30 anos LV
DESDE 1988 AO LADO DOS TRABALHADORES
INTERCEL | INTERSUL | JORNAL LINHA VIVA No 1441 - 14 DE FEVEREIRO DE 2019
V
O HOMEM DA LUZ FOI EMBORA
CELESC
ELETROBRAS
O HOMEM DA LUZ FOI EMBORA
MINISTRO APOIA
por Luiz Cézare Vieira e Paulo Sá Brito
E m ofício, MME paraben
O Ministro de Minas e Energia, B trobras, Wilson Pinto Jr., apoiando do processo de privatização da ma com o texto, Albuquerque manifes ção de recursos e melhoria na gov outras palavras, o Ministro manife Eletrobras, dando carta branca pa tos de capitalização para venda da Durante a campanha eleitoral, o não seria privatizada por ser estra desmascarada. Reverberando o an tário de Desestatização e Desinve após o desastre de Brumadinho (co Federal, Banco do Brasil e Petrob Minas e Energia apoiando a gestão o caráter mentiroso da campanha público a preço de banana.
CELESC
PRESTANDO CON O Homem da Luz, como era conhecido no Ribeirão, chegou na- angariando sócios. Quem negaria um pedido daquele “que nas quele pedaço do sul da Ilha nos idos de 1954, com 21 anos de horas difíceis nos atende a luz”? idade, para fazer as primeiras instalações elétricas no lugar. A Em 1981, trabalhando na Armação do Pântano do Sul no alto Celesc ainda nem havia sido criada. de um poste, desequilibrou-se e tombou lá de cima. Estava com Antes, em um rompante típico dos 18 anos, decidira aven- 48 anos de idade. Foi aposentado por invalidez. turar. Despediu-se da família e, sem rumo definido, “não tiMas o Homem da Luz não foi talhado para ficar em casa. Em nha nada a perder”, foi parar em Joinville. Trabalhou em uma fevereiro de 1988, quando “soube que o pessoal do sindicato cervejaria e depois na Empresul, a antiga concessionária de estava falando em uma associação de aposentados” uma cenenergia da cidade. Mas não suportou as pressões da mãe im- telha na mente não lhe deu mais sossego. E embora a turma plorando sua volta. Retornou ao lugar do contra apregoasse que a associação iria "O Homem da Luz onde nasceu, no bairro da Costeira do Pidar em nada, que era perda de tempo, ele rajubaé. Empregou-se na Elffa (Empresa foi conversar com Vitor Schmidt argumenextrapolou o bairro de Luz e Força de Florianópolis). tando que “para nós é bom e para os ativos do Ribeirão. Isidro Foi lá no Ribeirão que conheceu a estambém, pois serão futuros aposentados”. posa, Leontina Leonor de Fraga, nativa da Quando Vitor o convidou para ser o preDomiêncio Pinheiro Caiacanga, extremo sul da Ilha. E com ela sidente da nova associação, ele retrucou tornou-se um símbolo, viveu durante todos esses 63 anos. “eu, com apenas a quarta série primária?”. O Homem da Luz fazia de tudo: instalaNa assembleia que o elegeu por aclamação um patrimônio va a rede, ligava consumidores, consertava sentiu um frio na barriga e refletiu “um dos empregados e defeitos dentro e fora das casas, cobrava a matuto como eu pegar uma associação tão conta e cortava a luz de quem não pagava. aposentados da Celesc importante, mas tenho que fazer alguma De fala fácil e memória prodigiosa, coisa”. em todo o Estado de Isidro guardou uma penca de histórias O Homem da Luz iniciou a Apcelesc engraçadas e folclóricas. Em encontros com um livro de atas e um livro caixa Santa Catarina" divertidos em sua casa no Ribeirão e na que adquiriu com seus próprios recursede da Apcelesc, contou-nos algumas delas, registradas sos. Mas em menos de um ano havia conseguido melhonos livros Rádio Peão e Histórias de Luz. rias nas complementações dos salários mais baixos, paNaqueles “tempos duros, mas felizes”, o meio de transporte gamento de décimo terceiro salário para aposentados e eram as próprias pernas ou, no máximo, uma bicicleta. Quando pensionistas e atendimento dentário. Na assembleia que necessitava carregar postes, pedia emprestada uma junta de boi o reelegeu, ele pôde anunciar a extensão do plano de carreiro. Ou o amigo Aparício lhe cedia um caminhão Chevrolet saúde a aposentados e pensionistas. 1942. O primeiro fusca só apareceu por lá em 1965. O Homem da Luz extrapolou o bairro do Ribeirão. IsiEmbora as feições aparentem um sujeito enfezado, autoritário, dro Domiêncio Pinheiro tornou-se um símbolo, um paele era amigo da comunidade, tinha “o coração do tamanho de trimônio dos empregados e aposentados da Celesc em um boi”, prestava favores, atendia a todos com cortesia. Sua ati- todo o Estado de Santa Catarina. vidade no bairro não se limitou à eletricidade. Foi um dos diretoO Homem da Luz, também chamado Isidro da Luz, ou ainres que, em 1971, recuperou o Clube Bandeirantes, então falido. da Seu Isidro, foi embora neste sábado, 9 de fevereiro, deiCom a ajuda do Zeca do Candonga, do compadre José Eleodoro xando órfãos não apenas os filhos, mas uma infinidade de e do famoso Valdir gaiteiro, todos empoleirados no caminhão amigos e admiradores. do sargento Esperanto, da Base Aérea, percorreram o Ribeirão Sua luz permanecerá entre nós.
Percorrida do Conselheiro
Iniciou nesta segunda-feira, dia 11, lheiro eleito pelos trabalhadores, Lea os trabalhadores. Questões como a n dos empregados dividem a pauta co nova gestão da empresa em informa Além de tratar dos desafios deste ano prestando contas das ações desenvo prevista para se estender até o mês d trabalhadores, fortalecendo a união d
LV
CELESC
A ATAQUES À ELETROBRAS
FALTA DIÁLOGO, MAS SOBRA PROPAGANDA
niza Pinto Jr. por ataque contra trabalhadores
Comunicação falha, autopromoção e negativa ao diálogo com sindicatos marcam início da gestão do presidente Cleicio
Bento Albuquerque, encaminhou ofício ao Presidente da Eleo os ataques aos direitos dos trabalhadores e a continuidade aior empresa de Energia Elétrica da América Latina. De acordo sta apoio à: "redução de custos; maior eficiência na utilizavernança, tanto na Holding quanto em suas controladas". Em estou apoio do Governo Federal à pior gestão da história da ara a retirada de direitos, ataques e demissões, além de projea Eletrobras e de suas subsidiárias. o então candidato, Jair Bolsonaro afirmou que a Eletrobras atégica para o Brasil. Em pouco mais de um mês a mentira foi nunciado por Paulo Guedes, Ministro da Economia, o Secreestimentos do Governo Federal, Salim Mattar, anunciou logo onsequência das privatizações), que apenas Caixa Econômica bras continuariam estatais. O ofício enviado pelo Ministro de o de Pinto Jr. e os ataques contra os trabalhadores reforçam a presidencial e a clara intenção de entregar o patrimônio
NTAS DO MANDATO inicia debate com celesquianos
a percorrida do Conselheiro. Em conjunto com a Intercel, o conseandro Nunes da Silva, percorrerá todo o estado conversando com nova realidade política e econômica e os impactos para os direitos om a recente escalada das faturas de energia e a dificuldade da ar a população, impactando negativamente na imagem da Celesc. o, o conselheiro apresentará as lutas e conquistas do ano de 2018, volvidas em conjunto com os sindicatos. Realizada desde 2015 e de março, a percorrida já faz parte do calendário de atividades dos da categoria. EXPEDIENTE Linha Viva é uma publicação da INTERCEL e da INTERSUL Jornalista responsável: Paulo G. Horn (MTE 3489/SC) Conselho Editorial: Patricia Mendes Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 | E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
Após sucessivos adiamentos de reuniões com a Intercel, um informe encaminhado aos celesquianos pela Comunicação da Celesc demonstrou que o presidente da empresa, Cleicio Poleto Martins, não compreendeu até agora o papel dos sindicatos na gestão da empresa. Ignorando o histórico de construção coletiva e de gestão participativa que aproxima realmente os trabalhadores da gestão da empresa, dando voz aos celesquianos, o presidente prioriza uma percorrida inócua e propagandista. Divulgando a percorrida e a "Agenda Propositiva" da Diretoria, o comunicado trata os sindicatos como "público externo", como se os dirigentes sindicais não fossem todos trabalhadores da empresa e os assuntos pautados pela Intercel não fossem todos relacionados às conquistas, direitos e anseios da categoria. Pior: ao relegar os sindicatos ao escanteio, Cleio demonstra não conhecer a importância das entidades sindicais em todo o processo de manutenção da concessão, desafio principal da Celesc. Com as críticas da última edição, a presidência entrou em contato com a Intercel, mas a situação não evoluiu. Apesar dos sindicatos se colocarem à disposição imediata para o debate, a reunião não foi agendada. Entretanto, se falta diálogo, sobre propaganda. A publicidade de empresas pública deve ser exclusivamente para fins educativos e institucionais. A constituição autoriza a propagação de conteúdo informativo, educativo ou de orientação social, ou seja, no caso da Celesc é permitido informar a população sobre questões importantes e orientar sobre a ulilização correta da energia elétrica e seus riscos. Este, pelo menos, deveria ser o foco da publicidade da Celesc. Entretanto, a falta de uma comunicação eficaz com a sociedade ficou evidente nos últimos tempos, com a escalada das reclamações do aumento nas contas de energia. Os veículos de comunicação do Estado estão em uma verdadeira campanha contra a empresa. Notícias se espalham com a agilidade que a tecnologia permite, jogando a imagem da empresa no lixo. E, ao invés de atacar o problema com pró-atividade, informando a sociedade, defendendo a empresa e os seus trabalhadores, a comunicação da empresa continua falha e ineficaz. De acordo com a política de comunicação corporativa da Celesc, divuldaga no site da empresa (www.celesc.com.br), "zelar permanentemente pela imagem institucional do grupo" é uma das diretrizes básicas a ser observada. E, em tempos de conectividades, as redes sociais deveriam ser um grande aliado no compartilhamento de informações na defesa da Celesc Pública. Numa breve análise das três redes sociais mais utilizadas, Facebook, Twitter e Instagram, verificamos a falta de uma comunicação efetiva sobre a questão das faturas. O twitter da companhia (@Celescinforma) é o que mais se aproxima da comunicação educativa e informativa. Com atualizações constantes, dá informações educativas sobre a fatura, sobre os riscos da energia elétrica, dicas de economia, além de informações regionalizadas do trabalho da empresa. O facebook também cumpre o papel educativo e informativo. Já o instagram, este fica muito aquém do que deveria. Com 18 publicações na conta (considerando a data de produção desta reportagem) apenas 6 cumprem o papel de informar e educar, premissas da publicidade de instituições públicas. As 12 outras são publicidade pessoal do presidente, enaltecendo sua figura na percorrida. Mas é para isso que serve uma rede social da empresa? Óbvio que não. Muito menos em um momento onde a comunicação com a sociedade peca. O diálogo não pode ser só um discurso vazio. Quanto tempo mais o presidente ficará fechado ao debate com os sindicatos. A categoria tem sido hostilizada pela deficiencia da empresa na comunicação. E, com a mordaça colocada nos regionais, a questão só piora. Defender a imagem da Celesc Pública é compromisso dos sindicatos da Intercel e, já que o presidente não nos ouve, talvez leia e, enfim marque a reunião para que estas demandas e os anseios dos trabalhadores sejam ouvidos, debatidos e que nosso lema volte a levantar a imagem da empresa: CELESC PÚBLICA, BOM PARA TODO MUNDO!
PRIVATIZAÇÃO
TST CRIMINALIZA DIREITO DE GREVE Tribunal classifica como abusiva greve contra privatização O Tribunal Superior do Trabalho (TST), avaliando uma paralisação de trabalhadores da Eletrobras realizada em junho de 2018, entendeu que greves contra a privatização de estatais é abusiva. Os magistrados avaliaram por quatro votos a dois que a greve não pode ter objetivos políticos, apenas causas trabalhistas. Apoiaram a tese os ministros Ives Gandra, Renato Lacerda Paiva, Aloysio Corrêa e Dora Maria da Costa. O relator Maurício Godinho e a ministra Kátia Arruda discordaram. Segundo eles, a greves contra as privatizações podem ocorrer pela manutenção de empregos. O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) divulgou nota repudiando a decisão do TST que criminaliza um direito constitucional dos trabalhadores. Ainda segundo a nota, a assessoria jurídica do CNE já providenciou recurso da decisão.
Chico Mendes foi um sindicalista e não ambientalista, isso o coloca num ponto específico da luta de classes que compreendia a união dos Povos Tradicionais (Extrativistas, Indígenas, Ribeirinhos) contra a expansão pecuária e madeireira e a conseqüente devastação da Floresta. Essa visão distorcida do Chico Mendes Ambientalista foi levada para o Brasil e a outros países como forma de desqualificar e descaracterizar a classe trabalhadora do campo e fortalecer a temática capitalista ambiental que surgia. A substituição da borracha pela pecuária levou à especulação fundiária e ao desmatamento de grandes extensões de terras impedindo a permanência nos seringueiros na floresta. Na época, o sindicato era presido por Wilson Pinheiro, que junto com Chico e outros seringueiros reuniam suas famílias, iam para as áreas ameaçadas de desmatamento, desmontavam os acampamentos dos peões e paravam os motosserras. Em decorrência desse movimento de resistência, em 1980, Wilson foi assassinado dentro da sede do sindicato. Três anos depois, Mendes assumiu a presidência do Sindicato de Xapuri, cargo que exerceu até a sua morte. Chico Mendes liderou o 1º Encontro Nacional de Seringueiros, durante o qual foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), em 1985. Do Encontro saiu “A União dos Povos da Floresta”, demonstrando que índios e seringueiros não eram inimigos, mas sim companheiros de uma causa comum e que estavam sofrendo as mesmas injustiças. Que ambos eram perseguidos por grileiros, latifundiários, madeireiros ilegais e por forças do capital que ambicionavam as terras indígenas, reservas extrativistas e quilombos. Chico Mendes sabia que sua vida corria risco e chegou a escrever em uma carta em 1988, mesmo ano de sua morte, que “se um mensageiro descesse do céu e garantisse que minha morte ajudaria a fortalecer nossa luta, ela até valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Não é com grandes funerais e manifestações de apoio que iremos salvar a Amazônia. Eu quero viver”. Nesse ano, Chico havia viajado pelo país e ao voltar Xapuri foi morto com tiros de espingarda no peito, quando saiu para o quintal de sua casa, na noite de 22 de dezembro, poucos dias depois do seu aniversário, no dia 15. O assassino foi Darcy Alves da Silva que cumpriu ordens do seu pai, o fazendeiro Darly Alves da Silva Em sua luta, construiu políticas públicas e iniciou uma transformação social na região Amazônica, ao mostrar ao mundo a ideia de uma floresta habitada, sustentável. Ele se tornou patrono de órgão de proteção do meio ambiente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de um prêmio do Ministério do Meio Ambiente, criado em 2002 com o objetivo de valorizar e incentivar iniciativas de proteção que contribuam para a promoção do desenvolvimento sustentável da região amazônica brasileira.