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Prêmio FCW 2006

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F undação C o nrado W essel

os venCedores do prêmio

Conrado Wessel de arte, CiênCia e Cultura 2006

conselho curador e diretoria da FcW

Presidente

Dr. Antonio Bias Bueno Guillon

Membros

Dr. José Álvaro Fioravanti

Dr. José Antonio de Seixas Pereira Neto

Dr. José Hermílio Curado

Capitão PM Kleber Danúbio Alencar Júnior

Dr. Lélio Ravagnani Filho

Dr. Reinaldo Antonio Nahas

Prof. Stefan Graf Von Galen

Diretor Presidente

Dr. Américo Fialdini Júnior

Diretor Vice-Presidente

Dr. Sérgio Roberto de Figueiredo Santos e Marchese

Diretor Financeiro

Dr. José Moscogliatto Caricatti

Diretor Administrativo

Dr. Adilson Costa Macedo

Dr. José Moscogliatto Caricatti

F undação c onrado W essel

Rua Pará, 50 - 15º andar

Higienópolis - 01243-020

São Paulo, SP - Brasil

Tel./fax: 11 3237-2590

www.fcw.org.br

diretoria@fcw.org.br

4 FCW apóia a arte, a ciência e a cultura e distribui bolsas de estudo

10 Já foi premiado um elenco de biografias de importância capital para o país

12 Festa na Sala São Paulo teve o piano de Arnaldo Cohen e o violino de Moisés Cunha

38 As sete instituições parceiras que colaboram com a FCW

17 Aldo Rebouças garante que há soluções para a seca do Nordeste

6 A vida e obra do inventor, empresário e filantropo Conrado Wessel

26 Carlos Nobre tornou-se um combativo defensor da Amazônia

20 Pesquisa em temas variados marca a carreira de Ricardo Brentani

29 Magno Ramalho melhora geneticamente o feijoeiro há mais de 30 anos

14 Sérgio Mascarenhas dissemina conhecimento e oportunidades na física

23 Escritora Ruth Rocha valoriza a criança com senso crítico

32 Conheça os ganhadores de Foto Publicitária e Ensaio Fotográfico

Capa Mayumi Okuyama | Foto da capa Miguel Boyayan

U ma referência nacional

Fundação Conrado Wessel tem forte atuação no apoio à arte, à ciência e à cultura; e na concessão de bolsas para pós-doutores e jovens talentos musicais

■ No 13º ano de sua criação, a Fundação Conrado Wessel (FCW) tor nou­se uma referência no cenário nacional: a de apoio à arte, à ciência e à cultura. A própria existência deste suplemento especial da revis ta Pes qui sa FA PESP , pelo quar to ano consecutivo, confirma o fato. Ubaldo Conrado Augusto Wessel legou à FCW um patrimônio basicamente constituído de imóveis que os atuais dirigentes conseguiram dinamizar, mul ti pli car e con so li dar a partir de 2000. Esse esforço tornou possível uma forte atuação de apoio à arte, à ciência e à cultura, com a outorga anual dos

maiores prêmios do país desde 2002.Além deles, concede bolsas de estudo de pós­doutorado para os Grandes Prêmios Capes de Teses e para talentos musicais na Univer si da de de In di a na, nos Estados Unidos, um reconhecido pólo de excelência no ensino e desenvolvimento de músicos. As atividades da Fundação não se en cer ram no mun do aca dê mi co. To dos os anos são con ce di das gran des do a çõ es a seis entidades beneficiárias. Em 2007, o Cor po de Bom bei ros de São Paulo pôde, com os recur sos re pas sa dos pela FCW, mandar para Adelaide, na Austrá lia, 42 bom bei ros a fim de

par ti ci pa rem do World Fire Games. No ano passado 45 deles fo ram a Hong Kong; no pró xi mo ano deve rão ir a Liver pool. Os objetivos filantrópi cos des se in ter câm bio são in cal cu lá veis. Pelo me nos um bom bei ro de cada uni da de da cor po ra ção no es ta do de São Pau lo foi pre mi a do com uma viagem de trabalho ao exterior a fim de aperfeiçoar­se.

Missão cuMprida ­ Os números também são expressivos em relação às outras entidades beneficiadas, o Hospital do Câncer, a Pro mo ção So ci al do Exército da Salvação, as Aldeias

Apresentação do violinista Moisés Bonella Cunha, primeiro bolsista da FCW em música, com o pianista Arnaldo Cohen na cerimônia na Sala São Paulo, em 2007

Infantis SOS do Brasil, a Escola Ben ja min Cons tant da Vila Ma ri a na, em São Pau lo, e as mais de 2.800 famílias que anual men te re ce bem do na ti vos. São quatro quotas para donatári as in divi du ais e uma quin ta transfor mada em cestas básicas.

Somando todos os beneficiários – não es tão in clu í dos nes te cálculo os prêmios e as bolsas –, além do Cor po de Bombeiros, na atual gestão a FCW já contabiliza milhões de reais em doa çõ es. Os nú me ros in di cam cla ra men te que a Fun da ção cumpre sua missão de entidade socialmente responsável.

No seu prin ci pal seg mento, o dos prê mi os FCW à arte,

à ci ên cia e à cul tu ra e das bolsas de es tu do, a ins ti tu i ção ofe re ce a ci en tis tas e univer sitá ri os os mai o res prê mi os e bol sas co nhe ci dos no Bra sil. Para pre mi ar as ca te go ri as de Fotografia Publicitária, Ensaio Fo to grá fi co, Ci ên cia Ge ral, Ciência Aplicada (Água, Campo, Meio Am bi en te), Me di cina, Li te ra tu ra e Prê mio Al miran te Álvaro Al ber to, a FCW des pen de pelo me nos 30% de seu movi men to bru to anu al. O Prê mio Al mi ran te Ál varo Al ber to é o mai or atri bu í do pelo Con se lho Na ci o nal de Desenvolvimento Científico e Tec no ló gi co (CNPq), com pa tro cí nio da FCW.

Ela procura sempre a companhia de grandes instituições para trabalhar. São as entidades parceiras que avaliam os nomes dos ci en tis tas e univer si tá ri os indicados aos prêmios e às bolsas. Esse filtro de infor mações é de mo ra do, in gen te e de alta responsabilidade. As instituições são, além do CNPq, a Capes, a FAPESP, a ABC, a ABL, a SBPC, o CTA e a Universidade de In di a na, nos Es ta dos Uni dos. Essa relação (mais infor mações na página 38) traz a cer teza da elevação de princípios, isenção e éti ca aci ma de tudo. É as sim que se cris ta li za o fu tu ro e é por tudo isso que a FCW se tor nou referência nacional. ■

O entusiasm O de um

invent O r

Apaixonado por fotografia, Conrado Wessel criou a primeira fábrica brasileira de papel fotográfico

Ci ência e arte sem pre fo ram as pai xõ es de Conrado Wessel. Como inventor nato, criou um papel fotográfico inovador; como empreen de dor obs ti na do, foi dele a primeira fábrica brasileira para produzir esse papel. Há 86 anos, Conrado conseguia junto com o pai, Guilher me Wessel, a expedição da car ta patente do invento, assinada pelo presidente Epitácio Pessoa. Mesmo com a for te concor rência estrangeira, ele con quis tou o mer ca do e for mou um patrimônio imobiliário que, obedecendo ao de­

sejo expresso em seu testamento, foi utilizado como lastro para criar uma fundação que apoiasse atividades educativas e culturais de seis entidades e incentivasse a arte, a ci ên cia e a cul tu ra por meio de prê mi os. A Fun da ção foi instituída em 1994, um ano após sua mor te, aos 102 anos, e hoje cumpre exemplar mente as metas de seu idealizador Conrado Wessel nasceu em Buenos Aires, em 1891, filho de família tradicional de fabricantes de chapéus de Hamburgo, na Alemanha, em meados do século XIX. No ano seguinte ao seu

nas ci men to, a fa mí lia mi grou para Sorocaba, interior de São Paulo, e posterior mente para a capital paulista. Apaixonado por fotografia, Guilher me Wessel, o pai, previa um grande futuro para o setor. Paralelamente às aulas de matemática que lecionava no Se mi ná rio Epis co pal de São Paulo, no bair ro da Luz, per to da Escola Politécnica, ele alugou uma loja onde instalou uma clicheria e na qual também vendia material fotográfico, na rua Direita n° 20.

Con ra do herdou a pai xão do pai e sempre se aventurou a

Conrado Wessel na foto clássica com seu aparelho fotográfico: “Insista, não desista”

fa zer fo tos – ain da jovem, ganhou dois prêmios em concursos promovidos pela Secretaria de Agricultura.Também auxiliava Guilher me na gerência da loja. Por in sis tên cia do pai foi para Viena, na Áustria, em 1911, es tu dar quí mi ca. Lá apren deu fotoquímica na K.K. Lehr und Ver suchs Antstalt, renomada escola de fotografia, especializando­se em clichês para jor nais e revis tas. Vol tou ao Bra sil dois anos de pois com um pro je to am bi ci o so: so nhava com uma fábrica de papel fotográfico nacional. Posteriormente, Conra­

do as sis tiu por quatro anos às aulas na Escola Politécnica como aluno­ouvinte do cur so de en ge nha ria quí mi ca e foi um assistente infor mal do professor alemão Roberto Hottinger, respon sá vel pela ca dei ra de bi oquímica, físico­química e eletroquímica.

“Durante quatro anos fiz de tudo ali”, contou Wessel. “Desde a pre pa ra ção do ni tra to de prata até os estudos das diferentes qualidades de gelatinas. Da ação dos ha lo gê ni os como o bromo, o cloro e o iodo sobre o ni tra to de pra ta. Fiz inú me ras

experiências misturando o nitra to de pra ta ao bro me to de potássio, ao cloreto de sódio e ao iodeto de potássio. Cheguei à conclusão de que a mistura de uma pequena dose de iodo ao bromo dava muito melhor resultado, assim como a adição do bromo ao cloro.”

■Depois de muitas experi­

ên ci as, Con ra do Wes sel chegou a uma fór mula satisfatória para o papel, cujas provas, como ele sublinhou, agradaram mu i to ao seu pai. “Em ple na pujança da mocidade, taxado de louco inclusive pelo então repre sen tan te de uma in dús tria es tran gei ra de fo to gra fia que por todos os meios quis me persuadir a desistir de continuar no meu so nho de fa bri car pa pel fotográfico no Brasil, no ano de 1921 eu instalei a fábrica de papéis fotográficos situada à Rua Lopes de Oliveira, 198”, escreveu Wes sel. “Com prei umas máquinas que estavam de posse do dr. Picarollo, professor de filosofia na Escola Nor mal, hoje Caetano de Campos. Quando eu soube que ele e o filho queri am ven der as má qui nas me apressei em comprá­las. Depois de re ga te ar con se gui ad qui rir tudo por oito con tos e quinhentos.”

Na época, os fotógrafos do Jardim da Luz, um dos principais locais de lazer da cidade, trabalhavam com uma câmera­laboratório. Era uma caixa de madeira com uma objetiva sobre um tripé. A câmera era dividida em duas par tes. A inferior continha

FUNDAÇÃO
CONRADO WESSEL

os banhos de revelador e fixador utilizados para o processamento químico de filmes e papéis. O papel utilizado era importado de fabricantes europeus.

O próximo desafio de Wessel era ini ci ar a pro du ção. “As fór mulas que eu havia elaborado pareciam boas, mas não poderia assegurar que seriam boas também na fabricação”, ele regis trou, pre o cu pa do. O pa pel necessário para os testes foi mais difícil, já que no Brasil não havia nenhuma fábrica para for necer o papel baritado. O material tinha que ser comprado na França, fabricado pela Rivers, ou na Alemanha, pela Scholler. O jovem inventor saiu à cata de um impor tador. “Enquanto a encomenda não chegava, estudei como pendurar o papel emulsiona do para se car no pe que no espaço de que dispunha”, disse.

O acaso ajudou­o a encontrar a solução. Wessel estava na Ta pe ça ria Schultz, para a qual realizava um ser viço de propagan da, quan do lhe cha mou a aten ção o sis te ma de cor ti nas que se movi am por cordi nhas usadas pelos tapeceiros. Fez um croqui do sistema utilizado na Schultz e ima gi nou que, empregando método semelhante, poderia secar mais de 100 metros de papel.

O papel chegou e a pequena fá bri ca ini ci ou sua pro du ção. “Foi um desastre”, resumiu. Não se aproveitaram mais do que 10 cen tí me tros dos 10 me tros de papel emulsionados. Nova tentativa, nova frustração. O papel, ele descreveu, estava quase todo “eiva do de pe que nas bo lhas e outras par tículas indesejáveis”. Enquanto pensava sobre o problema, mais uma vez o acaso – e o olhar arguto – trouxe a solução.Wessel foi chamado à fábrica das Linhas Cor rentes, no Ipiranga, para executar um serviço

Carta patente de novo processo de produção de papel fotográfico assinada pelo presidente Epitácio Pessoa em 1921

de clichês. No salão de espera, reparou numa pequena máquina uti li za da para pas sar goma no verso das etiquetas. “Havia uma cuba e um rolo imer so dentro dela. Com a máquina em movimento, o rolo passava uma cer ta quantidade da solução, deixando estrias sobre o papel, que também se guia seu cur so. Eu re ca, pensei, meu problema está resolvido”, descreveu.

■Mais uma vez fez um cro qui e adap tou a máquina de emulsionagem ao modelo daquela utilizada para gomar eti que tas. E de ta lhou os resultados: “A máquina se resumia no seguinte: uma cuba de

bar ro vi dra do (na que la épo ca não exis tia o aço inoxi dá vel) cheia de emulsão e um rolo de ebo ni te que mer gu lhava nela. O papel passava entre um outro eixo fixo, regulado como o rolo. Des sa ma nei ra, as bo lhas fi cavam todas na cuba. Mais tarde esse sistema foi melhorado, com mais de um rolo de ebo ni te, tor nan do im pos sí vel o sur gimento de bolhas sobre o papel. Fi ze mos novas ex pe ri ên ci as com pleno êxito.Vamos fabricar e vender”, comemorou. Nasceu assim a Fábrica Privilegiada de Papéis Photographicos Wessel. Ele não ima gi nava, no entan to, que te ria que en fren tar ainda a resistência dos fotógra­

Fábrica de papel

Kodak-Wessel (ao lado) e placa explicativa. No alto, as caixas de papel fotográfico

fos, seus po ten ci ais cli en tes. “Eles experimentaram o materi al, acha ram bons os re sul tados, mas julgaram melhor conti nu ar com o postal da Ridax, da Gevaert, apesar de o preço do meu ser bem menor.” Foi nessa época que Wessel forjou o lema que o acompanharia por toda a vida: “Insista, não desista”.

Os ne gó ci os iam mal até que a história rever teu o risco do fracasso. No dia 5 de ju lho de 1924 Isidoro Dias Lopes deflagrou o movimento conhecido como a Revolução dos Tenentes. São Paulo ficou sitiada, iso la da do res to do país. Aos fotógrafos da Luz faltou papel im por ta do. “Numa ma nhã de

um dos primeiros dias de revolu ção apa re ceu um de les em mi nha casa e pergun tou se eu tinha postais para vender”, contou. A revo lu ção abriu ­ lhe o mercado. Ao fim de 29 dias de cerco, os rebeldes se renderam. O fluxo de papel importado foi restabelecido, mas a fábrica de pa péis cri a da por Con ra do Wessel já tinha, definitivamente, conquistado a clientela que lhe per maneceu fiel.

Os gran des fa bri can tes estran gei ros, como a Ge vaert, ten ta ram ain da re cu pe rar o mercado oferecendo produtos mais ba ra tos. Wes sel tam bém baixou os preços. “Por incrível que pa re ça, es tes pos tais mais

baratos não foram aceitos pelos ambulantes. Nem os meus, nem os da Gevaert”, escreveu.

A produção brasileira cresceu, Conrado Wessel comprou um prédio maior e consolidou sua po si ção no merca do. Não faltaram propostas de empresas es tran gei ras in te res sa das em parceria com a agora próspera fábrica brasileira de papéis, até que o inven tor – e ago ra empresário – fir masse um contrato com a Kodak, garantindo para ela praticamente toda a sua produ ção, por mu i tos anos. Em 1949 ficou acer tado que a sua patente seria cedida à empresa nor te­americana, mediante um acordo societário de construção de nova fábrica em Santo Amaro com maquinário moder no e o nome de Kodak­Wessel, sob a ge rên cia e par ti ci pa ção nos lucros de Conrado Wessel. Isso ocor reu em 1949 e du rou até 1954. A par tir dessa data a patente passou definitivamente à Kodak e o nome da fábrica deixou de ser Kodak­Wessel.

Ao lon go des se pe rí o do, com o lucro dos negócios bem administrados, Conrado Wessel com prou imó veis nos bair ros de Campos Elísios, Bar ra Funda, Santa Cecília e Higienópolis e os deixou, em testamento, como pa tri mô nio ini ci al da Fundação Conrado Wessel. ■

FOTOS

U m time dos sonhos

O Prêmio FCW já reconheceu um elenco de biografias de importância capital para o país

Na galeria dos laureados nas últimas edições do Prêmio FCW de Arte, Ciência e Cultura vislumbram­se biografias que ajudaram e seguem aju dan do o Bra sil a en fren tar seus desafios e incertezas. Na categoria Ciência Geral já houve dois premiados no campo da bio logia e dois no de fí si ca. São nomes que produziram densas contribuições para o desenvolvi men to do país, como Isai as Raw, precursor da educação científica e ar tífice da transfor mação do Ins ti tu to Bu tan tan no maior centro nacional de produção de va ci nas; Wan der ley de Souza, parasitologista com mais de 400 ar tigos científicos publicados em revistas inter nacionais; o ex­reitor da Unicamp e atual di re tor ci en tí fi co da FA PESP Carlos Henrique de Brito Cruz, especialista em fenômenos ultrarápidos, laser e semicondutores; e Sérgio Mascarenhas, professor da USP e autor de descober tas dos bioeletretos e de novos métodos de dosimetria e datação arqueológica.

A massa crítica que adensou a res pei ta bi li da de do prê mio contempla ainda intelectuais de primeira grandeza como o crí­

tico Fábio Lucas e os escritores Fer reira Gullar e Lya Luft e cientistas da área médica como o cirurgião Adib Jatene e o oncologista Ricardo Renzo Brentani, atu al di re tor pre si den te da FAPESP. Na categoria Ciência Apli ca da, a im por tân cia dos laureados pode ser vista na mesa dos bra si lei ros. A far tu ra de cenoura, milho e café e a força do agro ne gó cio têm uma dí vi da com pes qui sa do res como Jai ro Vi dal, Luiz Car los Fa zu o li ou Mag no Ra ma lho . Da mes ma for ma, fez um justo reconhecimento a pesquisadores que produziram contribuições decisivas no estudo dos recur sos hídricos e dos ocea nos e na de fe sa da Ama zô nia, como é o caso de Aziz Ab’Sáber, de José Galizia Tundisi e de Aldo Rebouças. A FCW chegou a essa coleção de grandes nomes graças a indicações feitas por 142 entidades do país e à aju da de uma equi pe de bus ca, for ma da por profissionais de absoluta competência, que pesquisam cur rículos para apresentar à comissão julgadora, à qual cabe definir o ganhador em cada área. Essa comissão é composta por membros indicados por oito entidades e

ministérios parceiros do prêmio (veja o final desta edição com a lista dos jurados e o logotipo das parceiras). Os vencedores de cada categoria recebem um prêmio no valor de R$ 100 mil líquidos – o maior já conferido por uma instituição brasileira – e uma escultura do ar tista plástico Vlavianos. Segundo infor ma a FCW, a partir do próximo ano os prêmios terão substancial aumento. Entre maio e junho de 2007, 70 imagens de fotógrafos finalistas do Prêmio FCW de Arte permaneceram expostas na 8ª Feira Inter nacional Del Libro de Santa Cruz de la Sier ra, na Bolívia. O sucesso da iniciativa motivou o interesse para a par ticipação da FCW em novos eventos inter nacionais. Além de ultrapassar as fronteiras do país, a edição 2006 do Prêmio FCW de Arte buscou novos horizontes dentro do território nacional. Ao lado da tradicional categoria Fotografia Publicitária, passou a contemplar tam bém En sai os Fo tográ fi cos Temáticos. O mote deste ano é o meio ambiente brasileiro. A premi a ção está progra ma da para acontecer no Museu Nacional da República, em Brasília, no dia 17 de outubro. A escolha de Brasília

Os vencedores em seis categorias entre 2003 e 2005

como sede da premiação não foi ocasional. A intenção é levar como referência à capital do país o conceito de eficácia social estabelecido na missão da FCW.

A partir de 2006 a Fundação passou a patrocinar também o Prêmio Almirante Álvaro Alberto de Ciência e Tecnologia, cria do em 1981, de sa ti va do em 2000 e reativado em 2006 por convê nio en tre a Fun da ção Conrado Wessel e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um dos mais tradicionais do país. O prêmio de 2006 foi concedido ao pesquisador Fer nando Galembeck, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que recebeu diploma, medalha e o montante de R$ 150 mil das mãos do presidente da República. O prêmio é concedido anualmente, em sistema de rodízio, entre três grandes áreas do conhecimento: Ciências da Vida; Ciências Humanas e Sociais; e Ciências Exatas, da Ter ra e Engenharias, esta última a área selecionada este ano. A par ticipação da FCW no prêmio comple ta seu es for ço de apoi ar a pesquisa, o talento e a integridade cívica e intelectual do país. ■

Brito Cruz
Isaias Raw Wanderley de Souza
Maria Inês Schmidt
César Victora Adib Jatene
Lya Luft
Ferreira Gullar Fábio Lucas
Dieter Muehe
Alberto Franco José Galizia Tundisi
Philip Fearnside
Aziz Ab’Sáber
Jairo Vieira
Luiz Carlos Fazuoli

1. Ganhadores ladeados por Antonio Bias Bueno Guillon (esq.) e Américo Fialdini Jr., respectivamente presidente do Conselho Curador e diretor presidente da FCW; 2. Diretoria da FCW e integrantes do júri; 3. (da esq. para dir.) deputado Vaz de Lima, presidente da Assembléia Legislativa, Américo Fialdini Jr., José Caricatti, diretor financeiro da FCW, e Brasília de Arruda Botelho, responsável pelo cerimonial; 4. (da esq. para dir.)

Gwyn Richards, diretor da Jacobs School of Music da Universidade de Indiana, o ex-embaixador

Sérgio Amaral, Arnaldo Cohen, Bárbara, esposa de Richards, Fialdini e Renata Fialdini, presidente da categoria Medicina; 5. (da esq. para dir.) conselheiros Reinaldo Nahas, Stefan Von Galen e José Álvaro Fioravanti; presidente Antonio Bias; diretor Sérgio Marchese; e conselheiro Lélio Ravagnani Filho; 6. Público durante a cerimônia

1.

M úsica para os vencedores

■Um recital do pianista Arnaldo Cohen, acompanhado do jovem violinista Moisés Bonella Cunha, marcou a cerimônia de premiação dos vencedores do Prêmio FCW 2006 de Arte, Ciência e Cultura. Cohen, também professor da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e Cunha, primeiro bolsista da FCW em música, tocaram

para uma platéia de cerca de mil pessoas da Sala São Paulo, na capital paulista, no dia 4 de junho. Os dez vencedores, os integrantes do júri que fez a escolha final, pesquisadores, publicitários, fotógrafos, o Conselho Curador e os diretores da Fundação estiveram presentes. Veja nestas páginas alguns momentos da cerimônia.

D inamismo e generosi D a D e

Sérgio Mascarenhas dissemina conhecimento e oportunidades na pesquisa e educação em física

Al guns substan ti vos relativos a determinadas disposições humanas de humor costumam ser insistentemente repetidos quando o físico Sérgio Mascarenhas, 79 anos feitos em maio passado, é o alvo de uma conversa. Entusiasmo, por exemplo. Ou di na mis mo. Em par te porque ao lon go de sua vida, como observa o empresário José Fer nando Perez, 62 anos, também físico e ex­diretor científico da FA PESP (1994 ­ 2005), Mascarenhas sempre tenha colocado “essas duas belas qualidades a ser viço de duas iniciativas” que o distinguem de for ma muito especial no meio da comunidade científica: “a for mação de pes so al e a cri a ção de novos fronts institucionais” para o desenvol vi men to da ci ên cia no Brasil. “A área de física da Univer sidade de São Paulo (USP) em São Carlos, no final dos anos 1950, a Embrapa Instrumentação Agro pe cu á ria, no fi nal da década de 1960, e a Universidade Federal de São Carlos (UFS­

Car), no começo dos anos 1970, são al gu mas das fun da men tais criações institucionais de Mascarenhas”, resume Perez, até recentemente professor titular do Instituto de Física da USP em São Paulo.

No que si to for ma ção de pessoal, é tão for te a vinculação do nome de Sér gio Mas ca renhas à sua dimensão de educador que Vanderlei Bagnato, 48 anos, professor titular de física na USP de São Carlos, diz que conhecia sua fama muito antes de se tor nar aluno da univer sidade. “Moleque ainda, cor rendo pelas ruas da cidade, jogando bola, eu já ouvia falar do professor Sér gio Mas ca re nhas e da unidade de física que estava se instalando na Engenharia.”

Na ver da de, Mas ca re nhas chegara a São Carlos antes mesmo de Bagnato aportar no mundo. Em 1956 ele desembarcou na cidade com a mulher, a física Yvonne P. Mascarenhas, vindos ambos de seu amado Rio de Janeiro natal, porque ele entende­

ra que naquele centro universitário emergente teria uma chance de provo car o de senvol vimento da física do estado sólido, ou física da matéria condensada, área incipiente no Brasil e muito distante do prestígio que desfrutava entre nós a física de partículas, por exemplo – mas, em sua visão, absolutamente estratégica para o país. O jovem carioca de Copacabana percebia, com uma clareza sur preendente para seus verdes anos,“que o futuro da sociedade estava nos semiconduto res do es ta do só li do, aqui lo que deu o transistor, e depois a ex plo são dos com pu ta do res”, disse ele numa longa entrevista que con ce deu a Pes qui sa FAPESP (edição 137, de julho de 2007), logo depois de ganhar o Prê mio Con ra do Wes sel. Na verdade, essa área da física está nos fun da men tos do mun do con tem po râ neo, porque ela é que está na base dos computadores, da infor mática, da tecnologia da infor mação e das telecomunicações.

Mal se instalara, Mascarenhas começou a pensar em abrir as por tas dos laboratórios de física para alunos que haviam acabado de en trar no cur so gi na si al. E tempos depois, no fim dos anos 1960,Vanderlei Bagnato foi um daqueles muitos meninos que ficaram fascinados com o universo excitante que o jovem professor descortinava, impelindo­os suavemente para o mundo da pesqui sa ci en tí fi ca. “E mais: ele transmitiu a idéia de quanto era necessário a comunidade acadêmica oferecer à comunidade local algo de que é tão capaz, isto é, lhe dar fer ramentas para despertar a curiosidade, o interesse geral pelo conhecimento”, diz. Uma lição que, sem ter sido exatamente discípulo de Mascarenhas, dado que se encaminhou para outro campo da física e fez só eventuais disciplinas com ele, Bagnato incor porou muito bem, a julgar

por seu trabalho à frente do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (Cepof), marcado por um for te caráter educativo e de divulgação da ciência com a população de São Carlos, a par da pesquisa de ponta que ali se faz.

■Tanta ênfase no lado educa dor de Mas ca re nhas pode gerar a falsa noção de que a pesquisa científica em si não teve tan to peso em seu ca minho. Ao con trá rio, ela sem pre teve, principalmente a pesquisa ex pe ri men tal, e, hoje ain da, a investigação que visa deter minados aperfeiçoamentos tecnológicos, em especial na área de física médica, ocupa muitas horas de seus dias. É curioso como o jovem que até os 15 ou 16 anos, segundo suas próprias revelações, parecia que iria se encaminhar mal na vida, tão avoado e desinteressado dos estu­

dos se mostrava, faria anos depois as descober tas dos bioeletre tos e de novos mé to dos de dosimetria e datação arqueológica, entre outras, e estabeleceria co la bo ra çõ es im por tan tes com alguns dos mais res peitados fí si cos do sé cu lo pas sa do, como Lars Onsager, da Universi da de Yale, ga nha dor do Prêmio No bel por seu tra ba lho so bre efei tos fí si cos fora do equilíbrio.Vale a pena retomar aqui o que dis se com mu i ta graça o próprio Mascarenhas a esse respeito, na citada entrevista a Pes qui sa FA PESP , de pois de qua li fi car On sa ger como um cientista de “visão realmente ampla, interdisciplinar”.

“Ele fez umas equações, um

Mascarenhas: empenho na formação de pessoal e na criação de novos fronts institucionais

“Há cientistas generosos e outros muito arrogantes”, diz o físico, dono de uma das mais ricas e multifacetadas biografias da comunidade científica

modelo, que diz o seguinte: tudo o que acontece na vida comum são estados de equilíbrio. E esses estados não levam a muita coisa porque não se tem exci ta çõ es, flu tu a çõ es fora do equi lí brio. Ele co me çou a ver que im por tan te na fí si ca era tam bém o que saía do equilíbrio. Isso vale para muito mais conceitos e situações, claro, mas Onsager conseguiu relacionar quantitativamente, pela primeira vez, efei tos fí si cos fora do equilíbrio. Eu apliquei as equações dele para entender quantita tiva men te aque le efei to que eu descrevera, e publiquei numa

revista famosa naquele tempo, Il Nu o vo Cimen to . As con tas que fiz com a equação do Onsager ba te ram com a par te ex pe rimental. E quando Onsager viu o meu trabalho dando base real às equações dele, gostou muito. Quando apresentei o trabalho na Eu ro pa, ele foi de uma imen sa gen ti le za. E eu, de repen te, me vi sen ta do à mesa num hotel, na Suíça, explicando as equa çõ es de On sa ger para On sa ger! Nos sa Se nho ra! Só mesmo brasileiro e carioca! Ele calmo, quietinho, não ficou melindrado. Acabei ficando grande amigo dele.”

Mascarenhas publicou com Onsager um dos raros trabalhos dele na área de transições de fase com aparecimento de campos elé tri cos. “Me or gu lho mu i to disso, porque ele era muito bom e muito generoso. Há cientistas assim e há outros muito ar rogantes”, dis se. Ele ma ni fes ta, aliás, com grande freqüência o reconhecimento à generosidade alheia, quando toda sua vida profissional parece demonstrar que pre ci sa men te a ge ne ro si da de sempre foi uma das marcas de sua prática. E isso, recor rendo ainda à mesma entrevista, em paralelo à “entrega à atividade intelectual incessante, incansável, pragmática em larga medida, junto com uma imaginação fervilhante, um borbulhar de idéias sem fim”, que tor na a biografia de Sérgio Mascarenhas “uma das mais ricas e multifacetadas na comunidade científica brasileira”.

■Sérgio Mascarenhas graduou­se em química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1951 e em física pela mesma instituição em 1952. Acumula doutoramento e pós­docs por grandes centros de pesquisa in ter na ci o nais, en tre eles Princeton, Har vard e Londres. No Brasil espalhava experiências educacionais para além de São Paulo, mas voltava sempre a São Car los, onde hoje, pro fes sor apo sen ta do da USP, pode ­ se con tu do en con trá ­ lo tocando o Instituto de Estudos Avançados da mesma univer sidade, elaborando a idéia de um grande por tal de divulgação científica, ou em andanças pelos laboratórios de física, química e medicina, aperfeiçoando um de seus mais novos inven tos, um aparelho para medir de for ma não invasiva a pressão intracraniana. Ativo sempre, voltado para a ciência e com imensa preocupação social. ■

O h O mem das águas subterrâneas

O h O mem das águas subterrâneas

Aldo Rebouças garante que há solução para a seca do Nordeste

■E m 1962, um quarto de século antes de a Organização das Nações Unidas publicar o relatório Bruntland – o primeiro documento a sugerir a inclusão do tema sustentabilidade na agen da de de senvol vimen to dos paí ses –, Aldo da Cu nha Re bou ças, um jovem geólogo for mado pela Universidade Federal de Per nambuco, já aler tava os ór gãos pú bli cos para o fato de que a má gestão e o uso inadequado da água compro me te riam a qua li da de da ofer ta do produto. Ao longo de mais de 40 anos de pesquisa, ele defendeu obsessivamente a premis sa de que “o con cei to de água abun dan te, ines go tá vel e gratuita, uma dádiva de Deus ou de qualquer outra figura cósmica, da Igreja ou de políticos, dos coronéis ou do homem, da natureza”, era uma ficção obsoleta. Brandiu esse aler ta diante de vá ri os gover nos. No fi nal dos anos 1960 e início de 1970, foi diretor da Bacia Escola de Hidrogeologia da Superintendência do De senvol vi men to do Nordeste (Sudene). “Constatei que o pro ble ma do Nordes te

não é de seca, mas de cerca”, lembra. A região tem uma importante fonte de recursos hídricos: a água subter rânea. Boa parte dessa água está protegida da evaporação e poderia abastecer o dobro da população do Polígono das Secas, que compreende nove estados do Nordeste e o nor te de Minas Gerais. “A água sub ter râ nea está pre sen te nos ter renos sedimentares e não precisa de nenhum tratamento especial, exceto a cloração”, explicou em entrevista à Radiobras, em 1999. Esse potencial, no entanto, é subaproveitado, apesar de as tecnologias de retirada dessa água serem relativamente simples e de baixo custo: basta uma

bom ba ma nu al ou ca taven tos movi dos a ener gia eó li ca que custam entre R$ 200 e R$ 400. Um inventário recente dos poços já perfurados revelou, no entanto, que cerca de 30 mil deles não es tavam equi pa dos para a extração de água.

Uma das so lu çõ es para o Nordeste, na sua avaliação, estaria na construção de poços artesianos inclinados, já que a região está localizada sobre uma fratura de rochas antigas, pré­cambrianas, de mu i to movi men to. A outra, e a regra vale para todo o país, está na educação. “O cidadão brasileiro precisa ser informado ao máximo para utilizar de for ma cada vez mais eficiente

cada gota d’água disponível, reduzindo­se os desperdícios nas grandes cidades onde ainda se utilizam bacias sanitárias que necessitam de descargas que consomem de 18 a 20 litros, quando se tem mo de los no co mércio que necessitam de apenas 6 litros”, afir mou em entrevista ao Diário de Petrópolis, em 2003.

■Hoje Re bou ças as sis te per plexo ao debate sobre a transposição do rio São Francisco. “Um absurdo”, como ele qualifica o projeto, movido por interesses políticos e pela velha rixa entre engenheiros – “que só se preocupam com a água que está acima do solo” – e geólogos – “que só se preocupam com a água subter rânea”. Sugere reiteradamente que é preciso investir mais no ho mem e me nos em obras: “Não adi an ta cons tru ir bar ragens se os homens não sabem usá­las”, argumenta. Cita o exemplo de regiões em Israel e nos Estados Unidos, com o mesmo cli ma, e que são bas tan te prós pe ras. Para ele, a seca do Nordeste deveria ser encarada como uma oportunidade.“Tudo que se planta no semi­árido dá, ele não é um solo pior para o cultivo que os outros.”

Rebouças tem fundamentado suas teses sobre hidrologia na his tó ria da hu ma ni da de. Em 2003 recor reu a esses dois argumentos para criticar o gover no de Luiz Inácio Lula da Silva que elegeu o programa Fome Zero como política prioritária de gover no, em detrimento de ações de de mo cra ti za ção do sa ne amento e acesso à água potável. “Há 25 mil anos a.C., pelo menos, já se sabia que o uso cada vez mais eficiente da gota d’água disponível era a alter nativa mais barata de combate à fome. Parece, todavia, que esta lição não foi apren di da até ago ra, à me di da

que ainda se procura combater a fome com a distribuição de alimentos, como fez a Coroa portuguesa nas suas tentativas iniciais de co lo ni za ção do Bra sil”, escreveu na época. No mesmo tex to invo cava o Có di go Hamu ra bi, edi ta do na Ba bi lô nia entre 1850 e 1750 a.C., como o primeiro documento a “definir o direito de uso da água por todo e qualquer indivíduo, prescrevendo estímulos às práticas consideradas adequadas e castigos severos aos que infringissem essas condições”.

Hoje, aos 70 anos, involuntariamente aposentado por doença, acha que o Brasil – contemplado pela natureza com a maior descar ga mé dia de água doce de todo o mun do: 34 mil metros cúbicos per ca pi ta /ano – não aprendeu a lição.“Aqui não falta água, fal ta água boa. To das as águas estão contaminadas pelo esgotamento sanitário”, lamenta. “As sim, fica di fí cil ex pli car ao mundo de água escassa que até nas cidades mais impor tantes da re gião ama zô ni ca, tais como Manaus e Belém, quase metade

das populações que aí vivem esteja sujeita aos mesmos problemas de saneamento básico que ocor rem nas regiões metropolitanas de Fortaleza, Recife ou São Paulo, por exemplo.”

■Vai ainda mais longe em suas crí ti cas: “Es ta mos perdendo tempo e enrolando o mundo, querendo que todos coloquem dinheiro aqui, quando tem um ser viço público três vezes mais caro do que lá fora, já que a cor rupção domina”. E vaticina: “O país vai precisar sofrer

“Aqui no Brasil não falta água. Falta boa água”, diz Aldo Rebouças

o que estão sofrendo os países carentes de água para aprender”. A água foi objeto de suas teses de mestrado e doutorado, na Univer sidade de Strasbourg, na França; e de pós­doutorado, na Univer sidade Stanford, nos Estados Unidos. Nas suas andanças pelo mundo, assistiu ao primei ro se mi ná rio pa tro ci na do pela Unesco, em 1965, em Washington, que resultou num programa mundial de estudos sobre as águas subter râneas. “Foi feito um balanço hidrológico e constatou­se que 30% da água

do pla ne ta era sub ter râ nea. O homem já tinha pisado na Lua e ain da não sa bia o que havia sob os seus pés...”

No início dos anos 1970, a nova descober ta fez a geologia “explodir” como a ciência do futuro, tendo como meca a França. Rebouças estava lá, desenvolvendo a tese de doutorado sobre a bacia Potiguar. “Mostrei que o projeto de desenvolvimento patrocinado pelo Banco Mundial estava instalado na região mais cara da bacia, sem nenhuma impor tância do ponto de vista hidro ló gi co. A re gião cor re ta, e mais barata, era a da Ser ra do Mel e de Ser ra Azul, onde estavam os minifúndios”, lembra.

Em meados de 1970 o Nordeste “não lhe coube mais”. Já casado com dona Suzana e com três filhos, Rebouças transferiuse para a Univer sidade de São Pau lo (USP), onde re a li zou o que considera a sua maior contribuição para a hidrologia brasi lei ra: des cre veu o aqüí fe ro Guarani, um manancial de água doce subter rânea de proporções gigantescas, localizado na região centro­leste da América do Sul, que se estende pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. “Descobri que o cristalino tem muita água”, resume, modesto. Até en tão a ci ên cia des crevia apenas uma par te dessa imensa for mação, o aqüífero Botucatu. A descober ta de Rebouças foi batizada pelo geólogo uruguaio, Danilo Anton, em memória dos povos indígenas da região. ■

V astos interesses

Pesquisas em temas variados e liderança acadêmica marcam a biografia de Ricardo Brentani

Em quase cinco décadas de carreira, o mé-dico e pes qui sa dor Ri car do Ren zo Brentani produziu cerca de 150 ar ti gos ci en tí fi cos em revistas inter nacionais que eviden ci am uma tra je tó ria ir requie ta. Já no terceiro ano do curso da Faculdade de Medicina da Univer sidade de São Paulo (FMUSP), que con clu i ria em 1962, Brentani assinou com o professor Michel Rabinovitch um ar tigo na revista Nature, sobre a atividade de uma enzima, a ribonuclease. Sob a liderança de Rabinovitch, que hoje é professor da Univer sidade Federal de São Paulo (Unifesp), Brentani fazia par te de um grupo de jovens pesquisadores que ganharia destaque no ambiente acadêmico, ao lado de Nelson Fausto, hoje professor da Univer sidade de Washington, Thomas Maack, que teve de deixar o Brasil em 1964 e fez car reira na Universidade Cor nell, e Sérgio Henrique Fer reira, professor da Faculdade de Medicina da USP em

Ribeirão Preto e ex­presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O início de car reira estudando a estrutura e a atividade do RNA, então um campo novo da ciência, levou Brentani a interessar­se por proteínas das membranas celulares, como colágenos e lamininas. Esse interesse geraria um ar tigo seminal, publicado na revista Science em 1985, mostrando que receptores de laminina estavam presentes nas membranas de estafilococos patogênicos. O es tu do, es cri to em parce ria com José Daniel Lopes, mostrou pela primeira vez como a bactéria Staphylococcus aureus deixava a circulação sangüínea para fazer abscessos a distância. Depois desse achado descobriu­se que outras bactérias e também protozoários patogênicos usavam o mesmo me ca nis mo. A des co ber ta abriu caminho para a busca de novas estratégias de desenvolvimento de drogas microbianas e quimioterápicas e recebeu 300 citações em outros ar tigos.

Outros ar tigos marcariam a car reira ir requieta do pesquisador, que nasceu em Trieste, na Itália, e radicou­se em São Paulo na infância. Ele trata com carinho especial três ar tigos que as si nou na Na tu re em 1964, 1967 e 1997. Os dois primeiros, no campo da bioquímica, foram feitos em parceria com sua mulher, a pro fes so ra da FMUSP Maria Mitzi Brentani (um deles, ali ás, re sul tou de sua tese de dou to ra do, sob ori en ta ção de Isaias Raw, que provou a ação do nucléolo no processamento do RNA­mensageiro). O artigo mais recente tem entre os autores a psi quia tra He le na Pau la Brentani, terceira dos quatro filhos do cientista, e trata de aspectos da doença psiquiátrica causada por príons, proteínas que se multiplicam como um ser vivo, que produz a doença incurável no cérebro conhecida como mal da vaca louca. A identificação de um receptor celular ligado à doença da vaca louca foi o mote de outro artigo publicado em 1997,

esse em parceria comVilma Martins, uma das pupilas de Brentani no Instituto Ludwig. “O Brentani é um pesquisador que pertence a uma categoria rara. Em vez de se enterrar num mesmo assunto a carreira inteira, como faz a maioria, teve a capacidade de descobrir problemas originais diversos para estudar e envolveu alunos e assistentes na busca por respostas”, define o professor Isaias Raw. “Conheci­o ainda estudante e ele já demonstrava uma notável capacidade de fazer pesquisa.”

Os sinais da influência acadêmica de Brentani vão muito além do elen co de pa pers que publicou. Em 1981 tor nou­se o primeiro professor titular da Faculdade de Medicina da Univer­

sidade de São Paulo e também do Brasil numa jovem especialidade, a oncologia, e foi um dos principais artífices da criação do ser viço de oncologia no Hospital das Clí ni cas de São Pau lo. Responsável pelo Laboratório de On co logia Ex pe ri men tal, um dos 62 laboratórios de investigação médica da faculdade, Brentani foi convidado por sucessivos diretores da FMUSP a presidir várias vezes a Comissão de Pesquisa da instituição.

■Na USP e à frente do braço brasileiro do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer entre 1982 e 2005, Brentani estimulou o florescimento de uma geração de pesquisadores, entre os quais Roger Chammas, hoje pro­

fessor do Departamento de Radiologia da FMUSP, o epidemiologista Eduardo Franco, que trabalha na Univer sidade McGill, no Ca na dá, e a bi o quí mi ca Lu i za Villa, sucessora de Brentani na direção do instituto. Franco e Luiza coordenam o estudo longitudinal Ludwig/ McGill, um dos maiores já feitos sobre a infecção de HPV e câncer cer vical em mulheres. “Se não tivesse vindo trabalhar conosco, talvez o Eduardo não tives se con quis ta do a re a li za ção profissional que obteve. A Luiza desenvolveu uma linha de pesquisa que foi crucial para o desenvolvimento de uma vacina contra o papilomavírus que já está no mercado e vai erradicar 5% dos tumores que atin gem os hu ma nos”, orgulha­se Brentani.

O cientista: cerca de 150 artigos em quase cinco décadas de carreira

Brentani: habilidade em levantar problemas originais e coordenar equipes

No período em que o cientista esteve à frente do Ludwig, o instituto dedicou­se intensiva men te a pes qui sas vol ta das para compreender as causas do câncer e identificar alvos de diag nós ti co e in ter ven ção te rapêu ti ca. A parce ria do Lud wig com o Hos pi tal do Cân cer –Fun da ção An tô nio Pru den te, em cujas instalações o instituto fun ci o nou até re cen te men te, aju dou a al can çar marcos impor tantes. No âmbito do Projeto Ge no ma Hu ma no do Câncer, uma rede de pesquisadores de 30 instituições liderados por Brentani conseguiu identificar, em menos de um ano, 1 milhão de se qüên ci as de ge nes de tumores mais freqüentes no Brasil e abriu caminho para a procura de novas for mas de diagnóstico

e tratamento do câncer a par tir do estudo de genes expressos. A par tir de 1990, o cientista passou a dirigir também o Hospital do Câncer, que, sob sua batuta, tor nou­se um centro de referência inter nacional.“Eu achava que o hospital devia ser mais que um hospital. Devia ser um centro de ensino e pesquisa. Em 1996 cre den ci a mos uma pósgraduação no MEC.Trata­se do único hospital privado que tem pós na área no MEC. A primeira avaliação foi 4, a segunda 6 e a terceira 7, a nota máxima. Foi um dos dois com 7 na área médica”, diz o pro fes sor. “Essa vi são de centro de ensino e pesquisa foi a redenção para o problema de recursos. Hoje é um hospital financeiramente sadio.” Agora o comando do hospital está a cargo de

um executivo, mas Brentani segue como diretor presidente do Conselho Administrativo.

■Em abril de 2005 assumiu o cargo de diretor presiden te do Con se lho Téc ni coAdministrativo (CTA) da FAPESP. “É uma posição honrosa que representa o coroamento de uma car reira”, disse o pesquisador. Aposentado na USP desde o último dia 21 de julho, quando com ple tou 70 anos, Bren ta ni viu­se, depois de muito tempo, longe de laboratórios. Mas não se queixa.“Passei minha car reira ajudando a for mar pessoas e estimulando­as a progredir. Não tem sentido, a essa altura, competir com a cria”, explica.“Hoje pre fi ro me li mi tar a conver sar com os garotos e dar palpites.” ■

I ndependênc I a ou morte I ndependênc I a ou morte

Escritora Ruth Rocha valoriza a criança com senso crítico

Ruth Rocha: “Criança precisa aprender o valor da liberdade e do respeito”

■“ Emí lia come çou uma feia bo ne ca de pano, dessas que nas quitandas do inte ri or cus tavam 200 réis. Mas rapidamente evoluiu, e evoluiu cabritamente – cabritinho novo – aos pi no tes. E foi ad quirindo tanta independência que, não sei em que livro, quan do lhe perguntam: ‘Mas que você é, afinal de contas, Emília?’, ela respondeu de queixinho empinado: ‘Sou a Independência ou Mor te’. E é.Tão independente que nem eu, seu pai, con si go do mi ná ­ la”, de sa ba fou Montei ro Lo ba to em car ta a um ami go. Pois é jus ta men te essa “fe ri nha” a gran de ins pi ra ção da es cri to ra Ruth Ro cha, autora de 130 livros infantis que já venderam mais de 12 milhões de exem pla res e fo ram tradu zi dos para 23 lín guas, en tre as quais hindu, chinês e grego. Tudo isso dis tri bu í do em 30 anos de car reira de muita coe­

rên cia. “A Emí lia me in flu enci ou para o res to da vida. Ela representa a força da ir reverência, do humor, da independência. Quan do es crevo his tó ri as, os valores que passo para as crianças são meus va lores. Te nho rai va de gen te au to ri tá ria e prezo a independência, a justiça, a liberdade, o respeito pela criança e pelo país”, conta. Daí a sua felicidade em poder lembrar que, “mandada pela Emí lia”, não se con ten tou com o fi nal de seu mai or suces so, Mar ce lo mar me lo mar te lo , em nome dessa coerência. “Ao ter mi nar a his tó ria, ia fa zer o per sonagem desistir, mas voltei atrás, pois pen sei que não podia aca bar sem dar um to que de es pe ran ça para os lei to res.” Outro grande prazer dessa “escri to ra es pive ta da” é, após ter to tal convic ção do que es creveu, sen tir os efei tos so bre as crianças. “Um dia, uma garoti­

nha que ti nha lido O rei zi nho mandão me encontrou e falou: ‘Eu era mu i to man do na, mas de pois do livro eu mu dei’. É mu i to im por tan te a cri an ça apren der o va lor do res pei to, da liberdade”, avisa. Paulistana, cresceu na Vila Mariana ouvindo as histórias que lhe contava o avô, Ioiô, que ensinou à peque na Ruth o pra zer de ler Ma cha do de As sis, Ma nu el Ban dei ra, Ce cí lia Mei rel les e seu ído lo mai or, Lo ba to. “Eu era uma me ni na in trover ti da, tímida, leitora compulsiva; mas, na in ti mi da de, era ex pan si va, ale gre e en gra ça da”, con fes sa. Por um “acaso do destino”, seu primeiro emprego foi na biblioteca do Colégio Rio Branco, em São Pau lo, onde o pa raí so estava ao alcance de suas mãos, nas es tan tes. Leu e não pa rou: hoje tem uma bi bli o te ca de 4 mil volumes.Tem também quatro filhos e 18 netos.

A posição ocupada não pare cia con di zer com a re cémfor mada em sociologia e política pela Uni ver si da de de São Paulo (USP), mas foi deter minante na escolha da sua car reira. Como vivia cercada por crianças, algo raro numa bibliotecária, a diretoria da escola convidou Ruth para ser orientadora pedagógica, que levou a jovem de volta para a academia, onde fez pós­graduação em orientação educa ci o nal na Pon ti fí cia Univer si dade Católica de São Paulo (PUC­SP), exercendo a nova profissão por 15 anos.

■O tempo foi precioso para a futura escritora, pois en si nou a ela a efe ti va men te entender as crianças a par tir da perspectiva dos pequenos, e não do alto, como adulta.“Esse conta to foi fun da men tal para eu entender as crianças. Minha linguagem se prende a um sentimento de grande solidariedade

“Não acho que as crianças sejam tão felizes como os adultos acham”

por elas. Acho mesmo que, embora se venda por aí a idéia de que são felizes (e, efetivamente, passam por momentos de grande ale gria), sin to que elas não são tão fe li zes as sim como os adultos pensam”, explica. “Elas se sen tem im po ten tes. Daí a identificação grande que sinto com as cri an ças, pois quan do era pequena sentia um forte desejo de liberdade, mas me sentia in ca paz e, logo, in fe liz. Isso, creio, acontece com as crianças também”, avalia. Assim o cuidado com o seu trabalho.“Tudo o que é fei to para cri an ças demanda cuidado, embora a mensagem não precise ser transmiti da de for ma tão ex plí ci ta. O autor tem de ter um veículo, ou seja, uma história boa e verossímil. Feito isso, ele pode tratar de qualquer tema”, avisa. Não sem razão, sua escola foi a imprensa. Em 1967 começou a escrever ar tigos sobre educação para a revista Claudia e foi uma das

criadoras da antológica Recreio, onde publicou, a partir de 1969, suas pri mei ras his tó rias. Foi pro movi da, den tro da Edi to ra Abril, a di re to ra da divi são de infanto­juvenis e, em 1976, lançou Marcelo mar melo martelo, sobre um me ni no que gos ta de inven tar no mes para as coi sas. Quando transfor mado em livro, ven deu mais de 1 mi lhão de exem pla res e con ti nua um hit da seção de infantis das livrarias. Em 1978, outro sucesso, O reizinho mandão.“Com sua linguagem lúdica, sua ironia e seu senso crí ti co, Ruth pas sa va lo res seriíssimos às crianças. Suas histórias abandonam a moral dos contos antigos e trazem verdadeiras lições de vida”, elogia a expecialista em literatura infantil Nelly Novaes Co e lho, da USP. “O tra ba lho de Ruth é um dos mais relevantes da literatura infantil no Brasil. Quando a criança lê seu livro, repensa si tu a çõ es que ocor rem na

vida real e passa a reagir de forma mais crítica a par tir dos novos va lo res apre sen ta dos por ela”, faz eco outra especialista do gênero, a professora Marisa Lajolo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Afinal, quantos autores podem se “ga bar” de ter con se gui do adaptar para a garotada a Odisséia , de Ho me ro, fru to de três anos de pesquisa, e que vendeu 6 mil exemplares em 15 dias?

■Tan to cu i da do com sua obra ren deu ­ lhe qua tro prê mi os Ja bu ti, da As so ci a ção Paulista de Críticos de Arte, e o Monteiro Lobato, da Academia Brasileira de Letras, bem como teve seu nome incluído várias vezes para o Hans Christian Andersen, o “Nobel dos infantis”. Em especial, o que chama a atenção na literatura de Ruth é seu manejo impecável da linguagem, acertado na medida para seus leitores. “Sua vasta produção or­

questra um diálogo interno constante, o que possibilita que seus livros sem pre se re novem e se en ri que çam. O hu mor, por exemplo, dessacraliza o texto, patrocinando um olhar maroto ao tema”, nota Marisa Lajolo. Para a pesquisadora, Ruth traz a realidade de seu tempo para dentro da obra e, depois de deixar o leitor sor rindo, devolve a ele essa realidade.“Mas, na operação de rir do nar rado, o leitor já está crítico e lúcido.Transfor mado pela leitura divertida”, analisa. Isso está pre sen te em Lei la menina, O jacaré preguiçoso, A menina que não era maluquinha, Mil pás sa ros pelo céu , na sé rie das Aventuras de Alvinho, em Sapo vira rei, vira sapo e nos seus muitos outros originais, bem como nas histórias que reconta, incluindose mes mo a Flau ta má gi ca , de Mozart, e os Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm. Com toda essa ex pe ri ên cia, Ruth dá um conselho para os pais comprarem

livros para seus filhos, tomando cuidado com a grande “quantida de de porca ria que está no merca do”. “Lei am com sen so crítico. História para criança não é bobagem, pois se está for mando uma mente. É preciso inspirar as crianças a ir mais longe, a criticar o que está errado. Há, por aí, muita história sem pé nem cabeça, livros que ensinam conformis mo. To mem cu i da do com isso. É o futuro de seus filhos que está nessas páginas. Mas como ter adultos capazes de escolher livros com sabedoria se eles mesmos não lêem?” Boa pergunta e que merece uma reflexão dos pais. Ruth já sabe a sua resposta. Perguntada se a Ruth criança gostaria dos livros da escritora Ruth Rocha, não titubeia. “Adoraria, pois, quando jovem, gostava desse estilo lobatiano, de histórias en gra ça das e as ser ti vas”, diz. “Minha literatura não traiu, não.” Ninguém duvida. E quem souber, que conte outra. ■

O engenheir O da fl O resta

Sem olhar somente para as nuvens, Carlos Nobre tornou-se um dos

mais combativos defensores da Amazônia

Em ou tu bro de 1975, com a ha bi tual voz baixa e pau sa da, José Dion de Melo Teles, então presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligou para Warwick Estevão Kerr e anunciou: “Está aqui um en ge nhei ro do ITA que quer tra ba lhar na Amazônia”. Sempre acolhedor, à fren te do Ins ti tu to Na ci o nal de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Kerr pe diu: “Man da ele para mim”. For mado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Carlos Affonso Nobre ti nha en tão 24 anos, grandes es pe ran ças e um pro ble ma imediato para resolver: ar rumar roupa para viajar no dia seguinte a Ma naus; como até aque le momento pensava em voltar do Rio no mes mo dia, não leva ra bagagem.

Essa conver sa o colocou em uma trajetória que não o levou só à Amazônia, já então sob intenso desmatamento por causa dos projetos agropecuários apoiados pelo gover no federal, mas o tor naria um dos maiores especialistas em Amazônia, respeitado

mundialmente – o trabalho científico de Nobre é hoje essencial para entender as relações entre a floresta tropical e o clima, os impactos dos desmatamentos no clima regional e global e os impactos do aquecimento global na Amazônia.

Tempos depois, com o apoio de Kerr, ele se mu dou para Cam brid ge, nos Es ta dos Unidos, para fa zer dou to ra do em meteorologia com o reconhecido Jule Char ney no Instituto de Tec no lo gia de Mas sa chusetts (MIT). Teve de es tu dar mu i to so bre nu vens, chu vas e cor rentes de ar, mas não ficou só nos livros. Acom pa nhou as passeatas do movimento ambientalista emergente e aproveitou para assistir às palestras do ci en tis ta po lí ti co Noam Chomsky, cu jos livros co meçou a ler com avidez.

“Chomsky me aju dou a consolidar o conhecimento de como fun ci o nam as re la çõ es políticas e sociais no mundo”, con ta ele. Foi tam bém como descobriu que era de fato possível pensar politicamente com in de pen dên cia. Par ti ci pou do

movimento estudantil e era por demais crítico, o que lhe trouxe alguns problemas no ITA. Esse pau lis ta no nas ci do em 1951 descobriu no meio do cur so de engenharia eletrônica que gostava mesmo era de fazer pesquisa. Seu trabalho de conclusão de cur so era um modelo matemáti co de dis per são de po lu en tes em São José dos Campos, a meio caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Ao voltar do MIT, começou a trabalhar no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também em São José dos Campos. Ten tou, mas não se sen tiu con for tá vel nas rou pas de pesquisador ambiental típico; difícil sa ber se foi por ter lido Chomsky ou, lá pelos 15 anos, o Primavera silenciosa, o livro de Rachel Car son que abriu os olhos do mundo (e dele próprio) para a consciência ambiental ao mostrar como um inseticida, o DDT, não ma tava só in se tos, mas também outros animais, inclu si ve o ser hu ma no. No bre mer gu lhou en tão nas lei tu ras sobre a história e as políticas de ocupação da Amazônia.

“Acho que hoje leio mais so bre ge o po lí ti ca do que sobre me te o ro lo gia”, co men ta, exem pli fi can do al guns au tores pre fe ri dos: a ge ó gra fa Ber tha Bec ker, da Uni ver sida de Fe de ral do Rio de Janei ro (UFRJ), o so ció lo go ar gen ti no Edu ar do Vi o la, da Uni ver si da de de Bra sí lia (UnB), e o an tro pó lo go Rober to Araú jo, do Mu seu Paraen se Emí lio Go el di. In te­

PESQUISA FAPESP

res sa do por ci ên ci as so ci ais, ain da que nem sem pre se sinta à von ta de com os con ceitos que po dem levar para um lado ou para ou tro, gos ta tam bém de con ver sar com pes qui sa do res como o an tropó lo go cu ba no Emí lio Moran, pro fun do co nhe ce dor da Ama zô nia bra si lei ra que atual men te li de ra um gru po de pes qui sa na Univer si da de de In di a na, nos Es ta dos Uni dos.

As lei tu ras, conver sas, vi agens, o trabalho e, claro, a visão de mun do pró pria de quem co me çou a tra ba lhar aos 14 anos e estudou em escolas públi cas de pe ri fe ria fi ze ram de No bre um dos mais com ba tivos de fen so res da Ama zô nia e res pei tá vel crí ti co da po lí ti ca pública – ou da falta de política, como ele diz – do gover no fe de ral para a mai or flo res ta brasileira.

FABIO COLOMBINI

“Um modelo de desenvolvimento capaz de efetivamente integrar a Amazônia à economia nacional deve ser baseado em ciência e tecnologia, mas o gover no federal ainda não acredi ta que deva inves tir pe sa damente na Amazônia”, comenta. Para ele, por trás dessa situação persistem resquícios de uma visão arcaica, segundo a qual a Amazônia seria apenas um espaço a ser conquistado, em nome da soberania nacional, como há 30 anos – e não um espaço de riquezas e oportunidades de valor mundial que preservem a floresta. “Os 500 anos de exploração da Amazônia geraram apenas quatro produtos globais, a castanha, a borracha, o guaraná e o açaí”, observa. “Será que a Amazônia não pode ofe re cer mais e ser uma matriz de escala global?”

■Dotado da rara habilidade de apresentar os problemas ambientais em linguagem simples, Nobre às vezes cria termos – e encrencas. Em um estudo publicado em 1991 na revista Journal of Climate, ele lançou o ter mo savanização para descrever o que pode acon te cer com a Amazônia em conseqüência do desmatamento e do aquecimento global: a floresta alta, densa e úmida pode se transfor mar em ou tro tipo de flo res ta, me nos densa, mais seca e menos rica em biodiversidade, como o Cer rado, um tipo de savana. Os especialistas em Cer rado se revoltaram: como um engenheiro ousa depreciar o Cer rado? Seu propósito, evidentemente, não era provocar nem ofender, mas aler tar para perdas que, a seu ver, podem ser evitadas.

Anos atrás, em um momento de autocrítica da ciência brasileira, Nobre comentou na TV que os cientistas do Experimento de Grande Escala da Biosfera ­ Atmosfera na Amazônia

Nobre, ao avaliar o desempenho da primeira fase do LBA: “Tínhamos a ilusão de que o conhecimento naturalmente se converteria em tecnologia”

(LBA), um programa internacional de pesquisas que ele havia ajudado a planejar e a coordenar, haviam obtido muito conhecimento sobre a Amazônia, mas não sabiam como transfor má­lo em políticas públicas para a região. “Tínhamos a ilusão de que o conhecimento naturalmente se conver teria em tecnologia”, diz. Reestruturado, o LBA começa uma segunda fase no próximo ano e talvez consiga suprir essa deficiência. Em agosto, muitos anos depois de se embrenhar pela floresta por expedições de quase dois

meses, medindo o fluxo de gás car bô ni co e de va por d’água, Nobre esteve por uma semana no nor te de Mato Grosso. Seu propósito era ver como andava o desmatamento. Gostou do que viu. Pela primeira vez, nas conversas e no campo, notou que o desmatamento ilegal começa a não ser mais socialmente aceito. “A floresta começa a ser tratada com mais respeito”, comentou No bre en quan to se gu rava no colo uma quase­poodle preta à frente da casa em que vive com a esposa, Ana Amélia Costa, oito cães e oito gatos. ■

E scolha

ac E rtada

Magno Patto Ramalho participa do melhoramento

genético do feijoeiro há mais de 30 anos ciência

Planta de ciclo curto, o feijoeiro ideal tem alta produtividade, resistência a doenças e boas propriedades culinárias

■De fala man sa, o mi nei ro Mag no Anto nio Patto Ramalho conta que a escolha da profissão, feita por falta de opção, foi a decisão mais acer tada da sua vida. “Hoje es tou cada vez mais convicto de que aprendemos a gostar das coisas”, diz o professor do cur so de agronomia da Univer sidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Ge rais, es pe ci a li za do em genética e melhoramento de plantas. Filho de pai fer roviário, constantemente transferido de cidade, Magno queria ser en ge nhei ro ci vil, para construir fer rovias e ser um pro fis si o nal bem ­ su ce di do.

Aos 15 anos, depois de várias mudanças, voltou para Ribeirão Ver melho, cidade ao sul de Minas onde nasceu, com cerca de 4 mil habitantes. Após terminar o colegial em Lavras, mu ni cí pio vi zi nho, de ci diu estudar agronomia ali mesmo, já que não ti nha como se man ter em Be lo Ho ri zon te para cur sar engenharia civil. O caminho profissional de Magno Ramalho, hoje com 59 anos, casado e pai de dois filhos adultos, começou a ser traçado em 1968, quan do es tava no segundo ano da faculdade. “O professor de genética me disse que estava indo embora e que eu ficaria no lugar dele”, con­

ta. Alguns anos depois isso efetivamente ocor reu. Logo após a for matura foi contratado em 1971 como auxiliar de ensino e começou a dar aulas, inicialmente de estatística. O professor de ape nas 22 anos teve como primeiro desafio encarar uma tur ma com 180 estudantes. Naquela época, eram poucos pro fes so res para mu i tos alunos. Em pouco tempo realizou a profecia do antigo professor e começou a dar aulas de genética na univer sidade. Passados 36 anos, Magno Ramalho já par ticipou da for mação de mais de 4 mil agrônomos. Em 1972, um ano após ser contratado pela univer sidade

mineira, mudou­se para Piracicaba, no interior de São Paulo, para fazer o mestrado em agronomia genética e melhoramento de plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universi da de de São Pau lo, onde também fez o doutorado.

Ain da na gra du a ção viu desper tado seu interesse pela cultura do feijoeiro. “Escolhi o feijoeiro para meu trabalho de conclusão de cur so porque é uma cultura de ciclo cur to”, conta o professor. “Foi amor à primeira vista e desde então tenho trabalhado com melhoramento dessa planta.” Magno Ra ma lho tra ba lhou com outras espécies durante cur tos períodos de tempo, mas calcula que 85% da pesquisa realizada nesses anos todos tem como tema o feijão. O foco principal do me lho ra men to ge né ti co, área de sua pesquisa, é aumentar a produtividade da cultura. “Para isso precisamos de cultivares tolerantes ao estresse biótico causado por agentes patogênicos”, relata.

■Nas três últimas décadas par ti ci pou ati vamente do processo de redução de da nos pro vo ca dos pelas doenças, com expressivos avanços. “Inúmeras linhagens de cultivares resistentes a uma ou mais raças de determinado patógeno foram obtidas, mas a vi da útil des sas li nha gens é efê me ra e logo aparecem novas raças exigindo a substituição da cultivar”, diz. Ramalho ressalta que esse é um trabalho conjunto, feito por um pe que no gru po de melhoristas que tem dedicado a vida a isso. Por essa ra zão acredita que o prêmio recebido por ele é tam bém um re co nhe ci men to ao tra ba lho dos colegas.

Magno Ramalho acompanha no campo o resultado dos melhoramentos feitos na cultura do feijoeiro

Além do trabalho com os patógenos, com a introdução do feijão­carioca, o pesquisador e outros melhoristas deram início à seleção para obter vários tipos de feijão semelhante ao carioca, porém mais produtivos que o original.“O melhoramento é uma acumulação de vantagens, vamos sempre acrescentando alguma coisa nova”, diz. Isso re sul tou em novas li nha gens sur gi das nes ses 30 anos que o feijão­carioca está no mercado. A busca é sempre por linhagens que associem alta pro du tivi da de, re sis tên cia a inúmeras doenças, cor de grãos dentro do padrão comercial e

boas propri e da des culi nárias. “Para conseguir um feijão com pa drão co mer ci al, exis tem mu i tas di fi cul da des a se rem ultrapassadas”, relata o pesquisador.

Apenas com a cor do grão existem pelo menos 18 genes des cri tos. Isso sig ni fi ca que quando se cruza uma linhagem ca ri o ca com ou tra de padrão de cor diferente, o preto por exemplo, para recuperar uma ou tra li nha gem com pa drão ca ri o ca, é ne ces sá rio manusear alguns milhares de plan tas, pois a pro ba bi li da de de se concentrarem todos os alelos (genes que deter minam

características) favoráveis à cor desejada é muito pequena.

Durante um cur to período, de 1979 a 1981, esteve afastado da univer sidade, mas manteve o vínculo. Foi quando, a convite, ocupou o cargo de chefe adjunto técnico da Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas, Mi nas Ge rais. “Foi uma ex pe ri ên cia mu i to boa, que me per mitiu entender melhor o agro ne gó cio e as vá ri as nuances das pesquisas em um país da dimensão do Brasil”, diz o pesquisador. Em 1982 voltou para a univer sidade e envol veu ­ se de fi ni tiva men te com o ensino de genética. Em

1986 par ticipou da criação do programa de pós­graduação da Ufla, que já titulou cerca de 300 mes tres e dou to res em ge né ti ca e me lho ra men to. Desses, pelo menos 70 mestres e 20 doutores foram orientados por Ramalho, que também foi coordenador do programa entre 1988 e 1993. “Em todo o lugar do Brasil que eu vou encontro um ex­aluno”, diz o professor. “Isso significa que ajudei a for mar alguém, dar um rumo na vida.” A extensão univer sitária também sempre esteve presente em sua vida profissional, por meio de palestras, dias de campo, visitas

e atendimento a agricultores. “O contato com os agricultores é essencial para os melhoristas, significa a opor tunidade de identificar problemas que po dem ser re sol vi dos pelo me lho ra men to ge né ti co”, relata.

■ O livro Genética na agropecuária , de au to ria de Ramalho em parceria com João Bosco dos Santos e César Augusto Pereira Pinto, está na terceira edição e é utilizado em quase todos os cursos de ciências agrárias do Bra sil. En tre as vá ri as ati vi da des administrativas que tomou parte destacam­se o cargo de presi den te re gio nal de Mi nas Gerais da Sociedade Brasileira de Genética, de membro do comitê assessor da Coordenação de Aper fei ço a men to de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, e de membro da Comissão Técnica Nacional de Biosse gu ran ça (CTNBio), do Ministério da Ciência e Tecnologia. Preside atualmente a Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas, associação que ajudou a criar em 1993, e também é membro do comitê assessor de agronomia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Mi nha luta é para que os órgãos de fomento percebam que o melhoramento convencional não pode acabar, porque a so ci e da de hu ma na sempre viveu em função disso”, diz Ramalho. “As técnicas biotecnológicas moder nas são uma fer ramenta adicional, mas a seleção de plantas foi, é e continuará sendo a principal força que a sociedade tem para moldar as plantas e os animais, visando atender os seus interesses de alimentos, fibras, frutos e medicamentos.” ■

ÂNGELO
ABREU/UFLA

Foto publicitária

1º lugar

Tim: viver sem fronteiras, de Gustavo Lacerda

2º lugar

Abraço, de Ricardo de Vicq

1º

M elhores F otos

■Nestas duas páginas é possível ver as fotos vencedoras do Prêmio FCW de Arte 2006, categoria Foto Publicitária. Gustavo Lacerda ganhou com Tim: viver sem fronteiras, da agência Lew Lara. O segundo lugar ficou com Ricardo de Vicq, com Abraço, da agência

TBWA/BR. Nas quatro páginas seguintes estão os Ensaios Fotográficos. O primeiro lugar é de Tiago Santana, com O chão de Graciliano, e o segundo ficou com Julio Bittencourt, com o trabalho Numa janela do edifício Prestes Maia 911 Os ganhadores dividiram um prêmio de R$ 286 mil. ■

2º

1º lugar O chão de Graciliano, de Tiago Santana

ensaio FotográFico

2º lugar

Numa janela do edifício Prestes Maia 911, de Julio Bittencourt

ensaio FotográFico

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP

Ligada à Secretaria de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo, é uma das principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica do país. Desde 1962 a FAPESP concede auxílio à pesquisa e bolsas em todas as áreas do conhecimento, financiando outras atividades de apoio à investigação, ao intercâmbio e à divulgação da ciência e tecnologia em São Paulo.

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes

Fundação vinculada ao Ministério da Educação, tem como missão promover o desenvolvimento da pós­graduação nacional e a for mação de pessoal de alto nível, no Brasil e no exterior. Subsidia a for mação de recur sos humanos altamente qualificados para a docência de grau superior, a pesquisa e o atendimento da demanda dos setores público e privado.

Conselho Nacional de Desenvolvimento

Científico e Tecnológico – CNPq

Fundação vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), para apoio à pesquisa brasileira, que contribui diretamente para a for mação de pesquisadores (mestres, doutores e especialistas em várias áreas do conhecimento). Desde sua criação, é uma das mais sólidas estruturas públicas de apoio à ciência, tecnologia e inovação dos países em desenvolvimento.

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

Fundada há mais de 50 anos, é uma entidade civil, sem fins lucrativos, voltada principalmente para a defesa do avanço científico e tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil.

Academia Brasileira de Ciências – ABC

Sociedade civil sem fins lucrativos, fundada em 3 de maio de 1916, tem por objetivo contribuir para o desenvolvimento da ciência e tecnologia, da educação e do bem­estar social do país. Atualmente reúne seus membros em dez áreas: Ciências Matemáticas, Ciências Físicas, Ciências Químicas, Ciências da Ter ra, Ciências Biológicas, Ciências Biomédicas, Ciências da Saúde, Ciências Agrárias, Ciências da Engenharia e Ciências Humanas.

Academia Brasileira de Letras – ABL

Fundada em 20 de julho de 1897 por Machado de Assis, com sede no Rio de Janeiro, tem por fim a cultura da língua nacional. É composta por 40 membros efetivos e per pétuos e 20 membros cor respondentes estrangeiros.

Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial – CTA

Criado na década de 1950, é uma organização do Comando da Aeronáutica que tem como missão o ensino, a pesquisa e o desenvolvimento de atividades aeronáuticas, espaciais e de defesa, nos setores da ciência e da tecnologia.

JÚRI DOS PRÊMIOS FCW

CIÊNCIA GERAL

INSTITUIÇÃO DE ORIGEM PARCEIRA QUE INDICOU

Erney Plessmann Camargo – Presidente do Júri CNPq FCW

Alejandro Szanto de Toledo USP FAPESP

Gerhard Malnic USP CNPq

Isaac Roitman

Min. da Ciência e Tecnologia Min. da Ciência e Tecnologia

Marco Antonio Sala Minucci IEAv CTA

Osvaldo Augusto Brazil Esteves Sant’Anna

Instituto Butantan SBPC

Walter Colli USP

CIÊNCIA APLICADA À ÁGUA

ABC

José Galizia Tundisi – Presidente do Júri IIE FCW

Eric Arthur Bastos Routledge Seap/PR Sec. de Aqüicultura e Pesca

José Almir Cirilo UFPE CNPq

Mônica Ferreira do Amaral Porto USP FAPESP

Ricardo Hirata USP SBPC

Sergio Antonio da Conceição Freitas IEAPM Marinha do Brasil

CIÊNCIA APLICADA AO CAMPO

Jorge Almeida Guimarães – Presidente do Júri Capes FCW

Armando Bergamin Filho Esalq/USP CNPq

Ernesto Paterniani Esalq/USP SBPC

Félix Humberto França Embrapa Ministério da Agricultura

Joaquim José de Camargo Engler FAPESP FAPESP

José Oswaldo Siqueira

UFLA Capes

José Roberto Postali Parra Esalq/USP

CIÊNCIA APLICADA AO MEIO AMBIENTE

ABC

Carlos Alberto Vogt – Presidente do Júri FAPESP e Unicamp FCW

Adalberto Luis Val USP

Bráulio Ferreira de Souza Dias

Fabio Rubio Scarano

Ministério do Meio Ambiente

ABC

Ministério do Meio Ambiente

UFRJ Capes

Marcus Luiz Barroso Barros Ibama CNPq

Umberto Giuseppe Cordani

Vera Lucia Imperatriz Fonseca

MEDICINA

Renata Caruso Fialdini – Presidente do Júri

Erney Felicio Plessmann de Camargo

IEA/USP FAPESP

USP

FCW

SBPC

FCW

CNPq FAPESP

Moacyr Scliar ABL ABL

Moisés Goldbaum

LITERATURA

Celita Procopio de Carvalho – Presidente do Júri

Alfredo Bosi

Ministério da Saúde Ministério da Saúde

FCW

IEA/USP

Benjamin Abdala Jr. USP

Carlos Alberto Ribeiro de Xavier

Carlos Alberto Vogt

Domício Proença

Elmer Cypriano Barbosa

FCW

CNPq

Capes

Ministério da Educação Ministério da Educação

FAPESP e Unicamp FAPESP

ABL

Fundação Biblioteca Nacional

Marisa Philbert Lajolo Unicamp

ABL

Ministério da Cultura

SBPC

cronograma da premiação 2007

Prazo para recebimento

29 de fevereiro de 2008 das indicações pela FCW

Preparação dos dossiês Março de 2008 dos indicados

Julgamento e escolha dos premiados

Março e abril de 2008

Divulgação dos trabalhos

Abril de 2008

Premiação

2 de junho de 2008

Fundação Conrado Wessel www.fcw.org.br

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Prêmio FCW 2006 by Pesquisa Fapesp - Issuu