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www.fab.mil.br Ano XL

Nº 5

Maio, 2017

ISSN 1518-8558

FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

Reforço na fronteira Operação Ostium mobiliza efetivo da FAB por todo o País (Págs. 8 e 9)

Reestruturação

DIA DO PEACEKEEPER

contracapa

Entenda o que já mudou na nova estrutura da FAB com a Concepção Estratégica “Força Aérea 100” (Págs. 6 e 7)

Saiba como é a missão de paz de um militar da FAB em um dos desertos mais agressivos do mundo (Pág. 5)

Colecione as fichas técnicas de aeronaves da FAB (Pág. 16)


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PALAVRAS DO COMANDANTE

Expediente O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno.

Uma FAB dinâmica gens, podemos conferir a incrível versatilidade de nossa Força: atuando em missões de paz; apoiando nossos irmãos peruanos em ações humanitárias frente às graves enchentes que atingiram o país andino; comemorando o aniversário da nossa gloriosa aviação de patrulha; e até mesmo apresentando um resumo do que fizemos, durante a nossa vitoriosa participação na LAAD 2017, a maior feira de defesa da América Latina. No entanto, uma Força Aérea como a nossa nunca pode se acomodar, por isso que a inovação deve estar sempre presente em nossa rotina, como podemos comprovar pela reportagem que trata do andamento do importante

processo de reestruturação da FAB, que se encontra em pleno curso. E o mês de maio é também o mês delas, as queridas mães... fazendo jus ao DNA da FAB, buscamos inovar e fazer uma homenagem diferente desta vez. Retratar o belo gesto de ser mãe, por meio do ato de adoção. Aproveitem a leitura e não se esqueçam de colaborar com a melhoria do nosso trabalho pelo email faleconosco@fab.mil.br.

FOTO: TEN HEITOR NASCIMENTO / CECOMSAER

Uma Força Aérea traz em seu DNA traços de arrojo, versatilidade e inovação. Tudo isso comprovado nesta edição de maio do NOTAER. Além de trabalharmos ininterruptamente na defesa do espaço aéreo brasileiro - por meio das equipagens de alerta a postos 24 horas por dia, todos os dias do ano -, paralelamente demos início também à Operação Ostium, a qual reforça de maneira significativa a defesa das nossas fronteiras. Nas páginas desta edição, apresentamos todos os detalhes dessa operação de grande porte e longa duração, única até então na FAB, prova inconteste do arrojo que sempre nos caracterizou. Percorrendo as demais reporta-

Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo. Vice-Chefe do CECOMSAER: Coronel Aviador Flávio Eduardo Mendonça Tarraf. Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel Aviador José Frederico Júnior. Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Tenente-Coronel Aviador Rodrigo José Fontes de Almeida. Editores: Tenentes Jornalistas Emília Maria (MTB 14234RS) e Evellyn Abelha (MTE 973MS) Colaboradores: textos enviados ao CECOMSAER via Sistema Kataná. Diagramação e Arte: Suboficial Ramos, Sargentos Linares, Lucemberg, Polyana e Cabos M. Gomes e Pedro.

Boa leitura! Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo Chefe do Cecomsaer

Tiragem: 18.000 exemplares Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” 7º andar CEP - 70045-900 / Brasília - DF

PENSANDO EM SEGURANÇA DE VOO Participe da pesquisa de fadiga humana na aviação O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), órgão militar do Comando da Aeronáutica, sedia duas vezes ao ano o Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA). O Comitê tem por finalidade reunir representantes de entidades nacionais envolvidas, direta ou indiretamente, com a atividade aérea, com o objetivo de estabelecer a discussão, em âmbito nacional, de soluções para problemas ligados à segurança de voo. O CNPAA é uma entidade independente do CENIPA, apesar de ter como presidente e se-

cretário, os respectivos chefe e vice-chefe do Centro. No Comitê são criadas algumas Comissões que objetivam ampliar as discussões sobre temas específicos da aviação e, assim, promover a melhora dos processos, entre elas, há a Comissão Nacional da Fadiga Humana (CNFH). A CNFH, em parceria com a fonoaudióloga Carla Vasconcelos, doutoranda da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a fim de contribuir para o aprimoramento das ferramentas de análise sobre assuntos da aviação e da segurança de voo, estão desenvolvendo uma pesquisa

que visa a verificar o impacto da fadiga humana de origem central sobre a fala de pilotos. A pesquisa se baseia na comparação da leitura e da fala espontânea de pilotos, nos momentos de descanso (fala padrão), com a fala desses mesmos profissionais, em dias de trabalho. Além disso, é necessário o preenchimento de pequenos questionários sobre índice de fadiga e de sonolência. A partir dos resultados dessa pesquisa, será possível estabelecer um protocolo objetivo para detecção da fadiga humana do tipo central, com base nos correlatos acústicos

de voz, fala e linguagem. A pesquisa está aberta tanto ao público da aviação civil quanto da aviação militar. Todos os pilotos que atuam na aviação brasileira estão convidados a participar da pesquisa e a colaborar com o aprimoramento da segurança operacional. Para participar acesse o endereço abaixo*. Os dados do participante serão mantidos em sigilo. (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos - CENIPA) Participe da pesquisa de fadiga humana na aviação

*www.fonoaudiologiaforense-mg.com.br/new/Account/Register.aspx

Impressão e Acabamento: Viva Bureau e Editora


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Colhendo frutos Passado cerca de um ano e meio da assinatura da “Concepção Estratégica Força Aérea 100” - (DCA 11-45) documento que contém as diretrizes necessárias para orientar o futuro da FAB - já podemos perceber mudanças estruturais em diversos setores, de modo que a instituição consiga alcançar os objetivos propostos: ser mais eficaz no desempenho de suas atribuições e mais focada em sua atividade-fim. Alcançar esses objetivos não é uma tarefa fácil, tampouco eles podem ser conquistados da noite para o dia. Entretanto, o empenho e a contribuição de cada integrante da Força Aérea têm sido determinantes para que nesse curto período já possamos colher frutos significativos. Graças ao incansável trabalho de todos, seja nos estudos que embasam essa transformação ou na aplicação prática

das ações planejadas, é que já podemos ver em menos de seis meses a ativação de 15 novas unidades focadas prioritariamente no preparo e no emprego dos meios de combate sob seu comando, as Alas. Também ganhamos um Centro de Apoio Administrativo (CEAP) que, subordinado à nova Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), aparece como figura central da importante centralização administrativa resultante da reestruturação ora em curso, uma vez que o CEAP é o responsável pela gestão de todos os Grupamentos de Apoio (GAP) e das Prefeituras de Aeronáutica. Além disso, nossos quadros de carreira e temporário estão sendo reestruturados para que possamos aproveitar ao máximo a expertise de nosso efetivo, colocando cada profissional em sua devida função. Nesse senti-

do, foram elaborados os Planos de Adequação de Recursos Humanos, os Planos Específicos de Movimentação e os ajustes na Tabela de Pessoal. Na área da saúde, está ocorrendo a revisão da NSCA 160-1, tendo como foco principal a melhoria no atendimento do sistema de saúde da aeronáutica. Este é apenas um breve resumo de algumas das ações implantadas desde o início de todo o processo de reestruturação da FAB. De norte a sul do País, as nossas organizações encontram-se totalmente envolvidas, e já temos colhido bons resultados. A participação de todos, por meio de uma busca continuada de melhoria de processos e de uma assessoria leal aos seus superiores, certamente nos levará rumo ao objetivo de manter nossa Força operacional e pronta para os desafios que o futuro nos trará.

Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato Comandante da Aeronáutica

FOTO: JHONSON BARROS / CECOMSAER

PALAVRAS DO COMANDANTE


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DIA DAS MÃES Critérios para adotar uma criança

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

-Ser maior de 18 anos e, no mínimo, 16 anos mais velho que o adotando; -Dirigir-se ao fórum mais próximo levando RG e comprovante de residência. Lá receberá as orientações sobre o encaminhamento do processo e outros documentos que terá de apresentar. Depois, a equipe responsável pela avaliação dos pedidos de adoção, composta de psicólogos e assistentes sociais, analisa a situação dos candidatos e chama para entrevistas. Pode haver visita domiciliar; -Duas pessoas podem adotar conjuntamente, desde que sejam casadas civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família. Fonte: www.defensoria.df.gov.br www.amb.com.br

“O meu filho chegou” Conheça a história de uma militar da FAB que realizou o sonho de ser mãe pela adoção Ten JOR Raquel Sigaud A vontade de ser mãe (ou ser pai) é o que motiva a adoção. Não pode ser para fazer caridade, muito menos para ter uma companhia na velhice. O que move uma pessoa a esperar anos na fila por uma criança é o desejo de doar amor. Esse desejo é que estava no coração da Tenente Pedagoga Dione Lis Silva Brito Rodrigues, do Centro de Instrução Especializada da Aeronáutica (CIEAR), desde a adolescência. Hoje, realizada, ela é mãe adotiva do Gabriel, de cinco meses. Ele chegou ao novo lar quando tinha 50 dias de vida.

“Adoção para mim nunca foi segunda opção, mas a primeira. Tanto que, ao mesmo tempo em que decidimos ter filhos de forma natural, em 2011, iniciamos o processo de adoção, porque sabia que era demorado”, conta a militar. “Não consegui engravidar, mas no meu coração eu sentia que iria adotar uma criança”. Tenente Dione e seu marido, o Primeiro Sargento Maurício Moreira Rodrigues, queriam um filho entre zero e três anos. Depois, ampliaram para quatro anos e incluíram a possibilidade de adotarem irmãos. Em janeiro deste ano, eles estavam de férias quando foram infor-

mados por telefone de que havia uma criança disponível para adoção dentro do perfil desejado. “Perguntaram se eu queria conhecer antes. Eu disse: ‘Não precisa. O meu filho chegou’”, lembra, em tom convicto. O espaço em casa para o quarto do bebê já estava reservado. Havia um berço. “Só não era decorado, porque não sabíamos se seria menina ou menino”. Depois de ir ao abrigo e ver o filho, enquanto aguardava as documentações necessárias, foi ao shopping comprar o enxoval. “Durante a gravidez os pais têm nove meses para preparar as coisas.

Na adoção, é da noite para o dia”, explica. O nome do bebê foi dado pela mãe biológica, a qual entregou o filho para adoção por consentimento. Gabriel significa “Deus enviou”. Para um casal de fé, o nome estava perfeito.

Lição de vida “Ser mãe é algo maravilhoso. Eu me emociono e agradeço todos os dias por ter tido esse privilégio. Foi a minha felicidade”, declara a militar, em meio às lágrimas. É comum que um filho adotivo tenha curiosidade de conhecer os pais biológicos.

Se isso acontecer com Gabriel, os pais adotivos o ajudarão nessa busca de informações. “É um direito que ele tem. Além disso, na nossa relação haverá muita verdade, e ele saberá desde o início que não nasceu da minha barriga, mas que é filho do coração. E isso o torna mais meu filho ainda”. Tenente Dione termina com a seguinte frase: “o que une uma família? Não é o DNA. É o amor”. A mensagem lembra o que Gabriel García Márquez divulgou em seu romance O Amor nos Tempos do Cólera: “...os filhos não são queridos por serem filhos e sim pela amizade que surge quando os criamos”.


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DIA DO PEACEKEEPER FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Um ano no deserto do Saara Veja o relato de um peacekeeper da FAB em um dos desertos mais agressivos do mundo Ten JOR Jussara Peccini

P

restes a retornar ao Brasil, após um ano trabalhando no deserto no continente africano, o Major de Infantaria Alex Mendes, 37 anos – 17 deles dedicados à Força Aérea Brasileira, relata a experiência sobre sua primeira missão internacional como observador de paz da Organização das Nações Unidas na Missão para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO). Ele usou o capacete azul da ONU em meio a 33 países e em um lugar inóspito no sentido mais literal do termo. Leia mais sobre a MINURSO na Aerovisão Nº 250: https://issuu.com/ portalfab/docs/aerovisao_250_out_ nov_dez_2016/44

Minha história Por Major de Infantaria Alex Mendes “Um ano no deserto do Saara foi um dos maiores desafios que enfrentei na minha vida pessoal e na minha carreira. Pessoal porque temos que aprender a lidar com diversas culturas e costumes. Temos que aprender, entender e respeitar a religião dos outros. Profissional porque são vários os desafios a enfrentar, a começar pelo idioma - são mais de 33 países na mesma missão. O idioma é o inglês, mas cada país tem seu sotaque, sua pronúncia e seu jeito de falar. Outro desafio é entender como funciona toda a estrutura da MINURSO e das partes envolvidas no conflito. Monitorarmos e reportamos uma área de 266 mil km 2, lidamos com diferentes tropas, enfrentamos o perigo de campos minados e, quando há emergência, somos a esperança para a população. O Saara é um lugar inóspito, considerado o deserto mais agressivo do mundo. Enfrentamos temperaturas de mais de 50 graus Celsius no

verão e zero grau no inverno. As tempestades de areia e vento são constantes e, em outubro, acontecem chuvas torrenciais que alagam grandes áreas. Por vezes isso impediu nossa saída do Team Site, que é uma pequena base em um ponto isolado no deserto onde vivem os observadores responsáveis por monitorar uma determinada área. Nossas tarefas operacionais envolvem assistir a destruição de artefatos de guerra remanescentes no terreno, treinamentos, checagem de material bélico e patrulhas rotineiras e de evacuação. Além disso, somos responsáveis pelo funcionamento do Team Site. Monitoramos geradores, segurança, provisão de mantimentos, gerenciamento de

“Retornarei ao Brasil com uma visão diferente de como lidar e superar as dificuldades. O convívio com diferentes pessoas me ensinou a ouvir mais e entender melhor, não só palavras, mas gestos e atitudes”.

comunicações, entre outros, por 24 horas. O observador tem sempre uma tarefa a desempenhar. Retornarei ao Brasil com uma visão diferente de como lidar e superar as dificuldades.

HAITI

O convívio com diferentes pessoas me ensinou a ouvir mais e entender melhor, não só palavras, mas gestos e atitudes. Terminarei a missão com a certeza do dever cumprido, de ter contribuído para

a solução do conflito e de ter bem representado a Força Aérea Brasileira e o Brasil, mostrando o patriotismo dos cidadãos e o valor e a capacidade dos militares em um trabalho sério e dedicado”.

SAARA

COSTA DO MARFIM

SUDÃO ANIVERSÁRIO

SUDÃO DO SUL

Missões de Paz da FAB em 2017

FAB em Missões de Paz De acordo com os registros do Estado-Maior da Aeronáutica, a FAB integra missões de paz desde 1991. Em 26 anos, 185 militares de Intendência, Infantaria e Aviadores foram enviados para regiões como Angola, El Salvador, Nepal, Síria, Timor Leste, Libéria, Iugoslávia, Etiópia, entre outros. Atualmente, a FAB tem 41 militares presentes em cinco missões de paz: Haiti, Costa do Marfim, Saara Ocidental, Sudão e Sudão do Sul.

Dia do Peacekeeper A celebração do Dia Internacional dos Peacekeepers relembra o dia 29 de maio de 1948, quando foi enviada a primeira Missão de Paz das Nações Unidas com o objetivo de monitorar o cessar-fogo, prevenir a escalada de novos conflitos e supervisionar os acordos de paz da guerra árabe-israelense.


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REESTRUTURAÇÃO

Entenda o que já mudou na nova estrutura da FAB SEFA, COMGEP e COMPREP explicam as alterações e ganhos nas respectivas áreas Ten JOR Evellyn Abelha Desde 2016, a FAB vem passando por uma profunda mudança em sua estrutura com o intuito de dar ênfase a sua atividade-fim, além de centralizar as ações administrativas para redução de custos, otimização de pessoal e eficiência da gestão. A partir das diretrizes da Concepção Estratégica “Força Aérea 100” - que baliza o futuro da FAB para 2041, quando a instituição completará 100 anos -, diversas alterações já foram implantadas como a criação, incorporação, movimentação e extinção de setores e unidades militares. Veja as principais transformações adotadas pela Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), pelo Comando-Geral do Pessoal (COMGEP) e pelo Comando de Preparo (COMPREP).

SEFA

A reestruturação promoveu alterações no organograma da Secretaria que, de órgão sistêmico, passou a ter Organizações Militares subordinadas. Entre elas estão os Grupamentos de Apoio e Prefeituras, além da incorporação da antiga Diretoria de Intendência (DIRINT) - hoje Diretoria de Administração da Aeronáutica (DIRAD) - com todas as suas Subdiretorias, como a de Pagamento de Pessoal (SDPP), a de Encargos Especiais (SDEE) e a de Abastecimento e da Pagadoria de Inativos e Pensionistas (PIPAR). Para permitir a centralização de organizações com tarefas e atividades distintas foi criado o Centro de Apoio Administrativo (CEAP), subordinado à DIRAD. A nova unidade, localizada no Rio de Janeiro, sediou o I Encontro

das Organizações da SEFA que divulgou e detalhou as novas diretrizes da Secretaria. “Os dados e informações transmitidos permitiram que a Coordenadoria de Governança, que promove a modernização da Gestão e do Planejamento da SEFA, obtivesse um diagnóstico da situação da unidade que será utilizado para a confecção do Plano Setorial do quadriênio 2017-2020”, explica o Chefe da Assessoria Estratégica Organizacional da SEFA, Coronel da reserva Flávio Neri Hadmann Jasper. Melhorias – O Coronel Jasper explica que já é possível observar aprimoramentos como a centralização das Prefeituras sob um único Comando, possibilitando a padronização dos critérios de distribuição de PNR e da visualização das necessidades de cada PREFAER

de forma integrada. “Isso permite que o planejamento e a distribuição de recursos orçamentários possam ser feitos em uma visão macroeconômica”, detalha. A visão integrada se estende também para outros serviços prestados pelos Grupamentos de Apoio como hospedagem (hotelaria), alimentação (ranchos), distribuição de fardamento, distribuição de Próprios Nacionais e transporte (viaturas). Outra melhoria é a gerência centralizada de toda a capacitação dos recursos humanos da Secretaria no Instituto de Economia e Finanças da Aeronáutica (IEFA). “A concentração proporciona melhor visualização das necessidades de capacitação dos órgãos subordinados, permitindo programar os cursos que sejam voltados para o aprimoramento das

tarefas e atividades de cada setor ”, explica o coronel. Para atender ao crescimento da demanda, o Instituto planejou ampliar a oferta de cursos ministrados a distância (EAD), principalmente como forma de contornar as restrições orçamentárias e ampliar o acesso dos alunos. Próximos passos - A tarefa principal ainda será consolidar as mudanças já descritas. “A SEFA terá de coordenar um universo bastante amplo de organizações com tarefas e atividades distintas que apoiam todos os demais Órgãos de Direção Setorial em um horizonte geográfico que alcança todo o território nacional. Ainda há muito que fazer, mas a Secretaria mantém-se firme na busca de sua visão que é a excelência em todos os processos sob sua competência”, finaliza.


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COMGEP

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Na condição de órgão central do Sistema de Pessoal da Aeronáutica, o COMGEP vem trabalhando no dimensionamento do efetivo da FAB, no planejamento de ingresso de militares e na distribuição dos profissionais. De forma gradativa, está sendo promovida a substituição parcial de oficiais e praças de carreira - aos quais são reservados cargos e funções essenciais ao emprego do Poder Aeroespacial - por profissionais convocados (oficiais e graduados), já qualificados no meio civil, para a realização de atividades administrativas e de suporte logístico. “O redimensionamento da força de trabalho das Organizações da Aeronáutica vem considerando a reestruturação organizacional, a adequação dos processos de trabalho, a qualificação do pessoal e o incremento da produtividade a fim de que a missão do COMAER seja cumprida, ao longo do tempo, com um efetivo

mais adequado”, explica o Chefe do Estado-Maior do Comando-Geral do Pessoal, Major-Brigadeiro do Ar Rogério Gammerdinger Veras. Como ferramenta de planejamento e acompanhamento, foi consolidada a versão 2017 do Plano de Pessoal da Aeronáutica (PPAER). O documento aglutina as informações dos diversos elos sistêmicos relativas à Gestão de Pessoal no Comando da Aeronáutica e projeta as ações a serem empreendidas pela Administração com o máximo aproveitamento dos recursos humanos, possibilitando melhor gerenciamento do fluxo de carreira para oficiais e graduados. Foram elaborados os Planos de Adequação de Recursos Humanos, os Planos Específicos de Movimentação e os ajustes na Tabela de Pessoal decorrentes da criação, ativação, transformação ou desativação de diversas organizações do

COMAER. Outro ponto é a revisão da NSCA 160-1, para melhoria no atendimento do sistema de saúde da aeronáutica, bem como na redução na quantidade de inspeções, gerando otimização dos recursos de saúde. Melhorias - A padronização das estruturas propiciou ao COMGEP uma melhor visualização das reais necessidades de recursos humanos. “Assim é possível a busca mais apurada de uma Tabela de Pessoal padronizada”, afirma o oficial-general. Ele também destaca a subordinação da Subdiretoria de Inativos e Pensionistas à DIRAP. “Isso trouxe o dinamismo necessário ao controle e à prestação de serviços junto aos militares inativos e seus pensionistas, sem a solução de continuidade na transição do Serviço Ativo para a Inatividade”, esclarece. Já a redefinição dos beneficiários do Sistema de Saúde da Aeronáutica (SISAU), por meio da reedição da apro-

vação a NSCA 160-5 (que redefine, a partir de critérios atualizados, os beneficiários do SISAU) possibilitou uma racionalização dos recursos da saúde e melhora no atendimento aos usuários. Próximos passos - O COMGEP dará continuidade à elaboração dos Planos de Adequação de Recursos Humanos, dos Planos Específicos de Movimentação e aos ajustes na Tabela de Pessoal, concomitantemente à reestruturação da Força. Serão implantados, em curto prazo, a Subdiretoria do Serviço Militar (SDSM), dentro da estrutura da DIRAP, e os SEREP, com sede em Belém, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Canoas, Brasília e Manaus. “Estudos relativos ao dimensionamento do efetivo e à otimização dos processos terão continuidade, sempre alinhados aos constantes avanços tecnológicos que conduzem mais alto a nossa Força Aérea Brasileira”, finaliza.

No período compreendido entre o final de 2016 e o início de 2017, foram ativadas 15 Alas, desativados três Comandos Aéreos Regionais, quatorze Bases e uma unidade aérea, além de transferidos de sede três esquadrões. “Grande parte das mudanças constantes do processo de reestruturação da FAB são afetas ao COMPREP. A concepção operacional e a estrutura da Ala, que é a organização-base do novo conceito, foram delineadas de forma a racionalizar o preparo e o emprego operacio-

nal, tornando a Força mais eficaz, eficiente e efetiva”, comenta o Comandante de Preparo, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Egito do Amaral. Atualmente, toda a documentação da unidade está sendo revisada por um grupo multidisciplinar de oficiais da Subchefia de Avaliação e Doutrina (SCAD) do COMPREP. Melhorias – O foco de trabalho está se voltando basicamente para a atividade fim da Força. “Agora as Alas pensam diuturnamente nas

atividades de preparo e emprego dos meios de combate sob seu Comando, enquanto as incumbências relacionadas à gestão de recursos humanos, creditícios, financeiros passaram a ser encargo dos GAP e demais estruturas criadas para tais fins”, detalha. Próximos passos - Em termos de mudança nas organizações, até o final de 2017, será concretizada a desativação dos quatro Comandos Aéreos Regionais restantes e a movimentação de outros Esquadrões Aéreos. No COMPREP, o conceito

do preparo baseado em capacidades e competências será consolidado, de forma a fomentar a doutrina de emprego. “Na prática, será implementado um ciclo dinâmico de planejamento de atividades operacionais para dois anos à frente, execução no vigente concomitantemente com a avaliação do que foi realizado no anterior, com vistas à análise dos fatos observados e lições aprendidas, no intuito de possibilitar replanejamentos e até mesmo ajustes doutrinários”, finaliza.

COMPREP


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Operação Ostium mobiliza efetivo da FAB por todo o País Objetivo é levar a zero o número de tráfegos aéreos ilícitos na fronteira Ten JOR Gabrielli Dala Vechia Começou a maior operação de fronteira já realizada pela FAB, tanto no que se refere à duração quanto à faixa territorial atendida. Pelo menos até o final deste ano, diversos pontos localizados nos mais de 16 mil quilômetros de fronteira seca do País serão guarnecidos com bases de desdobramento da FAB. Na primeira fase da operação Ostium, palavra do latim, que significa ‘portão’, foram deslocados radares e aeronaves para os estados de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Ao longo de 2017,

outras localidades serão selecionadas para receber esse reforço a partir de estudos da área de inteligência. Segundo o Chefe do Estado-Maior Conjunto do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), Major-Brigadeiro Cesar Mangrich, a ideia é levar a zero os índices de ilícitos por meio aéreo, “com toda nossa energia e com toda nossa capacidade”, afirma. * Por questões de segurança, os militares deslocados para Operação Ostium, que foram entrevistados pela equipe do Jornal Notaer, terão suas identidades preservadas.

Meios Aéreos deslocados (primeira fase)

AH - 2 E - 99

População apoia ações da FAB na fronteira “A gente se sente mais seguro quando vê pessoas que protegem a nossa pátria fazendo seu trabalho”. Judá Bertelli – Dourados (MS) “Com essa ação da Força Aérea as pessoas que cometem esses crimes vão ver que não é tão simples passar pela fiscalização. A gente se sente mais seguro”. Aline Borges – Cascavel (PR)

A - 29

RQ- 450

2Caça

1 Detecção

FOTO:SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

Entenda como funciona a operação Os radares e as aeronaves-radar E-99 reforçam a cobertura para identificação de voos ilícitos – já que os pilotos envolvidos em procedimentos irregulares costumam voar muito baixo, exatamente para burlar os sistemas de detecção. “Os radares de solo muitas vezes são bloqueados por elevações no terreno. O E-99, não. Ele tem a capacidade de ver de cima, sem interferências. Nem mesmo a baixa altura e velocidade das aeronaves são empecilhos para esse avião”, explica um dos tenentes que está operando na Ala 5, em Campo Grande (MS) .

H - 60

Identificados os tráfegos ilícitos, é realizado o acionamento de um piloto de defesa aérea que está de alerta, e que, geralmente, decola a bordo de um A-29 Super Tucano – aeronave mais apropriada para o perfil de avião que costuma realizar voos ilícitos nas fronteiras, ou seja, com velocidades mais baixas. Os procedimentos vão de simples averiguações até o tiro de detenção, caso o piloto envolvido na prática ilícita não coopere com as orientações da Força Aérea. “Nós estamos intensificando um trabalho que já existe, de controle das fronteiras e, assim, inibindo crimes relacionados a esses tráfegos ilícitos, como narcotráfico, tráfico de armas, descaminho. Com isso, o cidadão brasileiro está tendo uma resposta da FAB em relação àquilo que é nosso dever”, afirma um dos pilotos de A-29 Super Tucano que está operando em Cascavel (PR).


FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

Mais informações WWW.FAB.MIL.BR/OSTIUM/

3Helicóptero

A depender do andamento da interceptação, os helicópteros podem entrar em ação. Se a aeronave ilícita diminuir a velocidade e a altitude a ponto de não poder mais ser acompanhada pelo A-29 Super Tucano, quem assume os procedimentos é o AH-2 Sabre, que na Operação Ostium está equipado com um canhão de calibre 23mm.

Bastidores de uma megaoperação Para a atuação da FAB na cidade de Dourados (MS), onde estão mais de cem pessoas, foram necessários cinco caminhões e uma van para transportar toda a carga de materiais, explica um Tenente do Grupamento de Apoio de Canoas (RS). “Foram dois dias de deslocamento, com cerca de 200m³ de suprimentos”, afirma. São barracas e módulos onde funcionam os centros de comando e controle, as salas de reuniões, os dormitórios e os banheiros - é a chamada Unidade Celular de Intendência (UCI). As atividades de guarda e segurança também compõem os bastidores. Por se tratarem de bases deslocadas e pela característica da operação, de combate a crimes transfronteiriços, a questão da segurança é primordial, explica o Capitão comandante do grupamento que saiu de Campo Grande para Dourados.

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4Medidas de Controle FOTO: SGT JHONSSON BARROS / CECOMSAER

de Solo

Se durante a interceptação a aeronave ilícita pousar, quem entra em ação é o H-60 Black Hawk, que irá levar até o local uma equipe de Medidas de Controle de Solo, responsável pela vistoria do avião. “Sou cidadão. Tenho filhos, esposa, pais e familiares que tanto amo. Sinto-me muito orgulhoso em saber que meu trabalho é garantir a segurança deles”, diz um dos pilotos de Black Hawk, que está servindo na base desdobrada de Dourados (MS).

Vigilância

FOTO: SGT REZENDE / CECOMSAER

FOTO: SGT JHONSON BARROS / CECOMSAER

Complementando essas ações, Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP) também estão atuando na Ostium. Os Hermes 450 têm autonomia de voo entre 10 a 30 horas. “Nosso foco não é interceptar ou identificar aeronaves, mas sim estruturas de apoio a elas, como aeródromos suspeitos, possíveis rotas de contrabando e pistas clandestinas, por exemplo”, afirma um dos pilotos do Esquadrão Hórus (1º/12º), que também está em Dourados.


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Operacional

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FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

SAÚDE

Hospital de Força Aérea de Brasília completa 30 anos Ten JOR Raquel Alves Executar ações de saúde preventiva, pericial, curativa e reabilitadora, atendendo às complexidades e particularidades dos diferentes segmentos da comunidade aeronáutica brasileira. Essa é a missão do Hospital de Força Aérea de Brasília, que completa 30 anos de dedicação à saúde.

Pilares O hospital implantou dois programas fundamentais de atendimento aos usuários: a Unidade de Geriatria e Gerontologia – UGG, que oferece aos usuários com mais de 60 anos um atendimento diferenciado; e o Programa Assistencial Integrado (PASIN), um sistema de atendimento médico responsável pela integração dos Centros de Atenção Primária à Saúde das Organizações da Aero-

náutica. O PASIN é a principal porta de entrada do usuário no Sistema de Saúde e oferece atenção médica integral, continuada e coordenada. Além dos ambulatórios médicos, de enfermagem, de psicologia e de serviço social, o HFAB oferece atividades com objetivo terapêutico e social com programas que trabalham, por exemplo, a memória e a convivência, levando à melhora da qualidade de vida dos pacientes.

FOTO: ARQUIVO HFAB

Histórico do HFAB

Há dez anos atuando na FAB, o Capitão médico Giuseppe Muccini coordena a Unidade de Terapia Intensiva Aérea com uma equipe de dezesseis médicos que trabalham em sobreaviso. Em 2016, foram realizadas cerca de 60 missões de UTI aérea atendendo militares, dependentes e civis. Uma das missões que marcou a carreira do oficial foi o transporte dos sobreviventes do acidente da aeronave que transportava a delegação da Chapecoense e profissionais de comunicação para a Colômbia. “Fomos acionados, montamos a equipe, preparamos a aeronave e decolamos na madrugada do dia 13 de dezembro. Esse acidente sensibilizou o mundo. Isso também deixa uma marca em nossas vidas como profissionais da saúde”, comenta o militar.

O Major Médico Luciano Martins também exerce suas funções no Hospital. Ele foi um dos profissionais que atuou no maior resgate da história da FAB: o voo 1907. Durante as buscas, a esperança de encontrar algum sobrevivente era permanente para o militar, mas as equipes de resgate acreditavam que seria improvável. Apesar de todo ocorrido (não houve sobreviventes), ele se orgulha de poder ajudar. “Hoje, ao lembrar dos fatos, perco-me no emaranhado de lembranças, mas há um sentimento muito forte e sempre presente: o orgulho de ter participado do resgate ao lado dos amigos e irmãos de farda. Posso dizer que esta experiência me fez amar ainda mais o azul da minha farda”, relata.

No dia 1º de janeiro de 1958, foi instalada a primeira Unidade de Saúde do Comando da Aeronáutica em Brasília. Era a Esquadrilha de Saúde, um posto médico que funcionava nas instalações da antiga Base Aérea de Brasília, hoje Ala 1. Já em agosto de 1968, com a instalação da Base Aérea, foi criado o 2º Escalão Funcional de Atendimento de Saúde, chamado de "O Barracão", devido às suas características arquitetônicas em madeira. Com o passar do tempo, a Guarnição cresceu e, com ela, a demanda também aumentou. Em 27 de setembro de 1984, foi autorizada a criação do Hospital de Aeronáutica de Brasília, nível de 3º Escalão Funcional. As obras começaram pela ampliação da área física com blocos complementares. Com a conclusão das instalações, recebeu a denominação de Núcleo do Hospital de Força Aérea de Brasília – NuHFAB, sendo desativado em 19 de maio de 1987 surgindo, assim, a data comemorativa do aniversário do HFAB.


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Esquadrões Gordo e Cascavel ajudam vítimas de enchentes no Peru Militares permaneceram mais de 20 dias no país andino Ten JOR Flávio Nishimori

D

uas aeronaves C-130 Hércules, dos Esquadrões Gordo (1º/1º GT) e Cascavel (1º GTT), permaneceram por 22 dias, entre os meses de março e abril, no Peru. O efetivo da FAB cumpriu a missão de ajuda humanitária às vítimas das enchentes no país andino. “É um grande orgulho para nós do GTT representar a FAB e o Brasil nesse auxílio prestado a uma nação amiga que necessitava dessa ajuda humanitária”, disse o Comandante do Esquadrão Cascavel, Tenente-Coronel Marcelo da Silva Ribeiro. Os aviões transportaram brigadistas peruanos, água,

mantimentos e insumos. Foi estabelecida uma verdadeira ponte aérea entre Lima (capital peruana) e as cidades de Piura, Chiclayo, Trujillo e Tumbes, consideradas as áreas mais afetadas pelas cheias. “Atuamos com duas tripulações, cada uma com a capacidade de operar em até 16 horas de jornada. Tudo isso para realizar nossa missão da melhor forma possível e atender a todas as necessidades que as populações das várias localidades necessitavam. Isso foi muito gratificante para todos do efetivo”, explicou o Capitão Gustavo Magaldi, comandante da aeronave do Esquadrão Gordo.

“Graças à Força Aérea Brasileira fomos transladados de maneira segura e correta”, comentou Fernando Vera, após ser transportado da cidade de Trujillo para Lima. “Agradeço por podermos ver agora a nossa família. O Peru agradece ao Brasil com muito carinho”, complementou Gladys Avanto.

Veja como foi o trabalho da FAB Dias de missão: 22 dias Aeronave utilizada: C-130 Hércules Esquadrões: Gordo (1º/1º GT) e Cascavel (1º GTT) Efetivo: 32 militares envolvidos Passageiros transportados: cerca de 2 mil Material transportado: 380 toneladas Cidades atendidas: Trujillo, Chiclayo, Piura e Tumbes Horas voadas: 154

Tumbes

Piura

Chiclayo

Trujillo

FOTO: REVISTA DEFESA AÉREA E NAVAL

AJUDA HUMANITÁRIA

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Lima

TRÁFEGO AÉREO FAB disponibiliza serviço inédito de informação de voo na América do Sul Ten JOR Evellyn Abelha

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Serviço de Informação de Voo de Aeródromo em Fernando de Noronha (AFIS FN) já não é o mesmo. As equipes de militares da FAB, especialistas em Comunicações, que antes eram transferidas para a ilha para prestar esse serviço, hoje podem atuar remotamente (R-AFIS) a partir do Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III), em Recife (PE). A operação iniciada há cerca de cinco meses é inédita na América do Sul e está promovendo ganhos operacionais e administrativos para a FAB. “A estruturação e implantação do R-AFIS FN, servirá

de base para outros projetos similares de interesse do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), com possibilidades de adoção em âmbito nacional e consequente ganho de conhecimento técnico e operacional”, explica o Chefe da Subdivisão de Telecomunicações Aeronáuticas do CINDACTA III, Major Especialista em Meteorologia José Messias Rocha Mendonça. Segurança - A operação do R-AFIS, a partir das instalações do CINDACTA III, tem a mesma qualidade da atividade presencial, sem necessidade de alteração na estrutura do espaço aéreo. O projeto foi desenvolvido a partir de estudos e projetos, tanto do DECEA

quanto de órgãos externos. “As atividades de informação de voo estão sendo realizadas no mesmo salão operacional que o Centro de Controle de Área Recife (ACC-RE) que resulta em um incremento no nível de coordenação e segurança”, afirma o Major Messias. Economia - Com a mudança, os profissionais capacitados para oferecer o trabalho podem servir por mais tempo na unidade em Recife, diferente do que acontecia em Fernando de Noronha. Os militares podem permanecer trabalhando na ilha por, no máximo, dois anos. Depois desse tempo, são transferidos e há a necessidade de capacitar os novos militares para o trabalho. A alta rotatividade gerava investimentos na preparação e na movimentação de pessoal da FAB.

Pesquisa de Satisfação O Major Messias conta que foi realizada uma pesquisa de satisfação junto aos usuários da Rádio Noronha nos primeiros dias da implantação do R-AFIS, para saber como estava a prestação do serviço, porém sem que os usuários soubessem do novo sistema. No período pesquisado, as operações foram realizadas unicamente de forma remota. Foram preenchidos 60 formulários e os resultados mostram que em compara-

ção aos últimos seis meses: A percepção dos usuário com relação às informações fornecidas pelo operador foi considerada “Muito melhor” por 20% dos usuários e 40% disseram estar “melhor”, outros 40% afirmaram estar “igual”. A percepção dos usuários com relação às coordenações entre a Rádio Noronha e o ACC-RE foi “Muito melhor” para 25% dos usuários, já 46,67% constataram estar “melhor” e 28,33% acreditam estar “igual”.

Curiosidades O Serviço de Informação de Voo de Aeródromo faz parte de uma atividade maior chamada Serviço de Informação Aeronáutica (AIS) - que é celebrado, internacionalmente, no dia 15 de maio. A atividade ajuda a garantir a cada voo o fluxo de toda informação necessária à segurança, regularidade e eficiência da navegação aérea.


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AVIAÇÃO DE PATRULHA

A história do Hino da Aviação Embarcada

Você Sabia? A Aviação de Patrulha desempenha missões de patrulha marítima e também tem a responsabilidade de proteção a riquezas litorâneas, a exemplo do pré-sal. Essas ações são imprescindíveis para a FAB no que diz respeito ao cumprimento da sua missão de manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional, com vistas à defesa da pátria.

Major-Brigadeiro Sanchez conta sobre a inspiração para escrever a letra Ten JOR João Elias

FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

Em 22 de maio comemora-se o dia da Aviação de Patrulha, que é representada pelo Hino da Aviação Embarcada. A letra foi escrita pelo então Major da FAB Jaime Rodrigues Sanchez em resposta a um desafio feito pelo Tenente-Brigadeiro Rodolfo Becker Reifschneider, em 1984, a todos os Cardeais (apelido dado aos pilotos da aeronave de patrulha P-16 por usarem macacão laranja e boné vermelho, semelhantes a um Cardeal do Vaticano). “A inspiração veio da experiência de mais de dez anos de sacrifícios, emoções e realização em uma unidade de elite que tinha a importante tarefa de representar a Força Aérea junto à Marinha do Brasil e do

exterior, servindo de fator de dissuasão na defesa das inúmeras riquezas contidas na plataforma continental brasileira”, relembra o atual Major-Brigadeiro Reformado Sanchez. A letra ressalta a história e os feitos da Aviação de Patrulha na busca a um submarino e contra um navio mercante no litoral brasileiro; exalta, também, o Esquadrão dos Cardeais, de aviões antissubmarinos, e o Esquadrão Anujá, de helicópteros antissubmarinos. Na imaginação do autor, o tridente (arma com a qual acreditava-se que o deus da mitologia grega, rei dos mares, Poseidon - Netuno criava as ondas e as tempestades) representa a força e a determinação da Embarcada em sua luta. “O hino foi composto

com o título de ‘Aviação Embarcada’. No entanto, o brado principal da letra, ‘Salve a Patrulha!’, deixa claro que a importância não se restringe ao Primeiro Grupo de Aviação Embarcada, sendo utilizada como uma expressão geral do sentimento dos pilotos de Patrulha”, explica o autor. A melodia foi composta pelo Suboficial Músico Martilho Cardoso de Albuquerque. O Major-Brigadeiro Sanchez chegou ao Primeiro Grupo de Aviação Embarcada em janeiro de 1971 e permaneceu na Aviação de Patrulha até ser promovido a Tenente-Coronel, em 1984. Ele foi piloto das aeronaves P-16 A/E, operando em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e também a bordo do porta-aviões Minas Gerais.

Hino da Aviação Embarcada

Salve a Patrulha, Salve a Patrulha! O passado distante viu nascer sua história Salve a Patrulha, Salve a Patrulha! Seus feitos marcantes são flagrantes na memória Salve a Patrulha, Salve a Patrulha! A Embarcada retrata sua força, sua glória Empunhando o tridente mortal, na defesa da Força Naval Em vigília constante, protege o mercante e nosso litoral Atravessa o oceano, buscando o tirano escondido no fundo do mar Não importa a tormenta, se chove ou se venta, ela tem um caminho a trilhar Avante, Cardeais! Audazes, não recuam jamais Quer na paz ou na guerra, operando de terra ou de bordo de Porta Aviões Sua força irradia, de noite ou de dia, enfrentando quaisquer condições Da Pátria são zelosos guardiões Lutando sem descanso pela paz entre as nações Refrão Em seu passado foi buscar a tradição Dos anujás guardou a raça, o coração E a Embarcada com sua fibra e destemor A Força Aérea vai mostrando seu valor O Cardeal que é da Esquadra o defensor Sua tarefa vai cumprindo com amor Com galhardia segue firme o seu destino Na busca implacável ao submarino. Acesse o vídeo com o Hino da Patrulha


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Bastidores da FAB na LAAD Feira reuniu cerca de 37 mil pessoas em quatro dias

FOTO:SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

INDÚSTRIA DE DEFESA

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

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Ten JOR Emília Maria estande. Depois, houve a fase de acabamento e paisagismo, e em seguida, dois dias antes da abertura, os 20 projetos estratégicos foram posicionados em seus respectivos lugares. Diferente das demais edições da LAAD, este ano foi oferecida interatividade aos visitantes. “O trabalho com esse tipo de material tem o objetivo de captar os visitantes que passam pelo estande da FAB, comunicando de forma mais clara e ágil o conteúdo. Os dispositivos digitais proporcionam uma experiência de consumo mais completo, pois o usuário tem acesso a imagens 3D, vídeos, material escrito, ou seja, a interação é completa”, destacou o coordenador do estande institucional da FAB, Major Aviador Marco Antonio Aidar Ribeiro.

“A presença das Forças Armadas na LAAD proporcionou um intercâmbio entre militares de outros países, fato que impulsiona a Indústria Nacional de Defesa e torna o Brasil um possível exportador de tecnologia militar”, diz um dos organizadores da feira, Sérgio Jardim.

Escalão móvel: apoio deu suporte à equipe de expositores durante toda a feira - 500 militares atendidos por dia. Estrutura: RodoMapre, Mapre, Unidade Celular de Tecnologia da Informação, Unidade Celular de Segurança e Defesa, Unidade Celular de Saúde, Unidade Móvel Odontológica, Tenda de Descontaminação DBQRN e Unidade Celular de Engenharia, algumas operacionais e outras para exposição.

FOTO: TEN HEITOR / CECOMSAER

“Quem viu o Pavilhão 3, no Riocentro (Rio de Janeiro), em meio ao caos, obra, barulho e entulhos, não imaginava que em poucos dias esse cenário se tornaria a maior feira de defesa e segurança da América Latina. As estruturas de madeira e metal tomaram forma rapidamente, os helicópteros, tanques militares e caminhões chegavam por todos os lados”. O relato da Tenente Relações-Públicas Aimée Carmo é uma mostra dos bastidores da LAAD Defence & Security 2017, realizada de 4 a 7 de abril. O estande institucional da FAB contou com três videowall (monitores) e dez totens touch que exibiram os projetos da Aeronáutica. Na primeira fase de montagem, iniciada no dia 28 de março, foram erguidas as estruturas que dão forma ao

Área externa: 1650 m2 – 15 barracas – 140 militares envolvidos na montagem, transporte e logística.


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DIA DA VITÓRIA

Militar centenário relembra fim da Segunda Guerra Ten JOR Cynthia Fernandes Ele não atravessou o Oceano Atlântico para lutar durante a Segunda Guerra Mundial, embora estivesse fardado e servisse às Forças Armadas. Ainda assim, o Primeiro Tenente Jayme Fontoura Carpes, hoje com 100 anos recém-completados, é uma das memórias vivas que comemoram o Dia da Vitória, celebrado em 8 de maio de 1945 - data formal da derrota da Alemanha nazista e a vitória do grupo dos países Aliados. Na época da guerra, o então Sargento Jayme atuava em missões de patrulhamento da costa brasileira. Embarcado em aeronaves, auxiliava no apoio

ao País, uma vez que o mundo se dividia em duas partes. O militar relembra como foi o retorno de colegas que foram para a Itália. “Lembro desse dia com muito carinho e emoção. Lamento não ter ido”, comenta. Aos 17 anos, o jovem de Santa Maria (RS) ingressou nas Forças Armadas através do Exército, servindo no Núcleo do Terceiro Regimento de Aviação do Exército (3º RAV), unidade que foi transferida para Canoas (RS) tempos depois. Com a criação do Ministério da Aeronáutica, em 1941, a unidade passou para a FAB, que denominou essas unidades como zonas aéreas. Durante dez anos da car-

reira militar, o Sargento ajudou também no transporte de passageiros do Rio de Janeiro para o estado do Acre. Com essa experiência, acumulou mais de 6 mil horas de voo. Grande parte, embarcado num Douglas C-47, versão militar do DC-3. Mesmo não carregando o título de herói de guerra, o Tenente Jayme guarda com honra e carinho a oportunidade de servir à FAB e ao País. O centenário, que recebeu uma homenagem da Ala 3 durante o aniversário comemorado em 12 de março, ressalta: “Fui um guerreiro e estava disposto a arriscar a vida”, diz.

EDUCAÇÃO

Pense nos porquês Ten JOR Gabrielli Dala Vechia O título pode soar até um pouco filosófico, mas o objetivo, aqui, é puramente gramatical: entender por que existem quatro formas de escrever os porquês. Isso acontece porque, em cada oração, a palavra assume uma função diferente e, portanto, requer grafias diferentes. A boa notícia é que não há necessidade de uma análise

Ainda com dúvida? O Armandinho ajuda!

sintática muito apurada para identificar o porquê correto em cada caso. Veja: Porque (junto e sem acento): usado em respostas; pode ser substituído por ‘pois’ sem prejuízo do sentido da frase. A FAB está passando por uma reestruturação porque [pois] pretende chegar ao seu centenário mais eficiente e operacional. Por que (separado e sem acento): usado em perguntas;

após esse tipo de grafia, está subentendida a palavra ‘motivo’. Também se usa dessa forma quando o sentido for o mesmo da expressão ‘pelo qual’. Por que [motivo] a FAB está se reestruturando? O motivo por que (pelo qual) a FAB está buscando se reestruturar diz respeito à busca de melhores resultados no futuro. Por quê (separado e com

acento): usado quando no final das frases; após, há sempre um ponto final, de exclamação ou de interrogação. A FAB está em um processo de reestruturação por quê? Porquê ( junto e com acento): nesse caso, a palavra assume o papel de substantivo. Portanto, antes dela, sempre há um artigo (definido ou indefinido). Todos já sabem o porquê da reestruturação da FAB.


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ENTRETENIMENTO

FOTO: SGT REZENDE / CECOMSAER

6 ERROS

Caça Palavras

respostas do mês anterior

Em 8 de maio de 1945, chegava ao fim o período de seis anos que durou a Segunda GUERRA Mundial (1939 – 1945), com a DERROTA dos nazistas que dominavam grande parte do continente europeu na época. Unidades militares do BRASIL lutaram ao lado das nações ALIADAS na Europa. A Força EXPEDICIONÁRIA Brasileira era composta por setores de infantaria, unidades de artilharia e um componente AÉREO da FAB, formado pelo 1º Grupo de Aviação de CAÇA e pela 1ª ESQUADRILHA de Ligação e Observação. Essas unidades chegaram à ITÁLIA em 1944 e lutaram juntamente ao EXÉRCITO e Força Aérea dos Estados Unidos.


Notaer maio 2017  
Notaer maio 2017  

Reforço na Fronteira Operação Ostium mobiliza efetivo da FAB por todo o País

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