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Respeitável Público Gentil, É com grande prazer que apresentamos a 6a versão do já tradicional Abre Alas e a terceira publicação do Jornal Abre Alas com esses maravilhosos e instigantes artistas. O Abre Alas é fruto de uma circunstância que aconteceu no nosso primeiro ano de existência, quando nos deparamos com inúmeros portfólios deixados na Gentil. Caixas e caixas, formando uma maravilhosa e potente imagem do pensamento e produção de diversos artistas ansiosos por colocarem sua poesia no mundo. Lisonjeada e consciente de ser uma antena propagadora da produção atual, A Gentil Carioca abriu suas asas acolhendo estas manifestações. Durante 5 anos, Laura Lima, Márcio Botner e Ernesto Neto, diretores da Gentil, se debruçaram sobre muitos portfólios e realizaram 5 Mostras Abre Alas que foram fundamentais na fomentação da cultura carioca. No gargalo da seleção no último ano, este mesmo trio se perguntou porque não renovar o olhar sobre este precioso material, resolvendo convidar dois jovens críticos/curadores que haviam se destacado naquele mesmo ano no Rio de Janeiro: Bia Lemos e Felipe Scovino. Por não deixar de ter sempre o olho de um artista, prata da casa, fomentador da cena carioca de arte e participante da primeira edição do Abre Alas, Guga Ferraz acrescentou-se ao time. Esta conduta não significa uma regra, amanhã pode ser diferente! Preparem a alma e os tamborins. Abre Alas é o primeiro carro alegórico que entra na avenida nos tradicionais e conhecidos desfiles de Carnaval. Por isso mesmo, como inaugural exposição de um Ano Gentil e, principalmente, a inaugural exposição de trajetória de muitos artistas, convidamos o público para esta celebração da arte e da vida! A Gentil Carioca
abre alas 3 André Amaral 4 Bárbara Wagner 5 Bruno Jacomino 6 Bruno Vilela
Por que o novo? A novidade e a diferença têm sido os motes da engrenagem do circuito de arte no que se compreende como estágio da contemporaneidade. Em vários momentos, o novo substitui a força poética como juízo de valor para determinada obra. Mas onde está o novo? Nos jovens (ou emergentes) artistas? Em obras recém produzidas? Ou nos trabalhos de artistas que atingiram uma maturidade em
7 Catarina Lira Pereira 8 Coletivo Filé de Peixe 9 Elvis Almeida 10 Estúdio Móvel Experimental 11 Felipe Fernandes
suas trajetórias, seja há 30, 20 ou 10 anos, e continuam produzindo em perfeita síntese e amplitude
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poética? Talvez a resposta seja o acúmulo dessas experiências ou a possibilidade real e concreta de
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não limitar o novo a uma questão de faixa etária ou histórica.
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Há 6 anos a galeria A Gentil Carioca promove, por meio do Abre Alas, não uma busca pelo novo, mas
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pela diversidade e experimentação sem apelar para fatores de identidades nacionais. Em todas essas
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exposições, o novo não se colocou como sinônimo de exotismo mas possibilidade de leitura e per-
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manente testemunho do tempo em que vivemos. Nunca foi uma preocupação do Abre Alas, mapear
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ou instalar definições originais de mídias ou temas para uma suposta “nova arte brasileira”. Quando recebemos o convite da Galeria para sermos os curadores dessa Edição, instintivamente seguimos essa direção (talvez pelo fato de dois de nós termos sido público do Abre Alas e o outro artista) e nos guiamos por uma rede intricada de experiências, símbolos e afetos que eram “escolhidos” pela capacidade de gerarem ressonâncias poéticas que pudessem desestabilizar o fato de serem apenas objetos ordinários. Desde o início do Abre Alas, o seu respectivo jornal abrangendo um diálogo entre o artista e um (ou mais) convidado(s) é publicado. Nessa trama de construção de ideias e conceitos, o lugar da entrevista ou do discurso do artista é colocado em consonância com a sua própria posição de articular política e esteticamente um território para a sua obra. Para essa Edição (e criando desvios poéticos nessa articulação), elaboramos o jornal como um livro de artista. Cada um deles, teve a liberdade de decidir, em uma página, o seu exercício de criação. Nessa escolha permeada por entrevistas, imagens de obras, textos, escritos, ensaios e outros devires, o jornal transformou-se em uma possibilidade de permanência e memória do marco de investigação e experimentação à qual estes artistas estão compromissados. A edição número 6 do Abre Alas caminha pela descoberta e evidência de que a arte “brasileira” é um engano. Não produzimos algo mestiço ou exótico mas fundamentalmente transmissões subjetivas que são captadas por seres e lugares transnacionais. Mesmo em situações onde determinada obra desse Abre Alas possa remeter a uma brasilidade, ela estará rindo sarcasticamente da sua própria imagem e condição. Gentis saudações, Beatriz Lemos Felipe Scovino Guga Ferraz
19 Sergio Zevallos 20 Vijai Patchineelan
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André Amaral
sem título, 2008 / video digital
3 André Amaral, mestre em Linguagens Visuais pela UFRJ, nasceu em São Paulo em 1972. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, onde também atua como DJ.
sem título, da série BRASÍLIA TEIMOSA, 2006 / jato de tinta sobre papel / 40 x 27 cm BÁRBARA WAGNER
Bárbara Wagner
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Bárbara Wagner (Brasília, DF, 1980) é jornalista e fotografa desde 1999. Atualmente é pesquisadora do Dutch Art Institute, na Holanda, onde publicou “O que é bonito é pra se ver”, que reúne todos os seus trabalhos. Vive entre Recife e Berlim.
Bruno Jacomino
rumoresaltomediosegravesporvezesharmonicossoltosporaitran sitoriosentrenadaeondasderadioabalandoenquantototocaotete lefonfonventanajanelassobiacoisasfazendobarulhonomatopeia
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Bruno Jacomino é artista carioca.
Bruno Vilela
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Bibbdi Bobbdi Boo, 2008 / fotografia / 120 x 80 cm
Bruno Vilela é recifence e trabalha com pintura, desenho e fotografia desde 1998.
Catarina Lira Pereira
Numa tentativa de imortalizar alguns momentos, de reviver a presença das pessoas que admira, que a inspiram ou influenciaram e de locais que a marcaram, Catarina reconstitui imagens que lhe trazem de volta uma atmosfera nostálgica. Entre narrativas interrompidas e assumindo numa forte ligação entre a fotografia e a pintura, surge a partilha de um conteúdo autobiográfico e de um universo privado, criando uma comunicação emocional com o espectador, que fica confrontado com todo um espírito de abertura, com um ambiente familiar e lúdico. Catarina simula frustradas tentativas de visualização de imagens do passado, resultando num jogo plático entre revelação e ocultação, gerando uma profundidade ambígua. Ela vos convida a tomar parte desse complicado jogo, na assimilação da ilusão de memória visual de momentos precisos da sua vida. Conduzidos ao longo de passagens e bifurcações, oscilando entre o todo e o pormenor, poderemos completar mentalmente as imagens.
GC#1, 2010 / acrílica s/ papel / 50 x 50 cm
Catarina Lira Pereira é artista visual portguesa.
Breaktime, 2009 / acrílica s/ tela / 200 x 200 cm
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EDUARDO MONTEIRO
Coletivo Filé de Peixe
“Acho que essa é a única maneira de chegar a certas pessoas que eu nunca chegaria da maneira convencional” (Julia Vaz) “A partir daí os artistas tem que resignificar sua produção, pensando numa estratégia de acessar o conteúdo, porque o colecionismo na arte promove um fetiche do objeto de arte, então o conhecimento que está contido nesse objeto de arte fica nas mãos de poucos” (PedroVictor Brandão) “Não tem por que estar nas mãos de uma única pessoa, por que se é arte é isso, uma retroalimentação constante” (Gonzalo Mezza) da esquerda para direita: Fernanda Antoun, Felipe Cataldo e Alex Topini
PIRATÃO :: DEPOR
“A multiplicabilidade da arte hoje em dia tem que ser usada a favor do artista” (Ricardo Moura)
“O trabalho de vocês de cara toca nisso, provoca isso, mexe num monte de rede que normalmente estão em paralelo na produção de vídeo” (Paulo Miyada)
“Um marco na história da videoarte, uma fragmentação desse objeto que praticamente nunca existiu”
“Vira um outro trabalho, que é a idéia de um grupo, então, ainda se mantém um outro sistema de autoria”
(Aslan Cabral)
(Maicyra Leão)
“Que permaneçam com a tiragem pequena, com o objeto assinado, com o direito de você ter o objeto, o fetiche e tudo, mas botar na internet, quem quiser copia, acho que isso é justo” (Marcelo Siveira)
“Eu nunca tinha visto isso, acho um barato, para desmistificar essa coisa toda, para as pessoas poderem consumir como consomem qualquer outra coisa”
“Um suporte que, em si, já prescinde dessa coisa da obra de arte como uma coisa original” (Ana Luisa) “Ações como essa devem rodar o Brasil inteiro, para que as pessoas possam ver e discutir como ter acesso a essas obras audiovisuais, que inclusive deveriam estar disponibilizadas na internet para todo mundo” (Márcio Almeida)
“Não é pirataria, no sentido da pirataria industrial, da pirataria com intenção de gerar lucro, um prófit extra e sem imposto para um grupo e tal, não é isso” (Fabiana Éboli) 8
“Tem gente que não vai ter seu trabalho pirateado e vai ficar muito puto: Pô, como os caras não tão pirateando o meu trabalho?” (Márcio Shima)
(Rodrigo Pecci)
“Acho que é importante esse tipo de ação, acho que é importante também manter uma função de galeria, eu não sou dos extremos, acho que tem que ter as duas coisas, tem espaço para todo mundo, e para esse tipo de iniciativa também” (Letícia Lampert) “Eu vejo que estão se desenvolvendo vários processos novos de se expor a arte, e se relacionar com o público, e com certeza isso vai modificar o mercado” (Gaby Benedyct)
“Tem pessoas que não se desprendem, não botam ali e ninguém vê, nada acontece e o trabalho fica preso, eu fico tri feliz por ter contato com um trabalho que talvez eu nunca fosse ter conhecimento, e é uma forma do trabalho ir para outros lugares também” (Marcieli Compagnon)
“O mais difícil é a gente conseguir ter acesso aos filmes das pessoas que estão produzindo mais perto da gente(...)o povo que está fazendo perto não está veiculando tanto, dos colegas a gente tem uma dificuldade de achar, e aqui é o lugar” (Simone Rodrigues) “É uma honra até ver o trabalho pirateado por um outro artista e fazer parte desse contexto todo, que é o contexto da praça, do povo, do mundo” (Cristina Amiran) “Eu to vendo pela primeira vez eu pirateada, e tem que estar para todo mundo, em todos os lugares, sempre” (Ana Durães) Mais do que piratear é a idéia de difundir, pessoas que fazem parte da história da arte e que as pessoas no geral não tem acesso, vocês estão de parabéns” (Aimberê César)
“O consumidor tem que acessar tudo, se você quer fazer um fundo para o autor não pode ser em cima do consumidor, proibindo o uso ou limitando o uso” (Jandira Feghali)
“Pariu é do mundo” (Fernanda Dutra) www.youtube.com/coletivofiledepeixe
Formado por Alex Topini, Felipe Cataldo e Fernanda Antoun, o Coletivo Filé de Peixe há 4 anos realiza ações perfomáticas com base no audiovisual.
ELVIS ALMEIDA
Elvis Almeida
sem titulo, 2010 / tecnica mista
Elvis Almeida é carioca da zona norte desde 1985.
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Estúdio Móvel Experimental
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Silvia Leal é natural do Rio de Janeiro, cresceu na cidade de Londres. Vive e trabalha entre o Brasil e a Inglaterra. Ivan Henriques nasceu no Rio de Janeiro e atualmente faz Mestrado em Arte e Ciência em Den Haag, Holanda. Em 2007 fundaram o Grupo Experimental Multidisciplinar Autônomo - G.E.M.A.
Felipe Fernandes
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Felipe Fernandes é artista residente no Rio de Janeiro.
Gabriel Colaço
SIGNOS
Signs #17, 2009 / acrílica s/ tela / 130 x 130 cm
O que seria do capitalismo sem o seu tentáculo publicitário? Temos vivido numa efervescência de imagens, reclames e propagandas a marcas de produtos e serviços que evocam prestígio, qualidades maravilhosas e comodidades imprescindíveis de tal forma que conseguem minar a nossa hierarquia de necessidades e conotar o supérfluo como indispensável. Mas, muito do que ontem decidia ser signo de diferença, de afirmação pessoal ou apelo ao poder de seletividade, hoje almeja o estandarte da poupança genial ou da indispensável estratégia econômica. Obviamente fruto da presente conjuntura econômica em que a quebra do consumo é global, a máquina publicitária teve de rapidamente reajustar a sua atuação perante as suas massas alvo. Este é o jogo da dupla face dos sistemas simbólicos da humanidade sobre o qual urge fazer uma reflexão. Entender os mecanismos semióticos por trás dos mais elementares aos mais sofisticados logotipos; marcas; slogans; neons; e toda uma vasta parafernália de que se mune o marketing que tão bem domina “a arte dos sinais” e suas mensagens no espaço dos signos publicitários, verdadeiros ícones das culturas consumistas.
Signs #16, 2009 / acrílica s/ tela / 130 x 130 cm
STATIONS
A desmontagem da forma e função como porta para uma nova dimensão perceptiva. Gabriel Colaço expõe-nos a uma reavaliação configuracional e pragmática das estruturas. O seu seccionamento, a recomposição das partes e a recriação cromática das superfícies provocam o sequestro contextual e utilitário originais para o ganho de uma nova percepção. Como se de um ensaio de Gestaltismo se tratasse, o observador é estimulado a percorrer a psicologia intrínseca a este processo artístico. Assim Gabriel servese da desconstrução da figura para pôr em evidência os elementos adormecidos que pela rigidez do todo interditavam o observador da sua particular intelecção, nomeadamente os detalhes arquitetônicos que pelo seccionamento são postos em evidência e enfatizados pelos jogos de cor, luz e sombra. Esta linha de visão propaga-se na exploração das instalações. Dois pólos opostos podem ser extraídos atendendo ao ponto de vista tomado pelo observador sobre estas manobras de percepção, pois se por um lado os modelos ganham uma nova dimensão conceitual e estética nestas metamorfoses inesperadas da forma e função, por outro podem ser tomados como uma agressão cirúrgica a elementos fixos e impassíveis de posterior alteração como estruturas de uso cotidiano determinado, não lhes sendo reconhecido por esta via a aquisição de uma nova estética e libertação do seu espartilhamento conceptual original. Carla Colaço
12 Gabriel Colaço é artista visual português. Carla Colaço é esposa de Gabriel. This space for rent (2) installation on wall, 2009 / acrílica e madeira de balsa / 60 x 40 cm
Isabela Sá Roriz
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Intruso Introrso, 2007 / corpo e tecido
Isabela Sá Roriz é artista.
Luiz Roque
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Papel Queimado, 2010 / dimensões variáveis / Este trabalho foi realizado graças a colaboração dos artistas Marcelo Amorim & Nino Cais.
Luiz Roque (1979) trabalha com filme, vídeo, fotografia e, às vezes, neon. É gaúcho, mas mora em São Paulo.
Nicolas Grum
El estado de las cosas/Las cosas del estado - Trienal de Chile, 2009 / 20 cadeiras de mobiliário público dispostas em equilíbrio precário
Ovillo, 2001 / intervenção urbana / material vegetal em forma de esfera / 120 x 120 x 120 cm
Nicolas Grum é artista chileno.
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Vicente de Mello entrevista
Rafael Adorján
série VILA LONGUINHOS (políptico), 2009 / gelatina/prata / 50 x 50 cm (cada)
Vicente de Mello Rafael, todo vestígio é fim de um
tempo, em suas séries isto é muito presente, é deste pensamento que elas são criadas? Rafael Adorján Percebi que isso é uma coisa que
realmente ocorre e que não é intencional, é como se houvesse dois tempos em um mesmo processo. Eu desmonto o meu próprio quebra-cabeça, enquanto estou fotografando, e passo a montá-lo novamente quando estou editando. É nesse momento que percebo a idéia de um fim se construir espontaneamente nas séries que crio. É como se as fotos pedissem, sozinhas, para ficarem juntas. É aí que preciso estar atento.
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VM Percebo uma linha de melancolia do espaço e
das pessoas entre Vila Longuinhos e Corpo delito, respectivamente. Um fala do fim do ruído nos espaços do antigo ateliê, onde só restaram os refugos de uma antiga permanência e o outro do fim de um propósito sentimental, as pessoa dos slides descartados assim como os próprios são simples refugos também. Há esta relação de abandono no seu silêncio e é nele que vejo a sua fotografia, estou certo?
RA Não tenho uma resposta certa. É uma questão de
ponto de vista. Sendo esta a sua impressão pessoal, isso significa que elas tem a capacidade de gerar essa visão. A intenção está totalmente relacionada a uma pulsão de me comunicar, por mais paradoxal que seja, pelo silêncio, mesmo que ele possa transmitir uma idéia de abandono. Para mim, a fotografia atua de maneira mais silenciosa, mas também pode gerar um impacto ensurdecedor. Sobre essas imagens em especial, da série Vila Longuinhos, elas trazem toda uma história de convívio, o que faz com que realmente existam refugos de um propósito sentimental, e dentro dele, uma ponta de melancolia. Os ambientes daquela casa estavam quase sempre cheios de gente, pois havia também um saudável convívio com outros artistas que frequentavam o ateliê. Com essas imagens, quis fazer uma leitura diferente, oposta da que costumava existir naquele espaço, onde sempre havia muito movimento, barulho, sujeira e vida. Estas fotos são silenciosas e “cheias” de vazio. É como se dissessem: “Bom, a festa terminou”
VM Na seqüência criada do Vila Longuinhos, a câmera parece giratória, um ponto fixo e 360 graus, a noção do espaço da casa se perde, tudo está tão próximo e também em grande profundidade. De onde partiu a idéia de desordenar esta geometria interior? RA Gosto das fotografias que falam sobre fotogra-
fia, a metafotografia, formalmente falando. Já me disseram que a ordenação dessa série lembra uma panorâmica fotografada por uma câmera pinhole. Eu acho interessante a percepção de algo que parece que está explícito, mas não está. Não buscava exatamente realizar essa simulação, mas percebo essa referência e acho que isso acrescenta. O que realmente motivou o surgimento dessa série foi o fato de estar deixando aquele espaço de produção e convivência. Senti a necessidade de fazer um ensaio de como haviamos deixado aquele local depois de um longo período, e teria de ser urgente, pois logo teríamos que deixar a casa. Seria algo histórico, pelo menos para nós. Queria que elas contassem uma historia, uma sequência narrativa, que levasse a caminhar por entre aqueles espaços, com uma horizontalidade proposital, transmitindo a idéia de estar em um espaço que contém outros diversos espaços. Mas não tão preciso, há uma desordem em relação aos ambientes da casa, e elas estão ora mais próximas, ora em profundidade, como você mesmo mencionou. O que procurei foi extrair dali uma beleza única que existia naquilo tudo, exatamente daquela maneira.
Rafael Adorján é fotógrafo e vive e trabalha no Rio de Janeiro. Vicente de Mello é fotógrafo. Vive e trabalha em frente à Praça Paris, Rio de Janeiro.
Raoni Moreno série: sinalização urbana Projeto
de intervenção urbana cujo PrinciPal obetivo é incitar a reflexão sobre a violên-
cia das grandes cidades, através de Placas de trânsito.
as Placas medem 50cm x 50cm no formato do losango. são feitas em chaPa galvanizada, tinta esmalte e adesivo vinil. “ÁREA DE FOGO CRUZADO”
“DE MÃO EM MÃO”
“AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA”
“OBRAS A SETE PALMOS”
“CORRE AVIÃOZINHO”
“FUNÇÕES DO SEMÁFORO”
“PRIMEIRO EMPREGO”
A maior parte do trabalho de Raoni Moreno é relacionada à pintura. Para tal, além das técnicas tradicionais, faz uso de programas de edição de imagem no computador (photoshop, ilustrator, indesing, firework...). Também desenvolve trabalhos de escultura e instalação.
“WAR”
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Ricardo Villa
Espaço-Revelado, 2009 / fotografia, impressão s/ papel algodão / 65 x 100 cm
18 Ricardo Villa é fotógrafo, ilustrador e churrasqueiro. Vive e trabalha em São Paulo.
Espaço-Revelado é uma série de ações que consistem no transporte de um aparato de luz composto por uma lâmpada fluorescente e uma bateria de carro. Esse aparato é instalado em lugares em situação de abandono e com condições mínimas de luminosidade. O dispositivo então é montado nesse lugar-resíduo, com objetivo de fazer surgir/revelar/iluminar o lugar em questão e, subjetivamente, seus contextos. Trazendo à tona seu soterramento temporal e apresentando-os como referentes sociais, especulando sobre a existência de outras dimensões simbólicas no interior dos processos de construção das cidades e como uma operação que articula duas realidades, a realidade material do espaço ocupado e a realidade sensível do espaço percebido ou transformado.
Sergio Zevallos
estoy corriendo/tú no me puedes alcanzar/la velocidad es hermosa/la gente mira extrañada/no es muy ancha la pista/sólo una calle/yo corriendo/por en medio/mientras tú no me alcanzas/a veces alguien me grita me tiran cosas/yo sigo corriendo feliz/ni siquiera yo me puedo alcanzar/corriendo/mi calle nunca termina/nunca me alcanzas/soy un punto en la distancia/lejos/ya ni me puedo ver/jamás me había sentido tan feliz por estar corriendo/por en medio de la calle/justo por el medio ...y nos vamos a estrellar.
Fictive Days - Berlín, 2008 / fotografia e performance / com TEMPSberlin y Wooloo Productions (tiras 1 e 2) 30 Minutos Íntimos - Lima, 2009 / fotografia e performance / com Lucia de Maria, Sofia palacios y Sala 1042 (tiras 3 e 4)
19 Sergio Zevallos realiza projetos com fotografia, performance e instalação. Nasceu em Lima, Peru. Vive e trabalha em Berlim.
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Vijai Patchineelan é brasileiro. Hoje vive e trabalha em Estocolmo.
PONTOGOR
GUSTAVO ESPIRIDIÃO
GABRIELA ANTUNES
Vijai Patchineelan
coordenação editorial
A Gentil Carioca equipe da galeria A Gentil Carioca diretores Ernesto Neto, Laura Lima, Márcio Botner produção Norma Normando assessoria de comunicação Tatiana Bührnheim assistente de serviços gerais Inacio Ferreira da Silva manutenção e montagem Gerardo Silva Filho projeto gráfico
Lili Kemper estagiário
Lucas Sargentelli
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Publicado por ocasião da exposicão Abre Alas 6 realizada entre 30 de janeiro e 27 de fevereiro de 2010 na galeria A Gentil Carioca com curadoria de Beatriz Lemos, Felipe Scovino e Guga Ferraz.
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