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Relatorio critico

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Centro de Formação das Escolas de Vila Real Escola S/3 S. Pedro

Oficina de Formação - Comunidade de Aprendizagem e Desenvolvimento Profissional: “O professor faz a diferença” Como rentabilizar as aulas de apoio utilizando a aprendizagem cooperativa

Formando: Julho 2014

Como rentabilizar as aulas de apoio utilizando a aprendizagem cooperativa Ferreira, Rosalina1, Matias, Paula, Teixeira, Nélia2 1 Grupo Disciplinar de Economia e Contabilidade 2Grupo Disciplinar de Matemática

Introdução O presente trabalho surgiu no âmbito da Comunidade de Aprendizagem da Escola S/3 S. Pedro – Vila Real, para dar resposta a uma questão com origem na nossa prática pedagógica: frequentemente constatamos que na lecionação das aulas de apoio não se verificam melhorias significativas nas aprendizagens dos alunos. Tendo em vista a melhoria das aprendizagens e dos próprios resultados dos alunos, a experimentação de novas abordagens no ensino e o desenvolvimento da prática reflexiva, resolvemos estudar o modo como a aprendizagem cooperativa pode auxiliar na resolução deste problema.


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Debruçamo-nos, assim, sobre a utilização de técnicas de avaliação formativa e de técnicas de ensino cooperativo, bem como sobre o enquadramento legal que regula a existência destas aulas, para no futuro podermos tirar o máximo partido possível das aulas de apoio educativo. Suporte legislativo Relativamente ao enquadramento legislativo dos apoios educativos, após uma pesquisa da legislação publicada e que tem vigorado nos últimos anos, podemos constatar que existe legislação que regulamenta os apoios educativos a que têm direito os alunos enquadrados no ensino especial. A referida legislação regulamenta especificamente, a Intervenção Precoce na Infância, ensino de alunos com currículo específico individual (CEI), regime especial de proteção de crianças e jovens com doença oncológica, apoios especializados, mas, a legislação é praticamente omissa no que se refere aos apoios educativos propriamente ditos. Da legislação analisada, apenas o Decreto-Lei n.º 176/2012, de 02/08, que regula o regime de matrícula e de frequência no âmbito da escolaridade obrigatória das crianças e dos jovens

com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos e

estabelece medidas que devem ser adotadas no âmbito dos percursos escolares dos alunos para prevenir o insucesso e o abandono escolares refere que se deve garantir uma igualdade efetiva de oportunidades a todos os alunos, tal só é possível, consagrando vias adequadas e apoios necessários aos alunos que deles necessitem, com o objetivo de melhorar os seus níveis de desempenho, conciliando a qualidade da educação com a equidade na sua prestação. Diz também, que esta combinação exige um esforço partilhado, de modo a que todos os elementos da comunidade educativa colaborem para o mesmo fim. No capítulo II do referido decreto-lei, no que respeita às medidas preventivas do insucesso e do abandono escolares no artigo 4.º - medidas do ensino básico, diz: 1 — Sempre que forem detetadas dificuldades na aprendizagem do aluno, são obrigatoriamente tomadas medidas que permitam prevenir o insucesso e o abandono escolares, nomeadamente: a) No 1.º ciclo, através do reforço das medidas de apoio ao estudo, que garantam um acompanhamento mais eficaz do aluno face às primeiras dificuldades detetadas;

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b) Nos 1.º e 2.º ciclos, através de um acompanhamento extraordinário dos alunos estabelecido no calendário escolar; c) Constituição temporária de grupos de homogeneidade relativa em termos de desempenho escolar, em disciplinas estruturantes, tendo em atenção os recursos da escola e a pertinência das situações; d) Adoção, em condições excecionais devidamente justificadas pela escola e aprovadas pelos serviços competentes da administração educativa, de percursos diferentes, designadamente, percursos curriculares alternativos e programas integrados de educação e formação, adaptados ao perfil e especificidades dos alunos; e) Encaminhamento para um percurso vocacional, de ensino após redefinição do seu percurso escolar, resultante do parecer das equipas de adoção, em condições excecionais devidamente justificadas pela escola e aprovadas pelos serviços competentes da administração educativa, de percursos diferentes, designadamente, percursos curriculares alternativos e programas integrados de educação e formação, adaptados ao perfil e especificidades dos alunos; e) Encaminhamento para um percurso vocacional, de ensino após redefinição do seu percurso escolar, resultante do parecer das equipas de acompanhamento e orientação e com o comprometimento e a concordância do seu encarregado de educação; f) Implementação de um sistema modular, como via alternativa ao currículo do ensino básico geral, para os alunos maiores de 16 anos; g) Incentivo, tanto ao aluno como ao seu encarregado de educação, à frequência de escola cujo projeto educativo melhor responda ao percurso e às motivações de aprendizagem do aluno. 2 — Os alunos a frequentar cursos de ensino vocacional podem integrar o ensino básico geral, no final de cada ciclo de estudos, mediante a realização das provas ou exames previstos na legislação aplicável. No artigo 5.º - Medidas no ensino secundário 1 — Sempre que forem detetadas dificuldades na aprendizagem do aluno, são obrigatoriamente tomadas medidas que permitam prevenir o insucesso e o abandono escolares, designadamente, através de:

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a) Encaminhamento para uma oferta educativa adaptada ao perfil do aluno, após redefinição do seu percurso escolar, resultante do parecer das equipas de acompanhamento e orientação; b) Implementação de um sistema modular, como via alternativa ao currículo do ensino regular, para os alunos maiores de 16 anos; c) Incentivo, tanto ao aluno como ao seu encarregado de educação, à frequência da escola cujo projeto educativo melhor responda ao percurso e às motivações de aprendizagem do aluno. 2 — É permitida a reorientação do percurso formativo do aluno, através dos regimes de permeabilidade ou de equivalências, em termos a regulamentar por portaria do membro do Governo responsável pela área da educação e tenha autorização comprovada do encarregado de educação para o efeito. Apesar deste decreto-lei, no início da sua redação referir que todo o cidadão tem direito a receber uma educação e formação de qualidade e que é fundamental que se assegurem a inclusão de todos os alunos no percurso escolar de forma a prevenir o insucesso e o abandono escolares, conforme se pode constatar pela leitura do decreto-lei, em nenhum dos seus pontos/alíneas se refere concretamente aos apoios educativos. Também

foram

consultados

os

documentos

internos

da

nossa

escola,

nomeadamente o Projeto Educativo e o Projeto Curricular de Escola. No que respeita ao tema do nosso trabalho o Projeto Educativo no ponto VI Objetivos/Metas e Estratégias, no referente ao sucesso/insucesso, como estratégias relacionadas com o apoio aos alunos apenas estão definidas as seguintes “Proporcionar, aos alunos que revelem dificuldades de aprendizagem ou que evidenciem potencialidades para níveis mais elevados de desenvolvimento, o apoio pedagógico personalizado que se mostre necessário e adequado;” e “Sensibilizar os alunos e os Encarregados de Educação para a necessidade de frequentar os Tempos de Apoio Educativo, por parte dos alunos com mais dificuldades de aprendizagem;”. No Projecto Curricular de Escola no seu capítulo III – Modalidades e Estratégias de Apoio Educativo, ponto 1 – Planos de Apoio, refere-se aos planos de recuperação, acompanhamento e desenvolvimento. Nos que respeita aos dois primeiros planos referem-se as aulas de apoio/TAE como modalidade de apoio, entre outras. No Plano de Melhoria (2010/11), também não existem referências diretas aos apoios educativos, apenas objetivos/metas gerais, como, “Melhorar as 4


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aprendizagens dos alunos e o sucesso escolar”, sendo que, os apoios educativos nunca aparecem como ações/estratégias a desenvolver. É de salientar que no Relatório de Autoavaliação (2009/10) 63% dos Encarregados de Educação consideram que não constitui problema ou constitui um problema mínimo a insuficiência de atividades de apoio educativo. Foi ainda questionada a subdiretora da nossa escola quanto à forma como são atribuídas as horas de apoio educativo aos docentes. A resposta foi-nos dada, segundo a mesma, de acordo com a legislação em vigor no presente ano letivo (despacho normativo n.º 7/2013). As horas a atribuir aos docentes resultam do crédito horário concedido à escola, que por sua vez, é obtido com base em vários fatores e é manifestamente insuficiente para todos os fins a que se destina. Foi-nos dito ainda, que a maioria das aulas de apoio lecionadas na nossa escola resultam da transformação voluntária por parte dos docentes de tempos de escola em TAE.

Fundamentação teórica Tal como já referimos, ao longo das nossas experiências profissionais, temos sido confrontadas com a necessidade de prestar apoio pedagógico aos nossos alunos fora do ambiente de sala de aula. As metodologias por nós utilizadas são aquelas, que de modo intuitivo e de acordo com a nossa experiência de professoras, nos permitem ir auxiliando os nossos alunos no reforço das suas aprendizagens, as quais por vezes se revelam menos eficazes do que seria desejável. Foi nosso objetivo, no âmbito da presente Ação de Formação, investigar quais os métodos e estratégias específicas de ensino associadas à Aprendizagem Cooperativa que poderão ser aplicados nas aulas de apoio, de forma que estas configurem uma verdadeira medida de promoção da equidade e de reforço de competências nucleares à continuidade das aprendizagens. Tendo efetuado uma revisão bibliográfica que nos permitisse ter uma noção dos resultados da investigação sobre o tema, iremos apresentar aqueles que nos pareceram mais pertinentes. Verificámos que existem dados que comprovam a eficácia de certas estratégias, pelo que iremos apresentar uma breve resenha dos elementos colhidos.

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Em “Apoios e Complementos Educativos ” Vítor Alaiz (Noesis, 1993) citando De Peretti refere atividades ou estratégias para dar resposta a dificuldades dos alunos na aquisição (ou aprofundamento) de saberes anteriormente estudados: a)

Revisão de conhecimentos já lecionados: -pura e simples repetição dos saberes já apresentados; -repetição mais lenta dos mesmos conhecimentos; -recapitulação ou breve síntese de conhecimentos anteriores; -abordagem dos mesmos conhecimentos começando de outro modo;

b)

Renovação -uma nova apresentação dos conhecimentos; -a explicitação do sentido dos conhecimentos; -multiplicação de exercícios ou de trabalhos práticos; -Explicação de consequências de sequências de ensino;

c)

Abertura/aprofundamento: -apelo a conotações a partir de um núcleo central; -coordenação de elementos variados recolhidos por indivíduos ou subgrupos; -diversificação de percursos; -utilização de laboratórios; -técnicas de criatividade e jogos; Refere ainda o autor do artigo que muitas dificuldades resultam de deficientes técnicas de estudo pelo que o apoio prestado aos alunos deve ainda:

a)

Analisar os apontamentos que os alunos fazem nas aulas, verificar até que ponto eles se encontram organizados e ensinar modos de os melhorar;

b)

Observar – com o recurso a listas de verificação, por exemplo, o modo como os alunos estudam um manual ou fazem notas de leitura e sugerir exercícios que lhes permitam aprender técnicas de sublinhar um texto, de o anotar, de realizar transcrições, esquemas, resumos, etc.

d)

Analisar relatórios de pesquisa e levar os alunos a aprender as fases da sua construção, a estrutura e a apresentação do mesmo.

Segundo o mesmo autor, há ainda a considerar as dificuldades que se prendem com a metacognição considerando que “a metacognição pode ser vista como a capacidade chave de que depende a aprendizagem, certamente a mais importante: aprender a aprender, aquela que a escola mais tem descurado. ” 6


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Num outro artigo, “Ensinar e aprender a pensar” Maria Helena Salema (Noesis, 1993) apresenta os resultados de uma investigação-intervenção sobre a problemática dos alunos com baixo rendimento escolar e os resultados de experiências de ensino que tiveram como objetivo ajudar de modo explícito e sistemático os alunos a pensar durante a aprendizagem. A intervenção junto de alunos com baixo rendimento possibilitou uma significativa melhoria do seu desempenho ao desenvolver nestes alunos a tomada de consciência e o conhecimento dos seus próprios processos de pensar durante a aprendizagem. Tendo-se estimulado o confronto desses processos com os utilizados pelos colegas ou pelo professor na apresentação dos conteúdos, verificou-se que essas estratégias de ensino possibilitaram aos alunos a capacidade de controlar, monitorizar, intervir sobre os seus próprios processos de aprender, desenvolvendoos e adequando-os às tarefas de aprendizagem ou, caso seja necessário, os próprios alunos poderão modificar esses mesmos processos de aprendizagem. Na revista MÁTHESIS (2001), Célia Ribeiro, no artigo “Estratégias de Estudo e Aprendizagem: um contributo para a sua compreensão” refere que os resultados das investigações apontam para que os alunos com um bom desempenho escolar utilizam mais estratégias (de estudo e de aprendizagem) além de serem mais flexíveis e adaptativos na própria utilização. Além disso, sabe-se que diferentes estratégias exercem efeitos distintos no processo cognitivo e tanto a investigação como a teoria corroboram a ideia de que quanto mais a informação for significativamente processada, melhor é recordada. À luz dos conhecimentos vigentes, parece que, quanto mais as estratégias apelarem para a elaboração e organização da informação, mais eficazes parecem ser para a sua aquisição e recuperação e, para a potencialização da aprendizagem. Também na revista MÁTHESIS (2011), Célia Ribeiro e Paula Alves, no artigo “(In)Sucesso escolar: A Influência das Estratégias de Estudo e de Aprendizagem” referem que o aluno deve ser incentivado a “aprender a aprender” o aluno tem responsabilidade pelo seu agir educativo, salientando o papel importante das estratégias de estudo e aprendizagem. Consideram assim que os objetivos da Educação não devem incidir apenas na aquisição dos conhecimentos, mas também no desenvolvimento de processos e mecanismos de aprendizagem que possibilitem ao aluno a construção ativa dos seus

próprios

conhecimentos.

Os

alunos

devem

ser

incentivados

e 7


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consciencializados que a utilização adequada de estratégias de estudo e aprendizagem, em função dos conteúdos a apreender, essa forma de atuar permitirlhes-á uma aprendizagem ativa e responsável que se traduzirá em sucesso escolar. Lopes e Silva (2010) ao apresentarem uma revisão da literatura sobre as formas de ensino mais eficazes com alunos com dificuldades de aprendizagem, referem que estas devem combinar componentes de Instrução Direta (exposição oral feita pelo professor, discussão e aprendizagem a partir dos livros ou dos manuais) com componentes de ensino das estratégias de aprendizagem e estudo (ensino das formas de aprender tais como técnicas de memorização, tirar apontamentos, resumir, gestão do tempo, etc..). Elencam ainda as intervenções mais eficazes para alunos com dificuldades de aprendizagem específicas, a serem aplicadas na sala de aula. Pelo particular interesse que configura para o nosso estudo, apresentamos as principais componentes deste modelo de ensino: Sequências: Segmentar a tarefa global em sequências mais pequenas ou em unidades; Adaptar a dificuldade da tarefa ao nível de desempenho do aluno. Acompanhar o aluno passo a passo ou por etapa na execução da tarefa; Exercícios e revisão: Planear revisões e exercícios baseados no nível de controlo pretendidos. Utilizar de maneira repetida instrumentos adequados para consolidar as aprendizagens. Proporcionar práticas repetidas e revisões com grau de dificuldade progressivamente crescente. Fornecer feedback diário. Fazer revisões semanais. A segmentação: Decompor as competências envolvidas na resolução das atividades de aprendizagem em unidades menores e ordená-las para facilitar o ensino e a aprendizagem; O questionamento: Incentivar o aluno a fazer perguntas, de modo que se envolva num diálogo com os colegas ou com o professor: A instrução com andaimes ou ajuda à aprendizagem: Controlar o nível de dificuldade da tarefa apresentada ao aluno, verbalizar as etapas envolvidas na resolução do problema e expressar em voz alta a sequência do seu raciocínio, dar pistas, incentivar a compreensão de questões, apresentar atividades de curta duração e prestar o apoio necessário para a sua realização, apresentar tarefas do fácil para o difícil;

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A tecnologia: Facilitar a representação visual de conceitos através de tecnologias multimédia para auxiliar na representação mental de abstrações ou de esquemas mais complexos de entender. O ensino/aprendizagem em pequenos grupos: Trabalhar em pequenos grupos para estimular a discussão entre alunos e entre estes e o professor, sugerindo- a utilização dos métodos de Aprendizagem Cooperativa – Tutoria entre pares, Verificação em Pares, Mesa Redonda. O apoio dos pais: Envolver os pais na ajuda dos trabalhos de casa e aulas. Ensinar estratégias: O ensino de estratégias cognitivas e metacognitivas incentiva o aluno a fazer as suas próprias representações, a identificar os elementos essenciais da informação, a selecionar técnicas adequadas de memorização, a identificar sequências e o caminho lógico do raciocínio, a reutilizar os conhecimentos recentemente adquiridos, a comparar os progressos assim como a localizar os seus erros e a analisar as suas causas. Da revisão literária efetuada pudemos inferir que há de facto técnicas de ensino e de estratégias de aprendizagens e de estudo que já foram testadas e que se revelaram eficazes na melhoria do desempenho dos alunos. Serão estas as técnicas que pretendemos implementar e incentivar nas aulas de apoio que futuramente venhamos a lecionar aos nossos alunos.

Segundo Lopes e Silva (50 Técnicas de Avaliação Formativa) a avaliação formativa atualmente vista como um processo contínuo de aprendizagem e de avaliação que visa melhorar a aprendizagem dos alunos. Este processo baseia-se na reflexão sobre as seguintes questões: “Para onde vou?”, “Onde estou agora” e “Qual a estratégia ou estratégias que me podem ajudar a chegar onde preciso”. Tanto o professor como o aluno devem ter um papel ativo nesta avaliação. O professor deve partilhar com os alunos os objectivos da aprendizagem e os resultados esperados de forma clara e explícita, também deve fornecer feedback para que o aluno possa identificar as suas lacunas e melhorar a sua aprendizagem. Este feedback deve inicialmente focar as partes positivas do trabalho do aluno e só depois destacar as áreas a melhorar. Também é importante que o aluno tenha um papel ativo na autoavaliação para que se torne autorregulador da sua aprendizagem. De facto, ao desenvolver as capacidades de refletir e avaliar o seu trabalho torna-se melhor aprendiz, pois consegue gerir o seu tempo, monitorizar a sua aprendizagem, definir metas, elaborar planos para alcançar essas metas e assim transformar-se num aluno bem sucedido. A avaliação formativa é adequada para todas as matérias escolares, sendo que qualquer técnica de avaliação pode ser utilizada como avaliação formativa, pois o que torna a avaliação formativa, não são as técnicas empregadas, mas a forma 9


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como são utilizadas, isto é, a informação retirada da avaliação deve servir para acompanhar a aprendizagem, dar feedback aos alunos e ajustar as estratégias de ensino. Das diversas técnicas de avaliação formativa e de aprendizagem cooperativa, vamos referir algumas que nos parecem mais adequadas a ser implementadas nas aulas de apoios educativos. 1. Mini testes construtivos – consistem num teste com pequeno número de questões de correcção rápida, o que permite discutir de imediato as respostas com os alunos. Os alunos deverão responder às questões em duplicado entregando uma das folhas de resposta ao professor, que imediatamente disponibilizará as respostas corretas de modo que os alunos possam corrigir os seus próprios trabalhos. Este método proporciona um feedback imediato sobre a aprendizagem quer ao aluno quer ao professor. 2.

Organizadores gráficos (diagramas, mapa de conceitos, tabelas, gráficos…) – o professor decide sobre o organizador gráfico mais adequado aos conteúdos a lecionar e fornece-o em branco aos alunos juntamente com uma lista de palavras e/ou conceitos-chave para que os alunos o completem. Ao utilizar os organizadores gráficos os alunos refletem sobre a organização e a relação entre os conceitos nele utilizados, o que lhes permite estabelecer relações cada vez mais elaboradas entre os conceitos ou novas relações entre estes.

3.

Tirar do saco – é uma técnica que possibilita a revisão da matéria, consiste em colocar num saco pedaços de papel com uma questão, conceito, facto ou frase ou qualquer combinação destas possibilidades relacionadas com o conteúdo a rever. Cada aluno retira um papel e responde à questão ou explica o significado do conceito, facto, etc. Esta técnica permite envolver os alunos na revisão dos conteúdos através de diálogos entre grupos.

4.

O Ponto Enlameado – consiste em pedir aos alunos que escrevam num pedaço de papel o seu ponto enlameado, isto é, o assunto ou conceito onde tiveram mais dificuldade quer no final de uma aula quer no final de um conteúdo programático. Esta técnica permite, aos alunos, avaliarem e aperceberem-se das suas dificuldades sobre os conteúdos lecionados e, ao professor, esclarecer as dificuldades apresentadas pelos alunos de uma forma quase imediata.

5.

Grelhas de avaliação – as grelhas de avaliação são guias de trabalho quer para os professores quer para os alunos. Consistem num conjunto de parâmetros que servem para orientar o trabalho e para o avaliar, focam-se na avaliação de determinado objetivo e usam um intervalo da taxa de desempenho. Devem ser entregues aos alunos antes de estes iniciarem a sua tarefa para que a possam, desde logo, orientar no sentido pretendido pelo professor. As grelhas de avaliação tornam a aprendizagem mais focada e autodirigida.

6.

Questionar o facto – nesta técnica o professor transforma uma questão factual numa afirmação e em seguida questiona o facto, pedindo ao aluno para desenvolver a resposta. Por exemplo:” Três é um número primo. Porque é que três é um número primo?”. Esta técnica obriga a que a aprendizagem vá além da memorização. 10


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7.

Preenchimento de lacunas num texto (Técnica CLOZE) – os alunos devem colocar as palavras em falta num texto, este texto deve ser à partida desconhecido dos alunos e as palavras em falta devem ser substituídas por linhas de comprimento uniforme, a primeira e a última frase são copiadas na íntegra do texto original. O professor recebe assim feedback sobre as competências relacionadas com a análise de textos e sobre a compreensão dos conceitos por parte dos alunos.

8.

Olhar para trás – consiste num relato feito pelos alunos sobre os conteúdos que aprenderam num determinado período de tempo, por exemplo, no meio de uma unidade didática. Os alunos devem referir o que aprenderam e como, esta descrição fornece feedback ao professor sobre as aprendizagens melhor conseguidas e quais as atividades e estratégias que mais contribuíram para o sucesso.

9.

Dia da limpeza – esta técnica é apropriada para a preparação para um teste, deve ser utilizada alguns dias antes do teste. A sala está dividida em quatro zonas: Lixívia; Detergente; Sabão; sabonete. Consoante a perceção que cada aluno tem do seu conhecimento dirige-se para uma das zonas que funcionarão de acordo com a tabela seguinte: Produto Motivo da escolha Tarefas a realizar escolhido Lixívia Consideram que estão com Ampla revisão da muitas dificuldades. matéria e/ou outra atividade para aprenderem de forma diferenciada. Detergent Consideram que entenderam Investigação, consulta e bem os fundamentos dos de textos e trabalhos. conceitos ensinados mas precisam de esclarecer alguns pormenores Sabão Sentem-se bastante Tarefas de revisão das confiantes, mas têm matérias dadas, necessidade de consolidar podendo criar as suas alguns conteúdos próprias questões e desafiarem-se Sabonete Sentem-se totalmente Atividades de confiantes. enriquecimento. Podem, desenvolver maneiras criativas de apresentar a informação aos outros colegas e auxiliar os colegas da zona “lixívia”. O papel do professor é fornecer as tarefas para cada zona e ir apoiando os alunos quando necessário. Esta técnica permite ao professor oferecer ajuda diferenciada de acordo com as dificuldades dos seus alunos.

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Metodologia A investigação sobre o problema não se esgota na sua fundamentação teórica. Devido a constrangimentos relacionados com o calendário escolar não foi possível aplicar as estratégias e métodos de ensino que referimos anteriormente. Ainda assim, nas últimas procurámos que os alunos fizessem uma reflexão sobre as aulas de Apoio de Matemática, solicitando-lhes o preenchimento de uma ficha onde responderam às questões: -“Indica duas coisas/atividades de que gostaste mais”; -“Indica duas coisas/atividades de que gostaste menos”; -“Dá duas sugestões de tarefas/atividade que achas importantes realizar neste tipo de aulas”. Constatámos que os alunos apreciavam aulas de caráter mais prático, que lhes fosse respeitado o ritmo de aprendizagem e sugeriam que lhes fossem ensinadas estratégias de aprendizagem que os auxiliassem a ultrapassar as suas dificuldades. No próximo ano letivo pretendemos estudar os resultados associados à implementação de novas práticas nas aulas de apoio.

Referências Bibliográficas: Lopes, J. e Silva, H. (2009) A Aprendizagem Cooperativa Na Sala de ula, Lisboa: Lidel Lopes, J. e Silva, H. (2010) O Professor Faz a Diferença, Lisboa: Lidel Máthesis nº 10 (2001) Revista do Departamento de Letras da Universidade Católica Portuguesa – Viseu Máthesis nº 20 (2011) Revista do Departamento de Letras da Universidade Católica Portuguesa – Viseu

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Noesis nº 27 (Jun/Jul/Ago 1993) Revista da Direcção-Geral De Inovação E De Desenvolvimento Curricular

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