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Eles na sala de ginástica

Cartão de visita

Manutenção

O que fazer para atrair os homens

Que nos desculpem os improvisados,

Dicas para não deixar

para as atividades preferidas delas

mas aparência é fundamental

os equipamentos na UTI

atitude - rgp editora

FitnessBusiness publicação especial

mai/jun 2010 no 47

Fitness business latin america

Virando a

mai/jun 2010

página

nº 47

Aos poucos, a educação física escolar vai aderindo ao wellness e cria um novo nicho de mercado para profissionais e empresários do setor

cial des! e p s E er e

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Tullio Formicola Filho: diretor de marketing esportivo da Vulcabras|AzalEia fala sobre o futuro do setor e o apoio a clubes e atletas de MAi/jun ponta2010 no| Brasil FITNESS BUSINESS 1


2 Fitness Business | MAi/jun 2010


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AnĂşncio Johnson Health

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Sumário

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CAPA

Bem-estar invade a educação física escolar e cria novas oportunidades de trabalho para educadores físicos, consultores e empresários

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mercado & tendências Descubra como atrair os homens para as aulas de ginástica e lucrar mais com isso

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E mais: 04 Termômetro 12 Eventos

Fitness Brasil Internacional + Entrevista - Tim Fleisher

20 Políticas Públicas 24 Caso de Sucesso

entrevista Tullio Formicola Filho: diretor de marketing esportivo da Vulcabras|Azaleia revela por que o Brasil é referência no setor

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Gestão

Cuide de seus equipamentos e evite gastos no futuro com manutenção

Gui Pádua

46 Inovação Campanha contra o uso de anabolizantes

48 Gestão/RH

42 marketing Cartão de visita: que nos desculpem os improvisados, mas aparência é fundamental

Bom humor no trabalho

52 Mercado & Tendências Holding

55 Equipamentos & Cia

Esteiras verdes

58 Artigo


websurf

sobe e desce

Corpo perfeito

Sustentabilidade em pauta

Para expandir o alcance de seus produtos, a Queens Fitness & Health estabeleceu parceria com o www. corpoperfeito.com.br, um dos principais portais brasileiros dedicados ao esporte e à boa forma. A partir de agora, os equipamentos aeróbicos, de musculação e acessórios ficarão mais acessíveis ao público, passando a ser comercializados no site.

A sede da Precor localizada no estado da Carolina do Norte (EUA) recebeu do Green Building Council importante certificação internacional, conhecida como LEED. Trata-se do principal programa para a concepção, construção e operação de alto desempenho dos chamados “edifícios verdes”. Uma das medidas adotadas pela fabricante diz respeito à reciclagem de 80% dos resíduos gerados na construção do prédio, além da instalação de monitores de CO² no espaço para detectar níveis não apropriados e fornecer automaticamente um ar mais fresco para os ocupantes.

Admiração à flor da pele

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“Los niños obesos”

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Já imaginou seus clientes e parceiros tatuando a logomarca de sua empresa como prova de admiração pelo negócio? Pode parecer loucura, mas, nos Estados Unidos, a Anytime Fitness realizou a façanha, dando uma amostra de como o marketing viral na internet pode auxiliar na construção da marca. Três tatuadores contratados pela rede de clubes de saúde que, no ano passado, inaugurou 280 franquias, passaram uma noite toda desenhando o logo corporativo da cadeia no braço de cerca de 300 voluntários, entre colaboradores, franqueados e usuários. “Esse compromisso com a marca é algo incomparável no mundo todo”, orgulha-se Chuck Runyon, CEO da empresa que já conta com 1,3 mil unidades franqueadas.

As autoridades de saúde mexicanas dizem que excessos e maus hábitos alimentares têm contribuído para uma taxa de aumento da obesidade na infância. O país está atrás apenas dos Estados Unidos na lista mundial. Um quarto de todos os mexicanos em idade escolar e mais de um terço dos adolescentes estão com sobrepeso ou obesos. Em abril, o Congresso do México aprovou nova legislação destinada a reduzir a quantidade de alimentos sem valor nutricional vendidos nas escolas públicas e privadas.

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termometro_


vitrine Dica de campeão Borges faz uma demonstração da utilização dos aparelhos, todos eles aprovados por sua metodologia de ensino. Os DVDs serão vendidos nas principais livrarias e redes de varejo por cerca de R$ 60.

Bye, bye, gordurinhas!

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Gustavo Borges, nadador medalhista olímpico, firmou parceria com a Cepall para o lançamento de quatro DVDs sobre a linha de aparelhos Acqua, voltada para atletas e amantes da natação que desejam aperfeiçoar sua técnica e desempenho. Os produtos da linha são feitos em látex resistente e possuem três níveis de intensidade. Nos DVDs, Gustavo

Que tal queimar até 750 calorias em uma hora, secar a silhueta e definir quadríceps, panturrilha e glúteos? Já chegou ao Brasil o transport AMT® 100i, da fabricante norte-americana Precor. O aparelho realiza simulações de caminhada (movimentos mais curtos), corrida (movimentos mais longos) e imita a ação de subir escadas. O AMT® 100i ainda vem com um “mostrador de passos” que monitora os movimentos em tempo real e emite um feedback instantâneo de como os músculos respondem aos diferentes treinos.

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Editorial

Ginástica inclusiva

a

responsabilidade social nunca esteve tão em evidência no cenário fitness quanto nos últimos anos. Mais do que promover o acesso a informações sobre qualidade de vida, o que se viu na 20ª edição da Fitness Brasil Internacional foi uma busca sem precedentes por conhecimentos técnicos a respeito de atividades físicas para serem trabalhadas com as chamadas populações especiais.

Apenas para ampliar debates, dados do censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2000) indicam que temos no País um contingente de cerca de 27,5 milhões de pessoas com deficiência, além dos hipertensos, portadores de doenças coronarianas e obesos, também considerados populações especiais. Isso tudo traduz a imensa responsabilidade que teremos, nas próximas décadas, de promover a inclusão destes indivíduos, seja nas academias, em atividades ao ar livre, nos parques públicos, nas estruturas criadas por governos e municípios, nas piscinas, enfim, onde quer que seja. Essa missão transcende qualquer problemática apresentada na novela do horário nobre e requer um batalhão de educadores físicos muito bem preparados. Orgulha-me ver que estamos no caminho certo ao presenciar, por exemplo, um workshop ministrado pelo competente Cleuton Nunes, professor de Educação Física e de tae kwon do. Onze meses após um acidente de moto, onde perdeu as duas pernas e teve de reconstruir o braço direito, ele debruçou-se sobre o estudo da fisiologia para criar o Moving Chair, uma nova atividade que trabalha o tronco e os membros superiores, utilizando movimentos do boxe e do Pilates. Sem dúvida, um dos cursos mais prestigiados do evento. Ainda no campo da responsabilidade, esta edição traz detalhes sobre a inauguração da primeira academia pública instalada em um CEU na capital paulista. A unidade Campo Limpo já atende a 210 usuários, com idades acima de 15 anos e algum tipo de recomendação médica para a prática de exercícios. Resultado de uma parceria público-privada que começa a funcionar em grandes centros como São Paulo. A Fitness Business ainda fala sobre a educação física escolar repaginada, abrindo nichos de mercado para professores, consultores e empresários. Uma nova concepção que passa a ganhar força dentro das instituições de ensino, conforme mostra a reportagem de Fernando Stella. E tem mais: as esteiras sustentáveis, o marketing esportivo e outros assuntos que já servem como aquecimento para o Wellness Rio, que acontece de 15 a 17 de julho. Boa leitura! Waldyr Soares Presidente do Instituto Fitness Brasil

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FitnessBusiness LATIN AMERICA

Conselho Editorial

Presidente Fitness Brasil: Waldyr Soares CEO e Presidente da IHRSA: Joe Moore Fitness Brasil Contato: Gustavo de Almeida gustavo@fitnessbrasil.com.br IHRSA Contato: Jacqueline Antunes ja@ihrsa.org

Projeto Editorial e Redação

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EDITORA

Editoração, Comercialização e Distribuição de Publicações em Geral Rua Brigadeiro Galvão, 34, sala 3 - Barra Funda São Paulo / SP - CEP.: 01151-000 Diretor comercial Romeu Gomes Paião Júnior atitude.romeu@uol.com.br Financeiro e administrativo Vivian Ingrid Ignácio atitude.vivian@uol.com.br Assistente administrativo Evandro Batista atitude.batistadias@uol.com.br Assistente editorial João Paulo Reis atitude.mkt@uol.com.br Assinaturas e relacionamento Renata Moreira atitude.assinaturas@uol.com.br Para assinar e/ou anunciar: Fone: (11) 3662-4387 atitude.editora@uol.com.br Impressão: Gráfica Ideal Arquivo CTP A Fitness Business Latin America é uma publicação bimestral da Fitness Brasil e IHRSA. É editada pela Trama Comunicação que não se responsabiliza por informações, conceitos ou opiniões emitidos em artigos assinados, bem como pelo teor dos anúncios publicitários. A tiragem desta edição, de 10 mil exemplares, é comprovada pela BDO Trevisan. Parceiros Oficiais


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Entrevista Tullio Formicola Filho

Ainda vai fermento nesse bolo A indústria esportiva movimenta atualmente 3% do PIB nacional e emprega 300 mil pessoas. Números que tendem a crescer com a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio. Melhor para o marketing esportivo. Tullio Formicola Filho, diretor da Vulcabras/Azaleia para a área, analisa as tendências de negócios para os próximos anos e fala sobre o apoio a clubes e atletas

Por adriano zanni

Mais de 350 mil turistas assistirão de perto ao mundial. A estimativa é de que os visitantes gastem em torno de US$ 1,3 bilhão. Boa parte do consumo é estimulada pela indústria do marketing esportivo, segmento surgido na década de 1960, nos Estados Unidos, e que tem adquirido proporções gigantescas nos últimos tempos.

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Somente no Brasil, o setor de esportes movimenta 3% do PIB nacional e emprega 300 mil pessoas. Números que tendem a crescer com a realização de importantes competições no País, como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. De olho nessa fatia do bolo, alguns grupos empresariais vêm fazendo a lição de casa no apoio a clubes de futebol, times de vôlei e basquete e atletas de ponta, embora muitas modalidades ainda careçam de investimentos mínimos para deslancharem. Tullio Formicola Filho, diretor de marketing esportivo da Vulcabras/ Azaleia, afirma que as possibilidades que surgem são infinitas, desde o patrocínio a novatos que podem se tornar estrelas internacionais, até ações de fixação da marca e reconhe-

Divulgação

o

início da Copa do Mundo está próximo e não é apenas a bola que irá rolar pelos gramados sul-africanos. Há milhões de dólares circulando por lá também. Segundo informações do Consulado da África do Sul no Brasil, o campeonato deve gerar cerca de 130 mil empregos, diretos ou não, na terra natal de Nelson Mandela, o que contribuirá com aproximadamente US$ 3 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB). Outro bilhão é esperado com a arrecadação de impostos.


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Entrevista Tullio Formicola Filho

“A visibilidade dos esportes brasileiros em modalidades olímpicas vai abrir possibilidades de investimento”

cimento da torcida. “É um mercado aberto a quem tiver mais criatividade, maior disposição e melhor material humano”, diz. Em entrevista à Fitness Business, o executivo fala sobre tendências e estratégias que levaram o grupo a figurar, em 2009, entre os dez maiores cases de marketing esportivo do Brasil por conta do patrocínio da marca Olympikus, estreante no esporte mais popular do País, ao Flamengo. Só para ter uma ideia, foram mais de 1,1 milhão de camisetas oficiais vendidas. Como você analisa o cenário do marketing esportivo no Brasil? Até que ponto nos profissionalizamos em relação às práticas adotadas em outros países? O mercado evoluiu muito. Atletas, clubes, marcas e grandes nomes estão descobrindo as possibilidades de investimento, retorno e identificação com os torcedores. Mas esta evolução está atrelada à ousadia e vanguarda de alguns expoentes, como por exemplo Reebok e Olympikus. Na mesma medida em que cresce, o mercado ainda sofre com a falta de especialização de

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profissionais, de fornecedores e prestadores de serviços. Ainda há muito para avançar em todos os níveis que englobam o marketing esportivo, especialmente o consumidor. Nos últimos anos, temos observado uma corrida desenfreada de inúmeros fabricantes de materiais esportivos no apoio dado a clubes ou mesmo atletas de grande expressão. O senhor acredita que este movimento ainda esteja muito focado em atletas-celebridades? As quatro ou cinco principais marcas já investem nos esportes amadores há alguns anos e isso deve crescer com o incentivo a esportes olímpicos. A Reebok acreditou em atletas de menor apelo comercial com ótimos resultados. A marca teve destaque com competidores em Pequim que estão nas categorias de base com os clubes que patrocina. A visibilidade dos esportes brasileiros em modalidades olímpicas vai abrir vasta possibilidade de investimento, mas é preciso que haja mais: estrutura pública de suporte a iniciativas, estímulo ao surgimento de talentos, estrutura em praças de competições. Quando isso tudo vier, o apoio será uma consequência.

Qual o posicionamento da Vulcabras/Azaleia no segmento e desde quando o grupo decidiu investir em marketing esportivo? A Vulcabras foi pioneira com a marca Olympikus, que já desenvolvia produtos nacionais para prática de esportes quando nem se falava nas importações, nas décadas de 1980 e 1990. A marca está com a Confederação Brasileira de Vôlei desde 1997 e com o Comitê Olímpico Brasileiro desde 1999. A Reebok investe há dez anos em atletas de triátlon, ciclismo, corridas e provas de rua. Foi pioneira em esportes radicais como paraquedismo ou balonismo. Investir em esporte está na razão de existir das marcas e o grupo tem colhido ótimos resultados com isso. Atualmente, quem são os clubes ou atletas que o grupo patrocina. Qual o volume de recursos investidos neste nicho no último ano e a previsão de investimentos para 2010? O grupo patrocina quatro clubes de futebol no País: São Paulo, Internacional e Cruzeiro, com a Reebok, e o Flamengo, com a Olympikus. Isso nos dá algo entre 40% e 50% da torcida de futebol. Estamos falando em mais de 60 milhões de torcedores. Temos ainda atletas como Guiñazu, no Inter, Fábio, do Cruzeiro, Bruno, do Flamengo e Dênis, no São Paulo. Já a Olympikus está em três times de vôlei masculino – entre eles o Cimed/Malwee, campeão da Superliga – e dois femininos, que foram campeões e vice na mesma competição, Sollys/Osasco e Unilever. Também patrocinamos atletas do vôlei de grande expressão como Giba, Jaqueline, Fabi, Serginho, André Nascimento e Bruninho. O grupo está ainda nos uniformes do Racing e do Lanus, no futebol argentino, na Seleção Argentina de Vôlei e no Bolívar, time de vôlei da Argentina. Os números de investimentos são mantidos em sigilo por questões estratégicas, mas o con-


O que a escolha do País como sede da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 pode contribuir com o crescimento do setor de marketing esportivo? A escolha colocou o esporte na pauta do dia, no assunto de todas as rodas, na programação de investimentos públicos. E se o público pensa mais em esporte, se há maior incentivo à prática esportiva, você cria uma demanda sem precedentes por produtos esportivos e por material com o qual o torcedor possa se identificar. As possibilidades que surgem são infinitas, desde o patrocínio a novatos que podem ser estrelas internacionais até ações de fixação de marca e reconhecimento da torcida. É um mercado aberto a quem tiver mais criatividade, maior disposição e melhor material humano. Como enxerga a nossa legislação e a própria atuação do governo com relação à concessão de benefícios fiscais que incentivem grandes empresas a investirem no esporte e em programas ligados à qualidade de vida? Os investimentos são modestos, acanhados. A legislação tem avanços por um lado, na valorização de atletas e novas possibilidades de contratos, mas ao mesmo tempo temos legislação tributária atrasada e emperrada. São obstáculos a investimentos, a repasses e até a medidas simples, como fazer remessa de uniformes e material esportivo. Mais que isso. O governo deveria atuar em infraestrutura, e não é o que acontece. Imagine que, em um jogo de abertura da Copa, haja chuva com inundação em São Paulo e você provavelmente terá centenas ou milhares de torcedores – muitos turistas – ilhados, irritados e impedidos de ver o jogo para o qual gastaram esforço,

Divulgação

trato do Flamengo com a Olympikus é o maior da história do futebol na América Latina.

“O Brasil já está atrasado em relação ao cronograma de obras públicas necessárias para a Copa do Mundo de 2014”

dinheiro e expectativa. O poder público tem acenado com avanços, mas ainda é a grande incógnita do setor. E os problemas não terminam no trânsito de São Paulo. Precisamos imaginar também o nosso tráfego aéreo e a capacidade dos aeroportos. Sei que temos ainda quatro anos para, pelo menos, diminuir estes riscos e resolver os problemas, mas, ao meu modo de ver e pensar, já estamos atrasados. Eventos como a Fitness Brasil Internacional contam com o patrocínio do grupo. Que tipo de ganho de imagem a empresa adquire apoiando eventos dessa natureza? A Reebok foi a marca da primeira Fitness Brasil Internacional. É a marca da 20ª edição também. Isso representa mais que a preocupação com ganho de imagem – e é claro que a marca ganha. Mas esse investimento é o reconhecimento da Fitness Brasil, da seriedade e capacidade de seus organizadores e da qualidade das marcas e nomes envolvidos com a feira. Essa participação permite que haja mais pessoas pensando em bem-estar e prática de esportes. E quem vai à feira ou lê sobre ela vai saber que a Reebok é uma mar-

ca identificada e focada em bem-estar e saúde, com tecnologia e qualidade. Um outro ponto importantíssimo desta história é a construção de um relacionamento duradouro, com o maior evento de wellness da América Latina. Como você analisa a preocupação do brasileiro com a questão da qualidade de vida? O que isso influencia no surgimento de novos nichos de negócio? É uma prática que atinge poucas pessoas, com tendência de crescimento, mas com obstáculos a superar. Precisamos lembrar que o País ainda vive situações sociais e econômicas graves, em que fica difícil você pensar na democratização dos cuidados com bemestar e exercícios se não está democratizado o acesso à alimentação, saúde ou moradia de qualidade. Eu vejo que há um espaço muito grande para crescer, aproximando mais pessoas do esporte, da prática de exercícios. E me atrevo a dizer que, nos últimos 12 anos, o Brasil finalmente encontrou o caminho do crescimento econômico e social. Este ponto é o que vai, no futuro, conscientizar ainda mais pessoas desta questão. MAi/jun 2010 | FITNESS BUSINESS

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eventos

20 anos: Fitness Brasil Internacional

Evento tem participação estrangeira recorde q Vigésima edição da Fitness Brasil Internacional movimentou cerca de R$ 13 milhões e 80 mil visitantes. Um dos diferenciais deste ano foi a presença maciça de empresas multinacionais entre os expositores de olho no potencial de mercado brasileiro Por adriano zanni Fotos: Gabriela Nakamura

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ue o Brasil possui o segundo maior contingente de academias do planeta, quase todo gestor ou profissional ligado à educação física sabe. Que o nível de formação e especialização de nossos educadores físicos é muito superior ao de profissionais de outros países em função das regulamentações de mercado, também já é assunto sem grandes novidades.

O que talvez poucos saibam explicar são os reais motivos que ainda levam tantos potenciais consumidores a permanecer “fora da curva” quando o assunto é inclusão relacionada à qualidade de vida. Para responder a esta e outras questões, de olho no imenso potencial de crescimento que o País possui, Santos, no litoral paulista, abrigou novamente a Fitness Brasil Internacional, mais


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eventos

20 anos: Fitness Brasil Internacional

importante evento do setor na América Latina, que completou 20 anos de existência em 2010. Ao todo, foram quatro dias de atividades, entre 90 cursos e workshops, com mais de 3,8 mil inscritos e 95 palestrantes. A feira, que apresentou as novidades em equipamentos, aulas, confecções, calçados, softwares e programas de treinamento e gestão para academias, movimentou R$ 13 milhões em negócios e 80 mil visitantes que puderam circular gratuitamente pelos quase 100 estandes montados no Mendes Convention Center. Números praticamente idênticos aos de 2009. “Um evento como este só nos confirma que o brasileiro tem o wellness no DNA e que a educação para o bem -estar é o nosso foco, assim como a democratização do acesso ao conhecimento na era da qualidade de vida. Essa indústria virou um grande celeiro de oportunidades que abrange atitude, estilo de vida, nas mais variadas frentes de consumo, como alimentação, vestuário, automóveis, eletroeletrônicos. Empresas de outros setores já atentaram para isso”, enfatiza Waldyr Soares, da Fitness Brasil.

Estandes com as novidades em confecções e calçados esportivos eram os mais movimentados do evento

Um dos diferenciais da 20ª edição foi a presença de empresas estrangeiras entre os expositores, ocupando uma área de pouco mais de 112 m², crescimento de 211% em relação ao ano de 2009. Precor, TechnoGym e Matrix, três grandes fabricantes de equipamentos para academias de ginástica, participaram do evento com a linha completa de lançamentos em esteiras, bicicletas ergométricas, estações de musculação, entre outras.

Kangoo Jumps: crescimento de 300% nas vendas. Modelo XR-3, comercializado por cerca de R$ 600, foi lançado na 20ª edição da Fitness Brasil Internacional

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Orlando Alvarez, gerente da Precor para a América Latina, afirma que o grupo intenciona duplicar a atual base de clientes no Brasil até o final deste ano. Segundo o executivo, o fabricante norte-americano realiza investimentos em infraestrutura e no serviço de suporte para ampliar a capilaridade da rede de distribuidores e conquistar maior fatia no bolo. “Este evento é uma grande vitrine para mostrarmos as tendências que estarão nas academias amanhã. Não poderíamos ficar de fora. Nós olhamos para o Brasil sob um prisma diferenciado. O País, sem dúvida, tornou-se um líder mundial bastante ouvido nas grandes rodas de negócios e nas discussões políticas e governamentais. Na educação física, tem um dos mais excelentes níveis de formação profissional do mundo e, por isso, todos estão atentos ao que se faz por aqui”, diz Alvarez. Crescimento sustentado A fabricante suíça do Kangoo Jumps, aparelho que vem tomando conta das aulas de ginástica das grandes redes de academias em todo o País, é outra que aproveitou a visibilidade proporcionada pelo


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eventos

20 anos: Fitness Brasil Internacional

serem comercializadas e foi muito satisfatório”, detalha.

R$ 13 milhões foi quanto a edição 2010 da fitness brasil internacional movimentou em negócios

evento para alavancar de vez os negócios. Júlio Neves, diretor da Kangoo Jumps Brasil, revela que esta é apenas a segunda vez que a empresa monta um estande no pavilhão de exposições da feira. “Em 2009, tínhamos apenas um espaço modesto, com pouco mais de 12 m² e uma equipe de cinco colaboradores para demonstrar as características técnicas do aparelho. Neste ano, resolvemos fazer o lançamento oficial com base nos bons resultados que obtivemos na última edição. Trouxemos 500 unidades para

Ocupando um espaço bem maior, em um estande com cerca de 50 m², e contando com uma equipe de 12 técnicos especializados, Neves projeta crescimento de 300% nas transações comerciais em relação a 2009. Sem dúvida, um salto vertiginoso, uma vez que a representação comercial do Kangoo Jumps no Brasil existe há apenas um ano e, nesse período, o País pulou para o primeiro lugar do ranking mundial de vendas, ultrapassando outros 22 mercados onde também é comercializado. “O mercado de academias tornou-se praticamente um setor que se movimenta por commodities. O grande desafio que surge para os proprietários de academia é como buscar alternativas para fidelizar seus alunos nas aulas de ginástica em grupo, que ainda representam a maior oportunidade de lucro para eles, permitindo um crescimento sustentado. Estudamos muito esse nicho de mercado para passar a oferecer uma solução que vem ao encontro dessa necessidade”, acrescenta Júlio Neves.

O meio ambiente agradece Outra constante entre os empresários do setor é a questão da sustentabilidade. Além dos equipamentos feitos com matéria-prima de origem renovável, materiais recicláveis ou que induzem a um consumo menor de energia elétrica, também foram apresentadas práticas de gestão adotadas por redes de academias ou estabelecimentos de médio porte que colaboram com a preservação dos recursos naturais disponíveis.

Para Alvarez, ainda existe uma grande diferença entre os governos brasileiro e norte-americano quanto ao estabelecimento de medidas assertivas – leia-se: políticas públicas – que, efetivamente, venham a produzir mudanças na mentalidade do empresário do setor. “Certamente, Brasil e Estados Unidos têm muito em comum nesta área. A diferença é que lá fora existe um posicionamento de liderança quanto à luta pela preservação do meio ambiente. Os norte-americanos têm procurado encampar isso, criando políticas incentivadoras e fiscalizatórias mais agressivas, que vão desde a redução de taxas e im-


postos para empresas que colaboram com a sustentabilidade, até o investimento em programas de educação ambiental”, complementa o gerente da Precor para América Latina. Estação Vida Quem circulou pela 20ª Fitness Brasil Internacional pode também conferir de perto o funcionamento de um espaço amplamente destinado à discussão dos principais temas ligados ao bem-estar, com atividades praticamente de hora em hora, que despertaram a atenção do público, até mesmo dos leigos. Com uma proposta de inclusão, a Estação Vida trouxe uma programação bastante diversificada, visando aproximar pessoas de todos os perfis e idades do universo da atividade física.

o espaço cumpriu adequadamente o seu papel: o de democratizar o acesso da população comum aos conceitos que difundimos Waldyr Soares, Fitness Brasil

Milhares de visitantes participaram de palestras e interagiram em aulas de dança, ginástica, Pilates e alongamento. Um dos pontos altos foi a presença do chamado pai do spinning, Johnny G, que apresentou sua mais nova invenção, o KRANKcycle, bicicleta às avessas onde

o exercício cíclico é feito pelos membros superiores. A renomada triatleta Fernanda Keller, que já competiu diversas vezes no Iron Man, no Havaí (EUA), falou sobre sua trajetória profissional, nutrição e a importância de uma vida saudável. O educador físico Cleuton Nunes, que há 2 anos teve as duas pernas amputadas em função de um acidente de moto, trouxe para a Estação Vida sua aula Moving Chair, que trabalha membros superiores e rotação do tronco usando movimentos do boxe e princípios do Pilates. “São inovações que caíram no gosto do público e prometem invadir as academias. O espaço cumpriu adequadamente seu papel: o de democratizar o acesso da população comum aos conceitos que difundimos. Para o próximo ano, deveremos ampliálo. Creio que esta vigésima edição do evento contribuiu para reafirmar o status do Brasil na indústria do bem-estar, ratificando nossa postura de líderes e de empreendedores”, complementa Waldyr Soares, presidente da Fitness Brasil.


eventos

20 anos: Fitness Brasil Internacional

“Matwork”neles

E

le nasceu em Washington, mas há dois anos escolheu o Brasil para morar. Especializou-se em treinamento de força, porém foi atuando em processos de reabilitação de atletas para a melhoria das técnicas funcionais com o objetivo de prevenir lesões e aumentar a flexibilidade que descobriu no Pilates, sua verdadeira vocação, mais especificamente no Matwork (Pilates de solo).

Pilates por pura falta de informação. Se o instrutor mostra ao aluno que é possível, sim, desenvolver músculos por meio do Pilates de solo, por exemplo, o aluno se encanta com a técnica. Basta você mostrar a ele duas ou três posições onde terá de trabalhar diversos grupos musculares para que ele saiba sobre o que você está falando. Esse seria o jeito mais apropriado de aproximá-lo dos estúdios.

Tim Fleisher esteve na Fitness Brasil Internacional, onde ministrou curso a convite da Stott Pilates e conversou conosco sobre as perspectivas de crescimento da atividade e como atrair o público masculino para os estúdios.

O FUTURO Sem dúvida, vivenciamos hoje um boom de estúdios de Pilates no Brasil. Mas não é um modismo, pois a atividade realmente desperta grande interesse já que é baseada na fisiologia do exercício, nos princípios de biomecânica, e isso é uma tendência. O Pilates é um método amplamente democrático. Você pode ter uma pessoa de 90 anos, uma de 4, uma de 15, 25; enfim, pode abordá-las de maneiras diferentes, mantendo os mesmos princípios e eu acho que é por isso que é uma tendência.

PRECONCEITO Sou um especialista em condicionamento de força. Esta é uma certificação que permite você trabalhar com grandes atletas nos Estados Unidos. Porém, a principal razão pela qual comecei a atuar com o Pilates foi o foco na essência do movimento com estabilidade que pode ser aplicado a qualquer tipo de exercício. Engana-se quem pensa que o Pilates seja uma modalidade mais leve. Se você olhar para trás e estudar a história do método, vai ver que Joseph Pilates foi, na verdade, um homem bem másculo e forte, com músculos tonificados. Então, se você quiser, pode combinar os princípios do Pilates com movimentos mais agressivos. Dessa forma, com esta ênfase, a atividade pode ser aplicada na academia e eu faço isso com meus clientes de personal training e quando levanto peso também. FALTA DE INFORMAÇÃO Muitos professores de academia não sabem conduzir seus alunos para aulas de

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MELHOR IDADE Atualmente, o maior nicho de trabalho, nos Estados Unidos, é o wellness voltado à população idosa, acima de 60 anos. Trabalhar com uma clientela mais idosa e entender como se comunicar com ela é fundamental para ter sucesso. As aulas de body pump e outras modalidades coreografadas não atendem a esse aspecto, não foram formatadas para esse público. As pessoas estão realmente estressadas na América do Norte, porque a economia não está tão boa. Então, elas estão indo para as academias para se sentir bem consigo mesmas. É um momento de transição, mas que precisa ser bem conduzido pelos empresários.

Gabriela Nakamura

O Pilates de solo é a grande aposta dos estúdios para atrair de vez o público masculino para a modalidade. Para Tim Fleisher, uma das maiores autoridades no assunto, é possível aumentar o grau de dificuldade dos exercícios, sem perder a eficiência da aula


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políticas públicas

São Paulo (SP)

Parcerias público-privadas entram em campo Projeto piloto inaugura a primeira academia de ginástica em um dos Centros Educacionais Unificados (CEU) de São Paulo. Iniciativa beneficiará população da região do Campo Limpo, bairro localizado na periferia da capital paulista Por Simone Bernardes fotos: Newton Santos

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m

orar em uma cidade grande, onde imperam as dificuldades para deslocar-se entre um ponto e outro, tendo de encarar congestionamentos, níveis de estresse elevadíssimos no ambiente de trabalho e uma agenda lotada de compromissos pessoais são desculpas quase sempre utilizadas pelos sedentários para justificar a ausência de exercícios físicos em suas rotinas diárias.

Paralelamente a esses fatores, verifica-se ainda a quase inexistência de espaços públicos nas metrópoles, devidamente equipados e destinados à prática de atividades físicas, o que gera certa inacessibilidade ao conceito de bem-estar, tão difundido nos tempos de hoje.

Isso sem falar na dificuldade que o brasileiro possui para organizar o orçamento pessoal, o que permite, dentre outras coisas, reservar uma “graninha extra” para bancar a academia. Ou seja, falar sobre inclusão da grande maioria da população na engrenagem que faz girar a grande roda do wellness no País, para muitos especialistas em políticas públicas, ainda não é chover no molhado. Só para dar uma ideia, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, do IBGE, o percentual da população que havia praticado exercícios físicos nos três meses anteriores à coleta de dados foi de apenas 28%. Outro estudo divulgado em 2010 pelo Ministério da Saúde mostrou que


uma das que usufrui dos complexos públicos construídos com essa finalidade. A dona de casa, moradora da periferia de São Paulo, encontrou na prática de exercícios o caminho que a levou a superar as terríveis dores na coluna. “Depois que comecei a me exercitar tenho me sentido mais disposta”, relata. Ela faz parte do grupo de 210 moradores que frequentam as aulas de ginástica do CEU Campo Limpo, bairro da zona sul da capital paulista, e que agora poderão usufruir da academia inaugurada no espaço, no mês de abril. “Vou poder realizar exercícios mais completos. Essa é a oportunidade de aliar a atividade física com os cuidados médicos em favor da minha saúde”, conta a moradora que frequenta o CEU desde a inauguração da unidade, em 2006. O projeto piloto da academia é fruto de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria de Educação, e o Instituto Fitness Brasil que disponibiliza, gratuitamente, cursos de capacitação para mais de 120 profissionais de educação física da Prefeitura, aptos a fazer o acompanha-

mento da população que frequenta as dependências do local. Empresas como a Movement, indústria de equipamentos de ginástica com sede em Pompeia, no interior paulista, e a Physicus, fabricante de acessórios, também aderiram ao pioneiro projeto. Ao todo, foram doados cerca de 40 equipamentos como esteiras, biocycles, steps, elípticos, torres de sustentação, estações de legpress, estações de supinos, elípticos mecânicos remadores, massageadores, simuladores de caminhada, entre outros. “Promover a saúde para a população significa economizar para os cofres públicos e fazer que os recursos sejam mais

600

é o número de moradores que serão atendidos pela academia do ceu campo limpo

14,7% dos adultos praticam alguma atividade física no tempo livre com a regularidade necessária – 30 minutos diários, cinco vezes por semana. De acordo com os dados no governo, nos últimos quatro anos o percentual de pessoas inativas aumentou e o de pessoas que praticam alguma atividade física permaneceu praticamente no mesmo patamar. O mais curioso é que, desde 2006, estados e municípios recebem verba para construir espaços de convivência e lazer e promover ações de estimulo à prática de exercícios físicos e à alimentação saudável, o que pode levar a uma série de reflexões mais aprofundadas. Wanda Lúcia Rosa Regiane, 51 anos, moradora da capital paulista, é

Takashi Nishimura, Gilberto Kassab, Alexandre Alves Schneider e Waldyr Soares foram conhecer de perto as instalações

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políticas públicas

São Paulo (SP)

bem utilizados. Essa é uma medida preventiva que, além de trazer lazer, promove a qualidade de vida”, afirma Gilberto Kassab, Prefeito Municipal de São Paulo, durante a cerimônia de inauguração. Populações especiais A academia atenderá inicialmente alunos com idades acima de 15 anos, divididos em turmas com dez integrantes cada uma. Três equipes irão atender pacientes da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Arrastão, encaminhados para o espaço em função da recomendação de praticar exercícios por conta de alguma patologia desenvolvida. O objetivo é atender, em breve, até 600 pessoas entre jovens, adultos e idosos, atingindo a capacidade máxima do projeto.

“A parceria nos possibilitou trazer equipamentos de última geração para uma região da cidade onde as pessoas não têm acesso a espaços como esses. É

Equipamentos de última geração da Movement, fabricante brasileira, integram o complexo da academia

gratificante ver mães e avós de crianças que estudam em nossa escola frequentarem as atividades físicas do CEU”, completa Alexandre Alves Schneider, secretário de Educação. O novo espaço para aulas de ginástica deve melhorar também o desempenho dos alunos que já praticam atividades no CEU Campo Limpo. É o que afirma Ednilson Andreto, professor de educação física da unidade. “O acesso a novos e modernos equipamentos estimula, e muito, a prática de exercícios entre os estudantes. O aumento do rendimento deles fica visível a cada aula”, diz. Distante a um bom tempo dos bancos escolares, mas não menos entusiasmado, Edvaldo Rocha Loredo, 66 anos, não esconde a satisfação por poder frequentar as aulas na nova academia. “É muito bom saber que posso cuidar da minha saúde frequentando um espaço gratuito e perto da minha casa”, comenta o pedreiro aposentado e morador do bairro há 36 anos. O sentimento de Edvaldo vai ao encontro da filosofia defendida por Waldyr Soares, presidente do Instituto Fitness Brasil. “Mais do que fazer que as pesso-

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as tenham acesso a esses equipamentos, a nossa ideia é levar o conhecimento e a consciência do bem-estar para a população e como é possível levar uma vida mais saudável mesmo em uma metrópole agitada como São Paulo”, completa. A mesma opinião é defendida Takashi Nishimura, presidente da Movement. “Como sempre estudei em escola pública, acredito que essa é uma forma de retribuir ao Estado e à comunidade tudo aquilo que aprendi em minha vida. Não há nada que pague a satisfação de ver a evolução e melhora no quadro de saúde dessas pessoas”, declara.

onde e como? O projeto piloto Academia CEU Campo Limpo está instalado na avenida Deputado Carlos Lacerda, 678. O horário de funcionamento será de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 22 horas. Aos sábados e domingos, os alunos poderão agendar a avaliação física. Para participar, os interessados devem ter uma carteirinha de inscrição do CEU e levar o atestado médico indicando que está apto a realizar exercícios físicos.


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caso de sucesso

Gui Pádua

Tudo ao mesmo tempo, e agora

alexandre cappi

Por Bartira Betini

e

ste pode ser o slogan da vida do multifuncional Gui Pádua, 35 anos, paraquedista, oito vezes campeão brasileiro com mais de 13 mil saltos realizados desde os 15 anos de idade. Nascido no interior de Minas Gerais, é reconhecido atualmente como um dos maiores empresários brasileiros ligados aos esportes radicais.

Além disso, tem fama de cineasta e dedica-se à vida de agricultor, já que herdou do pai algumas propriedades rurais. No entanto, nem mesmo a vida atribulada o impede de fazer o que mais gosta nas horas vagas: pensar, circular por aí, rever amigos, oxigenar o cérebro, além de competir em torneios que ele mesmo promove. “É isso que me impulsiona e acho que é a razão pela qual as coisas fluem, pois não vejo o esporte como negócio, e sim como parte da minha vida”. O bem-sucedido Gui Pádua também se tornou multimídia e hoje faz parte do

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quadro de apresentadores do programa Legendários, da TV Record, aos sábados. Ele, claro, é o responsável pela atração que mostra a adrenalina que toma conta de quem pratica um determinado esporte radical. O CÉU É O LIMITE Sou um “cara” hiperativo. Sempre fui. Não consigo fazer uma coisa só. Preciso ter várias atividades ao mesmo tempo. Nasci em 1974, em Pratápolis, Minas Gerais, mas morei em São Paulo dos meus dois meses aos 16 anos. E foi na capital paulista que tive meu primeiro contato com o paraquedismo. Estava no segundo ano do Ensino Médio e um amigo me mostrou um folheto de um curso para iniciantes. Fiquei interessado, contatei uma amiga e juntos fizemos esse curso. Eu nunca mais larguei. Hoje, são 13 mil saltos e algumas hérnias (risos), pois o corpo, na minha idade, já começa a reclamar. Mas eu não pretendo me aposentar tão cedo, quero saltar muito ainda.

RECORDES PARA TODOS OS GOSTOS Aos 16 anos, eu já tinha 200 saltos na minha carreira de paraquedista. Foi quando mudei-me para os Estados Unidos, sendo que a prática me acompanhou por lá. Tenho alguns títulos importantes no currículo como oito vezes campeão brasileiro em diversas modalidades, além de campeão mundial de skysurf em 96, vice em 97, recordista mundial de skysurf em 2004 e de tempo em queda livre, com quatro minutos e 40 segundos, além de recordista em altura, pulando de 25 mil pés e sem oxigênio. Muitos me acham louco, mas quero buscar outros recordes ainda. VIDA DE EMPRESÁRIO Fico feliz quando alguém me reconhece como o maior empresário de esportes radicais do País. Na verdade, eu não me considero um empresário, mas sim um apaixonado por adrenalina, que hoje consegue reunir os atletas, os amigos e a estrutura necessária para reali-


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caso de sucesso

Gui Pádua

alexandre cappi

Fiz outras mudanças nas fazendas. No lugar de bois e vacas, reflorestei os pastos e plantei 40 mil pés de madeira de lei. Plantei também 200 mil pés de café e hoje gerencio uma marca que vende em todo o Brasil. Acredito que tenho boas ideias que dão certo e, pelo jeito, muita gente acredita nisso, pois batalho e consigo o que preciso para colocar meus projetos em prática.

zar um grande evento em cada uma das modalidades. Nunca falo sobre valores e remuneração, pois os ganhos são variados e isso não é o mais importante. Consigo bons patrocínios, porque corro atrás e assim consigo viver do que gosto: esportes, de preferência, os radicais. Na verdade, não tem segredo, só uma regrinha simples: gostar de trabalhar. O resto é consequência. PAIXÃO PELA SÉTIMA ARTE Sempre adorei assistir a filmes e entrei no cinema por intermédio do paraquedismo quando morava nos Estados Unidos. Primeiramente, fazendo assistência de câmera em queda livre para Norman Kent. Fui me apaixonando e aprendendo muito em uma superescola que é Hollywood. Quando voltei ao Brasil, resolvi estudar cinema já que tinha me formado em administração e hoje me arrisco a pensar em alguns projetos. TV é ligar a câmera. Cinema é pintar um

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quadro a cada take. Isso me leva a querer investir mais na carreira de cineasta, mas esse é um projeto em longo prazo. AVENTURA NOS CAMPOS O que faço hoje no ramo empresarial é gerenciar as fazendas deixadas pelo meu pai, que era agricultor. Como sou filho único, sou eu quem administra tudo. As terras ficam em Cássia, interior de Minas. Fiz algumas mudanças e administro as propriedades em conjunto com o que mais gosto de fazer, o paraquedismo.

Em um espaço central, em uma das terras, no meio das plantações, construí um parque de esportes radicais, o Xtown, e uma vez por ano, agora em 2010 será em setembro, promovo um evento que reúne atletas de todos os cantos do planeta, praticantes do paraquedismo, motocross, skate e outras modalidades.

MEIO AMBIENTE Apesar da agenda cheia, tenho tempo para me preocupar e colaborar com o meio ambiente. Procuro desenvolver uma alimentação saudável. Como, no máximo, um quilo de carne por ano, somando carne de frango e bovina. Também reciclo 100% das garrafas PETs e das latas que utilizo. Tento produzir pouco lixo orgânico. Protejo com unhas e dentes o direito dos animais, já salvei a vida de várias espécies silvestres. Procuro falar sempre sobre ecologia, reflorestamento e proteção ambiental em todos os programas de TV que participo e nas entrevistas que concedo. Tento mobilizar amigos e formadores de opinião para que esses plantem árvores, neutralizem a emissão de carbono e desenvolvam outras posturas bacanas, mas sem me tornar um “ecochato”. São atitudes cidadãs que devem fazer parte de nossa cartilha de empresário. QUESTÃO DE DNA Quando estou de folga, fico com minha namorada e também com minha cachorrinha Binda, mas sempre arrumo um tempo para correr. Pois é, faço esportes nos meus momentos de lazer. É isso que me impulsiona e acho que é a razão pela qual as coisas fluem, pois não vejo o esporte como negócio, e sim como parte da minha vida, seja profissional, seja pessoal. Sabe por que não me considero um empresário? Porque em eventos como os que promovo, como o Xtown, eu coloco juízes, coordenadores em cada categoria e vou competir. Sou um competidor nato. Não vivo sem esportes. Disso eu nunca vou abrir mão, está no meu íntimo.


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mercado & tendências Os homens e as aulas de ginástica

Eles estão

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chegando

Foi-se o tempo em que aulas de ginástica eram vistas como um ambiente exclusivamente feminino. Ao contrário do que se pensa, é cada vez mais comum encontrarmos homens praticando. Especialistas dão dicas sobre como potencializar a atividade e transformá-la numa grande alavanca de negócios Por Cláudia Dias

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é

fato. A grande maioria dos homens que frequentam academia quer adquirir massa muscular. “Puxar ferro” ainda parece ser a atividade preferida deles. Mas o público masculino começa a invadir alas antes consideradas exclusivamente das mulheres. “Em aulas onde a exigência coreográfica não é declarada, como no spinning, temos notado uma presença de homens cada vez maior”, avalia Saturno de Souza, diretor técnico da Bio Ritmo, em São Paulo (SP). Ele conta que, há oito anos, os homens eram responsáveis por 30% da frequência em todas as atividades promovidas pela rede, incluindo musculação, ginástica e esportes. Hoje, eles e elas possuem presenças equivalentes. “Mas, na ginástica, os homens ainda ocupam o segundo posto. São cerca de 40%”, revela Saturno.

A questão cultural, aliada a alguns valores tradicionais, como aqueles que acabam levando os meninos para a escolinha de futebol e as meninas ao balé, talvez explique o certo preconceito que ronda as mentes masculinas com relação à prática da ginástica. No entanto, o que se observa hoje é uma mudança considerável de paradigmas, principalmente com relação à busca pelo corpo considerado ideal. A cultura da malhação já não atrai tanto como no passado e a maioria dos homens se satisfaz com um corpo magro e músculos bemdefinidos. A preocupação agora é com saúde e qualidade de vida. O surgimento do indivíduo metrossexual que, além da academia, frequenta centros de estética e spas em função de preservar uma aparência saudável, ligada ao bem-estar, ajudou a quebrar algumas barreiras. Porém, se por um lado eles se sentem mais livres para fazer tudo o que sempre sonharam, por outro, ainda é possível verificar certa resistência à sala de ginástica, discussão que tem origem lá nos tempos da aeróbica.

A febre que, nos anos 80, invadiu as academias com os vídeos da rainha do fitness Jane Fonda unia exercícios simples e ritmos de dança. Por se parecer muito com o jazz, a aeróbica desencadeou o estigma de que ginástica é “coisa de mulher”. Paulo Akiau, líder educador da Body Systems Latin America, sentiu na pele o preconceito. Campeão brasileiro de aeróbica em 1989 e medalha de bronze no mundial de 1991, Akiau conta que, naquela época, o simples fato de vestir um short mais curto e uma camiseta mais colada podia tornar-se sinônimo de homossexualidade. Outro ponto faz também com que o assunto ganhe até os dias de hoje ainda mais força dentro das academias: a capacitação profissional deficitária. A falta de conhecimento por parte de muitos professores de

30% dos cerca de 1 milhão de praticantes de bodypump em todo o brasil são do sexo masculino

fonte: body systems musculação dificulta em demasia a aproximação dos homens com a ginástica. Para contornar o problema, os consultores defendem a tese de que as academias devem investir em programas de treinamento, ampliando o leque de aulas que exigem mais força e resistência e não apenas ritmo. Fora isso, devem promover eventos pontuais que chamem atenção desse público. Tais ferramentas ajudariam a arrebatar mais homens, diversificando o público das aulas. A Bio Ritmo encontrou uma solução e dividiu as atividades por cores, sendo que cada uma delas apresenta benefícios específicos. A categorização inclui aulas que trabalham o sistema cardiovascular, partes localizadas do corpo, modalidades de lutas,

além do body & mind. “A comunicação direta e fácil de entender faz toda a diferença aos professores e alunos, que hoje olham para a programação das aulas e sabem exatamente o que buscar delas”, detalha Saturno, da Bio Ritmo. Lizzie Fernandes, educadora física e professora de ginástica na capital paulista e em Santos (SP), monitora a frequência masculina nas salas há oito anos e assinala a existência de perfis diferentes nas duas cidades. “Enquanto na baixada santista os homens encontram-se mais nas aulas de ginástica localizada, em São Paulo é maior a procura por atividades aeróbicas”, diz. A professora revela que, nas aulas, os homens nunca estão sozinhos. Estão sempre acompanhados por grupo de amigos, namorada ou esposa. “Muitas vezes, já ouvi as mulheres deles dizerem: agora fala que a minha ginástica é fraquinha”, brinca sobre o grau de esforço físico nas aulas. Sandro Borges, professor da Academia Estação Saúde, na Praia Grande (SP), diz que os instrutores de musculação pouco incentivam seus alunos a participarem das aulas e que muitos lutadores poderiam se beneficiar delas para complementarem a série de exercícios. Dois pra lá, dois pra cá Tudo bem que a maioria das mulheres tem maior aptidão à dança do que os homens. Mesmo sem nunca ter frequentado uma aula de ginástica um pouco mais coreografada, é muito mais fácil para elas entrarem no ritmo do que para eles. No entanto, se a ideia é fazer uma aula mais focada em exercícios e menos ritmada, soluções não faltam no mercado. Não precisa ser nenhum John Travolta e atuar como Tony Manero em Os Embalos de Sábado à Noite. Existem muitas modalidades com movimentos mais atléticos e masculinos e exercícios mais simples e intensos que atendem às expectativas, sem colocar a virilidade em jogo. MAi/jun 2010 | FITNESS BUSINESS

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mercado & tendências Os homens e as aulas de ginástica

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detalha o professor, acrescentando que “muitos viraram fãs e hoje frequentam o body pump lado a lado com elas”.

Um bom exemplo é o Bodypump – aula realizada com barras e anilhas, que tonifica e define a musculatura, além de diminuir a gordura corporal. A atividade foi a primeira de uma série oferecida ao público brasileiro que revolucionou o fitness no final dos anos 90, transformando o mercado ao despertar o interesse dos homens para a sala de ginástica. Mesmo após mais de dez anos de sua implementação, o programa é recordista de audiência em mais de 1,5 mil academias licenciadas no Brasil, com cerca de 1 milhão de praticantes, sendo que 30% deste total são homens. Quem assina embaixo é Wilmar dos Santos Villas, gerente técnico de musculação da Cia. Athletica, unidade Kansas, em São Paulo. A academia sempre lança um novo mix de aulas com uma ação especial. A última, por exemplo, colocou no palco três professores homens em vez de apenas professoras. “Faltando dez minutos para começar o body pump, ou qualquer aula que tenha como principais objetivos o ganho de força muscular, velocidade, agilidade, como o treinamento funcional, eu desço na sala de musculação, desafio os alunos, vou até a

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recepção e transformo o sistema de som no meu maior aliado. Faço uma revolução na academia”, brinca. Cartaz, informativo no mural, e-mail marketing, tudo vale a pena. Mas, sem dúvida, segundo Villas, o pulo do gato está no boca a boca. “Sem a aproximação com o aluno, nada vai levar o cara para a sala”. Com esta e outras “pequenas grandes mudanças”, em seis meses, o percentual de participação masculina em aulas coletivas saltou de 10% para 40% na unidade. Na Fit Work, em Indaiatuba (SP), uma ideia simples e criativa resultou em um aumento de 15% do público masculino na sala de ginástica. A aula “body pump só para machos” desafiou os homens da musculação a participarem da ginástica coletiva e provarem, em clima de brincadeira e sem qualquer tipo de preconceito, se eram “machos” de verdade ou não. De acordo com Valter da Hora, um dos professores que organizou a ação, o objetivo era realmente desmistificar a ideia de que a ginástica é algo elaborado apenas para mulher. “Fizemos cartazes e espalhamos por toda a unidade, mas o que valeu foi o contato pessoal com os alunos”,

Parte da tribo Para Andréa Vidal, educadora da Fitness Mais – Escola de Excelência Profissional, mais do que ter um produto legal, o essencial é identificar os verdadeiros desejos dos clientes, sejam homens, sejam mulheres. “As academias devem entender não só as necessidades deles, mas também como fazer para atendê-las, enxergando na valorização da autoestima a maior fonte de captação e fidelização de alunos”, ressalta, acrescentando que “aquelas que conseguirem fazer com que os homens se identifiquem com as atividades, proporcionando relacionamento e que se sintam parte de uma tribo, com os mesmos interesses, terão mais sucesso”. Mesmo que o homem entre na academia por um objetivo, que pode ser o de emagrecer, por exemplo, no fundo o que ele mais quer é sentir-se bem com o corpo e com a alma. As aulas de ginástica são só um meio para isso. Mas como torná-las mais atrativas para eles? Segundo a consultora, a resposta está em uma comunicação eficaz nas academias, tirando de cena a exposição de corpos sarados e colocando imagens de pessoas felizes, famílias se divertindo, grupos de amigos. Saúde e bem-estar são como um maestro, as duas regem a orquestra dos objetivos pessoais de cada um, mas quem dá o tom é a própria academia. “A grande sacada para despertar o interesse é mostrar o que se tem e como se tem. A ginástica deve estar equilibrada em três bases: neuromuscular (focada em força, postura e tônus muscular), aeróbica (condicionamento e emagrecimento) e de flexibilidade. Se tiverem ofertas em produtos nestas linhas, as chances de que os homens participem das aulas aumenta consideravelmente”, alega.


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capa

A educação física escolar repaginada

divulgação

Fitness invade de educação

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as aulas

física

A velha fórmula do vôlei para meninas e futebol para meninos perde cada vez mais espaço dentro das escolas. Atividades geralmente realizadas nas aulas de ginástica e salas de musculação passaram a ser incorporadas à educação física, o que aquece o mercado e amplia a possibilidade de parcerias entre colégios e academias Por Fernando Stella

u

ma vez por semana, um grupo de estudantes do Ensino Médio do Colégio Módulo deixa de lado seus cadernos e livros para participar de aulas de spinning, musculação e até Pilates. O que mais chama atenção é que não se trata de apenas alguns amigos que se encontram depois de horas de estudo para ir até uma academia. Na verdade, essas atividades foram inseridas na disciplina de Educação Física do tradicional colégio localizado na capital paulista. Isso mesmo. As clássicas aulas de vôlei para meninas e futebol para meninos cederam lugar ao conjunto de aulas até então restritas às academias de ginástica. “Com o modelo anterior, sentíamos que muitos alunos não se interessavam pela disciplina e decidimos oferecer outro formato, que tentasse atender principalmente aquele grupo que, muitas vezes, não tem a habilidade para a prática esportiva em quadra”, admite Wagner Sanchez, diretor acadêmico do Colégio Módulo. A instituição, aliás, não é um caso isolado. Muito pelo contrário. Inúmeras escolas detectaram certo desconforto de alguns estudantes com a velha fórmula e resolveram buscar no fitness algumas iniciativas para deixar a disciplina mais atraente. E vêm investindo muito para isso. É MAi/jun 2010 | FITNESS BUSINESS

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A educação física escolar repaginada

divulgação

ficativo, uma vez que vai ao encontro da cultura das manifestações corporais e oferece aos alunos a possibilidade de vivenciarem o que poderão usufruir fora dali”, salienta Jorge Steinhilber, presidente do Conselho Federal de Educação Física.

O spinning é uma das aulas mais requisitadas no Colégio Módulo: investimentos em aparelhagem e corpo docente

Último levantamento feito pelo IBGE apontou que, aproximadamente,

10%

das crianças e dos adolescentes estão acima do peso no Brasil. Outros

7,3%

são obesos

o caso do Colégio Maria Imaculada, também localizado em São Paulo, que possui um verdadeiro complexo esportivo com 9 mil m 2 para a realização de outras atividades físicas. Desde 2002, foram implementados natação, judô e dança para os alunos do Fundamental I e aulas de spinning, jump e step aos alunos do Fundamental II e Ensino Médio. “No início, houve muita resistência dos próprios estudantes que tinham sido adaptados ao antigo modelo de educação física. Hoje, a realidade é bem diferente, pois o grau de satisfação com a prática de atividades físicas é muito alto”, comemora Daniel Muti, coordenador de educação física da instituição. A mudança no cenário da educação física não é por acaso. Para muitos alunos, a antiga metodologia de aula se tornou “chata”. Especialistas no assunto concordam e veem com bons olhos a aplicação desse novo conceito. “Algumas aulas nas quais as escolas se limitavam a oferecer apenas modalidades esportivas eram e são, de fato, consideradas maçantes pelos alunos. Vejo o novo cenário como um avanço signi-

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Além disso, o estímulo à atividade física desde a infância pode contribuir, e muito, para tentar reduzir alguns índices alarmantes. O último levantamento feito pelo IBGE apontou que, aproximadamente, 10% das crianças e dos adolescentes estão acima do peso no Brasil. Outros 7,3% são obesos. Estudos comprovam que nas escolas privadas a existência de sobrepeso e obesidade é maior do que nas escolas públicas. Isso se justifica pelo fácil acesso que as crianças têm a alimentos ricos em gorduras e açúcares simples, além de uma maior aquisição de modernidades tecnológicas que estimulam o sedentarismo. “Indiscutivelmente, o fator cultural desencadeia uma alimentação inadequada, acrescida de forte potência nos canais tecnológicos. Porém, a falta de aulas bem aplicadas para determinadas faixas etárias complementa este cenário pouco animador. O papel da educação física é, entre outros detalhes, auxiliar no combate à obesidade e ao sedentarismo infantil e juvenil por meio de atividades que proporcionem a melhoria da qualidade de vida. Por isso, o novo formato poderá minimizar tais indicadores”, salienta Rachel Anderaus, diretora-administrativa da Anisan – Programa de Estímulo Desportivo direcionado aos públicos infantil e adolescente. Mercado de trabalho aquecido O que se percebe com a nova metodologia de ensino aplicada por alguns colégios particulares é que os benefícios vão além de estimular e apresentar ao aluno a importância de uma


Por outro lado, a nova maneira de enxergar as aulas de educação física vem fazendo que as grandes redes, literalmente, abram os olhos para um segmento a ser explorado: a dos colégios que optaram em não investir em infraestrutura ou na contratação de mão de obra especializada. A Cia. Athletica detectou o potencial deste nicho e passou a disponibilizar o seu know-how. Há oito anos, a filial de Campinas (SP) promove uma parceria com o An-

divulgação

vida ativa. Deverá atingir diretamente o mercado de trabalho, uma vez que algumas instituições educacionais abriram as portas para novos profissionais de educação física. O Colégio Módulo, por exemplo, contratou um professor de judô e uma professora de dança, além dos instrutores para ministrar as aulas de fitness.

No Colégio Maria Imaculada, em São Paulo, complexo esportivo com 9 mil m2 proporciona atividades diferenciadas

glo. Alunos das quatro unidades do colégio têm a possibilidade de realizar as aulas nas dependências de uma das principais redes de fitness do País.

Modelo de negócio inovador Vânia Temporini é empresária, consultora e professora universitária. E com muita visão de empreendedorismo. Ao longo dos anos, pesquisou sobre os métodos de educação física e detectou, entre outros detalhes, que parte do problema (a falta de motivação) também está ligada ao desenvolvimento motor do aluno. “Acredito que este seja um dos grandes fatores que estão levando as crianças a se desestimularem das atividades físicas. Como não têm habilidades básicas totalmente desenvolvidas, e muito menos especializadas como se requer nas modalidades esportivas, fica difícil arriscar, desafiar e competir. Antigamente, isso era aprendido nos jogos e brincadeiras de rua”, cita a profissional. Por outro lado, a especialista vê a necessidade de se ter uma base sólida para qualquer tipo de mudança. “A intenção é muito boa [inserir novas atividades nas aulas de educação física], mas é preciso profissionais sérios, que façam uma boa avaliação da situação geral da escola, principalmente porque, dependendo da região, o público

tem necessidades diferentes”, acrescenta. Diante disso, Vânia Temporini decidiu montar um modelo de negócios. Há cinco anos, apresentou um projeto para “personalizar” as aulas de educação física. Mostrou a proposta para o Colégio Unimor, em São Paulo. O empresário e educador Alberto Mohr “comprou” a ideia. Neste período, a escola chegou a criar uma espécie de aula que misturava acrobacia com dança. Isso foi um desejo dos próprios alunos, muitos dos quais cansados de apenas praticar vôlei e futebol. No início de 2010, entrou em funcionamento uma academia dentro da escola, que inclui uma ampla sala de ginástica específica para crianças e adolescentes. “Tudo mudou. As aulas de educação física acontecem neste espaço uma vez por semana. Além disso, temos uma proposta de treinamento funcional para este público que visa resgatar uma série de coisas perdidas na infância. Estamos colhendo os melhores benefícios. Tenho a base do mesmo projeto montado em outras escolas. Só que cada uma com a sua necessidade”, finaliza Vânia.

Atualmente, 70 estudantes entre 3 e 14 anos de idade fazem parte do projeto – eles realizam as atividades físicas complementares na Cia. Athletica, além daquelas tidas como obrigatórias em cada uma das unidades do colégio. Em alguns casos, os alunos optam por pedir dispensa das aulas realizadas no Anglo e apresentam uma carta fornecida pela própria rede de academias, constatando que eles desenvolvem atividades extracurriculares. Natação, balé, jazz e judô estão entre as atividades oferecidas. Mas não para por aí. Os alunos do Ensino Médio, por exemplo, podem desfrutar das aulas de body pump e spinning. “Muitas escolas não têm espaço mínimo para desenvolver uma atividade como gostariam. Então, torna-se até mais viável levar a disciplina para academias, uma vez que não precisam investir em infraestrutura. Ou seja, seu custo não será elevado. Com esse panorama, as escolas estão nos procurando para realizar parcerias”, salienta Edward Bilton, diretor da Cia. Athletica de Campinas. Até o momento, a rede estuda levar essa proposta a outras cinco instituições de ensino de Campinas. MAi/jun 2010 | FITNESS BUSINESS

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gestão

Manutenção de equipamentos

Antes prevenir, do que remediar Aqui, também vale o ditado. Academias adotam novas metodologias para gestão dos equipamentos de ginástica, em busca da melhor eficiência operacional e redução de custos Por rodrigo afonso

A

profissionalização e as mudanças mais profundas introduzidas nas academias de ginástica, ao longo dos últimos anos, trouxeram desafios gerenciais para as academias, principalmente relacionados aos equipamentos de ginástica, cada vez mais modernos e complexos. No começo da década de 1990, começaram a surgir as primeiras bicicletas e esteiras com LEDs para orientar alunos e professores. Desde então, a evolução se manteve em ritmo acelerado. A invasão da tecnologia, dos computadores e da internet afetou diretamente a infraestrutura das academias. Somado a esses fatores, veio a própria mudança de

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layout das organizações. “Se antes as aulas de solo dominavam, hoje elas dão espaço para espaços repletos de aparelhos”, afirma o diretor comercial da Gymcorp, Marcello Lage. Embora os fabricantes tenham sido responsáveis por toda essa evolução, eles começaram a enfrentar outro desafio: garantir a manutenção de todo esse parque de equipamentos. Em muitas academias, o uso dos aparelhos é intenso e a gestão do fluxo de manutenção não é tarefa fácil. Com a alta tecnologia empregada, os técnicos tradicionais, às vezes, não dão conta do trabalho.

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Com isso, surgiram as empresas de gestão do ativo em equipamentos de academia, como a própria Gymcorp. Trabalhando em parceria com fabricantes, que se interessam em ter empresas cuidando da manutenção para poderem focar em seu negócio principal, que é produção e desenvolvimento de aparelhos, essas instituições desenvolveram um serviço que vai além do simples reparo.

Ao analisá-las, o fornecedor passa a contar com indicadores importantes: quais os melhores equipamentos, aqueles que menos dão problema, quem são os melhores fabricantes, entre outros dados. No final, isso pode significar economia de recursos e menos horas de aparelhos parados na manutenção. A Academia 4fit, usuária de serviço terceirizado desde novembro do ano passado, costumava fazer apenas manutenções básicas antes de aderir à proposta. “Provavelmente, não aproveitávamos tudo o que os equipamentos tinham para oferecer. Agora vou prolongar a vida útil dos aparelhos já existentes e ganhar eficiência de custos”, afirma Denis Di Loreto, gerente operacional.

Quanto dura um equipamento?

A ideia é cuidar de todo o ciclo de vida dos equipamentos em determinado ambiente, desde a programação de quando serão feitas manutenções preventivas, assim como os consertos em casos de problemas. Todas as ações geram informações importantes, coletadas pela prestadora de serviços, que as reúne em uma plataforma de dados para realizar análises.

Ao planejar o investimento em uma academia, muitos proprietários preocupam-se somente com o custo inicial, sem pensar em custo total de prioridade e planejamento do seu ativo. Para conseguir visibilidade, ter ideia sobre quanto dura um equipamento é importante. Mas essa pergunta não é tão fácil de ser respondida. “A resposta depende da intensidade de uso e de como a manutenção é realizada”, diz Lage.

“Quando a academia tem o costume de fazer a manutenção com um técnico diferente a cada vez, ela se perde na coleta de informações sobre as atividades. Às vezes, os empreendimentos até possuem os dados, como é o caso das grandes redes, mas não têm ninguém que faça o cruzamento das informações”, avalia Lage.

Para dar uma ideia, o executivo afirma que o período de descarte para equipamentos de ponta em academias fica em torno dos seis anos. “Isso se for aplicada boa manutenção preventiva, que chega a alongar a vida do equipamento em 30% a 50%”. Depois desse tempo, o equipamento vai para o mercado de usados.

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gestão

Manutenção de equipamentos

A instituição conta com verificações semanais nas bicicletas de spinning e quinzenais nos aparelhos de musculação. “Até o fim do ano, pretendo entregar todo o gerenciamento para a empresa terceirizada, que também vai cuidar da padronização dos equipamentos”, revela Di Loreto. Modelo de negócios A peculiaridade da gestão de aparelhos de ginástica gerou um modelo de negócios que pode acabar se revertendo em vantagens para a academia. Como a empresa que faz a gestão vende serviços, a academia sabe que está pagando por cada peça o que ela realmente custa. No novo modelo de gestão, a empresa fatura peças diretamente para a academia, indicando para o empreendimento diferentes cotações e procurando apontar os melhores for-

necedores. “Queremos ser apenas o meio do caminho, usando expertise de diagnóstico e experiência de quem tem esse negócio como foco”, diz Lage. E quando a academia e a prestadora de serviços concordam que é hora de vender o equipamento, a própria gestora dos ativos se encarrega de realizar o negócio. Em alguns casos, os próprios fabricantes ficam com eles em negociações que envolvem aquisição de equipamentos novos com desconto. Há também empresas especializadas em comprar aparelhos usados para revender. O destino desses equipamentos geralmente são academias menores, condomínios e outros tipos de organização que fazem uso menos intenso. Para muitos, é vantagem comprar um equipamento usado que custaria até quatro vezes mais se estivesse novo.

Canalização de recursos A unidade-centro da rede de academias da Associação Cristã de Moços (ACM), em São Paulo, com mais de 5 mil usuários, adotou uma metodologia de gestão mista na instituição, com pessoas internas focadas em manutenção mais simples e uma empresa externa, dedicando-se a trabalhos mais complexos, que envolvem conhecimentos de eletrônica. De acordo com Marco Aurélio, responsável pela área na ACM, a academia instituiu um livro de ocorrências, nos quais são anotadas todas as manutenções necessárias e consultadas pelo pessoal da manutenção que circula três vezes por dia pelas dependências da academia. “Compensa manter esse pessoal com expertise em ações mais simples, tanto pelo nosso grande porte quanto pela agilidade que ganhamos”.

DIVULGAÇÃO

O pessoal interno também cuida das tarefas preventivas, como limpezas, lubrificações e tudo o que é necessário para aumentar a vida útil dos equipamentos. “Com isso, conseguimos manter por mais tempo alguns aparelhos na academia, ganhando fôlego para outros investimentos”, diz Aurélio.

Cursos para pequenas A Gymtech oferece treinamentos para pequenas academias, que não contam com recursos para contratar serviços de gestão. No curso, os técnicos aprendem sobre manutenção preventiva, corretiva e diagnósticos, lidando com equipamentos modernos. Mais informações podem ser obtidas no site www.gymtech.com.br.

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Para aumentar a expertise interna, os funcionários passam por treinamentos com os fornecedores, sendo que os assuntos mais complexos ficam a cargo de uma empresa terceirizada. “Acredito que, com essa receita, temos a melhor eficiência em termos de custo e disponibilidade de equipamentos”, conclui.


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marketing

Você tem um cartão de visita?

Apresente-se

com qualidade ao me r c a d o

ck rsto utte sh

Já diz o ditado: não existe uma segunda chance para causar uma primeira boa impressão. O assunto pode parecer batido, mas o cartão de visita ainda é uma das principais portas de entrada para realização de negócios. Investir em novos formatos e diferentes composições pode significar um diferencial de sua empresa Por Juliana Lanzuolo

r

oberto Martins ainda era estagiário de uma academia quando foi apresentado por um amigo a uma pessoa que estava em busca de um tratamento adequado para emagrecer. Inicialmente, fez algumas recomendações e anotou seus contatos em um pedaço de papel. Mais tarde, sempre que era questionado a respeito de seu trabalho como educador físico, costumava anotar o e-mail da pessoa interessada e lhe mandava uma perspectiva de valores e descrição de seus serviços. “Foi então que eu notei que esses encontros casuais poderiam ser determinantes para captar clientes em potencial; portanto, eu deveria estar mais bem preparado para propor meu serviço de uma maneira mais apresentável”, lembra o educador físico. Roberto fez um apanhado de informações e cores adequadas a sua atividade profissional até encontrar nos livros de fisiologia uma figura com

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três engrenagens que simbolizam a interdependência entre os sistemas muscular, cardíaco e pulmonar – importantes na manutenção da qualidade de vida de pessoas comuns e atletas.

ato muito importante”, ressalta Gilberto Cavicchioli, professor de pós-graduação de marketing de serviço e do núcleo de gestão de pessoas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Por meio dessa pesquisa, ele bolou uma logomarca, estruturou um modelo de cartão de visita, sempre atento à qualidade do papel e à impressão. Hoje, Roberto garante que o material lhe conferiu profissionalismo, uma boa estrutura de negócio, identificação própria, organização e qualidade do serviço perante os alunos.

Para o consultor, a ferramenta está ligada ao marketing de serviços e, apesar de competir com outras mídias, é responsável por demonstrar a reputação, a marca e os valores da empresa. No caso de profissionais autônomos, traduz o personal branding ou marca pessoal. “Costumo dizer que o profissional de vendas não pode ter cartões de visita nus, sem roupa. O que é vestir o cartão de visita? É fazer anotações do tipo: a data em que ele foi recebido, em que evento, alguma particularidade que você observou na pessoa. Assim, você começa a montar o seu Outlook por meio de algumas observações que faz da pessoa ali, naquele momento em que está sendo iniciado o relacionamento”, complementa.

Uma boa estratégia A história de Roberto é prova de que o cartão de visita é o apoio inquestionável das marcas coorporativas ou pessoais. “A entrega de cartões é a sinalização do início de um relacionamento. Ele é um abridor de portas, o veículo que facilita a empatia, a troca do olhar; por isso, eu considero esse

Para Thiago Panzani, sócio-diretor da agência de publicidade Bravo!, em Santos (SP), o cartão de visita é o principal elo no contato com o cliente. “Você o deixa como registro de seu produto ou serviço junto aos resquícios de suas características – o que pode ser positivo ou negativo para a sua marca”, alerta.

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marketing

Você tem um cartão de visita?

O publicitário dita os cinco passos para fazer um cartão marcante e inovador: 1. Contrate um profissional qualificado ou uma empresa devidamente legalizada 2. Ao apresentar seu produto ou serviço à agência, liberte sua criatividade e esteja aberto às novas ideias. Esteja certo de que o profissional irá imprimir suas características e também de seu produto ou serviço no cartão 3. Fuja do convencional retângulo de papel e programas prontos para baixar na internet. Abuse dos formatos, textura e diferencie até no cheiro do cartão para destacar-se diante do cliente. Hoje, há empresas de bolacha fazendo cartões comestíveis, por exemplo, ou vidraçarias que optam por um material translúcido, feito de acrílico. Os recursos existentes permitem que o contratante possa imprimir características de seu produto ou serviço ao divulgá-lo. Basta deixar a criatividade fluir 4. Leve a produção do cartão em conta 5. Explore o momento da entrega do cartão. Deixe de simplesmente retirá-lo da carteira para apresentá-lo com criatividade e no momento oportuno Tavicco Moscatello, diretor técnico da Advisor Personal Trainning, também chama atenção para algumas características que auxiliam na composição do cartão de visita. O ideal é optar por uma gramatura igual ou superior a 280 gramas, com laminação fosca, sendo que o material deve permitir certa flexibilidade. Um olhar sobre o futuro A tendência quanto à formatação dos cartões de visita não poderia deixar de estar em comum acordo com a era digital que vivenciamos. Tiago Panzani cita uma nova tecnologia, já disponível no mercado, a qual permite que os empresários dispensem as pastas de arquivo e passem a aderir a um sistema de decodificação. “O QR Code é um código de barras inventado para armazenar as informações contidas no cartão. Ao fotografar o

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código presente no cartão com câmeras e celulares adaptados a essa tecnologia, o cliente obtém todas as informações que nele estiverem grafadas”, explica. Sob esse prisma, quando o empresário dispuser de apenas um cartão de visita no bolso do paletó, o novo recurso promete facilitar sua vida, pois poderá contatar mais de um cliente sem precisar se desfazer do único exemplar que possui naquele momento. Ou então, quando a pessoa quiser indicar o serviço e passar adiante as informações do prestador, ela poderá fazê-lo, independentemente do número de cartões. “Portanto, a tendência é compactarmos cada vez mais o cartão de visita, ou então, diversificarmos seu formato, já que o código pode ser implantado em um pequeno chip ou em qualquer que seja o objeto”, conclui Tiago. Moscatello acrescenta o mini CD como uma tendência no quesito comunicação com os clientes. “Através de um designer, o professor pode optar por gravar um vídeo que transmita seu repertório profissional e, principalmente, os

gramatura igual ou superior a 280 gramas, com laminação fosca. são os princípios básicos para fazer um cartão de visita, garantem especialistas

tipos de serviço que ele oferece. A gravação normalmente se encerra com o site do profissional para que o aluno obtenha mais informações”, explica. Para o consultor, é interessante recorrer ainda a outros recursos de comunicação além do cartão, como o folder ou release digital. “Você tem uma única chance de criar uma boa impressão e investir nisso é potencializar seus serviços. Se o cliente tiver uma percepção de qualidade tátil e visual diante do seu material, esteja certo de que boa parte do trabalho já foi feita”, garante.


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Campanha contra os anabolizantes

shutterstock

inovação

Quando vale a pena encampar polêmica? Iniciativa implementada por grande rede de academias de São Paulo demonstra que, mesmo diante de questões delicadas, como o uso de anabolizantes, é possível assumir explicitamente posturas que se traduzem em importantes ferramentas de marketing e ainda colaboram para reforçar os valores da empresa Por francisco arruda

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d

essa vez, a inovação não diz respeito à aquisição de um equipamento para a sala de musculação ou à implementação de uma modalidade de aula de ginástica. Ela está no posicionamento adotado diante de uma questão polêmica que, há anos, é muito comentada nos corredores das academias e clubes de lazer, geralmente de maneira velada: o uso de anabolizantes. Quando Edgar Corona, CEO da Bio Ritmo, uma das maiores redes de academia de São Paulo, viajou ao exterior para realização de um benchmarking com empresários norte-americanos, percebeu que o assunto já fazia parte de um movimento maior deflagrado por estabelecimentos extremamente

focados nas questões ligadas à qualidade de vida de seus usuários. Foi nesse momento que o empresário teve o insight e resolveu adaptar a ideia a seu modelo de negócio. “Era preciso se posicionar, mostrando para o consumidor que o exercício por si só leva à vida saudável. Que as pessoas devem evitar o chamado ‘canto da sereia’ e que o benefício ilusório de curto prazo leva a um malefício permanente”, justifica. Antes de decidir pela adoção da campanha, Corona trouxe o tema para as reuniões do board da rede com a intenção de debater junto aos integrantes da equipe técnica (leia-se: educadores físicos e coordenadores das unidades) e também junto aos profissionais de marketing quais riscos precisariam ser assumidos efetivamente e se estes poderiam implicar n evasão de alunos ou mesmo dificultar os processos de fidelização. “Não houve qualquer reação contrária à implementação da campanha. Não chegamos sequer a nos preocupar com a evasão de alunos em virtude da mensagem explícita a ser veiculada, pois, desde o momento em que o usuário ingressa na academia, a informação que recebe é sempre a mesma: treine e alimente-se de forma saudável. A campanha serviu para reforçar institucionalmente os valores que buscamos compartilhar com o consumidor”, declara Silvia de Féo, diretora de marketing da Bio Ritmo. Falando a mesma língua Decisão tomada, foi necessário uniformizar discursos, assim como definir o tempo de vigência da campanha, que permaneceu ativa durante todo o mês de abril nas unidades da rede e no site da academia. Outros dois ciclos já estão programados para 2010 e devem envolver os meses de agosto e novembro. Foram confeccionados cartazes e folders para serem afixados e distribuídos,


respectivamente, para o público interno, além de e-mail marketing, enviado para professores e alunos. As ações em redes sociais, como o Facebook e o Twitter, também serviram de alavanca para a campanha intitulada “O que os olhos veem até o coração sente”. “O material destinado aos docentes era um pouco mais amplo e técnico e procurava evidenciar os problemas relativos ao uso de anabolizantes, trazendo conceituações importantes para os profissionais, caso estes fossem questionados por seus alunos. Também desempenhamos ações no site e no blog. O retorno foi imediato e muito satisfatório”, salienta Silvia, que faz questão de afirmar que a campanha não tem caráter fiscalizador, mas sim de orientação. “No Brasil, essa luta é algo ainda incipiente. Apesar de difundirmos exaus-

tivamente o conceito wellness, a grande maioria que frequenta uma academia hoje procura tal atividade para emagrecer, ter

o corpo sarado. O bem-estar lá fora já está em um outro patamar de discussão. Mas o feedback que temos da campanha, via equipe técnica ou SAC, é de total apoio, com os alunos manifestando que compartilham do posicionamento e que se sentem recompensados e seguros por treinar em uma rede que adotou essa postura”, diz.

Nunca é demais reforçar A droga sintética conhecida como anabolizante é um esteroide que, teoricamente, age de forma similar à testosterona, o hormônio masculino. Pesquisas comprovam que seu uso indevido pode provocar câncer no fígado e de mama, por exemplo. E o que é pior: o anabolizante, por si só, não aumenta a musculatura, mas apenas facilita a ação anabólica, ou seja, facilita a síntese de proteína, o que promove o crescimento do músculo.

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gestão/RH

Bom humor no trabalho

Sorrir

faz bem e aumenta a produtividade Investir no bom humor dos funcionários favorece o crescimento pessoal, ajuda a trazer satisfação profissional e contribui para elevar o faturamento. É o que garantem os especialistas Por Juliana Lanzuolo

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ato é tão simples e singelo que faz com que os benefícios passem despercebidos. Para alguns, são apenas 12 músculos do rosto a se movimentar. Se a intensidade vai um pouco além, serão 24 no total. O ar é expelido em grande velocidade dos pulmões e todo o corpo fica oxigenado. Isso tudo ajuda a manter uma boa condição aeróbica e a pensar com mais clareza e criatividade. Essas sensações, que são praticamente imperceptíveis, mas fazem diferença no dia a dia, podem tornar o ambiente de trabalho mais agradável e produtivo. É o que garantem especialistas. Sorrir faz bem e não apenas à saúde. Basta cultivar o bom humor e saber controlar as emoções nos momentos oportunos.

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Márcio Acoaviva foi contratado para dar aulas de musculação na Needs, em Moema, São Paulo (SP). Após seis meses na função, foi nomeado coordenador da academia. “A proposta foi supermotivante, já que não houve uma procura externa para esse cargo, mas sim a confiança e a efetivação de um dos colaboradores”, conta Márcio. Essa iniciativa de valorizar o próprio time demonstra uma gerência atenta aos próprios talentos que ela produz e é um dos artifícios que rende ótimos frutos no que diz respeito à motivação e à produtividade dos colaboradores. “Para um bom rendimento profissional não basta ter um alto QI. Atualmente, nós passamos a lidar um pouco mais com


aquilo que chamamos de inteligência emocional. Ou seja, talvez mais importante do que ter um pensamento lógico, racional, é a maneira como praticamos esse pensamento”, alerta Armando Ribeiro das Neves Neto, psicólogo e professor do curso de aprimoramento em Terapia CognitivoComportamental em Saúde Mental da Universidade de São Paulo (USP).

sh utte rsto ck

O especialista explica que existem emoções destrutivas e construtivas. O equilíbrio das emoções construtivas, aliado à preparação acadêmica e a um treinamento, pode ajudar as pessoas a atingirem rapidamente e com mais eficácia suas metas profissionais ou pessoais. Diante de um cenário em que a modernização está ao alcance de todos, o diferencial não está mais na tecnologia, e sim na capacitação técnica e no desenvolvimento motivacional e emocional do colaborador. “Há que se ter uma política de trabalho muito bem estabelecida em que realmente o capital humano seja mais importante do que a estrutura física. Por isso, as ações direcionadas ao nosso colaborador se equi-

param ou até ultrapassam o potencial de investimento da diretoria em novas infraestruturas”, afirma Patrícia Lobato, consultora técnica coorporativa da Cia. Athletica. Propostas inovadoras A imagem do educador físico está intimamente ligada à saúde e ao bem-estar e precisa transmitir esses valores aos alunos. Mas, para ser agente de mudança no outro, é preciso estar bem internamente. Diversas redes de academia já partem dessa premissa e vêm implementando ações focadas no funcionário para que ele esteja satisfeito e realizado em seu local de trabalho. Em 2001, a Cia. Athletica criou um prêmio para estimular a participação de todos os colaboradores nas soluções executadas pela empresa. “Eles enviam projetos com sugestões de melhorias de processos ou serviços que, no caso, são aulas ou modalidades que eles, além de elaborar, têm de aplicar e validar para concorrer. Há um regulamento e um comitê de julgamento e a votação final é feita pelos próprios colaboradores em nossa convenção interna”, conta Patrícia. Os vencedores do prêmio “Inovação” ganham uma viagem internacional com todas as despesas pagas e depois fazem um tour por todas as unidades do grupo para

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Bom humor no trabalho

implementar os programas ou serviços que eles sugeriram. Na Academia Needs ocorre algo parecido. Lá, todos os colaboradores podem participar ativamente da criação e desenvolvimento de novos formatos de aula e rotinas de trabalhos, além de criar eventos e promoções. “Temos total liberdade para propor encontros ou novas ideias de acordo com o que percebemos que irá agradar aos alunos. Quando a sugestão ganha vida, o funcionário se sente valorizado e reconhecido, além de ter maior visibilidade”, afirma Acoaviva. O professor é transdisciplinar, ou seja, pode atuar em diferentes áreas. Se quiser, pode reservar um período do expediente para dar aulas de musculação, outro para atuar na avaliação física e assim por diante. O fato de a função não ser engessada, como na maioria das academias, contribui para que o funcionário se fidelize à medida que é estimulado a variar seu posto e a estudar outros temas.

divulgação

Reciclagem Na Cia. Athletica, outro ponto a ser destacado é a atualização técnica dos professores. Patrícia explica que, anos atrás, havia uma dificuldade em criar uma linguagem

comum entre todos da rede e uniformizar essa reciclagem de conhecimento nas unidades, tamanha a demanda de trabalho e disponibilidade dos professores responsáveis por esse tipo de treinamento.

“Desenvolvemos uma intranet na qual os conteúdos técnicos Após 6 meses, Márcio foi nomeado para o cargo de gerente: “Motivação conta muito” e instruções de trabalho das outras áreas ficam armazenados, no ambiente de trabalho”, alerta o psicólosão periodicamente atualizados e todos os go Armando Ribeiro. colaboradores têm acesso. Para estimular Ele sugere que o gestor pense na formaos acessos ao portal, elaboramos um quiz show – que começa com uma prova aplicada ção de sua equipe de maneira estratégica aos professores. A avaliação engloba desde e que deixe um pouco a indicação de lado conhecimentos técnicos, produtos e ser- para atentar-se à qualidade emocional de viços da empresa, além de conhecimentos seus funcionários, formando uma equipe gerais”, detalha a consultora. Os melhores de personalidades heterogêneas. colocados representam a unidade na con“No ambiente de trabalho, temos de venção interna e também são premiados lidar com a pressão exercida pelos chefes, com uma viagem. prazos, entre outras questões que podem Para incentivar o hábito do estudo e interferir no bom andamento da rotina reciclar os conhecimentos, a Needs criou diária. A raiva também é um sentimento a uma espécie de escola interna, na qual os ser trabalhado. Hoje, da mesma forma que professores têm acesso a uma biblioteca temos programas de redução do estresse, com livros doados, além de palestras e cur- existem os de gerenciamento da raiva, tasos de assuntos relativos à área conforme o manha a importância desta emoção”, coninteresse da maioria. “Elencamos diversos ta Armando. temas e, uma ou duas vezes por mês, trazemos um especialista sobre a área escolhida”, Bom humor detalha Acoaviva. “O resultado mais expressivo em iniciativas como essas é que você descentraliza tanto o processo criativo quanto as ações de reconhecimento de quem é importante na empresa”, ressalta Patrícia Lobato.

“Ações voltadas aos colaboradores são até mais fundamentais que os gastos com infra”, diz Patrícia Lobato

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divulgação

gestão/RH

Responsabilidade do gestor “Em uma das minhas pesquisas, aplicada com executivos de empresas de grande porte, sobre o perfil de estresse, o fator mais alarmante foi a relação com a chefia imediata. Então, o chefe principal é considerado a fonte de desarmonia ou harmonia

“Bom humor é rir junto e não rir do outro. Ter pessoas bem-humoradas nas equipes pode fazer a diferença”, ressalta Venina Beck Amorim, psicóloga clínica e executiva de RH. A especialista elenca algumas dicas para manter o clima harmonioso: • Evite criticar o outro. • Esteja sempre aberto a ouvir uma ideia. Ela pode ser melhor que a sua. • Não transfira problemas de uma situação para outra. • Administre os conflitos separadamente. • Valorize a espontaneidade, mesmo que ela não venha com a melhor ideia. Uma proposta trabalhada em equipe pode se tornar algo brilhante.


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shutte rstock

mercado & tendências Holding

Os quatro

mosqueteiros

Empresas de fitness investem na criação de holding com modelo de negócio inovador. Com base em uma gestão colaborativa, a Tribes Company nasce com a intenção de melhorar o desempenho das organizações que integram o grupo, além de oferecer soluções que podem revolucionar os negócios de outras empresas

Por Simone Bernardes

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o

rganizações que compartilham experiências não só conseguem desenvolver ideias e projetos com mais clareza como também abrem suas portas para novos negócios. Baseadas nesse conceito, quatro empresas ligadas ao universo fitness se uniram para criar uma rede colaborativa de apoio e suporte a instituições e profissionais. O grupo Tribes Company foi criado há exatamente um ano pela BodySystems, empresa fornecedora de métodos de treinamento profissional para professores, que incluem aulas de ginástica, eventos de lançamento das atividades, elaboração do material de marketing, suporte aos gestores de academias, além de um curso de gestão específico (GFMi). Também fazem

parte da holding a Fitness Mais, escola de excelência profissional, o Portal da Educação Física e a Core 360º, empresa de soluções para treinamento funcional. “A iniciativa é resultado de diversos encontros dos profissionais dessas empresas que, juntos, olharam para o mercado com a percepção de que o setor tem grande demanda pela formação profissional não só na área técnica, mas também, em áreas como atendimento, gestão e vendas”, afirma Paulo Akiau, sócio-fundador da BodySystems e líder estratégico da Tribes Company. Ainda de acordo com o empresário, os negócios do grupo estão baseados no conceito de liderança dentro de uma estrutura sistêmica que divide a atuação da holding em oitos áreas. Dessa forma,

cada empresa pode contar com os serviços de empreendimento de resultados, negociação, imagem, tecnologia, produção, infraestrutura, saber e estratégia. “Cada um desses setores é coordenado por líderes das quatro empresas, sendo que a principal função deles é servir como facilitador dos debates entre as organizações que compõem o grupo. Cada empresa preserva o seu foco, mantendo a sua identidade”, completa Akiau. Todos com a fatia do bolo A união e a colaboração entre as organizações que integram a Tribes já começaram a gerar ótimos resultados nos âmbitos interno e externo de cada uma delas. Há três meses no grupo, o Portal da Educação Física viu o número de visitas ao site registrar marcas significativas.

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gabriela nakamura

mercado & tendências Holding

A Tribes Company apresentou novidades aos consumidores e empresários durante a 20ª edição da Fitness Business Internacional, em Santos (SP)

“A experiência dos negócios e a estrutura administrativa nos ajudaram a reformular o website e a ganhar espaço no mercado”, afirma Leandro Prado, fundador e líder do portal que está no ar desde 2004 e que, no mês de março, atingiu a marca inédita de 650 mil visitas, com mais de 2,5 milhões de páginas visitadas. Desde que o grupo surgiu, a BodySystems foi outra que encontrou novas soluções para o desenvolvimento de seus negócios. “Ao longo do período, conseguimos fortalecer a nossa percepção com relação ao perfil da empresa, que busca e apresenta soluções inovadoras para seus colaboradores. Além disso, adquirimos potencial humano e credibilidade para a marca”, analisa Fernando Recco, líder da BodySystems. Ele ainda calcula que a

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empresa deve crescer entre 15% e 20% até o final de 2010. A mesma expectativa vivencia a Fitness Mais. A empresa, que há 15 anos oferece consultoria e treinamento para academias e também atua com organização de eventos esportivos, também comemora as mudanças trazidas pelas experiências compartilhadas na Tribes Company. De 2006 para cá, a Fitness Mais passou a focar suas atividades na educação e formação de profissionais da área e acusou a necessidade de ampliar não apenas seu público-alvo, mas também o conhecimento oferecido a este. “Nos últimos meses, nosso site passou de 2,5 mil para 8 mil acessos. Além disso, deixamos de atingir somente profissionais, para levar aprendizagem também aos

universitários em cursos intimamente relacionados ao bem-estar, qualidade de vida e formação esportiva”, declara Andrea Vidal, líder da Fitness Mais, que confirma os planos de expansão da empresa para outros estados brasileiros, uma vez que a sede da matriz fica na capital paulista. “A união dessas empresas cria uma estrutura que otimiza processos e reduz custos. Dessa forma, a Tribes Company angaria os negócios das organizações e faz que outras empresas também encontrem seu caminho no mercado. O intercâmbio de experiências é algo vital hoje em qualquer nicho de atividade”, finaliza Akiau, antecipando também que, até dezembro, outras empresas, de ramos complementares, devem anunciar oficialmente sua adesão à Tribes Company.


equipamentos & cia_

Passos em direção

ao verde

Nova geração de esteiras alia moderna tecnologia e preocupação com o meio ambiente, seja na utilização de matéria-prima de origem renovável, seja na redução do consumo de energia elétrica

Não é de hoje que os fabricantes de equipamentos para academias de ginástica investem em pesquisas para a descoberta de novas tecnologias capazes de atenuar o impacto ambiental causado pela utilização dos aparelhos, preocupando-se desde as rotinas que envolvem o processo de fabricação até o momento do descarte dos materiais na natureza. Para Cássio Antonelli, pós-graduado em Administração e Marketing Esportivo e proprietário da CA Sports, consultoria especializada em centros de treinamentos de atividades físicas, este comportamento representa um caminho sem volta. “Hoje, já existem no mercado diversas esteiras que consomem até 40% a menos de energia, gerando redução na emissão de gás carbônico, feitas com materiais de origem renovável, mais resistentes à

O consultor ainda afirma que muitos proprietários de academias já estão antenados a estas questões, o que tem estimulado a demanda. “Foi-se o tempo em que eles apenas atentavam para os recursos de entretenimento trazidos pela esteira ou para a conectividade que ela pode oferecer com outros aparelhos, como MP3 players e Ipod. Agora, o que está em jogo também é a relação entre a eficiência operacional e a eficiência energética”, diz Antonelli.

SHUTTERSTOCK

ação do tempo e sem a presença de substâncias tóxicas. Esse novo olhar da indústria fitness, sem dúvida, é uma tendência e deve se acentuar nos próximos anos”, acredita.

A Fitness Business traz algumas novidades em esteiras, listando as principais características técnicas a serem observadas no momento da compra e que podem facilitar a vida dos donos de academias. Confira!

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esteiras verdes

equipamentos & cia_

Condor 2.2

E1186

750T Legacy

95Te

Fabricante

Biowalk

By Action

Cybex

Life Fitness

Consumo de energia

0,4 kWh (para uma pessoa de 80 kg que usa o equipamento a 6 km/h)

Equipada com motor de 5 HP / 220 V que proporciona economia de energia

2,7 kWh

3 kWh (máximo)

Matéria-prima

Carenagens plásticas, madeiras e material de pintura que lançam mão de matéria-prima renovável

Básica como a de todas as esteiras disponíveis no mercado: ferro, aço, plástico, alumínio

A maior parte da esteira é feita em alumínio

Programas motivacionais (9 tipos + fitness test + modo manual), Modo acordado, Modo dormente, Modo ativo, Revisão de treino, Modo pausado, Modo cool down(resfriamento). Tela LCD opcional, Ipod, Tv a cabo, MP3, celular

TV (que também pode ser conectada a um aparelho de DVD ou TV a cabo), gráficos interativos, treinador virtual para ajudar o usuário a definir seus exercícios e dar dicas de treino. Conecta Ipod e Iphone. Também é possível ao usuário gravar o treino em USB e descarregar no site http:// www.virtualtrainer. lifefitness.com/vt

Entretenimento/ Conectividade

Display digital com indicadores de velocidade, tempo de exercício, distância percorrida, calorias gastas e batimento cardíaco

Estrutura de aço e laterais de alumínio

Dezesseis programas de treinamento com inclinação automática. Comunicação com frequencímetro polar

Garantia de vida para amortecedor de impacto, motor e estrutura contra defeitos de fabricação; dois anos para componentes mecânicos; um ano para componentes elétricos, eletrônicos, motor elétrico e mão de obra, lona, deck e silicone; e 15.000 km para painel de teclado do console e de controle e sensores de batimento cardíaco

Garantia

Um ano

Um ano no total; três anos no motor

10 anos (conforme certificado)

Assistência técnica

Em todo o Brasil e própria

Em todo o Brasil e própria

Permanente para todos os equipamentos, em todo o Brasil

Em todo o Brasil e própria

Preço Site

Entre R$ 4.390,00 e R$ 5.390,00 www.w12.com.br

R$ 5.490,00

Sob consulta

R$ 31.500,00

www.byaction.com.br

www.fit4.com.br

www.lifefitness.com

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T7xe

E750

966i

WEGA i9

Run Now

RX 10

Matrix

Movement

Precor

ProFitness

TechnoGym

Total Health

1,5 kWh

2.500 kWh (para uma pessoa com 150 kg, correndo a 25 km/h: potencial máximo)

1,7 kWh

0,9 kWh

4,29 KVAs

82 kWh (média mensal)

Diminuição de 34% no aço utilizado em sua construção

Alumínio e plástico que lançam mão de matéria-prima renovável

Feita com aço carbono, fibra de vidro, poliuretano, aço inox, alumínio e MDF (madeira)

Mais de 95% da esteira é feita de material reciclável

Peças de alumínio e plásticas feitas com material reciclável

Possui uma tela em LCD de 15 polegadas com tecnologia touch screen, conexão para iPod e receptor de TV integrado. A conexão para iPod funciona para execução de áudio e vídeo, com controles do equipamento pela tela da esteira e é compatível com o sistema Nike + iPod para a academia

Recurso ”Volta ao Mundo” que simula o percursos nos principais parques e corridas ao redor do planeta, considerando distâncias e topografias reais. São 36 circuitos reais em 5 diferentes países. Conta com TV/Video além de entrada USB e saída para fone de ouvido plugado ao MP3 do usuário

O usuário pode acoplar o iPod na esteira e assistir a todos os vídeos armazenados no aparelho através da tela de LCD. Também permite a transmissão de canais de TV aberta e a cabo. Oferece o sistema PEP (Personal Entertainment Player), que aceita todos os modelos de iPod e também permite que a bateria do aparelho seja carregada enquanto o usuário se exercita.

Dez programas de treino, inclinação elétrica, ampla área de caminhada e sistema de amortecimento de deck. Tela de LCD 17” com sistema wireless, saída serial para PCs.

Possui a nova tela Viso e o software Communicator que permitem uma total integração com o cliente enquanto este treina no equipamento. Sistema made for iPod, TV, TV a cabo, rádio e, em 3 meses, será a primeira esteira a ter acesso a internet

Painel LCD com 15” touch screen. Três opções de idiomas. MP3 player com entrada USB. Entrada de DVD, TV a Cabo e TV convencional.

Cinco anos para estrutura e motor; dois anos para demais partes

Três anos para motor e chassis por defeito de fábricação e garantia normal, de um ano, a partir da compra

Sete nos para estrutura; dois anos para partes móveis; um ano para partes elétricas

Um ano

Dois anos, com extensão de até 10 (dez) anos para o motor principal, chassis e amortecedores

Três anos

Em todo o Brasil, através de rede autorizada

Em todo o Brasil e própria

Em todo o Brasil através da GymCorp

Em todo o Brasil

Em todo o Brasil

Própria, em todo o Brasil, ou por meio de representantes

Sob consulta

R$ 23.700,00

Sob consulta

R$ 15.545,00

Sob consulta

Sob consulta

www.matrixfitness.com.br

www.movement.com.br

www.precor.com

www.portalprofitness.com.br

www.matrixfitness.com.br

www.totalhealth.com.br

MAi/jun 2010 | FITNESS BUSINESS

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Artigo Tabatha Dutra

Como lidar com funcionários 2.0

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uando falamos sobre inovação, existe a tendência de ficarmos focados nos avanços tecnológicos ou, quando muito, na melhoria da produtividade que aquela pode nos oferecer. No entanto, a inovação traz consequências sociais, educacionais e, até mesmo, trabalhistas. Encontramos uma amostra dessa tendência nos nativos digitais e nas mudanças que eles estão provocando. Nativos digitais são pessoas que conhecem profundamente o uso das novas tecnologias. Geralmente, nasceram nos anos 90 e cresceram rodeados por computadores, internet e celulares. Como denominação complementar, chama-se de imigrante digital as pessoas não educadas nesse ambiente tecnológico, mas que foram se adaptando às inovações, enquanto aquelas que não têm nenhuma intimidade com as novas tecnologias são conhecidas como analfabetas digitais.

Tabatha Dutra é gerente de Recursos Humanos da Everis Brasil, consultoria multinacional de negócios, tecnologia da informação e “outsourcing”. Graduada em psicologia com ênfase em recursos humanos, cursou pós-graduação em Administração de RH pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP)

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Atualmente, como a grande maioria dos nativos digitais ainda está na faculdade ou no ensino médio, existe um debate sobre os métodos e a forma de educação para esses estudantes, já que muitos dominam as novas ferramentas melhor que seus próprios professores. Mas, se dermos um passo além, o que acontecerá nos próximos anos quando esses estudantes entrarem no mercado de trabalho de forma massiva? As empresas estão preparadas para aproveitar o potencial desse novo tipo de profissional? Ou ainda, estão dispostas a realizar uma série de mudanças para tornarem-se atraentes para esse funcionário? Nas organizações em que os nativos digitais já estão atuando, podem-se notar características diferentes: a percepção da pri-

vacidade mudou, pois, em muitos casos, a identidade pessoal está ligada à informação digital (uso de redes sociais); a forma pela qual os colaboradores realizam o aprendizado é mais ágil e normalmente on-line, por isso não entendem o ambiente de trabalho sem ferramentas colaborativas (chat, blogs, fóruns, wikis etc.); os funcionários buscam e precisam de mais autonomia; e, por último, possuem um sistema diferente de valores trabalhistas, com mais ênfase na colaboração e na capacidade de mobilidade. Muitas empresas ainda estão criando sua identidade corporativa na rede ou, no caso das mais avançadas, adaptando-se à chamada web 2.0. No entanto, não podem ficar limitadas a isso, permanecendo ancoradas no passado. No que se refere às mudanças no aspecto tecnológico, as empresas devem se perguntar: considerando as ferramentas à disposição dos funcionários, faz sentido manter determinados serviços corporativos? Por exemplo, oferecer uma conta de e-mail corporativo quando todos os colaboradores já possuem contas pessoais e estão totalmente identificados com elas. Se pensarmos no terreno organizacional, há que se adaptar a mentalidade e a filosofia corporativa: as organizações devem se posicionar mais como redes e menos como hierarquias para poder aproveitar as melhores características desse novo trabalhador. Deve-se adotar um modelo de “empresa 2.0”, criando um diálogo entre a direção, os trabalhadores e os clientes. O objetivo: criar uma comunidade na qual a empresa se apresenta a seus futuros funcionários assim como a seus possíveis novos clientes. Pense nisso!


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Fitness Business Edição 47  

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