Skip to main content

The Red Bulletin Outubro 2015 - BR

Page 1

BRASIL

ALÉM DO COMUM

ARTE E AVENTURA

A fotógrafa Krystle Wright rodou o mundo em busca de adrenalina

RAP NO PALÁCIO

A MELHOR FESTA DE HIP HOP DA FRANÇA

THE BLACK KEYS

Conversamos com o líder do duo de blues-rock americano

AÇÃO TOTAL

JASON CLARKE é a estrela do thriller de escalada Everest

OUTUBRO DE 2015


O MUNDO DE RED BULL

24 NO DESERTO

BEM-VINDO! Um mundo em que os grandes astros do cinema também curtem ação de verdade. Assim é com Jason Clarke. O astro de filmes como A Hora Mais Escura e Exterminador do Futuro: Gênesis saiu para acelerar um jipe na Califórnia e nos falar de sua paixão por carros e o novo filme, Everest, que estreia este mês nos cinemas. Recepção calorosa também recebemos em Paris, numa festa de rap como poucas vezes nós seres humanos pudemos acompanhar: a Yard Party, que rola dentro de um palácio centenário e coloca a cultura africana acima de tudo. Simplesmente alucinante! E tem ainda a estrela Joseph Gordon-Levitt contando sobre seu papel no filme A Travessia, sobre o equilibrista que caminhou entre as Torres Gêmeas. Acelere! 4

“Quando meu pai viu o filme, ele chorou, aterrorizado.” JOSEPH GORDON-LEVITT, PÁG. 48

THE RED BULLETIN

MICHAEL MULLER (COVER), GETTY IMAGES, KEFFER, DEAN TREML/RED BULL CONTENT POOL, KEITH LADZINSKI, KRYSTLE WRIGHT

Saímos para um rolê com o ator Jason Clarke e descobrimos: o cara manda bem no volante


OUTUBRO DE 2015

66

NESTE MÊS GALERIA 8

BALADA NO PALÁCIO

Gente de todo lugar do mundo e o melhor som de hip hop de Paris numa só festa

FOTOS Os melhores registros do mês

BULLEVARD 15

ANO DA LUZ Os lugares e momentos

mais claros e mais escuros

77 46

DESTAQUES 24 Jason Clarke

O australiano que é a estrela em ascensão no cinema de ação

32 Krystle Wright

Encarar situações extremas é a paixão dessa fotógrafa

46 Heróis do mês NOVA GERAÇÃO

A Ferrari se mexe sempre na hora certa e apresenta o turbo 488 GTB, com mais potência e menos emissões

O triatleta Sebastian Kienle, o ator Joseph Gordon-Levitt, Emmy Rossum – de Shameless – e o DJ Qbert

SEBASTIAN KIENLE

O campeão do Ironman nos mostra o segredo para ter bom preparo e saber encarar grandes dificuldades

52 Voadores

Take 5: uma história em cinco fotos

58 Chris Sharma

58

Um novo desafio de escalada

66 Yard Party

A cena incendiária de rap em Paris

AÇÃO!

32 PARA CIMA

O desafio de um escalador também está na mente. Chris Sharma explica como fazer isso THE RED BULLETIN

FOTOS DE AÇÃO

De que modo o trabalho de fotógrafa de Krystle Wright a transformou em uma grande atleta

73

O ESSENCIAL Para ficar por dentro

do mundo dos esportes, da tecnologia e do entretenimento 85 ESPECIAL VIDA ATIVA 90 EXPEDIENTE 92 MOMENTO MÁGICO

5


BASTIDORES THE RED BULLETIN OUTUBRO DE 2015

NOSSO TIME ESTE MÊS

RÜDIGER STURM

Clarke, Acer, o editor Tzortzis e o fotógrafo Muller

Motores, astros e heróis A ideia de fazer esse conceito de fotos surgiu após saber que Jason Clarke era fanático por carros. Mas quem conseguiria um para o fotógrafo Michael Muller? Entra Robert Acer: piloto de corrida de caminhão, filantropo, milionário misterioso e possivelmente um futuro super-herói (veja o trailer em robertacer.com). Ele emprestou seu caminhão e equipe para a sessão de fotos. E Clarke mandou bem. “Estou ameaçado”, disse Acer, que manteve a identidade em segredo, sem tirar o capacete. “Ele é um talento natural.” Pág. 24

MAKING OF POR TRÁS DAS CÂMERAS

Este jornalista de cinema mora em Munique, mas é um insider em Hollywood. Ele conversou com Emmy Rossum sobre lições de vida, sexo e queijo grelhado. Confira a entrevista na pág. 50.

THE RED BULLETIN PELO MUNDO KEFFER

“Eu não sei fazer o twerk, mas adoro ver as mulheres fazendo isso”, diz Keffer, frequentador VIP das mais loucas noites parisienses. Nesta edição, ele traz as fotos mais quentes na festa de rap Yard Party. Pág. 66

O Red Bulletin é publicado em 11 países. Acima, a capa da edição mexicana. Baixe todas as edições em: redbulletin.com/howtoget

A dedicação de Wright para conseguir uma foto boa é fantástica

“A rotina é a maior inimiga.” KRYSTLE WRIGHT A fotógrafa de aventura australiana Krystle Wright, 28 anos, mergulha, escala e sofre em temperaturas negativas para conseguir ficar perto de seu assunto preferido: a aventura. Seus registros podem ser vistos a partir da pág. 32.

6

THE RED BULLETIN


TORQUE Na Formula Drift, 39 dos melhores pilotos mundiais lutam pelo título em pistas da China, da América do Norte e do Japão. O preferido do público é o neozelandês “Mad” Mike Whiddett, que ganhou o apelido durante sua carreira anterior como o doido do motocross. Agora, Mad Mike pilota, com a mesma audácia, o Mazda da Red Bull – levantando fumaça com 1 032 cavalos. Mais sobre Drift: www.madmike.co.nz Foto: Larry Chen

8

LARRY CHEN/RED BULL CONTENT POOL

O R L AN D O, EUA


S E R MAMAG NY, FR AN Ç A

ROCK’N’ROLL Com o nome artístico de Diplo, o americano ­Thomas Wesley Pentz se transformou em um dos DJs mais bem pagos do mundo (cachê anual em 2014: US$ 10 milhões). Seu projeto ­Major ­Lazer faz multidões dançarem nas pistas de K ­ ingston a Bombaim. O ponto alto de suas ­apresentações ao vivo: deslizar em uma bola de plástico gigante sobre o público. Informações sobre a turnê: www.majorlazer.com Foto: Vincent Arbelet

11


AÇ O R E S , P O RTU G AL

QUEDA LIVRE

DEAN TREML/RED BULL CONTENT POOL

Tara Hyer-Tira (EUA) cresceu com cinco irmãos mais velhos. Todos saltavam de ­penhascos. Não surpreende que, aos 27 anos, seja uma das melhores atletas do Red Bull Cliff Diving World Series (na foto durante um salto de 20 metros de altura). O que a fascina no esporte? “O respeito pela altura seguido pela sensação depois do mergulho.” Final do Red Bull Cliff Diving World Series: 26/9 em Bilbao, Espanha Stream ao vivo: www.redbull.tv Foto: Dean Treml

13


A energiA de red Bull em trĂŞs novos sABores.

crAnBerry

lime

BlueBerry

www.redBull.com.Br


2015 é o ano da luz: venha conosco aos lugares mais claros e aos mais escuros do mundo

BULLEVARD NINGUÉM NUNCA CHEGOU TÃO FUNDO

SUNSET BOX/ALLPIX/LAIF

James Cameron atingiu o ápice da carreira no ponto mais profundo da Terra: a Fossa das Marianas O diretor James Cameron tem uma relação complicada com o mar. Em Titanic, ele afundou um navio; em Expedition: Bismarck, ele foi atrás da história de outro; e, em O Segredo do Abismo, ele encontrou extraterrestres nas profundezas. Depois, precisou da ajuda de uma sessão de terapia de choque: mergulhou em um submarino na Fossa das Marianas, o lugar mais profundo e escuro dos oceanos. Foi o terceiro a realizar a façanha no mundo. E o primeiro a fazê-lo sozinho. Cameron documentou o deserto aquático a 10 900 metros de profundidade, mas ele não conseguiu ver muita coisa nas três horas que passou lá embaixo – o submarino revolveu a areia do fundo. Não é a primeira vez no trabalho de Cameron que a técnica atrapalha a trama, coisa que também acontece em alguns de seus filmes. Mas dessa vez não era possível afundar mais.

Tempos de trevas. James Cameron sabe do que um homem com profundidade precisa: um relógio à prova d’água

15


BULLEVARD

VIAGEM AZUL

Os raios do sol iluminam até 200 metros abaixo da superfície. Depois é escuridão. Cinco dicas de mergulho para todos os que procuram a emoção na profundidade

930 m de altitude Weissensee, Áustria 1 Gelado: mergulhe no lago mais alto das montanhas

- 0 m Toyama, Japão

2

Alarme azul: lulas azuis minúsculas colorem a costa de azul neon na primavera

- 2 m Leste da Groenlândia

3

Embaixo dos icebergs: na água gelada, só o sol da meia-noite poderá te aquecer

- 10 m Thingvellir, Islândia

4

Não se mova, por favor: mergulhe na fenda entre as placas continentais da América e da Europa

3

4 1

5

2

Mergulhe em nossas dicas

16

- 3.800 m

Doideira! Abaixo de 30 metros, a famosa narcose por nitrogênio ocorre: euforia, medo, alucinações

Gigante. Há mais de 100 anos, os destroços do Titanic descansam na ilha de Terra Nova, Canadá

- 11.034 m No fundo. Você só alcança a Fossa das Marianas, no Pacífico, se for James Cameron

- 300 m Malta

5

Seja um piloto de submarino. São quatro dias de treino. Preço: R$ 27 mil

THE RED BULLETIN

CORBIS

- 30 m


BULLEVARD

Felizmente Keira Knightley ficou em casa e não participou de Everest. Nós também

NEM O GELO APAGA

TRUNK ARCHIVE

A luz que ilumina as telas: Keira Knightley Temos certeza: a inglesa seria capaz de derreter qualquer geleira. Essa deve ter sido a razão por que ela ficou em casa e não a vimos em Everest quando Jason Clarke e Jake Gyllenhaal escalaram a montanha mais alta do mundo. Mas a verdade é que nem Hollywood se atreveria a vesti-la como gostaríamos de vê-la em temperaturas de -40 ºC. Por isso, criamos um final feliz melhor para o filme: Keira nos recebe calorosamente no alto da montanha. Nós derretemos. E, infelizmente, o Everest também.

THE RED BULLETIN

17


BULLEVARD

1 465 3

7

2

Sete portais para o centro da Terra

VIDA NA SOMBRA As cavernas mais bonitas não são sempre as mais longas. Veja a profundidade que você precisa para chegar ao que interessa 20 m Cavernas de Lascaux França

1

Invisível: após apenas 20 metros, você (não) pode ver os famosos bois da Idade da Pedra. A caverna está fechada ao público desde os anos 1960

30 m Caverna Waitomo Glowworm Nova Zelândia

2

Passeio com a família: a apenas 30 metros da entrada, você pode apreciar a gruta dos vermes que brilham

120 m Caverna Lechuguilla Novo México, EUA

3

Com 222 km, é um dos complexos de cavernas mais longos do mundo. Mas até 1986 só os primeiros 120 metros eram conhecidos

18

500 m Gouffre Berger França

4

Paraíso da escalada nos Alpes: após uma descida inclinada de 500 metros, você alcança “Os Treze”, uma formação impressionante de estalagmites

1 km Eisriesenwelt Áustria

5

Como no palácio de gelo da Elsa, o primeiro quilômetro a partir da entrada é totalmente congelado. Mas acessível. Já o resto, não

THE RED BULLETIN


BULLEVARD

PARA LEVAR NO BOLSO

O QG dos Espíritos: a Majlis al Jinn, em Omã, tem 120 metros de altura. E é fantástica

Iluminar, gravar, ficar acordado: três aparelhos espertos

SEALIFE MICRO HD Como filmar embaixo d’água hoje: com uma câmera com 13 megapixels e full HD. Agora só falta a família toda nas férias. sealife-cameras.com

FOGO Uma lanterna mágica que realiza todos os desejos: walkie-talkie, bússola, GPS e envia mensagens de texto. E também sabe iluminar. Com 1 000 lumens. fogo.io

ENTRAIN O aplicativo contra jet lag que ajuda você nos primeiros dias das férias. Diz quando o sol sai ou quando ir para a cama. Não precisa mais nada. entrain.math.lsa.umich.edu

A caverna foi cavada em 1943 com trabalho forçado de poloneses que, contra a vontade dos nazistas, em vez de morrer se tornavam mais saudáveis. Graças à radiação curativa que emana da montanha

THE RED BULLETIN

6 km Caverna Son Doong Vietnã

7

Floresta tropical na montanha: depois de 6 quilômetros, você encontra uma parede de 60 metros, recentemente conquistada pelos primeiros alpinistas

DIETMAR KAINRATH

6

NATIONAL GEOGRAPHIC CREATIVE

1,9 km Gasteiner Heilstollen Áustria

DIÁLOGO DAS LATAS

A ESCURIDÃO É BELA

SIM. UMA PENA QUE NÃO DÁ PARA VÊ-LA DIREITO

19


BULLEVARD

A NOITE TEM 24 HORAS

Loving Las Vegas: quem é o primeiro a apagar as luzes aqui? 01:10 No XS Nightclub,

22:29 Hora de testar

23

21:39 Programa obriga-

20:00

05:00 Lua de mel em

02

20

Veneza. Fica ali na esquina.

05:04 Noite de

núpcias.

04

00:03

05

Inalamos a infame aura dos jogos de azar e vibramos com os letreiros luminosos. Em direção à balada eterna!

17

du Soleil é programa obri­ gatório, assim como apertar a mão do bandido maneta. Preço? Não importa.

01 03

18

16:17 Uma ida ao Cirque

no amor. Mas ela diz que nada vai rolar sem a certidão de casamento. Pegue um táxi para a próxima igreja drive-in.

21

19

Jantar na Stratosphere Tower com a melhor vista. Mas, para ver as estrelas de verdade, só mesmo no Grand Canyon.

24

22

tório no início da noite: o espetáculo de luz e formas impressionante das Bellagio Fountains.

04:33 Você tem sorte

acabamos gastando inclusive o que não ganhamos na noite. Ei, gata, qual é o seu nome?

um dos 76 cassinos. A entrada é grátis. Mas vai ter que pôr a mão no bolso de qualquer jeito.

06 07 08

16 09

15 13

14:02 No Arts District

fica claro: aqui arte significa ser capaz de vender qualquer coisa.

10

14 12

11

12:07 O Museu do Neon alça velhas placas de propaganda ao status de pop art. Boa sorte com a conta de luz.

08:05

Já estou arrependido. “Welcome to Fabulous Las Vegas”: uma placa nos avisa pela última vez.

09:10

A fome nos leva até o Harrah’s para o café da manhã all-you-can-eat. A fonte de chocolate jorra alegremente.

10:56 Em direção

ao centro – a Las Vegas “velha”, onde, nos anos 1940, os primeiros hotéis-cassino foram abertos.

01:10 09:10

21:39

20

GETTY IMAGES

Luzes da cidade: Las Vegas é tão iluminada que pode ser vista de Júpiter. Supostamente

THE RED BULLETIN


BULLEVARD

TURISMO PERIGOSO Está procurando uma viagem de última hora?

COREIA DO NORTE Tratamento detox digital. Converse com a pessoa ao lado para variar. Mas não sobre política.

AFEGANISTÃO Turismo terrorista. Passeie com capacete e colete à prova de balas por Kabul.

CHERNOBYL Excursão até o reator. Para aventureiros em busca da última radiação.

LONDRES Tour Jack o Estripador. Turistas visitam a zona de caça do mais famoso serial killer inglês.

SOMÁLIA Velejar entre navios pirata? OK. Você nos pegou. Essa não existe. Ainda.

KAINRATH

Desde que o capitão Kirk registrou “Ao infinito e além” em seu diário de bordo, todos queremos viajar pelas estrelas. Desde que o multimilionário Dennis Tito se tornou o primeiro turista a viajar para o espaço em 2001, ­ficamos sabendo que: a viagem será cara. Atualmente, empresas como ­Virgin Galactic ou Space Adventures estão investindo bilhões para realizar esse sonho. Por apenas US$ 250 mil, você pode ver a Terra do espaço com a Virgin. Em teoria. A sua “Spaceship 2” despencou do céu como uma rocha no ano passado e, com ela, a esperança de que houvesse viagens

22

ao espaço para todos num futuro próximo. Teremos que esperar pacientemente até podermos colocar a turma da Tia ­Augusta em órbita ou pedir carona pela g­ aláxia. Até que chegue esse dia, podemos observar as estrelas no céu: de preferência em um lugar onde não haja luz por perto. Na Ayers Rock, na Austrália, ou no Deserto do Atacama, no Chile – lugares onde se veem mais estrelas em todo o planeta. Além disso, dezembro traz novidades para manter o hype de Star Wars nas ­alturas. É quando fica claro que a melhor espaçonave do mundo é o seu sofá.

Ver e ser visto.

DIETMAR KAINRATH

No ano da luz, ainda estamos a anos-luz do pacote de férias all inclusive no espaço

NASA

O CÉU PRECISA ESPERAR

Sortudo sorridente. Quando teremos viagens ao espaço para todos?

THE RED BULLETIN


A FUNDO


JASON CLARKE ATUOU DE MANEIRA NOTÁVEL EM UMA SÉRIE DE FILMES. AGORA É A VEZ DE EVEREST, QUE ESTREIA NESTE MÊS. MAS, À BEIRA DO ESTRELATO, ELE NÃO ESTÁ COM PRESSA DE CHEGAR LÁ. TER FOCO NO OBJETIVO NÃO É GRATIFICANTE SE VOCÊ NÃO CURTE A JORNADA POR: ANDREAS TZORTZIS  FOTOS: MICHAEL MULLER

25


O

“poc poc poc” gutural do motor de 860 cv em ponto morto soa como uma criança nascida do amor entre uma Harley e um helicóptero Apache e abafa qualquer tentativa de Jason Clarke dizer ­alguma coisa. Essa camionete é diferente de tudo o que o ator, mais conhecido por papéis em filmes como O Exterminador do Futuro: Gênesis e A Hora Mais Escura, já dirigiu. A máquina, toda de carbono e equipada com um motor NASCAR tipo Mad Max, é diferente dos Porsches e dos carros com cockpit aberto que Clarke corre no tempo livre. Na segurança dentro da grade, ele pisa no acelerador e rasga uma empoeirada colina em Los Angeles. No cume, Clarke, 46 anos, freia subitamente e faz meia-volta, deixando uma nuvem de poeira ao redor. Ele sai do carro, seu rosto está branco como papel. “Tomei um susto”, ele diz. “Eu estava tipo ‘uou, uou, uou, freia aí! Não consigo ver p*rra nenhuma’.” Chegou a 250 km/h? Clarke não sabe. “Estava rápido o suficiente para piscar o c*”, disse. Em uma cidade que enfatiza a aposta segura, risco e recompensa são os valores da carreira de Clarke. Essa abordagem

Dirigir uma Trophy Truck envenenada, toda de carbono, era para ser um desafio. Mas ele tirou isso de letra

cai perfeitamente bem no afável austra­ liano. O destino sempre foi a jornada em primeiríssimo lugar. O papel de encher os olhos no drama aborígine do diretor Phillip Noyce Geração Roubada? A louvada e eletrizante performance como um agente da CIA em A Hora Mais Escura? ­Estas foram apenas paradas no caminho. Ele desde então provou seu valor nas bilheterias como o simpatizante dos símios Malcolm em Planeta dos Macacos: O Confronto e como John Connor em Gênesis. Mas é a sua delicada performance como o enrascado guia de montanha Rob Hall em Everest, que estreia neste mês, que pode garantir a Clarke um lugar no mainstream. “Um lugar onde? No lugar de Robert Downey Jr.?” Ele debocha. “Até que seria bom, viu.” Clarke está sentado em um banco de parque iluminado pelo resto de luz em um final de tarde, longe da poeira e do barulho que teve no dia. A Trophy Truck está estacionada nas redondezas em toda sua gloriosa ameaça. É de Robert Acer, um cara misterioso na comunidade do ­automobilismo que mantém sua identi­ dade disfarçada em um personagem todo vestido de preto que nunca retira seu ­capacete em público. Um sujeito rico de Malibu, de acordo com a lenda, ele não se importaria nada se Clarke arrebentasse com o carro, desde que o ator saísse ileso.

“DEPOIS DA SAÚDE, O BEM MAIS PRECIOSO DE UM HOMEM É A SUA PALAVRA.”


Quando estava quase desistindo, Clarke conseguiu seu primeiro grande papel ap贸s os 30. Alguns meses depois, ele encarou o risco e se mudou para L.A.

27


Nem todas as empinadas s達o intencionais. A pot棚ncia e o torque da Trophy Truck 足pegaram Clarke de surpresa 足algumas vezes


“Eu não queria dizer isso para Jason”, diz Acer, uma voz abafada vinda de dentro de um capacete de carbono e uma viseira de vidro espelhado. “Mas, quanto mais ­rápido você vai, mais macio ele fica.”

C

“VIR PARA OS EUA FOI IMPORTANTE PARA MIM. FOI TUDO OU NADA. EU NÃO ­T INHA NENHUM PLANO ALÉM DISSO.”

larke é filho de um tosador de ­ovelhas e de uma oficial de Justiça da pequena Winton, em Queensland. Mais velho de quatro filhos, ele liderava a gangue dos irmãos em aventuras na vastidão do outback. Mas a atração da cidade grande foi mais forte. Ele começou em Sydney, onde ficou encantado com os mochileiros que entravam e saíam do café onde ele trabalhava. Quando descobriu que ser ator poderia dar a mesma sensação de aventura, ele se envolveu, inscrevendo-se em uma ­escola de interpretação. Corta para muitos anos de luta e de becos sem saída. Falido, ele recorreu aos amigos para que ajudassem e se perguntou se realmente havia uma forma de se arranjar. “Se não fosse acontecer”, disse Clarke agora, “eu desistiria para fazer outra coisa. Eu não vejo sentido em se acomodar e ser um ator sofredor ou frustrado.” Foi então, quando ele estava prestes a desistir, aos 33 anos, que uma chance ­surgiu com Noyce e Geração Roubada. “Vir para os Estados Unidos foi tudo para mim”, disse. “Era tudo ou nada. Toda minha vida estava em jogo. O que você faz se não funciona? Eu não tinha mais nenhum plano além disso. Cresci com meu pai e vi como era difícil aquele trabalho.” Ele tinha US$ 10 mil no bolso quando desembarcou em L.A., pronto para ir tão longe quanto durasse o dinheiro. Quando não tinha papel para ele, ia com seu Ford Thunderbird 89 e dirigia até rochas para escalar, ou fazia mochilão no norte da Califórnia. “Senti que finalmente estava fazendo alguma coisa. Se não funcionasse, pelo menos eu teria feito turismo na América”, ele diz. “O desejo precisa de uma oportunidade para se realizar. E existe um período em que você tenta fazer alguma coisa e fica metendo o pé na porta e segue quebrando a cara. E, finalmente, quando consegue meter o pé na porta e a cabeça, quando você faz o melhor, então alguém manda entrar.” Esse pé na porta veio na forma de ­Brotherhood, a série de TV na qual o criador Blake Masters elencou um desconhecido Clarke nos seus 37 anos como um dos dois protagonistas. “Eu fui sortudo ­assim algumas vezes na minha carreira”, diz. “Com [o diretor] Michael Mann, em ­Inimigos Públicos, com Kathryn Bigelow 29


“VOCÊ APRENDE SENDO MOCHILEIRO. TEM QUE SE JOGAR NISSO. EM SEU TRABALHO COMO ATOR TAMBÉM.” em A Hora Mais Escura. E com Baltasar [Kormákur] em Everest. Havia muita pressão para escalar nomes muito mais famosos que eu. [Christian] Bale faria o papel.” Mas Bale saiu e o resto dos nomes nunca existiu de verdade, diz Kormákur. “Eu estava interessado em alguém que ainda estivesse esperando sua vez”, diz o diretor islandês, que gostou da “gravidade” de Clarke em A Hora Mais Escura. “Alguém que tivesse apetite e estivesse pronto a ir até o fim comigo.” E Clarke fez a única coisa que sabia fazer e deu tudo de si. “Você aprende na escola de teatro, mas também aprende no mochilão e nas viagens”, diz Clarke. “Você precisa

se jogar nisso. Fiz muito mochilão. Andando pela China, se você não entende onde vai trocar o seu dinheiro, o que vai fazer? Você precisa meter a cara. Precisa dar seu jeito. Como ator, esse é seu trabalho.”

N

o Natal, alguns anos atrás, o elenco de Everest filmava cenas no Pinewood Studios, próximo de Londres, quando uma tempestade atingiu a Irlanda e a Escócia. Clarke e um consultor e guia do Monte Everest, Guy Cotter, entraram em um avião e foram para o norte, para o alto dos 1 350 metros do Ben Nevis, nas Highlands escocesas. “Aquela noite e aqueles dois dias foram de escaladas noturnas e rapel na tempestade, só para saber como era”, diz Clarke. Ele queria compreender como as pequenas coisas – uma luva perdida, um atraso – poderiam condenar uma expedição como a de Rob Hall em 1996, notoriamente relatada no livro de Jon Krakauer No Ar Rarefeito. “Ninguém era como Jason”, diz Cotter. “Ele passava horas estudando os livros, comparando contas e discutindo os ­mínimos detalhes.” Para Cotter, que era um garoto quando ingressou na consultoria de aventura

A preparação de Clarke para seus papéis se baseia em uma curiosidade in­ saciável pelo mundo

de Rob Hall em 1992, a proposta de um filme sobre seu amigo era bem preocupante. A tragédia de 1996, na qual oito alpinistas – incluindo Hall – perderam suas vidas quando uma tempestade os atingiu durante a descida, foi um evento que traumatizou toda a comunidade de alpinismo. “Havia todas as chances de que se ­tornasse uma coisa hollywoodizada”, diz Cotter. Mas Kormákur e Clarke o procuraram logo que as filmagens começaram e pediram que ele participasse da produção. Ele se tornou o tutor de Clarke em ­todas as coisas que Hall fazia, levando Clarke para escalar as montanhas da sua Nova Zelândia nativa e ao gelado Lago Tasman. No Nepal, próximo do acampamento-base do Everest, a 5,3 mil metros, Clarke infernizou Cotter, perguntando como ele se movimentaria com um suprimento de oxigênio limitado, como ele se comunicaria com a equipe. E então houve o iaque. Há uma cena do filme em que um ­grupo de animais cruza uma ponte. ­Kormákur exigiu algumas tomadas, e os iaques protestaram. “Você podia vê-los cada vez mais bravos”, diz Cotter. Um ­deles desembestou, e Clarke, junto com o colega Josh Brolin, o agarrou pelos ­chifres antes que ele jogasse alguém lá de cima. Esse é o tipo de história que diz tudo sobre o ator. O dia de pilotagem chegou ao fim e Clarke sai da cabine da picape, seus ­óculos escuros ainda no rosto, sem o capacete. Ele joga conversa fora com os caras do serviço de catering reclinados na sombra para escapar do sol de 30 graus. Seu sotaque australiano sutil e anasalado faz o charme. Não importa quão alto ele suba na pirâmide da cele­ bridade, Clarke quer se manter sempre um cara normal: “Gosto da minha vida, de ­conhecer gente”. Ele passou alguns meses no meio deste ano na Tailândia gravando. Depois foi para Praga interpretar um desprezível líder nazista em um filme de Segunda Guerra. Cada viagem é mais uma opor­ tunidade para descobrir um pouco mais sobre o mundo. Ele recentemente virou pai, então agora deixar um legado também está entre suas preocupações. “Estou lendo Amor nos Tempos do ­Cólera, de Gabriel García Márquez, para um filme que vou fazer”, diz. “E tem esta frase: ‘Depois da sua saúde, o bem mais valioso de um homem é seu nome’, ou sua palavra. Não quero deixar centenas de milhões de dólares para meu filho. Ele tem que encontrar seu próprio caminho. Acho que isso é uma aventura.” Everest estreia no dia 17 de setembro

31


“No final de 2011, um amigo me perguntou se eu gostaria de viajar pela Antártida durante dois meses em um navio para mostrar a fotógrafos de viagens como trabalhar sob condições extremas. Claro que aceitei. Fixei a câmera a um suporte telescópico para fazer ­f otos subaquáticas de dentro do barco. Como esta do caiaque da canadense Valerie Lubrick.”

32


CANAL LEMAIRE, ANTÁRTIDA 7 DE FEVEREIRO DE 2012

Bonito e perigoso

BASE-jumps, nevascas e voos sobre cordilheiras no Paquistão. A fotógrafa Krystle Wright se converte em esportista radical e transforma aventura em arte. Ela explica suas fotos mais impressionantes POR: ANDREAS ROTTENSCHLAGER  FOTOS: KRYSTLE WRIGHT


34


ILHA DE BAFFIN, CANADÁ 17 DE ABRIL DE 2010

“A Ilha de Baffin é um verdadeiro paraíso para BASE-jumpers: as escarpas têm mais de 1 500 metros de altura, há vastas áreas para ­p ousar e nenhuma polícia por perto. As desvantagens são as nevascas e as temperaturas muito abaixo dos 20 graus negativos – como nesta foto durante a construção de nosso acampamento de base no primeiro dia da expedição.”


MOAB, EUA 19 DE MARÇO DE 2013

36


“Em Moab vocĂŞ encontra alguns dos melhores BASE-jumpers do mundo. Eu mergulhei nesse universo por quatro anos para um projeto de fotografia. Nesta, o americano Matt Fleischman salta do Looking Glass Arch, um arco de arenito impressionante. Ele saltou de um ponto a apenas 39 metros do solo.â€?


38


VALE DO RIO HUNZA, PAQUISTÃO 25 DE MAIO DE 2011

“Estou sempre viajando para países que, segundo a mídia, deveriam ser evitados. No Paquistão acompanhei uma expedição de parapente na cordilheira Caracórum. Subimos até 7 mil metros de altitude. Depois do pouso, fomos recebidos por estas crianças. As pessoas foram extremamente cordiais no Paquistão.”


VICTORIA, AUSTRÁLIA

31 DE AGOSTO DE 2011

40


“O finlandês Nalle Hukkataival é um dos melhores do mundo no boulder. Aqui ele escala um ­r ochedo na Groove Train, uma das rotas mais radicais da Austrália. Para mim, é importante seguir os atletas o mais próximo possível. Por isso, eu também escalei a parede para tirar esta foto.”


EAGLE ISLAND, AUSTR ÁLIA 27 DE JULHO DE 2011


“Para esta foto, subi no mastro de 9 metros de um catamarã durante a travessia da Grande Barreira de Coral. O mastro não parava de balançar e não tinha onde me agarrar. Mas valeu a pena e consegui este clique do kitesurfista Brett Wright executando um turn perfeito.”

43


“COMPRE UMA BARRACA E FUJA DA SUA ROTINA” the red bulletin: Quando foi a última vez que você teve medo durante o trabalho? krystle wright: Foi em maio deste ano. Queríamos escalar o University Peak, uma montanha de 4 100 m de altura no sudeste do Alasca. Há uma pista de esqui lá que só é aberta ao público muito raramente. Quando chegamos à montanha, uma avalanche desceu pelo caminho que ­tínhamos planejado. E seis ­outras avalanches seguiram a primeira. Naquele momento, tive a certeza de que em certos momentos não há chance de sobrevivência. Você está sempre sujeita a correr riscos desse tipo. Como diminuir o perigo? Sigo minhas três regras básicas: planejamento detalhado, sempre tenho pessoas experientes na equipe e abandono o projeto se a situação ficar muito perigosa. Foi o que fizemos naquele dia no Alasca. Mas, mesmo com essas ­regras, as coisas podem ­ficar complicadas: no ­Paquistão, em 2011, você teve que ser resgatada... Estávamos na montanha Rakaposhi. Eu era a copiloto em um parapente para duas pessoas. Uma rajada de vento nos arrastou da pista de decolagem. Eu só vi o penhasco se aproximando de mim. ­Depois, escutei um estrondo. E não vi mais nada. Só despertei depois de vários minutos. Meu rosto estava sangrando. Como você chegou até o hospital? O parapentista Tom De Dorlodot aterrissou no povoado e organizou o resgate. Uma equipe me buscou na montanha. Depois, fui transportada num jipe até chegar a um rio que bloqueava a passagem. Os ajudantes tiveram que me carregar sobre uma ponte 44

suspensa. Ficamos esperando o próximo jipe. Foram oito ­horas até chegar ao hospital. Minha regra dois foi decisiva: a vantagem de ter pessoas ­experientes na equipe. Como você lida com adver­ sidades como esta? Você tem que voltar a trabalhar imediatamente. Quando voltei para Sydney, fui fotografar um jogo de futebol ­australiano. Meu namorado carregou o equipamento para mim. Quando os jogadores corriam para o campo, eles o encaravam como se fosse um criminoso. Eu estava com o rosto todo esfolado e um pé engessado. Parecia uma vítima de violência familiar. O que uma pessoa aprende sobre si mesma quando está exposta a riscos? Seus defeitos vêm todos à tona. Sem piedade. Eu, por exemplo, tenho muita paciência para fotografar, mas nenhuma para recuperar minha saúde. Tive que mudar isso. Que dica você dá para uma pessoa que queira ­experimentar a adrenalina, mas não queira correr o risco de se machucar? Vá acampar. Isso não soa muito radical. Mas qualquer pessoa pode ­fazer isso. Pegue uma barraca e fuja da rotina diária. Você vai se surpreender com o quanto pode aprender se tiver que ­tomar conta de si mesmo. twitter.com/krystlewright


MEDELLÍN, COLÔMBIA 4 DE FEVEREIRO DE 2015

“O parapentista espanhol Horacio Llorens paira sobre as ruas da ­c idade de Medellín numa noite de lua cheia. Como não existe fisca­ lização para parapentistas na ­C olômbia, você também pode voar à noite. Desde que tenha alguém que te guie para não chocar com os cabos de eletricidade.”


HERÓIS

“IMAGINE QUE O IMPOSSÍVEL É POSSÍVEL” SEBASTIAN KIENLE Endorfinas contra a preguiça:

o campeão do Ironman revela a receita contra qualquer desculpa

a entender o que o corpo está dizendo. E isso é um grande privilégio. O que o seu corpo diz do treinamento de 25 horas por semana? Vinte e cinco horas é o treinamento na fase mais tranquila. A partir da próxima semana serão 35 horas. OK, 35 então. Como você se sente na segunda de manhã? Como você se convence a começar uma semana dessas? Não é necessário. Treinar é divertido. Você tem que se lembrar que o movimento

  : Sebastian, alguma parte do seu corpo está doendo?  : Óbvio! Agora mesmo as costas. E, assim que me levantar, vão ser os tendões de Aquiles. Por que é óbvio? Quando você treina para triatlo em nível mundial, as dores são comuns. Também tem seu lado positivo: você aprende a diferenciar entre dores banais e um ferimento grave. Aprende

nos dá prazer. É um instinto primitivo da época em que caçávamos mamutes. E ele está vivo em nós. O problema é que os carros e elevadores nos levaram a esquecer o prazer do movimento, do esforço. Com isso, nos tornamos doentes e insatisfeitos. Então você vai sorrindo para o treino, corre e nada sorridente por cinco horas e ainda volta sorrindo para casa? Desculpe, mas não dá para acreditar.

46

Uma dica infalível para o esportista de fim de semana... Proponha-se: “Amanhã vou correr dez minutos”. Hein? Assim é bem mais fácil calçar os tênis do que se você planejar correr 90 minutos. Na maioria das vezes, você acaba correndo mais que o planejado, porque depois dos dez minutos as endorfinas já espantaram a preguiça. Mais alguma dica? Sim. Combine de treinar com um amigo. Você vai ver como é muito mais difícil deixar um amigo na mão do que a si mesmo. Você disse que sempre treina ouvindo rock. Quais as suas bandas preferidas?

“O QUE PASSA PELA MINHA CABEÇA QUANDO ESTOU CORRENDO? NA MELHOR DAS HIPÓTESES, NADA. PENSAR GASTA OXIGÊNIO.” Não pense no que você tem que fazer. Ou você enlouquece. E, se algo parece impossível, convença-se primeiro de que é possível. Depois, divida em partes possíveis e vá conquistando uma após outra. Só assim você vai conseguir. A receita também vale para os grandes desafios cotidianos. O que passa pela sua cabeça quando está correndo? Na melhor das hipóteses, nada. Pensar gasta oxigênio e os músculos precisam dele.

Pennywise e Donots para aquecer e algo mais tranquilo, como U2, para voltar para casa. Em outubro, você vai defender seu título mundial no Ironman do Havaí. Qual a previsão? Não vou fazer nenhuma. Mas de uma coisa estou certo: com tanta gente em um nível tão alto, será muito competitivo. Arek Piatek www.sebastiankienle.de THE RED BULLETIN

DEAN TREML/RED BULL CONTENT POOL

C

orrer uma maratona depois de nadar 3,8 km e pedalar 180,2 km. O triatleta alemão Sebastian Kienle faz isso melhor que qualquer outra pessoa. Em 2014, ele venceu o triatlo mais famoso do mundo, o Ironman em Kona, no Havaí, em 8h14min18seg, competindo contra os 52 melhores atletas do planeta, sob um calor de 40 graus. “Não sou um esportista radical”, diz Kienle. “Ser radical é uma besteira. Eu gosto de curtir. Meu ponto forte? Estar sempre relaxado e me divertir com o esforço. Qualquer um pode aprender isso.”

Você tem que merecer a felicidade. Claro que cada sessão de treino significa trabalho duro. Mas, depois, a alegria de ter conseguido vicia: você vai querer correr de novo. A cada vez você vai se sentir mais vivo. É o tipo do vício que eu adoro ter. Você já queria ser triatleta desde criança, verdade? Quando eu tinha 10 anos, escrevi que essa era a profissão dos meus sonhos no livro da turma. Mas fui o único que teve a coragem de viver o que era o seu sonho. Pouquíssimas pessoas têm coragem de fazê-lo e por isso estão infelizes. Qual é a estratégia mental de um ironman para realizar o impossível?


Sebastian Kienle, 31 anos, hedonista: “Tenho um vício que é me sentir vivo”


HERÓIS

“EU SÓ DOU OUVIDOS A MIM MESMO” JOSEPH GORDON-LEVITT aprende algumas lições

para toda a vida ao interpretar o equilibrista mais ousado de todos os tempos

48

o equilíbrio. Porque há uma conexão profunda entre o seu corpo e a sua mente”. Você teria capacidade para repetir o que ele fez? Eu não sou o tipo audacioso que arrisca seu próprio bem-estar em busca de uma dose extra de adrenalina. Comecei treinando com a corda a 60 centímetros de altura, e, quando já estava bom nisso, subimos a 4 metros – e essa foi a altura em que gravamos as cenas do filme. E, mesmo não tendo nenhum medo especial de alturas, o meu corpo ficou tenso de medo porque

Philippe me ensinou que nunca deveria dizer “cair”. Melhor era que eu “decidisse quando descer da corda”. Ele criou todo um vocabulário especial para pensar positivamente. E isso é extremamente importante. Acredito que coisas ruins acontecem com mais frequência na vida das pessoas que estão reclamando o tempo todo. Mas, se você tem uma atitude positiva, então as coisas acontecem de maneira diferente. Por outro lado, coisas ruins também acontecem independentemente de uma atitude positiva – veja o exemplo de como acabou o World Trade Center. O que você tem a dizer nesse caso?

“É FÁCIL DIZER: ‘NUNCA VOU CHEGAR A SER A PESSOA QUE GOSTARIA DE SER’. MAS ESSA É UMA ATITUDE COVARDE DIANTE DA VIDA.” o instinto me dizia que aquilo estava alto demais. Mas até o fim das gravações eu já tinha me acostumado. Para mim, no entanto, a travessia de Philippe é muito mais uma metáfora. Ele disse que você pode atingir feitos muito ousados se colocar a ideia dentro de sua cabeça. Fácil falar... Claro que não temos todos as mesmas capacidades. Algumas coisas são mais fáceis para algumas pessoas, afinal,

Você alguma vez tentou fazer algo impossível como Philippe Petit? Existem muitos riscos na carreira de ator. E nesses eu sou viciado. Sempre busco enfrentar um risco que seja maior que o anterior. Visto assim, A Travessia é o maior risco da minha carreira. E você consegue superar tudo com concentração e coragem? Também é preciso um pouco de manipulação mental.

A “catástrofe” de 11 de setembro, como Philippe a chama, foi uma tragédia horrível. Mas isso não foi a única coisa que aconteceu aqui. 27 anos antes, por exemplo, também houve a beleza da travessia: e, como no caso de qualquer tragédia, é importante não se esquecer das coisas positivas – da beleza daquilo que se perdeu. Julia e Rüdiger Sturm www.thewalk-movie.net THE RED BULLETIN

CORBIS

T

  : O Philippe Petit caminhou sobre uma corda estendida entre as torres do World Trade Center a uma altura de 414 metros. Você alguma vez se perguntou como ele se sentiu naquele momento?  -: Eu posso imaginar. Em julho de 2001, eu subi ao topo do World Trade Center. De lá você não parecia estar em um edifício. A impressão era a de estar em um avião. Você consegue imaginar quais habilidades são necessárias para realizar o feito de Philippe Petit? Philippe era um maníaco por controle, seu ponto forte. Extremamente meticuloso e bem organizado, foi dessa maneira que ele atingiu seus objetivos. Afinal, tudo o que fez exigia enorme concentração. Ele me ensinou a caminhar sobre uma corda suspensa: “Encontre um ponto fixo bem à sua frente e olhe somente para ele, sem pensar em absolutamente mais nada. Não olhe para nenhum outro lugar. Não pense em nada mais. Se você perder o foco, perde imediatamente

a vida na Terra não é justa. Mas é ainda mais fácil dizer: “Não me importa. Nunca vou chegar a ser a pessoa que gostaria de ser”. Essa é uma atitude covarde diante da vida. Você é um dos atores mais aclamados de sua geração e também conseguiu se estabelecer como diretor e fundador do site HitRecord. Você acha que partiu de uma condição favorável? Tenho muito que agradecer a meus pais. Eles me ensinaram a ter confiança em mim mesmo e a escutar o que meu coração me diz em vez de dar ouvidos ao mundo externo que está sempre dizendo o que eu devo ser ou como devo pensar.


Joseph Gordon-Levitt, 34, ama metáforas: “Se você perder o foco, você perde imediatamente o equilíbrio”


Emmy Rossum, 28 anos, entende os homens: “Normalmente eles estão pensando em comida ou em sexo”


HERÓIS

“A VAIDADE É UMA INIMIGA” EMMY ROSSUM A mais bela anti-heroína da

televisão encanta não só na série Shameless mas também durante entrevistas

JOHN RUSSO/CORBIS OUTLINE, JAMES MAK/JOYSCO STUDIOS

T

  : Você me conhece.  : Ah, sim? Você disse numa entrevista: “Os homens só precisam de duas coisas para ser felizes: sanduíches de queijo e sexo”. Isso foi só uma brincadeira. Ah! Mas eu posso confessar: você não estava muito errada. Você tem razão. A programação biológica dos homens os faz funcionar de uma maneira simples. Normalmente eles estão pensando em comida ou em sexo. E como é com as mulheres? Vou fazer uma generalização ridícula agora, mas as mulheres são muito mais complicadas, principalmente no aspecto emocional. Vocês têm que nos dizer a coisa certa no momento certo. Então, não precisamos só de sanduíche de queijo, mas também de palavras bonitas para uma vida plena? Claro. Eu tento viver segundo o lema “Carpe Diem”. Aproveite o dia, viva consciente o momento presente. Porque não sabemos quanto tempo nos resta. Quando estávamos gravando Um Momento Pode Mudar Tudo, eu convivi bastante com pessoas com esclerose lateral amiotrófica. É o tipo de experiência que faz você colocar os pés no chão. Como foi essa experiência? Agora tenho menos medo de doenças do que tinha antes. Também tento me empenhar mais para ajudar pessoas que têm problemas. Quando vejo THE RED BULLETIN

alguém que está tendo problemas, sou a primeira a ir lá e oferecer ajuda. O mais fácil é simplesmente desviar das pessoas que estão doentes ou que são muito diferentes. Mas é só você dar um empurrãozinho: “O que está fazendo você sofrer?” E então começa uma conversa. Mas a sua vida não se limita a esse tipo de encontros. O que você faz quando não há pessoas com problemas sérios à sua volta? É tudo uma questão de sua posição em relação à vida, sabe? Veja um outro exemplo: na série Shameless eu sou uma jovem mulher que trabalha com um salário mínimo para sustentar os irmãos mais novos. Não tem nada de glamuroso, mas com ela aprendi a abandonar completamente a vaidade. Porque a vaidade é seu pior inimigo. No momento em que você se concentra na sua aparência, seu cérebro está bloqueado para todo o resto. Você disse uma vez que suas raízes judaicas influenciaram a sua forma de encarar a vida... Eu me identifico mais com a cultura que com a religião judaica. Não falo hebraico e não como comida kosher. Mas isso não é importante. A ética moral judaica está presente nas convicções centrais da maioria das religiões. Não minta. Seja bom para o próximo. Trabalhe duro. Se alguém precisa de sua ajuda, ajude. Seja a melhor versão de si mesmo. Rüdiger Sturm twitter.com/emmyrossum

Qbert, 45 anos, mestre: “Você só melhora quando compartilha”

“VOCÊ COLHE O QUE PLANTA” QBERT é um dos melhores DJs do mundo. Receita para o sucesso? Compartilhar conhecimento   : O mundo dos DJs é muito competitivo. Você mesmo foi campeão mundial três vezes. Por que compartilha seus conhecimentos com a concorrência? : Quando era adolescente, lia livros espirituais e a ideia do carma me fascinou: “Você colhe o que planta”. Por isso, comecei muito cedo a compartilhar o que sei com jovens DJs. E isso deu asas à minha criatividade. Você tem alguma explicação para isso, além do equilíbrio cósmico? Quando você mostra sua arte, melhora automaticamente. Além disso, reflete sobre sua técnica e isso acaba trazendo novas ideias. Você só melhora quando compartilha. E independentemente de tudo: nada é mais satisfatório na vida do que ver o sorriso de um aluno quando ele compreende de repente um conceito novo. É muito mais gratificante trabalhar junto com os outros do que competir com eles. Qbert se apresentará com o Invisibl Skratch Piklz no dia 20/9 no Red Bull Thre3style em Tóquio. Stream ao vivo: redbullthre3style.com

51


TAKE 5: UMA HISTÓRIA EM CINCO FOTOS

VOADORES PARA COMEMORAR O DÉCIMO RED BULL AIR RACE WORLD CHAMPIONSHIP: UMA VIAGEM PELO MUNDO A 400 KM/H POR: RUTH MORGAN

1

AQUECIMENTO ...na Malásia. O piloto Kirby Chambliss (EUA) em frente às Petronas Towers em Kuala Lumpur em formação com Matt Hall (Austrália), Yoshihide Muroya (Japão) e Nigel Lamb (Inglaterra). “Temos o privilégio de medir nossas capacidades na competição e ainda por cima ver as cidades mais incríveis do mundo de um ângulo muito especial”, conta Lamb.

52


JOERG MITTER/RED BULL CONTENT POOL


2

O CAMPEÃO

JOERG MITTER/RED BULL CONTENT POOL(2)

...nos Emirados Árabes. O campeão mundial Nigel Lamb entrou na competição em fevereiro em Abu Dhabi para defender o título. “Precisei de sete tentativas. Só então consegui conquistar o título. Foi um momento de felicidade indescritível”, conta. “Porque o espetáculo também é fascinante para os espectadores, mesmo para quem não gosta de aviões: é um desafio que envolve homem, máquina e relógio – adrenalina pura.”

3

À MODA ANTIGA ...na Inglaterra. O ex-campeão mundial Hannes Arch faz o reconhecimento do trajeto em Ascot durante os treinos em 2014. “Antes da competição, temos duas semanas para memorizar o trajeto”, diz. “Porque no treino só temos 20 minutos para testá-lo na prática. Ou seja, você não tem tempo nenhum. Não tem o luxo de errar. O que também significa que aproveitamos os treinos dos adversários como fonte de informação.”

55


4 56

JOGO EM CASA ...na Áustria. Novamente o “Matador” austríaco Hannes Arch está no centro das atenções (na foto: o piloto japonês Muroya). A ele só interessa a revanche pelo – para ele decepcionante – quarto lugar do ano anterior. “Uma vitória em casa é sempre um acontecimento ­especial”, afirma o austríaco. “A tensão, a adrenalina... competir com os melhores pilotos do mundo nos motiva a melhorar constantemente.”

THE RED BULLETIN


SEBASTIAN MARKO/RED BULL CONTENT POOL, BALAZS GARDI/RED BULL CONTENT POOL

5 THE RED BULLETIN

VITÓRIA INGLESA ...na Inglaterra. Aqui o bicampeão do Red Bull Air Race, Paul Bonhomme, comemora a vitória com seus fãs. O inglês venceu por apenas 0,2 segundo em Ascot, 2014, seu conterrâneo Nigel Lamb, que terminou campeão mundial. “Eu tinha ­ficado em último na qualificação”, conta Bonhomme. “Então, fui para a prova sabendo que não tinha nada a perder. Só me dei conta de que havia vencido depois que todos já tinham ido embora. Subi no pódio vazio e fiquei contemplando o sol se pôr atrás do campo gramado.” redbullairrace.com

57


Chris Sharma escala uma sequoia no Sequoia Park em Eureka, Calif贸rnia

58


SUBIDA

A

O ALPINISTA CHRIS SHARMA ATACA UMA NOVA ROTA INCONTÁVEIS VEZES ATÉ ESCALÁ-LA. SUA FORÇA MENTAL É A CHAVE: ELE NÃO PEGA ATALHOS. ESTUDE O QUE ESTÁ DIANTE DE VOCÊ. APROVEITE A JORNADA Por: Ann Donahue Fotos: Keith Ladzinski


Q

ualquer estudante sabe quais são as três potenciais fontes de conflito em uma ­história: homem vs. natureza, homem vs. homem e homem vs. ele mesmo. Tem Moby Dick, O Conde de Monte Cristo e O Coração Revelador. Mas o que acontece quando os três conflitos estão juntos? Essa é a situação que Chris Sharma ­enfrenta neste momento. Ele está a cerca de 17 metros do chão com uma enorme garra de Homem-Aranha no tronco de uma sequoia na região da cidade de ­Eureka, Califórnia. Há muita coisa nessa cena que é extraordinária e improvável: Sharma, 34 anos, é um alpinista de rochas conhecido por ser o primeiro a conquistar o cume das mais difíceis rotas do mundo, e ele agora quer ser o primeiro a fazer uma escalada livre de uma sequoia. A árvore é imensa, a copa está a quase 100 metros do solo e coberta de uma bruma tipo filme Senhor dos Anéis. Sharma está sozinho nela, exposto como um besouro humanoide em uma camiseta azul e calças amarelas subindo em uma árvore que tem 800 anos e viu tudo nesta vida – mas nunca tinha sido escalada assim. Natureza. Homem. Ele mesmo. Todos esses elementos atuam e estão no ataque, girando em torno de Sharma enquanto ele se escora no equipamento de segurança, balançando devagarinho e estudando o padrão do tronco por mais uma hora. Ele consegue subir por algumas dezenas de metros do chão – e então esbarra nas mudanças na composição da árvore e em escorregões na aderência. Lá no alto o tronco é mais solto, mais indisciplinado, 60

com menos rugosidades. Segurar nele é difícil; firmar o pé, impossível. “Eu fico muito fascinado com a quantidade de variações que existe”, ele diz. A árvore não quer que trepemos nela. Sharma poderia simplesmente desistir, se deixar cair até a base da árvore e ir com os amigos tomar uma. Você sabe, é ainda uma grande realização conseguir fazer uma escalada livre de 17 metros de uma gigante anciã. Mas ele não faz isso. Esse seria um escape e, para Sharma, o caminho é o mais importante.

O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO de ­ ificuldade de uma escalada em pedra é d ­arcano e impenetrável para os outsiders do esporte. Basta dizer que já começa com um “meio difícil” e em seguida progride para “dificuldade que faz calos e a rocha se diverte enquanto você chora e geme na luta para escalá-la”. Sharma é um especialista em ser o pioneiro no primeiro tipo de subidas, rotas com nomes evoca­ tivos, como Dreamcatcher (Apanhador de ­Sonhos), Fight or Flight (Lute ou Voe) e Stoking the Fire (Alimentando o Fogo). “Há muitas pessoas bastante talentosas e alpinistas fortes, mas acredito que haja uma diferença entre isso e alguém que tenha a visão de encontrar coisas para serem escaladas pela primeira vez”, ele diz. “Escalar é muito mais do que apenas realizar uma coisa difícil, porque se fosse apenas isso seria melhor fazer logo uma competição de levantamento de peso.” Uma combinação de tendões salientes, sorrisos gentis e um cabelo escuro desgrenhado, Sharma parece ter sido feito

ELE SAI E ENCONTRA OS CAMINHOS MAIS BONITOS PARA SE INSPIRAR

a partir dos sonhos do bureau de turismo de sua cidade natal, Santa Cruz, na Califórnia. Ele incorpora o espírito praieiro, artístico e “hippiesportivo”. Enquanto ele come bagels numa manhã, conta satisfeito sobre seu caminho percorrido desde a infância até se tornar um dos atletas mais dinâmicos do esporte radical. O pai de Sharma era funcionário na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, um campus que é famoso por ter uma imponente floresta. “Comecei a escalar subindo em árvores, todos os tipos delas”, diz Sharma. “É fácil que a gente comece a se levar a sério – talvez a sério demais às vezes, mas o motivo pelo qual fazemos isso é que é muito divertido.” Quando Sharma tinha 12 anos, abriu a primeira academia de escalada indoor em Santa Cruz e ele ficou vidrado. Ficou instantaneamente evidente que ele não era o típico adolescente afoito. “A gente ficou tipo ‘quem é esse garoto?’ ”, disse seu amigo de infância Justin Vitcov. “Ele chamou a atenção de todos. Em seis meses era óbvio que ele tinha que estar no nível de competições nacionais.” Em 1997, Sharma conquistou medalha de prata no Mundial. Em 1999, ficou com o ouro nos X Games em escalada no boulder. As conquistas se somaram e muitas outras medalhas vieram. Mas o que mais dava energia a Sharma não eram os t­ roféus, era a poesia do movimento que acontecia quando ele subia na rocha. “Minha expertise sempre foi procurar coisas para serem escaladas pela primeira vez, encontrando novos caminhos – é um processo atlético e criativo, um crossover legal entre o esporte e a performance como forma de arte”, ele diz. “Na escalada, como em tudo na vida, as oportunidades que temos estão condicionadas à nossa percepção delas. Na escalada, é possível subir o mesmo penhasco muitas e muitas vezes, mil vezes talvez. E então você vai lá mais uma vez e diz: ‘Uau, olha isso. Esta seria uma rota espetacular. Eu não acredito que nunca vi isso’.” A paciência de Sharma – ele chama de resiliência – é importante em uma era em que todos os movimentos são ­registrados em vídeo. Ver suas escaladas online é como observar as aventuras de um super-herói particularmente boêmio: eis Chris Sharma e seus amigos em alguns THE RED BULLETIN


O treino de Sharma é simples – mas não fácil. Ele mata a academia para escalar – e depois escala um pouco mais


Sharma mandou fazer seus novos calçados para escalar de um jeito que não machuque o tronco das árvores

62


“QUANDO ESCALO, SOU CAPAZ DE MUITO MAIS COISAS DO QUE O NORMAL. VOCÊ PRECISA APENAS TER FORÇA DE VONTADE PARA COMPREENDER.”


MARV WATSON(4)

Sharma coletou informação da árvore para estudar o impacto causado pela seca recorde na Califórnia


Sharma trabalhou com arboristas de Berkeley para garantir que não machucaria árvores durante sua escalada

dos mais alucinantes lugares do mundo, subindo paredões, cuidando da segurança uns dos outros e gritando palavras de ­motivação. O que transparece é a conversão dos três conflitos universais: aqui, ­homem está em harmonia com a natureza, consigo mesmo e um com o outro. “Sabe que existem escritores que são os preferidos de outros escritores e músicos que são os preferidos de outros músicos?”, pergunta Vitcov. “Chris é um caso único porque ele é um alpinista ídolo tanto dos outros alpinistas quanto do público. Ele encontra os mais lindos caminhos. É isso o que o motiva. E isso por sua vez inspira os outros alpinistas a encontrarem seus próprios caminhos.” Quando ele consegue subir alguma coisa pela primeira vez, é mais espalhafatoso – e transmite o feito até pela pequena tela de iPhone. Mas, como a maioria das evidências visuais desta era da internet, é cerca de um terço do que existe. Todos os conflitos ainda estão lá, projetando-se para fora da tela. O que não aparece é o trabalho duro, a pressão que Sharma coloca nele mesmo para ser o primeiro, para completar a ­escalada e fazer com que pareça fácil. “É como me identifico, é como me ­expresso, como sinto um outro nível de existir”, ele diz. “Uma pessoa pode ser nerd de várias maneiras, e, quando eu estou envolvido com o alpinismo, sou capaz de fazer muito mais coisas do que o meu normal. Você precisa ter apenas aquela vontade inabalável para entender.” Ele toma um gole do seu chá indiano e depois se desculpa por ser tão esotérico. “A realidade é que nesses projetos grandes você fracassa 99% das vezes”, ele diz. “Se você só se satisfaz quando chega no cume, vai se sentir satisfeito apenas em uma parte muito pequena da vida.” Mas nesse momento Sharma pode se permitir ficar obscenamente feliz e deixar que suas realizações subam à cabeça.

“SE VOCÊ SÓ SE SATISFAZ NO TOPO, ENTÃO NÃO FICA SATISFEITO FREQUENTEMENTE.” THE RED BULLETIN

Q

uando se fala que ele foi o primeiro a subir com sucesso a rota que é considerada a mais difícil do mundo no início deste ano – El Bon Combat, uma face muito íngreme e perigosa próxima de sua casa na Espanha –, Sharma dá de ombros. Não é um gesto de desdém, mas mais de aceitação: “É, eu fiquei de olho nessa rocha por oito anos e então me custou um ano inteiro de trabalho, planejamento, preparação, sangue, suor e lágrimas para fazer essa primeira escalada com toda a garra que tinha e todos os esforços e gritos que ­esvaziaram meus pulmões. Tudo bem”. Com isso, o segredo para sua resiliência mental fica evidente, e é ao mesmo tempo o mais simples e mais difícil. ­Encontrar algo que se ama. Praticar isso até morrer. Respeitar o processo que ­existe no caminho. Não se preocupar em alcançar, c­ oncentrar-se em realizar. Os conflitos se resolvem sozinhos. “Se é algo que você vai fazer por toda a vida, tem que ser algo que transcenda a necessidade de ser o melhor”, ele diz. “Tentamos encontrar na vida as formas de realizar nosso potencial, e a escalada é o meio que tive a sorte de encontrar.”

SOBRE A PRIMEIRA tentativa de Sharma

no parque das sequoias, ele se sentou no equipamento de segurança duas vezes, mas no final conseguiu chegar na copa com um grito de comemoração, exatamente como faz uma criança quando consegue subir numa árvore. Uma realização de graciosidade e força bruta, um divertido ciclo que o transportou de volta à infância, mas que não foi, pelos padrões do ­alpinismo, uma primeira escalada. Para fazer uma verdadeira escalada livre de uma árvore, ele teria que ter chegado ao topo sem equipamento de segurança. Então Sharma fez uma segunda ten­ tativa. E uma terceira no dia seguinte. E então uma quarta. E uma quinta. Ele conseguiu, afinal? Isso realmente importa? “Ontem eu dei uma amaciada na ­árvore”, disse Sharma após sua terceira tentativa. “Hoje eu quero fazer com calma. Quero descobrir seus segredos.” chrissharma.com

65


MC Travis Scott arrebenta a festa. Em seguida, ele vai saltar sobre a multid達o

A YARD PARTY,

UM DOS MAIORES EVENTOS DO HIP HOP MUNDIAL, TRANSFORMA O GRAND PALAIS DE PARIS EM TEMPLO DO RAP. POR UMA NOITE POR: PIERRE-HENRI CAMY FOTOS: KEFFER


O GRAND PALAIS PEGA FOGO

4 horas da manhรฃ: a loucura jรก tomou os convidados da รกrea VIP da Yard Party THE RED BULLETIN

67


“ESTA É A MELHOR FESTA DO HIP HOP NA FRANÇA. O MEGAEVENTO DO ANO.” 72 mil m², inaugurados em 1900. No dia 26 de junho, 5 mil pessoas vieram para curtir o som do momento (à esq.). À direita, os garotos do rapper Niska. Todos muito malhados Presença física marcante. O rapper Travis Scott, dos EUA, chega para arrebentar


Pele à vista... A multidão colorida não economiza na hora de dançar

É

Virgil Abloh, diretor criativo de Kanye West, improvisa um set

1 da madrugada, e centenas de convidados vão chegando. A fila de espera na entrada é imensa. O objetivo de toda essa gente? Entrar no Grand Palais: 72 mil metros quadrados de área; um monstro de aço, pedra e vidro, inaugurado para a Exposição Universal de 1900 em Paris. Nenhum traço de nostalgia em estilo Belle Époque. O Grand Palais é moderno. E aqui acontece a maior festa do verão parisiense. “Keffer para Yoan...” Usando o ­walkie-talkie de um dos seguranças,

THE RED BULLETIN

­ osso ­fotógrafo, Keffer, entra em contato n com Yoan Pratt. Ele é, junto com Tom Brunet, fundador da agência Yard e ­responsável pela realização do evento. Yoan chega por uma das entradas laterais trazendo os passes livres. Ele veste tênis de basquete Air Force One brancos. Quase todos os envolvidos na Yard têm, no mínimo, 1,90 m de altura. Eles se ­conheceram nas quadras de basquete. A noite vai ser bem esportiva e as roupas acompanham o clima. O que é a Yard, exatamente? “Simplesmente a maior festa hip hop da França”, diz Tom, que acaba de se juntar a nós 69


A festa não acaba nos bastidores. O fotógrafo Keffer nos leva para trás do palco

“UMA MULTIDÃO INCRIVELMENTE VARIADA E CHEIA DE ENERGIA QUE VEIO AQUI CURTIR MUITO E DAR UM RECADO.” na cabine do DJ. Aqui toda hora acontece alguma coisa: Hologram Lo’, Supa!, Girls Girls Girls, Kyu Steed, Endrixx e ­Yannick Do. O vulcão entra em erupção quando o show de luzes começa. Já 3 500 pessoas entraram. Uma escada dupla monumental leva ao andar VIP. Dali, levantando os olhos para o teto, você pode contemplar uma nave que precisou de mais aço que a própria Torre Eiffel para ser construída. O ambiente é gigantesco e o sistema de som proporcional a ele. “Aqui você vai curtir principalmente hip hop moderno com influências de future bass, música africana e dancehall”, explica Yoan. ­“Nosso público é urbano, moderno e ­muito ativo. Uma juventude variadíssima, com uma carga de energia inacreditável. Eles estão aqui para curtir ao máximo, para dar um recado”, explica Tom. Variedade é realmente o que você vai encontrar por aqui: brancos, negros, asiáticos, árabes, superestilosos e supersimples, introvertidos e extrovertidos, com um copo de água ou de champanhe na mão. E mulheres. Uma multidão de mulheres. A maioria delas é de tirar o fôlego. Por volta das 2 horas da madrugada, o rapper Niska sobe no palco para sua performance, e a multidão enlouquece mais uma vez. “Niska é a descoberta da internet para 2015. Nós não poderíamos deixar passar a oportunidade de sermos os primeiros a colocá-lo em campo.” A multidão ferve. O mais esperado é o convidado especial da noite, o rapper americano Travis Scott. Os boatos sobre sua vinda já estão rodando as redes sociais durante todo o dia. “Travis hoje à noite no Grand Palais!” “Eu quero caos total!” É isso o que Travis grita para a multidão. Mas ele não fica muito tempo no palco. Logo se joga sobre a multidão. Alguns segundos depois, ele reaparece, sem camisa. Scott não para de lançar champanhe por cima do sistema de som. O DJ Endrixx se afoga nas picapes. Como do nada surge Virgil Abloh, ­nova-iorquino e diretor criativo de Kanye West, para ajudar. Ele conecta Travis a um outro sistema de som. A festa tem que 70

continuar. Scott vem para destruir tudo antes que alguém o “salve” do palco. Keep the vibes! Pablo Attal, da Yard, grita no microfone: “Todos os africanos agora! Botando pra quebrar!” Com seu set cheio de ritmos da Nigéria, de Gana, do Congo e da Costa do Marfim, o último DJ da noite, Yannick Do, agrada a todos que curtem sons da África subsaariana. “Música africana no Grand Palais. Isso é um ato simbólico cheio de política e história”, diz Yannick. “O futuro da França está dançando bem aqui na minha

frente.” O ator Owen Wilson sobe a escada VIP. E também Sonia Rolland, ex-miss França. E depois ainda vem Nekfeu, um dos rappers mais conhecidos do país, ­dançando solto na pista. Homens finos, mulheres elegantes... mais de 5 mil baladeiros dançam até o amanhecer. Só teria sido difícil explicar para a massa de 1 500 trabalhadores que levantaram o Grand Palais há mais de 120 anos que aquela construção tão nobre um dia viria a ser palco de toda essa loucura. oneyard.com

THE RED BULLETIN


“MÚSICA AFRICANA NO GRAND PALAIS. ISSO É UM ATO SIMBÓLICO CHEIO DE POLÍTICA E HISTÓRIA.”

Festa com muito ­estilo. Especialmente para as mulheres. Respeito aqui é obrigatório

Supa, do Camboja, é um dos ícones do seleto grupo de DJs que foi chamado para animar essa noite no Grand Palais


MAKERS OF THE ORIGINAL SWISS ARMY KNIFE I WWW.VICTORINOX.COM


Explore. Descubra. Mergulhe.

AÇ ÃO ! VIAGEM

SEGURE FIRME

Prepare-se para o mais intenso passeio de barco da sua vida

GARY BRAY/UNICOM

Esqueça lanchas. Para ter a experiência de voar sobre as ondas dos oceanos a mais de 65 km/h sem nada para pará-lo além da sua força, você precisa embarcar em um Zapcat. Com a popularidade subindo entre os turistas que buscam adrenalina, os Zapcats são pequenos catamarãs construídos com apenas uma coisa em mente: navegar muito, muito rápido.

74

75

77

78

80

82

VIAGEM

EQUIPO

MOTOR

CULTURA

COMO...

AGENDA 73


AÇÃO

VIAGEM ESCÓCIA Mais a explorar

St. Andrews, Escócia Edimburgo Quer aprender como fazer as manobras? Visite: blownaway.co.uk

No buraco Dê umas tacadas em um dos mais históricos campos de golfe. Com o apropriado nome de Old Course, recebe jogadores ­desde o século 15 e é o motivo pelo qual St. Andrews é chamada de casa do golfe. standrews.com

Sinta toda a emoção da ­velocidade com o Zapcatting

Voando baixo: em um grande prêmio, em Fistral, Cornwall

74

Recepção real

DICA DE QUEM SABE

“PRECISA ESTAR ­RELATIVAMENTE EM FORMA”, DIZ MCKENZIE. “VOCÊ VAI USAR MUITO OS MÚSCULOS DOS BRAÇOS E DAS PERNAS PARA SE SEGURAR. TEM QUE SER ÁGIL E SE ABAIXAR PARA IR MAIS RÁPIDO.”

Com curvas a essas velocidades, quem anda de Zapcat tem uma força G de 3 g – pouco menos que a de um F1. E os novatos não têm muito tempo para se adaptar. “Nós temos um copiloto para cada um. Fica tudo mais rápido e emocionante”, diz McKenzie. “Mas eles não estão apenas lá se segurando para não cair – são responsáveis por ajudar no equilíbrio e em manobrar o barco. Se você tem apenas uma pessoa em um Zapcat, ele vai quase dar um cavalinho de pau com a quantidade de potência com que faz a curva, precisa de uma segunda pessoa para manter o peso e segurá-lo na água.” As altas velocidades numa embar­ cação tão leve significam que há muito ­risco de perda total – é só pesquisar “bad day at the Zapcat office” no ­YouTube. Mas McKenzie diz que eles acontecem muito de vez em quando. “Sim, a nossa empresa de seguros está sempre a postos”, ele ri. “Os caras que participam de campeonatos tiveram todo o preparo. Nós tentamos transmitir essa mesma atmosfera, mas não queremos ninguém morto! Mas é intenso, ­definitivamente de arrepiar.”

Conhecido como Príncipe dos Pubs, o famoso Ma Bells é um bar classudo frequentado tanto por estudantes como por moradores da região, tendo sido point do príncipe William e de Kate Middleton quando eram estudantes. Se eles gostavam, imagina você… hotelduvin.com

Vento forte A adrenalina continua com o X-sail – uma ­espécie de triciclo movido a vela para andar na praia de West Sands. Os ventos poderosos garantem que você vá às mesmas velocidades de um Zapcat. x-sail.com

THE RED BULLETIN

GARY BRAY/UNICOM (3), GETTY IMAGES

Não tem banco, não tem volante e não tem arnês: é apenas um casco duplo inflável e um motor de 50 cv. Os pilotos navegam com um sistema de leme e recorrem ao balanço do corpo para manter a embarcação, a si mesmos e o copiloto no rumo – especialmente quando precisam enfrentar ondulações do mar. Saltar ondas e pular até 1,8 m faz ­parte da diversão, o que faz das agitadas águas do Mar do Norte o ambiente perfeito para a prática do Zapcatting. “Uma montanha-russa na água seria uma boa descrição”, diz Guy McKenzie, piloto de Zapcat e um dos fundadores da Blown Away, agência de aventuras de St. Andrews, Escócia. “É adrenalina pura. Em termos de velocidade, os Zapcats correm a 65 km/h ou mais, o que é muito rápido para a água. Dá para manter essa velocidade mesmo nas curvas de 90 e 180 graus. São equipamentos incríveis.”


FAÇA-SE A LUZ

AÇÃO

EQUIPO

As luzes se alimentam da energia cinética criada nos rolamentos e iluminam as rodas

Coloque uma cor em sua vida com este kit iluminado

Mello LED Skateboard Dê uma animada nas suas sessões noturnas de skate com este shape bizarro e rodas equipadas com LED para fazer suas manobras deixarem um rastro de luz. Disponível nas cores verde-limão, blueberry e cereja, mas você pode escolher seu combo. melloskateboards.co.uk

Crystal Light

Fones que brilham

Uma lâmpada de escritório com design premiado. Feita de “cristais” de LED magnéticos e condutivos que permitem criar formas e aparências diferentes. qisdesign.com

Imagine se os cavaleiros Jedi fizessem headphones… Estes usam fibras difusoras de luz para conduzir uma luz pura de laser que pulsa de acordo com a sua música. glowheadphones.com

Withings Aura

Guitarra Fretlight

Lumos Helmet

Misturando o melhor dos aplicativos de monitoramento do sono com alarmes de sol simulados, o Aura é uma solução para acordar você bem. withings.com

Torne-se um guitar hero da noite para o dia com a Fretlight. Ligue seu instrumento ao computador, e luzes LED no braço da guitarra vão indicar as notas, os acordes e os riffs. fretlight.com

Com potencial para salvar vidas, este capacete recarregável tem um indicador integrado e luzes de freios controladas por um sensor wireless remoto no guidão. lumoshelmet.co

THE RED BULLETIN

75


AÇÃO

EQUIPO

RELÓGIOS

Por Gisbert L. Brunner

GUERREIRO DA ESTRADA

Hublot Big Bang Ferrari Titanium Carbon

As inconfundíveis marcas registradas da Scuderia no Big Bang Ferrari Titanium Carbon incluem o Cavallino Rampante (o cavalo empinado) na esquerda e o contador do cronógrafo em vermelho com janela de data em amarelo – cores clássicas da Ferrari – na direita

Falando de relógios legais inspirados em carros velozes, o último modelo da parceria da Hublot com a Ferrari é menos “inspirado” que concebido na própria garagem. Para marcar o terceiro ano de colaboração, a equipe da Hublot passou um tempo com a equipe de estúdio da Scuderia, seus engenheiros e técnicos, visitando a fábrica e estudando os materiais usados. O resultado? Um relógio como nenhum outro no mercado. A caixa de 45 mm do Big Bang Ferrari combina elementos avançados que incluem a versátil fibra de carbono (mais leve que alumínio, mais resistente que aço), titânio anticorrosivo e, hmm, borracha para criar uma aparência e uma sensação únicas. E, como é próprio para uma Ferrari, tem tanta coisa no miolo quanto na superfície: o movimento automático de corda Unico (fabricado pela própria Hublot) consiste em 330 componentes montados à mão, enquanto o cronógrafo flyback dá resistência a pressões de até 10 bars. Tem até mesmo a aba exclusiva da Ferrari. Com apenas mil destes caras por aí, os exemplares do modelo vendem mais rápido que os carros da Scuderia correm. hublot.com

PARA O VOLANTE Os melhores relógios para você usar enquanto pega a estrada

Chopard Superfast Chrono Porsche 919 Jacky Ickx Edition A Chopard comemora o 70º aniversário do hexacampeão de Le Mans Jacky Ickx com uma edição limitada de 100 exemplares. A caixa de aço de 45 mm tem mecanismo automático e resistência a pressões de até 10 bars. chopard.com

76

Oris Audi Sport GMT A fabricante de carros alemã produz o Audi Sport GMT, um relógio de aço com caixa de 44 mm e mostrador inspirado no painel do carro. O relógio ainda tem um movimento de bobinagem de rotor, ponteiro de 24 horas e um display de funções importantes. oris.ch

Breitling Bentley GMT Light Body B04 Midnight Carbon A Breitling trabalha com a Bentley desde 2002, e sua mais nova criação tem uma caixa de titânio com um revestimento robusto com base de carbono, mecanismo de corda automático e um display de fuso horário no bisel. breitling.com

THE RED BULLETIN


AÇÃO

MOTOR HORA DE CORRER

SINAL DOS TEMPOS

Melhores escolhas para prós

A Ferrari faz um turbo forte com menos emissões

MINI Gentleman A MINI lançou a Capsule Collection, com acessórios de promissores estilistas italianos. A MINI Gentleman tem chapéu, óculos escuros, sapatos, uma bolsa, fragrância e kit de barbear. mini.com

Casa Maserati A Maserati abriu uma nova loja e um lounge bar na Piazza San Fedele, no famoso distrito da moda de Milão. A Casa Maserati investe pesado na oferta de grifes, como Ermenegildo Zegna, La Martina e Bulgari. maserati.com

Red Bull Racing Eyewear A colorida coleção Young Line consiste de seis diferentes modelos com um mix de quatro designs. Eles têm um lado técnico também: as armações são feitas de TR90 – um material muito mais robusto que o plástico e flexível o suficiente para dobrar – sem quebrar – com a pressão. racing-eyewear.com

THE RED BULLETIN

Para o deleite dos fãs de supercarros e vendedores de pôsteres, a Ferrari 488 GTB, lançada neste ano no Salão de Genebra, está agora saindo dos showrooms. O novo modelo é ao mesmo tempo um sucessor do 458 e um animal inteiramente diferente do seu predecessor, com pelo menos meio litro a menos na transmissão, mas uma entrega de 100 cv extra com sua nova injeção direta de 3.9 l twin-turbo V8. Uma Ferrari com propulsão turbo é sempre uma coisa polêmica, mas até mesmo a Scuderia tem que viver no mundo real – ou pelo menos o mundo real de acordo com as definições de emissões de carbono do governo – e reduzir a emissão de CO². O modelo 488 GTB pode não ter o mesmo apelo

emocional do tradicional com cilindradas infinitas, mas ainda tem a capacidade de transformar homens ricos de meia-idade em garotos emocionados ao sentir sua potência. Ele é também tecnicamente impressionante. Maranello pode ter sido levada muito contrariada à nova era de economia na Fórmula 1, mas não tem dúvidas de que existe muito a ser aproveitado do motor turbo com injeção direta usado na maior categoria do automobilismo. Há muita literatura sobre tempos de resposta e entrega de potência, mas o ponto de partida é um carro que, nas mãos dos profissionais, faz a volta do Circuito de Fiorano da Ferrari ainda um pouco mais rápido que um 458 Speciale. ferrari.com

A Ferrari 488 GTB: um supercarro twin-turbo, motor 3.9 l V8 (abaixo), que vai de 0 a 100 km/h em três segundos

É DE OURO

O GT-R comemora seu aniversário com estilo Completar 45 anos costuma ser comemorado com safira – mas a Nissan decidiu usar champanhe, com uma Edição Limitada de 45 Anos do GT-R. O GT-R moderno tem pouco do DNA do Skyline GT-R original, mas ainda há motivos para celebrar. A Nissan está fazendo 100 exemplares da edição especial, pintados de champanhe ouro em homenagem ao Skyline R34 GT-R M-Spec, lançado em 2001. Além da pintura, você encontrará uma placa comemorativa no console central e um número de série especial no motor, além de todas as características do 2015 GT-R standard. Mas, se ainda não acha que um 3.8 l twin-turbo V6 com tração nas quatro rodas e entrega de 550 cv é um senhor carro, você precisa fazer o test-drive. nissan.co.uk

77


AÇÃO

CULTURA O interestelar Matt Damon tem de se virar em Marte

O QUE VEM POR AÍ Lançamentos para ficar de olho

TV Heroes Reborn A série Heroes está de volta para uma nova temporada de 13 episódios após cinco anos. Resgatada pelo criador Tim Kring, Heroes Reborn apresenta um grupo novo de pessoas com habilidades extraordinárias. nbc.com/heroes-reborn

PERDIDO EM MARTE O escritor americano Andy Weir fala sobre seu livro de estreia, que acabou de virar filme com Matt Damon

THE RED BULLETIN: Perdido em Marte teve uma trajetória e tanto – desde um livro independente até um dos mais vendidos na lista do New York Times e depois filmado em apenas quatro anos… ANDY WEIR: É a coisa mais surreal do mundo. É difícil falar, como se você estivesse falando da vida de outra pessoa. A trama é sobre o astronauta Mark Watney (Matt Damon), deixado para trás em Marte, que tem que usar a ciência para sobreviver. De onde você tirou a ideia? Sou louco por espaço. Fiz uma especulação: como poderia acontecer uma missão tripulada em Marte com os recursos que temos hoje? Como a tripulação poderia escapar se as coisas dessem errado? Então, criei um personagem e o submeti a todos esses problemas, que vão piorando. Foi realmente importante para mim que o livro tivesse rigor científico – sou um leitor muito exigente e me deixa louco ver coisas que estão cientificamente erradas. Eu ficava: “OK, eu tenho que ir até o fim nisso”. Como você se sentiu quando o diretor Ridley Scott se interessou em fazer um filme com sua obra? Foi subitamente a realização de vários sonhos. Ele fez alguns importantes filmes de ficção científica e eu adoro o estilo de direção dele. Como o sucesso desse livro mudou sua vida? Sempre quis escrever, mas não queria encarar o risco financeiro. Passei a vida programando computadores. Escrevi Perdido em Marte como hobby. O livro gerou dinheiro suficiente e agora saí do meu emprego para trabalhar no próximo livro. Perdido em Marte tem estreia mundial em 30 de setembro. Para saber mais, acesse foxmovies.com/movies/the-martian

78

ELE SABE O QUE FAZ O diretor Ridley Scott não é um novato na ficção científica

Alien, o 8º Passageiro (1979) Sigourney Weaver encara um extraterrestre gosmento e com dentes afiados. Scott misturou horror e ficção científica com efeitos especiais na medida. Blade Runner, o Caçador de Androides (1982) Harrison Ford é um detetive que enfrenta o androide “replicante” Rutger Hauer em um filme noir futurista adaptado da obra de Philip K. Dick. Prometheus (2012) Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) se vê em apuros quando busca as origens da humanidade no espaço em uma prequel de Alien. Um segundo filme está a caminho.

CINEMA A Colina Escarlate O diretor mexicano Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno) volta às suas raízes sombrias com um horror gótico. Mia Wasikowska é uma jovem cujo misterioso novo marido (Tom Hiddleston, de Thor: O Mundo Sombrio) não é o que parece ser. legendary.com

GAME Assassin’s Creed Syndicate Na Londres vitoriana, o nono jogo da série de ação coloca os gêmeos assassinos Jacob e Evie Frye em combate para recuperar o controle da cidade. Disponível em outubro para PS4 e Xbox One. assassinscreed.ubi.com

THE RED BULLETIN

TWENTIETH CENTURY FOX FILM, DAVID DETTMANN, NBC UNIVERSAL MEDIA

CINEMA


CULTURA LIVROS DE ROCK Mitos punk, histórias de riot grrrl e 50 tons de Grace – memórias de três importantes mulheres da música

Chrissie Hynde Reckless De vendedora na famosa butique SEX (vulgo o lugar onde o punk nasceu) a estrela do rock com Pretenders, Chrissie Hynde conta tudo em 320 páginas.

Carrie Brownstein Hunger Makes Me a Modern Girl Um livro de memórias aos 40? Quando você é ícone do rock (SleaterKinney) e estrela de TV (Portlandia), é mais que justificado.

NABIL ELDERKIN

Grace Jones I’ll Never Write My Memoirs Em sua música de 1981 “Art Groupie”, Grace falou que nunca escreveria memórias. Para nossa sorte, ela quebrou sua promessa com um livro que dizem conter histórias suculentas sobre Warhol e Schwarzenegger.

THE RED BULLETIN

AÇÃO

PLAYLIST FOALS Se há uma banda jovem que merece comparação com Talking Heads, é Foals. Assim como a lendária banda de David Byrne, esse quinteto britânico mescla estilos inusitados, como o póspunk, o disco funk e o math rock, com melodias indie. Seguindo o sucesso de Holy Fire (2013), que chegou em segundo lugar no Reino Unido e em primeiro nas paradas australianas, a banda lançou o segundo disco, What Went Down, com mais peso e guitarras mais pronunciadas no mix. A seguir, o vocalista Yannis Philippakis, 29 anos, enumera cinco músicas que influenciaram suas composições. foals.co.uk

Majical Cloudz

Iggy Pop

“Bugs Don’t Buzz”

“The Passenger”

“A primeira vez que escutei essa música [do álbum Impersonator, de 2013] foi no réveillon. Era como se eu tivesse um amigo íntimo na minha cabeça me ajudando a superar a ressaca. A música é dispersa – toda ela se estrutura nos vocais. Parece que você está em uma sessão poética dos Alcoólicos Anônimos com alguém contando seus medos mais recônditos. Sempre vou amar esse álbum dark e profundo.”

“Descobri esse som com 15 anos. Uma garota que eu era a fim me gravou uma fita que tinha essa música. Meus pais não escutavam rock, então foi a primeira vez que me dei conta de que os clássicos do rock eram clássicos por um motivo. ‘The Passenger’ é incrível e atemporal porque é uma música muito simples – não tem truques. Essa honestidade é exatamente o que almejo quando componho.”

Darkside

B.B. & Group

“Golden Arrow”

“Old Alabama”

“Adoro essa dupla de música eletrônica. Todas as decisões que eles fazem são o exato oposto do que eu faria musicalmente. Olha essa faixa [do álbum Psychic, de 2013]: tem momentos em que eu esperaria que algo surgisse, mas daí eles revertem isso e criam ainda mais espaço negativo. Tem muito espaço no cosmos psicodélico do Darkside e ainda assim isso soa natural, eu curto muito.”

“Essa é do disco Prison Songs Volume One: Murderous Home, uma compilação de gravações americanas dos anos 1940. A forma como esses presos cantam é muito comovente. É como se eles estivessem acessando as almas, marcando o ritmo com picaretas. É assombroso e lembra você que a música mais poderosa do mundo é apenas uma voz e uma batida. Não precisa de mais nada.”

O DISPOSITIVO

Soundbrenner Pulse

Um senso acurado de ritmo é uma competência essencial para os que tocam música, e o Soundbrenner Pulse – o primeiro smartwatch para músicos – ajuda a ficar no compasso. Seu metrônomo vibra e ilumina silenciosamente com o tempo escolhido, oferecendo um modo de treino que te corrige se você sai. Você pode ajustar a velocidade por meio de um app para iPhone. soundbrenner.co

Dean Blunt “War Report” “Este ardiloso produtor faz a Londres moderna como ninguém e, com sua voz e suas letras, captura um tipo de britanicidade quebrada. ‘War Report’ [do EP recente Babyfather] é um som estranhamente apelativo que parece ter sido composto em meia hora num quarto de hotel. É delicado e sem enfeites, o que o faz soar bem humano. Certamente, não é o que todo mundo gosta, mas eu sou muito fã.”

79


COMO...

4

ESCAPAR DE TUBARÕES

Mostre que é você quem manda “Os grandes tubarões-brancos surpreendentemente se acovardam nos seus encontros com outros predadores. Quando eles caçam focas, vão nas menores e mais indefesas. Quando eles enfrentam uns aos outros, nadam lado a lado para ver quem é maior, e o menor sai nadando a toda velocidade. Quando estiver lado a lado com um, tenha atitude e demonstre confiança, os tubarões vão ignorá-lo.”

Steve Backshall gosta de tubarões. O premiado apresentador de vida selvagem é desde sempre fascinado pelos animais, sendo hoje um patrono da The Shark Trust – entidade beneficente que trabalha na proteção dos animais ameaçados em todo o mundo. Ele aprendeu em programas como 60 Encontros Mortais e Swimming With Monsters que é importante mostrar um respeito sadio em relação às feras quando se está lado a lado delas na água. Se você encontrar um, este conselho pode salvar a sua vida: “Tenha em mente que, se você tiver problema com um tubarão, esse lindo e tão difamado animal será demonizado”, diz Backshall, “não importando se a culpa foi ou não dele.” sharktrust.org/en/no_limits

1

Escolha bem onde fazer isso “Existe apenas um lugar onde dá para nadar do lado de fora da jaula com tubarões-brancos. Fica em Guadalupe, no México, onde a água é tão clara que ele consegue ver que você não é uma presa. Em todos os outros lugares, os mergulhos com tubarões são feitos do lado de dentro das jaulas. Nas escuras águas da Ilha Dyer, em Franskraal, África do Sul, onde esse tipo de tubarão sobe das profundezas para pegar focas, um mergulho como esse seria… bem pouco inteligente.”

80

5

Tome cuidado com o ambiente “Não importa quanto dinheiro você gastou para ir até Guadalupe ou qualquer outro local de mergulho. Se está próximo de ficar escuro (quando tubarões tendem a entrar em modo predador), se a visibilidade está baixa, se há mais tubarões do que o previsto, se qualquer coisa não estiver 100%, não banque o aventureiro, saia imediatamente do mar.”

2

Perceba sua linguagem corporal “Os tubarões demonstram se estão agressivos. Se as costas estão arqueadas, a boca aberta e as guelras ondulando, barbatanas baixas e os movimentos secos e angulares, é que ele está pronto para atacar. Mas, se ele estiver se movimentando languidamente, com a boca fechada e as barbatanas abertas como asas, é porque está apenas passeando, pronto para ficar junto numa boa.”

3

Não sinta medo “Pode ser difícil, mas em qualquer encontro com um animal selvagem você precisa manter a calma. Eles identificam sinais de estresse na presa – coisas como pulsação elevada e a respiração rápida são percebidas.

MARK THOMAS

AÇÃO


AÇÃO

AGENDA

A pista de BMX do Rio será inaugurada com uma competição

3 e 4 de outubro Aquecimento BMX Rio de Janeiro Os Jogos Olímpicos de 2016 trouxeram diversas novas construções para a cidade sede – e uma delas é o Complexo Esportivo de Deodoro, na zona oeste do Rio. O local será palco de 11 modalidades olímpicas, entre elas hipismo, hóquei sobre grama, pentatlo moderno, tiro e circuito de BMX, que estreará seu trajeto de 350 m repleto de rampas, curvas e muita terra no começo de outubro, no evento teste do Aquece Rio. Serão 90 atletas de 50 países em um desafio de tirar o fôlego – e com espírito de Olimpíada no ar. rio2016.com.br

Paraty, RJ O que começou como Mostra Internacional de Música em Olinda há dez anos estabeleceu-se como Festival MIMO, que traz música instrumental de todos os continentes com o que há de melhor no panorama musical contemporâneo, como ocorreu em 2013 com o americano Herbie Hancock e o grupo português Madredeus. Até o fechamento desta edição, a programação de 2015 ainda estava aberta. mimo.art.br

82

22 e 24 de outubro Muse

RUTGER PAUW/RED BULL CONTENT POOL, DANNY CLINCH, DIVULGAÇÃO(2),FRANCISCO LONGA/AGENCIAUNO

2 a 4 de outubro Instrumental

Rio de Janeiro e São Paulo O Rock in Rio já passou, mas o Brasil continua no radar das grandes bandas. É o caso do Muse, trio inglês composto pelo guitarrista e tecladista Matthew Bellamy, pelo baixista Christopher Wolstenholme e pelo baterista Dominic Howard, que fará shows no HSBC Arena (Rio) e no Allianz Parque (São Paulo). É a primeira vez que a banda toca no país após a turnê de 2008. Além dos hits dos trabalhos anteriores, como “Supermassive Black Hole”, o Muse vai destacar músicas do disco mais recente, Drones, lançado em junho. muse.mu

Power trio: Muse quebra tudo

THE RED BULLETIN


17 de outubro Basquete

A NBA de novo vem ao Brasil

Rio de Janeiro

O basquete brasileiro vive um bom momento, com time nacional forte e liga nacional idem. E a NBA já sabe disso: pelo segundo ano consecutivo os times americanos vêm ao Brasil para fazer a pré-temporada da maior liga de basquete da Terra. Dessa vez quem vem ao país para enfrentar o Flamengo é o time Orlando Magic. A ação acontece na Arena da Barra e ainda tem ingresso à venda. tudus.com.br

Tem show para todos os gostos em outubro. Confira

14 outubro A-Ha de volta

1º de outubro Arte pura

7 a 11 de outubro Surf brasileiro

Brumadinho, MG

Saquarema, RJ

O maior centro de arte ao ar livre da América Latina é uma experiência repleta de inspiração e natureza. Em outubro, o espaço com mais de 786 hectares abre novos pavilhões, incluindo um dedicado à obra da fotógrafa Claudia Andujar. inhotim.org.br

O campeonato brasileiro de surf voltou com tudo neste ano. Após passar por Maresias, Ubatuba e Florianópolis, o circo com os melhores surfistas do país aporta na mítica onda de Itaúna, em Saquarema. As transmissões são feitas ao vivo pelo site do evento. oisupersurf.com.br

Os noruegueses tiveram um momento histórico em sua carreira, no Rock in Rio de 1989, o que aproximou a banda do público brasileiro. Agora eles estão de volta, 26 anos depois. Será que continuam em boa forma? a-ha.com

Até 2 de novembro Hermanos Em dez capitais brasileiras

11 de outubro Eliminatórias Santiago, Chile A Seleção Brasileira estreará nas Eliminatórias da Copa da Rússia contra o inspirado time chileno, que venceu a Copa América em junho e chega embalado para a competição que definirá as vagas do continente para o Mundial de 2018. A partida marca também o retorno do Brasil para a competição – os jogadores da CBF não disputavam uma eliminatória desde 2008, quando garantiram a vaga para a Copa da África. cbf.com.br

16

outubro Belle & Sebastian O Popload Festival recebe o melhor do indie rock em dois dias de apresentações: 16 e 17 de outubro. Belle & Sebastian são os headliners. A festa conta ainda com Spoon e Todd Terje. Vale o ingresso! audiosp.com.br

Untiorupt atio doln liti simol uptur?

THE RED BULLETIN

PARA ASSISTIR

A legião de fãs mais alucinada e fiel dos anos 2000 está em polvorosa: o Los Hermanos está novamente no palco. A banda carioca liderada por Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante – ambos bem-sucedidos em suas atuais carreiras solo – retornou inicialmente para tocar nas comemorações do aniversário de 450 anos do Rio de Janeiro. Mas, como os fãs bateram os pés, eles esticaram a união para fazer mais alguns shows pelo Brasil. A turnê começa em 2 de outubro e vai até 2 de novembro. facebook.com/los.hermanos.oficial

20 outubro Damien Rice

O irlandês se apresenta em três cidades brasileiras com hits indie folk como “Cannonball”. É a segunda passagem de Damien pelo país. Os shows acontecem em Manaus (20), São Paulo (22) e Rio de Janeiro (24). damienrice.com

83


GUIA RED BULLETIN PARA UMA VIDA ATIVA

Mochila Capstone de 22 litros, da Thule thule.com

DA CABEÇA AOS PÉS Seja uma aventura urbana ou a exploração de montanhas selvagens, esta seleção de itens bonitos e cascudos vai te deixar pronto pra tudo

Smartwatch vívoactive com GPS, da Garmin garmin.com

Óculos Honolulu, da Maui Jim mauijim.com

Tênis de corrida ZPump Fusion, da Reebok reebok.com

Casaco de merino com capuz, da Ortovox ortovox.com

THE RED BULLETIN

Capacete Wildcat, da Quiksilver quiksilver.com

85


MELHOR FORMA

Ganhe vantagem com acessórios que prendem, protegem ou refletem sem perder o estilo

Óculos Uranium Collection Prizm Golf Flak 2.0 XL, da Oakley oakley.com

GUIA RED BULLETIN DE VIDA ATIVA

Óculos Anso, da O’Neill oneill.com

Câmera Hero4 Session, da GoPro gopro.com

Este capacete cheio de tecnologia não vai pesar na cabeça. Para quem voa

sobre duas rodas, em esquis ou snowboard, este novo produto da K2 tem tudo o que você precisa. Não é pesado, apenas 60 g acima do capacete mais leve já criado. Mas isso não significa que pesa pouco na tecnologia. A cinta magnética facilita o posicionamento dos goggles e seu novo Sistema de Ventilação Passivo foi feito para que você se sinta ventilado em qualquer condição. E tem ainda o sistema Baseline Audio embutido, o que permite que você escute música.

86

Balaclava Hunter, da Dakine dakine.com

Capacete com áudio Stash, da K2 k2ski.com

Goggles Skylab, da VonZipper em colaboração com John Jackson vonzipper.com

Goggles M3 Merrill Pro, da Anon anonoptics.com

THE RED BULLETIN


Jaqueta Outrival, da Dare2b dare2b.com

Jaqueta Lite-Show, da Asics asics.com

Jaqueta Pace Norviz Heat, da Helly Hansen hellyhansen.com

Relógio Ventura Elvis80, da Hamilton hamiltonwatch.com

Jaqueta de indução, da Black Diamond blackdiamondequipment.com

Uma jaqueta única e útil, com funcionalidades para manobras sem perder o estilo Esta jaqueta é feita de ripstop poliéster, o mesmo tecido que é usado para equipamentos de aventura e a cobertura de paraglider. Mas, em vez de fazer você voar, neste caso apenas separa seu corpo do vento, como o capuz ajustável, que se fecha. Você ainda manterá toda a agilidade enquanto se isola do mundo, com inserções debaixo dos braços garantindo todos os movimentos. Assim, você pode dar tchauzinho para o camarada que deixou para trás.

Jaqueta Kilowatt, da The North Face thenorthface.com

Jaqueta SB Steele Lightweight Geo Dye, da Nike nike.com

ALTA CLASSE Enfrente tudo o que a natureza colocar no seu caminho com roupas que não te deixam na mão

THE RED BULLETIN

87


Para uma calça levar você pelos terrenos mais duros

O’riginals Easy, da O’Neill oneill.com

com conforto, é preciso que ela seja bem quente, sem nenhuma chance de passar frio, e versátil. A parte de fora dessas calças de neve é impermeável e à prova de vento, então você tem toda a liberdade de ir aonde quiser. Na parte de dentro, uma camada de lã de merino absorve o suor. Com polainas embutidas e três camadas de isolamento, essa calça é a melhor amiga de um explorador de paisagens invernais.

Calça para neve Guardian, da Ortovox ortovox.com

GUIA RED BULLETIN DE VIDA ATIVA

Daybreaker, da Adidas adidas.com

War Paint, da Quiksilver quiksilver.com

Kilowatt, da The North Face thenorthface.com

Karl, da Fjällräven fjallraven.com

Workpant da Skateboarding Collection, da Levi’s levis.com

NAS PERNAS

Beber com amigos? Subir montanhas? Se exercitar? Tenha calças prontas para toda hora

88

Pace Norviz, da Helly Hansen hellyhansen.com

THE RED BULLETIN


PRIMEIRO OS PÉS

Esteja sempre preparado para ação com pisantes que aguentam o tranco e são bonitos

Tênis Rover Mid-Top, da Reef reef.com

Tênis de corrida Speedform Fortis, da Under Armour underarmour.com

Tênis para skate SB Stefan Janoski, da Nike nike.com

Tênis de corrida Clifton 2, da Hoka One One hokaoneone.eu

Tênis Hammer Run, da Supra suprafootwear.com

Tênis de corrida 33-DFA, da Asics asics.com

Estas botas ficam tão bem na cidade quanto nas montanhas Não há dúvida de que este é um par de botas forte e poderoso. O acabamento de camurça é durável, e o revestimento de Gore-Tex garante que nada que está do lado de fora penetre no seu pé. Tem ainda o microporo, o solo com amortecimento de choque e suporte para o tornozelo para diminuir o impacto – perfeito para caminhadas pesadas e exigentes. Mas, apesar de estas botas resistirem às trilhas, você não precisa usá-las somente nas montanhas. A marca italiana Dolomite fez um design elegante e em cores discretas para que você use o calçado em situações diferentes, como num bar com os amigos.

THE RED BULLETIN

Botas Cinquantaquattro High FG GTX, da Dolomite dolomite.it

Tênis de corrida Kinvara 6, da Saucony saucony.com

89


Diretor de Redação Robert Sperl Redator-Chefe Alexander Macheck Editor de Generalidades Boro Petric

Diretor de Criação Erik Turek Diretor de Arte e de Criação Adjunto Kasimir Reimann

Diretor de Arte Miles English Diretor de Fotografia Fritz Schuster

Editora Executiva Marion Wildmann Editor Geral Daniel Kudernatsch Editores Stefan Wagner (Editor-Chefe), Ulrich Corazza, Arek Piatek, Andreas Rottenschlager Editores Online Kurt Vierthaler (Editor-Chefe), Christian Eberle, Vanda Gyuris, Judith Mutici, Inmaculada Sánchez Trejo, Andrew Swann, Christine Vitel Colaboradores Muhamed Beganovic, Georg Eckelsberger, Sophie Haslinger, Werner Jessner, Holger Potye, Clemens Stachel, Manon Steiner, Raffael Fritz, Martina Powell, Mara Simperler, Lukas Wagner, Florian Wörgötter Editores de Arte Marco Arcangeli, Marion Bernert-Thomann, Martina de Carvalho-Hutter, Kevin Goll Editores de Fotografia Susie Forman (Diretora de Fotografia), Rudi Übelhör (Diretor de Fotografia Adjunto), Marion Batty, Ellen Haas, Eva Kerschbaum

Ilustrador Dietmar Kainrath Diretor Editorial Franz Renkin Gestão de Anúncios Sabrina Schneider Marketing & Gerência de Países Stefan Ebner (Diretor), ­Manuel Otto, Elisabeth Salcher, Lukas Scharmbacher, Sara Varming

Design de Marketing Peter Knehtl (Diretor), Simone Fischer, Julia Schweikhardt, Karoline Anna Eisl Gerente de Produção Michael Bergmeister Produção Wolfgang Stecher (Diretor), Walter O. Sádaba, Matthias Zimmermann (App) Impressão Clemens Ragotzky (Diretor), Claudia Heis, Maximilian Kment, Karsten Lehmann

Office Management Kristina Krizmanic Engenheiro de TI Michael Thaler Assinaturas e Distribuição Klaus Pleninger (Vendas), Peter Schiffer (Assinaturas)

Gerente Geral e Publisher Wolfgang Winter Produção de Mídia Red Bull Media House GmbH Oberst-Lepperdinger-Straße 11–15, A-5071 Wals bei Salzburg (Áustria); Tribunal de registro de empresas: Tribunal de ­justiça de ­Salzburgo; Número de registro: FN 297115i; UID: ATU63611700

Diretores Executivos Christopher Reindl, Andreas Gall

90

THE RED BULLETIN Brasil, ISSN 2308-5940 Editor Brasil Fernando Gueiros Revisão Judith Mutici, Manrico Patta Neto Gerente de Projeto Paula Svetlic Contato fernando.gueiros@br.redbull.com THE RED BULLETIN África do Sul, ISSN 2079-4282 Editor África do Sul Angus Powers Editores Nancy James (Subeditora-Chefe), Davydd Chong (Subeditor-Chefe Adjunto) Gerente de Vendas Internacional Lukas Scharmbacher Gerente de Projeto e Vendas Andrew Gillett Venda de Anúncios Ryan Otto, ryan.otto@za.redbull.com Impressão CTP Printers, Duminy Street, Parow-East, Cidade do Cabo 8000 Assinaturas Preço da assinatura: ZAR 228,00; 12 edições/ano www.getredbulletin.com, subs@za.redbull.com Redação South Wing, Granger Bay Court, Beach Road, V&A Waterfront, Cidade do Cabo 8001, +27 (0) 21 431 2100 THE RED BULLETIN Alemanha, ISSN 2079-4258 Editor Alemanha Arek Piatek Revisão Hans Fleißner Gerentes de Canal Christian Baur, Nina Kraus Venda de Anúncios Martin Olesch, martin.olesch@de.redbulletin.com Assinaturas Preço da assinatura: EUR 25,90; 12 edições/ano www.getredbulletin.com, abo@de.redbulletin.com THE RED BULLETIN Áustria, ISSN 1995-8838 Editor Áustria Ulrich Corazza Revisão Hans Fleißner Gerente de Projeto Lukas Scharmbacher Venda de Anúncios Alfred Vrej Minassian (Diretor), Thomas Hutterer, Corinna Laure; anzeigen@at.redbulletin.com Impressão Prinovis Ltd. & Co. KG, D-90471 Nuremberg Assinaturas Preço da assinatura: EUR 25,90; 12 edições/ano www.getredbulletin.com, abo@redbulletin.at Contato redaktion@at.redbulletin.com THE RED BULLETIN Estados Unidos, ISSN 2308-586X Editor EUA Andreas Tzortzis Editora Adjunta Ann Donahue Revisão David Caplan Diretor de Publishing e Venda de Anúncios Nicholas Pavach Gerente de Projeto Melissa Thompson Venda de Anúncios Dave Szych, dave.szych@us.redbull.com (L.A.) Jay Fitzgerald, jay.fitzgerald@us.redbull.com (Nova York) Rick Bald, rick.bald@us.redbull.com (Chicago) Impressão Brown Printing Company, 668 Gravel Pike, East Greenville, PA 18041, www.bpc.com Assinaturas Preço da assinatura: US$29,95; 12 edições/ano www.getredbulletin.com, subscription@us.redbulletin.com Redação 1740 Stewart St., Santa Mônica, CA 90404 Contato 888-714-7317; customerservice@redbulletinservice.com THE RED BULLETIN França, ISSN 2225-4722 Editor França Pierre-Henri Camy Coordenadora de País Christine Vitel Tradução e Revisão Étienne Bonamy, Susanne & Frédéric Fortas, ­Frédéric Pelatan, Claire Schieffer, Ioris Queyroi, Gwendolyn de Vries Gerente de Projeto e Vendas Leila Domas Venda de Anúncios Cathy Martin: 07 61 87 31 15, cathy.martin@fr.redbulletin.com Impressão Prinovis Ltd. & Co. KG, 90471 Nuremberg Redação 12 rue du Mail, 75002 Paris; 01 40 13 57 00

THE RED BULLETIN Irlanda, 2308-5851 Editor Irlanda Ruth Morgan Editores Richard Jordan, Florian Obkircher Editores Nancy James Nancy James (Subeditora-Chefe), Davydd Chong (Subeditor-Chefe Adjunto) Venda de Anúncios Deirdre Hughes: 00 353 862488504, redbulletin@richmondmarketing.com Impressão Prinovis Ltd & Co KG, 90471 Nuremberg Redação Richmond Marketing, 1st Floor Harmony Court, Harmony Row, Dublin 2, Irlanda; +353 (1) 631 6100

THE RED BULLETIN México, ISSN 2308-5924 Editor México Luis Alejandro Serrano Editores José Armando Aguilar, Pablo Nicolás Caldarola Corrección de estilo Alma Rosa Guerrero Gerente de Projeto e Vendas Giovana Mollona, Paula Svetlich Venda de Anúncios Humberto Amaya Bernard: +55 5357 7026 humberto.amayabernard@mx.redbull.com Assinaturas Preço da assinatura: MXP 270,00; 12 edições/ano Impressão R.R. Donnelley de México, S. de R.L. de C.V. (R.R. DONNELLEY) Av. Central no. 235, Zona Industrial Valle de Oro San Juan del Río, Q ­ uerétaro, CP 76802

THE RED BULLETIN Nova Zelândia, ISSN 2079-4274 Editor Nova Zelândia Robert Tighe Editores Nancy James (Subeditora-Chefe), Davydd Chong (Subeditor-Chefe Adjunto) Gerente de Vendas Internacional Lukas Scharmbacher Gerente de Projeto e Vendas Andrew Gillett Venda de Anúncios Conrad Traill, conrad.traill@nz.redbull.com Impressão PMP Print, 30 Birmingham Drive, Riccarton, 8024 Christchurch Assinaturas Preço da assinatura: NZD 45,00; 12 edições/ano www.getredbulletin.com, subs@nz.redbulletin.com Redação 27 Mackelvie Street, Grey Lynn, Auckland 1021 +64 (0) 9 551 6180

THE RED BULLETIN Reino Unido, 2308-5894 Editor Reino Unido Ruth Morgan Editores Richard Jordan, Florian Obkircher, Nancy James (Subeditora-Chefe), Davydd Chong (Subeditor-Chefe Adjunto) Gerente de Projeto e Vendas Sam Warriner Venda de Anúncios Mark Bishop: mark.bishop@uk.redbull.com +44 (0) 7720 088588 Impressão Prinovis Ltd. & Co. KG, 90471 Nuremberg Redação 155-171 Tooley Street, Londres SE1 2JP, +44 (0) 20 3117 2000

THE RED BULLETIN Suíça, ISSN 2308-5886 Editor Suíça Arek Piatek Gerente de Canal Antonio Gasser, Melissa Stutz Revisão Hans Fleißner Venda de Anúncios Marcel Bannwart marcel.bannwart@ch.redbull.com Assinatura Preço da assinatura: CHF 19,00; 12 edições/ano www.getredbulletin.com, abo@ch.redbulletin.com

THE RED BULLETIN


“Quando fica perigoso, é quando eu funciono melhor.” O piloto de helicópteros Felix Baumgartner voa baixo perseguindo um Toyota com 1 000 cv. Ele confia nos nervos de aço treinados no Red Bull Stratos.

DEBRZNO, POLÔNIA 15 de junho de 2015 Dublê em Debrzno? Sem problemas, disseram Felix Baumgartner e a fera do drift, Jakub Przygonski. O primeiro perseguiu o Toyota com 1 000 cv em um helicóptero de 2 toneladas tirando finas perigosas do chão sobre uma pista de decolagem abandonada. O resultado foi um vídeo de três minutos digno de Hollywood. Assista aqui: www.redbulletin.com/helidrifting

A PRÓXIMA EDIÇÃO DO RED BULLETIN SERÁ LANÇADA EM 14 DE OUTUBRO DE 2015 92

THE RED BULLETIN

LUKASZ NAZDRACZEW/RED BULL CONTENT POOL

MAGIC MOMENT: MAKES YOU FLY


GRAB YOUR PIECE OF THE ACTION


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
The Red Bulletin Outubro 2015 - BR by Red Bull Media House - Issuu