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The Red Bulletin Julho de 2014 - BR

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julho de 2014

além do comum

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N ICOLE PAC E LLI

viagens

in d ica das por at le tas ra d icais

A cam p eã m undi a l d e S U P é bras i l e i ra

LINK IN PAR K O rock (a i n d a ) está v i vo Neymar Júnior, o craque do Brasil na Copa do Mundo

NEYMAR abre o jo g o sobre pressão, europa , protestos e o sonho do h e x a em casa


GRAB YOUR PIECE OF THE ACTION


O MUNDO DE RED BULL

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OUTRO ÂNGULO

No quintal de sua casa, Arto Saari registra os melhores skatistas do mundo como ninguém

DAVID CLERIHEW (COVER), ARTO SAARI

É COPA!

Enquanto você abre o Red Bulletin, alguma seleção está com o coração na ponta das chuteiras. Para turbinar o momento mais aguardado do Brasil nos últimos anos, preparamos um especial com Neymar – ele abriu o jogo em uma entrevista exclusiva concedida em Barcelona (pág. 48), dias antes de se concentrar com a Seleção. Para completar, ainda consultamos as maiores estrelas do futebol para saber o que elas pensam sobre o nosso camisa 10 (pág. 54). Está imperdível! E, para os amantes de esportes radicais, tem ainda a entrevista com a bela Nicole Pacelli, nossa musa do stand-up paddle; um roteiro de viagens alucinantes; e muito skate. Boa leitura.

THE RED BULLETIN

“Na Copa tem que ser força máxima.” NEYMAR, PÁG. 48

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JULHO DE 2014

NESTA EDIÇÃO BULLEVARD 10 16

60

GALERIA  Fotos de cair o queixo  QUEREMOS PAZ  Um especial com

os maiores feitos pacíficos da história

DESTAQUES 30 Viagem radical

Os grandes atletas radicais   e seus destinos favoritos

RAINHA DA PRAIA

Nicole Pacelli é a primeira mulher campeã mundial de stand-up paddle

42 Linkin Park

Entrevistamos a maior banda   de rock da atualidade

42

46 Sam Smith

Guarde este nome: o cara vai bombar

48 Neymar exclusivo

Nosso maior craque fala tudo

54 Ele não é Deus

O que os mestres do futebol   pensam sobre Neymar

60 Nicole Pacelli

88 PAPO DE ROQUEIRO

A crise das gravadoras passou longe do Linkin Park, que está lançando disco novo a todo vapor

89 78 SKATE É COM ELE

O esporte mudou, e Ryan Sheckler soube mudar junto: veja como o americano faz do skate um grande negócio 6

TACADAS AFIADAS

O grande nome do golfe, Rickie Fowler, nos mostra quais são seus equipamentos indispensáveis na hora do jogo

66 Arto Saari

O skate como ninguém vê

78 Ryan Sheckler

O mestre do skate de rua mostra   que seu talento vai além das pistas

AÇÃO! 88 89 90 91 92 93 94 95 96 98

VIAGEM  Clube submarino  MEU EQUIPO  O golfista Rickie Fowler MINHA CIDADE  O melhor de Xangai BALADA  Londres pega fogo! MÚSICA  As pedidas de Owen Pallett  GAMES  The Evil Within EM FORMA  Salto com vara  RELÓGIO  Os segredos da Breitling NA AGENDA  A programação de julho MOMENTO MÁGICO Maratona global

THE RED BULLETIN

ROBERT ASTLEY SPARKE, STEPHEN FRINK, CORBIS, ARTO SAARI, GETTY IMAGES

VIAGEM SUBMARINA

Descubra o fundo do mar num jato submarino como você jamais viu e faça a aventura de sua vida

Conheça a brasileira que conquistou  o mundo do stand-up paddle


NOSSO TIME QUEM COLABOROU NESTE MÊS

THE RED BULLETIN Brasil, ISSN2308-5940 Editora e Sede Editorial Red Bull Media House GmbH Gerente Geral Wolfgang Winter Diretor Editorial Franz Renkin

ARTO SAARI

ROBERT ASTLEY SPARKE Nascido em Londres, Robert é casado com uma brasileira e vive em São Paulo há mais de quatro anos. Ele é especializado em moda, música e celebridades. Já colaborou para revistas como GQ, Esquire, Glamour e jornais como Sunday Times e New York Times. Neste mês ele foi ao Rio de Janeiro fotografar a surfista de stand-up Nicole Pacelli. “Ela é uma menina de muita personalidade. Soube driblar muito bem os curiosos que ficaram de olho durante as fotos”. Veja o resultado a partir da página 60.

O finlandês Arto Saari começou sua carreira como skatista profissional aos 16 anos – e durante sua vida aprendeu a força, agilidade e leveza do esporte através da câmera. Nas fotos que você pode conferir a partir da página 66, Saari divide conosco os cliques que fez de competidores – e amigos – em momentos íntimos, longe das competições. (O que ajuda muito é o fato de Saari ter, em seu quintal, uma piscina vazia, ideal para os skatistas se jogarem.) Ele também é o responsável pelas fotos do skatista Ryan Sheckler (pág. 78). “Com ele não tem mistério. O cara é simplesmente um dos melhores skatistas do mundo.”

Editores-Chefes Alexander Macheck, Robert Sperl Editor de Generalidades Boro Petric Editor Brasil Fernando Gueiros Diretor de Arte Erik Turek Diretor de Fotografia Fritz Schuster Editora Assistente Marion Wildmann Coordenador Editorial Daniel Kudernatsch Gerentes de Projeto Paula Svetlic Apoio Editorial Ulrich Corazza, Werner Jessner, Ruth Morgan, Florian Obkircher, Arek Piatek, Andreas Rottenschlager, Stefan Wagner, Paul Wilson Bullevard Georg Eckelsberger, Raffael Fritz, Sophie Haslinger, Marianne Minar, Holger Potye, Martina Powell, Mara Simperler, Clemens Stachel, Manon Steiner, Lukas Wagner Editores de Arte Miles English (Diretor), Martina de Carvalho-Hutter, Silvia Druml, Kevin Goll, Carita Najewitz, Kasimir Reimann, Esther Straganz Editores de Fotografia Susie Forman (Diretora Artística de Fotografia), Marion Batty, Eva Kerschbaum, Rudi Übelhör Revisão Judith Mutici, Manrico Patta Neto Impressão Clemens Ragotzky (Diretor), Karsten Lehmann, Josef Mühlbacher Gerente de Produção Michael Bergmeister Produção Wolfgang Stecher (Diretor), Walter O. Sádaba, Matthias Zimmermann (tablet)

Fotos e entrevista com o craque em Barcelona David Clerihew e Simon Kuper foram os responsáveis por fotografar e entrevistar, respectivamente, o brasileiro que comanda a Seleção nesta Copa. “Tive a sorte de fotografar o Neymar. Ele é um cara muito tranquilo e simpático com todo mundo. Parece que o trabalho já está pronto antes de começar”, diz Clerihew. Para o jornalista

Simon Kuper

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David Clerihew

Financeiro Siegmar Hofstetter, Simone Mihalits Marketing & Gerência de países Stefan Ebner (Diretor), Elisabeth Salcher, Lukas Scharmbacher, Sara Varming Assinaturas e Distribuição Nicole Glaser, Alexandra Ita, Klaus Pleninger, Peter Schiffer, Yoldas Yarar Marketing de Criação Peter Knethl, Julia Schweikhardt Anúncios Marcio Sales, (11) 3894-0207, contato@hands.com.br Anúncios Internacional Patrick Stepanian Gestão de anúncios Sabrina Schneider

Neymar durante a sessão de fotos: simpático e pontual

Secretárias de Redação Manuela Gesslbauer, Kristina Krizmanic TI Michael Thaler

inglês Simon Kuper, a boa impressão também marcou o trabalho: “É difícil encontrar um jogador que seja pontual em um compromisso fora do futebol. E o Neymar foi muito pontual. Sem falar no sorriso simpático dele, que é impossível não gostar. Diria que esta é sua maior arma depois

dos dribles”. O jornalista que escreve no Financial Times e é autor do livro Football Against the Enemy (1994, Ed. Orion) continua: “Depois de ler tudo o que li sobre ele em minhas pesquisas, posso dizer que essa é a entrevista mais completa que ele já deu”. Confira na página 48.

Escritório Central Red Bull Media House GmbH, Oberst-Lepperdinger-Straße 11–15, A-5071 Wals bei Salzburg, FN 297115i, Landesgericht Salzburg, ATU63611700 Sede da Redação Heinrich-Collin-Straße 1, A-1140 Wien Fone +43 1 90221-28800 Fax +43 1 90221-28809 Contato redaktion@at.redbulletin.com Publicação O Red Bulletin é publicado simultaneamente na Áustria, Brasil, França, Alemanha, Suíça, Irlanda, Kuwait, México, Nova Zelândia, África do Sul, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Visite nosso site www.redbulletin.com.br

THE RED BULLETIN


H I EN D EL AEN C I NA , E S PAN HA

APROVEITANDO O TEMPO LIVRE Alfredo Gómez, um dos melhores pilotos de enduro do mundo, tem um hobby: fazer enduro. Aqui está ele, em seu tempo livre, acelerando sua moto Husqvarna numa pista enlamaçada. Isso também não é uma coisa muito comum, afinal, o enduro é basicamente detonar a moto ladeira abaixo até ela ficar completamente destruída. Esse espanhol não para nunca? “Gosto de qualquer coisa que queime gasolina.” www.alfredogomez.com Foto: Alberto Lessmann/Red Bull Content Pool

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M ELB O U RN E , AU STR ÁLIA

LÁ VEM O RUSSO De acordo com os especialistas, Daniil Kvyat é um dos maiores talentos do automobilismo mundial. No início da temporada, em Melbourne – sua estreia na Fórmula 1 –, ele terminou a corrida em nono, pilotando pela Toro Rosso, e entrou para a história: com 19 anos e 324 dias, o russo é o mais jovem corredor a pontuar na F1. O último recordista, o alemão Sebastian Vettel, não o alcançou nem de perto, e mesmo assim ninguém tinha chegado aos pés dele. Agora Daniil acabou de completar 20 anos e coleciona ainda mais pontos para o mundial. Seria ele um garoto prodígio? Um milagre nas pistas? “Nada disso”, ele diz. “No automobilismo, não existe milagre, só trabalho duro.” www.scuderiatororosso.com Foto: Robert Cianflone/Getty Images/Red Bull Content Pool

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Algarve , P o rtu gal

CACHOEIRA O finlandês Jari-Matti Latvala é um dos pilotos de rali mais rápidos da atualidade – assim como seu companheiro de equipe, o atual campeão mundial, o francês Sébastien Ogier. Quem vencer o duelo no mundial tem boas chances de ganhar na final. Na quarta etapa especial do Rally de Portugal, Jari-­ Matti capotou de forma espetacular. “Rali é isso”, ­comentou sem grandes emoções, e em seguida ­ganhou mais um título, dessa vez na Argentina. www.jmlatvala.com  Foto: Richard Balint/Volkswagen Motorsport

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DÊ UMA CHANCE À PAZ

TROCANDO AS ARMAS PELA BOLA    Alguns meses depois do início da 1ª Guerra Mundial, centenas de soldados alemães e britânicos se organizaram por uma trégua diferente entre as trincheiras da região de Flandres, na Bélgica. Na noite de Natal, longe de suas famílias, os soldados decidiram comemorar com uma pelada – e assim a terra de ninguém se transformou num belo campo de futebol. A seleção alemã venceu por 3 a 2. Os perdedores tiveram que pagar um barril de cerveja. 16

BANCO DE SANGUE Oswald Robert-

1915

FORÇA FEMININA A socialista Rosa Luxemburgo disse: “Greve em vez de Guerra!” Ela lutou pelos direitos trabalhistas e pela liberdade. E foi presa por “absurda desobediência”.

son fez a primeira transfusão de sangue bem-sucedida da história. Um grande progresso da medicina, que já salvou a vida de milhões de pessoas e foi realmente uma inovação em comparação ao que ficou conhecido como “transfusão” em 1492, quando o moribundo papa Inocêncio VIII bebeu o sangue de três meninos de 10 anos. O resultado: primeiro morreram os doadores, depois o papa.

1916

1917

PRÊMIO NOBEL Um pouco antes de a guerra acabar, a Cruz Vermelha recebeu o Prêmio Nobel pelo serviço prestado à liberdade. Até hoje as ambulâncias e os hospitais usam o símbolo.

THE RED BULLETIN

IMPERIAL WAR MUSEUM, GETTY IMAGES

1914

Há 100 anos começava a 1ª Guerra Mundial. Foi o início de uma insanidade global. Nós homenageamos aqui 101 seres humanos e ideias que foram contra essa insanidade e fizeram a diferença em prol da liberdade e da humanidade... declarando guerra à guerra!


BULLEVARD

1914

O MILAGRE DE NATAL

1915

ROSA LUXEMBURGO

1916

BANCO DE SANGUE

1917

CRUZ VERMELHA

1922 RÁDIO Neste ano, a British

Broadcasting Company (BBC) foi ao ar pela primeira vez e logo se tornou um símbolo mundial de liberdade de expressão. As pessoas puderam ter acesso ao que estava acontecendo na guerra – e também aos apelos contra ela – no mundo inteiro, graças à BBC News.

1918

NELSON MANDELA Herói do apartheid e grande exemplo de perdão no mundo nasce na África do Sul.

1919

MULHERES ÀS URNAS

1920

MÚSICA ELETRÔNICA

1921

DÓLAR DA PAZ Lady Liberty de cara nova: os EUA lançam os “dólares da liberdade” em estilo art déco.

1925

O progresso tecnológico não poderia ter uma vibe mais libertária: o Theremin, a vanguarda dos sintetizadores, foi descoberto.

CLARENCE DARROW foi um homem triste com uma grande missão: o advogado natural de Ohio queria espalhar pelo mundo ideias de amor e justiça. Por isso, ele assumiu o caso espetacular de um grupo de negros acusado injustamente de ter matado um homem branco. Em seu último discurso de defesa, ele finalmente convenceu o juiz da inocência dos réus – e assim salvou suas vidas. Seus clientes foram todos absolvidos.

1922 BBC

1923

FORA, HITLER!

1919

Duas mulheres, Anita Augspurg e Lida Gustava Heymann, tentaram retirar o direito de Hitler de viver na Alemanha acusando-o de incitação ao ódio. Não tiveram sucesso.

ELAS PODEM VOTAR

CORBIS

MARTIN UDOVICIC

  Sem elas não haveria democracia: na década de 1910, elas não queriam mais ficar na cozinha e queriam marcar sua cruzinha na cédula de voto. Para conseguir isso, arregaçaram as mangas e também atiraram algumas pedras. Depois da 1ª Guerra Mundial, seus esforços se ampliaram por toda a Europa e América do Norte. Então entraram verdadeiramente em cena os direitos das mulheres. Porém, na Suíça, elas tiveram direito ao voto pela primeira vez apenas em 1990.

THE RED BULLETIN

1924

PEACE AWARD Patrocinada por Edward W. Bok, a doação de US$ 100 mil gerou o primeiro American Peace Award. O segundo foi em 2008.

1925

CLARENCE DARROW

1926

URSINHO PUFF Todos se dão muito bem na floresta. O que mais importa é a amizade. E o mel.

“ Não acredito na lei do ódio. Talvez nem sempre seja fiel aos meus ideais, mas acredito sempre na lei do amor, e acho que com ódio não é possível alcançar nada nesta vida.” C L A R E N C E DA R ROW ( 18 57 — 193 8)

17


BULLEVARD

1927

12 MIL BONECAS

1932

Foi o que o missionário americano Sidney Gulick mandou ao Japão para promover a amizade entre as crianças.

1928

ERICH MARIA REMARQUE Ele escreveu, com Nada de Novo no Front, o primeiro romance pacifista do século 20. Em vão?

1929

MADRE TERESA A missionária foi para a Índia. Sua missão: dedicar a vida a serviço dos pobres.

1931

GUERRA CONTRA A RESSACA Pela paz do estômago: o Alka-Seltzer é o novo remédio milagroso contra enjoos, náuseas e dores de cabeça.

GUERRA PRA QUÊ? Albert

1932

EINSTEIN E FREUD

1933

VOVÓ CORAGEM Uma senhora de 91 anos chamada Julie Bonhoeffer atravessa uma área nazista para fazer compras em uma loja judaica na Berlim Oriental. Isso é o que chamamos de coragem e dignidade.

“ Eu sou um militante pacifista. Quero lutar pela paz.”

1934

A L B E RT E I N S T E I N

MÃES DE FILHOS MORTOS

Neste ano aconteceu a primeira reunião do grupo. Fique sóbrio e compartilhe seus pensamentos e sentimentos.

1936

O FANTASMA Foi o primeiro superherói dos quadrinhos do mundo.

1937

GUERNICA

GUERNICA

Um bombardeio alemão destruiu a cidade basca de Guernica durante a guerra espanhola. Pablo Picasso captou as ruínas e o sofrimento em sua famosa pintura. Ele dedicou a obra à República da Espanha e a mandou de presente a eles. O presente chegou só 44 anos mais tarde, com o fim da ditadura de Franco. A essa altura, o pintor espanhol já estava morto.

DIETMAR KAINRATH

1935

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

1937

GETTY IMAGES

A escultora alemã Käthe Kollwitz eternizou em pedra as dores de milhares de mulheres.

Einstein é o homem mais inteligente de todos os tempos. Mas tem um problema que ele nunca conseguiu resolver: “Existiria algum jeito de libertar o homem da tendência a fazer guerras?” Esta pergunta ele fez a outro gênio, Sigmund Freud, que respondeu: “Ao observarmos os fracassos dos esforços direcionados a isso nos últimos séculos, é possível sentir com muita clareza que a força psicológica para que isso acabe é poderosa demais”. O que isso significa? Infelizmente, as pessoas adoram estragar e quebrar tudo. É da natureza humana.


BULLEVARD

1938

GETTY IMAGES

1939

MUSA DA RESISTÊNCIA

  Uma garota do estado do Missouri, nos EUA, dançava escandalosamente em Paris e depois conquistou a Europa. Quando os nazistas tomaram a França, foi proibida de cantar e dançar. Ela então começou a trabalhar para a Résistance: encantou oficiais e usou essa magia para ter acesso a documentos e informações secretas, fazendo com que eles atravessassem a fronteira. Ela foi também uma das maiores apoiadoras do movimento pelos direitos civis dos afro-americanos.

O que é mais escandaloso? Mulheres nuas no palco ou homens de uniforme? Josephine Baker sabe a resposta melhor do que a gente

194 5

NA S C E A ONU

“Assegurar a liber­ dade para o mundo.” Essa era a missão desta organização internacional que surgiu com cerca de 190 membros. Desde o início, nem todas as tentativas em prol desse obje­ tivo funcionaram da melhor maneira... Pudera: quando existe muita ambi­ ção não se pode fazer muita coisa.

DIGA “NÃO”! “Este trem vai para o inferno!” – parece que foi isso que o aus­ tríaco Franz Jäger­ stätter ouviu em um sonho. Ele foi o único em sua cidade a se manifestar contra a anexação da Áustria à Alemanha nazista.

1939

JOSEPHINE BAKER

1940

ESPORTE COMO FORMA DE PROTESTO Quando a Noruega foi tomada por Hitler, o oficial da marinha Olaf Kullmann saiu pedalando pelo país em protesto.

1941

MAMÃE CORAGEM Mãe Coragem e Seus Filhos, a seminal peça de teatro de Bertolt Brecht, surge como expressão antifascista.

1942

ANNE FRANK Ela ganhou de presente de aniver­ sário de 13 anos um caderninho vermelho e branco. Primeiro, pensou em usá­lo como um caderno de poesias, mas o transformou em um diário, no qual, em vez de escrever sobre seu primeiro amor, escreveu sobre os horrores da Segun­ da Guerra Mundial. Anne morreu em 1945.

1944

QUESTÃO DE HONRA O código de honra albanês chamado Besa salvou a vida de quase todos os judeus de seu país.

1944

A LISTA DA VIDA O industrial alemão Oskar Schindler salvou a vida de 1 098 judeus empregando­os em suas fábricas de esmalte e munições. Finalmente um homem justo.

1945 ONU


BULLEVARD

1946

1958

ME DÊ UM SINAL Gerald Holtom tinha que

BRILHO PARA TODOS

desenvolver um logotipo para a Campanha pelo Desarmamento Militar. Daí surgiu a nova estrela da Mercedes? Nada disso. Surgiu um símbolo que logo seria conhecido como o Peace Sign. O design inclui a letra N (de nuclear) e a letra D (de desarmamento) do alfabeto Winker, usado internacionalmente na comunicação marítima.

A Bolsa Fulbright finalmente possibilita que os estudantes descubram o mundo. Um projeto que busca o entendimento entre todos os povos.

1947

CONTRA O GENOCÍDIO Raphael Lemkin enfim consegue estabelecer o genocídio como um crime dentro de bases legais.

1948

TROPAS DE PAZ Pela primeira vez, a ONU envia tropas de jovens a Israel e à Palestina.

1949

POMBA DA PAZ

1950

HELIGOLÂNDIA Dois estudantes evitam que essa ilha seja tomada por militares.

1951

A ONU regulamenta os direitos humanos dos refugiados.

1952

REVISTA MAD A revista americana inspirou movimentos estudantis no mundo inteiro.

“Leva muito tempo tornarmonos jovens.”

SPUTNIK 1 seria hoje

PA B L O P I C A S S O

(1881-1973)

1953

IMRE NAGY

1954

1955

ROSA PARKS

1956

NIKITA KHRUSHCHEV Comandou a desestalinização da União Soviética.

1957

SPUTNIK 1

1958

SÍMBOLO DA PAZ

O GÊNIO DA LIBERDADE   Na verdade, o gênio não descobriu nenhuma novidade – já que desde a Bíblia se conhece a figura da pomba branca carregando no bico um ramo de oliveira. Mas foi esse famoso pintor espanhol que transformou o velho pássaro no emblema moderno da paz. Quando foi convidado a fazer um cartaz para o Congresso Parisiense pela Paz Mundial, Picasso pintou a pomba branca bem no centro da obra. Talvez ele tenha se inspirado no pai, que, durante sua infância, gostava de pintar pássaros para decorar a sala de jantar.

como um tiro do Cazaquistão no espaço sideral. Na época, a União Soviética deu início, com ele, à exploração espacial. E daí surgiu uma nova visão da Terra: foi quando ficamos sabendo que nosso planeta é muito menor e muito mais digno de proteção do que se supunha.

1955

Alertou contra os perigos da corrida armamentista.

1949

Implantou ideias de neutralidade e democracia na Hungria comunista.

ALBERT SCHWEITZER

1957

ROSA PARKS Uma secretária afro-americana do Alabama se nega a ceder seu lugar no ônibus a um passageiro branco. Esse foi o início do Movimento pelos Direitos dos Afro-Americanos nos Estados Unidos.

PICTUREDESK.COM(2)

DIREITO À FUGA


BULLEVARD

“Apesar das dificuldades de hoje e de amanhã: eu tenho um sonho.” M A RT I N LU T H E R K I NG

1959

LIBERDADE GELADA NA GUERRA FRIA Doze países, dentre eles a URSS e os EUA, se reuniram para reivindicar liberdade para a desabitada Antártica: já estava mais do que na hora de haver permissão para que a gelada área fosse estudada e pesquisada.

1960

IMRE KERTÉSZ

1961

ANISTIA INTERNACIONAL

1962

GETTY IMAGES

O TELEGRAMA O filósofo britânico Bertrand Russell interveio na crise de Cuba enviando um telegrama para Kennedy e Khrushchev. Era um alerta sobre as consequências da guerra atômica.

1963

MARTIN LUTHER KING

1963 EU TENHO UM SONHO    se reuniram em frente ao Lincoln Memorial em Washington para ouvir Martin Luther King falar sobre igualdade e protestar contra o racismo. Foi ali que se deu o improviso da frase “I have a dream...”, pela boca de King, que assim entrou para a história.

1960

LIVRO DO DESTINO Em pleno Regime Húngaro, ele foi muito pressionado politicamente, mas ainda assim o autor húngaro Imre Kertész continuou escrevendo. Seu romance Sem Destino é uma das obras mais importantes sobre o Holocausto já escritas. Foram 13 anos de trabalho para conceber o livro.

DOIS ESTUDANTES se expressaram a favor da liberdade em Lisboa e foram presos. Essa injustiça foi, no entanto, a ocasião perfeita para a fundação da Anistia Internacional. A organização continua lutando pelos direitos de presos políticos do mundo inteiro – independentemente de serem estudantes ou não.

1961 21


BULLEVARD

1964

DR. FANTÁSTICO ou: Como Aprendi a Amar a Bomba. O insano general americano Jack D. Ripper vislumbrava uma guerra atômica na qual nenhum dos oponentes sobreviveria. Stanley Kubrick retratou nesse satírico filme cult a insanidade da corrida armamentista.

1965

FLOWER POWER O slogan do movimento antiguerra foi criado pelo poeta americano Allen Ginsberg, grande chance de ter sido numa viagem de LSD.

1966

O SOM DA PAZ Abie Nathan viajou com seu Shalom 1, de Israel ao Egito, para espalhar suas mensagens de paz. Em 1973, ele fundou uma rádio israel-palestina.

1967

MARGARIDAS Jane Rose Kasmir ofereceu flores aos soldados durante uma manifestação e se tornou um ícone do movimento contra a Guerra do Vietnã.

1968

BLACK POWER Os vencedores da prova dos 200 m rasos Tommie Smith e John Carlos ergueram os punhos para o céu contra o racismo na Olimpíada do México.

1969

JOHN E YOKO NA CAMA

1970

ÓSCAR ROMERO O bispo lutou incansavelmente contra a pobreza e a criminalidade em El Salvador.

1971

GREENPEACE Defensores dos direitos dos animais de Vancouver se manifestaram em botes e com câmeras contra a caça às baleias.

1969

LIVRES EM CIMA DA CAMA Foi assim que John Lennon e Yoko Ono passaram sua lua de mel. Na suíte presidencial do Hilton Amsterdam Hotel, eles receberam jornalistas ao longo de uma semana para promover a paz mundial. A atitude ecoou no mundo – embora o casal tenha se comportado de forma absolutamente pura e inocente, ficando simplesmente sentados, entre travesseiros e almofadas.


AFP/PICTUREDESK.COM

BULLEVARD

THE RED BULLETIN

23


1972

A MENINA DE NAPALM A foto de Nick Út da criança fugitiva é o início do fim da Guerra do Vietnã.

1973

ALOHA DO HAVAÍ Mais de 1 bilhão de pessoas assistiram ao show de Elvis Presley: foi a primeira transmissão via satélite do planeta.

1974

Viva a liberdade: Muhammad Ali contra George Foreman – e pelos direitos humanos

1974

BOXE PARA O MUNDO

1975

RÚSSIA E EUA NO ESPAÇO

1976

QUEREMOS PAZ Acontece na Irlanda do Norte o primeiro movimento pela paz entre católicos e protestantes.

1977

VOVOZINHAS CORAJOSAS Na Argentina, as Abuelas de Plaza de Mayo queriam saber o que havia acontecido com seus netos desaparecidos durante a ditadura.

1978

BOB MARLEY Ele reconciliou, em pleno palco, vários políticos jamaicanos em Kingston.

1979

APOCALYPSE NOW Estreia do filme clássico no cinema.

    Muhammad Ali e George Foreman lutaram até sangrar pelo nariz – e isso pela paz?! Não apenas no ringue, mas no mundo inteiro, essa luta lendária em Kinshasa, na atual República Democrática do Congo, levantou a autoestima de um continente inteiro. Nunca um megaevento esportivo como esse havia acontecido antes na África. Muhammad Ali ganhou e, mais uma vez, se reafirmou como um dos esportistas mais políticos de todos os tempos. 24

1975

UNIÃO NAS ESTRELAS

Muito mais alto do que George Lucas em Guerra nas Estrelas. Na vida real, o astronauta Alexei Leonov, ao lado de Deke Slayton, fez algo muito mais ambicioso. A missão Apollo-Soyuz foi a primeira reunião espacial russo-americana. Dez anos antes da Perestroika. THE RED BULLETIN

AP PHOTO, NASA

TROCANDO SOCOS PELA PAZ


BULLEVARD

BOB GELDOF

1980

UMA ÁRVORE Jadav Payeng plantou uma árvore nas margens do Brahmaputra, na Índia. Hoje são mais de 5 milhões de árvores por lá.

1981

UMA BARRACA William Thomas armou uma barraca na frente da Casa Branca, como forma de protesto contra a bomba atômica. Ficou lá por 27 anos.

1986

“ Nos deem tanto dinheiro quanto a gente sabe que vocês têm.”

FOGUEIRA Queimar bruxas é tão “1586” – e de fato não ajuda ninguém. Quatro séculos depois, foi queimada pela primeira vez, em San Francisco, a escultura de madeira que é o símbolo do festival Burning Man. Um bando de piromaníacos se encontrou no Deserto de Black Rock para gritar ao mundo suas reivindicações: inclusão radical, solidariedade, democracia, auto-suficiência, liberdade de expressão, esforço, responsabilidade cívica, lixo no lixo, participação e tolerância. Resumindo: paz!

1982

UMA CARTA Samantha Smith, aos 10 anos, escreveu uma carta para Yuri Andropov, então grande chefe soviético. Ele respondeu à carta. Samantha reconheceu: “Eles são como nós!”

1983

MUHAMMAD YUNUS Fundou o Banco Grameen, que oferecia microcrédito para os mais pobres.

1984

UMA CAMISETA Katharine Hamnett foi apertar a mão de Margaret Thatcher – e foi com uma camiseta contra as armas atômicas.

1985 LIVE AID

1986

1985

GETTY IMAGES(3), CORBIS, REUTERS

     Quando Queen, Elton John, Madonna, Tina Turner e Bryan Adams, juntos, resolveram fazer um show gratuito, Bob Geldof achou que era uma boa hora para fazer um apelo: uma luta musical pela causa da fome na Etiópia (e por um pouco de publicidade). Participaram também Led Zeppelin, The Who e Black Sabbath. Mais de 1,5 bilhão de pessoas assistiram aos shows – e gastaram cerca de US$ 100 milhões no Live Aid.

THE RED BULLETIN

1967

1985

BURNING MAN FESTIVAL

THE YOUNGBLOODS “Get Together”

QUEEN “One Vision”

1987

“Come on people now. Smile on your brother. Everybody get together. Try to love one another. Right now!”

“No hate, no fight, just excitation! All through the night it’s celebration. Wowowowo yeah”

VOVÓS FURIOSAS

CANTANDO PELA CAUSA

AS MELHORES CANÇÕES DE PAZ

No Canadá, as Raging Grannies protestavam contra a bomba atômica.

1988

CEMITÉRIO DOS VAGA-LUMES Estreia um dos filmes antiguerra mais fortes de todos os tempos (um desenho animado do Japão).

1989

O MURO DE BERLIM David Hasselhoff cantou para 100 mil e no mesmo momento o muro foi derrubado. É o que diz a lenda.

1971

1986

CAT STEVENS “Peace Train”

GILBERTO GIL “A Paz”

“Everyone jump upon the peace train Come on, come on, come on. Yes, come on the peace train. Yes, it’s a peace train”

“A paz fez um mar da revolução / Invadir meu destino / A paz / Como aquela grande explosão / Uma bomba sobre o Japão / Fez nascer o Japão da paz”

25


BULLEVARD

1990

1992

NOS ESCOMBROS DE SARAJEVO

Vedran Smajlovic´ sentou e tocou em seu violoncelo o “Adágio em G Menor”, de Tomaso Albinoni, enquanto a cidade estava tomada por tropas bósnio-sérvias e sofrendo sérios ataques. Foram milhares de mortos. Vinte e dois civis que estavam em uma fila para receber comida foram as primeiras vítimas. Por eles, nos 22 dias que se seguiram, o celista fez 22 apresentações solo – exatamente no mesmo lugar e horário onde a granada explodiu, correndo o risco permanente de morte.

TIM BERNERS-LEE Ele descobriu a internet. Graças a ele hoje podemos tuitar os mais belos recados de amor.

1991

BEIJO DE IRMÃOS

1992

MÚSICA EM SARAJEVO

1993

VIKTOR POPKOV

1991

BEIJO DE DESPEDIDA PARA OS COMUNISTAS     Leonid Brejnev e Erich Honecker passaram muito tempo juntos. Este beijo, contudo, não foi nenhuma demonstração de amor, mas sim uma atitude política dos dois famosos políticos comunistas: o beijo “entre irmãos” teve a intenção de ser uma reivindicação pela solidariedade e pela igualdade. Em 1991, a União Soviética finalmente se mostrou solidária com a Alemanha Oriental e deixou de existir. No Muro de Berlim, o artista Dmitri Wrubel, natural de Moscou, pintou sua obra mais famosa – o beijo de despedida.

O pacifista russo levou alimentos para as cidades da Geórgia sitiadas pelos russos.

1994

BOMBA DO SEXO

1995

VILAS DA PAZ Zonas de nãoviolência nas regiões mais problemáticas da América Latina.

1996

LISTA DE DESEJOS Yoko Ono pede que os fãs pendurem seus desejos escritos em papéis em suas Wish Trees.

“Sou parte desta cidade. Faço o que está ao meu alcance.” V E D R A N S M A J L OV I C ´ ( NA FOTO , TOCANDO NOS ESCOMBROS DA

BIBLIOTECA NACIONAL EM SARAJEVO , DESTRUÍDA PELO BOMBARDEIO)

A BOMBA DO SEXO Hormônios sexuais

Música

Odores corporais

Drogas

26

1994

Amor

THE RED BULLETIN

ACTION PRESS, MIKHAIL EVSTAFIEV

TOM MACKINGER

AMOR MATA O Pentágono desenvolveu esse novo tipo de “arma”: a SEX BOMB – mas nunca a produziu. Ela deveria ser afrodisíaca e levar o oponente a um extremo êxtase sexual que o deixaria sem nenhuma vontade de usar qualquer tipo de arma. Também foi planejada uma bomba de odores bucais.


BULLEVARD

1997

“Sem chororô! Quando não gostar de alguma coisa, faça algo para mudar.” TA R A S T I L E S

ILHA DE LIVROS Luis Soriano montou no seu burro e percorreu a Colômbia juntando livros na mochila. Dos 70 títulos iniciais, sua biblioteca passou para mais de 4 500 em alguns anos.

1998 VIAGRA

1999

ANNA POLITKOVSKAIA A jornalista russa começou a escrever em sua coluna sobre os horrores da Guerra da Chechênia. Sete anos depois ela foi vítima de um atentado terrorista.

2000 PENG!

2001

GIRO DE BIKE PELO MUNDO

2002

SPORTS UNITED

2004 2001

1998

PÍ LU L A D O AMOR

CARLOS SERRAO

Foi em busca de algo contra o caminho natural da pressão sanguínea que surgiu o Viagra, que aumenta essa pressão numa área bem específica.

PEDALADA PELA PAZ

2000 PE N G !

Os comandantes do exército real britânico ordenaram que seus soldados não usassem mais munições pesadas. Em vez disso, eles deveriam gritar “Peng!”. Infelizmente, só funcionou nos treinamentos.

O coreano Okhwan Yoon pedalou dez anos ao redor do mundo para promover a paz entre o norte e o sul da Coreia. Países pelos quais passou: 192. Acidentes: 6.

IOGA PARA A PAZ INTERIOR Há milhares de anos, a ioga busca ajudar seus praticantes a encontrar a harmonia entre corpo e espírito. O primeiro a sistematizar as posições de ioga foi Bellur Krishnamachar Sundararaja Iyengar. E, desde então, a ioga se tornou popular no ocidente. A revista Time apontou o guru como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Uma honra que a atual estrela da ioga, Tara Stiles, nunca teve. Ainda assim, a gente acha ela mais bonita que o velho guru.

Objetivo: levar os americanos para terras estrangeiras, e os jovens do mundo inteiro para os EUA para que todos pratiquem esportes juntos. O foco era incentivar o diálogo internacional e o trabalho em conjunto.

2003

CORRIDA DA PAZ Tegla Loroupe foi a primeira africana a ganhar a maratona da cidade de Nova York. Em sua cidade natal, Kapenguria, no Quênia, ela organiza todo ano a Peace Race. Políticos e soldados da África correm juntos em vez de lutar.

2004 IOGA

2005

LIBERDADE FUTEBOLÍSTICA Quando a Costa do Marfim se classificou para o Mundial na Alemanha, o atacante Didier Drogba implorou, pela TV, aos seus conterrâneos: “Abaixem as armas!” E isso aconteceu.


2006

ABERTURA DAS FRONTEIRAS Depois de 44 anos, a fronteira entre a China e a Índia foi reaberta.

2007 SKATISMO

2008

DIPLOMACIA FUTEBOLÍSTICA O presidente da Armênia, Serj Sargsyan, e o presidente da Turquia, Abdullah Gül, assistiram juntos aos jogos pelas Eliminatórias da Copa. Finalmente esperanças de reconciliação, apesar do genocídio turco na Armênia durante a 1ª Guerra Mundial.

2009

RITMO DO BEM A Post War Orchestra da Inglaterra transformou velhas armas de guerra em instrumentos musicais.

2010

DUPLAMENTE BENÉFICO O indiano Rohan Bopanna e o paquistanês Aisam-uI-Haq Qureshi disputaram um mesmo jogo e provaram que o esporte pode ajudar a superar diferenças políticas. Os dois chegaram até a final do US Open.

2011

TOMO KRIZNAR

2012

BROWN MOSES

2013

2014

JUNTOS PELA PAZ EM SARAJEVO Cem anos depois do atentado de Sarajevo, que deu início à Primeira Guerra Mundial, milhares de jovens, ativistas e manifestantes em prol da paz de todo o mundo se reuniram na capital da Bósnia para trocar informações, discutir e festejar. Mir svijetu! Liberdade para o Mundo!

2007

UM OLLIE NO AFEGANISTÃO  2007,   saiu pela primeira vez de seu país, a Austrália, para a cidade de Cabul, devastada pela guerra. Ele levou três skates na bagagem e espalhou a magia do esporte. As crianças começaram a correr sobre os skates, as fronteiras sociais desapareceram e a felicidade passou a ser mais evidente na vida cotidiana. Ollie batizou a ideia de “Skatismo”. Depois disso, deu cursos e organizou a construção de um amplo espaço para a prática do esporte que virou febre em Cabul.

SKATEISTAN

KID PRESIDENT


BULLEVARD

PACIFISMO VIRTUAL

As redes sociais são o seu refúgio?

A internet escancarou o ativismo pela paz e quer saber de que lado você está. Que tipo de pacifista on-line você é? NÃO

2011

BROWN MOSES fez uma análise das armas usadas na Guerra Civil da Síria com base em vídeos do YouTube.

N

#ROYALBABY foi uma das hashtags mais usadas em 2013. Será que isso trouxe mais paz ao mundo?

2013

YOU TUBE, GETTY IMAGES, SHUTTERSTOCK(2)

N

FESTAS PELA PAZ acontecem pelo mundo todo, não apenas em Sarajevo. Celebre a paz e crie seu próprio símbolo em prol de um mundo melhor. Ou simplesmente se dedique à sua paz.

2014

S

S Você gosta de computação e programação?

S N

N

KID PRESIDENT bombou no YouTube e fez muita gente acreditar na bondade do ser humano.

S

N

S

S

Você ronrona como os gatinhos quando gosta de alguma coisa?

Você gosta de ir a festas?

N

S

Ficar no computador é a coisa que você mais gosta de fazer?

N

“FOFUXO” É impossível pensar em qualquer coisa ruim depois de assistir ao Nyan Cat.

N

TOMO KRIŽNAR levou câmeras para o Sudão, onde registrou os crimes de guerra.

Você se interessa por questões políticas e sociais?

S

2 0 14

Você se sente motivado ao se olhar no espelho?

N

Você sabe mexer com armas de fogo?

Você gosta de assistir a vídeos no YouTube?

2011

2012

KONY 2012 queria salvar a África inteira. A ingênua megacampanha foi extremamente criticada.

S

Você compartilha conteúdos sem pensar?

2012

N

N

2013

SIM

S

S

ANONYMOUS Hackear por mais liberdade, mais independência e ativismo global na internet.

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V I AGE M RADICAL

NA NATUREZA SELVAGEM

VOAR POR CIMA DE UMA CACHOEIRA, DESCER CORREDEIRAS ENTRE RUÍNAS, SURFAR NO TAITI... NAS PRÓXIMAS PÁGINAS, GRANDES ATLETAS RADICAIS INDICAM OS DESTINOS DOS SONHOS PARA QUEM GOSTA DE AVENTURA

ERIC PARKER

P O R : A R E K P I AT E K

30


A cachoeira Toketee, no Oregon, EUA, tem mais de 20 metros de altura e é de difícil acesso. Para o caiaquista extremo Fred Norquist, essa queda-­ d’água é uma tentação: “Para chegar ao ponto mais alto da cachoeira, ­tivemos que fazer rapel com os nossos caiaques. E a recompensa pelo ­es­forço foi uma vista ­fantástica e um drop ­alucinante no rio”.


TÃO GRANDES

COMO AS QUE EXISTEM AQUI. TEMPO PARA RESPIRAR?

SEM CHANCE.”

ERIC PARKER, JOHN RATHWELL/RED BULL CONTENT POOL

“NUNCA VI ONDAS


ÁG UAS SELVAG ENS

Rio Ottawa · Canadá Conhecer de perto as ondas selvagens do Rio Ottawa é fascinante e perigoso. Num lugar chamado The Ruins, você rema nas ruínas de uma barragem do século 19 que hoje está imersa em águas bravas – é o paraíso dos praticantes desse esporte. A melhor época é no começo do ano, quando as águas do rio sobem. Não existe lugar melhor para os loucos por corredeiras.

P A L AV R A D O P R Ó DANE JACKSON Campeão mundial de caiaque freestyle “Dez anos atrás, a prefeitura da cidade queria reconstruir a barragem. Por sorte eles não levaram o projeto adiante. Entre as ruínas se formam ondas gigantes, as maiores que já vi. Isso significa que se consegue muito impulso para os saltos e manobras que só são possíveis aqui. Isso porque o rio corre absurdamente rápido, sem parar e com força. Você não precisa esperar por uma onda, elas estão sempre ali. Em outras palavras: você não tem tempo nem de respirar. É o paraíso.”

33


Johannes Mair/Red Bull Content Pool, Elias Holzknecht


“O ARENITO VERMELHO FICA

PELANDO NO SOL. PARECE SOFRIDO, MAS PARA QUEM ESCALA É UMA SENSAÇÃO ÚNICA.”

ESCA L A DA

Badami · Índia A mais ou menos 150 km ao sudoeste do famoso pico indiano Hampi, fica a pequena cidade de Badami – uma dica de ouro para escaladores. Ali tem um tipo de arenito que é perfeito para escalada, além de muitas rotas inexploradas. Como Badami ainda é relativamente desconhecida e pouco visitada pelos turistas, dá para escolher qualquer rota, o que traz aquele delicioso sentimento de descoberta e aventura o tempo todo.

P A L AV R A D O P R Ó KILIAN FISCHHUBER Escalador profissional

“Um paraíso de arenito. Você pode escolher entre muitas rotas, com níveis de dificuldade dos mais exigentes. O melhor de tudo é a qualidade da rocha: a superfície desse arenito compacto é de aderência perfeita, sem pontas abertas, partes cortantes ou cacos. Um verdadeiro luxo, mesmo quando, com o calor, ele fica pelando e forma bolhas nas mãos. Aliás, tenha cuidado com os macacos que circulam na área. Eles são cleptomaníacos! Levam comida, equipamentos, mochila, isqueiro... Eles querem tudo. Abra os olhos!”

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SURF

Taiti · Polinésia Francesa A galera surfa no Taiti desde os anos 1960. Até setembro, as condições são sempre muito boas. Nessa época, o vento é gerado nos Roaring Forties, ou seja, por volta do Paralelo 40. Isso é sinônimo de boas ondas nas praias taitianas.

P A L AV R A D O P R Ó MICHEL BOUREZ Surfista top 10 do mundo

“SUA

PRIMEIRA VEZ

EM TEAHUPO’O? MELHOR ESPERAR POR CONDIÇÕES MENOS PERIGOSAS PARA ENTRAR EM AÇÃO.” 36

BEN THOUARD/RED BULL CONTENT POOL, ALEX LAUREL/RED BULL CONTENT POOL

“No Taiti, a verdadeira vida está dentro d’água. E é no pico chamado Teahupo’o que quebram algumas das ondas mais pesadas do mundo, em cima de uma rasa bancada de corais. Por aqui, até os melhores surfistas precisam estar bem preparados. Minha dica para os iniciantes em Teahupo’o é a seguinte: espere por condições menos perigosas para entrar em ação. É melhor começar remando com a maré baixa, entre 5 e 9 horas da manhã. Para encontrar condições perfeitas, espere um swell de sudoeste e vento norte. Isso garante muitos tubos e água transparente. Boa sorte!”


PARAQUEDISMO

Eloy · EUA Numa cidade pequena no meio do deserto do Arizona, está o maior centro de skydiving dos EUA e um lugar perfeito para evoluir nas técnicas do paraquedismo. O clima favorável oferece condições perfeitas o ano inteiro: raramente chove, venta ou tem nuvens. Existe um grande número de clubes de paraquedismo.

P A L AV R A D O P R Ó

MICHAEL CLARK,/RED BULL CONTENT POOL(2)

JON DeVORE Líder do Red Bull Air Force

“A área é imensa e completamente isolada. Para os paraquedistas isso significa uma excelente garantia de não se meter em problema com os moradores locais – eles não existem! Pular aqui garante uma visão incrível: é céu que não acaba mais! E a cereja do bolo é pular quando o sol está se pondo. Areia, pedras, cactos – tudo brilhando laranja enquanto você desce a 300 km/h. O que mais você pode querer?”

“PULAR AQUI

GARANTE UMA VISÃO INCRÍVEL: É CÉU QUE NÃO ACABA MAIS!”


PA RAG L ID ER

Cataratas Vitória · Zâmbia/Zimbábue Situada na fronteira entre o Zimbábue e a Zâmbia, é a maior queda-d’água da África, com quase 1 700 metros de largura e águas atingindo até 100 metros de profundidade. Os moradores dali apelidaram carinhosamente o local de Mosi-oa-Tuny (“o fumo trovejante”). Quem quiser ver as cataratas de cima precisa contratar os serviços de um helicóptero – e de um piloto, é claro. Outras formas de observar do céu são expressamente proibidas.

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THOMAS DE DORLODOT Fez o voo mais longo de paraglider: 225 km em 8 h “Às 5 da manhã, o paraglider tinha alguns problemas mas voamos mesmo assim, com a lua cheia brilhando. O plano: fazer um voo não permitido pelas Cataratas Vitória antes da chegada do primeiro helicóptero com turistas. Mas, antes do que esperávamos, a coisa ficou perigosa: começaram a surgir muitos helicópteros com turistas, e também – o que é pior – helicópteros militares. O paraglider, a essa altura, já estava em péssimas condições. Não tínhamos onde aterrissar, não dava para enxergar direito. Mas deu tudo certo. Foi uma experiência de tirar o fôlego. No meio da neblina, surgiu um arco-íris, e lá de cima dava para sentir a força d’água. Nos sentimos como Livingstone, o primeiro a ver esse lugar, em 1855.”

THOMAS DE DORLODOT/RED BULL CONTENT POOL, VITEK LUDVIK/RED BULL CONTENT POOL

P A L AV R A D O P R Ó


“A experiência foi

de tirar o fôlego. O arco-íris surgindo no meio da neblina... a força das ondas batendo na água.

Inesquecível!”


“Cada movimento é um desafio para

braços e pernas. É como

se o gelo gritasse.”


Labrador · Canadá O pequeno vilarejo de Makkovik, na costa norte do Canadá, tem somente 400 habitantes. A temperatura média durante o ano inteiro é de zero grau, o que significa que mesmo no auge do verão muitos escaladores visitam a costa que se mantém gelada. Essa montanha é muito peculiar: a enorme diferença de temperatura entre o núcleo e a superfície faz com que alguns perigos sejam tão constantes quanto o gelo: a montanha pode explodir a qualquer momento e se partir em muitos pedaços.

P A L AV R A D O P R Ó WILL GADD Um dos melhores e mais experientes escaladores de gelo do mundo “Quem quiser escalar em Makkovik precisa saber que primeiro tem que pegar um barco para chegar. Na verdade, não é fácil conseguir um barco porque as pessoas acham que você é louco. Mas uma vez que você chega, a escalada é uma experiência inacreditável: os deslocamentos têm que ser calculados e cada passo bem-sucedido é uma emoção. O gelo grita! A cada movimento parece que tudo vai se despedaçar sob seus pés e que você vai cair num abismo. E isso aconteceu quando eu estava no barco também. Sem contar que, toda vez que completo um movimento de escalada, cai uma pedra que se choca na água com uma baita força.”

CHRISTIAN PONDELLA/RED BULL CONTENT POOL

ESCA L A DA N O G ELO

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A I N D Ú S T R I A DA M Ú S ICA E S TÁ E M C R I S E , M A S PA R A O L I N K I N PA R K N EM TA N TO: EL E S V EN DER A M 60 M IL HÕE S DE DISCOS E T ÊM HOJ E MAIS SUCESSO DO QUE QUALQUER OUTRA BANDA DE ROCK...

DIGITA L

Linkin Park: Chester Bennington, Dave Farrell, Brad Delson, Joe Hahn, Rob Bourdon, Mike Shinoda

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melhor ...mas Como esses roqueiros da califórnia consegueM se m a n t e r n o t o p o h á 1 4 a n o s ? e l e s r e s p o n d e m : C o m i n o va ç õ e s t é c n i c a s , c o n v i c ç ã o n o e s t i l o e s e m s e l e va r a s é r i o por: Ann Donahue

Bill Boyd

é


H

á 14 anos, o Linkin Park lançou seu álbum de estreia, Hybrid Theory. O disco também foi lançado em fita K7, no Napster e até hoje toca no rádio. A maioria das bandas não sentiu as mudanças radicais que viriam nos próximos anos como eles. O Linkin Park é a mais popular de todas as bandas de rock em atividade hoje. O novo disco do grupo californiano está para ser lançado muito em breve – e não há dúvidas de que eles estarão novamente no topo das paradas. De onde vem tanta certeza? Bom... isso aconteceu com todos os quatro discos do grupo. É difícil que seja diferente com The Hunting Party, um álbum que lembra a força dos primeiros discos. Quando fomos encontrar o rapper Mike Shinoda e o baixista Dave Farrel, queríamos saber: como se conquista a nova geração com esse tipo de nu metal? E como manter constantemente um número como os 62 milhões de fãs no Facebook? Descubra isso e muito mais na conversa que tivemos com os integrantes da banda em Los Angeles.

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  : O novo álbum de vocês parece mais convicto e tem mais força do que a maioria dos discos lançados atualmente. De onde vem essa energia?  : Recentemente publicaram um artigo muito legal: “O rock’n’roll atual é uma porcaria depressiva”. O autor comparava a música de hoje com o que se fazia na época do Nirvana. Ele se perguntava coisas como “Hoje em dia Mumford and Sons é considerado rock’n’roll? Sério?”. Você também acha isso? : Acho que sim, faz muito sentido. Hoje não temos bandas tão inspiradoras, com tanta força. E esse vácuo o Linkin Park não tem como preencher sozinho. A gente se inspira nos nossos heróis da juventude... bandas como Refused, Helmet e At the Drive-In. Quando você escuta os primeiros álbuns dessas bandas, dá para sentir a espontaneidade, a sujeira instintiva que falta nas bandas de rock atuais. Músicas que fazem você suar e cantar ao mesmo tempo…  : Exatamente! Um critério importante para compor uma nova música era: vai funcionar no palco? Vamos sentir prazer em tocá-la ao vivo? THE RED BULLETIN


Mike Shinoda (à direita) fundou o Linkin Park aos 19 anos com mais dois amigos. Hoje a banda acumula dois prêmios Grammy

CORBIS, GETTY IMAGES

“ N O C O M EÇ O, O S FÃS P ED IAM N OSS O EN D ER EÇ O N OS S H OWS PAR A Q UE PUD ESSEM C O NTIN UAR AC O M PA NHAN DO A BA N DA. E LES N O S M A NDAVA M CARTAS. NÃO T I N H A ESSA DE E- M A IL ...” Esse plano ainda funciona? : Fizemos esse teste na turnê que fizemos com o 30 Seconds to Mars. A gente se esforçou muito para fazer um show completamente novo em todos os sentidos. O que você quer dizer com isso? : Quando saímos em turnê com nosso primeiro álbum, tínhamos que tocar todas as músicas – no mínimo isso –, para poder entrar no clima do que chamamos de show. Depois do segundo álbum, já podíamos selecionar algumas coisas. Depois do terceiro, as coisas ficaram ainda mais delicadas. A gente já tinha não só muitas músicas na bagagem mas também muitos hits, e a plateia fazia questão deles. Foi ficando cada vez mais difícil selecionar porque eles gritavam na plateia para pedir as músicas. Mas esse é um chororô do mais alto nível, não é? : Claro. E, se não fosse assim, seria muito chato... tocar sempre as mesmas músicas, exatamente na mesma ordem. Mas aí tivemos de encontrar um novo jeito, mais improvisado, de agradar os fãs – e ao mesmo tempo queríamos nos divertir no palco. Tinha de ser um jeito que juntasse as duas coisas. O plano: programar THE RED BULLETIN

um setlist flexível, fazer de cada show algo novo. Então, agora misturamos as músicas novas com velhos hits. Por isso atualmente todos os nossos shows são bem diferentes entre si. O que vamos misturar a gente escolhe de acordo com o clima. O primeiro álbum de vocês, de 2000, foi lançado também em K7. Isso diz muito sobre a carreira da banda, não? : Bom... Você não vai acreditar, mas dá para ouvir nosso novo álbum em fita K7 também. Na Ásia, é muito comum. Eles ainda ouvem muita música em fita K7. : Os caminhoneiros de Nashville também. : Tudo isso parece muito absurdo! Quando começamos com a banda, os fãs pediam nosso endereço para poderem continuar nos acompanhando. Eles nos mandavam cartas! Quase ninguém tinha e-mail naquela época. E ninguém tinha celular também. : Sim! Quando estávamos em turnê, por exemplo, e precisávamos fazer contato com a casa de shows da próxima cidade para a qual a gente ia, tínhamos de pedir ao motorista do ônibus para procurar um lugar onde pudéssemos mandar um telegrama ou deixar um recado na secretária eletrônica. Hoje isso seria bem bizarro! Sim... em vez de usar cartas, hoje os fãs usam a internet. E vocês passaram a divulgar as novas músicas por meio do Shazam... : Isso porque os aplicativos são geniais e têm um alcance muito grande. Eu usei o Shazam pela primeira vez no bar de um hotel no México. Estava rolando um som no rádio que eu curti muito, mas não tinha a menor ideia do que era aquilo, de onde vinha. Então, entrei no Shazam e em segundos tinha em mãos não só o nome do artista como também a letra da música. Como isso ajuda a vender discos? : Nós trabalhamos em conjunto com a nova geração. Temos que acompanhar

essa galera. Quando se procura por uma música nossa no Shazam, encontra-se não só informações sobre essa música como também um link para o novo single. Alguns deles você pode acessar exclusivamente via Shazam. Vocês também compõem trilhas sonoras para jogos de computador e desenvolvem softwares musicais. Dá para dizer que vocês entraram no clima da revolução digital por causa dessa afinidade com a tecnologia? : Pode ser. A tecnologia sempre foi um grande propulsor da banda. E não só porque a gente sente necessidade de entrar no espírito da época ou porque precisamos fazer isso de qualquer maneira. Simplesmente isso sempre nos interessou. Adoro novos apps para celular, por exemplo. Alguma recomendação? : Você conhece o Facetune? É um programa no qual pode-se retocar fotos de perfil. A maioria das pessoas usa esse aplicativo para ficar mais bonita. Eu faço exatamente o contrário, pelo menos é o que me dizem... [risos]. Eu coloco a foto no Zombify Apps e tento deixá-la o mais monstruosa possível. É muito louco: parece uma maquiagem de zumbi feita para uma apresentação na TV. Para alguém que tem 62 milhões de fãs no Facebook – mais do que qualquer outra banda –, parece que você está tirando onda... : Ah, mas isso é outra coisa... É óbvio que o Facebook é uma ferramenta séria e importante para todos os artistas hoje. A gente se esforça muito para cativar os fãs no Face. A gente disponibiliza jogos on-line, fotos e filmagens dos ensaios, e fazemos com que eles possam participar da nossa rotina o máximo possível, da melhor maneira. Mas, além disso, eu também tenho o meu perfil pessoal, no qual posso praticar meu senso de humor peculiar [risos]. Isso não tem nada a ver com a banda. Fale um pouco mais sobre isso... : Por exemplo, meu perfil no Instagram. Eu não tenho nenhum interesse de mostrar ali o quanto a vida de um rockstar é interessante... Não gosto de levantar o nariz, bancar o pedante. Simplesmente posto fotos das coisas mais horríveis que encontro. E isso não é porque eu sou uma pessoa horrível. É mais como um experimento social: será que as pessoas vão continuar me seguindo se eu postar fotos do meu saco de lixo nojento? Bem, você tem 31 mil seguidores no Instagram... : Sério? Mesmo?! Bom, então, preciso radicalizar um pouco mais [risos]. www.linkinpark.com

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SAM SMITH

O novato

O novo nome do disco-pop fala sobre os sentimentos que vêm de dentro, a vida em apartamentos minúsculos e do disco de estreia que tem tudo para levá-lo ao estrelato

  : Neste ano você foi para o Grammy e fez turnê pela Europa. Como era sua vida um ano atrás?  : Um ano e pouco atrás eu era tão pobre que caminhava uma hora e meia até a Waterloo Station em Londres para trocar euros por libras para poder pegar um trem para casa no Natal. Uau. Eu trabalhava em um bar como ajudante, limpando copos e banheiro. Era horrível. As pessoas vomitavam e eu tinha que limpar e ainda tinha os copos quebrados no meio da porqueira. Esses eram meus melhores momentos. Você acha que foi uma lição importante para a vida? Não sei dizer quão importante é ter um emprego assim. Quando eu voltava para casa à noite, estava acabado, e minha mãe falava: “Não tem problema nenhum fazer trabalho pesado”. É verdade, porque, quando coisas boas acontecem, elas ficam ainda melhores. Como você começou a escrever música? Eu nunca consegui manter uma rotina escrevendo um diário, mas sempre quis documentar minha vida. Fazer isso na forma de música é incrível, é como uma terapia. Quando canto certas músicas é como olhar uma foto de época. Um diário é pessoal, mas você compartilha com o mundo inteiro. Tenho alguma dificuldade de cantar para todo mundo. Não sou tímido, mas isso exige um pouco de mim, emocionalmente falando. Então, frequentemente acontece de eu ficar triste depois do show. Canto sobre coisas que aconteceram há pouco mais de um ano. A tristeza é um grande tema de In the Lonely Hour, seu disco de estreia. Eu nunca namorei, por isso, de certa maneira, sempre me senti só. Estava no 46

telefone com a minha mãe e falei pela primeira vez: “Me sinto muito sozinho”. E, pra mim, essa foi a coisa mais corajosa que eu poderia ter feito. Então, batizar o disco de In the Lonely Hour é corajoso. É por isso que gosto tanto dele. Algumas das músicas, como “Money On My Mind”, parecem mais um hit pop sem maiores preocupações do que um desabafo. É pra ser assim mesmo? Isso veio com a produção porque eu gosto de músicas alegres. Tem uma que chama “Leave Your Lover”, na qual a letra fala “Leave your lover/Leave him for me”. É sobre se apaixonar por alguém que é casado. É uma música muito triste, mas, quando você escuta, parece light, quase

“Nunca escutei cantores enquanto crescia. As vozes não me atraíam. Sempre preferi as cantoras.” como uma coisa de verão. É legal fazer essa justaposição. Você tem um alcance vocal impressionante. Isso nasceu com você? Não. Tive treinamento vocal. Mas a coisa mais importante para mim é que eu nunca escutei cantores. As vozes não me atraíam e eu sempre preferi as cantoras. Eu ficava imitando. Por isso, acho que minha voz tem esse alcance por eu ter imitado muito a Whitney Houston [risos]. Além disso, fiz musicais em teatro e backing para a minha professora de jazz. Várias coisas. No teatro, você interpreta um papel entre muitos outros atores. Foi desafiador ter todos os olhares sobre você?

Tomei essa decisão aos 14 anos. Sigo com os musicais ou não? Você tem um determinado personagem, tem um determinado nome, recebe um determinado roteiro, falam para onde ir no palco. Ser você mesmo no palco é bem mais difícil, mas eu adoro isso. Você ganhou dois prêmios importantes neste ano: o Critics’ Choice no Brit Awards e o BBC Sound de 2014. Rola uma pressão agora? Isso não me coloca sob pressão, simplesmente porque eu me concentro na minha música. Os prêmios são para o disco e servem apenas para alcançar o maior número de pessoas. Como é estar no centro do hype? É surreal? Todo dia acontece um pouco. Na noite em que cheguei em casa depois do Grammy, eu não via os amigos que moram comigo há três semanas. Teve aquele momento em que nós simplesmente paramos e ficamos tipo “Uau, o que está acontecendo?” Mas é demais. Você ainda divide apartamento? Não tem uma cobertura na beira do Tâmisa? Ainda estou longe disso [risos]. É um apartamentinho no sul de Londres. Já que você foi batizado com um nome bem comum, nunca pensou em ter um nome artístico? Quando eu tinha 19 anos, fiquei quatro meses infernizando todo mundo que conhecia porque decidi que precisava mudar meu nome. Eu pedia sugestões para todo mundo. Algumas eram engraçadas. Mas foi meu pai que, no final, sugeriu: “Por que você não usa Sam Smith e pronto?” E hoje eu adoro. É tão normal que é legal. In The Lonely Hour foi lançado em 26 de maio samsmithworld.com THE RED BULLETIN

UNIVERSAL MUSIC

Por: Florian Obkircher


Nascido em 19 de maio de 1992, na cidade de Bishop’s Stortford, Inglaterra Vozeirão Nos jantares dos seus pais ele subia na mesa e fazia um karaokê de Whitney Houston. As aulas de canto começaram aos 8 anos. Primeiro sucesso Em outubro de 2012, a dupla de neo-garage Disclosure lançou “Latch”, uma música com Smith nos vocais. Chegou ao número 11 nas paradas britânicas e foi elogiada por Taylor Swift e Adele. Hey Judy Smith adorou Judy Garland desde que viu O Mágico de Oz quando criança, tornandose um fã ainda maior lendo sua biografia. “É como se ela tivesse se apaixonado por sua solidão”, ele diz. “As músicas que ela gravou antes de morrer são incríveis. Tiveram um grande impacto no meu álbum.”


O nosso camisa 10 sabe de sua importância e está tranquilo para buscar seu objetivo: “Não encaro como pressão. Para mim, é motivo de alegria e orgulho”


Neymar eSpecial

a hora é

agora qual é a sensação de liderar a seleção na copa diante da torcida mais apaixonada do mundo? como o nosso craque aprende dribles novos? o que ele e messi conversam nos vestiários? são muitas perguntas – e neymar respondeu todas p o r : S i m o n K u p e R , f o t o s: Dav i d C l e r i h e w, P r o d u çÃo: J o s e f S i eg l e

U

m carinha magro de doer chega ao velho porão industrial convertido em estúdio numa esquina de Barcelona. É Neymar, o maior craque da Seleção Brasileira, ídolo de adolescentes e o atacante que, aos 22 anos, tem a responsabilidade de trazer o hexa para o Brasil. Ele cumprimenta a todos com um sorriso mágico, numa espécie de estratégia de sedução para se proteger do mundo. Depois, entra no vestiário e tira a camisa. Mesmo com as tatuagens, Neymar ainda aparenta leveza – não é o típico jogador de futebol de hoje em dia, o que deve mudar com as temporadas na Europa. Ele não faz o tipo bonitão do Beckham, mas seu sorriso tem algo ­especial, uma espécie de ginga que encanta as câmeras fotográficas. ­Finalmente ele se senta – com seus ombros curvados defensivamente, mas ainda com o mesmo sorriso – e fala por uma hora com seu jeito informal e coloquial sobre como é ser Neymar.

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EM CASA, EU SOU O JUNINHO.

E, NO MOMENTO EM QUE PONHO O PÉ NA RUA, TENHO QUE LEMBRAR QUE SOU O NEYMAR QUE TODO MUNDO CONHECE.”

  : Como você lida com a pressão O instituto foi fundado em Praia Grande, a 50 metros do país esperando que ganhe a Copa? de onde eu morava. O objetivo é orientar os pais, : É o meu sonho desde criança e hoje está ajudá-los a ensinar seus filhos para que eles possam bem na minha frente: sou o camisa 10 do Brasil e transformar seus sonhos em realidade se lutarem vou jogar a Copa do Mundo no meu país. Não cone trabalharem por eles. Acredito que você pode sigo encarar como pressão. Tem que ser motivo de transformar qualquer sonho em realidade. orgulho e alegria para entrar em campo. Um de seus maiores talentos é o drible. Você copia Todo mundo diz que vencer uma Copa do Mundo ou se inspira em alguém? é uma alegria indescritível, e eu quero muito sentir Acompanhei o Robinho de perto porque, quando fui isso. Quero gritar “É campeão!” Todo mundo fala: pro Santos, ele era a estrela do time. Ele é meu ídolo “Você tem a responsabilidade de ser o grande nome e driblava muito. Vejo muito o Ronaldinho, Ronaldo, da Seleção”. Não me sinto pressionado, me sinto feliz. Messi, Cristiano Ronaldo. Já assisti a vídeos de todos Sempre fiz as coisas do meu jeito. A imprensa coros jogadores habilidosos que você possa pensar. Nos re atrás de mim desde que eu tinha 13 anos, dizendo bate-bolas e nos treinos, tento fazer o mesmo que que eu seria o novo Robinho. Sou um cara que não eles – e, quando é para valer, acontece naturalmente. fica encanado. Se ninguém me lembrar que sou o Os dribles são uma questão de prática. Não tenho Neymar jogador do Barcelona e do Brasil, vou esquecer nenhum até agora que tenha inventado. Faço dribles disso. As pessoas imaginam que eu sou como elas me normais, como usar o corpo para enganar o adversário, veem na televisão, mas sou completamente diferente, ou dar o passo em falso, que eu treino e uso bastante. porque não me sinto pressionado por nada. Eu usei a roleta do Zidane. Copiei muito. De que você se lembra da última vez que o Brasil O seu futebol parece cheio de alegria. Você ainda ganhou a Copa do Mundo, em 2002? sente alegria enquanto joga ou é mais como Eu tinha 10 anos, já entendia o futebol. Acordei de um emprego agora? madrugada para assistir à final em casa. Até cortei É engraçado que é algo que precisa ser administrado. o cabelo igual ao do Ronaldo. Assisti ao jogo com Você precisa ser sério em relação a isso. Mas estou meus pais e minha irmã, todo mundo junto. Depois, sempre feliz quando jogo. Quando você está feliz, fomos pra casa da minha vó, comemos um churrasco, as coisas funcionam naturalmente. Quando você todo mundo gritando “É campeão!”, como torcedores está triste, as coisas nunca funcionam. fanáticos. A Copa do Mundo sempre foi Em 2010, você teve aquela discussão o objetivo da minha vida. É engraçado em campo com o Dorival Jr. depois que hoje esteja perto de se realizar. que ele impediu que você cobrasse Nome Como foi sua infância? um pênalti. Isso te marcou muito? Neymar da Silva Difícil. Minha família não tinha muito Foi um dos piores momentos da minha Santos Júnior dinheiro mas eu nunca passei fome, meu vida porque eu vi na hora que errei. DeNascimento pai sempre deu um jeito. Acho que nunca pois da partida, pedi desculpas ao Dorival. 5 de fevereiro de 1992 fui infeliz, mesmo não tendo tudo o que Mas o que mais me abalou foi chegar em em Mogi das Cruzes meus amigos tinham. Tem uma história casa e encontrar minha mãe chorando. Quem é Pelé? que eu um dia cheguei pra minha mãe Ela disse que tinha visto tudo pela TV e Neymar foi o único e disse: quando eu for rico, vou comprar que aquilo não era o filho que ela tinha atleta brasileiro a estampar a capa da uma fábrica de biscoitos para poder criado. Chorei a noite toda, não consegui revista americana Time comer sempre que tiver vontade. dormir. Aquilo me fez virar homem. Títulos Nunca reclamei, nunca perguntei Acredito que tenha sido meu pior No Santos: “Deus, por que eu sou pobre?”. Sempre momento no futebol porque envolveu Campeonato Paulista lutei por tudo, toda a minha família era a família inteira. Meu pai estava doente (2010, 2011 e 2012); assim. Sempre fui ao colégio. Não era o na época, de cama, e minha mãe disse Copa do Brasil (2010); garoto que sempre prestava atenção, mas que ele sempre lutaria por mim. Libertadores (2011); Recopa (2012). obedecia meus pais. Meu pai era jogador Como você encara a sua primeira No Barcelona: de futebol e sabia os passos que são necestemporada no Barcelona? Supercopa (2013). sários. Ele sempre soube o que aconteceNão foi perfeita, mas também não foi Na Seleção Brasileira: ria, então talvez eu não tenha passado ruim. É a primeira vez que eu estava Copa das pelas mesmas dificuldades que ele. vivendo fora do meu país. Sinto falta Confederações (2013); Sua infância foi o que inspirou dos meus amigos e da família. Foi difícil Sul-Americano Sub-20 (2011) o Instituto Neymar Jr.? no começo, mas aprendi muito tanto 50


Neymar chegou tímido ao Barcelona, mas aos poucos foi se soltando: “Outro dia, falei pro Messi: ‘Essa Copa vai ser do Brasil’ ’’


para errar. na copa tem que estar a toda velocidade. do começo atÊ o fim.�


estou do lado do povo. não vejo problema nenhum se as pessoas querem lutar por um país melhor.”

­ rofissionalmente como na vida pessoal. Estudo p meus colegas de time, sobre o que eles conversam, como eles agem com as outras pessoas. Pego um ­pouco de cada jogador e adapto ao meu estilo. ­Algumas pessoas são boas no campo, outras fora dele, algumas se comportam bem nos treinos... Eu incorporo as qualidades de cada um. O que mais te chamou atenção em relação ao Messi? Agora vocês estão juntos quase todos os dias... Ele me surpreendeu de todas as formas. Antes de chegar aqui, escutei algumas coisas horríveis, como ele ser muito reservado e não falar com ninguém. Agora vejo tudo de maneira completamente diferente. Além de ser um gênio, fora do campo ele é sempre 100% comigo – não apenas comigo, mas quando vejo ele com outras pessoas também. Não tenho nada de ruim para dizer sobre o Messi. Você dá muita risada no vestiário do Barcelona? Eles parecem brasileiros. Foi uma surpresa. O ves­ tiário do Barcelona é cheio de alegria, todo mundo conversa e brinca, igualzinho aos brasileiros. No vestiário, tem uma música antes do jogo e ­outra depois, igual ao Brasil. No Santos, a gente ­sempre colocava música. Você deve jogar contra alguns colegas do Barça na Copa. Já conversou com eles sobre isso? A gente brinca: “Vamos ganhar a Copa!”. A gente sabe que vai ser muito difícil; por isso, a gente brinca. Outro dia, falei pro Messi: “Essa vai ser do Brasil”. Pro Iniesta e pro Piqué, falei: “Vocês já ganharam uma, deixa a gente ganhar essa”. Você tem contato com os torcedores pelas redes sociais e eles vivem cobrando. Isso incomoda? Se for assim, não incomoda. O que me incomoda é quando eles entram na minha vida pessoal. Entendo que gostem de saber de tudo, mas minha vida pessoal é quando sou o mesmo que todo mundo. Foi um pouco difícil me acostumar no começo, quando era muito tímido, mas hoje em dia me ­acostumei. Sempre fui do jeito que sou, o cara que conversa com todo mundo, brinca. Nunca mudei. O Maradona tinha saudade de antes da fama. Você sente isso? Não… Mas entendo o que ele quer dizer. É difícil para mim fazer o que uma pessoa normal faz. Por exemplo, não posso levar meu filho para a praia em Santos. As pessoas vão se juntar em volta, vão querer tirar fotos. No Brasil, se te veem a 1 quilômetro, as pessoas vêm correndo e gritando: “Neymar! Neymar!”. Aqui em Barcelona as pessoas são mais “Neymar, será que você tiraria uma foto comigo?” É diferente. Sinto falta de levar meu filho para fazer compras ou ir à praia. Acredito que seja isso que ele [Maradona]

quis dizer. Mas não reclamo disso porque foi tudo o que pedi a Deus. Sempre disse a Ele que queria ­jogar futebol, ser famoso, dar a minha família tudo o que ela poderia querer. Tenho que achar bom até as partes chatas. Sempre arrumo uma maneira de me divertir, seja indo a festas, à praia, ao cinema. E sempre vai ter alguém que te reconhece. Se tiver que falar com 50 pessoas, falo. No momento em que ponho o pé na rua, tenho que lembrar que sou o Neymar que todo mundo conhece. Mas, em casa, sou o Neymar que a família conhece. Não sou nem o Neymar, sou o “Juninho” – viro outra pessoa. Em casa, você faz coisas que as pessoas não podem ver! Vamos falar sobre a Seleção. Primeiro, quem ­escolhe as músicas no vestiário? Varia. Todos podem escolher o que ouvir. As pessoas tendem a gostar de pagode, funk, sertanejo. Sempre vou para o estádio usando meus fones de ouvido, ­escutando gospel. Daí, para agitar, colocamos um ­pagode pra todo mundo ouvir. Somos todos muito amigos, fazemos brincadeiras, os egos ficam de fora. Na Seleção, temos um único objetivo. Como a gente trabalha em equipe e se ­ajuda, tem muita chance de dar certo. O Felipão fala bastante do penta de 2002? Sim, bastante. Ele fala que a Copa é o torneio mais difícil. Não tem espaço para erros, tem que estar a toda velocidade desde o começo. É um torneio ­curto em que a margem de erro é muito menor que nas outras competições. Durante os protestos no ano passado, um cartaz tinha escrito: “Um professor vale mais que ­Neymar”. Como você responderia? Acho que todas as profissões têm que ser valorizadas do mesmo jeito, também em termos de salário. No futebol, apenas 5% dos jogadores ganham mais que os outros… Acho que todos nós devemos lutar por ­salários mais justos, um futuro melhor e um mundo seguro com educação e saúde para todo mundo. Você espera mais protestos durante a Copa? Acho que a gente já teve os protestos que eram necessá­ rios, mas sou sempre a favor de protestar. Se for sem violência, não vejo nenhum problema em que as pes­ soas queiram lutar por um país melhor. Estou do lado do povo. Agora que a Copa está acontecendo, acho que devemos aproveitá-la. Temos essa oportunidade de mostrar ao mundo tudo o que existe de bom no ­Brasil e que somos um país que pode sediar qualquer evento – não só as coisas ruins. O Brasil vai levar? Essa é a coisa que eu mais quero na vida. Siga o Neymar no Twitter: twitter.com/neymarjr

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MARCELO MARAGNI, GETTY IMAGES(3)

Neymar da Silva Santos Júnior, ou Neymar, tem 22 anos e é muito mais que um jogador de futebol. É a estrela da Seleção na Copa aqui do Brasil. É a nossa maior arma para levantar o caneco


ELENÃO É

NEYMAR ESPECIAL

DEUS

Mas é o nosso camisa 10. E isso é para poucos. Encontrar palavras para definir Neymar nem sempre é fácil – e quase sempre é unânime. Será que os grandes craques também pensam assim? Conversamos com Ronaldo, Maradona, Zidane e mais alguns mestres para saber Por: Andreas Jaros

Ilustrações: Miles Donovan 55


Messi no pacote RONALDINHO Campeão Mundial, vencedor da Liga dos Campeões e da Libertadores

Você acha que o Neymar fez bem em ir para a Europa? Foi um passo importante. Se ele ainda estivesse jogando no Brasil pelo Santos, não teria se tornado o grande cara do futebol internacional. Ele conseguiu ótimos resultados na Europa e está mostrando que a mudança está fazendo muito bem. O Barcelona foi uma boa escolha? Dá para aprender muito com o Messi. Esse “bônus” chamado Messi é também uma vantagem para a Seleção. Algum dia ele será o melhor jogador de futebol do mundo? Ele tem tudo para isso. Tem um talento enorme e não vai demorar muito até ser endeusado. É só uma questão de tempo, e pouco tempo, até que ele possa festejar um sucesso como o meu. 56

Driblador

Um monumento DIEGO MARADONA

JÜRGEN KLINSMANN Ex-capitão da Alemanha e atual técnico da seleção americana

O Neymar é bastante conhecido por ser cai-cai. Você também foi chamado assim... Neymar, um rei do mergulho? Nada. A arte do drible é sua melhor qualidade, e é por isso que ele deve ser festejado. Em maio de 2012, quando a gente perdeu de 4 a 1 no amistoso, ele deu um show. Ele vai aguentar a pressão do sucesso e se tornar uma estrela da Copa? Acredito que sim. O apoio da torcida brasileira vai ajudar, e não atrapalhar.

Com os pés, ele fez maravilhas, mas, quando ganhou a Copa de 1986, ficou conhecido por sua “mão de Deus”

Quais você acha que são as chances do Brasil na Copa do Mundo? Só quando o Neymar se tornar o melhor jogador do mundo, o Brasil terá chance de ser campeão. Mas, apesar de todo o talento dele, não podemos esquecer que ele precisa ter dez bons jogadores ao seu lado para ajudá-lo. No caso, todos esses jogadores são fãs do Neymar. Não poderia ser diferente. Ele sabe exatamente o que fazer. Ele é uma instituição do futebol, um monumento. Não é muito leve para encarar o futebol europeu? Ele não precisa do corpo de um marombeiro para ter sucesso. Tomara que o deixem longe das salas de musculação.

THE RED BULLETIN


Fora de controle

Preparado PELÉ

PAUL BREITNER

O atleta do século, eterno ídolo do futebol, com 1 281 gols em 1 363 jogos. Tricampeão mundial

Campeão do Mundo com a Alemanha há 40 anos

GETTY IMAGES(7), PICTUREDESK.COM, LUKAS PILZ/RED BULL CONTENT POOL

Fale sobre 1974. Aos 25 minutos, perdendo de 1 a 0 da Holanda, o juiz apitou indicando que íamos para os pênaltis. Tomei uma decisão inconsciente: simplesmente pegar a bola e colocá-la para dentro. Mas eu não estava em transe, como dizem. Eu estava bastante sóbrio, calmo, só o que tinha em mente não parecia muito claro. Foi mais instintivo. Estava focado. Desde adolescente, conseguia me desligar do resto quando focava em alguma coisa. Em momentos como o de 1974, foi preciso focar, senão tudo entraria em colapso... E tinha muita responsabilidade em jogo. É claro que é mais difícil com milhões de pessoas assistindo, mas aí você pensa na sua mulher, vê sua família na arquibancada, e dá tudo certo. Você tem algum conselho para o Neymar? Acha que ele pode passar pela mesma situação que você agora, 40 anos depois? Não gosto de dar conselhos a ninguém, nunca quis aconselhar nada. Eu sempre quis ser uma personalidade, ser autêntico – só isso.

A mudança para o Barcelona em 2013 foi para Neymar... ...uma jogada de mestre. É como se ele fosse agora um professor universitário depois de um ano inteiro de prática em sala de aula. Quando chegar a Copa, ele terá muito mais bagagem nas costas. Que tipo de bagagem? O futebol jogado nas ligas europeias é muito mais exigente do que o futebol no Brasil. Perigosa é a pressão de todo mundo achar que o Neymar vai ganhar sozinho o hexa. O time inteiro precisa trabalhar.

Timing em vez de velocidade THIERRY HENRY Campeão mundial com a França, cultuado pelo Arsenal e um dos principais jogadores do Red Bull New York

Você é considerado o jogador mais rápido da sua geração. O Neymar é mais rápido que você? Hmmm... Isso você deve perguntar para outra pessoa. Mas a velocidade por si só é irrelevante. O mais importante é ter timing. A eficácia da velocidade depende de como você manipula e equilibra o tempo entre as corridas e os dribles. Nesse ponto, o Neymar tem se mostrado muito talentoso no Barcelona, o que eu acho que irá ajudá-lo muito na Copa. Você acha que o fato de 190 milhões estarem esperando que ele faça milagres irá pesar? Ou isso ajuda? Acho que ele não deve se preocupar com isso. No lugar dele não perderia um único segundo pensando que a nação inteira está na frente da TV vendo o jogo. Mesmo que pareça um conselho banal, eu acho que ele deveria fazer como eu: simplesmente se concentrar na competição. O que faz diferença é ter foco.

“Neymar é puro talento e muita qualidade.” ANDRÉS INIESTA Meio-de-campo, campeão espanhol e europeu pelo Barça. Tem mais de 500 jogos importantes pelo clube catalão

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Ele não é Deus

Jogaria no Madrid

Tem fôlego

JOHAN CRUYFF Finalista da Copa em 1974. Como jogador e treinador, no Ajax e no Barcelona, escreveu uma nova página na história do futebol

O que você acha das expectativas em relação ao Neymar? Ele é um jogador extraordinário, mas não é Deus. Não é para menos, com 22 anos isso seria impossível. Com 26, talvez ele se torne Deus. Ele precisa melhorar. No Barcelona... Pois é, ele está no Barcelona e isso é um problema. Ele ganha mais dinheiro que a maioria dos jogadores está acostumada. Como ele vai se sentir confortável quando ganha duas vezes mais do que, por exemplo, o goleiro Víctor Valdés? E é por esse motivo que também ninguém faz favores. Ainda existe outra enorme estupidez no Barça: ter Messi e Neymar no mesmo time significa pagar para ter dois capitães no mesmo barco.

ZINÉDINE ZIDANE

RONALDO

Campeão do Mundo, campeão da Europa. Acima de tudo: Zinédine Zidane

Campeão do Mundo em 2002, 15 gols em Copas na bagagem: o número 1

Você acha que este é o grande momento de Neymar? Ele é o jogador do momento desde que o vi pela primeira vez. Ele sempre me lembrou o Robinho, a quem os críticos já chamaram muitas vezes de “o novo Pelé”. A grande diferença é que o Neymar faz mais gols. Desde que ele era um adolescente, para mim sempre foi óbvio que nenhum jogador, de nenhum time, poderia ser melhor do que ele. Nenhum jogador? Nem do Real Madrid? Nem do Madrid.

Neymar é... ...com certeza nossa maior esperança, nosso jogador-chave. O mais fantástico de tudo: ele tem muito fôlego. No Brasil, já mostrou todo o seu potencial. Agora, ele vai se tornar uma estrela da Copa, o melhor jogador de todos os tempos.

“Depois de todas essas portas mágicas se abrirem para ele, é provável que apareçam alguns críticos para equilibrar os elogios.” GARY LINEKER Artilheiro da Inglaterra na Copa de 1986. Conheceu Neymar brevemente durante a gravação de um comercial para o patrocinador do Barcelona


Direita e esquerda BETINHO ...ou professor Roberto Antônio dos Santos, o “treinador que não vê, enxerga”. Ele descobriu Robinho e Neymar

PICTUREDESK.COM(4), GETTY IMAGES(2), IMAGO

Como foi descobrir o Neymar... Em 1998, estava na Praia de Itararé, em São Vicente, São Paulo, para um torneio de futebol de salão, chamado Taça de Prata, e precisava montar um time de garotos. Eu tinha tudo: goleiro, jogadores de meio-campo, atacantes... só faltava um jogador excepcional, com as características do Robinho. Então, vi na arquibancada um garoto de uns 5, 6 anos. Ele me distraiu totalmente do jogo. E acredite: foi algo realmente curioso, porque eu não me distraio assim tão fácil. Tem que acontecer algo muito grandioso para me distrair. O jeito como o garoto se mexia... correndo feito louco... Subia, descia, corria, como se fosse uma coisa comum. A movimentação do corpo dele ali me chamou a atenção, pois lembrei do Robinho pequeno. Como foi para desenvolver esse talento? Ele foi desde sempre um tesouro: difícil de parar, forte no drible, sempre pronto para o gol. Entre 1 bilhão de pessoas, não há ninguém como ele. Treinávamos bastante as duas pernas, chutando dez vezes com cada uma, tudo sendo marcado com o scout, analisando quantos chutes foram certos, quantos errados e colocava as médias. Ele sempre teve média alta. Talentos especiais são muitas vezes considerados preguiçosos nos treinos. Como foi com ele? Ele sempre amou treinar. Pedia dez chutes, ele chutava 20. Não queria parar nunca. Sempre pedia para treinar mais. Se deixasse, ele ficava cinco horas chutando.

Quando foi que você viu que estava diante de um gênio? Foi quando vi que, enquanto o seu adversário ainda o olhava nos olhos, ele já estava com a atenção direcionada para os pés dele. O Neymar se antecipa de forma excelente, se mexe com muita sabedoria. É impressionante. Desde pequeno, ele já era conhecido por seu talento e recebia elogios de todos os lados: desde a mídia comum até os especialistas mais exigentes do esporte. Foi muito bom o Wagner Ribeiro [empresário] ter investido no Neymar desde que ele tinha 12 anos. Mas o pai dele tinha controle sobre tudo e sempre foi como um irmão para mim. Eu e ele profetizamos que a glória de Neymar um dia seria maior do que a de Robinho. E devo dizer que estávamos certos: Robinho não pode ser mais o melhor jogador do mundo. O Neymar pode.

Dormir bem e bastante

Rapidez e toque de bola

Jogo coletivo

IVAN RAKITIĆ O meio-campo enfrentou Neymar jogando pelo Sevilla e pela seleção da Croácia

Conta pra gente: como faz para apagar o Neymar? Um jogador do nível dele é impossível de apagar 100%. Até porque não é só ele, temos que nos preocupar com os outros jogadores. O certo é que, para jogar bem contra Neymar, você precisa de um dia com todas as condições simplesmente perfeitas. Quais condições? Só preciso dormir bem e bastante antes do jogo e tudo vai ficar bem. Aí eu não dou moleza para ninguém, nem para o Neymar.

PAOLO MALDINI ANDREW HENDERSON Conhecido como “Freestyleandrew”, é jogador de futebol freestyle

Qual dos dribles do Neymar te impressiona mais? Certamente a pedalada dele, quando levanta a bola e joga para a esquerda e para a direita sem parar, deixando os adversários loucos. Ele faz isso de um jeito insanamente rápido, mais rápido que tudo – e de um jeito que ninguém sabe o que vem depois. Nessas horas tenho até pena dos zagueiros. Dá pra ver o medo nos olhos deles. Por que parece tão fácil para ele enganar o adversário? O Neymar não só tem o melhor toque de bola como também a melhor noção da bola. Ele é intuitivo. Mas isso não seria suficiente para ter sucesso contra os melhores zagueiros do mundo. Para isso, é preciso um preparo físico excepcional... e é exatamente o que ele tem. Nos quesitos velocidade, aceleração e agilidade, dou nota 10 pra ele, sempre.

Ex-zagueiro. Um dos grandes craques italianos, com mais de mil jogos pelo Milan

Todos amam os dribles do Neymar e sua objetividade. Você vê algo de zagueiro nele? Não se deve cometer o erro de reduzi-lo a seus dribles e gols. Ele também sabe quando um jogo rápido é necessário e quando uma cadência pode ajudar. Ele sozinho é um bom jogador, mas, ao contrário da sua reputação, é também um ótimo jogador em equipe, olha só quantas boas assistências ele dá. Como o Neymar vai se sair na Copa? Ele me surpreendeu já nos amistosos e na Copa das Confederações do ano passado. Até então só tinha visto trechos de partidas dele, mas nunca um jogo inteiro. Os fãs dele no Brasil devem esperar muito – mas nessa idade talvez seja impossível responder a todas as expectativas, é nessa fase da vida que os altos e baixos são mais importantes.

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Rainha

N i c ol e Pace l l i su b iu n u m a pr a n c h a p e l a pr im e i r a v e z aos 5 an os d e idad e . hoj e , aos 22,


da PRAIA É A P R I M E I R A M U L H E R CA M P E Ã M U N D IA L D E STAN D - U P PAD D LE (SU P) — E N EST E A N O E L A D ESC O B R E COM O É SE R A AT LE TA MAIS T E M IDA D O ESPORT E

POR: FE RN AN D O GU E IROS FOTOS: ROBE RT AST L E Y SPARK E 61


D

eitada em sua prancha nas areias da Praia do Arpoador, no Rio de Janeiro, Nicole Pacelli está de biquíni. Ela faz poses para o fotógrafo quando um garoto passa de bicicleta. De cima do muro que separa a praia da calçada, ele assobia. “Isso sim é sereia!”, comenta em voz alta. Nicole, ainda deitada, mostra o dedo do meio. A bicicleta dá meia-volta e some. Aos 22 anos, Nicole é a primeira campeã do circuito mundial feminino de stand-up paddle, na categoria wave, na qual as surfistas usam o remo e a prancha para entrar e surfar as ondas, diferente das travessias. O circuito começou no ano passado. E, agora em sua segunda edição, Nicole venceu a primeira etapa, no Havaí (em fevereiro); foi vice na segunda, no Brasil (em abril); e terminou a terceira, em Abu Dhabi, na terceira colocação. Ela nasceu no Guarujá, foi radicada em São Paulo e cresceu nas ondas de Maresias. Seu pai, Jorge Pacelli, é big rider, e sua mãe, Flávia Boturão, ex-bodyboarder. “Cresci dentro desse mundo, com pranchas em todos os cantos, ouvindo histórias, todos os amigos dos meus pais contando loucuras de viagens e perrengues.” Ela conversou com o Red Bulletin na mesma tarde ensolarada após a sessão de fotos, entre alguns toques de celular (com uma música de Bob Marley) e poucas horas antes de embarcar para uma etapa no Nordeste.   : Seus pais são surfistas. Eles sempre quiseram que você fosse também?  : Minha mãe sempre me apoiou em tudo, mas quis que eu estudasse. O surf foi algo natural. Ela via que eu amava aquilo. Mas é difícil a vida de surfista, ainda mais para uma mulher. Então, entendo o lado dela. Os pais não querem ver o filho se dando mal. Meu pai sempre falava que eu tinha que estudar, mas apoiou muito o surf. Se tinha altas ondas, ele dizia: “Fique aí, hoje você não precisa ir para a escola!” 62

O seu pai dava o tipo de conselho que qualquer surfista daria... Isso. E minha mãe, desesperada: “Não! Você está louca!”. Então, ao voltar do intercâmbio na Nova Zelândia, com 17, 18 anos, eu comecei a surfar mais e sabia que gostava de pegar onda grande. Porém, não tinha referência. Nunca havia feito uma surftrip de verdade, não sabia qual era o nível das meninas. Sempre tive a minha irmã [Alana, a segunda de cinco

irmãos; Nicole é a mais velha], e a gente surfava com uns caras, mas não sabíamos se realmente surfávamos bem. Eu sabia que gostava, e meus pais me apoiavam. Aí entrei na faculdade. Você não começou com o SUP, foi no surf mesmo. Como foi a transição do surf para o SUP? Foi por causa do meu pai. Ele trouxe uma prancha de stand-up da Califórnia há mais de cinco anos, e eu comecei a remar. THE RED BULLETIN


As pranchas de Nicole são feitas por seu pai, o veterano surfista Jorge Pacelli

“N A P R IM E IRA V EZ N O H AVAÍ, FUI D IRE TO PARA JAWS. TINH A 3 0 P ÉS DE ON DA. D E U MEDO.” THE RED BULLETIN

Era uma prancha de salva-vidas, um pouco diferente do stand-up, com um “rescue” escrito gigante. Era grande, meu pai ganhou de presente, e eu surfei naquilo como se fosse um stand-up, com um remo do meu pai. Aí peguei uma ondinha, achei demais e comecei a me divertir muito. Meu pai se juntou a uma fábrica e passou a construir stand-ups. Surfo com as pranchas feitas por ele. No começo, eu surfava com pranchas gigantes, umas 9-alguma

coisa, sabe? Depois, ele fez uma prancha “pequena” – 8’10. Aí fui evoluindo. O que o SUP tem que o surf não tem? De pranchinha, às vezes eu me irritava. Ia lá porque gostava de me divertir, surfar, estar no mar. Mas sabe quando está muito crowd e a galera fica te dando volta? Disputando onda? Eu não gosto disso... Tudo bem que agora sou competidora, mas, no começo, se alguém remava do meu lado para disputar, eu parava e não gostava. 63


“PERGUNTEI SE PODERIA COMPETIR COM OS HOMENS. PENSARAM QUE EU ERA LOUCA, MAS DEIXARAM.”

Nicole em ação no Havaí e em sua praia favorita, Maresias, no litoral de São Paulo: ela se destaca nos dias de ondas grandes

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SEBASTIAN ROJAS (4)

Na verdade, me divertia muito e considerava o stand-up um desafio. Eu queria evoluir, pois havia uns caras surfando bem de SUP e eu queria fazer igual. A cada queda eu evoluía um pouco. E o surf não era um desafio, uma busca pela evolução, sabe? E o stand-up foi um desafio. Quando entrava no mar, a galera não sabia o que era, tinha pouca gente de stand-up. O pessoal perguntava: “Onde você vai com esse remo?” E eu caía em todos os mares, grande, pequeno... Era um desafio. Aí fui para o Havaí, em 2010. Como foi sua primeira vez por lá? Eu já surfava de stand-up e tinha entrado na faculdade. Estavam surgindo propostas, eu estava surfando bem e o stand-up estava começando. Aí falei: “Pô, mãe, fiz minha parte, agora posso pegar onda?” Aí ela viu que não tinha jeito. Foi quando fui para o Havaí ficar dois meses, entre 2010 e 2011. Aí tudo mudou... Sim, tudo mudou porque eu passei a ter referência. Entrava nuns mares em que não havia mulher surfando, tipo Sunset grandão. Cheguei e fui diretamente para Jaws [pico de ondas grandes na ilha de Maui], não para Oahu. Fomos eu e minha irmã. Então, antes de conhecer as ondas mais famosas, como Waimea, Sunset e Pipe, surfamos logo de cara em Jaws. Fui nas menores, mas estavam com 30 pés! Gigantes! Daí vi que conseguia. Qual foi a sensação de surfar num mar como esse? Nossa, foi muito irado. Não sinto medo antes dessas coisas, sabe, só quando estou lá no lugar. A galera fala que não consegue dormir na noite anterior, mas eu durmo, fico tranquila, não tenho medo. Mas, quando chego no lugar, daí cai a ficha. Eu estava com medo. O SUP está evoluindo muito. Como você vê essa evolução? Mudou muito, desde as pranchas até o número de praticantes. Eu acho isso bom. E, na minha opinião, cresceu porque não é só no mar. Tem muita gente que rema em represa, em lagoa... E é fácil. Se você pega uma prancha grande, consegue sair remando. Tem inflável, dá para ir com a família, homem, mulher. Acho essa popularização boa porque vai ajudar o esporte a crescer, trazer mais mídia, mais investimentos, mais eventos, mais gente mostrando do que é capaz. Não adianta nada mandar bem e ninguém querer investir e não ter campeonato. E como é a relação de quem faz stand-up com os surfistas no outside? Ah, a galera não gosta muito [risos]. Já me expulsaram do mar no Havaí. No Brasil não, mas em Waimea me expulsaram. THE RED BULLETIN

“SOU MUITO CALMA. ENTRO NUMA BOA E FAÇO O QUE É PRECISO FAZER.” Um local chegou e falou que era perigoso e que ele queria que eu saísse e que não queria me ver mais lá. Isso eu posso dizer que é uma parte ruim da popularização, com gente que nunca surfou na vida indo pegar onda de stand-up. No surf, é difícil ficar em pé na prancha no começo; porém, no stand-up, você já está em pé. A onda vem, o cara pega e vai todo louco, mas vai. Pode machucar alguém. O campeonato mundial feminino começou no ano passado, e você é a primeira campeã. Como entrou nas competições internacionais? Na minha segunda temporada no Havaí, participei de um campeonato com os homens em Sunset, em 2011/2012. Fiquei sabendo que ia ter o mundial e, entre as mulheres, seria só uma apresentação. Eles colocaram as meninas no Turtle Bay, uma onda pequena, e eu ganhei. Tinha umas 14, 15 meninas, todas havaianas. Aí, quando ganhei, perguntei para o organizador se eu poderia competir em Sunset com os homens. Ele falou que sim, mas com um jeito meio “essa menina é louca”. Ele deixou eu participar da triagem. E eu queria isso porque sabia que iria surfar Sunset apenas com três pessoas no mar. Só que as ondas, no dia, estavam muito grandes, com 12 pés. Então pensei: “Onde fui me meter! Como vou surfar isso?”. Aí fui, peguei uma onda boa e tomei uma série gigante na cabeça e não consegui voltar. Quando finalmente consegui, peguei uma onda muito boa um

segundo depois de finalizar a bateria e não valeu. Fiquei em terceiro e falaram que, se valesse essa minha última onda, eu teria passado. Todo mundo veio falar comigo, elogiando a onda e a atitude de cair no mar. Todos os caras que eu admirava falaram comigo, e eu pensava: “Que bom, estou fazendo certo”. Teve marmanjo que te subestimou na hora do surf? Muita gente me vê e não acha que caio nos mares que caio. Por exemplo, no Havaí, eu entrava nuns mares que o pessoal me parava perguntando: “Pô, você sabe surfar?”. E eu: “Sei sim! Sai da minha frente, deixa que eu vou!” [risos]. E a sua vida hoje é num avião? Depois de faltar muito na faculdade, tranquei a matrícula no terceiro ano. Passei a me dedicar à vida de atleta. Cheguei onde estou, abri mão de um monte de coisas e minha mãe me apoiou bastante. Como tive muito o exemplo de surf na minha casa, entendo ela querer me mostrar outras coisas, ver que aquilo não é tudo. Depois que começou a dar certo, aí ela me apoiou 100%. Ou encarava agora ou não dava mais. Seus pais acompanham você nas viagens? Agora não mais. No começo, meu pai me acompanhava no campeonato brasileiro. Agora não. Quando me vê surfando, ele sempre dá dicas. E ele fala mesmo, é bem exigente. Às vezes, acho que surfei muito, e ele fala que eu não surfei nada, sabe? Você é a mulher a ser batida. Está difícil lidar com isso? Estou bem. Até pensei que fosse ir pior. Todo mundo está evoluindo muito rápido. As meninas estão surfando bem. Não tinha uma campeã mundial antes, isso entra na cabeça. As pessoas falam: “A Nicole é campeã mundial, então eu também posso ser”. Imagina... Em qualquer campeonato que vou, o cara fala: “Agora, a campeã mundial!” E todos querem ver se a campeã mundial é mesmo tudo isso. Entrei na primeira etapa do Havaí e o pôster era eu [risos]. Tudo bem, irado, mas estava lá: “Campeã mundial”. E eu pensei: “Puts... tá bom, vamos lá”. Aí entrei – e entro calma. Essa é uma virtude que tenho. E se precisar fazer alguma coisa eu vou fazer. Pensei que essa pressão fosse atrapalhar, mas eu fico calma e entro numa boa. Isso é bom, uma coisa boa que eu tenho. É algo natural. Se eu tivesse que me programar e calcular cada movimento que quero fazer na água, pensando no tempo que falta para acabar a bateria, eu não ia conseguir. Saiba mais sobre o circuito mundial em: watermanleague.com

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fora

da pista POR ANOS, ARTO SAARI, SKATISTA PROFISSIONAL QUE VIROU FOTÓGRAFO, ESTEVE NA LINHA DE FRENTE DO ESPORTE EM SUA CHEGADA AO MAINSTREAM. A SEGUIR, O FINLANDÊS NOS MOSTRA ALGUNS DE SEUS CLIQUES MAIS IMPORTANTES QUE AJUDARAM A DEFINIR O ESPORTE por: Ann Donahue


ILLUSTRATOR EDITOR PHOTOGRAPHER

Louie Lopez voando sobre a beira da piscina num belo frontside ollie

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À esquerda: “Este é um lugar ‘faça você mesmo’ construído por Pontus Alv em Malmö, na Suécia. Aqui, Pontus e Oski Rosenberg arrepiam”

Acima: “Este nose grab invertido de Willis Kimble no skatepark de Washington Street, em San Diego, é uma das melhores coisas que vi no skate”

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Acima: “Scott Oster é um skatista excelente, completo. Tive a sorte de vê-lo executar manobras com estilo no meu pedaço de concreto. Aqui ele faz um slash completo” À direita: retratos de skatistas profissionais, começando no topo, à esquerda, e em sentido horário – Jay Adams, Heath Kirchart, Willis Kimbel e Steve Olson


THE RED BULLETIN

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Acima: “Depois de ver Curren Caples acertar sua manobra como se fosse uma criança brincando, vi que não precisava me preocupar. Aqui ele está fazendo um boneless debaixo de uma das estradas de Melbourne, na Austrália”. Abaixo: “Andrew Reynolds manda um frontside flip incrível”


Acima: “Curren Caples manda um kickflip perfeito em Malmö, na Suécia”. Abaixo: “Meu cachorro, Banger, e o concreto recém-colocado no meu quintal”

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“Ryan Sheckler, aqui em Sydney, na Austrália, tem um talento e uma habilidade incríveis com o skate. Força, destreza e paixão absoluta”


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À esquerda: “Chamo estas de ‘Pooltown 1 e 2’. As duas colagens são o resultado de quatro anos de skate e de fotografias em piscinas diferentes com meus amigos. Isso, para mim, representa a essência verdadeira do skate: diversão!”

Acima: “Esta é uma foto do meu amigo Kynan Tait em uma viagem para o Círculo Polar Ártico, pela América do Norte, com sua moto. Uma das viagens mais difíceis em que já estive e uma das melhores fotos que já tirei”

ARTO SAARI Um segredo para fazer boas fotos de skate? Basta conseguir uma casa com uma piscina vazia no quintal. Saari fotografa seus amigos do mundo do skate em seus momentos mais indefesos – porém, triunfantes. Uma de suas preferidas da coleção é a que abre esta reportagem, a sequência com Louie Lopez. “Louie é uma das grandes revelações do skate. Ele faz com que estilo e vontade se combinem de forma extraordinária.” THE RED BULLETIN

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Sheckler, 24, é profissional do skate há 12 anos, um garoto prodígio que cresceu para ser um dos grandes da atualidade


O TEMPLO DO

SKATE PARA TER SUCESSO NO NEGÓCIO BILIONÁRIO DOS ESPORTES RADICAIS, UM CAMPEÃO PRECISA SER UM CEO, E UM SKATISTA PRECISA SER UMA MARCA. PERGUNTE PARA RYAN SHECKLER POR: ANN DONAHUE FOTOS: ANDREW PETERS

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o universo do skate profissional pode ser bastante cruel, eliminando potenciais talentos ainda adolescentes


Sheckler não é só um atleta sério, mas um cara muito bom de marketing, capaz de se vender com a mesma habilidade que ele mostra ao andar nas pistas de skate

É

uma manhã de primavera com temperatura curiosa em Seattle – muito quente para usar casaco, muito frio para ficar de camiseta –, e entre os pinheiros das margens do Puget Sound, Matias e Ron Miguel pensam na próxima manobra. Os irmãos – de 17 e 18 anos, respectivamente – dão uma olhada no novíssimo skate park construído na terra que eles chamam de lar, a reserva indígena de Port Gamble S’Klallam. Tecnicamente, só estaria aberta no dia seguinte, mas os dois se nomearam protetores não oficiais e skatistas de teste da pista. É uma visão de rara beleza, com cimento fresco e liso pintado com spray e a arte e os slogans da tribo S’Klallam. Fica bem no meio-termo entre um desafio para os mais experientes e uma experiência não muito assustadora para os novatos. E o mais importante: está zerada. “Tem um skate park que não fica muito longe daqui, mas as bordas de lá não têm

nem revestimento”, Matias diz, ao descrever as partes de proteção pretas nas bordas características dos skate parks para aliviar o atrito. “É tudo feito de qualquer jeito. E onde eu consigo andar melhor de skate é na borda. Não consigo fazer manobras em hubbas [um obstáculo de escadas] ou corrimãos ainda, dá medo.” Os sonhos de Matias e Ron foram interrompidos pelo surgimento de uma enorme van preta com vidros filmados que chega aos solavancos. Andando ao lado, em cima de um skate, segurando na janela do passageiro que vai com o vidro aberto, um skatista magro, coberto de tatuagens, nem um pouco preocupado em ser rebocado por um veículo que poderia esmagá-lo se fizer algo errado. A van faz uma curva no estacionamento, e o skatista se solta. Ele vai em direção à pista, animado e sorridente e não hesita ao dropar e, no meio do movimento, fica evidente que se trata de Ryan Sheckler. “Ah, não”, diz Matias. “Tenho que pedir um autógrafo.” Não é de admirar que Matias o idolatre: aos 24 anos, Sheckler já é um skatista profissional por quase metade da vida, um fenômeno que cresceu junto com o esporte até se tornar a mais famosa figura do skate de rua. Com um ano e meio, Sheckler andou pela primeira vez de skate; quando tinha 4, dormia todas as noites com o capacete. Aos 13, virou profissional – e, mesmo antes disso, os patrocinadores já o disputavam. Além da Red Bull, ele tem a Plan B Skateboards e a Etnies como patrocinadores há mais de 15 anos. Sheckler resume o atual estado de coisas no mundo do skate: o skatista profissional não precisa mais ser “apenas” um atleta de excelência, mas, graças à onipresença das mídias sociais, ele precisa saber como se vender com a mesma força e habilidade com que faz suas manobras nas pistas. Isso significa viajar o mundo para gravar participações em vídeo e distribuí-los on-line, cumprir as obrigações com os patrocinadores e eventos beneficentes que são catalogados em tempo real e, além disso, fazer as competições que vão desde os X Games passando pela Dew Tour e chegando na Street League. “Quando se é um skatista amador, quando se anda só por diversão, não precisa viajar, não precisa ir a sessões de autógrafos ou de fotos”, diz Sheckler. “Mas, no mesmo segundo em que você assina um contrato, precisa concordar que vai dar tudo o que puder para essas empresas. As pessoas não vão querer nenhum trabalho extra, mas você terá que querer.” 81


F

az muito tempo que o skate tinha duas regras essenciais: 1) Não tenha medo de pular p ular cercas para chegar ao melhor lugar para p ara andar; 2) E, depois disso, ignore oss avisos que proíbem de entrar nos o melhores lugares para o skate. Agora, não é raro que as comunidades incluam os skate parks como locais de orgulho cívico. A pista da reserva indígena S’Klallam levou dois anos para ser concluída e foi financiada junto com a instituição de caridade de Sheckler. Muitos são assim: o site ConcreteDisciples.com conta com mais de 3 mil skate parks nos EUA. Junto com mais skate parks, como é de se esperar, aparecem mais skatistas. De acordo com o relatório Skateboarding Participation, de 2013, realizado pela Sports & Fitness Industry Association, há 6,2 milhões de skatistas nos EUA. O que é realmente curioso sobre a realidade do esporte não é o número de participantes – mas a renda de quem participa. Para aqueles que se consideram skatistas “eventuais” – os que sobem no skate menos de 25 vezes ao ano –, mais de 26% afirmam ter uma renda anual acima de US$ 100 mil (R$ 230 mil). Isso significa que tem muita gente com uma renda substancial que pode se dedicar ao skate como hobby, o que tem impulsionado uma rica indústria dedicada a captar esses dólares. De acordo com um estudo realizado pela associação dos fabricantes de pranchas de surf – que também monitora os gastos com skate – em 2012, os fabricantes de skates tiveram receita de US$ 713 milhões (R$ 1,639 bilhão). Tudo isso se traduz em muitas oportunidades para os profissionais, com muitas empresas querendo descobrir nomes novos para mostrar seus produtos – e elas sabem que acompanhar o dia a dia dos atletas nas redes sociais é uma forma fácil de alcançar os adeptos eventuais. O imediatismo dos patrocinadores acrescenta pressões que a geração anterior dos skatistas profissionais ainda não tinha. Para Sheckler, houve uma época em que uma escorregada em uma competição o colocaria em dúvida. Não era apenas um dia em que tudo dá errado – era o seu ganha-pão que estava em jogo. “Eu ficava descontrolado se me dava mal em um torneio, tipo: ‘Ah, meus patrocinadores vão me largar, não sou mais o mesmo, não sou mais importante para eles’ ”, recorda. “O meu pai conseguiu me fazer 82

“EU FICAVA DESCONTROLADO SE ME DAVA MAL NUM TORNEIO. ACHAVA QUE IA PERDER O PATROCINADOR.”

relaxar quanto a isso. Ele dizia: ‘Eles ainda gostam de você, cara. Olha todas as coisas que você faz. Você pode ir mal em um torneio ou dois, isso não muda a vida de ninguém. Não decide nada’.” A dinâmica de mercado é a mesma para os que ainda querem ser skatistas. David Reyes, 24 anos, acredita que ele ainda vai ter uma grande carreira como skatista profissional. Ele é patrocinado pela Etnies e Mystery Skateboards e faz vídeos curtos para colocar na internet desde dezembro como uma forma de divulgar seu nome, atrair mais patrocinadores e construir uma base de admiradores. “Neste ano, estou dando tudo”, ele diz. “Estou me esforçando para fazer as coisas acontecerem.” Ele viu bons skatistas ficarem para trás por não terem o tino do negócio. “Eles são enganados”, diz Reyes. “As pessoas pensam: ‘Ah, não tem que pagar esse trouxa…’ Ele apenas quer andar de skate e espera que quem assiste vá gostar e dar a ele o que merece. E as coisas não são assim.” THE RED BULLETIN


Ser o rosto do skate de rua é um negócio e tanto. A indústria gerou mais de R$ 1 bilhão em vendas em 2012

THE RED BULLETIN

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Profissional desde a adolescĂŞncia, Sheckler teve que aceitar o fato de que agradar aos patrocinadores ĂŠ parte do trabalho


SHECKLER SABE QUE A VIDA DE UM SKATISTA PROFISSIONAL ENVOLVE VIAGENS PARA FAZER FILMES E FOTOS PARA OS PATROCINADORES. E A NOVA GERAÇÃO AGORA TAMBÉM SABE DISSO

MIKE BLABAC

Pode ser um negócio bastante cruel, ele diz, dado o fato de que o esporte começa a prospectar os profissionais em potencial desde quando ainda são adolescentes. Reyes começou no skate quando tinha 9 anos e aos 15 foi morar em Oceanside, Califórnia, com US$ 50 (R$ 116) no bolso. Ele dormiu em sofás nas casas de famílias – inclusive na de Sheckler – ao mesmo tempo que passava 12 horas sobre o seu skate tentando chamar a atenção das empresas. Ele foi esperto – imediatamente se deu conta de que arrebentar na pista não ia ser suficiente. “Um dos motivos para uma determinada empresa de skate fazer mudanças [em seu rol de atletas patrocinados] e mandar gente embora era por que ela não estava conseguindo 12 fotos deles [publicadas] em um ano”, ele diz. “Então, sempre me obriguei a conseguir as 12 fotos por ano – dava um jeito de dar uma entrevista ou de gravar um vídeo. Você precisa saber falar e fazer com que saibam o que você está fazendo e quando vai ser divulgado. É preciso ter a habilidade nos negócios junto com a habilidade no skate.” Brian Atlas, presidente da Street League Skateboarding, uma série competitiva que foi lançada em 2010, acredita que ainda existe espaço para os skatistas mais reservados que não estão dispostos a tolerar a pressão de se colocar nas redes sociais – mas, se eles quiserem fazer uma carreira séria, esse é o único jeito. “As redes sociais mudaram toda a lógica do jogo para

os skatistas que souberem tirar vantagem disso”, ele diz. “Você pode se tornar muito conhecido sem precisar ter se tornado ainda um profissional ou manter um séquito forte apenas ao divulgar o conteúdo com o qual os fãs conseguem se identificar e se inspirar.” Para as skatistas é ainda mais difícil conseguir entrar na cena. Antes que sofresse um rompimento de ligamentos que acabou com sua carreira, Lauren Perkins era uma das mais conhecidas skatistas profissionais: chegou ao pódio dos X Games e dos Gravity Games e foi campeã no All Girls Street Jam. “Quando comecei, o skate feminino estava em alta – tínhamos muitos torneios em quase todo final de semana, em todo o mundo”, ela conta. “Depois de cinco anos, a economia caiu e muitos torneios simplesmente desapareceram, e os patrocinadores não tinham mais dinheiro para pagar as meninas. E o skate feminino é extremamente intimidante. Ter uma garota representando sua marca muitas vezes não ajuda a vender mais.” No entanto, na medida em que mais garotas começam a andar de skate, a dinâmica pode estar mudando. Aonde o mercado consumidor vai – com seus dólares –, a indústria vai atrás. “Eu costumava ir ao skate park e era a única menina”, diz Lauren. “Provavelmente, nos últimos dois anos e meio eu chego lá e vejo pelo menos mais uma. E as garotas estão ficando cada vez melhores. A coisa está crescendo.”

“MINHA PAIXÃO PELO SKATE SÓ CRESCE AO TER A OPORTUNIDADE DE VIAJAR DA MANEIRA QUE VIAJO E DE CONHECER AS PESSOAS QUE CONHEÇO, AJUDANDO COMO TENHO AJUDADO.” THE RED BULLETIN

S

heckler e Reyes dão ao público um show no skate park de S’Klallam como fazem sempre, tirando tinta das bordas da rampa e aterrissando com perfeição – que se dane a física. Não tem nenhum sinal de desgaste em Sheckler – o que é incrível se considerarmos que ele está sendo requisitado o tempo todo quando não está andando: são autógrafos, abraços e fotos. Além do constante assédio, a viagem até Seattle é a última etapa de uma cansativa viagem de dois meses para filmagens do seu programa no YouTube, o Sheckler Sessions, assim como outras participações em vídeo para distribuir na internet: ele passou por Estônia, Austrália, México, Barcelona e Seattle. “Minha paixão pelo skate só cresce ao ter a oportunidade de viajar da maneira que viajo e de conhecer as pessoas que conheço, ajudando como tenho ajudado”, diz Sheckler. O californiano sabe que essa é a vida de alguém que vive do skate: pegar estrada para filmar e ir atrás das competições e dos patrocinadores. E, graças a esse exemplo, todos os jovens skatistas que querem ser como Ryan Sheckler também sabem disso. No final de abril, Matias Miguel era o único membro da tribo S’Klallam Port Gamble a viajar de Seattle para competir no All Nations Skate Jam, uma competição em Albuquerque, Novo México, para skatistas indígenas que atrai mais de 50 nações de diferentes tribos. Seu irmão, Ron, foi junto com ele, registrando todo o evento com uma megacâmera, a Sony NEX 5N. “O Matias veio falar comigo e disse que estava cansado de videozinhos de iPhone e de fotos com máquinas digitais convencionais”, disse Ron. “Então, comecei a economizar dinheiro para comprar essa câmera. Fiz meu dever de casa, comprei a Sony e sou agora um de seus cinegrafistas oficiais. Eu gosto disso e para ele é extremamente importante.” www.ryansheckler.com

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A energiA de red Bull em trĂŞs novos sABores.

crAnBerry

lime

BlueBerry

www.redBull.com.Br


Aonde ir e o que fazer

AÇ ÃO !

Caixas de som para iPhone feitas de bambu. E não precisa de energia elétrica. Pág. 92

V I AG EM / EQ U I PA M ENTO / TR EI N O / M Ú S I CA / FESTAS / C I DA D ES / BA L A DAS

STEPHEN FRINK

Jato submerso ESTE SUBMARINO A JATO VAI MAIS RÁPIDO QUE TUBARÕES E GOLFINHOS. É UM PEIXE EM PELE DE NAVIO VIAGEM, pág. 88

THE RED BULLETIN

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AÇÃO!

VIAGEM

Impacto profundo: acelere entre peixes, tubarões, golfinhos e tartarugas no Super Aviator

O HAVAÍ É AQUI APROVEITE AS ILHAS POR COMPLETO

REMO Para uma aventura havaiana sobre a água, tente um passeio de caiaque hardcore de 26 km pela linda e isolada Na Pali Coast, enfrentando mares fortes e queimando o bíceps. hawaiiactive.com

Clube submarino   S UPER AVIATOR  POR QUE NADAR QUANDO VOCÊ PODE VOAR NESTE JATO SUBMARINO?

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CAMINHADA Faça uma trilha pelo vulcão Kilauea, que está em constante erupção desde 1983, e chegue muito perto da pahoehoe, como a lava derretida é chamada por lá. kalapanalavaboat.com

AVISO DE QUEM SABE APRENDA A VOAR “Não se trata de uma experiência passiva”, diz Lewis. “Ambos os cockpits têm todos os controles de voo, e nós não carregamos passageiros. Para estar no sub você precisa aprender a operá-lo. O voo em si é fácil. Qualquer um que tenha jogado videogames consegue entender o joystick e os pedais de leme bem rápido.”

Dentro d’água

“Todo mundo pensa que estar em um submarino é uma experiência

claustrofóbica”, diz Englander. “Mas, assim que a água envolve o Super Aviator, a superfície desaparece, é opticamente perfeito. Então, você não tem nenhum tipo de distorção. É como voar em um aviãozinho aberto.”

OLHO NO SURF Jaws, a praia com as ondas mais colossais do Havaí, é para poucos. Se as ondas estiverem grandes, vá até lá e sentese no cliff para assistir ao show. gohawaii.com

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STEPHEN FRINK, SHUTTERSTOCK(2), BRIAN BIELMANN/RED BULL CONTENT POOL

O Super Aviator é menos um submarino e mais um avião debaixo d’água. Enquanto outros minissubmarinos podem ser lentos e pesados, o Super Aviator é rápido e manobrável, com capacidade de parar e flutuar, fazer curvas inclinadas e manter o mesmo nível dos mamíferos marinhos que nadam ao lado dele. É coisa de profissional. Foi desenvolvido pela Sub Aviator Systems como um protótipo e agora está disponível para qualquer um que tenha 1 milhão para torrar. Para nós, meros mortais, resta ver um dos fundadores da empresa e diretor-executivo, John Lewis, como o copiloto do Super Aviator durante o filme e os projetos científicos para os quais é usado. “A velocidade máxima do Super Aviator é de 6 nós”, diz Lewis. “Todos os outros submarinos-bolha têm velocidade máxima de 3 nós. Tudo bem se você está próximo de um recife, mas, se tiver qualquer corrente, você não consegue nem posicioná-lo. O Super Aviator pode quase voar em uma corrente, então tem muitos outros lugares onde é possível ir.” John Englander, da Flórida, andou com um sub pela orla do Havaí. “Como oceanógrafo, passei milhares de horas usando aparelho de mergulho”, ele diz. Mas o Super Aviator foi uma outra história. Ele vai a velocidades muito maiores. É uma excelente sensação e você não fica sobrecarrePasseios com o Super gado; fica num ambiente Aviator no Havaí saem seco e confortável e tem a partir de US$ 3 350 uma visão incrível do mundo (R$ 7 600) por dia incredible-adventures.com subaquático ali na frente.


AÇÃO!

MEU EQUIPO

PURA FO RÇA RICKIE GOSTA DA RESISTÊNCIA DA MARCA COBRA

Mais leve As novas microfibras Rovencia Plus reduzem o peso da pisada em 366 gramas.

Mais aderência O sistema de presilhas dos cadarços é feito de materiais de primeira linha e melhora a estabilidade do pé.

Fixado Estas cravas garantem a precisão com certa flexibilidade: os pés só conseguem sair do lugar quando você quer.

BIO CELL PRO DRIVER Oito configurações diferentes podem ser ajustadas: dá para controlar tanto o ângulo de inclinação da face do taco quanto a trajetória final desejada para a bola.

BIO CELL IRON

Menos impacto E mais estabilidade: os spikes Swing Speed Quill da Puma reduzem o impacto em até 32%.

Mais tolerância com as falhas materiais: o ajuste dos equipamentos de ferro longos e médios pode ser ponderado pelo dedo do pé e pelo calcanhar.

Jogo de cores   G OLFE  RICK FOWLER TRAZ CORES AOS GRAMADOS. SEU TÊNIS HIGH TECH É MUITO MAIS DO QUE UMA TENDÊNCIA FASHION Rickie Fowler (25) é uma das estrelas da nova geração do golfe, um dos favoritos na disputa do U.S. Golf Open

THE RED BULLETIN

Ele tinha 20 anos quando apareceu como revelação no PGA Golf Tour. E isso não tem a ver só com seu jeito de jogar golfe (o californiano ganhou o título de Novato do Ano em 2010), mas com um jeito de se vestir bastante peculiar. Sua fama de estiloso pode ser comprovada, por exemplo, com seu novo tênis

(hoje lançado em seis cores diferentes), uma grande união da ciência com a tecnologia. “A perfeição está na flexibilidade, na estabilidade e no conforto que ele proporciona – essa fusão faz dele o melhor tênis que já usei. Sinto que fico muito protegido.” www.rickiefowler.com

BIO STAFF BAG Esta mala tem capacidade para carregar até 20 quilos de equipamento e comida. www.cobragolf.com

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AÇÃO!

MINHA CIDADE TÚ

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O MELHOR DA DIVERSÃO INDOOR

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Oriente com pinta de ocidente   X ANGAI  CHENG LIANG CONTA QUAIS SÃO OS CINCO LUGARES DE QUE ELE MAIS GOSTA EM SUA CIDADE NATAL. TEM BOLINHO COZIDO, LUTA DE GRILOS E VELHINHOS PRATICANDO TAI CHI “O que eu acho que é mais especial em Xangai? O fato de ser uma metrópole na qual se misturam os lados moderno e tradicional da sociedade chinesa”, conta Cheng Liang, um dos únicos diretores de cinema da nova geração que se relacionam intensamente com a grande metrópole chinesa. O resultado não poderia ter maior sucesso: seu curta-metragem City of Black and White já foi visto mais de 2 milhões de vezes, e neste ano o diretor que se formou na Academia de Filmes de Pequim marcou presença no Festival de Cannes. “Xangai, originalmente uma cidade colonizada, tem aprendido a ser cosmopolita”, ele diz. “As culturas ocidental e chinesa se misturam aqui como em nenhum outro lugar. Nenhuma outra cidade me inspira mais do que Xangai.”

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Cheng Liang é diretor de cinema

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TOP CINCO AS ESCOLHAS DE CHENG

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kartingchina.com

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às margens do rio Suzhou e o estilo é art déco britânico. O interior parece um labirinto, onde funciona um pequeno hotel – e a vista dos quartos é simplesmente fantástica.

1 FUXING PARK

2 Rua Gaolan Este parque no estilo francês traz muitas lembranças da minha adolescência. Aqui você encontra pessoas de todas as classes sociais, de casais novos a senhorinhas praticando tai chi.

Uma pista de corrida indoor com um bar que tem de tudo. Aqui a ordem é dirigir antes e beber depois. Inverter a ordem é uma péssima ideia.

4 WANSHANG FLOWER

& BIRD MARKET 417 Rua South Xizang Considero esse lugar o melhor mercado de pássaros e flores em toda a China: um espetáculo único, de tirar o fôlego, com lutas de grilos e jogos tradicionais como o da “pesca do peixinho de ouro”.

PARQUE FLUORESCENTE Guerra de laser, minigolfe? Tanto faz! Pra quem usa roupas brancas no único parque de luzes fluorescentes da China, a diversão é garantida. bigecn.com

VENTO FORTE

2 DE BAR EM BAR

NA RUA YONGKANG Uma mistura de agitação globalizada com o clima de contemplação chinesa. Morei aqui e convidei uma de minhas vizinhas para atuar em um dos meus filmes.

3 CASTELO SOBRE O RIO

400 Rua North Suzhou A construção em estilo colonial é a mais bonita de Xangai. Fica

5 SHANSHAN

RESTAURANT 774 Rua Xianxia Um restaurante muito modesto, mas, para mim, fundamental. Poderia tomar café da manhã aqui por toda a minha vida. São os melhores bolinhos no vapor já feitos, e a preços imbatíveis.

Você tem vontade de se aventurar no skydiving, mas não quer correr os riscos desse esporte? A melhor maneira de fazer isso está no único túnel de vento vertical da China. www.crwind.com

THE RED BULLETIN

XIFAN YANG

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CORBIS(4), SHUTTERSTOCK(3)

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AÇÃO!

BALADA

O rapper britânico JME é convidado de carteirinha no palco da Fabric

RITMO D E F E S TA HÁ 13 ANOS, A FABRIC LANÇA CDs DE SEUS DJs. ESTES SÃO OS TRÊS MELHORES DE UMA SÉRIE DE 150

JACQUES LU CONT O último produtor das mixagens das festas de Madonna. Sua elegante transição de “Also Sprach Zarathustra” para “Sweet Dreams” dos Eurythmics é até hoje inigualável.

Pancadão na Inglaterra

JASPER BROWN(2), SARAH GINN(2)

LONDRES  HÁ 15 ANOS NASCIA O CLUB QUE ERA UM FRIGORÍFICO E QUE HOJE É REFERÊNCIA NA CENA UNDERGROUND Antigamente as paredes da Fabric eram cheias de carne pendurada. Quando abriu, em 1999, o lugar – um prédio na zona oeste de Londres – ainda tinha a aparência de um frigorífico. “Culturalmente era um lugar nulo. Praticamente inabitado. Não tinha nenhuma cena cultural, não tinha nem táxi nas redondezas”, lembra o administrador Cameron Leslie. “Como atrair as pessoas? Abrimos uma pequena empresa de táxi e pronto. Na saída sempre tinha carros para levar os visitantes para casa.” Os baladeiros piraram. Uma pista de 2 300 m², música underground de techno a dubstep e três andares. Um deles chamado Bodysonic, com chão equipado com 400 sensores, que convertem as ondas sonoras em vibrações. A Fabric foi considerada pela DJ Magazine, por três vezes consecutivas, a melhor balada do mundo. “Muita gente fica confusa com a estrutura”, diz Leslie. “De repente, você vai parar num outro ambiente – e descobre novos DJs.” FABRIC 77A Charterhouse Street Londres EC1M 6HJ, Inglaterra www.fabriclondon.com

THE RED BULLETIN

Final de semana: 2 500 pessoas passam pela Fabric

E DEPOIS? É DOMINGO, 8 DA MANHÃ, A FABRIC ESTÁ APERTADA E VOCÊ AINDA ESTÁ MUITO ACORDADO. O QUE FAZER?

TOMAR CAFÉ DA MANHÃ No Fox and Anchor, bem pertinho. Lá se misturam trabalhadores e baladeiros para comer bacon e ovo frito. 115 Charterhouse Street, Londres EC1M 6AA DAR UM GIRO Saindo da Fabric, são quatro estações de metrô até o mercado de pulgas mais legal da cidade: o Brick Lane Market. Tem de gravatas hipster a móveis retrôs por preços justos. Brick Lane, Londres E1 6PU DANÇAR MAIS O melhor after de Londres se chama Jaded e começa no domingo às 5 h. Baladeiros e gente que gosta de acordar cedo festejam bebendo chá ao som eletrônico. Corsica St., 4 Elephant Rd., Londres SE17 1LB

DAVID RODIGAN O DJ de rádio de 62 anos é uma lenda viva. Ele fez o reggae ficar popular nos anos 1970. No CD tem mixagens de música jamaicana produzidas por ele durante quatro décadas.

FOUR TET O mestre da música eletrônica gay traz com este mix um revival de gêneros de músicas dançantes de festas de garagem britânicas. Hits clássicos e jovens talentos, como Floating Points.

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AÇÃO!

MÚSICA

Ao longo dos últimos dez anos, Owen Pallett tem sido chamado de Paganini do pop: em 2004, ele passou a fazer parte do Arcade Fire, como violinista, e desde então compõe todos os arranjos de corda para os álbuns da banda. Atualmente, nomes como Robbie Williams e The National também fazem questão de refinar suas canções com as sinfonias dele. Mas o coração de Pallett está mesmo em seu projeto solo. Suas composições soam como se o jovem Brian Eno estivesse acompanhando David Bowie em um Stradivarius. Em fevereiro, Pallett foi indicado ao Oscar por sua trilha no filme de Spike Jonze, Ela. Agora ele está lançando seu quarto álbum, In Conflict. Aqui ele fala sobre as músicas que o inspiraram.

Música boa é um xadrez PLAYLIST  GUITARRAS CRUAS, GROOVES PRIMITIVOS: O VIOLINISTA DO ARCADE FIRE FALA SOBRE CINCO SONS QUE TÊM TUDO A VER COM SEU NOVO DISCO

www.owenpalletteternal.com

1 Eurythmics

2 Silver Apples

3 The Luyas

Quando eu tinha 5 anos, ouvia quase só música clássica, como Bach e Mozart. Mas os Eurythmics se encaixam aí de alguma forma. Porque o synth-pop da dupla é muito preciso e matemático... muito bem pensado, como um jogo de xadrez. Esta canção é a fusão perfeita de sons sintéticos e estéreis com uma grande profundidade emocional.

Eu tinha 19 anos quando o vendedor da loja de discos me deu este álbum e disse: “Você precisa escutar isso”. E ele teve razão. A batida seca deste clássico da psicodelia é genial. No meu álbum, copiei o som da bateria. O truque: meu baterista toca sem tempo. É por isso que músicas como “Sky Behind the Flag” parecem muito vivas.

O principal instrumento da banda canadense se chama mood swingers, um cruzamento entre cítara e guitarra, como se as duas tivessem gerado um filho. O resultado sonoro é estranho, porque os sons das cordas se misturam. Mas fica genial! Depois de ouvir canções como “The Passions”, usei vários efeitos no meu violino.

4 The Blue Nile

5 Green Velvet

Esta banda escocesa lançou dois álbuns nos anos 1980. O primeiro leva o mesmo nome dessa música – e é uma obra-prima. Seu humor gelado e sua nitidez sonora tiveram grande influência na minha música “The Secret Seven”. O silêncio do início e o sintetizador para o clima mais emocionante eu copiei do Blue Nile.

Até há pouco tempo, não conseguia ouvir house music. Isso mudou quando escutei o som dessa banda clássica de Chicago pela primeira vez. Seu som mistura dois padrões de ritmos primitivos, que se sobrepõem e geram esse groove extremamente interessante. É justamente essa atmosfera crua que eu quero no meu som.

“Love Is a Stranger”

“A Walk Across the Rooftops”

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“Program”

“The Stalker”

O QUE LEVAR NUM FESTIVAL DE ROCK QUE DURE DIAS

YELPIE Se alguém tentar acessar esse cofre móvel para pequenos valores com a combinação errada, um alarme ensurdecedor é disparado.

“Moodslayer”

SPEAKABOO Alto-falantes de bambu para iPhone. Melhoram o som sem fonte de energia. A turma do reggae está vibrando.

M IXER PO RTÁTI L GADGET DO MÊS

MONSTER GO-DJ

A primeira cabine de DJ profissional para o seu bolso: duas telas sensíveis ao toque para selecionar as faixas armazenadas no dispositivo e editar em tempo real. Com essa maquininha você pode fazer suas mixagens em qualquer lugar. É só conectar no amplificador da balada ou da sua casa para agitar.

OPTEKA BP-SC4000 Carregador solar, menor do que um smartphone. Com oito horas de sol, ele tem energia para carregar 100% da bateria do seu celular.

PETER JUHL

Owen Pallett, 35 anos, membro do Arcade Fire e indicado ao Oscar pela trilha de Ela

PRONTO PARA FESTA

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AÇÃO!

GAMES

O fator medo é o melhor de The Evil Within

NA PALMA DA MÃO TRÊS JOGOS PARA SE DIVERTIR EM QUALQUER LUGAR

OVERKILL MAFIA A sequência do criador dos jogos Overkill. O clima Sin City ganha um ar retrô e gângster. Para Android e iOS. craneballs.com

Horripilante!

VEM AÍ...

Na tela

THE EVIL WITHIN  O CÉREBRO POR TRÁS DE RESIDENT EVIL ESTÁ DE VOLTA COM UM JOGO ASSUSTADORAMENTE BOM Corpos deteriorados, prédios devastados e ambulâncias aos pedaços. Um hospital psiquiátrico que foi transformado por alguém (ou por alguma coisa) em um campo de batalha. Você conhece o cenário por causa dos famosos games que esse estúdio criou. Mas aqui o horror é mais fantástico do que o habitual: The Evil Within surge do cérebro de Shinji Mikami – simplesmente o mentor de Resident Evil. A primeira parte de Resident Evil (1996) deu uma nova cara aos velhos jogos, além de nova vida aos zumbis. Sem Resident Evil, séries como The Walking Dead ou The Last of Us não seriam as mesmas. Sem os remakes de A Noite dos Mortos-Vivos, a coisa também teria sido outra. Os três primeiros filmes dessa série, A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968), Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978) e Dia dos Mortos (Day of the Dead, 1985), influenciaram muito Mikami na concepção de Evil Within. “Desde o começo não mudou muita coisa: continua sendo uma questão de instaurar o medo e o terror no jogador”, disse Shinji Mikami. “Mas isso foi se tornando um desafio cada vez maior.” Uma coisa é certa: ninguém consegue desenvolver jogos tão terríveis quanto os de Mikami. The Evil Within será lançado no final de agosto para Windows, PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox Uno. theevilwithin.com

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O XBOX VIROU TV

A descoberta de velhos cartuchos do jogo E.T. no deserto do Novo México foi como achar um tesouro na terra dos nerds. E o filme dessa escavação estará disponível apenas para Xbox, que pretende entrar na competição das TVs por demanda, como Netflix e Amazon. O primeiro fruto dessa tentativa já será lançado no próximo mês e serão os shows do festival Bonnaroo – e na sequência estão programados lançamentos das séries Halo e Street Soccer.

WARBITS Com um fundo colorido, os desenhos animados dão a tônica dessa simulação de batalha que implica estratégias intuitivas. É só coração. Para iOS. riskylab.com

xbox.com

Porrada

O UFC RESSUSCITOU BRUCE LEE

Com o lançamento de Ultimate Fighting Championship (17 de junho), a EA SPORTS amplia sua gama de jogos de esportes para videogame. FIFA e Tiger Woods são outros exemplos de modalidades que viraram jogos de modo descompromissado e tornaram-se célebres. Quanto ao jogo UFC, uma informação é indispensável para os fãs de artes marciais: um dos personagens disponíveis gratuitamente é Bruce Lee.

easports.com

BOTANICULA Mistura de aventura e quebra-cabeça. Besouros tentam salvar a última semente de sua árvore. Inteligente, engraçadinho e bonito ao mesmo tempo. Lançamento exclusivo para iPad. botanicula.net

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AÇÃO!

EM FORMA

Raphael Holzdeppe conquistou a medalha de bronze em 2012 e se tornou campeão do mundo em 2013

T R E I N O M U LT I TA R E FA

Pulando alto

raphael-holzdeppe.net/en

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2

Deite de lado, com os braços e as pernas estendidos. Levante as pernas e os braços e mantenha o equilíbrio por dez segundos.

Aqui o objetivo é trabalhar a musculatura do abdômen: junte os braços e os joelhos, abraçando-os. Mantenha o equilíbrio por 10 s. Repita 5 vezes.

R O LI N H O O EQUIPAMENTO FUNDAMENTAL PARA RAPHAEL

BLACKROLL

Força: “Como saltador profissional, você não pode menosprezar o treinamento de nenhum músculo”

“Esse rolo é um só equipamento que une musculação, fisioterapia e massagem. O verdadeiro tudo em um. Para mim, é indispensável. Você pode usar o Blackroll em qualquer área do músculo – como na parte inferior da perna – e rolá-lo com a ajuda do peso do corpo, para trás e para a frente. Ele alivia a tensão e promove a regeneração em tempo recorde.”

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HERI IRAWAN

“Meu treinamento diário é uma ginástica brutal para o corpo inteiro”, afirma o alemão Raphael Holzdeppe, 22 anos, há quatro como melhor saltador do mundo. “Nesse esporte, você precisa de cada músculo do seu corpo: pernas fortes para um arranque ágil, tronco em excelente forma para se projetar por cima da barra, músculos abdominais bem definidos para que o movimento de torção da cintura no ar seja rápido, enfim... um corpo possante para garantir estabilidade: quanto mais estável e tranquilo o corpo puder se manter no ar, mais alto vai ser o salto.” O mestre treina diariamente por seis horas e meia, no mínimo, nos dias úteis: “Puxar ferro na sala de musculação, participar de corridas, treinar o equilíbrio com bolas de ginástica, e, é claro, por muitas horas e todos os dias.”

1

RAY DEMSKI/RED BULL CONTENT POOL(3), BLACKROLL

S ALTO COM VARA  QUAL É A PARTE DO CORPO MAIS IMPORTANTE PARA UM ATLETA DE SALTO COM VARA? TODAS

Costas e barriga fortes e muito equilíbrio – tudo em apenas um exercício:


AÇÃO!

RELÓGIO

HISTÓRIA DE PULSO

2014: o novo Navitimer, com 70 horas de energia na reserva

DO RELÓGIO COM CRONÔMETRO AO NAVITIMER

Navegador  BREITLING NAVITIMER  POR QUE ESTE APARELHINHO DE CRONOMETRAGEM É DEFINITIVAMENTE UM RELÓGIO DE PILOTO

ALEXANDER LINZ

Um smartwatch analógico de 1941 Muito antes da invenção da calculadora de bolso, a Breitling já tinha dado um golpe de mestre na tecnologia móvel. Naquele ano, a fábrica de Grenchen, na Suíça, apresentou um relógio de pulso que havia incorporado uma régua de cálculo circular. No relógio da Breitling, é possível girar os anéis da borda externa do mostrador em ambos os sentidos, de modo que múltiplas escalas se movem umas contra as outras e indicam, por exemplo, conversões de moeda ou o consumo de combustível. O relógio fez logo sucesso entre técnicos, empresários e militares. A Breitling apresentou um modelo para pilotos onze anos depois, em 2 de maio de 1952: com o Navitimer, os pilotos de avião conseguem calcular, por exemplo, quanto tempo levam até o destino e quando começa a descida na hora do pouso. O relógio tem ainda muitas outras facilidades ligadas à navegação. A Aircraft Owners and Pilots Association achou o aparelhinho tão bom que o tornou o relógio oficial.

1941

inércia entre cada movimento dos ponteiros e a medida do giro de cada mola espiral. Por isso, o relógio é construído em partes aos pares, que se harmonizam perfeitamente. Esse processo é tão caro que a Breitling decidiu ela mesma se encarregar do desenvolvimento, ficando assim independente de fabricantes e fornecedores.

Um escritório secreto em Genebra Sob sigilo absoluto, foi criado em 2004, na cidade de Genebra, perto do aeroporto, um escritório feito especialmente para o desenvolvimento do Breitling calibre B01. Em 2005, foi criada a arquitetura do movimento. Em 2006, foi monNa prateleira do COSC Como em tada a primeira dúzia desses protómuitos outros modelos caros de tipos. No mesmo ano, o calibre DETALHES marcas consagradas, os relógios De cima para baixo: passou nos testes do cronômetro da Breitling não funcionam com logotipo da AOPA no COSC. A Breitling fundou então antigo Navitimer e o o departamento Chronométrie 2. um mecanismo tradicional de da Breitling nos 1960 A tarefa: automatizar a produção relógio, mas sim com um mecado B01. Os especialistas adaptanismo especializado chamado ram um conceito de linha de montagem ETA, que divide o tempo em vários de alta tecnologia da indústria farmacêue grandes grupos numéricos. Mas isso tica, em que a análise do software e dos deve mudar, afinal, a Breitling decidiu componentes é controlada individualque, no futuro, todos os seus modelos mente. Em 2009, cinco anos após o início levarão o nome de “cronômetro” e, pordo projeto, foram produzidas as primeiras tanto, deverão seguir os rígidos padrões 1 500 peças do calibre B01. Eles foram de qualidade do Contrôle Officiel Suisse depois adaptados para o modelo “cronôdes Chronomètres (COSC). Para que o metro”. No entanto, o primeiro modelo calibre atinja esse nível de desempenho, da Breitling, o Navitimer, já contava o relógio deve, entre outras coisas, ter com esse privilégio. a capacidade de calcular o momento de

THE RED BULLETIN

O Chronomat, da Breitling: primeiro relógio de pulso com régua de calcular (na foto, modelo de 1946).

COM O CALIBRE B01, A BREITLING ENTRA PARA A CLASSE DOS MAIS MODERNOS RELÓGIOS DE PULSO DO MUNDO, AO LADO DA ROLEX E DA OMEGA

1952

O primeiro Breitling Navitimer, desenvolvido para as necessidades dos pilotos durante o voo.

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AÇÃO!

NA AGENDA

A Copa acabou? Bora pra água! De 19 a 26/7, em Ilhabela

A 41ª Ilhabela Sailing Week, principal evento de vela oceânica da América Latina, agita o litoral brasileiro com os melhores veleiros da modalidade. Você pode acompanhar toda ação do Yacht Club Ilhabela, de onde são dadas as largadas, e aproveitar para visitar as praias desertas da ilha. www.ilhabelasw.com.br

19/7, em São Paulo

Corrida de mountain bike

De 1º a 3/8, em Goiânia

Corrida do Milhão A disputa mais valiosa da Stock Car vai acontecer no Autódromo Internacional de Goiânia. O circuito inteiro está renovado e a briga promete ser boa. www.stockcar.com.br

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O Desafio Caloi de Mountain Bike Amador é ideal para quem nunca competiu e também para quem já compete. Não é preciso ser um atleta de elite e nem ter anos de preparo físico ou experiência, basta apenas ter uma mountain bike e vontade de começar nas competições. Serão quatro voltas no circuito de 7 km de extensão. As inscrições custam R$ 100. www.sampabikers.com.br

Até 13/7, em São Paulo

Elis no teatro Corra para o teatro! Se você gosta de música, não perca os últimos dias de um dos musicais de maior sucesso no Brasil. Elis – A Musical impressiona tanto pela performance da atriz Laila Garin como Elis Regina quanto pela versatilidade, humor e fidelidade histórica à vida da cantora que marcou época no cenário musical brasileiro. www.teatroalfa.com.br

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DIVULGAÇÃO (4), BRUNO TERENA/RED BULL CONTENT POOL, FABIO PIVA/ RED BULL CONTENT POOL, FELIPE PANFILI, GABRIEL QUINTAO, AGÍNCIA ESTADO

Velas ao mar


30/7, em Paraty

Salve, Millôr!

A partir de 12/7, em São Paulo

Até 6/7, na Paraíba

Registros do gargarejo

É São João

O fotojornalista Gabriel Quintão cobriu festivais de música e shows em que o público faz de tudo para ficar na primeira fila. A experiência resultou no ensaio Linha de Frente, que mostra o sofrimento a que essas pessoas são submetidas para conseguir um lugar perto de seus ídolos. As fotos estarão expostas no Red Bull Station até 12 de agosto. redbullstation.com.br

Disputando o título de “maior São João do mundo” com Caruaru, a festa de Campina Grande é organizada em um imenso parque temático construído especialmente para o evento e atrai mais de 1 milhão de pessoas em 30 dias de atrações, que inclui a tradicional quadrilha, o Forro Fest, e diversos shows. É forró, quentão e boa comida até o sol raiá! www.saojoaodecampina.com.br

JULHO A TODO VA P O R TRÊS DATAS PARA GUARDAR

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SÁBADO

MACHIDA VS. WEIDMAN O brasileiro Lyoto Machida sobe no octógono para disputar o cinturão dos meio-pesados. Ele substitui Vitor Belfort, que deixou de enfrentar Weidman no início do ano.

A Flip (Feira Literária Internacional de Paraty) acontecerá no final de julho e homenageará o genial humorista, escritor, jornalista e cartunista Millôr Fernandes, que nos deixou há dois anos. Podemos esperar muita alegria e alto-astral, afinal, essas eram as principais características de sua obra. Dica: reserve sua hospedagem com bastante antecedência – a cidade fica lotada. www.flip.org.br

br.ufc.com.br

27/7, em São Paulo

Clássico no Itaquerão Depois da ressaca da Copa, voltamos aos clássicos nacionais. Porém, corintianos e palmeirenses terão uma experiência nova: irão se enfrentar pela primeira vez no novo estádio do Corinthians, em Itaquera. O agito das torcidas dos dois times será o teste definitivo para as estruturas. cbf.com.br

13 DOMINGO

FINAL COM GRINGOS Se você está sem ingresso para a final da Copa, vá ao pub All Black e assista ao jogo em uma das diversas TVs. Abre ao meio-dia e a entrada é R$ 25 por pessoa. Simbora comemorar com a turistada! www.allblack.com.br

Até 21/7, no Rio de Janeiro

Arte descolada Com tanta festa rolando por causa da Copa, é bom escolher um dia para arejar a cabeça com arte. Uma ótima maneira é visitar a exposição Visões na Coleção de Ludwig, que apresenta 55 obras de arte que pertencem a uma das maiores coleções particulares do mundo, do colecionador visionário Peter Ludwig. A exposição exibe obras de artistas como Jean-Michel Basquiat [acima], Pablo Picasso, Andy Warhol e Roy Lichtenstein. culturabancodobrasil.com.br

THE RED BULLETIN

19 SÁBADO

ROCK PAULISTA O Ultraje a Rigor toca no HSBC Brasil, em SP, e você terá a chance de gritar bem alto refrões como: “Sexo! Eu quero sexo!” ou “Inútil! A gente somos inútil!” hsbcbrasil.com.br

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MOMENTO MÁGICO

Em 34 lugares ao redor do mundo, 35 397 atletas correram no total 530 928 km antes de serem alcançados pelos catcher cars, que determinam o fim da linha. Foi assim a primeira Wings For Life World Run, que reverte o dinheiro para as pesquisas para a medula espinhal. O vencedor foi Lemawork Ketema, da Etiópia. Depois de 78,58 km, ele ultrapassou o peruano Remigio Huamán Quispe, que corria em Lima. www.wingsforlifeworldrun.com

“Sabia que no final eu teria que correr bem mais. Por isso, guardei bastante energia.” Lemawork Ketema, 28, da Etiópia, vencedor da Wings for Life World Run

A PRÓXIMA EDIÇÃO DO RED BULLETIN SERÁ LANÇADA EM 9 DE JULHO DE 2014 98

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PHILIP PLATZER/RED BULL CONTENT POOL

Vale do Danúbio, Áustria, 4 de maio


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