Skip to main content

Catálogo da Exposição "Da sustentável leveza do ser"

Page 1

CA LO

TÁ GO

EXPOSIÇÃO DE PINTURA DA SUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

HELENA PEDRO NUNES 27 ABR - 27 MAIO 2022

CONSULTE ESTA E OUTRAS ­INICIATIVAS NA AGENDA CULTURAL DO POLITÉCNICO DE LISBOA AGENDACULTURAL.IPL.PT

ESTRADA DE BENFICA, 529 1549-020 LISBOA


(Página deixada propositadamente em branco)


DA SUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER Pelo fato da vida ser, relativamente, tão curta e não comportar “reprises”, para emendarmos nossos erros, somos forçados a agir, na maior parte das vezes, por impulsos, em especial nos atos que tendem a determinar nosso futuro. Somos como atores convocados a representar uma tragédia (ou comédia), sem ter feito um único ensaio, apenas com uma ligeira e apressada leitura do script. Nunca saberemos, de fato, se a intuição que nos determinou seguir certo sentimento foi correta ou não. Não há tempo para essa verificação. Por isso, precisamos cuidar das nossas emoções com carinho muito especial. Milan Kundera - A Insustentável Leveza do Ser

Presenças e ausências, solidões, corpos nus ou vestidos, seres solitários ou relacionando-se, corpos que se enrolam, naturezas mortas, vidros, panejamentos, entre o cinzento e o fulgor da cor. Independentemente do tema, há objetivamente na obra de Helena Pedro Nunes uma leveza absoluta de alguém que vê a vida, que passa por ela, com uma leveza absoluta, mas de forma sustentada, ao contrário do que advogava esse literato natural de Brnö. Efetivamente não obstante a temática, há uma transcrição da vida tal como ela é, não só como a artista a vê, mas tal, também, como nós também a poderemos observar. Num dos momentos fulcrais da história do Cinema, no filme Beleza Americana, penso aliás que já o escrevi algures, mas que importa sempre relembrar, há um mero saco de plástico de supermercado que evolui ao sabor do vento, com uma elegância total, criando em quem o vê um sentimento de plenitude. Quem contempla as obras de Helena Pedro Nunes pode passar por um sentimento muito semelhante, já que estas evocam e de forma primorosa o que nos rodeia, a vida que vivemos, mas que tantas vezes não damos por ela, como o puxador da porta de nossa casa, com que contactamos todos os dias, mas que seremos incapaz de reproduzir em desenho, porque na realidade nunca olhámos para ele, ou melhor, porque na realidade nunca o vimos. É disso que trata a pintura que agora apreciamos: da nossa vida, que raramente vimos e que é tão bela. Mas não se pense, até por tudo o que foi dito anteriormente, que se está na presença de uma obra simplista, porque tal não é verdade. Chama-se particular atenção para as obras que representam panejamentos, que na sua simplicidade remetem não apenas para a demais obra da pintora, muito menos para a sua vida, mas antes para tudo o que eles podem evocar, e é aqui que


as nossas memórias são chamadas a participar na leitura da obra, já que nos pode ser recordado tudo quanto vivemos e que, num momento de introspeção, motivado pelas pinturas, agora somos forçados a relembrar, sendo depois os sentimentos daí derivados bem díspares. Disse um dia o homem do largo de São Carlos, pela voz do seu interior de Tavira, que o binómio de Newton era tão belo como a Vénus de Milo, o que havia era pouca gente para dar por isso. Cumpre-nos dar por isso e divulgá-lo, cumpre-nos recuperar a beleza onde quer que ela se encontre. «óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó (O vento lá fora).»

Paulo Morais-Alexandre Académico correspondente da Academia Nacional de Belas-Artes; Professor Coordenador da Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa; Pró-presidente para as Artes do Instituto Politécnico de Lisboa; Comendador da Ordem do Ouissam Alaouite (Reino de Marrocos). Afiliação institucional: Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Teatro e Cinema, Avenida Marquês de Pombal, 22 B, 2700-571 Amadora, Portugal; Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes (CIEBA), Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal. E-mail: pmorais@estc.ipl.pt.


DA SUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER


POLITÉCNICO DE LISBOA HELENA PEDRO NUNES - DA SUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER EXPOSIÇÃO DE PINTURA 27 de abril a 27 de maio de 2022 Curadoria e Texto: Paulo Morais-Alexandre Fotografia/créditos: Paulo Andrade, Laboratório de Fotografia da Escola Superior de Educação de Lisboa Coordenação do Espaço Artes Politécnico de Lisboa: Paulo Morais-Alexandre Edição: Politécnico de Lisboa Conceção Gráfica e Paginação: Raquel Português, DesignLab4u Impressão: Gráfica 99 Montagem da Exposição: Ângelo Ramiro, Miguel Serra, Vítor Faria Horário de abertura ao público 2.ª a 6.ª feira das 10h00m às 12h00m e das 14h00m às 19h00m Copyright © Politécnico de Lisboa / Helena Pedro Nunes - 2022 - Todos os direitos reservados. Proibido reproduzir e copiar


(Página deixada propositadamente em branco)


CA LO

TÁ GO

EXPOSIÇÃO DE PINTURA DA SUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

HELENA PEDRO NUNES 27 ABR - 27 MAIO 2022

CONSULTE ESTA E OUTRAS ­INICIATIVAS NA AGENDA CULTURAL DO POLITÉCNICO DE LISBOA AGENDACULTURAL.IPL.PT

ESTRADA DE BENFICA, 529 1549-020 LISBOA


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Catálogo da Exposição "Da sustentável leveza do ser" by Politécnico de Lisboa - Issuu