junho de 2014
além do comum
no r i t m o da b a h i a
E n t ra m o s n a n ova o n d a de Bell Marques
r e d o p O … e o f u t u r o d o e s p o r t e m a i s f a m o s o d o m u n d o
do f utebol
Tirada com um Nokia Lumia 1020
Gelo na Noruega “É minha primeira vez aqui no norte da Noruega, e tem sido realmente incrível. Encontramos aqui alguns terrenos maravilhosos e muito gelo; cascatas de gelo em todo o lugar. E a luz é incrível. Nunca vi uma luz assim. É como uma luz espetacular de por do Sol o dia inteiro. Com a quantidade de equipamentos que já tenho nas minhas costas para escalar o gelo, é ótimo ter um Nokia Lumia junto, no bolso, quando você precisa viajar leve e fazer algumas fotos.
Então, após a escalada os garotos desceram e eu comecei a empacotar meu equipamento. Fiz uma busca rápida por fotos e encontrei umas cenas impressionantes lá. Dando zoom em uma foto depois, eu simplesmente não consegui acreditar nos detalhes que podíamos ver nessa cena em tons de branco. Umas coisas ótimas, acho.” – Ray Demski, fotógrafo da Red Bull Para saber mais sobre Red Bull PHOTOGRAPHY em parceria com o Nokia Lumia, acesse
www.redbullphotography.com/partners
NOKIA LUMIA
Fotografia: Heli Putz
NOKIA LUMIA 1020
o Mundo de red bull
58
nova geração
A Fórmula 1 de 2014 mudou em diversos aspectos – e você terá que se acostumar com isso
bem-vindo
O clima de Copa já está no ar – exatamente por isso o Red Bulletin que você tem em mãos dedica 21 páginas ao maior esporte do mundo. Em nosso Bullevard especial, você vai encontrar números, curiosidades e tudo sobre a história do esporte bretão. E isso é só o começo, pois o mergulho mesmo acontece em nossa matéria especial sobre o futuro do futebol: como funcionam hoje as táticas e as estratégias e aonde isso tudo irá parar. Qual será o próximo passo do jogo que mexe com paixão, política, poder e dinheiro? Saiba tudo a partir da página 34. E, entre um tempo e outro, fomos visitar Bell Marques para conhecer seus planos sem o Chiclete com Banana. Vumbora?! 4
“Quero gravar um disco de bolero” bell marques, Pág. 52 the red bulletin
Junho de 2014
Nesta edição
34
Bullevard 08 especial futebol Palpites, curiosidades, histórias, números. Tudo sobre futebol!
Destaques
o que será que será
getty images (cover), peter clausen film, Andrew Woffinden, getty images(5), Klaus Fengler/Stefan Glowacz GmbH, Markus Berger/Red Bull Content Pool, jim krantz miles donovan (cover)
Retranca, ataque, toque de bola, craques multiúso... Aonde o futebol vai parar?
22 David Belle
Embarcamos na viagem do inventor do parkour
8
34 O poder do futebol
Como serão as táticas, estratégias e craques no futuro?
42 Sebastian Copeland
Aventureiro e ambientalista: você precisa conhecer esse cara
44 Homens das cavernas
Entramos na segunda maior caverna da Terra, que fica em Omã
44 para o fundo
Acompanhamos dois dos melhores escaladores do mundo numa profunda aventura a 160 metros abaixo da terra
52 Bell Marques
Como está a vida sem o Chiclete?
É Copa!
Separamos tudo o que você precisa saber para ficar por dentro durante o maior evento do mundo
22
58 F1 nova geração
O passo a passo das mudanças desta temporada
70 Rafael Ortiz
Acompanhamos o caiaquista extremo à selva mexicana
ação!
81 EM FORMA
Julius Brink, o campeão olímpico de vôlei de praia, nos ensina como manter o shape e mandar bem na areia the red bulletin
David Belle
O criador do parkour nos levou para dar uns saltos em sua cidade natal, Lisses, na França
80 81 82 83 84 85 86 88
meu equipo Mountain bike EM FORMA Julius Brink MÚSICA O rapper Nas Games Street Fighter BALADA Xangai MINHA CIDADE Montevidéu NA AGENDA As pedidas do mês momento mágico No ar!
5
nosso time quem colaborou este mês
THE RED BULLETIN Brasil, ISSN2308-5940 Editora e Sede Editorial Red Bull Media House GmbH Gerente Geral Wolfgang Winter Diretor Editorial Franz Renkin Editores-Chefes Alexander Macheck, Robert Sperl Editor-at-large Boro Petric Editor Brasil Fernando Gueiros
klaus fengler
raphael honigstein O jornalista que mora em Londres é mais conhecido por suas colunas esportivas sobre o campeonato da Alemanha (seu país natal) e podcasts para o Guardian. Ele escreveu o dossiê sobre o futuro do futebol nesta edição. Quando ele não é expulso de programas de TV por arrumar briga, ele pode ser visto nos jogos da Premier League e jogando society com seus amigos. Seu grande momento foi no jogo da imprensa contra a comissão técnica do Chelsea, em 2007, quando enfrentou Mourinho.
“Fiquei impressionado com as dimensões deste lugar”, diz o fotógrafo alemão Klaus Fengler sobre os 160 metros de profundidade da caverna Majlis al Jinn, em Omã. Fengler, que já fez trabalhos para publicações do mundo inteiro, seguiu os passos dos escaladores Stefan Glowacz e Chris Sharma dentro da segunda caverna mais profunda da Terra. O resultado dessa jornada alucinante você pode conferir a partir da página 44.
“Parkour não é um esporte, mas uma escola para a vida.” Foi essa a lição que o inventor do Parkour, David Belle, passou ao nosso repórter. Por dois dias ele teve aulas intensivas de Parkour em Lisses, no norte da França. “Aprendi como se pula sem medo sobre um abismo de 6 metros de largura e 8 de altura, de um telhado para outro”, conta Lisetz. Ele diz que aprendeu só na teoria, e deixou a prática para os profissionais. Você pode ler como foi a experiência dele na página 22.
6
Editora Assistente Marion Wildmann Coordenador Editorial Daniel Kudernatsch Gerentes de Projeto Cassio Cortes, Paula Svetlic Apoio Editorial Ulrich Corazza, Werner Jessner, Ruth Morgan, Florian Obkircher, Arek Piatek, Andreas Rottenschlager, Stefan Wagner, Paul Wilson Bullevard Georg Eckelsberger, Raffael Fritz, Sophie Haslinger, Marianne Minar, Boro Petric, Holger Potye, Martina Powell, Mara Simperler, Clemens Stachel, Manon Steiner, Lukas Wagner Editores de Arte Miles English (Diretor), Martina de Carvalho-Hutter, Silvia Druml, Kevin Goll, Carita Najewitz, Kasimir Reimann, Esther Straganz Editores de Fotografia Susie Forman (Diretora Artística de Fotografia), Marion Batty, Eva Kerschbaum, Rudi Übelhör Revisão Judith Mutici, Manrico Patta Neto Impressão Clemens Ragotzky (Diretor), Karsten Lehmann, Josef Mühlbacher Gerente de Produção Michael Bergmeister Produção Wolfgang Stecher (Diretor), Walter O. Sádaba, Matthias Zimmermann (tablet) Financeiro Siegmar Hofstetter, Simone Mihalits Marketing & Gerência de países Stefan Ebner (Diretor), Elisabeth Salcher, Lukas Scharmbacher, Sara Varming
Peter Clausen alex lisetz
Diretor de Arte Erik Turek Diretor de Fotografia Fritz Schuster
Se somarmos nossas fotos da reportagem sobre as técnicas da Fórmula 1 aos outros 5 181 frames restantes e apertarmos o play, então podemos ver o filme de animação da Red Bull, feito por Peter Clausen, sobre o complexo regulamento da categoria hoje em dia. Daniel Ricciardo mostrou que é um verdadeiro talento ao simular uma corrida no set. Nada disso foi ou é real até hoje. A reportagem sobre a nova F1 você encontra na página 58.
“ Aprendi como se pula sobre um abismo de 8 m de profundidade” alex lisetz
Assinaturas e Distribuição Klaus Pleninger, Peter Schiffer Marketing de Criação Peter Knethl, Julia Schweikhardt Anúncios Marcio Sales, (11) 3894-0207, contato@hands.com.br Gestão de anúncios Sabrina Schneider Coordenadoria Kristina Krizmanic TI Michael Thaler Escritório Central Red Bull Media House GmbH, Oberst-Lepperdinger-Straße 11–15, A-5071 Wals bei Salzburg, FN 297115i, Landesgericht Salzburg, ATU63611700 Sede da Redação Heinrich-Collin-Straße 1, A-1140 Wien Fone +43 1 90221-28800 Fax +43 1 90221-28809 Contato redaktion@at.redbulletin.com Publicação O Red Bulletin é publicado simultaneamente na Áustria, Brasil, França, Alemanha, Suíça, Irlanda, Kuwait, México, Nova Zelândia, África do Sul, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Visite nosso site www.redbulletin.com.br
the red bulletin
/redbulletin
Adrenalina
ue te Fotografía q to deja sin alien
Ingenioso
s que están Las persona mundo cambiando el
EXTREMO
Red Bull Records artist Blitz Kids I Credit: James Embrey Hall
ue Aventuras q teras n rompen fro
seu momento. ALÉM DO COMUM
DOWNLOAD GRATUITO
20
14
Copa do Mundo no Brasil... É hora da festa
Bola rolando
RD L u i s SU Á R E Z
sai pra lá, maracanazo Todo cuidado é pouco: o melhor atacante do mundo é uruguaio
8
„ bj E lit ium re m q uo c ull aut l a ex eveleni s ea e sro“
B ra sil wir ien kom men ! Ryan Inzana
O trágico mundial de 1950 nunca foi bem digerido. Os uruguaios fizeram mais de 200 mil pessoas chorar no Maracanã. Depois, o Brasil queimou as velhas camisas brancas e balançou as estruturas do nosso futebol. Se existe algum jeito de apagar essa marca, será nesta Copa, numa final entre os dois países diante, novamente, do Maracanã lotado. O grande problema é que os uruguaios têm um timaço. E lá na frente o comando é de Luis Suárez, um dos atacantes mais perigosos do mundo – que tem no currículo a marca de 100 gols pelo Liverpool. O que Suárez quer? Provavelmente repetir o feito de Ghiggia, o goleador de 1950. Mas não vai ser nada fácil: nossa zaga agora tem 200 milhões de torcedores.
the red bulletin
h á quatr o an o s
você lembra? Uma breve retrospectiva da África do Sul
final A tática dos holandeses contra a Espanha foi um pouco agressiva. Já a dos espanhóis era trocar passes por 115 minutos até fazer 1 a 0.
se m ifinal O dedo de Jogi Löw na s eleção alemã foi elogiado, mas seu time foi elimi nado e a foto de seu outro dedo rodou o mundo.
Ê-Ô, J-LO
getty images(6), imago(3), picturedesk.com, imago
Apesar de ser um belo jogo, o futebol tem uma tradição horrível: músicas de Copa do Mundo. O sucesso a partir de 2014 se chama “We Are One” e é cantado por Claudia Leitte, Pitbull e J.Lo. E a maldita musiquinha gruda.
PERDERAM MAS SÃO CRAQUES Verdadeiros heróis das Copas foram em sua maioria perdedores em ação. Mas o legado é inestimável
Put your flags up in the sky
Show the world we are one
(put ’em in the sky)
(one, love, life)
And wave them side to side
Ole ole ole ola
(side to side)
Ole ole ole ola
Show the world where you’re from
Ole ole ole ola
(show ’em where you’re from)
Ole ole ole ola
1934
Guillermo StÁbile 8 gols pela Argentina e a derrota na final.
1930 the red bulletin
matthias sindelar O grande milagre do time dos milagres.
Q U A R TA S D E F I N A L Este homem deu entrevistas bizarras e se apresentava como técnico da Argentina.
1950
leÔnidas da silva Inventou a bicicleta e não levou a Copa.
1938
ademir DE MeneZes O goleador que ficou de fora da final.
1958
sándor Kocsis Fez 11 gols, mas perdeu para a Hungria.
1954
Just Fontaine 13 gols para a França. Não foi o suficiente...
Josef Masopust O mais antigo goleador de finais ainda vivo.
1962 9
Nenhum time europeu foi campeão na América do Sul. E o Brasil nunca foi campeão no Brasil.
Pelé acredita na vitória do Brasil na final. Mas o mesmo Pelé considera o time da Alemanha tão forte quanto o brasileiro.
PELOS QUAIS O BRASIL SERÁ O CAMPEÃO MUNDIAL Ou não. Se a gente for analisar os fatos e tabus, nossa Seleção tem tanto prós quanto contras
1966 10
gerd müller Falha do século nas semifinais.
Júlio César é o número 1 de Felipão. Mas no momento ele está debaixo do poste no Canadá – jogando pelo Toronto, o número 666 do mundo.
Em cada segundo jogo do Brasil, Neymar faz pelo menos um gol. Mas, em cada segundo jogo pelo Barça ele passa em branco.
1 9 70
Eusébio 9 gols! Mas Portugal não conseguiu ser campeão.
O Brasil já ganhou a Copa das Confederações em 2013. Nunca na história um time ganhou as Confederações e o Mundial na sequência.
Lionel Messi ainda não fez gols dentro do Brasil. Mas na última partida contra a Seleção Brasileira ele fez três.
1 9 78
Johan Cruyff Domínio total, mas não o bastante.
1 9 74
rob rensenbrink Só não marcou gols. Uma pena pra Holanda.
O brasileiro Diego Costa fez mais gols do que Ronaldo em sua melhor forma. Mas ele joga pela Espanha...
1986
ALain Giresse Primeiro chute de pênalti em uma Copa.
1982
Zico Mestre do melhor time da história – e nada de taça.
1994
Claudio Caniggia Eliminou o Brasil e parou na Itália.
1990
roberto baggio Mago italiano... É TETRAAA, É TETRAAA!
Ronaldo O Fenômeno. Mas quem consegue esquecer 1998?
1998 the red bulletin
picturedesk.com, GETTY IMAGES(7), imago(2)
7 M O T I V O S
q u i z
N O B A N C O
quem é quem nO FUTEBOL
mais do que tv
O jogador moderno sabe tudo de moda, tem o carro do ano e é um enigma: o que é preciso para se tornar uma grande estrela? 1. Qual jogador de futebol comprou há pouco tempo uma Ferrari 599 GTB Fiorano?
3. Qual jogador francês não fumante é dono de um bar repleto de narguilés na Itália?
5. Qual tímido cantor de banheiro não está em um relacionamento sério com uma cantora no momento?
A. Wayne Rooney B. Cristiano Ronaldo C. Hulk
A. Karim Benzema B. Franck Ribéry C. Mathieu Valbuena
A. Mesut Özil B. Gerard Piqué C. Neymar Jr.
2. Quem descobriu o me lhor corte de cabelo para o futebol de todos os tem pos – o bigode na testa – só para que seu filho o reconhecesse na televisão?
4. Qual jogador de má fama tatuou essa placa na panturrilha dedicada ao seu adversário?
6. Qual fashion victim desta Copa do Mundo usa – infelizmente apenas fora de campo – brincos de diamante?
T U Í T E !
OPTA SPORTS De refinamentos estatísticos a informações sobre os médicos do time: twitter.com/OptaJoe
A. Alessandro Diamanti B. Joshua Brillante C. Mario Balotelli
2
6 4
RESPOSTAS: 1 B, 2 A, 3 B, 4 A, 5 C, 6 C
A. Ronaldo B. Roberto Carlos C. Rivaldo
A. Daniele de Rossi B. Sergio Busquets C. Pepe
Quando não tiver jogo da Copa na TV, aproveite bem o seu tempo
L E I A !
A VERDADE ESTÁ NO LUGAR CERTO Futebol tem a ver com muitas coisas que jamais imaginamos. É o que nos conta este grandioso livro de Chris Anderson e David Sally (Penguin, 2013).
Partes do corpo? Acidente? O que per tence a cada jogador?
E S C U T E o a p p !
CORBIS, GETTY IMAGES(5), PICTUREDESK.COM DIETMAR KAINRATH
1 2 0 02
oliver kahn Goleirão. Só não se deu bem na final.
2 0 10
Zinédine zidane A última visita de outra dimensão.
2006 the red bulletin
talkSPORT O único aplicativo de informações sobre esportes do qual você precisa. Entrevistas e transmissões ao vivo.
Diego ForlÁn Rei no Uruguai com um gol dos sonhos.
“E você torce pra quem? BULLgári a?”
v e j a o f i l m e !
KUNG FU FUTEBOL CLUBE O filme de futebol mais subestimado do século. Merece um segundo tempo.
11
s e n ta l á
AS ESTRELAS QUE FICARAM DE FORA Alguns dos melhores jogadores do mundo não virão ao Brasil. Nós reivindicamos: esse time dos sonhos chegaria fácil na final
10
2 7
1 3 5 6 4
11 6
8
T 9
1
3
5
SA M I R H A NDA NOV I Č
DA N I EL AG GER
AL EKSANDAR KOL AROV
Posição: goleiro Time: Inter de Milão Seleção: Eslovênia Valor de mercado: € 24 000 000
Posição: defesa Time: Liverpool Seleção: Dinamarca Valor de mercado: € 17 000 000
Posição: lateral-direito Time: Manchester City Seleção: Sérvia Valor de mercado: € 12 000 000
2
4
6
7
8
9
DAVI D A LA BA
B R A NI S L AV I VA NOVI Ć
NEMANJA MATI Ć
GARE T H BALE
AARON RAMSE Y
MARE K HAMŠÍK
Posição: lateral-esquerdo Time: Bayern Munique Seleção: Áustria Valor de mercado: € 32 000 000
Posição: zagueiro Time: Chelsea Seleção: Sérvia Valor de mercado: € 19 000 000
Posição: volante Time: Chelsea Seleção: Sérvia Valor de mercado: € 25 000 000
Posição: atacante Time: Real Madrid Seleção: País de Gales Valor de mercado: € 80 000 000
Posição: atacante Time: Arsenal Seleção: País de Gales Valor de mercado: € 20 000 000
Posição: atacante Time: Napoli Seleção: Eslováquia Valor de mercado: € 40 000 000
12
the red bulletin
imago, getty images(11)
10
bons perdedores Não chora, Ibra! Estas quatro lendas também nunca estiveram em uma Copa
u m a m ã o z i n h a
Spray neles, seu juíz! Tudo começou em 1863, com apito e bandeira. Depois se passaram 150 anos. Ultimamente novos gadgets têm sido desenvolvidos para facilitar o trabalho dos árbitros
Headset
Alfredo di Stefano Bert Trautmann (argentino naturalizado (Alemanha) espanhol) 1954: o melhor goleiro A estrela do Real Madrid alemão jogava no Mandeixou de jogar pela chester City. A AlemaEspanha em duas Copas. nha não aceitava isso.
Desde 2006, o juíz em campo e o quarto árbitro podem discutir decisões nos bastido res ou fazer as piadas sobre os jogadores pelo rádio.
PLACAR ELETRÔNICO Desde que o tempo adicional vem sendo exibido, ocorrem menos lesões durante esse período do que antes.
Éric Cantona (França) George Weah (Libéria) Em 1990 e em 1994, O jogador de futebol não passou das eliminado século passou tórias. Parou de jogar 20 anos tentando em 1997, um ano antes jogar a Copa e do triunfo da França. não conseguiu.
NA LINHA
“ Um a Copa do Mundo se m mim n ã o vale a pe n a a ssi st ir ”
10
imago(2), Getty images, corbis
tom mackinger
Zlata n I br a h im ov i Ć Posição: atacante Time: Paris Saint Germain Seleção: Suécia Valor de mercado: € 28 000 000
11
I bra h i mović
t
R obe rt L ewa n d ows k i
morten ols en
Posição: atacante Time: Borussia Dortmund Seleção: Polônia Valor de mercado: € 50 000 000
Posição: treinador Seleção: Dinamarca – levou sua seleção às Copas de 2002 e 2010
the red bulletin
Após o teste na Copa das Confederações, foi decidido que o spray para fazer mar cações no gramado será usado também na Copa. Ou será que a coisa toda não passa de um truque promo cional da Gillette?
DETECTOR DE FALTAS Nossa sugestão: sensores nas meias do jogador para saber se ele foi derrubado ou simulou a falta. O árbitro recebe imedia tamente um sinal no ouvido: Essa pegou!
“ S atélite, G PS e chip n a bol a? Nã o preci so de n ad a di sso” Platini (Presidente da UEFA)
13
N A M A R C A d e ca l
O PÊNALTI PERFEITO Final da Copa do Mundo de 2006: Zinédine Zidane simplesmente chuta no meio, a bola bate no travessão e pinga atrás da linha. Gianluigi Buffon fica assistindo perplexo
Pro fundo do gol: com o efeito gerado, a bola de Zidane entra. Gol genial!
11 METROS 3 FATOS 1 pERGUNTA
14
1 Na média, só um
a cada 15 gols feitos na Copa é de pênalti. No tempo de jogo fo ram cerca de 150 gols de pênalti na história.
2 O primeiro pênalti numa Copa aconteceu em 1982, numa semi final entre Alemanha e França. Alemanha ganhou, claro.
3 O número de gols em cobranças de pênalti em Copas fica em torno de 70%. Na Premier League, a média é de 75%.
? Por que o goleiro nunca fica no meio? Porque só 12% dos pênaltis são chutados nessa direção.
the red bulletin
getty images(2)
Bater no ângulo rende 100 % de aproveitamento. Mas para isso você precisa ter sangue frio
F U T E B O L E M N Ú M E R O S
ZERO É MAIOR DO QUE UM Fonte: David Sally e Chris Anderson, The Numbers Game, Penguin
É sempre bom ter cultura inútil na ponta da língua
10
jogos. Foi o número de jogos que se teve que esperar na Premier League até que um gol surgisse pelo cantinho. O número das Copas não é muito melhor. O cantinho é sempre difícil de acertar.
44
por cento de todos os gols ocorrem por sorte. Entre o chute e a rede acontece algo além do chute e da defesa.
31
a 0 foi o resultado do mas sacre da Austrália contra a Samoa Americana. A maior vitória nas eliminatórias.
5
gols. O final de jogo mais di nâmico de todos os tempos: na Copa de 1954, a Áustria enfrentou a Suíça nas quartas de final e, entre os 25 e 34 minutos, o jogo virou de 0 a 3 para 5 a 3. E no final: 7 a 5!
60 minutos. É isso que dura em média um jogo de futebol. Durante o resto dos 90 minutos o jogo ou fica interrompido ou a bola vai para fora.
28
anos. Durante todo esse tempo não teve 0 a 0 em Copas, até Brasil e Inglaterra de 1958.
0
gol. Não fazer nenhum gol dá mais pontos do que fazer. Muitos jogos são ganhos apenas com uma atuação defensiva.
2
braços são levantados pelo goleiro que se prepara para defender um pênalti. Isso garante mais a defesa do que levantar apenas um.
dietmar kainrath
CHUTANDO EM KOMA*
*KOMA: KAINRATH’S OEUVRES OF MODERN ART the red bulletin
15
PA R A A E T E R N I D A D E
GOOOOOOOL! O primeiro, o mais louco e o mais bonito: estes três gols escreveram a história das Copas do Mundo. E seguem inspirando Rooney, Messi e Neymar até hoje. Ilustrações: Martin Udovičić
O P R I M E I R O
Montevidéu, 1930
Apenas 500 torcedores assistiram ao primeiro gol da primeira Copa do Mundo. O francês Lucien Laurent foi o grande destaque no jogo contra o México e levou o time a esse resultado histórico. É o que dizem os jornais. Não tem nenhuma fotografia nem filmagem desse gol. Mas dizem que foi um chute fantástico. França vencedora: 4 a 1.
16
O M A I S B O N I T O
Cidade do México, 1970 O Brasil estava invocado na final da Copa de 1970, contra a Itália. Pouco antes do final do jogo, Clodoaldo dançou bonito pelo meiocampo, Rivelino encaixou direitinho para Jairzinho, e Pelé deu o último passe para o golaço de Carlos Alberto. O 4 a 1 nos deu o tri mundial.
O M A I S L O U C O
Cidade do México, 1986
Conhecido por ter usado a “mão de Deus” no primeiro gol da partida, Maradona fez 1 a 0 contra a Inglaterra, aos 51 minutos. Mas os ingleses ainda não tinham visto todo o poder de Maradona. Depois de quatro minutos, ele fez mais um depois de correr por 60 metros, limpar cinco e provocar os ingleses. A Inglaterra ainda alcançou um 2 a 1, mas a Argentina avançou e ganhou a Copa.
C U R I O S I D A D E S
DE OLHO NA HISTÓRIA As Copas estão cada vez com menos gols. Porém, estão sendo assistidas cada vez por mais pessoas. Serão mais de 1 bilhão de espectadores na final de 2014: online ou na TV
GOLS DA COPA DO MUNDO
EUROPA x AMÉRICA DO SUL
FATOR BRASIL
5
G OLS P OR PARTIDA ( EM MÉDIA )
4
Brasília 8 mm 1 200 metros
ITA
4,17 3,75
bra 3,17
3
2,57
19
ALE 2
10
1,14
9
Ing
0
fra
URU ale Bra BRA ESP 1930 1954 1970 2002 2010 15 GOLS 25 GOLS 19 GOLS 18 GOLS 8 GOLS 4 JOGOS 6 JOGOS 6 JOGOS 7 JOGOS 7 JOGOS
esp
Recife
Cuiabá
manaus 31 GRAUS
AMÉRICA DO SUL
Europa
1
Manaus
Recife 390 mm 4 metros
Porto Alegre 19 GRAUS
arg
São Paulo P LUVIOSIDADE EM J UN H O
cuiabá 570 mil
uru
Brasília
Porto Alegre
a lt i t u d e
TEM P ERATUR a MÉDIA EM J UN H O
SÃo Paulo 11 MILHÕES
H A B ITANTES
RONALDO é o maior “A gente tro cou a s c ami sa s no intervalo . G eralmente a c ami sa sempre vem fedendo , m a s a do B eckh am é cheirosinh a” ro na l do, C o pa de 2 002
15 GOLS EM MUNDIAIS 11 com a perna direita, 3 com a esquerda, 1 de cabeça. Ninguém é tão famoso na Copa quanto ele
em 1998
em 2002
em 2006
a evolução das transmissões
1954
1930 Transmissão ao vivo pelo rádio (Europa)
LIVE 1966
Transmissão ao vivo na TV de alguns jogos
1994 Transmissões ao vivo na TV, em preto e branco, para o mundo inteiro
2010 Reportagem na internet
1970
1934
LIVE Gravações em filme para o cinema
18
Transmissões pela TV em HD e 3D
Reportagens na TV com até uma semana de atraso
Transmissões ao vivo na TV para o mundo inteiro, em cores
13/7/2014
1978
Retrospectivas e lentes de aumento revelando várias perspectivas
900 milhões de espectadores assistindo à final na TV e online Corbis
Relatos de jornal e fotos
LIVE
the red bulletin
p e r c a p eso
N E M T O D O S G O S TA M
de frente pAra A tv
FUTEBOL de outro jeito
Muitos estudos comprovam: empolgar-se no sofá faz quase tão bem quanto praticar esportes
32 países disputam o troféu com o Brasil. Em 29 deles, o futebol é o esporte número 1. Mas em três a coisa é bem diferente
E F E I T O E S P E L H O Especialistas da Universidade de Sydney chegaram à con clusão de que, quando você observa alguém fazendo esporte, seu corpo se com porta por dentro de forma semelhante ao do esportista.
AT L E TA S D E S O FÁ Também acontece quando assistimos a pessoas fazendo esporte sem ser ao vivo. Isso aumenta nossa frequência cardíaca, pressão sanguínea, respiração, transpiração e atividade nervosa e muscular.
nº.
4
p a r a os h omens
A Austrália ama críquete, rugby e futebol australiano, que tem uma média de 33 mil espectadores por jogo. O futebol reúne cerca de 12 mil por jogo
Um estudo da Universidade de Utah provou que os homens se animam com o sucesso de outros. O nível de testosterona de torcedores pela TV sobe quando o time deles está ganhando.
getty images(3)
PR O B L E M A S C A R D Í A C O S
Não exagere! De acordo com um estudo da clínica universitária de Munique, na Copa de 2006, durante jogos da Alemanha, três vezes mais homens tiveram ataques cardíacos.
the red bulletin
nº.
2
O futebol ameri cano é o esporte favorito de 46% das pessoas nos EUA. O futebol, com 2% da prefe rência, ocupa o 6º lugar no coração dos americanos
nº.
6
Todo ano que passa, o futebol fica cada vez mais popular no Japão. Mas os números mostram que o povo japonês gosta mesmo é de beisebol
19
c o r r e n d o p o r f o r a
eles vão dar trabalho Nunca se teve tantos favoritos em uma Copa do Mundo – e cinco times relativamente pequenos (uns mais, outros menos) têm grandes chances de se tornar gigantes no Brasil. Cuidado, Messi!
Quem pode surpre ender Quais são os pontos fortes?
B É LG IC A
Eles são jovens, famintos por vitória
O que diz o hipster do futebol?
talentosos. Os Demônios Vermelhos
The Yanks
“Nos últimos dois anos, os clubes deram
€ 250 milhões
para os jogadores belgas da seleção nacional.”
Quem será a estrela? Qual o grande trunfo?
O calcanhar de Aquiles
ID O S
USA! USA! USA!
e muito
Os fãs os chamam de
E S TA D O S U N
Eden Hazard – uma versão melhorada do Maradona!
O goleiro .
Thibaut Courtois é provavelmente o melhor goleiro do mundo atualmente.
A pressão crescente do sucesso.
C O LÔ M B IA
B Ó S N IA
IN G LAT E R R A
O apoio da torcida
Eles são melhores que os croatas.
colombiana, que vai viajar bem pouco e comparecer em peso para assistir à Copa.
E tão des conhecidos quanto os iranianos.
Pela primeira vez desde 1966, ninguém espera nada deles: o prérequisito perfeito para rolar uma reviravolta no time britânico.
Los Cafeteros
Os Dragões
The Three Lions “Se mais
“O técnico Klinsmann
é bom em motivar os jogadores,
mas ruim em táticas.”
Jozy Altidore –
joga tipo o Lineker! A experi ência. Cinco dos
principais jogadores têm mais de 80 jogos mundiais no currículo e nas pernas. Viajar mais de 22 mil km na primeira fase.
“Já te mostrei minhas figurinhas originais de 1994, do
“Tecnicamente os jogadores estão
no mesmo nível do time Valderrama?” brasileiro.” Jackson Martínez – a versão magra de Ronaldo!
A defesa.
Foi o time que menos tomou gol durante as eliminatórias.
O joelho esquerdo de Radamel Falcao.
ingleses fossem mo rar fora da Inglaterra, não só o país como também a seleção seriam melhores.”
Miralem Pjani´c –
Steven Gerrard – o Pirlo com aparelho de barbear.
A tempes tade de gols.
A juventude.
Dzeko e Ibisevic marcaram 28 gols em 10 jogos nas eliminatórias.
Ross Barkley, Alex Oxlade-Chamberlain e Raheem Sterling trazem ideias e conferem um estilo inovador aos Lions.
Ibrahimovi´c! O melhor jogador da Bósnia joga pela Suécia.
7 pênaltis em grandes torneios. Apenas um entrou.
o novo Zidane!
TRINIDAD & TOBAGO O menor time de Copa do Mundo de todos os tempos: em 2006, a seleção empatou uma e perdeu duas.
20
PAÍS DE GALES A surpresa de 1958: pela primeira vez nas quartas de final, ganhou de 1 a 0 do Brasil. Eles tinham Gareth Bale: aí sim!
HAITI Sucesso rápido em 1974, com uma vitória de 1 a 0 sobre a Itália, acabou perdendo os jogos para a Polônia e a Argentina. the red bulletin
getty images(3)
UMA VEZ E NUNCA MAIS
X A D R E Z d o f u t e b o l
O REI ESTÁ MORTO O Brasil (2 153 pontos) e a Espanha (2 143) são os dois melhores times de todos os tempos
Getty Images
– de acordo com o site eloratings.net, que, ao contrário de outros rankings, calcula os pontos com a precisão de um computador de xadrez. Mas tem outro time que saiu ainda melhor: a Hungria de Ferenc Puskás, que obteve 2 166 pontos
the red bulletin
21
OLHANDO DE FORA, O PARKOUR PARECE UM ESPORTE, MAS NA REALIDADE ELE É UMA PARÁBOLA DA VIDA. O INVENTOR D O PA R KO U R , D AV I D B E L L E , C O N TA P R A GENTE SOBRE SEUS A M B I C I O S O S S A LT O S : A C O N Q U I STA D O M U N D O
a
VOÉNo TA D E caminho por : ale x liset z fotos : j im krant z
22
O que de fora parece um esporte Ê na ver dade a escola da vida, onde se aprende a enfrentar os medos e a superar obståculos
24
PARKOUR É UMA METÁFORA para A
v i da
A PRI MEI RA LIÇ ÃO DO PAR KOU R:
EN CO NT RE O SE U E Q U I L Í B R I O
O treinamento de base para cada movimento ensina você a se equilibrar – tanto por dentro quanto por fora
26
the red bulletin
S Quando era bem mais jovem, David Belle (à frente) começou a desen volver o parkour. Hoje o que ele deseja é passar adiante suas experiências para outros jovens do mundo inteiro
the red bulletin
e você convidar David Belle para fazer um churrasco no terraço do hotel, chegando lá algo vai se desligar dentro da cabeça dele, como num estalo. Seus sentidos se voltam para o cheiro das costelas, para as conversinhas dos hóspedes, para o decote da namorada de seu irmão. Já o cérebro estará automaticamente analisando a distância do pilar até o andaime que dá para a cama, dali para a janela, depois para o caminhão e daí até a calçada. Enquanto a comida estiver sendo preparada e todos estiverem esperando por ela, ele estará calculando qual rota de fuga os hóspedes devem seguir para escapar com segurança, no caso de a churrasqueira explodir. E, se uma criança de 3 anos subir no parapeito da janela do sexto andar do edifício, David Belle saberá como chegar até lá em três, dois ou um segundo. David Belle pensa como David Belle, porque ele é o inventor do parkour. É por causa dele que você encontra pessoas de tênis e calça de moletom, por todas as cidades, praticando por horas o salto sobre um corrimão, ou a escalada de uma parede, ou o pulo de um lado do muro para o outro. O parkour é a arte de se mover de forma eficiente em áreas urbanas. Seu objetivo é encontrar o caminho mais agradável e rápido de A para B, sem nenhuma ajuda fora os próprios pés. Mas o parkour é também uma metáfora. A superação dos obstáculos, o domínio sobre os desafios
27
“O parkour não é perigoso”, segundo os seguidores de David Belle. “Porque quem pratica de verdade sabe muito bem até onde o próprio corpo pode chegar. E até onde não pode”
P E R IGOSO? só QUANDO VOCÊ NÃO SA BE O QUE FA Z David Belle (à esq.) se enxerga como o guardião da doutrina. Ele diz: “Nem tudo o que o parkour parece é o que realmente é”
“TUDO par kour “
O QU E SO U HO JE É PO R CA US A DO
29
QUAND O VOCÊ
seu medo SE U AM IGO
EN CA RA IGO S, ELE SE TOR NA COM O UM parceiro QUE ALE RTA DOS PER Pulos incríveis exigem uma preparação mental: primeiro o traceur visualiza cada etapa do pulo em detalhes, só depois ele coloca a ação em prática
30
the red bulletin
e sobre o próprio medo faz do parkour uma escola de preparação para a vida. “Tudo o que eu sou hoje, eu sou por causa do parkour”, diz David Belle.
A DI SSE MI NAÇÃO DOS SA LTOS A capital mundial do parkour é Lisses, que fica a 30 km ao sul de Paris. Aqui está David Belle, aos 41 anos, em casa. Nesse mesmo local, ele e sua equipe de Yamakasi – que em congolês significa “homens fortes” – desenvolveram um movimento de contracultura a partir de alguns movimentos corporais, há mais ou menos 20 anos, e que rapidamente se tornou conhecido no mundo. Isso se deve principalmente ao fato de o parkour ter se transformado em uma fonte de interesse para o cinema. Em 2001, parte dos membros funda dores fizeram um filme de ação que é também uma crítica cultural, chamado Yamakasi – O Samurai da Modernidade, o que transformou os caras do Yamakasi em estrelas de cinema da noite para o dia. Dois dos principais protagonistas já alçaram voos maiores, exercendo sua pró pria carreira cinematográfica: Sébastien Foucan e seu estilo freerunning acrobático foram parar no filme de 2006 de James Bond, Cassino Royale. E David Belle rodou em 2004, com Luc Besson, o drama de ação B13 – 13º Distrito. Além disso, ele atua como dublê em Rios Vermelhos 2 – Anjos do Apocalipse e Carga Explosiva. Paralelamente, Belle expandiu os con tornos de sua ideia de parkour: a capacida de de se mover de forma eficiente deixou de ser um fim em si mesmo, e ele passou a se dedicar ao ensino da prática para um número crescente de fãs. Parkour quer dizer muito mais: être fort pour être utile – fazer da própria força algo útil, e estar pronto para ajudar o outro no momento exato em que for necessário. Para os novos traceurs (assim se cha mam os atletas que praticam parkour), Belle é um ídolo, acumulando milhões de acessos em vídeos do YouTube. Os fãs se espantam com a forma como ele sobe paredes, e delas para um arranha-céu, e dali para outros saltos, de 6 ou 7 metros de largura, tendo abaixo de seu corpo um abismo de 40 metros. Mas Belle não se interessa pela fama, o negócio dele é reconhecimento. Seu maior sonho é convencer o mundo inteiro a praticar o parkour. “Tem um potencial gigante que ainda não foi aproveitado”, acredita ele. “Qualquer pessoa pode aprender em qualquer lugar e sem equipamento.” the red bulletin
31
Neste conjunto habi tacional, no subúrbio de Lisses, encontramse traceurs do mundo inteiro para treinar juntos. A placa de “propriedade privada” tem um caráter mais de respeito
ARTISTA DA SOB R E V I V Ê N CI A Depois de 1997, ano do surgimento dos Yamakasi, 2014 será o ano mais importante da história do parkour. David Belle quer criar uma fundação destinada a estabelecer uma base para o trabalho em rede da cena do parkour e quer incentivar e promover jovens talentos. Ele ainda pretende publicar, em conjunto com outro membro do Yamakasi, Charles Perriere, um livro sobre a história do parkour, que será chamado Des Origines à la Pratique. E ele ainda deseja que o parkour se expanda para além do mundo ocidental – a começar pela China, onde ele quer viver nos próximos meses e, com a ajuda de alguns patrocinadores locais, criar cursos de formação de parkour e workshops para os jovens traceurs. “O futuro do parkour está na China e na Rússia”, acredita Belle. “As pessoas de lá crescem em uma sociedade que exige muita disciplina e trabalho duro – mas, ao mesmo tempo, têm um desejo de liberdade e realização. No parkour, elas podem combinar as duas coisas.” David Belle sabe muito bem do que está falando. Ele é filho de um ex-soldado do Vietnã e passou sua infância em um ambiente no qual a auto-expressão e a disciplina eram objetivos educacionais de igual importância. Até hoje ele se lembra dos conselhos de seu pai, Raymond, falecido em 1997. “Você pode fazer tudo o que quiser”, 32
ele me dizia, “desde que possa arcar com todas as consequências disso.” E David Belle sabia exatamente o que queria: levar as ideias de seu pai adiante e refiná-las. Raymond Belle aprimorou o Método Natural, o treinamento-padrão do exér cito francês, desenvolvendo técnicas de ataque e tecnologias para escapar da selva. Raymond Belle deu até um nome para o seu treinamento de superação de obstáculos usando sulcos e galhos de árvore caídos: le parcours.
O M ED O, S EU A MI GO Hoje David Belle é ele mesmo uma figura paterna. Para os jovens do Crew Parkour Origin, com os quais treina de duas a oito horas por dia, e para as centenas de traceurs do mundo inteiro, que todo ano chegam a Lisses para aprender os truques e as melhores manhas com o mestre.
O fato de os moradores não protestarem contra isso tem a ver com outro valor primário do parkour: o respeito. Quando um espaço urbano é usado para o treino, ele deve ser deixado exatamente do jeito que foi encontrado. Se algum obstáculo for danificado, os próprios traceurs o consertam. Com suas escadarias a céu aberto, suas grades e os pequenos muros baixos, o conjunto habitacional onde mora Belle, o Residence du Mail de l’Ile de France, é o lugar ideal para treinar todos os movimentos básicos: aqui os praticantes podem treinar tanto os passements, que visam a superação de obstáculos, quanto o saut de précision, que envolve a precisão do salto, ou o tic tac, que é a rejeição de um obstáculo. “O importante é que você progrida lentamente”, explica Charles Perriere. Perriere é dois anos mais novo do que Belle, e é ele quem dirige em Paris the red bulletin
O GRANDE pote n C ial DES SE TIP O DE ESP ORT E AIN DA NÃO FOI EXP LOR ADO
dobradas e absorve a energia de impacto. “Se você tiver espaço, pode rolar, mas, quando se depara com um obstáculo muito alto, digamos, 7 metros, então tem que pular.” David Belle dominou essa técnica e já salta de até 8 metros de altura. O básico, que todo iniciante deve internalizar até que os movimentos se tornem automáticos, não é nada espetacular. “Parkour começa com os exercícios de equilíbrio”, diz Belle. “Se você consegue coordenar o próprio equilíbrio, todo o resto será muito fácil.”
U M H ER Ó I TÍ MI DO uma escola de parkour que dissemina a cultura da modalidade. E ele sabe muito bem como encorajar seus alunos a realizarem os saltos mais difíceis. “Você tem que trabalhar o seu medo. Se você não se conhece bem, você é escravo do seu medo. Quando você encara seu medo como um parceiro que te alerta do perigo, ele se torna seu amigo.” Perriere ensina a disciplina mais importante, a saut de font, que prepara o aluno para pular de uma grande altura. Primeiramente, é preciso visualizar cada fase do salto com os olhos da alma. “Quanto mais experiência você adquire, mais força de detalhes vai ganhando a sua representação mental”, diz Perriere. Ele salta de uma forma absolutamente controlada (“Você tem que saltar, e não cair”), estende-se, mantendo o chão à vista, pousa com as pernas ligeiramente the red bulletin
Quando David Belle começa a falar do parkour, ele recorre a comparações com ele mesmo. O espírito de um traceur é o mesmo de um cavaleiro, que tem a sua relação com o cavalo. Um traceur, ele diz, é como um samurai: exteriormente calmo, mas interiormente sempre pronto para a ação. Ou como um pianista de concerto, porque seu cérebro consegue tomar as decisões certas sem refletir. David Belle consegue inspirar coragem ao explicar tão bem os princípios do parkour porque ele mesmo é seu próprio aluno. “Eu era uma criança tímida, desconfiada e sozinha”, conta Belle. “E eu era impaciente... Tudo que não conseguia na mesma hora eu dei xava de lado.” Com o parkour, Belle afirma que se redescobriu. Ele diz que cada movimento bem-sucedido fortaleceu sua
utoconfiança. O treinamento diário a com outros traceurs acabou de vez com a sua timidez. E a resistência exigida, com a repetição de até 100 vezes dos mesmos exercícios, ensinou-lhe a paciência. “Bem, o último ponto é mentira.”
PA RKOUR-BLOC KBUST E R No último verão, David Belle passou pela prova final da sua disciplina e capacidade de enfrentar desafios. Ele tinha abandonado a rotina de treinamento no inverno e estava 10 quilos acima do peso e insatisfeito com a vida, quando o telefone tocou. Era Luc Besson. “David”, disse Luc Besson, “você se lembra daquele projeto de filme, do qual falamos alguns anos atrás?” “Você está falando do remake de Hollywood de B13 - 13º Distrito?”, respondeu Belle. “Exatamente. As filmagens começam em dois meses.” Brick Mansions, que estreia no dia 25 de abril nos cinemas franceses, será provavelmente o filme sobre parkour mais assistido da história: David Belle aparece em combate, ao lado da estrela Paul Walker, contra um chefe da máfia que é interpretado pelo rapper RZA. “Estudei por quatro horas todos os dias para aprender inglês, e treinava as acrobacias três horas por dia ao lado de Walker”, afirma David Belle, que também participou da concepção da coreografia das lutas e das cenas de perseguição na abertura. Já na primeira tomada, ele salta por uma janela fechada; em outra, mostra a combinação do saut de font com o saut de détente e pula de 4,5 metros de altura, sobre um abismo de 7 metros de largura. “Meu medo”, diz David Belle, “já me disse até onde posso ir.” 33
O futur do futEbol
Cristiano Ronaldo
Dentre os gênios de “pés virados pra lua”, existem exemplos de jogadores do futebol moderno, tais como o atleta português Cristiano Ronaldo, que também se dariam muito bem em provas de corrida
Getty Images
O eterno duelo do sistema tático. A busca e a preparação de jogadas perfeitas. A luta por espaço e tempo. A construção de barreiras antigols. A sorte como a única constante. Como ficará o esporte mais querido do mundo nos próximos anos? Uma análise de Raphael Honigstein
miles donovan
ro 35
U Pep Guardiola
O famoso treinador espanhol do Bayern Munique é um pregador do futebol de combinação, focado em metas peculiares de treinamento: quem está com a bola não pode focar no gol
m bom futebol é sobretudo uma questão de tempo. Quem chuta, passa bola, corre e pensa mais rápido tem as melhores vantagens nesse esporte. Os melhores times do mundo conseguem acelerar o jogo de tal maneira que até mesmo o relógio corre mais rápido durante os 90 minutos. O futebol é uma máquina do tempo, que nos mostra hoje como ele será amanhã. Atualmente, no campeonato inglês, por exemplo, o Liverpool é o time mais influente. Seu treinador, Brendan Rodgers, diz que “velocidade” é o princípio de ataque mais importante. A dupla de atacantes Luis Suárez e Daniel Sturridge normalmente joga sem posições fixas em campo, afinal, a direção na qual o jogador corre é que é crucial, e não seu ponto de partida. A inveja com a qual a concorrência assiste aos jogos incrivelmente emocionantes e bem-sucedidos dos “Reds” irá aumentar ainda mais a ambição deles nos próximos meses. Atacantes pequenos e rápidos serão a maior demanda no mercado de transferências. Já no ano passado, era a expressão “centroavante” que estava em pauta.
A IDEIA GENIAL EMBUTIDA NO “tic-tac” É CONTROLAR O JOGO E O ADVERSÁRIO COM O DOMÍNIO DA BOLA
Getty Images(2)
miles donovan
Imitação e adaptação
Os times mais bem-sucedidos dos últimos anos – como o campeão mundial e o campeão europeu, o Bayern e o Barcelona de Pep Guardiola, mas também o Borussia Dortmund sob o comando de Juergen Klopp – alcançaram o sucesso com inovações revolucionárias que estabeleceram novos padrões em campo, o que agora já entrou para a normalidade e só resta à concorrência imitar o brilhantismo dos mestres. “O Bayern Munique copiou de nós, eles fizeram a mesma coisa que os chineses”, reclamou Klopp em 2013, quando o time de Jupp Heynckes alcançou um sucesso “triplo”, ganhando o campeonato, levando a taça mais importante e vencendo a Liga dos Campeões. Tudo começou com a caça coletiva à bola no meio campo do adversário – e assim Heynckes resistiu à pressão do time amarelo e preto. Além da imitação, outra coisa que faz parte do ecossistema do futebol é o princípio da adaptação ao desgaste. Boas estratégias rendem contra-estratégias. O resultado é uma interação, um sistema competitivo constante.“O princípio do jogo não se desenvolve numa partida em linha reta, para a frente e num ritmo acelerado. Ele tem muito mais a ver com irregularidade e acontece num ritmo circular”, explica o historiador de futebol Jonathan Wilson, autor de Revoluções no Gramado: Uma História das Táticas de Futebol. “Por muito tempo, parecia que a tendência tática dos anos 1960 iria concentrar a cabeça dos jogadores cada vez mais na defensiva”, diz, referindo-se a Guardiola, que em sua última temporada no Barça (2011/12) usou apenas dois z agueiros de verdade na maioria das partidas. “Mas dá para ver as fraquezas desse sistema. Quando se joga contra times muito fortes, dá para sentir a falta de espaço”. Wilson acha que o futuro do futebol não está ligado à eficácia do passe. Segundo ele, é a rapidez com que o jogador usa sua versatilidade e o bom the red bulletin
Neymar Júnior
O estilo dele – rápido no passe, tecnicamente perfeito, forte no drible, extremamente artístico – faz do brasileiro um oponente invencível para os adversários e um protótipo do jogador do futuro
preparo físico que serão determinantes. “Mas sempre podemos ter surpresas, as táticas não constituem um sistema estável, e toda ação gera uma reação que pode mudar tudo.”
Veneno e Antídoto
O majestoso “tic-tac” do Barcelona e da Espanha, um futebol de combinações que privilegia a posse de bola, pode também explicar o sucesso de times poderosos de dez anos atrás, como Chelsea e Juventus. É possível que o “tic-tac” tenha se originado das ideias estéticas do holandês Johan Cryuff, mas ele foi principalmente o resultado da confissão de uma fraqueza. “Em algum momento, p ercebemos que não podíamos competir com o poder e o dinamismo dos ingleses, franceses e alemães, com nossos tipos de jogadores”, lembra o jornalista e escritor Guillem Balagué. “Então, tivemos que seguir por outro caminho. A ideia era controlar os adversários
A TÉCNICA DE JOGADORES COMO NEYMAR DEMONSTRA HABILIDADES EM FALTA NO MERCADO ATUAL DO FUTEBOL, COMO UM PERFEITO USO DO TEMPO E DO ESPAÇO 37
Mario Götze
Gênios como ele podem jogar em praticamente todas as opções possíveis: a criatividade desse tipo de jogador não tem limites
OS MELHORES TIMES DO MUNDO ACELERAM AS PARTIDAS DE UMA FORMA QUE ATÉ OS PONTEIROS DO RELÓGIO ANDAM MAIS DEPRESSA 38
e a partida dominando a bola.” Quando se atinge a perfeição desse tipo de tática, fica difícil até mesmo para os jogadores mais talentosos manter a firmeza, porque não dá tempo de o jogador se preparar para roubar a bola. “Quando finalmente conseguíamos a posse da bola, estávamos tão confusos que acabou ficando muito difícil reverter a situação”, disse Miroslav Klose depois da semifinal da Copa de 2010, quando a Alemanha perdeu de 1 a 0 para os espanhóis. O “tic-tac” tem sido considerado um antídoto contra um futebol defensivo. Entre outros, o Chelsea e Mourinho introduziram uma mistura disso com a tática de “cimento”, trazendo de volta aos campos essa descoberta tática colossal que o suíço Karl Rappan fez nos anos 1930, e que agora está na moda novamente.
José Mourinho
A meta do futuro será diferente: por isso alguns técnicos, como o português José Mourinho, se concentram num jogo extremamente defensivo
the red bulletin
O falso nove
As escolas espanholas e holandesas foram muito importantes na incorporação do jogo ofensivo no futebol, e isso vale para todos os times. Até o Bayern de Guardiola deixou jogadores bons no banco – para ter mais jogadores ofensivos em campo. Com esse tipo de jogo, é possível vencer a defesa com ações isoladas em campo. Por isso que Guardiola queria Neymar de qualquer jeito: o brasileiro é o jogador dos sonhos dele. O estilo de jogo de Neymar – a rapidez com que ele passa a bola, a firmeza durante os dribles, a técnica perfeita e sua extrema versatilidade – se parece com o de Messi, que, na opinião de Guardiola, é o melhor jogador do mundo. No entanto, o ex-presidente do Bayern, Uli Hoeness, conseguiu convencer o treinador catalão a desistir do santista e comprar o alemão Mario Götze por € 37 milhões, do rival Borussia Dortmund. “Ele é um jogador incrível – esperto e inteligente em campo”, diz Guardiola. O jovem de 21 anos é conhecido como “falso nove” (um meio-campo que originalmente é centroavante). Neymar foi para o Barça, e o Real Madrid comprou o galês Gareth Bale, do Tottenham, por quase € 100 milhões. Obviamente ele é uma garantia de gols, e sua rapidez e versatilidade se encaixam melhor em jogadas em linha reta. Bale é um “homem-bala”, como disse o técnico do Arsenal, Arsene Wenger.
Getty Images(2)
miles donovan
Espaço e tempo
Os pequenos e leves Messi, Neymar e Götze têm a configuração física ideal, mas também Bale e Cristiano Ronaldo são exemplos de bons chutes por terem qualidades cada vez mais escassas e necessárias no futebol moderno: além do domínio técnico e da velocidade, eles sabem usar com perfeição o tempo e o espaço. São jogadores que podem atender facilmente às pressões do futebol moderno, e por isso eles fazem toda a diferença. “Quanto mais vai estreitando o espaço de jogo, mais importante se torna uma antecipação da situação”, é o que diz Bernhard Peters. Aos 64 anos, ele é diretor da base do TSG Hoffenheim, consi derado extremamente inovador com um treino igual ao do Borussia Dortmund: o “Futebonauta”. Nesse sistema, os jogadores precisam administrar os chutes em quatro direções diferentes. O objetivo é alcançar a bola o mais rápido possível e lançá-la em direção a uma área ilumi nada. “A nitidez e a precisão do passe são incentivadas, e também a percepção e a tomada da decisão correta para obter a melhor recepção da bola”, diz Peters. the red bulletin
5
Prognósticos = 1 Seleção Segunda Divisão
Antigamente, a Copa tinha os melhores times. Hoje, para isso, é preciso acompanhar a Liga dos Campeões. Os principais clubes podem escolher entre uma oferta global de jogadores e treiná-los muito melhor e mais detalhadamente do que os técnicos de seleção, que têm menos tempo para treinar e não conseguem os passes sem um relativo esforço. A diferença de qualidade entre as seleções e os times de elite será ainda maior.
2 Odorenascimento centroavante
Dois ou três anos atrás os centroavantes pareciam espécies ameaçadas (dificilmente um time ainda joga com mais de dois deles), que podiam ser facilmente substituídos por atacantes. Porém, como mostra o exemplo do Bayern, os cavalos de batalha da escola Mario Mandzukic – ultradefen sivos – se tornarão novamente muito importantes. Eles não sairão de moda tão cedo.
3
Articulações e tendões artificiais
Lesões leves nos tendões normalmente deixam os jogadores fora de campo durante cerca de seis meses. No caso de lesões mais graves, eles se tornam praticamente um capital morto. Até agora, a tecnologia não avançou o suficiente para resolver isso, mas é apenas uma questão de tempo até que os profissionais estejam aptos a implantar tendões artificiais que minimizem o risco dessas lesões e possam aguentar desgastes mais fortes.
são 4 zagueiros os novos craques
Eles recebem salários mais baixos e o passe é mais barato que o de seus companheiros do ataque. Porém, isso está totalmente relacionado com uma percepção distorcida: identificamos os erros desses jogadores com mais facilidade, mas nunca as pequenas coisas que eles fazem tão perfeitamente antes de o perigo chegar no gol. A análise computadorizada vai ajudar para que o trabalho desses atletas seja reconhecido com mais respeito, uma cobertura mais completa do jogo, além do simples sistema de placar 10 a 0 ou ao contrário, se mostrará imensamente importante. Acontecerá algo semelhante com o que houve com Franz Beckenbauer: uma estrela surgirá das profundezas.
aí 5 Vem o “shot-clock“
Mais equipes jogarão combinações futebolísticas extremamente complexas, porque haverá mais jogadores tecnicamente capazes. Talvez os atacantes consigam alcançar desempenhos tão altos e com tão pouco esforço quanto os jogadores de basquete ou handebol. Isso exigirá a introdução de um limite de tempo para os ataques, ou de uma mudança de regra que permita que o árbitro possa aplicar uma cobrança de falta para a outra equipe devido a, digamos, um “jogo passivo demais”. 39
Coincidência de peso
Lionel Messi
Se todos os times pudessem contar com jogadores instintivos como o argentino Messi, as coisas seriam mais fáceis e talvez menos emocionantes
Wilson, especialista em táticas, diz que a era dos golpes táticos mais radicais já era, e que o futebol do futuro é mais lento e básico. Ele também continuará a ser o mais complicado de todos os esportes coletivos, porque a relativa raridade das possibilidades de gol faz com que grande parte dos esforços seja em vão. Chris Sally e Chris Anderson, dois professores de economia americana, dizem no livro A Verdade Está no Campo de Futebol, com bastante convicção, que mais da metade dos gols acontece por acaso. “É preciso aceitar que metade do que acontece no campo de futebol não depende de nós”, afirmam. O futebol é, ao menos estatisticamente falando, uma aposta e “um esporte de gloriosa ineficiência”. Grob diz que hoje entram tantas bolas na rede quanto há 40 anos, embora com certeza atualmente os jogadores corram mais rápido e chutem com mais força. “Já chegamos a um equilíbrio dinâmico entre duas forças principais: a inovação ofensiva e a evolução da defesa”, dizem Anderson e Sally. Isso não significa que não se deve tentar o máximo para desafiar a sorte. Melhorias na medicina devem ocorrer, pois nessa área o futebol está muito atrasado se o compararmos com a versão americana do esporte. O treinador do Liverpool, Rodgers, considera o trabalho do psicólogo Steve Peters tão importante que ele está sempre sentado ao seu lado no banco.
40
the red bulletin
Getty Images
ESTATISTICA MENTE FALANDO, O FUTEBOL É “UM ESPORTE DE GLORIOSA INEFICIÊNCIA“
O que ainda parece ficção científica está prestes a se tornar norma nos clubes europeus. Na Alemanha, considerada por muitos como a terra (quase) infalível do futebol, os jogadores são cada vez mais treinados com base nas técnicas de formação da Espanha, com mais calma e lentidão. Mas Peters não acredita em um futuro próspero com 11 “Götzes” num time. “Assim não dá para ganhar campeonato”, ele diz. “Você precisa de variedade: os jogadores principais, aqueles que são importantes para o coletivo e os artistas.” O bom sistema de jogo tem a ver com o equilíbrio entre individualidade e de coletividade.
miles donovan
o gol de nove segundos
Inovações pequenas, porém radicais estão vindo também dos pequenos times. Uma certeza é que iremos ver muito mais “movimentos especiais” em campo num futuro próximo, como o gol de nove segundos de Daniel Frahn do RB Leipzig, em setembro de 2013, contra o Stuttgart II. O Leipzig estava com sete homens posicionados no canto oposto à área do pênalti, e foi exatamente ali que a bola foi parar. O perplexo time de Stuttgart foi pego de surpresa pela falta de jogadores. O sistema 3-3-3-1 do Chile, que o técnico Marcelo Bielsa desenvolveu antes da Copa de 2010, faz com que eles sejam uma das equipes mais difíceis de derrotar hoje. Quem quer imaginar a quantas andará o futebol no ano 3000 terá de observar como estão indo os times hoje. Os jogadores do futuro serão mais atléticos e talvez lidem com a bola com mais cuidado. A situação peculiar do futebol – estatisticamente, em nenhum outro esporte os times menos favorecidos ganham tantas partidas – deve permanecer exatamente assim. E a imprevisibilidade também não deve mudar – e é bom que não mude.
Sebastian Copeland
Homem de gelo
O explorador e cineasta britânico cruzou a Antártida com as costelas quebradas, explorou a Groenlândia com kiteski e é amigo do ator Leonardo DiCaprio. Ele conta a seguir suas dicas de sobrevivência
the red bulletin: Ao atravessar a Groenlândia em 2010, você e seu companheiro de expedição Eric McNair-Landry tiveram que esperar por sete dias uma tempestade de neve passar fechados dentro da barraca. Como vocês não enlouqueceram? sebastian copeland: A adrenalina mantém você alerta para começar. Eu estava preocupado que a tempestade pudesse danificar a barraca. Então não consegui dormir. O vento balançava com velocidades superiores a 130 km/h. Era como acampar em uma turbina. Sobre o que vocês conversaram? O negócio é que você não sai em uma expedição polar com o objetivo de fazer um amigo para o resto da vida. Você procura um profissional como Eric, que com toda a probabilidade completaria a missão. Não tivemos nenhuma discussão profunda sobre nossas infâncias. Passávamos a maior parte do tempo refletindo. Foi um jogo de xadrez bizarro. Qual é a mais importante qualidade mental que um explorador deve ter para sair em uma expedição polar? A mente é mais importante que o corpo – isso está fora de questão. A preparação física é a parte fácil. Você vai para a academia e entra em forma. Lidar com a dor é mais difícil. Uma parte do meu treino inclui colocar um colete de 50 kg e andar pelas montanhas por duas horas. Obviamente que você fica muito cansado depois de cinco minutos, mas precisa aguentar até o fim, mesmo se doer. Se afinar para um exercício como esse, como você acha que vai até a Antártida? Quando você esteve na Groenlândia, se deslocou com esqui, foi puxado por um kite e estabeleceu um novo recorde para esse tipo de viagem: 595 km em 24 horas. No meio disso tudo, quando você conseguiu comer? 42
Nós cozinhamos com a neve derretida de manhã e à noite. Você pode comprar quase todas as comidas em seu formato desidratado: “boeuf bourguignon”, “fettuccine Alfredo”. Você precisa de muita gordura e carboidratos. Comi castanhas-do-pará entre as refeições. Elas têm a melhor concentração de calorias por peso. Você precisa ter um rigor científico na seleção das suas provisões. Cada caloria importa.
“Dormir bem com ventos de 130 km/h balançando a barraca? É acampar numa turbina” Nos seus projetos de foto e filme, você parece abordar os riscos das mudanças climáticas. Qual é a coisa mais difícil sobre trabalhar com a consciência ambiental? Estamos cada vez mais isolados das consequências de nossos atos. Sua conta de luz, a coleta do seu lixo, tudo isso é resolvido por você, que só assina um cheque. Mas, quando você vive numa barraca com uma neve que cai durante semanas até parar, vê o preço de cada latinha. Você pensa: “Que espécie de idiota escolheu acampar aqui?”
Como você conseguiu que Leonardo DiCaprio escrevesse a introdução do seu livro de fotos, Antarctica: The Global Warning? Trabalho para uma organização de defesa do meio ambiente chamada Green Cross International e ajudei a preparar uma iniciativa para a Earth Summit de Johannesburgo com Leo em 2002. Depois disso ele começou a aparecer em minhas apresentações. Considero o Leo um dos mais engajados ambientalistas do mundo das celebridades. Pode acreditar no que ele diz, ele está presente e faz. Devido a um acidente de kiteski, você quebrou duas costelas logo no início da sua expedição para a Antártida em 2011. Como você conseguiu seguir em frente nos 75 dias restantes? Eu caí em uma “zastruga”, uma formação de gelo moldada pelo vento, durante uma manobra de kite. Ironicamente, eu tinha encontrado um amigo aventureiro para jantar na Cidade do Cabo alguns dias antes. Ele havia me contado sobre como tinha quebrado uma costela durante uma expedição. Perguntei: “O que você fez?” Ele respondeu: “Tomei analgésicos e aguentei no osso”. E usei aquele conselho no meu próprio acidente porque sabia que ele tinha conseguido também com uma costela quebrada. Que lições você tira das expedições para a sua vida diária? Primeiro, que os problemas não se resolvem por eles mesmos só de você reclamar deles. Segundo, me tornei mais humilde. As expedições exigem que você tenha um ego forte, mas não há forma mais eficiente de aprender humildade do que sendo exposto aos elementos de um deserto de gelo. Você sai do avião, põe o pé no gelo e sabe que tem 4 mil km pela frente. sebastiancopelandadventures.com the red bulletin
Sebastian Copeland
Entrevista: Andreas Rottenschlager
Sebastian Copeland no seu caminho para o Polo Norte em 2009: “Os problemas não se resolvem reclamando”
Nome Sebastian Copeland Nascido em 3 de abril de 1964, Paris Profissão Fotógrafo, documentarista e ambientalista Filme Into the Cold: A Journey of the Soul (2010) é um documentário sobre a sua viagem de 600 km para o Polo Norte. Hell on Ice (2013) é sobre a sua jornada de 2 300 km pela Groenlândia Parentes famosos Copeland é primo do ator Orlando Bloom e foi casado com a modelo e atriz Brigitte Nielsen entre 1990 e 1992
homenS daS
cavernaS
Stefan Glowacz e Chris Sharma escalaram uma caverna na qual fizeram uma transição monstruosa no retorno. veja alguns registros de momentos deste retorno do submundo Por: Alex Lisetz Fotos: Klaus Fengler
45
REUNIÃO DE CÚPULA. Em Omã, Stefan Glowacz, 49 (acima), e Chris Sharma, 33 (abaixo), fizeram o dever de casa para escalar a segunda maior caverna do mundo. Na foto abaixo, Glowacz e Sharma estudam uma das entradas para a Majlis al Jinn
Majlis al Jinn A segunda maior caverna do mundo fica em Omã e foi descoberta pelo geólogo Don Davison e sua esposa Cheryl Jones, em 1983. Jones batizou a caverna de Majlis al Jinn, que significa “ponto de encontro dos gênios”
0 m
– 50 m
M
Glowacz, meados de 2012, BAVIERA (ALEMANHa)
158.2 m deepest part of cave - 178 m
– 100 m
– 150 m
– 200 m
46
120 m
ais corda!”, grita Stefan Glowacz. E insiste: “MAIS! CORDA!” Mas não tem jeito, Chris Sharma não escuta. Sharma está a poucos metros abaixo do feixe de luz lançado pelo farol de Glowacz, engolido pela escuridão de Majlis al Jinn, a segunda maior caverna do mundo. Essa espécie de catedral subterrânea decompõe as palavras de Glowacz em sílabas, que se chocam contra as paredes e depois batem de volta, se reagrupando de um jeito novo em um espaço vazio. A história de Glowacz é mais uma história de superação. No dia 28 de março de 2014, ele se viu com um tempo disponível de pouco mais de uma semana para transformar um projeto impossível em um grande sucesso, ou em uma derrota dolorosa. Tudo bem que Glowacz teria se dado melhor se os problemas acústicos não tivessem se tornado os piores, mas ele está de parabéns.
Estátua da Liberdade 93 m
Majlis al Jinn
“Heli Putz me deixou com uma pulga atrás da orelha. Ele me contou sobre a caverna Majlis al Jinn, que fica em Omã. Felix Baumgartner saltou de lá em 2007, e depois alguns outros BASE jumpers também apareceram para se aventurar na região. Do lado de fora, a caverna é praticamente indescritível, três fendas de poucos metros de diâmetro dividem a parte inferior de uma encosta de pedras. Porém, na verdade, você está no topo de uma abóbada gigante: 160 metros de profundidade, 310 de comprimento. E 225 de largura, the red bulletin
As dimensões da abóbada subterrânea são gigantescas, e os desafios e armadilhas da escalada também: a rota de travessia é íngreme e inclinada durante toda a descida, num ângulo de mais ou menos 45 graus
o que dá quase o tamanho do estádio Wembley. ‘O que seria bem legal’, disse Heli, ‘era se desse para fazer um rapel até o chão e depois subir a parede de novo.’ Eu quero ser o cara que vai fazer isso. Mas é o tipo da coisa que não dá pra fazer sozinho. Vou precisar de um parceiro, o melhor que eu puder conseguir. Quem sabe Chris Sharma? Nos encontramos algumas vezes e nos demos bem... Pois é, Sharma seria o ideal! Ele é o alpinista mais criativo de sua geração, o único que admiro do mesmo jeito que admiro os meus ídolos dos anos 1970 e 1980.”
Sharma, Outono de 2012, Santa Cruz (EUA) “O telefone tocou e era Stefan Glowacz... Stefan Glowacz! Um cara que admiro há anos. A cada novo projeto ele reinventa a escalada; é um gênio, e está na ativa há décadas. Quando ouvi a voz dele, eu já disse sim, sem nem deixá-lo acabar a pergunta!”
NO LIMITE. Durante uma queda, Stefan Glowacz rasgou as palmas das mãos (foto do meio) tentando agarrar a corda. Ele também machucou o punho, mas seguiu na luta até o fim
Em dezembro de 2012, Stefan Glowacz foi, com sua moderna caminhonete, para o planalto de Salma. Este lugar fica a apenas 30 km por mar até Majlis al Jinn, mas eles viajaram por terra, por estradas esburacadas, numa altitude de 1 500 metros acima do nível do mar. Foi então que Glowacz percebeu que, se continuasse escalando, não só muitos desafios técnicos esperavam por ele como também logísticos: no acampamento de base necessário para a empreitada, por exemplo, não tinha água, muito menos potável. De volta à capital, Mascate, ele vai se reunir com as autoridades locais para ter a permissão oficial para a equipe entrar na caverna. Há apenas uma única exigência: ele deve sair vivo de lá. Glowacz concorda. Assim, ele prontamente tem a aprovação oficial em mãos. “Hoje estou pela primeira vez frente a frente com o abismo, onde nossa aventura nos espera, e quero olhar no fundo dos olhos dele. Na verdade, não se vê nada, é tudo preto, escuro. Jogo uma pedra nele e aguardo o som do impacto. Parece vir de uma monstruosa profundeza.” 48
Credit:
Sharma, 18 DE Fevereiro de 2014, Mascate (Omã)
“A Q U I , E M B AI X O D A T E RRA , P E SSOAS CO M VI D A N Ã O S Ã O B E M - VIN D AS . É M U I T O P RO F U N D O , E SC U RO E P E RI G OSO ”
Glowacz, 19 DE Fevereiro de 2014, Majlis al Jinn “Nós chegamos com o rapel até o fundo da caverna. A primeira fase da escalada mostra que a dificuldade apresentada pelas pedras, devido ao seu estado, não é tão ruim quanto se esperava. Mas a falta de luz dificulta a identificação de terceiras dimensões, que desaparecem totalmente na luz pálida. Quase não dá para ver o que vem pela frente. É praticamente uma escalada às cegas.”
Sharma, 19 de fevereiro de 2014, Majlis al Jinn “No primeiro dia já ficaram muito claras as diferenças entre a abordagem que eu queria dar ao projeto e a abordagem pretendida por Stefan. Eu sou partidário de uma escalada mais solta, enquanto o Stefan gosta
de se apoiar na parede, de planejar os comprimentos de corda, coordenar a logística. Ambas as abordagens acabaram se complementando, porque o nosso projeto se tornou uma coisa enorme: hoje somos 20 pessoas e temos 700 quilos de equipamento envolvidos; seis balões de iluminação, 2 400 metros de corda. E estamos com pressa, porque em apenas duas semanas e meia t emos de ter todas as cordas preparadas para a escalada. Não temos permissão das autoridades para passar muito tempo nas cavernas. Acho que uma das principais coisas que aprendi com Stefan foi esse tipo de pensamento analítico: ter uma visão ampla da situação. Diante de nós, só existem pontos de interrogação. O maior deles: será que a inclinação das paredes possibilita uma escalada livre?” 49
Fendas apertadas, rochas que esfarelam e pouca luz para avaliar o terreno. A cada corda arremessada, novos desafios aparecem
Sharma, 5 de março de 2014, Majlis al Jinn “Stefan é casca-grossa. O cara enrolou as palmas das mãos abertas com uma ‘fita medicinal’ desenvolvida por ele, que tem um poder de cauterização muito rápido. Coisa de louco. Se não fosse isso, as conse quências poderiam ter sido terríveis, e foi aí que eu entendi por que o lugar é conhecido como o ‘ponto de encontro dos gênios’, ou dos ‘espíritos’. Aqui, embaixo da terra, pessoas com vida não são bem-vindas. É tudo muito seco, muito escuro, muito profundo – em suma, muito perigoso. Nem mesmo os animais mais selvagens conseguem viver aqui. Toda vida que vi se resume à presença de um casal de pequenos besouros. Mas é por causa de todos esses desafios que a gente se diverte. Escalar exige muito improviso, e isso é legal porque você pode se deixar guiar pela intuição. Para mim, escalar é como meditar. O máximo proveito que você pode tirar desse esporte é a descoberta do caminho para conhecer a si mesmo.”
DE VOLTA À TERRA. Depois de duas semanas e meia, o desafio de Majlis al Jinn foi vencido. Na saída da caverna, os alpinistas cumprimentam os pastores de cabras locais, que se apresentam como pessoas do bem
“ e s c a l a r É CO M O M EDI T AR ” , diz chris sharma. “é a d e s c o b e r ta d o c a m i n h o pa r a c o n h ec e r a s i m e s m o” O feixe estreito de luz lançado por Sharma cai sobre a rocha. O que olhando de baixo parecia uma simples pedra, de perto parece mais um poderoso navio. Sharma está pendurado de cabeça para baixo no f inal do terço mais inferior da parede. Até mesmo ele, que é provavelmente o melhor escalador profissional da atualidade, tem seus limites. Cada movimento é um desafio. Ainda assim, ele supera os obstáculos em um ritmo de tirar o fôlego, segurando-se com precisão, pegada por pegada, em um ritmo incrível. “Incrível!”, grita Glowacz lá debaixo. O eco ressoa por todas as paredes.
Glowacz, 20 de fevereiro de 2014, Majlis al Jinn “Escalo de um jeito diferente hoje; e não posso deixar de escalar, senão fico ansioso. Meu último acidente foi assim: ia fazer meu segundo movimento me segurando na corda, mas de repente ela se enroscou, não acertei o gancho, e despenquei 3 metros. Por reflexo, me agarrei na corda, mas foi a pior ideia: rasgou e deixou meus dedos em carne viva. Foi uma merda.” the red bulletin
Chris está suspenso no ar, pelas cordas, que são quatro. Foram 100 metros de escalada até aqui. As dificuldades que envolveram um total de 13 arremessos de corda e uma rota de mais de 300 metros de comprimento foram enormes, o que fez com que cada metro alcançado fosse comemorado como uma vitória, uma superação de obstáculos enfrentados a 45 graus de curvatura ou mais, acompanhados de muita escuridão e nenhum descanso ao longo de dias. E agora ele está diante da passagem mais difícil de todas as paredes com as quais se deparou até agora. Chris afunda a mão na sacola de giz que carrega.
Glowacz , 1º de março de 2014, Majlis al Jinn “Eu disse pro Chris: ‘Se você sair dessa, será pra mim um dos melhores escaladores do mundo’. Posso ver a ambição nos olhos dele, mas, sempre quando está a alguns milímetros do triunfo final, se desespera.”
Sharma, 5 de março de 2014, Majlis al Jinn “E sim, é possível praticar escalada livre em Majlis al Jinn. Hoje usamos o último comprimento da corda, escalamos aos poucos, ponto a ponto, e apenas usando como auxílio estruturas rochosas naturais. Demoramos seis dias para preparar as redes auxiliares da escalada, o resto usamos para administrar as estruturas necessárias. Foi uma trabalheira. Agora nossa cabeça parece perdida no meio de uma escuridão deserta. Nossa equipe topou com alguns pastores de cabras, simpáticos e de bocas desdentadas. A princípio, nós os cumprimentamos com nosso aceno padrão, mas eles pareceram se assustar.” Após a remoção de todas as cordas e pontos fixos das estruturas montadas, Sharma e Glowacz voaram de volta para a Europa. Em uma pequena festa da cidade espanhola onde atualmente reside Sharma, eles recebem a notícia: Majlis al Jinn está sendo desenvolvida para se tornar um ponto de turismo. Talvez dentro de três ou quatro anos outros esca ladores descubram novas rotas com mais luz. “Toda parede“, diz Glowacz, “fica mais fácil de escalar depois que alguém já tentou.” www.glowacz.de/en
51
A p 贸s 3 0 a n o s c om o l 铆d e r d a b a n d a -s 铆 m b o l o d a fo lia e m S a l va d or, B e l l M a rqu e s s a i em voo s o l o c om u m d e s t i n o c la r o: s e r m a is d o q ue s 贸 C a r n a va l Por: Cassio Cortes Fotos: Robert Astley Sparke
52
Após três décadas à frente do grupo pioneiro do carnaval baiano, Bell mudou de rumo e pensa até em fazer um disco de bolero
“
umbora!”, exclama Bell Marques para o fotógrafo enquanto desce os degraus de sua cobertura duplex no bairro da Graça, em Salvador. “Exclama”, pois Bell Marques raramente “fala”. O homem cuja combinação de bandana, óculos escuros e barba tornou-se icônica a ponto de virar fantasia nas ruas soteropolitanas a cada fevereiro não é apenas a representação estética do carnaval baiano, mas também uma concretização em carne e osso do estado de espírito proposto pela música local. Bell Marques é “carnaval” quando nos recebe com o sorriso do qual parece jamais se separar, os dentes perfeitamente brancos e simétricos como uma sequência de Chiclets da caixinha amarela. São 10h da manhã e na noite anterior Bell, 61, havia tocado até depois da meia-noite para mais de 30 mil pessoas no show de aniversário da cidade de Salvador, mas a animação é de quem está pronto para correr uma maratona. A barba característica, raspada somente uma vez na vida para uma campanha publicitária da Gillette em 2011 (especulado cachê do cantor para aceitar o novo look: R$ 2 milhões), ainda está úmida do banho, e mesmo dentro de casa Bell nos recebe com os indefectíveis óculos escuros, o que chega a fazer sentido dada a claridade da ampla sala de mármore branco do apartamento. O gato Chanel corre para baixo do sofá quando seu dono chega, trazendo na cabeça uma versão da também inseparável bandana ornada com o monograma da grife Louis Vuitton. O motivo de estarmos agora sentados na sala de Bell, gravador ligado, deve-se à decisão que ganhou as manchetes no carnaval de Salvador em 2014: após mais de três décadas de carreira, Bell Marques não quer mais ser apenas “carnaval”. A principal polêmica da Festa de Momo deste ano na Bahia foi o anúncio da saída de Bell da banda que ele, enfrentando resistência dos companheiros, decidiu 54
Atualmente à frente do bloco Vumbora, Bell recebeu o Red Bulletin entre os shows da já atribulada rotina sem o Chiclete
O Ch ic lete foi o p r im eir o g r u po a ter a ideia de p r een ch er a t raseira de u m c a m in h ão c om c a i xas de som atizar com um nome exótico 32 anos b atrás: “Chiclete com Banana”. Controvérsia em relação a um nome não era novidade para o baiano. O apelido “Bell” veio inexplicavelmente do pai, que assim chamava aos gritos no fim de cada dia a criança que brincava nas ruas do bairro do Tororó. A mãe, como costuma acontecer com apelidos de filhos, odiava e dizia a quem batia à porta que “Bell não está, somente o Washington Marques da Silva”. Montada em 1982 junto com o irmão Wadinho – tudo começara 13 anos antes,
quando o adolescente Bell foi convocado de última hora e teve duas semanas para aprender a tocar teclado e subir ao palco com a banda de baile do irmão, os “Scorpios” – o Chiclete foi o primeiro grupo a ter a ideia de preencher a traseira inteira de um caminhão com caixas de som e colocar seus músicos no topo das caixas, dando início ao formato atual dos trios elétricos do carnaval baiano. “A sonoridade dos vocais com a banda no nível do piso da carreta e as caixas ao lado não me agradava”, revela. “Acabamos criando o metro quadrado de palco mais caro do mundo, são apenas 9×3 m lá em cima para uma aparelhagem digna de Rock in Rio.”
m cima do trio, a banda foi uma das precursoras do fenômeno que viria a ser batizado no final dos anos 1980 como “Axé Music”. Em 1987, com o álbum Gritos de Guerra, o Chiclete entrou no imaginário nacional e inspirou uma l egião de fãs cujo grau de fidelidade nenhum outro representante do gênero, incluindo as superestrelas Ivete Sangalo e Claudia Leitte, atingiu. Não existem “Iveteiros”, “Leitteiros” ou mesmo “Tchanzeiros”, mas milhares de pessoas do Oiapoque ao Chuí identificam-se como “Chicleteiros”, numa devoção que materializa-se de diversas formas, de tatuagens das icônicas patinhas do Bloco Camaleão (o trio no qual o Chiclete se apresenta 55
Aos 61 anos, Bell já recusou inúmeros convites para entrar na política e, recentemente, estreou como a rtista solo. “Um dia vou gravar um disco de bolero”
a cada Carnaval) até nome de vinho e série especial de jipe (“Ford EcoSport Camaleão”). “Uma marca como o Chiclete é uma franquia, um negócio, e como em qualquer negócio é natural que surjam discordâncias entre os sócios depois de tanto tempo juntos”, acredita Felipe Fornari, sócio do selo musical Mega Power (que presta consultoria a Bell e à banda dos seus filhos, a Oito7Nove4), pouco antes de um momento histórico. É quinta-feira de Carnaval, e mais de 5 mil pessoas pagaram até R$ 1 800 pelo abadá do Camarote Salvador, o mais concorrido do circuito Barra-Ondina, onde o Chiclete com Banana fará sua última apresentação com Bell Marques nos vocais. Para quem assiste, nada de anormal. Hits como “Diga Que Valeu”, “100% Você” e “Cara Caramba, Sou Camaleão” se sucedem entre sorrisos dos membros da banda, mas basta olhar para o nome do primeiro single do Chiclete sem Bell (“Segue na boa e na fé”, canta o novo vocalista Rafa
Chaves em “Vida Que Segue”) para per ceber que, como em qualquer divórcio após três décadas de casamento, certa bagagem emocional permanece. “Gostaríamos que fosse diferente e fizemos tudo para que diferente fosse, mas infelizmente os motivos que levaram Bell a tomar a decisão de deixar a banda devem ter sido muito importantes para ele”, afirmou Wadinho após o anúncio da saída do irmão. De forma apoteótica, no encerramento do Carnaval dali a cinco noites, Bell daria início à nova fase com seu novo bloco, o “Vumbora!”, expressão tão integrada ao seu léxico que se repete sete vezes ao longo de nossa entrevista. A decisão de sair, ele insiste, veio de um desejo de ir além dos trios elétricos. “Não quero que Bell Marques simbo lize nada. Daqui para a frente, quero ter liberdade para fazer qualquer coisa, sem ter a obrigação de ser fiel a um trabalho anterior”, suspira, entre um gole e outro de suco de limão. Por “qualquer coisa” entenda-se literalmente “qualquer coisa”, numa mistura de ritmos e planos digna do nome da ex-banda. Por exemplo: “Uma das minhas lembranças de infância mais antigas é chegar em casa e ouvir minha mãe cantando boleros e tangos clássicos, músicas de Vicente Celestino, Carlos Gardel. Quero fazer um disco de boleros daqui a alguns anos”. Outro projeto é mais imediato. “Ano que vem farei uma turnê tocando apenas em teatros, com arranjos em uma pegada mais acústica. Nossos fãs já estão na quarta geração, e quero tocar para aqueles casais que se conheceram em um show do Chiclete lá nos anos 1980, continuam meus fãs, mas hoje não têm mais pique para ficar duas horas em pé.” Casado há mais de 20 anos com Ana, os filhos Rafael e Felipe seguiram os passos musicais do pai e hoje formam a dupla Oito7Nove4 (seus respectivos anos de nascimento) com seu próprio trio no carnaval baiano. “Não queríamos que eles
“ N ão q uer o q ue B ell M a r q ues sim bolize n a da . Q uer o ter liber da de p a ra fa zer o q ue eu q u iser da q u i p a ra a f r en te”
fossem músicos, a vida de músico é muito solitária”, diz Bell. “São milhares de pessoas te aplaudindo em um show, seguido de muita solidão entre quatro paredes. Hotel e estrada, hotel e estrada; não pode sair para almoçar, não pode sair para jantar. Sua vida vira uma ciranda, longe dos amigos e da família. Tem muita gente que acaba nas drogas por não ter estrutura para aguentar isso.” “Fiz os meninos estudarem música para ver se essa era a praia deles mesmo. Quatro anos de estudo, tem que ter paciência e gostar muito para aguentar. E eles gostam.”
B
ell também gosta. Ele calcula uma média de mais de 100 shows por ano desde o início dos anos 1980, mais de 3 mil shows na carreira – como um James Brown da Bahia, “The hardest working man in show business”. Convidado diversas vezes por Antônio Carlos Magalhães para se can didatar desde deputado até prefeito de Salvador, Bell sempre preferiu os palcos – e a terra. “É com o pé na terra que me encontro”, diz sobre sua fazenda Ana Bonita em Cabaceiras do Paraguaçu, a 150 km de Salvador, onde cria caprinos e ovinos premiados. “Minhas ovelhas são inclusive adestradas. Sempre que eu chego na fazenda, elas me reconhecem e me cumprimentam, ‘Bééééll, Bééééll’”, ri. “Plantar e criar animais me ensinou que na natureza tudo tem seu tempo devido”, continua. “Se você tiver ansie dade na hora de colher os frutos, eles não serão bons. Mas, se você plantar, cuidar, cultivar e tiver paciência, os frutos serão lindos.” Em voo solo, Bell pretende colocar os ensinamentos à risca. “Só quero me oferecer para as pessoas. Enquanto houver quem queira ouvir Bell Marques, eu vou continuar trabalhando duro e me oferecendo.” www.bellmarques.com
57
a temporada parece mais lenta, econômica e complicada... Mas as novas perspectivas prometem também alta tecnologia e muita velocidade: a nova Fórmula 1 está estabelecendo padrões inovadores – e você terá que se acostumar com isso Fotos: Peter Clausen Film & TV
GERAÇÃO POWER 58
Por dentro dos carros: dez diferenรงas entre o vitorioso RB9 e o RB10, mรกquina de Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo nesta temporada
1
AERODINÂMICA Tirar sarro dos bicos dos carros já é normal. Todo ano é a mesma coisa: “A cirurgia de nariz do ano passado não ficou muito bonita, né?”. Os técnicos justificam que, dependendo dessa beleza, as asas podem gerar menos downforce e alegam que muito tem sido feito em nome da aerodinâmica. O lance agora é deslizar.
RB-10
RB-9
60
2 62
POSIÇÃO Os novos regulamentos relativos à aerodinâmica, que exigem um bico mais achatado, influenciam também na posição do piloto. Sobre isso, Ricciardo diz: “Meus pés, no RB10, têm bem menos espaço do que antes”. Na nova regra, piloto e carro devem pesar no mínimo 690 kg – então os mais leves têm uma pequena vantagem.
3
MOTOR TURBO Em vez dos motores V8 de 2,4 litros, como os que são usados desde 2006, agora entram em vigor os V6 1,6 L, com um máximo de 15 mil rotações por minuto. Um turbocompressor utiliza o fluxo do escapamento para refrescar o motor com ar frio. Esta é a razão dos novos barulhos estranhos, um ruído de fumaça sendo exalada.
4
CONTROLE O trabalho do piloto não ficou mais difícil com o novo regulamento: o aprimoramento eletrônico gera automaticamente desempenho máximo do motor, ERS-K e ERS-H. O botão push-to-pass tem um efeito menor do que antes. Devido a seu aprimoramento, no entanto, tem outro tipo de controle: o pé no acelerador.
EFICIÊNCIA Em vez de 7, o carro tem agora 8 marchas (mais a marcha à ré), e a substituição deve ser feita uma vez por temporada. Por corrida, o máximo de combustível usado deve ser 100 kg, sendo que a velocidade de vazão fica em torno de 100 kg por hora, no limite. Isso é controlado por sensores que estão sendo debatidos desde o início da temporada.
6
5
RECUPERAÇÃO A energia é recuperada de duas maneiras: o ERS-K utiliza, como antes, a energia liberada dos freios, e o ERS-H recolhe a energia térmica do motor. As duas unidades de recuperação carregam baterias e podem gerar 163 cv a mais de potência para o motor durante, no máximo, 33 s por volta.
65
7 66
ESCAPE Já se foi aquele tempo em que era possível usar os gases de escape para melhorar o rendimento por meio do ganho de espessura no difusor do chão do carro: agora a regra é que o jato de escape termine em um tubo central, sobre a tampa do motor. Um spoiler adicional em cima do escape (o “monkeyseat”) pouco consola os técnicos.
PNEUS Como os novos motores têm mais poder de torneamento, o que significa que fica mais fácil girar os pneus, a Pirelli criou estruturas mais rígidas e pesadas, mais duráveis que antes. Além disso, as novas versões têm mais superfícies de apoio e operam com eficácia em diferentes temperaturas. São 4 jogos de pneus para pista seca e 2 para chuva.
9 68
8
CONFIABILIDADE Um piloto de F1 tem que lidar com cinco unidades de acionamento (motor, ERS-K, ERS-H, baterias, sistema turbo e sistema de controle). Se o piloto precisa usar um sexto componente, perde dez posições no grid. Sem a unidade completa, ele tem que largar do box. Durabilidade da engrenagem: no mínimo nível 6.
the red bulletin
RB-10
10
SUPERAÇÃO Aerodinâmica pior, mais peso, porém mais poder: na prática, isso significa que os carros se tornarão mais lentos nas curvas e mais rápidos na reta. Ou seja: devagar nem sempre, muito em breve os carros de 2014 vão superar seus antecessores.
RB-9
the red bulletin
69
no
caminho jaguar do
RAFA ORTIZ, CAIAQUISTA EXTREMO, VOLTOU ÀS CASCATAS DE aGUA AZUL, no mÉxico, MAS DESTA VEZ ENCONTROU ALGO AINDA MAIS FASCINANTE: A AMIZADE Dos “HOMENS VERDADEIROS” E MUITOS SORRISOS, DAQUELES QUE alimentam A ALMA por: ARMANDO AGUILAR fotos: ALFREDO MARTÍNEZ FERNÁNDEZ
71
E
m Chiapas, se você quer chegar a algum lugar, precisa realmente querer chegar lá”, diz Rafa Ortiz, o melhor caiaquista extre mo do México, ao descobrir que a estrada que vai a Ocosingo está bloqueada por pessoas que aparentemente se manifestam contra o transporte público. “É parte da aventura que faz com que este estado seja maravilhoso. Chiapas é um lugar de cultu ra indomável, ambiental e socialmente; essa é talvez uma parte de sua magia.” Com a rota até as cascatas de Agua Azul fechada, Rafa e sua equipe decidem sair de San Cristóbal de Las Casas, dar a volta nos Montes Azules e assim chegar ao município de Tumbalá, onde ficam as cascatas, que são um dos melhores destinos para o caiaque extremo. Porém, o caminho é longo: mais de dez horas. Então, é necessário fazer uma parada em Lacanjá, um vilarejo metido em plena Selva Lacandona, que ainda conserva suas raízes milenares. Nele moram os hach winik (homens verdadeiros), como se autodenominam os lacandones, os len dários moradores da selva, descendentes mais puros dos maias e guardiões do equilíbrio entre a natureza e o homem. 72
Os lacandones não estão acostumados com a aproximação de turistas. Por isso, ao ver a caminho nete com os caiaques no teto, Mario Chambor, um dos hach winiks, chegou para cumprimentar todos com um grande sorriso. Quem não pôde conter a emoção foi um grupo de crianças, a nova geração de homens verdadeiros, que correu ao encontro desses seres tão estranhos. “Dois amigos caiaquistas que me acompanharam na expedição e eu estávamos vestidos com quase todo o nosso equipamento e nos destacávamos muito devido aos tons vivos utilizados em nossas roupas”, comenta Rafa. Os pequenos viam esses homens coloridos com a mesma expressão que qualquer um de nós, em nossos dias de infância, uti lizaria ao dar de cara com um astronauta na frente
Big Banana
O desafio de enfrentar as cascatas de Agua Azul apenas com seu caiaque é a segunda parada do projeto que Rafa Ortiz batizou de Red Bull Chasing Waterfalls. No primeiro episódio, Rafa desceu com sucesso os 47 m da catarata Big Banana, em Veracruz
the red bulletin
“A CASCATA É UM MONSTRO QUE OBSERVA VOCÊ E QUE ESTÁ SEMPRE PRONTO PARA UM DUELO”
da escola, com uma mistura de assombro e medo, com vontade de tocá-lo para ver se é mesmo de verdade. “Esse encontro com os garotos foi um momento incrível. Quando eles finalmente se atreveram a se aproximar, queriam colocar nossos capacetes, subir na caminhonete para encostar nos caiaques, estavam muito emocionados. E nós mais ainda.” Rafa Ortiz explicou o motivo da viagem a Mario, que imediatamente propôs uma caminhada rumo a uma de suas cascatas virgens, um desses lugares que eles guardam quase exclusivamente para si. No dia seguinte, cercados por uma flora exuberante, árvores de até 50 m de altura, samambaias, orquídeas, e pelo canto de aves invisíveis, o grupo encabeçado por Mario se introduziu na Selva Lacandona, talvez o lugar mais representativo da enorme biodiversidade que existe no México. “O que eu adoro fazer é chegar às cascatas e me jogar de cima delas no meu caiaque, mas no final das contas quase sempre o mais legal de tudo é a viagem para chegar até elas”, comenta Rafa. A forma em que os lacandones estão conectados com a natureza é algo que se sente de um modo intuitivo, que não pode ser reduzido a palavras. “Nós caminhávamos pela selva sem analisar o que
“ OS LACANDONES TÊM UM JEITO DE SER MUITO PURO, NÃO TÊM A MALÍCIA QUE NÓS TEMOS” 74
PURA ENERGIA Rafa Ortiz é dono do recorde mundial de escida da maior casd cata (com 57 metros), mas esta aventura em Chiapas lhe deixou algo mais que adrenalina: “Tem viagens que se destacam por causa da competitividade, mas eu voltei dessa viagem com uma energia muito bacana, com um sorriso enorme e o espírito muito satisfeito”
“ RESGATAMOS O CORPO E ALI EM CIMA DAS PEDRAS, NO MEIO DO RIO, APLICAMOS RCP DURANTE QUATRO MINUTOS”
Mas era preciso chegar às cascatas de Agua Azul. Então a equipe se despediu dos homens verdadeiros e retomou o caminho. “Quando vimos da estrada a grande serpente azul, paramos. ‘Nossa, nós já fizemos isso!’”, diz Rafa. A equipe tinha o receio de encontrar a água cor de café: “Quando o nível da água está muito alto, ela rebota, fica turva e cor de café. E, com essa potência, não é possível remar”. Mas lá estavam as cascatas com seus preciosos tons de azul-turquesa. Quem nunca remou em um caiaque pode ser enganado facilmente por um lugar tão lindo. “Os rios são classificados de 1 a 6 conforme o grau de dificuldade, onde 1 é água plana e 6 é a morte.” As cascatas de Agua Azul, afirma Rafa Ortiz, estão na classe 5 ou 5+, ou seja, sua dificuldade técnica é de um grau máximo. E aí também está Rafa, a ponto de despencar da primeira cascata: “Nesse momento, bem na margem da cascata, às vezes eu me arrependo e penso: ‘Por que estou aqui em cima outra vez?’. Mas aí pego o remo e me convenço que é um desafio que devo superar”.
DESAFIO DE VIDA Para Rafa, descer uma dessas cascatas é uma boa analogia da vida: “Sua primeira reação é: ‘Não se arrisque!’. Mas você se atira, tudo corre bem e essa é a maior satisfação que pode ter um ser humano: sentir que o desafio foi conquistado”
acontecia ao nosso redor, pensávamos no que a gente ia colocar no Facebook quando voltasse, essas boba gens. Eles vão metidos dentro da selva, vão escutando, vão cheirando, vão sentindo.” Intempestivamente, Mario Chambor se detém e ordena com um braço que ninguém mais avance. Com a seriedade que precede algo assustador ou terrível, Mario se abaixa, encosta na terra, olha para a frente e depois ao redor, fareja... “Aqui acaba de passar um jaguar”, diz. Ali estão as pegadas, frescas e evidentes para quem quiser vê-las, os rastros de um ser vivo cuja espécie, infelizmente, em breve deixará de existir. “Ao contrastar esses momentos com a realidade, você se dá conta de como cuidamos mal da natureza. E eles, os moradores da Selva Lacandona, não veem isso apenas de vez em quando, eles vivem isso todos os dias e sofrem muito mais do que nós”, lamenta Rafa. O grupo finalmente chega à cascata e, apesar de não ser um lugar adequado para que Rafa se atire, como costuma fazer, do ponto mais alto da quedad’água, é ideal para desfrutar da água com as crianças lacandonas que os acompanham. “Todos queriam subir ao mesmo tempo no caiaque, estavam muito entusiasmados e se jogavam na água sem medo. A criançada falava bem pouco espanhol, mas, para colocar um moleque em cima de um caiaque e compartilhar com ele a diversão de estar lá, não é preciso uma linguagem verbal; para brincar, você só precisa de sorrisos.” Os pequenos remavam, riam e colocavam o capacete de Rafa.
O
medo é justificado. No ano passado, Rafa chegou às cascatas de Agua Azul junto com outros três caiaquistas. Logo na primeira cascata, um deles decidiu ir pela parte esquerda do rio, deslizou com segurança seu caiaque pela borda da queda-d’água e foi. Depois, o cara simplesmente desapareceu. A cascata o puxou e ele ficou preso durante três minutos. No final, Rafa o viu boiando rio abaixo. “Resgatamos o corpo e ali em cima das pedras, no meio do rio, aplicamos RCP durante quatro minutos. Depois levamos ele ao hospital de Palenque, onde salvaram a vida dele”, lembra Rafa. “A cascata é um monstro que olha para você pronto para duelar”, ele diz. E esse é um desafio que todo caiaquista extremo quer receber e aceitar. Caras como Rafa vivem para encarar essas quedas, sumir na água e voltar, lutando contra a turbulência que pode arrancar facilmente o remo, o caiaque, a cabeça ou pelo menos o capacete. Depois, quando saem vivos, é a glória. “É o momento que você olha para trás, vê o monstro urrando e pensa: é para isso que estou aqui. Ganhar na loteria? Para mim é a mesma coisa.” Rafa venceu essa queda gigantesca e saiu remando rio abaixo, com o sorriso de um garoto no rosto. www.rafaortiz.com
77
A energiA de red Bull em trĂŞs novos sABores.
crAnBerry
lime
BlueBerry
www.redBull.com.Br
Aonde ir e o que fazer
“Rockin’ in the Free World”: conhece o MP3 player feito pelo Neil Young? MÚSICA, pág. 82
aç ão !
V I AG EM / EQ U I PA M ENTO / TR EI N O / M Ú S I CA / FESTAS / C I DA D ES / BA L A DAS
Preparo na areia aprenda o treino do campeão olímpico de vôlei de praia
Rutger Pauw/Red Bull Content Pool
EM FORMA, pág. 81
Julius Brink dá dicas para mandar bem na praia
the red bulletin
79
Ação!
meu equipo Star Trek: a bike que ajuda Macdonald a chegar ao pódio
4 3
1
2
Descida arrojada MOUNTAIN BIKe NO MUNDO DO DOWNHILL, O EQUIPAMENTO QUE poupar SEGUNDOS do ciclista PODE SER VITAL. e VOCÊ TAMBÉM PODE USAR
www.facebook.com/BrookMacdonaldMTB www.trekworldracing.com
DOS PÉS À CA B EÇA TUDO O QUE BROOK MACDONALD PRECISA
80
Five Ten Impact VXi Clipless
vá de b i k e por que ela vale a pena
1 QUADRO
PARA TODOS “Qualquer um pode ir até uma loja de bicicletas e comprar uma réplica perfeita deste quadro”, diz Brian Buckle, da Trek, sobre o modelo Session 9.9 650DB. “Queremos que as pessoas usem o mesmo quadro que a elite do esporte.” 2 SEM TRANCO
O amortecedor Fox RAD DH Shock da bicicleta de Macdonald foi feito especialmente para ele. É um protótipo.
com tudo e bate nas pedras, os aros Bontrager são feitos para amassar em vez de quebrar”, diz Buckle. “O objetivo é que isso ajude a chegar até o fim da corrida sem furar o pneu.” 4 SETE TIPOS
“Os pneus são quase tão importantes para a mountain bike quanto para carros de Fórmula 1”, diz Buckle. “Brook pode escolher entre sete tipos de pneus Bontrager dependendo das condições.”
3 descida
pesada “Quando Brook desce as montanhas
ÓCULOS OAKLEY
CAPACETE BELL FULL-9 DOWNHILL
“Eu uso os tênis Five Ten desde que comecei no esporte, mas a mudança para o ‘clipless’ talvez me ajude na eficiência”
“É o canivete suíço dos óculos. Eles são customizados para encaixar no rosto e tem um bom espaço para respirar, além de um incrível espectro de visão”
“Ele é feito para o motocross, mas foi adaptado para o mountain bike, é leve e durável e me dá segurança”
fiveten.com
oakley.com.br
bellhelmets.com
the red bulletin
robert tighe
Brook Macdonald: o auge no mountain bike downhill
“A competição é muito feroz agora”, diz Brook Macdonald, 22 anos, sobre a UCI Downhill World Cup. “Todo mundo está indo mais rápido e você tem que tentar de tudo para conseguir uma margem”. O neozelandês realizou muitas transformações na sua configuração neste ano para ajudá-lo em sua busca pelo lugar de melhor do mundo. A maior mudança é a bicicleta que ele tem usado, melhor que a antiga Trek Session 9 com rodas de 26 polegadas para a Trek Session 9.9 650B e rodas de 27,5 polegadas. “Com as rodas maiores, tenho maior velocidade de rolagem. Vai ajudar a tornar mais suaves algumas das mais difíceis trilhas e talvez ganhar algum tempo”, diz o cara que alguns chamam de “Bulldog”. Macdonald também espera mudar para um calçado que deve ajudar. Ele está mudando de tênis de canos baixos para um tênis “clipless”, que, apesar do nome, se encaixam nos pedais.
Ação!
EM FORMA Areia fofa e salto forte: Julius Brink
Poder para os ombros vôlei de praia O campeão olímpico Julius Brink revela o que é importante durante seu treinamento
Rutger Pauw/Red Bull Content Pool, HochZwei/Red Bull Content Pool, Markus Berger/Red Bull Content Pool, vario sling.de
O campeão olímpico em 2012 disputará o Mundial de Vôlei de Praia em 2014 com um novo parceiro
O jogador alemão Julius Brink (31) treina 25 horas por semana. O programa é diversificado e envolve resistência, força, técnica e trabalho em equipe. Nesta temporada ele tem uma nova dupla, o jogador de 23 anos Armin Dollinger. O que vale para os atletas profissionais deve valer também para os esportistas amadores: “Jogar vôlei de quadra regularmente ajuda muito a melhorar a técnica de base e a planejar o treinamento. Também se deve praticar duas ou três vezes por semana os exercícios mais clássicos, como agachamentos, levantamentos de peso e alongamentos – para fortalecer os ombros, que ficam extremamente tensos depois das partidas... Esse tipo de treino previne a maioria das lesões”, aconselha Brink.
P E N D U R A D O N O S LI N G ESTABILIDADE PARA TODO o CORPO
Slingtrainer
O Slingtrainer é bem simples. Destinado a fortalecer a musculatura do corpo e dar estabilidade, é muito usado, por exemplo, na reabilitação de lesões. Um exercício muito útil para a estabilidade do tronco (veja na foto): com os pés nas cordas, mantenha o tronco estendido e movimente para a frente e para trás – concentre a força.
L E V A N TA M E N T O D E P E S O Os levantamentos ajudam no fortalecimento e na estabilidade dos ombros. Eu recomendo 5 séries, cada uma de 8 a 12 movimentos. E mantenha as pernas esticadas durante a execução.
www.brink-dollinger.de
1
Julius Brink treina todos os dias num aparelho com cordas elásticas
the red bulletin
Deite no banco. Segure os halteres com os braços levemente flexionados, junto ao peito. Na medida do possível, movimente-os em direção à cabeça.
2
Durante o movimento, a coluna fica pressionada contra o banco. Mantenha os braços quase completamente esticados e expire quando fizer força.
81
Ação!
Música
Os pilares do rap Playlist nas começou a compor a bíblia do hip hop há 20 anos: o disco Illmatic, que acaba de ser relançado. ele revela quais músicas inspiraram sua obra-prima
1 Public Enemy
Down ProTribe Called ductions 2 Boogie 3 AQuest
Em 1998, vi esses caras pela primeira vez ao vivo, no Harlem. A energia do show deles era inacreditável. “Soul, rock and roll, comin’ like a rhino”, dispara Chuck D em “Rebel Without a Pause”. Ele era mesmo como um rinoceronte pisando no palco. Na voz afiada de Chuck, o ativista Jesse Jackson nunca soou tão importante quanto aqui.
Quando eu era jovem, sempre me fazia esta pergunta: pode um rapper ser um filósofo? O KRS-One, da BDP, me respondeu com essa faixa. Ele mostrou o que um rapper pode fazer, o dever de um MC como alguém que reflete e como colocar o texto em outro patamar. O KRS-One foi um professor para mim. Ou melhor: o Malcolm X da minha geração.
“Rebel Without a Pause”
“My Philosophy”
4 Michael Jackson 5 Stevie Wonder “Human Nature”
A forma como Jackson des creve seu en contro com uma menina na cidade grande nesta música é má gica. O tipo de sintetizador que ele usou na música é algo que me pergunto até hoje. Por amor a essa música, eu usei um sample dela no meu single “It Ain’t Hard to Tell”. O próprio Jackson me concedeu a permis são, por telefone. O cara era bom demais.
82
“Master Blaster”
Meus pais eram fãs de Stevie Wonder. Cresci ouvindo o som dele. Eu pensava já desde criança: esse cara é genial. Essa música é uma homenagem ao hino de Bob Marley, “Jammin’”. A leveza com a qual Stevie Wonder se aproxima do reggae é de tirar o fôlego – e foi decisiva para o meu trabalho em conjunto com o filho dele, Damien.
escute seus MP3 numa qualidade excelente
WooAudio wa7 O conversor D/A para computador melhora a quali dade por causa de um conversor externo, como esse miniamplificador para caixas de som e fones de ouvido.
“I Left My Wallet...”
As letras são fantásticas: Q-Tip faz uma viagem pelas estradas de Nova York até a costa oeste. Quando volta, se dá conta que perdeu a carteira em El Segundo. A faixa me deixa feliz até hoje. Mas, na época, em 1990, era mais do que isso: Q-Tip era o tipão, o cara mais figura de todos. Por isso, é uma honra que ele tenha me ajudado com o Illmatic.
dfx Audio Enhancer Este software me lhora até aquele MP3 de gravação bem ruinzinha, com poucos bits. O se gredo: simulação de som surround.
CO R PO D E S O M GADGET DO MÊS
Ototo
Este minissintetizador transforma objetos do dia a dia em instrumentos musicais. Bananas, vasos ou peças de mobiliário passam a cuspir sons uma vez ligados por cabo nos 12 botões do dispositivo. O som é emitido pelo autofalante do próprio Ototo.
Ponoplayer A lenda do rock Neil Young apre senta este novo tipo de audio player: a música digital deve soar muito melhor aqui. O aparelho será lançado nos pró ximos meses e custará US$ 399.
the red bulletin
pressherenow.com
Nasir Jones, 40 anos, conhe cido como Nas, é uma lenda em Nova York
Nasir Jones viveu em Queensbridge, um bairro perigoso em Nova York. Ele rompeu relações com o pai, abandonou a escola... ou seja, teve as oportunidades perfeitas para seguir uma bela carreira de traficante. Mas Nasir Jones preferiu se tornar Nas. E com 20 anos, em 1994, lançou Illmatic, seu álbum de estreia. Em suas letras, contou histórias como ninguém tinha contado. Ele assumiu o papel do observador, capturando muito bem o clima da criminalidade no seu bairro, com uma linguagem poética, porém sem glorificar as atrocidades. Até hoje, Illmatic é celebrado por rappers e críticos. Em comemoração ao aniversário de 20 anos da obra, o disco será relançado. Por isso, conversamos com Nas para saber o que ele ouvia quando fez o disco.
toca MELHOR ASSIM
ação!
games
Muita porrada em Ultra Street Fighter IV
sempre eles as estrelas do mundo dos games
Mario Com lançamento de Mario Kart 8 previsto para o dia 30 de maio, logo depois de Mario Golf: World Tour, o jogo marca mais de 200 games com Mario Bros.
Hadouken!
mario.nintendo.com
paul wilson
Ultra Street Fighter IV as bolas de fogo vão voar no retorno desse clássico dos games O negócio sobre o novo Street Fighter é que não vai ser muito novo, mas é por isso que a série de jogos de luta é uma das mais populares de todas. A essência da pancadaria um contra um, rápida, frenética e de porradas fortes é a mesma que a do primeiro ano da série, em 1987. Os avanços na tecnologia do game contam apenas com algumas melhorias na fórmula vencedora em vez de uma ideia absurda, como tirar o Mr. Bison. Por essas e outras que o Ultra Street Fighter IV é porrada em 2D em um ambiente tipo 3D, exatamente como os outros Super Street Fighter que vieram antes dele. Existem cinco personagens adicionais na nova versão, incluindo o Decapre, um russo de pernas compridas que veste uma roupa azul de ninja e um chapéu que foi visto pela última vez nas aeromoças do Concorde. O novo Street Fighter tem um total de 44 lutadores. Os jogadores mais fanáticos vão se dividir sobre o fato de que o Decapre é um clone de Cammy, um personagem veterano do Street Fighter, que pode ser escolhido também no USF IV, encarnado por Kylie Minogue no filme Street Fighter. A paixão dos fãs, inclusive, levou a fabricante, a Capcom, a fazer mudanças baseadas no retorno que tiveram do último, evitando as esquisitices que geraram tanta discussão online. No começo de junho, aqueles que terminaram o último jogo podem fazer um upgrade para o novo. O resto de nós terá que pagar por isso. Será lançado para Xbox 360, PC e PlayStation 3. streetfighter.com
the red bulletin
Vem aí!
O sonho dos amantes de games virou realidade Faça um jogo milionário de graça
Você pode baixar e usar as mesmas ferramentas que os desenvolvedores de jogos famosos usam para fazer games como o Unreal – alguns deles de graça. O Unreal Engine 4 custa US$ 19 (R$ 46) por mês, enquanto o CryEngine, da Crytek, fabricante do Far Cry e Homefront 2, custa apenas US$ 9,90 (R$ 22) por mês. Agora, quando você gritar para a tela, “Ah, se fosse do meu jeito...”, terá outro sabor.
Sonic Existem 30 games oficiais no currículo do bicho azul – o mesmo número de participações especiais e parcerias, incluindo os jogos Mario Olympics, junto com o bombeiro acima.
unrealengine.com cryengine.com
sonicthehedgehog. com
Festa do game
encontre o futuro na e3
Chegou a 20ª edição da maior feira de entretenimento eletrônico, exposição e lançamento de novos jogos. Cerca de 50 mil pessoas são esperadas durante os três dias de evento no Los Angeles Convention Center. Quando sai o Halo 5? A Nintendo está produzindo um novo console? Estas e muitas outras questões serão respondidas lá.
e3expo.com
Tetris Visto pela primeira vez em 1984 e desde então integrando um total de 54 games oficiais, o Tetris tem incontáveis outras versões de homenagens e imitações. tetris.com
83
Ação!
balada
Música eletrônica e uma das vistas mais bonitas de Xangai
mais do que m iojo existem bons petiscos na china
Xiao Long Bao Dumpling de porco ensopado é um fundamento da cozinha local. Você encontra essa comida em todos os lugares, desde os becos até os melhores restaurantes.
XANGAI a balada mais bombada da segunda maior cidade da China vai fazer você se sentir poderoso É difícil seguir tendência em uma cidade tão acelerada quanto Xangai. No entanto, aqui, onde o consumo desenfreado é um esporte, uma boate tem prosperado. Neste ano, o Bar Rouge comemora uma década servindo um público bem selecionado e com muitos estrangeiros. Certamente, a localização ajudou na longevidade da balada, que fica na Bund, orla histórica da cidade. Do amplo terraço, você pode saborear um cenário com vista espetacular de 180° do imponente horizonte de Xangai – visão que mudou muito nos últimos dez anos e que deixa Nova York assustada. Assim como a fama de excelente diversão, o Bar Rouge alimenta a reputação de uma das mais rígidas políticas de entrada de Xangai. “É tudo uma questão de conhecer as pessoas certas”, diz Deniz Otman, gerente de operação. “Mas, se você chegar com um sorriso no rosto e muita energia positiva, pode ser que entre.” bar rouge 18 Zhongshan East 1st Rd, Huangpu, Xangai, China www.bar-rouge-shanghai.com
84
Você sabe falar “não para!” em chinês?
no topo e pro alto no mundo todo você pode badalar em uma bela cobertura
Gansevoort Park Rooftop, Nova York Um bar-balada no 20° andar da Park Ave., com uma das melhores piscinas da Big Apple e vista para o Empire State. People, Dubai Tem vista de 360° dos prédios da cidade, do alto do hotel Raffles, e traz DJs famosos, como Steve Aoki. Ponto negativo: uma política de entrada super-restrita. Rooftop Bar, Melbourne Gramado artificial que recebe desde eventos com DJs até cinema ao ar livre. Uma vibe descolada e vistas excelentes do bairro Central Business.
Shao Kao O churrasquinho de rua de Xangai é popular e barato para aquela fome de fim de noite. Escolha uma das opções de legumes, carne e frutos do mar. No palito, na brasa e na sua frente.
Chòu Dòufu Não dá para deixar de fazer uma boquinha com este tofu fermentado. Ele se parece com um queijo azul salgado. Para encontrar o ambulante mais próximo, é só seguir o cheiro.
the red bulletin
Dave Tacon, Kai Wang, Artbeat Studio(3), shutterstock(3)
Como um imperador
Ação!
minha cidade lmira n u e v a p a
Montevidéu
e a v
A
v.
d
Montevidéu, uruguai
o . r
os
e
t
.
c
r
l a pa z
gr
an
br
e ta
de
ju
stit
lio
A v. g e n . f. r i v e r a
uyen
te
do
5
artigas
maldona
la.
o
general
18 v.
con
4
p
C ÉU e M AR
lia
Atividades ao ar livre em Montevidéu e redondezas
3
a
rb
es
a a it
bu l eva r
r
bl
f. d a.
l ve
.f
nid
Surf gelado bu
Ña
rgentin rambla a
a
2
av e n i da
le
sarmien
va
r e sp
to
aÑ
a
1 r í o d e l a p l ata f.
O compositor e produtor Juan Campodónico
“ Eu amo as dicotomias desta cidade”
shutterstock(2)
montevidéu O músico Juan Campodónico nos guia pela capital uruguaia – uma cidade entre o progresso e a nostalgia – e com um dos mais belos calçadões à beira-mar do mundo No Uruguai, Juan Campodónico é uma estrela – e isso graças ao seu talento extraordinariamente versátil: o músico de 42 anos é o fundador das bandas de sucesso Bajofondo e Campo, produtor de álbuns de Jorge Drexler (o mesmo Drexler que ganhou um Oscar pela trilha sonora de Diários de Motocicleta, o primeiro uruguaio a ganhar um Oscar) e é ainda compositor de trilhas de comerciais de televisão internacionais (como uma que fez recentemente para a Honda). Juan diz se inspirar em sua cidade natal: Montevidéu. “O que eu amo tanto na cidade? Por exemplo, a charmosa dicotomia entre o progresso e a nostalgia. Nós, uruguaios amamos o novo, mas nos divertimos muito com o passado. Isso dá para sentir na música e na cultura, que ecoam pela cidade.” Veja algumas dicas de Juan para quem vai para a capital uruguaia. juancampodonico.com; campomusic.net
the red bulletin
TOp cinco MEUS DESTAQUES NA CIDADE
s.
ga
rc
ía
r
b
la
.
g
a
n
d
h
i
OK, a praia de Montevidéu talvez não seja o pico de surf mais atraente do mundo, mas as ondas que ficam sempre em torno de 1 metro ajudam os iniciantes. olasyvientos.com
as caixas em busca de discos de cantores uruguaios do passado, como Romeo Gavioli ou Alfredo Zitarrosa. O que mais? Frutas, livros, peças vintage... e ainda tango ao vivo por todas as esquinas.
Sandboard
1 La Otra Tomás Diago 758 No Uruguai não existe criação de gado em massa. Nossa carne é uma preciosidade. E esta é a melhor parrilla da cidade. Recomendo o corte vazio – que só existe no Uruguai e na Argentina.
4 la ronda & El Santa Ciudadela Nada de Starbucks, mas, sim, cafés folclóricos podem ser encontrados pelas ruas de Montevidéu, como o La Ronda (acima) e o El de Santa. O presidente Pepe Mujica costuma ir ao segundo.
3 Feria Tristán Narvaja Dr. Tristán Narvaja O lendário mercado de pulgas. Aos domingos sempre vasculho
sobrelasdunas.com
asa-delta
2 La rambla
No Rio da Prata O passeio à beira-mar soma 22 km de praias, grandes gramados, mirantes e uma passarela de granito rosa. Luxo ao ar livre e de graça!
O esporte é superpopular no Uruguai. Não é pra menos: o país abriga picos perfeitos para a prática, como Valizas e Maldonado: as dunas são consideradas as melhores do continente.
5 Parque Rodó Bairro Parque Rodó Este é um bairro que ou você ama ou odeia. De alguma forma ainda está preso no passado: casas de estilo anos 1960, parque de diversões antigo, praças românticas... um reflexo da alma nostálgica dos habitantes da cidade.
Quer ver a capital do Uruguai pela perspectiva de um pássaro? Aqui você vai, de asa- delta, diretamente da praia de Montevidéu para os ares. Dica: o passeio noturno! arribauruguay.com
85
ação!
A 3ª etapa do Super Bike vai rolar em Interlagos 8/6, em São Paulo
Motovelocidade O GP de Interlagos vai receber os melhores pilotos de moto do Brasil para a 3ª etapa do Super Bike Series. Pegas alucinantes em motos de até 1 000 cc vão esquentar o asfalto do GP mais tradicional do país. Nomes como Rafael Paschoalin estão na disputa. www.superbike.com.br
14/6, no Rio
Pre-para
13/6, em São Paulo
Pra alegrar Nada como uma festinha regada a música boa para espantar a superstição da sexta-feira 13. É dia d’A Banda Mais Bonita da Cidade, hit na web em 2011. cinejoia.tv
86
Enquanto a bola rolar em BH, Fortaleza, Manaus e Recife, no terceiro dia de Copa, o Rio de Janeiro estará esquentando os motores para assistir a mais um show explosivo da Anitta, que promete balançar o Citibank Hall com sensualidade e hits como “Show das Poderosas”. E é claro que os gringos vão aprender o refrão bem rápido. www.citibankhall.com.br
31/5 e 3/6, no Rio e em São Paulo
Yo La Tengo Uma das bandas mais importantes da cena indie passará pelo Brasil para alimentar os fãs que ficaram com um gostinho de quero mais após a última (e curta) apresentação do quarteto, em 2010, no SWU, quando tocaram por apenas 40 minutos. Desta vez o grupo irá se apresentar no Cine Joia, em São Paulo, e no Circo Voador, no Rio de Janeiro. cinejoia.tv; circovoador.com.br
the red bulletin
Moto velocidade.br, rosano mauro jr, castingmodels.com.br, Josh Sanseri, divulgação, Robert Astley Sparke, Bruno Terena/Red Bull Content Pool, Lost Art/Red Bull Content Pool, Getty Images
na agenda
14 e 15/6, em Salvador
1º/6, em Goiânia
Carnaval da Copa
Stock Car
Salvador organizará dois dias de farra durante a Copa do Mundo. Cerca de 15 blocos com trios elétricos comandarão a folia que contará com as principais estrelas do axé, como Ivete Sangalo e Bell Marques. A farra acontece um dia depois da partida entre Holanda e Espanha, realizada na capital baiana. www.salvador.ba.gov.br 14/6, em São Paulo
Depois de 12 anos sem receber uma etapa da Stock Car, a cidade de Goiânia volta a fazer parte do calendário da maior categoria do automobilismo brasileiro. Principal novidade do ano, a pista tem, entre suas adversidades, a adaptação ao clima seco e quente da região central do Brasil. O Autódromo Internacional de Goiânia recebeu a Stock Car pela última vez na temporada 2001 e volta este ano após grande reforma. www.stockcar.com.br
Pedra do Baú Um desafio em meio à natureza e com vista para uma das formações mais conhecidas do estado de São Paulo, a Pedra do Baú. Assim é a Volta do Baú, uma corrida de montanha pela Serra da Mantiqueira. São três percursos: de 6 km, 12 km e 30 km, além do Ultra Trail Kids, para as crianças. Neste ano haverá o trecho de 45 km de mountain bike. www.ecomotion.com.br
FIM DE MAIO Fique ligado na programação
24 sábado
Agito fino A Cook’n Groove mistura boa música, arte e gastronomia. Enquanto os pratos especiais são preparados com esmero pelos chefs da Soul Kitchen, o agito toma conta da galera que curte o som. www.facebook.com/ agenciamulticase
25 Até 1º/6, no Rio
Hiper-realismo As obras cheias de detalhes do artista australiano Ron Mueck podem ser vistas no Museu de Arte Moderna do Rio até o dia 1º de junho. Mueck é conhecido mundialmente pelo hiper-realismo de seu trabalho, ora em escala reduzida, ora em tamanhos gigantescos. As peças do escultor, feitas em resina, fibra de vidro e silicone, encantam (e assustam) pela perfeição. www.mamrio.org.br
domingo
Mergulho no MAR A exposição “ Encontro de mundos” comemora o primeiro ano de vida do Museu de Arte do Rio, o MAR, homenageando artistas que doaram obras, como Aleijadinho e Vik Muniz. museudearte dorio.org.br
30 sexta
6/6, em Belo Horizonte
Bota pra quebrar! A série de duelos entre os melhores DJs do Brasil e do mundo já tem data para começar. No Brasil, o DJ Nedu Lopes selecionará os 12 melhores para batalhas que acontecerão em Recife, Brasília e Campinas, em abril. A final nacional reunindo os melhores de cada região acontece em junho, em Belo Horizonte. Os jurados das batalhas entre DJs do Red Bull Thre3style deste ano serão Nedu Lopes, Tamenpi e DJ Hum. www.redbull.com.br
the red bulletin
Te-teteteretê Se você está atrás da farra mais le gítima da música brasileira, corra para o show de Jorge Ben Jor, o pai do samba rock, em São Paulo, no Espaço das Américas. ticket360.com.br
87
Grécia, 26 de março de 2014 O Canal de Corinto tem cerca de 21,3 m de largura em seu ponto mais estreito. O suficiente para acelerar um Extra 300S nas mãos da lenda das acrobacias, o húngaro Peter Besenyei. A envergadura do avião é de 7,5 m. Que olho tem o Besenyei!
“ Claustrofobia? A 300 km/h não dá nem tempo de pensar nisso” Peter Besenyei, campeão mundial de acrobacias e piloto do Red Bull Air Race
A PRÓXIMA EDIÇÃO DO RED BULLETIN SERÁ LANÇADA NO DIA 11 de Junho 88
the red bulletin
Predrag Vuckovic/Red Bull Content Pool
momento mágico