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LV 1319

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No 1319 - 07 de julho de 2016

Mais uma

chance Após duas paralisações, trabalhadores lutam contra intransigência da eletrobras

É hora de unir esforços

truculência na eletrobras

Vem aí a Caravana da Intercel

Nota de repúdio à prisão de dirigentes sindicais

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ELETROBRAS

Mais uma

chance

Após duas paralisações, trabalhadores lutam contra instransigência da Eletrobras

Usando como desculpa esfarrapada os movimentos paredistas ocorridos em algumas empresas entre 27 e 30 de junho, a ELETROBRAS não entregou no dia 29/06 a proposta de PLR2015 e ACT2016/17, como havia prometido na rodada de negociação do dia 22/06. Também suspendeu a quarta rodada marcada para 07/07. Como se não bastasse, a Eletrobras ainda distribuiu comunicado constrangendo os trabalhadores de todas as empresas do grupo e ameaçando com desconto de dias parados, depois que o Coletivo Nacional dos Eletricitários decidiu manter a paralisação dos dias 4, 5 e 6 de junho. Numa demonstração de determinação e unidade na defesa de seus direitos, os eletricitários de todo o Brasil paralisaram atividades por mais 72 horas. A categoria deu nos dias 4, 5 e 6 sinais de que não aceitará intimidação, ao mesmo tempo em que oferece à direção da Eletrobras mais uma oportunidade para solucionar o conflito, antes que o encaminhamento da greve por tempo indeterminado seja a única alter-

nativa dos trabalhadores. As entidades sindicais representadas pelo CNE permanecem em busca do diálogo com a direção da Eletrobras, na tentativa de evitar a greve. A irresponsabilidade e a postura intransigente da Eletrobras e,

"A categoria deu sinais de que não aceitará intimidação, ao mesmo tempo em que oferece à direção da Eletrobras mais uma oportunidade para solucionar o conflito, antes que o encaminhamento da greve por tempo indeterminado seja a única alternativa" ainda, a falta de uma interlocução eficiente entre a empresa e o próprio governo interino estão obrigando os trabalhadores a lançar mão do seu último recurso. O conflito tende a se acirrar a partir de segunda-feira, dia 11/07, caso a Eletrobras não sinalize com uma solução depois que as paralisações se

CELESC

é hora de unir esforços

As Assembleias Regionais realizadas pelos sindicatos da Intercel deram início à campanha de data-base dos trabalhadores da Celesc. Debatendo os anseio da categoria, as reivindicações foram levantadas em todas as regiões do estado e serão unificadas na Assembleia Estadual, em Rio do Sul, no dia 06 de agosto, consolidando a pauta de reivindicações dos celesquianos para a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2016/17. Antes da assembleia, no entanto, é hora de união e mobilização da categoria. Os diretores dos sindicatos da Intercel estarão percorrendo as Agências Regionais e escritórios da Celesc para convidar os trabalhadores a participarem da Assembleia Estadual. Em um momento onde cada vez mais a conta dos problemas nacionais e regulatórios é jogada para cima dos trabalhadores e, com um cenário amplamente desfavorável, é preciso cada vez mais união dos celesquianos com os sindicatos da Intercel para que a categoria conquiste a manutenção dos seus direitos e a manutenção da Celesc Pública.

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encerraram no dia 6. Cabe à direção da Eletrobras aproveitar este intervalo de tempo para demonstrar concretamente alguma disposição e evitar este acirramento, com uma greve que pode trazer consequências perigosas a toda a sociedade, uma vez que se trata de um setor onde serviços essenciais prestados à sociedade tem de ser garantidos, e um conflito sempre expõe a situações de risco que os eletricitários ao longo de todos os anos de luta acumulada sempre souberam evitar. Além de uma iminente greve pelo ACT, os eletricitários também estão descontentes com a indefinição da PLR2015, bem como outros atos e manifestações estão previstos entre os dias 15 e 22 de julho, contra a onda de privatizações no setor elétrico repetidamente dissimulada pela mídia e constatada nas medidas deste governo interino. Os sindicatos que compõem a Intersul e também o CNE conclamam os trabalhadores a continuarem firmes na luta, unificados e atentos aos boletins e informações nos meios oficiais das entidades sindicais.

N

t

Eletrobra

A Intersul lamenta pr tes sindicais detidos, de forças policiais no Rio d tência, participavam pac porta da Eletrobras em r contemplasse um PLR vocada pelo diretor adm uma postura repressora trabalhadores do setor e A intervenção da polí da em nenhuma empre setor elétrico vivenciou mento em que cresce lares, como os ocorrido e Rio Grande do Sul, to todos os trabalhadores liberdade de expressão No mesmo dia da açã des (Sintergia), havia c demonstrando otimismo mente, esse mesmo diri diante de trabalhadores nenhuma resistência, co nas redes sociais sobre Nenhuma atitude opre a dignidade genuína da acima de tudo, preza pe

itinerário da caravana

Juntos somos mais fortes

São Francisco do Sul Mafra Canoinhas São Bento do Sul Jaraguá do Sul Joinville (sede) Joinville (Atendimento) Joinville (COD) Joaçaba (sede) Joaçaba (DVOM) Capinzal Campos Novos Videira (sede) Videira (COD) Caçador Curitibanos Lages (sede) Lages (atendimento) São Joaquim São Miguel do Oeste Campo Erê Maravilha Dionisio Cerqueira São José do Cedro Guaraciaba Chapecó Abelardo Luz Criciúma (COD) Criciúma - Centro Criciúma - DVOM Araranguá Sombrio

11 de julho 12 de julho 12 de julho 13 de julho 13 de julho 14 de julho 14 de julho 14 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho 13 de julho 13 de julho 13 de julho 13 de julho 14 de julho 14 de julho 14 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho 13 de julho 13 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho

15 horas 07h30 15 horas 07h30 13 horas 07h30 11 horas 14 horas 08 horas 10 horas 13h30 16h30 08 horas 10 horas 14 horas 16h30 08 horas 10 horas 14 horas 08 horas 10h30 13h30 10h30 13h30 16 horas 08 horas 10h30 07h30 10 horas 13 horas 15 horas 17 horas

Rio do Sul Trombudo Central Taió Ituporanga Blumenau - Salto Pomerode Timbó Indaial Blumenau - centro Gaspar Brusque Itajaí Piçarras Bal. Camboriú São Domingos Quilombo São Lourenço do Oeste Concórdia Ipumirim Seara Itá Tubarão - DVTC Tubarão - Comercial Laguna Imbituba Adm. Central DVOM Arflo Almoxarifado Tijucas

12 de julho 12 de julho 12 de julho 12 de julho 13 de julho 13 de julho 13 de julho 13 de julho 14 de julho 14 de julho 14 de julho 15 de julho 15 de julho 15 de julho 13 de julho 13 de julho 13 de julho 14 de julho 14 de julho 14 de julho 14 de julho 13 de julho 13 de julho 13 de julho 13 de julho 19 de julho 20 de julho 20 de julho 20 de julho 20 de julho

08 horas 09h30 10h45 13h30 08 horas 10h30 13h30 16 horas 08 horas 10h30 13h30 07h30 09h30 13h30 13h30 10h30 13h30 07h30 13h30 14h45 16 horas 07h30 10 horas 13h30 15h30 8/17 horas 07h30 08h30 10 horas 13h30

Participe dessa luta!


Nota de Repúdio

truculencia

as manda prender dirigentes sindicais

rofundamente e se solidariza com os quatro dirigene forma arbitrária, na tarde desta terça-feira (05) pelas de Janeiro. Os dirigentes, presos sem nenhuma resisacificamente do movimento paredista de 72 horas na reivindicação por uma proposta oficial da empresa que e ACT justo. A despropositada ação policial foi proministrativo da Eletrobras, Alexandre Aniz, mostrando a e de profundo desrespeito com o direito legítimo dos elétrico durante a sua campanha por data-base. ícia em movimentos trabalhistas não era presenciaesa da Eletrobras desde a década de 90, quando o u sua última e maior onda de privatizações. No moa tentativa de criminalização de movimentos popuos entre os estudantes secundaristas de São Paulo orna-se de extrema importância que a sociedade e s se unam em defesa de seus direitos, empregos e o. ão policial, um dos dirigentes detidos, Emanuel Menconcedido ao jornal Valor Econômico uma entrevista o com os próximos passos da negociação. Ironicaigente sindical foi conduzido algemado pelos policiais, s e transeuntes, embora não houvesse demonstrado onforme se pode observar nos vídeos compartilhados e o fato. essora, que se configure terror ou violência, pode ferir a causa trabalhadora nem impedir um movimento que, elos princípios e valores democráticos.

EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA A Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Florianópolis e Região - SINERGIA, no uso de suas atribuições legais e estatutárias, convoca todos os empregados da Engie Tractebel Energia S. A., de sua base territorial, associados ou não, para se reunirem em Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se no dia 13 de julho de 2016 (quarta-feira), às 13h30min em primeira convocação com o número regulamentar de presentes e às 14h em segunda convocação com qualquer número de presentes, no auditório da Sede da Empresa. Rua Paschoal Apóstolo Pítsica, nº 5064, no Bairro Agronômico, na Cidade de Florianópolis-SC, com a seguinte Ordem do Dia: 1. Discutir e votar as cláusulas da Pré-Pauta de Reivindicações da categoria eletricitária que comporá a Pauta de Reivindicações a ser apresentada à Engie Tractebel Energia S.A., com vistas ao Acordo Coletivo de Trabalho 2016/2017; 2. Outorga de poderes à Diretoria do Sindicato e à FNU-CUT para procederem, junto com os demais Sindicatos que compõem a INTERSUL, a negociação coletiva com a Engie Tractebel e, se necessário, procederem a defesa dos interesses da categoria em juízo ou fora dele; 3. Escolha de delegados para a Plenária de aprovação da Pauta de Reivindicações da categoria eletricitária da Engie Tractebel Energia S.A., com vistas ao Acordo Coletivo de Trabalho 2016/2017, a realizar-se no dia 20 de agosto de 2016. 4. Discutir e deliberar a Contribuição Assistencial de 0,5% (zero vírgula cinco por cento) sobre os valores pagos a título de PLR 2015 em favor da INTERSUL; 5. Discutir e deliberar sobre os encaminhamentos pertinentes à Campanha Salarial de Data Ba-se; 6. Assuntos Gerais.

Florianópolis, 06 de julho de 2016. Nivaldo Lang Diretor Sinergia

cutucadas Opressão da mulher pelo homem As páginas sociais parecem ter tomado um rumo diferente para o maior acionista individual da Celesc. Inimigo declarado dos trabalhadores, o acionista bilionário foi notícia pela violência. Mas não pela violência com a qual os celesquianos já estão acostumados a lidar. Foi por conta de violência doméstica! Acusado pela companheira de agressão (teria quebrado 4 costelas da mulher em um acesso de fúria), a denúncia deixou transparecer um lado que os jornais e revistas insistem em esconder. Afinal, o mito do grande empreendedor atrás do qual o acionista se oculta, também oculta uma violência. Pois, para ser um dos homens mais ricos do mundo, para estar na lista da Forbes, é o lombo de trabalhadores que o bilionário chicoteia. Na Celesc, a defesa dele sempre foi a privatização. Venda-se a empresa e demitam-se funcionários. Pouco importa a dignidade dos trabalhadores, o importante é o lucro, a grana. Se a truculência para lidar com trabalhadores já era conhecida, a violência contra a mulher é novidade, mas não chega a espantar: é reflexo de quem, montado em dinheiro, não vê nada mais do que oportunidades de negócio (nem que para isso tenha que destruir a vida de trabalhadores honestos) para ganhar a qualquer custo. O caso, divulgado só agora apesar de já ter ocorrido há mais de mês, irá se desdobrar diante das câmeras. A companheira do bilionário é mulher famosa, da TV. Mas também terá uma corrida de abafa, como sempre ocorre com as notícias quando o foco negativo é alguém de dinheiro (ainda mais alguém dono de um grande grupo de mídia). A agressão é injustificável. Ninguém se defende, como afirma o bilionário ter sido o que fez, quebrando costelas. E a repercussão é fundamental para que um debate muito maior seja realizado. Violência contra a mulher não é brincadeira. Acontece em todas as classes sociais e é fruto de um machismo enraizado na sociedade. Já é possível ver pessoas tentando culpar a vítima (um fenômeno bizarro que a internet potencializa). E as outras mulheres? Aquelas que sofrem, apanham, morrem todos os dias sem virar notícia. Estas, não podemos esquecer. É por elas - principalmente por elas - que precisamos falar de gênero. Que precisamos falar de feminismo. Cobrar a aplicação da Lei Maria da Penha por que o machismo mata. E se você, trabalhador, acha que este debate não tem nada a ver com você, repense. Há muito tempo Marx já dizia: a opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem.

ICMS e a imagem da Celesc Uma nova polêmica levou a Celesc aos noticiários. O repasse de parte do ICMS ao Governo do Estado, feito através de doação na conta do Fundo Social gerou manifestação do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Segundo o Tribunal, o ato é ilegal. A avaliação do TCE é que a desvinculação faz com que o repasse automático de parte do ICMS à autarquias, poderes, municípios, saúde e educação seja prejudicada. O Governo do Estado já manifestou-se afirmando que, mesmo que o repasse automático não seja realizado, o estado faz o repasse descricionariamente. Neste ponto, deixamos a questão da legalidade para a justiça, mas uma coisa chama a atenção. Novamente, a Celesc é envolvida em uma polêmica sem se defender. E, assim, a imagem da empresa perante a sociedade, crucial para a sua manutenção como pública, vai indo para a lama, abrindo as portas para o discurso da privatização...

Linha Viva é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de SC Jornalista responsável: Paulo G. Horn (SRTE/SC 3489) Conselho Editorial: Amilca Colombo Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 (047) 3028-2161 | E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.

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CULTURA

A classe perigosa

precariado Por Jeferson Silveira Dantas

Resenha

Guy Standing (1948-), autor da obra que aqui resenhamos, é economista britânico e professor de Estudos de Desenvolvimento na escola de Estudos Orientais e Africanos na Universidade de Londres e um dos fundadores da Organização Não Governamental Basic Income Earth Network. Na década de 1970 formou-se em Economia pela Universidade de Sussex, doutorando-se na mesma área na Universidade de Cambridge; também trabalhou como diretor do Programa de Segurança Socioeconômica da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Nos últimos anos tem se dedicado às pesquisas sobre a economia do trabalho, desemprego, flexibilização do mercado de trabalho, proteção/seguridade social e políticas de ajustamento estrutural. Um de seus últimos estudos é, justamente, sobre o fenômeno social emergente que denominou precariado – conceito com o qual nomeou a obra publicada na Inglaterra em 2011 e traduzida no Brasil em 2013. Em síntese, o livro analisa os seguintes aspectos: 1) Conceito/definição e gênese do precariado; 2) Diferenças conceituais entre ‘habitantes’ e ‘cidadãos’ no âmbito do precariado global; 3) As novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), o multitarefismo e a sociedade terciária; 4) O crescimento da imigração em diversas partes do mundo, especialmente nos países centrais do capital; 5) Desigualdade de gênero e precariedade de gênero; 6) Juventude e nomadismo urbano; 7) Mercantilização da educação 8) Envelhecimento e trabalho; 9) Os novos arranjos familiares; e 10) Recrudescimento do ideário fascista em diversas partes do mundo. O precariado, nesta direção, não se encontraria no mesmo status dos do e ser ‘infinitamente’ adaptável. Outro aspecto apresentado por Standing proletários clássicos e muito menos em relação aos assalariados da classe refere-se à ausência de perspectivas por parte da juventude, que se vê cada média. O precariado está inserido em ofícios degradantes, como são os ca- dia mais na qualidade de ‘nômade urbano’ e sem o respaldo da família, como sos dos call centers e estágios mal remunerados em médias e grandes em- acontecia décadas atrás. O economista britânico também dedica muitas páO precariado -em a nova classeos perigosa presas, definidos pelo ‘curto prazismo’, sem qualquer chance de construção ginas à discussão sobre a mercantilizaçãoTítulo: da educação todos seus Autor: Guyum Standing de uma carreira profissional. Tais situações humilhantes e mortificadoras de níveis de ensino, revelando que tal tendência global tem produzido inflaTradução: Cristina Antunes subempregabilidade têm levado ao aumento alarmante de suicídios e doen- cionamento de diplomas supersimplificados para trabalhadores supersimpliFormato: Livro ças psicossociais em diversas partes do mundo. No Japão, por exemplo, a ficados, naquilo que o mesmo denomina de streaming schooling (algo como Idioma: Português Editora: Autêntica, Belo Horizonte expressão karoshi representa bem esta condição, compreendida como mor- ‘escolarização superficial/aligeirada’, numa tradução livre). Ou seja: não há ISBN: 9788582172452 te por excesso de trabalho. Standing problematiza ainda o uso das novas como dissociar trabalho de educação, ainda mais se reconhecemos que a Edição: 2ª tecnologias de informação e comunicação nos hábitos do precariado, enten- escolarização apresenta forte teor desigual, especialmente nos países Ano: peri2013 Páginas: 288 dendo-as como novas formas de reprogramação do cérebro. A vida digital ou féricos do capital, como é o caso do Brasil. Título original: The Precariat –capitalista The New Dangerous Class virtual estaria destruindo o processo de consolidação da memória de longo Todavia, se a precariedade do trabalho na sociedade nos termos Editora origem: Bloomsbury Publishing Plc prazo, “que é a base do que gerações de seres humanos vieram a conside- marxianos é consequência direta da divisão social do trabalho, parece-nos rar como inteligência, a capacidade de raciocinar mediante processos com- precoce acreditar na emergência de uma nova classe social, no caso, do plexos e de criar novas ideias e modos de imaginação” (STANDING, 2014, precariado. Por outro lado, Standing expõe o caráter ambivalente do precap. 39). Em outras palavras, as redes sociais estariam fortalecendo vínculos riado nos dias atuais, tendo em vista que como uma classe menos afeita aos frágeis e enfraquecendo vínculos fortes de sociabilidade, como são engajamentos políticos, com pouquíssima adesão sindical e muitas vezes 126 as redesUNIVERSIDADE E SOCIEDADE #56 familiares e de trabalho coletivo, reprimidos num presentismo interminável e avessa aos regimes democráticos, a mesma pode vir a ser refém de concepdesistoricizado. ções totalitárias de cunho fascista. Logo – e isto precisa ser esclarecido –, os Geralmente, os ‘multitarefeiros’ são fortes candidatos ao precariado, pois trabalhadores submetidos a condições precárias não podem ser tomados, teriam menos concentração e dificuldades em distinguir informações rele- de forma genérica, como sujeitos desvinculados de organizações sindicais vantes das irrelevantes, além de sofrerem muito mais com o estresse e a ou totalmente alheios às contradições que envolvem o capital e o trabalho. fadiga orgânica; estão imersos na profunda exploração de suas forças de Em outras palavras, incorreríamos num dualismo grosseiro e reducionista. trabalho, levando-lhes aos desengajamentos políticos e sociais. Standing Fica-nos, assim, como horizonte de debate, a contribuição de Standing na calcula que 25% da população mundial faz parte do precariado. Tal realidade esfera da disputa de projetos societários que, muitas vezes, ainda que bem estrutural promove toda sorte de competitividade desigual entre diferentes intencionados, são insuficientes para combater o apetite do capital financeiro setores sociais, meritocracia e flexibilização produtiva. O precariado nestas e de todas as suas artimanhas, acalcanhadas no poder, na exploração, no condições tem de responder de qualquer maneira às demandas do merca- cinismo e na pouca importância à existência alheia. Jeferson Silveira Dantas é Professor no Departamento de Estudos Especializados em Educação do Centro de Ciências da Educação da UFSC


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