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POSTAL 1170 - 16 SET 2016

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postaldoalgarve

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100.596

Director Henrique Dias Freire • Ano XXIX • Edição 1170 • Quinzenário à sexta-feira • 16 de Setembro de 2016 • Preço € 1,50 ÀS SEXTAS EM CONJUNTO COM O PÚBLICO POR €1,70

EM FOCO 2 BANHOS ISLÂMICOS DE LOULÉ VÃO TER RECONSTRUÇÃO DO ESPAÇO EM 3D 3 PAIS PREOCUPADOS COM FALTA DE PESSOAL NA EB 2,3 DOM PAIO PERES 4 MONCHIQUE INVESTE CERCA DE 850 MIL EUROS EM PAVILHÃO MULTIUSOS 5 CLASSIFICADOS 6 POSTAL BATE IMPRENSA NACIONAL 9

Novo Porto de Recreio de Faro com pouca discussão pública

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Conheça as novidades do projecto:

Passagem aérea automóvel Passagem aérea pedonal 4 restaurantes Zona comercial

Rogério Bacalhau acredita em obra terminada em dois a três anos TAVIRA

mónica monteiro

Dois especiais nesta Escola D. Paio Peres edição do POSTAL

Correia abre ano lectivo com queixas dos pais

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REQUALIFICAÇÃO URBANA

Câmara de Monchique investe em multiusos

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d.r.

d.r.

IMPRENSA

POSTAL bate vários recordes absolutos

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em foco

Pais preocupados com falta de pessoal na EB 2,3 Dom Paio Peres Correia pág. 4

Discussão pública do Porto de recreio de Faro só atraiu três participantes CCDR já avançou para a fase de audiência de interessados, mas não antecipa prazo para emissão de parecer sobre o RECAPE de uma das obras mais aguardadas na capital de distrito

dade Ambiental do Projecto de Execução (RECAPE) do Porto de Recreio de Faro só teve três participantes, entidades ou pessoas singulares que apresentaram à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve os seus reparos e observações ao projecto. Sem ser ainda possível apurar quem foram os participantes da discussão pública, nem o que os mesmos apresentaram à CCDR nas suas observações sobre o projecto, a verdade é que o projecto pela sua importância e dimensão criou a expectativa de uma participação mais alargada. Confirmado ao POSTAL pela CCDR o número de participantes na discussão pública, a entidade que gere o processo e é a responsável pela emissão do parecer final sobre o RECAPE está neste momento em processo de “audição de interessados”, a fase seguinte, e não avança uma data para a emissão do parecer final que permitirá o lançamento do concurso público para a execução da obra. Recorde-se que a obra do Porto de Recreio de Faro - que ficará situado em frente à actual Doca de Faro - é um projecto a cargo da Docapesca e que esta entidade entende que a execução deverá assumir a forma de uma concessão a um privado que construa o porto e depois o explore, bem como as infra-estruturas adjacentes. Ao POSTAL Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, referiu que este “é mais um passo a caminho de um projecto estrutural para a cidade”, mas que o processo só terminará com a conclusão da obra o que não prevê que aconteça “em menos de dois ou

EVA

A FASE DE DISCUSSÃO PÚBLICA do Relatório de Conformi-

foto e imagens: d.r.

ÔÔ Hotel

Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com

/ ricardo claro

ÔÔ Doca

ÔÔ Veja na imagem abaixo os pormenores da infra-estrutura três anos”. A existência de necessidade de um concurso público e as suas características - nomeadamente o valor da obra - implicarão um processo complexo, sem contar com a necessidade de que hajam concorrentes idóneos para assumir o projecto e, só depois,

o arranque das obras.

PROJECTO JÁ MOSTRA MAIS SOBRE O NOVO PORTO QUE TERÁ UM ACESSO AUTOMÓVEL EM PASSAGEM SUPERIOR JUNTO AO TEATRO DAS FIGURAS Uma das

novidades do projecto a que o POSTAL teve acesso é a de que

ÔÔ Dois a três anos para ser uma realidade, diz Rogério Bacalhau

o acesso automóvel ao Porto de Recreio será feito através de um viaduto sobre a linha do caminho-de-ferro na zona do Teatro das Figuras. Para Rogério Bacalhau esta solução é “uma necessidade se

queremos apostar naquela zona da cidade” - para lá da linha -, mas o autarca diz que “ainda não sabemos quem custeará essa infra-estrutura, se a REFER, a autarquia, ou concessionário e qual a solução exacta de financiamento”. O novo porto terá ainda, de acordo com o projecto de RECAPE, uma recepção, três edifícios destinados a restaurantes e comércio, todos com esplanada, um edifício para o Clube Náutico que alberga também área de comércio e de restauração e respectiva esplanada e uma ampla zona de estacionamento.

da à entrada da zona portuária, junto à actual estação elevatória de esgotos nas traseiras do Hotel Eva. Entre a linha de comboio e a zona comercial ficará um amplo estacionamento automóvel. Sensivelmente na mesma zona será criado um acesso pedonal sobre a linha do comboio que contará com escadas e elevadores de ambos os lados da linha, sendo que estes dois equipamentos prevê-se que possam ser panorâmicos. Uma zona verde que contará com uma pérgula desenvolve-se a oeste da zona de restauração e prevê uma praça e árvores.

ACESSO AO PORTO POR ESTRADA COM DUAS FAIXAS DE RODAGEM E ACESSO PEDONAL SOBRE A LINHA Quanto ao acesso au-

CAPACIDADE E INFRA-ESTRUTURAS NÁUTICO-PORTUÁRIAS

tomóvel ao porto será feito por uma via com duas faixas de rodagem a terminar numa rotun-

ÔÔ O novo porto de recreio em pormenor, na imagem acima a área de implantação face à Doca de Faro e ao Hotel Eva

Com o projecto de RECAPE a identificar duas zonas potenciais para estaleiros do porto de recreio, ambas situadas a Oeste do porto, mas sem estar tomada uma decisão sobre onde ficará efectivamente esta infra-estrutura essencial, o projecto permite saber para já que a zona portuária contará com depósitos de combustível enterrados, zona de varadouro e de alagem e com uma área de estacionamento de embarcações em seco. Recorde-se que o novo porto de recreio contempla a construção de 275 novas amarrações (lugares de atracagem de barcos) para embarcações de comprimento não superior a 12 metros metros e no total ocupará uma vasta área em que 2,9 hectares são aterro e seis hectares são preenchidos com fingers de atracagem. Além disso, o projecto prevê a construção de um fundeadouro exterior com capacidade para acolher mais 275 embarcações e mais de uma dezena de barcos de pesca locais.


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região

Rua de Santo António, n.º 68 - 5º Esq. 8000 - 283 Faro Telef.: 289 820 850 | Fax: 289 878 342 dbf@advogados.com.pt | www.advogados.com.pt

Banhos islâmicos de Loulé vão ter reconstrução do espaço em 3D Levantamento virtual das paredes e tectos servirá para ajudar os visitantes a compreender o espaço d.r.

OS BANHOS ISLÂMICOS DE LOULÉ, que terão funcionado

entre os séculos XII e XIII, vão contar com um levantamento 3D do local, de modo a poder ser criada uma reconstrução virtual, para uma melhor compreensão e divulgação do espaço. O levantamento 3D está a ser realizado por Martino Correia, do Campo Arqueológico de Mértola, que, a partir de elementos recolhidos no local, irá fazer uma reconstrução virtual de como seriam os banhos islâmicos de Loulé. “Será reconstruído o aspecto que aquela estrutura teria e da zona envolvente e vamos tentar inserir no próprio urbanismo de Loulé da altura, para depois poder ser apresentado às pessoas, quer através de uma ‘tour’ virtual, ou através de animações”, disse à Lusa o arqueólogo responsável pelo processo de digitalização. Segundo Martino Correia, as pessoas “poderão explorar e consultar animações a explicar cada uma das divisões” dos banhos islâmicos e “o ritual associado” ao espaço.

alta, visto que os banhos islâmicos de Loulé, quando foram abandonados, foram preenchidos com entulho, permitindo a sua conservação, sublinhou Isabel Luzia. “O objectivo é encontrar a fornalha” nos próximos seis meses, informou. Posteriormente, deverá avançar-se para um projecto de musealização em que será integrada a reconstrução virtual do espaço. Lusa

ÔÔ Único exemplar de banhos públicos islâmicos em Portugal Além disso, a partir do levantamento 3D que está a ser efectuado, também será possível “activar e desactivar várias camadas de informação, sobrepondo as ruínas e a reconstrução virtual dos banhos”. De acordo com o arqueólogo, a reconstrução virtual dos banhos e da própria ocupação posterior do espaço – uma casa do século XV – deve estar

pronta até Janeiro de 2017. “Basicamente, vão ser levantadas paredes e colocado um telhado, de forma digital, para que as pessoas possam ver como seria uma ida aos banhos islâmicos”, resumiu Tiago Costa, um dos arqueólogos que participa nas escavações. “Muitas vezes, as pessoas chegam e não percebem a planta do espaço, ou não con-

e do poeta em ambas as obras: Uberto Stabile foi o tradutor de ‘A Musa’ e Fernando Pessanha o tradutor de ‘Os Rapazes Rebeldes’ - uma sinergia que correu muito bem, dada a admiração e amizade que une os dois artistas”. Segundo o editor da CanalSonora, Pedro Jubilot, “’A Musa / La Musa’, é um conto de contornos misteriosos, que relata a história de um poeta obcecado pela

MUNICÍPIO DE TAVIRA EDITAL Nº 39/2016 Jorge Manuel do Nascimento Botelho Presidente da Câmara Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que em reunião ordinária de Câmara Municipal, realizada no dia 23 de agosto de 2016, foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por maioria a proposta número 158/2016/CM, referente a 9.ª Alteração às Grandes Opções do Plano e ao Orçamento /2016; 2. Aprovada por unanimidade a proposta número 159/2016/CM, referente a Atribuição de apoio à Associação In Loco – IV Feira da Dieta Mediterrânica – projeto “SlowMed”;

Fernando Pessanha e Uberto Stabile lançam livros em Vila Real Vila Real de Santo António vai ser palco do lançamento de dois livros esta sexta-feira, a partir das 18 horas. São eles a “A Musa”, da autoria do escritor algarvio Fernando Pessanha, e “Os Rapazes Rebeldes”, do poeta espanhol Uberto Stabile. De acordo com a organização, “será um evento em que a prosa e a poesia andarão de mãos dadas, visto o envolvimento do escritor

berto novas zonas dos banhos – os tanques frios, as latrinas e os vestíbulos. Caso os arqueólogos encontrem agora a fornalha e a sala fria, “será a primeira planta completa de banhos islâmicos públicos na Península Ibérica”, realçou a arqueóloga do município, referindo que este é também “o único exemplar de banhos públicos islâmicos em Portugal”. A expectativa de encontrar a planta completa do espaço é

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PROSA E POESIA DE MÃOS DADAS

A BIBLIOTECA MUNICIPAL de

seguem imaginar como seria. Com a reconstrução, dará para fazer o percurso e compreender o tipo de utilização”, enfatizou a arqueóloga da Câmara de Loulé Isabel Luzia. Actualmente, estão dois arqueólogos do Campo Arqueológico de Mértola a continuar a escavação dos banhos islâmicos, estando por escavar a estrutura da fornalha daqueles balneários públicos e da sala fria. Em 2014, ficaram a desco-

sua musa inspiradora. Um livro que surge em edição bilingue, dado o interesse do público espanhol num autor que nos últimos anos tem apresentado vários dos seus trabalhos no país vizinho, como historiador, pianista e ficcionista”. Já Paulo Afonso Ramos, o editor da Lua de Marfim, refere a grande honra “que é ter no catálogo da editora um poeta premiado como Uberto Stabile.

3. Aprovada por unanimidade a proposta número 160/2016/CM, referente a Atribuição de apoio à Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Conceição – “Festa de Nossa Senhora do Mar Padroeira Cabanas”; 4. Aprovada por unanimidade a proposta número 161/2016/CM, referente a Cedência de imóvel, sito na Rua D. Marcelino Franco, n.ºs 41 e 43 e Rua Dr. Parreira n.ºs 28 e 30, em regime de comodato, à Armação do Artista – Associação Artístico Cultural e Desportiva; 5. Aprovada por unanimidade a proposta número 162/2016/CM, referente a Alteração da composição do Júri para o procedimento concursal para provimento de cargo de Chefe de Divisão de Cultura, Património e Museus; 6. Aprovada por unanimidade a proposta número 163/2016/CM, referente a 3-Emp/16 – Repavimentação da EM 5131 e CM 1217, freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo – Aprovação do relatório final e adjudicação; 7. Aprovada por unanimidade a proposta número 164/2016/CM, referente a E35/10/CP – Parque Verde do Séqua – Auto de vistoria de trabalhos; Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume. Paços do Concelho, 23 de agosto de 2016 O Presidente da Câmara Municipal, Jorge Manuel Nascimento Botelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1170, de 16 de Setembro de 2016)


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região

Corrimão central dá nova vida à Rua da Corujeira Pequena em Tavira pág. 8

Pais preocupados com falta de pessoal na EB 2,3 Dom Paio Peres Encarregados de educação alegam que aulas deram início com menos seis funcionários do que os necessários mónica monteiro

Mónica Monteiro monicam.postal@gmail.com

OS ENCARREGADOS DA E.B. 2,3 D. PAIO PERES CORREIA,

do Agrupamento de Escolas Dr. Jorge Augusto Correia, em Tavira, estão a ficar com os nervos em franja neste arranque de ano lectivo, devido à falta de funcionários não-docentes neste estabelecimento de ensino. “A escola está com falta de assistentes operacionais para colmatar as necessidades dos alunos”, disse ao POSTAL Paulo Mateus, encarregado de educação de um dos alunos da escola. “Necessitávamos de mais seis funcionários do que aqueles que actualmente nos atribuem, que são 18 para 500 alunos. É a vigilância e a segurança dos alunos que estão em causa, bem como o bom funcionamento dos serviços que, com este número de pessoal, vão funcionar a meio-gás”, lamentou o encarregado.

MINISTÉRIO GARANTIU AO POSTAL QUE MEIOS HUMANOS SÃO SUFICIENTES Fonte do gabine-

te do Ministério da Educação (ME) garantiu ao POSTAL que “o rácio de assistentes operacionais por aluno está a ser integralmente cumprido e que estão reunidas condições, nesta matéria, para um arranque de ano lectivo em segurança e tranquilidade”. Paulo Mateus garante que

E-mail da redacção: ÔÔ ME garante que estão reunidas condições de segurança na escola o agrupamento já entrou em contacto com a Direcção Regional de Serviços da Direcção-Geral dos Estabelecimentos (DRS - DGEstE (Algarve)), o órgão que substituiu a Direcção Regional de Educação (DRE), e que a entidade “alega estar a reger-se pelas contas do rácio entre o número de funcionários e de alunos da escola e que, pelas contas da DRS - DGEstE (Algarve), até há três funcionários a mais”. Os encarregados de educação, de forma a tentar encontrar uma solução para o problema, reuniram-se no passado dia 13 na Biblioteca Municipal de Tavira, onde ficou acordado o envio de um comunicado endereçado aos vários grupos parlamentares, à Federação Nacional dos Professores e à Inspecção Geral da Educação e Ciência, de forma a criar impac-

sias do interior. A última semana foi dedicada à secção dos lobitos do Corpo Nacional de Escutas – Agrupamento de Loulé. O objectivo desta acção é a prevenção e detecção de fogos florestais, sensibilização e informação à população (entrega de folhetos) e interacção com os idosos que vivem isolados nas áreas de Alte, Ameixial, Benafim, Querença, Salir e Tôr.

jornalpostal@gmail.com

to sobre este assunto, que já se prolonga desde finais de Junho.

NÚMERO DE OPERACIONAIS ASSEGURA APENAS AS CONDIÇÕES MÍNIMAS DE FUNCIONAMENTO Contactada pelo POSTAL, a Câmara de Tavira demonstrou-se preocupada com esta situação, apesar de não ser um assunto que faça parte das suas competências. “Estamos solidários com a preocupação destes pais, mas é um assunto que cabe à DRS - DGEstE (Algarve) resolver. A câmara tem a responsabilidade dos funcionários não-docentes do pré-escolar e do primeiro ciclo e essas necessidades de pessoal estão salvaguardadas, o problema agora começa mesmo nos alunos do 5º ano”, afirmou o presidente Jorge Botelho. A verdade é que os encarregados de educação e a direcção

Jovens voluntários vigiaram florestas de Loulé foram vigiadas por 73 jovens voluntários, acompanhados por um monitor, no âmbito do programa “Vigilância Florestal – Voluntariado Jovem”, promovido pela Câmara de Loulé, através do seu Serviço Municipal de Protecção Civil. Assim, por cada quinzena, duas brigadas realizaram vigilância de forma alternada com caminhadas, nas fregue-

ou até mesmo a cozinha para poder assistir os alunos”, acrescentam. Em reunião para tentar resolver o assunto, os encarregados de educação prometeram

“continuar a insistir para a colocação de mais assistentes operacionais”, ainda que a DRS - DGEstE (Algarve) lhes garanta que não vai realizar quaisquer novas contratações. pub

Bruno Filipe Torres Marcos Notário

INICIATIVA VISOU A PREVENÇÃO E DETECÇÃO DE INCÊNDIOS

EM JULHO E AGOSTO AS FLORESTAS do concelho de Loulé

da escola garantem que o número de operacionais assegura apenas as condições mínimas de funcionamento. “A escola está no limite”, garantem os pais. “Hão-de existir situações em que os funcionários terão de encerrar portarias, o bar,

Para além da aprendizagem relacionada com os incêndios florestais e as caminhadas ao ar livre, o programa favorece as relações interpessoais entre os elementos dos grupos. O programa de voluntariado ao longo dos anos tem fomentado a cultura de protecção e valorização do património comum, a floresta, dando a conhecer a alguns jovens estas zonas do concelho.

ficha técnica

Sede: Rua Dr. Silvestre Falcão, n.º 13 C - 8800-412 Tavira - Algarve Tel: 281 320 900 | Fax: 281 023 031 E-mail: jornalpostal@gmail.com On-line: www.postal.pt Director: Henrique Dias (CP 3259). Editor: Ricardo Claro (CP 9238). Redacção: Cristina Mendonça (CP 3258), Humberto Ricardo (CP 388), Ivo Neves e Mónica Monteiro (estagiários). Design: Profissional Gráfica. Colaboradores fotográficos: José A. N. Encarnação “MIRA” Colaboradores: Beja Santos (defesa do consumidor), Nelson Pires (CO76). Departamento Comercial, Publicidade e Assinaturas: Anabela Gonçalves, José Francisco. Propriedade do título: Henrique Manuel Dias Freire ( mais de 5% do capital social) Edição: Postal do Algarve Publicações e Editores, Lda. Contribuinte nº 502 597 917. Depósito Legal: nº 20779/88. Registo do Título (dgcs): ERC nº 111 613. Impressão: Naveprinter Distribuição: Banca - Logista, à sexta-feira com o Público/VASP - Sociedade de Transportes e Distribuição, Lda e CTT. Estatuto editorial: disponível em http://www.postal.pt/quem-somos/ Membro: APCT - Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação; API - Associação Portuguesa de Imprensa.

Cartório Notarial em Tavira

Extrato de Escritura de Justificação CERTIFICO, para efeitos de publicação, nos termos do artigo 100.º do Código do Notariado que, por escritura pública de Justificação outorgada em 3 de Agosto de 2016, exarada a folhas 90 e seg. Livro n.º 83-A, do Cartório Notarial em Tavira, do Notário Bruno Marcos, sito na Rua da Silva, n.º 17-A, que: - a sociedade de direito estrangeiro “CRENDON TRADING LLC”, anteriormente designada por “CRENDON TRADING LIMITED”, NIPC 980076889, com sede em 3500 South Dupont Highway, Dover, Delaware 19901, Estados Unidos da América, e anteriormente em Gibraltar, na suite 2B, Mansion House, 143 Main Street, sem actividade em Portugal, através de procurador; - declarou ser dona e legítima possuidora, da fracção autónoma designada pela letra “D” correspondente à habitação no primeiro andar direito, designado por B, composta por hall, sala, cozinha, dois quartos, casa de banho e varanda, do prédio urbano, afecto ao regime da propriedade horizontal, de três pisos, designado por lote 10, sito em Cara de Pau, Vale Caranguejo, Colina das Alfarrobeiras, actualmente Urbanização Tavira Garden, freguesia da União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago), concelho de Tavira, descrito na Conservatória do Registo Predial de Tavira sob o número seiscentos e trinta e quatro, ainda da freguesia de Tavira (Santa Maria), inscrito na matriz da actual freguesia sob o artigo 5464, com proveniência no artigo 4958 da extinta freguesia de Tavira (Santa Maria), com o valor patrimonial tributário de 63.020,00 €, e atribuído de 80.000,00 €; - encontrando-se registada na citada Conservatória a favor da sociedade de direito estrangeiro “TAVIRA GARDEN LIMITED”, NIPC 980044871, com sede em Gibraltar, com a última sede conhecida em 15–A, Tuckey’s Lane; - sendo que sobre o referido imóvel incidem registadas uma hipoteca a favor do Banco sueco Sparbanken Vast, pela apresentação dezassete, do dia doze de Novembro de mil novecentos e noventa, e uma penhora a favor da Fazenda Nacional, pela apresentação quatro mil setecentos e trinta e seis, do dia dezanove de Maio de dois mil e dez; - tendo alegado, para justificar o seu direito: - que a referida fracção, foi adquirida pela sociedade corria o ano de mil novecentos e noventa e dois, ano em que dela tomou posse através dos respectivos órgãos sociais ou representante legal com a entrega das respectivas chaves, mas em dia e mês que não sabe precisar, por compra à referida sociedade titular inscrita, pelo preço global de, à data, setecentas e quarenta e quatro mil (744.000) coroas suecas, sem que, todavia, tenha sido lavrada a competente escritura; - tendo a sociedade justificante, através dos respectivos órgãos sociais ou representante legal, desde o referido ano de mil novecentos e noventa e dois, desfrutado a identificada fracção autónoma, como coisa própria, autónoma e exclusiva, dela retirando as vantagens de que é susceptível, e nela praticando os actos materiais correspondentes ao direito de propriedade plena, nomeadamente nela habitando, fazendo os melhoramentos e reparações necessários, pagando os respectivos impostos, designadamente o Imposto Municipal sobre Imóveis, tudo na convicção de não lesar o direito de outrem, pelo que a sociedade justificante possui a dita fracção em nome próprio há mais de vinte anos, sem a menor oposição de quem quer que seja, desde o seu início, posse que sempre exerceu sem interrupção e ostensivamente, com o conhecimento e acatamento de toda a gente. - Que, assim, esta posse pública, pacífica e contínua, conduziu à aquisição do direito de propriedade da mencionada fracção autónoma por usucapião, que invoca para justificar o seu direito de propriedade para fins de registo. Tavira e Cartório, em 3 de Agosto de 2016. O Notário, Bruno Filipe Torres Marcos Conta registada sob o n.º 2/2063

Tiragem desta edição:

8.429 exemplares

(POSTAL do ALGARVE, nº 1170, de 16 de Setembro de 2016)


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região

POSTAL bate imprensa nacional pág. 9

Monchique investe cerca de 850 mil euros em pavilhão multiusos Novo equipamento vai ser construído no terreno da antiga serração da vila adquirido pela autarquia liderada por Rui André d.r.

Ivo Neves ivon.postal@gmail.com

O ESPAÇO DA ANTIGA SERRAÇÃO DE MONCHIQUE vai dar

lugar, a partir do próximo Verão, a um espaço multiusos que servirá todos os eventos e feiras do concelho ao longo do ano. A Câmara de Monchique adquiriu, no final do mês de Agosto, o espaço que até à data era cedido à autarquia a título de empréstimo por parte dos proprietários, bem como a zona envolvente, delimitada pelo cemitério, Estrada Nacional 266 e Bairro da Força Aérea. “A necessidade de termos um espaço próprio para realizar eventos todo o ano sem ter que os fazer num lugar improvisado já se arrastava há muitos anos”, disse ao POSTAL o presidente da Câmara de Monchique, Rui André, que considera este um investimento “muito importante” para o concelho, quando há mais de duas décadas é “despendido

ÔÔ A autarquia vai transformar a antiga fábrica num espaço museológico muito dinheiro no aluguer de tendas, que já dava para ter construído três ou quatro pavilhões”, refere. A compra do espaço custou à autarquia 350 mil euros, valor ao qual se juntará cerca de meio milhão de euros para a reabilitação da área e construção de novo pavilhão, “cuja área rondará os três mil metros quadrados” e que trará “melhores condições aos visitantes”, afirma Rui André. “Vamos tentar adaptar e

aproveitar ao máximo o que está lá, uma vez que se trata de um espaço fabril que tem algumas condições, e a prova disso é que já temos feito lá alguns eventos”, garante o autarca. No entanto, a construção de um espaço multiusos não é a única finalidade do investimento. “A ideia é, na parte de cima onde ainda existe uma fábrica, que está dotada de todos os equipamentos e maquinarias, transformá-lo

num espaço museológico e

de divulgação do importante trabalho de transformações de madeira feito ao longo dos anos no concelho de Monchique”, explica o presidente. Para além de museológico, Rui André pretende que o espaço seja de “incentivo aos mais jovens, empreendedores e investidores” que queiram voltar a usar a madeira e a transformá-la. O edil considera que “seria importante encontrar parcerias com universidades e outras entidades de ensino para que se possa desenvolver uma espécie de startups na área da

criatividade”, o que “vai depois fomentar a que apareçam empresas a transformar a matéria-prima”, perspectiva. Este é um investimento na indústria que antigamente foi responsável por gerar “muitos postos de trabalho”, a apontar ao futuro do concelho de Monchique, que “precisa de aumentar a empregabilidade”, diz Rui André, garantindo que está “a trabalhar nesse sentido”. O projecto está a ser elaborado neste momento e a escritura será feita até ao início de Dezembro. pub

MUNICÍPIO DE TAVIRA EDITAL Nº 41/2016 Jorge Manuel do Nascimento Botelho Presidente da Câmara Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que em reunião ordinária de Câmara Municipal, realizada no dia 06 de setembro de 2016, foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por unanimidade uma nota de pesar pelo falecimento da Senhora Maria Regina Fernandes Zacarias; 2. Aprovada por maioria a proposta número 165/2016/CM, referente a 10ª. Alteração ao Orçamento e às Grandes Opções do Plano/2016;

ASTRONOMIA E CULTURA

3. Aprovada por unanimidade a proposta número 166/2016/CM, referente ao Apoio à Corpo de Hoje – Associação Cultural – Projeto “Dream First – Ouvir a Dança”;

Menires de Vila do Bispo em conferência na Inglaterra d.r.

A CÂMARA DE VILA DO BISPO PARTICIPA, durante esta sexta-

-feira, dia 16, na 24ª Conferência da SEAC (Sociedade Europeia para a Astronomia na Cultura), com uma comunicação intitulada “Orientação na Paisagem dos Menires de Vila do Bispo e da Bacia Interfluvial de Lagos”. A comunicação será apresentada pelo arqueólogo municipal Ricardo Soares e pelo engenheiro Fernando Pimenta (astrónomo membro da SEAC) na Real Instituição Literária e Científica de Bath, Inglaterra e será dedicada ao tema “O Casamento Astronomia e Cultura: Teoria e Método no Estudo da Astronomia Cultural”. A referida comunicação resulta do projecto de investigação designado de “ArqueoAstronomia Paisagística no Megalitismo

4. Aprovada por unanimidade a proposta número 167/2016/CM, referente a Atribuição de apoio – Festa em Honra de Santo Estêvão – Cachopo; 5. Aprovada por unanimidade a proposta número 168/2016/CM, referente a Revogação parcial de apoio atribuído ao G. A. T. O. – Grupo de Ajuda a Toxicodependentes – Proposta n.º 79/2016/CM; 6. Aprovada por unanimidade a proposta número 169/2016/CM, referente a Revogação parcial de apoio atribuído ao G. A. T. O. – Grupo de Ajuda a Toxicodependentes – Proposta n.º 80/2016/CM; 7. Aprovada por unanimidade a proposta número 170/2016/CM, referente à Alteração à Tabela de Preços; 8. Aprovada por unanimidade a proposta número 171/2016/CM, referente à Concessão de isenção de entradas e alargamento do horário de abertura ao público no Museu Municipal de Tavira durante a IV Feira da Dieta Mediterrânica (1 a 4 de setembro 2016); 9. Aprovada por unanimidade a proposta número 172/2016/CM, referente ao Averbamento de bancas no Mercado Municipal de Tavira;

ÔÔ Menires de Vila do Bispo vão ficar conhecidos internacionalmente Menírico de Vila do Bispo vs interfluvial Bensafrim-Odiáxere”, enquanto cruzamento interdisciplinar entre a Arqueologia, a Astronomia, a Estatística, a Cartografia e a leitura das paisagens naturais e culturais. Trata-se de um subprojecto integrado na “Carta Arqueológica do Concelho de Vila do Bispo”.

Além da comunicação perante um expressivo público científico, numa importante instituição inglesa, a Bath Royal Literary and Scientific Institution, os menires de Vila do Bispo serão valorizados e divulgados internacionalmente por via da publicação das respectivas actas da conferência.

10. Aprovada por unanimidade a proposta número 173/2016/CM, referente à Aquisição de serviços de limpeza – compromissos plurianuais; 11. Aprovada por unanimidade a proposta número 174/2016/CM, referente à Alteração ao contrato de cessão de uso privativo, outorgado em 11 de janeiro de 2002, entre o Município e Jorge Henrique Viegas Corvo; 12. Aprovada por unanimidade a proposta número 175/2016/CM, referente à Alteração ao Plano de Pormenor da Área Industrial de Santa Margarida – Aprovação final; 13. Aprovada por unanimidade a proposta número 176/2016/CM, referente à Alteração do Plano de Pormenor de Pêro Gil – Aprovação final; Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume. Paços do Concelho, 06 de setembro de 2016 O Presidente da Câmara Municipal, Jorge Manuel Nascimento Botelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1170, de 16 de Setembro de 2016)


6  |  16 de Setembro de 2016

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classificados

ZZZ pág. ##

Farmácias de Serviço ALBUFEIRA

SEXTA

SÁBADO

DOMINGO

SEGUNDA

TERÇA

QUARTA

QUINTA

Alves Sousa

Santos Pinto

Santos Pinto

Santos Pinto

Santos Pinto

Santos Pinto

Santos Pinto

Sousa Coelho

Edite

-

ARMAÇÃO DE PÊRA

-

Central

-

-

FARO

Alexandre

Crespo

Palma

Montepio

Caniné

Pereira

Penha

LAGOA

Vieira

Vieira

Lagoa

Lagoa

Lagoa

Lagoa

Lagoa

LAGOS

Lacobrigense

Silva

Telo

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Ribeiro

Lacobrigense

Silva

LOULÉ

Pinto

Avenida

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Martins

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Avenida

MONCHIQUE

Hygia

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Algarve

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-

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16 de Setembro de 2016  |  7

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Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.

Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.

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8  |  16 de Setembro de 2016

região

Corrimão central dá nova vida à Rua da Corujeira Pequena em Tavira ivo neves

ÔÔ A autarquia investiu cerca de 20 mil euros para melhorar a mobilidade da população ter um piso mais liso possível dentro do envolvimento e do enquadramento paisagístico e arquitectónico da zona, sendo o resto colmatado com calçada”, explica o presidente. A Rua da Corujeira Pequena faz parte de um conjunto de intervenções aos acessos ao Alto de São Brás, como a regularização total do piso da Rua dos Fumeiros de Trás, Rua dos Fumeiros Diante e Rua do Salto. “Fazia falta a melhoria da qualidade da mobilidade das pessoas”, afirma Jorge Botelho. Apesar de ser uma obra há

muito desejada pelos tavirenses, o autarca lembra que a requalificação da famosa rua que liga o Largo de São Brás à Rua Almirante Cândido dos Reis não estava no programa eleitoral. “Esta é uma das intervenções que eu não prometi e que está feita, como muitas outras”, refere. A não integração no projecto de uma rampa para o acesso de pessoas em cadeira de rodas motivou algum desagrado entre a população. No entanto, o presidente da câmara justifica a situação com o facto de a rua apresentar “um declive

muito acentuado, superior ao que está na legislação”, acrescentando que “o deficiente tem de conseguir subir e descer pelos próprios meios”, algo que não seria possível. Outra das recentes intervenções a decorrer na cidade aconteceu na Rua Álvaro de Campos, em frente à Academia de Música de Tavira, empreitada na qual está prevista toda a pavimentação da zona envolvente do Largo de São Brás e que representa um investimento da autarquia de cerca de 230 mil euros.

Pavilhão Desportivo Jacinto Correia alvo de melhoramentos ciou que vai efectuar obras de beneficiação no Pavilhão Desportivo Municipal Jacinto Correia, inaugurado em 1989, que “englobarão a pintura interior e exterior, substituição da cobertura do recinto central e requalificação do espaço exterior, onde será criada uma zona para a chegada e partida de viaturas de transporte de passageiros”. Pelo facto dos trabalhos não poderem ser realizados com a presença dos utentes, “aquelas instalações estarão encerradas durante o mês de Setembro, pelo que os pagamentos já efectuados para este mês serão

“Radio Gilão Tavira – Cooperativa de Radiodifusão CRL”, NIPC 501722882, com sede no Alto de Santana, n.º 1, freguesia da União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago), concelho de Tavira, matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Tavira sob o mesmo número de pessoa colectiva;

- que este prédio, com a indicada composição e área, veio à posse da Cooperativa, em data imprecisa do ano de mil novecentos e noventa e seis, por compra meramente verbal feita a Maria Silvina Pereira Jesus Gonçalves e marido Manuel Ramos Gonçalves, residentes na Rua do Óculo, n.º 7, 1.º dto, em Tavira, nunca chegando a outorgar a respectiva escritura.

ESPAÇO ESTARÁ ENCERRADO DURANTE O MÊS DE SETEMBRO

A CÂMARA DE LAGOA anun-

Cartório Notarial em Tavira

Extrato de Escritura de Justificação

- declarou, através dos respectivos órgãos sociais, ser dona e legítima possuidora, com exclusão de outrem do prédio rústico composto por terra de cultura, com a área de dois mil cento e sete metros quadrados, sito em Bentelhos, Alcaria do Cume, freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo, concelho de Tavira, que confronta do Norte com Manuel Ramos, do Sul com Francisco Bento, do Nascente com José do Carmo e do Poente com Manuel Francisco, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 33504, com o valor patrimonial tributário de 12,98 €, igual ao atribuído, não descrito na Conservatória do Registo Predial de Tavira; tendo alegado:

A ANTIGA RUA DA CORUJEIRA PEQUENA, EM TAVIRA, está

agora renovada com a colocação de um novo piso e de um corrimão central para facilitar a mobilidade dos munícipes. Esta é uma requalificação de “grande importância”, segundo o presidente da Câmara, Jorge Botelho, uma vez que a rua dá acesso ao histórico Largo de São Brás, onde a maioria dos moradores são idosos e ”com mobilidade muito condicionada”. “A cidade assim fica um pouco melhor”, acrescenta. Jorge Botelho conta que a autarquia teve conhecimento de algumas quedas de pessoas nos últimos tempos, precisamente por o piso ser “irregular” e as pedras serem “muito antigas” e “redondinhas”, o que dava “pouco suporte” às pessoas que por ali passavam. Um cenário que já não existe, graças a um investimento do município na ordem dos 20 mil euros. “A ideia foi criar um corrimão ao meio para que as pessoas se possam apoiar, e junto ao corrimão criar uma peça de pedra contínua, que permite

Bruno Filipe Torres Marcos Notário

CERTIFICO, para efeitos de publicação, nos termos do artigo 100.º do Código do Notariado que, por escritura pública de Justificação outorgada em 20 de Maio último, exarada a folhas 67 e seg. do Livro n.º 79-A, do Cartório Notarial em Tavira, do Notário Bruno Marcos, sito na Rua da Silva, n.º 17-A, que:

Requalificação da rua histórica faz parte de um conjunto de intervenções nos acssos ao Alto de São Brás Ivo Neves ivon.postal@gmail.com

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válidos para Outubro, evitando qualquer prejuízo financeiro para os seus utilizadores”, explica a autarquia. Devido ao encerramento, todas as cedências, dias e horários aprovados para o recinto central do Pavilhão Municipal passam para o recinto central do Pavilhão da Escola “Jacinto Correia” de Lagoa; todas as cedências, dias e horários aprovados para o recinto central do Pavilhão da Escola “Jacinto Correia” de Lagoa passam para o Pavilhão da ESPAMOL. As cedências para o Pavilhão da ESPAMOL ficam suspensas durante o mês de Setembro e os utilizadores do Ginásio I

d.r.

- que, há mais de vinte anos, de forma pública, pacífica, contínua e de boa fé, ou seja, com o conhecimento de toda a gente, sem violência nem oposição de ninguém, reiterada e ininterruptamente, na convicção de não lesar quaisquer direitos de outrem e ainda convencidos de a Cooperativa ser titular do respectivo direito de propriedade e assim o julgando as demais pessoas, a Cooperativa sua representada, através dos seus órgãos sociais, designadamente membros da direcção, e também os seus trabalhadores, tem possuído aquele prédio – nele tendo instalado o repetidor e a torre de propagação da emissão para o Algarve e Alentejo, tendo delimitado este equipamento com uma vedação em rede metálica, limpando a terra – pelo que, tendo em consideração as referidas características de tal posse, a Cooperativa adquiriu o referido prédio por USUCAPIÃO, o que invoca; Tavira e Cartório, em 20 de Maio de 2016. O Notário, Bruno Filipe Torres Marcos Conta registada sob o n.º 2/1323 (POSTAL do ALGARVE, nº 1170, de 16 de Setembro de 2016) pub

EDITAL Comunicação aos titulares do direito de preferência A NOTIFICAR: PEDRO SILVERIO PALMA FERNANDES; ANA SOFIA PALMA FERNANDES; JOAQUINA ROMÃO EUSEBIO; JOAQUIM ROMÃO EUSEBIO; JOÃO ROMÃO EUSEBIO; ANTHONY JACKSON; ANA LUÍSA DA PALMA INÁCIO MARTINS VIRGÍLIO GOMES MARTINS; LEONILDE GABRIELA DA PALMA INÁCIO SERAFIM; MÁRIO VALENTE SERAFIM; MARIA DE FÁTIMA DA PALMA INÁCIO PEREIRA; ORLANDINO DA CONCEIÇÃO FERNANDES PEREIRA, MARIA LUISA DA PALMA; MICHAEL JOHN PLOWMAN; FRED GREEN e outros. Nos termos dos Artigos 416 nºs 1 e 2 e 1380º do Código Civil, faço saber que correm éditos para comunicação da intenção de venda aos titulares do direito de preferência, para que estes o exerçam querendo AGOSTINHO MANUEL DE JESUS CASTANHEIRA, CC 01062392, NIF 129658405, com residência habitual R. 5 de Julho Nº 163, Madorna 2775-044 Parede Que, com exclusão de outrem é dono e legitimo possuidor dos prédios que se discriminam: os prédios sitos no Sítio da Igreja, Santo Estevão inscritos na matriz predial rústica sob o artigo n.º 2543 junto com o prédio inscrito na matriz predial urbana sob o artigo 4102 da União de Freguesas de Luz de Tavira e Santo Estevão, registados na Conservatória do Registo Predial de Tavira sob 47/19850326 da Freguesia de Santo Estevão.

ÔÔ Pavilhão foi inaugurado em 1989 do Pavilhão Municipal passam para salas do CEFLA. A câmara lagoense apresenta “o seu pedido de desculpas pelos possíveis transtornos que estas alterações

possam provocar e agradece a compreensão e colaboração de todos os utentes do pavilhão, prometendo que as obras serão tão breves quanto possível”.

A venda dos referidos prédios realizar-se-á pelo valor global de 240.000,00 € (Duzentos e quarenta mil euros), sendo atribuído o valor de Euros 40,000.00 (Quarenta mil Euros) para o Artigo Rustico e Euros 200,000.00 (Duzentos mil Euros) para o Artigo Urbano e tendo como condições de pagamento 10% no Contrato de Promessa de Compra e Venda e o restante com a escritura em 30 de setembro de 2016 Mais faz saber, que devem os titulares do direito de preferência exercer o seu direito no prazo de 8 dias, sob pena de caducidade, nos termos do artigo 416, nº 2 do Código Civil Tavira, aos 16 de Setembro de 2016 (POSTAL do ALGARVE, nº 1170, de 16 de Setembro de 2016)


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região EDITORIAL

POSTAL bate imprensa nacional í Na imagem da esquerda: ALCANCE HISTÓRICO - O reconhecido trabalho jornalístico sobre a tragédia dos incêndios foi o tema que mais interessou aos leitores. Das várias notícias, a publicação de um agradecimento que fizemos aos bombeiros alcançou o número histórico na imprensa portuguesa de 642.785 pessoas.

Henrique Dias Freire - Director diasfreire@gmail.com

O POSTAL BATEU VÁRIOS RECORDES ABSOLUTOS ao

atingir mais de 55 mil interacções [likes/reacções, comentários e partilhas] na passada semana, quando até as maiores publicações de referência nacional, como o Expresso e as revistas Visão e Sábado, rondavam apenas as 22 mil interações - como se pode constatar nos gráficos gerados pelo Facebook e de livre acesso público. Entre 5 e 11 de Setembro, o POSTAL atingiu igualmente o seu recorde absoluto com 1.081.369 pessoas alcançadas, um aumento superior a 700%. Ou seja, mais de um milhão de pessoas numa semana, o que corresponde à média de 155 mil pessoas alcançadas por dia. Por outro lado, os dados do Facebook indicam que, além do POSTAL ter atingido o número líder de 55,1 mil interacções, o valor gerado pelas partilhas dos nossos fiéis leitores totalizou 196.574 com a nossa publicação dessa semana - um aumento superior a 600%. Um outro novo recorde absoluto foi a publicação do post sobre os Bombeiros, de dia 8 de Setembro [ver imagem], que atingiu 642.785 pessoas - destronando o anterior recorde do passado dia 24 de Julho que era de 406.300 pessoas alcançadas com o vídeo sobre o habitual desfile de despedida da Concentração Motard de Faro. Ainda segundo os gráficos gerados pelo Facebook e aqui reproduzidos, apesar do número médio de seguidores dos jornais algarvios em papel ser semelhante aos jornais ou blogues de informação exclusivamente online, de uma forma em geral, os fãs da imprensa em papel geram muito mais interacções do que as publicações exclusivamente online. Para concluir, consideramos que todos estes números são um claro motivo de orgulho para os nossos leitores algarvios e para quem

Na imagem da direita: ì RECORDE NACIONAL - Neste gráfico, fornecido pelo Facebook e de acesso público para quem tem qualquer tipo de página, constam os jornais regionais e nacionais de maior referência, além de todos os restantes jornais algarvios com edição em papel. O resultado em interacções do POSTAL foram mais do dobro, sobre o Expresso, Visão ou Sábado, como igualmente sobre o somatório conjunto de toda a imprensa regional que consta deste TOP 20. Na imagem acima: ì RECORDES ABSOLUTOS - Mais de 1 milhão de pessoas alcançadas e quase 200 mil interacções nas notícias do POSTAL via Facebook, na semana de 5 a 11 de Setembro.

no mundo está a seguir o jornal POSTAL. Traduzem o empenho de uma equipa de profissionais algarvios que, com muito menos meios do que a imprensa nacional e do que os próprios grandes diários regionais, demonstram resultados animadores que estão a ser reconhecidos pelos leitores. Aos mais de 100 mil fiéis seguidores do POSTAL, aos 31 mil fãs do nosso Caderno de Artes & Letras CULTURA.SUL e aos nossos habituais leitores da nossa edição papel, muitos dos quais acompanham há 30 anos o POSTAL, o nosso sincero e sentido OBRIGADO! Continuaremos sempre a trabalhar para levar a todos a melhor informação.

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O POSTAL

Tiragem desta edição:

8.429 exemplares

regressa no dia 14 de Outubro

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Projecto ‘Watt?’ promove intervenção artística com jovens Um grupo de 15 jovens vai renovar a imagem do Polidesportivo da Figueira em conjunto com o artista XANA d.r.

ÔÔ Intervenção no posto da EDP Distribuição do cruzamento entre a Figueira e a Mexilhoeira Grande Mónica Monteiro monicam.postal@gmail.com

LEMBRA-SE DO ‘WATT?’?, um

programa cujo objectivo era criar obras de arte pública em conjunto com comunidades rurais algarvias. Pois é, ainda está em acção e “manifesta-se” este fim-de-semana em Portimão com uma intervenção artística comunitária nas paredes do Polidesportivo da Figueira. O intuito desta iniciativa é reunir um grupo de jovens e o artista visual XANA numa experiência artística e ao mesmo tempo renovar a imagem deste espaço. Para a realização da actividade o LAC - Laboratório das Actividades Criativas e o programa Arte Pública Fundação EDP promovem workshops onde serão fornecidas informações e materiais para a intervenção pictórica, utilizando técnicas básicas de pintura, spray e stencil que permitam aos participantes executar a pintura. A intervenção artística comunitária tem início no dia 16, pelas 18 horas, com a apresentação do projecto e de exemplos de arte pública. Ainda nesta primeira noite realiza-se uma discussão colectiva de ideias para a concepção do mural e tem início a preparação da superfície da parede para a intervenção com a aplicação de cores de fundo. No sábado, dia 17, entre as

15 e as 22 horas, são aplicados os stencils na superfície, bem como a pintura dos mesmos sobre a parede, de forma a finalizar a obra. A iniciativa tem um número máximo de 15 participantes e carece de inscrição prévia, que pode ser feita através das páginas de facebook da Associação Alternativa XIII ou do WATT? Um Projecto Artístico Para a Comunidade.

PROJECTO VISA ENVOLVER UM TIPO DE POPULAÇÃO QUE NÃO ESTÁ HABITUADA A EXPERIÊNCIAS CULTURAIS Recorde-se que

o principal objectivo do projecto “WATT?” centra-se em envolver um tipo de população, que não está muito habituada a experiências culturais e a decisões de planeamento de obras de arte, que neste caso serão realizadas em locais públicos. O projecto é promovido pelo LAC, uma associação cultural sem fins lucrativos formada em 1995 e com sede na Antiga Cadeia de Lagos. O edifício projectado por Cottinelli Telmo e cujos alicerces estão edificados sobre um antigo convento é um local com história, fazendo parte integrante da cidade. Construído com outros objetivos, revela actualmente uma dicotomia interessante entre prisão/reclusão versus espaço de criatividade/liberdade, ao tornar-

-se espaço de criação reconverteu assim os moldes da sua existência, agora as celas são espaço de ateliê para artistas e a sua utilização e trabalho contribuem para a revitalização do edifício, dotando-o de uma nova história. pub


Hipnoterapia:

A desmistificação e o poder da terapia hipnótica

Semear Saúde

Edição nº 4 | Setembro 2016

Este caderno faz parte integrante da edição n.º 1170, de 16 de Setembro de 2016, do Jornal Postal do Algarve e não pode ser vendido separadamente.

Conheça os muitos benefícios de uma terapia que aposta na cura profunda de várias patologias, da adição ao tabaco e da dor ps. 6 e 7

Nutrição:

Naturopatia:

Aprenda a estimular a imunidade das crianças naturalmente por Vera Belchior

ps. 2 e 3

A alimentação na base de mais energia e maior disponibilidade para viver ps. 4 e 5


2 16.09.2016

Semear Saúde editorial

Prevenção é o segredo para vivermos mais e com mais saúde O corpo humano está preparado para viver em boas condições de saúde, prova disso é que existem algumas populações no mundo que raramente adoecem e vivem mais de um século. Um desses exemplos são os Hunza, um povo que vive na fronteira entre a Índia e o Paquistão, cuja idade média dos habitantes é de 120 anos e que parece não envelhecer. Segundo o website do canal História, o aspecto mais surpreendente dessa pequena nação é a capacidade extraordinária de se manter sempre jovem e saudável. Qual o segredo? Um médico escocês, Robert McCarrison, que analisou esta população, realçou que os Hunza têm uma dieta com restrição de proteínas (comem todos os dias uma média de 1900 calorias, in-

Cláudia Brito

Presidente da Associação Semear saúde semearsaude@gmail.com

son, outros investigadores que procuraram perceber as causas, em todo o tipo de factores, de populações com uma longevidade acima da média, enfatizam a importância da alimentação. É sobretudo a ingestão de alimentos frescos da época, livres de pesticidas e transgénicos, cozinhados a baixas temperaturas, como frutas, verduras, hortaliças, legumes e cereais - ao invés de bebidas/refrigerantes açucarados, carbohidratos e cereais refinados, alimentos empacotados e enlatados processados

Tal como Robert McCarrison, outros investigadores que procuraram perceber as causas, em todo o tipo de factores, de populações com uma longevidade acima da média, enfatizam a importância da alimentação. cluindo 50 gramas de proteínas, 36 gramas de gordura e 365 gramas de hidratos de carbono) e que é essa dieta especial que permite a notável longevidade dos Hunza. Infelizmente, a nossa realidade é diferente. Não só somos grandes consumidores de produtos alimentares geneticamente modificados, carregados de pesticidas e todo o tipo de substâncias tóxicas (adoçantes artificiais, corantes, estabilizantes, conservantes e outros aditivos), manifestamente tóxicos e prejudiciais à nossa saúde. Além disso, podemos acrescentar a essa lista de produtos o ar contaminado que respiramos, as roupas que vestimos, os produtos de higiene pessoal, o stress social e profissional, o consumo excessivo de fármacos e as radiações electromagnéticas artificiais que alteram o ADN das nossas células. Tal como Robert McCarri-

e/ou pré-cozinhados carregados de açúcar e aditivos - que assumem um papel fundamental para evitar problemas de saúde/patologias. Além de uma alimentação saudável, o leitor deverá evitar o consumo de bebidas alcoólicas (droga associada a diversas patologias), ter hábitos de sono saudáveis (respeite os ciclos circadianos da natureza), tomar banhos de sol diários para evitar a carência de Vitamina D (segundo o endocrinologista e pesquisador norte-americano Michael Holick, considerado um dos maiores especialistas do mundo em Vitamina D, o tempo médio seria de 15 a 20 minutos ao sol), praticar exercício físico regularmente e, não menos importante, manter relações familiares e sociais harmónicas. Nesta edição, queremos incentiva-lo à mudança para que possa ter uma vida mais longa e saudável. Abraço carinhoso.

Estimule a imunidade das crianças naturalmente fotos: d.r.

Com a chegada das temperaturas mais baixas as bactérias e vírus começam a proliferar rapidamente, o que pode comprometer a saúde das crianças e dos adultos. Gripes, alergias respiratórias, pneumonias, infecções de ouvido, constipações, sinusites e diarreias são algumas das doenças mais comuns que acompanham o frio. Existem pequenas alterações que podemos fazer de modo a dificultar a entrada desses bichinhos, assim, a atenção deve começar em casa, onde os pais podem iniciar pequenas mudanças, como incentivar a um aumento da ingestão de água. Nos dias frios é importante deixar os ambientes limpos e arejados, mantendo as janelas um pouco abertas para que o ar circule e os vírus não se espalhem. Uma alimentação correcta e equilibrada também é essencial para proteger e fortalecer o sistema imunitário. Quem nunca ouviu falar no sistema imunitário? Ele é o nosso mecanismo de defesa. Inicialmente, o sistema imunitário do bebé é imaturo, sendo este protegido através dos anticorpos maternos, passados para o feto durante a gravidez. A partir do nascimento, sucede-se por meio da amamentação. Os anticorpos maduros são adquiridos ao longo dos primeiros dois anos de vida do bebé. Devo salientar que para os bebés, o acto de brincar, além de ser divertido, faz com que a “sujidade” desenvolva as defesas das crianças, pois a sujidade das brincadeiras faz parte da aquisição da imunidade da criança, e deve ser encarada com naturalidade. Após o contacto com a sujidade, os anticorpos responsáveis pela produção de glóbulos brancos no organismo combatem os agentes invasores como os fungos e as bactérias proporcionando protecção para defender o corpo desses agressores. Além dessa questão, o ar livre promove o desenvolvimento social e emocional das crianças porque lhes dá a oportu-

O acto de brincar faz com que a ‘sujidade’ desenvolva as defesas das crianças nidade de experienciar outras actividades. Assim, sendo o sistema imunitário o nosso protector, tem diferentes formas de nos proteger dos agentes agressores como os vírus, bactérias e fungos. Para começar, alguns dos agentes físicos, como os cílios, os pêlos, o muco e os líquidos corporais, actuam como obstáculos que nos defendem na tentativa de os neutralizar e destruir. Quando estes mecanismos de imunidade natural falham ou existe uma agressão mais específica, como antígenos que vão dar origem a um tipo de resposta do nosso corpo, entra em acção uma imunidade mais específica, a imunidade adquirida, composta pelos anticorpos linfócitos T, B e plasmócitos que, teoricamente, nos garantem protecção contra as infecções. No entanto, quando algum destes mecanismos não está a funcionar adequadamente poderemos ter um quadro de imunodeficiência ou diminuição do potencial imunitário que tanto pode ser o resultado de uma doença como devido a comportamentos errados, principalmente alimentares, que diminuem a capacidade de resposta do sistema imunitário a agressores externos.

Assim, é na alimentação que está a chave do sucesso de um bom sistema imunitário, pois as actividades do sistema imunitário necessitam de energia e de vários nutrientes para a formação de células e outras substâncias envolvidas no nosso mecanismo de defesa. E é nesta altura do ano em que ficamos mais susceptíveis às infecções respiratórias, logo, este é um bom motivo para aprendermos mais sobre os nutrientes que dão suporte aos nossos soldadinhos internos, sendo que os que apresentam maior destaque são: Vitamina C (Ácido ascórbico): A vitamina C promove o aumento da produção de glóbulos brancos e anticorpos que, por consequência, têm um efeito directo sobre as bactérias e vírus, aumentando assim a nossa resistência às infecções. Além disso, também é um constituinte do colagénio e mantém os ossos, a pele e as articulações firmes e fortes. A ingestão de cerca de sete doses de frutas e vegetais pode ser o suficiente para se ingerir 200mg a 500mg de vitamina C por dia. Dose suficientemente adequada para uma boa nutrição aos soldados internos.

Fontes: Agrião, caju, espinafre, melão, citrinos como o kiwi, o limão, a laranja e o abacaxi, as couves, os brócolos, os tomates e o pimento vermelho. Condimentos: açafrão, coentro, cravinho, gengibre, paprica, salsa e tomilho. Vitamina E (D-alfa tocoferol): A vitamina E, em conjunto com outras vitaminas, actua como antioxidante, retardando o envelhecimento, melhorando a cicatrização, a fertilidade e os processos inflamatórios. Embora de forma mais discreta, esta vitamina está associada a uma diminuição da incidência de doenças cardiovasculares e encontra-se presente em alimentos comuns como as sementes, óleos vegetais e os cereais integrais. Fontes: Gérmen de trigo, óleos de soja, arroz, milho e girassol, abacate, gema de ovo, vegetais folhosos (rúcula, couve, folha de brócolos, folhas de beterraba), cenoura, chuchu. Condimentos: Açafrão, louro, manjericão manjerona, orégãos e pimenta. Vitamina A (Retinol e Betacaroteno): Os carotenóides como

o betacaroteno auxiliam no aumento da produção do Ä


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Semear Saúde

naturopatia número de glóbulos brancos, células necessárias para combater as infecções, além de serem poderosos antioxidantes estando frequentemente envolvidos na diminuição do risco de doença cardiovascular. No organismo, o betacaroteno converte-se em vitamina A, sendo esta a forma mais correcta de ingerir a vitamina, pois o seu excesso pode ser tóxico. Assim, após metabolizada apresenta propriedades anti-inflamatórias, anticancerígenas e reforçam todo o sistema imunitário. Fontes: Cenoura, abóbora, espinafre cozido, melão, brócolos, manga, espargo, pêssego, beterraba, alho, alho francês, lentilha, melancia, banana, gema de ovo, damasco, cereja. Condimentos: Alecrim, coentro, cravo-da-índia, louro, manjericão, manjerona, pimenta e sálvia. Vitamina B6 (Piridoxina): A vitamina B6 além de ser essencial à digestão, ao bom funcionamento hormonal e aumentar a imunidade geral do organismo também tem uma acção protectora contra o cancro e no controlo dos níveis de açúcar no sangue. Fontes: Levedura de cerveja, lentilha, arroz integral, sementes de girassol, soja, gérmen de trigo, banana, cenoura, abacate, melão, ovo, nozes. Condimentos: Alho, cebola, coentro, gengibre, manjericão, orégãos, paprica, pimenta e sálvia. Equinácea: A equinácea pur-

púrea e angustifolia é uma planta medicinal bastante conhecida por estimular o sistema imunitário. Ela é especialmente eficaz quando ingerida de forma preventiva ou na fase inicial da infeção. Pode tomá-la sob a forma de tintura, infusão, comprimidos e xaropes. Selénio: O selénio é um mineral antioxidante por natureza, imuno-estimulante e anti-inflamatório. Bastam duas castanhas do pará para perfazer a dose diária recomendada de selénio por dia. Fontes: Alho, cebola, milho, cereais integrais como a aveia e a quinoa, cogumelos, levedura de cerveja, castanha do pará, ovos. Condimentos: Alho, coentro, gengibre e salsa. Zinco: O zinco actua na reparação dos tecidos e na cicatrização de ferimentos. Este mineral

É na alimentação que está a chave do sucesso de um bom sistema imunitário está associado ao aumento da produção de glóbulos brancos e ajuda-os a combaterem de forma mais eficaz. No entanto, deve-se ter especial cuidado com a suplementação de zinco, pois este mineral inibe a absorção adequada de ferro, logo, devemos sim consumir quantidades adequadas de zinco mas sob a forma de alimento. Fontes: Aveia, ovo, espinafre, sementes de girassol, cogumelo, gengibre. Condimentos: Cominho, gengibre, manjericão. Vitamina D (Ergocalciferol, Colecalciferol): A vitamina D está

presente na maioria das funções do nosso organismo, tendo um

papel de destaque na manutenção do tecido ósseo, no apoio que presta a nível da saúde mental e no reforço do sistema imunitário. Além disso, a ingestão desta vitamina está associada a uma menor taxa de risco de cancro, a uma melhor performance mental nos idosos, na prevenção de gripes e a um menor risco de depressão. Apesar de estar presente nos alimentos, a sua ingestão é insuficiente, ao que estudos recentes vêm consolidar os seus achados anteriores referentes à importância de uma maior absorção desta vitamina sob a forma de suplemento durante o Outono e Inverno, dando, no entanto, sempre preferência à exposição pub

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solar que é indispensável à sua síntese pelo organismo. Teoricamente, alterar a nossa alimentação é a parte mais fácil e simples de aliarmos uma boa nutrição a um funcionamento adequado dos nossos mecanismos de defesa, no entanto, todos

sabemos que na prática não é uma medida fácil de adoptar devido aos hábitos tão enraizados que por vezes temos, mesmo que haja a consciência de que nos são nocivos. O que geralmente aconselho é que se vá alterando um hábito de cada vez para que eventualmente se chegue a um patamar de nutrição equilibrado, vitalizante e delicioso, mesmo que com eventuais deslizes. Dando um passo de cada vez torna-se muito mais fácil do que se imagina, até porque, já repararam que basta uma alimentação equilibrada para que o nosso ser vibre de vitalidade? Até a depressão, uma das queixas hospitalares mais comuns em Portugal, já tem o seu elo de ligação ao tipo de alimentação que facilitamos ao nosso corpo, pois repare bem, os alimentos contêm substâncias bioactivas que além de estimularem o sistema imunitário, aumentando a resistência às bactérias e aos

Vera Belchior

Naturopata Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção verabelchior@gmail.com

vírus, nutrem cada canto, célula e átomo que possuímos, logo, para vivermos bem, temos que escolher bem qual o combustível que nos oferecemos, será que merecemos o melhor ou o low cost? Reflicta sobre isso e se chegar à conclusão de que é preferível o combustível de melhor qualidade não o utilize apenas no Inverno ou quando estiver doente, mantenha os seus soldados de defesa na linha da frente sempre, pois a defesa é sempre o melhor ataque! pub


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Semear Saúde nutrição

‘Alimentação correcta aumenta o nível de energia e de disponibilidade para com a vida’ fotos: d.r.

Angela Oeiras é conselheira alimentar, blogger, formadora de cozinha e pastelaria e, actualmente, colaboradora da Associação Semear Saúde, em Tavira, e garante que “uma mudança de alimentação pode fazer autênticos milagres na qualidade de vida de uma pessoa”. Felicidade e energia são algumas das mudanças que a formadora notou aquando da sua alteração alimentar. “Sempre fui uma pessoa activa e enérgica, mas devo dizer que uma alimentação correcta, complementada com actividade física e um estilo de vida descontraído e feliz aumentam o nível de energia e de disponibilidade para com a vida”, garantiu a formadora ao POSTAL. “Ao fazermos a transição para uma alimentação mais saudável começamos a ver muitas mudanças no nosso organismo e isso faz com que nos sintamos mais leves, mais energéticos e felizes. Estes factores são fundamentais para um au-

Um currículo invejável:

Angela Oeiras é conselheira alimentar na Associação Semear Saúde mento da nossa auto-estima e confiança. É um adquirir de estilo de vida mais pleno e feliz”, acrescentou.

A aposta no consumo de alimentos cada vez menos processados e refeições mais ricas em nutrientes surgiu após a

doença terminal de um familiar directo de Angela. “Senti a necessidade de procurar uma dieta alimentar alternativa que

Formada em Gestão e Produção de Cozinha pela Escola de Hotelaria do Algarve (VRSA)/ Turismo de Portugal, exerce actualmente a profissão de formadora de cozinha e pastelaria nessa mesma instituição. Tendo desde cedo sentido uma forte ligação à alimentação saudável especializou-se em Culinária Macrobiótica através do Instituto Macrobiótico de Portugal em Lisboa. A par da carreira ligada à alimentação realizou diversas formações na área do desen-

volvimento pessoal e terapias holísticas. Desde então tem trabalhado como formadora, facultando workshops ligados à alimentação saudável e palestras de coaching e desenvolvimento pessoal. Actualmente é colaborada da Associação Semear Saúde, fomentando a divulgação da alimentação saudável e mais especificamente a alimentação anti-cancro. É também a autora e gestora do blog de alimentação saudável: www.angelaoeiras.com.

me proporcionasse um nível de vida mais saudável”, recordou. Foi nessa altura que pôs mãos à obra e que foi tirar uma formação em cozinha, pela Escola de Hotelaria do Algarve, especializando-se, mais tarde, em Culinária Macrobiótica no Instituto Macrobiótico de Portugal, em Lisboa. Passou, também, a gerir e a produzir conteúdos para o

seu blog angelaoeiras.com, uma página que contém receitas saudáveis e que é o espaço onde divulga os cursos e workshops onde participa. “A ideia de criar um blog direcionado para a alimentação saudável veio da necessidade de reunir num único espaço um conjunto de receitas, dicas e informação alimentar”, explicou Angela Oeiras. Ä

Propostas saborosas e saudáveis:

Flocos de aveia com fruta Os “overnight oats” (flocos de aveia demolhados durante a noite) são uma invenção deliciosa para quem quer ter um pequeno almoço disponível no frigorífico sem ter trabalho de o preparar. Basta (antes de se deitar na noite anterior) colocar dentro de um frasco de vidro uma dose de flocos de aveia e a mesma quantidade de leite vegetal, mexer com uma colher, tapar e levar ao frigorífico até ao outro dia de manhã. No dia seguinte só precisa de abrir o frigorífico, destapar o frasco, e juntar o que lhe apetecer, fruta fresca, frutos secos, sementes, ervas, etc… e regar tudo com um

fotos: d.r.

pouco de mel ou de geleia de arroz. O resultado? Delicioso!

O cuscuz é um prato árabe originário do Magrebe (região do norte de África) que consiste num preparado de sêmola de cereais, principalmente o trigo.

ÔÔ Ingredientes: 1 (chávena de chá) de flocos de aveia 1 (chávena de chá) de leite vegetal (arroz, aveia, amêndoa…) 1 (c.sopa) de passas 1 peça de fruta fresca (pêssego, morangos, banana…) 1 (c.sopa) de frutos secos (nozes, avelãs, amêndoas…) 1/2 (c.sopa) de sementes (sésamo, girassol…) 1/2 (c. sopa) de adoçante natural (mel, geleia de arroz, malte de cevada…) ÔÔ Preparação: Antes de ir dormir colocar

Salada de cuscuz com grão e passas

Um pequeno-almoço saudável dentro de um frasco de vidro os flocos de aveia, o leite vegetal e as passas, mexer com uma colher, tapar e deixar a hidratar no frigorífico durante toda a noite. No dia seguinte retirar o

frasco do frigorífico, com o preparado já hidratado e colocar por cima a fruta fresca cortada aos bocadinhos, os frutos secos picados e as sementes e regar com o adoçante escolhido.

O molho que acompanha o cuscuz pode ser um guisado apenas de vegetais, ou ter carne ou peixe (principalmente nas zonas costeiras), mas hoje vamos prepará-lo em salada, bem fresquinho e com grão e passas. O gão-de-bico além de diminuir o colesterol tem um alto teor de fibras que impede os níveis de açúcar no sangue de subirem muito rapidamente após uma refeição, fazendo desta leguminosa uma escolha

ideal para pessoas com diabetes, resistência à insulina ou com hipoglicemia. ÔÔ Ingredientes: 1 copo de grão cozido 1 copo de cuscuz 1 cebola picadas 1/2 pimento verde picado 1/2 pimento vermelho picado 3 (c.sopa) de coentros picada 1 (c. sopa) de passas Azeite Vinagre de maçã Sal Canela ÔÔ Preparação: Colocar o cuscuz dentro de uma taça de vidro, regar com


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Semear Saúde

nutrição Prevenir doenças oncológicas através dos alimentos A par da sua “missão” de divulgação do que é uma alimentação saudável, Angela Oeiras interessou-se pela alimentação saudável voltada para a prevenção e auxílio na recuperação de doenças oncológicas. Foi neste âmbito que passou a fazer parte do “quadro de colaboradores” da Associação Semear Saúde, parceria que para a formadora significa a união com “uma causa nobre”. “O trabalho feito pela Associação Semear Saúde faz com que eu tenha vontade de partilhar conhecimento e ajudar o melhor possível os pacientes que estão neste momento a atravessar um momento difícil nas suas vidas”, salientou Angela Oeiras. A sua ajuda na associação passa pelo aconselhamento alimentar e pela divulgação de hábitos alimentares que ajudem a prevenir doenças oncológicas. “O facto das pessoas terem uma vida cada vez mais ocupada faz com que tenham menos tempo para se dedicarem à confecção integral das suas refeições, recorrendo, cada vez mais, a produtos

darão as células danificadas a reestruturarem-se como por exemplo os frutos secos e sementes, as ervas aromáticas, os vegetais, as algas e os cogumelos, os cereais integrais, os legumes e a fruta, sendo que o ideal seria consumir todos estes produtos de um fornecedor local e com produção biológica”, refere a formadora. “Deverá, no entanto, ter-se em conta qual o tipo de doença oncológica de que o doente padece, de forma a ser realizado um acompanhamento adequado a cada caso particular”, ressalva Angela Oeiras.

Workshops de alimentação saudável dinâmicos são a proposta

Uma mudança na alimentação pode ajudar a prevenir doenças pré-confeccionadas e processados”, lamenta a formadora. Neste sentido, nas sessões de Food Coaching, Angela ensina os formandos a elaborarem um menu diário

“saudável, completo e nutritivo, indicando as características e proporções dos diferentes alimentos que devemos colocar no prato, assim como a melhor maneira

de os cozinharmos”, explica. Nos casos de doentes oncológicos Angela Oeiras aconselha o consumo de alimentos alcalinizantes e anti-infalmatórios, “que aju-

Em traços gerais as recomendações alimentares da formadora, mesmo para quem não tem doenças, passam por pratos variados, coloridos e nutritivos, evitando ao máximo o consumo de produtos processados e pré-confeccionados, carnes vermelhas, farinhas brancas, cereais refinados e açúcar. Truques que a especialista em Culinária Macrobiótica indica nas formações e workshops em que

Mónica Monteiro

Jornalista monicam.postal@gmail.com

participa e que garante terem cada vez mais adeptos. “Felizmente há cada vez mais pessoas interessadas em fazer uma mudança na sua dieta alimentar, o que faz com que cada vez haja mais pessoas interessadas em aprender. Os workshops que organizo realizam-se sempre num ambiente de partilha, conhecimento e muita diversão e o facto de os participantes intervirem activamente na confeção dos pratos que estão a aprender torna-os muito dinâmicos”, afirma Angela Oeiras. Mudanças que podem prevenir a doença, mas que acima de tudo melhoram o bem-estar diário. Aprender a fazer receitas rápidas, com alimentos o mais naturais possíveis e que no fim das contas até oferecem mais energia para aproveitar a vida? Angela Oeiras garante que não é assim tão difícil”, diz.

Gelatina de maçã e uvas Esta gelatina permite muitas variações, pode trocar-se o sumo base por outro a gosto, a fruta por outra que seja da época e até adicionar outros ingredientes como ervas aromáticas ou frutos secos. O cuscuz é um prato árabe originário do Magrebe a mesma quantidade de água a ferver e tapar. Esperar uns minutos até o cuscuz absorver toda a água, regar com um fio de azeite e com a ajuda de um garfo soltar os grãos. Deixar arrefecer e quando estiver frio juntar o grão cozido, as passas, os pimentos

e a cebola picados. Adicionar os coentros picadinhos e temperar com o azeite, o vinagre de maçã, o sal e um toque de canela. Envolver tudo bem e deixar repousar um pouco antes de servir para o cuscuz absorver melhor os sabores.

O resultado final sempre agrada a miúdos e graúdos. Para preparar esta gelatina utiliza-se a alga agar-agar, que se encontra à venda em supermercados ou casas de produtos naturais, em pó, flocos ou em barra. Além de ser fantástica para a preparação de sobremesas de frutas e de vegetais a alga agar-agar é excelente para a obstipação e é uma ajuda preciosa para quem quer per-

der peso. ÔÔ Ingredientes: 1 litro de sumo de maçã (de preferência biológico e sem açúcar) 2 colheres de sopa de alga agar-agar 4 colheres de sopa de mel (ou geleia de arroz) 2 colheres de sopa de amido de milho 1 chávena de uvas ÔÔ Preparação: Levar ao lume o sumo de maçã, o mel ou a geleia de arroz, a alga agar-agar e o amido de milho e mexer tudo bem de maneira a que fique bem dissolvido. Deixar levantar fervura e sem parar de mexer para evi-

Uma sobremesa fresca, saborosa e bem saudável. tar que se formem grumos e que os ingredientes se peguem ao fundo do tacho, cozinhar durante 15 minutos. Retirar as grainhas às uvas,

colocá-las dentro de um pirex e verte sobre elas a preparação anterior. Levar ao frigorífico até solidificar.


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Semear Saúde hipnose

Hipnose trata centenas de pessoas com diversas patologias A hipnose continua a ser uma área pouco compreendida no seio da sociedade. Que o diga Hugo Martins que, ao longo de oito anos e apesar de haver “muitas pessoas a desconfiarem”, já tratou centenas de pessoas com as mais variadas patologias através da hipnose clínica. “A hipnose não tem nada a ver com o que se vê nos filmes, não é magia, nem encantamento, nem a solução para todos os problemas num abrir e fechar de olhos”, desmistifica Hugo Martins, que acredita que “só depois

de as pessoas passarem pela experiência é que vão perceber o conceito”. A hipnose era uma ferramenta da psicologia, área da qual foi “extraída” para as medicinas não convencionais, sendo actualmente apelidada de hipnoterapia. Uma sessão de hipnose clínica tem cinco fases: a indução, o aprofundamento, a terapia, as sugestões pós-hipnóticas e o despertar. Na indução, o paciente é incitado a relaxar e a entrar num “estado ampliado” de consciência, através do qual acede a um conjunto de informação “arquivada no subconsciente”, tendo a possibilidade de alterá-la ou introduzi-la, de modo a atingir o próprio objectivo da terapia e

ivo neves

o que se predispõe a alcançar. “É por este motivo que a hipnose é um procedimento terapêutico altamente eficaz que permite a verificação de resultados com muita rapidez”, assegura Hugo Martins. “Através da hipnose, desencadeia-se um processo interno, que podemos classificar como “auto-cura”, pelo que, em rigor, considero que a hipnose não existe, o que existe é auto-hipnose, sob condução do hipnoterapeuta”, explica. Tratando-se de um processo de auto-hipnose, “é uma terapia altamente segura, sendo necessário contrariar algumas ideias preconcebidas” de que o paciente fica inconsciente e à mercê de tudo aquilo que o terapeuta in-

Ivo Neves

Jornalista ivon.postal@gmail.com

métodos convencionais da psicologia comportamental, cognitiva, psicanalítica ou até humanista.

Hipnose elimina dores e má disposição em pacientes oncológicos

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Hugo Martins é hipnoterapeuta há oito anos troduzir na sua mente. “A hipnose trabalha no inconsciente”, esclarece Hugo Martins. “Dou sugestões aos pacientes, eles aceitam ou não aceitam”, simplifica. A hipnose é um estado de consciência pelo qual “todos nós passamos” diariamente, quando, por exemplo, se assiste a um filme, se lê um livro ou se conduz e se “desliga” de tudo em redor, seguindo em “modo automático”.

Uma sessão de hipnose para acabar com o vício do tabaco Sem efeitos secundários negativos possíveis, a hipnoterapia ajuda a tratar patologias como a depressão, ansiedade, baixa auto-estima, fobia, medo ou anorexia, e a ultrapassar situações de luto, divórcio ou separação e problemas relacionados com a sexualidade, perda de peso, psicopatologias ou tabaco. Neste último caso, Hugo Martins só precisa de uma hora para o conseguir. “A taxa de sucesso [da hipnoterapia] é muito

alta, estou sempre a ver pacientes novos”, afirma. A resposta à pergunta “até onde pode ir a hipnose?” é para Hugo Martins uma incógnita, uma vez que ainda não são verdadeiramente conhecidos os limites da mente humana. “Passam-se coisas no meu consultório que eu nem consigo explicar, como pessoas que se curam das mais variadas patologias quando não era sequer o que estavam a tratar”, relata. Para além de utilizar a hipnose clínica, o hipnoterapeuta trabalha com a hipnose transpessoal, onde, confessa, se conseguem resultados “muito mais rápidos”. Este tipo de hipnose actua nos vários níveis de consciência, permitindo ao paciente o “contacto com a sua verdadeira identidade”. A visão da hipnose transpessoal é a de “um todo integrado e em harmonia”, permitindo ao paciente trabalhar “em si e na sua essência”, alcançando, segundo Hugo Martins, “níveis de bem-estar e de saúde psicológica impossíveis de alcançar” com os

“Acredito que haja muitas situações oncológicas que se consigam tratar apenas através da hipnose”, diz Hugo Martins, que não acredita em “doenças incuráveis”. O hipnoterapeuta já ajudou a tratar alguns doentes oncológicos mas, para além de acreditar que ainda há muito trabalho para fazer no sentido de desmistificar a terapia, reconhece não ser fácil, nestes casos, resistir à medicina convencional. “Na área da oncologia há um grande medo por parte das pessoas em não fazerem os tratamentos recomendados pelos médicos”, afirma. Ainda assim, “a hipnose continua a ajudar muitos doentes oncológicos” na parte psicológica, ao fazer com que aceitem melhor a terapia e a doença que têm, e com que não se sintam com dores nem mal-dispostos, garante o hipnoterapeuta.

Palestra e formações de hipnose clínica e transpessoal na Semear Saúde Hugo Martins vai conduzir uma palestra na Semear Saúde no dia 1 de Outubro entre as 21 e as 23 horas. A “Hipnose Clínica e Transpessoal” vai estar em debate, com o objectivo de revelar a verdadeira aplicação da terapia e de dar a conhecer a formação de hipnose dada pelo hipnoterapeuta, que brevemente estará disponível na associação.


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Semear Saúde

hipnose

A desmistificação da hipnose ivo neves

O conceito de hipnose e as diversas tentativas de explicar o processo que decorre numa sessão de hipnose variam desde a antiguidade, tendo sofrido alterações até à actualidade. Quando a hipnose é integrada na psicologia dá-se início ao processo de a “cientificar”, retirando-lhe algum misticismo ao qual sempre esteve associada. Foram vários os psicólogos que validaram a hipnose como uma ferramenta muito útil na psicologia. Através de sugestões hipnóticas consegue-se conduzir o paciente a estados ampliados de consciência. Neste estado ampliado de consciência o paciente acede a um conjunto de informação que está arquivada no seu subconsciente, tendo a possibilidade de alterar ou introduzir nova informação no seu subconsciente, de modo a atingir o próprio objectivo da terapia e o que se predispõe a alcançar. É por este motivo que a hipnose é um procedimento terapêutico altamente eficaz que permite a verificação de resultados com muita rapidez. Na realidade, através da hipnose, desencadeia-se um processo interno, que podemos classificar como de auto-cura, pelo que, em rigor, considero que a hipnose não existe, o que existe é auto-hipnose, sob condução do hipnoterapeuta. Assim, podemos dizer que a Hipnose propriamente não existe, o que existe é auto-hipnose, no sentido em que é o paciente que se permite entrar em estados ampliados de consciência através das sugestões do terapeuta. Estas sugestões são, tal como o nome indica, tão somente sugestões, só sendo aceites e interiorizadas pelo paciente se esta for a sua vontade e se com elas se identificar no seu processo de auto-cura. É neste aspecto que Freud, que defendia que nem todos os os indivíduos eram “hipnotizáveis”, não tinha razão. Todos somos susceptíveis à hipnose, uns têm é mais dificuldades que outros a dei-

O psicoterapeuta e hipnoterapeuta Hugo Martins xar-se levar para estados ampliados de consciência para trabalhar em si próprio. Porque se trata precisamente de um processo de auto-hipnose só não entra num estado ampliado de consciência quem não se permite a isso, quer seja por crenças, preconceitos, dúvidas ou falta de informação, pelo que, é muito importante que o hipnoterapeuta utilize a técnica e a linguagem adequadas a cada paciente. Tratando-se de um proces-

so de auto-hipnose é uma terapia altamente segura, sendo necessário contrariar algumas ideias preconcebidas de que o paciente fica inconsciente e à mercê de tudo aquilo que o terapeuta introduzir na sua mente. É importante também referir que, mesmo que mal utilizada, a hipnose é relativamente inócua, é ineficaz e não provoca quaisquer danos, na medida em que não produz qualquer efeito. É importante salientar que

o paciente, sob hipnose, não deixa de estar consciente, não sendo possível incutir-lhe qualquer sugestão contra a sua vontade ou que contrarie os seus valores e princípios. Aliás, é possível ao paciente interromper uma sessão de hipnose, bastando para tal abrir os olhos, ainda que com alguma dificuldade, retornando a um perfeito estado de alerta. Há pacientes que relatam as suas sessões de hipnose como tendo uma sensação de

sono ou chegando mesmo a dormir, mas tendo sempre a memória da voz do terapeuta e, na maioria das vezes, a perfeita lembrança de todos os momentos da sessão. Independentemente da sensibilidade e reacções de cada um, é o paciente que tem o verdadeira controlo do processo de auto-hipnose, apenas aceitando as sugestões que se adaptem às suas necessidades e à sua vontade. Todos nós passamos por diferentes estados amplia-

d.r.

Áreas de actuação da hipnose transpessoal:

O paciente, sob hipnose, não deixa de estar consciente

Psicopatologias Depressão Ansiedade Fobias e Medos Ataques de Pânico Anorexia / Bulimia Luto Divórcio / Separação Baixa autoestima e amor próprio Problemas relacionados com a sexualidade Perda de peso Procrastinação

dos de consciência ao longo do dia, quando assistimos a um filme, ao lermos um livro e nos desligamos de tudo o que nos rodeia, ao ouvirmos música, ao viajarmos de carro em “modo automático”, etc. Considero que a hipnose precisa de ser desmistificada, havendo ainda um longo caminho a percorrer nesse sentido, a hipnose não é magia, nem encantamento, nem a solução para todos os problemas num abrir e fechar de olhos. Quando questionamos até onde pode ir a hipnose a resposta é ainda uma incógnita, não se conhecendo ainda verdadeiramente os limites da mente humana a hipnose haverá que evoluir e acompanhar esse conhecimento, pelo que é uma técnica com um potencial enorme. É neste contexto que surge a chamada hipnose transpessoal, que actua nos vários níveis de consciência, permitindo ao paciente o contacto com a sua verdadeira identidade. A visão da hipnose transpessoal, é a de um todo integrado e em harmonia, permitindo ao paciente trabalhar em si e na sua essência, alcançando níveis de bem estar e de saúde psicológica impossíveis de alcançar com os métodos convencionais da psicologia comportamental, cognitiva, psicanalítica ou até humanista. Como muito bem define um dos criadores da psicologia transpessoal, esta tem como objecto de estudo os estados de consciência que transcendem a pessoa além do conceito do ego. Pode afirmar-se que pesquisa, num nível científico, a espiritualidade, com os diversos significados que esta assume para cada indivíduo e os diferentes caminhos para a viver, ou até mesmo a sua ausência. Importa salientar que a psicologia transpessoal não tem nada a ver com religião, nem com “parapsicologia”, apesar de estudar e investigar estes aspectos da experiência individual quando tal se revela necessário e eficaz no processo terapêutico.


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Este caderno faz parte integrante da edição n.º 1170, de 16 de Setembro de 2016, do jornal Postal do Algarve e não pode ser vendido separadamente.

alcoutim, um segredo por descobrir


Novo Espaço do Cidadão de Martim Longo aproxima cidadãos dos serviços do Estado Investimento de 139 mil euros promete colocar a maioria dos serviços do Estado junto das populações do interior do concelho, apostando na proximidade, desburocratização e na simplificação da relação com o Estado fotos: d.r.

AS REL AÇÕES DOS CI DADÃOS COM O ESTADO NEM SEMPRE SÃO FÁCEIS E A BUROCRACIA É AINDA UM ENTRAVE AO DESENVOLVIMENTO, MAS A VIDA DE TODOS VAI FICAR MAIS FACILITADA COM O NOVO ESPAÇO DO CIDADÃO EM MARTIM LONGO.

SERVIÇOS DISPONÍVEIS NO ESPAÇO DO CIDADÃO: P Serviços da autarquia P Autoridade para as Condi-

A promessa de equipar Martim Longo e a zona mais interior do concelho de Alcoutim com um Espaço do Cidadão capaz de dar resposta com a qualidade devida às necessidades dos alcoutenejos estava feita pela autarquia liderada por Osvaldo Gonçalves. O investimento da autarquia visa substituir o actual Espaço do Cidadão, localizado no Edifício Sol da Serra, na Rua do Em Outubro de 2015, Osvaldo Gonçalves aquando da inauguração do Espaço do Cidadão Poço Mal Acabado, e dotar este de Alcoutim anunciou um novo espaço em Martim Longo. Menos de um ano depois a equipamento das condições solução definitiva para acolher o serviço está encontrada e a obra em curso adequadas ao cumprimento da sua função. Estado até às populações do inte- drados que acolherá a instalação para instalação da zona de espera Para tanto, a Câmara Mu- rior do concelho - o que se viria a do Espaço do Cidadão e Espaço para os utilizadores do Espaço do nicipal demoliu um edifício verificar em Outubro desse mes- Polivalente. Cidadão. O acesso a esta área é Composto por dois pisos, piso feito pela entrada localizada na e respectivo anexo na Rua Dr. mo ano, a solução então enconAntero Cabral - uma vez que a trada e a funcionar até hoje foi a 0 e piso 1, cada um com um pro- Fachada Este. adaptação da construção exis- resposta encontrada para tornar grama diferente partilhando os Ao nível do piso 0, na Fachada tente seria demasiado onerosa o Espaço do Cidadão de Martim acessos, o edifício tem uma co- Sul do edifício existe outro acese, mesmo assim, não se conse- Longo numa realidade em tempo bertura plana invertida e a facha- so que faz a ligação entre os dois guiria cumprir a legislação re- útil, enquanto se geravam as con- da Este dispõe de uma pequena pisos, através da escada e do elelativa a edificações - e, de acor- dições para criar um espaço que varanda coberta. vador. No piso 1 cria-se uma sala do com as indicações técnicas, fosse a resposta certa e definitiva O piso 0 destina-se à instalação polivalente, dotada de uma inserguer uma nova construção para os serviços do Espaço do Ci- do Espaço do Cidadão e dispõe talação sanitária preparada para adaptada às necessidades dos dadão em Martim Longo. de uma instalação sanitária pre- pessoas com mobilidade condiserviços do Espaço do Cidadão. Das palavras à acção, em me- parada para pessoas com mo- cionada e uma pequena varanda O novo edifícios será total- nos de um ano, a obra está pron- bilidade condicionada, de uma coberta que se abre sobre o lado mente acessível e livre de qual- ta para avançar num terreno com zona para arrumos e uma zona Este. quer barreira física ao nível da uma área total de 64 metros qua- para arquivo e, ainda, uma área A obra já se encontra a decoracessibilidade para as pessoas com mobilidade condicionada, numa aposta clara na qualidade e viabilidade da sua utilização para todos de forma inclusiva. “Só assim o novo equipamento será de facto um Espaço do Cidadão e para o cidadão, oferecendo excelentes condições de segurança e conforto”, refere o presidente da Câmara Municipal. Das palavras à acção

Quando em Junho de 2015 o presidente Osvaldo Gonçalves anunciava, no momento da inauguração e na presença do então secretário de Estado para a Modernização Administrativa, Joaquim Pedro Cardoso da Costa, a abertura para breve de um Espaço do Cidadão em Martim Longo, assumindo assim a responsabilidade de levar a modernização administrativa e os serviços do

Imagem do projecto descritivo do novo Espaço do Cidadão de Martim Longo

ções para o Trabalho P ADSE P Agência para a Modernização Administrativa P Caixa Geral de Aposentações P Direcção-Geral do Consumidor P Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas P Instituto do Emprego e Formação Profissional P Inspecção Geral das Actividades Culturais P Instituto da Mobilidade e dos Transportes P Serviços do Ministério da Saúde

rer e estará, previsivelmente, terminada em Abril de 2017. Aposta na modernização, desburocratização e na proximidade com as populações

O novo Espaço do Cidadão de Martim Longo, sublinha o presidente da Câmara, “será a porta aberta dos serviços da Câmara e do Estado junto de quem mais precisa deles”, “temos de retirar às relações das populações com a autarquia e com os serviços do Estado todos os obstáculos e criar condições de facilidade de acesso, encurtamento de prazos para a solução dos problemas e meios de comunicarmos com as pessoas cada vez mais eficientes”, remata. “O mesmo se passa com as empresas que são o motor da nossa economia”, diz o presidente, “os nossos empresários têm de ter rapidez e eficiência na resolução das suas questões com as entidades públicas e mais próximo é muitas vezes mais rápido. Com um edifício adequado, o Espaço do Cidadão melhora a resposta àqueles que serve, os cidadãos, e com a nova construção criam-se ainda condições para prestar mais e melhor serviço à população com a disponibilidade de mais um espaço polivalente no concelho, que pode acolher diversas actividades”, conclui o presidente.

3 SET 2016


Festas de Alcoutim fizeram transbordar de gente as margens do Guadiana Autarca de Alcoutim reconhece empenho da população na data maior do concelho: “o que tem vindo a sustentabilizar esta festa é o forte apoio de toda a comunidade, desde a autarquia, aos bombeiros, passando pelo comércio local” fotos: d.r.

NÃO SÃO PRECISOS NÚMEROS EX ACTOS PAR A PODER DIZER QUE, UMA VEZ MAIS, AS MARGENS DO GUADIANA SE ENCHERAM DE MILHARES DE PESSOAS PARA AS FESTAS DE ALCOUTIM.

E não foi só noite fora que alcoutenejos e visitantes encheram de uma imensa moldura humana a vila e a beira rio de forma impressionante, também durante os dias a animação constante, preparada pela autarquia num programa à medida de todos os gostos e que se fez dentro da vila e no concelho, houve uma adesão notável aos mais variados eventos programados. O desporto, com futebol, ciclismo, zumba e actividades como o pau-de-sebo, a apanha do pato tiveram ‘casa cheia’, com destaque para a tradicional Travessia do Guadiana, onde a assistência torceu e deu forças aos nadadores para cumprirem o trajecto entre margens. As noites sem fim de uma festa que é já um ícone do nordeste algarvio Pela noite fora, entre momentos inesquecíveis de fogo-de-artifício e

2 SET 2016

O concerto de David Carreira foi um dos momentos altos das Festas de Alcoutim espectáculos que aliaram com mestria a pirotecnia e a música, Alcoutim provou um ano mais que as Festas de Alcoutim são um marco na agenda do nordeste algarvio e da região. Foram poucos os que resistiram a uma proposta que incluía um pezinho de dança ao som da música de baile, animação de rua a marcar os ritmos dos tempos menos agitados e a aceleração da música mais moderna ao som de djs que não dei-

xaram por mãos alheias a obrigação de manter a juventude de pé no cais do rio até ao mais famoso cacau algarvio, a proposta do programa para os mais resistentes de cada noite a fazer-se realidade em cada manhã. Celebrar um concelho, o Dia do Município, é tudo isto e muito mais, mas é também isto mesmo, diversão, animação e motivos mais do que suficientes para juntar em torno de um acontecimento anual

as gentes da terra. Alcoutenejos não se fizeram rogados e saíram à rua Quem esteve em Alcoutim no passado fim-de-semana pôde pereceber e confirmar a animação das gentes alcoutenejas, os sorrisos rasgados de quem se sabe divertir e receber aqueles que com eles querem dar, mesmo noite

fora, um brilho de luz da animação aos seus dias. Ao som dos Átoa ou de David Carreira, ao ritmo da música de baile a pedir dança a dois ou levados pela música mais ‘batida’ dos djs, Alcoutim fez-se maior por estes dias e engalanada para a festa maior do concelho deu provas de estar viva, de boa saúde e acima de tudo, que se recomenda. Recomenda-se para visitar em qualquer momento, para viver intensamente, para se descobrir em cada recanto. Isso mesmo trouxe no passado fim-de-semana a terras de Alcoutim tantos e tantos visitantes, que escolheram dois dias de animação como pretexto para conhecer o concelho, as pessoas, a gastronomia e o património que se lhes oferece à beira Guadiana plantado. Como realçou o presidente da autarquia, “esta festa mantém-se em Alcoutim há 65 anos com uma aposta muito forte e é nossa intenção e compromisso realizarmos um grande evento cultural que é a Festa de Alcoutim”. Todos os anos, uma vez por ano, não temos nenhum outro evento que tenha o investimento que fazemos nesta festa e a prova do sucesso vê-se nas ruas cheias e na cara sorridente das pessoas”.


Concelho reconhece o mérito dos alcoutenejos Um concelho que não elogia, antes reconhece e jamais esquece, manifestou o seu agradecimento público a alguns dos mais notáveis alcoutenejos A MEMÓRIA JAMAIS DEVE SER CURTA PERANTE O TRABALHO DAQUELES QUE DE FORMA NOTÓRIA DÃO O MELHOR DE SI EM PROL DO BEM COMUM.

A celebração do serviço público e do acto ou esforço meritório foi cumprida, uma vez mais, em Alcoutim na data em que o concelho celebra o Dia do Município. São eternos na história de uma comunidade as mulheres e homens de boa vontade e que colocaram o colectivo acima do próprio bem e a estes um concelho que preserva as suas memórias e raízes deve apreço e reconhecimento e, como o autarca Osvaldo Gonçalves reconheceu na cerimónia de entrega das medalhas municipais deste ano, “ao longo dos tempos muitos foram aqueles que realizando o sonho de construir um futuro mais próspero deram o melhor de si, em prol da nossa gente e deste território em que escolhemos viver e que amamos verdadeiramente”.

de não permanência, e desde 1989 como integrante da Assembleia Municipal até 1993. Nesse ano foi eleito presidente da autarquia alcouteneja, ocupando o cargo até 2013, após ser reeleito em 1997, 2001, 2005 e 2009. Durante os 20 anos que liderou os destinos de Alcoutim, as suas acções em prol do concelho, que se mostraram pioneiras a nível nacional, catapultaram o nome de Alcoutim para além dos seus limites geográficos. Agraciado Comendador da Ordem do Mérito, pelo presidente da República Aníbal Cavaco Silva, em 10 de Junho de 2007, o médico viu agora a terra natal reconhecer-lhe o

fotos: d.r.

Grau Ouro: Arnaldo Lourenço M. Mestre Fernando Manuel Gonçalves Alho Conceição José Eduardo Dias Horta José Lourenço Ventura Filipe José Manuel da Palma Pereira Rodrigues

Francisco Amaral recebe a Medalha de Honra entregue pelo presidente da autarquia, Osvaldo Gonçalves

Cumpriu-se a expressão de um sentimento de justiça Para o autarca “foi com um enorme sentimento de justiça e um imenso agrado que, enquanto presidente de Câmara e após parecer da comissão de concessão das medalhas municipais que reúne membros de diversas áreas da comunidade alcouteneja, tive a honra de propor à Câmara Municipal homenagear e agraciar as mulheres e os homens que, no nosso tempo, continuam a ser verdadeiros mestres na arte de fazer das suas vidas um constante ato de serviço e dedicação ao outro e ao bem comum”. Destinadas a galardoar e a distinguir pessoas singulares ou colectivas que pela sua acção se destacaram na prestação de serviços relevantes para Alcoutim, o concelho deu ao mérito nome próprio e de entre dezenas de nomes quatro mereceram destaque maior.

A médica Conceição Cunha foi aplaudida de pé durante mais de cinco minutos percurso e serviços notáveis. Três nomes de mérito No mesmo dia a autarquia atri-

buiu ainda três medalhas de mérito municipal a três outros nomes grandes do concelho. Conceição Cunha, médica, viu-se distinguida com o Grau Ouro,

Francisco Amaral

Epifânio Vicente

Medalha de Honra

Medalha de Mérito Grau Prata

Francisco Amaral recebeu a Medalha de Honra

4 SET 2016

A Francisco Amaral, antecessor de Osvaldo Gonçalves na presidência da autarquia, o município entregou a Medalha de Honra, reconhecimento maior a quem, apesar de confessar que não nasceu para a política, cumpriu ao serviço da autarquia o desejo de servir o próximo e contribuir para o desenvolvimento de Alcoutim desde 1985, como vereador em regime

MEDALHAS DE BONS SERVIÇOS E DEDICAÇÃO:

Conceição Cunha

Manuel Rodrigues

Medalha de Mérito Grau Ouro

Medalha de Mérito Grau Prata

que reforça o reconhecimento já demonstrado pela autarquia em momento anterior com a atribuição de igual distinção com o Grau Prata. A clínica viu assim o mérito reconhecido por ter desempenhado funções de direcção e coordenação de serviços do Centro de Saúde e autoridade de saúde concelhia, quase ininterruptamente durante mais de três décadas, tendo sido durante alguns anos o único médico colocado no concelho. A Epifânio Vicente foi atribuída a Medalha de Mérito Grau Prata, em reconhecimento da sua disponibilidade incansável em prol das gentes alcoutenejas, dos mais jovens aos mais idosos. Quer no desenvolvimento da sua actividade profissional, quer no desempenho das suas funções de responsável pelo Agrupamento 1107 de Escutas em Alcoutim, a dedicação de um homem incansável marcou e marca de forma indelével gerações sucessivas de jovens que são hoje, e serão amanhã, homens alcoutenejos de mérito. Finalmente ao cónego Manuel Rodrigues a autarquia reconheceu com a Medalha de Mérito Grau Prata a presença constante, desde 1981, junto da comunidade num caminho feito lado-a-lado que alimentou a alma e o espírito dos alcoutenejos com a mesma força e perseverança com que estendeu a mão amiga face às adversidades mais terrenas da vida. O reconhecimento de um trabalho pastoral e social indissociáveis e que são a génese de uma vida melhor para centenas de alcoutenejos e respectivas famílias, num serviço público de valor inestimável para o concelho.

Grau Prata: António José Pereira Lourenço António Martins Valério Arlindo José Diogo Mestre Avelino Custódio Madeira Fernando I. Guerreiro Cavaco Fernando José Dias Vilão José Gonçalves Fatal Paulo José Nascimento Ginja Rosa Maria Dias Gonçalves Lourenço Grau Bronze: Amadeu de Jesus C. Morais António Francisco Conceição António José Fachas Lopes António Manuel Dias Agostinho António Manuel Dias Gomes Carolina Maria Mendes Lopes Ribeiros Cristina Maria Gomes Afonso Daniel José Rodrigues Martins Elsa Maria da C. Teixeira Epifânio Vicente Soares Correia Eurico Guerreiro Vicente Fernando Silvestre A. Martins Fernando Teixeira Martins Fernandes Francisco Pedro da Palma Domingos Henrique Siu Fang Hou Humberto Filipe Gomes Teixeira João Manuel Braisinha Tendeiro Mestre João Manuel Teixeira Simão Joaquim Alves Teixeira Afonso José Anastácio Rodrigues José João Martins Palma José Sebastião Josélia Teixeira Vicente Rodrigues Palma Luís Miguel Canelas Martins Manuel Henriques Maria da Conceição Pereira Constantino Agostinho Maria do Rosário Dias Vilão Lourenço Mário Dias Guerreiro Mário Teixeira Gonçalves Nélson Martins do Nascimento Noémia Afonso R. Góis Martins Norberto M. Vicente Tendeiro Paulo Jorge Colaço Ribeiros Sandra Perpétua Palma António Pereira Vítor Manuel L. Rodrigues Vítor Martins Melo


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16.09.2016

Cultura.Sul

Editorial

Missão Cultura

A nova temporada

Direção Regional de Cultura edita obra de Luísa Martins

Ricardo Claro

Editor ricardoc.postal@gmail.com

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Ainda cala forte o calor quando escrevo este editorial, mas Setembro não perdoa e a meteorologia já prevê os primeiros negrumes no firmamento a recordar-nos que é tempo de outro tempo. Do brilho do céu estrelado de Verão e dos espelhos de água salgados que acolheram muito do que no panorama cultural se fez durante o estio, passa-se agora para o brilho das luzes dos palcos em salas cobertas e mais acolhedoras para a 'outonia' que se aproxima. É tempo de viajar noutros discursos culturais, nem melhores, nem piores, mas sobretudo diferentes. Para tanto, as salas culturais e os mais diversos espaços do Algarve preparam programações capazes de garantir que a oferta cultural da região se mantém e de desmentir que o Algarve é um deserto cultural. Munam-se das agendas municipais, consultem os sites das salas de espectáculos, estejam atentos ao pulsar das associações e movimentos culturais da vossa terra e da região em geral e verão que o Algarve tem uma incansável invernia cultural. Este ano a somar a todo o resto o Governo aposta forte na quebra de uma suposta sazonalidade cultural com um programa pensado para a região e que conta com a mestria de Dália Paulo para assegurar o sucesso. Há razões de sobra para sairmos de casa e fazer-nos ao caminho, encontrando a cultura onde quer que ela se nos apresente. Há motivos para vivermos o Algarve outonal e darmos asas ao quanto a arte nos pode deslumbrar e cativar. Há justificação mais do que suficiente para viver um eu e um nós cultural, celebrando a cultura e de uma só tirada, também, a própria vida. •

Direção Regional de Cultura do Algarve

No âmbito do Algarve, desde os anos oitenta, começaram a surgir estudos históricos sobre a alimentação e de uma forma mais sistematizada a partir da dobragem do século, mas estamos ainda longe de possuir uma monografia aproximada sobre a alimentação medieval, tardomedieval ou moderna no Algarve. Toda a contribuição é importante e bem-vinda. A publicação do livro “Contributos para a história da alimentação algarvia a partir das atas da vereação do concelho de Loulé (13841488)”, integrado na coleção “Algarve - Obras Temáticas”, edição da Direção Regional de Cultura do Algarve de estudo de Luísa Martins, é uma contribuição importante porque alicerçada em sólidas bases documentais estatisticamente trabalhadas, reflecte as complexas e dinâmicas realidades do sistema alimentar tardomedieval louletano e características da vida económica do concelho.

O estudo abarca 104 anos, durante os quais, a autora investigou o que os homens bons, para repelirem o espectro da fome, discutiam nas reuniões da administração concelhia e que averbaram em ata, ou seja, os procedimentos e posturas decididos, relativamente aos atos de produção, às sequentes transações no mercado da vila e no âmbito do comércio exterior, quer regional, quer internacional. As atas colocaram a autora perante os produtos alimentares prioritários, ou carentes, e perante a enumeração das dificuldades na sua obtenção, e não, na condição, das ocorrências normais, sobre as quais, nada tendo sido dito, só é possível conjecturar, como nos diz no prefácio do livro Maria Helena Coelho. A obra identifica um conjunto de produtos alimentares consumidos à época; os níveis de apetências; esquemas de fraude dos vendedores para com os consumidores, estatutos sociais que o consumo de alguns desses produtos incorporavam, entre os quais, os previsíveis direitos prioritários sobre o consumo; e, não menos significativo, os direitos/deve-

res de carácter étnico-religiosos associados à produção e ao consumo dos alimentos. A investigação tem, como baliza cronológica terminal, o ano de 1488, ponderando que oito anos depois, Dom Manuel assinou o decreto de expulsão dos hereges, esta obra permite também vislumbrar conflitos de produtividade e particularidades alimentares numa sociedade louletana pluri-religiosa - composta por cristãos, judeus e muçulmanos. O terceiro capítulo é dedicado à trilogia do pão, do vinho e do azeite, espelhando a importância destes alimentos na vida económica e administrativa do concelho, enquanto o quarto capítulo refere a importância das hortofrutícolas na dieta alimentar e a complementaridade da carne e do peixe nessa dieta. Na fruta salienta a importância do consu-

mo interno, em particular do figo seco, boa moeda de troca directa com os vendedores de trigo da Bretanha. Em conclusão, esta publicação traça-nos um retrato muito completo da econo-

d.r.

mia alimentar, na vila tardomedieval de Loulé, com variáveis que nos permitem definir social, profissional e economicamente a vila e os seus cambiantes pluriculturais e plurireligiosos. •

Juventude, artes e ideias

Clubes da Casa da Juventude estão de regresso

Jady Batista Coordenadora Editorial do J

Terminado o período de férias, setembro é mês de

regresso à escola, mas também de reinício das atividades formativas da Casa da Juventude de Olhão. Este ano, para além dos clubes de Teatro e Desenho e BD, as novidades vão para a criação do Clube de Fotografia e a programação regular do Clube de Cinema. O Teatro está de volta, como é hábito, com três grupos de

“CONCERTO DE DINO D’SANTIAGO” 10 SET | 21.30 | Cine-Teatro Louletano Finalista da Operação Triunfo em 2003 e membro da banda de suporte dos Expensive Soul, Dino lançou o seu primeiro álbum a solo em 2008, seguindo-se este ano o EP ‘Unplugged’

faixas etárias distintas, infantis, juvenis e adultos, a formação está a cabo de Vanessa Caravela e João Evaristo. O Clube de BD e Desenho, dirigido a jovens dos 6 aos 16, volta a ser dinamizado por Milton Aguiar. À Casa da Juventude, conhecida pelo seu estúdio de fotografia analógica e pelas formações que tem promovi-

do nesta área, associa-se Luís Torres, olhanense amante da sua terra e da fotografia (a que se dedica há vários anos), para dinamizar o Clube de Fotografia da Casa da Juventude de Olhão, que pretende ser um espaço de experimentação e partilha de conhecimentos, aberto a todos aqueles que se interessem por esta arte, estando

previstas saídas de campo e ações de formação. O Clube de Cinema inicia, em outubro, as suas sessões regulares, às quartas, pelas 21.30 horas, na Sociedade Recreativa Progresso Olhanense. Para mais informações dirija-se à Casa da Juventude de Olhão, de segunda a sexta, das 13 às 19 horas (tel: 289 700 180). •

“AZUL. OS TESOUROS ISLÂMICOS DO UZBEQUISTÃO” Entre 23 de SET e 25 FEV | Núcleo Islâmico - Tavira Luís Reina expõe imagens captadas numa viagem que fez pela arquitectura e arte civil, militar e religiosa daquele país da Ásia Central


Cultura.Sul

16.09.2016

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Panorâmica

Verão Azul: um festival diferente que promete agitar as águas da cultura no Algarve andre uerba

Programação: 17 SÁB 18 h. | Casa do Castelo Exposição colectiva de fotografia "Começar do Zero"

(inauguração, patente até 22 Outubro)

Ricardo Claro

22 h. | Pátio Museu Municipal | Cinema Marco Martins e André Príncipe "Traces of a diary"

Jornalista / Editor ricardoc.postal@gmail.com

É um festival e promete, a fazer lembrar 'O Anzol' dos Rádio Macau, "... pintar o céu [do Algarve] em tons de azul". Com nome a condizer, o Festival Verão Azul chega pela sexta vez a terras algarvias a partir do dia 17 de Setembro (amanhã), com uma programação que num primeiro momento ocupará vários espaços da cidade de Loulé até 7 de Outubro. A abrir e com nome a condizer, a colectiva de fotografia 'Começar do Zero' junta André Príncipe, André Uerba, Andrej Djerkovic, Patrícia Almeida e Vasco Célio. Mas este é só o iníco da época louletana do festival que passará ainda por Faro entre 27 e 29 de Outubro e por Lagos de 27 de Outubro a 6 de Novembro. Verão Azul é a proposta cultural de Ana Borralho e João Galante na região há seis anos

24 SÁB 21.30 h. | Cine-Teatro Louletano Espectáculo Ana Borralho & João Galante "Atlas Loulé" 25 DOM 15.30 h. | Cine-Teatro Louletano Cinema Helena Inverno e Verónica Castro "Um Elefante na Sala"

Uma das obras que Andre Uerba leva à mostra colectiva que abre o Verão Azul em Loulé bruno simão

Galante, que nos propõem "Atlas Loulé", e um outro com Sílvia Real Grupo 23, que nos desafia a assistir a ‘E se tudo fosse Amarelo?’ e há ainda espaço para uma oficina de improvisação vocal e instrumental, da responsbilidade de Sofia Sequeira e Rute Prates - Grupo 23.

É assim que a ideia original de um festival verdadeiramente desempoeirado e pensado, por Ana Borralho e João Galante, para criadores out of the box quer tingir de azul a região " ... para ser original". A convidar-nos para "... morder o anzol" de propostas culturais diversificadas basta olhar para a programação prevista para Loulé para entender que há muito de "...novo aqui debaixo do Sol".

A programação à distância de um clique A programação relativa às passagens deste festival por Faro e Lagos, pode vê-la on-line em www.festivalveraoazul.com/ e acompanha-la através do POSTAL on-line em www.postal.pt.

As propostas para Loulé incluem cinema, espectáculos, fotografia e oficina

AGENDAR

Ele há cinema para ver e ouvir com "Traces of a diary", de Marco Martins e André Príncipe, e "Um Elefante na Sala", de Helena Inverno e Verónica Castro; há espectáculos, um de Ana Borralho & João

Diversidade e arrojo num festival inusitado e conceptual

Ana Borralho e João Galante “NO CORAÇÃO DO ALGARVE” 16 SET | 18.30 | Biblioteca Municipal de Lagoa No seu livro, Maria Helena do Carmo convida nos a conhecer os espaços de Lagoa, contando-nos a sua história, a que se juntam algumas histórias e curiosidades.

O Verão Azul propõe-se dar-lhe razões para pintar a sua vida das

7 SEX 10.30 h. | Cine-Teatro Louletano Espectáculo Sílvia Real - Grupo 23 "E se tudo fosse Amarelo?" 14.30 h. | Cine-Teatro Louletano Oficina Sofia Sequeira e Rute Prates - Grupo 23 Improvisação Vocal e Instrumental

cores da cultura, afinal há no programa da iniciativa, que nasce das mãos da casaBranca e nas propostas que encerra, uma lufada de ar fresco. Há arrojo, diversidade, policromia e amplitude, abarcando numa paleta única um conjunto de manifestações culturais que não deixam à margem nenhum público e que são, isso sim, um regaço ilimitado para os mais diversos gostos. Apresentado como um festival “de cariz transdisciplinar”, o festival faz-se presente uno na diversidade conceptual, como pano de fundo numa viagem pela contemporaneidade e pelo real e insólito que a arte pode retratar e mesmo criar. Um agitar de consciências servido em modo festival a não perder por terras algarvias. Aceite o desafio e não fique em casa.

“ANTÓNIO E MARIA” 16 SET | 21.30| Cine-Teatro Louletano Monólogo múltiplo de mulheres, que conta com a participação de Maria Rueff, em estreia absoluta algarvia.


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16.09.2016

Cultura.Sul

Espaço ao Património

Teatro e património, uma união

Ficha Técnica: fotos: mário nogueira

Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Ricardo Claro Paginação e gestão de conteúdos: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções:

Quadro da Pré-História 'Trocas Comerciais'

João Bota

Actor, encenador e formador em TIPO - Teatro Infantil de Portimão

No passado dia 9 de julho demos por encerrado mais um ano das "Oficinas de Teatro" do TIPO - Teatro Infantil de Portimão. Das três peças apresentadas, das três diferentes faixas etárias, há uma que gostaria de destacar, uma vez que se inspirou na história da Cidade de Portimão. Tratou-se de "Uma Viagem no Tempo". Desde o momento em que as Oficinas começaram a ser realizadas no espaço do museu, foi nossa intenção criar um texto que abordasse os aspetos positivos, quer do museu, quer da própria história da cidade. “Uma Viagem no Tempo” tornou-se, desta maneira, o ponto de partida por forma a associar o património ao teatro. Assim, iniciámos a nossa viagem ao encontro da Pré-História, tentando refletir os aspetos mais interessantes desta comunidade que habitou a zona de Alcalar há cinco mil anos; desde a moagem da farinha ao cultivo da terra, passando pelo fabrico de adornos com contas de pedras ou conchas, algo que beneficiava as trocas comerciais, o aproveitamento

Quadro da Época Romana 'O Tributo' das peles dos animais, entre outros. Indo ao encontro da Época Romana, baseamo-nos no comércio para melhor definir este período, abordando os negócios da fruta ou mesmo das conservas de peixe, que já se efetuavam na altura e, claro, a venda de escravos, algo que, infelizmente, caraterizava o povo romano. Continuando a nossa “viagem”, tínhamos que, obrigatoriamente, passar pela Indústria Conserveira, expoente máximo da história do Museu, não estivesse ele nas antigas instalações da Fábrica do "Feu Hermanos". Aqui, pretendemos retratar as duras e difíceis horas de trabalho a que as ope-

rárias estavam sujeitas. Sempre que tocava a sirene, fosse a que horas fosse, tinham que estar prontas a entrar ao serviço, ficando proibidas de ir trabalhar no dia a seguir como forma de castigo, caso não fossem pontuais. Por outro lado, tentámos mostrar, de uma forma sucinta, as diferentes etapas que compunham a conservação da sardinha, passando pelo descabeço do peixe, ao salgar, o enlatamento, etc... No fundo, quisemos dar a conhecer, não só às crianças envolvidas no projeto assim como ao público, um pouco da história que envolve a nossa Cidade, mas em especial, a própria essência que o Museu de Portimão tem para mostrar aos seus visitantes. •

• Artes visuais: Saul de Jesus • Da minha biblioteca: Adriana Nogueira • Espaço AGECAL: Jorge Queiroz • Espaço ALFA: Raúl Grade Coelho • Espaço ao Património: Isabel Soares • Filosofia dia-a-dia: Maria João Neves • Grande ecrã: Cineclube de Faro Cineclube de Tavira • Juventude, artes e ideias: Jady Batista • Letras e literatura: Paulo Serra • Missão Cultura: Direcção Regional de Cultura do Algarve • O(s) Sentido(s) da Vida a 37º N: Pedro Jubilot • Panorâmica: Ricardo Claro • Sala de leitura: Paulo Pires • Um olhar sobre o património: Alexandre Ferreira Colaboradores desta edição: João Bota Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve, FNAC Forum Algarve e-mail redacção: geralcultura.sul@gmail.com e-mail publicidade: anabelag.postal@gmail.com on-line em: www.postal.pt e-paper em: www.issuu.com/postaldoalgarve

facebook: Cultura.Sul Tiragem: 8.429 exemplares

Quadro da Indústria Conserveira 'Descabeço do Peixe'


Cultura.Sul

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O(s) Sentido(s) da Vida a 37º N

Setembro

Pedro Jubilot

pedromalves2014@hotmail.com canalsonora.blogs.sapo.pt

Setembro fotos: d.r.

bilingue (português/espanhol) do novo livro de Fernando Pessanha. Desta vez editado pela editora CanalSonora sediada em Tavira, o conto «A Musa / La Musa» foi traduzido pelo escritor espanhol Uberto Stabile e conta com fotografias de Francisco Carvalho com a modelo Isabel Bartolomeu. Esta edição bilingue surge naturalmente dadas as ligações do autor a Espanha, onde tem apresentado vários dos seus trabalhos como historiador, compositor ou ficcionista. O autor e a editora estão ambos direccionados para diferentes géneros literários, línguas, geografias. Um encontro nada improvável desde que o autor participou em 2014 na colectânea «Sízigia» da CanalSonora.

mance, comidas e petiscos, e culminando com muita música na «Festa da poesia ao ritual da igrejinha». Com programa completo no site da organização (cm-vrsa.pt).

Naquele tempo

«Telegramas do Mediterrâneo» de Pedro Jubilot

Da vagem

Apesar dos inconvenientes das altas temperaturas deste verão que acabará no calendário, na próxima semana, mesmo assim queremos que a mudança de estação venha calmamente. Para nos irmos agasalhando lentamente à medida que nos reorganizamos e planificamos para os meses mais escuros e frios. Até termos saudades do calor outra vez. E desejarmos o grande estio.

uma saca de uma arroba de alfarroba seca foi furtada da porta arrombada da barraca do ti zé Farroba e carregada no carro de mula upa upa puxa pula toca a andar que se faz tarde mas a mula assustou-se o carro virou-se e o larápio puxa a saca arrasta os pés cansado da ressaca desse licor da mesma vagem…

A Musa / La Musa

Poesia na Rua 2016

divulgar os seus livros. Dois dos melhores livros editados recentemente pela Lua de Marfim, serão apresentados na loja de Faro – a 16 e 23 de setembro, às 21h30. «Escrever É Dobrar e Desdobrar As Palavras à Procura de Um Sentido» e «O que se ergue do fogo», respectivamente de Luís Ene e Adília César, ambos autores residentes em Faro.

«Naquele tempo as férias eram mais compridas (…) estavam de acordo com o clima do nosso país, não como agora que as crianças deixam o campo, a praia e a montanha para se meterem, contra a natureza, nas salas de aula durante os maravilhosos dias de setembro. O meu ano lectivo não seguia as datas dos países onde em Setembro já há frio e chuva. Está claro que agora o tempo deu uma cambalhota e já ninguém sabe em que estação do ano está!». Fala assim a sensibilidade de Sophia de Mello Breyner Andresen.

com jeito encosta-se a bicicleta a árvore centenária. do interior da loja de rosa sarlis vem o som de: ta pedia tou pirea na voz de melina mercouri, a lembrar que esta terra é de uma modernidade antiga qualquer que seja a sua idade, nenhum homem, sentado frente ao mar egeu poderá almejar mais do que a sua vista alcança: a mulher que então ama, o petisco de polvo frito e a salada com tzatziki que lhe puseram sobre a mesa de madeira, a amizade dos que o rodeiam erguendo copos de ouzo na mão, a paisagem num mundo de luz circundante, esparramada em inevitáveis tons de azul e branco e de-parar-se então, num daqueles momentos que se ansiaria perpetuar (canalsonora editora, 2016)

Perto do Belo

Fnac Ataque

Estaremos com a joalharia contemporânea de Manuela de Campos Xavier, em exposição na Target Concept Store, em Faro (rua de portugal, 42), de 10 de setembro a 16 de outubro (2ª-6ª - 13 às 20h / sáb - 10 às 14h).

AGENDAR

É já na próxima sexta feira, 16 de setembro, que na Biblioteca Vicente Campinas, em Vila Real de Stº Antóno, acontecerá o lançamento

Domingo, 18 de setembro, entre as 10 e as 23h, celebra-se a poesia em Cacela Velha. É assim que ao ar livre se faz a rentrée da cena literária algarvia. Estendais de poesia, mercado de livros, actividades para jovens e crianças, artesanato, produtos locais, apresentação de livros, percursos poéticos, debates/conversa, perfor“NEGRO COMO O FOGO” Até 27 SET | Galeria de Arte Pintor Samora Barros - Albufeira Zorba utiliza nas suas telas pouco os pincéis, preferindo as espátulas, a projecção de tinta ou ‘drip painting’ para chegar ao objectivo quase sempre final e não pré-definido

Setembro

Aos poucos os autores locais têm vindo a utilizar cada vez mais o espaço da cadeia Fnac para

Tenta sempre preparar-nos, consciencializar-nos da nossa motivação nesta vida. E fazer-nos reflectir sobre o nosso papel, na nossa mente, no nosso corpo, na nossa casa, na nossa sociedade, no mundo global. •

“REGRESSO DA MARÉ” 2 OUT | Museu de Portimão Sylvain Bongard apresenta um conjunto de esculturas moldadas à mão, em grés cerâmico, pintadas com uma mistura de vidrados naturais, com formas por vezes fantasiosas que estimulam o imaginário


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16.09.2016

Cultura.Sul

Na senda da cultura

Ana Moura encanta com o novo disco ‘Moura’

Mónica Monteiro (com Henrique Dias Freire)

Jornalista monicam.postal@gmail.com

Lagoa, Tavira e Faro, onde esgotou três concertos consecutivos no Teatro das Figuras, foram as cidades algarvias por onde passou Ana Moura durante este Verão. Em digressão com aquele que já é dupla platina, o disco “Moura”, a fadista encerrou os seus concertos de Verão, no Algarve, com um espectáculo memorável no Festival F. Em entrevista ao Cultura.Sul Ana Moura revelou que “é sempre um prazer cantar no Algarve”. “Sou muito bem recebida”, afirmou.

ivo neves

Dos alinhamentos de todos os concertos fizeram parte os êxitos presentes neste novo trabalho, como o single “Dia de Folga”, “Fado dançado” e “Moura Encantada”, canções que reinventam completamente o conceito tradicional do fado, definindo a artista como uma lufada de ar fresco no panorama do fado, onde conseguiu renovar olhares e pensamentos sobre esta música tradicional portuguesa. “Neste disco arrisco ainda mais do que no anterior. Navego por outros ambientes musicais, um pouco fora do comum, uso guitarra eléctrica, uso vários efeitos na guitarra portuguesa. A minha intenção é descobrir coisas novas e não estar constantemente a fazer a mesma coisa que já foi tão bem feita no fado”, realçou Ana Moura. “Moura” já é dupla platina e tem sido “muito bem recebido” Mesmo a arriscar e a experimentar coisas novas o fado de “Moura”

Fadista deu o último concerto de Verão, no Algarve, no Festival F

tem sido “bem recebido”. “Nos primeiros meses o “Desfado”, mesmo sendo o disco mais bem-sucedido da última década em Portugal, não foi logo tão bem recebido como o “Moura”. Este novo álbum está a correr mesmo muito, muito bem”, disse a fadista, acrescentando que a oportunidade de experimentar coisas novas no fado e de o disco estar a ser bem recebido fazerem com que se sinta “duplamente feliz”. Vencedora do Globo de Ouro deste ano, na categoria “Melhor Música”, com o single “Dia de Folga”, Ana Moura já (en)cantou em Itália, França, Inglaterra ou Estados Unidos da América e, depois de um Verão em cheio por todo o Portugal e em particular por todo o Algarve, a tournée internacional regressa já no fim deste mês com concertos no Reino Unido, na Alemanha, na Polónia, na Suécia e no país vizinho, Espanha. •

Feira da Dieta Mediterrânica não é só comida nem é um ‘festival’ Foram aos milhares os visitantes que durante quatro dias invadiram a quarta edição da Feira da Dieta Mediterrânica, em Tavira. “Entre as cinco da tarde e a uma da manhã, Tavira encheu-se, não havia estacionamento, as pessoas foram, todos os dias, aos milhares”, revelou ao Cultura.Sul Jorge Botelho, presidente da autarquia tavirense. O evento, que começou por ser uma consequência da inscrição da Dieta Mediterrânica como Património Cultural Imaterial da Humanidade, tem vindo a crescer favoravelmente e “já deixou há muito tempo de ser um projecto só de Tavira, fazendo agora parte da identidade algarvia”, garantiu o autarca no primeiro dia de Setembro, aquando da inauguração da iniciativa, que Jorge Queiroz, director do Museu de Tavira e coordenador da candidatura da dieta mediterrânica na lista do Património Imaterial da UNESCO, garante não se tratar de um “festival”. “A feira tem variadíssimas dimensões, a dimensão agrícola, a dimensão ambiental, de protecção das espécies botânicas e da fauna do país e da região, a dimensão cultural e de património e a dimensão da saúde e da nutrição, que fomenta a participação activa de várias associações como a Fundação Portuguesa de Cardiologia, a Ordem dos Nutricionistas, a Associaçao Portuguesa de Dietistas e a Administração Regional de Saúde, que aproveitam a vertente saudável e

ivo neves

A Feira da Dieta Mediterrânica é uma aposta na promoção dos produtos locais sustentável do evento, para transmitir informação útil e realizar exames de despiste. Portanto, é muito mais do que música e gastronomia”, realçou o responsável.

Uma tradição milenar que é muito mais do que gastronomia A Feira da Dieta Mediterrânica é uma aposta assumida na promoção

dos produtos locais, do tradicional artesanato e de uma gastronomia com aromas e cores muito próprios, dando valor aos alimentos da época, à variedade e ao conví-

vio à mesa, pormenor muitas vezes esquecido, mas que além de ser característico das sociedades mediterrânicas promove um saudável hábito de comunicação entre as famílias. “As pessoas já vão percebendo, cada vez mais, que a Dieta Mediterrânica e esta feira não se tratam apenas de gastronomia. Claro que explicar e interiorzar que é uma tradição milenar e que mais do que variedade na alimentação existe uma cultura e até um comportamento associados, só lá vai com o tempo, ainda estamos num processo evolutivo, mas pelo menos a adesão é cada vez maior e as pessoas identificam-se com o conceito desta e de outras actividades de promoção da dieta”, frisou Jorge Queiroz. E actividades são o que não falta para promover a dieta. No Museu Municipal de Tavira todos os meses se podem encontrar exposições, oficinas de expressão plástica, passeios, conferências, e diversas acções de educação patrimonial e artística relacionadas com a temática e ainda, já no próximo mês de Outubro, com data ainda por definir, a autarquia, em conjunto com restaurantes aderentes, promove um festival de petiscos mediterrânicos que visa promover, uma vez mais, o convívio e a tradição. Mónica Monteiro monicam.postal@gmail.com •


Cultura.Sul

16.09.2016

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Sala de leitura

Moçoilas: o canto da terra inquieta

Paulo Pires

Programador cultural no Município de Loulé http://escrytos.blogspot.pt

Penso na serra algarvia e no feminino, e a primeira imagem que me surge é a de mulheres enérgicas e lutadoras, ora extravasando os seus desejos e anseios através de contagiantes cantigas que espalham por bailes, trabalhos agrícolas e serões domésticos, ora calando as dores e angústias no seu amor maternal e no silêncio que domina a paisagem, ora exorcizando os seus temores em plangentes orações e ladainhas. São mulheres independentes, criativas e empreendedoras, cujas raízes vêm do solo e do lar familiar. São mulheres-árvore (revisito Antonin Artaud), que têm as correntes da terra ligadas às correntes do coração. São mulheres que possuem um entendimento superior das coisas, uma sabedoria ancestral e uma capacidade ritualística, que remonta a tempos primitivos, de conectar corpo e espírito. Os antigos acreditavam que as mulheres estão harmonizadas com os astros, têm vocação para o infinito e que os seus corpos são atravessados pela mesma secreta energia que faz florescer as plantas. José Eduardo Agualusa, numa das suas inspiradas crónicas, conclui que é por isso que elas são naturalmente gregárias, altruístas e sedentárias, ao invés dos homens (nómadas, solitários, egoístas), e que, deste prisma, a sedentarização das civilizações terá sido um triunfo feminino. Um sábio homem idoso de Monchique confessaria mesmo um dia à investigadora Glória Marreiros, num longo périplo desta pelo coração das montanhas, que aprendera muita coisa com os homens e com a vida, mas que só as mulheres realmente lhe ensinaram (a começar por sua mãe) o amor, a música, o morse, a solidariedade, o francês, a leitura e a escrita. As Moçoilas (projecto musical nascido em 1994 e composto actualmente por Margarida Guerreiro, Inês Rosa e Teresa Silva) cantam (ess)a sabedoria, instinto e sensibilidade das mulheres do/ao sul, da serra do Caldeirão, da rura-

lidade, da matriz mediterrânica. O que mais seduz nestas “moças marfadas” (como elas se auto-apelidam) parece ser um peculiar jeito-intuição de agarrar e de transmitir canções, e aí os títulos dos seus dois discos (Já cá vai roubado, de 2000, e Qu’é que tens a ver com isso?, de 2006) sintetizam de forma feliz essa postura: a procura obstinada, e tantas vezes atrevida, de reinvenção do património oral tradicional (surripiar para valorizar; ou, se se quiser, contar um conto acrescentando-lhe um ponto), numa abordagem polifónica que se demarca de receitas e formatações artísticas predefinidas. A mais-valia deste grupo passa muito por uma dinâmica performativa, em palco, que alia cumplicidade, espontaneidade, imprevisibilidade e interacção. Daí os seus concertos serem também uma experiência visual estimulante e não apenas auditiva, fruto do cruzamento e complementaridade entre os diferentes backgrounds musicais (jazz, música tradicional/world music, rock, música para a primeira infância, canto coral polifónico, música antiga…) e formas de estar e sentir das suas protagonistas. A “manêra” singular de (re) contar deste triângulo feminino que privilegia o canto a capella manifesta-se desde logo no facto de ir beber amiúde nos termos e dizeres algarvios, conferindo à sua sonoridade uma roupagem mais rente à terra e às gentes do campo, e assim menos “normalizada”. Mas se na vertente linguística estas três mulheres parecem inclinar-se mais para um assumido rigor etnográfico ao nível interpretativo, já os seus arranjos vocais percorrem uma vasta panóplia de soluções técnicas que vão desde singelos trechos em uníssono até ao recurso ao cânone, segunda/terceira voz, canto em oitava, ou ao recurso a melismas que enriquecem esta musicalidade que sopra das sendas, montes e vales de um Algarve outro. Pelo meio ainda pode haver excertos de letras em inglês (em traduções livres e jocosas), onomatopeias (galos e outros), derivações jazzísticas (durante ou no remate melódico de algumas composições), uso de pequenos instrumentos aqui e ali (pinhas, guizos, ferrinhos, pandeiretas, chávenas) e outras dinâmicas (im)prováveis. Somem-se momentos de ambiguidade cativante, fruto do ambiente de proximidade e partilha que é criado, em que o espectador fica naquele

In memoriam Manuel Viegas Guerreiro (Querença) e Michel Giacometti Ao Daniel Vieira, moçoilo de Alte d.r.

Um outro sul no feminino: entre tradição e reinvenção limbo prazeroso de não saber bem onde, em dada canção, acaba propriamente o ensaiado e começa a dimensão improvisada. São frequentes na tradição oral os relatos que colocam a ênfase no papel da mulher enquanto epicentro da animação dos ajuntamentos colectivos, quer nos bailes, quer em contextos de pausa ou pós-trabalho. Num guia sobre o Algarve publicado em 1927 o escritor e jornalista Raul Proença exaltava “a voz fina das raparigas” que, “junto às casas, nas eiras ou nos campos, nas fiadas do linho, nas descascas do milho ou nas cremeias de lã, a cada momento se desgarra”, “aumentando por assim dizer a poesia e a frescura da serra”. O canto iniciado por uma ou mais vozes femininas, muitas vezes sem acompanhamento instrumental (ou tantas vezes para suprir a ausência de “tocador” ou para animar algum período de pausa do mesmo), está intimamente ligado às movimentadas e brincalhonas “modas de roda”. É sobretudo no riquíssimo cancioneiro entoado nesses bailes que o repertório destas Moçoilas se alicerça, bebendo ainda em despiques, canções de embalar e em solenes e delicadas canções em modo narrativo que revisitam temáticas religiosas (ciclos do Natal, Ano Novo e Reis), relembrando que as gentes da serra têm essa vivência mais conservadora da religião (em relação a quem vive “lá em baixo, no Algarve”, como elas dizem), a qual é indissociável dos “trabalhos dos dias”. Somam-se

também ao repositório musical deste projecto vários quadros de cariz profano (romances pastoris, novelescos, etc.), de que é exemplo “Dona Mariana”, tocante romance de assunto carolíngio recolhido pelo incansável Michel Giacometti em Aljezur nos anos 60 do século passado. Margarida, Inês e Teresa cantam a vontade de emancipação e descoberta de raparigas que querem experimentar o sentimento amoroso e desprender-se do apertado controlo materno. A canção “Eladina”, com que normalmente abrem os seus concertos, inscreve-se nesta linha, e é mesmo uma espécie de mote e manifesto do grupo em favor de mulheres de olhos grandes, com coração aberto ao mundo e horizontes largos: “Eladina pequenina / tua mãe ‘tá t’a chamar / Eu já sei o qu’ela quer / Nã me quer deixar amar // Nã me quer deixar amar / Minha mãe também amou / Eladina pequenina / Minha mãe, lá vou, lá vou.” Mais uma vez é o soltar de amarras e a libertação o que mais entusiasmam estas Moçoilas. Elas querem ser donas do seu nariz, e cantar (até provocatoriamente) o livre-arbítrio, a não imposição de normas, a possibilidade de escolher – no fundo, aquela vontade pura de que fala Artaud, “porque a grande mentira foi fazer do homem [e da mulher] um organismo, / ingestão, assimilação, / incubação, excreção, / o que existia criou toda uma ordem de funções latentes e que escapam / ao domínio da vontade decisora, / a vontade que em cada instante

decide de si”. “Deixa-a a moça deixa-a já / qu’ela não é teu amor” ou “Eu tenho um amor em Alte / Tenh’outro em Benafim / Tenh’outro no Monte Ruivo / Esse é que me alegra a mim” são excertos de letras que ilustram bem este misto de independência, exigência, impetuosidade e orgulho, tantas vezes entoado com uma graça/desconcerto e originalidade que não nos deixam indiferentes: “Tenho tosse no cabelo / Dor de dentes no cachaço / Amargam-me as sobrancelhas / Nã vejo nada dum braço // Andà à roda, andà roda / Anda à roda do vapor / ‘Inda está para nasceri / Quem há-de ser o meu amor.” E se dá jeito ter um rapaz, também dá jeito pô-lo a andar se não corresponder às expectativas. Isto porque o mais atractivo, no final de contas, parecem ser essas danças e contradanças do amor, o despique entre sexos, o desconhecido, o turbilhão de emoções: “Ah que bela uva / Que belo cacho / Que belo moço / Pra deitar abaixo // Deitar abaixo / Levar acima / Que belo mote / Que bela rima.” E se o homem se agiganta, de peito inchado, e apregoa “Eu já fui à tua horta / Eu já fui teu hortelão / Já comi da tua fruta / Nã sei s’outros comeram ou não”, ela não se deixa ficar e responde à altura: “Já foste à minha horta / Mas eu nunca lá te vi / Já comeste da minha fruta / Só num vento que t’eu di”. Pelo meio, em momentos de maior introspecção, lucidez e aprofundamento filosófico, há

quem peça inclusive ao seu amor para este lhe ensinar a sua arte, em moldes plenos de substância: “Ensina-me a aborrecer-te / Que eu não sei senão amar-te.” E há ainda uma dignidade social e um orgulho inerentes ao amor, numa das mais emblemáticas canções do projecto: “Mê amor é serralhêro / Nã deve nada a ninguém.” E porque os afectos trazem também consigo a dúvida e o medo de sofrer: “Já nã acredito / Já nã acredito / Nesse teu olhar / Que os teus olhos são / Que os teus olhos são / Só p’ra m’enganar.” E estando a planície alentejana ali tão perto do Caldeirão, e fruto de tantas viagens sazonais à volta da ceifa, da monda ou da cortiça, em que se levavam e traziam melodias, estas Moçoilas, ao seu jeito (mais ritmado e vivo), também confessam: “Eu quero ir para o altinho / Qu’eu daqui não vejo bem / Quero ir ver do meu amor / S’ele adora mais alguém // S’ele adora mais alguém / S’ele me ama a mim sozinho.” A presença da natureza como metáfora e cúmplice dos amores (“Quanto mais o limão corri / Mais eu quero ao meu amori”; “Milho verde, milho verde / Milho verde, folha larga / À sombra do milho verde / Namorei uma fidalga”; ou “‘Inda não perdeu o cheiro / ‘Inda não perdeu a cor / Ê tenho uma laranjinha / Que me deu o meu amor”) e o respeito pelas coisas mais simples da terra são também tónicas deste modo de sentir um chão que, não obstante a voragem do tempo, quer continuar a pulsar e gritar baixinho. Falo-vos, em suma, de mulheres apaixonadas pelas potencialidades de recriação que o poder mágico da oralidade oferece, num processo criativo que também funciona como uma espécie de pesquisa íntima para cada uma delas. É uma pesquisa-aventura que consiste também em descobrir a essência e força da sua feminilidade, e os (bons) instintos, a criatividade apaixonante e o conhecimento imemorial nela contidos. É um retorno à terra-mãe, ao colo primordial, pelo poder transformador da arte/ música, para (re)conhecer mais profundamente os corredores interiores do ser humano. Uma terra a quem as Moçoilas pagam com “cantigas alegres e falas rumorosas”. E o povo, esse, “junta-se nos largos para as ver passar a caminho das herdades” (Manuel da Fonseca). •


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16.09.2016

Cultura.Sul

Espaço ALFA

Festival F com imagens de Marrocos

Direção da ALFA A realização deste festival foi um sucesso para quem gosta de apreciar fotografia e foram muitas as centenas de visitantes que observaram as imagens retiradas em Marrocos no mês de Junho deste ano. Neste momento já é apontado para cerca de 1.700 o número de pessoas que visitaram a exposição ‘Marrocos, País de Encantos’. Todos os fotógrafos participaram cada um deles com duas imagens diferentes e todas com a sua história única que apenas a fotografia com a sua magia a pode contar. Desde os habitantes de Marrocos às belas paisagens tudo foram temas fotografados pelas nossas objetivas.

O Festival F, que contou com vários concertos entre outras atividades, acabou por demonstrar a vontade que as pessoas têm em apreciar ex-

posições fotográficas. Foram muitos os comentários positivos deixados por quem viu Marrocos com os nossos olhos e que dão mais vontade de

continuar a desenvolver estas atividades. Pode ainda deixar o seu comentário das fotografias expostas enquanto aprecia a beleza da Ria Formosa ali

ao nosso lado. Saliente-se que esta é uma exposição atualmente patente até dia 30 de Setembro na sede da ALFA, na Galeria

ARCO, em Faro, e pode ser apreciada de terça a sexta-feira das 15 às 19 horas. Esperamos por si. Apareça e visite-nos! •

Filosofia dia-a-dia

Onde é que eu vivo?

Quando pratico, sou um filósofo, quando ensino, sou um cientista, quando demonstro, sou um artista. B.K.S. Iyengar

Consultora Filosófica

Certo dia, B.K.S. Iyengar (1918-2014) colocou esta exacta pergunta aos seus discípulos. Algum dos mais incautos talvez tenha respondido “Puna”, a cidade indiana onde Iyengar criou a sua escola de Yoga, uma referência incontornável para qualquer praticante desta arte. E se eu vos disser que, segundo Iyengar, se qualquer um formulasse a si próprio esta pergunta, a resposta seria sempre a mesma? Perguntará o leitor como será isto possível, e passar-lhe-ão pela cabeça um sem número de respostas divergentes, de Tavira aos seus antípodas e arredores! Pense um pouco, caro leitor, não se distraia... Qual seria a resposta que todos, sem excepção, daríamos em uníssono? “Onde é que eu vivo? No meu corpo!”

d.r.

Maria João Neves Ph.D

Em que é que a nossa percepção habitual do corpo se altera com esta resposta? O corpo passa a ser tomado como uma casa da qual somos hóspedes. Ocupamo-lo durante algum tempo mas não nos pertence. O corpo é algo provisório que algum dia perecerá, mas, o hóspede que o habita e que com ele não é coincidente poderá ter outro destino. Idiosincrasias do corpo No Ocidente o corpo é frequentemente vivido como um obstáculo. Platão (428/348 a.C.) no Fédon afirma que os sentidos são como pregos que cravam a alma no corpo. A morte surge como uma libertação, pois a mente poderá então dedicar-se, sem distracções, à busca de conhecimento. Pelo contrário, no Oriente, possuir o precioso corpo humano é o maior privilégio que se pode obter. Apreciemo-lo na Parábola da Tartaruga: “Imagine que todo o universo se transformou num infinitamente vasto mar azul. Flutuando na superfície desse

sidual dos pulmões (que intoxica o corpo e a mente); e gerar a motivação apropriada (que consiste em receber os ensinamentos com sentido em transformar-se num Bodhisattva e comprometer-se a salvar todos os seres sencientes do Samsara). Considera-se que se o discípulo não estiver “limpo” os ensinamentos vão cair num recipiente sujo e ficar contaminados. Yoga

mar há uma canga de madeira (objecto que serve para atrelar os animais à carroça). Descansando no fundo do mar há uma tartaruga cega que nada até à superfície apenas uma vez cada cem anos. Esta tartaruga cega desconhece a existência da canga que sobe e desce sendo atirada para cá e para lá pelas ondas. Uma vez que a tartaruga só vem à superfície uma vez em cada século, qual é a probabilidade dela vir a colocar a canga de madeira? Ínfima, certo? Porém, Buda diz-nos que é muito mais fácil a tartaruga

conseguir colocar a canga do que um ser consciente conseguir adquirir um corpo humano repleto de liberdades e vantagens”. Os Budistas vêem o precioso corpo humano como uma condição sine qua non de acesso à iluminação. Claro que temos de nos libertar do desejo, da aversão e da indiferença, mas corpo e mente têm de trabalhar em conjunto. Na tradição tibetana, para receber ensinamentos, não somente sentar-se correctamente é um requisito prévio como também desintoxicar expirando o ar re-

Quando o corpo está doente ou o sistema nervoso afectado, a mente fica inquieta, embotada, inerte, e a concentração ou meditação tornam-se quase impossíveis. O problema do controle da mente requer um grande esforço, como se depreende do diálogo entre Arjuna, o grande guerreiro, e Krishna, avatar do Hinduísmo, no Bhagavad-Gita: “Krishna, falaste-me do yoga como de uma comunhão com Brahman (o Espírito Universal), que é sempre uno. Mas como pode ela permanecer se a mente

é tão inquieta e contraditória? A mente é impetuosa e obstinada, forte e voluntariosa, tão difícil de dominar quanto o vento”. “Sem dúvida, [Arjuna], a mente é incansável e difícil de controlar. Mas pode ser treinada pela prática constante. Um homem incapaz de controlar a sua mente achará difícil atingir essa comunhão com o divino; mas o homem que se controla pode atingi-la se se esforçar e dirigir a sua energia pelos meios adequados”. Nos seus Yoga Sutras Patanjali identifica nove distracções e obstáculos que atrapalham a prática. A primeira delas é a doença que perturba o equilíbrio físico. A saúde é o alicerce a partir do qual se edifica tudo o resto. As reflexões sobre os textos da rubrica Filosofia dia-a-dia continuam nos Cafés Filosóficos que se realizam em Tavira e Faro em Português e Inglês. Para mais informações contacte: filosofiamjn@gmail.com •


Cultura.Sul

16.09.2016

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Artes visuais

Pode a arte estar ligada ao turismo?

Saul Neves de Jesus

Professor catedrático da UAlg; Pós-doutorado em Artes Visuais pela Universidade de Évora

O turismo é uma das principais fontes de receitas de Portugal e do Algarve, em particular. Recentemente, foram novamente atribuídos vários prémios internacionais que expressam o reconhecimento do nosso país e da nossa região como destinos turísticos de referência a nível mundial. Esta excelência conseguida no plano turístico tem muito a ver com o clima, as paisagens naturais, a beleza das praias, as infraestruturas hoteleiras e os campos de golfe, mas tem passado também por uma aproximação às artes, em particular às

agenda de investigação em turismo criativo em pequenas cidades e zonas rurais. Este projeto, com a duração de três anos, decorrerá até 2019 e envolve investigadores da Universidade do Algarve, em particular do CIEO (Centro de Investigação em Espaços e Organizações) e do CIAC (Centro de Investigação em Artes e Comunicação). No próprio alojamento turístico tem havido uma cada vez maior aproximação às artes visuais, havendo, inclusivamente, hotéis que se apresentam com designações que revelam isso de forma muito explicita. Por exemplo, o VIP Executive Art’s Hotel, hotel de 4 estrelas em Lisboa, ou o Eurostars das Artes Hotel, hotel de 4 estrelas no Porto. O nome destes hotéis revela a valorização das artes, seja pela arquitetura e decoração utilizada, seja pelo investimento nas obras expostas de forma permanente, seja por exposições temporárias de artistas vários. Este tipo de designa-

fotos: d.r.

Foto do quarto inserido na paisagem dos Alpes Suíços e artistas conceptuais Patrick e Frank Riklin têm vindo a desenvolver. Em geral, os hotéis que procuram uma associação explícita às artes visuais são hotéis de 4 ou de 5 estrelas, procurando esta relação com as artes ter um caráter distintivo que permita a sua valorização. Ao contrário, estes artistas têm explorado o conceito de

Foto de hóspedes no quarto criado nos Alpes Suíços artes visuais. A nível académico, esta relação entre arte e turismo tem vindo também a ser cada vez mais reconhecida. A título de exemplo, no curso de Turismo da Universidade Lusófona há uma disciplina com a designação de Arte e Turismo. Também merece particular destaque a investigação científica realizada. Ainda recentemente foi financiado a nível europeu o projeto CREATOUR, que tem como objetivo desenvolver uma

ção pode ainda traduzir que o hotel está localizado numa zona próxima de museus ou galerias de arte. É o caso do Hotel Paseo del Arte, hotel de 4 estrelas situado em Madrid, naquilo que costuma ser considerado o “triângulo das artes”, englobando o Museu do Prado, o Museu Thyssen Bornemisza e o Centro de Arte Reina Sofia. Mas neste artigo sobre as relações entre as artes e o turismo gostaríamos de fazer uma referência particular aos trabalhos que os irmãos

0 estrelas (“Null Stern”, em alemão), procurando mostrar os benefícios da liberdade e da independência no turismo. A liberdade associada à criatividade e ao prazer da expressão artística tem sido um dos aspetos mais evidenciados nas várias formas de manifestação de atividade artística, conforme tivemos oportunidade de analisar em números anteriores, em particular quando procurámos responder às questões “Qual a margem

de liberdade do artista?” e “Onde está a “pureza” na produção artística?”. Também nas produções dos irmãos Riklin é esse um dos aspetos principais a ter em conta. Nesse sentido, criaram recentemente um quarto de hotel nos Alpes Suíços, no cantão de Grisons, sem paredes nem teto. A instalação constituída por ape-

oxigénio puro. Conforme refere Patrick, “the mountains are the imaginary building of the new Null Stern” (“a montanha é o edifício imaginário do novo conceito de 0 estrelas”). Desta forma, os artistas pretendem pôr em causa a classificação dos hotéis e mostrar que um espaço com zero estrelas não significa uma coisa má, mas antes

magia dos quartos que criam é tratarem-se duma fantasia real, ou seja, estarem em lugares onde não se espera encontrar uma cama de casal. Um outro exemplo desses lugares especialmente criado pelos irmãos foi numa antiga fábrica nuclear próxima de St. Gallen, na Suíça, que foi transformada em dormitório. Cerca de três mil pessoas terão pago cerca de 15 euros para ficarem aí alojadas. No caso do quarto nas montanhas suíças, o valor do quarto aproxima-se dos 200 euros por noite, havendo já uma lista de espera até ao verão do próximo ano, de acordo com o site oficial do projeto. Como resposta à elevada procura, os artistas tencionam ampliar o número de camas para 25, em diferentes vales da Suíça. Conforme referem, “maybe Switzerland can be the first country to become a hotel” (“talvez a Suíça possa ser o primeiro país a tornar-se um hotel”). Parece-nos que, nesta perspetiva, os irmãos começam a situar-se mais com uma pos-

Foto de hóspede no quarto criado numa fábrica nuclear nas uma cama de casal e um par de candeeiros, pretende simbolizar o oposto, aquilo que é geralmente considerado o turismo de luxo, com os hotéis a pretenderem ter cada vez mais estrelas, como se isto fosse sinónimo de qualidade. Assim, o luxo artificial que caracteriza os quartos de hotel fechados, com ar condicionado e decorados com quadros, é substituído pelo luxo da relação direta com a natureza, da vista deslumbrante que esta faculta e da respiração de

independência e liberdade. Um pouco na linha da ideia de que são as pessoas que fazem os ambientes, para eles, pouco importam as estrelas atribuídas aos hotéis, pois os utentes é que devem ser as verdadeiras estrelas no processo. Conforme referem, “the only star is you” (“a única estrela és tu”). Esta instalação insere-se num projeto mais vasto de conceção de ambientes de alojamento turístico iniciado em 2008 pelos dois irmãos. Segundo estes artistas, a

tura de agentes turísticos do que de artistas, embora isso não diminua a mais valia do conceito que criaram e concretizaram enquanto homens da arte. Num próximo artigo iremos aprofundar as relações entre o turismo e a arte, através da análise de realizações feitas em arte urbana, bem como iremos procurar analisar outra forma de aproximação das artes visuais à natureza, através do movimento desenvolvido no âmbito da “land art”. •


10 16.09.2016

Cultura.Sul

Da minha biblioteca

As mentiras que os homens contam de Luís Fernando Veríssimo Adriana Nogueira

Classicista Professora da Univ. do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com

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Quando este jornal sair, estará a decorrer, em Faro, a Semana do Brasil. Por isso, escolhi um dos autores brasileiros que tenho na minha biblioteca: Luís Fernando Veríssimo (filho de Érico Veríssimo, um dos homenageados na exposição patente na Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, em Faro, até 30 de setembro). Escritor multifacetado (jornalista, revisor de textos, tradutor, cronista, guionista, cartoonista), tem uma grande capacidade de observação e de passar para a escrita situações ridículas que nos podem ser (mais ou menos) familiares e que, precisamente porque nos reconhecemos nas caricaturas que ele traça com tanta perfeição, nos faz rir da figura que, tantas vezes, fazemos, ou se nos faz apertar o coração perante as tragédias que nos descreve de uma forma humorística, tudo isto intercalado com momentos de ternura e de respeito pelas personagens mais simples. O livro que selecionei chama-se As mentiras que os homens contam e inclui algumas das histórias de Comédias da vida privada, por sua vez o resultado da compilação de crónicas que o autor foi escrevendo em jornais onde trabalhou. Esta coletânea, que foi um êxito no Brasil, é composta de pequenas histórias muito visuais e teatralizáveis, tendo dado origem a uma série televisiva e a várias adaptações para o teatro. Na verdade, o que me levou a comprar este livro foi o ter as-

fotos: d.r.

sistido a uma peça intitulada «A comédia da vida privada», em 2001, interpretada por Rosana Cordovani e Eduardo Gaspar (ator e encenador brasileiro radicado em Portugal, autor de espetáculos como o premiado Gisberta – interpretado por Rita Ribeiro – ou do recentíssimo Gangsters na Broadway), que também foi o responsável pela adaptação dos textos. Atualmente, a associação Margem Narrativa tem a peça em cartaz, interpretada por quatro mediáticos atores: Almeno Gonçalves, Joaquim Nicolau, Fernando Ferrão, António Melo. O guionista e crítico das hipocrisias Algumas das histórias do livro revelam a faceta de guionista de Luís Fernando Veríssimo: além de excelentes diálogos, há indicações de cena, que nos fazem visualizar a ação, como na crónica «Nobel» (pp.89-90: «– Eu inventei o nome. O Roger Paillac não ganhou prêmio Nobel e nunca vai ganhar porque não existe. (Silêncio.) – Rá. Te ganhei. (Silêncio.) – Escuta. Você… Eu… Era brincadeira… ESPERA! (Sons de briga. Alguém sendo esgoelado.) – Socorro! Au secour! Soc. (Silêncio.)» Muitas das histórias giram em torno das mentiras que se dizem por pedantismo intelectual e hipocrisia social. E as dramáticas consequências dessas atitudes. Obviamente que, pelo exagero das reações das personagens, rimo-nos, mas é impossível não reconhecer as situações anedóticas em que frequentemente nos colocamos ao dizer a chamada «mentira piedosa». No conto «Sebo» (um sebo é uma espécie de alfarrabista), um leitor narra a visita que um jovem autor lhe

ri com tristeza e abre os braços como quem diz “É difícil conversar com leigos…”». Incomunicabilidade e absurdo

Livro reúne um conjunto de crónicas que o autor foi escrevendo em jornais faz (pp.23-25). Para agradar ao rapaz, à pergunta « – Você leu meu livro?», o leitor insiste veementemente que sim, reconhecendo em si «Essa terrível necessidade de não magoar os outros. Principalmente os autores novos», deixando ambígua se «Essa obscena compulsão de ser amado» é do leitor ou do autor. No final percebemos que o narrador já morreu e que, mesmo assim, confunde mentira com boa-educação: « Ele seguira a pista de 16 dos 17 compradores e os estrangulara. Faltava o décimo sétimo. (…) No livro tinha um cacófato horrível. Ele não podia suportar a idéia de descobrirem seu cacófato. – Eu não notei! Eu não notei! – protestei. Não adiantou. Ninguém que tivesse lido o livro podia continuar vivo. Ele queria deixar o mun-

do tão inédito quanto nascera. – Mas essas coisas não têm import... – comecei a dizer. Mas ele me pegou e me estrangulou. Bem feito! Para eu aprender a não ser bem-educado. Meu consolo é que depois ele descobriria que as páginas do livro não tinham sido abertas e o remorso envenenaria

“RELÍQUIAS DO SOTAVENTO” Até 22 SET | Mercado de Castro Marim Peças em pintura, tapeçaria e técnicas mistas, criadas pelos utentes da ASMAL, mostram alguns elementos que integram o património histórico e natural do sotavento algarvio

suas noites. Enfim. É o que dá freqüentar sebos.» Por vezes, o autor faz análises dos tipos sociais conhecidos de todos, como este («O Jargão», pp. 65-7): «Nenhuma figura é tão fascinante quanto o Falso Entendido. É o cara que não sabe nada de nada mas sabe o jargão. E passa por autoridade no assunto. Um refinamento ainda maior da espécie é o tipo que não sabe nem o jargão. Mas inventa. (…) – Você, no momento, aconselharia que tipo de aplicação? – Bom. Depende do yield pretendido, do throwback e do ciclo refratário. Na faixa de papéis top market – ou o que nós chamamos de topi-maque – , o throwback racai sobre o repasse e não sobre o release, entende? – Francamente, não. Aí o Falso Entendido sor-

Em última análise, a incomunicabilidade, ou a má comunicação, é o fulcro das crónicas, como a amante que não entende a linguagem elaborada e metafórica que o amante usa («Cultura», pp. 133-5): «E ele disse: “A tua modéstia é como o rubor que assoma à face de rústicas campônias acossadas num quadro de Bruegel, pai, enaltecendo seu rubicundo encanto e derrotando o próprio simular de recato que a natureza, ao deflagrá‐ lo, quis.” E ela disse: “Cumé que é?”» Através de situações absurdas, Luís Fernando Veríssimo conta-nos como as pessoas preferem ceder às convenções a dizerem o que pensam. Na história «Lar desfeito» (pp. 125-7), os filhos conseguem que os pais – um casal que se adora – se separem, pois são os únicos miúdos na escola sem problemas familiares e isso fá-los sentirem-se diferentes e não integrados. Os pais encontram-se às escondidas num motel: « – Será que fizemos o certo? – Acho que sim. As crianças agora não se sentem mais deslocadas no meio dos amigos. Fizemos o que tinha que ser feito. – Será que algum dia vamos poder viver juntos outra vez? – Quando as crianças saírem de casa. Aí então estaremos livres das convenções sociais. Não precisaremos mais manter as aparências. Me beija.» Posteriormente, em 2015, Luís Fernando Veríssimo fez uma variação deste livro, noutra coletânea chamada As mentiras que as mulheres contam, mas esse eu não tenho nas minhas prateleiras. Nem li. Acreditem. •

“MEANDROS” Até 29 OUT | Convento do Espírito Santo - Loulé A partir de uma árvore centenária abatida devido a um fungo, Paulo Neves reelabora toda uma nova vida em cada objecto autónomo que cria


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POSTAL 1170 - 16 SET 2016 by POSTAL do ALGARVE - Issuu