Rafael Luiz Mariani Nogueira
CONVERGÊNCIA ENTRE TV E INTERNET Análise de conteúdo de WebTV nos modelos de produção e transmissão audiovisual da TV Cruzeiro
Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte UNI-BH 2009
Rafael Luiz Mariani Nogueira
CONVERGÊNCIA ENTRE TV E INTERNET Análise de conteúdo de WebTV nos modelos de produção e transmissão audiovisual da TV Cruzeiro
Monografia apresentada ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH, como requisito parcial à obtenção de título de bacharel em Jornalismo. Orientador: Luciano Andrade Ribeiro
Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte UNI-BH 2009
AGRADECIMENTOS
Dedico à Deus, aos meus pais, Rafaela, Leo, Tatá, um singelo obrigado aos parentes e amigos que creram no meu potencial e apoiaram minhas decisões, em todos os momentos. Agradeço a todos do Cruzeiro Esporte Clube pela colaboração para a análise deste estudo na TV Cruzeiro, a comunidade acadêmica e todos que confiaram nos meus trabalhos. Em especial ao meu orientador Luciano Andrade Ribeiro, pela contribuição no desenvolvimento desta monografia, as professoras Ana Rosa Vidigal e Lorena Tárcia pelas dicas e ponderações para a origem da pesquisa, e aos demais Mestres do UNI-BH pelos ensinamentos.
RESUMO A conexão envolvendo as mídias, principalmente a televisão e internet causam muitas dúvidas e incertezas nos processos de divulgação da informação e nas formas de trabalho realizado pelos profissionais que atuam nestes veículos de comunicação. Esta união cria uma nova mídia denominada WebTV, que altera os métodos de produção, técnicas de transmissão e recepção do acontecimento, além de transformar em um espaço cobiçado pelos mais diferentes interesses empresariais, comerciais, políticos e sociais. Adotando uma análise crítica, buscou-se pontuar como a emissora TV Cruzeiro, caminha em termos de adequação diante das características empregadas nas televisões tradicionais e Internet, no que refere-se a usabilidade, utilização dos recursos multimídia, estrutura da notícia, interatividade, diferentes técnicas de trabalho entre o jornalismo televisivo e online, além da divulgação de conteúdos informativos. Desta forma, pretende-se observar como profissionais e principalmente jornalistas que trabalham nesta mídia, usam as ferramentas para informar sobre futebol, através das características de comunicação, conteúdo e estrutura da notícia, e receptividade dos consumidores desta mídia. Palavras Chave: Jornalismo Digital, Webjornalismo; WebTV; TV Cruzeiro; Convergência de Mídia.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Site da TV Cruzeiro ........................................................................................... 53 Figura 2 – Equipe da televisão do clube ............................................................................. 53 Figura 3 – Diretor da TV Cruzeiro ...................................................................................... 54 Figura 4 – Cobertura da TV durante entrevista coletiva ..................................................... 54
SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 7 1. PARÂMETROS DA COMUNICAÇÃO NA CONVERGÊNCIA .............................10 1.1. Transformações tecnológicas e econômicas das novas mídias ..................................... 10 1.2. Preceitos das estruturas do hipertexto no ciberespaço .................................................. 14 1.3. A manipulação interativa entre mídia e leitor ............................................................... 17 2. A CRIAÇÃO DE UM NOVO FORMATO JORNALÍSTICO .................................. 22 2.1. Modificações no trabalho jornalístico com o uso da internet ....................................... 22 2.2. O hipertexto na produção do jornalismo online e televisivo ........................................ 26 2.3. Métodos de trabalho no jornalismo online e de TV ......................................................31 2.4. Evoluções e problemas da convergência entre web e TV ............................................ 35 3. CONEXÃO ENTRE TV E INTERNET ...................................................................... 40 3.1. TV Cruzeiro: A televisão como produto do futebol ..................................................... 40 3.2. Metodologia .................................................................................................................. 42 3.3 Transmissão de informação da TV Cruzeiro ................................................................. 43 3.3.1. Formatação visual e categorias do portal ............................................................. 43 3.3.2. Características dos conteúdos .............................................................................. 44 3.3.3. Estrutura técnica e de trabalho ............................................................................. 45 3.3.4. Perfil do profissional e equipe ............................................................................. 46 3.3.5. A transmissão da informação ............................................................................... 46 3.3.6. Diferenças e semelhanças da WebTV e TV tradicional ....................................... 48 CONCLUSÃO .................................................................................................................... 49 REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 51 ANEXOS ............................................................................................................................. 53
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INTRODUÇÃO Vai começar mais uma partida emocionante no campeonato à equipe do Cruzeiro que tem mais um desafio pela frente, um jogo importantíssimo para a história do clube, realizado no Mineirão. O locutor anuncia na TV, principalmente para aqueles telespectadores que, por diversos motivos, não estão no estádio acompanhando a partida. Outros também, que não podem assistir na televisão, ficaram sabendo apenas do resultado após o jogo. Onde quer que o torcedor esteja, poucos minutos depois do encerramento da partida, ele poderá assistir, em qualquer horário, a reportagens com os gols daquela partida, depoimentos dos jogadores e do técnico ou ouvir o grito de guerra da torcida, através de imagens disponíveis pela Internet. Tudo isso graças às tecnologias, que hoje, compõem a chamada convergência das mídias, um marco divisório na era da informação, que pode unir diversas formas de comunicação com o mesmo objetivo. Como por exemplo, a WebTV do Cruzeiro Esporte Clube, ou a TV Cruzeiro. A fusão envolvendo televisão e internet é uma das principais transformações das mídias, pois envolve a dinamicidade de uma mídia e o efeito amplificador da outra. A grande capacidade de armazenamento, investimento e produção de informação, faz com que a TV transmitida, pela internet, seja um “objeto” de trabalho, com novas perspectivas tecnológicas e possibilidades de reprodução de imagens e conteúdos, para diversas empresas incluindo clubes de futebol. A inserção do jornalismo, nessa mídia, aumenta o interesse em ações e empreendimentos para as produções de notícias e reportagens de televisão via internet. A Convergência das Mídias começa a modificar os hábitos de consumo de informação e entretenimento da sociedade. Uma tecnologia que envolve os principais suportes de comunicação como jornais impressos, rádios, televisão, internet e celulares e forma uma segmentação de informação para um público específico, disponibilizado na união do veículo de comunicação preferido do consumidor.
8 Com base nisso, a proposta desta pesquisa é desenvolver uma análise de conteúdo veiculado pela TV Cruzeiro. Nesse veículo, vamos verificar a maneira como é produzida a televisão na internet, tendo como referência as reportagens e notícias veiculadas na emissora. Pretende-se, também, identificar se há reprodução na internet através dos formatos tradicionais de televisão, além de saber o diferencial e a ambição da tecnologia. Para responder tais questionamentos e alcançar base teórica para esta análise, propôs-se, em três capítulos, a fundamentação sob os dilemas das tecnologias e trabalho ligados a TV e internet. O primeiro capítulo, Parâmetros da Comunicação na Convergência, apresenta como as mídias estão se unindo diante da convergência e como as informações são sustentadas no espaço virtual. Os autores Wilson Dizard (2000), Joseph Straubhaar (2004) e Robert D’Larose (2004) observam a evolução dos meios de comunicação, que afeta todo o complexo midiático, desde jornais impressos, rádios, televisões e internet.
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complementam como essa sinergia tem se revelado em um estado de dependência discursiva. A identificação da idéia de uma sociedade participante do processo produção da informação, Pierre Lévy (2000) e Lúcia Santaella (2004) consideram as alterações de conteúdo e tecnologias de acesso. Além disso, destaca a organização diante do aumento de acessos, arquivos e informações na rede digital com o fenômeno do “hipertexto” ou “hipermídia”, localizado no “ciberespaço”. Em meio a essa discussão, os autores Lúcia Santaella (2007) e Patrick Charaudeau (2006) ressaltam as mudanças dos leitores na transformação de um novo usuário, denominado leitor imersivo. Esses autores destacam também o envolvimento mútuo das novas tecnologias entre produtores e receptores. O segundo capítulo, A criação de um novo formato jornalístico, reúne, as modificações no trabalho realizado pelos jornalistas e as modificações nas empresas de comunicação após o nascimento da Convergência das Mídias. As autoras Elisabete Barbosa (2009) e Pollyana Ferrari (2003) explicam também, como a interatividade aproxima jornalistas e público. Para os autores Arlindo Machado (2005), Geane Alzamora (2004) e José Afonso Silva Júnior
9 (2001), o jornalismo digital passou a atuar em diferentes áreas, tornando a internet uma mídia muito distinta dos veículos de comunicação tradicionais. Além disso, também abordam os aspectos na transmissão da informação pela televisão tradicional e questões profissionais que envolvem os jornalistas que trabalham na área. O efeito, que modifica o trabalho de profissionais e empresas, é destacado pelos autores Bernardo Kucinski (2005), Jean-Jacques Jespers (1998) e José Benedito Pinho (2003) como contribuição para o bom desempenho de serviços dos jornalistas. Além de explicarem sobre a concorrência dos jornais digital na transmissão da informação. Para os autores Suzy dos Santos (2001), Sérgio Capparelli (2001), Jorge Trindade Ferraz de Abreu (2009), Vasco Branco (2009) e Vera Íris Paternostro (1999), o caminho da comunicação social é cenário de convergências econômicas e políticas. Os autores observam também as inovações tecnológicas envolvendo televisão e web, incluindo estratégias comerciais, que envolvem os diversos agentes envolvidos. O terceiro capítulo, Conexão entre TV e Internet, no referido estudo, além de análises do conteúdo, apresenta o percurso de nossa observação. Além dos aspectos metodológicos, demonstrados, nesse momento, a pesquisa também apresenta um histórico da emissora. Seguido dos tópicos “3.3 Transmissão de informação da TV Cruzeiro” mostrar seqüência de informações coletadas durante a observação das reportagens e notícias, e no referido estudo, serve de base para análise do conteúdo. Esperamos, a partir dos eixos Parâmetros da Comunicação na Convergência, A criação de um novo formato jornalístico, Conexão entre TV e Internet esclarecer, ao leitor, como é trabalhada a TV na internet e, além disso, se existe, reprodução e referência de modelos tradicionais de televisão. Cabe exemplificar, por fim, que o estudo da WebTV pretende, com base teórica e com visão de pesquisador, identificar como os bastidores de produção de tais reportagens e notícias organizam-se para atender ao propósito comunicativo.
10 1. PARÂMETROS DA COMUNICAÇÃO NA CONVERGÊNCIA 1.1. Transformações tecnológicas e econômicas das novas mídias A evolução dos meios de comunicação é diária e afeta todo o complexo midiático, desde os jornais impressos, rádios, televisões até internet. Os autores Wilson Dizard (2000), Joseph Straubhaar (2004) e Robert D’Larose (2004) explicam, no início deste trabalho, que esse fenômeno, iniciado há algumas décadas nos Estados Unidos, têm criado novas ferramentas e reinventado também outras dentro do processo informativo do mundo. O que não era esperado é que essa sinergia – muito positiva – tem-se revelado em um estado de dependência discursiva – em alguns aspectos, negativa – que diversos autores nomeiam de “Convergência das Mídias”. Esse processo tem imposto idéias inovadoras para que as empresas consigam se gerenciar para, no mínimo, sobreviverem. Grandes mudanças já ocorreram e, de acordo com Dizard (2000), novas mudanças estão acontecendo bem na nossa frente. A televisão a cabo, os videocassetes domésticos e a internet são os exemplos mais familiares das tecnologias recentes que estão se reinventando, diariamente, para os novos padrões da mídia. Essas tecnologias têm roubado audiência das transmissões televisivas abertas e de outros serviços tradicionais. Como resultado, num tempo relativamente curto, esses novos veículos se transformam em parte substancial da mídia, juntamente com a TV, o rádio, o cinema e as publicações impressas. Mesmo com modificações, as mídias tradicionais ainda estarão presentes por muito tempo como parte do panorama da comunicação de massa, mas de forma diferenciada. Os ventos da mudança varreram as teorias confortáveis que orientavam as operações em décadas recentes e a mídia construirá uma nova agenda. Diante dessas mudanças, Dizard (2000) acredita que há muitos vencedores e perdedores nos processos transformatórios que acontecem na indústria. Para ele os sobreviventes serão as organizações que se adaptarem às realidades tecnológicas e econômicas em transformação. E os perdedores serão os dinossauros empresariais, grandes ou pequenos, que não podem ou não querem mudar – todos candidatos a fusões, aquisições ou simplesmente à falência.
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Essa transição está sendo liderada por várias tendências inter-relacionadas – política, econômica e tecnológica. Muitos observadores concordam que a tecnologia é, pelo menos inicialmente, a primeira causa da mudança. Os meios de comunicação de massa estão entre os vários setores da comunicação que estão sendo transformados pelas novas formas de coletar, armazenar e transmitir informação. (DIZARD, 2000, p.24)
A convergência técnica dos sistemas de computação e comunicação está refletida no âmbito institucional e social. Empresas de telefonia, computação, televisão e mídia se unem em um esforço para vencer a corrida de inventar e controlar o futuro das comunicações. Formas de telecomunicação tradicionais e distintas, como o telefone e a TV a cabo, podem, agora com a evolução, serem integradas em uma única rede digital. De acordo com LaRose e Straubhaar (2004), grandes empresas e instituições públicas estão se reorganizando para tomar vantagem de novas maneiras de fazer negócio, as quais tornam-se possíveis graças à convergência das tecnologias. Com isso, essas empresas passam a forjar alianças através de barreiras industriais antigamente intransponíveis. A convergência de sistemas de comunicação e tecnologias da informação é tão importante que emergiu como um tema de legislação pública ao redor do mundo. Países ricos e pobres reconheceram a significância desse desenvolvimento e transformaram-no na peça central de suas estratégias de desenvolvimento econômico. As nações agora lutam para instalar avançadas redes de comunicação, da mesma forma como antes competiram para ter os mísseis mais potentes ou os maiores navios de guerra. Embora possa se dizer que os Estados Unidos tenham sido a primeira nação a passar pela transição para uma economia da informação, outras nações, tais como Cingapura, França e Japão, já ultrapassaram os Estados Unidos em alguns aspectos ligados ao oferecimento de infra-estrutura básica para o suporte de vida em uma sociedade da informação. (LAROSE e STRAUBHAAR, 2004, p. 2 e 3)
A ameaça mais direta é aquela que afeta a base econômica das organizações. O desenvolvimento rápido na prática de vendas por meio de serviços e produtos via rede, cria o desafio envolvendo os investimentos de fontes de renda publicitárias dos novos provedores de informação. Dizard (2000) diz que a fórmula do sucesso para ganhar vantagem mercadológica sobre os competidores que utilizam apenas uma mídia é da sinergia entre produtos das diversas mídias. O autor exemplifica a partir das organizações Disney, que têm comercializado produtos multimídia por mais de 60 anos, com operações que incluem filmes, televisão, produções teatrais, parques temáticos, livros, revistas, brinquedos, linhas de navegação de cruzeiros e relógios através da grife “Mickey Mouse”.
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De acordo com Dizard (2000), essas redes envolvendo diversas mídias de distribuição continuam sendo um campo muito rentável da indústria de telecomunicações, a começar pelas companhias telefônicas. Para ele, os defensores da sinergia total entre mídia sustentam que a telefonia não será alcançada até que os recursos da mídia e os canais de telecomunicação estejam totalmente integrados. A distribuição da música e mídia imprensa que os americanos consomem em casa diariamente já são produzidas de forma digital, sendo que toda a rede pública de telefonia de longa distância dos Estados Unidos é totalmente digital. Para LaRose e Straubhaar (2004), os planos de oferecer vídeo e áudio digital diretamente para as residências já estão se tornando realidade e o processo de convergência está ainda mais avançado no mundo empresarial, onde grandes redes corporativas misturam livremente conversas telefônicas, documentos eletrônicos, dados de computador e transmissões de vídeo. O crescimento das tecnologias de informação através de sistemas avançados de telefonia e de computadores pessoais alterou de forma substancial o consumo das sociedades pela mídia. Estima-se que um americano adulto gaste cerca de quatro horas por dia assistindo televisão e cerca de meia hora lendo jornal. Os americanos gastam, em média, cerca de meia hora por dia falando ao telefone e duas horas em frente de um computador pessoal. De acordo com LaRose e Straubhaar (2004), somando o tempo gasto indo ao cinema, assistindo a vídeos alugados, ouvindo música, lendo livros e revistas, ou engajando em conversas face a face ou comunicação escrita, pode-se observar que mais da metade de nossas horas de lazer é gasta em atividades que envolvem alguma troca de informação. Para Dizard (2000), as mudanças nas mídias acrescentam uma nova capacidade de dimensão ao atual padrão da mídia de massa, que se baseia em produtos unidirecionais entregues por uma fonte centralizada com jornal, canal de TV ou um estúdio de Hollywood. Para ele, a interatividade na nova mídia é crescentemente, permitindo aos consumidores escolher quais os recursos de informação e entretenimentos que desejam consumir, independente do horário ou formato.
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Um estudo feito por Veronis, Suhler & Associates, firma nova-iorquina de investimentos, sugere que os americanos passam mais tempo lidando com a mídia que com qualquer outra atividade, incluindo o trabalho ou o sono. A pesquisa calcula que, em média, dedicamos cerca de 3.400 horas anuais – 9 horas por dia – à mídia. Assistir à televisão (aberta e a cabo) responde por mais de 70% deste total, com jornais, revistas, vídeo doméstico, livros e filmes dividindo o tempo restante da audiência. (DIZARD, 2000, p.41)
A união gradual dos recursos distintos da mídia está modificando a natureza empresarial da mídia americana. De acordo com Dizard (2000), nos últimos anos, as indústrias de mídia e de telecomunicações optaram por estratégias que invadem o tradicional território empresarial umas das outras. Numa impressionante inversão de papéis, as companhias telefônicas e demais redes estão se tornando fornecedoras de mídia, e as companhias de mídia se tornam cada vez mais fornecedoras de telecomunicações. Esse fato, para o autor, torna-se um processo crítico para se compreender o futuro da mídia nos Estados Unidos na era pós-industrial. Para Dizard (2000), a nova mídia não é apenas uma extensão linear da antiga. A mídia clássica e a nova mídia oferecem recursos de informação e entretenimento para grandes públicos, de maneira conveniente e a preços competitivos. Com a diferença de que a nova mídia expande dramaticamente a gama de recursos disponíveis para os consumidores através da Internet e de outros canais. LaRose e Straubhaar (2004) explicam que a transição para uma sociedade baseada na informação alcança maior velocidade ao se associar com a convergência de sistemas de comunicação e tecnologias da informação. Paralelo a isso se vê também, o crescimento de redes integradas de alta capacidade que carregam informação em formato digital passível de leitura por computadores. A revolução da mídia digital através da convergência de meios de comunicação unindo áudio, imagens e textos digitais em redes de dados está apagando as antigas distinções rígidas entre os meios de comunicação, e transformando em uma nova espécie chamada multimídia. De acordo com LaRose e Straubhaar (2004), os meios de massa convencionais
14 como rádios, televisões, jornais impressos, revistas e filmes costumavam ter sistemas de produção e transmissão bem diferenciados. Para ele, no atual mundo da mídia digital, essas formas convencionais de mídia devem convergir, juntamente com outras formas híbridas, em um único meio com uma memória de computador de grande escala conectada a uma rede de transmissão de dados de alta velocidade. 1.2. Preceitos das estruturas do hipertexto no ciberespaço Com o início da convergência de mídia, o conteúdo e as tecnologias de acesso da sociedade também foram alterados. Nesta parte do trabalho, os autores Pierre Lévy (2000) e Lúcia Santaella (2004) explicam sobre o aumento de acessos, arquivos e informações na rede digital. Aqui, o fenômeno passou a ser definido como um conglomerado de informações multimídia, denominado “hipertexto” ou “hipermídia”, localizado em um extenso espaço denominado “ciberespaço”. A questão é que, com o aumento vertiginoso do hipertexto no ciberespaço, o congestionamento e o descontrole na rede são muito comuns, sendo que ainda não existe uma legislação que fiscalize de perto e organize esse processo de mutação das mídias e da informação. A tendência é que o tamanho de expansão do ciberespaço aumente ainda mais, fato que, para Lèvy (2000), não passa de um efeito natural, por causa das capacidades de controle que os centros de poder tradicionais detêm sobre as redes tecnológicas, econômicas e humanas que são cada vez maiores e abertas. O autor acredita que uma política voluntarista da parte dos poderes públicos, de coletividades locais, de associações de cidadãos e de grupos de empresários, pode colocar o ciberespaço a serviço do desenvolvimento de regiões desfavorecidas. O principal objetivo da política voluntarista é de explorar ao máximo o potencial de inteligência coletiva, com valorização das competências locais, organização das complementaridades entre recursos e projetos, trocas de saberes e de experiências, redes de ajuda mútua, maior participação da população nas decisões políticas, abertura planetária para diversas formas de especialidades e de parcerias. “O ciberespaço não deriva
15 automaticamente da presença de equipamentos materiais, mas que exige igualmente uma profunda reforma das mentalidades, dos modos de organização e dos hábitos políticos”. (LÉVY, 2000, p.186) Mas com a facilidade de acesso das pessoas na internet, proporcionou o surgimento de comunidades virtuais em ambientes específicos. Santaella (2004) explica que, cada vez mais, o termo “ciberespaço” tem sido usado de maneira ampla, designando ambientes urbanos simulados, com lugares de encontro para os internautas do espaço virtual e de desenvolvimento das novas formas de socialização. De acordo com Santaella (2004), a universalização do termo “ciberespaço” ou “comunicação mediada por computador” designa apenas ao fenômeno de conjunto de tecnologias diferentes, algumas familiares, outras só recentemente disponíveis, algumas em desenvolvimento e outras ficcionais. Para ela, todas têm em comum a habilidade para simular ambientes nos quais os humanos podem interagir. Para Lévy (2000), o termo “ciberespaço” indica a abertura de um espaço de comunicação qualitativamente diferente dos espaços utilizados antes dos anos 80. Transmitindo uma conotação lingüística e conceitualmente mais pertinente do que termos como “multimídia” ou “auto-estrada da informação”. Muito mais do que os termos corretos utilizados para o fenômeno, as práticas de utilização da informação no espaço virtual são importantíssimas, pois alcança diretamente as pessoas que estão conectadas na rede. De acordo com Lévy (2000), uma nova orientação das políticas de planejamento do território nas grandes metrópoles poderia apoiar-se nas potencialidades do ciberespaço a fim de encorajar as dinâmicas de reconstituição do laço social, tirar os burocratas das administrações, otimizar em tempo real os recursos e equipamentos da cidade, além de experimentar novas práticas democráticas. A difusão de propagandas governamentais sobre a rede, o anúncio dos endereços eletrônicos dos líderes políticos, ou a organização de referendos pela internet nada mais são do que caricaturas de democracia eletrônica. A verdadeira democracia eletrônica consiste em encorajar, tanto quanto possível – graças às possibilidades de
16 comunicação interativa e coletiva oferecida pelo ciberespaço -, a expressão e a elaboração dos problemas da cidade pelos próprios cidadãos, a auto-organização das comunidades locais, a participação nas deliberações por parte dos grupos diretamente afetados pelas decisões, a transparência das políticas públicas e sua avaliação pelos cidadãos. (LÉVY, 2000, p.186)
Mesmo que elementos textuais possam ser isolados, nos sistemas baseados em computador, estes são interativos e abertos, e não unidirecionais e fixos. O conceito de texto sofre mudanças substanciais nos sistemas cibernéticos. Em um diálogo, regulado e disseminado pela computação digital, por exemplo, é tirada a ênfase da autoria em favor da “mensagem em circuito” tomando formas fixas, efervescentes e variáveis, como explica Nichols1 (apud SANTAELLA, 2004) que a conexão entre mensagem e substrato se perde. As palavras em uma página impressa são desenraizadas, um texto em fase terminal é prontamente alterável, transmitindo a sensação de que o texto foi dirigido ao receptor direto. Para o autor, a mensagem em circuito é tanto dirigida quanto dirigível pelo usuário da mídia, de modo fundamentalmente interativo ou dialógico. A conexão entre os computadores do planeta e dispositivos de comunicação, ao mesmo tempo coletivo e interativo para a sociedade, deve ser utilizada da melhor forma possível. Lévy (2000) explica que o ponto fundamental é que o ciberespaço não é uma infraestrutura, mas é uma forma de usar as infraestruturas existentes e de explorar seus recursos por meio de uma interatividade distribuída e incessante que é indissociavelmente social e técnica. De acordo com Santaella (2004), qualquer coisa armazenada em forma digital pode ser acessada em qualquer tempo e em qualquer ordem. A não linearidade é uma propriedade do mundo digital, as idéias tomam formas não lineares. E a chave mestra para essas sínteses da descontinuidade se chama hiperlink, que é responsável pela conexão entre dois pontos no espaço digital, com um conector especial que aponta para outras informações disponíveis e que é o capacitador essencial do hipertexto e da hipermídia. Para que a imersão compreensiva se dê, a hipermídia prevê a criação de roteiros e programas capazes de guiar o receptor no seu processo de navegação. Isso nos coloca 1
NICHOLS, Bill. The work of culture in the age of cybernetic systems. Em Electronic Culture. Technology and visual representation, T. Druckrey (ed.). New York: Aperture Foundation, 1996, p.121-143.
17 diante do terceiro fator que define a hipermídia: a necessidade de mapeamento, a necessidade da engenhosidade de um roteiro que possa ir sinalizando as rotas de navegação do usuário. (SANTAELLA, 2004, p.30)
Todos que se conectam com a rede habitam todos os meios com os quais estão interagidos. Para Lévy (2000), habitamos no ciberespaço da mesma forma que na cidade geográfica e como parte fundamental de nosso ambiente global de vida. A organização do ciberespaço para o autor procede de uma forma particular de urbanismo ou de arquitetura, não física, cuja importância só irá crescer. De acordo com o autor, colocar a inteligência coletiva no posto de comando é escolher de novo a democracia, reatualizá-la por meio da exploração das potencialidades mais positivas dos novos sistemas de comunicação. A hipermídia, longe de ser uma nova técnica ou um meio para a transmissão de conteúdos preexistentes, ela é uma nova linguagem em busca de si mesma. A busca depende, antes de tudo, da criação de hiper-sintaxes capazes de alterar linguagens que antes não podiam estar juntas, combinando-as e atuando em uma mesma malha multidimensional (SANTAELLA, 2004). O ciberespaço se desenvolveu através de uma conexão envolvendo o processo tecnológico social e automático organizador, diferente da idéia imaginada de uma infraestrutura territorial e industrial clássica. Para Levy (2000), o ideal da prática de uma inteligência coletiva está na relação entre o ciberespaço e a cidade, entre a inteligência coletiva e o território que atrai em primeiro lugar a imaginação política. 1.3. A manipulação interativa entre mídia e leitor Como foi visto anteriormente, a hipermídia provoca alterações no conteúdo do ciberespaço. Nesta parte do trabalho, será feita uma análise de como essas mudanças alteram também os leitores e os transformam em um novo usuário: leitor imersivo, pelas palavras de Lúcia Santaella (2007). Desta forma, as novas tecnologias das mídias proporcionam o envolvimento entre produtores e receptores, causando uma interação mútua. Nesta fase, o receptor é extinto principalmente por causa do coemissor, que transmite obrigatoriamente a informação depois do emissor. O excesso desta interação provocada pela mídia é como
18 manipulação envolvendo internautas, grandes instâncias e órgãos de comunicação, que, para Patrick Charaudeau (2006), não são consideradas instâncias de poder. Mesmo com as modificações da interconexão e de todas as outras que virão, o que deve permanecer existindo mesmo é o fenômeno do leitor imersivo. Pois, para navegar na rede, é necessário movimentar-se física e mentalmente em diversos signos, ambientes repletos de informações e totalmente virtuais. De acordo com Santaella (2007), as mudanças cognitivas emergentes estão anunciando um novo tipo de sensibilidade perceptiva sinestésica e uma dinâmica mental que essas mudanças já colocaram em curso e que deverão sedimentar-se cada vez mais no futuro. Charaudeau (2006) acredita que o poder nunca depende de um único indivíduo, mas da instância na qual se encontra o indivíduo e da qual ela tira sua força. Para ele, essa instância deve ter a capacidade de gerir e influenciar os comportamentos dos indivíduos que vivem em sociedade e, para isso, deve dotar-se de meios restritivos como regras de comportamento, normas, sanções. Sem que sejam estranhas aos diferentes jogos de poder social e não fazendo parte de uma instância de poder. De um ponto de vista empírico, pode-se dizer que as mídias de informação funcionam segundo uma dupla lógica: uma lógica econômica que faz com que todo organismo de informação atue como uma empresa, tendo por finalidade fabricar um produto que se define pelo lugar que ocupa no mercado de troca dos bens de consumo (os meios tecnológicos acionados para fabricá-lo fazendo lógica); e uma lógica simbólica que faz com que todo organismo de informação tenha por vocação participar da construção da opinião pública. (CHARAUDEAU, 2006, p.21)
O funcionamento da máquina hipertextual cria um novo modo de ler, colocada em ação, por meio das conexões, de um contexto dinâmico de leitura comum entre vários níveis midiáticos. “É, pois, uma leitura topográfica que se torna literalmente escrita, pois, na hipermídia, a leitura é tudo e a mensagem só vai se escrevendo na medida em que os nexos são acionados pelo leitor-produtor” (SANTAELLLA, 2007, p.175). Essa nova didática junta fragmentos que vão unindo mediante uma lógica associativa e de mapas cognitivos personalizados e intransferíveis durante a atividade nômade de uma leitura orientada hipermidiaticamente que perambula de um lado para outro.
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Da mesma forma que a mídia manipula, ela também é manipulada. Para acontecer uma manipulação, é preciso que tenha um agente manipulador que haja através de um projeto e uma tática, necessitando, portanto de um agente manipulado. De acordo com Charaudeau (2006), o manipulador não tem interesse em declarar sua intenção, é somente através da vítima enganada que se pode concluir que existe uma manipulação. Descobrir quem é o manipulado é a questão que, para as mídias, remete saber quem é o alvo da informação. A interatividade que marca a identificação do leitor imersivo é tratada como um tipo de interatividade inaugural que coloca em questão os conceitos centrais dos processos comunicativos envolvendo o emissor, o receptor e a mensagem. Para Santaella (2007), a mensagem não situa no ciberespaço, emissão ou recepção, mas no espaço de comutação, que permite conectar o internauta informado com seus interlocutores e onde não há lugar para emissores ou receptores definidos, apenas trânsito informacional. Em função do acesso e das comutações nos ambientes citados, a autora diz que todos se tornam negociadores de fluxos indefinidos de signos que surgem e desaparecem. Outro traço identificador do leitor imersivo encontra-se nas transformações sensórias, perceptivas e cognitivas que emergem nesse tipo de leitura. No ciberespaço, a informação transita à velocidade da luz. As reações motoras, perceptivas e cognitivas também se fazem acompanhar por uma mudança de ritmo que é visível na agilidade dos movimentos multidirecionais, ziguezagueantes na horizontal, vertical e diagonal com que o olhar do infonauta varre ininterruptamente a tela, na movimentação multiativa do ponteiro do mouse e na velocidade com que a navegação é executada. O automatismo cerebral é substituído pela mente distribuída, capaz de realizar simultaneamente um grande número de operações. Observar, absorver, entender, reconhecer, buscar, escolher, elaborar e agir ocorre em simultaneidade. (SANTAELLA, 2007, p.181 e 182)
A “maquina de informar”, tratada por Charaudeau (2006), é um fenômeno de informação com um processo complexo sob vários aspectos. Primeiro, pela natureza compósita dos atores, pois não é uma simples instrumento técnico ou um conjunto de tubos que só transmite uma voz original como um megafone para que atinja multidões. Mas trata de uma máquina humana, por ser constituída de humanos nas instâncias de produção e de recepção, portadoras de intencionalidades e construtoras de sentido.
20 Para o autor, essas instâncias citadas acima têm um caráter compósito, pois, por um lado, trata-se de uma instância midiática feita de múltiplos atores, que não permite distinguir o responsável pelo ato de informação. Por outro lado, trata-se de uma instância de recepção que é, ao mesmo tempo, individual, coletiva e fragmentada porque integra diversas categorias sociais, profissionais e psicológicas de leitores, ouvintes e telespectadores. Santaella (2007) acredita que a imobilidade corporal acarretada ao usuário quando este está conectado no ciberespaço, causa uma exuberância de estímulos sensórios que inclui instantâneas reações perspectivas em sincronia com operações mentais. Para a autora, tratase da atividade de mecanismos cognitivos dinâmicos, absorventes, extremamente velozes, frutos da conexão indissolúvel, sem sutileza entre o corpo e a mente, graças ao processo perceptivo-cognitivo estimulada da navegação na internet. Para que haja manipulação e envolva a ligação entre internauta e mídia, é preciso primeiro que alguém ou mais instâncias, que tenha a intenção de fazer crer a outro alguém ou uma outra instância, alguma coisa que não é necessariamente verdadeira. Charaudeau (2006) explica que isso ocorre para fazer com que este outro alguém ou outra instancia pense ou haja num sentido que traga proveito aos primeiros. O autor diz que para dar certo, é necessário que os manipulados entrem no jogo sem perceber. Toda manipulação se acompanha então de uma enganação cuja vítima é o manipulado, e as mídias manipulam de uma maneira que nem sempre é proposital, ao se auto-manipularem, e, muitas vezes, são elas próprias vítimas de manipulação de instâncias exteriores. É preciso reconhecer que, apesar de todos os defeitos que se queiram lançar sobre as mídias, elas desempenham um papel importante de informação no funcionamento de nossas democracias. Que pensem como quiserem, as mídias relatam fatos e acontecimentos que se produzem no mundo, fazem circular explicações sobre o que se deve pensar desses acontecimentos, e propiciam o debate. Nesse aspecto, as mídias mantêm um espaço de cidadania, sem o qual não há democracia razoável, e não podem ser taxadas, como se fazia em determinada época (principalmente a respeito da televisão), como o “ópio do povo”. (CHARAUDEAU, 2006, p. 252)
De acordo com Santaella (2007), a manipulação está ligada ao sistema de orientação geral que aparece no corpo inteiro. Para ela, os sistemas perceptíveis, incluindo os centros nervosos, em vários níveis do cérebro, são o meio a partir de uma estrutura flutuante de
21 energia ambiental. Diferentemente da concepção de separação entre corpo e mente, e da concepção dos órgãos sensores como meros iniciadores de sinais nas terminações nervosas ou mensageiras para o cérebro que decodifica, interpreta, organiza e processa os dados recebidos. A interatividade é um dos tópicos centrais da comunicação digital. Para Santaella (2007), uma das características principais da tecnologia criada e distribuída em forma digital, potencializada pela configuração informacional em rede, é permitir que os meios de comunicação possam atingir os usuários e obter um feedback imediato. “Na vizinhança com o termo correlação, a interatividade ganha o sentido de influência mútua e com o termo cooperação adquire os sentidos de contribuição, co-agenciamento, sinergia e simbiose” (SANTAELLA, 2007, p.153). Charaudeau (2006) acredita que a máquina midiática é complexa, igualmente, pela tensão permanente que existe entre as duas finalidades de informação e de captação de seu contrato de comunicação. Para ele, essa complexidade explica por que a mídia está marcada por um paradoxo, pois, por um lado, pretende transmitir informação de maneira mais objetiva possível, e isso, em nome de valores cidadãos, por outro lado, só pode atingir a massa se dramatizar a cena da vida política e social.
22 2. A CRIAÇÃO DE UM NOVO FORMATO JORNALÍSTICO 2.1. Modificações no trabalho jornalístico com o uso da internet Com a evolução das tecnologias digitais realizadas pela convergência das mídias, as redações das grandes empresas jornalísticas sofreram mudanças nas formas de trabalho e no perfil dos profissionais. As autoras Elisabete Barbosa (2009) e Pollyana Ferrari (2003) explicam, nesta parte do trabalho, como os novos jornalistas que passaram a trabalhar com o auxílio da rede virtual no processo de informatização passaram a ser chamados de ciberjornalistas. Nesta mudança, a interatividade tem papel fundamental na aproximação entre jornalistas e público, tornando a internet a principal ferramenta de transição no processo revolucionário do jornalismo. Conhecer e lidar com as transformações do jornalismo digital é o grande desafio, principalmente para as questões relacionadas em preparar as redações, como um todo, e aos jornalistas. Ferrari (2003) explica que além da necessidade de trabalhar com vários tipos de mídia, é preciso desenvolver uma visão multidisciplinar, com noções comerciais e marketing. Alguns dos principais cursos de Comunicação do Brasil desenvolveram a disciplina e criaram especializações na área de “Jornalismo Digital”. De acordo com Ferrari (2003), alguns cursos propõem ensinar os alunos a criar textos para as novas mídias, desenvolver e avaliar páginas da web, encontrar e organizar a informação, explorar as novas tecnologias, os aspectos legais, comerciais e reguladores analisando seu impacto nas áreas culturais e comerciais. Reforço de especialização que tem como objetivo abastecer o mercado, e capacitar os profissionais e para entender e atuar na área digital do jornalismo. Alguns estudiosos se dividem e apresentam diferentes perspectivas para o futuro deste jornalismo. Barbosa (2009) diz que, por um lado, defende-se que o jornalismo online terá práticas e características semelhantes às atuais, apenas utilizará um meio diferente para a difusão da mensagem, um meio que tem a vantagem de conjugar textos, imagens e som
23 numa só estrutura e que está ao alcance de todos, em qualquer lugar do mundo. Mas por outro lado, a autora diz que há os estudiosos que enxergam na internet o fim do jornalismo, já que não será necessário um mediador que selecione e apresente as notícias, uma vez que todos podem concordar com as mesmas fontes de informação que os jornalistas. Estes, por sua vez, deixarão de ter um papel relevante na sociedade e tornarão, ao mesmo tempo, produtores e consumidores de conteúdos. Atualmente, uma das grandes vantagens do jornalismo online é a possibilidade de existir interatividade entre quem escreve e quem lê as notícias. A internet é um meio de comunicação que permite a troca rápida, por vezes imediata, de mensagens entre pessoas que estão nos mais distantes lugares do mundo. O correio eletrônico também é uma ferramenta que facilita o contato. O novo meio veio potenciar o contato entre os jornais e jornalistas e os seus públicos. (BARBOSA, 2009)
O trabalho no Jornalismo Digital não pode ser definido apenas em produzir ou colocar reportagens na internet. Para Ferrari (2003), no trabalho, é preciso pensar na enquête (pesquisa de opinião com o leitor); no tema do chat, o bate papo digital; nos vídeos e áudios; e reunir o maior número possível de assuntos e serviços correlatos com a reportagem. A evolução da internet estimula a criação de uma linguagem própria. Não podendo ser considerada apenas como uma mídia que surgiu para viabilizar a convergência entre rádio, jornal e televisão. “A internet é outra coisa, uma verdade e consequentemente uma nova mídia, muito ligada à tecnologia e com particularidades únicas. Ainda estamos, metaforicamente, saindo da caverna”. (FERRARI, 2003, p. 45) A grande dúvida é se a internet representará o fim do jornalismo e dos jornalistas. De acordo com Barbosa (2009), certamente, ocorrerá modificação em muitas das práticas atuais das redações, (mesmo nas de meios de comunicação online), mas sem o fim da profissão. Para ela, a deontologia e o profissionalismo dos jornalistas continuarão a ser os mesmos, a forma como se investiga e constrói uma notícia terá semelhança com o que se realiza hoje, a apresentação será diferente e os profissionais do setor terão que se adaptar diante das novas tecnologias.
24 Mudanças identificadas envolvendo as mídias são visíveis como alguns grandes jornais que apresentam cópias das edições impressas online. Desta forma, disponíveis para o maior número de pessoas e num espaço geográfico mais alargado. “As rádios e televisões seguiram o mesmo percurso, disponibilizando na internet versões escritas das notícias e informações difundidas nas suas emissões. Depois, surgindo os espaços exclusivamente online” (BARBOSA, 2009). Uma outra definição é utilizada no meio acadêmico, chamado ciberjornalismo. Ferrari (2003) explica que os trabalhos mais apropriados que definem um ciberjornalista em uma redação Web são a criação e manutenção um blog, mediação de chats, redação de um fórum e todas as tarefas que envolvem a criação de textos para os produtos do meio. O jornalista “surfador” costuma ser jovem, freqüenta os primeiros anos de um curso de jornalismo e foi contratado, como estagiário, para manter uma sala de bate-papo aberta com convidados, para dar manutenção a uma lista de links e também responder os e-mails da redação; sem contar o domínio do HTML básico – limitado a tarefas como inclusão de links, títulos, textos, fotos e âncoras. Seu dia de trabalho começa quando ele liga o micro, abre todos os instant messengers ao mesmo tempo (ICQ, AIM, MSN e Trillian), coloca o fone de ouvido, escolhe a trilha sonora na lista de MP3, baixados no dia anterior, começa a navegar pela web, minimiza o browser, reedita o release com a biografia do convidado do próximo chat e trata a foto no Photoshop. E faz tudo isso conversando no celular. (FERRARI, 2003, p.41 e 42)
Utilizar todos os métodos e práticas do jornalismo tradicional na internet e no jornalismo online pode não ser recomendável. É necessário pesquisar e aprofundar as informações, para construir a produção da notícia. De acordo com Helder Bastos2 (apud BARBOSA, 2009), o número de jornalistas que utilizam a internet para a pesquisa de informação tem aumentado de forma acentuada. Os jornalistas usam a rede para a procura de dados e é complementado pelo fato dos computadores serem, ferramentas indispensáveis nas redações. Para o autor, muitos jornais recorrem para as pesquisas no ciberespaço para simplesmente se inteirarem do que mais foi escrito sobre o assunto a tratar, além de utilizarem rotineiramente a pesquisa online para verificação de fatos e detecção de especialistas para as histórias em progressão.
2
BASTOS, Helder. Jornalismo Electrónico – Internet e Reconfiguração de Práticas nas Redacções. Minerva, Coimbra, 2000.
25 O uso da internet como espaço de publicação jornalística, provoca também mudanças na forma de trabalho realizado pelos jornalistas, quando este espaço é destinado para publicações online. Para Carole Rich3 (apud BARBOSA, 2009), a informação pode ser apresentada de forma não linear como links e não exige que o utilizador siga uma seqüência pré-ordenada, e o jornalista terá que escrever de forma não linear quando escreve um texto extenso. De acordo com Barbosa (2009), a leitura no computador é cansativa e os internautas não gostam de ler grandes conjuntos de textos, por isso, as notícias mais extensas devem utilizar links ou hiperligações. Ferrari (2003) acredita que os repórteres de mídias impressas, por exemplo, privilegiam a informação, como os de TV buscam cenas emocionantes, sons e imagens para serem transmitidos junto com o texto da notícia. Segundo a autora, os jornalistas online precisam sempre pensar em elementos diferentes e em como eles podem ser complementados. Procuram dados que poderão virar recurso interativo, recursos de áudio e vídeo para frases, palavras para certas imagens, e assim por diante. Nos texto considerados bons de mídia eletrônica, não são comuns utilizar longos períodos e frases na voz passiva, mas priorizam usar sentenças concisas, simples e declarativas, que se prende apenas uma idéia, que influência diretamente no comportamento do leitor. Como explica Ferrari (2003), que a web não e sisuda, e tem humor. Para ela, o público online é mais receptivo para estilos não convencionais, já que o leitor não tem tanto compromisso ao navegar, ele “zapeia” pelos canais, ficando pouco tempo mesmo na notícia que lhe interessa. A produção de conteúdo jornalístico para a internet consegue agrupar assuntos díspares, que vão de bate-papo com cantores de música pop, passam por discussões sobre a nova coleção de roupas para a boneca Barbie ou o processo de clonagem humana, e chegam a estudiosos de Shakespeare; tudo editado por repórteres ou editores de “news” – que acabam, sem saber, mudando e influenciando hábitos de leitura, alterando o código visual, a língua corrente naquele país, o modo de fazer compras, de portar-se diante da vida e, principalmente, alterando a cobertura da mídia atual. (FERRARI, 2003, p. 54).
3
RICH, Carole. Creating Online Media: a Guide to Research, Writing and designing on the Internet. McGraw-Hill College, Boston, 1999.
26 Uma das características marcantes e inovadoras do jornalismo online é a interatividade. Mesmo em fase de evolução e ainda em processos de experimentações por alguns jornais digitais, a interação provoca o contato entre dois mundos, antes separados. Para Barbosa (2009), é certo que os jornalistas sempre influenciaram, de alguma forma, os seus leitores, e é possível que os leitores influenciem os jornalistas, dando-lhe a conhecer novas perspectivas sobre determinados assuntos, fornecendo-lhes informações, sugerindo temas de notícias e reportagens. Barbosa (2009) explica que o trabalho dos jornalistas não sofrerá alterações substanciais, mas estará mais perto do público. Isso porque, ao mesmo tempo, cidadãos interessados podem fazer-se ouvir mais facilmente e terão novos meios de participação cívica, mas nem todos vão participar ativamente. Para a autora, atualmente, poucos são os jornais que exploram a totalidade dos recursos disponíveis para fomentar a interatividade. Muitos, no entanto, estão conscientes de que devem realizar esforços nesse sentido, o que, no entanto, representa, muitas vezes, um investimento de âmbito pessoal para gerir fóruns ou um acréscimo no trabalho dos jornalistas que terão de ler e analisar as mensagens de correio eletrônico que recebem. Aquele que cresceu com a interface gráfica do Windows, fazendo atividades escolares e escutando música no fone de ouvido ao mesmo tempo em que “zapeava” a TV sem som, é fácil ser ciber. Profissionais capazes de mexer em diversas mídias ao mesmo tempo, escrever corretamente em português culto, poderá tornar-se um ciberjornalista com grandes chances. A dificuldade é a pessoa conseguir saltar de surfador para repórter e, em seguida, editor. “Não basta ser multitarefa e esperto com a tecnologia presente na web: é preciso ter background cultural para conseguir contextualizar a informação e empacotá-la de um jeito diferente a cada necessidade editorial” (FERRARI, 2003, p. 42). 2.2. O hipertexto na produção do jornalismo online e televisivo O jornalismo digital passou a atuar em diferentes áreas, tornando a internet uma mídia muito distinta dos veículos de comunicação tradicionais como, por exemplo, a televisão,
27 rádio, cinema, jornal e revista. Nesta parte do trabalho, os autores Arlindo Machado (2005), Geane Alzamora (2004) e José Afonso Silva Júnior (2001) explicam como o jornalismo digital caracteriza-se pelas diferenças de público, a velocidade da informação e o conteúdo divulgado na rede mundial de computadores. A grande possibilidade de abrigar diferentes tipos de textos que possibilitam a integração de novos recursos digitais na produção dos processos de informação, tratamento e disseminação da informação. Além dos aspectos na transmissão da informação pela televisão tradicional e questões profissionais que envolvem os jornalistas que trabalham na área. A informação jornalística que trafega pelos meios tradicionais de comunicação de massa é diferente daquela que circula pela internet, assumindo nuances e formatos únicos. De acordo com Alzamora (2004), por ser um ambiente simultâneo de produção e difusão de informações, a rede virtual possibilita o intercâmbio de papeis entre emissores e receptores, deslocando funções e técnicas jornalísticas de informação concebidas no âmbito da comunicação de massa. Alzamora (2004) diz que a internet é entendida como ambiente que abriga simultaneamente informações produzidas conforme regras de comunicação sedimentadas pelos mass media e outras que se caracterizam pelo uso inovador da apropriação social do meio, colocando diversas modalidades de informação. Quando o assunto envolve televisão, é preciso saber exatamente o que cada pessoa entende por esse termo. O telespectador deve primeiramente entender que, ele assiste TV como um conjunto de experiências audiovisuais, para conhecer qual é a “cultura” televisual que este possui. “Televisão é um termo muito amplo, que se aplica a uma gama imensa de possibilidades de produção, distribuição e consumo de imagens e sons eletrônicos” (MACHADO, 2005, p. 19 e 20). A compreensão pode ser desde aquilo que ocorre nas grandes redes comerciais, estatais e intermediárias, sejam elas nacionais ou internacionais, abertas ou pagas, até o que acontece nas pequenas emissoras locais de baixo alcance, ou o que é produzido por produtores independentes e por grupos de intervenção em canais de
28 acesso público. Para o autor, falar de televisão é preciso definir o corpus, ou seja, o conjunto de experiências que definem o que estamos justamente chamando de televisão. Os recursos digitais incorporados aos seus processos de produção, tratamento e disseminação encontram-se em um estado de profunda integração com o jornalismo contemporâneo. Para Silva Junior (2001), tais modelos refletem-se de volta, e, já como modelos de hipermídia, condicionam também para as possibilidades do jornalismo. Em paralelo, o autor explica que, o constante desenvolvimento de recursos ligados à infraestrutura técnica da rede mundial, há também a interação do modelo de produção online com outras plataformas técnicas. Silva Junior (2001) acredita que o jornalismo interagindo com a hipermídia, no que toca para a disseminação hipermidiática, aponta para a disponibilização de um mesmo núcleo de informação existente, em diferentes plataformas, aberto pela digitalização dos conteúdos. Para o autor, o problema surge precisamente quando se adota o pano de fundo do jornalismo online como compreensão das interações do jornalismo e da hipermídia. Provavelmente pela lógica de que, através da visibilidade e do apelo a um senso comum e rasteiro, confunde a internet e o ciberespaço como sendo a mesma coisa. O que temos de relativizar é que, graças à lógica da internet especificamente, a difusão de informação jornalística em suportes alternativos ganha nova dimensão. Em adição a isto, as novas plataformas de acesso à informação jornalística, como pagers, celulares, PDA’s, etc., e outras nem tão novas assim como o fax, painéis digitais públicos, etc., encontram-se em um estado de intrínseca integração com as ferramentas e recursos, isto sim, da própria Internet. (SILVA JUNIOR, 2001, p.133).
De acordo com Alzamora (2009), a internet desloca a função dos jornalistas como mediadores sociais, consagradas pelos mass media, porque na rede qualquer receptor, inclusive o próprio usuário, pode eventualmente se colocar no lugar do emissor. Independentemente da qualidade do texto, um jornalista, um blogger ou um interveniente qualquer do debate em uma dada comunidade virtual está potencialmente apto a realizar a tarefa de mediação social na rede; basta que se coloque a informação em trânsito e que esta seja atualizada em interpretante dinâmico por outros internautas. (ALZAMORA, 2009).
29 Desta forma, o processo comunicativo liberta-se da determinação sígnica, desdobrando-se em fragmentos rápidos e de novas e incertas associações. Para Alzamora (2009), estas determinações representam o interesse circunstancial dos usuários, que eventualmente tornam notícia uma informação qualquer que emerge das brechas comunicativas do ciberespaço. Segundo a autora, a noção de notícia na internet, emancipada do domínio irrestrito de mediadores sociais legitimados pelos mass media e do pólo da determinação sígnica, demanda novas formulações. O jornalismo seja dentro ou fora da televisão, é entendido como uma instituição de mediação simbólica entre determinados eventos com um público de leitores ou espectadores para quem esses eventos podem ser considerados relevantes. Machado (2005) explica que é quase inevitável que a discussão a respeito da televisão seja permanentemente afetada por questões de ordem macroestrutural, como os problemas ético-profissionais envolvendo a seleção e interpretação das notícias, ou aqueles relacionados com o papel das empresas e profissionais na condução dos conflitos que eles têm por função desempenhar. Diferente da internet, a composição técnica de um telejornal na difusão da informação é composta de uma mistura distintas de fontes de imagens e som: gravações em fita, filmes, material de arquivo, fotografia, gráficos, mapas, textos, além de locução, música e ruídos. “O telejornal consiste de tomadas em primeiro plano enfocando pessoas que falam diretamente para a câmera (posição stand-up), sejam elas jornalistas ou protagonistas: apresentadores, âncoras, correspondentes, repórteres, entrevistados” (MACHADO, 2005, p. 103 e 104). A digitalização se configura principalmente pelas plataformas de produção e tratamento jornalístico, setores que obedecem, na atualidade, a mesma lógica. No caso específico dos jornais, por exemplo, ao término de produção de uma matéria, o mesmo conteúdo produzido é gerado para sites e outras demais plataformas. “Porém, ressalvando que isso não representa o fechamento das possibilidades de disseminação em função do ferramental online” (SILVA JUNIOR, 2001, p. 134). A internet, nesse sentido, integra boa parte dos recursos direcionados para a construção dos modelos de jornalismo e hipermídia.
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Há diferenças entre as relações do jornalismo digital com a hipermídia sobre a utilização de recursos de navegação do hipertexto. No jornalismo online, é relacionado ao modelo de jornalismo presente na rede mundial, com a internet, através de sites, portais e interconexão navegáveis em tempo real. E no jornalismo em hipermídia, a integração ocorre entre as relações de produção e disseminação jornalística com infra-estruturas digitais, incluindo a internet. De acordo com Silva Junior (2001), mais que meramente ser uma plataforma a mais, ou uma mídia, o jornalismo online age em estreito diálogo com as possibilidades hipermidiáticas. Isso significa cada vez mais uma potência geradora de núcleos informativos, e não simplesmente uma modalidade. A noção de hipermídia, além de simplesmente de ser entendida sob a ótica de uma mídia expandida, enfoca o debate do conceito mídia menos nos aspectos de que suportes são utilizados e mais no processo comunicacional da rede. Temos um diferencial do que antes era entendido enquanto cruzamento de mídias, pois, nesse último caso, havia estratégias de aproveitamento de um conteúdo em suportes distintos, porém, com a demanda de reconstrução formal para cada um dos determinados suportes. Com a digitalização e a tecnologia de redes, essa adaptação do encaixe do conteúdo em diferentes escalas de disseminação se dá de forma automatizada, o que demanda reflexões a respeito das especificidades de acesso das plataformas digitais a contexto específicos. (SILVA JUNIOR, 2001, p. 136).
Sobre o pressuposto generalizado de que a função básica do gênero televisual é informar, seja bem ou mal, a respeito de um acontecimento, a forma como é transmitida essa informação é um dos principais problemas para a compreensão do telejornal. Machado (2005) explica que como esse é um pressuposto universalmente aceito, em geral as abordagens de telejornais se restringem a tentar verificar o grau de exatidão ou de confiabilidade da informação veiculada. Não se pode dizer que essa abordagem seja em princípio equivocada, pois, abstraindo um contingente de espectadores que assistem televisão por pura letargia, sem importar para eles sobre o que se está transmitindo, a maioria do público “voluntário” vai ao telejornal para saber o que está acontecendo nas áreas da política, da economia, da cultura, da ciência e da vida pública. Colocar em circulação e em confronto as vozes que “relatam” ou “explicam” um conflito, ao tentar encaixar as vozes umas “dentro” das outras, o que faz mais exatamente o telejornal é produzir uma certa desmontagem dos discursos a respeito dos acontecimentos. Num certo sentido, podemos dizer que o telejornal é uma colagem de depoimentos e fontes numa seqüência sintagmática, mas essa colagem
31 jamais chega a construir um discurso suficientemente unitário, lógico ou organizado a ponto de poder ser considerado “legível” como alguma coisa “verdadeira” ou “falsa”. (MACHADO, 2005, p. 110)
As informações que circulam na internet se juntam em gradações evolutivas diversificadas, apontando várias referências de comunicação. O conjunto infinito de informações torna delicado o ambiente ciberespaço e causa um significativo impacto na realidade contemporânea. Para Alzamora (2009), o momento chamado new media, parece desvendar semioticamente a natureza móvel, volátil e complexa das informações hipermidiáticas para se compreender em que medida se aproxima e se afasta do paradigma massivo. 2.3. Métodos de trabalho no jornalismo online e de TV O dead line utilizado nos veículos de comunicação tradicionais é igual ou mais cruel no trabalho realizado no jornalismo online. A estrutura da empresa, muitas vezes, contribui para o bom desempenho de serviços dos jornalistas. Aspectos semelhantes com a forma de trabalho realizado por jornalistas de TV. Nesta parte do trabalho, os autores Bernardo Kucinski (2005), Jean-Jacques Jespers (1998) e José Benedito Pinho (2003) explicam que, na concorrência dos jornais digitais para transmitir a informação, são necessárias algumas características importantes e básicas para a segurança e credibilidade. Como a transmissão de informação online costuma ser fragmentada, os jornalistas que utilizam a web como ferramenta de trabalho precisam contar também com uma estrutura adequada fornecida pelas empresas de comunicação. E o imediatismo da transmissão televisiva, regras na informação para o público, técnicas e alcance da televisão é fundamental para a autonomia dos órgãos de comunicação. A Word Wide Web4 surgiu em 1991 sem que ninguém soubesse os efeitos do sistema. Nem os especialistas e aficionados pela nova tecnologia da época, que fazia parte de multimídia da internet, puderam avaliar o impacto que a invenção causaria na comunicação. Pinho (2003) explica que, em um primeiro momento, os jornalistas, que utilizavam os computadores apenas para redigir e editar textos, começaram a usar os browsers, de 4
Sistema de informações organizado de maneira a englobar todos os outros sistemas de informação disponíveis na internet.
32 maneira incipiente, como um novo recurso para o acesso da informação disponibilizado em bancos de dados e em sites de todo o mundo. A corrida contra o tempo que sempre houve no jornalismo criou o clássico conflito entre qualidade e primazia da noticia. Para Kucinski (2005), as agências de notícias, desde a invenção do telégrafo, sempre despacharam na velocidade das ondas eletromagnéticas. Para o autor, isso fez com que a expressão “jornalismo online” tratasse de um conceito-fetiche, que confunde mais do que esclarece. A informação tem, inevitavelmente, um efeito amplificador, sobretudo na televisão. Por isso, não cabe aos jornalistas intervir com o objetivo de provocar o acontecimento, nem de manter ou de reforçar, muito menos intervir no sentido contrário. Por isso, o imediatismo de transmitir a informação de televisão pode provocar vários efeitos sociais diretos. “A simples presença das câmeras de reportagem pode incitar algumas pessoas a entrarem-se (sic) a atos violentos, ou a demonstrações espetaculares com o objetivo de usar a televisão como meio de mostrarem” (JESPERS, 1998, p. 63). É necessário que o jornalista esteja extremamente atento para não deixar ser manipular nem servir de caixa de ressonância de campanhas de opinião. Segundo Pinho (2003), os jornalistas buscam cada vez mais a web como um local e uma fonte de informações corporativas e institucionais, de dados econômicos e financeiros, de biografia, de listas de endereço para contato com os responsáveis pela empresa e de fotos. O autor acredita que, nesse sentido, os sites institucionais e corporativos empregam estratégias e recursos online que podem ser úteis para motivar visita freqüente ao site da empresa e ainda fazer os repórteres confiarem em uma informação objetiva e precisa. O público aparece em primeiro lugar, sendo o principal especulador com as instituições financeiras de uma extensão dos serviços de informação econômica ampliados por agências quando se acelera a crise do dólar. A aceleração do tempo provocada pelo domínio da especulação financeira sobre as demais atividades econômicas migra o processo de produção de notícia, e leva a uma aceleração igual a do tempo jornalístico. “Assim, o
33 jornalismo online reflete o triunfo do capital financeiro não só sobre a economia, também sobre o processo de produção da notícia” (KUCINSKI, 2005, p. 97). De acordo com Jespers (1998), dirigindo-se a um público indiferenciado, a informação televisiva impõe como regra não defender nenhum ponto de vista particular, mas recolher e apresentar a informação de maneira honesta, rigorosa e imparcial. O autor explica que “Honesta” significa sem deformação consciente. “Rigorosa” quer dizer confrontar as fontes com o apoio apenas de elementos confirmado provenientes de fontes conhecidas. E “Imparcial” significa não favorecer esta ou aquela corrente de pensamento. Pinho (2003) acredita que a web proporciona aos repórteres e editores uma nova e importante ferramenta para o acompanhamento de fatos e acontecimentos em todo o mundo, para a apuração de informação da atualidade e para a identificação de fontes e de contatos que possam colaborar com a informação para o trabalho jornalístico. Nos primórdios, o jornalismo tinha nas fontes primárias o único recurso para a coleta de informações. Hoje a pesquisa jornalística na rede mundial é feita com quatro propósitos gerais. O primeiro é a busca de informação, que pode incluir documentos, dados, fotografias, áudio e vídeo. O segundo objetivo consiste em procurar e localizar pessoas especializadas em temas ou em assuntos que estejam sendo cobertos pelo repórter. O terceiro é o de checar determinadas informações usando recursos de referência online. O quarto objetivo estabelecido é o de analisar determinadas informações, em especial dados. (WARD5 apud PINHO, 2003, p.98).
A primazia da velocidade é o segundo ponto importante no jornalismo virtual, sobre outros atributos da informação, tais como precisão, contextualização e interpretação. Com a velocidade, alguns atributos são sacrificados e as informações são enviadas continuamente, aos pedaços, ao mesmo tempo em que os fatos estão acontecendo. Nesta forma de jornalismo, a fragmentação da informação é uma característica do processo de produção da notícia que é levado ao extremo. “É um jornalismo que não espera resultado da batalha. Informa cada troca de tiro. Se um presidente faz um longo discurso, o jornalismo online transmite um despacho atrás de outro com pedaços sucessivos do discurso” (KUCINSCKY, 2005, p. 98).
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WARD, Mike. Journalism online. Woburn, MA: Focal Press, 2002.
34 O principal propósito da web para o jornalista é obter os documentos, encontrar fontes e levantar o contexto dos fatos e acontecimentos a serem cobertos, e não deve servir sempre como substituto para documentos, contatos telefônicos e entrevistas pessoais. Pinho (2003) explica que informação em quantidade não significa necessariamente informação de qualidade, e, portanto, três cuidados básicos devem ser seguidos para que a busca nos sites resulte em informação fidedigna, que são: saber quem está por trás do site, quando ocorreu a última atualização do site e se o conteúdo do site contém erros gramaticais ou de ortografia. Informar com qualidade na web necessita de agilidade correto? Na TV não é diferente. Os lapsos de tempo que separa a ocorrência de um acontecimento no instante de sua exibição podem diminuir consideravelmente com as técnicas modernas de audiovisual. Segundo Jespers (1998), nos minutos posteriores a qualquer acontecimento, pouco importa onde, uma equipe de televisão pode chegar ao local. As imagens e sons que recolhe poderão ser transmitidos no mesmo instante por uma estação local ou uma unidade móvel e transmitidos a um satélite que os enviará a uma estação situada numa região qualquer do globo e eventualmente, para vários canais ao mesmo tempo. Além de modernas tecnologias utilizadas pelas empresas de comunicação, existem outros aspectos que são fundamentais para uma boa cobertura e divulgação de um fato. Não chega ter meios técnicos para emitir imediatamente dos lugares onde se desenrola um acontecimento. É preciso também dispor nestes lugares de fontes credíveis e variadas. É preciso ainda ter tempo e meios para procurar e gravar as imagens e/ou as entrevistas significativas. É preciso ter tempo e meios para “recortar” e verificar os rumores ou as informações parcelares propagadas no local antes de as difundir. Isto acontece raramente quando se emite pouco tempo depois do acontecimento. Quanto mais se reduz o tempo entre o acontecimento e o seu relato televisivo, menos é possível assegurar este relato de forma deontológica e metodologicamente aceitáveis. (JESPER, 1998, p. 66).
O uso que os veículos de jornalismo digital fazem do conteúdo é o terceiro tópico importante na produção jornalística nesta área, comparado ao que é praticado pelas agências de notícias tradicionais. Para Kucinski (2005), enquanto os despachos das agências de notícia eram e ainda são usados como produto final, publicados com apenas
35 leves adaptações, o noticiário online é usado como pauta para a cobertura feita pelos próprios jornalistas desses veículos. Dessa forma, transportou-se para o fazer jornalístico o ritmo frenético da cobertura continuada online. O repórter, mesmo se já está em campo, recebe por intermédio de seu celular novas ordens de trabalho, inspiradas em fatos que seu chefe acabou de ler no jornalismo online das telas da internet. E, como essas pautas tratam majoritariamente de economia e finanças, o processo leva ao domínio temático do capital financeiro e seus interesses na pauta jornalística geral. (KUCINSKI, 2005, p. 98).
Empresas de jornais, emissoras de rádio e TV, além de governos e autoridades passam a dançar conforme a música e o ritmo do jornalismo online. Segundo Kucinski (2005), o cenário do tratamento da informação chegou a uma institucionalização desse tipo de jornalismo e transformou o noticiário em um produto fragmentado. A transmissão televisiva é uma comunicação feita de pessoa para pessoa. Mesmo se vários telespectadores estiverem reunidos em frente de um monitor de televisão, a mensagem é dirigida a cada um que recebe como se ela lhe fosse destinada pessoalmente, sem que ocorra “efeito de multidão”, nem reuniões populares ou um sermão. Na transmissão ocorre efeito de empatia, onde o tom da leitura é uma narração familiar com inflexões naturais, como se dirigissem a um interlocutor com quem tivessem boas relações. Mesmo assim, os profissionais de comunicação devem subsistir certas considerações, como por exemplo, uma distância de civilidade do ouvinte, principalmente por saber que não é o “colega” dele, não é essa familiaridade que ele espera. “Você continua a ser um profissional, alguém cuja credibilidade depende da competência que lhe atribuem mais do que da sua linguagem. Não se transformam em vendedores ambulantes” (JESPERS, 1998, p. 122). 2.4. Evoluções e problemas da convergência entre web e TV Uma das questões que envolvem na forma de trabalho dos jornalistas que atuam neste novo mercado, ainda é a utilização das técnicas adotadas nas mídias tradicionais como a TV. O caminho da comunicação social não é cenário, apenas, da convergência tecnológica de setores distintos, mas, também, de convergências econômicas e políticas. Os autores Suzy
36 dos Santos (2001), Sérgio Capparelli (2001), Jorge Trindade Ferraz de Abreu (2009), Vasco Branco (2009) e Vera Íris Paternostro (1999) explicam nesta parte do trabalho, que a conexão que envolve a televisão e o computador torna um símbolo de uma nova forma de capitalismo convergente, tendo como grande responsável desta evolução o empresário Bill Gates, criador da empresa de hardware e software americana, a Microsoft. As inovações tecnológicas envolvendo televisão e a web são mais freqüentes e mediadas não diretamente pelos interesses dos utilizadores, mas principalmente pelas estratégias comerciais que envolvem os diversos agentes envolvidos. Ferraz de Abreu e Branco (2009) acreditam que, atualmente, a palavra “convergência” surge como uma freqüência crescente na abordagem correlativa de diversos processos comunicacionais. A web e a televisão constituem-se como processos comunicacionais nos quais se questionam, de forma efervescente, a sua correlação e eventual convergência. De acordo com os autores, por outro lado, é também freqüente depreender-se que a “futura televisão interativa” resultará deste processo de convergência, no qual se encontram envolvidos diversos agentes, desde as empresas de telecomunicações, companhias de televisão por cabo e estações de TV até aos fornecedores de conteúdos e outras entidades relacionadas com tecnologias de comunicação. O sucesso empresarial dos referidos agentes é crescentemente condicionado pelo processo de inovação que gira em torno das novas mídias interativas e pelo posicionamento conseqüente diante dos eventuais concorrentes. De acordo com Ferraz de Abreu e Branco (2009), o bom senso empresarial é sensível a diversos fatores, entre os quais, a crescente proliferação dos serviços e da utilização da web, além de um novo ambiente de inovação para experiências na área da televisão interativa. A evolução das novas tecnologias de distribuição da programação televisiva enriqueceu a quantidade e a qualidade de oferta de serviços, possibilitando uma analogia com o que Nicholas Garnham6 e Giuseppe Richeri7 (apud DOS SANTOS E CAPPARELLI, 2001)
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GARNHAM, Nicholas. Capitalism and communication, global culture and the economics of information. Londres: Sage, 1990.
37 consideram como um dos principais motores da convergência das comunicações. Para os autores, a nova estrutura de redes, tanto por satélite como por cabos de fibra ótica, está capacitada para oferecer serviços que extrapolam a transmissão de imagens e áudio. Para Dos Santos e Capparelli (2001), tratando-se de negócios entre grandes empresas e convergência, não se pode deixar de falar também na WebTV. Essa ferramenta midiática surgiu com Steve Pearlman, ex-executivo da Apple, que navegava na internet certa noite e decidiu verificar sobre a possibilidade de transferir uma página do seu monitor de vídeo para a TV. A idéia deu certo e Pearlman criou a empresa WebTV, que chamou a atenção de Bill Gates em pouco tempo e viabilizou a compra da empresa pela Microsoft em um negócio de US$ 425 milhões. “De acordo com pesquisas da própria empresa, as pessoas passam 2,5 vezes mais tempo online navegando pela TV do que pelo computador” (DOS SANTOS E CAPPARELLI, 2001, p. 265). A maioria das brigas e disputas comerciais envolvendo as mídias e empresas de comunicação costumam sempre ter a TV como a menina dos olhos ou a cereja do bolo. De acordo com Paternostro (1999), quando se fala em televisão, recorre-se quase sempre a um velho provérbio chinês, de que uma boa imagem vale mais do que mil palavras. Isso só comprova a força da imagem na sociedade tanto oriental quanto ocidental. O desenvolvimento de altas tecnologias na área de telecomunicação é ininterrupto: e um avanço permanente que, associado ao jornalismo, o transforma a todo instante. Com a integração dos sistemas de satélite de comunicação, o mundo da informação evolui tanto que passou a ser muito simples, fácil mesmo, acompanhar o que está acontecendo. Alguém poderia imaginar que ainda neste século o mundo assistiria pela TV uma guerra transmitida ao vivo e narrada por um repórter? Parecia ficção, mas era realidade: em 1991, Bagdá, a capital do Iraque, foi atacada pelos americanos durante a Guerra do Golfo Pérsico e os bombardeios foram mostrados nas imagens exclusivas da rede de TV norte-americana CNN – Cable News Network em real time! (PATERNOSTRO, 1999, p. 26) _. Convergence between telecommunication andaudiovisual; consequences for the rules governing the information market. Bruxelas; LAB meeting on convergence – Regulatory Issues, European Commission – legal Advisory Board, 30 abr. 1996. http://www2.echo.lu/legal/en/convergence/960430/garnham.html. _. La economía política de la comunicación – El caso de la televisión. Telos. Madri: Fundesco, n.28, dez.fev.1991. Cuaderno central (economía de la información y la comunicación). p.68-75. 7 RICHERI, Giuseppe. La transición de la televisión. Barcelona: Piados, 1995. _. Condizioni di base per I’affermazione dei nuovi media. Media Mente: transmissione televisiva e telematica sui problemi della comunicazione. Roma: Biblioteca digitale/ intervista, 12 jan. 1996 http://www.mediamente.rai.it/home/bibliote/intervis/r/richeri02.htm.
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Diversas experiências têm sido efetuadas na convergência entre televisão e a web, aparentando demonstrar uma realidade cada vez mais evidente neste domínio. Segundo Ferraz de Abreu e Branco (2009), um dos aspectos relevantes no estudo da convergência web e TV, está relacionado com o fato do veículo de comunicação, que aí se origina ter, potencialmente mais chances para se converter em self-media, do que a televisão convencional apesar da sua crescente segmentação. Para Ferraz de Abreu e Branco (2009), as motivações inerentes a esta convergência não são únicas e muito menos estáticas. O pluralismo deve-se para a dialética necessariamente existente entre quem produz e quem consome. De um lado estão os agentes empresariais que enxergam na convergência ente estes dois media, de bases tão diferentes, novas oportunidades de negócio e uma tentativa de se manterem no auge tecnológico, já que desta forma ser-lhes-á igualmente permitindo ensaiarem novas vertentes televisivas, nomeadamente realizarem experiências na área da televisão interativa. Do outro lado estão os utilizadores que, com perfis tecnológicos e aptidões para a interatividade também bastante diversas, podem ou não catalisar esta convergência. Descurar o papel do utilizador, particularmente o seu envolvimento emocional, no consumo televisivo, diminuirá o rigor da especificação, do desenvolvimento e da otimização dos serviços que as diversas plataformas resultantes da convergência TV e web poderão disponibilizar. Nestas plataformas, o utilizador poderá deixar de ser um mero telespectador, limitado à programação que é difundida, para passar a ser um sujeito ativo nos processos comunicacionais, informativos e de entretenimento. (FERRAZ DE ABREU E BRANCO, 2009, p.11).
A limitação diante da análise da mensagem que a televisão emite é imposta através da informação visual. A programação da TV aberta tem um ritmo contundente, e acaba voltada para a transmissão de notícias de forma breve, adequação da natureza como meio de comunicação de massa. De acordo com Paternostro (1999), o que se considera desvantagem da TV (superficialidade) aliada a uma vantagem (imagem) gera um momento peculiar dentro do processo global de informação. A televisão estimula e provoca o interesse e a necessidade de se ampliar o conhecimento dos fatos para acreditar no poder motivador do veículo enquanto meio de informação. “Uma notícia de grande impacto afeta as pessoas de forma emocional. Dependendo da intensidade, permanece na mente do telespectador por muito tempo, às vezes para sempre” (PATERNOSTRO, 1999, p. 63).
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A web ainda não é uma ameaça para a indústria televisiva, mas poderá vir a ser, quando a percentagem de utilizadores que preferem navegar na internet aumenta relativamente comparado aos espectadores passivos de televisão. O número do uso das tecnologias da informação em detrimento da televisão já aumentou de forma significativa. Para Ferraz de Abreu e Branco (2009), o potencial avanço da anunciada sociedade da informação torna expectável que o número de cidadãos com acesso a web seja cada vez maior, incrementando as oportunidades de negócio que a convergência comporta. É também conveniente não ignorar que as gerações mais novas vão crescer com expectativas substancialmente diferentes das dos atuais utilizadores/telespectadores de televisão. Assim, para além dos fatores competitivos imediatos, os investidores devem cada vez mais ter uma visão sintonizada para longo prazo. Complementarmente, a indústria relacionada com a web começa a explorar maisvalias provenientes da convergência com a indústria televisiva, nomeadamente a influência e o poder publicitário da televisão. (FERRAZ DE ABREU e BRANCO, 2009, p. 2 e 3).
Graças a essa união da imagem ao sistema de banco de dados bem estruturado que a internet oferece, hoje, convive-se com um excesso de fragmentos de vídeo, fato que chega até a dificultar a vida do usuário. Apesar dessa dificuldade, uma nova mídia se inaugura com esse processo. “A implementação de sites web, de forma articulada com programas televisivos, permitirá realizar algumas experiências que promovam uma utilização conjunta da televisão e da web e, incrementar a visibilidade do novo media” (FERRAZ DE ABREU E BRANCO, 2009, p. 11). O poder de impacto, motivação e alcance que a televisão possui ganha mais força com a aliança entre a informática, internet e o ciberespaço. A mutação envolvendo web e TV pode tornar uma revolução e um avanço para as novas fases da comunicação. A união incluirá grandes corporações de diversos segmentos, modificando os cenários econômicos, políticos e unindo milhares de pessoas e profissionais em um sistema universal infinito de influência para o planeta. Além da TV e internet, todas as outras mídias existentes nunca mais serão iguais com a convergência dos meios de comunicação. Este processo acarreta uma transição que também altera a forma de trabalho de todos os profissionais que atuam nas mídias convertidas, incluindo os jornalistas. Para estes, o trabalho muda os métodos de
40 produção da informação, divulgação, conteúdo, equipamentos tecnológicos e interação entre o público consumidor, transformando-os em ciberjornalistas. 3. CONEXÃO ENTRE TV E INTERNET 3.1. TV CRUZEIRO: A televisão como produto do futebol A TV Cruzeiro8 foi inaugurada na tarde do dia 9 de setembro de 2008, apresentada pelo presidente do clube Alvimar de Oliveira Costa, em solenidade realizada no auditório da Toca da Raposa II, com cerca de 50 jornalistas e outros convidados, incluindo a participação do diretor executivo do Departamento Geral de Esportes do Sistema Globo de Comunicação, Marcelo Campos Pinto, e o diretor de Comunicação do Cruzeiro, Guilherme Mendes. O desenvolvimento do projeto foi realizado pelas diretorias de Comunicação, Marketing e Tecnologia de Informação do Cruzeiro, em parceria com a empresa Samba Tech, responsável em proporcionar solução de logística de armazenamento, organização e distribuição para diversas mídias digitais de vídeos, visando à comunicação de empresas para a internet. A principal tecnologia utilizada pela Samba Tech é a Liquid Platform, que possibilita regular a gestão interna de documentos e distribuição digital de informação para diversas portas de saída, como celulares, portais e sites, TVs corporativas, em formatos de áudio, vídeo e imagens, proteção, edição online de vídeos e inserção de publicidade. Na Europa, este tipo de recurso já é bem usado por grandes clubes, como os espanhóis do Fútbol Club Barcelona com o BarçaTV, o Real Madri Club de Fútbol com o RMTV, e os ingleses do Manchester United com a MUTV e do Chelsea Football Club com a ChelseaTV. Além de divulgação da informação audiovisual via internet, os clubes europeus também possuem canais de TV a cabo. A paixão e a quantidade de pessoas que envolvem o esporte explicam as diferentes formas de informação utilizadas pelos clubes de futebol, e o interesse por parte dos dirigentes. No Brasil, o amor pelo esporte não é diferente. Em 8
http://200.233.221.221/tvcruzeiro/www/home/
41 pesquisa divulgada pelo Ibope Net Rating sobre o modo como o torcedor brasileiro se informa sobre o time do coração, mostra que 33% dos entrevistados afirmaram ser através de televisão, e 26% através da internet. Entre as equipes brasileiras que já possuem TVs na internet, a TV Cruzeiro inovou em exibir as imagens no formato widescreem, tela considerada ideal para exibição de filmes. Outro diferencial da televisão criada pelo Cruzeiro é no conteúdo jornalístico disponibilizado para os veículos de comunicação que não podem cobrir o dia-a-dia próximo do clube. Emissoras de televisão, rádio, jornais impressos e portais online têm acessos a materiais e arquivos de áudio e vídeo para download na TV Cruzeiro, principalmente para empresas midiáticas que, por algum motivo, não podem enviar equipes de reportagem para cobrir o time, utilizando e exibindo desta forma, com praticidade e à vontade todo o conteúdo disponível em uma cobertura sobre o clube. Para o internauta assistir à TV Cruzeiro, ele tem que fazer um cadastro e, em seguida, assistir às reportagens através de um link disponibilizado no site do clube. A televisão é dividida em seis categorias que são: Futebol, Categoria de Base, Vídeos, Atletismo, Vôlei e Todos os Vídeos, além da Rádio, Gritos de Guerra, entrevista de jogadores, opinião de comentaristas e brevemente o lançamento das categorias de Fotos e Transmissão de Informação Ao Vivo. A primeira etapa no lançamento dos dirigentes do clube foi divulgar os conteúdos da TV totalmente gratuito, e no futuro disponibilizar alguns vídeos exclusivos para torcedores cruzeirenses que participam da campanha promocional “Cartão 5 Estrelas”. O objetivo da segunda etapa envolvendo a fidelização dos torcedores tem como objetivo agregar mais um valor e receita para a televisão do clube e oferecer mais uma vantagem para os torcedores que compartilham diariamente com o sucesso do Cruzeiro. Mas o principal objetivo dos dirigentes do clube, com a criação da TV Cruzeiro, foi aproximar e ampliar a relação com o torcedor, lançando um canal direto de comunicação. Transmitir informações sobre o clube com uma visão diferente, mostrando o que os outros veículos de comunicação tradicionais não podem mostrar, como fatos relacionados aos bastidores do futebol, a rotina do clube, o que se passa nos vestiários antes e após os jogos, nos
42 intervalos, uma palestra do treinador na sala de preleção, imagens de gols, dentro do ônibus, preparação e recuperação física de jogadores, a filosofia de trabalho do time, e entrevistas. 3.2. Metodologia Com o objetivo de analisar o que vem sendo produzido de informação jornalística nos formatos de televisão para web, o presente trabalho organizou uma série de objetivos. A princípio, a realização da análise começou observando o conteúdo das publicações de notícias e reportagens audiovisuais disponibilizadas nos portais de notícia da internet. Em seguida, verificar a produção destes conteúdos comparados com as normas e técnicas de produções e trabalho jornalístico realizados nas emissoras de televisão tradicional. Desta forma, para realizar a pesquisa, foi verificado como referência o portal de uma empresa que possuísse uma televisão web: TV Cruzeiro. Analisamos as notícias do site durante a primeira quinze de maio (01/05/2009 a 15/05/2009). Observou-se, em média, duas reportagens divulgadas diariamente nos horários da manhã e tarde, de segunda a sextafeira. Foram selecionadas as reportagens da TV Cruzeiro principalmente pela novidade da ferramenta utilizada para o esporte, a quantidade de pessoas que envolvem o futebol, pela abrangência geográfica da tecnologia e pelo vínculo direto com o tema. Trata-se de produtos informativos inseridos na perspectiva de análise e pode ilustrar o que vem sendo trabalhado e produzido para televisão na web. Ressalta-se que esse tipo de reportagens e notícias são objetos de estudo do referencial teórico desta monografia. Por isso, acredita-se que utilizar tais produtos informativos seria um bom caminho para atingir os objetivos deste estudo. Analisamos o conteúdo das reportagens a partir das discussões teóricas traçadas e, com devidas articulações, caracterizados de acordo com o formato e adequação ao meio no qual estão inseridos. Além disso, analisou a percepção teórica a observação participante, através de visita técnica realizada na TV, de forma de
43 encontrar respostas para as questões de estrutura tecnológica e de trabalho dos profissionais de comunicação. Como categorias analíticas, a apresentação dos resultados da análise será feita a partir do seguinte roteiro: formatação visual e categorias do portal; características dos conteúdos; estrutura técnica e de trabalho; perfil do profissional e equipe; a transmissão da informação; diferenças e semelhanças da Web TV e TV tradicional. 3.3. Análise da prática e transmissão da TV Cruzeiro
3.3.1. Formatação visual e categorias do portal O portal da TV Cruzeiro tem várias características referentes ao clube, principalmente nas cores do site. O tom de azul claro e escuro identifica a ligação entre o time e a torcida. No centro do portal, há uma tela referente a uma televisão, onde são exibidos os vídeos de reportagens e notícias. Dentro desta televisão, contém o tempo total de exibição do vídeo, além de ferramentas onde o internauta pode aumentar ou diminuir o volume, aumentar as imagens ocupando todo o espaço do monitor, eleger os melhores vídeos de forma interativa, enviar o vídeo para algum amigo e copiar o link do vídeo. Na parte de cima, à esquerda do portal, está localizado o logotipo da TV Cruzeiro, e embaixo deste logotipo, estão os links: Futebol, Categorias de Base, Atletismo, Vôlei, Vídeos e Todos os Vídeos. Clicando em qualquer um deles, aparece a relação dos vídeos na parte inferior da tela. Na parte de baixo do site, contém uma imagem de um fone de ouvido que é a Rádio Cruzeiro, um canal de áudio que oferece desde as íntegras das coletivas como também um espaço para download de “gritos de torcida”, oito pequenos vídeos enfileirados ocupando as duas extremidades da página e, abaixo, publicidades institucionais do clube como: Cartão 5 Estrelas, Papa Filas 5 Estrelas, Cruzeiro Sport Bar e os direitos reservados do site oficial.
44 No lado direito do portal, também há três pequenos vídeos que, quando se passa o mouse por cima, aparece um balão com o resumo daquele conteúdo. Em cima destes vídeos, contém outra publicidade institucional referente ao Cartão 5 Estrelas. E na parte de cima do portal, está localizado um espaço destinado à realização de cadastro e acesso a internautas cadastrados no site.
3.3.2. Características dos conteúdos O conteúdo do portal da TV Cruzeiro é apresentado apenas com reportagens e matérias jornalísticas. A televisão do clube não possui estúdios de gravação ou apresentadores de programas específicos de futebol. As matérias do portal são realizadas em ambientes externos pelo repórter Fabrício Faria, e com gravações e edições de imagens feitas por Rodrigo Genta. A composição das notícias é formada com estruturas básicas de jornalismo em televisão tradicional, como Off’s, Passagens e Sonoras9. Como a televisão representa um departamento do clube, não é necessário ser parcial na produção do texto do repórter. Ao invés de usar o texto na terceira pessoa, como a maioria dos veículos de comunicação utilizam, na TV Cruzeiro, pode-se usar na primeira pessoa, como por exemplo: “nós entramos em campo em busca da vitória, o nosso time voltou para o segundo tempo, etc”, o que corrobora o fato da emissora ser administrada pela Diretoria de Comunicação do Clube. Antes de apresentar qualquer notícia divulgada em televisões tradicionais, por um âncora em uma bancada, o texto é lido no telepromter e este chamado de cabeça da matéria. No caso da televisão para web, as cabeças são produzidas através de um texto que é chamado de balão. Como não existem estúdios para apresentar a chamada das reportagens, o internauta, ao passar o mouse para clicar e visualizar o vídeo, vê um resumo do conteúdo da notícia, podendo ser comparado também ao lead utilizado pelos jornais impressos e online.
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Termos próprios de telejornalismo em que off representa uma entrevista concedida em o direito de veiculação emitido pela fonte; passagem é o termo usado para quando o repórter assina a matéria colocandose como imagem na reportagem; e sonora é o momento em que entra o depoimento da fonte na composição da matéria.
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Como o clube é uma empresa que possui diversos tipos de esporte que representam o Cruzeiro, a televisão não consegue acompanhar tudo que acontece em todas as áreas, necessitando filtrar o que será divulgado como notícia. O objetivo da TV Cruzeiro é oferecer os conteúdos ao torcedor ou aos veículos de comunicação em geral, de acordo com o interesse ou fato em evidência. Como o principal investimento do clube é com o futebol profissional, a principal divulgação da televisão também é nesta área. Assuntos relacionados às Categorias de Base, Atletismo, Vôlei, Marketing ou Tecnologia do clube também recebem a cobertura da TV Cruzeiro, mas dependendo da demanda e fato de destaque no momento.
3.3.3. Estrutura técnica e de trabalho A equipe da TV Cruzeiro é pequena, funcionando sob a coordenação do diretor de comunicação, Guilherme Mendes, o diretor de tecnologia da informação, Aristóteles Loredo, o repórter Fabrício Faria, e o cinegrafista e editor de imagens, Rodrigo Genta. O modelo de televisão web pode ser funcionado por um número reduzido de profissionais, podendo ser desempenhado mais de uma função. A quantidade de equipamentos utilizados para as coberturas e produções das notícias na WebTV também é pequena. A equipe da televisão do Cruzeiro usa dois computadores portáteis para o repórter e o editor, uma câmera filmadora pequena, um microfone e um pequeno tripé. A mobilidade que os equipamentos com a tecnologia de transmissão da informação, permitem aos profissionais trabalharem em movimento, às vezes durante os trajetos das viagens do time e em locais distantes da sede do clube. A televisão pode-se movimentar para todos os lados, podendo ser levada nas costas pelos profissionais. Um dos problemas desta mobilidade está na recepção das imagens para alguns internautas, que necessitam da mesma tecnologia compatível com a que é disponibilizada pela WebTV, para que a qualidade do conteúdo seja a igual. (MENDES, 2009) explica que a Internet brevemente poderá também utilizar a qualidade da transmissão
46 em alta definição, fato que ainda não é usado, pelo peso e tamanho do vídeo que a tecnologia proporciona, dificultando principalmente na transmissão online.
3.3.4. Perfil do profissional e equipe O trabalho realizado pelos profissionais da TV Cruzeiro é parecido com jornalistas correspondentes internacionais, que, muitas vezes, produzem reportagens apenas com um cinegrafista ou sozinhos. Mas para televisão web, noções de televisão são fundamentais. (MENDES, 2009) diz que utiliza a experiência de 20 anos de carreira trabalhados em televisão tradicional e assessoria de imprensa para coordenar a TV Cruzeiro. Antes de iniciar a televisão, foram necessários vários testes e implantação de novas tecnologias como a utilizada widescreem. A apuração e produção da TV Cruzeiro são feitas por (FARIA, 2009) e (GENTA, 2009) dentro do clube. Os profissionais fazem um pouco de tudo. Informar sobre um simples treino, a postagem é realizada rapidamente. O cinegrafista captura as imagens do treino, das entrevistas coletivas e em seguida, envia para o computador portátil, antes de terminar a entrevista. O repórter antes de começar as entrevistas coletivas, e produz o texto enquanto o computador recebe as imagens. Em pouco tempo, as reportagens ficam prontas e disponibilizadas para os internautas e torcedores do clube. Como explicam Barbosa (2009) e Ferrari (2003), mesmo com as modificações nas práticas das redações, o trabalho de investigação e construção da notícia, feito pelos profissionais seriam semelhantes, mas com adaptações diante das novas tecnologias. Os trabalhos destes profissionais, principalmente dos jornalistas, necessitariam operar vários tipos de mídia, com uma visão multidisciplinar.
3.3.5. A transmissão da informação A transmissão da TV Cruzeiro é composta por notícias e reportagens online, podendo ser exibidas em qualquer hora do dia ou da noite. O público alvo para a transmissão da
47 televisão são os torcedores, por isso, existe um software que registra a quantidade de acessos de cada matéria, tornando o principal feedback para o clube. Outras formas de interatividade da transmissão entre os profissionais da TV e torcedores também são feitas através de e-mail e comunidades virtuais do clube disponíveis na internet. No lançamento da TV, foram registradas mais de 8.000 pessoas cadastradas no site. Esse número cresce a cada mês e representa, até em matérias simples e sem muita importância, cerca de 2.000 a 3.000 acessos em poucas horas. Desde a inauguração da TV Cruzeiro, não houve nenhuma grande modificação no portal, apenas adequações nos vídeos e na forma de trabalho. Grande parte da mídia utiliza o espaço para, além de coletar informações, realizar downloads de materiais nos formatos de áudio e vídeo que possam ser “reaproveitáveis” para o formato tradicional, tanto de rádio, no caso dos áudios, quanto de TV, no caso das imagens. Importante ressaltar que não só a mídia eletrônica utiliza desse recurso. A mídia impressa também garante importantes depoimentos por meio do material disponibilizado. Há projetos que foram pensados junto com a criação da TV Cruzeiro e ainda não foram implementados são possibilidades de Games Virtuais, Bolão de resultados e Dados informativos sobre atletas em cada partida. Para (MENDES, 2009), a internet ainda é uma novidade para todo mundo pelo potencial que o veículo proporciona. TV e internet somam uma novidade, porém já implementada. Agora, uma emissora de áudio e vídeo de um clube de futebol transmitido pela internet é algo ainda mais novo. Para ele, daqui a 30 anos, os formatos utilizados atualmente serão totalmente diferentes, e a TV Cruzeiro também será muito diferente. Da mesma forma que Dizard (2000) e LaRose e Straubhaar (2004) explicam que as organizações sobreviventes [ao intenso processo de convergência de mídia] serão as que se adaptarem às realidades tecnológicas e econômicas. Dessa forma, a convergência técnica dos sistemas de computação e comunicação está refletida no âmbito institucional e social.
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3.3.6. Diferenças e semelhanças da Web TV e TV tradicional A principal diferença entre WebTV e TV tradicional está no número de profissionais que envolvem estes dois veículos. Para produzir e colocar em funcionamento uma televisão online, é necessário um número reduzido de profissionais, diferente de uma emissora de TV tradicional, onde o número de pessoas é muito maior. Na tecnologia entre essas duas mídias, também ocorre uma diferença, principalmente na qualidade da imagem de alta definição da TV tradicional e o formato widescreem10 do modelo online. O trabalho dos profissionais também sofre modificações, sobre a maneira multidisciplinar de atuar em emissoras online como a TV Cruzeiro, e não segmentada como em TVs tradicionais. No clube, outra diferença é sobre os equipamentos utilizados que são poucos e numa quantidade menor também, sem precisar de um grande número de câmeras, microfones e suportes operacionais. O que é igual entre as duas mídias é o princípio do profissional de jornalismo, que realiza as mesmas funções na composição da reportagem como: apuração, entrevista e produção de texto, elementos básicos para a manutenção da qualidade de qualquer mídia. Aqui, neste objeto de estudo, nota-se o grande objetivo da WebTV do Cruzeiro de proporcionar aos repórteres e editores uma nova ferramenta para o acompanhamento dos fatos em todo mundo, apurar a informação e identificar fontes para contribuir com o trabalho jornalístico.
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Formato de maior qualidade de imagem e dimensão técnica, assemelhado ao que é usado no cinema, ou seja, um enquadramento retangular.
49 CONCLUSÃO Desde o início deste estudo, procurou-se verificar as semelhanças e diferenças entre os conteúdos trabalhados pelas TV na web e pelos formatos tradicionais. Observou-se que, a partir do momento em que a televisão surgiu como uma grande tecnologia de investimentos e interesses políticos, a televisão, com seus extraordinários recursos imagéticos, ganhou novos espaços e ampliou as áreas de atuação e desenvolveu rapidamente. Nesse rastro de sucesso televisivo, a internet desenvolveu-se como uma nova ferramenta de grande potencial e avanço tecnológico ao associar, em um só lugar, o texto, a imagem e o áudio. Essa mídia possui infinitos espaços de armazenamento e com enormes possibilidades de transmissão de informação em diferentes formas. Logicamente, esse espaço se torna cobiçado pelos mais diferentes interesses empresariais, comerciais, políticos e sociais. Com a possibilidade das Convergências de Mídias, a conexão envolvendo o formato tradicional televisivo à instantaneidade da internet, surge como uma nova mídia do século XXI e para o futuro. A WebTV aparece como produto de comunicação que atenderá um novo público segmentado, com novas formas de transmissão, de trabalho e estruturação. O referido estudo constatou que a diferença entre televisão tradicional e WebTV do Cruzeiro está, principalmente, na transmissão e na recepção, já que o produtor do conteúdo não segue padrões rígidos de uma programação. Quanto ao internauta, não há regras para horário de audiência do material postado. O trabalho do profissional seja ele técnico ou jornalista, desses dois formatos de mídia é muito semelhante. Porém, há um impacto na quantidade de gente envolvida, ou seja, poucos profissionais para o formato web e muitos para o tradicional. No entanto, a TV inserida no formato de web traz a possibilidade de contato direto entre produtor da informação e receptor. Este, como explicado no referencial teórico, assume um novo papel, de leitor imersivo ou um coemissor. Dessa forma, há uma constante troca
50 informativa, que possibilita várias inferências tanto para a equipe emissora quanto para o receptor final. Inevitável afirmar que o formato WebTV seguido pelo Cruzeiro Esporte Clube está incipiente e com muitas possibilidades pela frente. Áudio e imagem são os poucos produtos oferecidos até agora e atendem, quase que exclusivamente, à sede informativa dos torcedores do time e à carência de material jornalístico das grandes mídias. Porém, acredita-se que há muito que ser feito. Este estudo pretende ser um ponto de partida para uma discussão que envolva o grande potencial da internet como mídia catalizadora, não só da TV, como também do rádio e do impresso. E essa alimentação mútua entre os veículos gerará um grande avanço no setor de informação. A rapidez e a praticidade deste objeto aqui estudado é o sonho de qualquer grande empresa de comunicação, que necessita de transmitir a informação o mais rápido possível. A WebTV ainda está em um processo de caminhada, mas sem dúvida já é uma mídia que promete atingir uma gama de adeptos e potencial enorme de reprodução e conteúdo.
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53 ANEXOS
Layout do portal da TV Cruzeiro.
O rep贸rter Fabr铆cio Faria e o cinegrafista e editor Rodrigo Genta durante treinamento do time do Cruzeiro na Toca da Raposa II.
54
Diretor de Comunicação do Cruzeiro Esporte Clube, Guilherme Mendes.
Cobertura da TV Cruzeiro durante entrevista coletiva realizada na sala de imprensa do Centro de Treinamento.