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Bússola n.º 18 Junho 2013

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n.º 18 JUNHO 2013

EQUIPA PROVINCIAL DE animação VOCACIONAL

PROVÍNCIA PORTUGUESA DA SOCIEDADE SALESIANA

bússola em dia > Pe. Luciano Miguel

quem nos motiva

os protagonistas > Pe. Abílio Nunes, SDB

Um novo Miguel

O ambiente do Or atório de Valdocco perturba o cor ação do ex-gener al de Carmagnola. Viver nessa casa significava acreditar na força da bondade e da alegrina e cortar com a da rebeldia e da violência.

Miguel sente-se triste, deprimido e inseguro… Um dos seus amigos, ao vê-lo nesse estado de espírito, conversa com ele. Miguel

diz-lhe que se sente mal pois não sabe rezar, nem é capaz de parar para pensar . Então o jovem aconselha-o a ir ter com um padre a quem deveria com inteira confiança abrir o coração. Depois de ter escutado as palavras do amigo, Miguel continua desconfortavelmente à procura de solução. D.Bosco, sabendo disso, chama-o, dialoga paternalmente com ele e descobre a profunda razão do seu estado de espírito: Miguel sentia remorsos de um passado sombrio e rebelde. As palavras carinhosas de Dom Bosco, o incondicional amigo,cairam como sementes de tranquilidade no coração do jovem . Decide, pois, pôr em prática as orientações do Apóstolo da Juventude: Recolher-se a pensar na sua vida passada e depois abrir o coração ao confessor. Este episódio revela a grande importância do sacramento da Confissão. Quando deixamos Deus entrar na nossa própria casa e nos deixamos tocar pela sua Graça, a PAZ regressa ao nosso coração.

Era um jovem de qualidades, falando humanamente. Tinha feito a sua caminhada vocacional e estava já nos últimos anos antes da ordenação. Durante o acompanhamento que ele pediu, dialogámos sobre os motivos que o levavam a ser sacerdote. «– Sinto-me muito bem no meio dos jovens. Espero os fins-de-semana sempre com alegria.» Nos fins-de-semana ele dinamizava um grupo de jovens de uma Paróquia. Como tocava bem guitarra, entusiasmava e sentia-se entusiasmado. «– E amanhã, quando não tiveres fins-de-semana como agora, continuarás a encontrar sentido para a tua vocação?» «– Sem dúvida. Já disse que me sinto feliz no meio dos jovens, como D. Bosco.» «– Mas este modo de estar no meio dos jovens, cantando, rindo, partilhando sem mais compromissos, pode vir a mudar. A tua motivação principal tem de ser, antes de tudo, seguir a Jesus.» «– É o que eu faço estando com eles.» Ordenou-se. Foi colocado numa comunidade como Diretor Pedagógico. Estava no meio dos rapazes, mas em ambiente escolar. Começou a sentir falta dos aplausos. Passados dois anos abandonou o sacerdócio. Seguir a Cristo implica colocá-Lo no centro da nossa vida. Antes e acima de tudo o resto. Também das consolações que nos dão os jovens. Se não é Ele que nos motiva, a vocação morrerá.


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boa leitura > Pe. Rogério Almeida

Que cristianismo estamos a transmitir?

Amadeo Cencini, “Tu és... Tu serás chamado” Como pode a Pastoral Vocacional ajudar o jovem a conjugar vocação e missão?, Editora Paulinas, Lisboa, 2008, pp. 42-44.

«Temos de admitir: estamos ainda a transmitir um Cristianismo inócuo, de sala de estar, feito de boas maneiras e de méritos pessoais, de indulgências privadas para manter na própria conta, uma mistura de bondade exaltante e de garantias tranquilizadoras, de economia

auto-referencial, de santidade demasiado individual, de devocionismo dobrado sobre si (ou subtilmente autodevocional), de percursos demasiado direcionados e circunscritos ao eu e à sua auto-realização..., ou um Cristianismo ainda muito pouco relacional, onde a relação é

um acidente, e não ainda o lugar onde se realiza o drama da salvação; ou um Cristianismo como filho de uma certa cultura do analgésico, o qual se tornou também analgésico, nada aberto à responsabilidade esforçada, mas pura exaltação da missão... E se perdemos a dimensão dramática, inevitavelmente, arriscamos em fazer prevalecer a lúdica, pelo que tudo é levado com ligeireza, como coisa facultativa, “se te apetece...”, ou, no melhor dos casos, a dimensão estética, como se o Cristianismo fosse apenas uma exibição ritual, e rito mais ou menos apreciável de acordo com os gostos estéticos. Como consequência o Cristianismo torna-se um bem de consumo e a consumir por si mesmo, perfeittamente adequado à sociedade de consumo, onde cada um, alegre fruidor de um produto confeccionado por outros, vai, compra e consome, como qualquer cliente, “satisfeito ou reembolsado”, ou como um espetador de um drama interpretado por outros que já não comove mais. [...] Quão poucos de nós damos a ideia de que ser amado por Deus não é só uma segurança reconfortante, mas quer dizer ser assumidos por Ele – não interessa se como operário ou dirigente, se na primeira ou na última hora – a participar responsavelmente na obra da redenção, cada qual com uma missão pessoal a cumprir, tão pessoal que, se não a cumpre ele próprio, ficará anulada».

contemplar > Ir. Rosa Maria Machado, FMA

Os nossos talentos �

A vida é um percurso, uma aventur a que nos apresenta gr andes oportunidades, dificuldades, riquezas. Todos queremos ser felizes. Mas par a isso temos de conhecer-nos a nós próprios, as nossas limitações, mas também os nossos recursos e potencialidades, os nossos talentos pessoais que temos o dever de fazer render.

© Sam Savine, Stock.xchng

Parábola dos talentos: «Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu. Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois. Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: “Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei”. O senhor disse-lhe: “Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor”. Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: “Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei”. O senhor disse-lhe: “Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor”. Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: “Senhor, disse

ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence”. O senhor respondeu-lhe: “Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei. Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros. Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”». (Lc 19,12-27) Depois de leres a Parábola Como é caracterizada cada uma das personagens da parábola? Com qual personagem mais te identificas? Identifica situações atuais que reflitam a Parábola. Olhando para os servos, como achas que se poderá realizar uma pessoa? Que talentos identificas em ti. Se o Senhor da Parábola te perguntasse pelos teus talentos, que lhe responderias? Que compromisso queres assumir com o Senhor que te deu os talentos?


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vocações com história > Pe. Taveir a da Fonseca, sdb

“paizinhos, quero ser padre!” -se para o pai e disse-lhe: “Ó Mário, se o pequeno quer ir para o seminário, porque não o deixas ir?” “Eu deixo, replicou o meu pai, mas quem é que quer isto lá no seminário?” Reacendeu-se-me a esperança. Então, deixa-me ir, perguntei? “Amanhã falamos. Agora vai dormir que já são horas“. E assim terminou aquele diálogo inconclusivo. Os capítulos seguintes não foram mais fáceis.

Bati timidamente à porta do quarto dos meus pais. Eram as dez horas da noite. Durante todo o dia o pensamento não me saía da cabeça e não iria dormir com ele sem lhes comunicar o meu desejo. Entrei devagarinho e disse-lhes de sopetão: “Paizinhos, quero ser padre!” A minha mãe, ainda sentada na cama ia a dizer qualquer coisa, quando o meu pai, já deitado, levantou a cabeça e adiantou-se: “Tem juízo, rapaz!” Gelei. A mãe virou-

Um estágio nos Combonianos em Viseu não deu resultado. Quinze dias depois, regressei e o veredicto foi a não aceitação...porque era muito vivo e dado ao desporto. Tentámos Godim, o Seminário dos Espiritanos. Estava cheio. O meu pai começava a desesperar e eu ainda mais. “Pronto, vais para o seminário de Vila Real, sentenciou”. A minha recusa foi pronta: “Não quero ir para os padres que ganham dinheiro. Quero ser dos missionários“. O meu pai já não atinava com as esquisitices do filho até que alguém, que eu nunca soube quem era, lhe indicou um Seminário lá para os lados de Poiares. Era dos Salazarianos e parece que eram dos missionários. A mãe correu para a velha lista telefónica e procurou. Deu duas maniveladas no telefone preto e ligaram-lhe o 16. Que sim, que havia vaga e podia aparecer no dia seguinte. Voámos para Poiares, ali tão perto! Um exame de Português e Aritmética dos difíceis. Dividi e classifiquei orações dum trecho do

cartoon > Diana Arrobas

Jornada Mundial da Juventude 2013 no Rio de Janeiro, Br asiL

O Pe. Taveira da Fonseca com o Pe. Cassiano Guimarães e o irmão, Fernando Taveira

jornal Juvenil, passei com destreza da fonética para a morfologia e para a sintaxe. Depois vieram as contas, com muitos algarismos e o bom do senhor Pe. Moisés arregalou os olhos. Tínhamos homem, deve ter pensado. Virando-se para a minha mãe disse-lhe: “Muito bem, bravo! Aqui tem uma pequena lista do enxoval. Marque-o com o número 182!” Agora o mundo era meu, caramba! Era? Ainda não... Uma dúvida: de que cor seria a linha para marcar o tal 182? A mãe telefonou para saber e do outro lado a voz hesitante do senhor Pe. Moisés fez voltar tudo à estaca zero. Que queria falar pessoalmente com ela pois havia dúvidas a esclarecer. Fomos no dia seguinte, ansiosos. O que seria? O Pe. Moisés tinha sabido que tinha sido rejeitado de Viseu. Qual o motivo? A mãe explicou e remeteu a confirmação para o Pároco da minha freguesia. O Pe. Moisés olhou para mim com uns olhos de bondade que jamais esquecerei. Perguntou-me: “Tu queres mesmo ser padre?” Respondi-lhe com convicção: “Quero e não saio daqui sem me dizer que me aceita”. Deixou escapar o que seria uma gargalhada e virando-se para a minha mãe disse-lhe: “Minha senhora a linha é de cor vermelha!” Em 18 de julho de 1971 o senhor Orlando Pavão lançou uma dúzia de foguetes na minha missa nova, uma dúzia foi a aposta que o pai, senhor António Pavão, fez comigo se chegasse a padre. As promessas no Douro são para cumprir!


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ordenação sacerdotal > Celestino da Costa e Fernão Ximenes

“Fazei isto em memória de Mim”: Luís Almeida ordenado sacerdote

Gostavas de conhecer melhor a vocação salesiana? Contacta-nos! pastoral.juvenil@salesianos.pt

Bússola

Jornal da Equipa de Animação Vocacional

vem aí � 24-28 de Junho Semana formação pastoral para coordenadores e leigos � 22-26 de Julho Acampamento Nacional MJS Salesianos - Estoril � 23-28 de julho Jornada Mundial da Juventude Rio de Janeiro, Brasil

Roma e toda a comunidade. A igreja estava repleta de fiéis, que participavam inclusivamente fora da igreja! Antes da bênção final, usaram da palavra o Provincial, Pe. Artur Pereira, e o recém-ordenado Pe. Luís Almeida, que aproveitou para agradecer à família e a todas as pessoas que contribuíram para a sua formação.

Por vocês, eu estou aqui

Momentos da Ordenação do Pe. Luís e Missa Nova no dia 12 na capela do Colégio dos Órfãos do Porto

O diácono Luís Almeida foi ordenado sacerdote pela imposição das mãos de D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa. A ordenação ocorreu no dia 11 de maio, na igreja paroquial do Bonfim, no Porto. O Padre Luís Almeida revela uma forte convicção e responde ao chamamento de Cristo com determinação e firmeza. Este evento foi uma alegria imensa para a Igreja, especialmente para a Família Salesiana. No início e no término da cerimónia tocou a banda do Colégio de Poiares. A animação foi muito bonita, ajudando a criar um ambiente de festa e a Eucaristia foi solene e organizada. Iniciou-se com uma longa

procissão dos acólitos, dos padres, dos diáconos e do Bispo ordenante. Esta procissão contou com a presença de cerca de 40 sacerdotes concelebrantes, alguns deles vindos de Roma, e dois Bispos, pois além do Bispo ordenante estava também presente o Bispo emérito de Díli D. Carlos Filipe Ximenes Belo. A cerimónia da ordenação prolongou-se por cerca de duas horas. Os cânticos dos coros foram serenos, lembrando os anjos do Senhor. Participaram nesta Eucaristia salesianos da Província Portuguesa, a Família Salesiana, o Movimento Juvenil Salesiano, representantes das paróquias salesianas, a família do padre Luís Almeida, os seus colegas de

O lema do Pe. Luís Almeida, Fazei isto em memória de Mim, foi o tema desta celebração. A homilia do Bispo e a história da vocação do Pe. Luís concentraram-se neste lema, que é uma missão que Jesus deixou como legado ao povo, especialmente aos sacerdotes. A Igreja necessita dos sacerdotes para espalhar a Palavra e fá-lo especialmente através da Eucaristia. Não há Eucaristia sem sacerdote e não há Igreja sem Eucaristia. Portanto, a vocação do Pe. Luís Almeida é um tesouro precioso para comunidade e para a Congregação. No seu discurso, o neo-sacerdote dizia: Por vocês, eu estou aqui. Cristo é a única razão para os que escolhem segui-l’O. Por isso, sofremos por Cristo e com Cristo, como disse o Bispo que citou também Mãe Margarida: «Lembra-te que começar a celebrar a Eucaristia significa começar a sofrer». Estas palavras remetem-nos para a expressão é pelo calvário que se chega à glória. Vamos continuar a rezar pelo novo sacerdote, pela sua fidelidade, para que seja um bom pastor que conhece e ama o seu rebanho, um discípulo autêntico e um apóstolo apaixonado na sua missão.


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