QUE O CERRADO SEJA PARA SEMPRE EMMANUEL PINHEIRO/EM/D. APRESS
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omeçamos esta viagem dando um grito de alerta, depois de percorrer o cerrado mineiro, apreciando o que ainda sobrevive das paisagens imortalizadas na literatura de Guimarães Rosa e que estão seriamente ameaçadas pela ação do homem. Jurubeba, guariroba, baru, catulé, buriti, seriguela, jenipapo, pequi, pitanga, pinha, araçá, ipês de todas as cores e tantos outros mais, ícones deste bioma infinito do cerrado, que alimentam nosso corpo e alma, estão ameaçados de virar apenas boas lembranças. Viajamos pelas cidades de Unaí, Arinos, Buritis e entorno, onde predominam as lavouras de grãos como soja, milho e feijão, e onde a cultura do povo é temperada pela presença de muitos estrangeiros que vieram buscar a sorte nesta rica região. Na disputa entre o desenvolvimento e a preservação, constatamos que os buritizeiros em Buritis em pouco tempo sobreviverão somente no nome da cidade. E que o desaparecimento de espécies poderá comprometer a sobrevivência de muitas famílias que usam esta e outras plantas nativas para garantir o sustento. Mas é nas adversidades que percebemos a força das pessoas, que lutam por meio do respeito e da integração com a natureza para manter seu ofício, repassado há gerações, preservando a cultura e a culinária da região. A cidade de Arinos, por exemplo, desenvolve belo trabalho com os cocos buritis, baru e catulé e seus subprodutos, que chamam a atenção de comunidades internacionais, entre elas a dos japoneses, que já “descobriram” um dia e quiseram “adotar” o açaí da Amazônia. O exotismo do cerrado se une às tradições da região que já foi rota de tropeiros. As deliciosas paçocas de pilão podem ser apreciadas acompanhadas de surpreendentes doces e farinhas de baru, buritis, biscoitos e quitandas, galinhadas com guariroba e muito mais. Tudo isso muito bem harmonizado com a gentileza e a hospitalidade das pessoas e com as belas paisagens da região. Preparem as malas e venham apreciar as deliciosas sensações em mais uma de nossas instigantes aventuras pelos Sabores de Minas. Boa viagem! Eduardo Avelar Chefe de cozinha
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SABOR CASEIRO DO NOROESTE Na brasa Já no fim de tarde começa a disputa na calçada do Churrasquinho do Nívio, em Unaí. A popularidade do bar é explicada pelos saborosos espetinhos, acompanhados de suculentos pedaços de mandioca cozida. Medalha de ouro para o de costela de boi, um dos mais concorridos, e o de frango com queijo. Contato: (38) 9924-4486.
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Maria da Conceição garante qualidade à quitanda
rvores de galhos retorcidos e ipês amarelos e roxos compõem a paisagem desta viagem do Sabores de Minas. Uma terra em que o Sol escaldante espalha calor, mas também cria um espetáculo ímpar ao nascer e ao se pôr. O destino é o Noroeste mineiro, para desvendarmos a rica cozinha do povo do cerrado. Começamos em Unaí, a 580 quilômetros de Belo Horizonte, com uma receita que é a pura expressão das cozinhas do estado. O biscoito de coco é uma daquelas quitandas que nos enchem e trazem à lembrança o aroma de um cafezinho, um sabor da casa da gente. Receita antiga, adaptada por Maria da Conceição Moura para a fábrica de biscoitos caseiros Ki-Delícia, da qual é sócia com o filho, Luciano. Experiente quitandeira, Maria resgatou diversas receitas típicas da região e dá um toque pessoal a cada uma. Não deu outra. Por dia, ela comercializa 25 quilos só do biscoito de coco. A fábrica, que começou há 15 anos bem pequena, hoje emprega 20 funcionários. Além do biscoitinho apresentado por Maria, há outras 19 variedades. Em comum entre elas está o gostinho caseiro que, segundo a quitandeira, é o segredo de todo o sucesso. Nada melhor para começar bem mais esta saborosa jornada.
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Biscoito de coco
INGREDIENTES Para a massa 1 kg de farinha de trigo ● 40 g de fermento em pó ● 200 g de manteiga ● 8 ovos ● 500 g de queijo-de-minas meia cura, ralado
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Margarina ou óleo para untar
Para finalizar 1 kg de coco ralado 1 kg e meio de açúcar ● 800 ml de água ● ●
COMO FAZER Para a massa, misturar todos os ingredientes e amassar bem, até dar ponto de enrolar, quando a massa começar a se soltar das mãos. Fazer cordões de aproximadamente 2 cm de espessura. Cortar em pedaços de 2 cm, pôr em uma assadeira untada e levar ao forno alto, até os biscoitos crescerem. Levar ao fogo o açúcar e a água e retirar quando formar uma calda grossa em ponto de fio (obtido quando a calda forma um fio ao escorrer da colher). Mergulhar os biscoitos na calda, retirar e passar no coco ralado. Receita fornecida por Maria da Conceição dos Santos, de Unaí: (38) 3676-3944
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DO PILÃO PARA AS LATAS Do leite Há 45 anos, a Cooperativa Agropecuária Unaí Ltda., formada por mais de 4 mil associados, produz os laticínios Capul. Sinônimo de qualidade e sabor, são 12 variedades, entre elas manteiga, muçarela e requeijão em barra. Contato: (38) 2102-5158.
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Receita cultivada por Crescêncio é herança das tropas
onrados ficariam os antigos tropeiros se, por acaso, pudessem ver como elementos de seu cotidiano ainda são cultuados. Nas cozinhas, principalmente, há quem eleja pratos típicos daqueles tempos como os preferidos. Há quem até dispense as facilidades da vida moderna para encarar, sem cerimônias, um pesado pilão de madeira e nele preparar uma dessas iguarias que davam energia às antigas tropas. É o caso do unaiense Crescêncio Martins de Souza, que não abre mão de fazer a boa e velha paçoca de carne seca. O prato é preparado sempre que o mineiro sai para pescar, só que, ao contrário dos tropeiros que levavam o alimento em suas bruacas, espécie de bolsas de couro, Crescêncio enche latas e mais latas, que são distribuídas a amigos e fãs da iguaria. “Aprendi a receita com meu pai, mas não faço para vender, apenas de cortesia.” Os primeiros a receber um pouco dessa gentileza são os vizinhos. Isso porque são, também, os primeiros a saber que a paçoca está sendo preparada. “O barulho do pilão acorda a vizinhança”, conta. Na hora de comer, o mineiro dá a dica da melhor maneira de se apreciar a iguaria. “Aqui, a gente come com arroz e banana-maçã.” Realmente, a combinação é perfeita. Para tropeiro nenhum botar defeito.
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Paçoca de bruaca
INGREDIENTES 3 kg de carne seca 300 g de bacon picado e frito ● 300 g de torresmo ● 1 kg de farinha de mandioca torrada ● Pimenta-de-bode e tempero a gosto ● 1 litro e meio de óleo (para fritar) ● ●
Material ●
1 pilão de tamanho médio
COMO FAZER Picar a carne em cubos e fritar em óleo quente, por cerca de uma hora. Fritar o bacon. Escorrer a carne e o bacon e pôr no pilão com os demais ingredientes. Socar bem, até que forme uma espécie de farofa, com todos os ingredientes bem amassados. Receita fornecida por Crescêncio Martins de Souza: (38) 9951-7195
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RIOS DE DELÍCIAS Artesanato Na loja da Associação dos Artesãos de Unaí, perto da prefeitura, o visitante encontra grande variedade de trabalhos feitos pelos 32 artistas associados. Panos de prato bordados, vidros decorados e até churrasqueiras. Confira: (38) 3676-9363.
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Com seus pratos, Nilza colecionou uma legião de fãs
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Rio Preto e o Urucuia banham Unaí e região com a beleza de suas águas, das quais pescadores tiram o ingrediente para receitas tradicionais, como boas peixadas de surubim. O prato é feito com maestria na cozinha do Hotel Regente, que já se tornou endereço certo para satisfazer o paladar na cidade. Inaugurado em 1975, o hotel alcançou bom nome não apenas no quesito hospedagem, mas também na arte culinária. O segredo para a boa fama é explicado pela cozinheira mais antiga do restaurante, que está lá há 18 anos. “Fazemos questão de manter o modo de preparo dos pratos e, por isso, o sabor é o mesmo”, conta Nilza Lúcia, que coleciona uma legião de fãs pelos quatro cantos do Brasil, pois a cidade recebe muita gente de outros estados. A cozinheira conta que os peixes são selecionados e comprados sempre no mesmo lugar, o que garante a qualidade do prato. Além da iguaria, outras delícias compõem o cardápio do restaurante do Regente. “O dono do hotel viaja muito e sempre traz novas ideias. A gente testa e faz adaptações. Na maioria das vezes dá certo”, diz. Para acompanhar a peixada, nada melhor que um arroz branco e pirão. Quando o trio chega à mesa, dá água na boca. Imaginem, experimentado-o.
Peixada regente
INGREDIENTES
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Para a peixada 400 g de surubim em postas 2 tomates maduros picados ● 1 cebola picada ● 1 colher (sopa) de azeite ● 1 colher e meia (sopa) de colorau ● 1 pitada de pimenta-do-reino ● Tempero caseiro a gosto ● 1 colher (sopa) de amido de milho dissolvido em meio copo (americano) de água ● 1 colher (sopa) de vinho branco ● 1 colher (sopa) de suco de limão ● Cheiro-verde a gosto ● ●
Para o pirão ●
2 colheres (sopa, cheias) do caldo da peixada
1 copo (americano) de água 1 copo (americano) de farinha de mandioca torrada
COMO FAZER Temperar as postas de peixe com o limão, o vinho e o tempero. Em uma panela, de preferência de barro, refogar, no azeite, o tomate, a cebola, a pimenta-do-reino e o colorau. Pôr as postas de peixe, cobrir com água e deixar cozinhar por cerca de 15 minutos. Passados os primeiros 10 minutos, despejar o amido de milho dissolvido e misturar com cuidado para não desmanchar as postas. Acertar o tempero e salpicar cheiro-verde. Para o pirão, levar os ingredientes ao fogo, sendo que a farinha deve ser colocada aos poucos, mexendo bem, até engrossar.
Receita fornecida por Nilza Lúcia, de Unaí: (38) 3676-5961
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APETITOSA BOEMIA Surpresa Em breve, uma saborosa novidade estará espalhada pelas ruas de Unaí. O pão de queijo no palito é uma invenção de Saul Santana, que passou quatro meses testando o produto. Feito em uma máquina de crepe, a iguaria tem massa com receita especial, guardada a sete chaves pelo mineiro. Aguardem! Contato: (38) 8822-1020.
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Toninho virou especialista na típica cozinha de boteco
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o caminhar pelas ruas de Unaí, chega-se facilmente a uma constatação: o pessoal gosta mesmo de um bom papo em mesas de boteco. Seja no Centro ou pelos bairros afora, sempre há um boteco aberto para agradar a boemia da cidade. Um desses recantos da combinação boa prosa e cerveja gelada é o bar do Toninho do Abaeté, onde a regra é se sentir bem. Para tal, o dono da casa, Antônio Eustáquio, não mede esforços. A começar pelo atendimento, sempre bem-humorado, capaz de encantar a legião de fãs. Prova disso é a sua coleção de chaveiros, exibida com orgulho em uma das paredes do bar. “Tenho 1,5 mil chaveiros. Todos presentes de amigos.” Como não poderia deixar de ser, outro chamativo para a casa são os tira-gostos, preparados por Toninho e sua mulher, ali mesmo, por detrás do balcão. A cozinha aberta oferece aos fregueses um espetáculo de fazer salivar. Entre os sucessos culinários, não faltam torresmos suculentos, daqueles que ficam expostos na vitrine como um convite à perdição. Outra delícia é a pelota de lata, feita com carnes bovina e suína e conservada na própria gordura. O resultado dessa receita é um petisco daqueles que, assim como as mesas de boteco, fazem a gente sempre querer ficar um pouco mais.
Pelota de lata
INGREDIENTES 3 kg de carne bovina (músculo), 1 kg de carne suína (pernil) e 500 g de toucinho moídos duas vezes, juntos ● 200 g de farinha de pão ● 2 ovos ● 2 cebolas picadas ● Tempero a gosto ● 2 litros de gordura de porco ●
COMO FAZER Misturar os ingredientes, exceto a gordura de porco, e amassar com as mãos até obter massa homogênea, com consistência para enrolar. Fazer bolas com cerca de cinco centímetros de diâmetro. Levar a gordura ao fogo e pôr as pelotas com ela ainda fria. Deixar fritar por uma hora, com a panela tapada. As pelotas que não forem consumidas podem ser conservadas cobertas pela própria gordura e esquentadas para o consumo. Receita fornecida por Antônio Eustáquio, de Unaí: (38) 3676-1052
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AMARGUINHO BOM Jiló Há quem torça o nariz para o sabor, mas logo acaba se rendendo ao doce de jiló produzido pelo grupo Guerreiras da Terra, de Arinos. Além da especialidade, as mulheres integrantes do projeto também preparam doces com outros vegetais cultivados por elas em uma horta comunitária. Contato: (38) 9916-4744.
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Tempero especial de Flor tem o legítimo sabor de casa
ara uns, uma aliada da saúde. Para muitos, ingrediente que faz diferença quando misturado a bebidas. Já para outros, o melhor é passar longe. Agora, para quem é fã, uma porção de jurubeba é o suficiente para fazer de pratos corriqueiros, como o arroz, uma iguaria para se esbaldar. Uma dessas fãs das bolinhas amargas é Floripes Darci da Silva, ou apenas Flor, como é carinhosamente chamada pelos fregueses de seu restaurante. Montado no fundo da casa, o lugar é ponto dos mais recomendados para quem quer se fartar com uma boa comida caseira. A simplicidade e informalidade do espaço são seus grandes atrativos, pois fazem com que os fregueses se sintam em suas próprias casas. Elogios também para o tempero e a boa comida, que são sempre feitos no dia. Nada de sobras ou produtos industrializados. Bom preço e a simpatia da dona completam o sucesso do restaurante, que chega a entregar, por dia, mais de 200 refeições. “Todos os dias levanto às 4h e começo a mexer com comida”, conta Flor, que, mesmo com a rotina pesada, é apaixonada pelo trabalho. Nem sempre encontrada nas cozinhas, a paixão dá sabor especial ao prato com jurubeba. Mesmo com todo o amargo, enche o paladar de doçura.
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Galinhada com jurubeba
INGREDIENTES Meio frango em pedaços 1 kg de arroz lavado e escorrido ● 1 xícara (chá) de óleo ● 1 colher (sopa) de açafrão ● 2 cebolas picadas ● 2 tabletes de caldo de galinha ● Sal a gosto ● 100 g de jurubeba ● Cheiro-verde a gosto ● 6 dentes de alho picados ● 1 litro de água quente ● ●
COMO FAZER Aquecer o óleo e refogar o alho e, quando ele dourar, pôr o caldo de galinha, a cebola, o sal e o açafrão. Pôr o frango e deixar dourar bem. Pôr o arroz, misturar e deixar refogar mais um pouco. Pôr a água, tapar a panela e deixar cozinhar por 30 minutos, ou até que a água seque. Depois dos primeiros 15 minutos, pôr a jurubeba e misturar. Salpicar cheiro-verde. Receita fornecida por Floripes Darci da Silva, de Unaí: (38) 3676-6671
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TERRA DE RIQUEZAS Diversidade Toda a riqueza do Noroeste mineiro, desde a arte até a culinária, poderá ser apreciada, anualmente, na Feira Regional de Economia Solidária, em Arinos, que este ano teve sua primeira edição. O evento é uma boa oportunidade de estar em contato com a rica cultura do cerrado.
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Jucélia Alves revela mais uma joia natural do cerrado
m dos ecossistemas de rica biodiversidade, o cerrado é também fonte de saborosas e surpreendentes descobertas culinárias. Alguns nomes já se tornaram populares, enquanto outros soam estranho aos ouvidos. O certo é que a riqueza do bioma impressiona, principalmente quando se experimenta seus mais saborosos frutos. Alguém aí já ouviu falar de baru? Se a pergunta ecoa sem resposta, não tem problema. Jucélia Alves, diretora de uma escola da cidade de Arinos, a 650 quilômetros de BH, explica que, mesmo na região, onde os pés de baru são encontrados em abundância, seu consumo ainda não é muito difundido. Por esse motivo, iniciou um projeto de popularização do fruto, cuja castanha e a polpa podem ser usadas nas mais apetitosas receitas. “Nosso objetivo foi apresentar aos alunos e aos pais uma fonte alternativa de renda”, conta. A valorização dos produtos da terra também é outra meta do trabalho, pois o baru, assim como outros frutos do cerrado, sofre ameaças constantes com o avanço do desmatamento. A educadora explica, que além do sabor – marcante e inigualável – a castanha de baru tem alto potencial nutritivo e traz benefícios à saúde. Depois de tanta propaganda, a dica é conhecer logo esta joia do cerrado.
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Paçoca de baru
INGREDIENTES 4 xícaras (chá) de castanha de baru, torrada e sem pele (fica dentro do fruto, típico do cerrado, que pode ser encontrado no Mercado Central de BH ou em lojas que comercializem produtos do cerrado) ● 3 xícaras (chá) de farinha de mandioca ● 2 xícaras (chá) de açúcar cristal ou rapadura ●
Material ●
1 pilão
COMO FAZER Pôr os ingredientes no pilão e socar até que a castanha fique bem moída. Receita fornecida por Jucélia Alves, de Arinos: (38) 9936-1805
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PALMEIRA DAS MIL E UMA UTILIDADES Bordados O ponto-cruz e o crochê são especialidades das 25 integrantes de um grupo de Arinos ligado ao Centro Público de Promoção do Trabalho. As peças (caprichosas toalhas de mesa entre os destaques) são expostas em feiras da cidade. Contato: (38) 3635-1924.
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Maria de Siqueira ensina a extrair as riquezas da terra
ma das maiores expressões da paisagem do cerrado, o buritizeiro é a alma do povo do sertão. Da planta, tudo se aproveita e, além do mais, onde há um pé de buriti há água limpa, pois se trata de uma palmeira aquática. Das folhas, são feitas cobertura de telhados. Das fibras, os mais belos artesanatos. Dos frutos, tiram-se óleos terapêuticos e substâncias aromáticas, além de serem ingredientes para saborosas criações culinárias. Uma delas é o doce de buriti, uma das fontes de renda de cozinheiras da região, que aproveitam com maestria os frutos que a terra dá. Difundir esse conhecimento é a meta do trabalho feito por Maria de Siqueira, diretora de uma escola do distrito de Sagarana, em Arinos. Além do buriti, outros frutos do cerrado, como o catulé e o baru, vêm sendo apresentados nas aulas. “Queremos que os alunos tenham a capacidade de desenvolver sua renda a partir de produtos abundantes da região. É um projeto de empreendedorismo”, conta. O trabalho parece estar dando certo. Há na cidade uma boa diversidade de artigos feitos a partir do buriti, como sorvetes, caixinhas, além do inigualável doce. Uma maravilha que, com certeza, vale a pena ser testada.
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Doce de buriti
INGREDIENTES 2 kg de coco de buriti ou 1 kg da polpa do buriti 1 litro de água ● 1 kg de açúcar cristal ● Açúcar refinado para finalizar ● ●
COMO FAZER Caso seja usado o coco do buriti, deixá-lo em um saco plástico fechado, por três dias, para amolecer. Retirar a casca e separar a polpa. Passá-la em uma peneira e levar ao fogo com os demais ingredientes, mexendo. Quando começar a desgrudar da panela, desligar o fogo e despejar em um tabuleiro salpicado com uma camada de açúcar refinado. Deixar esfriar e cortar em pedaços do tamanho desejado. Receita fornecida por Maria Terezinha de Siqueira, de Arinos: (38) 3635-4126
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ALIADO DO CORPO Tentação Para quem gosta de chocolate, os bombons Gosto de Minas são uma verdadeira perdição. Feitos de forma artesanal na cidade de Arinos, as guloseimas chamam a atenção pelo recheio que contempla frutos como cupuaçu, açaí e maracujá, além de outras 12 opções. Contato: (38) 9946-2838.
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Waldirene aprendeu a dar mais sabor às sementinhas
s descobertas das paisagens que inspiraram o grande escritor Guimarães Rosa não param de nos surpreender nesta caminhada. Algumas encantam pelos nomes desconhecidos por muitos. Outras surpreendem, justamente pelo contrário. A denominação pode até ser familiar, mas os usos vão muito além dos que estamos habituados. É o caso do gergelim, tão popular por estas bandas do sertão. A planta é encontrada em boa quantidade na região por causa de sua fácil adaptação às condições do cerrado. E respeitando a lei de que na natureza nada se perde, a sabedoria popular tratou de testar as propriedades desse alimento. E descobriu que o gergelim é um aliado da saúde e do sabor. Que o diga a experiente cozinheira Waldirene Valéria de Souza, moradora do distrito de Sagarana. “A gente costuma misturar no leite, porque tem muita proteína e vitamina.” Ter o gergelim em casa é simples. Basta Waldirene cruzar a porta da cozinha e chegar ao quintal. Lá está a árvore, com outras tantas que faz questão de cultivar. Há 10 anos trabalhando com culinária, ela teve como professora a mãe, que lhe ensinou a saborosa paçocada de gergelim. O doce é servido com gentileza pela mineira: uma porção nas mãos dos viajantes. Agradecidos, seguimos para mais um belo ensinamento.
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Paçocada de gergelim
INGREDIENTES 1 kg de gergelim 500 g de açúcar cristal ● 250 g de farinha de mandioca fina ● ●
Material ●
1 pilão ou liquidificador
COMO FAZER Levar o gergelim ao fogo para torrar, por 10 minutos. Socar as sementes em um pilão ou bater no liquidificador, até obter uma pasta. Despejar em uma vasilha e misturar o açúcar e a farinha de mandioca. Mexer bem. Receita fornecida por Waldirene Valéria de Souza, de Arinos: (38) 9928-3972
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PARA MANTER O PIQUE Gelado Para enfrentar as altas temperaturas do Noroeste, nada melhor que um delicioso sorvete caseiro, feito a partir dos mais deliciosos frutos do cerrado. É o que o visitante encontra na Sorveteria Bicota e na Apae da cidade de Arinos. Entre os sabores, mangaba, baru e cajamanga ficam no topo da lista. ● Bicota: (38) 9938-7085 ● Apae: (38) 3635-1563
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Gilvanete tempera prato popular com muita simpatia
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ertão ainda reserva muitos aromas e sabores. Depois de se encantar com os nomes e usos dos frutos da terra, os viajantes se deixam levar pelo chamado do estômago e pelo sol escaldante que não deixa dúvida: é meio-dia, hora do almoço. As promessas de um arroz de carreteiro já enchem a boca de água. O prato é daqueles, por tradição, digno de paneladas, com fartura de carne e de temperos. Servido em uma mesa com muitas cadeiras e com improvisos para acomodar quem chega guiado pelo cheiro. Não pode faltar também bom papo, afinal é ele que realça o que a comida tem de melhor. Gilvanete Lopes Gomes, de Arinos, se encarrega de fazer as honras da casa e apresentar a receita, popular em todo o país, mas preparada de um jeito especial por cada cozinheiro. Durante o amistoso almoço, Gilvanete conta um pouco de sua labuta diária e exibe pique invejável para lidar com muitas atividades. “Trabalho na prefeitura pela manhã, à tarde sou cabeleireira e à noite faço faculdade.” E ainda cuida dos dois filhos e faz quitandas para vender. Para dar conta de tudo e ainda estampar um sorriso nos lábios, o segredo é gosta do que faz. A prova desse amor está na ponta do garfo.
Arroz de carreteiro
INGREDIENTES 1 kg de arroz, lavado e escorrido 500 g de bacon picado ● 1 kg de carne seca, cortada em cubos ● 500 g de linguiça defumada, picada ● 500 g de linguiça mista (carne bovina e suína) picada ● 3 cebolas picadas ● 1 cabeça de alho picadinho ● Sal a gosto ● 2 colheres (sopa, cheias) de óleo ● Água quente ● ●
COMO FAZER Ferventar a carne seca duas vezes, trocando a água assim que levantar fervura. Em uma panela, aquecer o óleo e fritar as linguiças e o bacon separadamente. Retirar e reservar. Na mesma panela, refogar o alho, o sal e a cebola até dourar. Pôr a carne seca e, quando começar a dourar, acrescentar a linguiça e o bacon. Pôr o arroz, misturar e deixar torrar. Cobrir com água quente e tapar a panela. Quando secar, pôr mais água, desta vez até a metade. Tapar a panela novamente e desligar o fogo quando a água secar. Receita fornecida por Gilvanete Lopes Gomes, de Arinos: (38) 3635-2482
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POLÊMICA, MAS APETITOSA Mel Entre os vários projetos da cooperativa Coopabase (de agricultura familiar), de Arinos, está a produção de mel, que merece destaque pela qualidade e cuidado no preparo. Ao todo, 52 apicultores fazem a extração do produto, em mais de 1 mil colmeias. Contato: (38) 9945-2801 (Dionete Figueiredo).
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Vânia conhece a arte de servir verdadeiros banquetes
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e fôssemos fazer uma lista das comidas mais polêmicas cozinhas afora, seria a dobradinha uma forte concorrente ao ranking das primeiras. Ame-a ou odeie-a. Este parece ser o lema aplicado ao bucho de boi. Uns implicam com o cheiro, outros com a textura, mas, para quem gosta, tudo isso é deixado em segundo plano e o que conta mesmo é o prazer que proporciona do paladar. Em Arinos, muitos dizem que não há quem não goste da dobradinha, ainda mais se for feita com seu par mais tradicional, o feijão branco. Para deixar ainda mais apetitosa, aguçando a curiosidade até mesmo de quem costuma torcer o nariz só de ouvir o nome, acrescente linguiça, bacon e um molhinho de tomate e cebola. Outros toques ficam por conta de Vânia Gomes Lacerda, uma cozinheira daquelas chegadas às panelas grandes. Sempre na lida com o fogão, a mineira é uma das mais requisitadas para trabalhar em festas da cidade, como feiras e eventos religiosos. Para ela não há problema em lidar com quilos e mais quilos de arroz, carne e legumes. Apesar da satisfação com o serviço, ela não esconde um sonho: “Quero estudar gastronomia e abrir um restaurante”. Fiéis fregueses não vão faltar à casa.
Dobradinha com feijão branco
INGREDIENTES 1 kg de dobradinha 500 g de feijão branco ● 250 g de bacon picado e frito ● 250 g de linguiça calabresa picada e frita ● 2 tomates picados ● Meio pimentão grande picado ● Meia cabeça de alho amassada ● Colorau a gosto ● Pimenta-calabresa e sal a gosto ● 2 colheres (sopa) de óleo ● 2 cebolas picadas ● ●
Para limpar a dobradinha Meio copo de vinagre Suco de 1 limão ● Água ● ●
COMO FAZER Picar a dobradinha em quadrados de cerca de 6 cm por 4 cm e deixar de molho por 30 minutos, na água
com limão e vinagre. Escorrer e levar ao fogo na panela de pressão, com água suficiente para cobrir, por 15 minutos depois que der pressão. Trocar a água, deixar ferver por mais 15 minutos, depois que a panela der pressão. Repetir o processo mais uma vez. Em uma panela comum, cobrir o feijão com água e deixar ferver. Escorrer a água e cozinhá-lo, na panela de pressão, coberto com água, por 30 minutos depois que der pressão. Após esse tempo, abrir a panela e verificar se está cozido. Caso não esteja, pôr mais água e deixar por mais 20 minutos. Em outra panela (comum), refogar, no óleo, o alho, o sal, a cebola, o pimentão, o tomate, o colorau e a pimenta. Quando o molho estiver encorpado, pôr a dobradinha escorrida, o bacon e a linguiça e mexer. Despejar o feijão com metade da água do cozimento, tapar a panela e deixar cozinhar até o caldo engrossar.
Receita fornecida por Vânia Gomes Lacerda, de Arinos: (38) 3635-1889
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NOME QUE AGUÇA O PALADAR Gamelas Qualquer cozinha ficará mais charmosa com as peças em imburana feitas na cidade de Buritis pelo popular Mundinho. Gamelas, tábuas e outros artigos, que combinam beleza e qualidade, são produzidos pelo artista sob encomenda. Contato: (38) 3662-1634.
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Quitanda de Marilda é motivo de festa para a família
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e Arinos, os viajantes seguem para Buritis, a 722 quilômetros de BH, para experimentar as iguarias da cidade que homenageia no nome um dos frutos abençoados do cerrado. O horário da chegada, já no fim da tarde, desperta no corpo aquela vontade de tomar um cafezinho passado na hora, com uma boa quitanda. A oferta vem melhor do que a encomenda. Na mesa, além da esperada bebida, uma iguaria que atravessa gerações e cultiva nome curioso que dá margem a especulações: é o biscoito de vidro, assim chamado não pela fragilidade, e muito menos pelos ingredientes, mas por sua cobertura brilhante e com aspecto de algo estilhaçado. O biscoito sempre foi a alegria dos sete filhos de Marilda Ferreira Prado e, por isso, quando ela resolve prepará-lo, ele chega à boca com sabor de saudade. Perguntada sobre a origem da receita, Marilda titubeia: “Não sei de onde veio. Mas desde que me entendo por gente conheço esse biscoito”. À mesa, o prato é disputado também pelos 11 netos, que são fãs das criações da vovó coruja. A proximidade das casas dos familiares faz com que esses momentos sejam comuns, o que enche a vó Marilda de satisfação e inspiração para fazer suas especialidades.
Biscoito de vidro
INGREDIENTES 1 kg de polvilho doce 250 g de açúcar cristal ● 3 ovos ● 1 copo (americano) de óleo ● 1 pitada de sal ● Cravo da índia a gosto (opcional) ● Água para cozinhar ● Margarina para untar ● ●
COMO FAZER Misturar os ingredientes, exceto a água e a margarina, e amassar bem, até começar a se soltar das mãos e dar ponto de enrolar. Fazer bolinhas de aproximadamente 4 cm de diâmetro. Encher uma panela grande com água e levar ao fogo. Quando começar a ferver, pôr as bolinhas de massa, aos poucos, conforme couber na panela. Retirar à medida que as bolinhas forem subindo e pôr em um pano úmido para escorrer. Levar para assar por cerca de 30 minutos em forno médio, em tabuleiro untado. Receita fornecida por Marilda Ferreira Prado, de Buritis: (38) 3662-1217
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LAR DE FARTURAS Mudas No viveiro do Instituto Estadual de Florestas em Buritis são cultivadas mudas das mais variadas. Como não poderia deixar de ser, entre elas estão saborosos frutos do cerrado como baru, cagaita e mangaba. O viveiro fica no Bairro Israel Pinheiro. Contato: (38) 3662-1112.
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Hospitalidade é ingrediente que jamais falta a Maria
uritis é daquelas cidades em que todos se conhecem. Conversando com um e outro descobre-se figuras como Maria de Lourdes Fonseca, uma cozinheira de mão cheia, que passa horas do dia testando combinações no fogão. Sua casa mais parece um restaurante. Basta tomar como exemplo o número de cozinhas: três ao todo. Entres elas, 11 freezers e geladeiras em funcionamento e abarrotados de comidas. Quem chega até pensa que, na imensa casa, há muitos moradores, mas ali vive apenas Lourdes. Para que tudo isso? “Adoro cozinhar para os outros, receber amigos. Poderia ganhar dinheiro com isso, mas faço tudo de graça, eu gosto é de servir”, conta. E a qualquer momento Lourdes está preparada para receber bem uma visita. Coleciona vidros e mais vidros de conservas, defumados dos mais variados, peixes prontos para ir ao forno, pamonhas, doces, vinhos e outras iguarias de fazer inveja à despensa de qualquer restaurante. Além do prazer em satisfazer os convidados, a cozinheira não esconde a alegria em passar seu conhecimento na arte culinária. Por isso, fez questão de explicar direitinho o modo de preparo de sua elogiada pasta de cenoura e o atrativo doce de maçã. Com a palavra, nossa professora!
B
Pasta de cenoura INGREDIENTES
Material ●
2 cebolas picadas ● 3 tomates picados ● 600 g de cenoura picada em rodelas ● 1 pimentão picado ● 1 copo (americano) de azeite ● 1 colher (sopa) de caldo de galinha em pó ● Tempero a gosto ● 1 copo (americano) de catchup ● 1 copo (americano) de açúcar refinado ● 1 copo (americano) de vinagre ● 4 colheres (sopa) de tomate seco picado ●
Panela para cozimento a vapor
COMO FAZER Cozinhar a cenoura, de preferência no vapor. Em uma panela no fogo, pôr o azeite, o tempero, a cebola, o caldo de galinha e o pimentão. Quando a cebola murchar, pôr o tomate, o catchup, o açúcar, o vinagre, a cenoura e o tomate seco. Deixar cozinhar ate encorpar bem, mas de modo que a cenoura continue inteira. Servir frio com torradas.
Doce de maçã INGREDIENTES 2 kg de maçã fuji 800 g de açúcar refinado ● 2 pacotinhos de gelatina em pó sabor morango ● 2 copos (americano) de água ● Cravo a gosto ● Suco de 2 limões ● ●
COMO FAZER Descascar as maçãs, parti-las ao
meio, retirar as sementes e ir colocando os pedaços em uma vasilha com água e limão, para não escurecerem. Escorrer, lavar e pôr em uma panela de pressão com água suficiente para cobrir. Juntar os demais ingredientes. Tapar a panela e deixar descansar de um dia para o outro. Cozinhar por 10 minutos após dar a pressão e somente abrir a panela depois de esfriar.
Receitas fornecidas por Maria de Lourdes Fonseca, de Buritis: (38) 3662-1236
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CORAÇÃO DE COZINHEIRA Restaurantes UNAÍ ●
Pizzaria Leta Bela (38) 3676-6262 ●
Sabor Mineiro (38) 3676-1694
●
Tonel Mineiro (foto) (38) 3676-4347
● Vila Verde (38) 3676-6666 ● Espeto (38) 3676-1555 ● Oásis (38) 3676-7111
BURITIS ●
Brotinhos (38) 3662-1204
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Antônia sabe conquistar pelo paladar e pela simpatia
P
ara quem está sempre aberto a receber sabedoria, a vida é um aprendizado sem fim. Isso se aplica muito bem à cozinha. Que o diga Antônia Aparecida Costa, moradora de Buritis. Apaixonada desde nova por panelas e fogões, a mineira carrega grande bagagem de conhecimento do assunto, acumulada graças ao convívio com pessoas experientes. O trabalho em casas de famílias foi o que mais lhe proporcionou a troca de conhecimentos e de receitas. Foi na casa de dona Maria de Lourdes, a personagem da receita anterior, que ela aprendeu duas iguarias com os frutos da terra: gergelim e jenipapo. O primeiro é ingrediente de uma salada de sabor sofisticado, mas de preparo bem simples. A outra é uma sobremesa que é uma senhora tentação. Daquelas que dá vontade de beliscar a todo momento, dado o misto de azedinho e doce. Antônia está na casa de Lourdes há seis anos, onde se sente como se estivesse em sua própria residência. E como faria em seu lar, a cozinheira recebe os viajantes da maneira com que os mineiros parecem carregar no sangue. Com a cozinha aberta e muitos agrados a oferecer ao pé do fogão.
Doce de jenipapo INGREDIENTES 1 kg de açúcar cristal, mais o suficiente para finalizar o doce ● 2 kg de jenipapo ●
COMO FAZER Descascar os jenipapos e retirar
as sementes; lavar e cortar a polpa em tiras. Levar ao fogo alto com o açúcar. As tiras irão soltar água e, depois de 10 minutos, ou quando o líquido secar, como se o doce estivesse fritando na panela, retirar do fogo. Pôr as tiras em uma vasilha e, quando esfriar, passá-las no açúcar refinado
Salada de repolho com gergelim INGREDIENTES
● ●
1 repolho roxo grande, cortado bem fino ● 100 g de gergelim ● Cheiro-verde a gosto ● 1 colher (sopa) de tempero ● Meia xícara (chá) de vinagre de arroz ● Meia xícara (chá) de açúcar cristal
Meia xícara (chá) de azeite 1 colher (sopa) de margarina
●
COMO FAZER Torrar o gergelim na margarina. Em uma vasilha, fazer um molho com o açúcar, o vinagre, o azeite, o tempero e o cheiro-verde. Pôr o repolho em um recipiente, misturar o molho e o gergelim torrado.
Receita fornecida por Antônia Aparecida Costa: (38) 9929-2731
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COMBINAÇÃO REGIONAL
ONDE FICAR UNAÍ ● Halley Hotel (38) 3676-3232 ● Hotel HV (38) 3676-4345 ● Hotel Unaí (38) 3676-2691
Mesa farta e saborosa é a especialidade de Creonice
●
viagem por esta terra de surpresas está chegando ao fim. Antes de pôr o pé na estrada, os viajantes retornam a Unaí para conferir uma receita que irá fechar a jornada. O destino é a casa de Creonice Pereira Leitão, que nos recebe com a mesa repleta de iguarias mineiras. O almoço típico da roça não poderia ser despedida melhor. Como prato principal, o muito bem recomendado frango caipira com guariroba, uma iguaria popular na região e no estado de Goiás. Creonice explica que os dois devem ser cozidos separadamente, caso contrário a guariroba deixa a carne amarga, pois essa é a sua principal característica. “Muita gente não gosta. Então, o melhor é misturar no próprio prato”, explica. Em sua casa mesmo, a guariroba não é unanimidade. Já o frango, é outra história. “Não pode faltar. Todo almoço de domingo tem que ter frango.” A ave é trazida da fazenda da família. Enquanto serve os convidados, Creonice explica a cor amarelada do caldo do frango. Segundo ela, na região o colorau não é tão popular. Dá lugar ao açafrão, usado em quase tudo na culinária. Os costumes de cada cozinha acabam tornando o almoço mais longo, mas, infelizmente, é hora de partir. Até a próxima!
Regente Hotel (38) 3676-1472
● Hotel Vip (38) 3676-6792
BURITIS ●
Rainha do Vale (38) 3662-1195 ARINOS
● Big Hotel (38) 3635-2807
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A
Frango com guariroba
INGREDIENTES 9 colheres (sopa) de óleo 6 dentes de alho amassados ● 2 cebolas picadas ● 1 frango caipira em pedaços ● 1 colher (sopa) de açafrão ● 1 colher (chá) de pimenta-do-reino ● Tempero e sal a gosto ● Cebolinha e coentro (ou salsa) a gosto ● 400 g de guariroba, in natura ou em conserva ● ●
COMO FAZER Refogar o alho, a cebola e o açafrão em oito colheres de óleo. Após dourar, pôr os pedaços de frango, o sal, a pimenta e misturar. Após 30 minutos, ou até que o frango fique dourado, cobrir com água. Tapar a panela e deixar cozinhar. Salpicar a cebolinha e o coentro ou a salsa. Caso a guariroba seja em conserva, escorrer, refogar as rodelas em uma colher de óleo e tempero. Cobrir com água e deixar cozinhar por 30 minutos. Se for in natura, descascar, cortar as rodelas, lavar e fazer o mesmo processo, aumentando o tempo de cozimento até que os pedaços fiquem macios. Servir com o frango. Receita fornecida por Creonice Pereira Leitão, de Unaí: (38) 3676-4467
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Roteiro do guia
ESTADO DE MINAS Diretor de Redação Josemar Gimenez Editor Arnaldo Viana Editor de Artes Gráficas Álvaro Duarte Consultor técnico Eduardo Avelar
Textos Bárbara Fonseca
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