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POSTAL 1237 17JAN2020

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••• ENTREVISTA

Manuel Carlos diz estar preparado para a luta P.4 e 5

••• REGIÃO

Conceito diferenciador de restaurante vegan permite entrada de animais P.8 e 9

••• REGIÃO

Faro abre caminho à modalidade de futevólei P.22

CARLOS DO CARMO, CRIADOR E ORGANIZADOR DO MERCADO MENSAL MEDIEVAL

DISTRIBUÍDO COM O EXPRESSO VENDA INTERDITA Diretor Henrique Dias Freire • Ano XXXIII Edição 1237 • Quinzenário à sexta-feira 17 de janeiro de 2020 • Preço 1,50€

postaldoalgarve 130.510

CASTRO MARIM MEDIEVAL P.6

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17 de janeiro de 2020

Redação: Rua Dr. Silvestre Falcão, 13 C 8800-412 Tavira - ALGARVE Tel: 281 320 900 Fax: 281 023 031 E-mail: jornalpostal@gmail.com Online: www.postal.pt FB: facebook.com/postaldoalgarve FB: facebook.com/ cultura.sulpostaldoalgarve Issuu: issuu.com/postaldoalgarve Twitter: twitter.com/postaldoalgarve Diretor: Henrique Dias Freire Diretora executiva: Ana Pinto Redação: Ana Pinto (CO-721 A) Cristina Mendonça (CP 3258) Henrique Dias Freire (2207 A) Stefanie Palma (TP-583 A) Design: Bruno Ferreira Colaboradores: Afonso Freire, Alexandra Freire, Alexandre Moura, Beja Santos (defesa do consumidor) Colaboradores fotográficos e de vídeo: Luís Silva / Miguel Pires / Rui Pimentel Departamento comercial, publicidade e assinaturas: Anabela Gonçalves, Helena Gaudêncio José Francisco Propriedade do título: Henrique Manuel Dias Freire (mais de 5% do capital social) Edição: Postal do Algarve - Publicações e Editores, Lda. Centro de Negócios e Incubadora Level Up, 1 8800-399 Tavira Contribuinte: nº 502 597 917 Depósito Legal: nº 20779/88. Registo do título (DGCS): ERC nº 111 613 Impressão: LUSOIBÉRIA – Av. da República, n.º 6, 1.º Esq. 1050-191 Lisboa Telf.: +351 914 605 117 e-mail: comercial@lusoiberia.eu Distribuição: Banca - Logista, ao sábado com o Expresso/ VASP - Sociedade de Transportes e Distribuição, Lda e CTT Estatuto editorial disponível: www.postal.pt/quem-somo

Tiragem desta edição:

6.780 exemplares

••• OPINIÃO

Beja Santos

Ana Amorim Dias

Daniel Graça

Assessor do Instituto do Consumidor e consultor do POSTAL

Escritora anamorimdias@gmail.com

Licenciado em Economia pelo ISEG – Lisboa, Professor aposentado

Tem muito a pedir na sua farmácia… E a custo zero

Mede a vida!

As velharias e a economia

Escrevi um dia, na apresentação de um livro meu, o seguinte: “Sabia que uma escolha à toa de um medicamento para a constipação ou a gripe pode agravar a doença? Sabia que numa altura em que os cuidados de saúde estão na corda bamba, e a custos por vozes onerosos, o aconselhamento farmacêutico é totalmente gratuito e lhe possibilita escolhas corretas para o seu bem-estar e está ali mesmo ao seu alcance, maior proximidade com um profissional de saúde não há?”. Confirme se não é verdade: não saia da farmácia sem saber porque vai tomar este ou aquele medicamento, o horário das tomas, as possíveis reações adversas e o que fazer se elas surgirem, e mais cuidado deve ter quando o medicamento envolve grávidas, crianças, doentes crónicos e seniores; naquele espaço de saúde pode utilizar sem qualquer custo um instrumento chamado SIFARMA, com absoluta confidencialidade, ali se registam os dados essenciais de doenças e de medicamentos que tem tomado, com este instrumento o farmacêutico poderá identificar a possibilidade de interferência com doenças ou com outros medicamentos, reações adversas e muito mais; o aconselhamento farmacêutico pode revelar-se indispensável em doenças benignas como acne ligeira e moderada ou aftas, mas também na doença celíaca, no consumo de suplementos alimentares. O aconselhamento de que estamos a falar não se prende apenas com o bom uso do medicamento, mas também com explicações sobre o folheto informativo, os riscos de uma automedicação não acompanhada (um doente hipertenso, mesmo que apresente valores de pressão arterial normais, não pode tomar determinado tipo de medicamentos disponíveis para o alívio dos sintomas da constipação sem que corra o risco da descompensação da sua hipertensão, por exemplo); na farmácia pode obter-se informação sobre a avaliação dos tipos de tosse (se a tosse é seca ou se possui expetoração, há quanto tempo se iniciou, se está relacionada com alguma infeção das vias respiratórias, se fuma…). As situações de usar e abusar do aconselhamento farmacêutico são praticamente ilimitadas. Falou-se atrás em aftas. O farmacêutico é um profissional de saúde que tem formação para reforçar e promover mensagens para uma boa saúde oral. Ao abordar o seu farmacêutico, deve procurar expor com clareza o estado de saúde da sua boca: se tem dentes sensíveis a variações de temperatura, se as gengivas sangram com facilidade, se existem doenças crónicas que obriguem à toma de medicamentos. Pense nas próteses e lembre-se de que a escova quando é muito rija risca o próprio material de que é feito a prótese, facilitando a fixação de bactérias na placa, que, posteriormente, originam infeções na boca. Aqui ficam amostras do que pode esperar de um aconselhamento a custo zero em prol de uma vida com mais qualidade. Não acha?

Mede a vida pela quantidade de sorrisos que te brotam no rosto e pela qualidade dos amigos que nunca te deixarão só. Mede-a pelos projetos concretizados e pelos sonhos que teimam em continuar a nascer. Mede a vida pelos olhares cúmplices, pelos abraços, pelas memórias guardadas nos cheiros, sabores e nuances; mede-a pela calma nos momentos difíceis e pela a exultação da banalidade. Mede a vida pelas gargalhadas de boca aberta e intensidade capaz de te fazer doer a barriga. Mede a vida pelos abraços sentidos, pelos apertos de mão firmes e pelas lágrimas de emoção que certas coisas te dão. Mede a vida pelas fugas feitas para dentro de ti; pelas lutas e missões que assumes como fulcrais. Mede a vida pela quantidade de planos que tens, pelas marcas que deixas nos outros, pelos perdões que já destes. E mede-a também pela firmeza com que deixas ir o que passou sem remoer mais no tema. Mede a vida pelas rugas de expressão, pelas histórias a contar, pelas cicatrizes que te tornaram quem és. Mede a vida pelos impulsos, pelos erros com que aprendeste e pelos instintos que, sem saberes, te salvaram. Mede a vida pelos “nãos” que consegues dizer e pelas oportunidades que sabes que são para agarrar. Mede a vida p’los estragos nas tuas malas, pelas milhas já voadas, pelos caminhos andados. Mede a vida pelos imprevistos que abraçaste como destino, pelos sentimentos que domaste e p’los laços que criaste. Mas, se pensares bem, só tens que medir a eficácia com que até aqui viveste através do quanto te amam e de como te construíste.

Já é habitual vermos as chamadas feiras de velharias por todo o país. Algumas coisas são peças raras de antiguidades e outras são realmente velharias. Não há uma grande clientela, mas os vendedores vão sobrevivendo. Poderão perguntar-me o que é que isto tem a ver a economia. A resposta situa-se a dois níveis: ao nível individual e ao nível coletivo. Ao nível individual há uma poupança imediata porque há artigos em bom estado e evita-se comprar artigos novos muito mais caros. Contudo, não há o hábito de comprar coisas usadas talvez para mostrar que temos dinheiro para comprar artigos novos. Ao nível coletivo a poupança é maior do que se possa pensar. Há cerca de quatro milhões de famílias em Portugal, se cada família comprar um artigo por mês são cerca de sessenta milhões de artigos por ano, supondo que esses artigos têm um preço médio de cinco euros, são trezentos milhões de euros que ficam no país porque não são importações. Se em vez de artigos usados comprarmos artigos novos o valor é, pelo menos, cinco vezes maior, o que significa um valor de pelo menos mil e quinhentos milhões de euros e como importamos mais do que exportamos uma boa parte desse dinheiro vai para o estrangeiro, agravando as contas externas do país. Creio que os pressupostos destas contas não pecam por excesso, talvez pelo contrário. Se pensarmos em pequenos eletrodomésticos, pequenas máquinas, utensílios, ferramentas, louças e móveis as poupanças são significativas. Existem móveis de grande qualidade nas lojas de segunda mão, mas as pessoas preferem ir comprar móveis em aglomerado de madeira e plástico mais caros e que se estragam a curto prazo, é a ilusão de comprar novo. Faz-me lembrar Raul Solnado “o meu filho vai para a guerra mas vai limpo”. Não se poupa deitando para o lixo o que ainda está bom. Há que mudar velhos hábitos da sociedade. pub

CARTÓRIO NOTARIAL DE SINTRA DA NOTÁRIA ANA SOFIA VALADA ROQUE JUSTIFICAÇÃO NOTARIAL Bruna Maurícia Martins Cota Valadão Rocha, Notária, em substituição na ausência da licenciada Ana Sofia Valada Roque, titular do Cartório Notarial sito na Avenida Heliodoro Salgado, nº 36, Sintra: Certifico, para efeito de publicação, que, por escritura outorgada ao dia dezanove de Dezembro de dois mil e dezanove, neste Cartório Notarial, exarada a folhas catorze do livro de notas para Escrituras diversas número cento e quarenta e um, os Senhores MARIA ODETE GAGO MARTINS, NIF 161 107 001, viúva, natural de Marrocos, residente na Ladeira de São Sebastião, nº 4, Tavira e MARIA JOSÉ MARTINS RAMOS, NIF 102 956 626, divorciada, natural da freguesia de Santiago, concelho de Tavira, residente na Rua Ataíde de Oliveira, nº 105, 3º B, Faro, declararam que são, com exclusão de outrem, donas e legítimas possuidoras do seguinte bem: Prédio urbano composto de casa de dois pisos, para habitação, com a área total e coberta de vinte e cinco metros quadrados, a confrontar a Norte e a Poente com José Isidoro Horta Ramos, a Sul com Ladeira de São Sebastião, a Nascente com José Manuel Valente e Maria Lúcia Vestia Leiria, inscrito na matriz predial urbana sob o artigo 650 da União das freguesias de Tavira ( Santa Maria e Santiago), que provém do artigo 512 da freguesia de Tavira (Santiago) (extinta), não se encontrando o prédio descrito na Conservatória do Registo Predial de Tavira, conforme Certidão emitida pela Conservatória do Registo Predial de Tavira, em 18 de Dezembro de 2019. Que justificam o direito de propriedade sobre prédio urbano acima descrito invocando como causa da sua aquisição a usucapião, dado estar na posse do dissolvido casal José Isidoro Horta Ramos e Maria Odete Gago Martins, e posteriormente das herdeiras acima identificadas, contínua, pública e pacífica, há mais de vinte anos, em resultado da doação verbal que foi feita a Joaquim Ramos Gonçalves e Catarina da Conceição Horta, casados um com o outro sob o regime da comunhão geral de bens, com última residência conhecida na Ladeira de S. Sebastião, nº 2, Tavira, por volta do ano mil novecentos e setenta e nove, data que não conseguem precisar. ESTÁ CONFORME Sintra, 19 de Dezembro de 2019 A Notária em substituição Bruna Maurícia Martins Cota Valadão Rocha (POSTAL do ALGARVE, nº 1237, 17 de Janeiro de 2020)


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REGIÃO •••

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Festa das Chouriças em Querença promete deliciar os visitantes fadistas Melissa Simplício, Luís Manhita e Filipa Nobre, acompanhados na guitarra portuguesa por Valentim Filipe e na viola por Tiago Valentim. No domingo, a partir das 11 horas e durante a tarde, o visitante poderá degustar a chouriça assada nos vários estabelecimentos de Querença. No Largo da Igreja, pelas 15 horas, a animação estará a cargo do Grupo Coral e Instrumental Costa Azul. Uma hora mais tarde terá início o habitual e sempre animado leilão de chouriças, no qual o público em geral poderá participar e adquirir a rainha da festa, a chouriça.

foto d.r.

􀪭 Festa é um dos principais cartazes turísticos do concelho de Loulé Querença volta a ser palco da já tradicional Festa das Chouriças em honra de S. Luís, no próximo domingo, um dos principais eventos gastronómicos do interior algarvio.

A festa inicia-se no sábado, dia 18, pelas 21 horas, com uma grandiosa Noite de Fados, que vai realizar-se na Casa do Povo de Querença. Participam neste momento musical os

A procissão com a imagem de S. Luís vai percorrer as ruas da aldeia A celebração religiosa terá início às 17 horas, com uma eucaristia na Ermida do Pé da Cruz, presidida pelo

Padre Carlos Matos, à qual se seguirá a procissão solene com a imagem de S. Luís até à Igreja de Nossa Senhora da Assunção. Haverá, das 10 às 18 horas, um Mercadinho com exposição e venda de artesanato e produtos locais, representativos da região algarvia. A partir das 19 horas, as atenções viram-se para o baile no Salão de Festas da Casa do Povo de Querença, animado pelo acordeonista Silvino Campos. Durante o evento haverá animação para as crianças a cargo da Palhaça Pirolita, e animação de rua com a Casa da Cultura de Loulé. Trata-se de uma iniciativa promovida pela Comissão de Festas da Paróquia, que conta com o apoio da União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim, da Câmara Municipal de Loulé e da Casa do Povo de Querença.

“A Festa das Chouriças é um dos mais emblemáticos eventos desta zona serrana do Algarve e constitui um dos principais cartazes turísticos do concelho de Loulé e da região nesta altura do ano, aliando a gastronomia a uma forte componente religiosa, em que as tradições do Algarve rural estão bem presentes”, afirma a Câmara de Loulé. De salientar que “as raízes desta festividade remontam a uma época em que, no interior algarvio, as famílias tinham o hábito de criar o seu porco para sustento ao longo do ano. Era igualmente tradição pedir a S. Luís, patrono dos animais, que conservasse em boas condições o porco, para garantir a alimentação do agregado familiar. Em forma de gratidão, as famílias ofereciam ao Santo Protetor as melhores chouriças caseiras”. A Festa das Chouriças tem entrada livre. pub

RESOLUCAO DE ANO NOVO para 2020:

UTILIZAR A AGUA COM CONSCIENCIA

PARA QUE os momentos felizes perdurem e o essencial nunca falte

O começo de um novo ano motiva-nos a listar várias intenções de mudança, a que chamamos resoluções de ano novo. Entre promessas de dieta, ler mais, fazer exercício, realizar a tal viagem adiada, estar mais próximo de alguém, ou fazer finalmente o pedido de casamento, muitas são as resoluções que se tomam na viragem do ano. Para 2020 propomos-lhe que acrescente na sua lista, uma de valor inquestionável: Usar a água com consciência.

Que durante todo o ano, especialmente em períodos de maior escassez, utilize a água de forma eficiente e consciente, evitando o desperdício deste recurso escasso essencial à vida. Para que que todas as outras resoluções se realizem e os momentos felizes perdurem é preciso que o essencial nunca falte. Assim, este ano, escreva no topo da sua lista: Para 2020, irei utilizar a água com consciência.

www.aguasdoalgarve.pt


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ENTREVISTA A MANUEL CARLOS, PRESIDENTE DA UNIÃO DE FREGUESIAS DE MONCARAPACHO E FUSETA:

"Mudei de opinião, serei candidato fotos stefanie palma

organizámos, com sucesso reconhecido publicamente, a passagem de ano na Fuseta. Estiveram cerca de dez mil pessoas na Zona Ribeirinha da nossa vila piscatória, que viveu um dia histórico, pois foi a primeira vez que se realizou uma Passagem de Ano pública, ainda por cima com a atuação da banda Íris, do carismático Domingos Caetano e do DJ Mike Vieira, ambos naturais da Fuseta, e com um magnífico fogo-de-artifício lançado na Praia dos Tesos, que iluminou a nossa linda Ria Formosa. Deixo a promessa que enquanto este executivo liderar a União de Freguesias, a passagem de ano na Fuseta irá sempre realizar-se.

/ postal d.r.

Em termos de orçamento, quais são as prioridades? Fizemos um orçamento equilibrado, em que destaco várias intervenções que estamos apostados em fazer ou pelo menos começar a fazer: continuar com a requalificação do Parque de Campismo da Fuseta; esperar pela aprovação do projeto da cobertura do Cinema Topázio, que quando havia dinheiro através do Programa da CCDR referente a comparticipação de equipamentos urbanos de utilização coletiva não existiu vontade por parte do Executivo da antiga Junta de Freguesia da Fuseta em fazê-lo, tendo esta União de Freguesias efetuado uma candidatura a esses fundos em 2016, mas que agora com as cativações tem sido adiado o apoio e em 2020 vamos efetuar a quarta renovação. Vamos lá ver se é agora… União de Freguesias vai ampliar o Cemitério da Fuseta

􀪭 Manuel Carlos diz que o maior problema é o estado caótico em que se encontram as estradas municipais Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

stefanie.palma.postal@gmail.com

Que atividades tem a União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta atualmente em curso? Apesar de não termos chegado a acordo com a Câmara Municipal de Olhão em relação à delegação de competências, a nossa freguesia não pára e temos sempre muito trabalho por efetuar, como o arranjo dos caminhos rurais, pequenas reparações no património histórico da nossa freguesia, entre outros. Além disto, também disponibilizamos diversos

serviços à população da nossa freguesia, como na área da saúde, com serviços gratuitos de enfermagem, tanto em Moncarapacho como na Fuseta, e, desde o final de 2019, também com um médico, com consultas às segundas e sextas-feiras nas instalações da antiga Junta de Freguesia de Moncarapacho. O Carnaval de Moncarapacho é o mais antigo do Algarve Em termos desportivos e culturais, continuaremos a apoiar as instituições, associações e coletividades da nossa freguesia e, tal como nos outros anos, iremos disponibilizar um vasto programa, em que destaco o Carnaval de Moncarapacho – o mais antigo do Algarve e que em 2020 comemora 121 anos – que além dos

tradicionais desfiles em fevereiro, também sairá à rua na noite do dia 1 de agosto para o “Carnaval de Verão”, que de ano para ano tem crescido imenso. Integrado ainda nas Festas de Verão, comemoramos os Santos Populares com a população da nossa freguesia, temos o MonJazz – Festival de Jazz de Moncarapacho; “A Grande Noite do Fado”; o Festival Internacional de Folclore do Rancho Folclórico de Moncarapacho. Renovámos também o protocolo com a Orquestra Clássica do Sul, que prevê a realização de três concertos: um em Moncarapacho, na Páscoa, e dois na Fuseta, em agosto e no Natal. Moncarapacho viveu um dia histórico na passagem de ano No passado dia 31 de dezembro

A ampliação do Cemitério da Fuseta também merece ser destacada, dado ser uma obra que também ficou “esquecida” pelos anteriores executivos da antiga Junta de Freguesia da Fuseta: já temos projeto, que está na secção de obras da Câmara Municipal de Olhão à espera de ser aprovado. Continuaremos a investir no Pavilhão de Eventos, em Moncarapacho, dotando-o de condições para os inúmeros eventos que acolhe durante todo o ano. Depois do investimento feito na cozinha, tencionamos acabar o forro interior – que começámos a fazer no final de 2019 – e tentar arranjar uma solução para a melhoria da acústica deste espaço de excelência, que a União de Freguesias dispõe. Neste orçamento também temos cabimentado um forte apoio à Casa do Povo do Concelho de Olhão, destinado à edificação do CAO, um Centro de Atividades Ocupacionais, destinado ao acolhimento de jovens e adultos com problemas mentais profundos.

Qual o maior problema com que a União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta se debate? É o estado caótico em que se encontram as estradas municipais que atravessam o nosso território. Exemplo disso é a EM 514, que faz a ligação do Pereiro a São Brás de Alportel e que tem sido recorrente em acidentes, devido ao mau estado do piso, principalmente se estiver molhado, dado não ter nenhuma aderência, como aconteceu no dia 18 de dezembro do ano passado, em que houve seis acidentes, quase todos com capotamento. E a Câmara Municipal de Olhão, a entidade responsável pela sua manutenção, tem tido uma atitude inerte para a resolução do problema: em março de 2016, quando confrontado com a situação pela SIC Notícias depois de mais um dia com vários acidentes, o seu presidente, Sr. António Pina, afirmou que em 2017 o problema estaria resolvido. Estamos em 2020 e tudo continua igual. “A estrada da Jordana, é, talvez a mais esburacada do concelho” Outra via que deveria merecer mais atenção por parte da Câmara Municipal de Olhão é o CM 1313 – Estrada da Jordana -, que é, talvez, a mais esburacada do concelho. Mas para o Sr. Presidente António Pina, essa estrada passa ao lado, porque, segundo palavras suas, “não serve muitos habitantes do concelho”. Esta afirmação é grave, dado que discrimina parte da população, que injustiçada já manifestou publicamente esse desagrado, numa Assembleia Municipal que se realizou em Moncarapacho em 2018. Entre outras, a ligação entre a EN 125, junto à antiga Macoter e que passa pela antiga Escola Primária de Bias, e Moncarapacho (CM 1329 e 1330), também está bastante degradada. Que outros problemas necessitam de intervenção? O lixo e a limpeza. Por muito que se divulgue o programa “Olhão Lixo Zero”, sem vontade política para introduzirem sanções para os prevaricadores, nunca irá funcionar. Além da falta de civismo, também seria necessário a Câmara Municipal de Olhão investir mais e melhor na recolha do lixo, com passagens mais assíduas e meios mais adequados. Considero ainda que para a realização de um bom serviço também será necessário motivar os funcionários da Ambiolhão. Como classifica a relação entre a União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta e a Câmara Municipal de Olhão?

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REGIÃO •••

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o e estarei preparado para a luta"

􀪭 O presidente da União de Freguesias assegura que "contra tudo e contra todos, temos lutado pelos interesses da população de toda a freguesia"

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Presentemente é péssima e acredito que até ao final de 2021 não terá melhoras, tendo mesmo tendência para piorar… O PSD acusa a Câmara Municipal de Olhão de discriminar a União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta? O PSD, partido em que sou filiado, e toda a população minimamente atenta, sabe o que se está a passar. A discriminação é gritante em relação às outras freguesias do concelho de Olhão e visível até em pequenas coisas, como, por exemplo, nos cartazes de Natal que a Câmara Municipal de Olhão colocou nas freguesias: em todos associou o nome delas e nos que foram colocados em Moncarapacho e na Fuseta omitiu o nome da nossa freguesia. Isso foi uma atitude discriminatória para com a população da nossa freguesia. Isto aconteceu numa situação simples, imaginem agora quando toca a outras decisões com reflexo na qualidade de vida dos nossos cidadãos. Outra atitude discriminatória aconteceu aquando das negociações – que não as houve – para a transferência de competências para as freguesias, com a Câmara Municipal de Olhão a propor 38.500 euros para esta União de Freguesias, referentes a 60.836

m2 de áreas verdes, o que dá 0.63 euros/m2, tendo acordado com 160.000 euros para a Freguesias de Quelfes, relativos a 120.000 m2, ou seja 1.33 euros/m2, e 36.000 euros para a Freguesia de Pechão, em que os m2 das áreas verdes são “segredo de estado”, não foram divulgados, mas que em área territorial é quatro vezes menor que esta União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta. A Freguesia de Olhão, por ser urbana e estando localizada na cidade, declinou receber esta transferência, dado o Município efetuar diretamente esse serviço. Nestes factos indesmentíveis, é visível a falta de espírito democrático do Sr.º. Presidente da Câmara Municipal de Olhão, que à falta de uma explicação mais convincente, afirma que os m2 das outras freguesias “têm mais flores e arbustos que nos m2 existentes na União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta”. Uma afirmação bastante cómica, sem dúvida, para mais sendo o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Olhão eleito recentemente líder da AMAL (Comunidade Intermunicipal do Algarve), com o propósito de afirmar-se como ‘presidente de todos os algarvios’. Mas, com esta atitude, nem consegue ser presidente de todos os olhanenses…

Qual o balanço que faz do trabalho do executivo neste mandato e meio? Contra tudo e contra todos, temos lutado pelos interesses da população de toda a freguesia, mesmo os que não votaram neste executivo, porque é assim que funciona o espírito democrático. Até agora o balanço tem sido positivo naquilo que depende de nós. As obras referentes a candidaturas do Portugal 2020 foram concluídas Neste mandato concluímos as obras referentes a candidaturas apresentadas no âmbito do Portugal 2020, nomeadamente as referentes à modernização administrativa, que renovou o material informático nos nosso balcões de atendimento e disponibilizou zonas de wifi gratuito em Moncarapacho e na Fuseta e a colocação de mupis informativos, também nas duas localidades. Concluímos também duas candidaturas ao Programa Mar 2020, destinadas à renovação das condições do Porto de Pesca da Fuseta, à colocação de mais 11 casas de apoio a pescadores e de um carro de alagem numa rampa, para pequenas reparações das embarcações, em seco. Está a pensar candidatar-se a um próximo mandato? Já tinha confidenciado a muita gente

que não ia ser candidato, mas devido aos últimos acontecimentos entre a União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta e a Câmara Municipal de Olhão, mudei de opinião, serei candidato e estarei pronto e preparado para a luta… Diz-se que poderá ser no futuro, candidato à Câmara Municipal de Olhão. O que nos pode dizer sobre este assunto? Suponho que uma das razões para a perseguição que a Câmara Municipal de Olhão está a fazer a esta União de Freguesias é por causa desse “boato”. Até agora, nunca pensei nessa possibilidade e acredito que no futuro também não o irei fazer. Quais têm sido os principais desafios? Remar contra a inércia e o “deixar andar” que está enraizado em muitos dos eleitos neste concelho, além de lutar para conseguir o melhor para a população desta grande freguesia, que, em área territorial, ocupa 57% do concelho de Olhão, ou seja, é mais de metade. Há problemas sociais na União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta? Bastantes, por isso, esses problemas fazem parte das nossas prioridades. Como já afirmei anteriormente, sempre que solicitados ou informados

por terceiros, temos ajudado algumas pessoas com ações que visam melhorar a sua qualidade de vida. Já tratámos de situações burocráticas para habitantes da nossa freguesia que estavam em cadeira de rodas terem uma cadeira elétrica e, entre outras ações, no Natal oferecemos um cabaz a 400 famílias carenciadas da freguesia, para que tenham uma quadra festiva mais condigna. Em que áreas vão apostar em 2020? Nenhuma em particular. Estaremos atentos e atuantes em todas as áreas que são da nossa competência e que tenham necessidade de intervenção ou atenção. Que perspetivas futuras tem para a União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta? As perspetivas futuras para esta grande freguesia do Algarve estão dependentes da promessa do Partido Socialista, em relação à desagregação das freguesias. Sabemos que quando lhes interessa, o assunto volta ao espaço mediático e quando não lhes interessa é atirado para o lado pelo Governo. E subsistem várias situações que estão dependentes desta condição e que condicionam - e muito - todo o futuro imediato, pelo menos enquanto isto não estiver bem clarificado.


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••• REGIÃO

Já pode viajar até à Idade Média durante todo o ano fotos stefanie palma

“Eu digo-lhes, em traços gerais, os aspetos históricos, como é que surgiu o castelo, desde quando é que existe ocupação humana em Castro Marim, a importância do sal e da flor de sal, porque é que existe um castelo, uma fortaleza e o Revelim de Santo António”, refere. Há várias atividades associadas à taberna, desde visitas guiadas, visitas temáticas, banquetes, e até uma revisitação das lendas. Quanto aos baquetes existem várias hipóteses, no entanto, segundo o organizador, a experiência que é mais vendida é constituída por grupos entre 20 e 40 pessoas, sob reserva, que pode ser ao almoço ou ao jantar. “O programa consiste na chegada do grupo, na atribuição de uma bebida de boas vindas à luz das velas e das tochas. Depois, há o colocar das capas e uma visita turística com a explicação dos pormenores mais históricos da vila. Em seguida, o grupo regressa e já é recebido por um grupo de música medieval ao vivo. Há o processo de mudar de

/ postal d.r.

Clientes podem reviver um verdadeiro ambiente medieval trajados a rigor Neste estabelecimento as pessoas podem desfrutar ainda, todos os dias, de um ambiente totalmente medieval, onde poderão vestir um traje, tirar fotografias, tomar uma bebida e uma tapa, ouvir belas melodias medievais e até adquirir alguns produtos. “Quando não existem grupos grandes, optamos por servir produtos locais de grande qualidade, como, por exemplo, a muxama, os queijos de cabra da nossa zona, a flor de sal, os boqueiros ou as enxovas”, esclarece Carlos do Carmo. O organizador explica que “também organizam 'passeios à volta com as lendas', onde há uma visita pelos sítios históricos da vila e são explicadas as várias lendas”. Existe ainda outra atividade denominada“passeando com a nobreza”, que consiste num passeio com as várias personagens históricas ligadas à vila. Castro Marim passa assim a ter uma dinâmica medieval durante todo o

􀪭 Carlos do Carmo criou um Mercado Medieval Mensal em Castro Marim Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

stefanie.palma.postal@gmail.com

Doçaria típica algarvia, artesanato, alfaias agrícolas, atoalhados, loiças, calçado e muitos outros produtos… Pode encontrá-los fazendo uma verdadeira viagem de regresso à Idade Média, pois a vila de Castro Marim já tem, no segundo sábado de cada mês, um Mercado Medieval Mensal. O encontro realizou-se pela primeira vez no passado sábado e contou com a visita de centenas de pessoas. Carlos do Carmo, criador e organizador do Mercado Mensal Medieval, disse ao POSTAL que “existiu uma grande afluência nesta primeira edição do mercado. Tivemos oito artesãos, mercadores e vendedores. Ao todo, tivemos oito participantes, que trabalham a madeira, o linho, a tecelagem, o mel, hidromel, queijos e velharias e fazem-no ao vivo, enquanto efetivam as vendas”. O organizador afirma que tem recebido muitos pedidos de pessoas que querem participar no mercado. “Já temos cerca de 10 pessoas em lista de espera. Temos tido muita procura

quer da parte de quem expõe, quer de quem nos visita. Para primeira vez foi muito bom”, explica. O Mercado Medieval Mensal vai permitir que os visitantes “desfrutem num ambiente medieval de um conjunto de artes, ofícios, mercadores e outros que nos recordam outros tempos”. Mercado Medieval insere-se no projeto da Taberna Medieval Velho Cavalinho Carlos do Carmo contou ao POSTAL que “o Mercado Mensal Medieval é apenas uma das componentes de um projeto maior designado Taberna Medieval Velho Cavalinho, que já funcionava nos Dias Medievais, mas passou recentemente a trabalhar com um caráter regular”. Na Taberna Medieval, os visitantes podem igualmente recuar no tempo e inclusivamente trajar-se a rigor todos os dias das 10 às 18 horas (exceto domingos). “A Taberna Medieval surgiu em 2014 mais associada aos Dias Medievais porque é o grande evento que há na terra e já desde essa altura foi nítido que existia um mercado muito grande recetivo a este tipo de estruturas, que permanecessem abertas o ano inteiro”, afirma o organizador. Carlos do Carmo é peremptório:

“Castro Marim tem um património histórico muito grande, com muitos monumentos e é claro com uma mística especial que sempre me fascinou”. “Eu estive sempre muito ligado ao associativismo porque fui presidente de uma coletividade durante 20 anos, que participou desde o início nos dias medievais, vendendo milhares de litros de sopa e com um know how relativamente grande”, explica. A Taberna Medieval foi construída do zero: “abrimos há um ano e a adesão tem sido muito boa. As pessoas gostam muito e esse é o principal objetivo, que as pessoas nos visitem”. A Taberna Medieval oferece vários tipos de serviço Carlos do Carmo diz que “existem várias ofertas que compõe o todo: a Taberna Medieval não é um restaurante, não é um museu e não é um posto de turismo. É, no fundo, uma amálgama, uma junção de tudo, um verdadeiro espaço de experiências”. A Taberna Medieval fica situada junto ao Castelo de Castro Marim: “cerca de 70 ou 80% das pessoas que vêm ao Castelo passam por aqui e numa vila como Castro Marim este tipo de espaços faz todo o sentido e facilmente entram”.

􀪭 Na tarberna medieval os visitantes podem viajar no tempo roupa para os trajes medievais. Entretanto, há um banquete composto por vários pratos e o programa culmina depois num baile”.

ano e que vai permitir levar os visitantes a fazer uma viagem no tempo, conhecendo e valorizando os produtos locais.


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Seminário em Portimão abordou o “Tribunal, a Escola e a Comunidade” fotos stefanie palma

dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens. “Em 1991 foram criadas as comissões de proteção de menores, instituições que já refletiam o novo espírito da convenção, reforçando a ideia da separação de judicialização dos tribunais”, afirma. Ana Fazenda recorda que “as crianças passaram a ter o dever de ser informadas dos seus direitos e de todas as ações que lhe dizem respeito. É neste sentido que surge a lei de proteção de crianças e jovens em vigor”.

/ postal d.r.

de facto”, refere. A responsável salienta ainda que “o sistema já atingiu a sua maioridade, tem 21 anos e muito conquistou, sendo inquestionável que muito tem zelado pela concretização do direito das crianças”. “Ao longo deste tempo, este sistema foi-se preparando para as respostas que foram ocorrendo, nomeadamente jurídicas, aos novos desafios que foram surgindo, como por exemplo a obrigatoriedade da escolaridade, dos 6 aos 18 anos”, salienta.

􀪭 Isabel Quirino, João Pedro Camer, Sr. Cândido, Ana Fazenda e Joaquim Manuel Silva participaram na conferência Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

stefanie.palma.postal@gmail.com

A proclamação da Declaração dos Direitos da Criança (1959) e a adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança pela Assembleia Geral das Nações Unidos (1989) foram as temáticas-chave para a realização do seminário “O Tribunal, a Escola e a Comunidade – O modelo da Justiça Restaurativa na Promoção e na Proteção de Crianças e Jovens”, que de-

correu na passada sexta-feira, 10 de janeiro, no auditório do Museu Municipal de Portimão. O encontro, organizado pelo Agrupamento de Escolas Poeta António Aleixo, contou com a participação de dezenas de pessoas, ligadas à comunidade escolar, à área da justiça e também às Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ). No seminário participaram três oradores: o juiz Joaquim Manuel Silva, do Tribunal de Mafra, Ana Fazenda, coorde-

􀪭 Joaquim Manuel Silva prendeu a plateia do início ao fim

nadora regional do Algarve da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, e o jovem João Pedro Camer. Joaquim Manuel Silva é considerado o “juiz amigo das crianças” O primeiro a intervir foi Joaquim Manuel Silva, juiz do Juízo de Família e Menores de Mafra, que captou a atenção da plateia do início ao fim. O juiz falou sobre o Modelo de Justiça Restaurativa na Promoção e Proteção com recurso aos meios instalados. Durante o seu discurso abordou várias temáticas focadas na justiça restaurativa, desenvolvimento das crianças, situações de conflito, física quântica, entre outros. Joaquim Manuel Silva apresentou conclusões que deixaram a plateia bastante curiosa. O juiz explicou que o mais importante não é aquilo que nos acontece, mas sim a perceção que temos do ambiente, sendo que “decidimos tudo pela emoção”. O juiz “amigo das crianças” afirma que “quando estamos em alegria começamos a explorar” e que “toda a criança precisa de alguém que seja louco por ela”. Joaquim Manuel Silva salienta que “quase tudo o que fazemos é inconsciente” e que todos nós “temos uma

criança de seis anos dentro de nós. Até esta idade tudo o que está programado entra, daí que as comissões de proteção de jovens aconselhem que as crianças não vão para instituições até essa idade”. O juiz elucidou ainda o público sobre estatísticas: a entrar no Centro de Estudos Judiciários existem 8 mulheres para 2 homens, no Direito 5 mulheres para 1 homem e na Medicina 3 mulheres para um homem. Por sua vez, Ana Fazenda, coordenadora da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção de Crianças e Jovens, falou sobre o papel das CPCJ na Promoção

􀪭 Ana Fazenda falou sobre o papel das CPCJ “Cada comunidade é responsável pelas suas crianças no respeito das responsabilidades das famílias, nomeadamente os seus pais, responsáveis legais, ou quem tem direito a guarda

Por fim, João Pedro Camer, jovem natural de Faro,s deu o seu contributo contando a sua história pessoal, relacionada com a Proteção de Jovens, um relato que emocionou todos os presentes. pub


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Abriu um restaurante vegan onde até o fotos stefanie palma

/ postal d.r.

Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

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􀪭 Chefe Charles (esq.), Renata Barbosa e Ricardo Barbosa "mergulharam" neste desafio há cerca de 5 meses pub

Biorgânico é o nome do novo restaurante situado em Quarteira que está a conquistar residentes e turistas. Segundo Ricardo Barbosa, proprietário do estabelecimento, “este espaço é 100% biológico, orgânico e vegan… Aqui até os animais são bem-vindos e servidos com biscoitos vegan”. O responsável juntamente com a mulher (Renata Barbosa) e o chefe Charles "mergulharam" neste desafio há cerca de cinco meses. O proprietário do espaço explicou ao POSTAL que estudou gestão agrícola no Brasil e chegou a Portugal no ano passado com a ideia inicial de fazer plantações de vinha, no entanto, não chegou a concretizá-la. “Nós fazemos uma alimentação saudável há muitos anos e pensámos: porque não abrir um espaço? Aquilo que fazemos não é só para nós, é para todo o mundo. O que fazemos aqui é transformar comida, transformar os vegetais”, explica. Ricardo Barbosa afirma que “antigamente existiam muitas pessoas que não entendiam o que era ser vegetariano ou vegano porque também não sabiam cozinhar aqueles alimentos”. “As pessoas achavam que era só meter na panela com água e sal e servir,

no entanto, não é bem assim. Nós criamos verdadeiras obras de arte”, afirma. O Biorgânico é um restaurante totalmente biológico e vegan que está situado no Largo Afonso de Albuquerque 8, em Quarteira. As frutas e verduras são provenientes de uma quinta, situada em Lagos. “Fazemos questão de ir lá todos os meses acompanhar a produção dos alimentos”, afirma. “Nós trabalhamos muito com as frutas da época no que toca aos sumos naturais e temos sempre a preocupação de comprar produtos locais”, conta. O responsável salienta que “apostar numa alimentação biológica é essencial, primeiramente pela questão da saúde. O não uso de agrotóxicos, pesticidas ou fitossanitários é algo importante, pois estas substâncias alteram o nosso organismo ao longo dos anos”. “Depois, é inegável o dano que estas substâncias químicas provocam na natureza. Existem alimentos que não têm potássio ou magnésio por causa do solo estar destruído”, relembra. Ricardo Barbosa diz que “uma cultura biológica não é necessariamente mais cara e isto nada mais é do que aquilo que os nossos avós e bisavós faziam, um cultivo sem agrotóxicos”. Ricardo Barbosa fez um estudo do mercado antes de abrir o espaço Ricardo Barbosa visitou vários sítios de norte a sul do país antes de abrir este conceito. “Queria entender a forma como trabalhavam e o porquê de abrirem este tipo de estabelecimentos”. “Quanto a nós, a razão principal foi a saúde. Eu era hipertenso e agora já não sou devido à alimentação saudável”, enfatiza. O proprietário do Biorgânico explica


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os animais são bem-vindos que “o espaço foi todo reconstruído à nossa maneira”. “Não usamos qualquer tipo de plástico no nosso espaço e temos igualmente alguns produtos para venda. Nestes meses já vendemos, por exemplo, 36 copos menstruais. Existem ainda chás, infusões, seis ou sete tipos de leite vegetal e até cervejas biológicas”, refere. Ricardo Barbosa salienta ainda que este é um estabelecimento muito flexível: “se o cliente vier aqui e quiser algo que nós não temos, nós fazemos”. “Temos um menu do dia que é constituído por sopa, prato principal e bebida”, destaca. Ricardo Barbosa diz que “a partir da próxima semana o restaurante vai ter ainda mais tipos de massas”. “No nosso estabelecimento até o café é biológico. Temos ainda um Açaí que é 100% orgânico”, salienta. O proprietário deixa o convite: “venham visitar-nos e conhecer as verdadeiras obras de arte que executamos com a comida. Garanto-vos que não se vão arrepender!”

􀪭 O restaurante Biorgânico localiza-se no Largo Afonso de Albuquerque 8, em Quarteira pub

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Inoculante biológico que contém como princípio ativo a espécie Glomus iranicum var. tenuihypharum, fungo micorrízico arbuscular de alto grau de eficiência, avaliado com êxito em diversas condições edafoclimáticas. (Grande tolerância à salinidade e a níveis altos de fertilização).

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Ambos os produtos promovem uma intensa colonização micorrízica do sistema radicular das plantas, o que provoca um maior crescimento radicular, maior absorção de água e nutrientes da solução do solo, assim como um maior vigor e rendimento das culturas.

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••• REGIÃO

Formação para professores promove o património ambiental e histórico de Olhão foto d.r.

􀪭 A formação tem características únicas a nível nacional

O Museu Municipal de Olhão – Edifício do Compromisso Marítimo acolhe, até 22 de fevereiro, uma ação de formação acreditada, destinada a educadores de infância e professores do 1.º Ciclo. A iniciativa do município decorre sob a temática "O passado do meio local: Olhão", e contou, no dia inaugural, com a presença dos vereadores António Camacho e Gracinda Rendeiro. A formação, com características únicas a nível nacional, pretende promover junto dos docentes uma articulação entre a educação e a cultura, através de um programa que vai ao encontro do que se encontra definido nas metas curriculares.

Foi acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua e tem como parceiro o Centro de Formação Ria Formosa. Com vertentes teórica e prática, o curso promove a identidade olhanense, valorizando o seu património ambiental e histórico. Dos oito formadores, destaque para nomes como David Costa, do Centro de Competências TIC da Educom/DGE, e Samuel Silva, professor auxiliar na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Ana Paula Martins, Hugo Oliveira, Sandra

Romba, Joaquim Parra, Andreia Fidalgo e Veralisa Brandão completam o corpo de formadores, e possuem, igualmente, qualificações reconhecidas em áreas específicas, tais como, educação ambiental, arqueologia, património edificado, história local, tecnologias de informação, património imaterial e educação pela arte. Dos conteúdos da ação, destaque para temas como a biodiversidade, o sistema da Ria Formosa, o território, arqueologia, património edificado, símbolos de Olhão, tecnologias de informação, personagens e personalidades históricas, património imaterial e educação pela arte.

Ferragudo celebra “500 anos a Viver o Mar” durante todo o ano de ser comemorada com a pompa e circunstância inerentes à memória centenária do lugar", destaca a Câmara de Lagoa. Sob a égide do 500º aniversário, a Câmara de Lagoa e a Junta de Freguesia de Ferragudo, preparam um conjunto de iniciativas que, ao longo do ano, irão ter lugar sob o mote “Ferragudo: 500 anos a Viver o Mar”. Neste momento simbólico, no qual se recordam os factos que definem Ferragudo tal como é hoje, importa redescobrir a história de uma localidade, que é bem mais antiga, que o ato formal da criação a 21 de agosto de 1520 faz transparecer. "Ligada ao mar, e à circulação de pes-

foto d.r.

􀪭 A programação das comemorações aposta na diversidade de eventos O ano de 2020 é marcado pelo quingentésimo aniversário da fundação da povoação de Ferragudo, instituída

pela carta de privilégios da Rainha D. Leonor. "500 anos é uma longevidade assinalável, uma efeméride digna

soas e bens no Arade, principal meio de incursão no coração do barlavento algarvio, quase ininterruptamente, Ferragudo assumiu uma dicotómica propensão de póvoa piscatória e lugar de controlo da circulação fluvial", afirma o município. Desde a sua formação, Ferragudo levou 242 anos até obter autonomia administrativa e daí até à categoria de vila, 237 anos. Fez parte da freguesia de Estômbar até 1749, quando foi desanexada por iniciativa do Arcebispo Bispo do Algarve D. Inácio de Santa Teresa, num processo conturbado que se arrastou até 1762 e que opôs a vontade de dois povos e duas paróquias.

Com a atribuição do alvará régio de 16 de janeiro de 1773, que dotava o notável lugar d’Alagoa do estatuto de vila e concelho, Ferragudo passa a integrar, juntamente com Estômbar e a Mexilhoeira da Carregação, o recém-criado concelho de Lagoa. A programação das comemorações dos 500 anos de Ferragudo foi trabalhada "no sentido de abranger as mais diversas áreas, das artes ao exercício físico, da historiografia à gastronomia, do artesanato às festividades populares", explica a autarquia. A abertura oficial das comemorações teve lugar no passado dia 11 de janeiro.

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6.780 EXEMPLARES

ARTES VISUAIS •••

Saúl Neves de Jesus

Professor Catedrático da Universidade do Algarve; Pós-doutorado em Artes Visuais; https://saul2017.wixsite.com/artes

Muito recentemente (dezembro de 2019) foi notícia que uma banana, colada à parede com fita-cola, com o título "Comedian" (“Comediante”), do artista italiano Maurizio Cattelan, foi vendida na 18ª edição da Feira de Arte de Miami (“Art Basel Miami Beach”) por 120 mil dólares (cerca de 108,5 mil euros), a um colecionador privado de Paris. Esta notícia foi ainda mais impulsionada pelo facto de o artista performativo nova-iorquino David Datuna a ter comido quando ela se encontrava em exposição no espaço da Galeria Emmanuel Perrotin nessa Feira de Miami. Datuna removeu a fita adesiva que colava a banana à parede da galeria e comeu-a em frente de dezenas de visitantes. Tratou-se duma performance deste artista, filmada e colocada na sua conta no Instagram, tendo sido intitulada pelo próprio como “Artista com fome”. A “fome” de Datuna parece ter sido sobretudo de protagonismo com esta situação, o que realmente conseguiu.

Como é que a arte pode fazer uma banana custar mais de 100.000 *euros? fotos d.r.

Imagem da obra "Comediante”, de Maurizio Cattelan (2019) • Ainda de acordo com a galeria, há três exemplares da obra. Assim, a mesma peça de arte, com bananas diferentes, foi comprada por três colecionadores diferentes e uma das bananas, que não acabou ingerida por visitantes, até custou mais: 150 mil dólares (cerca de 135 mil euros). Segundo um comunicado anterior da galeria, antes do anúncio da primeira venda, o artista teve a ideia de fazer uma escultura com uma banana, pois esta é um símbolo do comércio global. Embora tenha começado por fazer vários modelos, incluindo um

Imagem da obra "A nona hora", de Maurizio Cattelan (1999) • Era suposto ter sido preso, mas tal não aconteceu. Isto porque, segundo o diretor da Galeria Perrotin, "ele não destruiu a obra de arte”, pois aquilo que vale 120 mil dólares não é a banana e a fita adesiva, que é apenas a execução da ideia, mas sim a ideia, atestada pelo Certificado de Autenticidade, em que é indicado que os donos da obra são informados que podem substituir a banana, caso seja necessário.

de bronze, acabou por optar por uma banana “original”, comprada num supermercado local, cuja duração é limitada no tempo, o que acentuaria a ideia de consumismo. Consumismo e extravagância é também o que parece estar na origem da compra desta obra de arte. Mas o valor atingido por esta obra de arte tem também muito a ver com o histórico, o percurso do artista, a persistência e a con-

sistência do seu trabalho, a sua identidade, que pode permitir inferir a dimensão artística do mesmo. A obra “A fonte”, de Duchamp, em 1917, feita a partir dum urinol, é um exemplo da importância da dimensão histórica, pois foi um trabalho inserido numa originalidade e identidade que, de forma persistente, Duchamp desenvolveu, entrando para a história das artes visuais como o percursor da arte concetual, fazendo com que a ideia possa ser mais importante do que o produto final, ou melhor, o valor da obra de arte dependa da ideia subjacente. No caso de Maurizio Cattelan, embora não tendo frequentado qualquer escola de arte, tem já um histórico de irreverência criativa que lhe permitiu alcançar notoriedade no mundo das artes visuais. Desde logo, em 1999, com a obra "A nona hora", uma instalação que integrava uma estátua hiper-realista em cera do papa João Paulo II atingido por um meteorito vindo do céu que teria partido os vidros do teto, encontrando-se espalhados no chão. Assim, o representante de Cristo na Terra era vítima da principal lei que rege o universo, a Lei da Gravidade. Também em 2016, uma outra obra de Maurizio Cattelan, uma estátua de Hitler, intitulada “Ele”, criada em 2001, foi arrematada por 17,2 milhões de dólares (cerca de 15 milhões de euros) num leilão da Christie’s, em Nova Iorque. Nesta obra, Hitler surge representado do tama-

nho de uma criança, de joelhos, com as mãos entrelaçadas, dando a ideia de que se encontra a rezar. No mesmo ano, em 2016, Catellan substituiu uma sanita do Museu Guggenheim, em Nova Iorque, com uma réplica feita com 18 quilates de ouro, avaliada em 1 milhão de euros, intitulada “América”. Esta obra ganhou fama em 2018, quando o presidente Donald Trump solicitou ao Museu a pintura “Paisagem com Neve”, de VanGogh, para decorrar a Casa Branca, mas em resposta Nancy Spector, a diretora do Museu, lhe negou o pedido, tendo oferecido, em sua substituição, a sanita produzida por Maurizio Cattelan. Esta obra foi depois colocada na casa onde o antigo primeiro-ministro britânico Winston Churchill nasceu, o palácio de Blenheim em Oxfordshire, tendo sido entretanto roubada, não tendo sido ainda recuperada.

Ficha técnica Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Henrique Dias Freire Paginação e gestão de conteúdos: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções: • Artes visuais: Saúl Neves de Jesus • Espaço ALFA: Raúl Grade |Coelho • Espaço AGECAL: Jorge Queiroz • Espaço ao Património: Isabel Soares • Filosofia dia-a-dia: Maria João Neves • Letras e literatura: Paulo Serra • Missão Cultura: Direção Regional de Cultura do Algarve • Reflexões sobre urbanismo: Teresa Correia Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve e-mail redacção: geralcultura.sul@gmail.com e-mail publicidade: anabelag.postal@gmail.com online em: www.postal.pt e-paper em: www.issuu.com/ postaldoalgarve FB: www.facebook.com/ postaldoalgarve/ Tiragem: 6.780 exemplares

Talvez por isso mesmo, os próprios objetos adquiridos também tenham por vezes uma duração muito limitada no tempo. As obras de arte expressam a época em que são produzidas e, atualmente, a sociedade imediatista e consumista em que vivemos permite enquadrar o valor que estes produtos e performances artísticas conseguem atingir.

Imagem da obra "Ele", de Maurizio Cattelan (2001) • Assim, não há arte certa ou errada e não há uma maneira certa ou errada de comprar ou colecionar arte. Qualquer um pode colecionar tudo o que quiser, pela quantia que estiver disposto a gastar, desde que a tenha. Paradoxalmente, a posse de obras de arte não se alinha na tendência duma sociedade cada vez mais desprendida da posse de bens e mais focada no consumo imediatista e funcional dos objetos.

Imagem da obra "América", de Maurizio Cattelan (2016) • O mundo das artes visuais é complexo e leva-nos muitas vezes a perguntar “como é que isto é possível?”. E a possível resposta pode ser a seguinte: “É arte e em arte tudo parece ser possível! l


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17 de janeiro de 2020

CULTURA • SUL

LETRAS E LEITURAS •••

Voar no Quarto Escuro, de Márcia Balsas Paulo Serra

Doutorado em Literatura na Universidade do Algarve; Investigador do CLEPUL

foto Gil Cardoso

Márcia Balsas venceu o Prémio Novos Talentos Fnac em 2018 com o conto "Ponto de Fuga" •

Voar no Quarto Escuro é o romance de estreia de Márcia Balsas •

Voar no Quarto Escuro parece ter começado como um livro de contos. Conta a história de Eduarda, uma viúva que se casa pela segunda vez como forma de refazer a vida, a sua e a da filha de 11 anos. Alice, que prepara o funeral da mãe e procura esconder desejos que há muito se tornaram óbvios. Celeste, que gosta de ser admirada, por homens e por mulheres, mas prefere manter-se à distância. Catarina, que coloca no afã da limpeza e do desvelo pelo senhor Antero um chamamento de amor não-correspondido. Adelaide, a médica que recorre ao prostituto de vinte anos para encontrar a intimidade que o marido lhe nega. Ema, a mulher de poder que gera uma criança morta, prenúncio de um casamento em ruína. Beatriz, dilacerada entre o não-sentir dos antidepressivos e a necessidade de sentir demasiado para poder escrever. Célia, a ama e testemunha de um casamento de revista entre duas vidas desencontradas. Cada trecho narrativo corresponde a uma personagem feminina. Cada texto designado pelo nome da personagem central. Mas Voar no Quarto Escuro, romance de estreia de Márcia Balsas, publicado pela Minotauro, não é um livro de contos. Assim o acusa o encadeamento temporal entre as micronarrativas que se complementam e iluminam reciprocamente, refractando a realidade destas mulheres a partir de

várias perspectivas; os nomes que começam a transitar de capítulo para capítulo; a forma como gradualmente na narrativa de uma das personagens se faz ouvir a voz de outra das oito mulheres, como se a narrativa começasse a oscilar entre a multitude de personagens e admitisse a impossibilidade de continuar a prender cada história num espaço estanque. Um romance que tem muito pouco de romântico, pois as relações interpessoais entre mulheres e homens são sempre desencontradas, áridas, impessoais. Até a relação meramente transaccional de Adelaide, talvez a personagem mais central de todas as oito, chega ao fim quando o jovem prostituto parece envolver-se amorosamente com o marido de outra das personagens. E quando há espaço para um canto de amor, este subsume-se a uma breve passagem quando Celeste sente que pode vir a apaixonar-se por Alice: «talvez prefira as mulheres, é maior a cumplicidade partilhada, os carinhos são mais compensadores, há uma meiguice que o corpo do homem não consegue dar» (p. 68). A unir estas mulheres atravessa-se uma vida de solidão, de dor psicológica e física, de silente desespero, em que o final enigmático do primeiro capítulo sobre Eduarda pode simbolizar o catalisador que desencadeia uma reacção em cadeia na vida de todas estas mulheres, cujas vidas se tocam

sem elas sequer o sentirem. Entre o clarão de um relâmpago e o disparo de uma bala, a morte de Eduarda, vítima de violência doméstica, e do seu agressor, no que se afigura um acto divino, pode revelar-se o fim de uma era de submissão e de convencionalismos mudos e simbolizar o sacrifício salvífico das vidas destas mulheres que restam para contar aquela que é também a sua história. Talvez nem todas as oito mulheres, Eduarda inclusive, consigam alcançar a salvação. Muitas vezes sentindo-se invisíveis, outras vezes transparentes, como uma «mulher-vidro» (p. 21), cada uma destas mães, filhas, amigas, colegas, amantes, profissionais, carrega a sua própria cruz e o seu segredo. Contudo, cada história é única e por isso não há aqui lugar nem sequer para o conforto de uma irmandade partilhada: «Poderá haver paralelismos nas suas vidas, pensa Adelaide, mas nenhuma se sente melhor por o ter percebido (...). Não há utilidade nessa informação, mais uma coincidência escusada. Noutras alturas, seria uma bandeira a perseguir, a amizade que teria de nascer, apenas por acreditar nessas inevitabilidades. Agora, inevitabilidade é outra coisa, para ela. É deixar correr, como o tempo» (p. 135). Márcia Balsas nasceu em Coimbra em 1977, autora do blogue literário Planeta Márcia, e venceu o Prémio Novos Talentos Fnac em 2018 com o conto «Ponto de Fuga». l

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CULTURA • SUL

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Se o disseres na montanha, de James Baldwin ta história retrata a luta interior de um jovem que teme e odeia o padrasto, ele próprio um homem imperfeito e violento, enquanto simultaneamente o encara como um modelo a seguir. Aliado a esse dilema, persiste ainda outra clivagem maior, um segredo ainda inominável mas que é já perceptível ao longo deste romance, mas que apenas irrompe numa outra obra do autor, que será publicada ainda neste ano de 2020 pela Alfaguara – O Quarto de Giovanni. Nunca é expresso de forma absoluta e incontornável, mas ao longo deste livro, especialmente na primeira parte, mais centrada na perspectiva de John, os indícios homoeróticos na relação entre John e Elisha são vários. John pensa em Elisha «que era alto e belo, que jogava basquetebol e que aos onze anos tinha sido salvo das impensáveis plantações do Sul» (p. 20). John assume que pecou. «Apesar dos santos, do pai e da mãe, dos avisos que ouviu desde o princípio dos seus dias. Pecara com as suas mãos um pecado difícil de perdoar. Na casa de banho da escola, a pensar em rapazes, mais velhos, maiores, valentes, que faziam apostas uns com os outros sobre quem Escritor viveu em Paris para se poder encontrar como homem negro e homossexual • conseguia o maior arco de urina, e viu acontecer Se o disseres na montanha foi o fosse, mas a frase tantas vezes repe- em si uma transformação de que não romance de estreia de James Bald- tida surgiu na sua mente como um se atrevia a falar.» (p. 21) Porém, a win, publicado em 1953 e só agora grande portão de ferro que se abre par da consciência de John do petraduzido por Isabel Lucas e publica- para ele e dá para um mundo onde cado que o marca, e que o diminui do entre nós pela Alfaguara. O autor as pessoas não viviam na escuridão aos olhos dos outros, em particular nasceu em 1924 em Nova Iorque, do pai (...)» (p. 22) do padrasto, reside também em si a cresceu no bairro de Harlem, e viajou Na manhã de um sábado de Março, percepção de que se demarca dos para Paris em busca de liberdade pa- em 1935, John reflecte na admoesta- outros por motivos diferentes, como ra se poder encontrar como homem ção pública que o seu amigo Elisha e aconteceu um dia quando aos 5 anos negro e homossexual. Ella Mae receberam num sermão de a directora da escola vê a sua caligraA narrativa centra-se no dia do domingo, acusados de corporizarem fia no quadro e lhe diz «És um rapaz décimo quarto aniversário de John o pecado entre a congregação. No muito esperto, John Grimes» (p. 23) Grimes, dia em que se cumpre tam- momento dessa denúncia pública Um rapaz esperto num mundo de bém o vaticínio de que John um dia termina a possibilidade de estes dois brancos, em que para combater a quando crescesse seria pregador tal jovens continuarem a encontrar-se, injustiça, como a falsa acusação que como o seu pai (na verdade, o pa- ainda que de forma inocente, a não recai sobre Richard, o verdadeiro pai drasto), que lhe diz ser feio, o mais ser um dia mais tarde ao abrigo do de John, Elizabeth, a sua mãe, manbaixo da turma, o rapaz que não tem casamento, para terem filhos e edu- tinha «a cabeça levantada, o olhar amigos. cá-los na igreja. E é também nesse em frente e sentia a pele assentar «A John, que se destacava na es- domingo, dias antes do seu aniversá- sobre os ossos como se usasse uma cola – mas não em matemática nem rio, que «John percebeu que aquela máscara» (p. 189). em basquetebol, como Elisha -, foi era a vida que o esperava – que teve «Olhou para as ruas calmas e soadito que teria um grande futuro. Que realmente consciência de alguma lheiras e, pela primeira vez na vida, poderia tornar-se o Grande Líder do coisa não muito distante, mas imi- odiou aquilo tudo – a cidade branca, Povo de Deus. John não estava assim nente, a aproximar-se de dia para o mundo branco. Naquele dia, não foi tão interessado no seu povo e menos dia» (p. 20). capaz de pensar numa única pessoa ainda em liderá-lo no que quer que Inspirada na sua própria vida, es- decente no mundo inteiro. Sentou-se fotos d.r.

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Se o disseres na montanha foi o romance de estreia de James Baldwin •

ali e esperou que um dia Deus, através de torturas inconcebíveis, os levasse à humilhação total e lhes fizesse saber que os rapazes negros e as raparigas negras, que tratavam com tanta condescendência, tanto desdém, e tão bom humor, tinham corações como os seres humanos, corações mais humanos do que os deles.» (p. 193) Um mundo fechado, em que um homem não pode fugir ao isolamento e à diferença que a cor da sua pele lhe impõe, John carrega ainda essa outra cruz, a de amar o seu semelhante.

Go tell it on the mountain é o nome de uma música gospel, sobre o nascimento de Cristo, aqui possivelmente associada à conversão de John, ao seu renascimento em Cristo. E como é próprio de um sermão, como o Sermão da Montanha que disserta sobre os valores e princípios de uma vida cristã, a prosa de James Baldwin entretece simbolismo e lirismo. E, neste caso, a fúria sexual de um jovem a desabrochar é temperada pelo erotismo da sublimação do desejo. l

Obra foi publicada em 1953 •


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REFLEXÕES SOBRE URBANISMO •••

O ordenamento do território e as serras fotos d.r.

Teresa Correia

Arquitecta / urbanista arq.teresa.correia@gmail.com

Serras: riqueza ou pobreza? As serras algarvias, assim como outras no país, são fonte de riqueza ou de pobreza e abandono? Esta questão parece ser uma provocação, mas na realidade a riqueza natural e paisagística das nossas serras é tão relevante como as lindas praias do litoral e normalmente pouco tem sido explorada. Muito pelo contrário, tem existido um estímulo constante para a desertificação destas áreas, o que faz com que haja tendencialmente um abandono. Este estímulo ao empobrecimento traduz-se na redução de equipamentos sociais nos poucos aglomerados rurais, à sua não consagração como espaços urbanos nos PDM´s, e também com uma legislação cada vez mais restritiva na ampliação de habitações em espaços rurais, com a questão dos incêndios florestais como pano de fundo. A economia florestal e o desenvolvimento rural é fundamental para o crescimento de qualquer país, sobretudo de fracos recursos como Portugal. Quais as verdadeiras medidas tomadas, por exemplo, no Planeamento Urbanístico? Apenas uma visão um tanto cega, uniforme e contínua, como a constituição de manchas de REN, com a classificação do tipo “espaços florestais”, e pouco coerentes com a política das estruturas mais pequenas de espaços diferenciados, por exemplo, de alguns polos de desenvolvimento como parques empresariais destinados à água natural como em Monchique, ou turísticos.

O agravamento das alterações climáticas levará à construção de barragens •

proporcionada. Estas medidas só são possíveis, com vontade política, e com origem nas fontes financiamento de administração central. Os trilhos pedestres, através por exemplo da Rota Algarviana, são também uma estrutura de suporte ao turismo e vão ao encontro da natureza de forma sublime. O comércio de produtos da região, como seja, queijos, doces próprios da zona, assim como peças de artesanato do tipo vergas, cortiça ou elementos em madeira são exemplos de sustentabilidade económica própria dos espaços serranos. As autarquias procuram também promover estas pequenas economias, pelas feiras e outros espaços de encontro, que permitam a divulgação.

estrutura de apoio ao socorro e ao combate aos incêndios, com uma rede de acessos bem definida. Embora esta medida seja de difícil implementação, será fundamental com o agravamento das alterações climáticas. O impacto ambiental negativo das barragens será naturalmente contrariado pelo bem maior do desenvolvimento de espaços naturais e de apoio até aos espaços florestais e agrícolas, assim como às povoações. As serras merecem ser valorizadas para que possamos manter a nossa identidade, a nossa paisagem, as nossas floresta e, com isso, também a sobrevivência das nossas economias rurais.

O posicionamento das autarquias com serras As autarquias focam a sua preocupação nas populações, sobretudo no que diz respeito ao apoio aos idosos, e ao transporte de forma a evitar o isolamento social. Embora estas medidas sejam positivas, este tipo de problema estrutural de sub-desenvolvimento dos nossos espaços rurais só se resolve com medidas extraordinárias, com investimentos em infraestruturas de apoio, sejam estas: rodoviárias com ligações fáceis, como com barragens, promovendo os espaços fluviais e turísticos, como com um correto ordenamento do território, proporcionando a defesa da paisagem como um bem público, mas permitindo a dinâmica económica numa escala

As praias fluviais são grandes atrações turísticas •

A esperança: a serra, a água e a floresta A esperança baseia-se num maior conhecimento do nosso território, com um estudo mais completo relativo ao correto desenvolvimento florestal, uma correta gestão da água, nomeadamente com a construção de pequenas barragens, e ainda uma

O turismo no Algarve desempenha para a região o pilar fundamental da nossa economia, o nosso ouro, aquele que permitiu a saída do subdesenvolvimento de grande parte da população. Este turismo que nos alimenta, nos dá a riqueza, nos dá emprego, faz movimentar o pequeno comércio, a restauração, a hotelaria, os serviços de animação turística, a grande dinâmica de golfe, entre outros.

Porém, com os mercados concorrentes do mediterrâneo, do Norte de África, estamos nós preparados para uma diminuição da receita que possa advir ? O turismo necessita de um apoio claro do Governo, em infraestruturas de saúde, de segurança e de transportes. O setor privado tem feito a sua parte na aposta de hotéis de qualidade, mas falta criar uma cultura de acolhimento digno, com infraestruturas de transporte modernas e ligações fáceis aos centros e aos aeroportos, com uma ferrovia leve e flexível, com equipamentos de saúde públicos, e espaços públicos valorizados. Esta parte só ao Estado diz respeito, e parece tardar, ano após ano. Com a agitada discussão sobre o Brexit, será fácil prever que a redução do número de turistas ingleses está também à vista de todos, provocando um repensar sobre o que afinal temos como seguro e os nossos destinos. O ambiente de grande beleza, o clima, a gastronomia e a natureza amistosa do nosso povo são caraterísticas únicas que poderemos sempre valorizar no Algarve, mas não é suficiente para todas as crises. Será fundamental pensar antecipadamente e procurar novos mercados. O ordenamento do território e o turismo A sustentabilidade do território é tantas vezes questionada pela pressão turística, tendo sido o Algarve durante décadas julgado pela má utilização dos seus recursos, pela densificação excessiva. Embora haja exemplos infelizes, ainda assim, foram conseguidas melhorias significativas de infraestruturação, de contemplação da natureza, de valorização dos nossos núcleos históricos,

não podendo referir que tudo seja mau. O ordenamento do território, por orientação governamental, teve em consideração este desígnio do Algarve e procurou promover essa atividade pela exceção. Em quase todos os regulamentos urbanísticos consegue-se verificar que houve uma intenção de promover esta atividade, como exceção à proibição, permitindo a construção ou a ampliação no caso do turismo em espaço rural, nos estabelecimentos hoteleiros Isolados, ou nos núcleos de desenvolvimento turísticos. A residência habitacional local das populações não foi tão grandemente valorizada, mas sobretudo o aspeto de desenvolvimento económico do turismo. Será certamente relevante e fará sentido, mas consideram-se também adequadas outras funções para além desta, como a habitação, o aglomerado rural, o pequeno centro urbano que muitas vezes se localiza em cruzamentos de estrada e pequenos locais históricos de vivência, como um poço, ou uma capela. O equilíbrio entre a população residente e o turista Hoje, temos o debate sobre a capacidade da população residente em resistir ao turismo nos centros históricos, onde parece que o espaço do cidadão comum está a ser invadido ou desalojado. Embora possam existir excessos, em muitos casos, esta situação ainda está longe de provocar danos irreversíveis, pelo menos, no caso do Algarve. Aqui, faz tempo que tínhamos as camas paralelas e a densificação no Verão, e estamos habituados. Aprendemos a lidar com as multidões há décadas, e não existe nenhum algarvio que se incomode, porque sabe que essa é uma realidade que lhe permite viver e crescer economicamente. Crescemos nesta ambiência e os nossos locais serão sempre nossos, porque no fim da época balnear, estamos sozinhos. Esta situação é muito particular no Algarve e foge completamente à realidade de Lisboa e do Porto, por exemplo. A especificidade da nossa região devia ser ponderada em questões de restrições ao direito de instalar um alojamento local, porque já o fazíamos antes, mesmo sem ser dessa forma. Em termos de planeamento, faltará mais o regular no pormenor, na defesa do nosso património arquitetónico e da nossa memória coletiva. Na ausência destes documentos, o turismo poderá facilmente invadir e criar algum ruído e perturbação, o que seria evitável com uma visão urbanística das nossas cidades. l


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ESPAÇO AGECAL •••

Cidades algarvias, complementaridades necessárias Jorge Queiroz

Sociólogo, sócio da AGECAL

Se olharmos o Algarve no mapa do continente vemos um pequeno Portugal na horizontal, “deitado”… Jorge Gaspar observou no livro “As regiões portuguesas” (MPAT, Lisboa,1993) que “… de facto, aqui encontramos ‘rodando os eixos’, as principais componentes do País, em formato reduzido: as duas unidades geológicas mais marcantes – orla sedimentar e maciço antigo,…” O Algarve é uma região com estruturação urbana muito antiga, “a última riviera mediterrânica” na perspectiva de Orlando Ribeiro. Anteriores à nacionalidade existiam no continente oito cidades, sendo Silves a cidade mais antiga do Algarve. Foi a capital da região no período do Al Andalus, quando a partir do castelo medieval dominava

vastos territórios e ali governava uma aristocracia muçulmana do Magrebe, cujos conflitos internos originaram taifas e debilitação dos poderes. No decorrer deste século três centros urbanos do Algarve celebrarão 500 anos de elevação a cidade. A primeira urbe algarvia desde a fundação de Portugal a ser elevada a cidade foi Tavira a 16 de Março de 1520 por carta de D. Manuel I, seguir-se-ão Faro (1540-2040) por decisão de D. João III e três décadas mais tarde Lagos distinguida por D. Sebastião (1573- 2073). Tornaram-se cidades Portimão em 1773 e já no século XX a “vila da restauração” Olhão (1985), Albufeira (1986), Loulé e Vila Real de Santo António (1988), Quarteira (1999) e Lagoa (2001). As relações entre as cidades algarvias com o mundo rural foram sempre vantajosas. O campo abastecia as cidades de produtos sazonais, abundantes e frescos, havia merca-

dos e feiras regulares, o Algarve era uma importante região exportadora. Para escoar a abundância de figo a Feira Real em Tavira passou no século XVI de mês e meio a três meses, de Setembro a finais de Novembro… Na segunda metade do seculo XX ocorreram grandes alterações do modelo económico, tecnológicas, demográficas e de urbanização. A rede de centros urbanos algarvios pela sua dimensão equilibrada, é importante para o futuro, porque capaz de dar coesão e sustentabilidade a uma região que pede estratégia supramunicipal que articule o seu elevado potencial com a capacidade política de estabelecer prioridades, sobretudo de planear e solucionar com eficácia. Os maiores problemas do País são demográficos, de ordenamento do território, de planeamento e gestão integrada de recursos. Num relatório do INE pode ler-se, “a densidade populacional diminuiu,

entre 2011 e 2016, em 273 dos 308 municípios que compõem o território nacional” e “apenas 34 municípios registaram uma evolução positiva da população…” in RETRATO TERRITORIAL DE PORTUGAL, 2017. A explicação das causas será indispensável. A cultura, como realidade definidora de valores e herança para a continuidade, dimensão integrante e insubstituível de qualquer processo do desenvolvimento inclusivo, terá ser percebida como diferenciadora, como transmissão de conhecimentos e valorização humana, sendo por demais evidente que o Algarve carece de um diagnóstico dos seus recursos culturais, de um plano estratégico de base científica e acções concertadas visando a especialização, complementaridade entre territórios e cidades. Seria difícil fazê-lo? Não, nem teria custos muito elevados. O Algarve possui cidades com pa-

trimónios multifacetados resultantes de civilizações da antiguidade, outras do período muçulmano e medieval cristão, cidades quinhentistas como Tavira, Faro e Lagos, núcleos piscatórios ao longo da costa e uma “cidade total” iluminista como Vila Real de Santo António, a novecentista, piscatória e popular cidade de Olhão. Nenhuma outra região portuguesa possui uma unidade regional natural tão evidente e uma rede de centros urbanos de pequena e média dimensão “em linha” que se poderiam articular num modelo dinâmico, exemplar pela qualidade do desenvolvimento humano e sustentabilidade dos territórios. Isso só será possível com uma visão integrada supramunicipal e a criação da autarquia regional. Na década que agora começa, o mundo evidencia o esgotamento do modelo dominante. Tal como o próprio País, o Algarve tem de se repensar… l pub

DOIS MINUTOS PARA OS DIREITOS HUMANOS 2. ARÁBIA SAUDITA

1. HONG KONG

© AFP/Getty Images

O ano começou com um novo protesto e a detenção de 287 pessoas, incluindo três observadores de direitos humanos. Mais uma vez, a polícia mostrou ao mundo o desdém pela liberdade de expressão e reunião, dispersando com violência os manifestantes pacíficos. As autoridades de Hong Kong devem realizar uma investigação rápida, independente e eficaz sobre todas as alegações de uso excessivo da força aplicada pelos agentes nos últimos seis meses.

A condenação à morte dos suspeitos do homicídio de Jamal Khashoggi ignora o envolvimento das autoridades sauditas no crime e não esclarece onde se encontram os restos mortais do jornalista. A Amnistia Internacional nota ainda que o julgamento foi realizado à porta fechada, sem a presença de observadores independentes. Recorrentemente, os tribunais da Arábia Saudita negam o acesso dos réus a advogados e sentenciam execuções em processos injustos.

4. COREIA DO SUL

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Junte-se a nós. Saiba como em www.amnistia.pt/ativismo

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Os objetores de consciência vão continuar a ser punidos por recusar cumprir o serviço militar obrigatório devido a uma nova lei. O diploma prevê que quem cita motivos religiosos ou outros será obrigado a trabalhar em instituições correcionais, durante três anos. Anteriormente, a legislação estipulava penas de prisão de 18 meses. Contudo, em 2018, dois tribunais superiores sul-coreanos reconheceram o direito à objeção de consciência no país.

3. ISRAEL A decisão da procuradora-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, de abrir uma investigação contra Israel por crimes de guerra nos territórios palestinianos ocupados é um passo histórico. No entanto, falta confirmar que o TPI tem jurisdição sobre a Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Ao longo dos anos, a Amnistia Internacional documentou violações de direitos humanos cometidas pelo Estado israelita e também por grupos armados palestinianos.

5. LÍBIA A guarda costeira já não vai receber os seis barcos prometidos por França, após uma campanha que contou com a colaboração da Amnistia Internacional. Paris cedeu à pressão pública e cancelou a entrega, no final do ano passado. Se o plano não tivesse sido abortado, as autoridades líbias ficariam dotadas de novos meios para fazer regressar migrantes e refugiados resgatados ao largo da costa do país, onde existe o risco de serem detidos, torturados ou abusados.


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MARCA D'ÁGUA •••

Dar vida ao Sal: potencialidades turísticas foto d.r.

Maria Luísa Francisco Investigadora na área da Sociologia; Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa luisa.algarve@gmail.com

Dez toneladas de sal serviram de suporte ao Presépio de Sal exposto na Casa do Sal. Os 110m2 de sal ganharam vida com mais de 4.500 figuras alusivas à história do nascimento de Jesus e à cultura e ofícios tradicionais de Castro Marim. Durante a visita ocorreu-me que poderia existir no Algarve uma Capital do Sal. Pelo menos três localidades da Região têm ligação ao Sal: Castro Marim, Tavira e Loulé. Criar uma Rota do Sal com um percurso pelas localidades com ligação ao Sal, tornando o Algarve num destino dos três S’s: um destino turístico de Sol, Sal e Serra. Talvez até mais um quarto S, acrescentando assim a Simpatia! O Algarve tem imensas potencialidades, o Sol tem estado garantido, a Serra tem estado a ser cada vez mais valorizada e o Sal, esse “ouro branco”, que para além de ser exportado e levar o nome do Algarve e de Portugal até outros países, poderá estar cada vez mais ligado ao turismo. Em Castro Marim, para além da produção de sal, existe um SPA salino em que a terapia passa pelo envolvimento do corpo em sal e argila salgada e ainda um banho flutuante em águas ricas em sais minerais, o que constitui uma oferta turística diferenciada. Em Tavira existe sal com Denominação de Origem Protegida (DOP), produzido com recurso a técnicas pub

O sal é a única "rocha" comestível pelo ser humano e faz parte da nossa cultura e da Dieta Mediterrânica •

ancestrais. O sal marinho colhido manualmente nas salinas de Tavira é obtido a partir de água do Oceano Atlântico. Após a conquista do sotavento algarvio, D. Afonso III reservou para a Coroa Portuguesa, no Foral de 1266 a Tavira, “todas as salinas cheias e por encher em Tavira e seu termo”, acabando estas por desempenhar um papel importante na Expansão Portuguesa. Em Loulé existem as minas de Sal-Gema que já foram usadas para fins culturais, tendo sido apresentada a exposição "Timeless Territories" e realizado um concerto de Mário Laginha. É a única mina portuguesa visitável que se localiza abaixo do nível do mar. Trata-se de um espaço localizado a 230 metros de profundidade e permite observar formações geológicas com milhões de anos. Para além da extração de sal tem

presentemente actividade turística com visitas guiadas diárias. O Sal da Vida O sal faz parte da nossa vida diária, se não ingerirmos sal perecemos e se ingerirmos sal a mais também perecemos. O sal é a única "rocha" comestível pelo ser humano e faz parte da nossa cultura e da Dieta Mediterrânica. Os Romanos usavam o sal não só para conservar os alimentos, mas também como forma de pagamento, usando o termo salarium argentum, que significa “pagamento em sal”. Daí a palavra salário ter origem na palavra sal. No Império Romano, os soldados eram pagos com sal. Naquela época, o sal era uma iguaria muito valiosa e podia ser trocada por outros alimentos, vestimentas, armas, etc.

Há uma expressão latina ligada ao sal: Cum grano salis que por vezes, em certos casos, ainda se usa. Literalmente significa “com um grão de sal” e quer dizer que um assunto deve ser tratado com ponderação, com uma pitada de bom senso. O sal também dá vida à poesia! Temos na nossa memória colectiva estas palavras de intensa carga histórico-poética: “Ó mar salgado quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal…” com as quais Fernando Pessoa inicia o seu poema Mar Português. Lugares de Sal Fazendo uma pesquisa sobre lugares ligados ao sal, encontram-se belas imagens do maior Salar do mundo. Fica no sudoeste da Bolívia e são 10.000 Km de puro sal, conhecido por Salar de Uyuni, a

particularidade é ter um hotel de sal. Na Europa existe um hotel e um SPA dentro das minas de Wieliczka, na Polónia, inclusivamente existem capelas dentro das minas. Em Loulé, em 2009, esteve equacionada a hipótese da abertura de um hotel na mina, mas o projecto está em stand-by. E muito mais haveria a dizer sobre o sal, mas fica esta pitada para despertar o interesse sobre tão importante produto natural, que faz parte de nós. Fisicamente também somos sal, aliás “somos o sal da terra” como se pode ler na Bíblia. Que este novo ano seja temperado Cum grano salis, com a pitada de sal que, sem excesso, nem omissão, faz de nós o sal da terra dando ponderação e equilíbrio às nossas decisões de 2020. l


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FILOSOFIA DIA-A-DIA •••

Sobre o Sucesso e o Fracasso fotos d.r.

Maria João Neves Ph.D Consultora Filosófica

Durante as festividades do Natal e Ano Novo famílias e amigos reúnem-se aproveitando para “pôr a escrita em dia”. Pergunta-se pelos filhos, pelos netos, todos querem saber como lhes corre a vida. E se a vida corre bem, é um prazer ir a estas reuniões familiares dar as boas novas. Ficamos então a saber que o primo sicrano tem um emprego fabuloso, que o primo beltrano foi promovido e vai tratar da sua reforma num sítio fantástico, e que a sempre bem sucedida prima encontrou agora um pretendente à sua altura. Se as coisas correm mal, o desejo é de que esta época infernal acabe depressa! Talvez o lar tenha ficado destroçado, ou a saúde escasseie, ou a situação profissional vá de mal a pior! Não se quer ser recordado da situação difícil que se atravessa, e menos ainda suster os olhares de pena ou de incredulidade que podem surgir. O desejo de sucesso, de realização profissional, agoniza a vida de tanta gente que talvez mereça que nos detenhamos a reflectir sobre este assunto. Como seriam os Natais de Van Gogh? Antes de se tornar pintor, o jovem Vincent nascido em 1853 numa família de posição social elevada, foi vendedor de arte tendo tido oportunidade de viajar bastante e de conhecer bem a produção artística do seu tempo. Começa a pintar em 1881 e muda-se para Paris em 1886 onde se relaciona com eminentes artistas da época, entre eles Paul Gauguin, Émile Bernard ou Henri de Toulouse-Lautrec; aliás, chega a expôr ao lado destes dois últimos. Gauguin, por seu lado, chegará a habitar com Van Gogh na Casa Amarela em Arles e a pintar um retrato de Vincent: “O pintor de girassóis” em 1888. O seu irmão mais novo, Theo, bem posicionado no mercado da arte, proporcionou-lhe diversos contactos e apoiou-o financeiramente durante toda a vida. Apesar de se encontrar num meio favorável, Vincent Van Gogh nunca vendeu um quadro! O seu desespero levou-o a cortar parte da orelha esquerda e, finalmente, a cometer suicídio apontando uma arma contra o peito em 1890. Foi considerado pelos seus contemporâneos um louco e um fracassado. Um século depois o seu quadro Retrato de Dr. Gachet, entra na lista dos 10 quadros mais caros de sempre, tendo sido vendido por 148,3 milhões de dó-

Johann Sebastian Bach nunca obteve reconhecimento como compositor em vida •

lares. Foi adquirido pelo empresário japonês Ryoei Sato em 1990. Como seriam os natais de Johann Sebastian Bach? Extremamente musicais, certamente. O compositor, nascido em 1685 e falecido em 1750, alcançou um lugar de destaque na Alemanha de então tendo ocupado o cargo de Kantor da Igreja de São Tomás e Director Musical da cidade de Leipzig. O seu virtuosismo no cravo foi amplamente reconhecido, bem como a sua excelência como maestro, cantor e violinista. Contudo, o grande pai Bach nunca obteve reconhecimento como compositor. É algo difícil de conceber! Hoje em dia todas as escolas do ensino especializado da música têm como obrigatórias obras de Bach o grande mestre do contra-ponto e da arte da fuga por muitos considerados o maior compositor da época barroca. No entanto, as suas obras obtiveram um êxito muito limitado em vida e foram completamente esquecidas após a sua morte. Mais uma vez foi necessário que passasse um século! Foi um outro compositor, Felix Mendelssohn, quem no inicio do Séc. XIX deu a obra de Bach a conhecer. Porém, quanto tempo é necessário para avaliar justamente uma obra de arte? Em ambos os exemplos foi necessário muito mais tempo do que aquele de que dispuseram os seus criadores. Podemos apreciar o quanto a vida foi injusta para com estes dois génios. Embora exista uma grande diferença entre ambos: Bach desfrutou de empregos bem remunerados, que lhe permitiram sustentar uma extensa família e ainda ter tempo para se dedicar a compor. Van Gogh viveu em condições muito precárias, não obteve qualquer retorno financeiro da sua actividade de pintor; valeu-lhe a enorme caridade do

seu irmão mais novo que sempre o ajudou. Será que conseguimos imaginar um mundo sem a música de Bach, ou sem a pintura de Vang Gogh? Existem almas cujo génio, de tão avançado, precisa que passem 100 anos até que o mundo se digne reconhecer o seu valor! Se estas almas não tivessem persistido na sua labuta, independentemente do reconhecimento desejado mas não alcançado e, mais ainda, no caso de Van Gogh, independentemente do retorno financeiro que nunca aconteceu, toda a humanidade teria ficado a perder!

Vivemos num mundo orientado para os resultados, só se ouve falar de índices de produtividade. Estes tendem a ignorar os processos, que são assim esvaziados do seu significado intrínseco. Nesta lógica nociva os processos carecem de valor em si mesmos, passando a sua validade a depender do atingir ou não a meta que se propõem. Se os fins não são atingidos fracassa-se. A palavra fracasso deriva do Italiano frangere, que significa quebrar e quassare, que se pode traduzir por sacudir, chacoalhar, bater repetidamente, ameaçar, e quebrar. Fracassa-se, portanto,

do o tempo que se empregou até ali chegar. O momento da falha como que quebra um frasco que contém um veneno poderoso que contamina todo o tempo empenhado no objectivo que agora se viu gorado. Este procedimento mental, tão frequente, é uma receita efectiva para a infelicidade! O que é que terá feito com que Van Gogh tenha continuado a pintar apesar de nunca ter vendido um quadro? O que é que terá feito com que Bach continuasse a compor apesar das suas composições não obterem êxito? Talvez a escolha de ambos não dependesse do resultado da actividade a que que se dedicaram mas tivessem eles encontrado um valor intrínseco no desenvolvimento da actividade em si mesma. Talvez o prazer inerente ao acto de pintar ou ao acto de compor os nutrisse e isso bastou! Ou talvez não tivessem podido deixar de o fazer, porque um dependia de pintar e outro de compor tanto como de respirar! Se desviarmos a atenção da finalidade para a actividade podemos avaliar se aquilo em que despendemos o nosso tempo, aquilo em que nos empenhamos nos nutre ou não. Se nos emanciparmos do resultado, se lhe tirarmos a relevância, seremos melhores juízes do emprego no nosso tempo. Mas se, apesar de tudo, não conseguirmos deixar de ter expectativas e de orientar as nossas forças rumo a uma meta exterior, então, nesse caso limite, disponhamo-nos a fracassar com graça! Ou

O pintor Vincent Van Gogh foi considerado pelos seus contemporâneos um louco e um fracassado •

Afinal o que é que determina o sucesso ou o fracasso de uma vida? O substantivo sucesso tem origem no latim successus, que significa entrada; abertura; vinda; bom resultado; êxito. Relaciona-se também por via do latim com suceder, no sentido de acontecer. Fracassa-se, portanto, quando aquilo que se esperava, ou desejava, não acontece.

quando aquilo que sucede frustra as expectativas ao não se atingir o fim pretendido. A lógica nociva determina também que ao fracassar, todo o tempo despendido na actividade que se vinha desempenhando seja considerado vão. Quer dizer, é feita uma avaliação com efeitos retroactivos: não apenas o momento do fracasso é negativo mas também to-

como diz Samuel Beckett: “Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor.” Estes são os meus votos para o ano que entra: desenvolvamos a arte de fracassar e obteremos leveza e alegria como efeito secundário! l Inscrições para o Café Filosófico: filosofiamjn@gmail.com


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••• REGIÃO

Bares farenses apostam na redução de plástico fotos stefanie palma

aqui para criar soluções”. “Temos de entender que o plástico tem mesmo de acabar. Nós compreendemos isso há um ano e tal atrás. Felizmente, agora o Governo vai proibir o uso do plástico e as coisas vão ser mais fáceis”, defende.

/ postal d.r.

Pessoal faz tatuagens dos espaços onde estão a trabalhar

􀪭 Jorge Santos, proprietário dos estabelecimentos, diz que toda a equipa tem apoiado e aderido ao movimento Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

stefanie.palma.postal@gmail.com

O excesso de plástico é um problema bastante recorrente nos dias atuais, que tem inúmeras consequências, principalmente para o ambiente, no entanto, já existem pessoas, estabelecimentos e entidades a tentar reverter esta tendência. Jorge Santos e a sua equipa são um destes exemplos. Jorge Santos é proprietário do Bar L.A, Call In, Pipers, um hostel (pinguim) e ficou recentemente com a exploração do bar da Associação Recreativa e Cultural dos músicos de Faro. “Nós começámos a fazer algumas alterações nos nossos estabelecimentos há cerca de um ano e meio porque estava a fazer-nos confusão os problemas que o plástico causa”, começa por afirmar o responsável. Jorge Santos explica que “tirámos um curso de bartending sustentável, numa escola de formação de bartending, onde aprendemos alguns truques de sustentabilidade e nos foi ensinado a reutilizar vários materiais”. O proprietário dos bares farenses afirma que “aquilo que nos apercebemos é que ficava realmente muito caro, por exemplo, a questão das palhinhas e do papel reciclado, e começámos a perceber que a ideia não era só nós fazermos, mas sim todos fazerem”.

Jorge Santos já tentou criar um copo comunitário

A Super Bock facultou alguns copos reutilizáveis

“Deste modo, falámos com a Sciena na tentativa de criar um projeto para um copo reutilizável. Queríamos implementar uma cultura em Faro, de modo a que a cidade fosse pioneira no sentido de os clientes adquirirem um copo reutilizável num sítio e o pudessem devolver noutro”, explica Jorge Santos relembra que a “ideia inicial era a criação de um copo comunitário, algo que ainda achamos ser a melhor solução”. “Nós tínhamos pensado que o copo se poderia chamar “FARRA – Faro Reabilita, Reutiliza” e estávamos a tentar que a Garrafeira Soares fizesse a gestão dos copos. Já tentámos, inclusivamente, criar um núcleo”, afirma. O responsável diz que “o ideal era que Faro fosse o exemplo a nível nacional desta consciencialização e que não tivéssemos de ser forçados pelo Estado a tomar este tipo de decisões. A melhor maneira de fazer isto era juntarmo-nos todos. Íamos gastar menos dinheiro, íamos estar a ajudar o ambiente, tudo ia fazer mais sentido. Para isso era preciso alguém liderar esta campanha. Eu já tentei, falei com muita gente que concordou, mas depois não efetivou”. Apesar de não ter havido uma adesão tão grande quanto aquilo que seria expetável relativamente à participação de outros estabelecimentos, Jorge Santos pretende fazer a diferença nos seus espaços.

“Felizmente, a Super Bock chegou-se à frente com alguns copos reutilizáveis. Nós já na altura tínhamos mudado tudo para vidro. E agora trabalhamos assim: alguém que venha a um estabelecimento nosso comprar um copo pode devolver em qualquer outro estabelecimento. Podem trazer uma caneca de casa, que são servidos na mesma nessa caneca”. Jorge Santos afirma que “tentamos ao máximo que exista esta preocupação ecológica, pelo que eliminámos por completo o plástico. Tirámos inclusivamente as palhinhas de cima do balcão”. “Eliminámos também coisas como pacotes de batatas por causa do invólucro. Trabalhamos as nossas batatas e acabámos com este tipo de embalagem que prejudica mais do que nos acrescenta. Temos ainda guardanapos 100% recicláveis”, conta. Dando um exemplo mais concreto, ”aqui no L.A. passámos a ter imperial em copo reutilizável a 0,50 cêntimos em qualquer altura do dia e tínhamos happy hour 1 euro – três imperiais - e a ideia era “traz o teu copo, és servido no teu copo, elimina o plástico, conseguimos ultrapassar isso juntos”, no entanto, a nossa concorrência era muito forte e manteve o copo de plástico, sendo que é aqui que entra a parte difícil.

Começámos a perceber que o trabalho era muito mais difícil do que se esperava”. “Percebemos que se trata de mudar mentalidades, comportamentos e hábitos, isso obrigou-nos a tirar novamente um curso de bartending sustentável, de maneira a ter um comportamento verbal e físico com os clientes que lhes permitisse explicar estas questões”, relembra. “Imagine um cliente que está a sair às 3:50 da manhã do Call In com um copo de vidro e o segurança lhe diz que não pode sair”. A primeira reação do cliente é: “Ok. Onde é que estão os copos de plástico então? E é aqui que entra o discurso e é explicado que não usamos copos de plástico e que temos um copo reutilizável, que pode ser comprado e devolvido noutro dia qualquer”. “Este tipo de situação gera, muitas vezes, um certo conflito. Fomos obrigados a aprender com isso e a gerir estes contratempos. Atualmente, já quase toda a gente está informada”. O proprietário afirma que “o copo pode ser devolvido em qualquer lado. Se alguém for aos nossos espaços e levar um copo de casa, ou levar, por exemplo, um copo da Sagres, nós servimos no copo da Sagres”. A ideia é “as pessoas sentirem que estão a fazer algo em prol de alguma coisa e nós não estamos aqui para criar barreiras, estamos sim

Quanto à reação dos funcionários dos estabelecimentos, Jorge Santos é peremptório: "todo o pessoal apoiou e compreendeu. O pessoal tem muito orgulho de trabalhar connosco. Muitos deles têm as tatuagens dos espaços onde estão a trabalhar e eu tenho a tatuagem deles. Existe muito amor entre nós”. Jorge Santos afirma que “por exemplo, os copos de plástico da Super Bock foram abolidos completamente”. “Copos de plástico shot ainda vão sendo usado às vezes. O Call In é uma casa que tem 150 shots diferentes e usamos tudo para contornar o plástico, mas nas noites mais fortes acabamos por usar alguma coisa de plástico. Talvez 40/50 copos, quando antigamente eram 300 por noite, e agora estamos só a falar de noites fortes, como a sexta e o sábado”. O responsável afirma ainda que “conseguimos influenciar alguns estabelecimentos como o é o caso da ‘Madalena’”. O proprietário destes bares farenses conta que tem vários parceiros importantes. “A Super Bock é o parceiro principal. A Diageo também nos deu uma grande ajuda. Fazemos festas de barcos durante o ano e a Diageo ofereceu-nos copos da Captain Morgan e da JB reutilizáveis. À entrada do encontro dávamos um copo por pessoa”, explica. “Depois, temos a Kodis Faro que, para além de distribuir a Super Bock, faz muita força para que as coisas corram bem para toda a gente, são muito preocupados com os projetos, dão-nos força, facilitam condições. Estamos muito, muito felizes com eles”, salienta. Jorge Santos enaltece ainda a importância da Erasmus Student Network (ESN) como parceiros. Kaique Bucci, funcionário do L.A, disse ao POSTAL que "se preocupa muito com estas questões. Antes de trabalhar para o Pipers, vim para o L.A. Nós já sabemos que existem lugares onde as coisas são mais baratas porque estão a comprar coisas que já não se devem utilizar”. “Essa consciência despertou em mim muito cedo. Se eu trabalhar num sítio onde os funcionários também estão preocupados com isso é muito importante. É sinal de que estão preocupados com o “Humanismo” e isso é fundamental, destaca ao POSTAL.


20 17 de janeiro de 2020

NECROLOGIA

DANIEL EDUARDO MARTINS DOS SANTOS

LUÍS MANUEL LOPES MADEIR A

CONSTANTINO EUSÉBIO R AMOS DE BRITO

23-10-1953  18-12-2019

05-01-1957  21-12-2019

16-12-1956  21-12-2019

Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.

Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.

Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.

SANTA MARIA  TAVIRA SANTA MARIA E SANTIAGO  TAVIRA

SANTA MARIA  TAVIRA SANTA MARIA E SANTIAGO  TAVIRA

SANTA CATARINA DA FTE DO BISPO  TAVIRA

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

ARNALDO RUFINO

JOSÉ INÁCIO

MARIA IDÍLIA DE MELO BAPTISTA MARQUES

15-09-1930  31-12-2019

21-08-1931  01-01-2020

25-12-1931  01-01-2020

Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.

Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.

Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.

SANTA MARIA E SANTIAGO  TAVIRA SANTA CATARINA DA FTE DO BISPO  TAVIRA

SANTA MARIA  TAVIRA SANTA MARIA E SANTIAGO  TAVIRA

ARCOZELO  GOUVEIA SÉ E SÃO PEDRO  FARO

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

LUÍS FERNANDO BONANÇA ANDR ADE

MARIA FR ANCISCA

CL AUDINA MARIA GONÇALVES MÁ XIMO

23-09-1942  03-01-2020

10-10-1922  08-01-2020

15-02-1937  11-01-2020

Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.

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SANTA MARIA  TAVIRA SANTA MARIA E SANTIAGO  TAVIRA

SÉ  FARO SANTA CATARINA DA FTE DO BISPO  TAVIRA

VILA NOVA DA BARONIA  ALVITO SANTA MARIA E SANTIAGO  TAVIRA

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

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17 de janeiro de 2020

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CÂMARA MUNICIPAL DE CASTRO MARIM

Edital Dr. Francisco Augusto Caimoto Amaral Presidente da Câmara Municipal de Castro Marim

TORNA PÚBLICO, que após inúmeras tentativas para notificar Paulo Alexandre Moita Duarte na qualidade de, conforme registado na conservatória do registo predia,l proprietário do imóvel sito em rua 25 de abril, nº. 32 em Castro Marim, pela via postal, vem o Município notificar o mesmo por esta via, ficando advertido de que, atendendo a que o imóvel por falta das obras de manutenção e conservação obrigatórias apresenta um elevado estado de degradação e deterioração, obras que são obrigatórias nos termos dos artigos 89º e 89º-A do Regime Jurídico da Urbanização e Edificação, Decreto-Lei nº. 555/99 de 16 de dezembro, na sua atual redação, é intenção da Câmara Municipal, caso o proprietário não proceda às obras necessárias a fim de salvaguardar a segurança de pessoas e bens, no prazo de 90 (noventa) dias, proceder à tomada de posse administrativa do imóvel, efetuar a demolição do mesmo e imputar-lhe os custos, nos termos do previsto nos artigos 102º, 107º e 108º do referido diploma. Para constar se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares designados por Lei e ainda publicitados no Jornal do Correio da Manhã e Postal do Algarve.

MARIA JOÃO RODRIGUES DA PALMA 27-03-1939  12-01-2020 Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar. SANTA MARIA  TAVIRA SANTA MARIA E SANTIAGO  TAVIRA Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

Castro Marim 13 de dezembro de 2019 O Presidente da Câmara

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- Atestados / Carta de Condução e outros - Renovações - Domicílios

PRAÇA DA REPÚBLICA Nº 12, 1º ESQ – TAVIRA (DEFRONTE À CÂMARA) 281 322 491 | 936 396 022

NOTARIADO PORTUGUÊS JOAQUIM AUGUSTO LUCAS DA SILVA NOTÁRIO em TAVIRA Certifico: Que no dia 20-12-2019, a folhas 60, do livro de notas para escrituras diversas número 205-A, deste Cartório, foi lavrada uma escritura de JUSTIFICAÇÃO, na qual MANUEL FRANCISCO MESTRE, NIF 112.346.090 e mulher MARIA TERESA DOMINGUES, NIF 112.346.081, ambos naturais da freguesia de Santa Maria, concelho de Tavira, casados sob o regime da comunhão geral de bens, residentes no sitio dos Cintados, Caixa Postal 477-D, Tavira, declararam, que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores do prédio rústico, composto por terra de pastagem e cultura, com a área de onze mil trezentos e trinta e dois metros quadrados, sito em Vale do Centeio, União das Freguesias de Santa Maria e Santiago, concelho de Tavira, a confrontar do norte e poente com Manuel Gonçalves, do sul com Manuel Faustino e do nascente com Jacinto Pereira Rodrigues, inscrito na matriz sob o artigo 21.857. Que adquiriram o referido prédio por partilha verbal e nunca reduzida a escritura pública, efectuada com os demais interessados, em data imprecisa do ano de mil novecentos e sessenta e nove, por óbito dos pais do justificante marido, Manuel Francisco e Maria Custódia Mestra, residentes que foram no sitio de Umbrias de Camacho, Tavira, pelo que adquiriram os prédios por usucapião. Tavira, em 20 de Dezembro de 2019 A funcionária por delegação de poderes, Ana Margarida Silvestre Francisco – Inscrita na O.N. sob o n.º 87/03 Conta registada sob o nº. PAO1919/2019 Factura nº. 01909 (POSTAL do ALGARVE, nº 1237, 17 de Janeiro de 2020)

MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL AUTORIDADE MARÍTIMA NACIONAL CAPITANIA DO PORTO DE VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO EDITAL Nº 03/2020 ASSUNTO: ABATE DE REGISTO DE EMBARCAÇÕES CITAÇÃO DE CREDORES Capitão do Porto de vila Real de Santo António, Rui Miguel Vasconcelos de Andrade, Capitão-de-fragata, usando as atribuições que lhe conferem as leis em vigor, faz saber: 1. Que foi pedida a demolição da embarcação VR-350-L denominada "Rita Isabel" propriedade de Adriano Rodrigo Pulido Rosa. 2. Que por vistoria efetuada pela Autoridade Marítima em 07-01-2020 nos termos do no 2 do artigo 920 do Regulamento aprovado pelo Decreto-lei no 265/72 de 31 de julho, cujo casco em PRFV bem como o motor fora de borda marca "Yamaha" de 60 HP no 1018369 modelo FT60D encontra-se em estado regular de conservação, tendo-lhe sido atribuído um valor patrimonial de quatro mil euros. 3. Que os credores certos e incertos têm 45 dias (15 dias de oposição mais 30 de dilação) a partir da data do presente Edital. 4. O presente Edital vai ser afixado à porta da Repartição Marítima, bem como nos locais de costume e em dois anúncios publicados em jornais conforme previsto no no 2 do artigo 930 do Regulamento aprovado pelo Decreto-lei 265/72 de 31 julho.

Francisco Augusto Caimoto Amaral (POSTAL do ALGARVE, nº 1237, 17 de Janeiro de 2020)

Capitania do Porto de Vila Real de Santo António,

Reze 9 Ave-Marias com uma vela acessa durante 9 dias, pedindo 3 desejos, 1 de negócios e 2 impossíveis ao 9º dia publique este aviso, cumprir-se-á mesmo que não acredite. M.S.

Rui Miguel Vasconcelos de Andrade Capitão-de-fragata (POSTAL do ALGARVE, nº 1237, 17 de Janeiro de 2020)


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17 de janeiro de 2020

••• REGIÃO

Nasceu em Faro um espaço onde pode praticar futevólei (até no inverno) fotos stefanie palma

Universidade do Algarve para fazer um dia aberto de experimentação desta modalidade”. Fernando Catarina, vice-presidente do clube, afirmou ao POSTAL que “o clube foi fundado a 11 de dezembro de 1975. Foi criado por um grupo de amigos no Bairro da Barulha. O símbolo do clube é um depósito da água, um dos símbolos da cidade”. “Anteriormente, este espaço era um polidesportivo que servia para jogar futebol de salão, tendo havido igualmente hóquei em patins. Com o passar do tempo estas modalidades acabaram aqui e passou a haver o futsal”, afirma.

/ postal d.r.

começámos a fazer torneios aqui sem a areia e na praia também”. “A nossa história com o futevólei começa aí, pois em Faro criou-se um jogo que todos podiam jogar. Depois o David Perez e o André Rachadinho falaram connosco porque sabiam que nós estávamos identificados com a modalidade e é a partir daí que vem a ideia “louca” de encher isto de areia”, afirma. Fernando Catarina relembra que “foi um mês inteiro de obras, com muros abaixo, meter aqui 350 toneladas de areia e colocar os diretores a carregá-la e a ficarem com bolhas nas mãos. Deu muito trabalho, mas é uma obra

􀪭 O campo de treinos é constituído por 350 toneladas de areia Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

stefanie.palma.postal@gmail.com

Já pensou como seria treinar futevólei num ambiente de praia até mesmo durante o inverno? Pois bem, o Futebol Clube 11 Esperanças, em Faro, dá-lhe essa oportunidade.

“Desenvolvemos este projeto para chamar mais pessoas para o Faro e para o Algarve. Queremos equilibrar esta modalidade relativamente a outras zonas do país”, explica. Por sua vez, David Perez, também atleta e criador do projeto, explicou ao POSTAL que “falou com os elementos da direção do clube para saber se queriam criar este projeto e

􀪭 Atualmente existem 9 duplas de atletas a treinar André Rachadinho, atleta e elemento da direção do clube, explicou ao POSTAL que juntamente com "o David Perez e outras pessoas de Faro costumávamos treinar futevólei num espaço privado do David mas, entretanto, ele acabou por fechar o indoor e andámos à procura de um espaço que pudesse abrigar esta modalidade”.

ajudei-os a desenvolvê-lo. Eu tinha um espaço privado que acabei por fechar e considero que este espaço tem muito mais condições”. Os treinos realizam-se de segunda a sexta-feira, das 18 às 20 horas O clube conta atualmente com 9

duplas de atletas e os treinos realizam-se de segunda a sexta-feira, das 18 às 20 horas, com o treinador Djalmir. “O feedback tem sido muito positivo. No verão temos muita gente, mas no inverno diminui um pouco por causa do frio”, contou Djalmir Vieira. “O futevólei é um desporto muito interessante, que nasceu no Rio de Janeiro e consiste em dar toques na bola com qualquer parte do corpo à exceção das mãos, com o objetivo de marcar pontos”, explicou ao POSTAL. Ricardo Lima, tesoureiro do clube, disse ao POSTAL que “antes do futevólei, já tínhamos o futebol de 11 e recebemos muito bem esta notícia porque era algo diferenciado e que não havia nada igual no Algarve e no país”. “Ter uma arena destas não existe e a ideia pareceu-nos bem a todos e achámos que era uma modalidade que tinha futuro”, afirma. No espaço de treino existem cerca de 350 toneladas de areia O tesoureiro refere ainda que “o estudo orçamental que foi feito pareceu-nos muito bem e a aposta foi ganha no primeiro ano porque fomos vice-campeões nacionais com a dupla David Perez/Djelmir. Começámos com 3-4 duplas no ano passado e já temos 9. Há uma grande evolução”. O responsável salienta ainda que o clube está “em conversações com a

􀪭 Ricardo Lima, Fernando Catarina e André Rachadinho (da esq. para dir.) Fernando Catarina explica ainda que “durante algum tempo, o espaço esteve aberto para aulas de educação física e também para os miúdos do bairro virem cá jogar de forma gratuita”. O responsável conta também que “todos os anos era organizada em Faro a 'peitada', uma variante do futevólei, criada na Praia de Faro, com três jogadores, que era, no fundo, uma forma de simplificar o jogo para que todos pudessem jogar e nós

que nos orgulha imenso”. “A modalidade principal do clube é o futebol de 11, que treina em instalações camarárias. O futevólei ainda não tem um ano no clube, mas é uma modalidade importante e pioneira no Algarve”, defende. Os elementos do clube deixam o convite: “as pessoas são todas bem-vindas, de qualquer idade. Não tenham medo de aparecer e experimentar”.


17 de janeiro de 2020

REGIÃO •••

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Algar garante a limpeza dos ecopontos e a manutenção dos equipamentos foto d.r.

􀪭 A limpeza nos mais de 7.500 contentores, dos 16 municípios, é feita por equipas especializadas A Algar, S.A., empresa responsável pela valorização e tratamento dos resíduos urbanos no Algarve,

está a fazer a lavagem dos ecopontos, incluindo a higienização dos locais de deposição seletiva das

embalagens e zonas envolventes, além disso, está ainda a realizar a manutenção dos equipamentos e a

substituição das sinaléticas. São mais de 7.500 os contentores intervencionados, distribuídos pelos 16 municípios algarvios, numa área total de 4.997 quilómetros quadrados. Os trabalhos são executados por equipas especializadas, de segunda a sábado, excluindo feriados, em horário diurno. Esta ação é realizada no âmbito do "Plano Operacional da Atividade de Recolha Seletiva e enquadra-se na melhoria contínua da qualidade do serviço prestado à população e visitantes da região, para reforço dos cuidados relativos à saúde pública e para garantir uma valorização eficaz dos resíduos recolhidos", explica a Algar em comunicado de imprensa. A Algar tem vindo a reforçar a Atividade de Recolha Seletiva, tendo adquirido 7 novas viaturas em 2019, no valor total de investimento de 1.228.500 euros, cofinanciado em 85% pelo Programa Operacional

de Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos (POSEUR), Portugal 2020 e União Europeia, através do Fundo de Coesão. Esta aquisição permitiu à Algar reforçar em 32% a capacidade da frota. A empresa tem vindo ainda a aumentar o número de ecopontos. O investimento iniciado em 2018 com a colocação de 781 novos equipamentos na via pública teve continuidade em 2019 com a instalação de mais de 376 ecopontos. O Algarve conta atualmente com a disponibilização à população de mais de 3.900 equipamentos (12.800 contentores) para a deposição das embalagens recicláveis, garantindo o rácio de um ecoponto por cada 126 habitantes. Paralelamente a Algar investe também na recolha seletiva gratuita, porta-a-porta, dos resíduos provenientes do setor do comércio e serviços, através do projeto designado por “Algarlinha”. pub

pub

Município de Tavira

Edital n.º 72/2019

Ana Paula Fernandes Martins,

Presidente da Câmara Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que nos termos do n.º1 do artigo 56.º do anexo I à Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, em reunião ordinária de Câmara Municipal, realizada no dia 20 de dezembro de 2019, foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por maioria a proposta número 292/2019/CM, referente 13.ª Alteração ao Orçamento e às Grandes Opções do Plano/2019; 2. Aprovada por maioria a proposta número 293/2019/CM, referente à Alteração ao regulamento e tabela de taxas; 3. Aprovada por unanimidade a proposta número 294/2019/CM, referente a Atribuição de apoio à atividade da Associação Oficina Ciência Viva de Tavira – 2019; 4. Aprovada por unanimidade a proposta número 295/2019/CM, referente a Atribuição de apoio ao abrigo do RMAAD - Fundação Irene Rolo; 5. Aprovada por unanimidade a proposta número 296/2019/CM, referente a Atribuição de apoio à Casa do Povo da Luz de Tavira – pintura interior e exterior do edificado; 6. Aprovada por unanimidade a proposta número 297/2019/CM, referente a Atribuição de apoio ao Agrupamento Dr. Jorge Augusto Correia – Cinema de Natal; 7. Aprovada por unanimidade a proposta número 298/2019/CM, referente a Atribuição de apoio à CI-AMAL - Comunidade Intermunicipal do Algarve, no âmbito do Plano de Desenvolvimento Social do Algarve; 8. Aprovada por unanimidade a proposta número 299/2019/CM, referente ao Acordo de colaboração a celebrar entre o Município de Tavira e a Fundação Calouste Gulbenkian; 9. Aprovada por unanimidade a proposta número 300/2019/CM, referente a Alargamento de horário de funcionamento para o estabelecimento Taska Madeira, sito na Rua Alto do Cano, nºs 4 e 6 em Tavira para o dia 21 de dezembro; 10. Aprovada por unanimidade a proposta número 301/2019/CM, referente a Denúncia de Protocolo de Colaboração entre o Município de Tavira e a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Tavira – Centro de Alojamento Temporário – Abrigo de São José; 11. Aprovada por unanimidade a proposta número 302/2019/CM, referente a Comissão Municipal de Toponímia - Composição do grupo de cidadãos. Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares públicos de costume. Paços do Concelho, 20 de dezembro de 2019 A Presidente da Câmara Municipal, Ana Paula Martins (POSTAL do ALGARVE, nº 1237, 17 de Janeiro de 2020) AF_CA_SolucaoFamilia_210x285mm_curvas.indd 1

20/12/19 17:38


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17 de janeiro de 2020

Tiragem desta edição: 6.780 EXEMPLARES

O POSTAL regressa dia 8 de fevereiro

••• ÚLTIMA

Teleassistência combate a solidão e o isolamento no concelho de Alcoutim foto d.r.

􀪭 A implementação da teleassistência é um projeto pioneiro no sotavento algarvio

O Município de Alcoutim desenvolveu o projeto “+ Próximo” com vista à redução das vulnerabilidades dos idosos em isolamento, em parceria com o Centro Humanitário de Tavira (CHT) da Cruz Vermelha Portuguesa e com o apoio do Ministério da Administração Interna. A implementação da teleassistência é um projeto pioneiro no sotavento algarvio, tendo como objetivo primordial combater o isolamento. "Através do simples toque de um botão, este sistema permite ao idoso em situação de solidão, emergência/ urgência ou segurança ser contactado por um técnico especializado que acionará a melhor resposta", explica a autarquia alcouteneja. O utente dispõe de "um terminal telefónico fixo e de uma pulseira ou colar, com botão de alarme, que ao ser pressionado de qualquer parte de sua casa, estabelece contacto telefónico imediato com o Contact Center da CVP, que garante o apoio a situações de emergência/urgência, segurança e solidão, 24 horas por dia e 365 dias por ano".

Para o efeito, será disponibilizada uma equipa de dois técnicos da estrutura de Emergência do CHT para estabelecer proximidade e implementar o serviço de teleassistência junto da população idosa, bem como monitorizar o seu estado de saúde através de avaliações dos parâmetros vitais. A deslocação dos técnicos da Emergência CVP acontecerá três vezes por semana e abrangerá cerca de 80 idosos sinalizados no concelho de Alcoutim. Este projeto pioneiro irá, assim, permitir aos idosos isolados usufruírem de um acompanhamento de 24 horas, 365 dias por ano, complementado pela presença física de dois técnicos da estrutura de emergência. “Queremos estar presentes de diversas formas junto da população sénior: através do desporto, da cultura, com os Polos da Universidade Sénior e, também, ajudando aqueles que têm maiores problemas de isolamento, colaborando para que a sua segurança seja reforçada”, destaca Osvaldo Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim.

Alunos do ISMAT desafiados a criar nova imagem para Alvor foto d.r.

􀪭 Alunos vão interagir com a comunidade para identificarem os principais ativos materiais e imateriais do território

A Junta de Freguesia de Alvor desafiou o Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes – Portimão, através da Licenciatura de Design de Comunicação, a desenvolver um projeto para a criação de uma nova marca para a vila de Alvor. A área de design é potenciadora de diferentes soluções criativas que podem responder de uma forma integrada a desafios mais centrados nas pessoas, nas experiências e nos serviços, tendo sido identificada a necessidade de não só pensar-se na marca Alvor, mas também na experiência/vivência do território Alvor. Desta forma, articulando o trabalho já desenvolvido pelo A-LAB (LABORATÓRIO DE ARQUITECTURA - Alvor) em conjunto com a Junta de Freguesia, os alunos de design irão imergir no território para uma semana intensiva de projeto, onde irão aplicar um processo criativo em co-participação para identificar o ADN da Marca Alvor. A iniciativa, intitulada “D-ProjectMarca Alvor”, vai decorrer entre 20 e 24 de janeiro, das 15 às 23 horas, nas instalações da Junta de Fregue-

sia de Alvor, onde os alunos irão implementar o processo de Design Participativo, interagindo com a comunidade para a identificação dos principais ativos materiais e imateriais do território de Alvor. Durante esta semana será natural encontrar os alunos de Design do ISMAT que terão estímulos de diálogo e muita vontade de "ouvir ativamente os cidadãos". Para isso irão percorrer algumas zonas da vila para conhecer a comunidade, a sua história, o dia a dia, os contextos, entre outros aspetos. No dia 24 de janeiro, os alunos de Design terão de apresentar a sua ideia criativa e holística para a Marca Alvor, perante um júri representativo da vila e do município. O projeto vencedor será apresentado no mês de março, no âmbito do aniversário da Vila e onde será entregue o prémio ao grupo de alunos responsáveis pela proposta vencedora. Este projeto conta com a participação de todos, porque a Marca Alvor é “de” e “para” as pessoas de Alvor e para quem lá passa e quer voltar.


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