Director Henrique Dias Freire • Ano XXV • Edição 1083 • Semanário à sexta-feira • 6 de Julho de 2012 • Preço € 1
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EM FOCO 2 ÁGUAS DO ALGARVE LEVA ÁGUA A MONCHIQUE 3 MINISTÉRIO PÚBLICO PERSEGUE CONDENAÇÃO DE MACÁRIO CORREIA 4 TAVIRA APOSTA EM INCUBADORA EMPRESARIAL 5 JÁ SÃO MAIS DE 200 EMPRESÁRIOS ALGARVIOS DO BNI QUE SE REÚNEM TODAS AS SEMANAS ÀS 6.45 6 CLASSIFICADOS 10
ÀS SEXTAS EM CONJUNTO COM O PÚBLICO POR €1,60
Macário resiste à perda de mandato com recurso > Foi a caminho de Bruxelas que o presidente da
Câmara de Faro soube que a notícia tinha rebentado em Portugal e era tema de todos os órgãos de comunicação social nacionais em todas as plataformas. Na televisão, na rádio e na internet, a sentença do Supremo Tribunal Administrativo, que decretou
a perda de mandato por diversas ilegalidades praticadas em processos urbanísticos durante os seus mandatos em Tavira, colocou o actual autarca de Faro no top da visibilidade pelas piores razões. Macário reagiu em Bruxelas pelo telefone com um recurso já intreposto pelo seu advogado junto do
Supremo Tribunal Administrativo, com a garantia de que se mantém no cargo apesar da decisão judicial e com a afirmação de que já dois tribunais lhe deram razão antes do Supremo e o absolveram. Para já Macário mantém-se firme em Faro aos comandos da câmara da capital regional p. 4 e 5
> Conheça as absolvições de Macário nos Tribunais inferiores
> Saiba o que esteve na origem do processo proposto no Tribunal Administrativo de Loulé
> Descubra os próximos episódios de um processo que tem Macário na mira
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> Ministério Público recorreu duas vezes para conseguir perda de mandato
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Concentração:
Motards regressam em força a Faro
O Moto Clube de Faro prepara-se para arrancar dia 19 com aquela que é a 31ª concentração de Faro. Vinte e duas mil pessoas são esperadas no Vale das Almas para acolher, entre muitos outros, nomes grandes da música, com Billy Idol como cabeça-de-cartaz. Palco a postos para deixar brilhar as estrelas que acompanharão os quatro dias de concentração a que se pode aceder por 45 euros. Para não perder pitada faça-se à estrada e junte-se à maior festa motard do país, uma das maiores da Europa e a um fenómeno de popularidade que é conhecido mundo fora p. 2
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Empresários algarvios já lideram crescimento no BNI >6 EVENTOS
Feira da Caça abre portas no fim-de-semana
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O POSTAL regressa no dia 20
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EM FOCO
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Motards regressam para pôr Faro ao rubro Mostrar as potencialidades do Algarve numa viagem em duas rodas Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
31 ANOS DE CONCENTRAÇÃO são mais do que razão para atrair milhares de pessoas uma vez mais ao Vale das Almas em Faro entre 19 e 22 deste mês. A mota é o meio de transporte por excelência para chegar a mais uma edição do maior evento ao ar livre do Algarve e a uma das mais renomadas concentrações motards do mundo. Mas como todos os caminhos vão dar ao Pontal nestes dias, qualquer forma é válida para chegar ao destino aguardado por muitos todo o ano, sejam motards ou não. Se a concentração por si só não bastasse para garantir a romaria de dezenas de milhares de visitantes – que no ano passado se cifrou em 32 mil pessoas – o cartaz de espectáculos seria o argumento seguinte para justificar a rota até à zona do Aeroporto de Faro.
sitantes esperados, menos dez mil do que no ano passado. A descida dos números é aceite por José Amaro, presidente do Moto Clube de Faro, responsável pela organização de todo o evento, pelo facto de na última edição terem sido comemorados os trinta anos do evento. Certo é que mesmo para muitos amantes das duas rodas e dos possantes motores a crise fala mais alto e a concentração não escapa incólu-
me às dificuldades.
45 EUROS VALEM QUATRO DIAS ÚNICOS São 45 euros que cada
pessoa, motard ou visitante vai ter de desembolsar para estar presente na Concentração de Faro, mas certa é a diversão, a descontracção e a amizade com que os motards e muito em particular as centenas de pessoas que asseguram a organização deste gigante dos eventos regionais sabem brindar cada visitante. O preço mantém-se inalterado face ao ano passado e prova, uma vez mais, o espírito do Moto Clube de Faro na
Antes do adeus de domingo prometem-se três dias inesquecíveis
realização da concentração. O evento garante obviamente a sobrevivência e salubridade financeira do clube mas acima de tudo continua a oferecer um cartaz e um espírito que justificam bem o investimento em quatro dias que todos os anos se repetem memoráveis para toda uma vida.
SEGURANÇA PORQUE O OK ESTÁ DE VOLTA O 0K (Zero Kil-
de Faro trabalhou a sinalização, a publicidade preventiva e a sensibilização em prol da condução cautelosa. Neste campo também as autoridades se preparam uma vez mais este ano para serem um dos eixos que garantem a segurança dos motards e dos restantes condutores, enquanto enfermeiros, médicos e meios
led; Zero Mortes) está de volta e a segurança é a palavra de ordem para garantir uma concentração que se encerre como abre, carregada de sorrisos e razões de felicidade. A campanha 0K que ajuda a garantir há anos que o evento termina bem para todos aposta uma vez mais na segurança dentro e fora do recinto e muito em particular na condução. Para tanto, o Moto Clube
BILLY IDOL AOS COMANDOS DO CARTAZ Nomes como Billy
Idol, GNR, GNR Apocalyptica, Áurea, Rebeldes, WarCry vão garantir o som e o ritmo todos os dias com a diversão como objectivo final. Espaço ainda para os não menos amados Noidz, Miss Lava e M’vula que prometem ajudar a proporcionar noites non-stop aos 22 mil vi-
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de socorro vão estar a postos, para qualquer eventualidade cada vez menos frequente. Quanto ao resto já se sabe, junte a uma moto uma tenda, muita boa disposição e vontade de se divertir e venha até Faro. Se não vier de mota, venha como puder, porque na Concentração de Faro o importante é estar.
Billy Idol é o cabeça de cartaz desta edição
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região
Tavira aposta em incubadora empresarial pág. 5
Águas do Algarve leva água a Monchique Investimento no concelho ronda os dez milhões de euros d.r.
Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
Água de qualidade inques-
tionável oriunda do Sistema Multimunicipal de Abastecimento do Algarve (SMAAA) é a nova realidade com que passaram a contar os monchiquenses desde sexta-feira da passada semana, depois de um investimento da Águas do Algarve (AdA) no concelho que rondou os dez milhões de euros nas áreas de saneamento e abastecimento de água. O único concelho que não era abastecido pelo SMAAA passa agora a integrar como todos os restantes da região a rede multimunicipal com uma empreitada que na ligação SMAAA despendeu cinco milhões de euros. De acordo com Teresa Fernandes, responsável pela área da Comunicação da AdA, em declarações ao POSTAL, “com
Para Teresa Fernandes, obra é das mais importantes em termos de infra-estruturas para a região esta obra estão criadas as condições para o fecho de mais um ciclo no desenvolvimento de uma das infra-estruturas
base mais importantes da região”. Não obstante, as condições criadas não estão aproveitadas
em pleno. A ligação que se estabeleceu, dimensionada para um caudal de 41 litros por segundo e capaz de responder a
cerca de sete mil habitantes, só responde ainda à zona referente às Caldas de Monchique (incluindo o hotel Longevity), zona esta que representará cerca de mil habitantes. O abastecimento de água às restantes freguesias do concelho de Monchique está dependente da construção do Reservatório Municipal, da responsabilidade da Câmara de Monchique. Na área do saneamento, o concelho tem ainda um quadro mais deficitário. Monchique continua a tratar os esgotos urbanos numa ETAR desadequada face aos actuais padrões de qualidade das ETARs regionais mais modernas e não está ligado ao respectivo Sistema Multimunicipal, lançando na Ribeira de Monchique um efluente abaixo da qualidade optimizada que se pretende
atingir em toda a região. Com o investimento já efectuado na região, onde se inscreve o presente ao concelho de Monchique, o Algarve ficou com uma cobertura de rede de abastecimento de água, em alta, em cerca de 99,2%, no saneamento essa cobertura é actualmente de 96%. O valor total de investimento previsto na região corresponde a 626 milhões de euros, repartidos pelos dois sistemas multimunicipais de água e saneamento. Uma vitória para a região e para a AdA, responsável no conjunto dos dois sistemas multimunicipais - de água e saneamento - por um dos mais relevantes investimentos realizados na região nas últimas décadas e por um contributo sem precedentes para a qualidade de vida, salubridade e protecção ambiental na Algarve.
regresso às origens. Temos assim, uma feira com uma valia social, ambiental, económica e cultural. Mas também é uma feira que começa a abordar o turismo e fazer uma ligação que é muito importante no
Algarve”. O grande papel desta feira é que toda esta questão dos produtos tradicionais, a cinegética, a pesca, geram postos de trabalho o que mais precisamos para combater o desemprego”.
17ª edição é a maior de sempre
Feira da Caça abre portas no fim-de-semana geraldo de jesus
a maior em termos de armas”, avança. Nos 2.490 m2 da tenda vão ficar 125 stands, mais 28 no exterior, o que totaliza 153 stands. Teremos ainda 400 m2 para máquinas e viaturas e 1.400 m2 de aves exóticas e animais. Tivemos de fazer algumas contenções, mas haverá divertimento para todos, inclusive para as crianças.
Devido à actual conjuntura feira esteve quase para não se realizar
Licenças de caça na hora Geraldo de Jesus geraldoj.postal@gmail.com
A Biblioteca Álvaro de Campos foi escolhia para a apresentação da 17ª Feira de Caça, Pesca e do Mundo Rural, uma organização da Federação de Caçadores do Algarve que conta com o apoio da Câmara de Tavira e que vai decorrer entre esta sexta-feira e domingo, no Parque de Feiras e Exposições de Tavira.
Segundo Vítor Palmilha, presidente da Federação, “a conjuntura actual é muito difícil e a feira esteve quase na eminência de não se realizar este ano”. Os primeiros programas saíram em Março e em menos de um mês todos os espaços estão completamente cheios, “posso garantir que em 17 anos é a maior feira de sempre em termos de expositores e também
Com o apoio da PSP, a quem muito agradeço, vamos ter três stands, onde serão renovadas, na hora, as licenças de caça, mesmo as caducadas. Em termos de caça, adianta Vítor Palmilha, “muita coisa temos para dizer. Passou um ano e o que foi feito; zero. No colóquio muita coisa vai ser dita, uma vez que o secretário de Estado vem encerrá-lo”. O director regional de Agri-
cultura e Pescas do Algarve, Fernando Severino, afirmou que “hoje, mais do que nunca, nesta conjuntura económica, acho que a feira assume uma importância fulcral com o homem urbano a ter o
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Já são mais de 200 empresários algarvios do BNI ZZZ pág. ## que se reúnem todas as semanas às 6.45 da manhã pág. 6
Ministério Público persegue condenação de Macário Correia Dois recursos foram os necessários para que o Ministério Público alcançasse a condenação do autarca Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
Macário Correia foi no passado dia 20 de Junho condenado pelo Supremo Tribunal Administrativo (STA), a mais alta instância judicial administrativa do país, à perda do mandato de presidente da Câmara de Faro. A notícia avançada pela comunicação social ao início da noite de terça-feira passada, caiu como um petardo, na cena política regional e nacional e depressa se tornou tema da ordem do dia quando se atribui ao político um reconhecimento generalizado de impoluto. A caminho de Bruxelas, como o próprio reconheceu, Macário Correia ignorava o efeito da divulgação da decisão do STA em Portugal sobre um processo que correu todo o caminho até à mais elevada instância judicial sem que a sua existência transpirasse para o conhecimento público. A origem do processo Na base do processo com que Macário está a braços e que pode ainda determinar a perda de mandato enquanto presidente da Câmara de Faro, estão actos praticados enquanto presidente da Câmara de Tavira. Macário despachou vários processos de urbanismo, quer em fase de apreciação para licenciamento, quer na fase de apreciação prévia com pareceres favoráveis. Piscinas, conversão de armazéns rurais em casas de habitação, ampliações de área coberta e construção de instalações empresariais, num total de 13 casos, foram considerados como dignos de parecer positivo pelo autarca contrariando as recomendações técnicas de arquitectos da Câmara de Tavira, da directora da Divisão de Urbanismo da autarquia e mesmo da vicepresidente da Câmara que Macário liderava. Em todos os casos, de acordo com o acordão do STA, a que o POSTAL teve acesso, os pareceres dos técnicos são repetidamente negativos e em todos eles Macário faz tábua rasa das
recomendações e decide dar parecer favorável invocando as mais diversas razões. De acordo com o STA, Macário Correia violou a legislação de proteção de Áreas Florestais de Uso Condicionado, da Rede Ecológica Nacional, o Plano Director Municipal de Tavira e o Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve. Para o STA, “as diversas ilegalidades cometidas - por Macário Correia - correspondem à forma mais grave de violação do quadro legal urbanístico”, e foram praticadas “com elevado grau de culpa”, uma vez que para o tribunal Macário “assumiu as condutas ilícitas contrariando deliberadamente os pareceres escritos dos técnicos, sem que para tal se verificasse qualquer motivo válido”.
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Da inspecção à Câmara até ao Supremo Originado por
uma inspeção realizada ao sector de urbanismo da Câmara de Tavira o processo agora decidido pelo STA teve origem na comunicação aos tribunais por parte da inspecção de factos que a mesma considerou serem susceptíveis de imputar a Macário Correia responsabilidade pela prática de actos ilícitos. O Ministério Público decidiu, face à comunicação dos factos pela entidade administrativa competente, interpor no Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé (TAFL), primeira instância, uma acção administrativa especial para perda de mandato. Desta acção, Macário Correia sai ilibado com uma “absolvição do pedido”, como refere o Acordão do STA a que o POSTAL teve acesso, o que equivale a dizer que não foram provados factos susceptíveis de provocar a perda de mandato. Desta decisão recorreram o Ministério Público e Macário Correia para o Tribunal Central Administrativo do Sul (TCAS), a segunda instância, que não aceitou o recurso do magistrado do Ministério Público, mas entendeu aceitar o de Macário Correia.
Condição pública de impoluto de Macário Correia não escapa ilesa O TCAS, ainda de acordo com o acordão do STA, decidiuse pela absolvição de Macário, mas reviu a decisão do tribunal de primeira instância. Desta feita, as razões que fundamentam a absolvição são diversas. Macário veio a ser absolvido da instância e não do pedido, o que equivale a dizer que apesar de absolvido naquele processo, nada obstaria a que o Ministério Público viesse a intentar nova acção contra Macário pelos mesmos factos. O Ministério Público recorreu desta última decisão para o STA e na decisão os juízes conselheiros consideram que a absolvição da instância defendida pelo TCAS não colhe e decidem-se pela análise do pedido, tendo em conta a matéria dada como provada no tribunal inferior. É com base nos factos dados como provados pelo TCAS que
o STA vem a determinar, aderindo à posição defendida pelo Ministério Público, a perda de mandato de Macário Correia.
O depois do dia em que tudo se soube Macário reagiu à
notícia veiculada na comunicação social em Portugal, na noite de terça-feira, a partir de Bruxelas, com a afirmação lapidar de que o recurso da decisão do STA tinha sido entregue na segunda-feira anterior (ver peça na página seguinte).
Macário apoia Amarelinho e Marreiros também eles condenados a perda de mandato Macário sabia pois na reunião da AMAL que tinha tido nessa segunda-feira que tinha um processo judicial administrativo a correr em que era pedida a perda do seu próprio mandato. Não obstante, o autarca fez
aprovar nessa reunião um voto de solidariedade de todos os presidentes de Câmara da região com José Amarelinho, presidente da Câmara de Aljezur, e Manuel Marreiros, exresidente da mesma autarquia e actual presidente da Assembleia Municipal, condenados a perda de mandato e a penas de cariz criminal, em primeira instância, pelo Tribunal de Lagos. Na nota remetida às redacções Macário assina o desagravo da AMAL que fala em “clima de perseguição a autarcas, que se verifica há alguns anos em certos processos judiciais”. Resta saber se no seu caso, que o POSTAL apurou muitos dos autarcas que aceitaram aderir à manifestação pública de apoio desconheciam, Macário se considera também perseguido.
As reacções Excepção feita
ao PS/Faro que pediu ao PSD e
CDS-PP que retirassem ilacções políticas da condenação de Macário no STA, pela voz de Luís Graça, presidente da concelhia socialista, numa posição que se antecipa ao fim do processo judicial que pode ainda absolver o autarca de Faro e que pede efeitos políticos para o mandato na Câmara de Faro duma ainda não culpa, todos os restantes políticos contactados pelo POSTAL reservam a sua posição para momento ulterior quando a Justiça tenha terminado o seu trabalho. António Eusébio, líder da Federação do PS, afirmou ao POSTAL que “este é o tempo da Justiça” e que a tomada de qualquer posição “terá sempre como fundamento aquilo que os órgão judiciais no pleno uso das suas competências e autonomia vierem a decidir”. Pela mesma pauta alinha Cristóvão Norte, presidente da concelhia do PSD, que afirma “aguardar serenamente” que se cumpram “todos os trâmites do processo até ao trânsito em julgado da sentença”, não retirando ilacções de situações ainda não decretadas factualmente ilícitas. Mas a política faz-se de esperas e compassos. Sabem-no os políticos como aprendemos todos com a vida política exposta ao sufrágio público. Em contactos desenvolvidos com vários militantes de várias famílias políticas que sempre preferiram o anonimato, o POSTAL pôde testemunhar os cálculos para os futuros posicionamentos em face de uma decisão desfavorável a Macário. Não obstante, duas realidades saem quase certas deste episódio na vida do autarca farense. A primeira é que a sua condição pública de impoluto, ainda que absolutamente verdadeira, não escapa ilesa a esta situação e será arma de arremesso no futuro. A segunda é que a quem espera uma decisão negativa cabe ponderar se a mesma não tardará suficiente para que Macário se recandidate a Faro e seja re-eleito. Exemplos não faltam mesmo para quem se encontrava em eleições em situação decerto menos favorável do que o autarca farense.
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REGIÃO
PS/Algarve aponta baterias ao desemprego pág. 7
O futuro de Macário Um político resiliente como Macário Correia num percurso com muito para percorrer
QUEM AUGUROU em reacção epidérmica a queda de Macário Correia pode estar longe da realidade num processo que o político hábil e experiente que é o presidente da Câmara de Faro saberá decerto conduzir com a habilidade simultaneamente extrema e possível. Macário secou a notícia de que tinha perdido o mandato por decisão do Supremo Tribunal Administrativo a tempo de evitar as mais negras parangonas da imprensa e dos noticiários. Ainda antes do fecho dos jornais diários e bem a tempo dos vários blocos noticiosos das televisões dedicadas em exclusivo à informação, bem como, dentro dos horários dos meios noticiosos on-line Macário retirou à notícia potencialmente devastadora grande parte do seu ímpeto com um simples “foi apresentado recurso da decisão”. O recurso interposto por Macário no Supremo Tribunal Administrativo, seja ele para o Pleno daquele mesmo tribunal seja para o Tribunal Constitucional terá efeitos suspensivos se aceite. E não aceite o recurso para o Pleno poderá igualmente haver lugar a recurso para o Tribunal Constitucional. Mais, se aceite o recurso para o Pleno do STA e mais tarde confirmada a perda de mandato poderá, uma vez mais, haver a hipótese de recurso para o Constitucional. O tempo passará e, sem pôr em causa que Macário Correia deseje ver resolvida a questão, o autarca farense terá ainda muito para percorrer a coberto de uma justa presunção de inocência. Esta, inatacável, porque necessária em termos gerais e
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Tavira aposta em incubadora empresarial Parceria visa criar ninho de empresas de “tecnologia verde” D.R.
por todos que a queiram beliscar em particular, será a válida cobertura da continuação de uma carreira política longa e de uma folha de serviço à causa pública que independentemente de juízos de valor ninguém pode negar ao também presidente da AMAL. A mácula na vida política indesmentível associada a qualquer processo judicial ganhe-se ou perca-se - o mesmo será sempre um calcanhar de Aquiles para Macário, independentemente da invocação pelos seus opositores.
HORA DE AGUARDAR Na en-
trevista dada à RTP na noite de quarta-feira, Macário deu provas de que a situação não o impede de ser um actor preponderante da política nacional e, provavelmente, a mais reconhecida voz da região no país. Nem o processo que agora enfrenta nos tribunais afasta o direito que lhe assiste de manter e lutar pela sua carreira política. A hora é de contenção para Macário e para os seus rivais políticos, dentro e fora do partido, a espera é boa conselheira quando em jogo tudo está em aberto e neste dos recursos judiciais o ritmo e a proliferação de estratégias são fomentadores de espaço para qualquer resultado final. Entretanto, para todos, tribunais, políticos e demais cidadãos, a vida continua com um futuro tão igual ao passado como sempre, até que uma decisão ponha termo a mais uma situação da vida política regional e nacional. RC
A CÂMARA DE TAVIRA assina
esta sexta-feira um protocolo de cooperação com o New Jersey Institute of Technology (NJIT), escola norte-americana de gestão e engenharia a que pertence uma das mais reputadas incubadoras de empresas tecnológicas dos EUA. O objectivo é transferir conhecimento, reforçar a atractividade territorial e colocar o município do sotavento algarvio nas redes mundiais de cooperação entre universidades, territórios e empresas. A aproximação da autarquia ao instituto envolveu Carlos Vieira, professor da Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve e Candidato ao Prémio Orgulho Peruano na categoria de Profissional de Sucesso, principal impulsionador dos contactos bilaterais, e a embaixada dos Estados Unidos da América que serviu de esteio ao crescimento da relação entre a Câmara e a instituição do outro lado do Atlântico. O primeiro passo será implantar no Parque Empresarial de Tavira uma incubadora de empresas de “tecnologia verde” e “inovadoras nos processos e nos produtos”, que possa ser aproveitada tanto pela Universidade do Algarve como pelo Instituto Andaluz de Tecnologia e pela Associação Nacional de Jovens Empresários, também parceiros da autarquia, assinala o presidente da autarquia, Jorge Botelho. Trata-se de uma “aposta estratégica” do município e é um dos objectivos do projeto de dinamização da economia local Ativar Tavira, lançado recentemente. O presidente da Câmara afirma-se apostado em “estimular o aparecimento de novas empresas-âncora para a economia da região”, capazes de “renovar o tecido empresarial regional e de induzir inovação e
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competitividade”. O protocolo com o NJIT vai ser assinado durante a primeira de duas conferências que a EMPET – Parques Empresariais de Tavira prevê realizar este ano para promover o projeto Activar Tavira. “A nossa opção é enfrentar a crise pelo crescimento e pela criação de emprego, adoptando uma agenda própria de um município que pretende ser um facilitador do investimento, tanto de pequenas empresas ou de agentes da economia social como de grandes multinacionais”, sublinha o autarca.
Carlos Vieira impulsionou contactos entre autarquia e instituto PUB
CÂMARA MUNICIPAL DE TAVIRA
EDITAL Nº 38/2012
Jorge Manuel do Nascimento Botelho Presidente da Câmara Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que em reunião de Câmara Municipal, realizada no dia 03 de julho de 2012 foram tomadas as seguintes deliberações: 1.Aprovada por maioria a proposta número 120/2012/CM, referente à revogação de apoio à ANTRAL para instalação de sistemas de segurança para táxis; 2.Aprovado por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 121/2012/CM, referente à anulação de publicidade e ocupação da via pública relativo ao ano de 2012; 3.Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 122/2012/CM, referente à redução em 100% das taxas municipais associadas à 17ª. Feira de Caça, Pesca e do Mundo Rural; 4.Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 123/2012/CM, referente ao donativo ao abrigo do mecenato – Companhia de Seguros Allianz Portugal; 5.Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 124/2012/CM, referente à Ratificação da avaliação do desempenho - SIADAP 1 – 2011; 6.Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal 125/2012/CM, referente à aquisição de serviços tipográficos para execução de bilhetes para os transportes urbanos de Tavira - repartição de encargos; 7.Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal 126/2012/CM, referente ao Concurso público para aquisição de serviços de seguros (1-CPU/12) - Prorrogação de prazo para apresentação de documento e aprovação de minuta de contrato; Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume. Paços do Concelho, 03 de julho do ano 2012 O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, Jorge Manuel Nascimento Botelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1083, de 6 de Julho de 2012)
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região
Pereiro inaugura parque de autocaravanismo pág. 8 d.r.
O BNI Crescimento foi o grupo com maior número de negócios fechados antes do lançamento
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O BNI Valores de Vale do Lobo é o mais recente grupo lançado no Algarve
Já são mais de 200 empresários algarvios do BNI que se reúnem todas as semanas às 6.45 da manhã Henrique Dias Freire diasfreire@gmail.com
O Algarve foi a região que mais cresceu em Portugal nos últimos 13 meses. Entre Junho de 2011 e Junho de 2012, os empresários algarvios, membros do BNI Sul (Business Networking Internacional), a maior organização de referências de negócios do mundo, viram a sua região ser distinguida com vários prémios. Ganhou os prémios correspondentes ao primeiro lugar em Portugal de: maior média de membros por grupo; maior média de referências passadas; maior crescimento líquido de número de membros; e melhor região do BNI em Portugal. Segundo o director consultor de Área BNI Sul, Mário Neto, “de Setembro de 2011 a Junho de 2012, com a metodologia implementada pelo BNI, já foram gerados 5,7 milhões de euros de negócios com os quatro primeiros grupos activos em Faro, Loulé, Olhão e Portimão”. Em nove meses, os actuais grupos activos tiveram 134 reuniões com uma média de 64 referências, ou seja, oportunidades de negócios para os membros do BNI que resultaram em mais de 41 mil euros de negócios fechados por reunião. No total, passaram 8.567 referências de negócio cuja média foi superior a 650 euros de negócio fecha-
do por referência. Sob o lema “as pessoas não se interessam por ti até saberem o quanto tu te interessas por elas”, em pouco mais de 270 dias foram realizadas 3.789 reuniões de um a um entre os membros para melhor se conhecerem e sempre com a questão presente de “como é que os objectivos dos outros podem ajudar os meus”. Ainda segundo referiu Mário Neto ao POSTAL, “o propósito do BNI é o de aumentar a qualidade das redes de contactos de toda a comunidade empresarial, reconhecendo-as como uma ferramenta essencial para o sucesso no actual clima económico. Para orgulho dos algarvios, a nossa região, sendo uma das mais recentes no BNI Portugal, é aquela que tem revelado o maior crescimento efectivo. A título de exemplo, até o número de postos de trabalho, criados nas empresas que são membros do BNI Sul, e pelo facto de o serem, já correspondem a mais catorze, isto é, uma média de quase dois postos de trabalho por mês contrariando o actual ciclo económico, com um número significativo de empresas BNI a aumentarem o seu volume de negócios”.
Mais dois novos grupos Durante o passado mês de Junho, o BNI Sul passou de quatro
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Mário Neto lidera um dos maiores crescimentos na Europa para seis grupos activos. Os novos grupos BNI Crescimento, que reúne em Albufeira com 19 membros, e BNI Valores, que reúne em Vale do Lobo com 26 membros, fizeram recentemente a sua apresentação pública perante um total de mais de quinhentos empresários, respectivamente a 20 no Hotel Real Sta. Eulália e a 26 de Junho no Hotel Pestana Vila Sol, no horário habitual das reuniões semanais das 6H45 às 9H10 da manhã. Segundo Mário Neto, o BNI
Crescimento foi “até agora o grupo do Algarve lançado com maior ONF (Obrigado por Negócio Fechado), com um total de 128.484,63€, um dos maiores valores atingidos a nível nacional”, reforçando a ideia que a Zona Sul está longe de esgotar o seu potencial de crescimento. Recorda-se que os resultados do BNI Sul continuam a constituir um fenómeno acima da média verificado na Europa e em contra ciclo com o actual difícil momen-
to económico que estamos a viver.
Formação gratuita e obrigatória Sob o lema “Falhar
a preparação é preparar-se para falhar”, a formação BNI não só é gratuita para os seus membros como é obrigatória, “uma garantia que permite atingir bons resultados empresariais”, garante Mário Neto. De salientar que o Algarve passou a ter dois Centros de Formação BNI e que em nove
meses já somaram 1.087 unidades de formação de 150 minutos cada para os membros. Depois do primeiro ter sido criado no Sotavento, no Real Marina Hotel & Spa de Olhão, o Barlavento conta desde Janeiro também com o seu centro que fica localizado no Hotel Pestana Alvor Praia. Para já, são mais de 200 membros algarvios de seis grupos que se juntam aos 148 mil empresários do total de 6.153 grupos, todos com ramos de actividade diferentes, existentes em mais de cinquenta países pelo mundo com o objectivo de fomentar a criação de negócios a partir da partilha de contactos. Sobre o horário matinal, das 6H45 às 9H10 das suas reuniões semanais, é ponto de orgulho dos membros do BNI acabarem a sua reunião com o pequeno-almoço tomado já com negócios fechados quando a sua concorrência começa a acordar para mais um dia de trabalho. O BNI, que é a maior organização empresarial de troca de referências de negócios do mundo, assenta a sua filosofia em Givers Gain, “Ganho aos que dão”, pois as oportunidades de negócio trocadas entre os seus membros por todo o mundo são sempre graciosas e sem qualquer tipo de comissionamento.
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REGIÃO
Parques Empresariais de Tavira com nova imagem pág. 9
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PS/Algarve aponta baterias ao desemprego António Eusébio fez vingar moção que promete esperança, melhor economia e solidariedade D.R.
António Eusébio aposta no rejuvenescimento do partido Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com
O XIV CONGRESSO REGIONAL DO PS/ALGARVE, que decorreu
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no passado sábado, em Loulé, reafirmou a liderança de António Eusébio, recém-eleito presidente da Federação regional com uma esmagadora maioria de 97% dos votos nas eleições de 16 de Junho. O Congresso deu luz verde à moção do líder “Juntos pelo Algarve – As pessoas estão primeiro” e a eleição da nova Comissão Política Regional, onde militam, diz António Eusébio, “muitos novos nomes”, mas onde, acrescenta, “têm lugar os nomes fortes do partido na região”. No âmbito interno as apostas centram-se na paridade para “contar com as mulheres mais capazes da região” e no rejuvenescimento do partido, apostando nos jovens, “donos do pensamento livre e criativo, que é preciso para devolver ao PS a sua essência e a sua maior força”. António Eusébio quer “mais emprego, mais e melhor economia, mais solidariedade, justiça e esperança”, com a política a apontar baterias ao combate às portagens na Via do Infante e ao crescente aumento do desemprego, a par da defesa dos direitos sociais e da revitalização da economia regional. Opções pensadas para responder àquele que considera ser “um dos períodos mais ne-
gros do nosso tempo, marcado pelo avanço do desemprego, da pobreza, da fome e da exclusão social”. Para o autarca e presidente da Federação socialista, “é preciso dizer basta a esta política, que está a destruir tudo e todos”. Em relação à Via do Infante, o presidente socialista regional defende que a descriminação positiva deve manter-se, não apenas até ao final do Verão, mas até existir uma verdadeira alternativa à Via do Infante, com a conclusão das obras de requalificação da EN 125, e que durante o mês de Agosto o Governo deve suspender a cobrança das portagens para salvaguarda do turismo. A discussão em torno da água, actualmente, em cima da mesa, é outra das questões prioritárias na agenda de António Eusébio, que se afirma completamente contra a privatização da água, afirmando que é preciso desde já afirmar a urgência desta questão para evitar penalizações num futuro muito próximo. “As pessoas estão e têm que estar sempre em primeiro lugar!”. A batalha das eleições autárquicas, próximo grande embate para o PS Algarve, a pouco mais de um ano do momento eleitoral de 2013, é outra das prioridades assumidas por António Eusébio, que sabe bem o que é vencer neste capítulo e que não pode recandidatar-se a São Brás de Alportel.
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ZZZ pág. ##
Pereiro inaugura parque de autocaravanismo
d.r.
Infra-estrutura promete atrair turistas e conta com parque de merendas O parque de merendas e autocaravanismo do Pereiro, no concelho de Alcoutim, foi recentemente inaugurado, numa cerimónia que contou com as presenças dos presidentes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, David Santos, e da Câmara de Alcoutim, Francisco Amaral, entre outras individualidades. Com lugar para 16 caravanas, este parque, que custou 174 mil e 900 euros e foi co-financiado pelo PO Algarve, permite aos caravanistas abastecerem-se de água potável, carregar baterias e libertar águas residuais, nas devidas condições sanitárias. A estação pode ser usada por
dois veículos em simultâneo em regime “self-service”, com utilização de moedeiro. À cerimónia compareceram os habitantes da freguesia do Pereiro e já alguns caravanistas atraídos pela beleza do parque, situado junto à barragem, e pelas condições da infraestrutura, equipada também com uma plataforma para a prática informal de desporto. O presidente da Federação Portuguesa de Autocaravanismo, José Pires, felicitou a autarquia de Alcoutim pela obra, que constituirá uma mais-valia para o concelho e para os autocaravanistas que procuram também espaços mais calmos, fora da agitação dos grandes
centros urbanos.
Pereiro no trilho do desenvolvimento “O parque está
direccionado para o desenvolvimento económico do concelho”, acrescentou o autarca local, referindo que a freguesia do Pereiro tem sofrido, nos últimos anos, um grande desenvolvimento, com a construção da ETAR, a ligação à Águas do Algarve, a construção de habitação social, novos arruamentos, a abertura do Museu do Ferreiro e o trabalho desenvolvido por associações como a Cumeadas e a Estrela Pereirense. Pelas mesmas razões, e pela importância que as juntas de freguesia representam junto
de uma população isolada e envelhecida, o presidente António Margarida lamentou, indignado, a resolução do Governo em extinguir uma freguesia do concelho. David Santos garantiu que a CCDR está a trabalhar no sentido de agilizar os licenciamentos de parques de autocaravanismo, em particular nas reservas agrícolas, uma aposta que, considera, “beneficia todos”. O presidente da CCDR sublinhou ainda que, embora o concelho de Alcoutim tenha perdido 20% da população, a construção de habitação aumentou também 20%. Cerca de 40% das habitações em Alcoutim foram referenciadas como
Parque do Pereiro é o segundo no concelho de Alcoutim segunda habitação, afirma o responsável, “o que transmite a ideia de que está muita gente a viver em Alcoutim, embora ainda recenseada noutro concelho, nomeadamente na área
metropolitana de Lisboa”. Depois da cerimónia, seguiuse a tradicional sardinhada de São João, organizada pela Junta de Freguesia do Pereiro e Associação Estrela Pereirense. pub
Mais de doze mil pessoas vibraram com ritmos do mundo
Loulé enche com o pulsar do Med d.r.
Pedro Ruas/Ricardo Claro pedror.postal@gmail.com
Mais de 12 mil pessoas afluíram ao centro histórico da cidade de Loulé na passada sexta-feira e no sábado, na 9ª edição do Festival Med, um dos mais conceituados festivais de World Music nacionais. Um ambiente único marcou os serões vividos no centro da cidade louletana testemunhado pelo POSTAL, que tiveram como momentos altos, o projecto A Curva da Cintura, com Arnaldo Antunes, Toumane Diabaté e Edgard Scandurra, e a exclusiva actuação dos Jamaican Legends, que reuniu nomes lendários como Ernest Ranglin, Sly & Robbie e Tyrone Downie, sem esquecer performances como a do maliano Boubacar Traoré, do senegalês Cheikh Lô e do exímio português Norberto Lobo, que brindou Loulé com uma actuação memorável. A forte aposta na vertente artística não se ficou pela música e o Med, uma vez mais, brindou os visitantes com exposições nacionais e internacionais que permitiram aos melómanos viverem a sensação de um
Actuação dos Jamaican Legends foi um dos pontos altos tempo fora do tempo, como se o Med não enveredasse por nada daquilo que podemos considerar como padrão. Uma das novidades foi a exposição de street art “Abrindo portas para o Futuro”, na qual 18 artistas de diversas nacionalidades foram desafiados a pintar molduras de portas e janelas de casas devolutas da zona histórica da cidade.
Balanço Final Joaquim Guerreiro, vereador da Cultura da Câmara de Loulé e programador do festival, fez ao POSTAL um “balanço muito positivo”
de um festival que, “apesar de ter tido apenas dois dias ao invés dos quatro da passada edição, não desiludiu quem se deslocou à cidade louletana”, com um cartaz que foi, “novamente, de elevada qualidade, não defraudando ninguém”. Para o autarca, “em termos de afluência, esta edição contou com o melhor sábado de todas as edições realizadas até agora, concluíndo, em jeito de confissão menor ao POSTAL, que a estreia mundial de A Curva da Cintura foi, na sua opinião pessoal, o momento mais marcante do evento.
VENDA TAVIRA
FLORENTINO MATOS LUIS, Administrador de Insolvência, com escritório na Avenida Almirante Gago Coutinho, 48-A - 1700-031 LISBOA, nomeado nos Autos de Insolvência nº. 301/12.5TBTVR, a correr termos pelo Tribunal Judicial de Tavira, em que foram declarados insolventes SANDRA MARIA RAMOS RODRIGUES e CARLOS JORGE FERNANDES CARVALHINHO, faz saber que, por deliberação da Assembleia de Credores, vai proceder à venda no estado físico e jurídico em que se encontra, por negociação particular e por meio de propostas que serão remetidas em carta fechada, do seguinte bem: Verba Única Direito de superfície que incide sobre a fracção autónoma designada pela letra “G”, correspondente ao 3º andar esquerdo, destinada a habitação social, integrada no prédio urbano sito em Vale de Caranguejo, freguesia de Santa Maria, designado por lote C, inscrito na matriz sob o art.º 4049, descrito na Conservatória do Registo Predial de Tavira sob o n.º 1371/19900305 da mesma freguesia, cujo valor base de licitação é de 75.000,00 m Para efeito da apresentação das propostas, os bens podem ser vistos mediante marcação pelos telefones 218406953 ou 917247040. REGULAMENTO: As propostas serão remetidas, até ao dia 16 / 07 / 2012, que inclui a data do registo de expedição dos CTT, remetidas em envelope fechado, por sua vez introduzido em carta registada, dirigida ao Administrador da Insolvência de SANDRA MARIA RAMOS RODRIGUES e CARLOS JORGE FERNANDES CARVALHINHO, Florentino Matos Luís, com escritório na Avenida Almirante Gago Coutinho, nº. 48-A, 1700-031 LISBOA. As propostas deverão conter: nome ou denominação completa da entidade proponente; morada ou sede social; número de contribuinte ou de pessoa colectiva; representante, em caso de pessoa colectiva, indicação de telefone e/ou fax de contacto e valor proposto por extenso. A abertura das propostas realizar-se-à no dia 19/07/2012, pelas 15H30, no imóvel, perante o Administrador da Insolvência e os Senhores Credores que pretendam assistir, onde deverão comparecer os proponentes, condição para que as s/ propostas sejam aceites. Serão excluídas as propostas que não contenham todos os elementos solicitados. Desde que exista mais que um proponente com propostas válidas para o referido bem serão estes convidados a licitarem entre si, cujo valor base de licitação será o da melhor proposta recebida, o que se fará (no mesmo local) pelas 16H00 do referido dia 19/07/2012. Se o bem for adjudicados o promitente comprador entregará, um cheque referente a 25% do valor do preço, a título de sinal; A competente escritura de compra e venda, será realizada no prazo máximo de 60 dias, em data, hora e local a notificar ao comprador, devendo este, até 10 dias antes da celebração da mesma depositar à ordem da massa insolvente o valor remanescente. Se não for possível realizar a escritura por razões imputáveis ao promitente comprador, este perderá o sinal já entregue e atrás referido. Serão de conta do comprador todos os encargos legais decorrentes da compra, designadamente o IMT, escritura e registos. São igualmente por conta do comprador os encargos de emolumentos com o cancelamento dos ónus existentes. Caberá ao Meretíssimo Juíz do processo de insolvência, a resolução de todas e quaisquer questões surgidas, que não estejam contempladas no presente regulamento. O Administrador da Insolvência Florentino Matos Luis (POSTAL do ALGARVE, nº 1083, de 6 de Julho de 2012)
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REGIÃO
Sede: Rua Dr. Silvestre Falcão, n.º 13 C - 8800-412 Tavira - Algarve Tel: 281 320 900 | Fax: 281 320 909 E-mail: jornalpostal@gmail.com
Parques Empresariais de Tavira com nova imagem
Director: Henrique Dias (CP 3259).
Atrair empresários às zonas industriais do concelho é a grande prioridade
FICHA TÉCNICA
Director Comercial: Basílio Pires Editor: Ricardo Claro (CP 9238). Redacção: Cristina Mendonça (CP 3258), Geraldo de Jesus (CO 630), Helga Simão, Humberto Ricardo (CP 388), Pedro Ruas (estágio curricular). Design: Profissional Gráfica. Colaboradores fotográficos: José A. N. Encarnação “MIRA” Colaboradores: Beja Santos (defesa do consumidor), Nelson Pires (CO76). Departamento Comercial, Publicidade e Assinaturas: Anabela Gonçalves, José Francisco. Propriedade do título: Henrique Manuel Dias Freire, inscrito sob o nº 211 612 no Registo das Empresas Jornalísticas. Edição: Postal do Algarve - Publicações e Editores, Lda. Contribuinte nº 502 597 917. Depósito Legal: nº 20779/88. Registo do Título (dgcs): nº 111 613. Impressão: Naveprinter Distribuição: Banca - Logista, à sexta-feira com o Público/ VASP - Sociedade de Transportes e Distribuição, Lda e CTT. Membro: APCT - Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação; API - Associação Portuguesa de Imprensa.
Tiragem desta edição:
9.511 exemplares
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O MERCADO DA RIBEIRA assis-
tiu na terça-feira da passada semana à apresentação oficial da nova imagem corporativa da EMPET - Parques Empresariais de Tavira, EM, a que se junta a marca criada especificamente para a empresa denominada Ativar Tavira. João Pedro Rodrigues, administrador da empresa, disse ao POSTAL que a nova imagem é um conceito associado à vertente económica dos Parques Empresariais. “Pretendemos ter um conceito mais dinâmico, mais sólido, por isso, queremos posicionar-nos junto dos interessados. Este foi o primeiro passo. Criar uma nova imagem para que possamos desenvolver os negócios”. Até agora, os parques acolheram dois empresários do concelho, mas a administração espera que muitos mais venham a ocupar os espaços disponíveis. “Já há mais projectos licenciados. Um a começar em breve e outros dois a começar
nos próximos tempos. O primeiro passo é sempre complicado. Temos duas opções. Sentarmo-nos à espera que nos venham bater à porta ou sairmos à procura de investidores. Não se pode parar e há que aproveitar este tempo de incertezas para tentar as oportunidades”. A nova imagem pretende ser também um instrumento para captar empresários de outras zonas do país e não só. “O Parque não é viável só com empresas locais, infelizmente. Mas não vamos ficar só no concelho ou na região do Algarve. Vamos pelo país fora, pela Europa, pelos Estados Unidos. Aliás, estivemos lá à procura de parceiros. O empresário tem de ponderar o Algarve e Tavira como opção. Se as empresas tiverem sucesso outras virão”. Jorge Botelho, presidente do Município de Tavira, disse ao POSTAL que a apresentação do Ativar Tavira marca o relançamento da empresa EMPET e marca uma estratégia. “Pretendemos criar condições para que Tavira seja o centro do so-
GERALDO DE JESUS
João Pedro Rodrigues na apresentação da marca “Ativar Tavira” tavento do Algarve. Estamos a trabalhar neste programa há mais de um ano. Acabámos o Parque. Agora é tempo para a comercialização. Temos de cativar os empresários para virem para Tavira com os pólos empresariais como alavancas criadoras de
valor e postos de trabalho. A estratégia de Tavira ser amiga dos empresários aposta na eliminação progressiva da derrama, bem como, na redução das tarifas de água e saneamento e ligação de esgotos para o Parque Industrial. Uma série de estratégias para ser mais fá-
cil, mais rápido e mais barato, para que as empresas venham para cá”. “Um trabalho para os próximos oito a dez anos continuar”, diz Jorge Botelho, que remata, “agora é agarrar na mala e trabalhar. Ir à procura do investimento”.
todas as cinco equipas de ordem pública do Corpo de Intervenção estacionadas em Faro, num total de 90 polícias, igualmente integrados nas UEF. Além do reforço das forças especiais, o Comando Distrital da PSP de Faro, vai também aumentar as equipas de ciclo-patrulhas, para as áreas de Vila Real
de Santo António, Tavira, Olhão, Portimão, Lagos e Aeroporto Internacional de Faro. Em Faro aquelas equipas já funcionam durante todo o ano. As equipas de patrulhamento em bicicleta privilegiarão as zonas comerciais, acessos às zonas balneares e centros históricos/turísticos.
CRIANÇAS RECEBEM PULSEIRAS PARA FACILITAR LOCALIZAÇÃO
Trezentos polícias reforçam segurança no Algarve CERCA DE TREZENTOS efectivos
das Unidades Especiais da Polícia (UEP) vão reforçar Já este mês a segurança no Algarve, o que representa uma duplicação do reforço de meios relativamente ao ano passado, disse à Lusa fonte da PSP. Além disso, vão ser distribuídas cinco mil pulseiras gratuitas às crianças para facilitar a sua localização, caso se percam.
No caso da GNR, os postos territoriais e grupos especiais têm vindo a ser reforçados desde o início do ano, pelo que não deverá ser feito qualquer reforço adicional a pretexto do Verão, disse à Lusa fonte daquela força de segurança. Apesar disso, uma parte significativa de um grupo de 556 guardas provisórios recentemente formados na Es-
cola da GNR deverá estagiar no Algarve durante o Verão, o que constituirá um reforço das forças estacionadas, adiantou a mesma fonte. No caso da PSP, os 300 efectivos adicionais distribuem-se por 20 equipas, que de 14 de Julho a 30 de Setembro ficarão instaladas em Lagos e Portimão e têm por missão o reforço
do patrulhamento àquelas cidades e a manutenção da segurança e ordem públicas, com especial incidência no período nocturno. Em resposta enviada à Lusa, a Direcção Nacional da PSP informa que durante toda a presente época estival ficarão também afectas ao policiamento e segurança de turistas e veraneantes
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Tavira Convida a viver o Comérico Local
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Dias 5 e 6, 12 e 13 e 19 e 20 de Julho
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CLASSIFICADOS
Farmácias de Serviço SEXTA
SÁBADO
DOMINGO
SEGUNDA
TERÇA
QUARTA
QUINTA Santos Pinto
ALBUFEIRA
Alves Sousa
Santos Pinto
Santos Pinto
Santos Pinto
Santos Pinto
Santos Pinto
ARMAÇÃO DE PÊRA
Sousa Coelho
Edite
Edite
Edite
Edite
Edite
Edite
FARO
Crespo
Palma
Almeida
Montepio
Higiene
Caniné
Pereira
LAGOA
Lagoa
José Maceta
José Maceta
José Maceta
José Maceta
José Maceta
José Maceta
LAGOS
Telo
Neves
Ribeiro Lopes
Lacobrigense
Silva
Telo
Neves
LOULÉ
Martins
Chagas
Pinheiro
Pinto
Avenida
Martins
Chagas
MONCHIQUE
Moderna
Moderna
Moderna
Hygia
Hygia
Hygia
Hygia
OLHÃO
Nobre
Brito
Rocha
Pacheco
Progresso
Olhanense
Nobre
PORTIMÃO
Rosa
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Arade
Guilherme
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Pedra
Moderna
QUARTEIRA
Miguel
Algarve
Algarve
Algarve
Algarve
Algarve
Algarve
SÃO BART. DE MESSINES
Sequeira
Sequeira
Sequeira
Algarve
Algarve
Algarve
Algarve
SÃO BRÁS DE ALPORTEL
S. Brás
Dias Neves
Dias Neves
Dias Neves
S. Brás
Dias Neves
S. Brás
SILVES
Guerreiro
Guerreiro
João Deus
João Deus
João Deus
João Deus
João Deus
TAVIRA
Central
Felix
Felix
Sousa
Montepio
Mª Aboim
Central
VILA REAL de STº ANTÓNIO
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tel. / fax.: 281 323 492 Rua Chefe António Afonso, 17 (junto à Ponte de Santiago)
CÂMARA MUNICIPAL DE TAVIRA EDITAL Nº 37/2012 Jorge Manuel do Nascimento Botelho Presidente da Câmara Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que em reunião de Câmara Municipal, realizada no dia 19 de junho de 2012 foram tomadas as seguintes deliberações: 1.Aprovada por maioria a proposta da Câmara Municipal número proposta número 116/2012/CM, referente à 9ª. e 10ª alterações ao Orçamento/2012; 2.Aprovado por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 117/2012/CM, referente à doação de bem ao Município de Tavira; 3.Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 118/2012/CM, referente à anulação de dívida em execução fiscal - Transporte em ambulância Guilherme Tolentino Pereira Graça; 4.Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 119/2012/CM, referente ao Concurso público para aquisição de serviços de seguros (1-CPU/12) - documentos de habilitação - supressão de irregularidades; Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume.
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FARMÁCIA
FÉLIX FRANCO
Proprietário e Director Técnico
Dr. António Manuel S. P. Faleiro
empresa
Paços do Concelho, 19 de junho do ano 2012 O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, Jorge Manuel Nascimento Botelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1083, de 6 de Julho de 2012)
Contacte-nos:
281 320 900
Rua Alexandre Herculano, nº24 8800-394 TAVIRA · tel.: / fax: 281 322 162
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Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.
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Ocean Revival afunda primeiro navio em Agosto Museu subaquático recebe a primeira “pedra” com corveta Oliveira e Carmo D.R.
Pedro Ruas/Ricardo Claro pedror.postal@gmail.com
O AFUNDAMENTO do primeiro dos quatro navios de guerra da Marinha Portuguesa que vai integrar o parque subaquático de Portimão será efectuado no mês de Agosto. A corveta Oliveira e Carmo vai estar preparada para ser submergida muito em breve. “Os trabalhos de remoção dos materiais nocivos para o ambiente estão praticamente concluídos, seguindo-se as inspecções técnicas para que seja afundado”, disse à Lusa Luís Sá Couto, presidente da associação Musubmar e mentor do projecto. OLHOS POSTOS NO TURISMO O
museu subaquático pretende
Ocean Revival vai potenciar turismo de mergulho ser um local de visita obrigatória para mergulhadores de todo o mundo, onde para além
do reforço do ecossistema e dinamização da biodiversidade, se prevê, durante os primeiros
dez anos, a passagem de cerca de 620 mil praticantes de mergulho e respectivas famílias. O Ocean Revival Algarve pretende ser um local de mergulho controlado, a cerca de 5,5 quilómetros da Barra de Portimão, ao largo da Prainha, em Alvor, e estará a trinta metros de profundidade. Manuel da Luz, autarca da Câmara de Portimão, em declarações à comunicação social, augura que as condições climatéricas da região, as águas calmas e os preços praticados poderão ser maisvalias neste projecto único no país e que aposta num nicho de mercado que conta com cerca de oito milhões de potenciais clientes. Três milhões de euros de investimento privado permi-
tem ao Museu arrancar na prática com quatro navios, a serem sucessivamente afundados com o tiro de partida a ser dado pela fragata Oliveira e Costa a que se seguirá o navio-patrulha Zambeze. “É um processo complexo e demorado”, afirma Luís Sá Couto, observando que “do primeiro navio foram retiradas cerca de 300 toneladas de materiais contaminantes, ao longo de cinco meses de trabalho”. Luis Sá Couto garante ainda que “ficarão apenas os materiais que não representem perigo e possam contar a história do navio” e que “óleos, cabos eléctricos, amianto e todas as substâncias perigosas são retirados”, restando apenas o seu casco e alguns materiais inertes. Os outros navios que integram o projecto serão o Almeida Carvalho (navio oceanográfico) e a fragata Hermegenildo Capelo, que vão formar o único recife artificial do planeta composto por uma frota representativa de toda uma Armada. PUB
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Cultura.Sul
06.07.2012
António Pina Convida
Preservemos aquilo que é nosso ‘’Toda a viagem de 1000 léguas depende do primeiro passo, porque é o que marca a direcção’’ (Ditado chinês)
Luís Guerreiro
Chefe de Divisão de Cultura e Museus
Perante um mundo crescentemente globalizado, onde tudo tende a ser igual em qualquer parte do mundo, é muito importante que saibamos defender, preservar e valorizar as nossas diferenças, aquilo que verdadeiramente nos caracteriza e nos confere identidade. O Algarve, como toda a gente sabe, é a principal sala de visitas do nosso País. Milhares de pessoas de todo o mundo vêm todos os anos a esta região, aqui permanecendo alguns
dias, atraídos por motivações e gostos diversificados. Também se sabe que a competitividade entre as regiões turísticas é muito grande, quer em matéria dos preços praticados, quer na qualidade dos produtos oferecidos. Os visitantes, está provado, são cada vez mais exigentes, cultos e esclarecidos. Neste enquadramento assume especial relevo uma atenção muito cuidada ao nosso Património Cultural, entendido como realidade dinâmica entre herança material e imaterial, monumentos e tradições, costumes e mentalidades e criação contemporânea. Em 2005, em Faro, foi aprovado um Documento do Conselho da Europa, designado por Convenção – Quadro do Conselho da Europa sobre o valor do Património Cultural na sociedade contemporânea, onde pela primeira vez se reconhece a importância do património
cultural, como atrás o definimos, para o desenvolvimento humano das sociedades, numa perspectiva de respeito pela dignidade humana, da diversidade cultural e do pluralismo, contra a homogeneização e a harmonização. Nos últimos tempos tem saído diversa legislação nacional no sentido de envolver entidades públicas e privadas, bem como cidadãos em geral, na gestão e preservação do nosso património cultural, dando orientações e sentidos de actuação, partindo do princípio que esses bens e valores representam um sinal de presença, um testemunho, uma herança de quem nos antecedeu, mas também porque contribuem positivamente para enriquecer a nossa vida, a nossa existência, em suma, reforçam a nossa identidade cultural. Actualmente já não nos revemos nas palavras do 1º Tenente da Marinha, Carlos de Sousa
Leal, quando em 1917 escreveu: «A província merece ser visitada, mas o touriste não vai encontrar que admirar, mais que belos campos e formosas praias. Monumentos faltam. Os povos que outrora habitaram o Algarve, não deixaram templos ou construções monumentais, que hoje nos poderiam dar uma ideia do seu poder e do seu valor artístico. Uns pobres restos de umas termas, lanços de muralhas sem nada de notável, algumas igrejas e está feito o balanço». Este discurso perfeitamente datado correspondia a um modelo de turismo assente em grandes monumentos e tesouros artísticos, coisa que realmente o Algarve não possuía. Como dizia Guilherme de Oliveira Martins, actual presidente do Tribunal de Contas e um dos responsáveis pela Convenção de Faro: «Não estamos sós; em cada momento, a História faz-se com os
contemporâneos e com aqueles que tornaram possível a nossa existência e constituíram as gerações que nos antecederam». O Algarve está a viver uma das maiores crises de que há memória. O Turismo nas suas diversas vertentes, o dito «tradicional» de sol e praia, o turismo cultural, o turismo residencial, o turismo sénior e o turismo de golfe, podem dar uma ajuda muito séria para combater esta crise, atraindo receitas para o País, criando emprego e fomentando o crescimento económico. Para isso é preciso que haja um grande consenso nacional em torno de uma estratégia para o sector, que o Governo aposte forte no Turismo e que todos os agentes económicos e entidades públicas e privadas estejam irmanadas nos mesmos princípios, porque matéria prima, está mais que provado, existe e de qualidade internacional.
Espaço AGECAL
Para uma história do turismo do Algarve
Patrícia Batista - Historiadora Sócia da AGECAL ‒ Associação de Gestores Culturais do Algarve
Falar de Algarve é hoje sinónimo de praia e de férias, no entanto nem sempre foi assim! Até meados do século XIX os banhos de mar destinavam-se, exclusivamente a fins terapêuticos, prescritos pelos médicos de então, a talassoterapia estava em voga, e os “ares do mar” também eram considerados saudáveis. O próprio conceito de viagem e de turista era bastante diferente do actual. Viajar sempre fora apanágio dos mais abastados, sobretudo nos séculos XVIII/XIX onde se cultivava o gosto pelas viagens como parte integral da formação do indivíduo, bem ao gosto romântico da época. No caso particular do Algarve, existem diversos relatos de viajantes
que aqui se deslocaram, essencialmente, por motivos profissionais, como o alto funcionário francês do Ministério da Guerra, Leopold Alfred Gabriel Germond de Lavigne, ou Hermann Friedrich Joachim Freiherrn Von Maltaz, que empreendeu uma viagem científica à região, na qualidade de presidente da Sociedade dos Amigos da História Natural de Mecklenburg. O turista, tal como hoje é entendido, começa a ganhar expressão a partir dos anos 30 do século XX, com a introdução de férias pagas, em França. O que em Portugal só viria a acontecer décadas mais tarde. De forma gradual a “ida a banhos” desliga-se da sua função meramente medicinal e começa a fazer parte do calendário social da elite endinheirada. Os banhos de mar, para além de recomendáveis para a saúde, tornam-se, igualmente, momentos de fruição e lazer, complementados por uma intensa actividade social e cultural. O Algarve de início do século XX é uma região pouco turística, sobretudo, devido às escassas e difíceis acessibilidades, que tornavam a viagem bastante penosa, apenas uma estrada que atravessando a serra do Caldeirão, ligava ao Alentejo e resto do país, o mar mantinha-se
O Hotel Guadiana foi edificado nas primeiras décadas do século XX como principal via de acesso. Falava-se então numa tríade turística: Portimão – Monchique e Sagres. Monchique atraía muitos viajantes, quer pela sua exuberante vegetação, quer pelos seus banhos termais. Sagres pela sua carga mística e simbólica ligadas à figura do Infante e da Expansão. E Portimão, em particular, a Praia da Rocha, devido ao seu clima ameno ao longo de todo o ano, rivalizando com as famosas estâncias internacionais como Biarritz.
Também a ausência de unidades hoteleiras dignas de tal designação constituíam um entrave ao turismo na região. As primeiras unidades hoteleiras, como o Hotel Guadiana, em Vila Real de Santo António, ou o Grande Hotel na capital da província são edificadas nas primeiras décadas de 900. O grande surto edificatório, e que alterará completamente a fisionomia do litoral algarvio, coincide com o boom turístico dos anos 60, reflexo da inauguração do aeroporto
de Faro em 1965, que irá colocar o Algarve definitivamente nos circuitos turísticos internacionais. De paraíso perdido de difícil acesso o Algarve torna-se num centro cosmopolita, destino turístico de figuras públicas de renome internacional, o aeroporto, segundo Manuel da Fonseca, torna a região “um arredor da capital do País. Os estrangeiros, então, mal chegam a Lisboa, daí a nada, estão a tomar banho nas praias algarvias”.
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património
• VIVÊNCIAS NO ALGARVE - PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL
Algarve interior: Herança e Tradição
FOTOS: ANA MESTRE/JORNAL DE MONCHIQUE
Maria Luísa Francisco
Investigadora e doutoranda em Sociologia
Práticas simbólicas e património oral
O património cultural imaterial representa um conjunto de experiências acumuladas e transmitidas de geração em geração, tais como rituais, falares, danças, música, artesanato, artes culinárias e práticas agrícolas. Esta herança representa os saberes e a partilha comunitária, fluindo permanentemente de uma geração para a outra. Como assinala Arantes,(1) a preservação da cultura imaterial, revela que o património pertence às comunidades e está imbuído em processos sociais e culturais pelos quais a vida social é produzida e transformada. O património imaterial de Monchique O património imaterial deste concelho do interior algarvio é composto por um manancial de conhecimentos, de saberes-fazer associados a actividades como a cestaria, a doçaria, a gastronomia, a tecelagem, os bordados, a “estila”, a apicultura e os trabalhos em madeira. A cestaria representa uma arte que desde há muito se pratica em Monchique, sendo a matéria-prima, vime e verga, produzida também no concelho. Esta arte continua a ser praticada e tem alguns seguidores de gerações mais novas. Na doçaria destaca-se o Bolo de Tacho ou Bolo de Maio como bolo tradicional de Monchique que é feito para se comemorar o dia 1 de Maio. É confeccionado com alguns produtos do concelho como por exemplo mel, azeite, banha de porco e aguardente. Aliás, a aguardente de medronho está sempre presente para acompanhar uma fatia deste consistente e
vívio e às danças tradicionais.
Cadeiras de tesoura de Monchique apreciado bolo. Na “estila” são usados métodos ancestrais, que têm passado de geração em geração, e hoje ainda tem um significativo número de produtores em Monchique. A existência de um Roteiro das Destilarias, de uma loja no centro da vila que comercializa aguardente de medronho de quase todos os produtores concelhios e a criação recente da Confraria do Medronho são iniciativas que merecem ser salientadas como formas de valorizar um produto forte de Monchique e a identidade local. Quanto à gastronomia são muitos os pratos típicos confeccionados a partir da carne de porco, aliás o saber-fazer associado a todo o processo da matança do porco, ou como se diz em Monchique, “morte porc”, sempre acompanhou estas populações.
O porco é a base alimentar das gentes da serra, sendo todas as partes aproveitadas e consumidas ao longo do ano. Os principais produtos são presunto, banha, toucinho, carne e enchidos. A importância destas iguarias na gastronomia local levou à criação de certames como a Feira dos Enchidos e a Feira do Presunto. A arte da tecelagem tradicional teve muita expressão no concelho até há cerca de meio século. Actualmente existe apenas uma tecedeira embora já pouco activa. Há um saber-fazer em risco de se perder, que se não for transmitido às gerações mais novas, correr-se-á o risco de ninguém saber um dia o que é e como funciona um tear. Os saberes associados à arte de trabalhar a madeira têm perdurado ao longo dos tempos. Ainda podemos
MÁRIO DUARTE
Destilação de aguardente de medronho
Envergamento de garrafa
encontrar quem faça colheres de pau em madeira de urze e medronheiro e cadeiras em madeira de amieiro. Estas cadeiras, designadas como cadeiras de tesoura de Monchique, com origem romana, têm alcançado sucesso além-fronteiras. Na Artechique, feira que se realiza na vila de Monchique sempre em Setembro, e que este ano leva a efeito a sua 18ª edição, é possível adquirir produtos tradicionais e assistir à execução de peças do artesanato mais típico do concelho. Este evento é uma forma de valorização do saber-fazer e da identidade monchiquense. Ainda como património cultural imaterial não podemos esquecer as memórias e saberes-fazer ligados à ancestral arte de trabalhar a terra, aos processos de rega, à debulha do milho nas eiras, aos modos de con-
A religiosidade no concelho é bastante marcada por procissões como a de São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição (freguesia de Monchique), a de São Romão (freguesia de Alferce) e a de Santo António (freguesia de Marmelete). As práticas simbólicas, como por exemplo o “banho do 29”, continuam a existir. Esta prática foi retomada com base na antiga tradição da ida das populações da serra até ao litoral na noite de 29 para 30 de Setembro (Dia de São Miguel). A tradição inclui a partilha de farnéis, as danças e culmina com um banho de mar que, como diziam, “valia por 29”. A cultura oral continua a existir com vitalidade sendo os falares e dizeres como um elemento diferenciador de Monchique a par dos costumes e tradições rurais. A diversidade e riqueza do património oral transmitido de geração em geração passa também por um vasto leque de contos, histórias e lendas, que fazem ainda parte do imaginário de tantos monchiquenses, tais como, a Lenda do Barranco do Demo, a Lenda da Moura da Serra de Monchique, a Lenda da Princesa D. Branca e a Lenda da Cruz da Fóia. De referir a este nível um trabalho de recolha feito pelos alunos do 8º ano da EB2,3 de Monchique realizada no ano lectivo 2006/07. A recolha foi editada pela Junta de Freguesia de Monchique com o título Lendas, histórias e contos de Monchique. É um contributo importante para a valorização da memória colectiva preservando a voz da tradição. Cabe a todos a tarefa de transmitir os valores e saberes adquiridos, fazendo a diferença entre a perda e a preservação da cultura e identidade local. As gerações mais velhas são portadoras de um saber-fazer que é o sustentáculo do artesanato existente. É de extrema importância o registo do património cultural imaterial junto dessas gerações que são depositárias de tantos saberes. Como refere o historiador António Rosa Mendes “a vida é mudança e aquilo que permanece é a nossa identidade”. (1) ARANTES, António (2006). “Diversity, Heritage and Cultural Politics”. Theory, Culture & Society 24 (7-8), pp: 290-296. Versão electrónica consultada em http://tcs.sagepub.com
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Cultura.Sul
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livro
Teoria Geral do Esquecimento Adriana Nogueira
Classicista Professora da Universidade do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com
É muito difícil dizer as razões porque pensamos que um livro é bom. Para além das fundamentações mais académicas que podem ajudar a qualificar um livro, há aquelas que qualquer leitor estabelece como critério próprio. Pessoalmente, considero que uma característica fundamental para colocar uma obra na categoria dos bons livros é o fazer-me ficar a pensar nela durante muito tempo. Acabar de ler um livro e andar a remoer o que li, a relembrar alguns passos, algumas personagens, alguns ditos ou reflexões, e até excertos que não percebi bem, é um prazer que não dispenso. Este último livro do angolano José Eduardo Agualusa (que esteve, no passado mês de maio, em Portimão e em Faro), Teoria Geral do Esquecimento, tem tudo isso. Um mês depois de o ter lido, com várias outras leituras de permeio, aquelas personagens ainda convivem comigo, ainda me fazem meditar. Neste momento, ao folhear as páginas para encontrar um ou outro passo que gostaria de citar, o narrador mostra-me partes que me escondera na primeira leitura. E isto é outra característica que me agrada. Lusofonias Não compreendo as línguas que me chegam lá de fora, que o rádio traz para dentro de casa, não compreendo o que dizem, nem sequer quando parecem falar português, porque este português que falam já não é o meu. (p.37)
destaque
Ludovica, ou Ludo, como lhe chamam, é uma jovem mulher de Aveiro, que acompanha a irmã, professora de liceu, para Angola, quando esta se casa com um mestiço, engenheiro de profissão. Desde cedo «nunca gostou de enfrentar o céu» (p.13), tendo
a profunda mudança de vida (casa, clima, país, cultura) sido difícil de suportar. Quando se dá a revolução e a família decide regressar, Ludo fica. Se permanecer lhe parece difícil, sair ainda mais a assusta. E é no apartamento de onde já pouco saía que, após uma tentativa de assalto, se barrica e constrói uma parede que a separa do mundo durante décadas. Acompanhada por um cão, de significativo nome «Fantasma», sobrevive ao tempo. Lá fora, o mundo que observa através de «uma comprida caixa de cartão, na qual recorta dois orifícios, à altura dos olhos, para espreitar, e outros dois, mais abaixo, para libertar os braços» (p.75), continua a adaptar-se às transformações políticas e sociais provocadas pela independência e pelas guerras. Falar de Angola e de Portugal sem lamentos ou ressentimentos, ao mesmo tempo sem branquear a crueldade (e crueza) da realidade, é arte da sensibilidade de Agualusa. Aquilo que todos sabemos é dito em poucas linhas: «Nos meses que se seguiram à Independência viu sucederem-se tragédias que [ele, Horácio, funcionário da alfândega] havia vaticinado: a fuga dos colonos e de uma boa parte da burguesia nativa, o encerramento das fábricas e do pequeno comércio, o colapso dos serviços de água, de eletricidade e de recolha de lixo, as prisões em massa, os fuzilamentos» (p.213). A muito disto Ludo assiste, quer como observadora, da varanda do décimo primeiro andar, quer como participante, subsistindo à falta de água, de luz, e também de comida. Mas não é a única personagem que tem de encontrar estratégias de sobrevivência: com algum humor, o narrador (que vai deixando pistas de que faz parte da história, usando «eu» aqui e acolá) conta-nos esta fuga da prisão: escondido num caixão, o Pequeno Soba, de 19 anos, ganhou «o hábito de visitar a campa, no aniversário da suposta morte, levando flores a si mesmo: Para mim é uma reflexão sobre a fragilidade da vida e um pequeno exercício de alteridade, explica aos amigos. Vou lá, e tento pensar em mim como num parente próximo. Sou, na verdade, o parente mais próximo de mim» (p.194). Uma outra fuga, desta vez por estrada, evitando barricadas, foi organizada por uma mulher de coragem,
DA MINHA BIBLIOTECA
O caroço de azeitona de Erri de Luca. Assírio & Alvim, 2009
a enfermeira Madalena, e é a minha preferida: o homem (o nome deste não posso dizer, para não estragar a leitura) ia numa velha carrinha, «estendido, atrás, oculto por vários caixotes de livros. Livros infundem respeito, explicou a enfermeira: Se levasse caixotes carregados de garrafas de cerveja, os soldados iriam revistar o veículo de uma ponta a outra. Além disso, chegaria a Mossâmedes sem uma única garrafa. O estratagema revelou-se acertado. Nos numerosos controles pelos quais passaram, os militares perfilavam-se aos verem os livros, pediam muita desculpa a Madalena, e deixavam-na seguir» (p.57). «Um homem com uma boa história é quase um rei» Esta frase, com que termina um dos capítulos (p. 157) da Teoria Geral do Esquecimento, remete para um universo em que a oralidade impera, onde as histórias, o conhecimento do mundo, a fantasia e as realidades ainda são transmitidos em comunidade. Neste caso concreto, um menino conta um caso fantástico, sobre um homem que desapareceu sob um chapéu, dando início àquilo a que muitos chamam lendas urbanas, mas a que os especialistas da área gostam de chamar apenas lendas, ou lendas vivas. No meio de uma outra história, a propósito de um outro assunto, e quando já nem nos lembrávamos deste mistério, ficase a saber o que realmente se passou com este desaparecimento. E há crenças que, sem querer me-
“TEMPOS QUE PASSAM... RECORDAÇÕES QUE FICAM” Até 30 JUL | Galeria de Arte Pintor Samora Barros - Albufeira Mostra de fotografias de Albufeira de outros tempos, captadas pela objectiva de Vítor Sousa. O autor vai expôr imagens da sua colecção particular e brindar os visitantes com algumas surpresas
nosprezar os que nelas acreditam, são de tal modo cândidas que nos inspiram ternura, como a Kianda, «uma entidade, uma energia capaz do bem e do mal. Essa energia se exprime através de luzes coloridas emergindo da água, das ondas do mar e da fúria dos ventos. Os pescadores prestamlhe tributo». Ludo vem a contribuir «para reforçar a crença dos luandenses na presença e na autoridade das Kiandas» (p.48), ao conseguir roubar uns galináceos. As pequenas histórias Os vários capítulos do livro vão introduzindo novas personagens, contando novas histórias, espalham-se pelo enorme território que é Angola e abordam temas como as prisões políticas, os assassínios, os abusos de poder (nas suas diferentes escalas, desde o militar ao miúdo de rua). Mas, pouco a pouco, as peças vão-se juntando e terminam à porta de Ludo, que teve, por fim, de se abrir. As pequenas narrativas de que se compõem os capítulos conduzemnos pelo mundo da culpa e da inocência, das fraquezas e da coragem, do crime e da redenção, seja esta uma nova vida ou a morte. Os momentos de violência são contextualizados, o que não nos permite emitir juízos de valor. Como num baile bem ordenado, em que os dançarinos se juntam e afastam em passos estudados, neste romance entram homens, mulheres, crianças, animais e pássaros que, de
Em junho do ano passado escrevi aqui sobre um outro livro do italiano Erri de Luca, O dia antes da felicidade, e no texto referi este O caroço de azeitona. Se hoje volto a ele é porque o livro de Agualusa me fez sentir assim, com vontade de pensar nele, como quem fica com um caroço de azeitona na boca, para o ir roendo, de modo a não perder uma pitada do seu sabor, que se mantém por muito tempo. Esta é a ideia do livro, de um autor comunista, não crente, mas estudioso de hebraico e leitor assíduo das Escrituras. Diz ele: «Leio as histórias sagradas, e aí recebo a imensidão de um sentido, ainda que permaneça à superfície das palavras». Palavras, aliás, sobre as quais afirma: «sou um molestador de palavras, de não as deixar em paz, de voltar atrás a partir delas com um punhado de cinzas quentes». O caroço de azeitona é, portanto, uma coletânea de reflexões sobre trechos bíblicos. Deixo-vos este, sobre Cristo: «Nascesse hoje, e seria num barco de imigrados, atirado ao mar juntamente com a mãe, à vista da costa de Puglia ou da Calábria. Talvez continue a nascer assim, sem sobreviver, e o vinte e cinco de Dezembro seja apenas o mais célebre dos seus aniversários. Depois dele, o tempo reduziu-se a um entretanto, a um parêntesis de vigília entre a sua morte e a sua nova vida. Depois dele, ninguém é residente, mas todos são refugiados à espera de um visto. Somos nós, bem nutridos do ocidente, a coluna de estrangeiros e, fila para lá do último guichet». uma forma ou de outra, vão fazer parte da vida de Ludo e daqueles que com ela cruzaram os seus destinos.
“IVETE SANGALO - O ‘FURACÃO’ DA BAHIA” 28 JUL | 22.00 | Estádio Municipal de Portimão O espectáculo, com a duração de cerca de três horas, fará uma viagem por todos os grandes sucessos da carreira da artista
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Contos de Verão na Ria Formosa
‘Quien Sabe Donde’
Pedro Jubilot
pjubilot@hotmail.com canalsonora.blogs.sapo.pt
Selma preferia passar as férias na praia, bronzear-se, dar passeios à beira-mar. Ou mesmo ir para o campo, andar de bicicleta, descansar à sombra das árvores, tomar banhos na piscina. Dias passados a comer bem e a dormir melhor. De preferência a sul onde as temperaturas são mais amenas. Mas Filipe tem a mania das viagens sem rota, sem destino, ao sabor da vontade. Gosta de conduzir por estradas desconhecidas até se sentir cansado. Diga-se que sente mesmo algum prazer em se perder, ainda que por instantes. Para ele o importante é deixar por algum tempo os lugares de todos os dias e de todas as noites. Mudar o cenário do quotidiano, esquecer as ruas de volta para casa. Só quando passa os subúrbios em direção ao interior ou ao litoral consegue começar a sonhar. Selma acha que se perde demasiado tempo nesses joguinhos do namorado, que podia ser melhor aproveitado. Desta vez tentavam conciliar estes dois tipos de lazer. Partiram cedo como ela sempre queria, mas por estradas secundárias por desejo dele. Atravessaram o Alentejo mais profundo junto à fronteira com Espanha, que cruzaram para petiscar umas tapas de presunto, ficando lá a pernoitar. Visitaram lugarejos que para Selma deixavam de ter nome à medida que ficavam para trás, e as fachadas das igrejas e as árvores que Filipe fotografava pareciam-lhe todas iguais. Passados três dias de andar naquele sem rumo resolveram parar a pedido de Selma, para pensar num sítio para onde ir e ficar algum tempo, calmamente, a aproveitar os restantes dias de férias. Ele, obviamente, já sabia que para ela só havia um destino. Fil, já chega de vaguear. Tu também já estás cansado. Vamos para o Algarve, se não vamos ao Algarve, é como se não tivesse havido verão. A rapariga saiu do carro para respirar o ar puro como aquele que não tinha na grande cidade e para desentorpecer dos quilómetros já percorridos. Não gostava de passar as férias metida dentro dum carro. Já lhe bastava o escritório de todos os dias. Ele ficou por ali, no seu banco de condução acabando um daqueles cigarros de cheiro intenso que trouxera do lado de lá do rio Guadiana. Fumando, apreciava o jeito de andar da sua companheira. Está bem, vamos para o Algarve. Deixa-me
só descansar um pouco. Filipe encostou a cabeça e assim adormeceu por alguns minutos. O suficiente para sonhar com um apresentador de bigode que falava de um crime horrendo passado ali perto, em Huelva. Depois acordou sobressaltado, agarrou a garrafa de água à sua frente e saiu do carro. Lavou a cara para despertar e molhou o cabelo, penteando-se para trás com as pontas dos dedos. Bocejou e espreguiçou-se longamente. Respirou fundo… e quando olhou em redor não avistou Selma. Começou a andar em frente, para junto das árvores onde a tinha visto antes de adormecer. Mas onde é que ela se tinha metido? Como não a encontrava
guém fazia mal a ninguém. Já dentro do jipe da guarda em andamento, vieram-lhe à cabeça as histórias do programa que vira no hostal na noite anterior no canal estatal de ‘nuestros hermanos’- TVE2, quando estava à espera que Selma se despachasse do banho. Raptos, assassínios, desaparecimentos misteriosos, violações… e o coração a bater cada vez mais forte a cada novo cigarro que acendia. E na sua cabeça ecoava a voz rouca do apresentador quando repetia a frase que dava nome ao programa líder de audiências da televisão ibérica: “Quien Sabe Donde?”. As lágrimas de Filipe já secavam
sono e com os cabelos desalinhados, dizia em sua própria defesa correndo à volta do carro parado entre as árvores. Por fim apanhou-a e abraçou-a com força. Mais do que o habitual. A seguir partiram mas Selma não esquecera que lhe faltava a resposta. Mas quanto tempo é que eu dormi, o que é que os guardas queriam? De novo ao volante, o refeito rei Filipe, o aventureiro, não quis dar parte de fraco. Disse-lhe que… nada, só queriam saber se estava tudo bem, se precisávamos de alguma informação e que não podíamos acampar por ali. A ‘Luz’ do trompete de Laurent, também Filipe, tocava de novo no
Pousada do Forte de São João da Barra em Cabanas de Tavira foi caminhando pelo campo fora e depois por vezes correndo e chamando-a. Teria ficado chateada? Tanto andou que chegou a uma pequena povoação. Não teria ela ouvido ele concordar que iam logo a seguir para o Algarve? Perguntou às poucas pessoas com quem se cruzou se não tinham visto por ali uma rapariga de vestido branco, morena com cabelo comprido, castanho. Entrou depois no primeiro café que viu. Toda a gente teria reparado num forasteiro a entrar num café de aldeia, mas neste caso ninguém mais tirou os olhos do rapaz que tinha acabado de entrar. Estava com um ar tresloucado e muito ansioso. Também não a viram?, perguntou Filipe. Não entrara ninguém no café na última hora, foi-lhe dito. E não seria uma rapariga assim tal como ele a descreveu que perderia em atenção para umas retangulares pedras brancas com pintinhas pretas alinhadas sobre uma mesa quadrada com tampo de mármore. O dono da tasca achou melhor encaminhar o rapaz para o posto da GNR, que ficava mesmo ali abaixo no outro lado da rua. Estava tão nervoso que mal sabia dizer onde tinha deixado o carro. Os soldados de serviço pediram ao jovem que se acalmasse. Sugeriram que tentassem fazer juntos o percurso de volta para o carro, pois dessa maneira haveriam de o encontrar e à rapariga, que não se preocupasse, que ali por aquelas bandas nin-
quando quase ao pôr-do-sol, com muito esforço e a ajuda dos guardas lá encontraram um carro no meio das árvores, que parecia o descrito pelo Sr. Soares. O soldado que primeiro se apeou do jipe informou: está uma senhora deitada no banco de trás, meu sargento. Filipe saltou para fora do veículo, correu, e quando abriu a porta de trás do seu carro, Selma abriu os olhos e disse com voz de quem tinha acordado de uma longa e merecida sesta. Por onde andaste? Já é quase de noite!, sussurrou Selma. Fui dar uma volta por aí pelo campo… tirar umas fotografias, foi o melhor que Filipe conseguiu dizer. E nem me trazes flores… meu amor, gracejou ela. A seguir a um bocejo ainda ralhou com ele. Já estava a ficar preocupada Fil! ...Fili !? …de quem é aquele carro ali? Está tudo bem, senhores agentes. Boa tarde e muitíssimo obrigado por tudo! agradeceu Filipe Soares, o nome e apelido com que há pouco se tinha identificado no quartel. Mesmo ainda estremunhada Selma estranhou tamanha simpatia para com os homens de farda. Não costumas ser assim tão amistoso com as autoridades. O que é te deu ? …Tens os olhos muito vermelhos… não dormiste nada ? Estás cansado, não estás !? Para não responder às perguntas começou a fotografar Selma que não queria ser fotografada pois estava com cara de
leitor do autorrádio. O jovem criativo, que trocara o curso de arquitetura pelo de marketing e publicidade era um amante da música jazz portuguesa contemporânea. Tinha uma teoria baseada na minimalização do texto publicitário, que se tornara a sua marca de trabalho. Para ele, ‘a fotografia ou as imagens são como uma peça de música instrumental. Se ao ouvi-la se verifica que essa precisa de um texto adicional, de um poema, então essa não é a melhor das composições. É boa quando as notas musicais espalham pela partitura a poesia necessária. Ideal, se o título da peça contiver em si toda a mensagem’. Em breves minutos alcançaram o desejado reino dos Algarve. Iam ficar na pousada do Forte de S. João da Barra. Alguns metros abaixo da saída anunciada na rotunda, Filipe parou o carro para mais uma fotografia ao pórtico gótico-manuelino da fachada da igreja do século XVI que avistara na descida ao seu lado esquerdo. Esta tem mesmo que ser. É a última Sel, prometo. Sentados na esplanada do terraço frente ao mar viam as luzinhas verdes e vermelhas das bóias do canal a piscar na ria. Uma leve e fresca brisa marítima soprando de sudoeste faziase sentir nos rostos do jovem casal. Fil, vou-me deitar, vens? Amanhã tenho de estar em forma para estrear o meu biki-
ni novo. Já vou querida, disse. Acendeu mais um cigarro e leu um pouco do folheto que explicava que a fortaleza é uma construção de planta em estrela, com um núcleo quadrangular rematado nos quatro cantos por baluartes a que se acede por rampas próprias e que estão ligadas por um caminho de ronda… e que tinha ainda uma capela dedicada a S. João Baptista, que já não existe. Mas deteve-se a olhar o céu nesta altura do ano em que tem um brilho especial. As estrelas cintilam muito mais. Estão tão perto que às vezes até parecem falar. E também se torna assim mais fácil pronunciar desejos. As estrelas cadentes riscam o céu a tão baixa altitude que se acredita ser provável que nos ouçam. Fez um esforço para localizar a norte as constelações de Perseus e Andrómeda. Diz-se que se encontram lado a lado para celebrar o amor e a beleza e mostrá-los como exemplo à Terra… mas era melhor ir deitar-se, antes que a sua companheira acordasse e se assustasse por o não ver também a seu lado, julgando-o levado por alguma Cassiopeia. Estava cansado, mas passou na sua cabeça o filme dos acontecimentos desse dia, como sempre fazia antes de adormecer. Apesar do susto, tinha sido um dia fantástico, já que acabara bem. Abraçou e beijou Selma, que mesmo já estando a dormir reagiu com um pequeno suspiro. Ironicamente veio-lhe à cabeça aquela frase cliché, que por se considerar um bom publicitário, muito o irritava e tantas vezes a tinha recusado: «A maior parte das vezes aquilo que mais procuramos está mesmo ali ao nosso lado». Não conseguia adormecer. Foi beber um copo de água. Procurou na mochila o pequeno caderno castanho que trazia sempre consigo e tentou escrever uma dúzia de grupos de palavras ou frases muito melhores que o fizessem esquecer aquela outra. No dia seguinte Filipe estava exausto, pelo que Selma o arrastou sem qualquer protesto para um improvisado cais onde apanharam um pequeno bote a motor que os levou para um imenso areal… um longo dia de praia… sem igrejas, sem árvores. Tentou dormir à sombra de uma palhota. Selma bronzeava-se como era seu desejo. Uma avioneta voando baixinho sobre a água anunciava um novo condomínio de luxo frente à praia. Filipe Soares não podia acreditar na frase escrita na faixa. Outra vez a mesma! Mas esta gente não tem criatividade para mais, gritou. Ela reparou que a respiração dele se tornara mais ofegante. Só podia estar a sonhar. Foi Selma quem o acordou. Fil, está muito calor aqui. Anda, vamos ali ao barzinho tomar qualquer coisa fresca. Para ajudar a resfriar a exuberante felicidade que sentia por esses dias, pensou.
Cultura.Sul
06.07.2012
Espaço Educação
Sucesso educativo – medidas e projetos No quadro da autonomia e esfera organizacional da escola está a possibilidade de estruturar grupos de alunos e equipas docentes de acordo com o ciclo de estudos, de forma a assegurar maior eficácia no apoio e acompanhamento do percurso escolar dos discentes e na conclusão do respetivo ciclo de ensino, “incentivando-se a liberdade das escolas para concretizar a promoção do sucesso escolar dos alunos e dos objetivos educacionais fundamentais”. Sendo a escola um espaço plural, do ponto de vista social e cultural, onde as motivações, interesses e capacidades de aprendizagem dos alunos são diferenciados, esta Direcção Regional de Educação (DREAlgarve) em harmonia com as orientações do Ministério da Educação e Ciência (MEC), procura garantir junto das escolas os dispositivos de organização e gestão do currículo que sirvam a diversidade discente, constituindose a Educação como uma oportunidade que forneça a cada aprendente os meios para atingir o sucesso, quer colmatando as dificuldades sentidas
pelos alunos, quer desenvolvendo e potenciando as suas capacidades. Neste contexto, no âmbito das suas caraterísticas específicas, coloca-se à escola a possibilidade de tomar decisões, nomeadamente na implementação das ofertas formativas promotoras do sucesso escolar. Assim, e dentro de um quadro alargado de possibilidades, destacam-se algumas ofertas formativas, como por exemplo, as turmas com Percursos Curriculares Alternativos (PCA), o Programa Mais Sucesso Escolar (PMSE), nas suas tipologias Fénix e TurmaMais, os Cursos de Educação e Formação (CEF), entre outras. Se nos PCA se procura servir grupos de alunos nos quais foram detetadas caraterísticas comportamentais e de aprendizagem muito problemáticas e que correm o risco de abandono precoce, no PMSE estão subjacentes ideias matriciais, sendo de destacar a melhoria das condições organizacionais escolares de ensino e aprendizagem, a melhoria de resultados escolares sem que-
Alberto Almeida, diretor regional de Educação do Algarve bra de exigência, onde o princípio “agrupar e reagrupar para incluir” constitui uma das questões chave deste programa. Quanto aos Cursos de Educação
e Formação (CEF), destinados a um leque muito específico de alunos, constituem-se como resposta de dupla certificação (escolar e profissional) que visa responder aos inte-
resses e expectativas de um público mais vocacionado para a vida ativa, permitindo a aquisição de competências profissionais e o prosseguimento de estudos.
Espaço Cultura
Há séculos à sua espera! Desde finais do século XVIII, os Estados europeus criaram dispositivos institucionais para a preservação da memória histórica. No Algarve, o Estado português exerce a sua autoridade direta sobre um conjunto de monumentos classificados como bens culturais imóveis mediante a sua «afetação» à Direção Regional de Cultura, que para esse conjunto criou a marca «Monumentos do Algarve». Um património a visitar, que há séculos espera por si. O recentemente publicado Decreto-Lei n.º 114/2012, de 25 de maio, atribui à Direção Regional de Cultura do Algarve a gestão dos monumentos que lhe forem afetos, de modo a assegurar as condições para a sua fruição pelo público. Desde finais do século XVIII, os estados europeus têm procurado acertar metodologias para inventariar os bens culturais herdados e definir regras para os administrar. A gestão desse legado histórico envolve questões como a da sua conservação, valorização e transmissão às gerações
futuras, convertendo assim a administração do património cultural num assunto da política de Estado e num meio de reprodução da sociedade. Os estados criaram, assim, dispositivos institucionais para a preservação da memória histórica e passaram a produzir sistematicamente uma memória autorizada, aumentando os seus poderes regulamentares, intervindo mesmo diretamente na gestão de alguns dos monumentos histórica e socialmente mais relevantes, garantindo a respetiva posse. No Algarve, o Estado exerce a sua
Monumento megalítico de Alcalar autoridade direta sobre um conjunto de monumentos classificados como bens culturais imóveis, de grau nacional, mediante a sua «afetação» à Direção Regional de Cultura, feita por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da cultura. Isto é, o Estado assegura a gestão desses monumentos através de um serviço periférico da administração central. A última atualização desse rol foi objeto da Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da
República, 2.ª série, n.º 163, de 24 de Agosto de 2009, e nele se incluem, de Barlavento a Sotavento: o Castelo de Aljezur, a Fortaleza de Sagres, a Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, os monumentos megalíticos de Alcalar, a villa romana da Abicada, o Castelo de Paderne, o Castelo de Loulé e a villa romana de Milreu. Desse conjunto (veja-se http://www.youtube.com/ watch?v=w0EpOssv3Z8), três imóveis são geridos em parceria com as
respetivas autarquias (os monumentos megalíticos de Alcalar e os castelos de Paderne e de Loulé). Em outros três (Sagres, Guadalupe e Milreu), a Direção Regional de Cultura administra esse legado cultural com infraestruturas locais de interpretação, possibilitando a melhoria das condições de visita e a fruição dos sítios e o incremento da oferta cultural aos utentes. Nos restantes (Castelo de Aljezur e villa da Abicada), que não se encontram ainda dotados de infraestruturas explicativas, o Estado português realizou, nos últimos anos, substancial investimento público, no sentido de garantir as melhores condições de conservação desse património e facilitar a sua melhor fruição. Para esse conjunto de monumentos, a Direção Regional de Cultura criou a marca «Monumentos do Algarve», procurando contribuir ativamente para a melhoria de condições de sustentabilidade desses espaços culturais. Informações sobre a sua história e serviços disponibilizados aos visitantes podem ser pormenorizadamente obtidas em www.cultalg.pt. Direção Regional de Cultura
Cultura.Sul
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Vítor Correia
PUFF - Portugal Underground Film Festival
Espaço ALFA
Carlos Gama Cruz
Membro da Direcção da ALFA ‒ Assoc. Livre Fotógrafos do Algarve
Desde há quatro anos que a ALFA – Associação Livre Fotógrafos do Algarve tem apostado na organização regular de iniciativas, abrangendo encontros sociais, sessões de demonstração, tertúlias, exposições, workshops de formação sobre os mais diversos temas da fotografia e “photo walks” às mais diversas paragens. Temos organizado e desenvolvido múltiplos eventos, fruto do apoio de parceiros e do envolvimento dos nossos sócios, voando sempre com os pés assentes na terra. Deste leque de atividades, os passeios fotográficos têm sido considerados dos mais populares e têm proporcionado aos participantes momentos mágicos de convívio e partilha de conhecimentos. Genericamente “photo walk” é
ALFA - voa com os pés na terra um acto de passear com uma camera com o principal propósito de tirar fotografias a coisas que o fotógrafo considera interessantes. Temos apostado em programas organizados, acompanhados de um fotógrafo guia e de um parceiro conhecedor do terreno, da história, do ambiente e cultura locais. Assim aconteceu na escapada fotográfica às praias de Aljezur, nos passeios aos centros históricos de Faro e Olhão, à Ilha da Fuseta, às amendoeiras em flor em Pechão, na viagem ao Pulo do Lobo em Mértola, entre outros. Alguns destes passeios acabam em exposições coletivas como foi o caso das “Mouras Encantadas” que em Maio passado esteve patente em Paris. Consideramos que não há razão para vermos tantos amantes da fotografia, que investiram umas largas centenas de euros em máquinas e lentes, a tentar interpretar os manuais ou a descobrir por si só todas as funcionalidades e funções. Lançamos-te desde já um desafio. Participa num próximo passeio. Aprende em equipa e convive. Qualquer um é bem vindo. Não precisas de ter uma camera “ xpto” ou de ter conhecimentos de fotografia. Bem… se quiseres evoluir sugerimos que frequentes uma oficina de fotografia digital ou mesmo um workshop de formação inicial de curta duração.
A ALFA apresenta uma programação com mais de vinte iniciativas durante o ano de 2012, metade das quais decorreram no primeiro semestre. Para o segundo, a
Associação dos amantes da fotografia vai continuar a privilegiar a formação, o entretenimento, os passeios e a economia social. Entretanto aproveitamos para te re-
velar a programação para os meses de Verão: - Fotografia a alta velocidade Sessão de demonstração organizada pela ALFA em parceria com a Niobo na Galeria ARCO, dia 6 e repete a 7 de julho. Entrada livre. - Assembleia Geral no Espaço ALFA na Galeria ARCO para a aprovação das contas de 2011, dia 12 de julho. Acesso limitado a sócios. - Passeio fotográfico “caça aos golfinhos”, a bordo do Yellow One, uma experiência única com golfinhos com partida do Club Naval de Portimão, dia 15 de julho. - Passeio fotográfico numa embarcação de pesca à procissão pelo mar, inserida nas Festas da Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Fuseta. Percurso pela Ria Formosa, do Livramento até ao cais da Fuseta, dia 21 de julho. - Exposição coletiva da ALFA, Ria Formosa: entre a terra e o mar, no Paparazzi em Faro, patente até 30 de agosto. - Jantar de verão da ALFA com degustação de ostras e apelativos do mar, dia 25 de agosto. - Exposição Costa Vicentina: paraíso para viver, no âmbito da iniciativa as 7 Maravilhas – Praias de Portugal, inauguração dia 5 de setembro. Mais informações e programas em www.alfa.pt ou através do telemóvel 917 560 960.
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António Manuel Venda
O “bê-à-bá” do século XXI por toda a Europa vai no sentido de que a Cultura não é um problema mas uma solução. Segundo a Comissão Europeia, as indústrias culturais e criativas representam já 4,5% do PIB europeu e criam 3,8% de emprego na União Europeia. Tem sido um dos sectores que mais crescimento tem conhecido no seio da Europa e é considerado um dos poucos sectores com potencial para continuar a crescer nos próximos anos. Em Portugal o entendimento não tem sido esse ou pelo menos não tem sido essa a prática dos nossos governantes. Dos 27 países da União Europeia, Portugal e a Hungria são os únicos dois países a não ter Ministério da Cultura. Mais grave é olharmos para a fatia da Cultura que este ano apenas representa 0,2% do nosso Orçamento de Estado. Tal como a Educação e a Ciência, a Cultura significa capital humano e outros capitais a longo prazo. Não se consegue desenvolver uma sociedade com poucos recursos naturais e com uma acentuada população envelhecida sem produção e criação artística Em Portugal continuamos a desvalorizar o potencial da Cultura. Estamos a negligenciar a vital importância do conhecimento de nós próprios e dos outros. Do seu valor de coesão social e do seu enorme impacto na imagem externa do país. E pior do que tudo, continuamos a não pensar a longo prazo. Repetimos vezes sem conta os mesmos erros: por cada novo decisor
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O «CULTURA.SUL» é o Caderno de Artes & Letras editado pela Associação «A GORDA» com distribuição conjunta com o «POSTAL» e com o «PÚBLICO», tendencialmente na
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dos nossos agentes culturais.
primeira sexta-feira de cada mês. Para motivo de orgulho para todos nós algarvios, a sua qualidade foi salientada numa crónica sobre os suplementos culturais como o melhor Caderno Regional do género pelo jornalista mais premiado de sempre, José Carlos Vasconcelos, ediretor do «JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias» e coordenador editorial da revista «VISÃO». O «CULTURA.SUL» tem procurado cumprir o seu papel de responsabilidade social com uma oferta independente de conteúdos, apesar da quase sempre demorada e desinteressada resposta de muitos agentes políticos com responsabilidades nas áreas da Cultura e Educação. É tempo de se deixarem as desconfianças de lado. De deixarmos de olhar para o nosso umbigo. De todos assumirem com a maturidade exigida este desafio europeu: proporcionar o acesso à Cultura, como proporcionar o acesso à Educação. Ao longo destes quatro anos de edição, acreditamos que já demos provas do nosso empenho com o crescimento consolidado que o «CULTURA. SUL» tem demonstrado. Mas, mais importante, demonstrámos que a união de mais de cinquenta colaboradores ajudam a fazer a diferença, sobretudo perante a indiferença de alguns que felizmente são cada vez menos. Bem hajam todos aqueles que têm incentivado e apoiado o «CULTURA.SUL» na sua difícil e complexa missão com os escassos recursos que a nossa região tem disponibilizado.
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Cultura.Sul
06.07.2012
Ricardo Claro
Especial Aniversário
• Estudo sobre Cultura, Criatividade e Turismo
Programa Knowing analisa Economia do Conhecimento A Economia do Conhecimento é hoje definitivamente entendida como uma área fundamental na análise da evolução, potencialidade e riqueza de um país ou região. Não obstante, a mensurabilidade do peso da Economia do Conhecimento na economia real é ainda difícil, dado o estado embrionário da evolução dos estudos e resultados científico-estatísticos disponíveis sobre a matéria. Se esta realidade é um facto um pouco por toda a Europa, em Portugal é, mais do que uma dificuldade, um problema. A resposta à necessidade de saber o peso da Economia do Conhecimento passa pelo avanço e aprofundamento dos estudos científicos na área e pela criação de ferramentas que permitam - a par de uma aturada noção de quem são os respectivos actores e políticas fundamentais - enformar um verdadeiro enquadramento da realidade. No âmbito do Programa MED, um programa transnacional europeu de cooperação que abrange várias regiões mediterrânicas da União Europeia, o Projecto Knowing (acrónimo inglês para Conhecimento, Inteligência e Inovação para um Crescimento Sustentável) é uma das armas para criar um verdadeiro conhecimento sobre a relevância daquele segmento da economia numa determinada unidade territorial. No Algarve o Knowing tem como parceiro a Universidade do Algarve que, a par da Anglia Ruskin University em Cambridge (Reino Unido), coordena cientificamente os trabalhos desenvolvidos nas sete regiões envolvidas no projecto, Valência (Espanha), Ática (Grécia), Calábria, Sicília e Lazio (Itália). Plataforma transnacional A aposta reside na criação de uma plataforma transnacional de diálogo sobre políticas, instrumentos e estratégias para atrair e gerar know-how e inovação, que funcione como uma ferramenta-chave no reforço da cooperação entre actores institucionais e económicos capaz de promover a Economia do Conhecimento. No âmbito do Knowing cada uma das regiões abrangidas dedica os seus esforços a um cluster preferencial escolhido com base no perfil económico da sua realidade. A aposta algarvia centra-se nas “Indústrias Culturais e Criativas e Turismo”, enquanto a
Maria Cabral, coordenadora científica do projecto
Cultura.Sul escolhido como actor fundamental das Indústrias Culturais O trabalho e o esforço em prol da Cultura nas suas mais variadas vertentes e expressões, desvinculado e independente compensa. Depois de José Carlos Vasconcelos, director do JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, considerar o Cultura.Sul como o melhor caderno cultural editado pela imprensa regional e de a Associação Portuguesa de Museologia ter atribuído ao projecto do POSTAL a Menção Honrosa para o Melhor Trabalho Jornalístico a par, na categoria, com o Público e o Câmara Clara da RTP2, o Projecto Knowing escolheu agora o Cultura.Sul para integrar os 13 actores fundamentais
“Moda” foi a escolha no caso de Lazio, e o “Artesanato Ecológico e Comércio Justo”, no de Calábria. A Sicília optou pela “Inovação” e a Ática preferiu o “Edutainement” (educação pelo entretenimento). Já Valência apostou nas “Energias Renováveis”, tendo Cambridge definido como enfoque as “Indústrias Culturais e Criativas”. Gerar conhecimento que permita um efectivo desenvolvimento destes clustrers nas respectivas regiões em
do Cluster das Indústrias Culturais e Criativas e Turismo enquanto player determinante na categoria de Indústrias Culturais sub-categoria Imprensa. De acordo com Maria Cabral, coordenadora científica do projecto pela Universidade do Algarve, a escolha dos 13 actores regionais considerados determinantes para o cluster escolhido para a região no âmbito do knowing, “baseou-se nas propostas da obra A Economia da Cultura, publicada pela Comissão Europeia (2006)”. “Um dos pontos de partida para o estudo nacional sobre o sector cultural” (realizado por Mateus &
simultâneo com um diálogo transfronteiriço tendente à criação e aproveitamento de sinergias entre as regiões europeias envolvidas é o que se propõe o knowing. Publicações científicas vão desenhar a realidade do Algarve Neste momento o grande desafio está em lançar três publicações dedicadas a compilar e analisar três
Associados, em 2010, sob a coordenação executiva da economista Sandra Primitivo), refere Maria Cabral, “o documento propõe a organização do sector cultural e criativo em três áreas fundamentais: actividades nucleares, indústrias culturais e actividades criativas. As entidades e empresas escolhidas como exemplo são as que desenvolvem actividade nas áreas fundamentais do sector cultural e criativo, de acordo com a categorização publicada no documento Economia da Cultura, Comissão Europeia (2006), e cuja acção constitui uma contribuição para o Turismo Criativo.
eixos fundamentais da Economia do Conhecimento em cada uma das regiões abrangidas pelo projecto. Assim, vão analisar-se por um lado as políticas, por outro, as ferramentas e, num terceiro enfoque, os actores que são mais determinantes em cada um dos clusters escolhidos. No Algarve a análise recai nos três eixos referidos para o cluster das Indústrias Culturais, Criativas
e Turismo, numa visão que pretende enquadrar como estas áreas da Economia do Conhecimento se comportam na economia real e como são estabelecidas entre as três ligações tendentes ao desenvolvimento. Na área das políticas estarão em análise as medidas de promoção da inovação e criatividade de carácter e incidência regional como o Eixo 1 do POALGARVE21 (Programa Operacional Regional no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional) e o PRECALG (Plano Estratégico de Cultura para o Algarve). No âmbito das ferramentas estarão em análise dois exemplos regionais, o extinto programa Allgarve e a Via Algarviana, enquanto meios de promoção da Cultura e Criatividade com reflexos na área do turismo e no que respeita aos actores determinantes para o cluster escolhido pela região estão a ser seleccionadas 13 entidades, entre as quais se encontra o POSTAL através do caderno cultural mensal Cultura.Sul, enquanto actor preponderante na categoria Indústrias Culturais, subcategoria Imprensa. As acções Knowing no Algarve No que respeita aos actores estes serão classificados no estudo em três categorias: a referida Indústrias Culturais (que além da Imprensa se subdivide em Filme e Vídeo, Televisão e Rádio, Música e Livros) e as categorias de Artes (englobando Artes Visuais, Artes Performativas e Património) e Indústrias Criativas (Arquitectura, Design, Publicidade e Software). Recorde-se que pelo projecto Knowing já foram desenvolvidos um concurso para a criação de um Storyboard destinado a um vídeojogo sobre a região, um seminário internacional onde participaram as diversas delegações das regiões envolvidas e um laboratório criativo, que será repetido novamente este ano. Foi ainda lançado pelo CRIA (Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve) um Helpdesk destinado a ajudar as entidades algarvias, públicas e privadas, interessadas no desenvolvimento de projectos no âmbito da Economia do Conhecimento a terem e aproveitarem instrumentos e canais de desenvolvimento afinados para o referido cluster.
Cultura.Sul
06.07.2012
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cinema Cineclube de Faro
Noites de verão! Cinema ao ar livre sempre foi uma tradição do Cineclube de Faro. Antes do 25 de Abril, usando a mais ampla esplanada de cinema ao ar livre da Península Ibérica – o Cine-Esplanada São Luís Parque, ao pé do Mercado Municipal. Depois do 25 de Abril, de uma maneira regular a partir dos anos 80. Andámos nestes quase últimos 30 anos um pouco com a casa às costas, mas o mais mágico local sempre foi aquele em que a Mostra vai decorrer este ano: os Claustros do Museu Municipal. E será mesmo o Melhor Cinema ao ar livre, por duas razões: a primeira, porque é uma bela seleção do que melhor estreou este ano no nosso país; a segunda, porque passou a ser a única no Algarve, nestes moldes, depois de os nossos colegas do Cineclube de Tavira se terem visto obrigados a anular as duas que tinham previsto – no que consistia o mais significativo evento cinematográfico do verão algarvio! – por falta
PROGRAMAÇÃO
www.cineclubefaro.com O MELHOR CINEMA AO AR LIVRE CLAUSTROS DO MUSEU MUNICIPAL DE FARO ¦ 22 horas ¦ Preço por sessão: Sócios 2€, Estudantes 3,5€, outros 4€ ¦ Passe para os 10 dias: sócios 15€; não-sócios 25€ 16 JUL ¦ Em Câmara Lenta, Fernando Lopes, Portugal, 2011, 71, M/12. Presença de Maria João Seixas, presidente da Cinemateca Portuguesa
de apoio da respetiva Câmara Municipal. A eles a nossa solidariedade, o nosso apreço e a nossa esperança de que para o ano possam voltar. Quanto a quem seja de Faro ou por cá passe, que possam aproveitar dez fabulosos filmes, de diferentes géneros e origens, com a chancela da qualidade da programação do Cineclube de Faro!
Uma exposição evocativa de Fernando Lopes, o insigne realizador recentemente falecido, inaugurada pela sua viúva e presidente da Cinemateca Portuguesa, Maria João Seixas, no dia 16 de Julho, bem como uma Feira do Livro com publicações de cinema, acompanharão os filmes. Sejam pois muito bem-vindos a tudo isto!
17 JUL ¦ Um Amor de Juventude, Mia Hansen-Løve, França/Alemanha, 2011, 110 , M/12 18 JUL ¦ Rafa, João Salaviza, Portugal, 2012, 25 + NANA, Valerie Massadian, França, 2012, 68 , M/12 19 JUL ¦ A Minha Semana com Marylin, Simon Curtis, Reino Unido/ EUA, 2011, 99 , M/12 20 JUL ¦ Shame, Steve McQueen, Reino Unido, 2011, 101, M/18
23 JUL ¦ Midnight in Paris, Woody Allen, EUA/Espanha, 2011, 100 , M/12 24 JUL ¦ A Vingança de uma Mulher, Rita Azevedo Gomes, Portugal, 2012, 100 , M/12 25 JUL ¦ Melancolia, Lars von Trier, Dinamarca/Suécia/França/ Alemanha, 2011, 136, M/12 26 JUL ¦ O Cavalo de Turim, Béla Tarr, Hungria/França/Alemanha/ Suécia, EUA, 2011, 146, M/12 27 JUL ¦ A Invenção de Hugo, Martin Scorsese, EUA, 2011, 127 , M/12 16 a 27 JUL ¦ Exposição evocativa de Fernando Lopes
Cineclube de Tavira
Julho sem Mostras mas com cinema
destaque
É com enorme desgosto que o Cineclube de Tavira se viu obrigado a cancelar a 13ª edição da Mostra de Cinema Europeu e 8ª edição da Mostra de Cinema Não-Europeu, que estavam previstas para o Verão de 2012. O cancelamento significa um lamentável retrocesso na vida cultural de Tavira, e será certamente uma desilusão para os milhares de visitantes e apoiantes (nacionais e estrangeiros) dos eventos. O cancelamento justifica-se pela ausência de uma resposta atempada da autarquia tavirense às nossas cartas e aos projectos dos eventos, que começaram a ser comunicados à edilidade, pelas vias formais, há três meses. Os nossos sucessivos pedidos de reunião resultaram infrutíferos até ao início deste mês, quando já era tarde demais para iniciar o moroso processo de organização das mostras. Por outro lado, a precária situ-
PROGRAMAÇÃO
www.cineclube-tavira.com 281 320 594 ¦ 965 209 198 ¦ cinetavira@gmail.com
SESSÕES REGULARES Cine-Teatro António Pinheiro ¦ 21.30 horas
22 JUL ¦ The Artist (O Artista), Michel Hazanavicius, França/Bélgica 2011 (100 ) M/12
8 JUL ¦ Les Femmes du 6ème Étage (Os Encantos do 6º Andar), Philippe Le Guay, França 2010 (104 ) M/12
26 JUL ¦ Hadewijch, Bruno Dumont, França 2009 (105 ) M/16
12 JUL ¦ Michael, Markus Schleinzer, Áustria 2011 (96 ) M/18 15 JUL ¦ The Avengers (Os Vingadores), Joss Whedon, E.U.A. 2012 (142 ) M/12 19 JUL ¦ Cosmopolis, de David Cronenberg, França/Canadá/Portugal/Itália 2012 (108 ) M/16
ação financeira da nossa associação não permite que a mesma suporte sozinha os custos inerentes à realização destes eventos.
Apesar das razões invocadas serem totalmente alheias ao Cineclube de Tavira, sentimos que é nosso dever pedir-vos desculpa pelo incómodo.
“À DESCOBERTA DO MEU ESTILO” Até 14 JUL | Galeria Municipal de São Brás de Alportel Exposição de pintura revela o percurso de Caetano Ramalho pelo mundo das artes, numa descoberta contínua de estilos e paixões artísticas
Durante este mês de Julho continuamos com as nossas sessões semanais no Cine-Teatro António Pinheiro, pelo menos dois títulos teriam sido
29 JUL ¦ Intouchables (Amigos Improváveis), Olivier Nakache & Eric Toledano, França 2011 (112 ) M/12
integrados no programa da Mostra de Cinema Europeu. Por motivo de descanso dos funcionários, no mês de Agosto não haverá sessões.
“NOITES AO PIANO” 7 JUL | 22.30 | Casino de Vilamoura Rita Guerra sobe ao palco do Casino de Vilamoura para apresentar um concerto a solo em formato acústico, durante o qual a cantora cria uma atmosfera musical intimista e exclusiva
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Cultura.Sul
06.07.2012
Um espaço que dá relevo a uma fonte de actividade literária que fervilha, muitas vezes, à margem dos circuitos convencionais.
blogosfera
Jady Batista
Ter Razão Henrique Dias Freire Editor do CULTURA.SUL
Cultura.Sul comemora 4º aniversário Já lá vão quatro anos que mensalmente os algarvios têm acesso ao Caderno de Artes e Ideias Cultura.Sul através do jornal POSTAL e distribuídos nas bancas algarvias em conjunto com o PÚBLICO, tendencialmente, todas as primeiras sextas-feiras de cada mês. Nesta difícil odisseia de já termos dados à estampa 47 edições, o especial agradecimento vai para todos os nossos actuais colaboradores e aos muitos outros que deram a sua prestigiada colaboração num projecto único na região. Esse empenho e espírito de abnegação, em prol de uma causa maior que é de todos e para todos, tem feito do Cultura.Sul uma referência entre os medias regionais de índole cultural do nosso país. Têm sido várias as personalidades, entidades e instituições culturais que têm dado corpo a um projecto independente que tem procurado dar voz à região, afirmando-se junto dos vários agentes culturais e da população em geral. Tem havido uma preocupação crescente em não nos deixarmos cair na tentação do elitismo fácil onde os interlocutores apenas se relacionam entre eles e pouco mais. É vital incentivar e dar voz aos criadores das várias áreas artísticas. É essencial que a nossa região saiba aproveitar e valorizar a nossa entidade cultural.
Ficha Técnica Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Henrique Dias Freire
1. Eu quero acreditar que ambos temos razão... O contrário seria considerar que pelo menos um dos dois seria um símio! 2. Ok... mas eu já ouvi o teu ponto de vista... julgo mesmo que já o entendi! Mesmo antes de o entender já o tinha aceite. Mesmo depois de insistires em repeti-lo, por me acusares de não te estar a entender... eu voltei a ouvir-te, sem retorquir que serias tu que não te estavas a fazer entender e não eu que não estaria a perceber. Porém... isto não implica que eu desista da minha visão das coisas... que abdique dela
em beneficio da tua! Aliás eu consigo viver com a minha opinião e com a tua. Não me incomoda que as duas coexistam. Não te chega que te aceite? 3. Há pessoas que por estarem tão cheias de si próprias não têm espaço disponível para mais nada... Agora, não façam de mim seu vasilhame! 4. Ok... tens toda a (tua) razão! Blog: http:// omeuegoemaiorqueovossorabo.blogspot.pt Postagem: http://www.omeuegoemaiorqueovossorabo.blogspot.pt/search/label/ RAZ%C3%83O
Espaço CRIA
Registar marcas em época de crise…?
Natércia Pereira
Colaboradora do Gabinete de Apoio à Promoção da Propriedade Industrial, CRIA, Universidade do Algarve
No atual contexto, em que, diariamente, assistimos ao fecho de empresas, o que justifica a necessidade de se registarem marcas? O que motiva os empresários a protegerem as suas marcas, se este registo não constitui nenhuma imposição para exercer uma atividade? Para quê incorrer neste custo “acessório” quando tantos outros custos e obrigações batem à porta dos empresários todos os dias? Porquê registar marcas
Paginação: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções: » blogosfera.S: Jady Batista » livro.S: Adriana Nogueira » momento.S: Vítor Correia » panorâmica.S: Ricardo Claro » patrimónios.S: Isabel Soares
se não é o registo que dá a qualidade ao produto ou ao serviço? A resposta é simples. Porque o custo de não as registar pode ser muito superior ao de registar. Porque a concorrência é feroz num mercado com recursos cada vez mais escassos. Porque a concorrência é global. Porque o consumidor é cada vez mais exigente e pondera melhor onde aplica o seu dinheiro. Porque a qualidade não é garantida com o registo mas, se existir, é facilmente identificada. Porque o consumidor é emotivo. Todos nós somos diariamente “bombardeados” com marcas desde o momento em que nos levantamos até ao deitar. Tomamos decisões sempre que decidimos adquirir um produto/serviço para o nosso consumo próprio. E se escolhemos aqueles e não outros é porque alguma vantagem trará para nós e conseguimos identificar essa vantagem. Pois bem, é aí que a marca se impõe. Não conseguiríamos fazer as melhores opções se não conseguíssemos identificar os produtos através das suas marcas, não conse-
guiríamos identificar aqueles que melhor qualidade/utilidade têm para nós, não conseguiríamos alimentar o nosso ego e ser fiéis àquilo que gostamos… É grande o poder que as marcas assumem! As empresas enfrentam hoje grandes dificuldades a vários níveis, e para vencer num mercado global é necessário não descuidar alguns aspetos: a proteção de marcas, logótipos ou outros sinais poderá ser, para muitas, a única forma de se promoverem e valorizarem e, por isso, deverá ser encarada como um investimento e não como um custo como tantos outros. A proteção destes ativos intangíveis justifica-se não só pela valorização do esforço financeiro e intelectual de se criar algo novo, permitindo à empresa/empresário o direito exclusivo de exploração ou comercialização de determinados produtos, como também pelo direito de impedir terceiros de utilização indevida de direitos registados. Para além de que o registo também pode servir à própria empresa como garantia de que não está a violar di-
reitos atribuídos a outras pessoas (singulares ou coletivas), que lhe são desconhecidos e que por isso não teria intenção de infringir. Neste âmbito, a Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia – CRIA da Universidade do Algarve, através do seu Gabinete de Apoio à Promoção da Propriedade Industrial (GAPI), tem procurado apoiar os empresários, empreendedores, inventores e criadores no registo dos seus direitos de propriedade industrial, com vista à valorização das suas atividades. O esforço tem sido notório e os resultados começam a surgir, seja pela criação de novas empresas de base tecnológica, assentes em patentes de invenção, seja pelas empresas já existentes que procuram inovar em novos produtos, processos, novos serviços ou novos mercados (ex. internacionalização). A propriedade Industrial deverá ser utilizada em prol da estratégia empresarial, seja ela de que natureza for!
Colaboradores: AGECAL, ALFA, CRIA, Cineclube de Faro, Cineclube de Tavira, DRCAlg, DREAlg, António Pina, Pedro Jubilot. Nesta edição: Carlos Gama Cruz, Luís Guerreiro, Natércia Pereira e Patrícia Batista
Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve, Direcção Regional de Educação do Algarve, Postal do Algarve
on-line: www.issuu.com/postaldoalgarve
e-mail: geralcultura.sul@gmail.com
Texto elaborado ao abrigo do novo acordo ortográfico.
Tiragem: 9.511 exemplares
José Eduardo Agualusa
Derrapagens da Memória
p. 10
p. 4 e 5
JUL | 2012 • Nº 47 • Mensal • O Cultura.Sul faz parte integrante da edição do POSTAL do ALGARVE e não pode ser vendido separadamente
Quatro anos em prol da cultura Edição especial de aniversário
JULHO • Mensalmente com o POSTAL em conjunto com o PÚBLICO www.issuu.com/postaldoalgarve
9.511 EXEMPLARES