“O Balido” Vol. 23, edição única – 2019 Realização e Distribuição: PET Zootecnia (FZEA/USP)
Editores: Henrique Cancian; Sophia Silva Carrijo Projeto Gráfico: Henrique Cancian Diagramação: Sophia Silva Carrijo Tutor: Marcelo Machado De Luca de Oliveira Ribeiro
Redatores: Aline Alves Amorim; Beatriz Gonçalves Menaldo Pedro; Beatriz Lódola Moraes Gallego; Felipe David Alves Barbosa; Guilherme Augusto Ferigato; Henrique Cancian; Henrique Hespanhol Castellar; Larissa Pereira de Oliveira; Maria Fernanda Garcia Baveloni; Natalia Marques da silva; Régner Ítalo Gonçalves de Oliveira; Sophia Silva Carrijo; Talita Maiara Bueno de Camargo.
Agradecimentos: Agradecemos a todos os colaboradores que nos auxiliam durante o desenvolvimento deste projeto, sem vocês certamente nosso trabalho teria sido muito mais difícil.
Faculdade de Zootecnia e Engenharia de alimentos – FZEA/USP; PET- Zootecnia Endereço: Av. Duque de Caxias Norte, 225 Campus Fernando Costa – USP CEP: 13635-900 Pirassununga/SP Telefone: +55 (19) 3565-4200
@ petzoousp PET Zootecnia USP-FZEA PET ZOOTECNIA petzootecnia@usp.br
Comitê Editorial: Prof. Associado Valdo Rodrigues Herling Zootecnista, FCAV/UNESP, Jaboticabal, 1980 Mestrado em Nutrição Animal, FMVZ/USP, Pirassununga, 1987 Doutorado em Produção Animal, GCAV/UNESP, Jaboticabal, 1995 Livre-Docência em Forragicultura e Pastagens para Zootecnia, FZEA/USP, Pirassununga, 2006 Profa. Dra. Lilian Elgalise Techio Pereira Zootecnista, UFSM, 2007. Mestrado em Ciência Animal e Pastagens, ESALQ/USP, 2009. Doutorado em Ciência animal e Pastagens, ESALQ/USP, 2013. Pós-Doutorado, ESALQ/USP, 2009. Prof. Associado Pedro Henrique de Cerqueira Luz Engenheiro Agrônomo, ESALQ/USP, Piracicaba, 1981 Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas, ESALQ/USP, 1989 Doutor em Solos e Nutrição de Plantas, ESALQ/USP, 1995 Livre-Docência em Adubos e Adubação Aplicados à Zootecnia, FZEA/USP, Pirassununga, 2007 Profa. Dra. Maria Estela Gaglianone Moro Médica Veterinária, FCAV/UNESP, Jaboticabal, 1982 Mestrado em Melhoramento Genético Animal, FCAV/UNESP, 1991 Doutora em Produção Animal, FCAV/UNESP, 1996 Profa. Dra. Tamara Maria Gomes Engenharia Agronômica, UNESP, 1994. Mestrado em Irrigação e Drenagem, UNESP, 1998. Doutorado em Irrigação e Drenagem, USP, 2001. Pós-doutorado em Irrigação com Águas Residuárias na Cana-de-açúcar, USP, 2010
Editada em: agosto de 2019 Publicada em: outubro de 2019
Sumário 1.
Conhecendo o PET Zootecnia FZEA/USP.......................................................................... 4
2.
Palavra do Tutor .................................................................................................................... 5
3.
Apresentação 23ª edição “O Balido” .................................................................................... 7
4.
Retrospectiva 2018 .................................................................................................................. 8
5.
Conversa com uma ex-aluna do curso de zootecnia da FZEA/USP .............................. 9
6.
Bate papo com uma egressa do PET Zootecnia FZEA/USP .......................................... 12
7.
Relembrando o passado e planejando o futuro da Zootecnia ........................................ 16
8.
Zootecnia no Brasil e no mundo: novos rumos para a inovação .................................. 20
9.
Dinâmica de inovações relacionada ao agronegócio ....................................................... 24
10. Nutrição animal e a Zootecnia: Planejando o ffuturo com base no passado – Fontes alternativas para a nutrição animal............................................................................................28 11. Inovações nas pequenas propriedades, variáveis e características Nutrição Animal e a Zootecnia: Planejando o futuro com base no passado - Fontes alternativas para a nutrição animal ............................................................................................................................................ 32 12. Ascensão dos estudos moleculares dentro da Zootecnia - A visão de um especialista .................................................................................................................................... 36 13. Alimentos
alternativos:
Elo
entre
nutrição
e
custo-
benefício.........................................................................................................................................40 14. Zootecnia de precisão: A inovação que auxilia o produtor ............................................ 43 15. Questões legislativas e institucionais que permeiam a Zootecnia................................. 47 16. Jovem produtor de leite aposta na substituição de técnicas antigas de manejo, investe em tecnologia e aumenta a eficiência produtiva do rebanho . .............................................. 51 17. Impactos do vegetarianismo na Zootecnia ....................................................................... 54 18. A Universidade acompanha as mudanças quando ensina? ........................................... 60
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Programa de Educação Tutorial (PET) é composto por estudantes de graduação de
cc diversas áreas e está presente nas Universidades de todo o país. O intuito do programa é
trazer ao aluno uma formação de excelência, contemplando a tríade educacional: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. Em 2019 o programa completa 40 anos de existência e atualmente conta com mais de 800 grupos distribuídos entre 114 Instituições de Ensino Superior distribuídas entre as diferentes áreas do conhecimento e as diversas regiões geográ cas do país. O PET Zootecnia da FZEA/USP foi criado em 4 de agosto de 1994 e em 2019 completa 25 de existência. Atualmente o grupo conta com 13 membros, sendo 12 bolsistas e um voluntário, e com a tutoria do Profº Dr. Marcelo Machado De Luca de Oliveira Ribeiro. Dentro da FZEA, o grupo PET Zootecnia atua em atividades que desenvolvem tanto os PETianos quantos os graduandos do curso. Para saber mais sobre o PET Zootecnia, basta clicar no nosso logo e você será direcionado ao nosso site!!
Prof. Marcelo, Tutor
Felipe, 2º ano
Maria F., 3º ano
Guilherme, 3º ano
Natalia, 3º ano
Aline, 3º ano
Henrique, 4º ano
Régner, 3º ano
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Beatriz, 2º ano
Beatriz, 2º ano
Henrique, 2º ano
Larissa, 3º ano
Sophia, 4º ano
Talita, 3º ano
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esse ano de 2019, a revista “O Balido” chega a sua 23ª edição. Na condição de Tutor do Grupo PET-Zootecnia, me permito o prazer de apresentar a nova edição e, compartilho a satisfação e o orgulho com que cumpro essa tarefa. Os estudantes realizam todo o trabalho: selecionam o tema central, se dividem entre os subtemas, constroem as correlações que se estabelecem entre seus textos, realizam as pesquisas e, finalmente produzem seus artigos. Também se encarregam da concepção gráfica e da arte final. Ao tutor, tão somente, cabe o apoio nas discussões e na revisão dos textos. Em especial, me agrada muito acompanhar a reflexão que realizam para a escolha do tema e o modo como se esforçam para dar coerência e adesão na construção da revista, a partir das diferentes preocupações que revelam ao pensar cada um dos textos que vão produzir. É bastante importante ressaltar o esforço que fazem para tratar do tema escolhido com o olhar de um Zootecnista. Há um forte engajamento com a profissão que abraçam e, como parte do seu processo de formação, tratam com seriedade essa reflexão. Neste ano, manifestam grande preocupação com o futuro. Não somente o futuro da profissão de Zootecnista, mas se preocupam em entender os impactos que as enormes transformações que se anunciam trarão para a vida humana na terra. Os impressionantes avanços tecnológicos que estamos vivenciando permitem desenhar muitos cenários e, em todos eles, podese perceber que os modos de viver, produzir e consumir serão rapidamente modificados. As perguntas recorrentes sobre como ficarão os mercados de trabalho; quais serão os hábitos e costumes que terão que mudar; quais impactos atingiram mais fortemente a organização das sociedades modernas e o meio ambiente em nossa volta, trouxeram para os PETianos a proposta de construir a revista em torno da lógica da transformação a partir da incorporação de novas tecnologias nos processos produtivos articulados às áreas de interesse em torno da Zootecnia. Também, percebem que novos hábitos de viver e consumir mudam rapidamente a relação com os animais de produção e forçam a discussão sobre novas formas de criar e explorar economicamente a vida animal.
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Neste processo, revisitam o passado e formulam questões para enfrentar esse futuro que se avizinha. O percurso que realizaram, contribui com seu processo de formação e leva ao fortalecimento do debate em torno da profissão de Zootecnista e sua importância para a sociedade brasileira. Nesta busca, dividiram os temas que consideram pertinentes, escolheram autores e pessoas para entrevistar. “O Balido” de 2019 procura apontar caminhos e dar consistência às preocupações que motivaram sua confecção. A inovação e a tecnologia são o fio condutor que procura amarrar os artigos e entrevistas e, conscientes das limitações do seu trabalho, os PETianos procuram estar em constante processo de renovação, ampliando o debate entre eles e com seus leitores. Acredito que foram bem sucedidos nessa empreitada. Boa leitura, Prof. Marcelo Ribeiro
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oucas profissões são tão promissoras e desafiadas contemporaneamente como a do Zootecnista. A razão deste destaque reside no papel que os animais não-humanos desempenham para nós e nossas sociedades. A técnica e a ciência da criação dos animais, enquanto profissão regulamentada no Brasil, é relativamente recente. Sua origem esteve ligada ao interesse nos animais de produção. A produção de bovinos, suínos, aves, dentre outros, fornece sustento nutricional para o ser humano em todos os cantos do mundo. Mas atualmente a Zootecnia é mais do que isso. É minha opinião que a profissão passa por uma expansão significativa do seu escopo de atuação. O papel dos animais nas sociedades humanas vem sendo constantemente revisto, e cada vez mais eles são fundamentais para nós. Não são mais apenas fonte de alimento, vestimenta e trabalho, mas também como parceiros na manutenção da natureza, companheiros, até membros da nossa família. Não preciso falar da importância que os chamados pets têm para nós, por exemplo. Criá-los, nutri-los, adestrá-los, eis um novo mundo que se abre ao Zootecnista. Um mundo cuja fronteira ainda estamos muito longe de conhecer. A preocupação com o ambiente e com a conservação da flora, da fauna e da biodiversidade é outra dimensão que se abre ao Zootecnista. Quantas novas espécies de animais poderíamos incluir no “menu” do Zootecnista? Dezenas? Centenas? Milhares? Mesmo na tradicional produção animal, o ferramental do Zootecnista tem se expandido a passos largos: genômica, sensores, cultivos in vitro, internet das coisas, “big data”, pecuária de precisão etc. Há muito potencial, muitos desafios que se apresentam como um prato cheio para a profissão e seus profissionais. Não posso deixar de falar do papel do Zootecnista na, digamos assim, gestão da interface homem-animal. Conhecer o ser humano, conhecer a sociedade, as instituições e todas suas facetas, gerenciar seus conflitos, configura-se como uma outra dimensão maravilhosa que está aí para os profissionais. Queremos trabalhar com os animais, mas de forma mais racional, mais sustentável, mais humana. Enfim, o animal humano também está lá no “menu” do Zootecnista de hoje e, cada vez mais, no do futuro. Eu arriscaria dizer que a Zootecnia do futuro será bem diferente da do passado. Talvez não saibamos como ela será daqui 50, 100, 200 anos. Mas cabe a nós, hoje, prepararmos esse caminho, de forma harmônica, inteligente e consciente. Nossos PETianos da Zoo FZEA são protagonistas-chave na construção dessa trilha. Se depender deles, a Zootecnia do futuro será ainda mais grandiosa que a de hoje.
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Eventos PET Visitas Técnicas
PET na Escola
Minhocário
VI Simpósio de Produção Animal
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atrícia Monteiro da Cruz Lotufo de Barros ingressou no curso de zootecnia, no ano de 1982, fazendo parte da quarta turma de Zootecnia, que na época era ministrado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-USP). Atualmente, trabalha como coordenadora pedagógica de uma escola particular no município de Pirassununga. Seguindo o tema proposto para esta edição de “O Balido”, Patrícia nos conta um pouco da sua trajetória na zootecnia e como foi a vivência dentro do nosso campus.
Patrícia, nos conte como você conheceu a zootecnia e por que teve o interesse em cursá-la. Meu avô era arquiteto e eu sempre pensei em cursar arquitetura. Ao concluir o 3º ano do Ensino Médio comecei a pensar em fazer agronomia, nessa época, meus avós plantavam café em Botucatu e, eu gostava de acompanhar os trabalhos no campo. Neste ano, o manual da FUVEST trazia a grade de cada curso, o que foi muito útil. Quando vi a grade do curso de agronomia, percebi que não era o que eu queria. Continuei lendo e descobri a zootecnia, tinha tudo o que eu gostava. Então fiz minha inscrição, mas essa era a única informação que eu tinha, mais nada, nem que o curso era em Pirassununga, descobri no dia da matrícula, foi um susto!
Durante a graduação, você sabia com que gostaria de trabalhar? Sim, eu gostava de bubalinos e bovinos. Na época, o professor de bovinocultura de leite era muito bom, mas não era muito acessível, ao contrário do professor Lício Velloso, professo de gado de corte, que era ótimo e super disponível. Fiz uma espécie de iniciação científica com ele trabalhando com formulação de ração para confinamento e adorei!
Você fez parte de uma das primeiras turmas de zootecnia da USP, nos conte um pouco como era a vivência dentro do Campus. Nessa época todos morávamos no alojamento, os quartos eram separados por compensado e o banheiro era coletivo. Tínhamos 3 ou quatro geladeiras, umas duas televisões e só. Nós compartilhávamos muitas coisas, até os carros que eram poucos e raros.
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Nós íamos para a aula de "laranjinha" o ônibus dirigido pelo Gastão. Ele buzinava e esperava quando alguém estava atrasado, não era um ônibus de linha, ele só ia do alojamento para o "departamento" nos horários de aula. "Departamento" era como chamávamos o único bloco de salas e laboratórios, hoje chamado de ZAZ. Nós podíamos nadar no açude, e fazíamos isso com frequência. São muitas histórias... mas, resumindo, era muito, muito bom!
Em 2019, recebemos a 41ª turma de zootecnia. Depois de tantos anos, como você avalia o curso de zootecnia? Não acredito ser capaz de avaliar o curso, muitas coisas mudaram. Embora, eu tenha trabalhado na área de bovinocultura de leite por muitos anos, percebo que o perfil dos alunos é muito diferente e dos professores também. Além disso, como me afastei da área, não seria uma avaliação justa e precisa.
Você poderia nos contar um pouco sobre a grade curricular da zootecnia daquela época? Minha turma foi a primeira a fazer apenas o primeiro ano em São Paulo, antes eram dois anos, e nós fazíamos as matérias básicas nos diversos institutos. Isso era ruim, pois ninguém sabia muito quem éramos, o que fazíamos e para onde iríamos, mas, em compensação, os cursos eram excelentes. Em São Paulo, fiz anatomia, fisiologia, cálculo, botânica, genética, bioquímica, citologia e histologia, biblioteconomia, educação física e uma matéria que era uma "sociologia" da época da ditadura e da qual não lembro o nome. Depois, aqui em Pirassununga, fizemos bromatologia, forragicultura, solos, mecanização agrícola, industrialização dos produtos de origem animal, economia rural e as culturas todas. Possivelmente, estou esquecendo várias matérias...
Sabemos que os avanços no mercado são inegáveis, mas em relação a formação acadêmica, você vê mudanças importantes? Certamente com a criação da FZEA e a vinda de novos professores a formação é muito mais direcionada e específica. Além disso, hoje o curso já sabe qual o profissional quer formar e para qual mercado.
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Você poderia deixar um recado para os novos estudantes e para aqueles que pretendem cursar zootecnia? Que percebam o quanto a zootecnia é importante, o quanto melhorar as técnicas de manejo e produção podem impactar na nossa relação com a natureza. Que priorizem a produção como meio de diminuir a desigualdade no acesso aos alimentos. Que, de uma forma ou de outra, devolvam para sociedade o investimento que está sendo feito na sua formação.
Primeiros alunos do Curso de Zootecnia da USP
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na Luiza Carvalho De Oliveira Galvão nasceu em Roseira no Estado de São Paulo, ingressou no curso de zootecnia no ano de 2012 na FZEA/USP e conquistou o cargo de PETiana no ano seguinte, nele permanecendo, até 2016. Atualmente, trabalha como técnica de bovinocultura de corte na empresa Alta Genetics.
Ana, como surgiu seu interesse em ser uma PETiana? Eu sempre fui muito proativa nos afazeres na minha vida acadêmica como um todo. Sempre fui comprometida com as matérias, com os estágios e a vida noturna, confesso! O interesse pelo PET surgiu exatamente por isso, pela vontade de poder colocar em prática minha proatividade e energia, aliada ao meu perfil extremamente dinâmico. Quem me conhece e esteve nesta caminhada comigo, pelo meu período da faculdade, sabe que meu currículo passou pelas mais diversas áreas da produção animal, das linhas de pesquisa e mercado. E eu sempre enxerguei isso no PET, a constante evolução e janelas de oportunidades e possibilidades que ele nos apresenta, que nos apoia, incentiva e faz acontecer.
Nos conte um pouco como o grupo PET Zootecnia afetou sua vida acadêmica. Eu sempre gostei muito de festas, confraternizações e afins. Sempre estava envolvida com a ajuda nas organizações, na divulgação ou só na participação mesmo. Porém, eu nunca deixei meu lado acadêmico de lado, mas eu me via praticando o “mínimo esforço” dentro dos meus limites. Nunca fui uma aluna que se mantinha na média, porém nunca me esforçava para ir além. E quando eu entrei no PET e percebi que eu estava convivendo com as melhores pessoas do meu curso, isso para mim foi o start principal. Como todos sabem, o PET preza muito pelo desempenho do aluno e isso sempre teve muito bom senso dentro do nosso convívio. Na época em que fazia parte do grupo, éramos tutorados pelo professor Valdo, o que sempre nos orientou muito sobre isso, porém em nenhum momento nos cobrou sobre tais esforços. E eu percebi que a cobrança realmente de nada importava, ele já estava com um grupo de pessoas diferenciadas, comprometidas e engajadas por tudo o que fazia,
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ele não precisava cobrar o além. Ele apenas precisava orientar sobre os caminhos percorridos. E isso me motivou demais! Poder me espelhar em colegas que são extremamente capazes, compartilhando aprendizados comigo, me ajudando nas dificuldades e dispostos em ensinar! Poxa, quando eu abri os olhos para isso, eu tinha gana em querer ir além, eu tinha gana eu querer poder retribuir com a ajuda. Eu me tornei uma aluna bem mais dedicada e focada em sala de aula, sem a mínima dúvida.
Fazer parte de um grupo deste te trouxe algum crescimento pessoal? Demais! Quem convive com pessoas, de qualquer gênero, idade ou sexo, sabe que personalidade é algo único e insubstituível. E dentro do PET não era diferente. Tínhamos sempre discussões de ideais, projetos, execuções, que se apresentavam de modo diferente sobre cada perspectiva dos membros. Tínhamos conversas, desentendimentos e argumentos que eram pessoais e transmitidos de acordo com a experiência de cada um. Tudo isso, na época era muito confuso e difícil de entender. Confesso que não tinha maturidade suficiente para ouvir e ter a empatia necessária para cada momento. Só que tudo isso, todo o aprendizado e momento vivido nos torna o que somos hoje. No período do PET eu vivi a minha maior experiência interpessoal (olha que eu já estou no mercado de trabalho hein!) a qual me marcou demais, e é incrível como eu lembro das consequências sempre que eu passo por um momento semelhante nos dias de hoje. Essa experiência aconteceu no momento mais correto da minha vida e acabou me afetando diretamente e extremamente de modo positivo para fazer com que eu seja a profissional de hoje.
Em relação ao mercado de trabalho, ter participado do grupo PET te ajudou de alguma forma? O PET me ajudou muito pela questão dos trabalhos desenvolvidos. Em meu período, tive a feliz oportunidade de participar de projetos muito diversificados e de trabalhos sociais, que atualmente contam muito para o currículo! Mas também não posso mentir que o PET é um programa pouco conhecido e isso só me ajudou a fortalecê-lo. Eu vejo uma oportunidade tremenda em poder explicá-lo, compartilhar minhas experiências, os projetos desenvolvidos, o engajamento com trabalho e a equipe e foco em resultado. Você ter a possibilidade de contagiar alguém com aquilo que para você é importante, é uma oportunidade única de criar seu “cartão de visitas”.
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Nos conte uma experiência que te marcou durante seu período dentro do PET. A experiência que mais me marcou dentro do PET foi do aprendizado de relacionamento interpessoal. Durante este processo, o grupo passou por um momento de muita insegurança e desmotivação. Mas toda tempestade tem o seu sol no dia seguinte. O acontecimento nos serviu para ajudar a criar uma união e confiança muito grande uns pelos outros, nos fortalecemos muito, recriamos um novo grupo, com membros renovados pela experiência vivida. Carrego comigo até hoje, tanto como aprendizado do que não quero reviver novamente, como das consequências que isso pode acarretar.
Para finalizar, você pode deixar um recado para os alunos que estão cursando Zootecnia na FZEA? Sejam gratos! Sejam gratos pela oportunidade de cursar uma faculdade, sejam gratos por ela carregar esse nome tão expressivo e representativo pelo qual muitos batalham tanto. Sejam gratos por estarem abraçando uma profissão tão nobre que se preocupa com a produção animal e com a geração de alimentos. Sejam gratos pelos amigos cultivados e pelos momentos vividos. Parem de reclamar! Reclamar que uma aula é ruim é fácil, faça diferente! Procure suprir suas necessidades de aprendizado. Reclamar que o professor não tem didática é fácil, faça diferente! Procure estágios e aprenda de modo prático. Reclamar que a infraestrutura é precária é fácil, faça diferente! Procure cuidar e valorizar do ambiente que frequenta. Parece clichê, mas não é! Isso é a vida, e ela só acontece pra quem acorda cedo, corre atrás, faz diferente, tenta quantas vezes for possível, acredita no seu potencial, tem humildade e é grato! Sejam gratos! É vida é hoje, e vocês tem uma oportunidade única de vivê-la dentro da maior e melhor instituição pública do país!
Pergunta sobre o tema da Revista
Sabemos que os avanços e inovações dentro da zootecnia são constantes. Você consegue identificar estes avanços dentro da área onde atua? Para quem não conhece a empresa em que trabalho (Alta Genetics), trata-se de uma empresa que comercializa sêmen bovino. Somos responsáveis pela difusão do melhoramento genético através de disponibilizar reprodutores provados com mérito genético superior. E, dentro das estratégias comerciais que a empresa estrutura, trabalho diretamente com uma equipe responsável pela consultoria reprodutiva para os clientes. E particularmente, acredito que estou trabalhando com as áreas de maiores avanços e inovações tecnológicos dentro da produção animal: genética e reprodução. Estamos vivendo um cenário claro de que “quem não se tecnifica, não sobrevive”. Precisamos buscar ferramentas que possibilitem o aumento
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da produção em escala, sem esquecer do foco da eficiência e qualidade. As biotecnologias da reprodução podem ser aplicadas para aumentar a eficiência reprodutiva e produtiva, preservar os recursos genéticos animais, melhorar a qualidade dos produtos ou introduzir novas estratégias de produção e novos produtos animais. Inserida em um rebanho que é submetido à avaliação genética, qualquer biotecnologia, desde as mais centenárias, como a inseminação artificial, podem trazer vantagens extremamente relevantes, o que se traduz na identificação mais precisa dos animais de melhor genética, consequentemente aumentando a acurácia de seleção, na utilização mais intensa desses animais, ou seja, intensidade de seleção, na identificação precoce dos animais possuidores de melhor genética, o que diminui o intervalo de gerações e finalmente, nos possíveis reflexos na estrutura genética das populações, o que se traduz em ganho produtivo. A obtenção da máxima eficiência, só é possível por meio de planejamento e execução de um bom programa de reprodução e melhoramento genético utilizando as biotécnicas com eficácia e mão de obra adequada.
Grupo PET Zootecnia FZEA/USP (2015)
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rof. Dr. Celso da Costa Carrer é formado em zootecnia, ocupando atualmente o cargo de Professor Associado, na área de especialização de Empreendedorismo, pelo Departamento de Engenharia de Biossistemas (ZEB) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEAUSP). É responsável pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Extensão Universitária (UNICETEX), coordena a Incubadora de Empresas Inovadoras do Agronegócio, em Pirassununga (UNICETec) e coordena o Grupo de Estudos em Empreendedorismo no Agronegócio (GEMA) da FZEA/USP desde 2018. Atualmente desenvolve Programa de Pós-Doutorado junto ao Parque Científico da Universidade de Valência com temática ligada a ecossistemas de inovação desde 2018.
Nesses anos atuando como zootecnista, qual desafio do passado o senhor percebe como resolvido pela zootecnia? Realmente, este ano estou fazendo 35 anos de formado e sempre atuando como Zootecnista em uma trajetória de muitos desafios, dificuldades e conquistas. Tudo que sou e quem tenho em minha vida hoje devo a minha profissão. Entrei na primeira turma da USP e acabei me formando na segunda, junto com a Célia. Do ponto de vista profissional, acho que a grande conquista da zootecnia foi passar a ser reconhecida pelo próprio mercado em que atuamos. Hoje, tenho certeza que o mercado conhece a capacidade de trabalho e a importância de nossos profissionais, que se engajam em dezenas de áreas, ocupações e empreendimentos. O Zootecnista é um profissional com visão ampla, estratégica e especializada de sua área de atuação e chamado a resolver de forma pragmática os problemas que enfrentamos no ambiente do agronegócio.
A multidisciplinaridade, em sua opinião, facilita o processo quando se fala em ocupar posições no mercado? Sem dúvida! O mercado, hoje, quer um profissional com muito conhecimento técnico, mas com uma visão estratégica de negócios bem desenvolvida. Nossa formação é realizada com a contribuição de muitos profissionais de áreas bem distintas, mas que contribuem com visões e especialidades diferentes com um excelente resultado ao final da formação. Nossos
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colegas egressos estão se colocando muito bem no mercado e, além de saírem da USP antenados com as mais emergentes tecnologias, levam uma visão mais generalista e mais flexível para atender diferentes demandas. Desde a área técnica mais específica à comercial, temos provado nosso valor e o mercado tem reconhecido esse diferencial.
A maioria das mudanças ocorrem por demanda de fatores externos e, principalmente, por exigência do mercado consumidor. Na sua opinião, quais fatores podemos considerar significativos e definitivos para que a zootecnia chegasse onde chegou? A zootecnia que se pratica hoje não é a mesma em que me formei. A velocidade de geração de conhecimento atual em nossa área é fantasticamente grande e o dinamismo das inovações faz com que o profissional precise estar atento aos novos paradigmas (ou o modelo com que se faz algo...) o tempo todo. Muitas dessas mudanças são "empurradas" pelo mercado. As certezas sobre o que se sabe em nossa área se modificam com muito mais rapidez do que a maioria consegue acompanhar. Neste sentido, a zootecnia só chegou em sua posição de destaque pois soube, com muita atenção, ler os movimentos e tendências que o mercado sugeria e buscou adaptar a matriz curricular para que o profissional evoluísse junto com essas novas tendências e demandas. Não se pode reduzir a atuação do zootecnista hoje apenas ao elo de produção como era no passado. Hoje o nosso profissional sai da universidade com capacidade de se adaptar a qualquer elo (insumos, agroindústria, comércio, pesquisa e serviços) do sistema agroalimentar e desempenhar com excelência sua missão. Na minha opinião, nossa capacidade de se adaptar às condições do meio negocial que trabalhamos e nossa capacidade empreendedora (ou intraempreendedora) são os nossos grandes trunfos como profissionais de sucesso.
Levando-se em consideração o cenário em que as áreas exploradas não crescem, mas a produtividade sim, o pequeno produtor terá espaço no mercado futuro? É preciso um pouco de cuidado quando se pretende definir um pequeno produtor. Claro que o agronegócio, enquanto unidade analítica de mercado, nas últimas décadas, fundiu-se com as outras atividades de natureza econômica e sofre a influência das variáveis intrínsecas à produção capitalista. As vantagens de escala, para citar apenas um exemplo, influenciam nas margens finais de lucro e acabam penalizando a produção de baixa escala quando se compara pequeno com grande. As unidades familiares, em passado recente, foram induzidas a adotar um modelo de produção tecnicista e de produção cada vez mais intensiva para
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conseguir sobreviver às pressões de baixa de preços relativos, por incremento gradativo e constante na produtividade. No entanto, por pressão do mercado consumidor, muitas outras formas de se agregar valor à produção compensam e justificam produções com menor escala hoje e no futuro. São muitos os exemplos dessas novas tendências e que voltam a oportunizar espaço para os produtores considerados pequenos. Normalmente, são atividades ligadas a produção (artesanal, orgânica, minimamente processada, de diferenciação geográfica, entre outras) e que podem assumir as margens de negócios da área de processamento e de serviços (turismo rural, esportes, mercado pet, entre outros) para dentro do setor de negócios. Creio que as perspectivas atuais para os produtores de menor escala são melhores do que há 10 anos, em que o sistema produtivista era a única regra de mercado.
A gente sabe que não existe uma “fórmula mágica” para ser um profissional de sucesso, no entanto, qual característica o senhor considera como fundamental para o aluno que quer se destacar no mercado de trabalho? Resumindo bastante essa resposta, creio que o profissional que quer atingir uma posição de sucesso deve conhecer muito bem o mercado que vai atuar, buscar uma postura de iniciativa para a solução de problemas e saber trabalhar com gente. Foi a época que dizíamos que o Zootecnista trabalhava com bichos. Hoje quem não trabalhar habilidades de relacionamento e postura empreendedora terá suas chances reduzidas no mercado.
O fato de ainda não termos um conselho que nos represente é algo que atrasa a participação ativa dos profissionais e toma espaço de fala? Há algum tipo de previsão para que o Conselho seja aprovado? Infelizmente não. Não há previsão para a criação de nosso Conselho no curto prazo por questões que estão além de nosso controle. A ABZ continua trabalhando nessa frente e é uma aspiração legítima dos Zootecnistas. Hoje já estamos maduros para caminhar com nosso próprio agrupamento profissional que cresceu em quantidade e qualidade nas últimas décadas. Bem, na verdade, em minha opinião, nossa profissão nunca dependeu de um Conselho para se estabelecer, embora entenda que o reconhecimento de nosso valor, como profissionais, deveria ser visto como estratégico por nossos colegas que também atuam neste mercado. O mercado sabe que a competência de um apoia a do outro. Parece que os Conselhos ainda não perceberam isso. Na vida, não existe time campeão formado por onze goleiros ou onze centro-avantes. Cada um tem uma especialidade, uma função dentro do campo e onze bons jogadores fazem um time mais adaptado a superação de obstáculos e, consequentemente, a levantar "taças". Hoje em dia não existe mais espaço para aquele profissional que se diz entender de tudo. A tendência é trabalhar com times multiprofissionais e multidisciplinares. Enfim, que se complementem na missão de atender bem à sociedade.
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Para finalizar, o que o senhor vê como erro do passado que serve como aprendizado para o futuro? Infelizmente, sofremos da falta de apoio político-profissional desde a criação de nossa profissão e precisamos trabalhar essa mudança de comportamento nas gerações de colegas de profissionais mais jovens. A minha geração, infelizmente, perdeu essa chance. Intolerância, desinformação, falta de ética e desrespeito não podem mais ser a tônica de nosso relacionamento com o Conselho que nos abriga ou com parte dos profissionais que atuam em conjunto conosco. Os Conselhos profissionais insistem em adotar regulamentos e normativas infra-legais, que desrespeitam a Lei de nossa profissão, com o claro fim de obterem reservas de mercado. Isso é ilegal, anti-ético e desrespeitoso. Tínhamos a expectativa de que isso mudaria com as mudanças na Diretoria do CFMV e de alguns regionais em passado recente. Na prática, ainda não conseguimos avançar. Dá uma certa sensação de desesperança quando se constata que "tudo continua como antes, no quartel de Abrantes", independente do esforço realizado pela categoria para compor e apoiar mudanças. Os Zootecnistas precisam se mobilizar mais no sentido de buscar seus direitos e buscar a solução de seus problemas de natureza político-profissional com o apoio da justiça, se necessário for. Tenho certeza, no entanto, que a experiência tem trazido mais habilidade de negociação com a maioria estabelecida e que os frutos de nossa competência sejam a base do relacionamento futuro. Recomendo, ao final, que todos os egressos e estudantes se aproximem da ABZ como forma de fortalecer nossos ideais profissionais.
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e acordo com o relatório publicado pela ONU, “Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2017”, a população mundial aumenta em 83 milhões de pessoas a cada ano e a tendência é que esse crescimento continue por algum tempo, apesar da constante diminuição da taxa de fertilidade. Nesse ritmo, espera-se que a população mundial chegue a 8,6 bilhões em 2030, 9,8 bilhões em 2050 e pode superar os 11,2 bilhões em 2100 (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2017). Esses valores revelam uma preocupação imediata com o desenvolvimento de tecnologias na agropecuária que possam oferecer um aumento na produção de alimentos e matériasprimas adequados, a fim de melhorar a nutrição da população mundial e a disponibilidade de recursos naturais. Entretanto, nota-se a importância de um desenvolvimento tecnológico seguro e sustentável a fim de criar um sistema de produção bioeconômico.
Evidentemente, a primeira responsabilidade do Brasil é sustentar as necessidades do mercado e da população interna. Todavia, a expectativa sobre o país vem crescendo no que diz respeito à sua grande capacidade de produção, como um importante agente na segurança alimentar de países com recursos e produções limitadas. Ao mesmo tempo em que se nota a necessidade de um aumento de produtividade, através do desenvolvimento de novas tecnologias, torna-se imprescindível a conservação dos recursos naturais como uma exigência mundial. (EMBRAPA, 2012) Para que a demanda de alimentação da população seja suprida, é necessário que as produções de proteína animal acompanhem esse crescimento. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), a produção mundial de proteína animal cresce rapidamente a cada ano. Entre os anos de 1950 a 2017, a produção de carne bovina triplicou, enquanto que, para aves, suínos e pescados apresentam-se valores cinco vezes maiores para o mesmo período. Confrontando estes dados, com base em estudos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura - FAO, conclui-se que o setor está cumprindo seu papel, visto que nos últimos 50 anos, as taxas de crescimento das produções das carnes bovina, suína e de frango foram maiores do que o aumento da
Fonte: Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2017 (ONU, 2017)
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população. Contudo, para que haja manutenção da disponibilidade per capita atual, a produção de carnes teria que aumentar em torno de 30% para que consiga alimentar toda a população. (FAO, 2012). Esse cenário é o reflexo da evolução constante dos meios de produção. A busca por maior eficiência na atividade produtiva faz com que as projeções para os próximos anos sejam de crescimento contínuo. Com o passar dos anos, pesquisas foram realizadas e novas tecnologias surgiram para inovar cada vez mais os sistemas de produção animal. Estas inovações aumentaram a produção e a eficiência zootécnica nas criações por todo mundo. Entretanto, de acordo com Atkinson e Watson (1996, apud VESCHI, J.L.A. et al, 2010, p.172) o grande desafio é adequar a produção animal à demanda da população e manter a sustentabilidade ambiental. Atualmente, o exercício das ciências zootécnicas tem se relacionado com os debates sobre o meio ambiente e sobre a sustentabilidade na produção animal, tais como sobre índices de concentração de gases emitidos, quantidade de resíduos gerados, eficiência hídrica, entre outros. Nesse contexto, uma das maiores dificuldades para priorização desses assuntos é a falta de legislações ambientais mais restritivas e de melhor fiscalização, fortalecendo a ausência de políticas eficientes entre o uso dos recursos naturais e a agropecuária (PALHARES, 2010). Apesar da constante pressão sofrida pelos pecuaristas para a prática de um sistema agropecuário intensivo, continua sendo mais utilizado o sistema extensivo,
utilizando gramíneas forrageiras adaptadas às condições de clima e solo de cada região. Ainda que o país tenha usufruído de benefícios com a expansão pecuária, os efeitos negativos foram se revelando, tais como o desmatamento indiscriminado das áreas verdes, com a consequente quebra no equilíbrio ecológico e ambiental; o surgimento de doenças e pragas e; o uso inadequado do solo e da água, que não têm recebido a atenção e os cuidados devidos para garantir permanente sucesso das atividades agropecuárias (VESCHI, 2010). Os solos ocupados por pastagens podem apresentar deficiências em relação à fertilidade química natural, acidez, topografia, pedregosidade ou restrições para drenagem. Além disso, grande parte dos produtores desconhece a importância da correção e da fertilização nos sistemas de produção de pastagens. O modelo de produção extrativista de cultivo de pastagens em solos com aptidão agrícola desfavorável é um dos principais responsáveis pelos baixos índices zootécnicos e de produtividade. Os rebanhos bovinos de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, principalmente nos trópicos, apresentam baixos índices de produção, quando comparados com os de países desenvolvidos. Contudo, apresentam menores índices de poluição, visto que, usualmente, os animais são criados em sistemas extensivos. (VESCHI, 2010). O desenvolvimento sustentável tem sido uma pauta atual que diz respeito a uma mudança nas perspectivas econômica, ambiental e
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social, buscando atender às necessidades humanas e, concomitantemente, manter a integridade ecológica. Ao se analisar o conceito de agricultura (e desenvolvimento) sustentável proposto pela Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), tem-se que: “A agricultura sustentável é o manejo e conservação dos recursos naturais e a orientação de mudanças tecnológicas e institucionais, de tal maneira a assegurar a satisfação de necessidades humanas de forma continuada para as gerações presentes e futuras. O desenvolvimento sustentável conserva o solo, a água e recursos genéticos animais e vegetais; não degrada o meio ambiente; é tecnicamente apropriado, economicamente viável e socialmente aceitável”. Assim, esse termo traz à tona a preservação de recursos naturais que harmoniza a relação entre o homem e a natureza. (ASSIS, 2006). Aplicado ao meio rural, o desenvolvimento sustentável apresenta necessidades tanto de ser economicamente eficiente, como também ecologicamente sustentável e de aceitação social desejável. (ROMEIRO, 1996).
A agroecologia é uma matriz da ciência que desperta a possibilidade de uma reorientação dos processos de manejo dos recursos naturais, de metodologias e bases tecnológicas, gerando um caminho para uma agricultura mais sustentável, de forma a reduzir os danos ambientais e reforçar a segurança alimentar e nutricional para toda a população. (CAPORAL, 2009). As discussões acerca do aumento da produção devem ser mais profundas, não visando apenas suprir as necessidades dos seres humanos no futuro, mas levando em conta o equilíbrio que permita a continuidade do mútuo relacionamento entre o homem e a natureza. Por isso, cada vez mais, torna-se imprescindível a busca por inovações nas práticas produtivas no setor agropecuário que apontem para a melhoria e preservação do meio ambiente. É preciso proteger os recursos naturais que ainda restam no planeta, almejando um futuro mais sustentável e biodiverso para as futuras gerações.
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Referências: ASSIS, Renato Linhares De. Desenvolvimento rural sustentável no Brasil: perspectivas a partir da integração de ações públicas e privadas com base na agroecologia. Economia Aplicada, Ribeirão Preto, v. 10, n. 1, jan./mar. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s141380502006000100005&script=sci_arttext>. Acesso em: jan de 2019. CAPORAL, Francisco Roberto. Agroecologia: uma nova ciência para apoiar a transição a agriculturas mais sustentáveis. Embrapa, Brasília, p. 1-4, jan. 2009. Disponível em: <http://www.cpatsa.embrapa.br:8080/public_eletronica/downloads/OPB2442.pdf>. Acesso em: jan de 2019. ICAGRO. Perfil do Produtor. [S.l]. 2013. Disponível em: <http://icagro.fiesp.com.br/perfilprodutor.asp>. Acesso em: jan de 2019. LOPES, Maurício Antônio. CONTINI, Elisio. Agricultura, Sustentabilidade e Tecnologia. Pernambuco: Embrapa Semiárido, 2012, p. 3. Disponível em:< https://www.alice.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/1028545/1/AgriculturaSustentabilidaAgriculturaS u.pdf>. Acesso em: jan de 2019 Nações Unidas, Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, Divisão de População (2017). Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2017, Principais Conclusões e Tabelas Avançadas. Documento de Trabalho Nº ESA / P / WP / 248. Disponível em: <https://esa.un.org/unpd/wpp/Publications/Files/WPP2017_KeyFindings.pdf>. Acesso em: jan de 2019. PALHARES, Julio Cesar Pascale. Impacto Ambiental das Produções Animais. [S.l]. 2010. Disponível em: <https://pt.engormix.com/avicultura/artigos/producoes-animais-impacto-ambientalt36898.htm>. Acesso em: jan de 2019. ROMEIRO, A. Desenvolvimento sustentável: uma perspectiva econômico-ecológica. Estudos Avançados, v. 26, n. 74, p. 65-92, 1 jan. 2012. VESCHI, J. L. A. et al. Impacto Ambiental da Pecuária. Capítulo 6. Pernambuco: Embrapa Semiárido, 2010, p. 171-172. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/89975/1/Josir.pdf>. Acesso em: jan de 2019.
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elo menos uma vez em nossas vidas enfrentamos o dilema de manter ou inovar, nos fazendo pensar em qual atitude tomar para poder ter o crescimento que esperamos para a nossa empresa ou propriedade. O mundo evolui com muita rapidez e nós precisamos acompanhar essas mudanças. Neste caso, devemos olhar para a dinâmica que é aplicada na produção, a qual podemos simplificar em dois modelos, sendo a produção latifundiário o qual busca suprir um mercado de exportação comercializando em sua maioria commodities, em contrapartida, o pequeno produtor, este que tem a função social de disponibilizar alimento e variedades ao mercado interno. Este que, cada vez mais considera o processo de produção rudimentar ideal, alterando a logística existente na produção e comercialização do alimento, forçando todos os produtores a se adequarem de algum modo as novas tendências. Inovação não acontece espontaneamente, ela é geralmente influenciada por mudanças em legislações, mudanças tecnológicas, caráter de competição e mudanças no comportamento dos consumidores. De acordo com Meltzer (1991) e Trunel (1998) a inovação é uma substituição temporária, é a troca de produtos existentes por novos, que logo serão substituídos por outros, e assim consecutivamente. As empresas devem estar captando a demanda específica do mercado e, observando
as mudanças de seus consumidores. A partir disso, se dedicar no desenvolvimento de novidades que irão atender as exigências dos clientes. Quando se fala em Zootecnia, que forma profissionais que trabalham diretamente com a produção animal de maneira a tornála rentável e sustentável, bem como interpretam os gargalos produtivos, inserem inovações e alteram o perfil produtivo de acordo com o mercado consumidor. Em seu trabalho junto à produção animal, o zootecnista atua em diferentes esferas, desde o planejamento e o desenvolvimento da produção, até a etapa final de comercialização. Dentre suas principais expertises para obter produtos biosseguros, rentáveis e de qualidade para o consumidor final, o zootecnista trabalha para elaborar rações balanceadas e de baixo custo, capazes de aproveitar o potencial produtivo dos animais e, atua também em prol da sanidade, permitindo a criação e consumo de animais saudáveis, ambiência e bemestar animal de forma a planejar ambientes e manejos adequados que reflitam em maior conforto animal, reprodução e melhoramento genético, sustentabilidade econômica e ambiental, administração, gerenciamento rural, e assistência técnica. Além disso, segundo Lopes & Zotti (2017), o zootecnista pode atuar na preservação ambiental, atua
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também na extensão rural, disseminando e desenvolvendo informações e técnicas capazes de melhorar a produtividade do setor. Sua atuação não se limita apenas à produção comercial e à assistência técnica, pois está também inserido em entidades públicas e privadas para o desenvolvimento de pesquisas, que geram novas tecnologias, produtos e serviços em prol da produção animal. Pesquisas periódicas do perfil do consumidor permitem detectar mudanças de hábitos de consumo que muitas vezes são influenciadas pela mídia. Verdume & Vianne (2003), através do modelo de atitude de compra, identificaram dois grupos de fatores importantes na decisão do consumidor: Os aspectos culturais; As características socioeconômicas. Os aspectos culturais determinam o comportamento em geral. As características socioeconômicas são responsáveis pelo nível de conhecimento sobre benefícios e riscos de consumo de determinados produtos. Pessoas com grau de instrução superior têm melhores condições de ler um rótulo e identificar a importância de cada informação, disse Sato et al. (2007). Muitos aspectos podem ser usados pelos consumidores para fazer suas escolhas de alimentos. Fatores intrínsecos (corte, cor, gordura) e extrínsecos (preço, origem, selo de qualidade, informação sobre a produção e nutricional) são usados para formar as expectativas sobre os atributos de qualidade do produto, que pode ser classificados em duas categorias: Aqueles experimentados antes ou
durante o consumo (experiência de atributos de qualidade: preço e propriedades sensoriais) e, aqueles não experimentados diretamente, tais como ser saudável, natural e aspectos éticos que deveriam ser comunicados para serem percebidos, já que são características que não podem ser confirmadas anteriormente a compra (Napolitano et al., 2007). Atualmente, os consumidores vêm exigindo alimentos com atributos de qualidade, além de certificados confiáveis que atestem e garantam a existência desses atributos por eles adquiridos. De acordo com uma pesquisa feita por SAAB (1999), consumidores de carne bovina preferem produtos que apresentem selo de garantia de maciez da carne ao invés daqueles que não o possui. Este fato confirma que os consumidores valorizam o certificado que garante a existência de um atributo intrínseco num alimento. Além disso, eles sinalizam quanto estão dispostos a pagar pelos alimentos que possuem esses certificados (Coltro, 2007) (Oliveira, 2010). A valorização da proteção da natureza, dos produtos agroecológicos e a importância do bem-estar animal vem assumindo um patamar significativo no Brasil e no mundo. Sendo assim, existe a necessidade de adequação às exigências, levando em consideração mudanças em legislações, mudanças tecnológicas, caráter de competição e mudanças no comportamento dos consumidores. As empresas do setor alimentício e agropecuário têm a necessidade de entender a mudança e o desejo de
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seus consumidores, que alteram rapidamente seus hábitos alimentares, para trabalharem com o foco em atingir seus objetivos. E para Lukianocenko (2001) e Gonçalves (2000) houve um grande aumento no número de pessoas preocupadas com a saúde, longevidade e segurança alimentar, além da preocupação com o meio ambiente, está ocorrendo procura gradativa por produtos orgânicos e ecologicamente sustentáveis.
Considerando que todo mercado consumidor passa por mudanças, de acordo com o nível técnico, social e econômico, dentre outros, a zootecnia é uma profissão que induz mudanças e melhorias no meio produtivo rural. Desse modo, deve se adequar a fim de produzir no campo de um modo que atinja as demandas da população, legislações, caráter específico de mercado e afins. Por fim, devemos ressaltar que no aspecto produtivo agropecuário, compreendendo todos os ramos da cadeia produtiva, desde produção até o destino final do produto/serviço, o zootecnista deve ser sensível às demandas por mais diferentes que possam ser e ter a capacidade de atendê-las. Para isso, deve se reciclar diariamente a fim de se manter atualizado quanto às sucessivas inovações.
Na simulação de mercado, 70,9% dos consumidores pagariam mais por produtos com certificação de bem-estar animal e carne firme erosada.
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Referências: BONAMIGO, A; BONAMIGO, C; MOLENTO, C. 2012. Atribuições da carne de frango relevantes ao consumidor: foco no bem-estar animal. Disponivel em: <http://www.scielo.br/pdf/rbz/v41n4/29.pdf>. Acesso em 01/02/2019. COLTRO, A. 2007. Estratégias de fomento à sustentabilidade: Diferenciais válidos pelos consumidores? Capturado em 10 de jun. 2009. Disponível em: < http://www.facef.br/rea/edicao10/ed10_art01.pdf>. Acesso em 01/02/2019. LOPES, D., & Zotti, M; 2017. SB Rural. Você sabe o que é a Zootecnia? Disponivel em:<https://www.udesc.br/arquivos/ceo/id_cpmenu/1043/caderno_191__1__15198245847549_1043.pdf >.Acesso em 01/02/2019. NAPOLITANO, F.; CAPORALE, G.; CARLUCCI, A.; MONTELEONE, E. 2007. Effect of information about animal welfare and product nutritional properties on acceptability of meat from Podolian cattle. Food Qual. Pref., 18: 305-312. OLIVEIRA, M.C., SCHALY, L.M. e CABRAL, M.C.M Análise do perfil do consumidor de produtos de origem animal. PUBVET, Londrina, V. 4, N. 20, Ed. 125, Art. 848, 2010. PEREIRA, L, K; et al. 2002. A necessidade de inovar: um estudo na industria de alimentos. Disponivel em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/adm/article/view/7131/6579> Acesso em: 01/02/2019. SATO, G. S.; MARTINS, V. A.; BUENO, C. R. F. 2007. Análise exploratória do perfil do consumidor de produtos minimamente processados na cidade de São Paulo. Inf. Econ., 37: 62-71. SOUKI, G, Q; et al. 2003. Atributos que afetam a decisão de compra dos consumidores de carne bovina. Disponivel em: <http://www.revista.dae.ufla.br/index.php/ora/article/view/238/235>. Acesso em 01/02/2019. VERDUME, A.; VIANNE, J. 2003. Consumer beliefs and attitude towards genetically modified food: Basis for segmentation and implications for communication. Agribusiness, 19: 91-113
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uem nos deu a honra da palavra no papel de entrevistado foi o Prof. Dr. Marcus Antonio Zanetti. Ele possui graduação em Medicina Veterinária, mestrado em Nutrição Animal e o doutorado em Ciências dos Alimentos pela Universidade de São Paulo, ainda realizou pós-doutorado em metabolismo mineral na Universidade da Flórida (1989-1990). Atualmente, é professor titular da Universidade de São Paulo e assessor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento e Científico e Tecnológico (CNPq). Sua área de atuação é Zootecnia, com ênfase em Nutrição de Ruminantes e Alimentação Animal, atuando principalmente nos seguintes temas: minerais, nutrição animal, bovinos, ovinos e selênio. “Dentro dos estudos zootécnicos, a nutrição animal ocupa grande parte do nosso tempo na graduação e a maior parcela do dinheiro dos produtores é designada a dieta dos animais.“
A princípio o senhor considera a nutrição animal um fator de influência dentro da produção animal/Zootecnia, por quais motivos? Sem querer “puxar a sardinha para meu lado” não há a menor dúvida de que a Nutrição Animal é um fator de influência dentro da produção animal/Zootecnia, por um motivo muito simples: na maioria das criações representa um custo de produção acima de 50%, ela é menor que 50% em explorações ditas extensivas ou mesmo extrativistas, só que neste caso dificilmente a exploração é viável nos tempos atuais. Quando cometemos um erro na nutrição corremos um sério risco de termos prejuízo na criação. Também não podemos ficar somente nos custos, sem alimentação adequada além de haver comprometimento no desenvolvimento do animal, ele não se reproduz e também não produz carne, leite, ovos, lã etc..
A arte, por assim dizer, de nutrir os animais é suscetível a alterações e/ou inovações atualmente? Explane a respeito do cenário histórico de inovações e mudanças. R: A arte de nutrir adequadamente os animais sempre foi e sempre será susceptível a alterações e/ou inovações, mesmo nos dias atuais. Antigamente a nutrição era praticamente uma arte, sem qualquer metodologia, era feita de maneira totalmente empírica. Somente quando começaram as análises químicas dos alimentos é que se pode ver que mediante uma
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combinação dos alimentos era possível aproximar ao máximo da composição do corpo do animal ou da necessidade deste. Depois disso, houve uma associação com as demais áreas, principalmente fisiologia, endocrinologia, microbiologia enzimologia, etc., quando foi verificado que para determinado estado fisiológico (crescimento, reprodução, lactação) era necessário um tipo ou associação de alimentos e que por outro lado, a falta de determinados alimentos ou nutrientes levava a quadros de deficiência. Com a descoberta dos diferentes nutrientes (carboidratos, ácidos graxos, aminoácidos, minerais e vitaminas) a nutrição ganhou grande impulso. Também foi verificada a diferença entre as espécies, principalmente no que se refere a ruminantes e não ruminantes, onde para os primeiros a microbiologia foi de fundamental importância para o desenvolvimento da Nutrição. Posteriormente com os avanços da genética, além da variação entre as espécies, surgiram espécies melhoradas com necessidades específicas de nutrientes, geralmente animais de crescimento rápido e com grande demanda de nutrientes. Com o sequenciamento do genoma humano (1990-2003), pensou-se que todos os problemas seriam solucionados, tantos de doenças quanto de nutrição, mas não foi isso que aconteceu, foi verificado que com a nutrição é possível alterar a expressão gênica, ou seja, o gene está lá, mas pode ser “ligado” ou “desligado” com a nutrição e isto é simplesmente fantástico! A Nutrigenômica estuda a influência dos fatores dietéticos nos genes, na expressão gênica mais especificamente, e isto abriu um campo enorme de pesquisa para o futuro, é uma inovação quase que sem limite!
Considerando um plano futuro, ainda existem possibilidades para melhorias e inovações? Sempre houve e sempre haverá possibilidade para melhorias e inovações, atualmente “a bola da vez” é a nutrigenômica!
Com que velocidade o setor produtivo instaura, se o faz, as “descobertas inovadoras”? Ou no ramo da nutrição este cenário é inverso e quem inova são os produtores? Se possível aborde um pouco o processo de novas descobertas e busca por inovações. Geralmente o Setor produtivo demora em incorporar as descobertas inovadoras, principalmente no Brasil, onde a interação entre a pesquisa e a extensão é falha. Muitas vezes a Universidade gera o conhecimento, mas até chegar ao produtor leva muito tempo ou nem chega, a não ser para a parcela mais esclarecida deles. Alguns inclusive não se contentam com o que existe no nosso pais e buscam conhecimento no exterior! É difícil a inovação partir do produtor, mas não impossível, principalmente no campo do manejo, uma vez que o brasileiro é muito criativo. Na área da nutrição é mais difícil, mas também não é impossível a inovação por parte dos produtores, mas não é rotineiro.
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Falando um pouco sobre sua área de atuação, os minerais estudados as minúcias deveriam ser questão basal para a nutrição animal, ou são considerados novidade no âmbito produtivo? Apesar de ter se especializado na área de minerais, sempre dei ênfase para os macronutrientes: energia e proteína, sem eles os animais não produzem nem se reproduzem, mas quando buscamos racionalizar e principalmente maximizar a produção, temos que partir para minúcias ou detalhes e é impossível maximizar a produção sem dar a devida atenção aos minerais. Boa parte dos produtores conhece a importância dos minerais e fazem a suplementação, mas se considerarmos os animais criados a pasto, principalmente, não é raro estes animais receberem apenas o famoso “sal branco”, ou seja, constituído apenas por NaCl (cloreto de sódio).
Em sua opinião, quais são os futuros passos para redefinir a nutrição de ruminantes a fim de marcar positivamente o setor produtivo? A nutrição de ruminantes é extremamente complexa. Antigamente pensava-se que era a nutrição dos não ruminantes que era complexa porque precisavam dos vários aminoácidos e de vitaminas e minerais, enquanto que para ruminantes bastava apenas PB (proteína bruta) e NDT (nutrientes digestíveis totais). Com o tempo verificou-se cada grupo de microrganismo ruminal, possui um metabolismo diferente e que o ruminante utiliza a maioria dos nutrientes que ingere “para alimentar” seus microrganismos e não a si próprio, só depois que utiliza os microrganismos “que alimentou”. Estão sendo estudados meios de estimular ou de reprimir alguns tipos de microrganismos com a finalidade de maximizar a utilização dos nutrientes e também de proteger parte dos nutrientes do ataque pelos microrganismos ruminais, a fim de que sejam absorvidos intactos.
Ou os novos cenários sociais como crescimento do veganismo e aumento do público consumidor preocupados com o bem-estar animal forcem um processo inverso no desenvolvimento de dietas, tornando o preço e o desempenho produtivo, fatores secundários? Não há dúvida de que há um movimento importante preocupado com o bem-estar animal e também com o consumo de produtos orgânicos, e isto pode levar a um processo inverso ao do desenvolvimento de dietas para maximizar a produção. A Zootecnia e a nutrição animal devem estar preocupadas em fornecer opções para este tipo de exploração, ela não pode simplesmente regredir ao que era antigamente, porque a produção seria extremamente baixa e insuficiente para a população atual. Não há dúvida de que os custos serão maiores e secundários à maior qualidade dos produtos.
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Se tratando de novidades do momento, na nutrição animal hoje a procura por ingredientes alternativos para a alimentação animal é a bola da vez ou se busca algum divisor de águas assim como foi o Nitrogênio inorgânico para os ruminantes no passado? Como já afirmamos a “bola da vez” hoje na nutrição animal é a nutrigenômica, mas a procura por ingredientes alternativos para a alimentação sempre foi e sempre será importante, uma vez que ela ataca o que é de mais significativo na produção animal, que é o custo da alimentação. Sempre estão surgindo novos processos na produção de alimentos e com isso novos resíduos ou subprodutos que podem ser importantes para a nutrição animal.
Por fim, considerando a sua graduação em Medicina Veterinária, mas a formação acadêmica em nutrição animal, o quão impactante é a zootecnia e/ou deveria ser no desenvolvimento de melhorias e inovações para a nutrição animal? A graduação em Medicina Veterinária foi de grande importância para a minha formação acadêmica em Nutrição Animal. Na teoria, o Zootecnista leva uma grande vantagem com relação ao veterinário quando saí da Faculdade, mas em compensação, o curso de medicina veterinária oferece uma base muito boa em anatomia e fisiologia, considerando as demais disciplinas como p. ex. bioquímica, microbiologia etc. como semelhantes. Para quem lida com nutrição animal, o conhecimento da bioquímica, anatomia e da fisiologia, p. ex., são importantíssimos, infelizmente os alunos têm dificuldade em entender isso, geralmente só se interessam por disciplinas nas áreas de aplicação, mas como aplicar sem ter uma base sólida nas disciplinas das áreas básicas, ligadas ao funcionamento do animal como um todo? Quanto à inovação, entendo que a Zootecnia oferece e sempre ofereceu muito mais condições para inovação do que a Medicina Veterinária, principalmente pelo conjunto de disciplinas na área de Nutrição Animal e também pela carga horária disponível.
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agricultura familiar é um setor de suma importância para o desenvolvimento da sociedade brasileira, representa 33% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio e produzindo 80% dos alimentos consumidos e, tem a capacidade de erradicar a fome mundial e alcançar a segurança alimentar sustentável de acordo com a ONU (2014). Sua existência não fica restrita ao meio rural, podendo tomar espaço urbano e periurbano. Por conta disso, é considerada como um setor estratégico seja para a recuperação e manutenção do emprego, para a redistribuição da renda, o desenvolvimento sustentável e para a garantia da soberania alimentar do país (IBGE, 2006). As inovações são muito importantes para o setor agropecuário pois facilitam o dia a dia do produtor, melhorando a sua produtividade. Sendo assim, o produtor familiar tem que acompanhar essas inovações para melhoria de sua produção. Os pequenos agricultores produzem em pequena escala, tendo uma margem de lucro também pequena, gerando competitividade com os concorrentes que se enquadram na mesma situação em relação à redução de custos. De acordo com o Relatório do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS de 2014, pouco mais de 70% dos alimentos consumidos no Brasil são produzidos pelos pequenos e médios agricultores.
Independente do tamanho da propriedade são necessários investimentos em inovações e, para que isso ocorra, é necessário um aprendizado voltado para o desenvolvimento de estratégias. Esse conhecimento de redes de inovações pode gerar competitividade entre os proprietários rurais, uma competitividade sustentável. Segundo Schumpeter (1934), a inovação é a busca de desenvolvimento econômico que gera vantagem competitiva distintiva aos agentes econômicos, logo, inovação é um reflexo de elementos de busca, seleção e implementação, sendo o desempenho da propriedade crescente de acordo com o modo como esses elementos são inseridos no seu dia a dia. Apesar de a tecnologia ter função determinante em todo o desempenho de uma propriedade, seja econômico, financeiro ou produtivo, vale apontar que os efeitos esperados nem sempre irão corresponder à expectativa ou necessidade do agricultor. Muitas tentativas de modernização no sistema de produção podem fracassar, pois não reconhecem as características da propriedade. Para entender e adotar as tecnologias, deve-se caracterizar o sistema de produção e do estabelecimento rural. Começando pelo sistema de produção, que pode ser intensivo, extensivo ou outro e, considerando a localização da propriedade em relação às redes de
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comércio que fornecem insumos, até chegar às características do solo e topografia, etc. Essas variáveis e as interações entre elas são fatores que determinam a adoção de tecnologias. No setor agropecuário do Brasil, temos muitas diferenças entre regiões, algumas recebem mais informações que outras e, por isso são mais modernizadas. O nordeste é a região que mais sofre com a falta de informação e tecnologia. Lá, o uso de serviços de orientações técnicas chega a apenas 8% dos produtores de acordo com o IBGE (2006) refletindo desigualdade na adoção de novos sistemas de tecnologia. Além das diferenças regionais, existem as desigualdades entre segmentos da agricultura, tais como a agricultura familiar e a agricultura patronal que muitas vezes estão localizadas na mesma região. É sabido que a localidade da propriedade influencia na hora de adotar certas tecnologias, de acordo com Abdulai e Huffman (2005). Agricultores que estão localizados em regiões com agroindústria, estradas e mercado local têm maior possibilidade de adotar novas tecnologias, podendo explorar seus recursos, e os recursos de regiões próximas. Quando falamos no tamanho da propriedade, devemos levar em consideração que certas ferramentas de tecnologias são inacessíveis para alguns agricultores, tais como grandes máquinas e muita mão de obra. Levando em consideração que o tamanho da propriedade pode ser expresso tanto em área quanto em escala de produção. Por conta de tamanho de propriedade, os pequenos
agricultores apresentam dificuldades em adotar tecnologias por falta de capital e crédito, enquanto grandes agricultores possuem um apoio governamental maior porque podem utilizar a terra como garantia. Com isso, os grandes agricultores têm a facilidade de adotar tecnologias mais caras e com uma frequência maior, deixando aos pequenos agricultores espaços específicos no mercado. Além do tamanho devemos levar em consideração as condições físico-ambientais tais como clima, topografia, tipo de solo e disponibilidade hídrica que variam de uma microrregião para outra. Inclusive, muitas vezes pode ocorrer essa variação dentro de uma única propriedade. Conforme Heffeernan e Green (1986) os problemas ambientais são mais comuns em pequenas propriedades, pois geralmente são localizadas em áreas com solos mal drenados, com risco de erosão e topografia desfavorável, tendo o grande agricultor vantagens nas condições físico-ambientais. A desigualdade entre regiões pode ser exemplificada com o rebanho bovino, para o qual muitas das tecnologias de rastreamento são utilizadas em grandes propriedades que se localizam próximas de frigoríficos para exportação, sendo menos utilizadas nas propriedades mais distantes. Assim, existe grande heterogeneidade quando falamos de tecnologia empregada na agropecuária e devemos analisar a fundo quais são os motivos que bloqueiam e limitam as inovações tecnológicas. Apesar da análise regional, ainda nos questionamos por que existem produtores que inovam e
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outros não e, quais os fatores que explicam suas decisões? Com base nos dados do Censo Agropecuário que foi examinado por Buainainet al. (2002) foi verificado que os agricultores familiares não investiam em processos que aumentavam a produtividade pois o principal obstáculo é a falta de recursos financeiros. Além disso, existem outros fatores condicionantes, sendo os mais comuns, tamanho da propriedade, capital humano, disponibilidade de crédito, falta de domínio sobre a terra e falta de outros insumos. O capital humano é uma das variáveis que têm mais impacto sobre a propriedade. Produtores com experiência longa na agricultura tem um desempenho maior quando comparados com produtores que sofreram processo de desruralização. A experiência é um fator extremamente importante para o aumento da produtividade e, para poder contar com as ferramentas e padrões de segurança dos alimentos. Com o passar dos anos os consumidores estão ficando mais exigentes, aumentando a pressão do mercado para adoção de práticas relacionadas à segurança do alimento e meio ambiente. E, não apenas a experiência é importante, mas também se faz necessária a disponibilidade da informação. E, um dos indicadores de informação é o nível de escolaridade e a formação profissional, tendo, além da experiência de vida e o compartilhamento de informações com diferentes produtores, aumentando o conhecimento e rompendo com a rotina em que se
encontram (FAO, 1994 e LACKY, 1998). Outra variável é a aversão ao risco, pois a inovação traz muitas inseguranças ao agricultor. Mesmo a inovação sendo uma variável muito utilizada ainda tem a probabilidade de riscos independentemente da quantidade de informações disponíveis. Os agricultores são tomados por muitas incertezas causadas pelos riscos climáticos e variações de preço, dificultando o seu acesso a ferramentas de inovação. A condição fundiária é uma variável que não são todos os agricultores que enfrentam, apenas os que são arrendatários e parceiros, pois possuem horizontes de planejamento menores que os do proprietário. De acordo com o Nowak (1987), quando a gestão da propriedade se encontra no domínio do proprietário, o investimento em tecnologias é maior quando comparado com a gestão de arrendatários. Quando o contrato do arrendatário é de curta duração e informal, além de não terem condições de investir em tecnologia, possuem maior dificuldade em acesso a crédito (Almeida e Buainain, 2005). A organização do produtor está sendo o maior impasse para a gestão de sua propriedade. Sendo assim, uma inovação é a causa de impacto direto na capacidade de produção e eficiência dos recursos dos produtores. O produtor, dessa forma pode estar ligado a uma cooperativa ou associação de produtores que lhe oferece informações, comprometimento com o projeto realizado pelo produtor e a gestão das atividades da
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propriedade, sendo a cooperativa uma variável de adoção de tecnologia. A falta de organização na propriedade acarreta em problemas de padronização, entrega, estocagem e transporte, tornando os produtores reféns de comerciantes. A rentabilidade em geral da agricultura pode ser afetada direta ou indiretamente pelas políticas estatais, quando ocorrem mudanças na política comercial e alteração de preços que afetam a rentabilidade da produção, com reflexos nos mercados que podem ter como consequência uma maior sensibilidade do produtor em relação à garantia de preços e seguros de seus produtos. Sem a garantia de estabilidade, para reduzir riscos os produtores se retraem deixando de investir em novas tecnologias. Os produtores parecem ter preferência por inovações que reduzam o tempo e o trabalho físico e, aumentam a produtividade e a eficiência. Porém, mesmo que haja
informação suficiente para que os produtores adotem essas inovações ainda há uma grande barreira econômica que os impede. Em algumas regiões do país, a disponibilização de informações vem por meio do uso de aplicativos que estão tomando espaço na agricultura e, que podem auxiliar na gestão da propriedade, na busca e armazenamento de informações. Para inovar em sua produção, o produtor tem muitas variáveis para observar e adotar as inovações que serão benéficas para a sua propriedade sem ter gastos desnecessários. O que cabe de inovação em uma propriedade, muitas vezes não é eficiente em outras, pois cada propriedade tem a suas características e as variáveis a serem observadas variam muito. O proprietário ou consultor tem a responsabilidade de inovar de acordo com as características e barreiras que a propriedade enfrenta.
Referências GUILHOTO, Joaquim JM et al. A importância da agricultura familiar no Brasil e em seus estados. Brasília: NEAD, 2007. ONU reforça a importância da agricultura familiar. Governo do Brasil, 2014. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2014/10/onu-reforca-a-importancia-da-agriculturafamiliar. Acesso em: 10 jan. 2019. SILVA, Oberdan Teles et al. Inovação em Pequena Propriedade Rural: Uma Perspectiva Teórica. Revista Gestão e Desenvolvimento, v. 14, n. 1, 2017. SOUZA FILHO, Hildo Meirelles et al. Condicionantes da adoção de inovações tecnológicas na agricultura. Cadernos de Ciência & Tecnologia, v. 28, n. 1, 2011.
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área da biologia molecular está em ascensão e tende a crescer ainda mais dentro da produção animal. Alinhando esta informação com a temática desta edição do “O Balido”, acredito que seja importante que você, leitor, entenda ao certo do que se trata, em especial às ciências ômicas. Portanto, trago a vocês uma entrevista com o Doutor Heidge Fukumasu, professor da FZEA/USP. O professor Heidge Fukumasu é formado em Medicina Veterinária e, atualmente ministra as disciplinas de Biologia Molecular e Biologia Molecular Aplicada dentro do curso de Zootecnia. Seu doutorado foi na área de Patologia Experimental e Comparada e sua livre docência em Oncologia Experimental e Comparada. Sua linha de pesquisa, atualmente, abrange desde a genômica aplicada à produção de ruminantes até os mecanismos moleculares associados à eficiência alimentar de bovinos Nelore.
É inegável que dentro da zootecnia existem avanços constantes tanto científicos quanto tecnológicos. Como o senhor classifica estes avanços dentro da sua linha de pesquisa? Todos os setores da cadeia produtiva têm avançado tanto científica quanto tecnologicamente de forma constante, uns com velocidades maiores que os outros, evidentemente. A linha de pesquisa sobre a compreensão e o uso da biologia molecular nos sistemas de produção de proteína animal é provavelmente uma das que mais avançam comparativamente. Por exemplo, hoje o uso de marcadores moleculares no melhoramento genético é realidade em diversos sistemas produtivos seja para a seleção genética, como para a identificação de portadores de alelos ligados a doenças. Outro exemplo, é o avanço que as técnicas moleculares de sequenciamento de próxima geração (Next Generation Sequencing) têm provido os pesquisadores seja para detecção de alelos causais, compreensão de fenótipos por expressão gênica global, análises de microbioma, etc. Aliás, é cada vez mais clara a importância da microbiota (não apenas do trato gastro intestinal) para os diversos fenótipos em humanos e animais e isto se deve principalmente pelo avanço nas técnicas de sequenciamento hoje disponíveis para caracterização de populações inteiras de microorganismos, coisa que até pouco tempo atrás era impossível.
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Professor, atualmente têm se falado muito sobre as ciências ômicas dentro da produção animal. Como o senhor define as ciências? Ômica é um sufixo utilizado para caracterizar o estudo do "todo". Proteômica visa identificar todas as proteínas de determinada amostra biológica; genômica visa identificar todo o genoma (ou genomas) de determinados seres; lipidômica os lipídeos; metabolômica os metabólitos; e por aí vai. Claro que ainda há limitações técnicas que por vezes impedem a detecção de todas as proteínas ou lipídeos ou outras classes de moléculas, mas a ideia é esta.
Em sua opinião, quão importante é um zootecnista entender sobre estes estudos? Antes de comentar sobre se saber ômica é importante para o futuro zootecnista, quero pedir licença para expor o seguinte raciocínio: a maior vantagem a meu ver de estudar na USP (sendo esta uma universidade com foco também em pesquisa) é ter uma formação diferenciada na graduação em relação às outras escolas pois em várias disciplinas é estimulado o aprendizado baseado em evidências científicas. O professor que também faz pesquisa na fronteira do conhecimento será sempre atualizado na especialidade que ministra aulas. Desta forma, ao aluno USPiano é geralmente disponibilizado conteúdo atualizado e assim quais são/serão as tendências de mercado nas diferentes áreas de trabalho do profissional. É evidente que daqui 5, 10, 15 ou mais anos dependendo da área, novas tecnologias e aplicações surgirão e o profissional deverá estar preparado para entender e sair na frente dos demais. Assim ao meu ver, o aluno deve ainda ser preparado a "aprender a aprender" o que significa que quando estiver no mercado de trabalho deverá ter condições de se manter atualizado nas diferentes áreas de atividades, não eximindo a necessidade de atualização por cursos e afins, claro. Portanto, abordagens que estimulem os alunos a serem mais protagonistas no seu próprio aprendizado devem ser estimuladas. Dito isto, quero voltar à importância do zootecnista entender os estudos de ômicas: são com estes estudos que se faz ciência gerando informação fundamental para compreensão holística dos fenótipos (aos leigos: ganho de peso, maciez, produção de ovos, eficiência alimentar, etc) que são tão importantes nos sistemas produtivos. Afinal, o que o zootecnista (ou o médico, ou veterinário, etc) faz? Trabalha essencialmente com fenótipos! Compreendendo a fundo os fenótipos, podemos modulá-los de forma cada vez mais eficiente, com abordagens específicas como componentes dietéticos específicos para atuar sobre determinada via metabólica que é componente de um fenótipo específico.
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O senhor poderia nos dar um exemplo prático da aplicação de alguma ciência ômica? Claro. Vou contar o que temos desenvolvido nos 10 anos desde que estou na FZEA. O nosso grupo trabalha especificamente com a eficiência alimentar (EA) em bovinos de corte. De forma simplificada, estudar EA é importante pois animais mais eficientes consomem menos para produzir a mesma quantidade de proteína animal. Assim, é evidente que do ponto de vista econômico determinar animais mais eficientes, ou fazer com que eles se tornem mais eficientes é muito importante. Mas também não devemos esquecer que se um animal precisa comer menos para produzir a mesma quantidade de produto há também um menor efeito ambiental pela menor produção de dejetos e gases de efeito estufa, o que torna animais com melhor EA mais rentáveis e sustentáveis. Um ponto muito importante é que se os animais estão à pasto ou no confinamento, é virtualmente impossível saber qual é eficiente ou não, apenas de olhar para eles já que não há controle de quanto cada animal ingere de forma individualizada. Ou seja, num determinado rebanho tem animais que comem mais que os outros e podem até produzir menos. Outro ponto é que a EA é uma característica extremamente complexa na qual há efeitos variados genéticos e ambientais, o que significa que não existe um gene apenas responsável pela EA, por exemplo. Pois bem, qual é nosso grande objetivo? Nós buscamos compreender a fundo a EA com a finalidade de gerar tecnologia para identificar os animais quanto a EA, possibilitando um manejo e nutrição adequados para os diferentes grupos de animais em um mesmo rebanho. Uma ideia parecida com a personificação das dietas em humanos, a partir de dados genéticos, por exemplo. Esta tecnologia tem que ser eficiente e barata ao mesmo tempo, o que torna ainda mais tortuoso o nosso caminho. Para isto, temos caracterizado a EA em bovinos Nelore a partir de vários experimentos ômicos: analisamos o transcriptoma (todos os RNAs mensageiros expressos) de vários órgãos relacionados à EA; analisamos o proteoma do fígado dos animais; analisamos também o metaboloma do sangue dos animais dentre outras abordagens mais específicas. Com todas estas informações e utilizando ferramentas avançadas de bioinformática, já identificamos vias, genes, marcadores e metabólitos de interesse associados à EA que estão em vias de validação em mais animais. Como exemplo, nossos trabalhos identificaram e provaram pela primeira vez que há inflamação exacerbada em animais com pior EA e mais recentemente conseguimos determinar que a causa desta maior inflamação se dá pela maior presença de bactérias no fígado dos animais de BEA em relação aos de AEA. Temos direcionado nossos esforços agora para a compreensão de quais microorganismos são importantes para um animal ter boa EA, o que possibilitará no futuro abordagens de modulação da microbiota destes animais. Outro trabalho interessante determinou que existem metabólitos no sangue que distinguem os animais de alta e baixa EA, abrindo caminho para um futuro teste de sangue para determinar a EA dos animais e poder direcionar o manejo e nutrição destes animais. Chamo a atenção que todos estes trabalhos foram realizados em sua maioria por alunos da zootecnia formados na nossa escola.
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Além das ciências ômicas, existe uma gama de inovações que visam o bom desenvolvimento da produção animal. Em sua opinião, qual (quais) avanço (s) que está (ão) contribuindo para o crescimento da zootecnia? O maior avanço recente na área é com certeza a possibilidade de edição genômica com as ditas "tesouras moleculares", sendo o sistema mais famoso o CRISPR-Cas9. A possibilidade de editar os genomas com grande acurácia gerará um ganho no melhoramento genético nunca antes visto. Hoje já se tem disponível ferramentas que possibilitam a edição dos alelos de genes e que a partir do momento que selecionamos os mais favoráveis, estes podem ser editados/selecionados num mesmo animal, gerando um ganho tremendo em apenas uma geração! Há ainda a vantagem destes animais não serem transgênicos já que não há inserção de transgene algum, apenas a modificação de alguns nucleotídeos dos próprios animais. Claro que isto é futuro ainda, mas já existem exemplos reais demonstrando que a tecnologia funciona como bovinos resistentes ao calor ou sem chifres gerados pela UC-Davis em parceria com a empresa Recombinetics.
Professor diga aos nossos leitores as perspectivas da zootecnia no que diz respeito aos avanços na biologia molecular. Enquanto trabalharmos com animais e estes continuarem sendo seres biológicos, a biologia molecular continuará sendo uma das bases para a produção de novas ferramentas para a zootecnia do futuro.
Para finalizar, em seu ponto de vista, numa visão geral, como a zootecnia contribui para o desenvolvimento do Brasil? Eu considero a zootecnia essencial para o Brasil, já que somos um dos grandes fornecedores de alimentos para o mundo e boa parte destes alimentos é de origem animal. Além disso, mais de 20% do PIB brasileiro é AGRO, empregando 1 a cada 3 trabalhadores brasileiros (dados CNA, Panorama do Agro). Ou seja, quem trabalha diretamente com os sistemas produtivos tem uma grande responsabilidade com o desenvolvimento do nosso país. Sou veterinário (USP, 2003) e fiz meu doutorado em patologia experimental que é uma área médica, mas sou muito realizado com a possibilidade de inovar utilizando a ciência dentro da zootecnia, seja em nossa linha de pesquisa, seja colaborando com outros pesquisadores.
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e forma geral, nos sistemas de produção, buscam-se medidas para atingir maior lucratividade nas atividades. Parte desse processo pode ser considerada como a capacidade de aliar uma maior produtividade a um menor custo. Essa necessidade apresenta-se em todos os aspectos da produção e, em especial, na área da nutrição animal, com o desafio de fornecer uma dieta rica em nutrientes por um preço que caiba no bolso do produtor, levando-se em consideração que a alimentação é responsável por cerca de 70% dos custos produtivos (de acordo com dados do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal - CBNA, 2015). Essencialmente, os ingredientes utilizados na composição de rações são o grão de milho e o farelo de soja, considerados, respectivamente, como fontes energética e proteica. No entanto, alguns fatores dificultam a utilização desses ingredientes. Entre os principais obstáculos, encontramse o valor a ser pago pelo produto (geralmente elevado) e, a instabilidade no comércio. Deste modo, a procura por alimentos alternativos capazes de substituir ou reduzir o uso dessas matérias-primas, porém, mantendo a eficiência nutritiva, passa a representar esforço significativo para os pesquisadores e produtores. Dentre as possibilidades, os principais alimentos alternativos para os diferentes tipos de criações são:
Para bovinos: Sorgo: o sorgo é um cereal rico em amido, com teor de proteína bruta e de fibra pouco superiores ao do milho. Seu preço gira em torno de 70 a 80% do preço do milho (MILKPOINT, 2018). Milheto: o milheto pode ser utilizado na produção de silagem em locais com déficit hídrico. A proporção do gérmen do grão de milheto é duas vezes maior quando comparada a do sorgo, o que auxilia no seu alto valor nutritivo. O teor de proteína do grão de milheto varia de 8,8 a 20,9% de proteína bruta (MILKPOINT, 2018).
Para equinos: Polpa cítrica: A polpa cítrica é um subproduto da fabricação de suco concentrado pela indústria citrícola, sendo constituído de cascas, sementes, bagaço e frutas descartadas. A polpa de citros peletizada possui um valor energético que gira em torno de 8590% do valor do milho, e menor teor em proteína bruta (MILKPOINT, 2018). Resíduo de cervejaria: O resíduo úmido de cervejaria é o subproduto gerado pela indústria após a remoção do amido dos grãos de cereais, para a fabricação de álcool. Este resíduo contém de 25 a 30% de matéria seca (MILKPOINT, 2018).
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Para suínos: Fontes energéticas idênticas ao milho (sorgo, milheto e grão de arroz); Fontes alternativas de energia com nível de proteína mais elevado do que o milho (farelo de arroz integral e semente de girassol); Formas alternativas de fornecimento de proteína (farelos de algodão e de girassol e sementes de leguminosas); Alternativas de fontes de proteína com baixa energia (feno de leucena e folha de mandioca).
Para a criação de codornas: Palma forrageira: A palma forrageira é utilizada na alimentação animal por ser uma planta adaptável ao sertão. Em forma de farelo, há a possibilidade de substituir o milho em até 5% na dieta das codornas (OLIVEIRA, SANTOS e CUNHA, 2014). Subprodutos de castanha de caju: o farelo de castanha de caju possui níveis de proteína bruta de 22,39% em sua matéria seca. Esse subproduto pode substituir tanto o milho como o farelo de soja na alimentação das aves (OLIVEIRA, SANTOS e CUNHA, 2014).
Para aves: Trigo e triticale: o trigo possui 10% menos energia do que o milho, porém com maior percentual de proteína, sendo bom utilizá-lo em aproximadamente 20% da dieta. O triticale é um grão utilizado principalmente para a produção de rações. Na dieta, substitui o milho em proporções de até 75% (MULTITÉCNICA BLOG, 2017).
Os alimentos alternativos e a questão social: Além do que representa em termos de custos de produção, a questão da forma de alimentação levanta uma discussão bastante importante que é o fato de produzirmos proteína de origem animal, que atende uma parte das populações humanas, como base em matérias primas que também servem de alimento para o homem e que poderiam representar menor custo e maior disponibilidade para um número maior de pessoas. Este fato tem contribuído para que profissionais da área busquem cada vez mais encontrar alimentos que, além de mais baratos, não gerem competição entre homem e animal, de forma a permitir maior oferta de alimentos de maneira geral.
Para peixes: Insetos: os insetos (como saúvas e cupins) podem servir como fonte de proteína para os peixes (GESTÃO NO CAMPO, s.d.).
Para ovinos e caprinos leiteiros: Farelo de amendoim: O farelo de amendoim possui valor nutricional superior ao do farelo de algodão, bem como características bastante semelhantes às do farelo de soja (MILKPOINT, 2018).
Dentro da produção animal, a alimentação tem um papel muito importante, tanto no desenvolvimento da produção
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quanto no rendimento financeiro do criador. Por esse motivo, há muitos anos profissionais da área vêm estudando e desenvolvendo alimentos alternativos, fazendo com que hoje seja possível concluir que estes alimentos possam ser a solução para minimizar custos, aumentar a
disponibilidade e também enfrentar a questão do impacto da produção animal sobre as áreas agricultáveis do planeta. Deste modo, com todos os seus benefícios, essa alternativa vem ganhando um grande espaço na produção animal.
Referências COLÉGIO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO ANIMAL - CBNA. III Congresso sobre Tecnologia da Produção de Alimentos para Animais. 2015. Disponível em: <http://www.cbna.com.br/site/Eventos/Realizados/CBNA-realiza-proximo-evento-em-Maringa-(PR)> Acesso em: 16 de janeiro de 2019. GESTÃO NO CAMPO. Alimentação alternativa de peixes. s.d. Disponível em: <http://www.gestaonocampo.com.br/biblioteca/alimentacao-alternativa-de-peixes/> Acesso em: 16 de janeiro de 2019. MANGALARGA PATRIOTA. Alimentos Alternativos para Equinos - Mais um Resumo Interessante!. 2012. Disponível em: <http://mangalargapatriota.blogspot.com/2012/02/alimentosalternativos-para-equinos.html> Acesso em: 16 de janeiro de 2019. MILKPOINT. Alimentos alternativos na nutrição de bovinos. 2018. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/educapoint/alimentos-alternativos-na-nutricao-de-bovinos211277/> Acesso em: 16 de janeiro de 2019. MULTITÉCNICA BLOG. Nutrição animal: conheça alguns alimentos alternativos para alimentar bovinos, aves e suínos. 2017. Disponível em: <https://blog.multitecnica.com.br/nutricao-animalalimentos-alternativos> Acesso em: 15 de janeiro de 2019. OLIVEIRA, H.F.; SANTOS, J.S.; CUNHA, F.S.A. A utilização de alimentos alternativos na alimentação de codornas. Revista eletrônica Nutritime, vol.11, p.3683-3690, 2014. Disponível em: <http://www.nutritime.com.br/arquivos_internos/artigos/ARTIGO272.pdf> Acesso em: 21 de janeiro de 2019. ROGERIO, M.C.P. et al. Alimentos alternativos e alimentação de ovinos e caprinos leiteiros. 2014. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1000671/alimentosalternativos-e-alimentacao-de-caprinos-e-ovinos-leiteiros> Acesso em: 21 de janeiro de 2019. SILVA, I.R.; ARAUJO FILHO, R. R. M. Alimentos alternativos: dieta nutritiva com custo acessível. 2018. Disponível em: <http://petzoofzea.com.br/?p=2809> Acesso em: 15 de janeiro de 2019.
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busca por eficiência e otimização na produção animal ocasionou o desenvolvimento de pesquisas com o intuito de tornar as atividades zootécnicas mais precisas, a fim de controlar os efeitos das diversas variáveis e de melhorar a condição de avaliação e de tomada de decisão. Nessa perspectiva, apresentou-se a “zootecnia de precisão”. Aquilo que, atualmente, chamamos de “agricultura de precisão” começou a se moldar a partir do início do século XX, tornando-se acessível ao produtor a partir da década de 80. Com o crescimento da tecnologia e, consequentemente, o desenvolvimento de aparelhos como microcomputadores, softwares e sensores e, com a incorporação de algumas áreas da automação (como mecânica, eletrônica e informática) na produção animal, introduziu-se, de fato, a zootecnia de precisão na atividade. Pode-se dizer que o ponto alto desse conjunto de tecnologias é a disponibilidade da informação em tempo real, fornecida pelo processamento digital de sons e de imagens dos sistemas. Dessa forma, há a rápida identificação de falhas, o que possibilita imediata correção, resultando na diminuição de perdas. Em decorrência disso, há também uma possível melhora na qualidade de vida do produtor, visto que o emprego desses instrumentos gera liberação de tempo para a execução de outras atividades (incluindo as de lazer).
Assim, a base da zootecnia de precisão é a tecnologia da informação: ambas se expandem de forma diretamente proporcional. Dentro deste contexto, se relaciona a denominada pecuária high-tech (ou também a agricultura high-tech), que consiste em aliar as mais recentes inovações tecnológicas com o campo. De acordo com um estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), cerca de 61% dos produtores já utilizam smartphones, e, entre aqueles que possuem internet, 96% fazem uso de algum aplicativo de troca de mensagens, aumentando a comunicação entre os ambientes rural e urbano. A introdução dessas novas tecnologias nas fazendas está transformando as relações entre produtores e consumidores, o que interfere na quantidade e qualidade dos produtos, bem como propicia novos negócios e oportunidades. Alguns exemplos de uso da zootecnia de precisão são: Rastreabilidade: através da utilização de sistemas eletrônicos de identificação animal (bolus, brincos e bottons), bem como programas computacionais, há o registro do comportamento zootécnico e das questões sanitárias do rebanho (que são avaliadas individualmente).
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A rastreabilidade permite ao consumidor ter acesso aos dados do produto que irá adquirir, garantindo maior segurança na compra.
dias respectivamente após a cobertura. Este aparelho foi desenvolvido com a função de facilitar o diagnóstico precoce da prenhez, que pelo método comum pode ser detectada somente após 60 dias a monta ou inseminação, através da palpação manual. O equipamento otimiza o manejo, diminuindo os níveis de estresse. O aparelho funciona da seguinte maneira: “ondas mecânicas de frequência ultra-sônica e de baixa potência são enviadas para dentro do corpo do animal através de um transdutor, e, após se refletirem nas artérias, veias, coração ou válvulas, retornam ao transdutor produzindo sinais elétricos que são amplificados e, um som equivalente ao batimento cardíaco fetal pode ser ouvido pelo perito. O perito, ao fazer a palpação transretal, leva preso em seu dedo o transdutor ultrassônico e realiza então a varredura sobre o útero, procurando os batimentos cardíacos fetais” (Portal Biossistemas, 2011).
Medidas de bem-estar animal: também visando observar o comportamento animal, são utilizadas ferramentas como análise de imagens (em galpões de confinamento), GPS (por exemplo: no monitoramento de ovelhas no pasto) e detectores infravermelhos (como para a mensuração da atividade de suínos). Em relação à ambiência, dispositivos termográficos são utilizados para garantir conforto aos animais.
Avicultura (modelo Blue House): Com as devidas programações, o equipamento de modelo Blue House controla a luminosidade e a temperatura de cada parte dos galpões, nos quais os animais são divididos, com base na idade. Desta forma, as condições de ambiente que essa tecnologia proporciona geram mudanças comportamentais que aumentam os níveis de bem-estar dos animais e também ajudam na diminuição dos custos de produção (Portal suínos e aves, 2018.)
Medidas preventivas de sanidade animal: para evitar a redução da produtividade e o aumento das despesas por motivos de saúde, foram desenvolvidas ferramentas para o estudo de patologias, com o intuito de obter diagnóstico precoce e corrigir o problema rapidamente, a fim de diminuir as perdas. Exemplos da zootecnia de precisão nas criações: Bovino/Equideocultura: A Embrapa Instrumentação desenvolveu um aparelho que detecta prenhez em vacas e éguas com 100% de precisão, com 35 e 22
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Suinocultura: Um exemplo da zootecnia de precisão na suinocultura é o uso de decibelímetros para a avaliação da pressão sonora. Nas granjas suínas, os níveis de comodidade dos ruídos situam-se na faixa de 54 a 55 dB, sendo que quando ultrapassam os 60 dB são considerados críticos, podendo causar brigas e desconfortos entre os animais, acarretando em lesões. Bovinocultura de leite (bem-estar): Desenvolvido pela empresa DeLaval, o equipamento inovador funciona da seguinte maneira: através de um braço robótico presente no equipamento, cada teto é limpo com água e ar, em seguida os tetos são estimulados, pré ordenhados e secos antes da ordenha. Um jogo de câmeras óticas associadas a um laser duplo gera uma maior eficiência na visualização dos tetos, aumentando a velocidade na colocação das teteiras e na efetivação da ordenha. Um medidor de leite para cada quarto do úbere registra separadamente o fluxo, o tempo, o rendimento e a presença de sangue no leite e, em caso de anormalidade o equipamento realiza um desvio automático. Para manter a higiene no local da ordenha, a DeLaval® adicionou um sistema robotizado, que possui um coletor de esterco
integrado e um sistema de limpeza do piso para que as vacas possam ficar em um ambiente limpo e higienizado em todas as etapas da ordenha (MILKPOINT, 2018).
A zootecnia de precisão oferece aos produtores e profissionais, inovações, fruto de pesquisas, sempre visando melhorar a produção para poder acompanhar a demanda que cresce com o passar do tempo, mas sempre mantendo os padrões de qualidade. Quando colocadas no mercado, auxiliam o produtor a otimizar a sua produção, tornando o processo mais eficiente, aumentando a qualidade e agregando mais valor ao produto final. Por estes motivos, as tecnologias oferecidas pela zootecnia de precisão devem ser encaradas como investimentos, pois, se bem utilizadas, resultam em maior controle e, suportam o processo de tomada de decisão que garanta o retorno esperado pelo produtor.
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Referências CANAL RURAL. Zootecnia de precisão é saída de bom custo-benefício para potencializar a produtividade. 2017. Disponível em: <https://canalrural.uol.com.br/programas/zootecnia-precisaosaida-bom-custo-beneficio-para-potencializar-produtividade-66939/> Acesso em: 15 de janeiro de 2019. CANCIAN, H.; OLIVEIRA, L.P. Inserção da tecnologia na agropecuária: como tudo começou?. 2018. Disponível em: <http://petzoofzea.com.br/?p=2748> Acesso em: 14 de janeiro de 2019. EMBRAPA. Rastreabilidade da carne bovina. s.d. Disponível em: <https://www.embrapa.br/qualidadeda-carne/carne-bovina/rastreabilidade> Acesso em: 15 de janeiro de 2019. JORNAL DO COMÉRCIO. Produção agrícola high tech. 2018. Disponível em: <https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cadernos/empresas_e_negocios/2018/06/633722producao-agricola-high-tech.html> Acesso em: 15 de janeiro de 2019. MILKPOINT. Primeiro sistema de ordenha robotizado é inaugurado no Brasil. 2013. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/noticias-e-mercado/giro-noticias/primeiro-sistema-de-ordenha robotizado-e-inaugurado-no-brasil-83023n.aspx> Acesso em: 28 de fevereiro de 2019. NÄÄS, I. A. Uso de técnicas de precisão na produção animal. R. Bras. Zootec, v.40, p.358-364, 2011 (supl. especial). Disponível em: <http://www.sbz.org.br/revista/artigos/66291.pdf> Acesso em: 14 de janeiro de 2019. NÄÄS, I. A. Zootecnia de Precisão. s.d. Disponível em: <http://www.ufrrj.br/institutos/it/deng/varella/Downloads/IT190_principios_em_agricultura_de_pre cisao/livros/Capitulo_2.pdf> Acesso em: 14 de janeiro de 2019. PORTAL BIOSSISTEMAS - USP. Detector de prenhez para bovinos e equinos por ultrassom. 2011. Disponível em: <http://sites.usp.br/adonaijr/2011/02/09/detector-de-prenhez-para-bovinos-e-equinospor-ultra-som/> Acesso em: 25 de janeiro de 2019. PORTAL SUÍNOS E AVES. Novas tecnologias impulsionam a produtividade na avicultura. 2017. Disponível em: <https://www.portalsuinoseaves.com.br/novas-tecnologias-impulsionam-produtividadena-avicultura/> Acesso em: 30 de janeiro de 2019. VALE, M.M. Zootecnia de precisão e suas aplicações na produção animal. s.d. Disponível em: <http://www.agrarias.ufpr.br/portal/linave/zootecnia-de-precisao/> Acesso em: 14 de janeiro de 2019.
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Zootecnia é uma ciência que estuda e aperfeiçoa os meios de promover a adaptação econômica do animal ao ambiente criatório (FERREIRA et al., 2012). Sendo uma profissão de nível superior que visa desenvolver e aprimorar as potencialidades de produção dos animais domésticos e domesticáveis, por meio da alimentação, manejo, melhoramento genético, entres outras práticas com a finalidade comercial. No Brasil, a formação do curso de Zootecnia deu-se mediante as questões apresentadas por grupos de profissionais da área de agronomia e veterinária, no ano de 1952. No ano seguinte, foi realizado a III Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ), em Salvador-BA, sob a presidência do Dr. Octávio Domingues, em que foi aprovada pela assembleia de encerramento, por unanimidade, a seguinte proposta: “Considerando as falhas observadas no currículo das escolas de Agronomia e de Medicina Veterinária, se faz necessário a formação de profissionais zootecnistas em nosso país, ao passo que a SBZ reconheça e apoie o movimento, quanto a criação do ensino superior de Zootecnia, visando a capacitação de profissionais para o mercado de trabalho” (CRMV-RS, 2017). Dessa forma, a Zootecnia passou a ser uma vertente de conhecimento para os cursos superiores já existentes das Ciências
Agrárias, sendo inaugurado o primeiro curso de Zootecnia no Brasil, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Uruguaiana – RS, no dia 13 de maio de 1966, razão por esta data ser comemorado o “Dia do Zootecnista”, até os dias atuais. Após dois anos da inauguração do curso, este foi reconhecido pelo Ministério da Educação – MEC e regulamentado através da Lei 5550/68, em 04 de dezembro de 1968. Conseguinte, o curso conquistou maiores proporções, alcançando 107 cursos de Zootecnia registrados, os quais estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, de acordo com a Sinopse Estatística da Educação Superior (CRMV-RS, 2017). Em relação à fiscalização vigente das práticas de zootecnia, os órgãos competentes incluem os Conselhos Federais (CFMV) e os Regionais de Medicina Veterinária (CRMV), vinculação atribuída pela Lei 5550/68. Anteriormente à promulgação desta lei, era vigente a Lei 5.517/68, publicada em 23 de outubro de 1968, cujo texto expressava: “a fiscalização do exercício da profissão de Zootecnista será exercida pelos Conselhos Federais e Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, enquanto não instituídos os Conselhos de Medicina Veterinária ou os da própria entidade da classe”. A razão da mudança da lei, em um curto
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intervalo de tempo, deu-se pelo fato do exercício do profissional zootecnista não ser mais fiscalizado pelos Conselhos Federais e Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, sendo essa função atribuída somente aos Conselhos de Medicina Veterinária, no mesmo ano de 1968 (CRMV-RS, 2017). A carga horária de um profissional zootécnico pode chegar até 56 horas semanais, segundo as normas de responsabilidade técnica que estão contidas na Resolução CRMV-RS n° 02, de 21/06/2005. Dessa maneira, o número de empresas que o profissional poderá assumir como Responsável Técnico (RT) dependerá da quantidade de horas que consta no contrato de cada uma, bem como do tempo gasto para deslocamento entre uma empresa e outra, cabendo o próprio profissional gerenciar e organizar suas responsabilidades (CRMV-RS, 2017). Nos últimos anos, devido ao crescimento nas mais diversas áreas de atuação do zootecnista, contemplando o agronegócio nacional e internacional, proporcionou suas atividades não somente em fazendas com animais de produção, mas também em cargos de alta relevância no segmento agrícola e agropecuário que visam à preservação do meio ambiente e a saúde do ser humano (FERREIRA, 2006). Assim, conforme a Lei 5.550/68 de 04 de dezembro de 1968, a qual pode destacar como a principal legislação que regulamenta a profissão e o ensino da Zootecnia, define os indivíduos
que competem o exercício desta profissão que inclui i) portador do diploma expedido por Escola de Zootecnia oficial ou reconhecida e registrado na Diretoria do Ensino Superior do Ministério da Educação e Cultura; ii) o profissional diplomado no estrangeiro, que haja revalidado e registrado seu diploma no Brasil, na forma da legislação em vigor; iii) o Agrônomo e o Veterinário diplomados na forma da lei. Em relação ao emprego das atribuições legais, previstas no Art. 16 da Lei nº 5.517, de 23 de outubro de 1968 e pela resolução Nº 619 de 14 de dezembro de 1994 do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), competem ao profissional zootecnista a: i.) promoção do melhoramento dos rebanhos, abrangendo conhecimentos bioclimatológicos e genéticos para produção de animais precoces, resistentes e de elevada produtividade; ii.) supervisão e assessoramento na inscrição de animais em sociedades de registro genealógico e em provas zootécnicas; iii.) formulação, preparação, balanceamento e controle da qualidade das rações para animais; iv.) desenvolvimento de trabalhos de nutrição que envolvam conhecimentos bioquímicos e fisiológicos que visem melhorar a produção e produtividade dos animais; v.) elaboração/ orientação e administração da execução de projetos agropecuários na área de produção animal; vi.) supervisão, planejamento e execução de pesquisas, visando
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gerar tecnologias e orientações à criação de animais; vii.) desenvolver atividades de assistência técnica e extensão rural na área de produção animal; viii.) supervisão, assessoramento e execução de exposições e feiras agropecuárias, julgamento de animais e implantação de parque de exposições; ix.) avaliação, classificação e tipificação das carcaças; x.) planejar e executar projetos de construções rurais específicos de produção animal; xi.) implantação e manejo das pastagens envolvendo o preparo, adubação e conservação do solo; xii.) administração de propriedades rurais; xiii.) direção de instituições de ensino e de pesquisa na área de produção animal; xiv.) regência de disciplinas ligadas à produção animal no âmbito de graduação, pósgraduação e em quaisquer níveis de ensino; xv.) desenvolvimento de atividades que visem à preservação do meio ambiente. Visto as necessidades de melhorias do bem-estar na produção animal, no decorrer do tempo, foi desenvolvido um programa denominado “steps” que teve como objetivo oferecer treinamento, elaboração de um material didático e realização de capacitações e treinamentos para um abate mais humanitário. Em consequência, foi firmado o Acordo de Cooperação para a elaboração e
atuação do Programa Nacional de Abate Humanitário – Steps. Este acordo foi elaborado entre a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA-Brasil), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a União Brasileira de Avicultura (UBABEF) e Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS). E, em abril de 2009, foi realizado, em Brasília, a cerimônia para o Programa Nacional de Abate Humanitário. Neste programa foi elencada a elaboração de treinamentos, discussão e adequação na metodologia a ser aplicada em relação aos assuntos relacionados ao abate humanitário e confecção de todo o material didático utilizados nos treinamentos e cursos. O primeiro estado a receber estes treinamentos foi Santa Catarina e no período de um ano, todos os estabelecimentos de abate foram contemplados com o programa. Em março de 2010, os cursos para docentes, profissionais de frigoríficos e associações abrangeu a América do Sul. (STEPS, 2013) Portanto, a legislação que regulamenta a profissão e o ensino da Zootecnia é moldada de acordo com as necessidades que são elencadas. Podem permear as definições da profissão, bem como na sua área de atuação. De qualquer forma, a intenção das mudanças são as melhorias de atuação do profissional.
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Referências Zootecnia Brasileira: quarenta anos de histórias e reflexões / Associação Brasileira de Zootecnistas; organização Walter Motta Ferreira; colaboração Severino Benone Paes Barbosa … [et al.] Recife: UFRPE, Imprensa Universitária, 2006 CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DO RIO GRANDE DO SUL. Guia Básico de Legislação e Ensino em Zootecnia. Porto Alegre: [s. n.], 2017. Disponível em: http://www.crmvrs.gov.br/PDFs/GUIA_RT_ZOOTECNIA.pdf. Acesso em: 31 jan. 2019. FERREIRA, Walter Motta et al. O PROFISSIONAL DE ZOOTECNIA NO SÉCULO XXI. AlegreES: [s. n.], 2012. Disponível em: http://zootecnia.alegre.ufes.br/sites/zootecnia.alegre.ufes.br/files/field/file/Livro%20Zootecnia%20e m%20recurso%20eletr%C3%B4nico%20_%20e-book.pdf. Acesso em: 31 jan. 2019. STEPS. Abate Humanitário de Bovinos. Rio de Janeiro: [s. n.], 2013. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/assuntos/boas-praticas-e-bem-estar-animal/arquivos-publicacoes-bemestar-animal/programa-steps-2013-abate-humanitario-de-bovinos.pdf. Acesso em: 31 jan. 2019.
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arlon Ferdinando Dias Ferreira, de 24 anos, é formado em medicina veterinária e, juntamente com seu pai, administra a Fazenda 4M, situada no município de Gonçalves – MG, herança deixada pelo seu avô. Desde muito novo, a fazenda do seu pai sempre foi sua paixão, cresceu ajudando na lida, sonhando tornar este lugar uma referência na pecuária de leite. Contudo, somente após a sua conclusão no Ensino Superior, que o possibilitou adquirir experiências em estágios nas grandes propriedades, foi possível explicar ao seu pai que algumas mudanças eram necessárias para o crescimento da fazenda e a consolidação desta no mercado.
O que você entende como inovação? Entendo como inovação a mudança de hábitos, costumes antigos e processos ultrapassados. Aprendi com meu pai muitas coisas na fazenda, porém percebi que havia maneiras diferentes para poder chegar a resultados muito melhores e mais lucrativos, utilizando novas ferramentas de produção. Por isso, eu entendo como inovação aquilo que foge do tradicional e que renova os processos da fazenda.
Quais foram as inovações mais importantes feitas em sua propriedade? Antes de tudo, eu precisava entender quais eram as principais necessidades de melhoria e, a partir daí, começar a “arrumar a casa”. Primeiramente, fiz uma seleção com as vacas que já tínhamos, reduzindo 50% do plantel de vacas leiteiras da propriedade, já que algumas estavam ali apenas “fazendo volume”. Essa medida foi necessária ao analisar o fato de que a quantidade de leite que produziam não pagava nem o que gastávamos para alimentá-las. Outra mudança foi o fim da monta natural, no qual vendemos os touros e compramos os
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equipamentos para inseminação artificial, uma vez que eu mesmo tinha capacitação para o serviço, tornando-o bem mais viável. O próximo passo foi investir em tecnologia, pois, até aquele momento, toda ordenha era feita manualmente, demandando maior tempo dos funcionários que trabalham na fazenda. Então, instalamos a ordenhadeira mecânica e o tanque resfriador para armazenar o leite.
Quais foram os maiores desafios que você enfrentou? O maior desafio foi, sem dúvida, convencer meu pai que precisávamos mudar a forma de trabalhar. Foram anos para fazê-lo entender que aquelas inovações eram importantes para nos manter competitivos e que as mudanças trariam resultados benéficos no futuro. Mas, eu entendo que é complicado para ele mudar assim, de uma hora para outra, já que são anos trabalhando da mesma maneira e, aparentemente, tudo estava indo bem.
Quais foram as consequências positivas e negativas dessas inovações? Acredito que não houve consequências negativas, todas as mudanças foram positivas. Com a seleção do rebanho, conseguimos reduzir os gastos com alimentação e ainda mantivemos a média de produção que tínhamos anteriormente. Foi possível redirecionar parte do que gastávamos na alimentação das vacas que não possuíam uma boa produção àquelas que produziam bem, investindo em uma alimentação mais nutritiva e, consequentemente, aumentando média de leite produzido por animal. A instalação da ordenhadeira mecânica foi outra mudança muito positiva, visto que o tempo gasto na ordenha diminuiu muito, liberando mão de obra para outras necessidades da fazenda. Por fim, a compra do tanque resfriador possibilitou o armazenamento do leite em nossa própria propriedade, ampliando a margem de lucro, visto que, antigamente, era necessário transportá-lo à propriedade vizinha, com uma cobrança de vinte centavos por litro.
Você e seu pai, como proprietários, possuem novos planos de inovação para a fazenda? Tenho muitas ideias para o futuro, como a compra de um trator, que seria de grande ajuda nos processos aqui na propriedade. Mas, por enquanto, o foco é na melhoria do rebanho e, para isso, pretendo trazer vacas holandesas registradas, que produzam com qualidade, porque acredito que no ramo do leite a qualidade é essencial. Almejo ser uma referência aqui na região, quero que as pessoas vejam a Fazenda 4M como um polo de inovação, qualidade e tecnologia na pecuária leiteira.
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Como você vê o mercado daqui a alguns anos? Vejo um mercado mais seletivo. As pessoas têm se preocupado cada vez mais com a saúde, fazendo com que a busca por qualidade e segurança também aumente, poucos vão escolher comprar um leite que seja nutritivamente ruim. É necessário que os produtores entendam isso e busquem se adequar a esse cenário, pois apenas assim se manterão competitivos.
Você acredita que é possível manter-se no mercado sem inovar? Acredito que não e a fazenda da minha família é a prova disso. Nos últimos anos, o que se arrecadava com a produção, destinava-se ao pagamento das contas da própria fazenda, não havia lucro algum. Sem as inovações, viveríamos mais dez anos nesse mesmo ritmo, sem qualquer perspectiva de melhora. Hoje, com as mudanças, já é possível observar a margem de lucro aumentando gradativamente e as projeções são animadoras.
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ara falar sobre o vegetarianismo precisamos voltar um pouco no tempo. Segundo Rômulo Feitosa Navarro (2006), desde que começou na Terra a movimentação do Homem, os aglomerados humanos, aconteciam com o objetivo de suprir suas necessidades e de se fixar em locais disponíveis para atendê-las. A necessidade essencial, comum a todos os primeiros hominídeos, era a alimentação, que provinha basicamente da proteína animal, ou seja, o Homem primitivo era um caçador. Aproximadamente de 10 a 6 mil a.C., nós, seres humanos, passamos de nômades à sedentários e, começamos a desenvolver a agricultura de subsistência, que se tornou um atrativo para os animais, já que se aproximavam para se alimentar. Essa aproximação, aliada com o desenvolvimento da inteligência humana, nos possibilitou a sua captura e deu início a domesticação, o que foi o começo do processo de produção animal, tal como o conhecemos até os dias de hoje. Com o passar dos anos, algumas questões nortearam o consumo de carne e produtos de origem animal, fazendo com que também novos questionamentos conduzissem, inclusive, à ideia de baní-los da dieta. Essa opção alimentar ficou conhecida como vegetarianismo. Em alguns casos, também há a opção de abrir mão do consumo e da utilização de produtos
que envolvam animais em qualquer parte da sua cadeia produtiva. Essa última, é chamada de veganismo, diferente do vegetarianismo estrito, que somente exclui os produtos de origem animal de sua alimentação. Isso se deve, principalmente, à preocupação ética com os animais, já que, anualmente, são abatidos mais de 10 mil animais terrestres apenas no Brasil. Dentre eles, os principais são os bovinos, os suínos e as aves. Todos eles são seres sencientes (recebem e reagem a estímulos de forma consciente) que possuem capacidade cognitiva. Esse fato, é comprovado por estudos e pesquisas e, além disso, é o principal fator que sustenta a justificativa ética de se tornar vegetariano. A questão social também é um dos fatores que justifica a escolha de algumas pessoas ao aderir ao vegetarianismo. Para produzir um quilograma de proteína animal, são necessários de dois a dez quilos de proteína vegetal, ou seja, algumas pessoas consideram injusto que, enquanto milhares de seres humanos passam fome, essa quantidade de proteína vegetal seja utilizada na nutrição animal. Porém, a fome não seria solucionada a partir da proteína vegetal utilizada na nutrição animal, mas por fatores econômicos, que geram desigualdade na distribuição de renda, sendo que a maior fatia dos recursos se concentra nas mãos de poucos. Segundo estudo do professor Danilo Rolim Dias de Aguiar,
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pesquisador do Departamento de Economia do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos, apresentado no Estadão na matéria “Produção de alimentos é suficiente para resolver a fome no Brasil.”, concluiu-se que a produção nacional de alimentos é suficiente para os mais de 204 milhões de brasileiros, mas a desigualdade de renda e o desperdício ainda fazem com que 7,2 milhões de pessoas sejam afetadas pelo problema da fome no país. Portanto, a grande vilã da história é a desigualdade de renda e não a proteína vegetal consumida pelos animais. Alguns dados da ONU afirmam que o setor pecuário é uma das causas de erosão do solo e contaminação de mananciais aquíferos e, que 14,5% da emissão de gases que colaboram com o efeito estufa partem desse setor. Entretanto, quando comparado aos meios de transporte, em termos de poluição e impacto ambiental, o setor pecuário tem muito menos relevância. Se o mundo se tornasse vegetariano, o primeiro impacto seria econômico, afetando o mercado e os setores de produção de origem animal. Dependeríamos dos grãos e, de aprimorar o conhecimento sobre nossas necessidades nutricionais. O fato é: qual a relação e os impactos do vegetarianismo na zootecnia, já que essas podem ser vertentes divergentes? Sabemos que o vegetarianismo estrito, por exemplo, não consome qualquer produto de origem animal e que estes mesmos produtos acabam sendo o foco de um zootecnista no setor de produção de alimentos. O vegetarianismo, em sua proporção atual, pode até impactar
na economia, mas não quando o relacionamos com o consumo total da sociedade brasileira. O maior impacto é, na verdade, na imagem que muitos têm em relação à produção animal, que muitas vezes é mal vista e apresentada como uma produção despreocupada com o bem-estar animal, o que não é verdade. No quadro atual, a importância do bem-estar animal está crescendo continuamente. Temos parte da população exigindo galinhas poedeiras criadas na ausência de gaiolas e com ninhos e, procurando produtos oriundos de animais confortáveis o suficiente para expressarem seus hábitos considerados naturais e livres de estresse. Claro que isso não acontecia antes, a alta densidade de animais ainda é uma questão no setor de produção. Mas temos muitos estudos que relacionam a boa qualidade da carne e dos produtos de origem animal com o tipo de produção que proporciona boa qualidade de vida para os animais. Portanto, temos uma produção se adaptando às exigências em prol do bem-estar animal. Uma produção humanitária, que, podemos dizer, influenciada pelas mudanças ideológicas da sociedade, o que pode ser comprovado por nos encontramos em um momento em que pets são considerados membros da família e tratados como tal. Porém, temos também vários mitos envolvidos e todos eles acabam impactando a imagem dos meios de produção. Segundo Dráuzio Varella, um dos mais respeitados médicos do Brasil, a “crítica à carne é ideológica”, ele diz também, em uma entrevista ao Globo Rural, que se criou “uma porção de mitos” a partir de estudos
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realizados nas décadas de 1960 e 1970 nos EUA. A seguir, vamos comentar alguns mitos e verdades sobre a cadeia produtiva: Gordura da carne X Colesterol É fato que a gordura da carne está relacionada com os níveis de colesterol no sangue. Porém, não é ela a grande vilã das doenças cardiovasculares. Em um estudo, feito por Ezequiel Rodrigues do Valle (2000) para Embrapa, é ressaltado que a gordura da carne não pode ser um fator analisado isoladamente quando estamos falando dos níveis de colesterol no sangue e de doenças cardiovasculares. Há muitos fatores de risco “controláveis” que podem causar essas doenças, tais como obesidade, diabete, fumo, pressão alta, inatividade física, entre outros. Algumas características não podem ser controladas, como o histórico familiar, relacionado com a genética e, também a idade, que conforme avança aumenta o risco de ocorrer um infarto, por exemplo. Portanto, no estudo de Valle, concluiu-se que para uma alimentação equilibrada e saudável, é essencial que os produtos, incluindo a gordura, de origem animal e vegetal, façam parte da dieta. A ausência ou o excesso de qualquer desses elementos pode resultar em sérias consequências à saúde humana, podendo ser precursora de anemia, por exemplo. Assim, a gordura animal em si é um grande mito quando associada exclusivamente às causas de doenças cardíacas. O fato é que não deve ser consumida em excesso, pois, dessa forma causa males, assim como qualquer outro alimento consumido dessa forma. Para exemplificar, uma
“Roda dos Alimentos” foi criada por nutricionistas da Universidade do Porto, Portugal, para demonstrar, de forma mais simples e de fácil entendimento, a importância dos alimentos e como devem ser balanceados. Foi composta por 7 grupos de alimentos de diferentes dimensões, os quais indicam a proporção com que cada um deles deve estar presente na alimentação e cujas porções diárias recomendadas são as seguintes:
Fonte: Imagem “Roda dos Alimentos” editada da mesma fonte do estudo da Universidade do Porto
Bem-estar animal Segundo Irenilza de Alencar Nääs (2008), engenheira pela Faculdade de Engenharia Agrícola/UNICAMP, mestre em Agricultura pela Cal Poly State University, PhD em Agricultural Engineering na Michigan State University e, hoje professora no ensino superior: “As visões da sociedade com relação ao bem-estar animal estão mudando e existe uma crescente preocupação com os valores éticos que dizem respeito aos animais de produção de carne, leite, ovos e trabalho. Isto tem ocorrido devido, principalmente, a dois aspectos: a rápida urbanização da população humana durante o último meio século combinado com o aumento de seu poder aquisitivo. Em virtude dessas mudanças, as pessoas não
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mais consomem simplesmente os produtos alimentícios mais baratos, mas procuram por várias características qualitativas adicionais, dentre as quais está o bem-estar animal. ” Isso quer dizer que existe sim uma preocupação crescente da população em relação aos animais de produção e que o produtor não só está se adaptando aos pedidos do mercado, mas também otimizando sua produção dentro destes parâmetros de bem-estar. Porém, alguns mitos de conhecimento popular acabam tornando equivocada a opinião dos indivíduos. Por exemplo, na produção de aves há o ato de aparar o bico, isso é considerado, equivocadamente, um ato “errado”. Porém, segundo Nääs, comprova-se que é uma atitude de manejo que reduz o canibalismo e minimiza o estresse social, reduzindo a mortalidade em fase de criação de poedeiras. Já se conseguiu provar cientificamente também que, quanto à nutrição, não há prejuízo para aves debicadas. Portanto, quando a debicagem é feita de forma correta e na idade certa do animal, temos um resultado positivo no futuro, melhorando o bem-estar e minimizando o estresse dos animais quando adultos. Concluímos que o bem-estar animal já é uma verdade na prática zootécnica e, os mitos sobre alguns meios de produção ainda denigrem a sua imagem.
Dracena, devido ao rápido ganho de peso e o abate precoce dos frangos, os consumidores acreditam que este ganho de peso das aves seja decorrente da administração de hormônios, porém está comprovado que o curto período de engorda destas aves está relacionado com a nutrição, o manejo sanitário e programas de melhoramento genético, que são essenciais. Com o melhoramento genético e a seleção de raças, hoje temos animais com muito mais eficiência na engorda, já que essas aves selecionadas são específicas para o meio de produção e com genes específicos para engorda. Isso foi possível através de muitos anos de pesquisa, estudo da genética das aves e das diferentes raças. Outro fator importante é a inviabilidade da administração de hormônios na avicultura. Segundo estudos avaliados na UFAM, por João Paulo Ferreira Rufino (2016), foi evidenciada a inexistência de efeitos positivos na utilização de hormônios no crescimento das aves. Também foi constatado que a utilização destas substâncias seria inviável tanto produtivamente, como economicamente, em função dos custos elevados e da dificuldade de manejo individual das aves. Além disso, no Brasil há uma rígida legislação que proíbe a utilização de hormônios para promover o crescimento das aves. Portanto, mesmo que o pouco tempo de engorda e abate das aves ainda assuste, já que nem todos possuem o conhecimento das informações zootécnicas utilizadas na avicultura. A carne de frango que é considerada uma das melhores para consumo acaba sendo difamada por este mito,
Hormônio no frango É um grande mito que ainda persiste no meio popular e acadêmico. Segundo o estudo, feito por Bueno et al (2009), na Faculdade de Zootecnia/UNESP-Campus de
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já que, se houvessem mesmo hormônios em sua produção, poderia ser prejudicial à saúde, o que não acontece na realidade. Dessa forma, temos alguns mitos populares e verdades desconhecidas que perduram na sociedade. São fatores que levam ao vegetarianismo e a desvalorização da imagem dos meios de produção e, assim impactando os profissionais envolvidos na área, como Zootecnistas. Apesar de parecerem conceitos novos, o bem-estar e proteção dos animais destinados ao consumo humano sempre foram preocupações da Medicina Veterinária e da Zootecnia, que cada vez mais buscam novas alternativas para tornar humanitária a forma de tratá-los. Já que, o animal que encontra melhores condições para expressar seu comportamento natural, desenvolve melhor seus mecanismos fisiológicos e, consequentemente, responde com uma maior e melhor produção. Ainda, como forma de outro exemplo, segundo Roberto Roça, médico veterinário e pesquisador da Universidade Estadual Paulista (UNESP), desde 1980 já se faziam trabalhos visando a eficiência da insensibilização na hora do abate, que posteriormente recebeu o nome de Abate Humanitário. Além disso, os últimos anos foram muito positivos em relação às pesquisas nessa área. Em 2009, foi lançado o Programa Nacional de Abate Humanitário (Steps), uma parceria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e da Sociedade Mundial de Bem-Estar Animal, que tem como objetivo o
treinamento dos responsáveis pela fiscalização dos criadouros, para garantir que o bem-estar animal seja efetivo. Levando em consideração todos esses fatores, pode-se afirmar que o vegetarianismo é um estilo de vida que pode até impactar negativamente na produção animal, quando nos referimos à sua imagem desconstruída e idealizada. Pois, esta se espalha nas redes sociais e promove uma visão equivocada sobre os profissionais da área, como os Zootecnistas. Porém, podemos considerar que há um impacto positivo, já que, se essa produção for capaz de atender as demandas dos consumidores de forma a ir de encontro às necessidades e exigências da população, preocupando-se com o meio ambiente, proporcionando aos animais bem-estar e garantindo a qualidade dos produtos, há certa harmonia entre as duas vertentes. Temos que, o vegetarianismo presa pela qualidade de vida dos animais, principalmente, e a zootecnia presa pela qualidade da produção animal. Dessa forma, os produtores podem se adequar e aperfeiçoar sua produção com base nessas ideologias, que serão cada vez mais fortes e definirão o futuro da produção animal. Isso só se tornará possível com a atuação de Zootecnistas e profissionais competentes, que buscam constantemente melhorias nas atividades de produção e abatedouros, além da procura, atualização e acompanhamento das mudanças ideológicos da sociedade, que vêm a agregar e garantir sua posição no mercado.
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Referências: A EVOLUÇÃO DOS MATERIAIS. Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande - Pb: Remap, v. 1, 01 nov. 2006. Disponível em: <https://aplicweb.feevale.br/site/files/documentos/pdf/32246.pdf>. Acesso em: 04 fev. 2019. BUENO P. V.; PERANDIN D.; PEREIRA A. M.; FERREIRA J. M.; CRUZ V. C. - Avaliação com Profissionais da Área da Saúde Sobre o Uso de Hormônios na Dieta de Frangos de Corte. Faculdade de Zootecnia, UNESP, Campus de Dracena, Dracena, SP, Brasil. 2009. ESTADÃO. Produção de alimentos é suficiente para resolver a fome no Brasil. Disponível em: <https://economia.estadao.com.br/blogs/ecoando/producao-de-alimentos-e-suficiente-para-resolver-afome-no-brasil>. Acesso em : [04/02/2duções e abatedouros, além da procura, atualização e acompanhamento dos avanços ideológicos da sociedade, que vêm a agregar e garantir sua posição no mercado.019] FACULDADE DE CIêNCIAS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE DO PORTO. Nova Roda dos Alimentos. Disponível em: <https://sigarra.up.pt/fcnaup/pt/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=10>. Acesso em: 01 fev. 2019. Irenilza de Alencar Nääs. “PALESTRA 21ª RAIB PRINCÍPIOS DE BEM-ESTAR ANIMAL E SUA APLICAÇÃO NA CADEIA AVÍCOLA". Disponível em: file:///C:/Users/User/Downloads/105-106.pdf - Acesso em: 04 fev. 2019. NAOE, Aline. Novos conhecimentos e movimentos sociais questionam os usos dos animais. ComCiência, Campinas, n. 134, 2011 . Disponível em <http://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151976542011001000006&lng=es&nrm=i so>. Acesso em: 04 fev. 2019. RUFINO, João Paulo Ferreira. Desconstrução do mito sobre a utilização de hormônios exógenos na produção avícola. Manaus, Am: Rev. Cient. Avic. Suin., 2016. 54 p. Disponível em: <file:///C:/Users/talit/AppData/Local/Packages/Microsoft.MicrosoftEdge_8wekyb3d8bbwe/TempSta te/Downloads/2751-1-8152-1-10-20161103.pdf>. Acesso em: 01 fev. 2019. SVB. Vegetarianismo. Disponível em: <https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/o-que-e>. Acesso em: [04/02/219] VALLE, Ezequiel Rodrigues do. MITOS E REALIDADES SOBRE O CONSUMO DE CARNE BOVINA. Campo Grande, Ms: Embrapa, 2000. 33 p. Disponível em: <https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Repositorio/mitoserealidadecarnebovina_000fecoo46802wx5e o006u55taptz7jl.pdf>. Acesso em: 04 fev. 2019.
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zootecnia nasceu como ciência em 1848, no “Instituto Versailles” na França, com a criação de uma disciplina destinada ao estudo da criação de animais domésticos. Desde então, vem sofrendo modificações para sua adaptação ao meio científico, acadêmico e social. O profissional zootecnista tem como responsabilidade se manter atualizado para acompanhar as mudanças que ocorrem neste universo de conhecimento. Segundo Karina Paes Bürguer, Médica Veterinária, docente na FCAV/UNESP e Tutora do PET Zootecnia desta faculdade, “As expectativas para o profissional zootecnista são que ele seja crítico e criativo na identificação e resolução de problemas, que tenha uma formação para atuar em equipes multiprofissionais e que contribua para a conservação do equilíbrio do meio ambiente. Essas expectativas são desafiadoras quando se observa que o instrumento para atingir esses objetivos é a matriz curricular do curso de graduação em Zootecnia, com a distribuição de inúmeras disciplinas e suas cargas horárias. ” Assim, é exigido que o profissional tenha muita flexibilidade, porém, sabe-se que a base obtida durante os cinco anos de graduação, quando se diz respeito à grade curricular, nem sempre cria as condições necessárias para isto. Pensando na pergunta central, “A Universidade acompanha
as mudanças quando ensina?”, a questão da grade curricular acaba sendo evidenciada, já que, é responsável pela base de formação do profissional formado. Dessa forma, se a grade curricular é atualizada acompanhando as mudanças exigidas pelos avanços da sociedade, há a formação de profissionais cada vez mais capacitados conforme as necessidades do mercado. Além disso, o nível de capacitação é em grande medida individualizado, isto é, depende do interesse de cada um em se envolver em atividades extracurriculares. Como a Zootecnista, Tutora do PET Zootecnia da UDESC e docente da universidade, Maria Luisa Appendino Nunes Zotti pontuou em um depoimento feito ao PET Zootecnia da FZEA: depende do aluno a procura, a pró-atividade em envolver-se em projetos, voluntariado, realizar estágios e bater a porta dos professores. Isso demonstra que a formação do profissional não depende somente do conhecimento que está relacionado com as disciplinas. A grade curricular, mesmo não sendo a única responsável pela formação dos universitários, é a base do ensino. Isso indica que deve acompanhar as mudanças quando ensina. Dessa forma, será apresentado a seguir a realidade das mudanças da grade curricular na visão e conhecimento da professora Célia Regina Orlanderlli Carrer, que por muitos anos esteve à frente das
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mudanças e atualizações da grade curricular de Zootecnia no Brasil. Base das mudanças da grade curricular “Os cursos de graduação em Zootecnia passaram por um importante ajuste nas suas matrizes curriculares a partir da publicação da Resolução nº 4, de 2 de fevereiro de 2006, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Zootecnia, publicada pelo Conselho Nacional de Educação, órgão vinculado ao Ministério da Educação. Estas Diretrizes devem ser seguidas por todos os cursos de Zootecnia do Brasil, sejam eles públicos ou privados. Quando da sua publicação, os cursos tiveram dois anos para adaptar os seus currículos e projetos pedagógicos, especialmente às competências e habilidades a serem desenvolvidas durante a formação acadêmica e aos campos do saber que compõem a organização curricular, considerando a obrigatoriedade do estágio e do trabalho de conclusão de curso. A partir de então, a criação dos novos cursos deve estar aderente às Diretrizes Curriculares. Este foi um movimento importante de adequação curricular, mas não o primeiro, nem o único pelo qual os cursos, especialmente os mais antigos, como por exemplo o da FZEA/USP, vivenciaram na sua história. ” Inclusão e exclusão de disciplinas “Com a constante evolução do conhecimento, novos conteúdos precisam ser incorporados, enquanto outros podem ser substituídos, com reflexos diretos nas disciplinas. Tudo isto é bastante complexo, requer
estudos profundos e exige que se tenha flexibilidade, já que há uma carga horária e um tempo máximo que são viáveis para o transcurso da formação acadêmica. Não se pode pretender que toda a gama de conhecimento de determinada área esteja esgotada ao final da graduação.” “A inclusão e a exclusão de disciplinas necessariamente estão ligadas com a dinâmica de mudança no perfil profissional que se pretende dos egressos do curso. Para um determinado conjunto de habilidades e competências que será desenvolvido nos estudantes e que irá caracterizar um certo perfil dos egressos, há que se ofertar conteúdos e disciplinas específicas. Dessa forma, é desejável que as disciplinas sejam avaliadas quanto à sua pertinência na matriz curricular sempre em conjunto com outras disciplinas que compõem determinado campo do saber, já que são complementares do ponto de vista de formação do estudante. No artigo 7º das Diretrizes Curriculares para a Zootecnia, estão definidos quais são os campos do saber que devem estar contemplados no currículo. Por exemplo: “VIII Nutrição e Alimentação: trata dos aspectos químicos, analíticos, bioquímicos, bromatológicos e microbiológicos aplicados à nutrição e à alimentação animal e dos aspectos técnicos e práticos nutricionais e alimentares de formulação e fabricação de rações, dietas e outros produtos alimentares para animais, bem como do controle higiênico e sanitário e da qualidade da água e dos alimentos destinados aos animais. ” Observa-se que para este determinado campo do saber, que
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corresponde ao desenvolvimento de competências fundamentais para o zootecnista, os conteúdos devem estar organizados em disciplinas que serão ministradas de maneira gradual na trajetória curricular. Estas guardam similitudes e assuntos transversais entre si que normalmente caminham dos aspectos mais gerais e básicos para os mais específicos e aplicados. ” Corpo docente X Mudanças na grade “A participação do corpo docente é essencial na consecução de uma mudança curricular. Os professores precisam se envolver, propor, discutir e implementar as mudanças acordadas. Precisam estar atentos ao setor produtivo, para além de seus interesses de pesquisa; conhecer profundamente o perfil profissional para o qual estão ativamente contribuindo para a sua formação; ouvir os anseios dos estudantes e buscar mecanismos que contribuam para a motivação e para o desenvolvimento das habilidades e competências requeridas” Assim, segundo a professora Célia, as mudanças curriculares baseiam-se na evolução da ciência e da técnica relacionada a área de conhecimento em que está inserida. Afirma, também, que é relevante uma avaliação conjunta da atualização periódica dos conteúdos disciplinares, além da inclusão e exclusão de disciplinas dentro da matriz curricular. Dessa forma, a resposta da pergunta tema, “A Universidade acompanha as mudanças quando ensina? ”, na visão das Professoras Célia, Karina e Maria Luisa, entrou em consenso, mesmo estando em
diferentes universidades, USP, UNESP e UDESC, respectivamente. Todas concordam que a universidade busca acompanhar as mudanças quando ensina, contudo, o empenho do graduando influencia em sua formação, sendo que, como apontado pela Maria Luisa, é necessária uma interação sol profunda entre Universidade e estudante ativo. Segundo a professora Célia, “É papel da universidade estar na vanguarda do conhecimento e, portanto, esperase que os docentes, técnicos e discentes estejam atentos às transformações pelas quais o mundo está passando. ” Todavia, foi reforçado a importância de se buscar incorporar outras formas de apreensão de conhecimento para além do momento privilegiado de encontro na sala de aula entre estudantes e professores. Portanto, o papel da universidade é essencial na formação do profissional, sendo que, esta oferece uma grade curricular que serve de base, mas não uma formação completa, já que, isso depende exclusivamente da atenção e empenho que cada indivíduo dedica. Agradecimentos Agradecemos à colaboração e carinho de Célia Regina Orlanderli Carrer, Karina Paes Bürguer e Maria Luisa Appendino Nunes Zotti, que nos esclareceram sobre a grade curricular do curso, o papel da Universidade no ensino e a responsabilidade do graduando em sua formação! O que nos possibilitou redigir o artigo presente com essas informações e realidades do curso em diferentes perspectivas, que, todavia, se alinharam.
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