Publicado originalmente por Reformation Heritage Books 3070 29th St. SE Grand Rapids, MI 49512 616-977-0889 www.heritagebooks.org
Todos os direitos em língua portuguesa reservados por PRO NOBIS EDITORA, Rua Professor Saldanha 110, Lagoa, Rio de Janeiro-RJ, 22.461-220
1ª edição: 2026
ISBN: 978-65-81489-88-5
Impresso no Brasil / Printed in Brazil
Proibida a reprodução por quaisquer meios, salvo citações breves, com indicação da fonte.
Direção executiva
Judiclay Silva Santos
Conselho editorial
Judiclay Santos
David Bledsoe
Paulo Valle
Gilson Santos
Leandro Peixoto
Helder Cardin
Wilson Porte Jr.
Coordenação editorial: Cesare Turazzi
Tradução: Mariana Ayres
Preparação de texto: Gabriel Lago
Revisão de provas: Thalles de Araujo
Design da capa: Luis de Paula
Designer assistente: Wirley Corrêa
Diagramação: Marcos Jundurian
Nesta obra, as citações bíblicas foram extraídas da Bíblia Almeida Revista e Atualizada (ARA), salvo informação em contrário.
As opiniões representadas nesta obra são de inteira responsabilidade do autor e não necessariamente representam as opiniões e os posicionamentos da Pro Nobis Editora ou de sua equipe editorial.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Ivill, Sarah
O Deus que ouve: como as histórias bíblicas modelam nossas orações / Sarah Ivill; tradução Mariana Ayres. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Pro Nobis Editora, 2026.
Título original: The God who hears.
ISBN 978-65-81489-88-5
1. Bíblia - História dos eventos bíblicos 2. Bíblia - Orações 3. Intercessão (Oração) - Cristianismo 4. Teologia cristã 5. Oração - Ensino bíblico I. Título. 26-340363.0
CDD-248.32
Índices para catálogo sistemático:
1. Intercessão pela oração : Prática religiosa: Cristianismo 248.32
Ao meu amado Salvador, meu Grande Sumo Sacerdote, que atravessou os céus, Jesus, o Filho de Deus, que é capaz de compadecer-se das minhas fraquezas e que em tudo foi tentado como eu sou, contudo, sem pecado, e me deu a dádiva de me aproximar confiante ao trono da graça, para que eu possa alcançar misericórdia e encontrar graça para me socorrer em tempos de necessidade.
(Baseado em Hebreus 4.14-16)
Sumário
Introdução a uma teologia bíblica da oração ......... 13
1. O Senhor que chama: Da criação à queda ...... 25
2. O Senhor digno de ser invocado: Da queda ao dilúvio ........................................ 37
3. O Deus fiel: Do dilúvio aos patriarcas ............ 51
4. O Deus que se lembra: Dos patriarcas a Moisés 71
5. O Senhor Deus que ouve: De Moisés a Davi e Salomão ................................................ 87
6. O Senhor que é confiável: De Salomão ao exílio 107
7. O Deus que perdoa: Do exílio ao retorno....... 125
8. O Senhor que ora: A inauguração do reino .... 143
9. O Senhor que está conosco mediante seu Espírito: A era entre os adventos .............. 163
10. O Senhor que logo voltará: A consumação do reino ................................... 187 Referências bibliográficas ........................................ 201
Nota da autora
Este livro é uma teologia bíblica da oração. Compreender a oração e a forma como ela acontece desde Gênesis até Apocalipse evidencia o fundamento e a motivação para a oração. Partimos da verdade de que Deus iniciou uma conversa conosco. Ele nos criou para nos relacionarmos com ele. Não precisamos nos perguntar se “alguém lá em cima” ouve nossas súplicas; podemos ter a certeza de que nosso Criador nos escuta, nos conhece e nos ama. Estudar as orações através da história que lemos nas Escrituras nos ensinará como orar, mas, principalmente, revelará o Deus da aliança a quem oramos. Seus ouvidos estão atentos, e ele ouvirá seus filhos e filhas. Ele se deleita em nossas orações e louvor. Em oração nos apresentamos diante do Senhor de toda a terra, o Criador de nosso corpo e alma, o Salvador do mundo. Minha oração para você neste estudo da história das Escrituras é simples. Desejo que você, caro leitor ou leitora, se deleite na oração — e não apenas na oração, mas também no Deus que nos convida a orar.
Agradecimentos
Apresentaram-me a teologia bíblica no Seminário Teológico de Westminster quando, muitos anos atrás, li os livros exigidos para o curso de mestrado em divindade. Autores como Geerhardus Vos, Herman Ridderbos, Edmund Clowney, Dennis Johnson, Iain Duguid e Greg Beale foram de um tremendo benefício para mim. Por isso, fiquei animada quando a Reformation Heritage Books, especialmente Jay Collier e David Woollin, se mostraram entusiasmados e apoiaram o projeto deste livro.
Também quero agradecer aos pastores da Christ Covenant Church (PCA) por proclamarem fielmente a Palavra de Deus a cada semana e por fazerem da oração uma parte central da adoração, assim como de tudo mais que fazemos. Sou grata também às mulheres do meu grupo de estudo bíblico que me concedem o privilégio de acompanhá-las em oração e oram fielmente por mim.
Obrigada ao meu pai e à minha mãe, David e Judy Gelaude, que oraram fielmente por mim ao longo dos anos. Amo vocês dois mais do que posso colocar em palavras, e me alegro em orar por vocês.
Obrigada ao meu marido, Charles, que ora comigo e por mim frequentemente, em especial por meus projetos de escrita, e me concede o privilégio de orar por ele. E obrigada aos nossos filhos, Caleb, Hannah, Daniel e Lydia: suas orações são preciosas ao vê-los crescer na fé que seu pai e eu temos em tão alta estima.
Finalmente, obrigada ao meu Pai celestial, ao meu Senhor e Salvador Jesus Cristo, e ao Espírito Santo por tornar a oração possível. Orar ao Pai por meio do Filho pelo Espírito Santo é uma das minhas maiores alegrias e privilégios. E é um dos meus maiores consolos o Espírito me ajudar em minha fraqueza, porque não sei orar como convém, mas o próprio Espírito intercede por mim segundo a vontade de Deus (cf. Rm 8.26-27).
Introdução a uma teologia bíblica da oração
Eu sempre amei histórias. Quando era mais nova, uma das minhas atividades favoritas era sentar e ler um bom livro. Agora que sou mãe, uma das minhas atividades favoritas é sentar com meus quatro filhos e ler. Muitas vezes fico tão absorta na história que estou lendo, que perco a noção do tempo. Preferiria não parar para almoçar, pois quero ver o que acontece na história ou como termina. Em muitos casos, os personagens se tornam nossos amigos enquanto somos arrebatados pela narrativa e nos imaginamos ali com eles.
Mas há uma história que é insuperável. Apaixonei-me por essa quando era menina, e pela graça de Deus nunca encontrei outra que ame mais — a história da Bíblia. Da Lei aos Profetas, os Salmos, os Evangelhos, as Epístolas, o Apocalipse, muitas vezes sou levada a lágrimas de convicção e consolo enquanto leio a história de Deus. A narrativa abrangente da Bíblia que fala da criação, queda, redenção e consumação se encaixa perfeitamente como um todo orgânico. Não deveríamos nos surpreender com sua coesão. O autor divino, o Espírito Santo, inspirou cada um dos autores humanos. Nenhum homem seria capaz de escrever
tal história. A narrativa da Bíblia deve ser tida em alta estima. Pense na “natureza celestial do assunto, na eficácia da doutrina, na majestade do estilo, no consenso de todas as partes, no objetivo do todo (que é dar toda a glória a Deus), na plena revelação do único caminho para a salvação da humanidade, nas muitas outras excelências incomparáveis e na inteira perfeição dela”. Contudo, ainda assim, só o Espírito Santo pode operar em nosso coração de modo a nos levar a uma “plena persuasão e certeza da verdade infalível e de sua autoridade divina”.1
Por não haver outro livro em nossas prateleiras que possa ser comparado com essa história, quero aguçar seu apetite para o estudo da Bíblia e, especialmente nesta obra, para o tema da oração na Bíblia. Quando você compreender a Bíblia como a história que ela é, você será transformado. Seus estudos serão diferentes, assim como a maneira que você vê a sua carreira, estado civil, ministério, criação de filhos ou cuidado com pais idosos. Você começará a ver sua história pessoal à luz do enredo maior da Bíblia, e começará a entender coisas que nunca entendeu antes. Então, que grandiosa história é essa com a qual nenhum outro livro conseguiu ser comparado?
A história é pactual
O principal autor das Escrituras é o Deus que faz e cumpre alianças, porém ele usou autores humanos inspirados por seu Espírito para escrever os 66 livros da Bíblia
1 The Westminster Confession of Faith and Catechisms (Lawrenceville, Geórgia: Christian Education and Publications, 2007), 1.5. Todas as citações subsequentes da Confissão de fé de Westminster (CFW) e dos Catecismos maior (CM) e breve (CB) são extraídas dessa edição.
ao longo de centenas de anos. Essa história fala da obra de redenção que começa com a criação (Gn 1–2) e a queda (Gn 3) e termina com a consumação do reino de Deus (Ap 21–22). O restante da Bíblia foca na redenção, por isso é fácil ver por que Cristo é o personagem central da história.
A estrutura pactual das Escrituras revela o pacto de redenção, o pacto de obras e o pacto da graça. O pacto de redenção é descrito em Efésios 1.4, onde se ensina que Deus Pai nos escolheu em Cristo “antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele”. O Pai designou nossa redenção, o Filho a realizou, e o Espírito Santo a aplica.
O pacto das obras, descrito em Gênesis 1–2, foi iniciado por Deus com Adão e envolvia guardar o sábado como um dia santo, dominar e multiplicar, casar e procriar, e um comando. O Senhor Deus disse a Adão que ele podia comer de qualquer árvore do jardim, exceto de uma, a árvore do conhecimento do bem e do mal. Se comesse daquela árvore, morreria. Tragicamente, Adão falhou em obedecer, e toda a humanidade caiu com ele neste primeiro pecado.
Mas a morte não terá a palavra final. O pacto da graça é estabelecido em Gênesis 3.15. Deus promete que porá inimizade entre a serpente e a mulher, entre a descendência da serpente e a descendência da mulher. A descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente, e a serpente lhe feriria o calcanhar. Esta é a primeira semente do evangelho. Em última análise, a descendência da mulher é Cristo. Ele derrotou o pecado e a morte na cruz, triunfando sobre todos os seus inimigos. O Catecismo maior de Westminster afirma: “A aliança da graça foi feita com Cristo como o segundo Adão, e nele com todos os eleitos como sua semente”. Essa aliança
da graça é progressivamente revelada através das Escrituras na aliança de Deus com Noé (Gn 6.17-22; 8.20-22; 9.1-17), Abraão (Gn 12.1-3; 15.1-21; 17.1-2), Moisés (Êx 19–24), Davi (2Sm 7) e na nova aliança (Jr 31.31-34), todas as quais se cumprem em Jesus Cristo (2Co 1.20).
A história da Bíblia é real
Não podemos ler passagens das Escrituras sobre oração sem uma compreensão de seu contexto histórico. Gênesis 1–2 nos apresenta o Criador e Rei pactual que criou Adão e Eva, pessoas históricas reais. A queda de Adão e Eva em pecado não é uma lenda, mas um incidente histórico verdadeiro que teve implicações radicais para toda a humanidade. Romanos 5.12 afirma: “Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. O assassinato de Abel por Caim foi um evento histórico real.
Da mesma forma, as histórias de Noé e a arca, da Torre de Babel e da dispersão das nações são fatos históricos.
De Gênesis a Apocalipse, lemos sobre histórias reais; contudo, é uma história seletiva. As narrativas da criação, da queda, do dilúvio e da aliança de Deus com Noé e os patriarcas são importantes e fundamentais para a compreensão do todo.
A aliança de Deus com Moisés, sua aliança com Davi e os dias de glória de Salomão nos dão um vislumbre do reino vindouro de Cristo. Os exílios de Israel nas mãos dos assírios, e de Judá nas mãos dos babilônios, revelam o quanto a humanidade é pecadora, e o quanto é desesperadora a nossa necessidade de um Salvador. O retorno à terra sob Esdras, Neemias e Zorobabel é um lampejo de esperança, porém ainda assim apenas uma sombra da glória vindoura em Cristo.
A história que se desenrola no Antigo Testamento diz respeito ao evangelho. Como Paulo afirma em Gálatas 3.8: “Tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos”. As Escrituras do Antigo Testamento pregam o evangelho! Como explica Iain Duguid:
Centralmente, o Antigo Testamento é um livro sobre Cristo, e, mais especificamente, sobre seus sofrimentos e as glórias que se seguirão — isto é, um livro sobre a promessa de um Messias vindouro através de cujos sofrimentos Deus estabelecerá seu reino glorioso e eterno. […] A ideia central de cada passagem nos leva, de alguma forma, à mensagem central do evangelho.2
Portanto, ao estudarmos passagens sobre oração na Bíblia, podemos ter certeza de que elas, de alguma forma, nos conduzirão às boas novas da vida, morte e ressurreição de Cristo.
A história que se desenrola no Antigo Testamento continua no Novo Testamento. Os Evangelhos começam com a inauguração do reino de Cristo. Então, o livro de Atos, as cartas de Paulo às igrejas e as Epístolas Gerais tratam do início da era entre os adventos. Finalmente, o apóstolo João descreve a consumação do reino no fim do livro de Apocalipse.
A história da Bíblia é redentora
Mal começamos a ler a Bíblia, e a impressionante história da criação toma um rumo trágico. Adão e Eva não
2 Iain M. Duguid, “Old Testament Hermeneutics”, em: Seeing Christ in All of Scripture: Hermeneutics at Westminster Theological Seminary, ed. Peter A. Lillback (Filadélfia, Pensilvânia: Westminster Seminary Press, 2016), p. 17, 19.
obedeceram ao Senhor Deus e são forçados a deixar o jardim do Éden, o lugar onde desfrutavam de sua presença. O Senhor toma a iniciativa de redimir a humanidade caída, mas a transformação não foi imediata. A história da Bíblia tem milhares de anos de duração e está repleta de raiva e arrogância, mentira e luxúria, malícia e assassinato, pecado e vergonha. A trama dá muitas voltas surpreendentes e tem diversas reviravoltas alarmantes. Em muitas ocasiões, as promessas de Deus parecem frustradas, e frequentemente seus planos parecem estar por um fio. Porém, apesar de tudo, um raio de esperança redentora cintila na escuridão. Tendo em vista que a história tem essa característica, o Redentor é a chave que une o Antigo e o Novo Testamento. As promessas de Deus, as profecias em nome do Senhor, os sacrifícios oferecidos nos altares, a circuncisão de todo homem judeu, a Páscoa e outras festas de Israel apontavam para o Cristo vindouro. Estas coisas eram suficientes e eficazes para o Espírito de Deus instruir e edificar os eleitos no Messias prometido, pelo qual tinham perdão de pecados e o dom da vida eterna (CFW 7.5).
No Novo Testamento, o evangelho irrompe em toda a sua glória. Embora não seja como a glória do templo de Salomão, que podia ser vista exteriormente, possui uma glória muito superior. O verdadeiro templo chegou, irradiando “glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Os sacrifícios do Antigo Testamento não eram mais necessários. Cristo, o sacrifício final, havia cumprido seus propósitos. A pregação da Palavra de Deus e os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor proclamam o evangelho a todas as nações de modo muito superior (CFW 7.6).
A história da Bíblia é cristocêntrica
O próprio Jesus nos diz que ele é o personagem central das Escrituras. Em Lucas 24, aprendemos sobre dois discípulos que tentavam juntar as peças da história de Jesus. Eles estavam em Jerusalém e testemunharam os eventos do fim da vida de Cristo. No caminho de volta para casa em Emaús, estavam profundamente angustiados. Sua esperança havia sido frustrada. Pensavam que Jesus era aquele que redimiria Israel, mas, em vez disso, ele foi crucificado e sepultado. De fato, o túmulo estava vazio, mas Jesus não fora visto em lugar nenhum.
Jesus lhes diz:
Ó néscios e tardos de coração para crer em tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?
E, começando por Moisés e todos os Profetas, expôs-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. (Lc 24.25-27)
Não foi privilégio apenas destes dois discípulos de Emaús ouvir Jesus contar sua história, mas também dos discípulos que estiveram com ele durante seu ministério terreno. Lucas nos relata mais tarde, no mesmo capítulo, que Jesus lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras, tudo o que estava escrito na Lei de Moisés a seu respeito, nos Profetas e nos Salmos. Era necessário que se cumprissem estas coisas, e Jesus lhes declarava que ele era o cumprimento (Lc 24.44-47).
Jesus é o segundo Adão, o qual não pecou, mas foi obediente até a morte, e morte de cruz. Ele é a Semente da mulher, tendo esmagado a cabeça da serpente (Gn 3.15).
Ele é o último Noé, tendo salvo seu povo por meio da cruz (Ef 2.16). Ele é o Abraão final, em quem todas as famílias da terra são abençoadas (At 2.38-39; 3.25-26; Gl 3.13-14, 29).
Ele é o último Isaque, sacrificado por nosso pecado. Ele é o Cordeiro Pascal final (Êx 12.13). É o sacrifício final, cujo sangue expiou nossos pecados (Lv 16.14-16). É o último e perfeito sacerdote, maior do que Arão (Hb 9.11-12). É o verdadeiro Israel, provado e tentado no deserto, e em tudo obedeceu a Deus (Mt 4.1-11). É aquele que foi levantado para livrar os pecadores da morte (Nm 21.9). É o Profeta maior do que Moisés (Dt 18.15-22). É aquele que dá graça aos que quebram a aliança (Dt 27.1-26). Ele é a arca da aliança e o sangue no propiciatório (Hb 9.1-14). Ele é o verdadeiro pão da vida e a luz do mundo (Jo 6.48, 51; 8.12). É o Comandante do exército do Senhor (Js 5.14). É o último Juiz, o qual nunca caiu em pecado, mas livrou seu povo tomando sobre si o julgamento deles (2Co 5.21). É o redentor e resgatador final, maior do que Boaz (Rt 3.12-13). Ele é o último salmista, que conduz seu povo em louvor a Deus (Hb 2.12). Nele o reino davídico culmina, e reina em perfeita justiça e retidão (Jo 18.37). Ele é o Salomão final, que não apenas é cheio de sabedoria, mas é a própria Sabedoria (1Co 1.30). É o último Profeta, que sofreu por seu povo e o fez sem abrir a boca em retaliação (Is 53). E ele é o Grande Pastor das ovelhas (Ez 34.11-24).
Por que uma teologia bíblica da oração?
Durante meus anos ensinando a Bíblia para mulheres, apresentei várias vezes a linha do tempo das Escrituras. Coloco diante das minhas alunas a grande narrativa das Escrituras — criação, queda, redenção e consumação. Entre
esses grandes eventos, ensino sobre acontecimentos menores que ocorrem ao longo da história da redenção. Meu objetivo é que as mulheres se aprofundem na Bíblia, lendo-a cronologicamente e estudando os textos à luz de seu contexto original, bem como à luz do contexto histórico-redentivo. Se elas estão estudando o Novo Testamento, peço que voltem ao Antigo Testamento, e, se estão estudando o Antigo, peço que olhem para o Novo. Quero que vejam como os textos das Escrituras se relacionam, como se mantêm unidos enquanto uma obra coesa, e como Cristo é a chave interpretativa. Meu objetivo não é diferente neste livro. Dediquei nosso estudo a um tema — a oração — e o traço ao longo da história redentiva, a fim de mostrar sua revelação progressiva através das Escrituras e como ela está organicamente relacionada à história toda, com Cristo no centro.
O estudo da teologia bíblica está simplesmente interessado na história de como se deu a redenção.3 A Bíblia se divide em diferentes períodos da redenção, tais como criação, queda, dilúvio, chamado de Abrão, êxodo do Egito e vinda de Cristo. Ela foca na história e coesão das Escrituras com Cristo no centro de tudo isso.
Ao pensarmos sobre a importância da teologia bíblica da oração, devemos nos lembrar de várias coisas importantes.4
3 Geerhardus Vos, Biblical Theology: Old and New Testaments (1975; reimpressão, Edimburgo: Banner of Truth, 2007), p. 14. [Edição em português: Teologia bíblica: Antigo e Novo Testamentos (São Paulo: Cultura Cristã, 2021).]
4 Para uma boa definição de teologia bíblica, aquela que embasou meus cinco pontos, veja B. S. Rosner, “Biblical Theology”, em: New Dictionary of Biblical Theology, ed. T. Desmond Alexander, Brian S. Rosner, D. A. Carson e Graeme Goldsworthy (Downers Grove, Illinois: IVP Academic, 2000), p. 10.
Primeiro, nosso estudo é na igreja e para a igreja. Quando estudamos com outros cristãos, somos todos edificados e encorajados. A teologia bíblica da oração não é um fim em si mesma. Seu objetivo é glorificar a Deus e desfrutá-lo à medida que o conhecemos melhor por meio de sua Palavra. Quanto mais o conhecemos, mais o amamos, e estendemos este amor ao nosso próximo pelo poder de seu Espírito agindo em nós.
Segundo, aprendemos a ler a Bíblia cronologicamente. Há uma linha narrativa nas Escrituras intercalada com comentários sobre ela. Se você quiser ler a linha narrativa do Antigo Testamento, percorrerá de Gênesis a Juízes, de Samuel a Reis, Daniel, Ester, de Esdras a Neemias e, então, Crônicas. Se quiser seguir o comentário sobre essa narrativa, depois de ler Reis e antes de começar Daniel, você lerá Jeremias, Ezequiel, Isaías, os Profetas Menores, Rute, Salmos, Jó, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos e Lamentações.5 Se quiser ler a linha narrativa do Novo Testamento, deverá seguir pelos Evangelhos, Atos e Apocalipse. Se quiser conhecer o comentário sobre essa narrativa, depois de ler Atos e antes de ler Apocalipse, deverá percorrer as Epístolas de Paulo, bem como as Epístolas Gerais.
Em terceiro lugar, ao nos envolvermos com a teologia bíblica da oração, nos tornamos sensíveis aos gêneros literários da Escritura e à intenção do autor bíblico. Deixamos de interpretar erroneamente os textos fora de contexto e, em vez disso, buscamos entender o que o autor queria que aprendêssemos. Isso significa que lemos poesia como poesia,
5 Stephen G. Dempster, Dominion and Dynasty: A Theology of the Hebrew Bible, New Studies in Biblical Theology (Downers Grove, Illinois: IVP Academic, 2003), p. 51.
e livros de sabedoria como livros de sabedoria. Não lemos literatura apocalíptica, como Daniel 7–10 e Apocalipse, como se estivéssemos lendo a narrativa de Números.
Quarto, a história abrangente é incutida em nossa mente quando estudamos o tema da oração nas Escrituras. Isso nos ajuda a ter uma cosmovisão bíblica com a qual interpretamos todos os eventos de nossa vida. Este é o mundo de nosso Pai, que ele criou. Por um lado, podemos afirmar a bondade da criação. Por outro, o mal, o sofrimento e o pecado são o resultado da queda. Não obstante, há esperança em meio a este mundo caído; o Redentor, Jesus Cristo, veio para inaugurar seu reino e virá outra vez para consumá-lo.
Por fim, nosso estudo de teologia bíblica exalta Jesus Cristo. É cristocêntrico, o que significa que Jesus é o herói da história. “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio” (2Co 1.20). * * * * *
Você gosta de uma boa história? Não precisa procurar além das Escrituras. Não demore a se aprofundar no estudo do tema da oração. À medida que traçamos este tema ao longo da história redentiva, a fim de mostrar sua revelação progressiva através das Escrituras e como ele está organicamente relacionado à história toda, com Cristo no centro, pela graça de Deus, a majestade de sua Palavra agirá e purificará você. O consenso de todas as partes te consolará, o objetivo do todo te fortalecerá, e tal luz e poder convencerão você de seu pecado e de sua necessidade de um Salvador (CM 4).
O Senhor que chama: Da criação à queda
Uma das minhas lembranças mais queridas de quando eu namorava meu marido é como iniciamos nosso relacionamento. Ele foi muito intencional em suas palavras e comunicou seus objetivos com clareza. Eu não precisei ficar imaginando se ele gostava de mim ou se queria namorar comigo — ou mesmo se queria se casar comigo. Ele me disse. Ele me ligou e me convidou para sair. Falou sobre seu medo de estragar nossa amizade tentando descobrir se o casamento era certo para nós. Quando chegou o momento certo, ele pronunciou aquelas palavras que eu ansiava ouvir: “Quer casar comigo?”. E, no dia do nosso casamento, ele me afirmou palavras de compromisso. Em nossos relacionamentos, gostamos que outras pessoas tomem a iniciativa de demonstrar afeto ou apreço por nós. Ainda me lembro do e-mail de uma autora e editora de série que havia analisado um dos meus livros de estudo bíblico e achou que eu era a pessoa certa para escrever um dos livros da série dela. Aquele e-mail significou muito para mim. Ela havia iniciado uma relação profissional comigo depois de analisar meu trabalho e me convidou para ser parceira dela na comunicação do evangelho de Jesus Cristo.
É provável que você tenha suas próprias histórias de pessoas que iniciaram relacionamentos com você. Espero que o primeiro relacionamento que venha à sua mente seja aquele que o Senhor Deus iniciou com você quando te chamou para ser seu filho ou filha. Você se lembra da sua primeira oração? Talvez tenha sido um simples: “Socorro, sei que sou pecador e preciso de graça. Quero que seja Senhor e Salvador da minha vida”. Qualquer que tenha sido o conteúdo de sua oração, você falou com Deus! Você não teria feito isso por conta própria. Ele precisou lhe dar a graça para invocar o nome do Senhor. Em outras palavras, ele te chamou para que você pudesse invocá-lo.
Li um livro para meus filhos intitulado That’s When I Talk with God [É quando falo com Deus]. Amo a simplicidade apresentada na obra. Ensina aos meus filhos que eles podem falar com Deus o dia todo sobre qualquer coisa. As Escrituras nos ensinam que a razão pela qual podemos falar com Deus o dia todo e sobre qualquer coisa é porque ele falou conosco primeiro. Ele foi até nós para que possamos orar. Isso não é lindo? Se você está buscando uma razão para orar, não precisa mais procurar. O Criador chamou sua criação. Ele deseja ter um relacionamento conosco.
O começo da história
Nas Escrituras, a maior de todas as histórias, provavelmente não há palavras mais familiares para nós do que estas: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). No primeiro capítulo de Gênesis, bem como no início do capítulo 2, está o relato glorioso de Deus criando os céus e a terra. É um pouco como uma visão geral de um evento muito importante — um esboço, por assim dizer. Mas uma
parte do esboço é tão importante que, no capítulo 2, Deus nos dá mais detalhes. Bem quando pensamos que a cortina do palco está se fechando no relato da criação, lemos de novo sobre a criação do homem e da mulher (v. 7-25).
Já aprendemos em Gênesis 1 que as três pessoas da Divindade “criaram o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criaram” (cf. Gn 1.27). Também aprendemos que “homem e mulher os criou”, e ele os abençoou e comissionou (v. 27-28). Entretanto, no capítulo 2, lemos mais detalhes sobre a criação da humanidade por Deus: “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida” (2.7). Então, Deus o colocou em um lugar que ele havia planejado. Este jardim no Éden estava repleto de árvores que o Senhor Deus fez brotar do solo.
Eram agradáveis à vista e produziam alimentos deliciosos. Duas árvores ficavam no meio: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Quando Adão caminhava pelo jardim, ele não via apenas paisagens aprazíveis, mas também ouvia sons agradáveis. Havia um sistema de irrigação natural, um rio que fluía do Éden e se dividia em quatro rios.
Neste lugar, Deus designou Adão para cultivar o jardim e guardá-lo. Tal trabalho deixaria qualquer homem com fome, e o Senhor providenciou-lhe bons alimentos. O homem podia comer de toda árvore do jardim, exceto de uma: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). Isso era mais que suficiente, uma abundância de comida. Ninguém jamais passaria fome com um suprimento tão constante de alimento. Nunca haveria razão para comer da árvore proibida, pois o homem tinha frutas suculentas
em abundância para escolher. Além disso, comer o fruto da árvore proibida seria mortal.
Um relacionamento voluntário
O Senhor foi bondoso ao vir a Adão no jardim e falar com ele. Ele não é um Criador que deixou sua criatura sozinha para se virar. Em vez disso, iniciou voluntariamente um relacionamento com a humanidade por meio de uma aliança. Deus queria falar com sua criação. Ainda mais espantoso é o fato de que ele desejava que sua criação falasse com ele. A primeira aliança que Deus fez com Adão foi a aliança das obras. Ele deu a Adão um mandamento de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Se Adão obedecesse, receberia vida; porém, se desobedecesse, morreria. Adão estava em uma posição especial como cabeça da raça humana. Sua escolha afetou toda a humanidade. Parece fácil, não é? Adão estava em um lugar agradável com comida apetitosa e sons serenos. Seu trabalho era maravilhoso e sua comunhão com o Criador, perfeita.
Mas algo não estava bom. O Senhor não se agradou de Adão estar só. E, depois que Deus lhe deu a tarefa de nomear todos os animais, o próprio homem provavelmente percebeu que não gostava de estar só. Nenhum animal a quem deu nome era como ele. Nenhum deles andava ou falava como ele. Porém, quando Deus o fez cair em sono profundo, criou Eva a partir de sua costela e a trouxe a Adão, o homem soube que ela era como ele. “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne” (Gn 2.23), declarou ele, como se estivesse procurando ansiosamente por uma companheira e, enquanto ele dava nome a cada um dos animais, ficava cada vez mais ciente de que nenhuma seria encontrada.
Mas Deus deu Eva a Adão no momento certo. E os dois se tornaram o casal mais feliz que já andou sobre esta terra. Sua comunhão com seu Criador e um com o outro era perfeitamente abençoada. O Senhor Deus falava com eles, e eles falavam com ele no jardim glorioso.
Uma ruptura no relacionamento
Um dia, no entanto, algo terrível aconteceu. Alguém diferente de Deus começou a falar com Adão e Eva. Satanás, que havia se rebelado contra Deus e se tornado seu arqui-inimigo, elaborou palavras enganosas para falar com Eva. Ele questionou a confiabilidade e a bondade de Deus a fim de levá-la (e a Adão, que estava com ela) a questionar a confiabilidade e a bondade do Senhor. “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” (Gn 3.1). Satanás os tentou, com palavras, a participar daquilo que lhes era proibido: “Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal” (v. 4-5). E, em vez de se voltarem e falarem com Deus, eles se voltaram e falaram com a serpente. Essa decisão lhes custou caro. Adão e Eva caíram em pecado e, assim, toda a humanidade com eles.
Seus olhos foram os primeiros a experimentar os efeitos do pecado: “Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si” (Gn 3.7). Mas então seus ouvidos experimentaram os efeitos — e quão terrível deve ter sido! O som do Senhor Deus passeando no jardim ao frescor do dia, sinalizando para que viessem passear e falar com ele — um som que eles costumavam amar e aguardar com expectativa
O Senhor que chama: Da criação à queda
—, era agora apavorante. Em vez de quererem ouvir sua voz, eles se esconderam porque haviam escutado a voz de Satanás. “Ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim […], esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim” (v. 8).
O tribunal no jardim
Certamente o Senhor Deus poderia ter matado Adão e Eva ali mesmo, sem nunca lhes ter falado outra palavra. Ele com certeza teria sido justo ao fazê-lo. Contudo, em vez disso, o Senhor chamou Adão e Eva. Eles jamais o teriam chamado. Estavam espiritualmente mortos em seu pecado. Esconderam-se da presença do Senhor. Se o Criador quisesse voltar a falar com sua criação, ele teria de tomar a iniciativa. E, surpreendentemente, ele o fez.
Quando o Senhor Deus falou com eles, não foi o som de um pai chamando seus filhos para subirem em seu colo a fim de ouvir uma história. Foi o som de um pai que chama seus filhos para dentro de casa querendo descobrir quem quebrou seus pertences ou por que desobedeceram às suas ordens. Era a cena de um tribunal. A pergunta do Senhor Deus “Onde estás?” (Gn 3.9) não era um convite para desfrutar de uma agradável caminhada e conversa com ele, mas uma exortação para comparecerem perante o Juiz, dizerem a verdade e se declararem culpados.
O Senhor Deus dirigiu-se primeiro a Adão, aquele com quem havia feito o pacto de obras. Adão era o cabeça de sua esposa, bem como de toda a raça humana. Em uma série de perguntas, o Senhor Deus conduziu Adão e Eva à confissão de pecado: “Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? […] Que é isto
que fizeste?” (Gn 3.11, 13). Não foi uma confissão exemplar, com certeza. Adão culpou Eva: “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (v. 12). E Eva culpou a serpente: “A serpente me enganou, e eu comi” (v. 13). Não obstante, ainda assim, eles admitiram que haviam desobedecido a Deus. Nisso vemos a graça agindo no coração dos dois primeiros pecadores. Pecadores não confessam seu pecado naturalmente. Eles se escondem. Porém, quando o Senhor Deus chama seu povo, ele lhes dá graça para verem seu pecado, odiá-lo e abandoná-lo. Você, caro leitor ou leitora, já compareceu perante o Senhor Deus e confessou seu pecado? Você se declarou culpado? Você lhe pediu que seja seu Senhor e Salvador? Não precisa se esconder por causa do seu pecado. O lugar mais seguro para ir quando pecamos é ao Salvador. Ele intercede em nosso favor para que não sejamos mais culpados. Você tem entes queridos, vizinhos ou amigos atolados no pecado?
Por que não parar agora mesmo e fazer de 2Timóteo 2.25-26 uma oração? Pai, por favor, “conceda-lhes o arrependimento, para que conheçam plenamente a verdade e retornem à sensatez, livrando-se do laço do diabo”, o qual os tem feito “cativos […] para cumprirem a sua vontade”.
Boas novas no jardim
Como deve ter sido terrível para Adão e Eva ouvir Deus proferir a palavra “maldita” à serpente (Gn 3.14) e depois ouvir as consequências que cada um enfrentaria por seu pecado (v. 16-19)! E, no entanto, quanta esperança deve ter enchido o coração deles quando o ouviram dizer à serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência
e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (v. 15).
Esta é a primeira declaração do evangelho na Bíblia. O pacto de obras não foi a aliança final e decisiva. Como afirma o Catecismo maior de Westminster: “A aliança da graça foi feita com Cristo como o segundo Adão, e nele com todos os eleitos como sua semente”. Gênesis 3.15 é um exemplo de uma das promessas pelas quais a aliança da graça era administrada sob o Antigo Testamento (CM 34). Ela também era administrada por profecias, sacrifícios, circuncisão, Páscoa e outros tipos e ordenanças, todos os quais prefiguravam a Cristo e foram suficientes naquela época para edificar os eleitos na fé no Messias prometido, pelo qual tinham perdão de pecados e vida eterna. Uma vez que Cristo veio, este mesmo pacto da graça foi e continua a ser administrado através da pregação da Palavra de Deus e da administração dos sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor (CM 35).
A palavra final
Deus sempre tem a palavra final. Eva não deveria ter escutado a serpente, e Adão não deveria ter escutado Eva. Eles deveriam ter escutado a Deus. Quando tinha todo o direito de nunca mais falar com eles, o Senhor, em vez disso, proferiu uma palavra de graça. Ele asseguraria que ainda haveria comunhão entre o Criador e suas criaturas. Ele garantiria que seu povo ainda pudesse falar com ele. Sim, precisou expulsá-los do jardim. Sim, seria um caminho de desconforto, desunião, dificuldade e morte. Mas Deus ainda falaria com seu povo. A Semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Aquele que não tem pecado se compadeceria dos pecadores e os salvaria. Aquele que sofreu
estenderia misericórdia e graça em tempos de necessidade (Hb 4.14-16). O Senhor Deus não pararia de buscar seu povo. E seu povo começaria a aprender o que significa invocar o nome do Senhor.
Quando foi a última vez que alguém se empenhou em um relacionamento porque valorizava você? Não importa o quanto isso tenha feito você se sentir bem, empalidece em comparação com o significado do Criador buscando, iniciando voluntariamente um relacionamento, desejando ardentemente falar com você. Ele não nos deixa em dúvida se gosta de nós ou não. Sabemos que ele nos ama. Ele iniciou um relacionamento com seu povo e o garante com o sangue de seu próprio Filho, Jesus Cristo. Você não responderá falando com ele? Diga-lhe que você está maravilhado diante de seu caráter. Fale com ele sobre a palavra indelicada que você disse ao seu cônjuge, a prova em que você colou, o olhar feio que você lançou ao seu filho, a inveja que encheu seu coração, a raiva que surgiu dentro de você, o olhar lascivo que você lançou à tela ou à pessoa que mora logo ali, ou a adoração que você deu a um objeto em vez de render a ele. Agradeça ao Senhor pelas pessoas que ele colocou em sua vida, pelos lugares que ele designou para você servir, e pelos bens que ele lhe deu. Fale com ele sobre a necessidade que você, seus entes queridos, amigos e vizinhos têm, pedindo-lhe que salve o filho pródigo, cure o corpo doente, restaure um casamento decadente, livre um amigo do vício em álcool, e capacite um missionário para proclamar o evangelho com clareza a um grupo de pessoas diferente. Não se esconda em seu pecado e vergonha. Não pense que ele não enxerga você.
Ele te chama pelo nome. Corra para ele e fale com ele. Ele é o Senhor que chama e se importa.
Hora de refletir e orar
1. Descreva uma ocasião em que alguém tomou a iniciativa em um relacionamento a fim de demonstrar o afeto ou apreço que tinha por você. Como isso te fez sentir? Como você se sente pelo fato de o Senhor iniciar um relacionamento com você no qual pode orar a ele?
2. Como você ensina seus filhos ou as crianças em sua igreja a orar? O que você diria se alguém lhe perguntasse: “Por que devo orar?”.
3. O que você aprendeu sobre o início da história das Escrituras que foi novo para você ou que te lembrou de algo que havia esquecido?
4. Deus inicia voluntariamente um relacionamento com seu povo. Como isso motiva você a orar? Como você pode incorporar a oração em sua vida diária? Como você pode reservar um tempo regular para orar com seu cônjuge, filhos ou um amigo?
5. De que forma o pecado causou uma ruptura no relacionamento entre Deus e a humanidade? O que Deus fez para reparar essa ruptura?
6. Por que as boas novas que vieram no jardim (Gn 3.15) consolam você? Como você poderia usar este versículo para compartilhar o evangelho com um amigo?
7. Como o fato de que Deus está presente em seu desconforto, desunião ou dificuldade e que ele está pronto para que você fale com ele te afeta?
8. Visto que Deus fala com seu povo por meio de sua Palavra, a Bíblia, por que é importante basear suas orações nas Escrituras?
9. À luz do que você aprendeu neste capítulo, escreva uma oração a Deus.
10. Procure memorizar 2Timóteo 2.25-26 para usá-lo com frequência em oração.
A Pro Nobis Editora nasceu da visão de servir à igreja brasileira mediante a literatura cristã de qualidade.
O ministério da Pro Nobis tem por alvo especial ajudar os batistas brasileiros na missão de edificar a igreja e anunciar o Evangelho ao mundo. Para tanto, o conhecimento de suas raízes históricas e herança teológica é fundamental. Existem excelentes editoras evangélicas no Brasil, com as quais juntamos forças nesse trabalho de servir ao povo de Deus.
Mas por que Pro Nobis? Trata-se de uma expressão em latim que significa POR NÓS. Na tradição cristã, essa expressão se relaciona com a obra de Jesus Cristo em nosso favor. A cruz é o símbolo maior e mais sublime da fé cristã, o coração do Evangelho. O Deus Trino fez uma aliança de redenção em favor de seu povo eleito, salvo pelo sangue do Cordeiro. Nosso alvo é edificar a igreja para que ela prossiga na missão de proclamar “o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.8).
Acesse o site e acompanhe nosso ministério: www.pronobiseditora.com.br