Interdita venda na distribuição quinzenal com o jornal
Especial
11 de setembro de 2020 1250 • €1,5
Diretor: Henrique Dias Freire Quinzenário à sexta-feira
postaldoalgarve
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Vá ao circo com tapas Já imaginou aliar a arte à gastronomia? Na Casa das Virtudes isso já é possível. Inaugurada em setembro do ano passado, tem feito as delícias de quem a visita, com espetáculos de circo, misturados com o convívio que se vive nas mesas e agora na esplanada exterior. P11
Reitor da UAlg explica valores das propinas Confrontado com alguns possíveis apoios no pagamento da propina, o Reitor da Universidade do Algarve, Paulo Águas, esclarece ao POSTAL que “os estudantes internacionais são
abrangidos por apoios indiretos da Ação Social. Do financiamento que recebe do Estado, a UAlg transfere anualmente para os Serviços de Ação Social mais de 1 milhão de euros, o que
permite praticar preços nos serviços de alimentação (cantinas e bares) e de alojamento abaixo dos valores de mercado, que beneficiam todos os estudantes da Universidade, nacionais e
internacionais”. Cerca de 20% dos estudantes internacionais de formação inicial beneficiam de uma propina reduzida, no valor de 1.100 euros, explica o responsável pela academia algarvia. P10
software de gestão documental
Somos Farense! O regresso ao escalão principal do futebol 18 anos depois P6
FARO QUER MUDAR "ROSTO" DA FRENTE RIBEIRINHA
Migigingues (palavras novas) Por Teresa Lança
P14
As culturas da água e o Algarve Pof Jorge Queiroz
P14
Corpo Radial Por Maria João Neves
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Como tornar a arte mais imersiva? Por Saúl Neves Jesus
P16
A Cidadania Política e a Educação Por Maria Luísa Francisco P17
Entrevista a Juliet Marillier:
“Estamos à beira de um precipício, perto de destruir este mundo precioso e belo” Por Paulo Serra
P18 e 19
REQUALIFICAÇÃO Aproximar a cidade de Faro à Ria Formosa é o grande objetivo. Trata-se de um programa nuclear de reabilitação urbana que
pressupõe o desenho de um novo eixo de valências culturais associadas a incentivos à atração de agentes do sector cultural e criativo.
Dr. Joaquim Magalhães
Homenagem Post Mortem
O POSTAL associa-se ao aniversário da cidade de Faro, recordando uma entrevista dada pelo Dr. Joaquim Magalhães, a 7 de Setembro de 1984, concedida ao jornalista Ramiro Santos. P8
No Dia da Cidade de Faro também houve inaugurações, homenagens, distinções e a entrega da Chave de Honra da Cidade. P3 e 5
Uma história de amor e conquista O imaginário colectivo do Algarve está povoado de lendas de moirinhas encantadas que por amor dos cristãos se ficaram a penar. Por isso, a história podia começar como muitas outras: “era uma vez uma princesa... chamada Madragana e por ela, um dia, se perdeu de amores um rei cristão!” E se há conquistas que se obtêm apenas pela força das armas, outras se fazem somente pelo coração. P4
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CADERNO ALGARVE
Postal, 11 de setembro de 2020
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ESPECIAL FARO
Publisher e Diretor: Henrique Dias Freire Diretora Executiva: Ana Pinto Redação, Administração e Serviços Comerciais: Rua Dr. Silvestre Falcão, 13 C 8800-412 Tavira - ALGARVE Tel: 281 405 028 comercialjornalpostal@gmail.com PUBLICIDADE E ASSINATURAS: Anabela Gonçalves - Secretária Executiva anabelag.postal@gmail.com Helena Gaudêncio - RP & Eventos hgaudencio.postal@gmail.com
Frente Ribeirinha vai renascer com Quilómetro Cultural Aproximar a cidade de Faro à Ria Formosa é o grande objetivo. Trata-se de um programa nuclear reabilitação urbana que pressupõe o desenho de um novo eixo de valências culturais associadas a incentivos à atração de agentes do sector cultural e criativo. As intervenções visam permitir mais mobilidade pedonal e ciclável.
Protocolo visa a supressão de passagem de nível
ONLINE: www.postal.pt FB POSTAL: facebook.com/postaldoalgarve FB CULTURA: facebook.com/cultura. sulpostaldoalgarve TWITTER: twitter.com/postaldoalgarve ISSUU: issuu.com/postaldoalgarve REDAÇÃO: Ana Pinto, Beatriz Faria, Cristina Mendonça, Filipe Vilhena, Henrique Dias Freire, Humberto Ricardo, Ramiro Santos Colaboradores: Afonso Freire, Alexandra Freire, Alexandre Moura, Beja Santos (defesa do consumidor)
Requalificação da frente ribeirinha da cidade de Faro
Colaboradores fotográficos e vídeo: Ana Pinto, Luís Silva, Miguel Pires e Rui Pimentel Design: Bruno Ferreira PROPRIEDADE DO TÍTULO: Henrique Manuel Dias Freire (mais de 5% do capital social) EDIÇÃO: POSTAL do ALGARVE - Publicações e Editores, Lda. Centro de Negócios e Incubadora Level Up, 1 - 8800-399 Tavira CONTRIBUINTE: nº 502 597 917 DEPÓSITO LEGAL: nº 20779/88 REGISTO DO TÍTULO: ERC nº 111 613 IMPRESSÃO: Lusoibéria, Av. da República, 6, 1º Esq. - 1050-191 Lisboa DISTRIBUIÇÃO:: Banca/Logista DISTRIBUIÇÃO ao sábado com o Expresso / VASP - Sociedade de Transportes e Distribuição, Lda e CTT Estatuto editorial disponível: postal.pt/arquivo/2019-10-31-Quem-somos
Passagem desnivelada inferior junto ao Hotel EVA
Passagem desnivelada inferior junto ao Largo de São Francisco
Tiragem desta edição:
10.291 exemplares
Alargamento exterior da Doca de Recreio de Faro
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Câmara Municipal de Faro apresentou no Dia da Cidade o projeto "Quilómetro Cultural, que visa fazer uma requalificação urbanística e ambiental da zona ribeirinha e da baixa da cidade de Faro. O projeto estende-se entre a zona do Teatro das Figuras e o Largo de São Francisco, passando pela Fábrica da Cerveja, assumida como futuro equipamento cultural e incluindo, ainda, planos de pormenor para as zonas do Bom João e do Porto Comercial. Durante as comemorações do Dia da Cidade, revelou-se que o objetivo deste projeto é "encontrar soluções para aproximar a cidade da Ria Formosa, nomeadamente através de intervenções que permitam mais mobilidade pedonal e ciclável, mais zonas de estar e de encontro confortáveis e acessíveis, mobiliário urbano renovado, mais apoios na requalificação do edificado existente e a reconversão de áreas urbanas industriais e portuárias existentes". O presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau, avançou que “pretendemos a requalificação, tanto a nível urbanístico como a nível cultural e social, de toda esta frente
ribeirinha e de toda esta baixa". Entre as várias intervenções, falou-se ainda na construção de uma extensão da infraestrutura portuária existente no Cais da Porta Nova (um passadiço situado na cintura exterior da linha de caminho de ferro, em domínio público hídrico), a requalificação do Passeio Riberinho de Faro – com a criação de um passeio pedonal e ciclável e uma via automóvel de acesso – para que este se possa assumir como o grande parque de recreio e de lazer da cidade ou a reabilitação do edificado existente para promover a criação de um centro de indústrias criativas. O Município de Faro assinou também um protocolo com a Infraestruturas de Portugal (IP), representada pelo seu vice-presidente, Carlos Fernandes, com vista à supressão da passagem de nível existente junto ao Teatro das Figuras. Esta obra prevê uma passagem superior sobre a linha ferroviária e deverá ser a primeira de quatro passagens de nível a suprimir até à zona da Horta da Areia. Explicou Rogério Bacalhau que "este entendimento com a IP permite mais segurança e melhor mobilidade no acesso à zona ribeirinha”, que deverá ter uma “requalificação
tanto a nível urbanístico, mas também a nível social e cultural”. A gestão dos armazéns da estação rodoviária, igualmente no passeio ribeirinho, deverão passar em breve da IP para a câmara municipal, que pretende transformar o espaço numa área dedicada às artes e exposições. É importante referir que o "Quilómetro Cultural" foi idealizado à margem do Plano Estratégico para a Cultura. “Há um conjunto de projetos que já estavam em andamento e, portanto, juntámo-los todos aqui para lhes dar alguma coerência”, disse também o autarca. A Câmara Municipal de Faro contratou um gabinete especializado para fazer o projeto, que conta com a colaboração técnica da IP e que executará a obra de cerca de 2,5 milhões de euros. Até ao momento, sabe-se que os trabalhos não devem terminar antes de 2023. Carlos Fernandes, vice-presidente da IP, alertou que “o concurso público deve demorar cerca de um ano e a obra também deve demorar cerca de um ano até ser executada. Estamos a contar com um prazo de 24 meses entre lançamento de concurso e conclusão da obra, depois da aprovação do projeto”.
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PRIMEIRO CADERNO
Postal, 11 de setembro de 2020
FIOS DE HISTÓRIA
ESPECIAL FARO
Uma história de amor e conquista
ou a moirinha encantada de um rei cristão RAMIRO SANTOS Jornalista ramirojsantos@gmail.com
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imaginário colectivo do Algarve está povoado de lendas de moirinhas encantadas que por amor dos cristãos se ficaram a penar. Por isso, a história podia começar como muitas outras: “era uma vez uma princesa... chamada Madragana e por ela, um dia, se perdeu de amores um rei cristão!” E se há conquistas que se obtêm apenas pela força das armas, outras se fazem somente pelo coração. Das duas maneiras, logrou D. Afonso sair vitorioso, apesar do seu coração afogueado ser pequeno demais para tanta paixão! O caso passou-se em 1249, aquando da tomada de Faro aos mouros. Uma conquista pacífica em resultado de uma rendição negociada. Rezam as crónicas que, após cerco apertado, o alcaide Aloandro Ben Bakr acedeu sentar-se à mesa com D. Afonso III, de Portugal, para acertarem os termos da rendição daquela que era a última praça em poder dos árabes no Algarve. Ficou então acordado entre as partes que todos os árabes que o desejassem podiam permanecer em Faro, sujeitando-se, contudo, às leis do novo senhor e do novo reino. O Algarve, no seu todo, passava a partir de então, a fazer parte integrante do reino de Portugal. Foi por essa altura que D. Afonso conheceu a moirinha por quem haveria de se tomar de amores. Chamava-se Madragana Ben Aloandra e era, ao que se supõe, filha do alcaide deposto, Aloandro Ben Bakr. Madragana, morena, olhos amendoados e longos cabelos pretos, que nascera em Faro em 1230, tinha então 19 anos. Depois de batizada, adoptou o nome cristão de Mor Afonso, tendo ficado também conhecida por Mourana. Não é certo se a bonita moirinha estaria incluída nas condições de paz acertadas entre as partes. Sabe-se, sim, que foi uma paixão assolapada, o que não era propriamente novidade vindo de quem provi-
nha. Verdade seja dita, que D. Afonso já tinha fama de grande “conquistador”, pois que lhe eram já conhecidas e celebradas as suas outras, muitas, paixões amorosas. Conhecido na história pelo cognome de Bolonhês, o rei não faria “mui jus” ao título, porque depressa se procurou livrar dos laços matrimoniais com Dª Matilde de Bolonha. E foi mantendo, ao mesmo tempo, uma outra relação conjugal com Dª Beatriz, de Castela, a ponto de a primeira ter solicitado a intervenção arbitral do Papa para uma situação de insólita bigamia. Nem as ameaças de excomunhão por parte do Vaticano e dos bispos portugueses demoveram o rei que prolongou a situação até à morte de Dª Matilde. Além disso, ficaram-lhe ainda conhecidas no decurso da sua vida muitas outras amantes, a que se veio juntar a novidade que acabara de conhecer nas muralhas da vila adentro. À excepção de Dª Beatriz que viria a ser rainha consorte de Portugal, foi fugaz essa relação com a moira algarvia, como de resto tinham sido todas as suas relações anteriores. Ficaram dessa paixão, dois filhos: Martim Afonso Chichorro e Urraca Afonso de Portugal. Quebrado o encanto, partiu el-rei para outras aventuras e outros abraços, aumentando a lista das suas conquistas e dos seus afectos: Madalena Gil, Elvira Esteves, Marina Pires de Enxara e ainda outra que se recusou a dar a cara e o nome. Passados anos, abandonada pelo rei, a Mourana não ficou, porém, desamparada e acabou logo por se casar com um cavaleiro de Afonso III, de seu nome Fernão Rei, de quem teve uma filha “devidamente documentada”, chamada Sancha Fernandes. Por sua vez, o filho do rei e da moirinha, Martim Afonso Chichorro, que foi governador de Chaves, viria a casar com Inês Lourenço de Valadares e, saído dessa relação, conta-se um segundo Martim Afonso Chichorro que contraiu casamento com Aldonça Anes de Briteiros. O filho destes foi um tal Vasco Martins de Sousa Chichorro, que veio a ser chan-
Cima à esquerda: Madragana Aloendro, a moirinha por quem D. Afonso III se perdeu de amores; cima à direita: D. Afonso III, rei de grandes amores e muitas conquistas; em baixo à esquerda: Estátua de D. Afonso III, em cujo reinado o Algarve, no seu todo, passou a integrar o território de Portugal; em baixo à direita: Arco do Repouso onde, segundo a lenda, o rei português descansou após a conquista da cidade FOTOS D.R. celer-mor de D. Pedro I. É do ramo familiar de Madragana que, supostamente, vem a toponímia que deu nome à cidade de Faro. Seu pai, Aloandro Ben Bakr era descendente da família Ban Harun e a cidade fazia parte do reino muçulmano do Algarve e da taifa de Xantamaria de Harun, desde 1018, até que a cidade foi anexada pelo go-
vernador de Sevilha, em 1051. A família Ban Harun permaneceu em Faro até ao édito de expulsão de mouros e judeus, decretado por D. Manuel, a 6 de Dezembro de 1496, desconhecendo-se se foram convertidos ao cristianismo ou emigraram para o norte de África. Seja como for, os seu nomes ficaram para sempre ligados à
cidade de Faro, ao Algarve e à história de Portugal. Não consta que a moirinha de D. Afonso tenha ficado presa no tempo ou se alguma vez tenha sido vista agarrada como as heras aos panos das muralhas do castelo. Menos sorte tiveram outras que, ainda hoje, em noites de luar crescente, são vistas junto ao arco do repouso ou para os lados
do rio seco, cabelos em desalinho, conformadas ou chorosas, à espera do predestinado que há de quebrar-lhes o encanto. Fontes: (Braamcamp Freire, Brasões da Sala de Sintra, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1976); Brandão,António, quarta parte da Monarquia Lusitana desde D. Sancho I até todo o reinado de D. Afonso III, 1632; outras)
CADERNO ALGARVE
Postal, 11 de setembro de 2020
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ESPECIAL FARO Município homenageou funcionários, personalidades e entregou chave de honra da cidade a Guilherme d'Oliveira Martins
As homenagens e as distinções
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urante a sessão solene do Dia da Cidade de Faro foi prestada homenagem a personalidades e entidades coletivas que marcaram e marcam o percurso do Município de Faro: Alberto José Mendonça Neves (título póstumo) clínico e dirigente associativo de grata memória também no meio cultural farense; Augusto das Neves Domingos, mais conhecido por professor Guta, fundador do Gimnofaro Ginásio Clube, referência nacional e internacional na modalidade de ginástica acrobática; Fernando António Passarinho Bitoque (título póstumo), presidente da Associação de Ténis de Mesa do Algarve durante 50 anos; João Cavaco Vicente de Brito, médico e artista plástico de nomeada; Zé Eduardo, músico e pedagogo, promotor e divulgador da cultura e do jazz em particular; Karaté Clube de Faro, um dos clubes com mais títulos, a nível nacional e internacional; MAPS- Movimento de Apoio à Problemática da SIDA, instituição que promove, há 28 anos, condições nas áreas da pre-
venção, tratamento e inclusão social de indivíduos afetados por várias problemáticas; Maria Augusta Casaca, jornalista há 35 anos, que se tem afirmado no quadro da profissão a nível nacional e internacional; Maria Filomena Rosa, professora de Educação Especial e presidente da AIPAR- Associação de Proteção à Rapariga e à Família e, finalmente, Maria João da Anunciação Franco Bebianno, professora catedrática na Universidade do Algarve e diretora do Centro de Investigação Marinha e Ambiental. Para além destes medalhados, o município diz que procederá à outorga das distinções de anos anteriores – e que por imponderável não foi possível entregar – a António Manuel Gomes Ferreira, prestigiado médico-cirurgião que se tem destacado igualmente na área social, cívica e desportiva e João Carlos Barão Rodrigues, conceituado empresário e atual presidente do Sporting Clube Farense. A autarquia distinguiu ainda com medalhas de bons serviços e dedicação os funcionários: João José
Pedroso Correia Vargues, João Pedro Martins Negrão Belo, Joaquim António Rosa Gato, José Manuel Rosa Domingos, Lídia Maria da Cruz Manjua, Marco António Luiz Barão, Nuno Miguel Beja dos Santos Silva, Rui Miguel Glória da Silva, Sandra Andreia Reis Gonçalves (grau bronze); António Jacinto Marques Penedo, Célia Maria Viegas Rodrigues Gil, Maria da Conceição Matias Pires Gameiro Oleirinha e Maria de Fátima Ribeiro Duarte Dias (grau prata).
ção Quadro do Conselho da Europa Relativa ao Valor do Património Cultural para a Sociedade, assinada em Faro em 27 de Outubro de 2005 e também designada por Convenção de Faro. “É com especial orgulho que aceito esta honra da cidade de Faro e em que posso ombrear com outros homenageados, e cujo prestígio e dignidade naturalmente não podem deixar de ser referenciados”, declarou Guilherme d'Oliveira Martins, após receber a Chave de Honra da Cidade.
Guilherme d'Oliveira Martins recebe Chave de Honra da Cidade
Obras de Cabrita Reis em três espaços da cidade
A sessão solene terminou com a entrega da Chave de Honra da Cidade a Guilherme d'Oliveira Martins, personalidade incontornável da cultura, educação e política em Portugal, que tem demonstrado grande disponibilidade para com Faro, com destaque para a sua nomeação, no passado ano, como diretor dos Anais do Município de Faro e o seu papel determinante na elaboração do texto final da Conven-
Outro momento alto do Dia da Cidade foi a inauguração da exposição “Cabrita: Quatro Esculturas e um Auto-Retrato”, que teve lugar no Museu Municipal de Faro e, que além do executivo municipal, contou com a presença do artista, Pedro Cabrita Reis, da presidente da Fundação de Serralves, Ana Pinho, e do diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Philippe Vergne.
Esta mostra realiza-se no âmbito da parceria estabelecida entre Município de Faro e Fundação Serralves e conta com peças do artista em três espaços expositivos da cidade: Museu Municipal, Associação 289 e Galeria Arco. Uma das peças, expostas no Museu Municipal, foi inspirada pelo autor a partir do mosaico romano do Deus Oceano, peça do espólio municipal e que foi classificada como Tesouro Nacional. No âmbito das comemorações do Dia da Cidade, foi ainda inaugurada a obra de requalificação da Rua da Igreja, no Montenegro, e descerradas as placas toponímicas da Rua Dr. António Passos, na Conceição de Faro, e da Travessa Corpo Nacional de Escutas, na zona da Penha, em Faro. As celebrações do Dia da Cidade terminaram com um concerto da banda Íris, no Largo da Sé, com entrada gratuita para maiores de seis anos (mediante a entrega de um bem alimentar a favor da União Audiovisual) e lotação limitada.
- O Snack-Bar mais Universitário do Algarve
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ituado na zona da Penha, encontra-se o estabelecimento mais aclamado pelos estudantes universitários da Universidade do Algarve, o snack-bar CORAL. Desde 1998, o CORAL abriu as suas portas aos residentes da zona da penha em Faro. Devido à sua proximidade com o campus da Penha da Universidade do Algarve começaram a ser frequentadores habituais os estudantes que viviam ali perto. Em Abril de 2016, os empresários Pedro Nascimento e
Renato Ribeiro investiram no espaço com o objetivo de tornar o CORAL o snack-bar mais universitário do país e aproximar cada vez mais todos os estudantes. Devido ao conhecido espírito académico vivido na cidade de Faro, o CORAL junta no mesmo espaço estudantes de todo o país e do mundo que decidiram escolher a Universidade do Algarve para estudar e experienciar a sua vida académica. O CORAL tem como
objetivo proporcionar momentos de partilha. Dispõe de três salas, em que uma delas é inteiramente dedicada aos estudantes da Universidade do Algarve contendo referências a todos os cursos nas suas paredes, assim como espaços dedicados à Versus Tuna, à Feminis Ferventis ambas tunas universitárias da Universidade do Algarve e ao Motoclube Universitário. Este é um local muitas vezes escolhido pelos es-
tudantes para estudarem ou fazerem trabalhos de grupo, como também para descontraírem de um dia de estudo e se juntarem para os seus singulares jantares de curso. Juntamente com a Associação Académica e com as comissões dos diferentes cursos da Universidade do Algarve, são organizadas durante os semestres diversas atividades que têm como objetivo juntar estudantes de todos os cursos num mesmo espaço aumentando a experiência académica. No estabelecimento CORAL existe
também um espaço dedicado ao Sporting Clube Farense. A proximidade de todos os estudantes à cidade de Faro, faz com que se juntem para partilhar e vivenciar momentos verdadeiramente futebolísticos. Estudantes de todo o país que se juntam para verem os jogos e que vivem intensamente as vitórias e derrotas do clube da nossa cidade. É com paixão que toda a equipa do CORAL trabalha diariamente para ser uma referência da experiência académica na cidade de Faro como em todo o país.
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PRIMEIRO CADERNO
Postal, 11 de setembro de 2020
ESPECIAL FARO Por Humberto Ricardo, jornalista
Somos Farense! 18 anos depois de volta ao escalão principal do futebol português, o Farense quer impor-se como clube de referência e excelência, num ano a comemorar os 50 anos da primeira subida à Primeira Divisão, os 30 anos da Final da Taça de Portugal e 25 na Taça UEFA.
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irigido pelo empresário, João Rodrigues, presidente da SAD e do clube, o Farense tem planos ambiciosos para garantir estabilidade sustentada para projetar um futuro de afirmação e qualidade de excelência. Fundado a 1 de Abril de 1910, ainda no tempo da monarquia e reconhecido como clube de utilidade pública, o Farense quer posicionar-se entre os melhores nos resultados desportivos mas também como agremiação de referência projetando o nome da cidade e do Algarve.
Estruturas – meio milhão em obras no estádio O Farense investiu cerca de meio milhão euros no estádio em obras visando dar maior qualidade ao recinto de jogo e as estruturas envolventes como: novo tapete de relva com nivelamento do terreno, modernização dos balneários para as três equipas, arranjo das estruturas sanitárias publicas do estádio, melhoramentos para os profissionais da comunicação social e convidados, entre outras obras de funcionalidade onde se enquadra a melhoria da iluminação. Com um departamento de comunicação e marketing organizado, o Farense aposta numa estrutura profissional a envolver Clube e SAD, também rodeada por muitos elementos voluntários a derem o contributo.
Saúde financeira controlada As contas do Farense estão estabilizadas, garantem os dirigentes, mas será necessário um reforço substancial para encarar os objetivos traçados. Com um orçamento a rondar os cinco milhões de euros, para a época 2020/21, a tesouraria do Farense precisa gerir com “muita imaginação”, o controlo dos números, ficando à espera “das bem-vindas doações dos Farenses”, apontou o vice-presidente António Correia. O vice-presidente do Farense enalte-
ceu o trabalho afincado do presidente da SAD e Clube, João Rodrigues, classificando-o de “insuperável” na dedicação e firmeza na aposta de fazer do Farense uma agremiação de referência e excelência abaixo do Tejo, com ressonância nacional até internacional. “O João está sempre presente em tudo, no apoio financeiro, no trabalho diário, na presença junto da equipa e de todos”, salientou António Correia.
Academia - formação, formação, formação Ao apostar na formação através da criada Academia, o Farense vai receber centenas de jovens por acreditar ser esse um caminho seguro para o futuro, na ótica dos seus dirigentes. Situada no concelho de São Brás de Alportel, a Academia do Farense é um projeto em marcha com um conjunto de estruturas a incluir 7 campos de futebol devidamente apoiados. O projeto inclui um centro de estágio com alojamento para apoio ao futebol sénior de início e mais tarde para as camadas jovens, prevendo-se que a primeira fase arranque em breve, a inaugurar na época agora em curso, e a segunda nave no ano 2023. Atualmente, dois campos de treino estão em construção, um deles quase concluído, destinado a treinos da equipa sénior, para poupar o relvado do Estádio de São Luís, só para os jogos oficiais. Deslocar a Academia para o concelho de São Brás de Alportel foi uma decisão de oportunidade comercial face a custos económicos dos terrenos, muito inferiores aos preços praticados no concelho de Faro e com espaço aberto para dar corpo aos projetos. Pedro Gonçalves, diretor do departamento dedicado às camadas jovens, disse ao POSTAL que o Farense tem mais de três centenas de jovens em atividade e que “não é intenção primordial aumentar substancialmente o número de jovens, mas sim apostar na qualidade, e a academia vai dar-nos essa possibilidade”, conclui o dirigente.
Em cima: Estádio do Farense ; Em baixo: Palestra do treinador com os jogadores na preparação da equipa para a época 20/21 FOTOS D.R.
Entrar na alta roda do futebol O Farense está a estruturar-se para atacar a primeira liga com “garras de leão” na mira de alcançar as competições europeias. Dirigentes, equipa técnica e jogadores acreditam ser possível lá chegar. Numa primeira abordagem o foco está centrado na estabilização da equipa na Primeira Liga para depois avançar com firmeza para “voos mais altos”. O treinador Sérgio Vieira tem vindo a construir uma equipa entrelaçada em jogadores experientes de qualidade comprovada e de jovens de valor reconhecido. Na visão global do corpo técnico “são precisos homens de caráter, dedicados ao trabalho para formarem um grupo à imagem dos mosqueteiros ‘um por todos, todos por um’. As escolhas dos reforços não recaíram em nomes de manchetes de jornais e sim em “jogadores com qualidade e homens de qualidade”, afirmam os responsáveis. Para completar o plantel, o Farense procura ainda mais 3 ou 4 reforços para encaixar na linha média, defesa e ataque. Para a época 2020/21, o Farense vai contar com um plantel de 27/30 jogadores dos quais 18 são estrangeiros.
Equipa técnica • Manuel Balela - Diretor Desportivo • Sérgio Vieira - Treinador Principal • Luís Matos - Treinador Adjunto • José Ribeiro – Treinador Adjunto • Ricardo Silva - Treinador Guarda-Redes • Miguel Rosa - Treinador Guarda-Redes • Ricardo Reis - Observador • Rui Sousa - Observador • Carlos Silva - Coordenador de Scouting • Abílio Mendes - Técnico Equipamentos • Célio Silva - Técnico Equipamentos
Plantel da época 2020/21
Guarda-Redes: Rafael Defendi, Ricardo Velho e Hugo Marques Defesas: Cesar Martins, Cássio Scheid, Jorge Filipe, Eduardo Mancha, Sávio Maciel, Alex Pinto e Miguel Bandarra Médios: Cláudio Falcão, Filipe Melo, Bura, Jonatan Luca, Amine Oudrhiri, Fabrício Izidoro, Pedro Simões e Ryan Gauld Avançados: Alvarinho, Mihllaqbi Mayambela, Hugo Seco, Ângelo, Nicola Stojilkovic, Brian Mansilla, Pedro Henrique, Cristian Irobiso e Patrick Nota: O Farense procura ainda mais 3 a 4 reforços: avançado, médio e defesas.
CADERNO ALGARVE
Postal, 11 de setembro de 2020
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SPORTING CLUBE FA RENSE
DEPOIMENTO DO RESTAURANTE DOIS IRMÃOS
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A receita para o sucesso do Farense
udo na vida se deve fazer com amor, união, confiança e espírito de equipa. No nosso restaurante, é assim que funciona e é assim que atingimos sucesso todos os dias. O mesmo acontece no futebol, com o clube de todos nós: o Sporting Clube Farense.
A paixão entre linhas, misturada com a garra da equipa e uma ‘pitada’ de adeptos que vibram em campo (e agora em casa) fizeram o prato completo do sucesso. Et voilá! Passaram 18 anos e o Farense está de volta à linha principal, com a subida à I Liga. Um regresso merecido e a cereja no topo do bolo, que honra todos os
que sempre acreditaram e vão continuar a acreditar no clube. A todos os técnicos, jogadores e treinadores, um grande obrigado em nome da equipa do Dois Irmãos. É altura de focar, analisar os adversários e concentrar as energias no que de bom está para vir. O Farense tem-nos brindado com novas contratações, de
jogadores que têm fome de vencer e nos quais os adeptos devem confiar. Um clube com história, que aposta na formação dos jogadores e lhes dá asas para acreditar nos seus sonhos. Um clube que apoia também a restauração e comércio com todos os adeptos que cá param. Um clube que nunca desistiu, mesmo em momentos mais
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complicados e onde alguns duvidaram da sua capacidade. Um clube que faz vibrar em campo, que mostra a garra de um leão feroz e nos leva a dizer com orgulho: Sou de Faro, sou farense! O caminho faz-se caminhando e a bola, não pode parar de rodar. Viva o Farense!
09/07/2020 12:04
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CADERNO ALGARVE
Postal, 11 de setembro de 2020
ESPECIAL FARO Por Ramiro Santos, jornalista
O professor e o poeta Era um algarvio natural do Porto, cidade onde nasceu em 1909. Aos 24 anos veio para o Algarve e por cá ficou. Professor, reitor por várias gerações no Liceu de Faro, Joaquim da Rocha Peixoto de Magalhães, foi uma figura multifacetada. Fora do ensino, afirmou-se como uma referência cívica, moral, cultural e literária da sociedade algarvia. Hoje, quase 21 anos após a sua morte, o Postal associa-se ao aniversário da cidade de Faro, recordando uma entrevista dada pelo dr. Joaquim Magalhães, a 7 de Setembro de 1984. Duas vidas numa conversa de fita corrida, em entrevista concedida ao jornalista Ramiro Santos, no então Emissor Regional do Sul. No dia em que vai ser homenageado pela cidade de Faro, não podemos deixar de recordar que o seu nome fica para sempre, indissociavelmente, ligado à figura e obra de António Aleixo. E não ficou esquecido nas quadras do poeta: “O tal Aleixo, o poeta/ que dizem ser de Loulé/ era uma pessoa incompleta/ sem o Magalhães ao pé.” Encontrei o Aleixo pela primeira vez nuns Jogos Florais do Ginásio Clube de Faro em 1937. Ele ganhou o 4º prémio com o pseudónimo “cantador algarvio”. Nesse dia, para ir à festa, ele conseguiu que lhe fosse emprestada uma fatiota. Quem lha emprestou foi Othman da Franca, filho do poeta Cândido Guerreiro. No dia seguinte, despida a fatiota, fez aquela quadra: “Ontém rei, hoje sem trono/ cá ando outra vez na rua/ entreguei o fato ao dono/ e a miséria continua.”
Ele escreveu-a e entregou-lha ou foi repentina? Ele não escrevia. Só começou a escrever quando foi daqui para Coimbra para ser tratado no sanatório e que teve como “empurrãozinho” a publicação do livrinho “Quando começo a cantar” que fizemos no Círculo Cultural do Algarve, em 1943. No verão desse ano, declarou-se-lhe uma lesão nos pulmões e ele precisou de ser internado. Em Coimbra, estava nessa altura, o artista algarvio Tossan a quem eu mandei o livro e com ele foi apresentá-lo ao director do sanatório, dr. Armando Gonçalves que levou o caso ao Professor Byssaia Barreto juntamente com uma quadra do livro: “Se pedir peço cantando/ sou mais atendido assim/ porque se pedir chorando/ ninguém tem pena de mim.”
Quando se fala em poesia ou cultura popular, fala-se sempre em António Aleixo. Ele marcou assim tanto, a sociedade? Marcou, claramente. Ele, disse António José Saraiva, teve a vantagem sobre todos os outros poetas de ter sido editado em livro, segundo o próprio, por iniciativa de um professor de Liceu: “Não há nenhum milionário/ que seja feliz como eu:/ tenho como
secretário/ um professor de liceu.” Isso deu-lhe essa vantagem e estimulou e criou o interesse de muitos outros e muitas pessoas começaram a recolher as quadras e poemas de outros autores como, Henrique Pardal, de Quarteira, José Diogo Parente, de Paderne e José Soares Parente, de Estoi.
O Aleixo terá tido a sorte de ter encontrado o Professor pelo caminho... Eu creio que sim, para ele e para mim. Ele hoje é um poeta consagrado e eu sou apenas um pendura do poeta Aleixo. Ando quase sempre a reboque dele, porque, normalmente, quando se fala dele, fala-se de mim. Normalmente... porque há alguns autores parece até que foram eles que o descobriram!...
Não haverá novos Aleixos por aí? Pois concerteza que há. Simplesmente, o caso do Aleixo é o de um poeta singular. Ele às vezes parece mais do que um poeta ou menos do que um poeta, não sei bem... e mais como um pensador, um moralista que perante a vida e perante os homens, qualquer motivo serve para ele fazer sob a forma aforística, uma quadra popular mas com uma perfeição lapidar que poucos têm. Isso é uma superioridade enorme. Veja só esta quadrinha. Uma vez vínhamos em Loulé, a descer a rua, e junto à praça, andava uma sujeito com uma enxada a desviar a água porque estava a chover e diz-me ele assim: “Quem prende a água que corre/ é por si próprio enganado/ o ribeirinho não morre/ vai correr para outro lado.” Repare: aqui não há adjectivos. É só substantivos e verbos, quer dizer, as palavras fundamentais. E esta quadra como tantas outras, é uma conclusão que se aplica a imensas coisas.
O Aleixo era um homem extremamente atento à vida e muito crítico... Sim, extremamente, atento à vida. Ele diz isso mesmo: “Embora os meus olhos sejam/ os mais pequenos do mundo/ o que impora é que eles vejam/ o que os homens são no fundo”. Repare que esta
Dr Joaquim Magalhães e a mulher, junto à estátua de António Aleixo, no Café Calcinha que o poeta frequentava em vida, em Loulé FOTO D.R.
é a quadra que serve para a gente ler todo o livro e interpretá-lo. O que a gente encontra na sua obra é uma tentativa de descobrir o que os homens são no fundo. Ele tem um sentido crítico e profundamente observador. De tudo e de todos, inclusivamente dele, como uma caricatura de si próprio, por vezes.
(EM BALANÇO DE VIDA) PENSO QUE TENHO MUITOS MAIS AMIGOS DO QUE AQUELES QUE NÃO ME QUEREM BEM! E ISTO É MUITO RECONFORTANTE Filósofo, guardador de gado, analfabeto?... Analfabeto?... nem tanto como se supõe. Ele era capaz de ler e lia. Ele fez uma terceira classe incompleta, mas não aprendeu nunca a escrever com uma correcção ortográfica. Esse foi o meu papel, fazer a ortografia correcta e a pontuação. Foi essa a minha função de secretário. Ele lia qualquer coisa, o Camilo, o Júlio Dinis... também lia jornais mas não tanto como se poderia supôr. Era sobretudo um homem muito atento com uns olhinhos pequenos que viam profundamente tudo o que o rodeava! Como guardador de gado, apenas numa fase da sua vida, quando estava doente do estômago, vindo da França onde foi emigrante como servente de pedreiro. Veio a ser operado e como não podia beber senão leite, pediu dinheiro emprestado a uns amigos para comprar umas cabrinhas que ele guardava e era com o leite delas que ele sustentava a sua úlcera!
Mas ele não fez só quadras!? É quase tudo feito à base da quadra. Chamava ele quadra ao que popularmente se chama a um mote glosado em décimas. Ele dizia-as ou alguém as escrevia, o tipógrafo compunha-as e o poeta
vendia-as depois de feira em feira. Mais tarde quando foi para Coimbra formou-se em... teatro. Foi com a ajuda de Tossan que ele escreveu o Auto do Curandeiro, uma caricatura acerca de casos que ele conheceu na vida real de pessoas que curavam ou diziam que curavam através de rezas ou de mezinhas. Este género não era o seu forte e ele ainda não tinha visto representar o Gil Vicente, pelo Teatro Académico. O Tossan fez grande propaganda dele junto do dr. Paulo Quintela, dizendo que o Aleixo tinha todas as condições para se afirmar como um grande autor de teatro popular contemporâneo. E escreveu então uma alegoria que é o Auto da Vida e da Morte. Com o 25 de Abril deu-se a explosão da popularidade do poeta que antes já havia sido cantado e gravado pelo José Afonso e outros cantores. Mas talvez não se saiba que o primeiro a ler em público uma quadra de António Aleixo, na televisão, foi o João Villaret: “Sei que pareço um ladrão/ mas há muitos que eu conheço/ que não parecendo o que são/ são aquilo que eu pareço.”
Falemos agora de si... o dr. Joaquim Magalhães saiu do Porto... Saí do Porto com 24 anos. Sou tripeiro da freguesia da Sé e algarvio por adopção porque aqui constituí família e por aqui me deixei ficar.
O que é que o seduziu tanto no Algarve? Eu cheguei cá numa madrugada no dia 17 de Outubro de 1933. Vim no comboio das 6 e meia. Eu sou muito friorento e a luz maravilhosa de Outubro, foi a primeira sedução. E depois, esta é uma terra de caras bonitas. Eu era um rapazito novo e deixei-me enfeitiçar e casei com uma louletana que também era professora. Depois vieram os filhos, as doenças e outras razões da vida que nos obrigam a ficar. Uma delas prendeu-se com a morte aos 7 anos da minha primeira filha. Esta é uma razão que, parecendo que não, acaba por nos prender a uma terra, como foi o meu caso.
Acompanhou ao longo de décadas a evolução da cidade de Faro. Como era a cidade e como é? Era uma cidade que não havia ainda subido ao terceiro andar. Estava ainda no rés do chão e havia apenas uma ou outra casa de primeiro andar. Isto tem a ver com a índole de independência do algarvio que não gosta de ter ninguém por cima. Depois, as coisas mudaram e o dr. Amadeu Ferreira de Almeida foi um dos primeiros a defender o crescimento da cidade em altura e em blocos, o que era quase um atentado. Os altos edifícios são agora as novas muralhas da cidade, mas o verdadeiro património é a vila adentro amuralhada. É preciso manter aquela identidade que nasceu rodeada de água por todos os lados.
Sentiu-se sempre uma pessoa estimada e querida pelos farenses e pelos algarvios, de um modo geral... Tudo quanto fiz foi sempre em nome da comunidade. Fui sempre norteado pelo princípio “penso, logo devo”. Se alguma coisa está dentro das minhas capacidades, eu sinto a obrigação de fazê-la. Foi dentro deste espírito que eu participei em tudo na vida.
E julga que é reconhecido por isso? Penso que tenho muitos mais amigos do que aqueles que não me querem bem! E isto é muito reconfortante. NOTA BIOGRÁFICA: No ano escolar de 1933/34, é colocado no Liceu João de Deus, como professor agregado, e efectiva-se no Liceu Jaime Moniz, no Funchal, onde lecciona no ano de 1934/35. Em Faro, é professor efectivo de Português e Francês de 1935 a 1974, ocupando em simultâneo outros cargos, nomeadamente os de Director de Classe e de Ciclo, Secretário, Vice Reitor e Reitor (de 1968 a 1974). Com o 25 de Abril de 1974, é o primeiro Presidente do Conselho Directivo da gestão democrática. Cumpre missões de serviço em elaboração de pontos de exame e de aprovação de livros escolares de Português e Francês.
CADERNO ALGARVE
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ESPECIAL FARO
DEPOIMENTO DA ETIC Escola de Tecnologias Inovação e Criação do Algarve
Celebrar Faro em 2020 é contribuir para o seu desenvolvimento
DEPOIMENTO DE ANA PAULA MARQUES Diretora da Escola EB 2,3 Dr. Joaquim Magalhães Diretora do Agrupamento de Escolas Tomás Cabreira
O Patrono Joaquim Magalhães
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oaquim da Rocha dia-a-dia da escola, estando paPeixoto Magatente em imagens, atividades, lhães, nasceu concursos ou comemorações no Porto onde (Concursos literários; Dia do estudou e onde Patrono; Corrida de Orientase licenciou em Filologia ção), atividades desportivas, Românica. Veio para Faro culturais e de solidariedade, como professor de Portusendo a atribuição anual dos guês e Francês e aqui viria Prémios de Mérito Global e a casar e a constituir famíDesportivo o expoente maior lia, considerando-se “Um dessa realidade. Algarvio nascido no Porto”. Faleceu em 16 de outubro de Participou ativamente na 1999, mas estará sempre prepromoção da vida cultural sente com a sua presença e as do algarve do século XX, suas palavras atuais! Num dos estando na origem da funAna Paula Marques seus poemas despede-se de todação das mais importantes dos nós duma forma inteligente instituições culturais e are bem-humorada: tísticas. Colaborou ativamente na imprensa - Quando eu me for embora, não digo regional e proferiu centenas de conferências adeus a ninguém, não me façam bota e palestras em associações recreativas e escofora, passem por cá muito bem. las do Algarve, mas era como professor que se Este grande Senhor, paladino da poesia e da sentia realizado. cultura algarvia, com quem tive a honra de Em 1991 foi atribuído o seu nome à atual Esco- conviver e de quem guardo gratas memórias, la E.B 2,3 Dr. Joaquim Magalhães. Tornou-se foi, sem dúvida, um exemplo de simplicidade, visita frequente, qual avô carinhoso, sempre bondade e benevolência, de notável e extraordicom mensagens de futuro e de sabedoria, nária grandeza como homem das letras, como tais como as palavras registadas em entre- Professor e como Diretor. vista feita por alunos para o Jornal escolar A direção, professores e funcionários orQuebra-Mar: gulham-se do bom nome da sua escola e - Esta palavra aprender… É o que na vitrabalham no sentido de que as iniciativas e da fazemos. Aprender a andar, a correr, estratégias de ação pedagógica conduzam à a falar, a ouvir. Na escola, aprender as qualidade e ao sucesso educativo dos alunos. coisas que não sabemos ainda. Aprender Apesar de contestado e de valor relativo, os a viver com os colegas, aprender com os Ranking, vieram, nos últimos anos, provar professores, com os livros…. Aprender, que estávamos no caminho certo das práticas aprender sempre! educativas. A escola Joaquim Magalhães tem Tinha um enorme orgulho na “sua” escola, por ficado, ano após ano, nos primeiros lugares ser um dos poucos patronos vivos de escolas regionais e numa honrosa posição das escolas portuguesas, tendo deixado fortes marcas nas públicas a nível nacional. várias gerações de alunos, quer nas que o co- Com paixão e afinco trabalharemos, para que nheceram, quer nas atuais. o legado do nosso Patrono esteja eternamente Constituiu e constitui uma presença viva no presente na escola Dr. Joaquim Magalhães.
F
ez 6 anos que a ETIC_Algarve inaugurou as suas instalações no Mercado Municipal de Faro, mais precisamente no Dia da Cidade de Faro do ano de 2014, após 4 anos instalados em Portimão. Têm sido 6 anos de crescimento para a escola, não só em termos de número de alunos (com o envolvimento de mais 1400 alunos que escolheram dar um futuro profissional à sua vocação), mas também de envolvimento na comunidade e na sociedade em diversos níveis: técnico, criativo ou documental, mas sempre com o foco definido na inovação. Ao longo destes 6 anos tem sido evidente que, a par do crescimento da ETIC_Algarve, também o Município de Faro e a sociedade civil têm dado passos largos, e consistentes, no desenvolvimento e na definição de projetos e políticas que visam afirmar a cidade como um polo regional, nacional
ÚLTIMAS SEMANAS DE INSCRIÇÕES EM
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Dr. Joaquim Magalhães e Ana Paula Marques na escola
e também internacional de inovação, cultura, tecnologia e desenvolvimento sustentável. Exemplos mais visíveis são a candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura em 2027, mas também a implantação do Algarve Tech Hub com o potencial de crescimento e contributo para o desenvolvimento da cidade e da região, potenciando todas as suas capacidades e recursos naturais. Assim como nesta escola criativa fomentamos “o espírito irrequieto e em permanente desassossego” lançamos o desafio para que as forças vivas da cidade e do município encarnem elas também este espírito para celebrar Faro da melhor forma: contribuir e participar ativamente para o seu crescimento, com o unir de esforços de todos os quadrantes da sociedade e juntos darmos o nosso contributo para um cada vez maior crescimento desta cidade plantada à beira da bela Ria Formosa.
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CADERNO ALGARVE
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ESPECIAL FARO
PROPINAS DOS ALUNOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS
Reitor da UAlg explica diferença de valores FILIPE VILHENA / HENRIQUE DIAS FREIRE
O início do ano letivo na Universidade do Algarve (UAlg) está marcado para 6 de outubro. É o regresso às aulas, que serão feitas em regime, maioritariamente, presencial. As medidas de segurança já estão asseguradas, como a distribuição de aulas de forma a não juntar muitos alunos ao mesmo tempo no campus e a sinalética de deslocação entre corredores. A pandemia fez com que alguns professores, pertencentes ao grupo de risco, pedissem para trabalhar em regime de teletrabalho. Quanto aos alunos, terão de respeitar as regras estipuladas pela academia e pela Direção-Geral de Saúde. Os apoios financeiros para os alunos vão aumentar. Explica o reitor da UAlg, Paulo Águas, ao POSTAL que “este ano é que vamos ter um maior número de alunos apoiados, ou seja, o único rendimento que dá acesso ao apoio vai ser mais elevado. No ano passado havia pessoas que poderiam estar de fora, mas este ano vão ser incluídas”. As propinas situam-se este ano em 697 euros para alunos nacionais. Num artigo recentemente realizado pelo POSTAL, surgiram algumas dúvidas acerca dos valores para alunos estrangeiros e se estes iriam ter diferenciação este ano, devido à pandemia. O POSTAL procurou esclarecer a situação com o reitor da Universidade do Algarve, que começa por dizer que “para [o ano letivo] 2020/21, os valores das propinas para estudantes internacionais variam entre os 3.000 e os 4.000 euros anuais. O valor não é idêntico para todos os cursos, uma vez que a legislação determina que o mesmo deve refletir o custo da formação”. Em suma, a propina mensal dos alunos estrangeiros vai manter-se nos mesmos valores em relação ao ano passado.
Estudantes internacionais são abrangidos por apoios indiretos da Ação Social Confrontado com alguns possíveis apoios no pagamento da propina, Paulo Águas esclarece que “os estudantes internacionais são abrangidos por apoios indiretos da Ação Social. Do financiamento que recebe do Estado, a UAlg transfere anualmente para os Serviços de Ação Social mais de 1 milhão de euros, o que permite praticar preços nos serviços de
alimentação (cantinas e bares) e de alojamento abaixo dos valores de mercado, que beneficiam todos os estudantes da Universidade, nacionais e internacionais”. Cerca de 20% dos estudantes internacionais de formação inicial beneficiam de uma propina reduzida, no valor de 1.100 euros, explica o responsável pela academia algarvia. Contrariamente aos estudantes nacionais, os estudantes internacionais não são financiados pelo Orçamento do Estado (OE). Assim sendo, “o valor da propina do estudante nacional constitui a contribuição da família de cada estudante em concreto, sendo o restante financiamento assegurado através do OE por aplicação das receitas de impostos arrecadadas, o mesmo não acontece com o estudante internacional”, segundo Paulo Águas. Isto quer dizer que no caso do estudante nacional, a redução da propina tem sido determinada pela Assembleia da República que, em simultâneo, fixa uma compensação de igual valor através do financiamento do OE às Instituições de Ensino Superior. Muitos estudantes internacionais não entendem o porquê de pagarem valores de propina diferentes dos alunos nacionais. O POSTAL questionou o reitor sobre a situação e o responsável pela academia algarvia explica que “a diferença nas propinas dos estudantes nacionais e internacionais decorre da legislação que determina que a propina dos estudantes internacionais deve refletir o custo da formação. O Estado português decidiu não financiar a formação de cidadãos não residentes em Portugal, ou seja, os impostos pagos pelos residentes em Portugal devem ser aplicados no financiamento de estudantes residentes em Portugal”. Paulo Águas pede que se reflita, por exemplo, sobre um estudante internacional ao completar uma licenciatura em Portugal, que passa a ser considerado residente em Portugal, podendo prosseguir a sua formação como estudante nacional. “Muitos estudantes brasileiros que começaram a chegar à Universidade do Algarve a partir de 2015/16, após completarem a licenciatura, candidataram-se a mestrados, passando a ser-lhes aplicada a propina nacional (residente em Portugal ou na União Europeia)”, conclui o reitor. Deste modo, a diferença de valores está ligada à legislação e ao facto de o Governo não financiar a formação de cidadão estrangeiros, apoiando, contudo, estudantes nacionais.
Em cima: Paulo Águas explicou que mais alunos vão ser abrangidos pelos apoios sociais; em baixo: Alunos internacionais questionaram o motivo da diferença de valores na propina FOTOS D.R.
CADERNO ALGARVE
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ESPECIAL FARO
UMA CASA CHEIA DE VIRTUDES!
Coma tapas e veja circo… ao mesmo tempo FILIPE VILHENA / HENRIQUE DIAS FREIRE
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á imaginou aliar a arte à gastronomia? Na Casa das Virtudes isso já é possível. Inaugurada em setembro do ano passado, tem feito as delícias de quem a visita, com espetáculos de circo, misturados com o convívio que se vive nas mesas e agora na esplanada exterior. A juntar a tudo isto, o espaço inaugurou a cozinha, com um serviço de tapas único, que é a cereja no topo do bolo de um espaço recheado de virtudes. O POSTAL esteve presente na inauguração da cozinha, que contou com a presença dos proprietários Gerald Oliveira e Ricardo Morujo. Os jovens, de 31 e 26 anos, respetivamente, mudaram a sua vida em 15 dias, abandonaram Lisboa e rumaram a terras algarvias, a convite de Brigitte Virtudes. O desafio foi aceite e os artistas circenses, em conjunto também com Jéssica Barreto, foram transformando o espaço, até nascer a Casa das Virtudes. A abertura da cozinha foi mais um complemento a todo o serviço prestado. O espaço da cozinha é amplo e permite que a cozinheira prepare vários pratos, de onde se destacam as tapas e as saladas. A ementa é diversificada e abrange todos os gostos. Tapas do mar, da horta (vegetariano), saladas e diversas sobremesas, fazem parte do cardápio, que conta com uma apresentação muito atual. Dos pratos apresentados no dia da abertura da cozinha, as pipocas de couve-flor com topping cremoso de soja picante fizeram as delícias de quem as provou. Para além destes elementos, as sobremesas alegraram o apetite de quem lá esteve, principalmente a mousse de chocolate. Explicam os proprietários que “as tapas que aqui apresentamos são um conceito inovador. Utilizamos produtos frescos e da região algarvia, de modo a criar uma sensação de familiaridade na população local”.
Jessica Barreto atuou durante o jantar FOTOS FILIPE VILHENA / POSTAL D.R.
Criado um novo conceito que ainda não existia em Faro A meio da refeição, os convidados foram presenteados com uma atuação dos Chapéus em Casa. Ao mesmo tempo que serviam quem estava presente, os responsáveis da Casa das Virtudes saltavam para o palco e, em seguida, para as alturas. Pode dizer-se que as atuações foram a pitada de sal que complementou a refeição. Segundo Gerald Oliveira e Ricardo Morujo, “apesar das oscilações de público que existem durante os tempos que vigoram, os aplausos na apoteose do espetáculo estão sempre lá e, muitas vezes, por meio de ovações. O nosso objetivo é levar o público para o nosso lado imaginário, cómico, um pouco dramático nalgumas cenas, mas sempre leve e que auxilie este a passar uma boa noite. Nesse campo, acreditamos que está a ser cumprido!” No final da noite, os proprietários do espaço de artes garantiram que a expetativa foi superada. “O feedback foi incrível, tanto pela qualidade gastronómica, como por esta união cultural. Recebemos vários elogios e agradecimentos pela criação de um novo conceito que ainda não existia em Faro e, desta forma, melhor seria impossível”. Estômago cheio, olhos satisfeitos e música que deu vontade de dançar (mas só sentado e de máscara!). A Casa das Virtudes tem vindo a surpreender a região algarvia e faz parte das novidades de Faro, que comemorou o Dia da Cidade na segunda-feira, curiosamente, alguns dias antes da abertura da cozinha deste estabelecimento. A cidade algarvia é um local que agrada muito a Gerald Oliveira e Ricardo Morujo, devido à sua “calma e tranquilidade” e ainda à simpatia dos residentes. Faro tem agora mais virtudes e mais um espaço que valoriza a arte e também a culinária. Se um dia estiver com fome e quiser ver um espetáculo de circo ao mesmo tempo, os dois sócios e Jéssica Barreto convidam-no a entrar na sua casa.
As pipocas de couve-flor deliciaram quem as provou
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10.291 EXEMPLARES
MISSÃO CULTURA
Hans Gadow e as primeiras escavações arqueológicas em grutas do Algarve FREDERICO TÁTÁ REGALA Arquéologo ao serviço da Direção Regional de Cultura do Algarve
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thaíde Oliveira, na página 154 da sua bem conhecida Monografia do Concelho de Loulé, publicada em 1905, afirmava em relação a uma caverna no sítio da Salustreira: “Já ali, em tempo, se estabeleceram uns ingleses, que fizeram grandes investigações, cujos resultados foram desconhecidos, não só porque a ninguém deram conta, mas porque levaram consigo tudo quanto ali apuraram”. Quem seriam esses ingleses e o que levaram da caverna? Esta questão permaneceu envolta em algum mistério até que trabalhos de pesquisa documental recentes, no âmbito do Projecto Património Espeleológico do Algarve (DRCAlgarve / ICArEHB – UALG) permitiram melhor conhecimento. Desde há muito que as grutas do Algarve acicatam a curiosidade de investigadores portugueses e estrangeiros. Já em meados do século XIX o geólogo francês Charles Bonnet pesquisou algumas grutas na região de Loulé, embora sem resultados arqueologicamente relevantes.1 O arqueólogo Estácio da Veiga revelou particular interesse pelas grutas da região, as quais procurou inventariar e descrever, trabalho que integrou na sua distinta obra “Antiguidades Monumentais do Algarve”, no 1.º volume, publicado em 1886. Entre outras grutas deu atenção à Caverna da Solestreira (ou Salustreira), em Querença, Loulé, sobre a qual recolheu informação. Referiu que dela eram então extraídas grandes quantidades de guano de morcego para fertilizar as terras agrícolas e que durante a extracção surgiam pedaços de cerâmicas antigas, indiciadoras do interesse arqueológico da gruta. Esta informação transmitiu-a Estácio a um investigador da Universidade de Cambridge, Hans Gadow, quando este esteve em Faro no ano de 1884. Não obstante a formação de Gadow ser na área da biologia, este interessou-se claramente pelos depósitos arqueológicos em gruta, possivelmente influenciado pelas importantes
descobertas que revolucionaram o conhecimento da pré-história na segunda metade do século XIX, em contextos de grutas do ocidente europeu, inclusivamente na Estremadura portuguesa na sequência de escavações realizadas sob a égide da então Comissão Geológica de Portugal. Gadow ficou de tal modo interessado nas grutas da região que regressou com o objectivo de proceder a intensivas pesquisas. Visitou grutas em Alte, Salir e Querença, tendo a sua preferência recaído sobre as chamadas Solestreiras, duas grutas próximas, que viria a escavar em Julho de 1885. Para o efeito conseguiu uma carta de recomendação do então Ministro dos Negócios Estrangeiros, À esquerda: O mais antigo levantamento topográfico que se conhece de grutas Barbosa do Bocage, dirigida ao no Algarve (Gadow, 1886); cima à direita: Local onde terão acampado, em Junho Governador Civil do Algarve, o de 1885, Hans Gadow e a equipa de arqueologia; em baixo à direita: Câmara prinque lhe proporcionou o apoio cipal da Solestreira poente FOTOS D.R. logístico dos poderes locais. Com a autorização escrita de Manoel da Silva, a Solestreira do lado poente estivera arqueológicos recolhidos por Hans o proprietário, Gadow contratou seis fechada com uma lage de pedra e no Gadow, em parte perderam-se logo mineiros e contou com o apoio de Tho- seu interior terão sido descobertas três após a recolha, incluindo as contas de mas Warden, engenheiro civil então “sepulturas”, assim como recipientes mineral, num acidente ocorrido duem serviço na Mina de São Domingos cerâmicos “com formas peculiares”. rante o carregamento de uma mula (Mértola). O pesquisador e a sua equi- Presume-se que os contextos arqueo- utilizada para o transporte, conforme pa estiveram acampados durante sete lógicos devem ter sido extensivamente o próprio dá conta; outra parte foi dias na gruta que apresenta entrada perturbados e removidos aquando da levada para Cambridge, no Reino Unimais ampla, sendo diariamente abas- exploração de guano e dos sedimentos do. Confirmou-se que, de facto, existe tecidos de víveres por um habitante subjacentes para uso agrícola, antes presentemente um conjunto de peças de Querença. Foram então escavadas da intervenção arqueológica, perden- arqueológicas fornecidas por este invesvárias sondagens em ambas as grutas, do-se a informação que deles poderia tigador e provenientes de Portugal no acervo do Museum of Archaeology and o que permitiu a exumação de ossos ter sido obtida. e dentes humanos acompanhados de A campanha deu origem a uma Anthropology (MAA) da Universidade alguns artefactos, destacando-se gran- crónica que, para além da relevância de Cambridge. A informação constante de número de contas de colar feitas de arqueológica, constitui uma descrição da respectiva etiquetagem revela-se por mineral verde “calaíte” (provavelmen- pitoresca, em estilo vitoriano, focan- vezes equívoca, mas é possível correlate um mineral do grupo das variscites) do aspectos de diversa natureza, cuja cionar com as Solestreiras pelo menos e um artefacto em osso de veado que edição veio à estampa em 1886, em ar- duas peças, incluindo o dito punhal em foi então interpretado como sendo um tigo publicado pela Universidade de metápode de veado. punhal (tipologicamente um formão). Cambridge2, mas que acabaria por não Deve ser notado que para além do Pela descrição os restos são compa- alcançar a merecida divulgação, man- interesse arqueológico das Solesteitíveis com contexto de necrópole da tendo-se, ao que tudo indica, ignorado ras estas grutas constituem também Pré-História recente, apesar de não ter em Portugal até muito recentemente. importante abrigo para espécies de sido registada a presença de cerâmi- O documento reveste-se de particular morcegos protegidas, sendo altamente cas ou outros artefactos que ajudem a interesse por constituir o mais antigo desaconselhada a realização de visitas uma melhor resolução cronológica. De registo de escavações assumidamente ao seu interior. Apesar deste facto e dos acordo com a informação prestada a arqueológicas, com resultados relevan- esforços de salvaguarda promovidos pela Autarquia de Loulé, assim como Gadow pelo antigo proprietário do ter- tes, realizadas em gruta do Algarve. reno em que se encontram as grutas, Quanto ao paradeiro dos materiais pelo ICNF, estas grutas têm vindo a so-
Ficha técnica Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Henrique Dias Freire Paginação e gestão de conteúdos: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções: • Artes Visuais: Saúl Neves de Jesus • Espaço AGECAL: Jorge Queiroz • Fios de História: Ramiro Santos • Filosofia Dia-a-dia: Maria João Neves • Letras e Literatura: Paulo Serra • Marca D'Àgua: Maria Luísa Francisco • Nascida no Monte Teresa Lança Colaboradores desta edição: Frederico Tátá Regala Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve e-mail redacção: geralcultura.sul@gmail.com e-mail publicidade: anabelag.postal@gmail.com online em: www.postal.pt e-paper em: www.issuu.com/ postaldoalgarve FB: www.facebook.com/ postaldoalgarve/ Tiragem: 10.291 exemplares
frer lamentáveis actos de vandalismo, sendo evidente a desfiguração provocada por inscrições nas paredes, quebra de formações, lixo diverso, fogueiras e outras acções que vão paulatinamente provocando a delapidação deste importante património natural e cultural de Querença e do Algarve. 1 Mémoire sur le Royaume de l’Algarve (1850) - Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa (2ª série, tomo II, parte II) 2 Gadow, H. (1886) – On some caves in
Portugal. Proceedings of the Cambridge Philosophical Society, Vol. 5, pp. 381-391.
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CULTURA.SUL
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NASCIDA NO MONTE
Migigingues (palavras novas) TERESA LANÇA Educadora de Infância nascidanomonte@gmail.com
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ede-me migigingues (amendoins) e que me sente no sofá; deita-se pousando a cabecita no meu colo, e enrolando no dedito os largos caracóis, vai desfolhando a longa família. Tem apenas por essa altura, dois anos e meio de idade; sente que o amam. As disputas travadas entre os seus entes queridos, pelo maior espaço no seu coraçãozinho; a constante pergunta feita pelos muitos membros da família "de quem gostas mais"; o desejo de corresponder ao amor de cada um; a busca de uma resposta que possa
alimentar o lugar que tem em suas vidas; os motivos das suas ausências apesar do amor que não duvida, confundem-lhe os tenros pensamentos. - Teresa, a mamã foi trabalhar? - Sim Bruno, a mamã foi trabalhar. - E o Caco (padrasto) foi trabalhar? - Sim, também foi trabalhar, meu querido. E a avó e o avô, e a outra avó e o outro avô e ainda os outros avós ( alguns deles divorciados e esses, com outros casamentos)... e o Papá...... - Tu não vais trabalhar, Teresa? Ficas a cuidar de mim, dos meninos? Nunca vás trabalhar, por favor, nunca vás! Prometo-lhe que nunca o abandonarei; que sempre estarei ali nas ausências daqueles a quem tanto ama, que tanto o amam, e sossega.
Pede-me mais migigingues e assim seguro, salta feliz do meu colo e vai brincar, enquanto o Gonçalo indiferente ao que se passa à sua volta e aos afetos ausentes, em vez de migigingues devora livros: histórias que de tanto ouvidas, as vai contando só para ele, num tom sumido. Mas nos largos momentos em que o Bruno se assegurava no meu colo, enquanto os pensamentos lhe empurravam as palavras e lhe abrandava o circular do dedito à volta dos cachos de caracóis, a minha memória acelerava e corria veloz pela vida, por cada curva, por cada pergunta que me ficou encarcerada, por cada medo de abandono, por cada dúvida que me perdurou até àquela partilha de momentos. E foi do meu colo que parti; do meu lar partilhado com meninos. Foi de
lá que segui a direção dos seus olhos e fui parar aos colos onde demoradamente me acolhi nas esperas, segura sem saber, sonhando colos onde nunca descansei, que nunca alcancei. Colos que se tornariam a minha mais vasta realidade, tantas vezes a mais feliz; tantas quantas as realizações de sonhos que o futuro me acabaria por quebrar. E dessa palavra nascida da inocência, é de onde agora parto, com a certeza que sempre encontrarei outros meninos, outros, outros lugares onde descansar nas esperas, onde me abastecer de paz, de serenidade para usar nos caminhos, sem os grandes medos das grandes duvidas; com a certeza de que tudo tem um fim, que chegará, e um princípio também. E sempre que a vida não me pede pressa, é para lá que me dirijo, pa-
ra esse lugar a que o Bruno deu o nome Migigingues. Lá colocou um marco visível de onde quer que eu esteja, de onde avisto todos os marcos do passado, com palavras novas indicando os marcos do futuro. Lá, onde aprendi a soletrar a vida sem medo de errar, e mesmo quando tropeço em amontoados de palavras velhas, gastas de tantas vezes usadas e me parece ter caído na vida, sempre encontro quem me injete força para me erguer, e reparo, que não estava por terra, mas no chão. E que é no chão que tudo se constrói... e reconstrói. E apesar das muitas vezes que as palavras me parecem erradas na existência da altura, sempre volto a acreditar que as palavras ouvidas me podem mudar a visão que tenho dos caminhos, e que os caminhos me podem mudar as palavras.
ESPAÇO AGECAL
As culturas da água e o Algarve JORGE QUEIROZ Sociólogo, Sócio da AGECAL
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o universo das culturas mediterrânicas, ao qual pertencemos, a gestão racional da água está interligada à formação de paisagens histórico-culturais da era pré-cristã ao final do período pré-industrial. Existe continuidade dos assentamentos humanos e das culturas da água, hortas (hortus), pomares, criação de animais domésticos, mas também celebrações ritualizadas. Na história da humanidade a água determinou, ao longo de milénios, filosofias da existência, modos de vida, quotidianos económicos e culturais, rituais religiosos e simbolismos artísticos. Nas civilizações mediterrânicas a água e o seu aproveitamento racional, transporte e uso para fins diversos, estimulou o desenvolvimento da engenharia e da arquitectura ainda hoje muito presente nas cidades mais antigas de Portugal. Roma possuía uma agricultura de baixo consumo de água baseada em espécies domesticadas provenientes
do ecossistema mediterrânico, desenvolveu comércio intenso em amplas geografias e por centenas de cidades, a sua base de produção eram as “villae”. Os produtos, sobretudo cereais, vinho, azeite, peixe salgado,… eram transportados pelas frotas romanas a partir de portos litorais, já anteriormente gregos e fenícios comerciavam estes produtos. Raramente os romanos regaram os campos, foi a expansão urbana que determinou o desenvolvimento da engenharia hidráulica, sobretudo o aparecimento dos grandes aquedutos… Columela (séc.I) na “Res Rustica” escrevia “deve haver uma fonte permanente com água, que nasça dento do povoado ou que seja para ele conduzido de fora… e se esta faltar deve-se construir cisternas e charcas para o gado…” Os espaços de água (lagos, fontes, fontanários, tanques,…) junto às habitações, nas praças dos centros urbanos, permitiam ambientes frescos, perfumados, coloridos por fruteiras e plantas ornamentais. O uso da água para fins de lazer e recuperação de energias de homens e mulheres ocorria nas termas com águas medicinais (em Portugal estão ainda activas cer-
ca de 40 termas), nos “hammam” ou banhos turcos, prática corrente na antiguidade greco-latina. A utilização e difusão da oliveira pelos romanos está ligada às múltiplas utilizações do azeite, sobretudo por ser uma árvore resistente ao calor, adaptada ao clima e também com baixo consumo de água. A integração equilibrada de pecuária e agricultura comunitária aumentava a matéria orgânica depositada para adubação nos solos, também a utilização dos rebanhos nos olivais e na limpeza do arvoredo é mencionado nos tratados da agricultura romana. No período muçulmano, populações habituadas a climas secos do norte de África e Médio Oriente introduziram na Península Ibérica sistemas racionais de captação e reserva de água, que vamos encontrar em vários locais do mundo rural ibérico, nas cidades do Al Andalus. O Alhambra em Granada é um expoente artístico da engenharia e arquitecturas da água. As espécies do bosque mediterrânico estão adaptadas à escassa pluviosidade e de humidade nos estios, o “stress hídrico”, as plantas possuem casca grossa e dura, produzem subs-
tâncias que evitam a evaporação, são resistentes ao fogo e dele recuperam rapidamente. Os botânicos apelidaram-na de vegetação esclerofila, conservam água e mantêm-se verdes todo o ano. O actual desbaste de espécies adaptadas ao clima e aos solos reduz as defesas para enfrentarmos os problemas resultantes das alterações climáticas e prejudica a biodiversidade. O modelo de produção intensiva, transitoriamente exportador, que se impôs nos campos do sul, vai reduzindo recursos hídricos, ao mesmo tempo que retira dos solos património genético. Sendo o actual modelo económico baseado em conjunturas de mercado, no aumento incessante de produção para obtenção rápida de mais-valias, está a deixar uma pesada herança às presentes e novas gerações, aproximando-se o dia em que será inevitável tentar reverter a situação. Paradoxal é o uso da água para esta nova realidade de uma economia desregulada e discursos políticos contraditórios, que privilegiam e financiam agricultura intensiva, urbanização e turismo massificados, promovendo construção de barragens, transvases de rios, uso de captações e
furos subterrâneos a cada vez maior profundidade. São todos aceleradores de desertificação. A gestão da água é hoje um problema central em Portugal e de toda a Península Ibérica. Por razões ambientais, económicas, de saúde pública e de identidade cultural as prioridades do País deveriam focalizar-se num rigoroso ordenamento do território nacional e na segurança alimentar dos portugueses, porque todos sabemos que tempos difíceis se avizinham. Em 2013 a salvaguarda da Dieta Mediterrânica foi assumida pelo Governo Português e por outros seis Estados junto da UNESCO, na sequência da inscrição aprovada por 120 Estados da integração do elemento na lista representativa do PCI da Humanidade. Foi declarado o compromisso de boas práticas de agricultura sustentável com menor consumo de água, redução da emissão de CO2 e alimentação saudável com frescos sazonais e de proximidade mais saudáveis, da protecção e salvaguarda das culturas e do estilo de vida mediterrânico, a “daiata”. Os valores da dieta mediterrânica são uma bússola imprescindível.
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FILOSOFIA DIA-A-DIA
Corpo Radial Maria João Neves Ph.D Consultora Filosófica
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ste Verão foi-me lançado um desafio profissional inaudito! Escrever um texto para o catálogo de uma exposição de artes plásticas, com a particularidade de o redigir a partir da minha própria experiência ao pernoitar uma noite na galeria de arte, na instalação “Sala da Memória”, criada pelos artistas Mariana Caló e Francisco Queimadela. Actualmente a viver no Porto, Marina Caló e Francisco Queimadela trabalham como dupla artística desde 2010. Corpo Radial - assim se intitula a exposição que tem a curadoria de Susana Ventura - inaugurou dia 30 de Julho e estará presente na Galeria da Boa Vista em Lisboa até dia 1 de Novembro. Abracei este projecto com entusiasmo! Abomino a experiência tão frequente nos museus de arte contemporânea de o acesso à obra ser mediado por uma espécie de manual de instruções. Como se o homem actual fosse incapaz de aceder à arte do seu tempo! Considero que o objecto artístico se expressa a si próprio dispensando que se lhe façam discursos de apresentação. Aqui, o que me foi pedido, foi de natureza muito diferente: que falasse a jusante do experiência da obra de arte, do contacto íntimo com ela e o partilhasse. Porém, não é possível veicular a partilha dessa experiência tão particular no número de caracteres de que aqui disponho. Assim, neste artigo de hoje, procurarei dar voz aos próprios artistas e à curadora da exposição. Os artistas já tinham criado em 2015 uma primeira imagem da “Sala da Memória” inspirados na técnica retórica da Grécia Antiga -mnemotécnica- que explora a associação mental entre palavras, lugares e imagens, para auxiliar um orador a recordar-se com exactidão do seu discurso. Quem viu a série de televisão O Mentalista teve oportunidade de ver várias vezes esta técnica em execução e até, em alguns episódios, o próprio personagem explicou como a utilizava. O nome provem de Mnemósine - a deusa grega da memória - mãe de todas as Musas. De facto, como se poderia criar sem recordar?
Susana Ventura descreve a peça-chave desta exibição do seguinte modo: “A Sala da Memória adquire uma tridimensionalidade cujas proporções encontram ressonância no corpo que é seduzido a habitá-la. As sedas translúcidas coloridas formam um véu em torno da estrutura que vai revelando diferentes graus de transparência de acordo com a luz da passagem do dia (o tempo como matéria de composição que altera a percepção da obra) convertendo os corpos - o que habita o seu interior e os que se movem no exterior e vice-versa - em sombras ou em imagens-movimento nativas, mais ou menos fugazes, mais ou menos nítidas. A sua arquitectura remete, ainda, para a casa tradicional japonesa, na qual a utilização dos painéis shoji permite criar um espaço de intimidade no interior da casa, desvelando a realidade e o mundo exterior segundo o desejado grau de translucidez. (...) É um espaço no qual o corpo poderá ser uno consigo mesmo e realizar um voo sobre si mesmo, pelo seu interior, como é praticado por várias técnicas de meditação da cultura oriental. Na Sala da Memória, esse movimento permite, ainda, ao corpo projectar, mentalmente, nos planos que o envolvem delicadamente, as memórias que carrega consigo.” Além desta obra, estão expostos no piso térreo da galeria 7 quadros ao longo da parede lateral esquerda, alguns em guache sobre papel, outros são serigrafias. Para lá da Sala da Memória, ainda no piso térreo, exibe-se o vídeo Livro da Sede cujas imagens que se sucedem a branco e negro são acompanhadas pelo som produzido a partir de drones, da autoria de Pedro André. Susana Ventura diz-nos o seguinte sobre este vídeo: “as imagens evidenciam as oscilações infinitas das experiências do ser, uma variedade que cria um espaço de empatia e partilha. A colecção de imagens e a sua associação (montagem) permite refazer o passado e criar uma continuidade que se abre ao espectador (e, com este ao futuro). São imagens que percorrem diversos estados de alma - de deleite, embriaguez, espanto e terror a um sono (ou sonho) profundo - mostrando experiências banais e gestos triviais por entre manifestações extravagantes (...)”. Questionados sobre a escolha sonora, os
artistas responderam-me com grande e amabilidade dizendo que pretendiam que o som “induzisse um estado imersivo, que a própria estrutura da sala da memória procura convocar, trazendo o corpo enquanto centro de experiência. Procurámos que o som acompanhasse ou conduzisse a uma sensação de transludência e ascendência, também sugerido pela estrutura em orientação contraluz.” Poderemos, ou não, experimentar, sentir, aquilo que os artistas-criadores tiveram intenção de instigar no contemplador da obra. Porém, como sabemos, a obra de arte possui uma vida própria, não obedece aos criadores e não se esgota nos modos de acesso de nenhum público. Existe por si mesma, é expressão de si própria. Uma escadaria iluminada com uma luz difusa conduz-nos ao piso superior onde numa sala totalmente escura é exibido um outro vídeo, também a preto e branco, intitulado Leite Transbordante. Assistimos, em formato e som aumentados, às formas que o leite vai adquirindo e sons que vai produzindo à medida que aquece, ferve e, por fim, se derrama. Percebe-se o reflexo de um vulto feminino e a certa altura sobrepõe-se ao som do leite o som de alguns passos. Os artistas consideram que aqui “o som existe enquanto textura e elemento de continuidade. É um elemento que ajuda a criar uma espécie de abóbada temporal, num plano em que se dividem duas métricas temporais que coabitam no fervedor (a do leite a ferver e a do reflexo da senhora). O som dos passos parecem quebrar a suspensão das duas acções, uma chamada ao tempo concreto.” Consideram também, justamente, que o reflexo da senhora no fervedor se constitui em elemento central deste vídeo, “em fragmentos / tempos suspensos, expressões que se desfiguram, como num espaço de espelhos convexos que distorcem o corpo e talvez a reminiscência da memória.” Também sobre esta obra, a curadora diz o seguinte: “apresenta um tempo suspenso ou de um presente contínuo no qual passado e futuro se justapõem e baralham na alternância da imagens, entre a temporalidade própria do leite que ferve e o grito mudo da mulher, que se
estende infinita e lentamente, ao longo do filme, até ao momento último em que fica, definitivamente, preso.” Foi-me concedido o enorme privilégio de poder permanecer muito tempo em solidão com estas obras. O tempo, como de forma incontornável nos diz Marguerite Yourcenar, é um grande escultor. Fomo-nos descobrindo mutuamente, progredindo cada vez mais para um espaço interior. O que escrevo noutro lugar provém desse contacto íntimo, singular, ao permanecer uma tarde e parte da noite na galeria. No entanto, creio que uma visita mesmo mais convencional também poderia propiciar uma experiência significativa. Para quem sentir afinidade com as questões relativas à percepção de diferentes modalidades de tempo, e à memória em particular, aqui fica a sugestão! Inscrições para o Café Filosófico: filosofiamjn@gmail.com
Exposição de quadros
A exposição Corpo Radial tem a curadoria de Susana Ventura
FOTOS ANDRÉ CEPEDA / D.R.
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ARTES VISUAIS
Como tornar a arte mais imersiva? SAÚL NEVES DE JESUS Professor Catedrático da Universidade do Algarve; Pós-doutorado em Artes Visuais; http://saul2017.wixsite.com/ artes
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desenvolvimento das novas tecnologias tem vindo a abrir as possibilidades de produção artística e de interação com as artes visuais, levando a que muitos considerem que a inovação tecnológica é a chave para a arte do século XXI. Os termos arte digital, arte de computador, arte multimédia, arte interativa e media arte começaram a ser utilizados para descrever trabalhos que são feitos utilizando a tecnologia digital, como sejam as instalações multimédia interativas, os ambientes de realidade virtual e a arte baseada na net. Nesta perspetiva, começam a ser exploradas formas de tornar a arte tão expressiva que possa “tocar” o público não apenas através da visão, mas também usando os outros quatro sentidos, conforme tivemos oportunidade de salientar no artigo “Pode a arte visual ser expressa para os cinco sentidos?”.
Imagens da exposição “Impressive Monet & Brilliant Klimt” (2020) Isto passa por uma perspetiva integrada e complementar das artes visuais, em que o todo é mais do que a mera soma das suas partes. A arte contemporânea veio abrir as possibilidades relativamente às formas de produção artística e às combinações possíveis na utilização de diversas técnicas, tendo também cada vez menos sentido tentar categorizar um artista num determinado movimento ou estilo. É assim cada vez mais difícil delimitar as categorias das artes
visuais utilizadas pelos artistas no seu trabalho, pois assumem uma perspetiva multidisciplinar, em que utilizam algumas das várias categorias possíveis, integrando a sua utilização. Neste sentido, tal como defendemos no artigo “Quais os limites para a integração de técnicas nas artes visuais?”, não há limites para a integração nas artes visuais, o que aumenta o jogo de possíveis na produção artística, sendo o conhecimento das técnicas artísticas e a criatividade do artista os principais motores para a
FOTOS D.R.
realização da obra. No nosso percurso nas artes visuais temos procurado utilizar diversos meios artísticos, nomeadamente fotografia, pintura, escultura e também filmes de curta duração, encontrando-se vários destes meios presentes simultaneamente em cada um dos trabalhos realizados. Por exemplo, o trabalho “Funchal, 01/01/2007, 00h01” constitui um exemplo da integração de diversas técnicas de artes visuais, incluindo a fotografia, a pintura e a escultura,
mas acrescentando a projeção de filme sobre a tela. (link para visualização: https://youtu.be/ EJnFC01I55M?list=UUJZfSwIXwx9FljFoy41wm9g). Assim, a tecnologia pode ajudar a aumentar a imersão do espetador numa exposição de artes visuais, potenciando a sua dimensão sensorial e emocional. Um exemplo recente é a exposição imersiva digital ‘Impressive Monet & Brilliant Klimt’, alusiva à obra dos pintores Claude Monet e Gustav Klimt, autores contemporâneos nascidos no século XIX e fundamentais na história da pintura moderna, a qual permanecerá no espaço subterrâneo do edifício Alfândega do Porto até 15 de novembro. A “Immersivus Gallery” é a primeira galeria de experiências artísticas imersivas em Portugal. São cerca de 2000 metros quadrados de área de projeção em 360º, onde todo o espaço é preenchido por cores e animações, numa conjugação harmoniosa entre a tecnologia e a arte. Da autoria do ateliê OCUBO, conhecido pela criação de projetos de “vídeo mapping” de grande escala, a “Immersivus Gallery” é o primeiro espaço de experiências artísticas imersivas em Portugal, resultando numa parceria entre o Centro de Congressos da Alfândega do Porto e a marca Fujifilm. No caso desta exposição, que permite um mergulho imersivo no universo de dois génios da pintura, é composta por hologramas e projeções a 360º, conduzindo o público numa viagem no tempo, refletida nas obras dos dois pintores que se
notabilizaram em diferentes correntes artísticas, o francês Monet no impressionismo e o austríaco Klimt no simbolismo. As pinturas, em vez de estarem circunscritas à dimensão das molduras, de forma estática, espalham-se por todo o espaço permitindo a imersão do espetador nas obras. Na parte relativa à galeria digital ‘Impressive Monet’, a obra do artista parisiense é reinterpretada de modo a revelar a sua busca interminável pela captura da luz e "o que está para além dos quadros, das paisagens, dos acontecimentos e tudo o que está oculto, na essência, aquilo que não se vê dentro da moldura", explicitam os organizadores. Por seu turno, em ‘Brilliant Klimt’, o público fica imerso na intimidade do pintor e tem oportunidade de sentir a arte romântica do artista. A exposição, revelam os responsáveis, "traça o percurso pelos aspetos biográficos e pelo legado artístico do pintor austríaco através da sua pintura icónica O Beijo”. Os elementos gráficos desta obra vão-se juntando até que no final pode ser vista a sua projeção integral. Este será o fio condutor da viagem pelo trajeto artístico ao mesmo tempo que são exploradas as influências do mundo de Klimt". De salientar ainda que a exposição está estruturada de forma a constituir um convite para uma visita familiar, numa oportunidade direta de dar a conhecer aos mais novos as obras-primas de Monet e Klimt, experienciando uma nova fórmula lúdico-pedagógica em conjunto com os pais.
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MARCA D'ÁGUA
A Cidadania Política e a Educação MARIA LUÍSA FRANCISCO Investigadora na área da Sociologia; Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa luisa.algarve@gmail.com
Setembro é o mês da rentrée política e o mês do início do ano lectivo. Rentrée é uma palavra francesa que, de acordo com o dicionário Priberam, significa “reabertura dos teatros no começo do ano dramático”. Aos poucos passou a ser utilizada no contexto político e é uma palavra que já está assimilada no nosso vocabulário. Este ano a rentrée lectiva tem particularidades inéditas com todas as novas regras. Será um ano de incertezas, visto que não se sabe como será a evolução da pandemia de Covid-19. Entre máscaras, higienização constante dos espaços, distanciamento obrigatório de 1,5 metros nas salas de aula e alteração dos tempos de intervalo, há ainda a acrescentar a falta crónica de funcionários nas escolas.
Espero que, a par de todas as alterações, sejam introduzidos novos temas nos programas lectivos relacionados com a saúde com enfoque na questão da Saúde Pública e da Ética do Cuidado do Outro. Para além da Cidadania como disciplina, seria também importante a existência de conteúdos programáticos ligados à Cidadania Política e à Educação Cívica. Educação e Política estão intimamente ligadas, já Sócrates e Platão, grandes mentores gregos da Filosofia da Educação e da Filosofia Política, o demonstraram. A reflexão política estimula a capacidade de leitura da realidade e dá aos cidadãos capacidade de iniciativa. É importante a existência de formação política porque aumenta a capacidade de agir e de argumentar, mas também porque a cidadania não se constrói quando há défice de exercício dos direitos políticos básicos. Muitas vezes ouvimos expressões como “Não vale a pena votar!” ou “Os políticos são todos iguais!” São frases de quem não se quer comprometer
com o futuro e muitas vezes ditas pelos mais jovens. Esta alienação e incapacidade de distinguir política de partidarismo é preocupante. Tudo é político, mas nem tudo é partidário. Até mesmo a abstenção é uma atitude política, através da qual aqueles que pensam ficar alheios à política delegam nos outros as decisões sobre o seu futuro. As condições sociais, políticas, económicas e culturais determinam a formação humana e, por sua vez, a sociedade política e as instituições públicas são as instâncias por excelência a partir das quais a formação humana se desenvolve. A cultura política de uma sociedade determina tudo o que essa sociedade é na prática. A cidadania política não é adquirida automaticamente, nem está garantida como acontece com os direitos cívicos e sociais. É adquirida quando é exercida de forma activa. Como diz o cientista político e social norueguês, Jon Elster, “as liberdades têm de ser exercidas e não só garantidas”.
A cidadania política é adquirida quando é exercida de forma activa Em Portugal a cidadania política passa, em parte, pela mobilização promovida pelos partidos. Essa mobilização tem muitas vezes mais de identificação entre pares e grupos de interesses do que de contexto político ou ideológico. É importante que a formação política faça parte dos programas lectivos passando desde cedo a ideia de que o objectivo principal das práticas políticas deve ser a promoção do bem-estar
FOTO D.R.
dos cidadãos e por isso a política tem uma função nobre na sociedade. Existem as chamadas Escolas/Universidades de Verão direccionadas para as Juventudes Partidárias, mas poderia ser criada uma Escola da Cidadania Política ligada por exemplo a uma Universidade, com um carácter mais imparcial, que abrisse horizontes e mudasse a actual mentalidade em relação à política e à participação activa na sociedade.
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PAULO SERRA Doutorado em Literatura na Universidade do Algarve; Investigador do CLEPUL
os livros sigam uma fórmula, até porque muitas vezes distancio-me. Tem razão quanto aos bolos de mel. Uma história pode ser contada e recontada de muitas formas diferentes, e alterar-se-á para se adaptar ao tempo e cultura em que se insere. Dou valor ao papel da contação de histórias como meio de ensino e de cura, o que aliás influencia a minha escrita. Recorri a um conto tradicional como ponto de partida para 5 dos meus 23 livros, mas há temas e motivos de contos tradicionais, folclore e mitologia em todos. A minha estratégia tem-se desenvolvido nestes 20 anos como autora. Nas 2 obras mais recentes o tom foi mais negro. Tenho descido mais fundo na complexidade psicológica das personagens, e criar uma perspectiva partilhada entre os protagonistas feminino e masculino.
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uliet Marillier, publicada em Portugal pela Planeta Editora, é uma autora best-seller, estatuto que mantém desde o seu primeiro romance, A Filha da Floresta. A Harpa dos Reis é o primeiro livro da nova série Bardos Guerreiros. Mundialmente conhecida na área da fantasia histórica celta, a autora nasceu em Dunedin, Nova Zelândia, a cidade mais escocesa fora da Escócia. Os seus livros combinam romance e história, drama e fantasia, folclore e mitologia, no contexto do universo celta. Já venceu 15 prémios literários, como o prestigiado Aurealis Award. Entre diversas trilogias, destacam-se três séries de imenso sucesso: Sevenwaters, Shadowfell e Blackthorn e Grim. Foi professora de música, responsável por um grupo coral e cantora de ópera. Começou a publicar depois dos 40 anos e nunca mais parou. A autora é membro da ordem druídica OBOD (Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas) e os seus valores espirituais reflectem-se muito na sua ficção – onde a relação das personagens humanas com o mundo natural desempenha um papel importante, assim como o poder da contação de histórias para ensinar e para curar. Juliet Marillier já visitou Portugal e é fã dos livros de Saramago.
Concilia aqui vários aspectos dos seus livros, como se tudo convergisse neste universo ficcional. Existem definitivamente afinidades entre A Harpa dos Reis e várias das minhas séries, como Sevenwaters e Blackthorn & Grim. O exército de guerreiros tatuados que primeiro apareceu em O Filho das Sombras ganha um papel mais relevante nesta série. Essas 3 trilogias situam-se no norte da Irlanda no mesmo período temporal (ainda que esta história com elementos sobrenaturais seja inspirada na mitologia e folclore local).
Pela primeira vez fornece informações sobre o mundo dos druidas. Contudo, o tema não lhe é novo.
Adorei escrever a história de Blackthorn e Grim, personagens complexas e feridas, e quando pensei na trilogia dos Bardos Guerreiros apercebi-me que podia incluir “o que acontece depois” ao escrever sobre a geração seguinte: os seus filhos. Blackthorn e Grim foram absolutamente reais para mim, por isso foi um prazer continuar a sua história.
Os seus livros seguem uma fórmula, em que cada nova história é absolutamente original e apaixonante. «As histórias são como bolos de mel. Mal provamos um, queremos outro e outro e sempre mais.» (p. 208) Há elementos consistentes, em particular nos primeiros livros. Gosto de incluir uma história de amor; geralmente uma jovem protagonista feminina que descobre a sua força interior ao enfrentar um desafio; e muitas das histórias situam-se em culturas célticas dentro do mesmo período histórico. Mas não acredito que
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Esta nova série iniciada com A Harpa dos Reis retoma duas personagens da saga anterior. Blackthorn e Grim (as suas personagens mais complexas) foram assim tão poderosas para a fazer continuar a sua história?
Entrevista a Juliet Marillier:
“Estamos à beira de um precipício, perto de destruir este mundo precioso e belo”
Tenho personagens druidas noutros livros - Broichan em As Crónicas de Bridei, e Conor em Sevenwaters. Mas entrar nos nemetons, onde vivem os druidas, e experienciar um pouco da sua vida diária é uma novidade. Não sabemos como realmente era naquele tempo, uma vez que os druidas não deixaram muitos registos por escrito, mas acredito que as cenas da vida na comunidade druídica sejam bastante fidedignas, construídas com base em pistas históricas que temos sobre o treino dos druidas, crenças e rituais da época, e no Druídismo contemporâneo.
SOU MEMBRO DA ORDEM DOS BARDOS, OVATES E DRUIDAS O que significa ser um druida hoje? Há várias ordens druídicas activas hoje, espalhadas por todo o mundo. Sou membro da Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas. Enquanto caminho espiritual, o druídismo moderno é bastante flexível nas suas práticas e crenças. Os elementos que considero
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LETRAS & LEITURAS
«O mundo muda. As pessoas não praticam os costumes antigos nas suas vidas diárias como outrora faziam». Parece falar dos seus livros. É possível que uma história – numa época antiga, num mundo imaginário, ou no futuro – tenha um significado profundo e ressoe no íntimo do leitor. Ser uma história com elementos mágicos não a torna menos relevante para as nossas vidas. As velhas histórias de monstros e magia contadas há muito tempo em torno da fogueira não serviam apenas para entreter - eram igualmente concebidas para demonstrar às pessoas como podiam viver com bravura e sagacidade. Estou a contar esse mesmo género de histórias, e mesmo que chegue a um único leitor – se ele se sentir mais forte e sábio depois de ler um livro meu –, já me permite sentir que fiz o meu trabalho, como druida e como ser humano.
Os seus livros estão tão imbutidos de influências do folclore escocês e contos tradicionais que é quase errado considerá-los fantasia. Cresci numa parte da Nova Zelândia fundada por imigrantes escoceses, e os meus antepassados são escoceses e irlandeses. Os elementos sobrenaturais dos meus livros baseiam-se sempre naquilo em que as pessoas acreditavam na época. Faço imensa pesquisa. Ainda que o mundo onde as personagens habitam seja cheio de magia, trata-se do nosso mundo real no referente à geografia, cultura, contexto histórico. Os desafios e provações que as personagens enfrentam, por exemplo a injustiça ou a tirania, são essencialmente os mesmos que enfrentamos hoje. Existe frequentemente ajuda sobrenatural, sim, mas as histórias são sobre personagens humanas que encontram a sua própria força e sabedoria.
“Devemos respeitar-nos mutuamente e respeitar o mundo” Quando foi a primeira vez que ouviu essas histórias? Os meus pais eram músicos e leitores ávidos. Lembro-me de me contarem histórias do folclore e da mitologia. Ao aprender a ler essas eram as histórias que preferia. A minha família provém de países de tradição céltica pelo que tenho uma
forte ligação a essas histórias e à música. Havia uma biblioteca fabulosa para crianças onde vivíamos, e eu requisitava imensos livros, particularmente as colecções de contos tradicionais de todo o mundo de Andrew Lang. Esses aspectos tiveram um forte impacto na minha escrita.
Ainda que este livro seja anterior à pandemia, transmite a mensagem de nos reconectarmos com a natureza, a fé, a arte. «Esta canção deve constituir uma ponte entre o Povo Encantado e o povo humano. (...) Deve recordar a todos que em épocas de dificuldades sobreviveremos apenas se confiarmos e nos respeitarmos um ao outro.» (p. 212) Vivemos tempos muito difíceis – não só pela pandemia, mas pela ameaça iminente das mudanças climáticas. Estamos à beira de um precipício, perto de destruir este mundo precioso e belo devido à ganância e à intolerância. A confiança e o respeito são essenciais para um trabalho colaborativo da humanidade face à crise, em vez de continuarmos com jogos de poder e nos recusarmos a aceitar o quão séria é a situação. Devemos respeitar-nos mutuamente e respeitar o mundo. Pode ser essa a mensagem. Gostaria que os políticos a ouvissem.
Perguntavam muitas vezes a Marion Zimmer Bradley: «De onde vêm as ideias para as suas histórias?». De onde vêm os seus sonhos – aqueles que nos faz sonhar com a sua ficção?
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essenciais são a valorização do poder da contação de histórias como forma de ensinar e de curar; a compreensão do papel da humanidade na vastidão da natureza, o que leva a trabalho ambiental e de conservação; e a crença de que Deus ou a Deusa ou o Espírito existem em cada entidade viva, incluindo nos seres humanos, unindo-nos e sustendo-nos. Alguns druidas mantêm a sua prática de forma solitária, outros em grupos; uns praticam rituais, outros não. Quase todos adoram música, poesia e contar histórias.
fui uma escritora bastante assídua em criança. Na universidade decidi estudar músicas e línguas, depois estive ocupada a criar 4 filhos enquanto mantinha diversos trabalhos, e só voltei à escrita criativa aos 40. Sempre gostei de ler, e como professora de música e como funcionária pública, continuei a escrever. Depois do meu casamento terminar, decidi escrever uma versão de um conto de que gostava muito, e nos 3 anos seguintes, enquanto mantinha a tempo inteiro um trabalho administrativo, escrevi o meu primeiro livro, A Filha da Floresta, escolhido pela editora Pan Macmillan. Foi o início da minha carreira de autora. Em média, escrevo um livro por ano desde então. Tive sorte em poder abdicar do meu trabalho, 4 anos depois do meu primeiro livro, e tornei-me escritora a tempo inteiro.
É muito activa – com trabalho comunitário, a socorrer cães, aulas de escrita. Como é que consegue tempo para escrever. Escrever é a minha principal ocupação e encaixo as outras actividades conforme posso. Como trabalho em casa, as outras actividades permitem-me deixar regularmente a secretária e interagir com pessoas. Devido à pandemia não tenho feito oficinas de escrita ou eventos públicos, mas interajo bastante com os meus leitores através do Facebook. O jardim e os cães que resgato ajudam-me a centrar. Infelizmente, a minha pequena matilha está agora reduzida a um cão... os dois mais velhos morreram este ano.
À esquerda: Juliet Marillier é mundialmente conhecida na área da fantasia histórica celta ; cima à direita: A Harpa dos Reis é o primeiro livro da nova série Bardos Guerreiros
Penso que os sonhos nascem do meu amor pelo folclore e pela mitologia, da minha crença de que existe magia e mistério no mundo real – basta abrirmos as nossas mentes. Houve grandes períodos da vida em que enfrentei imensos desafios, mas consegui preservar (ou redescobrir) a sensação de maravilhamento que tinha em criança ao ler, e isso transparece nas minhas histórias. Talvez eu tenha algum ADN de contadora de histórias, transmitido pelos meus antepassados celtas.
Começou a escrever relativamente tarde. Agora escreve um livro a cada 2 anos. Escrevo desde que tenho idade para assentar uma caneta num papel, e
Autores e livros favoritos?
Tenho lido imensas histórias de crimes. Sou uma grande fã de Anne Cleeves, autora das séries Shetland e Vera, adaptadas a séries populares. Também gosto de Elly Griffiths. Gosto de romances que combinem excelente prosa com uma história cativante. Dois dos mais recentes que li de fantasia são Circe, de Madeline Miller, e The Binding, de Bridget Collins – complexos, memoráveis, maravilhosamente escritos.
Esteve em Portugal em 2013. Foi a única vez? Que memórias levou? Visitei Portugal 2 vezes a convite da minha editora. Viajei até Sintra com leitores do grupo Mundo Marillier.
Adorei os antigos palácios e a beleza natural envolvente. Os edifícios em Lisboa com os seus mosaicos decorativos são lindíssimos. É uma cidade magnífica debruçada sobre o rio. Adorei poder conversar com os meus entusiásticos leitores, não só nas sessões promovidas, mas também em contextos mais informais. O café português é fantástico! Especialmente com um pastel de nata. Tenho pena de que as actuais condições excluam a possibilidade de viajar.
Imagina alguém capaz de adaptar as suas histórias ao ci-
nema ou a uma série? É possível, mas é difícil ter realizadores interessados – financiar um filme é bastante dispendioso. Adorava que fosse a Jane Campion ou o Peter Jackson.
O segundo livro da saga está publicado (mas ainda não em Portugal), pelo que o terceiro deve vir a caminho... Definitivamente! Estou a trabalhar arduamente no livro, provisoriamente intitulado A Song of Flight. Está quase terminado. A edição original em inglês deve ser publicada em Agosto de 2021.
Joaquim Lucas Silva Cartório notarial de Tavira Certifico: Que no dia 18/08/2020, a folhas 54, do livro de notas para escrituras diversas número 207-A, deste Cartório, foi lavrada uma escritura de JUSTIFICAÇÃO, na qual MARIA FERNANDA VICENTE DOS SANTOS SOARES, NIF 104.965.932, natural da freguesia e concelho de Vila Real de Santo António e marido VITOR PAULO DE JESUS SOARES QUEIMADO, NIF 104.965.789, natural da freguesia de Santa Maria, concelho de Tavira, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Rua António Pinheiro, número 3, 1.ºEsq., Tavira, declararam, que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores do prédio urbano, composto por edifício térreo, com logradouro, no sitio das Laranjeiras, freguesia de Vila Nova de Cacela, concelho de Vila Real de Santo António, a confrontar do norte e poente com António do Carmo Nascimento, do sul com José António Rita e do nascente com José António Campos, com a área total de cento e dezoito metros quadrados, sendo a superfície coberta de sessenta e cinco virgula cinquenta metros quadrados e a superfície descoberta de cinquenta e dois virgula cinquenta metros quadrados, inscrito na matriz sob o artigo número 8.357. Que adquiriram o referido prédio por doação verbal e não titulada por escritura pública, feita pelos pais da justificante mulher, Diamantino Pereira dos Santos e Francisca Vicente, residentes que foram na mencionada Rua António Pinheiro, número 3, 1.ºEsq, em data imprecisa do ano de mil novecentos e sessenta e cinco, pelo que adquiriram os prédios por usucapião. Tavira, em 18 de Agosto de 2020 A funcionária por delegação de poderes, Irene Maria Pereira Lourenço Rodrigues – Inscrita na O.N. sob o n.º 87/04 Conta registada sob o nº. PAO 845/2020 Factura nº. 848 (POSTAL do ALGARVE, nº 1250, 11 de Setembro de 2020)
NOTIFICAÇÃO PARA EFEITOS DE EXERCÍCIO DO DIREITO LEGAL DE PREFERÊNCIA Olhão, 9 de setembro de 2020 MARIA CÉLIA DIAS GRAÇA MENDES BICA e marido JOÃO VITORINO MENDES BICA, casados sob o regime de comunhão de adquiridos, residentes em Avenida Carolina Michaelis, nº 19, 1Dt, 2795-052, Linda-a-Velha, vêm comunicar nos termos da lei -- notadamente nos termos do art.º 1380º do Código Civil e com vista a possibilitar aos confinantes o exercício do direito de preferência, o seguinte: - pretendemos, por escritura pública a celebrar no máximo até ao final do mês de Outubro de 2020, vender ao Sr. Ricardo Miguel Barrios Marques, residente em Belmonte de Baixo, Rua Eusébio da Silva Ferreira, Edifício Vista Mar lote-1 R/C – A, 8700-309, Pechão-Olhão e portador do número fiscal 221367047, o prédio rústico sito em Peares, na Freguesia de Quelfes e concelho de Olhão, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 9 da Secção P dessa freguesia, descrito na Conservatória do Registo Predial de Olhão sob o nº 1925/19901019, e composto por terreno rústico com área total de 3300 m2, toda ela área descoberta com amendoeiras e oliveiras, e prédio de que somos proprietários. O valor da venda é de 8.000,00€ (oito mil euros), valor a ser pago na sua totalidade e duma só vez no ato da escritura de que acima falamos. Após a publicação do presente Anúncio aguardaremos os 8 dias previstos no artigo 416º nº 2 do Código Civil, contados a partir da data da referida publicação, para a resposta e manifestação de eventual vontade de preferirem na compra, prazo a partir do qual, nada sendo recebido, efetuaremos a venda nos termos supra indicados e àquele referido Sr. Ricardo Miguel Barrios Marques.
(POSTAL do ALGARVE, nº 1250 ,11 de Setembro de 2020)
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CADERNO ALGARVE
Postal, 11 de setembro de 2020
NECROLOGIA
Reze 9 Ave-Marias com uma vela acessa durante 9 dias, pedindo 3 desejos, 1 de negócios e 2 impossíveis ao 9º dia publique este aviso, cumprir-se-á mesmo que não acredite. T.S.
Reze 9 Ave-Marias com uma vela acessa durante 9 dias, pedindo 3 desejos, 1 de negócios e 2 impossíveis ao 9º dia publique este aviso, cumprir-se-á mesmo que não acredite. G.F. JOAQUIM DE JESUS
MANUEL JOAQUIM GONÇALVES
29-11-1930 19-08-2020
20-09-1936 21-08-2020
Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.
Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.
CONCEIÇÃO - TAVIRA SANTA MARIA E SANTIAGO - TAVIRA
SANTA MARIA - TAVIRA SANTA MARIA E SANTIAGO - TAVIRA
Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.
Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.
Reze 9 Ave-Marias com uma vela acessa durante 9 dias, pedindo 3 desejos, 1 de negócios e 2 impossíveis ao 9º dia publique este aviso, cumprir-se-á mesmo que não acredite. C.F.
JOÃO MANUEL DIAS SIRGADO
GR ACINDA DOMINGAS
LUIZ FILIPE GUERREIRO DA CONCEIÇÃO
15-04-1955 21-08-2020
16-07-1928 22-08-2020
13-07-1959 23-08-2020
Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.
Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos a acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.
Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.
SANTIAGO - TORRES NOVAS LUZ E SANTO ESTÊVÃO - TAVIRA
CACHOPO - TAVIRA LUZ E SANTO ESTÊVÃO - TAVIRA
SÃO SEBASTIÃO - SETÚBAL SANTA MARIA E SANTIAGO - TAVIRA
Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.
Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.
Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.
ROGÉRIO INÁCIO SILVA
MARIA JULIETA DO NASCIMENTO CORVO
ADELINA DA CONCEIÇÃO GUERREIRO
01-02-1949 24-08-2020
14-10-1927 02-09-2020
14-12-1924 04-09-2020
Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.
Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.
Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos a acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.
SANTO ESTÊVÃO - TAVIRA LUZ E SANTO ESTÊVÃO - TAVIRA
SANTIAGO - TAVIRA SANTA MARIA E SANTIAGO - TAVIRA
SANTO ESTÊVÃO - TAVIRA LUZ E SANTO ESTÊVÃO - TAVIRA
Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.
Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.
Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.
Reze 9 Ave-Marias com uma vela acessa durante 9 dias, pedindo 3 desejos, 1 de negócios e 2 impossíveis ao 9º dia publique este aviso, cumprir-se-á mesmo que não acredite. A.G.
CADERNO ALGARVE
Postal, 11 de setembro de 2020
A NÚNCIOS
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Joaquim Lucas Silva Cartório notarial de Tavira
Farmácias de Serviço ALBUFEIRA
Clínica Geral
SÁBADO
DOMINGO
SEGUNDA
TERÇA
do Mar
Alves Sousa
Alves Sousa
Alves Sousa
Alves Sousa
Sousa Coelho
Central
CLÍNICA PORTA NOVA
Mesoterapia
Certifico:
FARO
Palma
Montepio
Caniné
Que no dia 27-08-2020, a folhas 76, do livro de notas para escrituras diversas número 207-A, deste Cartório, foi lavrada uma escritura de JUSTIFICAÇÃO, na qual:
LAGOA
Vieira
Vieira
Sousa
LAGOS
Ribeiro
Lacobrigense
Silva
LOULÉ
Chagas
Pinto
Avenida
MONCHIQUE
Hygia
Hygia
Hygia
OLHÃO
Brito
Rocha
Progresso
a) MANUEL CAVACO ESTÊVÃO, NIF 188.883.355, natural da freguesia de Cachopo, concelho de Tavira e mulher LIONETE TERESA INÁCIO QUINTINO ESTÊVÃO, NIF 188.883.347, natural de Angola, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes em 8, Rue du Commandant Juillet, 38260 La Côte Saint André, Isere, 38260 França; e b) DANIEL FRANCISCO ESTÊVÃO, NIF 196.496.640, divorciado, natural da dita freguesia de Cachopo, residente em 260, Chemin de Pré Soldat, La Côte Saint André, Isere, 38260, França, declararam, que: Com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores, na proporção de metade para os outorgantes da alínea a) e de metade para o outorgante da alínea b), do prédio urbano, composto por edifício de rés-do-chão com uma divisão, destinado a arrecadações e arrumos, sito em Feiteira, freguesia de Cachopo, concelho de Tavira, a confrontar do norte com Rua, do sul e nascente com os próprios e do poente com Manuel Joaquim, com a área total de vinte e sete metros quadrados, inscrito na matriz sob o artigo 2.270, não descrito na Conservatória do Registo Predial de Tavira. Que os primeiros outorgantes, o da alínea a) já no estado de casado e o outorgante da alínea b) ainda no estado de solteiro, maior, adquiriram o prédio, por compra verbal e não titulada por escritura pública, feita em data imprecisa do ano de mil novecentos e oitenta e seis a Celeste da Conceição Dias, solteira, maior, residente que foi em Cachopo, Tavira, já falecida, não dispondo eles justificantes de título formalmente válido que comprove tal compra, pelo que adquiriram o prédio por usucapião. Tavira, em 27 de Agosto de 2020 A funcionária por delegação de poderes, Ana Margarida Silvestre Francisco – Inscrita na O.N. sob o n.º 87/03
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EDITAL n.º 11/2020 Pomar de citrinos: 8.158 m2 Plano de Urbanização da UOP3 – Polo Tecnológico. Ponderação das participações entregues durante o período de discussão Terra de semear: 8.000 m2 pública Terra de semear: 9.788 m2 Rogério Conceição Bacalhau Coelho, Presidente da Câmara Municipal de Faro, torna m2 Pomar e terra semear 6.370 público de que, citrinos na reunião da Câmara de Municipal realizada no dia 16 de dezembro de 2019, foi deliberado, por unanimidade, nos termos e para efeitos do disposto nos n.º 2 a n.º 7 do artigo 89.º do Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão TerritoÁrea total: 32.316 m2 rial, publicado pelo Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de maio, aprovar o relatório de ponderação das participações entregues durante o período de discussão pública referente ao Plano de Urbanização para a Unidade Operativa de Planeamento e Gestão do Pólo Tecnológico – UOP3 (PU da UOP3), decorrido entre os dias 19 de fevereiro e o dia 18 de março de 2019.
Contacto: 918 201 747
O referido relatório poderá ser consultados nas instalações do Departamento de Infraestruturas e Urbanismo da Câmara Municipal de Faro, no Largo de São Francisco, todos os dias úteis, durante a hora de expediente, e na página do Município na Internet, em www.cm-faro.pt. Para constar e devidos efeitos se lavra o presente edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de estilo, na comunicação social e na página eletrónica do município. Paços do Concelho, 10 de janeiro de 2020. O presidente da câmara municipal de Faro Rogério Bacalhau Coelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1250, 11 de Setembro de 2020)
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Reze 9 Ave-Marias com uma vela acessa durante 9 dias, pedindo 3 desejos, 1 de negócios e 2 impossíveis ao 9º dia publique este aviso, cumprir-se-á mesmo que não acredite. A.G.
Município de Faro EDITAL Nº 22/2020 Plano de Pormenor do Porto e Cais Comercial de Faro Participação Preventiva Rogério Conceição Bacalhau Coelho, Presidente da Câmara Municipal de Faro, torna público que, na reunião de câmara ordinária pública de 16 de dezembro 2019, foi início à elaboração do Plano de PormeTractor - deliberado Rega, dar Lda nor do Porto e Cais Comercial de Faro, aprovando os termos de referência que fundamentam a sua oportunidade e fixam os respetivos objetivos. Mais informa que, na referida reunião de câmara, foi ainda deliberado submeter o plano ao procedimento de Avaliação Ambiental Estratégica e Avaliação de Impacte Ambiental. Nos termos do nº 2 do art.º 88º do Decreto – Lei nº 80/2015, de 14 de maio, decorrerá por um período de 30 dias para participação preventiva, durante o qual os interessados poderão proceder à formulação de sugestões, bem como à apresentação de informações sobre quaisquer questões que possam ser consideradas no âmbito do respetivo procedimento de elaboração. O período de audição pública terá início no 5º dia útil após a publicação do presente edital em Diário da República. A formulação de participações deverá ser efetuada por escrito, até ao termo do referido período, e dirigida ao presidente da câmara municipal de Faro, por correio ou, ainda, por correio eletrónico, para o endereço geral@ Rua de Santo António, n.º 68 - 5º Esq. 8000 - 283 Faro cm-faro.pt, com indicação Pública Telef.:expressa 289 820 de 850"Participação | Fax: 289 878 342 da elabora| www.advogados.com.pt ção do Planodbf@advogados.com.pt de Pormenor do Bom João" e com a identificação e morada de contato do participante. Os elementos relativos ao plano poderão ser consultados nos seguintes locais: • Instalações do departamento de infraestruturas e urbanismo da câmara municipal de Faro, sito no Largo de São Francisco, nº 39, 8004-142 Faro, em horário de expediente, de segunda a sexta, das 9:00 às 16:00 horas; • Página do Município na Internet, em www.cm-faro.pt. O presente edital será publicado na 2.ª serie do Diário da República, e divulgado na plataforma colaborativa de gestão territorial, em dois jornais diários de grande expansão nacional, num jornal de expansão regional e na página da internet da câmara municipal de Faro. Faro, 22 de janeiro de 2020
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Tornação Lo Decret n.º 25 úteis, www. 1 Está para o - Loca de can petiva fórmul
Faro, 8
O presidente da câmara municipal de Faro Rogério Bacalhau Coelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1250, 11 de Setembro de 2020)
Publiqu Faro, 8 Veread
José A
Finageste investe forte no Algarve, vai investir 500 milhões de euros em Portugal
Henrique Dias Freire
O
elistismo em qualquer parte do mundo civilizado é "responsabilidade". Quanto mais poder se tem, mais responsável se tem que ser. Infelizmente, em democracia, nem sempre vemos os políticos e os gestores públicos ou privados de topo serem responsabilizados. Vivemos ainda numa sociedade cujos privilegiados não estão habituados a prestar contas; confundem ser uma elite com ser irresponsável. Os tribunais subjungam-se às regras de produção de prova em detrimento da ética. Já não questionamos, por exemplo, a imoralidade de políticos que entraram na política pobres e sairam com um império. Esta reflexão não é de agora e foi várias vezes levantada pela própria procuradora Maria José Morgado e por outras personalidades portuguesas. Hoje, como desde sempre, fala-se na aprovação de novas medidas de combate à corrupção. O caso do pirata informático/ denunciante Rui Pinto, colocou no domínio público uma série de alegadas fraudes e negócios suspeitos ligados a grandes clubes de futebol, mas não só. Na véspera do arranque do julgamento do pirata informático Rui Pinto, o Conselho de Ministros aprovou, para discussão pública, a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção 2020-2024, que identifica prioridades e propõe medidas para reduzir o fenómeno da corrupção em Portugal. Do pacote de medidas de combate à corrupção anunciadas pelo Governo, destaca-se a delação premiada, isto é, a possibilidade de quem denuncia este tipo de crimes ser perdoado pela justiça ou ver a sua pena atenuada. A Ordem dos Advogados já se manifestou totalmente contra. O meu receio é que estas medidas já tenham destinatários pensados e que a montanha venha a parir um rato, mais uma vez. Todos estamos habituados a pagar um preço, mas é sabido que os privilegiados não.
grupo na mesma nota. A empresa adiantou depois “que a sua aposta em território nacional não ficará por aqui. Lisboa, Oeiras e Faro são alguns dos desafios que se seguem numa carteira de investimentos que rondará os 500 milhões de euros”. Assim, a Finangeste está a recuperar “dois edifícios no centro histórico de Lisboa” e a “concluir um novo loteamento destinado a habitação, escritórios e comércio em Oeiras. Com uma área superior a 110 mil m2 [metros quadrados], este empreendimento irá representar um valor total
Caixas de electricidade de Silves pintadas com temáticas alusiva ao concelho São 25 as caixas de eletricidade que foram recentemente pintadas, numa iniciativa promovida pela autarquia local. A decoração esteve a cargo da artista plástica Meire Gomes.
de investimento superior a 175 milhões de euros”, indicou. Além disso, a Finangeste encontra-se a “desenvolver o Plano de Urbanização do Vale da Amoreira, em Faro, estando o processo ainda em discussão com a autarquia local”, destacando, neste projeto, “a execução do jardim urbano, que será o coração da cidade numa zona de expansão. A área de construção do empreendimento será superior a 150 mil m2 e o investimento estimado andará na casa dos 250 milhões de euros”.
Algarve sem feiras até ao final do ano A decisão dos municípios do Algarve foi tomada em sede de Reunião do Conselho Intermunicipal da AMAL. Os autarcas consideram “não estar reunidas as condições para permitir a realização de Feiras de caráter anual”, no contexto de pandemia que atualmente se vive. A excepção parte do Município de Silves que mantém por agora "o propósito de realizar a Feira Anual de Todos os Santos, que decorre entre os dias 29 de outubro e 1 de novembro, na expetativa de que a situação pandémica o permita".
Escassez de água e seca vão ser prioridade na UE
GNR detém homem de 56 anos por cultivo de cannabis A Unidade de Controlo Costeiro da GNR, através do Subdestacamento de Controlo Costeiro de Aljezur, deteve esta segunda-feira em flagrante um homem, de 56 anos, pelo crime de cultivo de estupefacientes, na localidade de Funcheira, em Aljezur.
Resgatado corpo que estava desaparecido na Praia da Rocha O corpo do homem desaparecido no início da manhã de quarta-feira, foi encontrado a cerca de um quilómetro do local do desaparecimento, no final da manhã. O alerta do homem, de 72 anos, um emigrante português residente em França, foi dado pela família.
AMBIENTE A escassez de água e a seca no quadro da adaptação às alterações climáticas vão ser
uma prioridade da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, que começa em janeiro de 2021, disse esta quarta-feira o ministro do Ambiente. "Cientes da relevância de uma maior partilha de experiências e de maior ação a nível europeu em torno desta temática, Portugal abordará este tema da escassez de água e da seca no quadro da adaptação às alterações climáticas como uma prioridade da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia", que irá decorrer durante o primeiro semestre de 2021, afirmou João Pedro Matos Fernandes.
Dia do Município de Alcoutim é celebrado em todo o território As comemorações do Dia do Município de Alcoutim, que se assinala esta sexta-feira, dia 11 de setembro, vão estender-se por todo o território municipal, o
FOTO D.R.
Todos pagamos um preço, mas os privilegiados não
A Finangeste, grupo de recuperação de crédito e desenvolvimento imobiliário, quer investir 500 milhões de euros em Portugal, em projetos em Lisboa, Oeiras e Faro, adiantou a empresa. O grupo concluiu agora “o empreendimento Caldas Terrace, um investimento de 10,5 milhões de euros que consistiu na recuperação de cinco edifícios inacabados nas Caldas da Rainha, que vão agora dar vida a um projeto urbano que reúne 73 habitações, jardins e piscina, assim como outras lojas e serviços”, indicou o
Últimas
programa que sofreu adaptações devido à situação atual de pandemia, é marcado por uma série de inaugurações. O programa arranca com o tradicional hastear da bandeira, às 10 horas, na Praça da República, com a presença dos membros do executivo, Assembleia Municipal, Juntas de Freguesia e representantes de entidades militares, civis e religiosas. Com formato adaptado à nova realidade, às 11:40 realiza-se a Sessão Solene Comemorativa do Dia do Município, que irá decorrer no Espaço Guadiana sendo esta restrita a convidados e terá transmissão em direto na página de Facebook da Câmara Municipal. O município estende as celebrações, na sexta-feira e no sábado, por todo o território percorrendo todas as freguesias, inaugurando diversas obras realizadas, tendo a comemoração dos 500 anos do Foral Manuelino e animação cultural sido cancelados, garantindo-se o distanciamento social e o cumprimento das normas de segurança sanitária.
Câmara de Lagoa está a recrutar 4 técnicos superiores Três destas admissões
Tiragem desta edição 10.291 EXEMPLARES
O POSTAL regressa a
9 DE OUTUBRO
Distribuição quinzenal com o jornal
destinam-se à carreira e categoria de técnico superior (Grau de complexidade 3). A área funcional é de orientação, reconhecimento e validação de competências. As licenciaturas admitidas situam-se nas áreas das ciências da educação, das ciências sociais e humanas. A outra vaga é para a área funcional de segurança.
Morreu Deodato Domingos Pires Morreu aos 91 anos, deixando a cidade de Olhão mais pobre. O poeta e sócio número um do Sporting Clube Olhanense distinguiu-se na área da cultura. O futebol era uma das suas paixões e até venceu o Prémio Cassiano em 2019.