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Escola Profissional Amar Terra Verde (Vila Verde) - Lendas e Tradições

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Agradecimentos

Este trabalho representa o resultado de algumas das horas que passamos, culminando no objectivo a que nos propusemos e o qual não seria possível sem a ajuda de algumas pessoas. Estamos,

especialmente,

agradecidos

às

professoras

que

nos

ajudaram, Margarida Lopes e Susana Martins, pelo vosso conhecimento e sugestões transmitidas durante a elaboração do trabalho. Somos, igualmente, gratos à senhora Albertina Lima, pela paciência e colaboração em nos ajudar na elaboração do Lenço dos Namorados.

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A nossa Escola A Escola Profissional Amar Terra Verde encontra-se situada no concelho de Vila Verde, com uma população residente na ordem dos 44.059 habitantes, dos quais, cerca de 19.507, têm nível etário inferior a trinta anos de idade. As actividades económicas dominantes no concelho são: a agricultura, o comércio, a pequena indústria e o turismo. A Escola Profissional Amar Terra Verde foi criada ao abrigo do D. L. nº 70/93, tendo como promotores as Câmaras Municipais de Vila Verde, Terras de Bouro e Amares. Após a publicação 4/98 de oito de Janeiro, a Escola adoptou um novo regime jurídico, para clarificar a sua relação com a entidade proprietária, tendo-se formado a sociedade por quotas: Escola Profissional Amar Terra Verde, Lda. É uma instituição de natureza privada com estatuto de utilidade pública e goza de autonomia pedagógica, administrativa e financeira. Tem por objectivo proporcionar aos jovens da região uma formação profissional, adaptada às necessidades particulares do meio em que se insere. Considerando que a formação profissional é um dos principais factores, para assegurar a coesão económica e social da Comunidade

Europeia

e

que

a

mobilidade

geográfica

depende,

principalmente, da qualificação dos seus cidadãos, a Escola está empenhada em corresponder à finalidade que norteou a sua criação, desenvolvendo as actividades de ensino e formação, com rigor e qualidade. Encontra-se, igualmente, atenta às grandes orientações definidas nos programas

comunitários

e

procura

estabelecer

a

colaboração

com

Instituições congéneres europeias. A Escola é uma comunidade constituída pela Direcção, Professores, Alunos, Pessoal Administrativo e Auxiliares de Educação. São, também,

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intervenientes no processo educativo: pais e encarregados de educação, representantes das associações culturais e recreativas e das associações sócio-económicas da região. Os objectivos da Escola amoldam-se em: - Contribuir para a realização pessoal dos jovens, proporcionando, designadamente, a preparação para a vida activa. - Proporcionar os mecanismos de aproximação entre a escola e o mundo do trabalho, nomeadamente, a planificação, realização e avaliação de estágios. - Proporcionar uma formação integral e integrada dos jovens, qualificando-os para o exercício profissional e para o prosseguimento de estudos. - Prestar serviços educativos à comunidade na base de uma troca e enriquecimento mútuos. - Analisar necessidades de formação locais e regionais e proporcionar as respostas formativas adequadas. - Contribuir para o desenvolvimento social, económico e cultural da comunidade.

Resenha de Vila Verde

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Vila Verde é um concelho relativamente moderno, com pouco mais de cem anos de existência e, um dos maiores da província do Minho. Foi fundado em vinte e quatro de Outubro de mil oitocentos e cinquenta e cinco, com a extinção de outros concelhos como, Pico de Regalados, Vila Chã e Larim, Penal e Prado, cujas origens remontam a nebulosos tempos da Pré-História e da Idade Média. Pico de Regalados, primitivamente, foi couto dado por D. Afonso Henriques ao Arcebispo de Braga, D. Paio Mendes. Foi tido como um dos mais antigos e aristocráticos do País. D. Manuel I concedeu-lhe foral em treze de Novembro de mil e quinhentos e treze.

Resenha de Amares

O concelho de Amares parece ter sido um dos refúgios mais seguros dos cristãos, logo após a invasão moura, no século VIII. O desenvolvimento 6


da região ficou marcado desde a fundação da nacionalidade, pelas ordens religiosas que aqui se instalaram, como a Ordem Beniditina que fundou o Mosteiro de Rendufe, no século XI, e a Ordem de Cister que instituiu o Mosteiro de Santa Maria do Bouro, no século XII. Sem qualquer tradição industrial, o concelho de Amares vive sobretudo de actividades ligadas à agricultura, ao comércio a retalho e por grosso, à construção civil e obras públicas, à indústria têxtil do vestuário, às indústrias de madeira, restaurantes e hotéis, serviços prestados, não esquecendo, é claro, o conjunto de serviços públicos indispensáveis para o desenvolvimento local. Entre os principais produtos agrícolas produzidos no concelho de Amares, encontram-se o milho, a fruticultura (maçã, citrinos, kiwi e a famosa laranja de Amares, conhecida pelas suas óptimas e singulares características), os legumes e um excelente vinho verde branco.

Introdução

O presente trabalho pretende dar a conhecer as lendas e as tradições do concelho de Vila Verde e do concelho de Amares. Para a realização deste trabalho, certificamo-nos de que as lendas e as tradições, os mitos e os provérbios eram, realmente, autênticos e, para

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isso, conversamos com pessoas idosas, conhecedoras e vivenciais de situações orais do passado. Ambicionámos desvendar que as lendas e as tradições, os mitos e os provérbios são elementos do património cultural, que podem ser remetidos para a ilustração de como se vivia no passado, mas que se trata de uma realidade viva, importando repensar na conservação dos mesmos, ou seja, importa descobrir e revelar o património evidenciando a importância do mesmo, como uma realidade dinâmica e não imutável.

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Lendas

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Lenda da Ponte de Prado A Ponte de Prado, que muito tem já de antiga, evoca célebres amores de um Rei Leonês com uma ilustre dama natural desta vila. Depois de uma enorme cheia que quase havia destruído a ponte e verificando o monarca o mau estado da mesma, enviou imediatamente ordens para a sua reconstrução. Consta desde então que o motivo que levara o rei Leonês, residente em Braga, a tomar tal atitude, fora o facto de ter obrigatoriamente de atravessar a ponte aquando das suas visitas à tão amada dama. Pensa-se, no entanto, que os célebres amores de D. Branca Guterres com o monarca Leonês não são lendários, aconteceram mesmo, do que aliás nos dá notícia uma inscrição que apareceu numa pedra na referida vila. Assim, o rei Leonês podia visitar D. Branca de dia ou de noite, acompanhado da sua polícia ou disfarçado em homem do povo, sem ter sequer de admitir que seus amores fossem prejudicados por uma ponte que causava pânico a quem sobre ela passava.

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Lenda das Cobras do Alívio Conta-se que, certo dia do ano de 1818, um emigrante português residente no Brasil caminhava pelas estradas brasileiras, quando se sentiu cansado e resolveu sentar-se no que lhe pareceu um tronco de árvore. Então, subitamente, o tronco começou a movimentar-se e, olhando, o emigrante viu que se tinha transformado numa cobra gigantesca. Nessa hora de aflição, o homem apelou para a boa vontade da Senhora do Alívio, prometendo-lhe a pele da cobra, caso a santa a matasse.Com a força da Senhora, o emigrante conseguiu pegar na faca de mato que levava à cintura e lutou muito com a possante criatura, até a matar. Em agradecimento e cumprimento da promessa, trouxe a pele da cobra para Portugal, oferecendo-a à Nossa Senhora do Alívio, no seu santuário. Aí estão hoje expostas outras peles de cobra, vindas de diversas partes do Mundo, de lugares onde portugueses passaram apuros e apelaram à ajuda da Nossa Senhora do Alívio, como por exemplo os soldados que foram defender a pátria, em África, durante a guerra colonial.

Lenda da Fonte do Sardão Das mouras que viviam antigamente no Monte do Castelo (...), havia uma que costumava muitas vezes vir de noite, sozinha, beber da água daquela 11


fonte. Numa época de excessiva estiagem foi-se a água reduzindo a ponto tal que desapareceu e a moura não deixava de prantear a ausência da sua água favorita. Volvido enfim o Inverno e restituída à fonte e à moura a deliciosa água continuou ela no seu inalterável hábito. Um frade do convento de Santo António, que estava situado na margem do Castelo para a Fonte, recolhia-se uma vez muito tarde de regresso de uma aldeia muito longínqua onde fora missionar com outro companheiro que, morrendo no caminho, deu causa a tanta demora; avistando um vulto estranho de mulher, fora de horas e desacompanhada, pôs logo em observação toda a sua curiosidade de frade-confessor e foi seguindo à distância e em silêncio o objecto que tanto o espantava. Chegada à fonte a moura que era formosa na sua cor (...) deu pela presença do frade que se aproximava demais e perguntou-lhe com que direito e para que fim a espreitava; ao que o frade respondeu: que vendo uma mulher tão formosa, só, a horas tão remotas e em lugares tão ermos, vinha protegê-la contra qualquer eventualidade perigosa que porventura lhe sucedesse. A moura agradeceu penhoradíssima. Nada mais disse a moura e nada mais disse o frade. Adormeceram... Este diálogo e mais outros pormenores deram rebate no Castelo onde tudo se ouvia por encanto e a moura-mestra (...), tirando-se dos seus cuidados, apareceu repentinamente no local do sinistro e, vendo apenas folhas de laranjeira na grinalda de folhas e flores que antes ornava a fronte da sua subordinada, condenou ao encanto eterno o frade, que então se transformou em sardão, e fez da moura uma roseira que ainda hoje dá sombra e camélias, junto da fonte.

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Lenda de D. Sapo Coucieiro é uma das cinquenta e oito freguesias que compõem o concelho de Vila Verde. Esta freguesia apresenta um facto histórico e lendário,... Passado à volta dum fidalgo, dono de uma quinta que, ainda hoje, é conhecida

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pela quinta de D. Sapo. Este fidalgo dominador das suas terras e daqueles que as trabalhavam representava o Rei e tinha todos os privilégios reais ou por El-Rei concedidos, mais aqueles privilégios que, estando tão longe o Rei, o tal fidalgo inventou, ou seja, dormir com a noiva, após o casamento, quando essa noiva fosse dos seus domínios. Certo dia, um alfaiate encantou-se por uma dessas noivas condenadas ao tal privilégio e, quando foi avisado do que ia suceder, pensou na aceitável vingança - apresentar-se ao fidalgo (disfarçado de noiva) e liquidá-lo. Se bem pensou, melhor o fez e na noite, após o casamento, apresentou-se ao D. Sapo, disfarçado de noiva, e, com a sua arma (a tesoura) matou D. Sapo. Começaram todos e todas a temer a sua sorte e o próprio alfaiate, temendo a justiça que de El-Rei viria por homicídio do seu representante e (...) pensou ir ao Rei confessar o seu crime, o que fez desta forma: -Venho apresentarme a Vossa Majestade, pedindo que me absolva, pois lá para a região dos Senhores de Regalados matei um Sapo. El-Rei pensou e, olhando para tão humilde confissão, diz: -Se mataste um sapo (diz-lhe El-Rei não se lembrando do fidalgo) é mais um, menos um, disso estás perdoado! O alfaiate ganhou coragem e acrescentou: esse sapo é o fidalgo D. Sapo lá da nossa terra que, talvez abusando dos privilégios, queria dormir com a minha noiva. O Rei, possivelmente não gostou, mas tinha dito: estás perdoado - e palavra de Rei não volta atrás. E foi assim que os homens daquela localidade ficaram livres para usufruir daquilo porque ansiavam na noite do casamento.

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Lenda da Senhora que passou

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Uma jovem acompanhada do seu pai viajava pela estrada fora. Assim que encontraram um rochedo que fazia boa sombra, o pai e a filha Joana pararam para descansar. Joana também tinha muita sede, mas ali não havia água e a que levavam consigo já tinha acabado. Decidiu, então, procurar um riacho. Quando encontrou um, os seus olhos iluminaram-se de alegria. Bebeu toda a água que lhe apeteceu e também se refrescou. Mas, de repente, uma bela voz masculina disse-lhe muito baixinho: — Por vós, transformar-me-ia num rio, se necessário fosse! A jovem, muito assustada, levantou-se. Olhou em volta e disse: — Ia jurar que ouvi uma voz de homem… No entanto, não está aqui ninguém… E voltou a ouvir aquela linda voz: — Enganai-vos… Também eu estou aqui e bem perto de vós! Olhai para baixo, para a minha água. — Estarei louca… (disse a jovem) ou um riacho pode falar como um homem? — Não só pode falar como também amar. Sim…sou eu o riacho que vos fala. Mas, Joana continuou um pouco assustada e o riacho explicou: — Qualquer riacho como eu, quando é descoberto pela primeira vez e a pessoa que o descobre é uma donzela, pode falar… ouvir… e até amar! Para isso basta que os vossos lábios toquem na minha água e me digam baixinho: amor! A donzela, apesar de desconfiada, experimentou o que o riacho tinha dito. De repente, aparece, muito preocupado, o pai dela, pensando que ela se tinha perdido. A jovem não contou nada do que tinha acontecido a seu pai. E lado a lado continuaram

a

sua

viagem,

mas

um

ruído

estranho

perseguia-os.

Quando caiu a noite, os viajantes procuraram um lugar para dormir. Mas, a Joana desejava tanto saber se o riacho tinha cumprido a sua promessa e se viera atrás dela até ali. Aquele ruído não poderia ser outra coisa… Com muito cuidado para não acordar seu pai, saiu e foi procurar o riacho. Qual não foi o 16


A Ponte de Prado Na Vila de Prado, a noite do dia de Páscoa junta todos os anos largas centenas de pessoas, que acorreram à velha ponte filipina sobre o Cávado para cumprir uma tradição que se perde na memória do tempo. Estamos perante um ritual de origem desconhecida a que lendariamente está associada a prevenção de dores de cabeça ao longo do ano. Acredita-se que quem comer um ovo cozido sobre a ponte quando soam as doze badaladas da meia-noite, lançando as cascas ao rio e entoando aleluias, ou comer amêndoas nesse mesmo dia, ficará sem dores de cabeça durante todo o ano.

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Os Maios Na noite de 30 de Abril para 1 de Maio o "demónio" anda de porta em porta para descobrir as moças preguiçosas e estas revelam-se por não fazer as lindas coroas de flores para porem às portas ou nas fachadas das suas casas como sinal de "aqui há moça casadoira". Toda a rapariga deve dizer "não" à visita do demo e automaticamente dá o sinal de que ali há um bom partido para o futuro lar. Se não tem tempo para fazer um Maio artístico, um simples ramo de giesta em flor tem o mesmo significado. Durante a noite as raparigas escondem-se atrás das janelas para ver os seus pretendentes. Os rapazes por sua vez procuram "roubar" o Maio àquela que já lhe tocou na alma. Assim, noite fora, uma juventude cheia de alegria e coragem vai procurar o Maio da sua amada, o que por vezes não é fácil, pois, de propósito, o Maio, é atado com artimanhas ou colocado em lugar de difícil acesso. É neste simples acto que se vê a coragem do seu pretendente.

Os Lenços de Namorados 18


Julga-se que a origem dos lenços de namorados remonta aos trajes das senhoras nobres dos sécs. XVII e XVIII, a partir dos quais foram adaptados pelas mulheres do povo; adquiriram, assim, expressões de maior simplicidade ao nível das técnicas e materiais utilizados na sua elaboração, com o fim de conquistar o seu namorado. O linho foi parcialmente substituído pelo algodão, o que deu origem aos chamados "lenços da tropa" que se vendiam nas feiras; o bordado a ponto de cruz foi parcialmente substituído pelo ponto corrido ou de pé-de-flor, de cadeia e canutilho, de mais fácil execução

e

até

as

cores

foram

alteradas. O preto e o vermelho foram substituídos

por

uma

grande

variedade de cores que vieram introduzir uma enorme riqueza cromática. Os motivos bordados eram de grande diversidade, ao gosto de cada bordadeira que recorria a símbolos religiosos, corações e chaves, borboletas, par de namorados e outros. Quanto aos textos, estes podiam assumir a forma de palavras soltas, frases ou quadras. Neles, a sua autora, de uma forma mais ou menos explícita, assumia os seus sentimentos pelo rapaz que, se estivesse interessado no namoro, iria usar o lenço ao pescoço.

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Conclusão

Concluído este trabalho, tivemos a percepção de que a vida é um circular de mundos, presentes, passados e futuros. Conhecemos e compreendemos alguns dos significados da existência de certos locais, importantes, envolvidos em lendas, em tradições, mitos e provérbios do conselho de Vila Verde e do concelho de Amares. Foi um trabalho muito produtivo, enriquecedor e divertido em elaborar, pois descobriu-se mais sobre a nossa cultura, investigando, conversando e esclarecendo dúvidas, dando início à produção de materiais que, depois, partilhamos, aqui, com os outros. Esta “viagem” permitiu que ficássemos a compreender melhor os nossos usos e costumes, assim como, a nossa história ou as histórias concelhias, conhecemo-nos melhor para, mais tarde, entendermos o futuro, mergulhado no passado.

Assinaturas do Grupo:

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