Realização e Distribuição: PET-Zootecnia (USP-FZEA).
Editores: Fantini, M. S.; Ferigato, G. A.; Rodrigues, S. I.
Projeto Gráfico: Ferigato, G. A. Diagramação: Fantini, M. S.
Tutor e Cotutor: Marcelo M. L. O. Ribeiro e Valdo R. Herling.
Redatores: Cancian, H.; Fantini, M. S.; Ferigato, G. A.; Ferreira, L. B.; Gimenez, I. B.; Mahalem, J. ; Maganhe, B.; Napolitano, M.; Oliveira, L. P.; Oliveira, R.I.; Passere, A.; Rodrigues, S. I.
Agradecimentos: Agradecemos a todos que nos ajudaram de qualquer maneira, por conta de vocês que este projeto tomou forma e se concretizou, mais um ano, sendo está a 22ª edição de muito esforço e gratificação - PET - Zootecnia .
Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos - FZEA/USP; PET - Zootecnia. Endereço: Av. Duque de Caxias Norte, 225 Campus Fernando Costa – USP CEP 13635-900 Pirassununga/SP Telefone: +55 (19) 3565-4200
Comitê Editorial: Prof. Associado Valdo Rodrigues Herling Zootecnista, FCAV/UNESP, Jaboticabal, 1980 Mestrado em Nutrição Animal, FMVZ/USP, Pirassununga, 1987 Doutor em Produção Animal, FCAV/UNESP, Jaboticabal, 1995 Livre-Docência em Forragicultura e Pastagens para Zootecnia, FZEA/USP, Pirassununga, 2006
Profa. Dra. Lilian Elgalise Techio Pereira Graduação em Zootecnia, UFSM, 2007. Mestrado em Ciência Animal e Pastagens, ESALQ/USP, 2009. Doutorado em Ciência animal e Pastagens, ESALQ/USP, 2013. Pós-Doutorado, ESALQ/USP, 2009.
Prof. Associado Pedro Henrique de Cerqueira Luz Engenheiro Agrônomo, ESALQ/USP, Piracicaba, 1981 Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas, ESALQ/USP, 1989 Doutor em Solos e Nutrição de Plantas, ESALQ/USP, 1995 Livre-Docência em Adubos e Adubação Aplicados à Zootecnia, FZEA/USP, Pirassununga, 2007
Profa. Dra. Maria Estela Gaglianone Moro Médica Veterinária, FCAV/UNESP, Jaboticabal, 1982 Mestrado em Melhoramento Genético Animal, FCAV/UNESP, 1991 Doutora em Produção Animal, FCAV/UNESP, 1996
Profa. Dra. Tamara Maria Gomes Engenharia Agronômica, UNESP, 1994.
Mestrado em Irrigação e Drenagem, UNESP, 1998. Doutorado em Irrigação e Drenagem, USP, 2001. Pós-doutorado em Irrigação com Águas Residuárias na Cana-de-açúcar, USP, 2010.
Editada em: Janeiro a Março de 2018 Publicada em: Dezembro de 2018
O que é ? E quem são ? O Programa de Educação Tutorial da USP (PET-USP) faz parte de um programa nacional, do Ministério da Educação. No âmbito nacional, o programa é gerenciado pela Secretaria de Educação Superior e se faz presente em universidades públicas e privadas, espalhadas pelo território nacional. Hoje conta com mais de 800 grupos distribuídos entre 114 Instituições de Ensino Superior distribuídas entre as diferentes áreas do conhecimento e as diversas regiões geográficas do país.
PET é desenvolvido por grupos de estudantes, com tutoria de um docente, organizados a partir de formações em nível de graduação das Instituições de Ensino Superior do país, orientados pelo princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Ana Laura
Bruna
Henrique
Bruno
Estêvão
Julia
Larissa
Régner Ítalo
Guilherme
Ilnara
Mariana
Matheus
Laura
Prof. Marcelo
Prof. Valdo
Sudeste PET 2017 (Vitória - ES)
I Integra PET
Semana da Zootecnia
Visita Técnica ao IZ Recepção dos Calouros
Zootec 2017 - Santos (SP) PET na ETEC
- PET Zootecnia como comissão organizadora.
05
“O Balido” Vol. 22 Edição única - 2018 •
Apresentação
02
•
“O Balido”
03
•
Palavra do Tutor
04
•
Experiência de um Petiano
06
•
Egressa
08
•
Ex - Aluna, Zootecnia (FZEA - USP)
10
•
Agropecuária
13
•
Um olhar para o futuro
19
•
Sustentabilidade
23
•
Resíduos na pecuária
27
•
Tratamento de resíduos (Suinocultura)
32
•
Transgênicos
35
•
Logística Reversa
40
•
Combate Limpo
46
•
Proliferação de Capivaras
50
•
Agricultura sustentável
54
•
Pecuária orgânica
59
•
Certificação Ecológica
65
•
Imaflora
68
•
Políticas Governamentais
71
•
Documentários
74
C
hegou às minhas mãos o projeto da Revista “O Balido”,do Grupo PET-Zootecnia da FZEA, para
esse ano de 2018. Foi com satisfação que identifiquei o tema
escolhido
pelos
petianos
para
essa
edição:
“Sustentabilidade e Gestão Ambiental”. Muito oportuno que os estudantes da área de Zootecnia percebam a importância dessas discussões para sua formação e, posteriormente, para sua atuação profissional. Os grupos PET se caracterizam pela busca de temas transversais em torno dos cursos que os acolhem, e da convergência de seus trabalhos nos termos da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão. É nessa perspectiva que ganha relevância que os futuros zootecnistas compreendam o caráter interdisciplinar que o tema da sustentabilidade assu-
me em todas as dimensões da carreira que escolheram, que é voltada para os diversos aspectos da produção animal. A Universidade de São Paulo, por meio da Superintendência de Gestão Ambiental tem por missão a construção, de forma participativa, de uma Universidade sustentável como modelo para a sociedade brasileira. A iniciativa desses estudantes se irmana ao processo de concretização de ações que permitam à USP suportar um processo de conscientização e compartilhamento de conhecimentos que nos façam atingir nossos objetivos.
São grandes os desafios que abraçamos, sobretudo quando assumimos a responsabilidade de pensar, incorporando em nossas ações e em nossos estudos, o compromisso com a vida e com o futuro. Fazem bem os petianos da Zootecnia. Boa sorte aos petianos e boa leitura para o seu público! Recebam meu reconhecimento e meu abraço,
Prof.ª Drª PatríciaFagaIglecias Lemos Superintendente de Gestão Ambiental da USP
O desenvolvimento histórico de:
L
Autor: Valdo R. Herling. embro-me das primeiras reuniões das quais participei com o Grupo PET Zootecnia, no ano de
1994, na qualidade de cotutor. Era momento de reflexão e de planejamento das atividades, que todos deveriam estar assumindo com responsabilidade. Com oito a dez ativida-
des já planejadas, o Grupo sentiu necessidade de elaborar um jornal de divulgação, um boletim anual, que pudesse contemplar suas atividades e ao mesmo tempo divulgá-las à comunidade universitária. O Jornal do Grupo recebeu o nome de ¨O Balido¨. Para quem não sabe, balido significa duas coisas. A mais antiga, acredito eu, era a reclamação dos paroquianos contra o pároco e a segunda, ligada mais às atividades da Zootecnia, balido é o nome dado ao som emitido por ovelhas e cordeiros (Michaelis). A intenção do Grupo era atingir mais pessoas, como se as palavras redigidas em papel pudessem ter voz própria, pudessem ecoar nos diferentes cantos da comunidade. O Jornal trazia notícias variadas de ações do Grupo, bem como algumas brincadeiras do tipo passatempo. Na medida em que o Grupo PET Zootecnia criava corpo e espírito crítico, houve a necessidade de melhorar o conteúdo do Jornal, com matérias mais técnicas, que pudessem veicular informação dos sistemas produtivos, da relação do homem com o meio produtivo, da preocupação constante com a profissão, entre outras. Assim, de Jornal, “O Balido” passou a ser Revista. O nome não mudou, mesmo porque o
som do Grupo PET Zootecnia conseguiu atingir muito mais pessoas na comunidade, o que trouxe confiança e respeito pelas ações do PET Zootecnia na unidade de Pirassununga. A partir daí, as matérias veiculadas deveriam ter um pouco mais do que apenas transportar informação de um lugar para outro, deveriam ter o toque especial dos petianos, a elaboração construtiva de uma redação própria. Era a tentativa de transformar o acadêmico em profissional responsável e com iniciativa de criar. Felizmente, essa Revista evoluiu no conteúdo e na transformação.
03
Palavra do
“O
Autor: Marcelo M. L. O. Ribeiro
Balido” é o projeto do grupo Pet Zootecnia de
vida mais longa. Nesse ano de 2018, chega a sua 22ª edição. Novamente, tenho a alegria e a res-
ponsabilidade de apresentar a revista. Deste sua origem, procurou ser uma voz, ser um marco na maneira pela qual seus estudantes procuram expressar suas preocupações e interesses mais significativos. A escolha do tema configura um momento de reflexão e de debate muito importante.
Nesse momento, fazem um esforço de revelar uma escolha que mostre engajamento com a profissão que escolheram e, com a sociedade brasileira em seus mais diversos aspectos. Para esse ano, o tema escolhido foi “Sustentabilidade e Gestão Ambiental”.
Os autores conhecem bem as limita-
Em torno dessa temática, os estu-
ções de seus trabalhos. Pretendem a ampli-
dantes realizaram os estudos, buscaram
ação do diálogo e do compartilhamento
contatos, fizeram discussões que sustenta-
de opiniões. Sabem que o tema traz, para
ram os trabalhos que aqui concretizam seus
os zootecnistas, imensos novos desafios que,
resultados.
no limite, os obrigam a rever os fundamen-
Suas ações são marcadas pela pre-
tos de sua profissão, sob a luz de preocupa-
ocupação de situar o debate nos termos da
ções ambientais, com o sofrimento animal e
atuação profissional do zootecnista, sempre
com a saúde humana.
na busca por trazer para a profissão novos
A produção animal revela-se, cres-
contornos e novas possibilidades de atua-
centemente, parte fundamental do debate
ção.
04
sobre os modos de consumir e de viver no
ra e o sentido de conjunto que pretendem
planeta e, os zootecnistas encontram-se de-
conferir ao trabalho final.
safiados a encontrar parâmetros que balizem
Acredito que a revista contribui para a for-
suas atividades e que contribuam efetiva-
mação dos petianos e colabora com a dis-
mente para a construção de ações sustentá-
cussão sobre o tema escolhido. Sua
veis em suas práticas profissionais. relevância está na articulação entre os diver“O Balido” tem sido uma ferramenta
sos assuntos e, no painel que procura mostrar
importante de divulgação e de interação do
sobre a enorme variabilidade de questões
PET Zootecnia com a comunidade local.
que permeiam a preocupação com a sus-
Também é um exercício importante de ela-
tentabilidade e, em especial, com as tarefas
boração de textos e de organização de tra-
de gestão a ela associadas.
balho em equipe. Dessa forma, a escolha de
“O Balido” sintetiza esforço, estudo e clareza
um eixo central para cada número da revista
de objetivos postos na dedicação e no tra-
obriga o grupo a encontrar os fios conduto-
balho dos estudantes que o produzem.
res da discussão que cada estudante elabo-
05
Organizando o Zootec 2017
M
Autor: Leonardo Mazzero
uito difundido na área de Zoo-
uma desistência do responsável pelo marke-
tecnia e de Ciências Agrárias,
ting e, também acabei assumindo o lugar
o Congresso Brasileiro de Zootecnia (Zootec),
dele, mesmo sem entender nada do assunto,
um evento organizado pela Associação Bra-
e como se diz: “Só se aprende fazendo e er-
sileira de Zootecnia (ABZ), já é considerado
rando”, e assim aconteceu. Acabei apren-
uma tradição e em 2017 chegou a sua 27ª
dendo na “marra” a fazer artes e divulgação
edição. Atrai pessoas de todo o país, para
junto a empresa de publicidade Publique
um ambiente de networking e de troca de
que foi nos dando assessoria no processo.
informações único na área de nossa profis-
Além do marketing, para uma pessoa
são.
muito tímida e introvertida, lidar com pessoQuando em agosto de 2016 surgiu a
as, cargos, diretorias e gestão de pessoas foi
oportunidade de trabalhar como bolsista do
o maior desafio. Todo dia tínhamos que en-
Prof. Celso da Costa Carrer (presidente da
trar em contato com fornecedores, pales-
edição do Zootec 2017) e de auxiliar na or-
trantes, congressistas e, se fosse para dizer o
ganização do congresso, ao mesmo tempo
que eu mais aprendi nessa experiência,eu
fui selecionado no processo seletivo do gru-
diria que hoje lido com qualquer tipo de pes-
po PET Zootecnia da FZEA-USP, e me veio a
soa facilmente, e a timidez não sei aonde foi
pergunta: Zootec 2017 ou PET Zootecnia, a
parar. Ao mesmo tempo tínhamos que arran-
resposta veio rápida: “os dois!”.
jar pessoas para ajudar no dia do congresso,
A partir dessa decisão, veio o desafio
e fui incunbido pelo Prof. Celso de criar uma
que, profissionalmente, foi o maior de toda
equipe organizadora de 40 pessoas, para
minha vida: ser membro da organização de
isso procuramos as agremiações existentes
um congresso para mais de 1000 pessoas e
em nossa faculdade, e foi uma experiência
conciliar o trabalho com as atividades do
única fazer a integração das mesmas, jun-
PET, mas a solução foi simples, a partir da
tando diferentes cursos e pessoas por uma
proposta de trabalho feita pelo Tutor do gru-
mesma causa.
po PET, Prof. Marcelo Ribeiro, de integrar o
O Congresso aconteceu nos dias 23 e
PET Zootecnia à comissão organizadora do
24 de maio de 2017 e, antes de seu início,
congresso sob minha responsabilidade e, as-
toda a equipe de mais de 40 pessoas foi di-
sim o fizemos.
recionada para Santos-SP para a prepara-
Começando os trabalhos, junto o res-
ção de toda a estrutura. Gerenciar essa
tante da equipe de organização, tivemos
equipe foi um desafio muito grande mas que
06
toda a equipe estava bem integrada.
ver que estava seguindo o caminho certo.
Durante o congresso acabei ficando
Se fosse para resumir tudo que enfren-
como um dos responsáveis pela secretaria
tei junto ao grupo PET e outras agremiações
do evento e lá foi realmente a prova de fo-
durante esse ano todo de preparação e o
go, auxiliar palestrantes, atender congressis-
evento em si, diria que tudo isso foi um casulo
tas, resolver imprevistos do congresso, auxiliar
de desenvolvimento pessoal, não só para
em entrevistas, enfim, foi um dos maiores de-
mim, mas para todo o grupo e participantes,
safios que já enfrentei em toda minha vida,
e hoje me sinto outra pessoa, muito mais pre-
mas quando víamos tudo aquilo tomando
parado e disposto a lutar pelo que ainda
forma e toda a sua importância, valia a pe-
vem pela frente.
na. Conhecer pessoas de todo lugar do Bra-
Grupo PET Zootecnia FZEA-USP durante o en-
sil, palestrantes bem sucedidos na profissão,
cerramento do Zootec 2017
muitos deles formados na FZEA-USP, dava pra
07
Relato de uma Autores: Guilherme A. Ferigato e Julia Mahalem
Nome: Bruna Alves Malheiros (Dory) Turma da Zootecnia XXXV – Formou-se em: Agosto/2017 Tempo no PET: Setembro de 2013 – Dezembro 2016
Cargo atual: Qualidade de Carne – Brazil Beef Quality
De qual modo o PET influenciou na sua graduação? E na sua vida acadêmica/profissional? O PET Zootecnia exerceu um papel importante ao longo da minha graduação, com o PET eu aprendi que é preciso ir além daquilo que nos é apresentado em sala de aula. Durante as aulas aprendemos conceitos, teorias, métodos, etc. Ao passo que em uma agremiação aprendemos a lidar com pessoas, trabalhar em grupo, organização pessoal, planejamento de eventos e muito jogo de cintura. Óbvio que fora do ambiente universitário é cobrado conhecimentos específicos, mas, na maioria das vezes, só o conhecimento não é suficiente. Participar do PET ao longo da graduação me motivou a desenvolver atividades diretamente e indiretamente relacionadas a Zootecnia, desde projetos de pesquisa até projetos sociais. Todas as atividades desenvolvidas ao longo destes três anos como PETIANA me ajudaram a desenvolver competências que são esperadas de um profissional prestes ingressar no mercado de trabalho, mas que não são ensinadas em sala de aula.
O fato de fazer parte de um grupo como este lhe trouxe algum engrandecimento pessoal? Se sim, de que modo? Sem dúvidas o PET me trouxe um engrandecimento pessoal. A participação no grupo me ensinou a lidar com pessoas diferentes, respeitar opiniões divergentes, a perceber o momento de expor ou não minha opinião, a lidar com grandes responsabilidades e a conhecer os meus limites.
08
Dentro da sua vida profissional, você nota alguma relevância em ter participado do grupo PET - Zootecnia? A maior relevância do PET para a vida profissional foi ter me ensinado a falar em público. Lembro que nas minhas primeiras reuniões eu praticamente não falava e nas últimas era exatamente o oposto, não ficava quieta. Cada reunião me fez ganhar confiança para expor ideias e discordar de outras; cada evento organizado me fez perder a timidez e conversar com pessoas de fora. Todo o contato que foi exigido no grupo, desde as discussões nas reuniões, discussões nos encontros, troca de e-mails com palestrantes, patrocinadores e afins me prepararam para atuar no mercado de trabalho. Inclusive, durante minha entrevista de emprego meu chefe me perguntou “você tem vergonha de ligar para estranhos ou
escrever e-mails? ”, respondi: “Não tenho problemas com isso, o PET me tirou esse receio”. Quais eram suas pretensões quando se juntou ao grupo? Elas foram sanadas? Minha maior pretensão era participar de um grupo que pudesse complementar o processo de aprendizado durante a graduação. Quando pensei em entrar, o foco era apenas o desenvolvimento profissional, em coisas diretamente ligadas a zootecnia. Ao sair, percebi que o crescimento foi muito maior do que esperava, pude desenvolver muito em aspectos pessoais (postura, comprometimento, limites), profissionais, intelectuais e humano. Qual foi seu maior aprendizado/vivência fazendo parte do grupo PET? O maior aprendizado que tive no grupo PET Zootecnia foi adquirir postura profissional e valorizar a importância do trabalho em grupo. Partindo de suas experiências, você indica o grupo ou outras agremiações e/ou estágios para os novos alunos? Porque? Sim, com certeza! Fazer parte de agremiações de modo geral estimulam o senso crítico, encorajam a perder a vergonha de falar em qualquer situação para público diverso e, principalmente, tiram a pessoa de sua zona de conforto. O mais importante é escolher fazer parte de um grupo com que se identifique, assim, fazer parte será um prazer, não uma obrigação. Na faculdade é o momento que temos para testar coisas novas, para errar, acertar, fora dela a flexibilidade é um pouco menor. Uma dica: não fiquem bitolados em sala de aula, façam estágios, participem de agremiações, façam contatos, vão em festas e principalmente, façam tudo por amor, não por créditos ou obrigação. Os anos que passei no PET Zootecnia só me trouxeram coisas positivas e lembranças boas, o Grupo sempre terá um lugar em meu coração, é como dizem: “Uma vez PETIANA, sempre PETIANA!”.
09
do curso de Autores: Guilherme A. Ferigato e Julia Mahalem
Nome: Amanda Righini Brito (Passada). Turma de ingresso: 35º (2013). Área de atuação: Assistente de Qualidade (Avicultura). Empresa: Korin Agropecuária.
Quais eram suas motivações e/ou pretensões com relação ao mercado de trabalho, quando estava ainda na graduação? Já pensava, ou tinha apreço pela área em que atua hoje? Desde o principio da faculdade tinha o apreço por trabalhar com bovinos de corte, na área de qualidade de carne. Porém surgiu a oportunidade de trabalhar com frangos de corte e poedeiras comerciais, na área de qualidade, não era exatamente o que eu queria, mas como tudo na vida é adaptável, você aprende a amar o que faz. Hoje me sinto realizada.
Quais parâmetros/procedimentos você julga mais importantes em uma indústria alimentícia, para que os produtos mantenham a qualidade? Entre os parâmetros / procedimentos da indústria alimentícia, acho que o comprometimento e dedicação no que se trabalha são os mais importantes para se manter a qualidade do produto final. Por exemplo, na Korin, o padrão de qualidade deve se indicar nas granjas dos integrados. Eles são o pilar inicial da nossa produção.
Com relação à Gestão, no geral, o quão importante ela é para a manutenção da qualidade do produto? E da empresa? Gestão é de extrema importância em todos os elos da cadeia produtiva, desde o princípio, na criação do produto, no processamento e no produto final. Sem gestão a empresa não terá capacidade de funcionar e seus colaboradores não conseguirão realizar seu trabalho da maneira mais ideal possível.
10
Qual é e como se da à interferência, se existir, de uma boa Gestão Ambiental e quanto aos apelos Sustentáveis em um produto? E em uma empresa? Uma boa gestão ambiental e sustentável dentro de uma empresa e, em cima de um produto é de extrema importância tanto pelos atuais apelos existentes, quanto às condições que o mundo e nosso país vêm enfrentando, dando ao consumidor um respaldo quanto ao produto que ele esta comprando e consumindo. Desta maneira, na Korin a sustentabilidade e a gestão ambiental são pilares fundamentais, cuidados por um vertente dentro da empresa, a Korin meio ambiente, iniciando assim os cuidados dentro da própria empresa, como reaproveitamento dos alimentos, correta destinação dos resíduos do abatedouro, etc.
De que modo são avaliados os quesitos que envolvem gestão ambiental e sustentabilidade durante auditorias, e de que modo boas práticas são bonificadas? Em auditorias os quesitos de gestão ambiental e sustentabilidade são avaliados através de checklist produzidos pelas empresas que auditam a Korin, levando em consideração pontos de reserva permanente, condições das composteiras, rios e riachos, manejo dos produtos quanto aos resíduos produzidos. Todos os produtos que apresentam um bom resultado nas auditorias são bonificados financeiramente ao final do lote.
No treinamento de novos profissionais leva-se em conta fatores que vão induzir uma melhor Gestão do Ambiente e a mais sustentabilidade? De que modo? É sensível a diferença entre a mão de obra atual e a de anos passados neste quesito? Nos treinamentos sempre são levados em consideração os quesitos de gestão ambiental e sustentabilidade, através da apresentação dos padrões que a empresa considera ideais e utilizam, esses treinamentos são feitos em campos, evidenciando práticas cotidianas de sustentabilidade e gerenciamento de resíduos. Em minha opinião a mão de obra é muito diferente da antiga, levando em consideração que o tema sustentável, ecológico, natural era pouco utiliza-
do no campo agrícola, sendo esse considerado um problema para a sociedade, através dos seus resíduos, produção em grande escala, entre outro.
Por fim, você acha importante melhores mecanismos Sustentáveis ede Gestão Ambiental para a sociedade? Em minha opinião a sociedade precisa de melhores mecanismos de sustentabilidade e gestão ambiental, pois somente desta maneira conseguiremos reverter um pouco do “estrago” que já foi ocasionado pela produção desenfreada e sem pensar nas conseqüências. A produção é
necessária, porém podemos correlacioná-la com a sustentabilidade, bem estar animal, bem estar dos produtores e consumidores, obtendo assim um produto diferenciado e de qualidade.
11
* Como mensagem a todos os zootecnistas em formação, a caminhada não é fácil, vai ter horas que você vai pensar em desistir, em voltar para casa, em ligar para seus pais virem te buscar, mas no final tudo vale a pena, podemos não trabalhar com o que sonhamos, mas se nos dedicarmos, passaremos amar nosso trabalho. Não deixem de se divertir, conhecer pessoas, viver experiências que a faculdade proporciona, os melhores contatos são feitos em festas e com nossos amigos.
12
A voltados
a
Autores: Ana Laura Passere e Bruna Maganhe
intensificação produtivos, produção
dos
sistemas
diversas atividades agropecuárias das quais
tanto
àqueles
56,4% são referentes à fermentação entérica
de
alimentos
de
produzida pelos ruminantes (JUNIOR; ORRI-
origem animal e vegetal, ou subprodutos
CO;
oriundos destes
sistemas, tem renovado o
exploram as pastagens, que atualmente
interesse acerca dos impactos ambientais
ocupam cerca de 220 milhões de hectares
das atividades. Preocupações no que tange
no Brasil, problemas como a erosão superfici-
às
dos
al, a qual surge com o desgaste do solo
resíduos gerados em todas as etapas da
devido às deficiências de manejo e pisoteio
cadeia
produtiva, ao desmatamento
excessivo pelos animais, que levam à falta
resultante da expansão da agropecuária, a
de cobertura no solo pela vegetação e per-
degradação do solo, ou a identificação de
da
estratégias capazes de mitigar as emissões
intemperismo, ou seja, são cada vez mais
de gases poluentes causadores do efeito
danificados pela exposição do solo às
estufa, antes ignorados, hoje passam a fazer
chuvas. Segundo a EMBRAPA (2015), a
parte
o
erosão laminar, resultando em sulcos e até
planejamento de indústrias e propriedades
voçorocas, pode levar a perdas de mais de
rurais (JUNIOR; ORRICO; JUNIOR, 2011).
100
alternativas
de
para
pautas
Considerando
a
que
destinação
percorrem
somente
JUNIOR,
de
2011).
minerais,
são
toneladas
comprometendo
o
Em
sistemas
agravados
de a
que
pelo
solo/ha/ano,
sustentabilidade
do
sistema de produção.
desmatamento provocado pela expansão da pecuária, pode-se gerar um aumento de
Nesse cenário, a bovinocultura de cor-
aproximadamente 17% de emissões de gases
te, particularmente nos sistemas baseados
do efeito estufa, aumento este decorrente
em pasto, tem sido responsável por grande
da redução de área florestal responsável por
parcela no impacto ambiental
sua absorção. Adicionalmente, sabe-se que
setor.
29,6% das emissões de metano, dióxido de
tam alterações significativas na estrutura da
carbono e óxido nitroso ocorre devido às
camada superficial do solo.
13
gerado no
Pastagens mal manejadas apresen-
Com pisoteio excessivo gerado pela
falta de ajuste nas taxas de lotação, a compactação dificultando
a
dos
solos
se
penetração
intensifica, do
sistema
radicular e a ocupação do solo pela vegetação, favorecendo a erosão. Apesar da redução significativa na expansão de áreas utilizadas pela pecuária no Brasil, dada pela maior eficiência produtiva, o desmatamento de áreas florestais
decorrente da
atividade também pode vir a contribuir com a redução na absorção de gases de efeito estufa e, ainda, resultar na diminuição da
Questões como o indevido lançamento de
diversidade de fauna e flora pertencentes
resíduos em rios, lagos ou diretamente no
aos ecossistemas (WÜST; TAGLIANI; CONCA-
solo, levam à contaminação da água e
TO, 2015).
consequente
morte
de
organismos
aquáticos ou outros animais que consomem
No caso de animais ruminantes, outro
essa água e aumentam a toxicidade em
problema ligado aos impactos ambientais
plantas, afetando a biodiversidade local
refere-se à emissão de gases de efeito estu-
(MORAES et al., 2017). Na produção avícola,
fa, que são produzidos através da fermenta-
o grande volume de resíduos, nas formas de
ção entérica e liberados via eructação, são
esterco, camas e aves mortas, possui enor-
apontados como intensificadores do aqueci-
me potencial de comprometimento do meio
mento global. A bovinocultura de corte
ambiente se não tratados corretamente.
representa 85% do total de metano liberado
Estes resíduos apresentam concentrações
na produção de ruminantes, em contraste
significativas de nitrogênio, fósforo e potás-
com a bovinocultura de leite, que contribui
sio, e a sua rápida decomposição pode
somente com 12% do total de metano
resultar na formação de compostos voláteis
emitido (REYNOL, 2015).
potencialmente tóxicos, como por exemplo, No âmbito da produção monogástri-
amônia e nitratos. Os nitratos são os compo-
cos, problemas ambientais também são
nentes de maior atenção, pois podem ser a
registrados. Na produção suinícola, dentre
maior forma de contaminante nos solos e do
outros aspectos, o principal problema se dá
lençol freático e, por conseguinte, afeta a
por causa do alto volume de dejetos
disponibilidade de água potável subterrâ-
gerados. A falta de um controle efetivo na
nea (OVIEDO-RONDÓN, 2008).
destinação, bem como tratamento adequado desse material, pode levar a contaminação de recursos hídricos, de solos e do ar.
14
Como alternativa, tem-se optado pela
tais adequadas (falta de chuvas e tempera-
utilização desses resíduos como adubação
turas elevadas). Vale lembrar que, atrelada
orgânica. Todavia, a excessiva adubação
à produção de alimentos, este setor envolve
de solos com excretas de aves, também po-
ainda produções relacionadas com a indús-
de levar à contaminação, devido ao alto
tria têxtil (algodão), a produção de látex e
teor de fósforo presente. Essa situação torna-
de madeiras em geral (silvicultura).
se um problema quando o nutriente é lixiviado, contaminando as águas superficiais em lagoas e rios. Logo, a criação avícola também merece atenção quanto aos efeitos
prejudiciais às espécies locais, principalmente aquáticas (OVIEDO-RONDÓN, 2008). Apesar da imagem negativa frequentemente associada à produção animal devido aos impactos ambientais, a agricultura também tem um importante papel a ser mencionado. A agricultura, um dos principais contribuintes da economia nacional e mundial, pode contribuir para a poluição da água por meio do uso indiscriminado de
É estimado que, no Brasil, cerca de
agrotóxicos, fertilizantes, adubo animal e
US$ 7 bilhões sejam investidos em defensivos
outras fontes de matéria orgânica e inorgâni-
agrícolas anualmente, sendo que 38.9% de
ca (MARQUES et al., 2007). Além disso, o setor
todo o agrotóxico comercializado é utilizado
apresenta impactos ambientais referentes à
na Região Sul (ANVISA, 2009a, ALVES FILHO,
redução da biodiversidade, causada pelo
2002, citados em RIBAS & MATSUMURA, 2009).
desmatamento de florestas para fins de
Segundo um levantamento realizado pela
expansão
ANVISA em 2013, somente a produção de
das
lavouras,
adoção
de
monocultivo por períodos prolongados, parti-
soja, cana-de-açúcar,
cularmente se associados à ausência de
representam, juntos, 80% de todo agrotóxico
reposição de nutrientes no solo, contribuindo
utilizado no país. Apesar de produzidos em
também para a emissão de gases do efeito
menor escala, culturas como pimentão, mo-
estufa decorrentes de falhas nas práticas de
rangos, pepinos e alface estão entre as mo-
manejo e adubação. Cita-se, neste caso, os
dalidades de cultivo que mais consomem
impactos dos fertilizantes nitrogenados, que
agrotóxicos,
podem representar até 35,3% do total de
resíduos podem atingir 91,8% no caso dos pi-
N2O emitido na agropecuária, se as aduba-
mentões.
ção são realizadas sem condições ambien-
15
cujas
milho e
algodão
concentrações
de
No meio ambiente, os defensivos agrí-
Segundo a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Sete em cada dez alimentos plantados e consumidos in natura no Brasil possuem resíduos de agrotóxicos. Confira a concentração
colas têm causado uma série de transtornos e modificações, atingindo o solo, água, ar e organismos
vivos
(RIBAS
&
MATSUMURA,
2009). Muitos dos poluentes gerados no setor agrícola atingem fontes de água superficial e subterrânea por meio do escoamento e percolação. Além disso, a persistência de Apesar de inegável o aumento na
agrotóxicos no solo depende de um conjun-
produtividade das lavouras (MOREIRA et al.,
to de fatores, podendo alguns fungicidas
2002, citado em MARQUES et al., 2007),
a
inorgânicos, por exemplo, persistirem no am-
facilidade de acesso aos defensivos não foi
biente por décadas. Somados, estes efeitos
acompanhada pela qualificação da mão
podem resultar no descontrole do ecossiste-
de obra e conscientização dos produtores,
ma, redução da biodiversidade, contamina-
expondo as comunidades rurais a um con-
ção de ecossistemas marinhos e mortes pro-
junto de riscos gerados pelo uso intensivo de
vocadas por intoxicações diretas ou indire-
diversas substâncias químicas indiscriminada-
tas, além da possível contaminação de
mente (RIBAS & MATSUMURA, 2009).
espécies não-alvo (MARQUES et al., 2007). No solo, os efeitos cumulativos da contaminação podem interferir em processos biológicos responsáveis pela oferta de nutrientes, reduzindo drasticamente a degradação da matéria orgânica dada à morte de microrganismos e invertebrados que se desenvolvem no solo ou, ainda, impossibilitando o desenvolvimento de bactérias fixadoras de nitrogênio, responsáveis por disponibilizar N às plantas (RIBAS & MATSUMURA, 2009). Além dos efeitos ambientais, há ainda a constante preocupação relacionada à saúde humana, sendo os agrotóxicos responsáveis, no Brasil, por mais de 20 mil mortes anualmente, com intoxicações agudas ou crônicas, abortos, má formação de fetos, câncer, dermatose, entre outras condições (MARQUES et al., 2007).
16
No que tange a produção agrícola,
causadora, é como mensurar os impactos na
há também o impacto relacionado à manei-
abrangência de aplicação dos produtos, de
ra como a agricultura conseguiu expandir a
forma a que se possibilite uma avaliação
área cultivada no Brasil, havendo receios de
adequada dos diferentes sistemas produti-
que a expansão de soja, por exemplo, ve-
vos.
nha, eventualmente, a ameaçar a própria
Existe na literatura (CANTER, 1986 e
Floresta Amazônica (BRANDÃO; REZENDE &
1996, SADLER, 1996, RODRIGUES, 1998 e PA-
MARQUES, 2006). Adicionalmente, também
RANÁ, 1999, citados por IRIAS et al., 2004) di-
são levantados pontos como o uso excessivo
versas metodologias desenvolvidas para tal
de água nas lavouras, podendo o consumo
finalidade, cada uma dentro de suas pró-
anual - em milímetros - chegar à 2.000 mm
prias potencialidades e limitações, mas que
para cana-de açúcar e 1.200 mm para café,
podem e devem ser utilizadas visando de-
citros e eucalipto.
tectar os maiores impactos dos setores, possi-
Todos estes efeitos citados ainda po-
bilitando o desenvolvimento de estratégias
dem ser maximizados quando consideradas
que mitiguem o impacto ambiental causado
outras culturas, como eucalipto ou seringuei-
pelos mesmos (IRIAS et al., 2004).
ras, por exemplo. A silvicultura, sobretudo as
De maneira geral, é possível observar
plantações de eucalipto, vem despertando
que, dentro do setor agropecuário, ambas
debates
quanto a seus impactos no
as produções, animal e vegetal, contribuem
meio ambiente, sobretudo no solo, como o
de forma significativa no âmbito do impacto
empobrecimento e a erosão, poluição e
ambiental. No entanto, os danos podem ser
uso da água e redução de biodiversida-
mitigados pela adoção de práticas de
de, observada em áreas de monocultura
manejo corretas, uso consciente de defensi-
(VITAL, 2007).
vos, planejamento da atividade, destinação
Quando considerados ainda produtos
adequada de dejetos e capacitação da
derivados de produções vegetais, como os
mão de obra. Portanto, faz se necessário
oriundos da indústria têxtil, por exemplo, este
repensar a forma de produção, manejos e
impacto pode ser ainda maior. Na confec-
eficiência produtiva, de forma a produzir
ção de uma calça jeans, por exemplo, são
adequadamente sem que seja necessária a
consumidos até 10.000 litros de água indire-
expansão de área ou a degradação do am-
tamente, sendo necessários 10m² de uma
biente em uso. Atingir esse objetivo implica
lavoura de algodão e emitidos até 32kg de
no desenvolvimento e uso de ferramentas
CO2, equivalentes a andar 150km percorridos
que permitam avaliar os efeitos de cada
de carro (COSTA, 2017).
sistema produtivo, possibilitando assim, o desenvolvimento de práticas que mitiguem
A questão principal, quando se trata
os efeitos observados.
de impacto ambiental, seja qual for a fonte
17
REFERÊNCIAS Brandão, A. S. P., Rezende, G. C. D., & Marques, R. W. D. C. (2006). Crescimento agrícola no período 1999/2004: a explosão da soja e da pecuária bovina e seu impacto sobre o meio ambiente. Economia Aplicada, 10(2), 249-266.
ORRICO JÚNIOR, Marco A. P.; ORRICO, Ana C. A.; LUCAS JÚNIOR, Jorge de. Produção animal e o meio ambiente: uma comparação entre potencial de emissão de metano dos dejetos e a quantidade de alimento produzido. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, v. 31, n. 2, p.399-410, abr. 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S010069162011000200020>. Acesso em: 18 jan. 2018.
Costa, C. (2017). Como entender (e diminuir) o impacto dos seus hábitos no meio ambiente, de roupas a comida. Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/geral42005695> Acesso em 05 jan 2018
REYNOL, Fabio. Pesquisa avalia emissão de metano por bovinos. 2015. Disponível em: <http://agencia.fapesp.br/ pesquisa_avalia_emissao_de_metano_por_bovinos/ 20673/>. Acesso em: 18 jan. 2018.
Dias, Carlos. EMBRAPA solos. (2015). Pecuária mais eficiente pouparia atmosfera de 30 milhões de toneladas de CO2 por ano. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-denoticias/-/noticia/7545578/pecuaria-maiseficiente-pouparia-atmosfera-de-30-milhoesde-toneladas-de-co2-por-ano> Acesso em 29 jan 2018
Ribas, P. P., & Matsumura, A. T. S. (2009). A química dos agrotóxicos: impacto sobre a saúde e meio ambiente. Revista Liberato, 10 (14). (A química dos agrotóxicos: impacto sobre a saúde e meio ambiente VIEDO-RONDÓN, Edgar O. Tecnologias para mitigar o impacto ambiental da produção de frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 37, p.239-252, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S151635982008001300028&script=sci_abstract&tlng =pt>. Acesso em: 18 jan. 2018.
HUMANE SOCIETY INTERNATIONAL, O impacto da criação de animais para consumo no meio ambiente e nas mudanças climáticas no Brasil. Disponível em: <www.hsi.org/assets/ pdfs/hsi-fa-white-papers/ relatorio_hsi_impactos_pecuaria.pdf>. Acesso em: 18 jan. 2018. Irias, L. J. M., Gebler, L., Palhares, J. C. P., ROSA, M. D. F., & Rodrigues, G. S. (2004). Avaliação de impacto ambiental de inovação tecnológica agropecuária: aplicação do sistema Ambitec. Agricultura em São Paulo, São Paulo, 51(1), 23-39. Marques, M. N., Cotrim, M. B., Pires, M. A. F., & Beltrame Filho, O. (2007). Avaliação do impacto da agricultura em áreas de proteção ambiental, pertencentes à bacia hidrográfica do rio Ribeira de Iguape, São Paulo. Química Nova, 30(5), 1171-1178.Quim. Nova, Vol. 30, No. 5, 1171-1178, 2007 MORAES, Renata Espíndola de et al. Suinocultura e o Meio-ambiente: Revisão de Literatura. Redvet, Pelotas, v. 18, n. 10, p.1-17, abr. 2017. Disponível em: <http:// www.veterinaria.org/revistas/redvet/ n101017/101719.pdf>. Acesso em: 18 jan. 2018.
Vital, M. H. F. (2007). Impacto ambiental de florestas de eucalipto. Revista do BNDES, Rio de Janeiro, 14(28), 235-276. WÜST, Caroline; TAGLIANI, Naiara; CONCATO, Ani Carla. A pecuária e sua influência impactante ao meio ambiente. In: VI CONGRESSO BRASILEIRO DE GESTÃO AMBIENTAL, 2015, Porto Alegre/RS. Disponível em: <http:// www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2015/ V-025.pdf>. Acesso em: 18 jan. 2018.
18
I
Autores: Bruno Gimenez e Mariana Fantini
ndicadores ambientais são estatísti-
Esse indicador ambiental pode ser medido
cas selecionadas capazes de
re-
em m3/ano ou m3/ per capita/ ano. A PH po-
presentar ou resumir impactos de atividades
de ser dividida de três formas (DA SILVA et al.,
antrópicas, técnicas, sistemas de cultivo ou
2015): azul, verde e cinza. A pegada hídrica
métodos de produção sobre o meio ambien-
azul mede a quantidade de água disponível
te, recursos naturais e sobre as próprias ativi-
consumida em um determinado período do
dades humanas relacionadas. Possibilitam a
ciclo, enquanto a pegada hídrica verde re-
geração de informações que serão úteis pa-
presenta o volume de água da chuva que é
ra sustentar decisões estratégicas, voltadas à
consumida durante o processo de produção.
implementação de futuras políticas ambien-
Por fim, a pegada hídrica cinza é definida
tais, ou mesmo, a adequação delas. Indica-
como o volume de água doce necessária
dores ambientais possuem as características
para absorver a carga de poluentes resultan-
de serem de fácil entendimento, objetivas e
tes do processo produtivo (DA SILVA et al.,
curtas. Alguns exemplos desses indicadores
2015).
são a pegada hídrica (PH) e a pegada de carbono (PC).
Já a pegada de carbono (PC) é uma medida dos impactos causados pelas
A PH, conceito lançado em Delf, na Holanda, é a medida da apropriação
ati-
vidades humanas sobre o meio ambiente, e
hu-
em particular ligados aos aspectos determi-
mana da água no globo (HOEKSTRA; HUANG,
nantes das mudanças climáticas. Ela mede a
2002). Ou seja, a PH de um produto, bem ou
quantidade total de gases que provocam o
serviço, é igual ao volume de água doce utili-
efeito estufa (GGE) emitidos, e que são direta
zado no processo de produção no local on-
ou indiretamente derivados de algum tipo de
de foi utilizado, dentro e/ou fora do território
atividade (de indivíduos, populações, gover-
nacional. O conceito de PH abrange informa-
nos, empresas, organizações, processos, seto-
ções baseadas no conceito de água virtual,
res da indústria, dentre outros) ao longo do
um indicador físico da
ciclo de vida do produto (HERTWICH; PETERS,
quantidade neces-
sária para produzir os bens e serviços que serão consumidos por um
determinado terri-
tório ou indivíduo (ALDAYA et al., 2010), demonstrando, assim, a quantidade real de água necessária para satisfazer e sustentar a
necessidade humana (HOEKSTRA et al., 2011).
19
2009; UTHU et al., 2011). No Brasil, somente 39% dos esgotos são tratados, enquanto mais de 100 milhões de brasileiros não têm acesso ao serviço de saneamento básico.
Isso se deve a percepção errônea, muito
do como uma ferramenta de educação
comum na população, que recursos hídricos
ambiental. O Brasil é um dos maiores expor-
são abundantes, baratos, e não e inesgotá-
tadores de água na forma virtual, devido ao
veis, e que o que é abundante e barato
seu perfil de produtor de commodities agro-
não tem que ser manejado, cuidado ou
pecuárias.
preservado. Segundo os cenários elabora-
De acordo com as estatísticas da
dos pela ciência, no futuro, as crises hídricas
FAO (Food and Agriculture Organization of
Pegada hídrica para carne de
the United Nations), entre os anos de 1990 a
frango é de 4.325 L/kg e de 5.988
2014 o Brasil ocupava o primeiro lugar na
L/kg para carne suína.
emissão de GEE’s pelo uso da terra e des-
(MEKONNEN; HOEKSTRA, 2010)
matamento (gráfico 1). Entretanto, quando essas estatísticas são avaliadas de uma for-
ocorrerão com maior intensidade e frequên-
ma per capita, o Brasil perde o primeiro lu-
cia (PALHARES et al., 2016). Sendo a água
gar para uma briga entre Paraguai e
doce escassa, com uma representação de
Guiana (gráfico 2).
apenas 2,5% do volume total de água do
A mitigação da emissão de GEE’s a
planeta, GLEICK (2000) e WOOD e LENZEN
partir de 2005 (gráfico 1), foi decorrente da
(2003) acreditam que os cálculos de pega-
associação entre intensificação e recupera-
das (ecológica, carbono, hídrica, nitrogênio
ção das pastagens, promovendo sequestro
etc.) apresentam como vantagem a facili-
de carbono pelo solo.
dade para sensibilização do público, servin-
Gráfico 1 - Emissão de GEE pelo uso da terra e desmatamento.
Gráfico 2 - Emissão de GEE pelo uso da terra e desmatamento per capita
20
21
Ou seja, a intensificação reduz o impacto
melhorias no balanço da dieta e ajustes nu-
ambiental
tricionais e uso dos resíduos como fertilizante,
por
unidade
de
produto
(FAOSTAT).
os quais são capazes de reduzir o consumo de água azul e do potencial poluidor.
O Brasil vem vencendo desafios hídricos na produção animal para que os impac-
Os resultados atestam que melhorias
tos negativos das atividades sejam mitiga-
no manejo – no caso, o nutricional – podem
dos, ou até tragam benefícios ao meio ambi-
promover a melhoria do desempenho hídri-
ente. A adoção de práticas de manejo de
co dos sistemas de produção animal.
recursos hídricos e de resíduos, respeitando
REFERÊNCIAS
as leis ambientais, são desafios a serem supe-
ALDAYA, M. M., MARTINEZ-SANTOS, P., LLA-
rados para que haja resultado positivos no
MAS, M.R. Incorporating the water footprint
que tange ao fluxo e o equilíbrio entre pro-
and virtual water into policy reflections from
dução animal e impactos ambientais. Além de
the Mancha Occidental region, Spain. Water
aumentar a biosseguridade e o bem-
Resources Management, v. 24, p. 941-958,
estar animal, práticas de manejo e uso racio-
2010.
nal de recursos produtivos podem trazer vantagens e lucratividade para um produtor,
CARDOSO, A. S. Avaliação das emissões de
como no caso de resíduos, por exemplo, por
gases de efeito estufa em diferentes cenários
meio do reaproveitamento na forma de ferti-
de intensificação de uso das pastagens no
lizantes ou para produção de energia elétri-
Brasil central. 2012. 81f. Dissertação
ca
(Mestrado em Agronomia, Ciência do Solo).
quando
tratados
em
biodigestores
(PALHARES, 2016)
DA SILVA, V. P. R.. et al. Modelo integrado
Em sistemas de produção de ruminan-
das pegadas hídrica, ecológica e de carbo-
tes, a maior taxa de lotação, a melhoria na
no para o monitoramento da pressão huma-
qualidade do alimento oferecido e a redu-
na sobre o planeta. 2015. Ambiência - Revis-
ção na idade de abate resultam em diminui-
ta do Setor de Ciências Agrárias e Ambien-
ção na emissão de
tais.
metano de 2,75 kg
EqC/kg de carcaça para 1,76 kg EqC/kg de
FAOSTAT, Food and Agriculture Organization
carcaça (CARDOSO, 2012).
Statistics, Acessado em 25/02/2018: http:// www.fao.org/faostat/en/#data/EM.
Os indicadores ambientais, como a pegada hídrica e a pegada do Carbono,
GLEICK, P. H. The changing water paradigm:
são conjuntos de dados coletados para a
a look at twenty-first century water resources
conscientização e mudança nas práticas e
development. Water International, v. 25,
métodos adotados em sistemas de produ-
p.127-138, 2000.
ção animal. Já foram identificados avanços
HERTWICH, E. G., PETERS, G. P. Carbon foo-
na tecnologia capazes de gerar impactos
tprint of nations: a global, trade-linked
positivos na produção animal, tais como
22
analysis. Environmental Science and
footprint of shopping (grocery) bags in China,
Technology, v. 43, p. 6414–6420, 2009.
Hong Kong and India. Atmospheric Environment, v.45, p.469-475, 2011.
HOEKSTRA, A. Y.; HUANG, P. Q. Virtual water
PALHARES, J. C. et al., Produção animal e re-
trade: A quantification of virtual water flows
cursos hídricos. Livro: Editora Cubo, 2016.
between nations in relation to international
WOOD, R.; LENZEN, M. An application of a mo-
crop trade. Value of water research report
dified ecological footprint method and structu-
series. Institute for Water Education. Holan-
ral path analysis in a comparative institutional
da: UNESCO-IHE, 2002.
study. Local Environment: The International Journal of Justice and Sustainability, v. 8, n. 4, p. 365-
HOEKSTRA, A. Y. et al. The water footprint as-
386. 2003.
sessment manual. 1. ed. London: Water Footprint Network, 2011. MUTHU, S. S., Li, Y., HU, J.Y., MOK, P.Y. Carbon
23
e a formação profissional Autor: Bruno Gimenez
Profa. Dra. Tamara Maria Gomes possui graduação em Agronomia pela UNESP, mestrado em Agronomia na área de Irrigação e Drenagem pela UNESP, doutorado em Agronomia
na área de Irrigação e Drenagem pela USP e Pós-doutorado em Irrigação com Águas Residuárias na Cana-de-açúcar pela USP, participou como auditora do Programa de Certificação Agrícola para recomendação do selo Rainforest Alliance. Atualmente, é professora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, no curso de Engenharia de Biossistemas da Universidade de São Paulo, no campus Fernando Costa, Pirassununga – SP.
O tratamento e reutilização dos recursos naturais não são algo comum entre os produtores rurais. Como podem ser mudadas essas realidades no futuro? Para a utilização dos recursos naturais (captar água do rio, lançar algum efluente, barramento) em uma propriedade rural, o produtor deve possuir licença ambiental. Aquelas propriedades que estão inseridas nesse contexto começam a dar um pouco mais de valor para essas questões. Por exemplo: uma propriedade que possui um biodigestor trata os resíduos, e como subproduto tem um fertilizante, o que lhe dá um retorno financeiro, além da
produção de energia elétrica. Porém, existe um problema legal nesse ponto, porque no Brasil não existe uma legislação de reutilização muito clara, portanto, fica a mercê do órgão ambiental regional. As duas ferramentas que vão ajudar a caminhar na direção da conscientização são a legislação clara e a fiscalização. Muitos dos resíduos produzidos nos estabelecimentos rurais são muito bons biofertilizantes, o que poderia significar uma economia na utilização dos fertilizantes químicos e benefícios ao meio ambiente.
24
Nos últimos anos aumentou a adesão dos produtores às novas técnicas de tratamento de resíduos? Sem dúvidas, em minha opinião sim. Hoje vemos que muitos avanços foram levados até os produtores e, cada vez mais, são esses que aumentaram o nível de tecnificação da produção. Obviamente, ainda temos um longo caminho a percorrer, uma vez que a nossa
agropecuária é muito rústica. Mas nós já mudamos muitos conceitos com relação as emissões dos gases de efeito estufa, importância da conservação do solo e da implementação de práticas racionais para aumentar a produtividade, etc. Na verdade, o produtor está olhando no retorno. Todavia, vai chegando num momento em que ele está exaurindo as propriedades químicas e físicas do solo. O mesmo acontece com os corpos hídricos, sejam eles superficiais ou subterrâneos. Chega uma hora em que ele percebe que os recursos são finitos. Então, a percepção da necessidade de começar se adequar não vem pelo bem, mas vem pelo mal. Agora vemos uma mudança com relação às áreas de preservação permanente e a importância de conservar essas áreas... é um processo lento, mas acontece.
Já existem algumas regiões do Brasil onde os produtores enxergaram a importância da conservação do meio ambiente. Um exemplo é a região do cerrado mineiro, onde há produção de café para exportação. Dado que o mercado consumidor deste produto é mais exigente, o produtor já tem toda essa visão de preservação de seus recursos hídricos, de reservas ecológicas, e da importância de tratar seus efluentes. O que acaba tendo um ágio por aquilo. Eles têm um retorno em produtividade, qualidade de água, na fertilidade do solo, o que se traduz em retorno econômico e ambiental. Considero que é uma tendência, porque não podemos continuar exaurindo as pastagens, a produção dos grãos (milho e soja), ano após ano, aplicando os pacotes de agrotóxicos que vão criando resistência a pragas e do-
enças. Vai chegar um momento em que não teremos mais para onde ir. Ainda, a terra é barata, então os produtores migram, mas vai chegar o momento (e em muitas regiões esse momento já chegou) em que não vai ter mais para onde ir.
25
Essa exaustão dos recursos naturais representa um risco para o meio ambiente brasileiro? Sim, representa. Se olharmos para as nossas matas ciliares percebemos que a qualidade e a quantidade d’água dependem totalmente dela, nossos rios foram, com o passar dos anos, nesse uso exaustivo da monocultura, assoreando. Não temos que ir muito longe para ver isso, aqui em Cachoeira de emas a qualidade d’água que temos nos perímetros urbanos está deteriorada. Não é porque o Brasil tem 12% dos recursos hídricos, que não temos esses problemas. Na fronteira agrícola temos visto problemas seríssimos por nematoides de solo, que vão criando resistência e inviabilizando a produção e inutilizam áreas. Até não começarmos olhar que temos que trabalhar com sustentabilidade, a situação não vai mudar. Utilizar estratégias de produção avançadas, tais como, plantio direto, ILPF, cobertura de solo, conservar áreas de preservação permanente, adubo verde, ajudam nessa transição.
A seu ver, os profissionais que estão sendo formados agora estão saindo com essa visão de sustentabilidade?
Considero que sim. Lógico que quando o aluno vai para o mercado de trabalho acaba se sujeitando. Às vezes temos uma ideologia dentro da faculdade e acreditamos naquilo, mas na hora que apareceu a primeira oportunidade de emprego, por necessidade acabamos aceitando e nos enquadrando naqueles esquemas. Temos bons profissionais sendo formados que podem agregar a essas empresas que trabalham com agrotóxicos, por exemplo, eles dão uma visão diferente dos problemas. Acredito que aquilo seja um ponto positivo, porque eles levam alternativas que são viáveis. As empresas valorizam isso, porque elas precisam para crescer e ganhar novos mercados, mudar algumas práticas. É uma questão de enxergar que nós não estamos querendo conservar o meio ambiente só por conservar, porque somos ambientalistas, é porque vamos conseguir ter resultados econômicos muito melhores. Acredito no tripé da sustentabilidade: ambiental, econômico e social. O mundo inteiro caminha nessa direção, não tem dois caminhos.
26
Qual o papel dos especialistas da área para a evolução da produção buscando um futuro mais sustentável? Total... são eles que têm que levar a tecnologia para o campo. Hoje temos a possibilidade de usar a tecnologia de imagens por drones, planejamentos para mecanização agrícola, rotação das culturas, umidade do solo, utilizar os resíduos biológicos para fertilização de áreas, utilizar controle biológico em conjunto com controles físicos e químicos. Só tenho uma opção? Não, tem muita coisa para ser feita. Os especialistas possuem papel fundamental para direcionar as propriedades nesse caminho, e viabilizar a obtenção de resultados muito
promissores.
O Brasil tem um papel importante na produção de commodities. Ele é um exemplo de como encarar as mudanças climáticas, apresentar soluções? Não, o Brasil não é exemplo de sustentabilidade. Ainda não entendemos as nossas necessidades. Como temos abundância de recursos, não entendemos. Exemplo disso é a cidade de Mariana, onde até hoje não foi feito nada para reparar o desastre ambiental. Tornou-se um exemplo do uso completamente desastroso dos nossos recursos. O Brasil tem
compromissos internacionais, como o acordo de Paris e os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU. Temos sinalização de alguns tratados e de algumas parcerias que vão nesse sentido, mas ainda temos o lobby da agropecuária, que é muito forte e que vai na direção contrária. Espero ver essas ações e parcerias mais consolidadas no próximo VIII Fórum Mundial da Água que será realizado no Brasil.
Gostaria de deixar alguma dica ou algum conselho para os estudantes da área? Nunca percam essa essência, quando somos jovens temos ideais. E não é só ideal de fazer sucesso e de fazer dinheiro, também queremos promover qualidade de vida para o nosso futuro e das novas gerações. Sempre que vocês forem tomar uma decisão profissionalmente, espero que vocês possam refletir a respeito da sustentabilidade, do tripé, não só olhem para o fator econômico. Mas sim olhar para o que podem deixar para as gerações futuras, não perder esse norte da consciência de vocês.
27
28
N
Autores: Ana Laura Passere e Henrique Cancian as últimas décadas, a produção
sério problema ambiental e econômico se
animal tem sofrido grandes modi-
não forem corretamente manejados. Por ou-
ficações, especialmente pela passagem dos
tro lado, eles têm valioso potencial de serem
sistemas de criação extensivos para o uso de
insumos para a produção agrícola sustentá-
modelos intensivos de confinamento, que vi-
vel, quando bem aproveitados. Em sistemas
sam, principalmente, reduzir os custos de pro-
intensivos de produção leiteira, há uma alta
dução e aumentar a eficiência do processo.
produção de dejetos, e a adequada destina-
No entanto, os problemas ambientais tam-
ção dos mesmos deve ser pensada de forma
bém têm se intensificado na medida em que
não só a evitar a poluição ambiental, mas
se consolidam novos modos de produção.
também de proporcionar ganhos para o siste-
Com o sistema intensivo, o volume de dejetos
ma produtivo.
produzidos cresceu significativamente. Para constatar tal magnitude do problema, podemos exemplificar com a população de bovinos e suínos do mundo, que é de aproximadamente 2,5 bilhões de cabeças, e que chegam a produzir 80 milhões de toneladas de dejetos por ano. Em função do alto volume de dejetos produzidos, cria-se a necessidade de estudar alternativas que permitam minimizar o problema e, na medida do possível, agregar algum valor aos resíduos dos sistemas de produção de animais em confinamento.
O Compost Barn tem grande visibilidade quando se refere ao reaproveitamento de
A seguir, abordaremos três formas de
resíduos. Esse sistema consiste em um espaço
tratamento de resíduos da produção animal,
físico coberto no qual as vacas ficam durante
a saber: o Compost Barn, Ecco filtro e decan-
todo seu período de lactação. Essa área pos-
tação e a cama sobreposta.
sui uma cama de maravalha ou lascas de madeira e, seu princípio básico de funciona-
Compost Barn
mento é a compostagem desta cama junta-
Os dejetos produzidos por um sistema
mente com o esterco produzido pelos ani-
de produção pecuária podem se tornar um
29
mais.
A compostagem é um processo natu-
biente. Além de ser uma forma de reutiliza-
ral, que consiste na degradação da matéria
ção dos dejetos, esse processo aparece co-
orgânica. No Compost Barn ela acontece
mo uma possibilidade real de proporcionar
através de um processo aeróbio, realizado
nova fonte de renda para o agricultor. O re-
por ação de uma população diversificada
sultado final é a disponibilidade de um com-
de microrganismos. Para que haja um pro-
posto com alto teor de nutrientes, que pode
cesso de compostagem ideal, faz-se neces-
ser aproveitado na fertilização de solos.
sária a presença de materiais que podemos dividir em duas classes: aqueles ricos em car-
Uso de Ecco Filtro na suinocultura
bono (C) que, no caso do Compost Barn, re-
A suinocultura é uma atividade que se
ferem-se aos substratos da cama, e os mate-
destaca no que se refere à alta demanda
riais ricos em nitrogênio (N), entre os quais
de água, podendo resultar no aumento da
incluem-se os dejetos animais (fezes e urina).
quantidade de resíduos e, também na dis-
Segundo Carlos Giovani Pancoti, especialista
persão do mesmo em efluentes. Diante desse
em nutrição de bovinos de leite da Agroce-
problema, a adoção de um plano de gestão
res Multimix, a aeração durante a composta-
do uso de água torna-se uma eficiente saída
gem é o fator mais importante a ser conside-
para o tratamento adequado de resíduos e,
rado, sendo que quanto mais úmida estiver a
consequentemente o reaproveitamento da
cama, mais deficiente será sua oxigenação,
água usada no sistema de produção. Esse
requerendo, portanto, providências para re-
controle na demanda da água é imprescin-
duzir a umidade (reposição, ventilação, re-
dível para manter uma produção de modo
volvimento, quebra de torrões, mudança em
sustentável (TARSO, 2017).
lotação, etc.).
Além de proporcionar maior
conforto aos animais, o Compost Barn também exerce um papel muito importante no que se diz respeito à proteção do meio am-
30
Sistema de Cama Sobreposta
Com isso, ações como a captação de água da lavagem de baias para depósitos de
O sistema de criação mais utilizado na
contenção, tornam-se extremamente impor-
suinocultura no Brasil é o intensivo em confi-
tantes no tratamento e, é possível um
namento. Este sistema colabora bastante
direcionamento desse produto através de
para o uso do manejo de dejetos na forma
redes de esgoto interligadas. Em vista disso,
líquida, oriundo da limpeza diária. De acordo
vem sendo utilizado o Ecco Filtro que tem
com Ito et al. (2016), esse manejo adotado é
como função separar dejetos sólidos e líqui-
agravante
dos por processos físicos, aumentando a efi-
armazenamento, tratamento, transporte e
nas
questões
de
captação,
distribuição de dejetos. Basicamente este
dejeto é constituído de fezes, urina, resíduos de ração e água. São produzidos em média, por suíno por dia, sete litros de dejetos. A tabela 1, expressa o volume de dejetos que são produzidos nas categorias e as fontes de diluição dos mesmos. Tais valores mostram a expressiva quantidade de resíciência dos tratamentos subsequentes. Essas
duos gerados no sistema.
frações separadas apresentam finalidades
Para fazer frente aos impactos que
diferentes: a sólida pode ser transformada
esses dados representam, existem diversas
em um composto orgânico, enquanto a lí-
práticas que são adotadas para minimizar
quida conserva a maior parte dos nutrientes
ou até mesmo eliminar as consequências
e pode ser utilizada na irrigação de planta-
ocasionadas pela produção desses dejetos.
ções (MAPA, 2016).
Alguns exemplos de medidas a serem mencionadas
Além disso, a fase líquida ainda pode
são:
esterqueiras,
biodigestores,
compostagem ou cama sobreposta.
passar por um processo chamado de de-
A respeito da cama sobreposta, tam-
cantação, logo após ser separada no Ecco
bém conhecida por “deep bedding”, sua
Filtro. Esse processo permite separar partícu-
origem vem de estudos realizados no Brasil
las grandes, que podem estar no líquido, e
pela Embrapa Suínos e Aves em 1993. Esse
fazer a remoção de metais pesados, do fós-
sistema consiste na criação de suínos sobre
foro orgânico e do nitrogênio orgânico. Com
uma cama composta por substrato que faz
isso, a água que passa pelo decantador po-
a absorção das dejeções durante a perma-
de ser utilizada em irrigação de plantações,
nência dos animais na unidade de produ-
já que se apresenta características excelen-
ção (HIGARASHI1 et al., 2008).
te para uso como fertilizante (MAPA, 2016).
Uma situação interessante, a título de exemplo, para ilustrar a adesão ao método nos foi
31
TABELA 1 - Volume e fontes de diluição de dejetos
apresentada
pela
Tenente
Cinthia
menta sobre os benefícios da adoção do
(médica veterinária da Fazenda da Aero-
sistema: “Por não gerar nenhum dejeto ambi-
náutica de Pirassununga - FAYS), ao relatar a
ental e enriquecer o solo, o sistema só traz
necessidade de adoção do sistema na pro-
benefícios, uma vez que substitui a utilização
dução suinícola da Fazenda, “Os dejetos dos
de adubos comprados para nutrir e suprir as
suínos eram levados ao biodigestor, estraté-
necessidades das plantas”.
gia adotada desde 2010. Porém, com o au-
Experiências produzidas com o desen-
mento da produção de animais na termina-
volvimento de alternativas para o tratamen-
ção, esse sistema já não atendia por com-
to e o aproveitamento de resíduos, tais como
pleto a granja”. E, questões ligadas ao risco
as que apresentamos, possibilitam a redução
de poluição do Rio Mogi Guaçu, foram fato-
da demanda de água e, também, da con-
res para adotar essa alternativa sustentável.
taminação nas práticas agropecuárias.
Além disso, esse sistema de criação
Ressalte-se que o sistema de cama
permite reduzir custos na construção de edifi-
sobreposta constitui um dos avanços estraté-
cações, minimiza o risco de poluição e reco-
gicos para deter um “colapso prematuro no
nhece o composto final como adubo orgâni-
abastecimento de água, através da manu-
co. E, para consolidar o resultado desse últi-
tenção dos recursos hídricos” (HIGARASHI1 et
mo item, substratos como maravalha, palha,
al., 2008) e por esse fato, torna-se um sistema
feno ou casca de arroz podem ser usados
de suporte na criação animal importante pa-
como cama. Tais substratos absorvem os de-
ra um setor que causa um grande impacto
jetos e sofrem um processo de composta-
ambiental.
gem “in situ” (COSTA et al., 2006). Na Fazenda da Aeronáutica de Pirassununga - FAYS, o composto formado é utilizado nas plantações de milho, soja e forragem de Tifton, sendo o feno da forrageira utilizado como o próprio substrato do sistema. São produzidas por ano cerca de 60 toneladas de resíduos e, a Tenente Cinthia co-
32
REFERÊNCIAS
ITO, Minoru; GUIMARÃES, Diego Duque;
MILKPOINT. Vamos falar de compostagem?
AMARAL, Gisele Ferreira. Impactos ambien-
Disponível
<https://
tais da suinocultura: desafios e oportunida-
www.milkpoint.com.br/empresas/
des. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 44, p.
novidades-parceiros/vamos - falar-de-
[125]-156, set. 2016. Disponível em: <https://
compostagem-103705n.aspx>. Acesso em:
web.bndes.gov.br/bib/jspui/
18 jan. 2018.
handle/1408/9974>. Acesso em: 17 jan.
em:
2018. TARSO, Paulo de. Dejetos na suinocultura e como
manejar.
2017.
Disponível
HIGARASHI1, Martha M. et al. Concentra-
em:
<http://www.agroceresmultimix.com.br/ blog/manejo-dos-dejetos-na-suinocultura/
ção de macronutrientes e metais pesados em maravalha de unidade de suínos em cama sobreposta. Revista Brasileira de En-
>. Acesso em: 16 jan. 2018.
genharia Agrícola e Ambiental, Campina Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Suinocultura
de
baixa
emissão de carbono: tecnologias de produção mais limpa e aproveitamento econômico dos resíduos da produção de suí-
nos / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Mobilidade Social, do Produtor Rural e do Cooperativismo. – Brasília : MAPA, 2016. Disponivel em: <https://www.tratamentodeagua.com.br/ wp-content/uploads/2016/05/cartilha suinocultura-baixocarbono-1.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2018.
Grande/PB, v. 12, n. 3, p.311-317,2008. Disponível
em:
<http://www.scielo.br/pdf/
rbeaa/v12n3/v12n03a13>. Acesso em: 17 jan. 2018. COSTA, Osmar A. dalla et al., Sistema alternativo de criação de suínos em cama sobreposta para agricultura familiar. Concórdia-SC, Embrapa Aves e Suínos, 2006. Disponível
em:
<https://www.embrapa.br/
web/mobile/publicacoes/-/ publicacao/962451/sistema-alternativo-decriacao-de-suinos-em-cama-sobrepostapara-agricultura-familiar>. Acesso em: 17
jan. 2018.
33
F
Autor: Henrique Cancian
ernando Carlos Rohwedder Filho é zootecnista, formado pela FZEA/USP, e é responsável por um plantel suíno situado
na Fazenda Nossa Senhora da Conceição em Pirassununga-SP. Em sua propriedade, contabilizam-se 280 matrizes, com natalidade de aproximadamente 12,5 leitões/matriz, com uma taxa de desmame
de cerca de 11 leitões. No total, em média, o zootecnista consegue desmamar 325 leitões/mês. Preocupado com o volume de dejetos produzidos pelos animais, Fernando está implantando um sistema de tratamento que consiste no armazenamento total dos dejetos em um tanque. Nesse tanque funciona um batedor, que tem por função evitar que os dejetos decantem, e uma bomba que puxa todo o conteúdo para um filtro que separa a parte sólida da parte líquida. A parte líquida é encaminhada para um tanque de de-
cantação, desse tanque o líquido segue para um segundo depósito e, depois para um terceiro. O volume total de líquido distribuídos nos três tanques pode chegar a 2 milhões de litros. “Depois de três processos de decantação, a água já está livre dos dejetos sólidos e será utilizada como um biofertilizante em nossas lavouras de milho e soja” disse Fernando, que complementou que o resíduo sólido também é utilizado na lavoura como adubo natural.
Porque implantar o tratamento de resíduos em uma propriedade? “ O resíduo sempre foi visto como um problema, mas de um tempo para cá vem se tornando uma alternativa de insumo. Além do pecuarista ajudar na proteção do meio ambiente, ele estará criando uma nova fonte de renda dentro da sua produção. No nosso caso, o dejeto suíno é altamente poluidor se jogado in natura no solo ou nos cursos d’água. Por conta disso, adotando um tratamento adequado para esse dejeto, além de estar beneficiando o meio ambiente estaremos criando uma nova fonte de renda com o biofertilizante e o adubo sólido, provindos desse tratamento. ”
34
Em sua opinião, quais os benefícios que esse sistema traz ao meio ambiente? “Com o tratamento, o produtor está deixando de lançar esses dejetos direto no meio ambiente. O dejeto suíno quando lançado in natura no meio ambiente pode ser altamente poluidor, principalmente em cursos d’água, pois ele possui um alto teor de matéria orgânica, que em excesso, favorece a proliferação de microrganismos aeróbios, levando a um grande consumo do oxigênio dissolvido na água, reduzindo drasticamente sua concentração. Os animais aquáticos morrem por asfixia devido às baixas concentrações de oxigênio. Portanto, com o tratamento você evita que esses danos ocorram. ”
Quanto tempo leva para que os produtos finais desse tratamento fiquem prontos? “Em relação ao conteúdo sólido, que será utilizado como adubo orgânico, ele sai um pouco úmido, portanto faz-se necessário que seja colocado numa área para que receba luz solar e seque. Esse processo demora cerca de 2 semanas. Quando a fração líquida é lançada no primeiro tanque, o nível deste se eleva e o líquido é lançado no segundo tanque e assim sucessivamente até que chegue no último tanque, quando a água já está limpa, isto é, o biofertilizante já pode ser recolhido para o
uso na lavoura. ”
Em quais atividades produtivas os compostos podem ser utilizados? “Esses compostos podem ser utilizados em diversos segmentos da agricultura. A parte sólida, por exemplo, tem grande procura por produtores de hortaliças, mas a ideia principal da fazenda é a utilização nas lavouras. Quanto à parte líquida, é a mesma coisa, a gente planeja fazer lavouras de milho e de soja irrigadas com o biofertilizante. As usinas de cana de açúcar procuram bastante o biofertilizante porque além dele contribuir pela adubação do solo, ele mata a broca da cana (parasita que causa danos à lavoura). ”
35
Qual a vantagem de se utilizar os compostos em uma plantação? “A primeira vantagem de se utilizar esses compostos em uma plantação é o fato de serem adubos de excelente qualidade e orgânicos. O mais comum é a utilização do adubo químico que pode oferecer diversos minerais, mas também agride muito o solo. Outro ponto vantajoso é que no adubo químico, o Nitrogênio se volatiliza muito fácil, não sendo aproveitado pelas plantas. Já nos adubos orgânicos ele se encontra fixo no solo e é de pronto uso para os vegetais”
Existe um mercado para esse composto? “Até um certo tempo atrás existia um receio na utilização do adubo orgânico, muitos confiavam apenas no químico, porém de um tempo para cá esse preconceito vem diminuindo. Atualmente, proprietários de hortifruticulturas vêm usando muito esses produtos. No estado do Paraná, por exemplo, o composto sólido é utilizado em várias lavouras de milho e soja e o líquido na plantação de cana. Hoje em dia o preço da tonelada do
adubo sólido gira em torno de R$60,00 a R$70,00. ”
Fernando garante que a utilização dos adubos orgânicos é uma tendência que tende cresce entre os agricultores, visto que a preocupação com o meio ambiente vem se tornando muito presente. “Ainda precisamos de novas tecnologias, mas já estamos num caminho muito bom” afirma o produtor. “Hoje em dia, alguns produtores vêm fazendo a substituição parcial do adubo químico pelo adubo orgânico, muitas vezes numa divisão de meio a meio, isto é, 50% de adubação química e 50% de adubação orgânica. Alguns estudos mostram que já existem produtores utilizando 100% da adubação orgânica e esse é o nosso objetivo para a próxima safra” finaliza o zootecnista.
36
A
Autores: Julia Mahalem e Ilnara Rodrigues
limentos transgênicos são aque-
gundo Hugo, para um investimento de cerca
les que, através das técnicas da
de R$ 400 milhões, aproximadamente 50%
engenharia genética, sofrem alterações no
desse valor é usado para o desenvolvimento
seu genoma, a partir do acréscimo ou da eli-
do produto, 23% utiliza-se para a descoberta
minação de um ou mais genes, com a finali-
do gene em foco e os 26% restantes são in-
dade de que apresentem novas característi-
vestido em biossegurança e no processo de
cas ou de remodelar as já existentes.
aprovação para o mercado. Os produtos passam por avaliações rigorosas, as quais se
Dentre as principais características de-
tornam resultados de trabalhos de alto risco e
sejadas, estão aquelas relacionadas à resis-
custo.
tência a pragas e doenças, resistência a
O início das pesquisas em engenharia
condições ambientais indesejadas e ao au-
genética se deu na década de 70 e, já em
mento na produtividade. Esse aperfeiçoamento visa o melhoramento das características de interesse agronômico, facilitando a adaptação à mecanização e aumentando a lucratividade do produtor (CAMARA et al., 2009) . É importante esclarecer que os organismos geneticamente modificados (OGM) levam muitos anos para chegarem à sua forma final. Segundo Hugo Molinari, Engenheiro Agrônomo e Pesquisador da Embrapa, para
que um produto transgênico chegue à prateleira do consumidor leva-se aproximada-
1986, nos Estados Unidos e França, os ensaios
mente 13 anos em pesquisas e testes.
experimentais dos alimentos geneticamente
Apesar do longo período em pesquisa,
modificados começavam a ser feitos no
os transgênicos também são responsáveis por
campo.
consumir grandes investimentos. Ainda, se-
37
No entanto, os primeiros a comerciali-
gênica se espalhou rapidamente pelas la-
zarem os vegetais transgênicos foram os chi-
vouras do Rio Grande do Sul, ocupando es-
neses, no início da década de 90, com a
paço significativo na região e, se tornando
venda de fumo e tomate transgênicos na
conhecida como “Soja Maradona”.
China.
No começo dos anos 2000, segundo o
No Brasil, as primeiras sementes trans-
Ministério da Agricultura, as sementes argen-
gênicas chegaram no ano de 1998, como
tinas e uruguaias ocuparam 12% do território
uma nova forma de produção para os pro-
brasileiro, se concentrando nos estados do
dutores rurais. Anteriormente, o Estado do Rio
Rio Grande do Sul, parte do Paraná e parte
Grande do Sul introduziu as sementes de for-
do Mato Grosso do Sul. Assim, com a colheita
ma ilegal (contrabandeadas) do Uruguai e
nos anos de 2002/2003 se aproximando, os
da Argentina.
representantes dos agricultores pressionaram
Segundo o ex-ministro da agricultura,
o governo para que a soja transgênica fosse
Roberto Rodrigues, tudo começou quando
regulamentada, com a afirmação de que
agricultores gaúchos conheceram a soja
sua introdução traria grande desenvolvimen-
transgênica em uma visita à Argentina e
to para o Brasil. Após muitas discussões, ape-
trouxeram sementes para o Brasil sem permis-
nas em 2005, o então Presidente da Repúbli-
são do governo brasileiro. Observaram que
ca, Luiz Inácio Lula da Silva, aprovou a “Lei
estas sementes eram capazes de reduzir os
da Biossegurança” (Lei 11.105/05), sendo
custos com o número de pulverizações, no
uma norma que permitiu a pesquisa e produ-
custo de uso de água, de diesel e de defen-
ção de alimentos geneticamente modifica-
sivos agrícolas. Dessa forma, com a capaci-
dos.
dade de resistir aos herbicidas, a soja trans-
38
Atualmente, para que um novo produ-
ção, segue-se para etapa de desenvolvi-
to geneticamente modificado seja comerci-
mento e testes, que devem ocorrer em ambi-
alizado nas prateleiras de um supermercado
ente reduzido e controlado. No caso de
brasileiro, é necessário passar por uma avali-
plantas, o Ministério da Agricultura é respon-
ação de 5 etapas. Primeiramente, a institui-
sável por fiscalizar o experimento. A CTNBio,
ção interessada em vender seu produto de-
antes da liberação final, avalia se os dados
ve
CTNBio
obtidos se enquadram aos critérios de biosse-
(Comissão Técnica Nacional de Biosseguran-
gurança. A última etapa para efetivamente
ça). A comissão faz uma análise do projeto e
o produto ser comercializado é uma avalia-
visita a propriedade para verificar se há con-
ção política, que se dá por um grupo forma-
dições de ser desenvolvida a proposta com
do por 11 ministros que votam a favor ou
segurança. Se o projeto conseguir aprova-
contra a entrada do produto no mercado .
apresentar
seu
projeto
a
39
Na comemoração de 20 anos dos
mano. Após 25 anos de pesquisas, testes de
transgênicos no Brasil, no ano de 2018, com o
biossegurança e aprovação das autorida-
primeiro organismo geneticamente modifica-
des, um peixe, que é uma variedade de Sal-
do aprovado em 1998 e, considerando os 10
mão Atlântico (Salmo Salar) está sendo co-
anos a mais de pesquisas, pode-se afirmar
mercializado
que após 30 anos, esses produtos não apre-
americanos e canadenses, exclusivamente.
sentaram registros de possíveis malefícios à
Nessa variedade de salmão foi inserido o ge-
saúde de qualquer ser vivo ou até para o
ne encarregado pelo hormônio do cresci-
meio ambiente.
mento do salmão Chinook (Oncorhynchus
para
consumo
dos
norte-
Segundo a Isaaa (Serviço Internacio-
tshawytscha) e, também foram introduzidos
nal Para Aquisição de Aplicações Agro Bio-
reguladores genéticos do peixe-carneiro-
técnicas), em 2016 houve um aumento de
americano (Zoarces americanus). Isso possibi-
3% de área plantada com semente geneti-
litou que o peixe crescesse mais em um me-
camente modificada no mundo, cerca de
nor período de tempo, obtendo, em média,
5,4 milhões de hectares, sendo que 4,9 mi-
o tamanho ideal para a comercialização
lhões foram plantadas no Brasil, demonstran-
com 18 meses, o que equivale a metade do
do aumento de 11% no país. De acordo com
tempo normalmente necessário (CiB, 2017).
a instituição, o Brasil é o segundo país com maior área plantada de transgênicos com
52,6 milhões de hectares, ficando atrás apenas dos EUA que possuem uma plantação de 72,9 milhões de hectares. O Brasil contou com 63 organismos transgênicos aprovados até 2017, sendo que a maioria se refere à cultura da soja, milho e algodão. Apenas dois são de culturas distintas. Um é um tipo de eucalipto com a carac-
Mesmo depois de diversos fatores que
terística de produzir mais madeira, criado pe-
mostram os benefícios do uso de transgêni-
la empresa FuturaGene. O outro é um feijão
cos, os produtos ainda são um tabu na vida
criado pela Embrapa (Empresa Brasileira de
do consumidor. A biotecnologia agrícola é
Pesquisa Agropecuária) que é resistente ao
capaz de utilizar suas ferramentas em prol de
vírus mosaico. Os demais transgênicos tem
uma melhor produção e em grande escala,
como principal característica a resistência a
podendo produzir mais em pouco espaço e
herbicidas e/ou insetos.
de forma que o investimento retorne aos
Recentemente (em agosto de 2017),
agricultores e ao meio ambiente. Porém,
ocorreu um marco no desenvolvimento de
mesmo depois de 30 anos sem indícios cientí-
animais geneticamente modificados. O pri-
ficos que comprovem que os alimentos trans-
meiro animal GM chegou ao consumo hu-
gênicos possam ter efeitos
40
REFERÊNCIAS
colaterais negativos no ser humano, há controvérsias. Ocorre a disseminação de semen-
CAMARA, M. C. C., et al. Transgênicos: avaliação
tes transgênicas, os quais pode comprometer
da possível (in)segurança alimentar através da
a biodiversidade ao redor da plantação, sen-
produção
científica.
Hist.
cienc.
saude-
Manguinhos vol.16 no.3 Rio de Janeiro July/
do irreversível, podendo alterar a dinâmica
Sept. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/
populacional do local e podendo eliminar
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104 -
espécies nativas espalhando super pragas ou
59702009000300006>. Acesso em janeiro de 2018;
super plantas daninhas. Levando em consideração as informa-
CiB (Conselho de Informações sobre Biotecnolo-
ções anteriores, qual sua opinião sobre os
gia). Salmão transgênico chega ao mercado do
transgênicos?
Canadá. 2017. Disponível em: <http://cib.org.br/ salmao-transgenico-chega-ao-mercado-docanada/>. Acessado em março de 2018;
41
C
Autores: Larissa Pereira de Oliveira e Laura Barbosa Ferreira
om o aumento da competitividade entre as empresas, há cres-
cente procura por formas de destaque no mercado e, a preocupação com o meio ambiente tem sido uma maneira eficiente de
obter sucesso nessa empreitada. Um dos diferenciais mais utilizados é o conceito de sustentabilidade, que concilia o desenvolvimento econômico com a preservação do ecossistema. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do relatório
Fonte: Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos
Nosso Futuro Comum, publicado em 1987, pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, “desenvolvimento
fluxo e das informações logísticas relaciona-
sustentável é aquele que busca satisfazer as
das ao retorno dos bens de pós-vendas e de
necessidades presentes sem comprometer a
pós-consumo referentes ao ciclo de negócio
capacidade das gerações futuras de aten-
ou ao ciclo produtivo, através dos canais de
der suas próprias necessidades”. Dentro des-
distribuição reversos, incorporando valores
te contexto, encontra-se a logística reversa
econômicos, ecológicos, legais, logísticos e
(LR) ou inversa, que pode ser definida como
corporativos à natureza. Ou seja, trata-se do
um “termo utilizado para referir-se à logística
retorno dos resíduos de um determinado pro-
na reciclagem, descarte e gerenciamento
duto para a indústria que o fabricou. “A logís-
de materiais contaminantes que, numa pers-
tica reversa pode ser dividida em duas gran-
pectiva mais ampla, inclui atividades logísti-
des áreas: logística reversa de pós-venda e
cas de redução de emissão, reciclagem,
de pós-consumo. A primeira atenta-se basi-
substituição, reutilização de materiais e des-
camente para aqueles produtos que são de-
carte” (STOCK, 1998).
volvidos por razões comerciais, erros em processamento de pedidos, dentre outros. A se-
De acordo com Paulo Roberto Leite
gunda caracteriza-se por trabalhar com
(2003), presidente do Conselho de Logística
aqueles produtos já adquiridos, utilizados e
Reversa do Brasil (CLRB), a logística reversa é
descartados pelo consumidor, mas que po-
a área da logística empresarial responsável
dem retornar ao seu ciclo produtivo, através
pelo planejamento, execução e controle do
de canais reversos de pós consumo e/ou de
42
reciclagem,
de
reuso
e
de
desman-
Atualmente, no país, há seis tipos de
che” (ENDEAVOR, 2015).
sistemas implantados na logística reversa, definidos para o descarte dos seguintes resí-
No Brasil, a logística reversa foi intro-
duos: embalagens de agrotóxicos, óleo lubri-
duzida através da Lei nº 12.305/2010, referen-
ficante usado ou contaminado (Oluc), em-
te à Política Nacional de Resíduos Sólidos -
balagens plásticas de óleos lubrificantes, pi-
PNRS. De acordo com o Ministério do Meio
lhas e baterias, pneus e, lâmpadas fluores-
Ambiente, esta lei estabelece três diferentes
centes de vapor de sódio e mercúrio de luz
vias para a sua inserção: regulamento, acor-
mista. Também foram criados grupos técni-
do setorial e termo de compromisso, sendo o
cos temáticos (GTTs), com a finalidade de
acordo setorial um "ato de natureza contra-
debater sobre as bases de inserção dos siste-
tual firmado entre o poder público e fabri-
mas de LR através dos acordos setoriais, para
cantes, importadores, distribuidores ou co-
as cadeias dos eletroeletrônicos e seus com-
merciantes, tendo em vista a implantação
ponentes e medicamentos. No momento, há
da responsabilidade compartilhada pelo ci-
um acordo setorial para embalagens em ge-
clo de vida dos produtos". A logística reversa
ral, que podem ser de papel e papelão,
é regulamentada pelo decreto nº 9.177, pu-
plástico, aço, alumínio, vidro e até mesmo
blicado em 23 de outubro de 2017, que asse-
pela junção desses componentes. Segundo
gura a imparcialidade na fiscalização e no
o Sistema Nacional de Informações Sobre a
cumprimento das responsabilidades atribuí-
Gestão de Resíduos Sólidos (SINIR), “o acordo
das aos fabricantes, importadores, distribui-
contempla apoio à cooperativas de catado-
dores e comerciantes de produtos, bem co-
res de materiais recicláveis e parcerias com o
mo seus resíduos e embalagens submetidos à
comércio para a instalação de pontos de
logística reversa obrigatória.
entrega voluntária. Ele também apresenta a possibilidade de celebração de acordos entre os serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos municipais e as entidades signatárias”.
Em relação aos agrotóxicos, a LR é um pouco diferente: a lei coloca o produtor rural, fabricante e/ou importador, sistema de comercialização e o poder público como responsáveis pelo processo, os quais têm papéis cruciais para que a logística funcione: o agricultor deve lavar as embalagens, armazenar temporariamente em sua propriedade, Fonte: Nossa Ambiente Direto
devolver ao local indicado na nota fiscal e
http:// nossoambientedireito.blogspot.com.br/2015/04/alogistica-reversa-na-lei-1230510.html
43
comprovar a devolução guardando
o comprovante por um ano. Os canais de distribuição devem indicar onde devolver os produtos, disponibilizar um local para gerenciamento desses produtos, comprovar com notas ficais e conscientizar os agricultores. A indústria fabricante deve recolher as unidades vazias dos locais de recebimento, dar a correta destintagem a elas e conscientizar o agricultor. O Poder público deve fiscalizar, licenciar as unidades de recebimento e conscientizar os produtores.
deles é o Carbono Neutro, através do qual,
Com o intuito de conscientizar, a in-
gens como as de xampus e cremes, conse-
pEV (Instituto Nacional de Processamento de
guindo de 2007 a 2011 recolher 500 mil tone-
Embalagens Vazias) criou o Sistema Campo
ladas de resíduos só nos estados de Bahia,
Limpo, com um minicurso para explicar pas-
Espírito Santo, Pernambuco, Rio de Janeiro e
so a passo sobre a destinação de embala-
São Paulo (ISTO É DINHEIRO, 2016).
desde 2001, a empresa monitora suas atividades pelo método de Avaliação de Ciclo de Vida dos produtos, com o intuito de diminuir as emissões de carbono da cadeia empresarial. A partir desse programa foi criada uma embalagem 100% reciclável feita de cana-de-açúcar. Além disso, a empresa desenvolveu o programa de logística reversa, que monitora o ciclo de vida de embala-
gens de defensivos agrícolas.
Outra empresa em destaque é a
Outros exemplos
Green Business, que possui dois projetos sus-
A regulamentação é recente, mas
tentáveis com pegadas bem diferentes: o
diversas empresas já tinham a preocupação
primeiro é a criação de um site, o “Descola
de introduzir a logística reversa em seu cotidi-
aí”, no qual as pessoas poderão emprestar
ano.
os seus bens, como furadeiras, recebendo A Natura, por exemplo, possui diver-
um pequeno pagamento por isso, evitando
sos programas sustentáveis, sendo que um
assim o consumo desnecessário. O outro
Os resultados acumulados (2002 a 2014) indi-
A quantidade de CO2 eq. (gás carbônico
cam benefícios ambientais equivalentes à
equivalente) não emitida totalizou 394 mil
economia de energia de 18,4 milhões de gi-
toneladas. Esse volume corresponde a 2 mi-
ga joules, o suficiente para abastecer 1,7 mi-
lhões de árvores que deixariam de ser corta-
lhões de casas durante um ano.
das.
A existência do Sistema evitou a geração de
Se o Sistema Campo Limpo não existisse, a
867 mil toneladas de resíduos sólidos. Isso
extração de recursos naturais teria sido 3,8
equivale a cerca de 6 anos de resíduos ge-
vezes maior.
rados por urna cidade de 500 mil habitantes. O consumo de água evitado foi de 42,3 bilhões de litros, o equivalente a 42 milhões de
O funcionamento do Sistema também evitou
caixas de água com mil litros cada.
44
a extração de 905 mil barris de petróleo.
Fonte: inpEV
plano de resíduos sólidos, descrevendo o ciclo de vida dos produtos e o que se pode fazer para reaproveitá-los. Cada empresa tem a liberdade de estabelecer seu próprio plano de logística reversa. É bom lembrar que não é preciso reutilizar os seus resíduos na produção de novos produtos, o importante é assegurar que os resíduos tenham uma nova utilidade, mesmo que isso ocorra fora da
cadeia
produtiva
da
empresa
(ENDEAVOR, 2015). Cada empresa tem que ser estudada particularmente, pois gera resí-
Fonte: Morden Logistics
duos únicos e que podem ser reaproveitados
http://modern.com.br/logisticareversa/
de maneiras diferentes (SEBRAE,2017). Para recuperar os materiais reciclados, uma ótima
projeto, com o nome de “carpintaria verde”,
alternativa é se filiar às cooperativas de ca-
pode parecer de uma ONG, mas o proprie-
tadores e as empresas que prestam esse tipo
tário ressalta que o intuito é ganhar dinheiro.
de serviço, deixando o recolhimento dos
Utilizando resíduos das fábricas de móveis, a
materiais mais fácil e barato, além do im-
assinatura de designers famosos e a mão de
pacto social que essa prática pode conquis-
obra de ex-detentos e pessoas de baixa ren-
tar (ENDEAVOR, 2015). Infelizmente, a imple-
da, o projeto visa a construção de novos
mentação desse sistema requer investimen-
móveis (ISTO É DINHEIRO, 2016).
tos e reestruturação nos sistemas de produ-
A Renault também implantou a LR,
ção, mas quando esse processo é implanta-
fabricando peças para reposição a partir de
do de forma bem planejada, pode apresen-
remanescentes já utilizadas. Nesse processo,
tar economia e vantagens para a empresa
as peças chegam com um preço menor ao
e para os consumidores. É importante ressal-
consumidor, além de consumirem menos
tar que uma empresa pode somente se ade-
água, energia e diminuírem as emissões de
quar a legislação ou pode desenvolver um
gases poluentes. Na mesma linha de produ-
novo sistema que fará com que obtenha um
tos automobilísticos, a Bridgestone utiliza os
diferencial importante frente aos seus com-
pneus que iriam para o descarte para faze-
petidores e ganhe um espaço maior no mer-
rem
cado em que atua (ENDEAVOR, 2015).
pisos
ou
borrachas
de
vedação
E se não houvesse a LR?
(ENDEAVOR, 2015). Implantação
O destino incorreto do resíduo pode
As empresas devem criar soluções
acarretar diversos problemas ao ecossiste-
para que seus resíduos sejam reaproveita-
ma.
dos. Para que isso ocorra, deve-se criar um
45
Fonte: DocSlide https://docslide.com.br/documents/prof-paulo-roberto-leite-logistica-reversa-logistica-reversa -paulo-roberto-leite-paulorobertoleitemackenziecombr-clrbclrbcombrhttpmeusitemackenziecombrleitepr.html nível em: <https://www.istoedinheiro.com.br/ noticias/negocios/20110401/empresas b e m / 5 2 1 3 7 > Acesso em: janeiro de 2018.
De acordo com o governo brasileiro,
“o descarte correto dos resíduos sólidos é fundamental para o processo da reciclagem e para evitar uma série de prejuízos ao
LEITE, P. R. Direcionadores estratégicos em programas de logística reversa no Brasil. Revista Alcance - Eletrônica, Vol. 19 - n. 02 - p. 182-201 - abr./jun. 2012. Disponível em: < h t t p : / / w w w . r e d a l y c . o r g / html/4777/477748599004/> Acesso em: janeiro de 2018.
meio ambiente e à população, como a poluição visual, do solo, do ar e do lençol freático, além de danos à saúde humana”. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, “a busca por soluções na área de resíduos re-
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Disponível em: <http://sinir.gov.br/web/guest/logisticareversa> Acesso em: janeiro de 2018. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Logística reversa. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/ residuos-perigosos/logistica-reversa> Acesso em: janeiro de 2018.
flete a demanda da sociedade, que pressi-
ona por mudanças motivadas pelos elevados custos socioeconômicos e ambientais”. REFERÊNCIAS ENDEAVOR. Logística reversa- ou o que a minha empresa pode ganhar com seus resíduos.
Disponível
em:
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Política de resíduos sólidos. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/pol%C3%ADtica-de-res% C3%ADduos-s%C3%B3lidos> Acesso em: janeiro de 2018.
<https://
endeavor.org.br/logistica-reversa/>.
Acesso
em: janeiro de 2018.
ISTO É DINHEIRO. 50 empresas do bem. Dispo-
46
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Resíduos sólidos. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/cidades -sustentaveis/ residuos-solidos> Acesso em: fevereiro de 2018.
SINDIMETAL. Logística Reversa. Disponível em: <http://www.fiepr.org.br/sindicatos/ sindimetalcmo/logistica-reversa-1-17735226064.shtml> Acesso em: janeiro de 2018. Sistema Campo Limpo; InpEV. Online, disponível em: <http://inpev.org.br/index> Acesso: fevereiro de 2018.
SEBRAE. A logística reversa no apoio à pequena empresa. Disponível em: <http:// www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ artigos/a- logistica-r ever sa- no- ap oi o- ap e q u e n a e m p r e sa,d613438af1c92410VgnVCM100000b272010 aRCRD> Acesso em: janeiro de 2018.
47
Autores: Matheus Napolitano e Régner Ítalo
L
agartas, moscas, vespas, plantas invasoras e carrapatos. Esses são apenas alguns exemplos de seres vivos que frequentemente atormentam a vida dos agropecuaristas. Espécies indesejáveis causam grandes problemas, seja pelo extenuante trabalho para seu controle ou por conta dos prejuízos econômicos que causam ao produtor rural, dado que podem interferir significativamente na produtividade da cultura de interesse.
têm aprimorado uma técnica barata, eficaz e natural que pode ser a solução para o combate de pragas: O controle biológico. __________ O que é controle biológico?
A descrição básica de controle biológico é: “A manutenção de controle de pragas agrícolas e insetos transmissores de doenças a partir do uso de seus inimigos naturais”.
Frente à essa problemática, diversos métodos de controle foram e vêm sendo desenvolvidos para o combate desses agentes. Os métodos são os mais diversos, e podem ser classificados em três grandes categorias: físicos, químicos e biológicos.
Quando surgiu? A aplicação do controle biológico se deu no final do século XX. É evidente a incorporação destes conhecimentos, conceitos e técnicas na agricultura moderna, fato que tem acelerado as pesquisas aplicadas à biologia. Com a entomologia - ramo da zoologia que estuda os insetos -, o controle biológico revelou-se como método científico. Os conceitos então estudados serviram de orientação em questões como processos evolutivos, controle das espécies, luta pela sobrevivência e pressões populacionais, particularmente devido à necessidade de oferecer soluções urgentes para pragas imigrantes em diferentes partes do mundo.
Os métodos físicos, por exemplo, apresentam em diversas situações grande eficácia, entretanto, se tornam inviáveis para serem adotados em grandes áreas, ou em rebanhos com elevado número de animais. Por outro lado, o manejo químico, através da adoção de defensivos agrícolas, é o mais utilizado, demonstrando elevada eficácia. Todavia, a possibilidade que tais produtos possuem em gerar toxidez e produzir resíduos tem feito com que os consumidores fiquem cada vez mais exigentes e, contrários, em relação ao seu uso. A pressão dos consumidores e, da população em geral, também se faz importante do ponto de vista ambiental, haja vista que o manejo incorreto de compostos químicos afeta toda a fauna e flora ao seu entorno. Caso clássico desse impacto negativo é a situação que afeta as abelhas, que correm risco de extinção pela utilização indiscriminada de agrotóxicos.
Tipos de agentes no controle biológico Patógenos: são microorganismos que vivem em e/ou se alimentam (parasitam) em um organismo hospedeiro maior e, portanto, causa lesões, diminuindo seus potenciais efeitos danosos. Parasitoides: são insetos e artrópodes, estes vivem dentro ou por fora e, eventualmente, matam um inseto hospedeiro maior.
Frente a esse contexto, instituições públicas de pesquisa e empresas privadas, vislumbrando lucrativa oportunidade de mercado,
48
Predadores: são animais invertebrados e vertebrados que se alimentam de outros animais (presas), estes podendo ser maior ou menor, mais forte ou mais fraco que o próprio predador.
A PROMIP é uma empresa de base tecnológica que reúne em seu portfólio pro-
Quem está atuando neste setor?
dutos biológicos e serviços especializados para a implementação de
Diante ao alto índice de infestação de pragas, aliado a pressão da sociedade por metodologias de controle sustentáveis, diversas empresas tem atuado no setor de controle biológico enxergando um mercado promissor. Grande parte dessas empresas iniciam suas atividades de forma modesta, aliando inovação e tecnologia para construir um agronegócio mais sustentável, constituin-
Programas de Manejo Integrado de Pragas. Foi fundada em junho de 2006, quando iniciou suas atividades ligada à ESALQTec, incubadora da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP) em Piracicaba/SP, onde permaneceu instalada por dois anos.
(Fonte: www.promip.agr.br)
A Embrapa inCriada em 2001, a
veste em pesqui-
BUG é uma em-
sas de controle
presa
biológico
com
16
de
anos de mercado.
pragas desde os anos 80. Essas mais de três décadas
É pioneira no Brasil
dedicadas a estudos científicos resultaram em sólida
no uso de Controle Biológico de pragas agrícolas e
expertise que envolve cerca de 30 unidades de várias
líder mundial em inovação e tecnologia em seu seg-
regiões brasileiras e mais de 300 projetos de pesquisa.
mento. Seus produtos e serviços têm como propósito
(Fonte:https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/
garantir o melhor custo benefício e produtividade ao
noticia/16154268/controle-biologico-ciencia-a-servico-
produtor, não prejudicar o meio ambiente, além de
da-sustentabilidade)
cuidar e preservar a saúde da população. (Fonte: bugagentesbiologicos.com.br)
A
Agribela
uma
do as chamadas “startups do Agro”, ou melhor, as agtechs. Desafios
é
empresa
voltada
Apesar de o controle biológico ter se
ao
mostrado como alternativa eficaz, o setor,
agronegócio,
como todos os outros, enfrenta barreiras pa-
mais especifica-
ra atingir seu máximo potencial.
mente ao manejo integrado de pragas agrícolas, com foco em
A confiança do produtor
agentes biológicos. A empresa trabalha com as mais diversas culturas agrícolas, aliando conhecimento,
Ainda há uma cultura enraizada de
tecnologia e eficiência para o controle sustentável
preferir a utilização de agroquímicos, além
de pragas, em busca de aumento de produtividade,
de falta de capacitação dos agentes co-
redução de custos e segurança alimentar para a população, através de uma agricultura social, eco-
merciais para recomendação e uso dos
nômica e ambientalmente equilibrada.
agentes de controle biológico.
(Fonte:http://www.aintec.com.br/wp-content/ uploads/2017/02/Portif%C3%B3lio-Agribela1.pdf)
49
Além disso, a ação lenta dos microor-
Na tentativa de combater o besouro-
ganismos, frequentemente causa desconfi-
da-cana, em 1935, na Austrália, foi inserido
ança entre os agricultores quanto a sua efeti-
uma população de Sapo cururu (Bufo mari-
vidade.
nus) nas lavouras, para atuar como predador desses besouros. Na Austrália, os sapos não
Demanda insuficiente
comeram os besouros, mas sim, atacaram
A produção dos agentes de controle bio-
diversas outras espécies da fauna local. Por
lógico ainda precisa se desenvolver no Brasil ,
conta de não haver predadores para os sa-
a fim de atender a demanda crescente,
pos na região, eles se proliferaram, se tornan-
além de estabelecer normas específicas pa-
do “pragas” em terras Australianas. Ao fim, o
ra a produção, fiscalização e qualidade. A
que era para ser a solução, acabou se tor-
demanda sucessiva e a lentidão dos proces-
nando em um grande problema.
sos de registro acabam por contribuir com a
Importância ambiental.
oferta de produtos não registrados de eficiência duvidosa, gerando descrédito para o
Após o surgimento dos inseticidas, agro-
setor.
tóxicos e outros pesticidas, o sucesso no combate aos insetos foi tão grande que declinou
Método de aplicação
o número de pesquisas sobre o controle bio-
As diferentes circunstâncias de aplica-
lógico. No entanto, com o passar do tempo,
ção têm sido uma grande dificuldade para
constatou-se que o pesticida poderoso mais
as empresas atuantes do setor. Por exemplo,
usado e, outros inseticidas, causam mais da-
a startup “agribela”, lançou no mercado bra-
nos do que benefícios, não só ao meio ambi-
sileiro o produto “biodrop”, que é uma cáp-
ente como também ao homem. O uso indis-
sula biodegradável para o transporte dos pa-
criminado desses produtos causou sérios pro-
rasitóides, e que pode ser lançada no ambi-
blemas, tais como: resistência das pragas aos
ente sem nenhum risco de deixar resíduos.
inseticidas, envenenamento dos rios e elimi-
____________
nação de insetos úteis e inimigos naturais. Precauções:
Após isso, as pesquisas no ramo de con-
As técnicas biológicas de controle têm
trole biológico aumentaram e foram confir-
se mostrado muito eficazes, entretanto, deve
madas vantagens desse manejo como: os
haver precaução e acompanhamento de
alimentos produzidos sem agrotóxicos são
um técnico ao iniciar esse tipo de tratamen-
mais saudáveis para os trabalhadores e con-
to. Essa precaução é importante, pois ao ini-
sumidores; a redução dos impactos ao meio
ciar um técnica de controle biológico, é inse-
ambiente garantindo a mesma produção e,
rido uma espécie exótica no ambiente. As-
favorecendo, a adubação do solo e o surgi-
sim, se realizado de forma inadequada, po-
mento de bioindicadores.
de causar desequilíbrio na fauna local. Conforme no caso abaixo:
50
Se bem aplicado, a grande vantagem do
indexado (ALICE), 2006
controle biológico é que possibilita desempe-
JORNAL DA USP. Uso de agrotóxicos po-
nho equivalente ou superior ao controle quí-
de levar à extinção de abelhas. Disponível
mico, gerando mínimo impacto ambiental,
em:<http://jornal.usp.br/atualidades/uso-de-
ecológico e social.
agrotoxicos-pode-levar-a-extincao-de-
__________
abelhas/> Acesso em: janeiro de 2018.
Os problemas em relação ao combate
PORTAL DBO. Desafios para o uso do
de agentes indesejáveis não estão 100% solu-
controle biológico na agricultura. Disponível
cionados, os ambientais causados pelas ati-
em:<http://www.portaldbo.com.br/Agro-
vidades agrícolas muito menos. Entretanto, a
DBO/Noticias/Desafios-para-o-uso-do-
sociedade, instituições de pesquisas e em-
controle-biologico-na-agricultura/15565>
presas estão avançando em prol de produ-
Acesso em: Janeiro de 2018.
ções cada vez mais eficientes, mas agrega-
PORTAL DBO. Startup cria cápsula bio-
das a preservação do ecossistema ao qual
degradável para controle biológico. Disponí-
estão inseridas.
vel em:<http://www.portaldbo.com.br/Agro-
Todavia, o controle biológico não se
DBO/Noticias/Startup-cria-capsula-
apresenta como solução para tudo, longe
biodegradavel-para-controle-
disso. O controle biológico tem se mostrado
biologico/21696> Acesso em: Janeiro de
como uma ótima ferramenta, em prol do de-
2018.
senvolvimento técnico-produtivo sustentável.
SCIENCE BLOGS. A praga da praga (ou
REFERÊNCIAS
controle biológico fractal). Disponível em:
CONTROLE biológico: ciência a serviço
<http://scienceblogs.com.br/rainha/2009/04/
da sustentabilidade. Disponível em: <https://
a_praga_da_praga_da_praga_ou_c/> Aces-
www.embrapa.br/tema-controle-biologico/
so em: Fevereiro de 2018.
sobre-o-tema>. Acesso em: Janeiro de 2018
TERRA. Controle biológico traz reconhecimento mundial a brasileiros. Disponível
CONTROLE BIOLÓGICO: USP ESTUDA
NOVOS
MÉTODOS.
2015.
Disponivel
em:<https://www.terra.com.br/economia/
em:
<https://www.greenme.com.br/informar-se/
brasil-rural/controle-biologico-traz-
agricultura/1287-controle-biologico-usp-
reconhecimento-mundial-a-
estuda-novos-metodos>. Acesso em: Janeiro
brasilei-
de 2018
ros,e3bdf9b79376f310VgnVCM5000009ccceb 0aRCRD.html> Acesso em: Janeiro de 2018.
DE MEDEIROS, Maria Alice; VILELA, Nirlene J.; FRANÇA, Félix Humberto. Eficiência técnica e econômica do controle biológico da traça-do-tomateiro em ambiente protegi-
do. Embrapa Hortaliças-Artigo em periódico
51
Autor: Régner Ítalo
Q
uando as pragas domésticas
caso da população de capivaras.
invadem um ambiente familiar,
tais como os ratos, baratas, formigas, e até mesmo pulgas, a solução é imediata: extermínio! Armadas de inseticidas, aerossóis, ra-
toeiras e até mesmo dos chinelos, as pessoas se empenham para combater essas pragas. Mas, quando se trata de lidar com animais maiores e, principalmente com mamíferos, o extermínio parece não ser uma solução apropriada.
Em uma compreensão clássica, a sustentabilidade pressupõe ações em três pilares: o meio ambiente, a economia e a sociedade. A união destes três elementos suporta um negócio sustentável. Porém, quando um desses princípios é abalado, a sustentabilidade fica comprometida. E quando a sustentabilidade de uma propriedade rural é comprometida, se rompe com a missão fundamental do setor agropecuário, que é forne-
Quando o assunto se refere à animais
cer alimentos seguros de acordo com o
silvestres, a questão torna-se muito mais
constante crescimento populacional. (DIAS,
complexa. Entretanto, graças a proteção
2016).
pela lei e ao aumento da consciência ecológica da população, a situação do crescimento populacional de algumas espécies se inverteu e, passamos a conviver com a proliferação de algumas delas de forma excessiva, trazendo problemas para muitos agricultores e, se tornando uma ameaça para a produção agropecuária do país.
Esse é o
A capivara (Hydrochaeris hydrochaeris), espécie única da família dos Hidroquerídeos, mesma ordem dos roedores, é um mamífero semiaquático da fauna silvestre brasileira, encontrado em toda a América Tropical. Apresenta um comportamento marcante, com padrões sociais rígidos, incluindo a dominância dos machos. Os grupos são nor-
malmente formados pelo macho α dominante, e os submissos β, as fêmeas reprodutivas e os jovens filhotes (SILVA, 2013). Como todo animal silvestre, a capivara é protegida pela lei 8.767 de 1967, quando já se determinava que toda a fauna silvestre constitui propriedade do Estado.
52
No entanto, foi só a partir de 1988 que
capivaras se instalaram em suas proprieda-
as penas se tornaram mais pesadas, e matar
des, causando danos agrícolas, além de ris-
um animal silvestre passou a ser crime sem
cos a saúde pública e de seus animais pela
direito a fiança. Em 1998, a lei sofreu uma no-
proliferação de ectoparasitos e a consequen-
va mudança, que vigora até hoje, deixando
te disseminação de zoonoses.
de ser crime inafiançável, mas podendo re-
Uma vez que um casal se instala em
sultar em cadeia e multa pesada. Graças as
uma propriedade, a princípio, esse fato não
leis de proteção, várias espécies antes amea-
representa prejuízos, mas com o passar do
çadas puderam recuperar sua população.
tempo e a rápida reprodução desses ani-
No caso das capivaras, hoje é comum serem
mais, esse casal pode se tornar um grande
avistados grupos numerosos, principalmente
grupo. As capivaras podem perfurar silos, es-
no centro sul do país.
tragando a qualidade do alimento armaze-
Luciano Martins Verdade, em entrevista, comenta que “pode-se observar uma política muito conservadora, que trata toda e qualquer espécie da fauna como espécie em risco de extinção, e que merece proteção. Apesar disso, as necessidades de intervenção no mundo real transcendem esse tipo de visão”.
nado por causa da penetração de ar, podem destruir plantações inteiras e, até mesmo, comer do mesmo cocho dos animais domésticos, sendo assim, uma ameaça à eficiência na produção vegetal e animal. Além disso, provocam uma rápida degradação do pasto, por conta do seu hábito de pastejo
Graças a expansão da área urbana, nas últimas décadas, e ao fato de que a mata nativa para a formação de pasto ou lavoura foi derrubada, ocorreu o aumento das populações de capivara por conta da ausência de predadores naturais e de seus hábitos alimentares bastante diversificados. Essa característica facilitou a rápida adaptação da espécie em vários ambientes, até mesmo nos urbanos. Nesse novo modelo de vida, com comida e sem predadores, elas estão se
seletivo, consumindo principalmente a rebrota (SILVA, 2013). Em algumas partes do Estado de São Paulo, a ocorrência de Febre Maculosa Brasileira (FMB) está fortemente ligada a presença de capivaras, por serem consideradas amplificadores da transmissão de Rickettsia rickettsii, agente etiológico da doença na natureza.
Por conta de serem hospedeiros primários dos
Talvez você esteja se perguntando: “Como a capivara pode comprometer a sustentabilidade de uma fazenda?
carrapatos das espécies Amblyomma sculp-
multiplicando gradualmente. E, se no passado a expansão da agricultura foi a principal ameaça as capivaras, hoje é justamente a agricultura que mais sofre com a sua proliferação.
de FMB, sendo susceptíveis ao agente etioló-
tum e Amblyomma dubitatum, vetores da R. rickettsii, e abundantes nas áreas endêmicas gico, a capivara se tornou a maior fonte de infecção (RESOLUÇÃO CONJUNTA SMS/SES N° 01, DE 1° DE JULHO DE 2016, 2016).
Em vários estados do Brasil, há relatos de agricultores, mostrando que os grupos de
53
Danos causados por capivaras em plantação de arroz. É preciso ressaltar que um dos fatos
sional poderá ingressar com um pedido de
que explicam a ocorrência desses animais
autorização no Sistema Integrado de Gestão
causando prejuízos, é a probabilidade dos
de Fauna Silvestre – GEFAU, por meio de ela-
produtores instalarem plantações em beiras
boração de projeto técnico com justificativa
de rios e lagos, que são áreas de preserva-
bem embasada, seguindo as orientações
constantes no “Manual de Operações GE-
Quais medidas podem ser tomadas?
FAU – Módulo Manejo in situ”, disponível em: http://www.isigam.ambiente.sp.gov.br/ sigam3/Repositorio/448/Documentos/
ção permanente. Entretanto, há casos de
Manual%20manejo%20in%20situ.pdf
proprietários que possuem essas áreas em
Neste manual constam todos os de-
bom estado de conservação e, mesmo as-
mais documentos e as informações que o
sim, apresentam problema com as capivaras
interessado deverá providenciar.
invadindo outras áreas.
Entretanto, são raros os agricultores
De acordo com o Departamento de
que conseguem auxílio do IBAMA para a reti-
Fauna - Centro de Manejo de Fauna Silves-
rada desses animais e, quando isso ocorre, a
tre, para a realização do melhor diagnóstico
retirada não é total, ficando os machos saté-
do problema enfrentado pelas propriedades
lite, que garantirão que outros grupos não se
rurais, é recomendável que um profissional
alojem e não causem mais danos.
habilitado (biólogo, médico veterinário, zootecnista) avalie se nessa situação há recomendação de alguma ação de manejo dos
animais. Se necessário o manejo, esse profis-
54
REFERÊNCIAS
Por outro lado, quando se trata de Febre Maculosa Brasileira (FMB), “em áreas agrí-
DIAS, Cleandro Pazinato. Sustentabilidade na produção animal. Revista de Ciência Veterinária e Saúde Pública, v. 3, p. 333-336, 2016.
colas as quais não tenham sido caracterizadas como Área de Risco à saúde humana, o
ESTADO DE SÃO PAULO. RESOLUÇÃO CONJUNTA n. Nº 01, de 04 de fev. de 2018. RESOLUÇÃO CONJUNTA SMA/SES Nº 01, DE 1° DE JULHO DE 2016. Dispõe sobre a aprovação das ?Diretrizes técnicas para a vigilância e controle da Febre Maculosa Brasileira no Estado de São Paulo - classificação de áreas e medidas preconizadas?, e dá outras providências. . ESTADO DE SÃO PAULO, p. 1-22, jul. 2016. Disponível em: <http:// arquivos.ambiente.sp.gov.br/ legislacao/2016/12/RESOLU%C3%87%C3%83O -CONJUNTA-SMA-SES-01-2016.pdf>. Acesso em: 31 jan. 2018.
interessado poderá providenciar laudo dos danos causados pela presença das capivaras para subsidiar o requerimento de autorização para manejo da espécie, junto à Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo - SMA. Independente da confirmação
da circulação da bactéria Rickettsia rickettsii, em todas as áreas infestadas por carrapatos, medidas de manejo ambiental deverão ser adotadas prioritariamente para o controle de carrapatos, seguindo as recomendações do Manual de Vigilância Acarológica, publi-
SILVA, Elias. A capivara: uma ampla revisão sobre este animal tão importante. UNIVERSIDADE DE VIÇOSA - UFV. Disponivel em: <http://ciflorestas.com.br/arquivos/ d_d_d_10906.pdf>. Acesso em: janeiro de 2018.
cado pela Superintendência de Controle de Endemias – SUCEN (RESOLUÇÃO CONJUNTA SMS/SES N°01, DE 1° DE JULHO DE 2016, 2016).
ditec.sp@ibama.gov.br Imagem 1 - http://animais.culturamix.com/ informacoes/mamiferos/medios/capivarasno-pantanal
fauna.sma@sp.gov.br Então, como dito por Luciano Martins Verdade, “o panorama dessa realidade é mais complexo do que a atual legislação
Imagem 2 - https://www.epochtimes.com.br/ ambientalismo-ameaca-saude-brasileirosfauna-flora-cultivos-cultura/#.WnnRsiXwbIU
brasileira faz crer, e encarar essa diversidade também pode fazer parte da atividade de
pesquisa, para que sejam percebidos e resol-
I m a g e m 3 h t t p s : / / www.portalveneza.com.br/prisaoagricultores-expoe-conflito-entre-produtoresaumento-populacao-capivaras/
vidos os problemas que requerem intervenção humana no que atinge a fauna silvestre. Recomenda-se que, em todos os casos, seja consultado o IBAMA ou a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, antes de que qualquer outra providência seja tomada.
55
Autores: Guilherme Ferigato e Mariana Fantini
A
tualmente, a humanidade en-
ceito para Integração Lavoura-Pecuária-
frenta desafios cada vez maio-
Floresta (iLPF), com inúmeras possibilidades
res para produzir alimentos, fibras, energia,
de combinações entre componentes agrí-
produtos madeireiros e não madeireiros de
colas, pecuária e florestal, nos apresentan-
forma compatível com a conservação dos
do diversas modalidades como:
recursos naturais disponíveis. Em 1992, Den Bosch, declarou que “A Agricultura Sustentável é o manejo e conservação dos recursos naturais e a orientação de mudanças tecnológicas e institucionais que assegurem a satisfação das necessidades humanas para a presente e as futuras gerações. É uma agricultura que conserva o solo, a água e os recursos genéticos animais, vegetais e microrganismos; não degrada o meio ambiente; é tecnicamente apropriada, economicamente viável e socialmente aceitável”. Nesse sentido, a agropecuária sustentável tem que ser compatível com a maximização da produção e a sua qualidade aliada a
conservação
dos
recursos
Na estratégia de ILPF, pode ocorrer um
naturais
consórcio de uma cultura anual com uma
(BALBINO et al., 2012).
espécie forrageira até que, após a colheita
Para atender essa demanda surgi-
da cultura anual, a forrageira predomine e
ram estratégias como o Sistema de Plantio
o uso da terra passe a ser pastoril e não mais
Direto (SPD), que traz o conceito de rotativi-
agrícola. Nessa fase, o sistema muda de sta-
dade de culturas e o preparo mínimo do so-
tus e passa a ser uma sucessão, voltando ao
lo, ou os sistemas Integração Lavoura-
sistema agropastoril (ou ILP). Há ainda o cul-
Pecuária (iLP) , que proporcionam benefí-
tivo consorciado com a semeadura defasa-
cios à lavoura e à pecuária, reduzindo a de-
da, que é o caso das espécies forrageiras
gradação física, química e biológica do so-
semeadas tardiamente, como, por exem-
lo. Com a introdução de componentes flo-
plo, na cultura da soja.
restais nesse sistema, ampliou-se o seu con-
56
Em sistemas mais complexos, com a presen-
Macedo (2009), o monocultivo e as práticas
ça de árvores, pode ocorrer consórcio de
culturais inadequadas têm causado perda
uma cultura anual com espécies arbóreas.
de produtividade, ocorrência de pragas e
Nessa fase, o sistema será silviagrícola (ou
doenças, e degradação do solo e dos recur-
ILF). Após a colheita da cultura anual e o iní-
sos naturais.
cio do pastejo, o sistema será silvipastoril (ou
Com o aumento da demanda por ali-
IPF). A partir dessa dinâmica, no mesmo ano
mentos e a evolução tecnológica na produ-
agrícola ou na dimensão temporal predeter-
ção, a atividade agrícola moderna passou a
minada, configura-se o agrossilvipastoril (ou
se caracterizar por sistemas padronizados e
ILPF). As árvores não estarão em sucessão
simplificados de monocultura, induzidos pelo
nem em rotação com as lavouras e/ou pas-
manejo mecanizado e, na maioria dos ca-
tagens,
sos, a utilização de boas práticas agronômi-
mas
sim
em
consórcio
com
elas (Embrapa, 2015).
cas não é verificada de forma completa, o
Antes do surgimento do conceito de
que resulta em degradação na qualidade
“Agricultura Sustentável”, em 1960 agriculto-
dos solos e se reflete em baixa produtividade
res e pecuaristas começaram a consorciar
e elevada erosão (Balbino, 2001).
arroz de sequeiro e pastos de Braquiária (ILP)
Conway (1987) acredita que, um
para obter melhor eficiência no uso da terra.
agroecossistema sustentável busca a produ-
Em 1980 se iniciou a recuperação de pasta-
tividade, estabilidade, sustentabilidade, resili-
gens através de uma rotação anual entre
ência e invulnerabilidade. A integração La-
gado e lavoura e, por fim, em meados de
voura-Pecuária-Floresta
2000, foi implantado pela primeira vez o siste-
produtivos diversificados, de origem vegetal
ma de integração Lavoura Pecuária Floresta
e animal, realizadas para otimizar ciclos bio-
(ILPF), com auxilio da Embrapa, na fazenda
lógicos das plantas e dos animais, bem co-
Santa Brígida (GO).
mo dos insumos e seus respectivos resíduos.
envolve
sistemas
Aidar & Kluthcouski (2003) alertam
Ainda, pode contribuir para a recuperação
que, entre os principais problemas da pecu-
de áreas degradadas, manutenção e re-
ária brasileira, estão a degradação das pas-
constituição da cobertura florestal, promo-
tagens e dos solos; o manejo animal inade-
ção e geração de emprego e renda, melho-
quado; a baixa reposição de nutrientes no
ria das condições sociais, adequação da
solo; e os baixos investimentos tecnológicos.
unidade produtiva à legislação ambiental e
Essas restrições trazem consequências nega-
valorização de serviços ambientais ofereci-
tivas para a sustentabilidade da pecuária,
dos pelos agroecossistemas, que são eles: • Conservação dos recursos hídricos e edáficos; • Abrigo para os agentes polinizadores e de controle natural de insetos-pragas e doenças; • Fixação de carbono;
tais como: baixa oferta de forragem, baixos índices zootécnicos e baixa produtividade de carne e leite por hectare, além de reduzido retorno econômico. Com relação à agricultura, segundo
57
•
Redução na emissão de gases de efei-
pelo Plano de Agricultura de Baixa Emissão
to estufa;
de Carbono (Plano ABC), implantado em
•
Reciclagem de nutrientes;
2009, que preconizava aumentar em 4 mi-
•
Biorremediação do solo;
lhões de hectares a área com ILFP em todo o
(BALBINO et al., 2012)
país até 2020. Entre 2010 e 2015 o incremento
O Sistema ILPF é uma estratégia de
de 5,96 milhões de hectares foi responsável
produção sustentável que aparece como
pelo sequestro de 21,8 milhões de toneladas
opção para o setor produtivo agropecuário
de
CO2
eq.
(ILPF
Embrapa,
2018).
brasileiro e está sendo adotada, nas suas diferentes modalidades, em diferentes níveis
intensidades nos biomas brasileiros. Pesquisa realizada na safra de
2015/2016 pelo
Keffmann Group, que é o provedor líder de serviços de pesquisa de mercado no setor agrícola, à pedido da Rede de Fomento ILPF, estimou que o Brasil conta com 11.468.124 ha com sistemas integrados de produção agropecuária (Embrapa, 2017). Mato Grosso do sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul possuem
as maiores áreas com ILPF. O RS lidera o per-
O Plano ABC, foi estruturado pelo Brasil
centual da área agricultável utilizado com
para reduzir a emissão de gases de efeito es-
algum sistema
tufa (GEE) na agricultura, e foi oficialmente
integrado (ILPF
Embrapa,
denominado "Plano Setorial de Mitigação e
2018). Em dez anos, a área ocupada com
de Adaptação às Mudanças Climáticas para
sistemas de ILPF aumentou em quase 10 mi-
a Consolidação de uma Economia de Baixa
lhões de hectares, como verificado no gráfi-
Emissão de Carbono na Agricultura".
co abaixo, que demonstra a evolução entre 2005 a 2015. Isso se deve a meta estipulada
58
Este consiste em um dos planos setori-
o aumento de produtividade na mesma
ais estabelecidos em conformidade com a
área, economicamente viáveis, melhoram a
Política Nacional sobre Mudança do Clima
utilização dos recursos e da terra, pois diversi-
(PNMC), como parte da estratégia do Estado
ficam, suplementam e/ou ampliam receitas,
Brasileiro na mitigação da emissão de GEE e
com promoção da diminuição dos riscos, so-
no combate ao aquecimento global. Está
cialmente justos, podem ser aplicados em
estruturado em sete Programas: Recupera-
qualquer tamanho de propriedade, geram
ção de Pastagens Degradadas; Integração
empregos diretos e indiretos, aumentam e
Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e Sistemas
distribuem melhor a renda, aumentam a
Agroflorestais (SAFs); Sistema Plantio Direto
competitividade do agronegócio brasileiro e
(SPD); Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN);
contribuem para a segurança alimentar e de
Florestas Plantadas; Tratamento de Dejetos
abastecimento do País. Por fim e não menos
Animais; Adaptação a Mudanças Climáticas.
importante são ambientalmente responsá-
Para atingir esses objetivos foi criada
veis, priorizando a utilização de práticas con-
uma linha de crédito com um montante de
servacionistas e de uso mais eficiente da ter-
R$ 4,5 bilhões e juros de 4,5 a 5,0% a.a, para
ra.
financiar práticas adequadas, tecnologias
REFERÊNCIA
adaptadas e sistemas produtivos eficientes
BALBINO, Luis Carlos. International plant nutri-
que
tion institute: Agricultura sustentável por meio
se
enquadrem
nestes
programas
(Embrapa, 2015)
da
Considerando um intervalo de sete
integração
lavoura-pecuária-floresta
(iLPF). 138 ed. Piracicaba - SP: Informações
anos, o saldo gerado pelo sistema de produ-
Agronômicas, 2012.
ção integrado, em detrimento aos sistemas
MACEDO,M.C.M. Integração lavoura e pecu-
de produção convencionais, é promissor,
ária: o estado da arte e inovação tecnológi-
conseguindo atingir dados representativos:
cas.
uma área seis vezes menor, um consumo de
v.38,p.133-146,2009;
energia 60% menor, com 55% menos libera-
CONWAY, G.R. tHE PROPERTIES OF AGROE-
ção de GEE’s, 20% menos consumo de água,
COSYSTEMS. Agricultural systems, Essex, v,24,
gerando 58% menos resíduos sólidos, além do
n. 2, p.95-117, 1987;
custo de produção se reduzir em 54%, para
EMBRAPA. ILPF - integração lavoura-pecuária
produzir a mesma quantidade de produtos
- f l o r e s t a.
(COSTA, 2015).
www.embrapa.br/web/rede-ilpf/home>.
Tendo em mãos recursos, terras e co-
Revista
Brasileira
Disponível
de
Zootecnia,
em:
<https://
Acesso em: 17 jan. 2018.
nhecimento é possível apostar nos remodela-
Embrapa. (2015). Integração Lavoura - Pecu-
dos meios de produção, uma vez que são
ária - Floresta: o produtor pergunta, a
tecnicamente eficientes, reduzem a emissão dos gases que provocam os GEEs e permitem
59
Embrapa responde. Brasília, Distrito Federal,
COSTA, Marcela Porto. Socio-eco-efficiency
Brasil: Embrapa Informação Tecnológica.
of integrated and non-integrated systems of
Embrapa. (s.d.). Agricultura de baixa emis-
crop, forestry and livestock in the Ipameri
são de carbono - Perguntas e respostas.
city, at brazilian Cerrado. 2015. 192 f. Disserta-
Acesso em 18 de Janeiro de 2018, disponível
ção (mestrado) Universidade Estadual Paulis-
em Agricultura de baixa emissão de carbo-
ta Júlio de Mesquita Filho, Instituto de Ciên-
no: https://www.embrapa.br/tema-
cia e Tecnologia de Sorocaba, 2015. Disponí-
agricultura-de-baixo-carbono/perguntas-e-
v e l
respostas
hdl.handle.net/11449/132105>.
BALBINOI, L. C. et al. Evolução tecnológica e
arranjos produtivos de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta no brasil. Pesquisa agropecuária brasileira, Brasília, v. 46, n. 10 , Out. 2011;
60
e m :
< h t t p : / /
Q
Autores: Matheus Napolitano e Laura Barbosa Ferreira
ual a real importância do alimento em nossas vidas? Você
já parou para refletir que o seu papel transcende a função nutricional? O alimento é uma fonte de prazer, é uma ferramenta so-
cial, cultural e histórica da humanidade. Tamanha importância do alimento faz com que muitas pessoas se preocupem com a
transformando dia após dia. Em contraparti-
qualidade dos ingredientes que colocam
da à essas mudanças, a pecuária orgânica
em suas mesas. Diante de um cenário de
visa retomar a produção de alimentos em
crescente busca por alimentação de quali-
sua essência, defendendo uma alimenta-
dade, os produtos orgânicos desempenham
ção mais pura e, dentre as diversas variáveis
um forte papel em prol da produção e ali-
que a compõem, estão presentes a não uti-
mentação saudável.
lização de agentes químicos, de OGMs e a
preocupação com o bem-estar animal. Al-
Grande parte da produção orgâni-
meja-se assim, beneficiar todo o sistema
ca é de origem vegetal. Todavia, alimentos
produtivo indissociavelmente, atingindo su-
de origem animal também são parte funda-
cesso nos três pilares da sustentabilidade: o
mental no cardápio dos adeptos da alimentação
orgânica.
ambiental, o econômico e o social, forne-
Consequentemente,
cendo alimentos de alta qualidade, benefi-
acompanhando essa demanda por produ-
ciando a saúde dos consumidores, prote-
tos de origem animal, a pecuária orgânica
gendo o ecossistema e, sendo rentável eco-
vem crescendo bastante na produção de
nomicamente para todos os agentes envol-
alimentos brasileira.
vidos na cadeia produtiva.
Na pecuária, ao longo do processo
________
de desenvolvimento técnico-produtivo fo-
Como identificar um alimento orgânico?
ram sendo criados produtos e técnicas para melhorar a qualidade e produtividade das
Para que um produto seja comerci-
criações. Essa forte expansão tecnológica,
alizado com a identificação de orgânico,
com a incorporação de defensivos e adu-
ele deve possuir certificação de alguma ins-
bos químicos, antibióticos, organismos gene-
tituição certificadora autorizada pelo
ticamente modificados (OGMs), entre ou-
tros, fizeram com que a produção venha se
61
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abaste-
xiliando no desenvolvimento de padrões sus-
cimento (MAPA) apto para este fim. Para
tentáveis de produção e fomento ao Co-
que a propriedade e, consequentemente os
mércio Justo. O IBD tem como filosofia o
produtos, estejam aptos para obterem o
compromisso com a Terra e com o Homem,
“selo orgânico”, devem ser cumpridos vários
assegurando o respeito ao meio ambiente,
requisitos, regulamentados pela Lei nº 10.831
boas condições de trabalho e produtos alta-
(23 de dezembro de 2003), pelo Decreto nº
mente confiáveis (Fonte: ibd.com.br).
6.323 (27 de dezembro de 2007) e, ainda,
Observação: Além da certificação mencio-
pela Instrução Normativa nº 64 (18 de de-
nada acima, que é considerada certifica-
zembro de 2008), que aprova o Regulamen-
ção por auditoria, também há modos de
to Técnico para os Sistemas Orgânicos de
certificações alternativas, como por exem-
Produção Animal e Vegetal.
plo, o “Sistema participativo de garantia” e
As certificadoras credenciadas pelo
“Controle social na venda direta”.
MAPA realizam auditorias nas propriedades
_______
e asseguram que os produtos, serviços e pro-
Características da produção
cessos certificados cumprem os requisitos
A visão sistemática é chave para
estabelecidos para a produção orgânica.
o sucesso na produção de or-
Certificadoras:
gânicos, com o homem sendo
A Associação de Agri-
peça chave neste processo. A
cultura Orgânica cita como
pecuária se insere nesse con-
organismos credenciados pe-
texto, em sinergia com o cultivo agrícola
lo MAPA e que atuam na
(orgânico), com o meio ambiente (fauna e
área de avaliação da confor-
flora) e, com a saúde de seus consumidores.
midade orgânica por audito-
Uma das mais importantes carac-
ria, a TECPAR (Instituto de Tecnologia do Pa-
terísticas para a produção de orgânicos é o
raná), ECOCERT Brasil Certificado Ltda, IMO
respeito aos animais, sendo o bem-estar ani-
CONTROL (Instituto de Mercado Ecológico),
mal trabalhado a todo momento nas cria-
INT (Instituto Nacional de Tecnologia), Institu-
ções, como por exemplo, o maior espaço
to Chão Vivo de Avaliação da Conformida-
disponibilizado nas criações, a não utilização
de, OIA (Organização Internacional Agrope-
de antibióticos sintéticos ou hormônios artifi-
cuária) e o IBD Certificações Ltda. (AAO;
ciais, possibilitando assim menor estresse e
s.d.)
maior conforto. Também não é permitido O IBD, por exemplo, está localizado
utilizar antibióticos e alguns métodos con-
em Botucatu/SP (Brasil), e desde sua funda-
vencionais de tratamento, em caso de en-
ção vem atuando em todos os Estados brasi-
fermidades.
leiros, bem como, em mais de 20 países, au-
62
Os animais criados no sistema orgânico po-
•
dem ser tratados com homeopáticos e pro-
Os animais devem estar presentes em sistema de bem-estar animal.
dutos fitoterápicos. A vacinação é obrigatória e, além das vacinas impostas pela lei, é aconselhado que haja a vacinação contra as doenças mais comuns na região (DAROLT, s.d.) Outro fator importante é a preservação da biodiversidade, com alto enfoque em técnicas de conservação do solo e, au-
sência de agrotóxicos e compostos quími-
Ainda há grande confusão entre boi
cos. Assim sendo, as produções visam preser-
verde e boi orgânico, porém os conceitos
var espécies de pássaros, insetos e animais
não são sinônimos. O primeiro também é
que podem ser afetados negativamente pe-
constituinte do sistema agroecológico e se
la atividade humana.
refere aos animais criados à pasto, entretanto, utilizam-se adubos sintéticos solúveis, me-
____
dicamento alopáticos e antibióticos em sua
Bovinocultura (leite e corte) •
criação, os quais não são permitidos na pro-
O pasto não pode receber
dução de boi orgânico.
adubação química e controle por
Piscicultura
agrotóxicos. •
•
Não se pode utilizar antibióticos. Os ani-
ral.
mais devem ser tratados com homeo-
•
páticos e fitoterápicos. •
Utilização de ração orgânica ou natuA água deve ser livre de poluentes e contaminantes.
Ingredientes utilizados na ração (Ex: Mi-
•
Ausência de terapêuticos sintéticos.
lho; Soja) não podem ser transgênicos. Avicultura
Apicultura
•
Densidade máxima de 10 aves/m².
•
Acesso à piquetes, podendo ciscar, empoleirar, e expressar suas características- • naturais.
• •
•
Ração orgânica, sem ingredientes de origem animal. • Ausência da utilização de antibióticos •
63
Área orgânica no raio de 3 km das colmeias. A alimentação artificial somente pode ser realizada caso não haja alimento natural. Métodos de extração e processamento específico. Colméias devem ser construídas com materiais naturais.
•
Ausência de aeradores na água.
Sustentabilidade sistêmica
•
Ausência de adubação química, so-
A sustentabilidade, além do papel
mente orgânica.
ambiental, também engloba as vertentes social e econômica. Diante isso, umas das importantes características da produção orgânica é a preocupação socioeconômica. Uma das exigências para a certificação é que todos os funcionários das propriedades
____________________________________
orgânicas estejam devidamente registrados
Papel ambiental da pecuária orgânica
cumprindo as normas da CLT, e que os filhos
As atividades orgânicas atuam forte-
desses funcionários estejam devidamente
mente na preservação das espécies nativas
matriculados em escolas. Caso esses requisi-
(vegetais e animais) do ambiente no qual as
tos não sejam cumpridos, a propriedade não
produções estão inseridas.
está apta a receber certificação.
•
•
•
Proibição de agrotóxicos e
Do ponto de vista econômico, a lu-
adubos químicos.
cratividade é, obviamente, importantíssima
Não utilização de fontes
para o desenvolvimento da produção e
de nitrogênio não proteico.
qualidade de vida dos agentes atuantes no setor. Apesar de, em “alguns” casos, a pro-
Proibição do uso de organismos geneti-
dução orgânica não atingir quantitativa-
camente modificados. •
mente os índices produtivos de uma produ-
Preservação contra queimadas.
ção convencional, o valor agregado nos
Tais preocupações ambientais ge-
produtos, possibilita alta eficácia econômica
ram bons frutos, tais como, atender o desejo
das atividades. Mesmo existindo várias pro-
do mercado externo no tocante ao consu-
duções orgânicas em atividade no Brasil, se-
mo de produtos advindo dessas proprieda-
gundo o SEBRAE, atualmente as criações or-
des.
gânicas não conseguem atender toda a de-
manda do mercado, o que evidencia que
As propriedades que se encaixam no
há um longo caminho a ser trilhado, e que
sistema orgânico devem cumprir as exigên-
são muitas as oportunidades que se abrem
cias da legislação ambiental aplicada as
para pesquisadores e para investidores.
propriedades “convencionais”. Além disso,
Principais desafios
as orgânicas também devem proteger todas as nascentes e corpos d’água, e não realizar
Atualmente o principal desafio desse
manejo de fogo nas pastagens, visando as-
mercado, por conta da baixa divulgação,
sim proteger o ambiente e o ecossistema ali
ainda é a falta de conhecimento da popula-
presente.
ção sobre a qualidade dos produtos.
64
REFERÊNCIAS
Para isso, uma das prioridades do setor é esclarecer aos consumidores sobre as ca-
ASSOCIAÇÃO DE AGRICULTURA ORGÂNICA.
racterísticas que os compõem e quais são as
Certificadoras credenciadas. Disponível em:
vantagens dos produtos orgânicos compara-
<http://aao.org.br/aao/certificadoras -
do aos convencionais.
credenciadas.php> Acesso em: janniero de 2018.
Há, também, grandes dificuldades em se tratando da estruturação da cadeia
DAROLT, M. R. Pecuária Orgânica: Procedi-
produtiva. Por ser um mercado recentemen-
mentos Básicos Para o Bom Manejo da Cria-
te explorado, ainda há algumas lacunas na
ção.
estrutura industrial e comercial dos orgâni-
www.bovinos.ufc.br/pecorganica.htm>
cos. Da porteira para dentro, o grande en-
Acesso: jeneiro de 2018.
trave é o de conseguir ingredientes, como
Disponível
em:
<http://
FÁVARO, T. Apicultura orgânica é viável em
milho e soja (que também devem ser oriun-
áreas
dos de sistemas de produção orgânicos) pa-
agrícolas.
Disponível
em:
<http://
www.sebrae-sc.com.br/leis/default.asp?
ra a composição de rações.
vcdtexto=4690> Acesso em: janeiro de 2018.
______________
MELLO, M. A. M. M.; AMBROSANO, E. J. Pisci-
Os próximos passos
cultura orgânica. Disponível em: <http://
A pecuária orgânica tem se mostra-
www.aptaregional.sp.gov.br/acesse -os-
do como forte aliada da produção animal
arti gos -pesquisa- e-tecnol ogia/e dicao-
sustentável, respeitando e cuidando do
2007/2007-janeiro-junho/500-piscicultura-
ecossistema no qual a produção está inseri-
organica/file.html> Acesso em: janeiro de
da, colaborando com a saúde dos consumi-
2018.
dores, ao fornecer produtos de alta qualida-
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
de e pureza, e contribuindo com o desenvol-
ABASTECIMENTO. Os Sistemas Orgânicos de
vimento socioeconômico.
Produção têm por Finalidade. Disponível em:
Embora ainda não seja possível falar
<http://www.agricultura.gov.br/assuntos/
em uma produção 100% orgânica, não há
sustentabilidade/organicos/o -que-sao-
dúvida de que esses alimentos estão cada
organicos> Acesso em: janeiro de 2018.
vez mais presentes nos cardápios dos consu-
RODRIGUES, H. A. F. “Alimentação como fon-
midores.
te de sociabilidade e de hospitalidade”. In:
Visualizando essa promissora deman-
SINAIS - Revista Eletrônica. Ciências Sociais.
da, novos produtores, profissionais, empresas
Vitória: CCHN, UFES, Edição n.12, v.1. dezem-
e indústrias estão investindo no mundo do
bro 2012. pp. 85 – 100.
orgânicos, na esperança de uma produção melhor, do ponto de vista da articulação entre os benefícios financeiros e ambientais.
65
SEBRAE. A pecuária orgânica ganha espaço WWF. Fazendas de pecuária orgânica terão no
Brasil.
Disponível
em:
<http:// diagnóstico de sustentabilidade. Disponível
www.sebraemercados.com.br/a-pecuaria- em: organica-ganha-mercado-no-brasil/>
Acesso sal a_de_i mprensa/?25440/F azendas - de-
em: janeiro de 2018.
pecuria-orgnica-tero-diagnstico-de-
SOARES, J. P. G.; NEVES, D. L.; CARVALHO, J. M
sustentabilidade> Acesso em: janeiro de 2018.
de. Produção de carne bovina em sistema orgânico.
Disponível
<https://www.wwf.org.br/informacoes/
em:
<https://
www.alice.cnptia.embrapa.br/bitstream/ doc/1002261/1/34242.pdf> Acesso em: janeiro
de 2018.
66
V
Autor: Bruna Maganhe
ocê provavelmente já se depa-
por produtos que demonstrem responsabilida-
rou com algum produto na prate-
de socioambiental.
leira do supermercado que continha algum
Os selos normalmente decorrem de um
tipo de selo diferenciado. Mas afinal, você
processo de certificação, que pode ser atre-
conhece o real significado destes selos e qual
lado a diversos aspectos, desde uma garantia
a importância deles no cenário produtivo?
de qualidade, até selos que atestam a res-
Com a crescente necessidade de se adequar às demandas de um público cada
ponsabilidade socioambiental do processo produtivo.
vez mais exigente e consciente, empresas e
Um dos exemplos mais comuns de cer-
indústrias vêm sofrendo uma pressão positiva
tificação é aquela referente à produção or-
para que passem a oferecer produtos que
gânica: para que um produto seja vendido
remetam à responsabilidade socioambiental.
como orgânico, por exemplo, ele deve passar
Para saber diferenciar e escolher consciente-
pela avaliação de uma certificadora que le-
mente os produtos na hora de comprar, vale
vará em conta, além da procedência da ma-
saber um pouco mais sobre os chamados
téria prima, a legislação ambiental e traba-
‘selos ecológicos’ e instituições que lhes asse-
lhista.
guram.
Estes processos certificadores seguem
Além de enaltecer a imagem das empresas que comercializam produtos com algum tipo de certificação, a aceitação por produtos certificados – mesmo que com preço de compra superior – é cada vez maior no
Brasil e no mundo. Esse fato pode ser percebido no aumento do interesse por produtos orgânicos com selos ecológicos. Por exemplo, principalmente nas classes de maior poder aquisitivo, segundo um estudo realizado em 2009 pela Market Analysis em parceria com o instituto Globescan, 56% dos consumidores Norte Americanos, 54% da Oceania, 29% da Europa, 24% da América Central e Ásia, e 11%
da América do Sul demonstram preferência
67
instrumentos regulatórios estabelecidos por entidades ou governos, e visam informar a sociedade se aquele produto ou sistema produtivo atende aos requisitos instituídos para que sejam considerados política e ambientalmente adequados. No Brasil, são levados em con-
sideração os pareceres da Lei nº 6938/81 (Lei do Meio Ambiente), Código Florestal, e outras legislações nacionais e internacionais. Vale ressaltar que cada selo geralmente se baseia nas regulamentações de seu país de origem, sendo alguns deles obrigatórios para produtores que pretendem exportar seus produtos.
REFERÊNCIAS
O processo de certificação no Brasil pode ocorrer a partir da contratação de uma empresa terceirizada, pelo cadastro no
Quer saber mais sobre os selos ecológicos?
MAPA ou por meio de Sistemas Participativos,
É só clicar nos selos a seguir!
fruto da organização de produtores locais. Seja qual for a opção aplicada, o produtor contará com gastos extras neste processo, o que irá refletir em um produto final com um custo de produção mais elevado quando comparado aos produzidos convencional-
mente e, consequentemente, possui maior preço de mercado. Dentre os critérios do processo de certificação, podem estar incluídos aspectos como redução de impactos ambientais, eficiência energética, sustentabilidade do sistema, respeito às comunidades indígenas, garantia de reserva de áreas de reflorestamento, mercado justo, uso racional da água e
solos, proteção às matas e biomas locais, bem-estar animal, direitos trabalhistas, entre
Certificação ambiental aumenta o preço
tantos outros.
dos
alimentos
orgânicos.
Disponível
em
Deste modo, selos de certificação
<http://redeglobo.globo.com/
agregam valor aos produtos, permitem um
globoecologia/noticia/2013/08/1008 -
diferencial competitivo e atestam os critérios
certificacao-ambiental-aumenta-o-preco-
de responsabilidade social e ambiental no
dos-alimentos-organicos.html> Acesso em 02
processo de produção. Assim, os selos ecoló-
jan 2018.
gicos refletem a garantia de baixo impacto, resultando em vantagens para sociedade,
Conheça os selos nacionais para produtos
como por exemplo, na conscientização de
orgânicos.
consumidores e produtores, gerando infor-
www.ecodesenvolvimento.org/noticias/
mações precisas a respeito da qualidade do
conheca-os-selos-nacionais-para-produtos-
produto e sistema de produção, protegendo
organicos#ixzz531sC0AB9> Acesso em 02 jan
o meio ambiente e auxiliando no aprimora-
2018.
mento dos processos produtivos, fazendo
Por que cada vez mais empresas vão estam-
com que produtores repensem a forma de
par suas credenciais sustentáveis? Disponível
produzir, mitigando os impactos ambientais e sociais.
68
Disponível
em:
<http://
em: <http://www.funverde.org.br/blog/por-
www.ecodesenvolvimento.org/noticias/voce
que-cada-vez-mais-empresas-vao-estampar
-conhece-os-selos-de-certificacao-
-suas-credenciais-sustentaveis/> Acesso em
ecologicos#ixzz52ZCBspKr> Acesso em 02 jan
02 jan 2018.
2018.
Senna, E. M. Certificação Ambiental: um caminho para a sustentabilidade. Disponível
Voltolini, Ricardo. Rótulos, selos e certifica-
em: <http://
ções verdes: uma ferramenta para o consu-
www.agriculturasustentavel.org.br/artigos/
mo consciente
certificacao-ambiental-um-caminho-para-a-
Disponível em <http://
sustentabilidade> Acesso em 02 jan 2018.
www.ideiasustentavel.com.br/pdf/IS20%20-%
Você conhece os Selos de Certificação Eco-
20Dossie%20v3.pdf> Acesso em 02 jan 2018.
lógicos? Disponível em: <http://
69
F
Autora: Ilnara Rodrigues Silva
undado em 1995, na cidade de
ferencial ao produto aos olhos do consumidor,
Piracicaba, o Instituto de Manejo e
ajuda a atingir mercados mais exigentes, favo-
Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é
rece o marketing do empreendimento e gera
uma associação social sem fins lucrativos. O
ganhos em gestão.
princípio que os move é a ideia de que o me-
No caso da certificação pecuária, os
lhor modo de conservar as florestas tropicais
critérios avaliados estão instituídos na nova
está em fazer com que tenham uma função
“Norma para Sistemas Sustentáveis de Produ-
econômica, associada às boas práticas de
ção Pecuária”. Busca-se através deles, reduzir
manejo e à gestão responsável dos recursos
os impactos da produção pecuária sobre o
naturais.
meio ambiente. Pode-se agrupá-los do seguinte modo: o sistema de manejo integrado de
Para o Instituto, uma das ferramentas
gado bovino; o manejo responsável de pasta-
que induz fortemente o desenvolvimento local
gens; as Regras para o bem-estar animal; a
sustentável, nas áreas de floresta e de produ-
redução de emissão de gases de efeito estu-
ção agrícola, é a certificação socioambiental.
fa; os requisitos ambientais adicionais para
Assim, busca-se, influenciar as cadeias produti-
esse tipo de propriedade.
vas dos produtos de origem agrícola e florestal
Em entrevista, Lisandro Inakake de
e ajudar a formular e executar políticas de in-
Souza, coordenador de projetos do Imaflora,
teresse público. Elaboram-se modelos de de-
comenta sobre alguns aspectos relacionados
senvolvimento sustentável e do uso da terra,
aos trabalhos que o Instituto desenvolve em
promovendo uma mudança positiva na regi-
relação à pecuária de corte e as dificuldades
ão afetada.
enfrentadas:
O Imaflora tem como base quatro
“Um problema do setor de bovinocul-
áreas de atuação: Certificação, desenvolvi-
tura de corte é que o produtor olha apenas
mentos local, políticas públicas e cadeias pro-
para os animais. Há uma estimativa de que
dutivas. A certificação socioambiental é uma
em 10 anos, 50% dos produtores do Mato Gros-
forma de reconhecimento das atitudes res-
so vão sair da cadeia produtiva pelo fato de
ponsáveis do produtor que cooperam na con-
seu patrimônio ter se esgotado, em termos de
servação da natureza, asseguram que o tra-
recursos naturais. Isso ocorrerá, porque esses
balhador exerça sua função com dignidade e
produtores não tem um olhar da gestão da
respeito e, proporciona boas relações entre a
propriedade como um todo.”
comunidade próxima e o patrimônio certifica-
do. Além disso, a certificação agrega um di-
70
“Em relação à certificação da pecuária
tivas devem demonstrar e, é muito importante,
brasileira, o número de produtores certificados
por exemplo, na bovinocultura na Amazônia.
é mínimo. No entanto, são propriedades com
Em relação à origem do animal, é de interesse
grande extensão territorial. As carnes produzi-
saber se os animais são criados em áreas des-
das nessas propriedades certificadas são nor-
matadas ou não. Assim, a rastreabilidade de
malmente vendidas em butiques com algum
origem verifica se a criação atende aos crité-
valor agregado ao produto. O pequeno nú-
rios ambientais.”
mero de propriedades certificadas se deve ao
“Quando pensamos nas condições
fato de que os países que importam nossa car-
objetivas de produção, em uma perspectiva
ne ainda não exigem esse tipo de certifica-
de imprimir um risco quando da adoção de
ção.”
melhores práticas ou da intensificação, precisamos considerar que o grupo dos produtores pequenos está ficando fora da discussão. Eles não querem aparecer, não participam da discussão de venda indireta, do desmatamento, etc. Eles sabem que há um sistema de desmatamento, que há áreas embargadas, mas não entram na questão de pecuária sustentável,
“Como ferramentas de prestação de ser-
boas práticas, etc. As entidades que assumi-
viços, nós do Imaflora, trabalhamos com certi-
ram enfrentamento com as empresas para
ficações e verificações. A verificação na agro-
firmar compromissos já atingiram um fatura-
pecuária emite uma qualificação e gera uma
mento que não permite muitos avanços, sen-
dinâmica de melhoria no sistema produtivo
do necessárias novas abordagens. Se fizermos
pela aplicação de boas práticas. Serve, assim,
um sistema de rastreabilidade no qual todos
para os produtores afirmarem que na sua ca-
participassem e olhassem para os animais das
deia produtiva não existe trabalho escravo,
fazendas que fornecem para o frigorífico, vo-
desmatamento, que ocorre baixa emissão de
cê veria que em alguma parte do processo,
CO2 e que se preocupam com o bem-estar
aquele animal colaborou para o desmata-
animal. Sendo assim, a verificação constitui
mento. Hoje estamos em uma situação que o
um mecanismo que comprova esses critérios e
critério se mantém, mas é necessário dar um
melhora o desempenho das fazendas gradati-
passo atrás e conseguir ver a mancha da ca-
vamente. Para o caso da agropecuária, essa
deia, na produção de bezerros, por exemplo,
proposta está sendo mais aceita que a pró-
que acaba contaminando a cadeia inteira.
pria certificação.” “A rastreabilidade é uma ferramenta que aparece como uma boa prática que as inicia-
71
“Gostaria de falar também sobre o
mulam boas práticas por meio de sistemas de
GTPS - Grupo de Trabalho de Pecuária Susten-
verificação, sempre fazendo pesquisas, muitas
tável, que é um grupo mais amplo, do qual o
vezes associadas ao Geolab da ESALQ, pes-
Imaflora também participa como membro as-
quisas no polo florestal. Trabalhamos áreas de
sociado. O GTPS desenvolveu um guia de indi-
desmatamento, o tempo todo gerando novas
cadores da pecuária sustentável, cujo esforço
informações para nos apoiar nas medidas de
é torná-lo aplicável. É como se fosse uma cer-
negociação. As ferramentas em nossa área
tificação, na qual são estabelecidos critérios
de atuação são aquelas que desenvolvem a
que devem ser cumpridos, fazendo o produtor
monitoria de critérios mínimos.”
olhar para a propriedade e ver qual o seu es-
O Imaflora tem a missão de instigar e
tágio de desenvolvimento, de performance
propiciar mudanças nos setores florestal e
socioambiental, os níveis de gestão e definir
agrícola, tendo em vista o uso e a conserva-
quais caminhos trilhar para melhorar a quali-
ção dos recursos naturais e a geração de be-
dade do sistema produtivo.”
nefícios sociais. No entanto, ainda existem
O Instituto ainda atua nas cadeias pro-
muitas dificuldades para enfrentarmos, mas
dutivas da soja, cana-de-açúcar, café, ca-
vemos que a cada ano os produtores pecuá-
cau, madeira, carvão e produtos florestais
rios se conscientizam mais sobre a importância
não madeireiros. De acordo com Lisandro, o
da certificação. A expectativa é boa.
Imaflora é responsável pela certificação de
Será que daqui a 10 anos muitos dos
70% das empresas agrícolas certificadas do
nossos grandes e pequenos produtores esta-
Brasil. Além disso, 5% do valor arrecadado
rão devidamente certificados?
com os trabalhos de certificação são recolhi-
Vídeo de retrospectiva do Imaflora
dos como fundo social, que servem para sub-
2016:
sidiar outras iniciativas de certificação.
https://www.youtube.com/watch?
v=zrxLnL3g_9k
“Nosso primeiro objetivo é reduzir os ní-
Referência
veis de práticas ilegais na agropecuária, discutindo como atuar nesse setor, as empresas
IMAFLORA, Instituto de Manejo e Certificação
que atuam com esses produtos vindo do cam-
Florestal e Agrícola. Quem somos; O que faze-
po, não somente trabalhamos com o produ-
mos. Disponível em: <http://www.imaflora.org/
tor. Utilizamos ferramentas como sistemas pro-
>. Acesso em março de 2018
dutivos responsáveis, certificações, que esti-
72
Autores: Ilnara Rodrigues Silva e Larissa Pereira de Oliveira
O
Brasil é um país que se desta-
legislação
ca na administração do meio
ís” (PORTAL RESÍDUOS SÓLIDOS, 2014).
ambiente. Os governos federal, estadual e
ambiental
em
todo
o
pa-
O Conselho de Governo é responsá-
municipal realizam diversos trabalhos com o
vel por reunir todos os ministérios e a Casa
intuito de promover a preservação do ecos-
Civil da Presidência da República, com a
sistema. De acordo com o Ministério do
incumbência de elaborar a política nacio-
Meio Ambiente (MMA), suas políticas públi-
nal de desenvolvimento do país, conside-
cas “incluem programas voltados para a
rando as normas para o meio ambiente. O
recuperação, conservação e sustentabilida-
Conselho
de em variadas áreas ambientais”. Nesse
Nacional
do
Meio
Ambiente
(CONAMA) é um órgão consultivo e delibe-
conjunto de ações, inclui-se aquelas volta-
rativo, composto por representantes de di-
das para a gestão ambiental (GA), que po-
versos âmbitos do poder executivo (federal,
dem ser definidas dentro do conceito geral:
estadual e municipal), do setor de produ-
“o ato de gerir, administrar, dirigir ou reger
ção e da sociedade, sendo responsável por
os ecossistemas naturais e sociais em que se
dar assistência ao Conselho do Governo,
insere o ser humano” (UEHARA, 2010). Como
deliberando sobre diretrizes e princípios am-
forma de estruturação específica para a
bientais. O Ministério do Meio Ambiente
gestão ambiental, foi criado, através da Lei
ocupa a posição de órgão central, tendo
n. 6.938/1981, o Sistema Nacional do Meio
como função o planejamento, a supervisão
Ambiente (SISNAMA), que, regulamentado
e o controle das ações relativas ao meio
pelo Decreto n. 99.274/1990, atribui aos ór-
ambiente no setor nacional.
gãos federais a “função de coordenar e emitir normas gerais para a aplicação da
Fonte: Ministério do Meio Ambiente.
73
Juntamente com os limites para o aproveita-
pacto ambiental a que se
mento, segue-se o conteúdo da norma a de-
dará publicidade.
terminação: “utilização adequada dos recur-
(...)
sos naturais disponíveis e preservação do
VII - Proteger a fauna e a flo-
meio ambiente”. No caso do não cumpri-
ra, vedadas na forma da lei,
mento dessa norma a propriedade se torna
as práticas que coloquem
sujeita a sofrer penalidades, e até mesmo a
em risco sua função ecológi-
desapropriação, dependendo da situação
ca, provoquem a extinção
encontrada.
de espécies ou submetam os
Em relação ao meio ambiente, o Art.
animais a crueldade.
225 da CF 88 apresenta:
(...) §3º - As condutas e as ativi-
“Art. 225 - Todos têm direito
dades lesivas ao meio ambi-
ao meio ambiente ecologi-
ente sujeitarão os infratores,
camente equilibrado, bem
pessoas físicas ou jurídicas, a
de uso comum do povo e
sanções penais e administra-
essencial à sadia qualidade
tivas,
de vida, impondo-se ao Po-
independentemente
da obrigação de reparar os
der Público e à coletividade
danos causados.”
o dever de defendê-lo e pre-
Se expressa claramente no Art. 225
servá-lo para as presentes e
da CF 88 as várias responsabilidades que re-
futuras gerações.
cobrem o setor agropecuário brasileiro, justifi-
§ 1º - Para assegurar a efetivi-
cando e cobrando crescente importância e
dade desse direito, incumbe
impacto de boas práticas de gestão ambi-
ao Poder Público:
ental para o exercício das atividades de pro-
I - Preservar e restaurar os
dução.
processos ecológicos essen-
Ainda, na Lei nº 6.938/81, Art. 3º está
ciais e prover o manejo das
presente a definição de meio ambiente, de-
espécies e ecossistemas.
gradação da qualidade ambiental e recur-
(...)
sos ambientais de acordo com os termos:
IV - Exigir, na forma da Lei,
Art. 3º - Para os fins previstos
para instalação de obra ou
nesta Lei entende-se por:
atividade
potencialmente
causadora
de
I - Meio ambiente: o conjunto
significativa
de condições, leis, influências
degradação do meio ambi-
e interações de ordem física,
ente, estudo prévio de im-
74
Referências
química e biológica que per-
mite, abriga e rege a vida
Embrapa. Gestão Ambiental na Agropecuá-
em todas as suas formas.
ria,
2007.
Disponível
em:
<https://
II - Degradação da qualida-
ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/
de ambiental: a alteração
item/141668/1/GEBLER-Gestao-ambiental-na-
adversa das características
agropecuaria-2007.pdf>. Acesso em janeiro
do meio ambiente.
de 2018;
(...)
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Programas do MMA. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/programas-mma>. Acesso em janeiro de 2018;
IV - Recursos ambientais: a
atmosfera, as águas interiores, superficiais ou subterrâ-
Portal Residuos Solidos. SISNAMA – Sistema Nacional do Meio Ambiente no Brasil, 2014. D i s p o n í v e l e m : < h t t p s : / / portalresiduossolidos.com/sisnama-sistemanacional-meio-ambiente-brasil/>. Acesso em janeiro de 2018;
neas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, a fauna e a flora.
tal, já que apresenta o licenciamento de ati-
SUPERINTERESSANTE. Meio ambiente e governo. Disponível em: <https:// super.abril.com.br/ideias/meio-ambiente-egoverno/>. Acesso em janeiro de 2018.
vidades que poluem ou podem poluir, fixa os
UEHARA, T. H. K.. Desempenho de projetos de
padrões de qualidade ambiental e a avalia-
gestão ambiental pública: parcerias entre o
ção de impactos ambientais resultantes das
Estado de São Paulo e organizações sem fins
práticas
lucrativos, 2010. Disponível em: < http://
A Lei nº 6.938/81 é um dos principais instrumentos que efetivam a gestão ambien-
realizadas
(Resolução
Conama
01/86).
www.teses.usp.br/teses/disponiveis/90/90131/ tde-18062010-142845/pt-br.php>. Acesso em
Com isso, percebe-se que a gestão
janeiro de 2018;
ambiental é uma ferramenta de suma importância para o controle das ações humanas
sobre o meio ambiente, assim como todos os instrumentos utilizados em prol de sua preservação.
75
Quer saber um pouco mais sobre os assuntos que compõe nossa revista? Listamos alguns filmes e documentários que podem te interessar e abordar um pouco mais sobre a questão ambiental no Brasil e no mundo. Lembre-se: alguns autores podem apresentar opiniões extremistas ou unilaterais; pratique o senso crítico, busque diferentes pontos de vista e forme sua opinião!
A Última Hora — The 11th Hour (2007)
O documentário mostra ima visão diferente sobre os desastres ambientais causados pela própria humanidade, abordando nuances do cenário ambiental mundial e apontando soluções ecológicas para reverter tais problemas.
2012 - Time for Change (2010) A produção expõe questões ambientais por um paradigma que mescla a sabedoria tradicional de culturas tribais e o método científico. O documentário aborda os principais empecilhos para a mudança da situação de degradação do meio ambiente.
Terra e Sustentabilidade (2013) O documentário mostra as vantagens da recuperação de áreas e integração de cultivos, abordando aspectos como custos de produção, eficiência no uso da mão de obra e dos recursos de produção e uso adequado de energia, além dos resultados em termos da redução de
emissões de gases de efeito estufa.
76
Cowspiracy (2014) O documentário aborda de forma unilateral o impacto da produção agropecuária no planeta, destacando os impactos da emissão de gases de efeito estufa, mostrando os diversos impactos no meio ambiente advindos da pecuária.
GMO
-
OMG” (2014)
O documentário avalia os possíveis riscos dos organismos geneticamente modificados na nossa saúde e no meio ambiente, trazendo a visão de um cidadão comum em busca de respostas sobre os alimentados consumidos diariamente.
A Lei da Água (2015)
O filme aborda questões relacionadas à crise hídrica, mostrando a importância das florestas para a conservação da água, abordando também tópicos legais como a repercussão do novo código florestal, confirmado no ano de 2012.
A Lei da Água (2015) O filme aborda questões relacionadas à crise hídrica, mostrando a importância das florestas para a conservação da água, abordando também tópicos legais como a repercussão do novo código florestal, confirmado no ano de 2012.
77
Sustentável
(2016)
O filme consiste em um levantamento da instabilidade econômica e ambiental do sistema americano de produção de alimentos, abrangendo desde os problemas agrícolas enfrentados até informações sobre a comunidade de líderes que estão determinados a resolvêlos.
Food Evolution (2016) O filme traz uma abordagem científica sobre as discussões que envolvem os alimentos transgênicos e sobre o desafio de prover comida para a crescente população mundial. “Food Evolution” está sendo reconhecido como uma reação
da ciência à especulação e mostra, especificamente no caso dos organismos geneticamente modificados (OGM), como o medo e a desinformação podem facilmente dominar a análise objetiva baseada em evidências.
Before the flood (2016) Before the flood é um documentário que traz relatos de uma viagem de três anos ao redor do mundo para documentar os impactos devastadores das mudanças climáticas, questionando a capacidade da humanidade de reverter o que pode ser o problema mais catastrófico que a humanidade já enfrentou.
78