EDIÇÃO ESPECIAL DE NATAL • EDIÇÃO ESPECIAL DE NATAL • EDIÇÃO ESPECIAL DE NATAL PUB
Director Henrique Dias Freire • Ano XXVI • Edição 1114 • Semanário à sexta-feira • 6 de Dezembro de 2013 • Preço € 1 ÀS SEXTAS EM CONJUNTO COM O PÚBLICO POR €1,60
EM FOCO 2 DIETA MEDITERRÂNICA JÁ É PATRIMÓNIO MUNDIAL 3 ALEXANDRA GONÇALVES ASSUME DIRECÇÃO REGIONAL DE CULTURA 4 TURISMO APOSTA FORTE NO FIM DE ANO 5 ANTÓNIO BRANCO AOS COMANDOS DA UALG 6 BANCO ALIMENTAR VOLTA A CONTAR COM OS ALGARVIOS 7
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ricardo claro
Já somos Património da Humanidade
Dieta Mediterrânica: Tavira liderou a candidatura portuguesa a Património Imaterial da Humanidade e Jorge Botelho, que liderou o processo, saiu de Baku no Azerbaijão com uma vitória e o Algarve ganha assim a primeira classificação mundial da UNESCO > 3 d.r.
UNIVERSIDADE
António Branco é o novo reitor >6
CULTURA
Direcção Regional com novo rosto
Via do Infante: Dois anos de portagens a somar perdas de tráfego >2
d.r.
2013 - 2014 > É hora do adeus ao consulado de Dália Paulo à frente da Direcção Regional de Cultura, a senhora que se segue é Alexandra Gonçalves, que foi até às eleições autárquicas vereadora em Faro. O último rosto socialista na administração regional deixa assim o lugar. p. 4
RTA aposta na passagem de ano
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Dois anos de portagens a penalizar o Algarve Governo anuncia para 2014 a alteração do regime de cobrança assente na coesão nacional e territorial Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
O PRÓXIMO DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO É FERIADO e como
dia de descanso convida muitos a um passeio, mas para a larga maioria dos algarvios que queiram aproveitar a folga, o passeio terá de se fazer pela Estrada Nacional 125 (EN 125), enfrentando o calvário do ritmo pachorrento de uma estrada nacional carregada de tráfego. Tudo porque faz, também domingo, exactamente dois anos que a cobrança de portagens foi implementada na Via do Infante. Exactamente dois anos depois o POSTAL olha para a questão e analisa os números que provam que a região tem uma auto-estrada que serve bem poucos e uma estrada nacional que serve mal a maioria. Os dados do Instituto de Infra-estruturas Rodoviárias (InIR) são indesmentíveis. Os números do tráfego médio diário por trimestre estão em queda desde a adopção de portagens na A22 e não se vislumbra qualquer estratégia do Governo central no sentido de devolver aos cidadãos e empresas algarvios a circulação naquela infra-estrutura rodoviária se não gratuitamente, pelo menos a preços que tornem aceitável e competitiva a respectiva utilização.
TRÁFEGO MÉDIO DIÁRIO CONTINUA EM QUEDA Os últimos da-
dos disponibilizados pelo InIR, relativos ao segundo trimestre de 2013, revelam um tráfego médio diário por trimestre (média diária de tráfego em cada trimestre ponderada) em queda face ao ano de 2012. Assim, entre Abril e Junho de 2013 o tráfego médio diário foi de 7.424 veículos por dia na A22 contra os 7.759 registados no mesmo período de
2012, uma queda de 336 veículos por dia. Se a diferença é esta numa relação entre 2013 e 2012 o mesmo raciocínio comparativo para os anos de 2011 e 2013 é devastador. Entre Abril e Junho de 2011, o tráfego médio diário do trimestre foi de 16.129 veículos, o que confrontado com os números homólogos deste ano demonstra que a Via do Infante perdeu por dia 8.706 carros. Num exercício de matemática simples, se cada um destes veículos pagasse apenas um euro de portagens por dia, um valor que permite a um veículo da classe 1 percorrer nunca mais de um sublanço da A22, o Governo perdeu em cada dia 8.706 euros de receita diária, mais de 190 mil euros por mês. Desde Dezembro de 2011 a queda do tráfego médio diário por trimestre na Via do Infante foi sempre constante face ao período homólogo do ano anterior. No primeiro trimestre de 2012 face ao primeiro de 2011 a queda foi de 7.238 veículos, no segundo trimestre a derrocada do tráfego médio diário saldou-se em 8.370, no terceiro trimestre escalou para uma perda de 9.769 e a diferença entre o quarto trimestre de 2012 e o de 2011 foi de menos 5.054 veículos por dia. As perdas de 2013 face a 2012, apenas apuráveis pelos dados do InIR quanto aos primeiros dois trimestres mantém a tendência de descida. Menos acentuada claro, porque o tráfego médio diário mensal chegou a ter quebras da ordem dos 50%, o que, não regressando os veículos à A22, implica uma tendência de estabilização do tráfego automóvel e pois uma menor expressividade das quebras nos volumes de tráfego médio diário. Mas o facto existe e é indesmentível, uma via transversal à
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necessidade de salvaguardar os interesses dos cidadãos portugueses afectados pelas portagens nas ex-SCUT.
DOIS ANOS À ESPERA DE UMA SOLUÇÃO QUE PODE SER INEFICAZ Entretanto, aos solu-
ÔÔ Revisão das portagens chegará depois de delapidada a economia local região criada a pensar na mobilidade dos algarvios, mas muito em particular pensada para satisfazer a região mais turística do país está deserta.
SAI CARO ANDAR NA AUTO-ESTRADA Atravessar o Algarve
de lés-a-lés na A22 custa hoje 20,10 euros ida e volta para um veículo classe 1, mas se se tratar de uma empresa de distribuição de mercadorias com uma carrinha de distribuição da classe 2, o preço salta de imediato para os 32,30 euros para a mesma viagem O mesmo percurso feito por um TIR (classe 4) leva qualquer empresário a corar, cifrando-se nuns impressionantes 50,80 euros, todos os custos de portagens a somar ao combustível num país onde já nem o gasóleo
é barato, muito pelo contrário. As perdas para a economia algarvia e mesmo do país, dois anos volvidos sobre a introdução de portagens, nunca foram apuradas, mas o adeus às constantes visitas dos turistas entrados pela fronteira do Guadiana, os custos económicos e ambientais associados ao maior consumo de combustível nos trajectos feitos em longas filas de trânsito pela EN 125, o preço do tempo perdido nos trajectos, em particular durante a época alta do turismo, e as perdas de ganhos e competitividade das empresas e serviços constrangidos por uma estrada com condições mas portajada a preços proibitivos, rapidamente se cifrariam nos milhões de euros. Tudo numa economia regio-
nal débil e numa conjuntura nacional de crise, cujos contornos e efeitos são por demais conhecidos. A resposta do Governo assentou numa primeira fase numa suposta redução universal dos custos das portagens em 15%, que beneficiou os não residentes e turistas, mas que aos algarvios ditou custos superiores de utilização da A22, uma vez que acabadas as isenções a universalidade com desconto se saldou num acréscimo do custo de circulação na Via do Infante. Esta foi a resposta do poder central ao país e ao Algarve, numa postura muito mais ligada à fuga face a possíveis sanções da Comissão Europeia por descriminação entre cidadãos da União Europeia, do que à
ços desde a revisão das taxas de portagem verificada em Outubro do ano passado, o Governo promete uma revisão integral do sistema de portagens nas ex-SCUT que, defende o executivo, se deverá basear em estudos sobre a matéria. Dois anos depois da primeira portagem cobrada e mais de um ano depois da primeira revisão das taxas, ainda se estuda e as Grandes Opções do Plano anunciam que o executivo liderado por Passos Coelho está a preparar um novo modelo de portagens para assegurar a “equidade na cobrança” e a “coesão nacional e territorial”, naquilo que será “a segunda fase da alteração do modelo regulatório do sector rodoviário”. Nada mais simples, a revisão das portagens a verificar-se, e a ser favorável ao Algarve e aos algarvios, chegará decerto com mais de dois anos de atraso na melhor das hipóteses, depois de delapidada também pelas portagens a economia local e nada garante que a coesão nacional e territorial a exemplo do que sucedeu com a primeira revisão das taxas não passe por um aumento global da receita para o Estado. Algo que acabe por ser a resposta não aos problemas dos algarvios, mas ao drama da deficitária Estradas de Portugal, que, de acordo com o respectivo presidente, António Ramalho, reconhece a “insustentabilidade” do actual modelo de pagamento nas antigas SCUTs, que absorve 29% do valor cobrado aos utilizadores nessas vias e representa 4% dos custos da empresa.
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Dieta Mediterrânica já é Património Mundial Projecto liderado por Jorge Botelho traz classificação de Património Imaterial da Humanidade para Portugal d.r.
Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
CENTO E DEZASSEIS VOTOS E ALGUNS MINUTOS foi quanto
bastou para Portugal arrebatar mais uma classificação como Património Imaterial da Humanidade. Desta vez, depois do Fado, foi a Dieta Mediterrânica que garantiu ao país a distinção da UNESCO, agência da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, numa candidatura em que Tavira foi a representante lusa. A distinção, obtida numa candidatura transnacional que inclui o nosso país, Espanha, Marrocos, Itália, Grécia, Chipre e Croácia, foi arrebatada em Baku, onde Jorge Botelho, presidente da autarquia
tavirense, assistiu ao sim unânime da Assembleia Geral da UNESCO. Ao POSTAL, a partir da capital Azeri, pouco depois do sim da UNESCO, Jorge Botelho afirmou que “esta é uma vitória de Tavira do Algarve e de Portugal”, que “deve encher de orgulho os tavirenses e todos os portugueses”. O autarca integrou a delegação nacional que se deslocou a Baku e que contava com representantes do Ministério da Agricultura, da representação da UNESCO em Lisboa e ainda com Jorge Queiroz, coordenador técnico da candidatura nacional. Para Jorge Botelho foi “notório o reconhecimento da qualidade da candidatura portuguesa e da posição de liderança que Portugal desem-
penhou em todo o processo da candidatura internacional”. “Todos reconheceram o assinalável desempenho dos técnicos portugueses”, refere o autarca que “estende aos técnicos da Câmara de Tavira os elogios” ouvidos em Baku. Além de Tavira assumiram a liderança das várias candidaturas nacionais Agros, Brac e Hvar, Soria, Cilento e Chefchaouen, respectivamente para representar Chipre, Croácia, Grécia, Espanha, Itália e Marrocos e todos ouviram o sim final a este desafio perto da hora de almoço da passada quarta-feira, cerca das 17 horas na capital do Azerbaijão.
GOVERNO APOIOU TODO O PROCESSO A candidatura contou
com o apoio total do Governo,
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ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE TAVIRA EDITAL
com a ministra da Agricultura Assunção Cristas a ter uma “disponibilidade total” no seguimento de todo o processo, afirmou ao POSTAL Jorge Botelho, sublinhando a importância de António Serrano, ministro da Agricultura do anterior Governo, “no desafio que me lançou para que esta candidatura se realizasse”. O autarca destaca que “agora começa uma nova fase em que o mais importante é garantir que se criam as condições para que esta mais-valia, que é a classificação como Património Imaterial da Humanidade, possa trazer substanciais vantagens para o Algarve e para Portugal e muito em particular para Tavira”. As responsabilidades são muitas e o Algarve não as ignora. Em declarações feitas ao POSTAL recentemente o presidente da CCDR Algarve, David Santos, apontava já alguns caminhos para que a distinção viesse a ser potencializada nas áreas da economia e do turismo, mas também, no domínio da salvaguarda do património e da identidade algarvios.
ÔÔ Jorge Botelho considera vitória de Tavira, do Algarve e de Portugal
ALGARVE DISTINGUIDO PELA PRIMEIRA VEZ Esta é a primeira vez
que o Algarve recebe uma distinção da UNESCO enquanto Património da Humanidade e assim a região passa a ombrear com o Centro Histórico de Angra do Heroísmo (distinguido em 1983), Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém (1983), Mosteiro da Batalha (1983), Convento de Cristo, em Tomar (1983), Centro Histórico de Évora (1986), Mosteiro de Alcobaça (1989), Paisagem Cultural de Sintra (1995), Centro Histórico do Porto (1996),
Sítios de Arte Rupestre do Vale do Côa (1998), Floresta Laurissilva da Ilha da Madeira (1999), Centro Histórico de Guimarães (2001), Região Vinhateira do Alto Douro (2001), Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico (2004), Fado (2011), Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e as suas Fortificações (2012) e Universidade de Coimbra, Alta e Sofia (2013). Já somos Património da Humanidade, razão de sobra para o regozijo num desafio que está apenas a começar.
JOSÉ OTÍLIO PIRES BAIA, Presidente da Assembleia Municipal de Tavira. TORNA PÚBLICO, que em sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Tavira, realizada no dia 29 de novembro de 2013, foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por maioria a proposta da Câmara Municipal número 181/2012/CM, referente à determinação das taxas de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e de participação no IRS; 2. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 183/2012/CM, referente à EMPET _ Empresa Municipal de Parques Empresariais de Tavira EM – Nomeação de Fiscal Único; 3. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 184/2012/CM, referente à TaviraVerde – Empresa Municipal de Ambiente EM SA – Nomeação de Fiscal Único; 4. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 185/2012/CM, referente à Alteração da composição do Júri para o procedimento concursal para provimento de cargo de Chefe de Divisão de Planeamento, Turismo, Relações Públicas e Fiscalização (354-Div/13); 5. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 186/2012/CM, referente à Alteração da composição do Júri para o procedimento concursal para provimento de cargo de Chefe de Divisão de Cultura, Património e Museus (353-Div/13); Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume Paços do Concelho, aos 29 dias do mês de novembro do ano 2013 O Presidente da Assembleia Municipal, José Otílio Pires Baia (POSTAL do ALGARVE, nº 1114, de 6 de Dezembro de 2013)
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António Branco aos comandos da Universidade pág. 6
Alexandra Gonçalves assume Direcção Regional de Cultura Dália Paulo deixa lugar depois de quatro anos de funções Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
ALEXANDRA GONÇALVES É A NOVA DIRECTORA REGIONAL DA CULTURA e assume funções
no próximo dia 15, substituindo assim o Governo a titular actual da pasta Dália Paulo (PS) por uma cara do PSD algarvio. Com esta alteração o Governo fecha as mudanças dos titulares dos lugares políticos da administração desconcentrada do Estado por terras algarvias, com Dália Paulo a resistir desde as últimas eleições legislativas com duas nomeações em regime de substituição já durante este Governo, prova cabal da qualidade do trabalho
desenvolvido pela directora regional demissionária. No lugar desde 2009, Dália Paulo abriu a Direcção Regional de Cultura a planos e campos de acção que até à sua entrada para o lugar estavam longe da intervenção do organismo. A Direcção Regional ganhou relevo e presença no panorama cultural da região e abandonou a postura de distribuidora de subsídios, tornando-se durante o consulado de Dália Paulo um agente activo da Cultura que se faz no Algarve, um mérito indesmentível da ainda directora regional que regressa agora aos quadros da Câmara de Faro, a que pertence, muito embora ainda se desconheça que lugar
d.r.
ÔÔ Alexandra Gonçalves é a nova directora regional de Cultura ocupará na autarquia. Recorde-se que Dália Paulo era directora do Museu Municipal de Faro quando foi nomeada para o carpub
go que deixa este mês. Ao POSTAL a responsável regional da Cultura, afirma ter “a sensação de ter feito o trabalho
para que foi nomeada com seriedade e grande empenho”, não obstante, Dália Paulo diz não ter a sensação de dever cumprido, “sou muito exigente comigo e com o que faço, pelo que o dever cumpriu-se, mas há ainda muito por fazer”, diz. Palavras ditas ao POSTAL num momento de transferência de competências e de rotatividade nos cargos políticos que Dália Paulo encara como “natural”.
CÂMARA DE FARO VOLTA A ‘DAR’ DIRECTORA REGIONAL Alexan-
dra Gonçalves, a nova directora regional de Cultura, é também, como a sua perecedora, um quadro oriundo da Câma-
ra de Faro onde foi vereadora durante a administração de Macário Correia. Aos 41 anos a nova cara da Cultura regional é a escolha do secretário de Estado Jorge Barreto Xavier, para o lugar numa remodelação dos titulares regionais da área que abrangeu quatro das direcções regionais do país. Doutorada pela Universidade de Évora este ano em Turismo com uma tese que se debruça sobre o tema “Cultura Material, a Musealização e o Turismo: A valorização da experiência turística nos museus nacionais” a nova titular é um quadro formado pela Universidade do Algarve. pub
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região CÂMARA MUNICIPAL DE TAVIRA EDITAL Nº 44 /2013 Jorge Manuel do Nascimento Botelho Presidente da Câmara Municipal de Tavira
TORNA PÚBLICO, que em reunião de Câmara Municipal, realizada no dia 19 de novembro de 2013 foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por maioria a proposta da Câmara Municipal número 172/2013/ CM, referente à 14.ª e 15.ª Alterações ao Orçamento e às Grandes Opções do Plano; 2. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 173/2013/CM, referente à atribuição de apoio à Âncora - Associação Centro Comunitário de Santa Luzia; 3. Aprovada por maioria a proposta da Câmara Municipal número 174/2013/ CM, referente aos apoios ao abrigo do RMAAD; 4. Aprovado por unanimidade o ponto número um da proposta da Câmara Municipal número 175/2013/CM, referente à atribuição de apoio à Associação das Obras Assistenciais da Sociedade de São Vicente de Paulo; 5. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 176/2013/CM, referente ao protocolo de utilização das instalações da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Tavira pela EB1 de Cabanas - Atribuição de apoio; 6. Aprovada por maioria a proposta da Câmara Municipal número 177/2013/ CM, referente à atribuição de apoios de âmbito cultural a diversas entidades; 7. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 178/2013/CM, referente aos auxílios económicos para livros escolares a alunos do Concelho - anulações/correções; 8. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 179/2013/CM, referente à atribuição de Auxílios Económicos para livros escolares a alunos do 1º ciclo do ensino básico - 2ª. Fase - ano letivo 2013/2014; 9. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 180/2013/CM, referente à adenda ao Contrato Programa relativo ao financiamento do Programa Generalização do Fornecimento de Refeições Escolares aos Alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico; 10. Aprovada por maioria a proposta da Câmara Municipal número 181/2013/ CM, referente à determinação das Taxas de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e de participação no IRS; 11. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 182/2013/CM, referente à EMPET – Empresa Municipal de Parques Empresariais de Tavira EM - Nomeação do representante do Município de Tavira; 12. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 183/2013/CM, referente à EMPET – Empresa Municipal de Parques Empresariais de Tavira EM - Nomeação do Fiscal Único; 13. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 184/2013/CM, referente à TaviraVerde - Empresa Municipal de Ambiente EM SA - Nomeação do Fiscal Único; 14. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 185/2013/CM, referente à alteração da composição do Júri para o procedimento concursal para provimento de cargo de Chefe de Divisão de Planeamento, Turismo, Relações Públicas e Fiscalização (354-Div/13); 15. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 186/2013/CM, referente à alteração da composição do Júri para o procedimento concursal para provimento de cargo de Chefe de Divisão de Cultura, Património e Museus (353-Div/13); 16. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 187/2013/CM, referente à receção definitiva das infraestruturas - Alvará n.º 2/2003 Atlântico à Vista - Sociedade de Construções, Lda. (Sítio da Igreja - Conceição); 17. Aprovada por unanimidade a alteração da reunião da Câmara Municipal de 03 de dezembro para o dia 10 de dezembro de 2013. Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume. Paços do Concelho, 19 de novembro do ano 2013 O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, Jorge Manuel Nascimento Botelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1114, de 6 de Dezembro de 2013)
Turismo do Algarve aposta forte no fim de ano Maior campanha de publicidade de sempre promove a região D.R.
O TURISMO DO ALGARVE ANUNCIOU o lançamento da
“maior campanha publicitária de sempre” para promover o fim de ano, destinada aos mercados português e espanhol e que se prolonga até ao próximo dia 17, disse o presidente, Desidério Silva. “Acho que não houve nenhuma [campanha publicitária] feita no passado com esta dimensão. Daquilo que conheço do histórico da Região de Turismo, acho que esta é aquela que tem uma dimensão muito mais forte, assinalável e diversificada”, afirmou Desidério Silva em declarações à agência Lusa. O presidente do Turismo do Algarve sublinhou que a campanha publicitária, que será realizada através de mupis (expositores de publicidade), autocarros, imprensa, televisão, rádio e multibanco, representa um investimento “considerável” em termos de verbas destinadas à promoção da região algarvia. “Neste momento não tenho o valor total, mas é uma verba considerável”, disse, sem especificar o montante investido na promoção da passagem do ano no Algarve. Desidério Silva frisou que,
ÔÔ Campanha pretende atrair portugueses e espanhóis para o destino Algarve aliado ao objectivo de “promover a região, os produtos e as actividades”, a campanha tem ainda por meta combater a sazonalidade, estratégia na qual as entidades oficiais do Turismo têm apostado para dinamizar economicamente o Algarve nos meses de época baixa e combater o desemprego. “Esta promoção do fim de ano tem também muito a ver com a questão da sazonalidade, ou seja, é preciso que as pessoas ouçam falar do Algarve, independentemente de virem ou não virem só no fim de ano, para que possam também vir
noutras alturas”, afirmou. O presidente do Turismo do Algarve acrescentou que “o objectivo é chamar a atenção para o fim de ano como charneira deste período menos visitado da região”, numa referência aos meses de Inverno, e dizer aos potenciais visitantes que a região “tem mais produtos, mais ofertas e é importante que as pessoas visitem o Algarve”. A campanha publicitária multimeios pretende “convencer os portugueses e espanhóis a festejarem o fim de ano no destino” Algarve e englobará “uma acção de marketing mais ousada, que
encherá de balões dois locais emblemáticos de Lisboa e do Porto”, adiantou o Turismo do Algarve num comunicado. Nos 16 dias da campanha vão ser instalados “1.100 ‘mupis’ em centros comerciais, estações de metro e de comboio” e “775 retaguardas de autocarros em circulação em Lisboa, no Porto e em Braga”, serão emitidos “15 anúncios em revistas e jornais de Portugal e Espanha” e “260 ‘spots’ nas rádios nacionais e espanholas” e preenchidos “espaços publicitários em 2.250 caixas de multibanco do país”. Lusa pub
Paulo Moreira apresenta Maria Manuel em Albufeira ÔÔ O conhecido actor e encenador Paulo Moreira apresenta no próximo sábado, pelas 16 horas, o seu livro “Maria Manuel” em Albufeira. No evento, que vai decorrer no restaurante Cepa Velha, nas Areias de São João, são oradores Manuel dos Santos Serra, médico e escritor, a editora e escritora Luísa Monteiro, e Roberto Leandro, também ele um homem das letras.
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António Branco aos comandos da Universidade Novo reitor assume funções dia 18 d.r.
Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
ANTÓNIO MANUEL DA COSTA GUEDES BRANCO É O NOME DO NOVO REITOR da Univer-
sidade do Algarve e sucede a João Guerreiro depois deste ter exercido o cargo durante dois mandatos consecutivos. A eleição, que teve lugar a 26 de Novembro, ditou a vitória do ex-director da Faculdade de Ciências Humanas e Social por maioria absoluta com 18 votos, contra 12 apurados a favor de Efigénio Rebelo e somente dois a apontarem para reitor Adelino Canário. Dos votantes do Conselho Geral um votou em branco, tendo dois não comparecido ao acto eleitoral. O novo homem forte da universidade é doutorado na casa a que agora vai presidir com uma tese na área da Literatura Portuguesa Medieval e só no passado ano foi agregado. António Branco assume funções no próximo dia 18 e será o sétimo reitor da academia algarvia criada em 1979 e que conta com cerca de nove mil alunos e um corpo docente que ultrapassa os 800 professores.
MANDATO COMPLEXO O novo
ÔÔ António Branco titular da reitoria da Universidade do Algarve pode esperar um mandato complexo, em que as questões financeiras e a exiguidade dos candidatos à entrada na Universidade do Algarve serão os principais problemas. Perante um Orçamento de Estado que prevê cortes sérios no financiamento do ensino superior, que levaram mesmo ao rompimento das relações entre o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas - entretanto reatadas - e um volume de candidaturas à academia que põe em causa a sobrevivência de algumas das licenciaturas ministradas na instituição, o percurso que António Branco agora inicia será decerto complexo. Na ideia do novo reitor está
uma reorganização da coluna formativa da Universidade do Algarve, a atracção de estudantes estrangeiros como resposta à falta de candidatos nacionais e a discussão política do financiamento da instituição académica pública no quadro mais amplo do financiamento do ensino superior a nível nacional. Apostas de António Branco reveladas durante a candidatura à reitoria e que garantiram a eleição para um cargo que será penoso de exercer numa instituição que atravessa sérios problemas de financiamento e de sustentabilidade. A academia algarvia conta também com Filipa da Silva como presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve (AAUAlg), reeleita num acto eleitoral onde apenas a sua lista se apresentou à votação para a Direcção Geral da AAUAlg. A nova presidente está envolvida num processo que pretende acusar Guilherme Portada, antigo presidente da associação académica, de gestão danosa e que promete dominar a agenda da instituição académica nos próximos tempos. pub
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Banco Alimentar volta a contar com a ajuda dos algarvios
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Recolha de alimentos com menos dádivas Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
OS ALGARVIOS VOLTARAM a
dar uma resposta positiva aos apelos do Banco Alimentar da região naquela que foi a campanha de recolha de alimentos de Natal, que decorreu por toda a região no passado fim-de-semana. Face aos resultados da campanha de Natal de 2012, que somaram a recolha de 173 toneladas de alimentos, desta vez os algarvios contribuíram menos para o Banco Alimentar, uma diferença que se salda em 15 toneladas, com a região a contribuir com um total de 158 de toneladas de alimentos, dados avançados ao POSTAL pelo Banco Alimentar do Al-
garve. Mais de mil voluntários distribuídos por supermercados de todo o Algarve num conjunto superior a 130 superfícies comerciais levaram o já conhecido saco branco com o logo da instituição a milhares de algarvios prontos a dar, mais uma vez, a mão amiga a quem mais precisa. Recorde-se que o Banco Alimentar do Algarve apoia mais de 70 instituições de solidariedade social que fazem chegar os alimentos a uma população de cerca de 15 mil algarvios, numa acção social que obedece ao mais estrito controlo na selecção dos beneficiários da ajuda. Apesar da crise instalada, de uma taxa de desemprego
há muito alarmante e de uma descida das contribuições, o Banco Alimentar algarvio manteve assim a sua ajuda para os impressionantes resultados nacionais da campanha de recolha de alimentos natalícia a nível nacional. No país foram recolhidas “2.767 toneladas de géneros alimentares numa campanha que abrangeu 1.895 superfícies comerciais das zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel, Viana do Castelo, Viseu, Terceira e Madeira”, avançou a Federação Portuguesa de Bancos Alimentares, presidida por Isabel Junot.
De acordo com a instituição, “Os resultados alcançados este fim-de-semana ultrapassam os da campanha de Maio deste ano e são ligeiramente inferiores aos obtidos em Novembro do ano passado”. Os números revelados não incorporam ainda os resultados da Campanha Vale nem da Campanha On-line, que vêm adquirindo um peso cada vez maior nas contribuições dos particulares e que ainda decorrem, razão pela qual o apelo à solidariedade se mantém. Ao longo da próxima semana haverá ainda a possibilidade de contribuir para os Bancos Alimentares Contra a Fome pela internet no site www.alimentestaideia.net. Na Campanha “Ajuda Vale”,
ÔÔ Banco Alimentar do Algarve apoia mais de 70 instituições disponibilizada pelas lojas Continente, Dia/Minipreço, El Corte Inglés, Jumbo/Pão de Açúcar, Lidl e Pingo Doce, onde serão disponibilizados em suportes próprios cupões-vale de produtos selecionados, azeite, óleo, leite, salsichas, atum e esparguete. Cada cupão representa uma unidade do produto e, para além de mencionar que se trata de uma entrega destinada aos Bancos Alimentares Contra a Fome, refere de forma clara a identi-
ficação do tipo de produto, da unidade e do correspondente código de barras, através do qual é efectuado o controlo das dádivas. Os géneros alimentares recolhidos serão distribuídos, a partir da próxima semana, a nível nacional, a 2.280 instituições de solidariedade social, que os distribuem a cerca de 418 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confeccionadas. pub
8 | 6 de Dezembro de 2013
região Consultório do Consumidor Fidelização nas telecomunicações “Tomei conhecimento da vossa petição online. De que se tr ata e como posso subscrever?”
A DECO responde... A DECO entende que exigir uma fidelização de 24 meses aos consumidores que contratam um serviço de telecomunicações é penalizador. Contudo, as operadoras insistem em aplicar o prazo máximo previsto na lei. Além de ser um entrave à mudança, impede o acesso a novas e melhores ofertas. Para piorar, quem queira desistir do contrato antes do final do prazo, vê-se confrontado com o pagamento de uma penalização onerosa e desproporcionada quando comparada com os benefícios que recebeu pela fidelização. A DECO calculou os valores a que ficam sujeitos os consumidores caso queiram desistir do contrato antes do final do prazo. Com base na informação constante dos termos e condições presentes na internet, a maioria das operadoras calcula a penalização multiplicando a mensalidade pelos meses em falta até final do contrato, o que é desproporcionado. Neste sentido, a DECO defende que é fundamental alterar a Lei das Comunicações Electrónicas com vista à redução dos períodos máximos de fidelização. Ao mesmo tempo, é essencial a criação de uma norma que estabeleça os critérios para o cálculo da penalização cobrada ao consumidor, caso este termine o contrato antes do final. Para não ser um entrave à mudança, há que definir limites razoáveis para a penalização a ser cobrada face ao benefício obtido no início do contrato. Com esta alteração, a DECO pretende que o consumidor possa mudar de operadora de telecomunicações com maior facilidade e sem incorrer em custos elevados. Também se espera que esta medida estimule a entrada de novas operadoras no mercado, bem como uma maior concorrência entre os rivais existentes. Para levar avante estas alterações, a DECO vai entregar a petição na Assembleia da República. Até esta sexta-feira, todos os portugueses podem juntar-se a esta causa. Basta acederem a www.liberdadenafidelizacao.pt e preencher a informação pedida.
Portimão Arena é palco de conferência sobre turismo subaquático
OPINIÃO Ana Amorim Dias - Escritora www.anaamorimdias.blogspot.com anamorimdias@gmail.com
Evento visa contribuir para a redução da sazonalidade O PORTIMÃO ARENA recebe
este fim-de-semana a segunda edição da conferência GUE - Global Underwater Explorers, considerada actualmente o maior encontro de turismo subaquático a nível mundial. A primeira edição da GUE teve lugar em 2011 na cidade alemã de Kiel, com cerca de meio milhar de participantes oriundos de todo o mundo, num total de 20 nacionalidades representadas, tendo o evento contado com uma larga cobertura mediática, tanto na área especializada do segmento de mergulho, como na vertente promocional e turística do destino acolhedor. No caso do evento que Por-
timão irá acolher, visa contribuir para reduzir a sazonalidade através da promoção de um segmento diferenciador como o turismo subaquático e de outras actividades náuticas associadas, com uma forte vertente de divulgação nos mercados estratégicos definidos pelo Turismo de Portugal. O grande destaque caberá ao parque subaquático Ocean Revival existente ao largo de Portimão, que resulta do afundamento deliberado de quatro antigos navios da Armada Portuguesa, os quais constituem um recife artificial visitável por turistas de mergulho, dinamizando desta forma a economia
d.r.
ÔÔ Parque subaquático de Portimão dinamiza economia local local ao longo de todo o ano. Consubstanciados os apoios efectivos da ATP - Associação Turismo de Portimão e da ATA - Associação Turismo do Algarve, aos quais se associam marcas e entidades nacionais e internacionais relacionadas
com o segmento de mergulho, a vertente promocional desta conferência permitirá ainda uma importante divulgação do destino Algarve, da sua história, das suas raízes e potencialidades associadas ao lazer e à oferta sol e praia.
CONCLUSÃO PREVISTA PARA FINAL DO PRÓXIMO ANO
Vila do Bispo investe um milhão e trezentos mil euros em centro educativo AS OBRAS DE CONSTRUÇÃO da empreitada do Centro Educativo Comunitário Multisserviços de Budens já arrancaram, prevendo-se que esteja concluído no final do próximo ano.
A empreitada foi adjudicada ao concorrente Dabeira - Sociedade de Construções, Lda, pelo valor de um milhão, 250 mil e 312 euros acrescido de IVA à taxa legal em vigor. O novo e moderno equipapub
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mento educativo a construir no sítio do Piçarral em Budens, tem uma área de implantação de 1.902 m2 e será constituído por um único piso, onde funcionarão seis salas de aula destinadas ao ensino básico (1º ciclo) e duas salas destinadas a Jardim de Infância. O edifício irá dispor ainda de uma sala polivalente/refeitório com versatilidade para funcionar autonomamente aberta à comunidade. Os trabalhos a realizar no âmbito da empreitada incluirão também, a construção dos arruamentos de acesso dotados de todas as infra-estrutu-
ras de urbanização. Com capacidade para receber 206 estudantes, o Centro Educativo receberá os alunos do ensino básico e pré-escolar de Barão de São Miguel, Budens, Salema e Burgau. A obra é financiada através do instrumento estratégico e financeiro de apoio ao desenvolvimento rural do continente PRODER/ FEADER, cuja candidatura foi aprovada com financiamento a fundo perdido de 85% do valor elegível do investimento, que corresponde a um milhão, 13 mil e 540 euros, sendo o restante valor suportado pela autarquia. pub
O que andam por aqui a fazer? Andava com o pensamento às voltas. O que iria hoje escrever? Sobre o acompanhamento onde fui buscar os meus filhos e a paciência da avó? Sobre o gato que já só quer andar à solta? Sobre o silêncio que temporariamente voltou a pairar na quinta? Sobre chakras e kundalinis ou o que irei fazer para o almoço de amanhã? Sobre o documentário em que ando a trabalhar ou os prazos de entrega de artigos que estão quase a chegar ao fim? Sobre o fabuloso mojito de morango que ontem fiz ou os casamentos que tenho que organizar? E então o pensamento parou e tudo voltou a ordenar-se num alinhamento perfeito com o acto de apenas ser. Não preciso de escrever sobre nada de especial. Basta-me apenas deixar fluir os dedos no teclado ao sabor do mais puro sentir. É assim que todos os dias celebro algo que desejo a todos e tão bem sei atingir: o mais puro e reconfortante encontro comigo e com o que ando por aqui a fazer. É por isso que hoje terão que me perdoar, mas vejo-me obrigada a deixar-vos a mais complexa questão: o que andam por aqui a fazer?
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saúde & bem-estar
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Residência Sol & Mar, um espaço único para todos os que procuram a felicidade
La Coiffure regressa com um novo espaço de beleza e bem-estar
fotos: d.r.
HÁ MUITO QUE O SOTAVENTO ALGARVIO ESPERAVA POR UMA INFRA-ESTRUTURA ASSIM, capaz de responder às
necessidades de quem, depois de toda uma vida, já chegou à idade de ouro e de todos aqueles que requerem cuidados especiais, nomeadamente, ao nível da reabilitação. A resposta a estas necessidades tem agora um nome, Sol & Mar, e aposta na excelência e qualidade como âncoras de uma residência assistida capaz de ombrear com o que de melhor se oferece no país neste segmento. Menos não se poderia esperar de um investimento da família Nabais, cuja actividade económica na zona do sotavento algarvio e políticas de responsabilidade social são sobejamente reconhecidas nesta região do Algarve. A residência Sol & Mar, um projecto gerido por Maria Adelina Nabais, oferece 56 quartos adaptados, onde nada foi deixado ao acaso, desde a decoração a todo o equipamento, nomeadamente no que respeita ao escrupuloso respeito pelas normas de acessibilidade e segurança dos WCs. Num espaço envolvente aprazível e rodeado pelo meio rural, com a serra como pano de fundo mas apenas a meia dúzia de quilómetros da praia e da cidade de Tavira, a residência oferece acolhimento permanente ou temporário aos utentes num ambiente familiar enquadrado por uma assistência de elevados padrões que conta com enfermagem durante as 24 horas do
ÔÔ A equipa La Coiffure - cabeleireiros está à sua espera
UM DOS MAIS PRESTIGIADOS ESPAÇOS DE BELEZA DE FARO REGRESSOU NA PASSADA SEMANA AO TRABALHO e à com-
ÔÔ Espaço foi pensado para as necessidades particulares de cada um dia e apoio médico. As instalações, abertas recentemente, permitem aos utentes usufruir de amplos espaços de convívio, zonas ajardinadas e mesmo um espaço reservado ao culto religioso dedicado àqueles para quem a fé é uma determinante na vida. Restaurante e refeições preparadas com recurso aos melhores ingredientes e assentes num correcto equilíbrio nutricional juntam-se a cuidados especializados prestados por profissionais seleccionados que vão desde a higiene ao apoio administrativo e às mais variadas áreas da saúde. As valências de psicologia, fisioterapia, hidroterapia, análises clínicas e terapias ocupacional e da fala aliam-se para garantir, quer na área do apoio aos idosos, quer na área da reabilitação, os melhores cuidados a quem esco-
lhe para viver ou para fazer a sua recuperação um local único em que os lemas são amor, paz e alegria, como ferramentas de base para que cada um reconquiste na residência Sol & Mar todas as suas capacidades para viver uma vida em pleno. Um espaço pensado para as necessidades particulares de cada utente e que desenvolve para cada novo habitante um plano individual de acompanhamento é a aposta da família Nabais neste que é um desafio feito a pensar em quem precisa de um apoio especial em dado momento. Escolher a residência Sol & Mar, seja de forma permanente ou temporária, conta com segurança e acesso a serviços variados de apoio, entre os quais cabeleireiro, massagens e estética, e pode
> > ASSINALE A FRASE CORRETA
Com certesa, o João vai passar no exame de matemática. Concerteza, o João vai passar no exame de matemática. Comcerteza, o João vai passar no exame de matemática. Com certeza, o João vai passar no exame de matemática.
usufruir de regimes de estadia em que os utentes conservam toda a sua mobilidade e acesso ao exterior. Na busca de uma integração completa dos utentes, sejam idosos, acamados, pessoas em recuperação de intervenções cirúrgicas, ou em reabilitação de doenças várias, a residência Sol & Mar conta com uma rede de parcerias que garantem uma proximidade privilegiada com a comunidade envolvente. Tudo em prol de uma vida melhor, partilhada e plena de cada um dos utentes, porque na residência Sol & Mar a vida é um constante recomeço, num caminho seguro e acompanhado com a felicidade como destino.
panhia dos clientes que durante anos fizeram do La Coiffure - cabeleireiros um dos destinos de referência de quem procura a excelência da beleza. A equipa, liderada por Conceição Martins, que junta alguns dos melhores cabeleireiros da região espera agora pelos clientes no FaroShopping à entrada de Faro, junto ao AKI, num espaço novo e pensado ao pormenor para o bem-estar de uma clientela que não prescinde de cuidados personalizados quando se trata de cabelos e estética. A receber cada cliente para um tratamento tailor-made está como sempre Sebastien Correia e um ambiente único que alia a exclusividade aos mais altos padrões técnicos e a produtos e serviços onde o rigor e a perfeição são as palavras-chave. O novo conceito integrado de atendimento dispensa a cada cliente espaços especialmente dedicados aos tratamentos capilares, ao corte e brushing, aos trabalhos técnicos e à coloração.
A estética vai ter um lugar especial no novo mundo La Coiffure - cabeleireiros, num espaço criado à medida de momentos dedicados em exclusivo a si e ao seu bem-estar. As marcas de referência como Kérastase, L’Oreal Professionnel, Redken ou Shu Uemura aliam-se à técnica, inovação e modernidade, que fazem do conceito La Coiffure - cabeleireiros um must dos cuidados de beleza no Algarve e, agora, num local privilegiado com excelentes acessos, parque de estacionamento e um horário alargado que garante a cada cliente a certeza de em qualquer momento poder contar com a experiência de uma equipa única que aposta tudo na satisfação. Há espaços assim, criados a pensar em si e no seu conforto, desenhados para a beleza e para o bem-estar e onde sabe que pode sempre contar com o melhor. O convite está lançado e o La Coiffure - cabeleireiros promete surpresas únicas até 15 de Dezembro para quem aceitar o desafio de se sentir melhor e mais bela. Uma proposta irrecusável onde já só falta você.
> > SOLUÇÃO da edição passada Ele entrou na sala com descrição. Ele entrou na sala com descrissão. ;; Ele entrou na sala com discrição. Ele entrou na sala com discrissão.
Esta é uma iniciativa das Bibliotecas Paula Nogueira do Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira (Olhão) em parceria com a Casa da Juventude de Olhão e o POSTAL, que semanalmente divulga os problemas e as soluções deste jogo. VáriasescolasdoAlgarve jáaderiramàiniciativa:AEProfessorPaulaNogueira(Olhão)/AEdaSé(Faro)/AED.AfonsoIII(Faro)/AEDr.AlbertoIria(Olhão)/ColégioBernardetteRomeira(Olhão)/AEDr.JoãoLúcio(Fuseta)/AEdeEstoi(Faro)/AEJoaquimMagalhães(Faro)/AEdoMontenegro(Faro)/AEdeCastroMarim (Vila Real de St. António) / AE Professora Diamantina Negrão / (Albufeira) / Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas (Mega Agrupamento de São Brás de Alportel) / Escola Secundária João de Deus (Faro) / Agrupamento de Escolas D. Paio Peres Correia (Tavira) / Casa da Juventude (Olhão) / Postal do Algarve. Convidamos todas as escolas e bibliotecas, interessadas em aderir ao Jogo da Língua Portuguesa e receber os materiais para o mesmo, a contactar: biblioteca.epnogueira@gmail.com ou jornalpostal@gmail.com.
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O POSTAL regressa no dia 20 de Dezembro
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última Empresa algarvia vai produz caviar no Alentejo Luxuoso petisco destina-se sobretudo ao mercado asiático D.R.
A CAVIAR PORTUGAL É UMA EMPRESA CRIADA A PARTIR DA UNIVERSIDADE DO ALGARVE que vai começar a produ-
zir caviar em 2015 a partir de uma unidade no Alentejo, com capacidade para exportar até cinco toneladas por ano. Numa piscina azul que custou 500 euros, e que está instalada na Universidade do Algarve, nadam centenas de esturjões que chegaram da Holanda em Fevereiro, através de uma empresa de correio expresso, na versão de ovos fecundados, contou à Lusa Paulo Zaragoza, director executivo do projecto Caviar Portugal, recordando que pagaram “cinco mil euros” pelos ovos. O projecto-piloto empresarial nascido na Universidade do Algarve está prestes a emancipar-se e, entre o final deste ano e o início de 2014, vai ser construída uma unidade no distrito de Évora, com capacidade para produzir caviar, iguaria composta de ovos salgados de esturjão, a partir de 2017. O investimento previsto é da ordem dos quatro milhões de euros. O luxuoso petisco “vai ser exportado principalmente para o mercado asiático, mas a América do Norte e Europa também estão no roteiro. Em
ÔÔ Caviar vai começar a ser produzido em 2015 Portugal só devem ficar uns 5% da produção”, referiu o director executivo e responsável técnico pelo projecto.
PRODUÇÃO INTENSIVA SÓ SERÁ POSSÍVEL EM 2017 A unidade
produtiva no Alentejo dará para a instalação de cerca de 150 toneladas de quatro espécies de esturjão que vão ter a capacidade de produzir, ao fim de cerca de cinco anos, entre 4,5 toneladas a cinco toneladas de caviar, estimou Paulo Zaragoza, natural de Alcobaça. “A produção de caviar em indústria intensiva só será possível em 2017, mas em 2015 já se poderá provar alguma coisa, mas ainda numa fase de teste”, acrescentou o especialista. A criação de esturjão em
aquacultura funciona com um sistema de água circular fechado, o que faz com que a renovação seja apenas de 5% de água por dia. No ciclo de tratamento de água, há plantas que estão a ser utilizadas para filtrar e retirar os nutrientes da água dos esturjões e que servem de alimento a hortícolas como alfaces, pepinos ou tomates. O projecto empresarial atravessou o “deserto” na busca de investidores e locais, tendo mesmo estado previsto para se instalar no concelho de Lagoa junto ao Rio Arade, mas a unidade de aquacultura de esturjão vai ser uma realidade no Alentejo, assegurou Paulo Zaragoza. Lusa pub
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06.12.2013
Cultura.Sul
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Cai o pano sobre 2013
Novo quadro, novas oportunidades
Ricardo Claro
Editor ricardoc.postal@gmail.com
Fechamos o ano de 2013 e prometemos regressar em 2014, com a mesma vontade de sempre de dar a conhecer aos algarvios o que por cá se faz em termos culturais, o muito e o muito bom que por cá se faz e, ainda, o muito que cada artista no seu campo, cada gestor cultural, cada musólogo, cada actor da realidade cultural dá de si ao Algarve e aos algarvios em cada momento. Somos neste momento em que cai o pano sobre o palco de 2013, apenas isso, um veículo que dá voz à cultura no Algarve. Somos isso mesmo e não queremos ser mais porque sê-lo é já de si relevante o quanto baste. Este que é o único caderno cultural em formato jornal na região, não quer o relevo das luzes da ribalta, quer ser antes o foco que dá luz a quem verdadeiramente a merece, os ‘fazedores’ de cultura. Não somos nunca o palco que desajamos ser, somos, não obstante, sempre ferverosos perseguidores do sermos melhores naquilo que fazemos a cada edição e contamos com todos e muito em particular com quem dá, mês após mês, a sua colaboração a estas páginas para atingirmos esse objectivo. É para os colaboradores que fazem do Cultura.Sul uma realidade, é para as mulheres e homens da cultura e para os leitores que vão nesta última edição deste ano os nossos agradecimentos. Fazemos o Cultura.Sul por cada leitor que percorre as nossas páginas e é por ele que o contiunaremos a fazer em 2014. Neste virar de página importa apenas mais um desejo que estendemos a todos. Tenham um óptimo 2014 pessoal e cultural. Em Janeiro regressamos para dar início a mais um ano de Cultura.Sul porque continuamos a creditar que vale a pena fazer cada uma destas páginas a pensar em si que nos lê.
Hugo Barros Coordenador do CRIA - Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve
O passo mais difícil é o primeiro! Consumidos pelo fluxo de informação dos jornais, televisão, ou que incessantemente circula nas redes sociais, não podemos deixar de sentir um misto de euforia e desespero. Muito embora os recentes sucessos da seleção nacional ou os anunciados sinais de recuperação económica, a realidade continua a refletir uma elevada taxa de desemprego, particularmente elevada entre os jovens, a diminuição do poder de compra das famílias, e o desafio de inúmeras empresas em ultrapassarem a barreira nacional e assegurarem a sua competitividade no exterior. Mas acredito que o copo está “meio cheio”. E acredito que apenas pode subir. Impulsionadas pelos apoios financeiros disponibilizados pelo atual Quadro Comunitário, as empresas têm vindo a concretizar esforços no senti-
do de uma maior competitividade, apostando em inovação e conhecimento como forma de captação de novos mercados, de otimização de processos, ou de desenvolvimento de novos produtos. Estes apoios têm permitido capacitar um conjunto de novas empresas inovadoras, constituídas e geridas por re-
Ficha Técnica:
logia (entre outros), mas redescobrindo o potencial dos setores tradicionais, como o Mar ou a Agricultura. Estas empresas nascem ou reinventam-se a partir de um ambiente difícil, conscientes dos problemas e dos riscos, mas seguros das suas competências e certos do seu caminho. Consciente das dificuldades d.r.
cursos humanos qualificados, e orientadas na sua génese para mercados internacionais. Igualmente relevante é a constatação das áreas de incidência destes novos projetos, não apenas atuando nas áreas da computação ou biotecno-
de comunicação ainda existentes, e do contínuo trabalho de aproximação necessário, é imperativo salientar neste processo de dinamização empresarial o papel das Universidades, não apenas enquanto entidade de formação de quadros
qualificados, mas também (e essencialmente) como centro de geração e transferência de conhecimento. Esta interação Universidade-Empresa tem permitido consolidar a transferência de conhecimento científico entre as empresas e os centros de conhecimento, traduzindo um conjunto de benefícios mútuos entre os agentes públicos e privados envolvidos, necessários à competitividade das empresas, das regiões e do País. Dando continuidade a esta realidade, a política de “Especialização Inteligente” proposta às regiões, e consolidada no programa de apoio financeiro denominado “Horizonte 2020”, vem reforçar a necessidade de relacionamento entre as entidades detentoras e geradoras de conhecimento científico e os agentes económicos no mercado, fomentando a geração de mais-valias económicas através da diferenciação. Reforço que não é tarefa fácil, para nenhum dos intervenientes. No entanto, a resignação não é opção, como têm demostrado as empresas, as Universidades e a própria comunidade civil, que combatem diariamente a adversidade, adotam novas estratégias de crescimento e consolidam mercados internacionais. Termino portanto como comecei… entre um misto de euforia e desespero… Consciente das dificuldades e dos desafios, mas seguro do potencial da região e das competências das instituições.
Juventude, artes e ideias
Para o ano é que é! Vanessa Caravela Aprecio imenso o entusiasmo de algumas pessoas, nesta época do ano. Uma certa espécie de parvos alegres com esperança no novo ano que aí vem. Como se o simples facto do ano mudar, mudasse alguma coisa. À falta de capacidade de resolver os problemas, o melhor é esquecer. Arrumam tudo no passado e fazem promessas
para o futuro. Tomam decisões épicas! As mesmas do ano anterior. Esquecendo que os mesmos caminhos levam, inevitavelmente, aos mesmos sítios. E a meio do ano já começam a pensar novamente no próximo. Para o ano é que é! É a esperança do recomeço de quem não consegue dar a volta ao que não tem volta a dar. De quem perante as adversidades desiste, volta a começar de novo ou deixa andar. Culpam o Cristo, o carpinteiro que fez a cruz e o ferreiro pôs os pregos, lavam as mãos como Pilatos e não fazem nada. Uns não pensam muito nis-
d.r.
Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Ricardo Claro Paginação: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções: • Contos da Ria Formosa: Pedro Jubilot • Espaço ALFA: Raúl Grade Coelho • Espaço AGECAL: Jorge Queiroz • Espaço CRIA: Hugo Barros • Espaço Educação: Direcção Regional de Educação do Algarve • Espaço Cultura: Direcção Regional de Cultura do Algarve • Grande ecrã: Cineclube de Faro Cineclube de Tavira • Juventude, artes e ideias: Jady Batista • Da minha biblioteca: Adriana Nogueira • Momento: Vítor Correia • Panorâmica: Ricardo Claro • Património: Isabel Soares • Sala de leitura: Paulo Pires Colaboradores desta edição: Emanuel Sancho Hugo Barros Hugo Oliveira Paulo Serra Vanessa Caravela Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve, Direcção Regional de Educação do Algarve, Postal do Algarve e-mail redacção: geralcultura.sul@gmail.com e-mail publicidade: anabelagoncalves3@gmail.com
on-line em: www.issuu.com/postaldoalgarve
Tiragem: 8.280 exemplares
to, porque não têm tempo e outros acham que pensar é perda de tempo. E passam a vida entre uma bica e um café, sem fazer uma pausa para a vida. E andam nisto! As coisas não mudam por decreto, só porque decidimos e pronto. Há que mudar a atitude e os
comportamentos. Ter coragem para enfrentar medos e orgulhos, romper com o conformismo e a preguiça e arriscar. Perceber o que realmente se quer e lutar por isso. Ou continuar, eternamente, a colocar alpista no aquário à espera que o douradinho cante!
Cultura.Sul
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Grande ecrã Cineclube de Faro
Programação: cineclubefaro.blogspot.pt IPJ | 21.30 HORAS | ENTRADA PAGA CICLO VARIAÇÕES EM MAL MAIOR 10 DEZ | REINO ANIMAL, David Michôd, Austrália, 2010, 113’, M/16
Um Natal recheado em Tavira
Cineclube de Tavira
Programação: www.cineclubetavira.com 281 971 546 | 965 209 198 | 934 485 440 cinetavira@gmail.com SESSÕES REGULARES Cine-Teatro António Pinheiro | 21.30 horas d.r.
SEDE | 21.30 HORAS | ENTRADA LIVRE TRIBUTO A PATRICE CHÉREAU 12 DEZ | O SEU IRMÃO, França, 2003, 92’ 19 DEZ | 18.30 HORAS | GABRIELLE, França, 2005, 90’ (Leg. Ingl.) 21.30 HORAS | PERSEGUIÇÃO, 2009, 98’ (Leg. Ingl.)
07 DEZ | OPHIUSSA: UMA CIDADE DE FERNANDO PESSOA - Fernando Carrilho - Portugal 2013 (70’) M/6 12 DEZ | DANS LA MAISON (DENTRO DE CASA) - François Ozon - França 2012 (105’) M/12
BIBLIOTECA MUNICIPAL | 21.30 HORAS | ENTRADA LIVRE O FILME FRANCÊS DO MÊS 20 DEZ | MIA ET LE MIGOU, Jacques-Rémy Girerd, França, 2008, 91’ FÁBRICA DOS SENTIDOS | 18.30 HORAS E SOCIEDADE ARTÍSTICA FARENSE | 22.30 HORAS 21 DEZ | O DIA MAIS CURTO – exibição de seis curtas-metragens portuguesas numa sessão de 56’
Cena do filme Comboio Noturno para Lisboa Em Dezembro iremos exibir seis filmes (atenção: duas sessões terão lugar num sábado), dos quais três nacionais ou pelo menos em co-produção com Portugal. Um destaque para a sessão de Curtas Metragens no âmbito do “Dia Mais Curto”, no
pouco resta para dizer ou para escrever. Contudo, os nossos mais sinceros votos de festas felizes! Desejamos a todos uma entrada pacífica em 2014, com grandes filmes para alimentar a nossa imaginação! Positive thinking!
sábado, 21 de Dezembro. E para quem não conseguiu estar presente na nossa sessão ao ar livre no passado mês de Julho, no dia 19 iremos trazer de volta Night Train to Lisbon (Comboio Noturno para Lisboa), de Bille August. Os filmes falam por si próprios,
19 DEZ | NIGHT TRAIN TO LISBON (COMBOIO NOTURNO PARA LISBOA) - Bille August - Alemanha/Suíça/Portugal 2013 (111’) M/12 21 DEZ | “O DIA MAIS CURTO” - 10 CURTAS METRAGENS EUROPEIAS Vários - Europa 2000 - 2013 (89’) M/12 26 DEZ | IO SONO LI (SHUN LI E O POETA) - Andrea Segre - Itália/França 2011 (98’) M/12
Espaço AGECAL
Cultura em meio rural d.r.
Emanuel Sancho AGECAL
Para a população rural, o sentimento permanente da sua condição marginal parece ter sobrevivido até aos nossos dias. Compreensivelmente, as cidades maiores sempre exerceram a sua natural hegemonia. Aí estavam os poderes político, religioso, as famílias economicamente poderosas, muitas vezes com acção mecenática importante, e os estrangeiros residentes, às vezes cultos, mas sempre ligados aos negócios mais rentáveis. Aí se ergueram teatros e mais tarde cinemas. Fundaram-se clubes e associações, onde as elites culturais desempenharam um papel fundamental na dinamização cultural citadina: os saraus, os concursos literários, as palestras. Também no meio rural, as pessoas procuravam organizar-se. Contudo, o panorama era diverso:
Cestaria em cana, actividade exercida pela população rural construíam-se réplicas simplificadas do que se via na cidade com os clubes e sociedades recreativas a organizarem bailes ao fim de semana e a instituírem bibliotecas populares que pouco mais eram
do que umas prateleiras de livros fechados à chave. Algumas famílias destacavam-se no gosto pela leitura, pela música tocada ao piano ou ouvida na grafonola. Paralelamente havia (e há) a chamada
cultura popular: um conjunto de saberes nascidos quase sempre da luta diária pela sobrevivência que persiste na memória das pessoas. São disso exemplo a poesia, a música e um instrumental próprios que chegaram aos nossos dias. Neste ponto da reflexão convém referir a clara dificuldade em se estabelecerem os limites entre o rural e o urbano, conscientes que, tanto na cidade como no campo, as duas realidades convivem lado a lado. Talvez a predominância seja o factor chave deste difuso jogo de relações. Por isso, a provocação deliberada do uso que fazemos - quase indiferenciado destes conceitos/contextos sociais. Desde há muito que as elites culturais passaram a interessar-se pela cultura popular, promovendo incursões e “recolhas” que terminavam sempre nas reservas e arquivos dos museus e universidades. Também, como acontece frequentemente com as manifestações culturais em geral, o poder político sempre procurou usar-se delas em seu favor, moldando-as aos seus interesses. Exemplo paradigmático desse fenómeno é o caso do movimento folclórico que chegou aos nossos dias.
Apesar das múltiplas abordagens exteriores, a identidade rural sempre teve a consciência da distância que a separava do poder, vendo nisso inconvenientes mas, por vezes, também algumas vantagens. E nos nossos dias? Existirá ainda uma identidade rural e um modo de vida próprio capaz de reflectir nas suas raízes e, a partir daí, produzir valores e cultura para o tempo presente? Sabemos que o esquema de relações entre a cidade e o campo alterou-se profundamente. Entre a globalização e a massificação dos nossos dias, as economias rural e urbana aproximaram-se em muitos aspectos, mas isso não reduziu os contrastes que sempre existiram entre elas. A cultura citadina foi ao campo e de lá trouxe o que melhor lhe aprouve. Ao invés, sabemos que ainda hoje o rural vive fascinado pelo brilho da cidade. Ouvimos hoje falar do “regresso à terra”, das “slow cities”, da dieta mediterrânica, do património cultural imaterial e sentimos, os rurais, afinidades bastantes com estes movimentos culturais emergentes. Serão os sinais de um despertar assente nos valores de uma cultura própria?
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Cultura.Sul
Panorâmica
Ondjaki: mais do que o escritor, o homem e o pensador O pseudónimo que usa para a arte da escrita é Ondjaky e é sob este nome - cujo significado, entre outros, é guerreiro - que assina vários livros premiados ao longo dos últimos anos até chegar a 2013 e ser escolhido para ganhar o Prémio José Saramago, atribuído pela Fundação Círculo de Leitores. Depois de em 2000 ter arrebatado a Menção Honrosa do Prémio António Jacinto pelo seu primeiro livro de poesia “Actu Sanguíneu”, soma-lhe com o livro de contos “E se amanhã o medo”, em 2005, o Prémio António Paulouro, a
que acrescenta em 2007 o Grande Prémio APE fruto da obra “Os da minha rua”. Três anos depois, em 2010, é a vez de o livro “AvóDezanove e o segredo do soviético” ser reconhecido com Prémio Jabuti na categoria juvenil. A escrita para os mais novos volta a garantir-lhe o reconhecimento com o Prémio Bissaya Barreto 2012, na sequência da obra “A bicicleta que tinha bigodes”, também distinguida, no Brasil, com o Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Não espanta, pois, de todo, que Ondjaki tenha ganho, com a obra “Os transparentes”, o Prémio José Saramago, afinal, está traduzido em mais de uma dezena de idiomas e há muito que o reconhecimento o coloca entre os nomes mais sonantes da escrita angolana da actualidade. Depois de uma visita que o Cultura.Sul acompanhou às escolas olhanenses do Agrupamento Professor Paula Nogueira, onde Ondjaki arrebatou os alunos com uma impressionante veia de contador de histórias e uma rara capacidade de comunicação, conversámos com o escritor, mas ouvimos também o homem, Ndalu de Almeida, e o pensador sobre a realidade africana e mundial. “Os Transparentes”, uma incursão para fora da ficção pura Escrever é também um acto político e se até agora, como o próprio reconhece, Ondjaki, se detinha na “ficção pura”, com “Os Transparentes” o escritor traz-nos uma história literária, cheia de factologia sobre a Luanda dos dias de hoje e em larga medida sobre Angola e o mundo da actualidade. “Há [em “Os transparentes”] um manancial de informação sobre Luanda que eu tenho e usei para contar uma história que é literária, mas que permite abrir caminhos para o debate e que apresenta premissas para a discussão sobre aquilo que eu chamo de abandono do outro, seja o abandono crescente que temos uns face aos outros enquanto cidadãos, seja o abandono dos políticos em relação
ao povo”, refere Ondjaki. “Há este abandono a que temos que dar atenção e que não podemos de todo ignorar”, refere, defendendo que não podemos ser transparentes, na medida em que não podemos ser ignorados, nem ignorar quem está ao nosso lado. “Não é um abandono que seja exclusivo de Angola, isto é um facto, é uma realidade generalizada, muito embora no livro o que se aborde seja Angola”, sublinha. Democracia a cada quatro anos “Esta coisa a que chamamos democracia, tornou-se uma realidade em que se convocam as pessoas de quatro em quatro anos para cumprir uma agenda eleitoral e depois não queremos saber, só voltamos novamente a querer saber delas daqui a quatro anos”, remata. Há, entende o escritor, um alheamento de parte a parte que não é positivo e que condiciona o presente, mas também o futuro e dá o exemplo: “basta vermos o que acontece nas principais cidades dos países africanos que neste momento não estão em guerra e que beneficiam de uma conjuntura de crescimento favorável. Em Lagos, Cidade do Cabo, Pretória, Joanesburgo e Luanda, por exemplo, há dinheiro e paz e isso fez surgir uma febre de construção civil que na sua ânsia voraz descura o planeamento e ao fazê-lo põe em causa o presente e o futuro daquelas cidades”. “O que importa é construir e negligencia-se o planeamento urbano e daqui a 20 anos não teremos argumentos para termos cidades atractivas e competitivas por exemplo na área do turismo”, diz o escritor, que antecipa que, “daqui a 20 ou 30 anos todos já foram a Londres, Madrid ou Nova Iorque e vão querer descobrir as capitais africanas como Luanda que tem uma arquitectura colonial que importava preservar, quer do ponto de vista histórico, quer do ponto de vista turístico. Se não planificarmos o urbanismo e salvaguardarmos o património, nessa altura nada teremos para mostrar, o que nos fará ser pouco apetecíveis como destino turístico”, conclui.
Cultura.Sul
“Temos que pensar em que termos devemos definir o presente e em que medida é que as decisões que tomamos definirão também o futuro”, entende o escritor, que vê a participação cívica como a forma por excelência de encontrar as melhores soluções, daí a importância de evitar que os povos se tornem transparentes. Há cada vez mais transparentes no mundo
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“Os transparentes são os transparentes para os poderes políticos e económicos instituídos e são uma vaga crescente em Angola como o são na Colômbia ou no Brasil, onde vivo há quatro anos”. Para Ondjaki, “há uma ideia crescente no mundo, liderada pelos Estados Unidos da América, de que a democracia, tal como a conhecemos hoje, independentemente de estarmos perante um regime parlamentar, presidencialista ou semi-presidencialista ou qualquer outro, é um sistema ideal”. “Não acho que seja, acho que é mais interessante do que certas ditaduras, porque há uma certa representatividade, mas não creio que seja um regime perfeito e fechado sobre a sua perfeição”, defende o escritor, que aposta noutro rumo, “acredito cada vez mais nos poderes locais e na proximidade destes com os cidadãos e com as suas necessidades básicas, que só podem ser satisfeitas através de um sistema que as conheça, algo a que a actual democracia não responde, porque existe uma enorme distância entre os cidadãos e os círculos da decisão política”. “Temos que chegar ao poder local ao nível do nosso bairro, da nossa rua, e temos de ter interlocutores válidos na base do sistema político. É importante a eficiência do poder local e é fundamental a sensação de que quem manda somos nós, os cidadãos”, preconiza. “Por outro lado, a democracia, tal como a conhecemos e a despeito das regras de limitação de mandatos, continua a ser terreno fértil para a criação e perpetuação de poderes”, diz o novo Prémio José Saramago. “É claro
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que depois de eleito bastam dois ou três anos para construir uma rede que permita que estando ou não no poder mantenha uma situação de favorecimento pessoal ou do meu partido ou grupo”, refere Ondjaki. Democracia 1.0 “O que defendo é que nos devemos manter alerta, seja do ponto de vista político, seja filosófico, quanto a todas estas questões e quanto às suas implicações e para isso é fundamental preservar e fomentar a ideia de que a democracia também ela tem de sofrer upgrades”, sublinha. “Estamos na democracia 1.0 e não podemos acreditar que chegámos a uma solução suficiente, há lugar para uma democracia 2.0 e 3.0 e por aí em diante. Há sempre lugar para melhorias”, remata. “No mundo global a democracia é vendida sob medida de acordo com a vontade de alguns imposta a milhões, a democracia é exigida ao Iraque de forma diferente daquela que é exigida à China ou à Coreia do Norte. Os Estados Unidos da América lideram este discurso e a Europa embarca volta e meia no mesmo barco pouco sério”, lembra Ondjaki, defendendo que “nós somos o elo de ligação entre o animal e o homem social e político, não somos o fim da evolução, somos apenas um dos seus momentos. Com a democracia é o mesmo, não é o fim é um caminho e não podemos dar-nos por satisfeitos”, conclui. “A realidade que se vive em Angola não é neste capítulo muito diferente daquela que se vive em Portugal, na Itália, no Brasil ou nos Estados Unidos da América”, refere o escritor. “Por isso é que digo que há corrupção em Angola como há em qualquer outra parte do mundo e defendo que não se deve criticar a corrupção em Angola com se fosse um exclusivo nosso, somos apenas mais um país com a sua corrupção típica. Em Angola é mais gritante? Talvez seja, mas na China também o é e sobre a China ninguém ao nível das esferas do poder fala”, diz Ondjaki.
Em “Os Transparentes”, segundo o autor, a personagem Odonato “é a personificação da transparência, é um personagem ingénuo que acha que é possível fazer coisas em Luanda sem dinheiro, quando até uma criança sabe que para fazer coisas em Luanda é preciso dinheiro e que é necessária uma conversa paralela à conversa principal e ao sistema para se conseguir alguma
Unidos da América há casos de pessoas que quiseram ser verdadeiramente de esquerda e que vão perdendo tudo e vendo as portas fecharem-se sucessivamente, mesmo quando Barak Obama está no poder e se diz ser um presidente de esquerda”. O olhar do escritor é uma mirada analítica sobre a sua Angola, mas sobre este que é o seu mundo e sobre o cami-
nificativo que não aguento com ele sozinho e dividi-o com Angola” sublinha. “Por outro lado, o prémio é de Angola na exacta medida de que este é um livro também sobre Angola em que o que tento também é chamar a atenção dos Angolanos convidando-os a ler o livro e a tentarem descobrir se ali encontram razões para conversarmos todos sobre o país”, diz. fotos: ricardo claro
Ondjaki conquistou os estudantes olhanenses coisa”, lembra. A Luanda de hoje vivida por Odonato “Este é o nosso modus vivendi actual, que espero seja provisório e que é fruto de toda uma soma de factores onde se incluem 500 anos de ocupação, quase 40 anos de várias guerras civis, contra os portugueses, contra a ocupação sul-africana, marcado pelos efeitos das disputas associadas à guerra fria. Angola é um país que de facto só está em paz há 12 anos”, recorda o escritor. “Estamos no começo das coisas e é um começo interessante, começamos com dinheiro, com um sistema político que não sei se é uma democracia mas é pluripartidário”, refere Ondjaki, questionando retoricamente sobre “onde é que existe democracia, nos Estados
“COMMON GROUND” 7 DEZ | 21.30 | Cine-Teatro Louletano Mazgani, escritor de canções, cantor e guitarrista, regressa a Loulé com um espectáculo intimista integrado numa digressão que está a percorrer o país, celebrando a sua música de geografias muito personalizadas
nho que trilhamos e como há tudo ainda por descobrir e por aprender a fazer melhor, de forma mais justa e participativa. É esse o desafio que Ondjaki deseja que “Os Transparentes” lance aos angolanos, como aos portugueses, como a qualquer cidadão de qualquer país. Para isso conta já com o peso e a voz que ganha quem é um Prémio José Saramago e o escritor tem disso consciência. “Este prémio é de Angola porque eu ainda estou numa fase em que preciso de dividir os prémios com o meu país”, diz Ondjaki. “Eu formei-me em Angola enquanto indivíduo, estudei sempre em Angola em escolas públicas. Eu tenho essa proximidade com esse universo pessoal que é o meu e inclui Angola e neste caso, que é um prémio muito importante, era impossível não o dividir com o meu país, é tão grande e tão sig-
“Quando me falam sobre Angola e a política em Angola e a realidade angolana, o que sempre digo é que temos que reivindicar o direito ao debate, ao espaço de discussão das ideias”, reforça o escritor. “Esse deve ser o nosso principal propósito no panorama actual, debater. Em Angola já se pode falar, até se pode falar, só que ninguém ouve. O problema é que os interlocutores que deveriam ser os primeiros a ouvir a a responder porque têm especiais obrigações sobre cada tema discutido, ignoram a discussão e passam ao lado do debate como se nada tivesse a ver com eles”, conclui. A lusofonia Para Ondjaki não existe uma lusofonia plena. “Mantenho esta opinião porque ainda não vi uma realidade que me fizesse
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ter uma opinião diferente”, refere o escritor. “Existe sim um espaço afectivo da língua portuguesa, para o bom e para o mau. Quanto a uma lusofonia que permita antever um espaço económico comum não há no médio ou longo prazo nada que indique essa possibilidade, para além de alguns pequenos privilégios absolutamente incidentais, nem existe ou se pode antever um verdadeiro espaço político e de cidadania comuns” diz. “Se perguntarmos a qualquer escritor, já não digo a outros quaisquer profissionais, o que é a CPLP?, a resposta é a de que se trata de um grupo de políticos que se reúne em bons hotéis para assinarem qualquer coisa de pouco relevo em termos do que poderia ser feito em prol dos povos lusófonos”, refere o autor. Mesmo a expressão lusofonia é, diz Ondjaki, “em regra aplicada para definir pessoas de países africanos e apenas isso, Timor fica tão longe que mal se ouve falar a respeito, Portugal é Europa, o Brasil é Brasil porque é um poderio emergente e lusófonos somos nós, os africanos”, sublinha. Por isso, diz, “para muitos africanos lusofonia é vista com desconfiança, como a tentativa de recuperar um espaço onde o gigante económico é o Brasil, que pouco se importa com lusofonia, o epicentro é o anão Portugal, que tenta recuperar espaço político de manobra no sentido de ganhar alguma influência, Angola é o segundo país em termos de relevo económico, mas que tem uma atitude de indiferença face à lusofonia, e o resto é o resto. “Se queremos brincar aos primos vamos brincar a sério”, diz o escritor e remata com um exemplo que é vivido na própria pele: “é inadmissível o que os cidadãos lusófonos ainda têm que fazer para circularem e se estabelecerem livremente em qualquer dos países lusófonos. Só isto basta para sabermos que estamos longe de ser uma comunidade na verdadeira acepção do termo”. Ricardo Claro
“ESPECTÁCULO DE NATAL” 6 e 7 DEZ |19.30 | Centro Cultural de Lagos Apresentação de diversas coreografias interpretadas pelos alunos e professores da Escola de Dança de Lagos, das seguintes modalidades: ballet clássico, iniciação à dança, dança contemporânea, dança moderna, dança do Egipto, flamenco, hip hop, entre outras
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Cultura.Sul
Letras e Leituras
O fantástico mundo encantado de Juliet Marillier
Paulo Serra
Investigador da UAlg associado ao CLEPUL
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Juliet Marillier, nascida em 1948, na Nova Zelândia, é uma daquelas escritoras que, na senda de damas como Marion Zimmer Bradley, está a tornar-se uma autora de culto do género fantástico. É claro que escritores que lançam um livro por ano podem ser discutíveis, tal como se podia aqui discutir se todo o tipo de obras do género fantástico cabe efetivamente nesse magnânimo e sempre estranho campo do que é a literariedade. Mas a verdade é que todos nós temos os nossos próprios prazeres culposos (soa muito melhor em inglês: «guilty pleasures», mas estava a tentar evitar estrangeirismos). Por isso é tão irritante quando certas pessoas andam em transportes públicos com livros forrados de um horrível papel celofane, como quem embrulha uma sandes. Talvez por terem vergonha de revelarem o que estão realmente a ler? Bem, assumo a minha quota parte de culpa. Tenho autores para todos os gostos, mas também sou um adepto desta senhora que, a cada novo livro, consegue surpreender-nos, ainda que ligeiramente, com uma fórmula previamente estereotipada. Que é como dizer, por exemplo, que quando se ouve um álbum de Enya ela consegue sempre a proeza de se igualar a si mesma. Todavia, há sempre autores (e pessoas), iguais a si próprios, e que valem por isso mesmo, alimentando certos prazeres de pura fruição estética, em que podemos regressar a um mundo que se vai revelando cada vez mais familiar, como quem chega a casa e se encosta num sofá com uma manta e uma chávena de chá. Ainda mais agora, quase em pleno Inverno, é reconfortante podermos contar com o último romance desta autora neozelandesa, cujas paisagens desse ambiente inóspito e primitivista parecem ressaltar nas suas páginas e talvez igualar-se ao mundo céltico dos seus livros, transportando-nos a um sentimento de princípio dos tempos, em que os homens já se organizam em sociedades tribais e clãs, mas são ainda as mulheres quem tece os fios do destino, interligando assuntos
deste mundo e do outro. A ascendência de Juliet Marillier é escocesa e irlandesa, tendo enveredado pela música, ensinando, interpretando, e trabalhando depois, durante cerca de 13 anos, em agências governamentais como a Commonwealth. Até que em 1999 a sua vida muda com Filha da Floresta, livro em que é mais claramente notória a inspiração que a autora bebe em lendas célticas com a fantástica história de uma jovem que tem de salvar os seus sete irmãos transformados em cisnes por meio das artes maléficas de uma terrível feiticeira. Sendo bem recebida por leitores e críticos entre o público leitor anglófono, seguiram-se outros dois volumes da saga em menos de dois anos. Em 2003 dedicou-se completamente à escrita, e enveredou ainda mais longe no folclore das ilhas gaélicas e terras nórdicas, presenteando-nos com Filho de Thor e Máscara de Raposa. Consegue ainda ter tempo para acarinhar quatro filhos e seis netos, e ter transformado a sua casa de campo centenária, na Austrália, num asilo para cães abandonados. É também membro da ordem druídica, sendo claramente notório um espiritualismo associado ao tom elegíaco das suas histórias de jovens donzelas que, sem se aperceberem bem disso, são postas à prova, e vencem as adversidades com a natureza singela de um espírito indomável. Nestes livros, que não são livros mas sim trilogias, o tom é quase o mesmo, mas estas jovens têm sempre características marcantes e personalidades vincadas, que ajudam a demarcá-las de entre um bando de irmãs e primas, pois acabam muitas vezes por se tecer relações entre a complexa rede de famílias e romances. Os seus romances combinam ficção histórica, fantasia e folclore, lenda e romance, porque, felizmente, estas jovens encontram sempre um amado improvável no decurso das suas viagens e aventuras. Mesmo em A Vidente de Sevenwaters, único livro em que se defende que a castidade é fundamental para manter o dom intacto da jovem rapariga, a jovem psíquica acaba por conseguir conciliar o seu dom com o seu amor. Com Shadowfell, um dos poucos títulos não traduzidos para português, foi iniciada outra nova trilogia (ainda que tal não tenha ficado claro nem no início - e provavelmente nem no fim -, mas agora a culpa é das editoras
que andam a publicar ao desbarato, saltando a ordem de certos volumes e sem esclarecer que pertencem a um conjunto maior), agora retomada com O Voo do Corvo. Ainda que a autora tenha protelado esse hábito, retoma na continuação da saga a mesma protagonista. A jovem Neryn prossegue a sua jornada, com a missão e o fardo de ser uma das poucas Vozes que ainda restam, capaz de ver os chamados Boa Gente, que povoam o Outro Mundo, como donzelas das florestas e criaturas feitas de galhos d.r.
Juliet Marillier é autora de várias obras de literatura fantástica e rochas, com longos toucados onde se enredam ninhos e aves. Pode assim tornar-se uma estratega ou diplomata essencial num mundo em guerra, pois como quase sempre o ambiente fantástico remete-nos para um mundo medievalizante. Temos, inclusive, como forma de espreitar o mundo da desordem e disputa masculina, o apaixonado de Neryn, Flint, que vive na corda bamba enquanto espião du-
“UM NATAL MAIS ECOLÓGICO” Até 31 DEZ | Galeria de Arte Pintor Samora Barros - Albufeira Exposição de trabalhos executados pelos estabelecimentos de ensino, lares e centros de dia do concelho que a partir da utilização de materiais reciclados aceitaram o repto para produzir diversas peças originais
plo, e conduz-nos ao seio do grupo de Rebeldes que se constituiu à margem da corte. Apesar de Neryn e Flint não estarem tão próximos fisicamente como no volume anterior, em que a proximidade e convivência eram eivadas da desconfiança dela em relação a ele, julgando-o um inimigo, desta feita, agora que se distanciam fisicamente, o amor entretanto desabrochado com um beijo roubado nas últimas páginas,
tornou-se tanto mais forte quanto a distância aberta entre os dois. A força do sentimento que os une não deixa, no entanto, margens para dúvidas, até porque se comunicam em sonhos... São reveladores e inovadores os episódios protagonizados por Flint, que nos permitem entrar na corte e conhecer melhor o rei Keldec. Pode até tornar-se desconcertante observar a duplicidade deste agente infiltrado, empenhado em ganhar a confiança do monarca, mesmo quando se pressente que afinal não são os políticos que dão a cara os verdadeiros culpados, mas sim outras “Vozes” conselheiras. O estilo da autora é escorreito e detém-se nos meandros da natureza humana, dos receios e esperanças, mas sem nunca cair, mesmo sendo as personagens jovens quase-mulheres, em tom lamechas. Transporta-nos para os contos tradicionais da nossa infância (isto fica bem de dizer mas a verdade é que muitos de nós não tivemos esse prazer na nossa primeira fase de vida), dentro de um estilo muito característico da autora, que, como dizia no início, nos permite sentir o embalo e um marulhar ritmado que nos permite evadir por momentos da realidade mais crua para mergulharmos nos recessos do nosso coração. Afinal, homens ou mulheres, não somos todos jovens donzelas em perigo, muitas vezes divididos pela angústia das nossas próprias escolhas e desejos?
“LAGOS, OS ESPELHOS DA MEMÓRIA” Até 31 DEZ | Centro Cultural de Lagos Procurando dar realce ao acervo da Fototeca Municipal de Lagos a câmara local apresenta um conjunto de fotografias e postais ilustrados incidindo sobre a primeira metade do séc. XX. São imagens que retratam a cidade e os arrabaldes
Cultura.Sul
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Momento
“Adeus” Foto de Vítor Correia
Espaço ALFA
Cor e criativiade de mãos dadas em mostra fotográfica A ALFA – Associação Livre Fotógrafos do Algarve vai dinamizar no primeiro semestre de 2014, uma mostra fotográfica onde a criatividade e as cores primárias são as musas inspiradoras e os participantes podem demonstrar todo o seu talento. Podem participar nesta iniciativa fotógrafos amadores, sócios e não sócios que são convidados a enviar uma foto por mês independentemente do tema, tendo sempre presente as cores primárias: branco, vermelho, verde, azul, amarelo, preto, que vão mudando mês após mês. E agora? Pois é bastante simples. Para Janeiro a cor eleita é o branco e devem enviar as fotografias durante o mês de Dezembro. Branco é fotografar as férias de Natal da família numa estância de esqui, fotografar a neve na Serra da Estrela, é aquela foto da noiva, é a magia das amendoeiras em flor, é fotografar as cegonhas, o papa Francisco, é a paz. Tudo é possível. Mais ainda, em fotografia, balanço de cores refere-se aos ajustes que são efectuados pelo fotógrafo ou pela câmara fotográfica para se obter
imagens com fidelidade de cores próximas àquelas que os objectos apresentam sob iluminação ideal. O júri escolherá a imagem vencedora do mês. A foto será publicada no início da página de internet www. alfa.pt, identificada com o nome do autor e a cor correspondente. Além disso, será divulgada como foto premiada no facebook, na newsletter e restantes canais da associação. As restantes fotos serão também colocadas na internet com link a uma página correspondente à mostra fotográfica. A mostra é de acesso gratuito a todos. A intenção é demonstrar os novos talentos fotográficos. Para participar basta enviar a fotografia para o endereço mostra.fotografica. alfa@gmail.com com o teu nome completo e o número de sócio, caso aplicável. No final será realizada uma exposição na Galeria ARCO em Faro com as fotografias vencedoras de acesso ao público em geral. Direcção da ALFA info@alfa.pt
d.r.
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06.12.2013
Cultura.Sul
O(s) Sentido(s) da Vida a 37º N
Dezembro
Pedro Jubilot
pjubilot@hotmail.com canalsonora.blogs.sapo.pt
A Visita fotos: d.r.
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São quase três da tarde e há muito barulho no antigo café do centro da cidade onde espero o Jaime. Entretenho-me a ler uma revista do jornal de domingo enquanto ele não vem. Pouco depois chega. Toma uma bica, acende um cigarro lights e diz simplesmente: Vamos?! Vamos visitar os pais como quase todas as quartas à tarde. Também costumo ir sozinho quando me apetece. Acho que ele faz o mesmo. Deixamos os carros estacionados no centro, junto às ruas das lojas e dos cafés. Fazemos o caminho a pé. Porque é perto e porque gostamos de ir assim um ao lado do outro, vagarosamente, conversando. Amanhã deve vir muita gente, comenta o Jaime. Pois. É feriado. É natural. As pessoas aproveitam, vou murmurando. Então e que tal de semana? Não trabalhas hoje, pois não!? Ontem pensei que não me ias ligar, que tivesses ido para Lisboa, Sevilha ou… Não! Não! Continuas sem ser aumentado… precisas que te empreste algum? Não!, respondo de novo. Que tens hoje? Estás aborrecido? Apenas sonolência de meio de tarde neste clima esquisito. Foste sair ontem à noite, é o que é, diz sorrindo. Sim. E depois fiquei a ler até quase de manhã, confirmo-lhe. Chegamos ao portão. Há bancas a vender flores e lamparinas e outras coisas que não sei
o que são. Quase nunca trazemos flores. Queres levar flores? Não! Mas dá qualquer coisa àquele homem ali. Aponto-o com um gesto de cabeça. O homem disse obrigado ao Jaime, e mais qualquer coisa que não entendi, e continuamos o trajecto até à campa onde estão enterrados juntos. Sentamo-nos numa pedra ali ao lado e cada um de nós deixa-se ficar a falar com eles em silêncio. Às vezes também falamos os dois em voz alta, mas hoje está muita gente em volta. E apenas nos despedimos: Adeus pai! Adeus mãe! Até depois. Que o meu irmão repete. E vamos embora. Lá fora confesso-lhe: Tive muitas saudades dos dois esta semana, mais do que nunca. O Jaime não responde e passado um bocado pergunta-me se já não ando com aquela rapariga que conheceu há uns meses. Não! Foi trabalhar para Lisboa, informo-o. Queres ir lá jantar hoje? Recuso o convite. Vou jantar fora com o Mário e o Filipe… Então aparece lá amanhã. Está bem. Depois telefono-te. Ele entra no carro, baixa o vidro automático e dá-me um cd. Eu agradeço enquanto ele liga o motor. Depois diz: Ah! É verdade… a Carla foi hoje ao médico. Vou agora buscá-la. Acha que está grávida. Não temos primos, tios, nem avós. Isso acontece. Não estou a divagar, nem a inventar. É de facto assim. Ele tem a mulher com quem vive. São uma família. Eu tenho-o a ele. Mesmo só duas pessoas podem ser uma família.
Paco de Lucia
deixar ver de um lado o Mar Mediterrâneo e do outro o Oceano Atlântico; para avistar a sul o começo da terra de África, e do outro encontrar a velha Europa. Todas estas dicotomias criaram a sua vincada personalidade humana e artística contagiada pelo ritmo nervoso e histérico do flamenco, mas que é no entanto uma expressão ao mesmo tempo triste, representando como que o grito dos obstinados. É que, quando ouvimos flamenco, esta música ao contrário do que possa parecer, não é só fiesta, mas é também introspecção, é melancolia e fado, só que apresentada doutro modo. Há guitarra, e há canto com origens árabes. É também (para além de bem) mal de vida. Paco (Francisco, filho) de Lucia, tinha pela sua progenitora um amor inabalável. Dedicou-lhe dois dos seus trabalhos: «Castro Marin» (1987,philips) e «Luzia» (polygram 1998), tocados através das recordações dos olhos e das palavras da mãe, que há muito deixara a villa vieja da infância.
“CONCERTO DE NATAL” 21 DEZ | 21.30 | Cine-Teatro Louletano O cantor Nuno Guerreiro, emblemático vocalista da Ala dos Namorados, volta a pisar o palco da sala de espectáculos da cidade que o viu nascer e irá entoar algumas canções de Natal, bem como os grandes êxitos do grupo
Litão
Estofo de Maré fecharam já todas as livrarias da cidade estão simplesmente de portas e montras cerradas, ao pó das horas ou outros comércios tomaram as suas prateleiras encerraram as salas dos cinemas da cidade ficam agora os assentos das cadeiras muito tempo colocados na vertical ou esperam por acontecimentos efémeros vagueio junto ao molhe da doca da cidade o único lugar ainda dedicado à poesia das imagens e das palavras resta essa biblioteca litoral que respira do mar
… as águas
De seu verdadeiro nome Francisco Sanchez Gomez (21.12.1947), teve pelo lado paterno o espanhol Don António Sanchez, homem de muitos ofícios, entre eles o de guitarrista. Pelo lado materno, estava Luzia Gomes, portuguesa, natural da vila de Castro Marim, ali junto ao Guadiana, onde o grande rio do sul separa o Algarve da Andaluzia. Paco de Lucia nasceu em Algeciras. Ali mesmo onde o mar estreita, para
de irem para a cama. No dia seguinte Sílvia, David e José preparam fatias douradas para a mesa do pequeno-almoço quando ouvem os passos arrastados de Maria. Bom dia mãe! Estávamos à tua espera. Vem ver as prendas. Bom dia! responde estremunhada. Pergunta: que dia é hoje? Hoje é dia de… Esperem lá meninos… acho que me rebentaram as águas.
Depositam ali mesmo no hall de entrada, o pequeno pinheiro, as pinhas resinosas e o azevinho que carregavam nos braços, mas com o cuidado necessário para não sujarem os sacos azul claro e castanho ali já prontos para quando muito em breve o momento chegar. Ao serão o pai coloca uma rodela de vinil no prato do gira-discos. Poisa-lhe a agulha nas estrias exteriores. Recosta-se feliz a escutar enquanto os miúdos decoram a árvore. Penduram-lhe enfeites coloridos e depois fazem uma coroa de azevinho colocando-a sobre a porta da sala. A brincadeira resulta em cheio. Quando a mãe se assoma à porta, para dizer que vai para o quarto descansar, pára sob o arranjo. Logo o pai se levanta e dá-lhe um beijo na boca. Como numa tradição estrangeira que aprenderam num filme. Mas eles também querem a sua parte de mimo antes
Ali em Olhão, no dia da noite de natal (ou quando o filho de Olhão quiser) já o litão (peixe seco, a que os autóctones também chamam peixe de couro) foi demolhado e está pronto para ir para o tacho, como prato principal típico da ceia nesta terra de pescadores. Um pouco de azeite, cebola, dentes de alho picados, tomates sem peles nem sementes, salsa, um pouco de filha de louro; batatas cortadas às rodelas; litão. Tempera-se com sal e pimenta, acrescenta-se muito pouca água, tapa-se o tacho e deixa-se cozer. Ele há quem não goste… Mais sobra! E de um dia para o outro ainda está mais apurado. À nossa!
Praia de Alvor No fim do ano as pessoas procuram as pequenas localidades costeiras a sul. Dizem que por aqui os dias são maiores, mais claros, mais brilhantes… mas sobretudo mais quentes. E isso permite-lhes pensar melhor sobre o tempo dos dias que se foram e do que farão no tempo dos que virão. Sei que quando chega esta altura do ano páras de trabalhar, mas não páras de pensar. Até páras só para pensar e não trabalhar. E escolhes o destino que te atulha a alma de uma irremediável saudade de estio. Da costa que te serve de ancoragem. O aqui, onde sabes que sempre estou.
“SENTINELAS DE OLHÃO” Até 31 MAI 2014 | Museu Municipal de Olhão Exposição composta por oito painéis e duas réplicas de torres, cuja temática é centrada num conjunto de estruturas militares de carácter defensivo
Cultura.Sul
06.12.2013
Espaço ao Património
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Sala de leitura
A Arqueologia no concelho de Olhão Fast-books
Hugo Oliveira
Técnico superior na área de Arqueologia, na Câmara de Olhão
Localizado sensivelmente a meio da Ria Formosa, o concelho de Olhão, tem vindo a ganhar o seu espaço como destino turístico no Algarve. Este aumento no fluxo de turistas, deve-se sobretudo à beleza natural proporcionada pela Ria Formosa, à sua gastronomia composta por uma variedade de sabores, à singularidade da arquitectura de expressão cubista, mas também, à diversão proporcionada pelos grandes eventos, que animam as noites quentes de Verão. Para muitos, a realidade cultural do concelho de Olhão é apenas esta; a face mais visível, o lado mais mediático. Quem vive ou trabalha em Olhão, lerá esta afirmação com alguma desconfiança, pois reconhece uma outra realidade inegável. Foi feito um claro investimento em infra-estruturas culturais: o Auditório, a Biblioteca, ou o Museu Municipais, serviram de rampa para o surgimento, de um certo sentimento de “necessidade cultural ”. Estes equipamentos deram a conhecer outras realidades, e formaram novos públicos cujo gosto não se cinge só ao binómio sol/praia – este público aprecia teatro; vai a exposições e assiste às apresentações de livros de uma forma bastante regular.
Cristina Araújo: a carta arqueológica de Portugal. Este importante trabalho não esqueceu o território olhanense. Na verdade, deu-lhe uma nova perspectiva cronológica, localizando não só sítios de cronologia romana, presentes em maior número em levantamentos anteriores, mas acaba por situar outros cronologicamente mais antigos, como é o caso da gruta da Ladroeira Grande, até então desconhecidos da comunidade científica. Outro exemplo, são as referências às épocas medieval islâmica e cristã, através da identificação de um conjunto de estruturas de carácter defensivo – as
menos aprofundados, têm no entanto, ajudado a completar o mosaico arqueológico do concelho, sendo uma parte importante do trabalho científico. O quadro geral de trabalhos de investigação arqueológica do concelho que tentamos traçar, não se cinge, contudo, ao meio terrestre. Em 2006, inicia-se o estudo da Fortaleza de São Lourenço. Um sítio arqueológico, construído em meados do século XVII, e que se encontra situado em plena Ria Formosa, junto à actual barra velha. A especificidade da localização deste sítio levou à intervenção de uma equipa especializada foto: h.o.
Paulo Pires
Programador Cultural no Departamento Sociocultural do Município de Silves esteoficiodepoeta@gmail.com
Bem mais saudáveis do que a fast-food, os micro e-books estão aí para ficar. Basta deambular pela Internet para perceber que a short reading, inspirada nos singles musicais, está ganhando nos últimos tempos um crescente impacto junto dos amantes da leitura e das novas tecnologias. Numa era em que abundam os conteúdos curtos, fragmentados, precisos – é pertinente a analogia com um postulado da Física: maior brevidade = maior intensidade –, os “singles de ler” (como são apelidados no Brasil) ou mini e-books (nos EUA) revelam bem como os hábitos de leitura de muitos indivíduos têm vindo a incorporar a chamada snack culture,
Basta atentar, por exemplo, na organização TED, a qual fomentou algumas das primeiras publicações deste tipo, replicando assim a abordagem sintética dos seus mediáticos talks. Os chamados TED BOOKS são produzidos a partir das conhecidas conferências e apostam na originalidade, provocação e criatividade, estando vocacionados para a difusão de ideias inovadoras e cativantes. Apresentam uma média de 20 mil palavras por e-book, tamanho suficiente para, na opinião dos promotores, produzir uma narrativa poderosa e atractiva e, ao mesmo tempo, passível de ser lida de uma assentada. No site da Amazon os KINDLE SINGLES estão também a ganhar crescentes adeptos. A um preço unitário muito barato, pode aceder-se na store da KINDLE a publicações em áreas como Arte & Entretenimento, Ensaios e Ideias, Ficção (categoria com maior número de oferta), História, Humor, Sociedade, Ciências, entre outras. Este formato pretende divulgar ideias e temas realmente persuasivos, criteriosamente pesquisados, bem arquitectados e com uma ilustração de qualidade. Além dos mini e-books que já foto: d.r.
Os primeiros passos A arqueologia, por seu lado, está muito longe destas realidades. De uma forma geral, os primeiros trabalhos de cariz arqueológico têm início no séc. XIX e XX, com Estácio da Veiga e Santos Rocha. Estes dois arqueólogos iniciaram um levantamento exaustivo do potencial arqueológico no actual espaço do concelho, com especial incidência no período compreendido entre o séc. I e IV d.C.. Desta época, localizaram estruturas e vias de comunicação e recolheram vestígios materiais da presença humana por todo o espaço concelhio. No entanto, o destaque foi para o estudo daquele que é um dos sítios mais emblemáticos e menos conhecidos do Algarve em contexto da presença latina, desde o séc. I. d.C.: a Quinta de Marim. A realidade arqueológica e científica actual Em meados da década de noventa, do século XX, o então Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPA), realizou um levantamento dirigido por Teresa Marques e Ana
Atalaia Quinhentista de Bias torres de Atalaia – cuja utilização efectiva padece ainda de caracterização. A década de noventa do séc. XX, regista também, um acréscimo, no que respeita aos trabalhos arqueológicos realizados no concelho. No ano de 1998, são levadas a cabo novas escavações na já referida Quinta de Marim, que reposicionam um conjunto de estruturas relacionadas com a produção de garum e outras de carácter religioso. Nos anos seguintes, este local foi alvo de mais três intervenções com resultados muito positivos e conclusivos. O conhecimento do potencial arqueológico do concelho passa também pelo acompanhamento de obras, que se encontrem a decorrer em zonas sensíveis ou de interesse arqueológico. Estes trabalhos, necessariamente
em arqueologia em meio aquático. Este trabalho inédito no concelho, só foi possível, através da formação de uma parceria, entre universidades nacionais e estrangeiras e a Câmara de Olhão. Esta síntese, não reflecte na totalidade o trabalho desenvolvido pelos técnicos de Arqueologia e de Património – na elaboração de uma carta arqueológica do concelho ou no levantamento do património imaterial, só para citar dois exemplos. O longo caminho que ainda falta percorrer, será feito ao lado da comunidade. O diálogo resultante desta união, será certamente bastante positivo, e contribuirá para um conhecimento ainda maior da história de Olhão.
Os Ted Books apostam na originalidade em que predomina o formato M&M’s. Se civilizacionalmente, depois da oralidade dos primórdios, a escrita permitiu conteúdos mais longos e precisos, não tão dependentes da memória, agora chegou o tempo das mensagens curtas, ainda mais precisas, como apontava há tempos um criativo brasileiro. No caso dos singles para leitura, trata-se, geralmente, de textos maiores do que um post/notícia e menores do que uma novela ou conto convencionais, empacotados em formato digital para consumo portátil e de fácil/cómodo acesso, e que podem ser lidos no WC, na cama, nos transportes públicos ou na sala de espera do médico.
nascem, à partida, em formato textualmente reduzido, há ainda editoras que, a nível de estratégia de marketing, têm vindo a apostar gradualmente no lançamento de livros-miniatura (uma espécie de redução inicial ou amostra [teaser] de uma obra mais vasta) para abrir o apetite do público-alvo para o surgimento posterior do “prato principal”. Estas versões curtas ou pequenos trechos são mais baratos e mais rápidos de ler, dando visibilidade antecipada aos autores e criando um inquietante horizonte de expectativa entre os leitores. Isto porque o menos pode, de facto, ser mais…
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Cultura.Sul
Na senda da Cultura
Orquestra Clássica do Sul: a música como palco da responsabilidade social
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A cultura é em si mesma um valor inestimável e a música enquanto expressão cultural também, naturalmente, o é. Nesta perspectiva e por si só a actividade da Orquestra Clássica do Sul é um trabalho de meritório relevo, mas tudo ganha um novo ângulo quando se junta à criação cultural a responsabilidade social e se faz do muito que a orquestra faz em prol dos seus públicos ainda mais. Há um agigantar da herdeira da Orquestra do Algarve que passa por ser, agora, a orquestra de todas as gentes a sul do Tejo e esta majoração do âmbito da orquestra encerra em si um enorme desafio a que os responsáveis da instituição se não fizeram rogados. Sob a direcção artística do maestro titular, Cesário Costa, a orquestra supera as expectativas e procura dar uma resposta à sua nova realidade, ultrapassando aquilo que à primeira vista seriam as responsabilidades de índole social. Prova deste novo estar é a demonstração de uma crescente responsabilidade social da instituição para com aqueles que são no fim de contas o seu público natural e nota disso é o ciclo de concertos Música em Comunidade que a orquestra levou a cabo entre 20 e 22 de Novembro. Pela mão dos músicos da Orquestra Clássica do Sul a música clássica abriu as portas de unidades hospitalares a sul do Tejo e na Andaluzia e deu asas ao encanto e aos sorrisos de quem enfrenta dificuldades de saúde ao som de notas musicais solidárias. Almada, Faro, Beja e Huelva foram os palcos escolhidos pela orquestra para dar início a esta nova forma de abordagem do conceito de proximidade e de aproximação aos públicos. O Hospital de Faro e o Garcia de Horta em Almada receberam um quarteto de cordas que interpretou obras de Mozart, Pachelbel, Schubert e Scott Joplin, com os músicos Laurentiu Simões e Emil Chitakov, violinos, Ivetta Naztkaya, em viola, e Vasile Stanescu, no violoncelo, a serem os protagonistas de momentos únicos. Já o Hospital José Joaquim Fer-
fotos: d.r.
zzz nandes de Beja e o Hospital Juan Ramon Jimenez de Huelva, acolheram um quinteto de sopros, composto pelos músicos Stefania Bernardi, flauta, Eun-Hee Sohn, no oboé, Pedro Nuno, no clarinete, Joaquim Moita, no fagote e Thomas Gomes, na trompa, que deram som a obras de Haydn, Farkas Ferenc e Daniel Léo Simpson. De acordo com a Orquestra Clássica do Sul, este projecto é o primeiro de um conjunto de intervenções no plano social que a formação pretende desenvolver em conjunto com os mais diversos parceiros. Neste caso específico “aproveita-se o papel terapêutico que a música pode ter junto dos diferentes grupos etários abrangidos: crianças, pessoas em cuidados continuados, doentes em geral, bem como profissionais da área médica”. Neste caminho de responsabilidade social para com todos aqueles que são ouvintes potenciais da orquestra, numa busca pela não discriminação no acesso à cultura, a Orquestra Clássica do Sul ‘invadiu’ as enfermarias e fez a música clássica chegar mais longe, a pacientes oncológicos, crianças e jo-
vens em tratamento nas unidades pediátricas.
Imperdível a proposta da Orquestra Clássica do Sul para esta sexta-feira e indispensável a ajuda que pode dar à APATRIS com a presença no concerto. Até ao início de 2014 a orquestra apresenta-se ainda em concertos de Natal em Setúbal, no dia 13, no Fórum Municipal Luisa Todi, em Ayamonte (Espanha), no dia seguinte no Teatro Cardenio, em Quarteira, no dia 15, na Igreja de São Pedro do Mar, ainda, em Lagos, no Centro Cultural local, no dia 20, seguindo-se, no dia 21, em Tavira, o concerto de Natal a realizar na Igreja do Carmo e finalmente o de Faro, que terá lugar dia 22, no Teatro das Figuras. Para o Ano Novo estão agendados os concertos de Loulé, dia 1, no Cineteatro Louletano, e de Beja, no teatro Pax Julia, no dia 2. A 5 de Janeiro a Orquestra Clássica do Sul regressa a Faro e ao Teatro das Figuras para o tradicional Concerto de Reis, que terá lugar pelas 18 horas. Ricardo Claro
Concerto solidário Apatris Entretanto e porque a responsabilidade social e a solidariedade não podem ser incidentais, a Orquestra Clássica do Sul agendou já para esta sexta-feira, 6 de Dezembro, um concerto beneficente a favor da APATRIS - Associação de Portadores de Trissomia 21 do Algarve. O maestro António Saiote dirige a Orquestra Clássica do Sul no palco do Teatro das Figuras em Faro, pelas 21.30 horas, onde marcará presença o solista Rui Baeta, barítono, e onde o programa promete obras de Mozart (Abertura de Don Giovanni, “Deh, vieni, alla finestra”, de Don Giovanni, e “Hai Gia Vinta La Causa”, de As Bodas de Fígaro), Bizet (“Votre toast, je peaux vous le rendre”, de Carmen e Jeux d’enfants, Op. 22, Petite Suite), bem como de Edward Elgar (Nimrod, Variações Enigma, Salut d’Amour, Op. 12 e Elegia, Op. 58), Alain Oulman (Madrugada de Alfama e Gaivota), Frederico Valério (Boa Nova) e Brahms (Danças Húngaras nº 1, 5 e 6).
“RECORDANDO ALBUFEIRA” Até 31 JAN 2014 | Edifício dos Paços do Concelho de Albufeira Mostra de fotografias antigas que fazem parte da colecção de Henrique Ferreira. As temáticas são muito variadas com prevalência para aspectos panorâmicos, arquitectónicos e urbanísticos
Cesário Costa, director artístico da Orquestra Clássica do Sul “CONVERSA… INFORMAÇÃO… COMUNICAÇÃO” Até 21 DEZ | Centro de Experimentação e Criação Artística de Loulé Exposição reúne os artistas António Dias e Charlie Holt que começaram a trabalhar em colagens há dois anos. Estas colagens formaram um diálogo entre os dois artistas que levou à presente instalação
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Cultura.Sul
Da minha biblioteca
Ondjaki – Os Transparentes Adriana Nogueira
Classicista Professora da Univ. do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com
Há cerca de um mês, a 5 de novembro, Os transparentes, romance do escritor angolano Ondjaki, foi anunciado como o vencedor do prémio literário «José Saramago 2013», galardão que distingue escritores de língua portuguesa com menos de 35 anos. E há pouco mais de uma semana Ondjaki esteve no Algarve. Quem teve o privilégio de o ver e ouvir pôde apreciar o grande contador de histórias que ele é. Apesar da sua idade, imaginamo-nos como crianças a escutar um mais-velho, com toda a sua sabedoria de uma longa vida, a falar de um povo que luta para não ser transparente. «era um prédio, talvez um mundo»
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O romance, de 427 páginas, tem 9 divisões de folhas negras com letras brancas, como se fossem nega-
tivos de fotografias, onde se vê a realidade de outra maneira. É assim que o livro começa e acaba. A preto e branco, contrastando com o que vamos lendo, a branco e preto. O texto dessas páginas vai fazendo sentido ao longo do livro. São sensações de personagens, saber do povo, anotações do autor, textos que nunca ninguém leu. Como o primeiro, que contém apenas 3 linhas «do bilhete amarrotado de Odonato», que nos dá acesso a um conteúdo lido apenas por nós, ali, pois o papel foi ingerido, «letra por letra, palavra por palavra» (p.422), por um galo. «era um prédio, talvez um mundo para haver um mundo basta haver pessoas e emoções, as emoções, chovendo internamente no corpo das pessoas, desaguam em sonhos» (p.75) Com estas palavras, o narrador consegue descrever as pessoas boas desta história: os habitantes de um prédio e aqueles que o visitam, um prédio que escolhe quem acolhe, que tem água a escorrer em permanência pelos degraus e paredes, que refresca os corpos cansados dos seus moradores. Um prédio onde ainda se oferece um copo de água fresca ou um prato de comida a quem os pede, sem nada em troca. Mas, ao contrário destas páginas, o mundo não é todo a preto e branco ou branco e preto.
fotos: d.r.
O escritor angolano Ondjaki venceu o prémio literário José Saramago 2013 Há outras personagens (sempre, de alguma maneira, ligadas a este prédio) que estão em níveis diferentes: por exemplos, os gémeos DestaVez e DaOutra, fiscais de ministérios (nunca se sabe qual ou quais), sobrinhos de SantosPrancha, Assessor do Ministro, apresentados num registo quase cómico, sempre a tentar explorar o povo e a inventar esquemas para ganhar dinheiro à custa dos outros. O próprio SantosPrancha (até pelo nome, a remeter para Sancho Pança) é uma sátira, um boneco de todos os assessores que, infelizmente, não existem só em Angola. Como não é só em Angola que existem personagem tenebrosas como as do senhor Cristalino, homem discreto, que não quer protagonismo, mais culto e educado que a maio-
“LENITA VISITA OLHÃO” Até JUN 2014 | Casa João Lúcio – Olhão Através de uma pequena história em banda desenhada, são dados a conhecer os locais mais emblemáticos de Olhão, quer pelo seu valor histórico, patrimonial e cultural, quer pela sua importância no desenvolvimento económico-social da cidade
ria, que consegue do governo a concessão da distribuição de um bem vital: a água. Quando todos se distraem com a prospeção de petróleo no subsolo de Luanda, esburacando a cidade e abalando as suas fundações, Cristalino aproveita os canais abertos para instalar uma rede, privada, de abastecimento de água. E, como na vida real, nada acontece a este homem sinistro. Fora do prédio há gatunos que matam por um telemóvel e ladrões azarentos que sempre se deixam capturar e que são espancados e, alguns deles, mortos. Há um bar, o BarcaDoNoé, de um senhor chamado Noé que tinha uma arca frigorífica que nunca se desligava, mesmo quando a luz faltava. Nesse bar paira uma personagem, o Esquerdista, que tem um discurso, entre as pp. 252-
255, que vale a pena ler e do qual destaco apenas uma frase, que lembra o poema de José Gomes Ferreira, musicado e orquestrado por Lopes Graça: «acordem, homens…» E quando percebe que não o querem ouvir, diz, «com ar irónico, e triste, e desapontado, e sério (…) – durmam, enquanto vos anestesiam com doses de suposta modernidade!» Mas, afinal, quem são os transparentes? Nesta história há apenas uma personagem, Odonato, que está a tornar-se, literalmente, transparente. No entanto, apesar de ele ser o único para quem todos olham com surpresa, os verdadeiramente transparentes são muito mais. Odonato tornou-se uma metáfora viva (pp.281-4):
«Odonato arregaçou as mangas e a jornalista teve de disfarçar o susto, os seus braços estavam ainda mais transparentes do que o seu rosto, eram visíveis, perfeitamente visíveis os movimentos dos ossos e o fluxo do sangue que corria de um canto do corpo para o outro, os tendões obedecendo aos movimentos dos nervos, ou talvez o inverso (…) – como é que começou? – (…) começou com a fome. tinha fome e não tinha o que comer – aqui em Luanda, neste prédio? há sempre uma mão amiga – mas é que eu estava farto de comer de mão amiga. queria comer da mão do meu governo, mas não comer como os governantes comem, queria comer com o fruto do meu trabalho, da minha profissão (…) – fui comendo cada vez menos para que os meus filhos pudessem comer o pouco que eu não comia. e foi assim (…) – a transparência é um símbolo. (…) um homem pode ser um povo, a sua imagem pode ser a do povo… – e o povo é transparente? – o povo é belo, dançante, arrogante, fantasioso, louco, bêbado… Luanda é uma cidade de gente que se fantasia de outra coisa qualquer – não é o povo que é transparente… – tentou a jornalista – não, não é todo o povo. há alguns que são transparentes. acho que a cidade fala pelo meu corpo» Apesar de o final parecer apocalíptico, este livro revela uma profunda crença no ser humano e na capacidade de salvação: «nós somos a continuidade do que nos cabe ser. a espécie avança, mata, progride, desencanta, permanece. A humanidade está feia – de aspeto sofrido e cheiro fétido, mas permanece porque tem bom fundo» Ondjaki (2012). Os transparentes. Lisboa: Caminho.-
“CONCERTO DE DINO D’SANTIAGO” 13 DEZ | 21.30 | Cine-Teatro Louletano No dia em que celebra o seu 31º aniversário, o cantor fará ecoar os sons de “Eva” no concelho que o viu nascer, naquele que será o primeiro espectáculo em Portugal após o lançamento do seu novo disco
12 06.12.2013
Cultura.Sul
Espaços patrimonializados e ação educativa: um desafio estratégico
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d.r.
O ambiente de contingência financeira que vivemos faz esquecer que os desafios das políticas culturais não são propriamente orçamentais mas sobretudo estratégicos. Os criadores não podem continuar a produzir cultura como se o fizessem somente para si próprios e de costas voltadas para o público, como se a este fosse exigido situar-se num patamar cultural mínimo para poder, só então, ter acesso à produção cultural «de qualidade». Sendo essencial promover a formação de públicos, é necessário investir em educação para a cultura de uma forma coordenada entre as respetivas tutelas, e não apenas investir em equipamentos escolares, por um lado, e, por outro, em equipamentos culturais sem promover projetos concertados geradores de hábitos culturais. Também os espaços patrimonializados e os equipamentos que lhes estão associados (infraestruturas museográficas nos monumentos, centros de interpretação, museus de sítio) podem desempenhar um papel importante na programação de atividades educativas: na mediação de saberes, na conceção e curadoria de exposições, na mobilização de recursos, mormente voluntariado, e na angariação de financiamentos. Mais do que serviços educativos que estendam para os equipamentos culturais os curricula e a pedagogia dos equipamentos de aprendizagem formais, necessita-se, em espaços de aprendizagem informal, de projetos educativos que estimulem a criatividade,
formem o gosto e incentivem as práticas e os hábitos de consumo culturais. Neste âmbito, a Direção Re-
educativo para os Monumentos Megalíticos de Alcalar, desenvolvido em parceria com o Museu de Portimão), quer em parceria
No Algarve, é frequente que se reivindique a requalificação de equipamentos escolares e a criação de novos equipamentos culturais. Contudo, subestima-se o uso dos lugares patrimonializados como espaços informais de atividades geradoras de hábitos culturais. E menospreza-se a necessidade de promover ações concertadas entre a comunidade escolar e os criadores, que são geradoras de hábitos culturais gional de Cultura do Algarve tem procurado promover alguns projetos educativos dirigidos ao público em idade escolar, quer em colaboração com alguns dos museus da região (de que é exemplo o projeto
com organismos não governamentais (de que é exemplo o projeto «Lugares Mágicos», desenvolvido em parceria com o Ateliê Educativo). Direção Regional de Cultura do Algarve d.r.
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