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Conversa no Píer revista outubro 2014

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Conversa no Píer Clínica Literária Editora Ano II - Outubro de 2014 www.conversanopier.com.br

Andy

Cuba O Velho

e o Mar

Fuentes

Garcia

Jonh

desde

Hemingway

PocketShip Novo veleiro e Defensas by

Peazê


Porque a vida com um barco é melhor


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A Conversa no Píer é uma publicação digital da Clínica Literária Editora, Agência de Notícias e Serviços Ltda. e do Instituto Brasil Costal - BRCostal Copyright © Todos os direitos reservados Editor Luís Peazê (MTB 24338)

Contato: redacao@clinicaliteraria.com.br +55 21 3648 5413 www.clinicaliteraria.com.br

Indíce Editorial ...5 Exclusiva Jonh Hemingway [ENTREVISTA] .....7 e 9. direto de Cuba - 60 anos de O Velho e o Mar

O contexto da entrevista......8 e 11 avant première: Andy Garcia, Hemingway & Fuentes ......13 PocketShip o novo veleiro mini-cruzeiro construido por Peazê ....................15

Defensas artesanais, feitas com as técnicas da marinharia tradicional ...........................17

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John Hemingway - escritor e tradutor, filho de Gregory Hemingway, por sua vez filho de Ernest Hemingway. John é autor do livro de memórias da família Strange Tribe, um relato corajoso e comovente centrado na figura do pai e do avô. John vive em Montreal e tem dois filhos com Ornella.


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?...Por que esta

edição sobre

Hemingway

E

sta edição da Conversa no Píer destaca Hemingway por mais de uma razão. É verdade que, sendo o tradutor de Por Quem os Sinos Dobram, no Brasil, estou sempre permeável às notícias sobre a vida e obra de Hemingway, autor do clássico O Velho e o Mar e de uma lavra fabulosa. Mas veja só: desde 2012 tenho mantido contato com o ator, produtor e diretor Andy Garcia, que, a quatro mãos com a sobrinha de Ernest Hemingway, Hillary Hemingway, escreveu o roteiro Hemingway & Fuentes (produção ora em curso), baseado na relação do célebre escritor com seu “skipper”, o canário-cubano Gregório Fuentes, e tive o privilégio e a honra de contribuir com algumas modestas recomendações, para Andy Garcia, sobre o barco ideal do personagem Santiago, daquela novela vencedora do Prêmio Nobel de 1954; bem, em 2014, celebra-se 60 anos deste prêmio e outras efemérides em torno de “Papa”; e as coincidências não param aí, John Hemingway, amigo de boas jornadas e confidências, neto de EH, representa o famoso avô em Cuba, acompanhando uma expedição de acadêmicos interessados no estudo da população (decrescente) de tuna nas águas entre a Ilha e a Flórida, e, claro, as celebrações; John me concedeu a entrevista enquanto embarcava em Montreal para Havana, durante e após movimentada programação em Cojimar, vila de pescadores onde viveu e morreu Fuentes; ainda, ao me preparar para construir um minicruzeiro de madeira, o PocketShip, tive o sonho, de olhos abertos, de construir uma réplica do Pilar, barco de pesca que Hemingway utilizava para procurar submarinos alemães naquelas águas; mergulhei fundo no sonho e obtive 128 páginas do FBI, de relatórios oficiais sobre a suposta contra-espionagem que Hemingway fazia enquanto viveu em Finca Vigia (casa de vigilância), em Cuba. - Merecia ou não uma edição especial da Conversa no Píer ? ©

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Luís Peazê


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(Recorte da primeira de 128 páginas obtidas do FBI - EUA)

(Recorte da Segunda de 128 páginas obtidas do FBI - EUA)


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Conversa com John Hemingway, de Montreal, embarcando para Cuba. Por Luís Peazê

- Olá John, tudo bem? Olha só que radar, ou, melhor, que ressonância do universo: dirigindo de Saquarema para o Rio, sonhei de olhos abertos em construir uma réplica do Pilar, o barco de Hemingway. Agora fico sabendo que você está indo à Cuba, para celebrar os 60 anos de O Velho e o Mar, a premiação do Nobel e essa missão científica interessante. Merece uma entrevista exclusiva. - Absolutamente, meu amigo. Embarco hoje à noite, em Montreal, e chego em Havana amanhã, com Pat (seu irmão, fotógrafo profissional). Lá nos engajaremos com uma equipe americana de cientistas marinhos, que trabalha na proteção da pesca e do Estreito da Flórida. Vamos nos comunicando. - Obrigado, John. Põe no topo da sua lista uma foto ao lado de Pilar (promessa cumprida, vide capa) e outra em Cojimar. Continuo em contato com Andy Garcia, como você sabe, e as filmagens de Hemingway & Fuentes estão na ponta da agulha. Por falar nisso, posso me meter na sua conferência, em Cojimar? - Lembre de Fuentes ter revelado que, ao receber a notícia do Prêmio Nobel, Hemingway estava a bordo do Pilar, pescando, e fez um esgar de felicidade, apenas; mas o Papa demonstrava alegria mesmo, como uma criança, quando fisgava um marlin... - Verdade? - Eu não sabia disso. Mas se tratava do Prêmio Nobel?

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[Encontrei esta foto de John, de uma pescaria em Key West, FL (2005), e infelizmente ele não lembra do nome do pescador a bordo] Este é o resumo do vôlei de mensagens que trocamos na véspera de sua viagem, depois nos aprofundamos. No contexto, a seguir:


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John Hemingway foi convidado, pelo governo cubano, para participar das celebrações de efemérides envolvendo a presença histórica de Hemingway em Cuba e para aderir ao planejamento de Cuba para a proteção dos recursos naturais do Estreito da Flórida. Acompanharam a comitiva cultural e científica um grupo americano de acadêmicos e especialistas da pesca esportiva. A viagem foi organizada pelo Grupo de Estudos da América Latina, pela Conferência Americana para a Ciência e Assuntos Globais, ambos com sede em Washington, DC, em comunhão com a Global Arts/Media, de New York. Os eventos celebrados foram: - 80 anos da primeira viagem de Hemingway a bordo do Pilar, de Key West, FL a Cuba; - 80 anos da primeira catalogação de marlin, por Hemingway para a Academia de Ciências Naturais da Filadélfia, no verão de 1934. - 60 anos do Prêmio Nobel de Literatura, O Velho e o Mar, celebrado na antiga residência de Hemignway, Finca Vigia, onde encontra-se restaurado o seu iate Pilar.

...o contexto da conversa com John Hemingway: Pela primeira vez, após tantos anos, a existência de Hemingway, vida e obra, na cultura e política de Cuba e no cenário mundial da literatura, parece receber uma homenagem integral de verdade. 2014 coincide com a celebração dos 80 anos da primeira viagem de Hemingway, a bordo do Pilar, até Havana. Nesse iate, Hemingway iria, em 1942, engajar-se na missão pitoresca de vigiar as águas entre Cuba e Flórida, a procura de submarinos alemães (em plena guerra mundial), munido com bombas caseiras ameaçando atacar de verdade nazistas naquelas águas. John conta que ouviu de seu pai, filho prodígio de Hemingway, e de seu tio, Lancester (irmão de Hemingway), pai de Hilary Hemingway (co autora com Andy Garcia do roteiro de filme Hemingway & Fuentes) que “Papa”, como era chamado pelos cubanos o célebre escritor, preparava ele mesmo, com a ajuda de seu pequeno exército de mercenários na Ilha, granadas caseiras, e saia para o mar com a disposição de atirar com a mão aqueles artefatos, caso avistasse submarinos alemães. Não há um só registro dos U-boats nazis, naquelas águas, feito por Hemingway, mas a história das missões é verídica. E pitoresca, portanto. Aproveitando de uma lei americana para residentes no país, que permite acesso a documentos do FBI que uma vez teriam sido ultra secretos, obtive cópias de 128 páginas de relatórios oficiais sobre a atuação de Hemingway na contraespionagem. Nestes documentos, que ora traduzo, logo no início um agente do FBI reporta ao seu superior de que forma e subordinado a quem Hemingway conduzira suas atividades de contra-espionagem (este é o termo empregado), enquanto vivia em Cuba. Cita nomes de embaixadores e oficiais das forças armadas americanas, ente outros. Hemingwaw montou um grupo com nada menos do que garçons, cozinheiros, pescadores e, certamente, companheiros de bebidas e tardes fumando charutos e jogando poker no Floridita, lendário bar da Havana Velha. Hemingway dispunha de verba específica para gasolina e alimentação; obtivera recursos para reequipar o Pilar como um autêntico vaso de patrulha marítima, incluindo a garantia de tratamento de “casualidade de guerra” para eventuais perdas humanas, significando obviamente compensações financeiras para a família de um desafortunado.

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Curiosamente, John revela que a primeira vez que ouviu sobre Pilar, foi quando vivia na casa de seu tio Lancester (pai de Hilary), em Key West, FL, onde ele teve contato com o clássico Por Quem os Sinos Dobram. Em um belo conto autobiográfico, John relata como “Uncle Les” (tio Les) lhe surpreendeu lendo o romance e lhe disse: - ele (EH) escreveu esse livro para rapazes como você, pequeno John (...continua na página 10).


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Conversa com John Hemingway, retornando de Cojimar, Cuba. Por Luís Peazê

- Bem, sobre Cojimar, Luis, eu realmente não sabia o que esperar. Fiquei impressionado pela recepção que tivemos e pelo carinho e boa vontade das pessoas locais. Esta foi a primeira resposta de John, que acabara de acordar, quando lhe contactei uma semana após ele viajar para Havana. Ainda de ressaca, jet leg e o coração palpitando pelas lembranças que foram desabrochando de sua memória e de sua represa sentimental. Referências ao seu próprio pai, tios e o avô famoso; os lugares e as pessoas que conviveram com eles, que estudaram suas obras e escreveram sobre suas vidas. O fato de estar acompanhado do irmão mais novo, e um sentimento meio contrariado de estar assumindo uma linha de frente de representatividade do ícone Ernest Hemingway... E foi com esta estocada que resolvi reinicar a conversa com meu amigo. John não ficou à vontade com a pergunta, mas eu a repeti: - Parece que você, sendo o único Hemingway vivendo exclusivamente de escrever livros e artigos para periódicos, e tão próximo na linha de paternidade com o grande EH, é a bola da vez para ficar à frente como o representante do homem e sua obra? - Prefiro colocar esta pergunta, neste momento, numa perspectiva com relação a Cuba: eu gosto de viajar, eu escrevo e eu sinto muito pelas pessoas carentes, elas merecem muito mais do que elas tem. Eu gostaria de ajudá-las, de alguma forma. Mas isso não depende só de mim. Quanto ao resto, eu posso, mas só o tempo e as circunstãncias dirão. - Em Cuba se paga royalties para publicar e usar o nome Hemingway? - Não. E eles tem problemas, não tem permissão para publicar Hemingway. Conversei com editores e escritores locais e vou tentar ajudar. - John, seu livro Strange Tribe (Uma Tribo Estranha) está lá? - Não e eu quero mudar isso. É uma batalha que eu vou encarar. Mas a política entre Cuba e Estados Unidos é surreal. - Você disse que retornará a Havana em maio próximo, para o torneio Hemingway de pesca. Alguma coisa já poderá ter sido feita até lá, quando você acha que esta situação entre EUA e Cuba se definirá, afinal de contas? - Espero que essas viagens sejam mais do que um socorro a médio e longo prazos, para melhorar a situação. Eu penso que as questões ambientais e os eventos em torno do legado de Hemingway são igualmente importantes, porque ambos estão bem interligados. Eu gostaria que o bloqueio acabasse logo e pretendo continuar trabalhando nesta questão ambiental, com relação às espécies migratórias no Estreito da Flórida, importantes para os dois países, para dizer o mínimo. Os cubanos, como um todo, estão longe de serem abastados. Eu acho que Cuba possui um enorme potencial mas as pessoas precisam ter chance de fazer as coisas que querem fazer, a começar pela livre expressão e criatividade, incluindo suas paixões. O povo cubano precisa reconstruir a Ilha do jeito que eles a querem. E eu acho que isso não vai demorar, muita coisa deve mudar em Cuba. (fim de conversa).

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No dia seguinte John publicou no Facebook uma narrativa de sua impressão triste sobre o estado de ruina de lugares por onde passou. Um contraste persistente. Alguns pontos das cidades bem arrumados e a maioria decadente. Mas sua profusão de fotos da visita demonstrou sua alegria e clima de confraterniazação calorosa com personalidaes locais e pessoas simples, como os pescadores de Cojimar.


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Netos de Ernest Hemingway, Patrick, (terceiro da direita para esquerda) e John (direita) , conversando com pescadores em Cojimar. Fonte: AFP

Áudio e-book - gratuito. http://issuu.com/peaze/docs/lixo_marinho_e-book


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Hemingway chegou a Cuba, a bordo de Pilar, em 1934. Em 1942, os japoneses bombardearam Pearl Harbor; os submarinos alemães estavam vencendo a batalha com a Europa; cercavam as costas da Venezuela e o Golfo do México; dezenas de navios foram afundados nas águas de Cuba e quase 300 no Caribe. Churchil escrevera uma carta ao President Roosevelt demandando uma resposta urgente, mas não havia navios disponíveis, nos Estados Unidos. Hemingway odiava o fascismo e se inspirou em marujos ingleses que ajudaram a evacuar 300 mil soldados derrotados das praias de Dunkirk, em 1940... Sabendo que os alemães costumavam abordar pescadores, tomando seus estoques embarcados de pesca e todas as provisões, incluindo água potável, Hemingway elaborou um plano cinematográfico (e insano) de oferecer Pilar como isca. Quando os alemães se acercassem de seu iate, pretendia surpreende-los. Ele e seus pescadores produziriam uma saraivada de tiros e granadas de mão (caseiras) sobre os nazistas. Oficialmente, chamava seu grupo de combatentes paramilitares de “Crook Factory” ( Usina de Malfeitores). Usina de Sortudos, pois nunca tiveram a chance de sequer ensaiar o enredo. E, para não dizer que nada aconteceu, há um tímido registro de avistagem remota de um único submarino alemão. Talvez uma miragem... Logs (registros de bordo) das expedições de Hemingway com o Pilar, no museu JFK, em Boston, e no instituto de pesquisa, de Washington, DC, guardam informações históricas e científicas inalienáveis sobre a pesca na região. Fora as contrubuições para a indústria náutica de recreação e pesca esportiva, pelas implementações inéditas feitas no Pilar.

... continuação do contexto da conversa com John Hemingway: Pilar é uma lancha cabinada de madeira de 38 pés (12 m) construida em série pelo estaleiro Wheeler, de New York, no século passado. Hemingway recebeu Pilar em 1934, em Miami, com várias alterações solicitadas por ele. Essas alterações e algumas adaptações que ele fizera depois, como a adição de uma torre de comando (flybridge), introduziram, como fez na literatura, alguns padrões náuticos... Hemingway era meticuloso em tudo, especialmente com relação as suas anotações. Seu “log”, registro de bordo, arquivado no Museu JFK, em Boston, descreve, de um modo geral, como os americanos atualmente praticam o cruzeiro de lazer, no comportamento e utilização de apetrechos marítimos a bordo. Mas foi na pesca esportiva que Hemingway deixou um legado maior e determinante: a flybridge, pode-se dizer, foi uma invenção sua, na pesca esportiva, assim como o uso de caniços fincados no convés e o modo de trazer a bordo peixes muito grandes e pesados, utilizando uma técnica que emprega(va) bravura e força física, por fim, a existência da própria pesca esportiva e embarcações específicas para este fim. Oficialmente, o nome Pilar teria sido uma homenagem a sua mulher, na época, Pauline Pfeifer (avó de John Hemingway), apelidada assim pelo marido. Mas o escritor e político das Canárias, Isidoro Sánchez García, amigo pessoal de Gregório Fuentes, revela em artigo publicado em Cuba, um equívoco interessante: pontua a década de 1950, em que Hemingway teria uma namorada clandestina, dona de um hotel em Pina del Rio (cercanias de Havana), chamada Pilar; segundo Isidoro, Hemingway se encontrava com Pilar num pequeno atol ao sul de Cuba, Cayo Mégano de Casigua, lugar paradisíaco até hoje. Mas Pilar é também a personagem chave e forte de Por Quem os Sinos Dobram, líder de um grupo revolucionário da Guerra Civil Espanhola; não por acaso, a Virgem de Pilar é a santa padroeira da hispanidade, cuja capela original é em Saragoza, Espanha. A primeira missa católica em Cojimar, teria sido rezada para a Nossa Senhora de Pilar, em 1822, segundo o historiador Marcos Marin Llanes, em seu livro Cojimar, lá pátria chica de Hemingway. O fato é que a vida e a obra de Hemingway se confundem permanentemente e se revigoram com o tempo, nuas e cruas. Os documentos obtidos do FBI dão conta do fato de que Hemingway amealhara antipatizantes no establishment americano (da época) com o romance Por Quem os Sinos Dobram (por isso não teria conquistado o Prêmio Nobel com esta obra em que reúne tudo de seu estilo e vida literária e autobiografia), porque fazia apologia ao antifacismo, que acabava de virar moda naqueles anos (1940). Pois o diretor do FBI, J. Edgar Hoover, autor do relatório, infere que Hemingway queria apenas custerar seu lazer: a pesca de marlin gigante, nas Bahamas. Bem, Hemingway não facilitava as coisas para si, a contar pelo apelido que deu ao seu grupo de garçons, cozinheiros e pescadores: Usina de Mal Feitores (Crook Factory). Não facilitava mesmo: no lugar do banheiro, do Pilar, mandou instalar um potente rádio e aparato para apoio paramilitar; em seus registros levava até 9 homens a bordo. Todos faziam suas necessidades em baldes, ou a sotavento... E permaneciam até 40 dias em alto mar...


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Andy Garcia e Hilary Hemingway, na flybridge da réplica do Pilar, produzida especialmente para o filme Hemingway & Fuentes. Hilary é filha de Lancester Hemingway, irmão de Ernest Hemingway, casada com o novelista Jeff Lindsay (autor da foto), criador da série de TV Dexter, e best seller na lista do New York Times. Hilary é artista plástica, trabalhou para studios tais como a Warner Bros e Paramount Pictures, produtora para a Fox News, documentarista, diretora e roteirista.


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avant première: Andy Garcia, Hemingway & Fuentes Hemingway & Fuentes... Dois ícones humanos, um extraordinário e o outro com uma história de vida apenas simplória. Talvez cada um de nós tenha o sonho de deixar uma marca neste mundo, inspirada no sucesso do primeiro. Mas, com a força da sua literatura, Ernest Hemingway nos fez acreditar que é também possível sonhar com os sinos badalando, ao deixar neste mundo uma marca parecida com a do segundo, tal foi a nobreza do personagem do clássico O Velho e o Mar. Fuentes teria inspirado Hemingway a construir o personagem desse obra prima. Daí o paradoxo, em qual dos dois gostaríamos de nos inspirar? Isto é, na inspiração ou naquele que se inspirou? Tive o insight para estas questões, talvez sem respostas, após ter o privilégio e honra de trocar informações com Andy Garcia e Hilary Hemingway, sobre o possível barco de pesca que o personagem fictício de O Velho e o Mar, Santiago, teria usado para pescar o marlin gigante, e nos passar aquela experiência de vida inspiradora, na novela de Hemingway. De qualquer forma, o impacto da oportunidade me estimulou o bastante para velejar em cogitações internmináveis sobre o roteiro do filme que Andy Garcia e Hilary Hemingway escreveram sobre a relação de Ernest Hemingway e Gregório Fuentes (seu primeiro imediato, no comando do lendário iate Pilar). E me aprofundei um pouco mais na vida dos três, homens e barco. Enquanto isso, trocamos informações, recebi algumas fotos, respondi com a febre alta do entusiasmo por tantos assuntos de interesse simultâneo: barcos clássicos de madeira, marinharia, literatura, Hemingway, Cuba, meio ambiente marinho, e por aí afora. E passei a conhecer a postura profissional e elegante do ator, produtor, diretor, homem de negócios e amante de barcos Andy Garcia. Este texto é uma prévia da entrevista exclusiva com Andy Garcia. Uma edição super especial da Conversa no Píer, em breve. O filme deve entrar em produção definitiva a qualquer momento. Andy Garcia, além de co-autor do roteiro com Hilary Hemingway (sobrinha de EH), é o diretor do filme e interpreta Fuentes. O restante do elenco: suspense... Curiosamente, Gregório Fuentes nasceu nas Canárias e chegou em Cuba aos 10 anos de idade, para nunca mais sair. Seu pai teria morrido num acidente a bordo do cargueiro que ia para Ilha, e ele brotou raízes cubanas genuinas... Andy Garcia saiu de Cuba, ainda muito criança também, e nunca mais retornou, fisicamente. Sua família deixara a Ilha por ocasião da "revolução". Tornou-se um ícone no cinema americano. Um permaneceu informando sua origem emocional, Canárias. O outro insiste em retornar emocionalmente à terra natal, através de seus filmes, aguardando que o embargo político acabe e a arte, entre tantas outras necessidades da natureza e produtividade humanas, não enfrentem mais essas barreiras impostas pela insanidade política.


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Não aos pesticidas!

Silenciosamente, bilhões de abelhas estão sendo dizimadas, pelos pesticidas, pondo em risco nossa produção de alimentos. Abelhas não apenas fazem mel – elas são uma força de trabalho imensa, polinizando 75% das plantas que cultivamos.


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PocketShip o novo veleiro mini-cruzeiro construido por Peazê

Projeto consagrado nos Estados Unidos, com dezenas de unidades velejando e/ou sendo transladadas por carretas rodoviárias para lagos, rios e águas costeiras, com a assinatura de John Harris, dono da Chesapeake Light Crafts - CLC Boats, com sede em Annapolis, MD. Início da construção de uma unidade em outubro. Desde já à venda. - 14,5 pés (4,5m) - Quilha retráctil - Construção em madeira, compensado marítimo e fibra de vidro - Com ou sem velas, motor de popa e carreta - mais fotos na próxima página. - a próxima edição da Conversa no Píer será especialmente para o Pocketship já com fotos da construção, e muitas outras de exemplares velejando. Informações pelo email contato@luispeaze.com e/ou celular (21) 99629 3334.


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Defensas artesanais, feitas com as técnicas da marinharia tradicional

Para viabilizar a montagem do acervo do Museu dos Nós, feitura de 3.900 nós numerados e identificados conforme o ABOK (Ashley Book of Knots, referência mundial), Luís Peazê oferece vários trabalhos e produtos sob encomenda utilizando técnicas tradicionais de nós e amarras, incluindo macramé e tear. As defensas feitas com sisal e/ou cabos sintéticos são uma amostra. Servem tanto para a função original, de proteger embarcações e estruturas fixas de docas, quanto para decoração. Outros itens incluem escadas, tapetes, descansos de panelas, buçais e arreios para equitação e etc. Informações pelo email contato@luispeaze.com e/ou celular (21) 99629 3334.


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