quanto ao tema e influenciaram a pré-produção do projeto. O terceiro capítulo evidenciará toda a estrutura do documentário, métodos de abordagem, justificativa e visão original, a fim de que o leitor possa conceber nitidamente nossas propostas audiovisuais. Ao final será anexado o roteiro para garantir entendimento máximo acerca da produção e ilustrar os takes, planos e enquadramentos.

12


2 ROOTOPIA PRODUÇÕES

13


2.1 A produtora

O logotipo da produtora Rootopia visualmente apresenta um símbolo formado por cinco hexágonos, um dentro do outro e em diferentes posições, dando uma sensação de profundidade. A mesma imagem, mesmo sendo uma figura geométrica fechada, tem vários pontos

que

se

ligam,

e

cada

aresta

está

conectada

representando

a

multidisciplinariedade. A tridimensionalidade faz ainda referencia a aproximação, se ligando diretamente a visão, missão e valores da produtora, que podem ser resumidas, mas não limitadas, a vontade da equipe de levar qualidade e conhecimento no entretenimento oferecido, se aproximando do publico. Figura 1 – Rootopia Logo Desenho

Fonte: Arquivo pessoal O posicionamento dos hexágonos foi pensado ainda para lembrar a lente de uma câmera digital, mais especificamente o obturador, o “olho da câmera” que tem a responsabilidade capturar a imagem.

14


Figura 2 – Lente de câmera digital

Disponível em: < https://www.querocase.com.br/topsocket-lente-fotografica/> Acessado em 05/09/2020 Abaixo da figura segue-se o nome do grupo: Rootopia Produções.

Figura 3 - Rootopia Fonte

Fonte: Arquivo pessoal A palavra “OPIA”, que vem do latim opus e significa visão, é escrita em negrito, fazendo contraste com a palavra “ROOT”, que vem do inglês e significa raiz. Esse contraste, o que diferencia e deixa a marca em nosso serviço, é a visão diferente que apresentamos. Figura 4 – Rootopia Logo

Fonte: Arquivo pessoal 15


Portanto, Rootopia nada mais é do que a raiz da visão.

2.1.1 Missão

A missão da Rootopia Produções é produzir obras com sentimento, valorizando a dualidade entre produção e conteúdo e prezando pela qualidade desde a concepção até a execução do projeto. A equipe tem o objetivo de usufruir de veículos de comunicação viáveis e impactantes, como a televisão e o rádio, mas principalmente a internet, para a transmissão dos conteúdos e fomentar as redes sociais como plataforma de exibição, além de divulgar produtos de caráter social, que ofereçam entretenimento e informação.

2.1.2 Visão

A princípio a produtora visa ser referencial de qualidade nos trabalhos acadêmicos e evoluir ao ponto de comercializar produtos audiovisuais à grandes empresas do mercado, como emissoras ou serviços de streaming, e dar continuidade ao trabalho, divulgando o portfólio em redes sociais (especialmente no YouTube), revelando o que ocorre por trás das câmeras para, assim, conquistar público e visibilidade. A longo prazo a Rootopia almeja tornar-se uma produtora de conteúdo capaz de se manter por meio dos próprios projetos que, uma vez comercializados, gerem receita através do método Cauda Longa 1.

2.1.3 Valores

Os valores da empresa se dividem em três pares, ao ver da equipe, essenciais nos dias atuais:

1

No audiovisual, o método Cauda Longa se refere a uma teoria lançada por Chris Anderson que consiste na ideia de que pequenas vendas geram resultados relevantes e podem ultrapassar os lucros dos grandes sucesso, como os Blockbusters (MORGADO, 2016)

16


• Emoção e união: A produtora valoriza que a emoção depositada em todas as etapas de produção, desde o roteiro até a edição, impressione e seja perceptível ao público. Prestigiamos a união da equipe e reconhecemos a importância de dar voz a todos os integrantes e setores. • Inovação e qualidade: A equipe busca ser sinônimo de inovação no mercado, atrair investimentos que a leve a liderar o meio audiovisual, com uma perspectiva revolucionária na área. Os trabalhos entregues devem satisfazer a todos os envolvidos em relação a qualidade técnica. • Liberdade de expressão e ética: Busca-se pela liberdade de expressão e de imprensa, e as criações da produtora trazem nelas temas críticos ao que possa comprometer esses direitos. Respeita-se os direitos humanos, a ética e a moral, e preocupa-se em transmitir esses conceitos em todas as suas produções audiovisuais.

2.2 Portfólio

Durante seus anos de existência a Rootopia Produções criou projetos interdisciplinares que geraram um bom portfólio para sua equipe. O primeiro foi o denominado “Programa Cruzeirão”, realizado pela equipe no ano de 2017. Com uma abordagem jovem e descontraída este programa é apresentado por Luís Felipe e Leonardo Menezes que trazem uma playlist musical com os maiores sucessos do ano 2000. O projeto se encontra disponível gratuitamente no YouTube através do link https://www.youtube.com/watch?v=CXvguxuGngQ

17


Figura 5 - Programa Cruzeirão 2000.

Fonte: Arquivo Pessoal O primeiro projeto do ano de 2018 foi a revista eletrônica “Foco Independente”, que traz assuntos atuais do ponto de vista das minorias, como artistas de rua, batalha de rap, poesia e produtores de show, dando voz a cultura independente do estado de São Paulo. O projeto está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=jefnDu__C8&t=14s Figura 6 - Revista eletrônica “Foco Independente”

Fonte: Arquivo Pessoal O segundo projeto interdisciplinar realizado pela produtora no ano de 2018 foi o “Aquela conversa”, um programa do gênero game show, disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=sNdTUuNf6Xc&t=28s 18


Neste episódio o apresentador Luis Felipe propõe perguntas do tema sexo para que mãe e filha conheçam seu nível de conhecimento sobre o tema. A proposta sugere a quebra de tabu sobre ter aquela conversa sobre sexo entre a família, entretendo e descontraindo o público enquanto ensina. Figura 7 - Programa de auditório – Game show “Aquela conversa”

Fonte: Arquivo Pessoal O projeto interdisciplinar realizado pela Rootopia no ano de 2019 foi a Web série de suspense, “Vermelho”. O

piloto

desse

projeto

se

encontra

disponível

no

link

https://www.youtube.com/watch?v=F5xES860VG8&t=87s Figura 8 – Web série “Vermelho”

Fonte: Arquivo Pessoal 19


Neste piloto Gustavo, o protagonista, busca encontrar sua amada Elisa em outras mulheres após matá-la e não superar sua falta. A série mostra a trajetória da investigação da polícia, enquanto as vítimas de Gustavo seguem sendo mortas.

O ultimo projeto realizado pela equipe até o momento, em 2020, foi o videoclipe para a música “Não Sei Dizer”, de Felipe Freitas, que pode ser visto através do link https://www.youtube.com/watch?v=Up7ZDuPRpqM Figura 9 - Vídeo clipe “Não sei dizer”

Fonte: Arquivo Pessoal

20


2.3 Equipe

2.3.1 Carômetro Figura 10 – Carômetro Rootopia

Fonte: Arquivo pessoal

21


2.3.2 Minicurrículo

2.3.2.1

Felipe Freitas

Idade: 21 anos.

Nascido em São Paulo, se dedica à música e já realizou excelentes trabalhos de composição, voz e melodia à canções autorais em que expressa sua verdade, a fim de levar conforto emocional para seu público. Carrega a arte em suas veias e no seu olhar sobre a vida, assim como em seus trabalhos e seu modo de pensar, agir e viver. Na universidade, é responsável pela direção de toda produtora e o faz com paciência e serenidade, demonstrando segurança à toda a equipe. Seu principal foco profissional consiste neste caminho, já com diversos cursos complementares e, agora, com a formação acadêmica, almeja novos horizonte na direção e, claro, sem deixar de levar consigo sua maior forma de expressão: a música.

22


2.3.2.2

Flávia Florêncio

Idade: 24 anos.

Nascida e criada na capital paulista, vem de uma família de fotógrafos que sempre teve o costume e preferência de registrar memórias em imagens e, logo cedo, descobriu que para além de registros afetivos a imagem podia ser usada para criar e contar histórias. Sempre curiosa sobre como as coisas funcionam, passou boa parte da infância assistindo o making of de seus filmes favoritos e via neles seu futuro nos bastidores. Aprendeu a editar vídeos e peças gráficas, intencionada apenas a compartilhar com amigos e publicar em pequenos fóruns online, mas em pouco tempo começou a aprimorar essas habilidades e, inevitavelmente, isso a levou a estudar design. O curso de Comunicação Visual da ETEC Carlos de Campos a apresentou competências e conceitos teóricos que se provaram indispensáveis para sua vida profissional.

23


2.3.2.3

Ingrid Vieira

Idade: 25 anos

Nascida em Mauá, São Paulo, cresceu com influência da fotografia de família, aquelas em que clicamos tudo que vemos para lembrar depois. Sem perceber a curiosidade por captar lembranças foi virando paixão, logo, a oportunidade de uma profissão. Começou na fotografia, até perceber que vários cliques unidos passariam a se chamar vídeo. Então, uma nova curiosidade surgiu e com ela a oportunidade de aprender na prática e aos 16 anos ingressou na primeira empresa para edição de vídeo e captação de imagem de eventos sociais (casamentos, aniversários e ensaios fotográficos), área em que atua desde então. A partir daí, a captação de imagem e pós-produção vem sendo seu campo de aprendizado, estudo e dedicação. Com a universidade e trabalhos acadêmicos, descobriu potenciais inesperados como direção de fotografia, direção de arte e grande participação em produção, até mesmo montagem de cenário e figurino, além da grande carga cultural. Atualmente busca crescimento acadêmico e profissional e satisfação em cada dia mais poder ver trabalhos realizados em que fez, faz ou poderá fazer parte e acrescentar sentimento e carinho pela profissão.

24


2.3.2.4

Mayara Duarte

Idade: 26 anos

Bacharel em Rádio, TV e Internet pela Universidade Cruzeiro do Sul, formação prevista em dezembro de 2020, desempenha o cargo de produtora audiovisual e é responsável por toda produção e pré-produção do projeto, autorização para os locais de gravação, contratação de elenco, cenário, preparação de figurino e autorização de imagem.

25


2.3.2.5

Maycon Douglas

Idade: 24 anos

Nascido e criado na capital de São Paulo, desde muito novo é apaixonado por filmes e televisão. Fazia de seus brinquedos os personagens das histórias que criava e que continham tramas familiares e plot twists ou lutas emblemáticas entre bonecos, dependendo de como estava se sentindo no dia. Ao concluir o ensino médio ingressou na faculdade de Propaganda e Marketing, porém não foi o que esperava até o semestre que teve aulas de audiovisual, e daí em diante soube que era aquilo que queria. Trancou o curso e se matriculou em Rádio, TV e Internet, onde está adquirindo conhecimento e experiência no campo audiovisual. Nos trabalhos acadêmicos costuma atuar como câmera e direção de fotografia, e busca conhecimento e aprimoramento de técnicas para que possa ter uma trajetória de um bom trabalho e alguma relevância social.

26


2.3.2.6

Pedro Gregório

Idade: 21 anos

Nascido em São Paulo, desde pequeno sempre sonhou em trabalhar na Rede Globo, sempre acompanhava suas produções por trás das câmeras e sempre teve interesse em saber como funcionam os bastidores, mas não sabia qual área seguir, por ser criança. Até que então sua irmã, alguns anos depois, o apresentou ao curso que está graduando e ingressou em Janeiro de 2019 em Rádio, TV e Internet na Universidade Cruzeiro do Sul. Atualmente exerce a função de produtor audiovisual, responsável por controlar todos os aspectos da produção, desde o desenvolvimento, contratação de elenco e checagem de fatos. Também atua como figurinista pela elaboração dos figurinos idealizando e criando o traje das pessoas que participarão da produção do projeto.

27


2.3.2.7

Raphael Orciolli

Idade: 28 anos

Criado em São Paulo, acompanhou o nascimento da internet e a evolução da TV, sempre com a influência do rádio. O gosto pelas linguagens audiovisuais com o tempo se tornou sua maneira de expor suas referências em fotografia, filmagem e criação. Com experiências acadêmicas e profissionais com pré e pós-produção, fotografia e arte, pôde unir criatividade e visão para crescer e poder acrescentar sua percepção a novas produções.

28


2.3.2.8

Tanise Baldissera

Idade: 26 anos

Nascida no Rio Grande do Sul, há três anos resolveu largar tudo para buscar estudar e trabalhar em televisão em São Paulo, morou em três cidades do interior de São Paulo até chegar na capital onde tudo acontece. Sempre tive interesse em conhecer o mundo atrás das câmeras e como é feita a magia da televisão, foi assim que despertou o interesse em cursar Rádio, TV e Internet. Estagiou em rádio atuando e aprendendo, sobre programação, sonoplastia e arranhou na locução, mas foi com programação de televisão que encontrou um propósito maior, onde atua já a quase 6 anos. Ao longo do curso, atuou em algumas áreas, como produção, auxiliar de edição, e locução, porém, a área que mais se identificou foi produção.

29


2.3.2.9

Washington Dantas

Idade: 20 anos

Nascido e criado na cidade de São Paulo, sempre foi apaixonado por esportes e passou grande parte da infância e toda a adolescência tentando realizar o sonho de ser jogador de futebol. Era muito comprometido com os treinos, participou de grandes torneios e chegou a ser federado, porém sempre conciliou o esporte com os estudos. Mas esse sonho começou ficar distante pois esse é um mundo muito competitivo. Foi então que, começou a pensar em outras possibilidades para poder continuar no meio esportivo que tanto gosta. Sempre teve interesse por transmissões de eventos esportivos e isso despertou o interesse de entrar no meio da comunicação. Ingressou então na universidade, cursando Rádio, TV e Internet, onde conheceu o mundo do audiovisual e se interessou ainda mais pelo curso. Ao longo do curso, atuou em diversas áreas, como direção, edição, roteiro e locução, porém, a área que mais se identificou foi a locução. Começou o estágio em uma rádio, onde pôde conhecer ainda mais a área. Está sempre em busca de novos desafios e conhecimentos para crescer no meio do audiovisual.

30


2.3.3 Organograma Figura 11 â&#x20AC;&#x201C; Organograma de equipe

Fonte: Arquivo Pessoal

31


3 INGREDIENTES: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

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3.1 Imigração Árabe no Brasil

Os diferentes costumes e sotaques que variam de uma região para outra se destacam fortemente entre os elementos que formam a identidade do Brasil. Essa pluralidade cultural é uma herança da nossa colonização e de incessantes ciclos imigratórios que, ao longo de sua história, somaram à cultura local ao absorver costumes estrangeiros que naturalmente se tornaram parte do DNA nacional. Diversos movimentos de imigração têm o Brasil como destino desde 1534, quando os portugueses chegaram à colônia a fim de iniciar efetivamente o processo de colonização e, já no século seguinte, o Brasil começou a receber espanhóis apesar da proibição, decretada pela coroa, da entrada de estrangeiros no território. Após a abolição tardia do tráfico negreiro, a chegada dos italianos ocorre no século 19 quando o Brasil, em busca de mão de obra livre e barata, e numa tentativa eugenista de embranquecer a população, passa a facilitar a imigração italiana e mais tarde, no início do século 20, a imigração nipônica traz em sua maioria lavradores para trabalhar nas fazendas de café do interior paulista. Entre 1819 e 1940, o Brasil recebeu cerca de cinco milhões de imigrantes, número esse que posteriormente estagnou e passou a receber majoritariamente refugiados judeus, sírios, libaneses e palestinos. (SANTOS, BARBIERI, et al., 2010). Foi a partir de 1840 que a presença árabe no Brasil se consolidou, quando guerras na região do Líbano e Síria levaram muitos de seus habitantes a deixar seus países. Entre 1880 e 1910 o Brasil recebeu um novo ciclo de imigração de sírios e libaneses em razão dos conflitos conseguintes com a presença do Império TurcoOtomano e conflitos causados pela falta de terras férteis. A maior parte dos imigrantes se dirigiu para São Paulo, e um número menor seguiu para o Rio de Janeiro e Minas Gerais, enquanto outros poucos foram para o Rio Grande do Sul e Bahia. Mais de 58 mil árabes imigraram para o Brasil até 1920, e São Paulo recebeu o que corresponde a 40% desse total, conforme indicado a seguir:

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Tabela 1 - Sírios e libaneses por estado segundo os censos populacionais de 1920 e 1940

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro, 2000. Durante a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial, que ocorreram de 1914 à 1918 e 1939 à 1945 houve uma baixa significativa na imigração de árabes para o Brasil. Após as duas grandes guerras, porém, eles voltaram a buscar no Brasil seu novo lar. (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS BRASIL-ÁRABE, 2020) A partir de 1985, a abertura democrática pós-ditadura transformou as relações internacionais do Brasil no que diz respeito a diversas questões setoriais de escala global (BACHA, KLEIN e KLEIN, 1989), como conflitos étnicos e civis, desastres naturais, condições trabalhistas e econômicas, que se relacionam diretamente com questões de escala nacional, como o uso do território brasileiro, fronteiras e políticas imigratórias, e de escalas locais como as questões de assistência social e de trabalho. Essas questões, tão pertinentes à imigração, fizeram do Brasil um país favorável ao recebimento de estrangeiros. Esse recente panorama justifica o aumento do fluxo de imigrações internacionais para o Brasil consolidado ao longo das últimas três décadas e que, como verificado nos Censos realizados pelo IBGE, mostra um crescimento exponencial significativo de imigrantes legais, ilegais e refugiados, que totalizaram, nos anos entre 2000 e 2010, 268.295 pessoas chegando ao território nacional (UEBEL, 2016). O número de imigrantes que chegaram ao estado de São Paulo nos anos 2000 era de 38.842 imigrantes, e em 2010 esse número praticamente dobrou, chegando a incríveis 81.813 imigrantes, o que torna a cidade o local que mais recebeu imigrantes na última década (OLIVEIRA, 2013). Entre 1975 e 1990, a Guerra Civil do Líbano trouxe uma leva de imigrantes libaneses para o Brasil, assim como palestinos no começo dos anos 2000 e sírios desde o conflito interno que aflige o país desde 2011. O caso mais recente, porém, se trata de refugiados, não imigrantes. 34


De acordo com dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), 3.326 sírios foram aceitos como refugiados no Brasil entre 2011 e 2018, o equivalente a 40% do total de refúgios concedidos pelo Brasil no período. No mesmo período, 350 palestinos, ou 4% do total, receberam refúgio no Brasil, além de 110 iraquianos, ou 1% do total. (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS BRASIL-ÁRABE, 2020)

São Paulo, o principal centro financeiro da América Latina, é conhecido internacionalmente pelas oportunidades de trabalho e diversidade étnica e, portanto, é o paradeiro favorito de quem busca um recomeço. A metrópole se tornou o lar de quase 300 mil estrangeiros entre 2001 e 2017 e entre eles, os bolivianos lideram o ranking elaborado pelo Estadão Dados com base em levantamentos obtidos pelo com a Polícia Federal, em 2017, que apresenta as faces dos novos imigrantes e compreende chineses, haitianos, peruanos, americanos, argentinos, colombianos, paraguaios, japoneses e franceses. (VEIGA, 2018) A cidade de São Paulo foi construída sobre histórias de imigração e a partir de sua fundação como Vila de São Paulo de Piratininga em 1554. No início da imigração, homens e mulheres de mais de 60 países se estabeleceram em São Paulo, em busca de oportunidades. Eles foram acolhidos porque a província paulista necessitava de mão-de-obra para a lavoura cafeeira e, hoje, 363.626 estrangeiros residem na cidade de São Paulo, de 196 nacionalidades diferentes.

Destes, 7.097 nasceram em países árabes, segundo dados do Sistema Nacional de Cadastro e Registro Estrangeiro (Sincre) levantados pela ANBA, baseado na lista divulgada pelo Observatório de Turismo e Eventos (OTE), um núcleo de estudos e pesquisas da São Paulo Turismo (SPTuris). (INSTITUTO DA CULTURA ÁRABE, 2017)

No final do século 19 e até metade do século 20, devido às guerras e crises econômicas, São Paulo começa a receber imigrantes que chegam de diferentes levas vindas de diversas regiões da Europa e Ásia, transformando progressivamente a então província em uma capital econômica e cultural. Estima-se que São Paulo seja a 28ª maior cidade italiana do mundo, a maior cidade japonesa fora do Japão, a maior cidade portuguesa fora de Portugal, a maior cidade espanhola fora da Espanha e a terceira maior cidade libanesa fora do Líbano com 4.509 pessoas nasceram no país do Oriente Médio residindo na metrópole. 35


Depois do Líbano, o país árabe com maior número de residentes é a Síria, que tem 1.583 cidadãos vivendo em São Paulo. Em terceiro entre os árabes aparece o Egito, com 298 habitantes, seguido por Marrocos, com 170, e Jordânia, com 143. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2019) Os libaneses e sírios que migraram inicialmente eram pequenos proprietários de terras e, ao chegarem no Brasil, encontraram um sistema agrário baseado em latifúndios. Sem dinheiro para comprar terras e, consequentemente, sem perspectiva no trabalho rural, optaram pelo comércio, pois essa era a atividade que trazia retorno financeiro mais imediato e permitia que trabalhassem por conta própria. Muitos desses imigrantes queriam enriquecer e voltar aos seus países de origem, mas com o tempo a ideia se tornou inviável. Já com a ideia de se manter no país, a maior parte do grupo se fixou aos arredores da conhecida área comercial 25 de março, atraindo ainda mais pessoas de seus países para o local. (USP, 2014) Entre 1905 e 1910, houve um processo de dispersão residencial na área. Inicialmente, os imigrantes residiam e trabalhavam na 25 de Março e moravam na parte de cima das lojas. No entanto, conforme os negócios progrediram, se estenderam para residências da região da Vila Mariana, Paraíso e Ipiranga. As vias da região da 25 de Março costumavam ter outros nomes, mas com o tempo, receberam denominação de pessoas da colônia, reforçando a sua identidade árabe. (USP, 2014) Os sírios e libaneses que chegaram a partir de 1940 começaram a se fixar também no Brás, por ser mais barato e ainda próximo da área da 25 de Março. A partir do levantamento de 824 estabelecimentos comerciais no Brás, constatou-se que 26,42% pertencem a libaneses e 1,66% a sírios. (USP, 2014) Desta forma, para o primeira episódio do A comida fala foi escolhido retratar a culinária e cultura deste povo que ocupa tal importância no estado de São Paulo: Árabe.

3.2 Cultura

Diferentes raças, etnias e culturas, que chegaram junto com os primeiros imigrantes, se incorporaram facilmente ao cotidiano paulistano e essa mistura se

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acentuou com o correr do tempo marcando profundamente a vida cultural, social e econômica da cidade. A história cultural da cidade de São Paulo foi marcada por influências estrangeiras em diversos aspectos da capital. Na dimensão artística a metrópole foi marcada pela influência alemã na música clássica, e italiana na ópera. Veio também da Itália a influência nas artes plásticas. No comércio, franceses e alemães eram os principais responsáveis pela importação de tecidos, padarias e confeitarias. Os alemães também eram nomes notáveis na produção de papel e cerveja. (SÃO PAULO TURISMO, [20--?]) A presença árabe foi fundamental para o desenvolvimento do comércio no Brasil. Os árabes que vieram ao Brasil vieram por conta de guerras em seus países de origem, portanto, não tiveram suas viagens pagas por fazendeiros. Tornaram-se mascates, aproveitando a demanda por bens de consumo não duráveis, como tecidos, da época e se ocuparam em vender roupas, chapéus, relógios, tecidos, jóias e outros produtos pelas ruas e cidades do interior; levavam seus produtos em baús que lembravam armários, o que deu origem à palavra “armarinhos”, que hoje serve para designar os estabelecimentos focados na venda de materiais usados na costura como fitas, linhas ou botões, entre outras miudezas. Estão entre algumas das contribuições culturais dos árabes ao Brasil, a introdução da venda a prazo e aceitação de diversos tipos de produtos como pagamentos, por exemplo. (USP, 2014) Segundo João Baptista Vargens, pesquisador em Língua e Cultura Árabe, a profissão popularmente conhecida como vendedor ambulante contribuiu para os imigrantes árabes aprenderem rapidamente a língua portuguesa, e esse domínio do idioma foi um fator determinante para a população árabe se estabelecer no Brasil e o que permitiu uma rápida integração à sociedade brasileira. A influência árabe na cultura brasileira está presente, também, na esfera linguística. “[...]Devido à presença árabe na Península Ibérica, há cerca de 3 mil verbetes dicionarizados, de origem árabe, na língua portuguesa. São exemplos da influência árabe na língua portuguesa palavras como: açúcar (as-sukkar – areia branca), alvará (al-bará – carta de autorização), fulano (fi’lán), Oxalá (vem de In Sh’Allá – Se Deus quiser), e xarope (xarab – bebida poção).” (IMPRENSA CFA, 2019)

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A contribuição cultural dos árabes tem sido mais lembrada pela culinária. O aumento das cadeias de fast-food nos grandes centros urbanos familiarizou a população à iguarias arábicas como quibes, esfihas, tabules e coalhada seca. Essa popularização fez com que a culinária árabe fosse incorporada a outros estabelecimentos, como as pastelarias chinesas, e até mesmo bares e padarias de portuguesas e brasileiras. Assim, explorar a cultura Paulista através da culinária de culturas estrangeiras abrange muito mais do que apenas o ato de comer, mas a construção da cultura tão enraizada no dia-a-dia que, por vezes, se passa apenas como o comum.

3.3 Culinária

O misto de migração com cultura regional presente em São Paulo fez a cidade recriar sua identidade, e dentre todas as características, uma que sofreu grandes alterações foi a gastronômica. Muitos dos ingredientes considerados básicos e tradicionais pelos paulistas tiveram origem no sudeste da Ásia, como o arroz, laranja e berinjela, que chegaram junto com os colonizadores portugueses e espanhóis. Outras comidas, como a pizza, vieram da Itália e se tornaram corriqueira na mesa dos paulistanos. (SÃO PAULO TURISMO, [20--?]) São Paulo em 1997 recebeu o título de capital mundial da gastronomia durante a abertura do 10º Cihat: Congresso Internacional de Hospedagem, Gastronomia e Turismo (CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO, 2018). Por ser lar de povos e culturas culinárias de diversas partes do mundo, na capital você pode encontrar sabores dos quatro cantos do globo por preços muitas vezes acessíveis já que popularmente imigrantes tem seus pequenos negócios em bairros de menor expressão na capital.

O costume brasileiro, por exemplo, de consumir produtos a base de iogurte e coalhada além de temperos frescos como hortelã e salsinha, recebeu influência dos hábitos dos imigrantes árabes. Outra grande influência que a culinária árabe transferiu ao Brasil ao chegar aqui foi o tipo de carne usada nos alimentos. Enquanto nos países do oriente médio era comum as criações de carneiros e cordeiros, no Brasil as carnes de gado e de boi se configuram como as prediletas. Assim, em solo brasileiro, comidas

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árabes que são feitas com carne como quibes, esfihas e kaftas, passaram a ser elaboradas com carne bovina. E esta versão conquistou o país. (BH EVENTOS, [20--?])

Além disso, a pimenta, a noz-moscada, o cravo e a canela, que ressaltam o sabor na culinária brasileira, assim como o uso do azeite no lugar de banha de porco também são marcas da cultura árabe. É por isso que em São Paulo, falar de gastronomia é mais do que falar de comida. É falar de culturas, inclusão e imigração. Falar de história. E como cada boa comida tem uma boa história, o objetivo da série A comida fala é tira-las da cozinha e leva-las a vida do telespectador.

3.4 Shawarma e Cardapio Árabe O 2‫شاورما‬, nome em árabe do famoso prato árabe Shawarma, é um “prato originalmente composto de fatias finas de frango ou carne de vaca assados em um espeto vertical e servidas no pão sírio com legumes e outros acompanhamentos.” (HADJAB, 2014) A carne no espeto giratório para sanduiches não é incomum ao povo paulistano. O churrasco grego, típico da gastronomia de rua paulistana há décadas, tem sua origem baseada na carne assada na vertical, servida rapidamente no pão com vinagrete por um preço acessível, e tem seu espaço no centro de São Paulo se tornando parte importante do contexto e cenário. Parte do processo de aceitação do gosto popular ao shawarma, trazido pelos imigrantes árabes à culinária popular de rua paulistana, teve a abertura por essa familiaridade ao churrasco grego, podendo até ser confundido com ele, apesar do preparo mais elaborado. A influência da culinária árabe no Brasil sempre esteve presente, mesmo que despercebida. O costume de consumir kibe, esfihas, pratos com berinjelas e a famosa rede de fast-food de esfihas que está consolidada no gosto do paulistano, tudo isso

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Tradução conforme Google tradutor, disponível em <https://translate.google.com.br/?hl=ptBR&sl=pt&tl=ar&text=Shawarma%20&op=translate> Acesso em 10/12/2020

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facilitou a aceitação do prato, que é o carro chefe em diversos restaurantes fast-food comandado por imigrantes sírios atualmente. Nos restaurantes explorados no A comida fala Syria e Aboud, além do Shawarma, carro chefe de ambos, também servem-se os doces árabes dedo-aberto, baklava, harise, atayef e goma turca. O prato falafel também merece um destaque, pois foi um meio de popularizar os restaurantes entre os adeptos da crescente conscientização sobre o veganismo e vegetarianismo, já que é uma prato que se utiliza de recursos sem origem animal. No documentário, busca-se dar destaque especial ao shawarma, sintetizando seu contexto histórico e cultural dentro da sua viagem ao mundo até chegar em São Paulo e ganhar suas próprias adaptações e variações para entrar no gosto do paulista.

3.5 Documentário

O documentário é um gênero cinematográfico que busca explorar a realidade, não necessariamente como uma representação literal da verdade, mas como uma mostra parcial e subjetiva, sob influência do olhar do documentarista. Pode ser facilmente identificado pelo seu título informativo, e pela abordagem de temas de interesse público – de teor filosófico, sociocultural, ambiental, histórico e/ou político. O filme que apresentou o cinema ao mundo em dezembro de 1895, L’Arrivée d’un Train à La Ciotat (A Chegada do Trem na Estação), dos irmãos Lumiére, foi um registro direto do real e, portanto, a raiz do nascimento do gênero. Porém, foi durante a década de 1920 que o documentário assumiu a forma que conhecemos. (LUCENA, 2012). Os cineastas Robert Flaherty e Dziga Vertov, considerados os pais do filme documentário, concordavam que é fundamental que as imagens reportem o que existe fora do filme, ou seja, o cineasta deve deixar o estúdio e registrar as comunidades em seu convívio natural. No entanto, divergiam quanto ao papel do objeto: Flaherty encorajava que estes se manifestassem em frente às câmera, que os objetos representassem a si mesmos, enquanto Vertov almejava captar imagens do cotidiano, sem que os objetos notassem que estavam sendo gravados. Ambos consideravam essencial que o material recolhido fosse submetido a uma análise meticulosa e este

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princípio resultou na montagem (BARBOSA, 2009). Logo, ao manipular as imagens, os cineastas ressignificam a realidade e o filme deixa de ser somente um espelho. Em um filme do gênero, é imprescindível que sejam discriminados os objetivos da produção do conteúdo. Conhecer o esqueleto de produção é necessário para conhecer melhor a estrutura de um documentário e, para tal, o filme depende do trabalho de um roteirista ciente do posicionamento abordado, capaz de o explanar de maneira coerente e direta e explorar um panorama explicativo que o contextualize para que, ainda que o espectador discorde, ele possa ter uma perspectiva ampla do conteúdo abordado e da visão interpretativa de toda a informação passada, além de obter e organizar a informação para então escrever um roteiro que contenha cenas a serem filmadas, e também de materiais de arquivo, derivados de trabalhos anteriores de outros autores, que possam ser incluídos. (HAMPE, 1997) Para Barry Hampe (1997), o trabalho do roteirista de documentário será muito similar a escrever um filme de ficção porém, considerando que documentários não possuem altos e baixos coordenados como os pontos de virada usados na ficção, manter o espectador interessado no conteúdo torna-se mais desafiador em obras do gênero, portanto a estrutura é uma das qualidades mais importantes pois, na ausência de uma articulação organizada, o texto pode suceder em uma produção fraca e de péssima execução, causando a perda do público antes mesmo da introdução ao conteúdo. Porém, se a produção é de um documentário espontâneo que exponha um tipo de comportamento ou evento único, por exemplo, não deve haver um roteiro cinematográfico tradicional, porque ninguém sabe realmente o que vai acontecer no momento da gravação. Em um roteiro de um documentário dessa natureza, a ênfase é na visualização e na organização, não na narração ou diálogo. Segundo Bill Nichols (2005) todo documentário tem seu tipo de voz, que acertam a individualidade do cineasta. O autor evidencia seis linguagens do documentário:

poética,

expositiva,

observativa,

participativa,

reflexiva

e

a

performática. Essas linguagens servem para estabelecer normas que o filme poderá adotar para guiar o espectador ao que ele deve esperar e não podem ser copiadas, mas podem ser reproduzidas ao narrarem um mundo histórico a partir da voz e ponto de vista únicos de outros cineastas. O documentário poético tem influência da vanguarda. Este estilo usa de base elementos de algum episódio histórico e o retrata sob uma nova percepção. A 41


construção fotográfica é um aspecto crucial do documentário poético, abre mão da montagem em continuidade convencional e opta pelo uso de detalhes fragmentados de imagens cinematográficas marcadas em ritmos temporais, e ênfase no estado de ânimo e tom. Nichols (2005) esclarece que o propósito desse tipo de linguagem não é o entretenimento. O documentário poético trata fatos históricos a partir de diversas impressões humanas. O documentário expositivo, expõe o mundo histórico de maneira retórica e argumentativa. Segundo Nichols (2005), essa linguagem dirige-se pontualmente ao espectador através do voice over, que tem valor significativo para a exibição dos argumentos já que, nessa linguagem narrativa, as imagens têm papel secundário. Essa variação do gênero tem como aspecto notável a objetividade, portanto, a estrutura favorece a montagem de evidência que preza manter a continuidade do argumento. Já o documentário observativo é subsequente ao surgimento de novas tecnologias de captação audiovisual, como equipamentos mais compactos e aptos a serem carregados por uma pessoa só. Contrário aos modos poético e expositivo, nos quais o cineasta tem a possibilidade de intervir com comentários e mesmo combinar encenações, o modo observativo limita o cineasta ao papel de testemunha do desenrolar dos eventos e dá à narrativa uma noção de duração real dos fatos. (NICHOLS, 2005). Ainda conforme Nichols (2005) o documentário participativo beneficia-se do cineasta enquanto parte da construção narrativa e enfatiza sua interação com o tema. Dessa forma, o filme é capaz de comunicar ao espectador como é a sensação de estar em determinada situação, sendo o oposto da proposta do modo observacional, na qual o que os espectadores veem é o que veriam caso estivessem presentes no momento da gravação. Isso estabelece uma relação entre o cineasta e o personagem, e dá ao espectador a impressão de assistir aos bastidores e, assim, compreender como determinadas reações foram extraídas do entrevistado. Essa relação pode ser transmitida ao capturar a voz do diretor incitando, com perguntas ou sugestões, reações dos objetos, ou ao mostrar de maneira franca a intervenção do cineasta nas ações da narrativa. O modo participativo traz consigo uma série de questões éticas como, por exemplo, de que maneira o diretor e o entrevistado negociam o controle e dividem responsabilidades, em que momento um diretor deve parar de insistir num 42


depoimento caso este se mostre doloroso para o outro, e até que ponto o diretor é responsável pelo que essa exposição pode ter como consequência para o entrevistado. O documentário reflexivo estimula a audiência a contestar suposições e expectativas do gênero e questionar a legitimidade do documentário de modo geral, negando o princípio de que a câmera é eficaz em representar fielmente a realidade. Nichols afirma que “o modo reflexivo é o modo de representação mais consciente de si mesmo e aquele que mais se questiona” (NICHOLS, 2005, p. 166). Um documentário reflexivo costuma incluir o cineasta como componente narrativo, porém diferenciam-se do modo participativo quando direcionam o foco a si mesmos e o processo de criação do filme ao invés de buscar investigar um sujeito externo. O documentário performático enfatiza experiências subjetivas do personagem, relacionando relatos individuais a questões políticas e históricas a fim de obter uma resposta emocional do mundo. Profundamente íntimo e pessoal, essa linguagem se aproxima de histórias de pessoas de grupos marginalizados, e os permite exteriorizar perspectivas únicas sem precisar argumentar para a validade de suas experiências (NICHOLS, 2005). Ainda em Introdução ao Documentário (2005), Nichols afirma que um filme não precisa definir-se inteiramente como um único modo. Um documentário reflexivo pode trazer características do modo observativo ou participativo, assim como um documentário expositivo pode introduzir cortes poéticos ou performáticos. As características de um dado modo dão estrutura geral do filme, mas não impõem todos os aspectos da composição e, portanto, ainda concede um universo de possibilidades criativas ao cineasta. No documentário A Comida Fala, a equipe aparece em diversos momentos, assume o papel de coadjuvante na narrativa, interagindo com a comida e fazendo perguntas aos personagens. Considerando a classificação de Nichols, o documentário trará o modo de linguagem participativo como o principal, porém trazendo influências dos demais modos para uma melhor conexão entre a obra e a audiência.

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4 UTENSÍLIOS: PRODUÇÃO

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4.1 Criação

Evidenciando a realidade daqueles que precisaram sair do seu país nativo e que descobriram na comida um meio de sobrevivência financeira e cultural, o A Comida Fala, através disso fala sobre as memórias mantidas através do alimento, além de mostrar o cotidiano peculiar de um imigrante que na maioria das vezes se quer domina o idioma local. A escolha do povo sírio e árabe para o primeiro episódio nasceu da ideia de mostrar o quanto a culinária popular é influenciada pela cultura de outros povos, e na maioria das vezes a população não tem acesso a este tipo de informação. Neste caso, através do popularmente conhecido churrasco grego, mostra-se sua verdadeira origem, o shawarma, e como sua existência na capital paulista carrega muito mais do que sabor.

4.2 Sinopse

Na busca pela ascensão financeira e do recomeço em um novo país, sírios e árabes encontram na comida uma forma de se estabelecerem em São Paulo. O primeiro episódio do A Comida fala conta as histórias de superação e curiosidades desse povo, além de apresentar os pratos mais famosos em seus restaurantes.

4.3 A Comida Fala

O Brasil, desde sua fundação, é um país que tem sua configuração etnográfica completamente miscigenada. É característica do povo brasileiro a mistura de diferentes povos que colonizaram o país. Diversas ondas migratórias ao longo dos anos, por diferentes razões, trouxeram pessoas para o Brasil. São Paulo, em particular, desde a industrialização se transformou no principal polo econômico do país e atrai migrantes e imigrantes por suas oportunidades e diversidades. Passados anos após a última grande onda de imigração, protagonizada por italianos, alemães e japoneses fugindo de países destruídos pela guerra, estes construíram não só legados físicos, mas principalmente culturais nos tecidos da cidade. 45


Hoje, quase 70 anos depois, o mundo passa por crises semelhantes e o destino continua o mesmo. Porém a cor, credo e cultura dos novos imigrantes é completamente diferente. Sírios e árabes fugindo da guerra e buscando oportunidades melhores, viajam milhares de quilômetros para tentar um recomeço na grande metrópole paulista. Línguas diferentes, costumes diferentes, necessidades distintas... Porém, o que une todos os seres humanos é uma necessidade básica, a comida e o ato de se alimentar. Muitos antropólogos classificam como um ato muitas vezes político, ou puramente cultural, pois a comida define uma cultura e o rosto de um povo, O que se tem certeza é que não existe ser humano que não se alimenta. São Paulo além de ser a capital da América Latina em questões econômicas, é a capital da América Latina da gastronomia, a linguagem universal, e por isso é o cenário ideal para contar a história da comida de um povo, e através dela passar uma mensagem: A Comida Fala; e em cada episódio, se mostrará o que ela pode falar.

4.4 Objetivo geral

Mostrar através do ponto de vista da Rootopia Produções um recorte sobre uma cultura pouco conhecida em São Paulo através da comida produzida pelos imigrantes, além de contar suas histórias e relatos pessoais sobre como é viver no Brasil.

4.5 Proposta do documentário

A história é contada a partir de três personagens distintos que se relacionam por compartilhar o mesmo narrador: a comida. De início, o documentário levanta paralelos entre os pratos consumidos na metrópole e o que, de fato, os personagens compreendem como a comida deles falando algo sobre a sua história. Para guiar este paralelo existe o narrador, que frequenta restaurantes estrangeiros por costume e/ou indicação, alguém que ouviu falar do novo lanche encontrado no centro, de um prato sírio que está em alta ou do restaurante por quilo árabe, etc, mas que não se preocupa em aprofundar-se para além do preço e 46


qualidade do que consome. Esse personagem se dispõe a conhecer a comida, a pessoa que a prepara e suas motivações. A partir desse instante, mais um personagem é apresentado: os cozinheiros. A narração acontece na voz de quem comanda a cozinha e prepara os pratos, que são os protagonistas da narrativa. O narrador estabelece um panorama contextualizando a refeição desde sua origem até alterações que possam ter sofrido para se adequar às preferências locais, além de relatos pessoais de sua trajetória até o Brasil, as razões e necessidades que o trouxeram na perspectiva do imigrante, empreendedor e cozinheiro. O voice-over sobreposto às imagens acompanhando o personagem consumidor determinado a conhecer a história dos outros objetos é o elo entre o espectador e esse personagem. Aos poucos, o narrador é revelado como um quarto personagem, pois ele durante o programa prepara seu próprio prato, partindo das experiências e dicas adquiridas nas visitas e entrevistas feitas aos restaurantes. No final pretende-se sempre apresentar os endereços dos estabelecimentos para que o público tenha uma experiência junto ao narrador, ou seja, que vá além das telas.

4.5.1 Eleições e descrição dos objetos

Será retratado no documentário um recorte da cultura gastronômica inserida na cidade de São Paulo e trazidas por imigrantes, portanto, para o primeiro episódio, escolheu-se focar em um grupo étnico-cultural crescente no estado de São Paulo: Os árabes.

4.5.1.1

Shadi

Restaurante: Abudi Halal Local: R. França Pinto, 118 - Vila Mariana Contato: (11) 3554-4025

Restaurante familiar, que já está no bairro á muitos anos. As receitas são todas clássicas das culinárias árabes, focadas nas variedades e nas entradas e 47


acompanhamentos. Tempero suave e comida muito leve, são os destaques do estabelecimento.

Entrevistado: Shadi Kebeisso Origem: Líbano Proprietário do Restaurante e Chefe de cozinha

Figura 12 - Shadi Kebeisso

Fonte: Arquivo Pessoal 4.5.1.2

Saaid

Restaurante: Ghadir Cozinha Árabe Local: R. Cubatão, 362 - Vila Mariana, São Paulo - SP, 04013-001 Contato: (11) 98877-0748

Aberto há pouco tempo no local, o restaurante especializado na linha de comidas rápidas tem Shawarma comoo carro chefe, porém Saaid capricha na apresentação dos pratos e na presença de acompanhamentos típicos árabes, como Homus, salada e Falafel.

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Entrevistado: Saaid Zaikir Origem: Líbano Proprietário do Restaurante e Chefe de cozinha

Figura 13 - Saaid Zaikir

Fonte: Arquivo Pessoal 4.5.1.3

Abdul

Restaurante: Aboud - Shawarma & Comida Árabe Local: Largo do Paissandú, 55, República, São Paulo Contato: (11) 95842-1962

Um dos pontos de shawarma mais concorridos do Centro Histórico, Aboud Shawarma & Comida Árabe inaugurou como uma portinha em 2017, e em três anos expandiu-se para um salão sempre lotado no horário de almoço. Sua popularidade é fruto da qualidade de atendimento. Sempre atencioso, o dono pede fotos com os clientes para impulsionar o engajamento nas redes sociais e isso atraiu celebridades e figuras políticas, que beneficiaram a divulgação do restaurante.

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Entrevistado: Abdul Rabman Alsaied Origem: Síria Proprietário do Restaurante e Chefe de cozinha

Figura 14 - Abdul Rabman Alsaied

Fonte: Arquivo Pessoal 4.5.2 Eleição e justificativa para estratégias de abordagem

Ainda quando a produtora não tinha uma ideia concreta do que seria o projeto, sabendo somente o assunto que seria abordado, foi acordado que A Comida Fala seria o título. Naquele momento a equipe tinha ciência de que, no contexto do documentário, a expressão tão simples esconderia questões complexas e políticas. A partir dessa frase seriam externadas as intenções do grupo de mostrar as situações vividas pelo objeto que o levaram a deixar seu país, e abordar todas as questões que possam o ter influenciado nessa decisão. Isto posto, o projeto apresenta ao espectador o conceito intitulado “comida com gosto de sobrevivência”. Através da culinária, a narrativa mostra a trajetória do prato até o consumidor, para além do preparo. A comida é tratada como o símbolo de conservação de uma

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cultura, como solução, recurso e esperança, considerando o contexto que a trouxe do seu lar até a mesa de um restaurante de São Paulo. Partindo de uma perspectiva poética e expositiva, o documentário revela sabores e aromas como mais do que uma sensação, a fim de corroborar a noção de que o paladar conta histórias.

4.6 Sugestão de estrutura

4.6.1 Proposta de direção geral

Em A Comida Fala o diretor garantiu que a mensagem transmitida por intermédio da comida, o protagonista nesse projeto, alcance o público, também certificando-se que esteja nítido que o enredo gira em torno dela e que as filmagens direcionam o olhar do espectador à ela. Foram configuradas equipes de até quatro pessoas, a fim de evitar a retração do objeto e valorizar o espaço de gravação, sabendo-se que os restaurantes definidos têm pouca área interna. O diretor acompanhou toda etapa para assegurar que foi seguido o indicado no roteiro.

4.6.2 Direção de fotografia

Foram usadas duas câmeras principais com o objetivo de criar momentos contrastantes, entre planos abertos, inteiros e médios, na primeira câmera, afim de contextualizar e ambientar os locais, restaurantes e a cidade de São Paulo. Na segunda câmera, planos fechados, close e detalhe, que captaram detalhadamente os alimentos e decoração dos ambientes, com o intuito de trazer proximidade, causar sensações e desejo a quem assistir. A imagem da cidade de São Paulo vem ilustrar pontos de diversidade da cultura alimentícia em feiras de rua, feiras fechadas, lanchonetes e barraquinhas urbanas. Para deixar com que a comida fale de fato, preparamos uma receita onde as imagens de plano detalhe e os sons de “asmr” quebre a narrativa dos personagens, inserindo o telespectador totalmente na cena.

51


Como no modo participativo de documentário, cenas onde os documentaristas estão inseridos, saboreando pratos dos restaurantes, também ganham espaço na fotografia.

4.6.3 Proposta de direção de arte

Não houveram grandes interferências exteriores às locações definidas. Foram usados utensílios pertencentes a cada estabelecimento, permitindo somente pequenas movimentações entre eles, com o intuito de mostrar a realidade cotidiana de uma cozinha e a verdade dos personagens. Foram ainda enfatizadas cores correspondentes à região de seus países de origem, em seus elementos já dispostos nos locais: amarelo, vermelho e verde. Figura 15 – Paleta de Cores 1

Fonte: Arquivo Pessoal Essas são cores que prevalecem entre as bandeiras dos países referidos no documentário e evidentes em iguarias da culinária local.

4.6.4 Vídeografismo e pós-produção

O documentário inicia com uma sobreposição de imagens onde contextualizase a cidade de São Paulo, os conflitos que fizeram os imigrantes saírem de seu países originais e o que o fizeram se estabelecer aqui, a comida; de modo que resuma todo o conteúdo nesta abertura, seguida de uma vinheta construída graficamente com o nome do projeto. O método rítmico de edição foi indicado nesta pós-produção, com imagens sobrepondo e ilustrando a fala dos personagens, com cortes para aparição deles em 52


alguns momentos, o uso de imagens e sons urbanos, e com a quebra da narrativa para o silencio quando a receita é preparada em inserts, com a intenção de representar a constante movimentação acelerada de São Paulo, deixando interessante e não cansativo a forma com que se conta a história e se apresenta um conteúdo informativo não linear.

Figura 16 - Interface de edição A comida fala

Fonte: Arquivo pessoal Figura 17 - Timeline A comida fala

Fonte: Arquivo pessoal

A cor natural das imagens captadas foi preservada, por se tratar de alimentos, dando grande prioridade a correção de cor, com sutil aplicação do filtro de cor quente, para, mais uma vez, inserir referências ao Oriente Médio, que dês de o clima do continente, até elementos da cultura, são da paleta representada abaixo, utilizada para a construção da colorização.

53


Figura 18 – Paleta de Cores 2

Fonte: Arquivo Pessoal Para contextualização da pandemia, visto a impossibilidade de produção de alguns tipos de imagens, como pessoas em situações de aglomeração, foi necessário o uso de imagens retiradas de banco de imagens encontrados na internet.

4.6.5 Trilha sonora

Foi desenvolvida uma trilha sonora majoritariamente linear ao que é mostrado na tela. Dois microfones foram usados para captação, além das vozes, dos sons ambiente da cozinha durante as gravações, que foram a base da criação da “música da cozinha”, em conjunto com ruídos urbanos e composições originais da equipe musical da produtora, transformando esses sons em melodia. Também foram usados efeitos sonoros que enriquecer cenas que relatam situações monótonas, como um cliente fazendo seu pedido, por exemplo.

4.6.6 Referências estéticas

Há muitos desafios encontrados no início de um projeto de documentário. O maior deles é como inovar ao contar uma história já que passa a impressão que tudo que podia ter sido explorado, desde enredos até estéticas e linguagens, já foi usado noutro tempo. Para ultrapassar esse obstáculo foi feita uma ampla pesquisa de referências em obras que tratam do mesmo assunto, culinária e cultura, para captar quais são os métodos mais comumente usados e suas variações, e entender quais elementos de cada obra a fazem única para, assim, construir uma estética e narrativa própria e singular.

54


Durante essa pesquisa foi identificado o que veio a ser a principal referência desse projeto: a série documental Chef’s Table, original da plataforma de streaming Netflix. Com sua primeira temporada exibida no primeiro semestre de 2015 e contando, até hoje, com um total de 30 episódios em 6 temporadas, Chef’s Table sonda um único chef por episódio e expõe o público ao estilo e história de vida de estrelas da culinária de diferentes partes do mundo. A série conta ainda com outras versões do programa, como o Chef’s Table Churrasco e Chef’s Table França. Figura 19 - Pesquisa Chef’s Table na Netflix

Fonte: Aplicativo Netflix. Acessado em 06/09/20 A linha narrativa de um episódio da série segue a trajetória do objeto para além dos pratos, desde a infância até momento em que descobriu a gastronomia como arte. Todo o enredo é narrado em voice over pelo próprio objeto, por cima de cenas captadas dentro e fora da cozinha, de situações profissionais, como a elaboração dos pratos e a escolha dos ingredientes, e casuais, com gravações jamais em estúdio. O cuidado estético se destaca, principalmente, no momento do preparo dos pratos e suas apresentações, quando se emprega planos detalhe refinados e estrategicamente ambientados a fim de valorizar as iguarias e a atmosfera que as cercam. Outras referências encontradas foram os documentários: Caffè Sospeso, Todo Sobre El Asado e E il Cibo Va. Todos têm em comum a linha narrativa que desperta o interesse do espectador através de objetos considerados abstratos, pois se tratam de pratos.

55


Todo Sobre el Asado é um filme de 2018 dirigido por Gastón Duprat e Mariano Cohn, que nos leva em uma viagem profunda à Argentina e entende o churrasco como “uma comida e um ritual, [...] primitivo e contemporâneo, selvagem e refinado, uma arte e uma ciência” (Todo Sobre el Asado, 2018), mergulha na cultura gaúcha argentina e revela com precisão e originalidade os traços identitários do país.

Figura 20 - Todo Sobre el Asado

Fonte: Aplicativo Netflix. Acessado em 06/09/20 Enquanto isso Roly Santos e Fulvio Iannucci embarcam com Caffè Sospeso, de 2017, em uma questão para além do café como uma bebida, mas como uma tradição originada no sul da Itália: o chamado “café suspenso”, o hábito de, ao comprar seu café, deixar mais um já pago para o próximo cliente, que o recebe gratuita e anonimamente.

Figura 21 - Caffè Sospeso

Fonte: Aplicativo Netflix. Acessado em 06/09/20

56


Já E il Cibo Va, dirigido por Mercedes Cordova e lançado também em 2017, incorpora as duas formas de abordagem: a análise cultural, originária e contextual da cozinha, e dos hábitos populares e contemporâneos que incluem a culinária.

Figura 22 - E il Cibo Va

Fonte: Aplicativo Netflix. Acessado em 06/09/20 Por seguirem direções paralelas, os três documentários encontram elementos estéticos muito semelhantes. Destacam-se entre eles o uso de artes gráficas para indicar dados culturais e geográficos, imagens de acervo próprio – de pessoas, ingredientes ou mapas – como recursos de sobreposição e transição. Isto posto, a proposta de abordagem técnica audiovisual será a oscilação entre o sóbrio e o minucioso, a fim de explanar e ambientar a história dos objetos, e convergir com uma narrativa ilustrada e aprazível que contextualiza a história ao ambiente. O tema principal do documentário, culinária e fusões culturais, permite efetivar a intenção de investir na qualidade e inovação estética e oferece uma variedade de cores, texturas, linguagens e ritmos a serem explorados. Por se tratar de um documentário, a informação será relevante e objetiva assim como sua abordagem. O personagem conduzirá a narrativa e será auxiliado por sobreposições gráficas com as informações que serão passadas ao espectador.

4.7 Classificação indicativa

Os critérios estabelecidos pelo Guia Prático de Classificação Indicativa, redigido pela Secretaria Nacional de Justiça (2018), sugerem que o projeto Comida Fala seja livre para todos os públicos, sem restrição de conteúdo. 57


Figura 23 – Classificação Indicativa

Disponível em: <https://www.justica.gov.br/seus-direitos/classificacao/guiapratico/guia-pratico.pdf> Figura 24 - Livre para todos os públicos

Fonte: Arquivo Pessoal Tal classificação se dá pois não há cenas de violência, morte, armas ou algo do tipo, podendo ser liberado para todas as idades por ser um documentário para pessoas que gostam de diferentes culturas e etnias.

4.8 Público-alvo

Um questionário direcionado foi elaborado, com as especificações necessárias para a definição do público-alvo. A proposta inicial era fazer um produto para pessoas entre 25 e 30 anos, de classe C e B. Assim, foi criado e divulgado um questionário focado nesse público 58


através de redes sociais. Porém, pessoas de toda faixa etária e classe social responderam diferentes questões referentes ao consumo de conteúdo semelhante ao da produção para, assim, definir o recorte da audiência e testar a assertividade da proposta. Figura 25 – Pesquisa de Público-alvo classe C 16%

classe B 4%

classe A 0%

centro 20%

28 a 35 anos 5%

lest…

16 a 21 anos 3%

oeste 6%

22 a 27 anos 16%

sul 12% norte 14%

Fonte: Arquivo Pessoal O gráfico acima revela que jovens adultos entre 22 e 27 anos, da classe C e residentes da região central de São Paulo são os que demonstram maior interesse por esse tipo de produção e, portanto, o grupo ao qual será direcionado o projeto.

4.9 Veiculação/distribuição

Por se tratar de um documentário cultural e gastronômico, através de pesquisas, sugere-se que o projeto tenha veiculação com uma plataforma digital e um canal televisivo.

59


4.9.1 Plataforma Digital

De acordo com a mais recente

Esses

dados

somados

ao

avaliação, divulgada em Janeiro de

catálogo da plataforma, que traz em

2020, a plataforma digital de streaming

seu

Netflix dispõe um total aproximado de

independentes, muitos deles acerca de

167 milhões de assinantes. (SHAPIRO,

temas como o que aqui foi proposto,

2020).

foram Relacionado a esse ponto, o

relatório

da

Moffet

Nathanson

acervo

critérios

documentários

decisivos

para

a

predileção da Netflix como veiculadora do projeto.

Research declara que 81% dos adultos com idade entre 18 e 35 anos assinam

Figura 26 - Netflix

o serviço de streaming, uma abertura que acomoda a faixa etária do nosso público-alvo. (MOFFETTNATHANSON RESEARCH, 2020).

Disponível em: <https://brand.netflix.com/en/assets/> Acesso em: 07/12/2020

4.9.2 Canal Televisivo

A TV Cultura é uma emissora

encaixará no horário das 20h00 de

renomada por transmitir programas e

quinta-feira, respeitando a grade já

desenhos

existente

educativos

e

pela

sua

informação a cultura, na qual grande

de

jornalismo

da

TV

CULTURA.

parte da população brasileira pode ter acesso por ser uma emissora de TV aberta.

(FUNDAÇÃO

Figura 27 - TV Cultura

PADRE

ANCHIETA, 2019) Na sua programação atual, a emissora conta com documentários e outros

conteúdos

de

produtoras

independentes no período da noite.

Disponível em: https://logodownload.org/tv-culturalogo/> Acesso em: 07/12/2020

<

Sendo assim A Comida Fala se

60


4.10

Justificativa

Imigração é um assunto em constante destaque nos noticiários devido ao recente fluxo imigratório que atinge o mundo todo atualmente, e é com frequência que relacionam os imigrantes à culinária que levam com eles aos seus destinos. É raro, porém, lidarem com a ligação pessoal desses indivíduos com a comida e o significado antropológico que ela carrega. Maria E. Maciel ressalta que Roberto DaMatta “estabelece uma distinção entre a comida e o alimento, e explica que a “comida não é só uma substância, é também um modo e estilo de alimentar-se. E o jeito de comer não define só aquilo que é ingerido, mas também aquele que o ingere”.” (2005, p. 49 apud. DAMATTA, 1986, p. 56).

Dize-me o que comes e te direi qual deus adoras, sob qual latitude vives, de qual cultura nascestes e em qual grupo social te incluis. A leitura da cozinha é uma fabulosa viagem na consciência que as sociedades têm delas mesmas, na visão que elas têm de sua identidade. (MACIEL, 2005, p. 50 apud. BESSIS, 1995, p. 10).

A cultura alimentar, junto com o idioma, é o principal traço que caracteriza a identidade de um povo (SONATI, VILARTA e SILVA, 2009), e por isso a comida é um patrimônio cultural. A gastronomia imigrante difundida para outras culturas como o meio encontrado de sustento daqueles que deixaram seu país foi retratada em muitas mídias mas poucas, até então, se preocuparam em explorar essa relação mais intimista entre o imigrante, dono de um estabelecimento, e a comida, e limitam-se apenas a discutir esse vínculo de um ponto de vista quase estritamente econômico. A Comida Fala irá articular essa relação de maneira que apresente o alimento como o principal elo entre o ser humano e suas raízes. A diversidade cultural e gastronômica de São Paulo foi fator decisivo para a concepção desse documentário. Segundo dados divulgados pelo IBGE (2000) (2010), em 2000 eram 143,6 mil estrangeiros vivendo no Brasil e já na década seguinte chegavam a 268,4 mil. São Paulo foi o estado brasileiro que mais recebeu imigrantes ao longo de toda a sua história e esses constantes movimentos migratórios foram os responsáveis por 61


essa atmosfera “cosmopolita” da cidade (RIBEIRO e PAOLUCCI, 2006). Na metrópole paulistana, concentram-se pessoas de toda origem que trouxeram consigo sua cultura e costumes que foram assimilados à cultura local, mas é, principalmente, a diversidade culinária que se destaca entre as peculiaridades de São Paulo. Bares e restaurantes movimentam a economia paulista e funcionam, muitas vezes, como atrativo turístico na cidade considerada a maior e mais diversificada capital gastronômica mundial. A partir de um olhar mais concentrado torna-se perceptível um ponto em comum entre imigrantes que compõem esse mercado: a comida, que antes era para eles algo tão banal, adotou um papel incalculavelmente importante no momento em que eles chegaram ao Brasil. Essa ligação é única, e incompreensível para quem não esteve em situação parecida, portanto, é preciso dar voz à essas histórias tão singulares.

4.11

Desenho de produção

4.11.1 Preparação

4.11.1.1 Pesquisa e coleta de material:

Na primeira etapa, todos os membros da Rootopia realizaram uma pesquisa sobre imigração e comidas típicas dos países que iriamos abordar para reunir o máximo de informações acerca dos temas que rodeiam a ideia inicial. A seguir, a pesquisa foi dividida em nichos com foco no tema e, mais especificamente, nos pratos típicos e nos personagens a serem abordados. Por fim, a concepção foi embasada apoiando-se em artigos científicos, livros e estudos para uma interpretação crítica e com suporte teórico do que foi construído no projeto.

62


4.11.1.2 Pré-produção No tempo de pré-produção foram contatados os objetos e estabelecimentos – os restaurantes Al Janiah, Syria e Aboud, a feira Kantuta de costumes e tradições incas, e a rede Rinconcito Peruano – para negociar as autorizações necessárias para prevenir possíveis intercorrências no decorrer da produção.

4.11.2 Gravação.

Em tempos de pandemia (COVID-19) foram tomados todos os cuidados, conforme toda orientação e respeitando as medidas sanitárias. Foram três diárias no total para que se capta-se todo o material, sendo duas externas (restaurantes) e uma interna (estúdio Nothsamo). No capítulo 4.12 deste encontra-se todo cronograma com datas e equipe de gravação.

4.11.2.1 Equipe

Para essa fase foram necessários operadores de câmera e um técnico de som para captação do material audiovisual. O diretor determinou os segmentos e abordagem, seguindo o planejamento, a fim de assegurar a entrega de um conteúdo coeso à equipe de pós-produção. Durante toda realização do projeto os produtores cuidaram da logística, responsabilizando-se pelas autorizações, contatar personagens e pela locação de equipamentos.

4.11.2.2 Equipamentos de vídeo e áudio

Considerando a complexidade do projeto em tempos de pandemia, (COVID19) conseguiu-se realizar e produzir todo documentário com equipamentos próprios, tendo que alugar apenas o slider para melhor captação de vídeo dinâmico.

63


Tabela 2 - Relação de equipamentos de captação de vídeo

CAPTAÇÃO DE IMAGEM E VÍDEO EQUIPAMENTO

QUANTIDADE

CÂMERA CANON 60D

1

CÂMERA CANON T5i

1

LENTE CANON 70 300

1

LENTE 50MM

1

CARTÃO SD 64G

2

LENTE 75.300

1

LENTE 18.55

1

LENTE 18.135

1

1 SHOFTBOX

1

TRIPÉ DE ILUMINAÇÃO

2

LED

2

DIFUSOR

1

NOTEBOOK

1

MONOPÉ

2

Fonte: Arquivo Pessoal Tabela 3 - Relação de equipamentos de captação de áudio

CAPTAÇÃO DE ÁUDIO E SOM EQUIPAMENTO

QUANTIDADE

CABOS XLR

2

FONE DE REFERÊNCIA

1

MICROFONE CONDENSADOR

1

MICROFONE DINÂMICO

1

INTERFACE DE ÁUDIO

1

PEDESTAL PARA MICROFONE

1

Fonte: Arquivo Pessoal 64


4.11.2.2.1 Estabelecimentos

Devido a pandemia alguns estabelecimentos programados para abordagem do projeto encerraram suas atividades por falta de verba. Assim, permaneceram disponíveis três restaurantes: Restaurante Aboud, Ghadir Cozinha Árabe e Abudi Halal, além de uma diária de gravação em um estúdio para produzir o Shawarma, um dos pratos típicos mais importantes mencionados durante a produção do documentário.

4.11.2.3 Tempo de gravação

Foram necessárias três diárias e em média cinco horas por dia para executar toda a gravação e captação do projeto.

4.11.3 Pós-produção

4.11.3.1 Montagem/finalização

A montagem e finalização do documentário foi um trabalho colaborativo entre os editores e equipe de direção, que esteve presente todo o desenvolvimento de edição.

4.11.3.2 Trilha Sonora

As trilhas usadas neste projeto são trilhas sem direitos autorais baixadas do Youtube, com exceção da trilha Haykal - Vespa e da Residente – Guerra, para a qual foi necessária obter a autorização de uso.

65


4.12

Cronograma de produção

Tabela 4 - Cronograma de produção

CRONOGRAMA DE PRODUÇÃO - A COMIDA FALA DATA:

DESCRIÇÃO

EQUIPE:

07/09 - 12/09

CONTATAR PERSONAGENS DO DOCUMENTÁRIO

INGRID, MAYARA e RAPHAEL

07/09 - 12/09

FECHAR LOCAÇÃO COM A COZINHA (ESTÚDIO)

FELIPE E RAPHAEL

24/set

GRAVAÇÃO EXTERNA – RESTAURANTE: ABOUD SÍRIA

INGRID, RAPHAEL e FELIPE

29/out

GRAVAÇÃO COZINHA (ESTÚDIO NOTHSHAMO) EM PERDIZES – PREPARAÇÃO DO SHAWARMA

20/out

GRAVAÇÃO EXTERNA – RESTAURANTES: ABUDI HALAL e GHADIR

INGRID, RAPHAEL e FELIPE

02/nov

DECUPAGEM / EDIÇÃO

INGRID, RAPHAEL e FELIPE

14/nov

FINALIZAÇÃO

INGRID

15/nov

FINALIZAÇÃO BÍBLIA / PROJETO

PEDRO / INGRID

INGRID, RAPHAEL, FELIPE, PEDRO, MAYCON, MAYARA e TANISE

Fonte: Arquivo pessoal 66


Tabela 5 - Logística de gravação interna Cozinha (Estúdio - Notashamo)

LOGÍSTICA DE GRAVAÇÃO INTERNA - COZINHA (ESTÚDIO NOTHSHAMO) PROJETO

A COMIDA FALA

LOCAÇÃO

NOTHSHAMO (ESTÚDIO COZINHA)

DATA

29/09/2020

HORA DE CHEGADA

12:00

DIÁRIAS

1

EQUIPE DIÁRIA DIRETOR

FELIPE FREITAS

ILUMINAÇÃO

TANISE BALDISSERA

PRODUTOR

PEDRO GREGÓRIO E MAYARA DUARTE

CAP. ÁUDIO

MAYCON DOUGLAS

OP. CÂMERA

INGRID VIEIRA E MAYCON DOUGLAS

PREPARAÇÃO SHAWARMA Fonte: Arquivo Pessoal

RAPHAEL ORCIOLLI

67


Tabela 6 - Logística de gravação externa - Restaurante Aboud Síria

LOGÍSTICA DE GRAVAÇÃO EXTERNA: RESTAURANTE ABOUD SÍRIA PROJETO

A COMIDA FALA

LOCAL DE GRAVAÇÃO

RESTAURANTE ABOUD SÍRIA

DATA

24/09/2020

HORA DE CHEGADA

12:00

DIÁRIAS

1

EQUIPE DIÁRIA DIRETOR

FELIPE FREITAS

OP. CÂMERA

INGRID VIEIRA

OP. ÁUDIO

RAPHAEL ORCIOLLI

Fonte: Arquivo pessoal

68


Tabela 7 - Logística Gravação Externa: Restaurantes Abudi Halal e Ghadir

LOCAL DE GRAVAÇÃO EXTERNA: RESTAURANTES ABUDI HALAL E GHADIR PROJETO

A COMIDA FALA

LOCAL DE GRAVAÇÃO

REST. ABUDI HALAL E GHADIR

DATA

20/10/2020

HORA DE CHEGADA

12:00

DIÁRIAS

1

EQUIPE DIÁRIA DIRETOR

FELIPE FREITAS

OPERADOR CÂMERA

INGRID VIEIRA

OPERADOR ÁUDIO

RAPHAEL ORCIOLLI

Fonte: Arquivo pessoal

69


4.13

Orçamento

4.13.1 Pré-produção

Descrição de valores, quantidades e diárias da pré-produção. Tabela 8 – Equipe 13

ITEM

QTD

N. DIÁRIAS

VALOR UNIT.

TOTAL

PESQUISADOR

2

V. PROJETO

R$ 2.000,00

R$ 4.000,00

ROTERISTA

2

V. PROJETO

R$ 9.000,00

R$ 18.000,00

PRODUTOR

2

V. PROJETO

R$ 2.518,00

R$ 5.036,00

ASSISTENTE DE PRODUÇÃO

2

V. PROJETO

R$ 1.152,00

R$ 2.304,00

SUB TOTAL

R$ 29.340,00

Fonte: Arquivo pessoal

3

Valores referentes ao projeto inteiro

70


Tabela 9 – Equipamento 4

ITEM

QTD

N. DIÁRIAS

VALOR UNIT.

TOTAL

CÂMERA CANON 60D

1

5

R$ 2.300,00

R$ 11.500,00

CÂMERA CANON T5I

1

5

R$ 2.349,00

R$ 11.745,00

LENTE CANON 70 300

1

5

R$ 710,00

R$ 3.550,00

LENTE 50MM

1

5

R$ 630,00

R$ 3.150,00

MONOPÉ

1

5

R$ 100,00

R$ 500,00

PAINEL LED 660L

1

5

R$ 60,00

R$ 300,00

MACKBOOK 13

1

5

R$ 250,00

R$ 1.250,00

HD EXTERNO 1TB

1

5

R$ 120,00

R$ 600,00

MIC. LAPELA

2

5

R$ 120,00

R$ 600,00

MIC. DIRECIONAL

2

5

R$ 150,00

R$ 750,00

SUB TOTAL

R$ 33.945,00

Fonte: Arquivo pessoal

4

valores calculados por diárias.

71


4.13.2 Produção

Descrição de valores, quantidades e diárias da produção. Tabela 10 – Equipe 25 ITEM

QTD

N. DIÁRIAS

VALOR UNIT.

TOTAL

DIREÇÃO GERAL

1

V. PROJETO

R$ 7.200,00

R$ 7.200,00

ASS. DIREÇÃO

1

V. PROJETO

R$ 3.000,00

R$ 3.000,00

DIRETOR DE PRODUÇÃO

1

V. PROJETO

R$ 4.200,00

R$ 4.200,00

DIRETOR DE FOTOGRAFIA

1

V. PROJETO

R$ 5.400,00

R$ 5.400,00

OPERADOR DE CÂMERA

1

V. PROJETO

R$ 4.688,00

R$ 4.688,00

DIRETOR DE ARTE

1

V. PROJETO

R$ 3.706,01

R$ 3.706,01

ILUMINADOR

1

V. PROJETO

R$ 3.706,01

R$ 3.706,01

ASS. DE ILUMINADOR

1

V. PROJETO

R$ 1.270,00

R$ 1.270,00

MAQUIADOR

1

V. PROJETO

R$ 3.270,00

R$ 3.270,00

FOTÓGRAFO DE CENA

1

V. PROJETO

R$ 2.728,44

R$ 2.728,44

SUB TOTAL Fonte: Arquivo Pessoal

5

R$ 39.168,46

valores referentes ao projeto inteiro.

72


Tabela 11 - Despesas6

ITEM

QTD

N. DIÁRIAS

VALOR UNIT.

TOTAL

ALIMENTAÇÃO

4

V. PROJETO

R$ 150,00

R$ 600,00

TRANSPORTE

15

V. PROJETO

R$ 88,00

R$ 1.320,00

SUB TOTAL

R$ 1.920

Fonte: Arquivo Pessoal

6

valores referentes ao projeto inteiro.

73


4.13.3 Pós-produção

Descrição de valores, quantidades e diárias da pós-produção. Tabela 12 – Equipe 37

ITEM

QTD

N. DIÁRIAS

VALOR UNIT.

EDITOR

1

V. PROJETO

R$ 3.706,01

R$ 3.706,

ASS. DE EDIÇÃO

1

V. PROJETO

R$ 1.270,00

R$ 1.270,

COLORIZADOR

1

V. PROJETO

R$ 2.780,00

R$ 2.780,

FINALIZADOR

1

V. PROJETO

R$ 2.780,00

R$ 2.780,

SINCRONIZADOR

1

V. PROJETO

R$ 2.780,00

R$ 2.780,

SUB TOTAL Fonte: Arquivo Pessoal

TOTAL

R$ 13.316,01

4.13.4 Total

Tabela 13 - Valor Final

VALOR TOTAL PROJETO

R$ 117.689,47

Fonte: Arquivo Pessoal 7

valores referentes ao projeto inteiro.

74


4.14

Prestação de contas

Tabela 14 - Prestação de contas

DOCUMENTÁRIO: A COMIDA FALA

DATA DO ORÇAMENTO: 12/11/2020

ITEM

VALOR

INGREDIENTES

R$ 65,00

UBER (TRANSPORTE)

R$ 30,00

AIRBNB

R$ 270,00

LOCAÇÃO ESTÚDIO

R$ 150,00

LÂMPADAS

R$ 24,00

ALIMENTAÇÃO

R$ 34,60

RESTAURANTE ABUDI HALAL

R$ 70,00

EQUIPAMENTO DE VÍDEO (SLIDER)

R$ 50,00

BÍBLIA

R$ 208,00

VALOR TOTAL PROJETO: R$ 901,60 Fonte: Arquivo pessoal

75


5 APÃ&#x160;NDICE

76


5.1 COVID-19

Nosso projeto, assim como o de todos colegas de classe, sofreu algumas alterações na estrutura graças ao atual contexto que estamos vivendo na capital São Paulo. Neste contexto, o documentário Comida Fala foi criado, planejado e executado dentro de um contexto mundial e social não anteriormente previsto: a Pandemia de COVID-19. Sabendo-se que pandemia é, neste sentido, uma “Doença infecciosa e contagiosa que se espalha muito rapidamente e acaba por atingir uma região inteira, um país, continente etc” (AURÉLIO) e que o coronavírus “são RNA vírus causadores de infecções respiratórias em uma variedade de animais, incluindo aves e mamíferos” (LANA, COELHO, et al., 2020), as chances de infecção pelo vírus causaram alterações nas produções audiovisuais e não seria diferente para o Comida Fala.

5.1.1 Contexto da pandemia e medidas de segurança no estado de São Paulo

Apesar da pandemia ter se iniciado em 2019, os coronavírus não são tão atuais.

Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937 e descritos em 1965. Foram assim nomeados em função da sua aparência de coroa. Por uma mutação genética em 31/12/2019, surgiu na China um novo agente do coronavírus, recebendo o nome de SARS-CoV2. A doença causada foi chamada de COVID-19, da sigla em inglês Coronavirus disease 2019. (SMS e PMSP, 2020, p. 2).

O vírus se espalhou pelo mundo em uma velocidade maior do que médicos e cientistas puderam achar a cura. Com período de incubação entre 2 e 14 dias, com média de 5 dias, o número de casos assintomáticos é desconhecido. (SMS e PMSP, 2020). Dentre as varias ações apresentadas pelos representantes dos países e estados, em São Paulo, duas ações tomadas se destacam: a informação constante e o isolamento social.

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5.1.1.1

Disponibilidade de informações

Onde estaríamos hoje sem o fácil acesso a informação é algo que, provavelmente, nunca saberemos. Atualmente, estamos sempre e todos conectados. De pessoas comuns a grandes empresas, é fácil achar perfis em redes socias. De celulares a geladeira, a maior parte dos nossos aparelhos hoje estão diretamente ligados a internet. Com tantas opções de onde buscar, também temos todo o tipo de informação.

Figura 28 - Perfil Netflix no twitter

Disponível em <https://twitter.com/NetflixBrasil> Acesso em 31.08.2020 Figura 29 - Anuncio de refrigerador com conexão a internet

Disponível em: <https://www.casasbahia.com.br/Eletrodomesticos/ GeladeiraeRefrigerador/SidebySide_frenchdoor/refrigerador-samsung-rf265beaesgaz-french-door-family-hub-black-edition-com-smartthings-110v-582l-50005164.html? utm_medium=Cpc&utm_source=GP_PLA&IdSku=50005164&idLojista=10037&utm_ campaign=eldo_smart_refrigerador&gclid=Cj0KCQjwv7L6BRDxARIsAGj34pQ3dV5keXJLgbaDsP7Mm5_4492DispJd3WX0UUJTetfH-LEDdPtZEaAjXLEALw _wcB> Acesso em 31.08.2020 78


Em uma era com tanta informação disponível, uma situação como a epidemia nos gera ainda mais necessidade de informação, e a prefeitura do estado de São Paulo as disponibilizou através de seu site, com informações e atualizações constantes sobre a situação atual do estado em relação a doença. Figura 30 - Site Prefeitura de São Paulo – Coronavírus

Disponível em < https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/ vigilancia_em_saude/doencas_e_agravos/coronavirus/index.php?p=291730>. Acesso em 31/08/2020 Todas as informações relevantes sobre como e porque se prevenir foram compactadas pelo governo na página SP Contra O Novo Coronavírus (PREFEITURA DE SÃO PAULO, [20?]), e está disponível para todos.

5.1.1.2

O isolamento Social

As chances de contaminação geraram o principal dos vários desafios para produções audiovisual durante esse período: o isolamento social. Uma das principais recomendações do estado de São Paulo, o isolamento social, apresentado já na página principal da prefeitura sobre a doença, foi também decretado em São Paulo pelo Decreto Nº 64.881, de 22/3/2020, que oficialmente “Decreta quarentena no Estado de São Paulo, no contexto da pandemia do COVID19 (Novo Coronavírus), e dá providências complementares.” (ASSEMBLEIA LEGESLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2020)

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Oficialmente, o isolamento social ainda persiste como uma das medidas de proteção em todo o estado.

5.1.1.3

Medidas Sanitárias

Em meio a pandemia do Covid-19, medidas sanitárias foram tomadas para que as atividades econômicas voltassem a funcionar de forma segura, sendo criado protocolos relacionados a diferentes atividades, como a Audiovisual, que lida com muitos profissionais em um mesmo ambiente. O governo de São Paulo assinou o Protocolo de Segurança e Saúde no Trabalho Audiovisual, que foi aprovado junto a APRO (Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais), do SIAESP (Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo) e do SINDCINE (Sindicato dos Trabalhadores na indústria Cinematográfica e do Audiovisual dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Distrito Federal). O protocolo é dividido em três fases, sendo a primeira mais restritiva (distanciamento, isolamento social ou lockdown) e se caracteriza como suspensão de filmagens e gravações em locações públicas e particulares, sendo permitido apenas filmagens remotas, com o mínimo de equipe. A segunda tendo um pouco de flexibilização das medidas restritivas (novas medidas de biossegurança e distanciamento social) e a terceira sendo resultado da experiência obtida a partir da segunda fase (SIAESP; SINDCINE; APRA, 2020). Em cada fase é detalhado a distância de segurança, padrão de desinfecção, áreas de risco e segurança, o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual) e EPC (Equipamento de Proteção Coletiva), processo de triagem, formulários de responsabilidade e plano de contingência, amarrando as diretrizes gerais de cada processo da Pré-produção, Filmagem e Pós-produção.

5.1.1.3.1 Plano de Contingência:

Conforme o plano de contingencia, visto a pandemia de Covid-19, toda produção audiovisual deve seguir as seguintes diretrizes, retiradas do documento emitido pelo governo (SIAESP; SINDCINE; APRA, 2020) 80


• Pré-produção • Profissionais que fazem parte da pré-produção de cada projeto deverão seguir o trabalho, preferencialmente, em home office. • Todas as reuniões deverão ser feitas apenas por videoconferência. •

Bases de produção, figurino e objetos, caso haja real necessidade, devem

contemplar normas de distanciamento em relação ao número de pessoas, assim como normas sanitárias de higiene e arejamento. • Filmagens em dias de chuva devem ter planejamento para que os EPIs 8 sejam trocados, secos e/ ou desinfetados com maior frequência. Somente deverão se expor às intempéries os profissionais estritamente necessários. • Ajustar tempo de preparação e pré-produção de acordo com o projeto e a nova realidade de produção em home office, respeitando as jornadas de trabalho de no máximo 8 horas diárias. • Produção • Todo contrato de equipe deve ter, preferencialmente, assinatura digital. • Todos os departamentos devem receber os EPIs necessários para uso antes de iniciarem suas atividades. • Deve-se elaborar um cronograma de forma a evitar que equipes de frente trabalhem simultaneamente, eliminando a possibilidade de aglomeração durante a preparação do set de filmagem. • Montagem de cenário • Respeitar o escalonamento de equipes, com quantidade reduzida de pessoas ao mesmo tempo no set • A montagem deve ser realizada em diárias anteriores às diárias de pré-light e filmagem. • Pausas regulares seguindo as orientações das autoridades sanitárias.

EPI, ou Equipamento de Proteção Individual “É todo acessório destinado à proteção do corpo do trabalhador contra riscos diversos no trabalho, seja ele risco mecânico, ambiental, respiratório, risco à visão ou risco elétrico. O trabalhador deverá possuir embalagens separadas para as máscaras (alguns modelos) e demais EPIs reutilizáveis “novos” e “usados”, para não correr o risco de uma contaminação. A disponibilização destes equipamentos estará sempre a cargo do contratante.” (SIAESP; SINDCINE; APRA, 2020, p. 6) 8

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• O uso de EPIs e reforçar os cuidados com a higiene pessoal. • A ambiente ventilado. • A higienização completa do set antes e após a montagem. • Pesquisa de locação deve ser feita por meio digital ou com profissionais devidamente equipados. • Estudar a possibilidade de se filmar em um primeiro momento em locações vazias ou locações nas quais o proprietário permita e aprove a prévia higienização da locação. • Sempre que possível, elaborar o plano de filmagem de forma que seja evitado o deslocamento de equipe entre locações nas diárias de filmagem. • Transporte em carros individuais para todos os profissionais escalados, sempre que possível. No caso de utilização de vans, ônibus e outros veículos devese respeitar o distanciamento social seguro entre passageiros. • Todas as pessoas, inclusive o motorista, precisam estar de máscara dentro dos veículos. • Não deve ser feita produção de rua. • Direção • Reuniões deverão ser feitas apenas por videoconferência. • Roteiro • Adaptar o roteiro conforme a nova realidade e limite impostos pela pandemia. • Evitar cenas que contenham contato físico, como abraços e beijos. • Caso necessário, priorizar a contratação de famílias reais, que morem juntos ou fazer o controle do isolamento e quarentena do elenco. • Testes de VT • Será usado o material enviado pelo próprio elenco. • Maquiagem • A maquiagem deverá ser feita pelo próprio elenco, com material próprio ou com uma consultoria remota do maquiador e material descartável. 82


• O profissional fará consultoria para fornecer produtos e maquiagens ideais para chegar ao resultado almejado nas gravações e filmagens remotas. • Arte • Toda a equipe deve trabalhar em home office • Reuniões e demais demandas devem ser feitas via videoconferência. • Direção de arte e Produção de objetos • Priorizar objetos já existentes na locação. • A pesquisa e a produção de arte e objetos, além dos que já existem nas locações a serem filmadas, devem ser feitas exclusivamente em lojas e fornecedores que ofereçam atendimento online. • Caso haja necessidade de entrega de objetos na locação proposta, os mesmos devem ser higienizados e embalados antes de serem entregues. • Figurino • Trabalhar com peças existentes em acervo próprio, acervos que trabalhem online ou pertencentes ao elenco. • O figurinista é o responsável por enviar apenas peças higienizadas (lavadas com água e sabão) e/ou que não tenham sido manuseadas ou expostas a outras pessoas pelo período de 72h, de acordo com indicação da OMS. O figurino deve ser enviado em case de plástico vedado e higienizado. • Todas as peças retiradas deverão ser enviadas para lavanderia indicada pelo figurinista mesmo que não tenham sido usadas. • Filmagem • As cenas deverão ser realizadas na casa do próprio elenco, priorizando nenhuma interferência ou com a menor interferência possível de arte, assim como envio de equipamento de captação de áudio e vídeo. • Obrigatoriedade de higienização completa e embalagem dos equipamentos de filmagem antes do envio aos profissionais que se propuserem a executar trabalhos

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remotos em suas residências. A higienização também deve ser feita pelo profissional antes da devolução do equipamento. •

Diárias de trabalho não devem ultrapassar 12 horas, incluindo pausas para

refeição. • Locação de equipamentos • Todos os equipamentos devem sair da locadora devidamente desinfetados e entregues em embalagem de fácil higienização. Deve ser responsabilidade da produção o transporte desses equipamentos. • Som direto • Nessa fase o técnico de som será responsável por, através de consultoria remota, orientar sobre o melhor posicionamento dos microfones e a montagem adequada dos equipamentos. • Os fones de ouvido deverão ser de uso exclusivo e individual • Recomenda-se o uso preferencial do boom. • Geral • Qualquer pessoa que apresente sintomas de COVID-19, como febre, tosse ou dificuldade respiratória, deve ser imediatamente afastada do local de trabalho. • É recomendado que nas dependências das gravações possua um termômetro digital infravermelho para verificar a temperatura de envolvidos na gravação, não devendo exceder 37,5 C. • O profissional que não estiver apto a entrar no set durante a checagem presencial, ou que apresentar sintomas durante o set, ou ainda que tiver contato com profissional que apresentou sintomas, deverá ser afastado em quarentena por 14 dias, observando em casa o aparecimento de mais sintomas, ou ser encaminhado para um serviço de saúde para ser testado. Em caso de teste positivo, comunicar imediatamente à produção do trabalho.

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5.1.2 Interferência no projeto

A ideia inicial era a de gravar um documentário com características de serie documental, onde iriamos até os estabelecimentos comerciais onde nossos objetos tinham sua rotina de trabalho e dali em diante tentaríamos descobrir alguns personagens para agregar a nossa proposta e construir o documentário Comida Fala. Inicialmente, a partir do ponto de vista da comida, se contaria a história dos imigrantes que vieram de diversos locais do mundo para o Brasil em busca de sobrevivência, novas possibilidades e ascensão econômica, com a proposta de abordar três restaurantes de famílias neste contexto que se localizam no centro da capital paulista, para construir nossa história a partir dos depoimentos que nos fossem concedidos. Após planejar as devidas alterações para respeitar o distanciamento social iremos fazer uma pequena adaptação em nosso projeto que se compõe em 3 pilares: segurança, melhora na qualidade da produção e locação. O primeiro pilar é a segurança. Como construir o mesmo documentário sem expor os objetos ou a equipe a riscos desnecessários? A resposta é simples: limitando nosso contato ao ambiente virtual. Colheremos nossos dados e depoimentos de maneira completamente virtual e se possível enviaremos gravadores de áudio para tentar manter o nível de qualidade para a pós-produção, conforme nosso segundo pilar. A equipe teve a preocupação para um novo desenho de produção, utilizando de uma logística extremamente restrita a telefone e internet como via de regra para contatos, em um projeto que se estende desde o primeiro contato, até a rotina de set implementada para esse novo contexto. Referente as locações, nosso terceiro pilar, o projeto foi inicialmente planejado para gravações com equipes entre 5 e 10 pessoas, com os depoimentos e histórias capturadas no estabelecimento dos entrevistados, com insertes de takes dos alimentos sendo preparados no próprio restaurante. Assim, no projeto original teríamos a liberdade de gravar os personagens de maneira livre e em ambientes mais carregados de pessoas, para substituir este aspecto do projeto nós da Rootopia decidimos locar um local onde iremos, em escala de equipe reduzida, captar com o máximo de fidelidade ao roteiro possível, um de 85


nossos integrantes efetuando o preparo dos pratos, para que assim, mesmo que em um cenário diferente do esperado, consigamos fazer a comida contar nossa história. Com essas alterações a Rootopia conseguiu de forma eficiente manter a qualidade do projeto idealizado, seguindo as restrições necessárias para saúde e segurança tanto da equipe quanto dos profissionais culinários que se dispuseram a nos ajudar.

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5.2 Roteiro A Comida Fala – Ep. 1 Piloto – Duração: 24:56 Shawarma Rootopia Produções Montagem de Abertura Imagens da Cidade Texto de introdução (BG)

Apresentação dos locais

Personagem (Aboud) se apresenta, fala seu nome completo e apelido Personagem Zaid se apresenta brevemente (BG) Personagem Chad se apresenta com nome completo.

Apresentação do prato ‘’Shawarma’’.

BG de texto sobre o Shawarma

Restaurante Aboud Shawarma Interno, personagem em plano médio. Personagem Zaid de costas pra câmera, ambiente interno do restaurante Ghadir. Ambiente Interno do restaurante Abudi Halal,personagem sentado em plano médio Montagem de imagens com o Shawarma

Personagem Aboud fala sobre o Shawarma e suas variações.

Shawarma em estúdio

Sequência de imagens do shawarma sendo feio no restaurante (BG Trilha)

Personagem Chad conta sobre sua receita de Shawarma e a comida árabe em relação a brasileira.

Compliado de imagens de comida pela cidade de São Paulo

Sonora dos elementos da cozinha sendo manuseados

Planos fechados em detalhes dos alimentos em estúdio.

Chad explica sobre a comida halal e seu papel na cultura árabe e na cena gastronômica árabe no mundo

Imagens ilustrativas de comidas, ingredientes e temperos.

Comida ‘’Halal’’

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Manipulação da carne em estúdio

Reataurante Aboud Shawarma

ASMR da carne sendo temperada

Plano fechado das carnes sendo marinadas em azeite e especiarias

BG texto sobre o restaurante BG trilha sonora

Seleção de imagem de pratos servidos pelo restaurante Aboud Shawarma

Personagem Aboud conta sua história no brasil

Ambiente Interno do restaurante, personagem sentado em plano médio

Personagem Chad conta sua trajetória no Brasil

Ambiente Interno do restaurante Abudi Halal

Grafico ilustrativo para informar que Saed não falava português. (BG Trilha sonora)

Imagens de Saed preparando um menu degustação para a equipe.

Restaurante Abudi Halal

Restaurante Ghadir

Sonora de texto sobre o restaurante Ghadir. Restaurante Aboud E Restaurante Aboudi

Sonora dos personagens contando sobre a gastronomia árabe e como ela é influênciada no Brasil

Transição para cozinha Sonora dos personagens

Corte para os restaurantes

Restaurante Aboudi Halal

Sonora detalhada do manuseamento dos alimentos na cozinha cenográfica. Aboud e Chad falam sobre a repercussão dos seus restaurantes, com a comunidade e redes sociais

Imagens externas dos restaurantes e dos pratos apresentados.

Compliado de imagens da movimentação de comida popular na cidade Imagens da comida sendo manipulada em plano fechado. Imagens internas do restaurante e externas da cidade, com takes da montagem dos Shawarmas na cozinha.

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Sonora sobre o restaurante (BG)

Imagem internas do restaurante e dos pratos servidos.

Arte Gráfica sobre a Pandemia

Restaurante Aboudi Halal

Texto sobre a pandemia e seus reflexos no comércio e na sociedade (BG)

Arte ilustrativa sobre a proliferação do COVID 19com montagem e imagens de arquivos.

Restaurante Aboud Shawarma

Personagem Chad começa a falar sobre a adaptação da sua logística para atender a demanda na pandemia

Ambiente Interno do restaurante Abudi Halal

Personagem Aboud também dá sua versão sobre os desafios enfrentados na pandemia

Ambiente interno do Restaurante Aboud Shawarma

Restaurante Aboudi Halal

Estúdio Cozinha

Restaurante Aboud Shawarma

Personagem Aboud fala sobre seu restaurante,endereço e redes sociais Personagem Chad fala sobre seu orgulho na cultura e culinária árabe e faz um convite a todos conhecerem seu estabelecimento.

Ambiente Interno do restaurante Abudi Halal

Finalização do Prato Shawarma com detalhes no preparo e finalização do lanche (BG) som dos alimentos.

Imagens em plano fechado da montagem e finalização do lanche.

Personagem Aboud Encerra emocionadamente seu depoimento de carinho pelo Brasil

Ambiente interno do Restaurante Aboud Shawarma

Sobe Créditos Finais.

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5.3 Estabelecimentos

Os textos a seguir foram as bases para escolhas dos nossos objetos. Alguns retirados integralmente da internet e outros complementados com informações extras

5.3.1 Restaurante Al Janiah

Retirado do link https://www.aljaniah.com.br/sobre1 ‘’Al Janiah é um espaço político e cultural, com um bar e restaurante de culinária árabe no bairro do Bixiga (São Paulo) onde política, arte, cultura, música e cinema se expressam criticamente por meio de eventos, cursos, teatro, lançamentos de livros, exibições de filmes e exibições fotográficas. A comida é uma das mais antigas formas de intercâmbio entre povos e acreditamos que ela ajuda a promover o envolvimento da comunidade em torno desse intercâmbio complexo de culturas, religiões e etnias. A alimentação é um organizador natural das pessoas, bem como o local favorito para o debate. No entanto, raramente as pessoas têm conversas sobre a comida que comem, de onde vieram os ingredientes ou a política por trás das cozinhas. Alimentos e cozinha são caminhos pouco explorados para cultivar o diálogo de paz dentro da comunidade. O mercado globalizado coloca em circulação alimentos de todas as áreas do mundo permitindo que o acesso a outras culturas crie um espaço compartilhado em que todas as pessoas podem ser incluídas nas trocas e interações, superando os estereótipos e a cultura do ódio. A prática de rituais alimentares no mundo árabe é um importante conector de pessoas e comunidades, e São Paulo é uma das cidades mais multiculturais do mundo. É essa vibração e transversalidade de culturas e etnias que fornece uma plataforma para as discussões sobre outros países: pensar global, agir local. Operando cinco dias por semana no centro da cidade, o Al Janiah tem como missão ampliar o engajamento que o público - que poderíamos melhor nos referir

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como família, a crescente família Al Janiah - tem com a cultura, com a política e com as questões em jogo no país e no mundo. Com mais da metade do nosso quadro de trabalhadores refugiados da Palestina, da Síria e imigrantes de Cuba, Argélia, militantes antifascistas, nordestinos e sulistas, a política da casa é pensar sempre em (re)criar coletivamente nossa democracia. Este (re)criar se dá pela exploração de nossos padrões políticos estabelecidos e busca - através do entrosamento e do diálogo empático, de coração aberto, com povos e culturas de norte a sul, do Brasil e do mundo – para (re)descobrir nossos desejos políticos comuns, dores e alegrias, criando uma plataforma de união de lutas para a transformação política. Acreditamos que afetividade, empatia e gentileza podem criar uma política de unidade e de consciência, de resistência e de hospitalidade em nosso entorno. A energia de comunidade, as festas, os eventos e os sabores da casa contribuem para uma atmosfera enérgica que consiste de uma miríade de combinações de culturas, de sabores excitantes, de idiomas, de olhares e de perspectivas diversas.’’

5.3.2 Restaurante Syria ‘’O libanês Ahmed Merhi é velho conhecido de quem frequenta o Centro. Ele era proprietário do Vovô Ali, que funcionou na região da Avenida Rio Branco e depois na Rua Barão de Limeira. Após um período de volta ao Líbano, Merhi abriu em 2018 o Restaurante Syria, pertinho do Largo do Arouche. A proposta é a mesma de seu antigo estabelecimento: comida farta e barata, feita com ingredientes trazidos do Líbano.” (DIAS, 2019)

“Vovô alí’’ também conhecido como‘’Brimo’’ tem uma curiosa história que contextualiza com o centro de São Paulo, aonde começou a ser frequentado por membros da cena de hip-hop independente que se apresentava em locais próximos, como a galeria Olídio, aonde o seu marketing boca a boca colocou seu restaurante em destaque, aparecendo em clipes e citações nas músicas, muito pela simpatia e boa comida. Não temos muitas informações pessoais, porém um dado importante se dá que durante a pandemia o restaurante esteve perto de fechar as portas, o que gerou uma mobilização virtual do Rappers Fleezus e membros da cena de Brime e Hip-Hop do centro em criarem um Instagram para divulgar o serviço de delivery do restaurante, 91


visto que o Brimo não dominava essa ferramenta, o que ajudou a manter as vendas do restaurante em andamento. 5.3.3 Restaurante Aboud

Texto retirado do link https://www.uol.com.br/urbantaste/noticias/redacao/ 2019/08/27/conheca-7-restaurantes-comandados-por-refugiados-em-sao-paulo.htm ‘’Aboud - Shawarma & Comida Árabe Abdulrahman Alsaied, ou apenas Aboud, tem um dos pontos de shawarma mais concorridos do Centro histórico, mais precisamente no Largo do Paissandú, quase em frente à Galeria Olido. Ele começou em meados de 2017, com uma portinha, e hoje já cresceu para um pequeno salão, lotado na hora do almoço. Aboud Ganhou notoriedade rápido pela simpatia e pela maneira que trata seus clientes, sempre atencioso, pede para tirar fotos e alimenta sua rede social com o máximo de pessoas que frequentam seu restaurante, o que chamou a atenção de figuras famosas, como cantores, artistas e políticos e ajudou a alavancar seu restaurante chegando nas redes sociais, revistas e programas de TV.’’

5.3.4 Feira Kantuta

Texto retirado do link https://www.momondo.com.br/discover/feiras-em-sp ‘’Um pedaço de La Paz ou Cochabamba entre os bairros paulistanos do Pari e Canindé. Antes a feirinha da praça Kantuta costumava ser o ponto de encontro da grande comunidade boliviana que vive na capital paulista, hoje ela já atrai muitos turistas e paulistanos em busca de sabores diferentes. Todos os domingos, dezenas de barracas são montadas na praça para vender pratos típicos e produtos bolivianos. Você não pode sair de lá sem provar uma autêntica salteña boliviana (um tipo de salgado assado e recheado parecido com as empanadas argentinas). As barracas têm muito mais delícias tradicionais bolivianas, como a sopa de maní (amendoim) e pratos que levam o chicharrón (carne de porco à moda boliviana). Para beber, você escolhe entre chicha (bebida feita de milho fermentado e levemente alcoólica),

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mocochinchi (uma bebida feita de pêssego desidratado e especiarias) e paceña, a cerveja popular boliviana. Em algumas barracas você encontra produtos típicos, como o chá de coca, temperos andinos e o milho roxo. Em outras, pode comprar malhas, bolsas e roupas trazidas diretamente da Bolívia. Tudo muito bordado e colorido. A feira funciona todos os domingos normalmente. Em datas comemorativas, como carnaval e a independência da Bolívia (6 de agosto) são organizadas apresentações especiais com música e danças bolivianas. E tem até corte de cabelo na rua.’’

5.3.5 Riconcito Peruano

Texto

retirado

do

link

https://revistapegn.globo.com/Banco-de-

ideias/Alimentacao/noticia/2019/05/ele-comecou-com-r-50-e-hoje-e-dono-de-umadas-maiores-redes-de-comida-peruana-do-pais.html. ‘’De camelô a dono de uma das maiores redes de comida peruana de São Paulo. Essa é a trajetória de ascensão do empreendedor Edgard Villar, proprietário do Rinconcito Peruano. Os fatores que trouxeram notoriedade à marca, que atualmente conta com 12 restaurantes abertos e faturamento mensal de R$ 2,5 milhões, estão o ambiente temático, com uma decoração que remete ao Peru, e seu quadro de funcionários, formado inteiramente por imigrantes. Villar começou fabricando miçangas e as vendendo na rua 25 de Março, famoso polo de varejo da capital paulistana. Mas a repressão da polícia, que tentava reduzir o comércio informal na região, acabou inviabilizando o negócio. Sem opções, decidiu mudar de rumo. Foi então que ele comprou ingredientes e começou a fazer marmitas de comida peruana em sua casa.A técnica usada para preparar os alimentos vinha de sua infância – ele aprendeu a cozinhar com sua mãe e irmã desde cedo. O empreendedor, nos meses seguintes, construiu uma base de clientes, sendo que a grande maioria era de outros imigrantes e varejistas que conhecia de seus tempos como camelô. O boca a boca também contribuiu para o negócio, atraindo cada vez mais gente para provar os pratos de Villar.

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Quando a demanda chegou a cerca de 40 marmitas por dia, Villar passou a ter problemas. "O síndico do meu prédio não gostava do fluxo constante de pessoas que entravam e saíam", diz. Mas se não podia vender em casa, para onde Villar iria? A solução foi abrir um restaurante na sobreloja de um imóvel na Rua Aurora, no centro de São Paulo.’’

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5.4 Autorização de uso

5.4.1 Saaid Zaikir

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5.4.2 Abdul Rabman Alsaied

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5.4.3 Shadi Kebeisso

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5.4.4 Musica “Vespa”

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5.4.5 Raphael Orciolli

5.5 Making Off 99


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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

104


6.1 Flávia Cristina

Nem

mesmo

nos

cenários

mais

pessimistas

não

imaginei

que

o

desenvolvimento do TCC seria afetado por uma pandemia. A princípio, as incertezas consequentes deste evento inédito e inesperado, certamente causou ansiedade na equipe. Na primeira etapa dessa jornada, durante o primeiro semestre, as falhas de comunicação foram o primeiro de nossos apuros. Um problema com o qual já estamos familiarizados e que foi agravado com o distanciamento social, causou um desequilíbrio no grupo que sobrecarregou certas partes mais do que outras. Felizmente, após uma conversa honesta na qual todos puderam expressar suas frustrações e reviver os ânimos e comprometimento com o projeto, conseguimos nos reerguer e organizar a distribuição das tarefas. Pessoalmente, sinto que minha participação nessa última etapa não foi tão eficiente quanto poderia ter sido, e gostaria de ter me envolvido mais com a produção; porém pude observar à distância o comprometimento dos meus colegas e senti segurança com a produção e confiança no resultado final. Com certeza foi uma experiência incomum, muito distante das nossas expectativas e cercada de limitações que fugiam de nosso controle e, por esse motivo, foi tão enriquecedora.

6.2 Felipe Freitas

Foi um semestre atípico não só pelo momento de pandemia, mas por toda adaptação necessária para que tudo acontecesse, no começo o grupo parecia que não iria engrenar de maneira nenhuma, mas depois de muito ajuste e esforço saímos do lugar, hoje vejo que tudo isso valeu apena e o quanto foi impressionante aprender com o projeto.

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6.3 Ingrid Vieira

Um ano complicado, uma pandemia, que veio para mudar completamente todos os nossos planos para a entrega do material final. Em um grupo que sempre teve certa dificuldade para acertos e reuniões por mídias sociais, o contato presente sempre nos deu maiores resultados, por isso, foi muito difícil a participação e adaptação de alguns colegas, sobrecarregando outros, com a facilidade do visualizar e não responder. Neste projeto, fiquei com direção de fotografia, direção de arte, a câmera dos planos detalhe, montagem, edição, e finalização do projeto. Foram tarefas confortáveis, agradáveis e satisfatórias para mim. Gostaria de agradecer em especial nosso professor coordenador do curso de RTVI Bruno Tavares, e a todos os professores que compartilharam seu conhecimento para evolução da minha formação profissional. Chegar até aqui não seria possível sem o apoio dos meus pais Sivonei e Patricia, e, meu irmão Luan. Tenho o privilégio de ter uma família unida onde eu posso encontrar conforto, apoio e ajuda. Eles estiveram presente em toda essa caminhada, e é a vocês que dedico meu esforço e conquista. A minhas primas Larissa e Dayane, avós, tios, primos, colegas de classe e amigos, meus sinceros agradecimentos por cada aprendizado, ajuda, parceria, compartilhamento, incentivo e ate mesmo um abraço em momentos difíceis. É um orgulho enorme ver a evolução e aprendizado pessoal até aqui. Sou grata por este curso, por cada experiência marcante e memorável durante esses 4 anos.

6.4 Mayara Duarte

Com todo respeito as famílias que sofreram por conta da covid-19, fazer um TCC em um pandemia foi muito especial e marcante, olhar para o começo do ano até aqui e ver o quanto foi desafiador, intenso e assustador .Começamos tudo na incerteza de como seria o resultado final pensando que seria impossível poder gravar e que terminaria o curso sem poder ter contato nenhum com os colegas de trabalho, o penúltimo semestre para mim foi o mais estressante, muitas dúvidas e pouco contato com os professores e por um lado foi o que ajudou minha saúde mental, porque 106


quando pensava demais na pandemia e como seria o futuro logo me ocupava com as atividades acadêmicas, a Rootopia no geral teve seus altos e baixos em algum momento o grupo todo estava desmotivado mas aos poucos tudo foi fluindo e bíblia foi o maior desafio, chegando o último semestre e junto dele o novo normal já começamos a ter esperança na possibilidade de poder gravar e cancelamos a ideia de fazer um vídeo conceito e dentro de todas medidas de prevenção contra a covid19 concluímos as gravações com a nossa equipe dividia em cada dia. Termino o TCC com o sentimento de que poderia ter me esforçado mais, e por um lado orgulhosa de ter chegado até aqui passando por cima de inúmeras dificuldades, deixo aqui registrada minha eterna gratidão aos professores, levo de cada um lembranças e ensinamentos muito importantes para a vida toda, e também aos amigos da produtora Rootopia foi incrível dividir esse sonho com vocês.

6.5 Maycon Douglas

Última etapa do desafio acadêmico do curso de rádio e TV. Talvez o maior desafio da minha vida foi chegar até aqui, um último semestre de muitos altos e baixos. Não consegui ser muito ativo na parte teórica por conta de problemas de saúde da minha mãe, mas fiquei muito feliz com minha contribuição na captação de imagem e áudio e com a beleza da composição de todos os elementos. As incertezas no começo do semestre com a pandemia, as mudanças na proposta do documentário deram um certo medo de não chegarmos até aqui ou de sair um produto final ruim. Mas hoje mais houveram tantos empecilhos estou muito orgulho do documentário e de ter chegado até aqui.

6.6 Pedro Gregório

Quando eu comecei a faculdade, jamais imaginaria que o trajeto seria tão longo e tão curto ao mesmo tempo. Parece que comecei ontem e se for parar para pensar o quanto de coisas eu já vivi parecem que foram muitos e muitos anos. Esse ano começou, tudo parecia normal, todos estavam se planejando para realizar um projeto convencional como todos realizam. Começamos a nos programar 107


e decidimos qual tema iríamos abordar no nosso trabalho de conclusão de curso, todos do grupo toparam. Logo depois veio a pandemia, onde afetou de cara todo nosso projeto e nossa programação, como ninguém conhecia a doença, vivemos tempos de incertezas e acho que isso fragilizou um pouco o nosso grupo e deixamos nos levar por todo esse medo. Mas com muita cobrança, altos e baixos conseguimos finalizar a primeira parte com sucesso, tivemos que fazer algumas alterações solicitadas pelos professores para dar continuidade no próximo semestre. O segundo semestre do ano e último da faculdade chegou e com ele o frio na barriga, ainda sem saber como faríamos com o projeto, se iríamos gravar ou não nos programamos para que tudo saísse como o esperado. As gravações começaram e todas foram um sucesso, diante de tudo isso, pude aprender o quanto somos pequenos nesse mundo, onde tantas pessoas de fora, imigrantes saem de seus espaços para conquistar sua cultura e sobrevivência em países de fora. Em todos os restaurantes que fomos, fomos muito bem recebidos, demonstrando vontade em contar suas histórias e muito solícitos. Nesse projeto fiquei responsável por toda parte de produção, assim como em outros semestres, na parte de formatação e elaboração do projeto escrito colaborei da melhor forma. Enfim gostaria de agradecer a Rootopia e todos seus integrantes por me proporcionar um projeto tão íntegro e conclusivo que nesse ano e na minha formação foi o mais importante, com certeza vou levar disso, cada detalhe, cada história pra toda minha vida, no fim tudo deu certo e com certeza pra mim esse documentário ficou muito bem elaborado. Gratidão por esses 4 anos de muita aprendizagem de faculdade e aos orientadores Bruno Rogerio e Krishina Tavares.

6.7 Raphael Orciolli

Assim como o ano de 2020, nosso projeto não foi de fácil execução, passando por diversas metamorfoses e aperfeiçoamentos, até chegar a sua forma final. Com a ideia original, baseada em um documentário, reunimos informações de pesquisas relacionadas a nosso tema principal, que seria a imigração na cidade de São Paulo, porém não queríamos que fosse ‘’só mais um documentário’’ procuramos então, novas referências e uma busca por um novo formato que enquadrasse nossa 108


obra sem perder a essência, mas acrescentando um tempero novo, uma nova dinâmica de apresentação do conteúdo. Após diversas orientações, discussões, análises sobre o que seria possível, viável e ao alcance, tivemos uma nova referência no gênero de séries documentais sobre comida e chegamos a fórmula que melhor se encaixava no tema, a partir daí, passamos para a fase de pré-produção, entramos em contato com nossos objetos de estudo, os atores que iriam compartilhar seu espaço e história para nossa narrativa, a pandemia prejudicou muito o progresso dessa fase, por ter estabelecimentos fechados, ou com restrição de presença, o que fez o planejamento de filmagem ser revisto, com equipe reduzida, alguns dobrando funções, tornando o mais enxuto e dinâmico possível. A captação nos estabelecimentos teve diversos momentos positivos, principalmente de aprendizado humano, com a recepção, educação e generosidade dos nossos atores, muito solícitos e com vontade de contar sua história.

6.8 Tanise Baldissera

Bom, nesse trabalho digamos que cai meio de paraquedas, em meio a pandemia mudei de cidade e consequente de faculdade. Foi um tanto difícil para mim me acostumar e tentar me encontrar o quanto antes para dar continuidade ao TCC, mas o grupo Rootopia me acolheram super bem. Entenderam minhas limitações devido ao tempo e seguimos juntos tentando ao máximo entregar as entregas nos prazos. Participei escrevendo uma parte do trabalho teórico e de uma gravação que para mim foi muito importante, primeiro poder conhecer cada um pessoalmente, que devido a pandemia isso não tinha sido possível. E porque também, pude participar ativamente e ajudar em tudo que era possível da gravação. Esse trabalho mudou meu pensamento perante as pessoas que necessitam deixar suas cidades natais fugindo ou buscando por uma vida melhor em outro país, os depoimentos dos entrevistados nos fazem repensar muitas vezes sobre a nossa vida. Pois, é doloroso sair da sua cidade para se refugiar em um país com uma cultura completamente diferente da sua. E as histórias que contamos são de superação, de luta e resistência relatada por todos eles, e de como a comida se tornou um elo entre saudade e amor pelas origens. 109


Como um todo, posso dizer que estou muito feliz com resultado, mesmo só participando no finalzinho tive o gostinho de conhecer pessoas e profissionais incríveis que estão se formando, mas principalmente, o quanto faz bem ver o outro lado de tantas histórias e de tantas vidas que estão no Brasil, claro que, relatamos algumas das inúmeras histórias que existem, e o quanto a comida fala, da saudade de casa, das origens e do sabor.

6.9 Washington Dantas

A realização desse trabalho foi um grande desafio, confesso que devido a todos os acontecimentos históricos que aconteceram nesse ano de 2020 eu havia duvidado se seria possível finalizar este ano entregando o trabalho de conclusão de curso. Mas com o comprometimento e dedicação de meus colegas de grupo conseguimos realizar um trabalho com a cara da Rootopia. Desde o início não foi fácil, entramos em uma pandemia logo no começo do ano onde afastou todo nosso grupo. Eu particularmente não estava habituado a resolver tudo a distância e tive dificuldades com a comunicação. Infelizmente tive casos da doença em minha casa e também contrai a mesma, algo que me deixou para baixo e desacreditado que este ano poderia ter algo feliz. Graças a Deus as coisas estão melhorando e gostaria de deixar aqui meus agradecimentos a toda equipe da Rootopia e toda a equipe de professores e do núcleo da faculdade. Finalizo este trabalho com a sensação de que poderia ter me entregado e me empenhado mais, mas contente com o resultado final e muito orgulhoso dessa produtora que irá ficar marcada em minha vida, Rootopia.

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