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Amigos de Jesus!

em relação cotidiana, esmerada, com o Senhor da vida, nenhuma experiência cristã sobrevive, ainda mais em tempos de tantas interpelações. Amizade aprofundada, feito gente que se doa continuamente. Ele do Céu, fonte viva; da terra, seus discípulos, sempre aprendizes. Relação diferenciada, dialogal. Não pode Jesus ser apenas extensão das emoções pessoais. Outro que interpela, provoca, faz andar. Às vezes consola; em outros momentos, inquieta, na luta contínua pela construção de seu Reino. Senhor, somente Ele; seres humanos, são criaturas. Infelizmente, quantas fragilidades em variadas formas espirituais que rondam mundo afora. Muitas delas, apenas baseadas em caricaturas de Jesus Cristo. Ou seja, recortam-se pequenas partes do Evangelho, as que mais agradam, que são convenientes, sem disposição para segui-Lo em sua globalidade. Jesus Cristo, parceiro de fé, é pessoa de

história inesgotável, dom inaugural do Pai. Na terra, abriu caminhos de fraternidade, sendo Ele mesmo o amor; do céu, aprofunda o sentido da existência do cristão, com o mistério da Ressurreição. Veja, pois, o quanto é necessário cuidar de tão grande relação para que não aconteça certa anemia espiritual. Cuidado, isso mesmo! Começa pela atenção diária aos apelos que Ele faz ao sacrário de cada consciência. A iniciativa? É d´Ele o primeiro passo. Por isso, a urgência do silêncio oracional. Horas boas para apreciar a companhia de um amigo tão nobre, que sempre bate em portas cordiais. Esvaziando a alma dos excessos, sobrará mais espaço para um encontro amoroso com o próprio amor. Vencendo medos, barreiras tantas, a oração será chave que abre o mais íntimo de cada um diante do Redentor. Rezar nem sempre é curtir sentimentos bons ou repetir palavras. Muitas vezes é apenas deixar Cristo conduzir-nos,

Expediente: Coordenação: Pe. Vicente de Paula Ferreira, C.Ss.R. Jornalista Responsável: Brenda Melo - MTB: 11918 Colaboração: Luiz Henrique Freitas - MTB: 16778 Projeto gráfico: SM Propaganda Ltda Impressão: Gráfica América Tiragem: 2.000 exemplares

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na força do Espírito, ao encontro dos acenos de Deus. É estar com Ele em colóquios libertadores. Aliás, quem nunca derramou lágrimas, num mergulho sincero em sua condição limitada, frágil, sem fuga, certamente não experimentou o consolo divino dizendo, coragem! Cuidemos, então, da oração como se cuida daquela repartição mais sagrada que gostamos de frequentar em todos os momentos. De fato, como entender a Bíblica, alimento principal, sem escutá-la com atenção? Ou como compreender a vontade de Deus se apenas escutamos a própria vontade? Sinceridade, para purificar armadilhas como a do auto-engano, é outro ponto importante. Uma espécie de termômetro corajoso que nos impulsiona a nos apresentar ao Senhor do jeito que somos. Com as bagagens belas, mas também com as sombras. A realidade, para além do intimismo, deve participar ativamente da amizade com Jesus Cristo. É triste encontrar pessoas tão piedosas, todavia alienadas. Não

conseguem perceber nada para além de suas convicções, mergulhadas em posturas de fé superficiais e perigosas. Não se esqueça, irmão de fé, daquela história do bom samaritano. Ela é real! Deus faz um caminho de total entrega para encarnar-se em nossa frágil existência, movimento que tem sua plena realização na kênosis de Cristo. Será que ainda vamos continuar buscando-O somente no céu de nossas fantasias? Ah, como é urgente a mística do cotidiano fraterno. Uma amizade sadia com Cristo indispensavelmente nos faz ser mais amigos uns dos outros; mais sensíveis com o planeta; mais encantados com o universo. Mística não é coisa pra quem gosta de morar nas nuvens. É jeito bom dos que sabem que o Deus de Jesus Cristo mora mesmo é na história, aceitando participar, com a vida, da misteriosa aventura do amor encarnado. Pe. Vicente Ferreira, C.Ss.R. Superior Provincial

Aniversariantes

Novembro 05/11 .................. Ir. Aníbal de Assis, C.Ss.R. 12/11 .................. Pe. Lúcio Marcos Bento, C.Ss.R. 19/11 .................. Pe. Mauro Carvalhais, C.Ss.R.

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Entrevista

Pe. Vicente Ferreira, C.Ss.R.

Na última semana de outubro, a Província do Rio viveu o processo eletivo do novo governo provincial. Por 10 anos, o Pe. Vicente Ferreira, C.Ss.R. esteve à frente dos trabalhos provinciais e nos conta suas realizações e sentimentos.

Em 2005, quando o senhor foi eleito, tornava-se o Provincial mais novo da história da Província do Rio. Ainda se lembra daquele momento? Quase dez anos! Deus, através dos meus confrades, me deu um lugar bacana para exercer minha missão como padre redentorista. Então, era um sentimento misturado entre felicidade, gratidão e desafios. Há 10 anos, eu era outra pessoa. Hoje, vejo que ajudei e aproveitei boas oportunidades também para o meu amadurecimento pessoal. O senhor sempre fala em criatividade. Considera a arte como um eficiente meio de evangelização?

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Às vezes, acho que somos muito pautados por verdades já prontas. Esquecemos de nossa missão criadora, transformadora. No embate da vida, naquela hora em que todos questionavam sobre, por exemplo: por que a Província não tinha um trabalho com os jovens? Eu me sentia interpelado e pensava que o Evangelho teria, também, sentido para a juventude. Então, essa era uma oportunidade para provar a alma artística, criativa para juntos buscar caminhos. Nesse sentido, eu acredito muito na arte como fonte de evangelização; ela é a reinvenção do cotidiano, encarnando as verdades que a gente recebe da tradição na história atual. Foi o próprio Deus que nos ensinou

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Entrevista

muitas amizades ao longo desse tempo e sou muito agradecido a essa gente que conheci e com quem trabalhei nas várias parcerias construídas. São muitas as cenas de Copiosa Redenção, vividas em variados lugares e com diferentes grupos, que vou levar comigo. O que o senhor deseja ao novo Provincial? a sermos artistas porque é na história que moramos com Ele e nela não há caminho definido, roteiro programado, a cada dia reinventamos a nossa vida. Como avalia o término deste período? Missão cumprida! Tenho liberdade interior e disponibilidade para o que a Província precisar de mim. Estou bastante esperançoso com o futuro, tendo a certeza de que esses 10 anos foram profícuos. Muitas sementes plantadas já nasceram e outras ainda nascerão, produzindo frutos pela frente. Além disso, fiz

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O Provincial é o pastor, aquele que cuida dos confrades e da Província, que caminha junto, para uma animação em prol da missão. Ser Provincial é ajudar na construção de um corpo missionário, é ter escuta atenta e sensibilidade de estar junto com os confrades para, assim, construir um caminho com toda a Província. Sendo assim, desejo ao Pe. Américo e ao seu governo muita luz para aprofundar os projetos que iniciamos, mudar o que for necessário e, com a graça de Deus, trazer novidades para a Congregação. Luiz Henrique Freitas Juiz de Fora, MG

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Província do Rio elege Governo Provincial

Da direita para a esquerda: Pe. Américo de Oliveira, C.Ss.R. – Superior Provincial Pe. Paulo Sérgio Carrara, C.Ss.R. – Vigário Provincial Pe. Dalton Barros de Almeida, C.Ss.R. – Conselheiro Pe. Edson Alves da Costa, C.Ss.R. – Conselheiro Pe. José Cláudio Teixeira, C.Ss.R. – Conselheiro

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Assembleia Eletiva da Província RJ-MG-ES aconteceu de 27 a 31 de outubro, na Casa de Retiros São José (Belo Horizonte - MG) e reuniu 52 dos seus 60 membros. Foram dias de discernimento, partilha e reflexão acerca do caminho a ser percorrido pela Província no próximo quatriênio. A abertura oficial da Assem-

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bleia foi marcada pela Vigília, coordenada pelo Pe. Américo de Oliveira, C.Ss.R. Um intenso momento de reflexão e oração diante da relíquia de Santo Afonso, fundador da Congregação Redentorista. Durante o processo eletivo, os redentoristas tiveram a missão de escolher o novo Governo Provincial para 2015-2018. A primeira

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eleição foi para Superior Provincial, tendo o Pe. Américo de Oliveira, C.Ss.R., atual formador da Comunidade Vocacional Santo Afonso e Secretário de Formação da Província, a maioria dos votos. O Pe. Paulo Sérgio Carrara, C.Ss.R., reitor da Comunidade São José, em Belo Horizonte, foi eleito como Vigário Provincial (Vice). Três novos conselheiros foram escolhidos para comporem o Governo Provincial: Pe. Dalton Barros de Almeida, C.Ss.R. Pe. Edson Alves da Costa, C.Ss.R. e Pe. José Cláudio Teixeira, C.Ss.R. Para compor o Conselho Ampliado da Província, animando áreas específicas da vida provincial, foram eleitos quatro secretários. São eles: Pe. Anderson Trevenzoli Assireu, C.Ss.R. (Secretário de Comunicação), Pe. Flávio Leonardo Santos Campos, C.Ss.R. (Secretário de Administração), Pe. Nelson Antônio Linhares, C.Ss.R. (Secretário de Vida Religiosa) e Pe. Luís Carlos de Carvalho Silva, C.Ss.R. (Secretário de Pastoral). O novo Governo Provincial tomará posse em Assembleia a ser

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realizada em janeiro de 2015, na qual serão escolhidos os Secretários de Formação e de Pastoral Vocacional. Até lá, os eleitos trabalharão no processo de transição. Padre Vicente encerra quase uma década à frente da animação provincial com um sentimento de esperança e gratidão: “Dai graças ao Senhor porque Ele é bom, eterna é sua misericórdia. É com essa oração que encerro tão longo período de serviço à Província do Rio, como Provincial. Inúmeras cenas, gravadas na memória agradecida, fazem pulsar na alma a mais profunda gratidão. Deus foi bom sobretudo ao nos possibilitar boas parcerias de fé e vida. Quantas pessoas, confrades, leigos somaram forças na construção dessa obra chamada Província! Dificuldades surgiram, dores fizeram parte do caminho. Todavia, as conquistas foram significativas. Estamos vivos num cenário pulsante de anúncio do Evangelho. Aos que conviveram comigo, mais de perto, muito obrigado pela confiança. Espero não tê-los decepcionado”. O Provincial eleito afirma que pretende continuar e ampliar os

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projetos provinciais. “Através de meus confrades, Deus me confiou o ministério de ‘pastor, animador e coordenador’ da Província do Rio de Janeiro. É uma missão muito especial, mas muito desafiante. Confio em Deus e na colaboração de meus irmãos de Congregação, profissionais e leigos. A nossa Unidade faz uma trajetória bonita de fidelidade ao carisma redentorista nos tempos atuais. Tenho a esperança de que vamos dar continuidade a todos os projetos que estão sendo realizados e, ao mesmo tempo, descobrir novos horizontes para continuarmos nesta dinâmica de crescimento e de fidelidade à nossa missão”, declarou Pe. Américo. Mineiro de Piedade do Rio Grande, nascido em 05 de janeiro de 1968, Pe. Américo professou seus votos na Congregação no dia 08 de dezembro de 1993 e foi ordenado presbítero no dia 15 de novembro de 1997, em sua cidade natal. Sua caminhada na Congregação é marcada pela dedicação à formação de novos missionários redentoristas, onde atuou na promoção vocacional

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Da esquerda para a direita: Pe. Anderson Trevenzoli Assireu, C.Ss.R. – Secretário de Comunicação Pe. Flávio Leonardo Santos Campos, C.Ss.R. – Secretário de Administração Pe. Nelson Antônio Linhares, C.Ss.R. – Secretário de Vida Religiosa Pe. Luís Carlos de Carvalho Silva, C.Ss.R. – Secretário de Pastoral

e na formação dos seminaristas. Segundo o novo Provincial, esses dois setores continuarão sendo prioridade em sua gestão: “Trabalhei cinco anos na Pastoral Vocacional acompanhando os jovens que desejavam ingressar em uma de nossas comunidades vocacionais e 11 anos sendo formador dos futuros redentoristas. Os setores pastoral vocacional e formação sempre foram uma prioridade; pois é o futuro da Província. Se queremos bons redentoristas no futuro, temos que formá-los bem hoje. Vamos investir o que for necessário para continuarmos oferecendo uma formação eficiente aos nossos jovens”. Brenda Melo Juiz de Fora, MG

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UM BILHETE ELETRÔNICO

A RESPOSTA VAI AQUI

Ele me chama de tio, e aceito este jogo de proximidade. Está a meio de seus estudos de antropologia. Cercado de descrentes e não crentes. Diz que vem lendo, não sei por onde, minhas páginas sobre espiritualidade. O que me alegra. Reage quase sempre: contesta, gosta, resmunga, vez e outra xinga, com apreço. Veio dele este bilhete: - “Hesito em ser cristão alegre. Tudo ao meu lado gira sobre a insignificância da fé cristã e de uma Igreja católica ultrapassada, bem perversa na história. Minha namorada insiste repetindo que se Deus existisse, não é visível como deveria. E se ela estiver com a razão? Neste meu meio, valem mesmo as tecnologias de ponta e as descobertas sobre este fantástico cérebro que é o nosso (o seu também). Ô tio, deixa de buscar a força cristã dos começos. Chega, e diga coisa que preste para quem quer crer hoje. Eu, ora pois, uai. Ciao. Bye. Responde, né?”.

Vai aqui de propósito, minha resposta. Podia ser na forma de uma carta, modo charmoso e clássico nas letras de outrora, entre escritores e amigos, para falarem de suas visões de mundo, elaborando questões pertinentes à condição humana. Mas, não vai ser carta, não. Vou escandir pensamentos, concluindo, afinal, minha procura de chispas para entender a avassaladora onda de seguidores do “Caminho”, dando consistência e sustentabilidade ao cristianismo que foi hegemônico neste ocidente e marcou definitivamente a humanização do ser humano. As namoradas em ciências humanas precisam se lembrar que o cristianismo é história; a cada fase da evolução, que ajuda a provocar, se percebe interpelado a renovar seu dinamismo. E para tanto, faz-se necessário retorno às suas raízes, ao mesmo tempo fazendo discernimento sobre as “horas de Deus” nas contingências de nosso humano caminhar, cheio de crueldades. Por

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Espiritualidade

A DENSIDADE DO PRESENTE

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Espiritualidade

isso tem dois mil anos de história. Inconteste. FÉ E EXPERIÊNCIA É quase banal constatar no meio universitário que não poucos jovens, um dia crismados, afirmam ser a maior dificuldade para a fé este descompasso entre fé e experiências da vida, mormente sexual e face a dinheiro, coisas de profissão rendosa. E do dar certo na vida, com sucesso e brilho. Entendo a situação assim: se não houver experiência de fé, apenas persistem construções conceituais sobre Jesus, Igreja, sacramentos, Deus, salvação, ressurreição, e a desconstrução é fácil. Verdades, talvez o sejam, mas não integradas na vida real, e sem significação, pouco importam. Talvez, “lixo”, mas caminho de quem não se ilumina com a razão científica! E não se casa com uma vida de conforto e gozo. Verdades dispensáveis? Há no meio universitário um ateísmo prático. Pouquíssimos são ateus militantes. Preferem a indiferença. E no campo das ciências humanas são maiores as suspeições sobre o crer, o pertencer à Igreja, coisas consideradas

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dificultando a adultez humanista. Ilusões de suspeitas, quem sabe, de quem ainda não descobriu a inteireza da pessoa-sujeito vivenciadora de uma fé plenificante. Interessante que em outros setores do campo universitário já se superou, e bem, o viés anti-religioso. Reinam hoje mais objetividade, mais diálogo, longe de intolerâncias. Então, por onde é possível retornar a uma fé vivificante? CRER É POSSÍVEL Vai ficando claro que é possível crer com uma fé que faz viver. Porém, se faz indispensável romper com formas estereotipadas sobre Deus, Igreja, religião. Estereótipos que permanecem e são alimentados em áreas estudantis desde o colegial (ensino médio). Sei da existência de estudantes que apenas vivem como “todo mundo”. E o fazem por não prestarem sua escuta às interrogações e anseios que cada pessoa carrega dentro do peito, lado coração. Escutar Deus presente no chão da subjetividade é caminho para apropriar-se do que seja viver cristãmente hoje; cheio de toques que regeneram. Vida em metamorfoses. A fé cristã também como pertença

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NEUTRALIDADE RELIGIOSA? Fica empobrecido o jovem universitário que evita a “questão Deus” em sua vida. Será arriscado passar a vida numa pretensa neutralidade religiosa. Prejudica a saúde afetiva este não enternecer-se pelas necessidades dos mais frágeis. E atuar a favor deles. Quem crê se apropria da mensagem de Jesus e descobre um olhar inédito sobre o ser, o conviver, o servir. Olha diferentemente o mundo que o rodeia. Que olhar? Este, coisa singela: sentir-se, pelo jeito de levar a vida, convidado a amar, a criar mais vida, a fraternizar-se, a ser solidário, cuidar do Planeta, desde a pequenez da realidade que cada um traz consigo. Pequenez que Deus engrandece. Ternura em Deus. UM VIVER PLENIFICADOR Quem crê seguindo Jesus e na pertença à Igreja, não vive pela

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metade. Entende modos novos e variados de desfrutar dos bens, aguentar os trancos da vida, investir na própria vocação: trabalha e partilha, ama sem exclusões. O Deus de Jesus, o Pai de todos, é certamente a melhor companhia para se alcançar o que seja o bem-viver e a convivalidade. Alegremente. Confiar, como Jesus, em Deus, o Pai (Abba querido), passa pelo experimentar a si próprio como chamado para além do fascínio pela decifração dos enigmas potenciadores de nosso cérebro; chamado a valer-se das tecnologias de ponta e do conforto sem se deixar siderar por elas. Afinal, o Pai nos criou criadores, ama nossa liberdade e nos chama a sermos filhos deste seu amor. Quem não desdenha sobre realidades objetivas, busca em tudo, com humildade (ou seja, sem empáfia), a verdade. Boa vereda para se ver Deus. Deixar Deus ser Deus na própria história de vida é não desistir de buscar o Verdadeiro, o Bem, o Belo. Buscar Deus e desejar estar em comunhão com Ele. E percebê-lo no rosto humano dele que é Jesus e que são os outros. Ser cristão é ser discípulo de

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efetiva e amorosa de ser Igreja Católica é caminho novo e vivo. É não se contentar em ser como todo mundo. E entender o modo próprio de viver como filho de Deus. Que parentesco!

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Espiritualidade

Cristo, estar na escola da vida com Ele. Ninguém crê sozinho. Os que cremos, estamos reunidos celebrando a mesma fé e nos nutrindo com as Palavras dele, e comungando com seus dons. Seguindo assim pelas estradas, ainda que tortuosas da vida, afirmamos a bondade do viver, sem ressentimentos. Vive-se de olhos abertos, deixando-se iluminar. Somos redimidos dos medos e salvos das angústias de não-ser. A FÉ VIVIDA COMO PROCESSO Crer é parceiro do confiar. Quem crê, confia. A confiança é qual tempero. Sabor e sabedoria. A fé, então, é substância afetiva, é razão ampliada, é animação da existência pessoal. A gente cresce na fé? Cresce! É só deixar de ser cabeça-dura e perceber os sinais que Ele nos envia. CRER EM TEMPOS DE PÓS-MODERNIDADE A pós-modernidade tornou dificultosa a apropriação da fé autêntica. Aquele que crê se liga à Fonte da Vida. Não teme as dúvidas e delas parte para melhores

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percepções sobre o que seja ter o Espírito de Jesus como o ar que se inspira. A vida em comum união com Ele e os demais, todos eles, sem exclusões. Caminhar mais sereno na fé? Depende de mais silêncio e escuta, mais leituras meditativas. Quem crê aprende a orar, a desejar junto ao Pai do céu. De mãos dadas caminha. Quanto mais me abro ao Pai, mais filho me torno. Questão de relação. Quem ora, inicia cada amanhecer mais agradecido, confiada e criativamente. Sem culpa e sem medos. Destravado. Este viver cristão, assim consciente, deve aguçar nossa atenção à realidade com a qual estamos envolvidos. O que traz lucidez sobre as transformações indispensáveis. Em nós e nas instituições. No meu viver aparecem as características do Pai que tanto amo. Talvez a prece indispensável seja assim: - Pai, ensina-me a Te conhecer e amar. E, por fim leitor(a), reze por sua própria descoberta. Pe. Dalton Barros, C.Ss.R. Belo Horizonte, MG

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Padre Leite Dê-lhe o bom Deus o descanso eterno!

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oi com muito pesar que a Província do Rio se despediu de um grande Redentorista. Padre João Batista Boaventura Leite, C.Ss.R. faleceu no dia 02 de outubro, no Hospital Imaculada, em Curvelo (MG), onde estava internado desde o dia 20 de setembro. Viveu seus últimos anos junto ao Convento de São Geraldo. O velório e a missa de exéquias aconteceram na Basílica de São Geraldo e o sepultamento, no Cemitério das Palmeiras. Pe. Leite nasceu em Morro da Garça (MG), no dia 24 de junho de 1926. Fez os estudos do Seminário Menor no Juvenato São Clemente Maria da Vice-Província Redentorista do Rio de Janeiro, em Congonhas (MG). Seu Noviciado foi no ano de 1945, junto ao Convento Redentorista de Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora (MG), onde fez sua Profissão Religiosa no dia 02 de fevereiro de 1946. Cursou os estudos do Seminário Maior no Estudantado de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Floresta, município de Juiz de Fora. Foi ordenado sacerdote no dia 02 de fevereiro de 1952 na igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória. Foi professor no Juvenato em Congonhas. Pregou por alguns anos as “Santas Missões”, o principal trabalho apostólico de sua Congregação naquele tempo. Muito estudioso, fez graduação em História. Dedicou-se à pesquisa histórica da Província Redentorista do Rio de Janeiro, sobre a qual escreveu bastante. Seu livro, “Morro da Garça”, obteve boa aceitação do público, o mesmo se diga sobre “São José em Belo Horizonte”. Pe. Vicente Ferreira, C.Ss.R. Juiz de Fora, MG

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Reunidos aos pés de São Geraldo fazem crescer como comunidade”, declarou o sacerdote. Após a missa, os fiéis seguiram em procissão com o andor de São Geraldo, pela avenida principal próxima à Basílica.

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ilhares de devotos de São Geraldo participaram do Tríduo e Festa em honra ao Santo Irmão Redentorista, de 16 e 19 de outubro, em Curvelo (MG). Este ano, o tema das celebrações foi “São Geraldo e a Família”, tendo o Fr. Marcos da Silva Santos, C.Ss.R. como pregador. A festa reuniu romeiros de várias cidades de Minas Gerais, mesmo com o sol quente e o calor intenso. A missa de encerramento, presidida pelo Padre Provincial Vicente Ferreira, C.Ss.R. foi transmitida pelas TVs Aparecida e Horizonte. O Provincial lembrou de todos os momentos marcantes vividos durante o Tríduo. “Geraldo vai colocando em nosso coração seu jeito de viver. Não só o povo de Curvelo, mas devotos de várias partes do Brasil, ainda mais com as facilidades dos meios de comunicação, que nos fortalecem, nos

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O desejo de despertar nas crianças o carinho por São Geraldo trouxe uma novidade para o Tríduo e Festa dedicada ao Santo, neste ano de 2014: o mascote Geraldinho. Depois das obras lançadas na Oitava – “As aventuras de Geraldinho” e “Brincando com Geraldinho”, o mascote foi pensado para aproximar ainda mais a história do Santo Irmão com as crianças. Geraldinho andou pelas ruas próximas à Basílica, convidou os pequenos para o momento reservado a eles durante a programação, tirou fotos e participou de algumas celebrações. SM Propaganda Juiz de Fora, MG

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Sob a coordenação dos Padres Alfredo Viana, C.Ss.R. e André Luiz Bastos, C.Ss.R., foi realizado o Encontro dos Confrades Jovens da Província do Rio entre os dias 20 e 23 de outubro, na Pousada Águas de Pinon, município de Alfredo Chaves (ES). Estiveram presentes os seguintes confrades: Padres Alfredo, Anderson, André, Edson, Flávio, José Wilker, Lúcio, Maikel e Ricardo;

e os Diáconos Bruno, Fagner e Paulo. Foram dias de boa convivência, descanso, lazer, partilha e oração.

Aconteceu na Província

Encontro de Confrades Jovens

“Clareiras” é lançado em Juiz de Fora O Padre Provincial, Vicente de Paula Ferreira, C.Ss.R., recebeu amigos, Missionários Leigos, confrades redentoristas e seminaristas na Biblioteca Redentorista, em Juiz de Fora (MG), para lançar seu livro “Clareiras: Pensamentos Cordiais”, na noite do dia 24 de outubro. A obra reúne reflexões sobre vivências do cotidiano, numa releitura redentorista, a partir de uma série de artigos e crônicas produzidos para o AKIKOLÁ, ao longo de quase 10 anos. A arte de escrever, segundo o Provincial, sempre foi um prazer, nunca uma obrigação, tornando-se um hábito indispensável em sua vida. Em seu livro, através de uma linguagem simples e profunda, o autor busca abrir caminhos para que o leitor recrie elementos e faça suas próprias interpretações. “Clareiras abrem clareiras. Não acaba com a última página”, declarou o sacerdote. O livro pode ser adquirido através do site da Província Redentorista do Rio: www.provinciadorio.org.br

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Akikolá - Novembro/2014  

Informativo da Província Redentorista RJ-MG-ES

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