Realização e Distribuição: PET-Zootecnia (USP-FZEA).
Edição, produção e imagens: Fantini, M. S.; Ferigato, G. A.; Rodrigues, S. I.
Tutor e Cotutor: Marcelo M. L. O. Ribeiro e Valdo R. Herling.
Autores: Cancian, H.; Fantini, M. S.; Ferigato, G. A.; Ferreira, L. B.; Gimenez, I. B.; Mahalem, J. ; Maganhe, B.; Napolitano, M.; Oliveira, L. P.; Oliveira, R.I.; Passere, A.; Rodrigues, S. I.
Agradecimentos: Agradecemos a todos que nos ajudaram de qualquer maneira, por conta de vocês que este projeto tomou forma e se concretizou, mais um ano, sendo está a 22ª edição de muito esforço e gratificação - PET - Zootecnia -.
O que é ? E quem são ? O Programa de Educação Tutorial da USP (PET-USP) faz parte de um programa nacional, do Ministério da Educação. No âmbito nacional, o programa é gerenciado pela Secretaria de Educação Superior e se faz presente em universidades públicas e privadas, espalhadas pelo território nacional. Hoje conta com mais de 800 grupos distribuídos entre 114 Instituições de Ensino Superior distribuídas entre as diferentes áreas do conhecimento e as diversas regiões geográficas do país.
PET é desenvolvido por grupos de estudantes, com tutoria de um docente, organizados a partir de formações em nível de graduação das Instituições de Ensino Superior do país, orientados pelo princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. O PET - Zootecnia:
Ana Laura
Bruna
Henrique
Bruno
Estêvão
Julia
Larissa
Régner Ítalo
Guilherme
Ilnara
Mariana
Matheus
Laura
Prof. Marcelo
Prof. Valdo
•
Retrospectiva
02
•
“O Balido”
03
•
Palavra do Tutor
04
•
Experiência de um Petiano
06
•
Egressa
08
•
Ex - Aluna, Zootecnia (FZEA - USP)
10
•
Agropecuária
13
•
Um olhar para o futuro
19
•
Sustentabilidade
23
•
Resíduos na pecuária
27
•
Tratamento de resíduos (Suinocultura)
32
•
Transgênicos
35
•
Logística Reversa
40
•
Combate Limpo
46
•
Proliferação de Capivaras
50
•
Agricultura sustentável
54
•
Pecuária orgânica
59
•
Certificação Ecológica
65
•
Imaflora
68
•
Políticas Governamentais
71
•
Documentários
74
01
Sudeste PET 2017 (Vitória - ES)
I Integra PET
Semana da Zootecnia
Visita Técnica ao IZ Recepção dos Calouros
Zootec 2017 - Santos (SP) PET na ETEC
- PET Zootecnia como comissão organizadora.
02
O desenvolvimento histórico de:
L
Autor: Valdo R. Herling. embro-me das primeiras reuniões das quais participei com o Grupo PET Zootecnia, no ano de 1994, na qualidade de cotutor. Era momento de reflexão e de planeja-
mento das atividades, que todos deveriam estar assumindo com responsabilidade. Com oito a dez atividades já planejadas, o Grupo sentiu necessidade de elaborar um jornal de divulgação, um boletim anual, que pudesse contemplar suas atividades e ao mesmo tempo divulgá-las à
comunidade universitária. O Jornal do Grupo recebeu o nome de ¨O Balido¨. Para quem não sabe, balido significa duas coisas. A mais antiga, acredito eu, era a reclamação dos paroquianos contra o pároco e a segunda, ligada mais às atividades da Zootecnia, balido é o nome dado ao som emitido por ovelhas e cordeiros (Michaelis). A intenção do Grupo era atingir mais pessoas, como se as palavras redigidas em papel pudessem ter voz própria, pudessem ecoar nos diferentes cantos da comunidade. O Jornal trazia notícias variadas de ações do Grupo, bem como algumas brincadeiras do tipo passatempo. Na medida em que o Grupo PET Zootecnia criava corpo e espírito crítico, houve a necessidade de melhorar o conteúdo do Jornal, com matérias mais técnicas, que pudessem veicular informação dos sistemas produtivos, da relação do homem com o meio produtivo, da preocupação constante com a profissão, entre outras. Assim, de Jornal, “O Balido” passou a ser Revista. O nome não mudou, mesmo porque o som do Grupo PET Zootecnia conseguiu atingir muito mais pessoas na comunidade, o que trouxe confiança e respeito pelas ações do PET Zootecnia na unidade de Pirassununga. A partir daí, as matérias veiculadas deveriam ter um pouco mais do que apenas transportar informação de um lugar para outro, deveriam ter o toque especial dos petianos, a elaboração construtiva de uma redação própria. Era a tentativa de transformar o acadêmico em profissional responsável e com iniciativa de criar. Felizmente, essa Revista evoluiu no conteúdo e na transformação.
03
Palavra do
“O
Autor: Marcelo M. L. O. Ribeiro
Balido” é o projeto do grupo Pet Zootecnia de
vida mais longa. Nesse ano de 2018, chega a sua 22ª edição. Novamente, tenho a alegria e a res-
ponsabilidade de apresentar a revista. Deste sua origem, procurou ser uma voz, ser um marco na maneira pela qual seus estudantes procuram expressar suas preocupações e interesses mais significativos. A escolha do tema configura um momento de reflexão e de debate muito importante.
Nesse momento, fazem um esforço de revelar uma escolha que mostre engajamento com a profissão que escolheram e, com a sociedade brasileira em seus mais diversos aspectos. Para esse ano, o tema escolhido foi “Sustentabilidade e Gestão Ambiental”.
Os autores conhecem bem as limita-
Em torno dessa temática, os estu-
ções de seus trabalhos. Pretendem a ampli-
dantes realizaram os estudos, buscaram
ação do diálogo e do compartilhamento
contatos, fizeram discussões que sustenta-
de opiniões. Sabem que o tema traz, para
ram os trabalhos que aqui concretizam seus
os zootecnistas, imensos novos desafios que,
resultados.
no limite, os obrigam a rever os fundamen-
Suas ações são marcadas pela pre-
tos de sua profissão, sob a luz de preocupa-
ocupação de situar o debate nos termos da
ções ambientais, com o sofrimento animal e
atuação profissional do zootecnista, sempre
com a saúde humana.
na busca por trazer para a profissão novos
A produção animal revela-se, cres-
contornos e novas possibilidades de atua-
centemente, parte fundamental do debate
ção.
04
sobre os modos de consumir e de viver no
ra e o sentido de conjunto que pretendem
planeta e, os zootecnistas encontram-se de-
conferir ao trabalho final.
safiados a encontrar parâmetros que balizem
Acredito que a revista contribui para a for-
suas atividades e que contribuam efetiva-
mação dos petianos e colabora com a dis-
mente para a construção de ações sustentá-
cussão sobre o tema escolhido. Sua
veis em suas práticas profissionais. relevância está na articulação entre os diver“O Balido” tem sido uma ferramenta
sos assuntos e, no painel que procura mostrar
importante de divulgação e de interação do
sobre a enorme variabilidade de questões
PET Zootecnia com a comunidade local.
que permeiam a preocupação com a sus-
Também é um exercício importante de ela-
tentabilidade e, em especial, com as tarefas
boração de textos e de organização de tra-
de gestão a ela associadas.
balho em equipe. Dessa forma, a escolha de
“O Balido” sintetiza esforço, estudo e clareza
um eixo central para cada número da revista
de objetivos postos na dedicação e no tra-
obriga o grupo a encontrar os fios conduto-
balho dos estudantes que o produzem.
res da discussão que cada estudante elabo-
05
Organizando o Zootec 2017
M
Autor: Leonardo Mazzero
uito difundido na área de Zoo-
uma desistência do responsável pelo marke-
tecnia e de Ciências Agrárias,
ting e, também acabei assumindo o lugar
o Congresso Brasileiro de Zootecnia (Zootec),
dele, mesmo sem entender nada do assunto,
um evento organizado pela Associação Bra-
e como se diz: “Só se aprende fazendo e er-
sileira de Zootecnia (ABZ), já é considerado
rando”, e assim aconteceu. Acabei apren-
uma tradição e em 2017 chegou a sua 27ª
dendo na “marra” a fazer artes e divulgação
edição. Atrai pessoas de todo o país, para
junto a empresa de publicidade Publique
um ambiente de networking e de troca de
que foi nos dando assessoria no processo.
informações único na área de nossa profis-
Além do marketing, para uma pessoa
são.
muito tímida e introvertida, lidar com pessoQuando em agosto de 2016 surgiu a
as, cargos, diretorias e gestão de pessoas foi
oportunidade de trabalhar como bolsista do
o maior desafio. Todo dia tínhamos que en-
Prof. Celso da Costa Carrer (presidente da
trar em contato com fornecedores, pales-
edição do Zootec 2017) e de auxiliar na or-
trantes, congressistas e, se fosse para dizer o
ganização do congresso, ao mesmo tempo
que eu mais aprendi nessa experiência,eu
fui selecionado no processo seletivo do gru-
diria que hoje lido com qualquer tipo de pes-
po PET Zootecnia da FZEA-USP, e me veio a
soa facilmente, e a timidez não sei aonde foi
pergunta: Zootec 2017 ou PET Zootecnia, a
parar. Ao mesmo tempo tínhamos que arran-
resposta veio rápida: “os dois!”.
jar pessoas para ajudar no dia do congresso,
A partir dessa decisão, veio o desafio
e fui incunbido pelo Prof. Celso de criar uma
que, profissionalmente, foi o maior de toda
equipe organizadora de 40 pessoas, para
minha vida: ser membro da organização de
isso procuramos as agremiações existentes
um congresso para mais de 1000 pessoas e
em nossa faculdade, e foi uma experiência
conciliar o trabalho com as atividades do
única fazer a integração das mesmas, jun-
PET, mas a solução foi simples, a partir da
tando diferentes cursos e pessoas por uma
proposta de trabalho feita pelo Tutor do gru-
mesma causa.
po PET, Prof. Marcelo Ribeiro, de integrar o
O Congresso aconteceu nos dias 23 e
PET Zootecnia à comissão organizadora do
24 de maio de 2017 e, antes de seu início,
congresso sob minha responsabilidade e, as-
toda a equipe de mais de 40 pessoas foi di-
sim o fizemos.
recionada para Santos-SP para a prepara-
Começando os trabalhos, junto o res-
ção de toda a estrutura. Gerenciar essa
tante da equipe de organização, tivemos
equipe foi um desafio muito grande mas que
06
toda a equipe estava bem integrada.
ver que estava seguindo o caminho certo.
Durante o congresso acabei ficando
Se fosse para resumir tudo que enfren-
como um dos responsáveis pela secretaria
tei junto ao grupo PET e outras agremiações
do evento e lá foi realmente a prova de fo-
durante esse ano todo de preparação e o
go, auxiliar palestrantes, atender congressis-
evento em si, diria que tudo isso foi um casulo
tas, resolver imprevistos do congresso, auxiliar
de desenvolvimento pessoal, não só para
em entrevistas, enfim, foi um dos maiores de-
mim, mas para todo o grupo e participantes,
safios que já enfrentei em toda minha vida,
e hoje me sinto outra pessoa, muito mais pre-
mas quando víamos tudo aquilo tomando
parado e disposto a lutar pelo que ainda
forma e toda a sua importância, valia a pe-
vem pela frente.
na. Conhecer pessoas de todo lugar do Bra-
Grupo PET Zootecnia FZEA-USP durante o en-
sil, palestrantes bem sucedidos na profissão,
cerramento do Zootec 2017
muitos deles formados na FZEA-USP, dava pra
07
Relato de uma Autores: Guilherme A. Ferigato e Julia Mahalem
Nome: Bruna Alves Malheiros (Dory) Turma da Zootecnia XXXV – Formou-se em: Agosto/2017 Tempo no PET: Setembro de 2013 – Dezembro 2016
Cargo atual: Qualidade de Carne – Brazil Beef Quality
Como que o PET influenciou na sua graduação? E na sua vida acadêmica/profissional? O PET Zootecnia exerceu um papel importante ao longo da minha graduação, com o PET eu aprendi que é preciso ir além daquilo que nos é apresentado em sala de aula. Durante as aulas aprendemos conceitos, teorias, métodos, etc. Ao passo que em uma agremiação aprendemos a lidar com pessoas, trabalhar em grupo, organização pessoal, planejamento de eventos e muito jogo de cintura. Óbvio que fora do ambiente universitário é cobrado conhecimentos específicos, mas, na maioria das vezes, só o conhecimento não é suficiente. Participar do PET ao longo da graduação me motivou a desenvolver atividades diretamente e indiretamente relacionadas a Zootecnia, desde projetos de pesquisa até projetos sociais. Todas as atividades desenvolvidas ao longo destes três anos como PETIANA me ajudaram a desenvolver competências que são esperadas de um profissional prestes ingressar no mercado de trabalho, mas que não são ensinadas em sala de aula.
O fato de fazer parte de um grupo como este lhe trouxe algum engrandecimento pessoal? Se sim, de que modo? Sem dúvidas o PET me trouxe um engrandecimento pessoal. A participação no grupo me ensinou a lidar com pessoas diferentes, respeitar opiniões divergentes, a perceber o momento de expor ou não minha opinião, a lidar com grandes responsabilidades e a conhecer os meus limites.
Dentro da sua vida profissional, você nota alguma relevância em ter participado do grupo PET - Zootecnia?
08
A maior relevância do PET para a vida profissional foi ter me ensinado a falar em público. Lembro que nas minhas primeiras reuniões eu praticamente não falava e nas últimas era exatamente o oposto, não ficava quieta. Cada reunião me fez ganhar confiança para expor ideias e discordar de outras; cada evento organizado me fez perder a timidez e conversar com pessoas de fora. Todo o contato que foi exigido no grupo, desde as discussões nas reuniões, discussões nos encontros, troca de e-mails com palestrantes, patrocinadores e afins me prepararam para atuar no mercado de trabalho. Inclusive, durante minha entrevista de emprego meu chefe me perguntou “você tem vergonha de ligar para estranhos ou escrever e-mails? ”, respondi: “Não tenho problemas com isso, o PET me tirou esse receio”.
Quais eram suas pretensões quando se juntou ao grupo? Elas foram sanadas? Minha maior pretensão era participar de um grupo que pudesse complementar o processo de aprendizado durante a graduação. Quando pensei em entrar, o foco era apenas o desenvolvimento profissional, em coisas diretamente ligadas a zootecnia. Ao sair, percebi que o crescimento foi muito maior do que esperava, pude desenvolver muito em aspectos pessoais (postura, comprometimento, limites), profissionais, intelectuais e humano.
Qual foi seu maior aprendizado/vivência fazendo parte do grupo PET?
O maior aprendizado que tive no grupo PET Zootecnia foi adquirir postura profissional e valorizar a importância do trabalho em grupo.
Partindo de suas experiências, você indica o grupo ou outras agremiações e/ou estágios para os novos alunos? Porque? Sim, com certeza! Fazer parte de agremiações de modo geral estimulam o senso crítico, encorajam a perder a vergonha de falar em qualquer situação para público diverso e, principalmente, tiram a pessoa de sua zona de conforto. O mais importante é escolher fazer
parte de um grupo com que se identifique, assim, fazer parte será um prazer, não uma obrigação. Na faculdade é o momento que temos para testar coisas novas, para errar, acertar, fora dela a flexibilidade é um pouco menor. Uma dica: não fiquem bitolados em sala de aula, façam estágios, participem de agremiações, façam contatos, vão em festas e principalmente, façam tudo por amor, não por créditos ou obrigação. Os anos que passei no PET Zootecnia só me trouxeram coisas positivas e lembranças boas, o Grupo sempre terá um lugar em meu coração, é como dizem: “Uma vez PETIANA, sempre PETIANA!”.
09
do curso de Autores: Guilherme A. Ferigato e Julia Mahalem
Nome: Amanda Righini Brito (Passada). Turma de ingresso: 35º (2013). Área de atuação: Assistente de Qualidade (Avicultura). Empresa: Korin Agropecuária.
Quais eram suas motivações e/ou pretensões com relação ao mercado de trabalho, quando estava ainda na graduação? Já pensava, ou tinha apreço pela área em que atua hoje? Desde o principio da faculdade tinha o apreço por trabalhar com bovinos de corte, na área de qualidade de carne. Porém surgiu a oportunidade de trabalhar com frangos de corte e poedeiras comerciais, na área de qualidade, não era exatamente o que eu queria, mas como tudo na vida é adaptável, você aprende a amar o que faz. Hoje me sinto realizada.
Quais parâmetros/procedimentos você julga mais importantes em uma indústria alimentícia, para que os produtos mantenham a qualidade? Entre os parâmetros / procedimentos da indústria alimentícia, acho que o comprometimento e dedicação no que se trabalha são os mais importantes para se manter a qualidade do produto final. Por exemplo, na Korin, o padrão de qualidade deve se indicar nas granjas dos integrados. Eles são o pilar inicial da nossa produção.
Com relação à Gestão, no geral, o quão importante ela é para a manutenção da qualidade do produto? E da empresa? Gestão é de extrema importância em todos os elos da cadeia produtiva, desde o princípio, na criação do produto, no processamento e no produto final. Sem gestão a empresa não terá capacidade de funcionar e seus colaboradores não conseguirão realizar seu trabalho da maneira mais ideal possível.
10
Qual é e como se da à interferência, se existir, de uma boa Gestão Ambiental e quanto aos apelos Sustentáveis em um produto? E em uma empresa? Uma boa gestão ambiental e sustentável dentro de uma empresa e, em cima de um produto é de extrema importância tanto pelos atuais apelos existentes, quanto às condições que o mundo e nosso país vêm enfrentando, dando ao consumidor um respaldo quanto ao produto que ele esta comprando e consumindo. Desta maneira, na Korin a sustentabilidade e a gestão ambiental são pilares fundamentais, cuidados por um vertente dentro da empresa, a Korin meio ambiente, iniciando assim os cuidados dentro da própria empresa, como reaproveitamento dos alimentos, correta destinação dos resíduos do abatedouro, etc.
De que modo são avaliados os quesitos que envolvem gestão ambiental e sustentabilidade durante auditorias, e de que modo boas práticas são bonificadas? Em auditorias os quesitos de gestão ambiental e sustentabilidade são avaliados através de checklist produzidos pelas empresas que auditam a Korin, levando em consideração pontos de reserva permanente, condições das composteiras, rios e riachos, manejo dos produtos quanto aos resíduos produzidos. Todos os produtos que apresentam um bom resultado nas auditorias são bonificados financeiramente ao final do lote.
No treinamento de novos profissionais leva-se em conta fatores que vão induzir uma melhor Gestão do Ambiente e a mais sustentabilidade? De que modo? É sensível a diferença entre a mão de obra atual e a de anos passados neste quesito? Nos treinamentos sempre são levados em consideração os quesitos de gestão ambiental e sustentabilidade, através da apresentação dos padrões que a empresa considera ideais e utilizam, esses treinamentos são feitos em campos, evidenciando práticas cotidianas de sustentabilidade e gerenciamento de resíduos. Em minha opinião a mão de obra é muito diferente da antiga, levando em consideração que o tema sustentável, ecológico, natural era pouco utiliza-
do no campo agrícola, sendo esse considerado um problema para a sociedade, através dos seus resíduos, produção em grande escala, entre outro.
Por fim, você acha importante melhores mecanismos Sustentáveis ede Gestão Ambiental para a sociedade? Em minha opinião a sociedade precisa de melhores mecanismos de sustentabilidade e gestão ambiental, pois somente desta maneira conseguiremos reverter um pouco do “estrago” que já foi ocasionado pela produção desenfreada e sem pensar nas conseqüências. A produção é
necessária, porém podemos correlacioná-la com a sustentabilidade, bem estar animal, bem estar dos produtores e consumidores, obtendo assim um produto diferenciado e de qualidade.
11
* Como mensagem a todos os zootecnistas em formação, a caminhada não é fácil, vai ter horas que você vai pensar em desistir, em voltar para casa, em ligar para seus pais virem te buscar, mas no final tudo vale a pena, podemos não trabalhar com o que sonhamos, mas se nos dedicarmos, passaremos amar nosso trabalho. Não deixem de se divertir, conhecer pessoas, viver experiências que a faculdade proporciona, os melhores contatos são feitos em festas e com nossos amigos.
12
C
Autores: Ana Laura Passere e Bruna Maganhe
om a intensificação dos siste-
17% de emissões de gases do efeito estufa
mas produtivos, tanto na produ-
dado pela redução de área florestal respon-
ção de alimentos de origem animal e vege-
sável por sua absorção. Adicionalmente, sa-
tal, ou ainda, na produção de subprodutos
be-se que 29,6% das emissões de metano,
oriundos destes sistemas, é cada vez mais
dióxido de carbono e óxido nitroso ocorre
eminente a discussão acerca dos impactos
devido às diversas atividades agropecuárias
ambientais dessas atividades, seja no que se
das quais 56,4% são referentes à fermenta-
refere à destinação dos resíduos gerados em
ção entérica, produzida pelos ruminantes
toda a cadeia produtiva, ao problema do
(JUNIOR; ORRICO; JUNIOR, 2011). Adicional-
desmatamento de florestas provocado pela
mente, tem-se o problema da erosão, a qual
expansão da agropecuária, ao desgaste do
surge com o desgaste do solo pelas pasta-
solo ou por conta das emissões de gases po-
gens mal manejadas e pisoteio pelos ani-
luentes causadores do efeito estufa. Ques-
mais, ficando expostas aos efeitos do intem-
tões e problemas como estes, antes ignora-
perismos, ou seja, são cada vez mais danifi-
dos, hoje passam a fazer parte de pautas
cados pela exposição à chuvas devido à
que percorrem o planejamento de indústrias
falta de vegetação e perda de minerais. Se-
e propriedades rurais (JUNIOR; ORRICO; JUNI-
gundo a EMBRAPA (2015), a erosão laminar,
OR, 2011).
em sulcos e até voçorocas, podem levar a perdas de mais de 100 toneladas de solo/
No âmbito da produção animal, a fal-
ha/ano, comprometendo a sustentabilidade
ta de um controle efetivo do manejo de de-
do sistema de produção.
jetos, sobretudo, vem provocando problemas ambientais tais como a contaminação
Dentre as principais criações de ani-
de recursos hídricos, de solos e do ar. Consi-
mais, a bovinocultura de corte tem grande
derando somente o desmatamento provo-
parcela no impacto ambiental gerado no
cado pela expansão da pecuária, pode-se
setor. Dentre eles, pode-se mencionar a
gerar um aumento de aproximadamente
13
degradação do solo na vasta exten-
são de terra utilizada para pastagens – cerca de 220 milhões de hectares no Brasil. Quando mal manejadas, estas áreas passam a apresentar alterações significativas na estrutura da camada superficial do solo geradas pelo pisoteio excessivo, intensificando a compactação dos solos e a diminuição da cobertura vegetal, favorecendo a erosão. Além disso, apesar da redução significativa
da expansão da área utilizada pela pecuária no Brasil, dada pela maior eficiência produtiva, o desmatamento de áreas florestais decorrente da atividade também pode vir a
tões como o indevido lançamento de resí-
contribuir com a redução na absorção de
duos em rios, lagos ou em solos, aumentam
gases de efeito estufa e, ainda, resultar na
os impactos ambientais como a contamina-
diminuição da diversidade de fauna e flora
ção da água e consequente morte de orga-
pertencentes a aquele ecossistema (WÜST;
nismos aquáticos ou outros animais que con-
TAGLIANI; CONCATO, 2015).
somem essa água e aumentam a toxicidade
em plantas, afetando a biodiversidade local
Além dos efeitos citados, no caso de
(MORAES et al., 2017).
animais ruminantes, outro problema ligado aos impactos ambientais refere-se à emissão
Ainda, pode-se citar a produção aví-
de gases de efeito estufa, os quais são apon-
cola, uma das atividades com grande po-
tados como intensificadores do aquecimen-
tencial de comprometimento do meio ambi-
to global, e que são produzidos através da
ente se não dirigida de forma correta. Assim
fermentação entérica e liberados via eructa-
como na suinocultura, a criação de aves de
ção por todas as espécies de ruminantes. A
corte também gera um grande volume de
bovinocultura de corte representa 85% do
resíduos nas formas de esterco, camas e
total de metano liberado na produção de
aves mortas. Estes resíduos apresentam con-
ruminantes, em contraste com a bovinocul-
centrações significativas de nitrogênio, fósfo-
tura de leite, que contribui somente com 12%
ro e potássio e a sua rápida decomposição
do total de metano emitido (REYNOL, 2015).
pode resultar na formação e volatilização de componentes tóxicos, como exemplo, a
Na produção suinícola, dentre outros
amônia. Desse modo, a partir do nitrogênio é
aspectos, o principal problema se dá por
formado a amônia e os nitratos. Os nitratos
causa do alto volume de dejetos gerados,
são os componentes de maior atenção, pois
em que ressalta-se a falta de um controle
podem ser a maior forma de contaminante
efetivo e adequado desse material. Ques-
14
do lençol freático e, por conseguinte
setor envolve ainda produções relacionadas
afeta a água potável subterrânea (OVIEDO-
com a indústria têxtil (algodão), a produção
RONDÓN, 2008).
de látex e de madeiras em geral (silvicultura).
Além disso, outro problema a ser apontado diz respeito à excessiva adubação de solos com excretas de aves, saturando a capacidade de utilização do adubo devido ao alto teor de fósforo presente. Por esse fato, essa situação torna-se um problema quando esse nutriente é lixiviado e resulta na contaminação de águas superficiais como lagoas e rios. Logo, a criação avícola também merece atenção quanto aos efeitos prejudiciais a espécies locais, principalmente aquáticas (OVIEDO-RONDÓN, 2008). Apesar da imagem negativa frequen-
É estimado que, no Brasil, cerca de
temente com foco na produção animal, no
US$ 7 bilhões sejam investidos em defensivos
mérito do impacto ambiental, a agricultura
agrícolas anualmente, sendo que 38.9% de
também tem um importante papel a ser
todo o agrotóxico comercializado é utilizado
mensurado. A agricultura, um dos principais
na Região Sul (ANVISA, 2009a, ALVES FILHO,
contribuintes da economia nacional e mun-
2002, citados em RIBAS & MATSUMURA, 2009).
dial, contribui de forma cada vez mais acen-
Segundo um levantamento realizado pela
tuada na poluição da água por meio de
ANVISA em 2013, somente a produção de
agrotóxicos, sedimentos, fertilizantes, adubo
soja, cana-de-açúcar, milho e algodão re-
animal e outras fontes de matéria orgânica e
presentam juntos 80% de todo agrotóxico uti-
inorgânica (MARQUES et al., 2007). Além dis-
lizado no país. Apesar de produzidos em me-
so, o setor apresenta impactos ambientais
nor escala, culturas como pimentão, moran-
referentes à redução da biodiversidade cau-
gos, pepinos e alface estão entre as lavouras
sada pelas grandes áreas de monocultivo, a
que mais consomem agrotóxico, podendo
exaustão dos nutrientes do solo, contribuição
as concentrações de resíduos chegarem em
com o desmatamento de florestas na expan-
até 91,8% no caso dos pimentões.
são das lavouras e na emissão de gases do efeito estufa provenientes dos fertilizantes ni-
Apesar de inegável o aumento na
trogenados utilizados no processo de aduba-
produtividade das lavouras (MOREIRA et al.,
ção, representando até 35,3% do total de
2002, citado em MARQUES et al., 2007),
N2O emitido na agropecuária. Vale lembrar,
facilidade de acesso aos defensivos não foi
que atrelada à produção de alimentos, este
acompanhada pela qualificação da mão
15
a
e modificações, atingindo o solo, água, ar e
Segundo a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Sete em cada dez alimentos plantados e consumidos in natura no Brasil possuem resíduos de agrotóxicos. Confira a concentração
organismos
vivos
(RIBAS
&
MATSUMURA,
2009). Muitos dos poluentes gerados no setor agrícola atingem fontes de água superficial e subterrânea por meio do escoamento e percolação. Além disso, a persistência de agrotóxicos no solo depende de um conjun-
de obra e da educação dos produtores em
to de fatores, podendo alguns fungicidas
geral, expondo as comunidades rurais a um
inorgânicos, por exemplo, persistirem no am-
conjunto de riscos gerados pelo uso intensivo
biente por décadas. Somados, estes efeitos
de diversas substâncias químicas indiscrimi-
podem resultar no descontrole do ecossiste-
nadamente (RIBAS & MATSUMURA, 2009).
ma, redução da biodiversidade, contaminação de ecossistemas marinhos e mortes provocadas por intoxicações diretas ou indiretas, além da possível contaminação de espécies não-alvo (MARQUES et al., 2007). No solo, os efeitos cumulativos da con-
taminação podem interferir em processos biológicos responsáveis pela oferta de nutrientes, reduzindo drasticamente a degradação da matéria orgânica dada à morte de microrganismos e invertebrados que se desenvolvem no solo ou ainda impossibilitando o desenvolvimento de bactérias fixadoras de nitrogênio, responsáveis por disponibilizar N às plantas (RIBAS & MATSUMURA, 2009). Além dos efeitos ambientais, há ainda a constante preocupação relacionada à saúde humana, sendo os agrotóxicos responsáveis, no Brasil, por mais de 20 mil mortes anualmente, com intoxicações agudas ou crônicas, abortos, má formação de fetos, câncer, dermatose
entre
(MARQUES et al., 2007).
No meio ambiente, os defensivos agrí-
colas têm causado uma série de transtornos
16
outras
condições
No que tange a produção agrícola,
causadora, é como mensurar os impactos na
há também o impacto relacionado à manei-
abrangência de aplicação dos produtos, de
ra como a agricultura conseguiu expandir a
forma a que se possibilite uma avaliação
área cultivada no Brasil, havendo receios de
adequada dos diferentes sistemas produti-
que a expansão de soja, por exemplo, ve-
vos. Existe na literatura (CANTER, 1986 e 1996,
nha, eventualmente, a ameaçar a própria
SADLER, 1996, RODRIGUES, 1998 e PARANÁ,
Floresta Amazônica (BRANDÃO; REZENDE &
1999, citados por IRIAS et al., 2004) diversas
MARQUES, 2006). Adicionalmente, também
metodologias desenvolvidas para tal finali-
são levantados pontos como o uso excessivo
dade, cada uma dentro de suas próprias po-
de água nas lavouras, podendo o consumo
tencialidades e limitações, mas que podem
anual - em milímetros - chegar à 2.000mm
e devem ser utilizadas visando detectar os
para cana-de açúcar e 1.200 mm para café,
maiores impactos dos setores, possibilitando
citrus e eucalipto.
o desenvolvimento de estratégias que mitiguem o impacto ambiental causado pelos
Todos estes efeitos citados ainda po-
mesmos (IRIAS et al., 2004).
dem ser maximizados quando consideradas outras culturas, como dos eucaliptos ou serin-
De maneira geral, é possível observar
gueiras, por exemplo. A silvicultura, sobretu-
que, dentro do setor agropecuário, ambas
do as plantações de eucalipto, vem desper-
as produções animal e vegetal contribuem
tando debates quanto a seus impactos
de forma significativa no âmbito do impacto
no meio ambiente, sobretudo no solo, co-
ambiental. No entanto, apesar de impactan-
mo o empobrecimento e a erosão, na po-
tes, os danos podem ser mitigados pela ado-
luição e uso da água e na baixa biodi-
ção de práticas de manejo corretas, uso
versidade observada em áreas de mono-
consciente de defensivos, planejamento da
cultura (VITAL, 2007).
atividade e destinação de dejetos e capacitação da mão de obra. Portanto, faz se ne-
Quando considerados ainda produtos
cessário repensar a forma de produção, ma-
derivados de produções vegetais, como os
nejos e eficiência produtiva de forma a pro-
oriundos da indústria têxtil, por exemplo, este
duzir adequadamente sem que seja neces-
impacto pode ser ainda maior. Na confec-
sária a expansão de área ou a degradação
ção de uma calça jeans, por exemplo, são
do ambiente em uso. Atingir esse objetivo
consumidos até 10.000 litros de água indire-
implica no desenvolvimento e uso de ferra-
tamente, sendo necessários 10m² de uma
mentas que permitam avaliar os efeitos de
lavoura de algodão e emitidos até 32kg de
cada sistema produtivo, possibilitando assim,
CO2, equivalentes a andar 150km percorridos
o desenvolvimento de práticas que mitiguem
de carro (COSTA, 2017).
os efeitos observados.
A questão principal quando se trata de impacto ambiental, seja qual for a fonte
17
REFERÊNCIAS Brandão, A. S. P., Rezende, G. C. D., & Marques, R. W. D. C. (2006). Crescimento agrícola no período 1999/2004: a explosão da soja e da pecuária bovina e seu impacto sobre o meio ambiente. Economia Aplicada, 10(2), 249-266.
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18
I
Autores: Bruno Gimenez e Mariana Fantini
ndicadores ambientais são estatísti-
DA SILVA et al, pode-se dividir a pegada hí-
cas selecionadas que representam
drica de três formas, que são elas: azul, ver-
ou resumem alguns aspectos que se apre-
de e cinza. Em que a pegada hídrica azul
sentam ao meio ambiente, os recursos natu-
mede a quantidade de água disponível
rais e atividades humanas relacionadas. Pos-
consumida em um determinado período do
sibilitam a geração de informações que se-
ciclo. Enquanto a pegada hídrica verde re-
rão úteis para sustentar decisões estratégi-
presenta o volume de água da chuva que é
cas que originarão futuras políticas ambien-
consumida durante o processo de produ-
tais ou mesmo a adequação delas. Indica-
ção. E, por fim, a pegada hídrica cinza é
dores ambientais possuem as características
definida como o volume de água doce ne-
de serem de fácil entendimento, objetivas e
cessária para absorver a carga de poluen-
curtas. Alguns exemplos desses indicadores
tes resultantes do processo produtivo (DA
são a pegada hídrica e a pegada de car-
SILVA et al., 2015)
bono.
Já a pegada de carbono (PC) é uma A pegada hídrica (PH), conceito lan-
medida dos impactos causados pelas ativi-
çado em Delf, na Holanda, é a medida da
dades humanas sobre o meio ambiente, e
apropriação humana da água no globo
em particular das mudanças climáticas. Ela
(HOEKSTRA; HUANG, 2002). Ou seja, a PH de
mede a quantidade total de emissões de
um produto, bem ou serviço, é igual ao vo-
gases que provocam o efeito estufa (GGE)
lume de água doce utilizado no processo
que são diretamente e indiretamente cau-
de produção no local onde foi utilizado,
sadas por algum tipo de atividade (de indi-
dentro e/ou fora do território nacional. O
víduos, populações, governos, empresas,
conceito de PH abrange as informações ba-
organizações, processos, setores da indús-
seadas no conceito de água virtual, que é
tria, dentre outros) ao longo do ciclo de vida
um indicador físico da quantidade necessá-
do
ria para produzir os bens e serviços que se-
(MUTHU et al., 2011).
rão consumidos por um determinado territó-
produto
(HERTWICH;
PETERS,
2009)
No Brasil, somente 39% dos esgotos
rio ou indivíduo (ALDAYA etal., 2010), que
são tratados, mais de 100 milhões de brasilei-
demonstra a quantidade real de água ne-
ros não têm acesso ao serviço de coleta de
cessária para satisfazer e sustentar a necessi-
esgoto. Isso se deve a sensação, que o bra-
dade humana (HOEKSTRA et al., 2011). Esse
sileiro tem, de que recursos hídricos são
indicador ambiental pode ser medido em
abundantes e baratos, e não exclusiva do
m3/ano ou m3/ per capita/ ano. Segundo
19
mundo rural e seus atores. Para os seres hu-
de educação ambiental. O Brasil é um dos
manos, o que é abundante e barato não
maiores exportadores de água na forma vir-
tem que ser manejado nem cuidado. Certa-
tual, devido ao seu perfil de produtor de
mente, as crises hídricas, que, segundo os
commodities agropecuárias.
cenários elaborados pela ciência, terão ca-
De acordo com as estatísticas feito
da vez maior intensidade e frequência.
pela FAO, Food and Agriculture Organizati-
(PALHARES et al., 2016).
on of the United Nations, entre os anos de
Pegada hídrica para carne de
1990 a 2014 o Brasil leva o primeiro lugar na
frango é de 4.325 L/kg e de 5.988
emissão de gases do efeito estufa (GEE) pe-
L/kg para carne suína.
lo uso da terra e desmatamento compara-
(MEKONNEN; HOEKSTRA, 2010)
do com os outros países (gráfico 1). Entretanto, quando essas estatísticas são avalia-
Tendo a água doce escassa e com
das de uma forma per capita o Brasil perde
uma representação de apenas 2,5% do vo-
o primeiro lugar para uma briga entre Para-
lume total do planeta (GLEICK, 2000), WO-
guai e Guiana (gráfico 2).
OD e LENZEN (2003), acreditam que os cál-
No gráfico 1 podemos observar a mi-
culos de pegadas (ecológica, carbono, hí-
tigação da emissão de GEE a partir de 2005,
drica, nitrogênio etc.) apresentam como
isso se dá pela associação entre intensifica-
vantagem a facilidade para sensibilização
ção e recuperação das pastagens com se-
do público, servindo como uma ferramenta
questro de carbono pelo solo. Ou seja, a
Gráfico 1 - Emissão de GEE pelo uso da terra e desmatamento.
Gráfico 2 - Emissão de GEE pelo uso da terra e desmatamento per capita
20
REFERÊNCIAS
intensificação reduz o impacto ambiental por unidade de produto (FAOSTAT).
ALDAYA, M. M., MARTINEZ-SANTOS, P., LLAMAS, M.R. Incorporating the water footprint
O Brasil vem vencendo desafios hídri-
and virtual water into policy reflections from
cos na produção animal para que os impac-
the Mancha Occidental region, Spain. Water
tos sejam mitigados e até benéficos. As práti-
Resources Management, v. 24, p. 941-958,
cas de manejos hídricos e resíduos, manter o
2010.
fluxo e o equilíbrio de uma produção animal, criar um controle de recursos naturais, respei-
CARDOSO, A. S. Avaliação das emissões de
tar leis ambientais, entre outras, são desafios
gases de efeito estufa em diferentes cenários
propostos para que haja resultado e impac-
de intensificação de uso das pastagens no
tos positivos. Além de aumentar a biosseguri-
Brasil central. 2012. 81f. Dissertação
dade e o bem-estar animal, essas práticas
(Mestrado em Agronomia, Ciência do Solo).
podem trazer vantagens e lucratividade pa-
DA SILVA, V. P. R.. et al. Modelo integrado
ra um produtor, por exemplo, reaproveita-
das pegadas hídrica, ecológica e de carbo-
mento de resíduos para fertilizantes ou a pro-
no para o monitoramento da pressão huma-
dução de energia elétrica quando tratados
na sobre o planeta. 2015. Ambiência - Revis-
em biodigestores (JULIO C.P. PALHARES)
ta do Setor de Ciências Agrárias e Ambientais.
Afirma CARDOSO que a maior taxa de
lotação, a melhoria na qualidade do alimen-
FAOSTAT, Food and Agriculture Organization
to oferecido e a redução na idade de abate
Statistics, Acessado em 25/02/2018: http://
resultam numa redução na emissão de me-
www.fao.org/faostat/en/#data/EM.
tano de 2,75 kg/kg de carcaça para 1,76 kg/
GLEICK, P. H. The changing water paradigm:
kg de carcaça (CARDOSO, 2012).
a look at twenty-first century water resources
Os indicadores ambientais, como a
development. Water International, v. 25,
pegada hídrica ou carbônica, são conjuntos
p.127-138, 2000.
de dados coletados para a conscientização
HERTWICH, E. G., PETERS, G. P. Carbon foo-
e mudança na produção animal. Já foram
tprint of nations: a global, trade-linked
identificados avanços na tecnologia na pro-
analysis. Environmental Science and Techno-
dução animal deixando um impacto positi-
logy, v. 43, p. 6414–6420, 2009.
vo. estratégias nutricionais, demonstrando a redução do consumo de água azul e do po-
HOEKSTRA, A. Y.; HUANG, P. Q. Virtual water
tencial poluidor pelo uso dos resíduos como
trade: A quantification of virtual water flows
fertilizante. Os resultados atestam que as in-
between nations in relation to international
formações geradas explicitam como o ma-
crop trade. Value of water research report
nejo – no caso, o nutricional – pode promo-
series. Institute for Water Education. Holanda:
ver a melhoria do desempenho hídrico.
UNESCO-IHE, 2002.
21
HOEKSTRA, A. Y. et al. The water footprint as-
sessment manual. 1. ed. London: Water Footprint Network, 2011. MUTHU, S. S., Li, Y., HU, J.Y., MOK, P.Y. Carbon footprint of shopping (grocery) bags in China, Hong Kong and India. Atmospheric Environment, v.45, p.469-475, 2011. PALHARES, J. C. et al., Produção animal e recursos hídricos. Livro: Editora Cubo, 2016. WOOD, R.; LENZEN, M. An application of a modified ecological footprint method and structural path analysis in a comparative institutional study. Local Environment: The International Journal of Justice and Sustainability, v. 8, n. 4, p. 365386. 2003.
22
e a formação profissional. Autor: Bruno Gimenez
Profa. Dra. Tamara Maria Gomes possui graduação em Agronomia pela UNESP, mestrado em Agronomia na área de Irrigação e Drenagem pela UNESP, doutorado em Agronomia
na área de Irrigação e Drenagem pela USP e Pós-doutorado em Irrigação com Águas Residuárias na Cana-de-açúcar pela USP, participou como auditora do programa de certificação agrícola para recomendação do selo Rainforest Alliance. Atualmente é professora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos no curso de Engenharia de Biossistemas da Universidade de São Paulo, no campus Fernando Costa, Pirassununga – SP.
O tratamento e reutilização dos recursos naturais não são algo comum entre os produtores rurais. Como podem ser mudadas essas realidades no futuro? Para a utilização dos recursos naturais (captar água do rio, lançar algum efluente, barramento) numa propriedade rural, o produtor deve possuir licença ambiental. Aquelas propriedades que estão inseridas nesse contexto começam a dar um pouco mais de valor para essas questões. Por exemplo: uma propriedade que possui um biodigestor trata os resíduos e como subproduto tem um fertilizante, o que lhe dá um retorno, além da produção de ener-
gia elétrica. Porém, existe um problema legal nesse ponto, porque no Brasil não existe uma legislação de reutilização muito clara, portanto, fica a mercê do órgão ambiental regional. As duas ferramentas que vão ajudar a caminhar na direção da conscientização são a legislação clara e a fiscalização. Muitos dos resíduos produzidos nos estabelecimentos rurais são muito bons biofertilizantes, o que poderia significar uma economia na utilização dos fertilizantes químicos.
23
Nos últimos anos aumentou a adesão dos produtores às novas técnicas de tratamento de resíduos? Sem dúvidas, em minha opinião sim. Hoje vemos que muitos avanços foram levados até os produtores e, cada vez mais, são esses que aumentaram o nível de tecnificação da produção. Obviamente ainda temos muito caminho a percorrer, a nossa agropecuária é muito rústica. Mas nós já mudamos muitos conceitos das questões das emissões dos gases de efeito estufa, da conservação do solo, implementação de práticas para aumentar a produtividade, etc. Na verdade, o produtor está olhando no retorno e vai chegando num momento em que ele está exaurindo essas propriedades químicas e físicas do solo, o mesmo acontece com os corpos hídricos, sejam eles superficiais ou subterrâneos. Chega uma hora em que ele percebe que os recursos são finitos, então não vem pelo bem, mas vem pelo mal, a necessidade de começar se adequar. Agora vemos uma mudança com relação às áreas
de preservação permanente, veem a importância de conservar essas áreas, é um processo lento, mas acontece. Tem algumas regiões do Brasil aonde os produtores já enxergaram a importância da conservação do meio ambiente. Um exemplo é a região do serrado mineiro aonde tem uma produção de café para exportação, que tem um mercado consumidor mais exigente, eles já tem toda essa visão de preservação de seus recursos hídricos, de reservas ecológicas, tratar seus efluentes. O que acaba tendo um ágio por aquilo. Eles têm um retorno em produtividade, qualidade de água, na fertilidade do solo, o que se traduz em retorno econômico e ambiental. Considero que é uma tendência porque não podemos continuar exaurindo as pastagens, a produção dos grãos (milho e soja), ano após ano, apli-
cando os pacotes de agrotóxicos que vão criando resistência a pragas e doenças, vai chegar um momento que não vai ter mais para onde ir. Ainda a terra é barata, então os produtores migram, mas vai chegar esse momento (e em muitas regiões esse momento já chegou) em que não vai ter mais para onde ir.
24
Essa exaustão dos recursos naturais representa um risco para o meio ambiente brasileiro? Sim, representa. Se olharmos para as nossas matas ciliares percebemos que a qualidade e a quantidade d’água dependem totalmente dela, nossos rios foram, com o passar dos anos, nesse uso exaustivo da monocultura, assoreando. Não temos que ir muito longe para ver isso, aqui em Cachoeira de emas a qualidade d’água que temos nos perímetros urbanos está deteriorada. Não é porque o Brasil tem 12% dos recursos hídricos, que não temos esses problemas. Na fronteira agrícola temos visto problemas seríssimos por nematoides de solo, que vão criando resistência e inviabilizando a produção e inutilizam áreas. Até não começarmos olhar que temos que trabalhar com sustentabilidade, a situação não vai mudar. Utilizar estratégias de produção avançadas, tais como, plantio direto, ILPF, cobertura de solo, conservar áreas de preservação permanente, adubo verde, ajudam nessa transição.
A seu ver os profissionais que estão sendo formados agora, estão saindo com essa visão de sustentabilidade? Considero que sim. Lógico que quando o aluno vai para o mercado de trabalho acaba se sujeitando. Às vezes temos uma ideologia dentro da faculdade e acreditamos naquilo, mas na hora que apareceu a primeira oportunidade de emprego, por necessidade acabamos aceitando e nos enquadrando naqueles esquemas. Temos bons profissionais sendo formados que podem agregar a essas empresas que trabalham com agrotóxicos, por exemplo, eles dão uma visão diferente dos problemas. Acredito que aquilo seja um ponto positivo, porque eles levam alternativas que são viáveis. As empresas valorizam isso, porque elas precisam para crescer e ganhar novos mercados, mudar algumas práticas. É uma questão de enxergar que nós não estamos querendo conservar o meio ambiente só por conservar, porque somos ambientalistas, é porque vamos conseguir ter resultados econômicos muito melhores. Acredito no tripé da sustentabilidade: ambiental, econômico e social. O mundo inteiro caminha nessa direção, não tem dois caminhos.
25
Qual o papel dos especialistas da área na evolução da produção para um futuro mais sustentável? Total, são eles que têm que levar a tecnologia para o campo. Hoje temos a possibilidade de usar a tecnologia de imagens por drones, planejamentos para mecanização agrícola, rotação das culturas, umidade do solo, utilizar os resíduos biológicos para fertilização de áreas, utilizar controle biológico em conjunto com controles físicos e químicos. Só tenho uma opção? Não, tem muita coisa para ser feita. As propriedades que vão nesse caminho, têm resultados muito promissores.
O Brasil tem um papel importante na produção de commodities. Ele é um exemplo de como encarar as mudanças climáticas, apresentar soluções? Não, o Brasil não é exemplo de sustentabilidade. Ainda não entendemos as nossas necessidades, como temos abundância de recursos, não entendemos. Exemplo disso é a cidade de Mariana, que até hoje não foi feito nada para um desastre ambiental, de um uso completamente desastroso dos nossos recursos. O Brasil tem compromissos internacionais, como o acordo de Paris e os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU. Temos uma sinalização de alguns tratados e de algumas parcerias que vão nesse sentido, mas ainda temos o lobby da agropecuária que é muito forte e que vai na direção contrária. Espero ver essas ações e parcerias mais consolidadas no próximo VIII Fórum Mundial da Água que será realizado no Brasil.
Gostaria de deixar alguma dica ou algum conselho para os estudantes da área? Nunca percam essa essência, quando somos jovens temos ideais. E não é só ideal de fazer sucesso e de fazer dinheiro, também queremos uma qualidade de vida para o nosso futuro e das novas gerações. Sempre que vocês forem tomar uma decisão profissionalmente, espero que vocês possam refletir a respeito dessa sustentabilidade, do tripé, não só olhem para o fator econômico. Mas sim olhar para o que podem deixar para as gerações futuras, não perder esse norte da consciência de vocês.
26
as últimas décadas, a produção
Autores: Ana Laura Passere e Henrique Cancian sério problema ambiental e econômico se
animal tem sofrido grandes mo-
não forem corretamente manejados, por ou-
dificações, especialmente pela passagem
tro lado, têm valioso potencial de serem insu-
dos sistemas de criação extensivos para o
mos para a produção agrícola sustentável
uso de modelos intensivos de confinamento,
quando bem aproveitados. Em sistemas in-
que visam, principalmente, reduzir os custos
tensivos de produção leiteira, há uma alta
de produção e aumentar a eficiência do
produção de dejetos, e a adequada desti-
processo. No entanto, os problemas ambien-
nação dos mesmos deve ser pensada de for-
tais também têm se intensificado na medida
ma não só a evitar a poluição ambiental,
em que se consolidam novos modos de pro-
mas também de proporcionar ganhos para
dução. Com o sistema intensivo, o volume
o sistema produtivo.
N
de dejetos produzidos cresceu significativamente. Para constatar tal magnitude do problema, podemos exemplificar com a popula-
ção de bovinos e suínos do mundo que é de aproximadamente 2,5 bilhões de cabeças e que chegam a produzir 80 milhões de toneladas de dejetos por ano. Em função da alta concentração em que são produzidos esses dejetos, cria-se a necessidade de estudar alternativas que permitam minimizar o problema e, na medida do possível, agregar algum valor aos resíduos
O Compost Barn tem grande visibilida-
dos sistemas de produção de animais em
de quando se refere ao reaproveitamento
confinamento.
de resíduos. Esse sistema consiste em um es-
A seguir, abordaremos três formas de
paço físico coberto no qual as vacas ficam
tratamento de resíduos da produção animal,
durante todo seu período de lactação. Essa
a saber: o Compost Barn, ecco filtro e de-
área possui uma cama de maravalha ou las-
cantação e, a cama sobreposta.
cas de madeira e, seu princípio básico de funcionamento é a compostagem desta ca-
Compost Barn
ma juntamente com o esterco produzido pe-
Os dejetos produzidos por um sistema
los animais.
de produção pecuária podem se tornar um
A compostagem é um processo
27
natural que consiste na degradação da
Além de ser uma forma de reutilização dos
matéria orgânica. No Compost Barn ela
dejetos, esse processo aparece como uma
acontece através de um processo aeróbio,
possibilidade real de proporcionar nova fon-
realizado por ação de uma população di-
te de renda para o agricultor. O resultado
versificada de microrganismos. Para que ha-
final é a disponibilidade de um composto
ja um processo de compostagem ideal, faz-
com alto teor de nutrientes, que pode ser
se necessária a presença de materiais que
aproveitado na fertilização de solos.
podemos dividir em duas classes: aqueles ricos em carbono (C) que, no caso do Com-
Uso de Ecco Filtro na suinocultura
post Barn, referem-se aos substratos da ca-
A suinocultura é uma atividade que
ma e, os materiais ricos em nitrogênio (N),
se destaca no que se refere à alta deman-
entre os quais incluem-se os dejetos animais
da de água, podendo resultar no aumento
(fezes e urina). Segundo Carlos Giovani Pan-
da quantidade de resíduos e, também na
coti, especialista em nutrição de bovinos de
dispersão do mesmo em efluentes. Diante
leite da Agroceres Multimix, a aeração du-
desse problema, a adoção de um plano de
rante a compostagem é o fator mais impor-
gestão do uso de água torna-se uma efici-
tante a ser considerado, sendo que quanto
ente saída para o tratamento adequado de
mais úmida estiver a cama, mais deficiente
resíduos e, consequentemente o reaprovei-
será sua oxigenação, requerendo, portanto,
tamento da água usada no sistema de pro-
providências
umidade
dução. Esse controle na demanda da água
(reposição, ventilação, revolvimento, que-
é imprescindível para manter uma produ-
bra de torrões, mudança em lotação, etc.).
ção de modo sustentável (TARSO, 2017).
para
reduzir
a
Além de proporcionar maior conforto
Com isso, ações como a captação
aos animais, o Compost Barn também exer-
de água da lavagem de baias para depósi-
ce um papel muito importante no que se diz
tos de contenção, tornam-se extremamente
respeito à proteção do meio ambiente.
importantes no tratamento e, é possível um
28
direcionamento desse produto através de redes de esgoto interligadas. Em vista disso, vem sendo utilizado o Ecco Filtro que tem como função separar dejetos sólidos e líquidos por processos físicos, aumentando a eficiência dos tratamentos subsequentes. Essas frações separadas apresentam finalidades diferentes: a sólida pode ser transformada em um composto orgânico, enquanto a líquida conserva a maior parte dos nutrientes e pode ser utilizada na irrigação de plantações (MAPA, 2016).
ração e água. São produzidos em média, por suíno por dia, sete litros de dejetos. A tabela 1, expressa o volume de dejetos que são produzidos nas categorias e as fontes de diluição dos mesmos. Tais valores mostram a expressiva quantidade de resíduos gerados no sistema. Para fazer frente aos impactos que esses dados representam, existem diversas práticas que são adotadas para minimizar
ou até mesmo eliminar as consequências ocasionadas pela produção desses dejetos. Alguns exemplos de medidas a serem mencionadas
são:
esterqueiras,
biodigestores,
compostagem ou cama sobreposta. A respeito da cama sobreposta, também conhecida por “deep bedding”, sua Além disso, a fase líquida ainda pode passar por um processo chamado de decantação, logo após ser separada no Ecco Filtro. Esse processo permite separar partículas grandes que podem estar no líquido e fazer a remoção de metais pesados, do fósforo orgânico e do nitrogênio orgânico. Com isso, a água que passa pelo decantador pode ser utilizada em irrigação de plantações, já que se apresenta características excelente para uso como fertilizante (MAPA, 2016).
origem vem de estudos realizados no Brasil
Sistema de Cama Sobreposta
nos foi apresentada pela Tenente Cinthia
pela Embrapa Suínos e Aves em 1993. Esse
sistema consiste na criação de suínos sobre uma cama composta por substrato que faz a absorção das dejeções durante a permanência dos animais na unidade de produção (HIGARASHI1 et al., 2008). Uma situação interessante, a título de exemplo, para ilustrar a adesão ao método
O sistema de criação mais utilizado na
(médica veterinária da Fazenda da Aero-
suinocultura no Brasil é o intensivo de confi-
náutica de Pirassununga - FAYS), ao relatar a
namento. Este sistema colabora bastante
necessidade de adoção do sistema na pro-
para o uso do manejo de dejetos na forma
dução suinícola da Fazenda, “Os dejetos dos
líquida, oriundo da limpeza diária. De acordo
suínos eram levados ao biodigestor, estraté-
com Ito et. al. (2016), esse manejo adotado
gia adotada desde 2010. Porém, com o au-
é agravante nas questões de captação, ar-
mento da produção de animais na termina-
mazenamento, tratamento, transporte e dis-
ção, esse sistema já não atendia por com-
tribuição de dejetos. Basicamente este deje-
pleto a granja”. E, questões ligadas ao risco
to é constituído de fezes, urina, resíduos de
29
TABELA 1 - Volume e fontes de diluição de dejetos
de poluição do Rio Mogi Guaçu, foram outro fator para adotar essa alternativa sustentável.
sistema: “Por não gerar nenhum dejeto ambiental e enriquecer o solo, o sistema só traz benefícios, uma vez que substitui a utilização de adubos comprados para nutrir e suprir as necessidades das plantas”. Experiências produzidas com o desenvolvimento de alternativas para o tratamento e o aproveitamento de resíduos, tais como as que apresentamos, possibilitam a redução da demanda de água e, também, da con-
taminação, nas práticas agropecuárias. Res-
Além disso, esse sistema de criação
salte-se que o sistema de cama sobreposta
permite reduzir custos na construção de edifi-
constitui um dos avanços estratégicos para
cações, minimiza o risco de poluição e reco-
deter um “colapso prematuro no abasteci-
nhece o composto final como adubo orgâni-
mento de água, através da manutenção
co. E, para consolidar o resultado desse últi-
dos recursos hídricos” (HIGARASHI1 et al.,
mo item, substratos como maravalha, palha,
2008) e por esse fato, torna-se um sistema de
feno ou casca de arroz podem ser usados
suporte na criação animal importante para
como cama. Tais substratos absorvem os de-
um setor que causa um grande impacto am-
jetos e sofrem um processo de composta-
biental.
gem “in situ” (COSTA et al., 2006).
REFERÊNCIAS
Na Fazenda da Aeronáutica de Piras-
MILKPOINT. Vamos falar de compostagem?
sununga - FAYS, o composto formado é utili-
Disponível em: <https://
zado nas plantações de milho, soja e forra-
www.milkpoint.com.br/empresas/novidades-
gem de Tifton, sendo o feno da forrageira
parceiros/vamos-falar-de-compostagem-
utilizado como o próprio substrato do siste-
103705n.aspx>. Acesso em: 18 jan. 2018.
ma. São produzidas por ano cerca de 60 toneladas de resíduos e, a Tenente Cinthia co-
menta sobre os benefícios da adoção do
30
TARSO, Paulo de. Dejetos na suinocultura e
des. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 44, p.
como manejar. 2017. Disponível em: <http://
[125]-156, set. 2016. Disponível em: <https://
www.agroceresmultimix.com.br/blog/
web.bndes.gov.br/bib/jspui/
manejo-dos-dejetos-na-suinocultura/>.
handle/1408/9974>. Acesso em: 17 jan.
Acesso em: 16 jan. 2018.
2018. HIGARASHI1, Martha M. et al. Concentra-
Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e
ção de macronutrientes e metais pesados
Abastecimento. Suinocultura de baixa emis-
em maravalha de unidade de suínos em ca-
são de carbono: tecnologias de produção
ma sobreposta. Revista Brasileira de Enge-
mais limpa e aproveitamento econômico
nharia Agrícola e Ambiental, Campina
dos resíduos da produção de suínos / Minis-
Grande/PB, v. 12, n. 3, p.311-317,2008. Dispo-
tério da Agricultura, Pecuária e Abasteci-
nível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbeaa/
mento. Secretaria de Mobilidade Social, do
v12n3/v12n03a13>. Acesso em: 17 jan. 2018.
Produtor Rural e do Cooperativismo. – Brasília : MAPA, 2016. Disponivel em: <https://
COSTA, Osmar A. dalla et al., Sistema alter-
www.tratamentodeagua.com.br/wp-
nativo de criação de suínos em cama so-
content/uploads/2016/05/cartilha-
breposta para agricultura familiar. Concór-
suinocultura-baixocarbono-1.pdf>. Acesso
dia-SC, Embrapa Aves e Suínos, 2006. Dispo-
em: 16 jan. 2018.
nível em: <https://www.embrapa.br/web/ mobile/publicacoes/-/publicacao/962451/
ITO, Minoru; GUIMARÃES, Diego Duque;
sistema-alternativo-de-criacao-de-suinos-em
AMARAL, Gisele Ferreira. Impactos ambien-
-cama-sobreposta-para-agricultura-
tais da suinocultura: desafios e oportunida-
familiar>. Acesso em: 17 jan. 2018.
31
F
Autor: Henrique Cancian
ernando Carlos Rohwedder Filho é zootecnista, formado pela FZEA/USP, e é responsável por um plantel suíno situado
na Fazenda Nossa Senhora da Conceição em Pirassununga-SP. Em sua propriedade, contabilizam-se 280 matrizes, com natalidade de aproximadamente 12,5 leitões/matriz, com uma taxa de desmame
de cerca de 11 leitões. No total, em média, o zootecnista consegue desmamar 325 leitões/mês. Preocupado com o volume de dejetos produzidos pelos animais, Fernando está implantando um sistema de tratamento que consiste no armazenamento total dos dejetos em um tanque. Nesse tanque funciona um batedor, que tem por função evitar que os dejetos decantem, e uma bomba que puxa todo o conteúdo para um filtro que separa a parte sólida da parte líquida. A parte líquida é encaminhada para um tanque de de-
cantação, desse tanque o líquido segue para um segundo depósito e, depois para um terceiro. O volume total de líquido distribuídos nos três tanques pode chegar a 2 milhões de litros. “Depois de três processos de decantação, a água já está livre dos dejetos sólidos e será utilizada como um biofertilizante em nossas lavouras de milho e soja” disse Fernando, que complementou que o resíduo sólido também é utilizado na lavoura como adubo natural.
Porque implantar o tratamento de resíduos em uma propriedade? “ O resíduo sempre foi visto como um problema, mas de um tempo para cá vem se tornando uma alternativa de insumo. Além do pecuarista ajudar na proteção do meio ambiente, ele estará criando uma nova fonte de renda dentro da sua produção. No nosso caso, o dejeto suíno é altamente poluidor se jogado em natura no solo ou nos cursos d’água. Por conta disso, adotando um tratamento adequado para esse dejeto, além de estar beneficiando o meio ambiente estaremos criando uma nova fonte de renda com o biofertilizante e o adubo sólido, provindos desse tratamento. ”
32
Em sua opinião, quais os benefícios que esse sistema traz ao meio ambiente? “Com o tratamento, o produtor está deixando de lançar esses dejetos direto no meio ambiente. O dejeto suíno quando lançado em natura no meio ambiente pode ser altamente poluidor, principalmente em cursos d’água, pois ele possui um alto teor de matéria orgânica, que em excesso, favorece a proliferação de microrganismos aeróbios, levando a um grande consumo do oxigênio dissolvido na água, reduzindo drasticamente sua concentração. Os animais aquáticos morrem por asfixia devido às baixas concentrações de oxigênio. Portanto, com o tratamento você evita que esses danos ocorram. ”
Quanto tempo leva para que os produtos finais desse tratamento fiquem prontos? “Em relação ao conteúdo sólido, que será utilizado como adubo orgânico, ele sai um pouco úmido, portanto faz-se necessário que seja colocado numa área para que receba luz solar e seque. Esse processo demora cerca de 2 semanas. Quando a fração líquida é lançada no primeiro tanque, o nível deste se eleva e o líquido é lançado no segundo tanque e assim sucessivamente até que chegue no último tanque, quando a água já está limpa, isto é, o biofertilizante já pode ser recolhido para o
uso na lavoura. ”
Em quais atividades produtivas os compostos podem ser utilizados? “Esses compostos podem ser utilizados em diversos segmentos da agricultura. A parte sólida, por exemplo, tem grande procura por produtores de hortaliças, mas a ideia principal da fazenda é a utilização nas lavouras. Quanto à parte líquida, é a mesma coisa, a gente planeja fazer lavouras de milho e de soja irrigadas com o biofertilizante. As usinas de cana de açúcar procuram bastante o biofertilizante porque além dele contribuir pela adubação do solo, ele mata a broca da cana (parasita que causa danos à lavoura). ”
33
Qual a vantagem de se utilizar os compostos em uma plantação? “A primeira vantagem de se utilizar esses compostos em uma plantação é o fato de serem adubos de excelente qualidade e orgânicos. O mais comum é a utilização do adubo químico que pode oferecer diversos minerais, mas também agride muito o solo. Outro ponto vantajoso é que no adubo químico, o Nitrogênio se volatiliza muito fácil, não sendo aproveitado pelas plantas. Já nos adubos orgânicos ele se encontra fixo no solo e é de pronto uso para os vegetais”
Existe um mercado para esse composto? “Até um certo tempo atrás existia um receio na utilização do adubo orgânico, muitos confiavam apenas no químico, porém de um tempo para cá esse preconceito vem diminuindo. Atualmente, proprietários de hortifruticulturas vêm usando muito esses produtos. No estado do Paraná, por exemplo, o composto sólido é utilizado em várias lavouras de milho e soja e o líquido na plantação de cana. Hoje em dia o preço da tonelada do
adubo sólido gira em torno de R$60,00 a R$70,00. ”
Fernando garante que a utilização dos adubos orgânicos é uma tendência que tende a crescer entre os agricultores, visto que a preocupação com o meio ambiente vem se tornando muito presente. “Ainda precisamos de novas tecnologias, mas já estamos num caminho muito bom” afirma o produtor. “Hoje em dia, alguns produtores vêm fazendo a substituição parcial do adubo químico pelo adubo orgânico, muitas vezes numa divisão de meio a meio, isto é, 50% de adubação química e 50% de adubação orgânica. Alguns estudos mostram que já existem produtores utilizando 100% da adubação orgânica e esse é o nosso objetivo para a nossa próxima safra” finaliza o zootecnista.
34
A
Autores: Julia Mahalem e Ilnara Rodrigues
limentos transgênicos são aque-
ca de R$ 400 milhões, aproximadamente 50%
les que, através das técnicas da
desse valor é usado para o desenvolvimento
engenharia genética, sofrem alterações no
do produto, 23% utiliza-se para a descoberta
seu genoma, a partir do acréscimo ou da
do gene em foco e os 26% restantes são in-
eliminação de um ou mais genes, com a fi-
vestido em biossegurança e no processo de
nalidade de que apresentem novas caracte-
aprovação para o mercado. Os produtos
rísticas ou de remodelar as já existentes. Den-
passam por avaliações rigorosas, as quais se
tre as principais características desejadas,
tornam resultados de trabalhos de alto risco
estão aquelas relacionadas à resistência a
e custo.
pragas e doenças, resistência a condições
O início das pesquisas em engenharia
ambientais indesejadas e ao aumento na
genética se deu na década de 70 e, já em
produtividade. Esse aperfeiçoamento visa o
1986, nos Estados Unidos e França, os ensaios
melhoramento das características de interesse agronômico, facilitando a adaptação à
mecanização, aumentando a lucratividade do produtor (CAMARA, et al, 2009) . É importante esclarecer que os organismos geneticamente modificados levam muitos anos para chegarem à sua forma final. Segundo Hugo Molinari, Engenheiro Agrônomo e Pesquisador da Embrapa, para que um produto transgênico chegue à prateleira do consumidor leva-se aproximadamente 13 anos em pesquisas e testes. experimentais dos alimentos geneticamente
Apesar do longo período em pesqui-
modificados começavam a ser feitos no
sa, os transgênicos também são responsáveis
campo. No entanto, os primeiros a comercia-
por consumir grandes investimentos. Ainda,
lizarem os vegetais transgênicos foram os
segundo Hugo, para um investimento de cer-
35
chineses. No começo da década de 90, te-
lavouras do Rio Grande do Sul, ocupando
ve início a venda de fumo e tomate transgê-
espaço significativo na região e, se tornando
nicos na China.
conhecida como “Soja Maradona”. No começo dos anos 2000, segundo o
No Brasil, as primeiras sementes trans-
Ministério da Agricultura, as sementes argen-
gênicas chegaram no ano de 1998, como
tinas e uruguaias ocuparam 12% do território
uma nova forma de produção para os pro-
brasileiro, se concentrando nos estados do
dutores rurais. Anteriormente, o Estado do Rio
Rio Grande do Sul, parte do Paraná e parte
Grande do Sul, introduziu as sementes de for-
do Mato Grosso do Sul. Assim, com a colheita
ma ilegal (contrabandeadas) do Uruguai e
nos anos de 2002/2003 se aproximando, os
da Argentina.
representantes dos agricultores pressionaram
Segundo o ex-ministro da agricultura,
o governo para que a soja transgênica fosse
Roberto Rodrigues, tudo começou quando
regulamentada, com a afirmação de que
agricultores gaúchos conheceram a soja
sua introdução traria grande desenvolvimen-
transgênica em uma visita à Argentina e
to para o Brasil. Após muitas discussões, ape-
trouxeram sementes para o Brasil sem permis-
nas em 2005, o então Presidente da Repúbli-
são do governo brasileiro. Observaram que
ca, Luiz Inácio Lula da Silva, aprovou a “Lei
estas sementes eram capazes de reduzir os
da Biossegurança” (Lei 11.105/05), sendo
custos na questão de número de pulveriza-
uma norma que permitiu a pesquisa e produ-
ções, no custo de uso de água, de diesel e
ção de alimentos geneticamente modifica-
de defensivos agrícolas. Dessa forma, com a
dos. Atualmente, para que um novo produto
capacidade de resistir aos herbicidas, a soja
geneticamente modificado seja
transgênica se espalhou rapidamente pelas
36
comercializado nas prateleiras de um super-
mento e testes, que devem ocorrer em ambi-
mercado brasileiro, é necessário passar por
ente reduzido e controlado. No caso de
uma avaliação de 5 etapas. Primeiramente,
plantas, o Ministério da Agricultura é respon-
a instituição interessada em vender seu pro-
sável por fiscalizar o experimento. A CTNBio,
duto deve apresentar seu projeto a CTNBio
antes da liberação final, avalia se os dados
(Comissão Técnica Nacional de Biosseguran-
obtidos se enquadram aos critérios de biosse-
ça). A comissão faz uma análise do projeto e
gurança. A última etapa para efetivamente
visita a propriedade para verificar se há con-
o produto ser comercializado é uma avalia-
dições de ser desenvolvida a proposta com
ção política, que se dá por um grupo forma-
segurança. Se o projeto conseguir aprova-
do por 11 ministros que votam a favor ou
ção, segue-se para etapa de desenvolvi-
contra a entrada do produto no mercado .
37
Na comemoração de 20 anos dos
mano. Após 25 anos de pesquisas, testes de
transgênicos no Brasil, no ano de 2018, com o
biossegurança e aprovação das autorida-
primeiro organismo geneticamente modifica-
des, um peixe, que é uma variedade de Sal-
do aprovado em 1998 e, considerando os 10
mão Atlântico (Salmo Salar) está sendo co-
anos a mais de pesquisas, pode-se afirmar
mercializado
que após 30 anos, esses produtos não apre-
americanos e canadenses, exclusivamente.
sentaram registros de possíveis malefícios à
Nessa variedade de salmão foi inserido o ge-
saúde de qualquer ser vivo ou até para o
ne encarregado pelo hormônio do cresci-
meio ambiente.
mento do salmão Chinook (Oncorhynchus
para
consumo
dos
norte-
Segundo a Isaaa (Serviço Internacio-
tshawytscha) e, também foram introduzidos
nal Para Aquisição de Aplicações Agro Bio-
reguladores genéticos do peixe-carneiro-
técnicas), em 2016 houve um aumento de
americano (Zoarces americanus). Isso possibi-
3% de área plantada com semente geneti-
litou que o peixe crescesse mais em um me-
camente modificada no mundo, cerca de
nor período de tempo, obtendo, em média,
5,4 milhões de hectares, sendo que 4,9 mi-
o tamanho ideal para a comercialização
lhões foram plantadas no Brasil, demonstran-
com 18 meses, o que equivale a metade do
do aumento de 11% no país. De acordo com
tempo normalmente necessário (CiB, 2017).
a instituição, o Brasil é o segundo país com maior área plantada de transgênicos com
52,6 milhões de hectares, ficando atrás apenas dos EUA que possuem uma plantação de 72,9 milhões de hectares. O Brasil contou com 63 organismos transgênicos aprovados até 2017, sendo que a maioria se refere à culturas de soja, milho e algodão. Apenas dois são de culturas distintas. Um é um tipo de eucalipto com a carac-
Mesmo depois de diversos fatores que
terística de produzir mais madeira, criado pe-
mostrem os benefícios do uso de transgêni-
la empresa FuturaGene. O outro é um feijão
cos, os produtos ainda são um tabu na vida
criado pela Embrapa (Empresa Brasileira de
do consumidor. A biotecnologia agrícola é
Pesquisa Agropecuária) que é resistente ao
capaz de utilizar suas ferramentas em prol de
vírus mosaico. Os demais transgênicos tem
uma melhor produção e em grande escala,
como principal característica a resistência a
podendo produzir mais em pouco espaço e
herbicidas e/ou insetos.
de forma a qual o investimento seja retorna-
Recentemente (em agosto de 2017),
do aos agricultores e ao meio ambiente. Po-
ocorreu um marco no desenvolvimento de
rém, mesmo depois de 30 anos com sem indí-
animais geneticamente modificados. O pri-
cios científicos que comprovem que os ali-
meiro animal GM chegou ao consumo hu-
mentos transgênicos possam ter efeitos
38
REFERÊNCIAS
colaterais negativos no ser humano, há controvérsias. Ocorre a disseminação de semen-
CAMARA, M. C. C., et al. Transgênicos: avaliação
tes transgênicas, os quais pode comprometer
da possível (in)segurança alimentar através da
a biodiversidade ao redor da plantação, sen-
produção científica. Hist. cienc. saudeManguinhos vol.16 no.3 Rio de Janeiro July/
do irreversível, podendo alterar a dinâmica
Sept. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/
populacional do local e podendo eliminar
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
espécies nativas espalhando super pragas ou
59702009000300006>. Acesso em janeiro de 2018;
super plantas daninhas. Levando em consideração as informa-
CiB (Conselho de Informações sobre Biotecnolo-
ções anteriores, qual sua opinião sobre os
gia). Salmão transgênico chega ao mercado do
transgênicos?
Canadá. 2017. Disponível em: <http://cib.org.br/ salmao-transgenico-chega-ao-mercado-docanada/>. Acessado em março de 2018;
39
C
Autores: Larissa Pereira de Oliveira e Laura Barbosa Ferreira
om o aumento da competitividade entre as empresas, há cres-
cente procura por formas de destaque no mercado e, a preocupação com o meio ambiente tem sido uma maneira eficiente de
obter sucesso nessa empreitada. Um dos diferenciais mais utilizados é o conceito de sustentabilidade, que concilia o desenvolvimento econômico com a preservação do ecossistema. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do relatório
Fonte: Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos
Nosso Futuro Comum, publicado em 1987, pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, “desenvolvimento
fluxo e das informações logísticas relaciona-
sustentável é aquele que busca satisfazer as
das ao retorno dos bens de pós-vendas e de
necessidades presentes sem comprometer a
pós-consumo referentes ao ciclo de negócio
capacidade das gerações futuras de aten-
ou ao ciclo produtivo, através dos canais de
der suas próprias necessidades”. Dentro des-
distribuição reversos, incorporando valores
te contexto, encontra-se a logística reversa
econômicos, ecológicos, legais, logísticos e
(LR) ou inversa, que pode ser definida como
corporativos à natureza. Ou seja, trata-se do
um “termo utilizado para referir-se à logística
retorno dos resíduos de um determinado pro-
na reciclagem, descarte e gerenciamento
duto para a indústria que o fabricou. “A logís-
de materiais contaminantes que, numa pers-
tica reversa pode ser dividida em duas gran-
pectiva mais ampla, inclui atividades logísti-
des áreas: logística reversa de pós-venda e
cas de redução de emissão, reciclagem,
de pós-consumo. A primeira atenta-se basi-
substituição, reutilização de materiais e des-
camente para aqueles produtos que são de-
carte” (STOCK, 1998).
volvidos por razões comerciais, erros em processamento de pedidos, dentre outros. A se-
De acordo com Paulo Roberto Leite
gunda caracteriza-se por trabalhar com
(2003), presidente do Conselho de Logística
aqueles produtos já adquiridos, utilizados e
Reversa do Brasil (CLRB), a logística reversa é
descartados pelo consumidor, mas que po-
a área da logística empresarial responsável
dem retornar ao seu ciclo produtivo, através
pelo planejamento, execução e controle do
de canais reversos de pós consumo e/ou de
40
reciclagem,
de
reuso
e
de
desman-
Atualmente, no país, há seis tipos de
che” (ENDEAVOR, 2015).
sistemas implantados na logística reversa, definidos para o descarte dos seguintes resí-
No Brasil, a logística reversa foi intro-
duos: embalagens de agrotóxicos, óleo lubri-
duzida através da Lei nº 12.305/2010, referen-
ficante usado ou contaminado (Oluc), em-
te à Política Nacional de Resíduos Sólidos -
balagens plásticas de óleos lubrificantes, pi-
PNRS. De acordo com o Ministério do Meio
lhas e baterias, pneus e, lâmpadas fluores-
Ambiente, esta lei estabelece três diferentes
centes de vapor de sódio e mercúrio de luz
vias para a sua inserção: regulamento, acor-
mista. Também foram criados grupos técni-
do setorial e termo de compromisso, sendo o
cos temáticos (GTTs), com a finalidade de
acordo setorial um "ato de natureza contra-
debater sobre as bases de inserção dos siste-
tual firmado entre o poder público e fabri-
mas de LR através dos acordos setoriais, para
cantes, importadores, distribuidores ou co-
as cadeias dos eletroeletrônicos e seus com-
merciantes, tendo em vista a implantação
ponentes e medicamentos. No momento, há
da responsabilidade compartilhada pelo ci-
um acordo setorial para embalagens em ge-
clo de vida dos produtos". A logística reversa
ral, que podem ser de papel e papelão,
é regulamentada pelo decreto nº 9.177, pu-
plástico, aço, alumínio, vidro e até mesmo
blicado em 23 de outubro de 2017, que asse-
pela junção desses componentes. Segundo
gura a imparcialidade na fiscalização e no
o Sistema Nacional de Informações Sobre a
cumprimento das responsabilidades atribuí-
Gestão de Resíduos Sólidos (SINIR), “o acordo
das aos fabricantes, importadores, distribui-
contempla apoio à cooperativas de catado-
dores e comerciantes de produtos, bem co-
res de materiais recicláveis e parcerias com o
mo seus resíduos e embalagens submetidos à
comércio para a instalação de pontos de
logística reversa obrigatória.
entrega voluntária. Ele também apresenta a possibilidade de celebração de acordos entre os serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos municipais e as entidades signatárias”.
Em relação aos agrotóxicos, a LR é um pouco diferente: a lei coloca o produtor rural, fabricante e/ou importador, sistema de comercialização e o poder público como responsáveis pelo processo. Cada um têm papéis cruciais para que a logística funcione: o agricultor deve lavar as embalagens, armazenar temporariamente em sua proprieFonte: Nossa Ambiente Direto
dade, devolver ao local indicado na nota
http:// nossoambientedireito.blogspot.com.br/2015/04/alogistica-reversa-na-lei-1230510.html
41
fiscal e comprovar a devolução guardando
o comprovante por um ano. Os canais de distribuição devem indicar onde devolver os produtos, disponibilizar um local para gerenciamento desses produtos, comprovar com notas ficais e conscientizar os agricultores. A indústria fabricante deve recolher as unidades vazias dos locais de recebimento, dar a correta destintagem a elas e conscientizar o agricultor. O Poder público deve fiscalizar, licenciar as unidades de recebimento e conscientizar os produtores.
é o Carbono Neutro, através do qual, desde
Com o intuito de conscientizar, a in-
de xampus e cremes, conseguindo de 2007
pEV (Instituto Nacional de Processamento de
a 2011 recolher 500 mil toneladas de resíduos
Embalagens Vazias) criou o Sistema Campo
só nos estados de Bahia, Espírito Santo, Per-
Limpo, com um minicurso para explicar pas-
nambuco Rio de Janeiro e São Paulo (ISTO É
so a passo sobre a destinação de embala-
DINHEIRO, 2016).
2001, a empresa monitora suas atividades pelo método de Avaliação de Ciclo de Vida dos produtos, com o intuito de diminuir as emissões de carbono da cadeia empresarial. A partir desse programa foi criada uma embalagem 100% reciclável feita de cana-deaçúcar. Além disso, a empresa desenvolveu o programa de logística reversa, que monitora o ciclo de vida de embalagens como as
gens de defensivos agrícolas.
Outra empresa em destaque é a
Outros exemplos
Green Business, que possui dois projetos sus-
A regulamentação é recente, mas
tentáveis com pegadas bem diferentes: o
diversas empresas já tinham a preocupação
primeiro é a criação de um site, o “Descola
de introduzir a logística reversa em seu cotidi-
aí”, no qual as pessoas poderão emprestar
ano.
os seus bens, como furadeiras, recebendo A Natura, por exemplo, possui diver-
um pequeno pagamento por isso, evitando
sos programas sustentáveis, dendo um deles
assim o consumo desnecessário. O outro
Os resultados acumulados (2002 a 2014) indi-
A quantidade de CO2 eq. (gás carbônico
cam benefícios ambientais equivalentes à
equivalente) não emitida totalizou 394 mil
economia de energia de 18,4 milhões de gi-
toneladas. Esse volume corresponde a 2 mi-
ga joules, o suficiente para abastecer 1,7 mi-
lhões de árvores que deixariam de ser corta-
lhões de casas durante um ano.
das.
A existência do Sistema evitou a geração de
Se o Sistema Campo Limpo não existisse, a
867 mil toneladas de resíduos sólidos. Isso
extração de recursos naturais teria sido 3,8
equivale a cerca de 6 anos de resíduos ge-
vezes maior.
rados por urna cidade de 500 mil habitantes. O consumo de água evitado foi de 42,3 bilhões de litros, o equivalente a 42 milhões de
O funcionamento do Sistema também evitou
caixas de água com mil litros cada.
42
a extração de 905 mil barris de petróleo.
Fonte: inpEV
plano de resíduos sólidos, descrevendo o ciclo de vida dos produtos e o que se pode fazer para reaproveitá-los. Cada empresa tem a liberdade de estabelecer seu próprio plano de logística reversa. É bom lembrar que não é preciso reutilizar os seus resíduos na produção de novos produtos, o importante é assegurar que os resíduos tenham uma nova utilidade, mesmo que isso ocorra fora da
cadeia
produtiva
da
empresa
(ENDEAVOR, 2015). Cada empresa tem que ser estudada particularmente, pois gera resí-
Fonte: Morden Logistics
duos únicos e que podem ser reaproveitados
http://modern.com.br/logisticareversa/
de maneiras diferentes (SEBRAE,2017). Para recuperar os materiais reciclados, uma ótima
projeto, com o nome de “carpintaria verde”,
alternativa é se filiar às cooperativas de ca-
pode parecer de uma ONG, mas o proprie-
tadores e as empresas que prestam esse tipo
tário ressalta que o intuito é ganhar dinheiro.
de serviço, deixando o recolhimento dos
Utilizando resíduos das fábricas de móveis, a
materiais mais fácil e barato, além do im-
assinatura de designers famosos e a mão de
pacto social que essa prática pode conquis-
obra de ex-detentos e pessoas de baixa ren-
tar (ENDEAVOR, 2015).
da, o projeto visa a construção de novos
Infelizmente, a implementação desse sistema
móveis (ISTO É DINHEIRO, 2016).
requer investimentos e reestruturação nos
A Renault também implantou a LR,
sistemas de produção, mas quando esse
fabricando peças para reposição a partir de
processo é implantado de forma bem plane-
remanescentes já utilizadas. Nesse processo,
jada, pode apresentar economia e vanta-
as peças chegam com um preço menor ao
gens para a empresa e para os consumido-
consumidor, além de consumirem menos
res. É importante ressaltar que uma empresa
água, energia e diminuírem as emissões de
pode somente se adequar a legislação ou
gases poluentes. Na mesma linha de produ-
pode desenvolver um novo sistema que fará
tos automobilísticos, a Bridgestone utiliza os
com que obtenha um diferencial importante
pneus que iriam para o descarte para faze-
frente aos seus competidores e ganhe um
rem
espaço maior no mercado em que atua
pisos
ou
borrachas
de
vedação
(ENDEAVOR, 2015).
(ENDEAVOR, 2015). Implantação
E se não houvesse a LR?
As empresas devem criar soluções
A terminação incorreta do resíduo
para que seus resíduos sejam reaproveita-
pode acarretar diversos problemas ao
dos. Para que isso ocorra, deve-se criar um
ecossistema. De acordo com o governo
43
Fonte: DocSlide https://docslide.com.br/documents/prof-paulo-roberto-leite-logistica-reversa-logistica-reversa -paulo-roberto-leite-paulorobertoleitemackenziecombr-clrbclrbcombrhttpmeusitemackenziecombrleitepr.html nível em: <https://www.istoedinheiro.com.br/ noticias/negocios/20110401/empresasbem/52137> Acesso em: janeiro de 2018.
brasileiro, “o descarte correto dos resíduos
sólidos é fundamental para o processo da reciclagem e para evitar uma série de prejuízos ao meio ambiente e à população, como
LEITE, P. R. Direcionadores estratégicos em programas de logística reversa no Brasil. Revista Alcance - Eletrônica, Vol. 19 - n. 02 - p. 182-201 - abr./jun. 2012. Disponível em: <http://www.redalyc.org/ html/4777/477748599004/> Acesso em: janeiro de 2018.
a poluição visual, do solo, do ar e do lençol freático, além de danos à saúde humana”. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, “a busca por soluções na área de resíduos reflete a demanda da sociedade que pressiona
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Disponível em: <http://sinir.gov.br/web/guest/logisticareversa> Acesso em: janeiro de 2018. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Logística reversa. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/ residuos-perigosos/logistica-reversa> Acesso em: janeiro de 2018.
por mudanças motivadas pelos elevados
custos socioeconômicos e ambientais”. REFERÊNCIAS ENDEAVOR. Logística reversa- ou o que a minha
empresa
pode ganhar com seus resíduos. Disponível em:
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Política de resíduos sólidos. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/pol%C3%ADtica-de-res% C3%ADduos-s%C3%B3lidos> Acesso em: janeiro de 2018.
<https://endeavor.org.br/logistica-
reversa/> Acesso em: janeiro de 2018.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Resíduos
ISTO É DINHEIRO. 50 empresas do bem. Dispo-
44
sólidos. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/ residuos-solidos> Acesso em: fevereiro de 2018.
SINDIMETAL. Logística Reversa. Disponível em: <http://www.fiepr.org.br/sindicatos/ sindimetalcmo/logistica-reversa-1-17735226064.shtml> Acesso em: janeiro de 2018. Sistema Campo Limpo; InpEV. Online, disponível em: <http://inpev.org.br/index> Acesso: fevereiro de 2018.
SEBRAE. A logística reversa no apoio à pequena empresa. Disponível em: <http:// www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ artigos/a-logistica-reversa-no-apoio-apequenaempresa,d613438af1c92410VgnVCM100000b272010 aRCRD> Acesso em: janeiro de 2018.
45
Autores: Matheus Napolitano e Régner Ítalo
L
agartas, moscas, vespas, plantas invasoras e carrapatos. Esses são apenas alguns exemplos de seres vivos que atormentam frequentemente a vida dos agropecuaristas. Espécies indesejáveis causam grandes problemas, sejam no extenuante trabalho em seu combate por conta dos prejuízos econômicos que causam no bolso do produtor rural.
vislumbrando lucrativa oportunidade de mercado, têm aprimorado uma técnica barata, eficaz e natural que pode ser a solução para o combate de pragas: O controle biológico. __________ O quê é controle biológico? A descrição básica de controle biológico é: “A manutenção de controle de pragas agrícolas e insetos transmissores de doenças a partir do uso de seus inimigos naturais”.
Frente à essa problemática, diversos métodos de controle foram e vêm sendo desenvolvidos para o combate desses agentes. Os métodos são os mais diversos, englobados em três grandes categorias: físicos, químicos e biológicos.
Quando surgiu? A aplicação do controle biológico se deu no final do século XX e é evidente a incorporação de conhecimentos, conceitos e técnicas, muito utilizados pela agricultura moderna que tem acelerado as pesquisas aplicadas à biologia. Com a entomologia - ramo da zoologia que estuda os insetos -, o controle biológico revelou-se como método científico, estes conceitos serviram de orientação para questões como processos evolutivos, controle das espécies, luta pela sobrevivência e pressões populacionais, além da urgência de oferecer soluções para pragas imigrantes em diferentes partes do mundo.
Os métodos físicos, por exemplo, apresentam em diversas situações grande eficácia, entretanto, se tornam inviáveis em alguns casos para serem executado em grandes áreas, ou em rebanhos com alto número de animais. Por outro lado, o manejo químico é o mais utilizado e através de seus defensivos se mostra muito eficaz. Todavia, a possibilidade de gerar toxidez e produzir resíduos dos produtos tem feito com que os consumidores fiquem cada vez mais exigentes e, contrários, em relação ao seu uso.
Tipos de agentes
A pressão dos consumidores e, da população em geral, também se faz importante do ponto de vista ambiental, haja vista que o manejo incorreto de compostos químicos afeta toda a fauna e flora ao seu entorno. Caso clássico desse impacto negativo é a situação que afeta as abelhas, que correm risco de extinção pela utilização indiscriminada de agrotóxicos.
Patógenos: são os vírus, bactérias, protozoários, fungos e nematóides, que são microorganismos que vivem e alimentam (parasitam) em um organismo hospedeiro maior e, portanto, causa lesões a ele. Parasitóides: são os insetos e artrópodes, estes vivem dentro ou por fora e, eventualmente, matam um inseto hospedeiro maior. Predadores: que são invertebrados e vertebrados, são animais que se alimentam de outros animais (presas), estes podendo ser
Frente à todo esse contexto, instituições públicas de pesquisa e empresas privadas,
46
maior ou menor, mais forte ou mais fraca que ela própria.
A PROMIP é uma empresa de base tecnológica
Quem está atuando neste setor?
que reúne em
Diante ao alto índice de infestação de pragas, aliado a pressão da sociedade por metodologias de controle sustentáveis, diversas empresas tem atuado no setor de controle biológico enxergando um mercado promissor. Grande parte dessas empresas iniciam suas atividades de tamanho modesto, aliando inovação e tecnologia para construir um agronegócio mais sustentável, constituindo as chamadas “startups do agro”, ou melhor, as agtechs.
seu portfólio produtos biológicos e serviços especializados para a implementação de Programas de Manejo Integrado de Pragas . Foi fundada em junho de 2006, quando iniciou suas atividades ligada à ESALQTec, incubadora da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP) em Piracicaba/SP, onde permaneceu instalada por
dois anos. (Fonte: www.promip.agr.br)
Exemplos:
A Embrapa inCriada em 2001, a
veste em pesqui-
BUG é uma em-
sas de controle
presa
biológico
com
16
de
anos de mercado.
pragas desde os anos 80. Essas mais de três décadas
É pioneira no Brasil
dedicadas a estudos científicos resultaram num sólido
no uso de Controle Biológico para combater pragas
expertise que envolve cerca de 30 unidades de várias
agrícolas e líder mundial em inovação e tecnologia
regiões brasileiras e mais de 300 projetos de pesquisa.
em seu segmento. Seus produtos e serviços têm como
(Fonte:https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/
propósito garantir o melhor custo benefício e produti-
noticia/16154268/controle-biologico-ciencia-a-servico-
vidade ao produtor, não prejudicar o meio ambiente,
da-sustentabilidade)
além de cuidar e preservar a saúde da população.
Desafios
(Fonte: bugagentesbiologicos.com.br)
Apesar de o controle biológico ter mosA
é
trado ser uma alternativa altamente eficaz, o
empresa
setor, como todos os outros, enfrenta barrei-
Agribela
uma voltada
ao
ras para atingir seu máximo potencial.
agronegócio,
A confiança do produtor
mais especificamente ao manejo integrado de pragas agrícolas, com foco para o
Ainda há uma cultura enraizada de
biológico. A empresa trabalha com as mais
preferir a utilização de agroquímicos, além
diversas culturas agrícolas, aliando conhecimento,
de falta de capacitação dos agentes co-
tecnologia e eficiência para o controle sustentável
merciais para recomendação e uso dos bio-
de pragas, em busca de aumento de produtividade,
lógicos. A ação lenta dos microorganismos,
redução de custos e segurança alimentar para a população, através de uma agricultura social, eco-
muitas vezes pode causar desconfiança por
nômica e ambientalmente equilibrada.
parte dos agricultores quanto a sua efetivi-
(Fonte:http://www.aintec.com.br/wp-content/ uploads/2017/02/Portif%C3%B3lio-Agribela1.pdf)
dade.
47
Demanda insuficiente
nus) nas lavouras, para atuar como predador desses besouros.
A produção dos agentes de controle biológico precisa se desenvolver no Brasil para
Na Austrália, os sapos não comeram os
atender a demanda crescente, além de es-
besouros, mas sim, atacaram diversas outras
tabelecer normas específicas para a produ-
espécies da fauna local. Por conta de não
ção, fiscalização e qualidade.
haver predadores para os sapos na região, eles se proliferaram, se tornando “pragas”
A demanda sucessiva e a lentidão dos
em terras australianas.
processos de registro auxiliam a oferta de produtos não registrados de eficiência duvi-
Ao fim, o quê era para ser a solução,
dosa, gerando descrédito para o setor.
acabou se tornando em um grande problema.
Método de aplicação
Importância ambiental.
As diferentes circunstâncias de aplicação têm sido uma grande dificuldade para
Após o surgimento dos inseticidas, agro-
as empresas atuantes do setor. Por exemplo,
tóxicos e outros pesticidas, o sucesso no com-
a startup “agribela”, lançou no mercado bra-
bate aos insetos foi tão grande que declinou
sileiro o produto “biodrop”, que é uma cáp-
o número de pesquisas sobre o controle bio-
sula biodegradável para o transporte dos pa-
lógico. No entanto, com o passar do tempo,
rasitoides, que pode ser lançada no ambien-
constatou-se que o pesticida poderoso mais
te sem nenhum risco de deixar resíduos.
usado e, outros inseticidas, causam mais danos do que benefícios, não só aos meio am-
____________
biente como também ao homem.
Precauções:
O uso indiscriminado desses produtos
As técnicas biológicas de controle têm
causou mais problemas, tais como: resistên-
se mostrado muito eficazes, entretanto, deve
cia das pragas aos inseticidas, envenena-
haver precaução e acompanhamento de
mento dos rios e eliminação de insetos úteis e
um técnico ao iniciar esse tipo de tratamen-
inimigos naturais.
to.
Após isso, as pesquisas no ramo de con-
Essa precaução é importante, pois ao
trole biológico aumentaram e foram confir-
iniciar um técnica de controle biológico, é
madas vantagens desse manejo como: os
inserido uma espécie exótica no ambiente,
alimentos produzidos sem agrotóxicos são
que se realizado de forma inadequada, po-
mais saudáveis para os trabalhadores e con-
de causar desequilíbrio na fauna local. Con-
sumidores; a redução dos impactos ao meio
forme no caso abaixo:
ambiente garantindo a mesma produção e,
Na tentativa de combater o besouro-
favorecendo, a adubação do solo e o surgi-
da-cana, em 1935, na Austrália, foi inserido
mento de bioindicadores.
uma população de Sapo cururu (Bufo mari-
Se bem aplicado, a grande vantagem
48
do controle biológico é que possibilita de-
indexado (ALICE), 2006
sempenho equivalente ou superior ao con-
JORNAL DA USP. Uso de agrotóxicos po-
trole químico, gerando mínimo impacto am-
de levar à extinção de abelhas. Disponível
biental, ecológico e social.
em:<http://jornal.usp.br/atualidades/uso-de-
__________
agrotoxicos-pode-levar-a-extincao-deabelhas/> Acesso em: janeiro de 2018.
Os problemas em relação ao combate de agentes indesejáveis não estão 100% solu-
PORTAL DBO. Desafios para o uso do
cionados, os ambientais causados pelas ati-
controle biológico na agricultura. Disponível
vidades agrícolas muito menos. Entretanto, a
em:<http://www.portaldbo.com.br/Agro-
sociedade, instituições de pesquisas e em-
DBO/Noticias/Desafios-para-o-uso-do-
presas estão avançando em prol de produ-
controle-biologico-na-agricultura/15565>
ções cada vez mais eficientes, ao mesmo
Acesso em: Janeiro de 2018.
passo que preservam o ecossistema à qual
PORTAL DBO. Startup cria cápsula bio-
estão inseridas.
degradável para controle biológico. Disponí-
Nesse caminho, o controle biológico
vel em:<http://www.portaldbo.com.br/Agro-
não se apresenta como sendo a solução pa-
DBO/Noticias/Startup-cria-capsula-
ra tudo, longe disso. Todavia, o controle bio-
biodegradavel-para-controle-
lógico tem se mostrado como uma ótima fer-
biologico/21696> Acesso em: Janeiro de
ramenta em prol do desenvolvimento técni-
2018.
co-produtivo sustentável.
SCIENCE BLOGS. A praga da praga (ou
REFERÊNCIAS
controle biológico fractal). Disponível em:
CONTROLE biológico: ciência a serviço
<http://scienceblogs.com.br/rainha/2009/04/
da sustentabilidade. Disponível em: <https://
a_praga_da_praga_da_praga_ou_c/> Aces-
www.embrapa.br/tema-controle-biologico/
so em: Fevereiro de 2018.
sobre-o-tema>. Acesso em: Janeiro de 2018
TERRA. Controle biológico traz reconhecimento mundial a brasileiros. Disponível
CONTROLE BIOLÓGICO: USP ESTUDA
NOVOS
MÉTODOS.
2015.
Disponivel
em:<https://www.terra.com.br/economia/
em:
<https://www.greenme.com.br/informar-se/
brasil-rural/controle-biologico-traz-
agricultura/1287-controle-biologico-usp-
reconhecimento-mundial-a-
estuda-novos-metodos>. Acesso em: Janeiro
brasilei-
de 2018
ros,e3bdf9b79376f310VgnVCM5000009ccceb 0aRCRD.html> Acesso em: Janeiro de 2018.
DE MEDEIROS, Maria Alice; VILELA, Nirlene J.; FRANÇA, Félix Humberto. Eficiência técnica e econômica do controle biológico da traça-do-tomateiro em ambiente protegi-
do. Embrapa Hortaliças-Artigo em periódico
49
Autor: Régner Ítalo
Q
uando as pragas domésticas
Em uma compreensão clássica, a sus-
invadem um ambiente familiar,
tentabilidade pressupõe ações em três pila-
tais como os ratos, baratas, formigas, e até
res: o meio ambiente, a economia e a soci-
mesmo pulgas, a solução é imediata: exter-
edade. A união destes três elementos supor-
mínio! Armadas de inseticidas, aerossóis, ra-
ta um negócio sustentável. Porém, quando
toeiras e até mesmo dos chinelos, as pesso-
um desses princípios é abalado, a sustenta-
as se empenham para combater essas pra-
bilidade fica comprometida. E quando a
gas. Mas, quando se trata de lidar com ani-
sustentabilidade de uma propriedade rural
mais maiores e, principalmente com mamí-
é comprometida, se rompe com a missão
feros, o extermínio parece não ser é uma
fundametnal do setor agropecuário que é
solução apropriada. E quando o assunto se
fornecer alimentos seguros de acordo com
refere à animais silvestres, a questão torna-
o
se muito mais complexa. Entretanto, graças
(DIAS, 2016)
a proteção pela lei, e ao aumento da cons-
constante
crescimento
populacional.
A capivara (Hydrochaeris hydrochae-
ciência ecológica da população, a situa-
ris), espécie única da família dos Hidroquerí-
ção do crescimento populacional de algu-
deos, mesma ordem dos roedores, é um
mas espécies se inverteu e, passamos a
mamífero semiaquático da fauna silvestre
conviver com a proliferação de algumas
brasileira, que é encontrado por toda a
delas de forma excessiva, trazendo proble-
América Tropical. Apresenta um comporta-
mas para muitos agricultores e, se tornando
mento marcante, com padrões sociais rígi-
uma ameaça para a produção agropecuá-
dos, incluindo a dominância dos machos.
ria do país. Esse é o caso da população de
Os grupos são normalmente formados pelo
capivaras.
macho α dominante, e os submissos β, as fêmeas reprodutivas e os jovens filhotes. (SILVA, 2013) Como todo animal silvestre, a capivara é protegida pela lei 8.767 de 1967, quando já se determinava que toda a fauna silvestre constitui propriedade do Estado. No entanto, foi só a partir de 1988 que as penas se tornaram mais pesadas - matar um ani-
mal silvestre passou a ser crime sem direito a
50
fiança. E, em 1998, a lei sofreu uma nova mudança, que vigora até hoje, deixando de ser crime inafiançável, mas podendo resultar em cadeia e multa pesada.
proliferação de ectoparasitos e a conse-
Graças as leis de proteção, várias espécies antes ameaçadas, registraram boa recuperação. No caso das capivaras, hoje é comum serem avistados grupos numerosos, principalmente no centro sul do país.
uma propriedade, a princípio, esse fato não
quente disseminação de zoonoses. Uma vez que um casal se instala em representa prejuízos, mas com o passar do tempo e a rápida reprodução desses animais, esse casal pode se tornar um grande grupo. As capivaras podem perfurar silos es-
De acordo com Luciano Martins Verdade, em entrevista, pode-se observar uma política muito conservadora, que trata toda e qualquer espécie da fauna como espécie em risco de ameaça e que merece proteção. Apesar disso, as necessidades de intervenção no mundo real transcendem esse tipo de visão.
tragando a qualidade do alimento armazenado por causa da penetração de ar, po-
dem destruir plantações inteiras e, até mesmo comer do mesmo cocho dos animais domésticos, sendo assim, uma ameaça à eficiência na produção vegetal e animal. Além disso, provocam uma rápida degradação
Graças a expansão da área urbana, nas últimas décadas, e ao fato de que a mata nativa para a formação de pasto ou lavoura foi derrubada, ocorreu o aumento das populações de capivara por conta da ausência de predadores naturais e de seus hábitos alimentares bastante diversificados. Essa característica facilitou a rápida adaptação da espécie em vários ambientes, até mesmo nos urbanos. Nesse novo modelo de vida, com comida e sem predadores, elas estão se multiplicando gradualmente. E, se no passado a expansão da agricultura foi a principal ameaça as capivaras, hoje é justamente a agricultura que mais sofre com a sua proliferação.
do pasto, por conta do seu hábito de pastejo seletivo, consumindo principalmente a rebrota. (SILVA, 2013) Em algumas partes do Estado de São Paulo, a ocorrência de Febre Maculosa Brasileira (FMB) está fortemente ligada a presença de capivaras, por serem consideradas hospedeiros
amplificadores
de
Rickettsia
rickettsii, agente etiológico da doença na natureza, por conta de serem hospedeiros primários dos carrapatos das espécies Amblyomma sculptum e Amblyomma dubita-
tum, vetores da R. rickettsii, que são abun-
Talvez você esteja se perguntando: “Como a capivara pode comprometer a sustentabilidade de uma fazenda?
dantes nas áreas endêmicas de FMB e são suscetíveis ao agente etiológico, sendo, portanto, fonte de infecção. (RESOLUÇÃO CONJUNTA SMS/SES N°01, DE 1° DE JULHO DE 2016,
Em vários estados do Brasil, há relatos
2016).
de agricultores, mostrando que os grupos de capivaras se instalaram em suas proprieda-
É preciso ressaltar que um dos fatos
des, causando danos agrícolas, além de ris-
que explicam a ocorrência desses animais
cos a saúde pública e de seus animais pela
causando prejuízos, é a probabilidade dos produtores terem plantado, em suas
51
Danos causados por capivaras em plantação de arroz. propriedades, em beiras de rios e lagos que são áreas de preservação permanente. Entretanto, há casos de proprietários que possuem essas áreas em bom estado de conservação e, mesmo assim, apresentam problema com as capivaras invadindo outras áreas.
FAU – Módulo Manejo in situ”, disponível em: http://www.isigam.ambiente.sp.gov.br/ s i g a m 3 / Re p o si t o r i o / 4 4 8 / D o c u m e n t o s / Manual%20manejo%20in%20situ.pdf Neste manual constam todos os de-
mais documentos e as informações que o interessado deverá providenciar.
Quais medidas podem ser tomadas?
Entretanto, são raros os agricultores que conseguem auxílio do IBAMA para a re-
De acordo com o Departamento de
tirada desses animais e, quando isso ocorre,
Fauna - Centro de Manejo de Fauna Silves-
a retirada não é total, ficando os machos
tre, para a realização do melhor diagnóstico
satélite, que garantirão que outros grupos
do problema enfrentado pelas propriedades
não se alojem e não causem mais danos.
rurais, é recomendável que um profissional
habilitado (biólogo, médico veterinário, zoo-
Por outro lado, quando se trata de Fe-
tecnista) avalie se nessa situação há reco-
bre Maculosa Brasileira (FMB), “em áreas
mendação de alguma ação de manejo dos
agrícolas as quais não tenham sido caracte-
animais. Se necessário o manejo, esse profis-
rizadas como Área de Risco à saúde huma-
sional poderá ingressar com um pedido de
na, o interessado poderá providenciar laudo
autorização no Sistema Integrado de Gestão
dos danos causados pela presença das ca-
de Fauna Silvestre – GEFAU, por meio de ela-
pivaras para subsidiar o requerimento de au-
boração de projeto técnico com justificativa
torização para manejo da espécie, junto à
bem embasada, seguindo as orientações
Secretaria de Estado do Meio Ambiente de
constantes no “Manual de Operações GE-
São Paulo - SMA. Independente da
52
confirmação da circulação da bactéria
ESTADO DE SÃO PAULO. RESOLUÇÃO CONJUNTA n. Nº 01, de 04 de fev. de 2018. RESOLUÇÃO CONJUNTA SMA/SES Nº 01, DE 1° DE JULHO DE 2016. Dispõe sobre a aprovação das ?Diretrizes técnicas para a vigilância e controle da Febre Maculosa Brasileira no Estado de São Paulo - classificação de áreas e medidas preconizadas?, e dá outras provi-
Rickettsia rickettsii, em todas as áreas infestadas por carrapatos, medidas de manejo ambiental deverão ser adotadas prioritariamente para o controle de carrapatos, seguindo as recomendações do Manual de Vigilância Acarológica publicado pela Superintendên-
dências. . ESTADO DE SÃO PAULO, p. 1-22, jul. 2016. Disponível em: <http:// arquivos.ambiente.sp.gov.br/ legislacao/2016/12/RESOLU%C3%87%C3%83O -CONJUNTA-SMA-SES-01-2016.pdf>. Acesso em: 31 jan. 2018.
cia de Controle de Endemias – SUCEN”. . (RESOLUÇÃO CONJUNTA SMS/SES N°01, DE 1° DE JULHO DE 2016, 2016)
Então, como dito por Luciano Martins Verdade, em entrevista, o panorama dessa realidade é mais complexo do que a atual
SILVA, Elias. A capivara: uma ampla revisão sobre este animal tão importante. UNIVERSIDADE DE VIÇOSA - UFV. Disponivel em: <http://ciflorestas.com.br/arquivos/ d_d_d_10906.pdf>. Acesso em: janeiro de 2018.
legislação brasileira faz crer, e encarar essa diversidade também pode fazer parte da atividade de pesquisa, para que sejam percebidos e resolvidos os problemas que requerem intervenção humana no que atinge a fauna silvestre. Recomenda-se que, em to-
Imagem 1 - http://animais.culturamix.com/ informacoes/mamiferos/medios/capivarasno-pantanal
dos os casos, seja consultado o IBAMA ou a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, antes de que qualquer outra providência seja tomada.
Imagem 2 - https://www.epochtimes.com.br/ ambientalismo-ameaca-saude-brasileirosfauna-flora-cultivos-cultura/#.WnnRsiXwbIU
ditec.sp@ibama.gov.br fauna.sma@sp.gov.br
Imagem 3 - https:// www.portalveneza.com.br/prisaoagricultores-expoe-conflito-entre-produtoresaumento-populacao-capivaras/
REFERÊNCIAS
DIAS, Cleandro Pazinato. Sustentabilidade na produção animal. Revista de Ciência Veterinária e Saúde Pública, v. 3, p. 333-336, 2016.
53
Autores: Guilherme Ferigato e Mariana Fantini
A
tualmente, a humanidade en-
voura-Pecuária-Floresta (iLPF), com inumeras
frenta desafios cada vez maio-
possibilidades de combinações entre com-
res para produzir alimentos, fibras, energia,
ponentes agrícolas, pecuária e florestal, nos
produtos madeireiros e não madeireiros de
apresentando diversas modalidades como:
uma forma compatível com os recursos naturais disponíveis. Em 1992, Den Bosch, declarou que “A Agricultura Sustentável é o manejo e conservação dos recursos naturais e a orientação de mudanças tecnológicas e institucionais que assegurem a satisfação das necessidades humanas para a presente e as futuras gerações. É uma agricultura que conserva o solo, a água e os recursos genéticos animais, vegetais e microrganismos, não degrada o meio ambiente; é tecnicamente apropriada, economicamente viável e socialmente aceitável”. Nesse sentido, a agropecuária sustentável tem que ser compatível com a maximização da produção e
Na estratégia de ILPF, pode ocorrer um
a sua qualidade e conservação dos recur-
consórcio de uma cultura anual com uma
sos naturais. (BALBINO et al, 2012)
espécie forrageira até que, após a colheita
Para atender essa demanda surgi-
da cultura anual, a forrageira predomine e
ram estratégias tais como o Sistema de
o uso da terra passe a ser pastoril e não mais
Plantio Direto (SPD), que traz o conceito de
agrícola. Nessa fase, o sistema muda de sta-
rotatividade de cultura e a mínima manu-
tus e passa a ser uma sucessão, voltando ao
tenção do solo, ou o sistema Integração La-
sistema agropastoril (ou ILP). Há ainda o cul-
voura-Pecuária (iLP) , que proporciona be-
tivo consorciado com a semeadura defasa-
nefícios à lavoura e à pecuária, reduzindo
da, que é o caso das espécies forrageiras
as causas de degradação física, química e
semeadas tardiamente, como, por exem-
biológica do solo. Com a introdução de
plo, na cultura da soja. Em sistemas mais
componentes florestais nesse sistema, ampli-
complexos, com a presença de árvores, po-
ou-se o seu conceito para Integração La-
de ocorrer consórcio de uma cultura anual
54
com árvores. Nessa fase, o sistema será silvia-
de produtividade, ocorrência de pragas e
grícola (ou ILF). Após a colheita da cultura
doenças, e degradação do solo e dos recur-
anual e o início do pastejo, o sistema será
sos naturais. Com o aumento da demanda
silvipastoril (ou IPF). A partir dessa dinâmica,
por alimentos e a evolução tecnológica na
no mesmo ano agrícola ou na dimensão
produção, a atividade agrícola moderna
temporal predeterminada, configura-se o
passou a se caracterizar por sistemas padro-
agrossilvipastoril (ou ILPF). As árvores não es-
nizados e simplificados de monocultura, indu-
tarão em sucessão nem em rotação com as
zidos pelo manejo mecanizado e, na maioria
lavouras e/ou pastagens, mas sim em con-
dos casos, a utilização de boas práticas
sórcio com elas. (Embrapa, 2015)
agronômicas não é verificada de forma
completa, o que resulta em degradação na
Antes do surgimento do conceito de
qualidade dos solos e se reflete em baixa
“Agricultura Sustentável”, em 1960 agriculto-
produtividade e elevada erosão (Balbino,
res e pecuaristas começaram a consorciar
2001).
arroz de sequeiro e pastos de Braquiária (ILP)
Conway (1987) acredita que, um
para obter melhor eficiência da terra. Em
agroecossistema sustentável busca a produ-
1980 se iniciou a recuperação de pastagens
tividade, estabilidade, sustentabilidade, resili-
através de uma rotação anual entre gado e
ência e invulnerabilidade. A integração La-
lavoura, e por fim, em meados de 2000 foi
voura-Pecuária-Floresta
implantado pela primeira vez o sistema de
envolve
sistemas
produtivos diversificados, de origem vegetal
integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF),
e animal, realizadas para otimizar ciclos bio-
com auxilio da Embrapa, na fazenda Santa
lógicos das plantas e dos animais, bem co-
Brígida (GO).
mo dos insumos e seus respectivos resíduos.
Aidar & Kluthcouski (2003) alertam
Ainda, pode contribuir para a recuperação
que, entre os principais problemas da pecu-
de áreas degradadas, manutenção e re-
ária brasileira, estão a degradação das pas-
constituição da cobertura florestal, promo-
tagens e dos solos; o manejo animal inade-
ção e geração de emprego e renda, melho-
quado; a baixa reposição de nutrientes no
ria das condições sociais, adequação da
solo; e os baixos investimentos tecnológicos.
unidade produtiva à legislação ambiental e
Essas restrições trazem conseqüências nega-
valorização de serviços ambientais ofereci-
tivas para a sustentabilidade da pecuária,
dos pelos agroecossistemas, que são eles:
tais como: baixa oferta de forragens, baixos
•
índices zootécnicos e baixa produtividade
Conservação dos recursos hídricos e
edáficos;
de carne e leite por hectare, além de reduzi-
•
do retorno econômico.
Abrigo para os agentes polinizadores
e de controle natural de insetos-pragas e
Com relação à agricultura, segundo
doenças;
Macedo (2009), o monocultivo e as práticas
culturais inadequadas têm causado perda
55
•
Fixação de carbono;
•
Redução da emissão de gases de
•
efeito estufa;
meta estipulada pelo Plano de Agricultura
•
Reciclagem de nutrientes;
de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC)
•
Biorremediação do solo;
em 2009 que era aumentar em 4 milhões de
(BALBINO et al., 2012)
hectares a área com ILFP em todo o país até 2020. Entre 2010 e 2015 o incremento de 5,96
O Sistema iLPF é uma estratégia de
milhões de hectares foi responsável pelo se-
produção sustentável que aparece como
questro de 21,8 milhões de toneladas de
opção para o setor produtivo agropecuário
CO2eq.
(ILPF
Embrapa,
2018)
brasileiro que está sendo adotada, nas suas diferentes modalidades e diferentes níveis de
intensidades nos biomas brasileiros. Pesquisa realizada na safra de
2015/2016 pelo
Keffmann Group, que é o provedor líder de serviços de pesquisa de mercado no setor agrícola, à pedido da Rede de Fomento ILPF estimou que o Brasil conta com 11.468.124 ha com sistemas integrados de produção agropecuária (iLPF Embrapa, 2017)Mato Grosso do sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul pos-
suem as maiores áreas com ILPF. O estado
O Plano ABC, foi estruturado pelo Brasil
da região sul lidera o percentual da área
para reduzir a emissão de gases de efeito
agricultável utilizado com algum sistema inte-
estufa
grado (ILPF Embrapa, 2018)
(GEE)
na
agricultura,
que
foi oficialmente denominado "Plano Setorial
Em dez anos, a área ocupada pela
de Mitigação e de Adaptação às Mudanças
estratégia de sistema sustentável aumentou
Climáticas para a Consolidação de uma
em quase 10 milhões de hectares como po-
Economia de Baixa Emissão de Carbono na
demos ver no gráfico a seguir, onde mostra a
Agricultura", que é um dos planos setoriais
evolução de 2005 até 2015. Isso se deve a
56
Política Nacional sobre Mudança do
utilização dos recursos e da terra, pois diversi-
Clima (PNMC) como parte da estratégia do
ficam, suplementam e/ou ampliam receitas,
Estado Brasileiro na mitigação da emissão de
com promoção da diminuição dos riscos, so-
GEE e no combate ao aquecimento global.
cialmente justos, podem ser aplicados em
Está estruturado em sete Programas: Recu-
qualquer tamanho de propriedade, geram
peração de Pastagens Degradadas;
empregos diretos e indiretos, aumentam e
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta
distribuem melhor a renda, aumentam a
(iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs); Sistema
competitividade do agronegócio brasileiro e
Plantio Direto (SPD); Fixação Biológica do Ni-
contribuem para a segurança alimentar e
trogênio (FBN); Florestas Plantadas; Trata-
de abastecimento do País. Por fim e não me-
mento de Dejetos Animais; Adaptação a
nos importante são ambientalmente respon-
Mudanças Climáticas;.
sáveis, priorizando a utilização de práticas
Para atingir esses objetivos foi criada
conservacionistas e de uso mais eficiente da
uma linha de crédito com um montante de
terra.
R$ 4,5 bilhões com juros de 4,5 a 5,0% a.a,
REFERÊNCIA
para financiar práticas adequadas, tecnolo-
BALBINO, Luis Carlos. International plant nutri-
gias adaptadas e sistemas produtivos eficien-
tion institute: Agricultura sustentável por meio
tes que se enquadrem nestes programas
da integração lavoura-pecuária-floresta
(Embrapa).
(iLPF). 138 ed. Piracicaba - SP: Informações
Considerando um intervalo de sete
Agronômicas, 2012.
anos, o saldo gerado pelo sistema de produção integrado em detrimento aos sistemas
MACEDO,M.C.M. Integração lavoura e pe-
de produção convencionais é promissor,
cuária: o estado da arte e inovação tecno-
conseguindo atingir dados representativos:
lógicas. Revista Brasileira de Zootecnia,
uma área seis vezes menor, um consumo de
v.38,p.133-146,2009;
energia 60% menor, com 55% menos liberação de gases do efeito estufa, 20% menos
CONWAY, G.R. tHE PROPERTIES OF AGROE-
consumo de água gerando 58% menos resí-
COSYSTEMS. Agricultural systems, Essex, v,24,
duos sólidos além do custo de produção se
n. 2, p.95-117, 1987;
reduzir em 54%, para produzir a mesma quantidade de produtos (COSTA, 2015).
EMBRAPA. ILPF - integração lavoura-
Tendo em mãos recursos, terras e co-
pecuária-floresta. Disponível em: <https://
nhecimento é possível apostar nos remodela-
www.embrapa.br/web/rede-ilpf/home>.
dos meios de produção, uma vez que são
Acesso em: 17 jan. 2018.
tecnicamente eficientes, reduzem a emissão dos gases que provocam os GEEs e permi-
Embrapa. (2015). Integração Lavoura - Pecu-
tem o aumento de produtividade na mesma
ária - Floresta: o produtor pergunta, a
área, economicamente viáveis, melhoram a
57
Embrapa responde. Brasília, Distrito Federal, Brasil: Embrapa Informação Tecnológica.
COSTA, Marcela Porto. Socio-eco-efficiency
Embrapa. (s.d.). Agricultura de baixa emis-
of integrated and non-integrated systems of
são de carbono - Perguntas e respostas.
crop, forestry and livestock in the Ipameri
Acesso em 18 de Janeiro de 2018, disponível
city, at brazilian Cerrado. 2015. 192 f. Disserta-
em Agricultura de baixa emissão de carbo-
ção (mestrado) Universidade Estadual Paulis-
no: https://www.embrapa.br/tema-
ta Júlio de Mesquita Filho, Instituto de Ciên-
agricultura-de-baixo-carbono/perguntas-e-
cia e Tecnologia de Sorocaba, 2015. Disponí-
respostas
vel em: <http://
BALBINOI, L. C. et al. Evolução tecnológica e
hdl.handle.net/11449/132105>.
arranjos produtivos de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta no brasil. Pesquisa agropecuária brasileira, Brasília, v. 46, n. 10 , Out. 2011;
58
Q
Autores: Matheus Napolitano e Laura Barbosa Ferreira
ual a real importância do alimento em nossas vidas? Você
já parou para refletir que o seu papel transcende a função nutricional? O alimento é uma fonte de prazer, é uma ferramenta so-
cial, cultural e histórica da humanidade. Tamanha importância do alimento faz com que muitas pessoas se preocupem com a
transformando dia após dia. Em contraparti-
qualidade dos ingredientes que colocam
da à essas mudanças, a pecuária orgânica
em suas mesas. Diante de um cenário de
visa retomar a produção de alimentos em
crescente busca por alimentação de quali-
sua essência, defendendo uma alimenta-
dade, os produtos orgânicos desempenham
ção mais pura e, dentre as diversas variáveis
um forte papel em prol da produção e ali-
que a compõem, estão presentes a não uti-
mentação saudável.
lização de agentes químicos, de OGMs e a
preocupação com o bem-estar animal. Al-
Grande parte da produção orgâni-
meja-se assim, beneficiar todo o sistema
ca é de origem vegetal, todavia, alimentos
produtivo indissociavelmente, atingindo su-
de origem animal também são parte funda-
cesso nos três pilares da sustentabilidade: o
mental no cardápio dos adeptos da alimentação
orgânica.
ambiental, o econômico e o social. Forne-
Consequentemente,
cendo alimentos de alta qualidade, benefi-
acompanhando essa demanda por produ-
ciando a saúde dos consumidores, prote-
tos de origem animal, a pecuária orgânica
gendo o ecossistema e, sendo rentável eco-
vem crescendo bastante na produção de
nomicamente para todos os agentes envol-
alimentos brasileira.
vidos na cadeia produtiva.
Na pecuária, ao longo do processo
________
de desenvolvimento técnico-produtivo fo-
Como identificar um alimento orgânico?
ram sendo criados produtos e técnicas para melhorar a qualidade e produtividade das
Para que um produto seja comerci-
criações. Essa forte expansão tecnológica,
alizado com a identificação de orgânico,
com a incorporação de defensivos e adu-
ele deve possuir certificação de alguma ins-
bos químicos, antibióticos, organismos gene-
tituição certificadora autorizada pelo
ticamente modificados (OGMs), entre ou-
tros, fizeram com que a produção venha se
59
Ministério da Agricultura, Pecuária e
auxiliando no desenvolvimento de padrões
Abastecimento (MAPA) apto para este fim.
sustentáveis de produção e fomento ao Co-
Para que a propriedade e, consequente-
mércio Justo.
mente os produtos, estejam aptos para ob-
O IBD tem como filosofia o compro-
terem o “selo orgânico”, devem ser cumpri-
misso com a Terra e com o Homem, assegu-
dos vários requisitos regulamentados pela Lei
rando o respeito ao meio ambiente, boas
nº 10.831 (23 de dezembro de 2003), pelo
condições de trabalho e produtos altamen-
Decreto nº 6.323 (27 de dezembro de 2007)
te confiáveis (Fonte: ibd.com.br)
e, ainda, pela Instrução Normativa nº 64 (18
Observação: Além da certificação mencio-
de dezembro de 2008), que aprova o Regu-
nada acima, que é considerada certifica-
lamento Técnico para os Sistemas Orgânicos
ção por auditoria, também há modos de
de Produção Animal e Vegetal.
certificações alternativas, como por exem-
As certificadoras credenciadas pelo
plo, o “Sistema participativo de garantia” e
MAPA realizam auditorias nas propriedades
“Controle social na venda direta”.
e asseguram que os produtos, serviços e pro-
_______
cessos certificados cumprem os requisitos
Características da produção
estabelecidos para a produção orgânica.
A visão sistemática é
Certificadoras:
chave para o sucesso na pro-
A Associação de Agri-
dução de orgânicos, com o
cultura Orgânica cita como
homem sendo peça chave
organismos credenciados pe-
neste processo. A pecuária se insere nesse
lo Ministério da Agricultura Pe-
contexto, em sinergia com o cultivo agrícola
cuária e Abastecimento, que
(orgânico), com o meio ambiente (fauna e
atuam na área de avaliação
flora) e, com a saúde de seus consumidores
da conformidade orgânica por auditoria a TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná),
Uma das mais importantes carac-
ECOCERT Brasil Certificado Ltda, IMO CON-
terísticas para a produção de orgânicos é o
TROL (Instituto de Mercado Ecológico), INT
respeito aos animais, sendo o bem-estar ani-
(Instituto Nacional de Tecnologia), Instituto
mal trabalhado a todo momento nas cria-
Chão Vivo de Avaliação da Conformidade,
ções, como por exemplo, o maior espaço
OIA (Organização Internacional Agropecuá-
disponibilizado nas criações, a não utilização
ria) e o IBD Certificações Ltda. (AAO; s.d.)
de antibióticos sintéticos ou hormônios artificiais, possibilitando assim menor estresse e
O IBD, por exemplo, está localizado
maior conforto.
em Botucatu/SP (Brasil), desde sua fundação, vem atuando em todos os Estados bra-
Não é permitido utilizar antibióti-
sileiros, bem como, em mais de 20 países,
cos e alguns métodos convencionais de tratamento, em caso de enfermidades. Os
60
animais criados no sistema orgânico podem
•
ser tratados com homeopáticos e produtos
Os animais devem estar presentes em sistema de bem-estar animal.
fitoterápicos. A vacinação é obrigatória, além das vacinas impostas pela lei é aconselhado que haja a vacinação contra as doenças mais comuns na região (DAROLT, s.d.) Outro fator importante é a preservação da biodiversidade, com alto enfoque em técnicas de conservação do solo e, ausência de agrotóxicos e compostos quími-
cos. Assim sendo, as produções visam preser-
Ainda há grande confusão entre boi
var espécies de pássaros, insetos e animais
verde e boi orgânico, porém os conceitos
que podem ser afetados negativamente pe-
não são sinônimos. O primeiro também é
la atividade humana.
constituinte do sistema agroecológico e se refere aos animais criados à pasto, entretan-
____
to, utilizam-se adubos sintéticos solúveis, me-
Bovinocultura (leite e corte) •
dicamento alopáticos e antibióticos em sua
O pasto não pode receber
criação que não são utilizados para o boi
adubação química e controle
orgânico.
por agrotóxicos. •
Piscicultura
Não se pode utilizar antibióticos. Os ani-
•
mais devem ser tratados com homeo-
ral.
páticos e fitoterápicos. •
•
Ingredientes utilizados na ração (Ex: Mi-
•
Avicultura
Densidade máxima de 10 aves/m².
A água deve ser livre de poluentes e contaminantes.
lho; Soja) não podem ser transgênicos.
•
Utilização de ração orgânica ou natu-
Ausência de terapêuticos sintéticos. Apicultura
•
•
Acesso à piquetes, podendo ciscar,
Área orgânica no raio de 3 km das colmeias.
•
empoleirar, e expressar suas característi- • cas
•
naturais.
A alimentação artificial somente pode ser realizada caso não haja alimento natural.
•
Ração orgânica, sem ingredientes de origem
•
animal.
•
Ausência da utilização de antibióticos
•
Métodos de extração e processamento específico.
•
Colmeias devem ser construídas com materiais naturais.
61
•
Ausência de aeradores na água.
Sustentabilidade sistêmica.
•
Ausência de adubação química, so-
A sustentabilidade além do papel
mente orgânica.
ambiental, também engloba as vertentes social e econômica. Diante isso, umas das importantes características da produção orgânica é a preocupação socioeconômica. Uma das exigências para a certificação é que todos os funcionários das propriedades
____________________________________
orgânicos estejam devidamente registrados
Papel ambiental da pecuária orgânica
e cumprindo as normas da CLT e, que os fi-
As atividades orgânicas atuam forte-
lhos desses funcionários estejam devidamen-
mente na preservação das espécies nativas
te matriculados em escolas. Caso esses re-
(vegetais e animais) do ambiente no qual as
quisitos não sejam cumpridos, a propriedade
produções estão inseridas.
não está apta à receber à certificação.
•
•
•
Proibição de agrotóxicos e
Do ponto de vista econômico, a lu-
adubos químicos.
cratividade é, obviamente, importantíssima
Não utilização de fontes
para o desenvolvimento da produção e
de nitrogênio não proteico.
qualidade de vida dos agentes atuantes no setor. Apesar de, em “alguns” casos, a pro-
Proibição do uso de organismos geneti-
dução orgânica não atingir quantitativa-
camente modificados. •
mente os índices produtivos de uma produ-
Preservação contra queimadas.
ção convencional, o valor agregado nos
Tais preocupações ambientais ge-
produtos, possibilita alta eficácia econômica
ram literalmente bons frutos, como, atender
das atividades. Mesmo existindo várias pro-
o desejo do mercado externo por consumir
duções orgânicas em atividade no Brasil, se-
produtos advindo dessas propriedades.
gundo o SEBRAE, atualmente as criações orgânicas não conseguem atender toda a de-
As propriedades que se encaixam
manda do mercado, o que evidencia que,
no sistema orgânico devem cumprir as exi-
há um longo caminho a ser trilhado e que
gências da legislação ambiental aplicada as
são muitas as oportunidades que se abrem
propriedades “convencionais”. Além disso,
para pesquisadores e para investidores.
as orgânicas também devem proteger todas
Principais desafios
as nascentes e corpos d’água, e não realizar manejo de fogo nas pastagens, visando as-
Atualmente o principal desafio desse
sim proteger o ambiente e o ecossistema ali
mercado, por conta da baixa divulgação,
presente.
ainda é a falta de conhecimento da população sobre a qualidade dos produtos.
62
REFERÊNCIAS
Para isso, uma das prioridades do setor é esclarecer aos consumidores sobre as ca-
ASSOCIAÇÃO DE AGRICULTURA ORGÂNICA.
racterísticas que os compõem e quais são as
Certificadoras credenciadas. Disponível em:
vantagens dos produtos orgânicos compara-
<http://aao.org.br/aao/certificadoras-
do aos convencionais.
credenciadas.php> Acesso em: janniero de 2018.
Há, também, grandes dificuldades em se tratando da estruturação da cadeia
DAROLT, M. R. Pecuária Orgânica: Procedi-
produtiva. Por ser um mercado recentemen-
mentos Básicos Para o Bom Manejo da Cria-
te explorado, ainda há algumas lacunas na
ção. Disponível em: <http://
estrutura industrial e comercial dos orgâni-
www.bovinos.ufc.br/pecorganica.htm>
cos.
Acesso: jeneiro de 2018. Da porteira para dentro, o grande
FÁVARO, T. Apicultura orgânica é viável em
entrave é o de conseguir ingredientes, como
áreas agrícolas. Disponível em: <http://
milho e soja (orgânicos) para a composição
www.sebrae-sc.com.br/leis/default.asp?
de rações.
vcdtexto=4690> Acesso em: janeiro de 2018. ______________
MELLO, M. A. M. M.; AMBROSANO, E. J. Piscicultura orgânica. Disponível em: <http://
Os próximos passos
www.aptaregional.sp.gov.br/acesse-os-
A pecuária orgânica tem se mostra-
artigos-pesquisa-e-tecnologia/edicao-
do como forte aliada da produção animal
2007/2007-janeiro-junho/500-piscicultura-
sustentável, respeitando e cuidando do
organica/file.html> Acesso em: janeiro de
ecossistema no qual a produção está inseri-
2018.
da, colaborando com a saúde dos consumidores ao fornecer produtos de alta qualida-
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
de e pureza e, contribuindo com o desenvol-
ABASTECIMENTO. Os Sistemas Orgânicos de
vimento socioeconômico.
Produção têm por Finalidade. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/assuntos/
Embora não seja possível falar em
sustentabilidade/organicos/o-que-sao-
uma produção 100% orgânica, pois é prová-
organicos> Acesso em: janeiro de 2018.
vel que isso nunca aconteça, não há dúvida de que esses alimentos estão cada vez mais
RODRIGUES, Heloisa de Almeida Fernandes.
presentes nos cardápios dos consumidores.
“Alimentação como fonte de sociabilidade
Visualizando essa promissora demanda, no-
e de hospitalidade”. In: SINAIS - Revista Eletrô-
vos produtores, profissionais, empresas e in-
nica. Ciências Sociais. Vitória: CCHN, UFES,
dústrias estão investindo no mundo do orgâ-
Edição n.12, v.1. dezembro 2012. pp. 85 –
nicos, na esperança de uma produção me-
100.
lhor, do ponto de vista da articulação entre os benefícios financeiros e ambientais.
63
SEBRAE. A pecuária orgânica ganha espaço
WWF. Fazendas de pecuária orgânica terão
no Brasil. Disponível em: <http://
diagnóstico de sustentabilidade. Disponível
www.sebraemercados.com.br/a-pecuaria-
em: <https://www.wwf.org.br/informacoes/
organica-ganha-mercado-no-brasil/> Acesso
sala_de_imprensa/?25440/Fazendas-de-
em: janeiro de 2018.
pecuria-orgnica-tero-diagnstico-desustentabilidade> Acesso em: janeiro de 2018.
SOARES, J. P. G.; NEVES, D. L.; CARVALHO, J. M de. Produção de carne bovina em sistema orgânico. Disponível em: <https:// www.alice.cnptia.embrapa.br/bitstream/ doc/1002261/1/34242.pdf> Acesso em: janeiro
de 2018.
64
Autor: Bruna Maganhe
V
Oceania, 29% da Europa, 24% da América
ocê provavelmente já se depa-
Central e Ásia, e 11% da América do Sul de-
rou com algum produto na pra-
monstram preferência por produtos que de-
teleira do supermercado que continha al-
monstrem responsabilidade socioambiental.
gum tipo de selo diferenciado, mas afinal, você conhece o real significado destes selos
Os selos normalmente decorrem de
e, qual a importância deles no cenário pro-
um processo de certificação, que pode ser
dutivo?
atrelado a diversos aspectos, desde uma garantia de qualidade, até aos selos que ates-
Com a crescente necessidade de se
tam a responsabilidade socioambiental do
adequar às demandas de um público cada
processo produtivo. Um dos exemplos mais
vez mais exigente e consciente, empresas e
comuns de certificação é aquela referente à
indústrias vêm sofrendo uma pressão positiva
produção orgânica: para que um produto
para que passem a oferecer produtos que remetam à
seja vendido como orgânico, por exemplo,
responsabilidade socioambien-
ele deve passar pela avaliação de uma cer-
tal. Para saber diferenciar e escolher consci-
tificadora que levará em conta, além da
entemente os produtos na hora de comprar,
procedência da matéria prima, a legislação
vale saber um pouco mais sobre os chama-
ambiental e trabalhista.
dos ‘selos ecológicos’ e instituições que lhes asseguram.
Estes processos certificadores seguem instrumentos regulatórios estabelecidos por
Além de enaltecer a imagem das em-
entidades ou governos e visam informar à
presas que comercializam produtos com al-
sociedade se aquele produto ou sistema pro-
gum tipo de certificação, a aceitação por
dutivo atende os requisitos instituídos para
produtos certificados – mesmo que com pre-
que sejam considerados política e ambien-
ço de compra superior – é cada vez maior
talmente adequados. No Brasil, são levados
no Brasil e no mundo. Esse fato pode ser per-
em consideração os pareceres da Lei nº
cebido no aumento do interesse por produ-
6938/81 (Lei do Meio Ambiente), Código Flo-
tos orgânicos com selos ecológicos. Por
restal, e outras legislações nacionais e inter-
exemplo, principalmente nas classes de mai-
nacionais. Vale ressaltar que cada selo geral-
or poder aquisitivo, segundo um estudo reali-
mente se baseia nas regulamentações de
zado em 2009 pela Market Analysis em par-
seu país de origem, sendo alguns deles obri-
ceria com o instituto Globescan, 56% dos
gatórios para produtores que pretendem ex-
consumidores Norte Americanos, 54% da
portar seus produtos.O processo de certifica
65
ção no Brasil pode ocorrer a partir da contra-
sociais.
tação de uma empresa terceirizada, pelo cadastro no MAPA ou por meio de Sistemas
Quer saber mais sobre os selos ecológicos?
Participativos, fruto da organização de pro-
É só clicar nos selos a seguir!
dutores locais. Seja qual for a opção aplicada, o produtor contará com gastos extras neste processo, o que irá refletir em um produto final com um custo de produção mais elevado quando comparado aos produzidos convencionalmente, e consequentemente,
tem um maior preço de mercado. Dentre os critérios do processo de certificação, podem estar incluídos aspectos como redução de impactos ambientais, eficiência energética, sustentabilidade do sistema, respeito às comunidades indígenas, garantia de reserva de áreas de reflorestamento, mercado justo, uso racional da água e solos, proteção às matas e biomas locais, bem estar animal, direitos trabalhistas, entre REFERÊNCIAS
tantos outros.
Certificação ambiental aumenta o preço dos alimentos orgânicos. Disponível em
Deste modo, selos de certificação agregam valor aos produtos, permitem um
<http://redeglobo.globo.com/
diferencial competitivo e atestam os critérios
globoecologia/noticia/2013/08/1008-
de responsabilidade social e ambiental no
certificacao-ambiental-aumenta-o-preco-
processo de produção. Assim, os selos ecoló-
dos-alimentos-organicos.html> Acesso em 02
gicos refletem a garantia de baixo impacto,
jan 2018.
resultando em vantagens para sociedade,
Conheça os selos nacionais para produtos
como por exemplo, na conscientização de
orgânicos. Disponível em: <http://
consumidores e produtores, gerando infor-
www.ecodesenvolvimento.org/noticias/
mações precisas a respeito da qualidade do
conheca-os-selos-nacionais-para-produtos-
produto e sistema de produção, protegendo
organicos#ixzz531sC0AB9> Acesso em 02 jan
o meio ambiente e auxiliando no aprimora-
2018.
mento dos processos produtivos, fazendo
Por que cada vez mais empresas vão estam-
com que produtores repensem a forma de
par suas credenciais sustentáveis? Disponível
produzir, mitigando os impactos ambientais e
66
em: <http://www.funverde.org.br/blog/por-
www.ecodesenvolvimento.org/noticias/voce
que-cada-vez-mais-empresas-vao-estampar-
-conhece-os-selos-de-certificacao-
suas-credenciais-sustentaveis/> Acesso em
ecologicos#ixzz52ZCBspKr> Acesso em 02 jan
02 jan 2018.
2018.
Senna, E. M. Certificação Ambiental: um caminho para a sustentabilidade. Disponível
Voltolini, Ricardo. Rótulos, selos e certifica-
em: <http://
ções verdes: uma ferramenta para o consu-
www.agriculturasustentavel.org.br/artigos/
mo consciente
certificacao-ambiental-um-caminho-para-a-
Disponível em <http://
sustentabilidade> Acesso em 02 jan 2018.
www.ideiasustentavel.com.br/pdf/IS20%20-%
Você conhece os Selos de Certificação Eco-
20Dossie%20v3.pdf> Acesso em 02 jan 2018.
lógicos? Disponível em: <http://
67
F
Autora: Ilnara Rodrigues Silva
undado em 1995, na cidade de
ferencial ao produto aos olhos do consumidor,
Piracicaba, o Instituto de Manejo e
ajuda a atingir mercados mais exigentes, favo-
Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é
rece o marketing do empreendimento e gera
uma associação social sem fins lucrativos. O
ganhos em gestão. No caso da certificação
princípio que os move é a ideia de que o me-
pecuária, os critérios avaliados estão instituídos
lhor modo de conservar as florestas tropicais
na nova “Norma para Sistemas Sustentáveis
está em fazer com que tenham uma função
de Produção Pecuária” Busca-se através de-
econômica, associada às boas práticas de
les, reduzir os impactos da produção pecuária
manejo e à gestão responsável dos recursos
sobre o meio ambiente. Pode-se agrupá-los
naturais.
do seguinte modo: o sistema de manejo inte-
Para o Instituto, uma das ferramentas que induz fortemente o desenvolvimento local sustentável, nas áreas de floresta e de produção agrícola, é a certificação socioambiental. Assim, busca-se, influenciar as cadeias produtivas dos produtos de origem agrícola e florestal e, ajudar a formular e executar políticas de interesse público, elaboram-se modelos de desenvolvimento sustentável e do uso da terra, promovendo uma mudança positiva na regi-
grado de gado bovino; o manejo responsável de pastagens; as Regras para o bem-estar animal; a redução de emissão de gases de efeito estufa; os requisitos ambientais adicionais para
esse
tipo
de
propriedade.
Em entrevista, Lisandro Inakake de Souza, coordenador de projetos do Imaflora, comenta sobre alguns aspectos relacionados aos trabalhos que o Instituto desenvolve em relação à pecuária de corte e as dificuldades enfrentadas:
ão afetada. O Imaflora tem como base quatro
áreas de atuação: Certificação, desenvolvimentos local, políticas públicas e cadeias produtivas. A certificação socioambiental é uma forma de reconhecimento das atitudes responsáveis do produtor que cooperam na conservação da natureza, asseguram que o trabalhador exerça sua função com dignidade e respeito e, proporciona boas relações entre a comunidade próxima e o patrimônio certifica-
do. Além disso, a certificação agrega um di-
68
“Um problema do setor de bovinocultura de corte é que o produtor olha apenas para os animais. Há uma estimativa de que em 10 anos, 50% dos produtores do Mato Grosso vão sair da cadeia produtiva pelo fato de seu patrimônio ter se esgotado, em termos de recursos naturais. Isso ocorrerá, porque esses produtores não tem um olhar da gestão da propriedade como um todo.”
“Em relação à certificação da pecuária
tivas devem demonstrar e, é muito importante,
brasileira, o número de produtores certificados
por exemplo, na bovinocultura na Amazônia.
é mínimo. No entanto, são propriedades com
Em relação à origem do animal, é de interesse
grande extensão territorial. As carnes produzi-
saber se os animais são criados em áreas des-
das nessas propriedades certificadas são nor-
matadas ou não. Assim, a rastreabilidade de
malmente vendidas em butiques com algum
origem verifica se a criação atende aos crité-
valor agregado ao produto. O pequeno nú-
rios ambientais.”
mero de propriedades certificadas se deve ao
“Quando pensamos nas condições
fato de que os países que importam nossa car-
objetivas de produção, em uma perspectiva
ne ainda não exigem esse tipo de certifica-
de imprimir um risco quando da adoção de
ção.”
melhores práticas ou da intensificação, precisamos considerar que o grupo dos produtores pequenos estão ficando fora da discussão. Eles não querem aparecer, não participam da discussão de venda indireta, do desmatamento, etc. Eles sabem que há um sistema de desmatamento, que há áreas embargadas, mas não entram na questão de pecuária sustentá-
“Como ferramentas de prestação de ser-
vel, boas praticas, etc. As entidades que assu-
viços, nós do Imaflora, trabalhamos com certi-
miram enfrentamento com as empresas para
ficações e verificações. A verificação na agro-
firmar compromissos já atingiram um satura-
pecuária que emite uma qualificação e gera
mento que não permite muitos avanços, sen-
uma dinâmica de melhoria no sistema produti-
do necessárias novas abordagens. Se fizermos
vo na aplicação de boas práticas. Serve, as-
um sistema de rastreabilidade no qual todos
sim, para os produtores afirmarem que na sua
participassem e, olhassem para os animais das
cadeia produtiva não existe trabalho escravo,
fazendas que fornecem para o frigorifico, vo-
desmatamento, e que ocorre baixa emissão
cê veria que em alguma parte do processo,
de CO2 e que se preocupam com o bem es-
aquele animal colaborou para o desmata-
tar animal. Sendo assim, a verificação constitui
mento. Como os frigoríficos pode negar a exis-
um mecanismo que comprova esses critérios
tência desses casos. Hoje estamos em uma
e, melhora o desempenho das fazendas gra-
situação que o critério se mantém, mas é ne-
dativamente. Para o caso da agropecuária
cessário dar um passo atrás e conseguir ver a
essa proposta está sendo mais aceita que a
mancha da cadeia, na produção de bezerros,
própria certificação.”
por exemplo, que acaba contaminando a ca-
“A rastreabilidade é uma ferramenta que
deia inteira.
aparece como uma boa prática que as inicia-
69
“Gostaria de falar também sobre o
veis, certificações, que estimulam boas prati-
GTPS - Grupo de Trabalho de Pecuária Susten-
cas por meio de sistemas de verificação, sem-
tável que é um grupo mais amplo, do qual o
pre fazendo pesquisas, muitas vezes associa-
Imaflora também participa como membro as-
das ao Geolab da ESALQ, pesquisas no polo
sociado. O GTPS desenvolveu um guia de indi-
florestal. Trabalhamos áreas de desmatamen-
cadores da pecuária sustentável, cujo esforço
to, o tempo todo gerando novas informações
é torná-lo aplicável. É como se fosse uma cer-
para nos apoiar nas medidas de negociação.
tificação, na qual são estabelecidos critérios
As ferramentas que nossa área de atuação
que devem ser cumpridos, fazendo o produtor
são aquelas que desenvolvem a monitoria de
olhar para a propriedade e ver qual o seu
critérios mínimos.”
estágio de desenvolvimento, de perfor-
O Imaflora tem a missão de instigar e
mance socioambiental, os níveis de gestão e
propiciar mudanças nos setores florestal e
definir quais caminhos trilhar para melhorar a
agrícola, tendo em vista o uso e a conserva-
qualidade do sistema produtivo.”
ção dos recursos naturais e a geração de benefícios sociais. No entanto, ainda existem
O Instituto ainda atua nas cadeias pro-
muitas dificuldades para enfrentarmos, mas
dutivas da soja, cana-de-açúcar, café, ca-
vemos que a cada ano os produtores pecuá-
cau, madeira, carvão e produtos florestais
rios se conscientizam mais sobre a importância
não madeireiros. De acordo com Lisandro, o
da certificação. A expectativa é boa.
Imaflora é responsável pela certificação de 70% das empresas agrícolas certificadas do
Será que daqui a 10 anos muitos dos
Brasil. Sendo que, 5% do valor arrecadado
nossos grandes e pequenos produtores esta-
com os trabalhos de certificação são recolhi-
rão devidamente certificados?
dos como fundo social, que servem para sub-
Vídeo de retrospectiva do Imaflora
sidiar outras iniciativas de certificação.
2016:
“Nosso primeiro objetivo é reduzir os ní-
https://www.youtube.com/watch?
v=zrxLnL3g_9k
veis de práticas ilegais na agropecuária, dis-
Referência
cutindo como atuar nesse setor, atuando o
IMAFLORA, Instituto de Manejo e Certificação
mercado, as empresas que atuam com esses
Florestal e Agrícola. Quem somos; O que faze-
produtos vindo do campo, não somente tra-
mos. Disponível em: <http://www.imaflora.org/
balhamos com o produtor. Utilizamos ferra-
>. Acesso em março de 2018
mentas como sistemas produtivos responsá-
70
Autores: Ilnara Rodrigues Silva e Larissa Pereira de Oliveira
O
Brasil é um país que se desta-
legislação
ca na administração do meio
ís” (PORTAL RESÍDUOS SÓLIDOS, 2014).
ambiente. Os governos federal, estadual e
ambiental
em
todo
o
pa-
O Conselho de Governo é responsá-
municipal realizam diversos trabalhos com o
vel por reunir todos os ministérios e a Casa
intuito de promover a preservação do ecos-
Civil da Presidência da República, com a
sistema. De acordo com o Ministério do
incumbência de elaborar a política nacio-
Meio Ambiente (MMA), suas políticas públi-
nal de desenvolvimento do país, conside-
cas “incluem programas voltados para a
rando as normas para o meio ambiente. O
recuperação, conservação e sustentabilida-
Conselho
de em variadas áreas ambientais”. Nesse
Nacional
do
Meio
Ambiente
(CONAMA) é um órgão consultivo e delibe-
conjunto de ações, inclui-se aquelas volta-
rativo composto por representantes de di-
das para a gestão ambiental (GA), que po-
versos âmbitos do poder executivo (federal,
dem ser definidas dentro do conceito geral:
estadual e municipal), do setor de produ-
“o ato de gerir, administrar, dirigir ou reger
ção e da sociedade, sendo responsável por
os ecossistemas naturais e sociais em que se
dar assistência ao Conselho do Governo,
insere o ser humano” (UEHARA, 2010). Como
deliberando sobre diretrizes e princípios am-
forma de estruturação específica para a
bientais. O Ministério do Meio Ambiente
gestão ambiental, foi criado, através da Lei
ocupa a posição de órgão central, tendo
n. 6.938/1981, o Sistema Nacional do Meio
como função o planejamento, a supervisão
Ambiente (SISNAMA), que, regulamentado
e o controle das ações relativas ao meio
pelo Decreto n. 99.274/1990, atribui aos ór-
ambiente no setor nacional. O Instituto Brasi-
gãos federais a “função de coordenar e
leiro de Meio Ambiente e dos Recursos Na-
emitir normas gerais para a aplicação da
turais Renováveis (IBAMA) tem a função de
Fonte: Ministério do Meio Ambiente.
71
Juntamente com os limites para o aproveita-
pacto ambiental a que se
mento, segue-se o conteúdo da norma a de-
dará publicidade.
terminação: “utilização adequada dos recur-
(...)
sos naturais disponíveis e preservação do
VII - Proteger a fauna e a flo-
meio ambiente”. No caso do não cumpri-
ra, vedadas na forma da lei,
mento dessa norma a propriedade se torna
as práticas que coloquem
sujeita a possibilidades de sofrer penalida-
em risco sua função ecológi-
des, e até mesmo a desapropriação depen-
ca, provoquem a extinção
dendo da situação encontrada.
de espécies ou submetam os
Em relação ao meio ambiente, o Art.
animais a crueldade.
225 da CF 88 apresenta:
(...) §3º - As condutas e as ativi-
“Art. 225 - Todos têm direito
dades lesivas ao meio ambi-
ao meio ambiente ecologi-
ente sujeitarão os infratores,
camente equilibrado, bem
pessoas físicas ou jurídicas, a
de uso comum do povo e
sanções penais e administra-
essencial à sadia qualidade
tivas,
de vida, impondo-se ao Po-
independentemente
da obrigação de reparar os
der Público e à coletividade
danos causados.”
o dever de defendê-lo e pre-
Se expressa claramente no Art. 225
servá-lo para as presentes e
da CF 88 as várias responsabilidades que re-
futuras gerações.
cobrem o setor agropecuário brasileiro, justifi-
§ 1º - Para assegurar a efetivi-
cando e cobrando crescente importância e
dade desse direito, incumbe
impacto de boas práticas de gestão ambi-
ao Poder Público:
ental para o exercício das atividades de pro-
I - Preservar e restaurar os
dução.
processos ecológicos essen-
Ainda, na Lei nº 6.938/81, Art. 3º está
ciais e prover o manejo das
presente a definição de meio ambiente, de-
espécies e ecossistemas.
gradação da qualidade ambiental e recur-
(...)
sos ambientais de acordo com os termos:
IV - Exigir, na forma da Lei,
Art. 3º - Para os fins previstos
para instalação de obra ou
nesta Lei entende-se por:
atividade
potencialmente
causadora
de
I - Meio ambiente: o conjunto
significativa
de condições, leis, influências
degradação do meio ambi-
e interações de ordem física,
ente, estudo prévio de im-
72
química e biológica que per-
Referências
mite, abriga e rege a vida
Embrapa. Gestão Ambiental na Agropecuá-
em todas as suas formas.
ria, 2007. Disponível em: <https://
II - Degradação da qualida-
ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/
de ambiental: a alteração
item/141668/1/GEBLER-Gestao-ambiental-na-
adversa das características
agropecuaria-2007.pdf>. Acesso em janeiro
do meio ambiente.
de 2018;
(...) IV - Recursos ambientais: a
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Programas do MMA. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/programas-mma>. Acesso em janeiro de 2018;
atmosfera, as águas interiores, superficiais ou subterrâneas, os estuários, o mar terri-
Portal Residuos Solidos. SISNAMA – Sistema Nacional do Meio Ambiente no Brasil, 2014. Disponível em:<https:// portalresiduossolidos.com/sisnama-sistemanacional-meio-ambiente-brasil/>. Acesso em janeiro de 2018;
torial, o solo, o subsolo, a fauna e a flora.
A Lei nº 6.938/81 é um dos principais instrumentos que efetivam a gestão ambiental, já que apresenta o licenciamento de ati-
SUPERINTERESSANTE. Meio ambiente e governo. Disponível em: <https:// super.abril.com.br/ideias/meio-ambiente-egoverno/>. Acesso em janeiro de 2018.
vidades que poluem ou podem poluir, fixa os padrões de qualidade ambiental e a avaliação de impactos ambientais resultantes das práticas
realizadas
(Resolução
UEHARA, T. H. K.. Desempenho de projetos de
Conama
gestão ambiental pública: parcerias entre o
01/86).
Estado de São Paulo e organizações sem fins Com isso, percebe-se que a gestão
lucrativos, 2010. Disponível em: < http://
ambiental é uma ferramenta de suma impor-
www.teses.usp.br/teses/disponiveis/90/90131/
tância para o controle das ações humanas
tde-18062010-142845/pt-br.php>. Acesso em
sobre o meio ambiente, assim como todos os
janeiro de 2018;
instrumentos utilizados em prol de sua preservação.
73
Quer saber um pouco mais sobre os assuntos que compõe nossa revista? Listamos alguns filmes e documentários que podem te interessar e abordar um pouco mais sobre a questão ambiental no Brasil e no mundo. Lembre-se: alguns autores podem apresentar opiniões extremistas ou unilaterais; pratique o senso crítico, busque diferentes pontos de vista e forme sua opinião!
A Última Hora — The 11th Hour (2007)
O documentário mostra ima visão diferente sobre os desastres ambientais causados pela própria humanidade, abordando nuances do cenário ambiental mundial e apontando soluções ecológicas para reverter tais problemas.
2012 - Time for Change (2010) A produção expõe questões ambientais por um paradigma que mescla a sabedoria tradicional de culturas tribais e o método científico. O documentário aborda os principais empecilhos para a mudança da situação de degradação do meio ambiente.
Terra e Sustentabilidade (2013) O documentário mostra as vantagens da recuperação de áreas e integração de cultivos, abordando aspectos como custos de produção, eficiência no uso da mão de obra e dos recursos de produção e uso adequado de energia, além dos resultados em termos da redução de
emissões de gases de efeito estufa.
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Cowspiracy (2014) O documentário aborda de forma unilateral o impacto da produção agropecuária no planeta, destacando os impactos da emissão de gases de efeito estufa, mostrando os diversos impactos no meio ambiente advindos da pecuária.
GMO
-
OMG” (2014)
O documentário avalia os possíveis riscos dos organismos geneticamente modificados na nossa saúde e no meio ambiente, trazendo a visão de um cidadão comum em busca de respostas sobre os alimentados consumidos diariamente.
A Lei da Água (2015)
O filme aborda questões relacionadas à crise hídrica, mostrando a importância das florestas para a conservação da água, abordando também tópicos legais como a repercussão do novo código florestal, confirmado no ano de 2012.
A Lei da Água (2015) O filme aborda questões relacionadas à crise hídrica, mostrando a importância das florestas para a conservação da água, abordando também tópicos legais como a repercussão do novo código florestal, confirmado no ano de 2012.
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Sustentável
(2016)
O filme consiste em um levantamento da instabilidade econômica e ambiental do sistema americano de produção de alimentos, abrangendo desde os problemas agrícolas enfrentados até informações sobre a comunidade de líderes que estão determinados a resolvêlos.
Food Evolution (2016) O filme traz uma abordagem científica sobre as discussões que envolvem os alimentos transgênicos e sobre o desafio de prover comida para a crescente população mundial. “Food Evolution” está sendo reconhecido como uma reação
da ciência à especulação e mostra, especificamente no caso dos organismos geneticamente modificados (OGM), como o medo e a desinformação podem facilmente dominar a análise objetiva baseada em evidências.
Before the flood (2016) Before the flood é um documentário que traz relatos de uma viagem de três anos ao redor do mundo para documentar os impactos devastadores das mudanças climáticas, questionando a capacidade da humanidade de reverter o que pode ser o problema mais catastrófico que a humanidade já enfrentou.
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