“Maias em Maio”
Preâmbulo ……………………………………………………….…………………………………………pág. 3 a 8 Pesquisa histórico- etnográfica ………………………………………………………….……….pág. 9 a 36 Bibliografia da pesquisa histórico- etnográfica ……………….………………………… pág. 37 Divulgação do concurso à comunidade ………………………………….…..………………pág. 38 a 40 Resultados da 1ª edição do concurso “Maias em Maio” …………..………………. pág. 41 a 43 Resultados na comunicação social …………………………..……... pág. 44 a 45 Maias tradicionais do concurso ………….…………………………………………………….. pág. 46 a 48 Maias recicladas do concurso ………………………………..…………………………………. pág. 49 a 51 Maias da comunidade valenciana ………………………………..…………………………… pág. 52 a 56 As maias e a literatura popular …………………………………………………………………. pág. 57 a 77 Notas finais ………………………………………………………………………………………………. pág. 78 a 79 Agradecimentos …………………………………………………………….…………………………. pág. 80 Anexos …………………………………………………………………………….……………………….. pág. 81
1ª Edição do Concurso
Página 2
“Maias em Maio”
“Maias em Maio” Do conceber ao concretizar de um projecto… O repto foi-nos lançado através da divulgação que chegou até nós num desdobrável enviado para a escola.
A proposta atraiu-nos de imediato, mas a questão que se colocava a seguir era a de como conciliar a temática proposta -“O tesouro dos nossos avós”- com a que estávamos a trabalhar, no âmbito da área curricular não disciplinar de Área de Projecto - “O ambiente “. Tínhamos que encontrar uma ponte entre a transmissão dos saberes da tradição e a modernidade, que está implícita na temática e nas políticas de protecção ambiental. Ou seja a necessidade de desenvolver acções de educação ambiental que conduzam os cidadãos à tomada de consciência para que se diminua o contínuo desperdício de materiais resultantes dos desenfreados hábitos de consumismo que temos assumido nos últimos tempos.
1ª Edição do Concurso
Página 3
“Maias em Maio” A propósito da tradição e da descoberta de um tesouro dos nossos avós, não foi difícil, atendendo à riqueza existente no Alto Minho e mais concretamente em Valença. Assim, após alguma reflexão surgiu o tema das Maias, por ser uma tradição que está a cair em desuso no nosso concelho. A seguir foi só juntar as ideias e articulá-las. Pensamos … é isso mesmo: Maias trabalho artístico - arte floral - porque não introduzir um cunho de inovação a esta tradição e associá-la a uma necessidade dos nossos dias, a educação ambiental. Assim surgiu a ideia-base deste projecto, promover um concurso de Maias, no qual incluiríamos as duas vertentes:
a maia tradicional ( elaborada com giesta e flores silvestres) a maia reciclada ( elaborada com materiais reutilizados) No entanto, não ficámos por aqui … pensando em toda a riqueza do nosso património literário decidimos ainda enriquecer este concurso com o apelo à criatividade literária de origem popular (quadras, ditos, versos). Logo após, fizemos as diligências necessárias no sentido de obter aprovação da ideia junto da Direcção Executiva do AVEMM e de encontrar um parceiro para colaborar connosco no âmbito da logística e financiamento do projecto. Surgiu a Autarquia de Valença por ser um dos parceiros do Agrupamento. Daí que solicitamos uma reunião com o vereador do pelouro da Cultura, Desporto e Juventude que acolheu com interesse a proposta. Começamos a trabalhar ao nível da pesquisa histórico-etnográfica da temática “Maias e Maios” e elaboramos uma compilação de informações que publicamos no blog da turma: ambientalizate9c@gmail.com, com o intuito que esta servisse de apoio ao trabalho pedagógico dos professores e aderentes ao concurso. Posteriormente definimos o nosso público-alvo, a designação, os objectivos e regulamento do concurso que a seguir se apresenta.
1ª Edição do Concurso
Página 4
“Maias em Maio”
Concurso: “Maias em Maio”
Regulamento Âmbito A turma C do 9º Ano da E.B. 2,3/S de Valença, em parceria com o Município de Valença, lança a 1ª edição do Concurso: “ Maias em Maio”. Lança-se o desafio/convite a todas as escolas e ciclos de escolaridade do Agrupamento Muralhas do Minho, bem como às Associações Culturais e Recreativas do Concelho de Valença para que revitalizem a mais antiga festa de celebração da Primavera e do novo ano agrícola. Este ritual de reminiscências pagãs e data imprecisa chegou a ser oficialmente proibido, através de Carta Régia de 14 de Agosto de 1402. Sobreviveu a estas contrariedades e assumiu diversas formas de manifestação, quer nas várias regiões de Portugal, quer na vizinha Galiza. Na região do Minho e concretamente em Valença subsiste o costume de comemorar a entrada no mês de Maio com a colocação de coroas de flores ou raminhos de giesta nas janelas, portas e fechaduras. Diz o povo que o Maio é manhoso e que as giestas, consagração floral de purificação e esconjuro, barram a entrada do diabo, das bruxas ou do “burro”. Muito mais há para saber sobre esta tradição, mas para tal pode consultar o blogue: http://ambientalizate9c.blogspot.com Neste mesmo blogue informe-se ainda como elaborar uma Maia tradicional.
As Maias da minha terra Já são uma tradição Que elas nunca acabem Desejo do coração
1ª Edição do Concurso
Página 5
“Maias em Maio”
Finalidades revitalizar usos e costumes populares do nosso concelho, designadamente a tradição das “Maias”;
favorecer que o sistema educativo assuma a tarefa de resgatar e revelar às novas gerações a existência de um rico e variado Património Imaterial;
preservar e valorizar e a nossa identidade cultural divulgando-a além-fronteiras 1. Condições de participação Modalidades Poderão apresentar-se a concurso numa das seguintes categorias:
Maia tradicional (elaborada essencialmente com giesta e flores silvestres); Maia reciclada (elaborada com materiais reutilizados Qualquer das modalidades acima deverá ser acompanhada por um texto original 2 (ditos, versos ou quadras de cariz popular) alusivo à uma das seguintes temáticas:
A- Despedida do Inverno, anúncio e boas-vindas à chegada da Primavera; B- Pedido de protecção para que se afugentem as possíveis ameaças naturais (pragas) e/ou sobrenaturais (bruxas e feiticeiras) que podem deitar “mau olhado”;
C- O afugentar do “burro” ( burro é um bichinho que ataca o cereal) para que este não morda o gado ou “dê cabo” do cereal.
Inscrição
Os
interessados podem inscrever-se individualmente ou em grupo, tendo como
limite máximo o número de alunos pertencentes a um grupo -turma.
A inscrição poderá efectuar-se por entrega pessoal da ficha em anexo, na recepção da Escola E.B. 2, 3/S de Valença, Pav. A, ou via e-mail: maiasemmaio@gmail.com 1
Participação no IVº Concurso de Recolha da Tradição Oral Galego-Portuguesa e na XVIª edição do Programa Ponte nas Ondas (Organização: Xunta da Galiza/ Ponte_nas Ondas!/ Património Imaterial Galego Português, entre outros …) 2 Este texto deverá ser apenso à respectiva Maia.
1ª Edição do Concurso
Página 6
“Maias em Maio”
Prazo de inscrição
As inscrições poderão ser efectuadas até as 17:00h, do dia 27 de Abril de 2010. Entrega das Maias
A entrega deverá ser feita na Biblioteca Municipal, até as 13:00h, do dia 30 de Abril de 2010.
Prémios
Ensino Pré – escolar: 1º Prémio Ensino Básico - 1º Ciclo: 1º Prémio Ensino Básico - 2º e 3º Ciclo/ Secundário: 1º Prémio Associações Culturais e Recreativas: 1º Prémio 3
3
3
3
Entrega dos prémios:
Feira do Livro, dia 15 de Maio de 2010. Critérios de avaliação Arranjo floral (coroa)
Respeito pelas características tradicionais (flores e forma);
Conjugação e reutilização de materiais diversos; Simbiose cromática; Originalidade/criatividade.
Composição escrita Adequação à temática; Respeito pelas características do texto popular; Mensagem.
3
O primeiro prémio consiste num cheque-brinde didáctico no valor de 125€
1ª Edição do Concurso
Página 7
“Maias em Maio”
Júri
O júri será composto por representantes das entidades convocantes, assim
como por destacados membros da comunidade com conhecimentos na temática que é objecto do concurso.
Decisão do júri
A decisão do Júri será tornada pública no dia 1 de Maio, através dos sites:
www.eb23-valenca.rcts.pt ou www.cm-valenca.pt. Bem como através de comunicação telefónica ou pessoal feita aos participantes.
Local de exposição
Varandas e janelas da Praça do Município, rua Conselheiro Lopes da Silva e
Rua Mouzinho de Albuquerque
1ª Edição do Concurso
Página 8
“Maias em Maio”
Pesquisa histórico-etnográfica Dedicado a todos os interessados em saber mais…
“ As Maias e os Maios ”
Manter viva a tradição das Maias e da celebração do Maio é um propósito materializado na realização da 1ª Edição do Concurso “Maias em Maio”. A compilação de informações que a seguir se apresenta foi elaborada com o intuito de apoiar todos os que neste concurso desejem participar. E.B. 2,3/S de Valença, Março de 2010
A turma C, do 9º ano
1ª Edição do Concurso
Página 9
“Maias em Maio”
A designação: “Maias ou Maios ?!”…………………………..pág.12 As origens (mitos e lendas)………………………………………pág. 12 a 16 Formas de celebração……………………………………………..pág.17 a 18 No Minho……………………………………………………….. pág.18 a 19 Em Trás-os-Montes………………………………………….pág.20 Na Beira Baixa e Beira Litoral…………………………..pág.21 a 22 Na Estremadura……………………………………………… pág. 22 No Alentejo……………………………………………………. pág. 22 No Algarve ……………………………………………………. pág. 23 a 24 Nos Açores……………………………………………………. pág. 25 As Maias/Os Maios e a gastronomia………………….… pág. 26 Uma tradição comum (Portugal-Espanha) ..………… pág. 27 Em Espanha ………………………………………………………… pág. 27 a 28 Na Galiza ……………………………………………………………… pág. 28 a 33 Elaboração das Maias …………………………………………… pág. 34 a 36 Bibliografia ……………………………………………………………. pág. 37
1ª Edição do Concurso
Página 10
“Maias em Maio”
O dia das "Maias" ou dos “Maios” é o primeiro de Maio, que desde tempos imemoriais se comemora em Portugal e assume diversas formas celebrativas de Norte a Sul.
Maio tem que se lhe diga; os maios muito mais. Maia lhes deu nome; Flora os abençoou. Têm sopro divino, cobrem-se de flores, enchem-se de aromas. O sopro nos atrai, as flores nos chamam, os aromas nos guiam. Mas só se oferendam a quem delicado souber procurar. Têm tudo isso, o mês e os maios, mas os maios têm mais: raparigas os curvam diversos em anéis toroidais.
1ª Edição do Concurso
Só então os cobrem de veludos raros, onde depois bordam, com fios de seda, da seda mais pura, montículos de folhas, das folhas mais finas, donde emergem flores, das mais lindas formas, das mais lindas cores. São assim os maios que as raparigas tecem. Tecem-nos tão lindos, que se tecem neles. E é por isso que, enquanto os tecem, lhes vão pondo véus. São os véus de Maia. Mostram o que mostram. Mostram aparências. Mas quem for esperto pode chegar à essência, afastando os véus.
Página 11
“Maias em Maio”
A designação: “ Maias ou Maios?!….” Em Portugal, ambas as designações são utilizadas, a distinção varia consoante a prática de celebração enraizada e a localidade. “O Maio”, na sua manifestação mais simples, é um “home”ou raparigo (menina) coberto de flores que, seguido de moços ou crianças, em procissão, percorria, antigamente, nossas vilas e aldeias. É aliás esta a designação que se utiliza na Galiza, mas aí os Maios são construções vegetais e florais, algumas à semelhança de andores e das quais falaremos mais adiante. As próprias crianças, os «maios» e as «maias» eram, neste dia – a norte, rapazes, a sul raparigas –, vestidas com flores e adornadas com objectos de oiro. Costume que, segundo parece, se mantém em certas localidades do Sul, onde se diz «ir enfeitar a «maia». Praxe idêntica registava-se, pelo menos, em França e em Inglaterra. “A Maia”, chamada também, “Rainha do Maio”, ou “Rosa do Maio”, era uma boneca de palha de centeio, em torno do qual havia danças toda a noite do primeiro dia de Maio. Outras vezes, podia ser também uma menina de vestido branco coroada com flores, sentada num trono florido e venerada, todo o dia, com danças e cantares. “A Maia” é ainda uma coroa de giesta adornada de flores, ou simplesmente uns raminhos de giesta amarela que todos os anos, de 30 de Abril para 1 de Maio se colocam nas portas, janelas e,ou varandas de casa, também conhecidas por maias por florirem em Maio.
As origens (mitos e lendas) A origem da tradição das Maias perde-se no tempo e pode ter várias explicações…
Os historiadores e etnógrafos não conseguem pôr-se de acordo quanto a datar a origem dos Maios ou Maias. Muitas das remotas celebrações que continuam a ter lugar
1ª Edição do Concurso
Página 12
“Maias em Maio” entre nós, ligadas ao primeiro dia de Maio, apresentam um cunho marcadamente rural. Terão como origem antigos ritos e cultos agrários, praticados pelos nossos antepassados, com o objectivo de assinalar o final do Inverno e a chegada da Primavera. Crê-se que a festa dos Maios teve as suas origens na pré-história, quando os primeiros homens começaram a questionar qual a força renovadora que ano após ano fazia brotar as sementes e revestia os campos de várias cores. Há quem a situe no Paleolítico, momento o que aparecem os cultos agrários. Como há ainda quem a situe no Neolítico, com o nascimento da agricultura. O que é bastante claro é que os Maios ou Maias apareceram sempre ligados ao meio agrícola e à necessidade de criar um ritual para o crescimento das colheitas e da sua protecção contra qualquer tipo de mal (peste, praga,”mau olhado” etc.). Vejamos então … Na sociedade Neolítica a dependência do ciclo regular das estações do ano e da força da natureza provocaram o surgimento do culto “às deiades” do mundo vegetal. Aqui começou a relacionar-se a coincidência do aparecimento da estação primaveril, com a fertilidade animal e posteriormente com a fertilidade humana, daí nasceu o culto à fertilidade.
Festa de reminiscências pagãs (celtas-romanas) ?! Os Gregos, uma das mais avançadas culturas mediterrânicas, foram mais engenhosos, criaram um mito para explicar a mudança cíclica das estações do ano: Perséfone filha da deusa da fertilidade da terra - Deméter para os gregos, Ceres para os romanos - foi raptada pelo deus do escuro e friorento mundo subterrâneo. Quando todos os anos volta à terra, depois do inverno que passa com o seu marido Hades, a sua mãe recebe-a com uma explosão de ramos verdes e flores multicores. Esta eclosão primaveril era celebrada pelas mulheres de Atenas, com festas de cariz secreto, proibidas aos homens e dedicadas à deusa dos cereais - Deméter.
1ª Edição do Concurso
Página 13
“Maias em Maio” Por sua vez os Romanos, mesmo antes de terem escravos que lhes trabalhavam as terras, festejavam a “Maia”4. Durante este período purificavam os campos com a realização de sacrifícios animais. Os cristãos adoptaram em grande parte este ritual, modificando o nome, mas não os ritos. Mais tarde, na Idade Média, período em que as novas técnicas agrícolas fizeram crescer não só as colheitas como também a população, também surgiram celebrações. Nesta sociedade hierarquizada entre os que lutavam (reis e nobres), os que rezavam (monges e bispos) e os que trabalhavam para eles (o povo), estes últimos eram as grandes vítimas e, para além de serem achacados com as guerras e as pestes, tinham também o problema das más colheitas. Assim, pode dizer-se que, nesta época, a celebração de rituais propícios ao despertar da natureza desempenhavam um papel fundamental. Nestas celebrações incluíamse as do mês de Maio (após a sementeira) e as da colheita (em particular dos cereais). José Leite de Vasconcelos refere o costume português das Maias como a mais antiga menção desta festa popular, festa evidentemente naturalística, mais ou menos desviada da sua significação primitiva, quer pelo próprio Paganismo, quer pelo Cristianismo.
4
O nome do mês de Maio terá tido origem em Maia, mãe de Mercúrio, e a ele está ligado o costume de enfeitar as janelas com flores amarelas. Esta crença está ligada às histórias da cultura pagã dos velhos tempos e às suas celebrações que permanecem vivas até aos dias presentes. Pois os dias de maior importância nas várias Tradições Pagãs são: os meses Druídicos, os Sabbats e outros Festivais que não têm equivalência ao calendário gregoriano, por isso as Festividades movem-se anualmente, consoante as fases da Lua, assim de 30 de Abril a 1 de Maio: temos o Sabbat de Beltaine. Beltaine traduz a fertilidade resultante da união e do acasalamento. A terra, de novo aquecida pelo retorno do Sol, palpita de vida. Nos campos, os adoradores saltam as fogueiras, crentes na purificação e na fertilidade, resultante do seu acto - montados em vassouras, pulam o mais alto possível incentivando os cereais e outras sementeiras a crescer em vigor. Devido às diferentes tradições existentes no Paganismo, os festejos, para uns, iniciam-se na noite de 30 de Abril prolongando-se pelo dia 1 de Maio, enquanto que para outros as Festividades têm inicio no próprio dia um, altura em que as comemorações à luz do Sol atingem o seu ponto mais expressivo nas brincadeiras do May-Pole, nas danças e nos cantares e onde as comidas e a bebida são parte integrante.
1ª Edição do Concurso
Página 14
“Maias em Maio”
Este mesmo investigador diz ainda que esta festa foi proibida várias vezes:
em 1385, a carta régia, de D. João I, determinava aos juízes e à câmara que
impusessem as maiores penalidades a quem cantasse as Mayas ou Janeiras, e outras coisas contra a lei de Deus… pois via as celebrações «como um costume diabólico e um crime de idolatria».Desta ordenação resultou a Postura da Câmara de Lisboa, «Outro sim estabelecemos que daqui em diante em esta Cidade e em seu termo não se cantem as Janeiras nem Maias, nem outro nenhum mês do ano»;
em 1402, as «maias» foram novamente «proibidas temporariamente» em Lisboa,
por carta régia, e substituídas por «procissões muito devotas», visando este impedimento proteger a religião cristã». Seja como for,
todos estes rituais pagãos estavam ligados ao rito da
fertilidade para com o novo ciclo da natureza, à celebração da Primavera ou ao início de um novo ano agrícola.
Com o aparecimento do Cristianismo, houve necessidade de atribuir o este velho ritual pagão um sentido religioso, promovendo a sua ligação à Festa da Santa Cruz ou ao Corpo de Deus. Esse facto pode justificar a lenda que se conta no Alto Minho, segundo a qual Herodes soube que a Sagrada Família, na sua fuga para o Egipto, pernoitaria numa certa aldeia. Para garantir que conseguiria eliminar o Menino Jesus, Herodes dispunha-se a mandar matar todas as crianças. Perante a possibilidade de um tão significativo morticínio, foi informado, por um outro "Judas", que tal poderia ser evitado, bastando para isso, que ele próprio colocasse um ramo de giesta florida na casa onde se encontrava a Sagrada Família, constituindo um sinal
1ª Edição do Concurso
Página 15
“Maias em Maio” para que os soldados a procurassem e praticassem o crime... A proposta do "Judas" foi aceite e Herodes tratou de mandar os seus soldados à procura da tal casa. Qual não foi o espanto dos soldados quando, na manhã seguinte, encontraram todas as casas da aldeia com o tal raminho de giesta florida à porta, fracassando, assim, a possibilidade do Menino Jesus, ser morto. Verdade ou ficção, a lenda ainda perdura, mas já com variantes! Talvez resultado desta lenda, hoje em dia ainda é possível observar em algumas zonas do nosso país, e em particular no Minho, a colocação de ramos de giestas em flor, ou até mesmo coroas feitas de ramos de giestas, conjuntamente com outras flores e enfeites coloridos, nas portas e janelas das casas ou nos automóveis, na noite de 30 de Abril para 1 de Maio.
1ª Edição do Concurso
Página 16
“Maias em Maio”
Com efeito, vários povos e países celebram o primeiro de Maio – que se apresenta com carácter universal – ritualizado em praxes semelhantes às nossas, a lembrar remotíssimos cultos agrários ou festas solares, onde se revelam origens de uma comunidade predominantemente pastoril. Esta tradição ainda perdura no nosso país, embora tenda a cair em desuso. Porém “Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso”, daí registarem-se de Norte a Sul de Portugal formas variadas de celebrar o mesmo evento, conforme a região ou província, ou mesmo localidade. Antes de iniciar a apresentação de algumas dessas variantes de celebração, convém explicitar que não é nossa intenção dar aqui a conhecê-las todas, no entanto referiremos as mais importantes. Ernesto Veiga de Oliveira descreve com rigor esse costume do povo português que tem algumas nuances regionais. Segundo ele, o primeiro de Maio é o Dia das Maias e comemora-se em Portugal, de um modo geral, pela oposição das «Maias», ou seja, de giestas ou flores, sob diversas formas, em portas e janelas e noutros locais. Ao contrário de outras regiões, por exemplo em Trás-os-Montes ou no Algarve que surge ao lado de outras práticas, que são independentes, mas de significações convergentes.
O etnógrafo José Leite de Vasconcelos, distingue e esclarece: “ As Maias propriamente ditas constam de duas partes: o enramalhamento das portas, e o Maio-moço” (in: Opúscúlos, 1904). Efectivamente, além das consagrações florais, vamos encontrar, neste dia, outras práticas supersticiosas que o povo continua a manter (bebidas e manjares cerimoniais), tendo por objectivo a sublimação do «Maio», igualmente chamado o «carrapato» ou o «burro», identificado com o mal e a doença – mascarando, assim, discretamente, o nome do temido demónio.
1ª Edição do Concurso
Página 17
“Maias em Maio” A identificação do Maio com o burro, poderá, eventualmente e por sobreposição de conceitos, representar o tributo, designado «cavalo de Maio», pago na Idade Média, no dia 1 de Maio, por todos aqueles «que não possuíam um cavalo em boas condições para a guerra».
No Minho Na noite de 30 de Abril para o 1 de Maio o "demónio" anda de porta em porta para descobrir as moças preguiçosas e estas revelam não o ser por fazerem as lindas coroas de flores para porem às portas ou nas fachadas das suas casas como sinal de "aqui há moça casadoira". Toda a rapariga deve dizer "não" à visita do demo e automaticamente dá o sinal de que ali há um bom partido para o futuro lar. Se não tem tempo para fazer uma maia artística, um simples ramo de giesta em flor tem o mesmo significado. Durante a noite as raparigas escondem-se atrás das janelas para ver os seus pretendentes. Os rapazes por sua vez procuram "roubar" a maia àquela que já lhe tocou na alma. Assim, noite fora, uma juventude cheia de alegria e coragem vai procurar o maia da sua amada, o que por vezes não é fácil, pois, de propósito, o maia, é atada com artimanhas ou colocada em lugar de difícil acesso. É neste simples acto que se vê a coragem do seu pretendente.
Em Ponte de Lima:
Na freguesia de Rendufe esta tradição ainda perdura. Todavia nesta localidade, é conhecida outra versão, para a colocação de ramos de Maias nas casas, tem a ver com as formigas, pois pensa-se que estas assim, não invadem mais a casa durante o ano.
Em Calheiros, dizem que nesse dia o diabo anda à solta e que não entra onde haja o Maio;
Em Santa Marta de Portuzelo, antes de nascer o sol no 1º de Maio, põem raminhos de giesta em flor nas portas e janelas, e espetam-nas no linho (só no linho e não nas outras novidades).
Em Arcos de Valdevez coloca-se o Maio à janela, só ou com outra flor, para se afastar a fome.
1ª Edição do Concurso
Página 18
“Maias em Maio”
Noutras localidades do Minho as maias servem, ainda, para afugentar a entrada das bruxas, o mau olhado, as pragas ou mesmo o diabo que alguns associam e designam como “o burro”. Daí advém a denominação de “o dia do burro”. Segundo outros serve ainda para " o burro" não morder o gado ou dar cabo do cereal (burro é aqui sinónimo de bicho que ataca as palheiras e o cereal).
1ª Edição do Concurso
Página 19
“Maias em Maio”
Em Trás-os-Montes Além de se enfeitarem as portas das casas com flores de giestas, as raparigas adornam
um menino que dizem representar o "Maio-moço", vestem-no de giestas floridas, formando as da cabeça uma pirâmide. Cercam-no outros rapazes e raparigas que o passeiam pelas ruas com grande ruído alegre, cantando e dançando à sua volta, com a intenção de que lhes dêem alguma coisa. Canta-se o seguinte: Vêdes o Maio Maio, mocinhas! Vamos à caixa Das castanhinhas5
O saio era roto Botica perdida: Agora, meu Maio, Procura tua vida.
Este Maio, moças, Chama-se João. Anda na campanha Feito capitão!
Este Maio moças, Chama-se Francisco: Anda na campanha, Perdido no cisco.
Este Maio, moças, Era boticário: Vendeu a botica P’ra comprar um saio.
Este Maio, moças Chama-se José: Anda na campanha Quebrou um pé.
Em certas localidades de Trás-os-Montes dá-se também o nome de «burro», que aqui é uma espécie de aranha, popularmente designada por «arranhola»,como já referido, um bichinho que ataca as palheiras. Por isso se dizia em Bragança que se deviam colocar as «maias» – neste caso simbolizadas não por flores, mas por castanhas – nos currais e nos celeiros.
5
Existe a superstição de que quem não comer castanhas no 1º de Maio leva o burro (Beira- Alta, etc.).
Em Vouzela, as castanhas secas ou piladas chamam-se maias. Em Tabuaço anda pelas ruas um rapaz muito enfeitado a apregoar: “ Castanhas ó (ao) Maio ….”
1ª Edição do Concurso
Página 20
“Maias em Maio”
Na Beira-Baixa e Beira Litoral Embora apareça excepcionalmente um boneco de palha, são também rapazes ataviados de giestas quem personifica "o Maio, centralizando o peditório cerimonial em dinheiro ou castanhas. Na Beira Baixa os bonecos enfeitados com giestas eram colocados à janela das casas, no dia 1 de Maio, antes do Sol nascer. Nas festas anuais de Monsanto (Idanha-a-Nova), realizadas no primeiro domingo a seguir ao dia 3 de Maio, as «maias» chamadas ali também «marafonas», representam um símbolo local e elemento fundamental da festa. Confeccionadas em pano por mãos femininas, expressamente para esta romaria (Festa de Santa Cruz ou do Castelo), não possuem rosto desenhado, mas antes uma almofadinha branca que lhes serve de cara. Vestem de cores coloridas, com um pequenino lenço na cabeça e laço de seda atado à cintura. As raparigas, ao voltarem da romaria, têm por antiquíssimo costume colocar as «marafonas» sobre as camas, para «proteger as casas dos raios quando faz trovoada». É Monsanto, igual a Mundo Santo ou a Monte Santo, a lembrar, quem sabe, o monte Olimpo, a morada dos deuses, onde reinou, talvez, a deusa ou ninfa Maia, protectora das trovoadas, que as «marafonas» propiciatórias, à sua semelhança, arrastam para longe, a «livrar do raio», após terem dormido o sono da tradição na cama das raparigas.
«Marafona»
Os
interessados podem
inscrever-se individualmente ou em grupo,
tendo
como
limite máximo o número de alunos pertencentes 1ª Edição do Concurso
a um grupo -turma.
A inscrição poderá
Página 21
“Maias em Maio” Na Beira Litoral os rapazes colocam, durante a noite, ramos de flores (as maias) à porta das raparigas que deparam com elas na manhã seguinte. Noutra variante, os rapazes que estão para casar, metem por baixo das portas das casas das moças "de bom comportamento" (sem disso elas se aperceberem) uma "maia de rosas". A essência festejante desta tradição está na colocação de giestas (por antonomásia "maias"), às vezes de outras flores, nas janelas, nas frestas ou aldrabas das portas, nos currais, em cancelas, nos carros de lavoura, nos próprios animais, nas lojas de artífices, em camionetas, locomotivas, passagens de nível, barcos e traineiras, ostentando rapazes e raparigas, com as orelhas floridas.
Na Estremadura A "Maia" é uma rapariguinha adereçada com flores que percorre as ruas da povoação acolitada pelas companheiras.
No Alentejo
No Alentejo, com particular incidência em Beja. As "Maias" são meninas que vestem de branco e enfeitam com flores, pondo-lhes na cabeça uma coroa de mais flores, e sentando-as em cadeiras, à esquina de alguma rua, nalgum largo ou junto à porta de sua casa. No seu trono enfeitado de rosas esperam algumas horas, enquanto companheiras mais crescidas, com pequenas bandejas na mão, pedem a quem passa: "-Meu senhor, um tostãozinho para a 'maia'!"; ou "Um tostão para a Maia que não tem saia!" (Manuel Joaquim Delgado). Em Beja também enfeitavam um rapazinho com flores, ao qual davam o nome de “Maio pequenino”
1ª Edição do Concurso
Página 22
“Maias em Maio”
No Algarve Os «maios», na configuração de bonecos vestidos ao gosto de cada um, continuam a encontrar-se um pouco por todo o País, embora mais acentuadamente no Sul. Com destaque para Quatrim, Olhão sendo os «maios» confeccionados, regra geral, pelas pessoas mais idosas da terra. Os bonecos representam pastores, cantoneiros, lavadeiras, entre outras profissões, retratando tradições e ofícios antigos e mesmo figurações actuais.
Em Lagos, este evento, está tão arreigado às suas gentes – que no quinto mês do ano davam grandes passeios às hortas e às praias, folgando e festejando, com a natural jovialidade e alegria que caracteriza os algarvios –, coincidiu durante muitos anos com o feriado municipal de Lagos e mesmo quando o deixou de ser (passou para 27 de Outubro) a tradição de celebrar o Maio manteve-se. Nesse dia despovoava-se a cidade. A praia do Porto de Mós, por exemplo, enchia-se de gente provida de farnel, e papagaios de papel que ondeavam ao vento.
1ª Edição do Concurso
Página 23
“Maias em Maio” Segundo a tradição local, em data incerta, mas seguramente nas celebrações de um 1º de Maio, um forasteiro ter-se-á aproveitado do espírito ingénuo e generoso dos locais e do carácter festivo da ocasião: “Contam alguns praguentos que nesta cidade aconteceu um caso estranho e digno de memória, dizendo que antigamente os moradores dela costumavam festejar o primeiro dia de Maio vestindo um estrangeiro com os mais ricos vestidos, que lhe podiam achar, e todo coberto d’ouro, de muitas jóias, braceletes, anéis e peças de muita valia, que lhe cosiam por cima dos vestidos, o faziam cavalgar no melhor cavalo. Andavam com ele por toda a cidade, e diante dele iam homens e muitas mulheres cantavam e dançavam, e diziam todos: “Viva o nosso Maio”. E tendo feito Maio a um estrangeiro, ornado e posto a cavalo, e dizendo-lhe, fora da cidade, que corresse, apertou as pernas ao cavalo e fugiu com todas as jóias e peças ricas da terra em Maio, e, por causa daquele homem, lhe chamaram mês que não devera, em memória da grande perda que tiveram.” Esta tradição é comum a outras terras, onde se tem como ofensa perguntar se já voltou o Maio.
Albufeira - Algarve
Os
interessados podem
inscrever-se individualmente ou em grupo,
tendo
como
limite máximo o número de alunos pertencentes a um grupo -turma.
A inscrição poderá efectuar-se por entrega pessoal da ficha em 1ª Edição do Concurso
anexo, na recepção da Escola E.B. 2, 3/S de
Página 24
“Maias em Maio”
Nos Açores Costume semelhante ao do Algarve ocorre por quase todas as freguesias de algumas das ilhas dos Açores: São Miguel, São Jorge, Graciosa, Terceira e Santa Maria. Nas ruas, à porta das casas, sobre os muros, no cimo das árvores, nos jardins, colocados nos carros e noutros locais – por vezes em encenações cuidadas e imaginativas –, podemos apreciar os populares e divertidos «maios», sentados, deitados ou de pé, a marcar a tradição do dia 1 de Maio em solo Açoriano.
Santa Maria - Açores
Os
interessados podem
inscrever-se individualmente ou em grupo,
tendo
como
limite máximo o número de alunos pertencentes a um grupo -turma.
A inscrição poderá efectuar-se por entrega pessoal da ficha em anexo, na recepção da Escola E.B. 2, 3/S de 1ª Edição do Concurso
Valença, Pav. A, ou via e-mail: maiasemmaio@gmail.c
Página 25
“Maias em Maio”
Quase todas as tradições populares recorrem à gastronomia e mais frequentemente à doçaria, como forma de preservar e evocar essas memórias. Na faixa ocidental atlântica do País, não existe qualquer prática alimentar associada. Mas em Trás-os-Montes e nas Beiras as «Maias» estão associadas às castanhas, que muita gente guarda de propósito para esta data. Segundo Jorge Lage, no 1º de Maio devem-se comer castanhas. Caso contrário, ao passar-se por um burro, este atira-se à pessoa e morde-a. Diz o ditado «quem não come castanhas no 1º de Maio, monta-o o burro». Isto porque Maio é o mês dos burros, como afirma o povo. O uso de comer castanhas secas em Maio, terá a ver com a tradição muito antiga de no 1º dia de Maio o chefe de família ir à fonte e esconjurar ou afastar com favas pretas os espíritos (o «Maio») da sua família. Daí a expressão: «Vai à feira e traz-me as maias (as castanhas piladas)». No Algarve podemos encontrar o “queijinho de Maio”, um bolo cerimonial confeccionado na altura em que o figo é colhido e seco. É feito com camadas alternadas de figo e massa de amêndoa, sendo encetado apenas no dia 1 de Maio. Em Lagos, o indispensável “desarrolhar do Maio” consistia em saborear uns bolos de amêndoa ou uns figos torrados, não faltando a habitual aguardente de medronho, quer provenientes dos farnéis esmeradamente preparados, quer oferecidos nas casas que se visitavam para apreciar as Maias, sobretudo nas zonas rurais. Em Monchique, confeccionam uma broa de milho doce, chamada “bolo de Maio” ou “bolo de tacho”. Mas em quase todo o Algarve as “rolhas de Maio” são bolinhos de massa de amêndoa e ovos.
1ª Edição do Concurso
Página 26
“Maias em Maio”
Podemos ver os Maios (mayos) no dia da festa, ou dia de Maio, o primeiro dia de
Maio, ao longo da fronteira Portugal e Espanha, em especial em Espanha, na Estremadura, (San Vicente de Alcantara, Santiago de Alcantara, Valencia de Alcantara, Puebla de Obando, ...), em Portugal desde o Minho ao Algarve.
Mas os Maios figurativos conhecemo-los sobretudo no Algarve, entre Loulé e Tavira,
em especial nos concelhos de Faro (Estói) e de Olhão, (Olhão, Moncarapacho, Quelfes), nos Açores (ilhas Terceira, Graciosa, ...), nas Canárias (Santa Cruz de La Palma) e ainda em Murcia.
Os Maios (Mayos, em Espanha, Maios somente na Galiza ) são bonecos adornados
como gente, representando figuras de pessoas em tamanho natural, vestidos e calçados com a roupa habitual das pessoas representadas nas suas atitudes (normais ou caricaturadas) que se apresentam isoladas ou em conjunto, representando cenas do quotidiano (do passado ou actual).
No primeiro dia de Maio de madrugada, essas figuras (quase sempre realizadas
durante a noite de 30 de Abril), são colocadas junto das portas, janelas, varandas, jardins, quintais, ruas, largos, etc.
Junto de cada boneco, ou sobre o próprio, estará (ou não) colocada a fala ou o
pensamento do sujeito representado, ou um comentário ou narração da cena referindo o momento daquele instantâneo retirado ao teatro de uma vida real.
1ª Edição do Concurso
Página 27
“Maias em Maio”
Estas narrativas, ou mesmo o dizer de cada figura, apresentam-se (quase sempre) na
forma de versos, enquadrados em estrofes de formato popular.
Os bonecos, as cenas, os dizeres e as narrativas, por vezes bem revestidas de humor,
têm muitas vezes um sentido crítico, sob a forma de sátira, ou sarcasmo, em especial quando há motivo para isso na comunidade local, regional, nacional ou mesmo internacional, mas a maioria das vezes são apenas uma celebração saudável do quotidiano.
Colocados na madrugada do primeiro dia de Maio, são retirados ao anoitecer. Estão
um dia em exposição, é o dia da festa - celebra-se a Primavera.
O período compreendido entre os últimos dias de Abril ou os primeiros dias de Maio
(conforme calhe o domingo) festeja-se em várias localidades. Hoje em dia esta celebração está associada à tradição e ao espectáculo. Ainda que os seus primórdios tenham sido o de festas florais (pequenas construções semelhantes a andores), com o passar do tempo foram-se introduzindo bailes e cânticos com carácter satírico, completando assim o sentido popular de festa.
Na "Terra da Chispa", dos amoladores que percorrem o mundo, com capital em
Ourense, cidade do Santo Cristo, das pontes sobre o Minho e da fonte das Burgas, vertendo água fervente sabe-se celebrar as festas tradicionais relacionadas com o ciclo agrário, tanto os Magustos, de fogueiras e castanhas, cada dia 11 de Novembro "coincidindo com o santo padroeiro, São Martinho", como as festas maiores do Corpus, ou a princípios de Maio os "Maios".
1ª Edição do Concurso
Página 28
“Maias em Maio” Antiga e ingénua festa, muito celebrada em toda a província de Ourense e também pelas velhas ruas e pela Praça Maior da sua capital. Este é o período de culto à árvore florida da infância e da juventude, símbolos de vida e fecundidade. Cristianizada por essa "Árvore de Redenção" que é a cruz, apresentada no "Dia da Santa Cruz". O sábio instinto rural faz com que os mais jovens apresentem na procissão os "Maios", carroças de flores e frutos, com ídolos valentes de formas muito diversas: cónicos, cruzeiros, figurados revestidos de folhas verdes e de cor, os que podem carregar nos ombros ou sobre andores. Procissão acompanhada por filas de crianças cantando, acompanhadas por golpes de paus, “coplas” e cânticos satíricos e irónicos com claras alusões a temas da actualidade.
Os Maios de Pontevedra, Ourense e Poio Laranjas, milho, flores, urzes, trabalho e muita imaginação, estes são os principais ingredientes dos Maios, as construções vegetais que enchem as praças de Ourense, Poio, Pontevedra e Caldas de Reis para afastar as pestes, vírus e más colheitas e também fazer-nos rir com as suas músicas. Em cada primeiro de Maio, a vegetação sai à rua em forma de “Maio”, uma construção de diferentes formas feita de elementos vegetais em função da região onde se elaboram. Os Maios criaram-se para invocar o crescimento das plantas cultivadas e para protegelas de possíveis ameaças naturais como os ratos, as toupeiras… ou os sobrenaturais como as bruxas que com os seus poderes podem deitar um “mau de olhado” à colheita.
1ª Edição do Concurso
Página 29
“Maias em Maio”
Tradição e espectáculo Apesar de que os Maios começaram por ser uma festa propriamente floral com pequenas construções, com o passar dos anos foram incorporando danças e músicas com carácter satírico, completando o sentido popular da festa. Várias localidades de toda a Galiza festejam esta particular convocatória nos últimos de dias de Abril ou nos primeiros de Maio (em função de quando coincide o Domingo no calendário). Desde finais do séc. XIX e princípios do séc. XX as instituições potenciam a celebração desta festa com a criação de certames. Em Orense, a festa de exaltação da vegetação celebrase desde 1909, são “tradições que nunca se perderam na cidade, ainda que se mantenham duas variantes: uma de Maios tradicionais e outra dos artísticos”. Aqui insiste-se em recuperar esta tradição, por isso, em colaboração com várias associações, organizou-se um “Forum dos Maios”, uma série de conferências que recolheram opiniões e teorias sobre o passado, presente e futuro dos Maios, as quais foram editada na colecção Auria sob o título de “Levántate, maio”.
1ª Edição do Concurso
Página 30
“Maias em Maio” Os maios são acompanhados, habitualmente, de músicas tradicionais “coplas” com uma componente satírica dando destaque a qualquer feito social que acontecesse no último ano. As “coplas” são cantadas por uma pessoa que está dentro do próprio maio e a gente que está fora repete as mesmas palavras. Com as “coplas” acontecia a mesma coisa que com as formas e os materiais de construção dos próprios maios, havia muitas estruturas, figuras e variantes. O que é igual em toda a Galiza é a relação que há entre os maios e as crianças, que são os protagonistas destas festas.
As variantes perdidas Manuel Murguía e Alfredo Vicente, mais tarde Xosé Filgueira Valverde, Emílio de Gregorio e Clodio González Pérez estudaram a origem e as diferentes manifestações populares dos Maios em toda Galiza. Por isso, documentam muitas variantes, até hoje completamente perdidas. É o caso das "maias", grupos de meninas que cantam, dançam e pedem uma compensação em troca. Houve um tempo em que se levantavam árvores de maio, uma tradição que consistia em cortar uma árvore e depois espetá-la no centro da aldeia ou vila, como triunfo da vegetação. E também se perdeu a celebração da Santa Cruz, no dia 3 de Maio, uma festa de carácter religioso.
1ª Edição do Concurso
Página 31
“Maias em Maio”
Principais manifestações Na Galiza, desde sempre houve práticas vinculadas com a agricultura, com a ganadaria, com o mar, com o jogo, com o amor, etc.
Manifestações Agrárias: a finalidade é favorecer o crescimento da colheita, afastar o mal das bruxas, da climatologia ou dos animais.
Manifestações Marinheiras: punham-se raminhos de giesta na proa dos barcos para afastar a má pesca ou possíveis avarias deste.
Manifestações Amorosas: alguns maios nas suas cantigas também se referem a temas amorosos. O rapaz que pretendia uma moça entregava-lhe nesta data um ramo de giestas florida. É normal este tipo d e temas pois na Primavera por toda a sua beleza e singularidade floral é o mês do amor.
Manifestações Lúdicas: a finalidade é anunciar a eclosão primaveril. Os protagonistas são as crianças e a mocidade quem realizam jogos com arcos de flores.
Tipos de Maios A palma e a copla: São as mais simples destas manifestações. Consiste em compor uma cantiga e enquanto a cantam, oferecem às pessoas um ramo de flores para que lhes dêem uma boa gorjeta.As crianças e a juventude vestem-se com flores e folhas, depois cantam as coplas pelas ruas acompanhadas duns paus curtos para seguir o ritmo da música. Esta manifestação, em cada região ou lugar, tem muitas variantes. Por exemplo, em Ribadeo são as raparigas as que vão vestidas com uma coroa de flores na cabeça. Em Mondoñedo ou Coruña, celebra-se com um grupo de pessoas vestidas ou também levando uma menina vestida de Maio.
Maios Figurados: são os maios com figura piramidal ou coniforme, ainda que também se possam representar monumentos do lugar, personagens famosas, construções típicas (barcos, canastros, etc.). Têm muita fama os Maios de Ourense, Pontevedra, Vilagarcía, etc.
Maios de Barcos: pertencem ao grupo dos maios figurados, mas neste caso a figura sempre é um barco ou uma gamela adornada com bandeiras e flores. Costumam levar quatro rodas para mais comodidade para conduzi-lo pelas ruas. Elaboram-se nas costas galegas, sobretudo nas Rias Baixas e as cantigas fazem referência a anedotas marinheiras. 1ª Edição do Concurso
Página 32
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 33
“Maias em Maio”
Como elaborar uma Maia Tradicional Em primeiro lugar, colher uma boa quantidade de giesta florida, de seguida procurar e colher flores silvestres, poderão ser variadíssimas as espécies, de acordo com a flora de cada localidade. De seguida, com arame e palha de centeio fazem-se uns aros (coroas) que se revestem com a giesta bem apertada com a ajuda de fio ou arame (fino). A etapa seguinte é adornar com as flores silvestres de acordo com o gosto pessoal do arranjo floral que se pretenda.
Notas adicionais: A decoração e ornamentação são livres, prevalece o recurso às flores silvestres e somente é obrigatório a presença das maias (flor da giesta) e dos versos em quadras populares. Quando se refere a situações de repúdio ou mal amado os enfeites são de ramos de silvas. Os enfeites com giesta tomavam aspectos figurativos e florais recheados de quadras populares apelativas aos sentimentos do amor e do coração
1ª Edição do Concurso
Página 34
“Maias em Maio”
Como elaborar Maias recicladas
As Maias recicladas apenas obedecem a regra de ser obrigatória na sua confecção a reutilização de materiais considerados desperdícios. À parte desta restrição, dá-se aso à liberdade criativa de cada um.
Exemplo de outra variante:
Taveiro, Coimbra
1ª Edição do Concurso
Página 35
“Maias em Maio”
Literatura Popular e Maias … Para finalizar, resta compor alguns ditos, versos ou quadras populares que sejam alusivos às temáticas:
Despedida do Inverno, anúncio e boas-vindas à chegada da Primavera; Pedido de protecção para que se afugentem as possíveis ameaças naturais (pragas) e/ou sobrenaturais (bruxas e feiticeiras) que podem deitar “mau-olhado”;
Ou ainda para afugentar o “burro” (burro é um bichinho que ataca o cereal, para que este não morda o gado ou dê cabo do cereal).
Exemplo de quadras No dia 1º de Maio Não tinha nada para te oferecer Ofereço-te este ramo Para não mais esquecer
1ª Edição do Concurso
As Maias da minha terra Já são uma tradição Que elas nunca acabem Desejo do coração
Página 36
“Maias em Maio”
Vasconcelos, José Leite de, OPÚSCULOS, Volume V. Etnologia (Parte I) Lisboa, (Imprensa Nacional, 1938)
Quitério, José, "As Maias" in "Manjares Rituais em Portugal", cap. III , LIVRO DE BEM COMER (Assírio & Alvim, 1987) Costa, Soledade Martinho, Festas e Tradições Portuguesas, Ed. Círculo de Leitores, Vol.IV, (Ed. Círculo de Leitores) Sarrão, Henrique Fernandes in “História do Reino do Algarve” (c. 1600), “Duas Descrições do Algarve do Século XVI” - Cadernos da Revista de História Económica e Social, Nº 3 ( Livraria Sá da Costa Editora)
Internet:
Primeiro de Maio - «Maios» e « Maias» ou elogio das giestas, site: http://sarrabal.blogs.sapo.pt/46397.html As maias no Minho, site: http://rendufe.blogspot.com/2007/05/maias.html
A festa das maias, site: http://www.portugal-on-line.com/tradicoes-portuguesasf41/festa-das-maias As maias no Algarve, site: http://lagospt.blogspot.com/2009/05/as-maias.html
Os Maios en Galicia, site : http://www.galespa.com.ar/festas_maios.htm
A festa dos Maios, site: http://www.festadosmaios.com.ar/#galicia
1ª Edição do Concurso
Página 37
“Maias em Maio”
A divulgação foi feita através de desdobráveis e cartazes.
1ª Edição do Concurso
Página 38
“Maias em Maio”
Estes foram afixados, enviados via correio electrónico e entregues pessoalmente.
Divulgação no largo em frente à Câmara Municipal. 1ª Edição do Concurso
Página 39
“Maias em Maio”
Foi ainda divulgado nos meios de comunicação local rádio e jornal e via internet. Sites: http://www.rhturismo.net/index.php?option=com_content&task=view&id=8648&Itemid=2 http://www.novasdoeixoatlantico.com/cidades/4-valenca/499-fortaleza-de-valenca-floridamaias-engalanam-varandas.html http://www.cm-valenca.pt/portal/page/valenca/portal_municipal/noticias
1ª Edição do Concurso
Página 40
“Maias em Maio”
Após a fase da divulgação e concluído o prazo das inscrições a 27 de Abril, resultaram quarenta e oito inscrições. E ainda um movimento entusiasta por parte da comunidade local, em particular dos comerciantes intra-muros que quiseram também associar-se a esta iniciativa. No dia 30 de Abril, as maias inscritas foram entregues na Biblioteca Municipal, local onde o júri reuniu e deliberou.
Este júri foi composto por representantes das entidades convocantes, bem como por destacados membros da comunidade com conhecimentos na temática objecto do concurso. Assim na qualidade de:
representante do Agrupamento, a professora Graça Viães; representante do Município, a Drª Elisabete Domingues; representantes especialistas: em literatura popular, a professora Maria de Lourdes Bengala Carita; em expressões artísticas, a professora Catarina Domingues; em arte floral, a florista D. Paula Cunha. Após uma árdua sessão de avaliação, resultaram premiados:
Ensino
Pré-escolar: Jardim de Infância de Bárrio – Fontoura, responsável educadora Ana Laranjo (Maia reciclada);
Ensino Básico-1º Ciclo: EB1 de S. Pedro da Torre, alunas do 3º ano - Sara Marçôa; Lara Silva; Mariana Silva, responsável professora Dulce Senra (Maia reciclada);
Ensino Básico-2º e 3º Ciclo/Secundário: Grupo A, da turma 9ºC,responsável professora Rosa Mendes (Maia reciclada);
Associações Culturais e Recreativas: Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Valença, responsável Sr. Álvaro Santos (Maia tradicional).
1ª Edição do Concurso
Página 41
“Maias em Maio”
Ensino Pré-escolar: Jardim de Infância de Bárrio - Fontoura
Ensino Básico 1º Ciclo EB1 de S. Pedro da Torre Alunas do 3º ano Sara Marçôa; Lara Silva; Mariana Silva
Ensino Básico: 2º,3º Ciclo e Secundário Grupo A, da turma 9ºC
1ª Edição do Concurso
Página 42
“Maias em Maio”
Associações Culturais e Recreativas: Cruz Vermelha Portuguesa – Del. de Valença
Todos os trabalhos apresentados estiveram expostos nas varandas e portas da Praça do Município, rua Conselheiro Lopes da Silva e rua Mouzinho de Albuquerque. Extra concurso e de forma espontânea gerou-se uma grande dinâmica por parte dos comerciantes intra-muros que se associaram a esta acção, dando também eles as boas-vindas ao Maio e à Primavera, com arranjos florais e maias que exibiam um verdadeiro trabalho artístico e a vontade da população local em fazer ressurgir esta tradição secular.
A entrega dos prémios ocorreu em sessão pública da Feira do Livro, no dia 15 de Maio, pelas 21.30 horas. Cada premiado recebeu um cheque-didáctico no valor de 125 euros. Apesar de, na presente edição, não ter sido possível
Maia de estabelecimento comercial (loja de lingerie)
abranger todas as artérias da fortaleza, nada impede que numa próxima toda a comunidade valenciana seja
convidada a aderir e esta acção se estenda, podendo inclusive tornar-se um evento de atracção turística e de dimensões mais alargadas.
1ª Edição do Concurso
Página 43
“Maias em Maio”
O “Valenciano”, 05 de Maio de 2010
1ª Edição do Concurso
Página 44
“Maias em Maio”
O “Valenciano”, 19 de Maio de 2010
http://www.rhturismo.net/index.php?option=com_content&task=view&id=8648&Itemid=2 http://www.novasdoeixoatlantico.com/cidades/4-valenca/499-fortaleza-de-valencaflorida-maias-engalanam-varandas.html
1ª Edição do Concurso
Página 45
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 46
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 47
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 48
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 49
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 50
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 51
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 52
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 53
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 54
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 55
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 56
“Maias em Maio”
O burro quando era pequeno
Maia linda sem igual,
O jardim de infância quis frequentar
Mesmo feita aqui ao lado
Mas como era malandro
Pelos meninos de Cerdal,
Nunca conseguiu entrar!
Com material reciclado!
No jardim de infância de Cerdal
Comemos os iogurtes
Não há burro que entre,
Que nos fazem crescer
Pois aqui por estes lados
Para afastar o burro
É tudo boa gente!
Se ele tentar aparecer!
Os meninos exemplares
As nossas educadoras
Do jardim de Cerdal
Gostam de nos ensinar
Não deixam entrar o burro
A preservar as tradições
Pois é feio esse animal!
Que mais tarde iremos continuar!
Jardim de Infância de Cerdal Responsável (eis): Margarida Sousa/ Ana Martins;
1ª Edição do Concurso
Página 57
“Maias em Maio”
Com flores e amor Enchem nosso coração
Jardim de Infância de Valença
Para lembrar as Maias
(Pré – Escolar)
Esta bela tradição.
Responsável (eis): Iracema / Isabel
As maias da nossa terra São grande tradição Que elas nunca acabem Desejamos do coração.
Jardim de Infância de Arão Responsável (eis): Educ. Maria José Ribeiro
Para as maias festejar Num bom ano para todos Com giestas e flores Vamos todos trabalhar.
Maio, Maio mês eterno de minha alma, Nasces sempre no mistério duma noite No perfume do luar cor giestas. E na luz da madrugada pelas portas Apareces enfeitado e triunfante Em risadas de surpresa e boas festas.
Jardim de Infância de Fontoura Responsável (eis): Educ. Ana Laranjo
Maio maduro Maio Vai crescendo a colheita Deus abençoa a plantação E o agricultor aproveita
1ª Edição do Concurso
Página 58
“Maias em Maio”
Reciclar é poupar Transformar é amar
Jardim de Infância de S. Pedro da Torre Responsável (eis): Maria Arminda Torre
Amar é natureza E as tradições continuar!
Boa noite querido inverno, Bom dia primavera amiga. Com uma mão digo adeus, Com a outra agarro a vida!
Não fiques triste, oh inverno, Pela mocidade chegar. Olha tantas borboletas,
Jardim de Infância de Gandra Responsável (eis): Maria Arminda Gonçalves
Que nestas flores vieram poisar!
Maio, primavera e criança. Moço, flores e coroas de esperança. O ano crescendo em ânsia Nas tuas flores, oh Maio, a infância!
“As abelhas cá saltitam Pelas flores do teu jardim Quando chega a Primavera
Jardim de Infância de S. Pedro da Torre Responsável (eis): Rosa Rodrigues
O inverno já está no fim O Inverno já está no fim!”
1ª Edição do Concurso
Página 59
“Maias em Maio”
Desde sempre nós ouvimos Que para o burro não entrar A porta da nossa casa Em Maio devíamos enfeitar.
Centro Escolar de Valença Responsável (eis): Prof. Fátima gonçalves
É muita a ilusão De toda a pequenada Percorrer campo fora Colher flores à molhada.
Toda a tarde a moldar Uma roda perfeita saía De giesta amarelada Centro Escolar de Valença
Que todos embevecia. Responsável (eis): Prof. Armanda Andrade
E aquele jarro branco Colhido no meu quintal Que lindo ele ficava P’ra dar o toque final.
A maia vou fazer; Para a casa proteger; Não vá o “burro” quer;
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Alunas – Sara Marçôa, Lara Silva e mariana Silva
Nela o ninho fazer.
1ª Edição do Concurso
Página 60
“Maias em Maio”
Ó Maio, ó Maio EB1. De S. Pedro da Torre
Mês das flores Responsável (eis): Aluno – Bruno Martinez
Enfeitas os beirais Com mil cores.
A minha porta fica linda Com a fechadura enfeitada A toda a minha família Pode dormir descansada.
Pela manhã ao acordar
Centro Escolar de Valença Responsável (eis): Prof. José Veiga Afonso
No quarto da mamã bati Tudo estava no lugar certo Grande alívio eu senti!
Primavera faz flores que vejo Num lampejo em ponho, num sonho florido, Eu vos digo há que preservar Para o dia ser colorido,
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Telma Castro Maciel
E sabeis porquê… Porque ajudei a reciclar!
1ª Edição do Concurso
Página 61
“Maias em Maio”
Portugal terra das maias Dos campos as flores mais belas
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluno – Nuno Trilho
Por haver tantas maias É que os burros não entram nelas.
O inverno já acabou Vamos todos festejar O regresso da Primavera
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Ana Maria Pereira
E os campos cultivar. EB1. De S. Pedro da Torre
Maias coloridas Ou maias amarelas
Responsável (eis): Aluna – Ana Maria Pereira
Enfeitam os beirais E também as janelas.
O inverno já acabou E a primavera chegou.
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Tânia Almeida Trilho
As flores vão apanhar Para as maias executar.
Quando chega a primavera Fica mais belo o jardim.
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Mónica
É tão colorida a nossa terra. Era tão bom a primavera sem fim!
1ª Edição do Concurso
Página 62
“Maias em Maio”
O inverno acabou A primavera chegou. As andorinhas a voar
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Sara Costa
E as pessoas a cantar.
Na minha terra não há maia Vim aprender está tradição Aqui no Norte de Portugal Mais precisamente em S. Julião
Aqui mete-se a Maia a porta Com o sentido de protecção Diz-se que afasta as bruxas Não sei se é verdade ou não…
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluno – Pedro Melo
Mas pelo sim pelo não A que por a maia ao portão Porque com bruxas e feiticeiras Eu não me meto não…
Inverno, inverninho Que tanto demoraste a passar Ainda bem que está A primavera a chegar.
1ª Edição do Concurso
Página 63
“Maias em Maio”
Com flores do meu jardim Eu fiz uma mia amorosa Fui pendurá-la na varanda
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Alunos – Inês Ferreira / Hugo Nascimento
Da minha amiga rosa.
O inverno terminou. A primavera chegou.
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Anastácia Mandryka
Os passarinhos a cantar Para o dia nos alegrar.
Com flores perfumadas As varandas ficam animadas.
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Liliana Pereira
Na cidade de Valença As maias vão ter presença.
Maio maluco Maio das flores
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Camila
Maio dos perfumes Maio dos amores.
Flores e amor Enchem o nosso coração
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Sara Pérez
Para nos lembrar as Maias Esta bela tradição.
1ª Edição do Concurso
Página 64
“Maias em Maio”
A primavera é beleza É milagre da natureza.
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Fátima Lopes
A primavera é florida E a natureza colorida.
Arreda de aqui Satanás O teu disfarce é brutal
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Adriana
Venho bruxas e feiticeiras Ninguém nos vai fazer mal.
No inverno não há cores Também não há flores!
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluno – Rui
A primavera está a chegar, As flores vou apanhar.
A primavera já chegou As maias estão a sorrir
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluno – Tiago Lucas
O inverno já passou As andorinhas estão a vir.
A primavera está a chegar. As flores vou colher!
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluna – Lara Barros
Vemos andorinhas no ar Que têm muito p’ra fazer.
1ª Edição do Concurso
Página 65
“Maias em Maio”
O inverno terminou E a primavera chegou.
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Aluno – Tiago Sousa
Trouxe flores perfumadas E árvores bem ajeitadas.
As maias da minha terra Já são uma tradição
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis): Sara Barros
Que elas nunca acabem São os desejos do coração.
Oh! Maia maravilhosa Como tu não há igual És a maia maias vistoso
EB1. De S. Pedro da Torre Responsável (eis):
Como não há em Portugal.
1ª Edição do Concurso
Página 66
“Maias em Maio”
Vai-te Inverno furioso,
Tudo trás amores.
Não nos deixas saudades Pensas que foste famoso
Crianças brincam no campo
A fazer tantas maldades?
E cantam suas canções; Tudo se enche de encanto
A terra tremeu de horror,
Aquecem os corações!
Gelado o teu coração. Tu foste mesmo um pavor,
Até os nossos velhinhos
Só fizeste confusão?
Passeiam pelo jardim Gorjeiam os passarinhos
Abriste as portas aos ventos
Renasce a esperança…em fim!
Para formar grandes tufões, Causaste grandes tormentas
Um pintor inebriado
Com tudo aos trambolhões!
Pinta a tela de mil cores, E o poeta estirado
Foste bem desnaturado
Faz poemas de louvores
Tua sina foi destruir, Acabou o teu reinado
Chega Maio florido
Deixa a primavera sorrir!
Mês das mais na janela A mãe é um ser querido,
Transformada a natureza
As flores são para ela!
Desabrocham as flores. Tudo trás sua beleza Acasalam os amores.
1ª Edição do Concurso
EB. 2,3/S de Valença Responsável (eis): - Profs. Conceição Conde / José Manuel Silva
Página 67
“Maias em Maio”
Maio a chegar A natureza em flor Igual primavera,
EB. 2,3/S de Valença Responsável (eis): - Alunos de NEE /Reciclagem - Prof. Sueli Brito
Que traz o despertar do amor E o encanto e alegria das crianças a brincar.
Passear no roseiral Ir ver os campos verdejantes, As mimosas a brilhar e As andorinhas a Voar
EB. 2,3/S de Valença Responsável (eis): - Alunos de NEE /Reciclagem - Prof. Sueli Brito
Encanto de cores Que rima com beleza da natureza, É a primavera a chegar.
1ª Edição do Concurso
Página 68
“Maias em Maio”
No dia um de Maio Toda a gente fica a pensar Será que é na minha casa Que o “burro” vai entrar?
Este é o grande “burro” Que consegue assustar Com as mais lá nas portas Não há hipo de entrar.
EB. 2,3/S de Valença Responsável (eis): Aluna Sofia Dias
Fechem portas e janelas E as maias colocar Se não lá vai a colheita Para o gado alimentar.
Em Maio come as cerejas ao borralho Põe as Maias na porta e sê feliz…
1ª Edição do Concurso
Página 69
“Maias em Maio”
Vi a Primavera chega E as flores aparecer Logo pensei nas maias E uma coroa fazer
De amarelo se cobrem os montes Cor das maias a florir Que bonita a Primavera
EB. 2,3/S de Valença Responsável (eis): Aluna Mariana Rodrigues
Tudo lindo a sorrir
Pelos montes eu caminho Longe vai o meu pensar De amarelo e verde cobertos Até me fazem sonhar.
Esta coroa venho pendurar Para o burro afugentar Pois, se o bicho no meu celeiro entrar O meu cereal vai estragar!!! EB. 2,3/S de Valença
Bruxas, feiticeiras e maus olhados
Responsável (eis): Assistentes Operacionais D. Georgina e D. Otília
Esta casa queremos proteger Com esta coroa decorada O demo vamos vencer!!!
Mês de Maio Mês de Maria
1ª Edição do Concurso
Página 70
“Maias em Maio”
Vai inverno Vem primavera, Mais uma estação do ano Que toda a gente espera!
Adeus inverno, Já não quero saber de ti, Prefiro a primavera
EB. 2,3/S de Valença Responsável (eis): Turma PIEF/ Prof. Ana Viana
Que todos os dias me sorri.
As flores já estão a rebentar, Os tempos quentes já estão a chegar Adeus inverno, O frio já está a passar.
Vamos relembrar este costume, Como manda a tradição. Uma maia temos de fazer, Para a nossa casa proteger,
EB. 2,3/S de Valença Responsável (eis): Grupo B (9ºC)
Com o burro longe: Vamos afastar a bruxaria, Livrar-nos do mau olhado E cuidar do nosso gado.
1ª Edição do Concurso
Página 71
“Maias em Maio”
Com flores, inspiração E uma simples composição, Se celebram as Maias, Esta bela tradição.
As coroas protegem, Contra todo o mal, E ainda matam O bicho do cereal.
EB. 2,3/S de Valença Responsável (eis): Grupo A (9ºC)
Na última noite de Abril, Todos as têm de pendurar, Para de sua casa, O mau olhar afastar.
Todos os anos contra o desuso, Cobrem-se as Maias de flor. Aproveitam raparigas e rapazes, Para declarar o seu amor.
1ª Edição do Concurso
Página 72
“Maias em Maio”
São as maias floridas Uma velha tradição; O espelho das nossas vidas As flores da ilusão.
P
étalas de flores espalhadas no ar.
R I
iso das crianças sempre a brincar.
nverno que adormece. Cruz Vermelha Portuguesa
M A
R
Responsável (eis): Álvaro Santos
ves nas janelas sempre a chilrear.
V E
aias de encantara!
erão que desperta.
ncantos deste planeta! Espectacular!
osas, margaridas, orquídeas, tulipas…
A
belhas que espalham a fertilidade no ar.
1ª Edição do Concurso
Página 73
“Maias em Maio”
A porta do nosso centro; Com esta maia vamos enfeitar; Para o “burro” cá dentro;
Centro Cultural e Social de S. Pedro da Torre Responsável (eis): Natália Nascimento
Jamais poder entrar.
Na Piscina Municipal O Burro não vai entrar A não ser que ele queira
Piscina Municipal de Valença Responsável (eis): João Corrêa
Aprender a nadar.
A tradição desta terra, Era a maia ser roubada Do alto de uma varanda
Associação Cultural de Verdoejo Responsável (eis): Maria Eugénia Gomes Esteves
Do rapaz è sua amada.
1ª Edição do Concurso
Página 74
“Maias em Maio”
Primavera florida O Maio chegou enfim Esta nossa simples Maia Com flores de jardim.
A nossa Maia de Gandra Feita de flores campestres Famos, lavaças, pampulhos
Associação desportiva S. Salvador de Gandra Responsável (eis): Laurinda Cerqueira
Toda de flores silvestres.
Lindo Maio florido Todo ele cheira a flores Cheirinhos de primavera Onde esqueceu clamores.
1ª Edição do Concurso
Página 75
“Maias em Maio”
As maias que nós fazíamos Eram feitas com carinho Eram de flores e giesta Tradição do alto Minho.
No alto de uma colina Recolhi flores de giesta Para cumprir a tradição A receber Maio em festa. Rancho “ Os camponeses minhotos” Cerdal
No dia 30 de Abril
Responsável (eis): Maria Glória Pinto
Havia um trabalho a elaborar Para por a maia à janela Que os rapazes vinham roubar.
Também era de costume Aos nossos antigos ouvir Por a maia ao portão Para o burro fugir.
1ª Edição do Concurso
Página 76
“Maias em Maio”
O inverno foi-se embora Não nos deixou chorar Deu lugar á primavera Para nos vir encantar.
Maio é o mês das maias O mês das flores o mês de Maria É o mês mais lindo E traz-nos tanta alegria.
A rapariga solteira Nisso tinha alegria De fazer a maia e a cruz
Rancho “ Os camponeses minhotos” – Cerdal Responsável (eis): Maria Glória Pinto
No lindo mês de Maria.
No verão vem o calor Calor esse que nos faz soar É época de ir para a praia E de se poder relaxar.
O Outono não é frio Com as folhas a secar Vai-se o Outono embora Está o Inverno a chega
1ª Edição do Concurso
Página 77
“Maias em Maio”
Ao estabelecer como finalidades deste projecto: - revitalizar usos e costumes populares do nosso concelho, designadamente a tradição das “Maias”; - favorecer que o sistema educativo assuma a tarefa de resgatar e revelar às novas gerações a existência de um rico e variado Património Imaterial; - preservar e valorizar e a nossa identidade cultural divulgando-a além-fronteiras. Concluímos que, inicialmente, fomos um pouco ambiciosos ao definir estas metas, no entanto, parece-nos que ficou claro através dos documentos apresentados e respectiva descrição que as duas primeiras metas foram plenamente atingidas. Sendo ainda que o envio do presente trabalho para participação no IV Concurso da Recolha da Tradição Oral Galego-Portuguesa será uma forma de consecução da terceira. Face aos resultados obtidos ousamos afirmar que as expectativas iniciais foram largamente ultrapassadas, pois não estávamos a espera que a comunidade local se associasse a esta iniciativa. Neste contexto, destacamos como grande mais-valia e avaliação final deste projecto o termos provado que a Escola tem um papel inquestionável na divulgação e preservação do património, seja ele imaterial ou não. Mais do que isso, a Escola na sua função pedagógica tem o dever de trabalhar na busca da identidade cultural que distingue e/ou aproxima a região onde está integrada das demais. O documento vídeo que apresentamos a acompanhar este trabalho gráfico pretende ser a prova irrefutável do que atrás afirmamos. Assim, tendo como referência o concurso: “ Maias em Maio”, dividimos esse documentário em três partes.
O antes, apresenta entrevistas: - a jovens (entre os 14 e 15 anos de idade, ensino secundário), com estas pretendemos demonstrar que apesar destes ainda terem algumas referências sobre o que é o dia das “ Maias” ou do “ Burro”, já não se recordam de que em sua casa se pratique o ritual da colocação das “Maias”;
1ª Edição do Concurso
Página 78
“Maias em Maio”
- a uma pessoa mais idosa (D. Maria Eugénia Gomes Esteves , com 61 anos de idade, natural da freguesia de Verdoejo) a qual nos confirmou que no nosso concelho já quase não se fazem maias, apesar disso diz que continuam a colocar-se os raminhos de giesta. Refere ainda que desde o tempo da sua meninice se recorda de fazer as maias, segundo ela “para que o mal não entre em casa” e ainda por motivos amorosos (a versão de que os rapazes roubavam às raparigas casadoiras as suas maias para lhes demonstrar o seu interesse nelas).
O durante, contém dois documentos vídeo que exemplificam o ressurgir da tradição, em paralelo com a introdução de um cunho inovador – a reutilização de materiais: - os jovens da turma c do 9º ano que elaboraram maias recicladas; - as imagens do conjunto de maias apresentadas a concurso e expostas para selecção do júri, na Biblioteca Municipal de Valença que também exemplifica quer a variedade quer a criatividade artística destas.
O depois, surge como corolário, após o concurso: - entrevistamos novamente alguns jovens, desta vez mais novos que os primeiros ( com 8 e 9 anos – 1º ciclo), os quais nunca tinham elaborado uma maia até à data desta iniciativa. O que constatamos é que, neste momento, sabem qual o significado desta tradição e sobretudo que consideram importante dar-lhe continuidade e ainda que tencionam fazê-lo; - apresentamos o registo fotográfico comprovativo de que as maias a engalanar a praça-forte do município não foram somente as do concurso, mas que a estas se associaram de forma espontânea as dos comerciantes intramuros tendo estes, inclusive, elaborado maias alusivas aos diferentes sectores comerciais existentes. Por conseguinte, pensamos que está bem patente a vontade da comunidade valenciana em fazer ressurgir está tradição. Para o demonstrarem, apenas necessitaram que lhes fosse dado o mote e tal foi conseguido através da: “ 1ª edição do concurso Maias em Maio”. Esperamos sinceramente que se dê continuidade a este projecto e que a iniciativa possa vir a tornar-se um evento de dimensões mais alargadas a nível concelhio, e mesmo uma forma de divulgação turística de uma faceta peculiar das raízes culturais dos valencianos. Junho de 2010
1ª Edição do Concurso
A turma 9º C/A professora Rosa Mendes
Página 79
“Maias em Maio”
Queremos
agradecer de forma extensiva a todos aqueles que deram o seu contributo para a concretização deste projecto, designadamente aos participantes no concurso. Em especial agradecemos ainda àqueles que nos deram o seu apoio mais directo.
Aos professores: - José Manuel Durães. -José Afonso Teixeira. - Olga Maria Urze.
Aos elementos do júri: - representante do Agrupamento, a professora Graça Viães; - representante do Município, a vereadora da educação e acção social, Drª Elisabete Domingues; - representantes especialistas: em literatura popular, a professora Maria de Lourdes Bengala Carita; em expressões artísticas, a professora Catarina Domingues; em arte floral, a florista D. Paula Cunha.
À Autarquia de Valença. À Direcção Executiva do Agrupamento Vertical de Escolas “Muralhas do Minho.
1ª Edição do Concurso
Página 80
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 81
“Maias em Maio”
1ª Edição do Concurso
Página 82
“Maias em Maio” Letra da canção interpretada pelos alunos das turmas C e E do 9º Ano, sob orientação da professora de Educação Musical, Olga Urze. Serve de banda sonora ao documento vídeo. MAIO MOÇO Do cancioneiro popular Este Maio moço É um trinca-burras Vendeu umas botas Trouxe-me umas luvas Ai,ai,ai Trouxe-me umas luvas Ei-lo vai Ei-lo vem Pelas portas de Santarém Ei-lo vai Ei-lo vem Viva, viva Passe muito bem Este Maio moço Chama-se João Anda na campanha Lindo capitão Ai, ai, ai Lindo capitão Ei-lo vai Ei-lo vem Pelas portas de Santarém Ei-lo vai Ei-lo vem Viva, viva Passe muito bem Este Maio moço Chama-se Francisco Anda pela rua A barrer o cisco Ai, ai, ai A barrer o cisco Ei-lo vai Ei-lo vem Pelas portas de Santarém Ei-lo vai Ei-lo vem Viva, viva Passe muito bem
1ª Edição do Concurso
Página 83
“Maias em Maio”
Entrevista 1- Escola E.B 2,3/ S de Valença ( jovens 14 e 15 anos) Q.1 Já ouviste falar na tradição das Maias? Q.2 Conheces o significado desta tradição? Se não Q.3 E o dia do “ burro” já ouviste falar? Q. 4 Em que data ocorre este ritual? Q.5 Em tua casa é habitual praticar esta tradição? Se sim Q.6 De que forma o fazem? Q.7 Sabes porque razão se tem este hábito? Q.8 Em que dia se celebra? Q.9 O que representam? Q.10 Tens o hábito de celebrar?
Obrigada pela colaboração!
1ª Edição do Concurso
Página 84
“Maias em Maio”
Entrevista 2 – Pessoa mais velha (D. Eugénia – freguesia de Verdoejo) Q. 1 Desde quando se recorda celebrar este ritual popular? Q.2 Para si, qual é o significado desta tradição? Q 3 Porque continua a manter este uso em sua casa? Q.4 A maioria das pessoas daqui da aldeia também têm este hábito? Porquê? Q.5 Acha que os pais transmitem aos filhos esta tradição? Porquê? Q.6 Já ouvimos chamar a este dia “ o dia do burro”, o que é o “burro”? Q.7 Há algumas práticas obrigatórias associadas à elaboração das Maias? ( se sim) Quais? Q.8 Que materiais se utilizam para fazer a coroa das Maias? Q.9 As flores devem ser especiais, ou servem quaisquer umas? Q. 10 É costume escrever alguns versos ou quadras para colocar nas Maias? Q.11 Qual o(s) tema(s) desses versos? Q.12 Conhece alguma história ou lenda ou associada a este costume? Q.13 Considera importante manter vivo este uso popular? Porquê?
Muito obrigada pelos seus testemunhos e colaboração.
1ª Edição do Concurso
Página 85
“Maias em Maio”
Entrevista - Escola EB1 de S. Pedro (crianças 8,9 anos- 3º ano) Colectiva ( grupo-turma)
Introdução Este ano, para participarem no concurso “Maias em Maio”, fizeram “Maias” com os vossos pais e aqui na escola. Por isso vamos colocar-vos algumas questões que podem responder em colectivo quando a resposta for sim ou não. Ou então pôr o dedo no ar para dizer algo diferente que tenha interesse para essa pergunta.
Q. 1 Em anos anteriores já tinham feito Maias? Q.2 Fizeram a vossa maia sozinhos ou com ajuda? De quem? (dirigir a questão aos que queiram falar) Q.3 Na escola falaram sobre o significado desta tradição? O que aprenderam sobre ela? (Porque razões se fazem as Maias?) Q.4 Em casa também conversaram sobre este assunto? Q.5 Alguém mais velho vos contou alguma “história” interessante sobre este costume da nossa terra? Q.6 (se sim) Quem? E o que vos contou? Q. 7 Para além de fazer as Maias, também escreveram quadras. Quais eram os temas dessas quadras? Q.8 Gostaram de realizar esta actividade? Q. 9 Que parte vos agradou mais, fazer a Maia ou escrever as quadras? Q. 10 Para o próximo ano vão pedir aos vossos pais para fazerem Maias? Q. 11 Na vossa opinião, o que devem fazer os mais novos para que as tradições da nossa terra não sejam esquecidas ?
1ª Edição do Concurso
Página 86
“Maias em Maio” Agora vamos fazer-vos um teste muito simples e rápido sobre o tema das “Maias”. Para tal pedimos três voluntários. Quem se propõe?
Q.1 Em que dia se colocam as maias nas casas? Q. 2 Entre nós, o dia das Maias também pode designar-se de outra forma. Qual? Q.3 Em que locais da casa se devem colocar? Q. 4 Que materiais se devem usar para elaborar uma Maia Tradicional?
Obrigada pela vossa colaboração e mais uma vez vos felicitamos pelo vosso trabalho! Pois foram a escola que mais participou no concurso. E por sinal, até ganharam o prémio. Parabéns!
1ª Edição do Concurso
Página 87