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Revista 1

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CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO pREsiDEntE: Antonio José Monte viCE-pREsiDEntE: Antonio Carlos Cattai ConsElhEiRos voGAis: Gilmar Moreira, José veiga veiga, Marcelo vito figueiroa Brumatti, silvio lucinda fagundes.

DIRETORIA EXECUTIVA pREsiDEntE EXECutivo: Marcio francisco Blanco do valle DiREtoR EXECutivo CoMERCiAl: luiz Gustavo Maldi Ramos DiREtoR EXECutivo DE ADMinistRAÇÃo E finAnÇAs: pedro luiz ferreira de Mattos DiREtoR EXECutivo DE opERAÇÕEs: valdomiro sanches Bardini DiREtoR EXECutivo DRoGARiA: Eduardo pereira dos santos

Unidades Coop SUPERMERCADOS SANTO ANDRÉ - Industrial - Av. Industrial, 2.001 4991-9540. Capuava - Av. das Nações, 1.600 4472-1044. Carijós - R. Carijós, 1.843 - 4453-9900. D. Pedro - Av. D. Pedro I, 722 - 4451-6252. Parque das Nações - R. Suíça, 1.094 - 4479-6277. Pereira Barreto - Av. Pereira Barreto, 1.286 - 4429-5717/ 4429-5723. Perimetral - R. Gertrudes de Lima, 658 - 4438-4477. Queirós - Av. Queirós dos Santos, 456 - 4994-4788. V. Luzita - Av. Cap. Mário Toledo de Camargo, 5.252 - 4453-5211. Jardim Milena - R. Otávio Cândido, 150 - 4451-2222. Palmares - Av. Palmares, 830 - 4421-6210. Utinga - Av. Utinga, 1.599 - 4463-5464. Giovanni Pirelli - R. Giovanni Battista Pirelli, 2.050 - 4118-4190. SÃO BERNARDO - Joaquim Nabuco - R. Joaquim Nabuco, 277 - 4339-3211. Café Filho - Av. Pres. Café Filho, 2.231 - 4351-3433. Rudge Ramos Av. Dr. Rudge Ramos, 500 - 4177-4440. Vianas - R. dos Vianas, 1.631 - 4337-5353. Humberto de Alencar - Av. Humberto de Alencar Castelo Branco, 2.563 - 3181-8964. SÃO CAETANO - Joana Angélica - R. Joana Angélica, 711 - 4221-6988. DIADEMA - Av. 7 de Setembro, 200 - 4054-1044. MAUÁ - Barão de Mauá - Av. Barão de Mauá, 1.389 - 4514-7020. Itapark - Av. Itapark, 2.261 - 4545-0021. RIBEIRÃO PIRES - Av. Humberto de Campos, 3.499 - 4828-4455. Ribeirão Centro - Av. Santo André, 735 - 4825-5146.

TATUÍ - Onze de Agosto - R. XI de Agosto, 3.045 (15) 3205-2030. Coronel Seabra - R. Cel. Lúcio Seabra, 772 - (15) 3205-2282. SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - Santana - Av. Rui Barbosa, 837 - (12) 3922-9911. Morumbi - Av. Dr. João Batista de Souza Soares, 2.185 - (12) 39343535. Novo Horizonte - Av. Pres. Tancredo Neves, 3.400 - (12) 3907-2221. PIRACICABA - Vollet Sachs - Av. Prof. Vollet Sachs, 2.030 - (19) 3411-8885. SOROCABA - Árvore Grande - R. Padre Madureira, 255 - (15) 3237-3333. Itavuvu - Av. Itavuvu, 3.799 - (15) 3239-2911. DROGARIAS SANTO ANDRÉ - Hortências - R. das Hortências, 103 - 2534-1823. São Paulo - Av. São Paulo, 162 4316-4830. Queirós Filho - Av. Queirós Filho, 702 2379-3586. Regente Feijó - R. Regente Feijó, 394 4902-1102. Atlântica - Av. Atlântica, 317 - 44279972. Senador Fláquer - R. Senador Fláquer, 227 4316-4830. Martim Francisco - Av. Martim Francisco, 1.278 - 3181-8976. Bandeiras - Av. D. Pedro II, 217 - 4118-4172. Itambé - R. Itambé, 195 – Lj. 17 – 4118-4175. Lino Jardim - Av. Lino Jardim, 744 – 3181-7016. D. Pedro II - Av. Dom Pedro II, 1.861. João Ramalho - Av. João Ramalho, 248, Centro. SÃO BERNARDO - Demarchi - Av. Maria Servidei Demarchi, 1.613 - 4347-8578. Djalma Dutra - R. Djalma Dutra, 235 - 2897-2712. Getúlio Vargas - Av. Getúlio Vargas, 1.014 - 4123-7242. Castelo Branco Av. Humberto de Alencar Castelo Branco, 2.563 4343-5064. Tiradentes - R. Tiradentes, 905 - 3181-

CONSELHO FISCAL EfEtivos: José Antonio de Assis simões, Evanir José izolani e vanderlei Campiotti. suplEntEs: fabio valveson, osmar Brandão e José Carlos Brandão.

2971. Ernesta Pelosini - R. Ernesta Pelosini, 250. SÃO CAETANO - Inhaúma - R. Visconde de Inhaúma, 841 - 4118-2847. Visconde - R. Visconde de Inhaúma, 180 - 4118-2411. Kennedy - Av. Presidente Kennedy, 738. MAUÁ - Shopping - Av. Governador Mário Covas Júnior, 01 – Lj. 201 e 202 - 2116-3608. SÃO PAULO - Oratório - Av. do Oratório, 2.606 2116-3608. Washington Luis - Av. Washington Luis, 1.415 - Santo Amaro. SOROCABA - Paulo Almeida - Av. Paulo Emanuel de Almeida, 930 - (15) 3217-7229. Eugênio Salerno - Av. Dr. Eugênio Salerno, 25 - (15) 3202-1910. SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - XV de Novembro Av. XV de Novembro,160 - (12) 3921-9307. POSTOS DE COMBUSTÍVEIS Santana - Trav. Constantino Pintos, 44 - V. Rossi – São José dos Campos - (12) 3921-9220. Onze de Agosto Rua XI de Agosto, 3.011 - Valinho - Tatuí - (15) 32052030. Joaquim Nabuco - R. Joaquim Nabuco, 165 Centro - São Bernardo do Campo - 4339-3211. CENTRO ADMINISTRATIVO R. Conselheiro Justino, 56 - Campestre - Santo André - 4991-9500.

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A sua contribuição transforma a vida de pessoas. Obrigado por contribuir! EDIÇÃO E PRODUÇÃO: Editora e Jornalista Responsável: Ivanilde Sitta (MTb: 16.616) Editor de Arte: Rubens Justo (MTb: 10.726) Revisão de texto: Juliana Machado Impressão: Log&Print Gráfica e Logística. n Distribuição interna.

ATENDIMENTO AO LEITOR Se tiver dúvidas ou deseja obter informações sobre os profissionais consultados pela revista, escreva para: Rua Conselheiro Justino, 56 CEP 09070-580 - Santo André - SP. E-mail: revistacoop@coopsp.coop.br

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Revista Coop | 03 | Março 2021


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Foto: Fresh Imagens

Índice

Foto: Shutterstock

Revista Coop Março 2021

Matéria de capa

24

O mar está pra peixe. Escolha sua receita para a Semana Santa.

ATENÇÃO! Exemplares da Revista Coop são comercializados exclusivamente nas lojas e drogarias da rede. A Coop não opera com o sistema de venda por assinatura.

38

Feche o almoço da Páscoa com uma boa sobremesa.

44

Bonita na cor e saudável no prato. É tempo de beterraba.

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64

Não se reprima. Chorar é uma forma de trabalhar a dor.

46

Os benefícios do chá de hibisco.

72

Chega de sofrer com com a TPM. Há várias linhas de tratamento.

48

Saiba escolher a melhor técnica de depilação.

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74

Violência psicológica marca tanto a mulher quanto um olho roxo.

n 8 - Por dentro da Coop n 18 - Retratos de família n 20 - Receita do cooperado

n 36 - Seu corpo n 56 - Gente de talento n 59 - De bem com a vida n 60 - Empreendedorismo n 68 - Top 10 n 81- Dr. Coop n 85 - Memória n 88 - Home office n 91 - Curiosidades

n 94 - Pet n 96 - Nossa gente n 97 - Crônica de Edmilson Sena da Silva n 98 - Passatempo Revista Coop | 04 | Março 2021

Foto: Shutterstock

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52

Unhas quebradiças pedem avaliação de um dermatologista. Foto: Shutterstock

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78

As meninas estão virando moças cada vez mais cedo.

86

Seu ouvido produz muita cera? Resista e não cutuque.

92

Cirurgia estética em cão e gato é considerada crime.

Carta ao leitor O mês é das mulheres. Tem gente que não gosta da data. Eu também não sou lá muito favorável, mas a considero como oportunidade para trazer à tona as dores e angústias do universo feminino. Uma delas é a violência contra a mulher, que se escancarou de vez com a pandemia. Não só aquela que termina em espancamento – e, não raro, em feminicídio –, mas também a agressão psicológica, que dói tanto ou mais do que socos e pontapés. Falamos nesta edição sobre essa forma de delito, até para alertar possíveis vitimas, já que muitas ignoram que ser humilhada, manipulada ou cerceada pelo parceiro também são formas de violência. Outro assunto de destaque é a vacinação contra a covid-19. Se já chegou o momento de tomar sua dose, não vacile. Caso ainda tenha algumas dúvidas, até porque não faltam polêmicas e notícias falsas sobre o imunizante, esclareça as suas nas próximas páginas, onde encontrará também receitas variadas de peixe para a Semana Santa e a Páscoa. Sim, a comemoração é só no início de abril, mas a gente não quer deixar ninguém na mão. Até a próxima.

IVANILDE SITTA, editora


Páscoa na Coop

A comemoração só acontece em abril, mas as lojas já estão preparadas com tudo o que você precisa. Entre os vários rituais que marcam a Semana Santa, o almoço em família na Sexta-Feira da Paixão e no Domingo de Páscoa é sagrado na grande maioria dos lares brasileiros. Bacalhau, salmão e demais peixes regados com azeite, acompanhados de vinho, bolo pascal e ovos de chocolate são alguns dos produtos sazonais que reinam à mesa num dos feriados mais importantes do calendário. Todos eles já estão em destaque nas lojas da Coop, que prevê um crescimento de 15% na venda ao longo da temporada comparado ao período pascal de 2020, que foi muito bom, segundo adianta o Marcos Rodrigues, gerente comercial. Na casa da cooperada Luciana Nogueira Palmiro, bacalhau na Sexta-Feira Santa é tradição, herdada de seus pais portugueses e que levou para sua vida de casada. “Só a receita é que, vez ou outra, varia de ano para ano”, explica. Além do convencional bacalhau do Porto e os peixes salgados Zarbo e Ling, cooperados e clientes encontram nas lojas outros tipos de pescados, que vão do

Revista Coop | 08 | Março 2021

Fotos: Guilherme Balconi

As filhas da cooperada Patrícia já encomendaram os ovos ao coelho da Páscoa.

clássico salmão à popular sardinha. Tem linguado, tilápia, porquinho, merluza, filé de pescada e panga, polaca, cação, cavalinha, abadejo, costela de tambaqui, curimbatá, camarão, marisco, mexilhão e vários outros. A oferta de pescados, que atende aos mais variados paladares, já mostra procura acelerada desde o início do período da quaresma. A cooperada Helena Maria Benevides escolheu a sardinha para o almoço da Quarta-Feira de Cinzas. “Não como carne vermelha neste dia, nem na Sexta-Feira Santa. Já

no Domingo de Páscoa, um assado bovino está liberado”, comenta. Seja qual for o tipo de peixe à mesa, o vinho branco é o melhor acompanhante, enquanto o tinto combina perfeitamente com carne vermelha. A indicação é do cooperado Anderson Felipe Antonio, que costuma usar a bebida, inclusive, para cozinhar. Entre nacionais e importados, as adegas das lojas somam 540 rótulos, mas, se você tiver dúvida sobre qual levar para seu cardápio, peça orientação aos atendentes de vinho, presentes em 12 unidades.

PEQUENOS E GRANDES Símbolo da Páscoa, os ovos de chocolate não podem faltar, tanto que já estão expostos, em diversos tamanhos e sabores, nas parreiras montadas no autosserviço. A cooperada Patrícia Argentini Faria não só presenteia as filhas, Bárbara e Isabela, com ovos, como também improvisa a toca do coelho e marca o piso da casa com as pegadas para a chegada do coelho no Domingo de Páscoa. “Promovemos ainda a caça aos ovos para o entretenimento delas”, complementa. A cooperada Tânia Toccoli não

Anderson aposta no vinho branco no preparo de peixes.

De família portuguesa, Luciana mantém a tradição do bacalhau à mesa.

chega a tanto, até porque seus dois filhos já são adultos e muito bem casados, mas nunca deixou de presenteá-los com ovos de chocolates. “É tradição e minhas noras adoram”, acrescenta. Além

de chocolate, o bolo pascal é outra iguaria que costuma marcar a comemoração. Neste ano, a marca Delícias da Coop prepara produção de 20 mil unidades, divididas nas versões fruta e chocolate.

PáSCoA SoLIDáRIA Que tal doar um ovo de chocolate às crianças em vulnerabilidade social? A plataforma de sustentabilidade Coop Faz Bem e a gerência comercial uniram esforços e encontraram um jeito bem legal de fazer sua solidariedade chegar às mãos das crianças carentes. Em todas as lojas de supermercado Coop, há uma parreira montada na linha de frente dos checkouts para que cooperados e clientes possam pendurar seu ovo de chocolate. De lá, a doação é retirada pelas

equipes do Fundo Social de Solidariedade para garantir uma Páscoa feliz às famílias em vulnerabilidade social cadastradas em suas bases. “Nossa ação está sustentada no propósito da Coop, que é Cooperar Faz Bem, e atrelada à consciência, um dos atributos da marca Coop”, afirma Monica Elisa Guazi, analista de Marketing

Comercial, confiante numa arrecadação positiva o suficiente para que todos os filhos menores das famílias carentes assistidas pelos FSS possam receber seu ovo de Páscoa. Para tanto, Camila Tobias, analista da área de Responsabilidade Social, adianta que todos os canais de comunicação da Cooperativa estão envolvidos numa forçatarefa para maximizar a divulgação da ação. Se você não puder doar, compartilhe a campanha com seus amigos e familiares. Isso também é cooperar!

Revista Coop | 09 | Março 2021


A cereja do bolo

Fotos: Guilherme Balconi

O ritmo de expansão tem sido intenso. Só em fevereiro, mais três drogarias foram inauguradas.

Na área interna, a modernidade e a inovação da marca foram valorizadas nos dois ambientes.

Projeto de reforma teve o cuidado de preservar as características do imóvel antigo do centro de Santo André.

o destaque fica por conta da Drogaria João Ramalho, que se apresenta num modelo diferenciado das demais e com uma supernovidade. A 62ª unidade da rede está instalada numa casa histórica no centro de Santo André que teve

Revista Coop | 10 | Março 2021

sua fachada e arquitetura preservadas no projeto de reforma. Cheia de graça, com portas e janelas pintadas de verde, a nova drogaria também inaugura a marca de serviço Coop Cafeteria, abrigada em um dos ambientes do imóvel.

“Esse projeto materializa exatamente o que a gente é como marca”, comemora Susana Souza, explicando que a João Ramalho entrega aos cooperados e clientes a solução completa em compras, ou seja, a conveniência de encon-

trar o que precisa em um único lugar, com qualidade e preços competitivos, e num ambiente acolhedor e caloroso. “Soma-se a isso o nosso Jeito de Ser e de Fazer no atendimento aos clientes, algo que nos diferencia no mercado”, complementa Daniel Ribeiro, gerente regional de operações do negócio Drogaria. TUDO NA MÃO Com 66 m² de área de atendimento, a 44ª drogaria da Coop em Santo André opera com 8 mil itens

– entre medicamentos e produtos de higiene e beleza – e conta, inclusive, com uma dermoconsultora para facilitar a jornada de compra dos clientes e atendimento farmacêutico em período integral. Já a Coop Cafeteria, que funciona em espaço de 16 m², oferece variada linha de cafés, sucos naturais, salgados e doces. “Temos ainda três versões de marmitinhas, que podem ser consumidas no local ou levadas para casa ou trabalho”, adianta Débora Cosenza, coordenadora de Segurança Alimentar.

Drogaria João Ramalho Avenida João Ramalho, 248, Centro, Santo André

Horário de funcionamento De seg. a sáb.: das 7h às 23h Domingos e feriados: das 8h às 22h Operação Drogarias: 12 colaboradores Cafeteria: 5 colaboradores Estacionamento: 9 vagas Parcelamento facilitado Medicamentos: 3 vezes sem juros Dermocosméticos e aparelhos de saúde: até 10 vezes sem juros.

Revista Coop | 11 | Março 2021


Fotos: Maurício Taboni

Chega a +Vita

Drogaria Sorocaba Campolim (DSC): é a quinta da rede na cidade.

Fotos: Guilherme Balconi

Drogaria Araguaia (DAR): o padrão Coop avança para Barueri, cidade da região metropolitana de São Paulo.

É uma marca de vitaminas desenvolvida para a Coop e só encontrada nas nossas drogarias. Foto: Guilherme Balconi

Fotos: Guilherme Balconi

Equipe apresenta a linha +Vita.

Drogaria Jabaquara (DJB): mais uma na cidade de São Paulo. Agora são 3.

Fotos: Maurício Taboni

Drogaria Marechal Deodoro (DMD): vem reforçar a marca Coop em São Bernardo.

ExPANSão A ToDo vAPoR

Uma semana antes de a unidade João Ramalho abrir as portas, em Santo André, Sorocaba ganhava a quinta drogaria Coop na cidade. A operação Antonio Comitre integra o pacote de 22 drogarias geridas pela Coop dentro das galerias do grupo BIG. Mais uma delas foi inaugurada no

Revista Coop | 12 | Março 2021

dia 25 de fevereiro. Desta vez, em Diadema, seguindo o mesmo padrão de operação e atendimento das demais. Desde o início do ano, a Coop colocou em operação seis novas drogarias, todas com a mesma proposta, que é levar saúde e qualidade de vida às comunidades.

Quem é cooperado sabe que tem coisas que só na Coop tem. Chegou agora mais uma exclusividade. É a +Vita, uma linha de vitaminas que visa repor deficiências nutricionais que surgem ao longo da vida por conta de uma dieta alimentar desbalanceada ou estilo de vida estressante. o diferencial é que a marca foi desenvolvida baseada no perfil dos cooperados e com o propósito de levar saúde e bem-estar para todas as idades. São mais de 14 produtos, desde vitaminas C e D, ômega 3 e

colágeno até suplemento alimentar voltado para os públicos feminino e masculino, além da melhor idade. “Estamos entregando fórmulas seguras, com qualidade, a preços acessíveis”, assegura Amanda Baptista, compradora do negócio Drogaria. “A marca é uma cocriação, já que a Coop participou de todo o processo de desenvolvimento”, acrescenta Paula Astolpho, analista de Marketing. Eduardo Santos, diretor do negócio Drogaria, explica que a Coop acredita na construção

coletiva, colaborativa e consciente. “Justamente por isso entendemos estar melhorando a qualidade de vida dos cooperados com o lançamento da linha de vitaminas e suplementos alimentares em parceria com a +Vita”, destaca. A linha +Vita já está exposta nas nossas drogarias, que contam com suas equipes treinadas para dar todo o suporte aos cooperados e clientes. Na dúvida, converse com um deles para entender a funcionalidade de cada um dos produtos.

Revista Coop | 13 | Março 2021


De portas abertas

Foto: Maurício Taboni

Entre você também. Agora ficou superfácil se associar à Coop e garantir os benefícios que só quem é cooperado tem. você já deve ter percebido que de uns tempos pra cá a Coop vem investindo na digitalização de seus canais de serviços para atender a demanda crescente de cooperados e clientes antenados à tecnologia. Dessa jornada de estruturação, que foi acelerada pela pandemia, veio o Coop Entrega, o app Sempre Coop e logo mais chega o WhatsApp Business pra gente ficar ainda mais próximo. Esse novo canal você vai conhecer detalhadamente na próxima edição, porque o momento agora é de falar da associação digital, que já é realidade. Se você ainda não é cooperado, chegou a hora de ser. Por meio do site, de nossas redes sociais ou do app Sempre Coop, é possível garantir seu número de matrícula em questão de minutos e na hora em que você quiser. “É uma das mais importantes inovações que chega neste ano trazendo maior conveniência para quem quer se associar”, destaca Susana Souza, gerente de Marketing. Além de moderno, rápido e simples, o sistema também é dos mais seguros. Segundo João vilela,

Revista Coop | 14 | Março 2021

Foto: Guilherme Balconi

Pelo aplicativo Sempre Coop é possível garantir a matrícula de cooperado.

MAIS AINDA

A associação nas lojas também será feita de forma eletrônica.

analista de CRM e responsável pelo projeto de digitalização, o processo é dotado de tecnologia avançada que garante total segurança dos dados tanto para o cliente, como também para a Coop. Há, inclusive, um mecanismo que faz a comparação da selfie feita pelo candidato a cooperado com a foto do documento pessoal. Para se associar, basta acessar o link e ter em mãos o RG ou a CNH

e comprovante de endereço (opcional). Para quem ainda não está familiarizado ao uso de tecnologias, basta ir a qualquer loja de supermercado ou drogaria da Coop e fazer a associação pessoalmente, que continua ativa. “o digital é mais um canal de acesso para quem não tem tempo para se associar durante a jornada de compras na Coop”, acrescenta vilela.

Com a matrícula de cooperado, você pode receber ofertas personalizadas, ou seja, de acordo com o seu perfil de consumo na Coop. Quem costuma comprar vinhos ou fraldas descartáveis, por exemplo, com certa regularidade, não ficará por fora das ofertas imperdíveis da Coop. Para tanto, é preciso sempre se identificar com o número de cooperado ou do CPF ao passar as compras pelos checkouts. Só assim a Coop tem condições de conhecer seu perfil de consumo.

SER OU NÃO SER Muitos desconhecem, mas, numa cooperativa, há uma grande diferença entre ser cooperado e cliente. Ao associar-se à Coop e fazer dela seu canal de abastecimento, você tem direito às ofertas exclusivas, à participação nas sobras líquidas apuradas durante

o ano, operação conhecida como retorno, à concessão de um auxílio-funeral estendido também aos dependentes, além de vários outros benefícios (veja a seguir). vantagens que têm levado muita gente a se associar. Só em 2020, mais de 132 mil

clientes converteram-se a cooperados, número 43% superior ao total de associações em 2019. Ao longo do ano, cerca de 850 mil matrículas passaram pelos checkouts das lojas de supermercado ou drogarias. BENEFÍCIOS AO COOPERADO Retorno: quem se abastece nas lojas, drogarias e postos de combustíveis tem direito ao retorno das sobras líquidas apuradas no exercício. A divisão do montante, que em 2019 foi de R$ 12 milhões, é justa: o cooperado que mais usou a cooperativa ganha mais do que aquele que passa de vez em quando pelos caixas. Auxílio-funeral: tem direito ao aporte financeiro de R$ 1.000 todo cooperado que apresentar compras de, no mínimo, duas vezes o valor do auxílio, que é concedido ao cooperado titular nos casos de falecimento do cônjuge e de filhos. Confira o regulamento: www.portalcoop.com.br. Preço exclusivo: a Coop trabalha com preços diferenciados aos cooperados em determinados produtos. As ofertas de preço exclusivo estão presentes nas mais diversas categorias: de gêneros alimentícios a artigos de higiene e limpeza, além de bazar. o percentual de descontos é variável de item para item.

Revista Coop | 15 | Março 2021


Entre as preferidas A Coop é a segunda marca mais bem-vista pelos clientes em valor percebido.

o dado é resultado de estudo conduzido pela consultoria de varejo CvA Solutions baseada em pesquisa online realizada em janeiro com 5 mil participantes que avaliaram suas experiências de compra e percepções de atributos de marcas de 70 varejos alimentícios do Brasil. Garantir a segunda colocação num ranking disputado por grandes redes nacionais é uma conquista e tanto para a Coop, uma marca regional presente em 10 praças paulistas. Mas não surpreende, já que grandes e importantes investimentos vêm sendo concretizados nos últimos tempos para reforçar seu posicionamento no mercado. “As marcas regionais conhecem bem seus clientes e alcançam bom resultado na metodologia NPS, conseguindo competir com marcas conhecidas no país todo que se tornam atraentes por preços competitivos”, explica Sandro Cimatti, sócio-diretor da CvA Solutions. Segundo ele, a pandemia tornou os varejos alimentícios ainda mais importantes, já que não fecharam

Revista Coop | 16 | Março 2021

Drogaria. Logo depois, veio o app Sempre Coop e, em outubro, aconteceu o grande investimento do ano, a revitalização da identidade visual corporativa para dar clareza aos atributos e valores da marca.

suas portas em nenhum momento da crise sanitária. “Aqueles que inovaram e ofereceram programas de fidelidade, compras online e mais serviços se saíram bem”, acrescenta. “Foi o que a Coop fez”, explica Susana Souza, gerente de Marketing da Coop. Tão logo a pandemia foi oficializada, o serviço Coop Entrega foi implantado, tanto nas lojas de supermercado quanto no negócio

Ranking da CVA Solutions

Posição 1º 2º 3º 4º 5º

Valor Percebido Força da Marca Savegnago Atacadão Coop Assaí Líder Extra Zaffari Supermercados BH Carrefour Bairro Super Muffato

VALOR PERCEBIDO No estudo da consultoria CvA Solutions, que resultou no ranking das marcas mais bem-vistas pelos consumidores (veja quadro), a pesquisa avaliou a variedade de produtos e marcas, preços praticados, qualidade do atendimento, fama e reputação das empresas, além de outros quesitos. ou seja, a Coop foi reco- nhecida como a segunda melhor em valor percebido por esse conjunto da obra. vale ressaltar ainda que, no ano passado, a Coop foi a grande vencedora do xxI Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente no segmento varejo (Super, Hipermercados, Atacarejos e Cash & Carry). Um prêmio reconhecido como o oscar brasileiro em atendimento ao consumidor.

Sempre em boa hora APAE usa verba doada pela Coop para recuperar telhado danificado pelas chuvas de verão.

Clientes e cooperados de Sorocaba que contribuíram com a compra de exemplares da Revista Coop e doaram centavos ao programa Troco do Bem têm participação direta na obra de restauração da cobertura da estrutura educacional da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. o serviço foi custeado com a verba recebida dos dois compromissos sociais referente ao quarto trimestre de 2020. “Usamos o repasse trimestral da Coop de diversas formas, inclusive nas emergências, como a que ocorreu em fevereiro”, explica Lidianne Queirós, gerente administrativa da APAE de Sorocaba. Ela acrescenta que a doação dos cooperados, além de fundamental para o equilíbrio do orçamento da entidade, tem a versatilidade de poder ser empregado de acordo com as necessidades, algo que não é possível em relação às verbas fechadas do poder público. Tanto é que, antes de ser utilizado na reforma do telhado, o mesmo dinheiro foi usado de forma também emergencial para complementar o pagamento do salário de janeiro da

equipe de profissionais, já que a verba municipal chegou com um dia de atraso. AQUI E LÁ Entre as melhorias já bancadas com a parceria da Coop, Lidianne exemplifica a compra de equipamentos para fisioterapia e musicoterapia, além de um grande lote de canecas e camisetas que, depois de trabalhadas na oficina de silk screen, são

A venda de canecas gera renda à entidade.

vendidas para gerar renda à entidade. “Sem contar o emprego para as necessidades do dia a dia, como compra de material didático e reforço na alimentação para melhorar a qualidade de vida dos assistidos”, detalha. Fundada em setembro de 1967 por um grupo de amigos, a APAE de Sorocaba atende hoje 350 pessoas com deficiência intelectual e suas famílias, com atendimento nas esferas da educação, saúde e assistência social. Da soma total anual das despesas, 70% são bancados pelo poder público. os 30% restantes, que chegam a cerca de R$ 1,6 milhão, são batalhados junto à sociedade para garantir a sobrevivência da entidade. Com a pandemia, a promoção de eventos para a arrecadação de fundos foi prejudicada, mas, mesmo assim, Lidianne disse que a APAE conseguiu equilibrar o orçamento com algumas ações no formato de drive-thru, entre elas a feijoada, e também com rifas. “Foi um ano muito complicado, mas posso dizer que conseguirmos sobreviver”, comemora.

Revista Coop | 17 | Março 2021


RETRATOS DE FAMÍLIA

Gentileza que contagia

Elaine fez questão de valorizar a conduta solidária de Vinícius ao gestor da loja.

O que faz o seu dia melhor? Para a cliente Elaine Spolidoro, basta presenciar uma cena de cordialidade para o seu dia valer a pena.

A

IVANILDE SITTA

última delas aconteceu no estacionamento da unidade Vollet Sachs, em Piracicaba, onde essa professora de educação infantil se deparou com uma conduta, segundo ela, bastante rara hoje em dia na agitada sociedade contemporânea. Ao procurar uma vaga para estacionar, ela se emocionou ao ver um jovem dar as mãos a uma cooperada idosa, que estava com a perna machucada, para ajudá-la a caminhar até um dos portões de saída da loja. Uma longa pernada, já que a área de estacionamento é extensa. “A senhora tinha dificuldade de andar e o rapaz acompanhava os passos lentos dela com toda a paciência, generosidade e gentileza do mundo”, recorda. O que mais a impressionou foi a espontaneidade do garoto. “Dava para perceber que sua ação não era forçada ou automática, mas algo natural do seu jeito de ser”, acrescenta. Encantada com a atitude solidária, a cliente se aproximou da cena, observou que ele trajava o uniforme da Coop e disse: “Que atitude mais linda, rapaz”. Perguntou o nome dele, não por mera curiosidade, mas porque queria valorizar seu comportamento ao gestor da loja. Era o auxiliar de unidade Vinícius Freitas Forte, 22 anos, encarregado de recolher e organizar os carrinhos de compra no estacionamento. “Eu percebi o problema da cooperada e imaginei Revista Coop | 18 | Março 2021

que, se eu estivesse no lugar dela, gostaria que alguém fizesse o mesmo por mim”, explicou o colaborador. Vinícius tem três anos de Coop e admite sentir-se gratificado quando tem a oportunidade de ajudar alguém, ainda que desconhecido. “Acho que sou assim porque meus pais sempre agiram dessa forma”, considera. OS DOIS LADOS DA MOEDA “Ganhei o dia com a injeção de ser humano aplicada pelo Vinícius”, destacou Elaine. Não só isso. A cliente, que poucas vezes tinha visitado a loja, passou a ter um novo olhar para a marca Coop ao procurar o gerente para valorizar a conduta do colaborador. Segundo ela, a prontidão e a receptividade do gerente em atendê-la por telefone foram fantásticas, o que ela também considera um comportamento fora da curva, ou seja, não tão comum no comércio. “Além do mais, o gerente ficou tão feliz e entusiasmado com o elogio ao Vinícius que parecia ter sido pra ele mesmo, algo que me levou a suspeitar que a cultura da cordialidade esteja presente na empresa como um todo”, detalhou a cliente, que, por conta disso, passou a frequentar mais a loja e confessa ter sido surpreendida outras vezes com o atendimento da equipe. “Já liguei pra lá algumas vezes para perguntar sobre algum produto e fui prontamente atendida”, justifica.

“Sou uma pessoa muito observadora e acredito que, da mesma forma que problemas são reclamados, atitudes positivas devem ser elogiadas”, pondera. Foi o que ela fez! ATENDIMENTO HUMANIZADO A qualidade do atendimento, um dos atributos mais valorizados pelos cooperados e clientes nas pesquisas de satisfação realiza-

QUAL SUA HISTÓRIA?

das diariamente nas lojas, também é reconhecida pelo mercado. No ano passado, com seu Jeito de Ser e de Fazer, a Coop foi a grande vencedora do XXI Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente no segmento Varejo. Esse prêmio é reconhecido como o Oscar brasileiro em atendimento ao consumidor. Ao longo das 21 edições, a Coop foi contemplada também em 2012 e 2014.

Conte pra gente. Este espaço é dedicado a todos os cooperados, clientes, fornecedores ou colaboradores que tiveram em suas vidas algum fato marcante relacionado à Coop. Pode ser algo emocionante, alguma cena engraçada, um encontro decisivo em uma das unidades, um

atendimento diferenciado de algum colaborador que impactou positivamente o seu dia. Envie sua história por e-mail: revistacoop@coopsp.coop.br . Ela poderá ser publicada e, quem sabe, seja transformada em peça de uma das campanhas promocionais da Coop.

Revista Coop | 19 | Março 2021


GASTRONOMIA

Foto: Guilherme Balconi

Filha de peixe, peixinha é Mais do que dar o peixe, Valdinesio Domingues ensinou literalmente os filhos a pescar. Só que dos quatro apenas um se apaixonou pela pesca.

A

IVANILDE SITTA

costumada a acompanhar o pai às pescarias de lazer na Represa Billings, um dos maiores reservatórios de água da região metropolitana de São Paulo, Leni Domingues aprendeu a técnica ainda criança e fez dela um hobby que pratica há mais de 40 anos. “É minha terapia, um calmante natural que administro pelo menos uma vez por mês”, explica. Sua paciência e tranquilidade durante a espera do peixe para fisgar a isca são as mesmas dedicadas ao forno e fogão no preparo do resultado final de sua pesca. Professora aposentada após 22 anos de sala de aula e outros mais na administração da escola, Leni também é mestre na cozinha. “Se você gosta de cozinhar, metade do sucesso do preparo já está garantida, já que foi construído com prazer”, ensina. De suas mãos saem preparos divinos à base de peixe. Uma de suas especialidades é a moqueca, mas ela já inventou um creme de camarão para rechear as corvinas que pescou que lhe rendeu aplausos de toda a família. “Essa receita ficou muito boa mesmo, de comer rezando”, admite. Quando se trata Revista Coop | 20 | Março 2021

de outros cardápios, a cooperada também não é peixe fora d’água, tanto que sabe fazer um frango com cebola caramelizada capaz de agradar todos os paladares. “Gosto de comidas simples e também acessíveis ao bolso”, diz. Ela é responsável pelas refeições da mãe, Genê, de 84 anos, que já preparou muito peixe na vida, e de quem mais da família estiver em casa no momento. “Somos carnívoros, gostamos de tudo, churrasco, frango assado e peixe, inclusive”, comenta. Seu sonho, porém, é preparar um salmão fisgado por ela própria nas águas geladas chilenas. “Ou no mar do Caribe, quem sabe”, acrescenta. ALTO-MAR Por enquanto, certeza mesmo é que manterá suas viagens mensais a Itanhaém, cidade do litoral paulista, para pescar à beiramar acompanhada do cunhado e dos sobrinhos que moram lá, ou mesmo só. “É meu momento relax, que já foi muito mais agitado”, revela. Até 10 anos atrás, a professora de português e inglês costumava se lançar a passeios mais desafiadores, como pescar em alto-mar de madrugada. Revista Coop | 21 | Março 2021


“Numa das ocasiões, cheguei a pescar um polvo de quase 2 quilos, numa outra um cação de 4 quilos”, calcula Leni, avisando que a experiência é pra lá de gratificante, porém, não a recomenda para quem tem fobia, já que é uma escuridão tamanha no meio do mar. Ela também pescou no Rio Paraná, no pontal do Paranapanema, e já levou um susto daqueles numa das investidas em alto-mar. O barco, que apresentou pane em um dos motores, ficou à deriva durante a noite com o risco de bater nas pedras de uma ilha próxima. “Naquele momento senti medo, sorte que tudo acabou bem”, recorda. Agora, aos 64 anos de idade, Leni prefere mares mais calmos, como o de Itanhaém, para pescar à beira-mar. Caso algum cação fisgue sua isca, vai virar moqueca, já que é fácil de fazer e não pesa no bolso.

NA COOP TEM Se você não se aventura pela pesca, fique tranquilo. Nossas lojas têm várias espécies de pescados, inclusive salmão e bacalhau, e não apenas em datas festivas, como a Páscoa que se aproxima, mas todos os dias. É só escolher o seu e levar pra panela! Aqui você vai conhecer o preparo da moqueca da cooperada Leni Domingues e, nas próximas páginas, várias outras assinadas por chefs de cozinha, nutricionistas e culinaristas como sugestões para preparar na Semana Santa.

Revista Coop | 22 | Março 2021

Foto: Fresh Imagem

GASTRONOMIA

Moqueca de cação INGREDIENTES

n 2 kg de cação

n 6 cebolas médias cortadas em rodelas n 1 pimentão verde em rodelas

n 1 pimentão vermelho em rodelas n 1 pimentão amarelo em rodelas n 1 kg de tomate em rodelas n 1 pimenta-vermelha

n 400 ml de leite de coco (2 vidros)

n 3 colheres (sopa) de azeite de dendê n 1 maço de salsinha

n 1 maço de coentro

n Sal e pimenta-do-reino a

gosto

n 200 ml de azeite de oliva

extravirgem Coop

n Suco de 2 limões

PREPARO Tempere o cação com sal e limão e deixe descansar. Numa panela grande, aqueça o azeite de oliva e faça uma camada com metade da cebola, pimentão e tomate. Salpique o sal. Acomode o peixe por cima e acrescente a outra metade dos ingredientes, juntando a pimenta-vermelha picadinha e salpicando mais um pouco de sal. Tampe e deixe no fogo refogando até formar um caldo. Ajuste o sal, se necessário, adicione o leite de coco e deixe cozinhar por mais uns minutos. Abra a panela e despeje o azeite de dendê e a salsinha e coentro picados.

Moqueca de cação Receita especialmente elaborada para Revista Coop


Foto: Shutterstock

GASTRONOMIA

mar, garante benefícios nutricionais importantes à saúde, certo? Sim, mas a forma de preparo da sardinha ou do salmão também precisa ser avaliada para que todos os nutrientes sejam aproveitados da melhor forma possível. Assar ou grelhar é a melhor escolha comparada a fritar o pescado em panela coberta de óleo. Também é importante se atentar a alguns cuidados na hora da compra. Ana Maria Tomazoni, educadora alimentar e chefe de cozinha da escola Sabor & Saber Gastronomia, em São Bernardo, dá algumas dicas para você escolher os de melhor qualidade:

n O primeiro passo é buscar saber, com o

Da água pra panela O peixe nada solto na mesa do brasileiro na Semana Santa, hábito que poderia se estender durante todo o ano por conta de sua riqueza nutricional.

C

IVANILDE SITTA

omer peixe faz bem pra cuca. Um conselho que você certamente cansou de ouvir de seus pais ou avós na infância e, quem sabe, hoje transmite aos seus filhos. Saiba, então, que eles estavam certos. Há hoje uma infinidade de estudos que comprovam os benefícios dessa proteína na preRevista Coop | 24 | Março 2021

servação dos neurônios que processam e guardam informações. Só que incluir peixe com mais regularidade no cardápio semanal não favorece apenas a massa cinzenta do cérebro, mas o organismo de forma geral, especialmente o coração. Além de ser uma carne magra, comparada à bovina, suína e de frango, é a que tem menor teor de gordura saturada, elemento

considerado um vilão ao amigo do peito. Outro trunfo desse alimento das águas em sua composição é a presença do ômega 3, uma gordura do bem que ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares. A sardinha, acessível a todo mundo, é uma das espécies mais ricas nessa substância, assim como as demais de águas profundas, como salmão, arenque, atum, truta e cavala. De forma geral, independentemente da espécie, são generosos em vitaminas, cálcio, ferro e selênio e fontes de cálcio e vitamina D, auxiliando na saúde óssea e prevenindo a osteoporose. Possuem vitaminas do complexo B, que fortalecem o sistema nervoso e ajudam no crescimento e bom estado da pele, unhas e visão. Já deu pra perceber que apostar no consumo de peixe, seja de rio ou

vendedor, a procedência do peixe e quando foi pescado. “Pergunte se o peixe é de cativeiro ou se é nativo, selvagem, já que normalmente os de cativeiro são ecologicamente corretos e agridem menos o meio ambiente”, ensina. n A espécie deve apresentar olhos brilhantes e salientes, além de as escamas e a carne estar firmes. A cor da pele deve ser viva e homogênea e ter alguns reflexos. “Se estiver cinza ou esbranquiçada, é mau sinal”, explica. As brânquias, também conhecidas como guelras, devem apresentar tom o mais avermelhado possível. n O cheiro também é termômetro de qualidade. Forte ou ácido requer cautela na compra. “O teste do odor é mais eficiente para checar se o pescado está bom ou não”, acrescenta a educadora. n Outro teste bastante conhecido que ajuda a verificar a qualidade do peixe é o da pressão: pressione a carne com o dedo e, se ao retirá-lo, ficar uma marca, desista de levá-lo para casa. Revista Coop | 25 | Março 2021


GASTRONOMIA

Fotos: Shutterstock

O REI DOS MARES Muitos desconhecem, mas bacalhau não é exatamente um peixe e, sim, o nome dado ao processo de salga e secagem de uma família de cinco peixes chamada Gadidae. São eles o Gadus morhua, o Gadus macrocephalus (ou do Pacífico), o Saithe, o Ling e o Zarbo. Os dois primeiros são os únicos comercializados no Brasil que podem ser chamados de bacalhau. As demais espécies da mesma família

Hora do preparo

Para facilitar sua tarefa no forno ou fogão, Ana Maria Tomazoni aconselha solicitar ao vendedor que espalme o peixe, ou seja, que ele abra a espécie na longitudinal e retire os órgãos internos. “A ausência de vísceras também evita que o pescado estrague”, afirma. Se o seu plano é comer o peixe em até 24 horas depois da compra, pode armazená-lo no refrigerador em uma temperatura entre 4 e 5 graus Celsius. Caso contrário, no freezer é mais seguro. Após manipular o pescado, utilize suco de limão ou vinagre para lavar as mãos a fim de neutralizar a metilamina, substância responsável pelo odor do peixe. Gosto é gosto, mas a chef de cozinha adianta que as espécies preferidas do brasileiro são sardinha, pescada, corvina, linguado, namorado, robalo, bagre, merluza, cação e salmão. “Hoje, as pessoas das grandes cidades têm apostado muito na tilápia, conhecida como San Peter”, comenta. Já o bacalhau, geralmente apreciado por todos, ocupa a mesa em datas festivas. Costuma ser o prato da Sexta-Feira Santa ou do Domingo de Páscoa. Para quem vai de bacalhau neste ano, conheça algumas características do produto.

Revista Coop | 26 | Março 2021

são denominadas peixes do tipo bacalhau. Seja como for, certo é que o mais nobre entre todos é o Gadus morhua, considerado o legítimo bacalhau e, justamente por isso, é também o mais caro da turma, porém, sua qualidade, sabor e textura valem cada centavo pago. Na hora da compra, não é tão fácil assim diferenciar uma espécie da outra: Bacalhau seco salgado Gadus morhua: apresenta tonalidade palha, cauda em forma de triângulo com coloração cinza e uniforme. Exibe postas altas e claras e, depois de cozido, desfaz-se em camadas tenras. Bacalhau seco salgado Gadus macrocephalus: sua coloração é mais próxima ao branco, tem cauda triangular arredondada nas pontas com uma tira branca como uma franja. Sua carne é mais fibrosa e não se desfaz em camadas depois de cozido. Saithe do tipo bacalhau: tem um sabor mais característico do que o da maioria das espécies de peixes com carne branca. Sua carne tem textura firme, sendo indicado para fritar. Combina bem com pratos com muito tempero. Ideal para bolinhos, saladas, caldos, pirão e recheios. Ling do tipo bacalhau: carne saborosa, branca e relativamente firme que se assemelha ao bacalhau. Pode ser preparado fresco, salgado ou seco e pode ser usado em todas as receitas que tradicionalmente usam bacalhau. Ideal para fazer na brasa. Zarbo do tipo bacalhau: carne branca e suculenta e um sabor característico de marisco devido ao seu habitat no leito do mar nos profundos fiordes da Noruega. Em virtude de sua textura, tornou-se um peixe requisitado entre os chefs noruegueses. Ideal para caldos, pirão e bolinho.

Foto: Shutterstock

Caldeirada de frutos do mar

Por Henrique Escabia, consultor da Sabor das Índias INGREDIENTES

n 50 ml de azeite de dendê n 1 cebola roxa bem picada n ½ cebola

n 2 dentes de alho fatiados em lâminas

n 1 pimentão amarelo cortado em cubos

n 1 pimentão vermelho cortado em cubos n 1 tomate maduro cortado em cubos

n 1 colher (café) de molho de pimenta

n 300 g de camarão médio limpo (rosa ou

cinza)

n 200 g de lula média cortada em anéis n 200 g de mexilhão cozido n 500 g de polvo pequeno

n ⅓ maço de cheiro-verde picado n ¼ maço de coentro picado n 500 ml de leite de coco n Sal e pimenta-do-reino

PREPARO Coloque na panela de pressão meia cebola sem casca, 1 copo de água (200 ml) e o polvo. Após pegar pressão, marque 10 minutos e desligue. Separe os tentáculos e deixe-os inteiros. Aqueça uma caçarola, coloque o azeite de dendê e refogue a cebola roxa e o alho. Acrescente os pimentões e refogue por 5 minutos, ou até que comecem a dourar. Em seguida, acrescente o tomate e refogue por mais 5 minutos. Agregue os frutos do mar, o cheiroverde e o coentro e tempere com sal e pimenta-doreino moída. Complete com o leite de coco e deixe cozinhar, tampado, por 5 minutos. Retire a tampa e deixe por outros 5 minutos em fogo baixo. Corrija o sal e a pimenta, se necessário. Dica: sirva com arroz branco puxado no alho e uma farofa de banana-da-terra com manteiga de garrafa. Revista Coop | 27 | Março 2021


GASTRONOMIA

Peixe assado com farofa

Por Ana Maria Tomazoni, chef de cozinha PREPARO Corte 6 rodelas dos limões (o resn 1,2 kg de tainha tante utilize na hora de servir). n 3 limões Unte uma assadeira com ½ colher n 1 amarrado de ervas (a gosto) (sopa) de azeite. Reserve. Temn 1 pimenta dedo-de-moça pere o interior e a pele do peixe n Azeite, sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto com sal e pimenta a gosto. Coloque dentro de cada peixe o amarrado de ervas e rodelas de limão sobrepostas, uma ao lado da outra. Disponha os peixes e a pimenta dedo-de-moça na assadeira e regue com azeite. Cubra com papel-alumínio e leve ao forno preaquecido (180 ºC) por 20 minutos. Retire o papel e deixe mais 15 ou 20 minutos para dourar. Sirva o peixe com a pimenta e a farofa separadamente. INGREDIENTES

INGREDIENTES DA FAROFA

PREPARO DA FAROFA Aqueça o óleo na frigideira, frite o n 2 colheres (sopa) de óleo alho e as cebolas e salteie até fin 400 g de farinha de mandioca carem transparentes. Acrescente n 200 g de farinha de rosca as farinhas e toste, em fogo mécrocante (Panko) dio, sem parar de mexer para não n 2 cebolas médias picadinhas queimar. Tempere com sal a gosn 2 dentes de alho to. Junte a manteiga gelada em n 1 colher (café) de sal ou a gosto cubos e mexa até derreter. Finan Salsa ou coentro picadinho lize com salsa ou coentro e, se para finalizar preferir, use a pimenta dedo-demoça. Sirva como acompanhamento do peixe assado.

Risoto de camarão com chuchu e gorgonzola Receita especialmente elaborada para Revista Coop

Foto: Fresh Imagem

n 4 colheres (sopa) de manteiga

Risoto de camarão com chuchu e gorgonzola n 200 ml de caldo de camarão

n 1 xícara (chá) de arroz arbóreo

n 1 taça de vinho branco seco

n 200 g de camarão-rosa n 150 g de gorgonzola n ½ cebola picada

n 1 chuchu picado

Revista Coop | 28 | Março 2021

n 300 ml de água

n 1 colher (sopa) de manteiga n 3 colheres (sopa) de azeite

n Sal e pimenta-do-reino a gosto

Por Carolina Belomo de Souza, nutricionista da Uninter INGREDIENTES

n 1 kg de filé de salmão

Por Melchior Neto, chef de cozinha INGREDIENTES

Salmão com crosta de linhaça dourada e gengibre

n 5 colheres (sopa) de azeite de

PREPARO Coloque o caldo de camarão numa panela com água para esquentar. Em outra panela, frite o camarão no azeite e reserve, usando a mesma panela para refogar a cebola com o chuchu. Adicione o arroz e o vinho branco.

Mexa até secar e coloque uma concha do caldo, mexendo sem parar até secar. Repita até que o arroz fique al dente. Acrescente o gorgonzola e misture para derreter, adicionando os camarões e, por último, a manteiga para dar o brilho.

oliva n 2 colheres (chá) de gengibre ralado n 1 xícara (chá) de farinha de linhaça dourada n 1 dente de alho espremido n Sal a gosto

PREPARO Tempere o peixe com 2 colheres (sopa) de azeite, 1 colher (sopa) de gengibre e sal a gosto. Misture 1 colher (sopa) de gengibre com 3 de azeite, a farinha de linhaça e o alho e passe em cada pedaço de salmão. Leve ao forno (160 ºC) para assar até a crosta ficar dourada. Revista Coop | 29 | Março 2021


Foto: Fresh Imagem

GASTRONOMIA

Truta com castanhas

Por Marcelo Faria, chef de cozinha INGREDIENTES

n 3 filés de truta

n 1 xícara (chá) de farinha de arroz ou trigo

n ½ xícara (chá) de castanha-de-caju triturada

grosseiramente

n ½ xícara (chá) de cheiro-verde bem picado n ¼ xícara (chá) de alho-poró em rodelas

n 3 colheres (sopa) de manteiga clarificada n Azeite de oliva suficiente para grelhar n 1 limão

n ½ colher (chá) de sal

PREPARO Esquente metade da manteiga e toste rapidamente a castanha. Adicione o alho-poró e deixe murchar. Acrescente o restante da manteiga, espere derreter e adicione o cheiro-verde e sal. Reserve. Tempere os filés com sal e pimenta e empane com a farinha de trigo. Grelhe no azeite. Sirva a manteiga de castanha sobre a truta e esprema o limão por cima.

Peixe ao creme de palmito Por Ana Maria Tomazoni INGREDIENTES

n 1 kg de postas (filé) de bagre n 2 colheres (sopa) de óleo n 4 dentes de alho

n 2 xícaras (chá) de mandioca cozida

n ½ xícara (chá) de castanhas-do-pará

picadas grosseiramente

n 1 cebola picada

n 1 vidro (500 g) de palmito

n 1 pimentão vermelho

n 2 colheres (sopa) de azeite de dendê

n 1 pimentão verde

n 3 tomates sem sementes n Sal e pimenta a gosto

n 1 vidro (400 ml) de leite de coco

n Salsa ou coentro picadinho e pimenta

dedo-de-moça

PREPARO Coloque 1 colher (sopa) de óleo em uma panela com 2 dentes de alho e a cebola e deixe refogar. Acrescente os pimentões picados, o tomate, sal e pimenta. Refogue bem até murchar os pimentões. Bata esses ingredientes no liquidificador com a mandioca cozida. Se necessário, acrescente um pouco do leite. Reserve. Em uma panela, coloque o restante do óleo e do alho, deixe dourar, junte o refogado batido e deixe levantar fervura. Coloque o palmito em rodelas, o leite de coco e as postas de peixe. Se necessário, adicione 250 ml de água e deixe ferver por 15 minutos. Finalize com o azeite de dendê. Prove o sal, a pimenta e os demais temperos a seu gosto. Decore com salsa ou coentro e pimenta dedo-de-moça. Revista Coop | 30 | Março 2021

Truta com castanhas Receita especialmente elaborada para Revista Coop

Revista Coop | 31 | Março 2021


Foto: Fresh Imagem

GASTRONOMIA

Bacalhau à moda do padeiro

Por Olivardo Saqui, chef da Quinta do Olivardo INGREDIENTES

n 1 pão italiano

n 50 g de cebola picada

n 50 ml de azeite

n 100 g de grão de bico cozido

n 600 g de lascas de bacalhau n 20 g de alho

n 100 g cenoura baby cozida (al

dente)

n 100 g de vagem cozida (al dente) n 50 ml de vinho branco seco n Sal a gosto

n Salsinha picada a gosto

PREPARO Corte a tampa do pão e retire o DECORAÇÃO miolo. Reserve. Em uma frigin 1 ovo cozido deira despeje o azeite e o alho n 4 cebolinhas aperitivo e deixe dourar. Acrescente as n Tiras de pimentão lascas de bacalhau e doure até ficarem cozidas. Adicione a cebola e refogue até murchar. Junte a cenoura, o grão-de-bico, as vagens, sal e salsinha a gosto. Regue com o vinho branco seco e deixe cozinhar por mais uns minutos. Acomode o pão sobre um prato e despeje o cozido de bacalhau. Decore com azeitonas, ovo, cebolinha aperitivo, pimentão e salsinha. INGREDIENTES PARA A

Sardinha na pressão Receita especialmente elaborada para Revista Coop

Sardinha na pressão

Tilápia com alho e alecrim

Por Marcelo Faria INGREDIENTES

Por Carolina Belomo de Souza

n 1 kg de sardinha congelada ou

n ½ colher (chá) de pimenta-

n 1 tomate grande sem semente

n 1 colher (chá) de sal

n 1 pimentão verde pequeno

n 50 ml de vinagre branco

fresca

n 1 cebola média

n 1 colher (sopa) de cebolinha

picada

n 1 colher (sopa) de coentro

Revista Coop | 32 | Março 2021

do-reino moída

n 150 ml de água

n 50 ml de óleo de soja

n 3 colheres (sopa) de molho

de tomate

PREPARO Limpe as sardinhas, retirando a cabeça, e arrume na panela de pressão com um pouco de azeite. Reserve. No liquidificador, coloque o restante dos ingredientes e bata por 2 minutos. Coloque o molho na sardinha reservada na panela e leve ao fogo por 25 minutos após pegar pressão. Dica: sirva quente ou fria, acompanhada de arroz ou torradas.

INGREDIENTES

n 2 filés de tilápia, cação, panga ou

merluza

n 2 alhos inteiros com casca

n 3 colheres (sopa) de suco de limão n 1 colher (chá) de alecrim

desidratado

n ¼ de xícara (chá) de azeite de oliva

extravirgem

PREPARO Preaqueça o forno (150 ºC). Envolva os alhos de maneira frouxa no papel-manteiga (de preferência) e coloque diretamente no forno. Asse por 45 minutos ou até os dentes estarem bem macios quando testados com um garfo. Retire do forno e deixe esfriar. Descasque, descartando a pele. Num processador, combine o alho, o suco de limão, o azeite e o alecrim e deixe processar até virar um purê. Passe no peixe e deixe assar por 20 a 30 minutos.

Revista Coop | 33 | Março 2021


GASTRONOMIA

Foto: Shutterstock

Sardella

Por Marcelo Faria, chef de cozinha INGREDIENTES

n 2 pimentões vermelhos picados n 2 dentes de alho picados

PREPARO Coloque o azeite em uma panela, refogue o alho, a cebola, o pimentão e a pimenta e deixe ferver. Adicione a sardinha e o sal. Deixe cozinhar por 5 minutos. Bata tudo no liquidificador e leve à geladeira.

Salada de bacalhau

Por Luanna Caramalac Munaro, nutricionista

n 1 cebola grande em rodelas n Alho a gosto em fatias n Cheiro-verde

n 15 ovinhos de codorna

n Azeitonas pretas a gosto n Azeite

n Vinagre

n Orégano n Sal

Revista Coop | 34 | Março 2021

n 1 pão amanhecido cortado em

pedaços

n Meio maço de poejo

ementes e picadas

(desfiado ou posta)

n 2 postas de bacalhau dessalgado

n 100 ml de azeite

n 2 pimentas dedo-de-moça sem

n 4 minibatatas

INGREDIENTES

n 1 cebola picada

n 10 g de sal

n 200 g de bacalhau

Por Filipe Ramalho, chef do Torre de Palma Wine Hotel

n 2 litros de água

n 250 g de sardinha com o óleo

INGREDIENTES

Açorda

PREPARO Coloque o bacalhau de molho de um dia para o outro para tirar o sal. Cozinhe as batatas e os ovos de codorna. Refogue ligeiramente o bacalhau no azeite (desfiado ou em posta) e, numa panela à parte, refogue ligeiramente o alho e a cebola. MONTAGEM Numa travessa, coloque a batata, seguida do bacalhau, da cebola e do alho. Decore com os ovinhos partidos ao meio, cheiro-verde e azeitonas pretas à vontade. Faça um tempero com o vinagre, sal, orégano e um pouquinho de azeite, despeje uniformemente sobre a salada e deixe descansar.

n Meio maço de coentro picado n 4 ovos

n 3 dentes de alho n 50 ml de azeite n Sal

n Vinagre

PREPARO Bata o poejo e o coentro com sal, azeite e alho no liquidificador. Reserve. Cozinhe o bacalhau com os talos do coentro. Reserve. Prepare 3 ovos pochê, esquentando a água, adicionando o vinagre e criando um redemoinho antes de acrescentar cada um dos ovos. Coloque cada ovo num prato, acompanhado de uma porção de bacalhau e de pão. Reserve. Bata o último ovo ainda cru numa tigela e junte à mistura de coentro e poejo batida. Mexa bem e despeje a água do cozimento do bacalhau. Misture e sirva o caldo sobre o bacalhau, o pão e os ovos pochê.


SEu CORpO

Ivanilde Sitta Fotos: Shutterstock

Piriri de verão

A queridinha das estações também é a preferida da diarreia, que tem sua incidência aumentada, principalmente em crianças e jovens adultos, até por conta das viagens ou passeios realizados ao longo da temporada, quando costumam experimentar alimentos que fogem ao padrão do cardápio convencional. De acordo com o pediatra Marcello pedreira, a diarreia varia muito de acordo com o histórico de infecções e a composição das bactérias do intestino de cada pessoa. “Temos dois grupos de bactérias no trato gastrointestinal: aquelas com um efeito benéfico que evitam infecções, e outras com um potencial de causar doenças caso não

Selênio no prato

sejam controladas pelo primeiro grupo”, explica. Segundo ele, o uso de probióticos para promover o equilíbrio da flora intestinal pode evitar que casos de piriri estraguem o passeio.

Está aí um dos nutrientes essenciais à saúde e ainda pouco conhecido. O selênio é um micronutriente de efeito antioxidante e que também desempenha importante papel no metabolismo do fígado, além de contribuir para a manutenção dos músculos esqueléticos e cardíacos e dos espermatozoides. Em caso de deficiência, os primeiros sinais são fraqueza muscular e fadiga contínua, mas com o avançar do tempo pode levar a glândula tireoide a funcionar em níveis bem abaixo do adequado. O campeão de selênio é a castanha-do-pará, já que uma única porção fornece a dose diária recomendada. Outros alimentos ricos em selênio são peixes e frutos do mar, carne, ovos, leguminosas, grãos integrais e nozes.

Revista Coop | 36 | Março 2021

Processo reverso

O número de explante de silicone nas mamas cresceu 15% em 2019, segundo levantamento mais recente da Sociedade Americana de Cirurgia plástica. “pacientes têm buscado a remoção de implantes não por riscos à saúde, mas porque estão trabalhando a aceitação da sua beleza natural,” comenta a cirurgiã plástica patricia Marques, especialista em reconstrução de mamas. Segundo ela, o processo cirúrgico da retirada da prótese é o mesmo do implante, com incisões ao redor da aréola, axila ou abaixo dos seios. porém, no pós-operatório, a médica adverte a possibilidade de flacidez dos seios por causa do estiramento da pele ao redor das próteses. “Mas o problema pode ser resolvido removendo a pele em excesso”, acrescenta.


GASTRONOMIA

Grand finale

Crumble de manga com pêssego Por Dani Faria Lima INGREDIENTES

n 1 manga (Tommy, rosa ou palmer) n 5 pêssegos

n 1 colher (sopa) de suco de limão

Não é porque há ovos de chocolate espalhados pelos quatro cantos da casa que o almoço do domingo de Páscoa não merece uma sobremesa, não é?

u

IvANILDE SITTA

m docinho é sempre bom após as refeições para quebrar o gosto salgado dos pratos servidos no almoço ou jantar. pode ser um dos chocolates trazidos pelo coelho? Até po-

n 3 colheres (sopa) de polvilho doce

INGREDIENTES DA CROSTA

n 1 xícara (chá) de aveia em flocos

n ½ xícara (chá) de castanha-de-caju (sem

ser salgada)

n ½ xícara (chá) de farinha de amêndoas

de, mas a páscoa é uma data festiva que merece uma sobremesa à altura. Aqui a gente traz algumas opções de preparos simples, porém, deliciosos para encerrar a festa em grande estilo.

(opcional)

n ⅓ de xícara (chá) de açúcar de coco ou

adoçante

n 1 colher (sopa) de cacau em pó

n ¼ de xícara (chá) de manteiga gelada n ¼ de colher (chá) de canela em pó

pREpARO Corte a manga e os pêssegos em cubos médios e adicione o suco de limão. Misture bem. Acrescente o polvilho doce e reserve numa travessa.

Sorbet de frutas INGREDIENTES

n ½ xícara (chá) de castanhas-de-caju

deixadas de molho por 12 horas

n ¼ de abacate

n ¼ de xícara (chá) de óleo de coco n ½ xícara (chá) de leite de coco

n 4 colheres (sopa) de adoçante da

sua preferência

n ½ xícara (chá) de água filtrada n 1 manga palmer

Revista Coop | 38 | Março 2021

pREpARO Bata a manga com a água no liquidificador. Lave o aparelho, seque e bata as castanhas com o leite de coco até formar um creme liso. Acrescente a manga batida com os demais ingredientes e bata até ficar um creme. Coloque em um pote de preferência mais largo do que alto para congelar por igual e leve ao congelador por, no mínimo, 4 horas antes de servir. Retire uns 10 minutos antes de servir na forma de bolas de sorvete.

Fotos: Shutterstock

Por Dani Faria Lima, chef de cozinha

pREpARO DA CROSTA Misture as castanhas picadas grosseiramente com a aveia, o açúcar, o cacau, a canela, a farinha de amêndoas e a manteiga. Mexa bem até formar uma farofa úmida. Espalhe a farofa uniformemente sobre as frutas picadas, pressionando bem. Coloque no forno preaquecido (180 ºC) por 25 a 30 minutos. pode ser servido quente ou frio. Revista Coop | 39 | Março 2021


Fotos: divulgação

GASTRONOMIA

Torta tripla de café

Por Marcos Souza, chef do Café Gourmet Santa Mônica INGREDIENTES DA MASSA

n 1 ovo em temperatura ambiente n 130 g de açúcar de confeiteiro n 130 g de manteiga

n 1 colher (chá) de café expresso n 240 g de farinha de trigo n 1 pitada de sal

INGREDIENTES DO CARAMELO DE CAFÉ

n 180 g de açúcar refinado n 120 ml de água

n 80 ml de café expresso n 100 g de manteiga

pREpARO DA MASSA Misture todos os ingredientes secos numa tigela e acrescente a manteiga gelada cortada em cubos. Misture com as mãos até que forme uma espécie de farofa úmida. Adicione o café e o ovo. Trabalhe a massa até que fique lisinha. Leve à geladeira por pelo menos 1 hora. Abra a massa com rolo e forre o fundo e as laterais da forma. Asse em forno preaquecido (170 ºC) até que esteja dourada.

pREpARO DO CARAMELO Misture o açúcar e a água e leve ao fogo médio até que fique com uma coloração alaranjada, de caramelo claro. Abaixe o fogo, acrescente o café e a manteiga e mexa para obter uma mistura homogênea. Adicione o creme de leite fresco e mexa para emulsionar e engrossar. Tampe e reserve. n 180 ml de creme de leite fresco

Revista Coop | 40 | Março 2021

Carolinas de café Por Marcos Souza INGREDIENTES

INGREDIENTES DA GANACHE

n 180 ml de leite

n 125 g de creme de leite fresco

n 150 g de farinha de trigo

n 250 g de chocolate meio amargo n 10 g de grãos de café n 40 g de glucose

n 70 g de manteiga em cubos

pREpARO DA GANACHE Em uma panela, leve ao fogo alto o creme de leite com os grãos de café até que a mistura ferva. Desligue e deixe tampada por 10 minutos. Coe. Derreta o chocolate, misture com o creme de leite coado e adicione a glucose e a manteiga. MONTAGEM Com a massa da torta já fria, adicione o caramelo e leve para a geladeira por 10 minutos. Retire e coloque a ganache. para decorar, utilize caramelo, lascas de chocolate, grãos de café ou o que preferir. Mantenha na geladeira até a hora do consumo.

n 90 g de manteiga n 180 g de ovos

n 10 g de açúcar refinado n Sal a gosto

pREpARO Em uma panela, leve ao fogo o leite, a manteiga, o sal e o açúcar até ferver. Adicione a farinha de uma vez e mexa até ficar uma massa homogênea e desgrudar do fundo. Coloque na batedeira e, utilizando pá, bata até esfriar. Adicione os ovos aos poucos até a massa ficar com um aspecto elástico. Faça bolinhas com um saco de confeitar ou com colheres pequenas e asse em forno preaquecido (190 ºC) até dourar. Desligue o forno e deixe-as lá dentro por 10 minutos.

INGREDIENTES DO CREME

n 460 g de leite

n 200 g de creme de leite fresco n 30 g de manteiga

n 130 g de açúcar refinado n 160 g de gema

n 50 g de amido de milho n 20 g de farinha de trigo

n 1 colher (chá) de essência de baunilha n 100 ml de café coado

n 250 g de chocolate em barra derretido

pREpARO DO CREME

Em uma tigela misture a farinha, o amido, o açúcar e as gemas. Reserve. Em uma panela ferva o leite com o creme de leite, a manteiga e a baunilha e, em seguida, adicione a mistura anterior e leve de volta ao fogo, mexendo sempre até engrossar. Acrescente o café. Leve para a geladeira por pelo menos 1 hora. Antes de rechear, mexa bem até aumentar o volume.

MONTAGEM Com as carolinas já frias, faça um furo na parte de baixo e recheie com o creme de café. para finalizar, mergulhe o topo das carolinas no chocolate derretido. Revista Coop | 41 | Março 2021


Foto: Shutterstock

GASTRONOMIA

Rocambole de maçã

Mousse de maracujá

Por nutricionista do InCor

n 1 e ⅔ xícara (chá) de farinha

n 1 colher (sopa) de farinha de

n 4 colheres (sopa) de

n 1 colher (sopa) de leite

n ¾ de xícara (chá) de leite

n 1 colher (sobremesa) de

de trigo

manteiga sem sal

desnatado morno

rosca (para usar na montagem)

desnatado

linhaça

pREpARO DA MASSA Coloque a farinha de trigo sobre uma superfície, formando um monte. Faça um buraco no centro, junte a manteiga e o leite com as mãos e agregue os demais ingredientes, exceto a linhaça. Sove até a massa se desprender da superfície. Deixe descansar por cerca de 30 minutos. Reserve. INGREDIENTES DO RECHEIO

n 4 maçãs-verdes grandes

descascadas, sem sementes

e cortadas em fatias finas em formato de meia-lua

n ¼ de xícara (chá) de açúcar

em pó

n Suco de 1 limão

n ½ colher (sopa) de casca de

limão ralada

pREpARO DO RECHEIO Coloque em uma tigela as fatias de maçã, o açúcar, a canela, o suco e a casca de limão, misture delicadamente e reserve. MONTAGEM Forre uma superfície lisa com papel-manteiga. Coloque a farinha de rosca no local onde será colocada a massa. Abra a massa rapidamente com o auxílio de um rolo, eliminando as partes mais grossas das bordas. Distribua a mistura de maçã, cuidadosamente, em uma faixa horizontal de massa, deixando um espaço nas bordas para o recheio não escapar. Enrole a massa sobre o recheio, levantando o papel-manteiga, como um rocambole. Achate as pontas com uma espátula. Coloque-a em uma assadeira untada. pincele com leite para ajudar a dourar e salpique a linhaça. Leve ao forno preaquecido (180° C) por 25 minutos. Revista Coop | 42 | Março 2021

Pavê de pêssego

Por Ana Lobato, do Lugar 166 INGREDIENTES

n 2 kg de pêssego

n Baunilha

n 1 litro de creme de leite

n 20 g de castanha-de-

n 600 g de açúcar

culinário

n 8 gemas de ovo n 1 colher (chá) de canela

pREpARO No liquidificador, ban 1 lata de leite condensado ta o creme de leite, o n 1 lata de suco de maracujá (medida leite condensado e o pela lata de leite condensado) n 1 lata de creme de leite sem soro suco concentrado de n ½ xícara (chá) de açúcar maracujá. Em uma tin 1 xícara (chá) de polpa de maracujá gela, despeje a mistura e leve à geladeira por, no mínimo, 4 horas. para o preparo da calda, misture a polpa de maracujá com o açúcar e leve ao fogo baixo. Mexa e deixe ferver até ficar em ponto de calda. Leve à geladeira e sirva com a mousse. Dica: se preferir, coloque em taças individuais. INGREDIENTES

Foto: divulgação

INGREDIENTES DA MASSA

Por Sandra Chemin, nutricionista do Centro Universitário São Camilo

n 30 g de farinha de pão

caju em pedaços pequenos

pREpARO Misture a farinha de pão com a castanha-de-caju formando uma farofa. Reserve. Em uma panela, coloque a metade do creme de leite, metade do açúcar e a baunilha. Misture bem e leve ao fogo até ferver. Desligue. Tempere as gemas com o creme de leite quente, misturando bem para a gema não cozinhar, e leve ao fogo novamente sem parar de mexer até o creme engrossar. Deixe esfriar. Tire a pele do pêssego e corte em tiras grossas. Coloque a outra metade do açúcar para derreter e acrescente o restante do creme de leite, mexendo até virar um caramelo. Adicione o pêssego cortado e deixe cozinhar por 3 minutos. Reserve. MONTAGEM Numa travessa, faça camadas dos preparos na seguinte ordem: a primeira com o creme, depois a farofa e então o pêssego. Repita o processo finalizando com o pêssego. Leve à geladeira por 3 horas.


Doce hortaliça

Fotos: Shutterstock

BOA SAFRA

Cozida ou crua, a beterraba dá um colorido todo especial ao prato, além de agregar sabor e muitas vitaminas.

E

SABIA DISSO? n para mantê-las

vermelhas, cozinhe as beterrabas inteiras, com casca e com 5 cm do talo, acrescentando 2 colheres (sopa) de vinagre na água. n A presença de anéis internos claros (brancos) indica que a planta foi cultivada em condições de temperatura alta. n Temperos que combinam com a beterraba: nozmoscada, cravoda-índia, limão, laranja, alho, salsa e cebola.

CELI EzELLNER

la é uma raiz e sua aparência em nada se assemelha, nem mesmo na cor, ao espinafre e à acelga. Mas, acredite, a beterraba pertence à mesma família. Há três tipos dela: a açucareira, usada para a produção de açúcar; a forrageira, empregada na alimentação animal; e a roxa, cujas raízes são bastante consumidas em saladas, sopas ou sucos. vale muito apostar nessa hortaliça, sobretudo agora, quando está em plena safra, apresentando o tom roxo-avermelhado ainda mais vibrante e a polpa mais macia, mais doce e, portanto, mais saborosa. A beterraba carrega boas doses de vitaminas A, C e do complexo B, como a B1 e a B6, além de minerais, como cálcio, magnésio, potássio, fósforo, ácido fólico e manganês. Mas, diferentemente do que muitos imaginam, a beterraba não é boa fonte de ferro a ponto de, por exemplo, ajudar a combater anemias, como dizem por aí. A nutricionista Stephania Gentili esclarece que a hortaliça até oferece bastante ferro, mas do tipo não heme, o que significa que é pouco absorvido pelo organismo e, portanto, não garante o efeito esperado. O que a beterraba tem de sobra, segundo a especialista, é betalaína, pigmento responsável por sua cor, que possui elevada atividade antioxidante capaz de neutralizar a

Revista Coop | 44 | Março 2021

ação dos radicais livres. “Também é generosa em fibras, que auxiliam no funcionamento do intestino, controlam a glicemia pós-prandial (pós-refeição) e o colesterol, prevenindo doenças cardiovasculares”, acrescenta Stephania. Ela ressalta ainda que é boa fonte de energia, já que tem alta concentração de carboidratos, responsáveis pelo fornecimento de nutrientes e oxigênio para os músculos. ACERTE NA ESCOLHA Na hora de comprar, técnicos da Embrapa recomendam escolher as raízes mais firmes, com cor vermelha intensa, sem rachaduras ou sinais de brotação, condição que garante o armazenamento por até uma semana, desde que mantidas em local fresco. Duram mais tempo se conservadas em geladeira. para maior aproveitamento dos nutrientes, a hortaliça deve ser consumida crua e ralada, de preferência. “Quando cozida, o indicado é que o tempo de preparo seja o mais curto possível; sendo assim, vale a pena usar a panela de pressão”, sugere a nutricionista. A beterraba é bem versátil e fica gostosa até em bolos. Confira algumas dicas e sugestões de receitas fornecidas por técnicos da Embrapa na cartilha 50 Hortaliças:

Bolo de beterraba Ingredientes: 4 claras de ovo batidas em neve, 4 gemas, 4 colheres (sopa) de margarina, 1 e ½ xícara (chá) de açúcar, 2 xícaras (chá) de farinha de trigo, 1 xícara (chá) de maisena, 1 colher (sopa) de fermento em pó, suco de 1 beterraba grande e 1 xícara (chá) de água. Preparo: descasque a beterraba, corte em pedaços, junte a água e bata no liquidificador. Bata as gemas, a margarina e o açúcar até obter um creme esbranquiçado. Acrescente a farinha, a maisena e o fermento peneirados juntos e misture bem. Adicione o suco de beterraba e mexa. Agregue as claras batidas em neve e mexa lentamente. Despeje numa assadeira untada e polvilhada com farinha de trigo e leve ao forno médio preaquecido para assar.

Suco mix Ingredientes: 1 dúzia de laranjas, 2 beterrabas grandes, 2 cenouras grandes, açúcar e gelo a gosto. Preparo: descasque e pique em cubinhos a cenoura e a beterraba. Extraia o suco de laranja, junte a cenoura, a beterraba e o açúcar. Bata tudo no liquidificador. Coe e sirva gelado.

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Patê de beterraba Ingredientes: 2 beterrabas cozidas e descascadas, 2 colheres (sopa) de suco de limão, 1 colher (café) de noz-moscada, 1 xícara (chá) de cheiro-verde picado, 1 dente de alho, ½ copo de requeijão cremoso, sal e pimentado-reino a gosto. Preparo: bata todos os ingredientes no liquidificador. Revista Coop | 45 | Março 2021


Formosa e poderosa A flor de hibisco pode não ser a mais bela do planeta para decorar vasos, mas seus benefícios terapêuticos conquistaram o mundo.

D

IvANILDE SITTA

izem que o consumo do chá da planta preparado com seus botões florais controla o nível do colesterol no sangue, reduz a pressão arterial, faz bem para o fígado, evita a retenção de líquido no organismo e ainda atua na prevenção de doenças cardiovasculares, além do desenvolvimento do câncer. De quebra, alivia os sintomas da TpM, ajuda a emagrecer e retarda os sinais do envelhe-

Além da xícara

Ao contrário do que muitos possam imaginar, não é exatamente a flor do hibisco que é usada no chá, mas seu cálice ou botão floral, parte que dá sustentação à flor e abrigo às sementes. “Além da flor e folha, outras partes da planta também podem ser utilizadas para outras finalidades, tanto que os orientais usam até o óleo das sementes”,informa o professor de fitoterapia. Na culinária, os cálices frescos são usados na preparação de bebidas fermentadas, vinho, geleia, confeitaria gelatinosa, sorvete, chocolates, aromatizantes, pudins e bolos. versátil, também tem seu extrato em-

Revista Coop | 46 | Março 2021

cimento. um potencial e tanto, mas será que é tudo isso mesmo? Daniel Alan Costa, professor de fitoterapia da Escola de Educação permanente do Hospital das Clínicas, assegura que sim. “Há muitos estudos científicos sobre o hibisco, planta popular no mundo inteiro e historicamente utilizada há mais de 4 mil anos a.C.”, detalha. De origem africana e asiática, a planta que chegou ao solo brasileiro durante a época do tráfico de escravos se apresenta em mais

pregado em bases de cosméticos, sabonetes e xampus. No caso do chá, Daniela Lasman, nutricionista da Bodytech Iguatemi, de São paulo, destaca que uma dose segura é de 500 ml por dia, já que o consumo crônico de algumas ervas pode levar a efeitos adversos que vão desde eliminação excessiva de sais minerais até alteração hormonal. “O ideal é consumir a bebida sem utilizar açúcar ou adoçante, pois, mesmo não somando calorias, o adoçante pode prejudicar o objetivo por conta de sua composição”, acrescenta.

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SAÚDE

de 300 espécies, das quais a Hibiscus sabdariff L., de floração vermelha, é a mais empregada. Apesar de tão antiga e conhecida em vários países pelos poderes terapêuticos, a espécie só foi despertar a atenção do povo ocidental há pouco tempo, atraído especialmente pela fama da planta em acelerar o emagrecimento, segundo adianta Daniel Costa. “Daí a corrida hoje em dia pelo chá de hibisco”, explica. VALOR DA PLANTA O grande trunfo dessa espécie, além de sua riqueza em ferro, cálcio e potássio, está na concentração de diversas substâncias antioxidantes, como os flavonoides, especialmente as antocianinas. Esse conjunto da obra, somado a outros compostos de peso, se encarrega de promover os benefícios já comprovados e que vão além de auxiliar na perda de peso. A planta também favorece a saúde do coração ao reduzir a oxidação do colesterol ruim e, rico que é em vitamina C e ácido málico, diminui o risco do câncer e retarda o envelhecimento celular. Se você está maravilhado com as aplicações terapêuticas do hibisco, saiba de antemão que sozinho ele não faz milagre. porém, associado a uma dieta equilibrada e à prática regular de atividade física, é realmente capaz de contribuir com a sua saúde.

Revista Coop | 47 | Março 2021


BELEZA

Pelo menos A velha lâmina de barbear é prática e não causa dor, mas há outros métodos de depilação mais eficazes e duradouros.

O

CELI EzELLNER

pções não faltam, mas no quesito efetividade, a depilação a laser sai na frente. Desde que foi aprovada para uso na década de 1990, a técnica foi ganhando cada vez mais a confiança dos pacientes graças aos avanços tecnológicos que tornaram o processo muito mais seguro e eficiente. Além das mulheres, habituais usuárias, os homens também foram atraídos pelos resultados positivos e, hoje, fazem sessões a laser na região da barba, tórax, costas, abdome e onde mais desejarem, uma vez que a técnica pode ser feita em várias partes do corpo, com restrições ao ânus, pálpebras, mucosas e bolsa escrotal. Técnica semelhante é a fotodepilação, que, assim como o laser, utiliza uma fonte de luz para aquecer e destruir a melanina (cor) do pelo e, consequentemente, sua raiz. A diferença está no tipo de luz emitida em cada procedimento. O médico Luis Ribeiro Torezan, coordenador do departamento de laser e tecnologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que os equipamentos a laser atingem alvos mais específicos, pois a luz emitida de alta intensidade é mais concentrada, apresentando um único comprimento de onda da mesma cor (monocromática). A escolha do laser (diodo, alexandrite, yag, entre Revista Coop | 48 | Março 2021

Foto: Shutterstock

outros) deve considerar a área a ser depilada, assim como o tipo e a cor da pele e dos pelos. Já a fotodepilação ou luz intensa pulsada (LIp) emite um espectro de luz (cores diferentes) com comprimentos de onda variáveis. “Os dois métodos atuam de forma diferente, mas ambos são eficientes, porém não definitivos, diminuindo de 60% a 80% a quantidade de pelos, a depender da região do corpo tratada”, diz o dermatologista, ao citar como exemplo a face. “O pelo da barba é mais forte e grosso e repila com mais frequência do que a axila, virilha ou meia perna e, portanto, precisará de mais sessões”, compara. Ao final do tratamento, manutenções em períodos de seis meses ou um ano são geralmente necessárias, para qualquer área do corpo e método escolhido.

TOM DA PELE As morenas e negras requerem mais cuidados e são mais resistentes aos processos. Como os feixes de luz identificam os pelos a partir da quantidade de melanina (quanto mais escuros forem, mais eficiente será a depilação), acaba ocorrendo uma competição entre a melanina da pele e a do folículo. “Dessa forma, a pele pode sofrer queimaduras, sobretudo se o profissional utilizar aparelhos de laser de alta potência com o objetivo de atingir o pelo”, esclarece Luis Torezan. para peles mais escuras, especialistas costumam indicar a fotodepilação porque, nesse método, é possível graduar a intensidade do espectro de luz, o que torna o procedimento menos agressivo. A fotodepilação também leva vantagem

no quesito dor, já que o laser, dependendo do aparelho utilizado, atua de forma mais profunda nas camadas da pele, o que pode causar sensação de ardência e de pequenos choques. Em compensação, a depilação a laser, em geral, chega ao resultado esperado em menor tempo, daí o custo mais elevado. O dermatologista contraindica os métodos no caso de gravidez porque, durante a gestação, os hormônios ficam aumentados e, assim, com maior risco de pigmentação e dor. peles bronzeadas de sol também são contraindicadas porque a melanina está ativada e pode manchar ao absorver a luz do laser ou da luz pulsada. Após o tratamento, seja a laser ou LIp, a recomendação mais importante é evitar a exposição ao sol, ainda mais se houver vermelhidão na área tratada. Revista Coop | 49 | Março 2021


BELEZA

encravamento ou manchar a pele –, são facilmente removidos com água”, justifica Sandra Regina Carneiro, esteticista e proprietária da pommes, clínica de estética e depilação, que trabalha exclusivamente com a cera hidrossolúvel de mel e camomila.

QUE DÓI, DÓI Apesar de bastante dolorido e bem inferior às técnicas a laser e luz pulsada, quando se comparam os resultados, o método de depilação com cera ainda continua sendo um dos preferidos da clientela, até por ter um custo mais baixo. Se por um lado perde dos concorrentes mais modernos, ganha da lâmina, aparelhos de depilação elétricos ou cremes depilatórios quando a intenção é adiar o crescimento dos pelos por um período maior. A opção com cera fria é mais prática e indicada para quem sofre com varizes ou má circulação. porém, agride mais a região depilada e é mais dolorida em relação à cera quente, que, em contato com a pele, promove calor e consequente dilatação dos poros, condição que facilita a retirada dos pelos. O mercado está repleto de tipos e marcas, sejam quentes ou frias, mas vale apostar nas hidrossolúveis, que são naturais e, portanto, ecologicamente corretas. “Esse tipo de cera chega a diminuir a intensidade da dor em 80% porque adere menos à pele sem perder a eficiência, e todos os possíveis resíduos capazes de obstruir os poros – e por consequência, aumentar o Revista Coop | 50 | Março 2021

ATENÇÃO À SEGURANÇA um ponto importante e que muitas mulheres não observam com atenção é a questão da segurança e higiene em todo o processo, em especial quanto à reutilização de sobras de cera, o que pode levar à transmissão de micoses, hepatite, vírus Hpv, entre várias outras doenças. “A cera deve ser nova, individualizada em porções para cada cliente e 100% descartável, assim como as luvas, palitos e outros acessórios utilizados”, recomenda a esteticista. A depilação com linha ou pinça também requer os mesmos cuidados de higiene, mesmo que sejam utilizadas apenas em áreas pequenas, como para fazer o design das sobrancelhas, por exemplo. O procedimento, aliás, está bastante em alta hoje em dia, tanto que muitas mulheres fazem retoques a cada semana. Algumas até ficam em dúvida se o exagero pode provocar a queda precoce das pálpebras. “De forma alguma”, responde o dermatologista Luis Torezan. “A lesão na derme provocada ao arrancar o pelo é muito superficial e, por mais frequente que seja, poderá apenas ocasionar um inchaço local passageiro, o que pode gerar uma falsa percepção de aptose (queda) de pálpebra, mas não é real”, esclarece. portanto, vale abusar da pinça pra ficar mais bonita, desde que esteja bem higienizada e esterilizada.


BELEZA

Sadias e perfeitas Por mais bela que seja a joia exibida no dedo ou a sandália calçada nos pés, os acessórios perdem todo o glamour se as unhas estiverem maltratadas.

A

IvANILDE SITTA

brir mão dos cuidados com esse cartão de visitas não só transmite uma imagem de desleixo, como ainda dá brecha para o desenvolvimento de certas infecções e outras complicações. para que as parceiras de seus dedos dos pés e das mãos se mantenham firmes, bonitas e cheias de vida, não basta ir à manicure ou ao podólogo semanalmente, embora esse ritual também seja importante. Há coisas que só as donas e os donos dos 10 pares de unhas podem fazer. A começar pela adoção de uma dieta alimentar equilibrada, já que deficiências nutricionais também refletem na saúde delas, assim como evitar a exposição a agentes agressores e, sobretudo, manter um olhar preventivo para mudanças na textura, formato, coloração e o aparecimento de manchas, indicativos de que algo não vai bem. “unhas quebradiças merecem, inclusive, uma avaliação do dermatologista”, sugere a podóloga Maria de Lourdes pinheiro, pois podem ser sinal de algumas condições de saúde, como diabetes, disfunção hormonal ou mesmo estresse. Mas ela adianta que pode ser ainda pelo hábito frequente de leválas à boca, já que a saliva pode gerar o enfraRevista Coop | 52 | Março 2021

quecimento, ou mesmo por fazer a faxina doméstica sem a proteção de luvas. “A solução, nesse caso, é investir em bases fortalecedoras e nutritivas”, destaca. TIRAR OU NÃO A CUTÍCULA “O correto é apenas empurrála delicadamente com o uso de uma espátula”, orienta a dermatologista Luciana Garbelini, explicando que a cutícula tem o propósito de proteger a matriz ungueal, estrutura na base da unha onde estão as células responsáveis pela produção da lâmina de queratina. uma dica para evitar seu ressecamento e, por tabela, aquelas pelinhas que despontam e costumam incomodar, é massagear as unhas com um creme hidratante antes de dormir para garantir uma hidratação mais prolongada. Que uma unha bem-feita e pintada valoriza a mão e atrai a atenção, não há dúvida. porém, elas precisam de uma pausa da esmaltação para poder respirar, já que o excesso de esmalte e acetona não só altera a coloração, mas também as deixa ressecadas. A dermatologista alerta ainda para a técnica

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do polimento, uma das principais causas de onicosquizia (descamação da unha). “O recomendado, mais uma vez, é a hidratação para não deixar que a queratina fique muito ressecada e descame”, ressalta. Atenção redobrada também na escolha do esmalte, não necessariamente para a seleção da tonalidade, mas aos componentes da fórmula. Luciana Garbelini diz que as melhores opções são aqueles testados dermatologicamente e livres de tolueno, formaldeído e benzeno. “Além disso, os removedores à base de acetona devem ser evitados, pois são grandes vilões para as unhas”, aconselha a especialista, indicando o removedor à base de óleo de banana.

ENCRAVOU. E AGORA? você pode não se dar conta, mas as unhas de suas mãos crescem cerca de três milímetros por mês e as dos pés cerca de 1 mm, tendo como principal função a de proteger as extremidades dos dedos e, ainda, aumentar a sensibilidade da polpa digital e facilitar a pega de certos objetos miúdos. Ao longo do crescimento, pode ocorrer de uma delas encravar, quadro que se manifesta quando a borda lateral da unha cresce além do esperado e entra na pele. Quem convive ou já viveu esse drama, que acontece mais com os dedos dos pés, conhece muito bem o tamanho do incômodo. Nesse caso, a regra é única e básica: Revista Coop | 53 | Março 2021


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BELEZA

Consultoria: Luciana Garbelini: dermatologista, pós-graduada em estética avançada. Daphne Giglio: dermatologista da Clínica Carvalho Concept. Maria de Lourdes Pinheiro: podóloga e coordenadora técnica da Doctor Feet.

não mexa nem cutuque. procure um especialista. “Tentar resolver sozinho só piora o quadro, aumentando ainda mais a inflamação, até por conta da falta de ferramentas adequadas para o procedimento”, alerta a podóloga Maria de Lourdes, que aproveita para listar uma série de cuidados que podem ser feitos em casa a fim de manter a aparência e saúde das unhas: n Tire alguns minutos durante a semana para checar atentamente se há alguma alteração na coloração, bem como no espessamento ou descolamento em alguma das unhas. n Jamais compartilhe lixas, alicates ou tesouras para evitar a contaminação por fungos, causadores da micose, e outros agentes. n Faça uso de hidratantes específicos para essa região. n Ao cortá-las, procure ser o menos invasivo possível, ou seja, evite deixá-las curtas demais. Corte no formato reto, arredondando os cantos com a lixa. Quem não tem habilidade no manuseio do alicate, pode lixá-las até o comprimento desejado. n Tenha muito cuidado ao fazer esses procedimentos para que não ocorram ferimentos, o que pode causar incômodo ao andar ou mesmo colocar um sapato.

Revista Coop | 54 | Março 2021

INIMIGA DA UNHA A micose de unha é algo fácil de pegar e muito, muito difícil de curar, já que o tratamento pode levar de seis meses até um ano. Dessa forma, o melhor remédio é a prevenção. Como? “Evite o uso de calçados apertados; dê preferência para meias de algodão; lave e seque bem os pés e as mãos, inclusive, entre os dedos; calce chinelos em áreas de piscinas e chuveiros de clubes e hotéis e disponha de material próprio de manicure e pedicure”, responde a dermatologista Daphne Giglio. Causadas por fungos, as micoses são contraídas em qualquer época do ano, mas adoram surgir no verão, mostrando certa preferência também pelas unhas dos pés. “Justamente pela maior exposição a lugares quentes e úmidos, propícios à proliferação dos fungos e, por consequência, contaminação”, justifica a dermatologista. A presença de unhas amareladas é um dos sinais para você investigar uma possível contaminação, embora essa coloração também seja indício de deficiência de alguns minerais e vitaminas ou mesmo do uso contínuo de esmalte e do próprio envelhecimento das unhas. “Nesse caso, o ideal é realizar exames para diferenciar um caso do outro e tratar adequadamente”, recomenda a dermatologista. Caso seja micose mesmo, a primeira coisa a fazer é suspender o uso de esmalte para que o medicamento consiga penetrar na unha e agir contra o fungo. A médica esclarece que o esmalte antifúngico é um remédio de tratamento e não preventivo. “Ele contém alta concentração de substâncias antimicóticas, que são as escolhidas para o tratamento da onicomicose”, acrescenta.


GENTE DE TALENTO

Foto: divulgação

Beleza com propósito Na veia empreendedora de Natalia Martins, circula o sangue da solidariedade desde o início de sua jornada na Natalia Beauty.

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IvANIlDE SIttA

e montar um negócio do zero já é missão difícil, imagine ainda endividado e com o nome sujo para poder buscar crédito no mercado. Foi com a cara e a coragem e vestida de pijama que Natalia Martins, especialista em técnicas de micropigmentação, se lançou a um desafio exatamente assim, em 2016, ao empreender numa clínica do ramo de beleza. Hoje, não só está livre das dívidas, mas no comando de uma rede de 70 filiais no Brasil e no exterior, que lhe rendem um faturamento na casa dos R$ 20 milhões, além de 2 milhões de seguidores no Instagram. A matriz está instalada num imóvel corde-rosa, de 800 m², na Avenida Rebouças, em Pinheiros, área das mais nobres da cidade de São Paulo, que oferece serviços em micropigmentação de sobrancelhas, labial, capilar, corporal e paramédica. É lá também que ela ministra seus cursos de micropigmentação, com metodologia de ensino próprio já dominado por 11 mil participantes dispostos a empreender. Dá para supor a agenda apertada dessa empresária para dar conta desse negócio que nem ela mesma imaginava crescer tanto em tão curto espaço de tempo. Ainda assim, sempre encontra tempo paRevista Coop | 56 | Março 2021

ra fazer valer o propósito que acompanha a NB desde sua origem: elevar a autoestima dos clientes, inclusive pela via social. Natalia doa seu trabalho de micropigmentação paramédica às mulheres mastectomizadas (cujas mamas foram retiradas) por conta do câncer de mama, redesenhando a aréola e o mamilo com sua técnica. Nos mais de mil procedimentos realizados até agora, estão incluídos também pacientes que passaram pela cirurgia de lábio leporino e necessitavam da técnica para melhorar o contorno do lábio. Desde que o paciente tenha em mãos a orientação médica para a micropigmentação paramédica, basta agendar um horário na clínica de Pinheiros, a única da rede a realizar esse trabalho. “Essa tarefa é minha, não a delego a nenhuma das profissionais, já que é uma forma de eu retribuir tudo o que conquistei na minha vida”, explica a empreendedora, acrescentando que a oportunidade de poder resgatar a autoestima desses pacientes é algo que não tem preço. EMPODERAMENTO FEMININO A iniciativa de dividir seu conhecimento com as demais mulheres, por meio dos cursos de capacitação na metodologia NB, também tem um propósito que, de certa forma, tem tudo a ver com a história de vida da em-

presária, hoje com 32 anos de idade. “Minha intenção é empoderar as mulheres para que não dependam de ninguém”, admite. De família portuguesa, a dona da NB teve uma educação rígida que não dava espaço à voz de mulher. Casou e, junto com o marido, montou uma clínica de estética em São José

do Rio Preto (SP). Sua tarefa era gerenciar a empresa, mas, devido a um imprevisto, precisou fazer um curso de micropigmentação às pressas para cobrir uma profissional que a deixou na mão. Nesse meio-tempo, veio o divórcio, levando Natalia de volta à casa dos pais, acom-

Natalia retribui o sucesso de seu negócio com projeto social.

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GENTE DE TALENTO

Foto: divulgação

Empreendedora quebra padrões até no uniforme de suas colaboradoras.

panhada da filha do casal, de um cachorro e de muitas dívidas. “Eu tinha de trabalhar para sobreviver com a única coisa que eu sabia fazer, que era micropigmentação”, recorda. Passou a atender na residência dos clientes, trabalhando duro para juntar dinheiro e alugar uma sala comercial, algo que não demoraria a acontecer, até por tanto divulgar sua técnica nas redes sociais. HORA DA VIRADA Conspiração do universo ou não, a famosa Gabriela Pugliesi, blogueira fitness, postou no Instagram um comentário sobre o trabalho de Natalia. Com esse empurrão, na hora certa, a sala de 30 m² ficou pequena para atender a demanda, despertando o interesse da empreendedora pelo imóvel antigo da Avenida Rebouças. Ao visitar a casa, decidiu negociar com o proprietário de uma forma inusitada. Foi de pijama, talvez querendo dizer que já se sentia em casa.

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O negócio foi fechado com a garantia de seis meses de aluguel antecipado. “Entreguei todo o dinheiro que eu tinha guardado, mas consegui abrir a Natalia Beauty em novembro de 2017, a minha tão sonhada Casa Rosa”, relembra. vieram novos clientes e cada vez mais inscritos para os cursos na área de micropigmentação, que envolvem técnicas tanto para quem ainda não tem experiência no ramo, como também para quem deseja aprimorar seus conhecimentos. Por tabela, alunas filiadas foram inaugurando novos espaços no território nacional, avançando fronteiras para Dubai, Suíça, Chile, Portugal, Itália e EUA. Em comum, no Brasil ou no exterior, é que todo o time trabalha uniformizado, ou seja, de pijama. “É uma forma de quebrar padrões, já que todo mundo se iguala e fica confortável em ser o que é”, justifica Natalia, prevendo chegar a 100 filiadas em 2021 e triplicar o faturamento. Ousada que é, não dá pra duvidar.


EMPREENDEDORISMO

Foto: divulgação

Uma por todas e todas por uma Já existe uma rede de apoio para mulheres empreendedoras compartilharem dificuldades, experiências e conquistas. É a Donadelas.

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MARlI BARBOSA

empresária paraense Ely Ribeiro aposta no apoio mútuo para impulsionar o empreendedorismo feminino. A ideia de criar uma rede social com esse foco surgiu logo no começo da pandemia, quando, diante da possibilidade de terem de fechar seus negócios, ela e algumas amigas começaram a partilhar preocupações e ideias durante conversas mantidas por mensagens e telefonemas. Nessa experiência, Ely se deu conta da falta de um espaço específico para uma troca de ideias e ideais sobre empreendedorismo. “Estudei o assunto, consegui um sócio-investidor, formamos uma equipe técnica e, em setembro do ano passado, lançamos a Donadelas”, relata. Hoje a plataforma (www.donadelas.com.br) já reúne empreendedoras de diversos segmentos de todas as regiões do país e também de Portugal. lá, quem está apenas começando pode partilhar dúvidas e receber dicas valiosas de quem já passou pela mesma situação. A rede é gratuita e está disRevista Coop | 60 | Março 2021

ponível para todas as mulheres que queiram criar conexões com outras empreendedoras. “É um espaço onde podem divulgar seus produtos e serviços, buscar ajuda, compartilhar ideias, propor soluções e incentivar outras mulheres com seus exemplos ou palavras”, complementa. As usuárias também podem acessar pesquisas, textos, links e vídeos relacionados ao empreendedorismo, tudo em uma plataforma com layout moderno, dinâmico e de uso descomplicado. Além de ter como meta ser um campo vasto de conhecimento, a rede ainda oferece mais conteúdo em blog.donadelas.com – recheado de informações tanto para quem quer começar quanto para quem já está na jornada. FUNCIONA ASSIM Depois de um breve cadastro, a usuária pode personalizar seu perfil na rede, acrescentando foto, imagem de fundo e uma breve apresentação sua e de seu negócio. também é possível mudar a privacidade e definir quem pode ver suas postagens, sal-

var publicações e seguir outras usuárias. As participantes podem se comunicar diretamente, usando o recurso de troca rápida de mensagens privadas para resolver questões de interesse mais particular. Ely diz que, diferente de muitos aplicativos que se utilizam do uso de algoritmos, todo o gerenciamento e a administração da Donadelas são realizados por pessoas. “Nossa preocupação com o público da rede é

real. Eu leio os posts, comento, verifico se a linguagem está de acordo com nossos princípios e também garanto a proteção dos dados, pois não repassamos ou vendemos a ninguém”, garante. SÓ PARA ELAS Além das dificuldades comuns a qualquer empreendedor, as mulheres que decidem iniciar um negócio têm que lidar com

A empresária lançou a plataforma logo após vivenciar as dificuldades impostas pela pandemia.

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EMPREENDEDORISMO

Levantamento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que, entre 2017 e 2018, a proporção de mulheres que investiram no próprio negócio e que são chefes de domicílio passou de 38% para 45%. desafios específicos do universo feminino. Por esse motivo, Ely Ribeiro, que é consultora de empreendedorismo e gestão há 20 anos e já presidiu o Conselho da Mulher Empresária da Associação Comercial do Pará, acredita que o site possa fortalecer iniciativas femininas, que muitas vezes são muito solitárias. “Muitos dos negócios chefiados por mulheres têm como característica o esforço individual, uma vez que grande parte, por não ter emprego formal, foi movida a empreender diante da necessidade de sustentar suas famílias, apostando naquilo em que têm algum conhecimento, mas sem metas prédefinidas”, explica. Do total de 52 milhões que empreenderam no Brasil, 24 milhões são mulheres, de acordo com a pesquisa GEM, que estuda o empreendedorismo no país e no mundo. levantamento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que, entre 2017 e 2018, a proporção de mulheres que investiram no próprio negócio e que são chefes de domicílio passou de 38% para 45%. A proporção de novos empreendedores no país – os que têm um negócio com menos de 3 a 5 anos – é maior entre Revista Coop | 62 | Março 2021

elas: 15,4% contra 12,6% de homens. Os dados revelam ainda que as empreendedoras brasileiras possuem um nível de escolaridade superior às dos homens, entretanto têm renda 22% menor que a deles, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo Ely, ainda há uma taxa alta de empreendedorismo por necessidade entre as mulheres, o que as coloca em situação de desvantagem, já que muitos dos negócios não foram adequadamente planejados. vários têm como característica o esforço individual das donas, muitas delas chefes de família, que, diante da dificuldade de conseguir um emprego formal, viram a necessidade de empreender. “Muitas empreendem para ter mais flexibilidade de horário e poder cuidar dos filhos, então vemos uma busca maior por projetos que possam se adequar à sua rotina, muitas vezes com atividades que começam em casa”, comenta a empresária. O desemprego em virtude da pandemia, que afetou mais diretamente as mulheres, pode levar muitas delas a buscar atividades autônomas, acredita Ely. Para essas mulheres, que estão se aventurando pela primeira vez no mundo dos negócios, suas dicas são: busque informações sobre tudo que está relacionado à ideia; avalie os impactos de cada ação para a abertura desse negócio; mensure os riscos; faça uma projeção de ganhos e gastos diários ou mensais; divulgue seu produto e, para isso e mais do que nunca, use os canais digitais e as redes sociais. Ela também deixa um convite: “aproveite e crie uma conta no Donadelas, interaja, faça novas conexões!”.


COMPORTAMENTO

“O que faz mal é reprimir as emoções, seja uma sonora gargalhada ou um mar de lágrimas, pois expressar o que se sente é a melhor opção, sempre”, complementa Sirlene Ferreira. Ela explica que, todas as vezes que negamos as emoções, sofremos psíquica e até mesmo fisicamente, pois reverbera no corpo o que a alma sente. “A psicossomatização, porém, não é padronizada a determinado órgão, já que cada pessoa tem sua particularidade orgânica, mas pode ocasionar doenças crônicas e distúrbios mentais”, assinala o psicólogo Bez.

Assim como rir é o melhor remédio, chorar também faz bem tanto quanto uma sonora gargalhada. Portanto, não se reprima!

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em gente que derrama lágrimas até vendo comercial de margarina, enquanto outros represam o pranto mesmo diante do grau mais elevado de sofrimento físico ou emocional. Entre um comportamento e outro, não há regra certa ou errada, já que cada indivíduo tem sua biografia de vida moldada por diversos fatores, inclusive cultural e ambiental. Quem passou a infância inteira ouvindo de seus pais para engolir o choro, seja quando ralava o joelho ou tirava zero na prova, pode apresentar mais dificuldade de expressar a emoção por meio das lágrimas. Diferente do sexo feminino, que molha os Revista Coop | 64 | Março 2021

olhos assistindo a reprise de novela, o masculino se mostra mais resistente em desaguar seu sofrimento, não porque seja menos sensível, mas por ainda alimentar a crença de que homem que é homem não chora, a não ser para descascar cebolas. “Infelizmente, essas ideias machistas já causaram muitas dores em nossa sociedade, mas o bom da história é que elas vêm sendo desconstruídas”, comenta a psicóloga Sirlene Ferreira. A psicóloga Edwiges Parra confirma. “No consultório, percebo que os homens estão se dando o direito dessa forma de desabafo, ainda mais hoje com o cenário da pandemia, que tem sido um divisor de águas para o autoconhecimento”, emenda. Os especialistas

Foto: Shutterstock

Deixa o pranto rolar acrescentam que dar vazão ao nó preso na garganta está longe de ser sinal de fraqueza, mas de uma necessidade humana e pra lá de eficaz no gerenciamento do estresse. LAVA A ALMA Colocar pra fora as emoções negativas – raiva, mágoa, tristeza – por meio do choro não apenas aplaca o sofrimento, como reduz o risco da ocorrência de doenças cardiovasculares, segundo destaca o psicólogo Alexandre Bez. “Ao liberar os sentimentos ruins, a pessoa fica mais livre e relaxada”, assegura. vai dizer que você nunca experimentou essa sensação de leveza ou mesmo de alma lavada após ter deixado o pranto rolar?

QUEM NÃO CHORA NÃO MAMA Não é bem assim. Sucumbir às lágrimas não é o único meio de desaguar a dor emocional. De acordo com Edwiges Parra, o mais importante é que cada pessoa busque sua fórmula para lidar com as emoções aflitivas. Fazer terapia com foco em autoconhecimento ajuda muito nesse processo, assim como ter mais contato com a natureza ou vivenciar novas experiências sensoriais para despertar os sentidos. “Meditar, conversar com amigos e estudar sobre o assunto são recursos que ajudam a melhorar a conexão e interação consigo mesmo”, ensina. Além disso, não dá para rotular ou acreditar na crença de que os indivíduos potencialmente suscetíveis ao choro sejam mais sensíveis, emocionais e empáticos em comparação àqueles que represam o pranto. “Há diversos fatores a considerar, desde as características de personalidade, estrutura psicológica, contexto social, educacional e de saúde que podem influenciar na manifestação física de chorar ou não”, analisa a psicóloga.

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COMPORTAMENTO

Foto: Shutterstock

FIQUE ATENTO! Em contrapartida, há algo fora da curva em indivíduos que derramam lágrimas por tudo e por qualquer motivo, ou mesmo sem razão aparente. Para o psicólogo Alexandre Bez, o choro frequente pode ser um sinal de depressão ou de qualquer outro distúrbio mental que precisa ser investigado. “Essa fragilidade emocional contínua pode também estar associada a situações de conflito enfrentadas no ambiente familiar, conjugal e profissional que requerem ser trabalhadas”, alerta.

A química da lágrima Consultoria: Keila Monteiro de Carvalho: médica oftalmologista, professora titular de Oftalmologia da Universidade de Campinas e chefe do Departamento de Oftalmologia da FMC/Unicamp. Sirlene Ferreira: psicóloga clínica, em São Paulo. Edwiges Parra: psicóloga, palestrante, instrutora de Mindfulness (MBCT-D) e founder da Mente Emocional. Alexandre Bez: psicólogo e escritor, especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami (UM) e especialista em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA).

A composição da lágrima que escorre no rosto nos episódios de tristeza ou alegria é a mesma da derramada ao cortar cebolas ou quando um cisco entra no olho. Não difere também daquele líquido que lubrifica nossos olhos para o fechamento das pálpebras e que tem função antibacteriana. “A lágrima é um filme protetor da superfície ocular, composta por três camadas: uma oleosa, outra aquosa e uma mucosa”, esclarece a médica oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, professora titular de oftalmologia da Universidade de Campinas (Unicamp). Segundo ela, o componente aquoso da lágrima é secretado pelas glândulas lacrimais, que ficam na parte superior do olho, por dentro das pálpebras. A secreção aquosa contém proteínas de nomes complicados, como imunoglobulina A (IgA), latoferritina, proteína G, prealbumina e lisozima, que desempenham papel de pro-

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teção imunológica. Quando ocorre um momento de grande emoção, o sistema límbico, no cérebro, estimula as glândulas lacrimais a produzirem mais lágrimas, que acabam saindo pelos olhos. Só que produção exagerada não acontece apenas nos momentos de dor física ou emocional, mas também quando entra algum corpo estranho no olho, como um grão de areia, algum líquido ou agente que provoque ardor. Nesses casos, a lágrima é derramada para limpar a região. Alguns distúrbios, porém, podem comprometer o funcionamento natural desse mecanismo. Há pessoas, por exemplo, que apresentam baixa produção de lágrimas pelas glândulas lacrimais, o que caracteriza uma doença chamada de síndrome do olho seco, que é tratada por meio de lubrificantes oculares. “Nesse caso, há uma secreção aquosa diminuída ou evaporação aumentada”, afirma a oftalmologista.


TOP 10

Saúde feminina Sabe-se lá se toda mulher é bicho esquisito, como canta Rita Lee na música Cor-de-Rosa Choque. Mas que todo mês ela sangra é verdade.

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chegada da menarca (primeira menstruação) deve marcar também a entrada oficial da menina-moça no consultório do médico ginecologista, especialista que acompanha a mulher ao longo de todas suas fases da vida. Se tudo estiver bem, o próximo retorno precisa acontecer antes de ela dar início à vida sexual e, a partir daí, vira compromisso anual para a realização de exames preventivos. A médica Marcella Marinho explica que o trabalho do profissional não se resume ao acompanhamento da mulher durante a gestação e o parto, mas investigar periodicamente sinais de doenças em fases silenciosas ou pouco sintomáticas para poder tratar com maior chance de cura e sucesso terapêutico. E você, já se consultou com seu ginecologista nos últimos 12 meses? Em caso negativo, saiba aqui a importância de manter a consulta e os exames em dia.

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Rotina anual: a maioria dos exames periódicos tem o intervalo de um ano justamente para aumentar as chances de detectar alterações precursoras de neoplasias ou câncer em estágio inicial. Entre eles estão o papanicolau, a mamografia e o ultrassom Revista Coop | 68 | Março 2021

transvaginal. Outros exames, como histeroscopia, colposcopia, ressonância nuclear magnética, marcadores tumorais e pesquisa do DNA-HPv, podem fazer parte do acompanhamento a depender do risco e da avaliação individual de cada mulher. “Exames não previnem doenças, mas a oportunidade de um diagnóstico precoce salva vidas”, afirma. O exame clínico ginecológico, que inclui a inspeção vulvar, avaliação especular, toque vaginal e palpação mamária, também é de grande valia. “Pode diagnosticar diversas patologias, não devendo ser substituído, mas complementado por exames adicionais”, destaca a médica Karina tafner.

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Ciclos femininos: em cada fase da vida da mulher, muda o foco do cuidado com sua saúde. Na adolescência, a atenção é centrada na orientação, no esclarecimento de dúvidas sobre o ciclo menstrual, sexualidade e contracepção. Além do exame físico completo, Marcella adianta que o médico pode solicitar exames complementares, como ultrassom, coleta de secreção vaginal e dosagens hormonais.

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Jovens adultas: no ciclo dos 25 aos 45 anos, a consulta costuma girar em torno da escolha de um método contraceptivo, no

tratamento de patologias mais comuns, como tensão pré-menstrual, miomas uterinos, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, além das consultas e acompanhamento do pré-natal. Sem contar a indicação para a realização dos exames anuais.

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Menopausa: a perimenopausa e a menopausa são fases da vida em que os riscos de câncer aumentam. Nesse período também ocorrem os declínios hormonais que causam muitos sintomas como ondas de calor, sudorese, secura vaginal, libido diminuída, incontinência urinária, irritabilidade e até ganho de peso. Portanto, a realização de exames como a mamografia, por exemplo, torna-se imprescindível, além do foco em melhorar a qualidade de vida tratando os sintomas do climatério.

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HPV: é um vírus de alto contágio, adquirido principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas e que está diretamente ligado ao câncer de colo de útero. Dessa forma, sua detecção o mais rápido possível é fundamental e isso se faz por meio do exame papanicolau. “Um resultado anormal indica a necessidade de outros exames, como a colposcopia, biópsia e raspagem endocervical, para descartar ou confirmar o câncer de colo de útero”, explica a médica Mariana Rosário. Segundo ela, o Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe de vacina contra o HPv para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Outros grupos etários devem procurar serviços privados de vacinação. “Mesmo quem já teve infecção pelo HPv pode recorrer à vacina, porque ela pode proteger contra outros tipos de vírus HPv, Revista Coop | 69 | Março 2021


TOP 10

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revenir a formação de novas verrugas genitais e reduzir o risco de câncer de útero”, aconselha.

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Consultoria: Karina Tafner: ginecologista e obstetra, especialista em endocrinologia ginecológica, reprodução humana e reprodução assistida pela Febrasgo. Marcella Marinho: especialista em ginecologia e obstetrícia pela Febrasgo. Mariana Rosário: especialista em ginecologia, obstetrícia e mastologia pela Associação Médica Brasileira. Domingos Mantelli: ginecologista e obstetra, autor do livro Gestação: mitos e verdades sob o olhar do obstetra. Murilo Brazan: mastologista credenciado pela Omint

Saúde das mamas: fique de olho nelas e não negligencie o autoexame, pois todo nódulo precisa ser investigado e acompanhado. O médico mastologista Murilo Brazan ressalta que o autoexame é muito importante, porém, não é o método mais eficaz para detectar o câncer de mama. “Isso porque é possível apalpar o nódulo cancerígeno quando ele já está em estágios avançados”, justifica. Dessa forma, ele orienta as mulheres a partir dos 40 anos a fazer mamografia todos os anos, associada ao exame clínico, como ultrassonografia e ressonância magnética, quando necessário. O médico também alerta que pacientes com fatores de risco devem antecipar a fase de rastreio. O objetivo, segundo ele, é buscar lesões assintomáticas, que não seriam perceptíveis pela paciente. Para as mulheres que possuem histórico familiar positivo, a recomendação é iniciar os exames cerca de 10 anos antes de quando o parente de 1º grau ou 2º grau teve o câncer de mama.

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Endometriose: presente na vida de 8 milhões de brasileiras, a doença se manifesta quando o endométrio, tecido que reveste o interior do útero, avança para outros órgãos da pelve, como ovários, bexiga ou trompas, e causa reações inflamatórias ao organismo. Dentre os sintomas desta doença estão: fortes cólicas menstruais, candidíase de repetição, sintomas gastrointestinais (principalmente dor ao evacuar), dor nas relações sexuais e dificuldade para engravidar.

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“A endometriose não tem cura, mas pode ser superada com tratamento clínico, controlando os sintomas com medicamentos, ou cirúrgico, removendo as lesões profundas”, esclarece o médico Domingos Mantelli.

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Descalcificação dos ossos: osteoporose e osteopenia são mais frequentes em mulheres e deixam os ossos porosos e quebradiços, favorecendo fraturas especialmente nos quadris. A densitometria óssea é o exame mais eficiente para a análise do teor de cálcio e de outros minerais presentes nos ossos. É indicado, segundo a médica Karina tafner, entre as fases da pré-menopausa e pós-menopausa.

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Reposição hormonal: fazer ou não fazer? Está aí uma decisão que a paciente deve tomar em conjunto com seu ginecologista para ter uma melhor qualidade de vida na menopausa, fase em que surgem os incômodos das ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal, aumento de peso e até variações de humor. Esse quadro de sintomas, que varia de mulher para mulher, acontece por conta do declínio do hormônio estrogênio, que também favorece a osteoporose.

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Autocuidado: o médico ginecologista – além do cardiologista, que também deve ser consultado anualmente pela mulher – detém todo o conhecimento, mas cabe a você seguir todas as recomendações e fazer sua parte. A adoção de uma dieta equilibrada, acompanhada da prática regular de atividade física, é fundamental também na prevenção de doenças. Sem contar que cuidar da saúde mental é tão importante quanto.


SAÚDE

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Chega de TPM Há várias linhas de tratamento para combater essa síndrome, que compromete a qualidade de vida das mulheres.

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MARlI BARBOSA

tensão pré-menstrual apresenta sinais e sintomas diferentes em cada mulher. Umas têm mais manifestações físicas e outras, emocionais. A intensidade também varia, desde aquelas que choram rios porque o marido se esqueceu do beijo de bom-dia até as que se irritam com um chinelo fora do lugar. Não bastasse a instabilidade emocional, ainda surgem cólicas, dores de cabeça e lombares, inchaço, alterações intestinais e sensação de cansaço. Muitos homens, que jamais experimentarão tais sintomas, claro, costumam concordar com Rita lee, que diz que “mulher é um bicho esquisito”. Quem sabe conhecendo um pouco sobre o que ocorre com o organismo feminino, possam contribuir para que o período seja mais leve para suas companheiras – e para eles próprios. A ginecologista Mara Diegoli, do Centro de Saúde Escola da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), explica que os sintomas decorrem do aumento e queda dos hormônios femininos estrógeno e progesterona durante o ciclo. Dessa montanharussa já foram listados cerca de 150 sintomas físicos e psíquicos que perturbam a vida de pelo menos 75% das mulheres em idade fértil. Revista Coop | 72 | Março 2021

Essas oscilações ocorrem em especial na semana que precede a menstruação, quando, segundo a médica, a produção da serotonina secretada pelo cérebro diminui sensivelmente. “Como se trata de um neurotransmissor responsável pelo humor e sensação de bem-estar, as mulheres podem se tornar mais irritáveis, ansiosas e emotivas”, adianta. O transtorno disfórico pré-menstrual (tDPM), considerado a forma mais grave de tPM, atinge cerca de 8% delas com desconfortos tão intensos que acabam interferindo nas tarefas do dia a dia. Mas cada caso é um caso. Há mulheres que podem ter tPM apenas durante um período da vida, e outras, sortudas, que nunca sentem nada. ARMAS DE COMBATE Apesar de ser comum, ninguém precisa sofrer com tPM, afinal a mulher já superou tantos obstáculos que conseguirá vencer mais este. Segundo a médica, há medicamentos, como analgésicos e anti-inflamatórios, que podem ser usados para diminuir ou eliminar os sintomas. Em alguns casos, o uso de diuréticos é recomendado para combater a retenção de líquido. O uso de alguns tipos de anticoncepcionais também pode beneficiar algumas mulheres. Em alguns casos, porém, o problema pode ser resolvido Revista Coop | 73 | Março 2021


SAÚDE

CHÁ DE AGONIADA Quem nunca reclamou de cólica ou irritabilidade e foi aconselhada a tomar um chazinho de erva-doce ou camomila? Bastante lembrada quando se fala em TPM, a planta agoniada, cujas cascas são usadas em forma de chá, tem efeito relaxante e age contra cólicas e nervosismo. sem a necessidade do medicamento, apenas adotando hábitos mais saudáveis. Não há exames específicos para diagnosticar a tPM, mas, antes de iniciar o tratamento, pode ser necessário realizar alguns exames, já que vários sintomas são comuns a outras doenças, que precisam ser descartadas.

Consultoria: Isis Dulce Pezzuol: médica com especialização em Homeopatia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mara Diegoli: médica com especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e atende no Centro de Saúde Escola da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

DE MULHER PRA MULHER Já que a tPM varia em cada caso, a especialista esclarece que a abordagem dependerá do histórico de cada paciente, mas algumas recomendações são úteis para todas. A primeira é uma dieta balanceada, que inclua mais fibras, proteínas e muita água. “Substituir os carboidratos simples da farinha e do açúcar refinados pelos carboidratos complexos, contidos nos pães e massas integrais, ajuda a manter o nível de glicose no sangue, aumentando a energia e o bem-estar”, indica Mara, aconselhando também a trocar doces com muito açúcar e gordura por alimentos mais saudáveis, como frutas secas e barras de cereais. Se você não resistir ao chocolate, opte pelos mais amargos. A prática regular de exercícios físicos ajuda – e muito – a descarregar a ansiedade e me-

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lhorar o humor, pois, assim como o chocolate, produz substâncias ligadas ao relaxamento e bem-estar, com a vantagem de que, ao invés de engordar, auxilia a manter a forma e a autoestima. Enfim, há muitas maneiras de lidar com sintomas da tPM, e nem todos requerem prescrição médica. A drenagem linfática, por exemplo, pode, segundo a especialista, ser uma boa ferramenta para aquelas que sentem incômodo com o inchaço. RETORNO GARANTIDO A médica acrescenta que uma parcela expressiva de suas pacientes relata melhora significativa ou completa dos sintomas nos meses de férias, o que significa que o estresse pode desencadear ou piorar a síndrome. Portanto, uma boa dica é manter a agenda leve e praticar atividades de relaxamento no período conturbado do mês. A acupuntura, técnica baseada na busca pelo equilíbrio da energia vital do corpo, é outro recurso que tem eficácia comprovada para reduzir oscilações emocionais e dores de diversas origens, o que já justifica o uso para tratar os distúrbios da tPM. As mulheres podem lançar mão também da homeopatia. Segundo a médica homeopata Isis Dulce Pezzuol, ao contrário do que muita gente acredita, o tratamento homeopático não demora e geralmente já mostra um retorno positivo de um mês para o outro. Ela lembra que a especialidade médica, reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), permite tratar o paciente de forma integral e individualizada com medicamentos produzidos com substâncias provenientes dos reinos animal, vegetal e mineral.


COMPORTAMENTO

Violência velada

O flagrante não existe, nem marcas roxas, mas a agressão psicológica dói tanto quanto tapas e pontapés e pode ter efeito devastador na vida da vítima.

violência contra a mulher também está nas palavras e ações que visam desmerecê-la, nas críticas à aparência ou capacidade, no deboche e nas ofensas que a colocam numa condição inferior e, aos poucos, vai minando sua autoestima até que ela perca o equilíbrio para ter uma vida plena. Apesar de explícita na Lei Maria da Penha, a violência psicológica segue camuflada na realidade, arruinando a vida daquelas que, muitas vezes, não têm forças para quebrar o ciclo de abusos. A agressão pode ocorrer nas mais diversas esferas da vida. No trabalho, um chefe que menospreza a capacidade de uma funcionária, mesmo que ela seja qualificada, está cometendo abuso psicológico. Entretanto, é no ambiente doméstico e praticadas pelo companheiro que ocorre a grande maioria das violências, segundo constata o psiquiatra Luiz Cuschnir, coordenador do Grupo de Gêneros do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-FMUSP). “Apesar das conquistas femininas, infelizmente, o machismo estrutural continua presente na sociedade e ainda leva muitos homens a se considerarem como donos e com o direito de dirigir a vida de suas parceiras”,

analisa. Para o especialista, as consequências desse tipo de abuso podem ser tão ou até mais devastadoras que as agressões físicas. “Enquanto na violência física, muito mais óbvia, a vítima acaba tomando medidas para se proteger, o mesmo não ocorre quando o abuso é psicológico”, afirma. ESTATÍSTICA DA VIOLÊNCIA No ano passado, de janeiro a novembro, a central de atendimento à mulher (Ligue 180) registrou 63.244 casos de violência psicológica contra a mulher no Brasil. No ano anterior, 17 mil denúncias foram registradas, o que mostra que o aumento dos casos é mais um dos efeitos da pandemia da covid-19. O psiquiatra destaca que os dados são subestimados, já que a mulher que sofre violência doméstica costuma ter dificuldade de pedir ajuda, inclusive a familiares e amigos, seja por medo ou vergonha de expor a intimidade. “Os agressores por sua vez, não raro, constroem uma autoimagem de parceiros perfeitos e bons pais, dificultando a revelação da violência”, destaca. De acordo com o especialista, em geral as agressões começam de forma sutil, podendo ser mascaradas como ciúme e cuidado. É quando o homem diz, por exemplo, que pode ser perigoso para a mulher andar sozinha ou que determinados amigos não são conve-

Fotos: Shutterstock

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MARLI BARBOSA


COMPORTAMENTO

AO PÉ DA LEI Sancionada em abril, a Lei Federal nº 13.984/20 incluiu no texto da Lei Maria da Penha a previsão de encaminhar o agressor a centros de reeducação no rol das medidas protetivas. A alteração reforça decisões judiciais anteriores, que já faziam esse encaminhamento. Para Luiz Cuschnir, a medida é positiva, já que pode ajudar a prevenir reincidências dos abusos e também porque dificilmente o homem buscaria esse tipo de atendimento por conta própria. Vale lembrar que a Lei Maria da Penha também garante às vítimas assistência social, psicológica e jurídica nos centros de referência de atendimento à mulher, que existem em diversas cidades do país. É uma iniciativa importante para que a vítima possa se fortalecer e obter conhecimento para tomar a melhor decisão. Os endereços dos centros podem ser obtidos pelo Ligue 180, em que a vítima ou terceiros podem receber, de forma anônima, informações diversas e também registrar queixas que são encaminhadas aos órgãos competentes. O serviço funciona 24 horas todos os dias.

Consultoria: Luiz Cuschnir: psiquiatra, coordenador do Grupo de Gêneros do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-FMUSP).

nientes. Com o passar do tempo, surge o menosprezo pela opinião e conquistas da mulher, além de críticas constantes à aparência, modo de agir, capacidade intelectual ou ao jeito que ela cuida dos filhos. Há casos em que o agressor controla totalmente a vida da mulher, impedindo que ela trabalhe, estude e até faça contato com amigos e familiares. Segundo o psiquiatra, existem casos que evoluem para agressões físicas ou mesmo feminicídio. SEQUELAS DO ABUSO Luiz Cuschnir explica que essa forma de violência vai configurando mudanças de personalidade da vítima, que se torna insegura e chega a duvidar do próprio valor, tornando-se mais tolerante a ataques cada vez

Revista Coop | 78 | Março 2021

MEMÓRIA

mais agressivos. Com o tempo, a percepção da realidade é afetada e ela tende a minimizar a gravidade dos maus-tratos e aceitálos como normais. Também pode pensar que não está fazendo o suficiente pelo relacionamento. Em muitos casos, mesmo consciente do que ocorre com ela, se submete às regras do agressor, por medo de ser abandonada ou por preocupação com os filhos. “O estresse e a ansiedade que a vítima sente são tão fortes que a fazem viver num estado de alerta permanente, gerado pelo medo de contrariar ou decepcionar o abusador”, revela Luiz Cuschnir, acrescentando que, além da saúde mental, a física também sofre consequências. Para se livrar desse ciclo de abusos, o especialista comenta que é preciso ter a consciência do que está ocorrendo, mas nem todas conseguem isso sem ajuda. Dessa forma, outras pessoas (amigos, familiares e até mesmo vizinhos) podem auxiliar ao notar indícios de que algo está errado. Só que é preciso que a abordagem seja acolhedora, com tato para tocar no assunto e, principalmente, não julgar em hipótese alguma. “Pode ser que a pessoa queira fugir do assunto, mas não encerre a conversa sem deixar claro que está à disposição para ajudar”, aconselha. Segundo o psiquiatra, muitas vezes a mulher só consegue perceber a extensão do abuso que sofreu depois que a relação chega ao fim, quando as sequelas podem persistir dificultando novas relações, tanto afetivas como de amizade ou no trabalho. Ele ressalta que o caminho para o resgate da autoconfiança nem sempre é fácil e pode necessitar do apoio de amigos e familiares e acompanhamento profissional.

Ponte Rio-Niterói Um dos cartões-postais do Rio de Janeiro, a estrutura comemora 47 anos neste mês e continua com o título de maior do Brasil e do hemisfério sul.

Q

Foto: Shutterstock

IVANILDE SITTA

uem já passou por ela sabe a beleza que tem. Inaugurada em 4 de março de 1974, a ponte que liga as cidades de Niterói e Rio de Janeiro fez parte do chamado Brasil Grande, ciclo marcado por grandes obras na construção civil. Mais de 10 mil operários e cerca de 150 engenheiros trabalharam pesado durante cinco anos para dar vida à imponente obra de 13.290 metros de extensão, dos quais 8,83 quilômetros sobre a água e 72 metros de altura em seu ponto mais elevado. A ponte, que leva o nome oficial de Presidente Costa e Silva, tem o maior vão em linha reta do mundo. É considerada uma das maiores do mundo em extensão, mas engenheiros que participaram de sua construção garantem que nenhuma outra do planeta supera a Rio-Niterói em volume espacial, ou seja, em área construída. Isso por conta dos pilares gigantescos e das fundações profundas, com túbulos a até 60 metros abaixo da lâmina d’água cravados na rocha do fundo da baía.

DIA DE GLÓRIA Antiga aspiração dos habitantes da região e uma demanda do progresso do país, a decisão da construção foi tomada em 1966 e acelerada dois anos depois quando o governo inglês aprovou um financiamento para o projeto. Uma parceria que trouxe a rainha Elizabeth II ao Rio de Janeiro para a cerimônia do lançamento da pedra fundamental. Não só ela. Toda a estrutura utilizada na obra foi fabricada na Inglaterra em mó-

dulos que chegaram ao Brasil por transporte marítimo. A inauguração também foi marcada de pompa e circunstância com o presidente e general Emílio Garrastazu Médici, cruzando a ponte num Rolls-Royce acompanhado do ministro dos Transportes, Mário Andreazza, idealizador do projeto. O tráfego foi aberto no dia seguinte à inauguração, às 6h, quando duas filas de veículos, uma no Rio e outra em Niterói, já estavam formadas para experimentar o trajeto, que veio facilitar a vida de muita gente. Antes da obra, o acesso para Niterói e municípios vizinhos somente era possível via mar ou por meio de uma viagem terrestre de mais de 100 km, que passava pelo município de Magé. Linda e maravilhosa, a ponte apresentava oscilações quando o vento superava os 55 km/h. O balanço era proposital e evitava que a estrutura fosse danificada, mas assustava os motoristas e causava interdições. Em 2004, a adoção de um sistema de atenuantes diminuiu em 80% as oscilações.

ACONTECIA NA COOP Com 20 anos de operação e quase 16 mil cooperados, as quatro lojas vendiam de tudo. No setor de eletrodomésticos, a TV em cores puxava a lista dos mais vendidos. Revista Coop | 79 | Março 2021


SAÚDE

Menina-moça

A primeira menstruação tem ocorrido cada vez mais cedo. Atualmente, costuma surgir por volta dos 11,7 anos, contra os 13,2 anos na década de 1970.

C

NASCIMENTO JR.

onhecida como menarca, a primeira menstruação estabelece os limites entre a infância e a vida adulta e geralmente ocorre na adolescência. A partir daí, a menina inicia seu período fértil e, fisicamente, está apta a ter filhos, ainda que esteja psicologicamente imatura. Só que, cada vez mais, a menarca tem chegado mais cedo, um fenômeno global que a ciência tem observado nas últimas décadas. Estima-se que haja uma antecipação de 3 a 4 meses a cada década no surgimento dos primeiros sinais puberais. No ano de 1900, por exemplo, a primeira menstruação acontecia por volta dos 15 anos, cenário bem diferente dos dias de hoje. Publicado na revista científica Pediatrics, um estudo da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, constatou mudanças em um dos primeiros sinais da puberdade: o crescimento das mamas, que ocorre mais cedo em comparação com décadas passadas. A idade média do desenvolvimento baixou de 10,8 anos entre 1991 e 1993 para 9,8 anos entre 2006 e 2008. Na população brasileira, em 1971, a idade média da primeira menstruação era de 13,2 anos. Em 1999, caiu para 12,1 anos e, em 2015, passou para 11,7 anos. No caso do desenRevista Coop | 80 | Março 2021

volvimento das mamas, sabe-se que esse processo tem início cerca de 2 anos antes do primeiro fluxo de sangue – ou seja, também tem ocorrido de maneira cada vez mais antecipada. PESO DA GENÉTICA Esse fenômeno está relacionado a diversas causas. Cerca de 75% das variações nas idades de início do ciclo menstrual e dos marcos da puberdade são determinados por fatores genéticos. Além disso, o declínio substancial na idade entre o início do século XIX e meados do século XX também está associado à significativa melhoria nutricional e das condições de vida atingidas durante o processo de civilização moderna. Estudos recentes demonstram que as adolescentes que menstruam mais cedo apresentam Índice de Massa Corporal (IMC) mais alto do que aquelas com maior idade de menarca, existindo uma relação inversa entre o aumento do IMC e a idade da menarca. “Essa precocidade tem relação com a redução na atividade física, maior poluição química e ambiental e excesso alimentar, que leva ao sobrepeso e à obesidade”, comenta a psicóloga Maria Regina Domingues de Azevedo, também professora da Faculdade de Medicina do ABC.

Foto: Shutterstock

Alguns estudos, segundo ela, também indicam que o ganho de peso acentuado na infância está relacionado ao início mais precoce da puberdade. Entre as principais consequências da menarca precoce estão transtornos psicológicos e de comportamento, maior risco de abuso sexual e baixa estatura na idade adulta, além do maior risco para obesidade, hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e certos tipos de câncer – como o câncer de mama, em função da exposição precoce ao hormônio estrogênio.

MUITA ORIENTAÇÃO NESSA HORA “A menarca inaugura uma nova fase na vida das meninas e é importante que, antes da chegada desse momento, elas sejam orientadas para que saibam lidar com essa situação e com o novo corpo que se configura”, explica a psicóloga. O diálogo franco, aberto e desprovido de pré-conceitos desde os 2 anos de idade, quando a criança começa a falar e nomear tudo a sua volta, inclusive as partes do seu corpo, favorece o preparo para esse momento tão significativo da vida de toda mulher. A especialista observa ainda Revista Coop | 81 | Março 2021


SAÚDE

ATENÇÃO, PAIS!

Essa aceleração da menarca, um fenômeno mundial, não deve ser confundida com a puberdade precoce, que é uma doença, distinta pela ocorrência de caracteres sexuais secundários antes dos 7 ou 8 anos de idade. Quando a menina apresenta a primeira menstruação antes dos 8 anos de idade, o pediatra pode desconfiar de alguma alteração na saúde. Nesses casos, geralmente é feita uma avaliação corporal, observando o crescimento das mamas e de pelos nas axilas e na virilha. Além disso, o médico pode solicitar exames de dosagem hormonal, idade óssea, ultrassom pélvico e das glândulas suprarrenais. No caso de a primeira menstruação ocorrer antes dos 6 anos, pode-se ainda solicitar exames como ressonância magnética do sistema nervoso central, para verificar eventuais alterações mais graves que possam estar causando a menstruação tão cedo. A partir dos resultados e da avaliação médica, o uso de hormônios pode ser uma opção terapêutica, com o objetivo de retardar o processo.

Consultoria: Maria Regina Domingues de Azevedo: psicóloga, professora do Departamento de Pediatria e vice-coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC); Febrasgo - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

que as meninas estão amadurecendo cada vez mais rápido devido a diversos fatores, inclusive comportamentais. “A troca das bonecas por conversas via computador, assim como os passeios com as amiguinhas no shopping, desencadeiam processos que levam a uma enxurrada hormonal, capaz de disparar o desenvolvimento das características sexuais secundárias, que incluem o aparecimento dos pelos axilares e pubianos, o crescimento das mamas e a chegada da primeira menstruação”, justifica.

Revista Coop | 82 | Março 2021

SEM HORA PARA ACONTECER Como o primeiro ciclo é imprevisível, é essencial que os pais ou responsáveis conversem com as garotas e expliquem os cuidados necessários com a higiene nesse período e o uso dos absorventes, com ênfase no autocuidado, reforço à autoestima e estímulo ao diálogo. “Também é importante orientar sobre como essa mudança influenciará no corpo, no desenvolvimento e, em especial, no comportamento”, acrescenta. Afinal, o corpo já estará pronto para a reprodução, mas a estrutura psíquica ainda não está madura para assumir uma gestação. “A menina ainda está elaborando seu papel adolescente para depois lapidar sua identidade e conquistar seu papel adulto. Esse processo demanda tempo. Daí a importância da família na orientação e suporte dessa jovem”, alerta Maria Regina. PRIMEIROS CICLOS Não existe um consenso sobre o padrão normal do ciclo menstrual na adolescência, porém, os ciclos menstruais costumam ser irregulares no início, podendo apresentar intervalos menores do que um mês ou mesmo pular vários meses. O fluxo também pode ser abundante durante 3, 4 e até mesmo 7 dias, mas pode se apresentar escasso e por um curto período, como 1 ou 2 dias. “Éde suma importância que a adolescente faça um calendário menstrual para acompanhar o amadurecimento do seu corpo e pas-

sar a compreendê-lo cada vez melhor”, orienta. Ou seja, saber em qual dia surgiu o sangramento menstrual, quantos dias durou e a data do término é o mínimo que a jovem pode e deve fazer como parte do seu autocuidado”, recomenda a professora da FMABC.

Principais dúvidas sobre a vacinação contra a covid-19


Guia de saúde

Vacinar é preciso

tem taxa de eficácia global de 50,38%, com proteção de 78% em casos leves e 100% contra casos moderados e graves da covid-19.

No caso da vacina da AstraZeneca/Oxford,

resultados parciais divulgados na revista cien-

A

NASCIMENTO JR.

tão esperada vacina já é realidade. Muitos

brasileiros já receberam a primeira dose

da Coronavac ou da AstraZeneca/Oxford para

produzir anticorpos protetores contra a covid-

19. Ana Karolina Barreto Marinho, médica es-

pecialista em alergia e imunologia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), explica que a vacinação é a medida mais impor-

tífica The Lancet indicam eficácia de 70% em adultos com menos de 55 anos. Já o imunizan-

te russo Sputnik V declara eficácia de 91%. Mas

este último ainda não está sendo aplicado no

Brasil. Você tem mais alguma dúvida a respeito do assunto? Esclareça agora!

Preciso tomar as duas doses para

estar protegido? Os estudos com as duas vacinas que estão sendo

aplicadas hoje tiveram a proteção

tante para que possamos retomar minima-

conferida com as duas doses. “Uma porcenta-

lação não deve ter medo, pois tudo está sendo

protetores já na primeira dose, porém, os estu-

Ela acrescenta que há força-tarefa de pes-

anticorpos protetores e as células de memória

vacinar? Pode! Até o momento

dose”, diz Ana Karolina Barreto Marinho.

a vacinação de indivíduos com

mente a nossa rotina e a nossa vida. “A popufeito com bastante ética e cuidado”, garante.

quisadores, desenvolvedores de produtos e de tecnologia, órgãos regulatórios e de vigilância

para que as vacinas cheguem à população de

gem de vírus conseguirá produzir anticorpos

dos demonstraram que, para manter ativos os

contra o Sars-CoV-2, é preciso uma segunda

Quem já teve covid-19 pode se

não há evidências de riscos com

histórico de infecção ou com anticorpo detec-

uma maneira eficaz e com segurança. Mas, se

Posso misturar as doses das vaci-

tável para Sars-CoV-2. Além disso, como há

vacinar, esclareça aqui e não perca a chance de

de de vacinas não é recomendada

circulando, não é possível assegurar que aque-

você ainda tem dúvidas ou algum receio de se

nas? A chamada intercambialida-

ir ao posto de saúde para receber sua dose,

neste primeiro momento, pois os estudos de

Só para adiantar, as duas vacinas que estão

ricantes, cada um com suas próprias doses. En-

seguindo o calendário de imunização.

eficácia foram feitos individualmente pelos fab-

e as taxas de proteção seguirão monitoradas

com o passar dos meses e com o aumento do número de pessoas imunizadas.

casos de reinfecção e novas variantes do vírus

Quais os efeitos colaterais? Tanto nos testes

les que já tiveram a doença estão automatica-

não foram apresentadas ocorrências graves

mente imunizados.

clínicos, como entre os primeiros vacinados,

relacionadas à vacina.

Pessoas com imunodeficiências podem to-

sendo aplicadas no Brasil, aprovadas pela An-

tretanto, a médica aponta que há na literatura

Por quanto tempo estarei prote-

se mostraram seguras nos ensaios clínicos, sem

a necessidade do uso da de outro fabricante, e

maram que as pessoas imunizadas

da vacinação para pessoas com comprometi-

baixíssimo de casos de reações alérgicas gra-

“Mesmo assim, a prioridade é que consigamos

pos protetores por pelo menos 3 meses após a

A imunização é indicada com prioridade a pa-

dade seria uma exceção, que observaremos no

é um processo que ainda está em andamento

imunidade e pacientes oncológicos, por ex-

visa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária),

eventos adversos importantes e com número

ves. De acordo com o Governo do Estado de São Paulo e o Instituto Butantan, a Coronavac

Revista Coop | 84 | Março 2021

científica experiências da falta de uma vacina e isso se mostrou seguro em alguns casos.

garantir as doses adequadas. A intercambiali-

futuro se será necessária ou não”, avalia.

gido? Os estudos iniciais confir-

continuaram mantendo anticor-

aplicação da segunda dose. Obviamente, esse

mar? De maneira geral, não há contraindicação

mento do sistema imunológico. Pelo contrário!

cientes com imunodeficiências, alterações da

Revista Coop | 85 | Março 2021


Guia de saúde emplo, para evitar que desenvolvam as formas mais graves da covid-19.

E as crianças e as gestantes? É muito complexo realizar en-

saios clínicos em gestantes e

não há estudos ou dados de

peditivo, na verdade, é a condição do paciente

no momento da imunização. Pacientes com febre no dia ou nas últimas 24 horas antes da

imunização, por exemplo, terão que adiar,

assim como aqueles que já tomaram outra

segurança com essas mulheres. Por isso ainda

vacina contra a covid-19. No caso dos que

blico. As crianças também não participaram de

lhor esperar. De acordo com o Ministério da

não há indicação para a vacinação nesse pú-

estão com sintomas suspeitos, também é me-

pesquisas, pois não costumam desenvolver

Saúde, é improvável que a vacinação de indi-

ficou para um segundo momento e, por en-

ou mesmo dos assintomáticos tenha algum

dos 18 anos.

comenda-se o adiamento da vacinação nes-

quadros graves da doença. O público infantil

quanto, as vacinas são indicadas apenas a partir

Pacientes alérgicos podem se vacinar? Os es-

tudos no mundo indicaram casos raros e isola-

dos de anafilaxia, ou seja, de alergia grave. “É muito raro reação alérgica à vacina, especial-

mente reação grave. De modo geral, pacientes alérgicos podem ter rinite, dermatite de con-

tato alérgica e várias outras situações que não

víduos infectados em período de incubação efeito prejudicial sobre a doença. Porém, re-

sas pessoas, para evitar confusão com outros diagnósticos.

As medidas preventivas de-

vem continuar depois da vaci-

nação? Sem dúvida! Após

tomar as duas doses, ainda é necessário esperar pelo menos

são contraindicações e que não precisam de

15 dias para atingir a eficácia esperada. E, para

lina Barreto Marinho, que completa: “Quem

deve estar imunizada, algo que ainda deve de-

tórico de alergia grave, os anafiláticos, e as pes-

atingir a chamada "imunidade de rebanho". Se-

ou a alimento com gravidade, como edema de

acabará depois da vacinação em massa. Além

uma precaução adicional”, esclarece Ana Karo-

deve ficar atento são aquelas pessoas com his-

soas com histórico de alergia a medicamento

Consultoria: Ana Karolina Barreto Marinho: especialista em alergia e imunologia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI); Governo do Estado de São Paulo; Instituto Butantan; Governo do Estado do Paraná; ASBAI Podcast; e Ministério da Saúde.

receber as doses, com exceção de quem tem

alergia aos componentes. O que pode ser im-

glote, por exemplo. Esses indivíduos devem ser triados e avaliados. Se a alergia não tiver nenhu-

voltar à normalidade, boa parte da população morar algum tempo. Só então será possível gundo o Instituto Butantan, a pandemia só disso, com mais indivíduos vacinados, a popu-

lação que não pode tomar a vacina ainda –

ma relação com os componentes da vacina,

como gestantes, lactantes e menores de 18

gumas medidas de precaução”.

vírus diminui. Outro ponto importante é que a

eles poderão ser imunizados, sim, a partir de al-

Revista Coop | 86 | Março 2021

Existe alguma outra contrain-

dicação? Em princípio, nenhu-

ma doença impede a vacinação

contra a covid-19. Todos podem

anos – fica mais protegida, pois a circulação do

vacina protege contra a doença e não contra a

infecção. Ou seja, as medidas preventivas são importantes para reduzir a circulação do vírus e

para que as pessoas vacinadas não transmitam o vírus aos demais indivíduos.


SAÚDE

Cera na orelha

Foto: Shutterstock

Deixe lá. Não mexa e muito menos cutuque. O próprio organismo se encarrega de fazer a limpeza naturalmente.

O

IVANILDE SITTA

k. Não é fácil resistir à tentação de usar as hastes flexíveis ou, na pior das hipóteses, lançar mão de qualquer outro instrumento quando bate uma coceirinha no ouvido. Mas é preciso. “A cera é uma substância benéfica produzida pela pele do canal auditivo para a proteção do ouvido, tanto que contém propriedades antibacterianas”, detalha a otorrinolaringologista Marcéli Nicole Peixoto Paiva, do Hospital Paulista. O ideal – e o máximo que você pode fazer em termos de limpeza – é enxugar superficialmente a orelha com uma toalha após o banho. Só isso. O restante fica por conta do ouvido, que tem mecanismos próprios para a expulsão lenta e periódica do acúmulo de cera, ou, então, para quem entende do assunto. “Nos casos em que a cera esteja em excesso, prejudicando a audição e causando incômodo, o paciente deve procurar o otorrinolaringologista para que seja feita a remoção com os instrumentos e técnicas adequadas”, orienta. A médica acrescenta que algumas pessoas até podem ter uma produção maior de cerume, porém, certos hábitos favorecem o acúmulo e a compactação da substância no ouvido, como o uso de hastes flexíveis e ouRevista Coop | 88 | Março 2021

tros objetos para aliviar a coceira ou mesmo para limpar por conta própria. “Tais hábitos devem ser evitados a fim de prevenir não apenas o excesso de cera, mas para não correr o risco de lesões na pele do conduto e na membrana timpânica, e até mesmo perda auditiva”, justifica. DRIBLE OS OBSTÁCULOS Outro vilão nessa história é o uso de fones de ouvido do tipo intra-auricular, que podem empurrar a cera para o interior do canal auditivo. A solução é substituir esse tipo de fone por aqueles que se encaixam na cartilagem da concha, os que se apoiam atrás da orelha ou os que cobrem a orelha. Banhos de imersão em mar e piscina não afetam a produção do cerume, mas pode causar aquela sensação de ouvido tampado, desconforto que leva muita gente a buscar ajuda médica. Marcéli Paiva explica que a entrada de água pode deslocar a cera já existente no canal auditivo e ocasionar o bloqueio, da mesma forma que a simples presença da água é capaz de desencadear uma sensação transitória de entupimento do ouvido. “Isso costuma ser breve, melhorando após a evaporação ou escorrimento natural da água”, garante. Se isso acontecer com você, basta

virar a cabeça com a orelha afetada para baixo e puxá-la levemente para trás para ajudar no escoamento da água. Entretanto, a médica alerta que, caso a sensação de obstrução da audição permaneça mesmo após essa manobra e não melhore após algumas horas, deve-se suspeitar da presença de cera impactada e até mesmo de outras condições, como inflamações do canal auditivo, que vêm acompanhadas também de dor ou coceira. DESBLOQUEIO DO CANAL A remoção da cera de ouvido é um procedimento rápido, na maioria das vezes indolor, e gera um alívio imediato dos sinto-

mas. O médico irá detectar a causa das sensações relatadas pelo paciente e empregar as seguintes técnicas e instrumentos, dependendo de cada paciente: n Irrigação (lavagem) com água limpa na temperatura corporal (por meio do auxílio de seringas ou duchas automáticas). n Sucção da cera com uma sonda de aspiração fina. n Remoção mecânica da cera com uma cureta delicada. n Em alguns casos, quando a cera está muito petrificada ou impactada, o médico pode lançar mão da prescrição de gotas otológicas para o amolecimento da substância alguns dias antes do procedimento. Revista Coop | 89 | Março 2021


SAÚDE

Foto: Shutterstock

Escritório em casa O que era para ser uma rotina de trabalho provisória se estende por quase um ano e, em certos casos, o corpo já começa a sentir os efeitos.

A

IVANILDE SITTA

má postura e a falta de condições ergonômicas adequadas para o expediente em home office podem ser a causa da sua dor cabeça, torcicolo ou mesmo tendinite, bursite e outras ites enquadradas nas patologias da Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e nos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Ainda mais se você costuma improvisar a cama ou o sofá doméstico como estação de trabalho. De acordo com o ortopedista Leandro Gregorut, muitos dos funcionários deslocados pelas empresas para trabalhar em casa por conta da pandemia ainda não tiveram acesso aos equipamentos adequados, como mesa e cadeira. “Daí o aumento das doenças ocupacionais no período da quarentena”, justifica. Sentar no sofá com o computador no colo, por exemplo, pode gerar uma flexão excessiva do pescoço e até mesmo a redução da circulação do sangue nas pernas, alerta o ortopedista Carlos Eduardo Miers, explicando que tal improviso durante horas seguidas na mesma posição implica sobrecarga tanto na coluna quanto nos braços e pernas. “A repetição diária desse comportamento pode gerar problemas osteomusculares Revista Coop | 90 | Março 2021

mais importantes, como desvios de coluna, inflamações ou lesões articulares”, adianta. Para evitar complicações, o médico sugere sentar-se numa cadeira adequada com altura regulável de forma a permitir que os joelhos não fiquem dobrados acima de 90 graus, e os cotovelos permaneçam apoiados nos suportes laterais e nivelados com a mesa. “O apoio para as costas também é importante”, recomenda. SINTOMAS E TRATAMENTOS Os problemas causados pela LER, que incluem ainda quadros de epicondilite, tenossinovite, síndrome do túnel do carpo, entre outras doenças, atingem os músculos, nervos e tendões dos membros superiores, causando tensão no sistema musculoesquelético, segundo adianta o ortopedista Layron Alves. “Os sintomas geralmente são dor nos membros superiores e nos dedos, formigamento, dormência, fadiga muscular e dificuldade para movimentar a região”, exemplifica. Como o problema pode ter várias causas, o tratamento vai depender de um diagnóstico criterioso que, na maioria das vezes, é feito pelo médico ortopedista. Entretanto, dentre as terapêuticas usadas estão uso de talas ou órteses ergonômicas para imobilizar a reRevista Coop | 91 | Março 2021


SABIA DISSO?

SAÚDE

gião, emprego de medicamentos para aplacar a dor e o desconforto e exercícios de fisioterapia. Os quadros mais críticos, porém, podem requerer o afastamento temporário do funcionário. PREVENÇÃO É PRECISO n A falta de condições ergonômicas somada ao sedentarismo, já que muitos também deixaram de lado as atividades físicas por conta da pandemia, pode complicar ainda mais. Para tanto, profissionais dão dicas que como prevenir a ocorrência de doenças ocupacionais durante o expediente de home office. n Layron Alves sugere

que, a cada 25 minutos de esforço na região, digitando ou realizando outra função, seja feita uma pausa de cinco minutos com alongamentos para aliviar a tensão. n O ideal, para quem trabalha sentado, é ficar atento à postura, pois ela pode ser um desencadeador do problema. Portanto, mantenha ombros relaxados, pés no chão, pulsos retos e costas apoiadas. n Nada de realizar força nem pressões exageradas ou constantes em sua atividade. Em caso de dor constante, evite a automedicação e procure a opinião de um especialista. n O ortopedista Leandro Gregorut indica a realização de abdominais, o movimento de sentar e levantar da cadeira, flexões e até uma caminhada pela casa para as pessoas que trabalham muitas horas no computador. Revista Coop | 92 | Março 2021

SAÚDE DA COLUNA Dores na coluna, principalmente na cervical e na lombar, têm sido queixa recorrente no consultório da fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em pilates, RPG e fisioterapia neurológica. Casos de cervicalgia, segundo ela, geralmente são reflexo da postura inadequada no trabalho e também da posição do pescoço durante o uso do celular, aparelho que tem sido usado com mais frequência no home office. “Nossa tendência é abaixar o pescoço durante o uso, quando o correto seria levar o celular até uma altura que possa evitar o movimento”, explica. Segundo ela, quando a coluna vertebral está alinhada, a cabeça pesa cerca de 5 quilos, que triplicam quando esta é inclinada para baixo, ou seja, para ler uma mensagem no celular, a cervical precisa suportar 15 quilos. “Com o passar do tempo, podem ocorrer lesões articulares, protusão do disco, hérnia de disco, escorregamento da vértebra e outros problemas”, acrescenta. A cervicalgia se instala lentamente. À medida que a pessoa adota posturas inadequadas por períodos prolongados, os sintomas aparecem. Além da dor no pescoço, ocorrem dores de cabeça, tontura e espalhamento da dor para os ombros. A dor pode irradiar para os braços e mãos, dependendo da lesão, segundo a especialista. Mas é possível prevenir. “A fisioterapia pode ajudar a melhorar a dor, mas a reeducação postural é fundamental”, ressalta.

Ivanilde Sitta Fotos: Shutterstock

Driblando o coronavírus

Para conseguir se apresentar em meio à pandemia da covid-19, a banda de rock americana Flaming Lips colocou os músicos e o público dentro de bolhas infláveis para que pudessem manter o distanciamento social. Os dois shows do grupo promovidos em janeiro contaram com 100 balões, cada um com capacidade para até três pessoas. Ao longo da pandemia, a banda já tinha feito testes em apresentações dentro de bolhas em programas de televisão. Cada bolha foi equipada com um

alto-falante suplementar de alta frequência, para evitar distorção do som, além de uma garrafa d'água, toalhas e ventilador movido a pilha.

CEP bizarro

O fato de o Brasil ser um país imenso, com 26 estados que somam mais de 5,5 mil cidades, divididas em bairros, ruas e povoados, talvez explique a criatividade (ou falta dela) na origem dos nomes de certos municípios. Se a cidade de Entrepelado fica no Rio Grande Sul, a Varre-Sai está localizada no Rio de Janeiro, enquanto Pau de Estopa e Afoga Bode dão nomes a dois povoados no Maranhão. Se quem nasce em Anta Gorda (RS) é anta-gordense, imagine o cidadão natural de Pintópolis (MG). É pintopolitano, mas pode chamar de pintopolense que também está correto. Tristeza é um bairro nobre de Porto Alegre, mas o poeta Mario Quintana nasceu em Alegrete (RS), bem distante de Nova Iorque (MA). Pra terminar, a Lagoa da Confusão fica no Tocantins.

Nem tão deserto assim

Novo estudo mostra que o Saara esconde centenas de milhões de árvores. Com o uso de imagens de satélite e inteligência artificial, um grupo internacional de pesquisadores descobriu que no oeste do Saara e na savana do Sahel, norte da África, há cerca de 1,8 bilhão delas, número bem maior do que o imaginado. O autor do estudo, Martin Brandt, da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, disse que, embora a maioria esteja no Sahel, existem centenas de milhões no próprio Saara. Ele esclareceu que a área pesquisada representa apenas 20% do Saara e do Sahel. “Então, a contagem total é muito maior", conclui. O grupo de cientistas, que incluiu especialistas da Nasa (agência espacial americana), usou mais de 11 mil imagens da região para a execução do trabalho. Revista Coop | 93 | Março 2021


SAÚDE

Dengue & Cia. Não dá para negligenciar a prevenção do novo coronavírus, certo? Nem os cuidados contra outro vilão: o Aedes aegypti.

A

IVANILDE SITTA

inda mais na temporada de chuvas, quando esse mosquito costuma mostrar sua força. O médico Lucas Macedo, professor da Universidade de Franca, explica que o verão favorece uma maior proliferação de pernilongos, em especial o Aedes aegypti. “O acúmulo de água parada em ambientes potencializa a reprodução desse mosquito, responsável pela transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya”, destaca. Além de serem transmitidas pelo mesmo vetor, as três doenças também apresentam sintomas parecidos: indisposição, dor pelo corpo e nas articulações, febre, dor atrás dos olhos, cefaleia e até manchas no corpo. “A evolução do quadro apresenta particularidades de sintomas e é fundamental fazer o acompanhamento médico e exames laboratoriais pertinentes, capazes de diagnosticar a doença, e iniciar o tratamento adequado para cada caso”, alerta o professor. O médico adianta que as manifestações clínicas podem ser muito semelhantes às da covid-19; porém, nenhuma das três viroses transmitidas pelo mosquito costuma apresentar tosse, coriza, obstrução nasal ou dor de garganta. A melhor forma de prevenção é evitar a proliferação do mosquito. Revista Coop | 94 | Março 2021

Foto: Shutterstock

n Elimine água armazenada em locais que

podem se tornar possíveis criadouros, como em vasos de plantas, pneus, garrafas plásticas e até mesmo em recipientes pequenos, como tampas de garrafa. n Use roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia – quando os mosquitos são mais ativos – como forma de proteção às picadas, principalmente durante surtos. n Instale telas nas janelas para impedir a entrada do inseto no domicílio ou ambiente de trabalho. n Repelentes e inseticidas podem ser usados, seguindo as instruções do rótulo. Mosquiteiros proporcionam boa proteção para aqueles que dormem durante o dia, como bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos.


NOSSA GENTE

Foto: Guilherme Balconi

Como seus pais eram alagoanos, Eliana ficou bem atenta ao programa rural da TV dando conta de que Alagoas era o maior produtor de citros da região Nordeste do Brasil, cultivando especificamente laranjalima. Ela ficou encantada quando soube que o município de Santana do Mundaú era responsável por cerca de 90% da produção estadual, o que lhe conferia o título de “Terra da laranja-lima”. Ora, Santana do Mundaú era onde moravam seus avós e onde nasceram seus pais, o Sr. Sebastião e a D. Luzinete. Eliana visitou os avós paternos quando tinha 7 anos, mas não se lembra se eles tinham pés dessa fruta nas brenhas onde moravam, dedicados à agricultura familiar. Recorda-se, apenas, de que seu pai sempre manteve a tradição de pequenos plantios, no seu terreno do Jardim Guarará, em Santo André. Ali cultivou hortaliças e viu crescer a família: primeiro a Elisabete, depois a Vanilda, ela, Eliana, e por fim o Calib (leia Cálib), o caçula, que deveria receber o nome bíblico de Caleb e que, por força do registro, se transformou em Calib.

Revista Coop | 96 | Março 2021

Edmilson Sena da Silva - edmilson.silva@coopsp.coop.br

Eliana brincava com os irmãos, correndo na chuva, escorregando em pranchas na lama, subindo no abacateiro do quintal ou fazendo artes. Como no dia em que resolveram assar batata-doce e puseram fogo numa bananeira seca: o fogo se alastrou e foi aquela correria, que só terminou com a intervenção de D. Luzinete. Coisas de infância! Ainda menina, Eliana ajudava o pai em sua pequena plantação caseira quando ele saía para algum serviço de pedreiro ou de soldador, remendando portas de aço, inclusive as da Cooperativa. Ela sempre admirou a versatilidade do pai! Com 13 anos, ela entregava folhetos de propaganda de veículos ou santinhos nas eleições, seu primeiro emprego. Foi depois passadeira de roupas na casa de uma vizinha; auxiliar em um escritório de representações comerciais; balconista e garçonete em uma padaria-restaurante e, por fim, conquistou o emprego na Cooperativa. O Sr. Sebastião, que consertava nossas portas, achou ser um lugar seguro para a filha trabalhar e sugeriu uma visita para testes. Aprovada, Eliana foi contratada como empacotadora para a loja da Joana Angélica em 12 de agosto de 1996. Um verdadeiro presente, como ela diz, pois no dia seguinte ela faria aniversário. Ela auxiliava os cooperados a embalar suas compras na bateria de caixas e mantinha um estreito relacionamento com as operadoras, aprendendo sobre as operações ali desenvolvidas. Assim, logo que alcançou a maioridade, foi promovida a operadora de caixa e, logo depois, deslocada para o crediário, cuidando também da emissão de notas fiscais. No início de 2006, foi convidada para o posto de atendente, cuidando da interação entre o cooperado e a cooperativa. Eliana permaneceu em São Caetano por 18 anos. Ali conheceu o Marivaldo, nosso ex-colega – craque do futebol de salão –, com quem se casou e divide os cuidados com a Emily, hoje com 13 anos. De São Caetano ela seguiu para a loja Perimetral e, já com 24 anos de serviço, vamos encontrá-la na Industrial, sempre dedicada ao atendimento de cooperados e clientes, função que adora e onde imita o pai, segundo ela diz. – Ele era plantador, pedreiro e soldador, e é o que procuro fazer no meu dia a dia: planto a ideia da Cooperativa em todos que me procuram, tento construir um alicerce sólido explicando como ela funciona e soldo as ações entre o cooperado e a cooperativa, procurando promover o seu entrelaçamento e a sua união. Pois é, sempre com a doçura da laranja-lima lá do Vale do Mundaú, terra dos seus avós.

CRÔNICA

Edmilson Sena da Silva

Meus olhos castanhos Depois de várias broncas de minha mulher, concordei em retornar a um oftalmologista. Ela sempre entendeu que não ficava correto eu aumentar vários pontos no tamanho da letra ou enfiar a cara no notebook para ler o que havia escrito, apesar de já usar óculos. Simples, assim: só eu, cabeça-dura, é que não entendia. Enfim, lá estava eu, na antessala do consultório, vendo quadros de globos oculares, armações de óculos e letras com tamanhos decrescentes, enquanto aguardava minha vez. Perdido em pensamentos, lembrei-me do “Assum Preto”, de nossa música popular, que tarvez por ignorança, ou mardade das pió, teve os olhos furados pra ele assim, ai, cantá mió; cego dos olhos, ficou impossibilitado de ver que tudo em volta era só beleza, com o céu de abril e a mata em flor. – Uau, falei comigo mesmo! Parece que, por uma outra forma, eu estava querendo me tornar um assum preto. E comecei a pensar em outros olhos que eu conhecia, da música ou da poesia. Como Aquellos ojos verdes, do bolero que, nos anos 1950, con su mirada serena, dejaron en mi alma eterna fe de amar, nos velhos bailes do Moinho São Jorge, em Santo André. Como meus olhos são castanhos, logo fui transportado para uma canção do Francisco José: Teus olhos castanhos De encantos tamanhos São pecados meus O cantor qualificava, um pouco mais adiante, que:

Olhos azuis são ciúme E nada valem pra mim Olhos negros são queixume D'uma tristeza sem fim Olhos verdes são traição São cruéis como punhais Olhos bons com coração Os teus Castanhos leais Concordei com o cantor quanto aos olhos negros, de uma tristeza sem fim. Basta ouvir a sentimental canção russa “Olhos Negros” – Ochi chornye. É uma das mais tradicionais canções da Rússia e se tornou mundialmente famosa a partir da década de 1930, conforme registros, sendo traduzida para muitas línguas e gravada por muitos cantores e cantoras russos, além do Coral do Exército Vermelho e da orquestra do André Rieu. Minha chamada para a consulta estava demorando, e resolvi deixar a música de lado, buscando alguns olhos na poesia, como os “Olhos Verdes”, de Gonçalves Dias, poeta que conhecemos bastante pelo Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, sem alusão nenhuma ao meu time, campeão da Copa Libertadores da América 2020. Eis um fragmento do poema: São uns olhos verdes, verdes, Uns olhos de verde-mar, Quando o tempo vai bonança; Uns olhos cor de esperança, Uns olhos por que morri; Que ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi!

São uns olhos verdes, verdes, Que podem também brilhar; Não são de um verde embaçado, Mas verdes da cor do prado, Mas verdes da cor do mar. Mas ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! Além desses olhos verdes, encontrei outros, pretos, em uma quadrinha popular: Menina dos olhos pretos Iguais às jabuticabas No dia em que não te vejo Meu mundo quase se acaba Pois meu mundo também quase se acabou quando, finalmente chamado, sentei-me na frente do oftalmologista, que me encarou e parecia estar interpretando o Chico Buarque: – Olhos nos olhos, quero ver o que você faz... Contei que fazia de tudo um pouco: trabalhava, lia, via televisão e, sempre que possível, viajava bastante. Foi quando ele me perguntou se havia viajado a Foz do Iguaçu e, neste caso, se havia gostado das quedas d’água. Diante do meu sorriso e do aceno afirmativo com a cabeça, ele foi enfático: – Pois é, o senhor trouxe um bom tanto das cataratas nos olhos. Teremos de operar. – Operar a vista, doutor? – Pode ser à vista ou a prazo – respondeu brincando. – O senhor é quem decide.


PASSATEMPO

Solução

Revista Coop | 98 | Março 2021


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