ano nove | nº 51 | março / abril 2016 R$ 10,00
AÇÃO | CIDADANIA | AMBIENTE
MARIANA, MEMÓRIAS DA TRAGÉDIA ARTIGOS INÉDITOS ILHAS VANUATU E MÉXICO
FOTO DE LUCIANA TANCREDO – MORRO DO PAI INÁCIO – CHAPADA DIAMANTINA (BA)
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A INCRÍVEL CHAPADA DIAMANTINA
28 e 29 de junho de 2016 Local de realização: Fecomercio – São Paulo/SP REALIZAÇÃO:
PATROCINADOR DIAMANTE:
Estão abertas as inscrições para o maior evento da área de RI e Mercado de Capitais da América Latina. As vagas são limitadas, faça já sua inscrição. O maior encontro do mercado de capitais brasileiro e da América Latina, em Relações com Investidores, já tem data marcada: dias 28 e 29 de junho de 2016. Uma vez mais a capital de São Paulo sediará o Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, promovido conjuntamente entre a ABRASCA – Associação Brasileira das Companhias Abertas e o IBRI – Instituto Brasileiro de Relações com Investidores. O 18º Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais é parte do calendário de eventos das principais companhias abertas, agentes reguladores, dirigentes de entidades, analistas e profissionais de investimentos, bem como advogados, auditores e especialistas em relações com investidores de todo o Continente. Como acontece todos os anos, representantes de companhias abertas, bolsas de valores, consultorias e instituições financieras deverão passar pelo evento, que reúne público superior a 700 pessoas em seus dois dias de realização. Paralelamente aos painéis da programação oficial, haverá uma exposição de serviços composta de estandes onde as empresas e instituições expõem seus produtos e serviços para um público customizado, tornando-se também um oportuno ponto de encontro de todo o mercado. Mais informações: Oportunidades de Patrocínio – 11 3104.1794 sarita@sbeventos.com.br com Sarita Bucher (11) 3107.5557 - (11) 3106.1836 www.encontroderi.com.br
PATROCINADORES OURO:
C
PATROCINADORES PRATA:
PARCEIROS DE MÍDIA:
Organização
APOIO INSTITUCIONAL:
ABRAPP, ABVCAP, ANBIMA, ANEFAC, APIMEC NACIONAL, APIMEC SÃO PAULO, CODIM, FACPC, IBEF, IBGC, IBMEC, IBRACON, IBRADEMP
E ditorial FOTOS DE MARCUS MARTINS
Atingidos pela tragédia Cleinice Rezende e a família Weley Patrick, Priscila e Arthur Monteiro, desabrigados do distrito de Bento Rodrigues, receberam a Edição 50 de Plurale que trouxe na capa matéria especial sobre a tragédia que mudou suas histórias.
Voltando ao local da tragédia Por Sônia Araripe, Editora de Plurale
Desde o fatídico dia 5 de novembro de 2015, quando duas barragens da Samarco – controlada pelas gigantes da mineração Vale e BHP Biliton – se romperam, levando um rastro de mortes e destruição, Plurale tem acompanhado de perto a tragédia, que se transformou no maior crime ambiental do país. Nossa equipe e também os Colunistas Plurale têm monitorado e acompanhado os desdobramentos do que aconteceu em Mariana e teve reflexos em toda a Bacia do Rio Doce, chegando à sua foz, em Regência, no Espírito Santo e na biodiversidade marinha. A assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no começo de março, não encerra esta pauta. Pelo contrário. Apenas inicia a costura de um
acordo que está apenas começando e terá muitos, diversos desdobramentos. Sobram dúvidas e perguntas. Como viverão os desabrigados? Onde vão reerguer suas casas? O que será da biodiversidade local? Qual tem sido o verdadeiro compromisso das empresas responsáveis? Não deixaremos que o tema saia de nossas manchetes. O repórter Hélio Rocha esteve em Mariana com o fotógrafo Marcus Martins e conta o drama dos desabrigados, cinco meses após o rompimento das barragens. O Colunista Luiz Fernando Bello também aborda a tragédia em artigo e a também Colunista Rafaela Brito trata da relevância do debate sobre os licenciamentos ambientais. Rodamos outras regiões também. Nossa editora de Fotografia, Luciana Tancredo, esteve na Chapada Diamantina e nos exibe a exu-
berância da região em fotos e relato incríveis. A repórter especial Nícia Ribas foi ao México e visitou o Museu de Trotsky e Marcelo Senna também colaborou com esta edição apresentando as aves e peixes do Araguaia. O casal aventureiro, Giuliana Preziosi e Maurício Chichitosi (Do Portal Histórias pelo Mundo) esteve nas Ilhas Vanuatu e conta esta experiência inesquecível. Não é só. Danilo Vivan relata as aventuras de fazer turismo de bike e como o cicloturismo tem crescido de adeptos. O escritor e jornalista Benício Medeiros resenha o novo livro da colega no ofício Maria Helena Malta. Também Isabel Capaverde mostra novidades na sua coluna Cinema Verde e a quase xará Isabella Araripe assina a coluna Ecoturismo. Tudo isso e muito mais. Boa leitura! 3
LUCIANA TANCREDO
Contexto
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A gigantesca Chapada Diamantina Por Luciana Tancredo MAURÍCIO CHICHITOSI
ARTIGOS INÉDITOS:
por Luiz Fernando Bello, Rafaela Brito e Renato Manzano
56.
Ilhas Vanuatu, o paraíso,
Bazar ético
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Por Giuliana Preziosi e Maurício Chichitosi
20.
Mariana, memórias da tragédia, Por Hélio Rocha
Prêmio Inovação em Seguros México de Trotsky, por Nícia Ribas
52 Coluna Cinema Verde, por Isabel Capaverde
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PLURALE EM REVISTA | Março / Abril 2016
MARCUS MARTINS
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Plurale em site: www.plurale.com.br Plurale em site no twitter e no facebook: http://twitter.com/pluraleemsite https://www.facebook.com/plurale Comercial comercial@plurale.com.br Arte Amaro Prado e Amaro Junior Fotografia Luciana Tancredo e Eny Miranda (Cia da Foto); Agência Brasil e Divulgação Colaboradores nacionais Ana Cecília Vidaurre, Isabel Capaverde, Isabella Araripe, Lília Gianotti, Nícia Ribas e Paulo Lima. Colaboradores internacionais Aline Gatto Boueri (Buenos Aires), Vivian Simonato (Dublin), Wilberto Lima Jr.(Boston) Colaboraram nesta edição Benício Medeiros, Danilo Vivan, Giuliana Preziosi e Maurício Chichitosi (Histórias pelo Mundo), Guilherme Cavallari, Hélio Rocha e Marcus Martins, João Victor Santos (IHU), Luiz Fernando Bello, Marcelo Senna, Rafaela Brito e Renato Manzano. Os artigos são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião da revista.
Impressa com tinta à base de soja Plurale é a uma publicação da SA Comunicação Ltda CNPJ 04980792/0001-69 Impressão: WalPrint
Plurale em Revista foi impressa em papel certificado, proveniente de reflorestamentos certificados pelo FSC de acordo com rigorosos padrões sociais e ambientais. Rio de Janeiro | Rua Etelvino dos Santos 216/202 CEP 21940-500 | Tel.: 0xx21-3904 0932 Os artigos só poderão ser reproduzidos com autorização dos editores © Copyright Plurale em Revista
c a r t a s @ p l u r a l e . c o m . b r
“Cara Sônia, “Sônia: viva, amiga querida! Eu sei que não é fácil; É sempre uma grata satisfação receber esta publicação que há parabéns, para você e todos oito anos abre espaço para o os que fazem essa bela diálogo entre empresas, revista! A matéria dos oito anos especialistas e a sociedade, com é antológica, histórica; fiquei o objetivo de promover os bons orgulhoso de me ver lá. A exemplos de preservação do matéria do lamaçal da Samarco LIÇÕES DA meio ambiente. Parabéns a TRAGÉDIA DE é chocante, mas é didática, todos os profissionais MARIANA reveladora, é obrigatória. Muito envolvidos e votos de uma vida boa. O show da Luciana longa e sustentável à Plurale em revista.” Tancredo não podia faltar; rememora pontos Miguel Krigsner – Fundador do altos da presença dela na Plurale sempre Grupo Boticário e da Fundação elogiável. E a matéria da AMAR está ótima, diz Grupo Boticário de Preservação da tudo; obrigado, por mim, pela Irmã Adma e seus Natureza, Curitiba (PR), por e-mail liderados. Parabéns outra vez. Quero continuar acompanhando, agora até os dez anos! “Em nome da Associação dos Analistas e Roberto Saturnino Braga, escritor, exProfissionais de Investimento do Mercado senador constituinte, Rio de Janeiro de Capitais (Apimec SP), parabenizo toda (RJ), por e-mail a equipe de Plurale por seus oitos anos de atividades e, acima de tudo, pela “Um absurdo tudo que aconteceu após o seriedade e qualidade do serviço desastre ambiental provocado pelo prestado à sociedade, ao tratar de temas rompimento das barragens da Samarco e a tão relevantes quanto sustentabilidade e novela que estamos assistindo. Parabéns a meio ambiente. Que venham muitos Plurale, que deu destaque de capa para o outros anos!” tema na recente Edição 50. Afinal, este canal Ricardo Tadeu Martins , tem sido muito fiel às vítimas de Mariana Presidente da Apimec SP, São (MG / ES). Vocês não deixam cair no Paulo (SP), por e-mail esquecimento o maior desastre ambiental do Brasil. Parabéns Sônia Araripe e equipe pela “Deslumbrante a natureza da Serra do resistência e trabalho magistral. Não vamos Cipó , retratada pela Ana Cecília e Artur calar! Creio que estamos desacreditados, Vidaurre, na edição 49 desta prestigiosa afinal, antes do crime do rompimento das revista que recentemente conheci. barragens, foi dito que a fiscalização na Parabéns à toda equipe de Plurale! Como empresa estava regular. As famílias estão mineiro nunca havia dado a devida desamparadas ainda, fazendo uso da água importância, apesar de ter visto falar em ainda inapropriada, não há mais aulas de geografia nos anos 60 sobre abastecimento por parte da empresa, que esse parque ambiental; como temos não tem sido nada isenta. ” belezas naturais em nosso país e desconhecemos, situação que está sendo Rafaela Cassiano, assistente social, do Rio de Janeiro (RJ), por e-mail resgatada por esta revista dedicada ao novembro / dezembro
2015 R$ 10,00
AÇÃO | CIDADANIA
| AMBIENTE
e.com.br
(ES) - FOTO DE FRED
LOUREIRO (SECOM
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-ES)
ano oito | nº 50 |
- REGÊNCIA - LINHARES
Diretores Sônia Araripe soniaararipe@plurale.com.br Carlos Franco carlosfranco@plurale.com.br
Cartas
ESPECIAL OITO ANOS: ARTIGOS INÉDITOS, BELAS, FAMOSAS E ENGAJADAS
FOZ DO RIO DOCE
Quem faz
CAUSA ANIMAL GANHA FORÇA
meio ambiente e ecologia. Parabéns por abraçarem tão nobre missão e pelos 8 anos de edição e sucesso. Agradecido por vislumbrar tão bela revista. ” Benedito Ari Lisboa, engenheiro, São José dos Campos (SP), por e-mail “Letícia Spiller tornou-se a “embaixadora” da campanha Desmatamento Zero, do Greenpeace Brasil. Em entrevista na Edição 50 de Plurale em revista, comemorativa de oito anos, a atriz revelou que sua preocupação com as causas ambientais é antiga. Ela e outras atrizes e atores falam sobre o engajamento nas causas sociais e ambientais. Parabéns à querida Sônia Araripe e equipe pela matéria e pelos oito anos de Plurale!” Anna Maria Ramalho, jornalista, do Rio de Janeiro (RJ), por e-mail
“Cara Sônia, parabéns pela cobertura do evento Samarco. Isto é Jornalismo na Veia. Estranho muito tratar-se de Ajustamento de Conduta do Governo Federal e Samarco. Ainda estou desorientado com as consequências desta tragédia ambiental e, rapidamente, assina-se um Termo de Ajustamento. Quem autorizou que a barragem tenha recebido ampliações em sua cota? Cidades e respectivas populações ainda são reféns desta tragédia. Será que as autoridades ambientais estão tratando adequadamente está tragédia? Finalizo, mais uma vez parabenizando Plurale pelo faro jornalístico, e pela seriedade no acompanhamento das consequências desta tragédia. ” Cid do Nascimento Silva, engenheiro, do Rio de Janeiro (RJ), por e-mail
Os principais temas que impactam as Relações com Investidores, você encontra em uma só revista: na RI
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Entrevista
“A NOVA ECONOMIA TEM QUE ESTAR CASADA COM A ECOLOGIA” Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima Por João Vitor Santos, da IHU On-Line
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Fotos: Arquivo Pessoal e COP-21
superação das crises ambiental e climática pressupõe uma “nova ética; esta é a principal questão de fundo”, e a solução de tais crises depende de “mudanças de comportamentos”, diz Carlos Rittl à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. Segundo ele, o caminho para tais transformações “é o desenvolvimento sustentável, com mudança em políticas públicas e estratégias das corporações, redirecionamento de investimentos e a compreensão de que o social e o ambiental são pilares que devem ser tratados com a mesma relevância que o econômico”. Rittl afirma que o “sucesso do Acordo de Paris” vai depender das ações a serem implementadas por todos os países que darão início ao processo de ratificação do acordo em abril deste ano. Apesar de as decisões da COP-21 ainda serem tema de discussão, Rittl frisa que “o debate ainda não se reflete em grandes mudanças de rumos”. Na avaliação dele, tem havido, no Brasil, alguns “retrocessos importantes” no Congresso Nacional, “como o Projeto de Lei do Senado 654/2015, que propõe um rito sumário para o licenciamento ambiental de grandes obras, a dispensa de realização de audiências públicas e define prazos curtíssimos para a manifestação de órgãos ambientais”. Trata-se, pontua, de um “exemplo de proposta que não
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está alinhado com o compromisso assumido pelo governo brasileiro em Paris nem com a emergência ambiental por que passamos”. Carlos Rittl é mestre e doutor em Biologia Tropical e Recursos Naturais. Foi coordenador do Greenpeace Brasil, como coordenador da Campanha de Clima, e do WWF-Brasil, como coordenador do Programa de Mudanças
PLURALE EM REVISTA | Março / Abril 2016
Climáticas e Energia. Atualmente é Secretário Executivo do Observatório do Clima, rede brasileira formada por ONGs e movimentos sociais. Confira a entrevista. IHU On-Line - A partir do atual cenário do Brasil e do mundo, qual a emergência de se discutir e refletir acerca dos “cuidados da casa co-
COP-21
A temperatura em países do Oriente Médio, como Irã e Iraque, ultrapassou 50 graus Celsius, com sensação térmica chegando a 73 graus Celsius no Irã em alguns dias. mum”? Quais as questões de fundo que precisam ser alcançadas nesse debate? Carlos Rittl - Estamos passando por uma gravíssima crise planetária, que afeta cada um de nós. O uso irracional de recursos naturais, o uso intensivo de combustíveis fósseis, a destruição desenfreada dos ecossistemas naturais, modos de produção e consumo ineficientes, com excesso de desperdício e excesso de geração de resíduos, estes sem devido tratamento, ameaçam a cada dia o nosso bem-estar e nossa casa comum. E ameaça diretamente a própria sobrevivência de populações pobres, vulneráveis e que têm responsabilidade mínima sobre a dimensão do problema. Superar esta crise ambiental, climática, de proporções planetárias depende de cada um de nós. Depende de um novo olhar sobre esta “casa comum”, nossa única casa, o planeta Terra, depende de uma nova ética. Esta é a principal questão de fundo. A solução depende de mudanças de comportamentos. Política, economia, ética, ciência e educação, juntas, interligadas. Precisamos da compreensão de que o único caminho possível para evitar problemas ainda mais graves é o desenvolvimento sustentável, com mudança em políticas públicas e estratégias das corporações, redirecionamento de investimentos e a compreensão de que o social e o ambiental são pilares que devem ser tratados com a mesma relevância que o econômico. Mudanças nos padrões de
produção e consumo para serem mais eficientes e sustentáveis são urgentes. Abandonar progressivamente o uso dos combustíveis fósseis e parar a destruição da natureza, dos ambientes naturais são absolutamente críticos para mudarmos nossa história neste planeta. IHU On-Line - Quais os impactos sociais e econômicos das mudanças climáticas no Brasil e no mundo? Carlos Rittl – As mudanças climáticas afetam cada um de nós diretamente por impactos em nossa qualidade de vida e na economia. Mas os países mais pobres e as populações mais pobres em qualquer país, em especial nos países em desenvolvimento, serão sempre aqueles que sofrem mais. Muitas vezes perdem o pouco que possuem, ou mesmo suas vidas, diante dos desastres naturais. Os impactos mais evidentes são os eventos climáticos extremos, como secas e estiagens, enchentes e inundações, tempestades, movimentos de massa (como deslizamento de terra), que se multiplicam e se tornam mais intensos. No ano passado, o ciclone Pam devastou áreas de pequenas ilhas do pacífico, como Vanuatu (leia mais sobre estas ilhas nas páginas 56 a 59 desta edição), Ilhas Salomão, Kiribati e Tuvalu. A Índia sofreu a segunda pior onda de calor de sua história, com mais 2500 mortes. A temperatura em países do Oriente Médio, como Irã e Iraque, ultrapassou 50 graus Celsius, com sensação térmica chegando a 73 graus Celsius no Irã
em alguns dias. Enchentes em Mianmar, Gana, em regiões dos Estados Unidos provocaram muitas mortes e prejuízos. No Brasil, passamos por uma das piores estiagens no sudeste do país, enquanto o Nordeste continuou a ser afetado por uma das piores secas que se estende por anos. No país, mais de 28% dos municípios decretaram situação de emergência ou calamidade pública em função de desastres naturais vinculados a extremos climáticos. IHU On-Line - Passados cerca de três meses do encerramento da COP-21, como as temáticas do Acordo de Paris vêm sendo tratadas? Em que medida as discussões da COP-21 ainda continuam na pauta dos países que participaram do encontro? Carlos Rittl - O sucesso do Acordo de Paris e das decisões da COP-21 depende da sua implementação em casa, por cada um dos países e seus governos. Teremos uma medida clara se este nível de engajamento continuar alto em abril, quando o Secretário Geral das Nações Unidas receberá líderes mundiais na cerimônia de assinatura do Acordo de Paris. Abre-se o período de ratificação do Acordo, que se estenderá até abril do próximo ano. Por ora, vemos que o tema continua na pauta, muitas discussões e análises que se iniciaram logo após a COP continuam a fomentar debates, discussões, com envolvimento de diferentes públicos, o que tem acontecido com frequência no Brasil, também. Mas o debate ainda não se reflete em grandes mudanças
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Entrevista
de rumos. A emergência climática demanda ação imediata. O mundo já está um grau mais quente do que em período pré-industrial. E o objetivo do Acordo de Paris inclui a busca para limitar este aquecimento a 1,5 grau Celsius. Estamos a meio grau deste limite e cami-
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nhando, hoje, para um mundo com 3 a 4 graus de aquecimento médio global ao longo deste século. Preocupa muito, por exemplo, vermos no Brasil alguns potenciais retrocessos importantes em discussão no Congresso Nacional, como o Projeto
PLURALE EM REVISTA | Março / Abril 2016
de Lei do Senado 654/2015, que propõe um rito sumário para o licenciamento ambiental de grandes obras, a dispensa de realização de audiências públicas e define prazos curtíssimos para a manifestação de órgãos ambientais. É um exemplo de proposta que não está ali-
GREENPEACE
nhado com o compromisso assumido pelo governo brasileiro em Paris, nem com a emergência ambiental por que passamos. Os resultados podem ser de muito mais impactos sociais e ambientais, maior destruição de florestas, impactos nos recursos hídricos, em comunidades e aumento de emissões associadas às grandes obras. Pode ser uma medida de grande impacto na completa contramão da história. IHU On-Line - Como pensar em ações que mobilizem as pessoas para que, no seu cotidiano, adotem posturas políticas de forma ativa para o cuidado da casa comum? Qual o papel de agentes governamentais e não governamentais nesse desafio? Carlos Rittl - É preciso demonstrar as conexões entre o nosso comportamento diário e a dimensão do desafio das mudanças climáticas. É preciso compreender que mudanças climáticas afetam nossa saúde, seja pelos desastres que se multiplicam ou pela disseminação de doenças e seus vetores (vide a disseminação do Aedes aegypti e a epidemia de dengue, zika vírus, dentre outras endemias). Afetam nossa segurança alimentar - uma seca, chuvas torrenciais, enchentes impactam a agricultura e o preço dos alimentos na feira fica mais caro. É preciso demonstrar que nosso comportamento enquanto consumidores pode ajudar a reduzir os impactos ou a piorar o problema. Um comportamento mais consciente e eficiente demanda menos água, energia e produtos que causam impactos no meio ambiente ou aumentam as emis-
sões de gases. Governos têm um papel fundamental, pois ditam os caminhos do desenvolvimento de países, regiões, cidades. E devem passar a tratar as mudanças climáticas como tema estratégico para este desenvolvimento, tanto do ponto de vista da redução de emissões como da adaptação às mudanças climáticas. Mas a sociedade precisa estar cada vez mais engajada. Cientistas produzindo conhecimento sobre o problema, suas causas e soluções. Jornalistas gerando matérias sobre o desafio e como enfrentá-lo. Setor privado assumindo compromissos para reduzir seus impactos. As organizações da sociedade civil produzindo informação, análise e propondo soluções. E o cidadão mais consciente, engajado, cobrando de todos e assumindo também a sua responsabilidade. IHU On-Line - Em que medida o atual modelo econômico se mostra esgotado e quais os efeitos de sua lógica na “casa comum”? Como conceber modelos econômicos capazes de preservarem a “casa comum”? Carlos Rittl - O modelo econômico atual está em xeque e precisa mudar. Está baseado no lucro a partir do consumo desenfreado de produtos produzidos de forma em geral insustentável, que consomem muitos recursos, degradam a natureza e provocam mudanças climáticas. A nova economia tem que estar casada com a ecologia. Estas duas palavras têm a mesma raiz, a palavra grega “oitos”, que significa casa. O conhecimento e
o gerenciamento adequado da nossa casa comum, a ecologia e a economia, precisam estar harmonizados. É o caminho da Ecologia Integral, de que trata o Papa Francisco com sua Encíclica “Laudato Si”. A ciência e o conhecimento devem ser a base das diretrizes do desenvolvimento socioeconômico, devem orientar a definição de limites planetários, do consumo de recursos naturais renováveis e não renováveis, da exploração de combustíveis fósseis, por exemplo. Os cientistas têm feito sua parte, cada vez conhecemos melhor nossa casa, os seus problemas, seus desafios e as soluções. Ainda falta aos políticos e economistas fazerem sua parte. E precisam fazer rápido, pois o nível de mudanças de que dependemos para assegurar um planeta mais saudável para todos e sem risco de provocarmos mudanças climáticas com impactos incalculáveis é profundo. Por exemplo, temos que eliminar muito rapidamente o consumo de combustíveis fósseis no planeta, deixando a imensa maioria das suas reservas inexploradas. IHU On-Line - Deseja acrescentar algo? Carlos Rittl - Como afirmou o Papa Francisco em sua Encíclica “Laudato Si”, precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos, e as suas raízes humanas, dizem respeito e têm impacto sobre todos nós.
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Colunista Renato Manzano
TODA NUDEZ SERÁ LOUVADA!
Da Union Carbide, nos anos 1980, à Volkswagen nos dias de hoje, muitas empresas têm desonrado suas marcas e desrespeitado a sociedade com mentiras que levam a uma única conclusão: para elas o lucro é muito mais importante que a Vida! É hora de dar um passo além da simples “transparência”: as empresas precisam ter a coragem de ficar nuas diante da sociedade. Na madrugada de 3 de Dezembro de 1984, milhares de moradores da cidade de Bhopal, na Índia Central, acordaram aterrorizados sob uma asfixia lenta, paralisante e brutalmente dolorosa, quando cerca de 40 toneladas de gases letais, utilizados na fabricação de pesticidas, vazaram da unidade industrial da Union Carbide (empresa norte-americana que se fundiu à Dow Chemicals, em 1999), naquela cidade. Não havia para onde correr: cerca de sete mil pessoas morreram pela exposição direta aos gases ou em virtude de males diretamente decorrentes. Inúmeros estudos publicados demonstram que a empresa negligenciava importantes questões de segurança industrial e proteção aos trabalhadores e ao meio ambiente. Com isso, adiava investimentos necessários e reduzia as despesas de modo artificial, inflando os lucros para seus acionistas. Apesar disso, os dirigentes da Union Carbide, cegos pelo poder, não acreditavam que fosse possível que algo daquela magnitude pudesse acontecer. Porém, mesmo diante da mais terrível tragédia, quando centenas de pessoas continuavam a morrer dia após dia, a Union Carbide negou-se a colaborar de modo minimamente satisfatório sobre o que exatamente
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vazou, porque vazou, em que condições etc. Prevaleceu a “defesa dos interesses do negócio” e, claro, a dos próprios executivos envolvidos, sobre a vida de milhares de pessoas. A falta de informações sobre a composição dos agentes tóxicos, por exemplo, fez com que os médicos ficassem de mãos atadas no atendimento às vítimas. Muitos sobreviventes invejaram aqueles que perderam suas vidas logo nos primeiros dias. A empresa literalmente abandonou suas instalações em Bhopal, deixando para trás milhares de mortos, toneladas de veneno tóxico “estocado” e uma gigantesca área contaminada, incluindo os lençóis freáticos. Em 1999, quando a Dow assumiu o controle da Union Carbide, formando um maciço empresarial de mais de US$ 30 bilhões à época, mas recusou-se a assumir igualmente o passivo da tragédia, mais de 500 mil pessoas já haviam sido impactadas diretamente pelo desastre ou sofreram graves consequências em virtude dos rastros da contaminação, ao longo dos anos, a qual perdura até os dias de hoje. Quantas “Union Carbides” há no mundo? Bhopal não é um caso isolado, perdido na década de 1980. Não! A cupidez corporativa que levou aos mecanismos dessa obscena e cri-
PLURALE EM REVISTA | Março / Abril 2016
minosa catástrofe guia um número significativo de empresas nos dias de hoje: de posturas defensivas a mentiras explícitas. Não estamos a salvo de novas “Bhopal”, pois ainda há muitas “Union Carbides” pelo mundo. Escândalo após escândalo, tragédia após tragédia, um número cada vez maior de grandes empresas demonstra que “transparência” é apenas mais uma palavra sem nenhum sentido prático, abandonada em algum canto sombrio e fétido da cultura organizacional. Junto a este, muitos outros termos nascidos das “crenças e valores” das organizações encontram-se mofados, quando não necrosados, pela falta de uso e oxigenação. Enunciar-se “transparente” está para as empresas assim como dizer-se “honesto” está para os políticos: cada vez menos pessoas acreditam nisso, porque o que comunica é a atitude e não a mentira oficial. A equação é quase sempre a mesma: em nome das ambiciosas metas de lucratividade impostas no curto prazo, e participações nos resultados igualmente polpudas, vale tudo: até mesmo colocar em risco a sobrevivência da própria empresa e a vida das pessoas, dentro e fora dela. “Das auto: das problem!” Vejamos o absurdo e ao mesmo tempo patético caso da Volkswagen.
VOLKSWAGEN
Como é que uma empresa do porte e da importância institucional da ’Volks’ se mete em uma situação tão grave como a do caso de falsificação de resultados de emissões poluentes? Não é isso o que a gente pensa imediatamente? Neste caso, a montadora alemã está sendo investigada desde 2009. Mas negou categoricamente a fraude mais de uma vez. Ou seja: não é uma situação nova. Está claro que a alta administração da empresa sabia de tudo o que estava acontecendo, ao contrário do que cinicamente afirmou o então presidente executivo da empresa, Martin Winterkorn. Resultado? Mais mentiras: os “800 mil veículos” fraudados, inicialmente admitidos pela empresa são, na verdade, mais de 11 milhões de carros, sabemos agora etc etc etc. Qual é a mensagem que a montadora passa para seus milhões de clientes em todo o mundo? A de que, na visão da empresa somos todos tão úteis quanto idiotas. Hora de ficar nu! As empresas e organizações em geral precisam se desvestir muito rapidamente de boa parte de seus dogmas industrialistas e de uma visão de mundo desgraçadamente hipócrita e manipuladora. É algo incompatível com a nova sociedade que queremos construir e legar às próximas gerações. Hoje, o verdadeiro poder está
em ajudar a humanidade nesse difícil transe. De reconciliar o Capitalismo com a Vida. Empresas necessitam de lideranças capazes de fazer essa travessia, de trazer questões sociais amplas e de longo prazo, para dentro da empresa e conciliá-las com as vendas do próximo mês. É preciso aprender com os sacerdotes do Xintô, os quais purificam seus corpos ficando nus durante invernos glaciais. Ou ainda com a lendária tradição dos guerreiros celtas de combater nus. A nudez neste caso, é claro, significa depuração, honra, o desejo de despir-se de tudo o quanto nos reduz a humanidade. É um ato de profunda humildade e, por conseguinte, de inequívoca coragem e força. Assim também as organizações humanas precisam dar esse passo crucial: não ter medo de dizerem... Sim, isto mesmo: a verdade – nem que seja apenas a verdade delas, mas que sejam francas, honestas, despidas. É dessas empresas que precisamos para o século XXI, aquelas que nós pudermos confiar e apoiar. Não é algo utópico, como costumo ouvir de incautos debatedores: é o único caminho. Caso contrário, como no conto medieval belamente reescrito por Hans Christian Andersen, em 1837, todo poder desabará pública e ruidosamente por meio da inesperada voz de uma pequena criança que gritará
em meio à multidão: “O rei está nu, o rei está nu”. O verdadeiro escândalo, ao que tudo indica, está em “parecer estar vestido” e não em estar nu de verdade. Nessa acepção, toda nudez das grandes corporações será grandemente louvada e muito bem vinda. (*)Renato Manzano (renato@manzanoeassociados.com) é Colunista colaborador de Plurale. É Consultor e especialista em Estratégia, Gestão e Ativação de Negócios e Marcas (Branding), Marketing, Cultura e Comunicação Organizacional, Relações com Clientes e Públicos Estratégicos (RCPE), e Gestão da Mudança. Possui 30 anos de experiência. Durante 20 anos foi executivo em corporações de grande porte. Estudou Comunicação Social na PUC SP e graduou-se em Administração de Empresas, com ênfase em Gestão da Produção, pela PUC Campinas. É pós-graduado em “Gestão Estratégica da Comunicação Empresarial”, pela PUC Minas. Possui extensões acadêmicas em: “Management of International Communication”, pela Syracuse University (BR/EUA), “Corporate Entrepreneurship”, pela Babson School of Business (EUA), “Total Quality Management”, pela AOTS (Japão), e “Comunicação Empresarial”, pela PUC SP. Em 2004, foi agraciado com o “Prêmio de Personalidade do Ano”, pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial. É palestrante ativo e autor de diversos artigos sobre Branding, Estratégia, Comunicação e Marketing, Cultura Organizacional, Administração e Política.
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Colunista Rafaela Brito
QUEM NOS PEDIU LICENÇA?
L O
icença ambiental, segundo a resolução n.237/1997 do CONAMA, é o ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. De acordo com a tese defendida pelo professor Machado (2010, p.288) as licenças só podem ser criadas por lei, ou a lei deverá prever a sua instituição por outro meio infralegal. O decreto do Presidente da República, do Governador do Estado ou do Prefeito Municipal, somente poderá criar uma licença ambiental se lei anterior expressamente cometer-lhe esta tarefa. O art. 3º da Resolução CONAMA nº. 237, de 19 de dezembro de 1997, afirma que, acerca das regras relativas ao procedimento de licenciamento ambiental previstas, a concessão de licença ambiental a empreendimentos considerados causadores de significativa degradação do meio dependerá de prévio
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estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA), ao qual se dará publicidade, garantida a realização de audiências públicas. É neste contexto que entra o processo de expedição das licenças de instalação e operação da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, instalada na bacia do Rio Xingu, no Pará. A capacidade mínima instalada é de 11.233,1 MW - a terceira maior do mundo, depois da usina de Três Gargantas, no Rio Yangtzé, na China, com 22,5 mil MW de potência, e da binacional Itaipu, localizada no Rio Paraná, na fronteira do Brasil com o Paraguai, com capacidade para gerar 14 mil MW. A UHE de Belo Monte já está sendo considerada a maior usina exclusivamente brasileira e a segunda maior da América Latina. Várias audiências públicas foram realizadas ao longo desse processo, movimentos sociais, tribos indígenas, pescadores, pequenos agricultores, população local, quilombolas, extrativistas, empreendedores, Ministério Público, Defensoria Pública, parlamentares, discutiram a temática, cada um defendendo o seu posicionamento, mostrando e provando o porquê de ainda não ser o momento pertinente da emissão das licenças. Parece, contudo, que o IBAMA, responsável
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pelo licenciamento de grandes projetos de infraestrutura que envolvem impactos significativos de obras públicas potencialmente poluidoras de relevante interesse social, relegou a mais do que segundo plano as discussões, as recomendações, as ações judiciais e os pareceres técnicos. São apontados impactos (alguns irreversíveis) ao ambiente e à população local, como diminuição e extinção de espécies de peixes, redução da renda dos pescadores, consequentemente, migração para outras localidades, gerando uma relocação populacional, alagamentos, ameaça à biodiversidade e aos valores etnoculturais, supressão vegetal inadequada, em que restos de madeiras serão cobertos pelo alagamento, por não ter sido feita a limpeza adequada. Em 2011, a licença de instalação foi emitida, apesar de a Norte Energia enfrentar dificuldades para cumprir as condicionantes, isto é, as medidas de mitigação de impactos, já previstas pela licença prévia, concedida pelo Ibama em 2010. Em 2015, solicitou ao Ibama autorização para encher o reservatório da usina, por meio da licença de operação, última etapa do processo de licenciamento ambiental da obra, a qual foi atendida. A temática que envolve o licenciamento e as licenças ambientais é de suma importância, não somente
para o direito, mas para a função social que exerce no ambiente. Deveria ser a garantia para o seio social de que determinado empreendimento esteja adequado a atender à legislação vigente e os aspectos funcionais da comunidade local, como a geração de emprego, a diminuição de custos, a integração participativa do coletivo. O mundo ideal está bem distante do real. Será que todo este processo participativo enérgico das partes envolvidas foi em vão? Será que o parecer técnico no qual foram elencadas pendências relacionadas aos Planos, Programa e Projetos constantes do Projeto Básico Ambiental – PBA, para as quais foram tecidas recomendações que deverão ser atendidas pela Norte Energia, continuará somente como um parecer a não ser seguido? Será que os Programas e Projetos que devem ser implementados, 6 com necessidade de ajustes e/ou adequação e 12 com pendências (sendo 10 classificadas como impeditivos para emissão de licença de operação) continuarão em descompasso aos relatórios, recomendações e decisões judiciais? Será que, de setembro a novembro de 2015, a Norte Energia conseguiu se adequar tão rapidamente para que fosse “contemplada” com a permissão de encher o reservatório? Será que o ofício da FUNAI encaminhado ao IBAMA comunicando que um termo de cooperação para o cumprimento de exigências não atendidas foi assinado com a Norte Energia surtirá algum efeito positivo? Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, o desastre ambiental que mexeu com os brasileiros poderia ter sido evitado, se as condicionantes tivessem sido todas verificadas. Isto quer dizer que há uma estreita relação entre o descumprimento das obrigações e o rompimento das barragens nas cidades mineiras. Será que nos contentaremos em esperar outro desastre de proporções incalculáveis para cobrar o cumprimento das condicionantes? Dos “serás e serás”, as incertezas dos cumprimentos das condicionan-
Várias audiências públicas foram realizadas ao longo desse processo, movimentos sociais, tribos indígenas, pescadores, pequenos agricultores, população local, quilombolas, extrativistas, empreendedores, Ministério Público, Defensoria Pública, parlamentares, discutiram a temática, cada um defendendo o seu posicionamento, mostrando e provando o porquê de ainda não ser o momento pertinente da emissão das licenças”
tes tanto do Plano Básico Ambiental quanto do Componente Indígena serão incógnitas. Realmente não nos pediram licença para inundar, alagar, despovoar nem para executar um inadequado controle socioambiental. Se achamos que o que ocorreu em Mariana chocou o Brasil, o ambiente e a população local, Belo Monte está a mesma altura de desastres social, cultural e ambiental. Como diz a canção “será, que será? O que não tem certeza nem nunca terá, o que não tem conserto nem nunca terá, o que não tem tamanho”. Esqueceram, definitivamente, de nos pedir licença.
(*) Rafaela Brito (rafaelasilvabrito@gmail.com ) é Colunista colaboradora de Plurale. Advogada, em Brasília e em Fortaleza, sócia do escritório Carvalho, Moreira & Brito Advogados Associados. Mestranda em Estudos Ambientais pela UCES, em Buenos Aires. Especialista em Direito Ambiental pela Facinter. Especialista em Direito Internacional pela UNIFOR. Membro da Comissão de Direito Ambiental, de Direitos Humanos e de Direito Internacional da OAB-CE. Palestrante e estudos realizados na Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Irlanda, Itália e Reino Unido. Membro da delegação de Humanidade Nova das Nações Unidas para participar da Rio + 20.
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Colunista Luiz Fernando Bello
ESTUDO DE CASO: A TRAGÉDIA DE MARIANA E O IMPACTO PARA O SETOR DE MINERAÇÃO E O MERCADO DE CAPITAIS
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s rios, especialmente os grandes rioscomo Tigre, Eufrates, Nilo, Danúbio, Mississipi, Sena, Tâmisa, Tietê, Paraíba, Iguaçu e Doce-, sempre contribuíram com o desenvolvimento e a interiorização das atividades humanas. Infelizmente, a humanidade tem sido cruel com quem lhe fornece o sustento, descarregando seus dejetos em quem propiciou seu próprio desenvolvimento e, muitas vezes, inviabilizando a continuidade de seu uso-fruto. Os portugueses descobriram ouro no Brasil no Ribeirão do Carmo, Minas Gerais, em 1636. A descoberta gerou um surto de prosperidade e possibilitou a instalação da primeira Vila da região em 1711. Foi uma cidade que nasceu rica e devidamente planejada, batizada como Mariana, homenageando Maria Ana da Áustria, Rainha Consorte de Portugal. Tudo muito nobre, todos nobres, menos os que, de fato, trabalhavam na extração do ouro e lançavam rejeitos e sobras do material utilizado diretamente no rio que garantia a nobreza de seus patrões. Cônsul da Rússia no Rio de Janeiro, o Barão de Langsdorff visitou a região de Mariana no início do século XIX e ficou estarrecido com o que viu: “Ao longo dos vales, correm pequenos riachos, turvos pela lavagem de ouro, que, aos poucos, vão se avolumando até desaguar no Rio Doce”. Saiu o ouro, veio o ferro. Há aproximadamente 30 anos, visitei Samitri (Sociedade Anônima Mineração da Trindade que pertencia à Cia. Side-
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rúrgica Belgo-Mineira) e Samarco, ciceroneando gestores de fundos de ações norte-americanos que começavam a se aproximar do Brasil. O teor de concentração do minério extraído pela Samitri era tão elevado que sua extração e transporte até os trens da então Companhia Vale do Rio Doce podia ser feito por caminhões comuns. Mas nada é perfeito: a Vale cobrava quase metade do valor de venda do minério pelo transporte em seus trens. A Samitri e a Belgo contavam com outras jazidas minerais para explorar, mas com baixa concentração mineral. Para viabilizar sua exploração, a Samitri associou-se à BHP na década de setenta do século passado e desenvolveram um projeto revolucionário, investindo US$ 600 milhões (a preços da época), fundando a Samarco, implementando um minero-duto de 400 quilômetros e a pelotizadora (localizada estrategicamente no Porto de Ubu-ES) que recebia o minério e o transformava em pelotas com alta concentração. Demorou para deslanchar, mas obteve grande sucesso ao longo dos anos que se seguiram. Encontrei na região o mesmo cenário descrito pelo Barão, extremamente agravado pelos 200 anos que se passaram: “Os arredores da cidade (Mariana) apresentam um quadro assustador de devastação do solo. Os campos áridos, desprovidos de todo tipo de árvores e arbustos, cobertos de montes de cascalho”. Terra arrasada que, hoje, se espalha por todo o entorno da região. O quadro mudou: a velha Belgo-
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-Mineira foi absorvida pelo grupo Arcelor-Mittal e, antes disso, a Vale comprou a Samitri e a Samarco, mantendo a sociedade, nesta última, com a BHP e tornando-a paritária. A longa introdução serve para ilustrar o conceito de “irresponsabilidade organizada” que conheci no seminário “Regulação Ambiental e Prevenção de Catástrofes: o Caso Samarco/ Mariana”, organizado pelo Centro de Direito e Meio Ambiente (CDMA/FGV Direito Rio). Um dos palestrantes, o professor do Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional da UFRJ Henri Acselrad, demonstrou que o despejo de rejeitos tóxicos nos EUA sempre é feito nas redondezas de comunidades mais pobres e, portanto, sem grande poder de reivindicação/pressão junto ao Estado que deveria fiscalizar adequadamente ou inibir a atividade, o que é o caso da população da periferia de Mariana. Eu vou mais longe,
FRED LOUREIRO (SECOM -ES)
pois creio que há interesses comuns entre empreendedores e Estado no que tange à mineração: sem muitas regras e/ou fiscalização o retorno do investimento privado é maximizado, maximizando também a arrecadação de impostos e tributos em geral. O resultado são os acidentes como o de Mariana que transformou o Rio Doce em mar de lama, destruiu todo o patrimônio material e cultural que havia em terra antes de chegar ao rio, deixou milhões de pessoas sem abastecimento de água, está destruindo o litoral a partir de Linhares-ES e, creem alguns, poderá atingir Abrolhos, além das pessoas que matou. O Rio Doce, a bem da verdade, já era um esgoto a céu aberto, originado pelo uso abusivo de seu leito por quase 400 anos e, ademais, acidentes acontecem mesmo em atividades que são relativamente seguras e são eventos muitas vezes inevitáveis, nunca apresentando uma única causa. Em geral,
refletem a combinação de diversos fatores que, em alguns casos - por serem desconhecidos - se tornam imprevisíveis. Empresas que encaram a boa governança corporativa e a sustentabilidade como valores efetivos incorporados a sua cultura interna gerenciam riscos e, como muitas ocorrências fogem do seu domínio, desenvolvem planos de contingência, visando minimizar as consequências de eventuais ocorrências negativas que podem variar desde a queda da demanda e dos preços de seus produtos, passando por acidentes naturais ou não, até mesmo a prisão de seus principais executivos. No que tange ao Estado, as autoridades licenciadoras e fiscalizadoras deveriam estar sempre atentas, evitando o descumprimento das regras e acidentes resultantes ou punindo com rigor quem não as cumprisse, especialmente no caso de acidentes. Mas a realidade só aparece depois
da lama derramada e as providências que poderiam ter evitado a tragédia somente são tomadas depois do arrombamento da barragem. Logo após o desastre, verificou-se que não havia sequer alarmes para alertar os empregados e a população vizinha, o que dispensa maiores comentários sobre a qualidade da gestão de riscos praticada pela companhia. Ademais, os relatórios de auditoria da barragem, feitos pela empresa de consultoria Voghr (em 2013!), apontavam problemas como falhas nos canos de escoamento interno de água e no sistema de drenagem de superfície. O IBAMA acusava problemas no reflorestamento. A correção das falhas reveladas pela auditoria e o cumprimento das exigências do IBAMA são condições para a mineradora manter suas operações. As falhas não foram corrigidas e a mineradora continuou operando. Também em 2013, a ANA apresentou um relatório sobre a segurança de barragens: encontrou 14.966 barragens construídas com as mais diversas finalidades, das quais somente 430 passaram por algum tipo de fiscalização. O órgão que deveria fiscalizar as barragens de mineradoras, o DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, conta com 12 técnicos para fiscalizar 663 barragens de mineradoras, cuja grande maioria fica em Minas, onde estão alocados dois ou três técnicos. Erram o empreendedor e o Estado, a sociedade sofre as consequências. Só a “irresponsabilidade organizada” para explicar 400 anos de ausência de controle sobre atividades econômicas que apresentam graves riscos ambientais No meu entendimento, a Samarco e seus controladores deveriam desde o primeiro minuto pós derramamento ter assumido a responsabilidade pelo ocorrido - fossem culpadas ou não (no direito ambiental, a responsabilidade é objetiva) e liderado todas as atividades necessárias para reduzir o impacto da tragédia ocorrida. Não foi o que se viu. A reação demorou a acontecer. O Estado apareceu bem
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Colunista ANTÔNIO CRUZ/ AGÊNCIA BRASIL
depois. O difícil vai ser identificar as verdadeiras causas do acidente e, ainda mais complexo, será reparar os danos. Como identificar e atribuir valores a tudo que aconteceu. Como evitar os abutres que sempre aparecem nestas ocasiões. Se houver má fé, um bom advogado poderia passar 10 ou mais anos, discutindo a competência dos tribunais. O Ministério Público de Minas Gerais - o promotor Carlos Ferreira Pinto foi um dos expositores do seminário da FGV - vem realizando um trabalho cuidadoso de apuração de danos e responsabilidades. Mas, mesmo assim, não é fácil fazer com que os recursos destinados, voluntariamente ou não, pelos responsáveis pelo acidente, para reparar os danos cumpram seus objetivos. Falam em multas e na constituição de fundos para recuperar a região do rio Doce. O dinheiro das multas ninguém sabe para onde vai. Quanto aos fundos, será necessário desenvolver regulamentação específica e escolher com muito, muito cuidado seus administradores. Enquanto isto, a Advocacia Geral da União-AGU aciona os responsáveis pleiteando indenização de R$ 20 bilhões. Qual a base concreta dos valores? A partida do conflito de competências já começou. Enquanto no Brasil as competências judiciais são discutidas, investidores norte-americanos estão acionando diretores da Vale, pois, em seus relatórios, a empresa afirmava
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que mantinha adequado programa de prevenção de riscos. Agravando a situação, descobriu-se que a Vale também depositava rejeitos na barragem que se desfez. Para encerrar, observo que a “irresponsabilidade organizada” foi praticada pelos maiores bancos, seguradoras e gestores de recursos do mundo. Empresas produtoras de automóveis esconderam falhas que mataram centenas de pessoas e desenvolveram sistemas para fraudar testes de controle de poluição. A cada malfeito descoberto, aperto na legislação e nos controles. Recentemente, o deputado federal Leonardo Quintão, relator do texto do Código de Mineração” que está em discussão no Congresso, propôs modificações no texto, entre elas tornar obrigatória a apresentação de planos de evacuação e de contingenciamento de barragens. Outras empresas já enfrentaram sérios problemas relativos à sustentabilidade, mas mudaram de atitude, recuperaram sua imagem e asseguraram seu futuro econômico, pois os compradores de seus produtos estão cada vez mais conscientes da necessidade de manter o planeta vivo para o usufruto de seus descendentes. Fora a inexistência de em adequado plano de contingências, os danos provocados na reputação/ imagem das empresas se deve mais a falta de reação positiva e imediata, com relação ao
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rompimento da barragem, do que ao acidente em si, cuja causa certamente foi um conjunto de falhas que, como nos acidentes de avião, demoram meses para ser apuradas e jamais conhecemos as respostas. Minha esperança é que a dolorosa lição oferecida pelo mar de lama, sirva para evitar futuros malfeitos e que permita a completa recuperação da região do Rio Doce, o que inclui o litoral de Linhares, torcendo para que a Vale permita a seu presidente realizar o que disse ser a sua missão em vida. Finalmente, uma notícia boa: de acordo com o noticiário recente, a Samarco está tomando as providências para reparar os danos que causou, mas, infelizmente, o mar de lama está chegando cada vez mais perto do santuário ecológico de Abrolhos. De qualquer forma, sairemos no lucro se, em algumas décadas, a Vale e sua contolada conseguirem salvar o que viemos destruindo durante os últimos 400 anos. (*) Luiz Fernando Bello (luizbello1@gmail.com) é Colunista colaborador de Plurale. É economista e sócio-gerente da ABConsultores, empresa que fomenta e busca financiamentos para projetos de inovação e sustentabilidade. Geriu os investimentos do Grupo Sul América e da AIG Brasil. Foi também Superintendente Financeiro e de Captação de Recursos da FINEP e Presidente da FIPECq - Previdência Privada.
Bazar ético
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Sônia Araripe
MICOLOJINHA EM COPACABANA
Já é possível adquirir os produtos da marca Mico-Leão-Dourado em Copacabana. Através da parceria entre a rede de lojas Rio in Box e a Associação Mico-Leão-Dourado (AMDL), que já disponibilizava os produtos na estação de trem do Corcovado, agora é possível comprar também na loja da Av. Nossa Senhora de Copacabana, nº 1226. Canecas, bolas, bonés e camisetas estão entre os produtos oferecidos. As camisetas são produzidas com garrafas pet recicladas, misturadas com algodão. Todo o lucro da venda de produtos é revertido diretamente em ações de conservação e recuperação da Mata Atlântica na área de ocorrência do Mico-Leão-Dourado, especialmente nos municípios de Rio Bonito, Silva Jardim e Casimiro de Abreu, no interior do Rio de Janeiro. A AMLD tem mais de 22 anos de trabalho sério para recuperar esta espécie símbolo da conservação no Brasil e que só vive nas matas fluminenses. No início do projeto, somente cerca de 200 animais restavam livres na natureza. Hoje, este número já saltou para 3200, mas permanece muito vulnerável. A falta de florestas é hoje o maior problema. Quem esteve na Reserva visitando o projeto, em 2013, foi ninguém menos do que o ator Harrison Ford, que deu vida em vários filmes ao personagem “Indiano Jones”. “A Associação Mico-Leão-Dourado e seus diversos parceiros lutam há mais de 20 anos para salvar a espécie da extinção. Apesar de já ter alcançado resultados expressivos, como o aumento do número de animais na natureza (de cerca de 200 no início dos trabalhos, para mais de 3200 atualmente), o desafio ainda é muito grande. Faltam florestas para a espécie e para a biodiversidade da Mata Atlântica no interior do Rio de Janeiro, único local onde o Mico-Leão-Dourado vive. Por isso, é tão importante que as pessoas conheçam o problema e ajudem neste esforço. A simples compra de uma camiseta ou de uma caneca ajuda a manter possível o sonho: salvar a espécie do risco de extinção”, explicou Luís Paulo Ferraz, Secretário Executivo da Associação Mico-Leão-Dourado. A jornalista Cristina Serra, casada com Ferraz, ajuda a divulgar as belas ações da ONG. Mais informações sobre a AMDL: http://www.micoleao.org.br/index.php
Onde encontrar os produtos: Micolojinha: Av. Nossa Senhora de Copacabana, nº 1226, Copacabana; Na Loja da Estação de trem do Corcovado (RJ) e na Reserva Biológica de Poço das Antas (RJ); Encomendas também pode ser feitas pelo telefone (22) 2778-2025, falando com o Júnior, gerente da loja, que lhe enviará pelo Correios
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Especial
MARIANA: MEMÓRIAS DA TRAGÉDIA
Enquanto convivem com a devastação, moradores de Mariana lutam para reaver o que lhes foi tirado pela negligência da Samarco, Vale e BHP. Governo se tornou ‘pedra no sapato’ da Justiça. Por Hélio Rocha, Colaborador de Plurale em revista Fotos de Marcus Martins de Mariana (MG)
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uatro meses após o maior crime ambiental da história recente, sem precedentes na mineração brasileira, os moradores de Mariana buscam a reconstrução de suas vidas. Na primeira semana de março foi acordado o pagamento de multa de R$ 4,4 bilhões ao Governo, sendo R$ 2 bilhões ainda este ano, convertidos à recuperação do local e do meio-ambiente. Ainda assim, a Samarco não volta a operar em Minas Gerais, valor que o Ministério Público Federal (MPF), porém, considera o valor insuficiente. O testemunho da dor pela devastação que arrebatou não apenas os bens materiais, mas parte da vida das vítimas da tragédia, foi ouvido pela reportagem da revista Plurale, em janeiro, e também foi presenciada a luta por justiça frente às tentativas de ressarci-las paliativamente. O repórter Hélio Rocha e o fotógrafo Marcus Martins registraram não apenas a imagem da destruição, mas também da luta de personagens marcantes que, cada um à sua maneira, não querem deixar que
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seja esquecida a ferida deixada pela mineradora controlada pelas gigantes Vale e BHP Billiton. Dois deles são os lavradores Antônio Geraldo, 62 anos, e Divino Isaías, 65. Eles são os últimos moradores do distrito de Paracatu de Baixo, um dos mais afetados pelo deslizamento da lama de rejeitos de Fundão e Santarém. A contragosto dos familiares e dos órgãos oficiais, eles resistem na terra em que construíram suas vidas, recuperando o que podem de suas casas para trazer de volta, aos poucos, o cotidiano perdido no dia 5 de novembro de 2015. Sem a terra onde cultivavam para subsistência, os três vivem de pequenos serviços nos arredores de Mariana, enquanto, em janeiro, aguardavam pagamento de indenização de R$ 20 mil para reparação dos imóveis perdidos. O valor é irrisório, perto dos milhões investidos pela mineradora para veicular publicidade no horário nobre da Rede Globo, no início de fevereiro. “Por enquanto não tá decidindo nada, só está ficando em reunião mesmo”, afirma Antônio. “Perdemos a casa, os móveis, roupa toda debaixo de barro. Aqui ninguém perdeu familiar, porque a vila fica mais longe das barragens, mas o prejuízo material é muito grande. É tudo, pra falar a ver-
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dade.” Divino completa afirmando que, além da casa, perdeu o ganha-pão. “A gente vive de pequenos trabalhos pra manter as coisas. Vive de capinar a roça pra um, fazer uma coisa pra outro. É difícil viver assim, mas a gente vai vivendo.” Outro atingido é Ademir Tavares, 41, que era motorista de uma van que transportava estudantes e professores de Paracatu para Mariana. Ele afirma que está sem emprego e sobrevive da ajuda que recebe da Samarco, um cartão de débito com um salário mínimo para compras em estabelecimentos conveniados. “A gente segue na luta para ter a indenização pela perda do imóvel e dos bens materiais e começar de fato a reconstruir nossas vidas. Por enquanto, fica nisso. Vir aqui, tentar recuperar as coisas, voltar para Mariana com o que consegue, e viver na casa de parentes ou no que é arranja-
do pela empresa.” Alguns moradores estão incomodados com a demora em pagar as indenizações, de R$ 100 mil para quem perdeu familiar, R$ 20 mil para quem perdeu casa e valor de tabela para automóveis que não tinham seguro. Isto porque o lucro da empresa no ano passado foi de R$ 7,6 bilhões, o que supera em mais de 20 vezes os estimados R$ 350 milhões que a Samarco deve em indenizações e multas. Após reunião em que ficaram acertados os compromissos indenizatórios para quem perdeu casa e carro, no último dia 20 de janeiro, o promotor que cuida dos danos sociais da tragédia, Guilherme de Sá Meneghin, atacou a empresa e o Poder Público por, supostamente em conluio, permitirem a morosidade do processo de ressarcimento aos atingidos. “Há uma tentativa de levar a causa
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Especial
Estaneslau Klein
Guilherme Meneguin
Priscila Monteiro
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para a União, longe de quem ouviu as vítimas e está realmente ao lado delas. Isso é um absurdo, porque favorece a empresa, além de ser prerrogativa para que ela aguarde a decisão desse impasse, ao invés de adiantar os pagamentos às pessoas lesadas pelo desastre de 5 de novembro”, disse o promotor à imprensa. “Uma nova audiência será realizada no final de fevereiro. Temos algumas dificuldades em fazer este processo andar. Nós entendemos que a questão social tem de ser tratada localmente, e não longe do foco do problema, por gente que pouco esteve aqui para atender à população.” O acordo firmado entre a empresa e os Governos federal e estadual de Minas e Espírito Santo, no último dia 2 de março, estabeleceu que deverá ser criado um fundo para recuperação social e ambiental da região nos próximos 15 anos, com R$ 20 bilhões para este fim, sendo R$ 4,4 bilhões aplicados pela Samarco até 2018. Destes, R$ 2 bilhões ainda este ano. O acordo foi acompanhado pela presidente Dilma Rousseff (PT), mas segundo o MPF, o texto é genérico e pode ser mais uma “carta de intenções do que um acordo com caráter jurídico”. O órgão também considerou longo demais o prazo de 15 anos para recuperação da bacia do Rio Doce.
PLURALE EM REVISTA | Março / Abril 2016
Política de ressarcimento já apresenta lacunas O discurso da Samarco é otimista e faz vistas grossas a diversos danos causados pelo desastre. Escolhido porta-voz da empresa, o diretor de Desenvolvimento Sócio Institucional da mineradora, Estaneslau Klein, afirmou que a empresa vai dando continuidade aos “avanços que vem conquistando” em relação aos direitos sociais dos atingidos. “O compromisso é de que a gente faça os pagamentos restantes, além daqueles que já estão sendo pagos às pessoas que perderam residência e familiares.” Entretanto, mesmo nas indenizações que já estão sendo pagas, caso daquelas emergenciais para desabrigados e pagamentos por morte, a empresa recorre à letra fria da lei para se desobrigar quanto aos danos causados a muitos moradores. É o caso da dona de casa Priscila Monteiro, 28, que estava em Bento Rodrigues no dia da tragédia. Grávida e com um bebê de colo, ela foi arrastada pela lama e conseguiu sobreviver graças à ajuda de amigos, que a resgataram ainda durante a tragédia. Levada ao hospital, ela perdeu o bebê que esperava, mas salvou a criança. Ela e o marido, o trabalhador de construção civil Wesley Patrick, 23, têm também
FOTOS DE MARCUS MARTINS
Ademir Tavares
um filho de oito anos. O caso ganhou notoriedade em Mariana não apenas porque Priscila e o filho são sobreviventes da lama que ceifou 18 vidas e deixou dois desaparecidos. Mas também em virtude de, mesmo tendo perdido um bebê, a moradora não ter sido considerada apta a receber uma indenização por morte. “A Justiça não deixa pagar indenização por quem não é nascido vivo, por isso não pudemos entrar com o pedido”, disse a mulher. “É impossível não considerar como perda por morte um aborto provocado pelo acidente, mas é a lei e nós não conseguimos negociar este ponto”, completa Wesley. Como reparar a perda de um negócio? Menos grave, mas igualmente ambíguo, é o caso dos trabalhadores que perderam automóvel e estão sendo ressarcidos pela tabela Fipe, mas reivindicam receber pelos danos morais e pelo emprego perdido. Além de Ademir, de Paracatu de Baixo, este também é o caso de Edel Rezende, que cumpria com a mesma função em Bento Rodrigues. A esposa, Cleinice Rezende, 53, diz não aceitar o valor de tabela, visto que até para revender o veículo as pessoas tentam conseguir um pouco mais. “E nem era o nosso
caso. Nós não queríamos vender a van. Ela era instrumento de trabalho do meu marido e foi perdida pela negligência da Samarco.” Jairo da Paz, 51, por sua vez, era comerciante em Paracatu, proprietário do Bar do Jairo, que arcava com boa parte do comércio do vilarejo, durante o dia, e era um espaço de confraternização, à noite e nos fins de semana. “Eu até agora não consigo calcular tudo que eu perdi, porque tem todo o material, o imóvel e o lucro que eu teria em todo o fim de ano, que costumava adiantar muita coisa para mim. Agora, o que eu posso reaver é a indenização pelo imóvel e contar com o auxílio do cartão. É pouco!”, afirma. Para os meses de abril e maio, está prevista a continuidade da discussão sobre os pagamentos por danos sociais, bem como os debates da questão ambiental, que foi tratada na última edição da Plurale, em dezembro. O MPF pede a prisão de sete diretores da Samarco, que podem responder por homicídio qualificado por dolo eventual. Ainda não foram definidas indenizações para todos os afetados. Até lá, Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo continuam sendo, para seus moradores, lugar de lembrança e buscas pelo que foi perdido.
Wesley Patrick
Jairo da Paz
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Ecoturismo
A GIGANTESCA CHAPADA DIAMANTINA Região descortina beleza exuberante com vários rios, cachoeiras, cânions grutas e muita biodiversidade. Passeio imperdível com opções para diferentes perfis de turistas
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Texto e Fotos de Luciana Tancredo De Lençóis, Mucugê e Ibicoara (BA)
om aproximadamente 30mil km2, a Chapada Diamantina, é uma região serrana, localizada no coração da Bahia, em pleno sertão nordestino. A origem do nome tem um cunho histórico, Chapada, se refere às extensas serras de topo aplainado, mas o termo Diamantina, remete ao período de grande exploração de diamantes na região, nos séculos XIX e XX, quando foram encontradas por lá inúmeras pedras preciosas. O garimpo foi uma das grandes fontes de renda da região, durante muito tempo, e podemos encontrar vários lugares que preservam um pouco dessa história como o Museu Vivo do Garimpo em Mucugê, a Galeria de Arte em Igatu e algumas pequenas coleções particulares como a do Orquidário, na BR 242, próximo ao Morro do Pai Inácio. A Chapada é hoje um dos principais destinos de Ecoturismo e turismo de aventura do país. E suas inúmeras belezas naturais estão em perfeita harmonia com as pequenas cidades históricas da região, como Lençóis, Mucugê, Igatu e Rio de Contas, atraindo visitantes de todas as idades e lugares do Brasil e do mundo. O turismo internacional também é muito forte. Os principais atrativos e mais visitados estão dentro dos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina, mas muitos estão no seu entorno. A diversidade dessa região é incrível: o turista encontra cachoeiras, rios, grutas, cavernas, cânions, vales, lagoas, que, em sua maioria, podem ser visitadas com ou sem a ajuda de guias locais. Nesse imenso paraíso, descortina-se uma vegetação muito peculiar, com cactos de várias espécies, desde os grandes mandacarus, que as vezes mais parecem verdadeiras árvores, aos peludos xiquexiques, ou os exóticos cabeças-de-frade, com sua coroa rosa. Mas também encontramos imensas plantações de palmas, alimento predileto para o gado na região. Entre as flores, as orquídeas se sobressaem aparecendo em cada canto de pedra ou beira de rio. As famosas Catleyas, que variam do púrpura ao roxo, e as Cyrtopodium Gigas com belos ramos amarelos, laranja ou rajados, são as mais comuns. As bromélias também são vistas em todo lugar, com uma imensa variedade de cores, tamanhos e florações. Uma em particular me chamou muito a atenção, pela beleza: a raio de sol, podendo ser encontrada desde o alto do Morro do Pai Inácio na parte mais ao norte da Chapada, até no
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TEXTO E FOTOS:
LUCIANA TANCREDO
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Ecoturismo caminho da Cachoeira do Buracão, bem mais ao sul. Flutuação - A água cor de Coca-Cola dos principais rios e cachoeiras da região contrastam com a transparência turquesa dos poços existentes nas grutas, como a Pratinha, o Poço Azul e o Encantado. Lençóis freáticos subterrâneos ricos em calcário e magnésio formam esses lagos transparentes que com a refração da luz dá esse tom azulado. São lugares imperdíveis! Na Pratinha e no Poço Azul o visitante pode até fazer o chamado mergulho de flutuação, usando o colete salva-vidas. Esse colete serve para que os turistas não cheguem ao fundo, evitando revolvê-lo e consequentemente manter a maior transparência da água. Já no belíssimo Poço Encantado, a contemplação é o grande prazer, escuro e silencioso, só o azul incrível da água chama a atenção.
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Recentemente foram retiradas ossadas de diversos animais pré-históricos do fundo do Poço Azul, ossadas intactas de preguiças gigantes, e tigre dente-de-sabre. E para quem gosta de cavernas e grutas, a região de Itaquara é um verdadeiro paraíso, com as mais conhecidas como a Caverna Torrinha e Gruta da Lapa Doce. Nelas você pode escolher o circuito que quer fazer dentro: de pequenas voltas com no máximo uma hora de duração ou os circuitos completos que podem durar até quatro horas dentro de cada uma. Na Torrinha, podem ser vistas formações muito raras, como as flores de aragonita e em especial um espeleotema de formação única no mundo, é uma flor de aragonita na ponta de uma helictite em curva. Grutas - Visitamos também algumas grutas na região de Andaraí, a Gruta da Paixão e da Marota, que não dispõem de grande estrutura turística ainda, e os guias são os próprios donos das terras, mas são muito maiores e com formações gigantescas de estalagmites e estalactites, criando visuais fantásticos debaixo da terra. A região também é conhecida pelas inúmeras cachoeiras espalhadas pelos 24 municípios que abrangem a grande Chapada, entre as mais famosas, a cachoeira da Fumaça, da Fumacinha, do Roncador, do Mosquito, do Sossego, da Purifi-
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cação, o Poço do Diabo, o Rio Mucugê com várias quedas, e a Cachoeira do Buracão, que para mim é imbatível, localizada no município de Ibicoara, a qual só é possível chegar pela água, o que é um diferencial maravilhoso. Já pensou que incrível, ter que atravessar nadando um canion fantástico de tons degrades de marrom? Isso depois de caminhar por 2,5 quilômetros na beira do Rio Espalhado, com inúmeras quedas d’agua para você ir se refrescando e se deliciando com a paisagem. Área alagada - Mas se você acha que acabou por aí, está enganado, ainda tem o Pantanal de Marimbús, uma região de pequenas lagoas que se unem aos rios, formando uma belíssima área alagada, onde são encontradas uma grande variedade de aves e peixes. Além de uma vegetação aquática típica, como os aguapés e as ninfeias. Lá passeios de canoa te colocam dentro da natureza e o mergulho é uma experiência refrescante. Sem contar também com o Complexo Arqueológico da Serra das Paridas, onde inúmeras pinturas rupestres foram achadas. Depois de um grande incêndio na região que destruiu muito a vegetação, abrindo enormes clareiras que permitiram a descoberta. É um dos poucos lugares que necessita a contratação de guia, pois fica fechado em determinadas épocas do ano. Resumindo, a Chapada Diamantina é um dos raros lugares onde existe um passeio ideal para cada tipo de pessoa.
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COMO CHEGAR De avião, até Salvador e de lá seguindo para Lençóis, de ônibus com horários regulares saindo da rodoviária, transfer de algumas agências de turismo ou alugar um carro e seguir pela BR 242 Salvador / Brasília. Mas seja qual for a opção escolhida, o ideal é que você não concentre todos os seus dias em Lençóis, pois as distâncias por lá são grandes, e você acaba perdendo muito tempo com cansativos deslocamentos. Várias cidades dentro da Chapada oferecem boas condições de hospedagem e restaurantes, com guias e agências de turismo para assessorar qualquer passeio. Se estiver viajando de carro, pode chegar em quase todas as atrações da Chapada sem a necessidade de um guia, havendo estrutura apropriada para a visita. Algumas poucas, no entanto, precisam de um guia desde a saída da pousada ou hotel. Cidades: Lençóis - É a maior de todas as cidades, onde tem também está a maior concentração de hotéis, pousadas, restaurantes e agências de turismo. Fica mais ao Norte na Chapada, e é a mais perto da capital Salvador. As atrações mais próximas são o Morro do Pai Inácio, as Grutas da Lapa Doce e da Pratinha, o Poço do Diabo, a Cachoeira do Mosquito e a Serra das Paridas. Aqui tem hotéis e pousadas que se encaixam no bolso de qualquer viajante, do caro e chique Hotel Lençóis ao colorido Viela Hostel, ambos no centro da cidade. Há várias opções para comer e uma vida noturna que pode ser badalada, dependendo da época do ano.
Agências: www.chapadaadventure.com ; www.stremeecoadventure.com.br ; www.voltaaoparque.com.br ; www.foradatrilha.com.br. Associação de Guias (ACVL): (75) 33341425 Vale do Capão: Ainda na parte Norte da Chapada, é uma pequena vila, que fica um pouco mais longe da rodovia BR 242, próxima das cachoeiras da Fumaça (uma das mais bonitas), da Purificação, da Angélica e dovale do Pati. Aqui, há várias pousadinhas charmosas e lojinhas de artistas alternativo. A Pousada Tatu Feliz, a Casa dos Nômades ou a Pousada Lendas do Capão são algumas opções dentro da Vila. Associação de Guias (ACV-VL): (75) 33441087 Andaraí: Já bem mais na região central da Chapada, é uma cidade com pouco Charme, mas bem central e próxima de várias das principais atrações da Chapada como o imperdível Poço Azul, as Grutas da Paixão e Marota, a Cachoeira do Roncador e o delicioso Pantanal de Marimbus . São também poucas as opções de hospedagem e restaurantes, aqui a Pousada Sincorá e o restaurante Kabana de Pedra são as melhores opções, e eu recomendo. www.sincora.com.br Associação de Guias (ACVA): (75) 81371679 Mucugê: também na região central da Chapada, é uma cidade histórica com casario antigo e preservado, charmosa e cheia de pousadas e restaurantes. Ótima opção para conhecer a parte central da Chapada. Fica bem próxima do Poço Encantado, do Parque do Projeto Sempre Viva cheio de trilhas e cachoeiras ótimas para banho, do Museu Vivo do Garimpo, da Cachoeira Encantada, e também bem pertinho de Igatu, a mais charmosa cidade histórica da Chapa-
da, que fica no alto de uma serra com estrada de pedras preservadas. Na Pousada Pé de Serra, o visitante encontra um Mirante para apreciar o belo pôr do sol, vendo a cidade toda lá em baixo, é uma diferencial. Facebook pousadapedeserra Associação de Guias (ACVM): (75) 33382414 Ibicoara : A cidade mais ao Sul da Chapada e a mais perto de uma das atrações mais bonitas, no meu ponto de vista da Chapada inteira , a imperdível Cachoeira do Buracão. Mas também, tem a Cachoeira da Fumacinha, das orquídeas e do Licuri. E daqui você pode visitar também a cidade de Rio de Contas, uma das mais antigas da região. Recomendo a novíssima Pousada Kabana de Pedra, e o restaurante Espaço Gourmet Fazenda Produtiva, no qual o casal recebe você na própria casa e oferece uma refeição deliciosa feita com tudo produzido por eles mesmo e de forma consciente. Para quem gosta de comida orgânica e saudável, vale mesmo almoçar ou jantar lá. www.espaçogourmetfazendaprodutiva.com.br, tel : (77) 91120838 ou facebook Ana Dantas de Matos - www.pousadakabanadepredras.com.br - Associação de Guias (ACVIB): (77) 34132048 - Grupo Bicho do Mato Ibicoara : (77) 34132468 - Recomendo o Guia “Bidula”, que foi extremamente educado, simpático e atencioso. - bidulaturismo@hotmail.com ou tel (77) 991949205
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QUEIMADAS
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nfelizmente, a Chapada da Diamantina tem sido vítima de incêndios provocados pela fortíssima estiagem dos últimos tempos, mas também por criminosos, tendo como pano de fundo disputas de terras na região. Quando lá estivemos, no fim de 2015, a terra ardia forte tendo sido preciso que as Forças Armadas também combatessem os gigantescos focos. Ficamos cerca de meio dia parados na rodovia aguardando que o Corpo de Bombeiros e as brigadas pudessem agir para ao menos amenizar o fogo. A biodiversidade, infelizmente, foi atingida e não dá para saber exatamente o tamanho das perdas. Em 2008, 40% dos 152 mil hectares do Parque Nacional da Chapada Diamantina foram atingidos pelo fogo. O ideal, dizem especialistas, seria ter uma brigada para cada um dos 42 municípios da chapada. E investir em estrutura, equipamentos, treinamento, educação ambiental, estrutura de comunicação com rádio e outros. (Por Luciana Tancredo)
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Pelo Brasil DIVULGAÇÃO
Mercado segurador brasileiro deverá crescer entre 9% e 10% em 2016, diz presidente da CNseg Da CNseg
O presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), Marcio Serôa de Araújo Coriolano, disse no dia 17 de março, durante evento promovido pelo Sindicato das Seguradoras no Rio Grande do Sul, que, nos próximos anos, o setor de seguros deverá trabalhar com cinco requisitos para uma nova jornada: a estabilidade regulatória, a regulação contra cíclica, a redução dos custos de observância, a ampliação dos canais de acesso ao consumidor e o aperfeiçoamento da comunicação com foco na educação em seguros. Para 2016, segundo ele, diante do atual cenário conjuntural do país, a projeção é de que o mercado cresça entre 9% e 10% em relação ao ano passado.
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Marcio Coriolano destacou que os desafios para os próximos anos têm muito a ver com regulação que pesa sobre o setor, e que conduzirá as propostas de atuação da CNseg para apoiar o mercado diante da atual conjuntura do país. “É um setor estritamente regulado, mas não podemos confundir regulação com aprisionamento. É chegada a hora de o Governo fazer despertar o instinto animal do empreendedor.” Com relação à estabilidade regulatória, Marcio Coriolano enfatizou que o Brasil está convergindo, efetivamente, para padrões internacionais de solvência e contabilidade. Mas, a seu ver, aproximar-se de regras internacionais agora implica em uma pressão relevante sobre capital e patrimônio exatamente em período de ciclo baixo. “Precisamos mesmo caminhar em ritmo acelerado em nossas empresas com um cenário desses e um mercado
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solvente que nós temos?”, questionou. “A decisão das pessoas de poupar, de proteger o seu patrimônio, a sua família, a sua saúde, se faz com certo atraso depois destas conquistas terem sido alcançadas”, explicou, salientando que o mercado segurador brasileiro sempre respondeu ao ciclo da economia de forma atrasada. Tanto é verdade, segundo ele, que, mesmo em 2012, quando o Brasil apresentou queda do PIB expressiva, o mercado segurador continuou crescendo. “Agora, está acontecendo justamente o contrário. O Brasil conseguiu resistir em 2014, mas, já no final de 2015 se notou um esgotamento dos fundamentos econômicos, nos atingindo duramente.” O executivo lembrou ainda que o mercado segurador evoluiu muito ao longo dos últimos anos, na esteira do ciclo inédito de prosperidade pelo qual passou o país.
Ambev e Coca-Cola Brasil unem esforços pela água
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mbev e Coca-Cola Brasil, duas das maiores companhias de bebidas do mundo, se uniram, no Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, para anunciar que vão atuar em conjunto por uma causa importante para toda a sociedade: a disponibilidade de água nas cidades brasileiras. Juntas, as empresas vão trabalhar com a The Nature Conservancy (TNC), organização ambiental líder no mundo, para pôr em prática uma série de medidas para a proteção de nascentes nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ/ foto), que cruzam uma região onde vivem mais de cinco milhões de pessoas e que abastecem represas essenciais para a população do interior de São Paulo e da região metropolitana da capital paulista. As medidas incluem a restauração de florestas e solos em áreas de mananciais, o apoio a políticas públicas para a recuperação florestal e o engajamento do produtor rural na preservação das fontes de água. O trabalho começará pela restauração de áreas-chave para a saúde dos mananciais, em propriedades rurais de Jundiaí (SP), em uma ação que beneficiará, no médio prazo, os mais de 350 mil habitantes do município. Coalizão Cidades pela Água - A cooperação entre as companhias pela conservação ambiental é um desdobramento do compromisso assumido por
elas, ao aderirem ao programa Coalizão Cidades pela Água, promovido pela TNC. Ele tem o objetivo de ampliar a disponibilidade de água para mais de 60 milhões de brasileiros em 12 regiões metropolitanas e, ainda, reduzir os riscos para os negócios das empresas que atuam nessas regiões. Já fazem parte da Coalizão 11 empresas de diversos setores, inclusive concorrentes de mercado, que se unem em uma ação que beneficia não apenas suas operações, mas toda a sociedade. Coca-Cola e Ambev já haviam anunciado sua participação na Coalizão quando o projeto foi lançado, em novembro de 2015, e desde então, vêm desenvolvendo, ao lado da TNC, um plano de ação conjunto na mesma região. A bacia do PCJ foi escolhida como prioridade por causa da grande população que ela abastece, por sua relevância econômica e por precisar urgentemente de investimentos nessa área, já que foi uma das regiões mais afetadas pela crise hídrica em 2014 e 2015. “Um fator inovador da Coalizão é atuar numa ação cooperativa que visa a avançar a conservação dos recursos hídricos por meio de soluções baseadas na natureza e promover a gestão sustentável da água por parte do setor privado”, afirma Samuel Barrêto, gerente nacional de Água da TNC. Ele comenta ainda que as companhias que investem em disponibilidade de água para além de seus muros criam uma DIVULGAÇÃO / PCJ
apólice de seguros para os seus negócios, ao mesmo tempo em que contribuem para o bem-estar da população. Objetivo - O objetivo da Coalizão é ajudar empresas e governos a incorporar a preservação de rios e nascentes como uma ferramenta essencial de gestão sustentável da água. O esforço comum parte dos princípios de que a água é um elemento insubstituível para a operação das empresas e de que as companhias interessadas na sustentabilidade de seus próprios negócios podem contribuir decisivamente para a disponibilidade de água por meio do investimento em medidas que usam a própria natureza como solução – por exemplo, a recuperação de florestas. “Precisamos unir esforços para garantir a oferta de água no país. É uma agenda prioritária, acima de qualquer lógica concorrencial. O investimento contínuo que já fazemos em soluções para redução e reutilização de água garantem nossa eficiência industrial, mas temos que ultrapassar a fronteira de nossas fábricas. Independente de termos obtido desde 2013 a neutralidade em água, devolvendo ao meio ambiente 100% da água que usamos na produção de nossas bebidas, queremos fazer mais e de forma colaborativa. Ao investir em conjunto na gestão sustentável de bacias hidrográficas, queremos compartilhar valor com a sociedade, pois os ganhos não beneficiam somente uma empresa ou outra, mas toda a comunidade”, afirma Pedro Massa, diretor de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil. “O compromisso da Ambev com a água é um negócio muito sério. Na última década, investimos em tecnologias e numa gestão inovadora que nos ajudaram a reduzir o consumo de água em mais de 40%. Além de cuidar do consumo interno, há mais de cinco anos conservamos e recuperamos importantes bacias hidrográficas brasileiras, com o projeto Bacias. Fazer parte da Coalizão foi uma maneira de ampliar ainda mais o impacto de nossas ações”, afirma Renato Biava, diretor de responsabilidade social da Ambev.
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Pelo Brasil DIVULGAÇÃO
ABA Insights reúne especialistas
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Por Isabella Araripe, de Plurale
ABA Insights–Rio aconteceu no dia 10 de março no Espaço Cultural Furnas, em Botafogo. O evento contou com a presença de personalidades do mundo do marketing. Um dos temas apresentados foi a longevidade, gerando debate sobre “como será o mundo onde as pessoas vão viver 100 anos?”. Quem falou sobre o assunto foi a Fundadora da CO.R INOVAÇÃO, Rita Almeida. Ela também abordou a questão da empatia das marcas. De acordo com Rita Almeida, é preciso pensar a longo prazo já que envelhecer requer preparo de longo termo. “Atualmente, envelhecer é um amontoado de preconceitos”, disse.
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A consultora destacou que as empresas costumam encomendar e realizar internamente vários estudos que, no entanto, “não se falam”. E citou exemplos interessantes em diferentes segmentos, como de um restaurante em São Paulo que planta tudo o que apresenta em seu menu e outro no qual boa parte dos alimentos são preparados a partir do desperdício. Citando estudo americano, Rita destacou que nos Estados Unidos, 70% das marcas ainda deverão existir após 100 anos. Como bons exemplos citou o Whole Food, que se mantém em destaque com o mesmo perfil desde a sua fundação nos anos 70 e o caso interessante da Patagônia que promete vida eterna para uma jaqueta oferecida ou o exemplo do filme “Boyhood” com todos os atores e equipe envolvidos ao longo de 12 anos.
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“É preciso olhar o darwinismo das marcas e ver quais irão sobreviver e mudar”, destacou Rita. Também o sócio-fundador da HSR, Paulo Secches, palestrou no evento da ABA, apresentando pesquisa em conjunto com a Carta Capital sobre empresas mas admiradas. Paulo destacou alguns resultados da pesquisa junto a executivos e formadores de opinião: “as marcas precisam ter princípios” e também “estarem comprometidas com os indivíduos”. Secches concluiu que em tempos atuais, “não basta mais fazer para ser, é preciso ser”. O ator Otaviano Costa participou de mesa redonda de encerramento falando sobre o papel de celebridades em campanhas. O evento foi coordenado por Marco Simões, Representante Executivo da ABA- Capítulo Rio.
Revista RI celebra 18 anos A Revista RI - Relações com Investidores,1998 - e, chegando à sua 201ª edição (Março.2016), celebra este mês 18 anos de edições “ininterruptas” - consolidando-se como a principal e mais longeva publicação mensal da história do Mercado de Capitais brasileiro, com foco nas Relações com Investidores. Especialmente dirigida a comunidade de investimentos, há dezoito anos a RI vem levando ao conhecimento de seus leitores temas relevantes ao desenvolvimento do mercado de capitais, tais como: Comunicação Corporativa, Sustentabilidade, Governança Corporativa, Responsabilidade Socioambiental, Branding, Criação de Valor, Legislação Societária, Mercado Global, Ativismo, assim como experiências de empresas brasileiras e estrangeiras que possam servir de exemplos ou modelos no campo das relações com investidores.
A RI, editada por Ronnie Nogueira, é distribuída para diretores e executivos de finanças e de relações com investidores de todas as empresas abertas brasileiras, além de investidores institucionais e individuais, analistas financeiros e profissionais de investimentos das principais instituições que participam do nosso mercado financeiro e de capitais, e também através da venda em bancas, para todos aqueles que direta ou indiretamente participam do mercado de capitais no Brasil. Além da “edição impressa” - a Revista RI pode também ser “integralmente” acessada, a qualquer momento e em qualquer lugar do mundo, através da “edição digital”, disponível nos formatos para: iPad, PC, MAC e Android - podendo ao download ser feito a partir de link disponível no nosso ebsite: www.revistaRI.com.br.
Seguros
PRÊMIO ANTONIO CARLOS ALMEIDA BRAGA DE INOVAÇÃO EM SEGUROS ANUNCIA VENCEDORES DA QUINTA EDIÇÃO Em encontro com líderes do mercado segurador, CNseg divulga nove projetos vitoriosos Da CNseg/ Do Rio de Janeiro Fotos CNSeg/ Divulgação/ Rosane Bekierman
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Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), orgulhosamente, anunciou os vencedores da edição 2015 do Prêmio Antonio Carlos de Almeida Braga de Inovação em Seguros, no último dia 17 de dezembro, em cerimônia que contou com a presença dos principais líderes do mercado segurador brasileiro, realizada no Hotel Copacabana Palace. Dos 52 projetos habilitados, 15 chegaram à etapa final, onde tiveram a oportunidade de defender, presencialmente, seus trabalhos frente à Comissão Julgadora. Os primeiros, segundos e terceiros lugares de cada categoria receberam, respectivamente, prêmios de R$30 mil, R$15 mil e R$10 mil. A categoria Processos foi, novamente, a que recebeu o maior número de inscrições e, após duas etapas de avaliação, o primeiro lugar ficou com o trabalho “Operação Calamidade”, de José Roberto Bezerra de Lima e Ana Lúcia da Costa Ramos, da Bradesco Auto/Re. Os executivos da DEKRA, Mario Cassio Vieira Marques Mauricio e Felipe Souza, conquistaram o segundo lugar com o projeto “Dekra Check-in”. Na terceira colocação com o trabalho “SMS Dental”, ficou Paula Caroline Toguchi, da MetLife. Na categoria Comunicação, o trabalho “Campanha SulAmérica Saúde Ativa”, de Luciana Ribeiro Carqueijo Froehlich, Cristina Pazetti, Ana Lobato e Zeca Vieira, da SulAmérica, foi o vencedor. Em segundo lugar, ficou o projeto “Comunicação Expressa aos
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Corretores”, de André Hirszberg, da Bradesco Auto/Re. O terceiro na classificação da categoria foi o trabalho “Os Bebês da Virada”, de Rodrigo Moreira Pádova, Aura Rebelo, Elisa Portugal, Humberto Sardenberg e Bruno Gélio, da Icatu Seguros. O primeiro colocado em Produtos e Serviços foi o projeto “Franquia Flex”, de Lara Sarzedas Murta e Patricia Alves, da SulAmérica. Na segunda colocação ficaram Bruno Campos Garfinkel e Fabio Frisson Giusti, da Porto Seguro, com o trabalho “Renova Ecopeças”. Em terceiro ficou o “XTerra”, da Terra Brasis, autoria de Sofia Nassar Lacerda, Arthur Sanches, Carlos De Zoppa, Dionísio Araújo, Felipe Augusto, Gustavo Almeida, Paulo Botti, Paulo Hayakawa, Priscila Grossi, Ricardo Drizin e Rodrigo Botti. “A ideia do Prêmio é levar as pessoas a enxergarem a importância de não se contentar com o que já está dado, de buscar sempre um modo melhor de fazer as coisas”, avaliou o presidente da CNseg, Jayme Brasil Garfinkel, salientando que “acredita que a existência de
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um concurso que valoriza as melhores ideias, em diferentes áreas de atuação, e estimula seu compartilhamento, fortalece o conceito da inovação e ajuda a torná-lo um valor”. Para a diretora-executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes, “o Prêmio mostra que as empresas adotaram a inovação como palavra de ordem e dá visibilidade a projetos que agregam valor ao mercado de seguros”. Comissão Julgadora Todos os projetos habilitados foram avaliados, em duas etapas, pela Comissão Julgadora do Prêmio, composta nesta edição pelo advogado, cronista e escritor, Antonio Penteado Mendonça; pelo advogado, consultor jurídico e presidente da BRASILCON, Bruno Miragem; pelo economista e ex-superintendente da SUSEP, Helio Portocarrero; pelo professor, doutor em Direito e vice-presidente do Instituto Itaú Cultural, Joaquim Falcão; pelo gerente geral da Associação Palas Athena do Brasil: Sociedade de Estudos Filosóficos, Julio Bierrenbach; pela administradora e analista da Secretaria de Planejamen-
to e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento e Orçamento, Mariana Meirelles; pela jornalista especializada em Defesa do Consumidor, Nadja Sampaio; pelo economista, ecologista e presidente do Instituto Pereira Passos, Sergio Besserman e pela jornalista, repórter e editora de Finanças e Mercados do jornal Valor Econômico, Vanessa Adachi; profissionais reconhecidos nas áreas de seguros, governo, sustentabilidade, economia, jornalismo e educação. Também compuseram a Comissão Julgadora, na segunda etapa, o professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Daniel Vargas, e a jornalista e diretora da VTN Comunicação, Vania Absalão. Sobre o Prêmio Há cinco anos, o Prêmio Antonio Carlos de Almeida Braga de Inovação em Seguros busca reconhecer o trabalho dos securitários e corretores que contribuem para a inovação no mercado. Lançado pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), a premiação tem como objetivo estimular a evolução do setor e o aprimora-
mento das relações com o consumidor. Para isso, apoia a adoção de ideias inovadoras referentes a produtos e ações de comunicação, além de atitudes que vão delinear o perfil do mercado segurador no futuro. O crescente número de projetos participantes, bem como suas inegáveis qualidade e relevância para o mercado, confirmam cada vez mais a importância da iniciativa dentro e fora da CNseg. Em 2014, foram recebidas 82 inscrições, total 41,3% maior que o registrado na edição anterior. O nome de Antonio Carlos de Almeida Braga foi unânime ao se pensar em um prêmio de inovação em seguros. Nascido em 1926, filho de engenheiro português dos setores imobiliário e de seguros, ‘Braguinha’ fez da Companhia Atlântica uma das maiores seguradoras da América Latina, vendida para o Bradesco em 1984. Foi ainda o fundador, posteriormente, da Icatu Seguros, além de ter sido o pioneiro na distribuição de produtos de seguros por meio da rede bancária. Com seu espírito inovador, foi capaz de aperfeiçoar o atendimento no mercado. Por isso, mereceu esta homenagem e serve como inspiração para os seguradores da atualidade.
VENCEDORES • Categoria Produtos e Serviços: 1º lugar: Franquia Flex, autoria de Lara Sarzedas Murta e Patricia Alves, da SulAmérica. 2º lugar: Renova Ecopeças, autoria de Bruno Campos Garfinkel e Fabio Frasson Giusti, da Porto Seguro. 3º lugar: XTerra, autoria de Sofia Nassar Lacerda, Arthur Sanches, Carlos De Zoppa, Dioniso Araújo, Felipe Augusto, Gustavo Almeida, Paulo Botti, Paulo Hayakawa, Priscila Grossi, Ricardo Drizin e Rodrigo Botti, da Terra Brasis. • Categoria Comunicação: 1º lugar: Campanha SulAmérica Saúde Ativa, autoria de Luciana Ribeiro Froehlich, Cristina Pazetti, Ana Lobato e Zeca Vieira, da SulAmérica. 2º lugar: Comunicação Expressa aos Corretores, autoria de André Hirszberg, da Bradesco Auto/Re. 3º lugar: Os Bebês da Virada, autoria de Rodrigo Moreira Pádova, Aura Rebelo, Bruno Gélio, Elisa Portugal e Humberto Sardenberg, da Icatu Seguros. • Categoria Processos: 1º lugar: Operação Calamidade, autoria de José Roberto Bezerra de Lima e Ana Lucia da Costa Ramos, da Bradesco Auto/Re. 2º lugar: DEKRA Check-in, autoria de Mario Cassio Vieira e Felipe Souza, da Dekra. 3º lugar: SMS Dental, autoria de Paula Caroline Toguchi, da MetLife.
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Ave, meu
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E n s a i o Por Marcelo Senna Especial para Plurale
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h, o Araguaia. Depois de percorrer boa parte dos melhores rios de pesca do Brasil, desembarquei no lendário Araguaia, na altura do município goiano de Luiz Alves, em setembro de 2015. Período de seca, águas bem baixas, deixando à mostra lindas praias de areia branquinha. Algumas ainda com ranchos montados e recém-abandonados no fim das férias escolares. A expectativa era a de sempre, uma excitação de principiante. Mas, não era pra menos. Ali, na minha frente, estava o rio que ainda abriga gigantes piraíbas e pirararas em suas águas. E mais: revitalizado pela lei da cota zero de transporte de peixes no estado, adotada no primeiro semestre de 2013. A medida reduziu, enfim, a matança desenfreada e trouxe de volta o pescador esportivo, aquele turista consciente, que não mata peixes. Leva pra casa apenas as fotos e as lembranças. Deixa com a população local (guias, pousadas, restaurantes...) alguns milhares de reais a cada temporada, incentivando o turismo sustentável. Tralha montada, linha na água... mas o mar, quer dizer, o rio não estava prá
MARCELO SENNA peixe. No grupo de dez pescadores, apenas alguns exemplares de dourada (ou apapá), bicudas, palmitos (ou mandubé), piaus. Faz parte. Todo pescador sabe que a pesca não é ciência exata. Mesmo com as condições ideais de cota zero e rio baixo, não houve muita ação em quatro dias. A alegria ficou por conta de uma gigantesca piraíba de 2,10m (com foto para provar que não é história de pescador). Mas pescar pouco não significa aborrecimento. Ao contrário. Sem ação dentro da água, foi possível admirar o Araguaia em sua plenitude. Nascer e pôr do sol tão dourados que faziam cair o queixo, vegetação preservada e, principalmente, a revoada das aves. São elas que dão o tom da fauna preservada no local. Os velozes e carniceiros carcarás e gaviões, sempre à espera das sobras de churrasco nas margens. O desconfiado e exuberante colhereiro, com sua plumagem rosa, mantendo-se à distância. Os voos, sempre em casal, das araras. O enorme e exótico jaburu, com batidas de asas tão fortes que chegam a tirar a concentração do pescador. Dezenas de espécies de passarinhos, uma mais colorida do que a outra, e que não param de cantar em nenhum momento. Garça, mergulhão, martim pescador. Enfim, ave para todos os gostos. Ave, meu Araguaia.
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COMO CHEGAR E ONDE FICAR: Partindo do Rio e de São Paulo, Avianca, Azul, Gol e Tam têm voos diários para Goiânia, a partir de R$ 520 ida e volta (são preços para março, quando a pesca abre novamente. Tenho dúvidas se vale a pena dar valores). De lá, se não tiver amigos pescadores, como eu, alugue um carro. São 520 quilômetros até Luiz Alves, o que dá umas 7 horas de viagem (vide gráfico do google maps). Uma semana de carro compacto alugado sai a partir de R$ 865 (valores para março). Na cidade Luiz Alves, as melhores opções de pousada são a Canoeiros e a Pescador. As duas, além de pensão completa, dão opções de pacotes com guias, barco e gasolina incluídos. Os valores para março, quando a pesca abre novamente (está fechada desde 31 de outubro) estão a partir de R$ 490. Há a opção de pagar a gasolina por fora (ao custo, em dezembro, de R$ 4,88 por litro já temperado com óleo).
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E D A D A R T S E A CAIANDO N
E K I B Cicloturismo cresce junto com aumento do uso da bicicleta e conquista novos adeptos. Conheça os principais roteiros e dicas para começa na modalidade
Por Danilo Vivan, Especial para Plurale em revista De São Paulo Fotos de Guilherme Cavallari
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os 13 anos, o jornalista Fábio Almeida fez sua primeira viagem de bicicleta. Foi um percurso, digamos, curto: 56 quilômetros, de São José dos Campos, no Vale do Paraíba a São Francisco Xavier, um distrito da cidade. Hoje, aos 41 anos, contabiliza cerca de 10 mil quilômetros pedalados, em trilhas no Brasil e no exterior. Também é voluntário do Clube de Cicloturismo do Brasil. Uma viagem em particular lhe traz lembranças especiais. Foi em 2012, no litoral Norte de São Paulo, relembrando histórias da adolescência, vivida na região. “Foi um reencontro com praias lindas, que mudaram muito pouco desde então. Pedalei sozinho e pude relembrar ‘causos’”. Para dar vazão à necessidade de relatar as próprias experiências e, ao mesmo tempo, compartilhar dicas de outros viajantes, Barbosa criou o site o Pedal Nativo. No rastro do aumento do uso da P LURALEEM EMREVISTA REVISTA| |Março Março/ /Abril Abril2016 2016 44 PLURALE 44
bicicleta como meio de transporte, cada vez mais gente vem se aventurando a embarcar no sonho de vencer quilômetros a bordo de uma bike. Não existem dados oficiais, mas o documento “A Bicicleta no Brasil 2015”, dá uma ideia da base desse movimento. Afinal, o pedal urbano costuma ser a porta de entrada para as cicloviagens. No Rio de Janeiro, por exemplo, o número de deslocamentos de bicicleta por dia chega a 420 mil, tendo aumentado 445% de 1994 a 2012. Em São Paulo, são 333 mil deslocamentos por dia. “O cicloturismo cresce numa proporção semelhante à do ciclismo urbano. As lojas oferecem equipamento para viagens, os bikes-café dispõem de literatura sobre o assunto e surgem sites dedicados ao tema”, avalia o ciclista e escritor Guilherme Cavallari, autor de 12 guias de cicloturismo e proprietário da editora Kalapalo. Existem no País roteiros clássicos, geralmente adaptados a partir de caminhos de peregrinação e que permitem ao cicloviajante organizar sua aventura hospedando-se em pousadas e albergues.
No Sudeste, uma das rotas é o Caminho da Fé, que percorre a Serra da Mantiqueira e tem como destino final a cidade de Aparecida. Como no roteiro de uma novela medieval, os ciclistas-cavaleiros que, com esforço e fé, vencerem as montanhas da Mantiqueira (e suas lindas paisagens), terminam a jornada na Basílica de Aparecida, principal centro de peregrinação do País. A versão mais longa começa em Sertãozinho, São Paulo, totalizando 500 quilômetros. Um dos aspectos mais interessantes é o de se hospedar em pousadas simples, compartilhando da simpatia dos moradores do Interior de São Paulo e de Minas e, claro, de suas delicias culinárias. Já o Caminho do Sol percorre cerca de 250 quilômetros, saindo de Santana de Parnaíba, cidade de origem bandeirante próxima de São Paulo e terminando em Águas de São Pedro, onde uma imagem de Santiago de Compostela trazida da Espanha abençoa os viajantes. Ao longo
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Bicicleta
da rota, setas amarelas (pintadas em árvores, postes ou mesmo no asfalto) indicam o rumo a seguir. Outro clássico é a Estrada Real, criada no século XVIII para escoar o ouro produzido na região de Ouro Preto para Paraty. São 710 quilômetros passando pelas montanhas de Minas Gerais e, depois, pela Serra do Mar, já no litoral do Rio de Janeiro. No Sul do País, a referência é o circuito Vale Europeu, que totaliza 300 quilômetros pelo Interior de Santa Catarina e que pode ser percorrido em sete dias, sempre por terra e tendo contato com a hospitalidade da população que vive na zona rural, marcado por tradições alemã e italiana. Pensando na vocação ‘caipira’ do cicloturismo brasileiro (diferente da Europa, onde as viagens são feitas em asfalto), Cavallari, da Kalapalo, criou dois roteiros que podem ser feitos exclusivamente por terra sob cenários de cair o queixo: o primeiro, batizado de Ciclomantiqueira, como o nome sugere, percorre a Serra da Mantiqueira, saindo de Extrema (MG) e passando por cidades como Campos do Jordão (SP), Aiuruoca (MG) e Joanópolis (SP). Total: 1.168 quilômetros em 30 dias. O segundo, chamado de BluGrama, sai de Gramado (RS) e termina em Blumenal (SC), totalizando 32 dias e passando por regiões como Urubici (SC), Pomerode (SC) e Cambará do Sul (RS) em cenários mágicos. Claro, vale lembrar não é preciso fazer qualquer desses roteiros na totalidade. O cicloviajante pode escolher alguns trechos, de acordo com a
disponibilidade de tempo e o preparo físico. Como começar? Pra quem não tem experiência, Cavallari recomenda olhar, em primeiro lugar, para o equipamento: encarar uma cicloviagem a bordo de uma bike urbana, nem pensar. O ideal, como já foi dito, é uma mountain bike. A primeira viagem deve ser curta, com um pernoite, no máximo, pra que o marinheiro (ou, melhor, o ciclista) de primeira viagem entenda a dinâmica da aventura. O ideal é antes de cair na estrada, conhecer noções básicas de mecânica. Uma dica: três procedimentos (trocar um pneu furado, consertar uma corrente quebrada e regular um freio) permitem ao viajante resolver 99% dos imprevistos que acontecem com uma bicicleta. Sobre os equipamentos, vale a máxima: menos é mais. Se vai ficar em pousadas, leve o mínimo possível: capa de chuva, capa de mochila e uma muda de roupas pra quando estiver hospedado. Pra garantir a segurança, lanterna dianteira, pisca traseiro, kit primeiro socorros, celular carregado, dinheiro e documentos pra eventuais emergências. Tudo isso cabe numa mochila pequena e garante ao ciclista liberdade para pedalar levando pouco peso. “Alguns ciclistas se preparam para viagens curtas como se estivessem organizando uma expedição internacional”, avalia Cavallari. A dica, então, é cair na estrada com o olhar de turista e alma leve.
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Esse é, afinal, o grande prazer do cicloturismo. Roteiros no Brasil Caminho da Fé: www.caminhodafe.com.br Caminho do Sol: www.caminhodosol.org Estrada Real: www.institutoestradareal.com.br Circuito Vale Europeu: cicloturismo. circuitovaleeuropeu.com.br Transmantiqueira e BluGrama: www. kalapalo.com.br (o guia custa R$ 39 e pode ser adquirido pela Internet) Sites Clube de Cicloturismo do Brasil: www.clubedecicloturismo.com.br/ Pedal Nativo: pedalnativo.com.br Histórias inspiradoras de quem caiu na estrada a bordo de uma bike Off the Map: Bicycling Across Siberia Relata a história do americano Mark Jenkins, que juntamente com outros seis colegas cruzou a Sibéria de bike, em quase 12.000 quilômetros. The Masked Rider: Cycling in West Africa – Neil Pearth Baterista e letrista da banda canadense Rush, Neil Peart, revela, nesta obra, seu talento para a narrativa, contando sua viagem de bike pela costa de Camarões, em 1988. Transpatagônia, Pumas Não Comem Ciclistas Primeira narrativa de Guilherme Cavallari, mostra sua viagem de 6 mil quilômetros pela Patagônia. O livro se transformou num filme, vencedor do Rio Mountain Festival 2014.
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Ecoturismo
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ISABELLA ARARIPE
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Pesquisa revela que Brasil é destino ideal para aventura O Brasil é o país ideal para prática de aventura e um dos melhores destinos turísticos do mundo, segundo uma pesquisa elaborada pelo portal americano US News & World Report, a consultoria BAV e a escola de negócios Wharton, da Universidade da Pensilvânia. O estudo foi apresentado durante o Fórum Econômico de Davos, na Suíça. A pesquisa foi realizada com 60 países que concentram mais de 90% do PIB do mundo. O objetivo do estudo era “entender e quantificar a percepção global sobre as marcas países”. A Alemanha ficou em primeiro lugar no ranking geral. O Brasil figura na 20ª posição. Entre os atributos que levaram o Brasil a ser o número 1 no ranking aventura estão: diversão, cenário e clima agradável, itens avaliados com notas acima de 8,5.
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Parque de Brasília ganha trilha para ciclistas Para comemorar o Dia Mundial da Vida Selvagem, 3 de março, o Parque Nacional de Brasília , Unidade de Conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vai inaugurar uma trilha de 15 km para ciclistas, com duchas no final do caminho para refrescar quem se aventurar pelo percurso. Segundo Daniela Costa, analista ambiental e chefe substituta da Unidade de Conservação, foi preparado um caminho longo, amplo e sinalizado, que vai agradar aos ciclistas que aguardavam tanto por essa iniciativa. Ela explica que esta é uma expansão da trilha Cristal Água e que as duchas - “Suspiro” - funcionam com o aproveitamento da água da válvula de alívio de pressão que integra a rede hidráulica do parque, não havendo desperdício. Vale ressaltar que a trilha também é aberta para pedestres, só que, neste caso, com a opção de percorrer também um caminho reduzido, com 6,5 km.
Guia Turismo Acessível ganha versão em inglês e espanhol O Ministério do Turismo acaba de disponibilizar as versões em inglês e espanhol do Guia do Turismo Acessível, site colaborativo onde os internautas podem avaliar a acessibilidade de hotéis, restaurantes e atrações diversas. Faltando apenas 200 dias para a abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, o guia, que conta com ações voltadas para a promoção da inclusão social e o acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida à atividade turística com segurança e autonomia, será uma importante ferramenta para atletas e visitantes que irão participar do maior evento esportivo do mundo. Além do site www.turismoacessivel.gov.br o Guia Turismo Acessível também está disponível por meio de aplicativos para dispositivos móveis, que podem ser baixados gratuitamente na loja da Windows Phone, Apple Store e Google Play.
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Sertão alagoano atrai turistas Banhando diversos municípios e povoados ricos em artesanato e cultura, o Rio São Francisco abre caminho entre cânions de pedra, trilhas ecológicas e cidades históricas, como Penedo e Piranhas, que têm seu conjunto histórico e paisagístico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Dividida entre os municípios de Sergipe e Alagoas, a Rota do Cangaço conta a história de Lampião em meio à caatinga alagoana. Pelo caminho de trilha é possível observar as formações rochosas e morros cobertos pela vegetação da caatinga. Além das trilhas, os passeios de canoagem pelo Velho Chico, o rapel nos cânions e as escaladas estão entre as experiências mais procuradas pelos visitantes. Para a realização dos passeios, o destino possui receptivos e agências que oferecem pacotes e serviços adequados à necessidade de cada visitante.
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VIDA Sa u d á v e l
Health coach Já ouviu falar em health coach? Esta é a última novidade em matéria da verdadeira “febre” de coaching, muito utilizado para o lado profissional. Não se trata de um nutricionista ou de um personal. Este profissional, ou mentor, como alguns preferem chamar, procura motivar o cliente a cultivar atitudes positivas em relação à saúde e bem-estar. O health coach se propõe a educar e amparar o cliente na conquista de suas metas de saúde, buscando mudanças de comportamento e estilo de vida. Existe inclusive uma certificação de comportamento e estulo de vida. Existe inclusive uma certificação para quem está atuando nesta nova área de começar o processo de mudança de modo de vida e reeducação alimentar é procurar médicos e especialistas em nutrição e Educação Física. Lembre-se que não há milagres quando o assunto é saúde
Vinagre de maçã
O hit do momento em matéria de ajuda para dietas é o vinagre da maçã. Os nutricionistas explicam que este tipo de vinagre possui mais substâcias benéficas do que os demais vinagres. O alimento conta com ácido acético, enzimas, catequinas e quercetinas, que são antioxidantes, traços de fibra solúvel, betacaroteno e minerais, especialmente o potássio. O produto possui propriedades digestivas ( melhoram a digestão), mas também pode ajudar na regulação da glicose no sangue. Os efeitos para o controle da glicemia parecem ser mais evidentes em indivpiduos pré-diabéticos do que em indivíduos com resposta normal à insulina.
A Embrapa Agroindústria Tropical (CE) desenvolveu duas formulações tendo como principal ingrediente a fibra do caju – um coproduto abundante nas fábrivas de suco, que normalmente é descartado. Uma delas, projetada para a produção industrial, prevê a incorporação de proteínas de soja, além de outros ingredientes, e requer equipamentos industriais. A outra formulação apresenta como base proteica o feijão-caupi (também conhecido como feijão-de-corda) e foi planejada para a produção doméstica, com o objetivo de oferecer uma alternativa de renda a agricultures familiares. Em comparação com outros hambúrgueres vegetais disponíveis no mercado, o hambúrguer de caju da Embrapa apresentou excelente aceitação em testes de análise sensorial e de intenção de compra. Além disso, tem apenas metada das calorias do seu similar de carne bovina e pode ser uma boa alternativa para compor dietas com restrição com restrição ao consumo de proteína animal, vegetarianas ou veganas.
Rações integrais para cães e gatos Se os donos estão em busca de produtos mais saudáveis, porque não fazer o mesmo com os seus animais de estimação? Uma feira de produtos veterinários realizada recentementer em São Paulo teve como um dos destaques os produtos integrais para cães e gatos. Há algumas marcas à venda nas lojas especializadas. Aninciam que são desenvolvidos com elevados níveis de proteína de origem animal, baixa quantidade de carboidratos, sem ingredientes transgênicos, sem cereais e com conservantes naturais. Utilizam cereais nobres como a quinoa, aveia, cevada e sorgo. Não é para menos que algumas empresas estão de olho neste mercado. Em 2015, o Brasil deve lucara R$ 16,6 bilhões com o incremento das indústrias de pet food (alimentos).
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GRUPO BOTICÁRIO: CRESCIMENTO MESMO EM ANO FRACO APOIADO EM INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE Diretoria apresenta resultados, fala de perspectivas para 2016 e apresenta Pele 3D para testes de matérias-primas e produtos acabados. DIVULGAÇÃO
De Sônia Araripe, Editora de Plurale
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De Curitiba
ma extensa área de jardins rodeia a fábrica do Grupo Boticário em São José dos Pinhais, município que integra a Grande Curitiba. Pássaros quero-quero ciscam aqui e ali no amplo gramado. Quem procura chaminés com fumaça e toda a tradicional infraestrutura cinzenta e pesada que tanto marca parques industriais se surpreende pela limpeza, com as instalações modernas com cores fortes nas paredes e pelo cheiro agradável de perfume de todos os lados. Esta, definitivamente, não lembra em nada uma unidade fabril tradicional. Tem cheiro de perfume e práticas sustentáveis para serem conferidas. Como no empoderamento feminino – dos quatro vice-presidentes, duas são mulheres, em posições de liderança são 48% e no corporativo e mas indústrias, 57% são mulheres – e também em outras ações. Como nos projetos de reuso de água e de energia. Apenas na fábrica de São José dos Pinhais, a redução média foi de 20 mil m³ de água por ano, o equivalente ao consumo anual de mais 360 pessoas. Os projetos de iluminação natural e de LED nas unidades operacionais reduziram o consumo em 3,87 milhões de kwh/ano nas duas fábricas e nos dois centros de distribuição do Grupo. Economia suficiente para o abastecimento anual de 2 mil residências. “Sustentabilidade é o nosso modelo de gerir o negócio. Não é um produto ou uma campanha”, destacou Artur Grynbaum, presidente do Grupo Boticário, que controla as unidades de negócio O Boticário, Eudora, quem disse, berenice? e The Beauty Box. O ano de 2015 definitivamente não foi fácil para nenhum setor. Até mesmo para o de beleza, que julgava-se “blindado” para crise. De acordo com dados oficiais da Associação Brasileira da Indústria de
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Higiene Pessoal Perfumaria Cosméticos (Abihpec), pela primeira vez em 23 anos o setor teve queda este ano. Por conta disso, Artur Grynbaum considerou positivo o crescimento esperado de um dígito em 2015 do grupo e a abertura de 75 novas lojas quando a previsão era de 50, atingindo 3.962 pontos de venda de suas quatro marcas no Brasil. Agora o Grupo aguarda o desempenho das vendas de Natal para fechar o ano com crescimento. “Sabíamos que 2015 seria um ano mais difícil. Ainda assim conseguimos aproveitar boas oportunidades de ampliação da atuação das nossas quatro marcas. A abertura de lojas exigiu mais atenção, mas fazemos o nosso futuro hoje e precisamos olhar não apenas para este período. Depois de 2015 vêm 2016, 2017 e é preciso estar preparado”, explicou aos jornalistas em dezembro de 2015 o presidente do Grupo Boticário, Artur Grynbaum, no cargo desde 2008. E quais as perspectivas para 2016? O presidente do grupo observa que, no curto prazo o cenário é incerto. “Mas costumamos sempre planejar no médio a longo prazo”, disse. Ao seu lado, o fundador do Boticário, Miguel Krigsner, lembrou que outras tantas crises foram enfrentadas e superadas. Destacou a força da inovação do grupo, que, apenas em 2015 lançou 1,5 mil produtos. “Inovação é essencial”, frisou.
PLURALE EM REVISTA | Março / Abril 2016
Pele 3D - Um dos trunfos foi o desenvolvimento de pele 3D para testes. Especialistas do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia, inaugurado em 2013 na unidade de São José dos Pinhais (PR), já utilizam o material para o teste de matérias-primas e produtos acabados (cremes, loções e maquiagens), tanto para a escolha de ingredientes quanto na segurança. A tecnologia é um método alternativo de testes para a indústria cosmética, reconhecido pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Grupo Boticário já usava métodos alternativos em seus processos, por meio de testes in vitro e estudos clínicos de segurança, considerando desde as matérias-primas até os produtos acabados. Para elaborar a pele 3D, são utilizadas células isoladas a partir de tecido descartado de cirurgias plásticas, nos casos em que há o consentimento do doador para este fim e aprovação de Comitê de Ética e Pesquisa da instituição. Em laboratório, a pele vai sendo formada, célula a célula, camada por camada, tal como a pele humana. Primeiro é feita a derme, composta por fibroblastos, que são responsáveis pela produção de proteínas, como colágeno, que dão firmeza e elasticidade à pele. A próxima camada a ser formada é a epi-
GRUPO BOTICÁRIO DESENVOLVE TECNOLOGIA INOVADORA NO PAÍS
Pele
A companhia, que é contrária a testes em animais na indústria cosmética, desenvolveu de forma pioneira no Brasil uma tecnologia capaz de reproduzir em laboratório a pele humana para ser aplicada em testes de formulações. A metodologia alternativa contribui, inclusive, para a redução do número de testes em humanos.
VEJA, A SEGUIR, COMO ELA É FEITA PELO CENTRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA EMPRESA
No laboratório, a pele 3D vai sendo formada por camadas, tal como a pele humana.
Para compor a pele 3D são usadas células humanas isoladas a partir de tecido descartado de cirurgias plásticas, nos casos em que há o consentimento do doador para este fim e aprovação de Comitê de Ética e Pesquisa da instituição.
Queratinócitos
2 A próxima camada a ser formada é a epiderme, composta por queratinócitos e melanócitos. Os queratinócitos respondem pelas funções de barreira e pela proteção do corpo. Os melanócitos conferem coloração à pele.
Melanócitos
Fibroblastos
1 Primeiro é feita a derme, composta por fibroblastos, responsáveis pela produção de proteínas que dão firmeza e elasticidade à pele, como o colágeno.
São necessários, em média, 10 dias para desenvolver peles 3D em tamanhos menores
E 30 dias para tamanhos maiores. É neste período que ocorre a diferenciação celular (processo de especialização em determinada função pelo qual as células passam).
Dependendo das células isoladas, também é possível a mimetização da pele humana em diferentes idades.
Após o desenvolvimento, a pele pode durar até 7 dias. O principal cuidado nesse período é a troca do meio de cultivo a cada dois dias, a fim de fornecer os suprimentos necessários para que as células sobrevivam, como a glicose.
Utilizando melanócitos (que dão coloração à pele), é possível reproduzir as 6 principais colorações da pele descritas na literatura.
Depois de pronta, a mesma unidade de pele 3D pode ser usada para vários testes, como irritação cutânea, corrosão dérmica, avaliação de eficácia de matérias-primas e produtos acabados. No Grupo Boticário, já foram testados dessa forma cremes, loções e maquiagens (batom, brilho, sombra, blush e esmalte).
VANTAGENS DA
Pele
Evita testes com animais na indústria cosmética
Possibilidade de testar várias formulações, escolhendo a melhor quanto à eficácia e segurança.
Redução do número de testes em humanos.
Maior fidelidade e confiabilidade aos testes dos produtos (por usar material biológico composto por células humanas).
Formulações melhores e mais seguras para testes em humanos.
derme, compostas por células denominadas queratinócitos, responsáveis pelas funções de barreira e proteção do corpo, e também por melanócitos, que dão coloração à pele. Com a tecnologia inovadora, é possível realizar vários testes numa mesma unidade de pele reconstituída, que dura 7 dias, em vez de 72 horas da pele “in natura”. A pele 3D permite ainda maior amplitude e mais assertividade nos testes, pois ela é elaborada a partir de um pool de células de vários indivíduos. Entre as vantagens apontadas estão: evitar testes em animais na indústria cosmética, redução no número de testes com humanos, maior fidelidade e confiabilidade aos testes dos produtos, possibilidade de se testar várias formulações e escolher a melhor em relação à eficácia. O presidente do Boticário falou também sobre a busca do melhor modelo organizacional no longo prazo: 2015 foi o ano de um redesenho da estrutura da companhia. “Isso nos ajudou a enfrentar a crise. A nova estrutura deu agilidade às ações da organização”, avaliou Grynbaum. Foram planejadas novas frentes estratégicas na empresa, lideradas por quatro vice-presidências: Negócios Franquias, Novos Negócios, Corporativa e Desenvolvimento Humano e Organizacional. O objetivo é a maior integração de toda a cadeia: rede franqueada, colaboradores e parceiros. Sustentabilidade com retorno ambiental e financeiro O planejamento estratégico de longo prazo em Sustentabilidade, iniciado em 2012 e com ações previstas até 2024, colheu neste ano excelentes resultados em ecoeficiência – uma das três frentes priorizadas, junto com canais de venda e matérias-primas e embalagens. Ao todo são 18 projetos nas unidades operacionais de São José dos Pinhais-PR, Registro-SP, Camaçari e São Gonçalo dos Campos, estas na Bahia. As iniciativas têm um retorno previsto de 100% sobre o valor investido até 2018 e resultarão em uma economia de R$ 10 milhões. A preservação do meio ambiente sempre foi uma preocupação do Grupo. Em 2015, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza completou 25 anos de atuação na conservação da biodiversidade brasileira. Em comemoração à data, realizou o
8º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), que reuniu mais de 1.200 pessoas com o objetivo de aproximar as pessoas do tema da conservação. Também neste ano, a instituição lançou a Conexão Estação Natureza, exposição interativa sobre a natureza do Brasil que foi visitada por mais de 2,5 milhões de pessoas. Para completar, 39 novos projetos foram apoiados em 2015, entrando para uma lista com mais de 1.400 iniciativas ao longo de 25 anos. Unidades da Bahia completam um ano com ganhos operacionais Com pouco mais de um ano de operações na Bahia e 600 pessoas contratadas na fábrica de Camaçari e no centro de distribuição de São Gonçalo dos Campos, as duas unidades industriais alcançaram resultados operacionais expressivos. A nova fábrica concentrou a produção em 216 itens do portfólio do grupo e produziu, de janeiro a novembro de 2015, mais de 46 milhões de unidades, atingindo índices globais em eficiência industrial. A fábrica também tem se destacado na produção dos estojos de Natal, operação que foi iniciada como piloto e já está consolidada, com previsão de ampliação em 2016. Inaugurado em abril de 2014, o centro de distribuição do Grupo Boticário em São Gonçalo dos Campos já proporciona uma redução média de quatro dias no tempo de entrega de produtos para os franqueados. Os investimentos tecnológicos e o bom desempenho dos colabores do CD baiano garantiram eficiência à unidade. Em 2015, o CD expediu 65 milhões de peças e alcançou recordes de separação, com 928.939 unidades em um único dia. O novo CD também ampliou sua área de atendimento em 2015. De nove estados atendidos em 2014, passou a 15 estados das regiões Norte (Amapá, Roraima, Tocantins e Amazonas), Nordeste (Ceará, Piauí, Maranhão, Bahia, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas), Centro-Oeste (Distrito Federal) e Sudeste (Minas Gerais). “Fomos assertivos na escolha do estado e dos profissionais da Bahia, que muito rápido se engajaram na cultura e nos desafios do Grupo Boticário”, finalizou Grynbaum.
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Pelo Mundo Araguaia
Trotsky no México para sempre
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Texto e Fotos por Nícia Ribas, de Plurale Da Cidade do México
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epois de devorar a obra do cubano Leonardo Paduro, O Homem que Amava os Cachorros, que conta a história do assassinato do líder soviético Leon Trotsky, fica ainda mais emocionante visitar o Museo Trotsky, na Cidade do México. Modesto, mantido sem verbas governamentais, apenas com doações enviadas por comunistas do mundo inteiro, ali o cenário do livro é imediatamente reconhecido. Naquela casa coberta de hera e com reforços de proteção nas portas e janelas, viveram Leon e sua mulher Natália
em seu exílio mexicano até o dia 20 de agosto de 1940, quando ele foi assassinado por um espanhol, a mando de Joseph Stalin. A morada foi mantida exatamente como estava no dia do assassinato, inclusive com seus escritos recentes sobre a mesa do escritório, onde foi abatido pelas costas. Os quartos do casal e do neto Sieva, que morou lá com eles, estão com as camas feitas, como se ainda lá estivessem. No quintal da casa, foram mantidas as gaiolas dos coelhos que Trotsky criava, como hobby e também para ajudar na sobrevivência da família. Naquele jardim, anos depois, foi construída uma tumba decorada com os símbolos do comunismo, onde estão os corpos dele e de Natália.
Na casa ao lado, no bairro de Coyoacán, vive seu neto Sieva, hoje com 88 anos, que recebeu várias visitas de Paduro, para esclarecer detalhes da história. Graças a Sieva que se casou e sempre viveu no País, hoje Trotsky tem sete descendentes mexicanos. Antes de se mudar para esta casa, Trotsky morou com Frida Khalo e Diego Rivera, no mesmo bairro. Diferentemente do Museo Trotsky, a Casa Azul é bem conservada graças ao apoio do governo mexicano. A densa obra de Frida é visitada por turistas do mundo inteiro, que ficam embasbacados com a força e a beleza do seu trabalho. Não muito longe dali, fica o atelier de Diego.
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CINEMA
Verde
ISABEL CAPAVERDE
i s a b e l c a p a v e r d e @ p l u r a l e . c o m . b r
Programa apoia lançamento de filmes brasileiros no exterior Promovido pelo Programa Cinema do Brasil, numa parceria entre o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (SIAESP) e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o Prêmio de Distribuição 2015 apoiará nove lançamentos de filmes brasileiros no exterior. Onze distribuidoras das 38 inscritas, de países como Canadá, Estados Unidos, Espanha, França, Israel, Japão, Portugal, Romênia e Turquia receberão até US$ 10 mil cada uma para investir no lançamento das nossas produções. Isso fará com que, por exemplo, “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, seja visto nos Estados Unidos e Canadá ou “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, seja visto em Israel e na Turquia.
CineMaterna terá expansão em 2016
Vaquinha virtual O filme “O Menino e o Mundo”, do brasileiro Alê Abreu entrou na corrida pelo Oscar concorrendo na categoria de melhor animação de 2016 -, usando a famosa “vaquinha virtual”, o chamado crowfunding a fim de arrecadar fundos para a campanha em Los Angeles. Como se sabe é preciso fazer muito marketing para atrair a atenção dos jurados da Academia e o filme concorreu (e, infelizmente, perdeu) com produções de orçamentos milionários. Portanto, a saída da produtora foi lançar uma campanha na Catarse, a primeira plataforma brasileira de financiamento coletivo online, para conseguir completar o valor necessário. A ideia inicial era arrecadar R$ 100 mil para investir em relações públicas, envio de DVDs e organização de sessões especiais para os votantes.
Sessões temáticas de cinema durante II Semana Internacional do Autismo
As sessões inclusivas, especiais para mães e seus bebês de até 18 meses, promovidas pela ONG Associação CineMaterna tem feito tanto sucesso que será expandida em 2016. Patrocinada por Natura Mamãe e Bebê e Ri Happy Baby, a ONG em sete anos já levou 281 mil pessoas, entre adultos e bebês, às quase quatro mil sessões que promoveu. O objetivo da CineMaterna é o resgate social das mães no pós-parto, proporcionando a elas uma oportunidade de retornar à vida cultural e de criar uma nova rotina saudável, de lazer, integração e convívio social, em companhia de seu bebê, fortalecendo vínculos. Para 2016 além do aumento do circuito – estão em negociação para chegar a mais capitais das regiões Norte, Nordeste e mais cidades da região Sudeste, Sul – a expectativa é de um a dois lançamentos por mês, fora as sessões regulares. Os filmes escolhidos são geralmente de temática adulta, mas o ambiente é preparado para o bebê.
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Durante a 2ª edição da Semana Internacional do Autismo - TEAbraço – que acontecerá de 28 de março a 03 de abril no Shopping Iguatemi Ribeirão Preto(SP), haverá uma Sessão Especial de Cinema. O evento como um todo debate estudos inovadores sobre o TEA (Transtorno de Espectro Autista) e nessa edição promoverá numa das salas de cinema do shopping, uma sessão com ambiente totalmente adaptado para receber cerca de 180 jovens atendidos por entidades da cidade. Com som e iluminação adequadas, os jovens ficarão livres para interagirem. Acompanhados dos pais e terapeutas, muitos terão pela primeira vez a oportunidade de ir ao cinema.
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Vantagem sustentável para uma nova economia.
Ecoturismo
Perdidos em
VANUATU Por Giuliana Preziosi e Maurício Chichitosi (Histórias pelo Mundo) http://www.historiaspelomundo.com/ Das Ilhas Vanuatu
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anuatu, onde fica mesmo? Talvez esta seja a primeira pergunta que passou pela sua cabeça. Vanuatu é um país da região chamada Melanésia, no oceano Pacífico. Ocupa um arquipélago de 83 ilhas conhecidas como Novas Hébridas. Tem fronteiras marítimas com as Ilhas Salomão, Nova Caledónia e Ilhas Fiji. Fica à 2.500Km ao noroeste de Sydney, na Austrália. Apesar de ser um destino popular entre os australianos e neozelandeses, no Brasil escuta-se muito pouco sobre Vanuatu. São duas ilhas maiores que abrigam as principais cidades do país, Efate, onde fica sua capital, Port Vila, e Espírito Santo, a primeira ilha do país descoberta em 1606 por um explorador português, que somente a avistou de longe e pensou tratar-se de um continente do sul. Foi em 1774 que um explorador francês voltou a
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região e “redescobriu” as ilhas, chamando-as de Novas Hébridas, nome que permaneceu até a independência do arquipélago. Estas duas cidades movimentam a estrutura de turismo no país, porém, para visitar ambas é preciso pegar um voo interno, que não é baratinho, pois a distância entre elas é bastante considerável. De barco, levaria de 2 a 3 dias para chegar de uma a outra ilha. Outro destino bastante interessante é a ilha de Tanna, ao sul de Efate, que tem um vulcão ativo até hoje. Mas, também, para chegar lá, somente de avião ou de barco, navegando em águas turbulentas por mais de 16 horas. Já deu para perceber que não é tão simples conhecer este país, não é? Na verdade, o problema é o preço, porque os voos internos são bastante caros. O turismo no país ainda está se desenvolvendo, mas tem um bom potencial para poder tornar os passeios mais acessíveis algum dia. Ficamos somente em Efate, e fomos explorar a região para conhecer um pouco mais do povo e da cultura de Vanuatu.
FOTOS DE MAURÍCIO CHICHITOSI
O país tem um passado obscuro, pois já foi território de canibais e até hoje dizem haver praticantes de magia negra. Não é o lugar mais apropriado para se estar no Halloween, mas, não teve jeito, quando a gente se deu conta, já era 31 de outubro. Tirando os passos fantasmas que ouvimos durante a madrugada dentro de nosso quarto por 3 noites consecutivas, deu tudo certo. Os primeiros missionários, que vieram para o país no século XIX, não tiveram tanta sorte. John Williams and James Harris visitaram a ilha de Erromango em 1839, e acabaram virando o jantar dos canibais. Foram os primeiros missionários vítimas de canibalismo. Mas, depois disso, com a colonização dividida entre a Inglaterra e a França, o trabalho dos missionários ganhou força e os últimos sinais de canibalismo foram encontrados há mais de 40 anos atrás. O trabalho dos missionários foi essencial para o crescimento do país, pois trouxeram educação, remédios e auxiliaram no fomento ao comércio local. Hoje, a economia do país é baseada na agricultura. A maioria da população é cristã ou católica. É um povo simples, mas sorridente e muito simpático. A estrutura de turismo no país está se desenvolvendo. Há vários australianos e neozelandeses que foram para Vanuatu abrir hotéis, resorts e restaurantes. Toda vez que viajamos para lugares assim, damos preferência para ficar em lugares cujos os donos são locais, mas aqui, vi a importância da vinda dos estrangeiros. A população, apesar de simpática, ainda está aprendendo a lidar com o turismo e, trabalhando nos estabelecimentos de estrangeiros, eles aprendem e se tornam mais qualificados. Os moradores da região que abrem seu próprio negócio se espelham nos estabelecimentos dos estrangeiros, mesmo que seu hotel ou restaurante seja menor e muito mais simples. Conhecemos um jovem australiano que está morando em Vanuatu há um ano, para implementar um projeto que visa fomentar a economia de pequenos vilarejos. Por meio de aulas e aluguel de equipamen-
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Ecoturismo
to para fazer Stand Up Paddle, ele capacita os jovens da comunidade para serem instrutores, fornecendo o material para que depois possam gerenciar a empresa por conta própria, uma espécie de incubadora social. Toda essa experiência faz parte de seu projeto para a faculdade. Mais de 80% da população vive em pequenas aldeias comunais e depende da agricultura de subsistência e de pequena escala. Nós alugamos um quadriciclo para conhecer a ilha de Efate e passamos por vários vilarejos pelo caminho. Conversando com algumas pessoas, eles gostam muito da vida em comunidade, estão acostumados com os amigos ao redor, a liberdade da vila e o dia a dia mais tranquilo. Alguns já até foram para Austrália, mas ainda preferem Vanuatu. Outra coisa legal é que estes vilarejos tomam conta do meio ambiente ao seu redor. Há responsáveis pela praia e pelos corais que ficam na redondeza. Em uma pequena vila ao norte da ilha, algumas famílias começaram a tomar conta das tartarugas marinhas da região, principalmente as pequenas, que necessitam de mais cuidado. O problema é que algumas tartarugas viraram atração turística, pois vi-
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ram que poderiam ganhar um dinheirinho com isso. Aliás, a maioria das praias viraram propriedades particulares, sendo necessário pagar para visitá-las. Os preços variam de dois a sete dólares por pessoa. Dentre os lugares que conhecemos, três são imperdíveis: A “Eton Natural Pool”, conhecida como Blue Lagoon, que é uma lagoa linda de água transparente, super gostosa para nadar; A pequena ilha de Erakor, que abriga um resort, perfeito para relaxar e, principalmente, fazer snorkeling, para observar de perto as criaturas desse mar fantástico; E a incrível ilha de Hideaway, cujas as principais atrações estão no fundo do mar que, além de ter uma vida marinha lindíssima, tem o único correio debaixo d’água do mundo. Claro que um passeio pelos vilarejos, conversar com o povo local, andar pelo mercado 24 horas de Po rt Vila, caminhar na cidade, também não pode faltar na lista de atividades para quem vem conhecer um lugar como Vanuatu. Um fato curioso, que nos chamou a atenção, foi a língua do país. Com 113 dialetos distintos, Vanuatu tem três línguas oficiais: inglês, francês e bislamá. Esta última é a mais interessante, porque
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mistura inglês e francês, com uma fonética que se assemelha à de um brasileiro que está aprendendo a falar inglês. Vou explicar melhor: por exemplo, para dizer “muito obrigado” eles falam “tankiu tumas” como se fosse aquele inglês de índio dizendo “thank you too much”. Com licença, que em inglês é “Excuse me”, em bislamá é “Eckiscusme”. Em março de 2015, o país foi brutalmente atingido pelo Ciclone Pam, que destruiu casas, plantações e causou a morte de dezenas de pessoas. Vanuatu ainda está se recuperando da tragédia. O impacto econômico foi grande, principalmente porque o país vive de sua agricultura, mas a ajuda dos países vizinhos e a garra da população em reconstruir suas casas, vem fazendo com que o país possa se reestabelecer novamente. Encontramos lugares totalmente destruídos pelo ciclone, mas também ouvimos muitas histórias de como a população se uniu para restabelecer suas casas e continuarem suas vidas. Foi muito bom se perder neste pequeno país no oceano Pacífico, porque aqui encontramos um povo autêntico, rico em sua história, cultura e crenças. E, isso porque a gente só conheceu um pedacinho de suas ilhas! Imagina o resto!
Os voos para Vanuatu partem da Austrália, Nova Zelândia e das ilhas vizinhas no Oceano Pacífico. Ir do Brasil para Vanuatu pode ser extremamente cansativo, além de ter que enfrentar várias conexões. No entanto, conhecer Vanuatu pode ser uma ótima opção para quem está indo para Austrália ou para Nova Zelândia e quer dar uma esticadinha no roteiro indo para um lugar totalmente diferente. Outra alternativa para compensar a distância é programar uma viagem para várias ilhas do Oceano Pacífico passando por Vanuatu, Fiji, ou Samoa por exemplo. A infra-estrutura para o turismo em Vanuatu vem crescendo nos últimos anos, há várias opções de hotéis em Port Vila e em praias mais afastadas. Os preços não são dos mais baratinhos, mas se programando com antecedência é possível achar um bom hotel por cerca de US$ 70 a 80 dólares o casal. Algumas ilhas menores como Erakor ou Hideaway oferecem pacotes para quem fica hospedado em seus resorts que podem valer muito a pena pois para visitar essas ilhas é preciso pagar uma taxa somente para entrar na ilha. O povo de Vanuatu é muito simpático, são as melhores pessoas para dar dicas sobre o que fazer e quais lugares visitar. Há alguns tours oferecidos por companhias locais mas também é possível alugar um carro e explorar as praias por conta própria. Só é preciso ficar atento às taxas que devem ser pagas para entrar em alguns destes locais. Os voos entre as ilhas do país são caros, mas prometem passeios maravilhosos, a ilha de Espirito Santo tem piscinas naturais incríveis. A ilha de Tana tem um vulcão ativo onde é possível sobrevoa-lo de helicóptero e chegar bem pertinho da cratera cheia de lava.
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DICAS PARA SE AVENTURAR EM VANUATU:
Pelas Empresas
ISABELLA ARARIPE
Coca-Cola Brasil assina compromisso pela igualdade racial
C
Por Sônia Araripe, Editora de Plurale
om a presença de um dos principais ativistas pelos Direitos Civis nos Estados Unidos, Joe Beasley, a Coca-Cola Brasil assinou no dia 25 de janeiro, no Rio de Janeiro, a carta de adesão à Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial e aos 10 Compromissos da Empresa com a Promoção da Igualdade Racial. Com a adesão, a companhia se compromete a aumentar a participação de talentos afro-brasileiros em seus quadros gerenciais e ser uma voz ainda mais ativa para a causa. A primeira empresa a assinar este compromisso no Brasil foi o Carrefour e outras estão na linha para seguir o
Curso profissionalizante em Logística forma 75 jovens no Rio Jovens de comunidades carentes da Zona Oeste e Baixada Fluminense celebram em novembro de 2015 a formatura no Curso Profissionalizante de Logística e Operador de Empilhadeira do Galpão Aplauso, depois de um período de muita perseverança e um propósito comum: o compromisso de concluir o curso e iniciar uma carreira de sucesso.
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Essa é a história de jovens como Neuton Bonfin, 22 anos, que mora em Nova Iguaçu com os pais e um irmão menor. Ele tem habilidade para eletrotécnica e escolheu o Curso Técnico de Logística e Operador de Empilhadeira porque achou que poderia harmonizar os dois. Após 392 horas/aula e muitas conduções, entre trens e ônibus, Neuton irá receber hoje o diploma com outros 73 colegas e faz parte dos 50% já empregados. Para abrigar o curso, que já está com inscrições abertas para a segunda turma, a partir de novembro, foi montado um minicentro de distribuição dentro do Galpão Aplauso, onde são ministradas as aulas práticas, com os setores de recebimento, conferência, separação e empilhadeiras, e construídas salas para as aulas teóricas de português, matemática e “valores e virtudes”. O curso é gratuito e os alunos recebem ajuda de custo para o transporte e alimentação no local. O curso tem o patrocínio da Lojas Americanas e do BNDES.
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mesmo caminho. “Posso assegurar que teremos desdobramentos práticos e um dever-de-casa interno que será feito”, explicou à Plurale o presidente da Coca-Cola Brasil, Xiemar Zarazúa. O ativista Joe Beasley - presidente da Fundação que leva o seu nome - defendeu uma ação global de países com afrodescendentes, como o Brasil, os EUA, a Colômbia e Cuba, por exemplo. “Temos um presidente negro, Barack Obama, mas ainda há muito a ser feito. Acredito que seria bom se houvesse uma ação global de países de ex-escravos”, afirmou. Para marcar a assinatura do documento, a Coca-Cola Brasil promoveu uma sessão de palestras sobre o papel da iniciativa privada na promoção da diversidade racial.
Sonia Favaretto
Lançamento do processo ISE 2016 São Paulo - A BM&FBOVESPA lançou, no começo de março, o lançamento do processo ISE 2016. Durante o evento, que foi voltado para empresas e para o público interessado no tema, foram apresentados o cronograma de atividades e as novidades do ano. A principal expectativa para este novo ciclo é a obrigatoriedade da divulgação das respostas dos questionários das empresas
Natura é considerada uma das empresas mais éticas do mundo em 2016 São Paulo - A Natura foi reconhecida pela sexta vez como uma das empresas mais éticas do mundo pelo EthisphereInstitute, líder global na definição e desenvolvimento de padrões para práticas éticas nos negócios. A multinacional de produtos de higiene pessoal e beleza é a única brasileira na lista. Este ano marca o décimo aniversário do selo do Ethisphere, que reconhece empresas que unem princípios com ações, trabalham incansavelmente para que a ética seja parte integrante do DNA da empresa e, assim, estimulam o futuro das organizações, introduzindo hoje as melhores práticas do amanhã. integrantes da carteira, conforme indicação do Conselho Deliberativo do ISE (CISE), incorporada à consulta pública juntamente com as demais alterações do questionário. Da carteira vigente, 94,3% (33 de 35) autorizaram a divulgação de suas respostas, que estão públicas no site do ISE. No primeiro ano, em 2012, apenas 21,6% (8 de 37) concordaram em dar transparência às informações. Desde então, a adesão foi crescente e rápida: em 2013, 37,8% (14 de 37); em 2014, 55% (22 de 40); em 2015, 85% (34 de 40); em 2016, 94,3% (33 de 35). O evento marcou também o lançamento dos três Objetivos Estratégicos do ISE para o período de 2016-2020, que substituem os cinco Objetivos Estratégicos que vigoraram de 2010 a 2015. Para definir os novos objetivos, o CISE se baseou em uma série de evidências identificadas e sistematizadas pelo GVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV) sobre o grau de atingimento dos OEs 2011 – 2015, bem como os desafios fundamentais da sustentabilidade, onde o ISE se insere. Segundo a Presidente do Conselho Deliberativo do ISE e diretora de Imprensa e Sustentabilidade da BM&FBOVESPA, Sonia Favaretto, o ISE não é apenas um índice de ações que faz parte de um conjunto de índices da BM&FBOVESPA. Ele é um índice de sustentabilidade. E isso define todo o desafio que ele encerra. Desafio de representar, estimular, provocar e liderar mudanças no estilo de gestão, negócios, produção e comportamento nas companhias listadas.
O questionário de avaliação era composto por questões relacionadas a diversas áreas da Natura, entre elas: jurídico, sustentabilidade, ouvidoria,
ética, institucional, recursos humanos, sistema de gestão, gestão de riscos, auditoria interna e relações governamentais.
Vanda Nunes (à esquerda), diretora da SGS, na entrega da certificação ISO 2012 a Carlos Nuzman e Tânia Braga
Rio 2016 recebe IS0 20121, o maior certificado de sustentabilidade do mundo O Comitê Organizador Rio 2016 teve reconhecidos internacionalmente seus esforços para promover Jogos Olímpicos e Paralímpicos de maneira sustentável e com um legado positivo. No dia 27 de janeiro, Vanda Nunes, diretora da SGS (Systems & Services Certification), empresa multinacional fundada em 1878, com foco em inspeções, auditorias e educação, entregou o certificado público ISO 20121 e uma placa a Carlos Nuzman, presidente do Rio 2016. A executiva elogiou a equipe comandada por Tânia Braga, gerente geral de sustentabilidade, acessibilidade e legado (SAL) do Comitê Rio 2016, por planejar um evento pensando no menor impacto ambiental possível. “Este é um atestado público: o Comitê Rio 2016 cuidou de tudo e implemen-
tou o que foi proposto”, disse Vanda Nunes, diretora da SGS. Carlos Nuzman destacou que o trabalho realizado nesses dois anos faz parte da Agenda 2020 aprovada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em dezembro de 2014. “Tânia Braga é uma maravilha”, brincou. “Não preciso me preocupar com a área, porque a Tânia veio indicada pelo COI e é de uma enorme competência. Esta certificação entrará no nosso relatório final, que vai para os arquivos do COI.” Para Tânia Braga, além de “atestado público de boa gestão”, o certificado mostra que as ações que focam em sustentabilidade são resultado de escolhas certas, tanto em ações internas quanto em locais de competição, mas partem mesmo da fiscalização de fornecedores.
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Livro
PEQUENOS FRAGMENTOS DE UTOPIA AMÉRICO VERMELHO
Por Benicio Medeiros, Especial para Plurale Uma sentença de vida ou de morte, Maria Helena Malta. Vieira & Lent Casa Editorial, 174 páginas, R$ 35,00
A
o desembarcar na capital portuguesa em 1975, a jornalista Maria Helena Malta deparou com uma cidade conturbada. Ela já sabia que testemunhava ali um momento histórico. Em 25 de abril do ano anterior eclodira a chamada Revolução dos Cravos, que marcou o começo do fim do regime salazarista. Voltando de outros países da Europa ou das Américas, ou fugindo das antigas colônias da África – agora independentes e algumas transformadas em barris de pólvora pela luta entre facções rivais –, ex-exilados e “retornados” começavam a superlotar os hotéis lisboetas. Nas ruas e nos bares, palavras de ordem e festivas aglomerações emprestavam um clima realmente revolucionário à outrora forçosamente silenciosa sede do império português. Os portugueses, na metrópole e nas possessões de além-mar, começavam a se acostumar com a liberdade de que foram privados por quatro décadas de ditadura. Contratada por uma revista brasileira (hoje ela é repórter especial de Plurale), Maria Helena fora a Portugal a trabalho. Pôde, dessa forma, vivenciar in loco o início do processo que libertaria o país da opressão e do atraso, sob Salazar e seus acólitos, e registrar os primeiros passos dos cidadãos lusitanos na difícil caminhada rumo à democracia. Mas Maria Helena, repórter antenada, não se contentou apenas com o que viu. Quis registrar também a opinião de intelectuais portugueses sobre as grandes mudanças que ocorriam no país. E foi assim que bateu à porta de um escritor que, por suas posições políticas, tinha tudo para torcer pela queda do salazarismo. Graças a Maria Helena, o Brasil fez então o primeiro contato com um romancista de grande talen-
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to, mas até então praticamente desconhecido entre nós: José Saramago, que 23 anos depois seria o primeiro e até agora único escritor português agraciado com o Nobel de literatura. O que nem Maria Helena nem Saramago podiam prever é que os acontecimentos de 1974/75 não causariam impacto só na política, mas também na literatura de língua portuguesa, enriquecida e renovada pelo surgimento de uma grande leva de novos autores vindos das colônias lusófonas ou com relações de afeto com o continente negro. Resultado do florescimento de inspirações que estiveram reprimidas pela censura salazarista? Pode ser. Mas não haverá decerto explicações
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satisfatórias para o fenômeno. O fato é que, nas palavras da autora, e notadamente após a descolonização, “as literaturas de língua portuguesa, em Portugal e África, começaram a se apropriar de novas formas estéticas, assim como foram capazes de expor a descentralização do império e recuperar a capacidade de apontar, com legível maturidade, os desconcertos da ‘metrópole’ e do mundo em geral, interrogando e rechaçando as certezas apaziguadoras em que os portugueses viveram mergulhados durante décadas”. Uma sentença de vida ou de morte versa sobre a obra de cinco autores surgidos após a Revolução dos Cravos: António Lobo Antunes, Dulce
DIVULGAÇÃO
Maria Cardoso, José Eduardo Agualusa, Ruy Duarte de Carvalho e Valter Hugo Mãe. Nasceu a partir de uma tese de mestrado, devidamente reescrita para se transformar em livro. As obrigatórias citações de pensadores benquistos no meio acadêmico brasileiro de hoje – Deleuze, Foucault, Negri e outros – assim como as ideias mais recentes de Agamben ou do anglo-ganês Kuame Anthony Appiah não redundam em chatice ou interrompem o fluxo narrativo estabelecido pela autora. Maria Helena escreve bem e, além da sensibilidade e da competência requeridas pelo seu projeto, tem instrumental próprio para abordar os temas propostos pelos escritores que analisa – segundo ela, “militantes de um novo tempo” que “parecem rejeitar qualquer imposição mercadológica ou ideológica, armados apenas de seu ofício”. “Além de atravessar fronteiras culturais e políticas” – acrescenta a autora – “todos tratam de contar uma boa história”. Se julgarmos apenas pelas amostras transcritas por Maria Helena, as histórias são, de fato, ótimas de se ler. Por uma questão de espaço, fiquemos aqui com dois nomes conhecidos do leitor brasileiro – Dulce Maria Cardo-
so e José Eduardo Agualusa, ao qual a autora dedica, merecidamente, mais de um capítulo do seu livro. Natural de Huambo, Angola, no seu romance Teoria geral do esquecimento Agualusa concebe uma personagem interessantíssima. Chama-se Ludovica e tem medo de tudo. Com o acirramento da guerra civil em Angola, a partir de 1975, portugueses
brancos, assustados, deixam o país às pressas, e ela de repente se vê sozinha no apartamento de Luanda onde morava com a irmã e o cunhado. Isolada do mundo, sem coragem de sair às ruas, assiste ao desenrolar da história a partir do terraço do seu prédio, escondida atrás de uma caixa de papelão. Quando, muitos anos depois, se liberta da prisão que construiu para si mesma, percebe que o mundo não era tão terrível quanto lhe ditavam o medo e o preconceito. Embora natural de Trás-os-Montes, Dulce Maria Cardoso passou a infância em Angola e foi testemunha ocular das vicissitudes vividas pelos portugueses brancos na África após 1975. O garoto Rui, seu personagem de O retorno, vê o pai ser levado de mãos atadas por um grupo de guerrilheiros negros. Quando chega a Portugal com o que restou da família, percebe que é também persona non grata na metrópole. Às vezes não são bem recebidos nem pelos parentes, que nas cartas os tratavam com a maior consideração. Já o pessoal da esquerda os vê como gente desprezível, que ganhava dinheiro na África explorando negros. O preconceito contra “os retornados de hotel”, naquela época de crise, não deixa de remeter ao preconceito que estigmatiza hoje os refugiados das guerras do Oriente Médio. O processo de descolonização produziu, como se vê, enredos maravilhosos para um ficcionista, e os talentosos escritores acima citados souberam fazer bom uso dessa matéria-prima de primeiríssima qualidade. Conforme escreveu Maria Helena, não há lugar, entre eles, para proselitismos de ordem sociológica ou afins. E quando tratam do preconceito, tema recorrente nos seus contos e romances, não cometem o erro de reduzi-lo à questão racial. Recorrendo a uma expressão de Roland Barthes, a autora vê em cada texto que analisa “um pequeno fragmento de utopia”. E ela está certa. Pois o tema primordial desses autores portugueses e afro-portugueses, filhos da Revolução dos Cravos, é tão somente a condição humana – e a humanidade nunca deixou de conviver com as utopias.
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Estante Fundamentos da Gestão Responsável: Sustentabilidade, responsabilidade e ética, por Oliver Laarch e Roger N. Conaway, Editora: Cengage Learning, 527 págs, R$ 127,40 Enquanto nas comunidades a formação de práticas de gestão responsável tem crescido exponencialmente, alcançando resultados práticos impressionantes, o desenvolvimento de uma estrutura de conteúdo básico para cursos sobre gestão responsável foi deixado de lado. Para preencher essa lacuna, a Cengage Learning lança o livro Fundamentos da Gestão Responsável: Sustentabilidade, responsabilidade e ética. Traduzida da 1ª edição norte-americana, a obra foi realizada em parceria com educadores da rede Princípios para a Educação da Gestão Responsável (PRME, da sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), e tem a contribuição de acadêmicos e profissionais renomados em cada capítulo. É um texto preliminar para cursos sobre negócios tradicionais e a sociedade, ética empresarial, responsabilidade social corporativa e cursos de sustentabilidade, da mesma forma que pode servir como um manual prático.
O poder da comunicação, por Manuel Castells, Editora Paz e Terra, 630 págs, R$ 70,00 Autor da consagrada trilogia “A era da informação: economia, sociedade e cultura”, o sociólogo espanhol Manuel Castells lança agora no Brasil, pela Editora Paz & Terra, a obra O poder da comunicação. Nela, ele apresenta uma análise minuciosa sobre as relações de poder no século 21, dentro do contexto do surgimento das redes digitais. Na base das ideias de Castells está a certeza de que as relações de poder que estruturam a cultura, a economia e especialmente a política são sustentadas por processos de comunicação. “O reino da comunicação é a esfera social onde valores e interesses de atores conflitantes estão comprometidos em disputa e debate para reproduzir a ordem social, para subvertê-la, ou para acomodar novas formas resultantes de interação entre o velho e o novo, o passado de dominação cristalizado e o futuro de projetos alternativos para a existência humana promovidos por aqueles que aspiram a mudar o mundo”, diz o autor em um dos textos introdutórios da obra.
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Carlos Franco – Editor de Plurale em revista
Uma selfie com Lenin, por Fernando Molica, R$ 29,90 , 112 págs, Grupo Editorial Record Sozinho em pleno voo, enquanto viaja entre dois continentes, um jornalista carioca se ocupa de escrever uma carta. A destinatária é Eloísa, ex-namorada e ex-chefe, poderosa assessora política. Enquanto desbrava a personalidade e a trajetória da mulher, o protagonista de Uma selfie com Lenin passa em revista a própria jornada, desde que era um repórter mal remunerado até se converter em redator a serviço de políticos de caráter duvidoso. Na missiva, há espaço ainda para ecos de notícias do Brasil, como as manifestações de 2013 e 2014 e o desencanto com o projeto de esquerda para o país. Com um viés ao mesmo tempo melancólico e irônico, Fernando Molica desvela conflitos éticos e dilemas que marcam a rotina contemporânea, elaborando uma crítica perturbadora de nossa sociedade — da política ao amor. Redige uma trama ágil e original, que tem como ponto de partida a história de um romance turbulento e de uma decisão inusitada: desaparecer. Com isso, também apresenta um saboroso tratado sobre poder e injustiça, memória e esquecimento, desejo e perplexidade.
Delícias da Kashi – Gastronomia Vegana Gourmet, por Kashi Dhyani, Editora Mauad X e Inverde, 176 págs, R$ 49 A arte de se alimentar nos acompanha desde os nossos primórdios, é essencial para a sobrevivência e na grande maioria dos casos está intrinsecamente relacionada ao prazer. Não à toa, a gula está entre os sete pecados capitais. A culinária consciente, entretanto, traça outro viés. Ela se preocupa com a maneira que lidamos com o consumo do alimento, sua produção e os efeitos causados no meio ambiente, todos colocados sob uma mesma ótica e comprometidos um com o outro sem, entretanto, perder o sabor. Seguindo esta vertente, uma série de quatros livros marca o lançamento da coleção Culinária Consciente, sobre comida vegetariana, vegana, comida viva, crua, sem sofrimento animal e valorizando os produtos locais. Fruto de uma parceria e coedição da Mauad X e do Inverde, o primeiro título Delícias de Kashi – Gastronomia Vegana Gourmet, da chef Kashi Dhyani, foi lançado em novembro de 2015. A obra reúne 208 receitas da chef, algumas servidas no Restaurante da Kashi, localizado em Maringá, no lado mineiro de Visconde de Mauá, e propõe uma teoria holística sobre a nutrição que engloba orientações sobre o consumo de alimentos e bem-estar.
I m a g e m FOTO DE KELI VASCONCELOS
A
jornalista e escritora Keli Vasconcelos tem a alma leve dos poetas. Multimídia, produz textos, fotos e está sempre conectada nas mídias sociais. Parceira de Plurale e colaboradora do Portal Jornalirismo, Keli lançou recentemente seu primeiro livro “São Miguel (em) uns 20 contos contados”. Pedimos que ela produzisse especialmente para os leitores de Plurale esta poesia e uma foto para ilustrar. Muito obrigada!
A flor e o poeta Keli Vasconcelos
“Nascem palavras Terra fértil é o coração Céu e pena Semente e germinação No deslizar das tintas 66
O poeta arquiteta no papel Transforma fel em mel Sobrevoa emoção nas sinas Mesmo quando a folha acaba Pode ser que a obra venha de uma nuvem Que revela formas
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Insetos Cardumes Desabrocham oceanos de versos Eis o ofício do poeta Usa a lágrima como riso Risca do rosto a dor Da cicatriz para a flor. “
Precisa atualizar-se para o mercado? Este curso é destinado aos profissionais que buscam uma especialização multidisciplinar correspondente às demandas atuais do mercado.
Imagem: Shutterstcok.com
Em parceria com a Eseg, a Aberje oferece ao aluno toda estrutura e conteúdo desenvolvidos ao longo de 48 anos atuando como Think Tank da comunicação empresarial brasileira.
Inscrições abertas Mais informações: www.aberje.com.br/mba
Programa em parceria com a Escola Superior de Engenharia e Gestão (Eseg), qualificada no Grupo de Excelência do Índice Geral de Cursos 2012 (Inep/MEC).
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