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Jornalismo Ambiental: uma atitude política e social

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Jornalismo Ambiental: uma atitude política e social |

Jornalismo Ambiental: uma atitude política e social 03/03/2015 by Rafael Rangel Winch Wilson Bueno é um dos precursores da pesquisa sobre o Jornalismo Ambiental no Brasil. Autor de vários trabalhos sobre o tema, no artigo ‘‘Jornalismo Ambiental: explorando além do conceito’’, ele explora importantes e básicas questões acerca da relação jornalismo e meio ambiente. A seguir, destacamos alguns dos principais pontos discutidos neste estudo. Atualmente, a cobertura sobre fatos e eventos ambientais é quantitativamente significativa no país. Contudo, a forma como o assunto é abordado pelos meios jornalísticos ainda parece ser questionável em vários aspectos. As pautas sobre meio ambiente ainda ocupam posições marginais e, muitas vezes, recebem tratamento superficial e reducionista. Apesar da existência de veículos especializados, que buscam tratar o meio ambiente de uma maneira responsável, mesmo nestes espaços, ainda é possível observarmos conteúdos sem a necessária contextualização das causas dos acontecimentos. Além disso, interesses de outros campos, como o político e o econômico, também são constantemente silenciados nas coberturas referentes ao meio ambiente. Na visão de Bueno, o jornalismo brasileiro se ressente de várias síndromes que penalizam a qualidade da cobertura ambiental. O pesquisador elenca alguns problemas que ainda vigoram na produção de pautas ambientais, tais como o sensacionalismo e a predominância do uso de fontes autorizadas. Ainda de acordo com o pesquisador (2007, p.3), o Jornalismo Ambiental pode ser simplificadamente definido como ‘‘o processo de captação, produção, edição e circulação de informações (conhecimentos, saberes, resultados de pesquisas, etc.) comprometidas com a temática ambiental e que se destinam a um público leigo, não especializado’’. O Jornalismo Ambiental, que conforme o autor é antes de tudo jornalismo desempenha três funções básicas: 1) a função informativa; 2) a função pedagógica e 3) a função política. Função informativa: relacionada ao preenchimento da necessidade que as pessoas possuem em estarem informadas sobre as principais questões que abarcam o universo ambiental, considerando o impacto que determinadas posturas, processos e modelos tem sobre o meio ambiente e, consequentemente, sobre a sua qualidade de vida. Função pedagógica: refere-se à contextualização das causas e soluções dos problemas ambientais e, ao mesmo tempo, das possiblidades de caminhos para a superação destes, sem descartar a necessária participação dos cidadãos. Função política: compreendida em seu sentido mais amplo, ou seja, além do cunho meramente político-partidário, tem a ver com mobilização da população para o enfrentamento dos interesses que agravam os problemas ambientais.

O Meio Ambiente na capa de revistas brasileiras Fonte: Google Imagens Apesar da literatura bibliográfica expressiva sobre a relação do jornalismo com o meio ambiente, o conceito de Jornalismo Ambiental ainda carece de uma definição consensual (MORAES, 2008). Entretanto, o artigo de Bueno (2007) esclarece pontos fundamentais que circundam a cobertura ambiental no Brasil. O autor defende que como qualquer tipo de jornalismo, o ‘‘Ambiental’’ precisa manter o compromisso com o interesse público, com a democratização do conhecimento e com a ampliação do debate sobre a temática. Em outras palavras, o Jornalismo Ambiental ‘‘não pode ser utilizado como porta-voz de segmentos da sociedade para legitimar poderes e privilégios’’ (BUENO, 2007, p.4). Portanto, esse jornalismo necessita potencializar o diálogo ente as mais distintas esferas sociais, sem menosprezar e estigmatizar nenhuma voz, sobretudo às que já são historicamente ocultadas e desvalorizadas na produção jornalística. https://ecolandia.wordpress.com/2015/03/03/jornalismo-ambiental-uma-atitude-politica-e-social/

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O engajamento político e social para o exercício do Jornalismo Ambiental não pode ser apenas uma premissa. É imprescindível que sua prática esteja compromissada com os princípios clássicos do campo jornalístico, sem esquecer que o tema meio ambiente envolve aspectos particulares. Neste sentido, é preciso que o profissional amplie seu olhar para além do senso comum sobre a questão. Ainda segundo Bueno (2007): O jornalista ambiental (e é isso que precisa ser trabalhado nas escolas e nas redações junto aos profissionais de imprensa do futuro) tem um compromisso que se estende além da jornada de trabalho. Consciente e capacitado, ele será militante sempre. Qualquer outra alternativa conduz, inevitavelmente, à capitulação (BUENO, 2007, p.4). A compreensão da complexidade do meio ambiente é um fator crucial para a cobertura jornalística das pautas ambientais. A redução das abordagens a um olhar meramente econômico, científico e político precisa ser substituída por um olhar sistêmico dos fatos. Por fim, cabe destacarmos a partir de Bueno (2007, p.5), que assim como o saber ambiental, o Jornalismo Ambiental não se limita apenas às ‘‘questões complexas que reclamam tecnologias de última geração’’. Essa prática tem a ver com o cotidiano dos cidadãos. Aliás, só faz sentido quando os inclui nessa discussão e possibilita/promove a sua participação no processo de tomada de decisões. Por isso, não podemos esquecer que o Jornalismo Ambiental também é da ordem do local. Para ler: BUENO, W. C. Jornalismo Ambiental: explorando além do conceito. Desenvolvimento e Meio Ambiente. Editora UFPR. n. 15, p. 33-44, jan./jun. 2007. MORAES, C. H. Jornalismo Ambiental: dilemas de uma quase especialidade. In: Encontro Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo, 2008, São Bernardo do Campo (SP). Anais… São Bernardo do Campo (SP): Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJor, 2008. Category : Texto Tags : jornalismo ambiental, Meio Ambiente

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