FASCÍCULO
CRM/RJ: 72109-3
A vacinação não é um assunto novo. 2 Os primeiros
dos índices de mortalidade por essa doença, e até a
relatos datam do século XVIII, quando Edward Jen-
recente eliminação do tétano neonatal do continen-
ner deu início ao conceito de vacinação, e em 1798 a
te americano.9 Nos dias atuais, a imunização materna
primeira vacina contra varíola foi desenvolvida. 2 Sem
é considerada uma estratégia fundamental na pre-
dúvida nenhuma, a vacina, é um dos maiores feitos
venção dos recém-nascidos, que ainda não possuem
do homem no campo da ciência, trazendo benefício
idade para se vacinarem, não só para o Brasil, mas em
à saúde e com impacto direto na redução da morta-
outros países, de acordo com a Organização Mundial
lidade e aumento da longevidade da humanidade.1,6
de Saúde (OMS).17,18
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IMUNIZAÇÃO MATERNA
Dra Bárbara Emoingt Furtado
Desde então, a medicina passou por um processo de transformação e desenvolvimento. Apesar de ter seu maior foco sobre a população pediátrica, a vacinação não é restrita a este momento da vida. Hoje há recoadultos, idosos, profissionais de saúde, viajantes e até mesmo atletas. Até as gestantes hoje, já contam com um calendário de vacinação próprio. 3 A vacinação da gestante, ou imunização materna, como costumamos dizer, tem um papel fundamental na prevenção de doenças infecciosas, não só trazendo benefícios para a gestante, mas também para seu(s) bebê(s).4 Isto porque a gestante possui maior risco de adquirir algumas doenças e sofrer complicações em decorrência das mesmas. 3,4
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Pensando nos lactentes, devemos lembrar que a maioria dos esquemas de vacinação no mundo, incluindo no Brasil, se iniciam no 2º mês de vida, sendo algumas só disponibilizadas a partir do 6º mês ou até mesmo após o 1º ano de vida. 3,22,23
GESTANTES
mendação de vacinas específicas para adolescentes,
Mas por que é tão importante vacinar as grávidas? Crianças, principalmente os menores de 5 anos de idade, são particularmente vulneráveis e ainda sofrem de complicações por doenças infecciosas.6 Durante o ano de 2014, a OMS previu que aproximadamente 1,5 milhões de crianças menores de 5 anos viriam à
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No Brasil, apesar da primeira vacina ter chegado em
óbito por doenças imunopreveníveis.6 Os recém-nas-
1804, apenas em 1973 o Programa Nacional de Imuni-
cidos são mais suscetíveis à doenças infecciosas,prin-
zações (PNI) foi criado, e em 1992 houve a implemen-
cipalmente pela imaturidade do sistema imunológico.6
tação do primeiro plano direcionado para as gestan-
Associado a um calendário vacinal que só inicia no 2º
tes – O Plano de Eliminação do Tétano Neonatal. O
mês de vida, eles se tornam bastante dependentes da
sucesso de sua incorporação levou à queda expressiva
transferência de anticorpos maternos.6,22
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1
Das doenças imunopreveníveis, que possuem na Imunização Materna um de seus pilares estratégicos, podemos destacar a coqueluche.18 A coqueluche é uma doença infecciosa, altamente contagiosa, causada por uma bactéria chamada Bordetella pertussis.17 Essa bactéria infecta nosso trato respiratório, e nos adultos cursa sem sintomas clássicos e exuberantes.17 Porém, os recém-nascidos, principalmente menores de 6 meses de idade, são mais afetados pelas complicações da doença.17 Os sintomas iniciais podem ser confundidos com um resfriado comum, mas com a progressão da doença, podem ocorrer complicações sérias, como apneia, convulsões e até a morte.14-17
“
A coqueluche tem como principais transmissores para os bebês, os adultos e contactantes próximos desse recém-nascido. Um estudo americano mostrou que em 39% dos casos, a mãe é a transmissora da coqueluche para o bebê. Em até 43% dos casos os irmãos, em 16% o pai.14
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Esta transferência de anticorpos já foi bem estudada e amplamente divulgada com os benefícios do oferecimento do leite materno.19,21
“
Porém é possível fazer mais. A vacinação da gestante leva à imunização do feto, através da transferência ativa de anticorpos IgG presentes na placenta.6,24
Conforme já sinalizado pela OMS, Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e FEBRASGO, a imunização materna é importante, pois possibilita a transferência
“
A presença destes anticorpos durante estes primeiros me-
de anticorpos da gestante para o recém-nascido. Esses an-
ses de vida se mostra uma importante arma contra algumas
ticorpos maternos fornecerão proteção ao bebê, até que ele
doenças infeciosas preveníveis por vacinação.
complete o esquema de vacinação primário aos 6 meses de
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idade.9,11-13,17,18 acompanhada pelos esforços da OMS e dos países em desenvolvimento nos últimos 30 anos com o programa de eliminação do tétano neonatal, já comentado anteriormente.5 Desde então, o Brasil já adicionou ao PNI outras duas vacinas importantes para a estratégia de Imunização Materna: Vacinas Influenza e Tripla Bacteriana acelular (dTpa), responsáveis por proteger mãe e feto contra gripe e tétano, difteria e coqueluche, respectivamente. 25,26
2
“
A vacinação materna com dTpa (difteria, tétano e pertussis acelular) deverá ser feita nos postos de saúde ou serviços privados de vacinação, a partir da 20ª semana de gravidez, a cada gestação, conforme recomendação do Ministério da Saúde, SBIm e Febrasgo.11-13
“
A resposta à estratégia de imunização materna pode ser
Apesar de estar disponível gratuitamente nos postos de saúde, a cobertura vacinal da gestante com dTpa no PNI foi de apenas 40% em 2017.10
Como profissionais de saúde, é nosso papel fundamental a prescrição da vacina e acompanhamento da caderneta vacinal da gestante, a fim de reduzir o impacto da coqueluche nos recém-nascidos.
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A medida de vacinar a cada gestação com dTpa é importante para garantir que todo o bebê nascido desta mãe tenha concentração de anticorpos suficiente para a sua proteção contra a doença.12 É importante destacar que o reforço da vacinação deve ser recomendado para todos os adultos, a cada 10 anos (com exceção da gestante, onde a recomendação é a cada ges-
Dra Bárbara Emoingt Furtado CRM/RJ: 72109-3
A Gerente Médica de Vacinas da GSK é médica formada pela UFRJ, especialista em Pediatria pelo Instituto Fernandes Figueira/ FIOCRUZ e em onco-hematologia Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Além de ter MBA de Gestão de Saúde pela COPPEAD/UFRJ.
tação), e também é recomendado a vacinação de quem já teve a doença. 20
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REFERÊNCIAS: 1. PLOTKIN, S. History of vaccination. PNAS 111(34): 12283-12287, 2014. 2. THE IMMUNISATION ADVISORY CENTRE. A brief history of vaccination. Disponível em: <http://www.immune.org.nz/vaccines/vaccine-development/brief-history-vaccination>. Acesso em: 05 jul. 2018. 3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendários de vacinação. Disponível em: <http://sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao>. Acesso em: 05 jul. 2018. 4. MARSHALL, H. et al. Vaccines in pregnancy: The dual benefit for pregnant women and infants. Human Vaccines & Immunotherapeutics. Vol 12(4): 848-856, 2016. 5. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa nacional de imunizações: 30 anos. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/livro_30_anos_pni.pdf>. Acesso em: 05 jul. 2018. 6. PERRETT, K. P. et al. Immunization During Pregnancy: Impact on the Infant. Pediatric Drugs. Vol 19(4): 313-324, 2017. 7. MEULEN, A. S. et al. Global perspectives on maternal immunization. The Lancet. Vol 17(7): 685-686, 2017. 8. SARTORI, A. M. C. et al. Cost-effectiveness analysis of universal maternal immunization with tetanus-diphtheria-acellular pertussis (Tdap) vaccine in Brazil. Vaccine. Vol 34(13): 1531-1539, 2016. 9. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Região das Américas elimina o tétano materno e neonatal. Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5500:regiao-das-americas-elimina-o-tetano-materno-e-neonatal&Itemid=820>. Acesso em: 12 jun. 2018. 10. Pesquisa realizada na base do Programa Nacional de Imunizações utilizando os filtros “REGIÃO/UNIDADE DE FEDERAÇÃO” no campo linha, “ANO” no campo coluna, “COBERTURAS VACINAIS” no campo conteúdo, “2017” no campo períodos disponíveis; “dTPa gestante” no campo imunobiológicos. Disponível em: < http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?pni/cnv/cpniuf. def>. Acesso em: 12 jun. 2018. 11. FEBRASGO. Programa Vacinal para Mulheres. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia; 2017. 170p 12. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação da gestante: recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2018/2019 (atualizado até 22/03/2018). Disponível em: < https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-gestante.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2018. 13. BRASIL. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação 2018. Disponível em: < http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/jpg/2018/janeiro/30/calendario-vacinal-2018.jpg>. Acesso em: 12 jun. 2018. 14. WILEY, KE. et al. Sources of pertussis infection in young infants: A review of key evidence informing targeting of the cocoon strategy. Vaccine,31(4): 618-25, 2013. 15. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Pertussis (Whooping Cough): signs and symptoms. Disponível em: < https://www.cdc.gov/pertussis/about/signs-symptoms.html>. Acesso em: 12 jun. 2018. 16. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Complications. Disponível em: < https://www.cdc.gov/pertussis/about/complications.html>. Acesso em: 12 jun. 2018. 17. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE − MINISTÉRIO DA SAÚDE, Boletim Epidemiológico, 2015. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/dezembro/08/ 2015-012---Coqueluche-08.12.15.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2018. 18. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Pertussis. Disponível em: <http://www.who.int/immunization/diseases/pertussis/en/>. Acesso em: 20 fev. 2018. 19. HANSON, LA. et al. The transfer of Immunity from Mother to Child. Ann. N.Y. Acad. Sci, 987: 199-206, 2003. 20. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação do adulto: Recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2018/2019. Disponível em: <https://sbim. org.br/images/calendarios/calend-sbim-adulto.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2018. 21. CABINIAN, A. et al. Transfer of Maternal Immune Cells by Breastfeeding: Maternal Cytotoxic T Lymphocytes Present in Breast Milk Localize in the Peyer’s Patches of the Nursed Infant. PLoS ONE, 11(6): e0156762, 2016. 22. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação da criança: recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2018/2019 (atualizado até 27/03/2018). Disponível em: <https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-crianca.pdf>. Acesso em: 12 jul. 2018. 23. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Recommended immunization schedule for children and adolescents aged 18 years or younger, United States, 2018. Disponível em: <https://www.cdc.gov/vaccines/schedules/hcp/imz/child-adolescent.html>. Acesso em: 12 jul. 2018. 24. BERGIN, N. et. al. Maternal Vaccination as an Essential Component of Life-Course Immunization and Its Contribution to Preventive Neonatology. International Journal of Environmental Research and Public Health, 15: 1-12, 2018. 25. BRASIL. Ministério da Saúde. Informa técnico: 20ª campanha nacional de vacinação contra a Influenza. Disponível em: <http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/abril/18/Informe-Cp-Influenza---01-03-2018-Word-final-28.03.18%20final.pdf>. Acesso em: 12 jul. 2018. 26. BRASIL. Ministério da Saúde. Informe técnico para implementação da vacina adsorvida difteria, tétano e coqueluche (pertussis acelular) tipo adulto – dTpa. Disponível em: <http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2015/junho/26/Informe-T--cnico-dTpa-2014.pdf>. Acesso em: 12 jul. 2018.
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ASPECTOS CLÍNICOS DO LEITE MATERNO NOS DESFECHOS DE SAÚDE DOS LACTENTES
Presidente Sharon Donovan (Universidade de Illinois)
Pesquisas demográficas sobre saúde foram utilizadas para obter dados de crescimento, nutrição e saúde infantis em dez países em desenvolvimento. A amamentação exclusiva durante os primeiros seis meses de vida associou-se a prevalência significativamente menor de déficit de estatura para a idade e de déficit de peso para a altura. Os dados das pesquisas também revelaram que a qualidade inadequada dos alimentos complementares contribuiu com a alta taxa de déficit de estatura para a idade. As análises dos dados de trajetória de crescimento indicaram que condições favoráveis ao crescimento intrauterino são fundamentais à prevenção do déficit de estatura para a idade e do déficit de peso para a altura nos primeiros anos de vida.
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“Não há dúvida de que a promoção da amamentação em lactentes recém-nascidos, a termo e pré-termo, contribui para um ótimo crescimento e para a saúde durante o início da vida e a infância, além de determinar os desfechos de saúde de curto e longo prazo.”
Ferdinand Haschke
Material destinado exclusivamente aos profissionais de saúde. Proibida a distribuição aos consumidores
O primeiro grupo incluiu lactentes de muito baixo peso ao nascer (MBPN). A Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (ESPGHAN, na sigla em inglês) recomenda o aumento da estratégia de nutrição nessa população, de modo a fornecer nutrientes extras até as 52 semanas gestacionais. Uma estratégica testada na prática clínica foi a nutrição enteral com leite materno, depois reforçado com um fortificante do próprio leite materno, no caso de lactentes com MBPN que também eram pequenos para a idade gestacional (PIG) e apresentavam restrição de crescimento intrauterino (RCIU). Os dados destacaram dois achados principais. Primeiramente, confirmaram a abordagem da ESPGHAN de aumento da nutrição. Em segundo lugar, mostraram que as mesmas diretrizes de alimentação podem ser usadas em lactentes com MBPN que sejam PIG ou apresentem RCIU.
NUTRIÇÃO
Ferdinand Haschke (Universidade de Medicina Paracelsus de Salzburgo e Universidade de Medicina de Viena) apresentou os dados de acompanhamento de diversas coortes de lactentes amamentados de acordo com as recomendações atuais.
Há mais dados clínicos sobre lactentes nascidos a termo e amamentados dos países desenvolvidos. Nesse grupo, a obesidade materna constitui um preditor de sobrepeso e/ou obesidade aos 5 anos de idade. Em comparação às fórmulas infantis de alto teor de proteínas, as fórmulas de seguimento de baixo teor proteico são preferíveis em termos de sustentação de taxas de crescimento normais similares às dos lactentes amamentados. Assim, não é de surpreender o fato de que a alta ingestão de proteínas com o consumo de leite e alimentos complementares também constitua fator de risco de obesidade infantil.
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NUTRIÇÃO NO INÍCIO DA VIDA, TRAJETÓRIAS DE CRESCIMENTO E DESFECHOS METABÓLICOS.
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NUTRIÇÃO NO INÍCIO DA VIDA E DESENVOLVIMENTO IMUNE
NUTRIÇÃO NO INÍCIO DA VIDA E DESENVOLVIMENTO COGNITIVO.
Os primeiros anos de vida são talvez os mais importantes em termos de maturação e de desenvolvimento cerebral. Weili Lin (Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill) descreve o uso de ressonância magnética nuclear (RMN) como ferramenta de estudo dos efeitos da nutrição na anatomia e na função cerebrais.
Valérie Verhasselt (Universidade da Austrália Ocidental) enfatizou o papel do leite materno na moldagem da composição e da função da microbiota do intestino, com foco na imunidade intestinal.
A RMN apresenta, entretanto, um desafio técnico, ou seja, é altamente sensível aos artefatos de movimento. A equipe de Lin desenvolveu diversas estratégias para lidar com esse problema, de modo a permitir o uso da RMN no estudo de crianças de todas as idades sem a utilização de sedação.
Durante o desmame, os fatores do leite materno podem ser importantes no estabelecimento da tolerância aos antígenos orais. Esses fatores incluem o TGF-β, a vitamina A e a IgG. Entretanto, nem todos os antígenos presentes no leite induzem a tolerância. No leite, a presença do antígeno de ácaros do pó Der p1 aumenta o risco de alergia. Isso realça a necessidade de identificar a forma como os fatores do leite materno podem ser modificados para contrapor-se aos efeitos deletérios de alguns antígenos.
Em conjunto, esses dados estruturais e funcionais de RMN fornecem informações quantitativas importantes sobre o desenvolvimento cerebral precoce, além de constituir um ponto de partida importante do estudo da interação de ingestão de nutrientes e desenvolvimento cerebral precoce.
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“As pesquisas sobre ressonância magnética nuclear cerebral, desenvolvimento cognitivo e nutrição se cruzam nos esforços interdisciplinares para entender o eixo intestino-cérebro e podem esclarecer ainda mais acompreensão da interação complexa entre o desenvolvimento cerebral e o microbioma intestinal.” Weili Lin
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Material destinado exclusivamente aos profissionais de saúde. Proibida a distribuição aos consumidores
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Lin revelou um dos primeiros conjuntos de dados quantitativos de RMN do desenvolvimento da estrutura cerebral precoce em uma coorte de crianças normais de até 6 anos de idade. Esse trabalho mapeou as alterações do volume da substância cinzenta cortical, da espessura do córtex e da área de superfície cerebral. Tais informações fornecem uma referência importante de caracterização do desenvolvimento estrutural do cérebro do nascimento ao início da infância. Para aprofundar-se ainda mais, a equipe de Lin utilizou a ressonância magnética nuclear funcional (RMNf) durante o estado de repouso para estudar o processo de maturação funcional do cérebro ao longo dos primeiros quatro anos de vida. Durante o primeiro ano, as topologias da rede sensório-motora e da rede auditiva já são altamente consistentes em relação às observadas nos adultos. Em contrapartida, as redes cerebrais funcionais de ordem superior são mais primitivas. As redes visuais têm topologia similar à dos adultos, mas apresentam enorme crescimento no primeiro ano de vida.
O leite materno contém moléculas que interagem com as bactérias do intestino estimulando seu crescimento e sua atividade metabólica. Além de estimular o crescimento das bifidobactérias, por exemplo, os oligossacarídeos do leite humano (HMOs, na sigla em inglês) também constituem fonte de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) para as bactérias. Estudos in vivo sugerem o papel dos AGCC na modulação imune, de modo a afetar as alergias alimentares e a doença intestinal inflamatória. No leite materno, os HMOs agem como substitutos das fibras encontradas nos alimentos sólidos, o que permite que as bactérias comensais produzam AGCC no neonato.
O leite materno expõe o lactente a uma variedade de antígenos alimentares, além de conter ligantes fundamentais ao desenvolvimento do tecido linfoide e à função imune, como os ligantes de AhR e a vitamina A. O leite materno também fornece a microbiota e os nutrientes necessários para sustentar o crescimento comensal no intestino estéril do neonato. Depois do desmame, os antígenos e as vitaminas derivadas dos alimentos sólidos, assim como os metabólitos alimentares produzidos pela microbiota, continuarão a moldar o sistema imune e a determinar a suscetibilidade à doença imunomediada local e sistêmica.
Antes do desmame, o leite materno dos mamíferos fornece ao neonato os fatores necessários à maturação imune.
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Valérie Verhasselt
Primeiramente, precisamos compreender melhor os mecanismos que sustentam as complexas condições crônicas imunomediadas e associadas ao microbioma. Em segundo lugar, são necessários estudos de acompanhamento de longo prazo para determinar se as alterações do microbioma formam a base da patogênese das doenças não transmissíveis ou são apenas o resultado disso.
NUTRIÇÃO NO INÍCIO DA VIDA E DESENVOLVIMENTO DO MICROBIOMA. O desequilíbrio da microbiota intestinal está relacionado a muitas condições clínicas, como doença inflamatória intestinal, obesidade, alergias e distúrbios do neurodesenvolvimento. Erika Isolauri (Hospital Universitário de Turku) destacou a importância da amamentação como a base da prevenção de doenças não transmissíveis. A amamentação propicia diversos benefícios à saúde que provavelmente se devem à promoção da colonização intestinal apropriada para a idade e adaptada de acordo com o ambiente. Há evidências extensas de que o leite materno complementa a transmissão da microbiota para o intestino do lactente: durante a amamentação, a mãe fornece ao lactente bifidobactérias, bactérias do ácido láctico e outros componentes da microbiota em quantidades significativas. Entretanto, os micróbios e outros componentes ativos do leite materno apresentam grande variação de acordo com o estado de saúde da mãe durante a gestação e com o tipo de parto.
“ de saúde no longo prazo e reduzir o risco de doenças? Antes que seja possível pôr em prática medidas de prevenção satisfatórias, ainda há questões importantes a responder.
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Como podemos explorar nosso conhecimento sobre a composição do leite materno para modular os desfechos
Além de fornecer nutrientes ao lactente, o leite materno também confere proteção imunológica na porta de entrada, ou seja, na barreira intestinal, onde se encontra uma carga importante de antígenos.
Erika Isolauri
Material destinado exclusivamente aos profissionais de saúde. Proibida a distribuição aos consumidores
Apesar das incertezas, a relação complexa e bidirecional entre a dieta e a microbiota intestinal torna-se cada vez mais evidente. As alterações da microbiota afetam a aquisição e o armazenamento de energia, além de potencialmente contribuir com o ambiente imunológico do intestino. As dietas ocidentais, ricas em energia, alteram o microambiente do intestino, levando à perturbação da função intestinal e à inflamação sistêmica de baixo grau. A amamentação ainda é um elemento central do estabelecimento da nutrição ideal e do reforço dos desfechos imunológicos no longo prazo.
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Paula Meier (Centro Médico Universitário Rush) apresentou os principais achados da coorte do estudo LOVE MOM (Desfechos Longitudinais de Lactentes de Muito Baixo Peso ao Nascer [MBPN] Expostos ao Leite da Própria Mãe [MOM]). O objetivo foi determinar os desfechos de saúde e os custos de alimentação com o leite da própria mãe nessa população de lactentes vulneráveis. O LOVE MOM foi um estudo de coorte prospectivo que incluiu 430 lactentes com MBPN entre 2008 e 2012. Nesse estudo, 98% dos lactentes receberam algum tipo de MOM, isolado ou com fórmula (não se utilizou leite materno doado). A dose diária de MOM foi calculada como porcentagem da nutrição enteral total ou como avaliação ajustada por peso (mL/kg/dia). As morbidades foram diagnosticadas e validadas, de forma independente, por dois neonatologistas. Calcularam-se os dados dos custos atuariais e utilizou-se o escore de propensão para controlar o risco de morbidades (fatores de confundimento). O estudo revelou relação dose-resposta entre as maiores quantidades de MOM recebidas durante a hospitalização na unidade de terapia intensiva neonatal em comparação à morbidade e aos custos. Os desfechos específicos incluíram enterocolite necrosante (EN), sepse de início tardio,
displasia broncopulmonar (DBP) e parâmetros de neurodesenvolvimento. Esses dados sugerem que o MOM atua, durante períodos críticos de exposição, na redução do risco de morbidades potencialmente evitáveis e dos custos a elas associados em lactentes com MBPN. As conclusões desse estudo apresentam diversas implicações relativas ao tratamento de lactentes com MBPN. Primeiramente, esses dados confirmam a eficácia do MOM na redução da incidência de EN, sepse e DBP, que são morbidades evitáveis. Em segundo lugar, o MOM é custo-efetivo como estratégia de alimentação em unidades de terapia intensiva neonatal. A economia obtida com o MOM é o resultado da redução direta da incidência de morbidades neonatais. As economias indiretas também se devem à redução da incidência de reinternação depois da alta. Por fim, as economias de longo prazo são o resultado dos efeitos de saúde protetores e benéficos que o leite materno fornece no longo prazo a essa população de lactentes vulneráveis.
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Nessa população, o principal impacto do leite da própria mãe é a redução das morbidades potencialmente evitáveis.
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LEITE MATERNO E DESFECHOS CLÍNICOS DO LACTENTES PRÉ-TERMO.
Paula Meier
NOTA IMPORTANTE Material destinado exclusivamente aos profissionais de saúde. Proibida a distribuição aos consumidores
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O aleitamento materno é a melhor opção para a alimentação do lactente proporcionando não somente benefícios nutricionais e de proteção como também afetivos, demonstrando sua superioridade quando comparado aos seus substitutos. É fundamental que a gestante e a nutriz tenham uma alimentação equilibrada durante a gestação e amamentação. O aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês e a partir desse momento deve-se iniciar a alimentação complementar mantendo o aleitamento materno até os dois anos de idade ou mais. O uso de mamadeiras, bicos e chupetas deve ser desencorajado, pois pode prejudicar o aleitamento materno e dificultar o retorno à amamentação. No caso de utilização de outros alimentos ou substitutos do leite materno, devem seguir rigorosamente as instruções de preparo para garantir a adequada higienização de utensílios e objetos utilizados pelo lactente, para evitar prejuízos à saúde. A mãe deve estar ciente das
implicações econômicas e sociais do não aleitamento ao seio. Para uma alimentação exclusiva com mamadeira será necessária mais de uma lata de produto por semana, aumentando os custos no orçamento familiar. Deve-se lembrar à mãe que o leite materno não é somente o melhor, mas também o mais econômico alimento para o bebê. A saúde do lactente pode ser prejudicada quando alimentos artificiais são utilizados desnecessária ou inadequadamente. É importante que a família tenha uma alimentação equilibrada e que, no momento da introdução de alimentos complementares na dieta da criança ou do lactente, respeitem-se os hábitos culturais e que a criança seja orientada a ter escolhas alimentares saudáveis. Em conformidade com o Decreto nº 8.552/15; a Lei 11265/06; Resolução Anvisa nº 222/02; OMS – Código Internacional de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno (Resolução WHA 34:22, maio de 1981): e Portaria M.S nº 2051 de 08 de novembro de 2001.”
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