#COLUNASPLANT 76
AGRICULTURA REGENERATIVA: O FUTURO SUSTENTÁVEL DO AGRO POR MARCO RIPOLI*
A agricultura regenerativa é o tema em alta na agricultura mundial em 2025, impulsionada pela necessidade de alimentar uma população crescente, projetada para atingir 9,8 bilhões até 2050, segundo estimativas da ONU, em um cenário de mudanças climáticas. Diferente dos métodos tradicionais, que dependem de lavouras intensivas, uso excessivo de químicos e monoculturas, essa abordagem restaura a saúde do solo, aumenta a biodiversidade e captura carbono. A adoção de práticas agrícolas regenerativas vem ganhando força. Nos Estados Unidos, um estudo da Universidade Cornell aponta que a implementação de coberturas vegetais em 85% das terras agrícolas poderia sequestrar até 100 milhões de toneladas de CO₂ por ano, o que representaria uma redução de 18% nas emissões do setor. Na Europa, cerca de 30% dos produtores já experimentam o plantio direto, técnica capaz de aumentar a matéria orgânica do solo em até 0,5 tonelada por hectare anualmente. Já na Índia, o governo pretende converter 25 milhões de hectares para métodos sustentáveis até 2030, segundo o Ministério da Agricultura local. A tecnologia está impulsionando essa mudança. Análises de solo baseadas em inteligência artificial melhoraram os rendimentos em 15% nas regiões de teste, e o uso de drones para o plantio de coberturas vegetais aumentou 40% desde 2022, de acordo com a Organização das Nações Unidas
para Alimentação e Agricultura (FAO). A urgência é evidente – a agricultura representa 24% das emissões globais de gases de efeito estufa, conforme o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Com eventos climáticos extremos atingindo 80% das áreas agrícolas no ano passado, a resiliência tornou-se inegociável. A boa notícia é que os governos estão reagindo. O Acordo Verde da União Europeia tem como meta 25% da agricultura orgânica até 2030, e os Estados Unidos oferecem US$ 20 bilhões em subsídios para práticas regenerativas até 2026. Os consumidores também impulsionam essa demanda: 62% dos compradores globais agora preferem alimentos produzidos de forma sustentável, segundo pesquisa da Nielsen. Isso não é apenas uma tendência, mas uma estratégia de sobrevivência para a segurança alimentar e um planeta habitável. No mundo, a agricultura regenerativa está se consolidando como resposta à degradação ambiental. Um relatório da McKinsey estima que, globalmente, a adoção dessas práticas em 20% das terras agrícolas poderia zerar as emissões líquidas de carbono do setor até 2050, capturando até 3 gigatoneladas de CO₂ por ano. Nos Estados Unidos, a General Mills comprometeu-se a converter 1 milhão de acres (cerca de 405 mil hectares) para a agricultura regenerativa até 2030, enquanto a PepsiCo planeja atingir 2,83 milhões de hectares no mesmo período.
*Marco Ripoli é diretor da PH Advisory Group e Bioenergy Consultoria