Noticiário da Aeronáutica - Ano XXXIII - 31 jan 2010
Centenário de um líder Brigadeiro-do-Ar Nero Moura, Patrono da Aviação de Caça Brasileira, nasceu em 30 de janeiro de 1910 e deixou um legado de patriotismo
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amaradas: Para frente, para a ação, com o pensamento fixo na imagem da Pátria, cuja honra e integridade juramos manter incólumes. Cumpre-nos enfrentar, com fortaleza de ânimo, a fim de manter intacto esse tesouro jamais violado: a honra do soldado brasileiro! E nós o faremos, custe o que custar”. As palavras foram ditas pelo então Tenente-Coronel Nero Moura, em 14 de outubro de 1944, depois do hasteamento da bandeira brasileira, pela primeira vez, na cidade de Tarquínia, na Itália, antes de os pilotos brasileiros irem, de fato, para o combate. Nos céus da Europa, os aviadores e especialistas da Força
Pintura retrata ataque realizado com êxito pela FAB na 2ª Guerra Mundial e que destruiu um trem que transportava armamento e munição
Aérea forjaram com suor e sangue o sentimento que embala até hoje a geração de militares da FAB. Um exemplo de coragem, de profissionalismo e de garra. O Brigadeiro Nero Moura é conhecido por ter comandado a vitoriosa campanha do recémcriado Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA) na Segunda Guerra Mundial. Tornou-se um mito. Os feitos imortalizaram o homem considerado herói. É o Patrono da Aviação de Caça Brasileira. No dia 30 de janeiro é celebrado o centenário de seu nascimento e, mais uma vez, sua memória merece homenagem.
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A escolha pela aviação foi decisiva para a carreira N
ascido na atual Cachoeira do Sul (RS), Nero Moura era um dos três filhos homens (tinha mais duas irmãs) do proprietário rural Gilberto Moura e de sua esposa, Maria Emília Marques Moura. Com o irmão mais velho, Osmar, foi estudar no Colégio Militar de Porto Alegre. Ao final do curso, foi matriculado na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Resolveu ser aviador e optou pela Arma da Aviação, recém-criada no Exército, no Campo dos Afonsos (RJ). Em 1930, foi declarado Aspirante-a-Oficial-Aviador. Integrou o grupo de pilotos que participou da criação do Correio Aéreo Nacional e fez curso de aperfeiçoamento, envolvendo tática aérea, tiro e bombardeio. Em seguida, foi comandar o Terceiro Regimento de Aviação, em Santa Maria (RS), e depois voltou à Escola
de Aviação Militar, no Rio, para chefiar a instrução aérea e o emprego operacional do avião como arma de guerra. Na mesma época, foi designado para ser o piloto do presidente Getúlio Vargas. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Nero Moura fez parte de um grupo de oficiais que estudou a necessidade de criação do Ministério da Aeronáutica, em 1941. Na época, já era Major, quando, em 1942, foi declarado estado de guerra no Brasil em razão dos ataques de países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), cujos submarinos haviam torpedeado navios brasileiros. Diante dessa situação, em setembro de 1943, foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), uma Divisão Expedicionária de 25 mil homens. Em 18 de dezembro do mesmo ano, foi formado o Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA), com o efetivo de 418 homens, entre eles, 49 pilotos. O comando do 1º GAVCA ficou entre os majores Nero Moura e José Vicente Faria Lima. O primeiro era aviador e o segundo, engenheiro. Nero Moura venceu com o argumento de que, se ele fosse abatido em combate, a Força Aérea Brasileira perderia um piloto, ao passo que a perda de Faria Lima implicaria perda de um piloto e de um engenheiro ao mesmo tempo. Salgado Filho nomeou então Nero Moura comandante.
O Brigadeiro Nero Moura e seus dois irmãos lutaram na Segunda Guerra Mundial
NOTAER ESPECIAL é uma publicação do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER). Está autorizada a transcrição parcial ou integral dos artigos publicados, com o devido crédito e remessa de um exemplar da publicação. ISSN 1518-8558. Tiragem: 6.000 exemplares Chefe do CECOMSAER: Brig Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez Chefe da Divisão de Produção e Divulgação: Ten Cel Av Marcelo Luis Freire Cardoso Tosta Edição: 1º Ten QCOA CSO Luiz Claudio Ferreira; 1º Ten QCOA JOR Alessandro Paulo da Silva; 2º Ten QCOA JOR Flávia Sidônia Camargos Pereira e 2º Ten QCOA JOR Flávio Hisakasu Nishimori
Jornalista Responsável: 1º Ten QCOA CSO Luiz Claudio Ferreira Arte Gráfica e Diagramação: 3S SDE Renato de Oliveira Pereira e 3S SAD Jéssica de Melo Pereira Internet: www.fab.mil.br - E-mail: redacao@fab.mil.br. Endereço: Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” - 7º andar - 70045-900 Brasília-DF - Telefone: (61) 3966-9665 - FAX: (61) 3966-9755.
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Um comandante exemplar testado em combate C
rea dos Estados Unidos. Porém, um número igual de surtidas, operando incansavelmente e além do normal no cumprimento do dever. A manutenção dos seus aviões foi altamente eficiente, a respeito das avarias sofridas pela antiaérea e o desgaste despendido na recuperação dos aviões. Este grupo entrou em combate na época em que a oposição antiaérea aos caças bombardeios estava em seu auge. Suas perdas têm sido constantes e pesadas e não têm recebido o mínimo de pilotos de recompletamento estabelecido. Como o número de pilotos cada vez diminuía mais, cada um deles teve que voar mais de uma missão diária, expondo-se com maior freqüência. Em muitas ocasiões, como Comandante do 350th Fighter Group, eu fui obrigado a mantê-los no chão quando insistiam em continuar voando, porque eu acreditava que eles já haviam ultrapassado os limites de sua resistência física.” Em 1986, o 1º Grupo de Aviação de Caça tornou-se a terceira unidade não pertencente às Forças Armadas Americanas a receber a Presidential Unit Citation, a terceira comenda mais importante do governo americano.
Como comandante do 1º GAVCA, o Brigadeiro Nero Moura cumpriu 62 missões de combate na Itália
1º GAVCA
om 34 anos, Nero Moura, já Tenente-Coronel, foi um combatente considerado exemplar. Executou 62 missões de guerra e foi um líder. “Lembro-me de um dia em que Nero Moura, após cumprir, no Passo do Brenner, uma missão vitoriosa, estava vendo as imagens do que havíamos feito de dia e fazendo a crítica do combate. Ele nos reuniu em torno de sua mesa e disse: o que estamos fazendo aqui é um verdadeiro ‘mestrado’ de guerra. Proponho que, se voltarmos, assumiremos o compromisso de fazer a aviação de caça no Brasil”, conta o Major-Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima, um dos pilotos de Nero Moura na Itália, em seu livro “Senta a Pua!”. Em reconhecimento ao desempenho da unidade, o coronel Ariel Nielsen, comandante do 350th Figther Group USAF, ao qual o 1º GAVCA estava subordinado, recomendou ao XXII Comando Aerotático que a unidade recebesse a Citação Presidencial de Unidade: “Nas perdas que sofreram nessa ocasião, como também em muitos ataques anteriores, tiveram seu número de pilotos reduzidos à metade em relação às unidades da Força Aé-
Foto histórica de militares do 1º GAVCA que lutaram na Itália ASAS QUE PROTEGEM O PAÍS
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História da 2ª Guerra
Carta de um filho “Q
uerida mãe, o Danilo hoje não teve muita sorte...”. As palavras do filho Nero Moura para a mãe, Maria Emília, revelavam uma preocupação extrema com o destino do irmão, Danilo, também aviador da FAB e que teve o avião abatido em combate. Ele foi obrigado a saltar de paraquedas em território inimigo. A carta, datada de 4 de fevereiro de 1945, tratada como relíquia no Primeiro Grupo de Aviação de Caça e nunca divulgada antes, contém três páginas e revelam um homem preocupado em acalmar, mas sem deixar de esclarecer os riscos que o rapaz vivia. “O lugar em que eles caíram é cheio de alemães e provavelmente eles foram feitos prisioneiros”, escreveu. De toda forma, mostrava otimismo com o destino do irmão e até tentava confortar a mãe com bom humor. “Está com vida, não está ferido. Só vai passar um pouco mal por uns tempos. Mas até é bom porque vai conhecer a Alemanha antes de nós”. Voltando ao tom sério, Nero Moura recomendava para a mãe cuidado com o conteúdo da informação. “Não se dá publicidade em tais casos porque se ele não foi aprisionado, há possibilidade de conseguir a fuga com a ajuda dos italianos e qualquer publicidade em tais casos poderá cair nos ouvidos dos alemães e eles tomarem providências severas. De modo que é bom não falarem no assunto com pessoas de fora da família. Guardem o máximo sigilo”. Ao fim da carta, mais uma mensagem positiva e de esperança: “Tenhamos confiança em Deus e aguardemos melhores novas. Do seu filho, Nero”. O que todos saberiam um mês depois é que Danilo deu início a uma fuga heróica e conseguiu retornar à base onde o grupo estava, tendo percorrido trechos em território inimigo, a pé e de bicicleta, por mais de 340 quilômetros. Voltou pesando 10 quilos a menos. “Quando o Danilo foi dado como morto, o irmão mais velho deles, Osmar, que estava na Força Expedicionária Brasileira (FEB), viajou para Nápoles para buscar o que seria o corpo de Danilo e não sabia que o caçula estava vivo. O Danilo tinha acabado de voltar e foi um susto grande e muita emoção para o Osmar encontrá-lo vivo”, conta o Major-Brigadeiro Rui. A fuga de Danilo deu origem à “Ópera do Danilo”, encenação criada durante a própria guerra pelos criativos tenentes do 1º GAVCA e exibida anualmente por ocasião do “Dia da Aviação de Caça”. Nela são retratadas todas as passagens da fuga, uma verdadeira saga até a liberdade e reencontro com os amigos.
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Frase “Não me considero uma pessoa excepcional. Sou um homem normal. Cumpri as missões para que fui designado com satisfação, sem heroísmo, sem exageros. Se, por acaso, deixei transparecer alguma coisa além do normal, foi no entusiasmo com que me fizeram falar. Mas quero declarar que sou uma pessoa normal e nada fiz de excepcional. Só cumpri o meu dever e estou satisfeito com a minha vida por ter permanecido como sou até os dias de hoje.” Brigadeiro-do-Ar Nero Moura