Skip to main content

CENews nº 2 - março 2021

Page 1

n.º 2 março . 2021

O PRESIDENTE DO CEN, JOAQUIM MIRANDA SARMENTO, E O COORDENADOR E VICE-COORDENADORES DA SECÇÃO TEMÁTICA “DEFESA NACIONAL”, ÂNGELO CORREIA, FRANCISCO PROENÇA GARCIA E ANA MIGUEL DOS SANTOS, APRESENTARAM NO PASSADO DIA 18 DE MARÇO, EM CONFERÊNCIA DE IMPRENSA O DOCUMENTO ESTRATÉGICO DESTA SECÇÃO TEMÁTICA.

Video

Documento

Editorial

O

mês de março confirmou a tendência de melhoria dos números da pandemia, com o abaixamento do número de casos e, mais importante, do número de internamentos e óbitos. Finalmente o governo apresentou o plano de desconfinamento e as regras que o vão guiar, mas o que continua sem se entender é até onde está disposto a ir para apoiar a economia e as empresas. Esta semana o governo anuncia uma “injeção de 7 mil milhões de euros” em apoios, quando na verdade 6 mil milhões dizem respeito à suspensão da entrega das retenções na fonte de IRC e IRS, entre outras medidas fiscais, que não são certamente “injeções” de apoios à economia.

ropeus do PSD, apresentado em Outubro de 2020, o CEN promoveu um ciclo de oito conferências online que permitiu analisar este documento sobre diferentes óticas a visões, alinhadas com as várias secções temáticas que compõem o Conselho Estratégico Nacional.

Executiva do CEN, intitulado “Um governo que não quer saber do Mundo Rural”, onde expõe aquilo que é cada vez mais notório – o esvaziamento do Ministério da Agricultura e o abandono deste setor por parte do governo, como prova a total ausência do mesmo do Plano de Recuperação e Resiliência.

Para além de trazer os destaques da atividade do CEN, a CENews tem também como objetivo dar espaço à opinião. Este mês convidámos o Coordenador do CEN Saúde, o professor António Araújo, que assina um texto intitulado “Um SNS para o século XXI” onde nos apresenta uma reflexão sobre as fraquezas que a pandemia veio evidenciar e os desafios que não podem deixar ser endereçados.

Nesta edição do CEN vai ainda encontrar mais informação sobre a atividade deste órgão, as entrevistas e artigos do Presidente do CEN na imprensa e ainda o calendário de atividades para o mês de abril.

O Conselho Estratégico Nacional (CEN) do PSD esteve particularmente ativo durante o mês de março, com destaque para a apresentação do Programa Estratégico de Defesa Nacional, coordenado por Ângelo Correia, Francisco Proença Garcia e Ana Miguel dos Santos, e que faz capa desta 2ª edição da CENews – a newsletter mensal do CEN do PSD.

Convidámos igualmente a rofessora Maria Margarida Marques, membro do Conselho Consultivo do CEN, que nos escreveu um excelente retrato de “Portugal e a imigração”, onde conclui que há ainda perguntas sem resposta essenciais para compreendermos o país em que vivemos .

Ainda sobre o Programa Estratégico e dos Fundos Eu-

Por fim, assina também um artigo na CENews a deputada Catarina Rocha Ferreira, vogal da Direção

Por fim, e por que estamos na Semana Santa, resta-me apenas desejar-lhe, em nome de toda a equipa da CENews, uma Páscoa feliz e acima de tudo com saúde.

Ricardo Morgado Membro da CPN do PSD


Atividades do CEN MARÇO

conferência online

Zoom @ Webinar

“Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD” 01. março 18H30

Infraestruturas

08. março 18H30

Assuntos do Mar

12. março 18H30

Trabalho e Seg. Social

02. março 18H30

Ensino Superior, Cultura e Ciência

09. março 18H30

Economia

15. março 18H30

Saúde

03. março 18H30

Ambiente e Energia

Agricultura

30. março 18H30

Educação

11. março 18H30

(duração média 20-30 min)

CEN Infraestruturas – 01.março.2021, às 18H30

CEN Ensino Superior, Cultura e Ciência – 02.março.2021, às 18H30

CEN Ambiente e Energia – 03.março.2021, às 18H30

Assista à conferência aqui:

Assista à conferência aqui:

Assista à conferência aqui:

“Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD - Infraestruturas”

“Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD - Ensino Superior, Cultura e Ciência”

“Conferência CEN sobre “Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD - Ambiente e Energia”

CEN Assuntos do Mar – 08.março.2021, às 18H30

CEN Economia e Empresas – 09.março.2021, às 18H30

CEN Agricultura – 11.março.2021, às 18H30

Assista à conferência aqui:

Assista à conferência aqui:

Assista à conferência aqui:

“Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD - Assuntos do Mar”

“Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD - Economia”

“Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD - Agricultura”


CEN Trabalho e Segurança Social – 12.março.2021, às 18H30

CEN Saúde – 15.março.2021, às 18H30

CEN Educação – 30.março.2021, às 18H30

Assista à conferência aqui:

Assista à conferência aqui:

Assista à conferência aqui:

“Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD - Trabalho e Seg. Social”

“Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD - Saúde”

“Programa Estratégico e dos Fundos Europeus do PSD- Educação e Desporto”

Assista à conferência aqui:

Assista à conferência aqui:

Assista à conferência aqui:

“O Mar - Um Desígnio Nacional?”

“Direito da Família, o Novo Cúmplice da Violência Doméstica?”

“O Papel das IPSS no Combate à Pandemia”

Reuniões de Trabalho - Reunião da Coordenação Nacional CEN Saúde com as Equipas Coordenadoras Distritais dos Distritos de Aveiro, Coimbra, Évora, Leiria e Vila Real; - Reunião da Coordenação Nacional CEN Trabalho e Segurança Social com as Equipa Coordenadora Distrital de Lisboa; - Reunião da Coordenação Nacional CEN Educação e Desporto com as Equipas Coordenadoras Distritais dos Distritos de Lisboa AM, Porto, Leiria, Vila Real, Coimbra, Évora, Aveiro, Lisboa AO, Emigração e Viseu; - Reunião da Coordenação Nacional CEN Agricultura com as Equipas Coordenadoras Distritais dos Distritos de Lisboa AM, Porto, Leiria, Vila Real, Coimbra, Aveiro, Évora, Lisboa AO e Bragança; - Reunião da Coordenação Nacional CEN Ambiente e Energia com as Equipas Coordenadoras Distritais dos Distritos de Lisboa AM, Porto, Leiria, Vila Real, Coimbra, Aveiro e Évora - Reunião da Coordenação Nacional CEN Justiça com as Equipas Coordenadoras Distritais dos Distritos de Lisboa AM, Porto, Leiria, Vila Real, Coimbra, Évora e Aveiro


Maria Margarida Marques

Portugal e a imigração

D

e acordo com o Instituto Nacional de Estatística, em 2019, pouco mais de um em cada dez residentes nasceu fora de Portugal; no censo de 2011, o valor era inferior em duas décimas de ponto percentual.1 Em relação às origens, a relação entre os nascidos em outro país da União Europeia e os nascidos fora da UE é de cerca de um para três. Admitindo a definição de migrante da ONU (baseada na naturalidade), a imigração e o seu crescimento em Portugal são, à escala europeia, modestos.2 O Inquérito à Fecundidade3 reforça esta ideia: o “background migratório” não muda o baixo número de filhos por mulher residente no país (18-49 anos): 0,97 para mulheres sem “background migratório” e 0,98 para as que têm esse traço. Em ambas as categorias, a fecundidade “realizada” (como a “intencional” ou a “final esperada”) fica bastante aquém da “fecundidade desejada”, mantendo-se uma ligeira vantagem para as mulheres “com background migratório”. Outro dado que permite densificar esta informação tem que ver com as trajectórias origem-destino. Consultando a tabela bilateral do Banco Mundial, relativa a 2017, que associa as origens e os destinos dos residentes4, ficamos a saber que cerca de quatro em cada dez nascidos no estrangeiro, residentes em Portugal, provêm do continente africano. Numa publicação da OCDE, Portugal surge, entre os 11 países considerados, como aquele onde a presença africana é mais importante5. Admitindo que parte destes residentes naturais de África tenha tido filhos, já nascidos em Portugal, temos de apontar para uma presença significativa no país de pessoas com ascendência (pelo menos parcial) no continente africano. É impossível, por enquanto, saber como se distribuem as populações oriundas da imigração pelo território nacional, quantos terão seguido caminho para outros destinos (com passaporte português ou não) e a dimensão do “desaparecimento estatístico”, por via da aquisição da nacionalidade

1

portuguesa. Existem dados parcelares, em monografias e registos de origem vária, que apontam para uma presença importante dos imigrantes africanos e dos seus descendentes na região de Lisboa - permeiam o tecido económico, alimentam os mundos da cultura e deixam as suas marcas no espaço. No Algarve, são sobretudo europeus. Apesar das limitações, estas fontes permitem admitir que os descendentes formam um todo diferenciado, a maioria frequenta a escola em Portugal e fala português; contesta as instituições com argumentos, não as destrói. Há pluralização, não há sinais de fractura social. O relatório conjunto OCDE/UE, relativo aos imigrantes activos (15-64 anos), faz referência às qualificações formais – trazidas da origem ou já adquiridas em Portugal6. Nesta fonte vemos que o país ganha em matéria de qualificação, uma vez que a percentagem dos naturais de fora que possuem formação terciária7 é, em média, superior à da população residente natural de Portugal (31% e 22%, respectivamente). Um caveat importante diz respeito à “sobre-qualificação”8 que atinge, para os activos nascidos fora do país, 25% (contra 12% dos aqui nascidos), subindo até 58% para os que fizeram a escolaridade em País Terceiro. Outra mais-valia importante é o facto de a maioria falar português. Isto tem que ver com o facto de a imigração recebida em Portugal ser, em larga medida, resultado do que a expansão marítima semeou. Mas, como mostra a tabela do BM, a maioria dos migrantes naturais de países da CPLP reside fora dessa “comunidade” - tendo os vários países situações diversas. Em suma, considerando estas três constantes da política nacional – contrariar o declínio demográfico, a aposta na captação de “talentos” e a consolidação da “lusofonia” – verificamos, com os dados de que dispomos, que há desconformidade entre a realidade e a ambição. O envelhecimento é uma tendência longa e pesada,

que a imigração não trava; a dispersão geográfica das migrações contraria a força centrípeta da “lusofonia”; enquanto o crescimento de activos qualificados parece conformar-se com o desejado, mas a nota dissonante da sobre-qualificação merece reflexão. Será este um retrato útil da realidade imigratória do país? As ferramentas de que dispomos para captar as dinâmicas de população são escassas e têm, frequentemente, propósitos de controle administrativo, mais do que de conhecimento do terreno – económico, habitacional, cultural, etc. Desconhecem-se as trajectórias sociais destas populações, que acompanham as dinâmicas da globalização: o que faziam na origem, ao chegar ao país e, o que é mais importante, o que fazem os seus filhos? Onde estão, como e com quem vivem, o que pensam da sua situação presente e o que almejam? O “Inquérito às Condições, Origens e Trajetórias da População Residente”9 será um passo importante para avaliar com objectividade a realidade da imigração a várias escalas. Como disse um grande estudioso das migrações, Alejandro Portes10, não é o destino da primeira geração que permite avaliar a imigração, mas o dos descendentes. Estes mantêm viva a ambição que animava os progenitores ao emigrar? Têm trajectos de vida semelhantes aos do resto da população, ou há desvios significativos? No caso de haver, o que significam? Enfrentam obstáculos específicos? Os que têm ascendência noutro país lusófono, mantêm alguma relação transnacional com a origem dos progenitores? Para compreendermos o país em que hoje vivemos, é essencial responder a estas questões. Biografia Professora e investigadora, tem trabalhado com colegas de centros de investigação, nacionais e estrangeiros, sobre a área das migrações, desde os anos de 1990.

Nota: O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico

www.ine.pt (15/03/2021).

2

Baseado no nosso capítulo em Branco e Fernandes (45 de Democracia em Portugal. Assembleia da República, 2020).

3

INE, Inquérito à Fecundidade 2019. INE, 3 Dezembro 2020

4

World Bank. 2018. Bilateral Estimates of Migrant Stocks in 2017 <http://www.worldbank.org/en/topic/migrationremittancesdiasporaissues/brief/migration-remittances-data >

5

OECD. Connecting with Emigrants. A Global Profile of Diasporas 2015. OECD Pub., p. 366. DOI:https://dx.doi.org/10.1787/9789264239845-en

6

OECD/EU. Settling In 2018, Indicators of Immigrant Integration, OECD Pub., European Union, 2018. https://doi.org/10.1787/9789264307216-en.

7

ISCED 5-8.

8

Qualificação exigida pela ocupação inferior à escolaridade do activo.

9

Deliberação do Conselho Superior de Estatística

<https://dre.pt/home/-/dre/152531827/details/maximized> 10

Portes. Migrações internacionais. Celta, 1999, p. 3-4.


Um SNS para o século XXI

António Araújo Coordenador da Área da Saúde do CEN

O

ínfimo vírus SARS-CoV-2 transformou e adiou a nossa vida, afetou diretamente milhares de famílias, foi (é) responsável por milhares de mortes. Mas teve, ainda, um impacto profundo no sistema de saúde português, pressionou o Serviço Nacional de Saúde (SNS) a um nível inusitado, evidenciando as suas fraquezas e suspendendo toda a discussão que devia existir sobre a sua reformulação.

cular. É importante que se comece a encará-los sob a ótica dos ganhos em saúde e do bem-estar das pessoas, mas também dos lucros em tecnologias de saúde e em exportações que eles aportam e do impacto que todos esses ganhos têm na economia em geral do país, para que se comece a encará-los como um investimento e não como um prejuízo, sendo obrigatório pensá-los e projetá-los para o século XXI.

Porque o SNS não se modernizou, já não consegue corresponder às expectativas de uma população cada vez mais informada, exigente e digital. Porque o SNS não se reformulou, já não é capaz de corresponder aos anseios e objetivos de vida dos profissionais de saúde.

O SNS necessita de ser reorganizado segundo um modelo moderno, interativo entre os vários níveis de cuidados, criando-se uma rede de cuidados de saúde que permita garantir acesso atempado e equitativo aos cuidados de saúde de forma integrada e adequada a cada etapa da vida das pessoas. Essa rede deve ser capaz de melhorar os cuidados de saúde na área das doenças psiquiátricas, nas doenças crónicas, na saúde oral e no final da vida. Para essa reorganização, deverá ser elaborada uma Carta da Saúde, que englobe todas as unidades de saúde e os equipamentos instalados. A nível dos cuidados de saúde primários deverá ser proporcionado a que todas as unidades de saúde familiar (USFs) passem rapidamente a funcionar de acordo com o modelo B e que se possibilite e incentive o surgimento gradual de USFs de modelo C. A nível dos hospitais será importante renovar as múltiplas unidades do SNS que se encontram muito envelhecidas e degradadas, sendo necessário construir de raiz vários hospitais, e reequipá-los de acordo com o projeto de desenvolvimento de cada unidade. Deverão ser avaliados, em termos de custo/efetividade, os modelos experimentais de prestação de cuidados que foram implementados no país (particularmente, as unidades locais de saúde e as parcerias público-privadas) e desenvolvido um quadro de funcionamento que interligue claramente e de forma biunívoca os cuidados de saúde primários, hospitalares e terciários, para que todos estes níveis de cuidados trabalhem articuladamente, em complementaridade, e não em competição entre eles. Para este propósito, que permita ainda interligar todos e estes com os cidadãos, desenvolver redes de conhecimento em saúde, uniformizando e centralizando a informação de saúde individual, facilitando o estabelecimento de metas para todos os níveis de cuidados. É necessário apostar na digitalização robusta de todo o sector da saúde, fomentando-se a atualização da rede digital, a interligação e a integração das aplicações e das plataformas digitais a utilizar, por exemplo, através de parcerias

Mas sendo o SNS uma conquista da nossa sociedade moderna, é fundamental para o país que se consiga torná-lo mais capaz, mais eficiente, mais resiliente, mais inovador, mais sustentável e mais inclusivo. Os cidadãos continuam a acreditar fortemente no seu SNS, mas têm hoje uma noção mais clara de que este é um organismo frágil e que está cada vez mais afastado das suas necessidades. É evidente e repetidamente abordado que é necessário aumentar a literacia em saúde, que os temas sobre a saúde deverão marcar presença de uma forma constante nos curricula desde o ensino pré-escolar e que será útil programarem-se campanhas publicitárias sobre assuntos específicos como, por exemplo, a importância dos rastreios oncológicos ou a implementação de meios digitais de ligação entre os cuidados de saúde e os utentes. Numa época em que o agregado familiar está financeiramente muito dependente do trabalho de todos os seus componentes adultos, com a consequente dificuldade em apoiar e cuidar dos seus elementos seniores, necessitamos de ver reconhecido e garantido o papel e a formação dos cuidadores formais e informais, assegurando-se a parte económica, a manutenção do emprego e a capacitação a quem decida disponibilizar-se para essa função. Mas a nossa população, cada vez mais envelhecida, deverá ter um programa implementado de apoio ambulatório aos idosos dependentes, mais carenciados, que permita assegurar alguns cuidados sociais e de saúde ao domicílio. Neste intervalo turbulento, deveríamos estar já a discutir e a programar a reforma do sistema de saúde português, em geral, e do SNS, em parti-

com empresas tecnológicas do sector. Na área dos cuidados terciários, temos uma necessidade urgente de reforçar as redes de cuidados continuados e de cuidados paliativos, de forma a garantirem um número de camas suficiente aos nossos doentes crónicos ou em fim de vida. Em todos estes níveis de cuidados, deverá ser estimulada uma autonomia de decisão aos órgãos de gestão, que lhes permita desenvolver integrada e harmoniosamente os cuidados de saúde que prestam à população que servem, mas que seja responsabilizadora e exigente. Deverá, ainda, ser proporcionado um orçamento anual que se adeque a essa gestão, premiando a produtividade e os resultados obtidos, medidos em termos de ganhos em saúde. Aos profissionais de saúde, deverão ser dadas condições de trabalho e de remuneração adequadas, com planos de carreiras que estimulem o seu desenvolvimento, a sua participação nas instituições e que garantam um grau de satisfação elevado. Por fim, mas não de menor importância, e a pandemia assim o veio demonstrar, é forçoso articular os sectores social e privado com o SNS, aproveitando sinergias e permitindo o estabelecimento de complementaridades. Ao cidadão deverá ser possível, em algumas circunstâncias, poder escolher o local onde deseja realizar os seus exames complementares de diagnóstico ou onde lhe sejam prestados os cuidados de saúde. Para lá da pandemia, temos a obrigação de preparar o SNS para o século XXI. Como financiar essa mudança? Está para chegar um volume de fundos europeus que podem ser o motor dessa mudança. Mas isso ficará para outra oportunidade.

Biografia António Araújo


Um governo que não quer saber do Mundo Rural

Catarina Rocha Ferreira Vogal da Direção Executiva do CEN

N

a semana passada, o Grupo Parlamentar do PSD viu-se obrigado a marcar um debate de urgência, na Assembleia da República, com a Senhora Ministra da Agricultura, face ao abandono com que este governo tem deixado a agricultura e o mundo rural. Porém, apesar das inúmeras respostas que deviam ter sido dadas, as explicações da Senhora Ministra foram tão vazias como a atual política do governo para o sector. Verifica-se um crescente esvaziamento do Ministério da Agricultura que se transformou num pequeno apêndice do governo, não existindo justificação plausível para a ausência de uma palavra séria, dirigida ao sector, no Plano de Recuperação e Resiliência. Não há uma linha de políticas públicas, não há nada para a transição digital, não fala na modernização da agricultura, nem do investimento. Em conclusão, um vazio completo. Se observarmos o último ano, o país e o mundo foram confrontados com um choque pandémico brutal, sem paralelo. Nada nem ninguém estava preparado para o impacto da crise. Nem podia estar. A perturbação foi demasiado profunda para qualquer sociedade poder responder sem perdas, sem crises, sem sofrimento. A devastação económica e social teve e terá impactos duríssimos, muitos dos quais ainda por avaliar. Infelizmente, apesar da resposta positiva da Europa, Portugal é um dos países com mais desafios para recuperar do tremendo choque. Neste difícil contexto, o sector agroflorestal nunca parou, continuando a produzir bens e serviços para todo o conjunto da sociedade, sejam alimentos, sejam serviços de ecossistema e de território. No entanto, não foi exceção aos problemas do desequilíbrio entre a oferta e procura e a outras consequências derivadas da pandemia. Mesmo assim, a sua resiliência ficou provada através de uma enorme capacidade de organização que permitiu manter os níveis de produção agroalimentar. Em 2020, apesar do VAB agrícola ter diminuído 7,7% com reflexos no rendimento da atividade agrícola que decresceu 3%, situação que não ocorria desde 2011, as exportações dos produtos agrícolas cresceram 6,2%, contrastando com o decréscimo de 11,5% das restantes exportações de bens. Perante esta capacidade que muito nos deve orgulhar enquanto país, a verdade é que a política pública na área agrícola e florestal respondeu de forma

descoordenada, ineficaz, insuficiente, sem estratégia e sem pensamento fundamentado. Desta forma comprometendo a recuperação de um sector crucial no nosso país e consequentemente do território e da sociedade. Os exemplos de inoperância do Governo nestas áreas são vastos. Mas centremo-nos no Plano de Recuperação e Resiliência para a área da agricultura e da floresta. Não há uma única meta definida, um único objetivo, uma única análise custo-benefício. Por exemplo, na parte agrícola, deveríamos ter como objetivo produzir mais e melhor e contribuir para a diminuição do défice da balança agroalimentar de 3500 Milhões de euros. Enquanto país deveríamos pretender aumentar as exportações. Deveria ser fundamental mantermos a produção de alimentos sustentáveis de elevada qualidade. Portanto, é incompreensível não se encontrar qualquer apoio no Plano de Resolução e Resiliência que conduzisse, de forma complementar com os outros instrumentos financeiros comunitários, a estes resultados. Igualmente inexplicável é a ausência do fator água neste plano. No nosso país não há agricultura sem regadio e tão pouco há coesão territorial sem água. Só com água é possível ser resiliente na agricultura e só com água é possível ter-se uma ambição de maior preservação da biodiversidade. Nessa medida o tema devia ser central nas políticas públicas e não o é, tratando-se de um erro fulcral. Por fim, cumpre questionar onde está a transição digital para a agricultura? Incompreensivelmente a transição digital do programa não faz referência à agricultura, nem ao mundo rural. E temos um governo que fala diariamente sobre a importância da transição digital, esquece é sempre este sector. No entanto, como podemos ambicionar recuperar e crescer com partes do território sem acesso à banda larga? Com pode a agenda para a inovação da agricultura ser exequível se não prevê um plano tecnológico? É com perplexidade que se constata que a transição digital, pilar do Plano de Resolução e Resiliência, não é extensível à agricultura. Sobre a parte florestal, o Plano de Recuperação e Resiliência não tem nenhum complemento às medidas florestais aprovadas no Conselho de Ministros de 4 de março, que lamentavelmente trata a floresta sem a olhar como um território produtivo de multifuncionalidade.

Em súmula, os pilares do Plano de Recuperação e Resiliência que parecem combinar na perfeição com as necessidades do sector agroflorestal, são simultaneamente desprovidos de ambição nesta área. Os sectores agrícolas e mesmo florestais são ignorados. O sector agroflorestal encontra-se mesmo ao abandono no atual Governo. Na agricultura verifica-se uma grave falta de visão estratégica. Uma ausência total de política agrícola, sujeitando o país a discursos “disruptivos” perante um sector que extraordinariamente sobrevive às constantes alterações de orientação da PAC, graças ao investimento e à inovação dos próprios agricultores. Na floresta, o deslumbramento é igualmente grave porque não se percebe de território rústico, se despreza a multifuncionalidade da floresta e se concentra a ação nas matas urbanas ou em paisagem de livro infantil. Além das iniciativas legislativas que o PSD tem vindo a apresentar com regularidade para esta área, nos últimos dias reforçamos a entrada das seguintes iniciativas: i) medidas de apoio ao sector do vinho nacional; ii) antecipação de pagamentos comunitários ao nível da Política Agrícola Comum; iii) apoio ao sector da floricultura; iv) ações de valorização de sistemas agrícolas tradicionais em culturas perenes com especial enfoque no olival; v) prorrogação do prazo para os trabalhos de gestão de combustível em 2021, e só iremos descansar quando este sector, tão essencial à nossa sobrevivência, for tratado com a toda seriedade que merece.

Biografia Catarina Rocha Ferreira


O Presidente do CEN na imprensa CONSULTE OS ARTIGOS DE OPINIÃO PUBLICADOS NA IMPRENSA: “Mais vale chamar-lhe um placebo, porque bazuca não vai ser” Link do texto de opinião

Um ano de pandemia Link do texto de opinião

Os vinte erros do Plano de Recuperação e Resiliência Link do texto de opinião

Bazuca europeia. Plano do Governo é um “placebo condenado a falhar” Link do texto de opinião

“Governo tem sido de uma profunda incompetência” Link do texto de opinião

Plano de Recuperação e Resiliência: medidas políticas Link do texto de opinião

Coordenadores do CEN CONSULTE OS ARTIGOS DE OPINIÃO PUBLICADOS NA IMPRENSA:

Bruno Coimbra

Ângelo Correia

Secretário-Geral do CEN

Coordenador Nacional do CEN Defesa Nacional

TGR ou TG$, eis a questão Link do texto de opinião

Ângelo Correia defende que conceito de Defesa Nacional no PS e no PSD “é o mesmo” Link do texto de opinião

Jorge Bravo Coordenador Nacional do CEN Trabalho e Segurança Social

PSD quer ministro coordenador de militares, polícias e Proteção Civil Link do texto de opinião

Money, Money, Money #61: A idade de reforma vai mesmo baixar? Link do texto de opinião

PSD quer “ministro de Estado coordenador” de militares, polícias e Proteção Civil Link do texto de opinião

David Justino Presidente Conselho Consultivo do CEN

O PSD e o novo aeroporto de Lisboa

PSD quer Defesa na alçada de um vice-primeiro-ministro ou ministro de Estado Link do texto de opinião

Link do texto de opinião


É objetivo do CEN prosseguir com a implantação e dinamização em todo o território nacional, fomentando o seu funcionamento à escala distrital, colhendo contributos técnicos e políticos de militantes e simpatizantes inscritos no CEN do PSD No mês de março a Comissão Executiva do CEN reuniu com a com as comissões instaladores e com as coordenações das secções temáticas distritais de Évora O trabalho das comissões instaladoras permitiu já instalar 12 secções temáticas em Aveiro, 8 em Évora, 6 em Bragança, 5 em Viseu e na Emigração e 3 em Lisboa AO.

O CEN ACONSELHA: DISTRIBUIR O PEIXE OU CANAS DE PESCA

LISBOA COLABORATIVA

Luís Todo Bom

João Silva Lopes

Link da notícia

Link da notícia

TAXA MASCARADA DE DESCARBONIZAÇÃO João Silva Lopes

Miguel Poiares Maduro Link da notícia Link da notícia

AGENDA MÊS SEGUINTE 12. abril

Prioridades da política agrícola para 2021-2027 no quadro do PEPAC: políticas de apoio ao investimento e ao rendimento, com menos burocracia, mais eficácia, mais abrangência e mais equidade Promovido pelo CEN Agricultura

14. abril

A CPLP Promovido pelo CEN Negócios Estrangeiros

Inscreva-se no CEN do PSD

A VIDA DEPOIS DO ANO 1 DA COVID. A OPINIÃO DE MIGUEL POIARES MADURO


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
CENews nº 2 - março 2021 by PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA - Issuu