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Abre Alas 11 | Catálogo

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ABRE ALAS

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Aleta Valente Alexandre Wagner Bruno Cançado Carina Sehn Carolina Bonfim Cecília Bona Coletivo ES3 Daniel Beerstecher Daniel Frota Daniel Jablonski Daniel Lie Dirnei Prates Erica Ferrari Ewa Priester Felipe Abdala Felipe Bittencourt Frederico Ramires Gabriela Noujaim Gabriele Mauro I repeat Igor Vidor Ilan Waisberg Jonas Arrabal Jorge Soledar Lucas Sargentelli Luisa Mota Luisa Puterman Maíra Dietrich Manoela Medeiros Maria Noujaim Marina Fraga Miguel Penha Pedro Gallego Pedro Urano Raquel Versieux Renato Pera Reynaldo Candia Rita Queiroga Rodrigo Alcon Quintanilha Rodrigo Garcia Dutra Rodrigo 1 Moreira Thiago Guedes


ABRE ALAS A GENTIL CARIOCA _ Rio de Janeiro, 2015

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Marchinha Abre Alas 11

50 Ilan Waisberg

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Saravá é água mineral

52 Jonas Arrabal

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Aleta Valente

54 Jorge Soledar

10 Alexandre Wagner

56 Lucas Sargentelli

12 Bruno Cançado

58 Luisa Mota

14 Carina Sehn

60 Luisa Puterman

16 Carolina Bonfim

62 Maíra Dietrich

18 Cecília Bona

64 Manoela Medeiros

20 Coletivo ES3

66 Maria Noujaim

22 Daniel Beerstecher

68 Marina Fraga

24 Daniel Frota

70 Miguel Penha

26 Daniel Jablonski

72 Pedro Gallego

28 Daniel Lie

74 Pedro Urano

30 Dirnei Prates

76 Raquel Versieux

32 Erica Ferrari

78 Renato Pera

34 Ewa Priester

80 Reynaldo Candia

36 Felipe Abdala

82 Rita Queiroga

38 Felipe Bittencourt

84 Rodrigo Alcon Quintanilha

40 Frederico Ramires

86 Rodrigo Garcia Dutra

42 Gabriela Noujaim

88 Rodrigo Moreira

44 Gabriele Mauro

90 Thiago Guedes

46 I repeat

92 As obras

48 Igor Vidor

curadoria de Daniel Steegmann Mangrané, Livia Flores e Michelle Sommer

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MARCHINHA ABRE ALAS 11

Oooh abre alas pr’arte que vai chegar Ohh abre alas pr’aquele que vai falar Que arte toca o mundo hoje no agora? O que é a arte no amanhã que hoje é?

*** É fevereiro, hora de acordar acenda as turbinas do seu coração Mais giro da terra, vamos desacelerar os repiques já estão na mão

*** Viva o Baco, o Inácio e Você O Abre Alas 11 vai acontecer são 42 artistas tirados de um montão se perguntam de onde vem e onde vão a pergunta é boa, vamos valorizar chama a jardineira para ajudar são muitas rosas para se plantar

*** O sol pulsando vai apresentar na encruzilhada, a exaltação oh abre alas para quem quer se curar a difícil arte de entrecruzar, paixão, ideias e comunhão o pensamento de 3 em união salve Michelle, Lívia e Daniel.... estamos juntos com grande gratidão 2

***


Caminhar na arte não tem receita não, deixa o coração bater e o cérebro acontecer as regras são as que a gente faz um respiro atrás do outro, e, claro, muito mais....

*** É um novo tempo de afirmação O ano ferve com ritmação perdeu o equilíbrio? é só se levantar fazer a cultura acontecer e se renovar empunhe a sua bandeira, vamos re-ligar

Provocando a vida do papel que a arte é espinha ereta, mas muito molejo no pé É isso aí velha nova outra geração comece a navegar, tamo junto meu irmão cada um por si, mas todos dando a mão

*** Oooh abre alas chega de blá blá blá pede uma cerveja pra comemorar depois a gente engata uma discussão vamos dançar até o sol raiar!

*** *** Brancusi pulou da base e foi beijar na multidão Duchamp desceu a escada pelado com o p na mão o carnaval é pra pensar e poder sorrir é o Abre Alas Gentil pra garantir nem mesmo o Cage vai resistir

Sejam bem-vindos na nave gentil astral a coisa é fazer o acontecer mas só se for de forma sensacional epifanias, amor e enternecer A Gentil Carioca só tem a agradecer!

*** tum tum tum A gentil cometa tuísta o furacão 42 tambores retumbam na multidão Aí estão os novos artistas que vão enfrentar a grande missão

***

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Um convite para composição de um trio curatorial (inter/multi/cross/transdisciplinar) para o Abre-Alas 11 edição / 2015. Um desafio lançado para a leitura simultânea (individual e em conjunto) de 319 portfólios que resultam em 42 selecionados. Em contato com os artistas, agora discutindo trabalhos específicos e formas de apresentação pública de propostas enquanto esse texto é escrito, penso em “sincretismo poético”. Esse recorte curatorial, fruto de proposições artísticas diversas (e não raras vezes mistas), oriundas de pontos geográficos distintos e não restritos ao contexto brasileiro, apresenta-se contra o estabelecimento de regras ortodoxas para a construção de uma narrativa única que unifique propostas (mesmo uma colorida história pré-carnavalesca repleta de bom humor). A aposta curatorial dessa edição é a livre experimentação para dar voz e impulso à produção artística recente e em processo de formação, escapando às categorizações prévias e apoiando a necessidade constante de reinvenção da arte nas suas possibilidades de encontros (e, por que não, desencontros). Aqui, navegamos (ou sambamos, se preferirem) em uma multiplicidade de proposições artísticas que sobrepõem fronteiras (inclusive as bordas entre público e privado nas ações de performance), misturamos confete com serpentina (com algum glitter, por favor) para ver no que que dá. Alalaô para a leveza e diversão nesse início de 2015 (e que siga assim, saravá é água mineral). Evoé!

Daniel Steegmann Mangrané Livia Flores Michelle Sommer 5


Daniel Steegmann Mangrané é artista plástico e sempre se envolveu em projetos de pesquisa, educação e curadoria. Nasceu em Barcelona, em 1977, e é residente no Rio de Janeiro desde 2004. Seu trabalho poderá ser visto este ano na Trienal do New Museum de New York; na Kadist Art Foundation de Paris; no Noveau Musée National de Monaco, na galeria Esther Schipper de Berlim, no MACBA de Barcelona ou na Momentum Bienale de Oslo. No Rio de Janeiro, participa da nova programação do Parque Lage e planeja, para setembro, uma mostra no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, contrastando trabalhos de início de carreira com instalações sonoras e performances recentes.

Livia Flores é artista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Leciona no curso de Direção Teatral da Escola de Comunicação e atua nos Programas de Pós-Graduação em Artes Visuais (EBA) e Artes da Cena (ECO). Em 2012, publicou Livia Flores, na coleção ARTE 6

BRA (Automatica) e Instruções para filmes (+2Editora). Recentemente participou das exposições: Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas, O Abrigo e o Terreno, no MAR, Situações Brasília, Maracanã, na Gentil Carioca e realizou uma individual na Galeria Progetti.

Michelle Farias Sommer é doutoranda em História, Teoria e Crítica de Arte no PPGAV/UFRGS com estágio doutoral junto à University of Arts London, Central Saint Martins. É mestre em Planejamento Urbano e Regional pelo PROPUR/UFRGS e arquiteta pela PUCRS. Em 2014, integrou o workshop “Ferramentas para Organização Cultural” da 31 Bienal de São Paulo, foi co-curadora da exposições “to see what is coming”, no Largo das Artes/RJ e curadora da exposição “Mimetismo”, na Casa de Rui Barbosa/RJ, paralela ao Colóquio Internacional “Os mil nomes de Gaia – do Antropoceno à Idade da Terra”. Em 2013, foi coordenadora de museografia da 9 Bienal do Mercosul e docente na Faculdade de Arquitetura. Premiada na edição Rumos Itaú Cultural 2013-2014, prepara uma publicação sobre experiências recentes de errância na arte contemporânea brasileira. Dedica-se à curadoria, ensino e pesquisa.


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Aleta Valente Essa ação é uma investigação sobre hierarquia e agenciamento, um estudo sobre os signos que agregam valor a uma vernissage e opera conjuntamente em prol da legitimação de um artista/obra de arte. São muitas as camadas, que vão desde o espaço expositivo (museu, galeria, poste), e nomes próprios que funcionam como grifes (artistas, curadores, teóricos, galeristas, colecionadores, madames), até o que se bebe - e o quanto se bebe durante uma abertura de exposição. A bebida alcóolica é um elemento imprescindível, agindo como um perfeito lubrificante social, ela empresta ritmo aos corpos sedentários, agiliza contatos, sela acordos, mesmo que alguns sejam tão voláteis quanto o álcool. E se a bebida dá legitimidade, então porque não tomar um banho do que há de mais caro nos supermercados e ser legitimado da cabeça aos pés? A ação se dá enquanto subo a escada dourada (assumindo um posto superior autoconcedido na relação de poder) e despejo champanhe na cabeça de um artista que se encontrará de pé sobre a bacia dourada, a cena se repete com outros artistas até que a bebida se esgote.

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Aleta Valente é barwoman aspirante a stripper natural de Assunção - Paraguai (1989). Sobrevive e está à PROCURA DE TRABALHO (LAVO PASSO COZINHO E RECITO POEMAS), no Rio de Janeiro.


Banho de legitimação, 2015 / performance

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Alexandre Wagner

Cursei Artes Visuais na UFMG, com habilitação em Pintura. Vivo e trabalho em São Paulo. Fui aluno do professor Rodrigo Naves e frequentei o grupo de prática e reflexão em pintura orientado por Paulo Pasta no Instituto Tomie Ohtake. Desde 2011, em atividade paralela à minha produção, 10 também trabalho como assistente do artista plástico Nuno Ramos.


São trabalhos em pequeno formato e de execução rápida, obedientes ao tempo do material de que são feitos. Os espaços abertos entre as formas parecem responsáveis por boa parte de seu fôlego, como se sua sustentação derivasse destes intervalos preservados. Os vazios - ora maleáveis, ora compactados e sólidos - trocam de função o tempo todo, variando entre apoio e peso, preenchimento e luz. Apresentá-los em série, talvez seja uma boa tentativa de apreender essa movimentação.

Sem título 2 (da série Desenhos), 2014 / nanquim e guache sobre papel / 21 x 29 cm (cada desenho)

Estruturas, formatos, materiais e procedimentos aparentemente se repetem. Existe neles uma preguiça, um desejo de suspensão onde constantemente deixam de ser o que são. Se são desajeitados ou cômicos, é também pela tentativa meio patética (como nos personagens de Beckett) de aderir a um mundo amolecido e displicente. Formas que se anunciam rígidas, amolecem, entortam e escorrem sem muita cerimônia. Às vezes aparentam levantar um braço - como se fosse o único gesto que lhes coubesse. Resistem a qualquer vontade mais firme, avessos à possibilidade de grandeza da pintura a óleo - são, pelo contrário, feitos em papel, suscetíveis a deterioração mais rápida, vida mais curta. Se desfazem com a água. Não erguem catedrais, nem travam sangrentas batalhas: optam por transações precárias.

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Bruno Cançado Para produzir um abismo

Para produzir um abismo, são necessários bastões de carvão e uma resma de papel A4. Escolha uma parede branca, lisa, sem rodapé. Posicione a resma de papel sobre o chão com uma das faces menores tocando a parede. Com um bastão de carvão, desenhe sobre a parede uma faixa de aproximadamente 1,5cm de largura e 250cm de altura (a altura do desenho pode alterar de acordo com a distância entre o teto e o chão). A faixa deve ser desenhada a alguns centímetros da resma, centralizada. Utilize os bastões de carvão para preencher toda a faixa. Tencione uma cor preta, intensa, palpável. Deixe o atrito do carvão contra a parede transformar os bastões em pó. Deixe nevar o pó do carvão. Observe a atuação da gravidade. Observe a paisagem que aos poucos se forma sobre o papel. Utilize quantos bastões forem necessários para que a elevação criada pelo pó alcance a base do desenho.

Bruno Cançado (Belo Horizonte, 1981) é graduado em Comunicação Social pela PUC Minas e 12 em Artes Plásticas pela Escola Guignard UEMG. Vive e trabalha em Belo Horizonte, MG.

O abismo é feito de uma matéria, 2013 / carvão e resma de papel A4 / 260 x 21 x 29,7 cm


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Carina Sehn

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Nesta ação experimento a solidão, o desconforto da reclusão de me fechar em mim mesma. Estou dentro de um cubo vazado, cujas dimensões são de 0,70 x 0,70cm, e me relaciono diretamente com o meu “casulo” existencial. Mantenho-me em posições semi-uterinas, voltando todo o meu corpo para mim mesma, sem estabelecer contato (verbal e/ou físico) com o exterior.

FOTOGRAFIA RAISA TORTEROLA

Local: Largo Glênio Peres, Porto Alegre Duração: indeterminada ou o quanto permitirem os moralistas

In[penetrável], 2014 / performance

Carina Sehn é performer, nasceu em Estrela (1980). 15 Vive e trabalha em Porto Alegre.


Carolina Bonfim

16 Carolina Bonfim nasceu em São Paulo, em 1982.

Vive e trabalha entre São Paulo e Barcelona.


Coração 190, 2014 / performance e fotografia / dimensões variáveis

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FOTOGRAFIA RICARDO THEODORO

Cecília Bona

3V, 2010/2013 / lâmpadas de LED, fios, bateria, elástico / dimensões variáveis

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Cecília Bona é artista visual (1979), vive e trabalha em Brasília.


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Coletivo ES3 DOS DEUSES: PÉTALAS DE CARNE

A série “Dos Deuses – Pétalas de Carne” apresenta, em seu traçado visual e performático, uma das questões mais centrais desde a emergência das sociedades modernas até a inerência da multiculturalidade contemporânea: o que é Deus? Para pensar nessa questão, os performers potiguares André Bezerra e Chrystine Silva recorreram ao olhar da escritora brasileira Hilda Hilst, em cuja obra essa pergunta ecoa de maneira pungente. Em residência artística na cidade de Campinas, na Casa do Sol, antiga residência da escritora e à convite do Instituto Hilda Hilst, estes artistas realizaram o projeto que intitula essa exposição, propondo um avanço crítico interessante sobre o questionamento inicial: por que criamos a ideia de Deus?

Haydum (da série Dos Deuses: Pétalas de Carne), 2014 / Edição 2/12 / fotografia / 30 x 40 cm.

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Partindo da obra de Hilst e de escritos de filósofos como Mircea Eliade, Ernest Becker, Friedrich Nietzsche e Ludwig Wittgenstein, os integrantes do Coletivo ES3 debruçaram-se sobre a questão da mítica dos deuses politeístas, pagãos, monoteístas, e sobretudo da tradição judaico-cristã, investigando o espaço imagético e conceitual onde se elaboram as divindades. Dessa pesquisa adveio um mapeamento na obra de Hilda Hilst das nomenclaturas dadas pela autora para a figura de Deus (Haydum, Cara Cavada, Cão de Pedra, O Incognoscível, etc.) e a criação de um conjunto de 28 séries fotográficas que partem de composições performáticas dos dois artistas norte riograndenses para desvelar por um instante a imagem, às vezes serena, às vezes grotesca, desses deuses nomeados por Hilst. Dessa feita, a série é composta por foto-performances, composições imagéticas e corporais realizadas para captura fotográfica. São fotos que acionam e investigam os nomes/metáforas construídos pela escritora brasileira para aludir a mítica do sagrado, ao mesmo tempo em que abordam a composição iconográfica ligada ao conceito e construção cultural dos deuses. Além de um mapeamento ousado e inédito, sob essa perspectiva, da obra da pioneira escritora brasileira, a proposta dessa série aborda um ponto tão intimamente tradicional quanto inquietamente contemporâneo sobre os deuses criados em conceitos e imagens desde os primórdios das sociedades humanas. Destaca-se, ainda, a transversalidade da série que aborda as linguagens da fotografia e performance em contaminação mútua para a criação de uma proposta que discute, através do corpo e da imagem, esse espectro conceitual de presença/ausência imiscuída na própria mística e mítica da relação entre deuses e homens. É importante perceber que para além de um espaço, para pensarmos se um deus, ou um grupo de deuses, exise ou não, esta série parte do pressuposto do escritor grego Níkos Kazantzákis para quem, a despeito da dúvida, os deuses vivem encarnados nos homens desde que passaram a compor o nosso campo simbólico, isto é, a moral e ética simbolizadas na figura insondável dos deuses levou e leva os homens a procederem de certa forma, a criarem valores que determinam certos comportamentos, e por mais que este(s) deus(es) seja(m) uma projeção irreal, ou abstrata, a influência de poder moralizante que detêm possui carne: o corpo dos sujeitos que creêm e vivem no cotidiano de todas as sociedades. Nesse sentido, o interesse deste trabalho não é o de perscrutar a viabilidade da existência dos deuses, mas, a partir dos nomes/metáforas propostos por Hilda Hilst em sua literatura, investigar o espaço imagético que criamos para compor as figuras sagradas.

O Coletivo ES3 é formado por André Bezerra e Chrystine Silva. Foi criado em 2009, na cidade de Natal (RN), onde vive e trabalha.

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Daniel Beerstecher O sentido de travessia, de passagem, é marcante no conjunto de trabalhos de Daniel Beerstecher. Ele atravessa territórios, mundos, realidades, sem pouso certo, esbarrando em uma atmosfera de impossibilidade, que ele encara com suavidade e humor. A impossibilidade caminha com a mobilidade física do artista, presente em muitas de suas obras, com a busca romântica por uma natureza idealizada, bela, que guarda embaixo de seu véu o imponderável. O imponderável, velado, vaza por meio do absurdo, denuncia os cenários naturais como artificiais. Sua arte toca o imponderável a partir do que a própria natureza lhe conta em segredo nos ouvidos enquanto a percorre: tiradas as regras de comportamento e consumo, as determinações sobre o que é ser um sucesso e um fracasso, resta você diante do espelho. Flávia Mattar

Daniel Beerstecher nasceu na Alemanha, em

22 1979. Vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e a

Alemanha.


50°60‘59,50“N / 8°40‘35,30“O, 2007 / vídeo / 13:30 min

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Daniel Frota Durante os dois últimos anos, meus trabalhos se desenvolveram a partir de duas abordagens sobre legibilidade: a primeira sob um aspecto linguístico, cujo foco está na letra, nos objetos, nos fenômenos e em suas propriedades traduzíveis; e a segunda sob um aspecto perceptual, cujo foco está no observador e nos limites de sua condição de acesso ao sensível. Se nos encontramos dentro da linguagem e da consciência, como se dentro de uma jaula transparente descrita por Francis Wolff, os trabalhos que surgem em minha prática são: 1. tentativas de criar arranhões em suas barras para torná-las visíveis, opacas; 2. tentativas de enfiar o braço por entre as grades e puxar o que conseguir para o lado de cá; 3. confirmações sobre o círculo vicioso no qual minha percepção e linguagem se inserem – sobre as influências de uma na outra e de como dessa relação nascem as barras que me cercam. Em 1839, o educador francês Louis Braille publicou seu primeiro livro Nouveau procédé pour représenter par dês points la forme même dês lettres, les cartes de géographie, les figures de géométrie, les caractères de musique, etc. à l’usage de aveugles, em que descreve pela primeira vez o seu sistema de notação de pontos usado para escrita de textos e partituras musicais feitas por deficientes visuais. O trabalho Babel, apresentado no 11º Abre Alas, faz parte de uma série de trabalhos desenvolvidos durante minha pesquisa sobre este livro. A instalação é formada por cinco caixas de acrílico e trinta lanternas. As caixas de acrílico servem de estrutura para a matriz de seis de pontos do sistema Braille, no qual cada ponto foi substituído por uma lanterna. A palavra formada pela presença e ausência de luz em cada módulo da caixa é legível enquanto estrutura linguística. Seu significado, porém, ilegível, tanto para os que utilizam a linguagem para cegos, quanto para os que, apesar de conseguirem discernir visualmente os raios luminosos, não compreendem a língua dos pontos.

Daniel Frota (Rio de Janeiro, 1988) formou-se em Design Gráfico pela PUC-Rio, com mestrado pelo Werkplaats Typografie ArtEZ (Arnhem, Holanda). Trabalha com publicações, video e audio instalações, estabelecendo conexões entre sistemas 24 de comunicação e o corpo humano. Atualmente reside em Amsterdam, Holanda.

Babel, 2012 / caixas de acrílico e lanternas / 60 x 20 x 20 cm


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Todos os nomes (Diário Oficial), 2012 / Impressão a jato de tinta sobre papel de algodão / 100 x 109 cm

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FOTOGRAFIA PEDRO VICTOR BRANDÃO

Daniel Jablonski


Todos os nomes é uma ampliação fotográfica de um minúsculo bloco de texto da edição da segunda-feira, dia 16 de fevereiro de 2004, ano XXX, Nº 31, parte V, do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Constam aí os nomes completos, em ordem alfabética, de meus colegas de classe que concluíram no ano anterior o ‘Curso Ensino Médio — formação geral’ na escola franco-brasileira Lycée Molière. Esta listagem, datilografada em pleno século XXI, não é uma mera formalidade administrativa: ela registra, certifica, autentifica, dá fé, valida; enfim, prova para todos os efeitos legais que, de fato, nos formamos, concedendo-nos assim as prerrogativas às quais temos direito. Não se trata de reavivar aqui uma velha e surrada crítica à burocracia, mas de refletir sobre o efeito produzido pela justaposição paradoxal das palavras ‘diário’, vinda de um léxico da vida privada, e ‘oficial’, do poder público. E, frente à imagem de sua própria experiência duplicada pelo Estado, de fazer uso positivo de tais documentos na construção de uma narrativa ‘não subjetivista’ sobre si e o mundo ao redor. Talvez seja este também o sentido profundo da revelação do protagonista de José Saramago que empresta seu nome a esta obra. Funcionário anônimo da Conservatória Geral do Registro Civil de Lisboa, ‘mundo e centro do mundo’ em suas próprias palavras, este dá-se conta que nenhuma informação sobre qualquer pessoa estará jamais garantida “sem a inclusão duma prova documental, ou sua cópia fiel, da existência, não só real, mas oficial, dos biografados”.

Daniel Jablonski (Rio de Janeiro, 1985) é artista plástico e pesquisador independente. Sua produção, conjugando teoria e prática, investiga a formação de novas mitologias do contemporâneo e discursos do cotidiano. É também o idealizador do projeto VousVoici, canal de divulgação e crítica para o trabalho de jovens agentes da cultura em 27 diversos pontos do globo (Rio, São Paulo, Nova York, Paris, Berlim).


Daniel Lie Daniel Lie faz instalações e objetos. Em sua pesquisa o tempo é o pilar central de sua reflexão. Desde a memória mais antiga e afetiva - trazendo histórias familiares e pessoais - até o tempo das coisas no mundo, tempo do período de uma vida, o tempo de duração dos elementos. Por seu trabalho, a arte é colocado entre ciência e religião – um equilíbrio de duas crenças/estudos opostos que podem se tornar lados complementares de uma visão do que é o mundo, o que é a vida. Para suas instalações e objetos ele utiliza as coisas como elas são, e baseia o trabalho em conceitos relacionados à arte da performance - uma arte baseada em tempo, efemeridade e presença. Para evidenciar essas três instâncias, frutas e plantas tropicais são um dos principais focos do trabalho. Elas colocadas frescas no espaço de exposição e são deixados lá para apodrecer.

Artista Visual, indonésio-pernambucano, vive e trabalha em São Paulo. Formado em bacharel e licenciatura em Artes Visuais pela UNESP. Participou da 9º residência RedbullStation, 4º EDP nas Artes no Instituto Tomie Ohtake, programa Experiência do Itaú Cultural. Além disso é artista 28 participante do coletivo Voodoohop e integra a equipe da Casa do Povo.


Da especulação do valor do coco II - taxa de reajuste anual, 2015 / escada de madeira, bandeira do Brasil de plástico, cordas, correntes, cocos verdes e ripa de madeira / dimensões variáveis

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Dirnei Prates

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Venho discutindo em meus trabalhos os cruzamentos e diluições das fronteiras entre o cinema e as artes plásticas. A imagem do mar, ainda que precária, surge como o elemento aglutinador de uma série de ideias a respeito de deslocamento, tempo e memória. No conjunto de vídeos, captados com equipamentos analógicos e digitais de baixa resolução, o cotidiano é reapresentado de uma forma muito particular, incorporando elementos que desaceleram o olhar do espectador, num convite direto à pausa, à contemplação e à delicadeza, em tempos de urgências virtuais.


Vendo mar dourado correr, 2013 / vídeo / 1’40”

Dirnei Prates utiliza apropriações em vídeo e fotografia em seus trabalhos. Procura, quase sempre, nestas imagens absorvidas pelo seu entorno imediato, alguns padrões que evidenciem contradições, possibilidades de leituras subliminares e interpretações pessoais. Vive e trabalha em Porto Alegre.

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Erica Ferrari As formas vêm à tona aos fragmentos, em cortes abruptos, justapondo-se em imagens que, se considerados os referentes, parecem invertidas, torcidas, rebatidas, refreadas ou expandidas, e, tal como num caleidoscópio, equivalem-se e estão mutuamente implicadas. Na perda da espessura surgem novas experiências de escala, continuidades fictícias entre segmentos aparentemente díspares e diversos pontos de vista simultâneos. As superfícies de Estratigrafia constroem uma espécie de panorama: lado a lado uma sucessão de discursos sobre o passado e suas interpretações. Entre camadas decantadas por narrativas históricas construídas, contestadas, reerguidas e preservadas tornam-se visíveis os diferentes estratos que compõem as memórias das cinco edificações, numa menção aos procedimentos do ramo da Geologia que empresta título à mostra.

32 Erica Ferrari, 1981, formada em Artes Plásticas

pela USP, vive e trabalha em São Paulo.

Estratigrafia, 2014 / madeira, fórmica, folha de ouro e madeira queimada / 160 x 120 x 5cm


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FOTOGRAFIA HABACUQUE LIMA


Ewa Priester Entre um momento e outro. Silêncio. Observar o ambiente, as pessoas. Não o centro das atenções, mas o entorno. Pela cidade. A procura do caminho. Coincidências. Emoções abstratas, pensamentos no vazio. Ou mesmo longos, carregados de informações, de significados. Complexo.

34 Ewa Priester é fotógrafa da Alemanha (1980). Vive

e trabalha no Rio de Janeiro.

Calçadão de Copacabana (da série Entre), 2011 / B/W, inkjet-print / 12 x 18,2 cm


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Felipe Abdala

transferência #2 - movimento, 2013 / ação e carvão sobre parede / dimensões variáveis

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ligue os pontos preencher o todo pelo vazio : preencher o todo pela metade : o todo que só se vê em partes : nunca inteiro : todo nunca inteiro : ser nunca sendo as paredes que se movem (ou apenas fingem que se movem) : o espaço que ensaia uma mudança : nada mudou : o que resta (a obra de arte) é índice de um movimento nunca ocorrido : a sobra é o início a dimensão humana : fazer o que é possível com as mãos : sujar : sujar as mãos : sujar os dedos : sujar as paredes : transferir de um lado ao outro : matéria é cor : cor é matéria o desequilíbrio máximo (tudo de um lado só) : usar todo o espaço que é possível : mais um pouco de espaço : mais um pedaço : nada mudou de lugar embora o que vemos diga o contrário : o contrário : quando a mão encontra a superfície : a forma que é sobra : a forma possível : não fazer o que deve ser feito : provar que o contrário também é possível ou não ação : ação : ação

Felipe Abdala nasceu no Rio de Janeiro em 1987. Vive e trabalha na mesma cidade.

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Felipe Bittencourt

Geometria sobre conforto, 2009 / performance / Performance apresentada na mostra VERBO, na Galeria Vermelho, em 2013.

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FALA DO PERFORMER Pensando em quando comecei a trabalhar, só tenho como resposta dizer que foi logo após o parto, ou como acordar repentinamente de um sono profundo. Quando me dei por mim, eu era um corpo correndo e me jogando violentamente contra uma parede, caindo no chão, e repetindo estas ações sem parar e sem saber por que eu estava fazendo aquilo. Comecei a perceber umas bolotas no pé (hoje o Felipe já me ensinou que se chamam bolhas), uns cortes e sangue surgindo na minha pele. Eu não sentia nada e simplesmente continuava. Foi neste dia que comecei a conhecer meu criador. Em um determinando momento, parei. Assim, do nada. Parei ali, caído no chão. Foi a primeira vez que senti uma respiração, algumas pequenas pulsações e então desapareci. Não sei bem calcular quanto tempo depois (o tempo não é uma característica que entendo), o Felipe estava terminando de vestir uma roupa preta. Parecia que eu flutuava e o via de fora fazendo aquela ação. No momento em que ele olhou pro espelho, eu me vi. Foi neste momento exato que nos encontramos e nos demos um `até logo´. E lá fui eu apontar não sei quantos lápis até ter aquelas bolotas e sangue de novo, só que agora nas mãos. Hoje, quando o Felipe me chama para agir, percebo que estou ajudando-o. Eu fico observando o que acontece na minha pele e posso imaginar o que ele deve sentir ou pensar depois. Vocês chamam de dor, de sofrimento, enfim. Acho que sou uma ferramenta para ele e gosto de ser. Ultimamente creio que eu desenvolvi uma coisa especial chamada sentimento. O Felipe tem me colocado em situações em que não ando mais notando aquelas marcas vermelhas e roxas nas partes do meu corpo. São até bem fáceis de fazer, como posar como modelo em alguns desenhos durante um ano. Eu gosto de um bom desafio – fui criado assim. Mas fico feliz de saber que ele deve estar sentindo coisas mais leves.

Felipe Bittencourt é artista visual e performer. Nasceu em Cabo Frio, Rio de Janeiro em 1987. Vive e trabalha em São Paulo.

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Frederico Ramires

Sem título, 2014 / objetos embutidos em madeira / dimensões variáveis

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Frederico Ramires nasceu em Lisboa em 1987. Vive e trabalha entre Lisboa e Rio de Janeiro.


Questionar o papel da pintura e do desenho nos dias de hoje. Não será o mesmo que nos dias de ontem? É notável um afunilamento da pintura diante das suas limitações, o que gera um certo desconforto no mundo da arte contemporânea. A minha relação com a pintura passa por esse mesmo desconforto, pela ideia de que a pintura já não irá trazer nada de muito novo. No mundo onde a imagem nunca foi tão consumida e cansativa, o que resta aos artistas senão encontrar um interesse no vulgar?

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Gabriela Noujaim

Livro Serpentina, 2015 / serigrafia, confete e linha de costura / Poesias de Jorge Gabriel Noujaim (artista de Circo) / 30 x 30 cm

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FOTOGRAFIA RODRIGO BRAGA

Gabriela Noujaim, carioca de 31 anos, é gravadora e videomaker. Em 2014, foi finalista do Festival 3m Canções de Amor no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; em 2013, participou do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE), em São Paulo; em 2012, foi indicada ao Prêmio Pipa, participou do 64° Salão Paranaense e da exposição Young Masters Rupert Cavendish Prize, 43 em Londres, Inglaterra; em 2011, recebeu a Menção Honrosa no festival de videoarte “Lumen EX”, em Badajoz, Espanha.


Gabriele Mauro

Non so cosa voglia dire!, 2012 / Poster / size variable

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I attended the V.Ciardo Art School in Lecce-Italy. I am currently completing my art studies at the Accademia di Belle Arti in Florence, a two-year course in Specialized Painting New Materials for art. My research is based on identity, the body that lives through events and becomes a means, a ‘’ place ‘’ of experimentation. I’ve always wondered (and still do): who are they? How does my artistic production deal with reality? How does my life affect my work? These are the questions that accompany my artistic journey and my work is partially the answer!

Gabriele Mauro (1991, Aradeo, Lecce) works between Florence and Lecce and is a multifaceted figure who uses video, installation, drawing and performance.

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I repeat I repeat é um projeto individual de desenho obsessivo/ compulsivo cujo único propósito é repetir-se. Ele não é nem mais nem menos do que aquilo a que se propõe fazer. Tem como suporte o desenho e surge como resposta à necessidade de produzir e desenhar tendo em conta o contexto social, cultural e artístico contemporâneo. O método de trabalho limita-se ao compromisso diário de desenhar repetidas vezes o mesmo elemento perpetuamente. A figura repetida é uma cabeça de pato de estilo cartoon. A sua eleição como pretexto da repetição foi, não só pelo fato de ser vazia como imagem, mas por obrigar um olhar atento e consciente no ato de desenhar, na medida em que necessita de múltiplos movimentos precisos para ser concebida. Contudo, apesar de repetir-se, o objeto nunca é igual e vai variando ao longo do seu percurso. Involuntariamente, o desenho vai se moldando e transfigurando sutilmente através do desgaste físico e psicológico. O fazer manual adquire aqui um papel fundamental na concepção da ideia de repetição, pois qualquer intervenção artificial levaria rapidamente a um processo de reprodução, deixando de ter interesse. É deste modo visível a pouca relevância do que está a ser desenhado, já que o desenho assume a forma de padrão por razões de economia no fazer e de leitura. O que leva a repetição de uma ação da qual já se sabe o resultado, é a noção de que o interesse não está no resultado, neste caso no desenho, mas na sua abordagem, como uma coisa que tem de ser feita. Deste modo, não é o sujeito que manipula a obra, mas antes o contrário. Independente da sua definição, I repeat ganha autonomia própria. Não é necessário que seja justificada, manipulada, ou contextualizada. É auto-suficiente. Contudo, I repeat não é um projeto forçado. O que estimula a sua perpétua repetição é o próprio questionamento do porquê de fazer algo diferente, o questionamento da sua validade no âmbito do criar. Se assim não fosse, seria impossível a sua realização. I repeat aumenta paralelamente o corpo de trabalho assim como o potencial do que está a ser repetido. A ideia alimenta-se da forma, assim como a forma alimenta-se da ideia. A sua dimensão é uma variável e depende unicamente da predisposição do sujeito. I repeat não tenta ganhar a conotação (artística ou não artística). É apenas a materialização do conceito de repetição e, como tal, fecha-se em si mesmo. Tenta antes ser um produto, o resultado ou a conseqüência da predisposição do sujeito. No fundo, resume-se ao criar, ao fazer para ser. É antes resposta à procura inglória pela inovação, uma homenagem ao fazer que já é por si inglório. É um projeto livre, independente e, consequentemente, à espera de ser catalogado. 46

I repeat nasceu, vive e trabalha entre lugares.

Sem titulo, 2014 / caneta bic sobre papel A4


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Igor Vidor Duração em disponibilidade

Encontrar a produção do Igor Vidor é aceitar um convite descompromissado à descoberta de corpos disponíveis ao embate com suas potências em diferentes ambientes, contextos, entornos. Os trabalhos - sejam vídeos, experiências ou proposições - não chegam a provocar o conforto dos objetivos alcançados. Também não estimulam em nós, observadores ou participantes, a crença de que a situação almejada poderia se concretizar de uma forma (específica, delineada, exclusiva), porque a força de cada obra se faz presente pela tentativa, pelo processo, pela importância do “estar-sendo”, em potência. Tudo isso se desdobra em situações bastante diversas entre si - forma e conteúdo-, narrativas de durações episódicas. Todas ali. Nas quedas insistentes do surfista. Nas bolas que se perdem na partida de frescobol sobre a plataforma marítima. No forasteiro que busca hospitalidade em terras desconhecidas. No surfista que quer ensinar aos convidados como ser junto ao mar. No menino que voa palavras num céu de montanhas. No banquete daqueles que se alimentam da morte. Na areia que toma o espaço do ar para dar seu lugar à água. No artista que quer ser. São processos. Tentativas. Buscas. São deslocamentos. Líquidos. Incorporais. Relacionais. São ciclos. Feitos da carne, da coragem e da vida de um “ser-esperança”, em duração desconhecida. Do ventre ao vento. Valquíria Prates

48 Nascido em 1985 em São Paulo, graduado em Artes

Visuas em 2010, vive e trabalha no Rio de Janeiro.


See the sky is no man’s lane, 2012 / vídeo / 3m48s

49 Conter, 2013 / vídeo / 6m24s


Ilan Waisberg Passantes, vidros, reflexos. Em suas filmagens pela janela, surge uma produção de imagens espelhadas. O artista lança a câmera em direção a uma janela, mas a imagem em movimento que ali é captada diz respeito a um outro lugar. Depois de algum tempo de filmagem, Ilan resolve ir em direção à imagem refletida. Ele quer encontrar de onde vêm aquelas imagens espelhadas. Neste momento, ele sai de trás da câmera e vai em direção à imagem, em direção ao reflexo da imagem. Vai até a rua, além da sua janela. Pela primeira vez, então, pode-se ver o artista, o produtor-coletor daquelas imagens que agora o envolvem, ainda que no meio de um jogo de espelhamentos. Mas o artista está ainda numa distância absoluta, se algo dele aparece na imagem, ela mesma não nos dá quase nada. No jogo de espelhos que envolve a câmera, o vidro, o reflexo e as imagens, é a distância que aparece. Carolina Junqueira, 2012

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Ilan vive e trabalha em Belo Horizonte.


51 Action Lamp - Palmeiras, 2011 / vídeo / projeção em loop


Jonas Arrabal

Profilaxia III (detalhe), 2015 / terra, sementes e sal / 300 x 200 cm

Jonas Arrabal é natural de Cabo Frio (1984), vive e trabalha no Rio de Janeiro onde cursa mestrado em Artes Visuais pela UERJ. Realizou exposições individuais em Curitiba e Rio de Janeiro. Entre as exposições coletivas,destacamse: Quinta Mostra, 2015 (Parque Lage), Trienal de Artes, 2014 (SESC Sorocaba), Deslize, 2014 (Museu de Arte do Rio), XII Salão de Itajaí, 2013 52 (Itajaí, SC), Novíssimos, 2012 (Galeria Ibeu, Rio de Janeiro), entre outras.


Imitation of life

Parece que foi há cinco anos, mas foi ali em 2013, na Casamata, aqui no Rio de Janeiro, que vi a primeira individual do Jonas. Azulejos, um pedaço de terra no chão com sal grosso, um texto escrito pelo próprio e um vídeo. O espaço expositivo era pequeno, mas a vontade de sair de qualquer lugar seguro era grande. Lembro de não me envolver muito com o conjunto das obras, mas de ficar contente pela assimetria da proposição. Não era uma primeira exposição individual onde o espectador apreendia de modo claro (às vezes tal qual um cartão de visitas) as opções de linguagem e semântica por parte do jovem artista - e isso por si só, naquele momento, me parecia algo potente. De lá para cá tive a oportunidade não só de trabalhar com Jonas em três exposições, mas de ver de perto o seu modus operandi como indivíduo. Diferente de ser um colega profissional, Jonas se tornou um dos meus vizinhos mais queridos e alguém a quem recorro diariamente, seja para me ajudar a tomar decisões, seja para compartilhar besteiras do Youtube. A tal assimetria que via naquela exposição chamada “As horas não passam para as pessoas felizes”, me parece diretamente proporcional à sua persona: às vezes, verborrágico, outras tantas, catatônico, alguns copos com Guaraviton, outras garrafas com cerveja, assim aprendemos, concordamos, discutimos e vivemos em torno das nossas ansiedades com o teatro da arte contemporânea, dos nossos amores e das viagens por fazer. Parece-me possível relacionar a sua produção a algumas palavras muito repetidas quando se aborda a criação contemporânea de arte: memória, autobiografia, história e escrita seriam apenas algumas das que deveriam vir acompanhadas de citações bibliográficas e discussões conceituais mais destrinchadas. Prefiro dizer outra frase um tanto quanto clichê no que diz respeito à abordagem da arte, mas adequada para o que conheço dele enquanto ser humano: Jonas Arrabal é um grande apaixonado pela vida. E essa última palavra pode ser aplicada tanto ao modo como ele observa seus antepassados na sua cidade natal de Cabo Frio ou nas curvas, como nas pequenas plantas que nascem a partir de um pedaço de terra colocado no chão de uma galeria. Como diz o título de um dos trabalhos mostrados aqui no Abre-Alas, a produção de Jonas tem sempre um pouco de “profilaxia”, isto é, há uma precaução, um esmero pela possibilidade de estar vivo em si, que é, porém, sempre acompanhada de uma lembrança da finitude - seja com a presença do sal grosso - que com seu peso oceânico impede com que vegetais cresçam, seja a partir dos quatro lados de uma folha de papel e dos sete minutos de duração da leitura de um texto. Da Casamata para cá muita coisa aconteceu e novas apneias ainda estão por vir. Da minha parte, acompanho e torço para que os futuros mergulhos de Jonas sigam sendo assimétricos na medida certa - irregulares na sua intensidade, do oceano atlântico à piscina de mil litros. Independentemente da profundidade dos seus saltos, que eles sigam heroicos tal qual dizia o R.E.M. em “Imitation of life”: “This lightning storm, this tidal wave / this avalanche, I’m not afraid” (“Essa tempestade de relâmpagos, esta onda grande / essa avalanche, eu não estou com medo”). Que Jonas siga a “imitar a vida” através das suas imagens e que, ao contrário do que Michael Stipe diz nessa mesma música, continue a chorar perante os olhos de todos. 53

Raphael Fonseca


Jorge Soledar

Para o Abre-Alas 2015, propus homenagear as primeiras marchinhas de carnaval que se popularizaram a partir dos anos 1920, em particular, as de Freitinhas e Francisco Alves, “Meu Suquinho” (1928), como trabalho-irmão do recente, “Monumento a Deraldo (homenagem ao filme ‘O Homem que Virou Suco’ de João Batista Andrade’, 1981), apresentado como site-specific em 2014, no Projeto Cofre da Casa França-Brasil.

Marchinha, 2014 / 6 pares de blocos de gesso calçados em 6 botas de couro dispostos diretamente sobre o chão / dimensões variáveis (em torno de 2 x 1,5 m)

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Jorge Soledar (Porto Alegre, 1979). Vive e trabalha no Rio. É doutorando pelo PPGAV-EBA/UFRJ. Em 2014, participou do “Projeto Cofre” da Casa França Brasil, no Rio de Janeiro; da I Bienal do Barro em Caruaru/PE; e realizou exposição individual e lançamento de livro sobre seu processo artístico, com textos de Raphael Fonseca e Fernanda Lopes, na Fundação Ecarta, em Porto Alegre/RS. Em 2009, foi destaque da Bolsa Iberê Camargo e participou do Rumos Itaú Cultural. Em 2007, foi convidado para o “Diálogos”, da VI Bienal do Mercosul. Atualmente é professor de teorias da arte contemporânea 55 e performance na EBA/UFRJ.


Lucas Sargentelli

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Você está preparado para encarar o espaço de maneira inovadora? Para lembrar como é navegar pela esquina da sua casa como um astronauta? Reinterpretando os seus próprios sonhos? Gostaria de construir um cartaz mental coletivo com fantasias invisíveis e instrumentos musicais imaginários? Para tudo isso e muito mais, nos encontre no próximo dia 28 (sábado) de fevereiro às 16:30h, na entrada da antiga localização da Aldeia Maracanã, Avenida Radial Oeste, no mesmo quarteirão do Estádio do Maracanã. Venha e traga amigos!

9-17.01.2014, 2014-15 / materiais diversos / dimensões variáveis

Lucas Sargentelli, 1989. Vive e trabalha no Rio de 57 Janeiro. cargocollective.com/lsargentelli


Luisa Mota Ontem tive este sonho (...), um amigo estava fazendo uma visita guiada a um castelo com torres, era um edifício antigo tipo um forte. Estava eu e outros, incluindo a minha irmã Silvia, sentados no pátio, encostados nos muros em sofás super confortáveis. Um grupo de visitantes chega, eram tipo crianças anãs (ontem à noite vi a adaptação Hollywoodesca de Branca de Neve ‘Mirror, Mirror’). Sou chamada para me levantar e exibir um traje típico. Era uma espécie de vestimenta mágica, e chamo um dos visitantes para o vestir (...). Envolve cabelo entrançado num vestido de serapilheira de estilo medieval. As tranças são bem finas e contornam a parte superior do corpo fazendo um belíssimo padrão transversal. O processo de entrançar é demorado (...), não parece ser uma demonstração, mas sim uma ação. Sei que Isabel está me esperando faz tempo. É uma amiga e eu a chamei para fazer a minha maquiagem para essa noite (...). Está distraída conversando com a Sofia nos sofás brancos. Ao terminar a demonstração (...), me dirijo para o sofá onde Ana e Teresa estão conversando com um cara super gato. Sinto que o conheço de algum lugar (...), dou um beijo de oi na Ana, e em seguida, beijo o cara. Ele me beija de volta e por aí nossos lábios se encontram, nossos braços se cruzam e a gente começa a se pegar aí mesmo (...). Ele me deita no chão, deita-se sobre mim, fala que está ficando louco. Ainda não vi o rosto dele. Simplesmente me atraí por instinto (...), algo que te puxa. Sinto olhos nas redondezas, especialmente os de Isabel que está perdendo tempo e paciência. Paramos para nos recompor, sabendo que iríamos retomar assim que possível. Finalmente olho direto no rosto dele. Algo estava errado. É como se ele tivesse duas peles diferentes. Parecia machucado, batido forte, ou até queimadura (...). A pele estava deformada, mas a beleza ainda era visível (...). Continua na face, encantando você. Alguém diz algo (...). Sinto que tenho que ir, e ele se sente desconfortável porque sabe que olhei seu rosto tempo demais (...). Vou ter com a minha irmã Silvia, que está na soleira da entrada. Olho fixamente para o cara que está agora de costas. Noto que (...) tem uma mancha vermelha na parte de trás da cabeça. Sangue já seco que tingiu de vermelho claro. Me sinto mal disposta e Silvia fala: ‘Como você não o reconhece? É o Alain.’ O meu corpo concorda surpreso e confirma que sim, mas a minha cabeça diz que não é ele. Não é ele. ... Continua. Luisa Mota é artista e trabalha com diversos mí58 dias, em particular performance, video, fotografia

e escultura. Nasceu no Porto, Portugal, em 1984. Vive e trabalha entre Porto e São Paulo.


FOTOGRAFIA RAFAEL MARTINS FOTOGRAFIA ALFREDO MASCARENHAS

Performance ‘Genesis e genes’, 2014 / Bienal da Bahia

59 Homens Invisíveis na performance ‘Genesis e genes’, 2014 / Bienal da Bahia


Luisa Puterman INÚTIL

`As vezes escrever sobre o som parece ser
inútil, não no sentido de não possuir uso,
mas inútil em termos inalcançáveis, inefáveis,
impossíveis, “in”, fora de algo. Longe, muito longe, a palavra aprisiona o som,
oprime suas vontades e descarta sua alma,
talvez não de maneira irreversível e eterna,
mas sim na sua nova cela sem
reverb, seca ou apenas repleta de
distorções e interferências simbólicas,
provenientes de raciocínios sobrepostos
calcados em repertórios viciados e farto de
conclusões, essas sim, inúteis, redondas,
redundantes e circulares, como uma bola de elásticos, composta por ruídos, drones, transientes, líricos,
irritantes, incansáveis que percorrem as
cócleas em topografias nauseantes e em
constante ritmo irregular sem trégua nem
cessar e cujo líquido nos faz equilibrar
em labirintos que percorrem a vida ou a
ilusão de nela estar; som que forma algo que nos faz vibrar mais sutil que um átomo
possa emanar, por um comum de 440 por
segundo em milhões de decibéis há anos luz
de infinitas galáxias no vácuo, um som há,
e a dúvida de haver motivo para um buraco
negro ressoar a existência da escuta,
desenvolvimento, evolução, excesso e pausa,
há e senão um fluxo crescente num
glissandro torpe, mal executado,
reprovado e realocado do XX para o XXI,
legitimará tudo aquilo que não foi música,
um dia será, se já não agora é ou apenas
em algum momento, espaço lugar, sim, foi, e
acabou o fim numa possível mega
retração, na inércia reversa de uma
gravidade exponencial, infreável na
esperança de recriar um recomeço nuclear
repleto de nadas pois, neles, algo há. O dever
de perdoar a poesia que por séculos não
teve a intenção mas sem perceber calou os
sons que são apenas seres singelos,
discretos e agora estão como uma praga
consequente de escolhas alheias, ignóbeis, prepotentes, tiranias canônicas de um
passado que não existirá, ficção
esquecida na memória das tradições orais
de melodias e razões orientais de algum som
ser e estar em mundos paralelos que vagueiam
por trítonos recalcados, rebeldes sem que
abriguem contrapontos dodecafônicos ou tonais
que hão de se tornar livres de um pensamento
tolo, sem sentido, fraco de tanto pensar e
se autocriticar em uma não forma, que hão de se
transformar para então descobrir que
não há destino, pois no fim há silêncio,
que, indisponível, na vida é o respiro
 para o sangue circular.

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Cuidado veículos, 2014 / performance audiovisual / duração aproximada 15min

Luisa Puterman convive e trabalha com som. Atualmente mora no Rio de Janeiro.

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Maíra Dietrich

mais ou menos cinco meses, 2012 / publicação de tiragem indeterminada / 20 x 15 cm

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construindo um final

‘mais ou menos cinco meses’ é uma zona plana que abriga e arranja diferentes momentos do meu processo de trabalho. um espaço cuja única determinação é o seu tempo de existência e execução. perpassa trabalhos antigos, idéias prontas, idéias entendidas, idéias abortadas, dias bons, dias ruins e quase todo o resto. não se pode dizer que esse trabalho não tenha um tema, pelo contrário, quase todo dia tem um tema diferente, o grande cerne dissolveu. um pouco de todos e de nenhum. é um trabalho mais vivido que feito, num intervalo de tempo em que muito se misturou. o trabalho foi construído com folhas soltas, com viagens, com milhares de correções em busca das melhores palavras, caminhou mais pelo não que pelo sim. viver o trabalho e falar sobre ele como se fosse um exercício de compilação quando ainda se encontra num lugar sem nome. como uma construção de tijolos invisíveis, em que um tem que ficar por cima do outro. a conclusão parece querer falar sobre um ‘acordo final’, diferente do fim, que é o fim e ponto. explicações sobre as escolhas dos trabalhos, os nomes dos capítulos e o porquê de tudo isso podem ser encontrados em todos ou em outros lugares, menos nesse impresso. o trabalho buscou justapor procedimentos inversos que se aniquilam, seja pela subtração de camadas de matéria, ou pelo acontecimento de uma nova camada autoritária. Buscou, pretenciosamente, uma raspagem de todas as camadas de significação que não interessavam, na obsessão de que zerar o terreno seria a única possibilidade de criar algo novo. acabei raspando camadas demais e o que sobrou foi muito pouco. o trabalho não sou só eu, e nem é só um outro, somos dois ventríloquos, nem totalmente eu, nem totalmente o outro. a gente conversa e também se desentende. ficamos os dois tentando um corpo-base; ficamos os dois tentando criar frases com o trabalho.

Maíra Dietrich nasceu em Florianópolis em 1988. Vive e trabalha em São Paulo.

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Manoela Medeiros Os trabalhos da artista Manoela Medeiros trazem à flor da pele novas construções sobre tempo e espaço. Constantemente, nos relacionamos com esses binômios, somos parte dele. No entanto, o que o trabalho sugere é uma possível desconstrução do tempo que contamos, um tempo que não é marcado por relógios mas simplesmente é. O espaço que se mostra moldável quando a forma que temos e o corpo que ocupamos são compreendidos como limites permeáveis. A apropriação e a reconsideração desses conceitos conduzem a artista que preza pela impermanência, desvendando um constante vir a ser. Manoela sabe se despir de convenções, permitindo um jogo aberto onde em que mergulha com o corpo num canto engessado e o quebra. Desconstrói assim os moldes, os limites duros e concretos, e apresenta uma nova ordem, construída sobre uma base de areia, ar, terra e tempo. Traça novos contornos para aquilo que antes parecia fixo. Cada acontecimento nos é dado como sensação em um instante de presença, pontual e fragmentado. Dentro das linguagens artísticas que a artista se apropria, pintura, escultura, desenhos e instalações se mesclam, se turvam, se complementam esquecendo suas constituições. Seu norte é partir da ação do corpo, da impossibilidade de ser rígido diante da passagem do tempo e espaço, tudo se esvaece. A ficção é fundamental para permitir que esses caminhos se abram, no processo de mistificação do estabelecido tudo pode ser questionado. Quem não se movimenta, não sabe das correntes que lhe prendem. A capacidade de abraçar o questionamento e a ilusão reflete em uma aceitação sobre as passagens que nos movimenta. É preciso desligar os modos automáticos e compreender o valor da curiosidade, da sobreposição, e das múltiplas verdades. Maria Catarina Duncan

Manoela Medeiros Rio de Janeiro, Brasil. Artista visual. Estudou na École Des Beaux Arts em Paris e na PUC-Rio. Tendo a presença e a entrega do corpo como instrumento no processo de sua pesquisa, a artista 64 busca tatear abstrações através de questionamentos em torno do tempo e espaço, vazio e invisível.


65 Continente, 2013 / Fragmentos de parede e gesso / 30 X 42 cm


Maria Noujaim d e s d o b r a

a e d d t b b a

d e e d r b o a

d e s d a b r a

d e d d n b d a

o e o d s b a a

b e b d b b n a

r e r d o b d a

a e a d r b o a

d e s d d b r a

dd e e s s dd a o bb r r a a

o e a d o b r a

d d d e e e s s s ddd oo e b bb o r r a a a

Pedro Felipe Maia

66 Maria Noujaim é artista e bailarina.Vive e trabalha

no Rio de Janeiro.

c o r po - d a n ç a d e e e e e e e e e e e e r ou p a - f o l h a s d d ddd dddd dd d s p a ç o - t emp o o bbbbbbbbbbbb r r c o r po - f imr a a a a a a a a a a a a


Desdobra, 2015 / coreografia / 20 minutos / objeto / papel cartão e linha de cobre / 1.60m x 50cm (aproximadamente)

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Marina Fraga

Mapa submerso em petróleo, 2015 / caixa de madeira, desenho de mapa mundi coberto por betume, agulhas de acupuntura em ouro / 800 x 550 mm / Apoio Konstfack University e Capes

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Cálculos para acupuntura planetária, 2015 / texto / dimensões variáveis

Marina Fraga é artista, pesquisadora e editora da Revista Carbono (www.revistacarbono.com). Atualmente cursa o doutorado em Processos Artísticos Contemporâneos na UERJ e é pesquisadora 69 visitante na Konstfack University of Art, Crafts and Design, na Suécia.


Miguel Penha

Cipó azul, 2014 / acrílico sobre lona / 2,08 x 3,60 m

Miguel Penha é artista plástico/pintor natural de 70 Cuiabá/MT (1961). Vive e trabalha na Chapada

dos Guimarães/MT


...Diante da destruição que o bioma vem sofrendo, Penha nos impulsiona de maneira ampla a uma reflexão ao que vem acontecendo, principalmente, no norte e no centro-oeste do país, onde plantações sem fim de soja e algodão tomam o lugar de florestas nativas. Diletante dos estudos botânicos clássicos, mas com forte conhecimento ancestral, Penha vai observando e registrando o conjunto de ecossistemas em rápida descaracterização do entorno em seu trabalho. O artista indaga e problematiza o que é que está por trás da agressividade da expansão da hecatombe agrária em escala internacional em curso no Brasil, ao simplesmente propor pintar o impacto visual da beleza natural e das espécies da flora em extinção, retratando “hiper-realisticamente” a paisagem selvagem em luta por sua própria preservação. O estranhamento é a ausência dos bichos e caboclos por entre as picadas do mato de seus quadros. Não aparecem, estão escondidos. Penha sabe que necessita continuar vivendo ali e pintando os seus arredores, para ver aonde o seu trabalho consegue chegar em relação aos grandes formatos das telas de até 3 X 6m que vem experimentando, ampliando, “super-dimensionando”, telas que são montadas sem bastidores, direto sobre lonas de caminhão. O verde da natureza, a massa, sombra, textura e o volume das folhas e da casca das árvores é o que de fato parece estruturar o pensamento visual do artista, e faz dele a sua história real.... Marcio Harum

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Pedro Gallego Música incidental em fotografias inaudíveis

Roteiro fragmentado, esmiuçado na sonoplastia sugerida pela ausência de sons. Insinuação de ideias que são construídas a partir do repertório imaginativo daquele que vê. Cenas já vistas ou inventadas agora são rearranjadas no mesmo instante que a legenda do closed caption em preto e branco. O olhar se detém por alguns momentos sobre a tela. Segue. Passa. Volta. Muda e sem imagens, a televisão prende a atenção através de palavras que escapam do descritivo de ruídos de cena que conduzem a imaginação por um script estereotipado de um filme de suspense, terror, aventura, amor. Para o grand finale, a claque dos programas de auditório. Roteiro para uma noite insone. Imagens de ação sem som para não perturbar o silêncio da cidade que dorme. Legendas capturadas em fotografias, imagens apagadas. A noite em branco projetada desde o fundo da tela, quando então apenas o cérebro segue a intensidade da cadência dos ruídos sugeridos – o filme imaginado de Pedro Gallego. Camila Fialho

72 Pedro Gallego nasceu em São José dos Campos,

1988. Vive e trabalha em São Paulo.


Domingo maior (Música incidental), 2013 / impressão em papel jornal / 8 páginas / 21 x 14 cm

Confronto final (Música incidental), 2013 / vídeo / cor / 5’51’’

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Pedro Urano Morei por muitos anos numa pequena casa na encosta do Maciço Carioca, cujo terreno era limitado de um lado por um acesso ao morro do Corcovado, e do outro, pela Floresta da Tijuca. Vivendo sobre aquele pedaço inconstante da crosta terrestre, não demorei muito a perceber no movimento um princípio comum a todas as coisas, mesmo àquelas que muitas vezes associamos a uma ideia de solidez e permanência, como as montanhas. O episódio decisivo foi uma tempestade que caiu em abril. Começou no início da noite, como uma chuva forte. Quando se está próximo à mata, eventos como esse assumem uma dimensão que captura toda percepção. Ao acordar no dia seguinte, a chuva não dava sinal de trégua e os fortes ventos esculpiam formas

Estudo para filme úmido #1, 2011 / video / 3 min

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sinuosas na água que caía do céu. Passados alguns dias, pude perceber as mudanças na paisagem. Convivi um ano inteiro com a terra, as árvores e a matéria orgânica, de difícil remoção, que desceu da montanha. Essa experiência informou o roteiro do longa-metragem ‘Atlântica’ que, a partir da floresta, quer investigar o movimento da paisagem, ultrapassando os limites que insistem em separar natureza e artifício. Ao longo do desenvolvimento do filme, tenho produzido imagens que me ajudam a sonhá-lo. Nelas, me esforço em transpor para a superfície da imagem, a experiência da umidade. Descobri na água, tão íntima quanto alienígena, o meio privilegiado para a comunicação biológica.

Estudo para filme úmido #2, 2011 / video / 10 min

Pedro Urano é artista, cineasta e diretor de fotografia. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Membro 75 do conselho editorial da Revista Carbono.


Raquel Versieux

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Flock of birds, 2012 / impressão a jato de tinta sobre papel Hahnemuhle 315g 100% algodão / 30 x 44 cm


Raquel Versieux é natural de Belo Horizonte, 1984. Desde 2011, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Mestre em Linguagens Visuais pela EBA/ UFRJ, 2014. Bacharel em Desenho pela EBA/ UFMG, 2011. Estudou Fotografia na ENSAV La Cambre, Bruxelas, 2007-2008. Em 2014 cursou 77 Aprofundamento na EAV do Parque Lage, onde participa, atualmente, da sua V Mostra.


Renato Pera Espaços de silêncio

Utilizo este termo para definir a experiência vivida em ruínas arquitetônicas. Existem alguns “tipos” de ruínas: as zonas arqueológicas ou históricas, as casas abandonadas, as casas vazias. Podem ou não estar inseridas em núcleos urbanos. O que caracteriza uma ruína não é exatamente o estado de deterioração de suas estruturas, mas o fato de que essa estrutura não tem uma função ativa em seu contexto, deixa de existir para a experiência contemporânea do lugar. Todos os seus referentes e índices vivem no passado. Um observador submetido a espaços como esse precisa lidar com anacronismos, referenciais confusos (ou desconhecidos), que não são reconhecíveis em sua experiência cotidiana. Sua percepção torna-se mais sensível, entra em estado de atenção, e a percepção da passagem do tempo também se modifica. O tempo dilata; funciona em outra lógica. Em meus projetos, procuro, através da transformação de um determinado contexto que já existe previamente (uma arquitetura, um tema, um lugar), instaurar esse momento de suspensão temporal e de suspensão da lógica que caracteriza a experiência comum, mais cotidiana, com a intenção de criar mundos – ou ficções – absurdas que se assemelhem à experiência do sonho, delírio ou pesadelo, mas que ainda assim mantenham uma estreita relação com o contexto em que se inserem. Estratégia que busca transformar um contexto pré-existente em uma referência oculta, preservando somente suas reminiscências mais sutis.

78 Renato Pera (1984, São Paulo) é artista multimí-

dia. Vive e trabalha em São Paulo.

Desenho: parede e porta, 2011 / papel manilha colado diretamente sobre parede vedando uma porta / 13m2 / Red Bull House of Art, São Paulo, Brasil


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Reynaldo Candia Uma antiga lembrança permeia a produção de Reynaldo Candia. Ainda pequeno, o artista nutria estranha fixação por um baú cheio de fotografias de família. Deste baú, saíram os primeiros recortes e reconfigurações de imagens, hoje uma constante em seu trabalho. Não que esse fato defina ou norteie a obra do artista, os recortes foram feitos sem intencionalidade ou consciência, e ele mesmo não lembrava do ocorrido, essa memória relatada nas linhas anteriores é de sua mãe e veio a tona há poucos anos atrás, depois da realização dos primeiras colagens de intervenções sobre imagens. É assim que se estrutura a obra de Candia, tirando proveito desse apagar da nossa memória e do conhecimento preestabelecido que temos de certas imagens e objetos antigos, para criar um lapso, apresentando-os rearticulados através de intervenções de recortes e impressão, ou mediados por aparelhos óticos. Tal procedimento tem como finalidade propiciar estranhamento, causado pela sensação de familiaridade que essas fotografias antigas e objetos despertam, somada a dificuldade de reconhecê-los perante nova configuração. Por mais que algo nos possa parecer familiar, não que dizer que o conheçamos, apenas nos diz que os reconhecemos; sabemos seu uso, seus procedimentos ou a maneira que foram feitos. O trabalho de Reynaldo Candia apresenta-se a partir de imagens desconhecidas, mas estranhamente reconhecíveis e familiares, e assim deve ser. Com isso, o trabalho carrega sempre uma dúvida que, como num jogo, coloca o espectador em xeque-mate e traz um importante dado sobre a memória, uma advertência discretamente velada: para lembrar, é preciso esquecer [1]. Douglas de Freitas (texto editado a patir do texto de mesmo nome que acompanhou a exposição individual do artista na Galeria Virgilio em 2013) [1] a frase “para lembrar é preciso esquecer”, me pareceu que deveria ser a ideia central do texto durante as conversas com o artista. No entanto, sempre me soou extremamente familiar. Em uma rápida pesquisa no Google descobri ser atribuída ao escritor Maurice Blanchot, no entanto não consegui localizar com precisão onde foi publicada.

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Buracos, 2013 / 363 cartas de baralho e recorte / 90 X 70 cm Manilha, 2013 / 363 cartas de baralho e recorte / 90 X 70 cm

Nasceu e trabalha em São Paulo, onde se formou em Artes Plásticas pela Faculdade Belas Artes e Comunicação Social pela Universidade Anhembi Morumbi. Na sua pesquisa, se interessa pela repetição e acumulação, adequando a obra em vários suportes.

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Rita Queiroga

Esta é uma escultura que fala de dinheiro. De economia. Do fel que é o capitalismo e da sua queda iminente. O trabalho de Richard Serra, como estudo do espaço e exploração das propriedades físicas dos materiais, foi aqui utilizado como referência para potencializar a ênfase colocada na questão do equilíbrio. Em Capital de Cartas, as leves e decrépitas “cartas” que constroem o “castelo” que é o capitalismo são substituídas por pesadas notas de cimento, metaforizando assim a “estabilidade” do atual modelo económico.

82 Rita Queiroga é escultora, natural de Portugal

(1991). Vive e estuda no Porto.

Capital de Cartas, 2013 / construção / cimento armado / 200 x 100 x 120 cm


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Rodrigo Alcon Quintanilha

84 Metafotografias, 2014 / fotogramas, solarigrafias e screenshots sobre papel fotográfico preto e branco / 160 x 100 cm


Metafotografias é um conjunto de fotogramas, solarigrafias e screenshots que aborda o processo fotográfico de forma literal e tautológica. No mosaico, o que subjaz à fotografia argêntica é trazido à superfície e representado de forma alegórica. Assim, a fotografia torna-se um palimpsesto nas fotografias em si: o desprendimento de átomos de prata que forma cada uma das imagens revela, por sua vez, a própria sintaxe fotográfica. Todavia, o que importa está no que precede e no que se segue às imagens. Pois, no fundo do abismo representado em cada uma delas, não resta mais que aquele campo fulminado em que o Pretérito e o Agora se encontram para formar uma constelação, como queria Walter Benjamin.

Rodrigo Alcon Quintanilha nasceu no Rio de Janeiro em 1981, cidade onde, atualmente, vive e trabalha.

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Rodrigo Garcia Dutra TABOM CONCRETO é uma ‘frottagem’ através de carvão sobre papel de partes de um tecido africano ganense da costa oeste africana contido na escultura TABOM, também de minha autoria. Essa ação cria uma aparência sombria, indicial, mas não representativa do tecido. Eu não tento criar uma réplica ou imitar o tecido, mas sim fazer uma projeção, ou lidar com a sombra de sua forma. Esta peça renderiza os símbolos e padronagens coloridas em preto e branco, daí a sua aproximação com a arte concreta brasileira. O título vem da história sobre um grupo de escravos africanos que retornam do Brasil para a África, mas, falando português brasileiro. Entre os africanos originais, eles seriam conhecidos como os ‘Tabom’. Provavelmente por conta da sua atitude submissa e domesticada de ex-escravos.

Rodrigo Garcia Dutra (Rio de Janeiro, 1981) vive e trabalha entre Londres e São Paulo, possui MA 86 em Fine Art pela Central Saint Martins (2009) e Royal College of Art (2014).


Tabom concreto, 2013 / carvão sobre papel / 50 x 50 cm

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Rodrigo Moreira 1. Rio de Janeiro, junho de 2013 Eu tinha acabado de me mudar para o Rio de Janeiro quando as manifestações começaram. As ruas logo foram tomadas por vinagre e gás lacrimogêneo. Lá do alto, os helicópteros acompanhavam a marcha. Aqui em baixo, muita gente, muitos cartazes, gritos de guerra, fotos e flashes. E se tudo não passasse de uma performance? 2. Belo Horizonte, julho de 2013 Foi uma breve visita à cidade, a primeira vez desde que me mudei para o Rio. Ali no bairro onde eu morava, muita coisa estava mudando. Uma das ruas próximas a minha tinha sido fechada para demolições e os tapumes das obras sinalizavam prédios de muitos andares que dariam lugar às casinhas antigas. Imaginei estender um lençol atravessando a rua, como se faz no interior (sempre me disseram que Belo Horizonte era uma roça grande): aparar o golpe. 3. Rio de Janeiro, maio de 2013 Eu costumava passar os sábados de manhã na Praça XV. A feira tinha coisas espalhadas pelo chão, coisas encontradas, coisas antigas, esquecidas, descartadas, obsoletas. O que não tem valor para alguém pode ser indispensável para outra pessoa. Num desses sábados, encontrei dezenas de cartas endereçadas a um só homem. Elas respondiam a um anúncio de jornal e eu fiquei por um tempo tentando decifrar as caligrafias e as intenções do perfume que impregnava o papel pautado.

Rodrigo Moreira (Coronel Fabriciano, 1983) vive e trabalha em São Paulo. Desenvolve trabalhos 88 em artes visuais e já participou de exposições no Brasil, Colômbia e Espanha.

Monólogos, 2014 / impressão em papel de algodão (díptico) / 62 x 40 cm


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Thiago Guedes

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E foi caminhando que cheguei até os molhes. Grandes tetrápodes formam uma cadeia monumental de moléculas de carbono feito de concreto, que atravessam a praia e dividem simbolicamente os dois países. Parti da apropriação de pedras coletadas no lugar e da percepção da faixa efêmera e úmida que as ondas deixam na praia, quando sobem, na areia, para repensar poeticamente a linha imaginária que divide esse território. Alinhei sete pedras paralelamente à linha do horizonte e desloquei as pedras uma por uma num movimento contínuo de devir e errância, colocando-as nos pontos de avanço e recuo das ondas. Enquanto as pedras assumiam diferentes configurações na paisagem, a linha limítrofe entre o oceano e o continente diluía-se sob a intersecção territorial e de sentido.


Fronteira Brasil/UruguaiI – Barra del Chuy, 2012 / fotografia / impressão sobre papel algodão / 80 x 60 cm

Thiago Guedes nasceu em Recife-PE, 1986, e mora em Pelotas-RS. Graduado em Artes Visuais na UFPel em Pelotas, onde vai iniciar o mestrado.

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Aleta Valente / Banho de legitimação, 2015 / performance / Pra que beber champanhe se a gente pode tomar banho? Alexandre Wagner / Sem título 2 (da série Desenhos), 2014 / nanquim e guache sobre papel / 21 x 29 cm (cada desenho) / Série de guaches em pequeno formato.

Bruno Cançado / O abismo é feito de uma matéria, 2013 / carvão e resma de papel A4 / 260 x 21 x 29,7 cm / A série O abismo é feito de uma matéria nasceu do desafio de criar desenhos no espaço a partir da relação material entre a madeira, o carvão e o papel.

Carina Sehn / In[penetrável], 2014 / performance / Objeto corpo, cubo aberto à rua. Isolado no meio do fluxo da cidade. A solidão é ainda possível? É visível? Você consegue estar sozinho? Carolina Bonfim / Coração 190, 2014 / performance e fotografia / dimensões variáveis / Coração190 é uma obra concebida a partir da relação um a um, entre artista e espectador. Cecília Bona / 3V, 2010/2013 / lâmpadas de LED, fios, bateria, elástico / dimensões variáveis / Luz que completa o jogo de uma armação incerta. Sombras que desenham e se entremeiam num esqueleto estrutural precário. Coletivo ES3 / Haydum (da série Dos Deuses: Pétalas de Carne), 2014 / Edição 1 a 12 / fotografia / 30 x 40 cm / De que são feitos os corpos dos deuses? Conheça o trabalho do Coletivo ES3 (Natal – RN) que está na exposição Abre Alas 2015. Daniel Beerstecher / 50°60‘59,50“N / 8°40‘35,30“O, 2007 / vídeo / 13:30 min / A suíte do hotel Hilton se transforma em camping selvagem por uma noite, com árvores, grama e barraca, tendo como horizonte o mar de concreto de Frankfurt. Daniel Frota / Babel, 2012 / caixas de acrílico e lanternas / 60 x 20 x 20 cm / Caixas de acrílico e lanternas formam o trabalho Babel de Daniel Frota, baseado no livro do educador francês Louis Braille publicado em 1839. Daniel Jablonski / Todos os nomes (Diário oficial), 2012 / impressão a jato de tinta sobre papel de algodão / 100 x 109 cm / A ampliação de um minúsculo bloco de texto do Diário Oficial, que certifica o caráter, não apenas real mas oficial da formatura do artista. Daniel Lie / Da especulação do valor do coco II - taxa de reajuste anual, 2015 / escada de madeira, bandeira do Brasil de plástico, cordas, correntes, cocos verdes e ripa de madeira / dimensões variáveis / Da especulação do valor do coco II - taxa de reajuste anual. O motivo todo mundo já conhece: o de cima sobe e o de baixo desce. 92

Dirnei Prates / Alhures, 2014 / vídeo / 1’10” / O mar choveu na minha sombra, 2013 / vídeo / 1’ 22” / Vendo mar dourado correr, 2013 / vídeo / 1’40” / O dia


azul, 2013 / vídeo / 1’27” / O conjunto de vídeos foi concebido a partir de material analógico e apresenta situações oniricamente corriqueiras. O mar é pano de fundo.

Erica Ferrari / Estratigrafia, 2014 / madeira, fórmica, folha de ouro e madeira queimada / 160 x 120 x 5 cm / Estratigrafia parte de uma pesquisa sobre os Palácios Nacionais que possuem passagens de luta e violência e que hoje funcionam como espaços culturais. Ewa Priester / Transporte, 2014 / B/W, inkjet-print / 12 x 18,1 cm / 24 páginas / À espera, 2014 / B/W, inkjet-print / 13 x 18,5 cm / 24 páginas / Entre, 2011 / B/W, inkjet-print / 12 x 18,2 cm / 52 páginas / O espaço urbano. Elementos incomuns surgem e surpreendem revelando algo novo no cotidiano. Observações do ambiente humano, criado dele.

Felipe Abdala / transferência #2 - movimento, 2013 / ação e carvão sobre parede / dimensões variáveis / Conjugar um verbo, propor ações. Felipe Bittencourt / Geometria sobre conforto, 2009 / performance / Todos estão performando o tempo todo. Só não se dão conta disso. – O Performer. Frederico Ramires / Sem título, 2014 / objetos embutidos em madeira / dimensões variáveis / No mundo onde a imagem nunca foi tão consumida e cansativa, o que resta aos artistas senão encontrar um interesse no vulgar? Gabriela Noujaim / Livro Serpentina, 2015 / serigrafia, confete e linha de costura / Poesias de Jorge Gabriel Noujaim (artista de Circo) / 30 x 30 cm / Em Serpentina, meu pai, artista de circo mambembe, narra sua história que termina em um grande desfile da Mangueira na Marquês de Sapucaí. Gabriele Mauro / Non so cosa voglia dire!, 2012 / Poster / size variable / The image of the male member, as a divine attribute, with the sentence of A.Warhol, “I do not know what it means!” plays down the morality. I repeat / Sem título, 2014 / caneta bic sobre papel A4 / Menos é mais, todos diferentes todos iguais. Igor Vidor / Conter, 2013 / vídeo / 6m24s / Sem título (queda), 2013 / vídeo / 4m11s / See the sky is no man’s lane, 2012 / vídeo / 3m48s / Penso a viagem como matéria prima escultórica, a qual lida com o acaso, e ao longo vai modelando meu tempo. Ilan Waisberg / Action Lamp - Palmeiras, 2011 / vídeo / projeção em loop / O trabalho de Ilan pega na cidade o acabado e traz de volta o que ela tem de inacabado. O resultado: uma instalação multimídia sem plano de inauguração, mas passível de ocupação. Jonas Arrabal / Apneia, 2013 / áudio / 7 min aproximadamente / Profilaxia III, 93 2015 / terra, sementes e sal / 300 x 200 cm / É preciso aprender a dominar o tempo.


Jorge Soledar / Marchinha, 2014 / 6 pares de blocos de gesso calçados em 6 botas de couro dispostos diretamente sobre o chão / dimensões variáveis (em torno de 2 x 1,5 m) / Da canção de Francisco Alves, “Meu Suquinho”, a instalação segue homenagem ao imaginário popular, à guisa de “Monumento a Deraldo” (em ‘O Homem que Virou Suco’), apresentado em 2014. Lucas Sargentelli / 9-17.01.2014, 2014-15 / materiais diversos / dimensões variáveis / Buscar ‘Maracanã’, ‘Aldeia Maracanã’ e ‘Metrô-Mangueira’ no twitter. Luisa Mota / Genesis e genes, 2014 / performance / Será e será, elas estarão ao vivo no dia 7 Fevereiro no Abre Alas @ agentilcarioca https://www.youtube.com/ watch?v=SdhAfMor9BM. Luisa Puterman / Cuidado veículos, 2014 / performance audiovisual / duração aproximada 15min / Improviso audiovisual baseado em pesquisas sobre sinalizações e sua biodiversidade. Diferentes formas, funcionamentos e defeitos instigam a criação de sons. / Aquilo que não se pode tocar, 2014 / publicação impressa / dimensões variadas / Projeto pensado a partir de partituras de grandes estudos para piano. Apropriação e composição estruturam o trabalho. Maíra Dietrich / Mais ou menos cinco meses, 2012 / publicação de tiragem indeterminada / 20 x 15 cm / Mais ou menos cinco meses é uma zona plana na qual a única determinação é o seu tempo de existência e execução. Manoela Medeiros / Paisagem flutuante, 2015 / instalação / fragmentos de parede / dimensão variável / série de desenhos / grafite sobre papel / 12 x 12 cm (cada) / Indício de paisagem. 8H-10H. A entrada de luz solar no espaço ocupa diferentes formas. Na tentativa de fixar o território que essa luz ocupa, sua extensão é demarcada. Maria Noujaim / Desdobra, 2015 / coreografia / 20 minutos / objeto / papel cartão e linha de cobre / 1.60m x 50cm (aproximadamente) / Desdobra é uma coreografia de papel dobrando e desdobrando, uma dança sem intuito de chegar à lugar algum, um simples vai-e-vem topológico. Marina Fraga / Mapa submerso em petróleo, 2015 / caixa de madeira, desenho de mapa mundi coberto por betume, agulhas de acupuntura em ouro / 800 x 550 mm / Um mapa mundi submerso em petróleo. Agulhas de acupuntura em ouro marcam os principais locais de extração de petróleo ao redor do mundo. / Cálculos para acupuntura planetária, 2015 / texto / dimensões variáveis / Quais seriam as dimensões para uma sessão de acupuntura no planeta? Pele e crosta; corpo e Terra. Colapso de escalas. Miguel Penha / Cipó azul, 2014 / acrílico sobre lona / 2,08 x 3,60 m / O cipó azul retrata a cena de uma nascente caracterizado pela palmeira Buriti. 94

Pedro Gallego / Confronto final (Música incidental), 2013 / vídeo / cor / 5’51’’ / Domingo Maior (Música incidental), 2013 / impressão em papel jornal / 8 páginas /


21 x 14 cm / Can we start all over again? Stop. Pause. We’re in record. Good morning. Good night. Same time tomorrow.

Pedro Urano / Estudo para filme úmido #1, 2011 / video / 3 min / Estudo para filme úmido #2, 2011 / video / 10 min / Em comunicação com o solo. Estudo para filme úmido. O mundo é carne. A água é extraterrestre.

Raquel Versieux / Flock of birds, 2012 / impressão a jato de tinta sobre papel Hahnemuhle 315g 100% algodão / 30 x 44 cm cada / Flock of birds é uma série contínua de arranjos e agrupamentos de imagens buscadas pela internet em outras revoadas possíveis, fazendo do google uma câmera fotográfica. Renato Pera / Desenho: parede e porta, 2011 / papel manilha colado diretamente sobre parede vedando uma porta / 13m2 / Trata-se da suspensão da lógica da experiência cotidiana, com a intenção de criar ficções absurdas que se assemelhem à experiência do sonho, delírio ou pesadelo. Reynaldo Candia / Ás de copas, 2013 / 363 cartas de baralho e recorte / 90 X 70 cm / Manilha, 2013 / 363 cartas de baralho e recorte / 90 X 70 cm / Buracos, 2013 / 363 cartas de baralho e recorte / 90 X 70 cm / São 363 cartas de baralho como em um jogo de memória, elas estão dispostas de costas e cada camada é revelada através de cortes circulares. Rita Queiroga / Capital de cartas, 2013 / construção / cimento armado / 200 x 100 x 120 cm / Capital de cartas é uma escultura que fala de dinheiro. De economia. Do fel que é o capitalismo e da sua queda iminente. Rodrigo Alcon Quintanilha / Metafotografias, 2014 / fotogramas, solarigrafias e screenshots sobre papel fotográfico preto e branco / 160 x 100 cm / Metafotografias é um conjunto de fotogramas, solarigrafias e screenshots que aborda o processo fotográfico de forma literal e tautológica.

Rodrigo Garcia Dutra / Tabom concreto, 2013 / carvão sobre papel / 50 x 50 cm / O que a Suíça, o Japão e Gana (África) teriam em comum? Tabom concreto fricciona estas matrizes e ‘elos perdidos’ na Arte Brasileira. Rodrigo Moreira / 2014 - Proposta de perfomance (Programa), 2014 / impressão a jato de tinta sobre papel / 21 x 15 cm / 2014 é tratado com uma grande passarela por onde personagens e fatos que marcaram o ano apresentam suas performances. / Monólogos, 2014 / impressão em papel de algodão (díptico) / 62 x 40 cm / Plano de fuga dos imensos empreendimentos imobiliários que transformam a paisagem urbana: aparar o golpe! Thiago Guedes / Fronteira Brasil/UruguaiI – Barra del Chuy, 2012 / vídeo / 12 minutos 36 segundos / THIAGO GUEDES_FRONTEIRA BRASIL/URUGUAI-BARRA DEL CHUY! 95


editado por

A Gentil Carioca diretores Ernesto Neto, Laura Lima, Márcio Botner, Elsa Ravazzolo pré-produção Tatiana Bührnheim produção Noelle Araújo estagiária Vanessa Soares Holanda administração Fabiola Neves assistente de serviços gerais e manutenção Inacio Ferreira da Silva montagem Inacio Ferreira da Silva e Robson Affini de Moraes organização

Daniel Steegmann Mangrané, Livia Flores e Michelle Sommer edição e projeto gráfico

Liliane Kemper revisão

Thais Medeiros

Publicado pela A Gentil Carioca por ocasião da exposição Abre Alas 11, realizada entre 07/02 e 13/03/2014 na galeria A Gentil Carioca, com curadoria de Daniel Steegmann Mangrané, Livia Flores e Michelle Sommer.


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Abre Alas 11 | Catálogo by producao-agentilcarioca.com - Issuu