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Boletim da Intercel nº 103

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boletim da intercel

Informativo da Intercel - 24 de abril de 2020 - N103

PLR 2019

INTERCEL REAFIRMA IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAR ASSEMBLEIAS DEMOCRÁTICAS E NECESSIDADE DE CUMPRIR O ACORDO 1


Após a Intercel manifestar à Diretoria da Ce- aos trabalhadores a oportunidade de manifestalesc a impossibilidade de realizar assembleias rem-se, da mesma forma que manifestaram-se para debater a proposta de adiamento do paga- na aprovação da PLR 2019, debatendo e consmento da segunda parcela da PLR 2019 de maio truindo conjuntamente alternativas. As consulpara julho, a empresa encaminhou nova carta tas virtuais aparentam um caráter de referendo, aos sindicatos apresentando argumentos que que não condizem com aquilo que os sindicatos contrapõem a posição externaentendem por representação da da pelas entidades sindicais. categoria. Além disso, as incerCitando exemplos de entidatezas jurídicas que rondam a redes respresentativas que têm alização de assembleias virtuais flexibilizado a forma de realitambém afrontam as entidades. zação de assembleias - algumas, É preciso ter responsabilidade Em que pese o inclusive, atuando dentro da com os sindicatos, pois eles são empresa - a Diretoria solicita a única instância de defesa dos momento atípico, a que as entidades levem a pro- relação de representação direitos e interesses da classe posta ao debate com os trabatrabalhadora. séria e responsável lhadores. Entretanto, os sindiA Intercel ainda manifestou que os sindicatos da catos que compõem a Intercel que permanece trabalhando poreafirmaram para a Diretoria, liticamente para buscar alternaIntercel têm com através de carta encaminhada tivas que minimizem o impacto os trabalhadores é nesta sexta-feira, dia 24, que é da crise causada pelo fundamentada no debate financeiro impossível, em meio às mediCovid-19 à Celesc, ao setor elédemocrático das restritivas de aglomeração trico e a toda economia munde pessoas e realização de reudial. As entidades continuam niões, decretadas pelo Governo avançando na proposta de mudo Estado, realizar assembleias dança na forma de repasse do que garantam aos trabalhadoICMS ao Governo do Estado, res o direito de amplo debate detalhada na última edição do sobre o tema. Em que pese o Boletim da Intercel. momento atípico, a relação de representação De forma objetiva, com a impossibilidade de séria e responsável que os sindicatos da Inter- garantir assembleias amplas e democráticas e na cel têm com os trabalhadores é fundamentada defesa dos direitos e interesses da categoria, a no debate democrático. A mera consulta online, Intercel reafirma que o Acordo de PLR 2019 deve conforme exemplos citados pela empresa não dá ser cumprido.

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INTERCEL SE MANIFESTA CONTRA CORTE NA PERICULOSIDADE Os sindicatos da Intercel encaminharam carta à direção da empresa manifestando-se contrários ao corte da periculosidade dos trabalhadores que estão cumprindo as medidas de isolamento determinadas pela empresa, em respeito aos decretos do Governo do Estado. Avançando até mesmo sobre a periculosidade fixa de eletricistas, a intenção foi, primeiramente, denunciada aos sindicatos pelos trabalhadores e depois confirmada por algumas chefias da empresa.

Para a Intercel, é inaceitável realizar o corte de verbas com caráter salarial inegável, em um momento onde os trabalhadores apenas cumprem com determinações da própria empresa e do acionista majoritário. A carta da Intercel também externa a ilegalidade da suspensão do pagamento da periculosidade pelo caráter de redução salarial, vedado pela legislação trabalhista e que, a possibilidade destas reduções dadas pela MP 936 não se aplicam às empresas públicas.

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O RH da empresa informou que o corte da periculosidade foi suspenso para este mês, mas que permanece em pauta. Dada a possibilidade, a Intercel reafirma a posição contrária ao corte da periculosidade dos trabalhadores que estão afastados do trabalho diário por conta das medidas impostas pela empresa e pelo Governo, auxiliando assim, no combate à disseminação do coronavírus. A conta da crise não deve ser paga retirando-se direitos dos trabalhadores.


O COVID-19 ENCURRALOU O PROGRAMA NEOLIBERAL POR JOSÉ ÁLVARO CARDOSO, ECONOMISTA, SUPERVISOR TÉCNICO DO DIEESE EM SC

Para percebermos o nível de gravidade da crise mundial é didático prestarmos atenção em como os países ricos, do centro do capitalismo, vêm operando para enfrentá-la. A maioria de nós, cidadãos e mortais comuns, dependemos de nossa capacidade de filtragem crítica do “mundo” de informações disponíveis na internet. Temos que possuir o mínimo de capacidade intelectual para filtrar e organizar tais informações, sob pena de sermos manipulados o tempo todo. Pessoas que têm dificuldades para realizar tal filtragem dos dados ficam completamente a mercê de mentiras, calúnias, informações fora de contexto e outras baixarias. No entanto, diferentemente das pessoas comuns, o núcleo dirigente dos países imperialistas, que detêm grandes fatias de poder, possuem informações privilegiadas, que só chegam ao grande público meses ou anos depois. Ou mesmo, nunca chegam. O plano que está sendo colocado em marcha nos Estados Unidos, por exemplo, indica a magnitude da crise que o governo norte-americano está vislumbrando. O mais impor-

tante plano econômico da história da economia mundial, prevê um gasto inicial de quase dois trilhões de dólares, equivalente a cerca de R$ 10 trilhões (só para efeito de comparação: o PIB brasileiro no ano passado foi de R$ 7,3 trilhões). Segundo o governo norte-americano, irão colocar, ao final da pandemia, mais dois trilhões de dólares para reerguimento da economia. Essa fábula de recursos, um antídoto contra a crise econômica e a pandemia, prevê injeções maciças nas empresas e até nos bolsos dos cidadãos. Planos também muito audaciosos estão sendo implementados em todos os países ricos. A Alemanha, “pátria da austeridade fiscal”, está dedicando um valor equivalente a 35% do seu PIB no combate à crise. Nos demais países imperialistas, o mesmo está ocorrendo. Detalhe importante: o grosso desses investimentos nos países ricos, está sendo feito nas empresas. Como se sabe o Estado não é neutro, ele é comandado pelas burguesias de cada país. Lá, como aqui, os governos querem resolver o problema da classe que manda

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no governo. Obviamente há diferenças importantes, no tratamento dos trabalhadores da periferia e do centro capitalista. Os países imperialistas, como drenam riqueza do mundo todo podem se dar ao luxo de tratar de forma diferenciada suas respectivas classes trabalhadoras. Além disso, o nível de consciência e organização desta, é diferente também no centro capitalista. Os repasses diretos de dinheiro, que alcançarão a maior parte dos cidadãos norte-americanos, serão de 1.200 dólares por pessoa adulta e 500 dólares por cada menor de idade. Essa ajuda direta aos cidadãos poderá alcançar 500 bilhões de dólares. O plano prevê também uma linha de crédito de 367 bilhões de dólares para pequenas e médias empresas, e um fundo de 500 bilhões para indústrias, cidades e estados. Os trabalhadores demitidos receberão o seguro-desemprego durante quatro meses, no valor habitualmente pago em seu respectivo estado, mais um valor extra de 600 dólares. Vejam a comparação entre Brasil e EUA: este país está colocando em marcha um plano de combate à cri-


se que até garante um dinheirinho para os trabalhado- no mundo, com mais de 42.000 mortes e 787.000 res, ainda que o grosso dos recursos esteja direcionado pessoas infectadas pelo Covid-19 (até ontem, 21.04.20). às empresas. No Brasil, destinaram míseros R$ 600,00 De outro lado, o Estado chinês colocou seus recursos e para os trabalhadores mais precarizados, só que, para sua força organizadora na resposta à pandemia. A esuma boa parte da população, que já está passando truturação do atendimento aos pacientes realizada de fome, o dinheiro ainda não chegou. Mas os EUA é um forma extremamente ágil, a organização da população, país rico, que explora o mundo todo para manter o seu a adaptação da produção industrial às necessidades de padrão, enquanto o Brasil no pós golpe de 2016, é prati- combate à doença, a construção de hospitais em tempo camente uma colônia dos EUA. recorde, a disponibilização de um grande número de Da mesma forma que nos EUA, na União Europeia testes - ações em grande parte levadas à cabo pelo Es(UE), organizaram um pacote de medidas econômicas tado – levaram a um rápido e impressionante controle de 500 bilhões de euros (2,8 trilhões de reais, 40% do da doença. Por mais influenciável que seja pela mídia PIB brasileiro) para apoiar países, hegemônica, uma parte das pessoas empresas e trabalhadores durante percebe essas diferenças. a pandemia de coronavírus. O proHá todo um esforço no Brasil para grama consiste em três pilares: uma isolar as inacreditáveis estultices relinha de crédito do Mecanismo de petidas diariamente por Bolsonaro, Estabilidade Europeu, o fundo de do programa econômico “virtuoso” Independentemente resgate da zona do euro, com 240 bicoordenado por Paulo Guedes. Mas do tipo de governo de lhões de euros em empréstimos; um o que salta aos olhos é que justacada país, as políticas fundo de garantia do Banco Europeu mente o programa de Paulo Guedes desenvolvidas utilizam a dificulta muito o combate aos efeide Investimento com até 200 bilhões de euros em créditos para empresas; potência e a capacidade de tos do coronavírus, tanto no aspecto e um fundo temporário com 100 bisaúde da população, quanto na centralização e organização da lhões de euros para ajudar no pagaeconomia. No mundo todo as polítido Estado mento de salários de trabalhadores e cas que estão sendo implementadas evitar demissões (ou seja, na melhor são as desenvolvidas a partir dos Esdas hipóteses, 20% apenas do valor tados nacionais. Independentemenvai para os trabalhadores). te do tipo de governo de cada país, Mesmo que o grosso dos recursos as políticas desenvolvidas utilizam a vá diretamente em auxílio às emprepotência e a capacidade de centralisas (o sistema é capitalista, quem manda são os donos zação e organização do Estado. do dinheiro) os trabalhadores recebem um dinheiro A pandemia disparou uma crise mundial que já vinha para resolver o principal dos seus problemas. Por que se desenhando antes, e que, possivelmente, será a maior acontece este fenômeno? Henry Kissinger, 96 anos, da história do capitalismo. O Covid-19 evidenciou para ex-secretário de Estado norte-americano e um dos es- uma grande parcela da sociedade, como é fundamental trategistas mais importantes da história do imperialis- a existência de uma estrutura pública de saúde, que dê mo, nos dá uma pista importante: “Embora o ataque à conta de atender adequadamente a população, seja no saúde humana seja – esperançosamente – temporário, dia a dia, seja em momentos críticos de crises sanitárias, o levante político e econômico que desencadeou pode como a que estamos vivenciando. O advento do Codurar gerações” (publicado no The Wall Street Journal, vid-19, evidenciou, pelo menos para uma parte da pona semana passada, e reproduzido na mídia brasileira). pulação mais antenada, a natureza canibal do programa Ou seja, a preocupação de Kissinger - que certamente de guerra contra a população que está sendo colocado representa uma parte dos “senhores do mundo” - é com em marcha pelo governo e que é apoiado por boa paro desgaste do sistema capitalista ao nível internacional te do Congresso Nacional, como vimos pela aprovação que essa pandemia trouxe. das medidas recentes. Se as políticas neoliberais foram fundamentais para expediente transferir, pelo menos em parte, a crise do centro do sisBoletim da Intercel é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de Santa tema para a periferia capitalista, ao mesmo tempo elas Catarina Jornalista Responsável: Paulo Guilherme Horn (MTE 3489/SC) destruíram as já precárias políticas públicas de atendiRua Max Colin, 2368 | Joinville/SC | CEP 89216-000 Tel: (47) 3028-2161 | Email: sindsc@terra.com.br mento à população, a começar pelos sistemas públicos de saúde e educação. Os EUA, a grande potência munAs matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do informativo. dial, tornou-se rapidamente o epicentro da pandemia

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