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Inclusão

Combate matrimonial

Alunos da Derdic na mídia

Seria cômico se não fosse sério é uma peça dinâmica e perspicaz, tanto na estrutura textual, quanto na desenvoltura dos três atores em cena. Um texto circunspecto, que traz na sua esteira um humor sutil e intrigantemente cruel. Em cartaz no Tucarena. |pág. 8

Era para ser apenas um blog, mas já ganhou as ruas. Assim é o Corposinalizante, projeto que vem chamando a atenção de pessoas ligadas às artes plásticas, à mídia e ao cinema. Criado em novembro de 2008, o grupo é formado por educadores e pesquisadores, surdos e ouvintes, e tem entre seus integrantes cinco

João Caldas

Tucarena

alunos da Derdic/PUC-SP – Felipe Lima, Leonardo Castilho, Luciana Yamamoto, Luana Milani e Isadora Soares Borges –, além da professora Regina Penteado Teixeira. Atualmente, o grupo participa de um documentário sobre os trabalhos do Corposinalizante e a vida cotidiana de jovens surdos. |pág. 7

www.pucsp.br Ano 2 Número 17 1ª quinzena abril - 2010

Jornal quinzenal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Campus Sorocaba

Acordo Interno

Hospital Santa Lucinda celebra 60 anos

Foto antiga mostra vista aérea do Santa Lucinda, em Sorocaba

Entrevista Conheça a nova ouvidora

Thiago Pacheco / DCI

Entrevistamos a professora Neide Barbosa Saisi, que assumiu a Ouvidoria da Universidade no

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final de 2009. Ligada à PUC-SP desde 1972, quando iniciou o curso de Pedagogia, a docente conta não só com sua experiência acadêmica (formou-se também em Psicologia e fez mestrado e doutorado em Psicologia da Educação) para o árduo trabalho à frente do cargo, mas ainda com o conhecimento que tem sobre os meandros da PUC-SP: “A função de ouvidora compreende um conhecimento sobre a instituição, o que exige uma constante atenção ao seu movimento, à sua história, aos seus momentos de crise, desafios e de busca de superação, enfim, à sua dinâmica”, considera. |pág. 3

No próximo dia 13/4, o Hospital Santa Lucinda (HSL), em Sorocaba, completa 60 anos. Entre as atividades programadas estão uma missa com o cardeal Dom Odilo Pedro Scherer (17/4, às 9h30, no Salão Nobre da faculdade), uma sessão solene na Câmara Municipal de Sorocaba (15/4, às 19h30) e diversas homenagens (17/4, após a missa) ao empresário José Ermírio de Moraes Neto (neto do doador do hospital), aos professores Antonio Rozas e Celso Augusto Simoneti, a Delair Oliveira (a mais antiga funcionária do hospital), Maria Bernadete Ataíde e Sara Helena Biazoti (eleitos por seus pares como exemplos de dedicação e bom relacionamento) e ao médico Gal Moreira (representando seu pai, o médico e ex-prefeito

de Sorocaba, Gualberto Moreira). Também haverá a presença autoridades eclesiásticas e políticas. Humanismo – Em seis décadas de história, o Hospital nunca abriu mão de buscar um tratamento humanista e de qualidade. Atualmente, 70% do atendimento do HSL são cobertos com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Os 30% restantes são formados por particulares e conveniados de planos de saúde. “O HSL não abre mão dos seus compromissos com a qualidade, ética, responsabilidade e humanismo, em razão do paciente ser atendido pelo SUS ou com recursos próprios. Essa conduta já se tornou um marco na história da instituição”, afirma o superintendente do hospital, José Augusto Rabello Júnior. |págs. 4 e 5

No dia 31/3, a Fundação São Paulo (Fundasp) e as entidades representativas dos funcionários da Universidade definiram o novo Acordo Interno de Trabalho (AIT) da categoria, com validade de um ano. Pela manhã, foi assinado o documento referente aos trabalhadores do Hospital Santa Lucinda. À tarde, foram definidos os AITs que regerão os trabalhadores da PUC-SP (incluindo os do campus Sorocaba). Até o fechamento desta edição, a Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc) e a mantenedora da Universidade ainda não tinham definido a nova versão do AIT dos docentes.

Mulheres na Ditadura Dois ministros estiveram na PUCSP, em março, para participar do lançamento do livro Luta, substantivo feminino – Mulheres torturadas, desaparecidas e mortas (Caros Amigos Editora). Paulo Vannuchi (Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, SEDH) e Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República) participaram do lançamento, ao lado de professores e alunos da PUC-SP, além do reitor Dirceu de Mello e do secretário-executivo da Fundação São Paulo, pe. José Rodolpho Perazzolo. Na platéia, havia diversas mu-

Thiago Pacheco / DCI

Acervo DCI

Sérgio Said

Thiago Pacheco / DCI

História da unidade está ligada à da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da PUC-SP

Ministros Paulo Vannuchi e Nilcéa Freire, ao lado de docentes da PUC-SP lheres que sobreviveram ao horror da Ditadura. O livro reúne as histórias de 45

mulheres mortas durante o regime militar e o depoimento de 27 sobreviventes. |pág. 2

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Cogeae tem novo site A Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão está de site novo. Acesse www.pucsp.br/cogeae para conhecer. www.pucsp.br

02 Educação após o Araguaia

A enfermeira Delair Aleixo de Oliveira e o médico Eduardo Luís Cruells Vieira nos ajudam a contar a história do Hospital Santa Lucinda, que dia 13/4 comemora 60 anos de serviços prestados a Sorocaba e região. Nesta edição, ambos narram como a história do hospital faz parte da história de suas próprias vidas. Delair, funcionária mais antiga do Santa Lucinda, e Eduardo Luis, contam, por exemplo, que escolheram o hospital para o nascimento de seus filhos. Esta escolha representa, como eles mesmos afirmaram, um demonstração de confiança, já que a história do Santa Lucinda tem altos e baixos, como você confere na reportagem especial. A boa novidade é que, desde 2003, o hospital passa por uma gradual revitalização e modernização, sem deixar nunca de reafirmar seu perfil de hospital-escola e de instituição preocupada com aspectos éticos, humanistas e sociais. O desafio é constante e serve de combustível a quem dedica a vida ao hospital. Quem afirma é José Augusto Rabello Júnior, atual superintendente do Santa Lucinda (formado pela 39ª turma da Faculdade de Medicina da PUC-SP). “Garantir uma qualidade superior de atendimento num hospital que por sua filosofia destina 70% de suas ações ao SUS, sendo remunerado financeiramente por isto através de uma tabela defasada, é um grande desafio”, explica. “Porém, a convivência com as pessoas sérias e comprometidas que compõem as equipes do Hospital e poder verificar diariamente os resultados das nossas ações é uma grande satisfação. É neste contexto que encontro a motivação de seguir adiante nesta função”, conclui. Boa Leitura!

1ª quinzena de abril - 2010 Grão-Chanceler: Dom Odilo Pedro Scherer Reitor: Dirceu de Mello Vice-reitor: Antonio Vico Mañas Pró-Reitores: André Ramos Tavares (Pós-Graduação) Haydee Roveratti (Educação Continuada) Hélio Roberto Deliberador (Cultura e Relações Comunitárias) José Heleno Mariano (Planejamento, Desenvolvimento e Gestão) Marina Graziela Feldmann (Graduação) Chefe de Gabinete: Claudio José Langroiva Pereira Diretora da Divisão de Comunicação Institucional: Eveline Denardi (MTb 27.655) Editora: Thaís Polato (MTb 30.176) Reportagem: Bete Andrade Eveline Denardi Priscila Lacerda Thaís Polato Thiago Pacheco Assistente-administrativa: Vera Lucas Projeto Gráfico e Editoração: Núcleo de Mídias Digitais Impressão: Artgraph Tiragem: 2 mil exemplares Redação: Rua Monte Alegre, 984, sala T-34 Perdizes, São Paulo, SP CEP 05014-901 Tel.: (11) 3670-8196 E-mail: comunicacao@pucsp.br

Ministros discutem Plano Nacional de Direitos Humanos na PUC-SP Debate ocorreu durante lançamento de obra que reúne perfil de 45 mulheres mortas durante o regime militar e depoimentos de 27 sobreviventes Thiago Pacheco Uma senhora se levanta em meio à platéia abarrotada. É seguida por outra, depois mais uma, e ainda outra, e várias... Em pé, elas respondem ao chamado do ministro Paulo Vannuchi (Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, SEDH). Em segundos, mais de 200 pessoas estão em pé aplaudindo aquelas mulheres e suas trajetórias: elas são sobreviventes das torturas realizadas por órgãos de Estado contra os militantes opositores ao governo militar (1964-1985). Os rostos daquelas senhoras, os abraços, a emoção em público, e com o público, dão feição humana às narrativas desumanas contidas no livro Luta, substantivo feminino – Mulheres torturadas, desaparecidas e mortas (Caros Amigos Editora). O lançamento do livro, que reúne as histórias de 45 mulheres mortas durante o regime militar e o depoimento de 27 sobreviventes, ocorreu na manhã de 25/3, no auditório “Paulo de Barros Carvalho” do campus Monte Alegre (antigo 239). “É preciso voltar ao passado para construir o futuro, pois o desfecho sobre o direito à memória e à verdade ainda não está definido. Devemos promover ações no governo, em universidades, em movimentos sociais, para garantir o final democrático dessa disputa”, defendeu o ministro Vannuchi, na ocasião. “Não se trata de revanchismo. Ninguém está propondo tortura e novos desaparecimentos, e sim a educação em Direitos Humanos”, reforçou. MULHERES – A ministra Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidên-

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cia da República) também destacou a necessidade de voltar ao passado do país para impedir a repetição da violação aos Direitos Humanos. “É preciso desconstruir o mito da cordialidade nacional, de que o brasileiro não quer se lembrar de coisa triste. Nossa sociedade sofreu fraturas. Reconhecendo isto, poderemos construir pontes para ligar o passado a um futuro mais democrático, para a possibilidade de respeitar os Direitos Humanos no cotidiano da sociedade”, argumentou. Para Nilcéa, o “futuro democrático” também passa pelo resgate do papel das mulheres no processo histórico brasileiro: “A sensação é a de que o país foi construído por homens. Parece que não existiram heroínas e mulheres que foram à luta”. Foi nesse contexto que a ministra destacou a importância do livro Luta, substantivo feminino. Realizado por meio de parceria entre as duas Secretarias da Presidência, o livro foi organizado e editado pelos jornalistas Tatiana Merlino (responsável pelas entrevistas para os depoimentos) e Igor Ojeda (ex-aluno da PUC-SP). Ambos participaram do lançamento, assim como o professor Hamilton Octavio de Souza (docente do Depto. Jornalismo e diretor editorial da revista Caros Amigos Editora). PNDH – Os ministros também defenderam a plena efetivação do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), que passou a ser criticado por alguns setores da sociedade após seu lançamento, em 21/12 do ano passado. “Manteremos a essência da proposta, alterando a redação de alguns pontos de forma a defender os Direitos Humanos. Não há reconciliação em torno da mentira e da

Thiago Pacheco/ DCI

Editorial

fraude, por isso seremos persistentes e determinados na articulação de ações concretas para garantir a implantação do Programa”, enfatizou Vannuchi. “Trabalhamos em duas Secretarias (Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres) que, ao lado da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), tratam de temas polêmicos, em permanente disputa política e ideológica na sociedade brasileira. É normal, portanto, essa disputa em torno do Programa”, argumentou Nilcéia. Para a professora Rosalina Santa Cruz Leite (docente do Serviço Social que participou do evento como representante das famílias de desaparecidos), a 3ª versão do Programa avança em relação às anteriores (elaboradas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, respectivamente, em 1996 e 2002). “Os dois primeiros ainda são muito restritos, mas cada Programa reflete suas circunstâncias históricas e o plano dos governos”, declarou. “No governo Lula, avançamos no tema. O 3º PNDH contou com a participação popular prevista na Constituição de 88, consulta que não foi realizada para as versões precedentes”. “DIREITOS HUMANOS NAS VEIAS” – O reitor Dirceu de Mello abriu o

evento, ao lado do padre José Rodolpho Perazzolo (secretário executivo da Fundação São Paulo), do vicereitor Antonio Vico Mañas e do professor Hélio Roberto Deliberador (pró-reitor de Cultura e Relações Comunitárias). Em seguida, a mesa de debates foi formada. Além dos ministros Vannuchi e Nilcéa, participaram os professores Flávia Piovesan (promotora do evento), Marcelo Figueiredo (diretor da Faculdade de Direito), Sílvia Pimentel, Flávio Crocce Caetano e Rosalina, além do aluno Leonardo Danesi (representante da Diretoria do CA 22 de Agosto). De maneira geral, todos os palestrantes defenderam a implementação do 3º PNDH – inclusive considerando o atraso do Brasil em relação aos demais países da América do Sul, como Chile e Argentina, quanto à apuração e responsabilização dos crimes cometidos pelos membros dos Estados durante os períodos autoritários desses países. Também se referiram ao evento como “dia histórico” e mencionaram a identidade democrática da Universidade. “Nas veias da PUC-SP corre o sangue dos Direitos Humanos”, discursou o professor Marcelo Figueiredo. “Aqui é a casa do pluralismo e da tolerância. Estamos de braços abertos para acolher os companheiros que sofreram nos anos de chumbo”.

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Vestibular Já estão definidos os calendários e as obras para os processos seletivos de 2010 (vestibular de inverno) e 2011 (verão). Acesse www.vestibular.pucsp.br. Inf.: (11) 3670-3344. www.pucsp.br

03 Comunidade

“Transparência, agilidade, sigilo e respeito são os princípios que nos norteiam”, diz nova ouvidora Thiago Pacheco Neide Barbosa Saisi pode dizer que conhece a PUC-SP. Está ligada à Universidade desde 1972, quando iniciou o curso de Pedagogia; depois formou-se também em Psicologia e fez mestrado e doutorado em Psicologia da Educação. Docente da Faculdade de Educação desde 1976, lecionou em diferentes unidades e ocupou cargos acadêmico-administrativos (foi vice-chefe de departamento, coordenadora de curso). Desde 2009, é Ouvidora da PUC-SP, cargo para o qual levou toda sua experiência profissional, mas também seu conhecimento sobre os meandros da Universidade. “A função de ouvidora compreende um conhecimento sobre a instituição, o que exige uma constante atenção ao seu movimento, à sua história, aos seus momentos de crise, desafios e de busca de superação, enfim, à sua dinâmica”, considera. Em seu trabalho diário, a professora e sua equipe lidam pessoas que procuram a Ouvidoria pessoalmente, por telefone ou e-mail, na busca de soluções ágeis para problemas e conflitos que envolvam a vida universitária. “Na maioria das vezes, as pessoas chegam até nós sob um impasse emocional”, relata Neide. Para a professora, a melhor maneira de atuar é ouvir, sem barreiras, preconceitos ou pré-julgamento, as expectativas frustradas, tão características das situações que chegam à Ouvidoria. “Nesses momentos, nossa função é acolher e ajudar a pessoa a refletir sobre a situação, num processo de escuta que nos possibilita compreender a queixa em suas nuances e tomar decisões a respeito do seu encaminhamento”, afirma. Nesta entrevista ao PUC em Notícias, saiba mais sobre a professora Neide, o início desta nova gestão da Ouvidoria e sua maneira de trabalhar. PUC em Notícias – Quais suas prioridades à frente do setor?

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Neide Saisi – A função precípua da Ouvidoria é mediar as relações humanas na PUC-SP, com vista a uma convivência profícua e harmoniosa da comunidade. Ou seja, é ouvir alunos, professores e funcionários com o objetivo de encaminhar aos setores competentes suas solicitações, queixas e elogios, para que estes tomem as providências cabíveis. A Ouvidoria contribui para a identificação de questões amplas cuja superação exige a formulação de políticas institucionais. A prioridade, neste momento, é aprimorar o desempenho desta função em busca de um melhor modo de atuar, sob a ótica de uma perspectiva ética que respeite não só o demandante, mas todos os envolvidos. PN – Como a sra. se preparou para o cargo? NS – Posso dizer que me preparei ao longo de minha vida acadêmica, desde minha formação em Educação e Psicologia, áreas que exigem um enfoque nas relações humanas. Esta experiência facilita a relação entre o demandante e a Ouvidoria quando esta busca compreender o sentido de sua solicitação no contexto da Universidade. Assim, o cargo compreende também um conhecimento sobre a Universidade. Conhecer a instituição exige uma constante atenção ao seu movimento, à sua história, aos seus momentos de crise, desafios e de busca de superação, enfim, à sua dinâmica. Minha experiência profissional ao longo de 34 anos possibilitou uma aproximação não só nesse sentindo, mas também uma identificação com seus valores humanistas. Por outro lado, procurei me preparar por meio de estudos de documentos da PUC-SP para me apropriar das mudanças ocorridas na última reforma (Estatuto e Regimento), embora tenha participado ativamente de comissões para elaboração da proposta. Além disso, consultei a literatura a respeito do que seja Ouvidoria em sua conotação ampla e também especificamen-

Thiago Pacheco / DCI

Professora Neide Saisi fala sobre o início de seu trabalho e seus planos à frente da Ouvidoria, em entrevista a PUC em Notícias

Da esq. para dir.: Edna, Neide e Marta te, em relação à Ouvidoria Universitária, participando de um Congresso de Ouvidores Universitários de todo Brasil. Na ocasião constatei a existência de características comuns relativas às universidades brasileiras, no que diz respeito às suas demandas. PN – A sra. assumiu a Ouvidoria em julho de 2009. Já pôde sentir quais os anseios da comunidade, em que área estão as maiores preocupações? NS – Estou finalizando um relatório relativo aos primeiros seis meses de minha gestão. Neste, as queixas dos usuários estão classificadas em categorias que organizam um vasto material, que nos permitiu abstrair os anseios da comunidade discente, por ser este o segmento que mais procura a Ouvidoria. Sintetizando esses anseios, o aluno almeja uma formação profissional de qualidade, não só técnica, mas plasmada em um conjunto de valores humanísticos, como democracia, respeito, compreensão e outros valores mais. É notória a decepção do aluno quando tem essa expectativa frustrada em situações relacionadas ao âmbito administrativo, acadêmico ou comunitário. PN – A sra. é a segunda ouvidora da Universidade. Como avalia o trabalho do seu antecessor? Já houve tempo para imprimir sua marca no cotidiano do trabalho? NS – Avalio o trabalho de

meu antecessor, o professor Fernando Altemeyer Junior, como referência, porque foi corajoso e criativo, justamente por ter sido o primeiro Ouvidor da PUC-SP. Nessa condição, ele precisou construir partindo do zero, ao definir a rotina e seus procedimentos; o espaço físico, os colaboradores, enfim, iniciar o contato com as entranhas da PUC-SP nos seus aspectos mais desafiadores. Precisou suportar o preconceito existente contra esta função, que persiste até hoje em alguns, mas não em toda a comunidade porque a Ouvidoria recebe muito apoio de diferentes pontos dos múltiplos campi. Quando assumi já encontrei um processo em andamento, um caminho desbravado e percorrido, de cuja experiência me beneficiei para levar o trabalho adiante e, aos poucos, criar uma identidade própria, um modo específico de ser Ouvidora. PN – Normalmente, quem procura a Ouvidoria tem algum problema, está passando por uma situação estressante e se mostra irritada com a instituição ou algum de seus setores. Como a sra. age nesses casos? NS – Sim, a comunidade nos procura quando tem algum problema a ser resolvido, um conflito a ser solucionado. Pelo menos até agora essa tem sido a tônica. Na maioria das vezes as pessoas chegam até nós sob um impasse emocional. A melhor maneira de atuarmos é ouvi-las, sem barreiras, preconceitos ou

pré-julgamento em função de suas manifestações de inconformidade, expectativas frustradas e decepção tão características nessas ocasiões. Nesses momentos, nossa função é acolher e ajudar a refletir sobre a situação. É este processo de escuta que nos possibilita compreender a queixa em suas nuances e tomarmos decisões a respeito do seu encaminhamento. PN – Como a sra. tem encaminhado as questões que chegam à Ouvidoria? NS – Como as solicitações são variadas, não há um método comum para todas, e sim alguns princípios que nos norteiam, como transparência, agilidade, sigilo, respeito. Assim, busca-se diretamente a instância que pode responder à solicitação recebida pela Ouvidoria, sem dispersar esforços, evitando envolver desnecessariamente âmbitos da Universidade que não podem contribuir para o encaminhamento do caso em questão. Com esse procedimento ganha-se tempo para a Universidade, uma vez que se evita o empenho desnecessário de muitas pessoas. Todavia, quando não se obtém uma resposta do interessado, a solicitação mediada pela Ouvidoria segue para as instâncias imediatamente superiores na busca de uma resposta que será enviada ao solicitante. Ganha-se também em sigilo, pois só o interessado é que receberá a mensagem. Outro princípio norteador refere-se à ética traduzida na busca do respeito, cortesia, para ambos os lados: tanto em relação ao demandante, como em relação ao demandado.

PN – Depois de apresentada, qual é o caminho da solicitação? A Ouvidoria dá retorno para o solicitante? NS – O retorno do solicitante é o compromisso fundamental desta Ouvidoria. A solicitação em forma de e-mail é enviada diretamente para os setores ou pessoas dos quais a Ouvidoria passa a aguardar uma resposta que atenda a demanda; ou ainda, quando o caráter da solicitação é extremamente urgente, entra-se em contato por telefone, ou ainda, devido à complexidade do caso, convida-se o envolvido para uma reflexão conjunta sobre o assunto. A resposta é comunicada imediatamente ao demandante. É importante ressaltar que se não houve uma resposta da Ouvidoria, é porque esta não obteve um retorno satisfatório dos setores consultados, ou porque a resposta já foi superada pelos fatos. A praxe ora instituída por esta gestão é de solicitar que as respostas sejam encaminhadas no prazo máximo de 48 horas. Estamos perseguindo arduamente esta meta. PN – Como é o trabalho com os outros campi? NS – O trabalho com outros campi ocorre do mesmo modo, sem distinção: o contato se dá via on line e por telefone. Somos procurados cotidianamente por alunos, de todos os campi, e nossa resposta obedece aos mesmos critérios já expostos. No primeiro semestre de trabalho, estivemos em todos eles e foi muito interessante ver o trabalho de pesquisa e de atendimento que se realiza nestes locais, resgatando a preocupação desta instituição com os princípios de solidariedade e justiça.

Saiba como utilizar a Ouvidoria O contato com a Ouvidoria pode ser feito pelo telefone (11) 3670-8083, pelo site www.pucsp.br/ouvidoria ou e-mail ouvidoria@ pucsp.br. A solicitação presencial também pode ser efetuada: a sala do setor está

no piso térreo do Prédio Novo, e a equipe atende de segunda a sexta-feira, das 9h às 22h. O contato pode ocorrer diretamente com a ouvidora Neide ou com suas secretárias Edna Cordeiro e Marta Rojas.

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Mapeamento das pesquisas As pró-reitorias acadêmicas, em conjunto com a Coordenadoria de Pesquisa, estão preparando um mapeamento das pesquisas realizadas na Universidade. Informações: (11) 3670-8442. www.pucsp.br

04 Comemoração

Hospital Santa Lucinda celebra 60 anos História da unidade desde o início está ligada à da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde

Nascimento – Não há como separar as histórias do HSL e da Faculdade de Medicina da PUC-SP (atual Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde). No fim dos anos 40, a Maternidade Santa Lucinda encontrava-se em construção graças ao empenho pessoal e financeiro do industrial José Ermírio de Moraes. Na mesma época, um grupo encabeçado pelo padre André

Pieroni, pelo ex-prefeito Gualberto Moreira e alguns médicos sorocabanos mobilizavase fortemente no sentido de conseguir autorização para a criação de uma faculdade de Medicina na cidade. O destino encarregou-se de fazer com que os caminhos desses idealizadores, do industrial e da PUC-SP se cruzassem. Assim, quando a proposta foi apresentada à Universidade, esta aceitou colaborar na instalação do curso, que viria a se tornar o primeiro desenvolvido numa cidade interiorana do Brasil. Por sua vez, José Ermírio doou a maternidade que construía à instituição, e esta passou a funcionar como um hospitalescola para os cursos de Medicina (que começou em 1950) e de Enfermagem (1951). No início dos anos 60, as duas faculdades e o HSL passaram a integrar definitivamente a Universidade. Anos depois, o HSL passaria por duas grandes mudanças organizacionais. A primeira ocorreu em 1977, quando foi incorporado pela PUC-SP. A outra foi em 2003, quando a gestão do atendimento SUS passou do Estado de São Paulo para a municipalidade, por meio de um convênio firmado entre a Fundação São Paulo/ HSL e a Prefeitura Municipal de Sorocaba. Isto aproximou ainda mais a Universidade e o hospital da comunidade e

de suas necessidades locais e regionais. Resgate – Até meados dos anos 80, o HSL era considerado referência regional. Porém, nos anos seguintes, a instituição não conseguiu acompanhar as evoluções tecnológicas que surgiam num ritmo cada vez mais intenso. Gradativamente, as taxas de ocupação do hospital caíram e chegaram ao seu ponto mais crítico no início dos anos 2000, quando atingiram preocupantes 30% (das quais 85% eram de cobertas recursos do SUS e as restantes por meio de convênios e particulares). A partir de 2003, a Fundação São Paulo e a direção do campus local – que na época dirigia o HSL – colocaram em prática um ousado plano de recuperação que previa não só a recuperação financeira da instituição, mas o readequamento da sua infraestrutura, dos seus recursos humanos e tecnológicos. Desde então, o HSL vem gradativamente processando mudanças em suas instalações, adquirindo novos equipamentos e buscando convênios que aprimoram suas possibilidades de atendimento integral aos pacientes. Em setembro de 2006, por exemplo, foi concretizada a reforma de todos os 17 apartamentos do 3º andar; a

SZS Comunicação

No próximo dia 13/4, o Hospital Santa Lucinda (HSL), em Sorocaba, completa 60 anos. Entre as atividades programadas estão uma missa com o cardeal Dom Odilo Pedro Scherer (17/4, às 9h30, no Salão Nobre da faculdade), uma sessão solene na Câmara Municipal de Sorocaba (15/4, às 19h30) e diversas homenagens (17/4, após a missa) ao empresário José Ermírio de Moraes Neto (neto do doador do hospital), aos professores Antonio Rozas e Celso Augusto Simoneti, a Delair Oliveira (a mais antiga funcionária do hospital), Maria Bernadete Ataíde e Sara Helena Biazoti (eleitos por seus pares como exemplos de dedicação e bom relacionamento) e ao médico Gal Moreira (representando seu pai, o também médico e ex-prefeito de Sorocaba, Gualberto Moreira). Também haverá a presença autoridades eclesiásticas e políticas.

Dr. Eduardo Luis e esposa escolheram o Santa Lucinda para o nascimento do filho instalação de um novo e moderno elevador; a construção de uma nova área de recepção e a aquisição de novos e modernos equipamentos como arco cirúrgico, endoscópio para aparelho digestório alto, duodenoscópio para colangiografia endoscópica e videolaparoscópio. Em junho 2008, o hospital inaugurou a enfermaria pediátrica com 16 leitos para atendimento pelo SUS. O hospital também reformou o centro cirúrgico, que passou a operar com 12

salas praticamente novas, servidas por um sistema de ar condicionado central projetado para atender as mais rigorosas normas técnicas de qualidade. Outra mudança foi a adequação do Setor de Pediatria – em parceria com a Prefeitura Municipal de Sorocaba – que minimizou a crescente demanda por leitos dessa especialidade na cidade. O hospital também instalou uma brinquedoteca para recreação dos pequenos enfermos.

40 anos. Mas não é só isso. Foi lá que Vieira nasceu em 27/11/1973 e por acreditar na qualidade do hospital, segundo suas próprias palavras, decidiu que seria esse o local onde nasceria seu primogênito, em janeiro deste ano.

pedistas ou cirurgiões infantis”, lembra. “Foram tempos marcados por pessoas que se dedicavam integralmente, independente de vantagens financeiras ou pessoais”.

Humanismo – Atualmente,

70% do atendimento do HSL são cobertos com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Os 30% restantes são formados por particulares e conveniados de planos de saúde. “O HSL não abre mão dos seus compromissos com a qualidade, ética, responsabilidade e humanismo, em razão do paciente ser atendido pelo SUS ou com recursos próprios. Essa conduta já se tornou um marco na história da instituição”, afirma o superintendente do hospital, José Augusto Rabello Júnior.

Pessoas e fatos marcantes

SZS Comunicação

Delair Aleixo de Oliveira Pergunte à auxiliar de enfermagem Delair Aleixo de Oliveira (foto), a mais antiga colaboradora do HSL, sobre o que o hospital representa para ela e a resposta será imediata: “O

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Santa Lucinda é tudo em minha vida”. Em 1968, dois anos depois chegar a Sorocaba, esta paranaense de Tamarana, foi apresentada pela médica Diana Tannos à então diretora da Maternidade Santa Lucinda, madre Maria dos Anjos. “Quando cheguei ao hospital, quase saí correndo”, recorda-se. “Eu nunca tinha pisado num hospital e aquilo me assustou”. A história de 42 anos atuando no HSL foi marcada por momentos emocionantes. “Aqui nasceram dois dos meus três filhos e também um deles faleceu, aos 24

Eduardo Cruells Vieira Para o ortopedista, atual representante do corpo clínico junto ao conselho de Administração do HSL, os principais fatores que diferenciam a instituição das demais são a qualificação dos médicos, o fato de ser um hospital terciário e, principalmente, a sua ligação com uma grande universidade. Na área de atuação do médico (cirurgias de joelhos), por exemplo, a demanda é grande. Em 2009, foram realizados, aproximadamente, 300 desses procedimentos, quase todos cobertos com recursos do SUS. Vieira também possui uma forte ligação pessoal com o HSL e com a PUC-SP. Ele é filho do ortopedista Eduardo Álvaro Vieira, que se formou na faculdade de Medicina da PUC-SP, onde atua como docente há

Edgard Steffen Formado pela primeira turma da faculdade de Medicina da PUC-SP, o médico Edgard Steffen destaca a importância histórica do HSL por ser o único hospital escola que existia durante as primeiras turmas da faculdade. Segundo Steffen, as dificuldades da época eram grandes, tanto para os médicos, quanto para os estudantes e recém-formados. “Não havia banco de sangue, as transfusões eram feitas diretamente entre as pessoas; não contávamos com orto-

Cibele Rodrigues “O Hospital Santa Lucinda é como minha casa”, afirma a coordenadora acadêmica do hospital. Formamos um time harmônico, que tem trabalhado com garra para posicionar nosso hospital no lugar de destaque que ele merece. Nem parece que ele seja um tradicional sexagenário porque o espírito que o permeia é jovem, a tecnologia tem sido uma busca e a excelência na prestação dos serviços, uma obstinação”, diz. José Augusto Rabello Jr. Desafio e satisfação. Estes

foram os sentimentos que o atual superintendente do HSL (formado pela 39ª turma da Faculdade de Medicina da PUC-SP) sentiu ao assumir a diretoria da instituição, em junho de 2008. “Garantir uma qualidade superior de atendimento num hospital que por sua filosofia destina 70% de suas ações ao SUS, sendo remunerado financeiramente por isto através de uma tabela defasada, é um grande desafio”, explica. “Porém, a convivência com as pessoas sérias e comprometidas que compõem as equipes do Hospital e poder verificar diariamente os resultados das nossas ações é uma grande satisfação. É neste contexto que encontro a motivação de seguir adiante nesta função”, conclui.

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Estágio: vagas na PUC-SP Estão abertas até 16/4 as inscrições para estágio na Divisão de Tecnologia da Informação. Já os interessados em estagiar no Núcleo de Eventos e Cerimonial (DCI) podem se inscrever até 19/4. Acesse: www.pucsp.br/estagio. www.pucsp.br

05 Pesquisa em Fonoaudiologia

Grupo alerta para cuidado com a voz

Sentinela O HSL atua como Hospital Sentinela para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por isso, vem reestruturando o serviço de farmácia através da padronização de medicamentos, implantando o serviço de engenharia clínica e agência transfusional, reforçando o papel da Comissão de Infecção Hospitalar e estabelecendo o processo de busca ativa de eventos adversos. Ambulatório Na área ambulatorial, o HSL atende mais os casos de pré ou pós-operatórios. Com um serviço de ortopedia de referência regional, também executa cirurgias e diversos tratamentos ambulatoriais. Outros destaques são os serviços de litotripsia extracorpórea, hemodinâmica (cateterismo cardícaco), cirurgia cardíaca ,endoscopia digestiva, ecocardiografia e colangiografia endoscópica. Raio X O corpo clínico do HSL é formado por, aproximadamente, 700 médicos

das mais diferentes especialidades (todos com residência ou título de especialista na área de atuação) e 406 funcionários, sendo 260 de enfermagem, 131 administrativos, 10 da equipe multidisciplinar e 5 da agência transfusional. Conta com 10 leitos de UTI-Adulto e 4 de UTI-Neonatal, todos credenciados pelo SUS e integrantes da Unidade Materno Infantil; Centro Obstétrico, Maternidade com alojamento conjunto (mãe e bebê) e berçário patológico. Partos O hospital tem implantado projetos de humanização do parto e orgulha-se em ter a mais baixa taxa de partos cesárea em pacientes SUS de Sorocaba (inferior a 30%). Transplantes O HSL é credenciado para a realização de transplantes de rins, córneas e pâncreas isolado, assim como para cirurgias eletivas, cardíacas, de cabeça e pescoço, do aparelho digestivo, ortopédicas, pediátricas, torácicas, oftalmológicas, otorrinolaringológicas, urológicas, vídeocirurgias e procedimentos de hemodinâmica, hemodiálise, litotripsia extracorpórea, maternidade e pediatria.

Professor integra comitê As universidades devem responder aos desafios da sociedade global e das demandas da construção do conhecimento com foco na responsabilidade social e na redução das desigualdades. Para debater tais questões, a Universidade do Minho (Portugal) e o Grupo de Trabalho em Desenvolvimento Curricular da Sociedade Européia para o Ensino de Engenharia promovem de 1 a 2/7, na Universidade Politécnica da Catalunha (Espanha), o 2nd Ibero-American Symposium on Project Approaches in Engineering Education.

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O evento reunirá professores, pesquisadores e profissionais da área. O professor Luiz Carlos de Campos (diretor da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia) foi convidado para integrar o Comitê Científico desse evento. Em 2009, Campos apresentou no simpósio a experiência do curso de Engenharia Biomédica da PUC-SP, primeiro curso de Engenharia do país a adotar o Aprendizado Baseado em Problemas (ABP) como metodologia de ensino. Para mais informações sobre o evento, acesse http:// paee.dps.uminho.pt.

Laborvox promove atividades para comemorar o Dia Mundial da Voz, em 16/4 Thiago Pacheco A voz é um dos instrumentos fundamentais para a comunicação humana. No dia-adia, nos entanto, as pessoas acabam se esquecendo da sua importância. Há 12 anos, em 16/4, comemora-se o Dia Mundial da Voz com o objetivo de alertar para necessidade dos cuidados com a voz. A Fonoaudiologia da PUCSP, por meio do Laboratório de Voz (Laborvox), promove todo ano atividades relacionadas ao tema. “As atividades pretendem reforçar para a população que é preciso cuidar da voz e utilizá-la de modo adequado”, explica a professora Léslie Piccolotto Ferreira, coordenadora do Laborvox. Para 2010, estão programadas diversas ações: no campus Monte Alegre (14/4), haverá oficina de música corporal e apresentação do grupo na Prainha, pela manhã; das 10 às 20h, estudantes e docentes ficarão em um estande, na frente da Biblioteca, para dar orientações de como cuidar da voz e promover demonstrações do registro vocal. No dia 15/4, o estande será montado no campus Marquês de Paranaguá (das 11 às 13h), e no dia 16/4, no campus Barueri (também das 11 às 13h). Na Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic), haverá oficinas de voz durante a tarde de 15/4. Fora da Universidade, o Laborvox realizará um flash mob (reunião rápida de pessoas em local público para promover determinada ação inusitada) no Mercado Municipal: dia 17/4, às 11h, alunos vão começar a cantar no local, seguidos por interpretes de libras (língua brasileira de sinais). Depois, serão distribuídos folhetos e fornecidas orientações para os interessados. Confira a programação completa no site www.pucsp. br/laborvox. CUIDADOS – Léslie é graduada em Fonoaudiologia pela PUC-SP em 1971 (com mestrado em Lingüística Aplicada e Estudos de Lingua-

gem, Lael, em 81; e doutorado pela Escola Paulista de Medicina, atual Unifesp, em 1990), a professora sempre teve a voz como tema central de seus estudos. Ela afirma que as pessoas que não fazem uso profissional da voz podem tomar cuidados simples, mas eficazes para manter a saúde vocal. Léslie indica algumas medidas como dormir bem, beber água ao longo do dia, alimentar-se regularmente (“comer muito antes de dormir, por exemplo, pode gerar refluxo gastro-esofágico e a pessoa acorda com garganta seca, rouquidão”) e prestar atenção a ambientes com muito ruído. Entre os profissionais, os cuidados são mais específicos. Docentes, por exemplo, devem atentar para situações de ruído, poeira e até mesmo ambientes em que a higienização é feita com excesso de produtos de limpeza, o que pode causar irritação na garganta (veja box). Os profissionais devem se preocupar também com a expressividade (a entoação), alerta a pesquisadora: “Às vezes, há atores com dificuldades exatamente porque a voz não combina com a personalidade do personagem. O público também influencia a expressividade: radialistas que trabalham em rádios jovens usam a voz mais acelerada, mais aguda, e aqueles que trabalham em emissoras mais tradicionais usam a voz mais grave, por exemplo. Mas às vezes os profissionais não percebem essas questões”. TRABALHO – Não são apenas profissionais da voz que podem ter problemas, aponta Léslie. Ela cita o caso de um empregado de usina de álcool que teve irritação da laringe, por exposição a produtos químicos em seu local de trabalho. “Outros fatores também interferem na saúde vocal, como estresse, cobrança, falta de tempo para descansar, violência... Temos percebido até que eles afetam mais na voz do que os fatores ambientais”, afirma. Por isso, o Laborvox e a Fonoaudiologia da PUC-SP têm

Bete Andrade / DCI

Campo de estágio O HSL é utilizado como campo de estágio para os alunos da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da PUC-SP, tanto na graduação quanto na pós-graduação lato sensu.

Profª. Léslie e integrante do Laborvox se mobilizado. “Já promovemos ações junto aos Ministérios da Saúde e do Trabalho”, diz a professora. “Nos casos em que uma pessoa perde a audição porque trabalha em uma empresa com muito ruído, há respaldo legal; em relação à voz, não há. Por isso, queremos reconhecer as Doenças de Voz Relacionadas ao Trabalho, as DVRT”, completa. Esse assunto será novamente debatido em agosto, durante o Seminário de Voz, uma das atividades científicas promovidas anualmente pelo Laborvox. SOCIEDADE – Essa mobilização da equipe do Laborvox é uma das características do núcleo de estudos. “Temos a preocupação de levar para a sociedade o conhecimento que produzimos na Universidade, ‘quebrar o muro’ da Academia e mostrar como população pode se beneficiar das informações sobre voz”, declara Léslie, explicando a relação existente no grupo entre a atuação acadêmica (pesquisas sobre clínica e voz profissional) e a social (mobilização pelo reconhecimento das DVRT, atividades de conscientização sobre o uso da voz). Para facilitar o acesso às informações, o núcleo mantém um site (www.pucsp.br/ laborvox), produz o jornal Voz Ativa e promove uma mostra de estudos e pesquisas sobre voz. Desde o ano passado, o Laborvox também realiza palestras em videoconferência com o Laboratório Integrado de Análise Acústica e Cognição (Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes das) e a Unesp-Marília. O embrião do Laborvox surgiu em 1994, com o Núcleo

de Estudos e Pesquisas sobre Voz. Atualmente, o Laborvox reúne nove professores e profissionais da Derdic, três graduandas e 20 alunas de pósgraduação (16 do mestrado e quatro do doutorado). Pesquisa avalia voz e postura de docentes Os cursos de Fonoaudiologia e de Fisioterapia estão avaliando a associação entre alteração de voz e problemas de postura em docentes da Universidade. Um dos objetivos é sensibilizar os professores quanto à importância de conhecer como a voz é produzida. O estudo, iniciado em 2009, é aberto aos docentes do campus Monte Alegre, mas, segundo a professora Léslie, uma das coordenadoras do projeto, a participação ainda é pequena. Por isso, os pesquisadores ampliaram os horários de atendimento: para participar, os docentes devem entrar em contato com a pesquisadora Ana Carolina Fernandes (fga.carolinafernandes@ gmail.com) ou comparecer às sextas-feiras (das 14 às 20h) na sala 4C-03 (4º andar, Prédio Novo). Cada docente passa por avaliações posturais e vocais. Os procedimentos envolvem fotografias para análise postural, gravações e filmagens, tanto para avaliação vocal quanto postural. Ao final, a equipe orienta os participantes sobre os resultados.

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www.pucsp.br

06

Pós-Graduação Stricto Sensu Mestrado, Doutorado e Mestrado Profissional A melhor universidade particular do Estado de São Paulo e a segunda melhor universidade particular do País.

Processo Seletivo 2º semestre 2010 Inscrições: 12 de abril a 17 de maio de 2010 Administração (M) Ciências Contábeis e Atuariais (M) Ciências da Religião (M/D) Ciências Sociais (D) Comunicação e Semiótica (M/D) Direito (M) Economia (M*) Educação: Currículo (M/D) Educação: História, Política, Sociedade (M/D) Educação Matemática (M/MP/D) Educação: Psicologia da Educação (M/D) Filosofia (M/D) Fonoaudiologia (M/D) Gerontologia (M) Geografia (M)

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História (M) História da Ciência (M/D) Língua Portuguesa (M/D) Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem (M/D) Literatura e Crítica Literária (M) Psicologia Clínica (M/D) Psicologia Experimental: Análise do Comportamento (M/D) Psicologia Social (M/D) Serviço Social (M/D) Tecnologias da Inteligência e Design Digital (M) Teologia (M) M - Mestrado MP - Mestrado Profissional D - Doutorado

Reconhecimento, apoio e financiamento:

* Para ingresso no 2º Semestre de 2010, os candidatos deverão ter realizado o Exame da ANPEC em 2009.

Informações Secretaria Acadêmica da Pró-Reitoria de Pós-Graduação Rua Ministro Godói, 969 - 4º andar - sala 4B/03 05015-000 - Perdizes - São Paulo - SP (11) 3670.8526 (11) 3670.8642 (fax) www.pucsp.br/pos alunospos@pucsp.br Design: DTI - NMD

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Yoga Estão abertas as inscrições para as aulas de vidya yoga na PUC-SP. O valor é de R$ 60. Informações e inscrições no PAC (sala 63-G, térreo, Prédio Novo): (11) 3670-8544 ou (11) 3670-8035. www.pucsp.br

07 Corposinalizante

Cibele Lucena

Arte e tecnologia facilitam inclusão de surdos

Felipe Lima conduz visita monitorada no MAM Bete Andrade Era para ser apenas um blog, mas já ganhou as ruas. Assim é o Corposinalizante, projeto que vem chamando a atenção de pessoas ligadas às artes plásticas, à mídia e ao cinema. Em janeiro deste ano, a revista Época São Paulo, em sua matéria de capa, destacou o Corposinalizante entre grupos e pessoas que

“farão o ano de 2010 mais inspirador, ousado e divertido”. Criado em novembro de 2008, o grupo é formado por educadores e pesquisadores, surdos e ouvintes, e tem entre seus integrantes cinco alunos da Derdic/ PUC-SP – Felipe Lima, Leonardo Castilho, Luciana Yamamoto, Luana Milani e Isadora Soares Borges –, além da professora Regina Penteado Teixeira. Lima, que participa do gru-

po desde sua criação, conta que a idéia inicial era postar no blog artigos referentes às atividades desenvolvidas durante as aulas do projeto Aprender para Ensinar, do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM (veja matéria ao lado). “No entanto, começaram a surgir convites para participar de programas de televisão, de dois curtas-metragens em forma de documentário... e a iniciativa foi se ampliando”.

Atualmente, o grupo participa, a convite do diretor de cinema Kiko Goifman, da produtora Juliana di Grazia e do SescTv, de um documentário para a televisão sobre os trabalhos do Corposinalizante e a vida cotidiana de jovens surdos. Os integrantes também estão em permanente campanha pela inserção de legendas nos filmes brasileiros e nos programas de televisão nacionais. Os jovens ainda desenvolvem e executam intervenções urbanas, com a finalidade de reivindicar inclusão social e mostrar que não apenas se interessam por arte, mas que também são capazes de produzi-la. De todas as atividades das quais participa junto ao Corposinalizante, o jovem Castilho destaca a que considerou como uma das mais emocionantes para o grupo: um trabalho de formação de professores durante o projeto Círculo de Histórias, realizado em parceria com a organização Ashoka, pioneira no trabalho com empreendedores sociais. “Nesse evento tivemos a oportunidade de trocar experiências da vida com profes-

sores formados em grandes universidades”, relembra. Fique

por

dentro

Projeto surgiu no MAM O Corposinalizante surgiu como desdobramento do projeto Aprender para Ensinar, criado no Museu de Arte Moderna (MAM-SP) em 2002. Na época, equipes do museu que trabalhavam com monitoria constataram que os visitantes surdos necessitavam de um interlocutor que conhecesse a Língua Brasileira de Sinais (Libras), para traduzir o conteúdo apresentado. Foi criado, então, o Aprender para Ensinar, um curso de formação em arte para preparar jovens surdos para atuar como monitores, junto a visitantes também surdos, nas visitas orientadas às exposições. Os alunos passam por aulas práticas e teóricas de arte moderna e contemporânea, recebem preparação para o trabalho com o público dentro do museu e para a condução de visitas guiadas às exposições. Para Regina Penteado Teixeira (Derdic/PUC-SP), professora

Quem quiser conhecer o blog do grupo pode acessar o endereço http://corpo-sinalizante.blogspot.com. intérprete do Aprender para Ensinar e membro do Corposinalizante, a importância do projeto está em mobilizar seus integrantes para a aquisição de variados tipos de conhecimentos. “Eles aprendem sobre a arte e por meio da arte. Entendem como receber o público e fazer a mediação entre este e a obra, criam um percurso, atividades práticas ligadas ao conteúdo expositivo e estratégias de comunicação e de ensino”, afirma. Segundo Maria Cecília Santos, diretora Administrativa da Derdic, a parceria com o MAM começou no mesmo ano em que o projeto foi criado. “Recebemos uma visita de representantes do museu interessados em desenvolver o trabalho junto aos nossos alunos. Desde então, eles participam gratuitamente da capacitação, que tem duração de um ano e acontece duas vezes por semana”. Saiba mais: www.mam. org.br.

Auditório recebe nome de Paulo VI Espaço é revitalizado e recebe novos equipamentos

O auditório localizado dentro da biblioteca do campus Monte Alegre acaba de ser revitalizado e modernizado, em parceria entre a PUC-SP e o grupo Santander. O espaço também ganhou novo nome e passa a ser chamado “Auditório Paulo VI”. A reinauguração foi realizada na manhã de 16/3 e contou com a presença do cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, do reitor Dirceu de Mello, de Jamil Hannouche, executivo responsável pelo programa Santander Universidades no Brasil, e do professor Wagner Balera (Faculdade de Direito). Durante a cerimônia, Dom

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Odilo ressaltou a importância da homenagem póstuma a Paulo VI. “Foi o personagem de maior relevância no século 20, um grande papa que esteve à frente da Igreja em um período muito importante. Coube a ele conduzir o Concílio Vaticano II e implementar suas decisões. Ainda como Bispo, o Pontífice já demonstrava grande preocupação pela presença da Igreja no mundo da educação. Nessa época, ele formou intelectuais que se tornaram pessoas de grande importância na vida pública italiana”, afirmou. Parceria – A revitalização

do auditório é uma das ações do Plano de Apoio a Educação Superior (Paes), liderado pela Divisão Global Santander Universidade em 20 países. Segundo Hannouche, o programa realiza iniciativas como bolsas de mobilidade nacional e internacional, intercâmbio cultural e apoio a pesquisa científica. Durante a reinauguração do “Auditório Paulo VI”, o representante do Santander fez questão de ressaltar a importância histórica da PUC-SP e o fato da Universidade ter sido eleita a melhor universidade privada, na categoria administração e negócio, pelo Prêmio Abril Melhores

Eduardo Silva / DCI

Bete Andrade

Reinauguração do auditório, em 16/3

Universidades. Hannouche aproveitou ainda para convidar a PUC-SP a fazer parte do Programa Fórmula Santander, que oferece 300 bolsas de estudo de mobilidade internacional para estudantes universitá-

rios de graduação ou pósgraduação da Espanha, do Brasil e do Reino Unido – 100 para cada país. Cada bolsa tem o valor de 5 mil euros, para custear despesas como matrícula, transporte, sustento e hospedagem dos

beneficiados, e os alunos beneficiados poderão ainda escolher entre as mais de 800 universidades conveniadas distribuídas entre a América Latina, EUA, China, Marrocos, Espanha, Rússia e Reino Unido.

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Jornalismo cultural no Tuca De 3 a 6/5, se realiza, no Tuca, o II Congresso de Jornalismo Cultural, promovido pela Revista Cult. Informações e inscrições: www.revistacult.uol.com.br/congresso. www.pucsp.br

08

Peça retrata “combate matrimonial”

Foto Joao Caldas

Espetáculo é baseado em texto do dramaturgo suíço Friedrich Dürrenmatt

Seria cômico se não fosse sério é uma peça dinâmica, profunda e perspicaz, tanto na estrutura textual, quanto na desenvoltura e propriedade construída pelos três atores em cena: Antonio Petrin, Ana Lucia Torre e Luciano Chirolli, dirigidos por Alexandre Reinecke. Um texto circunspecto, que traz na sua esteira um humor sutil, inteligente e intrigantemente cruel. Escrita por Friedrich Dürrenmatt, Seria cômico se não fosse sério (Play Strindberg) é baseada em A Dança da Morte, de August Strindberg. Na sua obra, o dramaturgo suíço Dürrenmatt converte com maestria a tragédia de alguns matrimônios burgueses do século XIX em uma história impactante, retratando a vida do casal, Edgar (Antonio Petrin) e Alice (Ana Lucia Torre), em meio a um mar de desilusões. A idéia de montar o espetáculo surgiu de Petrin. “Eu estava à procura de algo que me seduzisse como ator. Investigando textos na internet, lembrei que Dürrenmatt, em 1968, havia feito uma peça baseada em

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Dança da Morte, de Strindberg. Consegui a obra em espanhol e, daí, a compra dos direitos. Isso levou uns dois anos”, esclarece ele. Personagens – “A melhor matéria prima para os atores trabalharem são personagens contraditórios, que gerem conflitos com seus antagonistas, e que através deles as histórias são contadas. O Edgar é um bom exemplo. Ele é muito rico, um poço de contradição. Sua relação com a mulher é de uma guerra permanente. Ardiloso, arrogante, maniqueísta, vingativo. Um déspota que beira ao fascismo, mas que ao mesmo tempo comporta-se como uma criança mimada, tornandose engraçado e cheio de empatia. Muito fascinante”, completa. Em uma chave de humor irônico e mordaz, o casal vive um inclemente duelo de palavras, inseridas em um contexto conjugal conflituoso, construído de ressentimentos e elogios ácidos, estimulando o público a rir com eles e não deles. Arquitetada em 12 “rounds”, a história deste “com-

bate” matrimonial tem como vetor a comemoração dos 25 anos de casamento entre Edgar, “escritor militar desconhecido do mundo inteiro”, e Alice, “uma mulher infeliz, desencantada com o matrimônio e decadente como atriz”. “Eu já tinha ouvido falar muito desse texto, principalmente quando, no início dos anos 70, Fernanda Montenegro e Fernando Torres encarnaram Edgar e Alice, respectivamente. Para mim é um privilégio participar dessa peça, que é muito sedutora para os três personagens. Ainda mais estando ao lado de grandes amigos e profissionais, com os quais já trabalhei anteriormente”, relata Ana Lucia. Mas o duelo não fica somente entre o casal. A rotina do casamento fica ainda mais ácida, com a chegada repentina do primo de Alice, Kurt (Luciano Chirolli), destinado a ocupar o cargo de diretor do posto de saúde da ilha onde vivem. A presença de Kurt leva o enredo a viradas surpreendentes. Um play que privilegia o raro êxito da arte deflagrada do jogo cênico entre atores/ personagens e plateia. “A minha personagem me permite ter um percurso individual no palco e, paralelamente, lançar um outro ao público, convidando-o livremente a ter suas próprias deduções, simultaneamente à encenação. É a primeira vez que ganho esse presente”, revela Luciano Chirolli. Trama – Seria cômico... não é propriamente uma comédia, tampouco um drama ou tragédia. É tudo junto. É uma peça em que a graça, a dor, a mágoa, a crueldade e o suspense, em conjunto com a grande profundidade de interpretação dos atores, se equilibram com exatidão. Os rancores acumulados ao longo dos anos são externados pelas personagens por meio de “jogos”, que mesclam diferenciados sentimentos negativos, emer-

gindo forças destrutivas e, muitas vezes, “ocultas”, intrínsecas à mente humana. Ou, como disse uma vez, o estudioso de teatro Georg Hensel: despertando “o esqueleto do ódio”. Para o diretor Alexandre Reinecke, o texto é um desafio prazeroso. “Eu resolvi definir essa peça como fratura exposta de uma relação desgastada, em que os personagens não encontraram um caminho saudável para lidar com suas decepções e frustrações. É também uma comédia, porque comédia é cruel, é tragédia alheia”, define ele. Em cena, três personagens, identificados com o egoísmo e a culpa fazem piadas das mazelas, um do outro. Eles também se responsabilizam mutuamente pelas suas próprias infelicidades, preferindo se destruírem a se comprometerem com a vida no sentido evolutivo. Apesar de renunciarem seus sentimentos positivos, em determinados momentos, há uma esperança dentro do caos. Assim é Seria cômico..., uma trama bem estruturada, de forma a propor ao público, acomodado em suas poltronas, um íntimo olhar aos personagens, como se tratassem de suas próprias moléculas observadas através do cristal de um microscópio. Porque ao final, quando se fala de comportamento humano, em pequenos ou grandes mundos, somente as dimensões particulares de cada um são diferentes.

Seria cômico se não fosse sério Tucarena Rua Monte Alegre, 1024 (entrada pela Rua Bartira) Sextas e sábados, às 21h; domingos, às 19h30 R$ 10 para comunidade PUC-SP Sexta R$ 20, sábado R$ 50 e domingo R$ 40 www.teatrotuca.com.br

Dança contemporânea Tucarena recebe debates O projeto Encontros de Dança segue em 2010 com uma programação variada, somando ao longo do ano dez encontros com apresentações de espetáculos de dança e conversas em torno do que foi mostrado. Para a professora Christine Greiner e Vanessa Lopes, propositoras do projeto, o foco principal dos encontros continua a ser a difusão de linguagem, através de novas estratégias de acesso, que possibilitem a aproximação do público em geral à dança contemporânea. Novos modos de produção também guiam a concepção do Encontros de Dança, já que o evento tornou-se possível graças a uma parceria firmada entre todas as esferas necessárias para sua realização: equipamento cultural, produtores, artistas e alunos. Em cada encontro, a companhia de dança que se apresenta traz um convidado para promover discussões mediadas por Christine e

Vanessa. O público também será incentivado a escrever impressões sobre o que foi apresentado e discutido, sendo que o material produzido ficará disponível no site www.teatrotuca.com.br. Os encontros acontecem em uma terça-feira de cada mês, às 20h, no Tucarena. 13/4 Experimento Portátil – uma ação sob encomenda Companhia Flutuante 4/5 Quatro Cantos Caleidos Cia. de Dança (pré-estréia) 6º Edital do Programa Municipal de Fomento à Dança 1/6 Antes de Desistir KeyZettaCia (pré-estréia) Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2008 6/7 Somtir Cia. Angelo Madureira e Ana Catarina Vieira

PUC-SP busca ampliar internacionalização

Priscila Lacerda / DCI

Seria cômico se não fosse sério

Dia 24/3, a PUC-SP recebeu uma delegação de chanceleres alemães, acompanhados do Diretor do Serviço Alemão de Intercambio Acadêmico no Brasil (Daad) Christian Muller e do Coordenador da Divisão Hemisfério Sul do Daad, Helmut Blumbach. O objetiera conhecer o panorama do ensino superior e da pesquisa no Brasil e estabelecer contatos para cooperações futuras entre as universidades alemãs e brasileiras. Durante a visita, a professora Renée Zicman, as-

sessora para assuntos internacionais e institucionais da PUC-SP, fez uma breve apresentação da Universidade. O secretário executivo da Fundação São Paulo, padre José Rodolpho Perazzolo, e o reitor Dirceu de Mello também estiveram presentes ao encontro. Já no dia 25/3 (foto) o reitor recebeu o Cônsul Geral da Turquia, Mustafa Kapucu, e o reitor da universidade turca de Ankara, Cemal Talug, numa visita que pretende ampliar a cooperação entre os países, sobretudo nas áreas de medicina e ciências políticas.

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Edição 17  

Jornal quinzenal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

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