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Director Henrique Dias Freire • Ano XXVII • Edição 1131 • Quinzenário à sexta-feira • 3 de Outubro de 2014 • Preço € 1
EM FOCO 2 OLHÃO PERDE PASSAGEM DE NÍVEL PEDONAL QUE UNIA A CIDADE 3 TRIBUNAIS ALGARVIOS PARALISAM DEVIDO A GREVE DE FUNCIONÁRIOS 4 ÁGUAS DO ALGARVE SENSIBILIZA PARA A RECICLAGEM DE ÓLEOS ALIMENTARES 5 ALUNOS DEIXAM AULAS EM CONTENTORES EM FARO 8 CLASSIFICADOS 9
REFER fecha passagem pedonal e corta Olhão a meio
ÀS SEXTAS EM CONJUNTO COM O PÚBLICO POR €1,60
> Olhanenses obrigados a atravessar
a linha através do túnel da Av. da República. Inacessível para muitos devido ao acentuado declive e sujeito frequentemente a cheias durante o Inverno, a alternativa deixada pela REFER aos cidadãos deixa muito a desejar enquanto solução p. 3
d.r.
Portimão prepara acesso ao FAM para 2015
Fundo de Apoio Municipal (FAM): Depois de falhar o Plano de Apoio à Economia Local (PAEL), a Câmara de Portimão e Isilda Gomes, a presidente, não têm alternativa e já estão a preparar o acesso às verbas do fundo criado para dar resposta às autarquias sobreendividadas. Mas dinheiro, “só em 2015”, diz Isilda Gomes > 2 PUB
CA Veja anúncio págs. 7 e 12 Cultura.Sul
d.r.
JUSTIÇA
Greve paralisou tribunais na região
p. 4
ricardo claro
Alunos da Secundária João de Deus deixam salas em contentores >8
AMBIENTE
Águas do Algarve debate óleos alimentares usados
p. 5 PUB
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2 | 3 de Outubro de 2014
em foco
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Portimão prepara candidatura ao Fundo de Apoio Municipal Autarquia quer apresentar candidatura até ao final do ano mas o dinheiro só chegará em 2015 Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
A CÂMARA DE PORTIMÃO aprovou em reunião de executivo a apresentação de uma
candidatura ao Fundo de Apoio Municipal (FAM), criado pelo Governo, para apoiar as autarquias mais endividadas do país. “Aprovámos a determinação de nos candidatarmos ao Fundo pub
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de Apoio Municipal e a equipa de trabalho que prepara a candidatura já está constituída e a trabalhar”, disse ao POSTAL Isilda Gomes, presidente da Câmara portimonense. Com uma dívida a “rondar os 150 milhões de euros”, diz a autarca, a Câmara de Portimão não tem face à lei qualquer alternativa e é um dos vários municípios nacionais com situações financeiras graves que vê imposta a candidatura ao fundo. Segundo Isilda Gomes, a candidatura ao Fundo de Apoio Municipal tem em vista cobrir a totalidade da dívida do município e será apresentada à Direcção-Geral das Autarquias Locais e à Comissão Executiva do Fundo de Apoio Municipal, para a respectiva aprovação. Só depois poderá ser o acesso ao fundo autorizado através de um contrato a celebrar entre o FAM e a autarquia, contrato este que terá de passar ainda o crivo do Tribunal de Contas. Recorde-se que no acesso ao PAEL, Plano de Apoio à Economia Local, que garantiu o reescalonamento da dívida de vários municípios algarvios sobreendividados, Portimão não conseguiu aceder às verbas exactamente porque o Tribunal de Contas, presidido por Guilher-
Assine o
d.r.
ÔÔ Isilda Gomes garante que os ordenados dos funcionários da autarquia estão assegurados me d’Oliveira Martins, recusou o visto necessário.
DINHEIRO SÓ PARA O ANO Para
Isilda Gomes, a Câmara tem capacidade de apresentar a candidatura ao FAM até ao final do ano, mas a presidente considera que antes do próximo ano não será possível percorrer todo o processo necessário ao acesso às verbas do fundo. “Até ao final deste não creio que possa estar aprovada a candidatura, pelo que só já em 2015 poderemos ter acesso às verbas do Fundo de Apoio Municipal”, refere a autarca.
SALÁRIOS GARANTIDOS Entre-
tanto, a presidente da edilidade portimonense garante que os ordenados estão assegurados, nos mesmos termos em que têm estado até aqui, “pelo recurso às taxas e outras receitas da Câmara e pelas transferências regulares feitas pelo Estado a favor das autarquias locais no âmbito do regime financeiro das autarquias locais e entidades intermunicipais”.
QUEM PAGA O FAM O capital
total do Fundo de Apoio Municipal será de 650 milhões de euros, cabendo a realização
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do mesmo em 50% ao Estado e na mesma medida a todas as autarquias. As autarquias terão obrigação de entrar para o capital de acordo com um rácio já regulamentado que reflecte em grande medida a sua capacidade de gerar receitas fiscais. A lei estabelece que o prazo para que os 650 milhões de euros do Fundo de Apoio Municipal estejam completamente realizados é de sete anos, sendo que até esse momento o Estado garantirá através de dívida pública o financiamento necessário à resposta às necessidades das autarquias em dificuldades.
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região
Águas do Algarve sensibiliza para a reciclagem de óleos alimentares pág. 5
Olhão perde passagem de nível pedonal que unia a cidade d.r.
Refer alega risco para os utentes DESDE A PASSADA TERÇA-FEIRA que, por determinação da
REFER, a passagem de nível pedonal que atravessa a linha do caminho de ferro naquela cidade, por cima do túnel da Avenida da República, foi encerrada. Agora, resta aos pedestres descerem a rampa do túnel e subirem do outro lado da linha férrea num percurso íngreme e que de Inverno não raras vezes inunda, impossibilitando o seu uso. O presidente da Junta de Freguesia de Olhão criticou o encerramento da passagem pedonal que atravessa a linha férrea, numa zona movimentada da cidade, lamentando não ter sido informado previamen-
te pelas autoridades. A passagem de nível pedonal, entre a Avenida Dr. Bernardino da Silva e a Avenida da República, foi encerrada na passada terça-feira, informou a Rede Ferroviária Nacional (Refer), alegando um aumento do risco para os utilizadores com o novo modelo de sinalização ferroviária, que permite aos comboios circularem a maior velocidade em zonas onde antes não era possível. O presidente da Junta de Freguesia de Olhão, Luciano de Jesus, disse à Lusa que a eliminação daquela passagem vai fazer com que “Olhão fique dividido ao meio”. A passagem inferior que
a partir de agora deverá ser usada, referiu, “é de difícil travessia para pessoas de mobilidade reduzida”, correndo também o risco de inundar no Inverno. O autarca considera que a alternativa “não serve os interesses da população”, por estar mal preparada para ser atravessada por idosos, pessoas em cadeiras de rodas ou com carrinhos de bebés, além do facto de a passagem inferior estar sujeita às inundações que ali ocorrem sempre que chove muito. Em declarações à Lusa, fonte da Refer argumentou que, segundo a lei, devem ser encerradas todas as passagens pedonais em locais com pas-
sagens alternativas desniveladas a menos de 700 metros, uma forma de evitar acidentes como o que aconteceu numa passagem pedonal em Agosto, em Faro, que tinha sido recentemente automatizada, resultando na morte de um idoso. A mesma fonte acrescentou que com o antigo modelo de sinalização ferroviária os comboios eram obrigados a parar em certas estações, o que fazia com que circulassem a velocidades mais reduzidas. “Esta medida visa exclusivamente a salvaguarda dos utilizadores”, sublinhou a mesma fonte, observando que a nova passagem “é
ÔÔ O túnel que garante o atravessamento da linha neste momento inunda frequentemente durante o Inverno
mais segura” e não comporta quaisquer riscos. A entrada em funcionamento do novo modelo de
sinalização ferroviária no troço de Olhão deve acontecer durante o corrente mês de Outubro, concluiu. Lusa
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“OUTUBRO ROSA”
Portimão corre contra o cancro da mama MUNICÍPIO DE TAVIRA EDITAL Nº 44/2014 Jorge Manuel do Nascimento Botelho Presidente da Câmara Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que em reunião extraordinária de Câmara Municipal, realizada no dia 22 de setembro de 2014, foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 165/2014/CM, referente à Atribuição de apoio à Freguesia de Tavira (Santiago e Santa Maria) – reparação de máquina niveladora; 2. Aprovada por maioria a proposta da Câmara Municipal número 166/2014/CM, referente à Contrato-programa para a Gestão e Manutenção de Espaços Verdes Públicos do Concelho de Tavira Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume. Paços do Concelho, 22 de setembro do ano 2014 O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, Jorge Manuel Nascimento Botelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1131, de 3 de Outubro de 2014)
d.r.
A ASSOCIAÇÃO ONCOLÓGICA DO ALGARVE (AOA) promove,
no próximo dia 12, a 14ª Mamamaratona, uma iniciativa integrada no movimento internacional “Outubro Rosa”, de alerta contra o flagelo do cancro da mama e que irá encher a Zona Ribeirinha de Portimão de uma mancha cor-de-rosa. Considerada uma das maiores manifestações de cariz social no Algarve, a Mamaratona começa às 10 horas e decorrerá ao longo da zona ribeirinha de Portimão num percurso de oito quilómetros, com partida e chegada na antiga Lota, enquanto a Mini-Mamamaratona (10 km) e a Meia Mamamaratona (21 km) se destinam a atletas federados.
ÔÔ Iniciativa decorre dia 12 As pré-inscrições na Mamamaratona decorrem até ao próximo dia 11 e têm um custo de seis “rosas” para adultos e de três “rosas” para crianças até aos 12 anos, não reembolsáveis, incluindo um kit composto
por t-shirt, boné e artigos promocionais, sendo que quem fizer a inscrição no dia do evento pagará uma “rosa” a mais, ao passo que o respectivo kit será entregue em Faro na sede da AOA, ou em Portimão no edifício da antiga Lota, após apresentação da ficha de inscrição. A 14ª Mamamaratona, que se insere no movimento internacional “Outubro Rosa”, de alerta contra o cancro da mama, tem a parceria institucional da Câmara de Portimão e visa angariar fundos para a construção de uma residência para os doentes em tratamento na Unidade de Radioterapia de Faro. Mais informações disponíveis em: www.aoa.pt, www. mamamaratona.com e www. aaalgarve.org.
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região
‘A corrida mais louca do mundo’ atraiu centenas ao Estádio Algarve pág. 6
Tribunais algarvios paralisam devido a greve dos funcionários Maioria dos tribunais da região aderiu a 100% à greve dos funcionários judiciais Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
A GREVE NACIONAL decretada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) para sexta-feira da passada semana paralisou quase por completo os tribunais do Algarve com uma “adesão na região muito superior a 90%”, disse ao POSTAL Vítor Norte, do SFJ no Algarve. Tribunal a tribunal, em Tavira, Faro (sede da Comarca), Loulé, Albufeira, Lagos e Silves aderiram à greve 100% dos funcionários judiciais. Em Vila Real de Santo António a adesão é de 35%, em Olhão de 90% e em Portimão 93%, refe-
re a mesma fonte. Em termos nacionais, a adesão à greve dos funcionários judiciais situa-se entre os 85 e 90%, o que dá bem mostras do descontentamento destes profissionais. De acordo com Vítor Norte, foram assegurados pelos funcionários judiciais na região os serviços mínimos capazes de assegurar os direitos, liberdades e garantias das pessoas e dos menores em risco, respondendo aos primeiros interrogatórios de arguidos detidos e aos processos que se refiram a questões de menores em risco. O presidente do SFJ, Fernando Jorge, referiu à Lusa que a
adesão à greve no Palácio da Justiça de Lisboa foi de cerca de 93%, enquanto no Campus da Justiça de Lisboa foi aproximadamente de 90%. Vários tribunais registaram uma adesão de 100%, incluindo Viana do Castelo, Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto, Ferreira do Alentejo, Santiago do Cacém, Ponte de Sôr, Amadora e Tribunal de Instrução Criminal de Coimbra.
AS RAZÕES DO PROTESTO Os
funcionários judiciais criticam a “brutal redução dos quadros de funcionários; a falta de preenchimento das vagas pub
dos quadros já de si reduzidos; o sobredimensionamento das unidades orgânicas, bem como o excesso de processos a tramitar devido à reforma”, pode ler-se no comunicado do sindicato. Claramente no centro da contestação dos profissionais está, também, o lamentável processo de transição de processos no âmbito da plataforma Citius que é a base de trabalho dos tribunais e que se encontra, ainda, inoperacional face à parte de leão dos processos que existem nos tribunais nacionais.
MAIS GREVES NA CALHA Entre-
tanto, foi já entregue para o presente mês de Outubro um pré-aviso de greve pelo SFJ, agendando um dia de greve por Comarca ao longo do país. A Comarca de Faro, assim se
d.r.
ÔÔ Funcionários da Comarca de Faro farão greve no próximo dia 13 chama a Comarca que abrange todos os tribunais do distrito de Faro, verá todos os palácios da justiça da região serem afectados no dia 13 de Outubro por este novo protesto dos funcionários dos tribunais. Entretanto, os problemas
na área da Justiça mantêm-se, quer a ministra Paula Teixeira da Cruz tenha maior ou menor facilidade em aceitar a sua real dimensão e em desculpar-se face a uma situação que no mínimo se pode classificar de desastrosa para todo o sector.
TÉNIS
MUNICÍPIO DE TAVIRA EDITAL Nº 43/2014 Jorge Manuel do Nascimento Botelho Presidente da Câmara Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que em reunião de Câmara Municipal, realizada no dia 19 de setembro de 2014, foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 159/2014/CM, referente à Atribuição de apoio ao CNE - Corpo Nacional de Escutas; 2. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 160/2014/CM, referente à Parceria com o Centro Europeu de Voluntariado - pagamento das quotas; 3. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 161/2014/CM, referente ao Regulamento municipal de toponímia e numeração de polícia - versão final; 4. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 162/2014/CM, referente à Anulação de divida em execução fiscal em nome de Gilberto Rodrigues Gonçalves; 5. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 163/2014/CM, referente à Fornecimento de energia elétrica em regime de mercado liberalizado, ao abrigo do Acordo Quadro da CC-AMAL – Lote 5 Lote compilado (BTN, BTN-IP) - Relatório final – Decisão de adjudicação e assunção de compromissos plurianuais; 6. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 164/2014/CM, referente ao Ajuste direto para a contratação de serviços de comunicações móveis de voz e dados terrestres - Assunção de compromisso plurianual; Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume. Paços do Concelho, 19 de setembro do ano 2014 O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, Jorge Manuel Nascimento Botelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1131, de 3 de Outubro de 2014)
Atleta de Tavira sagra-se vice-campeã nacional d.r.
A ATLETA INÊS MURTA, do Ta-
vira Racket Club, sagrou-se recentemente vice-campeã nacional no escalão de seniores, que decorreu no Clube de Ténis do Estoril. Apesar de não ter conseguido sobreviver a uma longa e equilibrada batalha, a jovem atleta conseguiu nesta sua primeira participação na prova rainha do ténis português, e pela primeira vez, chegar à final do quadro principal de singulares femininos do Campeonato Nacional Absoluto/Taça Guilherme Pinto Basto 2014. A campeã Bárbara Luz, primeira cabeça de série do torneio e segunda melhor tenista portuguesa da actualidade no ranking individual feminino, encontrou em Inês Murta uma adversária muito difícil de ultrapassar e precisou de lutar por cerca de duas horas e meia até conseguir consumar a reviravolta e vencer o encontro, pelos parciais de 4-6 7-5 6-1. Na reedição da final do Corroios Open 2014, na qual há
ÔÔ Inês Murta, atleta do Tavira Racket Club algumas semanas Inês Murta levou a melhor em três sets, foi Bárbara a primeira a procurar a vantagem e chegou mesmo a uma liderança de 3-1, mas a sua adversária viria a conseguir recuperar e, aos poucos, começar a construir uma liderança. Perante algumas cenas
de espectadores, Inês (de apenas 17 anos e campeã em título de juniores) manteve-se por cima do marcador e do embate nos minutos seguintes, até que Bárbara elevou o seu nível de jogo e pôs em prática toda a sua experiência.
3 de Outubro de 2014 | 5
região
Águas do Algarve sensibiliza para a reciclagem de óleos alimentares Iniciativa pretende diminuir efeitos nocivos dos óleos alimentares no ambiente e nas infra-estruturas da região d.r.
Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
O AUDITÓRIO MUNICIPAL DE ALBUFEIRA ACOLHE, no pró-
ximo dia 7 de Outubro, um seminário organizado pela Águas do Algarve com o intuito de reforçar a sensibilização das unidades hoteleiras e dos profissionais de hotelaria e similares para a necessidade de reciclagem dos óleos alimentares usados (OAU). Além das questões ambientais, a deposição dos OAU nas canalizações cria sérios problemas não só para a canalização de cada um dos hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos do género, onde o
ÔÔ Teresa Fernandes, porta-voz da empresa Águas do Algarve uso destas substâncias é massivo, como para as canalizações
e condutas camarárias e da Águas do Algarve, bem como,
ainda, para as estações elevatórias de águas residuais urbanas da empresa responsável pelo tratamento das águas residuais em todo o Algarve. A tudo isto acresce a maior complexidade e custo do tratamento das águas residuais nas estações de tratamento antes de serem devolvidas ao meio ambiente. Sempre na prossecução de uma maximização de eficiência nos serviços que presta e de uma maior sensibilização dos algarvios e dos agentes económicos para as questões ambientais, a Águas do Algarve vai realizar um seminário subordinado ao tema “Óleos Alimentares Usados na Ho-
telaria e Restauração do Algarve - Implicações na Gestão de Colectores e Sistemas de Tratamento”, organizado em conjunto com a Comissão Especializada de Águas Residuais da APDA - Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas e o Município de Albufeira. Como parceiros a Águas do Algarve conta com a AIHSA, a AHETA e a ACRAL, associações patronais e empresariais dos sectores da hotelaria e similares e do comércio e serviços na região. De acordo com Teresa Fernandes, responsável pela área de comunicação da empresa, “pretende-se com este
seminário sensibilizar as unidades hoteleiras e similares do Algarve, bem como o sector doméstico, para as implicações da descarga sem tratamento de óleos e gorduras nos colectores municipais”, bem como, refere a responsável, “apresentar os efeitos a jusante da descarga de águas residuais com elevados teores de óleos e gorduras e das actuais opções para o tratamento deste tipo de águas residuais e promover o desenvolvimento de um amplo debate sobre o tratamento deste tipo de efluentes na região do Algarve, obtendo a contribuição das diferentes entidades envolvidas”. pub
CERCA DE TRÊS MILHÕES DE EUROS DE INVESTIMENTO
Quarteira e Vilamoura unidas por ‘Passeio das Dunas’ d.r.
AS OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO da zona costeira poente
de Quarteira-Vilamoura vão transformar o antigo “Bairro dos Pescadores” no “Passeio das Dunas”, que vai unir harmoniosamente os dois pólos urbanos, explicaram os responsáveis autárquicos na adjudicação da obra. Os trabalhos orçam em 2.987.250 euros, acrescidos de IVA, e vão permitir construir em 17,7 hectares à beira-mar um reforço da área dunar, espaços verdes, zonas de circulação pedonal e de ciclistas, espaços de lazer e uma área de estacionamento. O futuro “Passeio das Dunas” está localizado no local outrora conhecido como “Bairro dos Pescadores”, muitas vezes associado à criminalidade naquela freguesia, explicou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, Telmo Pinto. “Há 30 anos o Bairro dos Pescadores era uma coisa muito intensificada de barracas, esgotos e tudo o mais, o que, em termos de salubridade, era
Consulte-nos para mais informações
ÔÔ Obra estará concluída num prazo de 13 meses péssimo. Mas, vamos ter uma zona requalificada”, afirmou aquele responsável. O investimento vai ainda permitir resolver o problema da Vala Real, uma zona de escoamento de águas pluviais a céu aberto e que era motivo de queixas da população. “Quarteira e Vilamoura vão – com o termo da obra – estar fisicamente ligadas enquanto dois polos urbanos”, frisou o presidente da Câmara
E D A D I V O N r! e t o o Sc
de Loulé, Vítor Aleixo, que disse acreditar que a obra vai dissipar a imagem de que Vilamoura está dedicada ao turismo de primeira qualidade e Quarteira recebe um turismo de menor qualidade. O projecto foi concebido a partir de uma filosofia de renaturalização, pelo que não vai ter a construção de estruturas pesadas, disse Vítor Aleixo. Lusa
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região
Alunos deixam aulas em contentores na Secundária João de Deus pág. 8
‘A corrida mais louca do mundo’ atraiu centenas ao Estádio Algarve Evento pôs à prova a resistência física dos participantes CERCA DE 300 PESSOAS PARTICIPARAM no passado sába-
do na nona etapa do circuito mundial “Eternal Running”, prova de atletismo e aventura que decorreu junto ao Estádio Algarve, e que põe à prova a resistência física dos participantes. Iniciado em 2002, o evento organizado pela “Thunar Esports” acolheu ao longo das suas edições mais de 120 mil pessoas, tendo percorrido diversos países, entre os quais a Argentina, Estados Unidos da América e Reino Unido. A prova apelidada como “a corrida mais louca do mundo” integra diversos obstáculos ao longo do percurso, entre os
d.r.
quais tanques com água e lama, obrigando os concorrentes a um esforço físico acrescido para os ultrapassarem. Na opinião de Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, trata-se de um evento “muito interessante e divertido, para quem participa e para quem o vê”, e que atrai centenas de pessoas de várias regiões, entre as quais de Espanha.
MACÁRIO CORREIA PARTICIPOU NA PROVA Segundo o autarca, a prova que em 2013 acolheu largas dezenas de participantes espanhóis, contou este ano com “uma maior participação de portugueses, aumen-
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ÔÔ Prova integrou diversos obstáculos ao longo do percurso
to que poderia ter sido mais significativo se fosse feita uma maior divulgação”. “Os espanhóis têm uma grande tradição neste tipo de eventos. Este ano temos menos espanhóis, mas felizmente temos muitos portugueses”, sublinhou. Para o autarca, é necessário dar uma maior notoriedade à prova, no sentido da divulgação”, frisou Rogério Bacalhau, antevendo que essa divulgação possa atrair mais pessoas no próximo ano. Entre as centenas de participantes na prova de resistência, houve um que atraiu as atenções: Macário Correia,
ex-presidente das Câmaras de Faro e de Tavira. O ex-autarca disse à Lusa, que se trata de “uma prova interessante para fazer espírito de equipa, de autoconfiança”. Segundo Macário Correia, a sua participação pretendeu também contribuir para “sensibilizar para uma causa ambiental, que é fazer a recolha selectiva de embalagens, que posteriormente será convertida em alimentos para crianças”. O ex-autarca, classificou a prova como “forte e difícil”, garantindo que a sua determinação o levaria até ao fim. Lusa pub
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Alunos deixam aulas em contentores na Secundária João de Deus Estudantes do antigo liceu regressam a salas normais. Obras na escola continuam sem data para terminarem ricardo claro
Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
OS ALUNOS DA ESCOLA SECUNDÁRIA JOÃO DE DEUS em
Faro deixaram, na quarta-feira da passada semana, de ter aulas em contentores mais de cinco anos depois de terem sido colocados naquelas condições devido às obras levadas a cabo no edifício pela Parque Escolar. Com o abandono das salas nos contentores, os alunos da João de Deus regressaram ao edifício principal da escola onde ocupam agora salas renovadas e podem já contar com sanitários, duas das áreas em obras que ficaram concluídas. Concluídas estão já também as obras na entrada principal da João de Deus, o que permite um acesso ao edifício dentro da normalidade. As obras no antigo Liceu de Faro foram iniciadas em
de uma negociação directa” entre o próprio e o presidente da Parque Escolar. “Esta negociação permitiu ultrapassar a relutância da Parque Escolar em aceitar como pronta pelo empreiteiro apenas parte da obra”, refere o responsável pela João de Deus, realçando que, assim, “foi dada como concluída a intervenção de obras em salas suficientes para retirar os alunos das salas nos contentores e colocá-los no edifício principal”.
OBRAS AINDA LONGE DE TERMINAR Entretanto, as obras na Se-
ÔÔ Os alunos da Escola Secundária João de Deus regressaram ao edifício principal da instituição 2009, no âmbito do programa de modernização do parque escolar nacional encetado durante o Governo Sócrates através da Par-
que Escolar, a entidade então criada para levar a cabo obras em escolas de todo o país. Segundo o director do
Agrupamento de Escolas João de Deus, Carlos Luís, em declarações ao POSTAL, “a saída dos alunos dos contentores foi possível através
cundária João de Deus estão longe de terminar e apesar da boa notícia do fim das aulas nos contentores, há ainda muito por fazer. Os trabalhos decorrem ainda no antigo ginásio, na cantina e no bar e o auditório está apenas na fase inicial de construção.
Alunos do infantário ‘O Pimpão’ visitam o jornal POSTAL Crianças de quatro e cinco anos aprendem como se faz um jornal ricardo claro
OS ALUNOS FINALISTAS do
infantário “O Pimpão” visitaram, na passada segunda-feira, a redacção do POSTAL. A iniciativa serviu para os mais pequenos conhecerem melhor como se prepara um jornal regional. As 25 crianças foram acompanhadas pela educadora de infância, ‘Gena’ (Eugénia Sousa), e pelas auxiliares de educação, Isabel Coelho e Célia Bicho. No jardim-de-infância estas crianças estão a aprender as letras e a história da escrita, desde os egípcios aos romanos, passando pelos chineses e aprenderam
já também que a escrita era feita em papiros e seda e que hoje se faz em papel, contaram os vistantes. Por serem em papel, de acordo com o que contaram ao POSTAL os jovens, os jornais devem ser reciclados para evitar estragar a natureza. Os alunos aprenderam como se faz uma página do jornal e como se colocam as fotografias que aparecem todos os dias nos jornais. Os alunos do infantário ‘O Pimpão’ ficaram assim a conhecer melhor como se prepara um jornal. ÔÔ Crianças viram de perto como se faz um jornal
(Notícia realizada em parceria com os alunos do infantário ‘O Pimpão’)
Carlos Luís considera que “salvo o auditório, que pode demorar mais tempo, o resto dos trabalhos poderia ser concluído em cerca de três meses se houvesse vontade para tal”. Recorde-se que o Ministério da Educação, em resposta a deputados do PSD, tinha recentemente dado como data indicativa do termo das obras na Secundária João de Deus, o final do ano de 2014. Na resposta aos deputados, a Parque Escolar, que gere as obras de requalificação, informava que a empreitada retomara o seu curso e que, desde então, efectuava reuniões periódicas com o empreiteiro, para garantir o acompanhamento e controlo das subempreitadas. “A Parque Escolar estima que os trabalhos na sua totalidade poderão estar concluídos em Dezembro de 2014, dependendo da capacidade financeira da entidade executante para manter os trabalhos dentro do prazo previsto”, referia a resposta do Ministério da Educação e Ciência aos parlamentares social-democratas Elsa Cordeiro, Mendes Bota, Pedro Roque e Cristóvão Norte. Também o PS e o PCP tinham já manifestado em sede parlamentar reservas e preocupação sobre o andamento das obras na escola farense. As obras na Secundária João de Deus tiveram início em 2009, com um prazo de 18 meses, e têm assim vários anos de atraso. A “festa”, como apelidou a ex-ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues as obras da Parque Escolar no Parlamento, tarda em chegar ao fim nas Secundárias algarvias abrangidas pelo programa governamental. Valeu aos alunos da João de Deus o esforço do director de agrupamento e dos deputados eleitos pelo Algarve à Assembleia da República regressarem a salas de aula normais, mas muita água está ainda por correr até que tudo regresse à normalidade na João de Deus.
3 de Outubro de 2014 | 9
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necrologia zzz
Farmácias de Serviço ALBUFEIRA
SEXTA
SÁBADO
DOMINGO
SEGUNDA
TERÇA
QUARTA
QUINTA
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Martins
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Rui Dias da Silva Solicitador de Execuções No âmbito do processo de execução n. 475-B/2002, 2. juízo do tribunal judicial de Olhão, pretende-se tornar Público, que se encontra à venda metade de um Apartamento T2, sito na travessa 18 de Junho nº. 7, 1., Esquerdo, em Olhão. Para o efeito das visitas ou propostas a juntar ao processo, deverá ser contatado o Sr. solicitador de execuções, Rui Dias da Silva, com escritório na Rua Reitor Teixeira Guedes, n. 175, r/c, 8000-424, Faro, ou pelo telefone 289 810 170.
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AGRADECIMENTO Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.
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03-10-1941 / 20-09-2014
Os seus familiares cumprem o doloroso dever de agradecer reconhecidamente a todas as pessoas que assistiram ao funeral do seu ente querido, realizado no dia 26 de Setembro, para o Cemitério de Santa Catarina da Fonte do Bispo, bem como a todos os amigos que manifestaram o seu pesar e solidariedade.
AGRADECIMENTO
AGRADECIMENTO
“Paz à sua Alma”
Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos a acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.
Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.
Agência Funerária Malha, Lda. Tel. 282 418 573 Tem. 967 023 793 funerariamalha@hotmail.com
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JOSÉ EDUARDO MACHADO FIGUEIRA
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22-02-1932 / 20-09-2014
15-09-1954 / 27-09-2014
AGRADECIMENTO
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Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.
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3 de Outubro de 2014 | 11
> > SOLUÇÃO da edição passada
> > COMPLETA O SEGUINTE PROVÉRBIO
A fome e o frio…
Grão a grão, ...
;; A – metem a lebre a caminho. B – paralisam os sentidos. C – afastam o tio D – causam fastio.
A – enche-se o celeiro. B – enche a galinha o papo. C – faz o moleiro a farinha. D – enche-se a mão.
Sobe & desce
Esta é uma iniciativa das Bibliotecas Paula Nogueira do Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira (Olhão) em parceria com a Casa da Juventude de Olhão e o POSTAL, que semanalmente divulga os problemas e as soluções deste jogo. VáriasescolasdoAlgarve jáaderiramàiniciativa:AEProfessorPaulaNogueira(Olhão)/AEdaSé(Faro)/AED.AfonsoIII(Faro)/AEDr.AlbertoIria(Olhão)/ColégioBernardetteRomeira(Olhão)/AEDr.JoãoLúcio(Fuseta)/AEdeEstoi(Faro)/AEJoaquimMagalhães(Faro)/AEdoMontenegro(Faro)/AEdeCastroMarim (Vila Real de St. António) / AE Professora Diamantina Negrão / (Albufeira) / Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas (Mega Agrupamento de São Brás de Alportel) / Escola Secundária João de Deus (Faro) / Agrupamento de Escolas D. Paio Peres Correia (Tavira) / Casa da Juventude (Olhão) / Postal do Algarve. Convidamos todas as escolas e bibliotecas, interessadas em aderir ao Jogo da Língua Portuguesa e receber os materiais para o mesmo, a contactar: biblioteca.epnogueira@gmail.com ou jornalpostal@gmail.com.
Reciclagem de óleos
Passagem de nível
A reciclagem de óleos alimentares usados é um dever cívico de carácter ambiental. A questão é fundamento para um seminário da Águas do Algarve que, uma vez mais, demonstra preocupação com questões ambientais (Ler pág. 5).
As decisões de gabinete à margem das populações e dos seus representantes dão na situação que se vive em Olhão. Esperemos que a REFER tenha botes para a travessia do túnel durante o Inverno (Ler pág. 3).
E-mail da redacção: jornalpostal@gmail.com
Alívio da dor nos doentes com neuropatia diabética
ficha técnica
Sede: Rua Dr. Silvestre Falcão, n.º 13 C - 8800-412 Tavira - Algarve Tel: 281 320 900 | Fax: 281 320 909 E-mail: jornalpostal@gmail.com On-line: www.postal.pt
Isaura Tavares Director: Henrique Dias (CP 3259).
Vice-presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor
Editor: Ricardo Claro (CP 9238). Redacção: Cristina Mendonça (CP 3258), Humberto Ricardo (CP 388), Pedro Ruas. Design: Profissional Gráfica. Colaboradores fotográficos: José A. N. Encarnação “MIRA” Colaboradores: Beja Santos (defesa do consumidor), Nelson Pires (CO76). Departamento Comercial, Publicidade e Assinaturas: Anabela Gonçalves, José Francisco, José Cassapo. Propriedade do título: Henrique Manuel Dias Freire Edição: Postal do Algarve Publicações e Editores, Lda. Contribuinte nº 502 597 917. Depósito Legal: nº 20779/88. Registo do Título (dgcs): ERC nº 111 613. Impressão: Naveprinter Distribuição: Banca - Logista, à sexta-feira com o Público/VASP - Sociedade de Transportes e Distribuição, Lda e CTT.
A neuropatia diabética é uma das causas mais comuns de dor neuropática e consiste na destruição progressiva dos nervos do corpo. É a principal complicação e a mais incapacitante da diabetes. Acontece quando há um aumento do açúcar no sangue nos diabéticos não controlados, o que provoca modificações e até obstrução nos vasos que alimentam os nervos. Os seus sintomas, geral-
Ana Amorim Dias - Escritora
www.anaamorimdias.blogspot.com anamorimdias@gmail.com
8.614 exemplares
mente, desenvolvem-se lentamente ao longo de vários anos e dependem dos nervos que são afectados. A neuropatia diabética provoca diminuição da sensibilidade em partes do corpo como os pés, pernas, mãos e braços. A dor associada à neuropatia diabética causa sensação de formigueiro, dormência ou dor intensa com estímulos que normalmente não causam dor. Pode também ser descrita como penetrante, profunda, ardente ou eléctrica. As actividades diárias do doente como o sono, a sua independência, a capacidade de trabalhar, e as relações interpessoais são gravemente afectadas por esta doença. Para reduzir os sintomas da doença, que não tem cura, o médico pode receitar me-
d.r.
ÔÔ Os danos causados pelos diabetes podem afectar os pés dicamentos analgésicos, de acordo com as manifestações do paciente. A principal forma de impedir a progressão da neuropatia diabética é com um controle rígido da glicemia A fisioterapia pode
ser indicada, em alguns casos, para evitar a evolução da doença e prevenir amputações e manifestações clínicas consequentes. A doença neuropática é um problema de saúde pú-
blica, devendo todos os médicos estar adequadamente familiarizados com o seu diagnóstico e tratamento. O diagnóstico de doença neuropática baseia-se na história clínica, no exame físico que inclua o exame neurológico e exames complementares de diagnóstico. Este ano, as comemorações do Dia Nacional da Luta Contra a Dor, que se assinala no dia 17 de Outubro, terão como foco a dor associada à neuropatia diabética. Para assinalar a data, a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor vai apoiar o 1º Simpósio Internacional da Cátedra de Medicina da Dor, que terá lugar, no dia 17 de Outubro, na Aula Magna da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Mais informações em www.aped-dor.com.
A cabeça de Buda
Membro: APCT - Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação; API - Associação Portuguesa de Imprensa.
Tiragem desta edição:
opinião
- Foste tu, João? - Não, mami. - Tomás?
- Não olhes para mim! - Gato? Tens alguma coisa a dizer? Olhou-me de lado e nem sequer miou. Acreditei nos três. Como não pertenço àquela estirpe de mães que se “passam” com este tipo de coisas, eles não têm motivos para não admitir even-
tuais culpas. Além do mais, assim que esta manhã fiquei com a cabeça do Buda na mão, soube logo quem tinha sido. A táctica de “o próximo a tocar é que partiu” é uma verdadeira delícia. É a relíquia das inocentes traquinices infantis. Lembro-me aliás de uma pequena Vénus de Milo que
havia em casa dos meus pais que, além de já não ter os braços, ficou também sem cabeça, durante meses, até que alguém desse por isso. Esta é uma das inócuas e clássicas patifarias que duvido que alguém nunca tenha feito. O certo é que fiquei com a cabeça do Buda na mão. Em
vez de me irritar, aproveitei a espiritualidade do momento matinal e, logo depois de pensar que tenho de comprar cola, senti-me uma privilegiada. Isto de ter na mão a cabeça de Buda pode muito bem ser uma linda alegoria aos belos ensinamentos que todos os dias nos
caem nas mãos.
O POSTAL
última
regressa no dia 24 de Outubro
Tiragem desta edição:
8.614 exemplares
Obras de requalificação cortam trânsito em Almancil Situação deve prolongar-se até Dezembro A CIRCULAÇÃO RODOVIÁRIA no entroncamento da Av. 5 de Outubro com a R. Vale Formoso, em Almancil, está cortada até ao próximo dia 12 de Dezembro. O corte deve-se à execução dos trabalhos de remodelação, ampliação e conservação da rede de águas residuais pluviais, execução da rede de abastecimento de águas, remodelação de aqueduto, remoção de ilhas e semáforos existentes e execução de rotunda na Praça Francisco Sá Carneiro. Segundo a autarquia louletana, “o desvio do tráfego automóvel na Av. 5 de Outubro, sentido Almancil-Faro,
será efectuado pela Avenida José dos Santos, continuando depois pela R. Manuel dos Santos Vaquinhas, R. da República e, por fim, R. Joaquim Agostinho, interceptando novamente a Av. 5 de Outubro e Av. Duarte Pacheco”. “O desvio do tráfego automóvel na Av. Duarte Pacheco, sentido Faro-Almancil (Loulé, Quarteira e Portimão) será efectuado pela R. António Sérgio, continuando depois pela R. Vasco da Gama, R. Vale Formoso e, por fim, R. João de Deus, interceptando novamente a Av. 5 de Outubro”, lê-se na nota de imprensa enviada. pub
Durante a execução desta empreitada, com uma duração prevista de 13 meses, não será permitido igualmente qualquer circulação pedonal ou ciclista no espaço ocupado pela obra. O acesso será garantido a moradores e usuários da estrada durante a duração dos trabalhos. A autarquia apela “à compreensão de todos para eventuais incómodos causados”. Esta intervenção pretende terminar a obra de requalificação da principal artéria da localidade que se arrasta há já vários anos e que assim parece ter um fim à vista, apesar de tardio.
d.r.
ÔÔ Trânsito cortado em cruzamento de Almancil devido a obras pub
d.r.
Espaço CRIA:
Festival Verão Azul:
d.r.
A festejar é que está o ganho
Contemporaneidade mostra-se no barlavento
p. 5
p. 2
Grande ecrã: d.r.
A programação dos cineclubes
p. 3
Letras e Leituras: d.r.
Mitos revisitados, Marion Zimmer Bradley
p. 6
Sala de Leitura: d.r.
OUTUBRO 2014 n.º 74
O branco obstinado do verbo
Mensalmente com o POSTAL em conjunto com o PÚBLICO
p. 8 e 9
8.614 EXEMPLARES
www.issuu.com/postaldoalgarve
2
03.10.2014
Cultura.Sul
Editorial
Espaço CRIA
A música, sempre a música
A festejar é que está o ganho
Editor ricardoc.postal@gmail.com
O mês de Outubro começou, no passado dia 1, com a celebração do Dia Mundial da Música, um momento para alguns espectáculos evocativos na região, mas que acima de tudo deve ser um momento para reflectir sobre a música, enquanto fenómeno cultural. No Algarve, embora muitas vezes seja ignorada, há quem, todos os dias faça música e trabalhe em prol de uma das mais belas e versáteis demonstrações artísticas de que a humanidade é capaz. Um pouco por todos os géneros musiscais a cena criativa da música ‘made in Algarve’ tem gente de grande valor, indivudual e colectivo, que persegue o sonho de fazer sempre mais e melhor e de obter o reconhecimento público pelo respectivo trabalho. Há muito por fazer nesta matéria por terras algarvias onde a música se faz desapoiada, quase sempre com edições de autor, numa luta desigual com que popula na entourage das editoras por terras de Lisboa, principalmente, e do Porto. Deixando de fora o trabalho mais do que meritório da Orquestra Clássica do Sul, apoiada directamente pelo Governo, e de um ou outro caso absolutamente excepcional, todos os restantes músicos da região enfrentam na mais absoluta solidão enorme desafio que é darem-se a conhecer ao grande público. A música é o parente pobre dos apoios na área da Cultura. Os sons e as notas, as vibrações e o encanto que fazem da música uma linguagem universal parecem estar por sua conta e risco sem qualquer apoio, mas há quem consiga pôr uma lança em África e se uns conseguem porque não os restantes? Há pois um esforço de parte a parte a ser realizado, por parte dos músicos na apresentação de propostas credíveis a quem domina os recursos financeiros e logísticos e por parte das autoridades públicas na majoração da atenção dada a este sector.
Todos os anos o Algarve é o palco escolhido por Portugueses e por turistas de todo o mundo. As praias, as quentes temperaturas e a gastronomia regional são as cabeças de cartaz durante três meses, pelo menos. Inevitavelmente, verão é sinónimo de festivais, festas e feiras que animam o país de norte a sul. O Algarve não é exceção; em todos os concelhos da região se organizam vários tipos de eventos, sejam eles musicais, gastronómicos, históricos, religiosos, etc. Existem celebrações para todos os gostos, idades e carteiras. A referência a estas iniciativas procura salientar os seus benefícios. Destaca-se, em primeiro lugar, o envolvimento, o papel participativo e social das gentes locais. Organizar uma festividade também é uma forma de receber, de partilhar e mostrar
local. Por conseguinte, exige-se que se trabalhe mais e melhor para a atratividade e competitividade de cada local ou destino. O impacto territorial dos eventos passa também pela necessidade de melhorar as d.r.
setor hoteleiro. Qualquer evento é sempre potenciador para o desenvolvimento económico
infraestruturas, de se pensar urbanística e historicamente, tendo em consideração a manutenção da autenticida-
Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural
de dos sítios e da acessibilidade para os demais. Em estilo de exemplo, destaca-se o Festival MED como modelo regional de turismo cultural e criativo, que tem fomentado o crescimento económico da cidade de Loulé e o renascimento e reabilitação do centro histórico. O Festival MED tem sido perspetivado em prol dos residentes e do público, incluindo ambos os targets neste evento de world music que constitui um marco para a notabilidade da cidade a nível nacional e internacional. Neste festival, tem-se apostado na inovação, na criatividade e no desenvolvimento dos recursos existentes para chamar à cidade vários visitantes. Apesar da atual situação económica, ano após ano, tem-se assistido ao aumento de vários eventos devido à adesão do público, mas, também, pela motivação de se apresentar o que existe em cada lugar, despertando igualmente para a sua divulgação e crescimento económico local. É percetível que os festivais, festas e feiras só trazem vantagens (e muito trabalho; disso ninguém se livra), por isso, resta-nos manter o espírito de festejo que faz muito bem à alma e à economia da região e do país.
Juventude, artes e ideias
Desistir não é opção
Cláudia Sofia Sousa Jornalista
Um dia, há mais de 15 anos, deixei o Algarve rumo à capital, com uma mala cheia de sonhos. Queria estudar para ser alguém na vida. Todos me diziam que sim, que o meu sonho era possível, que iria realizar-se. À distância, os meus pais eram colchão, terra firme e alento. Lá longe, onde a família não estava e os amigos iam nascendo de novo, eu fazia a minha parte: estudava
muito. Ia aprendendo saberes intercalados com dissabores. O caminho nem sempre é tão recto quanto se deseja. Ao fundo do túnel de tantas noites de estudo, não havia um emprego, nem sequer uma luz. Seguiu-se uma longa epopeia de experiências pouco ou nada remuneradas. Nenhuma foi em vão. Em cada uma delas, errei muito e aprendi tanto. Aprendi a errar cada vez menos, cada vez melhor. E só assim, acredito, é que se pode aprender. Desenganem-se os que julgam que as oportunidades são feitas de sorte. A sorte é fugidia e não se deixa para aí apanhar. Nos momentos baixos, quando o sonho teimava em não realizar-se, distraí-me aprenden-
d.r.
Editor Ricardo Claro Paginação: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções: • O(s) Sentido(s) da Vida a 37º N: Pedro Jubilot • Espaço ALFA: Raúl Grade Coelho • Espaço AGECAL: Jorge Queiroz • Espaço CRIA: Hugo Barros • Espaço Educação: Direcção Regional de Educação do Algarve • Espaço Cultura: Direcção Regional de Cultura do Algarve • Grande ecrã: Cineclube de Faro Cineclube de Tavira • Juventude, artes e ideias: Jady Batista • Da minha biblioteca: Adriana Nogueira • Momento: Ana Omolete • Panorâmica: Ricardo Claro • Património: Isabel Soares • Sala de leitura: Paulo Pires • Um olhar sobre o património: Alexandre Ferreira Colaboradores desta edição: Alexandra Pires Cláudia Sofia Sousa Marisa Madeira Miguel Peres Santos Paulo Serra Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve, Direcção Regional de Educação do Algarve, Postal do Algarve e-mail redacção: geralcultura.sul@gmail.com e-mail publicidade: anabelagoncalves3@gmail.com
on-line em: www.issuu.com/postaldoalgarve d.r.
Ricardo Claro
Marisa Madeira Gestora de Ciência e Tecnologia no CRIA - Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da UAlg
o conhecimento, evidenciar a diversidade cultural existente, proporcionando experiências aos visitantes. Por outro lado, existe a possibilidade de se obter lucro financeiro, tanto para os comerciantes, como para o
Ficha Técnica:
Tiragem: 8.614 exemplares
do. Cultivei o gosto pela leitura e pela escrita. Descobri que a vocação nos encontra quando começamos a julgar diversão o que afinal é trabalho. E como água em pedra dura, fui trilhando caminho, construindo uma identidade. Hoje sei o que
sou e o que quero ser. “O tempo e a cultura são árvores de fruto”, disse-me alguém sábio um dia. Por isso, vale a pena ir deixando sementes. Mais tarde, ao olharmos para trás, onde tudo parecia deserto, havemos de ver um pomar.
Cultura.Sul
03.10.2014
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Grande ecrã Cineclube de Faro
Programação: cineclubefaro.blogspot.pt CICLO TRANSEUROPA IPDJ | 21.30 HORAS 7 OUT | NIGHT MOVES, Kelly Reichardt, EUA, 2013, 112’, M/14 21 OUT | SÓ OS AMANTES SOBREVIVEM, Jim Jarmusch, Reino Unido/Alemanha/ Grécia, 2013, 123’, M/14 (a confirmar) CICLO NÓS? EUROPA? IPDJ | 21.30 HORAS 14 OUT | CIÚME, Philippe Garrel, França, 2013, 77’, M/12 28 OUT | IDA, Pawel Pawlikowski, Polónia/ Dinamarca, 2013, 82’, M/14 ARTISTAS | 22 HORAS 3 OUT | Shortcurtz Xpress Faro CICLO DE CINEMA MEXICANO AUDITÓRIO TERESA GAMITO | CAMPUS DE GAMBELAS | 18.30 HORAS 22 OUT | EL ESTUDIANTE, Roberto Girault, México, 2009, 95’ Integrado nas comemorações do 150º aniversário das relações México – Portugal
Cineclube de Tavira prepara Encontro de Cineclubes do Sul Cinema, literatura, o documentário de um realizador que não faz filmes há dez anos (e que entretanto já fez outro, intitulado O Novo Testamento de Jesus Cristo Segundo João). Cinema polaco, português, italiano, iraquiano e franco-belga. É a nossa oferta para este mês de Outubro, o 186º mês de actividades do Cineclube de Tavira. Não só o Cineclube de Tavira continua, como o Cineclube de Évora apresentará este mês (entre os dias 21 e 25) a 12ª edição do FIKE - Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora. Estaremos presentes, não só para ver parte de uma selecção de curtas bem interessantes, mas também para coordenar o Encontro de Cineclubes do Sul, um evento promovido pela FPCC - Federação Portuguesa de Cineclubes. O tema principal do encontro será sem dúvida a digitalização da exibição de ci-
Cineclube de Tavira
Programação: www.cineclubetavira.com 281 971 546 | cinetavira@gmail.com
d.r.
SESSÕES REGULARES CINE-TEATRO ANTÓNIO PINHEIRO | 21.30 HORAS 09 OUT | E AGORA? LEMBRA-ME, Joaquim Pinto – Portugal 2013, 164’, M/12
O actor Luís Miguel Cintra em ‘O Novo Testamento de Jesus Cristo Segundo João’ nema em sala, as suas vantagens para os multicinemas e as desvantagens para os cineclubes ou para as pequenas salas independentes que restam. Em Portugal
“salas independentes” significa salas que não são programadas pelas distribuidoras de cinema. Mais pormenores no próximo editorial...
16 OUT | MIELE (MEL), Valeria Golino – Itália/França 2013, 96’, M/16 23 OUT | FASLE KARGADAN (A TEMPORADA DO RINOCERONTE), Bahman Ghobadi – Irão/Iraque/Turquía 2012, 88’, M/14 30 OUT | VIOLETTE, Martin Provost – França/Bélgica 2013, 139’, M/14
Espaço AGECAL
Centros de documentação: espaços de ‘memória colectiva’ d.r.
Miguel Peres Santos Licenciado em Património Cultural pela Universidade do Algarve Convidado AGECAL, jovens investigadores da cultura do Algarve
Os centros de documentação são estruturas organizativas especializadas que geralmente se confundem com arquivos e bibliotecas, sendo muitas vezes a sua importância menos compreendida por parte de entidades públicas e privadas. Se os arquivos são constituídos por documentos únicos, históricos ou correntes, relativos às funções desempenhadas por uma ou mais entidades, as bibliotecas constituídas por documentos de todo o género, da ficção à ciência e à literatura, os centros de documentação são uma entidade “híbrida”, situada entre as duas anteriores. Reúnem acervos, especializados em determinadas temáticas, normalmente relacionadas com a
Alçado frontal da Biblioteca da Universidade do Algarve em Gambelas atividade da entidade gestora, por compra, doação ou permuta de documentos de origens variadas, materiais diversos e audiovisuais, originais ou cópias. Estes permitem uma preciosa ajuda à investigação e a preservação de documentos de valor permanente e referên-
cias documentais úteis ao estudo e ao aprofundamento de conhecimentos científicos. Permitem espaços onde investigadores e população têm acesso a uma variedade de ferramentas que facilitam também trabalhos de âmbito profissional ou particular.
As atribuições e as informações que são fornecidas pelos centros de documentação deverão ter um papel cada vez mais importante na investigação histórica e dos movimentos sociais e culturais. Sendo essencial que as entidades os instalem, de forma a permitir
um melhor conhecimento social das regiões onde estes se inserem. O material que o compõe deve ser devidamente registado, classificado e ordenado, ou seja, todos os exemplares devem ser catalogados segundo um sistema estabelecido previamente, que os técnicos estejam preparados e formados para tais funções. Na região algarvia, alguns dos museus municipais, a CCDRAlg ou a Região de Turismo do Algarve já têm nas suas instalações alguns exemplos de boa estruturação e funcionalidade de serviços de documentação, mas dever-se-á prosseguir o caminho da qualificação destes espaços, criando e assegurando as condições ideais à conservação dos documentos, informatização e tratamento de dados, formação de técnicos, um maior trabalho conjunto através de acordos de permutas e um esforço continuado de recolha de todo o tipo de materiais. Podemos concluir que os centros de documentação funcionam como instrumentos de “memória coletiva” e institucional, um “armazém” de informações acumuladas ao longo do tempo que permitem perceber e descobrir as organizações e a sua evolução.
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Cultura.Sul
Um olhar sobre o património
Aqui há espectáculo
Vamos restaurar?
Teatro Municipal de Faro
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Poucos dias depois da realização das Jornadas Europeias do Património (entre 26 e 28 de Setembro) subordinadas ao tema “Património, sempre uma descoberta”, foi noticiada mais uma intervenção de “restauro” que suscitou polémica. O restauro dos caixotões existentes no tecto da capela-mor da Igreja de Vilar de Besteiros, concelho de Tondela, ainda que efectuado por especialistas, segundo informações veiculadas pelas entidades responsáveis pela intervenção, não deixam de levantar diversas questões. Questões essas que se podem colocar em dois níveis: o da intervenção em si mesma e o do estado da disciplina em Portugal nos dias que correm. Foi em finais do século XIX que começou a surgir a preocupação e interesse na preservação de obras de arte em Portugal, contudo, só a partir dos anos 30 do século passado surge o cuidado e a necessidade de se empregar metodologias científicas que fundamentem e sirvam de base a intervenções de Conservação e Restauro. Muito graças ao rigor dos técnicos que então laboravam com os parcos recursos disponíveis, foram dados os primeiros passos no que hoje vulgarmente se chama interdisciplinaridade. Desde então um longo caminho já foi percorrido e a disciplina conheceu avanços intensos, não só fruto da evolução tecnológica, mas também da capacitação dos técnicos, existindo hoje uma oferta formativa diversificada em quase todo o país (com excepção do Algarve, apesar da tentativa gorada de há uns anos atrás) e que abrange o ensino secun-
Destaque
04 OUT | NOME, música, 21.30 horas, 80 min., preço: 10 euros
30 OUT | Noites de Sofá com POP DELL’ARTE, música, 21.30 horas, 90 min, preço: 12,50 euros Os Pop Dell’ Arte são um projeto musical criado por João Peste no início de 1985, que nesse mesmo ano concorreu à segunda edição do Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-vous, tendo ganho não só o prémio de originalidade, mas a atenção da crítica e uma legião de seguidores. “É
preciso amar as contradições”, assim se dizia numa das suas canções mais emblemáticas, Illogik Plastik, e era exactamente esse o espírito deste projeto transgressivo. Em quase 30 anos de carreira, gravaram cerca de uma dezena de discos e deram concertos históricos.
Cine-Teatro Louletano
Programação: http://cineteatro.cm-loule.pt 16 OUT | Improvisos à quinta, com Ana Figueiras, 21 horas, 75 min., entrada livre
d.r.
Destaque
Licenciado em Património Cultural, UAlg
alguém que até tendo “jeito” para a pintura não é técnico, o qual se encontra sob orientação do”Conservador”. Nestes casos a culpa não morre solteira. Evidencia não só uma enorme falta de rigor de quem coordena, mas também uma total inobservância da ética e deontologia associada a esta actividade. Finalmente, um outro interveniente do qual ainda não falámos: o promotor da intervenção, o qual na maior parte dos casos, não tendo quaisquer conhecimentos desta área, encomenda o serviço tendo em conta quase somente parâmetros financeiros, relegando para segundo plano outros parâmetros. Tanto mais grave se torna esta si-
Imagem de São Lucas em Vilar de Besteiros, Tondela, esteve no centro de uma polémica sobre a qualidade de alguns restauros No corrente ano outro caso, além do acima apresentado, surgiu nos meios de comunicação social, desta feita em Oliveira do Hospital com o suposto restauro de estátuas do século XIX, o qual ignorou por completo todos os preceitos, metodologias e técnicas que devem ser aplicadas em intervenções deste cariz. Neste caso, a concretização do “restauro” ficou a cargo de alunos de uma Universidade Sénior sob orientação de um “Conservador” de uma fundação. E estas situações não são tão raras quanto se possa pensar: a execução do “restauro” ser efectuada por
tuação, quando alguns destes promotores integram estruturas que de há uns anos a esta parte têm desenvolvido trabalho meritório de Conservação e Restauro. A proliferação destas situações, conhecidas do público em geral ou não, continuará na medida em que continuar a faltar massa crítica, externa à disciplina, capaz de efectuar escolhas informadas, seleccionando os técnicos mais capacitados para a intervenção a realizar, reduzindo o espaço para que “curiosos” possam continuar a prestar um péssimo serviço ao nosso património e à nossa história.
“CONCERTO COM QUARTETO CONCORDIS” 11 OUT | 21.30 | Centro Cultural de Lagos O quarteto (Eudoro Grade, João Venda, Rui Martins e Rui Mourinho) oferece um conjunto de peças musicais, como French Pot-Pourri num extraordinário arranjo de Roland Dyens, Carmen Fantasy de Stephen Goss, Chet Atkins, Manuel de Falla, Bellinati e Carlos Paredes
24 OUT | Open Hamlet, teatro, 21.30 horas, preço: 7 euros A ideia de fazer um espetáculo é semelhante a abrir uma porta, que é um gesto simples se tudo for conforme as condições a que estamos habituados a atravessar. O estranho é que, no entanto, as portas ou a porta do teatro nunca se cinge ao lugar anterior. Talvez seja melhor refe-
rir que essa porta é uma porta viva, um corpo que saiu um dia por aí fora, pelo mundo a cantar e a dançar a correr em direção ao horizonte como um cão faminto de si mesmo, que experimenta a velocidade e o vento no focinho, enfim, é uma porta de vento, uma porta cão, uma porta horizonte...
TEMPO - Teatro Municipal de Portimão
Programação: www.teatromunicipaldeportimao.pt
Destaque
Alexandre Ferreira
dário, via profissionalizante, e ensino superior. Mas se a disciplina à partida garante um bom corpus aos técnicos, este é reforçado com o quadro legislativo que regulamenta o acesso ao exercício da actividade de conservador-restaurador, o qual necessita que se cumpram determinados requisitos para aceder à categoria. Desta forma conseguir-se-ia garantir a preservação do valor histórico das obras intervencionadas, a reversibilidade da intervenção, e aonde possível a intervenção mínima: apostar na conservação preventiva da obra, com o mínimo de restauro que o seu estado exija. Puro engano!
Programação: www.teatromunicipaldefaro.pt
09 a 11 OUT | 15ª Festa do Cinema Francês, cinema - vários filmes, preço: 3,50 euros
Organizada pela Embaixada de França, pelo Institut Français du Portugal e pela rede das Alliances Françaises em Portugal, a Festa do Cinema Francês festeja este ano o seu 15° aniversário. Tendo estado no ano passado em sete cidades do país, este ano serão perto de 20 as anfitriãs desta festa, entre as quais Portimão, que recebe seis filmes, tem como objectivo promover o desejo daqueles que sentem apetência para fazer teatro, permitindo o desenvolvimento da autonomia, da sociabilidade, do espírito de cooperação e do trabalho em equipa. Esta actividade visa contrariar as adver-
sidades da vida, combater a solidão e envolver os mais idosos em actividades de criação artística. 09 Outubro, 21.30 horas, LIBRE ET ASSOUPI (antestreia) 10 Outubro, 10 horas (escolas) LA COUR DE BABEL (antestreia); 21.30 horas COMME UN LION (antestreia), 11 Outubro, 16horas (famílias) LE PÈRE FRIMAS e L’OEIL DU LOUP; LE SCHPOUNTZ, 19 horas
“RETRATOS DA ÍNDIA” Até 10 OUT | Sala de atendimento da Empresa de Águas e Resíduos de Portimão (EMARP) Francisco Gil estudou artes plásticas na Escola Superior de Belas Artes do Porto e é doutorado em Educação Artística. Desde 1997 é docentes na Universidade do Algarve, nas áreas da Comunicação, Artes e Design
Cultura.Sul
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Panorâmica
Verão Azul, um rasgo de contemporaneidade sob a forma de festival
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Lagos é por inerência histórica terra cosmopolita, outrora porque ponto de partida para o desconhecido era, também, ponto de chegada dos arrojos culturais de outras paragens, hoje porque a veia turística lhe dá a provar notas soltas de aromas culturais de outros sítios e situacionismos culturais. Há ali ventos de que se cruzam e que trazem na ponta da rajada traços soltos de diversidade cultural e actualidade a que importa estarmos atentos preservar, mas que, acima de tudo, importa promover. É neste esteiro que teima em sulcar terras de lacobrigenses e ali acolher diversas manifestações culturais que se espraia o Festival Verão Azul, que pela quinta edição traz a Lagos um rasgo de contemporaneidade. Cinco edições não são sinal de maioridade - para o que quer que esta sirva em termos culturais - mas são evidência de resiliência e afirmação no panorama dos festivais de artes por terras algarvias. São, de entre outras razões, estas que fazem com que o Festival Verão Azul ganhe nesta edição do Cultura.Sul lugar de destaque, agora que cumpre a sua quinta apresentação, entre os dias 23 e 26 de Outubro em Lagos. Há no programa da iniciativa, que nasce das mãos da casaBranca e nas propostas que encerra, uma lufada de ar fresco. Há arrojo, diversidade, policromia e amplitude, abarcando numa paleta pensada por Ana Borralho e João Galante um conjunto de manifestações culturais que não deixam à margem nenhum público e que são, isso sim, um regaço ilimitado para os mais diversos gostos. Apresentado como um festival “de cariz transdisciplinar”, a obra faz-se presente una na diversidade conceptual, com exposições, cinema, leitura, espectáculos vários, música, conversas, performances, concertos e clubbing, estendendo
d.r.
as apresentações entre Lagos e Portimão. Cinema, da animação ao documentário No cinema o Verão Azul propõe várias abordagens, desde as sombras feitas primores da animação pela arte de Lotte Reiniger, aos documentários em “Fala Tu” ou “Estamira”, dos brasileiros Guilherme Coelho e Marcos Prado, respectivamente, ou ainda, “Tarja Branca”, que relança um olhar certeiro sobre o espírito lúdico na actualidade, sob a direcção do curitibano Cacau Rhoden. Clubbing Verão Azul O Festival Verão Azul é também sinal de música e, no caso do clubbing, os djs de serviço são a dupla Guerreiro Galante. A proposta é ouvir o que os decks nos mostram da união acidental entre João Galante e Nelson Guerreiro em terrenos de música de dança.
Conversas e conferências
Exposições Na área das exposições Lagos e Portimão preparam-se para acolher “Esquecer Mata”, uma interpretação de Andrej Derkovic que cruza o esquecimento que recai sobre as mortandades bélicas ao longo dos tempos com as mensagens constantes dos maços de cigarros sobre os malefícios do tabaco. Fumar mata dá assim lugar a esquecer mata, porque também a fraca memória é assassina quando a curta memória se faz ignorância vinculante na escolha de percursos belicistas. Já em “Souvenirs From Europe”, um projecto da Ghost Editions, 15 cartazes de artistas que vivem e/ou trabalham na Europa dão expressão a um protesto. Numa proposta actual sob pano revivalista das contestações de 60 e 70 do século passado, A Galeria Lar é espaço
Gijoe, contando com convidados como Reflect, Edgar Valente e Cenoura, e “Sereia Louca”, de Ana Matos: Capicua de Alma e Coração, a rapper do Porto que mostra assim o seu segundo trabalho. Miguel Fragata e Inês Barahona contam a história de um homem e de uma manada de elefantes em “A Caminhada dos Elefantes”, uma peregrinação em honra de um homem que mais do que isso era, também ele, um membro da manada. Pablo Fidalgo Lareo faz-se aos territórios da performance por terras lacobrigenses com “O Estado Sevaxe. Espanha 1939”, que revisita a Espanha da II Guerra Mundial e da Guerra Civil, numa viagem que se faz no âmbito familiar do próprio autor.
Cartaz incluído na exposição Souvenirs From Europe escolhido para receber a exposição que já percorreu cidades como Atenas, Bruxelas, Guimarães, Kiev, Lille, Lisboa, Paris e que se prepara para se mostrar em Berlim, Istambul, Lausanne, Rennes, Porto e Coimbra, entre outras cidades europeias. Leitura O Verão Azul propõe duas alternativas na área da leitura, que podem bem ser cumulativas, com Pablo Fidalgo Lareo a apresentar “Mis Padres: Romeo y Julieta” e Mónica Simões
“A ESCOLA DA NOSSA MEMÓRIA” Até 28 NOV | Arquivo Municipal de Loulé Exposição pretende recriar as escolas primárias do Estado Novo, dando a conhecer os materiais utilizados no sistema de ensino daquela época
e José Pelicano a mostrarem “Onde é o lá?”, uma leitura encenada com seniores, que mais do que uma apresentação constitui um verdadeiro workshop. Concertos e espectáculos Bruno Pernadas é um dos músicos que se apresenta nesta edição do Festival Verão Azul, com “L’Appartement” percorrem-se sonoridades, folk, jazz e o universo exploratório dos ambientes da Música Tonal e Atonal. Já em “By Heart”, importa
perceber-se a importância de saber textos de cor e de como estes uma vez decorados nos integram como verdadeiras extensões do eu cultural. Quando os livros são confiscados ou as bibliotecas encerradas a memória surge-nos como a salvaguarda última da liberdade. Um espectáculo de Tiago Rodrigues com produção da Mundo Perfeito. O Teatro Municipal de Portimão (TEMPO) acolhe dois concertos do Festival Verão Azul, “3 (Três) Brutos”, pelos Tribruto, que une as vozes de Kristo e RealPunch ao dj e samples de
Finalmente espaço, ainda, para o “Ciclo de Conferências - A Grande Dívida”. Em dois momentos este ciclo traz-nos, pela mão de Rui Catalão, “A exaustão da confiança”, numa reflexão sobre a actualidade da desagregação da solidariedade social e “A Sagração da Primavera escondida” numa reflexão sobre A Sagração da Primavera, de Stravinsky, num contexto de formação juvenil. À conversa se vai descobrir o projecto editorial Ghost Editions, com os editores David-Alexandre Guéniot e Patrícia Almeida. Razões de sobra para que Lagos e Portimão incluam a agenda dos algarvios entre 23 e 26 de Outubro, com o Festival Verão Azul como pano de fundo numa viagem pela contemporaneidade e pelo real e insólito que a arte pode retratar e mesmo criar. Um agitar de consciências servido em modo festival a não perder por terras do sotavento durante quatro dias em que a Cultura se apresenta igual a si mesma, sempre imprevisível, sempre desafiante. Ricardo Claro
“TESTEMUNHOS DE MILAGRE” Até 25 OUT | Galeria Municipal de Albufeira Exposição de pintura de Luís Athouguia, repleta de visões oníricas, de muitos cerimoniais, um lugar iconográfico das abstracções das formas e dos conteúdos
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Cultura.Sul
Letras e Leituras
Mitos revisitados - Marion Zimmer Bradley
Paulo Serra
Investigador da UAlg associado ao CLEPUL
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Marion Zimmer Bradley nasceu em Albany, no estado de Nova Iorque, a 3 de junho de 1930. Começou a escrever ainda em adolescente como forma de subsistir economicamente. Fundou uma revista para amadores de ficção científica aos dezassete anos de idade. Em 1949 casou com Robert Alden Bradley e apresentou uma história a um concurso da revista de ficção científica Fantastic/Amazing Stories, o que constituiu a sua primeira venda. Em 1952, passou a escrever profissionalmente para várias revistas e, depois de 1958, obteve algum reconhecimento ao publicar o primeiro romance da série Darkover. A série, que viria a totalizar vinte volumes, conta a história de um planeta descoberto nos finais do século XXI e colonizado pelos habitantes da Terra. Nesse cenário cruza-se um ambiente medievalizante, com torres, castelos, nobres e falcoeiros, em simultâneo com poderes telepáticos e naves espaciais. As suas histórias de ficção científica, do chamado ciclo Darkover, bem como a sua restante obra, foram publicadas em Portugal pela Difel (em português só se encontram publicados uns seis volumes). A autora reorientou-se depois da ficção científica para o género da fantasia. A Casa da Floresta e Senhora de Avalon são obras, bem como muitas outras que se seguiriam, que seguem um cunho feminista (aliás a autora participou em movimentos na época). O universo ficcional é o de Avalon, essa ilha apartada da Bretanha por um véu de magia. Enquanto o resto do país é ocupado pelos romanos esse reduto tenta manter viva a magia da tradição druídica. As protagonistas femininas irão aliás ressurgir noutros romances, como se as várias personagens da galeria de Marion Zimmer Bradley não fossem mais do que a reencarnação da mesma figura feminina: uma jovem que se tornará uma mulher sábia e uma sacerdotisa ao serviço da Deusa. Em 1983 publicou a sua obra mais
conhecida que se tornou um êxito mundial de vendas: As Brumas de Avalon. Esta fantástica recriação das lendas arturianas é feita sob a perspetiva de mulheres: Viviane, Gwenhwyfar, Morgana e Igraine. Em Portugal a obra foi dividida em quatro livros num mau hábito editorial que tem vindo a ser usual. Assim, um só romance foi dividido em quatro volumes distintos: A Senhora da Magia, A Rainha Suprema, O Rei Veado e O Prisioneiro da Árvore. A história começa com a ascensão de Uther Pendragon. Através da sua sacerdotisa Viviane, Avalon conspira para unir Uther a Igraine. Será dessa aliança que nascerá Arthur, a criança que salvará o reino da Bretanha. Morgana, dotada com o poder da Visão, é levada por Viviane para Avalon onde receberá treino como sacerdotisa da Deusa, enquanto assiste ao despertar das tensões entre o velho mundo pagão e a nova religião cristã. As reviravoltas e peripécias ao longo da obra são diversas, mas aqui a guerra e as gestas de cavalaria ocupam muito menos espaço do que os triângulos amorosos que se tecem entre vários vértices e independentemente da sexualidade das personagens, pois o amor e a camaradagem suplantam as questões de género. Um dos triângulos é formado por Artur, Lancelote e Gwenhwyfar - chegando mesmo a haver envolvimento físico entre o próprio Artur e Lancelote, num inesperado e assombroso trio. Outra das ligações é a de Morgana e Artur. O amor de Morgana pelo seu meio-irmão acalenta algum desejo, havendo, aliás, um envolvimento físico entre os dois, sem que na altura estejam conscientes de quem é o outro, pois tinham sido separados na infância. É particularmente curiosa a forma como a dualidade da mulher ao longo da própria cultura medieval é aqui retrabalhada: a mulher que tanto pode ser vista como anjo ou como demónio, em função do desejo e da sua correspondência ou retribuição ao amor que os homens lhe têm, encontra a sua mais absoluta expressão em Morgana. Para uns é considerada uma fada, uma
fotos: d.r.
A escritora Marion Zimmer Bradley
criatura encantada, uma mulher sábia, enquanto é temida por outros como bruxa e demoníaca. Este livro foi igualmente adaptado ao pequeno ecrã, pois pelo menos em Portugal não passou nas salas de cinema, em que Morgana é protagonizada por Julianne Margulies (hoje bastante conhecida pela série The Good Wife). Em 1987, repetiu a proeza de recontar uma história sobejamente conhecida a partir da perspetiva menos convencional e novamente através da irmã do protagonista. Refiro-me à obra Presságio de Fogo, em que o universo da Ilíada é revisitado, e se reconta a história da Guerra de Tróia sob a perspetiva de Cassandra, a irmã de Páris, o mesmo que raptou a bela Helena cujo rosto fez milhares de navios lançarem-se ao mar. Cassandra é outra personagem fortíssima que nos conduz pelo universo da Antiguidade Grega, mas ofertando-nos uma visão completamente diferente pelos olhos de uma
“CONCERTO DE JORGE PALMA” 11 OUT | 21.30 | Auditório Municipal de Olhão Compositor, poeta, intérprete e exímio pianista, apresenta-se em Trio Acústico ao lado de Vicente Palma e Gabriel Gomes (ex-Madredeus e Sétima Legião)
personagem de quem se conhecia até então muito pouco. Neste romance, Cassandra é uma sacerdotisa que vive no templo de Apolo e desde criança que prevê a destruição da cidade. É finalmente rotulada como doida e é excluída da corte. Até ao dia em que o irmão traz efetivamente a desgraça para dentro das muralhas de Tróia. Fala-se aliás em complexo de Cassandra quando alguém não é levado a sério apesar de dizer a verdade. Outro universo mítico revisitado pela autora foi o de Atlantis: A Queda da Atlântida conta a história de duas irmãs e de como se viveram os últimos dias dessa mítica ilha. As Mulheres da Casa do Tigre é outro livro de fantasia surpreendente em que três mulheres da realeza vivem as mais diversas aventuras, assumindo máscaras que as fazem passar despercebidas por entre a população comum do seu reino. Outro ciclo da autora, situado em tempos mais recentes, é constituí-
do pelos romances: O Círculo de Blackburn, As Forças do Oculto, A Fonte da Possessão e O Coração de Avalon. Temos quase sempre uma jovem que parece viver sob o fenómeno da possessão: à sua passagem aparelhos elétricos avariam-se, objetos estilhaçam-se e aparecem cadáveres de animais à porta. Mais direcionados para uma nova leva de fãs da fantasia e da ficção contemporâneas, existe no entanto ainda um retorno ao universo de Avalon, em O Coração de Avalon, onde o leitor pode mesmo encontrar uma passagem que ilustra como estas personagens modernas trazem ainda a memória das suas vidas nesse tempo. Sucederam-se diversas obras no campo da fantasia, tanto ligadas a Avalon, como os mais recentes Os Corvos de Avalon e A Espada de Avalon, livros publicados já postumamente e que remontam ao universo pré arturiano. No entanto, estes livros parecem já não ter sido escritos pela autora, embora possam ter sido projetados por ela em conjunto com a autora que igualmente os assina, Diana L. Paxson. Salto Mortal é uma obra mais singular mas notável, enquanto romance de grande fôlego que conta a história de amor entre dois trapezistas de circo. Marion Zimmer Bradley faleceu quatro dias após ter sido vítima de um ataque cardíaco, em Berkeley, a 25 de Setembro de 1999. Foi casada duas vezes e teve dois filhos. Morava em Berkeley, na Califórnia.
“E PORQUE NÃO EMIGRAS?” 10 OUT | 21.30 | Centro Cultural de Lagos Peça onde Carlos Areia (autor), faz do espectáculo de Revista a sua bandeira. Mas o pior, é ele pensar que tem graça, o que é uma desgraça para o espectáculo...
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Momento
Postura pré-dança Foto de Ana Omelete
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Espaço ao Património
Serviços Educativos, Museus e Património d.r.
Alexandra Pires
Arqueóloga Serviços Educativos do Museu Municipal de Loulé
A protecção do Património Cultural é uma função que cabe naturalmente a todos nós. No entanto, para proteger é preciso conhecer, pois só conhecendo podemos respeitar e amar o legado que nos foi deixado pelas gerações passadas. Tal como muitos outros técnicos que trabalham na área do Património Cultural deparamo-nos, por vezes, com algumas dificuldades: o legado histórico é considerado por muitas pessoas como distanciado da realidade actual, sem grande significado no quotidiano das pessoas, uma franja marginal do turismo, que interessa apenas uma parte muito restrita da população. Por este motivo, a educação para o património é, desde sempre, uma preocupação do Museu Municipal de Loulé. Acreditamos que a formação dos públicos deve começar precocemente, pelo que, anualmente, lançamos um programa educativo dirigido à população escolar – o Visita Brincando – que envolve várias actividades lúdico-pedagógi-
Actividade de descoberta do património na aldeia de Alte cas, as quais procuram promover um contacto mais estreito entre os alunos (e os seus professores) e o património louletano. Pretendemos que esse contacto seja assíduo, pelo que desenvolvemos acções educativas em todos os nossos Pólos Museológicos (localizados em
Loulé, Salir, Alte e Querença) e para várias faixas etárias, de modo a que cada aluno volte várias vezes a contactar connosco e com o património do concelho. Esperamos que este contacto repetido traga frutos a longo prazo, criando laços duradouros entre os alunos e
os espaços onde decorrem as actividades. Sendo Loulé um concelho muito vasto, que abrange vários territórios, desde o litoral até à serra, procuramos que cada um dos nossos pólos museológicos esteja vocacionado para uma realidade di-
ferente, proporcionando aos estudantes oriundos de diferentes partes do concelho o contacto com temáticas que, embora geograficamente próximas, lhes são distantes. Para além das visitas aos espaços museológicos, o nosso programa escolar anual promo-
ve percursos orientados nos Centros Históricos de Loulé e de Alte, dedicados ao património edificado. Durante este ano lectivo vamos iniciar um percurso que une o património edificado e o património natural, cujo ponto de partida será o Pólo Museológico da Água em Querença. No âmbito do Visita Brincando dinamizamos estes percursos ao longo de todo o ano lectivo. Todavia, nos dias comemorativos, a par de uma programação específica, incluímos trajectos associados ao tema que se comemora, para serem percorridos nestes dias especiais, com a escola ou em família. Uma das actividades mais recentes realizou-se durante a Semana Europeia da Mobilidade. Em colaboração com a Divisão de Ambiente, Espaço Público e Transportes, efectuou-se, à semelhança de anos anteriores, um trajecto pedonal pelo Centro Histórico de Loulé, não só para sensibilizar e promover a interacção com o património construído mas também para apelar à circulação pedestre na cidade. Deste modo, pelas ruas de Loulé, alunos e professores circularam a pé, redescobrindo o património construído. Detalhes como uma janela manuelina, toponímia, uma torre em taipa e marcas de canteiro (entre tantos outros) foram atentamente explorados pela turma de 3º e 4º ano da escola de Gilvrazino. Como tantas crianças que frequentam as escolas localizadas fora do
Sala de leitura
O branco obstinado do verbo Paulo Pires
Programador cultural no Município de Silves esteoficiodepoeta@gmail.com
Andarilhando por Beja, a desperta cidade dos contos, ainda é possível redescobrir os prodígios da cal – essa plástica e consistente argamassa dos dias, impermeável a modas efémeras e chuvas torrenciais, dissuasora de pestes e outros abismos, congregadora de vontades, orgulhos e dignida-
des, rosto sem máscaras nem subterfúgios, fiel à sua claridade inexpugnável. Os antigos dizem que quem vê uma casa por fora está, no fundo, a espreitar o que existe lá dentro; e contam ainda que todo aquele que passa na rua e olha para as paredes caiadas sabe que aquela família tem o interior da casa igualmente asseado e cuidado. As Vozes da Cal convidam-nos à revisitação dessa “grande, imensa fidelidade” (para usar a feliz expressão de Eugénio de Andrade sobre o Alentejo), dessa rara verdade natural, alheia a espectaculari-
dades, excessos e desmesuras, que nos faz acreditar que aquilo que observamos exteriormente é um reflexo inquietantemente sincero e transparente de almas cúmplices que vivenciam e sentem as palavras e os sons rente à pele e rente à terra. Mais do que uma paixão, é um concentrado amor, essencial e despido, límpido e elegante, que se revela nestas vozes obstinadamente brancas, quer na escolha dos textos, quer das paisagens sonoras e melodias/ arranjos (instrumentais e vocais) que os enquadram e acrescentam de saber e sabor. A di-
nâmica, complementaridade e fluidez do conjunto composto por Jorge Serafim, Paulo Ribeiro, Paulo Colaço, Fernando Pardal e Ana Albuquerque vivem muito desse pêndulo harmonioso entre a envolvência performativa da palavra dita/contada, a musicalidade do verbo cantado (a “poesia ajudada” de que fala Fernando Pessoa), os acordes e dedilhados subtis e sensíveis das guitarras, o timbre único da (incontornável e tão bem vinda) viola campaniça e os vibrados/trinados ondulantes, serpenteantes e plangentes do alaúde árabe.
É esse diálogo criativo – que “cheira a barro e a cal, cheira a coentros e a queijo seco, cheira ao que é da terra e regressa à terra” (Eugénio novamente) – que, despretensiosamente, nos convida a entrar no segredo, na intimidade, na profundidade, nos labirintos e fascínios do imaginário mediterrânico (luso-árabe) e, no fundo, de nós mesmos. O fio de Ariadne destas viagens do espírito, com paragens em lugares singulares como o Cairo, Damasco ou a Pérsia (e com regressos constantes/pontes com a matriz afectiva alentejana, onde estes
andarilhos encontram um sítio [raso mas encantatório] para pendurar o chapéu), é a riqueza inesgotável da oralidade e o (nosso) espanto, desassossego e/ ou comoção perante estórias e poemas que resistem ao tempo e deixam impressão digital – ora porque confirmam o nosso ser, ora porque conferem uma renovada ordem ao nosso mundo, ora porque nos questionam e desarrumam/solavancam saudavelmente. Mas estas vozes cálidas, ora efusivas ora dolentes, também vivem da ousadia, do arrojo e do experimentalismo – a
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Na senda da Cultura
perímetro urbano, muitos destes meninos, embora venham frequentemente a Loulé, nunca tinham percorrido as ruas do Centro Histórico. Mudar esta maneira de ver a cidade é um dos nossos objectivos e a curiosidade infantil é o nosso melhor aliado. Durante as visitas as perguntas e os comentários sucedem-se. Iniciativa semelhante realizou-se no Dia dos Centros Históricos. Neste dia lançámos às famílias um desafio para que viessem descobrir a muralha medieval de Loulé. A elaboração de um trajecto relativamente curto (cerca de 45 minutos) com uma ficha guia acompanhada de um mapa (cujo download podia ser feito em casa, a partir do site da autarquia) levou as pessoas a percorrer o principal traçado da zona amuralhada. Deste modo, a ficha funcionou como um guia para os pais, com a disponibilização de informação sucinta, havendo em cada paragem um pequeno jogo dirigido aos mais novos. Pretendeu-se com esta iniciativa proporcionar uma actividade lúdica e agradável para toda a família, numa perspectiva de visita-jogo, quase uma caça ao tesouro, oferecendo um olhar renovado sobre o património edificado. No final, as crianças que concluíram a ficha puderam levar para casa uma lembrança. Pais e filhos ficaram assim a conhecer melhor alguns locais históricos ao mesmo tempo que passavam um agradável dia em família. Com estas iniciativas pretendemos proporcionar uma impressão duradoura nos nossos visitantes, de modo a que voltem, de preferência acompanhados, começando eles próprios a ter gosto em divulgar o nosso património.
grande poetisa brasileira Cecília Meireles não escreveu que a vida só é possível reinventada? –, vestindo melódica e vocalmente poemas de outrora (de Al-Mu’tamid a Pessoa, passando por ecos do Alentejo como Martinho Marques ou João Pestana) com interpretações que reflectem também os diferentes percursos e territórios musicais/estéticos destes cinco incansáveis caiadores da Palavra. Até a própria viola campaniça é inesperadamente convocada para o universo do fado (aqui cantado no feminino), cruzando modos diversos de sentir, acompanhar e interpretar as palavras, as quais ganham assim novas
‘Nem Gregos, nem Troianos’, a fotografia de José Bandeira na Biblioteca da Universidade A maioria de nós conhece José Bandeira pelas tiras dos jornais Diário de Notícias e Jornal de Notícias, onde a arte e a acutilância do artista ganham expressão, respectivamente, em Cravo & Ferradura e Bandeira de Canto. Mas há outras facetas do homem e artista que ganhou expressão e reconhecimento públicos como cartoonista, nomeadamente a de fotógrafo. É exactamente com o seu olhar que se congela em cada frame que José Bandeira nos brinda até 13 de Outubro na exposição “Nem Gregos nem Troianos”, aberta ao público desde ontem, dia 2, na Biblioteca da Universidade do Algarve, no Campi de Gambelas. A mostra integra as iniciativas inseridas no âmbito do Congresso Internacional “Sailing in Troubled Waters: o Mediterrâneo Antigo e o seu legado nas Artes Visuais e Performativas”, que reúne grandes nomes internacionais da área da recepção dos estudos clássicos até ao próximo sábado, 4 de Outubro. A recepção de estudos clássicos é a área de estudo dedicada à compreensão da forma como ao longo dos séculos e mesmo actualmente as pessoas se vão apropriando das manifestações e fenómenos da cultura da antiguidade clássica. Com “Nem Gregos, nem Troianos”, o nome da mostra fotográfica de José Bandeira, o que se propõe é a visualização de um grupo de fotografias que constitui um projecto inspirado nas personagens da Guerra de Tróia. A Biblioteca da Universidade do Al-
d.r.
José Bandeira iniciou-se no cartoon político em 1983 garve está aberta ao público entre as 8.30 e as 20 horas, de segunda a sexta-feira, e das 10 às 16 horas, ao sábado; período durante o qual se pode deixar maravilhar pela trabalho resultante da objectiva de José Bandeira. Recorde-se que a Biblioteca da Universidade do Algarve tem em permanência actividades abertas ao público, numa agenda que pode ser consultada no sítio on line https://www.ualg. pt/home/pt/content/noticias-3 e que pode acompanhar através da rede
d.r.
Vozes da Cal: um projecto emergente... ao sul
social Facebook em https://www.facebook.com/bibliotecaUAlg. José Bandeira um percurso na criatividade Cartoonista, humorista e fotógrafo, nascido em Lisboa em 1962, José Bandeira iniciou-se no cartoon político em 1983, no Diário de Notícias, onde passou a publicar, a partir de 1990, a série diária Cravo & Ferradura. O cartoonista trabalhou em simultâ-
potencialidades expressivas e renovados horizontes. Aliás, para além dessa vertente de aproximação e fusão entre as raízes e a contemporaneidade, percebe-se que um dos desafios maiores do projecto “Vozes da Cal”, no qual a sua identidade se procura alicerçar e consolidar, passa precisamente pelo estimulante trabalho (que é sensível, delicado, exigente e precioso) de enquadramento-moldura instrumental/vocal, pelos quatro músicos do grupo, dos poemas e histórias tecidos por Jorge Serafim, assumindo-se esse processo como um criativo jogo de opções entre adornos e despojamentos, acordes e
neo para outros jornais e revistas, entre os quais o Diário de Lisboa e o Diário Popular. Premiado autor de banda desenhada também se dedicou à ilustração para livros e durante uma década publicou fotografia em revistas do Diário de Notícias. Em 2002, publicou o álbum Namoros, Casamentos e Outros Desencontros, com chancela da Gradiva, distinguido com o prémio Melhor Álbum de Tiras Humorísticas 2003, do Salão de Banda Desenhada da Amadora. José Bandeira tem participado em inúmeras exposições colectivas em Portugal e no estrangeiro tendo estado presente em países como o Brasil, Croácia, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, China e Turquia, entre outros. Está representado no Sammlung Karikaturen & Cartoon Basel, na Suíça e na antologia internacional Os Melhores Cartoons Políticos da Actualidade (vol. 1992). Trabalhou também como director criativo em geração gráfica para televisão e multimédia, desporto, eleições e outros eventos, fazendo uso de recolha estatística, na empresa Infordesporto. Fundou, com Nuno Artur Silva, Carlos Fogaça e Fernando Marques, a Bandeira Digital, empresa dedicada à produção de multimédia. Nos anos mais recentes optou por se dedicar por inteiro ao desenho, à escrita e à fotografia. É desde 2005 autor do blog Bandeira ao Vento. Ricardo Claro
silêncios/pausas, intensidades e abrandamentos, torrentes e minimalismos – no fundo, entre aquilo que os recriadores/ intérpretes fazem e as palavras lhes “deixam” fazer. Miguel Torga dizia que a paisagem incutiu no alentejano a verticalidade e manteve-a “para que [ele] pudesse ver com nitidez o tamanho da sua sombra no chão”. Pessoa, pelo heterónimo Alberto Caeiro, escreveria: “eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura”. Que estas Vozes da Cal preservem essa verticalidade humana e estética e essa lucidez deslumbrada, e aprofundem ainda mais a largueza sonhadora do
seu olhar. Imbuídas da força da beleza e da amplidão do espírito, que continuem a afundar os pés e a encher a alma na singular terra alentejana (Torga de novo). E que não lhes falte o fôlego e a extensão do alento, traços tão caros ao Alentejo e suas gentes, pois o que realmente importa – como Eugénio de Andrade gostava de enfatizar – é “pôr a poesia a falar”, lê-la em voz alta, pondo assim a ênfase na matéria sonora para sentir verdadeiramente o prazer que o poema transmite. Os cinco artesãos desta fecunda cal não ficaram indiferentes a esse chamamento voluptuoso da Palavra…
10 03.10.2014
Cultura.Sul
O(s) Sentido(s) da Vida a 37º N
Outubro boa, 1978). Escreveu um dos poemas mais belos e representativos do ser algarvio. “A minha rua tem o mar ao fundo”, um dos poemas preferidos de António Rosa Mendes, pode ouvir-se no youtube, dito magnificamente por Paulo Moreira, e começa assim: Sou algarvio E a minha rua tem o mar ao fundo Sempre que passa aqui algum navio Passam, aqui, navios de todo o mundo Oiço a voz que me namora Da outra banda do mar… (…)
Pedro Jubilot
pedromalves2014@hotmail.com canalsonora.blogs.sapo.pt
Poesia & Companhia fotos: d.r.
Álvaro de Campos faliu. O narrador, em andropausa mental, discorre sobre a família, o tribuno constitucional, a sua relação com o candeeiro de mesa-de-cabeceira, a Praia de Cabanas, premiada como a melhor da europa… e projecta o fim do mundo no ano de 2040. Na mais recente edição da editora CanalSonora, esta folha volante, de 10 páginas, é reforçada pelas fotografias de Jorge Jubilot.
Retorna ‘À Conversa’ no último trimestre de 2014, com a sessão inicial em Outubro, a ter como convidado António Baeta, com o tema ‘A Poesia no Garb al-Andalus’. Novembro(13) encontrará Fernando Meireles sobre a ‘Arte de Caminhar’, e a 18 de dezembro Paulo Moreira com ‘A Construção do Romance’. As tertúlias têm início às 19 horas no bar de vinhos ‘ About Wine’ em Faro (r. horta machado, 20). A entrada é livre e aberta à participação.
Postais da Costa Sul ~ continuo correndo para ti mesmo que no meio do nada. sem dinheiro, sem cigarros, sem música. desci por esse íngreme cerro que se avista de qualquer praia do sul. pisei xarais, tojais e carrascais. piquei-me, molhei-me, mas deixei para trás o escuro do campo. passei por estranhas sombras nas vielas mais esconsas, esquivei-me a vasos caindo de janelas insuspeitas, quebrando-se a meus pés, mas deixei para trás as luzes da cidade. …e talvez o caminho nunca acabe e o meu amor por ti um dia desvaneça, mas o importante agora é manter a poesia em movimento, no coração que levo até ti para o cais às portas do mar ~
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É pelo contrário ao seu título um poema cheio, emergente, que traz uma análise ao céu enevoado do verão de 2014, em que um banco
‘Alquimia del Fuego’ Marco Mangas (tavira, 1983), é um dos autores portugueses que participam na colectânea, 2014 - org. Santiago Aguaded Landero, com o poema ‘Ao olhar de todos nós…’ Fogo que não arde, Fogo que não se vê, Fogo, sem tréguas, Paraísos verdes, coloridos Devastados, devorados No seu processo, Ao olhar de todos nós..
‘Ouro e Vinho’ O livro que inaugura a colecção Blokos|Poesia da editora 4Águas. Nele a poesia de Adão Contreiras «envolve-se na terra, na poeira da memória, voluptuosa, transbordando aromas vindos do princípio dos tempos, embriaguez, sagrado e profano, eteriedade e solidez». Traça «reverberações da serra algarvia como centro de um mundo incompleto, aspergindo os olhares até onde a alma alcança.» (lê-se no prefácio do editor Vitor Gil Cardeira)
Fogo que é cego, Fogo insano, profundo… Fogo sem ar, nem dó, nem lá - O sol presenceia o seu percurso, Imagens recalcadas de aflição No seu progresso, Ao olhar de todos nós…
António Pereira
Poema Falido Nasceu numa rua de uma aldeia algarvia com o mar ao fundo (Armação de Pêra, 1914 - Lis-
“CONCERTO PELA ORQUESTRA CLÁSSICA DO SUL” 3 OUT | 21.00 | Igreja do Carmo - Tavira O programa apresenta obras de Marcos de Portugal, Sibelius, Schubert e Mozart e será dirigido por José Eduardo Gomes, maestro convidado que já dirigiu várias formações nacionais e internacionais
Nada./Nada, aliás, tenho a valer conquistado». E ei-lo ali na sua cidade observando a paisagem vista da mesa do café que convoca um «Chá com torradas na província de outrora (…) Na ampla sala de jantar das tias velhas», no largo da Alagoa defronte à antiga igreja da Nª Srª da Ajuda. De novo só, o homem alto e magro de cabelo liso aparado, tem febre e escreve: «cada rua é um canal de uma Veneza de tédios», a frase solitária que surge na folha logo que premidas as teclas da máquina Royal. A noite levou-lhe o sono mas despeja-lhes os sonhos. «Esta vila da minha infância é afinal uma cidade estrangeira. Sou forasteiro, tourist, transeunte».
Chega e começa a sentir à medida que vai tomando notas. Rabisca: «Cheguei finalmente à vila da minha infância./Desci do comboio, recordei-me, olhei, vi, comparei./(tudo isto levou o espaço de tempo de um olhar cansado).Tudo é velho onde fui novo». Pára diante da paisagem e continua a recordar transportando-se para uma vivência da sua infância algarvia: “Meu horizonte de quintal e praia!”; “Na nora do quintal da minha casa o burro anda à nora, anda à nora / E o mistério do mundo é do tamanho disto”. Quem o vê passar reconhece o Álvaro de Campos que nasceu ali, em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890. É agora engenheiro naval por Glasgow. Foi criado à imagem e semelhança de Pessoa. Desde o seu retrato físico (1,75 de altura, mais dois centímetros do que ele) à sua vida: «…O que conquistei?
Fogo que estilhaça corações, Fogo louco, magia negra, carnal… Fogo apressado, mítico, Demónio atiçado pelo vento… Sua iluminação não chega para ser vista (A lua) Embora absoluta, piedosa, Ao olhar de todos nós… Fogo que renasce, Fogo que se alimenta dele mesmo, Fogo que pinta de cinza, Um novo dia, ao som do canto da fénix, Prantos verdes, No seu retrocesso, Ao olhar de todos nós… Fogo que apaixona, Fogo da tentação, do surreal… Fogo que ama e penetra As árvores, as aves, os seres humanos, Os animais em decomposição, Negros mantos, abismos, amor cego, Ao olhar de todos nós…
“REENCONTROS” Até 31 OUT | Centro de Experimentação e Criação Artística de Loulé Dino d’Santiago encontrou na Ilha de Santiago em Cabo Verde a identidade que o levou a trilhar uma nova linguagem plástica. Desde pequena que Rebecca gosta de pintar e hoje segue o lema “let creativity spark for it self”
03.10.2014 11
Cultura.Sul
Da minha biblioteca
Lisboa revisitada por Teolinda Gersão n’A Cidade de Ulisses
Classicista Professora da Univ. do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com
Ultimamente, neste espaço do Cultura.Sul, tenho escrito sobre livros publicados há pouco tempo, mas isso tem acontecido por pura obra do acaso. Hoje, ao percorrer as prateleiras da minha biblioteca, parei na lombada azul de A Cidade de Ulisses, de Teolinda Gersão, datado de 2011 (o que, para quem gosta de livros com mais de 2000 anos, convenhamos que até pode ser considerado muito recente). Dividido em três capítulos, é o último (da p.159 à 206) que dá o nome ao livro, como se a cidade fosse o ponto de partida (o título) e de chegada (o capítulo final), como um ciclo que se completa, depois de muitas voltas e reviravoltas no percurso das personagens. Este é um livro muito interior, em forma de carta, onde o narrador expõe a sua vida, os seus amores, os seus mais íntimos pensamentos e ações. Inclusivamente, confessa vilezas, algo pouco comum, como já Fernando Pessoa ironizava no seu «Poema em Linha Recta»: Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Fernando Pessoa que também apadrinha a exposição que o narrador, um artista plástico, elabora com/para aquela que pensa ter sido a mulher da sua vida, «Lisbon Revisited, numa nova versão, assinada por nós» (p.16). Histórias de (des)amores
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Ter-se sido amado facilita muito para se saber amar, como ter sido compreendido
d.r.
Adriana Nogueira
d.r.
ajuda a compreender ou ter sido livre ajudar a apreciar a liberdade (sua e dos outros). Esta é uma ideia que se depreende pelo modo como as personagens se relacionam e é expressa por Paulo Vaz, o narrador, que se surpreende com a liberdade e o respeito com que a mulher que amava, Cecília Branco, tinha sido criada, que contrastava com a sua própria história de vida: «Os teus pais amavam-se e eram felizes, disseste. Muitas
Teolinda Gersão, autora de A Cidade de Ulisses
vezes pensei que foi por teres conhecido o amor de perto, através deles, que eras tu própria tão segura e forte. E que foi por serem tão felizes que sempre te deixaram ser livre e confiavam no teu instinto (…). O meu pai era um homem ríspido, irascível, que trazia para casa a disciplina do exército. Ordens breves, secas, para serem de imediato cumpridas. (…) Muitas vezes senti no en-
tanto que a minha vida consistia nessa tarefa impossível: enfrentar aquele homem, defender-me e defender a minha mãe contra ele» (p.72-75). A história da mãe de Paulo é, infelizmente, mais comum do que hoje se possa pensar: é o reflexo de uma geração, de um sistema social espartilhado e definido no qual as mulheres não podiam trabalhar sem a autorização do marido, de um
“O ALGARVE!” Até 30 NOV | 21.30 | Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira Exposição com reproduções das pinturas de George Landmann, que apresenta imagens do Barlavento e Algarve Central no século XIX, captadas por um estrangeiro viajado e curioso
meio social e económico que considerava o casamento de uma dactilógrafa com um major como uma promoção, de sentimentos de inferioridade reforçados por valores que interessavam à manutenção do estado da sociedade na época. Por exemplo, ela não acreditava como fora possível aquele homem importante interessar-se «pela criatura insignificante que ela julgava ser, (…) respeitável, além de humilde, eficiente e modesta» - p.76. E Paulo revela-se o resultado desta situação vivida na infância e juventude, de um pai autoritário e uma mãe submissa, que descobre um mundo só seu através da pintura. Paulo ama várias mulheres, mas quando encontra Cecília deixa de procurar, pois com ela tem tudo. Ele tem tudo. Ela não. E quando ela sai de casa, ele escreve: «Lisboa ruiu. Não
posso contar a mais ninguém, porque me diriam louco, mas posso afiançar-te: Lisboa desapareceu contigo» (p.154). Lisboa, a cidade de Ulisses As divagações do narrador levam-no para várias paragens, para diversos países onde viveu e amou, mas a história centra-se em Lisboa, havendo, ao longo do livro, vários momentos em que a sua vida se entrecruza e identifica com a de Ulisses, o mítico fundador da cidade. Há também memórias de momentos mais difíceis, que, por isso mesmo, aproximaram as pessoas: «Vivíamos em equilíbrio num país em desequilíbrio, mas acreditávamos que era um mau momento, transitório. Pediam-nos sacrifícios brutais, mas depois de uma revolução e de um período pós-revolucionário conturba-
do estávamos dispostos a pagar um alto preço por um país democrático normal» (p.110). Aqui, refere-se a 1987, parecendo as condições políticas, infelizmente, muito atuais; porém, não havia, ainda, o desencanto de hoje. Ulisses vai atravessando o imaginário das personagens, pois «eram (ou podiam ser) histórias nossas. Histórias do país e de Lisboa, Mais tarde pensei ainda outras coisas, que não te contei na altura: a história de Ulisses falava do amor dos homens e das mulheres, da casa que constroem, da aventura arriscada de viverem juntos. Dos alibis que os homens inventam para recuperarem a sua liberdade por inteiro» (p.41). Esperava-se que, ao dizer aventuras arriscadas se referisse às vividas por Ulisses, quando luta contra monstros e outros perigos para poder regressar a casa. Mas não. Arriscada é a aventura de uma vida a dois. Arriscada, quando se partilha essa vida com a feiticeira Circe ou com as sereias. Não com Penélope, que conhece o segredo do quarto partilhado. Uma Cecília-Circe surge a seus olhos como uma descrente na relação entre ambos: «Ulisses ama Penélope acima de tudo no mundo, se entre eles estiver o mar e ele puder amar todas as mulheres» (p.177). Mas Paulo-Ulisses supera o estereótipo que a feiticeira lhe quer colar: «Do outro lado do Atlântico uma mulher esperava por mim. E eu atravessava o mar por amor dela, porque era grande como o mar o meu amor por ela, o amor que ela sempre esperara encontrar algum dia (…) A mais bela das histórias, a de Ulisses, podia contar-se assim: Um homem vencia os obstáculos do caminho e voltava finalmente para uma mulher amada, que tinha esperado por ele a vida inteira» (p.206). Longe de Lisboa.
“LOS NUEVOS CAMINOS” Até 31 OUT | Casa dos Condes - Alcoutim Natural de Buenos Aires, Pedro Solá herdou da sua mãe e dos seus avós o gosto pelas artes. Concentra no seu espólio a pintura, o desenho, a escultura e a cerâmica
12 03.10.2014
Cultura.Sul
Reabilitar o Património Histórico Militar
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d.r.
As muralhas da Fortaleza de Sagres encontram-se em fase de reabilitação Hoje, é difícil explicar e recriar a função dos castelos e das cercas medievais, ou das fortalezas abaluartadas, uma vez que só encontram valorização no uso que lhe soubermos dar. Em comum, castelos e cercas urbanas (estas de quando era impensável haver um espaço urbanizado sem uma muralha protetora) e as fortalezas modernas ordenaram, criaram o espaço e estruturaram o território. Função vigente, posto que a sua presença e influência permanecem, porém, uma outra questão é a de que sejamos conscientes desse facto ou que aceitemos admiti-lo. A valorização de toda a muralha como obstáculo foi, em muitas ocasiões, a sua perdição: o poder molesta o poder e, com uma marcada presença arquitetónica, as muralhas condicionam demasiado as necessidades de expansão ou estimulam novos projetos de intervenção. Hoje em dia, quando já nada podem contra hipotéticos inimigos, as muralhas são, exclusivamente, o símbolo da cultura dos seus cidadãos, espelhando a valorização e o entendimento que lhes atribuem enquanto valor histórico e monumental que são. O passado foi o tempo em que as muralhas se levanta-
vam, se coroavam, se conquistavam, se destruíam, se reerguiam, se restauravam e ganhavam novas tipologias ao adaptarem-se aos progressos militares. O nosso tempo é o da Reabilitação da Muralha, entendendo “Reabilitação”, em sentido amplo, como fonte de conhecimento, onde o fundamental é a recuperação da memória, feita com base no conhecimento da história local. Reabilitar uma muralha implica não só reparar a ruína, como proceder à investigação e à transmissão da informação que ela encerra e reconhecer o seu valor como símbolo identificativo de uma coletividade. Em conclusão, ao assumirmos a muralha como património histórico, o nosso objetivo será perpetuar a sua integridade e autenticidade, promovendo a sua valorização, continuação e conhecimento. Em grande parte, no século XX, as muralhas passaram a estar protegidas por via administrativa, sujeitas a servidão administrativa cultural e ao acompanhamento, por parte da tutela do património cultural, de todo e qualquer tipo de intervenção. No século XXI, as muralhas são entendidas como pólos de dinamização da interação cultural, educati-
va e social, com uma forte componente de dinamização turística, donde a sua conservação, recuperação e reabilitação constituíram-se, para os estados modernos, tarefas prioritárias da ação cultural, na área do património histórico imóvel. Um obstáculo se coloca, o facto da propriedade desse património ser repartida. Verificam-se situações em que é propriedade do Estado; ou cedido a autarquias e gerido por estas e por entidades de utilidade pública; ou é de domínio municipal; ou tem propriedade difusa, partilhada entre entidades estatais e privados. Acresce que a recuperação deste património também não é tarefa fácil, requer, na elaboração dos projetos de intervenção e requalificação, de conhecimentos aprofundados sobre tecnologias e materiais que, por vezes não se integram nas práticas atuais, e requer avultados níveis de financiamento. O Algarve, desde 2010, dispõe de um Plano de Conservação e Restauro do Património Militar, integrado no Plano Regional de Intervenções Prioritárias do Algarve (disponível para consulta pública em http://www.cultalg.pt/PRIPAlg/). Direção Regional de Cultura do Algarve
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